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Reconfiguração da atividade profissional do educador de adultos – o reconhecimento e validação de adquiridos experienciais

Abstract

O texto visa analisar a atividade profissional do educador de adultos, em Portugal, num contexto de políticas públicas de adultos pouco escolarizados, centradas no reconhecimento e na validação de adquiridos experienciais. A análise é suportada numa investigação qualitativa, realizada entre 2001 e 2009. Os dados empíricos resultaram de entrevistas semidiretivas e de entrevistas biográficas com educadores de adultos e com adultos, envolvidos neste processo. Os resultados da investigação permitem afirmar que o caráter pioneiro e a complexidade do processo de reconhecimento e validação de adquiridos experienciais originaram uma reconfiguração da atividade profissional do educador de adultos, no que respeita às suas funções.

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Reconfiguração da atividade profissional do educador de adultos – o reconhecimento e validação de adquiridos experienciais

Author: Cavaco, Carmen
Publisher: Universidade de São Francisco
Year: 2020
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/47472/1/Revista%20Horizontes_2020_Reconfigura%c3%a7%c3%a3o%20da%20actividade%20profissional%20do%20educador%20de%20adultos.pdf
ARTIGO
DOI: h ps://doi.o g/10.24933/ho izon es. 38i1.1000
Pe iódico Ho izon es – USF – I a iba, SP – B asil – e020038
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Recon igu ação da a i idade p o issional do educado de adul os – econhecimen o e
alidação de adqui idos expe ienciais
Ca men Ca aco
1
Resumo
O ex o isa analisa a a i idade p o issional do educado de adul os, em Po ugal, num con ex o de polí icas
públicas de adul os pouco escola izados, cen adas no econhecimen o e na alidação de adqui idos expe ienciais.
A análise é supo ada numa in es igação quali a i a, ealizada en e 2001 e 2009. Os dados empí icos esul a am
de en e is as semidi e i as e de en e is as biog á icas com educado es de adul os e com adul os, en ol idos nes e
p ocesso. Os esul ados da in es igação pe mi em a i ma que o ca á e pionei o e a complexidade do p ocesso de
econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais o igina am uma econ igu ação da a i idade p o issional
do educado de adul os, no que espei a às suas unções.
Pala as-cha e: Educado de Adul os; Recon igu ação da A i idade P o issional; Reconhecimen o e Validação de
Adqui idos Expe ienciais.
Recon igu a ion o he adul educa o ´s p o essional ac i i y – ecogni ion and alida ion o p io lea ning
Abs ac
The ex aims o analyze he p o essional ac i i y o adul educa o s in Po ugal, based o public polices o adul s
wi h low educa ional le el, ocused on he ecogni ion and alida ion o p io lea ning. The analysis is suppo ed by
a quali a i e esea ch, namely, empi ical da a esul ing om semi-di ec i e in e iews and biog aphical in e iews
conduc ed wi h adul educa o s and ce i ied adul s. This esea ch was ca ied ou be ween 2001 and 2009. The
esul s o he esea ch o a i m ha he pionee ing cha ac e and he complexi y inhe en o he p ocess o
ecogni ion and alida ion o p io lea ning o p omo e a econ igu a ion o he p o essional ac i i y o he adul
educa o , especially in he unc ions.
Keywo ds: Adul Educa o ; Recon igu a ion o P o essional Ac i i y; Recogni ion and Valida ion o P io Lea ning.
In odução
O ex o em como obje i o analisa a a i idade p o issional do educado de adul os, em
Po ugal, num con ex o de polí icas públicas ocadas nos adul os pouco escola izados e
cen adas no econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais. Os dados empí icos, que
supo am a análise, esul a am de uma in es igação quali a i a, com ecu so a en e is as
semidi e i as e a en e is as biog á icas, ealizadas com educado es de adul os e com adul os
ce i icados. A in es igação, ealizada en e 2001 e 2009, e e como obje o de es udo o p ocesso
de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais (CAVACO, 2009). Con udo, es e
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Ins i u o de Educação da Uni e sidade de Lisboa, UIDEF, Lisboa, ca[email p o ec ed]
ARTIGO
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a igo incide apenas na análise de uma dimensão es udada – a a i idade p o issional do educado
de adul os, no p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais.
