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ARTIGO ORIGINAL
Ac a Med Po 2011; 24(S2): 113-122
QUAL O PERFIL NUTRICIONAL
E DE ESTILOS DE VIDA DO
DOENTE ONCOLÓGICO?
Es udo T ans e sal
In odução: O canc o é mul i ac o ial, e en e os ac o es de isco es ão: obesidade, adiposidade
cen al, seden a ismo, consumo excessi o ou de ici á io de alimen os e/ou nu ien es com
acção p ó-ca cinogénica s p o ec o es. Objec i os: A alia o pad ão/pe il nu icional, de
es ilos de ida, ac i idade ísica e consumo alimen a numa população de doen es oncológicos.
Me odologia: Es udo ans e sal pilo o incluiu 64 doen es oncológicos consecu i amen e
e e enciados pa a adio e apia no Se iço Radio e apia do Hospi al Uni e si á io de San a
Ma ia (CHLN). Fo am a aliados: pe íme o da cin u a (PC), associado a po encial isco ca dio-
me abólico, composição co po al po Bioimpedância Eléc ica Te apola (XITRON®), Índice
de Massa Co po al, pad ão de consumo alimen a com ques ioná io cu o de equência, p á ica
de ac i idade ísica pelo ques ioná io de Jackson. Resul ados: Os diagnós icos mais comuns
o am os umo es da mama e colo ec al (22%); e i icámos que 53% dos doen es inham excesso
de peso/obesidade, e es e pad ão de es ado nu icional es a a co elacionado com um ganho
ponde al em elação ao peso habi ual (p<0,005). Adicionalmen e, 78% inham um PC acima
do cu -o que es abelece mode ado/ele ado isco ca dio-me abólico, sendo mais e iden e no
sexo eminino (87%). A g ande maio ia (61%) ap esen a a excesso de massa go da, sendo
mais ma cado no sexo masculino (74%). O pad ão alimen a e a pob e em ege ais/legumes
(55%) e excessi o em ca ne e a ináceos (78%); a ac i idade ísica e a escassa p e alecendo
um ma cado seden a ismo. Conclusão: Globalmen e es a população ap esen a a excesso de
peso, excesso de massa go da, ele ado isco ca dio-me abólico, seden a ismo e um pad ão
alimen a desiquilib ado e pob e em alimen os/nu ien es p o ec o es, o que se ca ac e iza po
um pad ão nu icional e de es ilos de ida po encialmen e de isco na doença oncológica. A
ele ada e c escen e incidência de canc o em Po ugal e o ça a necessidade de mais es udos que
pe mi am iden i ica ac o es nu icionais po encialmen e implicados na e iologia, p og essão
e p ognós ico da doença oncológica.
Pala as-cha e: oncologia, a aliação nu icional, ac o es de isco, composição co po al, pad ão
alimen a , ac i idade ísica.
R E S U M O
A.R., M.E.C., P.R.: Labo a ó io
de Nu ição/Unidade de Nu ição.
Ins i u o de Medicina Molecula .
Faculdade de Medicina da
Uni e sidade de Lisboa. Lisboa.
Po ugal
I.M-G., Se iço de Radio e apia.
Hospi al Uni e si á io de San a
Ma ia (CHLN). Lisboa. Po ugal
And eia ROLÃO, Isabel MONTEIRO-GRILLO, Ma ia E melinda CAMILO,
Paula RAVASCO
WHAT IS THE NUTRITION AND LIFESTYLE PROFILE
IN ONCOLOGY PATIENT? CROSS-SECTIONAL STUDY
Backg ound: Cance ae iology is mul i ac o ial and isk ac o s include: obesi y, cen al
adiposi y, seden a ism, excessi e o de icien in ake o oods and/o nu ien s wi h
p o-ca cinogenic e ec s s p o ec i e ones. Objec i es: To e alua e he pa e n o nu i ional
s a us, li e s yles, physical ac i i y and die in a coho o cance pa ien s. Me hods: This
pilo c oss-sec ional s udy was conduc ed in 64 pa ien s e e ed o adio he apy a he
Radio he apy Depa men o he Uni e si y Hospi al o San a Ma ia (CHLN). E alua ions
S U M M A R Y
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And eia ROLÃO e al, Nu ição e es ilo de ida em Oncologia, Ac a Med Po . 2011; 24(S2):113-122
INTRODUÇÃO
A doença oncológica assume impo ância c escen e
dada a ele ada axa de incidência e impac o pessoal,
amilia , social e económico. No ano de 2005 mo e am 7,6
milhões de pessoas po doença oncológica, num o al de 58
milhões de mo es. As es ima i as a ní el mundial apon am
pa a que o núme o de mo es po doença oncológica a inja
os 9 milhões de pessoas em 2015, e que ascenda aos 11,4
milhões em 2030 1. Em Po ugal, o canc o es á en e as
ês p incipais causas de mo e segundo o Plano Nacional
de Saúde 2004-2010 2. Compa ando os indicado es
de Po ugal com os indicado es mais a o á eis de
ou os países da UE, conside a-se se possí el eduzi a
mo alidade em 38% nos homens e em 10% nas mulhe es,
ac uando sob e es ilos de ida de isco 2.
