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U n i v e r s i d a d d e M á l a g a – F a c u l t a d d e C i e n c i a s d e l a E d u c a c i ó n
D e p a r t a m e n t o d e D i d á c t i c a d e l a s L e n g u a s , l a s A r t e s y e l D e p o r t e
T ESIS D OCTO RAL
Reações e re percuss ões na dinâ mica fa miliar
– Casos de Surdocegueira Congénita na fase pré -linguística –
Las reacciones y sus efectos s obre la dinámica familiar
- Casos de sordoceguera co ngénita en la etapa p relingüística –
Programa de Doctorad o: "Educación Infantil y Familiar - investigación e interve nción psicopedag ógica". Bienio 2005 / 07
Carmen Patrícia S obral Padilh a Pinheiro d e Melo
Dirigida por la Profess ora Doutora Dolo res Madrid Viv ar
2015
AUTOR: Carm en Patríc ia Sobra l Pad ilha Pi nheiro d e Melo
http ://o rc id.o rg / 0000- 0002- 2916-109X
EDITA: Pub licacion es y Div ulg ación Cien tífica. U niv ersidad d e Málag a
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Málag a (RI UMA): riuma.um a.es
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Tese de Doutoramento
Carmen Pinhe iro de Mel o | Universidade de Málaga
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Dra. Dolores Madrid Vivar pro fesora del Departamento de Didáctica y Organización Escolar
de la Facultad de Ciencia s de la Educación de la Universidad de Málaga
HACE CONSTAR:
Que Dª Carmen Patrícia Sobral P adilha P inheiro de Melo, con DNI 11272 997, ha realizado el
trabajo titulado “ Las reacciones y sus efectos sobre la dinámica f amiliar. Casos d e
sordoceguera congénita en la etapa prelin güística ” el cual reúne los requisitos científicos
necesarios para ser presentado como Te sis Doctoral.
En Málaga a 28 de Octubre de 2015
Fdo. Dolores Madrid Vivar
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Índice
__________
Para lá do silê ncio… para lá da luz…
… há um mundo infinito a descobrir!
Feche os olhos, tape os ouvidos e imagine a sua vida assim para sempre...
Bem-v indo ao mundo da surdocegueira!
______________________________
in http://w ww .bengalalegal.co m/silencioeluz (2002)
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Índice Ger al
Índice ................................................................................................................................ 3
Í ndice Geral ................................................................................................................................... 4
Í ndice de Quadros .......................................................................................................................... 7
Í ndice de Gráficos .......................................................................................................................... 9
Í ndice de Figuras ......................................................................................................................... 10
Dedicatórias .............................................................................................................................. 11
Agradecime ntos ....................................................................................................................... 13
Resum os .................................................................................................................................... 16
Resum o ........................................................................................................................................ 17
Resum en ...................................................................................................................................... 21
Abstract ....................................................................................................................................... 24
Síntesis ......................................................................................................................................... 28
Introdução ................................................................................................................................ 41
1. Contextu alização do E studo .................................................................................................... 42
2. Motivação para a realiza ção do Estud o ................................................................................... 45
3. Questões e Objetiv os do Estudo .............................................................................................. 46
4. Organiz ação do trabalho da Tese ................................................................ ............................. 48
Capítulo I – Marco Teórico .................................................................................................. 50
1. Contextu alização do C apítulo I ............................................................................................... 51
2. Psicologia do Desenv olvimento .............................................................................................. 51
2.1. Princípio s básicos d e um a c riança .................................................................................... 52
2.2. Relação m ãe /filho ............................................................................................................. 52
3. Psicologia E ducacional ............................................................................................................ 54
3.1. Psicólog o como mediador entre fam íl ia e técni cos .......................................................... 55
4. A Deficiênci a ........................................................................................................................... 56
4.1. Perspetiv a histórica .......................................................................................................... 56
4.2. Paradigm as ....................................................................................................................... 59
5. A Fam í lia ................................................................................................................................ . 62
5.1. Conceito ................................ ........................................................................................... 62
5.2. Estrutur a e Desenv olvim ento ................................................................ ........................... 63
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5.3. Modelos Si stém icos ......................................................................................................... 65
5.4. Im pact o da Deficiên cia na Dinâmica F amiliar ................................................................ 70
5.5. Evolução dos modelo s de inves tigação ............................................................................ 75
6. A Adaptação na Dinâmica Fam iliar ........................................................................................ 88
6.1. Sustentab ilidade da rotina fam ili ar .................................................................................. 89
6.2. Organiz ação da rot ina diária ............................................................................................ 91
7. Modelo int egral de I nt erv enção Precoce ................................................................................. 92
8. A Surdoceg ueira ...................................................................................................................... 93
8.1. Etiologia ........................................................................................................................... 94
8.2. Prevalênc ia ....................................................................................................................... 95
8.3. Caracter ísticas ................................................................ .................................................. 96
8.4. Necessidade s elementares da Pes soa Surdo cega ............................................................. 99
8.5. Com unicação ................................ ................................................................................. 103
8.6. I ndicações para com uni car com a pessoa surdo cega ..................................................... 114
8.7. Orientação e Mobilida de ................................................................................................ 115
8.8. I ntervenção Precoce ....................................................................................................... 116
Capítulo II – Marco Metodológico ................................................................................... 120
1. Contextu alização do C apítulo II ............................................................................................ 121
2. Problem ática e questões de inves tigação – defin ição ............................................................ 121
3. Metodolog ia – descrição e j ustif icação ................................................................................ 122
4. Participant es na investig aç ão – definição .............................................................................. 124
4.1. Processo de es colha do s pa rticip antes – descrição ........................................................ 125
4.2. Escolha dos p articipantes – indicado res ....................................................................... 126
4.3. Fam ílias participante s – caracter ização......................................................................... 128
4.4. Contacto das crianças com os pr ogenitores – pe riodicidade .......................................... 131
4.5. Fam iliares interv enientes nas en t revistas ....................................................................... 132
5. Metodolog ia utilizada na recolha de dados – descr ição ....................................................... 132
6. Metodolog ia utilizada na anális e de dados -descriç ão .......................................................... 141
7. Codificação de categ orias, subcateg or ias e posi cionam ento de unidades de regis to ............ 145
8. Fiabilidade e v alidação interna .............................................................................................. 148
Capítulo III – Apresentação de Resultados .................................................................... 156
1. Contextu alização do C apítulo II I .......................................................................................... 157
2. Apresentação das entrev istas ................................................................................................ . 158
3. Apresentação das Obse rvações N aturalista s ......................................................................... 270
4. Apresentação do Diár io de Cam po ........................................................................................ 297
5. Apresentação docum ental ..................................................................................................... 313
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Capítulo IV – Análise de Resultados ................................................................................ 319
1. Contextu alização do C apítulo I V .......................................................................................... 320
2. Análise I ndividual dos resultados obtidos po r Fam ília.......................................................... 320
3. Análise tr ansversal dos resultados obtidos po r Categ oria ................................ ..................... 356
4. Análise glob al dos resultados obtidos por Dom íni os ............................................................ 389
5. Análise às e ntrevistas, o bserv ações e diá rio de cam p o – Síntese .......................................... 398
6 . Análise – Sín tese .................................................................................................................. 401
Capítulo V – Triangulação de Re sultados ....................................................................... 405
1. Contextu alização do C apítulo V ................................................................ ............................ 405
2. Triangulaç ão e discuss ão de resultad os ................................................................................. 406
Capítulo VI – Conclusões e Recome ndações .................................................................. 411
1. Contextualizaçã o do Capí tulo VI ......................................................................................... 412
2. Considerações finais ................................ ............................................................................. 412
3. Limitações do estudo ................................................................ ............................................ 422
4. Recom endações para futu ras intervenç ões educa tivas e poss íveis inv estigações ................ 423
Bibliografia ............................................................................................................................. 426
Referências documentais ................................ ........................................................................... 427
Referências electrónica s (Web) ................................................................................................ . 446
Anexos ( in CD -rom) .............................................................................................................. 451
1. Carta de apre sentação do estudo aos pa is ............................................................................. 452
2. Carta de apre sentação do estudo ao co légio ......................................................................... 454
3. Fichas de car acterização - fa m íli as ....................................................................................... 456
4. Questionário O rientativ o da Entrev i sta ................................................................................ 458
5. Matriz - Observações Na turalistas....................................................................................... 460
6. Matriz - Diário de Cam po ................................................................................................... 461
7. Entrevistas - T ranscrição e codificaç ão .............................................................................. 462
8. Entrevistas - Unidades de Reg isto e Frequências ............................................................... 540
9. CD - rom ............................................................................................................................... 742
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Índice de Qu adros
Quadro 1 - Critérios cons iderados na problem áti ca ............................................................................ 124
Quadro 2 - Critérios cons iderados na escolha inic ial das fam ílias particip antes................................. 125
Quadro 3 - Indicadores con si derados pa ra a escolha do s participantes ............................................... 127
Quadro 4 - Características das criança s/jovens com Surdocegueira Co ngénita po r fam ília ............... 128
Quadro 5 - Elementos do ag regado familiar de cada criança .............................................................. 128
Quadro 6 - Características dem ográficas das respet ivas fam ílias ....................................................... 129
Quadro 7 - Caracterização dos irm ãos ................................................................................................ 131
Quadro 8 - Periodicidade d o contacto da s crianças co m as suas famílias ........................................... 131
Quadro 9 - Participantes pr esentes no es tudo ...................................................................................... 132
Quadro 10 - Guião de Entrev ista ......................................................................................................... 137
Quadro 11 - Locais onde se realizaram as entrevistas ......................................................................... 138
Quadro 12 - Locais onde se realizaram as observações direta s........................................................... 140
Quadro 13 - Relação entre instrum ent os, tipolog ia de dados e m et odolog ia ...................................... 142
Quadro 14 - Recolha e análise d e dados - entrevis tas (etapas)............................................................ 142
Quadro 15 - Recolha e análise d e dados - observ ações diretas e d iário de c ampo (etapas) ................ 142
Quadro 16 - Categorização e cod ificação dos dom íni os observados .................................................. 145
Quadro 17 - Leit ura de códi go de unidade de registo (e xemplo) ........................................................ 146
Quadro 18 - O r ganiz ação dos dom ínios em Categorias, Sub - categorias e Codificação da s sub -
categorias............................................................................................................................................. 154
Quadro 19 - Frequência dos reg istos na categ oria Deteç ão obtido nas entrevistas ............................. 357
Quadro 20 - Número de famílias que responderam a cada indicador na categ oria Deteção e análise
percentual sob o total de f am í lias nas entrev istas ................................................................ ................ 358
Quadro 21 - Frequência dos reg istos na categ oria Confirm ação obtido nas entrev istas ..................... 359
Quadro 2 2 - Núm ero de famílias que responderam a cada indicador na categ oria Confirm ação e
análise pe rcentual sob o t otal de fam ílias nas ent revistas ................................................................... 360
Quadro 23 - Frequência dos registos na categoria Prog enitores obtido nas entrevist as ...................... 362
Quadro 24 - Número de fam ílias que responderam a cada indicador na categoria Progenitore s e análise
percentual sob o total de f am í lia s nas entr evistas ................................................................................ 364
Quadro 25 - Frequência dos reg istos na categ oria I r m ãos obtido nas ent revistas ............................... 365
Quadro 26 - Nú m ero de famílias que resp onderam a cada indicado r na categ oria I rmãos e análise
percentual sob o total de f am í lias nas entrev istas ................................................................ ................ 366
Quadro 27 - Frequência dos reg istos na categ oria Famíl ia Alargada ob t ido nas en trevistas .............. 367
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Quadro 28 - Núm ero de fam íli as que responderam a cada ind icador na categoria Família Ala rgada e
análise pe rcentual sob o t otal de fam ílias nas ent revistas .................................................................... 368
Quadro 29 - Frequência dos registos na categori a População C i rcundan te obtido nas entrev istas ..... 369
Quadro 30 - Número de famílias que responderam a cada i ndicador na cat egoria População
Circundante e análise pe rcentua l sob o total de famílias nas en trevistas ............................................. 370
Quadro 31 - Frequência dos registos na categori a Subsistem a Conjugal o b tido nas entrevistas ........ 371
Quadro 32 - Número de fam ílias que responderam a cada indicado r na categoria Subsistema Conjugal
e análise perc entual sob o total de famílias na s entrev istas ................................................................. 372
Quadro 33 - Frequência dos registos na categori a subsis tema Quotidiano obtido nas entrevistas ...... 374
Quadro 34 - Núm ero de f amílias que responderam a cada indicador na categ oria Susbistem a do
quotidiano e análise perce ntual sob o total de famílias nas en trevistas ............................................... 375
Quadro 35 - Frequência dos registos na categori a Subsistem a Resi denc ial obtido nas entr evistas..... 377
Quadro 36 - Nú mero de famílias qu e respondera m a cada indicador na categoria Sub sistema
residencial e análise perc entual sob o total de famílias nas en trevist as ............................................... 378
Quadro 37 - Frequência dos registos na categori a Subsistem a Laboral obt ido nas entrevis tas ........... 379
Quadro 38 - Número de fam íli as que respo nderam a cada indic ador na categoria Subsistema laboral e
análise pe rcentual sob o t otal de fam ílias nas ent revistas .................................................................... 380
Quadro 39 - Frequência dos registos na categori a Apoio Em oc ional obtido nas en trevistas .............. 381
Quadro 40 - Número de fa mílias que responderam a ca da indicador na categoria Apoio Em oci onal e
análise pe rcentual sob o t otal de fam ílias nas ent revistas .................................................................... 382
Quadro 41 - Frequência dos registos na categori a Apoio I nst rumental obtido na s entrevistas ........... 383
Quadro 42 - Número de fam ílias que re sponderam a cada indi cador na categ oria Apoio instrum ental e
análise pe rcentual sob o t otal de fam ílias nas ent revistas .................................................................... 383
Quadro 43 - Frequência dos registos na categori a Apoio I nst itucional obtido nas e ntrevistas ........... 384
Quadro 44 - Número de famílias que responde r am a cada i ndic ador na cat egoria Apoio institu cional e
análise pe rcentual sob o t otal de fam ílias nas ent revistas .................................................................... 385
Quadro 45 - Estádi os obser váv eis das adaptações f ace ao dinam i sm o familiar .................................. 402
Quadro 46 - Organização de intitulaçõe s fam iliares com repercussão positiva e neg ativa ................. 403
Quadro 47 - Organização de temas eco culturais f amiliares ................................ ................................ 404
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Helen Kelle r (1880 – 1967)
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uma Pessoa Surdocega…
Helen Kell er e Anne S ullivan in https://en .wik ipedia .o rg/wiki/Hel en_Keller
As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem escutadas …
só o coração as poderá sentir.
___________
HelenKeller (s /d)
Pesso a com Surdoceg ueira Ad quirida em fase pós lingu ística
Helen Keller nasceu em 188 0 e, antes de completar dois anos de idade, ficou cega e surd a simultaneament e –
surdoceg a adqu irida . De repen te o seu mundo ficou co ndenado ao escuro e ao silên cio… e ao s 6 anos de idad e
Helen era uma cr iança violent a e muito re voltada. Os seus p ais decidira m então ped ir ajuda e o caso foi entre gue
a Anne Sulliva n, professora de cego s, portad ora de baixa visão e d e apenas 20 anos.
Nascia aqui uma história d e 49 anos entre as duas. Na p rim eira visita, logo q ue se conheceram, Anne reparou
que a m enina tinha u ma boneca. Segurou então a peq uena m ão de Helen e escreve u com o dedo na p a l m a a
palavra “b -o-n -e-c- a”. Sem saber que cada objeto tinha um n o me, Helen não entend ia nada e rejeitava as
insistências de Anne. Foi e ntão que a p rofessora teve a id eia d e colo car a m ão de Helen so b a água e escr ever
sobre a sua pal ma “a -g-u - a”. Fo i co mo se o mundo se tivesse iluminado … Helen q ue agora reconhecia uma
lógica q ueria ap render todas as palavras do mundo. Anos per didos eram recuperad os co m a maior velocidade
possível e a co municação entr e as duas crescia a cada d ia. Apr endeu inglês, francê s e ale mão.
Anne e nsinou Helen a “ouvir”, co locando os seus dedos sobre s ua garganta, lábios e nariz ( Tad oma ) e
associando as vibrações e pontos de articulação às p alavras. O s e ntido do tato desenv ol veu-se a um níve l
sofisticadíssi mo, capaz de d iferenciar as mai s sub tis diferenças. Ficou proficie nte em br aille e em Lingua Gestua l
na palma da m ão.
É ainda hoj e a pessoa co m surdocegueira mais conhecid a no mundo!
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Resumos
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Ser surdocego…
é ter o mundo na palma da mão.
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Saci
Revista Pu blicada a 25/m arço/2004
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Resumo
A surdoce gueira descreve uma condição que co mbina acentuadas li mitações nos domínios
sensoriais em graus dist intos (Deafblind International, 2006, e Sense, 2006). Cerca de 95% da
informaçã o recebida pelo ser humano é por via do s sentidos da visão e da a udição - órgãos de
distância (Nunes, 2008). Assim, quando ocorre em sim ultâneo, a dupla li mitação sensorial
[visual e auditiva - surdocegue ira] multiplica e intensifica o im pacto de cada uma destas
limitações isoladas, criando dificuldades únicas à pessoa surdoce ga e de safios espec íficos às
famílias e aos pro fissionais que com eles trabalham. A privação destas duas capacidades
provoca a lterações drásticas no acesso da pessoa à inform ação e no seu desenvolvimento.
Para quem é surdocego o mundo é inicialmente muito restrito. Se a pessoa for surdocega
profunda e congénita, a s ua experiência acerca do mundo « estende -se apenas até onde os s eus
dedos conseguirem chegar » (Smithdas, 1958). Es tas pessoas encontram-se efetivamente
sozinhas se nin guém lhe s tocar. A dependência do surdoce go aos outros é total, quer para
aceder a objetos e às pessoas, quer para obter aju da quanto à or ganização e à compreensão d a
informaçã o acerca do meio que o rod eia, apenas com o objetivo de se relacionar com o
mundo, evitando assim o isol amento. O sentido do tato desempenha um papel crucial na
comunicação e de senvolvimento com estes indivíduos.
Em termos de senso comum, ao falar de alguém c om surdocegueira, reco rd amos Helen Keller
e sua p rofessora Ann e Sullivan , como história d e sucesso ao desafio de viver s em vis ão e
audição.
Torna-se essen cial pe rceber qu ais são a s formas de c omunicação que ca da pessoa de sta
população usa para receber e expressar informação. Dada a especificidade das pessoas
surdocega s, é essenci al orga nizar as atividades em que participam de form a a cria r
oportunidades para poderem compreender melhor o mundo onde se enc ontram, que lhe
permitam interagir e sentir-se plenamente inte gra das na sociedade.
A presente investiga ção representa uma tentati va de estudar aprofundadamente quais as
reaç ões e repercussões que se refletem da dinâmica das famílias que têm a seu cargo uma
criança com surdocegueira congénita ou se ja dupla deficiência sensorial associada,
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ocasionada em idade pré linguística. Tentativa dificultada pelo facto de não ex istirem mui tos
estudos anteriores sobr e as questões levantadas. Assumi mos que esta emancipação
investigativa é repercutida na fundamentação e na constatação consolidada com os resultados
obtidos na investig ação. Para tal, foram contactadas treze famílias das quais nove
participaram efe tivam ente no estudo.
Enfatiza-se também qu e, para o desenvolvimento da r eferida investigação d e caráter
qualitativo e exploratório, com aborda ge m multimetodológica, utili zaram-se como técnicas d e
recolha d e dados a obser vação dir eta, a análi se documental, os reg istos e m diário de campo e
a entrevista se mi- estruturada.
No presente trabalho procurou-se prever probl emas frequentes decorren tes destes tipos de
investigação e antever a melhor forma de os controlar. A investi gação realizada foi sus tentada
igualmente pela utilização de instrumentos e metodologias va lidad as por analistas externos.
O objetivo geral do estudo visou Analisar reações, repercussões e n ecessidades sentidas no
núcleo familiar sendo que os objetivos específic os aspiraram a:
1. Adquirir informaç ões esp ecífica s sob re a deteção e confirmação da problemática;
2. Recolher informações específicas sobre as reações dos pro ge nitores, d os irmãos,
demais membros da família e da população circundante;
3. Sintetizar informaçõe s específicas sobre as repe rcussões no â mbito dos papéis
maritais, na rotina diár ia, ao nível residencial e ao nível laboral;
4. Obter informações específica s sobre a necessidade de apoio emocional e/ou
psicológico e a dificuldade que a aquisição de comuni caçã o alternativa im plica;
5. Identifica r informações espe cíficas sobre as gar antias e receios que as f amílias têm
sobre os projetos ex istentes para assegurar o futuro da população com su rdocegueira
congénita.
Com o pressuposto de atingir os devidos objetivos, foi desencadeada uma profunda
investigação de caráter e natureza qu alitativa baseada em análises segmentadas, a saber
Análise Individual por Família ; Análise Transv ersal por Categorias ; Análise Global por
Domínios.
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O estudo permitiu cons tatar que os parâmetros analisados repercutiram diretamente nos
indicadores dos ensaios e que as famílias manif estaram sinais d e reorganização originando os
seguinte s tipos de adapta ções:
- Estratégias vige ntes em cada família basea das no s seus hábitos e dinâmicas anteriores;
- Estratégias impost as pelo quotidiano emergente que re fletem as no vas ações e
dinamismo adaptativo.
Das repercussões e d as necessidades observadas conseguiu -se antever u m percurso ond e as
adaptaç ões familiares foram o refle xo de perío dos ou estádios onde se disting uem fa ses
diferenciadas ao lon go da sua vivência Adaptaçã o da dinâmica de forma positi va, efetiva e
consciente; Dificuldade de adaptação da dinâmica resultante de dúvida e inc erteza;
Abandono e desistência de qualquer tipo de tentativa de adaptação na dinâmica familiar.
Esta investigação também c ontribuiu para se confirmar que a s ad aptações familiares são
orientadas por linhas condutoras que norteiam os seus esforços e tipos de adaptação num
determinado sentido e que são transversais à dinâmica familiar. C onclui-se como sendo uma
constante a todas as famí lias, o rec urso a estratég ias vi gentes baseadas nos seus hábitos e
dinâmicas anteriores que pautam as r egras de equilíbrio familiar. Por outro lado, emergem
situações em que os nov os condicionalismos decorr entes da atual condição, impõem recurso a
estratégias que r efletem novas ações e dinamismo adaptativo. Sendo que quando questionadas
sobre a denominação que poderia caracterizar o seu percurso, as famíli as revelam a sua visão
positiva ou nega tiva do mesmo através das ex pressões adotadas. Assim surgiram diferentes
temas familiares, uns com Repercussão posi tiva outros com Repercussão negativa transmiti da
igualmente atra vés da carga emocional manifestada.
