Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.)
HISTORIOGRAFIA E RES PUBLICA
Lisboa
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa
Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da Uni e sidade Abe a
2017
Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.)
NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS
Tí ulo | Ti le
His o iog a ia e Res Publica
Nos dois úl imos séculos
Di ecção da Colecção | Se ies Edi o s
Sé gio Campos Ma os & Co adonga Valdaliso
O ganização | O ganisa ion
Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João
Edi o | Edi o
Sé gio Campos Ma os
Assis en es de Edição | Edi o ial Assis an s
Gonçalo Ma os Ramos, Rica do de B i o
Comissão Edi o ial | Edi o ial Boa d
Luís Filipe Ba e o, Valdei A aújo
Capa | F on co e
De alhe da ep esen ação da Di ina Comédia de Dan e Alighie i. Almada Neg ei os, 1961. Pó ico da en ada da
Faculdade de Le as. A e pa ie al, g a u as incisas colo idas sob e pa ede e es ida a can a ia de calcá io, Faculdade
de Le as da Uni e sidade de Lisboa. Fo og a ia de A mando No e.
F on ispício | F on ispiece
De alhe de Cabeça Mecânica (O Espí i o da Nossa E a). Raoul Hausmann, c. 1920. Mon agem. Pa is, Musée Na ional
d’A Mode ne, Cen e Pompidou.
Con a-capa | Backco e
Musa (Clio?) lendo um uolumen. Pin o de Klügmann, c. 435-425 BCE (Beócia?). Leky hos, ce âmica á ica de igu as
e melhas, Museu do Lou e, CA 220.
His o iog a ia – His ó ia Con empo ânea – Memó ia | 930(469) MAT,S
Edi o a | Publishe
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa & Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da
Uni e sidade Abe a | 2017
Concepção G á ica | G aphic Design
B uno Fe nandes
Imp essão G á ica | P in ing Shop
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ISBN 978-989-8068-22-4
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P.V.P. 15.00€
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa | Cen e o His o y o he Uni e si y o Lisbon
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ÍNDICE
SOBRE A ESCRITA DA HISTÓRIA NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS
Sé gio Campos Ma os e Ma ia Isabel João
I – HISTÓRIA, TEMPO, CIDADANIA
O HISTORIADOR NA CIDADE: HISTÓRIA E POLÍTICA
Fe nando Ca oga
HISTOIRE GLOBALE, HISTOIRE NATIONALE?
COMMENT RÉCONCILIER RECHERCHE ET PÉDAGOGIE
Ch is ophe Cha le
AS FORMAS DO PRESENTE.
ENSAIO SOBRE O TEMPO E A ESCRITA DA HISTÓRIA
Temís ocles Ceza
CONTINUIDADES E RUPTURAS HISTORIOGRÁFICAS:
O CASO PORTUGUÊS NUM CONTEXTO PENINSULAR (C.1834 - C.1940)
Sé gio Campos Ma os
II – DIRECÇÕES DE ESTUDO
MODERNIZAÇÃO E BLOQUEIOS:
PROBLEMAS DO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO
NA MEMÓRIA HISTÓRICA
José Luís Ca doso
A HISTÓRIA SOCIAL EM PORTUGAL (1779-1974)
ESBOÇO DE UM ITINERÁRIO DE PESQUISA
Nuno Gonçalo Mon ei o
ESPIRITUALIDADE E RELIGIÕES:
UNIVERSOS DE MOTIVAÇÃO E DE CRENÇA
An ónio Ma os Fe ei a
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27
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183
203
AS MIGRAÇÕES NA HISTORIOGRAFIA PORTUGUESA (1779-1974)
Jo ge Fe nandes Al es
O IMPÉRIO E AS SUAS METAMORFOSES NA HISTORIOGRAFIA
Diogo Ramada Cu o
A HISTORIOGRAFIA NO ÂMBITO DOS ESTUDOS REGIONAIS
Ma ia Isabel João
III – PERIODISMO E HISTÓRIA
HISTÓRIA, OPINIÃO PÚBLICA E PERIODISMO
José Augus o dos San os Al es
DIVULGAR O CONHECIMENTO HISTÓRICO
AS PUBLICAÇÕES COLECTIVAS DA ACL SOB O LIBERALISMO (1820-1851)
Daniel Es udan e P o ásio
O CONTRIBUTO D’O PANORAMA NA DIVULGAÇÃO HISTÓRICA
EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX (1837-68)
Rica do de B i o
DIFERENTES CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA NA VÉRTICE
DURANTE O ESTADO NOVO (1942-1974)
José de Sousa
OS ARQUIVOS DO CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS (1969-1993):
UMA “COLECTÂNEA ERUDITA” AO SERVIÇO DA HISTÓRIA
And eia da Sil a Almeida
A HISTÓRIA DE PORTUGAL NA SEARA NOVA:
A BUSCA NO TEMPO PASSADO PARA A CONSTRUÇÃO
DE UM PRETENDIDO FUTURO
Joaquim Rome o Magalhães
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a “zona social” ou os “sec o es sociais” p esen es. Desse modo, “é na a mos e a
de um ce o «p esen e» que se escolhe um ce o «passado» pa a comemo a ”,
concluindo que não ha ia uma só adição, “o passado não é igual pa a odos,
como o não é o p esen e” 12.
