SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
A CISTERNA DE MONTE MOLIÃO (LAGOS, PORTUGAL)
THE MONTE MOLIÃO CISTERN (LAGOS, PORTUGAL)
FRANCISCO B. GOMES
UNIARQ – Cen o de A queologia da Uni e sidade de Lisboa; Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa;
Fundação pa a a Ciência e Tecnologia. UNIARQ – Cen o de A queologia da Uni e sidade de Lisboa, Faculdade de Le as
da Uni e sidade de Lisboa, Alameda da Uni e sidade, 1600-214 Lisboa.
Co eo elec ónico: anciscojbg[email p o ec ed]. h p://o cid.o g/0000-0003-0664-6374
CARLOS PEREIRA
UNIARQ – Cen o de A queologia da Uni e sidade de Lisboa; Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa;
Fundação pa a a Ciência e Tecnologia. Di ección: UNIARQ – Cen o de A queologia da Uni e sidade de Lisboa. Faculdade de Le as
da Uni e sidade de Lisboa. Alameda da Uni e sidade, 1600-214, Lisboa.
Co eo elec ónico: ca los_samuel_pe ei [email p o ec ed]. h ps://o cid.o g/0000-0002-4116-3602
ANA MARGARIDA ARRUDA
UNIARQ – Cen o de A queologia da Uni e sidade de Lisboa; Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa.
Di ección: UNIARQ – Cen o de A queologia da Uni e sidade de Lisboa. Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa.
Alameda da Uni e sidade, 1600-214, Lisboa.
Co eo elec ónico: [email p o ec ed]. h ps://o cid.o g/0000-0002-7446-1104
Resumo: Conhecida desde o século XIX, a cis e na de Mon e
Molião cons i ui o elemen o a qui ec ónico mais des acado
do sí io e o único equipamen o pu a i amen e público ali do-
cumen ado a é ao momen o. A sua esca ação em 2011 e 2014
pe mi iu ob e impo an es dados sob e a sua ipologia e as
écnicas emp egues na sua cons ução, bem como documen-
a a es a ig a ia co esponden e à sua colma ação. Foi assim
possí el de e mina que es a es u u a co esponde ao modelo
di o a bagna ola, de o igem púnica, podendo da a -se do inal
da Idade do Fe o ou de Época Romana Republicana, endo
sido sujei a a epa ações du an e es e úl imo pe íodo. Po ou-
o lado, o úl imo pe íodo de u ilização des a cis e na pa ece
e -se e i icado en e o P incipado de Augus o e o einado de
Tibé io, seguindo-se um pe íodo de abandono e o seu e en-
ual en ulhamen o, da ado pelos ma e iais aqui es udados da
segunda me ade do século I.
Abs ac : Known since he 19 h cen u y, he cis e n o Mon e
Molião is he mos no able a chi ec u al elemen in he si e
and he only likely public in as uc u e iden i ied so a in
his se lemen . I s exca a ion, unde aken in 2011 and 2014,
has b ough o ligh impo an da a abou i s ypology and
cons uc ion echniques; a comple e s a ig aphic sequence
co esponding o i s illing has also been documen ed. This
s uc u e can be a ibu ed o he so-called a bagna ola model
which o igina ed in he Punic wo ld and could ha e been con-
s uc ed ei he in he La e I on Age o in he Roman Republi-
can pe iod, ha ing also been epai ed in he la e pe iod. I s
las pe iod o use, on he o he hand, seems o all wi hin he
eign o Augus us o Tibe ius, being ollowed by a pe iod o
abandonmen and e en ually by i s in en ional illing which,
based on he ma e ial s udied he e, can be da ed o he second
hal o he 1s cen u y.
Pala as-cha e: es u u as hid áulicas; Alga e; época o-
mana; a qui ec u a púnica; a qui ec u a pública.
Key wo ds: hyd aulic s uc u es; Alga e; Roman imes; Pu-
nic a chi ec u e; public a chi ec u e.
Recepción: 14 de ene o de 2019. Acep ación:23 de ab il de 2019
Gomes, F. B., Pe ei a, C. y A uda, A.M. (2019): “A cis e na de Mon e Molião (Lagos,
Po ugal)”. Spal 28.2: 235-278. DOI: h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
236
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
1. INTRODUÇÃO
A cis e na implan ada sensi elmen e no opo de Mon e
Molião e a, a é há pouco empo, a mais bem conse -
ada e conhecida es u u a a queológica do sí io loca-
lizado na ma gem esque da da Ribei a de Bensa im
( igs. 1 e 2). Ainda que se a e de um monumen o esca-
ado na ocha, não se p ojec ando, po an o, em al u a,
a e dade é que o seu impac o é g ande, sob e udo pela
isibilidade que, apesa de udo, adqui e, pelas suas di-
mensões e es ado de conse ação. Po ou o lado, oi,
a é ao início dos abalhos a queológicos le ados a
e ei o na úl ima década, a única cons ução an iga isí-
el, si uação que deco ia do ac o de, no século XIX,
e sido pa cialmen e es aziada.
A es u u a des inada ao a mazenamen o de água oi
desc i a com p ecisão po Es ácio da Veiga, que e e e
exp essamen e que assis iu à sua “esca ação”, ealizada
a mando do p op ie á io do e eno, o S . João Pi-
men a, po abalhado es da p op iedade, endo deixado
egis ado que «...a cons ução mais egula que obse -
ei oi uma cis e na ellip ica, com 4m,35 de p o undi-
dade, 1m,76 de la gu a e 6m,80 de comp imen o» (Veiga
1910: 222). Es a “esca ação” an iga conc e izou-se na
á ea SE, endo implicado não só a e acuação de odos os
sedimen os nes e sec o , mas ambém o desmon e da o-
alidade dos componen es cons u i os e mesmo a des-
uição pa cial do undo da es u u a. A ca idade, com
mais de 4 m de p o undidade, que icou abe a, oi sendo
u ilizada como á ea de despejos de lixos e de es os di-
e sos ao longo do século passado, despejos que iam
sendo apados com e as ou ped as de média dimensão.
Es a u ilização icou bem demons ada du an e a esca a-
ção de 2011, quando se ecupe a am esquele os comple-
os de animais domés icos, conc e amen e de cães e de
ga os, nas camadas de e a que en ulha am, em momen-
os di e sos, a ossa que esul ou da “esca ação” da á ea
Sul da cis e na de Mon e Molião no inal do século XIX.
No âmbi o do p o ocolo que une a Câma a Munici-
pal de Lagos e a Faculdade de Le as de Lisboa em o no
Figu a 1. Localização de Mon e Molião (Lagos, Po ugal). Mapa de base: Global Mul i-Resolu ion Topog aphy (GMRT),
Ve sion 3.4. (adap ado).
237A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
Figu a 2. Plan a opog á ica do sí io com localização dos espec i os sec o es e ala gamen os e ec uados nas á ias campanhas.
O cí culo assinala a localização da cis e na.
238
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
des e impo an e sí io a queológico do Sul de Po ugal, e
que se em consubs anciado em abalhos de campo e de
gabine e, bem como na publicação dos dados neles ob-
idos, a cis e na oi, em 2011 e 2014, al o de esca ação
a queológica e de in e enção de conse ação e es au o.
Os esul ados alcançados com es es abalhos ouxe am
impo an es dados sob e écnicas cons u i as usadas em
época an iga, pelo menos pa a a edi icação de es u u as
hid áulicas, endo possibili ado ambém ob e in o ma-
ção sob e um momen o ainda ela i amen e mal ca ac-
e izado da ocupação do sí io, a dinas ia júlio-cláudia,
ainda que apenas no que se e e e à cul u a ma e ial.
2. CARACTERIZAÇÃO ARQUITECTÓNICA
E CONSTRUTIVA
As icissi udes da his ó ia da cis e na do Mon e Mo-
lião, e lec idas no egis o a queológico que pôde do-
cumen a -se nas campanhas de esca ação de 2011
e 2014 ( ig. 3), ge a am umas condições pa icula -
men e in e essan es pa a o es udo das écnicas cons u-
i as emp egues na ealização des e ipo de es u u as
hid áulicas.
Com e ei o, es a cis e na ap esen a a uma zona em
mui o bom es ado de conse ação que pe mi iu com-
p eende a é ce o pon o a con igu ação o iginal da
mesma e os acabamen os que a adap a am à sua un-
cionalidade ( ig. 4).
Po ou o lado, con udo, possuía uma zona p o-
undamen e al e ada po iolações que podem da a -
-se, como já icou di o, do inal do século XIX ( ig. 5).
No en an o, e sem que e minimiza o impac o nega-
i o des as acções na conse ação da cis e na e dos
depósi os con idos no seu in e io , a e dade é que a
p o unda a ec ação da es u u a na sua ex emidade
me idional pe mi iu obse a ce os aspec os elacio-
nados com a cons ução e com e en uais epa ações
es u u ais que de ou a o ma não e ia sido possí el
documen a .
Figu a 3. Plan a da cis e na de Mon e Molião.
239A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
Assim, e em ace dos dados ecolhidos na esca ação,
pode p ecisa -se que o al éolo des a cis e na, esca ado
nas bancadas de calcá io que compõem o subs a o geo-
lógico local, oi e es ido po uma es u u a de al ena-
ia compos a po seixos olados de qua zi o unidos po
um ligan e a giloso de na u eza o emen e plás ica, de
colo ação es e deada ( igs. 6 e 7). Es a al ena ia ap e-
sen a uma espessu a algo i egula , en e os 0,31 e os
0,69cm, possi elmen e como esul ado da necessidade
de egula iza o al éolo subjacen e.
A supe ície des a al ena ia oi, po sua ez, e es-
ida e egula izada eco endo a uma écnica em ês
passos: em p imei o luga , a supe ície da al ena ia oi
no malizada median e a aplicação de uma a gamassa de
cal e a eia de g ão mais g ossei o (c 2,2 a 3,5cm); so-
b e es a, aplicou-se uma camada de cal e a eia ina (c
0,8 cm), possi elmen e com adição de cinzas, se indo
de eboco; inalmen e, a supe ície oi cuidadosamen e
acabada com uma capa de cal ina (c 0,3cm), bem ali-
sada ( igs. 6 e 8).
Em elação à base da cis e na, a documen ação das
écnicas cons u i as emp egues só oi possí el g aças
à exis ência no seu sec o Sudes e de uma zona onde o
desmon e da es u u a de al ena ia aquando das iola-
ções an es comen adas se p olongou em p o undidade,
a ec ando ambém o e es imen o da base ( ig. 5).
Figu a 4. Aspec o da cabecei a
No e da cis e na de Mon e
Molião, onde se ap ecia o
bom es ado de conse ação
da es u u a e do seu
e es imen o in e no.
