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O CASO CLIMADAPT.LOCAL: CAPACITAÇÃO E AÇÃO CLIMÁTICA EM PORTUGAL

Abstract

In an era where climate change gained relevance and caused the highest levels of social awareness, the main objective of ClimAdaPT.Local project valued the integration of the climate dimension in municipal planning processes. Based on a questionnaire survey applied in three consecutive rounds throughout the project, this article focuses on the responses of a group of municipal officers who, together with the ClimAdaPT.Local team, developed Municipal Strategies for Adaptation to Climate Change. With the focus on the respondents' evolution concerning acquisition of knowledge, mobilization and awareness, and capacity building throughout the project, the main conclusions will be presented here.

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O CASO CLIMADAPT.LOCAL: CAPACITAÇÃO E AÇÃO CLIMÁTICA EM PORTUGAL

Author: Guerra, João Francisco,Luísa Schmidt, Luísa,Penha-Lopes, Gil
Year: 2021
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/46296/1/12478-Texto%20do%20artigo-39340-1-10-20210120.pdf
DOSSIÊ
Página 9
ISSN 1413-8638 | E-ISSN 2238-5533
Volume 25 | nº 3 | 2020
A igo ecebido em: 01/11/2020
Ap o ado em: 10/01/2021
João F ancisco Cha ua Gue a
[G aduado em Sociologia e Planeamen o pelo
ISCTE - Ins i u o Supe io de Ciências do T abalho
e da Emp esa (1998), mes e (2005) e dou o
(2011) em Ciências Sociais (especialidade
sociologia) pelo Ins i u o de Ciências Sociais da
Uni e sidade de Lisboa (ICS-ULisboa). Na
a ualidade é P o esso Visi an e Es angei o no
P og ama de Pós G aduação em Sociologia
Polí ica da Uni e sidade Fede al de San a
Ca a ina].
ORCID ID: 0000-0003-1918-2273
Luísa Schmid
[G aduada, mes e e dou o a em Sociologia pelo
Ins i u o de Ciências Sociais da Uni e sidade de
Lisboa. A ualmen e é in es igado a p incipal do
Ins i u o de Ciências Sociais da Uni e sidade de
Lisboa e coo denado a do OBSERVA -
Obse a ó io de Ambien e e Sociedade (ICS-
ULisboa). É ambém memb o do conselho
consul i o do ICS-ULisboa e memb o do conselho
cien í ico do P og ama Dou o al "Al e ações
Climá icas e Polí icas de Desen ol imen o
Sus en á el"].
ORCID ID: 0000-0002-7449-8636
Gil Pessanha Penha Lopes
[Possui dou o ado em Biologia pela Uni e sidade
de Lisboa (2010). A ualmen e é In es igado
P incipal da Faculdade de Ciências da
Uni e sidade de Lisboa. Tem expe iência na á ea
de Ciências Ambien ais].
ORCID ID: 0000-0002-1024-1954
O CASO CLIMADAPT.LOCAL: CAPACITAÇÃO E
AÇÃO CLIMÁTICA EM PORTUGAL
Climadap .local’s case: capaci a ion and clima e
ac ion in Po ugal
Resumo
Numa época em que as al e ações climá icas
ganha am ele ância e causa am ní eis de ap eensão
social sem p eceden es, o obje i o do p oje o
ClimAdaPT.Local alo izou a in eg ação da dimensão
climá ica nos p ocessos municipais de planeamen o.
Com base num inqué i o po ques ioná io aplicado em
ês ondas consecu i as, es e a igo cen a-se nas
espos as de um g upo de écnicos municipais que, em
conjun o com a equipa p omo o a do p oje o,
desen ol eu Es a égias Municipais de Adap ação às
Al e ações Climá icas. Com oco p incipal na e olução
dos esponden es, no que diz espei o à aquisição de
conhecimen os e à mobilização e capaci ação ao longo
do desen ol imen o do p oje o, as p incipais
conclusões se ão aqui ap esen adas.
Pala as-cha e: Al e ações Climá icas. Po ugal.
Municípios. Adap ação. Sus en abilidade.
