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Qual o perfil nutricional e de estilos de vida do doente oncológico? Estudo transversal

Abstract

Background: Cancer aetiology is multifactorial and risk factors include: obesity, central adiposity, sedentarism, excessive or deficient intake of foods and/or nutrients with pro-carcinogenic effects vs protective ones. Objectives: To evaluate the pattern of nutritional status, life styles, physical activity and diet in a cohort of cancer patients. Methods: This pilot cross-sectional study was conducted in 64 patients referred for radiotherapy at the Radiotherapy Department of the University Hospital of Santa Maria (CHLN). Evaluations were: waist circumference associated with potential cardio-metabolic risk, body composition by Tetrapolar Bioimpedance Analysis (XITRON®), Body Mass Index, dietary intake pattern with a short food frequency questionnaire, physical activity with Jackson questionnaire. Results: The most frequent diagnosis were breast and colorectal cancers; 53% of patients were overweight/obese, and there was a significant correlation between this nutritional pattern and weight gain in comparison with usual weight (p<0.005). There were 78% of patients with a waist circumference above the maximum cut-off limit, indicating moderate/ high cardio-metabolic risk, and most were female patients (87%). The great majority of patients (61%) had excessive fat mass highly above the maximum recommended cut-off value, especially male patients (74%). The dietary pattern was poor in vegetables (55%) and excessive in meat and simple carbohydrates (78%); physical activity was low with a high prevalence of sedentarism. Conclusions: This population presented excessive body weight, excessive fat mass, high cardio-metabolic risk, sedentarism and an unbalanced diet poor in protective foods/nutrients. This population's life styles and nutritional pattern, may be considered of risk in oncology disease. The elevated and growing incidence of cancer in Portugal, reinforces the need for further research in order to identify nutritional factors involved in the etiology/evolution and probably prognosis of cancer.

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Qual o perfil nutricional e de estilos de vida do doente oncológico? Estudo transversal

Author: Rolão, Andreia,Monteiro Grillo, Isabel,Camilo, Maria,Ravasco, Paula
Publisher: Ordem dos Médicos
Year: 2011
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/49921/1/Perfil_nutricional.pdf
113 www.ac amedicapo uguesa.com
ARTIGO ORIGINAL
Ac a Med Po 2011; 24(S2): 113-122
QUAL O PERFIL NUTRICIONAL
E DE ESTILOS DE VIDA DO
DOENTE ONCOLÓGICO?
Es udo T ans e sal
In odução: O canc o é mul i ac o ial, e en e os ac o es de isco es ão: obesidade, adiposidade
cen al, seden a ismo, consumo excessi o ou de ici á io de alimen os e/ou nu ien es com
acção p ó-ca cinogénica s p o ec o es. Objec i os: A alia o pad ão/pe il nu icional, de
es ilos de ida, ac i idade ísica e consumo alimen a numa população de doen es oncológicos.
Me odologia: Es udo ans e sal pilo o incluiu 64 doen es oncológicos consecu i amen e
e e enciados pa a adio e apia no Se iço Radio e apia do Hospi al Uni e si á io de San a
Ma ia (CHLN). Fo am a aliados: pe íme o da cin u a (PC), associado a po encial isco ca dio-
me abólico, composição co po al po Bioimpedância Eléc ica Te apola (XITRON®), Índice
de Massa Co po al, pad ão de consumo alimen a com ques ioná io cu o de equência, p á ica
de ac i idade ísica pelo ques ioná io de Jackson. Resul ados: Os diagnós icos mais comuns
o am os umo es da mama e colo ec al (22%); e i icámos que 53% dos doen es inham excesso
de peso/obesidade, e es e pad ão de es ado nu icional es a a co elacionado com um ganho
ponde al em elação ao peso habi ual (p<0,005). Adicionalmen e, 78% inham um PC acima
do cu -o que es abelece mode ado/ele ado isco ca dio-me abólico, sendo mais e iden e no
sexo eminino (87%). A g ande maio ia (61%) ap esen a a excesso de massa go da, sendo
mais ma cado no sexo masculino (74%). O pad ão alimen a e a pob e em ege ais/legumes
(55%) e excessi o em ca ne e a ináceos (78%); a ac i idade ísica e a escassa p e alecendo
um ma cado seden a ismo. Conclusão: Globalmen e es a população ap esen a a excesso de
peso, excesso de massa go da, ele ado isco ca dio-me abólico, seden a ismo e um pad ão
alimen a desiquilib ado e pob e em alimen os/nu ien es p o ec o es, o que se ca ac e iza po
um pad ão nu icional e de es ilos de ida po encialmen e de isco na doença oncológica. A
ele ada e c escen e incidência de canc o em Po ugal e o ça a necessidade de mais es udos que
pe mi am iden i ica ac o es nu icionais po encialmen e implicados na e iologia, p og essão
e p ognós ico da doença oncológica.