Es ão documen ados como ac o es de isco pa a
o aumen o da incidência de canc o: a obesidade, uma
alimen ação com excesso de nu ien es/componen es
com capacidade ca cinogénica e/ou de icien e em
nu ien es p o ec o es, a inac i idade ísica e o
seden a ismo, o consumo de abaco, o s ess, a exposição
a poluen es e subs âncias óxicas, adiações ionizan es e
elec omagné icas, i oses c ónicas e p odu os químicos
3, 4. Es udos epidemiológicos indicam que a incidência de
canc o a ia en e di e en es populações. Em Po ugal,
a ele ada incidência de canc o do es ômago em sido
associada ao excessi o consumo de sal e à in ecção po
Helicobac e Pylo i 5; já a ele ada incidência de canc o
da mama, do pulmão, colo ec al e da ca idade o al, em
sido associada a excessi o consumo de álcool, de abaco,
à obesidade e a inges ão de icien e em alimen os icos em
ib as e mic onu ien es p o ec o es ais como an ioxidan es
e la onóides 3, 4. Po ou o lado, é sabido que não é
apenas a nu ição que es á in imamen e elacionada com
o es ado nu icional e go du a co po al do indi íduo, mas
ambém a ac i idade ísica em um e ei o di ec o nes es
ac o es. 6. No en an o, do nosso conhecimen o, apenas
um es udo caso-con olo em Po ugal a aliou o pad ão
de inges ão nu icional e de ac i idade ísica, e o isco
de canc o associado 7. Mais ecen emen e o nosso g upo
de in es igação publicou um a igo de e isão ace ca dos
hábi os alimen a es e incidência de canc o colo ec al 8 e
em ac ualmen e um a igo em imp essão que mos a a
p e alência de excesso de peso/obesidade numa população
de 450 doen es oncológicos 9.
De no a que a Nu ição em um papel essencial na
doença oncológica a á ios ní eis, sendo essencial pa a
melho a a inges ão, o es ado nu icional e uncional do
doen e oncológico, eduzi a sua mo bilidade, aumen a
a ole ância aos a amen os e melho a a sua Qualidade
de Vida du an e e após o a amen o, com signi ica i a
diminuição do isco de eco ências 10-14.
Assim, é impe a i a a in eg ação da a aliação
nu icional com especial en oque nos es ilos de ida do
doen e oncológico que de e inclui os hábi os alimen a es,
a die a, a ac i idade ísica e o po encial isco ca dio-
me abólico associado, de o ma a melho di ecciona a
in e enção nu icional e op imiza odas as in e enções
e apêu icas. Es a in eg ação ai pe mi i ambém a
expansão do conhecimen o nes a á ea. As me odologias
disponí eis incluem pa âme os an opomé icos como
o peso e al u a, áceis, ápidas de ob e e ep odu í eis,
indispensá eis pa a a de e minação do Índice de Massa
Co po al 15. Ou os pa âme os nu icionais mui o
in o ma i os são o Pe íme o da Cin u a, medido di ec o
we e: wais ci cum e ence associa ed wi h po en ial ca dio-me abolic isk, body composi ion
by Te apola Bioimpedance Analysis (XITRON®), Body Mass Index, die a y in ake pa e n
wi h a sho ood equency ques ionnai e, physical ac i i y wi h Jackson ques ionnai e.
