Psic. da Ed., São Paulo, 45, 2º sem. de 2017, pp. 1-10
A ESCOLA PORTUGUESA PELOS OLHOS DOS ADOLESCENTES
The Po uguese School Th ough he Eyes o Adolescen s
La Escuela Po uguesa po los Ojos de los Adolescen es
Inês Nob e Ma ins Camacho
Ma a So ia Pe ei a dos Reis
Gina Ma ia Quinás Tomé
Cá ia B anquinho
Ma ga ida Gaspa de Ma os
Uni e sidade de Lisboa
Resumo
Os jo ens que e e em gos a da escola ap esen am mais compo amen os posi i os associados, nomeadamen e
melho desempenho académico e mais bem-es a . O p esen e es udo em como obje i os:1) comp eende a
elação exis en e en e o gos o pela escola e capacidade académica, e; 2)o que os jo ens gos a iam de muda
nas suas escolas; 3) e i ica as a iá eis que pode ão p edize o gos o pela escola e a capacidade académica
pe cebida; 4) analisa as a iá eis elacionadas com a escola nomeadamen e a p essão com os abalhos da
escola, p oblemas com a escola, elação com os colegas da escola e com os p o esso es. Pa icipa am 6026
alunos do 6º 8º e 10º ano de escola idade que in eg a am o es udo Heal h Beha iou in School – Aged
child en (HBSC) em 2014. Os jo ens que e e em gos a mui o da escola são os que não muda iam nada na
sua escola e são os que êm mais con iança nos p o esso es. Os alunos e e em que as ma é ias são demasiado
ex ensas, abo ecidas e mesmo inú eis salien ando alguns a p essão dos pais pa a o sucesso escola . Os esul ados
apon am pa a a necessidade de e e as polí icas públicas exis en es no ensino po uguês sendo c ucial in e i
nas escolas, jun o das amílias, p o esso es e jo ens.
Pala as-cha e: capacidade acadêmica, mudanças na escola, gos o pela escola, polí icas públicas
Abs ac
Young people who epo ed o like school ha e mo e posi i e beha io s associa ed, including be e academic
pe o mance and mo e well-being. This s udy aims o unde s and 1) he ela ionship be ween liking school
and academic abili y 2) wha young people would like o change in hei schools, 3) check he a iables
ha may p edic liking school and pe cei ed academic abili y 4) analyze he a iables ela ed o he school
including p essu e wi h school wo k, p oblems abou school, ela ionship wi h classma es and eache s. 6026
s uden s om 6 h, 8 h and 10 h g ades ha in eg a ed he s udy Heal h Beha iou in School - Aged child en
(HBSC) in 2014 pa icipa ed. Young people ha epo ed o like school e y much a e hose who would
no change any hing in hei school and a e he ones who ha e mo e us in eache s. S uden s epo ha
school subjec s a e oo ex ensi e, oo bo ing and e en useless and e e ed some nega i e pa en al o e p essu e
ega ding school success. The esul s sugges he need o e iew exis ing policies in Po uguese educa ion
sys em poin ing ou ha i is c ucial o in e ene in schools, wi h amilies, eache s and young people.
Keywo ds: school, pe cei ed academic abili y, changes in school, like school
Resumen
Los jó enes que epo a on que les gus a el colegio ienen compo amien os más posi i os asociados, incluyendo
un mejo endimien o académico y un mayo bienes a . Es e es udio iene como obje i o comp ende : 1) la
elación en e el gus o po la escuela y la capacidad académica; 2) que les gus a ía cambia en sus escuelas;
3) de e mina las a iables que pueden p edeci el gus o po la escuela y la capacidad académica pe cibida;
4) analiza las a iables elacionadas con la escuela, incluyendo la p esión con el abajo escola , p oblemas en
la escuela, las elaciones con los compañe os y p o eso es. Pa icipado 6026 alumnos de 6º, 8º y 10º g ado
que in eg a on el es udio Heal h Beha iou in School – Aged child en (HBSC) em 2014. Los jó enes que
le gus an la escuela son aquellos que no cambia ían nada en su escuela y son aquellos que p esen an más
con ianza en los maes os. Los es udian es epo an que los ma e iales son demasiado g andes, abu ido e
Psic. da Ed., São Paulo, 45, 2º sem. de 2017, pp. 1-10
Inês Nob e Ma ins Camacho, Ma a So ia Pe ei a dos Reis, Gina Ma ia Quinás Tomé, Cá ia
B anquinho, Ma ga ida Gaspa de Ma os
DOI: 10.5935/2175-3520.20170012
2 Inês Nob e Ma ins Camacho, Ma a So ia Pe ei a dos Reis, Gina Ma ia Quinás Tomé, Cá ia B anquinho, Ma ga ida Gaspa de Ma os
Psic. da Ed., São Paulo, 45, 2º sem. de 2017, pp. 1-10
somen e o seu desempenho académico, mas am-
bém êm in luência no seu desen ol imen o social e
emocional. Es udos suge em que o en ol imen o e a
disciplina na escola in luenciam a sensação de sucesso
e exis ência de expec a i as no u u o (Piko & Ko ács,
2010). Jo ens que enham boa elação com os p o-
esso es e os colegas ap esen am meno es índices de
compo amen os de isco e meno es axas de abandono
escola (Yibing e al., 2011).Uma pe ceção nega i a
da escola aumen a a p obabilidade de en ol imen o
em compo amen os de isco, do absen ismo escola ,
do en ol imen o emlu as e o po e de a mas (Kasen,
Ba enson, Cohen, & Johnson, 2004).