A cons ução de uma memó ia colec i a al e na i a na Vé ice p i ilegiou
ce os momen os-cha e do passado nacional – 1383-85, 1580, 1640, in asões
napoleónicas, en e ou os – onde a esis ência do po o, a libe ação da dominação
es angei a e a aição das classes p i ilegiadas se a igu a am como cen ais na
na a i a nacionalis a e popula que p e endiam di undi . E a sob e udo ao
“po uguês anónimo”, e não apenas a um conjun o es i o de homens eminen es,
a quem cabia a cons ução da consciência nacional13. Tinha sido o po o quem,
nas g andes c ises nacionais, inha mani es ado maio consciência nacional14. A
nação e a sua independência e am ap esen adas como ob a do po o po uguês,
ao mesmo empo que à nob eza e ao cle o e a equen emen e apon ada a aição
da consciência e independência nacionais em p ol dos seus p óp ios in e esses de
classe, pe spec i a en a izada po á ios colabo ado es da Vé ice, en e os quais
Fe nando Pin o Lou ei o e Joaquim Namo ado15.
A e ocação de des acadas igu as da his ó ia da cul u a nacional que, como
se iu, isou sob e udo legi ima o pe il in elec ual que a Vé ice inha di undido
a a és dos seus edi o iais, não implica a que a elas se a ibuísse especial des aque na
ans o mação his ó ica. Con udo, se um dos p incipais comba es da his o iog a ia
ma xis a (mas não só) e a di igido à eo ia dos g andes homens enquan o agen es
de mudança, al não implicou necessa iamen e o abandono de ideias olun a is as
no de i his ó ico. Pa a além do ma e ialismo his ó ico e do papel da lu a de classes,
a assunção do po o enquan o he ói colec i o esponsá el pelo p og esso e pela
12 U iliza, en e ou os, os concei os de “lei de p odução” e “ egime económico eudal”. A i ma ainda nesse a igo
que “se á segundo as ias ma cadas pelas no as o ças mecânicas de p odução que a e olução polí ica, social,
económica e ideológica se i á desen ol e ” (J. Bo ges de Macedo, “A e olução de 1848 em Po ugal”, Vé ice, n.os
56-57, Ab . – Mai. 1948, p. 337). Es e a igo es e e na o igem de uma ca a en iada po Luís de Albuque que e na
qual lhe chama a a a enção pa a a necessidade de “camu la a pilula”, numa alusão cla a à possibilidade de o a igo
i a se censu ado (ANTT/PIDE/DGS p ocesso n.º 1151/47-SR NT 2605 Jo ge Bo ges de Macedo).
13 “O país e as eleições”, Vé ice, n.os 17-21, No emb o 1945, pp. 1-4.
14 “Po o e cul u a”, Vé ice, n.os 22-26, Fe e ei o 1946, pp. 1-3.
15 Fe nando Pin o Lou ei o - “A «depu ação po uguesa» a Baiona e o que pediu a Napoleão”, Vé ice, n.º 47,
Junho 1947, pp. 135-153; Joaquim Namo ado - “No al o ece da Res au ação. A ebelião do «Manuelinho
de É o a»”, n.º 76, Dezemb o 1949, pp. 313-317.
360 his o iog a ia e es publica
cons ução da nação es á p esen e em á ios a igos da Vé ice. Rui Feijó, um dos
mais ac i os colabo ado es da e is a, de endia mesmo que “o he ói az a his ó ia”,
ou seja, imp ime um cunho especí ico a de e minado momen o his ó ico desde
que a sua acção não “con a ie as o ças colec i as onde se inse e”. Toda ia, na
sua opinião, a his ó ia e a sob e udo o esul ado do “es o ço colec i o do homem
em ma cha”16. Também Má io B aga, ao p ocu a comp eende os di e en es
des echos em 1383 e 1580, cen a a a sua explicação no papel do po o nesses dois
momen os, des alo izando um conjun o de causas explica i as que incluíam a ideia
de nacionalidade, o papel da nob eza, ac o es económicos ou mesmo a di e en e
elação de o ças mili a es em 1383 e 1580: “apenas uma análise da ac uação do
po o, num e nou o dos momen os, nos habili a á a o mula uma espos a”17.
