A colecção pessoana de Santo Tirso : adenda
Abstract
Oferece-se nesta adenda um aprofundamento da catalogação dos livros de e sobre Fernando Pessoa em posse da família de António Júlia Miranda. Além de se apresentar um conjunto de livros que não foram devidamente assinalados no anterior contributo, são revelados neste contexto um conjunto de bilhetes postais e de cartas enviados por Pessoa a Luiz de Montalvor, Victoriano Braga e João Gaspar Simões, importantíssimos para um conhecimento mais completo da correspondência do poeta.
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A colecção pessoana de Santo Tirso: adenda Jerónimo Pizarro*, Fernanda Vizcaíno** & Rui Sousa*** Palavras-chave Fernando Pessoa, Colecção António Miranda, bibliografia, Biblioteca Municipal de Santo Tirso. Resumo Oferece-se nesta adenda um aprofundamento da catalogação dos livros de e sobre Fernando Pessoa em posse da família de António Júlia Miranda. Além de se apresentar um conjunto de livros que não foram devidamente assinalados no anterior contributo, são revelados neste contexto um conjunto de bilhetes postais e de cartas enviados por Pessoa a Luiz de Montalvor, Victoriano Braga e João Gaspar Simões, importantíssimos para um conhecimento mais completo da correspondência do poeta. Keywords Fernando Pessoa, António Miranda Collection, bibliography, Municipal Libray of Santo Tirso. Abstract This addendum offers an improved cataloguing of the books of and about Fernando Pessoa owned by the family of António Júlia Miranda. It presents a number of books that were not properly distinguished in the former contribution and, in this context, a number of letters and postcards sent by Pessoa to Luiz de Montalvor, Victoriano Braga and João Gaspar Simões which are very important to widen the knowledge we have of Pessoa’s correspondence. *Universidad de los Andes. ** Universidade do Minho. *** Universidade de Lisboa / CLEPUL.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 370 No número anterior da Pessoa Plural—A Journal of Fernando Pessoa Studies, demos a conhecer a colecção de António J. Miranda, ou, mais propriamente, a densíssima componente pessoana de um universo bibliográfico vastíssimo e a personalidade singular do coleccionador, também na voz dos seus familiares. No entanto, novas incursões na colecção pessoana de Santo Tirso deram contornos mais claros à convicção de quantos tiveram a oportunidade de consultar uma tal colecção, maravilhados: seriam precisos anos contínuos de trabalho para uma exploração mais fidedigna desse universo capaz de ombrear com uma projecção da biblioteca de pessoas-livros sugerida por Pessoa numa das muitas descrições do seu universo heteronímico. Essas incursões conduziram-nos a uma estante que já tinha sido parcialmente integrada na pesquisa anterior, mas que na altura não foi possível percorrer em profundidade, também porque não tínhamos registos de bibliografia pessoana num espaço que, num primeiro olhar, oferecia essencialmente recolhas fascinantes das obras quase completas de Agustina Bessa-Luís, Sophia de Mello Breyner, Manuel Alegre e outros poetas do século XX português, concluindo com a colecção integral de A Águia, incluindo um volume destacado compilando isoladamente os números em que Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro colaboraram com a revista da Renascença Portuguesa antes de se lançarem ao empreendimento do Orpheu. É o resultado do confronto com as prateleiras dessa estante que nesta adenda damos a conhecer, de modo a completarmos tanto quanto possível uma panorâmica abrangente da colecção pessoana de António J. Miranda. Alguns dos livros aqui apresentados são exemplares repetidos de outros já documentados, por vezes conduzindo-nos à curiosidade de se perceber em que contexto foram adquiridos. Foi para nós uma agradável surpresa perceber que, entre os muitos vasos comunicantes estabelecidos por Miranda e outros coleccionadores célebres, emergia um outro ponto de encontro assinalável: alguns destes livros haviam pertencido a outro bibliófilo incansável, Laureano Barros, cuja biblioteca descomunal deu origem a um impressionante conjunto de catálogos aquando do leilão subsequente à morte do coleccionador, em 2008. Terá sido, provavelmente, uma das derradeiras incursões de Miranda no universo dos leilões e respectivos catálogos, que, só por si, preenchem algumas prateleiras das salas da sua propriedade. Como exemplo, vejase o exemplar de Oito Poemas Ingleses Inéditos, dedicado por Georg Rudolf Lind a Laureano Barros. Alguns livros merecem, contudo, algum destaque. Contribuindo para um dos trabalhos publicados neste número da Pessoa Plural, poderiam mencionar-se mais algumas peças acrescentadas a uma quase completa representação das edições de Petrus. Poderia sublinhar-se o relevante conjunto de edições da editora brasileira José Aguilar, cujas recolhas das obras em verso (1969) e em prosa (1974) de Pessoa foram acompanhadas por estudos pioneiros de Maria Aliete Galhoz e de Cleonice Berardinelli. Poderia salientar-se a presença de livros fundamentais do cânone