Segundo o es udo Heal h Beha iou School-
aged Child en (HBSC) que con a com a pa icipação
de 44 países (Inchley e al., 2016), omando o úl imo
es udo ealizado em Po ugal em 2014hou e uma
descida da equência de jo ens que e e em gos a da
escola compa ando es e es udo com o es udo an e io
de 2010(Ma os e al., 2012, 2015).Os jo ens po u-
gueses compa ados com os jo ens eu opeus de aco do
com mais do que um es udo in e nacional(HBSC e
PISA) são dos que ap esen am pio ealização escola
que em esul ado de p o as que na sua pe ceção.
Habi ualmen e e e em gos a da escola; no en an o,
esse gos o e e e-se mais aos ec eios, à elação com os
colegas e com algumas a i idades ou com alguns p o-
esso es, e em indo a diminui (Ma os e al., 2015).
O Conselho Nacional de Educação (CNE)
ap esen ou ecen emen e um ela ó io sob e o Es ado
da Educação 2015 (CNE, 2016) com base no es udo
do HBSC nas suas ul imas cinco sé ies (1998, 2002,
2006, 2010 e 2014) salien am que os alunos que
e e emgos a mui o da escola ap esen am as pe cen-
agens mais ele adas quan o a não sen i p essão com
os abalhos de casa (47,1%). Quando se elaciona a
opinião dos alunos sob e “pe ceção do desempenho na
escola” e “gos a da escola”, os dados do es udo HBSC
de 2014 e e em que os adolescen es po ugueses que
gos am mui o da escola ap esen am as pe cen agens
A escola, pa a além de se um local onde os jo ens
desen ol em ap endizagens e p ocessos educacionais,
é ambém onde se p omo em elações in e pessoais
impo an es pa a acili a o seu desen ol imen o pes-
soal e social (Ruini, 2009). É um local p i ilegiado no
desen ol imen o de e amen as que ajudam os jo ens
na u ilização de es a égias de con í io com di e sas
si uações e desa ios (F ydenbe g,2008), nomeada-
men e na elação com o insucesso escola , com as
di iculdades de adap ação à escola e de egulação do
compo amen o pessoal e social. É esponsá el pela
ansmissão de pad ões e no mas compo amen ais,
endo um papel c ucial no p ocesso de socialização
da c iança e do adolescen e. É ambém capaz de uni
a iadas comunidades de pa es e p omo e a au oes-
ima e o desen ol imen o ha monioso en e jo ens,
sendo um espaço p i ilegiado de in e ações e encon os
(Bap is a, Tomé, Ma os, Gaspa , & C uz, 2008).O
gos o e a sa is ação pela escola, o apoio po pa e dos
p o esso es, o supo e pa en al e a pe ceção de au o-
nomia académica são a o es que êm sido associados
ao bem-es a na adolescência (Suldo, e al., 2008;
Danielsen, 2010; McG a h e al., 2009).
Os jo ens que e e em gos a da escola ap e-
sen am mais compo amen os posi i os associados,
nomeadamen e: melho desempenho académico,
maio es ní eis de esiliência e compo amen os de
saúde associados (Lippman & Ri e s, 2008; Ca e ,
McGee, Taylo , & Williams, 2007).Se po um lado a
sa is ação com a escola es á posi i amen e associada ao
aumen o da mo i ação pa a a ap endizagem, sendo o
desempenho académico escola di e amen e in luen-
ciado pelas capacidades de os jo ens comp eende em
e egula em as suas emoções (Va as eanu & I ime,
2013), po ou o es á nega i amen e associada a
compo amen os des ian es no g upo de pa es (Wu,
Chong,Cheng, & Chen,2007; Camacho, Tomé, Ma os,
Gami o, & Diniz, 2010) e ao compo amen o an isso-
cial (Ro h e B ooks-Gunn, 2000).