Dos 743 registos categorizados obteve-se uma visão geral do estudo e o domínio com maior
significâ ncia foi o das re ações, seguindo-se mui to de perto o domínio da s repercussões com
menos um ponto percentual. Salienta -se qu e est es dois domínios integram, cada um deles,
uma das categorias mais significativas. Os re gistos destes dois domínios repre sentam dois
terços dos registos do estudo, sendo que o r estante terço está repartido pelo domínio da
deteçã o que inte gra a terc eira categoria mais si gnificativa, e pe lo domínio das necessidades.
A categoria onde foram referidos mais ti pos de adaptaç ões familiares foi o "Subsistema do
Quotidiano", o que leva a concluir que é nesta categoria que se concent ra grande parte do
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investimento das famílias quer em tempo, quer em atenç ão e em recursos nomeadamente nas
subcategoria s “Rotina f amiliar”, “Dimensão do trabalho doméstico”, “Acessibilidade aos
serviços” e “Código com unicativo”.
Deste estudo importa referir que as famílias baseiam -se numa va riedade de modelos culturais
para e ncontrar sentido em diferentes situaç ões e ag ir ou reagir, estabelecendo objetivos,
manipulando o ambiente, avaliando e antecipando o comportamento de outrem
nomeadamente do seu d escende nte surdoce go, p or forma a ca tapultar a sua aprendiz agem,
capacidade de comunicação e socialização de for ma veemente. Em todos os casos de estudo,
independenteme nt e do s tatus ou condição sócio económica, foi notória a capacidade de
reflexão das famílias qua ndo revelaram a percepção que têm sobre as adaptações que optaram
por fazer ao longo da sua vivência. Muit as delas r econhecem que as mesmas ficaram aqu ém
das espec t ativas e por vezes foram insuficientes ou consideradas desa dequ adas das idealizadas
mas que por outro lado, as mesmas famílias reportam ex periências onde a sua ini ciativa e
tomada de decisão em alterar e/ou f azer ad aptações na dinâmica familiar, conduziu a um
processo d e regozijo e inteira satisfação no seio familiar p ela concretização d e aquisições
preponderantes principalmente por parte da pesso a surdocega. Esta constataçã o é consistente
com o apontado por Bloom (1981, p.82, cit. in Gallimore et al. , 1993) quando diz que “é o
que os pais fazem , e não o seu status que influi no modo como os seus filhos se
desenvolvem.”
Palavras-chave : Surdocegueira congénita; pré -linguística; f amília; reaç ões; repe rcussões;
necessidades; dinâmica familiar; e ducação; comunicação.
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Resumen
La presente investigació n examina en detalle cuáles son las reacciones y r epercusiones que
reflejan las dinámicas de las familias qu e tienen un hijo o hija con sordoceguera congénita o
discapacidad sensorial dual asociada (visual y auditiva), causa da en edad pre lingüística.
El tema presenta la dificultad de no contar con numerosos estudios previos que ha y a n podido
permitir partir d e unos a ntecede nt es sólidos y reali zar un recor rido pa ra ll egar al estado actual
de la cuestión. Pero esta dificultad también nos hace entender nuestro trabajo como un paso
importante en este tema que arroje resultados significativos y útiles. Con este fin, nos
pusimos en contacto con tre ce familias p ortu guesas de las cua les nueve a ceptaron particip ar
activamente e n nuestra investigación.
El paradigma de investigación ha sido interpretativo, por tanto el enfoque es cualitativo, y a
que hemos optado por producir datos descriptivos, es decir las propias palabras de las
personas, y a sean hablad as o escritas, lo importante no es el tipo de datos, sino la naturaleza y
sentido de esos d atos, tratando de comprender los fenómenos soci ales, desde la p erspectiva d e
sus actore s, y con sus propia s palabras. por lo que se ha llevado a cabo una ca tegorización,
sobre la base d e los indicadores generados a partir de análisis detallado de la información
reca ba a través de entrevistas semiestructuradas, la observación directa y el diario de campo.
Principalmente la fuente que más información nos ha proporcionado ha sid o la entrevista a l as
familias, en la cu al siempre hemos r espetado opi niones y testimonios pers onales. Se grabaron
en formato víde o y post eriormente se pasaron en su totalidad a formato digital con el fin de
permitir su aná lisis a través de un proceso de tri ang ul ación con las aportaciones de los otras
técnicas e mpleadas.
El objetivo general del e studio ha sido conocer las reacciones, consecuencias y necesidades
sentidas en el núcleo fa miliar con un miembro con sordoceguera congénit a. A partir de este
objetivo, hemos concre t ado los siguientes objetivos específic os:
1. Conocer las reacciones d e los padres, los hermanos y otros mi embros de la familia y el
entorno cerca no;
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2. ¿Qué el impacto produce la incorporación de un miembro con sordoceguera en el
contexto de las funciones con y ugales, en la rutina diaria, el nivel residencial y el nivel
de empleo?
3. ¿Cuáles son las necesidades de apoyo emocional y/o psicológico y la dificultad que l a
adquisición de comunicación alterna tiva implica?
4. Identifica r las garantías y los temores de qu e las familias tienen sobre l a su puesta falta
de instituciones para gar antizar el futuro de la población de adultos con sordoceguera
congénita.
Para dar respuesta a esto s objetivos, hemos realiz ado tres tipos de aná lisis de la información:
Análisis Individua l de la familia, análisis transversales por c ategorías y análisis global por
área s.
Los resultados obtenidos , a través de estos análisis, reflejan como las dinámicas familiares
sufren una reorganización importante e n:
- las estrateg ias ex istentes en función de sus há bit os y dinámica s anteriores ;
- las estrategias de la vida diar ia que refleja nuevas acciones y adaptación
dinámica,
- períodos o etapas de cambios, de dudas e ince rtidu mbre,
- el abandono y la su presión de cua lquier tipo de intento de ada pt ación en la
dinámica familiar.
Esta investigación también confirma la influ encia de los valores culturales y las expectativas
de los padres en la impo rtancia que atribu y en a este t ema y sus opciones. Ha y una constante
en todas las familias en caracterizar su ex perienc i a con un a visión positiva o negativa. De esta
visión surgen diferentes temas, bien señalando los efectos positivos o por el contrario, la
repercusión nega tiva tran smit ida también en una fuerte carga emocional.
De los 743 reg ist ros c ategorizados, una visión general del estudio aporta la importancia de la
Reacción familiar ante el nacimiento de un hijo o hija con esta discapacidad, seguida mu y d e
cerca po r el Impacto en l a dinámica de la familia. L a ter cera categoría más importante son las
nuevas necesidade s que s e generan ante esta situación.
Es la categoría Vida Cotidiana , la que centra la ma y or implicación de l as f amilias en tiempo y
en atención y búsqu eda de recursos. Estos recursos se centran en ay uda en el trabajo
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doméstico, crear las condiciones de accesibilidad de la casa y el entorno y la necesidad de un
código comunicativo.
Como conclusiones ge nerales del estudio se observó que las familias se basan en una vari edad
de modelos culturales c on el propósito de busc ar el significado de dif erentes situaciones y
actuar o reaccionar, establec er objetivos media nte la manipulación d el entorno, evaluar y
prever el comportamiento de los demás en relación al hijo/a con sordo c eguera con el fin de
impulsar su aprendizaje, habilidades de c omunica ción, socialización e integración.
En todos los casos de esta investigación, independientemente de l a sit uación o condición
socioeconómica , era notable la ca pacidad de reflexión de las familias cuando se pusieron d e
manifiesto las adaptac iones que ido realizando durante toda la vida. Muchos de ellos
reconocen que han est ado a la altura de las expectativas, otros qu e en ocasiones han sido
insuficientes o inadecuadas. También las f amilias se refieren a sus experiencias en relación a
su capacidad de iniciativa y toma de decisiones en el proceso de cambio y/o realización de
ajustes en las dinámicas familiares como un pr oceso de satisfacción po r la realización de
adquisiciones principalm ente para la pe rsona con sordoceguera. Esta afirmación es coherente
con la de Bloom (1981, cit. en Gallimore et al., 1993: 82) cuando dice que es lo que los
padres hacen con sus hij os, y no el estado que influy e en la manera en que sus hijos puedan
crece r.
Palabras Clave : sordoceguera con génita ; pr e- lingüística; familia; r eacciones; impacto;
ajustes; dinámica fa miliar; educación; comunicación.
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Abstract
Deafblindness is a condition which combines severe limitations in s ensor y dom ains at
differe nt levels (Dea fblind International, 2006, and S ense, 2006). Approximately 95% of the
information received by the human being is by wa y of the senses of vision and hearing –
distance components (Nunes, 2008). When it oc curs simultaneousl y , dua l sensor y limitatio n
(visual and hearing – d eafblindness) the impact of each of these individual limitations is
multiplied and intensified, creating unique difficulties to deafblind p eople and sp ecific
challenge s to families a nd professionals who work with them. The deprivation of these two
capabilities c auses drastic changes in access of the p erson the information and in it s
development.
For a de afblind p erson t he world is ver y restri cted. If the p erson is deeply and congenital
deafblind his experience of the world « extends onl y as far as his f ingers can reach »
(Smithdas, 1958) these people are effective l y alone if no one touche s them. The de pendenc y
of the person with de afblindness to others is total, either to access the objects and persons,
either for help regarding the o r ga nization and understanding of the information about the
environment that surrounds them, onl y with the objec tive to relate with the world, thus
avoiding the insulation. The sense of touch play s a c rucial role in communication and
development with these individuals.
In terms of common s ense, to spe ak of someone with deafblindness, remember Helen Keller
and her teacher Anne S ullivan, as success stor y the challenge to live without vision and
hearing.
It is essential to understand which are the forms of comm unication that eac h of these person
uses to receive and express information. Due to the specificity o f deafblind people, it is
essential to organize the activities where the y participate in order to create opportunities to
enable th em to better understand the world the y l ive in, and to interact and feel being p art o f
the society .
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La triangulación de datos ha posibilitado comprobar que las familias llevan a cabo numerosas
adaptac ion es en los m últiples dominios analizados. La s r estricciones creadas con el
nacimiento de un niño o una niña con limi taciones graves en cuanto al desarrollo sensorial y
cog nitivo, con reducidas formas de comunicación y e n oc asiones a gravadas por problem as de
conductas, son evidencias de que las adaptaciones familiares son debidas a las necesidades
alrededor del niño o niña con sordoceguera congénita, siendo este el enfoque central de las
familias.
El estudio indica que algunas familias consiguen concretar adaptaciones con éxito y su rutina
familiar es sostenible y significa tiva. S in emb argo, otras familias han m ostra do importantes
dificultades en sus vidas diarias, considerando s us adaptaciones inade cuadas o insuficientes
frente a lo que conside ran ideal para el desarrollo de su hijo o hija con sordoceguera
congénita.
Destaca mos que el dom inio con mayor relevancia es el de las R eperc usiones, siguiéndolo
muy de cerca, el dominio de las Re acciones y de l as Necesidades. Se pone espec ial énfa sis en
que estos dominios integran las categoría s más si gnificativas.
La ca tegoría en la que h an sido mencionadas más tipos de adap taciones familiares ha sido la
del “Subsistema Cotid iano”, lo que lleva a concluir que es en esta categoría donde se centra
gran parte de la inversión del tiempo y de la atención requerida por las familias así como en
recursos en las subc ateg orías “Rutina familiar” , “Dimensión del trabajo doméstico”,
“Accesibilidad a los servicios” y “Códi go comunicativo”. En estas tarea s, la familia cuenta
básicamente con sus propios recursos, lo que requiere de un correcto desarrollo por parte de
todos los miembros de la familia así como pautar rutinas bastante estructuradas.
La figura materna es el elemento de unión de las responsabilidades en este dominio, a yuda da
en ocasiones por la fi gura paterna o por la abu ela. Quizás este elemento a y ude a explicar el
hecho de que al gunas madres sienten que el peso de las tareas caen en especial sobre ellas. La
vida social de la familia también está sujeta a alteraciones en este proceso, en numerosas
ocasiones debido al impacto ocasionado por factores como el comportamiento del niño o de la
niña, o incluso sus problemas de salud puede n influir.
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La presencia activa de familias extensas, en las que viven los abuelos y abuelas, es parte
fundamental puesto que estos nuevos mi embro s asumen también un papel clave en las
familias, acompañándolos diariamente y contribuyendo para la sostenibilidad de las rutinas.
De acuerdo con B aranowski y S chilmoeller (19 99, cit. in Cate et al., 2007) los abuelos y
abuelas propo rcionan un amplio abanico d e actividades de apoyo a las madres y padres d e los
niños y niñ as con diversidad funcional, sea desde un nivel práctico, como a nivel emocional y
sin menos importancia, a nivel económico. Se concluye igualmente que cuando este miembro
familiar se encuentra di scapac itado o fallece, todo el re sto de la fa mi lia se ve a fectado,
sintiendo la gran fa lta de ese miembro.
Este estudio también ha permitido perc ibir cual es son las alterac iones l levadas a cabo por
estas familias a nivel del subsi stema con y u gal y los papeles asumidos en estas situaciones. S e
ha observado el papel determinante del marido en todas las familias, sin embarg o esta
constatación no siempre es positiva. Alg unas f amilias se refiere n con ex trema satisfacción
esta a y uda, p ero por otr o, el estudio permite concluir que la dificultad de la convivencia y
aceptar un hij o/a con este tipo de problemática por parte del padre, puede resultar negativo
como en el caso de cinco de las familias estudiada s, las que asignan la responsabilidad de
cuatro divorcios y un a separación efectiva a estos hechos. Otra de las f amilias también se
encuentra en crisis actualmente en el matrimonio. Seg uimos reflejando el caso de dos de las
familias estudiadas, en los que los padres se han hecho adictos a las drog as y al alcohol. Al
igual que otr os tres marid os han abandonado sus hogares, ocasionando la ruptura matrimonial.
Hemos podido ser testi gos de que el elemento central de las familias es su hijo o hij a con
doble diversidad funcion al sensorial, pues según argumentos presentados, depende de todos
para su subsistencia. E ste hecho resulta como conclusión general: l a fuerza mot riz que
impulsa la dinámica familiar es la orientación de toda la rutina centraliza da en el niño o la
niña sordociego o que podrá im plicar adaptaciones famili ares y tomas de decisión
matrimoniales que no si em pre son compatibles con la armonía familiar. Según Harris et Col
(1989), las cu estiones relacionadas al bi enestar del niño o la niña con di versidad fun cional
sensorial constan entre los problemas con ma y or intensidad descritos por madres de niños y
niñas con esta problemática.
Se ha constatado especialmente que en muchos casos, las familias muestran inc ertidumbres
con respecto al futuro del niño o niña, remitiendo las necesidades actuales hacia el
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acogimiento permanente de quienes aho ra y quiz ás en el futu ro s ean adultos sordociegos. Este
dato está basado en el hecho de que no ex iste actualmente ningún colegio en el país que
aporte continuidad a la institución ex istente. Se ha concluido que l a falta d e g arantías sociales
y la inex istencia de instituc iones q ue asegure n la continuidad de esta escuela mencionada, son
de las preocupaciones qu e más inquietan a estas familias. De la misma forma, se ha verificado
que algunos pro genitores se preocupan en ajustar la educación de los hermanos y h ermanas
del niño o niñ a en cue stión, motivándolos para un pro y ecto familiar en conjunto y
preparándolos pa ra el p apel que s e les espe ra que asuman en un futuro, como “tutores” de sus
hermanos y /o herma nas. Sin embar go, procuran respetar e l espacio de los hermanos y /o
hermanas p ara que pu edan tener su vida propia, sin la obligación de asumir los cuidados al
niño o niña, joven o adu lto sordoc iego. Al gunas de las familias r elatan que los he rmanos no
siempre colaboran o aceptan al hermano/a con sordoceguera, lo que hace que el recha z o y la
indiferenc i a presentadas sean los factore s que muestran la extrema necesidad de la creación de
la institución especializada mencionada, capa z d e dar continuidad a los cu idados actualmente
prestados. En todas las culturas, los intereses de los proge nitores y de sus hijos o hijas están
muchas veces en c onflicto parcial (Weisner, 1987, cit. in Gallimore, 1996).
En este estudio, fue evid ente la necesidad de que, por lo menos en un momento dado, uno de
los progenitores renunciara a su inm ersión labor al para poder dedi carse al cuidado a tiempo
completo de su hijo o hi ja con sordoceguera. La madre h a representado este elemento en l a
totalidad de las familias. Este dato lleva a la concl usión de que las famili as se ven obligadas a
que uno de ellos, en la mayoría de los casos, suele se r la madr e, quien se prive de genera r
ingre sos para la familia . Este hecho se considera como falta de respeto por pa rte de las
empresas, hacia los derechos de la madre con hijos o hijas discapacidad a su cargo.
Esta investigación tambi én habrá contribuido a la perce pción de que estas fa milias se ven
obligada s a desplazarse con frecuencia para acced er a los servicios de salu d, rehabilitación y a
la institución que e stos n iños y niñas frecue nt an, ra zones por las que ponen de manifi esto la
necesidad de la disponibili dad de uno de los progenitores (madre) permanente para
acompañar a sus hijos o hij as a los respe ctivos servicios. Esta es otra de las constataciones del
estudio que evidencian la im posibilidad de hacer efectivo un régimen laboral regular por p arte
de las progenitora s.
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Debido al hec ho de que la única institución que a coge a esta población espec ífica esté
localizada solamente en la ca pital d el país, a la cual acuden niños y ni ñas sordoc iegas de
distintas z onas del país, hay que tener cue nta l a considerable dist ancia recorrida por las
familias regularmente. Los f actores dist ancia y re gular id ad son determinantes en el
alejamiento forzado e ntre familia y niño, niña o joven sordociego, lo que genera reperc usiones
directas en la relación familiar, vínculos afectivos y dominio del códi go comunicativo entre
ambos.
Pese a que las famili as han ex puesto gran interés sobre la necesidad de obtener orientación
técnica, se ha demostrado poca disponibili dad de participac ión en las iniciati vas propuestas.
Por lo que se llega a la conclusión de que el factor disponibilidad e interés personal son
elementos que imposibilitan y condicionan nuevos aprendizajes por parte de las familias.
En cuanto al Apoyo Soci al, estas familias han reflejado encontr arse con f alta de apoyo tanto a
nivel de subven ciones, como a nivel de servicios. Por lo que se conclu ye que la escasez de
subvenciones destinadas a estos casos complejos imposibilita a la ma yoría de fa milias poder
realizar una ma y or invers ión en el desarrollo de sus hijos o hijas.
Se ha r egistrado qu e algunas de estas familias han ex presado l a necesidad de adaptar sus
viviendas para proporcionar un ambiente m ás s eguro al niño/a sordo ciego. Llegamos a la
conclusión de que las adaptaciones en el “Subsis tema Residencial”, aunqu e no ha yan sido un a
referenc ia frecuente en los instrumentos aplicados, implica una dinámica y reajuste
económico y familiar im portante con una fuerte pre sencia en las viviendas de las respectivas
familias.
Cabe destacar qu e incluso las familias con ma y o r nivel económico y altos niveles educativos
también ha n ac udido a otros países en busc a de a yuda p ara o frecer una educación más
adecuada a sus primogén itos. Según Nihira et cols. (1985), el nivel educativo de la madre y el
estatus socio-económico de la familia, tienen aparentemente efectos positi vos en la actitud de
los prog enitores ante la discapacidad del niño o niña. Llevá ndonos a la c onclusión de que las
familias con ma y ores recursos sean económicos o educativos, han conseguido p roporcionar
mejores condiciones de asistencia y formación. No obst ante, aclaramos y concluimos que
todas las familias, inde pendientemente d e cual sea su condición económica o su nivel
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educativo, han puesto en evidencia y como absoluta prioridad, las necesi dades básicas y de
bienestar de su niño, niña o joven sordociego.
El presente estudio ha contribuido también en la confirmación de que las adaptaciones
familiares son orient adas por líneas conductoras guiadas por sus esfuerzos y tipos d e
adaptac ión en un determinado sentido y qu e s on transversales a la di námica fa miliar. Los
valores cultur ales y las ex pectativas de los padres y m adres reflejan la imp ortancia atribuida a
este área y a sus opcion es (Turnbull & Turnbull , 1986). A modo de conclusión extraemos
como una constante en todas las familias que son las estrategias vi gentes basadas en sus
hábitos y dinámicas anteriores lo que traza las normas de equilibro familiar. Constatamos que
los nuevos condi cionantes originarios de la situ ación actual c onllevan a la aplicación de
estrategias innovador as en el cotidiano emergente y refleja nuevas acciones de dinamis mo
adaptativo. Las adaptaciones resultantes d e las estrategias vigentes en c ada familia son la
repercusión de los objetivos que se les benefician además de resultar en mejores interacciones
con la realidad vivida an teriormente. Estos se reflejan direc tamente en la conducta adquirida
por cada f amilia, sea a nivel individual, educativo, cultural y/o valores religiosos. P or otro
lado, se ha observado que las adaptaciones result antes de la nueva situación familiar, ha
reca ído en el sentimiento de obli gatoriedad en ocasiones, contrarias con la armonía y hábitos
familiares. La ex istencia de tale s temas parece corroborar que muchas adaptaciones son
posibles pero no todas son aceptables (Weisner et al., 2004).
Se ha podido d emostrar que debido a la necesida d de nuevas y constantes adaptaciones para
afrontar a la situación ocurrida, el equilibrio fa mi liar no se e ncuentra siem pre establ e y cada
familia re acciona de manera distinta. Esta reflexión permite observar la variabilidad de l a
metodología en cada familia, puesto que no se ciñe a un patrón constante ni mucho menos
previsible. Aunque las distintas fases de adaptaciones son mencionadas y recurrentes a lo
larg o del tra y ecto familiar descrito, se h a v erificado que en el din amismo familiar se
encuentran las siguientes fases: Adaptación de la dinámica de forma p ositiva, efectiva y
consciente; Dificultad de adaptación de la dinámica ocasionada por dudas e incertidumbre s ;
Abandono y des entendimiento de cualquier tipo de intento de adapta ción en la dinámica
familiar. Se ha analizado que todas las familias confiesan haber atravesado (y atravi esan) po r
las distint as fases a lo largo de sus experiencias. Igualmente se conclu y e que la
caracter ización de la experiencia familiar es un proceso extremadamente delicado y complejo
puesto que el recorrido evolutivo de cada familia es único y que pasa por distintas fases
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“temáticas” , en las que la finalidad máxima es la (re)conducción d e la dinámica f amiliar
según las normas de equilibrio familiar. Sin embargo, la ma y oría de las f amilias repasa n su
tray ecto con positivism o y trasladan al aprendizaje de una nueva realidad para la que afirman
no se ntirse preparados pero que las im plicacio nes y necesidades manifestadas s e lo h an
requerido.