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Abs ac
In an e a whe e clima e change gained ele ance and caused he highes le els
o social awa eness, he main objec i e o ClimAdaPT.Local p ojec alued he
in eg a ion o he clima e dimension in municipal planning p ocesses. Based on
a ques ionnai e su ey applied in h ee consecu i e ounds h oughou he
p ojec , his a icle ocuses on he esponses o a g oup o municipal o ice s
who, oge he wi h he ClimAdaPT.Local eam, de eloped Municipal S a egies
o Adap a ion o Clima e Change. Wi h he ocus on he esponden s' e olu ion
conce ning acquisi ion o knowledge, mobiliza ion and awa eness, and capaci y
building h oughou he p ojec , he main conclusions will be p esen ed he e.
Keywo ds: Clima e Change. Po ugal. Municipali ies. Adap a ion.
Sus ainabili y.
In odução: Municípios e sus en abilidade
No início da década de se en a do século XX, a publicação de “Os
Limi es do C escimen o” (MEADOWS e al., 1972) já ale a a pa a os pe igos
da delapidação de ecu sos na u ais e a necessidade u gen e de co igi os
pad ões de desen ol imen o. Po ém, cinco décadas depois, di icilmen e se
pode dize que se a epiou caminho. Pelo con á io, a magni ude e a
acele ação das mudanças ambien ais, a que, ainda hoje, se assis e, a es am
uma pe manen e inadequação de es o ços pa a e e ê-las, ou a é pa a
en en a as suas consequências socioeconómicas (GUERRA e al., 2017a).
Apesa dos discu sos usualmen e in lamados e asse i os e das con enções,
ca as e comp omissos en e an o aco dados a ní el in e nacional, impe ou a
iné cia e sobejou o imobilismo, num ma asmo de abo dagens polí icas e
p og amas de in e enção demasiado supe iciais (REDCLIFT, 2005,
GUERRA, 2015) que, não a as ezes, se limi a am ao “wish ul hinking”
(DRYZEK, 2006; GUERRA, SCHMIDT, 2016).
Cingindo-se apenas aos anos mais ecen es, de aco do com a
O ganização Me eo ológica Mundial, no p imei o quad iénio (2015-2018) do
eno ado comp omisso pela sus en abilidade, assumido pelos líde es mundiais
na Agenda 2030 e no Aco do de Pa is, a ingi am-se as empe a u as mais
ele adas de que há egis o, o ní el médio do ma suplan ou odas as ma cas,
os e en os climá icos ex emos mul iplica am-se e com eles os seus impac os
ecológicos, sociais e económicos (WMO, 2019). Es e ag a amen o da c ise
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climá ica ins alou-se e oi impulsionado pela emissão de Gases com E ei o de
Es u a (GEE) e a ualmen e poucos du idam de que comp ome e se iamen e
conquis as sociais an es idas como adqui idas, bem como as pe spe i as de
u u o de milhões de se es humanos (GUERRA e al., 2019). Es amos, a inal,
pe an e um p oblema complexo que pe sis e e esis e ao sabo de in e esses
nem semp e cla os, mas deco endo, basicamen e, de ês incapacidades
co ela i as do sis ema de go e nança ambien al global:
i) incapacidade ísica do plane a esponde em empo ú il à
delapidação de ecu sos e à p odução e iginosa de esíduos e poluen es de
o igem indus ial, nomeadamen e, e em pa icula , os GEE (JACKSON,
2009:24);
ii) incapacidade de as sociedades a uais impedi em ou, pelo menos,
mino a em a dinâmica de c escimen o (i.e., p odução/consumo) que, sem
mudanças ele an es, só agudiza á a c ise climá ica já ins alada (IPCC, 2018).
iii) incapacidade de aze eg edi sen imen os de insegu ança e,
consequen emen e, de esponde à p o usão da descon iança e à mul iplicação
de con li os que só con ibuem pa a ag a a a c ise socioambien al
(HUNTJENS e NACHBAR, 2015).
Impo a, ainda assim, assinala que udo is o acon ece de o ma desigual
num plane a, desde logo, ma cado po cli agens an igas e pe sis en es, onde
os e ei os mais de as ado es des e u bilhão de e ei os indesejados in e agem
com agilidades sociais p é-exis en es, mul iplicando-se, g adualmen e, em
c ises de a iados semblan es (e.g., ambien al, económico, social, cul u al,
polí ico). Po ou as pala as, o con ex o de desequilíb io em que nos
encon amos: i) e o ça desigualdades an igas com injus iças mais ecen es,
num ema anhado di ícil de des inça (AGYEMAN e al.2016); ii) man ém,
apesa de cla amen e econhecida como insus en á el, a dependência
es u u al de combus í eis ósseis que pe manece sem sinais cla os de
ab andamen o (GUERRA, 2015; GUERRA, e al., 2019).