Resul s: The mos equen diagnosis we e b eas and colo ec al cance s; 53% o pa ien s
we e o e weigh /obese, and he e was a signi ican co ela ion be ween his nu i ional
pa e n and weigh gain in compa ison wi h usual weigh (p<0.005). The e we e 78% o
pa ien s wi h a wais ci cum e ence abo e he maximum cu -o limi , indica ing mode a e/
high ca dio-me abolic isk, and mos we e emale pa ien s (87%). The g ea majo i y o
pa ien s (61%) had excessi e a mass highly abo e he maximum ecommended cu -o
alue, especially male pa ien s (74%). The die a y pa e n was poo in ege ables (55%)
and excessi e in mea and simple ca bohyd a es (78%); physical ac i i y was low wi h a
high p e alence o seden a ism. Conclusions: This popula ion p esen ed excessi e body
weigh , excessi e a mass, high ca dio-me abolic isk, seden a ism and an unbalanced die
poo in p o ec i e oods/nu ien s. This popula ion’s li e s yles and nu i ional pa e n, may
be conside ed o isk in oncology disease. The ele a ed and g owing incidence o cance
in Po ugal, ein o ces he need o u he esea ch in o de o iden i y nu i ional ac o s
in ol ed in he e iology/e olu ion and p obably p ognosis o cance .
Key Wo ds: oncology, nu i ional assessmen , isk ac o s, body composi ion, die a y
pa e n, physical ac i i y.
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da adiposidade cen al 16 e, em con ex o de in es igação,
a Bioimpedância Eléc ica Te apola pa a a de e minação
da massa go da 15. Ques ioná ios alidados podem se
u ilizados pa a a a aliação dos hábi os alimen a es e da
ac i idade ísica 17.
A e idência cien í ica ac ual consubs ancia o
desen ol imen o do p esen e es udo que e e como
objec i o majo in es iga o pad ão/pe il de es ilos
de ida e ac o es de isco numa população de doen es
com di e sos ipos de neoplasias. Te e como objec i os
especí icos: 1) ca ac e iza o pad ão de consumo alimen a ,
com especial en oque nos alimen os de ele ada densidade
caló ica e lipídica, ege ais, u os e peixe; 2) a alia o
po encial isco ca dio-me abólico associado ao pe íme o
da cin u a, % de massa go da e Índice de Massa Co po al;
e 3) a alia a p á ica de ac i idade ísica.
POPULAÇÃO E MéTODOS
Es e es udo p ospec i o, analí ico, em co e ans e sal,
oi ap o ado pela Comissão de É ica do Hospi al de San a
Ma ia e oi desen ol ido de aco do com a Decla ação
de Helsínquia, adop ada pela Associação Mundial de
Médicos em 1964, emendada em 1975 e ac ualizada pela
úl ima ez em 2002. Deco eu en e 1 de Ab il e 21 de
Se emb o de 2009 no Se iço de Radio e apia do Hospi al
Uni e si á io de San a Ma ia. Todos os doen es de am o
seu consen imen o in o mado pa a pa icipa no es udo.
Fo am incluídos 64 doen es oncológicos de ambos os
sexos, com di e sos ipos de neoplasias, consecu i amen e
e e enciados pa a adio e apia cu a i a, adju an e a
ci u gia e/ou combinada com quimio e apia ou com
in enção palia i a. Fo am excluídos odos os doen es com
umo es a os, doen es não au ónomos e/ou que não podiam
se pesados, como po exemplo os doen es acamados.
Todos os dados o am ecolhidos a a és da
ealização de uma en e is a clínica e comple ados
com base na consul a do p ocesso clínico do doen e. O
egis o das in o mações oi ei o em icha p o ocolada,
p e iamen e es u u ada pa a inse ção em base de dados
in o má ica e análise es a ís ica. Fo am ob idos dados
sócio-demog á icos, in o mação ace ca da his ó ia da
doença ac ual, an eceden es pessoais, his ó ia social.
Especi icamen e pa a es e abalho o am a aliados
pa âme os an opomé icos, o pad ão de consumo
alimen a e a ac i idade ísica nes es doen es.