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 371 bibliográfico pessoano, como a edição organizada por Jorge de Sena das Páginas de Doutrina Estética (1962) ou a rara edição do Primeiro Fausto, organizada por Duílio Colombini (1986). Numa perspectiva global dos contributos desta colecção aos estudos pessoanos, não seria de mais salientar a presença de algumas traduções de Pessoa, como The Kepper of the Flocks (1976), tradução de Caeiro para inglês. Finalmente, pela curiosidade que representam, merecerem também ser referidos o primeiro número de Nova Phenix Renascida (1921), a raríssima edição do Catálogo da Colecção de Arte Chineza Offerecida ao Museu de Arte Nacional, de Camilo Pessanha (1915) ou a presença de alguns livros com dedicatória. São os casos de de O Cosme, de Augusto Ferreira Gomes (1922), com dedicatória a Martins Barata, do Inquérito Literário organizado por Boavida Portugal (1915), dedicado a Victoriano Braga, ou de um exemplar da Homenagem a Fernando Pessoa, de Carlos Queiroz, dedicado a Armando de Matos. Contributos relevantes para futuras abordagens a estes contemporâneos de Fernando Pessoa. Neste novo contributo, damos também a conhecer uma outra componente notável da colecção de António J. Miranda, através da qual se exprimem admiravelmente a rara lucidez do bibliófilo e uma das suas vocações maiores, o caso de Fernando Pessoa: a correspondência manuscrita em posse da família. Trata-se de um conjunto de documentos preciosos para a (re)leitura crítica da corresponêndia pessoana, como deixa clara uma dissertação recente votada ao tema, Correspondência de Fernando Pessoa Revisitada, de Fernanda Vizcaíno. O leitor desta adenda poderá, assim, ter acesso à reprodução, transcrição e classificação material de bilhetes postais e cartas enviados por Pessoa a destinatários como Luiz de Montalvor, Victoriano Braga e, sobretudo, João Gaspar Simões, abrangendo um arco cronológico que vai de 1915 a 1934.1 Convidamos, portanto, o leitor a acompanhar com a devida atenção este desenvolvimento do feliz mergulho no espólio pessoano de António Miranda, desfrutando da melhor forma das informações que coligimos e das imagens que documentam as curiosidades mais singulares, entre as quais as que brevemente descrevemos. Queremos deixar o nosso agradecimento à família de António Júlia Miranda, pela generosidade com que acolheram o anterior esforço investigativo em torno da colecção pessoana e com que compreenderam a necessidade de se aprofundarem os resultados entretanto obtidos. Um agradecimento especial também à Biblioteca de Santo Tirso, cujo acolhimento nos garantiu condições de trabalho adequadas para a finalização desta adenda documental. 1 Para a descrição e datação de documentos a partir de atributos como marcas d’água, diversas edições foram consultadas, destacadamente as tabelas de suportes em PESSOA, 2000, 2010 e 2018.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 372 Fernando Pessoa Bibliografia activa 1915 Compendio de Theosophia [C. W. Leadbeater] [Fernando Pessoa, trad.]. Lisboa: Livraria Clássica, 1915. Colecção Teosophica e Esoterica, vol. 1. Inclui um papel com o número 4511, provavelmente relativo à numeração em leilão. S. G., A.4 / P.2, Livro 12840. 1916 A Voz do Silencio e Outros Fragmentos Selectos do Livro dos Preceitos Aureos [Helena Blavastky] [Fernando Pessoa, trad.]. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1916. Colecção Teosophica e Esoterica, vol. 5. Este livro contou com segunda edição, datada de 1921. Inclui um papel com o número 4631, provavelmente relativo à numeração em leilão. S. G., A.4 / P.4, Livro 12894. Figs. 1, 2 e 3. Duas obras teosóficas traduzidas por Pessoa. 1936 Mar Portuguez. Doze Poemas. Macau: Edições Propaganda Cultural, 1936. (Macau: Imprensa Nacional de Macau). Exemplar n.º 330 de 500. Edição gratuita oferecida aos alunos das escolas de Macau em 28 de Maio de 1936, ano X da Revolução Nacional. S. G., A.4 / P.3, Livro 12884. Figs. 4 e 5. Exemplar que foi oferta de Francisco da Costa Gomes quando esteve em funções em Macau como Chefe do Estado Maior (1949-1951) [indicação a lápis, assinada].
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 373 1950 O Encoberto: Poema. Edição de Petrus [Pedro Veiga]. Porto: [s.n., 1950]. (Porto: Typ. Mendonça). Exemplar n.º 250. Inclui um papel com o número 4519, provavelmente relativo à numeração em leilão. S. de B., Livro 1285/C. [Migrou de S.G. para S. de B.] 1951 Ultimatum de Alvaro de Campos, Sensacionista. Edição de Petrus [Pedro Veiga]. Porto: Ed. Cultura, 1951. Documentos literários. S. G., A.4 / P.3, Livro 12900. 1952 Bureau de Tabac: Poème. Tradução par Adolfo Casais Monteiro e Pierre Hourcade. Prefácio de Adolfo Casais Monteiro. Ilustrações de Fernando de Azevedo. Lisboa: Inquérito, 1952. Exemplar não numerado. S. G., A.4 / P.2, Livro 12846. 1952 O Fado [resposta a um inquérito]. Porto: [s.n.], 1952. (Porto: J. R. Gonçalves). Indícios de Oiro; 5. Edição privada fora do mercado. Tiragem de 30 exemplares. S. de B., A. de F.P., Livro 6513. 1953 Elogio da Indisciplina e Poemas Insubmissos. Selecção de prosa e poesia. Edição de Petrus [Pedro Veiga]. Porto: C.E.P. [Centro Editorial Português], 1953. Páginas Livres. S. G., A.4 / P.2, Livro 10614. . 1953 O «Orpheu» e a Literatura Portuguesa. Edição bilingue em português e inglês, com tradução de Tomaz Kim. Separata da revista. [S.l.: s.n., D.L. 1953]. (Lisboa: Imprensa Libânio de Silva). Exemplar n.º 25 de 110. S. G., A.4 / P.2, Livro 10620. Figs. 6, 7 e 8. Três livros publicados entre 1925-1953: Bureau de Tabac: Poème, Elogio da Indisciplina e Poemas Insubmissos e O «Orpheu» e a Literatura Portugues. 1954 Ensaios Políticos: Ideias para a Reforma da Política Portuguesa. Edição de Petrus [Pedro Veiga]. [S.l.]: C.E.P [Centro de Estudos Portugueses] / Edições Acrópole, [D.L. 1954]. (Porto: Tip. Mendonça). S. G., A.4 / P.3, Livro 12895. 1957 Cartas de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões. Introdução, apêndice e notas de João Gaspar Simões. Lisboa: Europa-América, 1957. É o n.º 57 de 110 exemplares de uma tiragem especial, rubricado pelo autor da introdução, João Gaspar Simões. S. G., A.4 / P.2, Livro 12858.