Pese al im pacto psicológico y el estrés familiar oc asionado por el hecho de tener un hijo/a con
una g rave disca pacidad y los problemas de a daptaciones generados, a partir del a nálisis
llevado a cabo, se conclu ye que las adaptaciones familiares no son inusuales, divergentes o
patológicas.
Hemos llegado a l a conclusión de qu e las famili as en las que las madres y padres h an
mostrado estar más involucrada s, han provocado preocupaciones más consistentes refe rentes
al presente inm ediato y el futuro de sus descendientes con sordoceguera. Las familias menos
involucradas ape nas han compartido pre ocu paciones puntuales relacionadas con la
problemática, centrá ndose ma yorme nte en el facto r económico.
Estas familias se han c onvertido en modelos de estudio, que han hecho operativos los
mecanismos y los medios necesarios para a y udar a su hijo o hija a sobrevivir y a desarrollarse .
Con este estudio se ha puesto de manifiesto que las propias familias son los mentores d e su
desarrollo, por e l int erés y la implica ción de los padre s y madres que re almente lo han
demostrado y las adaptaciones realizadas frente a la dinámica familiar impuesta por las
necesidades inherentes al niño/a con sordoceguera. S obre todo s e h a v erificad o que cada
familia es única, d e mane ra que son únicas sus circunstancias y sus ad aptaciones. Las familias
entrevistadas representan una muestra diversificad a tanto en términos de composición, estatus
socio-económicos o edades, como en términos de composici ón y características de sus
hijos/as (implícito al concepto de sordoceguera co ngénita). S in embargo, a través del cruce de
datos de las nueve familias ( “A”, “D”, “ E”, “ F”, “H”, “I”, “ J”, “ L” y “ N”) se evidencia
que el estatus de los pr ogenitores, sus estados civiles, sus profesiones, y /o su hist órico
escolar, es d ecir, su formación, no limita a las famili as a una ac titud pasiva, por el contrario,
todas han desvelado un a gran actividad para desarrollar de manera efectiv a, a sus hijos/as en
todos los dominios, en especial se destaca a los Cuidados prestados al niño o la niña, d onde
todas las familias han d eclarado el ma yor número de a daptaciones realizadas. Esta conc lusión
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es corroborada por Bloom (1981, p.82, cit. in Gallimore et al., 1993) al af irmar que e s lo que
los padres/madres hacen, y no su estatus lo que influye en el modo como sus hijos o hijas se
desarrolla n. Este h echo sug iere que el planteami ento de progra mas de i ntervención precoz
podrá beneficiar a la información relativa al imp acto del niño o niña en la vida familiar y en
las adaptac ion es familiares en re spuesta a estos impactos.
Si bien consideramos haber alcanzado los objeti vos propuestos para es te estudio, este ha
presentado algunas limitaciones. Por un lado, la muestra es restringida y se ha restringido a
solo nueve familias, por lo cual no se debe generalizar estas conclusiones ni tampoco afirmar
su adecuación a otr as f amilias en distint os contextos y a mbientes. Por otro, las familias
entrevistadas se difieren entre sí y sus hijos o hijas ti enen edades dist intas, lo que no ha
permitido observar el mismo estadio del Ciclo de Vida Familiar. También se ha verificado
que en su ma y oría, los entrevistados han sido las madre s, sin ningun a intencional idad, puesto
que por las circunstancias, únicamente tr es padres han sido entrevistados. Para obtener un
perfil más c ompleto de las familias, se debería habe r entrevistado a todos los padres y
hermanos y /o hermanas, así como otros miembros del nú cleo famili ar (por ejemplo: abuelos y
abuelas cuidadores).
Gervilla (2011), en su libro sobre la Educación y Familia, se refiere y refuerza que la familia
es el pil ar fundamental para el crecimiento del niño/a, y si qu eremos r ealmente educar, h a y
que proporcionar a yuda y apo y o a los que de ella lo nece site, asumir responsabilidades puesto
que una pequeña educación de los progenitores proporciona ben eficios significativos:
progresión de los aprendizajes, desarrollo menta l, afec tivo y e mo cional.
El hecho de únicamente existir una institución en Portuga l que reúna co ndiciones para este
tipo específico de población, ha limi tado el estudio impidiendo una diversificación en l a
búsqueda de familias.
La distancia en la qu e se encuentran las viviendas de l as familias partici pantes en la
investigac ión, puesto que las mismas provienen de dist intos puntos del país, ha limitado las
entrevistas al espacio del colegio fr ecuentado por los niños, niñas y jóvenes sordociegos.
Otra restricción del estud io ha sido la extensión dilata da en el tiempo, lo que ha pospuesto la
actuac ión más detenida con los técnicos y familias int eresa das.
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Indicar que el hecho de haber sido elegido para estudio un tipo de discapacidad tan específico,
conduce a un a sit uación limitada por la situación minorita ria d e esta po blación en nuestro
país.
Por últ imo y representando un factor determinant e como limitación general del estudio, surge
el hecho de que la sordoc eguera a pe sar de su largo pasado, aún se encuentra poco conocida
por la ma y oría de las pe rsonas, incluidos los profesionales de las áreas de la salud y de la
educación (Souza, 2010). De este modo el desconocimiento general, s e manifiesta como
limitación a la comprensión y a l reconocimiento directo de esta investigación.
Basá ndonos en el estudio realiz ado y en las con clusiones obtenidas, parec e oportuno ahora
resaltar algunas recomendaciones que, de al guna forma puedan contri buir a la práctica
educativa de los qu e t rabajan con niños/as con necesidades educativas especiales t an
específicas como es el c aso de las niñas y niños con sordoceguera y sugerenc i as de tópicos
que pueden servir para futuras interve nciones educativas:
a) Establecer un contacto próximo entre profesionales y familias de forma que se conozca su
historia y la realidad vi vida, promovie ndo la co municación entre l a escuela y las familias,
crea ndo un ambiente empático donde las familias pueda n compartir las adaptaciones ocurridas
en sus vidas con los educadore s profesionales.
b) Conocer las adaptaciones creadas ante la dinámica familiar y plantear una intervención
adaptada a cada f amilia, articulando necesidades y ansiedades de la familia en la respuesta
educativa.
c) Desarrollar un a int ervención que sea s ensible a los ca mbios familiares a lo largo del
tiempo, seg ún la cantidad y los diferentes tipos de adaptaciones sufran altera ciones en el seno
familiar (e valuación continua).
d) Conocer los distintos miembros de la familia, sus pape les en las mismas, cómo participan
en las diferentes actividades de la vida familiar y cómo int eractúan co n el niño o niña ayudan
al equipo de profesionales a saber cu áles son los elementos más significativos para trabajar
con el niño/a y en qué contextos de la vida diaria, así como a yuda a detectar si existe la
necesidad de una intervención más ce ntrada en la dinámica familiar o de la pareja.
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e) Percibir cuáles son las prioridades de la familia y sus objetivos con el niño/a, permitirá a
los profesionales poder comprender los temas o rientativos de las adaptaciones familiares y
consecue nt emente, a y ud arlos a dar una respuesta más asertiva y consi stente al proyecto
familiar.
f) Invertir en la formación (continua y especializada) de los profesionales trabajadores en el
área de las nece sidades educativa s específicas, en especial con la sordoceguera, en todos los
niveles, resaltando la necesidad del trabajo t ransdisciplinar por el cu al la familia se convierta
en parte del equipo desde el primer mom ento y , si necesario, foco de la inte rvención. Como se
refiere Baile y et col. (1991) es importante s ensibi lizar a los pro fesionales de qu e la
intervención centrada en la familia no signific a qu e el niño o la niña será ignorado, sino que
será be neficiada por los s ervicios de apoyo que podrán ser proporcionados.
g) Invertir en la formación (continua y espe cializada) de las f amilias que conviven
directamente con la persona sordociega para p ermitir una mejor compre nsión entre ambos en
cuanto al dominio del código comunicativo, p romoviendo acciones d e formación entre
familias y técnicos.
h) Promover espacios para compartir entre las familias, donde puedan trasmitir sus
experiencias entre todas.
i) Posibilitar el acompañamiento psicológico a l as familias y té cnicos para genera r mejores
tratos y ace pt ación de la situación vivida diaria mente.
El foco en las potencialidades de la familia, en detrimento de sus debilidades, trae importantes
informaciones y genera indi cios para una interve nción que puede s er incorporada en la vida
familiar (Gallimore et al., 1999). Un examen sensato del contexto que requiere intervención
(Gallimore, Goldenber g & Weisner, 1993) podrá proveer a los profesionales el perfil de las
necesidades de las familias, previniendo la int roducción del estrés añadido en familias que ya
se enfrentan con numero sos desafíos diari amente. Trabajar al lado de la famil ia, conociendo
sus prioridades, rutinas d iarias, valores culturales, historia y perspectiva de l futuro (Gallimore
et al., 1996, 1999, Bernheimer et al., 1995) p ermitirá trazar un plano significativo que
establezca prioridades, i ntensidad o duración de la i ntervención a la medi da de cada f amilia.
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La famili a debe ser lo más activa posible en el proceso educativo d e estos niños y niñas. Este
principio es válido para todos los niños con necesidades educativas especiales, siendo todavía
más pertinente pa ra este grupo específico una vez que la intervenc ión, sobretodo en edades
más precoces, está centrada directamente en el ambiente familiar (Smith & Levack, 1996, cit.
en Nunes, 2001).
Por lo que se refleja como una posi ble futura investigación, apli car las cuesti ones
investigativas presentadas a la realidad de las familias de personas sord ociegas adquiridas,
con testimonios reales en primera persona ( familias, técnicos y personas sordo ciegas
adquiridas). Se sugiere como tema de futura investi gación: Impacto de la sordoceguera
adquirida en la dinámica familiar – C asos de Sordoc eguera en la fase pós-lingüística.
En resumen, este estudio confirma la importancia del escuc har con atenc ió n los relatos de las
madres y p adres, sus preocupaciones y lo que h acen para adapta rse a su s hij os e hijas. Sus
historias tienen sentido si examinamos su significado social y psicológico. Solamente tenemos
que escuchar lo que nos dicen (Gallimore, 1989) y juntamente personas so rdociega s, f amilias
y t écnicos, ¡cons eguiremos caminar hac ia el mejor apoyo a las necesidades de esta población
única y especial!
“Solos, poco podemos hace r... juntos, podemos hacer mucho.”
Helen Keller
Perso na Sordociega A d quirida (fase pós lingüísti ca)
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centrando-se nos dados da vida real e dos ambien tes em que a criança/jovem está
normalmente inserida (Saramago et al., 2004). É de especial im portância a participação
efetiva da família no p rocesso evolutivo, pois a criança/jovem com surdo cegueira congénita
aprende mais eficazmente quando esta é integra da nas atividades de rotina diária. Por outro
lado, a famíli a é o único elemento que, ano após ano, continua o trabalho com a c riança. O
envolvimento das famílias é, assim, essencial para a continuidade e consistência nas
estratégias de intervenção precoce (Nun es, 2001).
Com este estudo pretende -se ter um vislumbre de como as f amílias rea gem à chegada deste
novo membr o portador de múltiplas deficiências associadas de carácter prolongado
(surdoceg ueira congénita), que repercussões tem essa presença na vida das famílias ou seja,
como é que estas respondem ao seu quotidiano, às suas rotinas diárias, às ex igênc ias que
advêm de ter no seu s eio uma c riança com surdo cegueira con génita e como potenc iam o s eu
desenvolvimento. Pretende-se, para além disso, perce ber qu ais são os fa tores que causam mais
impactos na vida familiar, exigindo adaptações mais profundas. Por últ imo, procura conhecer -
se as necessidade s expressas pelos pais na sua dinâmica familiar (Bailey et al., 1992).
Tendo por b ase o enquadramento teórico, os obj ecivos ge rais e específic os deste estudo são
Analisar informação baseada nos relatos das famílias de pessoas com surdocegu eira
congénita relativamente às reações, repercussões e necessidades sentidas no núcleo familiar .
Especifica m ente surgem como objetivos propostos : Adquisi ção de informações específicas
sobre a deteção e confirmação da problemática; Recolha de informações específicas sob re as
reações dos progenitores, dos irmãos, d emais membros da família e da população
circundante; Sintetizaçã o de informações específicas sobre as repercussões no âmbito dos
papéis maritais, na rotina diári a, ao nível residencial e ao nível laboral; Obtenção de
informações específicas sobre a necessidade de apoio emocional e/ou psicológico e a
dificuldade que a aquisição de comunic ação alternativa implica; Identificação de
informações concretas s obre as garantias e receios que as famílias tê m sobre os projetos
existentes para assegurar o futuro da população com surdocegueira congénita .
Em síntese, as questões consi deradas nest a pesquisa são as vári as abordagens sobre o impacto
da deficiência na família, os vá rios fatores qu e podem influ enciar a vida familiar e o
desenvolvimento infantil. Diretamente associado ao tem a em estudo estão as questões
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relacionadas com o en volvimento parental e a sustentabilidade da sua resposta f ace ao
imperativo modo como a atitude parental e as adaptações da dinâmica f amiliar poderão ser
decisivos no des envolvimento do seu filho com surdoc egueira congénita. Formularam-se
assim questões de investigação e projetaram-se ob jetivos que visam a trian gulação e discussão
de resultados obtidos, devidamente documenta dos e fundamentados na literatura.
4. Or ganização do trabal ho da T ese
Para efetuar a presente investigação foi efetuado um estudo não experimental, de caráter
qualitativo e ex ploratório. O seu propósito é ampliar o grau d e conhecimento sobre o tema,
explicando a sua relevância e estab elecendo prior idades no aprofundamento de determinados
aspetos.
A organização da presente Tese p rocura permitir um percurso orient ado através do tema e
respetiva ex ploração de forma a permitir instruir e documentar todos aqueles que pesquisem
dados relacionados com a temática em estudo. Desta forma segue a explanaçã o dos capítulos
previstos:
No Capítulo I – Mar co Teórico , proceder- se -á à análise e revisão da l iteratura no
âmbito das famílias co m crianças/jovens com deficiência, esp ecificamente com
surdocegue ira congénita e análise dos modelos teóricos e respetivos para digmas que
fundamentam e enqua dram o tip o de práti cas atualmente recomendadas no
atendimento às crianças/jovens com esta proble mática e respetivas famíli as. Assim ,
neste capítulo desenvolver- se -ão numa perspetiva sistémica os aspetos relativos aos
co nceitos de criança segundo a psicologia do desenvolvimento e educacional, de
deficiência , de família e às carate rísticas da surdocegueira em geral e parti cularmente
da surdocegueira congé nit a . Pretende-se desta for ma explanar e enquadra r a temática
partindo de uma abordagem int rodutória geral culminan do no enfoque p articular d as
adaptaç ões efetuadas por famílias que têm a seu cargo crianças com dupla deficiênc i a
sensorial em fa s e pré linguística.
No Capítulo I I – Marco Metodológico , descrever- se -á a metodolo gia uti lizada,
referindo o desenho da investigação, as questões investi ga tivas colocadas, a descrição
dos proc essos e instrume ntos de investigação, os critérios de sele ção da amost ra, bem
como a definição de objetivos gerais e específic os do estudo;
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No Capítulo III – Apre sentação de Resultados , será efetuada a apresentação dos
resultados, contextualizando-os e relacionando-os sempre que possível com a revisão
da literatura efetuada, tendo em cont a a des crição exata dos testemunhos recolhidos
em entre vistas semiestruturada s, observaç ões diretas e reg istos descritos em diário de
campo, sem incorrer em inferê ncias;
No C apítulo I V – Análise de Resultados , procede r- se -á à análise detalhada dos
resultados estatíst icos do estudo com base na abordagem às respetivas famílias,
categoria s e domínios vigentes nos vários instrumentos investigativos aplicados;
No Capítulo V – Triangulação e Discussão de Resultados , cruzar- se - á e dis cutir- se - á a
informaçã o recolhida através das entr evistas das famílias, d as observações diretas e
dos registos efetuados em diário de campo d e forma a assegurar as diferentes
perspetivas dos participantes no estudo e a o bter várias “medidas” do mesmo
fenómeno, criando condições para uma tr iangulação dos dados recolhidos ;
Finalizar- se -á com o Capítulo V I – Conclusões e Recomentações , onde constarão a s
conclusões deste estudo , obje tivando-se algumas recomendações e a plicações par a
futuras investigações.
O presente estudo se rá, assim, or ganizado nos seis capítulos apresentados, precedidos da
presente introdução e su cedidos pela respetiva bibliografia e anexos detalhados.
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Capítulo I – Marco T eórico
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Caminhar no m undo do des envolvimento e da linguage m é o maior des afio da
pessoa com su rdocegueira.
Desafio acres cido se a cau sa da surdocegue ira for con génita,
com a dupla pr ivação sens orial
desde o nascimen t o.
___________________
Maria Apar ecida Corm edi ( 2011)
Prof essora Doutora na área da S urdoceg ueira (Brasil)
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1. Context ualização do Capít ulo I
Este capítulo descreve a revisão da literatura e fundamenta cientificamente os temas
aprese nt ados no presente estudo exploratório. Através de uma dissertação minuciosa sobre os
vários contextos que se pretende m abordar procur a-se enquadrar e abranger várias perspetivas
dos itens investigativos previstos, os quais se pa ss am a descrever.
Com o intuito de relevar as imensuráveis perdas devidas às patologias da surdocegueira,
pretende-se inicialmente proceder à contextualização geral do desenvolvim ento natural de
uma criança através do enquadramento psicológico, quer ao nível da compreensão dos seus
sinais de socialização, dos fatores externos que influenciam o seu desenvolvimento e dos
elementos que repre senta m a sua relação com o meio e com os pares.
Seguidame nt e apresentar- se -ão os argumentos da literatura que contemplam os conceitos de:
deficiênc i a como fator i mpeditivo do desenvolvimento natural de um ser; de família como
elemento máximo na adequação e ad aptação das rotinas e dinâmicas familiare s face à
presença da d eficiência no seio familiar; de dupla deficiência sensori al ocorrida em fase
ge stacional - surdoceguei ra congénita - e os seus condicionalismos diretos.
2. Psicologia d o Desenvolvimento
As transformações na nossa forma de pensar int eragem com as transformações na organização
social e familiar. Estas mudanças acarretam prát icas educativas diferentes, um novo papel e
estatuto da criança no interior da família, assim como aumenta m as responsabilidades sociais
relativas à infância.
A Psicologia do Desenv olvimento automatizou -se nos finais do século XIX, marcada po r
grandes avanços ao longo do século XX e XXI. Acompanhou a evolução da ciência e das
transformações socioeconómicas, bem como as representações socia is do que é ser c riança.
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2.1. Princípios bá sicos de uma criança
Um dos aspectos relevantes da história da psicologia do desenvolvime nto é o facto de o
século XX ser por muito s considerado o sé culo dos direitos humanos, ond e são ex pressos os
direitos da criança. Atualme nte investe-se muito na criança. É, contudo d e relevar as grandes
diferenças existentes entre c rianças, relacionadas com fatores pe sso ais, socioculturais,
económios e geográfic os.
O objeto da psicologia do desenvolvimento é o estudo das várias etapas da vida, do
desenvolvimento dos processos psicológicos e biológicos nas relações int eractivas da pessoa e
do meio.
O desenvolvimento surge, assim, segundo diferentes autores, associado à predominância de
aspectos inatos - Trevarthen, maturativos - Gesell, construtivistas - Piaget e ambientais -
Skinner, parecendo ser resultante da complexa interacção de vários fatores (bioló gicos,
equilibraçã o, transmissã o educacional e sociocu ltural). As dif erenças no s pressupostos dos
vários teóricos d erivam, em parte, do facto de cada um deles se interessar por um aspeto da
criança, propondo-se em consequência explicar separadamente os diferentes ângulos do seu
desenvolvimento (B or ges, 1987).
A psicologia do desenvolvimento tem a sua histó ria. Os métodos e técnicas de inve stiga ção
aperfeiçoaram-se e o objecto de e studo clarificou-se. Os psicólog os do desenvolvimento,
como J ean Piaget, Henri Wallon e Arnold Ge sell, foram estudiosos da infância e da
adolescência. Erik Eriks on será o primeiro a apresentar uma evolução segundo estádios ao
longo da vida; hoje, a noção de desenvolvimento biopsicológico abrange os sujeitos do
nascimento até à morte o nde a figura ce ntral é a mãe.
2.2. Relação mãe/filh o
Nos últimos anos, a psicologia do desenvolvimento desenvolveu estudos profundos sobre os
bebés e os primórdios d a comunicação humana. Um dos aspetos mais estudados tem sido a
relação da díade mãe/filho. As características desta relação, no primeiro ano de vida, são de
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grande importância no desenvolvimento futuro da criança: personali dade, auto-estima,
confiança em si próprio, relac ionamento interpessoal.
A relaç ão com o filho começa bem antes do nascimento, na fantasia dos pais. Ser mãe e ser
pai são marcados por u ma relação simbólica, u m jogo de fantasia: Se rá menino ou menina?
Como vai ser? Com quem se parecerá? Como será a nossa relação?
Muitas mães afirmam como dialogam com o b ebé que t êm na barriga… Pode diz er -se qu e o
bebé, antes de nascer, relaciona-se com a mãe e com as pessoas significati vas do seu meio.
Ele influencia e é influenciado pelo mundo envolvente. A forma como decorre o próprio parto
é muito importante. Não só o próprio ato de n ascer, mas o acolhimento – externo e interno –
que é feito. É a forma como lhe é atribuído um nome, como se d escobre com quem se pa rece,
como se arra njou espaço para si na ca sa, na vida que faz inscrever este ser no seio do casa l e
na história da fa mília.