A educação oco e em odos os empos e espaços de ida, de modo con ínuo e di uso,
a a és de p ocessos de in e ação. Nes e sen ido, odos os implicados são educandos e
educado es (CASPAR, 2007; FREIRE, 2000; LESNE, 1978), de ido à ecip ocidade ine en e aos
p ocessos educa i os, o que é pa icula men e econhecido e alo izado no campo da educação
de adul os. No campo da educação de adul os, pa a além das dinâmicas educa i as quo idianas,
i idas indi idual e cole i amen e, podemos conside a a o mação p o issional, a al abe ização
e a educação de base, a animação sociocul u al, o desen ol imen o local e a in e enção
comuni á ia, o econhecimen o e a alidação de adqui idos expe ienciais, e os mo imen os
sociais. O campo de p á icas da educação de adul os é di e si icado e complexo (CANÁRIO,
1999), o iginando uma “geome ia mui o a iá el” (LECLERCQ, 2005), na a i idade p o issional
dos educado es de adul os, isí el na mul iplicidade de designações usadas pa a nomea es es
p o issionais (LESNE, 1978). O p og essi o in es imen o em polí icas públicas de educação de
adul os, desde o im da 2º Gue a Mundial, con ibuiu pa a uma c escen e dinâmica de p ocu a
de “iden idade p o issional, mas ambém social e pessoal” (LIÉTARD, 2014, p.10), po pa e dos
educado es de adul os.
Em Po ugal, nas úl imas cinco décadas, a implemen ação de polí icas públicas de
educação de adul os p opo cionou condições pa a uma p og essi a p o issionalização dos
educado es de adul os. Essa p og essi a p o issionalização esul ou de um conjun o de a o es,
nomeadamen e, do aumen o da quan idade e da di e sidade de abalho emune ado, do
aumen o da quali icação acadêmica e das compe ências p o issionais dos educado es de adul os,
e do aumen o da isibilidade e do econhecimen o des es p o issionais. Os educado es de
adul os desempenham unções num campo ca a e izado pela di e sidade e complexidade, o que
jus i ica a impo ância do in es imen o na sua o mação, nomeadamen e, nos domínios
pedagógico, cien í ico e écnico.
No ano 2000, em Po ugal, su gi am polí icas públicas cen adas no econhecimen o e
alidação de adqui idos expe ienciais, de adul os pouco escola izados. Nesse enquad amen o,
su gi am duas medidas polí icas que ainda con inuam igen es – uma ede nacional de Cen os
de educação de adul os, a ualmen e designados de Cen os Quali ca, e um modelo de
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o ganização e uncionamen o do p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos
expe ienciais. O p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais esul ou
de uma polí ica pública, in luenciada pelas o ien ações da União Eu opeia e da O ganização das
Nações Unidas pa a a Educação, a Ciência e a Cul u a – Unesco (CAVACO, 2009). Es es
o ganismos sup anacionais êm indo a des aca a impo ância da educação de adul os,
especialmen e, do econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais. Con udo, as
o ien ações polí icas des es o ganismos sup anacionais indiciam uma pe spec i a
ins umen alizada e edu o a da educação de adul os, ocada na p omoção do desen ol imen o
económico (CAVACO, 2009). Es a pe spec i a, que in luenciou a polí ica pública de educação de
adul os, em Po ugal, ge ou um pa adoxo – o p ocesso de econhecimen o e alidação de
adqui idos expe ienciais, supo ado em p essupos os e me odologias de inspi ação humanis a,
em indo a se en endido como es a égia pa a ele a os ní eis de quali icação escola e
p o issional da população, ao se iço do desen ol imen o econômico.
O p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais baseia-se,
essencialmen e, em ês p essupos os. O p imei o p essupos o, conside a que a expe iência de
ida em um po encial educa i o, po quan o, pe mi e a aquisição de sabe es. O segundo
p essupos o de ende a possibilidade de se es abelece uma compa ação en e os sabe es
deco en es da expe iência de ida e os sabe es acadêmicos. Po úl imo, o e cei o p essupos o
baseia-se no p incípio de que não az sen ido p e ende ensina às pessoas aquilo que já sabem.