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 374 Figs. 9 e 10. Cartas de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões. 1957 Apologia do Paganismo. Edição de Petrus [Pedro Veiga]. Porto: Cultura, 1957. S. G., A.4 / P.2, Livro 10613. Fig. 11. Uma das mais belas capas das obras editadas por Petrus. 1959 [Fernando Pessoa e os do seu tempo]. Nas Encruzilhadas do Mundo e do Tempo Subsídio Para Outra Civilização. Escritos Públicos. Textos de Álvaro de Campos [Ultimatum] [Aviso por Causa da Moral], José de Almada Negreiros, Bernardo Marques, Arlindo Vicente, Francisco Levita, Augusto Gomes, António Ferro, José Régio, Artur Augusto, Armando de Basto, António Pedro. Porto: C.E.P. [Centro Editorial Português], [1959]. Selecções “Périplo” [Petrus (Pedro Veiga)]. O Pensamento Português. S. G., A.4 / P.2, Livro 12856.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 375 1960 Ode triomphale et autres poèmes de Alvaro de Campos. Apresentação e tradução de Armand Guibert. Paris: Pierre Jean Oswald, 1960. Inclui um papel com o número 4578, provavelmente relativo à numeração em leilão. S. G., A.4 / P.2, Livro 12860. 1961 Livro do Desassossêgo. Páginas Escolhidas. Edição de Petrus [Pedro Veiga]. Porto: Arte e Cultura. (Braga: Livraria Editora Pax). Inclui um papel com o número 4543, provavelmente relativo à numeração em leilão. S. G., A.4 / P.2, Livro 12857. 1962 Páginas de Doutrina Estética. Edição, prefácio e notas de Jorge de Sena. Lisboa: Inquérito, 1946. S. G., A.4 / P.2, Livro 10617. 1962 Poesie. Tradução de Georg Rudolf Lind. Edição bilingue. Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1962. Exemplar com dedicatória dirigida a João Gaspar Simões, na qual pode ler-se: “Ao Dr João Gaspar Simões, | grande biógrafo de Pessoa, | esta pequena contribuição para | a bibliografia fernandina | Georg Rudolf | Lind | 5.10.62”. Inclui um papel com o número 4597, provavelmente relativo à numeração em leilão. S. G., A.4 / P.2, Livro 12865. Figs. 12, 13 e 14. Traduções de poemas pessoanos de Georg Rudolf Lind.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 376 1966 Almas e Estrelas: Horas Espirituais. Edição de Petrus [Pedro Veiga]. Palavras iniciais de Petrus, Almada Negreiros e Luiz de Montalvor. Porto: Arte e Cultura. (Braga: Livraria Editora Pax). No interior do livro, encontra-se o recorte de uma recensão crítica ao livro Libelo contra a Poesia Modernista, de João Ilharco, publicada no dia 20 de Abril de 1955 no suplemento “Das Artes / Das Letras”, d’ O Primeiro de Janeiro. S. G., A.4 / P.2, Livro 12869. 1966 O Banqueiro Anarquista. Edição especial dirigida por Petrus [Pedro Veiga]. Porto: Arte e Cultura, 1966. Exemplar n.º 17. S. G., A.4 / P.2, Livro 10612. 1968 Oito Poemas Ingleses Inéditos. Comentário de George Rudolf Lind. Lisboa: Império, 1968. Separata da revista Ocidente, n.º 74, 1968. Possui a seguinte dedicatória: “Para o Sr. Laureano Barros, | muito grato pelo seu interesse, | esta oferta, | 17/11/68 | GRLind». S. G., A.4 / P.2, Livro 10555. Figs. 15, 16, 17 e 18. Um livro, um recorte e uma separata.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 377 1969 Obra Poética. Organização, introdução e notas de Maria Aliete Galhoz. Cronologia da vida e obra de Pessoa por João Gaspar Simões. Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, 1960. 3.ª edição. S. G., A.4 / P.2, Livro 10606. 1974 Obra em Prosa. Organização, introdução e notas de Cleonice Berardinelli. 1.ª edição. Rio de Janeiro: Editora José Aguilar, 1974. S. G., A.4 / P.2, Livro 10607. 1976 The Keeper of the Flocks. Edição e tradução de J. C. R. Green. Breakish: Aguila, 1976. Inclui um papel com o número 4539, provavelmente relativo à numeração em leilão. S. G., A.4 / P.2, Livro 12864. Fig. 19. Uma das primeiras traduções d’ O Guardador de Rebanhos. 1980 Textos de Crítica e de Intervenção. Lisboa: Ática, 1980. S. G., A.4 / P.2, Livro 12851. 1981 “A Casa Branca, Nau Preta”. Poesia Futurista Portuguesa: Faro, 1916-1917. Selecção e prefácio de Nuno Júdice. Lisboa: A Regra do Jogo, 1981, pp. 125129. S. G., A.1 / P.2, Livro 8841. 1986 Antologia Poética. Coordenação e tradução, Jin Guo Ping e Gonçalo Xavier. Macau: Instituto Cultural, 1986. S. G., A.4 / P.2, Livro 12850. 1986 Obra Poética e em Prosa, vol. I, Poesia. Introdução, organização, biobibliografia e notas de António Quadros e Dalila Pereira da Costa. Porto: Lello & Irmão, 1986. S. G., A.4 / P.2, Livro 10608.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 384 Figs. 32, 33, 34, 35 e 36. Exposição Iconográfica e Bibliográfica.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 385 1980 Monteiro, Isabel Pascoal; Sampaio, Jaime Salazar; Areias, Maria Laura. Fernando Pessoa Quem Era(m)? Lisboa: Plátano Editora, 1980. S. G., A.4 / P.2, Livro 12861. 1982 Edinger, Catarina T. F [Tereza Feldmann]. A Metáfora e o Fenómeno Amoroso nos Poemas Ingleses de Fernando Pessoa. Porto: Brasília Editora, 1982. Capa e direcção gráfica de Armando Alves, a partir de um guacho de José João Brito. S. G., A.4 / P.2, Livro 12848. 1982 Perrone-Moisés, Leyla. Fernando Pessoa, Aquém do Eu, Além do Outro. São Paulo: Martins Fontes, 1982. S. G., A.4 / P.2, Livro 12898. 1982 Petrus [Pedro Veiga]. Afinidades Políticas, Religiosas e Filosóficas entre Fernando Pessoa e a Renovação Democrática. Porto: C.E.P. [Centro Editorial Português], 1982. Edição restrita e numerada. S. G., A.4 / P.3, Livro 12881. 