Segundo Erikson (1976) As mães criam nos filhos um sentimento de confiança através
daquele tipo de tratamento que na sua qualidade combin a o cuidado sensível das necessidades
individuais da criança e um firme sentimento de fidedignidade pessoal. (…) I sso cria na
criança a base p ara um sentimento de identidade que mais tarde combinará um sentimento de
ser ‘aceitável’, de ser ela mesma, e de se converter no que os demais confia m que chega rá a
ser.
A rel ação da mãe e d as outras p essoas com os bebés é no rmalmente, diferente d as que
desenvolvem com outras crianças mais velhas: no tom de voz , nos olhares, nos gestos, no que
é dito e na forma como é dito. As rea cções maternas ada ptam - se a este n ovo ser. As ‘caras’
que ela faz para o bebé, a maneira como utiliza a fala, não só naquilo que diz, mas nos sons
que emite, os moviment os da cabeça e do corpo, as coisas que faz com as mãos e d edos, a
posição que toma em re lação ao b ebé, e o t empo e ritmo das suas reaçõe s, tudo isto se torna
diferente (Stern, 1980, p.16).
Hoje crê-se num bebé recém-nas cido como um agente ativo no seu desen volvimento, dotado
de energia e com c apacidade de estimul ar a interação com a mãe. De facto, o bebé nasce com
capacidades que lhe permi tem ser ativo no relacionamento humano. O recém -nascido possui
uma atividade reflex a e instintiva e um equipam ento sensorial e motor que possibilit a uma
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adaptação ao meio envolvente. O seu re pertório é muito variado: reage à dor, ao calor, ao frio,
aos sabores salgados, ácidos e açucarados, distingue a claridade da escuridão, pode
discriminar sons e emitir vocalizações variada s. Dist ingue a voz da mãe da das outras pessoas,
reconhece o seu odo r e reage particularmente quando é esta a falar consigo. Daí ser tão
essencial a estimul ação precoce da relação mãe/filho. Stern (1980, p.70) afirmou que durante
as últimas décadas, têm- se acumulado, de modos diferentes, prov as d e q ue o bebé procura
estímulos desde o nascimento e até se esforça por consegui-los.
De facto, a procura de estímulos atingiu agora o estatuto de inst into, ou tendência
motivacional, não muito diferente do da fome, uma analogia que n ão é mui to exagera da. Tal
como os alimentos são n ecessários para o corpo crescer, o estímulo é necessário ao cérebro as
‘matérias - primas’, essenciais para a maturação dos processos motores, pe rceptivos, cognitivos
e sensoriais. O bebé está equipado com as tendências para procurar e receber este ‘aliment o’
cere bral ess encial.
O psicanalista René Spitz (1887-1974) perspetiva as ex pressões faciais, nomeadamente o
sorriso – entre as seis e as doze sem anas – como a primeira manifestação comportamental
ativa e intencion al da criança, des envolvida na comunicaç ão mã e/filho. O sorriso é um
comportamento que une o fisiológico e o emocion al. Segundo este autor, es te primeiro sor riso
é indiferenciado; a criança quando sorri, não sorri à mãe, so rri à humanidade, pois reage a
uma gestalt, isto é, a uma configuração de rosto co m olhos, nariz e boca. O rosto será um sinal
que desencadeia r eações positivas. É interessante sabermos que o bebé sorri a qualquer rosto
de frente, contudo não so rrirá a um rosto de perfil. Aos seis meses, o bebé tem já um sorriso a
pessoas preferenciais.
3. Psicologia E ducacional
A psicologia da educação interfere na teoria e na prática da educação e abrange um campo de
estudo e de intervenção muito lato pois concerne os aspetos psicológicos da educação e in clui
campos educativos diver sos como a escola e outr as instituições educativas (creche s, jardins -
de- infância, internatos, actividades de tempos livres…), a fa mília, a saúd e, a justiça, entr e
outros. Aborda aspetos psicológ icos da educ ação da s crianças e dos a dultos de todas as
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idades. O psicólogo educacional int ervém numa área temática múltipla e de grande
complexidade.
3.1. Psicólogo como mediador entre fa mília e técnicos
O psicólogo tem, f requentemente, um p apel d e mediador entre os té cnicos e a f amília.
Partindo de problemas dos alunos, procura intervir conjuntamente com os pais, procura ndo a
necessária complementaridade médica e/ou educativa . Além desta int ervenç ão mais
individualizada, o psicólogo pode ainda colabo rar com os médi cos e/ou professores na
preparação e orientação das rotinas dos pais. Os agentes educativos, as equipas médicas
assistentes e a f amília pode m investi r juntos na concepção e impleme ntação de proj etos
familiares e educativos.
A família está atualmente, em rápida transformação e os pais sentem que a função familiar é
determinante e desejam assumir um papel consciente e positivo no processo educativo dos
filhos. No caso de famílias com filhos com defic iência muitas vezes a figura e presença do
psicólogo é preponderante pa ra que a família reaja e seja estimulada a reag ir perante a
adversidade. Muitas vezes o psicólo go to rna- se a ‘peça fundamental’ p ara qu e desbloqueio
emocional da família desperte para a situação de tentar potenciar a reação emocional no
sentido de estimular a pr evenção precoce e o seu envolvimento para o desenvolvimento dos
seres em causa.
Existe uma multiplicidade e complexidade da populaçã o abrangida pela educação especial tal
como incapacidades de visão e de audição, deficiências físicas, debilidade mental, síndrome
de Down, multi deficiências, surdo cegueira, entre o utras. A grande tendência vai no sentido d e
as crianças e os jovens com deficiência estarem, sempre que possível, integ rados no ensino
regular. Assim, o psicólog o será útil quer nas unidades hospitalares quer nas instit uições
especializadas da educação espe cial apoiando as famílias e os técnic os e orientando a
dinâmica familiar e a inserçã o da educaçã o especial nas escolas p ossibilitando apoio
especializado às famílias e a os técnicos que convivem com as diversas deficiências.
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4. A Deficiênci a
O conceito de d eficiência não é uno n em universal. É um construto social que evoluiu ao
longo da história. Vários modelos se têm vindo a suceder na tentativa de ex plicar a deficiência
e a su a rel ação com a d oença e a incapacidade. A Organiz ação Mu ndial de Saúde (OMS,
2012) definiu estes conce itos que muitas vezes se confundem ou utilizam
indiferenc i adamente. A deficiência é complexa, dinâmica, multidim ensional, e questionad a.
Nas últimas déca das, o movimento das pessoas com defciência , juntamente com inúmeros
pesquisadores das ciênc i as sociais e da saúde têm identi fi cado o pape l das barreiras físic as e
sociais pa ra a de fi ciência. A transiçã o de uma perspetiva individual e médica para uma
perspetiva estrutur al e social foi descrita como a mudança de um “modelo médico” para um
“modelo social” no qual as pessoas são vistas tento em consideração a estr utura, a atividade, o
nível de participação e o ambiente onde se insere.
4.1. Perspetiva his tórica
Ao longo das eras, a semântica associa da ao conceito de d eficiência refletiu a visão adoptada
pela sociedade. Nas últimas décadas, houve um a mudança significativa no modo de encarar as
causas da deficiência, evoluindo do enfoque médico (Modelo Biológico) para o ecológico
(Modelo Social). O reconhecimento do papel do ambiente n a de finição de deficiência tem
sido amplamente chama da de mudança do modelo médico, que implica uma condição ou
doença física do pa ciente, para o modelo ecológico ou sistémico que vê a criança / jovem com
deficiênc i a, em complexas interaç õ es com as forças ambientais.
No primeiro modelo, adopta -se uma perspetiva de fetológica e o fo co incide na reabilitação do
indivíduo, na terapia com objetivo eliminar essa desvantagem, curar ou de compensar e ajudá -
lo a adaptar-se ao mundo. O problema reside na pessoa, adoptando-se uma intervenção
individual. Nesta perspetiva procura-se identificar a causa d a deficiência através de testes e
então tenta-se eliminá-la através d e cirurgia, medicamentos ou t erapia. F requentemente,
apenas a pe rspetiva médica é tida em consideração e quando falha ou não está disponível, as
famílias desistem. Nesta perspetiva a problemáti ca era vista unicamente como estando na
criança, entendida como paciente. A int ervenção especializada ia muitas vezes no sentido de
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famílias são grandes, pequenas, alargadas, nucleares, multi-geracionais, com um genitor, dois
genitores, e avós. Nós vivemos debaixo de um, ou vários tectos. Uma f am ília pode ser temporária,
com a duração de umas semanas ou ser para sempr e. Tomamo-nos par te d e um a família através do
nascimento, adopção, cas amento ou pela necessida de de apoio mútuo. A fa mília é uma unidade
cultural em si p rópria, com di ferente s va lores e meios únicos de realização dos seus s onhos. Em
conjunto, as nossas família s t ornam-se a fonte da nossa rica her ança cultura l e diversidade espiritual.
As nossas famí lias criam b ai rros, comu nidades, es tados e nações.
As famílias são sistemas influenciados por muitos fatores: as origens étnicas e culturais; o seu
estádio no ciclo familiar; acontecimentos no seu am biente; factores ex ternos; relaçõe s
individuais e as experiências pessoais e coletivas dos membros da família. Os indivíduos na
família desenvolvem pap éis, regras, que "regulam" a vida familiar, padrões de comunicação,
formas de n egociação e resolução de p roblemas e métodos para a realização das t arefas da
vida diária (Goldenberg & Goldenberg, 1985 ). As famílias providenciam apoio social e
partilham compromissos e responsabilidades. São também "contextos" (Carpenter, 1997) para
aprendizagem e crescimento e têm uma influência dec isiva no desenvolvi mento soc ial e
emocional da criança.
Podemos atualmente encontrar mui tas definições de família. No entanto, s obressai a noção de
que "o todo é mais do que a soma das suas pa rtes" Jackson (1965, cito in Alarc ão, 2012,
p.39). O seu caráter uno e único foi também mencionado por Gameiro ao declarar " A família
é uma rede complexa de relações e emoções na qual se passam sentimentos e comportamentos
que não são possíveis de ser pensados com os instrumentos criados pelo est udo dos indivíduos
isolados". Acrescentou ainda que "a simples descrição de uma família não serve para
transmitir a riqueza a complexidade relacional desta estrutura" (Gameiro, 1992, cit. in R elvas,
2014, p.11).
5.2. Estrutura e Desenvolvimento
Segundo Alarcão (2002, p.38), "ler sis tematicamente uma família, im plica ter uma visão
global da sua estrutura (dim ensão espacial) e do seu de senvolvimento (dimensã o tempora l)".
No mesmo sentido foram Sampaio e Gameir o (1985, cit. in Ala rcão, 200 2), definindo família
como "um sis tema, um conjunto de elementos ligados por um conjunto de relações, em
contínua relação com o exterior, que mant ém o seu equilíbrio ao longo de um pro cesso de
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desenvolvimento percorrido atra vés de estádios de evolução diversificados". Salien tando a
sua dimensão holí stica, Andolfi (1981, cit. in Al arcão, 2002, p.40) defin e família como um
"sistema de interacçã o que supera a articulaçã o e articula d entro dela os v ários c omponentes
individuais", acre scentando que "a família é um sistema entre si stemas e que é essencial a
exploração das relações interpessoais, e das normas que regulam a vida dos grupos
significa tivos a que o indivíduo pertence, para uma compreensão do comporta mento dos
membros e para a formulaçã o de intervenções eficazes."
Segundo abordagens dominantes das questões do desenvolvimento h umano, é possível
formular três assumpçõ es fundamentais relativamente ao desenvolvimento humano. A
primeira é que as origens da competência humana acham -se nas relações intra familiares e nas
interacções pais- criança ou nas primeiras experiências de infância. C omo referido por
Connoly e Bruner (1974, p.5, cit. in Og bu, 1981, p.414) , " os skills gerais, co gnitivos e
emocionais, parecem depender daquilo que é ap ropriadamente chamado de 'currículo oculto
em casa ' ". S egunda, qu e a naturez a das competências human as pod em ser ad equadamente
estudadas pela análise a o micro-nível das primeiras ex periências da criança, tais como as
experiências em família ou cenários semelhantes. Por últi mo, presume-se que o futuro sucesso
escolar da criança e, pos sivelmente, o seu sucesso na vida adulta, depende da aquisição das
competências desejadas pela sua sociedade através de práticas de criação e educação correntes
na sua sociedade (idem).
O papel do ambiente no desenvolvimento humano adquiriu ao longo de décadas um peso cada
vez mais preponderante. Num simpósio, o historiador Elliot West (1993, cit. in Be rnheimer et
al., 1995) r eferiu que po demos pensar no conce it o de "sítio" d e três forma s distintas, (a) um a
dada localização ou "ponto no mapa" , (b ) pode ser definido pelas características físicas e
culturais que o rodeiam e compõem o tal pont o ou (c) pode ser d efinido em termos de
perce pções, atitudes e crenças daque l es que aí vivem.
A definição de " sítio" da da por West serve como metá fora para a avaliação e interve nção na
criança com necessidades especiais e sua família. Assim, para além de avaliar a problemática
em si, sua etiologia e expressão, é necessário compreender o contex to físico e social no qu al
esta ocorre e as per cepções cre nças daqueles que a í vivem.
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5.3. Modelos S istémicos
Na origem da perspecti va sistémica, encontramos um dos mais importantes biólogos da
primeira metade do s éculo XX, Bertallanff y (1901 -1972). Entre os seus t rabalhos, destacamos
aquele cuja influência ainda hoje se repercute na psicologia do desenvolvimento e da
educação, a Teoria Geral dos Sist emas (1950).
O novo conceito de sis tema apresenta-o como u m conjunto de componentes interativos, uma
entidade c omplexa com similaridades e struturai s (isomorfismos), os quais mantêm a sua
estrutura por processos conjunt os e tendem a rest aurar-se após uma perturbação - análogo ao
que acontece com o organismo vivo. Tais princípios poder - se -ão aplicar também a sistemas
sociais como acontece com a famíl ia e fornec er al guns instrumentos t eórico-práticos que
permitam a compreensã o desta unidade feita de corpos separados.
5.3.1 Modelo ( bio)Ecoló gico
Entende-se por desenvo lvimento o processo que envolve estabilizações e mudanças das
caracter ísticas biopsicológicas de um ser humano, não apenas ao lon go do ciclo de vida, mas
também atravé s de gerações.
Então o seu e spírito inqui eto leva Bronfenbrenner a refor mular a sua teoria: em vez do
modelo ecológico do desenvolvimento propõe o modelo bioecológico que r e força a
importância das características biops icológicas d a pessoa em desenvolvi mento. Passa a dar
ênfase à bidirecionalidade e m re lação à pe ssoa e ao ambiente em que ela age . Esta interaçã o
ocorre entre o indi víduo e as outras pesso as mas também entre ele e os obj etos e símbolos. A
abordage m bioecológica de Bronfenbrenner do desenvolvimento humano estilhaçou as
barre iras entre as ci ências sociais e estabeleceu pontes e ntre as disciplinas permitindo a
emergê ncia de descobert as sobre que elementos chave da estrutur a social mais ampla e no
interior das sociedades são vitais para o desenvolvimento do potencial da natureza humana.
Deste modo, Bronfenbrenner pe rspetiva o ser hu mano no mundo, de um ponto de vist a global
e integrado, sem n egar o papel incontornável dos contextos. Considera-se assim, que o
in divíduo tem um papel centra l no seu processo de desenvolvimento.
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Estudou também a relevância aos processos prox imais, ou seja, os processos que decorrem
nos contex tos mais próximos (microssistemas), definindo-os como Formas particulares de
interação entre os organismos e o ambiente que operam ao longo do tempo e compreendem
os primeiros mecanismos que produzem o desenvolvimento humano.
A teoria bioecoló gica ajudou, também, a estabelecer os elementos necessário s para a
compreensão do que torna humanos os seres hu manos. O nosso desenvolvimento enquanto
seres humanos não corresponde a um modelo me canizado, é antes fruto de uma participação
ativa dos indivíduos , em que criam os próprios contextos. Assim, no desenvo lvimento
consideramos de forma dinâmica a pessoa em causa; o processo, ou seja, as int erações
recíprocas entre o ambie nte e a pesso a; o contexto em que se encontra sit uada e também o
tempo. A Figura 1 irá demonstrar o dinamismo das interaç ões entre as quatro dimensões.
in http://w ww . psic olo gia.com/pt/mode lo_ecol_desenv_d.html
Figura 1 - Dinamism o das i nter ações entr e as quatro dimensões
Com base na persp etiva ecológica, o contexto trans cende a su a descrição. S egundo o autor, o
que assume maior relevância é a fo rma como indi víduo compree nde o con texto em que atua.
Os contextos podem ser vividos de formas dife rentes consoante a pessoa em causa.
Assim sendo, estes dependem da forma com as p essoas interpretam as normas, os valores e os
significa dos qu e circunscrevem as possíveis experiências e c omportamento s.
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Através das interpretações podemos encontrar uma maneira de nos posicionarmos nos
conceitos e, a ssim, interagir com os outros e cons truir significados p ara a s experiências
vividas. Consequentemente, a posição que cada um ocupa é única para cada indivíduo,
dependendo d e como se configuram os diferentes globalmente os diversos sistemas.
Contudo, mesmo quando se re petem os el ementos do contexto a c onfiguração muda de
indivíduo para indivíduo.
É importante que tenh amos em conta as car acterísticas pessoais de cad a um em todos os
processos do d esenvolvimento pessoal, em tudo o que pa rticipamos. Isto just ifica -se pela
relação dinâmica entre i ndivíduo e contex to, qu e dep ende sobretudo das características do
indivíduo.
Para além disso, este aj uste dinâmico que se forma à medida do nosso desenvolvimento, é
mais um nível que se deve ter em conta de forma a se compreende r como somos. Desta forma ,
cada um de nós vai te cendo um caminho único conforme os lu gares, as rel ações e as
interaçõe s qu e se dispõem na nossa vida, assim como as oportunidades e recursos que no s
circunscreve m. Assim, cada um de nós vai-se encontrando e construindo enquanto ser
humano, situado e singular de acordo com os contextos vivenciados.
Os diferentes contex tos de d esenvolvimento são conceptualiz ados em termos de sis temas
hierarquizados em cinco níveis: microssistema; mesossistema; exossistema; macrossistema e
cronossistema [Figura 2].
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in http: //intervirna diferenca.w ebnode.pt /
Figura 2 - Modelo Ecológico do desenv olvi mento (Bronfenbrenner - adapta do)
É no primeiro nível de ecologia, o microssistema, que sur gem a s influências mais imediatas e
precoces no d esenvolvimento do indivíduo, a f amília. Apesar de ser o principal contex to, é
um entre muitos que concorrem p ara o des envolvimento humano e que se i nter -relacionam. A
título de e xemplo, sabe mos que a contecimentos em c asa podem a fetar o aproveitamento
escolar da criança e o seu inverso (Bronfenbrenner, 1986 ). A este nível estão também
estruturas da sua comunidade mais próxim a c omo a viz inhança, a e scola, o grupo de
concre nt es ou os s eus a migos. Nestes cenários, o i ndivíduo desenvolve todo um conjunto de
atividades, relaçõe s interpessoais e papéis.
No segundo nível, encontramos o mesossistema q ue funciona como um sis tema intermédio d e
influências, filtradas p elos elementos do micr ossistema. Nele pod emos incluir as i nter-
relações entre os cenário s mais importantes que o indivíduo frequenta.
Ao nível do exossistema, referimo-nos a contextos nos quais o indivíduo em desenvolvimento
não está dir etamente incluído, mas que produzem efeitos e têm repercussões nos ambiente s
em que o indivíduo se m ovimenta. Para ex emplificar, podemos referir o local de trabalho dos
pais, as propostas do Conselho Escolar ou o círculo de amigos dos pais.
O macrossistema refere-se aos marcos culturais ou ideológ icos que af ectam ou podem afecta r
transversa lment e os sistemas de orde ns anteriores.
Por último, através do cronossistema conseguimos incorporar uma dimensão temporal no
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contexto de uma vida. I s to é extremamente impo rtante, visto que o temp o relaciona -se com
mudança. Ao introduzirmos o conceito de tempo nos contextos podemos aperceber-nos dessas
mesmas mudanças, da c onfiguração dos múltiplos sistemas, e da altera ção das relações e das
influências.
De acordo com esta perspetiva, ao analisar e av aliar o desenvolvimento de uma criança, o
profissional de educação não se deve centrar apenas no seu comportamento, de forma isol ada
ou como fruto exclusivo da sua maturação, mas sempre em relação ao ambi ente em que a
criança se insere, suas interaç ões e transacções. Como refere Bairrã o (1994, p.42 ) "a
determinação significativa daquilo que uma criança pod e, r ealizar, só ganha v erdadeiro
sentido se for conhecido o contexto em que está inserida" . Informações sobre a vida da
criança: as su as atividades, interações, experiências e contacto com colegas em ambie ntes
naturais fornecem a im agem global de que o profissional necessita previamente à sua
intervençã o.
Neste novo modelo bioecológico, propõem-s e u ma recombinação dos p rincipais componentes
do modelo e cológico c om novos e lementos em re lações mais dinâmicas e int erativas. O
desenvolvimento humano deverá, então, ser estudado através da inter ação de quatro núcleos
inter-relacionados: processo, a pesso a, o contexto e o t empo (Brofenbrenner & Morris, 1998,
cit. in Cecconelo et al., 2003).
5.3.2. Modelo Tra nsacional
O modelo Transacional, por sua vez, foi articulado inicialmente por Sameroff e Chandler
(1975) numa tentativa de expli car as variações n os resultados em nível do desenvolvimento
obtido por bebés de risco. Os autores levaram em consideração fa tor es biol ógicos e sociais,
mas defendiam que estes não eram suficientes para prev er o desenvolvimento dos bebés.
Apontam que o impacto destes fatores é mútuo e variam em função do tempo. A criança
modifica o seu ambiente e é, por sua vez, modificada pelo a mbiente que ajudou a criar
(Sameroff e Chandl er, 1975). Baseando -se em outras investigações que propuseram o
conceito da interação entre or ganismo e ambiente, estes autores contribuíram com a
formulaçã o de uma teoria mais dinâmica que inclui a noção de tr ansação, introduzindo a
variante tempo. P ressupõe que um modelo que te nte ex plicar o dese nvolvimento tenha o seu
enfoque voltado para o processo dinâmico de mu danças oco rridas ao longo do tempo entre a s
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interaçõe s da criança e o seu ambiente.