Es e p ocesso ca a e izado po di e sos elemen os de ino ação nos p essupos os
o ien ado es e na abo dagem me odológica (his ó ias de ida, po i ólio, balanço de
compe ências, análise da a i idade), deu luga a p á icas pionei as e complexas (JOBERT, 2005;
PINEAU, 1997). O p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais é
complexo, pois se alice ça em p essupos os pionei os, em me odologias ino ado as e em
pe spec i as polí icas ge ado as de ensões e de pa adoxos.
Es e p ocesso que isa econhece e alida os sabe es deco en es da expe iência de
ida, a a és de um ce i icado escola de ní el básico ou secundá io, é desa ian e e complexo.
O ca á e pionei o e ino ado do p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos
expe ienciais con ibuiu pa a a econ igu ação da a i idade p o issional do educado de adul os.
Os p o issionais en ol idos nes a medida polí ica depa a am-se com um p ocesso no o e
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desconhecido, no que espei a aos p essupos os o ien ado es, à o ganização e uncionamen o,
às me odologias e ins umen os de abalho e às suas p óp ias unções. Es es educado es êm
um papel essencial no acompanhamen o do adul o, ao longo do p ocesso, especialmen e, no
apoio à elabo ação da na a i a biog á ica, na explici ação da expe iência de ida e dos
adqui idos expe ienciais, assim como na compa ação desses elemen os com o e e encial de
compe ências-cha e.
As equipes écnico-pedagógicas dos Cen os Quali ica são cons i uídas po écnicos de
o ien ação, econhecimen o e alidação de compe ências e po o mado es. A análise
ap esen ada no ex o cen a-se na a i idade dos écnicos de o ien ação, econhecimen o e
alidação de compe ências, que op amos po designa de educado es de adul os. Os
p o issionais esponsá eis pela implemen ação des e p ocesso assumem unções de diagnós ico,
de o ien ação, de econhecimen o e alidação baseadas nos adqui idos expe ienciais dos
adul os, a as ando-se da unção adicional dos educado es – a ansmissão de conhecimen o.
No ex o, p ocu a-se analisa a econ igu ação p o issional des es educado es de adul os, a pa i
da complexidade, da especi icidade e dos pa adoxos ine en es ao p ocesso de econhecimen o
e alidação de adqui idos expe ienciais.
Os adqui idos expe ienciais são o conjun o de ecu sos que as pessoas adqui em e
ape eiçoam ao longo da ida, nos di e sos con ex os – pessoal, amilia , social, escola e
p o issional. Os adqui idos expe ienciais são di e si icados e globais, po isso, di íceis de mapea .
Incluem os sabe es (sabe , sabe -se e sabe - aze ), assim como as compe ências. As
compe ências dizem espei o à capacidade de mobilização dos sabe es, em de e minados
con ex os, na esolução de p oblemas e na supe ação de desa ios do quo idiano.
O ex o é o ganizado em ês pa es. A p imei a pa e cen a-se na me odologia de
in es igação, designadamen e, na dimensão epis emológica, nos p ocedimen os me odológicos
e nos p incípios é icos o ien ado es. A segunda pa e oca-se na análise de dados empí icos da
in es igação, mais conc e amen e, na análise do papel do educado de adul os e da sua
impo ância no econhecimen o dos sabe es do adul o. Po im, a e cei a pa e cen a-se na
análise da econ igu ação p o issional do educado de adul os, a pa i do seu abalho no
p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais.
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Me odologia
A análise ap esen ada no ex o esul ou de uma in es igação quali a i a que e e como
obje o de es udo o p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais. A
in es igação quali a i a a igu ou-se impo an e po que p e endíamos comp eende a
o ganização e o uncionamen o de um p ocesso pionei o e desconhecido, em ge al, e, em
pa icula , pa a o p óp io in es igado . A in es igação quali a i a ao pe mi i uma abo dagem
in ensi a, ocada no es udo po meno izado de p á icas, a pa i do seu con ex o e da
pa icipação dos á ios agen es en ol idos (MOHAJAN, 2018), possibili a uma g ande iqueza e
di e sidade de dados empí icos.