1983 Il poeta e la finzione – Scritti su Fernando Pessoa. Edição de Antonio Tabucchi. Genova: Tilgher, 1983. Antonio Tabucchi, “Nota inttrodutiva”, pp. 5-8; Joaquim-Francisco Coelho, “E il Padrone della Tabaccheria ha sorriso” (trad. Amina di Munno), pp. 9-19; Munno, Amina di, “Pessoa ‘gotico’. A Very Original Dinner di Alexander Search”, pp. 21-30; Maria José de Lancastre, “Pessoa e le pose dell’avanguardia. Comportamenti, atteggiamenti e immagini del Modernismo portoghese”, pp. 31-51; Silvano Peloso, “Dal Paulismo all’Estetica non-aristotelica. L'‘autopsicografia’ poetica di Fernando Pessoa attraverso le varianti di due liriche”, pp. 53-69; Stefano de Pascale, e Marina Sanfilippo, “‘Le pieghe della notte’. Un sonetto di Fernando Pessoa”, pp. 71-77; Luciana Stegagno-Picchio, “Pessoa, Marinetti e il futurismo mentale della generazione dell'‘Orpheu’”, pp. 79-109; Antonio Tabucchi, “Nota sulle lettere d’amore di Fernando Pessoa”, pp. 111-118; Antonio Tabucchi, “Le sigarette di Fernando Pessoa”, pp. 119-132; Antonio Tabucchi, “Rassegna bibliografica”, pp. 135-143. S. G., A.4 / P.2 12866. 1984 Jennings, H. D. Os Dois Exílios: Fernando Pessoa na África do Sul. Porto: Fundação Eng. António de Almeida / Centro de Estudos Pessoanos, 1984. S. G., A.4 / P.3, Livro 12896. 1985 Fernando Pessoa – Coração de Ninguém. Exposição organizada pela Comissão Executiva das Comemorações do Cinquentenário da Morte de Fernando Pessoa. Comissário: José Blanco. Plano da exposição, pesquisa, selecção e articulação do material documental, catálogo: Teresa Rita Lopes, assistida por Henrique Chaves, Isabel Fraústo, Maria Manuela Pardal. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1985. S. G., A.4 / P.3, Livro 12893. 1985 Seabra, José Augusto. O Heterotexto Pessoano. Lisboa: Dinalivro, 1985. S. G., A.4 / P.4, Livro 12877. 1987 França, Isabel Murteira. Fernando Pessoa na Intimidade. Lisboa: Dom Quixote, 1987. S. G., A.4 / P.2, Livro 12845.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 386 1990 Castro, Ivo. Editar Pessoa. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1990. S. G., A.4 / P.2, Livro 12863. 1990 Lencart, Maria Lucília. Raízes de Fernando Pessoa em Terras de Santa Maria. Águeda: Soberania do Povo, 1990. 2.ª edição. S. G., A.4 / P.2, Livro 12854. Fig. 37. Raízes de Fernando Pessoa em Terras de Santa Maria. 2002 Gil, José. Fernando Pessoa ou a Metafísica das Sensações. Tradução de Miguel Serras Pereira e Ana Luísa Faria. Lisboa: Relógio d’Água, 2002. S. G., A.4 / P.2, Livro 12852. 2004 Freire, Luísa. Fernando Pessoa – Entre Vozes, Entre Línguas (Da Poesia Inglesa à Poesia Portuguesa). Lisboa: Assírio & Alvim, 2004. S. G., A.4 / P.3, Livro 12886. 2006 Calafate, Pedro. Portugal Como Problema, vol. IV, Século XX: Os Dramas de Alternativa. Lisboa: Fundação Luso-Americana / Público, 2006. Inclui capítulos dedicados a Fernando Pessoa (cap. IV: “Fernando Pessoa: sermos ‘tudo de todas as maneiras’”, pp. 95-135) e a Almada Negreiros (cap. V). S. G., A.4 / P.1, Livros 10528. 2006 Matos, Jorge de. O Pensamento Maçónico de Fernando Pessoa. Lisboa: Sete Caminhos, 2006. S. G., A.4 / P.2, 10581. 2010 Dias, Joana Amaral. “Fernando Pessoa – O Super-Camões”. Maníacos de Qualidade: Portugueses Célebres na Consulta com uma Psicóloga. Prefácio de J. L. Pio de Abreu. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2010, pp. 285-382. 2.ª edição. S. G., A.4 / P.2, 10622. 2010 Gil, José. O Devir-Eu de Fernando Pessoa. Lisboa : Relógio d’Água, 2010. S. G., A.4 / P.2, 10623.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 387 Outra bibliografia 1915 Pessanha, Camilo. Catalogo da Collecção de Arte Chineza Offerecida ao Museu de Arte Nacional. Macau: Imprensa Nacional, 1915. S. G., A.4 /P. 2 10626. 1915 Portugal, Boavida. Inquérito Literário. Lisboa: Liv. Clássica Editora, 1915. Neste exemplar, pode ver-se a seguinte dedicatória, dirigida por Boavida Portugal a Victoriano Braga: “A Victoriano Braga, | esta pequena prova de | uma grande estima | oferece | Boavida Portugal”. S. G., A.4 / P.2, Livro 12842. Figs. 38, 39 e 40. Collecção de Arte Chineza e Inquérito Literário. 1922 Gomes, Augusto Ferreira. O Cosme. Lisboa: Empreza de Publicações “A Hora”. Inclui a seguinte dedicatória: “Para o Martins Barata | esta pequena novela própria para ilustrador de novelas – (esta | tem duas capas), com | abraço do | Augusto Ferreira Gomes | 22-out 1928”. S. G., A.4 / P.3, Livro 12899. 194Régio, José; Simões, João Gaspar. Estética Presencista: Ensaios Doutrinais. Edição de Petrus [Pedro Veiga]. Porto: C.E.P., 194-. Tiragem de 300 exemplares. Inclui um papel com o número 2033, provavelmente relativo à numeração em leilão. S. G., A.4 / P.3, Livro 12882. 1955 Ilharco, João. Libelo Contra a Poesia Modernista. Coimbra: Coimbra Editora, 1955. Este é o exemplar n.º 901. Pode ler-se a seguinte dedicatória: “Ao ex.mo. sr. Doutor Raul Machado, grande | mestre da língua, como preito da minha admiração | do João Ilharco | Cª. 1960, Rua Lourenço A. Azevedo – 1 H”. S. G., A.4 / P. 2, Livro 12868. Figs. 41. Dedicatória no Libelo.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 388 1958 Nemésio, Vitorino. Conhecimento de Poesia. Salvador: Livraria Progresso Editora / Universidade da Bahia, 1958. 1.ª edição. S. G., A.4 / P.3, Livro 12874. 1980 Sá-Carneiro, Mário de. Correspondência Inédita de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa. Leitura, introdução e notas de Arnaldo Saraiva. Porto: Centro de Estudos Pessoanos, 1980. S. G., A.4 / P.2, Livro 12849. 2005 Gil, José. Portugal, Hoje: O Medo de Existir. Lisboa: Relógio d'Água, 2005. 