&
Sabedo ia
Memó ia
José Ped o Se a
Helena Ca alhão Buescu
A iadne Nunes
Rui Ca los Fonseca
COORDENAÇÃO
&
Sabedo ia
Memó ia
José Ped o Se a
Helena Ca alhão Buescu
A iadne Nunes
Rui Ca los Fonseca
COORDENAÇÃO
533
A POESIA HERÓI-CÓMICA E A MEMÓRIA DE
BAGATELAS: A CELEBRAÇÃO ÉPICA DE TRIVIALIDADES
N’O HISSOPE DE CRUZ E SILVA
Rui Ca los Fonseca*
O can o, no âmbi o da adição o al em Home o, é, a i ma Scodel, “ he
mos powe ul o m o memo y” (1998, 183). Não é a e a di ícil com-
p o a a alidade des a a i mação com exemplos e i ados dos poemas
homé icos. Reunidos os Aqueus em assembleia, Agamémnon conside a
o acasso da campanha con a T óia uma e gonha de que i ão ou i
ala os indou os (Ilíada 2, 119). No comba e en e Aquiles e Hei o ,
o p íncipe oiano, ape cebendo-se da a alidade da sua mo e, p o-
e e as seguin es pala as: “μὴ μὰν ἀσπουδί γε καὶ ἀκλειῶς ἀπολοίμην,
ἀλλὰ μέγα ῥέξας τι καὶ ἐσσομένοισι πυθέσθαι” [“Que eu não mo a é
de o ma passi a e ingló ia, mas po e ei o algo de g andioso, pa a
que os indou os de mim oiçam ala !”] (Ilíada 22, 304-305)1. O a, os
he óis que po oam o uni e so iliádico êm plena consciência de que as
suas acções se ão ansmi idas à pos e idade, esis indo às condicionan-
es ine i á eis do empo e do esquecimen o. Essa pe du abilidade da
memó ia de ei os glo iosos o na-se possí el g aças ao can o dos aedos.
É p ecisamen e um dos poe as ep esen ados na Odisseia, Demódoco,
que p opaga a ama alcançada pelos Aqueus na gue a de T óia ao can-
a na co e do ei Alcínoo o episódio do ca alo de madei a (Odisseia 8,
499-521).
Os poemas homé icos in eg am, po an o, no ecido na a i o e i-
dências do p ocesso o al de ansmissão poé ica a que as suas o igens
es ão associadas. É a oz hábil e pode osa do aedo o meio a a és do qual
os he óis do passado alcançam enome, passando à pós uma memó-
ia como p o agonis as das mais no á eis açanhas. Po ém, enquan o a
epopeia celeb iza em om solene a memó ia de um passado glo ioso, a
poesia he ói-cómica, que nasce da imi ação épica e que se ca ac e iza
1 As aduções dos poemas homé icos ap esen adas nes e abalho são da au o ia de F ede ico Lou-
enço. O ex o o iginal ci ado segue as edições de Page e al.
534
pelo con as e en e a exp essão ele ada e o ema ulga , o na objec o
de can o inciden es i iais.
No âmbi o des e es udo, e l ec i ei sob e a sub e são do alo enco-
miás ico da poesia épica an iga em O Hissope de C uz e Sil a, poema
he ói-cómico po uguês, compos o em 1769 e apenas publicado em
1802. O poema em causa glo i i ca, de o ma pa ódica e sa í ica, acções
g ossei as e insigni i can es, inse indo a ealidade social não num pas-
sado he óico mas num p esen e icioso e o diná io. Na e dade, a imi-
ação dos ecu sos épicos (ma ca undamen al do géne o pa ódico) não
isa, nes e ex o, imo aliza ei os glo iosos, mas p ese a a memó ia
de baga elas do quo idiano social da época. Tendo em con a esse p essu-
pos o, o ganiza ei o es udo que se segue em o no de dois g andes eixos
emá icos: um e e en e à celeb ação de i ialidades, cujo e e en e
he óico (his ó ico e mi ológico) em omisso ou suge ido no poema
(p ocedimen o incomum no es udo de ob as di as pa ódicas – uma
ez que a pa ódia só unciona com o econhecimen o do ex o pa o-
diado naquele que pa odia –, mas nem po isso menos pe inen e pa a
o que me p oponho a a ); ou o que consis i á na análise in e ex ual
de alguns episódios des e poema com os e e en es li e á ios que lhe
se em de modelo, pois, sendo o poema he ói-cómico um e e so da
epopeia, nele na u almen e abunda ma e ial épico, que é oda ia ans i -
gu ado e aplicado a um no o con ex o, de modo a que do deslocamen o
e da eu ilização desse ma e ial esul e um e ei o sub e si o, onde jus a-
men e a pa ódia eside.
