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Nota Editorial

Pizarro, Jeronimo

Abstract

A Pessoa Plural celebra o nascimento, há 130 anos, de Fernando Pessoa – no dia 13 de Junho de 1888 – apresentando 13 contributos, alongando assim as 5000 e tantas páginas que já dedicou a Fernando Pessoa. Este número, o 13 da Pessoa Plural, abre com o triplo poema dos «santos lisboetas de Junho» (como lhes chama Pessoa, riscando a primeira redação de «santos populares»), apresentado por José Barreto. Este «13» da Plural prolonga em parte o número 12, publicado em Dezembro e dedicado ao arquivo do arquiteto Fernando Távora – mas agora convocando também o espólio de Alberto Serpa, outro grande colecionador do norte de Portugal. Neste número merecem menção a apresentação dos escritos sobre literatura policial de Pessoa e um ensaio sobre Pessoa e Walter Benjamin. As recensões são cinco e dão conta de livros e exposições recentes.

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issn: 2212-4179 n.o 13 A Journal of Fernando Pessoa Studies Pessoa Plural EDITORS-IN-CHIEF Onésimo Almeida Paulo de Medeiros Jerónimo Pizarro Table of Contents Número 13, primavera de 2018 Issue 13, Spring 2018 Nota Editorial .................................................................................................................. 1 [Editor's Note] Jerónimo Pizarro [ARTIGOS / ARTICLES] A reinterpretação religiosa e política dos santos populares lisboetas ..................... 5 na Praça da Figueira de Fernando Pessoa [The religious and political reinterpretation of the Lisboner popular saints in Fernando Pessoa’s Praça da Figueira] José Barreto El inconsciente óptico en Benjamin y Pessoa ............................................................ 54 [The optical unconscious in Benjamin and Pessoa] Gonzalo Aguilar «Salvé Salazar!» Uma carta de Raul Leal (Henoch) .................................................. 73 ao fundador do Estado Novo português [“Salvé Salazar!” A Letter from Raul Leal (Henoch) to the founder of Portugal’s Estado Novo] António Almeida [DOCUMENTOS / DOCUMENTS] Letters from Pessoa's Family:...................................................................................... 87 thirteen documents from the Hubert Jennings Papers [Cartas da Família de Pessoa: treze documentos do arquivo Hubert Jennings] Susan Margaret Brown & Carlos Pittella Raul Leal e o segundo modernismo: ........................................................................ 143 Relações epistolares com Simões e outros afins [Raul Leal and the second modernism: Epistolary relations with Simões and others] Enrico Martines Novos Poemas e Documentos Inéditos: o espólio Serpa ...................................... 237 [New Unpublished Poems and Documents: the Serpa literary estate] Fernanda Vizcaíno & Jerónimo Pizarro A Visão de Dois Artistas e a Luxuriosa Loucura de Deus: ..................................... 348 Manifesto Ultrafuturista de Raul Leal (Henoch) [The Vision of Two Artists and the Lustful Madness of God: Ultrafuturist Manifesto by Raul Leal (Henoch)] António Almeida Essay on Detective Literature & The Detective Story: ............................................ 399 dois ensaios de Fernando Pessoa sobre a ficção policial [Essay on Detective Literature & The Detective Story: two essays by Fernando Pessoa on detective fiction] Gianluca Miraglia [CRÍTICAS / REVIEWS] Los 35 Sonetos de Fernando Pessoa traducidos por Jorge Wiesse ........................ 508 [The 35 Sonnets of Fernando Pessoa translated by Jorge Wiesse] Madeleine Jordà Billinghurst La particular Lisbon Story de Fernando Pessoa ...................................................... 515 [The particular Lisbon Story by Fernando Pessoa] Jordi Cerdà Subirachs A Ficção Policial de Fernando Pessoa: ..................................................................... 521 no labirinto à espera de Ariadne [The Detective Fiction of Fernando Pessoa: in the labyrinth waiting for Ariadne] Gianluca Miraglia Pessoa Revisitado entre os Artistas Visuais ............................................................ 527 [Pessoa Revisited among Visual Artists] Sílvia Laureano Costa Fernando Pessoa e Algumas Conversações com Goethe ....................................... 530 [Fernando Pessoa and Some Conversations with Goethe] Rodrigo Xavier Nota Editorial A caminhar ontem pela Feira do Livro de Lisboa, voltei a ouvir uma expressão portuguesa que sempre me marcou: «Não existe[s]». Isto, dito de uma pessoa que existe, mas que «não existe» pelo simples facto de nos surpreender muitíssimo. Esta expressão por vezes vem acompanhada, na minha memória, de outra que pode ser meiga ou feroz: «Se não existisse[s], tinha[s] de ser inventado». Hoje, a Pessoa Plural celebra o nascimento, há 130 anos, de Fernando Pessoa – no dia 13 de Junho de 1888 – apresentando 13 contributos, alongando assim as 5000 e tantas páginas que já dedicou a Fernando Pessoa, e que gostaria que fossem 13000 ou 130000 ou mais... É ocasião para dizer «Pessoa não existe»! Mas porque existe de mais, porque já há pessoas que pessoam (falta o verbo), isto é, pessoas que vão a Portugal por causa de Pessoa, fazem percursos pessoanos, são apresentadas como pessoanos e falam do «seu» Pessoa. Aquilo que Pessoa fez – a obra espantosa que está na origem de «tanto Pessoa» – surpreende-nos a toda hora, sendo tão singular quanto essas pessoas únicas que, se não existissem, tinham de ser inventadas. Este número, o 13 da Pessoa Plural, abre com o triplo poema dos «santos lisboetas de Junho» (como lhes chama Pessoa, riscando a primeira redação de «santos populares»), apresentado por José Barreto, que explica: «A