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Delimitação de áreas inundáveis no centro urbano de Amarante, Norte de Portugal, utilizando o software IBER

Abstract

A análise das cheias e inundações, processos hidrogeomorfológicos extremos e potencialmente devastadores, é importante sobretudo em territórios frequentemente afetados, como é o caso do território português, onde estes desastres naturais provocam avultadas perdas e danos, afetando pessoas, bens e serviços em várias regiões do país. Neste sentido, procedemos à análise das cheias no centro urbano da cidade de Amarante (Norte de Portugal), tendo como principal objetivo a delimitação de áreas inundáveis, bem como a determinação de outros parâmetros descritivos da inundação: profundidade da água e velocidade do fluxo. Assim, recorremos à modelação hidráulica utilizando o software Iber que usa um modelo matemático bidimensional para a simulação do fluxo da água em rios e estuários (Bladé et al., 2012). Os resultados obtidos mostram as áreas mais críticas à ocorrência destes eventos extremos sendo que, no caso da cidade de Amarante, se destacam dois arruamentos da margem esquerda do rio Tâmega (Rua 31 de Janeiro e Largo Conselheiro António Cândido). Estas ruas concentram muitas atividades e serviços o que faz com que sejam bastante movimentadas podendo, em caso de cheia, provocar elevados prejuízos e danos materiais nos vários estabelecimentos comerciais. Para além disso, através dos resultados percebemos a grande influência que a ponte existente no setor em estudo (ponte histórica de São Gonçalo) tem no agravamento destes processos, visto que funciona como estrangulamento do vale e barreira à livre circulação da corrente. A aplicação da modelação hidráulica no estudo das cheias e inundações revela-se uma mais-valia, pois é um processo que gera resultados fiáveis que permitem avaliar as áreas críticas à ocorrência destes eventos, através da elaboração de cartografia que se assume como um importante instrumento de suporte a um adequado ordenamento do território. Contudo, é necessário salientar que a modelação hidráulica está muito dependente dos dados de base, nomeadamente, de um modelo digital de superfície (MDS) pormenorizado.

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Delimitação de áreas inundáveis no centro urbano de Amarante, Norte de Portugal, utilizando o software IBER

Author: Martins, Márcia Castro,Gomes, António Alberto Teixeira,Santos, Pedro Pinto
Publisher: Brazilian Geomorphological Union
Year: 2019
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/37742/1/1407-386387879-1-PB.pdf
Re is a B asilei a de Geomo ologia
. 20, nº 1 (2019)
h p://dx.doi.o g/10.20502/ bg. 20i1.1407
www.ugb.o g.b
ISSN 2236-5664
DELIMITAÇÃO DE ÁREAS INUNDÁVEIS NO CENTRO URBANO DE
AMARANTE, NORTE DE PORTUGAL, UTILIZANDO O SOFTWARE IBER
DELIMITATION OF FLOOD-PRONE AREAS IN THE URBAN CENTER
OF AMARANTE, NORTH OF PORTUGAL, USING THE IBER SOFTWARE
Má cia Ma ilde Cas o Ma ins
Faculdade de Le as, Uni e sidade do Po o
Via Pano âmica, s/n, Po o. CEP: 4150-564. Po ugal
E-mail: ma ciam_cas o@ho mail.com
An ónio Albe o Teixei a Gomes
Faculdade de Le as, Uni e sidade do Po o
Via Pano âmica, s/n, Po o. CEP: 4150-564. Po ugal
E-mail: [email p o ec ed]
Ped o Pin o San os
Cen o de Es udos Sociais, Uni e sidade de Coimb a
Colégio de S. Je ónimo, Apa ado 3087, Coimb a. CEP: 3000-995. Po ugal
E-mail: ped [email p o ec ed]
Resumo:
A análise das cheias e inundações, p ocessos hid ogeomo ológicos ex emos
e po encialmen e de as ado es, é impo an e sob e udo em e i ó ios
equen emen e a e ados, como é o caso do e i ó io po uguês, onde es es
desas es na u ais p o ocam a ul adas pe das e danos, a e ando pessoas, bens
e se iços em á ias egiões do país. Nes e sen ido, p ocedemos à análise das