Os adolescen es passam uma g ande pa e de
seu dia na escola, as expe iências aí i idas não a e am
incluso inú il, algunos sub ayan la p esión de los pad es pa a el éxi o escola . Os esul ados apon am pa a a
necessidade de e e as polí icas públicas exis en es no ensino po uguês sendo c ucial in e i nas escolas,
jun o das amílias, p o esso es e jo ens.
Los esul ados apun an la necesidad de e isa las polí icas públicas exis en es en la enseñanza de po ugués
siendo c ucial in e eni en las escuelas, jun o a las amilias, los maes os y los jó enes.
Palab as cla e: escuela, capacidad de la escuela, cambios en la escuela, gus o po la escuela.
A escola po uguesa pelos olhos dos adolescen es 3
Psic. da Ed., São Paulo, 45, 2º sem. de 2017, pp. 1-10
co espondendo a uma axa de espos a indi idual
es imada de 79%. A amos a icou cons i uída po
47,7% de apazes e 52,3% de apa igas. De alhes sob e
o es udo e aspec os me odológicos no es udo po uguês
podem se consul ados no ela ó io e e en e a odos os
dados po ugueses (Ma os e al., 2015).Ques ioná io
anónimo e con idencial.
h p://a en u asocial.com/a qui o/1437158618_
RELATORIO%20HBSC%202014e.pd
Ma e iais
O ques ioná io in e nacional, pa a cada es udo
HBSC, é desen ol ido a a és de uma in es igação
coope a i a en e os in es igado es dos países. O
ques ioná io “Compo amen o e saúde em jo ens em
idade escola ” u ilizado nes e es udo oi o ado ado no
es udo in e nacional do HBSC – Heal h Beha iou in
School-aged Child en (Cu ie e al., 2001), cujos esul-
ados quan i a i os es ão de alhados no ela ó io
nacional do es udo (Ma os e al.,2015).
Em Po ugal, à semelhança dos ou os países
en ol idos, o am incluídos odos os i ens ob iga ó ios
do ques ioná io, ab angendo aspec os da saúde em
ní el demog á ico, compo amen al e psicossocial.
Todas as ques ões segui am o o ma o indicado no
p o ocolo in e nacional (Cu ie e al., 2001). Na p e-
sen e análise, o am u ilizadas as a iá eis e e en es
à escola: o gos o pela escola; o que gos a na escola; o
que muda ia na escola; p oblemas iden i icados e e-
en es à escola; o que muda ia na escola; elação com
os colegas; e p o esso es e capacidade escola pe cebida.
P ocedimen o
Após a seleção das escolas, essas o am con ac-
adas ele onicamen e no sen ido de con i ma sua
disponibilidade pa a colabo a no es udo.
A ecolha de dados oi ealizada a a és de um
ques ioná io online, em janei o de 2014. Os ques io-
ná ios o am aplicados às u mas em sala de aula. Os
g upos escolhidos pa a aplicação dos ques ioná ios e-
quen a am o sex o ano (35,8%), o oi a o ano (39,1%)
e o décimo ano(25,1%) de escola idade, p ocu ando
encon a assim um máximo de jo ens com 11, 13 e
15 anos de idade (M= 13.77, DP= 1.68). Segundo o
p o ocolo in e nacional (Cu ie e al., 2001), p e en-
dia-se ap oximadamen e 1500 jo ens de cada escalão
e á io em odos os países pa icipan es.
mais ele adas na pe ceção académica pe cebida (pe -
cepção do que os seus p o esso es pensam ace ca da
capacidade académica).
Com base em odos os es udos e e idos, e
com base na ealidade po uguesa, o p esen e es udo
p e ende comp eende analisa dados quan i a i os e
quali a i os do es udo HBSC em Po ugal es udando
a elação exis en e en e o gos o pela escola e capaci-
dade académica, e o que os jo ens gos a iam de muda
nas suas escolas. P e ende-se igualmen e e i ica as
a iá eis que pode ão p edize o gos o pela escola e a
capacidade académica pe cebida. Além do an e io -
men e e e ido, p e ende-se analisa as a iá eis ela-
cionadas com a escola, nomeadamen e a p essão com
os abalhos da escola, p oblemas sen idos na escola,
elação com os colegas da escola e com os p o esso es.