O assun o de que se ocupa O Hissope consis e na que ela en e os
dois memb os mais p es igiados da hie a quia eclesiás ica de El as,
o Bispo D. Lou enço de Lancas o e o Deão José La a, po causa de
um aspe ges que um deseja ecebe e o ou o se ecusa a en ega . Es a
dispu a eclesiás ica, que adqui e nes a ob a de C uz e Sil a con o nos
isí eis, despe ou a cu iosidade pública, não passando, con udo, e e e
Ce quei a Mo ei inhas, de um inciden e quase insigni i can e em com-
pa ação com ou os con l i os de que es á eple a a his ó ia do cabido
el ense (Mo ei inhas 1962, 116 e 126).
Coadju ados ou con a iados pelo a bí io de en idades supe io es,
go e nadas pelo Génio Tu ela das Baga elas, Bispo e Deão en edam-se
nos meand os da bu oc acia ju ídica: Lancas o manda la a um acó -
dão pa a epo a no ma de co esia en e an o in e ompida; La a apela
Rui Ca los Fonseca
535
a uma i gu a concei uada de El as pa a não e de cump i o obséquio
an e io de hon a o Bispo com o ben o hissope.
No início do can o 5, La a di ige-se, en ão, ao Con en o dos
Capuchos, a i m de solici a ao pad e gua dião que suspenda os e ei os
do acó dão assinado pelos pa idá ios do Bispo. A localização do con-
en o é desc i a nes es modos:
Sob e uma mon anhe a que se es ende
Em piquena dis ância dos sobe bos
Gue ei os mu os da iun al El as
O céleb e con en o se le an a.
(O Hissope 5, 24-282)
O uso dos epí e os “gue ei os” (aplicado aos mu os do con en o) e
“ iun al” (que quali i ca a cidade) não é senão uma o ma de se aludi à
memo anda Ba alha das Linhas de El as, que opôs as opas po ugue-
sas, comandadas pelo conde de Can anhede, ao exé ci o i lipino, che-
i ado po D. Luís de Ha o. A alusão a es a ba alha, oco ida em 1659 no
con ex o da Gue a da Res au ação, o na-se signi i ca i a p ecisamen e
po cons i ui não mais do que uma b e e e e ência indi ec a, sem
di ei o a um excu so ex ual mais desen ol ido. Es e con l i o a ado
nos campos de El as e que implicou um ce co ao con en o da cidade oi,
segundo o his o iado Ve íssimo Se ão, decisi o pa a o u u o do país,
na medida em que a de o a po uguesa signi i ca ia a en ega de Lisboa
ao inimigo espanhol. Mas El as oi palco da “p imei a g ande i ó ia da
Res au ação” (Se ão 1996, 44-45).
Se ia de espe a que um poema que em El as como cená io his ó-
ico celeb asse o passado glo ioso da cidade. O momen o do can o 5 em
que se e e e a ida do Deão ao con en o se ia sem dú ida opo uno pa a
um ela o mais amplo da i ó ia el ense. No en an o, o poema he ói-
-cómico ca ac e iza-se não pelo assun o g andioso mas pelo con eúdo
baixo e i ial, azão pela qual ecusa celeb a a ama e a gló ia passadas,
azendo assim passa despe cebido qualque e en o his ó ico de mé i o
nacional.