cheias no cen o u bano da cidade de Ama an e (No e de Po ugal), endo como
p incipal obje i o a delimi ação de á eas inundá eis, bem como a de e minação
de ou os pa âme os desc i i os da inundação: p o undidade da água e elocidade
do fl uxo. Assim, eco emos à modelação hid áulica u ilizando o so wa e Ibe
que usa um modelo ma emá ico bidimensional pa a a simulação do fl uxo da
água em ios e es uá ios (BLADÉ e al., 2012). Os esul ados ob idos mos am
as á eas mais c í icas à oco ência des es e en os ex emos sendo que, no caso
da cidade de Ama an e, se des acam dois a uamen os da ma gem esque da do
io Tâmega (Rua 31 de Janei o e La go Conselhei o An ónio Cândido). Es as
uas concen am mui as a i idades e se iços o que az com que sejam bas an e
mo imen adas podendo, em caso de cheia, p o oca ele ados p ejuízos e danos
ma e iais nos á ios es abelecimen os come ciais. Pa a além disso, a a és dos
esul ados pe cebemos a g ande infl uência que a pon e exis en e no se o em
es udo (pon e his ó ica de São Gonçalo) em no ag a amen o des es p ocessos,
is o que unciona como es angulamen o do ale e ba ei a à li e ci culação
In o mações sob e o A igo
Recebido (Recei ed):
05/03/2018
Acei o (Accep ed):
16/11/2018
Pala as-cha e:
Cheias/Inundações; Modelação
Hid áulica; So wa e Ibe .
Keywo ds:
Floods; Hyd aulic Modeling;
Ibe So wa e.
Ma ins M. M. C. e al.
Re . B as. Geomo ol. (Online), São Paulo, .20, n.1, (Jan-Ma ) p.185-200, 2019
da co en e. A aplicação da modelação hid áulica no es udo das cheias e inundações e ela-se uma mais- alia,
pois é um p ocesso que ge a esul ados fi á eis que pe mi em a alia as á eas c í icas à oco ência des es e en os,
a a és da elabo ação de ca og afi a que se assume como um impo an e ins umen o de supo e a um adequado
o denamen o do e i ó io. Con udo, é necessá io salien a que a modelação hid áulica es á mui o dependen e dos
dados de base, nomeadamen e, de um modelo digi al de supe ície (MDS) po meno izado.
Abs ac :
The analysis o fl oods, conside ed ex eme and po en ially de as a ing p ocesses, is impo an o e i o ies ha
a e equen ly aff ec ed, such as he Po uguese e i o y, whe e, annually, hese na u al disas e s cause losses and
damages, aff ec ing people, goods and se ices in se e al places along he coun y. In his sense, we analyze he
fl oods on he u ban cen e o Ama an e ci y (no he n egion o Po ugal) whose main pu pose is he delimi a ion
o fl ood-p one a eas, and also he de e mina ion o o he desc ip i e pa ame e s o he fl ood, such as dep h and
wa e eloci y. The e o e, he Ibe so wa e was used a wo-dimensional ma hema ical model o he simula ion
o wa e fl ow in i e s and es ua ies (BLADÉ e al., 2012). The ob ained esul s show he mos c i ical a eas o
he occu ence o hese ex eme e en s, and in he case o he ci y o Ama an e, wo s ee s on he le bank o he
Tâmega i e (Rua 31 de Janei o and La go Conselhei o An ónio Cândido) s and ou . These s ee s concen a e a lo
o ac i i ies and se ices which make hem e y busy places and, in case o fl ood, en ail many di ec and indi ec
losses and ma e ial damages in se e al comme cial es ablishmen s. In addi ion, wi h he esul s, we can unde s and
he big infl uence ha he exis ing b idge in he s udied sec o (his o ical São Gonçalo b idge) has in he agg a a ion
o hese p ocesses, once i ac as a ba ie o he wa e ci cula ion. The applica ion o hyd aulic modeling in he
s udy o fl oods is an asse , since he p ocess gene a es eliable esul s, allowing he defi ni ion o c i ical a eas o
he occu ence o hese e en s, h ough he elabo a ion o ca og aphy ha shows i sel as an impo an ins umen ,
in suppo o app op ia e spa ial planning. Howe e , i is impo an o highligh ha hyd aulic modeling is e y
dependen on he inpu da a, in pa icula , on a de ailed digi al su ace model (DSM).
