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Representações e práticas sobre a gestão da idade dos grupos profissionais de saúde. Estudo de caso de médicos e enfermeiros do distrito do Porto

Author: Marianela Nunes Ferreira
Year: 2013
DOI: 10.34626/23h1-dq77
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/73575/2/28381.pdf
REPRESENTAÇÕES E PRÁTICAS DE
GESTÃO DA IDADE EM GRUPOS
PROFISSIONAIS DE SAÚDE
ESTUDO DE CASO DE MÉDICOS E ENFERMEIROS DO
DISTRITO DO PORTO
MARIANELA FERREIRA
Tese de dou o amen o o ien ada pelo P o . D . João Teixei a Lopes e
ap esen ada à Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o
Es a ese de dou o amen o oi apoiada pela Fundação pa a a Ciência e Tecnologia
(SFRH / BD / 49175 / 2008) e pelo Ins i u o de Sociologia da Faculdade de Le as da U.
Po o, inse indo-se na linha de in es igação amília, en elhecimen o e géne o.
3
RESUMO
A p esen e in es igação cen a-se na p oblemá ica associada às azões
subjacen es à omada de decisão de dois g upos p o issionais de saúde, médicos e
en e mei os com idades en e os 55 e os 65 anos, de duas o ganizações hospi ala es do
Po o – Cen o Hospi ala de São João, E.P.E. e Cen o Hospi ala do Po o, Hospi al de
San o An ónio, E.P.E., ou pelo p olongamen o empo al da a i idade p o issional ou,
in e samen e, pela aposen ação.
P opusemo-nos conhece as ep esen ações e as p á icas des es p o issionais em
con ex o hospi ala , ace a es a ques ão. P ocu ámos analisa as elações en e idade,
empo e o mas de pe manência no me cado de abalho e os p ocessos de ansição do
emp ego pa a a aposen ação deco en es do econhecimen o do impo an e impac o de
plu ais p ocessos de ans o mação social e idenciados nas úl imas décadas, an o em
Po ugal como em ou os países eu opeus e, conc e amen e, no que espei a à
ecomposição da es u u a e á ia e à al e ação das dinâmicas demog á icas.
O quad o eó ico sus en ou-se, essencialmen e, no c uzamen o dos con ibu os
da sociologia do en elhecimen o, da sociologia da saúde e da sociologia das p o issões.
Pe an e a as a in es igação mul idisciplina sob e o enómeno do en elhecimen o
populacional e os seus e ei os em di e sos domínios já diagnos icados e e le idos nas
úl imas décadas, in e essou-nos, especialmen e, analisa os desa ios de p o issionais do
sec o da saúde po econhece mos a sua impo ância social e cul u al no quad o ge al
do sis ema das p o issões. Além disso, não omos alheios à a ual discussão ace ca da
sus en abilidade económica do SNS que o coloca na ibal a da discussão polí ica, e
ambém às polí icas públicas de saúde ope adas nos úl imos anos nes e sec o , com
e ei os, nomeadamen e, na ges ão das o ganizações hospi ala es e nas ca ei as
p o issionais de medicina e de en e magem.
Do pon o de is a écnico-me odológico, e pa a alcança mos os obje i os e
con i ma as hipó eses des a in es igação, op ámos pelo mé odo de es udo de caso.
Mobilizámos á ias écnicas, desde a pesquisa bibliog á ica, a en e is as explo a ó ias
de na u eza semidi e i a a p o issionais pe encen es aos dois g upos pa icipan es no
es udo, a académicos, a ges o es e esponsá eis dos ecu sos humanos do Minis é io da
Saúde e a especialis as dos domínios do en elhecimen o e do me cado de abalho.
Aplicámos, ambém, um inqué i o po ques ioná io ao uni e so dos p o issionais em

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es udo que cons i uiu o p incipal ins umen o de ecolha de in o mação. A axa de
espos a oi de 62,9%.
Ve i icámos que, globalmen e, os inqui idos p e endem p olonga a sua
a i idade p o issional, posição sob e udo mani es ada pelos médicos (78,1% e sus
30,4% dos en e mei os). Os esul ados ob idos indicam que os p incipais a o es
de e minan es da in enção de p olongamen o empo al da a i idade p o issional se
ocam na ausência de si uações de disc iminação ace à idade, na sa is ação com a
o ganização hospi ala e com a ges ão da cons ução da ca ei a p o issional, na
pe ceção de alo ização pela o ganização hospi ala , na ecusa da ina i idade, na
impo ância a ibuída à é ica p o issional e no gos o pelo exe cício da a i idade.
Também obse ámos que as p incipais mo i ações pa a a aposen ação deco em das
consequências sen idas ace às ans o mações legisla i as no acesso à aposen ação e na
es u u ação das ca ei as p o issionais.
Face a es es esul ados concluímos pela necessidade de no as o ien ações
polí icas cuja ónica se cen e, essencialmen e, nas condições de exe cício da a i idade
dos p o issionais mais elhos a a és de uma maio lexibilização da epa ição do
empo. Pa a es e e ei o, se ão impo an es a o es elacionados como a idade e a
al e ação de exe cício de unções que assegu a em sen imen os de u ilidade e dignidade
e con emplem o ap o ei amen o de capi ais acumulados ao longo do cu so de ida e da
aje ó ia p o issional des es p o issionais.
Conside amos, assim, a necessidade de uma no a o ma de pe spec i a a
elação en e idade, empo e o mas de pe manência no me cado de abalho, bem como
os p ocessos de ansição do emp ego pa a a aposen ação, que pelas o ganizações, que
pelos p o issionais de saúde, ace à ealidade da ecomposição e á ia e da ecomposição
demog á ica. Es e no o posicionamen o pode cons i ui um impo an e con ibu o pa a a
sus en abilidade e pa a as au o e he e o ep esen ações dos p o issionais mais elhos,
p opo cionando, assim, melho es p á icas e uma maio pa icipação no caminho
ine i á el de acei ação das sociedades en elhecidas.
Pela na u eza da in es igação e da es a égia me odológica ado ada, p ocu amos
apon a pis as de análise pa a uma melho comp eensão e ap o undamen o dos e ei os e
das consequências da omada de decisão des es p o issionais em in es igações u u as.
5
ABSTRACT
The p esen esea ch is ocused on he p oblema ic unde lying he easons in he
decision-making p ocess o wo g oups o heal hca e p o essionals, physicians and
nu ses aged be ween 55 and 65 yea s, om wo heal hca e cen es in Po o – Cen o
Hospi ala de São João, E.P.E. and Cen o Hospi ala do Po o, Hospi al de San o
An ónio, E.P.E – aced wi h he ex ending o hei employmen ime o , on he con a y,
i s e mina ion by e i emen .
To his end, we p oposed o in es iga e hese wo p o essional g oups’
ep esen a ions and p ac ices ega ding ou ques ion, in he con ex o hei heal h
acili ies. We analysed he ela ionships be ween age, ime, s a egies o emain in he
labou ma ke and ansi ion p ocesses om employmen o e i emen . These p ocesses
de i e om he acknowledgmen o o he impac ul and plu al changes in social
ans o ma ion ha ha e occu ed in he las ew decades bo h in Po ugal and in o he
Eu opean coun ies, pa icula ly in espec o he dis ibu ion o he popula ion ac oss
age g oups and changes in demog aphic dynamics.
The heo e ical amewo k was buil on he basis o con ibu ions om a eas
such as Sociology o Aging, Sociology o Heal h and Wellness, and Sociology o Wo k.
Conside ing he as esea ch a ailable on he phenomenon o popula ion ageing and i s
e ec s on mul iple domains al eady diagnosed and s udied by a ious disciplines in he
las decades, we we e specially in e es ed in analysing he challenges heal h ca e
p o essionals a e aced wi h, ha ing ecognized hei social and cul u al impo ance in
he gene al aming o p o essions.
Mo eo e , we did no e ade he hodie n discussion abou he economic
sus ainabili y o Po ugal’s Na ional Heal hca e Sys em – on he limeligh o poli ical
deba e, no abou changes pe o med in public heal hca e policies wi h e ec s, namely,
on he managemen o heal h ins i u ions and on he ca ee s o physicians and nu ses.
F om a echnical and me hodological s andpoin , o achie e ou goals and he
hypo hesis o ou case s udy we mobilized a ious echniques, anging om li e a u e
e iew, ea ly in he esea ch p ocess, o he conduc ion o explo a o y, semi-s uc u ed
in e iews o heal hca e p o essionals belonging o bo h s udied g oups, acamedics,
manage s o Heal hca e P o ide s, he Minis y o Heal h’s human esou ces
managemen , and specialis s in he domains o Ageing and Labou Ma ke s. A su ey
6
was ou main da a-collec ing ins umen , which was applied ia ques ionnai es o he
uni e se o p o essionals being s udied. The esponse a e was 62,9%.
Th ough he na u e o ou esea ch and chosen me hodological app oach we
s i ed o poin ou clues ha allow us o analyse, deepen and b oaden ou
unde s anding o he e ec s and consequences o hese p o essionals’ decision-making
p ocess in u u e in es iga ions.
We e i ied ha , globally, he inqui ed p o essionals wan o ex end hei
ac i i y, a s ance mainly demons a ed by physicians (78,1% e sus 30,4% o inqui ed
nu ses).Ou esul s indica e ha he main de e mining ac o s o he in en o ex ending
one’s p o essional ac i i y a e he absence o ci cums ances o disc imina ion owa ds
age, o e all sa is ac ion wi h he managemen o heal hca e ins i u ions and p o essional
ca ee , he pe cep ion o being alued by he heal hca e ins i u ion, he ejec ion o
e i emen , he impo ance gi en o p o essional e hics and he app ecia ion o he
exe cise o one’s p o essional ac i i y. We also obse ed ha he main d i e o e i e
de i es om he consequences el when aced wi h legisla i e changes o he access o
e i emen and he es uc u ing o p o essional ca ee s.
Faced wi h hese esul s we conclude ha a new poli ical di ec ion is needed.
One ha is cen ed, undamen ally, on he condi ions a o ded o olde p o essionals in
he exe cise o hei p o ession mainly h ough he inc eased lexibili y in he
pa i ioning o ime. To his e ec , ela ed ac o s such as age and changes o oles ha
secu e hese p o essional’s eelings o use ulness and digni y while exploi ing hei
li e’s and p o essional ajec o y’s accumula ed capi al will be o impo ance.
Thus, aced wi h he e-composi ion o age g oups and he demog aphic e-
composi ion we deem i necessa y o ind a new way o o ecas ing he ela ionship
be ween age, ime, s a egies o pe manence in he labou ma ke as well as ansi ion
p ocesses om employmen o e i emen be i by heal h ca e ins i u ions o by heal h
ca e p o essionals. This s ance migh cons i u e an impo an con ibu ion o
sus ainabili y and o sel and he e o ep esen a ions o olde p o essionals allowing o
be e p ac ices and a bigge in ol emen on he way o a g ea e accep ance o aged
socie ies.
Th ough he na u e o ou in es iga ion and chosen me hodological app oach we
s i ed o poin ou clues ha allow us o analyse, deepen and b oaden ou
unde s anding o he e ec s and consequences o hese p o essionals’ decision-making
p ocess in u u e in es iga ions.
7
RESUMÉ
Ce e eche che se concen e su les p oblèmes liés aux aisons qui sous- enden
les p ocessus décisionnels des deux g oupes de p o essionnels de la san é, médecins e
in i miè es âgés en e 55 e 65 ans, deux o ganisa ions hospi aliè es do Po o - Cen e
Hospi alie São João, E.P.E. e le Cen e Hospi alie de Po o, Hôpi al de San o
An ónio, E.P.E. con e l'ex ension empo elle de l'ac i i é p o essionnelle ou, à l'in e se,
la so ie de la même pou la e ai e.
Nous a ons p oposé a connai eles ep ésen a ions e les p a iques de ces
p o essionnels dans le milieu hospi alie . Nous a ons che ché donc d'analyse la ela ion
en e l'âge, le emps e les moyens de es e su le ma ché du a ail e les p ocessus de
ansi ion de l'emploi pou la e ai e. Ces p ocessus son ésul a s de la econnaissance
de l'impac signi ica i de la plu ali é de p ocessus de ans o ma ion sociale en é idence
dans les de niè es décennies au Po ugal e dans d'au es pays eu opéens, no ammen en
ce qui conce ne la es au a ion de la s uc u e pa âge e de l'é olu ion dynamique de la
popula ion.
Le cad e héo ique s'es sou enu, essen iellemen , à l'in e sec ion des appo s de
la sociologie du ieillissemen , de la san é e de la sociologie de la sociologie des
p o essions.A ec ce e as e eche che plu idisciplinai e su le phénomène du
ieillissemen de la popula ion e de ses e e s su plusieu s domaines déjà diagnos iqués
e é léchi au cou s des de niè es décennies, il nous a in é essé d'analyse les dé is de
p o essionnels dans le sec eu de la san é oa ce-qu’on a econnu son impo ance dans le
con ex e social e cul u el dans le sys ème global de p o essions.
En ou e, nous n'é ions pas sans appo au déba ac uel su la iabili é
économique du SNS qui me à l'honneu du déba poli ique, les poli iques de san é
publique exploi és au cou s des de niè es années dans ce sec eu e leu s e e s, en
pa iculie dans la ges ion des é ablissemen s hospi alie s e des p o essionnels des
ca iè es la médecine e les soins in i mie s.
Du poin de ue echnique e mé hodologique, pou a eind e nos objec i s e
hypo hèses de ce e eche che cons i ué pa un é ude de cas, e dans ce con ex e, on a
mobilisé plusieu s echniques de la li é a u e, en pa iculie dans un s ade p écoce de la
eche che, nous a ons ai des en e iens explo a oi es aux p o essionnels appa enan
aux deux g oupes pa icipan s à l'é ude, des uni e si ai es, des ges ionnai es e des che s

ÍNDICE
Resumo 3
Abs ac 5
Resumé 7
Ag adecimen os 11
Ab e ia u as 13
In odução 23
Capí ulo I - Obje o em Análise: Teo ia e Me odologia
1.1. Obje o de es udo e en oques analí icos 33
1.2. Obje i os e hipó eses 37
1.3. Me odologia 50
1.3.1. Es udo de caso e écnicas de ecolha e a amen o de in o mação 53
1.3.2. Re lexão sob e o caminho me odológico 61
1.3.3. Uni e so e amos a 65
1.3.3.1. Delimi ação do uni e so de e e ência 65
1.3.3.2. Ca ac e ís icas sociodemog á icas dos inqui idos 68
1.4. O ganizações hospi ala es 73
1.4.1. Hospi al de San o An ónio, EPE 73
1.4.2. Hospi al de São João, EPE 78
Capí ulo II - Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
2.1. Dimensões do en elhecimen o: biológica, psicológica e social 86
2.2. Quad os eó icos da Sociologia sob e o en elhecimen o 92
2.3. En elhecimen o a i o 112
Capí ulo III - Dinâmicas Demog á icas na Enuão Eu opeia e em Po ugal
3.1. Concei o de en elhecimen o demog á ico 133
3.2. En elhecimen o demog á ico no con ex o eu opeu e po uguês 145
3.3. Pe spe i as de e olução demog á ica pa a 2060 160
16
Capí ulo IV - En elhecimen o, Me cado de T abalho e Polí icas de Emp ego
4.1. Desa ios do en elhecimen o ao me cado de abalho 175
4.2. En elhecimen o a i o e polí icas de emp ego 203
4.3. T ansição en e o empo de abalho e a aposen ação 224
Capí ulo V - Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
5.1. P incipais ca ac e ís icas dos médicos e en e mei os 238
5.2. En elhecimen o dos ecu sos humanos em saúde 248
5.3. P e isões de o e a e necessidades de médicos a é 2020 251
5.4. Especi icidades dos g upos p o issionais no quad o especí ico da dinâmica
hospi ala 256
5.4.1. Ca ac e ís icas p o issionais 257
5.4.2. Rep esen ações en e médicos e en e mei os em con ex o hospi ala 269
5.5. Discussão de esul ados 284
Capí ulo VI - Polí icas Públicas de Emp ego pa a o P olongamen o Tempo al da
A i idade P o issional
6.1. Polí icas públicas de emp ego pa a o p olongamen o empo al da a i idade
p o issional 293
6.1.1. Posição ace ao enquad amen o legal da aposen ação 296
6.1.2. Al e ações à ca ei a médica 304
6.1.3. Al e ações à ca ei a de En e magem 307
6.1.4. A aliação da de esa dos in e esses dos g upos p o isisonais 309
6.1.5. Posição ace à ação do Es ado pa a o p olongamen o empo al da a i idade
p o issional 311
6.2. Polí icas de ges ão de ecu sos humanos pa a os abalhado es mais elhos 319
6.3. Razões da opção pelo p olongamen o empo al da a i idade p o issional ou pela
aposen ação 328
6.4. Discussão de esul ados 337
Conclusões e pis as de in e enção 343
Bibliog a ia 355
17
Anexos 369
Anexo 1 371
Anexo 2 377
Anexo 3 385
Anexo 4 391
Anexo 5 395
Anexo 6 399
Anexo 7 417
Anexo 8 425
Anexo 9 443
19
ÍNDICE DE FIGURAS
Quad o 1. Médicos e en e mei os en e os 55 e os 65 anos do HSA, po sexo .............. 66
Quad o 2. Médicos e en e mei os en e os 55 e os 65 anos do HSJ, po sexo ............... 66
Quad o 3. Uni e so de e e ência e inqué i os ecolhidos ............................................. 68
Quad o 4. Ca ac e ís icas sociodemog á icas dos pa icipan es po g upo p o issional 69
Quad o 5. Indicado es amilia es de classe de o igem e de pe ença dos pa icipan es . 70
Quad o 6. Desc ição dos pa icipan es po o ganização hospi ala ................................ 72
Quad o 7. Dimensões e p incípios o ien ado es pa a o en elhecimen o a i o ............. 120
Quad o 8. Indicado es de na alidade e mo alidade na UE-27 ..................................... 147
Quad o 9. Indicado es de na alidade, ecundidade e mo alidade em Po ugal ........... 155
Quad o 10. Espe ança de ida à nascença em Po ugal (anos) .................................... 156
Quad o 11. Es u u a e á ia da população po uguesa .................................................. 157
Quad o 12. Dis ibuição dos indi íduos com idade igual ou supe io a 65 anos po
escalões e á ios, em Po ugal (%) ......................................................................... 158
Quad o 13. Indicado es do en elhecimen o em Po ugal ............................................. 159
Quad o 14. Cená ios demog á icos dapopulação po uguesa, 2008 - 2060 ................. 163
Quad o 15. Indicado es demog á icos pa a Po ugal, 1980-2060, cená io cen al
( alo es es imados e p oje ados) ........................................................................... 164
Quad o 16. Indicado es de c escimen o da população po uguesa, 2008-2060, cená io
cen al ( alo es es imados e p oje ados) (%) ........................................................ 165
Quad o 17. População com 65 e mais anos em Po ugal, 2009-2060, cená io cen al
( alo es es imados e p oje ados) ........................................................................... 169
Quad o 18. Índices do en elhecimen o em Po ugal, 1980-2060 ( alo es es imados e
p oje ados) ............................................................................................................. 170
Quad o 19. Despesa com p o eção social com pensões em Po ugal pe capi a e po
indi íduo a i o (€) ................................................................................................. 179
Quad o 20. Indicado es sob e a população a i a e ina i a com idade en e os 55 e os 64
anos........................................................................................................................ 188
Quad o 21. Taxas de pa icipação o al po g upos e á ios en e 2010 e 2060 (%)...... 200

20
Quad o 22. Médicos e en e mei os com idade en e os 55 e os 65 anos no HGJ e no
HGA ...................................................................................................................... 250
Quad o 23. G au de impo ância a ibuída pa a a a i idade p o issional dos médicos
(% em linha) .......................................................................................................... 262
Quad o 24. G au de impo ância a ibuída pa a a a i idade p o issional dos en e mei os
(% em linha) .......................................................................................................... 263
Quad o 25. Adequação en e idade e a i idade p o issional (%) ................................. 264
Quad o 26. Análise de componen es p incipais com o ação oblimin dos i ens do g au de
impo ância da a i idade p o issional ................................................................... 267
Quad o 27. Desc ição das di e en es dimensões de impo ância dos i ens sob e a sua
p o issão en e di e en es g upos p o issionais e po hospi al. ............................. 268
Quad o 28. Fa o es associados com p e ende a aposen ação no momen o ................. 269
Quad o 29. G au de impo ância pa a a a i idade p o issional a ibuído en e médicos e
en e mei os (%) ..................................................................................................... 271
Quad o 30. G au de impo ância que os médicos a ibuem à ação dos en e mei os
(% em linha) .......................................................................................................... 272
Quad o 31. G au de impo ância que os en e mei os a ibuem à ação dos médicos
(% em linha) .......................................................................................................... 272
Quad o 32. A ibu os que os médicos conside am mais comp ome idos nos en e mei os
com a idade............................................................................................................ 273
Quad o 33. A ibu os que os en e mei os conside am mais comp ome idos nos médicos
com a idade............................................................................................................ 273
Quad o 34. Dis ibuição da impo ância mu uamen e a ibuída en e g upos
p o issionais .......................................................................................................... 275
Quad o 35. Análise de componen es p incipais com o ação oblimin sob e os a ibu os
mais alo izados na ação dos médicos/en e mei os .............................................. 276
Quad o 36. Desc ição das di e en es dimensões sob e os i ens mais alo izados na ação
dos g upos p o issionais ........................................................................................ 277
Quad o 37. Análise explo a ó ia a o ial u ilizando co elações policó icas ............... 277
Quad o 38. Fa o es associados com os a ibu os globais mais alo izados na ação dos
médicos/en e mei os ............................................................................................. 278
Quad o 39. Fa o es associados com a p ese ação do conhecimen o écnico-cien í ico
com a idade............................................................................................................ 279
Quad o 40. Fa o es associados com o a ibu o conhecimen o écnico-cien í ico......... 279
21
Quad o 41. Fa o es associados com a p e ensão de e o ma no momen o ................... 280
Quad o 42. A aliação global das ans o mações na ges ão hospi ala nos úl imos 10
anos........................................................................................................................ 281
Quad o 43. Fa o es elacionados com a in enção de aposen ação ................................ 283
Quad o 44. Idade mínima legal e anos de se iço exigidos pa a acesso à aposen ação
o diná ia comple a (em anos) ................................................................................ 297
Quad o 45. Idade mínima legal pa a a passagem à aposen ação o diná ia com pensão
eduzida (em anos) ................................................................................................ 298
Quad o 46. Médicos e en e mei os a i os e saídos en e os 55 e os 65 anos de idade . 302
Quad o 47. Dis ibuição dos médicos po ca ego ia de ca ei a (%)............................ 306
Quad o 48. Dis ibuição dos en e mei os po ca ego ias da ca ei a (%) .................... 308
Quad o 49. A aliação ge al da de esa dos in e esses p o issionais (%) ...................... 310
Quad o 50. Posição dos médicos ace à ação do Es ado .............................................. 311
Quad o 51. Posição dos en e mei os ace à ação do Es ado ........................................ 312
Quad o 52. Análise de componen es p incipais com o ação a imax dos i ens sob e a
conco dância com ação do go e no no conce ne às polí icas globais de ges ão das
pensões .................................................................................................................. 315
Quad o 53. Desc ição das di e en es dimensões dos i ens sob e a conco dância com
ação do go e no no que conce ne às polí icas globais de ges ão das pensões en e
di e en es g upos. .................................................................................................. 316
Quad o 54. Fa o es associados com p e ende a e o ma ago a1 ................................. 316
Quad o 55. Exis ência de si uações de disc iminação com base na idade na o ganização
hospi ala ............................................................................................................... 318
Quad o 56. Posição dos médicos ace ao es a u o dos abalhado es mais elhos den o
das o ganizações hospi ala es (% em linha) .......................................................... 323
Quad o 57. Posição dos en e mei os ace ao es a u o dos abalhado es mais elhos
den o das o ganizações hospi ala es (% em linha) .............................................. 323
Quad o 58. G au de conco dância dos médicos com medidas de ges ão de ecu sos
humanos pa a os abalhado es mais elhos (% em linha) .................................... 326
Quad o 59. G au de conco dância dos en e mei os com medidas de ges ão de ecu sos
humanos pa a os abalhado es mais elhos (% em linha) .................................... 326
Quad o 60. Mo i os pelos quais pedi ia, ou não, a aposen ação no momen o
(% em linha) .......................................................................................................... 331
22
Quad o 61. Mo i os pelos quais pedi ia a aposen ação (% em linha po g upo
p o issional) ........................................................................................................... 331
Quad o 62. Mo i os pelos quais não pedi ia a aposen ação (% em linha po g upo
p o issional) ........................................................................................................... 332
Quad o 63. Va iá eis associadas à on ade de aposen ação ........................................ 334
Quad o 64. Modelo ajus ado pa a a o es associados com o desejo de aposen ação ... 335
Quad o 65. Ca ac e ís icas dos pa icipan es que op a iam no momen o pelo
p olongamen o empo al da a i idade p o issional ou pela aposen ação .............. 338
G á ico 1. Índice sin é ico de ecundidade nos países da União Eu opeia 27
em 2011 ................................................................................................................. 146
G á ico 2. Dis ibuição pe cen ual da população po g upos e á ios, 1980-2060,
cená io cen al (es ima i as e p ojeções). ............................................................. 167
G á ico 3. Despesa absolu a com p o eção social com pensões em Po ugal
(milhões €)............................................................................................................. 177
G á ico 4. Despesa com p o eção social com pensões em Po ugal em p opo ção ao
PIBpm (%)............................................................................................................. 178
In odução
23
INTRODUÇÃO
O desen ol imen o des a in es igação cen a-se na p oblemá ica associada às
azões subjacen es aos p ocessos de omada de decisão de dois g upos p o issionais de
saúde – médicos e en e mei os com idades en e os 55 e os 65 anos - ace ao
p olongamen o empo al da a i idade p o issional ou, in e samen e, pela saída da
mesma po aposen ação em con ex os de o ganizações hospi ala es. P opusemo-nos,
pa a o e ei o, conhece as ep esen ações e as p á icas des es mesmos p o issionais em
con ex o hospi ala , ace a es a ques ão. P ocu ámos, assim, analisa as elações en e
idade e empo e o mas de pe manência no me cado de abalho e os p ocessos de
ansição do emp ego pa a a e o ma, p ocessos es es deco en es do econhecimen o do
impo an e impac o de plu ais p ocessos de ans o mação social e idenciados nas
úl imas décadas an o em Po ugal como em ou os países eu opeus (C ouch, 1999;
Almeida, 2007, en e ou os). Re e imo-nos, en e ou os, à ecomposição da es u u a
e á ia e à al e ação das dinâmicas demog á icas (Guillema d, 2003).
A população mundial em indo a en elhece ao longo das úl imas décadas em
esul ado de uma diminuição da ecundidade e da mo alidade. Em consequência,
ambém o c escimen o na u al da população ab andou e, em alguns países, é esidual. A
maio ia dos países desen ol idos encon a-se numa quin a ase de ansição
demog á ica ma cada po ní eis de ecundidade abaixo do limia necessá io pa a se
assegu ada a eno ação ge acional. As p ojeções demog á icas da UE-27 e de Po ugal
pa a o ho izon e de 2060 con i mam a endência de in e são da pi âmide demog á ica
esul an e da diminuição dos escalões e á ios mais jo ens e do aumen o dos mais elhos
(INE, 2010; Eu os a , 2010). Em 2060 espe a-se que o núme o de indi íduos com 65 ou
mais anos na UE-27 se si ue pe o dos 152 milhões, o equi alen e a ce ca do dob o do
olume de 2010. Em 2002, na Assembleia Mundial sob e o En elhecimen o, a ONU
econheceu que o en elhecimen o demog á ico expe ienciado pelos países
desen ol idos e a um enómeno sem p oceden es, de longa du ação e com múl iplos
impac os sociais, polí icos e económicos.
O en elhecimen o populacional e á ine i a elmen e e ei os na ecomposição da
população a i a. Uma baixa ecundidade comp ome e necessa iamen e o po encial de
In odução
30
mo i ações subjacen es à in enção de p olongamen o empo al, ou não, da ida a i a
êm um amplo po encial de u ilização. Ou seja, po um lado en iquece am as g elhas
sociológicas de análise dos emas e e idos e po ou o, pode ão se u ilizados em
polí icas e medidas conc e as de in e enção jun o des es p o issionais.
Cons i uindo, ainda, na nossa opinião, um con ibu o ino ado e o iginal pa a
uma e exão c í ica sob e as ameaças, cons angimen os e opo unidades des es dois
g upos p o issionais ela i amen e à posição assumida ace à impo an e omada de
decisão pe an e o c uzamen o pa adoxal en e as aspi ações iniciais do exe cício da
p o issião, da ges ão das aje ó ias p o issionais e das condições ecen es na
ap oximação da e i ada da ida a i a.

CAPÍTULO I
Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
33
Iniciámos es e p imei o capí ulo ap esen ando o obje o de es udo e os en oques
analí icos da in es igação que desen ol emos. Ao ní el da me odologia ado ada,
explicámos as opções ine en es à eleição do mé odo de es udo de caso e das écnicas de
ecolha de in o mação, p ocedemos a uma e lexão sob e o pe cu so me odológico
seguido e ap esen amos as p incipais ca ac e ís icas do uni e so de p o issionais dos
g upos conside ados e daqueles que cons i uí am a amos a. Te minámos o capí ulo com
a ap esen ação his ó ica e com o enquad amen o a ual das duas o ganizações
hospi ala es de exe cício p o issional dos médicos e en e mei os conside ados.
1.1. OBJETO DE ESTUDO E ENFOQUES ANALÍTICOS
Ao longo do desen ol imen o des a in es igação omos mo idos pela p ocu a
de espos as à seguin e ques ão: quais as azões que in luenciam os médicos e
en e mei os com idades en e os 55 e os 65 anos de dois hospi ais do Po o ao
p olongamen o empo al da sua ida a i a?
A nossa opção pelo es udo de dois g upos p o issionais em con ex o hospi ala
inse e-se numa linha de in es igação sociológica ecen e: a sociologia da saúde. Apesa
da c escen e p odução eó ica nes e domínio do sabe , econhecemos que pe du am
ainda algumas di iculdades de delimi ação do campo de sabe sociológico sob e o
con ex o hospi ala , ibu á ias da ecen idade da conside ação da saúde, doença e da
medicina enquan o obje os de in es igação sociológica, Ca apinhei o (1993).
T adicionalmen e as e lexões sob e as dimensões o ganizacional e emp esa ial dos
hospi ais e am desen ol idas pelas á eas da ges ão ou da adminis ação hospi ala que,
pela sua na u eza e obje i os, não a ibuí am ele ância ao hospi al enquan o ins i uição
social. Valo iza am dimensões da ges ão hospi ala , nomeadamen e os bloqueios
polí icos à sua a i idade e o enquad amen o ins i ucional do doen e.
Po ugal comungou es e in e esse a dio sob e a saúde com ou os países com
maio adição na in es igação em ciências sociais o que Ca apinhei o (1993) jus i ica
com base num econhecimen o de um ca ác e “na u al” e “biológico” da saúde e da
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
34
mo e que escapa a a de e minações sociais e, po an o, não exigia uma abo dagem
complemen a à desen ol ida pelas ciências da ida.
O in e esse cien í ico da sociologia pela medicina em sido con on ado com a
o ça e legi imidade dos sabe es médicos e com o pode ins i ucional dos seus
ep esen an es. Es e ac o jus i icou que uma p imei a ase de desen ol imen o da
sociologia médica oco esse em clima de ensão e equí oco en e dois modelos de
acionalidade cien í ica. Inicialmen e, a sociologia assumiu um ca ác e ins umen al,
con ibuindo pa a a esolução de p oblemas conc e os da p á ica médica, pa a o
aumen o da sua e icácia e pa a a de e minação do impac o de a o es sociais na
p e enção da saúde ou pa a o a amen o da doença. Es a ase oi ma cada po uma
maio au onomia cien í ica e independência da socioloia ace à pe spe i a médica. Num
momen o seguin e man e e-se o ca ác e ins umen al da elação en e as duas ciências
mas de o ma in e ida, ou seja, a in e enção do sociólogo deixou de se i as
necessidades da medicina e passou a o ien a -se pa a a p odução de conhecimen o no
sen ido do en iquecimen o da eo ia sociológica.
Do ca ác e mu uamen e exclusi o das duas p á icas sociológicas esul ou uma
pe spe i a segundo a qual o sociólogo e ia que op a po uma ou ou a, e o çando
assim a ambi alência do seu papel nes e domínio do conhecimen o e acen uando as
di iculdades na de inição da sua posição. Con udo, as on ei as es anques en e os dois
ipos de p á ica sociológica êm-se diluído cons i uindo cada ez mais uma ba ei a alsa
e, po isso, acilmen e ul apassá el (Scamble ci . in Ca apinhei o, 1993). O papel que
assumimos nes a in es igação é exemplo da possibilidade de se em assumidas
simul aneamen e as duas pos u as. Os con ibu os eó icos que p oduzimos com es a
in es igação ace ca das ca ac e ís icas dos g upos p o isisonais em es udo, da sua
sa is ação p o issional, da a aliação do seu abalho e dos seus pa es, das au o e he e o
ep esen ações e das mo i ações subjacen es à sua in enção de p olongamen o empo al,
ou não, da ida a i a êm um amplo po encial de u ilização.
Po um lado en iquecem as g elhas sociológicas de análise dos emas e e idos.
Po ou o, podem se u ilizados em polí icas e medidas conc e as de in e enção jun o
dos p o isisonais es udados. Apesa do po encial que econhecemos à sociologia da
saúde, conco damos com F eidson (2008) quando o au o a i ma que, apesa do
desen ol imen o des a á ea a mesma não adqui iu ainda a independência e dinamismo
obse ado em ou as especialidades sociológicas.
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
35
No início da década de 1990, Ca apinhei o (1993) apon a a já a necessidade de
uma no a o ien ação pa a a sociologia na saúde que pe mi isse ul apassa a apa en e
dico omia no posicionamen o do sociólogo e que p omo esse a sua e e i a a i mação
enquan o á ea do sabe . Pa a isso, de endia a p odução de análises es u u ais que
conside assem as p o issões e as ins i uições médicas dando con a, nomeadamen e, das
ideologias dominan es, das elações dialé icas es abelecidas e dos seus al os de
exe cício. Pa a a au o a, a análise sociológica de e ia inse i -se nos moldes das
in es igações ealizadas em o ganizações indus iais. Conside a a se undamen al que
a medicina osse pe spe i ada enquan o ins i uição social com a anjos o ganizacionais
especí icos, elações sociais e quad os no ma i os ine en es.
Na in es igação que desen ol emos p ocu ámos p ecisamen e segui a no a
o ien ação, conside ando as especi icidades do con ex o hospi ala em que se
enquad am as p o issões analisadas e as elações e ep esen ações sob e e en e os dois
g upos p o issionais. Pa ilhamos a pe spe i a de que o sucesso da in es igação sob e as
dinâmicas no campo da saúde depende á, em la ga escala, de a mesma se desen ol ida
po á eas do sabe o a do campo especí ico da medicina e que enham, po an o, uma
posição independen e. Foi p ecisamen e isso que p ocu ámos aze ao desen ol e mos
uma abo dagem ma cada po aços cla amen e sociológicos.
Op ámos po p o issões do se o da saúde po econhece mos a sua impo ância
social e cul u al no quad o ge al do sis ema das p o issões (F eidson, 1986). Além disso,
não omos alheios à a ual discussão ace ca da sus en abilidade económica do SNS que o
coloca na ibal a da discussão polí ica, às polí icas públicas de saúde ope adas nos
úl imos anos nes e se o e com e ei os, nomeadamen e, na ges ão das o ganizações
hospi ala es e nas ca ei as p o issionais de medicina e en e magem.
Conside ámos ambém as medidas de incen i o ao p olongamen o empo al da
ida a i a sus en adas, em la ga medida, em al e ações na legislação que enquad a a
passagem à aposen ação.
Não omos ainda alheios às especi icidades dos p o issionais que es udámos no
quad o da população a i a po uguesa. O ac o des es ap esen a em ca ac e ís icas
ma cadamen e dis in as das obse adas na maio ia dos abalhado es po ugueses na
mesma aixa e á ia (Fe nandes, 2007) con ibuem em la ga medida pa a o nosso
in e esse na sua análise. Con a iamen e à gene alidade dos abalhado es mais elhos
po ugueses, os médicos e en e mei os es udados são de en o es de ele adas
quali icações académicas e o am al o ao longo da sua aje ó ia p o issional de um

CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
36
in enso p ocesso de o mação, au e em ele adas emune ações e ecolhem da sociedade
um ele ado p es ígio e econhecimen o social. Não igno amos, con udo, que as
ca ac e ís icas e e idas são pa icula men e no ó ias en e os médicos. Conside ando os
a ibu os e e idos, conside ámos inicialmen e que a posição p i ilegiada dos
p o issionais em es udo aumen a ia po encialmen e a sua in enção de p olongamen o
empo al da ida a i a.
A escolha das o ganizações hospi ala es baseou-se na inculação a ual dos
g upos p o issionais ao con ex o hospi ala , dando-se assim con inuidade his ó ica às
condições de eme gência, desen ol imen o e consolidação da medicina e da
en e magem.
Não omos ambém alheios à g ande impo ância do HSJ e do HSA hospi ais nos
sis emas de saúde, ensino e in es igação em Po ugal
1
. São dois hospi ais ge ais,
cen ais e uni e si á ios que, além de se em os maio es do dis i o do Po o, se
dis inguem pela sua no ó ia impo ância a ní el nacional pelas especialidades e
a amen os que disponibilizam às suas populações de in luência e e e ência. Impo a
ainda e o ça a sua ligação às duas escolas de medicina da Uni e sidade do Po o,
endo, po an o, uma o e componen e de ensino e in es igação cien í ica
2
.
Salien ámos, ainda, a impo ância do ele ado g au de complexidade das duas
o ganizações que, po isso, azem uma u ilização in ensi a dos seus ecu sos humanos,
económicos, ma e iais e ecnológicos. Conside ámos ainda as ele adas expec a i as
sob e o seu desempenho an o na p es ação de cuidados de saúde como de ensino. Não
descu ámos os desa ios da posição dominan e das duas o ganizações no quad o de
p es ação de cuidados de saúde e de ensino da medicina em Po ugal em consequência
da saída po aposen ação de médicos e en e mei os com la ga expe iência p o issional e
conhecimen os po encialmen e mobilizados pa a o sucesso dos dois hospi ais.
Depois de e mos de inido o obje o de es udo des a in es igação e de e mos
undamen ado as mo i ações que le a am à sua eleição, i emos indica e explica os
obje i os que no ea am o desen ol imen o des a in es igação, bem como as hipó eses
eó icas que se ão analisadas.
1
A documen ação ine en e ao pedido de au o ização pa a ealização des a in es igação no HSJ e no HSA
pode se consul ada, espe i amen e, nos Anexos 1 e 2.
2
A FMUP es á associada ao HSJ e o ICBAS ao HSA. Mais in omação pode se encon ada na
ca ac e ização das duas o ganizações de saúde ap esen ada no Pon o 1.5 – O ganizações hospi ala es.
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
37
1.2. OBJETIVOS E HIPÓTESES
Os obje i os de inidos pa a es a in es igação aduzem a e lexão e discussão
que desen ol emos ace ca das ca ac e ís icas e desa ios do p ocesso de en elhecimen o
enquan o ca ac e ís ica populacional es u u al dos países desen ol idos e de Po ugal,
em conc e o. Pa indo de um quad o eó ico ap o undado de comp eensão do p ocesso
de en elhecimen o no con ex o das sociedades con empo âneas, nomeadamen e ao ní el
dos seus e ei os nas dinâmicas do me cado de abalho, de inimos como p incipais
obje i os des a in es igação os seguin es:
a) Iden i ica e analisa as ep esen ações e as p á icas dos g upos p o issionais
da saúde (médicos e en e mei os com idades en e os 55 e os 65 anos), inse idos em
duas o ganizações hospi ala es públicas, ace às elações en e idade e empo e o mas
de pe manência no me cado de abalho incluindo o p ocesso de ansição do emp ego
pa a a aposen ação;
b) Conhece a impo ância que a o ganização dos empos sociais em na
omada de decisão dos p o issionais quan o à decisão de p olongamen o empo al da
sua aje ó ia p o issional ou quan o à ansição pa a a aposen ação;
c) Con ex ualiza as ep esen ações e as p á icas em elação ao p olongamen o
empo al da a i idade p o issional ace aos p ocessos de ans o mação social,
demog á ica, polí ica e cul u ais oco idos em Po ugal nas úl imas décadas;
d) Analisa o egime de p o eção social, o modelo de polí icas de emp ego e
me cado de abalho do sec o da saúde em Po ugal.
Pa a o desen ol imen o des a in es igação pa imos de um conjun o de
p emissas sus en adas eo icamen e. Assim desde logo, (i) a ine i abilidade do e o ço
do ca ác e es u u al do p ocesso de en elhecimen o nas sociedades ociden ais, se se
man i e em os ní eis de na alidade a uais e o aumen o da espe ança de ida; (ii) a cla a
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
38
necessidade de medidas públicas de a enuação ou comba e aos múl iplos e ei os e
desa ios do en elhecimen o. A es e espei o, do pon o de is a polí ico, espe a-se dos
go e nos o econhecimen o des e p ocesso e a de inição de espos as adequadas e
con ex ualizadas ao en elhecimen o; numa ó ica económica, há uma cla a necessidade
de diminui os c escen es enca gos com os mais elhos, seja pelo pagamen o de pensões
ou e o mas ou pelas despesas com saúde, nomeadamen e, o que em sido conseguido
pela edução das p es ações sociais pagas e po uma meno compa icipação do Es ado
em ques ões de saúde; (iii) ambém as o ganizações são chamadas a es a discussão po
ia da colabo ação nas es a égias polí icas di ecionadas pa a os abalhado es mais
elhos que isam em p imei o luga , ( e) inse i-los no me cado de abalho,
nomeadamen e os mais desquali icados.
Conside amos que o en endimen o dos desa ios deco en es do p ocesso de
en elhecimen o e das espos as possi elmen e dadas depende necessa iamen e da
comp eensão das múl iplas ans o mações pelas quais passa am as sociedades
eu opeias, e a po uguesa em pa icula , ao longo das úl imas décadas. Pe an e a
ine i abilidade do e o ço do ca ác e es u u al do p ocesso de en elhecimen o nas
sociedades ociden ais, caso se man enham os ní eis a uais de ecundidade, en endemos
se undamen al iden i ica e analisa as espos as dadas pelos Es ados aos múl iplos
e ei os e desa ios do en elhecimen o, pa icula men e ao ní el do me cado de abalho.
A UE-27 e os Es ados memb os êm sido chamados a de ini espos as adequadas,
con ex ualizadas e e icazes em elação ao en elhecimen o. Em conc e o, êm p ocu ado
p omo e a inclusão e pa icipação dos mais elhos nas á ias es e as sociais. Além
disso, p ocu am a enua os c escen es enca gos com os mais elhos, seja pelo
pagamen o de pensões ou pelos enca gos com a p es ação de cuidados de saúde. Não
êm sido ainda indi e en es à necessidade de uma no a o ma de solida iedade
in e ge acional que pe mi a alcança um no o equilíb io en e as ge ações mais no as, e
a i as no me cado de abalho, e os mais elhos, já em ina i idade na sua maio ia.
A p eocupação com os e ei os do en elhecimen o demog á ico e a in enção de
p olongamen o empo al da ida a i a esul ou na de inição de g andes me as açadas
pela UE-27 que sublinham a necessidade de ela i iza a impo ância do a o idade no
me cado de abalho, não excluindo os abalhado es mais elhos da igualdade de
opo unidades de inse ção ou pe manência no emp ego. A UE-27 em en ão ei o
ecomendações aos Es ados Memb os no sen ido de implemen a em medidas nos
sis emas de p o eção social que p e endem, sob e udo: (i) e o ça a emp egabilidade
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
39
dos abalhado es mais elhos; (ii) omen a o in es imen o das emp esas na sua
o mação p o issional; (iii) e e o acesso à e o ma an ecipada, limi ando-o; (i )
p omo e a e o ma p og essi a e o abalho a empo pa cial; ( ) adap a modalidades
de ansição pa a a e o ma às no as ealidades demog á icas (Pes ana, 2004).
No caso po uguês es e obje i o colide com á ios obs áculos que di icul am a
manu enção de indi íduos com mais de 55 anos no me cado de abalho e a de inição de
es a égias de en abilização do conhecimen os e da expe iência acumulados (Cen eno,
2007).
No Conselho Eu opeu de Es ocolmo de 2001 a UE-27 de iniu a me a de 50,0%
de emp ego pa a os abalhado es mais elhos a é 2010. Um ano depois, no Conselho de
Ba celona oi de inido que a idade média de saída do me cado de abalho de e ia
aumen a em cinco anos a é 2010. Mais a de, na Es a égia de Lisboa, os países
memb os e o ça am a apos a no en elhecimen o a i o e na p omoção, em conc e o, do
adiamen o da saída do me cado de abalho (Lopes, Gonçal es, 2012). A impo ância da
p omoção do en elhecimen o a i o oi no amen e mani es ada na de inição de 2012
como Ano Eu opeu do En elhecimen o A i o e da Solida iedade en e Ge ações. Na
Es a égia Eu opeia de 2020, a UE-27 assumiu que a sua compe i i idade e dinamismo
do me cado de abalho dependem, em la ga medida, da pa icipação dos indi íduos
mais elhos no me cado de abalho não só pelo en elheicimen o populacional mas,
ambém, pela en abilização do conhecimen o e expe iência acumulados.
As medidas p opos as e ado adas no âmbi o do en elhecimen o êm obje i os
cla os: debela as ba ei as da idade, p olongando as ca ei as p o issionais e uma
en ada a dia na e o ma (Taylo , 2006) e en abiliza as compe ências e conhecimen o
dos mais elhos (Yea s, 2000) enquan o es a égia compe i i a pa a a Eu opa que
assegu e o seu c escimen o económico sus en ado.
Na conceção dos obje i os i emos, ainda, em con a o impo an e impac o dos
plu ais p ocessos de ans o mação social de que Po ugal e ou os países eu opeus
o am palco nas úl imas décadas (C ouch, 1999; Almeida, 2007). Conside ámos a
al e ação das dinâmicas demog á icas e da deco en e ecomposição das espe i as
es u u as e á ias no sen ido de um acen uado p ocesso de en elhecimen o esul an e de
uma diminuição exp essi a da ecundidade, do p ocesso emig a ó io das décadas de
1960 e 1970 e do aumen o absolu o e ela i o dos mais elhos. A endemos ambém nas
ans o mações oco idas ao ní el das ca ac e ís icas dos g upos p o issionais em es udo
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
46
o ganização do seu pode . Is o signi ica que há uma ins umen alização dos obje i os do
hospi al enquan o meio de acesso ao pode no seio do sis ema médico a a és de
modelos que o ien am a o ganização da sua pe ença à ins i uição. Quan o aos
en e mei os, a sua ação de e se con ex ualizada nos limi es e condicionamen os
impos os pelas es a égias médicas. A posição obje i a do pessoal de en e magem, en e
a hie a quia adminis a i a hospi ala e a médica, colocada no cen o de con e gência
da au o idade médica e da adminis a i a e c uzada pelos seus pon os de is a
an agónicos, di icul a sob emanei a a de inição das on ei as da sua au onomia
p o issional ela i amen e ao abalho médico e à co esponden e elação de
dependência hie á quica. Ca apinhei o (1993) conside a que as es a égias de
conse ação da au onomia dos médicos são acili adas nos hospi ais uni e si á ios dado
que o modo de p odução de cuidados domina linhas de cuidado mui o especializadas e
p á icas de uma medicina ecnicis a, com p oje os p o issionais e cien í icos de inidos.
Uma ou a ca ac e ís ica indicada po F eidson (2008) p ende-se com a
impo ância das elações en e p o issionais de saúde pa a a comp eensão da sua
o ganização, as quais podem se mais ele an es que as eg as o mais es abelecidas. O
au o des aca a impo ância dos abalhado es mais elhos que, mesmo não exe cendo
um pode di e o sob e o abalho são, mui as ezes, a base pa a eg as o ganizacionais
in o mais e podem in luencia a omada de decisão de ou os p o issionais.
Depois de de inido e delimi ado o enquad amen o his ó ico, polí ico e
económico da ealidade eu opeia e po uguesa sob e as ca ac e ís icas e desa ios ao
en elhecimen o, conside ámos as ep esen ações e p á icas dos g upos p o issionais que
as p o agonizam. P e endemos, no nosso abalho, en ão pe cebe o posicionamen o dos
abalhado es ela i amen e à possibilidade de aposen ação quando já euniam as
espe i as condições ju ídico-adminis a i as pa a a solici a .
En endendo, en ão, po aposen ação a “cessação do exe cício de unções, com a
consequen e a ibuição de uma p es ação pecuniá ia mensal i alícia, designada po
pensão” (CGA, 2013). Um aposen ado se á aquele a quem oi a ibuída uma pensão po
eque e os equisi os legalmen e es abelecidos. Di e e do e o mado po es e úl imo e
adqui ido o di ei o a uma pensão na qualidade de mili a ou equipa ado.
Em Po ugal, os con ibu os eó icos e os es udos desen ol idos sob e es a
p oblemá ica (Pes ana, 2003; Mendes, 2005; Fe nandes, 2007; Cen eno, 2007) êm-se
baseado numa abo dagem de ca iz mac o social. En endendo que es a de e ia se
complemen ada po uma ou a, alice çada numa análise mic o das ep esen ações e

CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
47
p á icas dos agen es si uados o ganizacionalmen e quan o ao p olongamen o da
a i idade p o issional, op ámos pelo mé odo de es udo de caso.
P ocu amos conhece a posição dos pa icipan es no nosso es udo ace ao
p olongamen o empo al da a i idade p o issional, às elações en e idade e empo e
o mas de pe manência no me cado de abalho e aos p ocessos de ansição do
emp ego pa a a e o ma. Es e p ocesso e e necessa iamen e subjacen e a análise das
condições legais de acesso à aposen ação, bem como o enquad amen o his ó ico,
ju ídico e o ganizacional dos dois hospi ais. Não descu amos que as pe ceções e
a i udes indi iduais possam se in luenciadas a ní el mac o, pelo con ex o económico e
polí ico, mas, ambém a ní el meso e mic o, pelo con ex o o ganizacional e g upal.
Face a es e conjun o de ques ões sob e um momen o ulc al de omada de
decisão en e o p olongamen o empo al da ida p o issional ou a saída po e o ma, e
endo em con a uma pe spe i a eó ica de cu so de ida, conside amos algumas linhas
o ien ado as que apon am pa a a maio quali icação de alguns p o issionais,
independen emen e do posicionamen o na o ganização. Es as impelem a uma e lexão
p o unda sob e a pe manência no me cado de abalho, sob e a expe iência de bem-es a
na aje ó ia p o issional e sob e a uma ep esen ação posi i a da idade que podem
p edispo ao p olongamen o da a i idade p o issional.
Pa a uma melho comp eensão do âmbi o e obje i os des a in es igação, impo a
indica e de ini os p incipais concei os nos quais ela se supo a. São eles
en elhecimen o, en elhecimen o a i o e p o issão.
O en elhecimen o deco e do aumen o da idade dos indi íduos, co espondendo
a uma ase da ida ca ac e izada po um conjun o di e so de ans o mações aos mais
a iados ní eis. Es as oco em, nomeadamen e, ao ní el do co po, capacidades
cogni i as, compo amen o, ep esen ações e po uma ede inição do papel social
ocupado nos di e en es con ex os da sua ida. A análise do p ocesso de en elhecimen o
compo a, po an o, ês p incipais dimensões: biológica, psicológica e social (Sch oo s
e Bi en, 1980 ci . po Paúl, 2005b). O en elhecimen o pode se en endido, en ão, como
“um pe íodo do ciclo de ida em que a gene alidade das ca ac e ís icas pessoais
(biológicas, psicológicas e sociais) muda de uma o ma elacionada en e si,
o ien ando-se p og essi amen e pa a a cons ução de uma imagem de si mesmo como
«idoso»” (Fonseca, 2012a, p. 96).
En endemos o en elhecimen o a i o enquan o “a pa icipação con ínua dos
mais elhos na sociedade, en a izando a compe ência e os conhecimen os des e g upo e
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
48
o seu po encial enquan o ecu so i al pa a a sociedade. Assume-se, na sua
globalidade, como um no o pa adigma des inado a al e a a pe spe i a e os
es e eó ipos nega i os associados aos mais elhos” (Fe nández-Balles e os ci . po
Ribei o, 2012). O en elhecimen o a i o az pa e das a uais agendas polí icas e
cons i uiu um impo an e modelo de análise e espos a ao p ocesso de en elhecimen o.
Re o ça a necessidade de uma maio p o eção aos mais elhos, bem como da ga an ia
dos seus di ei os, nomeadamen e ao ní el da saúde, p ocu ando-se alcança uma melho
condição pa a os mais elhos que e i e, po an o, cus os ac escidos pa a os Es ados ao
ní el dos sis emas de saúde e p o eção social; do me cado de abalho, po ia de um
aumen o da idade de e o ma que a enue o peso inancei o do pagamen o de pensões;
po uma pa icipação social con ínua que se enquad e no exe cício da cidadania
(Ribei o, 2012).
O concei o de en elhecimen o a i o em ganho pa icula ele ância enquan o
mo imen o de e lexão ace ca das cons uções sociais sob e a elhice, esul ando daí
es a égias de p omoção da pa icipação, aos mais a iados ní eis, dos mais elhos na
sociedade. Na p ocu a de de inições pa a o concei o de en elhecimen o a i o
e idenciam-se dois aços complemen a es (A amo e Masko a ci . po Lopes e
Gonçal es, 2012). A p imei a es á o ien ada pa a a pa icipação dos mais elhos (dos 55
aos 64 anos) no me cado de abalho, no p olongamen o empo al das suas aje ó ias
p o issionais e nas condições de saúde e abalho. É sob e udo u ilizada pela EU-27,
OCDE e Banco Mundial. A segunda es á mais o ien ada pa a a pa icipação social,
saúde e bem-es a dos idosos, sendo sob e udo u ilizada pela OMS.
Nes a in es igação si uámo-nos numa p imei a pe spe i a, de na u eza labo al e
económica e o ien ada pa a a pe manência ou einse ção dos mais elhos no me cado de
abalho. A es e espei o, conside ámos não só as polí icas de p olongamen o empo al
da sua a i idade p o issional mas, ambém, os seus in e esses e obje i os que
undamen am a sua posição quan o ao p olongamen o, ou não, da aje ó ia p o issional.
Rela i amen e ao concei o de p o issão, op ámos po uma de inição que dá con a
de uma mul iplicidade de aspe os que o concei o ence a. En endemo-lo como o “ní el
de quali icação média ou supe io , assen e em o mação inicial co esponden e ou em
quali icações in o mais de longa ap endizagem; di e enciação e especi icidade écnica
ou cien í ica pe mi indo algum g au de au onomia p o issional e esponsabilidades de
enquad amen o ou coo denação de a i idades no domínio em causa; au oiden idade
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
49
social mínima do g upo em ques ão; econhecimen o o mal pelas en idades públicas
adminis a i as, pelo me cado ou pela p á ica social” (F ei e, 2004).
Depois de de inidos os p incipais concei os des a in es igação e es u u ados os
seus eixos o ien ado es, cons i uímos as hipó eses eó icas que p ecisa am os seus
obje i os e o ien a am a p ocu a de explicações pa a a p oblemá ica em es udo ao longo
do p ocesso de in es igação.
Na conceção das hipó eses eó icas da nossa in es igação sus en ámo-nos em
a iá eis explica i as de enquad amen o no sen ido de da consis ência às mesmas.
Fo am es as (i) as ecomposições demog á icas e as suas a iculações com as
ans o mações económicas, cul u ais, polí icas e sociais na EU-27 e em Po ugal; (ii) as
dinâmicas de ans o mação dos me cados de abalho no sec o da saúde: polí icas
públicas de emp ego na UE-27 e em Po ugal; (iii) a econ igu ação do p o issionalismo
dos dois g upos p o issionais – médicos e en e mei os com idades en e os 55 e os 65
anos; (i ) as ca ac e ís icas do es ado-p o idência em Po ugal e condições de acesso à
aposen ação; ( ) as p á icas de ges ão do Minis é io da Saúde e das duas o ganizações
hospi ala es em es udo ace aos dois g upos p o issionais – ca ei as, emune ações e
condições de e o no à a i idade p o issional pe an e a sua si uação de aposen ado; ( i)
a es u u a e clima o ganizacional das duas o ganizações hospi ala es em es udo.
Pa a a de inição das hipó eses des a in es igação i emos em conside ação dois
cená ios possí eis elacionados com a opção o a pelo p olongamen o empo al da
a i idade p o issional, o a pela aposen ação. Conside ando que a in enção do
p olongamen o empo al da a i idade p o issional es á associada à sa is ação e à
impo ância a ibuída ao exe cício da mesma, elabo amos as seguin es hipó eses:
- Quan o maio o g au de sa is ação p o issional maio é a in enção de
p olongamen o empo al da ida a i a
- Quan o maio é a impo ância a ibuida à a i idade p o issional maio é a
in enção de p olongamen o empo al da ida a i a
Rela i amen e à opção pela aposen ação, conside amos que es á associada ao
conjun o de ans o mações ope adas na ges ão hospi ala bem como ao idadismo, pelo
que elabo amos as hipó eses de seguida ap esen adas:
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
50
- Quan o pio é a a aliação das ans o mações oco idas ao longo dos úl imos
dez anos ao ní el da ges ão hospi ala maio é a in enção de aposen ação
- Quan o mais equen e são as pe ceções de idadismo em con ex o de abalho,
maio é a in enção de aposen ação
Não obs an e a p ocu a de espos as às hipó eses ap esen adas e cons i uído o
io condu o do desen ol imen o des a in es igação, ou os aspe os o am
con emplados. T açámos o pe il sociodemog á ico dos inqui idos à luz das p incipais
ans o mações sociodemog á icas que ma ca am os dois g upos p o issionais.
Ca ac e izámos as o ganizações hospi ala es conside adas, ap esen ando as causas e
consequências do en elhecimen o demog á ico e discu imos as o ien ações e medidas
polí icas o ien adas pa a a espos a ao en elhecimen o da população, sob e udo ao ní el
de polí icas de p omoção do emp ego en e os indi íduos mais elhos. Analisámos as
ep esen ações sociais e as p á icas en e médicos e en e mei os em con ex o hospi ala .
Após ap esen a mos os obje i os que nos p opusemos cump i nes a
in es igação e e mos indicados as hipó eses às quais p ocu ámos esponde ,
passa emos à ap esen ação da me odologia que ado ámos.
1.3. METODOLOGIA
Nes e pon o ap esen a emos o desenho me odológico da in es igação.
Começa emos po uma abo dagem ge al da es a égia me odológica seguida,
conc e izando pos e io men e o mé odo e as écnicas de ecolha e análise da in o mação
ado adas. Indicámos, ainda, as p incipais ca ac e ís icas sociodemog á icas da nossa
amos a de p o issionais inqui idos. Po im, ap esen ámos as condições his ó icas e
o ganizacionais de eme gência e desen ol imen o das o ganizações hospi ala es.
A in es igação que desen ol emos assumiu uma na u eza hipo é ico-dedu i a,
na medida em que de inimos um conjun o de hipó eses cuja espos a p ocu amos
alcança com os esul ados dos inqué i os po ques ioná io que aplicámos.
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
51
Não obs an e o desen ol imen o de uma abo dagem ma cadamen e sociológica,
conside amos os con ibu os de ou as ciências sociais, nomeadamen e a economia, a
psicologia social e a demog a ia, com is a a um en iquecimen o eó ico, me odológico
e empí ico da nossa in es igação.
Conside ámos impo an e p ocede ao c uzamen o dos di e en es con ibu os
eó icos e me odológicos, con on ando á eas do sabe e pe spe i as eó icas dis in as.
P e endemos que a p oblemá ica eó ica osse in eg ada po co pus de conhecimen o
que pe mi isse uma e lexão heu ís ica sob e o ema da in es igação e nos possibili asse
a ança pa a um modelo de análise conce ualmen e lexí el e mul idimensional.
Pa a es u u a mos a in es igação ocámo-nos p incipalmen e nos seguin es
eixos analí icos: concep ualizações sob e a idade e os ciclos de ida; elações en e
ge ações nos con ex os dos Es ados-P o idência eu opeus; elações en e os empos de
abalho e os empos de não abalho; ecomposições demog á icas e suas a iculações
com as ans o mações económicas, cul u ais, polí icas e sociais nas sociedades
con empo âneas globalizadas; dinâmicas de ans o mação dos me cados de abalho;
polí icas sociais em pa icula ao ní el do emp ego; econ igu ação do p o issionalismo
ao ní el dos g upos p o issionais da saúde.
Conside ámos ainda as ans o mações oco idas na sociedade po uguesa ao
longo das úl imas décadas, de modo a con oca mos pa a a in es igação elemen os de
na u eza sócio empo al, undamen ais pa a uma con ex ualização do obje o de es udo.
Pa a a cons ução do es ado da a e e pa a alcança mos uma isão mais ala gada
e di e si icada sob e o ema e o obje o em análise, podendo a pa i daí melho de ini
ou e i ica o nosso quad o eó ico, concep ual e me odológico, ealizámos um ex enso
abalho de pesquisa bibliog á ica que alidou o in e esse e pe inência do ema elei o
pa a es a in es igação. Ac esce a sua no ó ia impo ância pa a a cons a ação, logo no
início, da inexis ência de es udos em Po ugal ace ca do ema do p olongamen o
empo al da a i idade p o issional de p o issionais de saúde, o que e ela o ca ác e
ino ado des a in es igação.
A pesquisa bibliog á ica incidiu sob e as pe spe i as eó icas de análise do
en elhecimen o, as dinâmicas e ans o mações do me cado de abalho, a iden i icação
e discussão de polí icas públicas de incen i o ao p olongamen o empo al da a i idade
p o issional e pela explo ação da li e a u a ace ca dos a o es passí eis de condiciona a
opção pelo p olongamen o ou não da a i idade, nomeadamen e a sa is ação e mo i ação
no abalho. A pesquisa bibliog á ica oi cen al pa a uma melho de inição e

CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
52
consolidação da p oblemá ica em es udo e pa a uma cla i icação da nossa pe spe i a
e lexi a sob e o mesmo. Pe mi iu-nos ambém sedimen a a opção pela análise das
p á icas e ep esen ações sociais de médicos e en e mei os, em pa icula , ace à
ansição pa a a aposen ação conside ando os seguin es aspe os: a impo ância his ó ica,
económica, polí ica e sociocul u al que êm assumido em Po ugal ((o g.), 2006) as
ecen es ans o mações da p o issionalidade (pad ões é icos, au onomia p o issional,
o mação, egulação p o issional, en e ou os) dos médicos e dos en e mei os,
deco en es que do inc emen o cien í ico e académico, que das al e ações
ins i ucionais e adminis a i as so idas pelos hospi ais, que ainda da aplicação des es
no os modos de ges ão o ganizacional (ca ei as, du ação do abalho,
incompa ibilidades p o issionais, con olo do abalho) pau ados po c i é ios, de
na u eza acionalizado a e p odu i is a (Ca apinhei o, 1993); a a i icação dos
p o issionais de saúde no me cado de abalho (médicos pa icula men e), com
implicações nos cus os e nos modos de mobilização pelos emp egado es, e a
necessidade c escen e da sua in e enção p o issional quali icada. Ac esce que es amos
pe an e p o issões ins i ucionalizadas e com o es iden idades sociop o issionais
baseadas no monopólio p o issional e, po isso, com p á icas singula es (co po a i as e
de echamen o social) ace às ans o mações em cu so, o que as elege como obje o de
es udo pe inen e (Duba ; T ipie , 1998; Rod igues, 2012).
Realizámos ambém en e is as explo a ó ias a académicos, di igen es do
Minis é io da Saúde e médicos e en e mei os das duas o ganizações hospi ala es e com
idade en e os 55 e os 65 anos. Colocámos o oco de análise no seu discu so e, po an o,
na subje i idade ine en e às suas p á icas e ep esen ações necessa iamen e indi iduais
mas con ex ualizadas do pon o de is a social e o ganizacional.
A p incipal écnica de ecolha de in o mação elei a oi o inqué i o po
ques ioná io
3
que aplicamos ao uni e so de p o issionais em es udo, de o ma a
ob e mos uma isão gene alizada do seu posicionamen o ace, em conc e o, ao
p olongamen o empo al da ida p o issional e das decisões subjacen es a es e, mas
ambém, de o ma mais la a, a um leque di e si icado de emas elacionados. Re e imo-
nos à sua ca ac e ização sociodemog á ica, aje ó ia p o issional, iden i icação do seu
3
Os inqué i os po ques ioná io aplicados a médicos e en e mei os podem se consul ados,
espe i amen e, nos Anexos 1 e 2.
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
53
ní el de sa is ação no abalho, a o es mo i acionais no exe cício da a i idade
p o issional, posição ace às polí icas ado adas pa a o p olongamen o empo al da
a i idade e exis ência de e en uais si uações de disc iminação com base,
nomeadamen e, na idade.
Não descu ámos, oda ia, a impo ância das dinâmicas e p á icas
o ganizacionais e labo ais sob e as p á icas e ep esen ações sociais dos indi íduos,
endo p esen e que a sua ação indi ídual se inse e num de e minado con ex o social.
Conside ando as quali icações e expe iência dos p o issionais em es udo e o seu
con ex o o ganizacional, impo a a da con a das especi icidades daí deco en es.
Po ém, não oi nosso in ui o p ocede a uma gene alização mas sim a uma
especi icação, possí el po ia do es udo de caso.
1.3.1. ESTUDO DE CASO E TÉCNICAS DE RECOLHA E TRATAMENTO DE
INFORMAÇÃO
Op ámos po uma análise in ensi a, po ia do mé odo de es udo de caso.
Conside ando o seu ca ác e pa icula men e ú il pa a a análise de con ex os especí icos
(Yin, 1994), en endemos que a análise das p á icas e das ep esen ações sociais de dois
g upos p o issionais com ca ac e ís icas especí icas, inse idos em duas o ganizações
hospi ala es conc e as, passa ia p ecisamen e po uma abo dagem in ensi a e de caso. A
opção po es e mé odo possibili ou uma análise ap o undada do obje o empí ico de
es udo, cap ando as suas singula idades e pe mi indo a compa abilidade en e os dois
g upos e os p óp ios hospi ais, de modo, em pa icula , a es abelece as elações en e os
posicionamen os dos p o issionais e dos con ex os o ganizacionais dos hospi ais.
Man i emo-nos, con udo, a en os às limi ações des a es a égia, nomeadamen e
ao ní el da impossibilidade da gene alização dos esul ados empí icos alcançados.
Conseguimos, oda ia, uma análise de alhada do nosso obje o de es udo e, em
consequência, um conhecimen o mais p o undo e consolidado ace ca do mesmo.
Pa a ecolhe mos a in o mação necessá ia à p ossecução dos obje i os e
hipó eses des a in es igação eco emos à pesquisa bibliog á ica, sob e udo numa ase
inicial, ealizámos en e is as explo a ó ias de na u eza semidi e i a e aplicámos um
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
54
inqué i o po ques ioná io ao uni e so dos p o issionais em es udo, o qual cons i uiu o
p incipal ins umen o de ecolha de in o mação. Os ins umen os mobilizados pa a a
ecolha de in o mação o am selecionados a endendo aos obje i os e hipó eses da
in es igação, bem como às ca ac e ís icas do obje o eó ico e empí ico de es udo.
Tendo p esen e que “as ases e ope ações [do] p ocesso [cien í ico] se
e e enciam necessa iamen e a con eúdos eó icos que lhes con e em sen ido, se
a iculam e lhes delimi am as po encialidades explica i as” (Almeida; Pin o, 1975),
assumimos a unção de comando da eo ia como axial ao longo des a in es igação.
P ocedemos en ão a um in enso abalho de pesquisa bibliog á ica, especialmen e numa
ase inicial pa a um melho conhecimen o das on es de in o mação disponí eis e dos
con ibu os eó icos exis en es. Assumimos, des e modo, uma pos u a de in ensi icação
e a iculação das lei u as e dos dados ecolhidos de o ma a ob e mos uma g elha de
lei u a do enómeno em es udo mais comple a e ab angen e.
Pa a uma p imei a ap oximação ao obje o eó ico conside ámos e analisámos as
seguin es on es: li os, a igos, si es da in e ne , p oje os, ela ó ios do INE, OCDE,
MS, OMS, eses, e is as sob e os concei os de en elhecimen o, e de en elhecimen o
a i o em pa icula , aposen ação, ep esen ações sociais e p o issão; legislação sob e as
condições legais p e is as pa a o exe cício da a i idade p o issional dos médicos e dos
en e mei os em con ex o hospi ala , endo em con a es es es a em inse idos em hospi ais
uni e si á ios onde podem acumula mais do que uma unção, is o é, a medicina ou a
en e magem, a docência e a in es igação e legislação sob e o enquad amen o ju ídico
das o ganizações hospi ala es em es udo.
Pa a um enquad amen o legal e o ganizacional do obje o empí ico de es udo
p ocedemos a uma ecolha de documen ação sob e no ma i os ju ídicos, dos sec o es
p i ados e públicos da economia, du ação dos ciclos de ida p o issional, elações
cole i as de abalho e con a o de abalho e modos de ges ão dos ecu sos humanos na
Adminis ação Pública, pa icula men e no sec o hospi ala público. Po sua ez, o
enquad amen o polí ico baseou-se na análise de documen os da UE-27 e do Es ado
po uguês sob e o p olongamen o empo al da ida p o issional. Recolhemos e
analisámos os dados do Inqué i o ao Emp ego, Quad os de Pessoal, Adminis ação
Pública sob e a população emp egada, a endendo pa icula men e ao g upo e á io dos 55
e mais anos. Igualmen e o am ecolhidos dados sob e a idade de passagem pa a a
aposen ação. Pa a a ecolha de dados eu opeus p ocedemos a uma ação do mesmo ipo
com base nos dados es a ís icos p oduzidos pelo Eu os a e Eu o ound. Es as a e as
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
55
o am enquad adas po uma e lexão c í ica das on es documen ais com uma especial
a enção pa a as noções u ilizadas – o caso dos abalhado es mais elhos ou mesmo a
noção de en elhecimen o a i o – e pa a os p ocessos de ecolha de in o mação usados.
As lei u as iniciais ealizadas o am undamen ais pa a o desenho inicial do
inqué i o po ques ioná io que aplicámos. Após euni mos e analisa mos o conjun o de
documen os an e io men e e e idos e com ele ância pa a o nosso abalho, passámos
pa a a sis ema ização da in o mação a é en ão ecolhida. Es e abalho pe mi iu-nos
cla i ica as g elhas de lei u a do enómeno em es udo e de ini os p ocedimen os
me odológicos a ado a pa a o desen ol imen o da in es igação, nomeadamen e na
ecolha de in o mação no e eno.
Numa ase pos e io à pesquisa bibliog á ica, op ámos po uma abo dagem de
ca iz mais quali a i o po ia da ealização de en e is as explo a ó ias a elemen os
ep esen a i os do nosso obje o empí ico de es udo. En e is ámos académicos
especialis as nas emá icas da saúde e do me cado de abalho, sendo um de es uman igo
di igen e do Minis é io da Saúde, dois quad os supe io es dos dois hospi ais, no e
médicos e se e en e mei os, com idades comp eendidas en e os 55 e os 65 anos, e
especialis as que no en elhecimen o que no me cado de abalho
4
. Es as en e is as
isa am uma ap oximação inicial ao obje o empí ico de es udo em e mos do
p olongamen o da ida a i a dos g upos p o issionais
5
.
Em e mos me odológicos impo a e e i que as en e is as explo a ó ias êm
aízes no pa adigma quali a i o. São amplamen e conside adas num momen o inicial de
qualque in es igação cien í ica pelo seu po encial de ap oximação ao obje o de es udo
(Flick, 2004; Why e, 1984). A nossa opção e e subjacen e uma melho cla i icação da
nossa p oblemá ica, o ala gamen o dos conhecimen os adqui idos sob e os emas em
análise, a explo ação de pis as de in es igação susci adas pela eo ia e a e lexão e
e i icação das nossas lei u as. Elegemos em conc e o guiões de en e is a
semies u u ados (Flick, 2004), adequados ao leque de ques ões necessa iamen e mais
es i as que colocamos aos en e is ados. Com a opção po es e ipo de guiões
p e endemos alcança uma maio ocalização e di e i idade pa a o alcance da
in o mação p e endida. As ques ões elabo adas i e am, en ão, uma dupla exigência
que, de es o, é ca ac e ís ica das en e is as a especialis as: a sua especi icidade, de
4
Os guiões de en e is a u ilizados são ap esen ados em anexo: a médicos e en e mei o no Anexo 3, a
esponsá eis de ecu sos humanos das duas o ganizações hospia al es no Anexo 4 e aos académicos no
Anexo 5.
5
A análise ho izon al às en e is as ealizadas aos médicos e en e mei os é ap esen ada no Anexo 6.
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
62
pode ia mo i a uma eação de ensi a do p óp io sis ema, ou seja, an o dos
p o issionais como das o ganizações em si. Es a é, de es o, uma consequência comum
em in es igações em con ex os o ganizacionais que se pode cons i ui , de ac o, como
ac o de u u a ou uído, sob e udo quando es as não co espondem, no imedia o, a uma
mais- alia pa a as ins i uições ou g upos em es udo (Wol ci . po Flick, 2004).
Ao longo do nosso es udo sen imos algumas di iculdades sob e udo a dois
ní eis: o ganizacional e indi idual. Es as o am ul apassadas, ou pelo menos mi igadas,
po ia do es abelecimen o de uma elação de anspa ência e cla eza quan o ao âmbi o
e obje i os des a in es igação. Es o çamo-nos po c ia e o alece uma elação de
con iança p opiciado a de um e e i o en ol imen o das pa es e a enuado a das
disc epâncias de in e esses e pe spe i as das pa es en ol idas. Ap esen ámos, po an o,
um dossiê comple o ace ca do nosso es udo, nomeadamen e ao ní el dos seus obje i os
e me odologia, aos o ganismos compe en es de cada o ganização hospi ala , endo a
conc e ização do mesmo sido ap o ada pelas espe i as Comissões de É ica.
No caso pa icula dos pa icipan es no es udo, oi ulc al a ga an ia do
anonima o e da con idencialidade das in o mações ecolhidas a a és do inqué i o po
ques ioná io mas, ambém, de ou os con a os ealizados po nós. Foi, ainda, nossa
p eocupação espei a e cump i as no mas e p ocedimen os das duas o ganizações, de
o ma a mi iga os possí eis impac os da mesma no no mal uncionamen o das
o ganizações e no abalho dos seus p o issionais.
Os p o issionais não esconde am a su p esa, o econhecimen o, mas ambém
algum descon o o ace ao con on o com o ema de aposen ação que, conside ando a
sua idade, lhes é ão p óximo e sensí el. Es e en ol e uma e lexão mui o ponde ada
sob e a decisão a oma , a qual in luencia necessa iamen e a qualidade dos seus
p oje os de ida, com as suas expec a i as acumuladas ao longo das suas aje ó ias de
ida pessoal e p o issional. Além disso, os p o issionais conside a am o inqué i o
ex enso, ac o que pa a nós inha cons i uído um g ande desa io aquando da sua
elabo ação. T a ando-se de um es udo ino ado oi di ícil seleciona e con e a nossa
cu iosidade sob e os múl iplos aspe os a ques iona ace à posição des es p o issionais
sob e o ema em análise; na sua g ande maio ia, ambos os g upos e idencia am
esis ência ao p eenchimen o do inqué i o pela indisponibilidade das suas o inas e pelo
p óp io ema. Uns, po que ainda não inham pensado no assun o ou não que iam ainda
pensá-lo, numa a i ude, pe cecionada po nós, de uga adiada; ou os, po que se
encon a am zangados com a pe manen e incons ância legisla i a i ida nos úl imos

CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
63
anos e ou os, ainda, po medo em mani es a a sua opinião pelo supos o isco de se em
iden i icados pela o ganização hospi ala a a és dos dados sociodemog á icos
solici ados e pela ca ego ia p o issional.
Alguns pa icipan es no es udo e ela am es e eceio, pois acei a am o inqué i o
pa a conhece em o que pe gun á amos em conc e o mas pos e io men e, no momen o
da ecolha de ol iam-no em b anco. Es e eceio oi ambém e idenciado po alguns
di e o es de se iço dos hospiais quando solici ámos a sua colabo ação na dis ibuição
dos inqué i os aos colegas que se encon a am no escalão e á io po nós elei o. Es es
emiam que a execução da es a égia não osse en endida po alguns colegas num
con ex o de in es igação, mas cons i uísse uma ou a es a égia que passa a pelo
exe cício de p essão pa a eles oma em a inicia i a de se aposen a em po que já não
es a am a se desejados no se iço e e am disc iminados. Nes as si uações, o con ac o
oi es abelecido po nós a a és de uma eunião o a indi idual o a em g upo ma cada
com os p o issionais, onde se iden i ica a, documen ando-se, inclusi amen e com a
au o ização da Comissão de É ica dos hospi ais. Nes e momen o, explici amos odos os
de alhes associados ao p ocesso de in es igação, espondendo a odas as ques ões que
lhe o am colocadas. Es as passa am pelo anonima o, pela di ulgação dos dados, pela
ga an ia de que se ia a in es igado a a ealiza a ecolha do inqué i o em en elope
echado, onde e i ica am que só exis ia a iden i icação da o ganização hospi ala .
Pensa ace ca da disponibilidade e da acei ação dos p o issionais de es udo que
inqui imos implica necessa iamen e conside a o concei o de e lexi idade
(BeckGiddens; Lash, 2000), ou seja, pe cebe como é que esses p o issionais e le em
ace ca do ambien e que os odeia, do seu luga no mundo social e como agem em
unção de delibe ações e lexi as nos seus con ex os de pe ença. Impo a en ão pensa
os p oje os e as es a égias delineadas pelos médicos e en e mei os al o de es udo,
conside ando as ci cuns âncias sociais, labo ais e polí icas em que inse em, além dos
ecu sos que êm disponí eis, os quais podem unciona como cons angimen o ou
como capaci ação à conc e ização desses mesmos p oje os e es a égias.
No caso das esis ências sen idas à espos a ao inqué i o, nomeadamen e po
eceio dos p o issionais que os dados ob idos ossem u ilizados pa a seu p ejuízo pela
adminis ação das o ganizações hospi ala es, impo a conside a a in luência da
es u u a sob e os indi íduos pa a que Beck, Giddens e Lash (2000) chamam a a enção.
Es a in luência pode in e io iza -se nas consciências indi iduais, condicionando, ou não,
as ações dos indi íduos. A in e io ização das es u u as sociais desen ol e nos sujei os
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
64
um conhecimen o p á ico do eal que lhes pe mi e delinea ações adequadas às suas
p obabilidades obje i as.
A a ual e a de globalização aca e a um conjun o di e si icado e amplo de
consequências aos mais a iados ní eis. A dimensão con adi ó ia des e p ocesso o na
di ícil a p e isão das suas implicações. Mais complexa se o na es a si uação quando as
consequências e e idas adicam em no as o mas de isco, bas an e dis in as das
obse adas no passado, as quais inham e ei os conhecidos e causas
de e minadas(Giddens, 1995). Es es iscos ocam á ias es e as da ida do indi íduo,
nomeadamen e ao ní el do emp ego ou da sua cons ução iden i á ia. Deco e daqui o
concei o de sociedade de isco, inicialmen e ap esen ado po Beck, a qual é ma cada
pela “possibilidade de uma (au o) des uição c ia i a pa a oda uma e a: a da
sociedade indus ial”. Ressal a-se que “o sujei o dessa des uição não é a e olução,
não é a c ise, mas a i ó ia da mode nização ociden al” (Beck e al., 2000).
Consequência do con ínuo dinamismo da sociedade de isco é a au odes uição
dos seus mecanismos e o ganizações os quais dão luga a ou os, cons i uindo-se, assim,
as designadas e apas da mode nidade e lexi a. Tal acon ece na es e a do abalho,
nomeadamen e, ma cado po uma maio lexibilização e insegu ança, po no as o mas
de o ganização emp esa ial e do p óp io abalho, bem como po ní eis mais ele ados
de desemp ego (Beck, 1999). No en an o, Beck a i ma que o abalho man ém o seu
ca ác e de p incipal elemen o de e e ência iden i á ia pa a os indi íduos, uncionando
como um a o da sua inclusão social. Não deixam, po an o, de se ca ica as as a uais
di iculdades de acesso e manu enção do emp ego quando es e é cen al pa a os
indi íduos. As aje ó ias p o issionais do passado, ma cadas pela segu ança e
p og essão no emp ego de am luga a no as o mas de o ganização do abalho
ma cadas pela ince eza ace ao u u o p o issional.
Os iscos do en elhecimen o demog á ico, nomeadamen e ao ní el do me cado
de abalho pela maio insegu ança sen ida e pelo c escen e adia do é mino da
a i idade p o issional dos indi íduos, enquad am-se p ecisamen e no conjun o de
al e ações que Beck (1999) e e e. Os eceios dos inqui idos em pa icipa em nes a
in es igação, po ia da espos a ao inqué i o po ques ioná io e le em p ecisamen e a
sua consciência ace aos iscos deco en es das p o undas mu ações e i icadas ao ní el
do abalho e do emp ego.. No seu caso em conc e o, e e imo-nos às al e ações no
acesso à aposen ação, po ia do p olongamen o da a i idade p o issional e da al e ação
das condições do mesmo, bem como das al e ações nas ca ei as médicas e de
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
65
en e magem, as quais ie am impac a di e amen e na p á ica quo idiana e nas
expe a i as des es p o issionais de saúde. Os eceios demons ados são, de ou a o ma,
e lexo dos maio es iscos a que es ão sujei os.
1.3.3. UNIVERSO E AMOSTRA
Nes e pon o a emos a ca ac e ização do uni e so e da amos a de médicos e
en e mei os do nosso es udo. Pa a o p imei o indica emos o seu olume global e a
dis ibuição po sexo. Já pa a a ca ac e ização dos pa icipan es no es udo u iliza emos
os esul ados ecolhidos a a és dos inqué i os po ques ioná io e que se e e em à sua
ca ac e ização sociodemog á ica.
1.3.3.1. DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO DE REFERÊNCIA
A in o mação ela i a ao uni e so de médicos e en e mei os com idade en e os
55 e os 65 anos em exe cício de unções no HSA e no HSJ oi ob ida jun o dos
espe i os Se iços de Ges ão de Recu sos Humanos dos dois hospi ais.
Rela i amen e aos p o issionais do HSA obse ámos que no inal de 2011
exis iam 159 médicos e 85 en e mei os po encialmen e pa icipan es no nosso es udo.
Salien ámos, ambém, um aumen o exp essi o de mulhe es en e o g upo p o issional
médico ao longo do pe íodo a que se e e em os dados o necidos, p ocesso es e de
eminização ca ac e ís ica do g upo de en e magem a endendo ao maio e exp essi o
núme o de mulhe es des e g upo em exe cício de unções no HSA. A dis ibuição po
g upo p o issional e sexo do HSA é ap esen ada no quad o seguin e.
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
66
Quad o 1. Médicos e en e mei os en e os 55 e os 65 anos do HSA, po sexo
Ano
Médicos
En e mei os
Masculino
Feminino
Masculino
Feminino
2001
22
14
0
36
2002
72
35
14
148
2003
56
38
17
168
2004
60
29
11
148
2005
65
30
8
137
2006
57
35
4
104
2007
64
40
3
102
2008
78
37
4
100
2009
90
45
7
84
2010
86
51
9
75
2011
87
52
10
75
2012 (1º imes e)
84
53
9
80
Fon e: Se iço de Ges ão de Recu sos Humanos do HSA, 2012.
No caso do HSJ, no inal de 2011 exe ciam unções nes e hospi al 207 médicos e
123 en e emei os com idade en e os 55 e os 65 anos. Também nes e hospi al se
obse ou um aumen o conside á el do núme o de mulhe es no g upo p o issional dos
médicos, pelo que naquele ano ce ca de dois e ços dos médicos des e hospi al com
idade no pe íodo conside ado e am mulhe es. Rela i amen e ao g upo p o issional dos
en e mei os o peso do sexo eminino oi semp e cla amen e supe io ao de homens, não
se obse ando a iações signi ica i as ao longo do pe íodo conside ado.
Quad o 2. Médicos e en e mei os en e os 55 e os 65 anos do HSJ, po sexo
Ano
Médicos
En e mei os
Masculino
Feminino
Masculino
Feminino
2001
116
43
11
93
2002
119
52
14
113
2003
113
57
10
116
2004
90
52
10
95
2005
91
57
9
109
2006
100
59
14
111
2007
104
63
12
71
2008
103
66
10
68
2009
108
75
13
82
2010
118
79
19
100
2011
123
84
16
107
2012 (1º imes e)
118
86
15
97
Fon e: Se iço de Ges ão de Recu sos Humanos do HSJ, 2012.
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
67
Após ob e mos a ap o ação das Comissões de É ica dos dois hospi ais e de
iden i ica mos os p o issionais que euniam condições pa a pa icipa em na nossa
in es igação, passámos à ase de aplicação dos inqué i os. Po uma ques ão de igo
p ocessual p ocu amos aplica o ins umen o de ecolha de dados em simul âneo nas
duas o ganizações. No HSJ iniciámos a aplicação em início de no emb o de 2011 e no
HSA no p incípio de dezemb o. Concluímos a aplicação nos dois hospi ais no inal de
janei o de 2012. Conside ando a ampli ude do pe íodo de aplicação dos inqué i os nas
duas o ganizações, o uni e so de p o issionais conside ado a iou ao longo do pe íodo
de aplicação dos inqué i os em unção, nomeadamen e, das saídas po aposen ação.
Todos os inqué i os o am aplicados unicamen e po nós. A abo dagem inicial
de aplicação dos inqué i os oi aco dada com ambas as Comissões de É ica.
Con ac ámos os médicos e en e mei os di e o es de se iço que, po sua ez, delega am
a esponsabilidade em ou os p o issionais esponsá eis pelos espe i os se iços.
Conside ando as di e en es con igu ações dos di e sos se iços dos dois
hospi ais a aplicação dos inqué i os acabou po a ia en e hospi ais e se iços de
o ma a que a aplicação causasse o meno incómodo pa a os p o issionais e pa a a
o ganização dos se iços
8
. A odos os p o issionais oi ansmi ida in o mação sob e o
p opósi o da nossa in es igação.
Ve i icámos que o núme o de médicos e en e mei os com idade en e os 55 e os
65 anos que, no momen o da aplicação dos inqué i os, encon ámos a exe ce unções
nas duas o ganizações hospi ala es di e ia ligei amen e dos dados que nos inham sido
acul ados pelos espe i os Se iços de Recu sos Humanos. Pe cebemos que es a
di e gência deco ia do ac o dessas lis agens incluí em p o issionais (em núme o
esidual) que, no momen o, não se encon a am ao se iço, nomeadamen e po baixa
médica p olongada ou po alocação empo á ia nou a o ganização. Incluídos es es
8
O p ocedimen o mais comum passou po en ega os inqué i os ao esponsá el pelo se iço que se
esponsabilizou pela dis ibuição. Ficou es abelecido que a iamos a ecolha oi o dias depois jun o des e.
Não obs an e, o p ocedimen o oi di e en e nos dois hospi ais sendo condicionado pela me odologia
suge ida. No HSJ oi a en e mei a di e o a a dis ibui os inqué i os po cada en e mei o supe iso que
po sua ez en egou aos en e mei os a inqui i . No HSA oi-nos ecomendado que con a ássemos os
en e mei os supe iso es pa a que dis ibuíssem os inqué i os a en e mei os com u nos. A es an e
dis ibuição oi ei a po nós. Com os médicos hou e necessidade de uma segunda ase de aplicação nos
dois hospi ais pa a epescagem dos inqué i os não espondidos. Pa a o e ei o, oi solici ada a au o ização
ao di e o de se iço pa a ala mos di e amen e com os p o issionais.

CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
68
casos, concluímos e um uni e so de 367 p o issionais de saúde que euniam condições
de pa icipação no es udo , e o çamos ainda a ideia, que nem odos es i essem
disponí eis pa a esponde ao mesmo, pelos mo i os sup aci ados.
Ob i emos a pa icipação e e i a de 231 p o issionais. Des es 78 exe ciam
unções no HSA e 153 no HSJ, 160 e am médicos e 71 e am en e mei os. A axa de
espos a oi de 62,9%.
Quad o 3. Uni e so de e e ência e inqué i os ecolhidos
Uni e so de e e ência
Inqué i os ecolhidos
HSA
122
78
Médicos
84
51
En e mei os
38
27
HSJ
245
153
Médicos
167
109
En e mei os
78
44
To al
367
231
Após e mos delimi ado o uni e so que se iu de e e ência à cons i uição das
nossas amos as de médicos e en e mei os i emos, no pon o seguin e, ap esen a as
ca ac e ís icas dos pa icipan es na nossa in es igação.
1.3.3.2. CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS DOS INQUIRIDOS
Na de inição do pe il sociodemog á ico dos pa icipan es conside ámos dois
indicado es disc imina ó ios: o g upo p o issional e a o ganização hospi ala .
Inicia emos a análise conside ando o g upo p o issional. Do conjun o dos 231
p o issionais que esponde am ao inqué i o a maio ia e am médicos (69,3%). Os dois
g upos p o issionais (en e mei os e sus médicos) ap esen a am di e enças
es a is icamen e signi ica i as em e mos de sexo, p edominando o eminino (76,1%
e sus 35,7%), conclusão de dou o amen o (0% e sus 22,9%) e das habili ações
li e á ias dos pais. Não se obse a am di e enças ela i amen e ao hospi al de exe cício
de unções (62% e sus 68,1% do HSJ) e p edomina am os pa icipan es com idade
en e os 55 e os 60 anos (92,6% e sus 86,6%).
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
69
Quad o 4. Ca ac e ís icas sociodemog á icas dos pa icipan es po g upo p o issional
En e mei os
Médicos
N
%
N
%
Hospi al
HSJ
44
62,0
109
68,1
HSA
27
38,0
51
31,9
Sexo
Masculino
17
23,9
103
64,4
Feminino
54
76,1
57
35,7
Idade (anos)
55 aos 60
63
92,6
123
86,6
61 aos 65
5
7,4
19
13,4
Habili ações li e á ias do p óp io
Bacha ela o/ Licencia u a/ Mes ado
63
100
123
77,4
Dou o amen o
0
0,0
36
22,9
Habili ações li e á ias do pai
Ensino básico
46
78,0
59
39,9
Ensino secundá io
7
11,9
27
18,2
Ensino supe io
6
10,2
62
41,9
Habili ações li e á ias da mãe
Ensino básico
49
84,5
83
56,5
Ensino secundá io
8
13,8
38
25,9
Ensino supe io
1
1,7
26
17,7
Na in o mação do quad o an e io impo a ac escen a o peso dos en e mei os e
médicos casados ou em união de ac o (67,5% e sus 75,5%), com nacionalidade
po uguesa (100% e sus 97,2%) e esidência na Á ea Me opoli ana do Po o (98,5%
e sus 97,3%), sob e udo no Po o onde se localizam os dois hospi ais conside ados.
Rela i amen e à amília de o igem – os pais, ou de pe ença – com o cônjuge,
impo a a ende em algumas semelhanças e di e enças en e g upos p o issionais.
En e mei os e médicos pa ilham a ele ada pe cen agem de cônjuges na condição de
emp egados(as) (73,9% e sus 81%) e na si uação de abalho po con a de ou em
(78% e sus 74,4%). Di e em, con udo, na condição de domés ico(a) (19,6% e sus
3,2%) e de aposen ado(a) (4,3% e sus 15,1%). Na u almen e, a condição pe an e o
abalho dominan e en e os pais dos inqui idos dos dois g upos p o issionais é a de
aposen ado(a) a qual, no caso das mães, conco e com a de domés ica. Quan o à sua
si uação labo al, p edomina a de abalhado po con a de ou em, especialmen e en e
os pais, sendo uma pa cela signi ica i a das mães abalhado as amilia es não-
emune adas (o que se coaduna com a condição de domés icas).
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
70
Impo a ainda e e i que da análise das p o issões exe cidas pelos cônjuges e
p ogeni o es apu ámos que 89,5% dos p imei os e 31,3% dos pais (homens) dos
médicos exe cem uma p o issão do g upo dos Especialis as das P o issões In elec uais e
Cien í icas. En e os en e mei os apenas 42,1% dos cônjuges exe cem uma p o issão do
g upo an e io . Já en e os p ogeni o es há uma g ande dis ibuição pelos á ios g upos
de p o issões, não obs an e a ele ância do g upo dos T abalhado es Não Quali icados
en e os pais (15,5%) (sendo 82,5% das mães domés icas).
A maio ia dos médicos e en e mei os são o iundos da classe dos Emp esá ios,
Di igen es e P o issionais Libe ais (EDL) (47,9% e sus 41,9%).
9
A análise das
es an es si uações e ela impo an es di e enças en e g upos p o issionais. No caso dos
médicos, a soma daqueles cuja classe de o igem é de P o issionais Técnicos e de
Enquad amen o (PTE) com EDL o aliza 82,4%. En e os en e mei os, a classe de PTE
em uma impo ância esidual, sendo os Ag icul o es Independen es e Ope á ios
Indus iais aqueles que assumem maio ele ância (18,6% em ambos os casos).
No que diz espei o à classe social de pe ença dos médicos e en e mei os
inqui idos, a dos P o issionais Técnicos e de Enquad amen o é aquela que maio
exp essão assume (84,8% e sus 83,7%).
Quad o 5. Indicado es amilia es de classe de o igem e de pe ença dos pa icipan es
10
En e mei os
Médicos
N
%
N
%
Luga de classe de o igem
Assala iados Ag ícolas
3
7,0
0
0,0
Ag icul o es Independen es
8
18,6
4
3,4
Emp esá ios, Di igen es e P o issionais Libe ais
18
41,9
57
47,9
Emp egados execu an es
3
7,0
9
7,6
Ope á ios indus iais
8
18,6
4
3,4
P o issionais Técnicos e de Enquad amen o
2
4,7
41
34,5
T abalhado es Independen es
1
2,3
4
3,4
To al
43
100,0
119
100,0
Luga de classe de pe ença
Emp esá ios, Di igen es e P o issionais Libe ais
7
16,3
21
15,2
P o issionais Técnicos e de Enquad amen o
36
83,7
117
84,8
To al
43
100,0
138
100,0
9
No caso da mãe se domés ica, apu ámos o luga de classe da amília de o igem com base na p o issão e
si uação nes a do pai.
10
Na cons ução do luga de classe oi u ilizada a ipologia de Machado e al (2003).
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
71
A p opósi o da o igem social dos médicos, Nuno San os Jo ge de ende que o
“ ec u amen o social des a classe p o issional é bas an e mais ele ado e homogéneo do
que em ou as á eas do sabe , o que é, em pa e, uma consequência da excelência
escola es a o emen e associada à «excelência social»” (2000, p. 6). Inqué i os
ealizados po ins i uições de ensino supe io po uguesas, nomeadamen e os
desen ol idos pelo Obse a ó io dos No os Alunos da Uni e sidade No a de Lisboa e
p omo ido pelo CEOS – In es igações Sociológicas, da Uni e sidade No a de Lisboa,
bem como pelo Obse a ó io do Emp ego da Uni e sidade do Po o, con i mam as
ele adas o igens sociais dos alunos de medicina – uma pa e mui o signi ica i a des es
descende de quad os supe io es, pe encem a ag egados amilia es com ele ados
capi ais económico e escola . Daqui se conclui exis i uma lógica de ep odução do
capi al escola , social e económico da amília de o igem dos médicos em Po ugal,
ca ac e ís icas es as o alecidas po ia da união com indi íduos ambém de ele ados
capi ais. É, ainda, de sublinha que es a lógica se em e i icado ao longo de á ios
anos, man endo-se a ualmen e al como e elam os dados des e es udo.
A en ando no segundo indicado disc imina ó io, a o ganização hospi ala de
exe cício de unções (HSJ e sus HSA), não se encon a am di e enças signi ica i as
en e os pa icipan es em elação aos indicado es conside ados no quad o an e io , com
exceção da conclusão do dou o amen o (21,9% e sus 5,4%). Impo a con udo e e i
que no HSJ apenas os médicos concluí am es e g au académico.
A maio pe cen agem de p o issionais do HSJ que indicou e concluído um
dou o amen o pode á es a elacionada com a associação en e as o ganizações
hospi ala es em es udo e as duas escolas de medicina da cidade do Po o e, em
consequência, das múl iplas unções exe cidas pelos p o issionais inqui idos. O HSJ e o
HSA são dois hospi ais uni e si á ios associados à FMUP e ao ICBAS, espe i amen e.
Assim, á ios p o issionais des as ins i uições di idem-se en e a p á ica clínica, a
docência e a in es igação. Pa a es es, a conclusão de um dou o amen o e es e-se de
g ande impo ância po se cons i ui como uma impo an e e apa, ou mesmo como
esul ado, das unções de in es igado , bem como se assume de g ande impo ância pa a
a a i idade de docen e. A a es a es a ideia es á o ac o de, quando ques ionados ace ca
das azões ine en es à conclusão de um dou o amen o, a gene alidade dos médicos que
concluiu es e g au de ensino indicou p ecisamen e o in e esse na p ossecução e
desen ol imen o da ca ei a docen e na á ea da medicina no ensino supe io (24
espos as em 35 casos de dou o amen o).
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
78
população, em a i idades de ele ada di e enciação e no apoio e a iculação com as
es an es ins i uições de saúde [e p i ilegiando e alo izando] o ensino p é e pós-
g aduado e incen i a a in es igação com o obje i o de con ibui pa a o
desen ol imen o da ciência e ecnologia da saúde” (Cen o Hospi ala do Po o, 2012).
Na missão do Cen o es á pa en e a sua elação e, po associação, do HSA com ou as
o ganizações de saúde – cen os hospi ala es, unidades locais de saúde e hospi ais,
a a és de a i idades de pa ce ia e coope ação.
1.4.2. HOSPITAL DE SÃO JOÃO, EPE
A c iação e desen ol imen o do HSJ es á in imamen e elacionada com a
his ó ia do ensino médico na cidade do Po o. Impo a eco da que no início do século
XX exis ia na cidade a Escola Médico-Ci ú gica do Po o com ins alações no HSA e em
edi ício con íguo. Apesa da impo ância des a escola pa a o ensino médico-ci ú gico da
cidade e do país e am no ó ias as di iculdades ao desen ol imen o de um ensino de
qualidade em consequência da al a de ins alações adequadas pa a o e ei o. Como
espos a a es a necessidade, o P esiden e do Conselho de Minis os, An ónio de Oli ei a
Salaza , comunicou ao país em 1933 a cons ução de dois hospi ais uni e si á ios em
Lisboa e no Po o, anexos às espe i as aculdades de medicina (Minis é io das Ob as
Públicas e Comunicações, 1933). E a in ui o do Es ado que os dois hospi ais es i essem
o ien ados simul aneamen e pa a o ensino e in es igação e pa a a assis ência hospi ala .
Em 1955 o DR 40/303, de 3 de se emb o, de iniu que o já edi icado Hospi al
Escola do Po o passa ia a designa -se como HSJ ganhando, assim, “o nome do San o
pa ono da O dem Sobe ana e Mili a Hospi alá ia de São João de Je usalém, de
Rodes e de Mal a, undada no século XI, na Te a San a” (Gomes, 200947).
O diploma o gânico do HSJ oi publicado em 1958. Tinha exp esso os p incípios
de coope ação e complemen a idade com o HSA além da ob iga o iedade de ga an ia de
condições adequadas de ensino à FMUP. De inia ainda a au onomia écnica e
adminis a i a do hospi al e as egalias concedidas aos demais es abelecimen os o iciais
de assis ência hospi ala . O adminis ado esponsá el espondia di e amen e ao
Minis o do In e io e a di eção écnica icou a ca go do di e o de se iços clínicos,

CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
79
auxiliado po di e o es e che es de se iço. O e e ido DR indica a ambém que o HSJ
se ia cons i uído po se iços adminis a i os, clínicos, a macêu icos e de en e magem,
de endo assegu a “a assis ência a doen es an o em casos de u gência como em egime
de in e na o, de consul a ex e na e de a amen o no domicílio” (Gomes, 2009, p. 48).A
inaugu ação o icial des e hospi al oco eu a 24 de junho de 1959
14
.
Em 1968 oi publicada a Lei da O ganização Hospi ala (Minis é io da Saúde e
da Assis ência, 1968a) e o Regulamen o Ge al dos Hospi ais (Minis é io da Saúde e da
Assis ência, 1968b) segundo os quais passa iam a se designados po “escola es” os
hospi ais que possibili assem às aculdades o desen ol imen o de a i idades de ensino e
in es igação, não obs an e o econhecimen o das limi ações que podem ad i das
a i idades de assis ência hospi ala e saúde pública ambém exe cidas po es as
ins i uições. A legislação e a, oda ia, con usa no que espei a aos ó gãos de go e no
dos hospi ais e às suas compe ências, bem como ao ipo de elacionamen o com as
aculdades. Em consequência, os hospi ais escola es passa am a exe ce as suas
a i idades de ensino/in es igação e assis ência sem a de ida cla i icação de como es as
duas e en es se de e iam o ganiza e a icula e, ainda, de como se p ocessa ia a
o ganização com os dois o ganismos de u ela: o Minis é io da Educação e o Minis é io
da Saúde (Gomes, 200979).
A sob elo ação p o ocada pela abe u a do se iço de u gência do hospi al e a
massi icação do ensino uni e si á io du an e a década de 1970, e idencia am as
limi ações ísicas das ins alações do HSJ e da FMUP. Apesa disso á ios no os
se iços o am abe os nos anos que se segui am acompanhados, em alguns casos, pela
cons ução de no os es u u as
15
.
14
Os seus se iços es a am o ganizados em unidades clínicas cons i uídas po uma en e ma ia de oi o
camas, duas de seis e ou as duas de ês camas, além de um qua o com uma única cama, com uma
capacidade o al pa a in e e se e doen es. Es as unidades possuíam ainda uma sala de a amen o, uma
sala de abalho, uma copa, uma sala de es a / e ei ó io, um gabine e médico, um pequeno labo a ó io e
se iços de higiene. Compo a am, igualmen e, labo a ó ios de análises de salas de Raio X e salas pa a
consul as ex e nas de Medicina, Ci u gia e especialidades médicas. O hospi al inha ambém dezoi o salas
de ope ações, qua o das quais pe mi iam a obse ação a pa i de um anda supe io pa a e ei os de
ensino.
15
Em 1970 oi c iado o Hospi al de Dia de Psiquia ia ocacionado pa a a p e enção e a amen o do
doen e men al sem necessidade do seu in e namen o. No inal de 1971, o Conselho de Adminis ação do
hospi al es abeleceu como p io idade a abe u a dos Se iços de In e namen o em Psiquia ia – que só
i ia a acon ece em 1978, de Ci u gia Vascula , das secções de Ne ologia, De ma ologia Clínica e de
P ema u os (Pedia ia) e da Unidade Co oná ia, ei indicando-se, da mesma o ma, a cons ução de
ins alações adequadas pa a o uncionamen o dos se iços de T auma ologia, de O opedia e de consul as
ex e nas. Mui os des es obje i os p io i á ios o am apenas conc e izadas após o 25 de Ab il de 1974.
Exceção ei a ao se iço de T auma ologia, inaugu ado em 1973, como consequência da decomposição
do se iço de O o auma ologia. Os se iços de O opedia e de T auma ologia passa am, en ão, a
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
80
A no a adminis ação do hospi al oi esponsá el pela c iação, em 2002, de
no as Unidades de Cuidados In ensi os (In eciologia e Neu oci u gia) e de Cuidados
In e médios (nos depa amen o de Ci u gia e Medicina e nos se iços de Ca diologia).
Foi esponsá el, ainda, pela abe u a das Unidades de Aciden es Vascula es Ce eb ais e
de Doen e Neu o pénicos. Em 2003, en ou em uncionamen o o Hospi al de Dia não
Oncológico e a Unidade de Queimados
Em 2005 o Conselho de Minis os ap o ou o DR 233/2005, de 29 de dezemb o,
que al e ou o es a u o ju ídico do HSJ pa a en idade pública emp esa ial (Minis é io da
Saúde, 2005). Es a medida e e como obje i o subme e algumas “unidades do Se iço
Nacional de Saúde a um egime ju ídico que, a endendo ao se iço público po elas
p es ado, pe mi isse uma maio in e enção ao ní el das o ien ações es a égicas de
u ela e supe in endência, a exe ce pelos Minis os das Finanças e da Saúde” (Gomes,
2009129) c iando-se, en ão, condições pa a uma ges ão au ónoma des as ins i uições
hospi ala es.
A ans o mação em en idade pública emp esa ial cons i uiu um ma co no
p ocesso de eo ganização in e na da o ganização e um in es imen o nas suas
unciona au onomamen e, à semelhança da sua con igu ação inicial aquando da inaugu ação do hospi al
em 1959. O se iço de Ne ologia nasceu em 1977 e um ano depois iniciou-se o uncionamen o do
se iço de In e namen o em Psiquia ia. No mesmo ano, c ia am-se os se iços de Imunologia, de
Ci u gia To ácica e de Pneumologia. Em 1979 en ou em uncionamen o a Unidade Co oná ia pa a o
acompanhamen o e a amen o dos doen es ca díacos agudos. Nos anos que se segui am, mais unidades e
se iços en a am em uncionamen o: em 1983 oi inaugu ada a Unidade de Cuidados In ensi os
Neona ais; em 1984 o se iço de Ci u gia Plás ica e Recons u i a; em 1986 o se iço de U gência
Pediá ica au onomizou-se do se iço de U gência; em 1997 cons i ui-se a p imei a Comissão de É ica do
hospi al, inicia i a de ca ác e inédi o en e as o ganizações hospi ala es po uguesas; em 1989, com
na u eza pionei a, oi c iado o Cen o de Ci u gia To ácica, em uncionamen o nas mesmas ins alações e
com ecu so ao mesmo equipamen o e pessoal do es an e hospi al, di e enciando-se apenas pela sua
au onomia económico- inancei a em elação. Es a di e enciação na es u u a o ganiza i a oi possí el
g aças à Lei de Ges ão Hospi ala que o nou “possí el c ia , den o dos hospi ais es a ais, es u u as com
quad o de pessoal p óp io, ge idas segundo um egulamen o in e no e au o izadas a exe ce ,
simul aneamen e, medicina pública e p i ada”. Com es a lei su gi am, en ão, os Cen os de
Responsabilidade e de Cus os.
Apesa das limi ações o çamen ais su giu em 1989 uma Unidade de Cuidados In ensi os. Em 1991 en ou
em uncionamen o o Cen o de Fe ilização in i o. No mesmo ano começou a se u ilizado um p é-
ab icado pa a consul as ex e nas dos se iços de Neu ologia, de Neu oci u gia, de Anes esia e da Do .
Mais a de, o am possibili adas consul as ex e nas, ainda nes e pa ilhão, pa a os se iços de Medicina
In e na, de Imunoale gologia, de Endoc inologia e de Ne ologia. Em 1993 oi inaugu ada a Unidade de
Recob o Ope a ó ia da Ci u gia P og amada, as ins alações do se iço de Es oma ologia e o Hospi al de
Dia de Oncologia. Em 1994 ab iu o se iço de Radio e apia. A é ao inal da década de 1990, oi
concluída a cons ução do bloco ope a ó io cen al, do bloco de pa os, do in e namen o de Obs e ícia, da
Unidade de Neona ologia, das ins alações pa a iagem, da sala de O o auma ologia (no Se iço de
U gência), e oi e o mulada a Unidade Co oná ia, o Hospi al de Dia de Doenças In eciosas, a Ci u gia
Ambula ó ia, a Cen al de Colhei as, a Unidade de Hema ologia Clínica, os Cuidados In ensi os em
Ca diologia, a Unidade de Neu ologia Pediá ica, o se iço de Medicina Nuclea e a Unidade de Neu o
pénicos.
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
81
in aes u u as, endo em is a melho es condições pa a os seus u en es e p o issionais.
Em consequência, as suas á eas de ação médica passa am a se o ganizadas em seis
Unidades Au ónomas de Ges ão (UAG): Meios Complemen a es de Diagnós ico e
Te apêu ica; Medicina; Ci u gia; Mulhe e da C iança; U gência e Cuidados In ensi os;
Saúde Men al. As UAG êm como obje i o “assegu a ampla au onomia e
esponsabilização na ges ão dos ecu sos inancei os, humanos e ecnológicos das
di e en es á eas da o ganização hospi ala , endo em is a o inc emen o da qualidade,
apidez e e iciência dos se iços assis enciais” (Gomes, 2009131). Além das UAG, a
es u u a o gânica do HSJ compõe-se po um conselho de adminis ação, po um g upo
de Ó gãos e Comissões de Apoio Técnico, Se iços e Ó gãos de Acão Médica, Se iços
de Supo e à P es ação de Cuidados, Se iços de Ges ão e Logís ica, Se iços e Ó gãos
de Supo e ao Conselho de Adminis ação pela Di eção do In e na o Médico e po uma
Comissão Mis a HSJ/FMU (Cen o Hospi ala do João, 2006). Em 2008 oi inaugu ada
a no a U gência Pediá ica, além da Unidade de Diagnós ico de Pa ologia Mamá ia. O
HSJ o e ece quo idianamen e assis ência em 33 especialidades médicas e ci ú gicas
16
.
O DR 30/2011 de 2 de ma ço de iniu a c iação, a pa i de 1 de ab il de 2011, do
CHSJ em esul ado da usão de duas unidades hospi ala es: o HSJ e o Hospi al de Nossa
Senho a da Conceição. Desde en ão, as duas unidades inicia am um p ocesso de
in eg ação g adual cujo desen ol imen o pe mi e, no p esen e, a i ma o sucesso dessa
mesma in eg ação (Cen o Hospi ala de São João, 2012). O CHP p es a assis ência
di e a a qua o eguesias da cidade do Po o (Bon im, Pa anhos, Campanhã e Aldoa ) e
aos concelhos da Maia e Valongo. É, ainda, a e e ência pa a o dis i o do Po o (com
exceção dos concelhos de Baião, Ama an e e Ma co de Cana eses) e, no con ex o das
Redes de Re e enciação Hospi ala , pa a os dis i os de B aga e Viana do Cas elo.
Conside ando a sua ecnologia e ecu sos humanos, o Cen o Hospi ala de São João é
ainda e e ência pa a cidadãos com esidência mais dis an e. Segundo os dados do
16
Anes esiologia, Ca diologia, Ca diologia Pediá ica, Ci u gia Ge al, Ci u gia pediá ica, Ci u gia
Plás ica e Maxilo-Facial, Ci u gia To ácica, Ci u gia ascula , Cuidados In ensi os, Cuidados Palia i os,
De ma ologia, Doenças In eciosas, Endoc inologia, Es oma ologia, Gas en e ologia, Ginecologia e
Obs e ícia, Hema ologia Clínica, Hema ologia e Oncologia Pediá ica, Imunoale gologia, Medicina
In e na, Ne ologia, Neona ologia, Neu oci u gia, Neu ologia, O almologia, Oncologia, O opedia e
T auma ologia, O o inola ingologia, Pedia ia Médica, Pneumologia, Psiquia ia, Reuma ologia e
U ologia. Dispõe. Tem ainda um conjun o de meios complemen a es de diagnós ico e e apêu ica, a
sabe : Ana omia Pa ológica, Pa ologia Clínica, Imunohemo e apia, Radio e apia, Radiologia, Medicina
Nuclea , Medicina Física e de Reabili ação, Neu o adiologia e Neu o isiologia. O HSJ é, em algumas
si uações, a úl ima ins ância pa a alguns a amen os e diagnós icos. Em edi ício complemen a ao
edi ício p incipal do hospi al, uncionam o se iço de Ins alações e Equipamen os e o cen o de
Ambula ó io, que inclui consul as ex e nas, os Hospi ais de Dia e a Unidade de Ci u gia do Ambula ó io.
CAPÍTULO I. Obje o em Análise: Teo ias e Me odologia
82
Rela ó io e Con as de 2011 (2012), na globalidade, o CHSJ inha, em 2011, uma lo ação
máxima de 1133 camas (1076 no polo do HSJ e 57 no polo de Valongo). No mesmo
ano, saí am des e Cen o 31 892 doen es.
O HSJ man ém a sua ligação à FMUP a qual, de es o, con inua a ocupa as
mesmas ins alações do hospi al, em egime de condomínio Em 2012, as ins alações da
FMUP o am ampliadas com a cons ução do Cen o de In es igação Médica (CIM-
FMUP), um complexo de ês edi ícios que acolhem, nomeadamen e, labo a ó ios,
audi ó ios, salas de aulas e uma biblio eca. Um dos edi ícios é po in ei o dedicado
à in es igação básica, acolhendo os depa amen os de Bioquímica, a macologia,
Fisiologia e Biologia Expe imen al. Num ou o encon am-se os audi ó ios e espaços de
laze ou es udo. O e cei o acolhe os depa amen os de Ciências da In o mação e
Decisão em Saúde, Epidemiologia, Medicina P edi i a e Saúde Pública e, ainda, os
Se iços de Clínica Ge al e Bioé ica. A impo ância a ibuída ao ensino e à in es igação
es á pa en e na sua missão: “p es a os melho es cuidados de saúde, com ele ados
ní eis de compe ência, excelência e igo , omen ando a o mação p é e pós-g aduada e
a in es igação, espei ando semp e o p incípio da humanização e p omo endo o
o gulho e sen ido de pe ença de odos os p o issionais.” (Cen o Hospi ala do Po o,
2012). São, de ac o, á ios os p oje os de in es igação, os es udos e as publicações de
equipas des a o ganização. Des aca-se, ainda, a sua ligação a á ias o ganizações de
p es ação de cuidados de saúde, nomeadamen e ou os cen os hospi ala es, unidades
locais de saúde, hospi ais e o Ins i u o Po uguês de Oncologia do Po o, a pa da
celeb ação de p o ocolos de coope ação com di e sas en idades.
CAPÍTULO II
Abo dagens Sociológicas do En elhecimen o

CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
85
O en elhecimen o co esponde a uma ase da ida dos indi íduos ma cada po
um múl iplo conjun o de ans o mações que oco em ao ní el do co po, das
capacidades cogni i as, do compo amen o, das au o e hé e o ep esen ações e dos
obje i os e expe a i as de ida dos indi iduos. Cons i ui-se, po an o, como um
enómeno de amplo espec o e múl iplos impac os ao ní el biológico, psicológico e
social. O ca ác e mul idimensional do en elhecimen o em jus i icado o in e esse de
á ias ciências no seu es udo, desde a medicina, a economia e a sociologia. Em
consequência, as úl imas décadas êm sido ma cadas po impo an es a anços no
conhecimen o cien í ico sob e o en elhecimen o dos quais se des aca um aumen o
c escen e da p odução sociológica sob e o ema. Também conscien es da ab angência de
e ei os do en elhecimen o, an o pa a o indi iduo como pa a as sociedades e
especialmen e ao ní el do enca gos com a p o eção social p es ada a um núme o
c escen e de idosos, os Es ados e as o ganizações sup anacionais, como a UE-27,
inicia am no inal do século XX um amplo deba e ace ca das o igens e consequências
do en elhecimen o populacional do qual êm esul ado á ios encon os e documen os
de o ien ação e in e enção.
Nes e capí ulo começa emos p ecisamen e po discu i as dimensões biológica,
psicológica e social do en elhecimen o passando, depois, pa a a ap esen ação e e lexão
sob e os p incipais quad os eó icos de análise a es e enómeno e e minamos com a
discussão do en elhecimen o a i o enquan o pa adigma dominan e das es a égias de
in e enção ao ní el do en elhecimen o.
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
86
2.1. DIMENSÕES DO ENVELHECIMENTO: BIOLÓGICA, PSICOLÓGICA
E SOCIAL
As mudanças associadas ao en elhecimen o podem se ag upadas em ês
dimensões basila es: biológica, psicológica e social (Sch oo s e Bi en, 1980 ci . po
Paúl, 2005b) pelo que se pode a i ma que o en elhecimen o cons i ui “um pe íodo do
ciclo de ida em que a gene alidade das ca ac e ís icas pessoais (biológicas,
psicológicas e sociais) muda de uma o ma elacionada en e si, o ien ando-se
p og essi amen e pa a a cons ução de uma imagem de si mesmo como «idoso»”
(Fonseca, 2012a, p. 96).
O en elhecimen o biológico e psicológico em uma na u eza indi ídual na
medida em que se e e e a uma p og essi a maio agilidade ísica dos indi íduos, bem
como a uma meno capacidade pa a a au o egulação e à omada de decisões adap adas
à sua elhice. Impo a a ende , con udo, que o declínio ísico e/ou psicológico
deco en e de uma maio idade não é linea nem idên ico em i mo e in ensidade em
odos os indi íduos. Po sua ez, o en elhecimen o social es á sob e udo elacionado
com as ep esen ações, expec a i as e limi es que a sociedade assume ou impõe aos seus
memb os à medida que es es ão en elhecendo. Re e e-se, po an o, a uma al e ação
dos papéis sociais de inidos pela sociedade pa a os mais elhos e que são assumidos po
es es (Dias; Rod igues, 2012). No caso do me cado de abalho, a dimensão social do
en elhecimen o em subjacen e a pe spe i a da sociedade sob e os abalhado es mais
elhos, nomeadamen e ao ní el das suas compe ências e ap idão pa a o abalho.
Inícia emos uma discussão mais ap o undada das dimensões do en elhecimen o
a endendo aos seus aspe os biológicos. O aumen o da idade c onológica é acompanhado
po um en elhecimen o celula e, em consequência, aduz-se num uncionamen o mais
débil do o ganismo. Há, po an o, uma maio ulne abilidade ísica dos indi íduos e um
aumen o de p obabilidade de mo e. Es e p ocesso é esul ado do en elhecimen o
biológico ou da senescência (Paúl, 2005b). Não obs an e os impo an es a anços da
ciência pa a adia a idade da mo e e p opo ciona um melho es ado de saúde aos
indi íduos à medida que a sua idade aumen a, o ac o é que o en elhecimen o do co po
humano é um p ocesso na u al, ine i á el e g adual.
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
87
Associado ao concei o de en elhecimen o biológico es á o de longe idade. O
p imei o pode se en endido como uma diminuição da capacidade uncional dos
indi íduos, enquan o o segundo se e e e ao empo de du ação de ida de um
o ganismo. Ainda que independen es, es es dois concei os es ão elacionados na medida
em que a longe idade depende da p og essão do en elhecimen o biológico: um mais
ápido ou mais len o p ocesso de en elhecimen o implica á, espe i amen e, uma meno
ou maio longe idade. Es e úl imo concei o é de g ande impo ância dado que eio
suplan a as di iculdades deco en es da di ícil mensu ação de uma meno capacidade
uncional dos indi íduos e, em consequência, dos di e en es es ádios de en elhecimen o
(Almeida, 2012), endo in oduzido uma maio obje i idade na sua análise.
É hoje amplamen e acei e que o es udo da longe idade humana pe mi e melho
conhece melho a p obabilidade de um indi íduo mo e : já no início do século XIX os
es udos de Benjamin Gompe z (1825) con i ma am que, após os 30 anos de idade, a
cada 8 anos há uma duplicação da p obabilidade de mo e. A explicação des e enómeno
adica numa maio incidência de doenças e i icada en e os mais elhos que, po um
en elhecimen o das suas células e ecidos, icam mais ágeis do pon o de is a ísico. O
en elhecimen o biológico é en ão consequência de um conjun o de e os no co po
humano que se acumulam e não são comba idos e epa ados pelos seus p óp ios
mecanismos de de esa, de si já en aquecidos pelo aumen o da idade. Não obs an e a
ação de medicação ou de e apias an i-en elhecimen o que p olongam o empo de ida e
melho am a saúde dos indi íduos, mi igando os e ei os de uma maio idade, o
en elhecimen o é gene icamen e de e minado e, po isso, na u al e i e e sí el.
Não é nosso obje i o discu i em p o undidade as á ias eo ias ace ca das
causas e consequências do en elhecimen o biológico. Con udo, impo a e e i que
a ualmen e exis em duas g andes pe spe i as eó icas sob e o mesmo: as gené icas e as
es ocás icas. As p imei as salien am a impo ância dos genes, não obs an e a
impo ância de a o es ambien ais; as segundas en a izam uma meno uncionalidade
dos mais elhos, a qual em o igem numa acumulação alea ó ia de lesões em moléculas
i ais que esul am num p og essi o declínio isiológico (Mo aFiguei edo; Dua e,
2004).
Apesa da di e sidade de de inições de en elhecimen o biológico que deco em
das o ien ações eó icas ado adas, é comum a acei ação de que es e p ocesso en ol e
uma pe da da uncionalidade dos indi íduos, um aumen o da sua susce ibilidade e a
incidência de doenças em consequência de uma maio idade (Almeida, 2012).
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
94
limi a am-se a in es igações casuís icas, ocadas no obje o e com o e ca ác e
desc i i o (Dias; Rod igues, 2012). A análise e a a é ei a de o ma unidimensional. A
ónica ecaía na necessá ia adap ação dos indi íduos a no os papéis sociais, enquan o
consequência do seu p ocesso de en elhecimen o, es ando excluída a in luência das
es u u as e das o ças sociais nes e p ocesso (Fonseca, 2004). Sendo o en elhecimen o
enca ado enquan o um p oblema exclusi amen e indi ídual, não ha ia uma
p oblema ização de ques ões de na u eza social como a passagem à e o ma, a doença,
pob eza ou o isolamen o social.
No âmbi o da sociologia o am-se desen ol endo uma plu alidade de
abo dagens ao en elhecimen o. Des acamos pa icula men e a impo ância da
Sociologia do En elhecimen o que eio demons a que “a expe iência indi ídual do
en elhecimen o depende, de igual o ma, de uma a iedade de a o es sociais, com os
quais in e age” (Dias; Rod igues, 2012, p. 190). Os au o es escla ecem que es a á ea de
especialização do sabe sociológico se em o ien ado essencialmen e po ês adições
complemen a es. A p imei a, a da Sociologia da Idade, em uma dimensão
mac oes u u al, na medida em que se cen a na análise dos e ei os da idade na es u u a
social, sendo a p imei a pe cebida enquan o elemen o es u u ado da sociedade, das
ins i uições e dos g upos. Es a pe spe i a elege a análise das coo es e do seu impac o na
es u u a social. A segunda, a da Sociologia do En elhecimen o em, po sua ez, um
olha de ca iz mic o sociológico na medida em que es á cen ada nos mecanismos de
adap ação dos indi íduos aos p ocessos de ansição ao longo do seu ciclo de ida e que
são socialmen e p oduzidas. Po im, a e cei a pe spe i a é a da Sociologia da Velhice,
a qual enca a o en elhecimen o demog á ico enquan o um p oblema social. Um dos
expoen es eó icos mais ele an es des a pe spe i a oi a eo ia da des inculação
(Cumming; Hen y, 1961), a qual e e uma g ande ele ância na de inição de polí icas
sociais pa a a elhice. Es a eo ia se á desen ol ida mais de alhadamen e no âmbi o da
e lexão ace ca das p incipais abo dagens eó icas da Sociologia ao en elhecimen o.
Além da ele ância da Sociologia na análise dos aspe os sociais do
en elhecimen o, é ambém impo an e conside a o papel da Ge on ologia Social cuja
análise es á o ien ada pa a o es udo do “impac o das condições sociocul u ais e
ambien ais no p ocesso de en elhecimen o e na elhice, as consequências sociais desse
p ocesso e as ações sociais que podem o imiza o p ocesso de en elhecimen o” (Paúl,
2005c276). Es a á ea do sabe su giu como amo da Ge on ologia, mui o cen ada na
a iedade de impac os do p ocesso de en elhecimen o e com o e ca á e

CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
95
mul idisciplina , assumindo uma pos u a de in e enção social. Es a a, po an o,
di ecionada pa a o es udo das consequências ao ní el das polí icas públicas da mudança
de pa adigma demog á ico, no qual o en elhecimen o e a is o como um p oblema
social e um desa io ao sis ema de p o eção social. Tan o a Sociologia do
En elhecimen o como a Ge on ologia Social gozam de au onomia cien í ica, não
obs an e a pa ilha de um mesmo pon o de pa ida: a obse ação de uma impo ância
g adual e cada ez maio do en elhecimen o demog á ico, iniciado nos países mais
desen ol idos mas que que se em alas ado ao es o do mundo, sendo múl iplos os seus
impac os e desa ios.
É a pa i de 1960 que Dias e Rod igues (2012) si uam a p imei a ans o mação
no pensamen o ge on ológico que conduzi á a um desen ol imen o eó ico e conce ual
sis emá ico, igo oso e mul idisciplina nes e domínio. Desen ol e am-se á ias
abo dagens ao en elhecimen o com base em con ibu os de di e en es á eas do sabe ,
nomeadamen e a Biologia, cen ada nos ma cado es ísicos do en elhecimen o; a
Sociologia, a en a ao en elhecimen o indi ídual a iculado com o en elhecimen o das
sociedades o qual p opo cionou, de es o, o desen ol imen o da Sociologia do
En elhecimen o e ambém a Psicologia, cen ada nas al e ações de pe sonalidade e
compo amen ais ao longo do ciclo de ida.
À luz do pa adigma uncionalis a a é en ão dominan e, no qual Pa sons e a o
p incipal eó ico, a sociedade e a en endida enquan o um o ganismo i o cuja
manu enção e equilíb io dependia da con ibuição de odos os ó gãos/ins i uições. Nes e
sen ido, es abeleciam-se à p io i no mas de compo amen o que enquad a am as ações
dos indi íduos. Nes a lógica, ambém na ase de en elhecimen o es a am de inidos
papéis sociais que os mais elhos de e iam assumi , sob pena de coloca em em isco a
o ganização e o equilíb io sociais (Powel, 2007). Den o do pa adigma uncionalis a
salien a am-se duas eo ias de análise do p ocesso de en elhecimen o que ma ca am o
início do desen ol imen o o mal da abo dagem sociológica sob e es e p ocesso: a
eo ia da des inculação e a eo ia da a i idade.
No início da década de 1960, Cumming e Hen y (1961) desen ol e am a eo ia
da des inculação (ou da u u a) com aíz uncionalis a. Enquad ando-se na ó ica da
Sociologia da Velhice, es a eo ia en endia o en elhecimen o como um p oblema social.
A p oblema ização do en elhecimen o oi ei a no plano social e não indi ídual,
ecaindo a ónica na in luência das es u u as sociais. A ques ão-cha e des e p ocesso
ad inha de uma queb a g adual das in e ações en e o indi íduo e o sis ema social,
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
96
cabendo ao p imei o assumi os compo amen os socialmen e de inidos pa a a sua
idade. Des e p ocesso esul a a p ecisamen e uma des inculação, ou uma u u a, dos
mais elhos com a sociedade. Na elhice, o equilíb io que exis ia na idade madu a en e
indi íduo e sociedade inha, necessa iamen e, que se subs i uído po um no o
equilíb io ca ac e izado po uma maio dis ância e um ipo de elacionamen o dis in o.
Se es a des inculação não acon ecesse, a consequência se ia a dis unção do sis ema que
se ia ob igado a p ocu a soluções al e na i as que passa iam, nomeadamen e, pela
ins i ucionalização de mecanismos de des inculação dos mais elhos.
A des inculação mú ua en e indi íduo e sociedade se ia, po an o, um e lexo
na u al de uma necessidade biológica de ab andamen o do i mo de ida e da al e ação
dos papéis sociais en ão exe cidos. A sua necessidade se ia sen ida an o pelos
indi íduos como pela sociedade. Es a u u a en e indi íduo e sociedade não e a só
pe spe i ada como um p ocesso na u al mas ambém como desejá el, na medida em que
minimiza a os impac os indi iduais e sociais do en elhecimen o. Os idosos que
assumissem os no os papéis de inidos e iam um en elhecimen o com sucesso. A eo ia
da des inculação p opo cionou o desen ol imen o do concei o de en elhecimen o bem-
sucedido enquan o adução do econhecimen o da impo ância da expe iência
indi ídual (Bal es e Bal es, 1990). Es a en ol e um conjun o ala gado de múl iplos
a o es, nomeadamen e indi iduais, psicológicos, biológicos e sociais que conco em
cumula i amen e pa a um p ocesso de en elhecimen o ma cado pelo bem-es a e pelo
alcance de obje i os de inidos pelos p óp ios indi íduos. De o ma ge al, podem-se
conside a ês aspe os que ca ac e izam o en elhecimen o bem-sucedido: baixo isco de
doenças ou incapacidades elacionadas com es as, uncionamen o ísico e men al
ele ado e empenhamen o a i o na ida (Rowe e Kahn, 1997).
A u u a en e sociedade e indi íduo de endida pela eo ia da des inculação
passa a pelo a as amen o g adual da ida social e e a ma cada pelo im do pe cu so
p o issional e abandono do me cado de abalho. A passagem à e o ma e a en endida
enquan o espos a à necessidade uncional de, g adualmen e, i expulsando os
indi íduos das á ias es e as da sociedade, nomeadamen e do me cado de abalho,
numa conjugação de in e esses indi iduais com sociais (Moody, 2006; Phillipson,
1998). A con inuidade do exe cício p o issional pelos mais elhos não e a socialmen e
desejada pois e a en endida como po encialmen e dis up i a a endendo ao declínio
ísico e psicológico consequen e da idade e que, supos amen e, p o oca a a mesma
incapacidade em odos os indi íduos mais elhos. Além des e aspe o, a saída dos mais
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
97
elhos do me cado de abalho e a ambém impo an e e uncional pa a a sociedade po
pe mi i a en ada das ge ações mais no as na es e a labo al.
A p opos a eó ica de Cumming e Hen y oi al o de a iadas c í icas (Moody,
2006; Powel, 2007). P imei o, po de ende a necessidade de u u a en e indi íduo e
sociedade sob o c i é io da idade e, segundo, po impo um modelo de en elhecimen o
uni o me em unção da idade, igno ando a subje i idade da expe iência de
en elhecimen o. A ualmen e, a des inculação indi íduo-sociedade não é comummen e
acei e como na u al ou necessá ia. Na a ualidade acei a-se a exis ência de múl iplas
aje ó ias de saída do me cado de abalho (Fonseca, 2011), nomeadamen e pelo
exe cício p o issional a empo pa cial, pelo que é mais incomum o desligamen o o al
dos indi íduos ace à sociedade. De ac o, não sendo a des inculação um p ocesso
na u al e, po an o, ex ensí el a odos os indi íduos, é possí el que nem odos os idosos
sin am a necessidade de sai do me cado de abalho A opção, ou não, po es a adica á
nas o ças sociais que impelem os indi íduos nesse sen ido e nas p óp ias di e enças
indi iduais. Assim, uma possí el des inculação não pode se pe spe i ada unicamen e
como ex e io aos indi íduos, po que lhes é impos a, mas pode, em al e na i a,
cons i ui uma a i ude in e io dos p óp ios pe an e a sociedade. Apesa das c í icas e
limi ações da eo ia da des inculação, impo a sublinha a sua impo ância no
desen ol imen o da in es igação sob e o en elhecimen o e da consequen e elabo ação
de quad os analí icos sus en ados eó ica e empí icamen e (Dias; Rod igues, 2012).
Ainda na década de 1960, e ambém no âmbi o do pa adigma uncionalis a,
Ha ighu s (1968) desen ol eu a eo ia da a i idade, uma pe spe i a eó ica al e na i a
à na u al e necessá ia des inculação en e os mais elhos e a sociedade de endida na
eo ia da des inculação. Ha inghu s de endia a manu enção de laços e papéis sociais
o es en e os mais elhos e a sociedade, ejei ando, po an o, a des inculação enquan o
consequência ine i á el do p ocesso de en elhecimen o. De endia que um
en elhecimen o posi i o se ia alcançado pela pe manência dos mais elhos nas á ias
es e as da ida social e, em especí ico, do me cado de abalho.
A eo ia da a i idade p essupunha uma es ei a elação en e o desen ol imen o
de uma a i idade e um en elhecimen o saudá el e posi i o e, associado, a uma maio
sa is ação com a ida e a uma maio longe idade. Radica a na ideia de que “a maio ia
das pessoas na elhice con inuam com papéis e a i idades de ida es abelecidos
an e io men e po que con inuam a e as mesmas necessidades e alo es” (Moody,
2006, p. 10). A manu enção de laços en e os mais elhos e a sociedade, nomeadamen e
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
98
a a és de papéis sociais p odu i os, se ia duplamen e uncional: pa a os indi íduos,
in eg ados e a i os socialmen e, e pa a a sociedade, que pode ia ap o ei a os ecu sos e
a pa icipação des es. No caso dos mais elhos op a em pela saída do me cado de
abalho, o espe ado se ia que es es p ocu assem desempenha ou as a i idades e que
assumissem no os papéis sociais em subs i uição dos an e io es.
Os de enso es da eo ia da a i idade não nega am, con udo, a possibilidade de
um a as amen o en e os idosos e a sociedade. Conside a am sim que uma e en ual
u u a se á p odu o do declínio do seu es ado de saúde, ou da sua incapacidade, não
de endendo que es a enha necessa iamen e que oco e po se uncional. Apesa de
ejei a a des inculação, o au o não nega a, con udo, uma subs i uição dos papéis
sociais an es assumidos pelos indi íduos po ou os adequados ao p ocesso de
en elhecimen o e que lhes pe mi i iam alcança o sucesso ao longo des e p ocesso.
Moody (2006) ale a pa a es e en ol imen o a i o pode se mais acilmen e
exequí el en e os idosos mais jo ens compa a i amen e aos mais elhos, e idenciando
assim desigualdades nes e p ocesso. Ac escen a que, independen emen e da “idade”
den o da elhice, a ualmen e pe manecem obs áculos à inculação social en e os
idosos e a sociedade. Es a inculação só se á plenamen e possí el se o de idamen e
econhecida a impo ância do exe cício de a i idades pa a a ealização dos mais elhos
e se o em iden i icados os obs áculos que se colocam aos mesmos.
À semelhança da eo ia da des inculação, ambém a eo ia da a i idade oi
c i icada po p omo e uma isão linea sob e o desen ol imen o do p ocesso de
en elhecimen o, de endendo que es e de e ia e subjacen e a in eg ação dos indi íduos
po ia do exe cício de uma a i idade. Em conc e o, oi ep o ada po des alo iza a
ideia de que um en elhecimen o posi i o e com sucesso se elaciona com a posição
ocupada pelos indi íduos na es u u a social, sendo mais comum nas classes
dominan es.
É na década de 1970 que Dias e Rod igues (2012) si uam a segunda
ans o mação na e olução do pensamen o sob e a Sociologia do En elhecimen o na
medida em que es a se o nou me a eó ica. O seu cen o da análise passou da explicação
das de e minan es de sucesso do en elhecimen o pa a a explicação do p ocesso em si. O
con ex o social eme gen e e os desa ios associados p opicia am uma al e ação
signi ica i a na pe ceção do en elhecimen o, endo em con a o c escen e peso
pe cen ual dos idosos nos sis emas de segu ança social dos Es ados, e no sis ema de
pensões em pa icula , bem como sob e os sis emas de saúde (Phillipson, 1998). Os
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
99
desen ol imen os eó icos obse ados nes e pe íodo inham dois p incipais en oques: o
p imei o nas ep esen ações sob e o en elhecimen o enquan o subp odu o ideológico e
ibu á io das pe spe i as ma xis as; o segundo, na cons ução social do en elhecimen o
(Dias; Rod igues, 2012). Con udo, a a enção a ibuída a ques ões de polí ica económica
di ecionou o olha cien í ico sob e o en elhecimen o pa a os desa ios e exigências
deco en es e não p op iamen e pa a a sua p oblema ização (Phillipson, 1998, p. 6). A
década de 1970 cons i uiu en ão um momen o de maio ligação en e a p odução
cien í ica sob e o en elhecimen o e a omada de decisão dos agen es polí icos.
Com o e con ibu o da Psicologia, começou g adualmen e a sedimen a -se a
ideia de que a idade biológica é di e en e da idade psicológica, não sendo possí el
es abelece uma co espondência di e a en e o en elhecimen o ísico e o es ado
cogni i o dos indi íduos (Guillema d, 2003; Mendes, 2005a). Po seu lado, a sociologia
demons ou que a idade é uma cons ução social que ag upa os indi íduos, a ibuindo-
lhes de e minados di ei os e ob igações em unção do escalão e á io em que se
encon am. A pe da mais signi ica i a de capacidades e uma deg adação gene alizadas
das condições de saúde oco e endencialmen e mais a de sem que, como ale a
Fe nandes (2001), enha oco ido uma e e i a al e ação dos limi es con encionados pa a
as ases da ida.
Os desen ol imen os eó icos no âmbi o da análise do p ocesso de
en elhecimen o, que dão a ualmen e o ma a á eas au ónomas como a Ge on ologia,
pe mi em-nos hoje uma isão mais ampla e a iculada do enómeno do en elhecimen o.
No caso conc e o da Sociologia, sedimen ou-se um en endimen o dos indi íduos
enquan o agen es a i os no seu p ocesso de en elhecimen o podendo as suas opções,
compo amen os e expe iências em mui o in luencia os de e minan es e esul ados da
expe iência de en elhece . Em conc e o, o olha sociológico em p ocu ado pe cebe o
signi icado a ibuído pelos indi íduos ao en elhecimen o e à o ma como o i enciam,
ao mesmo empo que analisa ques ões como os ecu sos necessá ios aos mais elhos e
aqueles que e e i amen e lhes es ão disponí eis. A Sociologia eio, en ão, chama a
a enção pa a que, não obs an e a dimensão indi idual e subje i a do p ocesso de
en elhecimen o, es e é socialmen e condicionado ou mesmo de e minado.
Apesa de his o icamen e a elhice e sido sucessi amen e enca ada como um
p oblema social, a ualmen e é acei e que são sob e udo as pe spe i as sob e a elhice e
o p ocesso de en elhecimen o que cons i uem um p oblema pa a as sociedades. Es a
si uação é ibu á ia do desen ol imen o das sociedades, no sen ido da sua

CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
100
mode nização e da conquis a de mais anos de ida e em melho es condições, do qual
esul ou um pa adoxo: exis em cada ez mais idosos e com maio qualidade de ida
mas, ainda, assim, p edomina o cul o do no o e da secunda ização do que é elho. Não
obs an e, “é um desa io de exigência humana e um impe a i o de consciência social
espei a a elhice” (BagãoFélix, 2002, p. 148). Foi ambém es a consciência que
mo i ou, em la ga medida, os desen ol imen os eó icos sob e o p ocesso de
en elhecimen o.
A ualmen e não é possí el, oda ia, ala na exis ência de um co po eó ico
sociológico coeso. Pa a ag upa os p incipais quad os eó icos e conce uais
desen ol idos a é ao momen o, alguns au o es u ilizam o c i é io de di e enciação en e
o ní el mac o e mic ossociológico de análise, não obs an e um in e médio de
a iculação de ambos. Dias e Rod igues (2012) conc e izam essa di e enciação que de
seguida ap esen amos. As eo ias mac ossociológicas ocam-se no impac o do p ocesso
de en elhecimen o na de inição e implemen ação de polí icas sociais, da p es ação de
cuidados de saúde aos mais elhos e na p essão inancei a aos Es ados-P o idência.
Nes e ní el de análise, e endo como e e ência a classi icação de Ma shall, incluem-se:
o es u u alismo (de enso da uni e salidade das ansições demog á icas); a eo ia da
mode nização (alinhada com a eo ia es u u o- uncionalis a de declínio do es a u o dos
idosos enquan o consequência da mode nização das sociedades); a eo ia dos g upos de
in e esse (a en a ao incen i o das polí icas públicas à c iação de g upos de in e esse com
base na idade de p essão aos deciso es polí icos). As eo ias mic ossociológicas
cen am-se nos alo es, p e e ências e a i udes dos idosos e nos seus mecanismos de
adap ação às ansições o longo do seu ciclo de ida. Englobam-se aqui as eo ias
desen ol imen ais, a eo ia da oca social, a eo ia dos papéis, o in e acionismo
simbólico, a enomenologia social e a e nome odologia.
Beng son, Bu gess e Pa o (1997 ci . po Dias e Rod igues, 2012) u ilizam
ambém o c i é io mic o/mac o pa a a classi icação das eo ias sob e o en elhecimen o,
Si uam o cons u i ismo social e a eo ia da oca social num ní el mac o e a pe spe i a
de es a i icação de idades, a economia polí ica do en elhecimen o e a eo ia c í ica num
ní el mic o. As eo ias sob alçada das duas classi icação pa ilham o ema da in luência
das es u u as sociais na expe iência de en elhecimen o ainda que com en oques
analí icos dis in os.
A abo dagem do cons u i ismo social supo a-se numa me odologia quali a i a
endo uma na u eza essencialmen e in e p e a i a. Inse indo-se no âmbi o da sociologia
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
101
comp eensi a, cen a-se no p ocesso indi idual de en elhecimen o e no impac o dos
de e minan es sociais ou, de ou a o ma, nos p ocessos sociais de cons ução do
en elhecimen o (Dias; Rod igues, 2012). Es a abo dagem explo a os mecanismos
sociais de cons ução de ep esen ações sociais sob e o en elhecimen o, nomeadamen e
ao ní el dos seus signi icados sociais, da c iação de es e eó ipos e de p ocessos de
disc iminação com base na idade, como é exemplo o idadismo, p ocu ando si uá-los
socialmen e. As eo ias deco en es des a abo dagem êm como concei os cen ais o
signi icado social, ealidade, elações sociais, a i udes ace ao en elhecimen o e à idade,
acon ecimen os da ida e empo. Nes a pe spe i a inse em-se ambém as eo ias que
Ma shall conside a como mic ossociológicas. Não obs an e a sua impo ância pa a o
desen ol imen o do pensamen o sociológico sob e o en elhecimen o, o cons u i ismo
social é c i icado pelo en oque a ibuído a ques ões indi iduais e pela desconside ação
da ele ância da in luência das es u u as e o ças sociais.
A eo ia da oca social, de base quan i a i a, oca-se nas ocas in e ge acionais
e sociais. Supo a-se na ideia de que os a o es sociais são po ado es de um pode social
e de ecu sos (desiguais) que u ilizam em p ocessos de oca social, caso os bene ícios
daí e i ados sejam supe io es aos cus os sociais ou, en ão, pe an e a al a de
al e na i as. À luz des a eo ia, a meno ou a al a de in e ação en e os idosos e os
jo ens explica -se-á pela al a de ecu sos dos p imei os pa a o e ece em aos segundos
não ha endo, po an o, ecip ocidade na elação. A sua ele ância ao ní el da análise do
en elhecimen o adica essencialmen e na “análise dos compo amen os de oca à
medida que se ai p ocessando uma mudança de papéis, compe ências e ecu sos com o
a ança da idade” (Hend icks ci . po Dias e Rod igues, p. 195). Es a eo ia pa a
explica as mudanças no p ocesso de apoio social e na p es ação de se iços à
população idosa e a exis ência de uma mul iplicidade de ecu sos, nomeadamen e
sociais, inancei os, amilia es, en e ou os. É impo an e conside a que as in e ações e
as elações de oca não são es i amen e o ien adas po c i é ios acionais ou
ins umen ais (Dias; Rod igues, 2012).
A pe spe i a da es a i icação de idade, de ca iz quan i a i o, oca-se no impac o
da es u u a social sob e o p ocesso indi idual de en elhecimen o e da es a i icação
com base na idade. P ocede a uma análise dos mo imen os das coo es ao longo do
empo, às assinc onias en e mudanças es u u ais e mudanças indi iduais e ao es udo
das in e dependências en e coo es e a es u u a social (Riley e Riley, 1994 ci . po Dias
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
102
e Rod igues, 2012). Não obs an e a sua ele ância pela associação que es abelece en e
en elhecimen o e a es u u a social, é c i icada pela des alo ização da ação social.
A abo dagem da economia polí ica do en elhecimen o em uma o e in luência
ma xis a, inco po ando, além disso, con ibu os da Teo ia do Con li o de Simmel e da
Teo ia C í ica. A sua análise sob e o en elhecimen o supo a-se numa abo dagem
económica e es u u al que p ocu a explica como é que a in e ação en e o ças
económicas e polí icas in luenciam os ecu sos mobilizados pa a a espos a aos
p oblemas deco en es do en elhecimen o, nomeadamen e ao ní el das polí icas
públicas, endências económicas e dinâmicas da es u u al social, como a classe ou
géne o (Dias; Rod igues, 2012). De ende que as condições sócio económicas e polí icas
podem assumi um ca ác e de e minan e nes e p ocesso, nomeadamen e ao ní el da
pe da de pode , au onomia e con olo dos mais elhos, podendo conduzi a si uação de
exclusão e ma ginalização. Também es a pe spe i a oi c i icada po descu a a
dimensão indi idual, nomeadamen e ao ní el da eação ace à ação do Es ado, abalho
e capi al. Ao assumi que as ins i uições polí icas con olam a ida dos mais elhos, es a
abo dagem c iou e alimen ou uma imagem dos idosos enquan o pessoas des i uídas de
qualque pode sob e as suas p óp ias idas.
Segundo Es es (2003), os “a aques ao a do que ep esen a a a população idosa
o am enca ados como a legi imação da ans e ência de esponsabilidades do Es ado
pa a os indi íduos idosos” Ao mesmo empo, as polí icas de base da classe dos idosos
signi ica am desigualdades que não e am apenas man idas mas ambém e am de ac o
ampliadas a a és do enco ajamen o da p i a ização em á eas como a saúde e apoio
inancei os. Es e en e ou os ale as da pe spe i a da polí ica económica se i am pa a
chama a a enção de que mui os se iços de segu ança social se iam pa a ajuda a
es igma iza os p óp ios idosos, uma ez que assen am em polí icas seg egado as ace à
idade – os mais elhos como dependen es e consumido es passi os.
A eo ia c í ica engloba uma di e sidade de pe spe i as eó icas con empo âneas
e cen a-se simul aneamen e nas dimensões humanís icas e nos e ei os es u u ais do
en elhecimen o. T a a-se de uma abo dagem p eocupada “com a eo ização das
dimensões subje i as e obje i as do en elhecimen o [que] ques iona a p áxis nes e
domínio, em pa icula as polí icas públicas e em como g ande obje i o cons ui
«conhecimen o emancipa ó io»” (Baa s, 1991 ci . po Dias e Rod igues, 2012).
Supo a-se em concei os como pode , ação social e signi icado pa a a análise do
en elhecimen o, ques ionando as ins i uições adqui idas, sendo exemplo disso a
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
103
e o ma. Ques iona as conside ações e me odologias posi i is as po conside a que o
mesmo p oduz uma isão do en elhecimen o cen ada nos p oblemas sociais,
des alo izando a he e ogeneidade des e p ocesso (Beng on, Bu gess, Pa o , 1997). Es a
pe spe i a cons uiu-se sob e a eo ia da economia polí ica do en elhecimen o e das
pe spe i as eminis as com desen ol imen o mais ecen e. O seu ca ác e
au o( e lexi o) di eciona-a pa a a análise do impac o das es a égias de in e enção
sob e os indi íduos e dos p ocessos de negociação que es es es abelecem com as
ins i uições sociais ao longo do p ocesso de en elhecimen o.
Num ní el in e médio de conciliação en e uma análise mic o e
mac ossociológica, conside ando simul aneamen e a in luência da in e ação social e da
es u u a no p ocesso de en elhecimen o, esul a am duas ou as abo dagens eó icas: as
pe spe i as eminis as e a eo ia do ciclo i al.
As pe spe i as eminis as cons i uem um co po eó ico que e u a o a gumen o
da es u u a uncionalis a da seg egação dos papéis sociais enquan o di isão na u al da
sociedade. A sua análise es á, po an o, mui o di ecionada pa a o es a u o social dos
mais elhos, pa icula men e das mulhe es idosas. Es a abo dagem em como p emissa
que a es a i icação social se az, em g ande escala, po ia da di e enciação com base
no géne o (Ma shall, 1995 ci . po Dias e Rod igues, 2012), pelo que as es an es
abo dagens ao en elhecimen o são insu icien es po não conside a em p ecisamen e as
elações sociais de géne o. Chama pa icula a enção pa a a ele ância do abalho
domés ico po pa e das mulhe es ao longo do seu cu so de ida, bem como com a
comp eensão do signi icado socialmen e a ibuído ao en elhecimen o, além daquele que
é a ibuído pelos p óp ios indi íduos. Es a eo ia eio e idencia os mecanismos de
disc iminação, con olo social e des alo ização dos mais elhos.
Num ní el mac o, as pe spe i as eminis as en a izam as elações económicas e
de pode sob e os mais elhos, nomeadamen e a impo ância do ma e ialismo his ó ico
enquan o es u u a básica de dominação (Hend icks, 1993 ci . po Dias e Rod igues,
2012). A um ní el mic o, de endem a análise do géne o com conside ação do con ex o
social que p oduz signi icado sob e o en elhecimen o, aspe o que e ela uma in luência
das co en es do cons u i ismo social (in e acionismo simbólico, enomenologia social
e e nome odologia, po exemplo). Apesa da ecen idade des a abo dagem eminis a, é
g ande a sua ele ância na análise do en elhecimen o, pa icula men e na chamada de
a enção pa a as necessidades das mulhe es idosas, p opondo es a égias de in e enção
adequadas às mesmas. É de des aca ainda a sua ele ância na lu a con a a
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
110
As e e ências c onológicas an es usadas pa a di e encia as idades de abalho e
de e o ma de am luga a e e ências uncionais dos indi íduos apesa do ca ác e
imp eciso e alea ó io des e p ocesso que é pouco con olá el pelos p óp ios indi íduos.
Daqui esul a uma o ganização da aje ó ia p o issional subs ancialmen e di e en e na
medida em que não se unda na idade mas sim nas capacidades, compe ência e no
desempenho dos abalhado es. Acei a-se hoje que os signi icados da elhice não são
líquidos e que as ases de ida são me as cons uções sociais. To na-se assim
undamen al ompe com discu sos p é-cons uídos e com ep esen ações do senso
comum sob e o en elhecimen o, econhecendo que as ca ac e ís icas associadas à idade
e a di isão ipa ida da ida em ases são, essencialmen e, cons uções sociais que
a iam em unção do empo e do espaço em que oco em.
Phillipson (2003) no a se undamen al iden i ica os a o es indu o es an o da
saída do me cado de abalho, como do p olongamen o da a i idade p o issional, in ui o
es e que elegemos pa a a in es igação que aqui ap esen amos. Impo a ambém
conhece as opo unidades de emp ego associados ao en elhecimen o, nomeadamen e
ao ní el dos se iços e a i idades de apoio aos mais elhos, as quais de em se
acompanhados po uma es a égia in eg ada de espos a aos desa ios que passe po
polí icas de emp ego e de o mação p o issional dos mais elhos. Es e úl imo pon o oi
abo dado po Fe nandes a a és do es udo En elhecimen o e Pe spe i as de C iação de
Emp ego e Necessidades de Fo mação pa a a Quali icação de Recu sos Humanos
(2007a). Também Luís Cen eno coo denou um es udo sob e En elhecimen o e
Pe spe i as de Lu a con a as Ba ei as da Idade no Emp ego (2007) onde e idenciou,
pa icula men e, a impo ância da o mação e da a ualização de compe ências dos
abalhado es mais elhos enquan o es a égias de comba e à diminuição da massa
sala ial des es e, po an o, de uma meno pa icipação económica. Concluiu ainda a
ope acionalização de es a égias de p omoção do en elhecimen o a i o, nomeadamen e
ao ní el da eliminação dos incen i os à e o ma an ecipada, à p omoção da manu enção
do emp ego, à in e enção jun o das en idades emp egado as a im de e i a si uações
de disc iminação, po exemplo, ao apoio aos abalhado es a a és da con a ação de
desemp egados mais elhos e de p omoção da sua emp egabilidade. Obse ou ainda a
impo ância do desen ol imen o de in e enções ho izon ais ao ní el da in o mação e
sensibilização da saúde no abalho, po exemplo.Apesa de subsis i em ep esen ações
sociais nega i as dominan es sob e o en elhecimen o, é impo an e isa que es e não
implica, necessa iamen e, pe da de capacidades e compe ências, nomeadamen e pa a o

CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
111
abalho. Conc e amen e, po ia dos a anços na Medicina que p opo cionam um
melho es ado de saúde e bem-es a em ge al aos indi íduos, é c escen e o núme o
daqueles que ecusam a ina i idade po ia da saída do me cado de abalho po
euni em condições ísicas e psicológicas pa a o desempenho p o issional. Além disso,
os mais elhos con am ainda com a expe iência e o sabe acumulados ao longo do
empo. De ac o, a capacidade pa a o abalho esul a á mais de uma combinação de
a o es como as condições de abalho, a sua o ganização e os ecu sos dos indi íduos
do que p op iamen e da idade biológica dos indi iduos. Mo ei a e al (2012) ale am
p ecisamen e pa a a necessidade de se em ealizados no os es udos pa a melho
comp eende de que o ma é que o declínio ísico e psicológico a e a a capacidade dos
indi íduos pa a o abalho.
As análises sociológicas sublinham, p ecisamen e, que a segunda pa e da
ca ei a p o issional é uma cons ução social condicionada pela o ganização dos empos
de abalho e não abalho (Guillema d, 2003). Moody de ende que não exis em ac os
e iden es no en elhecimen o social. No caso da passagem à e o ma de ende que “ (…)
a é ce o pon o a e o ma é um signi icado pa ilhado de acon ecimen os sociais, uma
in e p e ação da azão do indi íduo já não pa icipa na o ça labo al paga. (…) A
acei ação pouco exigen e da e o ma que se a alia como um « ac o» ambíguo ace ca
do mundo social o na-se uma espécie de mis i icação da expe iência de desemp ego
i ida e da doença c ónica, e es a mis i icação em consequências ideológicas e
polí icas.” (ci . po Phillipson, 1998, p. 12-13). Is o implica necessa iamen e um diálogo
en e a pessoa mais elha, a comunidade académica e os écnicos mais di e amen e
en ol idos nas es a égias di ecionadas pa a o en elhecimen o. Mais do que uma ideia
de dependência, a elhice de e se is a como uma condição emancipa ó ia.
Numa sociedade em cons an e mudança, o na-se necessá io analisa quais os
sen idos que os indi íduos con e em a cada uma des as ases do ciclo da ida. Todas
es as al e ações podem signi ica uma lexibilidade que ca ac e iza os modos como os
sujei os enca am as di e sas dimensões da sua ida, como é o caso do abalho, da
educação e da ges ão dos empos de laze .
As p incipais pe spe i as sob e o en elhecimen o são, mui as ezes, a eigadas
de alo es sociais de o ma mais ou menos explíci as e que ão po sua ez, in luencia ,
de ce a o ma, os alo es sociais dominan es sob e a elhice. Mui as eo ias acabam
po e le i alo es sociais de uma o ma ac í ica (Moody, 2006). Além disso, nenhuma
das eo ias ap esen adas esgo a o campo de análise do en elhecimen o, ainda que sejam
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
112
ep esen a i as dos p incipais eixos de análise e in e enção nes e domínio.
Demons am, ainda, a impo ância da in e disciplina idade na análise des e enómeno.
De ac o, o desen ol imen o de á ias pe spe i as sob e o p ocesso de en elhecimen o
aduz-se hoje num mais e mais comple o conhecimen o mul idisciplina sob e es e
enómeno que e idencia as suas a iadas componen es – biológica, psicológica e social,
bem como os seus múl iplos impac os, nomeadamen e sociais, cul u ais e económicos.
Demons am, ainda, que a expe iência da elhice e do p ocesso do en elhecimen o são
in luenciadas pelo empo e pelo espaço do momen o da análise. De ou a o ma, as
ep esen ações sob e o en elhecimen o são um p odu o de cons uções sociais.
As sociedades a uais são mui o di e en es das an e io es o que ob iga,
necessa iamen e, a uma al e ação dos pad ões de a uação com is a à sua adequação às
mudanças deco en es da al e ação dos pad ões demog á icos (Fe nandes, 2001).
Conside a-se a ualmen e se possí el en en a com êxi o os desa ios do
en elhecimen o, seguindo, nomeadamen e, uma abo dagem cen ada em odo o ciclo de
ida dos indi íduos e que alo ize o po encial de odas as ge ações, especialmen e das
mais elhas. Is o implica necessa iamen e es a égias e inicia i as que man enham os
indi íduos a i os, seja na sua condição de abalhado es, consumido es, cidadãos ou
p es ado es de cuidados endo, como pano de undo, a solida iedade in e ge acional. No
pon o seguin e i emos abo da p ecisamen e o pa adigma do en elhecimen o a i o que
en o ma g ande pa e das in e enções no domínio do en elhecimen o, explicando a sua
o igem, in e p e ações, obje i os, de e minan es e esul ados a é en ão alcançados.
2.3. ENVELHECIMENTO ATIVO
Os a uais pa adigmas de análise do en elhecimen o demog á ico êm
e idenciado a necessidade da de inição e implemen ação de polí icas sociais que
espondam às necessidades das sociedades e dos indi íduos deco en es des e p ocesso.
Impõe-se, en ão, ques iona as possibilidades e desenha os limi es de como a ques ão
do en elhecimen o de e se hoje a ada pelas sociedades ac uais (Fe nandes, 2007b).
Ins i uições polí icas sup anacionais e nacionais, como a União Eu opeia e os
seus Es ados-memb os, inicia am um mo imen o de discussão e e lexão ace ca dos
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
113
múl iplos impac os do en elhecimen o. As es a égias de in e enção de inidas isam,
de o ma la a, comba e si uações de idadismo, isolamen o social, doença ou pob eza
en e os mais elhos, e p omo e a in eg ação e pa icipação a i a dos mais elhos nas
a iadas es e as sociais. Es a discussão ala gada em p ocu ado ein en a o signi icado
do en elhecimen o e ede ini o espaço ese ado aos mais elhos (Ribei o, 2012),
nomeadamen e ao ní el do me cado de abalho, das elações amilia es, da cidadania
ou das ins i uições polí icas ou, de o ma la a, p opo ciona condições pa a um
en elhecimen o com maio qualidade de ida e o omen o de uma imagem posi i a dos
idosos. Em consequência êm sido de inidas e implemen adas medidas e p og amas
polí icos de in e enção no domínio dos impac os do en elhecimen o demog á ico.
O modelo adicional de o ganização social das sociedades oi abalado pelos
impac os económicos, sociais, cul u ais, en e ou os, deco en es do en elhecimen o
demog á ico. Em esul ado, nas úl imas décadas do século XX su gi am desequilíb ios,
nomeadamen e a ní el in e ge acional, aos quais é necessá io da espos a a a és de
uma eo ganização social da qual esul e um no o es ado de equilíb io. Apesa de a
possibilidade des e p ocesso esul a num aumen o das ensões e numa possí el u u a
das o mas de o ganização social igen es, o en elhecimen o demog á ico pode e ela
“um po encial de no as dinâmicas que ab em espaço pa a epensa e e e alguns
desses a anjos cole i os” (Lopes; Gonçal es, 2012).
Nes a discussão sob e o en elhecimen o demog á ico e p ocu a de es a égias de
in e enção assume pa icula ele ância o concei o de en elhecimen o a i o. A sua
complexidade es á pa en e na di e sidade das suas u ilizações e de inições, não obs an e
o p edomínio de duas aceções as quais esul am, em pa e, dos di e en es obje i os e
âmbi o de a uação dos o ganismos conside ados (Ma ques e al, 2012). Uma p imei a,
sob e udo u ilizada pela União Eu opeia, O ganização pa a a Coope ação e
Desen ol imen o Económico (OCDE) e Banco Mundial coloca a ónica na pa icipação
dos abalhado es mais elhos (55 aos 64 anos) no me cado de abalho, no
p olongamen o do empo da sua aje ó ia p o issional e nas condições de saúde e de
abalho e, po an o, na a i idade, seja p odu i a ou não, não obs an e uma cla a
e e ência ao p olongamen o da ida a i a e à sua elação com o es ado de saúde dos
indi íduos; a ou a, ap esen ada pela O ganização Mundial de Saúde, cen a-se nos
pila es da pa icipação social, na saúde e no bem-es a dos mais elhos.
Es as duas pe spe i as êm em comum a conside ação de que se os indi íduos
i em mais anos e em melho es condições de saúde podem, ambém po isso, p olonga
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
114
a sua ida a i a. Resul a ambém da de esa de que a ligação ao mundo do abalho
p omo e á a in eg ação dos indi íduos na sociedade. Não se a a po an o apenas de
aumen a a idade da e o ma mas ambém de c ia condições de es ímulo às pessoas
pa a que p olonguem a sua a i idade. Po ém, a pa icipação dos mais elhos no
me cado de abalho mui as ezes é en endida numa pe spe i a económica com is a à
edução da p essão económica e inancei a sob e os sis emas de p o eção social e de
p ocu a de equilíb io en e a população a i a e a ina i a.
Apesa das suas di e en es aceções, a necessidade de de ini e aplica es a égias
de in e enção e espos a ao en elhecimen o demog á ico ans o mou o pa adigma do
en elhecimen o a i o num p opósi o cole i o e um impo an íssimo obje o polí ico
(Ribei o, 2012). Pa a Fe nández-Balles e os e al. (2011), o modelo de en elhecimen o
a i o eio assumi -se como um no o pa adigma de comba e a es e eó ipos nega i os
associados aos mais elhos po ia, nomeadamen e, da de esa e incen i o da sua maio
pa icipação e in eg ação na sociedade. Ac escen a, con udo, que é undamen al pa a o
sucesso des e p ocesso que a sociedade econheça e alo ize os conhecimen os e
compe ências dos mais elhos, pe spe i ando-os enquan o um ecu so undamen al pa a
o seu p óp io desen ol imen o.
A de inição de en elhecimen o a i o da OMS su giu em inais da década de
1990, na Con e ência Mundial sob e o En elhecimen o, sendo ap esen ado enquan o um
p ocesso de o imização de opo unidades de saúde, pa icipação e segu ança que isa
melho a a qualidade de ida ao longo do p ocesso de en elhecimen o (WHO, 2002).
Implica au onomia, independência – nas a i idades (ins umen ais) de ida diá ias,
expec a i a de uma ida saudá el e qualidade de ida. Tem como de e minan es i) as
ca ac e ís icas do indi íduo (aspe os biológicos, gené icos e psicológicos), ii) a iá eis
de na u eza compo amen al (es ilo de ida saudá el e pa icipação no cuidado na
p óp ia saúde), económicas ( endimen os, p o eção social, opo unidades de abalho
digno), meio ísico (acessibilidade a se iços de anspo e, mo adias e izinhanças
segu as e ap op iadas, água limpa, a pu o e alimen os segu os) e meio social (apoio
social, educação e al abe ização, p e enção de iolência e abuso), iii) saúde e se iços
sociais (acessí eis e de qualidade, o ien ados pa a a p omoção da saúde e doenças).
Do pon o de is a eó ico, o concei o de en elhecimen o a i o é sus en ado an o
pelos de e minan es ap esen ados como pela pe spe i a do ciclo i al (Ribei o, 2012),
is o é, pelo econhecimen o de que os moldes da i ência do p ocesso de
en elhecimen o es ão in insecamen e elacionados com odo o pe cu so de ida dos
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
115
indi íduos, nomeadamen e ao ní el das es e as do abalho, amília e g upo de pa es,
bem como pelo con ex o social que de ine e a ibui o papel social de elho. Apesa
des es de e minan es, a p óp ia OMS econhece a exis ência de ou os a o es que
podem p opicia ou di icul a a mudança social que o modelo de en elhecimen o a i o
se p opõe a se , nomeadamen e o géne o e a cul u a.
O concei o de en elhecimen o a i o é sus en ado em ês pila es, não se
esgo ando unicamen e numa p eocupação com o es ado de saúde dos mais elhos. Tem,
pelo con á io, um alcance mais as o com ou os domínios, nomeadamen e com o bem-
es a ísico, social e men al dos mais elhos e que deco em dos pila es da pa icipação
social e segu ança. O p imei o eme e pa a um conjun o de a i idades elacionadas com
a e en e social da ida, nomeadamen e ao ní el do me cado de abalho, educação e
cidadania, incen i ando a uma maio con ibuição e in eg ação dos mais elhos na
sociedade. O segundo es á es i amen e elacionado com a sua p o eção, com is a a
assegu a a sa is ação das necessidades dos mais elhos e o espei o pela sua dignidade.
O concei o de en elhecimen o a i o si ua o en elhecimen o indi idual num
âmbi o social, e idenciando uma mul iplicidade de implicações des e p ocesso. Tem
como pa icula i ualidade o ac o de se a as a de uma isão mais indi idual e,
po an o, mais es i a do en elhecimen o (Fe nandes; Bo elho, 2007). A p imei a
elaciona-se com a pe ceção dos p óp ios indi íduos ace ca do seu po encial pa a um
maio bem-es a ísico, social e men al du an e o seu ciclo de ida, o qual en o ma os
moldes da sua o ma de pa icipação na sociedade. A segunda com aspe os mais ligados
à p o eção, cuidados adequados e segu ança que a sociedade disponibiliza. T a a-se
po an o da ga an ia dada pela sociedade ela i amen e às condições de o imização das
capacidades dos indi íduos. Conside ou-se o as o cená io em que es es se inse em,
pa icula men e ao ní el das suas ca ac e ís icas indi iduais e e en es à comunidade em
que es ão in eg ados, a qual unciona como elemen o cha e pa a a aplicação de medidas
de adequadas. O en elhecimen o a i o implica uma pa icipação con ínua, mesmo
daqueles que se e o ma am, que êm ou algum p oblema de saúde ou alguma limi ação
que não implica, necessa iamen e, que não exis a pa icipação social.
A saúde no en elhecimen o é um aspe o de g ande ele ância, seja ao ní el do
bem-es a ísico, men al ou social, além da manu enção e p omoção da au onomia e da
independência dos idosos, qualidade de ida e expe a i a de uma ida saudá el (OMS,
2005). A assunção de que o en elhecimen o a i o passa necessa iamen e po um bom
es ado de saúde e po um bem-es a gene alizado dos indi íduos inse e-se nas

CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
116
p eocupações dos Es ados ace ca do en elhecimen o. De ou a o ma, uma ida mais
saudá el e com maio qualidade aduzi -se-á numa meno necessidade de cuidados de
saúde ou apoio social e, consequen emen e, em meno es cus os com os sis emas de
saúde e de apoio social, aspe o que se e ela impe a i o no a ual con ex o de c ise de
sus en abilidade dos Es ados-P o idência.
A econhecida ab angência do en elhecimen o a i o e a e e ência às suas
múl iplas e en es e de e minan es cons i uem uma das duas g andes i ualidades.
Re e idas an e io men e. Con udo, es a ca ac e ís ica pe de -se-á numa u ilização mais
equen e do concei o que se ci cunsc e a a um conjun o es i o de ques ões
elacionadas com o exe cício ísico e a uncionalidade (numa lógica de p ocu a de um
melho es ado de saúde) ou sob e o p olongamen o da ida a i a, onde a componen e
económica e social são idas como cen ais (Ribei o, 2012).
Subjacen e ao modelo de en elhecimen o a i o es á uma dupla esponsabilização
po pa e dos Es ados e dos indi íduos. Dos p imei os espe a-se que de inam es a égias
de in e enção que p omo am um en elhecimen o saudá el, a i o, com opo unidades
de pa icipação e de bem-es a . Dos segundos espe a-se que sejam esponsá eis pelo
ap o ei amen o das opo unidades c iadas pa a que os p óp ios sejam agen es a i os no
seu p ocesso de en elhecimen o.
Vá ios ale as êm sido ei os no sen ido da ecusa de uma isão “homogénea ou
homogeneizan e” dos mais elhos (Lopes; Gonçal es, 2012) que do e es e g upo e á io
de ca ac e ís icas, expec a i as e de um pa imónio amilia e labo al idên icos. O e o
mais comum que daqui deco e é a não de inição de es a égias de in e enção
di e enciadas o que esul a numa isão dos mais elhos como um g upo uni o me. A
al e na i a passa necessa iamen e pela a enção à subje i idade ine en e ao se a i o, is o
é, à conside ação dos in e esses e obje i os pa icula es dos mais elhos numa lógica de
a enção às suas ca ac e ís icas. Es e aspe o eme e-nos necessa iamen e pa a os já
e e idos pila es eó icos do modelo de en elhecimen o a i o que isam p ecisamen e a
impo ância ulc al do pe cu so de ida dos idosos e de uma mul iplicidade de
de e minan es na o ma como es es expe ienciam o p ocesso de en elhecimen o.
Impo a, assim, a en a nas expec a i as, in e esses e obje i os dos mais elhos pa a que
a de inição de es a égias de en elhecimen o a i o não signi ique uma di e gência en e
os e e enciais da população al o e os polí icos, podendo es es úl imos assumi
essencialmen e um ca iz mais económico. Na opinião de Ribei o (2012), es e aspe o
cons i ui uma c í ica a uma isão de e minis a sob e o en elhecimen o, p esen e na
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
117
de inição da OMS, nomeadamen e, qunando des alo izando a subje i idade
necessa iamen e p esen e nes e p ocesso, iden i ica apenas a iá eis obje i amen e
mensu á eis pa a que se e i ique, ou não, um en elhecimen o a i o.
O en endimen o do concei o de en elhecimen o a i o como modelo de
in e enção p imo dial susci ou um conjun o de p eocupações cien í icas, de ca iz
desc i i o ou explica i o (Ribei o, 2012), que se êm ma e ializado num conjun o de
in es igações cien í icas. En e ou os aspe os, es as êm p ocu ado p oblema iza as
dimensões biológicas, psicológicas e sociais do p ocesso de en elhecimen o, os seus
de e minan es e a e icácia de es a égias de in e enção nes e domínio.
No campo da sociologia, pensa o en elhecimen o a i o, implica
necessa iamen e “ e le i sob e as condições e c i é ios da idade e como es es de em
se epensados no con ex o das sociedades de mode nidade a ançada, pau adas pela
globalização e pelo isco” (Ca endec, 2008; Beck, 2006 ci . po Lopes; Gonçal es,
2012). Os abalhos de âmbi o sociológico desen ol idos nes e domínio êm explo ado,
en ão, as dinâmicas sociais que subjazem a uma econ igu ação das es u u as e da
o ganização social, bem como daquelas que es ão na génese de um en elhecimen o
socialmen e di e enciado, ainda que pe sis a a necessidade de uma e lexão sociológica
p óp ia. (Machado, 2008). Não obs an e, são econhecidos os es o ços no sen ido da
p oblema ização das o mas de c iação e dis ibuição de opo unidades de saúde,
pa icipação e segu ança, “como seja a sua na u eza socialmen e assimé ica, o seu eal
alcance e o mas de ap op iação, ou os con ex os sociais e ambien ais em que as
opo unidades se conc e izam” (Ribei o, 2012, p. 41)
Na ealidade po uguesa des aca-se a ecen e e lexão de Lopes e Gonçal es
(2012) ace ca da econ igu ação de es e as de o ganização social esul an es da p ocu a
de es a égias de espos a aos desa ios do en elhecimen o da população, as quais omam
o ma pelo en elhecimen o a i o. Os au o es oca am-se pa icula men e em duas
dinâmicas de ampla discussão académicas e polí icas: as elações en e me cado de
abalho, po um lado, e das elações amilia es, po ou o.
Os au o es concluí am ace ca do papel cen al das elações amilia es no bem-
es a dos indi íduos ao longo da sua ida, o que é sob e udo sen ido en e os idosos,
conside ando o comum a as amen o des es dou as es e as da sua ida, nomeadamen e
do abalho. Apesa des a econhecida impo ância da es e a amilia , os au o es ale am
pa a a exis ência de pe spe i as unidi ecionais sob e o luga do idoso que acilmen e se
aduzem numa imagem nega i a sob e es e, endencialmen e enca ado como um
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
118
consumido de ecu sos e não como um ecu so em si, nomeadamen e ao ní el do apoio
aos mais no os, sob e udo num cená io de ecuo do Es ado-P o idência. Chamam ainda
a a enção pa a a ausência de medidas polí icas conc e as ela i as ao en elhecimen o no
seio amilia , con a iamen e ao pos ulado pelo modelo do en elhecimen o a i o.
Ao ní el da in e enção polí ica, o en elhecimen o a i o cons i ui a ualmen e
uma es a égia polí ica undamen al de ampla in e enção no domínio do
en elhecimen o. Resul a num comp omisso polí ico dos Es ados com as sociedades
(Ribei o, 2012). O cen o das polí icas e ins umen os ado ados êm sido a manu enção
de um es ado de saúde saudá el en e os mais elhos, p eocupação com e ei os di e os
na edução dos cus os com os sis emas de saúde e de apoio social, um aspe o p io i á io
no a ual cená io de c ise económica e de eequilíb io o çamen al da gene alidade dos
países desen ol idos, o p olongamen o empo al da a i idade p o issional, com is a ao
aumen o das axas de emp ego, pa icula men e dos abalhado es mais elhos (55 aos
64 anos) e a uma edução dos enca gos com o pagamen o de pensões, e ainda o
incen i o dos mais elhos ao usu u o da sua cidadania po ia da in eg ação em
p ocessos polí icos e comuni á ios.
O papel de des aque que o en elhecimen o a i o assumiu na agenda polí ica
eu opeia es á pa en e, nomeadamen e, na de inição de 2012 como Ano Eu opeu do
En elhecimen o A i o e da Solida iedade en e Ge ações. Es e ano e e como obje i os
“Valo iza e sublinha os con ibu os ú eis que as pessoas mais elhas p es am à
sociedade e à economia, e o ça a sua independência, bem como a solida iedade en e
as ge ações” (Comissão Eu opeia, 2007). No balanço des e ano eu opeu, a UE-27
e idencia a sua impo ância pa a o desen ol imen o de uma dinâmica polí ica que
en ol eu in e enien es polí icos aos mais a iados ní eis, desde a UE-27,
adminis ações locais e o ganizações da sociedade ci il em ep esen ação de á ias
ge ações. Des a dinâmica esul a am p opos as de esolução dos p oblemas deco en es
do en elhecimen o demog á ico e de ap o ei amen o das opo unidades a es e
associadas. Não se a ou po an o apenas de sensibiliza a opinião pública ace ca da
necessidade e impo ância de muda ep esen ações e a i udes ace ca dos mais elhos
mas, além disso, de ope acionaliza os esul ados alcançados em medidas conc e as de
p omoção do en elhecimen o a i o assegu ando, assim, a coesão social e a p ospe idade
com is a ao bem-es a de odas as ge ações.
É a ualmen e obje i o da UE-27 p omo e a solida iedade in e ge acional,
econhecendo que o en elhecimen o implica a c iação de condições a uma maio
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
119
independência e au onomia dos mais elhos o que passam necessa iamen e po uma
epa ição equilib ada de ecu sos e opo unidades en e as ge ações e pela c iação de
uma sociedade que p opo cione condições de desen ol imen o aos indi íduos de odas
as idades. Pa a esse e ei o em ap esen ado um conjun o de documen os que enunciam
medidas pa a a p omoção local e egional do en elhecimen o a i o e das p óp ias
decla ações de comp omisso assumidas pelos países-memb os, em pa alelo à de inição
au ónoma de es a égias no sen ido de p omo e o en elhecimen o a i o e
ecomendações po á ios países eu opeus.
Es e o ganismo assume cla amen e a sua g ande de e minação em p omo e es e
pa adigma sendo exemplo disso a o mulação dos P incípios O ien ado es pa a o
En elhecimen o A i o e a Solida iedade en e as Ge ações. Nes e documen o en a iza
os con ibu os dos mais elhos pa a a economia e pa a a sociedade po enciados po
melho es condições de saúde e educação que es es êm alcançado ao longo das úl imas
décadas e que podem e o ça maio es con ibu os dados po eles e a explo ação do seu
po encial. Con udo, a UE-27 sal agua da que al só se á possí el se exis i em
opo unidades de bem-es a ísico, social e men al ao longo do cu so de ida.
O pa adigma do en elhecimen o a i o p opõe-se p ecisamen e da espos a às
necessidades de uma maio qualidade de ida dos indi íduos, a melho a a sua
p odu i idade e a impulsiona a solida iedade en e ge ações, bem como aumen a a
pa icipação dos mais elhos no me cado de abalho e as suas axas de emp ego, a pa
de eduzi a pob eza e a exclusão social, enquad ando-se po an o nas me as da
Es a égia Eu opa 2020.
Po es a azão a EU-27 de ine como p incípios o ien ado es pa a o
en elhecimen o a i o e a solida iedade en e ge ações os domínios do emp ego, da
pa icipação na sociedade e de uma ida independen e. Não obs an e a de inição de
o ien ações comuns com base no pa adigma de en elhecimen o a i o, a UE-27
sal agua da que a sua aplicação de e a en a as di e enças en e Es ados-Memb os,
nomeadamen e do pon o de is a o ganizacional, dos ecu sos disponí eis, das suas
ci cuns âncias e dos desa ios especí icos com que se deba em. F isa ainda a impo ância
do en ol imen o e pa icipação de múl iplos agen es, desde au o idades públicas, ao
mais a iado ní el, a en idades p i adas, como emp esas, pa cei os sociais,
o ganizações da sociedade ci il, p es ado es de se iços e meios de comunicação social.
Re o ça ambém a impo ância da ino ação social e de uma melho u ilização das no as
ecnologias enquan o ins umen os de p omoção do en elhecimen o a i o.
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
126
associações ou ou as o ganizações de ca iz polí ica ou social. O oco de e á ecai em
a i idades que p opiciem bem-es a aos mais elhos, independen emen e da sua maio
ou meno alo ização social e/ou económica, colocando a ónica nos mais elhos
enquan o capi al social. Apesa do ca ác e “não p odu i o” des as a i idades mais
associadas ao laze , é impo an e conside a a sua ele ância no quo idiano dos mais
elhos, nomeadamen e ao ní el da manu enção de edes sociais, de um es ado de saúde
sa is a ó io, a condições cogni i as e ao bem-es a . T a a-se, po an o, de coloca a
ónica nos in e esses do sujei o e não apenas nos da sociedade que passam,
nomeadamen e, pela manu enção da dimensão p odu i a dos indi íduos.
É al ualmen e inegá el a impo ância que o en elhecimen o a i o assumiu nos
discu sos polí icos e nas es a égias de in e enção seguidas no domínio do
en elhecimen o, bem como ao ní el académico e de discussão cien í ica. Não obs an e,
Ribei o (2012) conside a se em ainda escassas as e lexões cien í icas ap o undadas
sob e es e concei o, sob e udo se numa lógica compa a i a com ou os e mos de g ande
di usão nas á eas da saúde ou da psicologia/sociologia, como são exemplo os concei os
de en elhecimen o “saudá el” e “bem-sucedido”, espe i amen e. O au o jus i ica es e
ac o, nomeadamen e pela cu a exis ência do concei o de en elhecimen o a i o, a pa
da in enção de alguns au o es em se abs e em da p oblema ização do e mo “a i o” po
lhe econhece em a inculação a uma imagem posi i a do en elhecimen o (como
pa icipação ou inclusão social). Con udo, algumas c í icas êm sido ei as com base no
ca ác e “nebuloso e inespecí ico” do concei o do qual deco em di iculdades de
ope acionalização pelos p óp ios agen es que o p econizam. A is o ac esce a di iculdade
na de inição de c i é ios de en elhecimen o a i o de po encial di ícil alcance.
As c í icas e e idas eme em necessa iamen e pa a a impo ância de cla i ica o
que é es a ou pe manece “a i o” pa a que, assim, possa exis i um en endimen o
comum do concei o, nomeadamen e po aqueles que mais a i amen e pa icipam na
de inição e aplicação de es a égias de p omoção do en elhecimen o a i o. Es ão em
causa, nomeadamen e, agen es polí icos, p o issionais dos cuidados de saúde e se iços
sociais, in es igado es ou, de o ma mais la a, a sociedade.
Uma ou a c í ica deco e da al a de e idências empí icas quan o à ab angência
do concei o. Na opinião de Fe nández-Balles e os e al. (2011), esse adica no
explanandum e no esplanands do concei o, ou seja, na di iculdade de dissociação en e
ou os e mos mais equen emen e u ilizados, além da sua associação com ou os de
g ande ampli ude, ais como “sa is ação de ida” e “qualidade de ida”. Daqui esul ou

CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
127
uma p eocupação em disce ni aqueles que são os cons i uin es e os de e minan es do
p ocesso de en elhecimen o, o que nos eme e necessa iamen e pa a a di e enciação
en e o po encial pa a a ealização de a i idades, idas como deco en es de um
en elhecimen o a i o e, depois, a sua e e i a conc e ização.
Pe an e o que Ribei o (2012) designa de “ema anhado concep ual” su ge a
necessidade de encon a mecanismos de cla i icação do que é, en ão, qualidade de ida
e, associado, de e i icação da alidade do modelo da OMS na de e minação do mesmo.
Pa a o au o , é essencial a iden i icação de uma “ a iá el dependen e” a pa i da qual se
possam es abelece elações de causalidade, como acon ece com ou as designações,
como en elhecimen o “bem-sucedido” ou “mal-sucedido”. Não obs an e, é econhecido
não se obje i o do modelo da OMS es abelece elações de causalidade mas sim
iden i ica aspe os passí eis de in luencia o en elhecimen o ao longo da ida,
p omo endo es a égias mais e icazes e uma isão mais posi i a dos idosos. Assim, a
exis ência de e idências cien í icas ace ca dos de e minan es do en elhecimen o pa a
um maio bem-es a , saúde e qualidade de ida dos idosos é impo an e ap o unda o
conhecimen o desses p ocessos pa a que, assim, se supe em obs áculos deco en es das
di iculdades na sua mensu ação e da cla i icação dos p ocessos que compo a.
Impo a ainda conside a um ou o isco possi elmen e deco en e das
es a égias de en elhecimen o a i o e que deco e do seu possí el ca ác e coe ci o, a
pa i do momen o em que es as se cons i uem enquan o uma “ob igação” pa a os mais
elhos, impelidos necessa iamen e a ap o ei a as opo unidades do en elhecimen o
a i o (Lopes; Gonçal es, 2012). Pa a aqueles que não se enquad am nes as es a égias,
seja po opção, po não se inse i em na es a égia delineada ou po desen ol e em
a i idades de meno alo social ou com pouca ele ância económica, ao ab igo de uma
lei u a homogénea dos mais elhos, é g ande o isco de ma ginalização. Exemplo disso
são os mais elhos den o dos idosos (75 ou mais anos) que po e em uma maio
p obabilidade de pe da mais signi ica i a em e mos ísicos e cogni i os, em
consequência da sua idade, se podem encon a longe dos equisi os de en elhecimen o
a i o. Es e concei o não de e, con udo, e um ca ác e demasiadamen e es i i o e
ambicioso que “não econheça po enciais de o imização adap a i a indi iduais
(sob e udo em con ex os e populações agilizadas) pode ge a no as o mas de
idadismo, no qual o medo de en elhece é subs i uído pelo medo de en elhece com
incapacidade, imp odu i o e à ma gem do idealizado, no qual idosos dependen es
so e ão ma ginalização” (Angus; Ree e, 2006 ci . po Ribei o, 2012). É impo an e,
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
128
po an o, uma lógica p ocessual, em de imen o de uma ocada em esul ados. Em
consequência, de e ão p e alece c i é ios de êxi o obje i amen e iden i icá eis mas
que sejam a iados e lexí eis e que incluam pe spe i as (sociais, cien i icas, pessoais),
c i é ios (obje i os e subje i os) e no mas ( uncionais, es a ís icas ou ideais).
A uni o midade de polí icas de en elhecimen o a i o eme e-nos uma ez mais
pa a os pe igos de uma cons ução social do g upo dos idosos como possuindo
ca ac e ís icas, obje i os e expe a i as idên icas. De ou a o ma, as posições
indi iduais e as necessidades de cada indi íduo êm que se pe spe i adas a pa i dos
p óp ios e não de em, po an o, se ex e io izadas (Moody, 2006). Impo a, en ão,
a en a no ale a lançado po Lopes e Gonçal es ace ca dos “ iscos op essi os do
concei o ao de e mina pad ões e/ou pe is demasiado es i i os e a possí el
ma ginalização de indi íduos que não pe encendo a g upos cul u almen e dominan es
pode ão e eduzidas as possibilidades de in eg a a ep esen ação cole i a desse
modelo posi i o de en elhece ” (Lopes, Gonçal es 2012, p. 47).
Pa a Almeida (2007), a imposição de um modelo de en elhecimen o a i o
uni e sal que imponha pad ões ex e io es aos indi íduos nega obje i amen e aos
p óp ios, comunidades e cul u as o di ei o à econhecida di e sidade exis en e en e
aqueles que pa ilham uma idade den o de um mesmo g upo e á io. Pa a al, é essencial
que qualque es a égia de en elhecimen o a i o a en e no ciclo de ida dos indi íduos
aos quais se di ige.
Nes e capí ulo demons ámos que o en elhecimen o é um enómeno social o al
e, po isso, com múl iplas implicações na ida indi idual e social. Não obs an e se um
p ocesso biológico na u al e i e e sí el, a p ocu a cons an e de uma melho qualidade
de ida e bem-es a gene alizado dos indi íduos, u o dos a anços na p es ação de
cuidados de saúde, da p á ica de a i idade ísica, de uma melho alimen ação e da
adoção de no os es ilos de ida, em possibili ado um en elhecimen o mais saudá el e
com impac os mais a enuados, an o do pon o de is a ísico como psicológico. Há,
en ão, um meno declínio das capacidades ísicas e cogni i as dos indi íduos à medida
que es es ão en elhecendo.
As abo dagens sob e o en elhecimen o, nomeadamen e as desen ol idas no
âmbi o da Sociologia, e le em a e olução na o ma de pe spe i a os seus impac os
indi iduais e sociais. Da isão dos mais elhos como um a do e um p oblema social,
CAPÍTULO II. Abo dagens Sociológicas ao En elhecimen o
129
ibu á io de pa adigmas que olha am pa a os mais elhos como inú eis, passamos hoje
a pe spe i as que alo izam o conjun o de expe iências em múl iplas es e as da ida dos
indi íduos pa a a o ma como mais a de es es ão expe iencia o en elhecimen o. Es e
passou en ão a se en endido como esul ado de odo o cu so de ida e não apenas como
uma de adei a ase da ida que se seguia na u almen e à adul ez. Es as no as
pe spe i as a en as a odo o pe cu so de ida dos indi íduos chamam, en ão, a a enção
pa a a impo ância de conside a a subje i idade na i ência do en elhecimen o.
Não só do pon o de is a cien í ico se desen ol e am no as pe spe i as sob e o
en elhecimen o. Hou e ambém uma al e ação das ep esen ações da sociedade sob e o
p ocesso de en elhecimen o e, consequen emen e, da posição dos mais elhos na
es u u a social. Resul ado des a no a conceção sob e o en elhecimen o são as p óp ias
polí icas de p omoção do en elhecimen o a i o enquan o es a égia de epos a ao
ca ác e es u u al do en elhecimen o demog á ico e às suas consequências pa a as
sociedades. Es e pa adigma em na u eza polí ica e é supo ado na p omoção da saúde,
bem-es a e pa icipação social dos mais elhos. A ualmen e en o ma as o ien ações
polí icas di ecionadas pa a o en elhecimen o p omo idas pela UE-27.
CAPÍTULO III
Dinâmicas Demog á icas na União Eu opeia e em Po ugal

CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
133
Nas úl imas décadas do século XX os países desen ol idos o am ma cados po
no as dinâmicas demog á icas esul an es de uma diminuição g adual da ecundidade e
da mo alidade. Em consequência, ambém o i mo de c escimen o da população
ab andou. As pi âmides demog á icas desses países começa am a assumi uma no a
con igu ação ma cada po um es ei amen o da base, esul an e de uma diminuição do
núme o de nascimen os e, po an o, dos indi iduos nos escaçõlões e á ios mais jo ens, e
po um ala gamen o do opo consequen e de um aumen o absolu o e ela i o da
população mais elha. Es e p ocesso de en elhecimen o demog á ico assume-se
a ualmen e como endo um ca ác e es u u al que ma ca inequi ocamen e a e olução
espe ada da população mundial.
Nes e Capí ulo começamos po explo a o concei o de en elhecimen o
demog á ico ocando, pa icula men e, as abo dagens da Demog a ia ao mesmo.
Discu imos ambém o en elhecimen o demog á ico no con ex o eu opeu e po uguês,
em especí ico, e concluímos dando con a das p e isões de e olução demog á ica pa a o
ho izon e de 2060.
3.1. CONCEITO DE ENVELHECIMENTO DEMOGRÁFICO
Ao longo do empo, a Demog a ia em ocupado um papel cen al na ecolha e
sis ema ização de in o mação ace ca dos mo imen os da população, sejam es es
na u ais ou deco en es de mo imen os mig a ó ios, bem como na de inição de g andes
endências demog á icas, nomeadamen e do en elhecimen o demog á ico. Es a
in o mação em cons i uído uma impo an e e amen a de abalho pa a a análise
ealizada pos e io men e pelas ciências sociais, nomeadamen e pela Sociologia.
Inicialmen e, a Demog a ia p oduzia essencialmen e dados quan i a i os. Na a ualidade
es á di ecionada pa a uma p odução de ca ác e mais quali a i o, assumindo “no as
abo dagens epis emológicas e eó icas, assim como e le e os con ibu os da
in e disciplina idade como p incípio epis emológico undamen al” (Dias; Rod igues,
2012, p. 180). Nes e sen ido, a análise que a emos ace ca do concei o de
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
134
en elhecimen o demog á ico se á alice çada, num p imei o momen o, numa
e ospe i a dos p incipais con ibu os eó icos da Demog a ia.
Na década de 1930, Thompson (1929) obse ou p o undas modi icações no
pe il demog á ico dos países desen ol idos, especialmen e nos eu opeus. Em conc e o,
iden i icou endências de oscilação da na alidade e da mo alidade ao longo do empo
que p omo e am um aumen o populacional signi ica i o no início do século XX, o qual
oi designado po “ e olução demog á ica” e que se eio a cons i ui enquan o g elha
de lei u a das ans o mações demog á icas. Es e modelo oi desen ol ido po Land y
(A., 1934)que en ou ca ac e iza mais de alhadamen e as a iações obse adas nos
indicado es demog á icos. Não obs an e a ele ância dos con ibu os deco en es des e
modelo pa a a análise das mudanças obse adas ao ní el demog á ico, a sua limi ação
explica i a a ibuiu a es e modelo um ca ác e essencialmen e desc i i o da e olução da
ecundidade e mo alidade. Po conseguin e, es e modelo de “ e olução demog á ica”
não pode se en endido enquan o modelo demog á ico com obus ez su icien e pa a
supo a uma análise ampla e comple a das endências populacionais no adas nes e
pe íodo (Naza e h, 2009).
O ápido e c escen e aumen o da população mundial que se con inuou a obse a
a é à década de 1960 deu um no o ôlego à análise demog á ica. Nes e pe íodo, a
mode nização das sociedades adqui iu um papel pa icula men e impo an e na
explicação das al e ações no pe il demog á ico dos países. Conside a a-se que as
melho ias gene alizadas no bem-es a e na saúde dos indi íduos, que deco iam
p ecisamen e dos e ei os da mode nização, cons i uí am o mo e pa a uma al e ação nos
pad ões demog á icos (Fe nandes, 2008). Nes e pe íodo, a Demog a ia ence a a
es o ços essencialmen e pa a desco ina as causas subjacen es à edução da axa de
mo alidade, p ocu ando associá-la às melho ias nas condições de saúde deco en es do
desen ol imen o das sociedades. É a pa i des e momen o que podemos si ua o início
de uma análise demog á ica ex ensi a das causas e consequências das a iações nos
indicado es demog á icos, ainda que di ecionada pa a a mo alidade. Em consequência,
o modelo de e olução demog á ica começou a pe de o seu ca ác e de desc i o de
g andes endências demog á icas e começou a assumi um ca ác e mais analí ico e,
assim, passí el de explica o compo amen o demog á ico (Weeks, 2007).
Na década de 1970, o abalho de Ansley Coale deu um no o impulso à análise
demog á ica, na medida em que se cen ou na a iação da axa de ecundidade enquan o
a iá el ambém de e minan e das dinâmicas demog á icas. O au o p ocu ou explica
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
135
os mo i os subjacen es à diminuição da ecundidade que se obse a a já em alguns
países mais desen ol idos. Além disso, Coale a ibuiu pa icula impo ância ao papel
de a o es de o dem social, cul u al ou eligiosa pa a a al e ação dos indicado es
demog á icos e, em conc e o, no compo amen o na alis a.
A designação de ansição demog á ica su giu com F ank No es ein pa a
designa “a passagem de um es ado de equilíb io, em que a mo alidade e a
ecundidade êm ní eis ele ados, pa a um ou o es ado de equilíb io, em que a
mo alidade e a ecundidade ap esen am baixos ní eis, na sequência ou pa alelamen e
a um p ocesso de mode nização” (Naza e h, 2009, p. 40). A ualmen e, a ansição
demog á ica é um dos modelos eó icos mais impo an es da Demog a ia. Cons i ui uma
impo an e g elha de lei u a das al e ações no pe il demog á ico das populações, endo
não só uma ocação eu opeia, pa a a qual es a a ocacionada inicialmen e po e sido
nos países eu opeus que p imei amen e se começa am a obse a al e ações no pe il
demog á ico mas, na a ualidade, ambém à escala plane á ia po se es ende a odos os
países desen ol idos.
A eo ia da ansição demog á ica conside a a exis ência de qua o ases de
e olução demog á ica ca ac e izadas po di e en es es ádios dos indicado es
populacionais (Naza e h, 2009). A p imei a ase, de quase-equilíb io ou quase-
ansição é ma cada po ní eis ele ados de ecundidade e mo alidade. O ele ado
núme o de ilhos é explicado à luz de más condições higiénico-sani á ias que, po sua
ez, es ão na o igem de uma ele ada mo alidade. O i mo de aumen o dos nascimen os
é acompanhado em pa alelo pelo aumen o do núme o de mo es. Do consequen e baixo
núme o de jo ens e de idosos esul a uma pi âmide e á ia es ei a an o na base como no
opo. Nes a ase, o c escimen o na u al da população é mui o baixo. Es a ase oi
p imei amen e obse ada nos países mais desen ol idos da Eu opa no século XVIII.
A segunda ase de ansição é ca ac e izada po uma diminuição da mo alidade
enquan o consequência di e a de melho es condições de higiene e po uma melho ia dos
cuidados de saúde p es ados à população. Po sua ez, a ecundidade man ém-se
ele ada. Des e desequilíb io en e um meno núme o de mo es e a manu enção de um
ele ado núme o de nascimen os esul a um c escimen o posi i o da população. É es e
aumen o populacional que o igina um ala gamen o da base da pi âmide e á ia que
aduz um maio peso dos g upos e á ios jo ens. Es a ase oi obse ada no início do
século XX na gene alidade dos países em desen ol imen o.
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
142
uncional ace à c onológica, que en o ma as a uais pe spe i as eó icas sob e o
en elhecimen o (Guillema d, 2010), es á a dis inção en e as designadas e cei a e
qua a idades. Mais do que um ca ác e quan i a i o, as idades da elhice assumem um
ca ác e quali a i o. Pa a Bal hes e Smi h (2003) os aspe os mais posi i os da e cei a
idade adicam na expec a i a de uma ida mais p olongada e com melho es condições
ísicas e psicológicas, em maio es ese as cogni i as e emocionais, numa mais e icaz
ges ão dos ganhos e sus as pe das associadas ao en elhecimen o e, assim, de um maio
bem-es a . A passagem pa a a qua a idade implica a oco ência de um maio núme o de
pe das, nomeadamen e da deg adação do es ado ísico e cogni i o dos indi íduos, de
uma meno capacidade de ap endizagem, uma maio p e alência de pa ologias,
nomeadamen e ao ní el da demência, índices mais ele ados de dependência ace a
e cei os, bem como uma maio agilidade e mo bilidade.
A ca ego ização po idades e ela-se undamen al na o ma como pe cebemos as
pessoas, na medida em que “a idade unciona como um ma cado social impo an e,
de e minando os papéis sociais, o es a u o, o pode e as esponsabilidades que
a ibuímos aos di e en es g upos e á ios” (Ma ques e al., 2012, p. 58).
Pensa sob e o p ocesso de en elhecimen o demog á ico implica pensa ambém
sob e a condição de elho, is o é, sob e as cons uções e ep esen ações sociais sob e a
elhice. Comummen e, os indi íduos endem a associa es e e mo à ge ação an e io à
sua ou, en ão, pa a ca ego iza um subg upo especí ico da população, nomeadamen e
es udan es, abalhado es ou pensionis as mais elhos. Po ia de um ques ioná io do
Eu oba óme o (2012) conduzido en e Se emb o e Ou ub o de 2011, pe gun ou-se aos
inqui idos, com 15 ou mais anos de idade dos 27 países da UE-27, com que idade
conside a am que as pessoas são elhas. A média das espos as dadas oi de 63,9 anos,
sendo que apenas um em cada seis inqui idos se desc e eu como elho. Do pon o de
is a da de inição es a ís ica de elho, o Eu os a assume que “não há uma de inição
es a ís ica econhecida de « elho» ou “«mais elho»” (Eu os a , 2012a, p. 12). Em
consequência, a análise es a ís ica ei a po o ganismos como es e não se epo a ao
p ocesso de en elhecimen o populacional pe se, mas sim numa análise do olume e
es u u a dos g upos e á ios, e idenciando di e enças en e es es.
Uma ou a di iculdade sen ida na de inição de limi es à elhice deco e das
assime ias populacionais en e países, nomeadamen e en e os memb os da UE-27.
Es as êm na u eza adminis a i a, nomeadamen e pela a iedade de idades de passagem
à e o ma nos países memb os, em di e enças demog á icas deco en es dos di e en es

CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
143
pad ões de espe ança de ida obse ados e em a iações subje i as que deco em,
nomeadamen e, de di e en es opiniões quan o à qualidade de ida expe ienciada pelas
pessoas mais elhas.
Apesa da comp eensí el necessidade de de ini g upos e á ios, pa a u ilização
com ins es a ís icos nomeadamen e, é impo an e e p esen e a necessidade de e i a
análises gene alis as dos idosos com base na de inição de limi es e á ios que os
classi icam como elhos. À semelhança do que já oi discu ido no Capí ulo 2,
ea i mamos aqui que “os idosos não cons i uem um g upo homogéneo, nem do pon o
de is a das p á icas sociais e das ep esen ações simbólicas, nem do pon o de is a das
expec a i as ace à ida e ao u u o” (Dias; Rod igues, 2012, p. 186). Des e modo,
necessidade de se em de inidos limi es e á ios pa a ca ego iza os indi íduos pa a
e ei os especí icos não pode se con undida com a des alo ização da sua
indi idualidade e da i ência subje i a do en elhecimen o
Cons ança Paúl (2005a) ap esen a uma isão posi i a sob e as a uais
ep esen ação e a i udes ace ao en elhecimen o. Pa a a au o a, a sua e olução ao longo
do empo e le e não só um maio conhecimen o sob e a componen e biológica do
en elhecimen o, bem como das elações sociais e da cul u a dos di e sos momen os
his ó icos. Apesa de não pe spe i a os idosos enquan o g upo de isco, Paúl não nega a
sua maio ulne abilidade. Ac escen a, con udo, que a mesma pode se compensada po
ia de um eequilíb io en e o idoso e o seu meio ambien e, conseguido a a és de
es a égias de adap ação. Como discu i emos no Capí ulo 4, o ecu so a mecanismos de
adap ação, sob e udo os alice çados na expe iência p o issional acumulada, e elam-se
essenciais pa a a pe manência dos abalhado es mais elhos no me cado de abalho.
A ualmen e é impo an e ul apassa a adicional associação en e elhice,
doença e agilidade e conside a que “os memb os mais elhos da sociedade que
con inuam a se a i os êm o po encial de da uma con ibuição impo an e à
sociedade, po exemplo, a a és da ex ensão da sua pe manência no me cado de
abalho ou da sua pa icipação na ida amilia ou comuni á ia” (Eu os a , 2012a, p.
28). As polí icas desen ol idas nes a á ea de em oca -se no enco ajamen o das pessoas
mais elhas a con inua em saudá eis e au ónomas, an o quan o possí el. O indicado
de espe ança de ida sem incapacidade mos a que “em 2008, as mulhe es com 65 anos
na UE-27 pode iam espe a i e , em média, mais 8,4 anos li es de qualque
incapacidade, equi alen e a 40,5% do seu empo de ida es an e” (Eu os a , 2012a, p.
28). Exis e pouca di e ença no caso dos homens com 65 anos uma ez que, na mesma
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
144
da a, pode iam espe a i e sem qualque incapacidade apenas menos 0,2 anos, embo a
seja equi alen e a quase me ade do seu empo de ida es an e (47,8%).
Os Es ados-memb os da UE-27 onde uma p opo ção ele ada de pessoas idosas
i e sem qualque o ma de incapacidade são, p o a elmen e, ca ac e izados pelas suas
populações idosas mas a i as, saudá eis e pa icipa i as e que menos eco em a
ins alações e cuidados médicos. A Suécia des aca-se dos es an es Es ados-memb os a
es e espei o “uma ez que os homens suecos com 65 anos pode iam espe a i e mais
13,6 anos li es de qualque o ma de incapacidade em 2009, enquan o as mulhe es
suecas pode iam espe a i e mais 14,6 anos sem qualque o ma de incapacidade”
(Eu os a , 2012a, p. 29). Is o ep esen a 74,8% do empo de ida es an e dos homens
suecos e 69,1% do empo es an e das suecas. Apesa de os alo es mais ele ados e em
sido egis ados na Suécia, ambém os países Nó dicos se posicionam à en e dos
es an es Es ado-memb os ela i amen e a es e indicado . O Eu os a adian a que, em
Po ugal, em 2009 os homens com 65 anos pode iam espe a i e mais 6,6 anos sem
qualque incapacidade – 38,4% do seu empo es an e – e as mulhe es pode iam espe a
i e mais 5,4 anos sem qualque incapacidade – 26,6% do seu empo es an e –, pa a
uma espe ança de ida de mais 17,1 anos aos 65 anos.
A cu o p azo, a mig ação pode desempenha um papel impo an e no alí io do
desequilíb io demog á ico, colma ando, po exemplo, insu iciências especí icas do
me cado de abalho. Con udo, “é la gamen e acei e que o pe il demog á ico
en elhecido da EU-27 não pode se des ei o a a és da in odução de imig an es em
o dem a e i ica o desequilíb io u u o espe ado en e as pessoas em idade a i a e as
pessoas idosas” (Eu os a , 2012a, p. 30). Pa a além disso, os imig an es ambém se i ão
o na um dia idosos e po encialmen e dependen es. A in e são do en elhecimen o
demog á ico depende á, sob e udo, de um aumen o da ecundidade, na medida em que
apenas um maio núme o de nascimen o pode á mi iga os e ei os do a ual p ocesso de
en elhecimen o demog á ico. Os impac os do en elhecimen o podem, con udo, “ a ia
dependendo não só de a o es gené icos, mas, ambém, de um conjun o de ou as
ca ac e ís icas, como a p o issão, o endimen o, o es ilo de ida ou a qualidade de
ida” (Eu os a , 2012a, p. 15).
A ele ância do en elhecimen o demog á ico susci ou um c escen e in e esse
não só a ní el polí ico e económico mas ambém da ciência, nomeadamen e em á eas
como a demog a ia, sociologia, psicologia ou medicina. Es as êm p ocu ado
ca ac e iza es e p ocesso, an o do pon o de is a biológico como psicológico e social,
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
145
analisa as suas causas, p e e o impac o das suas consequências e iden i ica di e enças
adicadas em indicado es como o país, sexo ou classe social.
Da p ocu a de um maio conhecimen o sob e o p ocesso de en elhecimen o
demog á ico deco e, ambém, a p e isão de cená ios demog á icos. A es e espei o, o
INE e o Eu os a êm elabo ado e a ualizado cená ios possí eis que êm como limi e
empo al o ano de 2060. A p ojeção demog á ica é ulc al pa a a de inição de
es a égias de comba e ou a enuação do en elhecimen o demog á ico, a endendo às suas
múl iplas implicações, nomeadamen e sociais e económicas, e os consequen es desa ios
que es e enómeno coloca aos Es ados e às sociedades, em sen ido la o.
Depois de e mos explo ado o concei o de en elhecimen o demog á ico,
a lo ando as suas causas e p incipais abo dagens eó icas, é momen o de de alha mos as
especi icidades des e p ocesso na UE-27 e, em conc e o, em Po ugal. Fa emos uso dos
esul ados dos p incipais indicado es demog á icos mais ecen es disponibilizados pelo
INE e pelo Eu os a . Es a e lexão se á ap esen ada no pon o seguin e.
3.2. ENVELHECIMENTO DEMOGRÁFICO NO CONTEXTO EUROPEU E
PORTUGUÊS
A Eu opa oi a p imei a egião do mundo a passa po odas as ases da ansição
demog á ica. Pa icula men e a pa i da década de 1970, os países eu opeus passa am
de um es ado de equilíb io en e ní eis ele ados de ecundidade e mo alidade pa a um
ou o, ca ac e izado po ní eis baixos nes es dois indicado es (Fe nandes, 2008). Como
é ca ac e ís ico da qua a ase da ansição demog á ica, um baixo núme o de
nascimen os combinado com um eduzido núme o de mo es esul ou num p ocesso de
es ei amen o da base da pi âmide e á ia e de ala gamen o do seu opo em consequência
da maio p opo ção de idosos. A Eu opa iniciou um p ocesso de en elhecimen o
demog á ico espe ando-se o seu e o ço nas décadas seguin es (Eu os a , 2012a, p. 7).
Po ugal não icou indi e en e a es e p ocesso endo ambém sido palco de p o undas
al e ações demog á icas, nomeadamen e ao ní el da emig ação, das quais esul a am um
p og essi o e du adou o en elhecimen o demog á ico.
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
146
A ualmen e, o con inen e eu opeu man ém-se como a egião mais en elhecida
do globo, egis ando pe cen agens baixas de na alidade/ ecundidade e mo alidade, a pa
de um ele ado índice de longe idade. Rela i amen e à baixa ecundidade, o p incipal
de e minan e do en elhecimen o ou eju enescimen o de uma população, os alo es
ap esen ados no g á ico abaixo ilus am como a g ande maio ia dos países memb os se
encon am signi ica i amen e abaixo do alo de 2,1 necessá io pa a a eno ação de
ge ações e pa a a a enuação do enómeno de en elhecimen o demog á ico.
G á ico 1. Índice sin é ico de ecundidade nos países da União Eu opeia 27 em 2011
Em consequência dos baixos alo es de ecundidade na UE-27 é c escen e o
peso dos g upos e á ios sénio es, sob e udo de idade igual ou supe io a 80 anos, os
quais adqui em c escen e impo ância compa a i amen e aos mais jo ens (a é 14 anos).
Ac esce ainda o i mo len o de c escimen o populacional no espaço eu opeu, o qual não
oi a enuado com a en ada de no os países memb os. A gene alidade dos países
memb os ap esen a um c escimen o na u al nega i o ou pe o de ze o e um acen uado
c escimen o mig a ó io. Nos países do oes e eu opeu, nos quais se inclui Po ugal, é
meno o c escimen o o al e na u al.
O ac o do en elhecimen o populacional e um ca ác e p og essi o ao longo
das úl imas décadas e idencia que es e não é um enómeno conjun u al mas sim uma
Fon e: Eu os a , 2013.
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
147
ca ac e ís ica es u u al e du adou a do pe il populacional da gene alidade dos países
eu opeus, incluindo Po ugal. Nes e país, à semelhança do obse ado na gene alidade
dos países desen ol idos “após algum ímpe o de celeb ação inicial pelo signi icado
ci ilizacional dos ac éscimos de longe idade, deu luga a um conjun o de p eocupações
que, apidamen e, ca apul a am as dinâmicas de ecomposição demog á ica na base
desse en elhecimen o pa a o es a u o de p oblema social” (Lopes; Lemos, 2012, p. 20)
No quad o abaixo ap esen amos uma compilação de alguns indicado es
demog á icos com is a a ilus a mos o p ocesso de en elhecimen o demog á ico na
UE-27
19
. Os esul ados a es am que os alo es do índice de ecundidade não assegu am
a eno ação de ge ações, a qual só se ia possí el se cada mulhe em idade é il i esse,
pelo menos, 2,1 ilhos. Os dados a es am ainda a es abilização dos ní eis de mo alidade
em o no das dez mo es po cada mil habi an es. No sen ido con á io, a espe ança de
ida à nascença em aumen ado de o ma g adual e signi ica i a si uando-se, em 2009,
em o no dos 77 anos pa a os homens e nos 83 pa a as mulhe es.
Quad o 8. Indicado es de na alidade e mo alidade na UE-27
Anos
Índice sin é ico de
ecundidade
Taxa b u a de
mo alidade (‰)
Espe ança de ida à nascença (anos)
Homens
Mulhe es
To al
2002
1,46
9,9
74,5
80,9
77,7
2003
1,47
10,0
74,6
80,8
77,8
2004
1,50
10,1
75,2
81,5
78,4
2005
1,51
9,6
75,4
81,6
78,5
2006
1,54
9,8
75,8
82,0
79,0
2007
1,56
9,6
76,1
82,2
79,2
2008
1,60
9,7
76,4
82,4
79,4
2009
1,59
9,7
76,7
82,6
79,7
Fon e: Eu os a /Po da a, 2010.
Os esul ados dos indicado es ap esen ados no quad o an e io são e lexo de
p o undas mudanças na es u u a populacional da UE-27 obse adas nas úl imas
décadas do século XX. Conside ando a o alidade dos países memb os, no inal de 2011
19
A opção pelo ho izon e empo al en e 2002 e 2009 oi di ado pela p óp ia disponibilidade de dados do
Eu os a .

CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
148
exis iam mais de 88 milhões de pessoas com 65 e mais anos, o que equi ale a ce ca de
17,5% da população o al. Já o g upo e á io dos mais no os, com idade igual ou in e io
a 14 anos, ep esen a a 15,6% (Eu os a , 2012b). Dados empí icos con i mam po an o
que a diminuição do peso dos mais jo ens em sido acompanhada po um aumen o do
peso dos mais elhos, endência obse á el ao longo do empo. Es ima-se que “o
núme o de pessoas idosas á aumen a de o ma acen uada […] Quase que duplica á,
aumen ando de 85 milhões em 2008 pa a 151 milhões em 2060 na União Eu opeia. O
núme o dos mui o idosos (com 80 anos e mais) apa ece p ospe i ado como aumen ando
ainda mais apidamen e, quase iplicando de 22 milhões em 2008 pa a 61 milhões em
2060” (DGECFIN, 2009, p. 181).
Apesa dos dados e ela em um p ocesso de con e gência demog á ica global
da UE-27, é impo an e conside a a exis ência de di e enças en e os países memb os
que deco em da sua p óp ia es u u a populacional, bem como de de e minan es
sociais, polí icos e económicos (Naza e h, 2009a). Além disso, impo a a en a ambém
nos di e en es i mos de mudança do pe il populacional de cada país, não obs an e a
diminuição da ecundidade se causa comum do p ocesso de en elhecimen o.
A espei o da ecundidade é impo an e conside a as polí icas de incen i o à
na alidade e à amília de inidas pelos á ios países, as quais êm ele ado po encial de
al e a os compo amen os na alis as, incen i ando ou limi ando o núme o de
nascimen os. A es e espei o, o ganismos como o In e g upo da Família e P o ecção da
In ância do Pa lamen o Eu opeu e o Comi é Económico e Social Eu opeu êm lançado
sucessi os apelos no sen ido da necessidade da de inição e adoção de polí icas de
incen i o à na alidade nos países eu opeus enquan o medida de comba e ao
en elhecimen o demog á ico. Es a p eocupação oi ambém mani es ada ecen emen e
a a és de uma pe ição ap esen ada ao Pa lamen o Eu opeu em 2012, na qual á ias
associações e ede ações eu opeias ligadas à amília solici a am a ealização de um
ela ó io ace ca da si uação na alis a na Eu opa, bem como a ap o ação de uma
esolução sob e as polí icas na alis as e amilia es. Um dos obje i os des e documen o
se á p ocede a uma compa ação en e as polí icas amilia es ado adas pelos Es ados-
memb os da UE-27 com is a à pa ilha das melho es p á icas nes e domínio.
Tendo como ho izon e empo al 1990 a 2004, oi ealizado um es udo
compa a i o das polí icas amilia es nos en ão 15 es ados memb os da UE-27, o qual
e elou que são os países do No e da Eu opa aqueles que es ão mais desen ol idos a
es e ní el, ocupando uma posição cla amen e supe io a Po ugal (Pe ei a; Toledo,
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
149
2004). Po ugal pa ilha a os úl imos luga es ao ní el das polí icas amilia es
jun amen e com Espanha, G écia e I ália. No lado opos o es a am países como a
Dinama ca e a F ança cujo esul ado das polí icas na alis as e amilia es ado adas ao
longo do empo se e le e no ele ado núme o de nascimen os egis ado.
Em 2010 os países nó dicos e a F ança man inham-se com os alo es de ISF
mais ele ados da Eu opa. Na F ança nasce am ce ca de 2,03 c ianças po mulhe em
idade ecunda (um alo p óximo dos 2,1 necessá ios pa a a eno ação de ge ações),
1,87 na Dinama ca, 1,98 na Suécia e 1,95 na No uega (Eu os a , 2012b).
No caso pa icula de Po ugal, os es ímulos à na alidade ado ados nas úl imas
décadas p endem-se essencialmen e com a al e ação das condições de abalho e com
incen i os inancei os. O p imei o aba ca a possibilidade dos p ogeni o es pode em
acompanha os seus ilhos após o nascimen o ou pode em dedica pa e do empo de
abalho pa a a amamen ação. O segundo p ende-se com a a ibuição de subsídios,
nomeadamen e o abono amilia a c ianças e jo ens. Além des es incen i os di e os há a
conside a o impac o da ação do Es ado ao ní el dos sis emas de saúde e de educação,
ulc ais no momen o de opção pela pa en alidade.
Con udo, as medidas ado adas cons i uí am um “es o ço inancei o com e ei os
pouco ób ios sob e a e olução do núme o de nascimen os” (Rosa; Chi as, 2010). De
ac o, apesa de uma maio na alidade es a associada a incen i os económicos, a
e dade é que não depende exclusi amen e des es.
Relaciona-se, ambém, com um conjun o de aspe os associados que ão desde
p es ações sociais, bene ícios iscais, se iços de cuidados às c ianças, edes de apoio
amilia , lexibilidade de ho á ios de abalho e incen i os ao abalho em pa - ime
(Pe ei a; Toledo, 2004).
Mais ecen emen e o Comi é Económico e Social Eu opeu no ela ó io sob e O
papel das polí icas da amília no p ocesso das al e ações demog á icas ap esen ou um
conjun o de ecomendações ao ní el das polí icas amilia es na UE-27. Nesse ela ó io
econhece-se que “pa a um sis ema se plenamen e e icaz, é p eciso que a o e a de
se iços e os mecanismos de apoio espondam às expec a i as das amílias e dos pais
ou u u os pais. Essas expec a i as podem a ia de país pa a país consoan e a cul u a
nacional, os cos umes sociais e as adições” (CESE, 2011, p. 7). O mesmo pa ece
a i ma que uma polí ica amilia global de e inclui incen i os iscais e p es ações
sociais, a p omoção da igualdade en e géne os em con ex o labo al, se iços e
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
150
in aes u u as de apoio a c ianças, medidas de apoio ao equilíb io en e a ida amilia
e labo al, nomeadamen e o abalho a empo pa cial e as licenças pa en ais.
Pa a e ei os de compa ação en e países memb os, impo a no a que oi na
Le ónia que, em 2010, se obse ou um índice de ecundidade mais baixo (1,17), a pa
da Hung ia (1,25), con as ando com a I landa (2,07) e F ança (2,03). Quan o à
espe ança de ida à nascença, em 2009 (ano com in o mação disponí el pa a odos os
países) es a e a meno na Li uânia (73,2), Le ónia (73,2), Roménia (73,5) e Bulgá ia
(73,7) e mais ele ada na Espanha (81,9) e I ália (82,1). Em 2011, os países onde o
en elhecimen o na base oi mais exp essi o, dado o meno olume de jo ens com idade
a é 14 anos, o am a Bulgá ia (13,2), Alemanha (13,4%) e I ália (14,0%). Um
en elhecimen o mais acen uado no opo, pelo aumen o do peso dos indi íduos com
idade igual ou supe io a 65 anos, obse ou-se na Alemanha (20,6%) e I ália (20,3%)
(Eu os a , 2012a, p. 26).
O peso ela i o dos idosos no o al da população in ensi icou-se com o núme o
de nascimen os a dec esce em simul âneo com o aumen o da longe idade. Pa a além
disso, a população da UE-27 i e mais empo do que nunca, não obs an e a di e ença da
espe ança de ida en e os países memb os: na I ália e em Espanha es a si ua-se pe o
dos 82 anos enquan o em países como a Bulgá ia, Roménia, Le ónia e Li uânia oscila
en e os 72 e os 73 anos.
Quan o ao peso do g upo e á io dos 65 ou mais anos, en e 1980 e 2010, a
pa cela des e segmen o populacional no o al da população eu opeia c esceu 3,7 pon os
pe cen uais pa a a ingi os 17,4% em 2010. Ve i icou-se “um c escimen o
pa icula men e ápido na Eslo énia, na Alemanha, na I ália, nos Es ados-memb os
Bál icos e na G écia, uma ez que a pa cela da população com 65 ou mais anos no
o al da população c esceu, pelo menos, 5 pon os pe cen uais” (Eu os a , 2012a, p. 19).
Um aumen o menos signi ica i o des e g upo e á io e i icou-se no Luxembu go e na
Suécia – que egis a am um aumen o de menos de 1 pon o pe cen ual –, enquan o a
I landa oi o único Es ado-memb o a egis a um dec éscimo (ainda que apenas de 0,1
pon os pe cen uais). O Eu os a ac esce que apesa do maio núme o de mulhe es idosas
ace ao dos homens, o núme o des es úl imos c esceu a um i mo mais ápido a é 2000,
o que eio edesenha a di e ença de géne o nes e g upo e á io.
Também na idade mediana da população eu opeia, a qual di ide a dis ibuição
e á ia de oda a população em duas pa es iguais, com 50% das pessoas acima da idade
mediana e as ou as 50% abaixo da idade mediana, se obse am di e enças
CAPÍTULO III. Dinâmicas Demog á icas na UE-27 e em Po ugal
151
signi ica i as en e países. A idade mediana na UE-27 a 1 de Janei o de 2010 e a de
40,9 anos. Os dados do Eu os a (2012a) e elam que es e indicado não so eu
al e ações en e 1960 e 1980, al u a após a qual se obse ou um p ocesso de
en elhecimen o mais in enso na Eu opa. Em Po ugal, a idade mediana em 1960 e a de
27,8 anos, endo passado pa a 40,7 anos em 2010. Es e alo e o ça a in ensidade e
apidez do en elhecimen o da população po uguesa.
No caso da es an e UE-27, os dados indicam que os ês Es ados-Memb os com
idades medianas mais al as em 2010 o am a Alemanha (44,2 anos), a I ália (43,1 anos)
e a Finlândia (42,0 anos), em con as e com a I landa (34,3 anos), Chip e (36,2 anos) e
Eslo áquia (36,9 anos). As p ojeções populacionais do Eu os a suge em que o i mo ao
qual a idade mediana es á a aumen a i á ab anda nas p óximas décadas, es imando-se
que es abilize nos 47,6 anos – ce ca de 15 anos mais do que um século an es – em 2060.
En e os Es ados-memb os, a Suécia oi o que egis ou uma idade mediana mais ele ada
a 1 de Janei o de 1960: 36,0 anos. No en an o, na década de 1990 oi ul apassada pela
I ália (38,5 anos em 1995), que, po sua ez, oi subs i uída pela Alemanha uma década
mais a de (41,8 anos em 2005, aumen ando pa a 44,2 anos em 2010.
Na década de 1960, o c escimen o populacional obse ado na Eu opa de eu-se
sob e udo ao saldo na u al posi i o, conside ando o maio núme o de nascimen os ace
aos óbi os. Con udo, “as axas de ecundidade ela i amen e ele adas que o am
expe ienciadas nas décadas pós-gue a caminha am, len amen e, pa a um im,
enquan o a espe ança de ida aumen ou” (Eu os a , 2012a, p. 25). De meados da
década de 2000 em dian e, algumas e idências suge em que as axas de ecundidade
começa am a subi no amen e em mui os dos Es ados-memb os da UE, e, como
esul ado, o saldo na u al na UE-27 aumen ou ligei amen e.
O o e p ocesso de en elhecimen o na Eu opa e idenciado nos dados an e io es
colocam o con inen e em si uação “comum com mui as ou as egiões do mundo [pois]
es á a passa po uma mudança signi ica i a na sua es u u a populacional [os
eu opeus] es ão a i e idas mais longas e saudá eis do que an es, e é espe ado que
es e pad ão con inue, pa alelamen e aos a anços da medicina e aos pad ões
melho ados de ida” (Eu os a , 2012a, p. 18)
Os dados ap esen ados an e io men e e o çam as di e enças já apon adas
ela i amen e aos i mos de en elhecimen o demog á ico na UE-27 que não pode,
po an o, se analisado de o ma homogénea. São es as di e gências que undamen am a
necessidade de uma análise pa icula do en elhecimen o demog á ico em Po ugal.
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
254
le ou a que, nesse ano se aposen assem 681 médicos e 590 en e mei os, núme os
subs ancialmen e supe io es aos p e is os em 2009 aquando a ealização do es udo
(2012a). Es a co ida às aposen ações eio al e a o cená io de um mais ele ado luxo
de aposen ações p e is o apenas a pa i de 2016. Com base nos núme os de 2007, es e
es udo p e ia que o núme o de aposen ados osse já supe io aos médicos o mados. O
maio luxo às aposen ações, com a manu enção ou mesmo diminuição da o e a
p e is a pa a os anos seguin es, eio al e a o cená io p e is o, azendo an e e um
maio dé ice de médicos, sob e udo na especialidade de medicina ge al e amilia , uma
das mais ca enciadas. No início de 2013 oi inclusi e publicada uma no ícia onde o
ice-p esiden e da Associação de Médicos de Clínica Ge al espe a a que 1000 médicos
de amília pedissem a aposen ação, o que equi ale a um em cada cinco p o issionais
des a ca ei a (Bal aza , 2013).
A p ojeção de aposen ação dos médicos esul an e do es udo coo denado po
San ana (2009) apon a a pa a 8 190 saídas a é 2020, o que co espondia a 35,2% do
o al de p o issionais des e g upo em 2007. No ge al, o índice de en elhecimen o das
especialidades en e 2008 e 2020 oi calculado em 45%. No global, o po encial de
eno ação de ge ações oi de 80%, não obs an e uma g ande di e sidade en e
especialidades. As p e isões en ão ealizadas indica am que a ca ei a de clínica ge al
se ia a mais a e ada, espe ando-se que en e 2008 e 2020 se aposen assem 58,9% dos
médicos a i os e a e os à mesma em 2007 no SNS. Seguia-se a ca ei a em saúde
pública, com uma pe da de 51% dos e e i os de 2007 e de 37% dos médicos na ede
hospi ala . As egiões onde es a pe da se p e ia mais acen uada e am o Alen ejo
(41,5%) e o Alga e (39,5%), pa icula men e na ca ei a médica de clínica ge al, e
Lisboa e Vale do Tejo (37,5%), especialmen e na ede hospi ala . O No e e o Cen o
o am as egiões onde se p e iu uma meno pe da des es p o issionais, além de um
equilíb io en e as saídas na ede hospi ala e de clínica ge al. No No e, espe a-se uma
diminuição de 14,3% dos médicos em ca ei a hospi ala e 15,3% em clínica ge al.
Segundo a ipologia das es u u as de saúde, es e es udo p e ia a saída de 26% dos
médicos a e os aos cuidados hospi ala es a é 2020. No No e es a pe da calculou-se em
21,5%, o alo mais baixo en e as egiões po uguesas. Nos cuidados p imá ios a pe da
es imada oi de 55,7% e, no No e, de 52,7%.
A é 2020 es e es udo p e ê um saldo posi i o de médicos pa a a egião No e,
independen emen e do cená io de necessidades conside ado, o qual se á comum a odas
as es u u as p es ado as de cuidados de saúde. Na ede hospi ala em conc e o, p e ia-

Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
255
se que odas as especialidades seguissem uma endência de e olução posi i a no ácio
de saídas e en adas. Ainda assim, pa a algumas espe a-se um saldo mui o eduzido e,
po an o, uma si uação de eposição limia de e e i os.
A espei o da escassez de ecu sos humanos quali icados na á ea da saúde,
Buchan e Calman (ci . po Aspland, Gibson, S impson, Wa son; W ay, 2008)
conside am que es e é um dos p incipais obs áculos à conc e ização dos obje i os de
melho ia da saúde e do bem-es a da população a ní el mundial. Com base num es udo
que desen ol e am em 2006 ace ca da dis ibuição de ecu sos humanos de
en e magem, os au o es são pe en ó ios ao a i ma um cená io de escassez da o ça de
abalho, à semelhança de ou as egiões do mundo, em consequência do
en elhecimen o da o ça de abalho que ambém se az sen i ao ní el da saúde.
Conside am que não obs an e a ele ância de inicia i as de ec u amen o e seleção de
abalhado es mais elhos, o sec o da saúde expe iencia á uma si uação de escassez
signi ica i a de o ça de abalho, sob e udo nos cuidados p imá ios, em consequência
da saída de p o issionais mais elhos.
O ENPRHS econhece que ao aumen o das necessidades de ecu sos humanos
no con ex o hospi ala , aquele em que nos oca emos po se aquele onde o nosso obje o
empí ico de es udo exe ce unções, co espondeu apenas um ligei o aumen o do núme o
de médicos (um aumen o de 3,9% en e 2002 e 2007) o que conduziu, inclusi e, à
necessidade de con a ação de médicos es angei os. Os au o es ac escen am que o
apa en e dé ice de ecu sos humanos médicos na ede hospi ala es á ambém e iden e
na necessidade de con a ação de se iços médicos pon uais (a emp esas ou a
p o issionais, di e amen e). Não obs an e a eo ganização do se o de saúde po uguês,
nomeadamen e pela al e ação do enquad amen o ju ídico de algumas o ganizações,
como são exemplo os dois hospi ais conside ados nes a in es igação que são ago a EPE,
le ada a cabo nos úl imos anos, es e es udo a i ma a exis ência de uma lógica con usa
de ges ão quan i a i a dos seus ecu sos humanos, não obs an e a p ocu a de uma maio
acionalização dos ecu sos humanos disponí eis. Apesa des a p eocupação, o g au de
especialização médica e a o ganização dos se iços em especialidades especí icas e com
eduzida in e ação com as demais é en endida enquan o obs áculo a es a acionalização.
O índice global de aposen ação en e 2008 e 2020 nos médicos do SNS es á calculado
pa a 45%.
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
256
5.4. ESPECIFICIDADES DOS GRUPOS PROFISSIONAIS NO QUADRO
ESPECÍFICO DA DINÂMICA HOSPITALAR
As ep esen ações e as a i udes dos abalhado es em elação ao abalho, e a
consequen e opção pela con inuidade, ou não, da a i idade p o issional, são
consequência da a aliação que azem de uma mul iplicidade de a o es. Es es p endem-
se, em la ga medida, com a a aliação da sua p o issão e, em conc e o, do abalho que
desen ol em, das elações p o issionais que es abelecem, seja com pa es ou com ou os
p o issionais, e com as especi icidades do con ex o o ganizacional, a ní el mic o, e das
o ien ações polí icas e ju ídicas que en o mam a sua a i idade p o issional, a um ní el
mac o. É po isso mesmo que es e pon o se á dedicado à análise das ep esen ações dos
p o issionais que pa icipa am no nosso es udo ace ca da sua p o issão e a dos ou os, às
elações en e médicos e en e mei os e ao enquad amen o o ganizacional e polí ico dos
hospi ais conside ados.
Às ep esen ações sociais dos p o issionais es ão ag egadas as suas expec a i as.
Es as não só en o mam a sua iden idade p o issional como, pa icula men e, nos
pe mi em cons ui g elhas de lei u a ace ca das suas ações. De ac o, as ep esen ações
sociais o ien am o compo amen o dos indi íduos e in luenciam as suas p á icas
(p o issionais).
Nes e capí ulo i emos p ecisamen e abo da as ca ac e ís icas p o issionais dos
médicos e en e mei os que en ol emos no nosso es udo, nomeadamen e ao ní el das
hé e o- ep esen ações en e g upos, bem como as suas expec a i as de u u o, de o ma
a melho comp eende mos as mo i ações subjacen es à sua opção, ou não, pelo
p olongamen o da a i idade p o issional.
Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
257
5.4.1. CARACTERÍSTICAS PROFISSIONAIS
O con ex o em que se inse em os indi íduos, nomeadamen e o o ganizacional,
p opo ciona um conjun o de es ímulos que se aduzem em ep esen ações sociais que
podem mo i a de e minados compo amen os. O abalho de Mosco ici (2005) o nou
cla o que as ep esen ações sociais, ao a ibuí em signi icado ao mundo, cons i uem a
g elha de en endimen o sob e o mesmo, as ep esen ações sociais pa icipam na
cons ução do conhecimen o p á ico mobilizado pelos indi íduos que mo i a e a ibui
sen ido às suas p á icas sociais. Des a o ma, o ien am os seus compo amen os no
sen ido de uma maio es abilidade den o do quad o das suas c enças sociais. Na medida
em que são p oduzidas num dado con ex o, as ep esen ações sociais esul am em
o mas de conhecimen o social que, assim, o ien am e o ganizam não só as condu as
indi iduais mas ambém as cole i as. No abalho de Vala (1997) encon amos ainda
e idências de que os alo es idos como dis in i os de um g upo, e que uncionam como
indicado es das ep esen ações que p oduzem sob e os ou os, in luenciam as a i udes
cons uídas ace a ou os g upos, bem como o ní el de iden i icação es abelecido.
No con ex o de abalho, as ep esen ações cons uídas pelos sujei os êm po
base as suas p á icas p o issionais sob e as quais edi icam a sua iden idade p o issional.
Des a o ma, as “ ep esen ações cons i uem uma g elha de lei u a essencial de que os
sujei os dispõem pa a con e i em sen ido às suas ac i idades de abalho, ao espec i o
con ex o e às condições de conc e ização” (Veloso, 2004, p. 100).
O abalho, de o ma la a, é ma cado po uma complexa di isão de abalho que
hie a quiza os p o issionais, a ibuindo-lhes di e en es posições na es u u a
o ganizacional, pode de decisão, au onomia e con olo ou supe isão sob e o abalho
de ou os p o issionais. Pa a F eidson (2008), só é possí el comp eende o sis ema
econhecendo a di e enciação de papéis no seio das p o issões. A di e enciação en e
memb os de uma p o issão é uma ca ac e ís ica cen al da o ganização do abalho,
ep esen ando ainda a sua di isão assen e nos di e en es ní eis de pode e de
conhecimen o. É, po an o, undamen al conhece as ca ac e ís icas das p o issões
médica e de en e magem, iden i icando quais os aspe os mais alo izados e os mais
de e minan es pa a o exe cício p o issional.
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
258
Pa a mais acilmen e comp eende mos as ep esen ações en e os g upos
p o issionais, começamos po uma b e e e e ência às p incipais ans o mações
obse adas na posição e ca ac e ís icas dos dois g upos p o issionais nos úl imos anos.
T adicionalmen e os médicos ocupa am o luga dominan e na di isão do
abalho, o qual e a sus en ado pela sua au onomia, au o-su iciência e au o egulação.
Es a au onomia do g upo médico aduziu-se, ao longo do empo, em pode pa a
o ien a e a alia o abalho das es an es ca ego ias p o issionais sem, em con apa ida,
se obje o da mesma o ien ação e a aliação. A exclusi idade da au onomia médica em
sido sus en ada po ês a gumen os (F eidson, 2008): um ní el de pe ícia e
conhecimen os que não pe mi e a a aliação da p o issão po leigos ou mesmo ou os
p o issionais de saúde; a exis ência de um g au de esponsabilidade que não exige
supe isão do abalho; a ei indicação de que de e se a p óp ia p o issão médica a
implemen a os seus esquemas de egulação.
Es a posição dominan e dos médicos no sis ema de saúde alimen ou a c ença na
sua obje i idade, independen emen e de ou os p o issionais de saúde. Os p óp ios
médicos conside am-se p odu o es únicos e legí imos de conhecimen o o que, associado
ao con olo inal sob e o seu p óp io abalho, po encia si uações de descon iança ace a
ou os elemen os p odu o es de conhecimen o e com capacidade pa a o abalho em
saúde, como os en e mei os. Assim, ainda que o médico possa es a socialmen e
subo dinado a ou o p o issional isso não signi ica subo dinação écnica como es e
exe ce sob e ou os p o issionais.
Si uamo-nos ao lado de Ca apinhei o (1993) quando a au o a a i ma que
au onomia e au o egulação da p o issão médica de em cons i ui p ecisamen e obje os
de análise da sociologia ao ní el da p o issão médica. Escla ece que de e á se seu
obje i o pe cebe como é que es as ca ac e ís icas de e minan es da p o issão médica se
desen ol e am, o ganiza am e se man êm na a ualidade. De e á ainda p ocu a
en ende a elação es abelecida en e o conhecimen o p o issional e os p ocedimen os
ado ados, as o mas de o ganização social e as o mas de aquisição e manu enção do
conhecimen o.
A au onomia legi imada e o ganizada da p á ica médica que pe mi e a F eidson
(2008) conside á-la como uma e e i a p o issão e não como uma ocupação. A p imei a
em simul aneamen e pode e legi imidade pa a decidi como o seu abalho de e se
ei o e pa a conside a ilegí ima a a aliação ei a pelos demais, sejam ou os
p o issionais com quem se elaciona sejam aqueles a quem o seu abalho se des ina. Os
Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
259
en e mei os assumem essencialmen e uma posição de assis ência e não p op iamen e de
diagnós ico e a amen o, pelo que as suas a i idades e esponsabilidades não se
con undem com as dos médicos. A p á ica médica se á, po an o, uma p o issão, ao
con á io da en e magem que é, à luz da dis inção do au o , uma ocupação.
A en e magem mode na desen ol eu-se como uma a i idade p o issional
complemen a da p á ica médica. As suas compe ências passa am po um conjun o de
a e as simples ainda que necessá ias ao a amen o e ecupe ação do doen e,
nomeadamen e a adminis ação de medicação, a os de higiene e o apoio a écnicas
médicas. Es a lógica biomédica que e o ça a o papel do en e mei o como auxilia do
médico di icul ou his o icamen e o seu po encial de au onomia. Pelo su gimen o g adual
de no os modelos de en e magem e pe spe i as eó icas sob e a mesma, iniciou-se um
g adual p ocesso de p omoção da sua au onomização o que le ou os en e mei os a
assumi a e as que ão além daquelas deco en es da p esc ição médica e que são mais
cen adas numa isão holís ica do indi íduo a quem são p es ados cuidados de saúde.
A espei o do desen ol imen o da en e magem em Po ugal impo a eco da
dois ma cos que oco e am na década de 1970: o im dos cu sos de auxilia es de
en e magem em p ol de um único ní el de o mação em en e magem e a au onomização
das escolas de en e magem ace aos hospi ais, o que signi icou que passa am a se os
p óp ios en e mei os a leciona os con eúdos da sua o mação. Os a anços écnicos ao
ní el da ciência e i icados nes a al u a p opicia am ambém o desen ol imen o da sua
compe ência écnica. Na década seguin e su gem as p imei as e e ências a p o issional
de en e magem em de imen o a apenas en e mei a (ou en e mei o, mais a amen e).
Na década de 1990, ano em que os inqui idos con a am já com anos de p á ica
p o issional, oco e am ou os ma cos undamen ais no desen ol imen o da
en e magem. Em 1996, oi ap o ado o REPE e, um ano depois, oi c iada a OE. A
c iação des e o ganismo eio esponde a uma p e ensão há mui o mani es ada pelo
g upo p o issional de en e magem. Além disso, o am c iados ou os mecanismos de
egulação da p á ica p o issional como o código deon ológico e o es a u o disciplina .
Em conc e o no ano de 1999, oi ap o ado o Cu so de Licencia u a em En e magem, os
Cu sos de Complemen o de Fo mação e o Ano Complemen a de Fo mação. Es es dois
úl imos cu sos ie am con e i o g au de licenciado an o aos bacha éis inse idos no
me cado de abalho como aqueles ainda em o mação. Mais ecen emen e, oi
ins i uído um único g au de o mação em en e magem co esponden e ao g au de

CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
260
licenciado, essencial à insc ição na OE e ao acesso ao ine en e í ulo p o issional de
En e mei o de Cuidados Ge ais.
No seu conjun o, odos es es ma cos a ua am no sen ido de al e a a pe ceção da
en e magem sob e si p óp ia no sen ido de uma maio a i mação e consciência da sua
impo ância ao ní el da p es ação de cuidados de saúde. A en e magem assume-se hoje
como “disciplina do conhecimen o au ónoma, com um campo de in e enção p óp io,
omando po objec o a espos a humana aos p oblemas de saúde e aos p ocessos de
ida assim como as ansições en en adas pelos indi íduos, amílias e g upos, ao longo
do ciclo de ida” (OE, 2007, p. 1). As suas compe ências enquad am-se em o no de ês
domínios cen ais: o da p á ica p o issional é ica e legal, o da p es ação e ges ão de
cuidados e no desen ol imen o p o issional.
Mui as são as ans o mações que a e am os p o issionais de en e magem nes e
momen o e que impac am na sua iden idade p o issional e aje ó ia p o issional. A
í ulo de exemplo, e e imos o impac o da ans o mação dos hospi ais em EPE, si uação
da qual de i a am pa icula men e algumas desigualdades en e a classe de en e magem
po enciado as de di e en es ep esen ações den o do g upo p o issional. Das no as
o ien ações polí icas pa a o sec o da adminis ação pública esul ou a con a ação de
p o issionais em egime de con a o indi idual de abalho que, no caso dos
en e mei os, é aplicá el à la ga maio ia daqueles mais ecen emen e con a ados e
p o a elmen e mais no os. Es es con i em na mesma ealidade o ganizacional com
aqueles en e mei os que cons i uem a nossa amos a, e que po se em quad os da unção
pública usu uem, ainda que a ualmen e de o ma dis in a à de ou o a, de condições
emune a ó ias, ho á ios e modelos de desen ol imen o da ca ei a mais a a i os. O
a ual modelo de o ganização hospi ala des esponsabiliza as o ganizações de saúde ao
ní el da quali icação dos en e mei os, o que esul a em si uações em que aqueles que
possuem í ulo de especialis a não êm es e econhecimen o nas o ganizações onde
exe cem unções. No caso dos médicos, não obs an e algumas al e ações ope adas,
con inuam a usu ui de um conjun o de bene ícios associadas à Função Pública e o seu
í ulo de especialis a é necessa iamen e econhecido deco en e, daí, implicações ao
ní el das condições do abalho exe cido, emune ação e p es ígio social.
Pa a uma análise sociológica ace ca das p o issões começamos po mobiliza
con ibu os da análise uncionalis a de Pa sons (1965). A pe spe i a do au o a as ou-se
de uma isão classis a e colocou a ónica no ac o da ação dos p o issionais cons i ui
um compo amen o ins i ucionalmen e espe ado que se es inge à elação en e o
Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
261
p o issional e o clien e não podendo, po an o, se gene alizado a ou as es e as sociais.
Pa sons conside a a que subjacen e a um desempenho p o issional, como é o caso da
elação en e médico e clien e, es á uma elação assimé ica en e ambos. Es a adica
nos di e en es ní eis de conhecimen o que possuem e que se aduzem na
ins i ucionalização da au o idade p o issional e con iança do clien e ace ao
p o issional. Des a o ma, a legi imação da p o issão esul a do equilíb io en e as
mo i ações e necessidades do p o issional e do clien e, sendo mediada an o po ou os
p o issionais de saúde como pelo Es ado. Numa pe spe i a uncionalis a, as
p o issões cons i uem po an o uma espos a a uma necessidade social con ibuindo pa a
a coesão da es u u a social. Es a úl ima compo a, en ão, um conjun o de elemen os
necessá ios à o ganizações dos g upos p o issionais, como são exemplo as
uni e sidades e o seu papel de ansmissão e legi imação de conhecimen os e, associado
a es e, do econhecimen o social da p o issão. Pa a os uncionalis as, as p o issões
cons i uíam blocos homogéneos de iden idades, alo es e in e esses.
Em al e na i a, a pe spe i a in e acionis a eio coloca a ónica nas di e enças
in a-p o issionais, chamando a a enção pa a a inexis ência de uma socialização
p o issional única e pa ilhada po odos os memb os. Os in e acionis as de ende am a
exis ência de subg upos den o de uma p o issão com ca ac e ís icas dis in as ao ní el,
nomeadamen e, do ipo de o mação e do es a u o p o issional adqui ido. No caso dos
g upos p o issionais que es udámos, encon amos di e enças en e aqueles que
cons i uí am as nossas amos as e as ge ações mais no as, ma cadas po uma o mação
com con o nos di e en es e po elações con a uais dis in as. Es a si uação é
pa icula men e sen ida en e o g upo dos en e mei os. Mais impo a no a que o
in e acionismo simbólico pe spe i a as p o issões enquan o imagem cons uída de uma
ocupação que alcançou um dado í ulo que, pa a o man e e ep oduzi , enca nam as
ep esen ações que espe am que delas se enha.
Pos o is o, impo a conhece mos a opinião dos inqui idos na nossa in es igação
ace ca da sua p o issão. Em p imei o luga , pedimos-lhes que indicassem os dois
p incipais a ibu os que mais alo izam no seu exe cício p o issional. Es a in o mação
oi pos e io men e al o de uma análise de con eúdo. O a ibu o mais e e ido pelos
médicos (ce ca de me ade) oi a aquisição e a ualização pe manen e de conhecimen os
écnico-cien í icos. Foi ambém amplamen e e e ida a posse de compe ências
adequadas ao exe cício p o issional; o p o issionalismo conc e izado ao ní el da é ica,
capacidade de decisão, elacionamen o com os ou os e esponsabilidade; o gos o pela
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
262
p o issão; dedicação, empenho e mo i ação; a ibu os de na u eza pessoal, como a
hones idade, se iedade e sensa ez; a enção ao doen e, nomeadamen e pela a enção e
disponibilidade demons ados aos mesmos. Es e úl imo a ibu o, ela i o à elação com
os doen es, oi p ecisamen e o mais e e ido pelos en e mei os. Assim, pa a o g upo de
en e magem, o aspe o mais ele an e pa a o exe cício da sua p o issão p ende-se com a
empa ia c iada com o doen e, com a disponibilidade pa a com es e e com a a enção
demons ada. Os en e mei os e e i am ainda, de o ma signi ica i a, a impo ância da
compe ência e do p o issionalismo, da posse de conhecimen os écnico-cien í icos
adequados e do gos o pela p o issão.
Numa p imei a análise, os esul ados ob idos ace ca dos dois p incipais a ibu os
alo izados na ação médica e de en e magem indicam que os dois g upos p o issionais
azem di e en es a aliações dos aspe os mais ele an es pa a o exe cício da sua
p o issão. Pa a ap o unda mos es e ema, solici amos que, de uma lis a comum de i ens
de inida, os inqui idos indicassem o g au de impo ância que cada um des es inha pa a
a sua a i idade p o issional. A a aliação ealizada pelos médicos ace ca da sua
a i idade é ap esen ada no quad o abaixo.
Quad o 23. G au de impo ância a ibuída pa a a a i idade p o issional dos médicos (% em linha)
A ibu os
Nada
impo an e
Pouco
impo an e
Impo an e
Mui o
impo an e
Fo mação académica de base
0,6
1,9
38,8
58,8
Pe manen e a ualização cien í ica e écnica
---
---
21,2
78,8
Expe iência p o issional
---
0,6
22,0
77,4
Von ade de ajuda os pacien es
---
0,6
34,4
65,0
Relação com os pacien es
1,9
1,3
29,1
67,7
Sensibilidade pa a o en endimen o do pacien e
1,9
0,6
26,8
70,7
Capacidade de análise e de esolução dos p oblemas
---
---
17,5
82,5
Respei o pelas eg as deon ológicas
---
0,6
18,1
81,3
Cump imen o das di e i as exis en es ao ní el do
se iço
0,6
10,2
53,5
35,7
Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
263
No quad o seguin e ap esen amos, ainda, o g au de impo ância a ibuído pelos
en e mei os ao conjun o de i ens sob e a sua a i idade p o issional.
Quad o 24. G au de impo ância a ibuída pa a a a i idade p o issional dos en e mei os (% em linha)
A ibu os
Nada
impo an e
Pouco
impo an e
Impo an e
Mui o
impo an e
Fo mação académica de base
---
1,4
47,9
50,7
Pe manen e a ualização cien í ica e écnica
---
---
33,8
66,2
Expe iencia p o issional
---
---
29,6
70,4
Von ade de ajuda os pacien es
---
---
19,7
80,3
Relação com os pacien es
---
---
18,6
81,4
Sensibilidade pa a o en endimen o do pacien e
---
---
22,5
77,5
Capacidade de análise e de esolução dos p oblemas
---
1,4
22,5
76,1
Respei o pelas eg as deon ológicas
---
---
25,4
74,6
Cump imen o das di e i as exis en es ao ní el do
se iço
---
5,6
52,1
42,3
Os esul ados ob idos pe mi em-nos conclui que, apesa de exis i uma
alo ização exp essi a dos mesmos a ibu o, es a é ei a com g aus de in ensidade
dis in os em unção do g upo p o issional. Aqueles a que os médicos con e em
cla amen e maio ele ância, a endendo às ele adas pe cen agens na ca ego ia mui o
impo an e, elacionam-se com dimensões mais ligadas ao conhecimen o écnico-
cien í ico e ao cump imen o das exigências p o issionais. Os en e mei os a ibuí am
maio impo ância, ambém com base nas pe cen agens na ca ego ia de mui o
impo an e, aos i ens di e amen e associados à sua a i idade com os pacien es, em
conc e o na elação es abelecida, no apoio p es ado e na a enção p es ada. O a ibu o
cuja alo ização oi meno nos dois g upos p o issionais elaciona-se com o
cump imen o das di e i as exis en es ao ní el do se iço.
Conside ámos ainda se pe inen e inqui i os pa icipan es ace ca do g au de
adequação que econhecem en e a sua idade e a a i idade p o issional desen ol ida. Os
esul ados ap esen ados no quad o abaixo e elam que a maio ia dos médicos e
en e mei os conside a am que es a elação é adequada. É, ainda, de salien a que ce ca
de um e ço dos p o issionais conside ou que a mesma é mui o adequada.
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
270
Tu ne (ci . po Ca apinhei o, 1993) conc e iza ês modos de dominação pelos
quais os médicos assumem uma posição dominan e na di isão do abalho em saúde.
São eles a subo dinação, a limi ação e a exclusão. A subo dinação é exe cida sob e as
ca ego ias p o issionais que coope am com os médicos em saúde, como são exemplo os
en e mei os. A na u eza do abalho do g upo de en e magem é de inida a pa i do
abalho médico e a posição uncional das suas a e as é de e minada a pa i da
cen alidade das a e as médicas. A limi ação ope a-se po ia de p ocessos de
con enção e es ição dos domínios de ação p o issional de g upos que não dispõem de
conhecimen os de medicina, mas que de êm compe ências equi alen es nalguns
domínios e que, po an o, i alizam e compe em com os especialis as com o mação em
medicina. T a a-se, po exemplo, de ci cunsc e e a au onomia e o aio de ação dos
en e mei os que, em algumas a e as, podem apenas desempenha a e as conc e as cujo
desen ol imen o depende da p esc ição médica. A exclusão acon ece pelo não
econhecimen o de conhecimen os e compe ências a ou os p o issionais pa a o
exe cício de a i idades em medicina, pelo que es es são p o issionais são excluídos do
exe cício de qualque a i idade que se possam sob epo . É exemplo disso a cla a
impossibilidade dos en e mei os em ealiza em de e minados p ocedimen os de
exclusi idade médica.
Médicos e en e mei os exe cem a e as cla amen e di e enciadas, que são
execu adas isoladamen e. São, po an o, g upos p o issionais que se echam sob e si
p óp ios, man endo uma meno ede de sociabilidades al amen e ma cada pela
di e enciação uncional das a e as que de e mina o campo das elações sociais que
es abelecem (Ca apinhei o, 1993). A en ada de no as ca ego ias p o issionais no se o
da saúde, mo i ada pela in odução e es anda dização de no as á eas enquan o
consequência de uma complexi icação cien í ica e ecnológica do modo de p odução de
cuidados médicos, não aca e ou no os modos de o dena as unções hospi ala es. De
ac o, man e e-se in ac o o p incípio do monopólio do pode médico e a sua posição de
p i ilégio, sendo semp e em unção des a que as no as unções se o ganiza am.
A espei o da supe isão do abalho em saúde, F eidson (2008) ale a pa a os
bene ícios de uma e e i a supe isão sob e um ipo pa icula de abalho, bem como da
coope ação com ou os p o issionais, supo ados numa di isão do abalho com base na
expe iência e no conhecimen o acumulados. A ança que é p ecisamen e des a
coope ação que esul a um melho desempenho de odos os p o issionais en ol idos.
Ale a, con udo, que apesa dos médicos pode em di igi o abalho de ou os

Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
271
p o issionais, nomeadamen e dos en e mei os, al não signi ica que os p imei os
possuam necessa iamen e au o idade pa a o exe cício de um e e i o con olo, si uação
e o çada pela au onomia écnica dos en e mei os.
Um dos aspe os que conco e pa a a p odução das ep esen ações en e os
g upos p o issionais em análise p ende-se com a impo ância que es es a ibuem
mu uamen e em elação à a i idade p o issional que exe cem. Os esul ados da
a aliação ei a pelos p o issionais que inqui imos são ap esen ados no quad o abaixo.
Quad o 29. G au de impo ância pa a a a i idade p o issional a ibuído en e médicos e en e mei os (%)
Dos médicos aos en e mei os
Dos en e mei os aos médicos
Nada impo an e
0,7
1,6
Pouco impo an e
0,7
8,1
Impo an e
39,1
61,3
Mui o impo an e
59,6
29,0
To al
100,0
100,0
(n=151)
(n=62)
Os esul ados ob idos e idenciam uma a aliação posi i a da impo ância
a ibuída en e médicos e en e mei os pa a a sua p á ica p o issional. É necessá io,
con udo, di e encia os g aus de ele ância a ibuídos. Os médicos a ibuem cla amen e
uma maio impo ância aos en e mei os pa a a sua a i idade p o issional, não se
obse ando o in e so em igual medida.
Além de uma a aliação global da impo ância de cada g upo p o issional,
ques ionámos os pa icipan es ace ca dos aspe os conc e os que alo izam na ação do
ou o g upo p o issional no p ocesso de diagnós ico e acompanhamen o de odo o
p ocesso de doença, em con ex o hospi ala . De inimos, à p io i, cinco i ens:
comunicação obje i a no acompanhamen o ao pacien e; in e esse pelo his ó ico do
pacien e; p oximidade no acompanhamen o; conhecimen o écnico-cien í ico;
expe iência p o issional. Os esul ados da a aliação ei a pelos médicos ace ca da ação
dos en e mei os são ap esen ados no quad o abaixo.
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
272
Quad o 30. G au de impo ância que os médicos a ibuem à ação dos en e mei os (% em linha)
A ibu os
Nada
impo an e
Pouca
impo ância
Impo an e
Mui o
impo an e
Comunicação obje i a no acompanhamen o
ao pacien e
1,3
0,7
45,4
52,6
In e esse pelo his ó ico do pacien e
1,3
10,6
58,9
29,1
P oximidade no acompanhamen o
0,7
2,0
40,1
57,2
Conhecimen o écnico-cien í ico
0,7
5,3
40,4
53,6
Expe iência p o issional
0,7
2,0
31,8
65,6
Ap esen amos, ambém, os esul ados da a aliação ealizada des a ez pelos
en e mei os ace ca da ação dos médicos.
Quad o 31. G au de impo ância que os en e mei os a ibuem à ação dos médicos (% em linha)
A ibu os
Nada
impo an e
Pouca
impo ância
Impo an e
Mui o
impo an e
Comunicação obje i a no acompanhamen o
ao pacien e
---
1,6
38,7
59,7
In e esse pelo his ó ico do pacien e
---
3,2
45,2
51,6
P oximidade no acompanhamen o
---
1,6
39,3
59,0
Conhecimen o écnico-cien í ico
---
---
22,6
77,4
Expe iência p o issional
---
---
25,8
74,2
Numa p imei a análise dos quad os an e io es des acamos dois aspe os: uma
cla a maio concen ação de espos as nos g aus mais posi i os, o que e idencia a
ele ância que os dois g upos p o issionais a ibuem aos a ibu os que ap esen ámos; a
inexis ência de si uações em que os en e mei os não econhece am qualque
impo ância de qualque um dos i ens pa a a ação dos médicos. Uma análise mais ina
demons a pon os de con e gência e di e gência na a aliação ei a. A quase o alidade
dos médicos e dos en e mei os oi unânime na a aliação posi i a do g au de
impo ância de ês a ibu os na p á ica do ou o g upo p o issional que dizem espei o,
em conc e o, à elação com o doen e e à expe iência p o issional. O p imei o e e e-se à
comunicação obje i a no acompanhamen o do pacien e conside ado como impo an e
po mais de me ade dos p o issionais dos dois g upos na ação do ou o g upo. O
segundo elaciona-se com a p oximidade no acompanhamen o, a aliada como mui o
impo an e nos en e mei os po mais de me ade dos médicos e p imei os ?. O e cei o
deco e da a aliação ei a da impo ância da expe iência p o issional acumulada. Uma
signi ica i a maio ia dos pa icipan es dos dois g upos conside ou que es e é um
a ibu o mui o impo an e no exe cício do ou o g upo.
Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
273
Nos es an es dois i ens obse am-se assinalá eis di e gências na impo ância
a ibuída. Em p imei o luga , o in e esse pelo his ó ico do pacien e é um a ibu o cuja
maio ele ância é obse ada na ação dos médicos, opinião mani es ada po ce ca de
me ade dos en e mei os pa icipan es. Numa a aliação con á ia, a maio ia dos médicos
conside ou que es e aspe o é apenas impo an e pa a os en e mei os, ha endo inclusi e
10,6% que o classi ica am como pouco impo an e. Po im, o a ibu o onde mais
signi ica i a é a di e gência na a aliação ei a pelos dois g upos p o issionais e e e-se
ao conhecimen o écnico-cien í ico, não obs an e a comum alo ização ei a po ambos.
Toda ia, es a é pa icula men e no ó ia na a aliação que os en e mei os azem ace ca da
ação médica, na medida em que uma exp essi a maio ia conside ou que es e
conhecimen o é mui o impo an e pa a o exe cício p o issional do ou o g upo. Pouco
mais de me ade dos médicos ize am idên ica a aliação ace ca dos en e mei os.
Tendo como e e ência os a ibu os que elegemos pa a a a aliação da ação dos
g upos p o issionais (com exceção da expe iência p o issional), solici ámos aos
pa icipan es que a aliassem cada um deles em unção an o da sua p ese ação como
do comp ome imen o em unção da idade. Os esul ados da a aliação dos médicos sob e
os en e mei os são ap esen ados no quad o abaixo.
Quad o 32. A ibu os que os médicos conside am mais comp ome idos nos en e mei os com a idade
A ibu os
Mais comp ome ido
Mais p ese ado
Sim
Não
Sim
Não
Comunicação obje i a no acompanhamen o ao pacien e
41,4
58,6
66,2
33,8
In e esse pelo his ó ico do doen e
43,9
56,1
58,8
41,2
P oximidade no acompanhamen o
44,2
55,8
65,5
34,5
Conhecimen o écnico-cien í ico
78,9
21,1
26,5
73,5
Os esul ados da a aliação ei a pelos en e mei os ace ca dos médicos são
ap esen ados no quad o abaixo.
Quad o 33. A ibu os que os en e mei os conside am mais comp ome idos nos médicos com a idade
A ibu os
Mais comp ome ido
Mais p ese ado
Sim
Não
Sim
Não
Comunicação obje i a no acompanhamen o ao pacien e
53,8
46,2
62,5
37,5
In e esse pelo his ó ico do doen e
45,3
54,7
60,0
40,0
P oximidade no acompanhamen o
59,6
40,4
60,0
40,0
Conhecimen o écnico-cien í ico
52,6
47,4
57,4
42,6
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
274
Ao ní el dos aspe os mais comp ome idos com a idade, a a aliação ei a pelos
médicos e pelos en e mei os é signi ica i amen e di e gen e, com exceção do a ibu o
ela i o ao in e esse pelo his ó ico dos doen es. Uma maio ia semelhan e dos
p o issionais inqui idos nos dois g upos conside ou que es e a ibu o não é dos mais
comp ome idos com o a ança da idade, sendo na u al que a maio ia conside e ambém
que es e aspe o é dos mais p ese ados com a idade. Reco damos os dados ap esen ados
an e io men e que indica am que es e aspe o e a sob e udo alo izado pelos
en e mei os em elação à p á ica dos médicos. Além disso, a maio ia dos médicos
conside ou que a comunicação obje i a no acompanhamen o ao pacien e e a
p oximidade no acompanhamen o são a ibu os acamen e in luenciados pela idade dos
en e mei os man endo-se, pa a a maio ia dos p imei os, p ese ados. A aliação
con á ia des es dois a ibu os é ei a pelos en e mei os. Pa a a maio ia des es, a idade
impac a di e amen e na obje i idade da comunicação e no in e esse demons ado pelos
médicos. Es es dados con as am, con udo, com a a aliação ei a dos mesmos a ibu os
mas em elação à sua p ese ação ao longo do empo, na medida em que a maio ia dos
en e mei os a i mou, simul aneamen e, que es es dois i ens são os mais p ese ados. A
di e ença de a aliação mais no ó ia p ende-se com o g au de comp ome imen o do
conhecimen o écnico-cien í ico em unção da idade. Uma maio ia signi ica i a dos
médicos a i mou que a idade comp ome e o g au de conhecimen o dos en e mei os e,
po an o, que é o a ibu o menos p ese ado. No caso da a aliação ei a pelos
en e mei os sob e es e i em nos médicos, os esul ados ob idos indicam que uma ligei a
maio ia a i mou que a idade comp ome e o conhecimen o écnico-cien í ico dos
médicos e, assim, é um i em ela i amen e p ese ado ao longo do empo.
Na análise da elação en e médicos e en e mei os impo a ainda eco da o
conjun o de a ibu os que os úl imos mais alo iza am na sua a i idade p o issional, e
que a ás já ap esen ámos, que se elacionam com o ipo de elação que es abelecem
com os doen es. F eidson (2008) conside a que es e maio conhecimen o sob e o doen e,
consequências da a enção e do empo dedicados pelos en e mei os, se pode ans o ma
numa impo an e mais- alia pa a o en e mei os na sua elação com o médico. Es e
ac o, conjugado com os conhecimen os écnicos e cien í icos que possuem,
ans o mam-se em elemen os de negociação com os médicos e mesmo com os doen es.
Con udo, o au o ale a pa a que es e pode possa ambém esul a numa posição
p oblemá ica e con li uan e pa a os en e mei os po se em o pon o de encon o de
Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
275
pe spe i as con li uan es, não obs an e o seu po encial pa a agi como pon o de
equilíb io en e o ças, sendo de e minan e na negociação en e o pacien e e o médico.
Ou a on e de con li o pode deco e do não acolhimen o das indicações
médicas pela es an e equipa de saúde em que se inse e, sob e udo não exis indo
consenso quan o à sua pe spe i a, o que pode coloca em causa o no mal uncionamen o
do se iço. No caso conc e o da elação médico-en e mei o, o con li o pode ad i
pa icula men e de uma di e ença de conceções de a amen o, na medida em que se
a am de p o issionais com o mação em saúde ainda que com á eas de in e enção
dis in as. Con udo, não obs an e uma boa ges ão de e en uais con li os pa a bem do
pacien e, do uncionamen o do se iço e da elação en e a equipa de saúde, o médico,
ocupando a posição dominan e na di isão do abalho, sus en ada no seu p es ígio e no
enquad amen o legal da p o issão, em au o idade pa a e a pala a inal.
Na di isão do abalho dos hospi ais exis e uma delimi ação dos e i ó ios de
negociação que assegu a a conc e ização de obje i os ins i ucionais ou, pelo menos,
aquele que é o obje i o básico do hospi al: a ecupe ação do doen e. Es e elemen o
cons i ui uma o ma simbólica de união que o nece coesão ins i ucional e assegu a o
uncionamen o da o ganização hospi ala , ainda que masca e uma ma gem mui o ampla
de desaco dos e de p opósi os di e gen es en e g upos p o issionais.
No quad o abaixo ap esen amos a dis ibuição da impo ância que os
p o issionais dos dois g upos conside ados nes a in es igação se a ibuí am
mu uamen e. Encon amos di e enças es a is icamen e signi ica i as (p<0,001) en e os
dois g upos sendo maio a alo ização a ibuída pelos médicos aos en e mei os do que
ao con á io. De ac o, enquan o 59,6% dos médicos conside a am que os en e mei os
são mui o impo an es pa a a sua p á ica p o issional, 61,3% des es úl imos conside am
que os médicos são apenas impo an es pa a o seu exe cício p o issional.
Quad o 34. Dis ibuição da impo ância mu uamen e a ibuída en e g upos p o issionais
En e mei os
Médicos
P
Nada impo an e/Pouco impo an e
6 (9,7)
2 (1,3)
<0,001
Impo an e
38 (61,3)
59 (39,1)
Mui o impo an e
18 (29,0)
90 (59,6)
A a és da écnica de análise de componen es ob i emos duas dimensões pelas
quais se o ganizam os i ens conside ados ace ca da a aliação en e g upos p o issionais

CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
276
ao longo do p ocesso de diagnós ico e acompanhamen o do p ocesso de doença, em
con ex o hospi ala . Os esul ados ap esen adas no quad o abaixo, indicam
p imei amen e que no seu conjun o, as componen es ob idas explica am 70,8% da
a iância o al. Além disso, os alo es de al a de C onbach globais, que a ia am en e
0,76 e 0,73, espe i amen e pa a as componen es 1 e 2, e elam uma ele ada
consis ência in e na dos dados. A p imei a componen e associou-se o emen e com
aspe os ligados ao desempenho p o issional di e amen e com os pacien es (i ens 1, 2 e
3), pelo que oi designada como comunicação, his ó ico e p oximidade. A segunda
componen e associou-se o emen e a aspe os elacionados com os equisi os pa a a
p á ica p o issional (i ens 4 e 5), pelo que assumiu a designação de conhecimen o e
expe iência. Obse amos uma co elação mode ada en e as duas componen es com o
alo de 0,442.
Quad o 35. Análise de componen es p incipais com o ação oblimin sob e os a ibu os mais alo izados
na ação dos médicos/en e mei os
CP1
CP2
Comunicação obje i a no acompanhamen o ao pacien e
0,857
In e esse pelo his ó ico do doen e
0,841
P oximidade no acompanhamen o
0,745
Conhecimen o écnico-cien í ico
0,758
Comunicação obje i a no acompanhamen o ao pacien e
0,958
Co elações
CP1
0,442
Va iância explicada
40,9
29,9
Va iância explicada cumula i a
40,9
70,8
Al a de C onbach
0,760
0,729
Tomando as componen es ex aídas uma ez mais como unidades de análise,
calculámos a média e o des io pad ão de cada uma, os quais ap esen amos no quad o
abaixo. Numa p imei a análise, e com um ní el de signi icância de p<0,001,
obse amos a exis ência de di e enças signi ica i as en e as duas dimensões, sendo a
p imei a aquela que ecolheu uma meno impo ância (3,4 s. 3,6). Os alo es da
signi icância obse ados na análise en e g upos p o issionais pe mi i am-nos conclui
a exis ência de di e enças ao ní el dos g upos p o issionais, sendo maio a alo ização
Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
277
a ibuída pelos en e mei os nas duas componen es. Ao ní el das o ganizações
hospi ala es não se obse a am di e enças signi ica i as.
Quad o 36. Desc ição das di e en es dimensões sob e os i ens mais alo izados na ação dos g upos
p o issionais
To al
En e mei os
Médicos
P
HSJ
HSA
P
Média (DP)
Média (DP)
Média (DP)
Média (DP)
Média (DP)
Dimensão 1
3,4 (0,5)
3,6 (0,4)
3,4 (0,5)
0,015
3,4 (0,5)
3,4 (0,5)
0,695
Dimensão 2
3,6 (0,5)
3,8 (0,4)
3,5 (0,5)
0,001
3,6 (0,5)
3,6 (0,5)
0,609
P
<0,001
Po ia de uma análise a o ial explo a ó ia u ilizando co elações policó icas os
dados suge i am uma dimensão associada aos ês p imei os i ens ela i os à
comunicação, in e esse e p oximidade no acompanhamen o ao doen e, po an o, os i ens
pe encen es a cada componen e p incipal. O alo de al a de C onbach oi de 0,66,
e elando uma associação mode ada en e a dimensão e os i ens.
Quad o 37. Análise explo a ó ia a o ial u ilizando co elações policó icas
Ca gas Fa o iais
Comunicação obje i a no acompanhamen o ao pacien e
0,687
In e esse pelo his ó ico do doen e
0,846
P oximidade no acompanhamen o
0,685
Conhecimen o écnico-cien í ico
---
Comunicação obje i a no acompanhamen o ao pacien e
---
Al a de C onbach
0,665
1 I em eliminado da análise po não ap esen a um bom ajus amen o.
Uma análise da dimensão an e io segunda a opinião de manu enção ou
deg adação dos seus a ibu os com a idade e elou que ce ca de me ade dos
p o issionais de saúde dos dois g upos não conside am que es es sejam in luenciados
pela idade. Não se e i icou a exis ência de di e enças signi ica i as na a aliação ei a
segundo os indicado es ela i os à o ganização hospi ala , habili ações li e á ias, elação
con a ual, egime cumula i o, g upo p o issional e in enção de e o ma no momen o,
al como comp o am os alo es da signi icância supe io es a 0,005 ap esen ados no
quad o abaixo. Obse a am-se, con udo, di e enças signi ica i as com base no sexo
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
278
(p=0,046), sendo o eminino aquele que conside ou que os a ibu os es a am mais
p ese ados (41,1% s. 28,2%).
Quad o 38. Fa o es associados com os a ibu os globais mais alo izados na ação dos
médicos/en e mei os
Comp ome ida
Nem Comp ome ida/
Nem Mais P ese ada
Mais
P ese ada
P
N (%)
N (%)
N (%)
To al
30 (17,0)
87 (49,4)
59 (33,5)
Hospi al
HSJ
19 (16,8)
56 (49,6)
113 (33,6)
0,994
HSA
11 (17,5)
31 (49,2)
21 (33,3)
Sexo
Masculino
15 (14,6)
59 (57,3)
29 (28,2)
0,046
Feminino
15 (20,5)
28 (38,4)
30 (41,1)
Habili ações li e á ias
Bacha ela o/ Licencia u a/
Mes ado
27 (19,1)
66 (46,8)
48 (34,0)
0,176
Dou o amen o
3 (10,3)
19 (65,5)
7 (24,1)
Relação con a ual
Exclusi idade
6 (11,8)
23 (45,1)
22 (43,1)
0,285
Tempo in eg al
18 (18,6)
48 (49,5)
31 (32,0)
Tempo pa cial/Ta e a
4 (16,0)
16 (64,0)
5 (20,0)
Regime cumula i o
Sim
16 (14,8)
60 (55,6)
32 (29,6)
0,122
Não
14 (20,6)
27 (39,7)
27 (39,7)
G upo p o issional
En e mei o (a)
9 (21,4)
19 (45,2)
14 (33,3)
0,664
Médico (a)
21 (14,8)
68 (50,7)
45 (33,6)
Ao ní el do a ibu o de conhecimen o écnico-cien í ico es e é o que os
pa icipan es conside a am ica mais comp ome ido com a idade, não se endo
obse ado di e enças signi ica i as (p>0,005) na classi icação com a o ganização
hospi ala , habili ações li e á ias, elação con a ual e egime cumula i o como a es am
os esul ados do quad o abaixo. Obse a am-se, con udo, di e enças signi ica i as em
elação ao sexo (p=0,008), sendo o masculino aquele que mais conside ou que es e
conhecimen o ica a comp ome ido (48,1% s. 67,9%). Em e mos de g upo
p o issional, o am os en e mei os que conside a am que es e conhecimen o es a a
menos comp ome ido com a idade (34,0% s. 68,4%). Também se e i icou não exis i
uma associação en e a opinião ace ca des e conhecimen o es a comp ome ido ou
p ese ado e os seguin es a o es: idade ( ho=-0,01, p=0,836), impo ância dos a ibu os
( ho=-0.02 (p=0,700) e ho=0.04 (p=0,587), espe i amen e pa a as dimensões 1 e 2.
Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
279
Quad o 39. Fa o es associados com a p ese ação do conhecimen o écnico-cien í ico com a idade
Comp ome ida
Nem
Comp ome ida/
Nem P ese ada
Mais P ese ada
P
N (%)
N (%)
N (%)
To al
109 (59,6)
32 (17,5)
42 (23,0)
Hospi al
HSJ
73 (62,4)
15 (12,8)
29 (24,8)
0,084
HSA
36 (54,5)
17 (25,8)
13 (19,7)
Sexo
Masculino
72 (67,9)
18 (17,0)
16 (15,1)
0,008
Feminino
37 (48,1)
14 (18,2)
26 (33,8)
Habili ações li e á ias
Bacha ela o/
Licencia u a/ Mes ado
84 (57,1)
26 (17,7)
37 (25,2)
0,237
Dou o amen o
22 (73,3)
4 (13,3)
4 (13,3)
Relação con a ual
Exclusi idade
36 (70,6)
6 (11,8)
9 (17,6)
0,171
Tempo in eg al
55 (52,9)
20 (19,2)
29 (27,9)
Tempo pa cial/Ta e a
17 (68,0)
5 (20,0)
3 (12,0)
Regime cumula i o
Sim
71 (62,8)
22 (19,5)
20 (17,7)
0,093
Não
38 (54,3)
10 (41,0)
22 (31,4)
G upo p o issional
En e mei o (a)
16 (34,0)
11 (23,4)
20 (42,6)
<0,001
Médico (a)
93 (68,4)
21 (15,4)
22 (16,2)
Após ajus a mos os esul ados segundo o sexo e o g upo p o issional
e i icámos que o p incipal de e minan e da opinião ace ca da p ese ação do a ibu o
de conhecimen o écnico-cien í ico e a o g upo p o issional. Os médicos ap esen am
uma associação nega i a ace ca da conside ação da p ese ação do a ibu o (POR=0,30,
IC95%=(0,15; 0,61)).
Quad o 40. Fa o es associados com o a ibu o conhecimen o écnico-cien í ico
POR ajus ado (IC95%)
Sexo
Masculino
1
Feminino
1,60 (0,84; 3,06)
G upo p o issional
En e mei o (a)
1
Médico (a)
0,30 (0,15; 0,61)
Obse ámos ainda que as dimensões ace ca da alo ização dos a ibu os mais ou
menos p ese ados com a idade não se associa am com a p e ensão da aposen ação no
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
286
possibilidade de aposen ação. O espe ado dé ice de médicos de clínica ge al e amilia
em uma implicação mais ala gada em e mos daquelas que são a ualmen e as
o ien ações pa a o SNS. Conside amos que es e enómeno pode á comp ome e a
ansição p e endida en e uma lógica hospi alocên ica dominan e em Po ugal pa a
uma e e i a apos a na ede de cuidados p imá ios que cons i ui, de es o, um desígnio da
a ual es a égia pa a o se o da saúde.
Também en e as especialidades hospi ala es, as ob idas pelos pa icipan es nes a
in es igação, espe a-se exis i casos de dé ice ou exceden e de médicos no ho izon e de
2020. Além disso, algumas especialidades sen i ão de o ma mais exp essi a os e ei os
do en elhecimen o dos seus p o issionais e, a médio p azo, a necessidade de no os
p o issionais pe an e a saída dos mais elhos.
O baixo po encial de eju enescimen o do g upo p o issional médico
di icilmen e se á con a iado caso não seja aumen ada a o e a pela abe u a de mais
agas no ensino supe io , si uação já á ias ezes discu idas sem e ei os no ó ios
subsequen es. De e ainda se conside ado o p ocesso de eminização des e g upo
p o issional não pode se dissociado das e idências empí icas ace ca de uma endência
mais signi ica i a pa a a aposen ação en e as mulhe es (Romans, 2007), da qual esul a
uma ca ei a con ibu i a mais cu a e, em simul âneo, um pe íodo mais p olongado de
usu uição de pensão po elhice e da p es ação de cuidados de saúde esul an es da sua
maio espe ança de ida.
Pelo expos o, pa ece-nos que a colma ação das necessidades de médicos no
u u o se á apenas possí el se o aumen ada a sua o e a ou, en ão, se o em accionados
mecanismos de incen i o ao p olongamen o empo al da a i idade que, combinados
com um aumen o da o e a, pe mi am colma a a al a de médicos sen ida. Não se a a,
po an o, de ado a medidas palia i as como aquelas seguidas pelo Es ado, aquando do
aumen o do olume de pedidos de aposen ação após as al e ações ao Es a u o da
Aposen ação que pe mi i am que médicos aposen ados eg essassem ao exe cício
p o issional pa a assegu a as necessidades do SNS. T a a-se sim de conside a um
ho izon e mais ala gado que aça en e à escassez de médicos em algumas
especialidades e zonas geog á icas que se man e á pelo menos a é 2020 e que
po encialmen e se á mais exp essi o caso haja um aumen o dos pedidos de aposen ação
ace a e en uais u u as no as al e ações.
En endemos, po an o, que polí icas de p omoção do emp ego di ecionadas pa a
médicos e en e mei os, nomeadamen e, são necessá ias no a ual con ex o demog á ico,

Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
287
económico e social mas, ambém, no caso dos médicos pa icula men e, isam
esponde a necessidades cla as do se o da saúde sob pena de se em comp ome idas as
me as de inidas pa a o mesmo, nomeadamen e no que espei a à alo ização de ede de
cuidados p imá ios.
Não negamos e en uais debilidades ísicas e psicológicas deco en es da idade
que possam comp ome e o desen ol imen o de de e minadas a e as num cená io de
p olongamen o da a i idade p o issional, uma ez que o en elhecimen o é, de ac o, um
enómeno biológico i e e sí el (Almeida, 2012), bem como a necessá ia di e enciação
en e idade biológica e psicológica cons i uindo uma al e na i a a alo ização da idade
uncional (Guillema d, 2010). Toda ia, os esul ados ob idos jun o dos inqui idos no
es udo ace ca da a aliação posi i a que gene icamen e azem en e o abalho que
exe cem e a sua idade, bem como a ele ada pe cen agem de médicos, essencialmen e,
que exe cem unções em pa alelo à p es ação de cuidados de saúde na o ganização
hospi ala pública conside ada, le am-nos a c e que, exis indo condições mo i ado as
pa a o p olongamen o da a i idade p o issional e que, em conc e o, espondam às
p incipais mo i ações pa a a saída que discu i emos no p óximo capí ulo, conside amos
exis i em pelo menos condições do pon o de is a ísico e psicológico pa a o
p olongamen o empo al da a i idade.
Es a necessidade de p omoção do p olongamen o da a i idade p o issional dos
p o issionais em es udo, pa icula men e dos médicos, se á o alecida se se conside a
as ca ac e ís icas e ep esen ações que, pa icula men e, ma cam os g upos p o issionais
em causa.
Na segunda pa e des e capí ulo, ocamo-nos nas especi icidades dos g upos
p o issionais em es udo endo po base o con ex o hospi ala . Obse amos que o
conhecimen o écnico-cien í ico é um aspe o cen al, pa icula men e no que aos
médicos diz espei o. P imei amen e es es p o issionais conside am que a posse des e
conhecimen o é um aspe o cen al pa a o exe cício da sua p o issão, alo ização que
acilmen e podemos associa ao dinamismo e à ino ação cien í ica no campo da
medicina e às consequen es exigências de a ualização/aquisição de conhecimen os e
compe ências daí deco en es. Es a alo ização es á ambém pa en e na opinião de que a
apos a na a ualização cien í ica é mais impo an e do que a o mação de base dos
pa icipan es. Também não se á de es anha que uma das dimensões ex aídas ace ca
dos i ens alo izados no exe cício p o issional ag egue p ecisamen e os ela i os à
o mação académica de base, pe manen e a ualização cien í ica e écnica e expe iência
CAPÍTULO V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
288
p o issional, es a úl ima en endida enquan o po enciado a da aquisição de
conhecimen os e compe ência no p óp io exe cício da a i idade. É ambém um aspe o
ao qual é a ibuída g ande impo ância na ação de médicos e en e mei os,
pa icula men e pelos en e mei os ace aos médicos. Não deixa, con udo, de se um dos
aspe os que médicos e en e mei os conside am ica mais comp ome ido com a idade,
pa icula men e na opinião dos en e mei os ace aos médicos, a aliação es a sob e udo
de e minada pelo g upo p o issional.
A g ande impo ância a ibuída à elação com os pacien es na a i idades dos
en e mei os pode se en endida à luz daquela que oi a e olução his ó ica des a
a i idade, ecen emen e p o issão, ou seja, do cuidado com is a ao bem-es a do
doen e, numa elação en e en e mei o e doen e mui o p óxima e signi ica i amen e
dis in a daquela es abelecia com o médico. Cons i uindo es e meno dis anciamen o
social um a o p eponde an e nas ep esen ações e no meno p es ígio social a ibuídos
aos en e mei os (F eidson, 2008), conside amos que a manu enção da alo ização des a
elação, não obs an e as especi icidades da p á ica de en e magem exigi em um
acompanhamen o mais p óximo do doen e, pode á alimen a acas ep esen ações ace
aos en e mei os.
Reco damos que a apos a na ap endizagem ao longo da ida p o issional,
nomeadamen e pela aquisição ou a ualização de conhecimen os é um aspe o cen al nas
o ien ações de p omoção do emp ego en e os mais elhos. A queda do pa adigma
ipa ido de ida em p ol de uma abo dagem holís ica do cu so de ida pe mi e que
coexis am hoje si uações de emp ego e o mação que, de es o, se o nam cen ais pa a o
sucesso dos indi íduos num me cado de abalho cada ez mais dinâmico (Guillema d,
2010). Es udos como os desen ol idos po Cen eno (2007), Fe nandes (2007) e Mo ei a
e al (2012) e idenciam os bene ícios cla os de uma apos a na ap endizagem e o mação
ao longo da ida dos abalhado es enquan o mecanismos de p omoção da sua
adequação às no as exigências do me cado de abalho.
Mais impo a ainda discu i a impo ância da elação es abelecida en e os
g upos p o issionais in luenciado a de au o e he e o ep esen ações e elações
p o issionais sa is a ó ias e po encialmen e ma can es da opção pelo p olongamen o da
a i idade p o issional. Não obs an e os dois g upos se a ibuí em uma ele ada
impo ância mu uamen e, es a é especialmen e no ó ia dos médicos ace aos
en e mei os. Não deixa á de se cu ioso que al se e i ique a endendo à manu enção da
posição dominan e dos médicos na di isão do abalho em saúde e do maio pode a al
Capí ulo V. Ca ac e ís icas e Rep esen ações P o issionais de Médicos e En e mei os
289
associado. Ac esce ainda o ac o do abalho dos en e mei os em mui o es a
dependen e das p esc ições médicas, o que eduz a sua au onomia e alguma
dependência ace aos p imei os ainda que, de ac o, al não signi ique que a ibuem uma
impo ância ac escida.
Concluímos a i mando que nes e quin o capí ulo demons ámos que os
pa icipan es nes a in es igação e le em um conjun o de ans o mações sociais e
polí icas obse adas em Po ugal nas úl imas décadas que signi ica am, em conc e o,
um aumen o dos ecu sos humanos em saúde disponí eis, o acesso da mulhe à
o mação em medicina e a uma no a con igu ação da ede de p es ação de cuidados de
saúde em Po ugal. Não obs an e, es as ans o mações o am acompanhadas po um
desequilíb io en e a o e a e a necessidade de ecu sos de médicos e en e mei os,
espe i amen e, que mais acilmen e pode á se mi igada com medidas ocacionadas
pa a o p olongamen o da sua a i idade p o issional.
CAPITULO VI
Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da
A i idade P o issional de Médicos e En e mei os

Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
293
A pa icipação social dos indi íduos mais elhos é um dos pila es do
en elhecimen o a i o, pa adigma que ab iga as o ien ações e polí icas públicas de
espos a aos desa ios deco en es do p ocesso de en elhecimen o demog á ico.
Comungamos com a UE-27, OCDE e Banco Mundial que es a pa icipação pode es a
pa icula men e o ien ada pa a a pa icipação no me cado de abalho a a és da
aplicação de medidas que isem o p olongamen o empo al das aje ó ias p o issionais
e, associado a es e, a ga an ia de condições de saúde e abalho adequadas.
Conside ando que a pa icipação dos mais elhos no me cado de abalho es á
em mui o dependen e das polí icas públicas ado adas nesse sen ido, nes e capí ulo
i emos discu i p ecisamen e a génese e âmbi o das polí icas de emp ego ado adas nesse
sen ido ocando o caso especí ico de Po ugal. Ap esen amos ambém uma e lexão
sob e as polí icas de ges ão de ecu sos humanos pa a segmen os de abalhado es mais
elhos, ap esen ámos as azões apu adas jun os dos inqui idos nes a in es igação pa a a
opção pelo p olongamen o empo al da a i idade p o issional ou pela aposen ação e
concluímos com uma discussão dos esul ados alcançados.
6.1. POLÍTICAS PÚBLICAS DE EMPREGO PARA O PROLONGAMENTO
TEMPORAL DA ATIVIDADE PROFISSIONAL
As polí icas públicas ado adas pa a a p omoção do emp ego en e os mais elhos
baseiam-se, nomeadamen e, em duas p emissas: po um lado, que a sus en abilidade dos
sis emas de p o eção social apenas se á ga an ida se o ali iada a p essão inancei a
exe cida pelos enca gos com o pagamen o de pensões po elhice e a p es ação de
cuidados de saúde a uma população ina i a com maio peso ela i o ace à a i a,
si uação ag a a pelo a ual con ex o de c ise económica; po ou o, na acei ação da
subje i idade do p ocesso de en elhecimen o e, po an o, na a iedade in e indi idual
na i ência da elhice pa en e em di e en es i mos de e olução e in ensidade das
dimensões biológica e psicológica des e p ocesso.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
294
Do pon o de is a eó ico, as a uais polí icas de emp ego pa a os indi íduos mais
elhos ejei am os p essupos os das abo dagens eó icas ao en elhecimen o adicadas
numa isão ipa ida da ida e em pe spe i as uncionalis as segundo as quais os
indi íduos mais elhos de e iam necessa iamen e assumi no os papéis sociais em
consequência do seu p ocesso de en elhecimen o o que pode ia implica ,
nomeadamen e, o seu a as amen o social (Cumming; Hen y, 1961; Ha ighu s , 1968).
Pelo con á io, e no âmbi o do pa adigma de en elhecimen o a i o ao p omo e em o
p olongamen o empo al da a i idade p o issional e ao econhece em a a iedade
in e indi idual do p ocesso de en elhecimen o, esul an e de di e en es combinações
das dimensões biológica, psicológica e social, as a uais polí icas de emp ego pa a os
mais elhos ejei am on ei as es anques en e ases da ida, nomeadamen e en e a
idade a i a e a elhice.
As polí icas de emp ego pa a os mais elhos que á ios países en am aplica
a ualmen e ompem p ecisamen e com uma ges ão po segmen os e á ios (Guillema d;
Joli e , 2006). Ten am ul apassa a de inição de um limi e e á io que ob igue
necessa iamen e à saída dos abalhado es do me cado de abalho a a és da
aposen ação apos ando, em al e na i a, na p omoção da sua pa icipação social a a és,
nomeadamen e pela con inuidade de uma a i idade p o issional p omo endo, po an o,
uma ce a con inuidade com aquela que em sido a sua aje ó ia p o issional. Tal em
ine en e o econhecimen o da exis ência de mecanismos de adap ação dos indi íduos ao
p ocesso de en elhecimen o que lhes pe mi em con inua a exe ce os papéis sociais
ocupados ao longo da sua ida. Es as polí icas não podem ainda se alheias ao ipo e
densidade dos capi ais acumulados pelos indi íduos ao longo da sua ida (O'Rand,
2011). De ou a o ma, a a-se de conside a que no me cado de abalho, à semelhança
de ou as es e as da ida social, os indi íduos ocupam di e en es posições em
consequência dos di e en es capi ais que possuem e que, po sua ez, esul am,
nomeadamen e, da sa is ação p o issional ao longo da sua aje ó ia p o issional, dos
bene ícios, endimen os e p es ígio acumulados, da elação es abelecida com o meio,
en e ou os a o es. Exis indo uma mul iplicidade de expe iências p o issionais e de
capi ais acumulados ao longo da ida a i a, o na-se essencial econhece a di e sidade
de posicionamen os ace ao abalho e à aposen ação. Comungamos, po an o, a
pe spe i a das polí icas de emp ego pa a os mais elhos conside a em as suas di e en es
aje ó ias p o issionais. Pa ilhamos a pe spe i a de que a de inição de polí icas de
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
295
p olongamen o da a i idade p o issional de e e semp e subjacen e que o
en elhecimen o é uma cons ução social e que os indi íduos de em se agen es a i os
no seu p ocesso de en elhecimen o.
No sen ido de p omo e a pe manência dos abalhado es mais elhos no
me cado de abalho, a UE-27 em ecomendado um conjun o de medidas de incen i o
ao p olongamen o da a i idade p o issional que ap esen ámos e discu imos no Capí ulo
IV. Mais em econhecido que a p omoção do en elhecimen o a i o e, em conc e o, no
que ao me cado de abalho diz espei o passa, em la ga medida, po uma in e enção
simul ânea ao ní el indi idual, o ganizacional e polí ico. Nes e pon o i emos discu i
p ecisamen e o posicionamen o dos pa icipan es nes a in es igação ace à in e enção
polí ica no domínio da p omoção do p olongamen o empo al da a i idade p o issional.
Apesa das o ien ações elencadas pa a a p omoção do p olongamen o empo al
da a i idade p o issional, em Po ugal uma g ande pa e das medidas ado adas pa a es e
e ei o em-se baseado na al e ação ao Es a u o da Aposen ação. Em conc e o, êm sido
ope adas medidas pa a adia a idade de passagem à aposen ação, de o ma a p olonga
no empo a aje ó ia p o issional dos indi íduos, e pa a al e a a ó mula de cálculo das
pensões pa a, assim, se diminuí em os enca gos com as p es ações sociais po elhice.
A endendo à cen alidade do concei o de aposen ação nes a in es igação, à impo ância
das al e ações ope adas no espe i o quad o legal no âmbi o da es a égia de Po ugal
pa a o incen i o ao p olongamen o empo al da a i idade p o issional e ao seu impac o
des as al e ações nas expec a i as e ep esen ações dos indi íduos, ap esen a emos de
seguida as p incipais modi icações ope adas no quad o legal que egulamen a as
condições de ansição pa a a aposen ação. Es a exposição e análise se ão a iculadas
com a ap esen ação e discussão dos esul ados da ap eciação ealizada pelos inqui idos
nes e es udo ace às al e ações legais p oduzidas.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
302
penalizado a a ansição pa a a aposen ação. O e e ido aumen o dos pedidos de
aposen ação oi de al o ma signi ica i a que chegou a coloca a espos a aos mesmos
po pa e dos se iços compe en es, al como oi no iciado po á ios ó gãos de
comunicação social.
Na u almen e que en e os á ios pedidos de aposen ação ap esen ados se
incluí am médicos e en e mei os em exe cício no SNS. A saída dos p imei os omou al
exp essão que esul ou num cená io de escassez de médicos em algumas especialidades.
Se analisa mos o luxo de en adas e saídas de médicos e en e mei os com idade en e
os 55 e os 65 anos ap esen ado no quad o abaixo, apidamen e pe cebemos o assinalá el
aumen o das saídas em 2009. Em 2008 o olume de saídas ace aos a i os inha um
alo esidual. Em 2009 passou a co esponde a 9,0% en e os médicos e a 23,6% en e
os en e mei os.
Quad o 46. Médicos e en e mei os a i os e saídos en e os 55 e os 65 anos de idade
Ano
Médicos
En e mei os
A i os
Saídos
A i os
Saídos
2001
1793
8
1723
11
2002
1938
8
1644
19
2003
2054
6
1440
14
2004
2330
7
1451
8
2005
2608
5
1454
8
2006
2791
2
1214
9
2007
3175
5
1290
4
2008
3569
11
1378
7
2009
3939
354
1352
319
2010
4427
296
1522
238
2011
4714
342
1569
304
2012 – a é ma ço
4775
82
1592
96
Fon e: Minis é io da Saúde, 2012.
Não obs an e o peso ela i o das saídas e sido maio en e os en e mei os, o
ac éscimo de pedidos de aposen ação oi sob e udo g a oso en e os médicos a endendo
ao já discu ido énue equilíb io en e p ocu a e o e a nes e g upo p o issional,
acilmen e a e ado po a iações nas duas a iá eis como oi o caso do aumen o do
olume de pedidos de aposen ação en e os médicos. O e e ido cená io de escassez oi
pa icula men e sen ido na especialidade de medicina ge al e amilia aquela que,
segundo dados do es udo de necessidades p e isionais de médicos desen ol ido po

Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
303
San ana e a sua equipa (2009), é uma daquelas que, cumula i amen e, ap esen a um
maio índice de en elhecimen o, um meno po encial de eju enescimen o e na qual se
espe a se maio o gap en e o e a e necessidades do SNS a é 2020.
Pa a esponde ao cená io de escassez de médicos em algumas especialidades
mo i ado pelo aumen o de saídas, o Go e no c iou um enquad amen o legal excecional
que pe mi iu a con a ação de médicos aposen ados pa a o exe cício de unções no SNS.
O núme o des es p o issionais a con a a é de inido anualmen e. Fo am de inidas
condições p é-es abelecidas de o ma a ga an i a cla eza e anspa ência na con a ação
des es p o issionais. Es e egime oi ap o ado pa a um pe íodo de igência de 3 anos
( igo ando a é Julho de 2013, po an o), endo ês p incipais obje i os: da espos a à
escassez de médicos no país; assegu a a manu enção dos cuidados de saúde a odos os
cidadãos, an o nos cen os de saúde como nou os es abelecimen os do SNS; con ibui
pa a consolida a p es ação de cuidados de saúde com qualidade.
Em e mos de emune ação o egime ap o ado p e ê que os médicos
aposen ados sem ecu so a mecanismos legais de an ecipação não possam acumula o
ecebimen o da pensão com qualque emune ação co esponden e àquelas unções.
Assim, du an e o exe cício de unções, é suspensa a pensão ou, en ão, a emune ação,
con o me opção do p o issional. Pa a os p o issionais que op a am pela aposen ação
an ecipada, oi au o izado o exe cício de unções públicas com emune ação de inida
de aco do com a ca ego ia e escalão de idos à da a da aposen ação e o pe íodo no mal
de abalho aplicá el, icando es es ab angidos pelo egime ge al da Segu ança Social.
Pa a es es ambém a pensão de aposen ação é suspensa du an e o con a o es abelecido.
Pa a 2013 oi ap o ada a con a ação de a é 200 médicos aposen ados37.
Além das al e ações ope adas no Es a u o da Aposen ação, os úl imos anos
o am ma cados po ans o mações ao ní el das condições que egulamen am a p á ica
p o issional de médicos e en e mei os. Po econhece mos a essas ans o mações
po encial pa a in luencia em a o ma como os indi íduos pe spe i am os seus empos
de abalho e de ina i idade e, po an o, podendo molda a in enção de p olongamen o
empo al da a i idade ou de aposen ação, nos p óximos pon os i emos p ecisamen e
ap esen a as al e ações p oduzidas ao ní el das ca ei as de medicina e de en e magem.
37 Segundo o dispos o no Diá io da República, 2.ª sé ie — N.º 20 — 29 de janei o de 2013
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
304
6.1.2. ALTERAÇÕES À CARREIRA MÉDICA
A e o ma da Adminis ação Pública ope ada nos úl imos anos implicou
al e ações ao ní el da ges ão dos ecu sos humanos em saúde38 que incluí am a
de inição de no os egimes de inculação, de ca ei as e de emune ações dos
abalhado es que exe cem unções públicas p e endo, em pa icula , a e isão dos
egimes dos co pos ou ca ei as especiais.
Na ca ei a médica, a egulamen ação39 exis en e oi e ogada no ano de 2009.
O Dec e o-Lei n.º 176/2009 eio es abelece o egime da ca ei a dos médicos nas
E.P.E. e nas pa ce ias em saúde, assim como os espe i os equisi os de habili ação
p o issional e pe cu so de p og essão p o issional e de di e enciação écnico-cien í ica.
Já o Dec e o-Lei nº 177/2009 es abeleceu o egime da ca ei a especial médica den o
da Adminis ação Pública, assim como os espe i os equisi os de habili ação
p o issional. A necessidade des e egime especial p endeu-se com a conside ação de que
“a ca ei a médica, a na u eza da p es ação de cuidados médicos, pela sua
especi icidade, con eúdo uncional e independência écnica, não pe mi e a sua
in eg ação numa ca ei a ge al, impondo, po isso, a c iação de uma ca ei a
especial” (Dec e o-Lei n.º 176/2009)
A al e ação ao egime a é en ão em igo oi ap esen ada endo como obje i o
ga an i , nomeadamen e, a exis ência de pe cu sos de p og essão p o issional e de
di e enciação écnico-cien í ica dos médicos do SNS. Daqui se conclui a impo ância
a ibuída à uni o mização de pe cu sos p o issionais, ainda que com a enção a
di e enças deco en es dos conhecimen os e capacidades écnico-cien í icas.
Foi ins i uída uma ca ei a médica única, embo a o ganizada po á eas de
exe cício p o issional, undando-se em de e es uncionais comuns pa a odos os
médicos e num con eúdo uncional de p es ação de cuidados de saúde, in es igação e
o mação p o issional.
Tendo po base a quali icação médica, baseada nos conhecimen os e capacidades
écnicas dos médicos e es u u ada segundo os g aus a ibuídos pelo Minis é io da
38 Lei n.º 12-A/2008, de 27 de e e ei o.
39 Dec e o-Lei n.º 73/90, de 6 de ma ço.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
305
Saúde e econhecidos pela OM, o am de inidos dois g aus comuns às ca ei as médicas
conside adas: especialis a e consul o que subs i uí am os g aus di e enciados segundo a
ca ei a médica an es exis en es. Pa a e ei os de ansição en e g aus, os médicos que
de inham o í ulo de especialis a concedido pela OM o am equipa ados a especialis as.
Os g aus de gene alis a, especialis a, e especialis a em saúde pública o am equipa ados
a especialis a. O g au de consul o é equipa ado ao g au ambém designado de
consul o . A ob enção do g au de especialis a depende da conclusão, com
ap o ei amen o, do in e na o da especialidade. Já o g au de consul o depende da
habili ação e e uada po p ocedimen os de concu so. Os clínicos ge ais não habili ados
com o g au de gene alis a não ansi a am pa a a no a ca ei a, man endo-se como
i ula es de ca ego ia subsis en e.
A o ganização da ca ei a especial médica oi ei a segundo as seguin es á eas de
exe cício p o issional: hospi ala , medicina ge al e amilia , saúde pública, medicina
legal e medicina do abalho, p e endo-se uma possí el inclusão de ou as á eas no
u u o. Fo am ambém de inidas ês ca ego ias den o das á eas de ca ei a médica que
subs i uí am as an e io es40: assis en e, assis en e g aduado e assis en e g aduado sénio .
O acesso à ca ei a médica, incluindo a mudança de ca ego ia, oco e po p ocedimen o
concu sal. Com a en ada em igo dos dois no os Dec e os-Lei man i e am-se,
po an o, dois g aus e ês ca ego ias nas ca ei as médicas. O pessoal médico a é en ão
in eg ado em ca ei as médicas de clínica ge al, hospi ala e de saúde pública com a
ca ego ia de assis en e ansi ou pa a a ca ego ia de assis en e; pessoal médico in eg ado
em ca ei as médicas de clínica ge al, hospi ala e de saúde pública com a ca ego ia de
assis en e g aduado ansi a pa a a ca ego ia de assis en e g aduado; o pessoal médico
in eg ado em ca ei as médicas de clínica ge al, hospi ala e de saúde pública com a
ca ego ia de che e de se iço ansi a pa a a ca ego ia de assis en e g aduado sénio . A
al e ação na designação da ca ego ia de che e de se iço pa a assis en e g aduado sénio
p endeu-se com a impossibilidade de exis i em ca ego ias cuja designação seja
susce í el de con usão com ca gos de che ia, os quais implicam uma nomeação.
Sal agua da-se, assim, a sepa ação en e ca gos de ges ão e a e olução nos g aus e
ca ego ias da ca ei a médica. Os médicos in eg ados em con a os indi iduais de
abalho sem possibilidade labo al de p og essão e di e enciação écnica, cien í ica e
sala ial, o am in eg ados na ca ei a médica.
40 Clínica ge al, hospi ala e de saúde pública.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
306
A dis ibuição dos inqui idos no nosso es udo segundo as no as ca ego ias
in oduzidas na ca ei a médica é ap esen ada no quad o abaixo, do qual se conclui que
ce ca de me ade dos médicos se encon a na ca ego ia mais ele ada de assis en e
g aduado sénio (52,4%).
Quad o 47. Dis ibuição dos médicos po ca ego ia de ca ei a (%)
Ca ei a médica
4,1
Assis en e
6,8
Assis en e g aduado
36,7
Assis en e g aduado sénio
52,4
To al
100,0
(n=160)
Impo a ainda e e i que a ansição pa a as no as ca ei as e ca ego ias
implicou um eposicionamen o emune a ó io ( a iá el segundo a ca ego ia e a
a aliação de desempenho), a de inição de um conjun o de ob igações dos médicos
in eg ados na ca ei a médica, não obs an e a au onomia e ca ac e ís icas écnico-
cien í icas de cada especialidade médica e, ainda, um conjun o de unções especí icas
pa a cada ca ego ia: à admissão à ca ego ia de assis en e é exigido o g au de
especialis a; à ca ego ia de assis en e g aduado é exigido o g au de consul o ; à
ca ego ia de assis en e g aduado sénio é exigido o g au de consul o e ês anos de
exe cício e e i o com a ca ego ia de assis en e g aduado.
Apenas os assis en es g aduados senio es podem exe ce unções de di eção,
che ia, ou coo denação de depa amen os, se iços ou unidades uncionais do SNS. Em
casos de idamen e undamen ados, os assis en es g aduados podem exe ce ambém
es as unções. Es as unções p e alecem sob e a p es ação de cuidados de saúde, ainda
que não impeçam as mesmas.
Os diplomas ap o ados pa a a al e ação da ca ei a médica man i e am o limi e
semanal de ho as ex ao diná ias, assim como a dispensa, a pa i dos 55 anos de idade,
de abalho em se iço de u gência, em unidades de cuidados in ensi os e in e médios,
com e ei os desde o 30.º dia após a ap esen ação da decla ação de dispensa.
No pon o seguin e ap esen a emos as al e ações ope adas ao ní el da ca ei a de
en e magem.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
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6.1.3. ALTERAÇÕES À CARREIRA DE ENFERMAGEM
Pelas especi icidades das suas unções, os en e mei os usu uí am ambém de
uma ca ei a especial, à semelhança dos médicos. É nes e sen ido que su gi am no os
diplomas ju ídicos como ga an ia que “os en e mei os das ins i uições de saúde no
âmbi o do SNS possam dispo de um pe cu so comum de p og essão p o issional e de
di e enciação écnico-cien í ica, o que possibili a ambém a mobilidade
in e ins i ucional, com ha monização de di ei os e de e es, sem sub e e a au onomia
de ges ão do sec o emp esa ial do Es ado” (Minis é io da Saúde, 2009b).
O Dec e o-Lei 247/2009, de 22 de se emb o, eio de ini o egime legal de
ca ei a dos en e mei os em exe cício de unções nas E.P.E. e nas pa ce ias em saúde
em egime de ges ão e inanciamen o p i ados, in eg adas no SNS, além dos espe i os
equisi os de habili ação p o issional e pe cu so de p og essão p o issional e de
di e enciação écnico-cien í ica. O Dec e o-Lei 248/2009, de 22 de se emb o, de iniu,
po sua ez, o egime da ca ei a especial de en e magem e os espe i os equisi os de
habili ação p o issional. Es es diplomas implica am uma o ganização da ca ei a de
en e magem pelas seguin es á eas de exe cício p o issional e de cuidados de saúde:
hospi ala e de saúde pública, cuidados p imá ios, con inuados e palia i os, na
comunidade, p é-hospi ala e de en e magem no abalho, não obs an e a possibilidade
de pode em se in eg adas ou as á eas. A endendo às di e enças no exe cício de
a i idades den o de cada uma des as á eas, cada uma em o mas adequadas à sua
na u eza. A é en ão, p e iam-se ês á eas de a uação em en e magem: p es ação de
cuidados, ges ão e assesso ia écnica.
Com a en ada em igo dos dec e os-lei e e idos, a ca ei a em en e magem
passou a se es u u ada em duas ca ego ias: en e mei o e en e mei o p incipal que
subs i uí am os qua o ní eis com di e en es ca ego ias em igo a é en ão. Com a
ex inção da ca ei a de en e magem hou e uma in eg ação dos en e mei os que oco eu
da seguin e o ma: os a é en ão i ula es da ca ego ia de en e mei o, de en e mei o
g aduado e de en e mei o especialis a o am in eg ados na no a ca ego ia de
en e mei o; os i ula es das ca ego ias de en e mei o-che e e de en e mei o-supe iso
o am in eg ados na no a ca ego ia de en e mei o p incipal (desde que o mon an e

Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
308
pecuniá io co esponden e à emune ação base a que enham di ei o não seja in e io ao
mon an e pecuniá io co esponden e ao ní el emune a ó io da p imei a posição da
ca ego ia de en e mei o p incipal).
A ualmen e, o exe cício de unções no âmbi o da ca ei a especial de
en e magem depende da ob enção do í ulo p o issional a ibuído pela O dem dos
En e mei os. Já a admissão pa a a ca ego ia de en e mei o é exigida a i ulação em
cédula p o issional de ini i a, a ibuída pelo mesmo o ganismo. Pa a admissão à
ca ego ia de en e mei o p incipal são exigidos, cumula i amen e, a de enção do í ulo
de en e mei o especialis a, a ibuído pela O dem dos En e mei os, e um mínimo de
cinco anos de expe iência e e i a no exe cício da p o issão. A é en ão, a p omoção na
ca ei a dependia de a o es como o empo de se iço na ca ego ia (c i é io es e não
aplicá el a odas as p og essões), o esul ado da a aliação de desempenho (sendo a no a
mínima conside ada a de sa is az), da o mação dos en e mei os, nomeadamen e ao
ní el da especialização ou mesmo pela abe u a de concu so.
No quad o abaixo ap esen amos a dis ibuição dos en e mei os inqui idos
segundo as ca ego ias de ca ei a. A análise do mesmo e idencia que, ce ca de me ade
des es p o issionais, encon a-se na ca ego ia de en e mei o (53,0%), sendo cla amen e
in e io a pa cela daqueles que ocupam a ca ego ia mais ele ada, con a iamen e ao
obse ado en e os médicos.
Quad o 48. Dis ibuição dos en e mei os po ca ego ias da ca ei a (%)
Ca ei a de en e magem
28,8
En e mei o
53,0
En e mei o p incipal
18,2
To al
100,0
(n=71)
O núme o de en e mei os p incipais de e á cons i ui um mínimo de 10% e um
máximo de 25 % ace ao núme o o al de en e mei os de que o ó gão ou se iço
necessi e pa a o desen ol imen o das espe i as a i idades.
Fo am p e is os ní eis emune a ó ios condicen es com as posições
emune a ó ias das ca ego ias da ca ei a especial de en e magem. Já os en e mei os
in eg ados na ca ei a especial de en e magem em unidades de saúde amilia gozam de
um ag upamen o au ónomo pa a ins emune a ó ios.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
309
O acesso a unções de di eção ou che ia no SNS é limi ado a p o issionais com a
ca ego ia de en e mei o p incipal ou, se de inido em diploma p óp io, em ou as
conside adas adequadas desde que se cump am os equisi os de admissão à ca ego ia de
en e mei os p incipal. São c i é ios cumula i os de nomeação: i) as compe ências
demons adas no exe cício de unções de coo denação e ges ão de equipas; ii) um
mínimo de 10 anos de expe iência e e i a no exe cício da p o issão; iii) o mação em
ges ão e adminis ação de se iços de saúde. Con udo, es ão p e is os casos de não
acumulação des es equisi os pa a o exe cício de ais unções caso não exis am
en e mei os p incipais que sa is açam odos os i ens indicados.
As mudanças ope adas ao ní el do Es a u o da Aposen ação e das ca ei as
p o issionais de medicina e en e magem o am acompanhadas pelos o ganismos de
ep esen ação dos dois g upos p o issionais. Re e imo-nos, em conc e o, às espe i as
O dens p o issionais e sindica os. Conside ando a impo ância a ibuída à de esa e
ep esen ação dos in e esses dos dois g upos p o issionais e ealizada pelos o ganismos
indicados, ap esen a emos de seguida a opinião dos pa icipan es no es udo ace ca do
papel dessas mesmas o ganizações.
6.1.4. AVALIAÇÃO DA DEFESA DOS INTERESSES DOS GRUPOS
PROFISISONAIS
Os sindica os e as o dens p o issionais cons i uem mecanismos p imo diais de
egulamen ação e con olo do exe cício p o issional. De inem e supe isionam o
cump imen o dos códigos deon ológicos e dos es a u os disciplina es, o malizam os
conhecimen os e compe ência necessá ios pa a o exe cício p o issional e são os
p incipais ó gãos de de esa dos in e esses dos g upos p o issionais jun o,
nomeadamen e, do Es ado. En e as á ias unções das associações p o issionais,
F eidson (1998) des aca o seu pode negocial jun o do Es ado e, pa icula men e, do seu
pode de egulação das condições de acesso e de exe cício p o issional.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
310
Em Po ugal, as p incipais associações de ep esen ação de médicos e
en e mei os são as espe i as o dens p o issionais. Reco damos que a OE oi c iada
apenas em 1998 enquan o as o igens da OM emon am a 1938. Po a p imei a se
ecen e, al aduz-se num meno pode negocial, aliado à posição da en e magem no
pano ama da p es ação de cuidados de saúde em Po ugal. Numa e isão das
in e enções e ações das e e idas o dens, no amos um papel mais a i a da OM. A
espei o, em conc e o, do enómeno de saída de um ele ado núme o de médicos do
SNS, o Bas oná io da O dem dos Médicos da al u a mani es ou amplamen e o clima de
mal-es a c escen e en e os p o issionais de saúde que ep esen a a, em consequência
das al e ações p oduzidas ao ní el das condições de abalho e de ansição à
aposen ação. A mudança de pa adigma de lógica médica pa a um essencialmen e
baseado na p odu i idade, esul ou na desmo i ação dos médicos e, assim, a sua saída
do SNS po ia da aposen ação. Pa a o Bas oná io, a al e ação das condições de
aposen ação não oi o a o desencadeado des e mal-es a , ainda que pa a es e mui o
enha con ibuído mas, na e dade, consis iu mais um a o de descon en amen o já há
mui o sen ido pelos médicos. A is o ac escen ou que o abalho no SNS o nou-se cada
ez menos a a i o, o que se aduziu na opção pela aposen ação, acompanhada, ou não,
pela p ocu a de al e na i as no sec o p i ado.
A endendo ao papel das associações p o issionais na egulamen ação e de esa
dos in e esses p o issionais de médicos e en e mei os, e endo po base o conjun o de
ans o mações ao ní el da ansição à aposen ação e às ca ei as p o issionais,
ques ionámos os pa icipan es no nosso es udo ace ca da a aliação da de esa dos seus
in e esses p o issionais, an o de o ma la a como, em conc e o, pelos espe i os
sindica os e o dens p o issionais. Os esul ados são ap esen ados no quad o abaixo.
Quad o 49. A aliação ge al da de esa dos in e esses p o issionais (%)
Ge al
Sindica os
O dem
Médicos
En e mei os
Médicos
En e mei os
Médicos
En e mei os
Mui o má
16,8
25,8
13,1
25,0
13,5
21,9
Má
52,9
48,4
56,9
54,7
54,5
53,1
Boa
27,7
25,8
28,8
20,3
29,5
23,4
Mui o boa
2,6
---
1,3
---
2,6
1,6
To al
100,0
---
100,0
---
100,0
---
(n=155)
(n=62)
(n=153)
(n=64)
(n=156)
(n=64)
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
311
Os esul ados ob idos indicam que os pa icipan es conside am que não exis e
uma de esa sa is a ó ia dos seus in e esses p o issionais, seja numa pe spe i a ge al,
seja pelos seus ó gãos de ep esen ação. Ce ca de me ade dos pa icipan es dos dois
g upos p o issionais conside a am que essa de esa é má
6.1.5. POSIÇÃO FACE À AÇÃO DO ESTADO PARA O PROLONGAMENTO
TEMPORAL DA ATIVIDADE PROFISSIONAL
Ap esen ámos aos inqui idos um conjun o de possí eis es a égias de ação do
Es ado ela i as ao p olongamen o empo al da a i idade p o issional. Os esul ados são
ap esen ados abaixo.
Quad o 50. Posição dos médicos ace à ação do Es ado
O go e no de e ia
Disco do
o almen e
Disco do
Conco do
Conco do
o almen e
Aumen a a idade legal de e o ma
19,6
51,0
27,5
2,0
Limi a o mon an e máximo das pensões
10,5
22,2
45,1
22,2
Faze igo a as eg as de passagem àaposen ação
du an e um pe íodo mais ala gado de empo
0,7
12,6
70,2
16,6
C ia medidas que p o egessem os abalhado es com
mais de 55 anos
1,9
21,4
60,4
16,2
Apoia as o ganizações com abalhado es com mais
de 55 anos
3,3
28,0
56,7
12,0
Apoia egimes ansi ó ios de passagem à e o ma,
como é o caso do emp ego e aposen ação a empo
pa cial
3,9
16,9
61,0
18,2
C ia e apoia medidas que po enciem a con inuidade
da pa icipação social dos aposen ados
3,3
9,2
57,5
30,1
Pedimos igualmen e aos en e mei os que indicassem o seu g au de conco dância
com os i ens an e io es.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
318
Quad o 55. Exis ência de si uações de disc iminação com base na idade na o ganização hospi ala
Médicos
En e mei os
Sim, disc iminação posi i a
10,4
7,5
Sim, disc iminação nega i a
22,7
22,4
Não
66,9
70,1
To al
100,0
100,0
(n=154)
(n=67)
Uma análise dos exemplos de si uações de disc iminação e e idos pelos
inqui idos esul a na conclusão de que, ao ní el da disc iminação nega i a, são
sob e udo e e idos casos de des alo ização: a) do desgas e ísico e men al consequen e
do p ocesso de en elhecimen o, le ando a que seja “exigido o mesmo que aos mais
jo ens” e a uma “ al a de conside ação pelo desgas e do pessoal mais an igo”; b) da
expe iência acumulada, aduzida num aco econhecimen o p o issional pa en e em
“obse ações ei as pelos jo ens sob e a qualidade do abalho exe cido pelos mais
elhos”. Os médicos, em pa icula , e e i am ainda o a as amen o dos cen os de
decisão do hospi al e das a i idades mais desa ian es e dinâmicas, sendo pelo que
“p o issionais com la ga expe iência são a as ados pa a a e as pouco g a i ican es ou
maçado as”. A es e espei o, impo a eco da que o p incipal obs áculo ao aumen o da
axa de pa icipação dos abalhado es mais elhos no me cado de abalho é a
disc iminação em unção da idade associado, po ezes, ao aumen o do desemp ego
(Comissão Eu opeia, 2012a; Eu os a , 2012a).
No caso da disc iminação posi i a, os exemplos elacionam-se p ecisamen e
com os mesmos aspe os mas no sen ido opos o, ou seja, po uma a enção ao impac o da
idade sob e as condições ísicas e psicológicas dos p o issionais, sendo o exemplo mais
e e ido a dispensa do abalho no u no, bem como da sua expe iência, a qual se e le e
em si uações que passam pela colocação dos p o issionais mais elhos “em equipas de
g ande esponsabilidade como po exemplo nos ansplan es” e pela “con iança nas
opiniões dos expe ien es” ainda que sejam dadas ”menos opo unidades de a ualização
aos mais expe ien es”. Impo a eco da que as leis an i-disc iminação endem a
pe mi i disc iminação posi i a ela i amen e à idade caso os meios o em ap op iados e
necessá ios o que passa p ecisamen e po p i ilégios ou incen i os especiais a endendo
ao con eúdo do abalho desen ol ido.

Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
319
6.2. POLÍTICAS DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS PARA OS
TRABALHADORES MAIS VELHOS
Como discu imos an e io men e, a expe iência da elhice é de e minada pelo
cu so de ida dos indi íduos mas, ambém, pela elação que es abelecem com o meio
ambien e em que es ão inse idos e no qual en elhecem. De ou a o ma, a posição ace
ao en elhecimen o não pode se dissociada das es u u as sociais e da posição ocupada
pelo indi íduo. No caso do me cado de abalho, es a si uação aduz-se ambém na
o ma como as en idades emp egado as enca am o en elhecimen o dos seus
abalhado es e como se posicionam ace a es e, nomeadamen e a a és de polí icas de
ecu sos humanos não o ien adas pela idade mas a en as a es a. De ac o, a c iação de
con ex os que es imulem os indi íduos é um impo an e ins umen o de
desen ol imen o no en elhecimen o (Fonseca, 2012a). Apesa do en elhecimen o
aca e a um conjun o de mudanças ine i á eis do pon o de is a ísico e psicológico,
nomeadamen e ao ní el de uma maio agilidade e di iculdades na omada de decisão e
da egulação, que são anspos as pa a o mundo do abalho sob e a o ma de
ep esen ações de uma meno capacidade pa a o abalho e meno es compe ências, a
e dade é que exis e uma g ande a iabilidade na expe iencia do en elhecimen o. Como
discu imos no Capí ulo II, os idosos não podem se pe spe i ados como um g upo
uni o me que pa ilha as mesmas debilidades, obje i os e expec a i as. Pelo con á io, é
um p ocesso não linea e ma cado po uma g ande a iabilidade de expe iências
indi iduais como, de es o, êm en ado demons a as pe spe i as baseadas no cu so de
ida. Es as ie am isa p ecisamen e a exis ência de uma mul iplicidade de a o es,
nomeadamen e elacionados com o con ex o de abalho, que impac am na expe iência
do en elhecimen o e, associado, à disposição e desempenho dos indi íduos no abalho.
Em con ex o de abalho de e-se en ão nega polí icas uni o mes que não
a en em nas ca ac e ís icas dos abalhado es mais elhos, nas suas expec a i as,
compe ências e conhecimen os indi iduais pa a o abalho. Além disso, impo a
conside a que se o balanço no en elhecimen o esul a da sa is ação ao longo de odo o
cu so de ida, ambém ao ní el do abalho pode emos a i ma que a sa is ação
expe ienciada esul a do balanço ei o de oda a aje ó ia p o issional.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
320
À luz da eo ia da des inculação, a u u a en e os mais elhos e o me cado de
abalho se ia mu uamen e bené ica. No caso conc e o das en idades emp egado as, es e
a as amen o i ia pe mi i não só a eno ação ge acional dos seus abalhado es a a és
da subs i uição dos mais elhos pelos mais no os como, associado a is o, po uma
eno ação de conhecimen os e compe ências. Es a lógica inha subjacen e uma isão
dos abalhado es mais elhos como menos capazes, desa ualizados e com meno es
ecu sos pa a o desempenho p o issional. O a como e e imos an e io men e, o
en elhecimen o apesa de ine i á el não é linea e não se az sen i da mesma o ma
en e odos os indi íduos. Além disso, ambém no ámos que a expe iência é um
mecanismo undamen al pa a a adap ação dos mais elhos a no os con ex os
o ganizacionais. Nes e sen ido, a u u a en e abalhado es e as ou as o ganizações
emp egado as não pode se hoje en idade como necessá ia ou uncional.
Às emp esas cabe a a e a de de ini e implemen a polí icas que possibili em a
en abilização da expe iência p o issional acumulada pelos mais elhos, a c iação de
ambien es que comba am a disc iminação com base na idade que, como já e e ido,
cons i uiu o p incipal mo i o de saída dos mais elhos do me cado de abalho e, ainda,
que c iem ambien es que es imulem a sua pe manência em condições a en as às
di e enças indi iduais na expe iencia do en elhecimen o. T a a-se de conside a mais as
e e ências uncionais do que as c onológicas (Guillema d, 2001).
Se con inua mos uma e ospe i a pelas abo dagens sociológicas sob e o
en elhecimen o a en amos nos ale as do cons u i ismo social ace ca da impo ância
das ep esen ações sociais na manu enção de a i udes disc imina ó ias com base na
idade que podem impossibili a , nomeadamen e, a pa ilha de expe iências e
conhecimen o ao ní el do abalho dos mais elhos pa a os mais no os. O idadismo
pode, de ac o, cons i ui um en a e à pa ilha de ecu sos que os abalhado es mais
elhos dispõem em consequência da expe iência p o issional acumulada. Es e ac o não
só implica que as emp esas pe cam necessa iamen e ecu sos pela saída dos
abalhado es mais elhos que le am consigo o conhecimen o como, ainda, a ua no
sen ido do e o ço das dis âncias in e ge acionais.
Além disso impo a e e i que, apesa das mudanças deco en es do
en elhecimen o, exis em e idências de que uma pa cela signi ica i a dos indi íduos
ende a man e consis en e a sua o ma de pensa e as a i idades que desen ol e. A
con inuidade é ambém enca ada como mecanismo de adap ação a um no o con ex o.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
321
Pos o, is o, se á de espe a que as emp esas a en em na o ganização da aje ó ia
p o issional dos indi íduos e que conside em as suas capacidades e compe ências e
desempenho indi idual e não me amen e a sua idade (Guillema d, 2003). Um es udo
desen ol ido po Cen eno (2007) jun o de algumas emp esas po uguesas ace ca da
isão sob e os seus abalhado es mais elhos eio demons a que sob e es es ecai a
ideia de uma maio esponsabilidade, equilíb io, ma u idade e expe iência. As emp esas
mos a am alo iza mais a expe iência dos mais elhos se ligadas a se o es
adicionais, que apesa da neu alidade das polí icas de ecu sos humanos em ques ões
de idade, há uma endência pa a a alo ização do conhecimen o adqui ido po ia da
expe iência p o issional, que a idade é conside ada em e mos de polí icas de
p omoções e salá ios sendo a an iguidade uma p á ica ins i uída e que es á
in insecamen e elacionada com a con a ação cole i a, não obs an e a eme gência de
si uações em que é mais alo izado o mé i o ou a a aliação de desempenho, que os
abalhado es mais elhos são al o de menos ações de o mação, o que pa ece es a
associada a di iculdades na sua mobilização pa a es as ações, a pa do baixo e o no do
in es imen o ei o nas mesmas compa a i amen e a abalhado es mais jo ens, não
obs an e a exis ência de e idências ace ca de a o es que con ibuem pa a um maio
e o no da o mação jun o de abalhado es mais elhos.
Cen eno e a sua equipa concluí am que a u ilização da idade nas p á icas de
ecu sos humanos se e, essencialmen e, pa a ap o unda ba ei as e disc iminações
com base na mesma. Além disso, salien am os dados de ní el mac o que demons am
que os abalhado es mais elhos são menos a a i os pa a as emp esas, ac o
elacionado com as ep esen ações sociais nega i as que ecaem sob e es es,
nomeadamen e ao ní el das suas habili ações e que são especialmen e en o mados po
modelos de ges ão conse ado es. Ainda assim, conside am que os esul ados ob idos
indicam que a disc iminação e á ia em como consequência di e a a desmo i ação dos
abalhado es pa a p ossegui em a sua a i idade p o issional além de um limi e
socialmen e ido como adequado e acei á el.
A necessidade de p omo e a pe manência no abalho dos indi íduos mais
elhos em sido e o çada pela UE-27 que em mos ado a sua in enção de a ua ambém
ao ní el das o ganizações, no sen ido de es imula não só a con a ação de abalhado es
mais elhos mas, ambém, da c iação de condições de abalho adequadas à sua
pa icipação na o ça de abalho a i a (Comissão Eu opeia, 2012a). O con ex o no qual
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
322
os indi íduos es ão inse idos, nomeadamen e ao ní el o ganizacional, in luencia
posi i a ou nega i amen e a o ma como es es expe ienciam o en elhecimen o, podendo
acili a ou di icul a a sua pe manência no me cado de abalho. É, po an o,
undamen al a ua jun o das en idades emp egado as na p ocu a da ga an ia de
condições pa a que os abalhado es mais elhos se man enham a i os.
Num es udo ealizado po Gau ié (2005), concluiu-se que às en idades pa onais
es udadas impo a a mais a p odu i idade do que os cus os de in eg ação de no os
abalhado es, em subs i uição dos mais elhos já saídos; a exis ência de uma associação
en e abalhado es mais elhos e di iculdades ac escidas na adap ação a ino ações
écnicas e o ganizacionais, ainda que não es eja comp o ada uma causalidade en e
es es dois aspe os; a p ocu a de abalhado es com ní eis mais ele ados de quali icação
o que, em á ios casos, não se compadece com as habili ações dos mais elhos, si uação
ibu á ia de uma di e en e ealidade social; a codi icação de sabe es áci os,
ansmi idos po ia de ações de o mação, e i a uma an agem compe i i a aos mais
elhos que, an es, adica a na sua maio expe iência p o issional ace aos mais no os;
maio alo ização de compe ências elacionais, as quais a ibuem an agem aos mais
jo ens an o po e em um pe íodo de ap endizagem in e io ao das compe ências
écnicas especí icas, como pelo con ex o de socialização dos p imei os onde é maio a
alo ização des e ipo de compe ências; uma maio alo ização da expe iência na base
da es u u a hie á quica e meno no seu opo, ainda que os esul ados ob idos apon em
pa a uma complemen a idade en e uma melho compe ência écnica dos mais jo ens e
uma maio expe iência dos mais elhos.
Nes e sen ido, ques ionámos os inqui idos ace ca do seu posicionamen o quan o
ao es a u o dos abalhado es mais elhos nas o ganizações hospi ala es e às ações
omadas pelas mesmas. Foi-lhes pedido que indicassem o seu g au de conco dância
pe an e um conjun o di e si icado de a o es, desde as ca ac e ís icas des es
abalhado es, aos e ei os do p ocesso de en elhecimen o sob e os mesmos, aos c i é ios
e o ien ações a segui pelas o ganizações nas suas polí icas de ecu sos humanos. Os
esul ados ob idos jun o dos médicos são ap esen ados no quad o seguin e.
Capí ulo VI. Polí icas e Medidas pa a o P olongamen o Tempo al da A i idade P o issional de
Médicos e En e mei os
323
Quad o 56. Posição dos médicos ace ao es a u o dos abalhado es mais elhos den o das o ganizações
hospi ala es (% em linha)
Disco do
o almen e
Disco do
Conco do
Conco do
o almen e
Os abalhado es mais elhos são mais leais às
ins i uições.
4,5
31,4
46,8
17,3
Os abalhado es mais elhos são mais esis en es à
mudança.
0,6
19,7
68,2
11,5
A expe iência é decisi a na p es ação de cuidados de
saúde.
---
4,5
56,4
39,1
No domínio da saúde é undamen al a exis ência de
equipas he e ogéneas em e mos e á ios.
---
5,1
43,7
51,3
Os abalhado es mais elhos de em se os p imei os a
se dispensados num con ex o de ees u u ação
o ganizacional.
23,6
67,5
7,0
1,9
As doenças ocupacionais êm uma maio p e alência
en e os abalhado es mais elhos.
4,6
42,5
43,1
9,8
Os abalhado es mais elhos de em endencialmen e
ocupa posições de o ien ação/ensino.
0,6
13,3
69,6
16,5
Os abalhado es mais elhos êm um ní el mais
ele ado de abs inência ao abalho que os mais jo ens.
26,1
65,0
6,4
2,5
A ges ão das o ganizações hospi ala es é
disc imina ó ia ace aos abalhado es mais elhos.
5,1
64,7
26,3
3,8
Pedimos ambém aos en e mei os que indicassem o seu g au de conco dância ou
disco dância em elação aos mesmos a ibu os. Os esul ados são ap esen ados no
quad o seguin e.
Quad o 57. Posição dos en e mei os ace ao es a u o dos abalhado es mais elhos den o das
o ganizações hospi ala es (% em linha)
Disco do
o almen e
Disco do
Conco do
Conco do
o almen e
Os abalhado es mais elhos são mais leais às
ins i uições.
1,4
11,4
60,0
27,1
Os abalhado es mais elhos são mais esis en es à
mudança.
7,0
40,8
49,3
2,8
A expe iência é decisi a na p es ação de cuidados de
saúde.
---
9,9
57,7
32,4
No domínio da saúde é undamen al a exis ência de
equipas he e ogéneas em e mos e á ios.
1,4
8,6
57,1
32,9
Os abalhado es mais elhos de em se os p imei os a
se dispensados num con ex o de ees u u ação
o ganizacional.
22,5
64,8
7,0
5,6
As doenças ocupacionais êm uma maio p e alência
en e os abalhado es mais elhos.
8,6
47,1
37,1
7,1
Os abalhado es mais elhos de em endencialmen e
ocupa posições de o ien ação/ensino.
1,4
39,4
53,5
5,6
Os abalhado es mais elhos êm um ní el mais ele ado
de abs inência ao abalho que os mais jo ens.
25,4
60,6
11,3
2,8
A ges ão das o ganizações hospi ala es é disc imina ó ia
ace aos abalhado es mais elhos.
7,0
62,0
28,2
2,8

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