Na aborda gem de Sameroff e Chandler (1975) também se pressupõ e qu e mãe e filho, po r
exemplo, sofram mudanças r esultantes d as tro cas entre ambos, ou seja , uma determinada
caracter ística d a criança pode desencadear uma re ação na mãe, que p or sua vez, poderá
influenciar o comportamento da cri ança em outro momento. Em S ameroff e Chandler (1975),
as modi ficações d e com portamento que ocor rem ao longo do tempo são resultado d e um a
série de intercâmbios entre indivíduos envolvidos num sis tema partilhado, por meio de
princípios reguladores. Os autores consideram três variáveis importantes que afe tam o
desenvolvimento: as car acter ísticas ambientais, o genótipo e o fenótipo. As características
ambientais têm uma organização social contendo padrões reguladores do desenvolvimento e é
composta por subsistemas que “transacionam” com a criança e entre si. A int eração entre
estes subsistemas é complex a e transacional (Sameroff , 1983 ). Esta organização social
eng lob a três níveis de fatores ambientais: a cultura, a família e os pais. Cada um destes níveis
tem padrões re guladores com códi gos próprios que influenciam as ex periências vividas pel a
criança em desenvolvimento, em parte por meio d as crenças, valores e pers onalidade dos pais;
em parte, por meio dos padrões de interaç ão e h istória da família; e, em parte, através das
crenças de soc ializ ação e códig o cultural (Sameroff e Fiese, 2000).
5.4. Impacto da Deficiência na Dinâmica Familiar
O papel da família é oferecer um seio d e desenvolvimento seguro, onde as crianças possam
aprender a serem human as, a amar, a formar a s ua personalidade única, a desenvolver sua
auto-imagem e a relacionar-se com a sociedade mais ampla e mut ável da qual e para a qual
nascem (Buscaglia, 1997, p. 84).
A chegada de um novo membro na f amília é sempre um mome nto de expectativas e de
reestruturaçã o na din âmica familiar. I nicia -se assi m um gradua l movimento de preparação do
espaço familiar para a chegada de um novo ente. S ão mudanças que ocorrem nos aspectos
emocional, comporta mental, físico, social e económico. Da mesma forma que a fa mília vem
sendo construída hist oricamente e apresenta-s e nas formas que hoje a conhecemos, a
dimensão afetiva também se constrói historicam ente e socialmente. A perspetiva da chegada
de um bebé que se apresenta no enredo familiar in icia-se mui to ant es d e o novo m embro
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chegar pois a gestação engloba o crescimento direto de um sentimento de pertença desse novo
ente a e ss e núcleo de relações e lementares chamado - família.
Cooper (1989) descreve esse sentimento como algo mútuo, interpessoal e partilhado na
maneira como os filhos se sentem ‘pertença’ e vice -versa. O mundo é então dese nhado e
recortado pela conduta dos sentimentos e da int imidade familiar. É um sentimento que está
articulado ao que o ‘outro significa p ara mim’ e ao que ‘eu si gnifico para o outro’. Esse
sentimento pode a largar- se e ex pandir-se para incluir os pais, os irmãos, o utros membros da
família, amig os e outros relacionamentos que venham a tornar -se im portantes. (Cavalcante,
2003, p. 26).
5.4.1. Gestaçã o
Antes mesmo do nascimento de um bebé, ele já ex iste nos pensamentos, fantasias e desejos
dos seus pais. É comum que essas fantasias este jam ligadas aos conteúdos emocionais dos
progenitores e que atendam a uma idealiz ação dentro dos padrões da sociedade. Padrões esses
que enfa tizam o perfeito, o saudável e o bonito.
A mãe já imagina o seu f ilho a aconchegar-se no seu seio com os traços que lhe são familiares
e atrativos. O pai, por sua vez, pode imag inar o fil ho correndo atrás de uma bola saltitante e
feliz. Não só é comum como perfeitamente saudável que os pais e demais membros da família
exercitem essa produção de imag ens, que na da mais é do que a materialização de um futuro
próximo e desejável.
Além do desejo ma nifestado em pensamentos, fantasias ( conscientes) e s onho s
(inconscientes) de conteúdo positivo em relação ao bebê que chegará , é comum que ess es
mesmos condutores internos possam expressar t emores em rel ação à maternidade. Um do s
temores mais comuns e universais diz respeito ao medo de dar à luz um filho com deficiência.
Decorre de ss es temores o medo de gerar uma criança que, por alguma limitação, não possa ser
adaptada ao meio social e cultural; uma criança que dependerá exclusivamente de sua família
que, nesse momento, não se acha preparada para um desafio dessa n atureza. Além da
deficiênc i a em si e sua s dificuldades inere ntes, outra situação que torna o cenário mais
complexo é a atitude da sociedade di ante dela.
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A ideia de deficiência i nstituída no imaginár io social gera instantaneamente a ima ge m de
incapacidade, de dependência, d e sofrimento, de trabalho, de culpa e de dor. Não é raro
observar, nas falas d e pai s e mães que esp eram um bebé, a esp erança de q ue o seu filho possa,
de alguma forma, realizar coisas que eles não alcançaram. É evidente que pensame ntos que
ameaçam esses sonhos sejam prontamente suplementados e que a expectativa de uma criança
sem problemas permaneça c omo ima ge m central do desejo familiar.
5.4.1. Deteção
Os pais podem entrar em contacto com a deficiência de s eu filho de várias mane iras. T al
poderá ocorrer muito antes de o beb é nascer, através dos ex ames relativos à fase pré -n atal se o
médico assistente (ecografista) encontrar indí cios clínicos de que algo não está bem. É
comum, nessa fase, a ocorrê ncia de problemas refe r entes à má-formação, síndromes e
infeções oportunistas que levam à de ficiência.
A maioria das deficiências pode ser diagnosticada logo após o p arto, com a observação direta
da criança e com exames clínicos im ediatos. Partos demorados e traum áticos podem trazer
consequências irreversíveis ao bebé. A paralisia cerebral, por ex emplo, é uma dessas
consequênc i as. No entanto, a criança pode nascer sem apresentar nenhum problema aparente
e, mais tarde, ao longo dos primeiros meses e/ou anos revelar défice visual e ou auditi vo –
caso da surdocegueira congénita .
5.4.2. Circunstâ ncias de transmissã o do diag nóstico
Independe nte do momento em que os pais entram em contato com a de ficiência do seu filho e
de quão fortes e maduros possam ser, essa é sempre uma situa ção envolta de muita dor, medo
e incerteza. O que pode ser ainda mais penoso é se essa notí cia for dada de maneira im própria
pelo profissional que faz o diagnóstico. Não é r aro encontrarmos depoi mentos de pais que
rece ber am inadequada m ente a informação sobre a deficiênci a do filho, facto que g erará mais
desconforto e insegura nç a.
Não só a f amília tem dificuldades emocionais em lidar com a deficiência, como também
alguns profissionais da área da saúde nem sempr e se encontram habilitados emociona lmente
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significa dos subjetivos dados p ela família ao str essor, poderiam aumentar a sua
vulnerabilidade ou resistência a o mesmo stressor.
McCubbin e Patterson (1983 , cit. in Albuque rque, 2000) re vendo a li teratura, de cidiram
ampliar o modelo antes proposto por Hill, de forma a incluírem esforço s de reorganização
familiar no curso do tempo, introduzindo toda uma série de variáveis de natureza psicológica,
intrafamiliar e social. S urge, desta forma, o Mod elo Duplo ABCX [ Figura 5 ] , no qual o
stressor passa a ser os acontecimentos que alteram ou têm o potencial de alterar o sistema
familiar, mas também as exigênc ias associadas a esses eventos e as tensões pré -existentes de
ordem int rafamiliar, conjugal, financeira, entre outras. Este modelo p rovidencia uma base
teórica para examinar as variáveis mediado ras que c ontribuem para o aumento do stress
familiar tais como a severidade da d eficiência, estatuto sócio económico e os recursos
disponíveis. P esquisas recentes indicam que a família tem de ar r esposta a uma complex a
variedade de variáveis q uer protetoras quer ca usadoras de stress de forma a dar cumprimento
às suas funções d e Prest ador de cuidados p arale lamente às suas demais funções. Nenhum a
variável por si só f az prever o surgimento de situações de stress , assim como as redes d e
apoio formal e informal poderão compensar a insuficiência de recursos familiares.
Estes autores estab elecem a diferença entre os conce itos d e "stresse" e "crise". Definem o
primeiro como "estado r esultante de um desfasam ento, real ou p ercebido entre as exigências e
as capac id ades familia res", e o segundo como "a perturbação e desorga nização provocadas
pela incapacidade momentânea de restaurar o equilíbrio familiar". Assim, o stresse poderi a
nunca derivar numa crise, caso a f amília consiga mobi lizar os seus recursos, mantendo a
estabilidad e.
(B) Recurso s fam ili ares par a
Lidar com a situação
Eventos Stres sores (A) Adaptação F amiliar (X)
"(C) Percepç ão fam iliar sobre
estes e anter iores eventos
stressores
Figura 5 - Mo delo Duplo ABCX (B aseado e m Ja cques, 2003 )
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Reiss e Oliveri (1980) referem que o surgim ento d e situaçõ es de st ress ou crise est á
estreitamente relacionado com as percepções que a família tem do stresso r e do que pode s er
feito para dimin uir o seu impacto, ou seja, da “ construção familiar da re alidade” ou
“para di gma familiar” . D a conjugação dos recursos com as referidas pe rcepções famili ares
resulta o proce sso de co ping familiar. McCubbin e colegas (1980, cit. in Albuquerque, 2000,
p.146) entendem copin g como o processo de reequilíbrio do sis tema familiar, visando
promover a sua unidade e fa cilitar o desenvolvimento individual.
Mais recentemente, McC ubbin e McCubbin (1991, p.23) propuseram o Modelo de Resiliência
de Stress , Ajuste e Adaptação Familiar. E les dirigi ram a atenção em dire çã o aos elementos de
funcionamento familiar dura nte períodos de doença e outras ocasiões de stress .
O Modelo de Resiliê ncia divi de a resposta familiar às mudança s em duas f ases,
especificamente a de Fas e de Ajuste e a Fase de Adaptação. Na primeira, o níve l de ajuste da
família em resposta ao evento stressor ou transição é determinado pela interação dos
seguinte s elementos: (a) a severida de do stressor ou transição; (b) a vulne rabilidade familiar;
(c) o comportamento característico d a f amília; (d) o nível d e recursos que família dispõ e p ara
fazer face às exigências do stressor, (e) a aval iação que a f amília faz do stressor, (f) a
resolução do problema e modo de lidar com o str essor. O ajuste é uma re sposta de curto
termo, envolvendo alterações menores na família.
O movimento para inic iar mudanças no sistema fa miliar caracteriza o início da fa se de
Adaptação.
Esta segunda fase descreve o processo no qu al estão envolvidas mu danças "nos papéis
estabelec idos, regras, obj etivos e/ou padrões de interação". O ní vel de Adaptação em resposta
a uma situação de crise é d eterminado pela i nteraç ão entre os se guintes fatores: (a) à
quantidade de exigênc ias relac ionadas c om o stressor, (b) as capacidades adaptativas da
família e os seus recursos; (c) o modo cara cterístic o de comportamento da família ou
tipologia; (d) a av aliação familiar da crise ou transição; e (e ) as respostas da família
relacionadas com a resolução do problema e de coping.
Para Lazarus e Folkman (1984, cit. in Gomes et al., 2004), o str esse con stitui as ex igênc ias
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internas ou e xternas qu e são avaliadas pelo in divíduo como excede ndo os seus recursos
pessoais. Estes autores propuseram um modelo que identifica dois conceitos centrais: a
avaliação cognitiva e o coping. A avaliação co gnitiva refere-se à apreciação do evento para
verificar se a sit uação é benigna ou s e c ausará d anos ao sujeito. O coping, por sua vez, diz
respeito aos constantes e mutáveis esforços cognitivos e comportament ais utilizados pelo
indivíduo para lidar com o str ess . Dessa forma, o stress e o coping consistem em int eraç ões e
ajustamentos contínuos entre o suje ito e o ambiente.
Bra dford (1997) int egrou conceitos da t eoria sistémica (Minuchin, 1990) e de teorias
cog nitivas ( Lazarus & Folkman, 1984), desenvolvendo um metamodelo sobre adaptação
familiar a doenças crónicas. Este autor propôs u m modelo base ado em quatro factores que
foram identificados em suas pesquisas como influenciando a adaptação familiar. São eles:
modos de funcionamento familiar, padrões de c omunicação intr a e extra -familiar, qu alidade
dos sistemas de saúde, e crenças sobre saúde.
De acordo com o autor, nã o se pode afir mar que a prese nça de uma enfermidade, representa
um evento inquesti onavelmente adverso p ara a família. Diante desta situação, a família é
confrontada com stressores que podem lev ar, ou não, ao des envolvimento de str esse o u
depressão, se não forem dirigidos adequadamente. A presença de comprometimentos na saúde
de qualquer membro na família demanda uma reorganizaçã o familiar, afetando cada um de
seus componentes de difere ntes modos, ao longo do ciclo vital.
Conforme resume Relvas (2004, p.31) "a históri a da vida da família é, então, a história da
sucessiva progressão dos seus momentos de crise e momentos de transiçã o, bem como da
evolução ou de difi culdades que a sua elaboração comporta" .
Algumas li mitações deste modelo prendem-se com o facto de ter o seu foco na disfunçã o
desprezando os modos como as f amílias se adaptam ou fun cionam com as complex as
exigências e recursos disponíveis.
5.5.3. Modelo d e ciclo famil iar
Na década de 80, um co rpo de investi gação renovador conduziu ao afloramento de questões
importantes às abordagens até aí praticadas (Crnic et al., 1983). Uma análise crítica à pesquisa
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realizada até então ressaltava a adopção de uma persp ectiva estritamente patoló gica e
unidirecional (idem).
Como foi referido por Turnbull e Turnbull (1986), na literatura prolife ravam afirmações e
ge neralizações "ne gativamente coloridas", reflexos de uma visão e mpobrecedora da
deficiênc i a e do seu im pacto nas famílias. A in dividualidade das respos tas de c ada nú cleo
familiar era i gnora da, a compreensã o da sua evolução temporal e do seu funcionamento,
assim como a considera ção de possíveis influências positivas da criança com deficiência na
família.
Conforme Salisbury (1987) viria a considerar, er a imperativo o "reconhecimento dos a spetos
típicos, normativos e adaptativos das famílias d e crianças com deficiência". Destacam -se
algumas incursões inovadoras no estudo das adaptações da família à deficiência: como
algumas famílias são aparenteme nt e capazes e enfrentar conjuntura s a ssoladoras (Bristol,
1987), o contributo infan til (Turnbull e Turnbull, 1986) e as ne cessidades da família (B aile y
et al., 1988).
Turnbull e Turnbull (1990) associaram as abordagens soci ológicas sobre a teoria dos sis temas
familiares com as investi gações que an alisavam a organização e o funcionamento das famílias
com filhos deficientes ( Turnbull, Brotherson & Summers, 1985) e, em resultado, sugeriram
um modelo conceptual que dá uma nova ópti ca do sistema familiar e possibil ita novas
possibilidades para a criação de serviços de apoio.
Aspeto fundamental dest e modelo é que as famílias, semelhantemente ao que acontece com as
pessoas, têm um ciclo de vida de certa forma p revisível e que espe lh a o desenvolvimento
familiar ao longo do tempo.
Os conceitos chave de ste modelo incluem:
Características famili ares - tam anho, estrutu ra, antecedentes culturais, est atuto sócio
económico, loca lização geográfica;
Interações familiares - i nterações maritais, interações entre pais e filhos, interaçõe s
entre irmãos, interaç ões c om a família alargada ;
Funçõe s da família - os autores defendem que as famílias existem para preencher a s
necessidades dos indi víduos inseridos na unidade familiar, assim com as neces sidad es
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da família como um to do. As taref as levadas a cabo para dar respos ta a essas
necessidades são referidas como funções da família e div idem-se em oito categorias:
afeto, auto-estima, espiritualidade, e conomia, cuidados diários, s ocialização,
recreação e educ ação.
Ciclo de vida da família - a família evolui ao longo do tempo de um modo algo
previsível de um estádio para o seguinte, com transições identificáveis entre os
mesmos. Os autores apresentam os diferentes estádios da f amília con siderando a
presença de cri anças e a idade e evolução do filho mais velho como critério adequa do
para a sua determinação. Denominam esses estádios da seguinte forma: nasc imento e
pequena infância; infância; adolescê ncia; adultícia.
Outros autores, como Relvas (2004, p.21), apresentam novas possi bilidades de categorização
do desenvolvimento do ciclo vital da família em cinco etapa s:
1ª etapa - F ormação do casal;
2ª etapa - Família com filhos peque nos;
3ª etapa - Família com filhos na e scola;
4ª etapa - Família com filhos adolesce ntes;
5ª etapa - Família com filhos adultos (empty-nest).
Como comenta a autora, estas categorizações referem -se "à família típica, de classe média (...)
não contempla uma série de variantes que, hoje e cada v ez mais, são importantes em termos
de análise da família e de que são exemplos, entre outras, os div órcios, as famílias
reconstituídas, as família monopare ntais, as família homossex uais, as famílias sem f ilhos e as
famílias de adopçã o". Igualmente se sublinha que a "hipotética linearidade da v ida familiar"
aprese nt ada nem sempre se encontra refletida na realidade onde, em muitos casos, os estádios
de desenvolvimento se sobrepõem levando à ex istência de diferentes níveis d e
desenvolvimento na mesma família. Daí se ressalt a, mais uma vez, a ne ces sidade de atender à
individualidade de ca da f amília.
Este modelo poderá ajudar a desenvolv er um conhecime nto mais apr ofundado sobr e as
competências e as neces sidades específicas d as f amílias, uma vez que o reconhecimento de
que os pais são membros da famíli a com incontáveis responsabilidades, necessidades e
preferênc ias individuais influencia profundamente a relação pais -profissionais em educação
especial.
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5.5.4. Modelo ( bio)Ecocultur al
A importância de ste modelo (bio)Ecocultural [Figura 6], derivado do Modelo Ecológico
desenvolvido por Brofenbrenner ( 1979), já referido anteriormente, é que propõe que os
indivíduos e as famílias existem não isoladamente mas num contexto de relações mais
alarga das em soci edade. O funcionamento do indivíduo ou família depende da forma com o
estes se r elacionam em contextos mais amplos, os quais exercem influênci a sobre si e, por sua
vez, de como eles, indi víduo e família, influe m no contexto . Exemplos de tais relações
incluem a flexibilidade laboral, a qual pode facilitar o equilíbrio entre trabalho e a
responsabilidade de cuidar do filho com deficiência, ou como os serviços de apoio à
deficiênc i a apoiam a o portador de deficiência e a sua família.
in http://inte rvirnadifer enca.we bnode.pt/
Figura 6 - Modelo (bio) Ecocultural (Ba seado no Modelo Ecológico de B rofenbrenner, 1979)
Ao nível do microssiste ma situam-se os padrões de atividade e as relações interpessoais no
seio família, por exemplo. No nível imediatamente seguin te encontra-s e o mesossistema
situam-se outros sistemas em contacto com a fam ília como os viz inhos ou o local de trabalho.
No exossistema encontram -se os sistemas or ganizacionais mais alarga dos tais como os
sistemas de saúde e as es truturas sociais que se int erligam mais às polí ticas. O macrossistema
diz respeito aos sistemas mais alargados qu e remetem para a cultur a, econo mia, religião, entr e
outros.
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Segundo G allimore e colegas (1989 ), as famílias constroem ativamente a sua própria
ecologia. O Modelo Ecocult ural (ecológico-cult ural) aplicado às famíli as de crianças com
deficiênc i a pode trazer uma compre ensão mais profunda compreendendo (a) um contexto que
provê oportunidad es e limitações sobre as famílias; (b) as perspe tivas das próprias famílias
acerca d as suas vidas e das suas circunstâncias, incluindo valores e objetiv os familiares e ( c)
os esforços pró-ativos das famílias para adaptarem a criança com deficiência (Nihira et al.,
1994).
Este quadro teórico assenta no Modelo P sicocultural apresentado por Wh iting e seus colegas
(Whiting, 1976, 1980, Whit ing et al., 1975, 1988). A ideia central a esta abordagem é de qu e
as famílias respondem ativamente e proati vamente às circunstâncias da sua vida e que
constroem e organizam um ambiente que dê sentido à sua vida (Berneimer et al., 1990, 1995;
Weisner, 1984).
A aborda ge m do Mod elo Ecocultural ressalta q ue a família não está im ersa na sua própria
ecologia, mas que ativa mente cria a sua ecolo gia f amiliar (Gallimore et al., 1989). Este
modelo pretende compreender a interli gação entre a atividade da família e o desenvolvimento
da criança. Providencia uma aborda ge m qu e co ntempla : um contexto c om oportunidades e
obstáculos para as famílias, as pe rspetivas da família sobre a su a vida, obj eti vos e valores e os
esforços pró ativos desta para adaptarem a criança com deficiência.
Com base em investigação intercultural, W eisner (1984) identifica fo rmas universais de
organização da vida fami liar.
Propões doz e categorias de ecologia familiar que mostraram in fluenciar diretamente a vida
tanto de crianças c om d eficiência como de famílias:
1. Subsistência familiar e base fina nceira;
2. Acessibilidade a serviç os de educaçã o e de saúde;
3. Segurança no lar e na vizinhança;
4. Trabalho doméstico (ex cluindo cuidados com a criança ) e divisão de tarefas na
família;
5. Tarefas re lativas aos cuidados com criança;
6. Grupo de amigos da criança;
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7. Relações de papéis maritais;
8. Envolvimento em cadeias e orga nizações;
9. Papel do pai e da mãe nos cuidados com a criança;
10. Fontes de influê ncia cultural da criança ;
11. Fontes de informaçã o parental e alvos;
12. Heteroge neidade da comuni dade.
A teoria e cocultural propõe que os efeitos ecológicos são m ed iados através de "cenários de
atividade" diária ( activity settings) (Tharp et al., 1988; Weisner et al., 198 5, cit. in Gallimore
et al., 1989). Os "cenários de atividade" providenciam oportunidad es d e aprendizagem e
desenvolvimento para as c rianças, através da modela ção, participação conjunta,
responsabilização por tarefa s e outra s formas de aprendizag em por me diação social. Tal
atividade, não deriva de um currículo mas da "arquitetura da vida quotidiana" (Gallimore et
al., 1989). O seu objetivo reside na interação criança-adulto e pode m ser ocasiões de ensino
deliberado.