A aliação Nu icional
A al u a (me os) e o peso (kg) o am de e minados
a a és de uma balança de chão Jo e® com es adiome o
inco po ado. Ambos os pa âme os o am usados pa a
calcula o Índice de Massa Co po al (IMC) com a
ó mula [peso(kg)/al u a(m)2]; O IMC oi alo izado
e ca ego izado de aco do com alo es de e e ência
in e nacionais es anda dizados po idade: Adul os (18 a
65 anos) - desnu ição se IMC <18,5kg/m2, peso adequado
pa a a al u a se IMC en e 18,5 - 24,9kg/m2, excesso de
peso/ obesidade se IMC ≥25kg/m2 6; Idosos (>65 anos) -
desnu ição se IMC <24kg/m2, peso adequado pa a a al u a
se IMC en e 24-26,9kg/m2, excesso de peso/ obesidade
se IMC ≥27kg/m2 18.
A pe cen agem de a iação de peso oi calculada
com base no peso habi ual e peso ac ual do doen e e oi
ca ego izada em: ≤5%, en e 5-10% e ≥10% 19.
O pe íme o da cin u a (PC) oi de e minado com
o doen e em expi ação, medindo-se no pon o médio
en e a c is a ilíaca e a úl ima cos ela lu uan e, num
plano ho izon al, usando uma i a mé ica lexí el e não-
elás ica. Os alo es o am a aliados endo em con a os
alo es de e e ência segundo o sexo: sexo masculino
PC <94cm não exis e isco ca dio-me abólico, PC en e
94-101,9cm exis e um isco ca dio-me abólico mode ado
e PC ≥102cm exis e um isco ca dio-me abólico ele ado;
cu -o s sexo eminino PC <80cm não exis e isco ca dio-
me abólico, PC en e 80-87,9cm exis e um isco ca dio-
me abólico mode ado e PC ≥88cm exis e um isco ca dio-
me abólico ele ado 16.
Na composição co po al oi de e minada a pe cen agem
de massa go da e a pe cen agem de massa mag a a a és do
mé odo de Bioimpedância Eléc ica Te apola (apa elho
mul i equencial - XITRON®); as medições o am depois
ca ego izadas segundo os alo es es anda dizados pa a a
idade e sexo: %Massa go da pa a o sexo masculino – 35
a 65 anos 10 a 25%, > 65 anos 10 a 23%; %Massa go da
pa a o sexo eminino – 35 a 65 anos 25 a 38%, > 65 anos
25 a 35%; %Massa mag a pa a o sexo masculino – 35 a
65 anos 90 a 75%, > 65 anos 90 a 77%; %Massa mag a
pa a o sexo eminino – 35 a 65 anos 75 a 62%, > 65 anos
75 a 65% 16.
Consumo Alimen a
Com o objec i o de de e mina hábi os de consumo
alimen a , oi e ec uado um ques ioná io sob e o consumo
semanal de ca ne, peixe, sopa, legumes cozidos, saladas
e hid a os de ca bono, e ambém sob e o consumo diá io
de pão, u a e lac icínios, cujos alo es o am igualmen e
con e idos em alo es semanais. Conside ou-se um
consumo ele ado quando ≥5 ezes/semana, e um consumo
baixo quando en e 1-4 ezes/semana.
Ac i idade Física
A a aliação da ac i idade ísica dos doen es
oi ealizada a a és de um ques ioná io baseado no
ques ioná io de Jackson. A e iu-se a ac i idade habi ual e/
ou ac ual em elação a pon os como o meio de anspo e
u ilizado, empo po dia a anda a pé, p á ica de exe cício
ísico po semana e os mo i os que le a am ou le am os
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doen es a p a ica exe cício ísico 17.
ANÁLISE ESTATÍSTICA
A análise es a ís ica oi ealizada a a és do p og ama
SPSS pa a o Windows e são 16.0. Os esul ados o am
in oduzidos num sis ema in o má ico pa a a amen o de
dados; a iá eis numé icas encon am-se exp essas em
média ± des io pad ão (limi es) e as a iá eis ca egó icas
em núme o e pe cen agem. A análise es a ís ica incluiu
co elações não pa amé icas de Spea man e o es e de
Mann-Whi ney. O limi e de signi icância oi es abelecido
pa a alo es de p in e io es a 0,05.
RESULTADOS
Demog a iaeDadosClínicos
Nes e es udo o am incluídos 64 doen es, dos quais
31 e am do sexo masculino (48%) e 33 do sexo eminino
(52%). A média de idades oi de 63 ± 12 (36-87) anos.
