scieee Science in your language
[po] (orig)

COVID-19, turismo e sustentabilidade: tudo está interligado

Abstract

A COVID-19 e a crise devastadora que por sua causa se anuncia no turismo justificam uma reflexão. Neste ensaio proponho uma leitura da relação COVID-19/turismo a partir de uma perspetiva mais-do-que-humana e de ecologia integral. Após um breve enquadramento em que a COVID-19 é apresentada como um evento socionatural, é discutida a relação entre a pandemia, o sobreturismo e a crise turística mundial atual. Termino com uma breve reflexão sobre o turismo pós-COVID-19.

Read accessible full text

COVID-19, turismo e sustentabilidade: tudo está interligado

Author: Brito-Henriques, Eduardo
Publisher: Universidade de Lisboa, Centro de Estudos Geográficos
Year: 2020
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/45023/1/Brito_Henriques_Finis_2020.pdf
Finis e a
,
LV
(115), 2020, pp. x-x
ISSN: 0430-5027
doi: 10.18055/Finis20311
A igo
MANUSCRITO ACEITE PARA PUBLICAÇÃO |
ACCEPTED MANUSCRIPT
COVID-19, TURISMO E SUSTENTABILIDADE: TUDO ESTÁ INTERLIGADO
EDUARDO BRITO-HENRIQUES
Recebido: junho 2020
Acei e: se emb o 2020
Po a o , ci a es e manusc i o como: |
Please, ci e his manusc ip as:
B i o-Hen iques, E. (2020). Co id-19, u ismo e sus en abilidade: udo es á in e ligado [Co id-19, ou ism
and sus ainabili y: e e y hing is connec ed].
Finis e a – Re is a Po uguesa de Geog a ia
. Doi:
10.18055/Finis20311
NOTA
Es e é um a qui o PDF de um manusc i o ainda
não edi ado, mas acei e pa a publicação
(manusc i o “em publicação”). Enquan o um
se iço, a Finis e a disponibiliza es a e são
inicial do manusc i o que se á subme ido a edição
de ex o, o ma ação e e isão de p o a an es de
se publicado na sua o ma inal. No e que du an e
o p ocesso de p odução podem se encon ados
alguns e os que a e am o con eúdo, e odas as
isenções legais se aplicam à e is a.
Manusc i os "em publicação" es ão acei es e
e is os po pa es, mas ainda não o am a ibuídos
a olumes/edições, mas são ci á eis usando o DOI.
Quando o manusc i o inal é a ibuído aos
olumes/edições da publicação, o manusc i o "em
publicação" se á emo ido e a sua e são inal
apa ece á nos olumes/edições publicadas.
Embo a os manusc i os "em publicação" ainda não
enham odos os de alhes bibliog á icos
disponí eis, já podem se ci ados usando o ano da
publicação
on-line
e o DOI: au o ia, í ulo,
publicação (ano), DOI.
NOTE
This is a PDF ile o an unedi ed manusc ip ha
has been accep ed o publica ion (manusc ip “in
p ess”). As a se ice we a e p o iding his ea ly
e sion o he manusc ip . The unedi ed
manusc ip will unde go copyedi ing, ypese ing,
and e iew o he esul ing p oo be o e i is
published in i s inal o m. No e ha du ing he
p oduc ion p ocess some e o s may be disco e ed
which could a ec he con en , and all legal
disclaime s ha apply o he jou nal pe ain.
Manusc ip s “in p ess” a e accep ed and pee
e iewed bu a e no ye assigned o
olumes/issues, bu a e ci able using DOI.
When he inal manusc ip is assigned o
olumes/issues o he publica ion, he manusc ip
“in p ess” will be emo ed and he inal e sion
will appea in he associa ed published
olumes/issues o he publica ion. Please be awa e
ha , al hough manusc ip s “in p ess” do no ha e
all bibliog aphic de ails a ailable ye , hey can
al eady be ci ed using he yea o online
publica ion and he DOI, as ollows: au ho (s
), i le,
publica ion (yea ), DOI.