Pala as-cha e: oncologia, a aliação nu icional, ac o es de isco, composição co po al, pad ão
alimen a , ac i idade ísica.
R E S U M O
A.R., M.E.C., P.R.: Labo a ó io
de Nu ição/Unidade de Nu ição.
Ins i u o de Medicina Molecula .
Faculdade de Medicina da
Uni e sidade de Lisboa. Lisboa.
Po ugal
I.M-G., Se iço de Radio e apia.
Hospi al Uni e si á io de San a
Ma ia (CHLN). Lisboa. Po ugal
And eia ROLÃO, Isabel MONTEIRO-GRILLO, Ma ia E melinda CAMILO,
Paula RAVASCO
WHAT IS THE NUTRITION AND LIFESTYLE PROFILE
IN ONCOLOGY PATIENT? CROSS-SECTIONAL STUDY
Backg ound: Cance ae iology is mul i ac o ial and isk ac o s include: obesi y, cen al
adiposi y, seden a ism, excessi e o de icien in ake o oods and/o nu ien s wi h
p o-ca cinogenic e ec s s p o ec i e ones. Objec i es: To e alua e he pa e n o nu i ional
s a us, li e s yles, physical ac i i y and die in a coho o cance pa ien s. Me hods: This
pilo c oss-sec ional s udy was conduc ed in 64 pa ien s e e ed o adio he apy a he
Radio he apy Depa men o he Uni e si y Hospi al o San a Ma ia (CHLN). E alua ions
S U M M A R Y
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And eia ROLÃO e al, Nu ição e es ilo de ida em Oncologia, Ac a Med Po . 2011; 24(S2):113-122
INTRODUÇÃO
A doença oncológica assume impo ância c escen e
dada a ele ada axa de incidência e impac o pessoal,
amilia , social e económico. No ano de 2005 mo e am 7,6
milhões de pessoas po doença oncológica, num o al de 58
milhões de mo es. As es ima i as a ní el mundial apon am
pa a que o núme o de mo es po doença oncológica a inja
os 9 milhões de pessoas em 2015, e que ascenda aos 11,4
milhões em 2030 1. Em Po ugal, o canc o es á en e as
ês p incipais causas de mo e segundo o Plano Nacional
de Saúde 2004-2010 2. Compa ando os indicado es
de Po ugal com os indicado es mais a o á eis de
ou os países da UE, conside a-se se possí el eduzi a
mo alidade em 38% nos homens e em 10% nas mulhe es,
ac uando sob e es ilos de ida de isco 2.
Es ão documen ados como ac o es de isco pa a
o aumen o da incidência de canc o: a obesidade, uma
alimen ação com excesso de nu ien es/componen es
com capacidade ca cinogénica e/ou de icien e em
nu ien es p o ec o es, a inac i idade ísica e o
seden a ismo, o consumo de abaco, o s ess, a exposição
a poluen es e subs âncias óxicas, adiações ionizan es e
elec omagné icas, i oses c ónicas e p odu os químicos
3, 4. Es udos epidemiológicos indicam que a incidência de
canc o a ia en e di e en es populações. Em Po ugal,
a ele ada incidência de canc o do es ômago em sido
associada ao excessi o consumo de sal e à in ecção po
Helicobac e Pylo i 5; já a ele ada incidência de canc o
da mama, do pulmão, colo ec al e da ca idade o al, em
sido associada a excessi o consumo de álcool, de abaco,
à obesidade e a inges ão de icien e em alimen os icos em
ib as e mic onu ien es p o ec o es ais como an ioxidan es
e la onóides 3, 4. Po ou o lado, é sabido que não é
apenas a nu ição que es á in imamen e elacionada com
o es ado nu icional e go du a co po al do indi íduo, mas
ambém a ac i idade ísica em um e ei o di ec o nes es
ac o es. 6. No en an o, do nosso conhecimen o, apenas
um es udo caso-con olo em Po ugal a aliou o pad ão
de inges ão nu icional e de ac i idade ísica, e o isco
de canc o associado 7. Mais ecen emen e o nosso g upo
de in es igação publicou um a igo de e isão ace ca dos
hábi os alimen a es e incidência de canc o colo ec al 8 e
em ac ualmen e um a igo em imp essão que mos a a
p e alência de excesso de peso/obesidade numa população
de 450 doen es oncológicos 9.