1. In odução
Os e en os hid ológicos ex emos, especialmen e
as cheias/inundações fl u iais são conside ados um dos
desas es de o igem na u al mais equen es e impo -
an es em e i ó io eu opeu, em e mos de p ejuízos
económicos (EEA, 2017; MOEL e al., 2009). Vá ios
au o es de endem que, em di e sas egiões da Eu opa,
nos depa amos com um aumen o da equência e in ensi-
dade des es e en os (MILLS, 2005; KUNDZEWICZ e
al., 2007; EEA, 2017). Es es e en os implicam ele ados
p ejuízos pa a as populações, bens e meio ambien e,
daí a necessidade de se ado a em medidas que edu-
zam os seus impac os, e i ando a exposição de no os
elemen os e a enuando a ulne abilidade daqueles que
já se encon am expos os. Pa a além disso, os danos
e pe das p o ocados pelas cheias êm aumen ado nos
úl imos anos, o que pode se explicado pela implan ação
de no os elemen os expos os nas á eas mais p opensas
a cheias e inundações (EEA, 2010). Com e ei o, a pa
des e aumen o de pessoas e bens em á eas susce í eis
a es es p ocessos, assis e-se a uma c escen e conscien-
cialização daquilo que o isco de cheias ep esen a pa a
as populações, a economia e o ambien e, bem como a
impo ância que um planeamen o e o denamen o do
e i ó io efi cazes podem e na edução des es desas es
(SÁ e al., 2016).
Nes e con ex o, oi implemen ada a Di e i a
2007/60/CE do Pa lamen o Eu opeu e do Conselho
da União Eu opeia, que ob iga os Es ados-Memb os a
desen ol e es a égias que mi iguem os impac os ne-
ga i os das cheias, a a és de uma a aliação p elimina
dos iscos de cheias, da elabo ação de ca as de zonas
inundá eis e ca as de isco de inundações que, pos e-
io men e, auxiliam na defi nição dos Planos de Ges ão
dos Riscos de Inundações (UE, 2007). Em Po ugal,
o p oje o de in es igação DISASTER1 ouxe no os
dados sob e o ema, median e c iação de uma base de
dados sob e desas es hid ológicos e geomo ológicos,
oco idos em Po ugal con inen al, en e 1865 e 2010.
Es a base de dados assume uma g ande impo ância na
1 h p:// iskam.ul.p /disas e /
Delimi ação de Á eas Inundá eis no Cen o U bano de Ama an e, No e de Po ugal, U ilizando o So wa e Ibe
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a aliação e ges ão do isco, dado que analisa a dis ibui-
ção espacial des es desas es e a alia a susce ibilidade
dos e i ó ios e ulne abilidade dos elemen os em
isco (SANTOS e al., 2012). Em Po ugal, as cheias
e inundações oco em com ele ada equência, p o o-
cando inúme os p ejuízos, em á ias egiões do país,
sendo Ama an e um desses locais, onde a oco ência de
cheias e inundações emon a a empos mui o ecuados
(TEDIM e al., 2010) e, semp e que o io ansbo da
as ma gens do lei o no mal (mui o a ifi cializado), são
nume osos os p ejuízos que a e am a aixa ibei inha
(GOMES e COSTA, 2004), dada a g ande concen ação
de a i idades, se iços e locais de in e esse u ís ico.