ACEITE PARA IMPRESSÃO | AHEAD OF PRINT
Finis e a, LV(115), 2020, pp. x-x
ISSN: 0430-5027
doi: 10.18055/Finis20311
A igo
COVID-19, TURISMO E SUSTENTABILIDADE:
TUDO ESTÁ INTERLIGADO
EDUARDO BRITO-HENRIQUES1
RESUMO – A COVID-19 e a c ise de as ado a que po sua causa se anuncia no u ismo jus i icam uma e lexão.
Nes e ensaio p oponho uma lei u a da elação COVID-19/ u ismo a pa i de uma pe spe i a mais-do-que-humana e
de ecologia in eg al. Após um b e e enquad amen o em que a COVID-19 é ap esen ada como um e en o sociona u al,
é discu ida a elação en e a pandemia, o sob e u ismo e a c ise u ís ica mundial a ual. Te mino com uma b e e
e lexão sob e o u ismo pós-COVID-19.
Pala as-cha e: COVID-19; u ismo; sus en abilidade; eo ia do a o - ede; ecologia in eg al.
ABSTRACT – COVID-19, TOURISM AND SUSTAINABILITY: EVERYTHING IS CONNECTED. The COVID-19
pandemic and he de as a ing c isis ha is un olding in ou ism jus i y a e lec ion. This essay p oposes an
in e p e a ion o he COVID-19/ ou ism nexus om a mo e- han-human app oach and h ough he lens o in eg al
ecology. A e a b ie o e iew in which COVID-19 is p esen ed as a socio-na u al e en , he ela ionship be ween he
pandemic, o e ou ism and he cu en global ou ism c isis is discussed. I will end wi h a b ie e lec ion on ou ism
pos -COVID-19.
Keywo ds: COVID-19; ou ism; sus ainabili y; ac o -ne wo k heo y; in eg al ecology.
I. UM EVENTO NADA NATURAL
A pandemia de COVID-19 ai ce amen e igu a na lis a dos g andes desas es na u ais pois é
nessa ca ego ia que as epidemias cos umam se ca alogadas. Con udo, não é um e en o pu amen e
na u al. A ilusão de uma “na u eza” à pa e da “sociedade”, e ice e sa, é uma c iação iccional da
mode nidade sem e i icação na ealidade e que e e consequências desas osas pa a a habi abilidade
da Te a (La ou , 1991). Sociedade e na u eza in e pene am-se e o que po odo o lado p oli e a é a
hib idade sociona u al (Wha mo e, 2002).
A COVID-19 é a con i mação. Na sua eclosão exp ime-se bem a in e ligação do na u al, do
cul u al e do polí ico, e de como é c í ica e in e dependen e a coabi ação de humanos e não-humanos
no Plane a. Ao que sabemos, a in eção humana pelo SARS-CoV-2 e á começado num local mui o
pa icula em Wuhan, China: no me cado de pescado e ca ne sel agem de Huanan, onde animais de
pelo menos 75 espécies di e en es, algumas em pe igo e p o egidas po con enções in e nacionais,
e am endidos como igua ia de luxo (O'Callaghan-Go do & An ó, 2020), ou “ma isco”. Os p imei os
casos epo ados de pneumonia se e a pelo no o co ona í us o am de endedo es desse me cado. A
in eção e á oco ido a pa i de um animal in e ado de espécie ainda ince a ( al ez um pangolim),
que po sua ez e á sido in e ado a pa i do mo cego, ese a ó io na u al dos co ona í us. Me cados
des e ipo, onde animais sel agens de á ias espécies, não a o esul an es de caça ilegal e ci culados
a a és de co en es de á ico in e nacional, são man idos i os p omiscuamen e, p oli e am na
China e já o am ocos de ou as epidemias zoonó icas no passado, nomeadamen e da SARS em 2002
(O'Callaghan-Go do & An ó, 2020). Não só na China como em ou os países do Sudes e Asiá ico, o
consumo de animais sel agens e a cu iosidade neó ila po ca nes exó icas, sus en ada po adições
que lhes a ibuem p op iedades medicinais e a odisíacas, o na am-se sinais de es a u o pa a os
no os milioná ios e pa a as classes médias u banas que p ospe a am com o c escimen o económico
das úl imas décadas, e são hoje inclusi e azão de u ismo gas onómico (Ying, Wang, Liu, Wen, & Goh,
2020). Wuhan é um dos p incipais polos indus iais e ecnológicos da China cen al, uma me ópole
egional com 11 milhões de habi an es, onde es ão sedeadas áb icas de emp esas como a Siemens,
Mic oso , Honda, Renaul e Gene al Mo o s, onde lojas da P ada, YSL e Dolce & Gabanna es ão
Recebido: junho 2020. Acei e: se emb o 2020.
