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Segurança e saúde no trabalho: do geral e abstracto do direito ao singular e concreto da psicologia do trabalho: potencialidades da análise ergonómica do trabalho na construção de uma prevenção integrada e participada

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Segurança e saúde no trabalho: do geral e abstracto do direito ao singular e concreto da psicologia do trabalho: potencialidades da análise ergonómica do trabalho na construção de uma prevenção integrada e participada

Author: Maria Manuela de Melo Massena
Year: 2002
DOI: 10.34626/4kj9-c373
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/50329/2/29739.1.pdf
UNIVERSIDADE DO PORTO
FACULDADE DE PSICOLOGIA
E DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
- SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO -
Do Ge al e Abs ac o do Di ei o
ao Singula e Conc e o da Psicologia do T abalho:
po encialidades da análise e gonómica do abalho
na cons ução de uma p e enção
in eg ada e pa icipada.
■.
Disse ação ap esen ada pela Licenciada em
Di ei o e Pós-G aduada em Es udos
Eu opeus Ma ia Manuela de Melo
Massena, pa a a ob enção do g au de
Mes e em Psicologia, na á ea da Psicologia
do T abalho, sob a o ien ação da P o esso a
Dou o a Ma ianne Lacomblez
Maio de 2002
UNIVERSIDADE DO PORTO
FACULDADE DE PSICOLOGIA
E DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
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- SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO -
Do Ge al e Abs ac o do Di ei o
ao Singula e Conc e o da Psicologia do T abalho:
po encialidades da análise e gonómica do abalho
na cons ução de uma p e enção
in eg ada e pa icipada.
Disse ação ap esen ada pela Licenciada em
Di ei o e Pós-G aduada em Es udos
Eu opeus Ma ia Manuela de Melo
Massena, pa a a ob enção do g au de
Mes e em Psicologia, na á ea da Psicologia
do T abalho, sob a o ien ação da P o esso a
Dou o a Ma ianne Lacomblez
Maio de 2002
Ag adecimen os
Chega aqui signi icou odo um pe cu so de pa ilha com di e sas e di e en es pessoas
que,
em cada momen o e ci cuns ância, soube am e quise am e a disponibilidade da
pa icipação, da ajuda e da comp eensão e paciência que um abalho des a na u eza
semp e implica pa a quem odeia o seu au o .
Não podendo aqui e e encia odos e odas, pe mi am-me que, em p imei o luga ,
ag adeça à minha amília nuclea , is o é, ao Albano e ao Rica do, à minha Mãe e à
minha emp egada domés ica, An ília, de seu nome.
Ao D . An ónio Pinho e à Ana, sem cujo con ibu o e disponibilidade não e ia sido
possí el ealiza com êxi o a acção de o mação.
Aos ge en es da Eu olus e, i mãos Sé gio e Manuel Bessa Oli ei a, po me e em
acolhido e a ado como amília.
A odos os abalhado es que comigo pa ilha am es a a en u a de en iquecimen o e
ans o mação, desejando que o seu es o ço e pe sis ência con ibuam pa a a melho ia
das condições de abalho em Po ugal.
À minha amiga Sand a Ma os pela p eciosa ajuda na á ea in o má ica e pe manen e
disponibilidade.
À minha colega Isabel Machado, um ob igada pelo con ibu o nos "esquemas",
diag amas e g á icos que embelezam os Anexos
A odos os colegas do Mes ado, pela amizade e coope ação pe manen es. Ob igada,
sob e udo, ao Rica do Vasconcelos, às Ca ias e ao Viana Jo ge.
À Luísa San os pelas a enções, disponibilidade e so iso pe manen e, mesmo quando o
ele one não pá a.
Po im mas po que os úl imos, nes as ci cuns âncias, são os p imei os, um Mui o
Ob igada à P o esso a Ma ianne Lacomblez, a quem de o a possibilidade de e ei o
es a iagem que me pe mi iu acumula bagagem de e ei o mul iplicado que, oda ia, dá
p aze ca ega .
Resumo
Es e abalho isa se um con ibu o pa a o deba e de ideias, em Po ugal, sob e as
polí icas e p á icas ac uais de p e enção dos iscos p o issionais e concepções dou inais
que lhes subjazem, pon o de pa ida pa a a mudança necessá ia no sen ido da cons ução
da p e enção in eg ada e pa icipada, consubs anciada na iloso ia eiculada pelo
quad o no ma i o da Di ec i a-Quad o 89/391/CEE. Po ou o lado, ao e idencia as
ligações u uosas en e a análise e gonómica do abalho e a o mação, p e ende,
ambém, deixa um es emunho pa a o epensa das p á icas o ma i as.
Nesse sen ido, o abalho es u u a-se e desen ol e-se num exe cício de conciliação da
o mação ju ídica e expe iência p o issional da sua au o a, na á ea do Di ei o do
T abalho, com os sabe es eó icos e empí icos adqui idos no âmbi o do p ojec o
cien í ico da E gonomia de adição ancó ona, en iquecido pelos con ibu os de uma
Psicologia do T abalho que com ela pa ilha mui os dos p incípios básicos.
O p i ilégio des a adição cien í ica esul a do ac o de, po um lado, a o igem e a
e olução da Psicologia do T abalho e da E gonomia, como campos disciplina es
au ónomos de es udo do abalho humano, es a em in imamen e ligadas com a his ó ia e
a e olução do p óp io abalho e, po ou o, po que, ao cen a -se na análise da dinâmica
da ac i idade conc e a do abalhado e das condições do seu exe cício, soco e-se de
p incípios e mé odos que possibili am a o malização con ex ualizada das compe ências
u ilizadas, pe mi indo o desen ol imen o da capacidade de acção e ans o mação do se
humano- abalhado sob e a sua si uação de abalho.
Desse modo, as po encialidades da análise e gonómica do abalho no desen ol imen o
e en iquecimen o de compe ências são e iden es, na medida em que, ao e em con a as
condições écnicas e o ganizacionais do abalho ace às quais os ope ado es são
cons angidos a si ua em-se, az eme gi no as elações en e a concepção dos
ins umen os, os modos ope a ó ios e a sua u ilização e, des a o ma, con ida a eno a
as p á icas de p e enção e inci a a concebe a pa icipação dos abalhado es de modo
mais ac i o e pe manen e.
Abs ac
This esea ch in ends o be a con ibu ion o he deba e o ideas, in Po ugal, abou he
cu en policies and p ac ices o p e en ion o he p o essional isks and doc inai e
concep ions behind hem, poin o depa u e o he necessa y change owa ds building an
in eg a ed and pa icipa ed p e en ion, unde lined in he philosophy p opaga ed by he legal
amewo k o he F amewo k-Di ec i e 89/391/CEE. On he o he hand, highligh ing he
ui ul connec ions be ween he e gonomie analysis o he wo k and aining, i in ends,
also,
o gi e a ce i ica ion o e hink he aining p ac ices.
In ha sense, he esea ch is s uc u ed and de elops i sel in an exe cise o concilia ion o
he ju idical aining and he p o essional expe ience o i s au ho , in he a ea o Labou
Law, wi h he heo e ical and empi ical knowledge eached in he ield o he scien i ic
p ojec o he E gonomics o ancophone adi ion, en iched wi h he con ibu ions o a
Psychology o Labou which sha es wi h i a lo o i s basic p inciples.
The p i ilege o his scien i ic adi ion a ises om he ac ha , on one side, he o igin and
e olu ion o he Psychology o Labou and E gonomics, as au onomous ields o s udy o
human wo k, a e closely connec ed wi h he his o y and e olu ion o he wo k i sel and, on
he o he hand, when p i ileging he analysis o he dynamics o he wo ke 's conc e e
ac i i y and he condi ions o i s exe cise, i appeals o p inciples and me hods ha enable
he con ex ualised o malisa ion o he used skills, allowing he de elopmen o he
capaci y o ac ion and ans o ma ion o he human being-wo ke o e his wo k si ua ion.
This way, he s eng hs o he e gonomie analysis o he wo k a e highligh ed in he
building o an in eg a ed and pa icipa ed p e en ion cul u e and in he imp o emen o he
wo king condi ions and pe o mance, because, aking in o accoun he echnical and
o ganisa ional wo king condi ions he wo ke has o ace, i a ises new ela ions be ween
he concep ion o he ools, he ope a ing ways and i s use, and, his way, in i es o enew
he p e en ion p ac ices and inci es o concei e he pa icipa ion o he wo ke s in a mo e
ac i e and pe manen way.

Résumé
Ce é ude a pou bu de con ibue au déba d'idées, au Po ugal, su les poli iques e les
p a iques ac uelles de p é en ion des isques p o essionnels e les concep ions doc inelles
que leu soujasen , poin de dépa pou le changemen nécessai e dans le sens de la
cons uc ion de la p é en ion in ég ée e pa icipée, consubs anciée dans la philosophie
ansmise pa le cad e no ma i de la Di ec i e-Cad e 89/391/CEE. D'au e pa , en me an
en é idence les liaisons uc ueuses en e l'analyse e gonomique du a ail e la o ma ion,
a ec ce é ude on eu , aussi, laisse un émoignage pou epense les p a iques de
o ma ion.
Dans ce sens, ce é ude es s uc u ée e se dé eloppe dans un exe cice de concilia ion de la
o ma ion ju idique e de l'expé ience p o essionnelle de son au eu , dans le domaine du
D oi du T a ail, a ec les sa oi s héo iques e empi iques acquis dans le cad e du p oje
scien i ique de l'E gonomie de adi ion ancophone, en ichi pa les con ibu ions d'une
Psychologie du T a ail qui pa age a ec elle plusieu s des p incipes basiques.
Le p i ilège de ce e adi ion scien i ique ésul e du ai que, d'une pa , l'o igine e
l'é olu ion de la Psychologie du T a ail e de l'E gonomie, en an que domaines
disciplinai es au onomes d'é ude du a ail humain, son é oi emen liées à l'his oi e e à
l'é olu ion du a ail lui-même e , d'au e pa , pa ce que, en p i ilégian l'analyse de la
dynamique de l'ac i i é conc è e du a ailleu e des condi ions de son exe cice, elle ai
appel à des p incipes des mé hodes qui possibili em la o malisa ion con ex ualisée des
compé ences u ilisées, en pe me an le dé eloppemen de la capaci é d'ac ion e de
ans o ma ion de l'ê e humain- a ailleu su sa si ua ion de a ail. De ce e açon, les
po enciali és de l'analyse e gonomique du a ail dans le dé eloppemen e
l'en ichissemen de compé ences son é iden es, dans la mesu e où, en p ennan comp e des
condi ions echniques e o ganisa ionnelles du a ail ace auxquelles les opé a eu s son
cons ain s à se si ue , elle ai éme gi de nou elles ela ions en e la concep ion des
ins umen s, les modes opé a oi es e leu u ilisa ion e , ainsi, in i e à enou elle les
p a iques de p é en ion e inci e à conce oi la pa icipa ion des a ailleu s d'une açon
plus ac i e e pe manen e.
ÍNDICE
Pág.
In odução 1
I - A Génese e a Razão de Se do Di ei o do T abalho
1.1 .B e e sín ese his ó ica 9
1.2.A in e nacionalização do Di ei o do T abalho 16
1.3.0 Di ei o do T abalho em Po ugal 20
II - As Relações en e o Di ei o do T abalho e os Ciclos Económicos
2.1.0 p ocesso de indus ialização e os seus e lexos na o ganização do abalho 25
2.1.1.c ise da elação sala ial do modelo aylo is a 28
2.2.Da elação labo al es á el e du adou a à p eca iedade do abalho 34
2.2.1.p e alência de um o denamen o ju ídico de "p odução de
iqueza" sob e o modelo clássico de " edis ibuição de ecu sos" 42
2.2.2.Impac o da p eca iedade e da lexibilidade na saúde dos
abalhado es 49
2.3.0 ganização do abalho e e olução da elação sala ial - da c ise de 1973 à
ac ualidade 58
III.-
His ó ia das P á icas de Fo mação P o issional - espos a aos apelos sociais
deco en es do modo de egulação e o ganização do abalho
3.1.A
o mação e o p ocesso de indus ialização 63
3.2.A o mação no pe íodo do pós-IP Gue a e a é ins dos anos 70 66
3.3.A o mação a pa i dos anos 80 69
3.4.E olução do sis ema o ma i o em Po ugal 75
IV - Segu ança, Higiene e Saúde no T abalho - o desa io que u ge ence
4.1.Da iloso ia co ec i a e epa ado a à p e enção in eg ada e pa icipada 85
4.1.1.p essupos os dou inais des e quad o concep ual 88
4.1.2.A ine icácia des e modelo e o eme gi de uma iloso ia de p e enção
in eg ada e pa icipada 90
4.1.3.Enquad amen o ju ídico do no o quad o concep ual 91
4.2.Di ec i a-Quad o 89/391/CEE - p é- equisi os e undamen os 92
4.3.A di ícil passagem do Di ei o à p á ica 96
4.3.1.P imei a a aliação da aplicação p á ica da Di ec i a-Quad o
em Po ugal 104
4.3.2.E olução ecen e e pe spec i as 109
V.-.Psicologia do T abalho e E gonomia - Fundamen os e Con ibu os
5.1 .Raízes e he ança 114
5.1.1.0s p imei os es udos da psicologia do abalho 116
5.1.2.0
pe íodo do pós-gue a 119
5.1.3.0
desen ol imen o da E gonomia e a sua a iculação
com a Psicologia do T abalho 120
5.1.4.Pe spec i as ac uais da E gonomia 124
5.1.5.Con ibu os da Psicologia do T abalho nes e p ojec o
e gonómico plu idisciplina e pa icipa i o 126
5.2.Me odologia da in es igação em Psicologia do T abalho 129
5.3.Opção epis emológica e ilosó ica 131
5.4.Es udo de Caso - o mé odo p i ilegiado 134
5.5.Técnicas de ecolha e análise de dados 136
5.6.Análise da ac i idade - ma iz e núcleo cen al des e p ojec o 136
5.6.1.Me odologia da análise e gonómica do abalho 139
5.7.Análise do abalho e o mação - o es ei a de uma elação 145
5.7.1.A análise e gonómica do abalho como objec o da o mação 147
5.7.2.A análise e gonómica do abalho como ins umen o de
concepção de o mação de ipo p o issional 153
5.7.3.Conclusão 156
5.8.A a aliação da o mação - uma cons ução p og essi a e colec i a 158
VI - ESTUDO DE CASO:
Conhece pa a p e eni - comp eende pa a ans o ma
6.1.In odução jus i ica i a 161
6.2.Me odologia de in es igação 162
6.3.Análise e gonómica do abalho 168
6.3.1.
Ia e apa-Explo ação do uncionamen o da emp esa e
dos seus aços 168
6.3.1.1
.Ca ac e ização da emp esa: 170
6.3.1.1.1.T aços ge ais 170
6.3.1.1.2.Dimensão económica e come cial 171
6.3.1.1.3.Dimensão social 173
6.3.1.1,4.Dimensão écnica e o ganização do p ocesso p odu i o 175
6.3.2. IP e apa-Análise da ac i idade 178
6.3.2.1.O ganização e análise dos dados ecolhidos: 182
6.3.2.1.1.Segu ança, higiene e saúde 182
6.3.2.1.2.Ca ac e ização dos ecu sos humanos 184
6.3.2.U.Exp essão indi idual das ep esen ações da si uação de abalho 185
6.3.2.1.4.Ap eciação e conclusões des as duas e apas 192
6.3.3.
IIIa e apa - Res i uição e alidação dos esul ados
da análise do abalho 195
6.3.4. IVa e apa - Elabo ação do diagnós ico e ap esen ação
de p opos a de acção e ans o mação 201
6.3.4.1.Plani icação e negociação da p opos a de in e enção 203
6.3.5.
Va e apa - A in e enção - ap endizagem mú ua pela
descobe a acompanhada e pa icipada 204
6.3.5.1.A
acção de o mação: conhece , comp eende , pa ilha ,
ans o ma . 207
mé odos quali a i os, sendo, po isso, uma me odologia essencialmen e obse acional,
desc i i a e explica i a.
A e olução das pesquisas, em espos a aos "apelos sociais" esul an es da c ise do
" o dismo" (busca de no os modelos de o ganização do abalho isando a lexibilidade
dos p ocessos de p odução ace aos "imponde á eis do me cado"), desencadea am um
es ei a de elações en e a análise e gonómica do abalho e a concepção de acções de
o mação p o issional, cujas po encialidades, nas di e en es modalidades de coope ação
que se o am es abelecendo e inc emen ando a pa i dos anos 90, se ap esen am como
uma e e ência não negligenciá el pa a o epensa das p á icas o ma i as em Po ugal.
Inse idos no pa adigma que suma iamen e se acaba de ap esen a , e oluímos da nossa
hipó ese de pa ida pa a o desen ol imen o de um abalho que se es u u a em o no de
uma pe spec i a sócio-his ó ica, o ganizada em se e capí ulos, a a és da qual
p ocu amos con ibui pa a a cons ução de in e enções al e na i as em Po ugal, no
âmbi o de modalidades de diálogo social consen âneas com o quad o sócio-económico
ac ual.
O Is Capí ulo é, po isso, dedicado à génese e undamen o do Di ei o do T abalho,
explici ando-se, no IIs Capí ulo, a e olução do modo de p odução e de egulação da
elação sala ial e a sua conexão com os ciclos económicos.
As conjun u as económicas, sociais e polí icas que en o mam a pe spec i a his ó ica
des es dois capí ulos ma ca am ambém as e oluções das p á icas sociais e cien í icas
ela i as à o mação p o issional. Nessa medida, dedicamos o Capí ulo IIP a es a
emá ica, p ocu ando e idencia como hoje a ap endizagem e a o mação não se
esgo am na lógica p odu i a, de endo an es se concebidas como um p ocesso
complexo, que alo iza os conhecimen os adqui idos pelos abalhado es no local de
abalho, p i ilegiando, em consequência, a dimensão pa icipa i a, sus en ada pela
con icção de que a iqueza de uma con on ação en e os conhecimen os mais eó icos
dos pe i os e aqueles, mais empí icos, dos abalhado es, c ia á ou os p ocessos de
mudança.
6

A en as as especi icidades da his ó ia do nosso país, au onomizamos, em cada um des es
ês capí ulos, um sub- í ulo ela i o à expe iência po uguesa.
No Capí ulo IV2 desen ol emos, en ão, a p oblemá ica que es á na génese des e
abalho - como encon a no as modalidades de diálogo social que nos pe mi am
ence o desa io da segu ança, higiene e saúde nos locais de abalho?
Pa a o e ei o, explici amos os p essupos os dou inais do modelo clássico co ec i o e
epa ado , ap o undando, depois, os p é- equisi os pa a uma adequada lei u a e
comp eensão das mu ações que a iloso ia de p e enção eiculada pela Di ec i a-
Quad o 89/391/CEE, impõe, em con apon o com o que espelha o Is Rela ó io de
A aliação da Aplicação P á ica da Di ec i a-Quad o em Po ugal.
Concluímos es e Capí ulo salien ando a opo unidade de cons ução de in e enções
al e na i as em Po ugal que, em nossa opinião, se desenha, na sequência dos Aco dos
de Conce ação Social assinados pelo Go e no e po odos os Pa cei os Sociais em
Fe e ei o de 2001.
Nesse con ex o, ap esen amos, desen ol emos e undamen amos no Capí ulo Ve, os
p incípios básicos da Psicologia do T abalho e da E gonomia, o seu quad o eó ico-
me odológico de in es igação e acção, pondo em e idência os esul ados bené icos da
a iculação des as duas disciplinas num p ojec o mú uo de desen ol imen o e
ansmissão de compe ências e as po encialidade das modalidades de coope ação desse
mesmo p ojec o com a o mação.
Em coe ência com o quad o eó ico e me odológico ca ac e izado e desen ol ido nes e
capí ulo, sujei o, embo a, aos ajus es necessá ios, ap esen amos no Capí ulo VP o
es udo de caso que desen ol emos numa PME do Sec o Me alú gico e
Me alomecânico, Sub-Sec o da Luminá ia Domés ica, explici ando e undamen ando
po meno izadamen e e passo a passo, as opções, os mé odos e as écnicas p i ilegiadas.
Concluímos ese ando o Capí ulo VIIs pa a uma e lexão global sob e o abalho
ealizado, as di iculdades encon adas, as po encialidades empi icamen e e idenciadas
po es a me odologia de pesquisa e acção na ans o mação das si uações de abalho e a
impo ância da sua di usão em Po ugal pa a a concepção de p á icas o ma i as mais
e icazes e segu as.
7
Impo ância e o çada pelo ac o de os p incípios e p á icas des e p ojec o
plu idisciplina e pa icipa i o es a em consubs anciados no quad o no ma i o da
Di ec i a-Quad o 89/391/CEE, mau-g ado as suas limi ações e insu iciências e as
inadequadas lei u as de que em sido al o po pa e de alguns especialis as, p omo o es
da p e enção.
8
I - A Génese e a Razão de Se do Di ei o do T abalho
1.1. B e e sín ese his ó ica
A complexidade dos p ocessos his ó icos e a cíclica ins abilidade esul an e da
in e pene ação dos sis emas polí ico, económico e social, lega am-nos o conhecimen o
de que só é possí el comp eende o p esen e obse ando-o à luz do passado e que a
comp eensão in eg ada e objec i a do p esen e é condição sine qua non pa a a p ojecção
e p e enção do u u o, com alguma lucidez.
Salien a-se alguma, po que, no que conce ne à ajec ó ia de enómenos que espei am a
ac i idades e compo amen os humanos, em pe manen e e ápida mu ação, nada se pode
p e e com ce ezas, mas ão somen e p essagia o sen ido p o á el de ans o mações
p óximas.
A sociabilidade, ealidade in insecamen e elacional, é da essência da o dem ju ídica.
Nes a pe spec i a (ubi ius, ibi socie as), o Di ei o é uma écnica ins umen al de
o ganização social, es abelecida pa a a in eg ação, ins i ucionalização e egulação
ju isdicional dos con li os sociais, a a és da emanação de no mas e p incípios ju ídicos
que p econizam a solução adequada e o denada do con li o indi idual ou colec i o,
con igu ando, assim, um sis ema de segu ança e conse ação das elações sociais
igen es num momen o de e minado.
Daqui deco em, desde logo, duas cons a ações impo an es: - - o con li o de in e esses
é uma ealidade social p é-no ma i a que o Di ei o em in eg a ; 2- - a con li ual idade
social é dinâmica, pelo que, a egulação no ma i a dos con li os sociais e ela, em cada
momen o, o quad o de in e esses e alo es da opção polí ica p e alecen e den o de um
sis ema sócio-polí ico de e minado.
Consequen emen e, con li o social e no ma ju ídica egulado a des e, azem pa e da
mesma ealidade ju ídica.
9
A unção social do Di ei o (in eg ação de con li os sociais) é, pois, indispensá el pa a a
comp eensão da génese e undamen o do Di ei o do T abalho, bem como pa a a
adequada lei u a das ans o mações de que, ao longo do empo, em sido objec o.
As duas cons a ações acima e e idas, com pa icula ên ase pa a a segunda, pe mi em-
nos comp eende po que mo i o, endo odas as sociedades his ó icas conhecido o
abalho como on e de con li os sociais, só ecen emen e se enha o nado objec o de
um co po de no mas ju ídicas especí icas e au ónomas.
Como diz Lopez, P.
(2001,
p.
17),
o Di ei o do T abalho é uma "ca ego ia cul u al u o
do sis ema capi alis a indus ial".
Não é, po an o, a espos a no ma i a ao con li o sócio-labo al ou de abalho em ge al,
mas a eacção an e o "con li o indus ial", o con li o que se ge a en e o capi al e o
abalho assala iado, na sociedade capi alis a indus ial que eme ge no séc. XIX.
An es de p ossegui mos no desen ol imen o e comp eensão desse sis ema ge ado de
uma no a cul u a, que ainda hoje p e alece, eco demos a disciplina ju ídica do abalho
nas sociedades p é-capi alis as.
Na An iguidade, não ha ia co pos de no mas ou p incípios ju ídicos endo o abalho
como objec o especí ico. A disciplina ju ídica do abalho es a a inse ida em co pos
no ma i os de âmbi o mais gené ico, como o das á ias o mas de p op iedade (pa a
egula a esc a idão e si uações de abalho se il) ou os da locação ou a endamen o
(pa a egula as si uações de se iço li e, já que o abalho e a assimilado a uma coisa
que o seu i ula aluga).
«Na Idade Média e Mode na, em que p e aleciam as co po ações de a es e o ícios, as
no mas sob e abalho o am in luenciadas pelo p óp io ca ác e comuni á io
hie a quizado e semi- amilia das elações exis en es en e emp esá ios (mes es) e
abalhado es (o iciais ou companhei os e ap endizes).
10
Es as no mas ( egimen os co po a i os), con inham uma egulamen ação es a u á io-
p o issional mui o minuciosa da si uação do p es ado de abalho, oda ia, a a a-se de
egimes sem au onomia, ligados aos aspec os écnicos do abalho e à conco ência»
(Xa ie , B.G.L., 1999, p.26).
An e io men e à Re olução Indus ial, a es u u a no ma i a simpli icada e de
ca ác e não au ónomo esul a a do ac o de o abalho e os abalhado es pouco
in e essa em no plano económico e mui o menos no plano polí ico. O que
p eocupa a os es udiosos e a o egime de oca e não o da p odução.
No inal do Sec.XVIII, a Re olução bu guesa e a indus ialização capi alis a ou
Re olução Indus ial, o am os dois ac o es de e minan es do desencadeamen o de um
complexo p ocesso his ó ico que conduz ao su gimen o e ex ensão de um no o con li o
social e de no os an agonis as colec i os.
O pa adigma his ó ico da e olução bu guesa é a Re olução F ancesa de 1789, na qual a
bu guesia e olucioná ia p o agoniza o acesso ao domínio polí ico, sancionando
his o icamen e a o dem económico-capi alis a e a p op iedade p i ada sob e a
p op iedade eudal.
É a a i mação do libe alismo como p odu o ideológico dominan e. Ou os mo imen os
sociais despon a am ( e olução inglesa do séc.XVII e no e-ame icana do séc.XVIII)
endo, no en an o, seguido esquemas di e en es.
O iun o his ó ico da bu guesia inco po a na his ó ia da humanidade duas ca ego ias
cul u ais de e minan es: o libe alismo, como dou ina uni á ia que p i ilegia a noção de
libe dade, sac alizando os di ei os indi iduais da pessoa e epudiando, em consequência,
qualque ins ância in e média en e es a e o Es ado sobe ano, e o capi alismo, como
sis ema económico (modo de p odução capi alis a).
O libe alismo económico elege, como eg a de ou o, a lei da o e a e da p ocu a, den o
de um me cado li e, p esc e endo a abs enção do Es ado na ac i idade económica.
li