Do pon o de is a epis emológico, iliamo-nos na he menêu ica, como o ma de
comp eende a na u eza e a especi icidade do p ocesso em es udo, a pa i das in e p e ações
dos sujei os en ol idos – os educado es e os adul os. A he menêu ica econhece que a
comp eensão dos enômenos sociais e educa i os oco e a a és de p ocessos dialé icos, em
cons ução pe manen e, en e o in es igado e os pa icipan es na in es igação. Ou seja, uma
dinâmica “de ai ém en e o odo e as pa es” (PAILLÉ, 2019, p.222), baseada na in e p e ação
da expe iência humana. Isso é pa icula men e pe inen e no es udo de um enômeno pionei o
e desconhecido, como o p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais.
Na in es igação, ado a am-se os p incípios é icos de inidos na Ca a É ica da Sociedade
Po uguesa de Ciências da Educação (SOCIEDADE PORTUGESA DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO,
2014) e no Código Eu opeu de Condu a pa a a In eg idade da In es igação (ALL EUROPEAN
ACADEMIES, 2017), sendo de des aca a p eocupação com a idedignidade, a hones idade, o
espei o e a esponsabilização. Nesse sen ido, p ocu amos assegu a a con idencialidade e o
anonima o dos pa icipan es, assim como o es abelecimen o de elações signi ica i as, baseadas
no espei o, no econhecimen o e na empa ia. A in es igado a ap esen ou um e mo de
consen imen o in o mado aos possí eis pa icipan es, com o obje i o da in es igação e
elemen os sob e a me odologia (mé odo, ins umen os de ecolha de dados, p incípios é icos
o ien ado es), ei e ando a impo ância da pa icipação li e e in o mada, assim como a
possibilidade de desis ência a qualque momen o, caso assim o en endessem. Os dados
empí icos o am ecolhidos a a és de en e is as semidi e i as com oi o educado es de adul os

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e de en e is as biog á icas com ca o ze adul os ce i icados, no âmbi o do p ocesso. As
en e is as ealiza am-se em ês Cen os esponsá eis pela implemen ação do p ocesso de
econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais, na egião do Alen ejo.
Educado de adul os – o econhecimen o de sabe es dos adul os
Os Cen os Quali ica são es u u as de p oje o, enquad ados em en idades públicas,
p i adas e do e cei o se o , com inanciamen o público, sal o a as exceções, que uncionam
num egime de au o inanciamen o. Os Cen os Quali ica cons i uem uma ede nacional com mais
de 300 Cen os, dis ibuídos po odas as egiões do país. Es es Cen os são enquad ados em
legislação e egulados a a és de um sis ema de in o mação, que pe mi e à u ela segui os
p ocedimen os da equipe e as ases do p ocesso de cada adul o insc i o. Os Cen os Quali ica
ocam a sua ação em jo ens e adul os, com idade igual ou supe io a 18 anos, que não possuem
a escola idade ob iga ó ia, ou seja, o 12º ano. O e e encial de compe ências-cha e pa a a
educação e o mação de adul os de ine as á eas e o ipo de sabe es, em cada ní el de
escola idade, do ensino básico e secundá io. O e e encial de compe ências-cha e é o
ins umen o no eado do p ocesso, que se e de e e ência pa a econhece e alida os
adqui idos expe ienciais de cada adul o. Es es Cen os egis a am uma g ande adesão, en e
2001 e 2010, pe íodo em que se insc e e am 1.316.955 adul os, ou seja, 21% dos adul os pouco
escola izados esiden es no país. Nes e mesmo pe íodo, ob i e am uma ce i icação escola
409.641 adul os (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2013).
Os Cen os assumem, desde 2000, uma missão es u u an e nas polí icas públicas de
educação de adul os pouco escola izados, de ido à a i idade em di e sos domínios –
diagnós ico, o ien ação, econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais. A
conc e ização des a di e sidade de compe ências é assegu ada po educado es de adul os. No
desempenho das suas unções, os educado es de adul os p ecisam de e um conhecimen o
amplo e a ualizado da o e a de educação e o mação de adul os e de me odologias especí icas.
Os educado es de adul os são esponsá eis pelo acompanhamen o dos adul os pouco
escola izados que ealizam o p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos
expe ienciais.