Os "cenários de ativida de" têm cinco componentes: quem está p resente, seus v alores e
objetivos, que tarefa s são levadas a cabo, por que são e stas levadas a cabo (motivos e
sentimentos que envolv em a a tividade) e " roteiros" (scripts). Estas c omponentes são um
instante perceptível de ecologia e cultura. Relembrando Bronfenbre nner, também a propósito
dos contextos de socialização, referiu que a socializ ação deriva da interaçã o entre os "cenários
ambientais" e os "processos" que n eles decorrem (B ronfenbrenner, 197 9, cit. in Ba irrão,
1994).
Retomando essa noção, Barker (1968, cit. in Bairrão, 1994) define "cenário" como unidad e de
meio ambiente/comportamento, na qual têm lugar padrões cíclicos de a tividade dentro de
intervalos específicos no tempo e de li mites no espaço. Também Tietze (1986, cit. in Bairrão,
1994) e Ti etze e Rossb ach (1984, c it . in Bairrão, 1994) de finem "cenário" como unidade
social relativamente está vel (dimensão pessoal), a qual está normalmente associada a locais
específic os (dimensão espacial e material), nos q uais oc orrem padrões de a ção relativamente
estáveis (dimensão ação) e que estão inseridos num contex to orga nizacional, legal, económico
e funcional ( dimensão or ga nizacion al).
Para estes autor es, nos cenários encontramos variáveis de estrutura (as cara cterísticas físicas e
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ambientais dos cenários, das pessoas qu e n eles a tuam e as atitudes e c renças dessas pessoas) e
de processo (intera çõ es entre os intervenientes n a ação). Os "cenários de a ti vidade", como
unidade de análise, oferecem um critério de seleção de vari áveis ecológicas que,
potencialmente, influenciam os cuidados às cria nças e o s eu des envolvimento. Em variados
graus, influenciam com quem os seus filhos estão, o que fazem, como as atividades são
levadas a cabo. À med ida que os pais relatam as suas adaptações, as alternativas que
consideram e os compromissos que leva m a cab o para alca nçarem uma rotina diária estável,
estão revelando a sua con strução social do "nicho ecoc ultural" da sua família.
O nicho ecoc ultural ( ecocultural niche) (Super et al., 1980, 1986) refle tid o na narraç ão d as
suas rotinas diárias refere- se a mais do que ao "ambiente do lar”. No quadro proposto pela
Teoria (bio)Ecocultural, a família é mais do que uma vítima im potente de forças so ciais e
económicas.
A partir de tal conjunto de forças e ações, as famíl ias constroem o seu nicho ecocultural.
Tal econicho reflete a ecologia material (ex: rendimentos; condições de saúde pública;
habitação e espa ço; tra nsporte e proxim idade de familiares e serviços) mas também os
conceitos culturais a qu e re correm para c ompreender e or ganizar a sua vida diária (p.e.
crenças e objetivos relacionados com o bem e a moral; as o rigens e as causas de d eficiências;
a conduta culturalmente apropriada nas relações familiares e no casamento). Isto si gnifica que
o nicho ecocultural não é estático, modifica -se a dois níveis, (a) constrang imentos
socioeconómicos e rec ur sos, um processo histórico -cultural que ultra passa o seu controlo e ( b)
ao nível da adaptaçã o da família (Gallimore et al., 1989).
Estudos recentes reconh ecem que essas f amílias enfrentam as mesmas o brigações e tarefas
que as fa mílias com crianças sem deficiênc ia (Barnett et al., 1995). R elatos de famílias
sugerem que estas encar am as suas vidas como algo mais qu e períodos d e crise interva lados
por longos períodos de vida rotineira (Kaufman, 1988, cit. in Gallimore, 1999). Também
Gomes e Bosa (2004) descreveram que a presença de um membro com Transtornos Globais
de Desenvolvimento na família não representa, obrigatoriamente, um evento adve r so para os
irmãos, desde que haja qualidade na s relações famili ares e uma rede de apoio.
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6. A Adaptação na Di nâmica Familiar
Cada família possui um dinamismo próprio que lhe confere, pa ra além da sua individualidade,
a sua autonomia. O funcionamento da família não é simplesmente rea tivo à s forças do meio,
pois e stá també m sujeito a forças interna s, possuindo uma capacidade aut o-organizativa que
lhe confere c oerência e c onsistência nesta interac ção de equilíbrios dinâmicos (Relvas, 2004).
A adaptação é um processo comum a todas as famílias. Ocorr e frequentemente, embora poss a
ser mais freque nte em determinados períodos da vida familiar do que em outros e o nível e o
foco das atividades adaptativas variam de família para família (Gallimore et al. , 1993).
Também Pia get, um só cio-construtivista, se re feriu ao processo d e adaptação [Fi gura 7] .
Segundo o autor, a permuta entre o sujeito e o mundo opera -se po r dois mecanismos
constantes: a assimilação e a adaptação São estes mecanismos funcionais que possibilit am a
construção de novas e struturas ou esquemas.
A assimilação consiste no processo de usar ou transformar o ambient e ao ponto de se
apropriar dele e integrá-lo em estruturas co gnitivas pré -exist entes. Ou seja, é a inte gração
constante e permanente dos estímulos do exterior nas estruturas ex istentes do sujeito. No
entanto, a assimilação do objeto pelo sujeito não é total, há uma resistência deste que impli ca
a adaptação. Então as e struturas do sujeito reagrupa m -se, modificam-se sobre pressão das
particularidades do meio. Assim , a ada ptação é o processo pe lo qual se alteram as estruturas
de forma a incorpo rar algo novo e ex terior, provindo do ambiente envolvente. O indi víduo, ou
a família, reajusta-se a cada variaçã o do exterior.
INDIVI DUO
MEIO
ADAPT AÇ ÃO
ASSI MI L AÇ ÃO
Figura 7 - P rocesso de assimilaçã o e ada ptação segundo Piaget
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a) Hereditária – pode estar associada à síndrome de Usher, geralmente distinguida
por surdez congénita e perda gradual do campo v isual a partir do período da pré -
adolescência, pode ndo levar a cegueira na idade adulta;
b) Pré-natal – muitas veze s relacionada com complicaçõe s congé nitas devido a
infeções, como rubéola, toxoplasmose, c itomegalovírus, sífilis ou síndr ome de
álcool fetal;
c) Compl icações no na scimento – como prematuridade;
d) Pós-natal – relac ionada com infeções, meningite, traumas ou tumores.
8.2. Prevalência
Num estudo desenvolvido pela EDbN (2006) para compre ender a situação do reconhec imento
da surdocegueira nos Est ados-membro da Eu ropa, surgiram dados de qu e na União Europ eia
existem no mínimo 150 000 pessoas surdocegas e que estas constituem um dos grupos sociais
mais excluídos. Quanto ao reconhecimento da surdoceg ueira, foi reve lado que 76% dos
Estados-membro europeus não a reconhece como uma deficiên cia distint a e que em 67% dos
países não existe um programa específico pa ra a identifica ção de crianças e adultos
surdocegos De acordo c om os censos do Instituto Nacional de Estatís tica, no ano de 2001,
existiam 634.408 pessoas com deficiência, 6,8% da pop ulação residente no país (I NE, 2002).
Todavia, desconhece-se o número de pessoas s urdocegas incluídas neste grupo (cit. in Gaspar
et al. , 2013 ) .
Segundo a Revista de Estudos Demográficos ( INE 2015), a caracterizaçã o da pessoa
surdocega e numa amo stra de 135 casos iden tificados pelas instituições nacionais com
pessoas surdocegas associadas, v erificou-se que a maio ria da população é portu guesa
(94,6%), adulta (45,9%), pertence ao sexo masculino (60%), n a sua generalida de é
solteira/divorciada (81%) , tem o 1.º ciclo e encontra-se em situação de reforma ou aufere uma
pensão (27,5%). Centrando-se a média de idade nos 40,1 anos e desvio padrã o de 21,3. As
pessoas envolvidas apresentam idades compreendidas entre os 2 e os 99 anos. Sendo 17,8%
crianças e adolescentes ( 0-18 anos), 24,4 % jovens adultos (19-35 anos), 45,9% adultos (36 -64
anos) e 11,9% idosos (mais de 65 anos). Distribuindo -se o sexo masculino em maior
perce nt agem p elo grupo etário dos adultos (45,7%) e jovens adultos (24,7%), e um menor
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número na f aixa das crianças/adolescentes (18,5%) e dos idosos (11,1%). O sex o feminino
mantém a dist ribuição d o sexo oposto, encontrando-se semelhantemente a maiori a na idade
adulta (46,3%) e jovem adulta (24,1%), e um a menor percentagem d e crianças/adolescentes
(16,7%) e de idosos (12,9%).
8.3. Cara cterísticas
São designadas por pes soas surdocegas as crianças, jovens e adultos com necessidades
educativas especiais d e caráter prolongado qu e apresentem combinação de acentuadas
limitações sensoriais – a udição e visão – qu e dif icultem a compreensão do mundo em seu
redor e a interação com os outros e com o meio envolvente (Rodrigues, 2006).
A surdoce gueira descreve uma condição que co mbina acentuadas li mitações nos domínios
sensoriais em graus distintos (Dea fblind I nternat ional, 2006, e S ense, 2006). As combinações
das limi tações visuais e a uditivas apre sentadas pela pessoa surdocega congénita podem variar
entre perdas moderadas a profundas (Chen, 1999). Mil es e Riggio (1999) indicam que se
podem constituir quatro grupos disti ntos: os que são surdos p rofundos e cegos; os qu e são
surdos com baixa visão; os que têm perdas auditivas e são c egos e os que têm alguma visão e
audição [Figura 8 ].
S URDOCEGUEIRA
C ONGÉNITA
Surdos profundos
e
cegos
Surdos
com
baixa visão
Cegos
com
perdas auditivas
Alguma visão
e
audição
Figura 8 - Esquem a tizaçã o do s tipos de surdocegueira congénita
A varieda de das limitações sensoriais incluída no termo surdocego é en orme (Miles, 1998 ).
Há que olhar para a diversidade do termo e pa ra a natureza única d a pessoa surdocega e o
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efeito que tem na p essoa em termos da sua capacidade para comunica r (Mi les e Riggio, 1999,
cap. 2). A existência da dupla limit ação se nsorial - visual e auditiva - multiplica e intensifica o
impacto de c ada uma destas limitações isoladas, criando di ficuldades únicas à p essoa
surdocega e desafios esp ecíficos às famílias e a os profissionais que com eles trabalham.
A pessoa surdo cega experiencia gra ves problemas na comuni cação, no acesso à informação,
na mobilidade e consequentemente na interação com os outros e com o meio. As suas
necessidades específicas diferem muito de acordo com a idade em que a surdocegueira sur ge,
isto é, se é congénita ou adquirida ( Deafblind I nternational, 2006, e S ense, 2006, cit. in
Nunes, 2008). Dadas as características únicas dest a população é comum sentirem -se inseguros
quando se movimentam, pois dadas as limi tações sensoriais, muitas vezes as privações quer
ao nível da visão, quer a o nível da audiç ão, condicionam a informação sensorial recebida. « As
dificuldades na movimentaçã o afetam, ainda, a forma como percebem e organizam o mundo,
interferindo no dese nvol vimento de conceitos básicos » (NYSTAP, s/d). Na opini ão de Gense
e Gense (2004), o ensino de competências na área da Orientação e M obilidade ajuda as
crianças com surdocegueira a usare m as informações sensoriais recebidas; compree nderem
melhor os ambientes; sentirem-se mais motivadas para se movimentarem; sentirem-se mais
seguras e s erem mais independentes.
Algumas pessoas surdo cegas já nasceram com a dupla deficiênc ia sensorial (pessoas
surdocega s congénitas – fase p ré li nguística), tornando o s eu contacto com o mundo li mitado
às interações que os técnicos ou familiare s estabelecem co m ele. Mas algumas pesso as só
adquirem a surdo cegueira ao longo d a vida (pessoas surdoce gas adquiridas – fase pós -
linguística), o que constitui uma realidade distinta, dado que essas pessoa s têm experiências
de vida e d e comunicação anteriores ao d esenvolv imento da surdocegueira, tendo po r
conseguinte ne cessidades distintas das que caracterizam as p essoas c om surdocegueira
congénita.
Segundo Rebelo et al. ( 1996), há várias combinações de deficiência possíveis na área da
surdocegue ira adquirida. Um grupo é constituído por aqueles que nascem com de ficiência
auditiva, vindo a adquirir a cegueira anos mais tarde. Diferente d este últ imo é o grupo de
pessoas com cegueira qu e mais tarde adquirem a surdez. P or último, o grupo das pessoas que
nasceram sem deficiênc i a auditiva ou visual, mas que mais tarde adquirem ambas.
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As combinaçõe s d a surdocegueira adquirida apresentam -se na Figura 9.
S URDOCEGUEIRA
A DQUIRIDA
Surdos congénitos
e
cegueira adquirida
Cegos congénitos
e
surdez adquirida
Surdez
e
cegueira adquirida
Figura 9 - Esque m a tização do s tipos de surdocegueira adquirida
Segundo Sousa et al. (2007) em relação ao comportamento infantil, ressaltam -se dois grupos:
um de crianças que apresentam com portamento hipoat ivo (distanciando-se do ambiente
social, isolando-se, evitando comunicar-se), e outro de c rianças com comportamento
hiperativo (que nunca param, apresentam contato visual e apr esentam def esa tátil). Af irmam
também que a privação sensorial, no caso das cria nças, limita as respostas aos indivíduos ou
às atividades do seu amb iente, isto é, interagem d e forma artificial, ou estereotipada. Afi rmam
ainda que essas crianças demonstram uma alteração significativa no desenvolvimento das
habilidades de comunicação, mobi lidade e acesso à c omunicação. A criança surdocega pode
aprese nt ar os seguintes c omportamentos: comportamento autista (movimentos e stereotipados
e/ou rítmicos; comportamento social imaturo; dificuldade em estabelecer relações e
comportamentos afetivos; resistência em usar os sentidos disponíveis (ex. tato, olfato, paladar,
sistema proprioceptivo).
A pessoa surdocega tem uma experiência única do mundo, que lhe cria necessid ad es de
aprendizagem únicas, pelo que não pode ser educado de forma adequada apenas em
programas par a pessoas com limitações nos domínios da visão e da audição. Necessita de
assistência suplementar que vá ao encontro das su as necessidades educativas, resultantes desta
dupla privação sensorial e que asse gurem a possi bilidade de poder alcançar o
desenvolvimento de todo o seu potenc ial.
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8.3.1. Fase pré e p ós ling uística
Segundo Silva (2005), podemos considerar que existem dois gra ndes grupos de pessoas
surdocega s: surdocegos pré-lin guísticos, que adquiriram a surdocegueira antes da aquisiçã o de
uma linguagem, seja o ral ou gestual, e surdocegos pós -linguísticos, que adquiriram a
surdocegue ira após a aqu isição da ling ua gem.
Para quem é surdocego o mundo é in icialmente muito restrito. Se a pessoa for surdocega
profunda a sua experiência acerca do mundo « estende-se apenas até o nde os seus dedo s
conseguirem chegar» (Smi thdas, 1958). Estas pessoas encontram -se e fetivamente soz inhas se
ninguém lhes tocar. Os seus conce itos acerca do mundo dependem das oportunidades que têm
para contatar fisicament e com as pessoas e os materiais. Se tiverem al guma visão ou audição
que possam usar funcionalmente, a per cepção do mundo poderá ser mais a largada. No entanto
em qualquer dos casos, a experiência e noç ão que uma pessoa surdocega tem do meio
envolvente é sempre condicionada pelas limitações sensoriais que dificultam o acesso à
informaçã o e à aprendiz age m at ravés da obs ervação e da exploração autónoma. Ex perienc iam
situações e vivên cias significativamente diferentes das pessoas que não têm qualquer privação
sensorial. “Na g eneralidade, a experiência que a pessoa surdocega t em da rea lidade é
distorcida e fra gmenta da. S endo a visão e a audiçã o capacidades essenciais à compr eensão do
meio envolvente, à m anutenção d a s aúde m ental e da qualidade de vid a, a perd a d estes
sentidos torna mais difícil o desenvolvimento das capacidades comunicativas, de
movimentação e inte raçã o” (Nunes, 2008).
8.4. Necessidad es elementares d a Pesso a Surdo cega
A criança surdocega não apre nde de forma incidental, nem apreende da mesma forma que as
pessoas ditas normais, uma vez que as suas dificuldades e limitações sensoriais, muitas vezes
associadas a li mitações cognitivas, motoras, comunicativas e comport amentais, condicionam
o seu desenvolvimento global.
É essencial conhecer -se a forma como cada criança reage, processa a informação e r esponde
aos estímulos utilizados, nomeadamente que tipo de interesse e exploração faz do mundo que
a rodeia, como comunica as suas vontades, d esejos e necessidades, quais as suas preferências
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e referê ncias, como r eage às ajudas, como interage com o meio envolvente (como o explora,
que tipo de sensaç ões são do seu agra do).
Há que identificar as condições ideais de aprendiz agem, conhecer o tempo de processamento
da informação, qu e temp o necessita para r esponder a estímulos, quais são as suas preferências
para processar a informação e quais as vias de acesso à mesma: tátil, auditiva, visual, olfativa,
ou a combinação entre dois ou mais sentidos, por forma a ini ciar e incentivar o uso da
comunicação e inte ração com os outros. É importante que se conheça a capacidade de atenção
da criança/jovem (como cativar a sua atenção, saber como esta se distrai, quando está atenta –
em que condições, contex tos e atividades), assim como os tipos de ajuda q ue a c riança prefer e
(quais as mais efic azes para a aprendiza gem, que tipos de pistas, quais as ajudas físicas a
utilizar, e qual ou quais os veículos de c omunicação a utiliz ar).
Para além disto é fulcral que se conheça o(s) am biente(s) de aprendizagem onde a criança se
insere a fim de se conhecer também o ambi ente de aprendizagem e possibil idade de
experiência e vivência que possibilitem a contex tualização e desenvolvimento da
comunicação e interação com o meio e com os pares. Ao conhecer -se a realidade inerente à
criança, jovem/adulto surdocego poderão organiz ar-se respostas facilitadoras da sua
aprendizagem que correspondam às suas necessidades. D esta forma, será criada a
oportunidade essenci al para que a criança, jovem/adulto surdocego, desenvolva as suas
capacidades, aprenda, participe nas atividades e interaja com parceiros de senvolvendo meios
de comunicação a daptad os às suas capacidades (API E , 2006).
Os diversos graus d e surdez e deficiên cia visual associados geram quadros específicos de
comportamento e de adaptação educacional. Assim sendo, este conceito desencadeia a
necessidade de categorizar a ap rendizagem na surdocegueira em dois níveis: o sensorial (que
decorre da exploração s enso rial do mundo em redor realizada de for ma autónoma), e o
educacional (que decorre das apre ndizagens possibil itadas e orientada s por agentes externos).
Os comportamentos a presentados por pessoas surdocegas são decorrentes de como
estabelecem contacto com o ambiente e quais são os re cursos que usam para se comunic ar e
se conseguem faze r-se compreender e compreender os outros. A singularidade d a
surdocegue ira prende-se às perdas no processo de desenvolvimento devido à falta d e
comunicação e dific uldades acrescidas no plano de interação social.
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8.4.1. Resposta f amiliar
Segundo Nun es (2008) este desafio é também sentido pelos familiare s e pela comunidade em
geral. Muit as vezes são as próprias f amílias que sentem necessidade direta de maior apoio e
orientaçã o, dado que é nelas que diretamente recai toda uma nova realidade permanente. São
elas as primeiras a contactar com o novo ser q ue lhes traz uma nova e tão desconhecida
realidade . Para muitas fa mílias é impensáve l, e alg umas vezes inaceitável, conviver com t ais
dificuldades, o que implica a ne cessidade de um acompanhamento pr ecoce destas famílias por
serviços de intervenção precoce (D unst, Trivette, & Deal,1988).
O apoio psicológico que estas famílias (nomeadamente o nú cleo familiar) necessitam desde o
primeiro momento de contacto com o seu filho surdoceg o é de tal im portância, que poderá
influenciar a aceitação e aproxim ação com a criança, como a manutenção e equilíbrio entre o
casal. Importa referir que a carência de cuidado s médicos permanente ( nomeadamente n a
primeira infância) é uma rea lidade para a grande maioria de casos de criança s surdocegas, o
que implica uma forte e const ante pre sença de um dos progenitores junto da criança.
As consultas e internamentos médicos, devido a complicações súbitas, são uma constante,
implicando um esforço acrescido aos progenitores e família próxima, de forma a re -
estabelecer o equilíbrio necessário dentro do casal. Por isso, a componente técni ca
desempenha aqui um papel preponderante, pois é esta que permitirá à f amíli a a aprendizagem
de como lidar c om est a nova realidade, quer a nível psicológico, quer a nív el educa tivo.
8.4.2. Resposta e d ucativa
A combinaçã o de acentuadas limitações auditivas e visuais causa dificuld ades sin gulare s na
comunicação, na compreensão do mundo, no desenvolvimento cognitivo, na mobilidade e nas
competências sociais, embora nem sempre limite as capacidade s de aprendizagem. As
dificuldades de comunicação e de compreensão levam, frequentemente, a pessoa com
surdocegue ira a manifes tar problemas emocionais e comportamentais (Miles, 1999). Para
Giangrec o e Do y le (2 000) e Jackson (2005), as p essoas com limitações acentuadas,
nomeadamente com surdocegue ira, necessitam de serviços e apoios específicos que permitam
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maximizar as suas oportunidades educ ativas e ter sucesso nos contextos educativos que
freque nt am.
Segundo Nunes (2008 ), entre outros aspectos, é essencial analisar a educação destes alunos a
partir de múltiplas perspetivas e de enquadramentos alternativos, que diferem das abordagens
tradicionais, proporcionando serviços educativos e apoios adequados e eficazes. É igualmente
importante desenvolver um trabalho colabo rativo, que envolva todos o s intervenientes na
educação de stes alunos: f amília, profissionais da educação, da sa úde, entre outro s.
A análise da Classificação I nt ernacional da Funcionalidade, I ncapacidade e Saúde (C IF ), da
Organizaçã o Mundi al de Saúde sugere que a pessoa surdocega apresenta acentuadas
limitações ao nível de algumas funções auditivas e visuais, da comunicação e da linguagem e
de algumas funçõ es mentais bem como nos níveis de atividade e participação nos vários
contextos de v ida .