No plano ju ídico, o indi idualismo libe al consag ou o dogma da "au onomia da
on ade" das pa es no es abelecimen o do con eúdo da elação con a ual, limi ada,
apenas, pelo in e esse e o dem públicos.
O sis ema de p odução capi alis a epousa sob e a p op iedade p i ada dos meios de
p odução e as elações sociais esul an es.
Consequen emen e, e i ica-se a desin eg ação dos quad os da economia co po a i a,
subs i uindo-se as elações eudais de p odução po uma elação de oca de abalho po
salá io.
No plano da ciência económica, su ge a p eocupação com a p odução, o que le a a
coloca o p oblema do alo do abalho.
A ca ac e ís ica especí ica do sis ema p odu i o capi alis a é o abalho e ibuído,
p es ado em egime de alienabilidade li e (po on ade do abalhado ) e dependen e.
Re lec e, pois, a passagem do a esão ao assala iado, enquan o elação social dominan e
no sis ema de p odução.
Numa ase inicial, «o capi alismo ca ac e izou-se pelo ap o ei amen o de o mas de
ene gia não humanas e pela máquina. Dissociou o capi al do abalho e o abalhado do
p odu o do seu abalho, enca ando a ac i idade humana como um me o ac o de
p odução, sujei o à lógica do me cado e subme eu-a ao i mo das máquinas» (Xa ie ,
B.G.L.,1999, p.27).
Rapidamen e a ealidade se enca egou de demons a que os p incípios libe ais da
con a ação, que p oclama am a libe dade e a igualdade das pa es na de e minação do
con eúdo do con a o de abalho, e am es aziados de con eúdo pelos mecanismos
ligados às leis do me cado.
12
O p ocesso de subs i uição do abalho humano pela máquina e as suas consequências
na o ganização e i mo de abalho, o igina am um eno me exceden e de mão-de-ob a,
p opício à explo ação, no quad o ideológico dominan e.
As consequências do maquinismo e da exal ação capi alis a dos p incípios libe ais
conduzi am a esul ados deg adan es: jo nadas de abalho esgo an es, salá ios de
misé ia, condições de abalho p ecá ias, adiga e sub-alimen ação, ambien es
insalub es, explo ação do abalho eminino e de meno es.
É nes e cená io de misé ia e explo ação humanas que se desencadeia e gene aliza um
no o con li o social, p o agonizado po no os an agonis as sociais: o ope á io
assala iado que, desp o ido de meios de p odução p óp ios, se ê ob igado a ende a
sua o ça de abalho a qualque p eço, pa a pode subsis i , e o capi alis a ou
emp esá io, saído da bu guesia eme gen e, p op ie á io dos meios de p odução.
Es a deplo á el si uação da classe ope á ia no séc.XIX, que icou conhecida, na época,
como "ques ão social" e de que há ela os pungen es de que é exemplo o céleb e
inqué i o de 1840, le ado a cabo po Ville mé (ed. de 1976), desencadeou eacções nos
abalhado es ge ando, p og essi amen e, uma omada de consciência da sua p óp ia
o ça, mobilizando-se e o ganizando-se.
A "ques ão social" e o "mo imen o ope á io" que ez eme gi o ganizações sindicais e
polí icas, desencadea am um i o deba e ideológico, dominado pela ideia da
alo ização do abalho e pela necessidade de modi icação da si uação de explo ação
em que se encon a am os abalhado es.
O mo imen o ope á io e o deba e ideológico ine en e apidamen e se
in e nacionaliza am. Uns pos ula am o desapa ecimen o do sis ema capi alis a assen e
nos egimes de p op iedade e de sala iado (ma xismo e ou as co en es socialis as),
ou os de endiam, pelo menos, uma e o ma e uma mudança de sen ido desses egimes
(dou ina social da Ig eja).
13
Ge ou-se en ão, nos países indus ializados, sob e udo a pa i dos ins do século XIX,
aquilo que Polanyi
(1983,
In Lacomblez, 2001) designou po um "duplo mo imen o",
que oi c uzando e conjugando, con o me as conjun u as, dois ipos de o ien ação na
ges ão dos in e esses do Es ado: po um lado, um mo imen o pe soni icado po aqueles
que se iden i ica am com o pa adigma do uncionamen o das leis do me cado endendo,
po isso, a conside a o abalho humano essencialmen e como "capi al humano", no
qual só se jus i ica a in es i se al in es imen o se e elasse ú il enquan o ac o de
p odução; po ou o lado, um mo imen o con á io, de de esa, isando limi a os e ei os
do p imei o, que, oda ia, não esul a a de «in e esses conce ados de qualque
p e e ência pelo socialismo ou pelo nacionalismo mas, exclusi amen e, do egis o mais
amplo dos in e esses sociais i ais a ec ados pelo mecanismo de me cado em expansão»
(ib.
p.544).
É exac amen e na in e ace des es dois mo imen os que encon amos a génese e o
undamen o his ó ico do Di ei o do T abalho, a sua azão de se como disciplina
independen e - se i o p ocesso de ju isdicionalização do con li o en e o abalho
assala iado e o capi al, da sua in eg ação ou ins i ucionalização pelo Es ado libe al
bu guês.
«A in e enção do Es ado nas elações de p odução, a a és da p omulgação de "no mas
p o ec o as" das condições de ida e de abalho do p ole a iado indus ial e limi ado as
da a é en ão absolu a on ade do emp esá io na ixação do con eúdo do con a o de
abalho, esponde his o icamen e (...) à necessidade social de in eg a e canaliza o
"con li o social" su gido en e os no os an agonis as sociaisC), impondo ao con li o
um canal de desen ol imen o compa í el com a pe manência e o p og esso do modo de
p odução capi alis a e as pa edes mes as da sociedade bu guesa.
Es a é a unção his ó ica da legislação do abalho e, em úl ima ins ância, não sem
mu ações ins i ucionais, do p óp io Di ei o do T abalho» (Lopez, P., 2001, p.32).
A p o á-lo es á, como acen ua Polanyi na ob a sup a ci ada, a e olução das medidas
legisla i as adop adas pelos Es ados dos países indus ializados, nos ins do séc. XIX:
14
em di e en es países «de con igu ações polí icas e ideológicas ex emamen e
an agónicas, sob pala as de o dem das mais a iadas e com objec i os mui o
di e en es, uma mul i ude de pa idos e mo imen os sociais conduzi am à adopção de
medidas legisla i as quase exac amen e iguais no que espei a a uma sé ie de assun os
delicados». Leis a ulsas, en ão conhecidas po "p imei as leis ope á ias", que incidi am
sob e a limi ação do abalho das mulhe es e meno es, a edução dos empos de
abalho, o es abelecimen o de salá ios mínimos, a inspecção dos locais de abalho, a
esponsabilidade dos emp egado es em caso de aciden es de abalho, en e ou as.
A consolidação de um e dadei o Di ei o do T abalho, como o denamen o es u u ado e
au ónomo, deu-se no séc.XX, sob e udo após a c iação da OIT (O ganização
In e nacional do T abalho), em 1919 e o c escen e desen ol imen o do p ocesso de
in e nacionalização da legislação labo al.
O supo e cien í ico do no o o denamen o ju ídico é o con a o de abalho po con a de
ou em e subo dinado, sujei o a um conjun o especial de no mas de di ei o p i ado e
o dem pública, limi ado as da libe dade de es ipulação das pa es, pa a u ela a posição
dos abalhado es.
Com a solidi icação his ó ica do Es ado Social de Di ei o, o Di ei o do T abalho
con e eu-se num elemen o básico pa a o bem-es a das classes abalhado as, endo
es imulado a e olução cien í ica de á ios ho izon es p o issionais ocacionados pa a o
es udo do abalho humano, ace à necessidade, que oi sendo econhecida, de op imiza ,
conjun amen e, o bem-es a do abalhado e a sua con ibuição pa a a en abilidade
económica da emp esa.
E olução que e e a sua o igem nas c í icas que o am su gindo, na p imei a década do
séc.XX, ao uso demasiado u ili a is a do abalho humano, pondo abe amen e em causa
os excessos a que conduzia a o ganização " aylo is a" e os seus e ei os ne as os no
equilíb io psico isiológico do indi íduo no abalho (Lacomblez, 2001).
15
do adas de libe dade sindical o que, associado ao ac o, já e e ido, de se encon a em
desp o idas do di ei o à g e e, lhes e i a a o ça negocial e ec i a.
Em 1969, com Ma celo Cae ano, a si uação al e ou-se, pelo menos em e mos o mais,
diminuindo o con ole dos sindica os pelo Go e no e sendo adop ado um no o diploma
sob e ins umen os de egulamen ação colec i a (D.L.ns49212, de 28/8/1969), que
con e ia aos sindica os a possibilidade de impo em a a bi agem pa a a esolução dos
con li os.
Apesa disso, podemos dize que, no domínio das chamadas elações colec i as, o
bloqueio e a signi ica i o.
Em con apa ida, no que oca à egulamen ação da elação indi idual do abalho, há
que econhece ao co po a i ismo o mé i o da publicação da p imei a lei do con a o de
abalho inspi ada na ideia de p o ecção ao abalhado (Lei na1952, de 10/3/1937) e, na
sua ase inal, leis sob e o con a o de abalho, ecnicamen e bem ei as e p og essi as,
se compa adas com as dos países do bloco eu opeu ociden al (D.L. nQ47032, de
27/5/1966, depois e is o pelo D.L. ne49408, de 24/11/69, lei es a que ainda hoje é a
ma iz do con a o indi idual de abalho, apesa da e ogação e al e ação de alguns dos
seus ins i u os).
Salien e-se ainda que, nes e pe íodo, oi ambém adop ada legislação pe inen e sob e
aciden es de abalho e doenças p o issionais (alguma dela só ecen emen e e ogada),
du ação do abalho e um núme o conside á el de diplomas sob e higiene e segu ança
no abalho.
No e cei o pe íodo (desde 1974), há que conside a , desde logo, a queda do egime
an e io e o es abelecimen o do Regime Democ á ico, com a Cons i uição de 1976.
No pe íodo e olucioná io e p é-cons i ucional (de 25/4/74 a 25/11/75), as al e ações
legisla i as undamen ais encon am-se no domínio das elações colec i as, com o
22

es abelecimen o, em no os moldes, do egime ju ídico dos sindica os e das associações
pa onais e com o econhecimen o do di ei o à g e e.
Após a Cons i uição de 1976 e no que se e e e ao con a o indi idual de abalho,
man êm-se os quad os ge ais do pe íodo co po a i o, endo-se ope ado algumas
modi icações no egime de é ias, e iados e al as e al e ações adicais na ma é ia
espei an e à cessação do con a o de abalho.
Há a egis a ainda a ins i uição do Salá io Mínimo Nacional logo a segui a 25/4/74,
sendo, a pa i daí, anualmen e ac ualizado.
Nos anos oi en a, eabili a-se a ideia de emp esá io e de emp esa e ganha exp essão a
p i a ização de emp esas públicas (mui as delas ha iam sido nacionalizadas no pe íodo
e olucioná io).
Também nas ma é ias espei an es ao abalho suplemen a , abalho de mulhe es e
meno es, p o ecção da ma e nidade, en e ou as, hou e signi ica i os a anços.
Em 12 de Junho de 1985, Po ugal assina o T a ado de Adesão às Comunidades
Eu opeias passando, a pa i de
1/1/86,
a assumi , de pleno di ei o, a qualidade de
Es ado-memb o.
À da a Po ugal i ia um pe íodo de agilidade económica e de ausência de uma
es a égia de desen ol imen o do país.
O apelo à mode nização passa a es a na o dem do dia e aquilo a que se aspi a
sob epõem-se ao que se é. Eng ossam os despedimen os colec i os e a con a ação a
e mo banaliza-se, pe an e a passi idade dos pode es públicos, mais p eocupados com o
cump imen o das ob igações de acolhimen o do ace o comuni á io.
Apesa de já en ão e mos um o denamen o ju ídico-labo al mode no e democ á ico, as
ob igações de acolhimen o e cump imen o do ace o comuni á io, no sen ido da
ha monização e ape eiçoamen o do nosso o denamen o ju ídico, desencadea am uma
ecunda p odução legisla i a, a maio ia das ezes desa iculada do nosso con ex o eal e,
23
ou a ezes, numa cla a con adição com a legislação em igo que o legislado se
esquecia (?) de e oga , man endo-se, a é hoje, a sob eposição de sis emas (coexis ência
dos egimes básicos co po a i o e de legislação do pe íodo e olucioná io com as
no mas in o madas pela Cons i uição igen e), o que di icul a, po ezes, a aplicação e
adequada in e p e ação do nosso Di ei o do T abalho (Xa ie , B.G.L., 1999).
A necessidade há mui o sen ida de uma codi icação o denada e de consul a simples,
expu gada das moldu as e de iciências écnicas do passado ecen e le a am à c iação, no
ano 2000, da Comissão de Análise e Sis ema ização da Legislação Labo al. O ela ó io
da - ase de abalho des a comissão oi ecen emen e di ulgado, pa a discussão
pública.
24
II - As Relações en e o Di ei o do T abalho e os Ciclos Económicos
2.1.
O p ocesso de indus ialização e os seus e lexos na o ganização do abalho
A o ganização do abalho, nas qua o p imei as décadas do Séc. XX, oi modelada
pelos p incípios e mé odos da chamada Escola de Ges ão Cien í ica (Scien i ic
Managemen ), in oduzida no início do século pelo engenhei o ame icano F.W. Taylo
(1856-1915).
O seu modelo de o ganização do p ocesso p odu i o, que icou conhecido na His ó ia
po Taylo ismo, assen a a na acionalização e e iciência no abalho e isa a aumen os
subs anciais de p odu i idade.
Apesa da elação amo -ódio que o Taylo ismo hoje inspi a (ao lado dos c í icos e ozes
há os que en am eabili á-lo, como se obse a no ex o de Nób ega, C, 1998), a
e dade é que o sis ema de Taylo coexis e com no as o mas de o ganização e ges ão
da elação sala ial pelo que, a comp eensão das mu ações dos con ex os de abalho e
dos no os modelos de elações sala iais bem como os deba es que sob e eles
p osseguem implicam, ine i a elmen e, que se abo dem e explici em, embo a
suma iamen e, os p incípios da Ges ão Cien í ica que Taylo publicou em li o, em
1911.
Pe an e as acas melho ias na p odu i idade dos abalhado es, Taylo suge iu que o
p oblema esidia mais nas p á icas de ges ão do que na o ça de abalho. Insis ia que os
ges o es de iam analisa , planea e con ola "a melho o ma de ope a " (" he one bes
way") de e minada po es udos cien í icos - daí a designação "ges ão cien í ica".
Os p incipais mé odos aplicá eis, nes a abo dagem "cien í ica" do abalho, são a
obse ação e a mensu ação. O objec i o des e modelo é a eliminação do despe dício de
empo e de mo imen os e a ele ação dos ní eis de p odu i idade.
25
Taylo p eocupa-se exclusi amen e com as écnicas de acionalização do abalho do
ope á io, a a és do es udo de empos e mo imen os. Pa a al, e ec uou um pacien e
abalho de análise das a e as de cada ope á io, decompondo os seus mo imen os e
p ocessos de abalho, ape eiçoando-os e acionalizando-os g adualmen e (Muchielli,
R.,1964).
O es udo dos empos e mo imen os, obse ado e analisado a a és da di isão e
subdi isão de odos os mo imen os necessá ios à execução de cada ope ação de uma
a e a, pe mi ia elimina mo imen os inú eis, acionaliza os mé odos de abalho e ixa
empos-pad ão pa a a execução das ope ações e a e as.
Racionaliza a-se, des e modo, o eino dos ope á ios, adap ando-os à p óp ia a e a e
ge ando-se, ambém, uma maio especialização de ac i idades.
O concei o de e iciência (co ec a u ilização dos ecu sos disponí eis) é o núcleo cen al
da Ges ão Cien í ica que, a a és das écnicas acima e e idas, isa a maximiza a
p odu i idade de cada abalhado num de e minado pe íodo de empo.
Na opinião de Taylo , o ope á io não em capacidade, o mação nem meios pa a analisa
cien i icamen e o seu abalho e es abelece acionalmen e o mé odo ou p ocesso mais
e icien e pa a o espec i o desempenho.
Nessa pe spec i a, o seu modelo de ges ão sepa a, po um lado, a concepção,
planeamen o, mé odo e supe isão do abalho, e, po ou o, a execução do
abalho, sendo que aqueles são da esponsabilidade dos di igen es e, es a, do
ope á io.
«O abalhado não inha libe dade nem pode de inicia i a pa a es abelece a sua
manei a de abalha , passando assim a es a con inado à execução au omá ica e
epe i i a, du an e oda a sua jo nada de abalho, de uma ope ação ou a e a manual,
simples e pad onizada» (Chia ena o, I., 1997, p.97).
Nes e modelo de ges ão e o ganização do abalho o ope á io é is o como um homem
exclusi amen e mo i ado a abalha pelo medo da ome e pela necessidade de dinhei o
pa a i e . Em consequência, o seu salá io es á in imamen e ligado à espec i a
p odução.
Ac esce que o luxo sequencial do abalho é p e iamen e es abelecido assim como o
empo da sua du ação, não sendo pe mi idos con ac os sociais en e os colegas no local
de abalho.
Po ou o lado, a alo ização das condições de abalho, ais como iluminação,
en ilação, eliminação do uído, en e ou as, e am-no, não po azões de bem-es a dos
ope á ios, mas ão somen e na exac a medida em que se ap esen assem essenciais pa a a
e iciência do abalhado .
A implemen ação des e sis ema de ges ão, que apidamen e ul apassou on ei as, ge ou
a es u u ação das ope ações indus iais, economizando ene gia e empo.
É a época da di isão do abalho, especialização do ope á io e ele ada p odu i idade po
baixo cus o.
A p incipal base de aplicação des e modelo de o ganização do abalho oi a "linha de
p odução" ou "linha de mon agem".
A o ganização acional do abalho, p o agonizada po es e modelo, pa a além da
pad onização dos mé odos e p ocessos de abalho, p eocupou-se ambém com a
pad onização das máquinas e equipamen os, e amen as e ins umen os de abalho,
ma é ias-p imas e componen es, no sen ido de eduzi a a iabilidade e ad e sidade no
p ocesso p odu i o e, ambém des a o ma, elimina o despe dício e aumen a a
e iciência.
Es e sis ema, apesa do êxi o e iden e no con ex o da sua época e da sua manu enção na
ac ualidade, em inúme as indus ias e países, designadamen e em Po ugal, p i ilegia a
mono onia, o au oma ismo, a ausência de exigência de aciocínio e pau a-se pela
negação de qualque signi icado psicológico do abalho.
27