As AC es ão de al o ma in e ligadas com a a i idade económica que
passa am a se enca adas como deco ência do impe a i o de me cado
“c esce ou pe ece ” (FLINDERS, 2012). Pa a eduzi e en en a os seus
e ei os, ad ogam-se polí icas ans e sais, assen es na p omoção da mudança
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social, com oco nas p á icas e nos compo amen os locais (onde, a inal, se
ge am os p oblemas). Daí a de esa ela i amen e consensual de p á icas de
go e nança mais inclusi as, po enciado as do en ol imen o das comunidades
locais e dos cidadãos e, consequen emen e, de maio aquiescência pública.
Ainda que nem semp e seguida, ao longo das úl imas cinco décadas, a
pa icipação pública e a ação ao ní el local, em sido o caminho suge ido pa a
se alcança em ganhos e e i os nas polí icas de desen ol imen o sus en á el
(EDEN, 1996; CARTER, 2001; LAFFERTY, 2004, ADGER, JORDAN, 2009;
FUNG, 2015; GUERRA e GUIVANT, 2020). Um caminho alegadamen e
“menos esco egadio”, ou, pelo menos, mais consequen e.
Tabela 1: Fa o es p omo o es da unção mediado a dos municípios
Fa o de mediação
Meio e/ou p ocesso de mediação
i) Ligações p i ilegia-
das com
os munícipes
Relações p óximas com cidadãos, amílias, ONG e associações
locais, escolas e uni e sidades, emp esas e o ganizações emp e-
sa iais
ii) Luga es a égico
na go e nança mul i-
ní el
In luência egulado a assumida nas comunidades municipais de
o ma a assegu a o cump imen o de no mas e di e izes nacionais
e eu opeias
iii) Ap idões de lide an-
ça da comunidade
municipal
Iden i icação, ag egação e disponibilização de apoio à sociedade
ci il e às emp esas, p omo endo se iços adap ados a necessida-
des locais
i ) Po encial de a i ação
de sen imen os de
pe ença
Fo alecimen o das iden idades locais, ga an indo que ques ões
globais ganhem ele ância local e soluções locais alcancem isibili-
dade global
) Capacidade de mobi-
lização e en ol imen-
o
Mobilização e abe u a pa a en ol e os munícipes nos p ocessos
de omada de decisão, ga an ido aquiescência pública pa a a mu-
dança
Fon e: Elabo ação p óp ia
Nes e con ex o, os municípios assumem uma posição c ucial
econhecida pela p óp ia O ganização das Nações Unidas que, pelo menos
desde a Cimei a da Te a de 1992, lhes a ibui um papel i al nos campos da
educação, da mobilização e da disponibilização de in o mação (CNUAD, 1992),
assim como, mais ecen emen e, nas es a égias de adap ação às AC. Es a
capacidade de in luência e de mobilização dos municípios é ela i amen e
consensual e deco e da sua unção mediado a en e á ios pode es e
in e esses locais (Tabela 1).
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Assim, o papel dos municípios no comba e às mudanças climá icas é,
como e e ia Simon Robe s pa a o caso b i ânico, “p og essi amen e enca ado
como componen e-cha e de um es o ço nacional combinado, capaz de eduzi
as emissões de ca bono” (ROBERTS, 2010: 75). Ac edi a-se que a
adminis ação local es á menos a ei a aos enómenos de desa eição polí ica –
i.e., a sen imen os subje i os de impo ência, cinismo e al a de con iança no
p ocesso polí ico, nos polí icos e nas ins i uições democ á icas – e que a
p oximidade, bem como a maio capacidade de in e ação “ca a-a-ca a” são
ine en emen e benignas e capazes de p omo e comunidades mais obus as e
esilien es (VAN DETH, 2006).