De no a que a Nu ição em um papel essencial na
doença oncológica a á ios ní eis, sendo essencial pa a
melho a a inges ão, o es ado nu icional e uncional do
doen e oncológico, eduzi a sua mo bilidade, aumen a
a ole ância aos a amen os e melho a a sua Qualidade
de Vida du an e e após o a amen o, com signi ica i a
diminuição do isco de eco ências 10-14.
Assim, é impe a i a a in eg ação da a aliação
nu icional com especial en oque nos es ilos de ida do
doen e oncológico que de e inclui os hábi os alimen a es,
a die a, a ac i idade ísica e o po encial isco ca dio-
me abólico associado, de o ma a melho di ecciona a
in e enção nu icional e op imiza odas as in e enções
e apêu icas. Es a in eg ação ai pe mi i ambém a
expansão do conhecimen o nes a á ea. As me odologias
disponí eis incluem pa âme os an opomé icos como
o peso e al u a, áceis, ápidas de ob e e ep odu í eis,
indispensá eis pa a a de e minação do Índice de Massa
Co po al 15. Ou os pa âme os nu icionais mui o
in o ma i os são o Pe íme o da Cin u a, medido di ec o
we e: wais ci cum e ence associa ed wi h po en ial ca dio-me abolic isk, body composi ion
by Te apola Bioimpedance Analysis (XITRON®), Body Mass Index, die a y in ake pa e n
wi h a sho ood equency ques ionnai e, physical ac i i y wi h Jackson ques ionnai e.
Resul s: The mos equen diagnosis we e b eas and colo ec al cance s; 53% o pa ien s
we e o e weigh /obese, and he e was a signi ican co ela ion be ween his nu i ional
pa e n and weigh gain in compa ison wi h usual weigh (p<0.005). The e we e 78% o
pa ien s wi h a wais ci cum e ence abo e he maximum cu -o limi , indica ing mode a e/
high ca dio-me abolic isk, and mos we e emale pa ien s (87%). The g ea majo i y o
pa ien s (61%) had excessi e a mass highly abo e he maximum ecommended cu -o
alue, especially male pa ien s (74%). The die a y pa e n was poo in ege ables (55%)
and excessi e in mea and simple ca bohyd a es (78%); physical ac i i y was low wi h a
high p e alence o seden a ism. Conclusions: This popula ion p esen ed excessi e body
weigh , excessi e a mass, high ca dio-me abolic isk, seden a ism and an unbalanced die
poo in p o ec i e oods/nu ien s. This popula ion’s li e s yles and nu i ional pa e n, may
be conside ed o isk in oncology disease. The ele a ed and g owing incidence o cance
in Po ugal, ein o ces he need o u he esea ch in o de o iden i y nu i ional ac o s
in ol ed in he e iology/e olu ion and p obably p ognosis o cance .
Key Wo ds: oncology, nu i ional assessmen , isk ac o s, body composi ion, die a y
pa e n, physical ac i i y.
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And eia ROLÃO e al, Nu ição e es ilo de ida em Oncologia, Ac a Med Po . 2011; 24(S2):113-122
da adiposidade cen al 16 e, em con ex o de in es igação,
a Bioimpedância Eléc ica Te apola pa a a de e minação
da massa go da 15. Ques ioná ios alidados podem se
u ilizados pa a a a aliação dos hábi os alimen a es e da
ac i idade ísica 17.
A e idência cien í ica ac ual consubs ancia o
desen ol imen o do p esen e es udo que e e como
objec i o majo in es iga o pad ão/pe il de es ilos
de ida e ac o es de isco numa população de doen es
com di e sos ipos de neoplasias. Te e como objec i os
especí icos: 1) ca ac e iza o pad ão de consumo alimen a ,
com especial en oque nos alimen os de ele ada densidade
caló ica e lipídica, ege ais, u os e peixe; 2) a alia o
po encial isco ca dio-me abólico associado ao pe íme o
da cin u a, % de massa go da e Índice de Massa Co po al;
e 3) a alia a p á ica de ac i idade ísica.
POPULAÇÃO E MéTODOS
Es e es udo p ospec i o, analí ico, em co e ans e sal,
oi ap o ado pela Comissão de É ica do Hospi al de San a
Ma ia e oi desen ol ido de aco do com a Decla ação
de Helsínquia, adop ada pela Associação Mundial de
Médicos em 1964, emendada em 1975 e ac ualizada pela
úl ima ez em 2002. Deco eu en e 1 de Ab il e 21 de
Se emb o de 2009 no Se iço de Radio e apia do Hospi al
Uni e si á io de San a Ma ia. Todos os doen es de am o
seu consen imen o in o mado pa a pa icipa no es udo.