4ª edição. S. G., A.4 / P.2, 10624. Sobre algumas publicações periódicas 1914 A Vida Portuguesa. Porto: Renascença Portuguesa. Dir. Jaime Cortesão. A colecção inclui quatro números datados de 1914 (28, 29, 30 e 32). Exemplares guardados junto com o volume encadernado com os primeiros números de A Águia [S. G., A.4 / P.3, Livro 12892], com o número de Nova Phenix Renascida [S. G., A.4 / P.3, Livro 12890] e com um catálogo do leiloeiro J. A. Telles da Sylva, no qual se encontra descrita a colecção de A Águia adquirida por António J. Miranda. S. G., A.4 / P. 3, Livros 12891, 12901 e 12902. Em linha: http://purl.pt/284/3/ 1921 Nova Phenix Renascida, n.º 1 (número único), Julho de 1921. Coimbra: Tip. F. França Amado. Director: Luiz Vieira de Castro. Editor: Luiz de Sousa e Vasconcellos. S. G., A.4 /P. 3, Livro 12890. Encontra-se guardado junto do volume encadernado com os primeiros números de A Águia e com um catálogo do leiloeiro J. A. Telles da Sylva. Em linha: https://digitalisdsp.uc.pt/bg4/UCBG-OS-606-g/UCBG-OS-606-g_item1/index.html Figs. 42 e 43. Números da revista A Águia encadernados.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 389 Figs. 44, 45, 46 e 47. Documentos guardados dentro da encadernação da revista A Águia.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 390 Fernando Pessoa Autógrafos 1915 Bilhete postal manuscrito a tinta preta acastanhada, destinado a «Exmo. Senhor | Luiz de Montalvôr, | 17, Caminho do Forno do Tijolo, | Lisboa». Os dois carimbos de “LISBOA CENTRAL” encontram-se datados de 28-3-1915. Tem o escudo da República Portuguesa no canto superior esquerdo. S. de B., A. de FP, Livro 6523. Largura 14 cm. × Altura 9,2 cm. Não se esqueça. Sempre o espero, amanhã, domingo 28, no Café Montanha ás 9½ da noite. Naturalmente estarei lá mesmo desde as 9 horas. Isto para se quizer apparecer a essa hora. Sempre fallavamos mais meia hora. O seu 27.3.1915. Figs. 48 e 49. Bilhete postal de 27 de Março de 1915. 1915 Bilhete postal manuscrito a tinta preta acastanhada, destinado a «Exmo. Senhor | Luiz de Montalvor, | Calçada do Forno do Tijolo, | 17 (Challet), LISBOA». Os dois carimbos de “LISBOA CENTRAL” encontram-se datados de 16-71915. S. de B., A. de FP, Livro 6523. Largura 14,1 cm. × Altura 9,1 cm.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 391 Meu caro Luiz: V[ocê], naturalmente, não pôde estar hontem no Montanha ás 9 horas. Esperei-o lá até ás 10½ . Amanhã, sabbado, 17, estarei no Montanha, pontualmente, ás 2 da tarde (duas). Pode v[ocê]apparecer? Se pudér appareça, mas não appareça nem mais tarde nem mais cêdo. Das 2 para as 21⁄4,sim? Sempre seu 16-7-1915. Figs. 50 e 51. Bilhete postal de 16 de Julho de 1915. 1919 Um pedaço de folha de papel, dobrado em bifólio (e ainda na horizontal, talvez para entrar num envelope pequeno), amarelecido, com margens de corte irregulares. Manuscrito no rosto e no verso, a tinta preta acastanhada. Carta enviada a Victoriano Braga a 25 de Janeiro de 1919. Foi dada a conhecer por António J. Miranda, em 2000, na Revista Liga dos Amigos do Hospital de Santo Tirso (ver PIZARRO & SOUSA, 2019: 330; cf. 362-363). S. de B., A. de FP, Livro 6521. Largura 25,2 cm. × Altura 17,8 cm., com o bifólio aberto.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 392 Figs. 50 e 51. Carta de 25 de Janeiro de 1919. Meu querido Victoriano: Queria pedir-lhe um grande favor: se v[ocê], até meados de Março (não posso indicar data mais proxima), me poderia emprestar sessenta e dois mil reis. Esta quantia, aliás exquisita, é para a reforma de uma lettra, de que sou acceitante, e que vem, atravez de successivas reformas, ainda do tempo do meu escriptorio. A lettra venceu-se hoje, de modo que até segunda-feira, 27, tenho que arranjar o dinheiro, e não tenho, neste momento, de onde elle me venha. O amigo meu, que é saccador da lettra, estánas mesmas condições. A maçada d’estas questões de lettras é que, se não pago esses 62 mil reis, fica a lettra protestada e eu devendo quatrocentos. Se lhe fôr possivel, era um grande favor que v[ocê] me fazia. Não me foi possivel hoje nem encontrar v[ocê], nem telephonar-lhe para onde v[ocê] calhasse estar. Amanhã, domingo, tenho que estar ás 10.30 na Praça do P[rincipe] Real, de modo que irei a sua casa ás 11. Não sei se é cedo para fallar com v[ocê]; mas aproveitoa a hora, e entrego o encontro ao destino. Porisso mto amº e grato 25.1.1919. 1919 Um pedaço de folha de papel, dobrado três vezes, talvez para entrar num envelope pequeno. O suporte tem margens de corte irregulares. Tem a seguinte marca d’água: FAUSTO CUM SIDERE | MCCCXX. Carta manuscrita a tinta preta, dirigida a D. Emma, datada de 1 de Agosto de 1919. No canto superior direito do rosto da folha encontra-se uma conta manuscrita. S. de B., A. de FP, Livro 6520. Largura 18 cm. × Altura 28,9 cm.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 393 Fig. 52 (esq.). Marca d’água FAUSTO CUM SIDERE. Exma. Senhora: Ha cerca de uma semana soube – primeiro pelo Victoriano Braga, depois pelo Ferreira Gomes – da doença que tinha cahido sobre o Luiz. Desde então tenho todos os dias tencionado ir pessoalmente saber noticias, e em tal periodo estou de affazeres accummulados, que não tenho podido ir. Nem hoje me é possivel procural-a, para lhe pedir essas noticias; e como tambem se dê o caso de durante estes ultimos dias não ter encontrado ninguem que pelo menos me dissesse como o Luiz vae passando, resolvi escrever, para lhe pedir que me informe. Não desejo, de modo nenhum, que a senhora D. Emma se dê ao incommodo de me communicar essas noticias por escripto. Basta que as dê verbalmente ao rapazito que é portador d’esta carta. Excuso de dizer, creio, que faço votos, e os votos mais ardentes e sinceros, por que o Luiz promptamente se restabeleça. Oxalá estes meus desejos mereçam, como creio que merecerão, a approvação do Destino, que elles coincidam com o que o Destino quere. Acceite V[ossa] Exª, com esses votos, a expressão do meu maior respeito e da minha maior sympathia na crise de angustia e de ansiedade por que tem passado. 