1 In es igado E e i o, Cen o de Es udos Geog á icos, P o esso Associado, Ins i u o de Geog a ia e O denamen o do Te i ó io, Uni e sidade de Lisboa,
Rua B anca Edmée Ma ques, Cidade Uni e si á ia, 1600-276, Lisboa, Po ugal. E-mail: edua [email protected]
ACEITE PARA IMPRESSÃO | AHEAD OF PRINT
B i o-Hen iques, E. Finis e a, LV(115), 2020, pp. xx-xx
es abelecidas, e onde uma eli e de engenhei os, ges o es, e consul o es inancei os lo esceu. A in eção
humana pelo SARS-CoV-2 es á imb icada nes a ama de conexões com me cado, u banização,
consumo conspícuo e caça u i a, e, po an o, se ia mais adequadamen e desc i a como um e en o
sociona u al. É-o ambém pela o ma como a pandemia que causou se en elaça no u ismo.
II. SOBRETURISMO, PANDEMIA, CRISE TURÍSTICA
O u ismo é dos se o es que, mundialmen e, mais es á a se a e ado pela COVID-19 (Gössling,
Sco , & Hall, 2020). O u ismo implica mobilidade e in e ação, e na ausência de ins umen os
a macêu icos de p e enção e comba e da doença, as polí icas de imobilidade são a única o ma
possí el de mi igação da pandemia. Es ima-se que possam es a em isco, só em emp egos di e os,
mais de 100 milhões de pos os de abalho em odo o mundo (WTTC, 2020). Tal ez menos no ado,
po ém, é que o u ismo não es á só do lado das consequências da pandemia, mas ambém do lado das
causas.
A eo ia do a o - ede (TAR) não assume p op iamen e que os a o es possuam pode . Fala de
agência e ê essa capacidade de agi e p oduzi e ei os dispe sa ao longo das múl iplas associações
he e ogéneas de a o es humanos e não-humanos que cons i uem a sociedade. Assume que pa e dessa
agência es á ads i a a en idades pa icula es nesses cole i os híb idos que o mam a ida social, mas
ê-a sob e udo como agência dis ibu i a, luindo e ci culando en e os di e en es elemen os da ede:
“Um a o é aquele que mui os ou os azem a ua ” (La ou , 2005, p. 46). Ci o is o pa a lemb a que um
í us é uma en idade ão elemen a e ão limi ada nas suas aculdades que não chega a me ece a
ca ego ia de mic o ganismo. A ciência coloca-o no limia en e o i o e o ine e. Sem uma célula que o
acolha, é ulne á el e nada pode. Po an o, o SARS-CoV-2 não ope a isolado. É o híb ido ansi ó io
o mado pelo humano-mais- í us o ac an e da p opagação, mas mesmo es e a o híb ido p ecisa de
uma ede com ou os a o es e in e mediá ios pa a que a agência dis ibu i a po encie a sua a uação.