A abo dagem de Taylo e dos seus seguido es concebeu a o ganização den o de um
sen ido mecânico, não ele ando na de ida medida os aspec os humanos da
o ganização. É uma abo dagem p esc i i a e no ma i a, de sis ema echado, na medida
em que isualiza somen e aquilo que acon ece den o de uma o ganização, sem e em
con a o meio ambien e em que es á si uada (Chia ena oJ., 1997).
É a desumanização do abalho indus ial, que Ka z e Kahn (In Chia ena o, I., 1997,
p.98),
de inem como "um a anjo ígido e es á ico de peças". O Homem de e p oduzi
como uma máquina e compo a -se como um obo . Pensa , deba e e ino a e am
(são) pala as desconhecidas do léxico dos ope á ios sujei os a es e modelo
o ganiza i o.
Nes e quad o concep ual, a análise do abalho ci cunsc e e-se à iden i icação e
desc ição dos p ocedimen os que e ão de se seguidos pelos abalhado es pa a o
cump imen o das a e as, pelo que, a elação do indi íduo com o abalho, es ando
p esen e, é de inida essencialmen e em e mos de objec i os a alcança . A noção de
a e a, de abalho p esc i o, assume um es a u o p i ilegiado.
Os p incípios da di isão social e écnica do abalho eduziam, delibe adamen e, a ida
p o issional da maio ia dos assala iados ao espei o de ins uções p ecisas, pa a o qual
e a necessá io um simples eino.
Pode mesmo dize -se que, nes e pe íodo da his ó ia indus ial, a análise do abalho oi
conduzida de modo a libe a a emp esa do p oblema da o mação da mão-de-ob a
(Lacomblez, 2001).
2.1.1.
C ise da elação sala ial do modelo " aylo is a"
A elação sala ial des e modelo o ganiza i o ca ac e izado, como dissemos, pelo
aumen o da p odu i idade e pela p odução em massa, não oi acompanhado po
28
co esponden es aumen os de consumo e de emp ego, po quan o o su o de
p odu i idade eduziu a necessidade de mão-de-ob a e não se e lec iu num aumen o da
massa sala ial.
Consequen emen e, não p oduziu al e ações signi ica i as no modo de ida das classes
abalhado as não pe mi indo, po isso, a sua in eg ação na economia capi alis a.
É jus amen e a ausência de um modelo de consumo de massa, ace ao desen ol imen o
de um modelo de acumulação in ensi o do lado da p odução, que desencadeia a g ande
dep essão dos anos in a (San os, B.S., Reis, J. & Ma ques, M.M.L.,1990).
A segui à Segunda Gue a Mundial desen ol e-se e expande-se um no o modelo de
elação sala ial, conhecido pela designação de Relação Sala ial Fo dis a, em e e ência
a Hen y Fo d, que isa al e a e a é in e e a endência da elação sala ial an e io .
A p ocu a de uma pe manen e in eg ação dos assala iados na economia capi alis a
pa ece se o núcleo p incipal da elação sala ial que se cons i uiu nos pós-gue a. Foi
pelo consumo que se assegu ou es a in eg ação e a designação des e no o modelo de
elação sala ial pa ece esul a do ac o de Fo d e sido um dos p imei os emp esá ios a
u iliza incen i os não sala iais pa a os seus emp egados, como a cedência de algumas
acções da emp esa, pa a além de e es abelecido um salá io mínimo diá io e uma
jo nada de abalho diá ia de oi o ho as quando, à época, na maio ia dos países da
Eu opa, se p a ica a um ho á io de abalho de dez a doze ho as diá ias (Chia ena o, I.,
1997).
«O modelo de consumo que co esponde a es a elação sala ial - o consumo de massa -
é, assim, a sua ca ac e ís ica mais di e enciado a ace às o mas an e io es da elação
capi al- abalho e ai es a no ce ne da o iginalidade das no as elações de abalho»
(San os, B.S., Reis, J. & Ma ques, M.M.L.,1990, p.142).
29
Con o me e e e Boye , R., (In Lei e, J., 1990, p.23), «O modelo de elação sala ial
o dis a ca ac e iza a-se, basicamen e, po uma pa icula o ma de comp omisso social
em que as camadas abalhado as acei a iam a mode nização do apa elho p odu i o e a
lógica do seu uncionamen o em oca de um Es ado social edis ibu i o ou, al como
Keynes o de iniu, baseado na "socialização c escen e da p ocu a no quad o de uma
o e a que se man inha la gamen e p i ada"».
O mesmo au o p ossegue, a i mando «(...) A elação sala ial o dis a man e e a
pa cela ização ca ac e ís ica da ase Taylo is a, mas al e ou as eg as de dis ibuição (de
uma egulação conco encial passou-se a uma o ma de ixação do salá io mais
"adminis a i a", com in e enção signi ica i a do Es ado) e homogeneizou e
es abilizou o me cado de abalho: os emp egos no mais, ípicos des a época, e am os
emp egos es á eis, a empo comple o, com ce as ga an ias de ca ei a p o issional,
endo a emp esa como seu luga exclusi o ou p i ilegiado».
O modelo de elação sala ial o dis a, a ás ca ac e izado, impôs-se e di undiu-se no
pe íodo 1950-1973, sendo ainda hoje a nossa e e ência dominan e.
A IP Gue a Mundial e a c ise do pe óleo são as suas balizas mais isí eis. Es e
pe íodo é designado pelos economis as po "um cí culo i uoso assen e num
comp omisso".
Comp omisso esse que, sin e izando a explanação an e io de Boye , se aduz na
«acei ação da mode nização con a a ga an ia de que os abalhado es bene icia iam, no
seu ní el de ida, dos ganhos de p odu i idade co esponden es» (San os, B.S., Reis, J.
& Ma ques, M.M.L.,1990, p.143).
É nes e con ex o que o Es ado assume um papel ac i o e explíci o na o ganização da
p odução, a a és da es abilização da elação sala ial e do ap o undamen o da segu ança
social.
Es a ans o mação adical das unções do Es ado, que se começou a desenha a pa i
dos ins do Séc.XIX, é legi imada po uma no a concepção de in e esse público que
in eg a, num sen ido mui o amplo, os di ei os sociais dos cidadãos.
30
O modelo polí ico subjacen e ao Es ado Social edis ibu i o, conhecido pelo nome de
Es ado-p o idência, é uma das ealizações mais mobilizado as do Séc. XX, assumindo
o mas his ó icas di e sas.
Como e e e Me ien (F.-X., 2000), o concei o mode no de Es ado-p o idência ele a
de uma ipla genealogia: condensa ês concei os his ó ica e nacionalmen e da ados - o
concei o ancês de Es ado-p o idência, a noção alemã de Es ado social (Sozials aa ) e a
noção b i ânica de Wel a e S a e.
É no desen ol imen o dos di e en es modelos das polí icas sociais e económicas do
após-gue a que o Di ei o do T abalho assume algumas das suas ca ac e ís icas ac uais,
nos países eu opeus indus ializados.
Keynes e Be e idge são os especialis as p oeminen es que inspi am es a época. Keynes
a i ma a necessá ia in e enção do Es ado no ci cui o económico, esc e endo que o
p oblema essencial que a humanidade em de esol e é o de «concilia ês coisas: um
melho endimen o económico, jus iça social e libe dade indi idual»». Be e idge
decla a, po seu lado, que é de e do Es ado coloca o homem de ini i amen e ao ab igo
da ca ência (Me ien, F.-X., 2000, pp.11-12).
O pe íodo de 1950 a 1973 é, assim, embo a no âmbi o de di e en es modelos, um
pe íodo de c escimen o económico e de um p og essi o bem-es a social.
Todos os g andes países desen ol idos ( ela i amen e aos ou os países na mesma
época),
neles incluídos os Es ados-Unidos, a Aus ália e mesmo a no a Zelândia,
ence a am uma e lexão sob e no as manei as de a a p oblemas como a indigência, a
pob eza, a insegu ança ope á ia, a elhice, a saúde pública, os aciden es de abalho, e c.
(ib.
p.13).
«O denominado comum a odos es es países é a ela i a simul aneidade da " omada de
consciência" das ques ões sociais e a pa icipação da maio pa e das eli es nacionais no
deba e. Es e deba e aduz o epúdio pelas o mas adicionais de ca idade p i ada, de
assis ência pública, semi-pública ou p i ada» (ib. p.14).
31
T abalho na u ela da segu ança do emp ego, (concomi an e à sua expansão na u ela da
p eca iedade), es ão di ec amen e elacionadas com as ans o mações da elação sala ial
e são essencialmen e p odu o de duas si uações: 1 - a desin eg ação ju ídica do colec i o
de abalhado es den o da mesma emp esa; 2 - a desin eg ação ju ídica (e ísica) da
emp esa no sen ido de que deixa de exis i coincidência en e unidade económica e
unidade ju ídica, en e quem de ac o di ige o p ocesso p odu i o (a a és da de inição
do olume e das a e as a cump i ) e o emp egado ju ídico (e ambém o espaço ísico
onde se execu a a p odução) ».
Passamos a e , assim, ao lado da elação sala ial ípica do modelo clássico do Di ei o
do T abalho, modalidades de abalho a ípico, assen es em elações sala iais p ecá ias,
ais como abalho empo á io, a empo pa cial, a e mo, ce o ou ince o, abalho ao
domicílio, ele abalho, abalho al e nado, abalho in e mi en e e ainda abalho à
chamada.
No que conce ne à o ganização do p ocesso p odu i o, coexis em com o modelo
adicional ( abalho di idido em unções delimi adas, com ciclos p odu i os b e es e
epe i i os, es u u as hie á quicas e ígidas), inúme os ou os modelos, endo-se ge ado
a endência pa a a cons i uição de pequenas, médias e mic o emp esas, em de imen o
das g andes, p e e indo os emp esá ios ex e naliza em ce os se iços e p odu os, udo
is o na óp ica de cus os-bene ícios.
«As ans o mações da es u u a p odu i a e da ges ão emp esa ial, sob e udo na pa e
espei an e ao pessoal êm, (...), assumindo o mas di e sas enden es, em ge al, a uma
maio maleabilização na u ilização dos equipamen os e nas elações in e nas e ex e nas
da emp esa» (Lei e, J.,1990, p.40).
As es a égias dos g upos económicos dominan es passam po eduções maciças de
emp ego nas emp esas di igen es, ecen adas em ce as unções essenciais e po um
e o ço de mecanismos de con ole e ec i o sob e emp esas subcon a adas.
38

«O desen ol imen o da subcon a ação é insepa á el do mo imen o po ezes desc i o
como "PME-ização" da economia» (Vogel, L., 1997, p.115).
Po ou o lado, como o Di ei o do T abalho es abelece uma sé ie de limia es a pa i dos
quais ce os di ei os colec i os são exigidos (se iços de p e enção, ep esen ação de
abalhado es em ma é ia de saúde e segu ança, en e ou os), a "PME-ização" e e, po
e ei o, deixa abaixo desses limia es um núme o c escen e de abalhado es e, sob e udo,
de abalhado as.
Passa-se, como se obse a, de uma ase de ala gamen o p og essi o dos di ei os dos
abalhado es a um pe íodo de subo dinação ac escida dos seus di ei os à ob enção de
luc o (Vogel, L.,1997).
O esbo oa do modelo de egulação sócio-económico, no qual assen a o Di ei o do
T abalho, consolidado no início do século XX, colocou à Eu opa in e ogações sob e o
papel das ês ins âncias em que se apoia: a emp esa, o sindica o e o Es ado.
Po um lado, as céle es e pe manen es ans o mações ecnológicas implicam uma
necessidade c escen e de ino a e di e si ica a p odução pa a aze ace à conco ência
ague ida de um me cado global, cená io que eio pô em e idência a ola ibilidade dos
conhecimen os e a necessidade de equaciona no as o mas de o ganização do abalho,
baseadas na queda da dis ância en e o abalho manual (cada ez menos p esen e) e o
abalho in elec ual (o sabe pensa o abalho e o p ocesso) e na exis ência de pos os de
abalho em que se p e ende capacidade pa a decidi . Pensa , Deba e e Ino a são as
pala as - cha e dos no os modelos de o ganização do abalho.
Nes e con ex o, as emp esas mode nizam equipamen os e écnicas, lexibilizam-se e
eque em mão-de-ob a cada ez mais quali icada, econhecendo a necessidade de uma
ap endizagem longa e con ínua, que dos abalhado es que dos emp egado es,
passando a exe ce uma p essão ac escida sob e aqueles.
39
Po ou o lado, a p eca ização do emp ego, assen e na di e sidade de modelos de
elação sala ial e a pul e ização de modelos o ganiza i os delas deco en es, p o ocou
uma queb a acen uada na o ça e mili ância sindicais.
Os sindica os, ace ao c escen e desemp ego, à alea o iedade dos con a os de abalho,
que já não são de inidos exclusi amen e po e e ência ao pos o de abalho e à en ada
maciça das mulhe es no me cado de abalho, êem-se ob igados a ede ini a sua
unção.
Não se a a já de negocia apenas endimen os e condições de abalho masculinos mas
ambém emp ego, o mação, sob e i ência da emp esa e igualdade en e homens e
mulhe es.
Po seu lado, o Es ado abandona a sua polí ica Keynesiana, ans o mando-se num
Es ado an i-in lacionis a, con olando o seu o çamen o, o ien ado pa a a manu enção das
condições de conco ência e com uma sobe ania ela i izada pelos comp omissos e
exigências esul an es da egionalização e da in eg ação eu opeia.
No seu papel de egulado e in eg ado dos con li os sociais eme gen es desen ol e e
es imula um sen ido apu ado de in e esse colec i o e uma cul u a de comp omisso.
T ans o ma-se num Es ado menos cen alizado e cen alizado , mais abe o aos g upos
sociais e mais p eocupado com a e icácia.
A conce ação ipa ida, modalidade de diálogo social in e p o issional, que se
desen ol eu a pa i da IP Gue a Mundial e se e o çou, no quad o ins i ucional
eu opeu, no decu so dos anos 70, ê a sua impo ância eno ada e ampliada.
T a a-se de um mé odo de adminis a e legisla que isa a as a esquemas de me a
au o idade, subs i uindo-os po lógicas de pe suasão, co esponsabilizando-se, assim, os
p incipais in e essados, na de inição das polí icas económico-sociais e na espec i a
execução, dele podendo esul a p o ocolos e aco dos subsc i os pelo Go e no e pelas
Con ede ações Pa onais e Sindicais.
40
Com es a o ma de egulação económico-social esul an e de comp omissos negociados,
comumen e conhecido po mé odo de "go e nação consensual", os Es ados p ocu am
p e eni a eclosão de con li os g a es na á ea económico-social.
Toda ia, enquan o nos anos 60 os pac os e aco dos sociais e am negociados e
concluídos num quad o económico es á el, ca ac e izado po um c escimen o
sus en ado e pelo pleno emp ego, a pa i de meados dos anos 80, os no os pac os e
aco dos de conce ação social isam, essencialmen e, ge i as ince ezas, passando a
ques ão do emp ego a se o núcleo cen al des a no a e apa.
A mundialização da economia, o desen ol imen o de no as o mas de p odução e a
e olução das ecnologias de in o mação induzi am uma ans o mação do me cado de
abalho, pondo o acen o ónico na compe i i idade e na quali icação da mão-de-ob a,
passando o equilíb io a cen a -se en e lexibilidade geog á ica e uncional da mão-de-
ob a e segu ança do emp ego.
A es a no a cen alidade co espondeu uma mudança de p io idades: mode ação sala ial
e pa ilha de emp ego em con aposição à an e io edis ibuição de ganhos de
p odu i idade (Comissão Eu opeia, 2000).
Os go e nos con e em-se às dou inas mone a is as e a emá ica cen al da go e nação
passa a se a sob e i ência nacional num mundo de compe ição económica exace bada.
A economia e a emp esa o nam-se os alo es dominan es e a edução das desigualdades
sociais deixa apidamen e de se o desígnio p incipal.
A complexidade des e no o ciclo, cujo p oblema undamen al deco e da in luência
ecíp oca das no as ecnologias nas condições de abalho, na sua o ganização e nas
es u u as de ges ão, en ou já no século XXI, con inuando a susci a inquie ação,
desânimo e dú ida, pelos e ei os ne as os no emp ego e nas condições de ida de um
núme o c escen e de cidadãos em idade ac i a, ge ando, em cadeia, debilidades,
sob e udo nos g upos sociais mais ágeis - idosos, c ianças e mulhe es.
41
A pob eza e a exclusão social, deco en es do desemp ego e do desajus amen o das
quali icações p o issionais de um ele ado núme o de abalhado es, desencadeiam
apelos a no os modelos de diálogo social, em que odos os ac o es, di ec a ou
indi ec amen e implicados na " ealidade labo al," se e ejam.
A ealidade ac ual implica, pois, um ou o quad o de e e ência que não se coaduna já
com o modelo ainda p e alecen e em alguns países da U.E., designadamen e em
Po ugal, em que as polí icas e es a égias são discu idas e adop adas po e num ciclo
es i o de ep esen ação, ao mais al o ní el, do Go e no, do pa ona o e dos sindica os.
A ealidade ac ual eque , ao in és, o epensa e ap o unda do concei o de pa cei o
social e a de inição de es a égias a pa i de um consenso p é io sob e os assun os em
discussão uma ez que, à semelhança do que sucede nou os países (Países-Baixos e
Finlândia), "a adesão p é ia a um diagnós ico comum é de e minan e pa a o êxi o do
p ocesso negocial e espec i a execução" (Comissão Eu opeia, 2000).
2.2.1.
p e alência de um o denamen o ju ídico de "p odução de iqueza"
sob e o modelo clássico de " edis ibuição de ecu sos"
O cená io económico e geo-es a égico que se em indo a impo há quase in a anos
p o ocou, como p eceden emen e a lo ámos, a al e ação do con eúdo ins i ucional do
Di ei o do T abalho, ge ando soluções no ma i as que ão no sen ido da edução das
ga an ias que en ol em o con a o de abalho po empo inde e minado e a empo
comple o, despindo-o de uma sé ie de elemen os essenciais.
A ac ual c ise dos países indus ializados e idencia uma p og essi a sa u ação da
"sociedade o dis a" (que p i ilegia a os "sis emas de máquinas" concebidos de o ma a
ga an i uma p odução em massa, de bens es anda dizados, no seio de uma sociedade de
consumo), em esul ado das no as mu ações conjun u ais (Lacomblez, M.,2000).
42
A p oli e ação de con a os de emp ego "a ípicos" ( abalho empo á io, a empo pa cial,
abalho à chamada, abalho in e mi en e e ou os), esul an e da necessidade de no os
modelos de o ganização do p ocesso p odu i o, desencadeada pela p essão do i mo da
ino ação e mudança dos p odu os e ecnologias, aliada à globalização da economia,
conduziu àquilo que Vogel, (1997), designa po "ju idi icação da p eca iedade" e que se
aduz no enquad amen o ju ídico de p á icas ilegais já consumadas e expandidas.
O legislado pa e da ideia de que, já que es as p á icas exis em, há que a ibui -lhes um
enquad amen o legal que, ao menos, ga an a um ce o núme o de di ei os elemen a es
aos abalhado es. Dessa o ma, obse a-se uma ap oximação das condições dos
inume á eis es a u os a ípicos com o emp ego ípico. Mas, na p á ica, as coisas passam-
se de ou o modo.
O discu so legi imado da lexibilidade ( uncional e geog á ica) da mão-de-ob a e da
des egulamen ação, em que assen am as c í icas ao modelo clássico do Di ei o do
T abalho, em subjacen es os mesmos p incípios do passado: acionalização de meios
humanos, ganhos de p odu i idade, compe i i idade, luc o, ponde ação cus os-
bene ícios.
Toda ia, nunca como hoje se obse ou como que uma espécie de esignação pe an e a
subo dinação do Di ei o do T abalho a a gumen os económicos, designadamen e à
a alidade écnica.
Como salien a Vogel (1997, p.112), «a a i mação gene alizada e desassomb ada, em
om de e idência indiscu í el de que "a necessidade de lexibilização do abalho
esul a das no as condições da economia mode na
",
impedem qualque deba e.
Pô em causa al a i mação é is o como igno ância ou p econcei o an i-mode nidade».
No en an o, como eco da o au o sup a ci ado, an o a écnica como a economia são,
an es de mais, p odu os sociais e a e lexão ju ídica não pode esumi -se a um me o
ajus amen o do Di ei o à " ealidade".
43

O Di ei o p ossegue o duplo papel de ga an e de um ce o g au de segu ança ju ídica,
num quad o social de e minado e, de limi ado de ce as p á icas que impeçam a
e olução es abelecida pa a esse quad o.
Abdica ou des i ua es as suas unções, limi ando-se a ep oduzi uma de e minada
lei u a do eal é ge ado de insegu ança e desc edibiliza a unção u ela do Es ado ( az
eme gi e ol a ou indi e ença social).
Exemplo do discu so do ajus amen o do di ei o a uma de e minada lei u a do eal é o
ela ó io do g upo Moli o consag ado à "simpli icação legisla i a e adminis a i a".
Es e g upo, c iado pela Comissão Eu opeia pa a emi i pa ece sob e uma melho
adequação do di ei o comuni á io às necessidades "da compe i i idade e do emp ego"
examinou, sob e udo, o di ei o do abalho comuni á io, dando uma a enção pa icula à
saúde no abalho.
Das suas conclusões, o nadas públicas em 1995, o que impo a aqui salien a é a
a i mação de que "a ins ância p incipal de legi imação de uma no ma ju ídica é a sua
e icácia económica, pelo que oda a no ma ju ídica de e se objec o de uma análise
cus os-bene ícios, com is a ao seu impac o posi i o no cu so da economia" (In
Vogel,L., 1997, p.130).
A objecção mais ele an e a es a co en e dou iná ia cen a-se na subo dinação das
escolhas polí icas e socie ais a noções de e icácia económica, sabendo nós como es as
endem, na óp ica dos adep os da compe i i idade, a iden i ica em-se, simplesmen e,
como os luc os pa onais, subes imando os e ei os des a ideologia na segu ança do
emp ego e na saúde dos abalhado es.
A "ideologia do p og esso" que diz que o c escimen o da p odução e dos luc os
implicam, necessa iamen e, um c escimen o de emp ego e uma melho ia g adual da
si uação social, es á cada ez mais pos a em causa. «É pa adoxal que a ideologia da
compe i i idade conheça es e ímpe o apesa dos dados económicos mos a em um
a as amen o ní ido en e as axas de luc o e a c iação de emp ego» (Vogel,L.,1997,
p.112).
44
«Obse a-se um duplo e ei o de esou a que, po um lado, az co esponde cada ez
menos a acumulação do capi al e o c escimen o e que dissocia, igualmen e, o
c escimen o da c iação de emp ego» (Du and,M. e Mahen.N.; Boissonna J., In Vogel,
L.,1997, pp.112-113).
Po ou o lado, e não menos impo an e,
«é
p ecisamen e a ecusa de aze depende as
condições de abalho do uncionamen o espon âneo da economia (e das elações
sociais que es a implica) que es á na o igem do Di ei o do T abalho. Se acei a mos a
sua subo dinação aos cálculos económicos, ele pe de á oda a sua coe ência» (Vogel,
L.,1997,pp.l30-131).
Sendo indiscu í el que as bases do comp omisso o dis a desapa ece am e que u ge
encon a ou os modelos de o ganização do abalho que conciliem a necessá ia
e olução con ínua das emp esas assen e, cada ez mais, na sua capacidade de ino ação
e adap ação, o que implica di e en es e maio es quali icações da mão-de-ob a, a e dade
é que as soluções que êm indo a se p opos as e acolhidas êm e e ido,
essencialmen e, pa a aumen a o osso en e icos e pob es e pa a a imposição em
c escendo de o mas p ecá ias de emp ego, e i ando aos abalhado es a ga an ia de
exe cício de um ce o núme o de di ei os ine en es à dignidade humana.
Senão ejamos:
- A lexibilidade na o ganização dos empos de abalho que oi ap esen ada como a
con apa ida pa a uma edução des e, com is a a melho es condições de ida, é um
exemplo de ins umen o que em sido u ilizado desp o ido de qualque con apa ida
a o á el ao abalhado e jus i icada, no seio das emp esas, com o an asma do
desemp ego.
- Quan o ao endimen o do abalho, udo indica caminha -se pa a o aumen o da pa e
a iá el do salá io, ligada aos luc os das emp esas ou a c i é ios indi iduais, em
de imen o da pa e ixa ga an ida.
45
Simul aneamen e, numa sé ie de países da U.E., os mecanismos de manu enção do
pode de comp a êm sido en aquecidos ou mesmo abolidos (Vogel, L.,1997).
- Ac esce, ainda, que os dados disponí eis nos mos am que a p eca ização a inge de
modo di e en e homens e mulhe es, sendo es as as mais penalizadas, o que signi ica que
a p eca ização acen ua as disc iminações ela i amen e às mulhe es.
Assim sendo, o na, a é ce o pon o, ine icazes, o conjun o de ins umen os ju ídicos
adop ados pa a a ealização da igualdade de opo unidades e a amen o en e homens e
mulhe es.
A es es exemplos podemos ambém adiciona o acen ua das desigualdades, que
esul am do uncionamen o do me cado, en e sec o es o es e acos, po o ça da
descen alização das elações indus iais na maio pa e dos países da U.E..
Es e úl imo enómeno p o oca o apa ecimen o de aco dos de emp esa que de ogam
con enções colec i as de amo de ac i idade ou sec o p o issional, sup imindo ce os
di ei os.
Negociadas em clima de chan agem ela i amen e ao emp ego, as de ogações incidem,
no malmen e, sob e ma é ia emune a ó ia e ho á io de abalho.
«É is o que soa a mais also no discu so apologé ico da lexibilidade: longe de a ingi
os objec i os p oclamados ( edução do desemp ego, conciliação en e as aspi ações
indi iduais e manu enção dos di ei os sociais colec i os), a lexibilidade conduz, em
mui as si uações, ao não exe cício de di ei os po odos econhecidos (...) em alguns
casos é, acima de udo, a de e io ação da elação de o ças que ob iga a uma enuncia
( olun á ia?) de ais di ei os» (Vogel, L., 1997, p.122).
A udo is o os Es ados dão o seu a al, ju isdicionalizando a p eca iedade ou
pe mi indo (po omissão), que as emp esas uncionem como espaços impe meá eis a
eg as públicas.
46
Pa a omen a o deba e eu opeu sob e es as ma é ias, numa Eu opa a b aços com um
desemp ego c escen e e a ins abilidade social daí deco en e e in luencia as mu ações
necessá ias no âmbi o dos Es ados-memb os, a Comissão Eu opeia ap esen ou, em
Ab il de 1997, o Li o Ve de "pa ce iapa a uma no a o ganização do abalho".
O objec i o p imo dial da Comissão oi sensibiliza os Es ados-memb os pa a, em
conjun o e com os pa cei os sociais, p ocu a em, com base nas expe iências de uns e de
ou os, po encia no as o mas de o ganização do abalho, de modo a concilia em a
lexibilidade eclamada pelas emp esas com a segu ança de emp ego eque ida pelos
abalhado es.
"A necessidade de uma o ganização do abalho mais lexí el, que a enda an o às
aspi ações do abalhado es como às necessidades da conco ência" (Conselho Eu opeu
de Essen, 1994), colocou na o dem do dia, a a és do Li o Ve de p eceden emen e
mencionado, o binómio lexibilidade-segu ança, ans o mando-o num desa io
incon o ná el mas complexo, a exigi a enção e a aliação pe manen es, com o concu so
de odos os ac o es sociais, bem como de odas as disciplinas do sabe ocacionadas
pa a o es udo e comp eensão dos enómenos deco en es da e osão da elação labo al
adicional.
As exigências de ino ação e adap ação con ínuas, no quad o da ac ual "sociedade da
in o mação e do conhecimen o", assen e numa economia baseada no sabe , implicam o
en ol imen o dos abalhado es e a apos a na sua capacidade de c iação de sabe .
A simbiose des as duas úl imas a iá eis p essupõe que seja p opo cionado aos
abalhado es o desen ol imen o e o exe cício do seu espí i o de inicia i a indi idual,
num con ex o de au onomia, sociabilização e ap endizagem con ínua.
E al au onomia, «de e ia ainda acili a a ges ão das ince ezas, dos imp e is os, dos
inciden es, das di iculdades e dos p oblemas no seio de uma emp esa concebida como
"o ganização quali ican e": cada um e ia a possibilidade de da o melho das suas
compe ências, endo au onomia na escolha do seu mé odo de abalho, de modo a
consegui alcança os objec i os que lhe o am indicados» (Lacomblez, M, 2000, p. 4).
47
mu uamen e e, não, de o ma segmen ada e cada um pa a seu lado, como em ases
an e io es.
A adição cien í ica subjacen e a es a concepção da in e disciplina idade no es udo do
abalho humano alo iza, ambém, a análise do abalho no e eno, «único luga onde é
e dadei amen e possí el conhecê-lo» (Noulin, 1992, p.25), is o é, conduz semp e os
seus es udos em es ei a a iculação com o que e elam as condu as humanas conc e as
em de e minadas si uações de abalho.
Renuncia, assim, a conside a as condu as adop adas em si uação eal "enquan o
execução mais ou menos deg adada de condu as ideais, eó icas, abs ac as, de inidas a
pa i de si uações a i iciais, expe imen almen e cons uídas em labo a ó io"(Dejou s,
1995).
Nes a pe spec i a, a a aliação das condições de abalho de e pa i da expe iência dos
abalhado es di ec amen e in e essados, p omo endo es a égias de de esa da sua saúde,
pa a que adqui am plena capacidade de agi sob e as suas condições de abalho.
Toda ia, aquelas es a égias não nascem espon aneamen e.
A eme gência de es a égias de de esa da saúde, como salien a Vogel (2000, p.71),
«p essupõe, num p imei o momen o, a passagem do so imen o indi idual à sua
pe cepção colec i a e, num segundo momen o, a passagem da pe cepção colec i a à
elabo ação de uma es a égia de ans o mação das condições de abalho».
Es as duas e apas implicam, po sua ez, um abalho cogni i o e um e o ço das
capacidades do g upo em agi colec i amen e e de modo au ónomo, dado o elo es ei o
exis en e en e "conhecimen o" e "aumen o de au o-con iança".
Em e mos eó icos, o p essupos o de que se pa e é o de uma " o mação pa a e pela
acção", no âmbi o de uma concepção da e gonomia enquan o Ciência da Acção (Teige ,
1993c ; Teige e Mon euil, 1995 ; Teige , Lacomblez e Mon euil, 1997), insc i a na
dupla adição da Filoso ia da Acção e da Psicologia Cons u i is a (Teige , 1993b).
54