Os exemplos a é aqui e e idos inse em-se numa concepção de his ó ia
sob e udo com in ui os pedagógicos (de exemplos mo ais a segui ou a ejei a )
e cí icos e insc e em-se igualmen e nos p ocessos de edi icação, di ulgação e
undamen ação dos p ojec os cul u ais ma xis as em Po ugal. Não obs an e,
a Vé ice oi ambém um espaço p i ilegiado pa a o desen ol imen o de ou o
en endimen o da his ó ia que, embo a elacionado com o an e io men e e e ido,
cen a a-se sob e udo num conjun o de e lexões epis emológicas, abo dagens
me odológicas e p á icas his o iog á icas que se assumiam como cien í icas e que
se associa am às ideias de igo , e dade e objec i idade no es udo do passado.
Não a as ezes, essa ei indicação da cien i icidade da his ó ia adqui iu um ca iz
exclusi is a, ese ando aos his o iado es “cien í icos” a missão de denuncia uma
his o iog a ia “me a ísica” ou “idealis a”, ida como ideológica. Nes e sen ido, o
ca ác e cien í ico da his ó ia es e e mui as ezes associado à adopção de uma
eo ia global que en a iza a o papel condicionan e dos ac o es económicos e dos
enómenos “in aes u u ais” sob e os enómenos “supe es u u ais”, me odologia
essa que inco po a a igualmen e o concei o de “leis económicas” e consequen es
“nexos adequados en e causas e e ei os”18. Es a associação en e his ó ia cien í ica
e ma e ialismo his ó ico le a ia a uma elei u a da adição his o iog á ica nacional,
16 Rui Feijó - “A nação az-se odos os dias”, Vé ice, n.º 67, Ma ço 1949, p. 167.
17 Má io B aga - “O po o e as c ises nacionais”, Vé ice, n.º 80, Ab il 1950, pp. 197-205
18 Vic o de Sá - “Economia e his ó ia”, Vé ice, n.os 214-215, Julho – Agos o 1961, pp. 455-460.
361
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
enal ecendo-se os his o iado es – que iam de Fe não Lopes a é Lúcio de Aze edo
– que ha iam a en ado nos ac o es económicos e na his ó ia dos ag upamen os
sociais. Também a his o iog a ia con empo ânea oi in e p e ada à luz des a
concepção cien í ica da his ó ia. Flausino To es, po exemplo, conside a a
A mando Cas o “o p imei o his o iado cien í ico po uguês”19.
Ao con á io do que oi a é aqui des acado, com a adopção do ma e ialismo
his ó ico a dimensão olun a is a que explica a as mudanças no passado
endeu a se ela i izada ou, numa pe spec i a mais de e minis a, sup imida nas
in e p e ações his o iog á icas. Ao longo dos anos 40 e 50 des aca-se o caso de
An ónio José Sa ai a que, numa c í ica ao idealismo de An ónio Sé gio, punha
de ini i amen e em causa qualque ideia olun a is a no es udo do passado: “O
sujei o de e mina-se na medida em que conhecemos o objec o. Tudo se eduz
po an o a conhece o objec o”. A ên ase no ca iz ma e ialis a do de i his ó ico
p e endia ap oxima a his ó ia dos mé odos e objec i os cien í icos: desde que se
e i asse da cons ução his o iog á ica a “nossa consciência subjec i a”, pode -
se-ia a ibui ao homem “um compo amen o p e isí el, edu í el à es a ís ica”20.
Cu iosamen e, apesa da de esa acé ima des as ideias, An ónio José Sa ai a nunca
p i ilegiou a in es igação nos domínios da his ó ia económica, pa indo, ao in és,
da análise de enómenos cul u ais pa a comp eende a ealidade segundo o modelo
eó ico po ele pe ilhado21. Tal como con idenciou E ic Hobsbawm sob e o
seu p óp io pe cu so inicial, mais do que a ques ão da ansição dos modos de
p odução, in e essa a-lhe sob e udo comp eende como um aspec o especí ico dos
enómenos supe es u u ais se liga a aos mecanismos undamen ais que es a am
na base da sociedade22. Nes e pe íodo, An ónio José Sa ai a a i mou-se ambém
como uma das p incipais e e ências no domínio da e lexão e di usão eó ica do
ma xismo. Nou o a igo, signi ica i amen e in i ulado “De e minismo e his ó ia”,
ap o unda a essa sua noção cien í ica da his ó ia ao de ende que “explica os
19 Flausino To es - “A p opósi o da his ó ia do po o po uguês”, Vé ice, n.os 250-251, Julho – Agos o 1964,
pp. 412-425.
20 An ónio José Sa ai a - “Sob e a 2ª edição dos Ensaios de An ónio Sé gio”, Vé ice, n.º 81, Maio 1950, pp.
279-288.