240
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
Assim, a obse ação do co e p oduzido pela in e -
ace da e e ida iolação pe mi iu ap ecia que o undo
do al éolo esca ado na ocha e á sido e es ido com e-
cu so a um apa elho de al ena ia de seixos e a gila es-
e deada, em udo simila ao das pa edes la e ais, a que
se seguia uma espessa (10 cm) camada de opus caemen-
icium, capeada po uma a gamassa de cal e a eia de g ão
g ossei o, que, na zona de con ac o com as pa edes la e-
ais, se aplicou de o ma a ge a um ângulo a edondado,
em meia-cana sua e. Es a ca ac e ís ica, ípica das es-
u u as hid áulicas, elimina a exis ência de ângulos nos
quais se pode iam acumula impu ezas passí eis de con-
amina a água deposi ada (Bone o e al. 2012: 2606)
e pe mi e e o ça a á ea de con ac o en e a pa ede e o
undo do depósi o, po na u eza es u u almen e ágil.
A exis ência do e e ido co e pe mi iu ainda cons-
a a um episódio de epa ação ou de epa imen ação,
que consis iu na aplicação de uma camada ela i a-
men e ina (c de 2/3cm) de opus signinum ( ig. 9). Es a
si uação oi pe ei amen e cons a ada do pon o de is a
es a ig á ico, como se pode obse a pelas imagens da
igu a 9 e não o e eceu quaisque dú idas.
Embo a imp ecisa, a c onologia des a epa ação pa-
ece pode enquad a -se no pe íodo Romano Republi-
cano de ido à p esença de uma quan idade ap eciá el de
agmen os ce âmicos de p o eniência i álica (c . in a).
Figu a 5. Aspec o da
cis e na após a esca ação;
a se a assinala a á ea de
ap o undamen o da ossa
de iolação do século
XIX na in e ace da qual
oi possí el documen a a
écnica cons u i a do undo
da cis e na e o episódio de
epa imen ação de Época
Romana Republicana.
241A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
na po ção cen al do pa imen o da cis e na e i i-
cou-se a exis ência de uma pequena dep essão de mo -
ologia i egula , com ce ca de 10cm de p o undidade,
que a p io i cabe ia in e p e a como um elemen o des-
inado a acili a a limpeza do depósi o de água.
A es u u a esul an e, com uma o ien ação, ap oxi-
madamen e, no e – Sul, ap esen a uma con igu ação
es ei a e alongada, com ex emidades semici cula es
bas an e egula es, o que, como adian e se comen a á,
pe mi e a sua in eg ação no g upo bem ipi icado das
cis e nas di as a bagna ola ( ig. 10).
Tal como hoje se conse a, es e depósi o ap esen a
um comp imen o máximo na o dem dos 6,56m e uma
la gu a máxima em o no aos 1,55m; a sua p o undi-
dade máxima es i uí el alcança os 4,34m. O cálculo da
olume ia des a es u u a pe mi e a i ma que a mesma
e ia uma capacidade ap oximada de 42,34m3, o que
equi ale a ce ca de 42.340 l.
Não pode, no en an o, exclui -se que a olume ia
o iginal des a cis e na osse algo supe io . A zona en-
ol en e encon a-se, com e ei o, mui o expos a aos
e ei os da e osão, sendo hoje acilmen e obse á el o
a ançado es ado de desag egação das bancadas calcá-
ias supe iciais, nomeadamen e no lado ociden al da
es u u a. Não é po isso impossí el que a cis e na osse
o iginalmen e um pouco mais p o unda.
Figu a 6. Es u u a de
al ena ia e e es imen o
da cis e na is o em co e
na in e ace da iolação do
século XIX.
242
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
Figu a 7. Exemplo do ipo de seixo u ilizado na cons ução da al ena ia da cis e na.
Figu a 8. Aspec o da supe ície do e es imen o in e no da cis e na na zona mais bem conse ada da cabecei a No e.
243A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
In elizmen e, não dispomos de dados ele an es
pa a a discussão do sis ema de cobe u a des a cis e na,
do qual não se conse am quaisque es ígios. Assim,
e no sen ido de en a es i ui esse sis ema, podemos
unicamen e e oca algumas si uações documen adas
em cis e nas ipologicamen e compa á eis à do Mon e
Molião.
Des e modo, pode eco da -se que as cis e nas a
bagna ola, ipicamen e mui o es ei as, con am com
equência com cobe u as mui o simples, cons i uídas
po g andes lajes aplicadas ho izon almen e sob e a es-
u u a ou, em alguns casos, po lajes colocadas obli-
quamen e e apoiadas en e si o mando cobe u as de
duas águas (Wilson 2001: 67; Baklou i 2010: 185; Bo-
ne o e al. 2012: 2607; La a Medina 2018: 151). A au-
sência de dados segu os não nos pe mi e asse e a qual
des as soluções e á sido emp egue no sí io alga io.
Finalmen e, e do pon o de is a das soluções de ali-
men ação da cis e na, de e assinala -se uma ez mais que
os e ei os da e osão em oda es a zona supe io do Mon e
Molião condicionam sob emanei a as lei u as possí eis.
Ainda assim, oi possí el econhece à supe ície a
exis ência de um pequeno canal de secção semici cula
esca ado na ocha que desagua ia no ângulo Sudes e
da cis e na ( ig. 11, A). no in e io des e conse am-se
ainda es os de opus signinum que, somados à penden e
que ap esen a, suge em que o mesmo e á se ido pa a
canaliza as águas plu iais pa a o in e io da cis e na,
uncionando como adu o ; não pode, con udo, p ecisa -
-se o ipo de es u u a de cap ação do qual pa i ia. A
u ilização do opus signinum nes a es u u a pode ia le-
a a pensa que a mesma co esponde a um ac escen o
con empo âneo ao episódio de epa imen ação an es
comen ado.
Mais di ícil de in e p e a é um conjun o de es-
u u as ec angula es com esquinas a edondadas es-
ca adas na ocha no ebo do o ien al da cis e na. As
mesmas não con inham quaisque depósi os a queoló-
gicos no seu in e io , o que di icul a o seu enquad a-
men o c onológico e, po ex ensão, a in e p e ação da
sua elação com a cons ução em análise.
A p imei a des as es u u as, implan ada de o ma
pe pendicula à cis e na e conec ada com es a no seu
e ço no e, ap esen a uma con igu ação ec angula
alongada, hoje mui o al e ada, com um comp imen o
máximo da o dem dos 37,5cm e uma la gu a máxima
de 10,5cm. A sua p o undidade é de ap oximadamen e
13cm. Es a ossa comunica na sua esquina No des e
com um apa en e canal de o ma i egula , não docu-
men ado em ex ensão ( ig. 11, B).
Uma segunda es u u a, igualmen e ec angu-
la , ap esen a uma implan ação ligei amen e oblíqua
com espei o ao eixo da cis e na, comunicando com a
mesma na sua po ção in e média. Ap esen a um com-
p imen o máximo de 27,5cm, uma la gu a de 33cm e
uma p o undidade máxima de 11cm ( ig. 11, c). Es a
es u u a não se ap esen a conec ada a nenhum ou o
elemen o econhecí el.
Finalmen e, uma e cei a es u u a de aspec o mais
complexo comunica com a cis e na no seu e ço me i-
dional. Es a ossa ap esen a um p imei o pa ama de
con igu ação g osso modo quad angula , com um com-
p imen o máximo de 50cm pa a uma la gu a máxima
de 45cm e uma p o undidade en e os 11 e os 15cm
Figu a 9. Aspec o do es a o de epa imen ação de Época Romana Republicana e es a ig a ia de cons ução. A – Apa elho de
al ena ia de seixos e a gila; B – Camada de opus caemen icium; C – A gamassa de cal e a eia; D – Repa imen ação de opus
signinum; E – Re es imen o da base da cis e na.
250
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
a inu ilização da cis e na. A Fase V, que azemos co -
esponde a um de ube de es u u as que es a iam na
en ol en e imedia a, o e eceu um eduzido núme o de
a e ac os – 22 –, o que se pode explica jus amen e
pela o mação das espec i as unidades Es a ig á icas.
Po im a g ande quan idade de ma e iais a queológicas
da Fase VI – 248 – não é de es anha , uma ez que é
possí el conside a mos que os seus ní eis a queológi-
cos co espondem ao en ulhamen o que selou, de ini i-
amen e, a es u u a nega i a aqui es udada.
O conjun o do espólio exumado no in e io da cis-
e na o aliza 924 a e ac os (Quad o 1), dos quais
somen e 552 o am passí eis de in eg ação no asea-
men o es abelecido. Os es an es o am ecolhidos que
no con ex o a dio da Fase VII – 138 –, es ando aqueles
que se encon a am em con ex o p imá io já es udados
e publicados de alhadamen e (A uda e Gomes 2013) –
que em es a os de e ol imen o mode nos/con empo-
âneos que a ec a am i emedia elmen e a conse ação
dos depósi os p imá ios (234).
Apenas os ma e iais que se conse a am em con-
ex o o am es udados de o ma ap o undada nes e
abalho, sendo ap esen ados nas páginas seguin es e-
pa idos pelas dis in as ases documen adas no enchi-
men o da cis e na.
4.2. Fase III – a úl ima u ilização da cis e na
Como oi e e ido, a Fase III co esponde, gene ica-
men e, à úl ima u ilização da cis e na, in eg ando uni-
dades que co espondem a ní eis de lodos e limos, nos
quais se deposi a am alguns ma e iais a queológicos.
Po es e mo i o, es a ase inco po a sob e udo ce âmi-
cas comuns, a maio ia associada ao consumo, ecolha e
anspo e de água, em ap eciá el es ado de conse a-
ção. Po ém, e embo a o conjun o ap esen e, sob e udo,
ce âmicas comuns, o am econhecidos ou os ma e-
iais que pe mi em ece algumas conside ações ace ca
da c onologia des e momen o em que a cis e na ainda
e a u ilizada pa a a con enção de água.
In elizmen e, nenhum dos qua o agmen os de
ân o as ecolhidos pe mi iu ep esen ação g á ica,
mas de e, ainda assim, sublinha -se que ês deles
Figu a 13. Pe il
es a ig á ico da secção
No e da cis e na, esca ada
em 2011; nes a zona, os
ní eis de Época Romana
encon a am-se p ese ados,
não endo sido a ec ados pela
in e enção do século XIX.
251A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
co espondem a p oduções do ale do Guadalqui i ,
um dos quais apa en a co esponde a um con en o do
ipo Hal e n 70. Embo a a p odução des e ipo an ó ico
se enha iniciado no úl imo e ço do século I a.n.e. (Ga -
cía Va gas 2000: 67-70; Ga cía Va gas e al. 2011) e de
o seu ab ico se e man ido a é pe íodo a do- lá io,
como pa ecem comp o a os con ex os de La Ven a del
Ca men, em Cádis (Be nal Casasola e Lo enzo Ma í-
nez 1998), o apogeu da sua come cialização pode se
colocado no pe íodo augus o- ibe iano. Po ou o lado,
e como e emos, a sua associação, no mesmo con ex o,
a ou os ma e iais pe mi e conside a um momen o e-
la i amen e an igo. A peça es an e é um undo de
o ma e p odução inde e minada.
Apesa de os qua o agmen os de ce âmica de pa-
edes inas i álica se em de di ícil classi icação, um de-
les ( ig. 15, nº 1) pa ece pode inclui -se na o ma II de
Maye (1975: 34), cuja co espondência à o ma III de
Ma abini (1973: pl. 3, n.º 26 e 29) em sido assumida.