Ora, segundo os propósi tos de uma escola modelo, esta deverá ser um lu gar privilegiado de
interaçã o d e práticas de aprendizagens signific ativas, baseadas na cooperação e na
diferenciação inclusiva. É justamente ess a interação que favo rece a aprendizagem. “A
aprendizagem coop erativa é u ma e stratégia de e nsino ce ntrada no aluno e no trabalho
colaborativo em pequenos grupos, que se or ganizam n a base das diferenças dos seus
membros – a diferença como um valor – e que recorre a uma diversidade de atividades,
formas e contextos sociais de aprendizagem, para ajudar os alunos a, ativa e solidariamente,
crítica e reflexivamente, construírem e aprofun darem a sua própria compree nsão do mundo
em que v i vem ( Leitão, 20 06, cit. in Silva, 2006).”
Neste sentido, a aprendiz age m cooperativa é uma estr atégia que, contribui ndo para o
desenvolvimento de cidadãos mais solidários, f acilita a aprendizagem dos aluno s que têm
mais dificuldades. “O c omportamento das crianças muda em função da s ex pectativas das
pessoas que cuidam d elas e também quando inter agem com par es a quem, por sua vez, vão
modificar o comportamento. A criança influencia o meio que a cerca e este i nfluencia o seu
desenvolvimento (Same roff & Mackenzie, 2003)”.
A diversidade é uma característica presente na natureza e constit ui -se com o fato r
preponderante da identidade de todos os se res vivos. Para se compre ender melhor neste
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contexto a proble mática da surdoce gueira há que c onsiderar a idade em que sur giu o(s)
problema(s), as possíve is correçõe s (cirurgias, lentes, próteses auditivas) exist entes, a
extensão de adicionais li mitações co gnitivas, li mitações mot oras e outros possíveis problemas
de saúde. Estes são fatores que af etam o desenvol vimento da criança e jov em que é surdocego
e que ajudam a d eterminar as estratégias específicas que se devem us ar p ara os ensinar
(Rodrigues, 2006).
8. 5. Comunicação
A pessoa surdocega pode evidenciar acentuadas d ificuldades e nível da: compreensão e
produção d e mensagens orais, da interação verbal e não v erbal com os parceiros, da
conversação e do acesso à informação; aquisição de competências, da concentraçã o e da
atençã o, do pensamento, da resolução de problemas , da interaçã o com o meio ambiente, da
compreensão do mundo envolvente e n a formação de conceitos; autonomia pessoal e social;
orientaçã o e mobili dade (Nunes, 2008).
Estas limitações e dificuldades podem se r mais ou menos ac entuadas de acordo c om as
capacidades visuais e auditivas que a pessoa surdocega ap resenta. Quando possuem algumas
capacidades visuais e a uditivas, os conhecimentos que têm do mundo podem ser mais
facilmente alargados. Alguns podem ter visão suficiente para se movimentarem, para
reconhecerem pessoas e ver gestos ou a linguagem escrita ampliada. Outros podem ter
audição su ficiente para entenderem a fala, ouvi rem alguns sons ambientais e inclusivamente
usarem a fala para comunicar (Miles, 1998).
Segundo Haring e Breen (1989), embora seja consi derada como a forma mais comum de
comunicação, a fala não é um objetivo realista para muitas crianças/jovens com problemáticas
severa s. Frequentemente estas funcionam a um nível pré -linguístico qu e requer o uso de
formas não linguística s de comunicação (Causey & Guess, 1989 e Do wning, 1999, cit. in
Amaral et al., 2004).
Para a população surd ocega o desenvolvimento da comunicação requer por part e dos
parce i ros uma capacidade de deteção e de resposta a formas de comunicação não linguísticas.
Dada a n atureza destas formas de comunicação, o conteúdo e a fun ção que exprimem vão
estar sempre dep endentes dos contextos específicos em que são utili zados, tornando a
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definição e utiliz ação de contextos significativos um aspeto fund amental a consid erar na
intervenção educativa.
Segundo Re belo et al . , (1996) as pessoas que nasce ram com deficiência auditiva e que
adquiriram cegueira mais tarde, utili zam o sistema de comunic ação inicialmente aprendido –
ge stual, escrito ou ambos – necessitando de adaptação da dact ilologia e lín gua gestual à palma
da mão e à condição de surdocego. As pessoas co m cegueira qu e mais tarde adquirem surdez
comunicam ex pressivamente através da oralidade e escrita Braille, estando a comunicação
rece ptiva limitada à escrita Braille, necessi tando de aprender a lín gua gestual e dactilologia
adaptada à palma da mão .
Para as pessoas que nasceram sem qualque r tipo de deficiência auditiva ou visual, mas que
mais tarde adquirem amb as, a comunicação receptiva passa pela aprendizagem da dactilologi a
e língua gestual adaptado s à palma da mão, sendo a comunicação expressiva a ora l.
Para as pessoas surdocega s con génitas o contacto que têm com o mundo que as rodeia é
limitado às interaçõe s que os outros (família, técnicos) estabelecem com a pessoa sur docega, e
depende do meio d e comunicação alternativo implementado. Estas li mitações na exploração e
interação atrasam o desenvolvimento dos processos cog nitivos e afectam os progre ssos na
comunicação e na lin guag em.
Para minimiz ar estas dif iculdades util iz am-se sistemas sim bólicos que têm gestos, contacto
físico, sons vocais, movi mentos corporais ou faci ais. Para a pessoa surdocega, o tato é o meio
de comunicação mais utilizado para estabelecer um sistema comunicativo.
8.5.1. Sistemas de Co municação
De referir que pa ra estabelecermos uma comunicação efetiva com a pessoa surdocega teremos
de domi nar o códi go comunicativo específico daquela pesso a ou torna -se nec essário um guia
intérprete que traduza a s mensagens proferidas e/ou recepcionadas.
Segue m-s e alguns exemplos de formas de comunicação utilizadas pelas pessoas surdoc egas e
que são apenas ilustrativos da enorme variedade de métodos possí veis pa ra estabelecer uma
interaçã o comunicativa c om a pessoa surdocega [ Fig ura 10] .
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Nestas sit uações as pessoas ditas normovisuais e ouvientes e qu e tenham al guma
responsabilidade sobre a pessoa com múltiplas limitações tendem a assumir o controlo
nomeadamente pela ini ciação e execução das interações (Hanzlik & Stevenson, 1986;
Mahoney & Roben alt, 1986) sem que as suas intervenções sejam influenciadas pelos sinais e
pistas enviadas pela cria nça/jovem/adulto surdocego.
De acordo com W are (1996), exist em três aspetos que podem interferir n o desenvolvimento
de interações b em suc edi das entre pessoas com deficiências senso riais acentuadas e os
potenciais parceiros de comunicação: em p rimeiro lugar, estas pessoas têm normalmente
respostas lentas que dão orig em a qu e os parceiros de comunicação r espondam no seu lugar,
dominem a interacção se m espera r pel a resposta, iniciem um novo assunto antes que a pessoa
tenha oportunidade de responder. Em se gundo lugar, estes elem entos dã o menos respostas,
sendo estas mais difíceis de detetar e inte rpretar. Um terceiro aspeto é o facto, destas pessoa s
usarem frequentemente, um nível de comunicação que não est á rel acionado com a sua idad e
cronológ i ca. Muitas vezes, as pessoas ditas “normais” estabelecem uma comunicaçã o
verbal/gestual m aioritariamente desenquadrada das c apacidades d a p essoa com múlti pla s
limitações (nomeadamente sensoriais) e tend em a incluir nas int eraç ões conteúdos
relacionados com a idade cronológica corres pondente a um nível pré -lin guístico de
comunicação e não a adaptar os conteúdos à id ade efetiva d e d esenvolvimento cognitivo da
pessoa em causa ( cit. in Amaral et. al , 2004).
Para se estabelecer uma comunicação e ficaz com as pessoas com múltiplas limitações (como
as pessoas surdocega s) é importante: usar uma a borda ge m conversacional, em que ambos os
interlocutores (pessoa dita normal e pessoa surdocega) têm oportunidade de intervir; utilizar
formas de comunicação adequadas à capacidade de sim bolização e de co mpreensão d a pessoa
em ca usa; desenvolver oportunidades de dese mpenho de funções comunicativas
diversificada s. A conversação é definida como sendo « um diálogo entre dois parceiros,
consistindo na existênc ia de múltip los turnos equilibra dos entre os parceiros » (Hagood, s/d).
Para que a conversação integre interações equilibradas é preciso enco rajar estas pessoas a
responderem e a tomarem a vez na interação, o que deve acontecer no d esenvolvimento de
rotinas e das atividades naturais, de modo a expandir a frequência da comunicaçã o e das suas
funções (Moss, 1995).
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Inicialmente estas interações inclue m peque nos turnos entre os parceiros, quando envolvidos
em ações com ou sem objetos; seguem os interesses da pessoa com limitações, partilhando a
atençã o conjunta sobre objetos. A conversação difere dos outros t ipos de interações
comunicativas porque: « centra-se na partilha d e um tópico e não tanto n a comunicação de
necessidades específica s» (Hagood s/d:1).
Para se conversar é preci so ter algo p ara dizer; as pessoas com surdoce gueira têm de ter temas
e interesses p ara dividir com os parceiros (Serpa, 2003), sendo que se não houver tópicos para
partilhar é mais difícil c onversar com al guém. P ara que estas pessoas p ossam ter assuntos
sobre o que conversar precisam de viver experiências significativas (Nunes,2008), que
incentivem a sua curiosidade e a partilha d e informa ção. É necessário conf erir-lhes
experiências sobre a vida real, pois é através destas que surge a ne cessidade e a possibilidade
de conversação e poste rior interação.
Para a maioria d as pe ssoas, conversar com alguém impli ca usa r pala vras ou gestos. No
entanto, também se pode c onversar utilizando outras formas de comunicação, nomeada mente
ações, objetos, expressões faciais, movimentos, imagens, e ntre outras. Este é um aspet o
relevante, dado que a ma ioria das pessoas surdocegas não usa a f ala para c omunicar. P ara qu e
seja possí vel estabelecer uma conversa com el es é essencial usar fo rmas de comunicação
adequadas ao seu nív el de compr eensão e de simb oliz ação. O sucesso deste tipo de interações
depende, também do respeito que o par dito normal tem pelo tempo de resposta da pessoa
su rdocega , o qual pode ser mais lento. Portanto, fazer pausas na interação, dando -lhes tempo
para que processem a informaçã o e para que respondam, torna -se essencial para o
desenvolvimento desta competência. Outro aspeto ex tremamente importante é a considera ção
das formas de comunicaç ão usadas por ambos os parce iros.
A interação da pessoa surdocega com outra pessoa surdocega impli ca, no caso da
surdocegue ira profunda, a pre sença d e int erlocutores que auxiliem no meio de comunicaçã o,
caso e ste não seja comum entre os dois eleme nt os surdoceg os. Ou seja, por exemplo, se um
dos eleme ntos utilizar a Língua Gestual Tátil como meio de comunicação e o outro elemento
utilizar o Braille na mão, terá de ex istir uma descodificação por parte do(s) interlocutor(es)
que “traduza” e exprima por meio da comunicação implicada, a mens agem pretendid a [ Figura
11]
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Mensag em :
“Estás bom?”
Emissor
(pessoa surdocega
profunda)
Nota: poderá ser,
ou não, o mesmo
guia-intérprete
Receptor
(pessoa surdocega
profunda)
Forma de
comunicação
LGP tátil
Braille na m ão
Guia-intérprete
Implica int erlocutor
que recebe a
m ensagem em LG P
tá til
Implica int erlocutor
que transm it e a
m ensagem em B raille
na mão
Figura 11 - Esquema de interlocuto res intervenientes na conversa ção ent re surdocegos
Desta forma entend e- se que para e fetuar uma simples questão: “Estás bom? ” implica a
presença mí nima de três a quatro elementos! É de notar que em casos onde a forma de
comunicação é a mesma e a capacidade de entendimento dos elementos surdocegos é comum,
poderá estabelecer-se o d iálogo (apenas) entre as pessoas surdocegas. Tam bém é de r eferir no
caso de surdocegos com alg umas limitações visuais e/ou audit ivas o acesso à informação e a
interaçã o com os pares (sejam pessoas surdocegas ou pessoas ditas “normais”) poderá se r
mais imediata.
No entanto, poucos são os casos de p essoas su rdocegas qu e não n ecessitam de um guia -
intérprete pe rmanente. E ste acompanha-os no seu dia-a-dia, na sua rotina, sendo considerado
o acesso à interaç ão com os outros e com o meio circundante. Quando uma pessoa surdocega
quer comunic ar espontaneamente com uma pessoa dita “norm al” (que n ão pertença ao seu
grupo d e convívio regular) é uma ta refa que implica geralmente o uso da fala (como é o caso
de surdocegueira com surdez adquirida). Estes elementos podem ter sido implantados
(implante coclear) e podem ter recuperado parte da audiçã o, o que lhes permite reconhecer o
sistema verbal e emitirem uma conversação social. Caso não se registe a possi bilidade do uso
da fala, a pessoa su rdocega é geralmente acompanhada de guias -intérpretes que auxiliam a
comunicação com os demais. Quando um a pess oa dita “normal” preten de estab elecer um a
interaçã o com uma pessoa surdocega deverá pri meiramente saber como poderá estab elecer
essa comunicação (qual a forma de comunicação a utilizar). Caso a pessoa surdocega domine
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a forma escrita, pode rá sempre re correr a um “simples” meio de comunica ção através d a
escrita na palma da mã o (em letra de imprensa, maiúscula) utili zando o seu dedo como
“caneta” e a palma d a mão da pessoa surdo cega como “folha de pap el”. Caso a forma de
comunicação seja mais complexa, há necessidade de um conhecimento mais específico e
detalhado do meio de comunicação (por ex emplo, Braille na mão; LGP
5
Táctil; Tadoma…) ,
tal como foi referido anteriormente. Nestes casos, a p essoa surdocega é, geralmente,
acompanha da por um guia- intérprete a quem a pessoa dita “norma l” pode recorrer para
es tabelecer o veículo de interação com a pessoa surdocega.
8.6. Indicaçõ es para comunica r com a pessoa surdocega
As orientações para com unicar e interagir com uma pessoa surdocega ( ci t. in Rebelo, et al.
1996) advêm da necessid ade de compilar indicações básicas e hie rárquicas na aproximação e
abordage m à pessoa surdocega. Estas o rientações visam permitir que quer familiares qu er
técnicos adquiram e dominem a melhor estratégia para interagir com o bebé/criança ou
jovem/adulto surdocego.
1. Quando se aprox imar de uma pessoa surdocega faça -lhe saber, com
um toque simples, que está perto de la (p.e. ombro);
2. Use de fo rma suave e p ositive todas as formas de comunicação que
adoptar;
3. Defina com a pessoa um ge sto simples mas muito particular para se
identificar;
4. Aprenda e use os meios de comunicaçã o qu e a pessoa utili za, mesmo
os mais elementar es. Se ac har que há um meio de comunicação mais
adequado para essa pesso a ente que ela o aprenda;
5. Asseg ure-s e sempre de que a pessoa surdocega o compreende e que
você a compree nde;
6. Encoraje-a a usar a fala se souber falar, mes mo que use apenas
algumas palavras;
7. Se houver outras pessoas presentes informe-o sobre o momento mais
apropriado para falar;
5
LGP – Língua Gestual Portu guesa
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8. Informe-a sempre das caracter ísticas do ambiente em que está;
9. Informe-a sempre que s air de perto d ela, mesmo que seja por um
período curto. Assegure -se de que ela fica em lug ar con fortável e
seguro. Se a pessoa não estiver sentada vai necessitar de algo em que
toque na sua ausência. Coloque a mão dela sobre esse objeto/pessoa
antes de a deixar. Nunca deixe uma pessoa surdoce ga abandonada em
lugares que lhe não são familiare s;
10. Quando estiver com uma pessoa surdocega mantenha contacto
suficiente d e modo a que ela s aiba, p elo contacto físico, que você está
ali;
11. Quando caminharem d eix e que a pesso a se gure o seu br aço. Nunca a
empurre à sua frente;
12. Use um conjunto de sinais simples para lhe dar a saber que vai descer
ou subir escadas, passa r por uma porta ou entrar num carro. Se a
pessoa surdo cega segurar o seu braço pod erá, em geral, s entir to das as
mudanças de ritmo da marc ha e de direção;
13. Confie na sua própria capacidade de cortesia, consideração e senso
comum. É normal qu e apareçam dificuldades de comunicação
ocasionais.
8.7. Orientação e Mobilidad e
As distâncias e a localização de objetos são um e lemento de excelênc ia no desenvolvimento
da criança surdoceg a.
A Orientação e Mobili dade é um conjunto d e estraté gias e técnicas utilizadas com as
informaçõe s s ensoriais que promovem e d evolvem na pessoa surdoce ga u m conhecimento do
que a rodeia permitindo um deslocamento orientado e se guro em seu redor, e impli ca
contribuir para fortalecer a auto-estima, autonomia e principalmente, a qua lidade de vida para
as pessoas surdocega s (G iacomini, 2008).
É devido ao reconhecimento do posicionamento de objetos de referência que a p essoa
surdocega inicia um processo de confiança e segurança perante a desco berto de um novo
espaço. A iniciativa d e percorrer um novo local é normalmente um enorme desafio e uma
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dificuldade para esta população. C arecem geralmen te, de acompanhamento de um guia-
intérprete (um familiar ou técnico) que os “apresentem” aos novos objetos, e devidas
orientaçõe s de localização para que possam, de forma independente, reconhecer o espaço e
orientar-se devidame nte no mesmo. Todos os elementos constantes num espaço devem estar
ao alcance da pessoa surdocega sem se tornarem um obstáculo que dificulte a sua deteção e
antecipação. É essencial ajudar estas p essoas a deslocarem-se da forma mais independente
possível, ajudando-os a movimentarem- se nos ambientes, consoante as suas capacidades (ex:
uso de ben gala) . Embor a os conceitos e a s competências de orientaç ão e de mobi lidade
dependam das capacidades e necessidades de cada caso, considera -se que estes partilham
algumas necessidade s bá sicas que podem orientar a intervenç ão (Nunes, 2008). Para Perla e
Ducret (s/d), todos têm necessidade de sentir se gurança , comunic ar, controlar os ambientes
onde se encontram, contactar com o ambiente físico; ter algum tipo de movi mento
independente; estar em ambientes consistentes e com rotinas; deslocar -se com objetivos
definidos. P ara as p essoas que têm dificuldade em ver e ouvir, ex plorar o desconhecido pod e
ser bastante assustador. Só com confiança e com segurança no outro e no ambiente físico,
podem sentir vontade para interagir com o mundo à sua volt a – socializaçã o. Para alguns,
pode ser necessário o adulto func ionar como uma ponte ent re eles e os objetos existentes nos
contextos.
Usando as mãos e o corpo do adulto como int ermediário, a pessoa surd ocega pod e tocar e
interagir com os objeto s, sentindo -se dest a for ma mais seguros e protegidos. Segundo
NYSTAP (s/d), a orient ação e mobilidade constitui uma boa oportunidade para desenvolver
competências comunicativas, uma v ez que propo rciona ex periências con creta s nos ambient es
naturais, sendo necessá rio encontra r formas adequadas de comunicar com cada pessoa
surdocega , atendendo às suas capacidades.
8.8. Intervenção Precoce
Importa relembrar que as pessoas que p ossuem su rdocegueira podem ser classificadas de du as
formas: pré-linguística s e pós-linguísticas. O surdocego pr é-lin guístico é aquele qu e nasce
surdocego ou adquire a surdoceg ueira ainda bebé, antes da aquisição de uma língua,
aprese nt ando graves pe rdas visuais e auditivas combinadas. Ess as pessoas ap res entam
dificuldade de compreensão do universo que as cerca, devido a ausência da luz e do som.
Possuem a tendência de se fecharem em si, isolando -se. O surdocego pós -l inguístico é aquele
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que apresenta uma deficiência senso rial (auditiva ou visual) e adquire a out ra após a aquisição
de uma língua (v erbal ou gestual), ou a dquire a s urdocegueira tardiament e, numa faixa etária
em que já dominava as técnicas de comunicaç ão pois não sofria de nenhuma deficiência
anteriormente.
A maioria das pessoas surdoceg as uti liz a formas de comunicação não ver bal para comunicar,
nomeadamente comunicação não simbóli ca, as qu ais podem ser mais ou m enos subtis. Torna -
se essencial p erceber lo go desde o nascimento, através da intervenção p recoce, quais são as
formas de comunicação q ue cada bebé desta população com su rdocegueira con génita poderá
usar para receber a informação ( comunicação receptiva) e pa ra se ex pressar (comunicação
expressiva), as quais podem corresponder a níveis de simbolização dife rentes.
Para se conhecer as capa cidades d estes bebés é importante perceber quais são os canais de
aprendizagem que estes têm dispo níveis para receber a informação do ambiente que os
envolve (visão, audição, tacto, olfato). Torna -se então necessário a realização d e uma
avaliação precoce d as suas capacidades e o uso dessa informação nas interações e
investimentos que se estabelece m com eles.
Na maioria dos c asos, é útil usar pistas de infor mação adequadas ao se u nível etário e de
compreensão, permitind o-lhes antecipar o qu e vão fazer e re sponder às interações que
acontecem no d ecorrer das rotinas si gnificativas. Sempre qu e as capacidades de c ada caso
permitam, considera-se vital: im plementar estratégias qu e os ajudem a usar formas de
comunicação cada vez mais simbóli cas para expressarem as suas necessidades bási cas e para
interagire m com os outros, em contextos cada ve z mais diversificados; en sinar -lhes que uma
coisa pode se r representada por outra. O uso de ob jetos de referência e de gestos sim ples pode
acompanhar a introdução de palavra ou do gesto da língua gestual que servem como símbolos
que representam situaç õe s, pessoas ou objetos.
Na generalidade das sit uações, pa ra ajudar a desenvolver as competências comunicativas
analisadas é essencial us ar uma educação individualiz ada o mais cedo pos sível; aprove itar as
atividades reais r ealizadas nos ambient es naturais e nas rotinas diárias; assegurar que têm
parce i ros que respondam contingentemente aos seus comporta mentos; criar a necessidade d e
comunicar; of erecer op ortunidades de e scolha; proporcionar múlti plas oportunidades p ara
praticarem as suas competências comunicativas; reconhecer outras razões para c omunicar qu e
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não apenas par a fazer pe didos e para responder e criar ambientes físicos e sociais facilitadores
de desenvolvimento de competências comunicativas.