Agua dando se ecebido pelo pad e gua dião, La a passeia no ja -
dim con en ual, obse ando as es á uas e bus os que ep esen am pe -
2 As ci ações de O Hissope ansc i as no p esen e abalho seguem a edição c í ica de Ana Ma ía
Ga cía Ma ín e Ped o Se a.
A POESIA HERÓI-CÓMICA E A MEMÓRIA DE BAGATELAS...
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sonagens mi ológicas. Cu ioso e igno an e, o “ a an e Deão” (assim é
designado no poema) a a um longo diálogo com um ou o pad e p o-
incial, ques ionando-o sob e a iden idade dessas i gu as. A úl ima das
es á uas obse adas, a que em ep esen ado o semblan e de Hé acles,
le a o pad e capucho a con a os admi á eis abalhos des e he ói, e e-
indo a limpeza às ca ala iças de Augias e a cap u a do leão de Némea
(O Hissope 5, 405-437). O ela o dos abalhos de Hé acles é, oda ia,
in e ompido pela chegada do pad e gua dião, que consen e em edigi
a ce idão solici ada. Assim, dos doze ei os execu ados pelo i lho de
Zeus apenas dois são dados a conhece ao Deão.
Hé acles é al ez o mais popula e o mais céleb e de en e odos os
he óis que po oam a mi ologia g eco- omana (G imal 2004, 205) e no
en an o é a i gu a mi ológica que, nes e can o 5 de O Hissope, não ê
celeb ados nem me ade dos p odigiosos abalhos que e e de cump i
po imposição de He a. Depois de c iada expec a i a em o no dos ei-
os que execu ou, o poema como que ope a um apagamen o des e he ói,
que nem seque é iden i i cado pelo nome que o o nou amoso, mas
pelo nome o iginal, menos conhecido, Alcides (pa onímico de Alceu,
a ô pa e no de Hé acles). Enquan o no início do can o 5 se deixa no
esquecimen o um e en o his ó ico de impo ância nacional, ago a, no
i nal do mesmo can o, as açanhas mi ológicas do amoso he ói g ego
i cam igualmen e po con a .
Numa e são pouco conhecida de O Hissope, em que o poema é con-
i gu ado em no e can os, o pad e capucho não chega a se in e ompido
e ela a cinco ou as a en u as p o agonizadas po Hé acles, ainda que
apenas ês delas in eg em o ciclo dos doze abalhos: a hid a de Le na,
as maçãs de ou o das Hespé ides e a co ça de Ce ineia. O manusc i o
3047 da Biblio eca Ge al da Uni e sidade de Coimb a con ém um echo
de 175 e sos, que cons i ui uma das maio es in e polações da e são
de no e can os. O ex o de O Hissope oi massi amen e di ulgado en e
os séculos XVIII e XIX, endo so ido sucessi as eelabo ações a é se
publicado na sua e são de i ni i a de oi o can os. Não é possí el asse-
e a , econhece Ga cía Ma ín, que a me amo ose do poema enha
obedecido a uma in e enção au o al di ec a (Ga cía Ma ín 2004, 42).
No en an o, no âmbi o que aqui nos in e essa, impo a no a que um
exce o ex ual de longa ex ensão con endo in o mação pe inen e sob e
o amoso he ói g ego, i lho do sobe ano dos deuses, não oi con emplado
Rui Ca los Fonseca
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na e são de i ni i a des e poema. Mais uma ez, a poesia he ói-cómica
ejei a celeb a ei os g andiosos, dignos de memó ia e de lou o .
Conseguida a apelação, o Deão o ganiza em sua casa um lau o ban-
que e, pa a o qual con ida os memb os mais p es igiados da al a socie-
dade el ense. O es im é acompanhado de um espec áculo musical, cujo
clímax se a inge com a ac uação do pad e F ancisco Vidigal, músico da
Sé, que, em “du os be os”, lou a a ca a pá ia, começando o seu can o
da seguin e o ma:
– Ó g ande El as, cidade em odo o empo
Po eus amosos ilhos memo anda!