Ac edi a-se, po an o, que os cidadãos e seus ep esen an es es ão mais
p edispos os a con ia na adminis ação local, con ando com ela não apenas
pa a o o necimen o de se iços já es abelecidos, mas ambém pa a coo dena ,
adap a e impulsiona o desen ol imen o sus en á el local (CAMPOS e al.,
2017). Desde pon o de is a, nes a época ma cada pelas AC e e en os
ex emos delas deco en es, um desen ol imen o assen e numa economia de
baixo ca bono depende á ine i a elmen e de a o es ex e nos (i.e., da ação
global, eu opeia e nacional), mas não p escindi á do pode local pa a mino a
ou, no mínimo, não a oluma a c ise climá ica que, en e an o, já se az sen i
em comunidades icas e pob es, cos ei as e in e io es, u ais e u banas…
Técnicos municipais no p oje o ClimAdaPT.Local: es a égia de análise
Pa indo do papel mediado dos municípios, o p oje o ClimAdaPT.Local
e e como obje i o inicia um p ocesso con ínuo de capaci ação p o undamen e
pa icipado e mobilizado pa a a elabo ação de Es a égias Municipais de
Adap ação às Al e ações Climá icas (EMAAC), bem como a sua in eg ação nas
e amen as de planeamen o municipal. Pa a isso, e dada a complexidade ine-
en e a al a e a, a equipa ClimAdaPT.Local p ocu ou c ia know-how e esili-
ência local a a és da capaci ação dos co pos écnicos municipais, começando
pelos écnicos designados po cada um dos municípios pa a acompanha o
p oje o (ge almen e das á eas do ambien e e planeamen o). É sob e es e obje-
i o mais especí ico, mas impo an e pa a a p ossecução dos obje i os ge ais
que, nas páginas seguin es, p ocu a emos da con a. Soco emo-nos, pa a o

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e ei o, de in o mação ecolhida no inqué i o de moni o ização do p oje o ( ês
ondas) e em di e en es momen os de o mação dedicados, mui o em pa icu-
la , aos cinquen a e dois écnicos municipais nomeados pelos municípios pa a
pa icipa nas a i idades do p oje o.
O obje i o úl imo do p ocesso que aqui se p e ende ilus a , com ecu so
às e amen as de moni o ização concebidas pa a a aliação de esul ados, oi
c ia condições pa a o desen ol imen o de e amen as e p odu os que acili-
assem a elabo ação e implemen ação das EMAAC. Assim, cen ámo-nos nos
ês momen os de aplicação do inqué i o que deco e am após o desen ol i-
men o de algumas ações de o mação/ in e enção especí icas, como expos o
na Tabela 2.
Tabela 1: Rondas do inqué i o e momen os de o mação en e os 52 Técnicos en ol idos
I Ronda do Inqué i o
ma ço de 2015
II Ronda do Inqué i o
junho de 2015
III Ronda do Inqué i o
ou ub o de 2016
A aliação das ações de
o mação de janei o 2015
A aliação das ações de o -
mação de ma ço/ab il 2015
A aliação das ações de o ma-
ção de julho/se emb o 2016
P eenchimen o do Pe il de
Impac os Climá icos Locais
Recenseamen o de:
o Impac os climá icos
o Riscos climá icos
o Opções de adap ação
A aliação das opções de adap-
ação
P eenchimen o da G elha
de Mapeamen o de
S akeholde s
T ansposição das opções de
adap ação nos ins umen os de
ges ão e i o ial
Fon e: Inqué i o ClimAdaPT.Local (elabo ação p óp ia)
O uni e so de inqui idos esul a do conjun o de écnicos nomeados
(dois) po cada um dos 26 municípios en ol idos no p oje o que, po seu u no,
o am selecionados de aco do com a iá eis de ep esen a i idade nacional:
egião (NUTS 3), habi a (li o al/ in e io , u bano/ u al), dimensão (núme o de
habi an es) e ealidade socioeconómica. Impo a, ainda, e e i que es es écni-
cos unciona am como pon as de lança da equipa ClimAdaPT.Local na disse-
minação de in o mação, na p odução de conhecimen o e na mudança que, a
pa i deles, se conseguiu ala ga in e namen e (deciso es polí icos, ou os éc-
nicos e depa amen os) e ex e namen e (comunidade local) dos 26 municípios.
P ocu a emos, po isso, indaga sob e as e oluções oco idas (subje i amen e
pe cebidas) seja na g a idade que a ibuem ao enómeno das AC, seja nos
conhecimen os que adqui i am ou cimen a am, seja, ainda, na a aliação das
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á ias ações de o mação e nas di iculdades encon adas no p ocesso de cons-
ução das di e en es EMAAC. O p opósi o é a alia esul ados do p oje o e o
po encial de mudança que ep esen ou pa a os in e e seis municípios en ol i-
dos e, po ia deles, as in e e qua o sub- egiões po uguesas (NUTS 3) e as
suas duas egiões au ónomas.