MÉTODO
Pa icipan es
De modo a ob e uma amos a ep esen a i a
da população escola po uguesa, no es udo HBSC
2014 o am selecionados 36 ag upamen os de escolas
do ensino egula de odo o país (Po ugal Con inen al)
e 473 u mas. A amos a oi es a i icada po egiões do
país (cinco egiões escola es): na egião No e, o am
so eados doze ag upamen os de escolas e 174 u -
mas; na egião Cen o, oi o ag upamen os de escolas
e 74 u mas; na egião de Lisboa e Vale do Tejo, no e
ag upamen os de escolas e 101 u mas; na egião do
Alen ejo, qua o ag upamen os de escolas e 55 u mas;
e na egião do Alga e, ês ag upamen os de escolas
e 59 u mas.
De aco do com o p o ocolo de aplicação do
ques ioná io Heal h Beha iou in School-aged Child en
(HBSC) pa a 2014 (Cu ie, Samdal, Boyce, & Smi h,
2001), a écnica de escolha da amos a oi a clus e
sampling, em que o clus e , ou unidade de análise, oi
a u ma.
Rela i amen e à axa de espos a ob ida dian e
do núme o de ag upamen os selecionados (36)
eponde am 35 ag upamen os, ob endo-se uma axa
de espos a de 97,2%. Rela i amen e às u mas sele-
cionadas pa a pa icipa no es udo (473) em que se
ob e e espos a de 381 u mas –80,5% de espos a.
Pelo ac o de e sido aplicado o ques ioná io online,
não oi possí el es abelece a axa de espos a po aluno
com p ecisão. Es imando-se, no en an o, a exis ência
de 20 alunos po u ma, esponde am 6026 jo ens
4 Inês Nob e Ma ins Camacho, Ma a So ia Pe ei a dos Reis, Gina Ma ia Quinás Tomé, Cá ia B anquinho, Ma ga ida Gaspa de Ma os
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– Windows” ( e são 22.0) e p ocedeu-se à sua análise
es a ís ica (análise desc i i a, es e Qui-Quad ado e
Reg essão Logís ica). As in o mações ela i as às ans-
o mações que os alunos deseja am pa a as suas escolas
o am ca ego izadas e classi icadas ambém no SPSS.
RESULTADOS
Rela i amen e ao gos o pela escola, 55,5% dos
alunos e e em que gos am mais ou menos da escola e
17,6% e e em que gos am mui o da escola.
Quando ques ionados sob e o que gos a iam
de muda na escola pa a a o na melho , ce ca de
13,1% dos jo ens e e em que gos a iam de melho a
as es u u as ísicas (ex: “aumen a o espaço dos bal-
neá ios”, “coloca aquecimen o nas salas”, “a anja as
casas de banho”); 10,4% não muda iam nada; 10,1%
muda iam a comida (ex: “ a comida da can ina pode ia
se melho e mais a iada”) e 6,2% dos alunos e e em
que gos a iam de e menos ca ga ho á ia (ex: “menos
empo de aulas”, “menos ca ga ho á ia”) ( e Tabela
1 – opções com mais de 1% de escolhas).
Fo am en iados, ia e-mail, pa a a di eção de
odas as escolas pa icipan es, uma ca a di igida ao
Di e o , ap esen ando o es udo bem como os p oce-
dimen os com os links co esponden es a cada ano de
escola idade, uma passwo d pa a cada uma das u mas
pa icipan es (sem a passwo d não se ia possí el o p een-
chimen o do ques ioná io) e o o mulá io do pedido
de consen imen o in o mado pa a en ega aos pais.
An es do p eenchimen o dos ques ioná ios in o -
ma a-se que a espos a e a olun á ia, con idencial e
anónima; o ques ioná io de au op eenchimen o oi
ealizado em sala de aula numa sala de in o má ica,
sob supe isão do p o esso da especialidade, e de e ia
se p eenchido num pe íodo de empo en e 60-90
minu os. O es udo e e a ap o ação da Comissão de
É ica do Hospi al de S. João no Po o.
Análise dos Dados
Os dados p o enien es do Limesu ey o am
ans e idos pa a uma base de dados no p og ama
“S a is ical Package o Social Sciences – SPSS
Tabela 1
O que muda iam na escola (N = 2937)
Se pudesse o que azia pa a o na a minha escola melho N %
Es u u as ísicas (“aumen a o espaço dos balneá ios”, “coloca aquecimen o
nas salas”, “a anja as casas de banho”) 386 13,1
Nada 304 10,4
Comida(“comida melho e mais a iada”) 297 10,1
Menos ca ga ho á ia (“menos empo de aulas”, “menos ca ga ho á ia”) 228 7,8
Mais empo de in e alo 221 7,5
Não sei 136 4,6
Mais es u u as de laze (“uma sala de con í io”) 120 4,1
Mais a i idades ex acu icula es (“clube de ea o”, “mais a i idades ex a
cu icula es”) 107 3,6
Aulas mais dinâmicas (“aulas mais di e idas com jogos”, “aulas in e a i as”) 104 3,5
Expulsão dos jo ens com p oblemas de compo amen o 89 3,0
Muda as a i udes dos alunos (“alunos espei assem uns aos ou os”) 89 3,0
Dos jo ens inqui idos 1,6% e e em não gos a
nada dos colegas, enquan o 54,1% e e em gos a
mui o.