Na adição da iloso ia da acção e, em pa icula , da acção pa a a mudança, a decisão de
agi p ocede de uma "mudança de pon o de is a, de uma abe u a concep ual e
imaginá ia sob e um ou o possí el", que desab ocha no dia em que nos o namos
capazes de "concebe um ou o es ado de coisas e de decidi , en ão, que uma si uação é
insupo á el" (Sa e, 1943, In Teige , 1993c; Teige , Lacomblez e Mon euil, 1997).
Po seu u no, na adição que se eclama da "epis emologia cons u i is a" (Le Moigne,
J. L., 1995), os abalhos de psicologia conduzidos na linha das eo ias de Piage
e idenciam, essencialmen e, as elações en e comp eensão, conhecimen o e acção, po
um lado - " odo o conhecimen o consis e, não em copia o eal, mas no agi sob e ele
ans o mando-o, de modo a comp eende-lo" - e en e a comp eensão e o "se bem
sucedido na acção", po ou o lado.
Segundo es a linha de pensamen o, "se bem sucedido" é uma condição p é ia à
comp eensão, ainda que se possa e êxi o sem que o çosamen e se comp eenda
comple amen e po quê e como se e e êxi o (Teige , 1993a; Teige , 1993b; Teige e
La ille, 1991; Teige , Lacomblez e Mon euil, 1997).
Nes a pe spec i a e semp e na linha de Piage , a ep esen ação é conside ada como um
"concei o mediado " en e cognição e acção, desempenhando um papel de e minan e
nos p ocessos de ap endizagem.
Os mé odos u ilizados nes a p opos a pedagógica cujo objec i o úl imo é semp e a
acção conc e a sob e a si uação de abalho, des inam-se, consequen emen e, a acili a a
descobe a, pelos p óp ios abalhado es, das ca ac e ís icas implíci as da sua ac i idade
de abalho, das suas de e minan es p óximas e das suas consequências sob e a saúde,
em sen ido amplo.
Es a abo dagem az assim eme gi uma ou a ep esen ação do abalho, cen ada na
ac i idade, podendo dize -se que é, en ão, que desab ocha a compe ência eal (Teige e
La ille, 1991).
É a omada de consciência dos conhecimen os "inco po ados", na exp essão de
Bou dieu (1980, In Falzon e Teige , 1995), pon o de pa ida pa a a aquisição de no os
55
conhecimen os, na medida em que pe mi e dis anciação, gene alização e
despe sonalização, pelo econhecimen o de que os p oblemas in ocados, as di iculdades
de ealização do abalho, os cons angimen os e pe u bações que ge a, es ão ligados ao
abalho e são pa ilhados pelos ou os. Is o é, e i ica-se um dis anciamen o do "eu"
po uma ap oximação ao "nós".
Uma das con ibuições ele an es da Psicologia do T abalho, pa a o en iquecimen o
eó ico des a E gonomia, oi e demons ado, empi icamen e, quan o a ac i idade
humana é subs ancialmen e ligada ao acasso. De ac o, odos sabemos, pela nossa
expe iência pessoal, quan o a nossa ac uação no eal é e ec i amen e ei a, que po uma
pa e de sucesso, que po uma pa e de acasso (Lacomblez, 1997; Lacomblez, San os,
M., & Vasconcelos, R., 1999).
Nesse sen ido, o abalho humano em que se is o enquan o con on ação, nem semp e
ácil, com uma ealidade écnico-o ganizacional p é-de inida. Po isso, nes e quad o
concep ual, o abalhado é is o como alguém que, no desempenho da sua unção, e á
que aze ace aos imp e is os, às impe eições do sis ema de p odução (das ma é ias
p imas, dos equipamen os, da comunicação...) e que, de ido a essas di iculdades, e á
que eajus a os seus compo amen os e os seus objec i os (Lacomblez, 1997;
Lacomblez, San os M., & Vasconcelos, R., 1999).
É nes a linha de pensamen o que Gué in, F., La ille, A., Daniellou, F., Du a oug, J., &
Ke guelen, A. (1991), de inem a ac i idade de abalho como "uma espos a a
cons angimen os impos os ex e io men e ao abalhado , sendo aquela suscep í el de,
simul aneamen e, os ans o ma ".
Po seu lado, Falzon e Teige (1995), sublinhando, como já e e imos, o p ocesso
cogni i o implíci o na ac i idade de abalho, de inem-na como o p ocesso de in e acção
in eligen e de um ope ado com as exigências da sua a e a, com os cons angimen os do
meio,
o seu es ado in e no, os seus objec i os indi iduais e odos os ou os elemen os
que in luenciam e de e minam a sua acção.
56
Em suma, pa a es es au o es, a ac i idade esul a do p ocesso pe manen e de uma
cons ução pessoal.
Nes e quad o de e e ência, o objec o da análise do abalho passa en ão a se duplo
di e enciando, po um lado, a análise da a e a, que p i ilegia a desc ição objec i a das
condições de abalho no seio das quais são desempenhadas de e minadas unções e, po
ou o lado, a análise da ac i idade, que p e ende " aze ao de cimo", explica , o modo
como o se humano- abalhado acaba po ge i o desempenho da sua unção, ace aos
á ios condicionalismos que, necessa iamen e, a in luenciam (Lacomblez, 1997).
Es e no o olha sob e o abalho humano, que alo iza a "in eligência da p á ica"
(Dejou s, 1995) e elada na ac i idade, é um desa io pa a a descobe a de no as
soluções pa a a melho ia das condições de abalho e de desempenho dos ope ado es e
um incen i o pa a a in e disciplina idade, na medida em que, a análise da con on ação
conc e a, de um se humano pa icula , com uma si uação p é-de inida, ab e no as
po as pa a a in e enção do engenhei o, do médico, do e gónomo, do psicólogo, do
écnico de segu ança...
E, des e modo, se pode á comp eende a ealidade que se esconde po de ás da
linguagem da "mode nização" da o ganização do abalho, «único meio de desmis i ica
o ca ác e inelu á el das mudanças que nos são impos as em nome da "no a economia"
e de econs ui solida iedades po oposição à ideologia neo-libe al» (Thébaud-Mony,
A.,2000, p.41). E, assim, pode -se-á p ese a o undamen o his ó ico do Di ei o do
T abalho cujo u u o se nos ap esen a hoje ão ince o.
57
(BIBLIOTECA
2.3.
O ganização do abalho e e olução da elação sala ial em Po ugal - da c ise
de 1973 à ac ualidade
O pe cu so his ó ico e polí ico de Po ugal con ibui pa a que ap esen e algumas
especi icidades em elação ao quad o do desen ol imen o do capi alismo nos países da
Eu opa Cen al.
De en e essas especi icidades, salien amos, pelo in e esse de que se e es e pa a es e
abalho, o ac o de a gene alização do consumo de massa e a es abilidade e segu ança
do emp ego, associados à elação sala ial o dis a, e en ado em Po ugal no momen o
em que es a elação começa a a se pos a em causa nos países capi alis as desen ol idos
e que essa en ada se deu «po azões especi icamen e polí icas, num con ex o que
con e iu ao Es ado po uguês um g au de au onomia, em elação à lógica do capi al,
mui o supe io aquele de que goza am os Es ados dos países cen ais» (San os, B. S.,
Reis,
J. & Ma ques, M. M. L., 1990, p.162).
Na e dade, só a pa i da implan ação do egime democ á ico em 25 de Ab il de 1974,
oi possí el gene aliza a odos os abalhado es po ugueses a ga an ia da es abilidade e
da segu ança do emp ego e a p o ecção adequada pe an e si uações de eme gência, ais
como a doença, in alidez e ou as.
Com a Cons i uição de 1976 e no que conce ne à ex ensão e p o ecção dos di ei os dos
abalhado es, colocámo-nos a pa e, em alguns aspec os, à en e, dos países mais
desen ol idos da Eu opa.
Tal só oi possí el pelas condições polí icas de en ão que, ca ac e izando-se po um
pe íodo e olucioná io ex emado e agi ado, p o ocou ápida e subi amen e uma up u a
com o passado ecen e, pe mi indo que o Es ado assumisse de modo decisi o a
egulação da no a elação sala ial.
Daí esul ou que o no o modelo de egulação oi basicamen e impos o ao emp esa iado,
que se encon a a de icien emen e o ganizado pa a pode negocia e icazmen e o
58
impac o das no as condições de abalho nas suas expec a i as de luc o e de
in es imen o.
Po ou o lado, «os aumen os de salá ios e demais ans e ências de endimen os
implíci as na no a elação sala ial, o am decididas sem qualque inculação a e en uais
ganhos de p odu i idade». (...) Po que, «à medida que se ap o undou a c ise
e olucioná ia, os di ei os dos abalhado es passa am a se de endidos não em nome de
uma no a o dem capi alis a, como sucede a nos países cen ais, mas em nome de uma
ansição pa a uma sociedade de ipo socialis a» (San os, B. S., Reis J. & Ma ques, M.
M. L., ib. pp.162-163).
A é à es abilização da Democ acia, o que só eio e dadei amen e a acon ece a pa i
dos anos oi en a, a no a egulação de abalho, desligada de um capi alismo
desen ol ido que lhe se isse de supo e económico, icou à me cê das al e ações nas
condições polí icas.
No decu so dos anos oi en a, i emos uma si uação peculia , esul an e da simbiose do
que e a especí ico da si uação po uguesa com as condições esul an es da
in e nacionalização, à escala mundial, do p ocesso p odu i o.
No caso pa icula da elação sala ial, aquela peculia idade mani es ou-se na eno me
disc epância en e os quad os legais e as p á icas sociais, aduzida na quase o al
ine ec i idade daqueles, pe an e a passi idade e ole ância do Es ado. Exemplo
pa adigmá ico o am os salá ios em a aso.
Como salien am os au o es a ás ci ados, Po ugal i eu, a é inais dos anos oi en a, es a
disc epância en e um quad o legal que o e ecia uma ampla p o ecção ao abalhado ,
p o ecção que ia pa a além do que e a comum nos países capi alis as a ançados, apesa
de assen e numa base económica que ica a mui o aquém desses países, e p á icas
sociais de pe manen e iolação da lei, deixando os abalhado es à me cê de odas as
con ingências.
59

Es a si uação, de que ainda hoje pagamos a ac u a ele ada de um a aso es u u al
acen uado, ace aos nossos pa cei os da União Eu opeia, esul ou essencialmen e do
"empa e social e polí ico" en e as o ganizações sociais e polí icas apos adas na de esa
dos in e esses dos abalhado es e as associações pa onais e sec o es da classe polí ica
que as ep esen am, que o Es ado não e e capacidade de ge i , neu alizando.
«Enquan o aquelas o am su icien emen e o es pa a impedi al e ações signi ica i as
no quad o legal mas demasiado acas pa a impo a sua aplicação e ec i a, as
o ganizações sociais e polí icas do pa ona o o am demasiado acas pa a impo as
al e ações do quad o legal mas su icien emen e o es pa a p oduzi o seu
bloqueamen o median e iolações maciças deixadas impunes» (San os, B. S., Reis, J. &
Ma ques, M. M. L., 1990, p.164).
A assumpção da qualidade de Es ado-memb o das Comunidades Eu opeias, a pa i de
1/1/1986,
ob igou-nos a mudanças no ma i as p o undas e acele adas, à adopção de
no as es a égias polí icas e económicas e à es imulação e desen ol imen o da
conce ação social.
Con udo, os mecanismos de conce ação social essen i am-se, du an e á ios anos, da
c ispação en e os pa cei os sociais e, pela pa e sindical, da ecusa de pa icipação da
CGTP a pa i de 1991 e po um pe íodo de quase dez anos.
O Conselho Pe manen e de Conce ação Social oi ins i ucionalizado em 1984, pelo
Dec e o-Lei ns 74/84, de 2 de Ma ço e inha po unção p onuncia -se sob e as polí icas
de ees u u ação e desen ol imen o sócio-económico e execução das mesmas e, ainda,
p opo soluções conducen es ao egula uncionamen o da economia, endo em con a as
incidências no domínio sócio-labo al.
Só a pa i de 1987 a CGTP - In e sindical omou pa e nas euniões do Conselho.
Es e uncionou como impo an e o um de deba e e discussão dos p oblemas
económicos, sociais e de emp ego.
60
Foi possí el adop a em-se aco dos ipa idos en e o Go e no, as Con ede ações
Pa onais e a Con ede ação Sindical UGT, pa a unciona em a pa i de 1987 e que,
apesa de udo, i e am algum e ei o es abilizado .
Nos inais de 1990 su ge no a possibilidade de aco do ipa ido, en ão ambém com a
p esença da CGTP - In e sindical que, no en an o, não subsc e eu o aco do inal.
Em 1991, a Lei n.Q
108/91,
de 17 de Agos o, p omo eu, na sequência da e isão
cons i ucional de 1989, a c iação do Conselho Económico e Social que abso eu o
an e io Conselho Pe manen e de Conce ação Social, mui o embo a se a e de um
ó gão que em a ibuições mais as as e uma composição mais ala gada e di e si icada.
As unções especí icas do an e io Conselho Pe manen e de Conce ação Social es ão
ago a in eg adas num ó gão p óp io do Conselho Económico e Social, a Comissão
Pe manen e de Conce ação Social.
Em 1992, ou o aco do oi assinado, ambém apenas com a UGT, no que conce ne à
pa e sindical.
Cump e ainda ealça o "Aco do de Conce ação Social de Cu o P azo", celeb ado em
1996,
igualmen e só com a UGT, no qual se p e igu a am di e sas medidas legisla i as,
en e as quais a ins i ucionalização do que en ão se designou po " lexibilidade e
poli alência", bem como a consag ação da diminuição da du ação semanal do abalho
pa a 40 ho as.
Também em 1996, uma ez mais sem a CGTP, concluiu-se um "Aco do de Conce ação
Es a égica" des inado a igo a po ês anos.
Apesa dos es o ços indos de e e i , no sen ido de uma ha monização p og essi a com
os pa cei os eu opeus, que pe mi a ganhos de compe i i idade e iqueza ao ecido
emp esa ial po uguês, é econhecida a pouca e icácia p á ica des a conce ação, uma
ez que g ande pa e dos comp omissos assumidos ica am po execu a no plano
legisla i o labo al, enquan o ou os, apesa de ins i ucionalizados e ju idi içados, não
o am, a é ago a, abso idos pela p á ica ges ioná ia de um núme o ele ado de
61
emp esá ios. Exemplo des es úl imos e pa a só ci a mos um, é o paco e legisla i o
espei an e à segu ança, higiene e saúde no abalho.
En e an o, a p eca ização da elação labo al oi-se ins alando e o desemp ego oi
conquis ando espaço. Acima de udo, a ince eza ans o mou-se na hóspede pe manen e
da gene alidade das amílias po uguesas, apesa de as úl imas es a ís icas o iciais
apon a em pa a uma si uação de quase pleno-emp ego.
Po ugal em ainda um longo caminho a pe co e na senda da mode nização e do
desen ol imen o uma ez que, as mu ações isí eis dos úl imos 20 anos esul a am,
essencialmen e, de es ímulos e impulsos indos de o a, como consequência da adesão
às Comunidades Eu opeias e, não an o, de uma cul u a emp eendedo a e de isco dos
agen es económicos e cul u ais ou da ão necessá ia mode nização da máquina
adminis a i a do Es ado ou, seque , de uma apos a num modelo de ensino e educação
que,
endo em con a as especi icidades da his ó ia do país, esponda às necessidades
eais da ac ual conjun u a.
A nossa he ança his ó ica e as pa icula idades do p ocesso polí ico ecen e, de mudança
de egime, não êm sido de idamen e conside ados na plani icação e de inição de um
p ojec o global de desen ol imen o do país.
Esse dé ice de e lexão e acção em di icul ado a supe ação de descon ianças en e
pa cei os sociais, a ges ão de con li os la en es e a ecupe ação da c edibilidade da
unção u ela do Es ado.
Em sín ese, o apelo pe manen e de qualidade e ino ação e a elocidade a que o
conhecimen o se ansmuda, não são compa í eis com a mo osidade dos p ocessos de
mudança de men alidades e de supe ação do p oblema endémico do anal abe ismo e da
de icien e o mação ge al de base que con inuam a ma icia a sociedade po uguesa.
62
Ill - His ó ia das P á icas de Fo mação P o issional - espos a aos apelos
sociais deco en es do modo de egulação e o ganização do abalho
3.1.
A o mação e o p ocesso de indus ialização
As conjun u as económicas, sociais e polí icas que emos indo a desen ol e
ma ca am, ambém, a e olução das p á icas sociais e cien í icas ela i as à o mação
p o issional.
As o mas pa icula es que assumi am as elações sociais de p odução, em cada pe íodo
his ó ico e em cada sociedade, de e mina am as p io idades que in luencia am e
en o ma am as p á icas de o mação p o issional.
Em consequência, a sua his ó ia es á in imamen e ligada à do p ocesso de
indus ialização e e lec e, po isso, a passagem do abalho a esanal ao abalho
assala iado, enquan o ealidade social dominan e no p ocesso de p odução.
Como e e e Lacomblez
(2001,
p.546), «se a ap endizagem a esanal undia mes ia e
conhecimen o do abalho, p ocesso de o mação, in eg ação social e p o issional e
ga an ia de es abilidade económica no seio da co po ação, quando a economia de
me cado se es ende ao abalho e a mobilidade dos assala iados se impõe no seio de uma
es u u a social onde einam as leis da o e a e da p ocu a e onde p edomina um modo
de egulação essencialmen e baseado na conco ência, consuma-se a sepa ação en e a
o mação e o emp ego».
Os úl imos anos do séc.XIX co espondem, em nume osos países indus ializados, a
ans o mações p o undas que assinalam a passagem ao modo de egulação Taylo is a.
Os p incípios da di isão social e écnica do abalho em que assen a am os mé odos de
ges ão da escola de Taylo , que an e io men e explici ámos, eduzi am,
delibe adamen e, a ida p o issional da maio ia dos assala iados ao espei o de
ins uções p ecisas, pa a o qual e a necessá io um simples eino.
63
A pa i dos anos 80, a busca de no os modelos de o ganização do abalho, isando
aumen a a lexibilidade dos p ocessos de p odução e ge i melho os imponde á eis do
me cado, o nam-se mais o ensi os. T ans o ma-se a dinâmica das elações en e
pa cei os sociais, a elação com o emp ego e o con eúdo das unções.
No quad o des a no a lógica o acen o ónico já não se ci cunsc e e à quali icação: mais
impo an e do que execu a bem é, acima de udo, e inicia i a, esponde de modo
adequado às modi icações e aos imp e is os da p odução (Lacomblez, 2001). Es a
mudança de pe spec i a az eme gi uma ou a dinâmica na ges ão da e olução das
compe ências dos memb os da emp esa.
As consequências dos e ei os da ac ual conjun u a sob e o abalho e o emp ego,
conduzem a que as elações da o mação com o abalho se ap esen em mais complexas
e con as adas: a e acção do mo imen o social, o p imado da economia e a
acionalização de meios humanos e equipamen os, ize am da o mação um ins umen o
de ges ão social, en e ou os, que ao ní el da emp esa, que ao ní el do Es ado.
Nes e con ex o, é comum dis ingui em-se dois ipos de objec i os na o mação:
objec i os de cu o p azo, pa a esol e p oblemas de p odução, a a és do
desen ol imen o de acções de o mação de cu a du ação e objec i os de médio e longo
p azo, pa a ge i o emp ego.
Os p oblemas de p odução, objec o da, po alguns designada, " o mação-acção",
p endem-se com o uncionamen o quo idiano das emp esas, sendo, po ém, semp e, de
na u eza écnica, ges ioná ia ou come cial e nunca de na u eza educa i a.
Aqui, o papel do o mado é con ibui pa a a esolução dos p oblemas, azendo apelo à
in eligência p á ica dos abalhado es, esul an e da sua expe iência de abalho, pa a
encon a em as soluções pe inen es e pô-las em p á ica.
Sob e es a no a manei a de enca a a o mação, Jobe (1993) salien a que, po um lado,
es e econhecimen o de um "sabe ope á io" (adqui ido com a expe iência de abalho),
70