Comecemos, en ão, po ca ac e iza os inqui idos. T a ando-se de écni-
cos nomeados pelos municípios que, em p incípio, de e iam man e -se ao lon-
go de odo o p oje o, não há di e enças signi ica i as na sua ca ac e ização
quando compa ados os esul ados da p imei a e úl ima onda do inqué i o. Pa a
simpli ica ap esen amos, po isso, apenas os dados ela i os à III Ronda do
inqué i o, le ada a cabo em ou ub o de 2016.
Figu a 1: Pi âmide E á ia no úl imo momen o de inqui ição
Fon e: Inqué i o ClimAdaPT.Local (elabo ação p óp ia)
Na ase inal do p oje o es á amos, de aco do com a Figu a 1, pe an e
um g upo de inqui idos medianamen e jo em (média 42,7) que pa ece esul a
da necessidade de ga an i expe iência p é ia e capacidade de en ol imen o
num p oje o ino ado e exigen e. Daí que os g upos e á ios abaixo dos 35 anos
su jam com pe cen agem in e io es dos g upos e á ios mais elhos, concen-
ando-se a esmagado a maio ia (mais de 50% da amos a) nas idades in e -
médias: 36-40 anos e 41-45 anos. Ainda assim, apenas 10 dos 52 inqui idos
1
3
10
8
5
2
0
1
8
5
4
3
2
26-30
31-35
36-40
41-45
46-50
51-55
56-60
Mulhe es (29) Homens (23)
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(19%) decla a am e alguma expe iência p é ia em ma é ia de al e ações cli-
má icas.
Tabela 2: G a idade a ibuída às AC nas ondas I e III do inqué i o
Ní el
Geog á ico
Pe íodo de
inqui ição
Média
(mín. 1, máx. 6)
E olução
global
Tes e
e signi icância
Ní el Glo-
bal
Ronda I - ma ço 2015
4,92
0,70
(+ 14,2%)
(49) = 3,869,
p = 0,000
Ronda III - ou ub o 2016
5,66
Ní el Naci-
onal
Ronda I - ma ço 2015
4,68
0,46
(+ 9,8%)
(49) = 3,207,
p = 0,002
Ronda III - ou ub o 2016
5,14
Ní el Muni-
cipal
Ronda I - ma ço 2015
3,98
0,77
(+ 19,4%)
(50) = 3,630,
p = 0,001
Ronda III - ou ub o 2016
4,75
Fon e: Inqué i o ClimAdaPT.Local (elabo ação p óp ia)
T a a -se-á, a inal, de uma á ea ela i amen e no a pa a os municípios,
su gindo o ClimAdaPT.Local como uma opo unidade de a anque des a p o-
blemá ica pa a boa pa e deles, ainda que, nalguns casos, sus en ada, po
exemplo, em p é ias expe iências de sus en abilidade local pa icipada, como
o am as Agendas 21 locais que, em Po ugal, o am desen ol idas po mais
de 70% dos municípios (SCHMIDT, e al., 2005; GUERRA e al., 2019). De
aco do com os esul ados expos os na Tabela 3, e i ica-se que os inqui idos
oma am maio consciência do p oblema que a mudança climá ica signi ica, à
medida que o p oje o se desen olou.
Com e ei o, em odas as ca ego ias (ní el global, ní el nacional e ní el
municipal) aumen ou o ní el de g a idade a ibuído ao enómeno, com di e en-
ças de média signi ica i as que, em pa icula no caso do ní el municipal, che-
gam quase a um aumen o de 20%
1
. Em suma, depois de meses de o mação e
e lexão sob e o assun o, os inqui idos passa am a cons a a que as AC são
um p oblema mais sé io do que p e iamen e imagina am, desapa ecendo as
opiniões que a ibuíam g a idade eduzida ao p oblema. Pa icula men e ao
ní el local, onde usualmen e a deg adação ambien al é is a de o ma menos
c í ica, al ez po que a p oximidade ende a desd ama iza a si uação eal ( e ,
1
Pa a simpli ica a ap esen ação de esul ados, eco emos às médias ob idas a pa i de uma
Escala Like em que 1 co esponde a “pouca g a idade” e 6 co esponde a “mui a g a idade”
a ibuída.