Es e ipo começou a se p oduzido du an e o século II
a.n.e., mas é acei á el a sua pe du ação a é à segunda
me ade da cen ú ia seguin e (Ma abini 1973: 58; Ricci
1985: 245), endo-se mesmo p opos o que alcance
a época de Augus o (López Mullo 1990: 99). ou o
agmen o des a mesma ca ego ia ce âmica, co espon-
den e a um undo ( ig. 15, nº 2), oi in eg ado na o ma
III, gene icamen e da ada da segunda me ade do século
I a.n.e. (Maye 1975: 29), mais conc e amen e do seu
úl imo e ço (Passelac 1993: 513). Me ecem pa icula
des aque dois exempla es da o ma Maye VIII, equi-
alen e à o ma Ricci 1/193 e 1/194 ( ig. 15, nº 3), pa a
a qual se apon ou uma da ação balizada en e os mea-
dos do século I a.n.e. e o pe íodo augus ano (Maye
1975: 39). os con ex os de ecolha des es exempla es
em Mon e Molião pe mi i am, po ém, suge i o início
da sua p odução em momen os ligei amen e mais e-
cuados (Sousa e A uda 2018).
A ce âmica comum é a ca ego ia p edominan e, o-
alizando 32 agmen os, dos quais 24 o am passí eis
de classi icação, dis ibuindo-se po á ias o mas que,
embo a em âmbi o domés ico enham ido dis in as
uncionalidades, es a iam, nes e caso, in eg adas num
con ex o e iden emen e elacionado com a água. Tam-
bém no que se e e e à o igem, é g ande a di e sidade,
con ando-se com 16 ecipien es p oduzidos na á ea da
Baía de Cádis, 14 do ale do Guadalqui i e apenas um
de p odução local/ egional.
As igelas são a o ma mais bem documen ada, e-
p esen ando um e ço da o alidade de peças de ce â-
mica comum. Dos dez exempla es, cinco são o iginá ios
da Bé ica cos ei a ( ig. 15, nº 4 a 7) e os es an es do
ale do Guadalqui i ( ig. 15, nº 8 a 11). São ecipien es
Figu a 14. Dis ibuição das ca ego ias ce âmicas pelas dis in as ases de enchimen o da cis e na do Mon e Molião.
252
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
poli alen es, mas em sido des acada a sua u ilização,
sob e udo, pa a bebe (Gi ón Anguioza 2017: 318),
o que pe mi e admi i o consumo de água no local.
Ap esen am uma conside á el a iedade mo ológica,
si uação que, apesa de udo, não é c i é io de di e en-
ciação c onológica ou uncional. Os exempla es eco-
lhidos nos es a os da Fase III possuem bo do aplanado
ou een an e, sem e iden e a amen o das supe ícies,
que se ap esen am me amen e alisadas, e in eg am-
-se na o ma 17 da ipologia elabo ada pa a a Baía de
cádis (Gi ón Anguioza 2017: 318-320), à qual é a i-
buída uma c onologia que ab ange oda a época oma-
na- epublicana e al o-impe ial. São odos da a ian e
1, maio i a iamen e da sub- a ian e a), econhecendo-
-se alguns da e), ipo que oi já desc i o e ca ac e izado
pa a os con ex os des e sí io alga io (Sousa e A uda
2014). des acamos pa icula men e um dos exempla-
es, de pe il comple o ( ig. 15, nº 4), que encon a pa-
alelo numa peça publicada po En ique Ga cía Va gas
e Es e López Rosendo (2008: 305, Fig. 17, nº 1) da i-
glina de Raba ún, em Je ez de la F on e a, a ibuída à
p imei a ase de p odução da o icina, da ada gene ica-
men e en e 20 a.n.e. e 20 (Ga cía Va gas e López Ro-
sendo 2008: 308).
Cinco ou as igelas êm o igem no ale do Gua-
dalqui i , sendo passí eis de inclusão no ipo 2.4 da
ipologia de Ma ía Vic o ia Peinado (2010: 137-138),
ealizada a pa i do conjun o ce âmico p oduzido nos
o nos de Los Villa es de Andúja .
Um agmen o com ca ac e ís icas de ab ico que
pe mi em conside á-lo o iundo do ale do Guadalqui-
i oi econhecido como aça, o ma que dis inguimos
da an e io , já que o seu diâme o de bo do é in e io ao
diâme o máximo. A p esença des a o ma nos sí ios o-
manos do Alga e não é uma no idade, pois oi já eco-
nhecida em ou os sí ios e em ou os con ex os (Pe ei a
2018: 102).
Embo a menos equen es na Fase III, os po es o e-
ecem uma maio di e sidade o mal, mas não quan o à
o igem, pois apenas um é p o enien e das iglinae li o-
ais da Bé ica, enquan o os es an es cinco o am ab i-
cados nas do ale do Guadalqui i .
nos es a os da Fase III iden i icámos um exempla
p oduzido no ale do Guadalqui i ( ig. 15, nº 12), do
ipo 3.1 de Peinado (2010: 148-150), que em equi a-
lência no 13.5 da ipologia elabo ada pa a as ce âmicas
comuns da Bé ica li o al (Gi ón Anguioza 2017: 247-
253). Es e ipo em conc e o em co espondência com
a o ma 1.2 de Me cedes Vegas (1973:11-12) e é e-
quen e, sob e udo, nos sí ios do li o al da Bé ica, como
pa ece se o caso de Ja dín de Cano, em El Pue o de
San a Ma ía (López Rosendo 2008), ou Los P ados, em
Je ez de la F on e a (Gi ón Anguioza 2017: 253). Se-
gundo os con ex os onde em indo a se iden i icado,
em-lhe sido a ibuído uma c onologia en e o século I
a.n.e. e o inal do II (Ibidem).
Apesa de algumas di e enças, incluímos na mesma
o ma ou os dois exempla es ( ig. 15, nº 13 e 14;
ig. 16, nº 1), que cabem, no en an o, em ou a a ian e,
conc e amen e a 13.14 da ipologia de Lou des Gi ón
(2017: 260-261). Ambos, con udo, exibem pas as que
pe mi em conside á-los p oduções do ale do Guadal-
qui i . Es e ipo de po es, de pe il globula , colo cu o
e cilínd ico ligei amen e ex e ido, bo do eng ossado
no ex e io de pe il iangula e undo cônca o, é e-
quen e nessa á ea ambém em con ex o une á io (Ló-
pez de la o den 2003: 112-113, ig. 1, nº 4) e pode-se
a ibui -lhe uma c onologia idên ica à da o ma an e-
io men e abo dada. Tan o nas p oduções das iglinae
li o ais como nas das que se localiza iam mais pa a o
in e io , es e ipo ap esen a equen emen e, na supe í-
cie ex e io , pin u a em bandas ho izon ais, o que am-
bém oi econhecido em ês peças des e conjun o de
Mon e Molião, dois p o enien es da Bé ica cos ei a
( ig. 16, nº 2) e o es an e do ale do Guadalqui i .
Embo a es as o mas sejam gene icamen e deno-
minadas “po es” e como al conside adas quan o à sua
uncionalidade, a e dade é que a sua di e sidade mo -
ológica é ela i amen e g ande. Alguns ecipien es in-
cluí eis nes a ca ego ia o mal podem se conside ados
u cei, asos que, segundo on es clássicas (Gi ón An-
guioza 2017: 41-42), se u iliza am, en e ou as un-
ções, pa a con e água. De e chama -se desde já aqui a
a enção pa a o ac o de não se a a do ecipien e que,
há pouco anos, Rui Mo ais designou de “ ipo u ceus”
(Mo ais 2007), mas sim de ou a o ma, que a au o a
da ipologia cons uída pa a a ce âmica comum da Bé-
ica cos ei a, que aqui seguimos, denominou de u ceus.
Es e ipo especí ico de po es possui duas asas em
i a, co po globula , bocal la go e bo do in e ido, apla-
nado no ex e io (Pin o e Mo ais 2007: 241-242). no
lado in e no, o bo do ap esen a semp e uma dep es-
são, mais ou menos acen uada, que se des ina a ao en-
caixe de uma ampa. A base pode se plana, po ezes
com uma saliência la e al, mas são igualmen e equen-
es os undos simples com pé indicado e base plana. A
c onologia a ançada pa a es a o ma é con i mada pe-
las ca ac e ís icas e con ex os associados a es es eci-
pien es, equen emen e une á ios (Pe ei a 2018: 115),
os quais e ão sido pa icula men e p edominan es du-
an e a segunda me ade do século I e a p imei a do II
(Vegas 1973: 113-117). Toda ia, a da ação do início da
253A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
Figu a 15. Ma e iais da Fase III da cis e na de Mon e Molião. nº 1 a 3 - ce âmica de Pa edes Finas; nº 4 a 14 – ce âmica comum.
254
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
sua p odução pode se mais an iga (Gi ón Anguioza
2017: 332), como icou p o ado na calle T oilo de cá-
dis (Sáez Rome o 2008: 519). o ipo in eg a a o ma 18
da ipologia de Lou des Gi ón (2017: 329-333), co es-
pondendo a maio ia dos exempla es de Mon e Molião à
a ian e 18.1 ( ig. 16, nº 3 e 4), o ma que a au o a con-
side a plu i uncional, mas especialmen e ocacionada
pa a o anspo e. Pa a al hipó ese mui o con ibuí am
as conside ações de Ponsich e Ta adel (1965: 65-68,
ig. 40), que conside a am que em co a, em Ma o-
cos, a o ma es a a elacionada com o anspo e de ga-
um. Em ou os sí ios, como é o caso de Os ia, a mesma
oi associada à conse ação de alimen os, a pa i de
início do século I (Pa olini 2000: 203). o con ex o do
seu apa ecimen o em Mon e Molião de e, po an o, se
de idamen e alo izado, apesa da sua p esença em
ambien es une á ios alga ios ambém es a documen-
ada (Pe ei a 2018: 102-103).