Hoje a é às es elas meus acen os
Teu nome le a ão e ua ama,
Mas donde minha língua a eus lou o es
Da á p incípio? Tu, ó b incão Baco,
Como ens po cos ume, u me inspi a.
Mil em silêncio deixa ei sucessos
Em mais emo os empos celeb ados,
Que ua gló ia ilus am, pois não pode
Um ingenho mo al odas as cousas [...].
(O Hissope 7, 245-255)
A a amada cidade ai se en ão celeb ada em can o, mas não pela
memó ia de ei os ances ais. O pad e can o a i ma ca egó ico que dei-
xa á em silêncio os g andes sucessos “em mais emo os empos celeb a-
dos”, op ando assim po glo i i ca a e a pá ia com o ela o musical de
ês inciden es i iais nela oco idos. Um sino achado, uma insc ição
ilegí el e um espec áculo de ou ada são os ês casos do quo idiano social
da cidade eci ados po Vidigal pa a en e enimen o dos con i as.
Segundo a edição c í ica de Ga cía Ma ín e Ped o Se a (Sil a 2006,
146), no ano de 1750 ou 51, oi p opos a pelos e eado es da Câma a a
undição de um no o sino municipal, uma ez que o an igo se encon-
a a achado. A i m de se e i a em maio es despesas pa a a cidade, o
Senado da Câma a decidiu que não se ha e ia de undi um sino no o,
podendo-se emenda com qua o malhe es de e o aquele que es a a
lascado (O Hissope 7, 256-268). O es upendo caso que se segue espei a
à ilegibilidade de uma insc ição lapida , mandada g a a po cima da
po a Esquina, uma das ês po as da o i i cação de El as. Vidigal
e e e-se a es a amosa insc ição de lei u a impe cep í el como “mais
A POESIA HERÓI-CÓMICA E A MEMÓRIA DE BAGATELAS...
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escu o enigma” do que aquele que a mons uosa Es i nge p opunha aos
iandan es às po as de Tebas (O Hissope 7, 269-277). Po i m, o clé igo
ocupa-se com ânimo eno ado do ela o de um e en o popula oco ido
num passado his ó ico ecen e. T a a-se do comba e de ou os de 1760
a que o po o de El as assis ia di e ido, no deco e do qual começou a
ci cula um umo “ainda ince o” do casamen o en e os u u os eis de
Po ugal, D. Ped o III e D. Ma ia I. Es a no ícia não o i cial espalhou-se
apidamen e en e as gen es, que a celeb a am com i os aplausos e
ené gicos mo imen os de bandei as, seguindo-se ainda uma dis ibui-
ção de doces. Es e úl imo episódio can ado po Vidigal não só e idencia
a lealdade exage ada po pa e do ulgo el ense, como ambém assinala
o início da ceia em casa do Deão, há mui o agua dada pelos con idados
es omeados (O Hissope 7, 291-305).
No con ex o da sociedade homé ica, o aedo – como oz de uma
adição an iga di undida a a és do empo e à qual se em acesso po
inspi ação di ina (Scully 1981, 78) – ansmi e, ensina e p ese a os
códigos de condu a social. Cabe-lhe não só celeb a acções glo iosas,
mas ambém assegu a e cons ui pa a o u u o o nome e a ama dos
homens e dos deuses (Goldhill 1991, 59). Não é débil o pode da oz
aédica. G aças a ela, Fémio (o aedo que en e ém os p e enden es em
casa de Ulisses) é poupado do massac e i nal le ado a cabo pelo he ói
eg essado à e a pá ia (Odisseia 22, 344-453).
Vidigal desempenha no banque e em casa do Deão um papel seme-
lhan e àqueles de Demódoco em Esqué ia e de Fémio em Í aca. Mas
enquan o es es dois aedos homé icos delei am a assis ência com o ela o
de céleb es açanhas p o agonizadas po he óis amosos, con a iamen e
o pad e can o imo aliza em can o acções banais e popula es, sub e -
endo des e modo o alo encomiás ico da poesia épica ao o ná-la lauda-
ó ia de baga elas. Enquan o na epopeia o can o aédico causa admi ação
pela he oicidade do ges o p a icado, um ges o nob e, no poema he ói-
-cómico a admi ação é p oduzida pela ulga idade emá ica celeb ada
em es ilo ele ado. O can o de Vidigal es á assim in insecamen e ela-
cionado com o en edo p incipal desen ol ido em O Hissope: um sino
achado, uma insc ição ilegí el e um espec áculo de ou ada e elam-se
emas ão insigni i can es como uma ques ão mínima en e clé igos.