de uma compe ência especí ica dos abalhado es pa a melho a em a qualidade da sua
elação subjec i a com o abalho, cons i ui uma mudança impo an e ela i amen e ao
modelo Taylo iano de epa ição da in eligência no abalho.
Po ou o lado, desen ol endo-se na lógica da "ges ão pa icipa i a", em que o
o mado é alguém que conhece a ealidade de abalho, assis e-se, nes e modelo, a uma
ap oximação da abo dagem e gonómica que em em con a a ealidade do abalho, na
medida em que as suas in e enções se apoiam na o malização e no econhecimen o
dos sabe es e sabe es- aze dos ope á ios pa a a esolução dos dis uncionamen os
de ec ados, no âmbi o de uma elação in e ac i a e dinâmica en e o mado e o mando.
No que conce ne às in e enções o ma i as com is a à ges ão do emp ego, podem
e e encia -se duas modalidades, que o au o sup a mencionado designa como
in e enção "cu a i a" e in e enção "p e en i a" sob e o emp ego.
Nas in e enções de ipo "cu a i o
",
a o mação desempenha a unção de a iá el de
ajus amen o da es u u a quali a i a dos emp egos, mobilizando os depa amen os de
ecu sos humanos das emp esas e os se iços públicos que êm a seu ca go a á ea do
emp ego e da o mação p o issional (em Po ugal é, como se sabe, o I.E.F.P.).
No âmbi o in e no das emp esas, es e ipo de o mação é concebido como uma o ma de
ges ão p e isional dos emp egos e compe ências, p elimina à mobilidade e econ e são
da mão-de-ob a a ec ada pela ex inção ou pela e olução dos seus pos os de abalho.
No ocan e aos se iços públicos de emp ego e o mação p o issional, ge i o emp ego
a a és de in e enções de ipo "cu a i o," consis e, que em melho a a
"emp egabilidade" dos desemp egados, que em ajus a a sua quali icação às
necessidades do me cado.
Em ambos os casos (âmbi o in e no das emp esas e dos se iços públicos), o que os
ges o es e o mado es êm em con a é o emp ego, o pos o de abalho ou a a e a, nunca
o abalho (is o é, a ac i idade ela i a às ca ac e ís icas conc e as, no dia a dia, da
con on ação do abalhado com a sua si uação de abalho).
71
Es e modelo de pensa a o mação em sido, po isso, objec o de c í icas. Desde logo e
como e e e Jobe (1993), pelo g au de inde e minação da maio pa e dos elemen os
que o compõem: a mon an e, a a aliação das capacidades e dos conhecimen os dos
abalhado es ab angidos pela ex inção ou e olução dos seus pos os de abalho, não
em em con a o sabe po eles adqui ido com a expe iência de abalho, p oduzindo, po
isso,
uma imagem mu ilada do abalhado e, po esse ac o, azendo acilmen e
p e alece a ideia de que es e es á longe do g au de quali icação necessá io pa a ocupa
o u u o pos o.
A jusan e, a an ecipação do con eúdo dos u u os pos os e a concepção de p og amas de
o mação passam pela análise de pos os ac ualmen e ocupados, desen ol endo-se, a
pa i daí, as ope ações que de em se ealizadas pa a ob e o esul ado p ocu ado.
Es as são equacionadas em longas lis as de a e as que inspi am, po seu u no, a
enume ação de sabe es e de capacidades necessá ios pa a ocupa alidamen e o pos o de
abalho, se indo en ão de base à engenha ia da o mação.
Com es e mé odo, salien a o mesmo au o (ib. p.15), «o que é ido em con a pelos
o mado es são a e as jus apos as e não a ac i idade al como os e gónomos a
es udam e an ecipam». O a, é hoje incon o ná el que exis e uma di e ença de na u eza
en e uma a e a desc i a ex e io men e, is o é, o a do seu con ex o ísico e social, sem
e e ência à elação subjec i a dos abalhado es com a ac i idade e aquilo que ela
ep esen a da ealidade do abalho.
Nes e quad o me odológico, em que « udo pa ece e sido di o sob e o abalho, o que
nele é mais enigmá ico não oi pe cebido. As lis agens de a e as, sabe es e capacidades
(que es ão na base da o ganização dos con eúdos e mé odos des a o mação) desc e em,
a inal, um abalho an asma execu ado po abalhado es que não exis em» (Jobe ,
1993,
p.15).
No que se e e e à ou a modalidade de in e enção sob e o emp ego - a in e enção de
ipo "p e en i o", a o mação é concebida e a iculada sob e a ac i idade p o issional
72
eal, assumindo, aqui, um papel undamen al, a o mação em al e nância. E nes a
en a i a de a iculação es ei a da o mação e emp ego que a al e nância se cons i ui
como uma in e enção p e en i a.
Do pon o de is a pedagógico, es e modelo, assen e na al e nância de momen os de
ap endizagem em con ex os escola es com ap endizagem em si uação de abalho,
p ocu a eduzi o des io en e os sabe es escola es e o modo como acabam po se
ge idos na con on ação com a ealidade ísica e social do con ex o de abalho.
A al e nância, ao p opo aos "ap enden es" e enos de aplicação dos conhecimen os
escola es, p ocu a, acima de udo, ocasiões pa a aquisição de sabe es p á icos, ei os de
sabe es p agmá icos e de sabe es eó icos que não se ap endem na escola e g aças aos
quais aqueles se ão p epa ando, com o incen i o e o apoio do o mado , pa a
ul apassa as insu iciências da p esc ição do abalho, os imp e is os, os
cons angimen os da ida colec i a e pa a desen ol e em capacidades de inicia i a e de
decisão (Jobe , 1993).
Con udo, a a aliação das p á icas de o mação dominan es nos anos 80 demons ou que,
na sua gene alidade, o objec i o p osseguido oi o aumen o da capacidade p odu i a
a a és da edução do empo e dos cus os de o mação.
Toda ia e pa alelamen e, os in es igado es que se si uam delibe adamen e no plano dos
"in e esses sociais i ais" que as es u u ações do me cado pa ecem ameaça (no os
iscos;
no as o mas de ins umen alização do abalho humano; mecanismos de
selecção que acabam po ge a o isco de ma ginalização de ce as ca ego ias de
abalhado es, e c.), p osseguem inci ando o desen ol imen o de abo dagens
al e na i as en iquecidas no conhecimen o do abalho eal ao qual dá acesso a análise
e gonómica do abalho (Lacomblez, 2001).
Os anos 90 o am decisi os no e idencia dos iscos de exclusão do me cado de
abalho dos abalhado es de "baixo ní el de quali icação". O balanço le ou a que
73
alguns especialis as a ançassem com a de inição de uma "didác ica p o issional",
disciplina pa a a qual oi de e minan e uma adição cien í ica da psicologia e das
ciências da educação i ada, sob e udo após a IP G ande gue a, pa a um p ojec o de
educação pa a odos(Lacomblez, 2001).
Pa indo do pos ulado "se a o mação con ínua em po objec o a ansmissão e a
aquisição de sabe es- aze ligados à p á ica, é empo de analisa a p á ica como uma
ac i idade complexa, que não se esgo a numa simples aplicação de um quad o eó ico"
(Pas é, 1994), conduziu a uma alo ização de pedagogias que se a iculam sob e a
especi icidade da expe iência de cada um.
Os au o es da Didác ica P o issional alo izam, pois, as in e enções que concebem os
seus p og amas de o mação em a iculação com o que e elam as di iculdades
encon adas pelos o mandos em si uação eal.
Po ém, es a é "cons uída" com o ecu so, cada ez mais equen e, a simulado es, com
base no a gumen o de que, g aças à simulação da si uação eal, aquelas di iculdades
pode ão se melho comp eendidas e ul apassadas. A e dade é que os simulado es
nunca conseguem e em con a a complexidade e imp e isibilidade da ac i idade eal.
Nessa pe spec i a, os in es igado es que p i ilegiam a a i mação de um espaço de
in e enção a iculado sob e uma o mação dos abalhado es na análise das suas
condições eais de abalho, con apõem à me odologia da simulação o a gumen o de
que con ém não negligencia que os sabe es- aze p o issionais se a iculam semp e
sob e os sabe es- aze de p udência (C u e Dejou s, 1983). E, se es es di e sos ipos de
sabe es são indissociá eis é, sob e udo, pelo ac o de, no local de abalho, o empo e os
seus cons angimen os cons i uí em uma in a ian e incon o ná el.
Encon amos nes e a gumen o uma exp essão do que dis ingue a adição cien í ica da
Didác ica P o issional, o emen e imp egnada dos g andes objec i os das ciências da
educação, da de uma de uma Psicologia do T abalho e de uma E gonomia anco adas no
es udo da especi icidade do local de abalho e da es u u a social que o ca ac e iza e na
alo ização do papel dos abalhado es na ans o mação do abalho.
74
Nes e quad o concep ual, os laços u uosos que se êm desen ol ido en e a análise do
abalho e a o mação in eg am-se no p ojec o de uma modi icação do abalho que
ga an a uma ou a in eg idade ísica e psíquica dos abalhado es. Si ua-se, po isso, no
seio de uma dinâmica que em em con a, simul aneamen e, a dimensão ( ans) o mado a
dos conhecimen os e a dimensão da ac i idade do abalho e do p ojec o de
ans o mação das condições nas quais ela é exe cida.
A acção de o mação pode assumi aqui um papel cen al, no âmbi o de um p ojec o
pedagógico que, ao in és do modelo clássico de ansmissão de sabe es de pe i os a
leigos, modelo ainda p e alecen e e jus i icado pela necessidade de cump imen o de
no mas ju ídicas, écnicas ou compo amen ais, em como pon o de pa ida momen os
de abalho comum, esul an e da in e acção no seio do g upo de abalho,
assemelhando-se es e p ocesso, acima de udo, a uma co-ap endizagem e a uma co-
cons ução duma no a ep esen ação do abalho que é objec o da análise em si uação de
o mação e, po consequência, do abalho em ge al (Lacomblez, 2001).
Em suma, a a-se de uma o mação p o issional que in e pela as condições de abalho,
inci ando, po esse ac o, a in e disciplina idade e assen a na usão de duas modalidades
de conhecimen os complemen a es, que se en iquecem mu uamen e: os dos o mado es
e os dos abalhado es.
3.4.
E olução do sis ema o ma i o em Po ugal
A e olução da o mação em Po ugal, a pa i de meados dos anos 80 do sec.XX, não se
a as a dos modelos que a ca ac e izam nos es an es países da Eu opa Comuni á ia em
esul ado, essencialmen e, da sua impo ação, na maio ia das ezes sem qualque
a aliação e adap ação, assis indo-se, ambém aqui, à p oeminência da o mação de cu a
du ação, pa a esol e p oblemas imedia os das emp esas, bem como a uma polí ica de
ges ão do emp ego assen e em in e enções de ipo "cu a i o" e "p e en i o".
75

Toda ia, as c í icas insis en emen e mani es adas que pelos pa cei os sociais que pela
comunidade écnica e cien í ica ocacionada pa a as ques ões da polí ica educa i a,
esul an es da us ação e insa is ação ace aos p ecá ios esul ados das di e en es
abo dagens da o mação p o issional e desen ol imen al, que acusam de desajus ada da
ealidade nacional, jus i icam, só po si, que si uemos a sua e olução na his ó ia do país.
Não p e endendo i além do essencial pa a a comp eensão dos p oblemas com que
Po ugal hoje se deba e nes a á ea c ucial pa a o desen ol imen o e, des e modo,
e idencia mos as po encialidades do modelo de in e enção o ma i a que
desen ol emos no nosso abalho empí ico, nomeadamen e no ocan e à ap endizagem
da p e enção da segu ança e saúde no abalho, ele a emos apenas o que de mais
especí ico ca ac e iza os pe íodos ma can es da nossa His ó ia.
Apesa de Po ugal e sido um dos p imei os países na Eu opa a o ganiza uma
educação p imá ia pública, a axa de anal abe ismo, no início do séc. XX, e a de 66%
pa a os homens e de 82% pa a as mulhe es (Lacomblez & F ei as, 1992).
Nos úl imos anos da Mona quia, o mo imen o epublicano ez des a ma é ia uma das
suas bandei as con a o egime ins alado e quando, em 1910, conquis a o pode , põe em
p á ica medidas legisla i as de comba e a es e lagelo.
• A P imei a República -1910 a 1926
Es e pe íodo é pa icula men e ico em inicia i as di e sas de educação popula , na
con icção de que es a e a u gen e e i al pa a o p og esso e pa a a p óp ia sob e i ência
da Nação.
No plano legisla i o, é es abelecido, em 1911, o di ei o à ins ução o icial e li e pa a
odas as c ianças dos ní eis p é-p imá io e p imá io, sendo ixada a escola idade
ob iga ó ia en e os se e e os dez anos de idade. Es e limi e oi ala gado pa a os doze
76
anos em 1919. Simul aneamen e e a pa i de 1913, c iam-se as p imei as "escolas
mó eis" des inadas à al abe ização de adul os (Lacomblez & F ei as, 1992, p.4).
Quan o ao ensino écnico, o seu desen ol imen o oi acompanhando o eme gi da
indus ialização, sob e udo nas egiões de Lisboa, Se úbal e Li o al No e, de al modo
que,
em 1923, ha ia cinquen a e qua o escolas écnicas de ní el secundá io.
Con udo, como salien am as au o as a ás mencionadas, es a época emblemá ica po que
é il em pe sonalidades que se des aca am pela qualidade da sua p odução a ís ica,
li e á ia e cien í ica, dos quais eco damos aqui An ónio Sé gio, po se ainda hoje uma
e e ência nacional no uni e so da pedagogia, oi ambém ca ac e izada po di iculdades
inancei as e uma p o unda ins abilidade polí ica, em ol a de um sindicalismo de
adição ana quis a, cujas ei indicações, cen adas nos salá ios, nos ho á ios e nas
condições de abalho, secunda iza am a impo ância do acesso ao ensino écnico,
impedindo ambém que as e o mas educa i as a ingissem o objec i o almejado no que
espei a às axas de escola ização e de al abe ização, que ica am aquém do p e is o e
desejado.
Es e clima de ins abilidade social e agilidade inancei a ab iu caminho ao êxi o do
golpe de Es ado mili a , de 1926, que p econiza a uma solução di a o ial que, como já
an e io men e explici ámos, se co po izou no Es ado No o, pe soni icado po Salaza , a
pa i de 1932.
• Es ado No o Co po a i o - 1926-1974
De 1926 a é ins dos anos 40, as p io idades do go e no e am a edução d ás ica das
despesas públicas e a consolidação ideológica do Es ado No o. Nes e con ex o e no que
se e e e à polí ica educa i a, as medidas adop adas aduzi am-se na edução da
escola idade ob iga ó ia pa a os ês p imei os anos do ensino p imá io, na ex inção das
"escolas mó eis", no ence amen o de qua o impo an es escolas de o mação de
77
ins u o es e numa edução signi ica i a dos salá ios dos p o esso es (Lacomblez &
F ei as, 1992).
Os e ei os ideológicos do sis ema escola de Po ugal nos anos 30 e 40 aduzi am-se,
como a i ma G acio (In Lacomblez & F ei as, 1992, p.6), "num abalho objec i amen e
o ien ado de modo a desenco aja eleidades de ascensão social dos u ais e do
p ole a iado".
Aquelas medidas, num país essencialmen e u al, sem ias de comunicação nem
anspo es adequados, desencadea am uma p o unda es agnação social, que se e lec iu
no ence amen o de á ias escolas po al a de p o esso es, p o ocando, nos p óp ios
acóli os do egime, a dú ida sob e a opo unidade e bondade das mesmas.
A es es ac o es associa am-se á ios ou os que, no con ex o pos e io à Segunda
Gue a Mundial, con e gi am pa a o acen ua das c í icas da opinião pública ao
"salaza ismo" e o çando-se, no seio da oposição in e na ao egime, a espe ança de uma
al e ação ao sis ema polí ico.
Em consequência, as decisões go e namen ais omadas a pa i dos ins dos anos
qua en a e que ganha am exp essão na década de 50, são ma cadas po uma ela i a
expansão do sis ema escola , mas, al como an e io men e, semp e concebidas numa
pe spec i a de con enção e con ole das ans o mações da es u u a social do país.
Das medidas en ão adop adas des aca-se o e o ço da ede de escolas p imá ias com o
p olongamen o da escola idade ob iga ó ia pa a qua o anos e o lançamen o da
"campanha nacional de educação de adul os", no quad o do p og ama de
indus ialização de en ão, com is a a um ni elamen o mínimo da mão-de-ob a menos
quali icada das emp esas e a ealiza nas p óp ias ins alações des as (ib. p.6).
A aca adesão das en idades emp egado as a es e p ojec o acabou po es imula a
e o ma do ensino écnico que en ou em igo em 1948. A "eli e ope á ia" que sai des e
amo de ensino desempenha á um papel impo an e no desen ol imen o económico do
país na década de 60.
78
O eme gi da gue a colonial nos anos 60 e o que isso signi icou de pe da de me cado
nas colónias, ob igou o Es ado a uma eo ien ação da polí ica nacional pa a a qual o
me cado eu opeu se o na a cada ez mais essencial.
Apesa da gue a e da g ossa a ia de o çamen o que ela abso ia, Po ugal en a num
pe íodo de c escimen o económico e de desen ol imen o capi alis a.
O Es ado, já sob a égide de Ma celo Cae ano, man inha o con ole sob e a sociedade
ci il, não an o a a és da educação mas da ep essão, cada ez mais in ensa,
p o agonizada, sob e udo, pela polícia polí ica (PIDE/DGS).
As p á icas ep essi as e o seu eco na opinião in e nacional, nomeadamen e numa
Eu opa onde se mul iplica am os discu sos paci is as e iguali á ios, num cená io de
libe dades democ á icas, ão eng ossando as ilei as in e nas de oposição ao egime e,
no plano educa i o, eme gem mo imen os es udan is (1962, em Lisboa; 1969, em
Coimb a) que põem em causa o p ojec o educa i o do egime e a ausência de libe dade
de exp essão e de pensamen o, e idenciando-se, ambém des e modo, a incapacidade
c escen e do go e no em con ola e con e as exigências da oposição.
Cae ano, numa en a i a cla a de descomp essão polí ica con olada, edi icou o discu so
da "mudança na con inuidade" e, no início da década de 70, in oduz uma e o ma
a ojada na educação, conhecida pela Re o ma Veiga Simão, en ão Minis o da
Educação.
Es a e o ma, que ep esen a o culmina de um p ocesso ei indica i o incon olá el e é
e elado da p ocu a de legi imidade de um pode em c ise, p econiza um ensino abe o,
iguali á io, di e si icado, dinâmico e espei ado da indi idualidade de cada um,
e idenciando uma on ade i me de coo denação en e o sis ema escola e o sis ema
económico (Lacomblez & F ei as, 1992).
As medidas omadas no âmbi o des a e o ma aduzi am-se na alo ização da c iação
de um ensino p é-p imá io, na edução da idade de ing esso no ensino p imá io pa a os
seis anos, na ap oximação do ensino écnico ao ensino liceal ge al, na e o ma do ensino
79
A concepção de p e enção que p e aleceu desde a IP Gue a Mundial a é meados dos
anos 80, es á sob ede e minada pela acionalidade económica dominan e à época: o
"comp omisso o dis a," modo de egulação assen e na di isão ge al do abalho en e a
concepção e a o ganização, po um lado e a execução, po ou o.
Na emp esa, os di igen es o ganizam a p odução segundo os seus c i é ios e os
assala iados não são minimamen e associados às escolhas ecnológicas e à o ganização
do abalho.
De em, segundo o mé odo impos o po Taylo , abalha quando lhes é di o pa a o
aze , epousa quando os mandam epousa , u iliza os ins umen os e os modos
ope a ó ios p esc i os pelos mé odos.
Nes a acionalidade, os abalhado es são agen es de execução de no mas, p esc ições e
egulamen os es abelecidos po pe i os.
A concepção de p e enção p e alecen e naquele modelo de egulação do abalho que
igno a a con ibuição in eligen e dos ope ado es na ealização sub il do abalho e na
cons ução da sua segu ança, oi ju isdicionalizada naquilo a que podemos chama "o
Di ei o de epa ação da sinis alidade labo al a pa i de danos e i icados e da
exposição a iscos p esen es
",
com o objec i o de diminui os e ei os dos iscos de
aciden e de abalho ou de doença p o issional.
No domínio da p e enção p edominam, assim, os mesmos dois ins umen os daquele
modelo: a no ma e o con ole. O es abelecimen o de no mas de odo o ipo é a e a de
especialis as, essencialmen e engenhei os, ju is as e médicos do abalho, cabendo aos
o ganismos de con ole (Delegações de Saúde e Inspecção do T abalho), e i ica a sua
aplicação.
Nes e con ex o, Higiene e a sinónimo de p e enção de doenças p o issionais e
assen a a num concei o de saúde equi alen e a ausência de doenças ou en e midades.
86