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po exemplo, SCHMIDT e al., 2005, 2010; 2018), a e olução oi a mais acen-
uada, ainda que se man enha abaixo dos ní eis nacional e global.
Temos, assim, que os e ei os do en ol imen o des es écnicos no p oje-
o, nas suas a i idades e nas á ias ações de o mação i e am um e ei o cla o
que os e á consciencializado pa a a g a idade das AC, seja a ní el global, seja
nacional, seja municipal. A e idência des a e olução e a sua elação com o
en ol imen o nas a i idades do p oje o são ão mais cla as quan o os e ei os
no es an e quad o écnico municipal dos 26 municípios ClimAdaPT.Local ( éc-
nicos não en ol idos di e amen e no p oje o) não se ez sen i com amanha
eemência
2
.
Mas, pa a a alia melho o impac o do p oje o e, po an o, a sua e icácia
e capacidade de p o oca a mudança desejada, impo ou oca a análise na
sa is ação com as ações de o mação desen ol idas (Figu a 2). Desde logo,
ica cla a a e olução oco ida en e o p imei o e úl imo momen os de inqui ição
( onda I) e onda III). Em odos os casos se egis ou uma e olução posi i a,
com des aque pa a os i ens mais globalmen e sa is a ó ios, como são os casos
das “dú idas de idamen e escla ecidas (ac éscimo de 11%) e do “ambien e
p opício à sua p óp ia in e enção (ac éscimo de 12%). Mas, al ez mais impo -
an e, ambém com alguns i ens globalmen e menos sa is a ó ios, como a
“adequabilidade das ações” (subida de 14%) e a “sa is ação global” com as
mesmas (subida de 11%).
2
Ap esen am-se aqui apenas os esul ados ela i os aos écnicos nomeados pa a acompanha
mais di e amen e as a i idades do p oje o e lide a a elabo ação das EMAAC. Mas como se
p essupunha que o “espí i o ClimAdaPT.Local anspusesse on ei as den o e o a da Câma a
Municipal (p e ei u a na nomencla u a b asilei a), um inqué i o semelhan e oi aplicado ao co po
écnico municipal mais ala gado, aos deciso es polí icos e, ainda, aos a o es da comunidade
local (Gue a e . al, 2018).
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(Agenda 2030), impuse am-se po mo o p óp io num espaço de e lexão e ação
que icou plasmado no Aco do de Pa is e no ODS 13 – Ação Climá ica.
Eme giu, assim, um impulso c escen emen e mobilizado pa a a conc e-
ização de abo dagens no ma i as que, no campo da mi igação e, sob e udo,
adap ação às AC, p ocu am ab i caminho a uma agenda da sus en abilidade
mais consis en e, impac an e e moni o izá el. Uma agenda que, apesa da ine-
en emen e ans e sal, não pode es ingi -se a in e p e ações e/ou soluções
homogeneizadas pu amen e globalizadas. Daí deco e a impo ância dos muni-
cípios que assen a em dois a o es de e minan es:
 o obje i o de qualque go e no municipal é, an es de mais, cuida
do bem-es a dos seus munícipes, com no mas e egulamen os que de e mi-
nam a a i idade humana nos e i ó ios municipais e com uma ação conse-
quen e que ga an e a qualidade de ida dos cidadãos
 as AC es ão a ans o ma -se numa ameaça c escen e que o-
men a a ap eensão social e em como ga ilho, po exemplo, a ele ação do ní el
do ma , o aumen o da in ensidade e equência das empes ades, o c escimen-
o de secas, a p opagação dos incêndios, e c.
O pode local e suas especi icidades assumem, po an o, uma cen alida-
de ímpa pa a esponde ao desa io climá ico do século XXI, eme gindo a im-
po ância es a égica do seu luga mediado en e á ios pode es, in e esses e
necessidades (ROBERTS, 2010) como ins umen o basila de uma espos a
e e i a e e icaz. Pa a ga an i maio es chances de sucesso, no en an o, cada
município p ecisa á de mé odos, ins umen os e obje i os adap ados não ape-
nas às ameaças deco en es da mudança climá ica, mas ambém das suas
p óp ias debilidades e po encialidades. Que is o dize que uma cidade cos ei a
e á, po exemplo, de conside a a e o mulação/c iação de in aes u u as de
de esa cos ei a pa a en en a a subida no ní el do ma , enquan o nos municí-
pios do in e io aumen a á, po exemplo, a necessidade de e o ça o comba e
à seca ou à escassez de água.