Fo am incluídos 64 doen es oncológicos de ambos os
sexos, com di e sos ipos de neoplasias, consecu i amen e
e e enciados pa a adio e apia cu a i a, adju an e a
ci u gia e/ou combinada com quimio e apia ou com
in enção palia i a. Fo am excluídos odos os doen es com
umo es a os, doen es não au ónomos e/ou que não podiam
se pesados, como po exemplo os doen es acamados.
Todos os dados o am ecolhidos a a és da
ealização de uma en e is a clínica e comple ados
com base na consul a do p ocesso clínico do doen e. O
egis o das in o mações oi ei o em icha p o ocolada,
p e iamen e es u u ada pa a inse ção em base de dados
in o má ica e análise es a ís ica. Fo am ob idos dados
sócio-demog á icos, in o mação ace ca da his ó ia da
doença ac ual, an eceden es pessoais, his ó ia social.
Especi icamen e pa a es e abalho o am a aliados
pa âme os an opomé icos, o pad ão de consumo
alimen a e a ac i idade ísica nes es doen es.
A aliação Nu icional
A al u a (me os) e o peso (kg) o am de e minados
a a és de uma balança de chão Jo e® com es adiome o
inco po ado. Ambos os pa âme os o am usados pa a
calcula o Índice de Massa Co po al (IMC) com a
ó mula [peso(kg)/al u a(m)2]; O IMC oi alo izado
e ca ego izado de aco do com alo es de e e ência
in e nacionais es anda dizados po idade: Adul os (18 a
65 anos) - desnu ição se IMC <18,5kg/m2, peso adequado
pa a a al u a se IMC en e 18,5 - 24,9kg/m2, excesso de
peso/ obesidade se IMC ≥25kg/m2 6; Idosos (>65 anos) -
desnu ição se IMC <24kg/m2, peso adequado pa a a al u a
se IMC en e 24-26,9kg/m2, excesso de peso/ obesidade
se IMC ≥27kg/m2 18.
A pe cen agem de a iação de peso oi calculada
com base no peso habi ual e peso ac ual do doen e e oi
ca ego izada em: ≤5%, en e 5-10% e ≥10% 19.
O pe íme o da cin u a (PC) oi de e minado com
o doen e em expi ação, medindo-se no pon o médio
en e a c is a ilíaca e a úl ima cos ela lu uan e, num
plano ho izon al, usando uma i a mé ica lexí el e não-
elás ica. Os alo es o am a aliados endo em con a os
alo es de e e ência segundo o sexo: sexo masculino
PC <94cm não exis e isco ca dio-me abólico, PC en e
94-101,9cm exis e um isco ca dio-me abólico mode ado
e PC ≥102cm exis e um isco ca dio-me abólico ele ado;
cu -o s sexo eminino PC <80cm não exis e isco ca dio-
me abólico, PC en e 80-87,9cm exis e um isco ca dio-
me abólico mode ado e PC ≥88cm exis e um isco ca dio-
me abólico ele ado 16.
Na composição co po al oi de e minada a pe cen agem
de massa go da e a pe cen agem de massa mag a a a és do
mé odo de Bioimpedância Eléc ica Te apola (apa elho
mul i equencial - XITRON®); as medições o am depois
ca ego izadas segundo os alo es es anda dizados pa a a
idade e sexo: %Massa go da pa a o sexo masculino – 35
a 65 anos 10 a 25%, > 65 anos 10 a 23%; %Massa go da
pa a o sexo eminino – 35 a 65 anos 25 a 38%, > 65 anos
25 a 35%; %Massa mag a pa a o sexo masculino – 35 a
65 anos 90 a 75%, > 65 anos 90 a 77%; %Massa mag a
pa a o sexo eminino – 35 a 65 anos 75 a 62%, > 65 anos
75 a 65% 16.
Consumo Alimen a
Com o objec i o de de e mina hábi os de consumo
alimen a , oi e ec uado um ques ioná io sob e o consumo
semanal de ca ne, peixe, sopa, legumes cozidos, saladas
e hid a os de ca bono, e ambém sob e o consumo diá io
de pão, u a e lac icínios, cujos alo es o am igualmen e
con e idos em alo es semanais. Conside ou-se um
consumo ele ado quando ≥5 ezes/semana, e um consumo
baixo quando en e 1-4 ezes/semana.
Ac i idade Física
A a aliação da ac i idade ísica dos doen es
oi ealizada a a és de um ques ioná io baseado no
ques ioná io de Jackson. A e iu-se a ac i idade habi ual e/
ou ac ual em elação a pon os como o meio de anspo e
u ilizado, empo po dia a anda a pé, p á ica de exe cício
ísico po semana e os mo i os que le a am ou le am os
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doen es a p a ica exe cício ísico 17.