Segu ança no T abalho e a sinónimo de p e enção de aciden es de abalho,
consis indo em in e enções co ec i as ao ní el dos ins umen os de p odução
(máquinas e ou os), po o ma a adap á-los ao homem.
A medicina do abalho, que oi eme gindo, baliza a-se pelos p incípios da medicina
cu a i a, iden i icando-se a p e enção com a elabo ação de diagnós icos p ecoces das
doenças, com base em indicado es de exposição a iscos, bem como com o a amen o
da doença, com is a à eabili ação do indi íduo. P i ilegia a-se, pois, o ní el
secundá io e e ciá io da p e enção (Maggi, B., 1997).
Es a concepção de p e enção a pa i de danos e i icados e da exposição a iscos
p esen es", com o objec i o de diminui os e ei os dos iscos de aciden e de abalho ou
de doença p o issional, de ma iz eminen emen e assis encial, enca a o aciden e de
abalho e as doenças p o issionais como ac o es ine en es ao p ocesso de p odução.
É o econhecimen o polí ico e social da saúde no abalho num plano de negociação, em
ol a da indemnização das í imas.
Concepção que, po con inua a se a p á ica co en e em alguns países,
designadamen e em Po ugal, Thébaud-Mony (2000, p.38) de ine nes a ase: «...há cem
anos que, na sociedade indus ial capi alis a, o aciden e de abalho e a doença
p o issional são conside ados socialmen e "acei á eis" po que indemnizá eis».
Em sín ese, a abo dagem eó ico-me odológica da segu ança e saúde no abalho, a é à
úl ima década do séc. XX, aduzia-se, undamen almen e (IDICT, 1999, p. 17), em:
-in e enções sob e o homem, a a és da igilância médica;
-in e enções co ec i as sob e os componen es ma e iais do abalho,
nomeadamen e locais de abalho e equipamen os de abalho;
-in e enções ao ní el de equipamen os de p o ecção indi idual do abalhado .
Em consequência e no seio des a iloso ia, dois g andes campos disciplina es - a
engenha ia e a medicina - acaba am po adqui i uma p eponde ância me i ó ia e
87
adicionalmen e legi imada, no que espei a ao a amen o das ques ões elacionadas
com a ges ão das elações en e abalho e saúde, no quo idiano das emp esas.
4.1.1.
P essupos os dou inais des e quad o concep ual
Como e e e C u (1996), os p essupos os dou inais da concepção de p e enção de
iscos p o issionais que p e aleceu desde a IP Gue a Mundial a é meados dos anos 80 e
que con inua p esen e na nossa p á ica, assen am em qua o pos ulados:
Ie - É uma p e enção cen ada no aciden e;
Pa indo da máxima "pa a p e eni os aciden es de abalho é p eciso conhecê-los",
máxima que, não sendo alsa é, con udo, es i i a, limi a a comp eensão do enómeno
aciden e de abalho e limi a ainda mais a elabo ação de soluções possí eis pa a os
p oblemas cons a ados.
Com e ei o, ques iona C u (1996, pp.120-121), nes a concepção cen ada no aciden e,
baseada na ideia de epa ação assis encial, quem se in e oga sob e o abalho no mal,
ulga , o desen ola do abalho quando udo ai bem? Quem se ape cebe dos mil e um
anac onismos do abalho no mal e dos mil e um p ocedimen os de ecupe ação pos os
em p á ica pelos abalhado es, pa a lhes aze ace?
«Nes e con ex o, a concepção adicional de p e enção escamo eia o que Fa e ge
designou po "p á icas in o mais de segu ança" e C u e Dejou s designa am de
"sabe es- aze de p udência"» (ib. p.121).
IP - Na sequência des e p imei o pos ulado, es a concepção implica um ou o
p incípio igualmen e ambíguo: a en ação de a a isoladamen e cada ac o po encial de
isco,
ao inse i as causas dos aciden es na classi icação dos di e en es ac o es de isco
conhecidos;
O a, a análise agmen ada dos iscos não pe mi e ape cebe mo-nos da complexidade do
abalho e dos seus aciden es.
88
Po ou o lado, p ossegue C u (ib. p.121), es a decomposição dos ac o es de isco é
e elado a da impo an e cli agem en e o ac o humano e os ac o es écnicos e
ma e iais, sinal e iden e da insc ição des a p á ica de p e enção numa lógica económica
global de p odução e de ep odução, que ul apassa o aspec o inancei o: a lógica da
escola de egulação do "comp omisso o dis a".
Como consequência, «conduz a hipe alo iza a écnica como se ela se impusesse e
uncionasse po si mesma, ao in és de se o esul ado de odo um abalho humano e das
escolhas e ec uadas pelos homens e pelas mulhe es no desen ol imen o da sua
ac i idade p o issional. Des e modo, a concepção écnica e a ges ão icam o a de
deba e, não podendo se pos as em causa nem ul apassadas» (ib. p.122).
IIIe
- Nes a pe spec i a, a concepção adicional da p e enção p essupõe e
alimen a uma isão pejo a i a dos homens e das mulhe es no abalho, uma ez que, ao
igno a a con ibuição in eligen e dos ope ado es na ealização sub il do abalho e na
cons ução da sua segu ança, os enca a como " on es" de e os e aciden es, se es
isolados e sem his ó ia, sem qualque in luência nas elações sociais na emp esa.
Nes e quad o concep ual, os abalhado es são, pois, se es abs ac os e as suas
esis ências à segu ança são, po isso, na u alizadas.
«Os agen es da p e enção olham-os, an es de mais, como c ianças que é p eciso educa
e guia ou como igno an es que é necessá io ins ui e comanda , como simples
objec os. Com es e ipo de explicação, as medidas de p e enção só podem se
elabo adas po especialis as» (ib. p.122).
IVa - O qua o e não menos impo an e p incípio em que assen a es a concepção
de p e enção é o de que eduz a esponsabilidade ju ídica da p e enção ao emp egado ,
po quan o a concebe unicamen e no in e io de cada emp esa ou es abelecimen o.
Visão edu o a, demons a i a de que o núcleo cen al des a abo dagem se con ina a
in e enções co ec i as e epa ado as, não deixando espaço pa a qualque in e enção
p e en i a.
89
Na e dade, a esponsabilidade po uma polí ica de p e enção não começa nem acaba na
emp esa ou no es abelecimen o. Tan o a mon an e como a jusan e, in e êm di e sos
ac o es, públicos e p i ados, que não podem deixa de se implicados e co-
esponsabilizados.
A lógica o dis a subjacen e a es e quad o concep ual sus en ou, du an e in a anos, o
uncionamen o do "cí culo i uoso" da economia - in es imen o / p odução / emp ego/
consumo, alimen ando-se de um modelo de diálogo social ins i uído ao ní el mais
ele ado do pa ona o e sindica os (Con ede ações), com a in e enção do Es ado.
Como já acen uámos, os dois ins umen os p e alecen es, nes a modalidade de diálogo
social, são a no ma e o con ole. O es abelecimen o de no mas de odo o ipo é a e a de
especialis as. As Adminis ações, o pa ona o e os sindica os êm os seus espec i os
pe i os. Uma ez adop ados os ex os legisla i os, cabe aos o ganismos de con ole
e i ica a sua aplicação.
Nes e con ex o, a concepção de p e enção, que dela eme ge, ep oduz es a sepa ação
en e aqueles que concebem as polí icas de p e enção e aqueles que êm de as aplica e
cump i .
No seu seio, os abalhado es são agen es de execução de no mas e egulamen os: «Eles
não são objec os passi os mas a sua con ibuição an o na ealização sub il do abalho
como na cons ução da sua segu ança não é econhecida pelos di os pe i os» (C u,
1996).
4.1.2.
A ine icácia des e modelo e o eme gi de uma iloso ia de p e enção
in eg ada e pa icipada
A c ise do modo de egulação o dis a que se desencadeia a pa i de meados dos anos
70,
aumen ou o ques ionamen o do concei o de p e enção dominan e e pôs em causa a
cli agem concepção/execução.
90
A ine icácia des e modelo, e elada nas es a ís icas de aciden es de abalho e nos
con ínuos p oblemas de saúde no abalho, a que se jun a am no as a ecções, esul an es
das mu ações ecnológicas e o ganiza i as dos úl imos in a anos, exigi am a adopção
de di e en es es a égias no modo de abo da a segu ança e a saúde no abalho.
Assim, em con aposição a uma concepção cen ada no aciden e, na análise agmen ada
dos ac o es de isco e numa isão pejo a i a dos homens e das mulhe es no abalho,
delineou-se, a ní el in e nacional e comuni á io, o enquad amen o necessá io ao
desen ol imen o nacional de uma disciplina de p e enção in eg ada e pa icipada.
4.1.3.
Enquad amen o ju ídico do no o quad o concep ual
Nessa pe spec i a, a ní el in e nacional e no âmbi o da O.I.T., oi adop ada, em
22/6/81,
a Con enção n2155, sob e a segu ança, a saúde dos abalhado es e o ambien e de
abalho.
Po ugal ap o ou-a, pa a a i icação, em 1985, pelo Dec e o do Go e no nQl/85, de 16
de Janei o.
No âmbi o da Comunidade Eu opeia é a Di ec i a do Conselho 89/391/CEE, de 12 de
Junho de 1989, ela i a à aplicação de medidas des inadas a p omo e a melho ia da
segu ança e da saúde dos abalhado es no abalho (Di ec i a-Quad o), o ins umen o
ju ídico que o mula, pela p imei a ez, p incípios ge ais de p e enção, cla i icando as
ideias que lhe de em subjaze .
Em Po ugal, o D.L. ns441/91, de 14 de No emb o dá cump imen o às ob igações
deco en es da Con enção n2155, da OIT e anspõe pa a a o dem ju ídica in e na o
quad o no ma i o da Di ec i a 89/391/CEE, es abelecendo, assim, o enquad amen o
nacional da segu ança e saúde no abalho, no con ex o da no a iloso ia.
A p o ecção da saúde e da segu ança dos abalhado es nos locais de abalho,
concep ualizada a pa i da Di ec i a-Quad o, assen a num modelo de in e enção
91

es u u ado em o no de uma e ec i a a iculação en e p e enção, análise global do
abalho desde a sua concepção e o mação, en ol endo a pa icipação ac i a e
pe manen e dos abalhado es.
Es á, pois, de ini i amen e a as ado o quad o concep ual an e io , de in e enção a pa i
de danos cons a ados e da exposição a iscos p esen es.
Como acen ua Maggi (1997), o desígnio p io i á io é, ago a, o de uma p e enção
p imá ia, que, só excepcionalmen e, de e eco e à p o ecção, o que p essupõe a
capacidade de analisa a si uação global de abalho e pô em e idência os aspec os
suscep í eis de en ol e ou ge a iscos, no âmbi o do p ocesso de abalho p i ilegiado.
4.2.
Di ec i a-Quad o 89/391/CEE - p é- equisi os e undamen os
O quad o no ma i o consubs anciado nes a Di ec i a espelha o econhecimen o do
mé i o da comunidade cien í ica que se em dedicado ao es udo e à in e enção no
mundo do abalho, uma ez que acolhe as suas p opos as de concepção do
desen ol imen o e p odução de compe ências, assen es na alo ização dos sabe es
adqui idos na acção e na expe iência de ida pelos sujei os que são mobilizados ace às
si uações inédi as, imp e is as ou sujei as a uma mudança.
De ac o, como salien ou Ginsbou ge (1992, In Clo , 1995, p.21), «o abalho não é só
consumido de compe ências, mas ambém seu ge ado », na medida em que, como
explica Malglai e (1990 In Clo , 1995, p.38), «a omada de consciência das e amen as
cogni i as u ilizadas de o ma implíci a nas ac i idades p á icas pe mi e a sua
mobilização quando con on ados com si uações desconhecidas».
Nes e con ex o, es e no o modelo de p e enção es abelece, como pon o de pa ida, a
análise da si uação global do abalho desde a sua concepção e hie a quiza as medidas
92
a adop a , num quad o de p incípios ge ais de p e enção, con o madas à iloso ia que
lhe es á subjacen e.
Jus i ica-se, po isso, à semelhança do que ize am ou os colegas (Vasconcelos, R.,
2000;
Val e de, C, 2000) enunciá-los aqui, apoiando-nos no Li o B anco dos Se iços
de P e enção das Emp esas (IDICT, 1999):
• E i a os iscos;
• A alia os iscos que não podem se e i ados;
• Comba e os iscos na o igem;
• Adap a o abalho ao homem, agindo sob e a concepção, a o ganização e
os mé odos de abalho e p odução;
• Realiza es es objec i os endo em con a o es ádio da e olução da écnica;
• De uma manei a ge al, subs i ui udo o que é pe igoso pelo que é isen o
de pe igo ou menos pe igoso;
• In eg a a p e enção dos iscos num sis ema coe en e que ab anja a
p odução, a o ganização, as condições de abalho e o diálogo social;
• Adop a p io i a iamen e as medidas de p o ecção colec i a, eco endo às
medidas de p o ecção indi idual unicamen e no caso de a si uação
impossibili a qualque ou a al e na i a;
• Fo ma e in o ma os abalhado es e demais in e enien es na p e enção.
Como se pode cons a a , a a aliação dos iscos é ago a um momen o essencial que
implica um comple o conhecimen o do con ex o de abalho e que de e aduzi -se, num
p imei o momen o, pela eliminação dos p óp ios iscos e, num segundo, pelo seu
comba e na o igem.
Tal como an e io men e acen uámos, es á de ini i amen e a as ada a abo dagem an e io
de in e enção a pa i da cons a ação de danos e da exposição a iscos p esen es,
p i ilegiando-se, no ac ual quad o concep ual, uma p e enção p imá ia, que só
excepcionalmen e de e eco e à p o ecção, o que p essupõe, não é demais epe i-lo, a
93
capacidade de analisa a si uação global de abalho e pô em e idência os aspec os
suscep í eis de en ol e ou ge a iscos, no âmbi o do p ocesso de abalho p i ilegiado.
A iloso ia subjacen e à Di ec i a-Quad o, que oi anspos a pa a o nosso o denamen o
ju ídico pelo Dec e o-Lei n.Q
441/91,
de 14 de No emb o, implica uma mudança adical
no modo de enca a e comp eende a p e enção, implicando, po esse ac o, uma
mudança p o unda na o ien ação dos conhecimen os e das p á icas de in e enção nos
locais de abalho.
A Segu ança e a Saúde no abalho deixa am de se uma ilha isolada onde p edomina a
busca de soluções écnicas e médicas, passando a se objec o de uma isão mais ampla e
holís ica.
Visão con i mada pelo T ibunal de Jus iça das CE quando, em Acó dão de No emb o
de 1996, es abelece que: «...o concei o de ambien e de abalho ab ange odos os
ac o es que dizem espei o ao abalhado no seu abalho.
(...) A p o ecção da saúde e da segu ança não se limi a aos e ei os dos agen es ísicos e
químicos, de endo abo da -se a saúde num sen ido amplo, is o é, como "um es ado
comple o de bem es a ísico, men al e social, que não se aduz apenas numa ausência
de doenças ou de en e midades"».
Donde se conclui que a saúde não é mais en endida como um es ado na u al mas sim
como um cons uc o social, a exigi uma abo dagem in e disciplina e a iculada.
É o acolhimen o, no âmbi o do Di ei o do T abalho, do concei o de saúde exp esso pela
O ganização Mundial de Saúde há 40 anos.
Sis ema izando os p incípios subjacen es a es a abo dagem do abalho em e mos de
bem es a , Maggi (1997) ca ac e iza a iloso ia de p e enção acolhida nes a Di ec i a
como: p imá ia (p io iza a p e enção ela i amen e à p o ecção - e i a , a alia ,
comba e ) ;
p og amada (de e se pensada, planeada e concebida de o ma an ecipada)
;
ab angen e (de e e em con a a globalidade dos p ocessos de abalho mas ambém a
94
in e ac i idade dos di e en es elemen os e p ocessos que a ca ac e izam, is o é, nenhum
aspec o da si uação de abalho de e escapa à a aliação em e mos de p e enção) e
pa icipada (no sen ido em que os abalhado es passam a se ac o es undamen ais
an o na análise do abalho como na comp eensão e a aliação de iscos, deixando de se
simples des ina á ios de opções ei as po e cei os).
Nes e quad o, ac escen a Maggi, a. o mação é pa e in eg an e dos p ocessos de análise,
a aliação e concepção.
E conclui (1997, p. 4): «Tudo is o p essupõe uma análise e uma in e enção sob e a
si uação de abalho, endo em is a o con ole da saúde e da segu ança dos
abalhado es. Nesse sen ido, pode ala -se de uma ob igação de analisa o abalho,
in oduzida pela lei, sob e a qual con ém e lec i ».
Des e modo, o D.L. n.2
441/91,
de 14 de No emb o, ao anspo pa a o o denamen o
ju ídico po uguês es e no o olha a saúde e a segu ança nos locais de abalho,
es abeleceu o de e e o di ei o colec i os de (a) uma p e enção p imá ia, p og amada,
ab angen e
e
pa icipada, assen e numa a aliação de iscos exaus i a e global, baseada
em c i é ios objec i os e a iculados a á ios ní eis o que signi ica, como an e io men e
salien ámos, uma e ec i a a iculação en e p e enção, análise do abalho e o mação,
cujo êxi o p essupõe, necessa iamen e, o en ol imen o e a pa icipação dos
abalhado es.
Es a p oblemá ica e a busca de comp eensão de enómenos colec i os que com ela se
p endem e aos quais é necessá io esponde , endo em con a a ealidade do ecido
emp esa ial po uguês - «um e ço dos emp esá ios da indús ia êm o ensino
secundá io incomple o, 58% das emp esas indus iais são do ipo amilia , is o é,
pe encem a um g upo unido po laços amilia es; 78% são ge idas apenas pelos
p op ie á ios sem apoios de ges o es ou écnicos; 29% dos emp esá ios o am,
an e io men e, abalhado es da p odução e 65% dos abalhado es da indús ia
ans o mado a êm menos que a escola idade básica, aqui conside ada como seis anos
95
odas as si uações de abalho, num con ex o ma cado pela mundialização e pela
p eca ização do
abalho.
»
Em sín ese, u ge coloca em comum p oblemas, expe iências e soluções, pa a se
eduzi em as disc epâncias en e os quad os no ma i os e as p á icas sociais,
p osseguindo-se o caminho do bem-es a colec i o.
«Há que enco aja a di usão de expe iências ino ado as e o deba e de ideias sob e as
polí icas e as p á icas de p e enção. A eno ação da p e enção de iscos p o issionais
não se compadece com a ausência de um deba e sob e as p á icas ac uais dos
p e en o es e as concepções que lhes subjazem.
Pa a se e em con a o que já se az, de posi i o ou nega i o, con ém pa i de
monog a ias, de acções p ecisas, de in e enções» (C u, 1996, p.126).
Nesse sen ido, des acamos, pelos esul ados já eó ica e empi icamen e demos ados, a
impo ância do conhecimen o e da di usão, nomeadamen e em Po ugal, de abalhos
que se encon am na in e ace da Psicologia do T abalho e da E gonomia com a
o mação, pelas po encialidades e idenciadas pela dupla elação e gonomia/ o mação,
cujo pon o de in e secção é a análise do abalho : aquela na qual a o mação é uma
" e amen a" pa a a e gonomia e aquela onde a e gonomia e, sob e udo a análise
e gonómica do abalho, con ibui pa a a concepção de p og amas de o mação.
Segundo Teige (1993c, Teige & Mon euil, 1995, Teige , Lacomblez e Mon euil,
1997),
no p imei o caso, a análise e gonómica do abalho é objec o de o mação dos
di e en es ac o es, an o den o como o a das emp esas. A análise e gonómica do
abalho é conside ada uma passagem ob iga ó ia pa a se pode adqui i uma capacidade
de acção sob e as condições de abalho. A a és da o mação é, des e modo, dado aos
abalhado es um "meio" pa a alcança em um no o pon o de is a sob e o abalho que
lhes pe mi a agi , po si p óp ios, na ans o mação da sua si uação de abalho.
No segundo caso, a análise e gonómica do abalho é um ins umen o de concepção de
uma o mação de ipo "p o issional". Repo a-se às ac i idades ac uais ou a concebe
102

pa a os abalhado es e di ige-se an o aos que es ão em o mação con ínua como aos
que são objec o de econ e são p o issional.
Assim, a análise e gonómica do abalho não é apenas um ins umen o de conhecimen o
humano, mas "um mé odo de acção, endo em is a a ans o mação das si uações de
abalho, a a és das desc ições do abalho que p esidem à concepção ou adminis ação
dos sis emas de abalho" (Daniellou, 1995, In Vasconcelos, Lacomblez & San os,
1999).
Em consequência e de aco do com Teige (1993c), "a ap endizagem dos concei os e
mé odos da análise e gonómica do abalho pode assim se conside ada como
e amen a cogni i a de ans o mação de ep esen ações", conduzindo a uma o mação
mis a:
- po um lado, uma o mação de ipo "p o issional", onde a análise e gonómica do
abalho pa icipa na elabo ação / concepção de p og amas de o mação especí ica;
- po ou o, uma o mação de ipo "desen ol imen al", pois pe mi e aos abalhado es
oma em consciência e o maliza em as suas compe ências e sabe es, adop ando no os
pon os de is a que ão pe mi i a ans o mação da p óp ia si uação de abalho e/ou
adap ação a no as si uações.
No p i ilégio des e quad o concep ual, soco emo-nos da análise e gonómica do
abalho como ins umen o de conhecimen o humano e como mé odo de acção na
pesquisa e na concepção da in e enção o ma i a de ipo "desen ol imen al," que
implemen ámos no " e eno" onde deco eu o nosso es udo empí ico.
103
4.3.1.
P imei a a aliação da aplicação p á ica da Di ec i a-Quad o em
Po ugal
A Di ec i a-Quad o e as Di ec i as especiais dela deco en es es a uem que "os
Es ados-memb os ap esen a ão quinquenalmen e à Comissão um ela ó io sob e a
aplicação do dispos o na p esen e di ec i a, assinalando os pon os de is a dos
pa cei os sociais".
Em cump imen o dessa ob igação, o Minis é io do T abalho e da Solida iedade (MTS)
eme eu à Comissão Eu opeia, em 18 de No emb o de 1998, o
1Q
ela ó io de Po ugal
e e indo, na sua in odução, que "na base des e ela ó io es i e am os ela ó ios
anuais da ac i idade da Inspecçào-Ge al do T abalho e dos quais o am ex aídos
os quad os es a ís icos aqui ap esen ados" (c . anexo I).
Analisado aquele documen o bem como os pa ece es dos Pa cei os Sociais (CIP, UGT e
CGTP), a ele anexos, deles sob essai, esumidamen e:
I.2- a) O ela ó io do Go e no, desde a p imei a página, ci cunsc e e a
Adminis ação do T abalho ao IDICT (Ins i u o de Desen ol imen o e Inspecção das
Condições do T abalho) e con ina es e com a Inspecção-Ge al do T abalho. Nessa
pe spec i a, ge a a ideia de que as ques ões da SHST são compe ência exclusi a da IGT.
O a, sendo as ma é ias de SHST ans e sais às condições de abalho e às elações
p o issionais, indi iduais e colec i as, o lei o é le ado a pe gun a -se: pa a que se e o
Minis é io do T abalho e o IDICT ? Não bas a ia exis i a Inspecção-Ge al do T abalho?
Toda ia, bas a uma lei u a das leis o gânicas do MTS (DL. n.Q 115/98, de 4/5 ) e do
IDICT (DL. n.2 219/93, de 16 de Junho) pa a cons a a mos que não é esse o espí i o do
legislado nem, aliás, pode ia se , sob pena da o al ine icácia da polí ica de
Adminis ação do T abalho em Po ugal.
A IGT "é um se iço de inspecção e iscalização do cump imen o das no mas ela i as
às condições de abalho, emp ego e desemp ego" (a .212 DL.219/93), de endo, à
104
semelhança do passado ecen e, abalha em es ei a a iculação com os es an es
depa amen os, numa pa ilha pe manen e de in o mação e conhecimen o, ins umen os
ga an es da e icácia da acção.
A e dade, é que a p á ica da Adminis ação do T abalho em Po ugal, desde 1993, em
sido,
em c escendo, no sen ido da concen ação de compe ências, pode es e unções na
IGT,
es aziando, p og essi a e simul aneamen e, de con eúdo, ou os depa amen os
que,
oda ia, con inuam a e exis ência o gânica, mui as ezes de ca iz obsole o.
b) Po ou o lado e quiçá em consequência dessa isão edu o a, o ela ó io do
Es ado po uguês é eminen emen e gene alis a e desc i i o, dele não anspa ecendo,
como se ia de espe a , a a aliação da aplicação p á ica das Di ec i as.
Em sín ese, dele sob essaem, como acções, inicia i as e comen á ios, apa en emen e
da exclusi a esponsabilidade da IGT:
• in ensa ac i idade no ma i a, mas ainda aquém do necessá io;
• aumen o signi ica i o do núme o de o e as o ma i as mas nenhuma
pala a sob e a a aliação das p á icas dominan es;
• inc emen o, apoio écnico e inancei o a es udos e in es igação,
oda ia, nada é di o sob e a u ilidade e aplicação p á ica que,
e en ualmen e, ais es udos e in es igações i e am no
desen ol imen o da polí ica de p e enção;
• in o mação p es ada no "cen o de documen ação do IDICT (2000
u en es em 1997)".
Sendo o IDICT um ins i u o público nacional, há só um cen o de documen ação? Onde
se localiza? Em Lisboa? Os se iços egionais e locais, es ão a abalha em ede ou os
u en es do es o do país, que são a maio ia, êm que se desloca a Lisboa? O ela ó io
não dá espos a;
• são ap esen ados quad os es a ís icos "pa a ca ac e ização do uni e so
sujei o a acção inspec i a" sem, con udo, nas 14 páginas do ela ó io,
105
se ei o qualque comen á io que com eles se p enda, po o ma a que
o lei o possa pe cebe que lei u a p e endem que deles se aça.
Em con apa ida:
• Não é minimamen e abo dada a ques ão do licenciamen o, e en e
pa a nós essencial po que, ac uando a mon an e, na concepção da
ac i idade global do abalho, ep esen a, do nosso pon o de is a, o
alice ce undamen al do edi ício da p e enção, no sen ido em que é
de inido pela Di ec i a-Quad o;
• não há uma pala a pa a a negociação colec i a, ou o domínio em que
nos pa ece que es as ma é ias de e iam es a p esen es e, po isso,
sob e elas a ia sen ido se ecido um comen á io a alia i o.
No "balanço" inal são salien ados, como aspec os posi i os (pp.10-14): o mação,
in o mação e ac i idade no ma i a. Como aspec os nega i os (p.14) - i)- de icien e
capacidade de espos a (quan i a i a e quali a i a) nos domínios da o mação,
in o mação e in es igação; ii)- ausência de no mas de u ilização de EPI's; iii)-
de icien e con olo do me cado e ausência de es udos an opomé icos da população
po uguesa que "pe mi am uma impo ação de EPI,S ajus ada às ca ac e ís icas dos
abalhado es"; iiii)- c í icas à Comissão Eu opeia e aos Comi és e Agências da U.E.
e idenciadas na al a de guias o ien ado es e na al a de dinamização de p ojec os que
pe mi am a oca de expe iências en e países da U.E. e a di ulgação de boas p á icas.
II.2-
A Con ede ação da Indús ia Po uguesa, ep esen ando o "pa ona o", põe o
acen o ónico das suas c í icas nos seguin es aspec os:
- cus os (di icilmen e compo á eis ou mesmo incompo á eis) da polí ica de
p e enção;
- p eços ele ados dos se iços o e ecidos pelo me cado em ma é ia de SHST;
- al a de cul u a "ap op iada" dos abalhado es, que conside am esponsá eis pelos
aciden es de abalho e doenças p o issionais " ace aos equipamen os exis en es";
- incump imen o, po pa e do Es ado, das suas ob igações.
106
Como aspec os posi i os e e em o "es o ço e empenhamen o dos emp esá ios na
o mação adequada dos abalhado es", embo a sem g ande sucesso - "po culpa
des es", em esul ado, designadamen e, da " elu ância de g ande dos abalhado es
em u iliza con enien emen e os equipamen os de p o ecção indi idual".
Concluem e o çando que o p incipal obs áculo é, po um lado, de na u eza cul u al
e, po ou o, esul a da descon o midade de algumas no mas com a ealidade
nacional, deco en e, nomeadamen e, "de uma es u u a emp esa ial em que
p edominam pequenas emp esas, ou mais conc e amen e, mic o-emp esas, mui as de
ca iz amilia ".
Também aqui não são abo dadas, minimamen e, as e en es - licenciamen o,
negociação colec i a e p á icas de o mação dominan es.
III.--
As Cen ais Sindicais (UGT e CGTP) esponsabilizam o Es ado e o
"pa ona o" pelo insucesso da aplicação p á ica das Di ec i as. Reclamam a adopção
u gen e da legislação e medidas adminis a i as complemen a es em al a, o e o ço da
acção inspec i a, a adopção de um egime con a-o denacional mais pesado e uma
mudança de men alidades, designadamen e, dos emp egado es.
Concluem a i mando que "com o cump imen o das disposições legais ela i as aos
di ei os de pa icipação, consul a, o mação e in o mação dos abalhado es, se á
possí el alcança ní eis sa is a ó ios de aplicação das Di ec i as".
Con udo, an o a UGT como a CGTP ambém não abo dam nem a aliam o p ocesso de
licenciamen o em igo , a negociação colec i a ou a o mação desen ol ida a é en ão.
A en a a p oblemá ica que es á na base des e abalho e o objec i o que o no eia, po
nós já amplamen e explici ados, ejamos, en ão, que concepção subjaz às p á icas
ac uais de p e enção em Po ugal e que modalidade de diálogo social p e alece.
107