“A mock-he oic poem should, in as many espec s as possible imi-
a e he ue he oic. Th e mo e pa icula s i copies om hem, he mo e
Rui Ca los Fonseca
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pe ec i would be” (Camb idge apud B oich 1990, 50). Na qualidade
de poema he ói-cómico, O Hissope eap o ei a os ecu sos da epopeia,
o que não implica, po ém, uma cópia exac a dos mesmos mecanismos
emá icos e/ou o mais, mas an es uma adap ação ao no o con ex o,
como, aliás, o a amen o do can o aédico acima expos o comp o a. A
in ocação às Musas (O Hissope 1 e 7), o concílio dos deuses (O Hissope
1 e 8), a in e e ência di ina (O Hissope, passim), o uso de epí e os (O
Hissope, passim – e.g.: “o a an e Deão”, “o go do Bispo”), as desc ições
ec ás icas e ca alógicas (O Hissope 7) cons i uem ou os exemplos de
expedien es adicionais da poesia épica de que C uz e Sil a se se e
pa a epopeiza a ques iúncula en e o Bispo e o Deão.
A aplicação he ói-cómica desses mecanismos que ca ac e izam a
magni i cência épica se e nes e poema um p opósi o i ial. As Musas
Olímpias in ocadas pa a a enume ação das naus e dos comandan es dos
Aqueus no can o 2 da Ilíada cedem luga às deusas do Pa naso, en idades
às quais se solici a inspi ação no can o 7 de O Hissope pa a celeb ação
condigna dos nomes e manhas dos “al os a ões” que ão chegando ao
banque e o e ecido em casa do Deão. O ca álogo das naus é o ecu so
épico imi ado, aqui ansmu ado num ol de con idados da al a socie-
dade el ense, insignes não pelas ges as he óicas, mas pelos ícios po que
são conhecidos. Des i lam nesse es im ipos sociais, como o agio a a a-
en o, o i dalgo galan e e namo adei o e o glu ão. Es es e ou os a ões,
que co oam com a sua p esença o “ is oso salão” onde deco e a es a
o ganizada po La a, são conside ados “dignos odos de ama e ma a-
ilha” (O Hissope 7, 165), exp essão que co esponde a um e so de Os
Lusíadas (10, 73, 2) e que é p o e ida po uma Nin a, quando se e e e aos
u u os na egado es po ugueses, gue ei os iun an es que alcança ão
“hon as e gló ias” pelas “á duas emp esas” a que se i ão a en u a . C uz
e Sil a elenca, po an o, pe sonalidades da al a es i pe el ense, á ias
i gu as do mundo p o inciano de El as, num mis o de simpa ia e oça
(Sa ai a e Lopes 2005, 610), e, denunciando os ícios que lhes são p ó-
p ios, imo aliza-as, nes e poema, quais gue ei os aqueus e na egado es
po ugueses, dignos de passa em à memó ia das ge ações indou as.
P ocedimen o semelhan e (a sublimação de ca ac e es iciosos) se
oma em elação ao he ói des e poema, o Bispo, pe sonagem he oi i -
cada pelos deuses po se dedica a “cousas ãs, idículas e ú eis”, po
desp eza o cuidado das “ unções mais piedosas” e ainda po os en a
A POESIA HERÓI-CÓMICA E A MEMÓRIA DE BAGATELAS...