escolha por Pessoa do título genérico Praça da Figueira [para esse triplo poema] relaciona-se principalmente com o facto, hoje talvez já esquecido, de essa praça do centro de Lisboa, com o seu grande e buliçoso mercado, ter sido durante longos anos o ponto nevrálgico das festas juninas lisboetas, as festas dos “santos populares”». Barreto defende, além disso, que, no poema, Pessoa «contesta a mobilização e apropriação dos “santos populares lisboetas” pelo Estado Novo e pela Igreja católica». Como se sabe, Pessoa rima com Lisboa; celebram-se os seus anos, pois, com os da cidade, e o seu segundo nome, António, deve-se à circunstância de ter nascido a 13 de Junho, dia de Santo António, «o qual, antes de tomar o nome religioso, era Fernando de baptismo». Estas coincidências fazem ganhar força o número 13, que também se destaca na capa, com arte gráfica de Kaitlin Beall, inspirado no esboço de capa da revista Orpheu 3 (vide FIGURA 1). Sem pretender resumir o conteúdo deste número, registe-se apenas que este «13» da Plural prolonga em parte o número 12, publicado em Dezembro e dedicado ao arquivo do arquiteto Fernando Távora – mas agora convocando também o espólio de Alberto Serpa, outro grande colecionador do norte de Portugal. Neste número merecem menção a apresentação dos escritos sobre literatura policial de Pessoa e um ensaio sobre Pessoa e Walter Benjamin. As recensões são cinco e dão conta de livros e exposições recentes. Resta agradecer a quem tem gerido os DOIs desta revista; a quem tem doado materiais à Brown Pizarro Nota Editorial / Editor's Note Pessoa Plural: 13 (P./Spring 2018) 2 University; a quem tem autorizado o acesso a coleções privadas; e a quem tem contribuído para este número e os anteriores. Muito obrigado a Carlos Pittella, Christopher e Jeanne Jennings, Fernando Távora e a todos os colaboradores. A Plural não existe e existe. Jerónimo Pizarro (em nome dos editores de Pessoa Plural) Lisboa, Providence, Warwick e Bogotá, Junho de 2018 Pizarro Pessoa Plural: 13 (P./Spring 2018) 3 Editor’s Note While walking through the Lisbon Book Fair yesterday, once more I heard a Portuguese expression that has always made an impression on me: “Não existe[s]” (You don’t exist). This, said by a person who exists, but who “does not exist” simply because of giving someone a surprise. The expression is sometimes followed, in my memory, by another one that may be either tender or ferocious: “Se não existisse[s], tinha[s] de ser inventado” (If you did not exist, you had to be invented). Today, Pessoa Plural celebrates the birth, 130 years ago, of Fernando Pessoa—on June 13th, 1888—by presenting 13 pieces and thus extending the 5000+ pages we already dedicated to Fernando Pessoa, which we would like to become 13000 or 130000 or more... It is the occasion to say “Pessoa does not exist!” But only because he exists too much, because there are already people who pessoate (we are missing that verb), i.e., people who go to Portugal because of Pessoa, who do Pessoan promenades, who are introduced as Pessoanos and who talk of “his” or “her” own Pessoa. That which Pessoa has made—the stunning work that lies in the origin of “so much Pessoa”—surprises us at all times, being as singular as these unique persons who, if did not exist, had to be invented. This issue, the 13th of Pessoa Plural, opens with the triple poem of the “santos lisboetas de Junho” (the “June Lisboner saints”) as Pessoa calls them, after crossing out the first version “santos populares” (“popular saints”), presented by José Barreto, who explains (and here we translate his words): Pessoa’s choice of the generic title Praça da Figueira for this triple poem is mainly related to the fact, perhaps forgotten nowadays, that this plaza in the center of Lisbon, with its boisterous market, was for a long time the neuralgic point of the Lisbon June festivities, the festivities of the “popular saints.” Barreto also defends that, in the poem, Pessoa contests the mobilization and appropriation of the “Lisboner popular saints” by the Estado Novo and the Catholic Church. As it is known, Pessoa rhymes with Lisboa; we celebrate his and Lisbon’s birthdays together, and the poet’s second name, “Antonio,” is due to the circumstance of his being born on June 13th, the day of Saint Anthony, who, before taking the religious name, had been baptized “Fernando”). These coincidences add to the number 13, which is highlighted on the cover, with graphic design by Kaitlin Beall and inspiration from the cover sketch for the journal Orpheu 3 (see FIGURE 1). Without attempting to summarize the contents of this issue, we should note that this “13” in part extends issue 12 (published in December 2017 and dedicated to architect Fernando Távora), but now summons the estate of Alberto Serpa, another great collector from the North of Portugal. Among many other pieces, this issue also presents a dossier of Pessoa’s writings on detective literature and an essay on Pessoa and Walter Benjamin. We include five reviews as well, covering recent books and exhibits. We need to thank those who have managed the DOIs for Pizarro Pessoa Plural: 13 (P./Spring 2018) 4 this journal; who have donated materials to Brown University; who have authorized access to private collections; and who have contributed to this and past issues. Thank you very much, Carlos Pittella, Christopher and Jeanne Jennings, Fernando Távora and all the collaborators. Plural does not exist and exists. Jerónimo Pizarro (on behalf of the editors of Pessoa Plural) Lisbon, Providence, Warwick and Bogotá, June 2018 Fig. 1. Esboço de capa para Orpheu 3 / Cover sketch for Orpheu 3. Nota Editorial / Editor's Note