Pelo que acabámos de salien a dos documen os em ap eço, pa ece-nos pode mos
a i ma que:
=> A p á ica de p e enção dominan e, e elada nos a gumen os aduzidos pelo
Go e no e Pa cei os Sociais, iden i ica-se com a abo dagem adicional cen ada
no aciden e, numa isão agmen ada dos iscos, na sepa ação en e o ac o
écnico e o ac o humano e, consequen emen e, numa isão pejo a i a dos
homens e das mulhe es no abalho, embo a inse ida num discu so de imagens
con adi ó ias, de up u as e con inuidades.
Tal ac o é, em nossa opinião, demons a i o de que o modelo de p e enção
consubs anciado na Di ec i a da CEE, n.s 391, de 12 de Junho de 1989, implicou
e implica, ambém pa a Po ugal, uma mudança adical no modo de comp eende
a p e enção em ma é ia de saúde e segu ança dos abalhado es e na o ien ação
dos conhecimen os e p á icas de in e enção nos locais de abalho.
À da a, Po ugal es a a ainda no limia da mudança necessá ia e odos os
in e enien es nes a p oblemá ica inham, do pa adigma da p e enção in eg ada
e pa icipada, uma consciência pa cial e pa cela , e elado a da ausência de uma
polí ica nacional de p e enção assen e num diagnós ico holís ico e consensual;
=> Po ou o lado, es a p á ica de p e enção assen a a, em 1998 e assim
con inua, na modalidade de diálogo social ipa ido (Conce ação Social) ípico
da lógica do modelo de egulação do "comp omisso o dis a", ins i uído ao mais
al o ní el de ep esen ação do pa ona o e dos sindica os, com a in e enção do
Es ado, o um onde domina apenas a oz dos espec i os especialis as e ou os
di igen es pe manen es desses o ganismos.
Modalidade desajus ada da ealidade sócio-económica ac ual, que em e mos de
ep esen a i idade, que em e mos subs an i os, con inuando, po isso, a
en e ma das debilidades esul an es dos enquis amen os do passado ecen e,
e idenciados no di imi de a gumen os de culpabilização mú ua e consequen e
des esponsabilização do g upo social ep esen ado po cada pa cei o.
108
Uns e ou os pa ecem con inua a alimen a uma isão pa e nalis a do Es ado,
p i ilegiando, o a a no ma e o con ole, com apelos a sanções cada ez mais
pesadas (Con ede ações Sindicais), o a a canalização de dinhei os públicos pa a
á eas da es i a esponsabilidade do emp esá io (Con ede ações Pa onais).
Cu iosamen e, nem uns nem ou os apelam à esponsabilidade do Es ado, a
mon an e e a jusan e da emp esa ou es abelecimen o, na abo dagem da saúde
como um cons uc o social;
=> Po seu lado, o Es ado e ela uma isão edu o a da Segu ança, Higiene e
Saúde no T abalho an o em e mos concep uais (e aqui ap oxima-se do
pa ona o e dos sindica os) como no que espei a à sua inse ção e abo dagem
o gânica e uncional.
Nes a ma é ia e apesa do discu so o icial dos úl imos anos, no sen ido da
descen alização, ap esen a-se como um Es ado cen alizado e cen alizado ,
p i ilegiando uma go e nação que pa ece esquecida de que «as sociedades são
eias complexas de asos comunican es onde udo em elação com udo»
(San os, B.S., 2002, p.6).
4.3.2.
E olução ecen e e pe spec i as
Os indicado es de sinis alidade e de incump imen o das eg as básicas de segu ança nos
locais de abalho, ez com que o discu so o icial endu ecesse, nes a á ea pa icula .
A e dade é que, só no ano 2000, em 248 dias ú eis de abalho egis a am-se 249
aciden es de abalho mo ais.
Po ugal, país sem adição de uma cul u a de p e enção, em odos os domínios da
ealidade social, pa ece e despe ado pa a a necessidade de ence , de o ma coesa e
in eg ada, es e lagelo.
109
Nessa pe spec i a, a pa da adopção de diplomas no ma i os, colma ando algumas das
lacunas apon adas pelos Pa cei os Sociais em 1998, designadamen e consag ando um
no o egime con a-o denacional (Lei 116/99, de 4 de Agos o e leis especiais dela
deco en es); es abilizando o egime de o ganização dos se iços de p e enção e
de inindo e egulamen ando o enquad amen o da ac i idade dos écnicos de segu ança
(Dec e os-Lei n.e 109 e 110 de 2000, ambos de 30 de Junho), en e ou os, o am
assinados dois Aco dos em sede de Conce ação Social, dia 9 de Fe e ei o de 2001,
des a ez com a p esença e o en ol imen o de odas as Con ede ações pa onais e
sindicais que êm assen o, no modelo igen e, na Comissão Pe manen e de Conce ação
Social.
Re e imo-nos ao "Aco do sob e Condições de T abalho, Higiene e Segu ança no
T abalho e Comba e à Sinis alidade" e ao "Aco do sob e Polí ica de Emp ego,
Me cado de T abalho, Educação e Fo mação".
Apesa da complemen a idade de ambos, é o p imei o aquele que aqui impo a a lo a ,
po se iden i ica , di ec amen e, com o objec o do p esen e abalho. Des acamos, assim,
po e elado es da cons a ação da necessidade de uma no a cul u a labo al, alguns dos
p incípios e alo es plasmados na undamen ação do e e ido Aco do:
«Na ac ualidade, conside a-se que a p omoção da saúde e segu ança no abalho de e
aduzi -se numa in e enção global e in eg ada, en ol endo os abalhado es, odos os
sec o es e odas as dimensões da
emp esa.
(...)
endo em con a que a p omoção da saúde
e segu ança dos abalhado es no local de abalho é um ac o de aumen o da
p odu i idade des es. (...) Reconhecendo-se que os iscos p o issionais não são
a iá eis incon olá eis mas que, equen emen e, deco em do modo conc e o como a
p es ação do abalho é o ganizada, a p omoção da saúde e segu ança dos
abalhado es de e desen ol e -se, de o ma sus en ada, em obediência
ao
p incípio de
adap ação do abalho ao Homem, assumindo-se como indicado de mode nidade do
ecido emp esa ial po uguês. (...) A alo ização da qualidade de ida é hoje
indissociá el do desen ol imen o (p.7) ».
110
«Nes a medida, o Go e no e os Pa cei os Sociais (...) de em p ossegui os seguin es
objec i os es a égicos
(p.8):
Concilia a mode nização do ecido emp esa ial com a adopção de
medidas isando a melho ia das condições de segu ança e saúde no
abalho;
- Di usão e omen o de uma cul u a de p e enção dos iscos p o issionais,
pa ilhada po emp egado es epo abalhado es;
Diminuição do núme o de aciden es de abalho e de doenças
p o issionais.
»
Pa a a conc e ização des es p incípios e es a égias, são enume adas di e sas medidas de
cu o e médio p azo. Das p imei as salien amos:
=> "desen ol imen o de medidas de sensibilização, in o mação e o mação dos
abalhado es e emp egado es, endo em is a a sedimen ação de uma cul u a de
segu ança e a p omoção de compo amen os segu os"(p.
10).
Das medidas a médio p azo e no que espei a à o ganização dos se iços de SHST,
des acamos (pp.20-21) :
=> "A adopção de um P og ama de Adap ação dos Se iços de P e enção nas
Emp esas, o qual, ela i amen e às emp esas que decla em não es a em
condições de cump i as espec i as ob igações legais na ma é ia e que o
equei am, p e ê a a ibuição de um p azo pa a a sua adap ação, endo como
con apa ida a inculação des as a um plano de adap ação que pode á
bene icia de apoios inancei os, no quad o de um con a o celeb ado com a
Adminis ação do T abalho";
=> "A p omoção da o mação p o issional, na á ea da p e enção dos iscos
p o issionais, designadamen e de écnicos supe io es de higiene e segu ança no
abalho, de écnicos de higiene e segu ança no abalho, de médicos e de
en e mei os do abalho";
111
A eme gência e di usão do Mo imen o do Fac o Humano, como eacção aos excessos
deco en es do modelo de o ganização do abalho aylo is a, ao conside a , como a ás
e e imos, que o homem é uma en idade bio-psíquica cujo compo amen o no abalho
não pode se agmen ado de endo, pelo con á io, se conside ado e espei ado como e
no seu odo, conduziu ao desen ol imen o de um ou o domínio de aplicação da
psicologia no mundo do abalho.
Des e modo, ao lado do domínio que p ocu a elabo a es udos sis emá icos de a aliação
das di e enças indi iduais a a és da aplicação de es es mensu á eis das ap idões, com
is a a encon a a pessoa ce a pa a o luga ce o, desen ol e-se um segundo domínio,
mais di eccionado pa a o es udo das condições de abalho e dos seus e ei os no
compo amen o dos indi íduos.
Rela i amen e ao segundo domínio de in es igação eco damos, a í ulo de exemplo, os
abalhos do psico isiologis a Lahy, na F ança, dedicados à análise das causas e dos
e ei os da adiga e à u ilização dos es es com ins selec i os ci ando-se, a es emunha a
sua posição cien í ica, um exce o de um abalho que ap esen ou em 1930, sob e as
condições psicológicas na ealização da ac i idade de dac ilog a ia : « (...) Pedimos que
o ac o psicológico en asse em linha de con a no p ojec o das máquinas (...).
Espe amos, po es e exemplo, con ence os engenhei os da u ilidade de chama o
psicólogo a colabo a com eles, de cada ez que a máquina - qualque que ela seja -
de a se guiada, con olada ou abas ecida po um ope á io" (Lepla e Cuny, 1977,
p.32).
Como acen ua Teige (1993a), Lahy, nos seus abalhos, insis ia já na impo ância da
análise do abalho na pesquisa psico écnica. Em 1933 dizia, a esse p opósi o : «(...) é a
análise do abalho que coloca com p ecisão o p oblema cien í ico àquele que
in es iga. P e ende esol e um p oblema des a na u eza sem a análise p é ia do
abalho é o mesmo que p esc e e medicamen os a um doen e sem o e examinado»
(ib.
p.75).
118

Nesse mesmo ano e como co olá io lógico des as suas p eocupações, Lahy e Laugie
c iam a e is a Le T a ail Humain que, ainda hoje, é uma e e ência de excelência das
pesquisas e es udos da e gonomia ancesa.
O pe íodo da IP Gue a Mundial é ma cado pelo apa ecimen o da co en e da
Engenha ia Humana (Human Enginee ing) nos Es ados Unidos, que e e como
objec i o in eg a na concepção dos ins umen os, máquinas e disposi i os écnicos, os
conhecimen os desen ol idos pela isiologia e pela psicologia expe imen al. O concei o
de adap ação do abalho ao homem começa en ão a se u ilizado (Noulin, 1992).
5.1.2. O pe íodo do pós-gue a
O clima de expansão sócio-económica que se desen ol eu nos países do cen o eu opeu
e na Amé ica do No e en e 1950 e 1973, c iando um p og essi o bem-es a social, no
âmbi o de elações sala iais es á eis e de uma segu ança social ap o undada, pe mi iu,
ambém, a alo ização dos es udos sob e os di e en es aspec os da elação dos
indi íduos com o espec i o con ex o de abalho, p i ilegiando-se ago a a conciliação
en e o bem es a e a capacidade p odu i a.
É nes e con ex o que, em 1949, se e i ica o nascimen o "o icial" da disciplina
E gonomia, a ibuído a Mu el, no âmbi o da undação, em Ingla e a, da p imei a
sociedade de pe i os que, sob a designação de e gonomia, euniu in es igado es de
di e sas á eas p o issionais - psicólogos, ana omis as, isiologis as, engenhei os - que
ha iam sido con on ados, du an e a Gue a, com p oblemas de uncionamen o de
"ope ado es humanos in ac os e de boa saúde", na exp essão de Single on e ai., (1967,
In Teige , 1993a, p.72), de pe o mance em sis emas écnicos complexos e das
condições e limi es do seu uncionamen o ( adiga, en elhecimen o, condições
ambien ais e ca ac e ís icas dos p óp ios disposi i os écnicos). Su ge, assim, a
119
E gonomics Resea ch Socie y (Sociedade de In es igação de E gonomia) que consag a
o seu p imei o colóquio à " adiga", em 1951.
Em F ança, é em 1962 que a e gonomia é mencionada pela p imei a ez, na e is a Le
T a ail Humain, ao lado da psicologia e da isiologia. Con udo, só em 1966 é
cons i uída a Socié é d'E gonomie de Langue F ançaise (SELF) - Sociedade de
E gonomia de Língua F ancesa - endo, como ex o base undado e en o mado , a ob a
L'analyse du T a ail de Omb edane e Fa e ge, de 1955.
5.1.3.
O desen ol imen o da E gonomia e a sua a iculação com a Psicologia
do T abalho
Cons a amos, pois, que, desde o p imei o momen o, a e gonomia, que e imologicamen e
signi ica "ciência do abalho," apa ece como uma disciplina in eg ado a de ou as
disciplinas e, sendo ilha da gue a, pelas no as ques ões po ela susci adas, os seus
es udos e pesquisas incidem, desde a sua o igem, sob e «p oblemas eais, do mundo
eal, em empo eal» (Single on e ai.,1967, In Teige , 1993a).
Nes a pe spec i a, os p imei os p og amas de pesquisa na G ã-B e anha e nos E.U.A.,
no âmbi o da sociedade sup a e e ida, ocaliza am-se sob e a adiga e os aciden es
inexplicá eis com os pilo os de caça da Royal Ai Fo ce.
Exis e, assim, na e gonomia, uma adição pe sis en e de pesquisas sob e ques ões de
segu ança, iabilidade e e o di o "humano", endo-se po isso inco po ado acilmen e
no mundo indus ial onde idên icos p oblemas se mani es a am (Teige , 1993a).
Con udo, o desen ol imen o da e gonomia p ocessou-se de o ma dis in a nos
di e en es países alando-se, comumen e, de duas adições - a anglo-saxónica e a
ancó ona - mui o embo a, ac ualmen e, os p incípios que o ien am as p á icas de
in e enção de ambas não se excluam, an es se complemen em.
120
Mas,
apesa das especi icidades no desen ol imen o das p á icas, podemos conside a ,
apoiando-nos em Lacomblez, Sil a & F ei as, (1996), que a his ó ia da e gonomia se
ca ac e iza pela sucessão de qua o "sub-pa adigmas" que, à medida da e olução
ecnológica das si uações de abalho e das unções a ibuídas ao abalho humano,
o am cumulando as suas con ibuições e ala gando a abo dagem daquela disciplina: 1)
e gonomia da mo icidade humana ou an opomé ica; 2) e gonomia in o macional; 3)
e gonomia dos sis emas; 4) e gonomia heu ís ica ou p e isional.
A e gonomia an opomé ica ou ges ual, dominan e em ce os países no início do
Séc.
XX, em na sua o igem as p imei as c í icas ao modelo de o ganização do abalho
de Taylo , assen e no amoso p incípio do "one bes way" e p eocupa-se, sob e udo,
com o es udo dos ges os e pos u as que o abalhado acaba po assumi quando execu a
o seu abalho.
Sendo, en ão, o abalho humano, essencialmen e de o dem ísica, as consequências
daquele modelo, em e mos de adiga, es imula am a p ocu a de soluções que
espei assem as ca ac e ís icas bio-psíquicas do se humano.
Foi a pa i des a ma iz que a e gonomia ges ual p i ilegiou o es udo do abalhado ,
enquan o co po com exigências ísicas, desen ol endo a análise das ca ac e ís icas das
si uações de abalho suscep í eis de in e e i no equilíb io isiológico: a sua
abo dagem si ua-se, assim, ao ní el da concepção e adequação dos pos os de abalho
aos dados an ompomé icos e biomecânicos dos abalhado es, à adequação das
condições ambien ais ao ipo de a e as a execu a , ao i mo de p odução exigido, e c.
Es a abo dagem e gonómica em sido objec o de desen ol imen os e en iquecimen os
a é aos nossos dias, u o não só da necessidade da sua adequação às ans o mações das
si uações de abalho mas ambém de con ibu os de ou as disciplinas e abo dagens.
A e gonomia in o macional assume pa icula ele ância a pa i da IIa Gue a
Mundial, em esul ado, nomeadamen e, de alguns es udos le ados a cabo com o
121
objec i o de melho a a elação dos pilo os de a iões de gue a com o seu painel de
comandos.
Nes a ase, as p eocupações incidem essencialmen e na c iação de disposi i os de
sinalização e de comando, com is a a melho a a pe cepção, o a amen o e a
ansmissão de in o mação po pa e do abalhado .
O ce ne da ques ão é, en ão: como ansmi i bem e apidamen e, diminuindo a
p obabilidade de e o.
Não obs an e, já an e io men e, em ce os abalhos ealizados no quad o do
"mo imen o do ac o humano," se conside a a o Homem en ol ido nos p ocessos
comunicacionais.
Os es udos des a no a abo dagem das si uações de abalho a i ma am-se no quad o da
e olução ecnológica das emp esas onde o bom desempenho das unções de a amen o
das in o mações se e elou i al.
Es a e gonomia e ela uma ou a concepção do abalhado : não é mais enca ado como
me o se isiológico mas enquan o se com capacidade cogni i a.
Como salien am Lacomblez, Sil a & F ei as (1996, p.18) «Es a segunda ase do
desen ol imen o da e gonomia ab e assim caminho pa a o desen ol imen o de uma
psicologia e gonómica que, a iculando-se com os es udos clássicos da psicologia
expe imen al ela i os à pe cepção, memó ia, a enção, e c., con ibuí am pa a a
eme gência da psicologia cogni i a e ealça am a complexidade do p ocessamen o de
in o mações po pa e do se humano».
Os es udos e gonómicos, a iculados com os es udos da psicologia expe imen al, a ás
e e idos, o am conduzindo p og essi amen e ao desen ol imen o da e gonomia dos
sis emas, ao e idencia em o ca ác e pa cela e educionis a das duas abo dagens
an e io es, na medida em que conside am o abalhado isoladamen e, não endo em
con a o p ocesso global de abalho do qual ele az pa e.
122
A necessidade de inse i o pos o de abalho na complexidade do sis ema p odu i o e,
is o,
an o no plano da análise como no plano da in e enção, az assim eme gi uma
no a abo dagem e gonómica que ompe com as concepções das ases an e io es,
cen adas no pos o de abalho.
Es a e cei a e apa na his ó ia da e gonomia, que se a i mou nos anos 60, jus i ica-se e
explica-se pela complexidade c escen e do p ocesso de p odução de mui as emp esas e
pela con ibuição essencial assumida pelo abalhado na a aliação e con ole dos
acon ecimen os que ão oco endo a mon an e e
a
juzan e do seu pos o de abalho.
«Nas análises des a e gonomia dos sis emas, assume-se en ão que o abalho é ambém
elação com elemen os ex e nos ao pos o de abalho. (...) Dá-se pa icula impo ância
às ans o mações ei as a pa i de es a égias pessoais, com base na expe iência
p o issional do abalhado , conside ando-se di e en es possibilidades pa a a execução
de uma a e a» (ib. p.20).
A pa i des a ase em que é assumido que não exis e uma única manei a de bem ealiza
uma ac i idade uma ez que, mesmo quando es a é o emen e codi icada, exis em
a iações e di e en es es a égias a conside a , caiu po e a o p incípio do "one bes
way" ca ac e ís ico do Taylo ismo.
A exis ência des as di e en es es a égias le ou Fa e ge (1966, In Lacomblez, Sil a &
F ei as, 1996), a p opo uma E gonomia que designou de p e isional, cujo objec i o
consis ia em o maliza as a e as de p e isão que o abalhado ealiza a de modo a
ga an i os objec i os da p odução, do pon o de is a da qualidade e da quan idade.
A e gonomia p e isional ou heu ís ica desen ol e-se a pa i dos anos 70 e, ao
p i ilegia o es udo das es a égias pessoais dos ope ado es, p ocu a es uda as eg as da
ac i idade men al no abalho. Nes a pe spec i a e a pa i des a ase, a análise cen a-se
no modo como o abalhado an ecipa os acon ecimen os, plani ica e p e ê a e olução
do sis ema. Is o é, no modo como o abalhado ap eende a ealidade e os meios que
u iliza pa a a con ola .
123