Fo ma am um g upo he e ogéneo de doen es oncológicos
com umo es em di e en es localizações. Os diagnós icos
mais comuns o am os umo es da mama e colo ec al,
ambos com uma p e alência de 22% na população em
Quad o I - Dis ibuição dos doen es po diagnós ico e sexo
Diagnós icos To al ♂ ♀
n (%) n n
T. Mama 14 (22) 0 14
T. Colo ec al 14 (22) 86
T. P ós a a 9 (14) 9 0
T. Pulmão 7 (11) 5 2
T. Ú e o 7 (11) 07
T. Cabeça e Pescoço 6 (9) 4 2
Ou os 7 (11) 5 2
T = umo ; os dados es ão exp essos em núme o e pe cen agem de
doen es; “ou os” incluí am: umo es do cé eb o, pânc eas, es ômago,
ias bilia es e lin omas Hodgkin e não Hodgkin.
es udo. O Quad o I mos a a dis ibuição dos doen es
po diagnós ico e sexo. Ve i ica-se maio p e alência de
umo es da p ós a a (n=9) no sexo masculino, e de umo es
da mama (n=14) no sexo eminino.
Ve i icou-se que 73% da população inha diagnos icada
pelo menos uma co-mo bilidade, sendo as mais equen es
a hipe ensão a e ial (HTA) (n=20), dislipidémia(s)
(n=20), doenças ca dio/ce eb o ascula es (n=15) e
diabe es melli us ipo 2 (n=12). As populações de doen es
que ap esen a am maio p e alência de co-mo bilidades
o am os doen es com umo colo ec al e umo da mama.
A aliação Nu icional
O alo médio de IMC oi de 26±4 (16-37) kg/m2.
O Quad o 2 mos a a dis ibuição dos doen es segundo
o IMC, onde se e i ica que no global 53% dos doen es
inham excesso de peso ou obesidade, 38% ap esen a am
um es ado nu icional adequado e apenas 9% ap esen a am
desnu ição.
Adicionalmen e, em 97% dos doen es (n=62/64)
e i icou-se a iação do peso ac ual po compa ação com
o peso habi ual: a maio ia (n=41) ap esen a a aumen o
ponde al, sendo que em 22 doen es o aumen o oi supe io
a 10% do seu peso habi ual. Ve i icou-se ambém que 21
doen es pe de am peso, dos quais 10 ap esen a am pe da
ponde al supe io a 10% (Figu a 1).
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Quad o II - Es ado nu icional dos doen es segundo o IMC dis ibuido po idade e po sexo
Ca ego ias IMC To al Idade Sexo
Adul os
(18 a 65 anos)
Idosos
(≥65 anos) ♂ ♀
n (%) n (%) n (%) n (%) n (%)
Desnu ição 6 (9%) 0 (0%) 6 (20%) 3 (10%) 3 (9%)
Adequado 24 (38%) 16 (47%) 8 (27%) 11 (35%) 13 (39%)
Excesso de peso/Obesidade 34 (53%) 18 (53%) 16 (53%) 17 (55%) 17 (52%)
To al 64 34 30 31 33
Valo es exp essos em núme o e pe cen agem de doen es.
Ve i icámos que o excesso de peso/obesidade a aliados
pelo IMC es a am co elacionados com aumen o ponde al,
p<0,005. Os alo es de pe íme o da cin u a, indica i os
do isco ca dio-me abólico, es a am na g ande maio ia
da população acima do in e alo de alo es de e e ência,
e i icando-se assim que 78% da população ap esen a a
um isco ca dio-me abólico mode ado ou ele ado s baixo
isco (p<0,01). O sexo eminino ap esen ou uma maio
incidência de isco ca dio-me abólico compa a i amen e
ao sexo masculino. Apenas 22% dos doen es ap esen a a
alo es de pe íme o da cin u a den o do in e alo de
alo es de e e ência, logo sem isco ca dio-me abólico
associado (Quad o 3).
Ve i icámos que o excesso de peso/obesidade pelo
IMC, o aumen o ponde al e isco ca dio-me abólico
Figu a 1 Dis ibuição da a iação ponde al em pe cen agem.
mode ado e ele ado es a am signi ica i amen e
co elacionados, p<0,007. No Quad o 4 encon a-se a
ca ac e ização da população segundo a pe cen agem de
massa go da e de massa mag a: no global, 61% (n=39)
dos doen es inham excesso de massa go da e depleção
de massa mag a. Des es, a g ande maio ia e am do sexo
masculino e com idade supe io a 65 anos (p<0,01). Apenas
33% da população ap esen a a alo es de massa go da e
massa mag a den o dos in e alos de e e ência.