21 Ve , po exemplo, “A ob a de Júlio Diniz e a sua época”, Vé ice, n.º 67, Ma ço 1949, pp.137-151.
22 E ic Hobsbawm - In e es ing imes. A wen ie h-cen u y li e. Lond es, 2010, p. 97.
362 his o iog a ia e es publica
enómenos sociais, in oduzi neles o p essupos o da p e isibilidade, é a inal eduzi-
la às leis do de e minismo da ma é ia”. Nesse sen ido, o conhecimen o his ó ico
não possibili a a apenas a iden i icação diac ónica dos p oblemas es u u ais das
sociedades mas igualmen e a sua ans o mação u u a, median e a capacidade
dos his o iado es des enda em as “leis” que condiciona am a acção humana,
cons i uindo, po isso, “um ins umen o de acele ação do p og esso”23.
Nem odos assumi am o odoxamen e o ma e ialismo his ó ico di ulgado
pelas eses de inspi ação ma xis a-leninis a. Fe nando Pi ei a San os, po exemplo,
saindo em de esa das c í icas à “ e ó ica do conc e o”, de que se ala á mais adian e,
a i ma a que “as ideias dos homens são ambém uma o ça”, ques ionando,
i onicamen e, se “se á necessá io que um ma e ialis a es ei o enha lemb a à
g ei, disc e issimamen e, esse alo conc e o das ideias”24. Também Bo ges de
Macedo pôs em causa a necessidade de “expu ga ” os p econcei os ideológicos
de uma his o iog a ia “idealis a”. É que se a his ó ia e a uma ciência, ambém e a
es emunho, na medida em que o his o iado anspo a a pa a a his o iog a ia a
sua condição p esen e, os seus p oblemas e o ambien e do seu empo. Embo a
es a ideia osse comummen e acei e, Bo ges de Macedo não conside a a que essa
p esença do his o iado osse um obs áculo à ob enção da “ e dade his ó ica”. Pa a
além da psicologia his ó ica que agi ia como “elemen o co ec o ”, a e dade e a
an es o esul ado das “pa cialidades objec i as” e da acumulação de in e p e ações
his o iog á icas que da iam uma ideia mais ampla da expe iência humana25.
Es as di e sas e lexões eó icas não o am o único meio pa a a i ma o
alo cien í ico da his ó ia. A Vé ice oi ambém um espaço onde se exe ce am
p á icas his o iog á icas ca ac e ís icas do p ocesso de p o issionalização e seus
co esponden es mé odos que a ap oxima am do in ui o cien í ico que lhe es á
associado. Não e a a o se em publicados na Vé ice documen os inédi os da his ó ia
po uguesa, sob e udo co espondência de esc i o es do século XIX; ex os de
apa a o e udi o, com ecu so a no as de odapé, alguns dos quais e am aduções
23 An ónio José Sa ai a - “De e minismo e his ó ia”, Vé ice, n.os 99-101, No emb o-Janei o 1951-2, pp. 572-3.
24 Fe nando Pi ei a San os - “A e ó ica do conc e o e ou as e ó icas…”, Vé ice, n.º 55, Ma ço 1948, p. 237.
25 Jo ge Bo ges de Macedo - “Pa cialidade e objec i idade em his ó ia”, Vé ice, n.º 123, No emb o-Dezemb o
1953, pp. 655-7.
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lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
de a igos publicados em e is as de his ó ia – caso, po exemplo, de um a igo de
Vi o ino Magalhães Godinho, publicado o iginalmen e nos Annales26; ecensões
a e is as especializadas de his ó ia, sob e udo dos Annales e da Re is a de His ó ia
de São Paulo, ealizadas ao longo de á ios núme os po Rui Feijó; ecensões a
cong essos cien í icos; publicação de exce os de capí ulos de li os e de eses
uni e si á ias.
Uma das p á icas his o iog á icas p i ilegiadas oi a ealização de c í icas
bibliog á icas. Es as assumiam-se mui as ezes como ins umen o de ap oximação
da eo ia à p á ica his o iog á ica, como exe cício o denado do discu so. Esse
in ui o es e e p esen e em duas ecensões que An ónio José Sa ai a ez a li os
do seu amigo Ósca Lopes, ao lamen a uma ce a p opensão pa a a in e p e ação
psicológica que des oa a da pe spec i a sociológica, dando assim um “ecle ismo
incong uen e” a um desses li os27. Nou o sen ido, na análise que Augus o da
Cos a Dias ez à Inquisição Po uguesa de An ónio José Sa ai a, enal ecia-se essa o al
con o midade en e a eo ia e a p á ica, ao pon o de se a i ma que o conhecimen o
exac o das “leis do desen ol imen o social” con e ia um ca ác e de ini i o a
essa his ó ia que pos e io es ap o undamen os “mais não a á que con i má-la e
en iquece-la em po meno ”28.
As ecensões o am igualmen e um ins umen o de dema cação ela i amen e
a ou as o mas de esc e e his ó ia, nomeadamen e da his ó ia e udi a – um “bom
a qui o de ac os”, como Albe o Fe ei a ca ac e iza a uma ob a do pe. Má io
Ma ins (n.º 172, Jan. 1958, 64) – ou dos “amado es de Clio” que não cump iam
uma sé ie de equisi os p é ios que ca ac e iza am a “p o issão de his o iado ”,
como lamen a a Joel Se ão numa dessas ecensões (n.º 95, Jul. 1951, 383-4).