ANÁLISE ESTATÍSTICA
A análise es a ís ica oi ealizada a a és do p og ama
SPSS pa a o Windows e são 16.0. Os esul ados o am
in oduzidos num sis ema in o má ico pa a a amen o de
dados; a iá eis numé icas encon am-se exp essas em
média ± des io pad ão (limi es) e as a iá eis ca egó icas
em núme o e pe cen agem. A análise es a ís ica incluiu
co elações não pa amé icas de Spea man e o es e de
Mann-Whi ney. O limi e de signi icância oi es abelecido
pa a alo es de p in e io es a 0,05.
RESULTADOS
 Demog a iaeDadosClínicos
Nes e es udo o am incluídos 64 doen es, dos quais
31 e am do sexo masculino (48%) e 33 do sexo eminino
(52%). A média de idades oi de 63 ± 12 (36-87) anos.
Fo ma am um g upo he e ogéneo de doen es oncológicos
com umo es em di e en es localizações. Os diagnós icos
mais comuns o am os umo es da mama e colo ec al,
ambos com uma p e alência de 22% na população em
Quad o I - Dis ibuição dos doen es po diagnós ico e sexo
Diagnós icos To al ♂ ♀
n (%) n n
T. Mama 14 (22) 0 14
T. Colo ec al 14 (22) 86
T. P ós a a 9 (14) 9 0
T. Pulmão 7 (11) 5 2
T. Ú e o 7 (11) 07
T. Cabeça e Pescoço 6 (9) 4 2
Ou os 7 (11) 5 2
T = umo ; os dados es ão exp essos em núme o e pe cen agem de
doen es; “ou os” incluí am: umo es do cé eb o, pânc eas, es ômago,
ias bilia es e lin omas Hodgkin e não Hodgkin.
es udo. O Quad o I mos a a dis ibuição dos doen es
po diagnós ico e sexo. Ve i ica-se maio p e alência de
umo es da p ós a a (n=9) no sexo masculino, e de umo es
da mama (n=14) no sexo eminino.
Ve i icou-se que 73% da população inha diagnos icada
pelo menos uma co-mo bilidade, sendo as mais equen es
a hipe ensão a e ial (HTA) (n=20), dislipidémia(s)
(n=20), doenças ca dio/ce eb o ascula es (n=15) e
diabe es melli us ipo 2 (n=12). As populações de doen es
que ap esen a am maio p e alência de co-mo bilidades
o am os doen es com umo colo ec al e umo da mama.
A aliação Nu icional
O alo médio de IMC oi de 26±4 (16-37) kg/m2.
O Quad o 2 mos a a dis ibuição dos doen es segundo
o IMC, onde se e i ica que no global 53% dos doen es
inham excesso de peso ou obesidade, 38% ap esen a am
um es ado nu icional adequado e apenas 9% ap esen a am
desnu ição.
Adicionalmen e, em 97% dos doen es (n=62/64)
e i icou-se a iação do peso ac ual po compa ação com
o peso habi ual: a maio ia (n=41) ap esen a a aumen o
ponde al, sendo que em 22 doen es o aumen o oi supe io
a 10% do seu peso habi ual. Ve i icou-se ambém que 21
doen es pe de am peso, dos quais 10 ap esen a am pe da
ponde al supe io a 10% (Figu a 1).
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Quad o II - Es ado nu icional dos doen es segundo o IMC dis ibuido po idade e po sexo
Ca ego ias IMC To al Idade Sexo
Adul os
(18 a 65 anos)
Idosos
(≥65 anos) ♂ ♀
n (%) n (%) n (%) n (%) n (%)
Desnu ição 6 (9%) 0 (0%) 6 (20%) 3 (10%) 3 (9%)
Adequado 24 (38%) 16 (47%) 8 (27%) 11 (35%) 13 (39%)
Excesso de peso/Obesidade 34 (53%) 18 (53%) 16 (53%) 17 (55%) 17 (52%)
To al 64 34 30 31 33
Valo es exp essos em núme o e pe cen agem de doen es.
Ve i icámos que o excesso de peso/obesidade a aliados
pelo IMC es a am co elacionados com aumen o ponde al,
p<0,005. Os alo es de pe íme o da cin u a, indica i os
do isco ca dio-me abólico, es a am na g ande maio ia
da população acima do in e alo de alo es de e e ência,
e i icando-se assim que 78% da população ap esen a a
um isco ca dio-me abólico mode ado ou ele ado s baixo
isco (p<0,01). O sexo eminino ap esen ou uma maio
incidência de isco ca dio-me abólico compa a i amen e
ao sexo masculino. Apenas 22% dos doen es ap esen a a
alo es de pe íme o da cin u a den o do in e alo de
alo es de e e ência, logo sem isco ca dio-me abólico
associado (Quad o 3).