O Consumo Alimen a encon a-se ca ac e izado pelo
pad ão e equência de consumo po semana no Quad o 5.
É possí el e i ica que a maio ia dos doen es ap esen a a
um ele ado consumo de a ináceos (95%), de ca ne (78%),
de lac icínios (86%) e de u a (83%); em con as e, o
consumo de peixe oi mode ado, e a inges ão de saladas e
legumes cozidos e a baixa (≈55%).
Ac i idade Física
Habi ualmen e, 55% dos doen es desloca a-se de
anspo e p óp io (au omó el ou mo ociclo) e ac ualmen e,
o núme o de doen es com es e hábi o aumen ou pa a 67%.
A pe cen agem de doen es que anda a a pé passou de
20% (habi ualmen e) pa a 6% (ac ualmen e). No que diz
espei o à ac i idade ísica habi ual, con o me de alhado no
Quad o 6, a maio ia dos doen es anda a menos de 15min a
pé (55%), subia en e 1 a 5 lances de escadas dia iamen e
(56%) e não azia exe cício ísico (77%). Ac ualmen e a
maio ia dos doen es anda menos de 15 minu os a pé (75%),
não sobe escadas (58%) e não az exe cício ísico (94%).
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Quad o 3 - Dis ibuição do isco ca dio-me abólico segundo o Pe íme o da Cin u a (PC) po sexo
Risco ca dio-me abólico ♂ ♀
To al n (%) PC (cm) n (%) PC (cm) n (%)
Risco baixo 14 (22%) <94 cm 10 (32%) <80 cm 4 (12%)
Risco mode ado 1 6 ( 2 5 % ) 94 – 101,9 cm 10 (32%) 80 – 87,9 cm 6 (18%)
Risco ele ado 3 4 ( 5 3 % ) ≥ 1 0 2 c m 11 (35%) ≥8 8 c m 23 (69%)
Valo es exp essos em núme o e pe cen agem de doen es.
Quad o 4 - Dis ibuição da pe cen agem da massa go da e massa mag a po sexo
Idade massa go da – n (%) massa mag a – n (%)
dé ice no mal excesso dé ice no mal excesso
Homens
35-65 anos 07 (23%) 10 (32%) 11 (35%) 6 (19%) 0
>65 anos 0 1 (3%) 13 (42%) 13 (42%) 1 (3%) 0
Mulhe es
35-65 anos 0 11 (33%) 6 (18%) 6 (18%) 11
(33%) 0
>65 anos 1 (3%) 5 (15%) 10 (30%) 9 (27%) 5 (15%) 2 (6%)
Valo es exp essos em núme o (%) de doen es; dis ibuição dos doen es de aco do com os alo es de e e ência pa a a idade e sexo.
Rela i amen e à ac i idade ísica habi ual, 11 doen es
e e i am já e p a icado exe cício de compe ição.
Des es, apenas 7 subiam escadas habi ualmen e, 5 aziam
caminhadas a pé po mais de 15minu os e apenas 2
man i e am algum exe cício ísico habi ual.
DISCUSSÃO
A ele ância do es udo da elação Nu ição – Doença
Oncológica é supo ada pela necessidade de um
conhecimen o ap o undado, pa a que seja possí el
conhece a doença oncológica, o modo de a p e eni ou
e i a a sua p og essão. Segundo o Wo ld Cance Resea ch
Fund o canc o é uma doença com c escen e incidência
a ní el mundial, sendo ac ualmen e a 2ª maio causa de
mo e. A e isão sis emá ica em que assen am es es dados
suge e que ap oximadamen e 30% das neoplasias são
p e ení eis 20. Mui os es udos mos am que a e iologia
do canc o é mul i ac o ial, ha endo ac o es gené icos,
ho monais e ambien ais 20. Os ac o es ambien ais
incluem a obesidade, a adiposidade cen al, o excesso
de massa go da e consumo excessi o ou de ici á io de
de e minados alimen os e/ou nu ien es (com acção p ó-
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Quad o 5 - Dis ibuição de equência de consumo alimen a
Alimen os Baixo consumo – n (%) Ele ado consumo – n (%)
Ca ne 14 (22%) 50 (78%)
Peixe 32 (50%) 32 (50%)
Sopa 19 (30%) 45 (70%)
Legumes Cozidos 35 (55%) 29 (45%)
Saladas 38 (59%) 26 (41%)
Fa ináceos 3 (5%) 61 (95%)
F u a 11 (17%) 53 (83%)
Lac icínios 9 (14%) 55 (86%)
Valo es exp essos em núme o (%) de doen es; baixo consumo: 1 a 4
ezes/semana; ele ado consumo: ≥ 5 ezes/semana.