A assemblagem do u ismo – o cole i o de iajan es, a iões, ipulações, ae opo os, ho éis, na ios de
c uzei o, bagagens, ececionis as, e c. – oi o a o - ede que se o mou e pe mi iu a ampli icação da
COVID-19 à escala de pandemia. Há indícios de que o p incipal e o de p opagação inicial da in eção
o am as co en es de u ismo de laze e de negócios en e Wuhan e as megacidades chinesas, e não –
con a iamen e ao que p e endeu uma ce a na a i a de culpabilização su gida na China – os
mig an es in e nos de isi a às e as de o igem po ocasião do Ano No o Chinês (Shi & Liu, 2020). No
Japão, o p imei o caso não impo ado de COVID-19 oi de um condu o de au oca o u ís ico. Em I ália,
o p imei o óbi o des a no a doença oi de um u is a chinês. Na Aus ália, o na io de c uzei os Ruby
P incess, cujos passagei os o am au o izados a desemba ca sem se em es ados, es e e na o igem de
cen enas de cadeias de ansmissão e oi um dos p incipais ocos de disseminação da in eção no país
(Iaquin o, 2020).
A o ma como se p ocessam as mobilidades u ís icas explica que o u ismo enha sido ão
c ucial na p opagação da doença (Iaquin o, 2020). As mobilidades azem-se com a encapsulação dos
co pos em espaços echados mó eis – a iões, au oca os, c uzei os, e c. – e os luxos con e gem e
comp imem-se ao passa a a és de nós – ae opo os, ho éis, cen os de cong essos, museus, e c. – que
es imulam in e ações e con ac os de humanos en e si e com di e sas o mas de ma e ialidades. Po
ou o lado, a hipe mobilidade eio amplia a capacidade pe o ma i a do u ismo como a o - ede na
a i ação da pandemia. Desde que oco eu o su o da SARS, em 2002, o núme o de iagens
in e nacionais ealizadas anualmen e mais do que duplicou, dispa ando de ce ca de 703 milhões pa a
quase 1,5 mil milhões em odo o mundo. A Ásia-Pací ico oi a egião de c escimen o mais in enso.
Enquan o em 2002 iaja am pa a o es angei o 16 milhões de chineses, em 2019 iaja am mais de
150 milhões. Di e enças na ansmissibilidade das in eções pelos dois co ona í us explicam a
p opagação mais ácil da COVID-19, mas es a a iá el ambém ele a e não de e se desca ada se
que emos en ende cabalmen e as p opo ções que a pandemia a ingiu e a c ise global que ge ou.
Di o is o, encon o aqui um nexo en e a pandemia e o sob e u ismo (o e ou ism). Pode á
pa ece es anho quando, à da a em que esc e o, o que se obse a é al a de u is as. Toda ia, o
sob e u ismo não é sob elo ação (o e c owding). É um concei o mais amplo que p e ende desc e e
um c escimen o excessi o do u ismo ge ado de ex e nalidades nega i as: danos ambien ais,
injus iças e p i ações no acesso a ecu sos, diminuição do bem-es a das populações (Milano, Chee ,
& No elli, 2019). O sob e u ismo em sido usado maio i a iamen e pa a desc e e si uações c í icas
pon uais em e i ó ios especí icos, mas c eio que se pode usa num sen ido mais amplo e uni e sal –
ACEITE PARA IMPRESSÃO | AHEAD OF PRINT
B i o-Hen iques, E. Finis e a, LV(115), 2020, pp. xx-xx
e é nesse sen ido que o emp ego aqui – pa a designa um c escimen o u ís ico que, globalmen e, ao
i mo com que se inha a p ocessa , e com as conhecidas p essões ambien ais que es a a a coloca no
Plane a (Gössling & Pee e s, 2015), e a mani es amen e excessi o. A pandemia se á assim, a é ce a
medida, um esul ado ambém desse sob e u ismo global.