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Os educado es de adul os desempenham unções di e si icadas no p ocesso de
econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais. Des aca-se o seu con ibu o na
in o mação sob e a o ganização e o uncionamen o do p ocesso, no escla ecimen o sob e a
me odologia de abalho e os ins umen os usados na elabo ação do po i ólio, no
acompanhamen o da elabo ação do po i ólio, na explici ação dos elemen os que cons am no
e e encial de compe ências-cha e, na a iculação en e os adqui idos expe ienciais do adul o e
os elemen os do e e encial, na mo i ação e no es ímulo à implicação do adul o, na a iculação
com os es an es educado es que acompanham o adul o, na p og amação e na dinamização de
a i idades, na a aliação dos adqui idos expe ienciais do adul o, no jú i de alidação e no
p eenchimen o do sis ema de in o mação. A di e sidade de unções dos educado es de adul os
é iden i icada pelos en e is ados: “Pa icipo em odas [as ases]. Eu aço o econhecimen o. Na
alidação, eu jun amen e com os o mado es, a aliamos o dossie e decidimos a o mação […] A
única coisa que não aço é a o mação, mas es ou semp e po ás do p ocesso” (Educado ); “Nós
somos as pessoas que êm mais con ac o com os adul os, acompanhamos semp e o pe cu so
deles” (Educado ). Essa di e sidade de unções e a impo ância do educado de adul os no
p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais são con i madas pelos
adul os en e is ados: “Desde o p imei o dia ecebeu-me semp e mui o bem e acompanhou
semp e odo o meu p ocesso a é ao im, e e um papel mui o impo an e” (Adul o); “Ele explicou-
me que e a como que um ges o do p ocesso, que es a a ali quando eu p ecisasse” (Adul o). O
educado de adul os pa icipa em odas as ases do p ocesso e acompanha o adul o desde a
sessão in o ma i a a é ao jú i de alidação.
O educado de adul os em a unção de acompanhamen o do adul o, du an e as á ias
ases do p ocesso de econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais. Nes e caso,
o ien a o adul o, p ocu a comp eende o ipo de apoio necessá io e man ém-se a en o,
in e indo quando se jus i ica. O acompanhamen o consis e numa impo an e dimensão
elacional, baseada no equilíb io – apoia , p omo e a con iança e a mo i ação do adul o e,
concomi an emen e, alo iza e incen i a a au onomia do adul o. Es a dimensão do
acompanhamen o oi des acada pelos en e is ados: “A minha unção é ajuda , mas em que
pa i deles” (Educado ); “Ela me ia as ca as na mesa [explica a o que se p e endia] e depois nós
azíamos, quando as pessoas inham di iculdade ela es a a semp e a e ” (Adul o); “A D a.
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escla ecia, mas não di e amen e, não da a a espos a […] a mim uma dú ida ou ou a que i e
[…], ela ajudou-me a con o ná-la, sem me pega na mão, mas e a o su icien e pa a eu cap a ”
(Adul o). Nes e caso, podemos conside a que o educado de adul os é um “passado ” (JOSSO,
2005, p.119), po que econhece e es imula o adul o a abalha au onomamen e, man endo-se
a en o e disponí el pa a in o ma , escla ece , apoia e mo i a , quando é necessá io.
O econhecimen o e alidação de adqui idos expe ienciais é cen ado no pe cu so de ida
e nos sabe es de cada adul o, o que implica um p ocesso de biog a ização (DELORY-
MOMBERGER, 2019). A biog a ização consis e num conjun o de ope ações di e si icadas e
complexas, que en ol em a ememo ação, a seleção, a e lexão, a o denação, a a iculação, a
explici ação, a ( e)elabo ação da expe iência de ida e a iden i icação de sabe es. A a és do
p ocesso de biog a ização, o adul o oma consciência e ap op ia-se do seu pe cu so de ida, da
sua expe iência e dos seus sabe es. Simul aneamen e, socializa esses elemen os com o educado
e com os ou os adul os. O educado em um papel de e minan e no econhecimen o, ao
es imula e acompanha o p ocesso de biog a ização do adul o, susci ando o
he e o econhecimen o (ao alo iza os sabe es do adul o) e o au o econhecimen o (ao
incen i a o adul o a alo iza os seus sabe es).