Ve i icámos que o excesso de peso/obesidade pelo
IMC, o aumen o ponde al e isco ca dio-me abólico
Figu a 1 Dis ibuição da a iação ponde al em pe cen agem.
mode ado e ele ado es a am signi ica i amen e
co elacionados, p<0,007. No Quad o 4 encon a-se a
ca ac e ização da população segundo a pe cen agem de
massa go da e de massa mag a: no global, 61% (n=39)
dos doen es inham excesso de massa go da e depleção
de massa mag a. Des es, a g ande maio ia e am do sexo
masculino e com idade supe io a 65 anos (p<0,01). Apenas
33% da população ap esen a a alo es de massa go da e
massa mag a den o dos in e alos de e e ência.
O Consumo Alimen a encon a-se ca ac e izado pelo
pad ão e equência de consumo po semana no Quad o 5.
É possí el e i ica que a maio ia dos doen es ap esen a a
um ele ado consumo de a ináceos (95%), de ca ne (78%),
de lac icínios (86%) e de u a (83%); em con as e, o
consumo de peixe oi mode ado, e a inges ão de saladas e
legumes cozidos e a baixa (≈55%).
Ac i idade Física
Habi ualmen e, 55% dos doen es desloca a-se de
anspo e p óp io (au omó el ou mo ociclo) e ac ualmen e,
o núme o de doen es com es e hábi o aumen ou pa a 67%.
A pe cen agem de doen es que anda a a pé passou de
20% (habi ualmen e) pa a 6% (ac ualmen e). No que diz
espei o à ac i idade ísica habi ual, con o me de alhado no
Quad o 6, a maio ia dos doen es anda a menos de 15min a
pé (55%), subia en e 1 a 5 lances de escadas dia iamen e
(56%) e não azia exe cício ísico (77%). Ac ualmen e a
maio ia dos doen es anda menos de 15 minu os a pé (75%),
não sobe escadas (58%) e não az exe cício ísico (94%).
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Quad o 3 - Dis ibuição do isco ca dio-me abólico segundo o Pe íme o da Cin u a (PC) po sexo
Risco ca dio-me abólico ♂ ♀
To al n (%) PC (cm) n (%) PC (cm) n (%)
Risco baixo 14 (22%) <94 cm 10 (32%) <80 cm 4 (12%)
Risco mode ado 1 6 ( 2 5 % ) 94 – 101,9 cm 10 (32%) 80 – 87,9 cm 6 (18%)
Risco ele ado 3 4 ( 5 3 % ) ≥ 1 0 2  c m  11 (35%) ≥8 8  c m 23 (69%)
Valo es exp essos em núme o e pe cen agem de doen es.
Quad o 4 - Dis ibuição da pe cen agem da massa go da e massa mag a po sexo
Idade massa go da – n (%) massa mag a – n (%)
dé ice no mal excesso dé ice no mal excesso
Homens
35-65 anos 07 (23%) 10 (32%) 11 (35%) 6 (19%) 0
>65 anos 0 1 (3%) 13 (42%) 13 (42%) 1 (3%) 0
Mulhe es
35-65 anos 0 11 (33%) 6 (18%) 6 (18%) 11
(33%) 0
>65 anos 1 (3%) 5 (15%) 10 (30%) 9 (27%) 5 (15%) 2 (6%)
Valo es exp essos em núme o (%) de doen es; dis ibuição dos doen es de aco do com os alo es de e e ência pa a a idade e sexo.
Rela i amen e à ac i idade ísica habi ual, 11 doen es
e e i am já e p a icado exe cício de compe ição.
Des es, apenas 7 subiam escadas habi ualmen e, 5 aziam
caminhadas a pé po mais de 15minu os e apenas 2
man i e am algum exe cício ísico habi ual.