Assim, o obje i o p incipal des e abalho p ende-
-se com a delimi ação de á eas inundá eis pa a um
pe íodo de e o no de 100 anos eco endo à modelação
hid áulica, bem como a de e minação de ou os pa âme-
os desc i i os da inundação, ais como a p o undidade
da água e a elocidade do fl uxo. Foi elabo ado um mapa
de pe igosidade, pa a um pe íodo de e o no de 100
anos, a pa i do qual se des acam os locais mais c í i-
cos em e mos de pe igosidade a cheias, sinalizando-se
alguns dos p incipais elemen os expos os nessa á ea.
A modelação hid áulica é cada ez mais usada pa a o
es udo das cheias e inundações (DI BALDASSARRE,
2012), assim como, pa a a ges ão das á eas inundá eis
e mi igação dos iscos associados a es es p ocessos.
1.1. Á ea de Es udo
A cidade de Ama an e localiza-se no no e de Po -
ugal e desen ol e-se em ambas as ma gens do io Tâ-
mega, um dos p incipais afl uen es da ma gem di ei a do
io Dou o, com um comp imen o de ap oximadamen e
187,59 km (Figu a 1A). Assim, a á ea de es udo in eg a-
-se na bacia hid og áfi ca do io Tâmega, que ap esen a
uma á ea de ce ca de 3314,77 km², pe encendo 80%
(2645 km²) a Po ugal e apenas 20% (669,77 km²) a
Espanha, ab angendo 18 concelhos po ugueses, en e
os quais des acamos: Ama an e ( o almen e incluído na
bacia hid og áfi ca do io Tâmega), Bo icas, Cabecei-
as de Bas o, Cha es, Mondim de Bas o, en e ou os
(APA, 2012). Es a bacia hid og áfi ca desen ol e-se,
p edominan emen e, segundo uma o ien ação NE - SW,
encaixando-se en e as se as do Al ão (1283 me os)
e Ma ão (1416 me os), na pa e o ien al, as se as da
Cab ei a (1262 me os) e do Ba oso (1279 me os), na
pa e ociden al (COSTA, 1998). Em elação ao clima, o
ale do Tâmega localiza-se numa á ea de ansição que
a ia consoan e a dis ibuição das massas mon anhosas
que o delimi am, cons i uindo um espaço onde ainda
pene am as massas de a ma í imo, embo a já de o ma
indi e a, dado que os pe íodos a lân icos al e nam com
os de ma iz con inen al (RIBEIRO e al., 1988).
Em elação à p ecipi ação, sendo uma das a iá-
eis climá icas que mais con ibui pa a a comp eensão
da génese das cheias, é impo an e salien a que a
bacia hid og áfi ca do io Tâmega, si uada no No oes e
po uguês, ap esen a alo es anuais ela i amen e ele-
ados, com alo es médios de 1438 mm (pe íodo de
1931 - 1960, dado que pa a a es ação me eo ológica
de Ama an e não exis em no mais clima ológicas mais
ecen es) (Figu a 1C). Em e mos de al i ude, a bacia
hid og áfi ca do io Tâmega desen ol e-se en e os 15 e
os 1523 me os, e ifi cando-se um aumen o da al i ude
à medida que nos a as amos do ale do Tâmega, em
di eção aos conjun os mon anhosos que a delimi am
(Figu a 1B).
Analisando o pe fi l longi udinal do io Tâmega
(Figu a 1D) pe cebemos que es e nasce po ol a dos
950 me os de al i ude so endo, em menos de 10 km,
uma descida ab up a pa a co as p óximas dos 500 me-
os de al i ude. No es an e pe cu so, o io ap esen a
uma descida g adual do decli e a é à desembocadu a.
A fi gu a 1D coloca ainda em e idência a possí el infl u-
ência que a ba agem do To ão (concluída em 1988, a
jusan e de Ama an e) em na oco ência das cheias em
Ama an e, is o que uma maio e enção das águas pode
p o oca um aumen o da coluna de água a mon an e.