Ce ca de 1,9% dos jo ens e e e que não gos a
nada dos in e alos enquan o 57,5% e e em gos a
mui o. Quando ques ionados sob e o quan o gos am
dos p o esso es, 6,5 % e e em que não gos am nada,
enquan o 15,5% e e em que gos am mui o. Quando
colocada a mesma ques ão, mas e e en e a gos a das
aulas, 12,4% dos jo ens e e em que não gos am nada,
e 9,5% e e em que gos am mui o. Ce ca de 22,6%
dos jo ens e e em que não gos am nada da comida, e
ce ca de 10,2% e e em que gos am mui o da comida
que comem na escola ( e Tabela 2).
A escola po uguesa pelos olhos dos adolescen es 5
Psic. da Ed., São Paulo, 45, 2º sem. de 2017, pp. 1-10
é demasiada ma é ia e 61,8% e e e que é po que
a ma é ia é abo ecida. Ce ca de 54,8% e e e que
nunca ou quase nunca a ma é ia é inú il, e 48,4% que
o ambien e da escola não e p oblemas. No que diz
espei o à p essão que sen em po pa e dos pais, pa a
e em boas no as, ce ca de 42,9% e e em que às ezes
sen em essa p essão ( e Tabela 3).
Rela i amen e à p essão sen ida pelos abalhos
de casa, 32,4% e e em que não sen em nenhuma
p essão, enquan o 27,7% sen em alguma, e 9,3%
mui a.
Quando ques ionados sob e os p oblemas que
iden i icam na escola, 73,5% dos jo ens e e e que
é po que às ezes a ma é ia é di ícil, 60,9%po que
Tabela 2
Dis ibuição dos sujei os pelo que gos am na escola
Não gos o nada 2 3 4 Gos o mui o
N % N % N % N % N %
Gos a da comida 1292 22.6 1089 19.0 1605 28.1 1150 20.1 581 10.2
Gos a das aulas 711 12.4 870 15.1 1927 33.5 1697 29.5 545 9.5
Gos a de a i idades
ex a-cu icula es 589 10.3 414 7.3 1235 21.6 1565 27.4 1904 33.4
Gos a dos p o esso es 374 6.5 570 9.9 1713 29.7 2219 38.5 892 15.5
Gos a dos in e alos 107 1.9 158 2.7 538 9.3 1652 28.6 3323 55.1
Gos a dos colegas 92 1.6 117 2.0 537 9.3 1907 33.0 3130 54.1
Tabela 3
Dis ibuição dos sujei os pelos p oblemas iden i icados na escola
Semp e/
quase semp e Às ezes Quase nunca/nunca
N % N % N %
Demasiada ma é ia 1342 23.4 3497 60.9 902 15.7
P essão po pa e dos pais pa a e boas no as 1243 21.7 2462 42.9 2035 35.5
Ma é ia abo ecida 1144 20.0 3536 61.8 1044 18.2
Ambien e da escola e p oblemas 651 11.4 2304 40.2 2772 48.4
Ma é ia di ícil 645 11.2 4229 73.5 883 15.3
Ma é ia inú il 589 10.3 1988 34.9 3120 54.8
Quando ques ionados sob e o que acham dos
seus colegas de u ma, 71,6% dos jo ens conco dam
que os colegas gos am de es a jun os, 77,7% conco -
dam que os colegas são simpá icos e p es á eis, 76,9%
conco dam que os colegas os acei am al como eles
são, e apenas 13.3% e e em que se sen em colocados
de lado.
No que diz espei o ao que acham ela i amen e
aos p o esso es, 79,8 dos jo ens conco dam que os
p o esso es os acei am al como são, 63,5% conco -
dam que os p o esso es se in e essam po eles como
pessoas, e 56,2% sen em con iança nos p o esso es
( e Tabela 4).
6 Inês Nob e Ma ins Camacho, Ma a So ia Pe ei a dos Reis, Gina Ma ia Quinás Tomé, Cá ia B anquinho, Ma ga ida Gaspa de Ma os
Psic. da Ed., São Paulo, 45, 2º sem. de 2017, pp. 1-10
muda iam nada na suaescola (19%, χ2=92.708,
gl.=18, p≤.001) e coloca iam mais es u u as de laze
(11.3%, χ2=92.708, gl.=18, p≤.001). Os ou os
jo ens (gos am mais ou menos da escola) são os que
e e em que muda iam as es u u as ísicas (18.6%,
χ2=92.708, gl.=18, p≤.001) e gos a iam de e aulas
mais dinâmicas (5.2%, χ2=92.708, gl.=18, p≤.001)
( e Tabela 5).