Os púca os es ão ambém p esen es na ase mais
an iga de enchimen o da cis e na. Embo a apenas e-
nha sido ecolhido um exempla nes e con ex o ( ig. 17,
nº 1), a o ma associa-se igualmen e à inges ão de lí-
quidos, en e eles a água. Tal como oi já e e ido, as
on es clássicas o necem escla ecedo as passagens
ace ca do uso des es ecipien es (lagoenae), especi i-
camen e pa a o consumo do inho (Séneca, Epis olae,
cXVIII, 15) e da água (columela, De Re Rus ica, XII,
11). Es e ipo, classi icado po Lou des Gi ón como
o ma 11 (Gi ón Aguioza 2017: 195-200), ap esen a,
nessa ipologia, uma g ande a iedade de sub ipos, si-
uação que se elaciona com o ac o de a au o a eu-
ni nes a o ma ecipien es que podem e ido unções
dis in as. o exempla lacob igense ap esen a pe il pi i-
o me, ca ena bem ma cada nas aces in e na e ex e na
na me ade in e io do co po, colo inexis en e, bo do li-
gei amen e encu ado e base simples (Gi ón Anguio-
za 2017: 209-211). F equen emen e, es es ecipien es
es ão munidos de uma asa, que a anca do bo do ou
imedia amen e abaixo dele, nos das iglinae do li o-
al bé ico, e da pa e in e io do bo do nos ab icados
no Al o Guadalqui i (Peinado Espinosa 2010: 215,
ig. 4.24). A o ma, equi alen e ao ipo 44.4 de Me ce-
des Vegas (1973: 102-103), ap esen a uma c onologia
bas an e dila ada, desde o século II a.n.e. a é ao III (Gi-
ón Anguioza 2017: 211). Po ém, pa ece e iden e uma
e olução o mal den o des e ipo em conc e o, cujos
exempla es mais an igos se inspi am nos modelos me-
álicos de ipo Pia a neam (Py 2016, ipo BB-1531),
ac o que pode jus i ica a ampla di usão des es púca os
po odo o Medi e âneo (Vegas 1973: 103). É o caso
do exempla que ago a se dá à es ampa, que os en a
o es semelhanças com aqueles ecipien es me álicos,
pelo que pa ece c edí el a ibui -lhe uma c onologia
an iga, coe a da dos ou os ma e iais an es abo dados,
que conside amos p oduções a do- epublicanas ou au-
gus anas.
Também os ja os es ão elacionados com a ma-
nipulação de líquidos, embo a possamos admi i que
algumas o mas em conc e o possam e sido u iliza-
das pa a a inges ão des es. É o caso conc e o da o ma
11.18 (Gi ón Anguioza 2017: 218-219), de que se e-
conheceu um exempla ( ig. 17, nº 2) in eg á el na a-
ian e b), ipo de ecipien e po ezes do ado de uma
asa de apoio pa a o polega . Es es ecipien es os en-
am pa edes encu adas, pe is pi i o mes ou elíp icos,
e minando em bases simples, umbilicadas. O bo do é
ex e ido, de o ma quad angula e, po ezes, moldu-
ado. Es e ipo de ja os assemelha-se ao ipo 43.1 de
Me cedes Vegas (1973: 100-103), pa a o qual a au o a
p opõe uma c onologia en e a i agem da E a e o sé-
culo IV. Ou os au o es, po ém, já sublinha am a maio
p esença des a o ma em con ex os al o-impe iais, ad-
mi indo o seu ab ico e u ilização desde o úl imo qua -
el do século I a.n.e. (Gi ón Anguioza 2017: 219).
ou os dois exempla es ( ig. 17, nº 3 e 4) são pas-
sí eis de in eg ação na mesma o ma, mas as ca ac e-
ís icas das suas pas as indicam uma á ea de p odução
localizada no ale do Guadalqui i . São ecipien es
globula es, de pa edes cu as, colo indi e enciado do
co po, base simples, plana, po ezes con exa – como
é o caso em ap eço – e bo dos aplanados. É equen e
a p esença de uma asa. Es e ipo em pa alelo com a
o ma 348 de San o e San o (1979: 162), documen-
ada sob e udo em con ex os do século I.
Embo a não possam se elacionadas de o ma cla a
com o consumo ou anspo e de água, as ampas un-
ciona am como elemen os que se podem associa aos
es an es ecipien es, a é po que a coincidência en e
os diâme os é no ó ia em, pelo menos, um dos casos
( ig. 17, nº 5). Fo am econhecidos dois exempla es,
um p oduzido no ale do Guadalqui i , sendo ou o de
p odução local/ egional.
Ainda in eg á el no g upo da ce âmica comum,
iden i icou-se um agmen o inclassi icá el de ce â-
mica de engobe e melho pompeiano, pa ecendo co -
esponde ao undo plano, e es ido, no in e io , po
um engobe espesso, que não pa ece co esponde a
uma p odução i álica. As ques ões ace ca da imi ação
des a ca ego ia de ce âmica i álica o am já abo dadas
po ou os au o es (A uda e Viegas 2002: 222-223;
Gi ón Anguioza e cos a Ga cía 2009), pelo que nos
dispensamos de ap o unda a emá ica. Ainda assim,
255A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
Figu a 16. Ma e iais da Fase III da cis e na de Mon e Molião. Ce âmica comum e pin ada.
256
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
é con enien e lemb a que es as “imi ações” es ão do-
cumen adas em ou os sí ios do e i ó io ac ualmen e
po uguês, conc e amen e em B aga (delgado 1994),
em coimb a (ca alho 1998), em conímb iga (Ala -
cão 1975) e na cidade das Rosas, Se pa (caei o 1978).
No Ociden e Peninsula , es as p oduções es ão p edo-
minan emen e a es adas du an e o p incipado de Au-
gus o (Agua od o al 1991: 58).
Me ece ainda des aque a p esença de ou as peças,
que, in elizmen e, não pe mi em g andes conside a-
ções, po se ap esen a em bas an e agmen adas ou po
não acul a em da ações p ecisas. É o caso de um ag-
men o de luce na inclassi icá el e de no e a e ac os
me álicos. Des es úl imos, a maio ia in eg a a ca ego-
ia de elemen os u ili á ios (p egos), que podem e sido
u ilizados em es u u a mecânica de ex acção da água
do in e io da cis e na ou numa e en ual cobe u a.
O conjun o inclui ainda um agmen o de unguen-
á io ( ig. 17, nº 6), com e es imen o in e no de o-
nalidade neg a, idên ico aos do G upo B de Cuad ado
(1977-1978; . b. Py 1993) ou do G upo c de Muñóz
Vicen e (1987), pa icula men e dos da ados dos dois
úl imos séculos an es da i agem da E a, sem que e-
conheçamos um inequí oco pa alelismo com qualque
das a ian es. Tal como oi conside ado pa a ou os
exempla es alga ios (Pe ei a 2018: 115-116), pode
a a -se de uma p odução a ançada den o des a sé ie,
e en ualmen e das úl imas décadas do século I a.n.e.,
ou da p imei a me ade da cen ú ia seguin e.
4.3 Fase IV: u ilização pon ual como lixei a
Os ní eis des a ase, co esponden e a um momen o em
que a cis e na e á sido u ilizada como lixei a, pe mi i-
am a ecolha de um o al de 226 a e ac os, dis ibuí-
eis po á ias ca ego ias. Des as, as mais nume osas
são as ân o as (48) e as ce âmicas comuns (94). des a-
que-se ainda uma conside á el quan idade de ce âmi-
cas de pa edes inas (21), de ce âmicas campanienses
(14) e de a e ac os me álicos (31).
das 48 ân o as, 10 não pe mi i am classi icação. As
es an es os en am pas as que dela am p oduções bé i-
cas, i álicas, no e-a icanas e lusi anas. As p imei as
incluem p oduções do ale do Guadalqui i (25) e do li-
o al (oi o) (A uda e Viegas 2016). da p imei a egião,
egis a am-se 17 ân o as de ipo Hal e n 70 ( ig. 18, nº
1- 6) co esponden es, sob e udo, à “ e são clássica”
(A uda e Viegas 2016: Fig. 5, nº 5 e 7 e Fig. 6 nº 1 e 9),
da á el desde Augus o a calígula (Be ni 2011: 80-107);
uma da Classe 67, cuja p odução es á documen ada, a é
ao momen o, apenas em El Rinconcillo (Ga cía Va gas
e al. 2011: 260-261), o que pe mi iu ixa o início da
sua p odução em momen o cen al do segundo e ço do
século I a.n.e.; duas de ipo obe aden 83 ( ig. 19, nº 1
e 2), cuja p odução se p olonga a é um momen o inde-
e minado em o no à i agem da E a (Ga cía Va gas e
al. 2011: 237-238); duas d essel 7/11( ig. 18, nº 9) (A -
uda e Viegas 2016: 449, ig. 6, nº 11), que se asseme-
lham às d essel 7, o ma que Ga cía Va gas conside ou
o único ipo den o daquele g upo a se p oduzido no
baixo Guadalqui i (2000, ig. 6, n.º 10-13).
As p oduções lusi anas são aqui mui o escassas.
Das se e con abilizadas, duas co espondem a ag-
men os inclassi icá eis. das es an es, ês pe encem
à o ma Hal e n 70 ( ig. 18, nº 7 e 8) e os en am pas-
as que o am a ibuídas ao Alga e ociden al (A uda
e Viegas 2016: 458, ig. 10, nº 1-2).
duas asas podem e pe encido a ân o a(s) d es-
sel 14, não pe mi indo g andes conside ações (A uda
e Viegas 2016: 460), de endo, ainda assim, eco da -se
que es es são os ecipien es mais a dios nes e con ex o,
mesmo admi indo que possam co esponde a impo a-
ções dos ales do Tejo ou Sado, onde os mais an igos
indícios da sua p odução podem ecua a é ao início do
segundo qua el do século I (Sil a 1996).
Além des es con en o es an ó icos, ou os o am e-
conhecidos, mas udo indica que co espondem a ma e-
ial esidual, ep esen ando 19% des a ca ego ia (no e
exempla es). T a a-se de ân o as de ipo d de Pel-
lice , da baía gadi ana, d essel 1 i álicas e Mañá c2
(T. 7.4.3.1 e 7.4.3.3.) no e-a icanas e gadi anas. Es-
es con en o es o e ecem da ações an e io es à que se
a ibui a es e con ex o conc e o e, como al, pode ão
esul a de sedimen os que e iam a inalidade de sela
os lixos a i ados pa a o in e io da es u u a hid áulica.
A e a sigilla a i álica es á p esen e em quan i-
dades eduzidas, endo sido con abilizados seis ag-
men os, dos quais apenas ês pe mi i am classi icação
(A uda e dias 2018). os p a os de pa edes baixas, con-
exas e undo plano da o ma Consp. 4 egis am-se na
sua a ian e mais simples ( ig. 19, nº 3), que pode se
da ada de um momen o an e io à undação de obe a-
den (E linge e al. 1990: 58). Fo am ambém eco-
nhecidos ecipien es que in eg a am o se iço II de
Hal e n, as aças de ipo consp. 22 ( ig. 19, nº 5), ap e-
sen ando uma o ma cónica com o bo do e ical, côn-
ca o e com deco ação ex e na em guilhoché (Ibidem).
A o ma Consp. 23.2 co esponde igualmen e a uma
aça que esul a da e olução da o ma an e io . Es a a-
ian e oi da ada de meados do século I (E linge e al.
1990: 92).
257A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
Figu a 17. Ma e iais da Fase III da cis e na de Mon e Molião. nº 1 a 5 – ce âmica comum; nº 6 – unguen á io de ce âmica.
258
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
A única peça de e a sigilla a sudgálica des aca-
-se pelo es ado de conse ação e ambém pelo ac o de
co esponde a uma p odução an iga, ainda de “ ipo i á-
lico” ( ig. 19, nº 4). T a a-se de uma o ma consp. 22
(E linge e al. 1990: 90-91), sem se o na possí el
dis ingui a a ian e uma ez que não dispomos de lá-
bio. No undo in e no, es á imp essa a ma ca L. PA-
CONIUS, em ca ela quad angula . Que a o ma, que
a ma ca, que o p óp io ab ico indicam uma o igem
nas o icinas de Mon ans, co espondendo aos p imei os
p odu os aí ab icados, a é po que o olei o é, segundo
Ma in (2001: 231), um dos pionei os na p odução des-
es ecipien es nes a á ea geog á ica, mui o conc e a-
men e na p imei a década do século I.