1.VIII.1919. Figs. 53 e 54. Carta de 1 de Agosto de 1919.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 400 Havia, nas emendas que já vinham feitas, uma indicação de pôr um “é” em “Artemis”; não o deve haver, e eliminei. De resto, escangalhava o verso o pronunciar-se assim; se bem que não seja esta a razão directa da emenda, ou, antes, sobre-emenda. Espero ter amanhã o prazer de ver o Hourcade, conforme carta que d’elle recebi ha dias. Creia-me sempre seu muito dedicado e grato, 1931 Carta dactilografada (tinta azul) com assinatura e intervenções manuscritas a tinta preta. Duas folhas de papel de máquina, amareladas, dobradas ao meio na horizontal. Ambas têm partes da mesma marca d’água; na primeira lê-se, em letras ligadas umas às outras (estilo cursivo), “en Post Original” e vê-se um logótipo, uma estrela e as letras GM; na segunda lê-se “n Post Original” e vê-se a mesma estrela e as letras GMA. Carta dirigida a Gaspar Simões, datada de 4 de Dezembro de 1931. Como notou Fernanda Vizcaíno na sua dissertação de doutoramento, Correspondência de Fernando Pessoa Revisitada (2018), a data da carta é 4.12.1931 e não 3.12.1931, como costuma ser impressa. Gaspar Simões terá transcrito com esse erro a carta, sendo que o epistolário de 1957 (Cartas de Fernando Pessoa a João Gaspar Simões) foi, por muito tempo, o único testemunho disponível. Pessoa agradece o envio do livro O Mistério da Poesia (cf. Biblioteca particular, em linha), contendo um texto que já conhecia, “Fernando Pessoa e as Vozes da Inocência”. S. de B., A. de FP, Livro 6519. Largura 21,5 cm. × Altura 27,5 cm.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 401 Figs. 67, 68, 69 e 70. Carta de 4 de Dezembro de 1931. Apartado 147, Lisboa, 4 de Dezembro de 1931. Meu querido Gaspar Simões: Muito e muito obrigado pelo seu livro, que recebi no dia 1. Queria escrever-lhe depois de o ter inteiramente lido e meditado, relendo, até, e mais attentamente, o que nelle ha de reproduzido da “Presença” e já meu conhecido. Mas essa leitura só pode ser honestamente feita na semana que vem. Prefiro, pois, desde já simplesmente lh’o agradecer, deixando para depois da tal leitura mais attenta os commentarios, quaesquer que sejam, que me occorrerem, e me parecer de qualquer utilidade communicar-lhe. Nessa altura farei os commentarios de ha muito promettidos sobre o estudo, inserto neste livro, que me diz respeito. No decurso do phenomeno physico de abrir o livro e percorrer aqui e alli esta ou aquella pagina, fiquei – desde já lh’o digo – com a mesma agradavel impressão do seu espirito que tenho sempre tido. Em outras palavras, parece-me que este livro em nada deverá desviar-se do caminho intellectual que v[ocê] começou traçando, admiravelmente, no seu livro anterior. Faço, mas sob reserva de emenda possivel, uma reserva: no relance, pareceu-me que v[ocê] tendia para querer explicar de mais. Na carta, que de aqui a dias lhe escreverei, esclarecerei esta phrase, se a não tiver que retirar. E, desde já, uma observação adversa, mas amavel, colhida de uma nota que li no decurso do phenomeno physico acima indicado. Refiro-me á nota em que se desculpa de citar, a proposito do José Regio, varios auctores celebres, em sentido de comparação psychologica. Não se offende v[ocê] decerto que, valendo-me da triste vantagem que tenho em ter quasi o dobro da sua edade, lhe dê um conselho. Conselho importuno, tanto por ser conselho, como porque v[ocê] m’o não pediu. Mas dou-o translatamente, e servindo-me da indicação magisterial de não sei que diplomata francez. Disse elle: Nunca explicar, nunca se desculpar, nunca se arrepender. Meu querido Gaspar Simões, nunca peça desculpa de nada, sobretudo ao publico. E quem lhe diz que a historia definitiva da literatura não levará o José Regio tam
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 402 alto, ou mais alto, que o Tolstoi ou o André Gide, ou quem mais v[ocê] citasse? Não me custa nada a admittir essa possibilidade, sobretudo em quem, sendo tam jovem como o Regio, já tanto conseguiu a dentro da sua sensibilidade. De resto – admitto – nunca pude ler o Gide, e, quanto ao Tolstoi, basta ser russo parai eu ter difficuldade em dar por elle. Até já. E um abraço de amigo e de admirador do seu muito dedicado e grato, 1932 Carta dactilografada (tinta azul) com assinatura manuscrita a tinta preta. Folha de papel de máquina, amarelada, dobrada ao meio na horizontal. Tem uma marca d’água: GRAHAMS BOND | REGISTERED. Carta enviada a Gaspar Simões, datada de 25 de Maio de 1932, junto com o poema “Iniciação”. Nas linhas finais, Pessoa Pessoa alude a Bernardino Machado, presidente da Republica de 1915 a 1917, conhecido pelas suas relações humanas educadas, mas frias e formais, e por costumar dizer: “Na dúvida, cumprimenta-se sempre”; agradece-se a informação a Pedro da Silveira. Sobre as relações entre as revistas Presença e Descobrimento, basta consultar a resposta de Gaspar Simões a esta missiva, por exemplo, na notável edição crítica, acompanhada de estudo, de Enrico Martines para a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, publicada em 1998. S. de B., A. de FP, Livro 6518. Largura 22,1 cm × Altura 27,9 cm. Figs. 71 e 72. Carta de 25 de Maio de 1932.