Quad o 6 - Dis ibuição da ac i idade ísica habi ual e ac ual
Ac i idade Física Habi ual Ac ual
n (%) n (%)
Anda a pé (minu os)
<15 35 (55%) 48 (75%)
15-30 15 (23%) 8 (13%)
30-60 9 (14%) 6 (9%)
>60 5 (8%) 2 (3%)
Subi Escadas (anda es)
0 23 (36%) 37 (58%)
1-5 36 (56%) 25 (39%)
6-10 1 (2%) 2 (3%)
>10 4 (6%) 0
Exe cício Físico (ho as/semana)
049 (77%) 60 (94%)
1 4 (6%) 0
2 -3 6 (9%) 2 (3%)
>3 5 (8%) 2 (3%)
Valo es exp essos em núme o (%) de doen es.
ca cinogénica s nu ien es p o ec o es). Vá ios es udos
apon am o excesso de peso/obesidade como um ac o de
isco pa a desen ol e a doença oncológica, especialmen e
de umo es do esó ago, cólon- ec o, pânc eas, endomé io,
mama, im e da esícula bilia 20; o excesso de peso/
obesidade pode ão es a associados a um e ei o nega i o
no p ognós ico da doença 9, 21-23.
No p esen e es udo e i icámos que 53% dos
doen es ap esen a a excesso de peso/obesidade, 78%
inham um pe íme o da cin u a (PC - medido indi ec o
da adiposidade cen al) acima dos alo es máximos
ecomendados logo com mode ado/ele ado isco
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ca dio-me abólico e 64% ap esen a am ganho ponde al
ela i amen e ao peso habi ual, odos ac o es de isco de
aco do com o WCRF 20. O que es á p econizado é que não
haja aumen o ponde al na ida adul a e se man enha um
peso saudá el 20. Rela i amen e à composição co po al,
a maio ia da população (61%) ap esen a a massa go da
acima do máximo ecomendado e apenas 37% inham
alo es no mais pa a a idade e sexo. O excesso de
go du a co po al le a a um aumen o das concen ações e
a obesidade es á mui as ezes associada a hipe glicémia,
hipe insulinémia e esis ência pe i é ica à insulina 24, sendo
conhecida a associação en e a insulina e a ac i idade
mi ogénica po aumen a a biodisponibilidade do
IGF-1, podendo des e o ma con ibui pa a o aumen o da
p oli e ação celula e p ocesso de ca cinogénese 25. Em
elação à massa mag a e i icou-se o in e so: a maio ia dos
doen es (61%) ap esen a am depleção de massa mag a e
apenas uma mino ia (37%) ap esen a a alo es den o da
média pa a a idade e sexo. Ve i icou-se assim que 61% da
população ap esen a a excesso de massa go da e deplecção
de massa mag a, ca ac e ís ico da obesidade sa copénica,
ac o que conco da com a e idência cien í ica 26, exis indo
um isco aumen ado de eco ência da doença e/ou de pio
p ognós ico 22.