A e a sigilla a hispânica soma apenas dois ag-
men os que, in elizmen e, não pe mi i am classi ica-
ção. Toda ia, a endendo ao ac o de ambos os en a em
ca ac e ís icas ecno-pe og á icas que pe mi em a sua
inclusão no g upo da e a sigilla a hispânica p ecoce,
não pa ece descabido supo que se a e de p oduções
coe âneas à dos es an es ma e iais.
A ce âmica de pa edes inas é ela i amen e abun-
dan e nos es a os da Fase IV da cis e na de Mon e
Molião, o alizando 21 agmen os. Toda ia, como é
habi ual nes a ce âmica, o ele ado es ado de agmen-
ação não pe mi iu a classi icação da maio ia deles.
A o ma mais equen e é a VIII de Maye (13 ag-
men os), ( ig. 19, nº 6 e 7) equi alen e ao ipo Ricci
1/193, com pe is a queados, bo dos al os e pa edes
mui o inas, ap oximando-se dos da a ian e VIII c
daquela in es igado a ancesa (Maye 1975: 39), 12
dos quais ap esen am pas as mui o semelhan es aos
exempla es de p odução i álica (Sousa e A uda 2018:
G upo 2). o es an e os en a uma pas a de di ícil ads-
c ição geog á ica, mas que pode in eg a uma p odução
me idional. des acam-se ainda dois bo dos ( ig. 19, nº
8), ex e idos e eng ossados, que podem co esponde
à o ma XXXI de Ma abini, com equi alência no ipo
Ricci 1/59, p oduzida en e o século II a.n.e. e o pe íodo
augus ano (Ma abini 1973: 100-101; Ricci 1985: 257).
Os es a os des a ase incluem ainda 14 asos de
ce âmica campaniense, com ca ac e ís icas que acu-
sam o igens napoli anas (um) e calenas (dois). Po ém,
a maio ia do conjun o inse e-se nas chamadas imi ações
de campaniense i álica de pas as cinzen as. Os ecipien-
es i álicos encon am pa alelo em exempla es da o ma
Lamb. 27/F. 2831 ( ig. 19, nº 10), no caso do exempla
napoli ano, Lamb. 8/F. 2311 ( ig. 19, nº 11) e Lamboglia
5/7/F. 2275b ( ig. 19, nº 12), no caso das p oduções cale-
nas. Po ém, nenhuma des as p oduções de e á e pe du-
ado a é aos p imei os decénios após a i agem da E a, o
que nos ob iga a conside á-los ma e iais esiduais. Mais
nume osa é a ce âmica campaniense de pas a cinzen a,
ep esen ada po um o al de 11 agmen os, dos quais
apenas seis são classi icá eis, in eg ando-se na o ma
5/7 de Lamboglia ( ig. 19, nº 13 e 14). Es es ab icos êm
indo a adqui i cada ez mais ele ância nos conjun os
des a ca ego ia, não sendo o de Mon e Molião excepção
(dias 2010; 2015). de ac o, e no caso dos conjun os do
Ociden e, oi p opos a uma di usão en e meados do sé-
culo I a.n.e. e p incípio do p incipado de Augus o (Al es
e al. 2014: 173), sendo an e io em ou as á eas da Pe-
nínsula Ibé ica (Roca e P incipal 2007; Re illa e Roca
2010). no en an o, ou os au o es ale a am já pa a o
ac o de se di ícil en a es abelece um momen o ígido
pa a o inal des as p oduções do ale do Guadalqui i ,
p opondo que a sua amo ização possa, inclusi e, p o-
longa -se após o p incipado de Augus o (Ruiz Mon es e
Peinado Espinosa 2012: 124), como alguns casos pa e-
cem comp o a (Ad ohe Au oux e al. 2001; Be ocal
Rangel e Ruiz T i iño 2003: 127). Po ou o lado, udo
indica que es as p oduções subsis em, e ec i amen e,
após a i agem da E a, a é po que asos com pas as e
acabamen os com es as mesmas ca ac e ís icas “imi-
am” o mas de ou as ca ego ias ce âmicas, nomeada-
men e a e a sigilla a i álica, como acon ece no Pa io
de Bande as do Real Alcáza de Se ilha, onde es ão do-
cumen adas na 1ª ase impe ial, da ada en e 15 a.n.e. e
35 (Ramos Suá ez e Ga cía Va gas 2014: 144-146), o -
nando possí el p opo uma c onologia de meados do sé-
culo I pa a o inal da p odução da “ce ámica g is b uñida
epublicana”, quando copiam o mas de e a sigilla a
(Ad ohe Au oux 2014: 287).
A ce âmica comum, alguma pin ada, é abundan e
nes a ase. No o al, con abiliza am-se 97 agmen os,
dos quais 27 não pe mi i am classi icação. As p odu-
ções iden i icadas dela am o igens i álicas (dois), bé-
icas cos ei as (71), bé icas do Guadalqui i (18) e
ambém, em alguns casos, locais/ egionais (se e). o e-
pe ó io o mal é a iado, no ando-se ago a a p esença
de o mas abe as, como alguida es, almo a izes ou
p a os.
Os alguida es es ão ep esen ados nes e con ex o
apenas po ês bo dos ( ig. 20, nº 1 a 3), odos p o-
duzidos no ale do Guadalqui i . São ecipien es plu-
i uncionais, que podiam, segundo as on es clássicas
(Va ão, De Lingua La ina V: 119; Celso, De Medi-
cina IV: 31), se i pa a la a e p epa a alimen os ou
mesmo se u ilizados na higiene pessoal. Independen e-
men e da unção, es e ecipien e pa ece e es ado sem-
p e elacionado com a água (Gi ón Anguioza 2017:
39). Embo a as ca ac e ís icas ecno-pe og á icas
259A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
Figu a 18. Ma e iais da Fase IV da cis e na de Mon e Molião (desenhos de ca a ina Viegas, adap ado). nº 1 a 6 – Ân o as Hal e n
70 do ale do Guadalqui i ; 7 e 8 – Ân o as Hal e n 70 de p odução lusi ana; 9 – Ân o a d essel 7/11 do baixo Guadalqui i .
266
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
Um deles in eg a-se na o ma Consp. 4.6.1 e da a-se em
meados do século I (A uda e dias 2018), sendo o es-
an e inclassi icá el, al como acon ece com o de e a
sigilla a hispânica.
Pa a o undo de ce âmica de pa edes inas, já es u-
dado (Sousa e A uda 2018: ig. 5, nº 48), p opôs-se a
sua in eg ação na o ma Maye VIII, uma ez que pa -
ilha com os análogos dos con ex os mais an igos do
enchimen o da cis e na as mesmas ca ac e ís icas mo -
o-pe og á icas.
Me ece ainda des aque o conjun o de ce âmicas co-
muns e pin adas (10 agmen os), dos quais a maio ia
é p o enien e da Bé ica cos ei a, com excepção de um
único, com pas a que pe mi e conside á-lo uma p odu-
ção do ale do Guadalqui i . A p imei a des as peças
pa ece co esponde a uma bilha, de bo do iangula
e colo es ei o, conse ando ainda o a anque da asa
( ig. 23, nº 1). Apesa de se a a de uma p odução
da Bé ica li o al e de e sido já iden i icada po ou-
os au o es (Pin o e Mo ais 2005: 243, ig. 16, nº 146),
a o ma não es á con emplada na ipologia de Lou -
des Gi ón, pa ecendo es a incluída na g ande ca ego-
ia das lagoenae. Es e ecipien e em conc e o ambém
não apa ece no epe ó io da ce âmica comum dos con-
ex os do Pa io de Bande as em Se ilha, ap esen ando,
con udo, algumas semelhanças com as bilhas da ácies
II Impe ial (Vázquez Paz e al. 2018: 139, ig. 6).
Um ou o agmen o in eg a es a úl ima ca ego ia,
conc e amen e a o ma 11.14.a ( ig. 23, nº 2), ep e-
sen ando uma a ian e que ainda não inha sido iden-
i icada nos con ex os mais an igos do enchimen o da
es u u a hid áulica. T a a-se de uma o ma globula , de
colo es ei o e bo do ex e ido e eng ossado. O ag-
men o conse a ainda o a anque da asa. Lou des Gi-
ón p opõe pa a a o ma uma c onologia al o-impe ial
(Gi ón Aguioza 2017: 214).
Os u cei con inuam a apa ece nes es con ex os
( ig. 23, nº 3), conc e amen e os da o ma 18.1 (Gi ón
Aguioza 2017: 331), o que, endo igualmen e em con-
side ação os es an es ma e iais, pode signi ica que
es a ase não é empo almen e dis an e da p eceden e.
O único agmen o de ce âmica campaniense de
pas a cinzen a iden i icado, que não pe mi iu classi ica-
ção, co esponde á a ma e ial esidual.
4.5. Fase VI: amo ização e
en ulhamen o da cis e na
os con ex os a ibuídos à Fase VI englobam po en-
es es a os com abundan es es os a qui ec ónicos,
a gamassas de e es imen o e de pa imen os e e-
quen es ped as de dimensões conside á eis. Es as ea-
lidades comp o am que se a a de um en ulhamen o
p emedi ado, que selou de ini i amen e a es u u a. A
quan idade de ma e iais ecolhida é ap eciá el (248 a -
e ac os), sendo os mesmos di e si icados, que c o-
nologicamen e que do pon o de is a das ca ego ias
iden i icadas.
A a iabilidade c onológica esul a á do ac o de a
cis e na e sido en ulhada com sedimen os e es os a -
qui ec ónicos an e io es ao momen o des a amo iza-
ção, mas ambém con empo âneos da mesma, como é o
caso de agmen os de opus essella um.
Uma ez que a maio ia do conjun o de ma e iais se
encon a em con ex o secundá io, não sendo ele an e
pa a a discussão da da ação des a ase, algumas ca ego-
ias e o mas conc e as são apenas mencionadas, dan-
do-se em con apa ida especial des aque àquelas que
se iam coe as da e e ida amo ização.
En e as ân o as, con a-se a p esença de exempla-
es i álicos do ipo d essel 1, do ipo Mañá c2, gadi-
anos e a icanos, do ipo Cas o Ma im 1, do Baixo
Guadalqui i , bem como de um agmen o de um con-
en o de ipo Ca mona de p odução gadi ana, odos e-
publicanos, e um de ipo Hal e n 70, p oduzido no ale
do Guadalqui i .
Um agmen o de luce na pode da um ele an e
con ibu o pa a a da ação do momen o em que se selou
a cis e na. In eg a-se no ipo Andúja (Pe ei a e A uda
2016: 168, ig. 17, nº 1), p eponde an e du an e a p i-
mei a me ade do século I, ainda que o inal da sua p o-
dução possa alcança a época lá ia (So omayo e al.