DISCUSSÃO
A ele ância do es udo da elação Nu ição – Doença
Oncológica é supo ada pela necessidade de um
conhecimen o ap o undado, pa a que seja possí el
conhece a doença oncológica, o modo de a p e eni ou
e i a a sua p og essão. Segundo o Wo ld Cance Resea ch
Fund o canc o é uma doença com c escen e incidência
a ní el mundial, sendo ac ualmen e a 2ª maio causa de
mo e. A e isão sis emá ica em que assen am es es dados
suge e que ap oximadamen e 30% das neoplasias são
p e ení eis 20. Mui os es udos mos am que a e iologia
do canc o é mul i ac o ial, ha endo ac o es gené icos,
ho monais e ambien ais 20. Os ac o es ambien ais
incluem a obesidade, a adiposidade cen al, o excesso
de massa go da e consumo excessi o ou de ici á io de
de e minados alimen os e/ou nu ien es (com acção p ó-
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Quad o 5 - Dis ibuição de equência de consumo alimen a
Alimen os Baixo consumo – n (%) Ele ado consumo – n (%)
Ca ne 14 (22%) 50 (78%)
Peixe 32 (50%) 32 (50%)
Sopa 19 (30%) 45 (70%)
Legumes Cozidos 35 (55%) 29 (45%)
Saladas 38 (59%) 26 (41%)
Fa ináceos 3 (5%) 61 (95%)
F u a 11 (17%) 53 (83%)
Lac icínios 9 (14%) 55 (86%)
Valo es exp essos em núme o (%) de doen es; baixo consumo: 1 a 4
ezes/semana; ele ado consumo: ≥ 5 ezes/semana.
Quad o 6 - Dis ibuição da ac i idade ísica habi ual e ac ual
Ac i idade Física Habi ual Ac ual
n (%) n (%)
Anda a pé (minu os)
<15 35 (55%) 48 (75%)
15-30 15 (23%) 8 (13%)
30-60 9 (14%) 6 (9%)
>60 5 (8%) 2 (3%)
Subi Escadas (anda es)
0 23 (36%) 37 (58%)
1-5 36 (56%) 25 (39%)
6-10 1 (2%) 2 (3%)
>10 4 (6%) 0
Exe cício Físico (ho as/semana)
049 (77%) 60 (94%)
1 4 (6%) 0
2 -3 6 (9%) 2 (3%)
>3 5 (8%) 2 (3%)
Valo es exp essos em núme o (%) de doen es.
ca cinogénica s nu ien es p o ec o es). Vá ios es udos
apon am o excesso de peso/obesidade como um ac o de
isco pa a desen ol e a doença oncológica, especialmen e
de umo es do esó ago, cólon- ec o, pânc eas, endomé io,
mama, im e da esícula bilia 20; o excesso de peso/
obesidade pode ão es a associados a um e ei o nega i o
no p ognós ico da doença 9, 21-23.
No p esen e es udo e i icámos que 53% dos
doen es ap esen a a excesso de peso/obesidade, 78%
inham um pe íme o da cin u a (PC - medido indi ec o
da adiposidade cen al) acima dos alo es máximos
ecomendados logo com mode ado/ele ado isco
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ca dio-me abólico e 64% ap esen a am ganho ponde al
ela i amen e ao peso habi ual, odos ac o es de isco de
aco do com o WCRF 20. O que es á p econizado é que não
haja aumen o ponde al na ida adul a e se man enha um
peso saudá el 20. Rela i amen e à composição co po al,
a maio ia da população (61%) ap esen a a massa go da
acima do máximo ecomendado e apenas 37% inham
alo es no mais pa a a idade e sexo. O excesso de
go du a co po al le a a um aumen o das concen ações e
a obesidade es á mui as ezes associada a hipe glicémia,
hipe insulinémia e esis ência pe i é ica à insulina 24, sendo
conhecida a associação en e a insulina e a ac i idade
mi ogénica po aumen a a biodisponibilidade do
IGF-1, podendo des e o ma con ibui pa a o aumen o da
p oli e ação celula e p ocesso de ca cinogénese 25. Em
elação à massa mag a e i icou-se o in e so: a maio ia dos
doen es (61%) ap esen a am depleção de massa mag a e
apenas uma mino ia (37%) ap esen a a alo es den o da
média pa a a idade e sexo. Ve i icou-se assim que 61% da
população ap esen a a excesso de massa go da e deplecção
de massa mag a, ca ac e ís ico da obesidade sa copénica,
ac o que conco da com a e idência cien í ica 26, exis indo
um isco aumen ado de eco ência da doença e/ou de pio
p ognós ico 22.