Es es emp eendimen os hid oelé icos de e iam e um
impac o posi i o na egula ização dos caudais mais
ele ados e, consequen emen e, na equência e magni-
ude das cheias. No en an o, e ifi ca-se, po ezes, uma
descoo denação e pouco efi cien e ges ão dos caudais po
pa e das au o idades esponsá eis, como acon eceu,
po exemplo, nos ios Tejo (1978 e 1979) e Mondego
(2000/2001 e 2016), onde as desca gas con ínuas das
ba agens p o oca am cheias e inundações em á ias
egiões do cen o do país, colocando em causa a in a-
libilidade écnica des as ob as hid áulicas (RAMOS e
REIS, 2001; CUNHA, 2002; PAIVA, 2005/06; ORDEM
DOS ENGENHEIROS, 2016).
Ma ins M. M. C. e al.
Re . B as. Geomo ol. (Online), São Paulo, .20, n.1, (Jan-Ma ) p.185-200, 2019
Figu a 1 - (A) Enquad amen o geog áfi co de á ea de es udo; (B) Hipsome ia da bacia hid og áfi ca do io Tâmega; (C) P ecipi ação média
anual na bacia hid og áfi ca do io Tâmega; (D) Pe fi l longi udinal do io Tâmega.
Delimi ação de Á eas Inundá eis no Cen o U bano de Ama an e, No e de Po ugal, U ilizando o So wa e Ibe
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1.2. Cheias em Ama an e
O cen o his ó ico e u bano da cidade de Ama an e
é equen emen e a e ado po cheias e inundações (Figu a
2), exis indo egis os des es e en os desde o século XVII
em que, segundo ela os da época, oco eu uma cheia
impo an e (TEDIM e al., 2010). Já no século XVIII,
sabe-se que na sequência de uma cheia, em 1763, se deu
o desmo onamen o da p imi i a pon e onde, a ualmen e,
se encon a a pon e de São Gonçalo classifi cada como
monumen o nacional desde 1910 (DELGADO, 2014).
Pe an e es a ealidade, su giu o in e esse pelo
es udo des es p ocessos po encialmen e de as ado es,
os quais já o am abo dados po di e sos au o es (PE-
DROSA e COSTA, 1999; TEDIM e al., 2010), mas
que a ní el nacional em e mos da Di e i a 2007/60/CE,
ainda não é de idamen e conside ado, e ifi cando-se
algumas lacunas ao ní el da ges ão do isco, uma ez
que a á ea ibei inha da cidade não é econhecida como
uma zona c í ica nos Planos de Ges ão dos Riscos de
Inundações.
Figu a 2 - (A) Cheia de ma ço de 2001 ( is a a mon an e da pon e de São Gonçalo); (B) Cheia de janei o de 2016 ( is a a mon an e da pon e de
São Gonçalo); (C) Pe spe i a a mon an e da pon e de São Gonçalo com caudal ap ox. do lei o no mal; (D) Ma cas das p incipais cheias oco idas
na cidade de Ama an e; (E) Cheia de janei o de 1939 ( is a do La go Conselhei o An ónio Cândido); (F) Pe spe i a do La go Conselhei o An ónio
Cândido na a ualidade; (G) Cheia de ab il de 1962 ( is a da Rua 31 de Janei o); (H) Pe spe i a da Rua 31 de Janei o na a ualidade.

Ma ins M. M. C. e al.
Re . B as. Geomo ol. (Online), São Paulo, .20, n.1, (Jan-Ma ) p.185-200, 2019
2. Ma e iais e Mé odos
Pa a a ealização des e abalho, inicialmen e,
oi necessá io e e ua mos a ecolha e a amen o dos
dados de base, i.e., dados al imé icos, me eo ológicos
e hid ológicos (Tabela 1), que auxilia am na execução
da modelação hid áulica.