1976: 135).
Os ês agmen os de e a sigilla a i álica (A -
uda e dias 2018) pa ecem es a em con o midade com
as conside ações e ec uadas pa a a luce na. Um deles
não pe mi iu classi icação, mas os es an es in eg am a
o ma Consp. 4, pa a a qual oi suge ida uma da ação
ibe iana (Viegas 2011: 132), embo a em Mon e Mo-
lião possa alcança a segunda me ade do século I (A -
uda e dias 2018).
A e a sigilla a hispânica p ecoce es á ep esen-
ada po ês agmen os ( ig. 23, nº 4), dos quais so-
men e dois pe mi i am classi icação, nos ipos I e III de
Ma ínez (1989). Ainda que es a ca ego ia enha come-
çado a impo a -se du an e a p imei a me ade do século
I pa a os sí ios alga ios, oi já sublinhado que subsis e
du an e a segunda me ade desse mesmo século (Vie-
gas 2011: 320).
Os dois agmen os de e a sigilla a sudgá-
lica são inclassi icá eis, não pe mi indo, po an o,
267A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
Figu a 22. Ma e iais da Fase IV da cis e na de Mon e Molião. Ce âmica Comum.
268
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
conside ações de o dem c onológica, mas a sua abun-
dância em con ex os do Mon e Molião du an e a se-
gunda me ade do século I de e se ida em conside ação.
As es an es ce âmicas inas o e ecem c onologias
conside a elmen e mais an igas quando compa adas
com as que conside ámos con ex ualmen e segu as. É
o caso da ce âmica campaniense (se e agmen os), dis-
ibuída pelas p oduções napoli anas, calenas e de imi-
ações de pas a cinzen a ( ig. 23, nº 5 a 7), da de ipo
Kuass (oi o agmen os), ou da de pa edes inas ( ês
agmen os), da qual se iden i icou um bo do do ipo
Maye II e um agmen o do ipo VIII, que conse a
ainda o colo da peça e os en ando uma másca a apli-
cada ( ig. 24). Além des es, iden i icou-se ainda um
agmen o de ce âmica á ica de e niz neg o.
Algumas o mas de ce âmica comum são an igas,
como é o caso dos p a os de bo do em aba penden e ou
das “ inajas”, mas ou as podem en ende -se enquan o
con inuidade das impo ações ou imi ações das p odu-
ções bé icas. Es e pa ece se o caso dos u cei ( ig. 23, nº
8 e 9) e de alguns ja os ( ig. 23, nº 10 a 12).
Os dados ob idos a a és da análise do conjun o ce-
âmico con empo âneo da o mação des es es a os pe -
mi em p opo que o en ulhamen o de ini i o da cis e na
e á oco ido em momen o inde e minado da segunda
me ade do século I.
4.6. Fase VII: uma ossa de despejos
do Baixo Impé io
Englobamos na Fase VII um con ex o mui o pa icula
documen ado jun o à cabecei a no e da es u u a e já
an e io men e es udado (A uda e Gomes 2013). os es-
a os co esponden es à colma ação in encional da cis-
e na (Fase VI) o am co ados nessa zona pela abe u a
de uma ossa des inada ao despejo de en ulhos.
no in e io des a in e ace nega i a iden i ica am-
-se dois ní eis de enchimen o, mui o simila es en e si,
o mados po a eias sol as, cinzas e/ou cal, que inco -
po a am uma g ande quan idade de ma e ial de cons-
ução, nomeadamen e egulae, imb ices, ijolos de
quad an e e es os de eboco com pin u a e melha es-
cu a (idem: 154).
O conjun o a e ac ual que acompanha a es es ele-
men os cons u i os e a ela i amen e eduzido e dís-
pa , compondo-se undamen almen e de espólios que
podem conside a -se esiduais. Os ma e iais que po-
dem, em con apa ida, associa -se de o ma di ec a a
es e episódio de uso opo unis a da cis e na como en-
ulhei a são escassos, mas ainda assim signi ica i os.
O conjun o de ma e iais p imá ios des a ase inclui
um p a o de e a sigilla a cla a c, da o ma Hayes 50B,
ês pá e as de e a sigilla a cla a d, da o ma Hayes
58B, uma ân o a lusi ana de ipo Almag o 51C, p odu-
zida nos a elie s do Tejo/Sado, e es os de bojo de uma
ân o a A icana G ande da T ipoli ânia (idem: 151-154).
Conside ado globalmen e, es e conjun o de ma e-
iais ce âmicos pe mi iu da a es e episódio de eu i-
lização da an iga cis e na de um momen o imp eciso
da segunda me ade do século IV (idem: 155), c onolo-
gia que podemos ago a a ina g aças ao es udo do con-
jun o numismá ico ( . in a), si uando es e con ex o no
inal daquela cen ú ia, ou mesmo mais p o a elmen e
no início do século V. Es e ho izon e co esponde, po -
an o, a um pe íodo em que o po oado se encon a a
já abandonado. A dinâmica que esul ou na o mação
des e con ex o é po isso di ícil de es i ui e de enqua-
d a , pa ecendo de momen o um epi enómeno isolado
na his ó ia da ocupação do Mon e Molião.
4.7. Os numismas da cis e na do Mon e Molião
A esca ação dos sedimen os de enchimen o da cis e na de
Mon e Molião pe mi iu ambém a ecolha de um conjun o
de numismas que o aliza 11 exempla es. In elizmen e, a
maio ia é p o enien e dos es a os e ol idos esul an-
es da “esca ação” da es u u a no inal do século XIX.
Assim, apenas seis o am ecolhidos cla amen e em con-
ex o, ês nos es a os da Fase IV e ês nos da Fase VII.
De e sublinha -se que odos co espondem a pe das
indi iduais, dis ibuindo-se po qua o ases, dois semis,
um an oniano, dois quad an es, um meio cen enional
e ou o co esponden e a uma acção de cen enional.
Des e conjun o, cinco o e ecem c onologias an-
e io es à i agem da E a, conc e amen e um as, dois
semis e dois quad an es. Des es, me ece des aque o co -
esponden e a um as pa ido de oSSET ( ig. 25), da ado
do século I a.n.e., ecolhido em es a os da Fase IV, e
que os en a uma igu a segu ando um cacho de u as
(RIC I 58; Villa onga 1994: 396), iconog a ia ípica nas
cunhagens des a ceca. Es a moeda oi cla amen e pa -
ida de o ma in encional pa a se pode con e e em
dois semis, si uação que oi equen e en e os séculos
II e I a.n.e., de ido à escassez de nume á io ci culan e.
Os es an es numismas que o e ece am da a-
ções omano- epublicanas co espondem a cunha-
gens alga ias, duas de Cilpes e duas, e en ualmen e,
de Ossonoba. Os p imei os o am p oduzidos em
b onze, os en ando o ípico a um i ado pa a a di-
ei a, possuindo um peso que a ia en e 3 e 6g. Os
269A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
Figu a 23. Ma e iais da Fase V da cis e na de Mon e Molião. nº 1 a 3 – ce âmica comum. Ma e iais da Fase VI. nº 4 – Te a
Sigilla a hispânica; nº 5 a 7 – ce âmica campaniense; nº 8 a 12 – ce âmica comum.
270
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
de Ossonoba são de chumbo, exibindo ambém a p e-
sença de um a um, mas i ado pa a a esque da, com
um peso que a ia en e 2,3 e 2,9g. Des es numismas,
apenas dois o am ecupe ados em es a os da Fase IV
da cis e na, sendo os es an es p o enien es de unida-
des e ol idas.
Ainda que igualmen e descon ex ualizado, ou o
numisma o e ece uma da ação coe ânea com os ní-
eis de enchimen o ( ig. 26). T a a-se de um as augus-
ano, cunhado em 7 em Roma po P. Lu ius Ag ippa
(RIC I 427; Su he land, 1984), ap esen ando o bus o de
Augus o no an e so, ol ado pa a a di ei a, con endo,
no e e so, a insc ição de Ag ipa.
Nos es a os da ase mais a dia, a VII, o am eco-
lhidos ês numismas de b onze, conc e amen e dois ases
e um an oniniano. Os ases o am ambos cunhados em
Roma, sob os einados de Calígula (RIC I 58), en e 37 e
41, e de Cláudio (RIC I 113), en e 41 e 42. o an oniniano
co esponde a uma cunhagem de Roma, do einado de
Galieno (RIC V-I 355) e, po an o, mais a dia (260-268),
mas ainda assim esidual pos o que o con ex o em ques ão
oi já da ado do século IV (A uda e Gomes 2013: 155).
Figu a 24. F agmen o de Pa edes Finas do ipo Maye VIII, que conse a uma másca a aplicada.
Figu a 25. As pa ido de oSSET, da ado do século I a.c. (RIc I 58).
271A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
A exis ência de dois ou os numismas, co espon-
den es a cen enionais, ob igam igualmen e a conside a
uma c onologia mais a dia pa a a ocupação baixo-im-
pe ial da en ol en e da cis e na. Um deles é um meio
cen enional de Honó io (RIC X 149; Ma ingly e al.
1923), da á el de 393-395, com um peso de 1.0g, ap e-
sen ando o bus o do impe ado i ado pa a a di ei a, no
an e so e, no e e so, Honó io a ca alo, caminhando
pa a a di ei a. O ou o, de peso idên ico, pode consi-
de a -se uma imi ação hispânica co esponden e a uma
acção de cen enional de Cons âncio II, cópia que e á
sido ealizada na segunda me ade do século IV.
Embo a es es numismas sejam p o enien es de es-
a os e ol idos, co esponden es a iolações ecen es,
eme em pa a um momen o que pode se conside ado
de inais do século IV/inícios do V, e de em, po an o,
se elacionados com a ocupação a dia no con ex o da
qual se ge a am os ní eis da Fase VII da cis e na.
4.8. A c onologia da cons ução, u ilização e
abandono da cis e na de Mon e Molião
Alguns con ex os coe âneos à es u u a hid áulica de
Mon e Molião o am já da ados en e os p incipados
de Augus o e de Calígula, c onologia que oi supo ada
pelo es udo da e a sigilla a i álica ecolhida no in e-
io da cis e na (A uda e dias 2018). o abalho que
conc e izámos sob e a o alidade do espólio ecupe-
ado pe mi iu i mais além na de inição des a p opos a,
que em ambém em conside ação a sequência es a i-
g á ica e a espec i a lei u a ela i a, e alguns de alhes
cons u i os.
Como já a ás e e imos, a cons ução de es u u as
nega i as é semp e di ícil de da a , a não se a a és de
ex apolações elabo adas a pa i de dados e e en es à
sua u ilização. Nes e caso conc e o, o ac o de e mos
comp o ado a exis ência de uma epa ação do undo
da cis e na em época epublicana, epa ação que desig-
námos como Fase II, pe mi e admi i que es a es u-
u a oi edi icada ou du an e a Idade do Fe o, que em
Mon e Molião es á da ada en e o século IV e o inal
do século III a.n.e., ou en ão já em época omana epu-
blicana, no século II a.n.e. Tendo em conside ação os
pa alelos aduzidos no pon o 2, pa ece que a segunda
c onologia se á mais adequada pa a a cons ução des a
es u u a, que oi epa ada, mui o possi elmen e, ainda
an es da i agem da E a.