Dessa dema cação esul a a a c iação de uma noção, mais ou menos p ecisa, de
iden idade his o iog á ica, de uma “comunidade cien í ica” de his o iado es. De
ac o, mui as das ecensões c í icas na Vé ice o am ealizadas sob e ob as de ou os
26 Vi o ino Magalhães Godinho - “C iação e dinamismo económico do mundo a lân ico (1420-1670)”, Vé ice,
n.º 92, Ab il 1951, pp. 149-154.
27 An ónio José Sa ai a, [ ecensões c í icas a “Oli ei a Ma ins e as con adições da ge ação de 70” e “Realis as
e pa nasianos”], Vé ice, n.º 48, Julho 1947, p. 235.
28 Augus o da Cos a Dias, [ ecensão c í ica à “Inquisição Po uguesa” de An ónio José Sa ai a], Vé ice, n.º 151,
Ab il 1956, pp. 169-73.
364 his o iog a ia e es publica
colabo ado es. Numa ecensão de A mando Cas o à Si uação Económica no Tempo de
Pombal de Bo ges de Macedo – ob a ambém analisada na Vé ice po Joel Se ão –
é-nos ansmi ida a ideia de “uma escassa meia dúzia de au o es” que, “sem o apoio
de academias ou uni e sidades”, ia abalhando no sen ido de eduzi o abismo que
sepa a a as ealizações conc e as do “ econhecimen o da e dadei a o ien ação
cien í ica” (n.º 107, Jul. 1952, 378).
Ao con á io da Sea a No a, o am mui o poucas as polémicas que e sa am
sob e p oblemas de his ó ia na Vé ice. Ainda assim, des aque-se a que oco eu
no início dos anos 50 en e Joel Se ão e Fe nando Pi ei a San os a p opósi o de
An e o de Quen al, dando, aliás, con inuidade às polémicas iniciadas na Sea a e que
en ol e am di e sos colabo ado es. De ce a o ma, es a polémica en e Pi ei a
San os e Joel Se ão opunha as duas concepções his ó icas acima e e idas, uma
com in ui os mais cí icos e pedagógicos e ou a de o ien ação cien í ica.
Em elação ao p oblema cen al aí le an ado, a di e gência encon a a-se
la en e desde 1947, mui o embo a se i esse o cuidado de não e e i especi icamen e
os nomes que sus en a am as di e en es opiniões. Essa cau ela deixa de aze sen ido
alguns anos depois, já num con ex o de abe a polémica en e colabo ado es da
Vé ice, nomeadamen e aquela que opôs sob e udo João José Cocho el e An ónio
José Sa ai a na p imei a me ade da década de 50, conhecida como a polémica
in e na do neo- ealismo29.
Em 1947, alguns a igos inham denunciando o espí i o e ó ico que se
encon a a p esen e nos jo ens in elec uais p og essis as. Rui Feijó, apoiando as
ideias de um a igo publicado na Sea a No a po Rui G ácio, c i ica a essa “ e ó ica
do conc e o”, que epe ia “a necessidade do es udo conc e o, mas só alando dele
como necessidade sem, conc e amen e, lhe da em ealização” (n.º 43, Jan. 1947, 230).
No mesmo sen ido, alguns meses depois, ambém Joel Se ão mani es a a a mesma
p eocupação quando ques iona a: “ amos, de ac o, es uda os nossos p oblemas?
Ou julga emos, an es, que a ealidade nacional se ans o ma á ao oque mágico da
a inha de condão da nossa boa ou má e ó ica?”30. Na espos a a es as posições,
29 João Madei a - “Os no os emexedo es da his ó ia”, Da id San os coo d., Ba alha pelo con eúdo. Exposição
documen al. Mo imen o neo- ealis a po uguês. Vila F anca de Xi a, 2007, pp. 304-331.
30 Joel Se ão - “Sob e a necessidade da in es igação”, Vé ice, n.º 50, Se emb o 1947, pp. 353-5.
365
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
num a igo in i ulado p ecisamen e “A e ó ica do conc e o e ou as e ó icas”,
Pi ei a San os alo iza a “a a i ude como a i ude”, ou seja, mesmo que as ideias
não se conc e izassem num conhecimen o mais p o undo e numa e o ma e ec i a
da sociedade, nem po isso deixa am de se eais e consequen es: “as ideias dos
homens ganham homens pa a as ideias”31.