Encon o depois ainda ou o nexo en e o sob e u ismo e a c ise u ís ica que a pandemia
desencadeou. A excessi a dependência da economia de isi ação ambém é uma exp essão de
sob e u ismo (Milano e al., 2019). Te i ó ios onde essa dependência e a maio são os que mais
ulne á eis se ap esen am ago a dian e de uma c ise que odas as p e isões an ecipam como de
p opo ções inaudi as. É o caso dos países da Eu opa do Sul e Medi e âneo, onde p e isi elmen e o
desemp ego i á explodi , sob e udo nas egiões mais u ís icas, e as si uações de ca ência ma e ial se
i ão ag a a , mas mais pe igosa ainda se á a si uação em que icam os ágeis e i ó ios insula es do
Pací ico, do Índico e do Ca ibe, onde nações in ei as podem se empu adas pa a a pob eza dada a
monodependência do u ismo e a debilidade dos sis emas de p o eção social do Es ado. Mais dispe sas,
menos isí eis, há em Á ica e em ou as egiões do Sul Global comunidades de po os indígenas que
abandona am nos úl imos anos os modos de ida adicionais pa a se en ol e em no u ismo
(eco u ismo, u ismo de na u eza, u ismo é nico, e c.), e que ago a se eem p i adas desses meios de
sob e i ência. Essas populações não podem se esquecidas.
III. UM MOMENTO DE BIFURCAÇÃO
Com o u ismo p a icamen e eduzido a ze o, alguns au o es e algumas au o as êm no ado que
es amos em ace de uma opo unidade única pa a a sua e undação (A elje ic, 2020; B oude , 2020;
Higgins-Desbiolles, 2020; Ioannides & Gyimo hy, 2020). Na u almen e, só ala em “ e unda ” quem
encon a de ei os no modelo que em sido seguido e sen e u gência na necessidade de ab i caminhos
de p og esso al e na i os. Es ou en e os que alinham com es a isão. Demasiadas e idências mos am
que é insus en á el p ossegui um modelo que p io ize o c escimen o. Um u ismo no eado não pelo
c i é io do luc o das emp esas, mas an es pelo in e esse e bene ício das comunidades isi adas, pela
qualidade do emp ego, e pela econciliação ecológica e o espei o das on ei as plane á ias em de se
o caminho.
Embo a po azões que não são elizes, es ão c iadas condições excecionais pa a que um u ismo
eno ado e ecalib ado possa eme gi : um u ismo mais le e (menos u is as), al ez mais len o
(deslocações mais demo adas, pe manências mais longas), ce amen e mais p óximo ( u ismo
domés ico, de cu a dis ância), menos dependen e do anspo e aé eo. Ou os mic óbios no passado
o am ac an es de ino ações imp o á eis que muda am o es ado de coisas (La ou , 2005). Não é
impossí el que suceda de no o. Aliás, é isso que ai acon ece no u u o imedia o, empo a iamen e,
enquan o se man i e em es ições à mobilidade. A possibilidade desse u ismo ecalib ado se e e i a
como uma endência u u a depende á da o ça que hou e pa a co a com o passado e decidi ilha
um caminho de maio sus en abilidade, assumindo os cus os de edimensionamen o do se o . A
al e na i a a isso se á a indesejá el na a i a da “ e oma”. As expe iências do passado mos am que
as c ises compo am iscos g andes de desencadea em o mas ag essi as de eg esso ao business as
usual, que na e dade adicalizam os aspe os p eda ó ios do c escimen o – o “capi alismo do desas e”
– sac i icando ao luc o e aos esul ados das emp esas a qualidade do emp ego, a jus iça social, e a
saúde do Plane a (Klein, 2020). É es e o momen o de bi u cação em que nos encon amos.
AGRADECIMENTOS
Es e abalho é inanciado po undos nacionais a a és da FCT – Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, I.P., no
âmbi o dos P oje os UIDB/00295/2020 e UIDP/00295/2020.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A elje ic, I. (2020). T ans o ming he ( ou ism) wo ld o
good and ( e)gene a ing he po en ial ‘new no mal’.