O econhecimen o é um p ocesso complexo, ma cado po uma elação dialé ica en e o
au o econhecimen o e o he e oconhecimen o. Po no ma, pa a que oco a o econhecimen o
po pa e do ou o (he e o econhecimen o), é undamen al que a p óp ia pessoa a ibua e
econheça alo ao que é e sabe (au o econhecimen o). Quando o adul o não econhece o alo
dos seus sabe es, o que é equen e en e os adul os pouco escola izados, es e p ocesso pode
ica comp ome ido. Des e modo, uma das unções do educado de adul os é apoia o adul o na
explici ação do pe cu so de ida e na iden i icação de sabe es. Ao longo do p ocesso, ai
con on ando o adul o com os seus sabe es. Explici a os seus sabe es e a impo ância que êm
no p ocesso, assim, ealiza o he e o econhecimen o e p omo e o au o econhecimen o, po
pa e do adul o. Es a es a égia pe mi e ao adul o oma consciência da impo ância dos seus
sabe es e da sua capacidade de ap endizagem, o que su ge des acado nas alas dos
en e is ados: “É consciencializa a pessoa se em ou não compe ências, pa a ela p óp ia oma
essa consciência (Educado ); “Fazia-me e as coisas de ou a o ma, e a impo ância que as
coisas inham, eu al ez não lhe soubesse da essa impo ância […] a gen e às ezes não sabe
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bem as compe ências que em pa a ealiza as coisas” (Adul o); “Ela oi semp e impecá el, e e
semp e um cuidado ex emo, dizia — Não se p eocupe! […] Ela deu-me um c escimen o in e io
e uma au o-con iança” (Adul o). O educado es imula o adul o a ealiza um p ocesso de
e lexão, de au o-análise, de au o-a aliação e de au o econhecimen o, a pa i da explici ação
da sua expe iência de ida e dos seus sabe es. A me odologia usada no p ocesso e o
acompanhamen o assegu ado pelo educado pe mi em que es e p ocesso, inicialmen e
concebido, do pon o de is a das polí icas públicas, apenas pa a a ibui ce i icados, ap esen e
um ele ando po encial o ma i o pa a os adul os en ol idos. No econhecimen o e alidação de
adqui idos expe ienciais, o educado de adul os desempenha unções inédi as, num p ocesso
pouco conhecido e complexo, o que susci a a econ igu ação des a a i idade p o issional.
As ope ações ine en es à biog a ização e ao p óp io p ocesso de econhecimen o
assen am na “capacidade de dize ” e na “capacidade de na a ” (RICOEUR, 2005), capacidades
conside adas in ínsecas e es u u an es do se humano. Po ém, es as capacidades en ol em
mecanismos e p ocessos complexos, nomeadamen e, quando se a a de na a a expe iência
de ida, assim como, os sabe es daí esul an es. O p ocesso de biog a ização é di ícil e exigen e
pa a os adul os. Essa di iculdade aumen a quando o obje i o é iden i ica , explici a e analisa os
sabe es esul an es da expe iência de ida. Os sabe es esul an es da expe iência, ge almen e,
são di íceis de enuncia , de ido à sua na u eza áci a, con ex ual e inco po ada. Po ou o lado,
esses sabe es nem semp e são acessí eis aos seus po ado es, exigindo p ocessos de e lexão,
de explici ação e de socialização do i ido. O educado de adul os, ao ado a uma pos u a de
incen i o à biog a ização e à escu a, pe mi e a iden i icação de sabe es do adul o, passí eis de
a icula com os elemen os do e e encial de compe ências-cha e. A compa ação en e os
sabe es explici ados pelo adul o e os elemen os que cons am do e e encial de compe ências-
cha e ma e ializa o p ocesso de alidação.
O p ocesso de alidação é mui o complexo, po que consis e na compa ação en e sabe es
de na u eza dis in a – os sabe es esul an es da expe iência e os sabe es acadêmicos. Além disso,
a alidação depende do p ocesso de econhecimen o, p e iamen e ealizado. A iden i icação e
a análise dos adqui idos expe ienciais dependem de di e sos a o es, nomeadamen e, da
especi icidade da expe iência de ida de cada adul o, da ap op iação que o adul o ez dessa
expe iência, da mo i ação e implicação do adul o na biog a ização, da capacidade de e lexão,