Es a di e gência ganha uma dimensão his o iog á ica na polémica de 1951-
1952. Num a igo publicado na Sea a No a sob e “a comp eensão de An e o”, Joel
Se ão da a con inuidade ao seu p ojec o de in es igação sob e o oi ocen ismo
po uguês, mui o ma cado pela his ó ia das men alidades dos Annales, que de endiam,
sob e udo Lucien Feb e, a necessidade de enca a de e minada época como uma
o alidade em si mesma, possuido a de uma men alidade p óp ia, di e en e da do
empo p esen e. Joel Se ão p e endia aplica esse p incípio ao es udo da época
con empo ânea po uguesa, p eca endo com equência os seus lei o es dos pe igos
do anac onismo, especialmen e sob e uma época ão p óxima do p esen e. Ale a a
pa a o isco de se conside a An e o “nosso con empo âneo”, menosp ezando-se
odo o es udo cien i icamen e conduzido da men alidade do homem de oi ocen os,
di e en e, sob di e sos aspec os, da men alidade dos homens de 195032. Embo a
sem o e e i , Joel Se ão e ia isado, segundo a in e p e ação de Pi ei a San os,
algumas in e p e ações ei as po si e po Manuel Mendes. Na sua mo daz espos a,
Pi ei a San os ejei a a qualque acusação de anac onismo na sua in e p e ação,
pois “a noção de se iedade, a noção de coe ência, a noção de hon a, não e am
sensì elmen e di e en es das do nosso empo. E já en ão e a cos ume, e de e ,
hon a os comp omissos polí icos”33. P e endia, “sem iolen a mos a His ó ia-
ciência”, dema ca -se da pe spec i a “cien i icamen e conduzida” de Joel Se ão.
Ao in és, e a o exemplo e a alidade ac ual de An e o que lhe in e essa a, acusando
Joel Se ão de não e comp eendido “o e dadei o sen ido do deba e em que, po
me o de e cí ico, andamos empenhados”. Esse de e cí ico passa a, como se iu,
pela a i mação do modelo de in elec ual in e en i o, como a seguin e condenação
do exemplo de duas das mais p oeminen es igu as da cul u a po uguesa do século
31 Fe nando Pi ei a San os - “A e ó ica do conc e o e ou as e ó icas”, Vé ice, n.º 55, Ma ço 1948, 236-7.
32 Joel Se ão - “Pa a a comp eensão de An e o”, Sea a No a, n.os 1226-7, 1951, pp. 533-35 e 547.
33 Fe nando Pi ei a San os - “Ca a melancólica”, Vé ice, n.º 98, Ou ub o 1951, p. 516.
366 his o iog a ia e es publica
XIX deixa anspa ece : “nem azei ei os em Vale de Lobos, nem suicidas numa
ilha de b uma: nem ugi i os nem de o ados; as cousas e os homens des a e a
lusi ana me ecem mais alguma coisa”. Nes e aspec o, Pi ei a San os e a um he dei o
dos iniciais p opósi os sea ei os. Não po acaso, ecupe a a as mesmas imagens de
Alexand e He culano e de An e o de Quen al já u ilizadas po Raúl P oença pa a
no a a ausência na his ó ia con empo ânea po uguesa de um “g ande mes e da
acção mo al”, de um “he ói a é ao im” que “sal asse” a pá ia34.
Es a di e gência en e Joel Se ão e Pi ei a San os pode se in e p e ada à luz
das di iculdades de ins i ucionalização de uma his o iog a ia que p e endia concilia
a in es igação com ac i idades cí icas e polí icas de oposição ao Es ado No o. Na
sua maio ia excluídos, de o ma olun á ia ou o çada, das ins i uições supe io es de
in es igação e ensino, es es his o iado es não deixa am de p ocu a uma dedicação
p o issional ao o ício onde se inham o mado. Num empo, sob e udo após a
II Gue a Mundial, de expansão do p ocesso de ins i ucionalização p o issional
da his ó ia, associado ambém ao p ocesso de democ a ização do ensino35,
se his o iado começou a implica aze pa e de um cí culo de sociabilidades
académicas que incluíam cen os de in es igação, e is as especializadas e encon os
cien í icos subsidiados pelo es ado. Nos anos 30 e 40, ainda que imidamen e,
começou-se a e o ça em Po ugal es e p ocesso de ins i ucionalização, do qual
as c iações da Academia Po uguesa da His ó ia e da Re is a Po uguesa de His ó ia
são exemplos pa adigmá icos. A a és da lei u a de alguma co espondência des es
his o iado es alheados des as ins i uições subsidiadas pelo es ado, é no ó ia a
p eocupação pela abe u a de bolsas de in es igação, pela in eg ação num cen o de
in es igação es angei o, pela colabo ação em e is as especializadas e po um luga
na docência uni e si á ia. Po ém, pa a além daqueles que consegui am ou op a am
po p ossegui uma ca ei a académica no es angei o, essa ins i ucionalização
assumiu em Po ugal aços de eno me p eca iedade pa a os his o iado es acima
e e idos. Sis ema icamen e excluídos dos concu sos pa a docen es uni e si á ios,
poucos consegui am ob e as escassas bolsas p omo idas pelo Ins i u o de Al a
34 Joel Se ão - “Ap oximação do pensamen o de Raul P oença”, Sea a No a, n.º 1512, Ou ub o 1971, pp. 23-28.
35 Lu z Raphael - La ciencia his ó ica en la e a de los ex emos. Teo ías, mé odos y endencias desde 1900 has a a ac ualidade.