Tou ism Geog aphies, 22(3), 467-475. Doi:
10.1080/14616688.2020.1759134
B oude , P. (2020). Rese edux: possible e olu iona y
pa hways owa ds he ans o ma ion o ou ism in a
COVID-19 wo ld. Tou ism Geog aphies, 22(3), 484-
490. Doi:
h ps://doi.o g/10.1080/14616688.2020.1760928
ACEITE PARA IMPRESSÃO | AHEAD OF PRINT
B i o-Hen iques, E. Finis e a, LV(115), 2020, pp. xx-xx
Gössling, S., & Pee e s, P. (2015). Assessing ou ism's global
en i onmen al impac 1900–2050. Jou nal o
Sus ainable Tou ism, 23(5), 639-659. Doi:
h ps://doi.o g/10.1080/09669582.2015.1008500
Gössling, S., Sco , D., & Hall, C. M. (2020). Pandemics, ou ism
and global change: a apid assessmen o COVID-19.
Jou nal o Sus ainable Tou ism, AOP, 1-20. Doi:
10.1080/09669582.2020.1758708
Higgins-Desbiolles, F. (2020). Socialising ou ism o social
and ecological jus ice a e COVID-19. Tou ism
Geog aphies, 22(3), 610-623. Doi:
10.1080/14616688.2020.1757748
Iaquin o, B. L. (2020). Tou is as ec o : i al mobili ies o
COVID-19. Dialogues in Human Geog aphy, 10(2),
174-177. Doi: 10.1177/2043820620934250
Ioannides, D., & Gyimo hy, S. (2020). The COVID-19 c isis as
an oppo uni y o escaping he unsus ainable global
ou ism pa h. Tou ism Geog aphies, 22(3), 624-632.
Doi:
h ps://doi.o g/10.1080/14616688.2020.1763445
Klein, N. (2020, ma ço). Co ona i us capi alism - And how o
bea i [ ideo]. The In e cep . Re ie ed om
h ps:// hein e cep .com/2020/03/16/co ona i us
-capi alism/
La ou , B. (1991). Nous n'a ons jamais é é mode nes: Essai
d'an h opologie symé ique [We ha e ne e been
mode n: Essay o sime ic an opology]. Pa is: La
Décou e e.
La ou , B. (2005). Reassembling he social: An in oduc ion o
Ac o -Ne wo k-Theo y. Ox o d: Ox o d Uni e si y
P ess.
Milano, C., Chee , J. M., & No elli, M. (2019). In oduc ion. In C.
Milano, J. M. Chee & M. No elli (Eds.), O e ou ism:
Excesses, discon en s and measu es in a el and
ou ism (pp. 1-17). Walling o d e Bos on: CABI.
O'Callaghan-Go do, C., & An ó, J. M. (2020). COVID-19: The
disease o he An h opocene. En i onmen al
Resea ch, 187, 109683. Doi:
10.1016/j.en es.2020.109683
Shi, Q., & Liu, T. (2020). Should in e nal mig an s be held
accoun able o sp eading COVID-19? En i onmen
and Planning A: Economy and Space, 52(4), 695-697.
Doi: 10.1177/0308518X20916764
Wha mo e, S. (2002). Hyb id geog aphies: Na u es, cul u es,
spaces. London & Thousand Oaks: Sage.
Wo ld T a el & Tou ism Council. (WTTC). (2020). WTTC now
es ima es o e 100 million jobs losses in he T a el &
Tou ism sec o and ale s G20 coun ies o he scale
o he c isis. WTTC. Re ie ed om
h ps://w c.o g/News-A icle/WTTC-now-
es ima es-o e -100-million-jobs-losses-in- he-
T a el-&-Tou ism-sec o -and-ale s-G20-coun ies-
o- he-scale-o - he-c isis
Ying, T. Y., Wang, K. Y., Liu, X. Y., Wen, J., & Goh, E. (2020).
Re hinking game consump ion in ou ism: a case o
he 2019 no el co ona i us pneumonia ou b eak in
China. Tou ism Rec ea ion Resea ch, 6. Doi:
10.1080/02508281.2020.1743048
ACEITE PARA IMPRESSÃO | AHEAD OF PRINT