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II. MEMÓRIA, SABEDORIA E HISTÓRIA
Onde es á a sabedo ia medie al? 181
José Ma oso
A sabedo ia de Pe osí is: um eposi ó io condensado de memó ia e de mo al 199
José das Candeias Sales
His o ia magis a i ae ( a iações nos empos de um concei o an igo) 241
Joana Dua e Be na des
Esc e e pa a a imo alidade: p aecipuum munus annalium 253
Rica do Nob e
O sabe do ex o 269
Te esa Amado
Expe iencia, memo ia y sabidu ía en el Lib o del Caballe o Zi a 279
C is ina Almeida Ribei o
Se mão de An ónio (Lobo An unes) aos peixes: 291
sapiência e memó ia no pós-colonial
No be o do Vale Ca doso
III. MEMÓRIA, SABEDORIA E HERANÇA GRECO-LATINA
“Mémoi e” e “sagesse” dans le néopla onisme g ec: 307
quelques é l exions à pa i de la Vie de Py hago e de Jamblique
Jean-Ma ie Flamand
A memó ia que he dámos dos g egos: da poesia, his ó ia e i loso i a 331
Ma inho Tomé Ma ins Soa es
O homem g ego e a sua memó ia 349
Ma ia Ma alda Viana
Musa, es emunho e ex ualidade 365
Hen ique Ca alho
O philosophos e a poli eia em Plu a co 377
Joaquim Pinhei o
549
Bea us an e mo em nemo – C eso, Sólon e o concei o de elicidade 389
C is ina Ab anches Gue ei o
T adução como memó ia: a adução do P o A chia 397
po Ma ias Viegas da Sil a
Joana Se a i m
Tópicos da sabedo ia monás ica em Cassiano 405
Ma ia João Toscano Rico
A escada de Elec a: de Só ocles a Richa d S auss 419
Ped o B aga Falcão
IV. MEMÓRIA, ORALIDADE E SABEDORIA POPULAR
Romancei o e memó ia 435
Pe e Fe é
O can o como anagno isis e iden i i cação 459
em omances de T adição O al Mode na Po uguesa
Ana Si gado
Um discu so signi i can e sob e o inces o na Li e a u a O al e T adicional 471
(Sil ana e Delgadinha)
Ana Ma ia Pai a Mo ão
O Cancionei o Popula : da oz poé ica à memó ia 483
Lina San os Mendonça
“Once upon a ime he e was a coun y…” 509
Pho og aphy, a el and knowledge
Susana S. Ma ins
A imagé ica animal no discu so polí ico: 523
a adição popula em Demós enes – Con a A is ogí on
Nelson Hen ique da Sil a Fe ei a
A poesia he ói-cómica e a memó ia de baga elas: 533
a celeb ação épica de i ialidades n’O Hissope de C uz e Sil a
Rui Ca los Fonseca
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MEMÓRIA & SABEDORIA
Coo denação: José Ped o Se a | Helena Ca alhão Buescu
A iadne Nunes | Rui Ca los Fonseca
Capa: An ónio Ped o
Re isão: Ma a Pacheco Pin o, Rui Ca los Fonseca, A iadne Nunes e Edições Húmus
© EDIÇÕES HÚMUS, 2011
End. pos al: Apa ado 7097 – 4764-908 Ribei ão, V. N. Famalicão
Tel. 252 301 382 / Fax 252 317 555
E-mail: [email p o ec ed]
Imp essão: Papelmunde, SMG, Lda. – V. N. Famalicão
1.a edição: Se emb o de 2011
Depósi o legal: 333261/11
ISBN 978-989-8139-89-4
o con ibu o de
au o es o iundos
de múl iplas á eas, incidindo sob e a
´
loso
´
a,
as adições eligiosas e sapienciais, a his ó ia,
a li e a u a, a linguís ica, a li e a u a o al, a ob a
que ago a se publica, sob a égide do Cen o
de Es udos Clássicos e do Cen o de Es udos
Compa a is as da Faculdade de Le as da
Uni e sidade de Lisboa, cons i ui uma isão plu al
sob e a sabedo ia, sob e o luga da memó ia na
comp eensão
sábia
da ealidade, en
´
m, sob e o
modo como sabedo ia e memó ia se c uzam.
REUNINDO
ISBN 978-989-8139-89-4
9 7 8 9 8 9 8 1 3 9 8 9 4