Os ma e iais da Fase III, acima es udados de alha-
damen e, e idenciam a u ilização in ensi a da cis e na
du an e o inal do século I a.n.e., uso que pode e -se
p olongado nas p imei as décadas do seguin e.
Figu a 26. As
augus ano, cunhado
em 7 em Roma po P.
Lu ius Ag ippa (RIC
I 427).
272
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
O abandono des a es u u a e á ido luga ainda du-
an e a p imei a me ade do século I, como os espólios
ecolhidos nos es a os da Fase IV, ase em que se iu
como lixei a, cla amen e documen am. O seu de ube
pa cial e á acon ecido em meados des e mesmo século
(Fase V), e o seu en ulhamen o e amo ização de ini i a
na segunda me ade daquela cen ú ia, possi elmen e em
época lá ia (Fase VI). o “episódio” da Fase VII es á
bem da ado do inal do século IV/início do V.
Temos consciência que es a sequência c onológica
(quad o 1) é po en u a excessi amen e comp imida.
Mas a e dade é que os di e sos es a os comp o am
uma sucessão de ealidades dis in as, que se seguem no
empo, mas que nunca ul apassam o século I, com ex-
cepção, na u almen e da Fase VII.
5. A CISTERNA DO MONTE MOLIÃO NO
CONTEXTO DA OCUPAÇÃO DO SÍTIO.
O es udo que conc e izámos pe mi e ainda uma sé ie
de obse ações inais que pa ecem ele an es e impo a
discu i .
Em p imei o luga , de e des aca -se o ac o de a
cis e na de Mon e Molião co esponde ao mais oci-
den al exemplo de uma es u u a híd ica a bagna ola,
Quad o 1. dis ibuição das ases a ibuídas à cis e na de Mon e Molião, c onologias.
In e p e ação C onologia
Nº o al de
a e ac os
(nmi)
Ca ego ias e o mas ep esen a i as
Fase I Cons ução do ese a ó io — — —
Fase II Repa imen ação da base Época omana- epublicana
Ine es
com pas as
i álicas
—
Fase III Úl ima u ilização da cis-
e na
Final do séc. I e 1º decénios
do seguin e 56
– Ân o as (Hal e n 70);
– Pa edes Finas (Maye II, III e VIII);
– Ce âmica comum;
– Luce na;
– Unguen á io;
Fase IV U ilização pon ual como li-
xei a
Segundo qua el do séc. I
d.C. 226
– Ân o as (Hal e n 70; classe 67;
o óide 6; d essel 7/11);
– Te a sigilla a (i álica consp. 4 e
23.2; sudgálica de” ipo i álico”
consp. 22; hispânica p ecoce);
– Pa edes Finas (Maye VIII, Ma a-
bini XXXI);
– Campaniense de pas a cinzen a;
– Ce âmica comum;
Fase V De ube pa cial da es u u a Meados do séc. I d.C. 22
– Ân o as (Hal e n 70);
– Te a sigilla a (i álica consp.
4.6.1);
– Pa edes Finas (Maye VIII);
– Ce âmica comum;
Fase VI En ulhamen o da cis e na Época lá ia 248
– Ân o as (Hal e n 70 lá ia);
– Luce na de “ ipo Andúja ”;
– Te a sigilla a (i álica consp. 4;
hispânica p ecoce Ma ínez I e III;
sudgálica inclas.);
– Ce âmica comum;
Fase VII Fossa do Baixo Impé io Final do séc. IV/início do
séc. V 138
– Ân o as (Almag o 51c);
– Te a sigilla a (no e a icana
cla a d).
273A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
ealidade que pode e de e elaciona -se com as in luên-
cias púnico-gadi anas que o sí io so eu desde a sua
undação, no século IV a.n.e. (A uda e al. 2011), e
que se man i e am ao longo de oda a sua ocupação,
mui o especialmen e na época epublicana, endo já po
di e sas ezes sido alo izadas. Po ou o lado, es a si-
uação eme e pa a a an iguidade da cons ução da cis-
e na, cuja da ação pode si ua -se en e os séculos IV e
II a.n.e. de aco do com as sequências es a ig á icas ob-
se adas e com os de alhes da cons ução e c onologia
da p imei a epa ação. Ce o é que es e e em u iliza-
ção en e a época epublicana e a 1ª me ade do século I.
O ipo de es u u a, as suas dimensões e capacidade
eme em pa a o seu ca ác e público. Mesmo que se ad-
mi a que es a cis e na não oi o único ecu so do g upo
no que se e e e ao abas ecimen o de água po á el, udo
indica que ep esen ou um impo an e papel nesse do-
mínio, podendo de ende -se que o “bai o” epublicano
iden i icado no Sec o c se se iu dela, não sendo am-
bém imp o á el que a água que nela se ia deposi ando
osse anspo ada pa a o mais dis an e Sec o A do po-
oado em ecipien es ap op iados pa a o e ei o. As ou-
as es u u as de a mazenamen o de água de época
epublicana que ce amen e exis i am são de momen o
desconhecidas, bem como aliás as que es i e am em
uncionamen o a pa i da 2ª me ade do século I e du-
an e odo o século II. Es es ese a ó ios e iam de se
de conside á eis dimensões, dada a in ensa ocupação
do sí io nessa mesma época e sob e udo uma ac i idade
olei a (A uda e al. 2010) que, e iden emen e, ca ecia
de água em quan idades ap eciá eis.
Ag adecimen os
A esca ação da cis e na de Mon e Molião e a elabo a-
ção do p esen e es udo o am desen ol idos no âmbi o
do p ojec o MOLA – O Mon e Molião na An iguidade
III, in eg almen e inanciado pela câma a Municipal de
Lagos a a és de um p o ocolo es abelecido com a Fa-
culdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa e com a
UNIARQ – Cen o de A queologia da Uni e sidade de
Lisboa.
BIBLIOGRAFIA
Ad ohe Au oux, A. (2014): “ce ámica G is B uñida
Republicana (GBR): el p oblema de las imi acio-
nes en ce amología a queológica”, em R. Mo ais,
A. Fe nández e M. Sousa (eds.), As p oduções
ce âmicas de imi ação na Hispania. Monog a ias
Ex o icina Hispana II: 281-290. Po o, uni e si-
dade do Po o.
Ad ohe Au oux, A.; Caballe os Cobos, A e López
Ma cos, A. (2001): “Exca ación a queológica de
u gencia en la calle Palacio s/n (Guadix, G anada)”.
Anua io A queológico de Andalucía 1997 III: 285-
292.
Ad ohe Au oux, A.; Ca e as Mon o , C.; Almeida,
R. de; Fe nández Fe nández, A.; Molina Vidal, J.
& Viegas, c. (2016): “Regis o pa a la cuan i ica-
ción de ce ámica a queológica: es ado de la cues-
ión y una nue a p opues a. P o ocolo de Se illa
(PRcS/14)”. Zephy us LXXVIII: 87-110. h ps://
doi.o g/10.14201/zephy us20167887110
Agua od o al, c. (1991): Ce ámica omana impo ada
de cocina en la Ta aconense. Za agoza, Ins i ución
Fe nando el Ca ólico.
Ala cão, A. (1975): “cé amiques à engobe ouge non
g ésé”, em J. de Ala cão e R. É ienne (eds.), Foui-
lles de Conímb iga, VI. Cé amiques di e ses e e-
es: 51-58. Pa is, Édi ions De Bocca d.
Al es, c.; Ma alo o, R. e So ia, V. (2014): “As p o-
duções de imi ação da campaniense i álica em
pas a cinzen a no Sul do e i ó io ac ualmen e po -
uguês”, em R. Mo ais, A. Fe nández e M. Sousa
(eds.), As p oduções ce âmicas de imi ação na His-
pânia. Monog a ias Ex o icina Hispana II: 165-
176. Po o, Uni e sidade do Po o.
A uda, A. e dias, I. (2018): “A Te a Sigilla a I á-
lica de Mon e Molião, Lagos, Po ugal”. Po -
ugália, No a Sé ie 39: 159-178. h p://dx.doi.
o g/10.21747/09714290/po 39a4
A uda, A. e Gomes, F. B. (2013): “o mon e Mo-
lião (Lagos) no Baixo Impé io: um epi enó-
meno”. Conimb iga 52: 147-163. h p://dx.doi.
o g/10.14195/1647-8657_52_5
A uda, A.; Sousa, E.; Pe ei a, c. e Lou enço, P. (2011):
“Mon e Molião: um sí io púnico-gadi ano no Al-
ga e (Po ugal)”. Conimb iga 50: 5-32. h p://
dx.doi.o g/10.14195/1647-8657_50_1
A uda, A. e Viegas, c. (2002): “As ce âmicas de “en-
gobe e melho pompeiano” da Alcáço a de San a-
ém”. Re is a Po uguesa de A queologia Vol. 5.1:
221-238.
A uda, A. e Viegas, c. (2016): “As ân o as al o-im-
pe iais de Mon e Molião”, em R. Já ega e P. Be ni
(eds.), Ampho ae ex Hispania: paisajes de p o-
ducción y consumo. Monog a ias Ex o icina
Hispana III: 446-463. Ta agona, Ins i u ca alà
d’A queologia clàssica.
274
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
FRANCISCO B. GOMES / CARLOS PEREIRA / ANA MARGARIDA ARRUDA
A uda, A.; Viegas, c. e Ba gão, P. (2010): “A ce âmica
comum de p odução local do Mon e Molião”. Xelb
10: 285-304.
Baklou i, H. (2010): “Hyd aulique p é omaine en Tu-
nisie an ique. Di usion des echniques de cons-
uc ion des ci e nes puniques en pays numide: à
Dougga (Thugga) e à Kalaa Bezzaz”, em M. Mi-
lanese, P. Rugge i e c. Visma a (eds.), L’A ica
Romana XVIII. I luoghi e le o me dei mes ie i
e della p oduzione nelle p o ince a icane: 183-
214. olbia (2008) Sassa i, uni e si à degli S udi
di Sassa i.
Ba eca, F. e Fan a , M. (1983): P ospezione a cheo-
logica al Capo Bon II. Roma, Consiglio Nazionale
delle Rice che.
Blázquez, J. Mª.; con e as, R. e u uela, J. J. (1984):
Cas ulo IV. Mad id, Minis e io de Cul u a.
Beja ano (2009): “In e ención a queológica de u gen-
cia en la Finca de Villanue a, Pue o Real (cádiz)”.
Anua io A queológico de Andalucía 2004.I: 172-179.
Be nal casasola, d. e Lo enzo Ma ínez, L. (1998):
“Las exca aciones a queológicas en el alle al a-
e o de La Ven a del ca men. campañas de 1996
e 1997”, em d. Be nal casasola (ed.), Exca acio-
nes a queológicas en el al a omano de la Ven a
del Ca men (Los Ba ios, Cádiz): una ap oxima-
ción a la p oducción an ó ica en la Bahía de Al-
geci as en época al oimpe ial: 43-62. Los Ba ios,
Ayun amien o de Los Ba ios.