Um dos g andes con ibu os da e gonomia, senão o mais impo an e, oi e
demons ado que o binómio homem- abalho em que se conside ado na óp ica do
sujei o e no espei o pelas suas ca ac e ís icas bio-psíquicas, impondo o p incípio basila
de que são as máquinas, o ambien e e o pos o de abalho que de em se adap ados às
ca ac e ís icas do se humano.
5.1.4. Pe spec i as ac uais da E gonomia
Assim sendo, o que dis ingue as duas co en es habi ualmen e iden i icadas po
e e ência geog á ica e linguís ica - a e gonomia de adição anglo-saxónica e a
e gonomia de adição ancesa ou ancó ona?
Segundo Mon mollin (1998), o c i é io da língua é imp eciso e de e se abandonado,
de endo explici a -se o quad o eó ico-me odológico das duas abo dagens com base nas
ins i uições que as ep esen am: A adição ame icana, ma cadamen e mais ecnológica
e in luenciada pelos es udos desen ol idos a pa i da Human Fac o s and E gonomics
Socie y (HFES), dominan e nos países anglo-saxónicos e no Japão; a adição
ancó ona, desen ol ida p imei amen e na F ança e na Bélgica, a pa i dos es udos da
Socié é d'E gonomie de Langue F ançaise (SELF), indiscu i elmen e in luenciados pela
assimilação p og essi a do con ibu o de uma psicologia do abalho cen ada na
comp eensão da ac i idade em si uação eal, com is a à sua ans o mação e melho ia,
po o ma a da uma espos a mais e icaz aos p oblemas esul an es da o ganização do
abalho, nomeadamen e e, en e ou os, ao ní el da o mação p o issional e da
p o ecção da saúde e segu ança no abalho.
Nes e con ex o, acen ua Mon mollin (1998), pa a a SELF, a si uação de abalho é
objec o de uma abo dagem abe a e di e sa, não se eduzindo os aspec os cogni i os, na
análise da ac i idade, à simples pe cepção das in e aces mas ala gando-os à "ges ão
empo al dos ambien es dinâmicos ".
124
A ob a de Omb edane e Fa e ge "L'analyse du T a ail (1955), con ibuiu de o ma
decisi a pa a a o malização e concep ualização da adição ancó ona da e gonomia
(Lacomblez, Sil a & F ei as, 1996; Lacomblez, 1997).
Aqui, a análise do abalho p opos a es á cen ada no abalhado , enquan o ac o do
sis ema, incidindo no es udo da dinâmica da ac i idade humana, em busca da melho ia
das condições de abalho e de desempenho, de um abalhado especí ico.
A análise ul apassa assim o "simples" ní el do pos o de abalho e inse e-o na
complexidade do sis ema no seio do qual es á insc i o.
Den o des a pe spec i a, a análise do abalho p opos a em subjacen e a dis inção en e
a análise da a e a ( abalho p esc i o) e a análise da ac i idade ( abalho eal ), sendo
es e úl imo ela i o às ca ac e ís icas conc e as do dia a dia da con on ação do ope ado
com a sua si uação de abalho, ca ego ia de análise essencial pa a o conhecimen o do
p ocesso global e complexo do sis ema de abalho (Lacomblez, 1997).
Pa a es a co en e da e gonomia, es e duplo ní el de análise do abalho passou a se um
impe a i o me odológico, na medida em que o seu objec i o úl imo consis e em
demons a , eó ica e empi icamen e, a ele ância do ac o humano na concepção e
melho ia dos sis emas de abalho (Lacomblez, 1996).
Toda ia, como eco da Lacomblez (1996), es as duas adições de p á icas de
in e enção e gonómica não são an agónicas mas complemen a es.
Desde logo, po que uma in e enção e gonómica desen ol e-se num con ex o complexo
que apela à plu idisciplina idade, no sen ido de pô em comum sabe es de di e en es
á eas,
capazes de esol e múl iplas solici ações que uma si uação labo al impõe (p. ex.
Engenha ia, Medicina do T abalho, Psicosociologia...).
Po ou o lado, p ossegue a mesma au o a, é ambém p imo dial concebe a in e enção
e gonómica como um p ojec o pa icipa i o, com o duplo objec i o de alo iza a
expe iência p o issional do abalhado na abo dagem das si uações de abalho e de lhe
125
con e i , p og essi amen e, compe ências pa a uma au o-a aliação das condições de
abalho.
A adição cien í ica en o mado a do quad o eó ico-me odológico des a co en e da
e gonomia de aízes ancó onas, que se desen ol eu a pa i dos ins dos anos 50 e se
oi en iquecendo na assimilação p og essi a dos con ibu os da psicologia do abalho
de J. M. Fa e ge, J. Lepla , P. Cazamian, A. Wisne , en e ou os, oi acolhida, como
p eceden emen e e idenciámos6, nos p incípios e p á icas p econizados pela Di ec i a-
Quad o 89/391/CEE, no eando ambém o nosso abalho empí ico.
5.1.5. Con ibu os da Psicologia do T abalho nes e p ojec o e gonómico
plu idisciplina e pa icipa i o.
Como emos indo a e e i , nes a abo dagem, o p ojec o da psicologia do abalho
cen a-se na análise dos p ocessos cogni i os do se humano abalhado , ace à
complexidade écnico-o ganizacional de uma si uação de abalho.
Es e no o olha sob e o abalho humano, assen e numa dis inção en e abalho
p esc i o, comumen e iden i icado com a e a, en endida es a enquan o abalho a se
ealizado ou, di o de ou o modo, como aquilo que se espe a que o abalhado aça e
abalho eal, ela i o às ca ac e ís icas conc e as do dia-a-dia da con on ação do aba-
lhado com a sua si uação de abalho, implica que o objec o da análise do abalho
passe en ão a se duplo, di e enciando, po um lado, a análise da a e a, que p i ilegia a
desc ição objec i a das condições de abalho no seio das quais são desempenhadas
de e minadas unções e, po ou o lado, a análise da ac i idade, que p e ende " aze ao
6 c . 4.2.
126
de cimo", explica , o modo como o se humano- abalhado acaba po ge i o
desempenho da sua unção, ace aos á ios condicionalismos que necessa iamen e a
in luenciam.
«É es e ní el da análise ela i a à ac i idade que se a i ma a con ibuição especí ica da
psicologia do abalho» (Lacomblez, 1997, p.3).
Pa a o desen ol imen o eó ico des e p ojec o mui o con ibuiu o abalho de Fa e ge
que,
com os seus es udos e pesquisas, designadamen e os es udos e ec uados pa a a CEE
e CECA, en e 1969 e 1972, anspo ou a psicologia do abalho pa a um con ex o mais
amplo de es udos in e e mul idisciplina es.
Em 1972, com o concei o de iabilidade, que a as a a sepa ação adicional en e
elemen os écnicos e humanos do inciden e, Fa e ge ul apassa a dico omia homem-
máquina e obse a: « a e gonomia de e pa i da análise do abalho po que é es a que
pe mi e o diagnós ico dos dis uncionamen os que apa ecem no p ocesso de p odução (In
Cesa-Bianchi, M. e Man o ani, G., 1982, p.43).
Em 1980, Fa e ge conside a "o homem e a sua expe iência" como o seu ema p incipal
de pesquisa: «a ac i idade de ecupe ação não é in ei amen e de inida pela a e a; ela
depende do abalhado , da sua concepção do abalho, do seu es ilo. É po isso que
de emos coloca es a ac i idade no cen o da análise psicológica» (ib. p.43).
A consequência da a i mação da exis ência de um modelo ín imo do ope ado oi o
abandono do modelo beha iou is a clássico e, ao mesmo empo, a necessidade de os
psicólogos do abalho aze em apelo a no os modelos eó icos.
Na e dade, como o comp o am á ios es udos empí icos, a ep esen ação que o
ope ado em do p ocesso global de abalho, no seu con olo à dis ância, não é uma
simples cópia do que se passa na emp esa e do que es á p esc i o. O ope ado escolhe os
seus indicado es e, ao mesmo empo, o ganiza a sua p óp ia ep esen ação em elação às
a e as que em que execu a .
127
a ealiza . Em consequência, a es u u a objec i os-meios é ins á el, condicionando
pe manen emen e a si uação, a p oblemá ica e o mé odo de in es igação.
Po essa azão, Cu ie & Cellie (1987), cien es de que o in es igado não pode aba ca
oda a ealidade, endo de aze escolhas, chamam a a enção pa a a cons ução do
objec o da pesquisa, uma ez que a escolha dos enómenos a analisa , dos mé odos e da
eo ia a desen ol e , êm subjacen es a p io i ideológicos. «Reconhece es a
subjec i idade, admi i que as di iculdades es ão em nós e não no objec o a conhece
(...) é uma condição pa a a objec i idade a cons ui » (p.119).
5.4. Es udo de Caso - o mé odo p i ilegiado
As opções epis emológicas assumidas e o ça am o dis anciamen o ela i amen e aos
mé odos expe imen ais ainda equen emen e u ilizados em es udos no âmbi o da
psicologia.
Reconhecendo-se, embo a, que o ecu so àqueles é, apa en emen e, po ado de
an agens po que co esponde aos pedidos das emp esas que p e endem " ac os,
conselhos p ecisos, esul ados cla amen e demons á eis e, udo is o, num cu o espaço
de empo e sem in e e i com o abalho", ealidade que os ame icanos designam po
"quick and di y" (Wisne , 1995a, p. 113), a e dade é que a u ilização des e mé odo não
pe mi e e em con a a di e sidade dos abalhado es nem das a e as que êm que
cump i .
Como ealça Wisne (ib. p.115), não é possí el concebe um plano expe imen al, uma
si uação labo a o ial, que ep oduza odas as a iá eis em jogo na si uação de abalho,
a é po que «uma mesma a e a não dá luga às mesmas ac i idades de abalho de ido
à ho a e local, do aqui e ago a, das ci cuns âncias».
134

Também Fa e ge (In Be elson, P. e Mous y, Ph., 1982) eceu c í icas à psicologia
expe imen al, acusando-a de, ao p e ende desen ol e as acções em e mos de
endências ge ais, cai na en ação de a a as di e sidades in e indi iduais e
in aindi iduais como " uído" que é p eciso con ola e não enquan o enómenos a
es uda .
Na mesma linha de pensamen o, Ba le (1932, In Wisne , 1995b, p.129) a i mou que,
o mula gene alizações, a p opósi o do "modo como as pessoas sen em", baseadas nos
esul ados das expe iências de labo a ó io, é uma con adição: «com e ei o, se as
si uações expe imen ais são semelhan es en e si mas cla amen e di e en es das
si uações onde se desen ol em as ac i idades cogni i as que elas en am modeliza , a
alidade da gene alização dos esul ados expe imen ais de e se colocada em dú ida».
Posição e o çada po Clo (1995) quando eco da que, es ando-se a ala de es udos e
in e enções ao ní el de compo amen os e condu as de se es humanos, mesmo se
op a mos pela gene alidade e p ocu a mos uma classi icação ipológica de esul ados, a
singula idade não deixa de se p oduzi e a sua especi icidade não é aba cada po es e
ge al.
O a, pa a e em con a es a di e sidade no abalho, deco en e dos abalhado es e das
a e as e, po dis ingui o abalho p esc i o do abalho eal, a opção me odológica des a
psicologia do abalho é ei a no sen ido do desen ol imen o de es udos de caso
conc e os, a a és da análise e gonómica do abalho (Wisne , 1995a).
Ac esce que a análise da e olução con empo ânea da psicologia cogni i a mos a que,
cada ez mais, os in es igado es da adição "expe imen alis a" abandonam a p ocu a de
modos de a amen o uni e sais, p i ilegiando o es udo das di e sidades e ec i amen e
u ilizadas e das condições de adopção de cada uma delas. Es a e olução espelha bem a
impo ância c escen e do concei o es a égia (Be elson e Mous y, 1982).
135
5.5. Técnicas de ecolha e análise de dados
Em coe ência com es es p incípios e mé odos, es a p á ica de in es igação-acção u iliza,
p e e encialmen e, écnicas e mé odos quali a i os sendo, po isso, eminen emen e
obse acional, desc i i a e explica i a.
A ele ância a ibuída à obse ação e à en e is a em sido en iquecida pelo ecu so à
g a ação em ídeo, semp e que possí el.
Con udo, a sis ema ização e a in eg ação dos dados e dos múl iplos de e minan es sob e
os quais se undamen a a sua análise, de e se acompanhada da desc ição exac a e
cuidadosa das suas condições de ecolha e análise (Dua e, 1998).
Não obs an e o acima sin e izado, as opções epis emológicas assumidas não conduzi am
a que se izesse ábua asa de uma he ança me odológica cons uída no pa adigma
posi i is a: «se hou e um modelo me odológico comum aos es udos e e idos, es e
se á, com ce eza, o da análise a en a da panóplia de écnicas de ecolha e de análise de
dados hoje o e ecida pelas ciências humanas e sociais, de o ma a adequa o pe cu so da
in es igação aos condicionalismos das si uações em ques ão» (Lacomblez, San os &
Vasconcelos, 1999, p.13).
5.6. Análise da ac i idade - ma iz e núcleo cen al des e p ojec o
Na abo dagem que ca ac e iza es e p ojec o plu idisciplina da e gonomia, a necessidade
de comp eensão da disc epância exis en e en e a a e a e a ac i idade ez eme gi o
concei o de abalho eal, em con aposição a abalho p esc i o, como elemen os
indissociá eis e in eg ado es da mesma ealidade - o abalho.
O signi icado da dis inção en e ambos undamen a a p oblemá ica des a adição
cien í ica
e
jus i ica o sen ido da sua e olução.
136
O abalho p esc i o ou a a e a iden i ica-se com udo aquilo que se ap esen a ao
abalhado como um dado o malizado, de inindo o abalho de cada um no seio de
uma de e minada es u u a p odu i a: as unções a desempenha e os objec i os a
alcança no âmbi o de uma de e minada elação sala ial (es á el ou p ecá ia) e a
espec i a con apa ida emune a ó ia; o modelo o ganiza i o do abalho e ine en e
es u u a o gânica e uncional; as eg as e p ocedimen os impos os; os meios écnicos
disponí eis (ins umen os e máquinas); as condições empo ais do abalho - ho á io e
na u eza do u no (diu no ou noc u no, ixo ou o a i o); as condições comunicacionais
sociais, in o ma i as e o ma i as e, ainda, o meio ísico e ambien al em que se
desen ola o abalho - espaciog ama, condições é micas, uído, iluminação...
Em suma, a a e a é de inida po um conjun o de p esc ições, um quad o o mal, no
âmbi o de uma de e minada unidade ( ísica e ju ídica) p odu i a.
O abalho eal ou a ac i idade, é o abalho e ec i amen e conc e izado pelo abalhado
no desempenho da sua unção, numa es ei a a iculação e con on o pe manen e en e
as suas ca ac e ís icas indi iduais, sociais e amilia es e o quad o o mal da sua si uação
de abalho, onde in e agem, de o ma dinâmica, as a iá eis acima mencionadas.
Consequen emen e, a ac i idade de abalho não é nunca o pu o e lexo da a e a que oi
p esc i a. No desen ol imen o da sua ac i idade, o abalhado e ela o seu modelo
ín imo. Po isso e na mesma linha de pensamen o, Dejou s (1995, p.43) ac escen a que
«"o eal do abalho" é uma dimensão essencial à in eligibilidade dos compo amen os e
das condu as humanas em si uação conc e a».
Nes e con ex o, a ac i idade de abalho é enca ada como o elemen o cen al e
es u u an e da si uação de abalho, desempenhando, nela, um papel ulc al.
Fundamen ado nes a p oblemá ica, o objec o da análise e gonómica do abalho ope a-
se,
en ão, a dois ní eis: análise da a e a, onde se p i ilegia a desc ição objec i a das
condições de abalho, (no seu sen ido mais amplo), no seio das quais são
137
desempenhadas de e minadas unções e análise da ac i idade cujo objec i o, a a és
dos mé odos e écnicas p eceden emen e e e idos, isa aze eme gi e explica o modo
como o abalhado acaba po ge i o desempenho da sua unção, ace aos
condicionalismos e imp e is os que necessa iamen e a in luenciam.
Nes a pe spec i a, o concei o de ac i idade não é objec o de uma de inição única e
p ecisa. Na linha des a abo dagem podemos encon a algumas especi icidades e
pa icula idades na de inição des e concei o.
Gué in e ai.
(1991,
p.58) de inem a ac i idade de abalho como "uma espos a a
cons angimen os impos os ex e io men e ao abalhado sendo aquela,
simul aneamen e, suscep í el de os ans o ma ".
Pa a es es au o es, a o ma como o abalhado esponde às exigências da a e a não se
eduz a um modelo do ipo "causa-e ei o". Ao in és, a sua ac i idade é a exp essão de
um comp omisso en e o abalhado e os á ios componen es da sua si uação de
abalho.
Po ou o lado, as consequências da ac i idade, an o pa a a p odução como pa a o
p óp io abalhado , in e agem em ecip ocidade sob e os elemen os desse
comp omisso.
Numa pe spec i a cons u i is a, Noulin (1995) ac escen a que, pa a o abalhado , a
ac i idade de abalho não é an o a ealização conc e a de uma a e a mas a sua
" econcep ualização". «O ope ado não só ealiza a sua pe o mance como ge e a sua
a iabilidade, cons ói a sua compe ência, a sua saúde e a sua iden idade» (ib. p.3).
Falzon e Teige (1995) op am po pô a ónica no ca ác e p ocessual e in eligen e da
ac i idade, conside ando-a esul an e do p ocesso pe manen e de uma cons ução
pessoal. Pa a es es au o es, a ac i idade é o p ocesso de in e acção in eligen e de um
ope ado com as exigências da sua a e a, com os cons angimen os do meio, o seu
138
es ado in e io , os seus objec i os indi iduais e demais elemen os que in luenciam e
de e minam a sua acção.
Em sín ese, independen emen e das pala as, a essência do concei o é a mesma: a
ac i idade de abalho é um comp omisso ope a ó io momen âneo que esul a do
con li o en e duas lógicas - a lógica écnico-o ganizacional e a lógica singula do
abalhado .
5.6.1.
Me odologia da análise e gonómica do abalho
O duplo objec i o - conhecimen o e acção (comp eende o abalho pa a o ans o ma ),
subjacen e a es e p ojec o amplo da e gonomia, assen e no p imado absolu o do sujei o
enquan o cons u o e modelizado da sua ac i idade de abalho, não pe mi e que se
compa imen e pesquisa e in e enção. Ambas coexis em e, em á ios momen os,
undem-se.
Nes e con ex o, a análise do abalho é, ao mesmo empo, mé odo e objec o (Ka nas,
1987) e, como salien ou Lepla (1980, In Ka nas, 1987), de e ope a -se a dois ní eis: 1 -
análise da a e a; 2 - análise da ac i idade.
A análise da a e a, segundo o au o ci ado, e e e-se ao si ua da a e a no seu con ex o;
à sua desc ição, em sen ido es i o (objec i os, eg as de uncionamen o...) e à sua
desc ição em elação a de e minadas a iá eis, pa a mos a a sua in luência no
compo amen o do ope ado (cons angimen os, ac o es de in iabilidade,...).
A análise da ac i idade dis ingui á, essencialmen e, po um lado, os aspec os
obse á eis (ac i idade ísica ou manual) e, po ou o, os mecanismos que egem a
o ganização des es úl imos (ac i idade cogni i a ou in elec ual, ep esen a i a ou men al
que aduzem os mecanismos que conduzem à ac i idade obse á el).
139

Os "não-obse á eis" de e ão se in e idos a pa i de di e sos aços (singula idades,
e os,
de ei os...).
O soma ó io das a e as, das condições de abalho em sen ido amplo e das
ca ac e ís icas indi iduais do abalhado , de inem a ac i idade p op iamen e di a.
Em consequência, pe an e os enómenos cons a ados, in e i é de ini
p og essi amen e e em in e acção com os ac o es da si uação de abalho, a na u eza da
solução a concebe , sabendo que á ias soluções podem se encon adas (Pollie , 1992).
Assim, cada in e enção é uma co-p odução e gónomo - ac o es da emp esa, não sendo
possí el conhece à pa ida o seu es ado inal. Aqui, o diagnós ico não p ecede
o çosamen e a acção, ca ac e izando-se es e ipo de in es igação/in e enção pelo
conjun o de a anços e ecuos sob e o p oblema.
É p ecisamen e es e conjun o de ajus es e egulações in oduzidas du an e a in e enção
que ão pe mi i o seu sucesso.
A me odologia de in es igação pa a a análise e gonómica do abalho a ia sob e udo
em unção do con ex o e das ci cuns âncias de in e enção (Wisne , 1995a).
Não obs an e, Wisne , na ob a ci ada, ap esen a-nos uma me odologia po si elabo ada
em 1975, que inclui cinco e apas: 1) análise do pedido e p opos a de con a o; 2) análise
do ambien e écnico, económico e social; 3) análise das ac i idades e da si uação de
abalho e es i uição dos esul ados; 4) ecomendações e gonómicas; 5) alidação das
in e enções e e icácia das ecomendações.
Conside ando que cada in e enção é singula (ainda que se epo e a p oblemas
apa en emen e semelhan es), ambém Gué in, La ille, Daniellou, Du a ou g e
Ke guelen (1991), iden i ica am um conjun o de ases (e apas) que pe mi em es u u a
a cons ução de uma in e enção baseada na análise e gonómica do abalho, que
designa am de "esquema ge al da in e enção e gonómica" ( igu a 1 em anexo).
Ambas as p opos as me odológicas pa em da análise do pedido e desen ol em-se com
algumas e apas comuns. Impo a no en an o ealça a ausência, na p opos a de Gué in,
140
La ille, Daniellou, Du a ou g e Ke guelen, da ase de a aliação da in e enção,
sublinhada na p opos a de Wisne .
O ien ámos o nosso abalho empí ico pelo esquema ge al da acção e gonómica
p opos o po Gué in, La ille, Daniellou, Du a ou g e Ke guelen (1991), sem con udo
descu a mos a a aliação da in e enção o ma i a que conc e izámos.
Toda ia, os passos p opos os que po es es au o es que po Wisne , não de em se
comp eendidos como uma sé ie de mé odos e écnicas a aplica umas a segui às ou as,
mas como um p ocesso eco en e e in e ac i o, a en iquece com ajus amen os e
egulações dependen es do con ex o em que es á inse ido:
1
■
Análise e e o mulação
do
pedido de in e enção.
Globalmen e, pode dize -se que a in e enção se inicia com um pedido que pode i de
di e en es in e locu o es (emp esá io, pa cei os sociais, abalhado es...) e assumi á ias
o mas.
Após análise con ex ualizada do pedido, a a és da in es igação e es udo das
in o mações pe inen es, do conhecimen o do uncionamen o ge al da emp esa e da
abo dagem das si uações de abalho, aquele é e o mulado jun o dos in e locu o es
iniciais.
2
-
Análise do ambien e écnico, económico e social da(s) si uação(ões) de abalho.
O e em con a o uncionamen o da emp esa, em odas as suas e en es, ajuda á a
o mula as p imei as hipó eses que le a ão à escolha da ou das si uações de abalho de
análise p i ilegiada.
Po ou o lado, es e conhecimen o global da emp esa ai pe mi i a alia melho as
di iculdades encon adas, a inse ção da emp esa no me cado, a sua e olução p e isí el e
a ma gem de manob a pa a as ans o mações que e en ualmen e se enham a p opo .
141
3
-
Análise da ac i idade de abalho.
Sendo a ac i idade de abalho conside ada como um comp omisso ope a ó io do
abalhado en e as suas p óp ias exigências e as da si uação de abalho, a análise da
ac i idade de e cen a -se no conhecimen o e comp eensão de odos os elemen os e
de e minan es que in luenciam a acção do ope ado .
Es e conhecimen o e comp eensão são ap eendidos p og essi amen e, de o ma global e
pa icipada, eco endo-se às p incipais écnicas e mé odos de in es igação
p i ilegiados: obse ações abe as das si uações de abalho; análise e egis o de
e balizações espon âneas e p o ocadas; en e is as e ques ioná ios.
A obse ação complemen ada com a e balização, co po izada ou não em en e is a,
cons i ui, como salien a Ka nas (1987), e apa p elimina de qualque análise do abalho,
pois pe mi e p ecisa o p oblema analisado e o nece hipó eses sob e a ac i idade.
No as pesquisas são desen ol idas, eo ias ein e p e adas, conduzindo a mais e
di e en es obse ações da si uação de abalho, pa a que se possam es abelece as
ligações en e cons angimen os sen idos pelos ope ado es na sua si uação de abalho e
as consequências que daí ad êm pa a a sua saúde e pa a a p odução.
O desen ola de oda es a me odologia de es udo e in e enção implica nume osas idas e
indas en e as di e en es ases e p essupõe um conjun o de modalidades p á icas de
obse ação da si uação de abalho e da ealização da ac i idade pelo abalhado ,
podendo es as obse ações se ocasionais ou sis emá icas e podendo, pa a o seu egis o,
eco e -se ao papel e lápis ou a apa elhos audio e ídeo.
Con udo, pa a se comp eende ealmen e a ac i idade de abalho, as condições em que
é ealizada e as suas consequências, é undamen al eco e a e balizações, uma ez
que,
em mui os casos, é a única o ma de se e acesso à componen e cogni i a e não
obse á el no abalho (Gué in, La ille, Daniellou, Du a ou g e Ke guelen, 1991).
142
3.1.-
Res i uição e alidação dos esul ados da análise do abalho.
As in o mações ecolhidas o ganizam-se, en ão, de modo a p oduzi uma coe ência
en e os di e en es componen es da si uação de abalho, o nando-se indispensá el,
nes e momen o, a es i uição dos dados ecolhidos e dos esul ados ob idos aos
abalhado es e es an es ac o es da emp esa que pa a eles enham con ibuído, pa a se
apu a se há um econhecimen o ou se, po en u a, há elemen os que o am esquecidos,
minimizados ou ampliados.
Es a " es i uição" pe mi e ainda consolida a elação de con iança en e obse ado e
obse ado, elemen o essencial pa a uma implicação e pa ilha mú uas, condição
imp escindí el pa a o sucesso de qualque in e enção.
Elabo a-se en ão um p é-diagnós ico, elemen o que ai pe mi i a de inição de um plano
de obse ações cujo objec i o é en iquece os conhecimen o já exis en es da(s)
si uação(ões) de abalho e do(s) abalhado (es).
4 - Recomendações ep opos as de acção e ans o mação.
A pa i daqui, p ocu a-se elabo a um diagnós ico local, ú il pa a a emp esa, po que se
iden i icam as si uações de abalho sob e as quais de e ão incidi ans o mações e se
jus i icam as ans o mações a e ec ua .
A endendo a que, no malmen e, as di iculdades ou p oblemas locais êm a e com
aspec os mais ge ais da o ganização ou da polí ica ges ioná ia da emp esa, é
undamen al a a iculação des e diagnós ico com os aspec os globais da emp esa,
designadamen e as polí icas económico- inacei as, azendo-se a ap esen ação de um
diagnós ico de ca ác e global.
Um diagnós ico bem elabo ado implica semp e, na linha do que a ás dissemos, que o
" abalho conc e o" (o abalho al como pode se obse ado na si uação de abalho)
seja semp e si uado ela i amen e ao signi icado p eciso que assume na his ó ia da
emp esa e no quad o da sua es a égia de me cado (" abalho abs ac o").
143