Es udos epidemiológicos sob e o pad ão alimen a e
incidência de canc o iden i icam uma die a desequilib ada
de icien e em nu ien es essenciais e excessi a em
nu ien es noci os e sal 20. O ele ado consumo de
ácidos go dos polinsa u ados, p esen es em u os secos,
oleaginosos, peixe, e em ho ícolas de olha e de
con ibui pa a a diminuição do isco de desen ol imen o
de neoplasias 20. Os imunomodulado es ácidos go dos n-3
êm ambém me ecido subs ancial a enção; des acam-se
as p op iedades an i-ca cinogénicas, possi elmen e como
an agonis as do ácido a aquidónico com e en ual edução
da sín ese de eicosanóides p ó-in lama ó ios 27, e possí el
capacidade p ó-apop ó ica 28. Pelo con á io, a inges ão
excessi a de ácidos go dos sa u ados p esen es na ca ne
e lac icínios em sido associado ao desen ol imen o
de alguns ipos de umo es, como o umo da mama,
p ós a a, pulmão, endomé io, pânc eas e colo ec al 20,
bem como de açúca es de abso ção ápida em umo es
colo ec ais 20. Nes e es udo, o pad ão alimen a dos doen es
oi p edominan emen e pob e em ege ais ho ícolas,
on es de ib a, i aminas e mine ais, em on es alimen a es
de go du as polinsa u adas em pa icula de ácidos go dos
n-3 e em alimen os icos em hid a os de ca bono complexos
e ib a. A ib a é conside ada um nu ien e p o ec o no
p ocesso de ca cinogénese: de en e as di e sas unções,
conhecem-se a ligação a compos os po encialmen e
ca cinogénicos no lúmen in es inal, con ibuição na
p odução de ácidos go dos de cadeia cu a, diminuição
da esis ência à insulina e edução das concen ações
sanguíneas de es ogénio li e de ido à sua meno abso ção
in es inal p o enien e das ias bilia es 28. No nosso es udo
e i icámos uma inges ão baixa ou mode ada/baixa da
maio ia de ege ais/legumes icos em ib a em ce ca de
59% dos doen es. Os ege ais são ambém excelen es
on es de i aminas, mine ais e ou as subs âncias
po encialmen e p o ec o as como ca o enos e la onóides
29. É suge ido que os ca o enos possam desempenha
unção an i-ca cinogénica de ido às suas p op iedades
an ioxidan es e po inibição di ec a de po enciais agen es
endógenos da ca cinogénese 30.
P a ica ac i idade ísica egula ajuda a con ola
o peso, con ibui pa a o aumen o dos mo imen os
pe is ál icos, melho a a unção imuni á ia, aumen a
a sensibilidade à insulina, en e ou os bene ícios 20.
A in es igação em consis en emen e mos ado que
a ac i idade ísica egula diminui o isco de canc o,
em especial colo ec al, do endomé io e da mama
pós-menopausa 20. Adicionalmen e e como e e ido
an e io men e, o excesso de peso/obesidade aumen a o
isco de a iados canc os, pelo que cumula i amen e a
ac i idade ísica em um e ei o p o ec o . Nes e es udo
e i icámos que a maio ia dos doen es não p a ica a
ac i idade ísica egula an es do diagnós ico, não se
encon ando di e enças signi ica i as en e os hábi os
an igos e os ac uais, sendo o pad ão global de ma cado
seden a ismo.
Es ando conscien es de ac o es limi a i os in ínsecos
à dimensão da amos a, conside amos ele an e es e
p imei o es udo de ca ac e ização epidemiológica de
a iá eis nu icionais e de es ilos de ida numa população
po uguesa de doen es oncológicos.
CONCLUSÃO
Com os esul ados des e es udo p elimina , pudemos
e i ica que o excesso de peso, o excesso de massa
go da, o ele ado isco ca dio-me abólico (adiposidade
cen al) e o seden a ismo em conjun o com um pad ão
alimen a globalmen e pob e em alimen os p o ec o es,
i.e. ege ais/legumes, e excessi o em ca ne e a ináceos
icos em açúca es de abso ção ápida, ca ac e iza am es a
população de doen es. Globalmen e, de aco do com a
e idência cien í ica, es a população ap esen a a um es ilo
de ida que pode á se po encialmen e conside ado de isco
na p og essão da doença oncológica.
Es uda ac o es nu icionais po encialmen e
implicados na e iologia e p og essão do canc o é ainda hoje
um desa io. No u u o, a o ien ação nu icional pode á ab i
no os ho izon es na a enuação ou mesmo na p e enção da
ca cinogénese. Tendo em con a os ele ados e c escen es
ní eis de incidência de doença oncológica em Po ugal,
os nossos esul ados e o çam a necessidade de um es udo
nacional mul icên ico.
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AGRADECIMENTOS
Às equipas, médica, écnica e de en e magem do
Se iço de Radio e apia do Hospi al de San a Ma ia, sem
a colabo ação das quais des e abalho nunca e ia sido
possí el.
Con li o de in e esses:
Os au o es decla am não e nenhum con li o de in e esses ela i amen e
ao p esen e a igo.
Fon es de inanciamen o:
Não exis i am on es ex e nas de inanciamen o pa a a ealização des e
a igo.
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