Es udos epidemiológicos sob e o pad ão alimen a e
incidência de canc o iden i icam uma die a desequilib ada
de icien e em nu ien es essenciais e excessi a em
nu ien es noci os e sal 20. O ele ado consumo de
ácidos go dos polinsa u ados, p esen es em u os secos,
oleaginosos, peixe, e em ho ícolas de olha e de
con ibui pa a a diminuição do isco de desen ol imen o
de neoplasias 20. Os imunomodulado es ácidos go dos n-3
êm ambém me ecido subs ancial a enção; des acam-se
as p op iedades an i-ca cinogénicas, possi elmen e como
an agonis as do ácido a aquidónico com e en ual edução
da sín ese de eicosanóides p ó-in lama ó ios 27, e possí el
capacidade p ó-apop ó ica 28. Pelo con á io, a inges ão
excessi a de ácidos go dos sa u ados p esen es na ca ne
e lac icínios em sido associado ao desen ol imen o
de alguns ipos de umo es, como o umo da mama,
p ós a a, pulmão, endomé io, pânc eas e colo ec al 20,
bem como de açúca es de abso ção ápida em umo es
colo ec ais 20. Nes e es udo, o pad ão alimen a dos doen es
oi p edominan emen e pob e em ege ais ho ícolas,
on es de ib a, i aminas e mine ais, em on es alimen a es
de go du as polinsa u adas em pa icula de ácidos go dos
n-3 e em alimen os icos em hid a os de ca bono complexos
e ib a. A ib a é conside ada um nu ien e p o ec o no
p ocesso de ca cinogénese: de en e as di e sas unções,
conhecem-se a ligação a compos os po encialmen e
ca cinogénicos no lúmen in es inal, con ibuição na
p odução de ácidos go dos de cadeia cu a, diminuição
da esis ência à insulina e edução das concen ações
sanguíneas de es ogénio li e de ido à sua meno abso ção
in es inal p o enien e das ias bilia es 28. No nosso es udo
e i icámos uma inges ão baixa ou mode ada/baixa da
maio ia de ege ais/legumes icos em ib a em ce ca de
59% dos doen es. Os ege ais são ambém excelen es
on es de i aminas, mine ais e ou as subs âncias
po encialmen e p o ec o as como ca o enos e la onóides
29. É suge ido que os ca o enos possam desempenha
unção an i-ca cinogénica de ido às suas p op iedades
an ioxidan es e po inibição di ec a de po enciais agen es
endógenos da ca cinogénese 30.
P a ica ac i idade ísica egula ajuda a con ola
o peso, con ibui pa a o aumen o dos mo imen os
pe is ál icos, melho a a unção imuni á ia, aumen a
a sensibilidade à insulina, en e ou os bene ícios 20.
A in es igação em consis en emen e mos ado que
a ac i idade ísica egula diminui o isco de canc o,
em especial colo ec al, do endomé io e da mama
pós-menopausa 20. Adicionalmen e e como e e ido
an e io men e, o excesso de peso/obesidade aumen a o
isco de a iados canc os, pelo que cumula i amen e a
ac i idade ísica em um e ei o p o ec o . Nes e es udo
e i icámos que a maio ia dos doen es não p a ica a
ac i idade ísica egula an es do diagnós ico, não se
encon ando di e enças signi ica i as en e os hábi os
an igos e os ac uais, sendo o pad ão global de ma cado
seden a ismo.
Es ando conscien es de ac o es limi a i os in ínsecos
à dimensão da amos a, conside amos ele an e es e
p imei o es udo de ca ac e ização epidemiológica de
a iá eis nu icionais e de es ilos de ida numa população
po uguesa de doen es oncológicos.
CONCLUSÃO
Com os esul ados des e es udo p elimina , pudemos
e i ica que o excesso de peso, o excesso de massa
go da, o ele ado isco ca dio-me abólico (adiposidade
cen al) e o seden a ismo em conjun o com um pad ão
alimen a globalmen e pob e em alimen os p o ec o es,
i.e. ege ais/legumes, e excessi o em ca ne e a ináceos
icos em açúca es de abso ção ápida, ca ac e iza am es a
população de doen es. Globalmen e, de aco do com a
e idência cien í ica, es a população ap esen a a um es ilo
de ida que pode á se po encialmen e conside ado de isco
na p og essão da doença oncológica.
Es uda ac o es nu icionais po encialmen e
implicados na e iologia e p og essão do canc o é ainda hoje
um desa io. No u u o, a o ien ação nu icional pode á ab i
no os ho izon es na a enuação ou mesmo na p e enção da
ca cinogénese. Tendo em con a os ele ados e c escen es
ní eis de incidência de doença oncológica em Po ugal,
os nossos esul ados e o çam a necessidade de um es udo
nacional mul icên ico.
And eia ROLÃO e al, Nu ição e es ilo de ida em Oncologia, Ac a Med Po . 2011; 24(S2):113-122
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AGRADECIMENTOS
Às equipas, médica, écnica e de en e magem do
Se iço de Radio e apia do Hospi al de San a Ma ia, sem
a colabo ação das quais des e abalho nunca e ia sido
possí el.
Con li o de in e esses:
Os au o es decla am não e nenhum con li o de in e esses ela i amen e
ao p esen e a igo.
Fon es de inanciamen o:
Não exis i am on es ex e nas de inanciamen o pa a a ealização des e
a igo.
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