Sa agoça, 2012, p. 40.
367
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
Cul u a e, mais a de, pela Fundação Calous e Gulbenkian. Desempenhando
ou as ocupações p o issionais (p o esso ado, ad ocacia, jo nalismo, adução,
e c.), in eg a am as poucas inicia i as de ins i ucionalização his o iog á ica que
ica am à ma gem do apoio es a al. Re i am-se as e éme as Sociedade Po uguesa
de His ó ia da Ci ilização e o Cen o de Es udos do Século XIX36; alguns p ojec os
edi o iais (p omo idos pelos Li os Ho izon e, Cosmos, Po ugália Edi o a, en e
ou as) e e is as cul u ais que con empla am a his ó ia nas suas páginas. Nes e
con ex o, a Vé ice desempenhou um impo an e papel na di ulgação de co en es
his o iog á icas que no malmen e es a am ausen es das uni e sidades, cen os de
in es igação e ou os p ojec os pa ocinados pelo es ado. Po ém, a ando-se de
uma e is a ecléc ica, p omo eu concepções de his ó ia nem semp e conciliá eis.
A polémica en e Pi ei a San os e Joel Se ão pode se in e p e ada nes e con ex o.
De qualque o ma, es a sepa ação en e as e en es cí ica e cien í ica não
de e se sob e alo izada. Nas páginas da Vé ice, Pi ei a San os ambém associa a
ao seu empo a eme gência da his ó ia-ciência, supe ando a his ó ia a ís ica e é ica
do passado37. Já nos anos 90, num a igo publicado no Jo nal de Le as (nº. 524, 21-
27 Junho 1992, 6-7) em espos a a um a igo no qual Bo ges de Macedo c i ica a a
his o iog a ia ma xis a, punha sob e udo em ele o, sem nega o comp ome imen o
ideológico, a a e a de “cons ui uma his ó ia de igo cien í ico”. Também Joel
Se ão insis en emen e i ia a lemb a a condição cí ica do his o iado , a sua
i edu í el condição de homens do empo p esen e38. Unia-os ambém uma
mesma expe iência do empo, de ca iz p ospec i o, e no qual o p esen e e u u o se
assumiam com cen ais na cons ução his ó ica. Daí que ambos se enham ambém
dis anciado de um e udi ismo sem in e p e ação nem p oblema ização que o ligasse
ao p esen e, bem como de um e isionismo que lhes pa ecia a es au ação do
passado no p esen e.
Es a polémica enquad a-se, como se e e iu, num pe íodo de g a es polémicas
e cisões en e alguns colabo ado es da Vé ice. Ao longo das décadas de 50 e 60,
36 José Ne es - Comunismo e nacionalismo em Po ugal (polí ica, cul u a e his ó ia no século XX). Lisboa, 2010, pp. 309-
12; José-Augus o F ança - Memó ias pa a o ano 2000. 2ª ed. Lisboa, 2001, pp. 214-5.
37 Fe nando Pi ei a San os - “Sob e uma ase de Ma c Bloch”, Vé ice, n.º 50, Se emb o 1947, pp. 356-66.
38 Joel Se ão - “B e íssima e lexão p eambula sob e his o iog a ia, ideologia e empo”, in A Emig ação
Po uguesa. Sondagem his ó ica. 4ª. ed. Lisboa, 1982, pp. 9-23.
368 his o iog a ia e es publica
alguns dos mais des acados colabo ado es da e is a suspendem ou diminuem
signi ica i amen e a sua p esença, mui as ezes em up u a com o ideá io ma xis a-
leninis a. En e os his o iado es, des acam-se os casos de Bo ges de Macedo
(abandona a sua colabo ação em 1955), Joel Se ão e Pi ei a San os (ambos em 1957,
só eg essando espo adicamen e mui os anos depois) e An ónio José Sa ai a (em
1965). Ainda assim, ou os man i e am a sua colabo ação, mais ou menos equen e,
casos de A mando Cas o, Ósca Lopes e Luís de Albuque que. A colabo ação des e
úl imo de e se ealçada pela dedicação à Vé ice, publicando aí á ias dezenas de
a igos, não só sob e his ó ia da educação e dos Descob imen os mas ambém sob e
ou os assun os onde mos a a a ampli ude dos seus in e esses cien í icos, cul u ais
e cí icos. En e 1948 e 1953, desempenhou o ca go de sec e á io de edacção da
e is a, con ibuindo, sob di e sos pseudónimos, pa a o uncionamen o egula da
publicação. É sob e udo a pa i des a úl ima da a que começa a mani es a um
especial in e esse pela his ó ia dos Descob imen os e expansão ul ama ina39, indo
a publica na Vé ice, en e 1957 e 1958, a sua In odução à his ó ia dos descob imen os,
pos e iomen e eunido em li o. O seu caso é ele an e e excepcional uma ez que
conciliou a sua ac i a colabo ação na Vé ice com a in eg ação, a pa i dos anos
1960, em alguns dos p incipais p ojec os de in es igação no âmbi o da his ó ia
ul ama ina: oi colabo ado do Cen o de Es udos de Ca og a ia An iga, ogal do
Cen o de Es udos Ul ama inos da Jun a de In es igações do Ul ama e pa icipou
no Cong esso In e nacional de His ó ia dos Descob imen os em 196040, do qual
ez alguns comen á ios num a igo publicado na Vé ice41.