Assim, numa p imei a ase, escolheu-se a á ea
a modela que co esponde a um pequeno oço do
io Tâmega (ca. de 580 me os) na sua passagem pelo
cen o u bano de Ama an e e, pos e io men e, p ocede-
mos à ge ação do modelo digi al de supe ície (MDS).
Es a e apa é ex emamen e impo an e, uma ez que as
cheias são mui o condicionadas pelas ca ac e ís icas
da supe ície, daí se necessá ia uma adequada ep e-
sen ação da mesma. Nes e sen ido, ez-se o a amen o
da in o mação al imé ica de base (escala 1:10 000),
cedida pela Câma a Municipal de Ama an e à Facul-
dade de Le as da Uni e sidade do Po o. Du an e es e
p ocesso, os dados de base, nomeadamen e, cu as de
ní el e pon os co ados (em média, dis anciados ca. de
10m na ho izon al), que se encon a am num o ma o
na i o do Au oCAD (.dwg) o am con e idos pa a
fi chei os em o ma o shapefi le (.shp) sendo depois a
pa i des es, ge ado o modelo digi al de e eno (MDT)
de base que não ap esen a a o igo necessá io pa a a
ealização da modelação hid áulica (Figu a 3A). Po
es a azão, p ocedeu-se a uma a ualização e a amen o
da ca og afi a o iginal, incluindo-se no os elemen os
ais como edi ícios, mu os/ma gens, pon es, passeios e
uas (Figu a 3B). Es e p ocesso de co eção do MDT
de modo a ob e -se um MDS (Figu a 3C) exigiu um
de alhado abalho de campo pa a adqui i as medidas
necessá ias à inco po ação des es no os elemen os,
eco endo-se pa a o e ei o a di e sas e amen as como,
po exemplo, fi a mé ica, fi o de p umo e uma aplicação
pa a sma phone, designada po “Sma Measu e”2.
Assim, pa indo das co as o necidas pela ca og afi a
de base, às quais o am ac escen adas as medidas dos
no os elemen os ob idas a pa i do abalho de campo,
após o a amen o e p ocessamen o no so wa e A cGis,
oi possí el a c iação de um MDS mais de alhado. Es e
p ocesso de co eção do MDT e elou-se imp escindí-
el pa a a ob enção de um modelo adequado à ealização
da modelação hid áulica, sendo no ó ias as al e ações
e e uadas, sob e udo nas ma gens que se ap esen a am
bas an e indefi nidas e imp ecisas no MDT de base.
Apesa de na secção escolhida pa a e e ua a
modelação se e ifi ca a exis ência de duas pon es,
nes e es udo, op ou-se po inclui no modelo apenas
uma, a pon e de São Gonçalo, pois dada a dimensão e
olume dos seus pila es, es a a ua como um en a e à
li e ci culação das águas. O o ma o da pon e em ês
a cos co esponde a um es ei amen o do ale e do canal
do io Tâmega, o que ag a a a si uação de enchen e a
mon an e (Figu a 4A/B). Assim, pa a inclui a pon e
ou pelo menos, ep oduzi o seu e ei o no modelo,
oi de e minado o caudal ap oximado que cada a co
pode ia escoa , u ilizando-se, pa a o e ei o, a Equação
Fundamen al da Hid odinâmica exp essa pela equação
Q = S x V, em que Q é o caudal em m³/s, S co esponde
à secção em m² e V à elocidade da água em m/s (CA-
BEZAS, 1983). Pa a de e mina a secção, calculou-se
a á ea dos a cos, pa indo do p essupos o que o a co do
meio co espondia a meia ci cun e ência e, os a cos das
ex emidades, à junção de duas peças, nomeadamen e,
um e ângulo e meia ci cun e ência. Rela i amen e à
elocidade a ingida na secção ans e sal da pon e, os
dados o am ob idos p e iamen e a a és do so wa e
Ibe , que ap esen ou o alo de 5 m/s.
Tabela 1: Sín ese dos p incipais dados u ilizados pa a a ealização da modelação hid áulica.