Be nal casasola, d. e Sáez Rome o, A. (2008): “opé -
culos y án o as omanas en el cí culo del es echo.
P ecisiones ipológicas, c onológicas y unciona-
les”, em Rei C e a iae Romanae Fa o m Ac a 40,
XXV Cong ess: 1-18. du es (2006), Bonn, Rei c e-
a iae Romanae Fau o es.
Be ni, P. (2011): “Tipología de la Hal e n 70 bé ica”,
em C. Ca e as, R. Mo ais e E. González Fe nán-
dez (coo ds.), Án o as Romanas de Lugo: come -
cio omano en el Finis Te ae: 80-107. Lugo, Con-
cello de Lugo.
Be ocal Rangel, L. e Ruiz T i iño, c. (2003): El de-
pósi o al o-impe ial del Cas ejón de Capo e (Hi-
gue a la Real, Badajoz). Mé ida, Edi o a Regional
de Ex emadu a.
Bone o, J.; cespa, S. e E das, R. V. (2012): “App o -
iogionamen o id ico a No a: nuo i da i sulle cis-
e ne”, em M. cocco, A. Ga ini e A. Ibba (eds.),
L’A ica Romana XIX. T as o mazione dei paesa-
ggi del po e e nell’A ica se en ionale ino alla
ine del mondo an ico, 2591-2624. Sassa i (2010),
Sassa i, uni e si à degli S udi di Sassa i.
B ancoli, I.; Ciasca, A.; Ga bini, G.; Pugliese, B.; Tusa,
V. e cu oni, A. (1967): Mozia III. Rappo o p e-
limina e della missione a cheologica della Sop in-
endenza alle An ichi è della Sicilia Occiden ale e
dell’Uni e si a di Roma. Roma, Is i u o di S udi del
Vicino O ien e.
Bul uni, G.; Mezzolani, A. e Mo igi, A. (1996): “Ap-
p o igionamen o id ico a Tha os: le cis e ne”. Ri-
is a di S udi Fenici 24: 123-127.
Bu és Vilaseca, L. (1998): Les es uc u es hid àuliques
a la ciu a an iga: l’exemple d’Empú ies. Ba ce-
lona, Museu d’A queologia de ca alunya.
caei o, J. (1978): “obse ações sob e a ce âmica co-
mum omana do séc. III p o enien e da “cidade das
Rosas”, Se pa”, em Ac as das III Jo nadas A queo-
lógicas da Associação dos A queólogos Po ugue-
ses Vol. 1: 249-271. Lisboa (1977), Lisboa, Asso-
ciação dos A queólogos Po ugueses.
ca alho, P. (1998): O o um de Aeminium. Lisboa,
Ins i u o Po uguês de Museus.
cas ellani, V. e Man ellini, S. (2001): “Le cis e ne come
elemen o di indagine pe la s o ia del e i o io: il
caso di Pan elle ia”. Ope a Ipogea III, 1: 5-14.
cas o Ga cía, M.ª del M. (2016): La ges ión del agua
en época omana: casuís ica en las ciudades de la
p o incia Hispania ul e io -Bae ica. Tese de dou-
o amen o em His ó ia, uni e si é La al/uni e si-
dad de Cádiz. Inédi a.
cas o Ga cía, M.ª del M. (2017): “Modelos de abas e-
cimien o u bano de aguas en la Bé ica omana: las
cis e nas”. Espacio, Tiempo y Fo ma. Se ie II – His-
o ia An igua 30: 97-124. h p://dx.doi.o g/10.5944/
e ii.30.2017.17585
cespa, S. (2013-2014): Sis emi di app o igionamen o
id ico negli insediamen i punico- omani della Sa -
degna: il caso di No a. Tese de Dou o amen o, Uni-
e si à degli S udi di Milano. Inédi a.
ci e a i Gómez, M. (2007): “Les cis e nes del cas ell
de Sagun ”. A se 41: 149-186.
cobos Rod íguez, L. e Iglesias Ga cía, L. (2011): “cap-
ación y almacenamien o del agua en el oppidum
ibe o omano de Zaha a de la Sie a (cádiz)”, em
L. Lagós ena Ba ios; J. cañiza Palacios e L. Pons
Pujol (eds.), Aquam Pe ducendam Cu a i . Cap a-
ción, uso y adminis ación del agua en las ciudades
de la Bé ica y el Occiden e Romano, 347-364. Cá-
diz, Uni e sidad de Cádiz.
conlin Hayes, E. (2001): “El abas ecimien o de agua
en la ca mona Romana”, em A. caballos Ru ino
(ed.), Ca mona Romana, 213-217. Ca mona, Ayun-
amien o de Ca mona.
275A cISTERnA dE MonTE MoLIão (LAGoS, PoRTuGAL)
SPAL 28.2 (2019): 235-278
ISSN: 1133-4525 ISSN-e: 2255-3924
h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2019.i28.21
cos a Ribas, B. (2007): “Punic Ibiza unde he Roman
Republic”, em P. an dommelen e n. Te ena o
(eds.), A icula ing local cul u es. Powe and iden-
i y unde he expanding Roman Republic, 85-102.
Po smou h, Jou nal o Roman A chaeology.
cuad ado, E. (1977-1978): “ungüen a ios ce ámicos
en el mundo Ibé ico. Apo ación c onológica”. A -
chi o Español de A queología 50-51: 389-400.
delgado, M. (1994): “no ícia sob e ce âmicas de en-
gobe e melho não i i icá el encon adas em
B aga”. Cade nos de A queologia, Sé ie II, 10-11:
113-149.
dias, V. (2010): A ce âmica campaniense do Mon e
Molião, Lagos. Tese de Mes ado, Faculdade de Le-
as da Uni e sidade de Lisboa. Inédi a.
dias, V. (2015): “A ce âmica campaniense do Mon e
Molião, Lagos. Os hábi os de consumo no li o al al-
ga io du an e os séculos II a.c. e I a.c.”. Spal 24:
99-128. h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2015i24.05
Egea Vi ancos, A. (2003): “Ingenie ía hid áulica en
Ca hago No a: las cis e nas”. Mas ia 2: 109-127.
Egea Vi ancos, A. (2010): “La cul u a del água en
Época Ibé ica: una isión de conjun o”. Lucen um
XXIX: 119-138.
E linge , E.; Hedinge , B.; Ho mann, B.; Ken ick, P.;
Pucci, G.; Ro h ubi, K.; Schneide , G.; Schnu bein,
S.; Wells, c. e Zabehlicky-Sche enege , S. (1990):
Conspec us Fo ma um Te ae Sigilla ae I alico
Modo Con ec ae. Bonn, d . Rudol Habel Gmbh.
E ice Lacabe, R. (1995): Las Fíbulas del No des e de la
Península Ibé ica: siglos I a.E. al IV d.E. Za agoza,
Ins i ución “Fe nando el ca ólico”.
Fan a , M. (1975): “Le p oblème de l’eau po able dans
le monde phénicien e punique: les ci e nes”. Les
Cahie s de Tunisie XXIII, 89-90: 9-18.
Fo es San os, M.ª; ca asco Gómez, I.; Jiménez He -
nández, A. e Rome o Pa edes, c. (2011): “Ap oxi-
mación a queológica al yacimien o de A egua (Có -
doba)”. Romula 10: 135-198.
Ga cía Va gas, E. (2000): “Án o as omanas p oduci-
das en Hispalis. P ime as e idencias a queológi-
cas”. Habis 31: 235-260.
Ga cía Va gas, E.; Almeida, R. e González Ces e os,
H. (2011): “Los ipos an ó icos del Guadalqui i en
el ma co de los en ases hispanos del siglo I a.C.
Un uni e so he e ogéneo en e la imi ación y la es-
anda dización”. Spal 20: 185-283. h p://dx.doi.
o g/10.12795/spal.2011.i20.12
Ga cía Va gas, E. e López Rosendo, E. (2008): “El al a
de Raba ún (Je ez de la F on e a, cádiz) y la p o-
ducción de án o as y ce ámica común en la campiña
del Guadale e en época al oimpe ial omana”. Spal
17: 281-313. h p://dx.doi.o g/10.12795/spal.2008.
i17.12
Gi ón Anguioza , L. (2010): “Las ce ámicas comunes
del al a omano de Puen e Melcho (Pue o Real,
cádiz). un ensayo de clasi icación de las o mas
abie as”. He akleion 3: 105-162.
Gi ón Anguioza , L. (2017): La ce ámica común o-
mana en la Bahía Gadi ana en época omana. Al-
a e ía y cen os de p oducción. Ox o d, A chaeo-
p ess.
Gi ón Anguioza , L. e cos a Ga cía, J. M. (2009): “La
ce ámica de imi ación de engobe ojo pompeyano en
los yacimien os mili a es omanos peninsula es. Un
es ado de la cues ión”, em Á. Mo illo; n. Hanel e E.
Ma ín He nández (eds.), Limes XX. Es udios sob e
la on e a omana (Roman on ie s udies): 497-
512. León, cSIc/ Ins i u o His ó ico Ho meye .
Gue e o Misa, L. (2009): “cons ucciones hid áulicas
en la ciudad omana de Ocu i (Sal o de la Mo a,
ub ique)”, em L. Lagós ena Ba ios e F. Zule a
Alejand o (eds.), La cap ación, los usos y la admi-
nis ación del agua en Bae ica: es udios sob e el
abas ecimien o híd ico en comunidades cí icas del
Con en us Gadi anus: 257-308. Cádiz, Uni e sidad
de Cádiz.
Hayes, J. (1972): La e Roman po e y. London, The
B i ish School a Rome.
Hilge s, W. (1969): La enische Ge ässnamen. Bezei-
chnungen Funk ion und Fo m ömische Ge ässe
nach den an iken Sch i quellen. Dusseldo , Rhein-
land-Ve lag.
Humph ey, c.; Shu he land, V. e ca son, R. (1994):
The Roman Impe ial Coinage. X, The Di ided Em-
pi e and he Fall o he Wes e n Pa s. Lond es,
Spink.
Jiménez Higue as, Mª. (2005): “Es udio de un ajua u-
ne a io ibe o omano excepcional p oceden e del
ce o de la cabeza del obispo (Alcaude e, Jaén)”.
An iqui as 17: 13-31.
La a Medina, M. (2018): “Sob e el abas ecimien o,
la dis ibución y la e acuación híd ica en Ga-
des”. Zephy us LXXXI: 141-163. h p://dx.doi.
o g/10.14201/zephy us201881141163
La ado Flo ido, M. (2004): “El complejo indus ial de
Puen e Melcho : el cen o p oduc o , la o ganiza-
ción del espacio y su á ea de in luencia”, em d. Be -
nal casasola e L. Lagós ena Ba ios (eds.), Figlinae
Bae icae. Talle es al a e os y p oducciones ce ámi-
cas en la bé ica omana (ss. II a.C.-VII d.C.): 473-
487. cádiz (2003), ox o d, A chaeop ess.