Ce ca de 51,4% dos jo ens e e em que sua
capacidade escola é mui o boa/boa, enquan o 48,5%
e e em que é média/in e io à média.
Quando compa ados os jo ens ela i amen e
ao gos o pela escola (gos o mui o; não gos o nada)
e o que muda iam na sua escola (com base nas 10
maio es pe cen agens – Tabela 2),obse a-se que os
jo ens que gos am mui o da escola são os que não
Tabela 4
Dis ibuição dos sujei os pela opinião que êm sob e colegas e p o esso es
Conco do Nem conco do
nem disco do Disco do
N % N % N %
P o esso es acei am-me como sou 4629 79.8 885 15.3 284 4.9
P o esso es in e essam-se po mim como pessoa 3685 63.5 1691 29.2 422 7.2
Sin o mui a con iança nos meus p o esso es 3260 56.2 1864 32.1 674 11.6
Colegas são simpá icos e p es á eis 4503 77.7 934 16.1 363 6.2
Colegas acei am-me como eu sou 2459 76.9 977 16.8 364 6.3
Colegas gos am de es a jun os 4151 71.6 1317 22.7 332 5.7
Sin o-me pos o de lado po se como sou 775 13.3 708 12.2 4317 74.4
Tabela 5
Dis ibuição do que gos a na escola pelo gos o pela escola
Gos o mui o
da escola
Não gos o nada
da escola Ou os To al χ2 gl.
N % N % N %
Es u u as Físicas 61 16.8 23 9.9 302 18.6
1294 92.708*** 18
Nada 69 19.0 34 14.7 201 12.3
Comida 56 15.4 13 5.6 228 14.0
Ou o 42 11.5 61 26.3 188 11.5
Mais empo de in e alo 29 8.0 26 11.2 165 10.1
Menos ca ga ho á ia 20 5.5 28 12.1 153 9.4
Mais es u u as de laze 41 11.3 13 5.6 124 7.6
Não sei 15 4.1 17 7.3 104 6.4
Mais a i idades ex acu icula es 22 6.0 6 2.6 79 4.9
Aulas mais dinâmicas 9 2.5 11 4.7 84 5.2
***p≤.001
Quando compa ados os jo ens ela i amen e
à capacidade académica pe cebida (mui o boa/boa;
média e in e io à média) e o que muda iam na sua
escola, pode-se obse a que os jo ens que e e em que
a sua capacidade é mui o boa/boa são os que muda iam
as es u u as ísicas de sua escola (19,4%, χ2=75.347,
gl.=18, p≤.001), a comida (15,3%, χ2=92.708,
gl.=18, p≤.001), gos a iam de e mais es u u as de
laze (9,2%, χ2=92.708, gl.=18, p≤.001). Os jo ens
que e e em que sua capacidade académica é média
são os que e e em que não sabem o que muda iam
na sua escola (8,7%, χ2=92.708, gl.=18, p≤.001)
( e Tabela 6).
A escola po uguesa pelos olhos dos adolescen es 7
Psic. da Ed., São Paulo, 45, 2º sem. de 2017, pp. 1-10
Fo am e e uadas duas análises de eg essão
logís ica com o obje i o de a alia os a o es p edi o-
es do gos o pela escola e pela capacidade académica
pe cebida. As a iá eis gos o pela escola (1 – gos a
da escola; 0 – não gos a da escola) e a capacidade
académica o am dico omizadas (1 – boa capacidade
académica; 0 – má capacidade académica). Todas as
a iá eis incluídas na eg essão o am dico omizadas.
Na p imei a análise de eg essão e e en e ao
gos o pela escola, ob e e-se um modelo ajus ado
(Hosme e Lemeshow χ2= 0.98 (2) p=.197) e a
equação de eg essão explicou 21% da a iância
(Nagelke ke R2=.20.6). Nesse modelo, a explicação
da condição “gos o da escola” ez-se pelas a iá eis
capacidade escola (os que e e em que sua capacidade
académica é in e io gos am menos da escola), a
ma é ia se abo ecida (os adolescen es que gos am
mais da escola são os que sen em p eocupação da
ma é ia se abo ecida), gos a dos in e alos (jo ens
que gos am da escola são os que gos am menos dos
in e alos), gos a das aulas (os jo ens que gos am
da escola gos am mais das aulas) e a con iança que
sen em nos p o esso es (os jo ens que gos am mais
da escola são os que con iam mais nos p o esso es)
( e Tabela 7).