Dados Desc ição Fon e
Al ime ia In o mação al imé ica de base (cu as de ní el e
pon os co ados). Escala 1:10 000. Câma a Municipal de Ama an e
COS 2010 Ca a de Ocupação do Solo (COS) de Po ugal
Con inen al e e en e ao ano de 2010. Escala 1: 25 000.
DGT (Di eção-Ge al do
Te i ó io)
P ecipi ação diá ia
máxima anual
Sé ie de dados da p ecipi ação diá ia máxima anual (1964
a 1994), pa a a es ação udog áfi ca de Celo ico de Bas o.
SNIRH (Sis ema Nacional
de In o mação de Recu sos
Híd icos)
2 h ps://play.google.com/s o e/apps/de ails?id=k .si a.measu e&hl=p _PT
Delimi ação de Á eas Inundá eis no Cen o U bano de Ama an e, No e de Po ugal, U ilizando o So wa e Ibe
Re . B as. Geomo ol. (Online), São Paulo, .20, n.1, (Jan-Ma ) p.185-200, 2019
Após es es cálculos, o am ob idos os esul ados
ap esen ados no quad o da fi gu a 4C, sendo, pos e io -
men e, u ilizado o alo da quan idade de água o al
escoada pelos ês a cos da pon e (2412 m³/s) pa a se
defi ni uma única secção, es ei ando as ma gens a é se
a ingi esse alo (Figu a 4C).
Na e apa seguin e oi necessá io de e mina o cau-
dal máximo de cheia pa a um pe íodo de e o no de 100
anos, c ucial pa a ealização da modelação hid áulica,
possibili ando a delimi ação do pe íme o de inundação
de um e en o com es a p obabilidade de eco ência.
Pa a isso, e e uou-se a modelação hid ológica com base
na ó mula de Giando i, a a és da qual oi possí el
de e mina pa a um pe íodo de e o no de 100 anos,
um caudal de ap oximadamen e 2283,7 m³/s (SNIRH,
2017), alo que pos e io men e oi in oduzido na
modelação hid áulica como condição de en ada.
Após a de e minação do caudal máximo seguiu-
-se a a ibuição dos alo es de ugosidade, a a és do
coefi cien e de Manning, pa a cada ipo de uso do solo,
baseando-se na ca og afi a de uso e ocupação do solo
(COS 2010, escala 1:25.000), disponibilizada pela
Di eção-Ge al do Te i ó io (DGT, 2017), pa a o se o
onde se p e ende ealiza a modelação. Os alo es
ep esen a i os do coefi cien e de Manning dependem
essencialmen e da ugosidade da supe ície, da quan-
idade de ege ação e da i egula idade do canal, po
isso, quan o maio o o seu alo , mais ele ada se á a
esis ência o e ecida ao fl uxo (CHAUDHRY, 2007).
Te minada a p epa ação dos dados de base,
e e uamos a modelação hid áulica com ecu so ao
so wa e Ibe que é de uso li e, podendo se desca -
egado g a ui amen e. Es e so wa e su giu em 2010 e
desen ol eu-se di e amen e a pa i da adminis ação
pública espanhola, em colabo ação com á ios g upos e
uni e sidades, des acando-se, den o dos seus di e sos
campos de aplicação, a de e minação e a aliação das
á eas inundá eis (BLADÉ e al., 2012).
Figu a 3 - (A) Modelo digi al do e eno de base; (B) A ualização e a amen o da ca og afi a de base; (C) Modelo Digi al de Supe ície
(MDS) co igido.
Ma ins M. M. C. e al.
Re . B as. Geomo ol. (Online), São Paulo, .20, n.1, (Jan-Ma ) p.185-200, 2019
O modelo Ibe ap esen a di e en es módulos
de cálculo, ais como, o módulo hid odinâmico pa a
de e mina a p o undidade e elocidade da água, e
dispõe ambém de um módulo de u bulência e um
módulo de anspo e de sedimen os, que lhe con e em
capacidades adicionais (IBER, 2012; MUÑOZ, 2012).