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 403 Apartado 147, Lisboa, 25 de Maio de 1932. Meu querido Gaspar Simões: Muito obrigado pela sua carta de 12. É curioso que eu lhe tivesse escripto nesse mesmo dia. As cartas devem ter-se cruzado mathematicamente. A proposito, escreveu v[ocê] ao Araujo Pereira? Não sei quando sahe o proximo numero da Presença, nem se vae a tempo o pequeno poema que junto lhe envio. Seja como fôr, e se elle convier, publique-o v[ocê] em qualquer numero. Vi algures – creio que no Diario da Noite – que a Presença vae dedicar um numero especial a Goethe. É curioso que, dias antes de eu ler isto, o José Osorio de Oliveira me havia pedido um artigo sobre Goethe para um numero do Descobrimento que vae ser dedicado ao mesmo assumpto. Cito isto por uma razão especial: poderia v[ocê] lembrar-se de me fazer um pedido identico (se bem que v[ocê] e os outros collaboradores mais propriamente da Presença sejam competentes para escrever sobre o assumpto), e, se assim fôsse, eu teria que recusar, pois, evidentemente, não posso fazer dois artigos sobre o assumpto, e o para o Descobrimento estava já promettido. Entro assim em meandros explicativos um pouco ridiculos porque não quero que vocês se melindrem commigo de qualquer maneira. De mais a mais, deprehendo que as relações entre a Presença e o Descobrimento são vagamente de uma cordealidade à Bernardino. De ahi o meu mais rapido desejo de esclarecer isto anticipadamente. Um abraço do amigo e admirador de sempre 1932 Carta dactilografada (tinta preta) com assinatura manuscrita a tinta preta acastanhada. Uma folha de papel de máquina, amarelada, dobrada ao meio na horizontal. Não tem marca d’água. Carta dirigida a Gaspar Simões, datada de 16 de Julho de 1932. S. de B., A. de FP, Livro 6512. Largura 21,5 / Altura 27,2. Apartado 147, Lisboa, 16 de Julho de 1932. Meu querido Gaspar Simões: Queria escrever-lhe logo que recebi e li o ultimo numero da “Presença”, mas tenho estado doente e só agora tenho occasião de lhe escrever. Felicito-o, e é com sinceridade, pela sua resposta ao Antonio Sergio. Tem vigor e logica; é muito mais concentrada e intensa, apesar de maior, do que a primeira. Não vejo, de facto, qual o motivo – a não ser que a extensão o fôsse – que levou a “Seara Nova” a não inserir esse artigo. É certo que, aqui e alli, é contundente para o Sergio; não o é, porém, mais do que o artigo d’elle fôra. E, seja como fôr, não sahe fóra das normas em que a questão foi posta. Por mim, em coisas d’estas, prefiro ver a frieza absoluta, que trata o adversario como se elle fôsse só o que escreveu. Assim, até lhe lembrei (o que peço me releve) que deveria ser
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 404 esse o seu tom ao responder. Reconheço, porém, depois de ler o seu artigo, que acceitou a questão no campo em que lh’a puzeram, o que em nenhuma hypothese se lhe poderá levar a mal. Gostei muito, aliás, de todo o numero da “Presença”, incluindo os reparos do Adolpho Casaes Monteiro ao meu prefacio a “Achronios”. Talvez faça uma breve nota esclarecendo o que elle quer que eu esclareça. Neste momento ainda estou sob os reflexos da doença que tive, e, aliás, prohibido pelo medico de trabalhar muito. Não que a Nota Explicativa exija muito espaço ou tempo; o que exige é disposição, e essa, por emquanto, falta-me. Creia-me o amigo e admirador de sempre Figs. 73 e 74. Carta de 16 de Julho de 1932. 1932 Carta dactilografada (tinta preta) com assinatura manuscrita a tinta azul. Uma folha de papel de máquina, amarelada, dobrada ao meio na horizontal. Tem uma marca d’água: GRAHAMS BOND | REGISTERED. Apresenta um pequeno rasgão logo abaixo do vinco de dobra horizontal, na margem direita da folha. Carta enviada a Gaspar Simões, datada de 22 de Outubro de 1932, junto com o poema “Autopsychographia”. Assinada a tinta azul que, ao que parece, começou a descolorar, parecendo esverdeada. Pessoa refere duas cartas, sendo a de 6 de Outubro a primeira (e não a última) das duas. Trata-se de um lapso. De facto, João Gaspar Simões enviara duas cartas manuscritas a Pessoa, com o intervalo de 9 dias. S. de B., A. de FP, Livro 6517. Largura 21,4 cm. × Altura 27,3 cm.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 405 Figs. 75 e 76. Carta de 22 de Outubro de 1932. Apartado 147, Lisboa, 22 de Outubro de 1932. Meu querido Gaspar Simões: Muito obrigado pelas suas duas cartas, a ultima de 6 de Outubro. Tem sido, de facto, a falta de saude, ou, pelo menos, um pedaço de falta de saude, que me tem levado a demorar tanto o escrever-lhe de novo e o enviar-lhe a collaboração para a “Presença”. Não sei se lhe disse: tive uma especie de intoxicação geral, à qual se sobrepunha e sobrepõe, ante et post (pois que em parte provocou a intensidade da intoxicação, e em parte se agravou com essa intensidade), o que, se não é uma neurastenia aguda, lhe copiou com exito as feições e as maneiras. Tem sido, mais particularmente, a acção d’esta ultima inacção que me tem tido preso – já de mim tam naturalmente idoneo para as clausuras da vontade! Não tive tempo de completar a Nota para o Casaes Monteiro; espero, porém, completala em breve, e v[ocê] poderá publical-a no outro numero da “Presença”. Está claro que era neste que deveria vir, e, se não fôsse a minha incompetencia presente para fazer qualquer coisa, neste poderia vir, pois a Nota nada tem de difficil na redacção. Como, porém, outra collaboração é uma questão de simplesmente copial-a (e até isto me tem sido mentalmente difficil), ahi lhe envio um pequeno poema. Espero que chegue a tempo para este numero da revista. Sempre e muito seu, 1933 Carta dactilografada (tinta preta) com assinatura manuscrita a tinta azul. Uma folha de papel de máquina, amarelada, dobrada ao meio na horizontal. Tem uma marca d’água: COMMERCIAL BANK POST, com um logótipo de um