A saída dos his o iado es acima e e idos oi sendo colma ada com a en ada
de no os colabo ado es. Es a mudança saldou-se numa maio a enção à his ó ia
po uguesa do século XIX, sob e udo a a és dos a igos publicados po Flausino
To es e Vic o de Sá. Dando con inuidade ao in e esse pelo oi ocen ismo po uguês
que inha dos anos 40, começa a-se a cons i ui um conjun o ele an e de es udiosos
que, segundo Flausino To es, de e iam euni -se pa a a cons i uição de uma
39 Luís de Albuque que - “Apon amen os sob e os an eceden es da expansão qua ocen is a po uguesa”,
Vé ice, n.º 121, Se emb o 1953, pp. 509-513.
40 Al edo Pinhei o Ma ques - “Luís de Albuque que, his o iado ”, Isabel Pe ei a, Al edo Pinhei o Ma ques e
Ana Paula Ca doso (coo ds.) Luís de Albuque que. O homem e a ob a. Figuei a da Foz, 1993, pp. 177-210.
41 Luís de Albuque que - “Sob e alguns p oblemas mal escla ecidos da his ó ia dos descob imen os”, Vé ice,
n.º 209, Fe e ei o 1961, pp. 91-100.
HISTORIOGRAFIA E RES PUBLICA
Em con ac o com as suas congéne es eu opeias e mui o ma cada pela
he ança clássica e c is ã, a his o iog a ia po uguesa oi a é meados do século
XX um campo p i ilegiado de exp essão de concepções o ganicis as, cen adas
na dico omia p og esso e ou os p é-concei os que êm pe meado os discu sos
sob e a ans o mação social. His o iado es libe ais e posi i is as de di e sos
ma izes con ibuí am pa a acen ua es es en oques. Fo am-se en e an o a i mando
isões c í icas do e olucionismo, assinalando-se con inuidades mas ambém
up u as, di e en es exp essões de esis ência ao posi i ismo, median e um deba e
ansdisciplina que en ol eu abe u a a ou as ciências humanas e múl iplas
o ien ações eó icas: Annales, in e p e ações ma xis as, es u u alismo, linguis ic- u n.
P e ende-se nes a ob a ala ga o conhecimen o ace ca das his o iog a ias
e dos his o iado es dos séculos XIX e XX - sem esquece os seus an eceden es
e endências ecen es como a his ó ia global - nas suas elações com o espaço
público e a cidadania, p oblema iza a sua unção social e cul u al, endo em a enção
as elações ansnacionais e os con ex os em que p oduzi am as suas ob as. A
pa i de ópicos-cha e, ecem-se balanços c í icos sec o iais sob e a his o iog a ia
po uguesa, os modos de ecepção de deba es his ó icos in e nacionais, o luga dos
his o iado es e a o ma como nas suas esc i as, da Re olução libe al à ac ualidade,
se es u u a am olha es sob e Po ugal na sua elação com ou os po os. Em que
medida p esen e e u u o condiciona am a cons ução social do passado? Qual o
ho izon e di e encial que os his o iado es econhece am ao passado? Como lida am
com a acele ação das expe iências do empo?
A colecção His o iog aphica dá a conhece es udos sob e
his o iog a ias e his o iado es, a cons ução de memó ias sociais e
indi iduais e usos ins umen ais do passado - a semp e complexa
elação en e p esen e, passado e u u o, nas suas elações
con ex uais com p oblemas sociais e polí icos. Ab ange múl iplos
empos e geog a ias e incen i a a ap oximação en e di e sas
ciências sociais e humanas.
Di ecção de
Sé gio Campos Ma os & Co adonga Valdaliso
His o iog a ia e Res Publica
Sé gio Campos Ma os e Ma ia Isabel João (o gs.)
2017
His o iog a ia, Cul u a e Polí iCa
na ÉPoCa do VisConde de san a Ém
Daniel Es udan e P o ásio (coo d.)
2018