Numa segunda análise de eg essão logís ica e e-
en e à capacidade escola pe cebidae colocando odas
as a iá eis colocadas no modelo an e io , ob e e-se
um modelo não ajus ado (Hosme e Lemeshow χ2=
0.154 (3) p=.001).
Tabela 6
Dis ibuição do que gos a na escola pela capacidade académica pe cebida
Mui o boa/Boa Média In e io
à Média To al χ2 gl.
N % N % N %
Es u u as Físicas 225 19.4 149 16.1 12 8.6
1294 75.347*** 18
Nada 156 13.5 134 14.5 13 9.3
Comida 177 15.3 107 11.6 13 9.3
Ou o 142 12.3 112 12.1 36 25.7
Mais empo de in e alo 114 9.8 93 10.1 13 9.3
Menos ca ga ho á ia 90 7.8 88 9.5 23 16.4
Mais es u u as de laze 107 9.2 63 6.8 8 5.7
Não sei 46 4.0 80 8.7 10 7.1
Mais a i idades ex acu icula es 54 4.7 46 5.0 7 5.0
Aulas mais dinâmicas 47 4.1 52 5.6 5 3.6
***p≤.001
8 Inês Nob e Ma ins Camacho, Ma a So ia Pe ei a dos Reis, Gina Ma ia Quinás Tomé, Cá ia B anquinho, Ma ga ida Gaspa de Ma os
Psic. da Ed., São Paulo, 45, 2º sem. de 2017, pp. 1-10
muda ia a comida. Ao elaciona esses dados com o
gos o pela escola e a capacidade académica pe cebida,
obse a-se que os jo ens que gos am mui o da escola
não muda iam nada na sua escola; po ou o lado, os
que e e em que êm mui o boa/boa capacidade acadé-
mica muda iam as es u u as ísicas. Es udos e e em
que os jo ens que gos am da escola êm associado um
maio bem-es a (Suldo e al., 2008; Danielsen, 2010;
McG a h e al., 2009) e menos compo amen os de
isco (Yibing e al., 2011). To na-se e iden e que o
gos o pela escola su ge como a o de p o eção na ida
do adolescen e. O ac o do gos o pela escola es a a
diminui em Po ugal, associado à aca posição de
Po ugal no es udo HBSC in e nacional desde o início
da inclusão (Cu ie e al., 2000; Cu ie e al., 2014),
eme e pa a a necessidade de epensa oda a dinâmica
escola e o papel que cada agen e educa i o no p o-
cesso de ap endizagem. Com p og amas cu icula es
ex ensos, ele ada ca ga ho á ia, aulas pe cebidas como
pouco dinâmicas, ajuda pe cebida como insu icien e-
pa a os jo ens com di iculdades de ap endizagem, aca
elação en e a escola e a amília, apon am pa a um
maio isco de a as amen o dos jo ens, desmo i ados
pa a a ap endizagem e com pouco gos o pela a escola.
O es udo desen ol ido po Kasen e seus colabo ado es
DISCUSSÃO
A p esen e análise em como obje i osnão só
comp eende a elação exis en e en e o gos o pela
escola e capacidade académica, e o que os jo ens
gos a iam de muda nas suas escolas, mas ambém
e i ica as a iá eis que pode ão p edize o gos o pela
escola e a capacidade académica pe cebida. Su ge ainda
como obje i o, analisa as a iá eis elacionadas com
a escola nomeadamen e a p essão com os abalhos da
escola, p oblemas iden i icados na escola, elação com
os colegas da escola e com os p o esso es.
Obse a-se que mais de me ade dos jo ens
inqui idos do 6º, 8º e 10º ano de escola idade gos am
mais ou menos da escola. Segundo o ela ó io de 2015
e e en e à educação em Po ugal (Miguéns, 2016) e
com base nes e es udo HBSC (Ma os e al., 2015), o
gos o pela escola po pa e dos jo ens em Po ugal
em indo a diminui al como os au o es do es udo
HBSC em Po ugal inham já a ale a . Essa diminui-
ção eme e pa a uma possí el mudança de a i ude dos
jo ens pe an e a escola.
Os esul ados do p esen e es udo demos am
que quando ques ionados sob e o que muda iam
na sua escola, ce ca de 12% gos a iam de muda as
es u u as ísicas, 9,4% não muda ia nada e 9,2%
Tabela 7
Reg essão Logís ica das a iá eis p edi o as do gos o pela escola (N=1171)
B Sig. OR 95% I.C.