Pa a a equipa p omo o a do p oje o, impo a a, sob e udo, co- ecensea
essas especi icidades e con ibui pa a e o ça a capacidade de ação em cada
um dos municípios. Se é indiscu í el que as AC são um p oblema sis émico e
complexo, com epe cussões globais que não podem se igno adas, eme ge ao

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ní el local e é a esse ní el onde as possibilidades de espos a se e elam mais
e e i as. Mais especi icamen e, na a ualidade i emos os impac os de um p o-
blema que ca iz global, mas os meios e icazes de lhes da espos a es ão dis-
poní eis a uma escala de maio p oximidade: o ní el municipal não só po
ques ões de na u eza écnica e p agmá ica, mas ambém po que eque em
uma dinâmica pa icipa i a e de p oximidade sem a qual icam condenadas ao
“wish ul hinking” (GUERRA e SCHMIDT, 2016).
Nes e sen ido, as AC são não apenas uma ameaça, mas ambém uma
opo unidade pa a elança e, sob e udo, mode niza as dinâmicas democ á i-
cas e a p á ica de uma ciência cidadã (GONÇALVES e al. 2007; GONÇALVES
e GUERRA, 2008). É dessa ação globalmen e conce ada, mas imp escindi-
elmen e ajus ada a cada ealidade, que depende uma boa pa e da capacida-
de de ação (mi igação e adap ação) dos municípios. E é ambém daí que esul-
a o p opósi o do p oje o ClimAdaPT.Local que, endo em is a capaci a deci-
so es e écnicos, bem como in o ma polí icas e p og amas (i.e., EMAAC e sua
in eg ação nos ins umen os de go e nação municipal egula ), p ocu a ga an i
o mas localmen e adap adas de ges ão ecológica, assen e numa capacidade
ala gada, in o mada e anspa en e de mobilização e consciencialização cole i-
a.
Assim, e ainda que o p oje o enha op ado po uma abo dagem ab an-
gen e dos municípios incluídos no p oje o (aba cando desde o deciso polí ico
ao cidadão comum) os esul ados aqui ap esen ados concen am-se, basica-
men e, nos écnicos au á quicos nomeados pelos di e en es municípios pa a
colabo a nas a i idades do p oje o e, po essa ia, cons uí em as di e sas
EMAAC de aco do com as di e en es ealidades locais. T a a-se de uma opção
que p ocu a limi a a dimensão des e a igo, ocando-se num g upo pa icula -
men e impo an e pa a a dinâmica de mudança que se p ocu ou c ia .
Nesse sen ido, os écnicos inqui idos cons i uem uma espécie de “ca a-
los de oia” – ainda que decla ados e consen idos – que acili a am o p ocesso
de adap ação municipal a a és de ocas de in o mação, de conhecimen os e
de expe iências en e a equipa ClimAdaPT.Local, a sociedade ci il, os deciso-
es polí icos e, ainda o es an e quad o écnico municipal. A a i ude posi i a que
mani es a am ace ao p oje o, como se demons ou nes a análise, indicia uma
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e olução mais ala gada que inclui o ambien e social den o e o a dos mu os
des as edilidades municipais. De igual o ma, a p eocupação e in e esse sob e
AC disseminou-se não apenas den o das on ei as dos municípios e espe i-
as comunidades, mas ambém o a delas, como demons a a c iação da ede
de municípios AdaPT.Local que, a ualmen e, se ala gou a municípios não en-
ol idos inicialmen e no p oje o. O po encial do ClimAdaPT.Local é, po an o,
bem mais amplo do que o aqui a lo ado.