O módulo hid odinâmico, que é a base de odos os p o-
cessos incluídos nes a e amen a, esol e as equações
bidimensionais de Sain Venan , ambém conhecidas
como 2D Shallow Wa e Equa ions, inco po ando os
e ei os p o ocados pela u bulência e icção supe fi -
cial do en o (BLADÉ e al., 2012). O so wa e Ibe
encon a-se es u u ado em ês e apas p incipais, sendo
elas o p é-p ocesso, p ocesso e pós-p ocesso. Na p i-
mei a e apa (p é-p ocesso), p ocede-se à defi nição ou
impo ação da geome ia, de e minação das condições
do p oblema, a ibuição dos alo es de ugosidade do
solo, c iação da malha de cálculo, en e ou os p oce-
Figu a 4 - (A) Medidas da pon e de São Gonçalo, em Ama an e ( on e: Di eção Ge al do Pa imónio Cul u al); (B) Fo og afi a da Pon e
de São Gonçalo, em Ama an e ( is a de jusan e com caudal ap ox. do lei o no mal); (C) Inco po ação do e ei o da pon e de São Gonçalo
no modelo hid áulico.
Delimi ação de Á eas Inundá eis no Cen o U bano de Ama an e, No e de Po ugal, U ilizando o So wa e Ibe
Re . B as. Geomo ol. (Online), São Paulo, .20, n.1, (Jan-Ma ) p.185-200, 2019
dimen os adicionais. Nes a e apa, p ocedemos à impo -
ação da geome ia a pa i do MDS, op ando-se pela
u ilização da me odologia RTIN (Righ -T iangula ed
I egula Ne wo k) que consis e em di idi a supe ície
do e eno em iângulos e ângulos de á ios amanhos.
Po ém, quan o maio o o núme o de iângulos, mais
ap oximada se á a geome ia às ca ac e ís icas eais
do e eno, mas ambém mais ele ado se á o empo
de simulação (IBER, 2012). Ainda na p imei a e apa,
é ge ada a malha de cálculo que possui o iplo dos
elemen os exis en es na geome ia pa a se ep esen a
com o maio igo as zonas inundá eis, cons i uindo
um elemen o undamen al pa a a ob enção de bons
esul ados. Na segunda e apa (p ocesso) é lançado o
cálculo e, na e cei a (pós-p ocesso), isualizam-se os
esul ados ob idos. Assim, pa a a conc e ização das
á ias e apas são necessá ios dados de base, ais como,
um acei á el modelo digi al de supe ície (MDS), os
alo es dos caudais de pon a de cheia pa a a defi nição
das condições de en ada do fl uxo e a a ibuição dos
alo es do coefi cien e de Manning pa a cada ipo de
uso do solo.
3. Resul ados
As e amen as de modelação como po exemplo,
o Ibe , êm en e as suas di e sas aplicações o cálculo e
a aliação de á eas p opensas a cheias e inundações, con-
side ando á ios pa âme os como o alcance máximo da
inundação, a al u a da coluna de água e a elocidade do
fl uxo, que ajudam a en ende es es p ocessos (MOEL e
al., 2009). Assim, a modelação hid áulica pe mi iu a deli-
mi ação da á ea inundá el pa a um pe íodo de e o no de
100 anos, bem como a análise da al u a da coluna de água
e da elocidade do escoamen o. Tal como de ende MOEL
e al. (2009), os mapas que ep esen am a ex ensão máxima
de uma cheia/inundação pa a um e en o específi co, são os
mais comuns en e os mapas de pe igo de cheias, podendo
ca ac e iza um episódio his ó ico ou um de e minado
e en o com um pe íodo de e o no específi co.
Figu a 5 - Á ea inundada pa a um e en o de cheia como um pe íodo de e o no de 100 anos.
Ma ins M. M. C. e al.
Re . B as. Geomo ol. (Online), São Paulo, .20, n.1, (Jan-Ma ) p.185-200, 2019
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