In e io Supe io
Capacidade escola -,932 ,000 ,200 ,266 ,583
Ma é ia se di ícil -,058 ,817 ,250 ,578 1,540
Demasiada ma é ia -,212 ,401 ,252 ,494 1,326
Ma é ia se abo ecida -1,128 ,000 ,220 ,210 ,498
Ma é ia se inú il ,159 ,415 ,195 ,800 1,717
P essão po pa e dos pais pa a e boas no as -,131 ,486 ,188 ,607 1,268
Mau ambien e da escola -,057 ,759 ,186 ,656 1,360
Gos a in e alos -1,185 ,012 ,470 ,122 ,768
Gos a aulas 1,002 ,021 ,434 1,163 6,375
Gos a comida ,268 ,260 ,238 ,820 2,086
Gos a a i idades ex acu icula es -,139 ,644 ,301 ,482 1,570
Alunos gos am de es a jun os ,181 ,382 ,207 ,799 1,798
Colegas são simpá icos ,062 ,794 ,238 ,667 1,698
Colegas acei am como eu sou -,263 ,277 ,242 ,479 1,235
Sin o-me colocado de lado -,818 ,000 ,229 ,282 ,692
P o esso es acei am-me como eu sou -,136 ,728 ,873 ,565 1,839
P o esso es in e essam-se po mim como pessoa -,825 ,001 ,258 ,264 ,728
Tenho con iança nos p o esso es -,707 ,001 ,221 ,319 ,761
Cons an e ,166 ,792 1,181
= .206; p = 0.98; .197
A escola po uguesa pelos olhos dos adolescen es 9
Psic. da Ed., São Paulo, 45, 2º sem. de 2017, pp. 1-10
a impo ância de aulas mais dinâmicas adap adas às
no as ecnologias a que os jo ens de hoje êm acesso
e ajudando os alunos a man e uma mo i ação e uma
pa icipação mais a i a no p ocesso de ap endizagem.
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O ganiza ion.
(2004) e o çam que uma pe ceção nega i a da escola
aumen a a p obabilidade de en ol imen o em com-
po amen os de isco e o absen ismo escola .
Pa a além dos ex ensos cu ículos p og amá icos
nas escolas po uguesas su ge a p essão sen ida com os
abalhos de casa. No p esen e es udo, obse a-se que
ce ca de 28% dos jo ens sen em alguma p essão com
os abalhos de casa, endo esse alo indo a aumen a
desde 1998 (Ma os e al., 2015). No que diz espei o
às opiniões ela i as aos p oblemas na escola, ce ca de
74% e e em que, às ezes, a ma é ia é di ícil, ce ca
de 43% dos jo ens e e em que às ezes se sen em
p essionados pelos pais pa a e em boas no as.
Além do gos o pela escola, uma boa elação
com os pa es e o supo e po pa e dos p o esso es
pa ecem e um papel mui o impo an e na sa is ação
pela ida escola , que es á associada à da mo i ação
pa a a ap endizagem (Va as eanu & I ime, 2013). A
maio ia dos jo ens po ugueses e e e que os p o es-
so es os acei am al como eles são (79,8%)e conco da
que os p o esso es se in e essam po eles como pessoas
(56,2%) e ainda e e em que con iam nos p o esso es
(56,2%). Rela i amen e aos colegas, os jo ens inqui-
idos e e em que os colegas gos am de es a jun os
(71,6%) que são simpá icos e p es á eis (77,7%) e
que os colegas os acei am al como eles são (76,9%) .
Na p esen e análise, e o ça-se a ideia que os
jo ens que e e em que sua capacidade académica é
in e io à média são os que gos am menos da escola
e que os jo ens que gos am mais da escola são os que
con iam mais nos p o esso es, mas ambém os que mais
e e em acha as ma é ias inú eis.
Os esul ados mos am que mais de me ade dos
jo ens po ugueses gos am mais ou menos da escola
e iden i icam p oblemas ela i amen e à escola. Os
jo ens que e e em gos a mui o da escola são os que
não muda iam nada na sua escola e são os que êm
mais con iança nos p o esso es. O gos o pela escola
em indo a diminui ao longo dos anos desde 1998
de aco do com o es udo HBSC, e a pe ceção de sucesso
académico não em melho ado, os alunos e e em que
as ma é ias são demasiado ex ensas, abo ecidas e
mesmo inú eis, salien ando alguns a p essão dos pais
pa a o sucesso escola . Os esul ados apon am pa a a
necessidade de e e as polí icas públicas exis en es
no ensino po uguês sendo c ucial in e i nas escolas,
jun o das amílias, p o esso es e jo ens. Pa ece impo -
an e não só epensa os p og amas cu icula es,mas
ambém a me odologia de ensino usada, salien ando