No as Conclusi as
As elações de p oximidade com cidadãos e comunidades locais; a in-
luência egulado a que de êm en e os á ios pode es e in e esses; a iden i i-
cação, ag egação e apoio a o ganizações da sociedade ci il e a emp esas,
bem como a disponibilização de se iços adap ados a necessidades locais; o
con ibu o pa a o e o ço de iden idades locais num con ex o de c escen e glo-
balização… e o çam a capacidade mobilizado a que, desde semp e, é a ibuí-
da aos municípios. Es e papel mediado , aliás, ans o ma-os em po enciais
a o es de mudança, num con ex o em que a c ise climá ica se em ans o -
mando numa c ise socioeconómica ans e sal e pe manen e. A é po que es a
c ise global com incidências locais mui o especí icas a e a, sob e udo, as popu-
lações menos p epa adas pa a en en a os desa ios da mudança e de e mina
uma ação municipal singula , coadunada e moldada aos condicionalismos e
ulne abilidades locais.
A a és des es cinquen a e dois inqui idos, que se dis ibuíam po in e e
seis municípios disseminados pelo e i ó io po uguês ( in e e qua o sub-
egiões con inen ais e duas egiões au ónomas insula es), p ocu ou-se pe ce-
be o alcance das ações ealizadas e o po encial de mudança nelas implicado.
Impo a e e i que se a ou de um g upo ela i amen e jo em. Ca ac e ís ica
que pa ece esul a da necessidade de ga an i expe iência p é ia e capacida-
de de en ol imen o num p oje o ino ado e exigen e. Es a, bem como a o ma-
ção académica acima da média, indicia uma apos a i me no p oje o ClimA-
daPT.Local po pa e da gene alidade dos municípios en ol idos, que lhes e-
se a am alguns dos seus écnicos mais capazes.
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Quan o à a aliação do p oje o e das suas ações oi globalmen e posi i a,
aumen ando à medida que o p oje o se desen ola a. Daí que, g osso modo:
 As maio es di iculdades pa eçam e esul ado de p azos demasi-
ado cu os e de uma al a de empo c ónica e quase ans e sal que deco ia,
mais do que das p óp ias ações e a e as p opos as, da di ícil compa ibilização
com ou os a aze es acumulados no município. As poucas di iculdades apon a-
das pelos inqui idos esul a am, a inal, de a o es ex e io es ao p oje o.
 O g au de conhecimen o decla ado ela i amen e às consequên-
cias globais, nacionais e, sob e udo, locais das AC aumen ou de o ma cla a. A
es e ac o não e á sido alheia a necessidade de in es iga e ecolhe in o ma-
ção pa a le a a cabo a EMAAC que, de aco do com os p incípios e obje i os
do ClimAdaPT.Local, p es a ia pa icula a enção aos condicionalismos locais.
 A impo ância das polí icas e medidas de adap ação, ela i amen-
e às de mi igação aumen ou de o ma cla a. O en ol imen o no p oje o, oca-
cionado pa a a adap ação, e á su ido o e ei o desejado, o nando es es écni-
cos mais cien es de ameaças e mais conhecedo es das medidas pa a as en-
en a , o que que dize , mais capaci ados pa a agi e aplica a EMAAC.
Em suma, as AC ganha am uma isibilidade c escen e e o ClimA-
daPT.Local p ocu ou esponde a es e ac o com mais conhecimen o e maio
capaci ação dos municípios pa a en en a em o p oblema. As expec a i as c i-
adas o am, po an o, al as e, como aqui se cons a ou, cump idas: de aco do
com os inqui idos, as di e en es EMAAC ge a am condições pa a en en a me-
lho os impac os das AC a ní el municipal, não apenas nos municípios en ol i-
dos, mas, po osmose, a municípios izinhos. Impo a ia, en ão, depois de al-
gum empo deco ido, e i ica a é que pon o o p opósi o se eio a conc e iza ,
com um no o inqué i o aos mesmos écnicos e aos es an es in e enien es.
Ag adecimen os
Os au o es ag adecem a odos aqueles que esponde am a es e inqué i o, bem
como a odos os esponsá eis municipais que pe mi i am o desen ol imen o
do p oje o ClimAdaPT.Local. O p oje o in eg ou-se no P og ama AdaPT, ge ido
pela Agência Po uguesa do Ambien e, IP (APA, IP), enquan o ges o a do Fun-
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do Po uguês de Ca bono (FPC), no alo o al de 1,5 milhões de eu os, co i-
nanciado a 85% pelo EEA G an s e a 15% pelo Fundo Po uguês de Ca bono
(FPC). O ClimAdaPT.Local bene iciou de um apoio de 1,270 milhões de eu os
da Islândia, Liech ens ein e No uega a a és do p og ama EEA G an s, e de
224 mil eu os a a és do FPC.
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