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 406 copista medieval. Carta dirigida a Gaspar Simões, datada de 18 de Fevereiro de 1933. S. de B., A. de FP, Livro 6509. Largura 21,6 cm. × Altura 27,4 cm. Fig. 77 (esq.). Marca d’água COMMERCIAL BANK POST. Figs. 78 e 79. Carta de 18 de Fevereiro de 1933. Apartado 147, Lisboa, 18 de Fevereiro de 1933. Meu querido Gaspar Simões: Acabo, literalmente, de receber a sua carta de hontem, e, d’esta vez, respondo, em verdade, immediatamente. Dado o vosso amavel desejo de que haja sempre collaboração minha na “Presença”, envio uma brevissima composição do Ricardo Reis, escripta ha dias e que por acaso ainda tinha na algibeira. Assim posso corresponder à sua indicação de enviar na volta do correio.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 407 Quanto à collecção de auctores portuguezes e o modo como eu poderia figurar nella, escrever-lhe-hei de aqui a uns dias. Desejo poder dizer-lhe qualquer coisa que de facto eu possa cumprir. O mais provavel será eu poder fornecer, para a collecção, um dos “livros” do meu “Cancioneiro”, que deve dar qualquer coisa como 120 paginas. Digo “o mais provavel”, porque é simples questão de escolher entre coisas que já existem. Em todo caso, como acima digo, de aqui a dias lhe direi. Muito agradecia se me pudesse enviar, registrado, o numero dos Cahiers du Sud. Dois dias depois lh’o devolverei, registrado tambem. De aqui encommendarei um exemplar para mim. Um abraço do seu admirador e muito amigo, 1933 Carta dactilografada (tinta azul) com assinatura manuscrita a tinta preta. Uma folha de papel de máquina, dobrada ao meio na horizontal. Tem uma marca d’água: COMMERCIAL BANK POST, com um logótipo de um copista medieval. Carta dirigida a Gaspar Simões, datada de 1 de Julho de 1933. Com a missiva, ia o poema “Tabacaria”. S. de B., A. de FP, Livro 6512. Largura 21,5 cm. × Altura 27,3 cm. Figs. 80 e 81. Carta de 1 de Julho de 1933. Apartado 147, Lisboa, 1 de Julho de 1933. Meu querido Gaspar Simões: Muito obrigado pela sua carta. Ahi lhe envio collaboração para a Presença, mas não sei se servirá. Conformei-me com a sua indicação de a materia não ser muito pequena. Escolhi
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 408 porisso esse poema do Alvaro de Campos. O peor é que talvez seja muito grande. Se fôr, diga-me, e enviarei então qualquer outra coisa de menor extensão; mas, nesse caso, v[ocê] arrisca-se a que seja um dos taes poemas millimetricos, por eu não ter tempo de copiar outro. Isto é uma simples indicação e não uma ameaça: não desejo que Presença fique submersa na Tabacaria Campos. Quando quere v[ocê] que eu lhe envie o prefacio para os Indicios de Ouro? E até quando posso eu enviar-lhe o original de O Guardador de Rebanhos? Diga-me prasos errados, anticipados por diplomacia, para, se eu tardar, afinal não haver atrazo. Soube aqui ha dias que afinal poderia não se dar o caso de o Hourcade vir para cá. Deprehendi do que me disseram que houve qualquer pseudoconcorrente, de fóra de Lisboa, que levantou, ou fez levantar, obstaculos. V[ocê] tem qualquer indicação ou informação? Seria para mim, como v[ocê] comprehende, um formidavele prazer que o Hourcade viesse para Lisboa. Sempre e muito seu, 1934 Carta dactilografada (tinta preta) com assinatura manuscrita a tinta preta. Uma folha de papel de máquina, amarelada, dobrada ao meio na horizontal. Tem uma marca d’água: HALFLEINEN POST. Carta dirigida a Gaspar Simões, datada de 22 de Janeiro de 1934. S. de B., A. de FP, Livro 6514. Largura 21,6 cm. × Altura 27,8 cm. Figs. 82 e 83. Carta de 22 de Janeiro de 1934.
Pizarro, Vizcaíno & Sousa Santo Tirso adenda Pessoa Plural: 16 (O./Fall 2019) 409 Fig. 84 (esq.). Marca d’água HALFLEINEN POST. Meu querido Gaspar Simões: Escrevi-lhe, aqui ha tempos, enviando collaboração, minha e do Alvaro de Campos, e em ambos os casos breve, para a Presença. Não sei se recebeu essa minha carta – a carta, escripta muito à pressa, era em cinco oub seis linhas sòmente – nem, portanto, a collaboração que ella incluia. Não digo isto por essa collaboração não ter vindo no numero da Presença que ha dias recebi: poderia ter chegado tarde, ou poderia não lhes ter convindo, tanto mais que não era grande coisa, de à pressa que a extrahi dos meus montes de papeis. Digo isto porque soube, atravez do Hourcade, que já uma carta minha anterior para si se havia extraviado. Dirigi esta ultima para o endereço que vem como o da redacção da Presença – Rua J. A. Aguiar, 65, pois o Hourcade me disse dever ser esse o melhor endereço seu. Esta vae endereçada do mesmo modo. Peço que, logo que a receba, me diga, num simples postal, que a recebeu. Assim saberei como e para onde escrever-lhe. Comprehendo perfeitamente o que me diz sobre o atrazo, aliás inevitavel, nas edições da Presença. Tudo isso, de facto, o Hourcade me tinha explicado. Conta v[ocê], de facto, editar os Indicios de Ouro antes de Maio? Pergunto isto para lhe poder enviar o prefacio em tempo. Àparte isto, dê-me, sempre que puder, noticias suas. Renovo-lhe as (rapidas) felicitações, que lhe enviei na minha carta rapida, por ter recebido o Premio da Imprensa. E isto me lembra que nunca lhe escrevi qualquer coisa de explicito e desenvolvido sobre o Eloi. Um dia será. Enfim, tendo tanta gente tanta razão de queixa de mim, nesta materia de correspondencia, não é v[ocê], ainda assim, o que tem mais... Um abraço do amigo e admirador de sempre, s/d Folha de papel de baixa qualidade dactilografada a tinta preta e dobrada ao meio na horizontal. Discute as “trez especies de nacionalismo”. S. de B., A. de FP, Livro 6374. A capa transparente em que se encontra tem um selo de P4 Live Auctions e a indicação “lote 5”. Largura 21,6 cm × Altura 27,5 cm. Fig. 85 (esq.). Indicação do lote do leilão.