Dada a espe cificidade d esta população o tipo de apoio a dar varia muito de caso p ara caso.
Porém, a maioria necessita de apoios específicos e intensos para medi ar os contac tos sociais e
para responder às suas necessidades comunicativ as e de movi mentação. Estes apoios devem
ser planifica dos e imple mentados, para que haja sucesso e participação a ti va nas atividades.
Os casos que apresentam severas limitações visuais ou surdocegueira profunda exigem ainda ,
recursos altamente especializados, nomeada mente profissionais de orient ação e mobilidade e
a inclusão de áreas curriculares específicas (Jackson, 2005). Todavia, manter o apoio
adequado e qualificado por parte dos profissionais que trabalham com esta população pode
constituir, em si mesmo, um grande desa fio, dado que esses profissionais precisam de ter
conhecimentos teóri cos específicos e de ter tempo para se prepararem ade quadamente, o que
nem sempre é fácil de concretizar. Dada a espe cificidade das pessoas surdoce ga s é essencial
organizar as atividades em que participam de forma a c riar oportunidades para poderem
compreender melhor o mundo onde se encontram, dese nvolver c ompetências específicas,
nomeadamente comunicativas, de orie nt ação e mobilidade que lhe permitam interagir e senti r-
se integrada s plenamente na sociedade.
Em síntese, quando ocorre em sim ultâneo, a dupla limitação sensoria l [visual e auditiva -
surdocegueira ] multipli ca e intensifica o impact o de cada uma destas li mitações isoladas,
criando dificuldades úni cas à pessoa surdoce ga e desafios específicos às famílias e aos
profissionais que com eles trabalham ( Guerreiro, 2011).
O impacto do nascimento de uma criança com multideficiência incluindo a surdocegueira
congénita, e as suas repercussões na organização da vida fa mili ar são fatore s deter minantes a
ser explorados pelo profissional de educação a ca da instante da sua intervenç ão. Uma criança
com deficiências graves pode gerar instabilidade quer no grupo familiar, quer em cada um dos
seus elementos considerados individualmente. Para além de todo o processo de aceitação da
condição da criança e do impacto psicológico que daí pode advir, implica também situações
de complexa reação, adaptação e resolução no quotidiano das famílias, geradoras de stress , e
recurso a estra té gias de adaptação (Gallimore et al., 1989; Bernheimer & Keogh, 1995).
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Torna-se essencial perceber quais são as ne cessidades manifest adas e formas de comunic ação
que cada pesso a desta população usa para r eceber e expressar informação (Guerreiro et al. ,
2011).
A resposta destas família s às suas criança s requer um timing pensado "à medida" da sit uação
única e em constante mutação d e ca da unidade fa miliar. As famílias difere m entre si nas m ais
variadas dimensões: etni a, religião, economia, pr áticas, valores, tamanho e organização sã o
alguns fatores que d eterminam uma constituiç ão e funcionamento dis tintos (Orelove &
Sobsey, 2000, p.316, Harr y , 2002). Dada a especificidade das pessoas surd ocegas, é ess encial
organizar as atividades em que pa rticipam de forma a criar oportunida des para poderem
compreender melhor o mundo onde se encontram, que lhe permitam int eragir e sentir -se
plenamente integrada s na sociedade (Guerreiro et al. , 2011).
Por tudo isto, o interesse deste estudo reside principalmente na necessidade de conhecer qu ais
as reaçõe s e re percussõe s que os impac tos de ter uma criança com Surdo cegueira Cong énita
causam da D in âmica Familiar.
Este conhecimento poderá ser facilitador para a "compreensão das frust rações, ansi edades,
projetos, contratempos e formas de lidar específicos de cada família, como também, o
conhecimento das ale grias e da esperança com q ue muitas vezes vão tecendo o seu dia -a-dia"
(Correia, 2003).
A consciência das expe ctativas dos pais em rel ação à criança, enquadrada numa moldura
global, onde os valores, prefe rências e cultu ra (Sameroff, 1990) e xplicam toda uma
organização d a vida familiar, dão pistas va liosas para uma intervenção com sentido, que vai
ao encontro das necessidade s da criança no contexto da família (Bernheimer et al., 1995).
Os profissionais da educação procuram ajudar as famílias a resolver situações prátic as, de
modo a que a criança com deficiência se possa enquadrar o mais autonomamente possível nas
rotinas e condições de vida de cada famíli a ( Madureira et al., 2003). Tal apoio dev e se r
consistente com o conhecimento efetivo, não só dos aspetos estruturais da família, mas
igualmente das int erações que nel a existem, do seu funcionamento e d as suas nec essidades de
apoio (Turnbull e Tur nbull , 1990).
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________________________________________________
Capítulo II – Marco Metodol óg ico
________________________________________________
Muitas vezes são as próprias famílias que sentem necessidade direta
de maior apoio e orientação, dado que é nelas que diretamente recai toda uma nova
realidade permanente. São elas as primeiras a cantactar c om o novo ser
(surdocego c ongénito ) que lhes traz uma nova e tão desconhecida realidade.
___________
Clarisse Nu nes
(Professora D outora de surdocegos – 2008)
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foram definidos os indicadores ob rigatórios para o processo de seleção. O s dados referentes à
caracter ização da problemática de cada criança/jovem/ adulto foram r ecolhidos durante os
contactos com as respeti vas famílias e confirmadas com os documentos e relatórios médicos
consultados posteriormente.
Categoria
Indicadores cons i derados obrigatórios
Criança
Ter um funcionamento c og nitivo inferior ao e s perado para a sua
idade cronológ ica
Ter associad a duas probl emáticas no dom íni o sens orial
A problem át ica ter sido c ausada na fase p ré natal
Estar inse rido num estabelecimento de ensino espec ial
Ter irm ãos
Fam ília
Ter descenden t e com surd oceg ueira congénita
Aceitar par ticipar na inv estig ação
Quadro 3 - Indicadores co nsiderados para a esco lha dos participante s
Os dados referentes à caracterização da problemática de ca da criança/jovem foram recolhidos
durante os contactos com as famílias. Para além das características apontadas anteriormente,
indicam-se outros aspetos ainda n ão referidos, como sejam: o g énero, as idades à data da
re colha dos dados, os domínios afetados e a etiologia das suas limitações [Quadro 4].
Característ icas
Crianças/Jo vens/Adultos por Família
A
D
E
F
H
I
J
L
N
Género
Masculino
x
x
x
x
Fem inino
x
x
x
x
x
Idade (Anos)
21
8
24
16
33
23
19
37
28
Domínios A fectados
Cognitivo
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Com portamental
x
x
x
x
x
Sensorial:
Visão
Audição
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Motor
x
x
Com unicação
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Saúde
x
x
x
x
Etio-
Logia
Pré-natal (cong énito)
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Peri-natal
Pós-natal (adqu irido)
Causa
Rubéola
x
x
x
x
x
x
x
Citomeg al ovirus
x
x
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Inserção
Ensino Espe cial
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Irmãos
Mais velhos
x
x
x
x
x
Mais novos
x
x
x
x
x
Quadro 4 - Caract erísticas das cria nças/jove ns co m Surdoceg ueira Congénita po r família
Dos dados do quadro verifica -se que todas as crianç as/jovens/adultos têm dupla deficiência
se nsorial (visão e audi ção) e afe tação cognitiva, a etiologia é em todos os casos pré-n atal, a
causa varia entre Rubéola e Citomegalovirus, est ão todos inseridos em estabelec imentos de
Ensino Especial e todos têm irmãos.
4.3. Famílias pa rticipantes – caracteriz ação
No que se refere às famílias participantes no estudo, constituem uma amostra de conveniência
constituída por nove famílias de c rianças surdocegueira con gé nita. R egistaram-se os
elementos que coa bitam com a cria nça e que c onstituem o agregado fa miliar desta , dando
destaque a alg umas observações pertinentes [ Quadro 5].
Característ icas
Agregado Familiar
Observações
Mãe
Pai
Madrast
a
Padrasto
Avó
Avô
Irmãos
Famílias
A
x
x
X
D
x
x
X
E
x
Pai abandonou l ar
F
x
x
X
Divórcio prog enitores
H
x
x
X
Divórcio pr ogeni tores
Suicídio do pa i
I
x
X
x
X
Av ô materno
J
x
X
X
L
x
X
Pai abandonou l ar
N
x
X
Quadro 5 - Elementos do a grega do familiar de cada criança
Observa-se que as famílias E e L são monoparentais, e que em ambos os casos o progenitor
abandonou o lar após o nascimento d os respetivos filhos e consequentes dia gnósticos de
perturbações con gé nitas nos novos seres. Regista -se também que hou ve separaçã o dos
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progenitores e consequente divórcio no caso da s famílias F. Na família H o pai ter - se - á
suicidado por nun ca t er ace ite a deficiência do fi lho e após o divórcio m arital. Nestas duas
últimas fa mílias surg iu a fig ura do pad rasto. A família I é composta igualmente com a
presença de um avô materno.
De salientar que as famílias I e J relat am que até há relativo pou co tempo um do s elementos
centrais da sua estrutura familiar seria a fi gura da avó materna, tendo f alecido em ambas os
casos o que a balou consi deravelmente estas estruturas parentais.
Destaca-se o facto de neste estudo se encontrarem todas as mães presentes na vida de stes
jovens, representando o pilar da estrutura no s eio familiar. Das nov e famílias em estudo,
apenas cin co pais permanec em junto no núcleo f amiliar, tendo falecido um dos proge nitores
(pai – família H), tendo ocorrido dois divórcios (família F, H) e dois abandonos do lar (pai –
fa mília E, L). A gruparam-se os dados d emográficos das diversas características das nove
famílias: idade, habilitações literá rias, profissão [ Quadro 6].
Características
FAMÍLIAS
A
D
E
F
H
I
J
L
N
Mãe
P ai
Mãe
Pai
Mãe
Pai
Mãe
Pai
Padrasto
Mãe
Pai
Padrasto
Mãe
Pai
Mãe
Pai
Mãe
Pai
Mãe
Pai
Idade
53
57
37
40
53
52
39
41
45
59
-
60
48
49
43
41
65
68
47
60
Habilitações
literárias
5º ano
5º ano
4º ano
3º ano
3º ano
5º ano
6º ano
5º ano
9º ano
12º ano
Bacharelato
Licenciatura
Licenciatura
Licenciatura
6º ano
5º ano
4º ano
4º ano
5º ano
6º ano
Profissão
Empregada de limpezas
Guarda Noturno
Desempregada
Pedreiro
Empregada limpeza
Serralheiro
Auxiliar de ação
educativa
Jardineiro
Camionista
Auxiliar de Ensino
Es pecial
---
Professor
Gestora
Empresário
Desempregada
Camionista
Cabeleireira
---
Desempregada
Funcionário Público
Quadro 6 - Cara cterísticas de m ográ ficas das respetiv as f amílias
O nível de idade s à dat a do estudo varia entre os 29A e os 65A n as mães (média idad es da s
mães: 49 anos) e nos p ais entre os 34A e os 68A ( média idades dos pais: 51 anos).
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Pode-se verificar também que o nível de escolaridade das mães va ria en tre o primeiro ciclo
completo e o ensino superior. Relativamente ao nível da escolaridade dos pais, verifica-se
pela análise do qu adro que dois dos progenitores não con cluiram a es colaridade mínima
obriga tó ria, sendo que os restantes evoluem entre o ensino regular até ao ensino superior.
Salienta-se que o quadr o apresenta três mães d esempregadas, encontrando -se cinco mães
dedicada s a tarefas d e baix o nível económico e apenas uma das mães tem um cargo de m aior
relevo (gestora ). Em r elação aos progenitores, encontram-se ao mom ento todos empregados
mas va ria entre funç ões rudimentares (ma ioria) e apenas um dos pais é empresário. D e
considerar que a maior i a dos pro genitores apresentam baixa escolaridade e consequentes
profissões com baixa remuneração.
Dos vinte indivíduos referidos no quadro, apenas quatro in gre ssaram no ensino superior tend o
empregos de cat egoria superior (sendo que uma das referê ncias é um pai já falec ido e outro é
padrasto). Parece ser pertinente a recolha destes dois últimos dados já que vários estudos
referem um aumento significativo das adaptação levadas a cabo e do s eu i mpacto nas rotinas
familiares quando as famíl ias têm baixos recursos finance iros, frac as condições de habitação e
falta de meio de transporte próprio, já que isso dificulta as deslocaç ões aos serviços que a
criança necessita ou o recurso a cuidados hospitalares urgentes, bem como pode limitar a
possibilidade de relacioname ntos sociais e de atividades "de lazer (Dale, 1996; Dy son, 1997;
Carpenter , 2000). Se guidamente encontram-s e os dados relativos aos irmãos das
crianças/jovens/adultos c om surdocegueira congénita cujas f amílias parti ciparam no estudo
[Quadro 7].
Característ icas
Criança SCc
Irmãos
Observações
Idade
(Anos)
Número
Idade
(Anos)
Famílias
A
21
2
28; 25
Permanecem no
agregado fam i liar
D
8
2
1; 4
Permanecem no
agregado fam i liar
E
24
2
30; 33
Não permanecem no
agregado familiar
pois já têm habitação
própria
F
16
1
9
Permanece no
agregado fam i liar
H
33
1
25
Permanece no
agregado fam i liar
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I
23
1
18
Permanece no
agregado fam i liar
J
19
1
22
Permanece no
agregado fam i liar
L
37
2
39; 25
O irm ão mais v elho
não permanece no
agregado fam i liar
N
28
1
31
Em igrou para o
estrangeiro
Quadro 7 - Cara cterização dos irmãos
De notar que todas as crianças po rtadoras d e surdocegueira congénita cujas famílias
participaram neste estudo, têm irmãos, alguns dos quais já não fazem parte do agre ga do
familiar que c onvive diariamente com a criança, vist o já terem habitaç ão própria.
No entanto, as nov e f amílias em estudo, apresentam irmãos apesar de nem todos convivere m
saudavel e pr esencialmente com as/os crianças/jovens surdocegos. A variância entre as idades
dos irmãos é entre 1 e 39 anos, sendo na maioria mais velhos que a crianç a com surdocegueira
congénita.
4.4. Contacto da s c riança s com os progenito res – periodicidad e
Verifica-se se guidame nt e a periodicidade com que as crianças/jovens/adultos das famílias
participantes no e studo estão a cargo das próprias famílias [Quadro 8].
Periodicidade
Famílias
A
D
E
F
H
I
J
L
N
Todos os dias
Todos os
Fins-de-sem ana
x
x
x
x
x
Fins-de-sem ana
(15 em 15 dia s)
x
X
X
X
Quadro 8 - Periodicida de do conta cto das cr ianças com as suas famílias
De nota r que as crianças/j ovens/adultos das famílias em estudo encontram -se em regime de
internato na escola que frequentam. A periodicidade com que as famílias convivem com as
suas crianças é r estrita ao fim -de-semana, podendo ser todos os fins -de-semana ou
quinzenalmente, de ac or do com o plano estabelecido com a instituição frequentada.
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4.5. Familiares inte rvenien tes nas entrevista s
Para este estudo foram soli citadas prefere ncialmente participaçõe s das mães das crianças co m
surdocegueira congénita. No entanto, verificou-s e que nal gumas entrevistas compareceram
outros elementos como descreve o Quadro 9.
Participante s
no estudo
Famílias
A
D
E
F
H
I
J
L
N
Mãe
x
X
x
X
x
X
Pai
x
Ambos
x
x
Quadro 9 - Part icipantes presentes no estudo
No caso das famílias convidadas a participar e cujos progenitores compa recera m igualmente
na entrevista – caso das famílias I e J, justificaram que tudo o que diga respeito à sua criança
estão sempre os dois presentes e por isso g o stariam de participar igualmente no estudo. No
caso da família N, em que apena s o pai esteve presente, j ustificou que é o membro mais ativo
e responsável pelas ações respeitantes à sua crianç a. Acresc entou ainda que a mãe não pod eria
comparecer.
5. Metodol ogia utili za da na r ecolha de dados –
descrição
Para uma pe rspetiva interpretativa, investi ga r é co mpreender os comportamentos humanos, os
significa dos e int enções dos sujeitos que intervêm no cenário educativo, sendo a interpretação
não mais que a c omp reensão dos fenómenos e ducati vos (Santos, 1999, 2002).
A presente investigação apoiou -se numa metodolog ia qualitativa com abordagem
multimetodológica que complementou todo o estudo nas várias vertentes. F oram considerados
como inst rumentos para a recolha de dados a entrevista semiestruturada efetuada às várias
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famílias envolvidas ; observações diretas efetuadas pela investig adora no decorrer da própria
investigação in loco co m as várias famílias e redigidos em diário de campo, os vários
apontamentos disponibilizados igualmente através do diálogo informal tido com os membros
das diversas famílias em estudo.
Para além d e todos estes dados, foi facultado at ravés da análise documental – anamnese e
processo educativo , dis ponibili zado pelo estabelec imento de ensino frequentado, dados
relativos ao pe rcurso médico, escolar e terapêutico de cada aluno com surdoce gueira
congénita cuja família se encontrava em estudo.
Para obter informações e coletar dados que não seriam possíveis apenas através da
observação, dos reg istos e da aná lise docum ental, rea liza -se uma entrevista. Haguette (1997)
define entrevista como “um processo de inte ração social entre du as pessoas na qual uma
delas, o entrevistador, t em por objetivo a obtenção de informações po r parte do outro, o
ent revistado”. A entrevis ta como coleta de dados sobre um determinado t ema científico é a
técnica mais uti lizada no processo d e trabalho de campo. Através d ela, os pesquisadores
buscam obter informações, ou seja, coletar dados objetivos e subjetivos. Se os da dos objetivos
podem ser obtidos também através de fontes secu ndárias tais como questionários, testes, entre
outros, os dados subjetivos só podem ser obtidos através da entrevista, pois estes relacionam -
se com os valore s, as atitudes e a s opiniões dos su jeitos entrevistados.
Em oposição aos questionários, que têm um índice de devolução muito baixo, a entrevista tem
um índice de respostas mais a brangente, uma ve z que é mais fácil as pessoas ac eitarem f alar
sobre dete rminados assuntos, que responder por escri to , como é o caso do presente estudo,
onde todas as famílias inquiridas, aceitaram participar no mesmo e registar o seu testemunho
em forma de entrevista s emiestruturada.
As técnicas d e entrevista semi-estruturada apresentam também como vantagem a su a
elasticidade quanto à duração, permiti ndo uma cobertur a mais profunda sobre determina dos
assuntos. Além disso, a interação entre o entrevistador e o entrevistado favorece respostas
espontânea s. As respostas espontâneas e a mai or liberdade que os entrevistados têm pode
fazer surgir questões inesperadas para o entrevistador que poderã o ser de grande utilidade na
sua pesquisa.
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Na entrevista semi-estrut urada comina ra m-se perguntas abertas com perguntas fechadas, onde
o entrevistado teve a possibili dade de discorrer sobre o tem a proposto. O entrevistador seguiu
um conjunto de questões previamente definidas, mas fê -lo num contexto semelhante ao de
uma conversa informal.
O papel do entrevistador é o de dirigir, sempre qu e achar oportuno, a discussão para o assunto
que lhe interessa, fazendo perguntas adicionais para esclarecer questões que não ficaram
claras ou para ajudar a recompor o contexto da e ntrevista, caso o entrevistado tenha “fugido”
ao tema ou manife st e dificuldades c om ele (Ma rconi, 1996).
A preparação da entr evista é uma das etapas m ais importantes da investigação que requer
tempo e exige al guns cu idados, destacando -se entre eles: o planeamento da entrevista, qu e
deve ter em vista o objetivo a ser alcança do; o e ntrevistado, que deve ser alg uém que tenh a
familiaridade com o tema pesquisado; a oportunidade da entre vista, ou sej a, a disponibilidade
do entrevistado em forne cer a entrevista que deverá se r marcada com antecedê ncia pa ra qu e o
investigador se assegure de que será recebido; as condições favorávei s que possam garantir ao
entrevistado o segredo das suas confidências e da sua identidade e, por fim, a prepara ção
específica que consiste em organizar o roteiro ou formulário com as questões im portantes
(Lakatos & Marconi, 1996).
No que diz respeito à formulação das questões o investigador deve ter cuidado para não
elaborar perguntas absurdas, arbitrárias, ambíguas, deslocadas ou tendenciosas. As per guntas
devem ser feitas l evando em conta a sequência do pensamento do entr evistado, ou seja,
procura ndo dar continuidade n a conversação, conduzindo a entrevista co m um certo sentido
lógico para o e ntrevistad o.
Para se obter uma n arrativa natural muitas vezes n ão é inter essante fazer uma per gunta diret a,
mas sim fazer com que o entrevistado relembre parte da sua vida, podendo o investiga dor ir
suscitando a memória do entrevistado (Bourdie u, 1999).
Desta forma e tendo como suporte a literatura, antecedendo a aplicação da entrevista
semiestruturada decorreu uma prepa ração detalhada do Guião de Entrevista [Quadro 10] que
teve por base a projeção d e questões susc etíveis de encaminhamento orientativo d o
entrevistado no decorrer da aplicaçã o da mesma.
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Guião da entrevis ta
Tema:
Objetivo Gera l:
População:
As rea ções e repercussões da
surdocegueira congén ita (S Cc)
na dinâmica familiar
Recolher i nformação base ada
nos relatos das famílias d e
pessoas co m o u surdoce gueira
congénita relativa mente às
reações e repercussões senti dos
no núcleo familiar
Famílias que tenham a seu ca rgo
pessoas (cr ianças/j ovens/adulto s)
portad oras de surdocegueira
congénita
BLOCOS
OBJETIVOS
ESPECÍFI COS
PERGUNTAS A FORMULAR
I
Legitimaçã o da entrevista e
motivação do entrevistado
1. Legitimar a entrevista
e m otivar o entrevistado
1.1. Inf ormar o encarregado d e edu cação sobre as linhas
gerais do trabalho
1.2. Solicitar a sua colaboraçã o, evidenciando a
importância do seu contributo
1.3. P edir con sentime nto escrito para colaboração n a
investigaçã o
1.4. P edir consentimento escrito para recolha de imagens
junto dos seus educandos
1.5. Assegurar a con fidencialidade das informações
prestadas
1.6. Garantir inform ação sob re o resultado da investigaç ão
1.7. P edir autorização p ara registo au dio e vídeo d a
entrevista
II
A criança /jovem/
adulto com Surdocegueira congéni ta
2. Recolher dados
gerais sobre a
caracterizaçã o e
etiologia da
criança/jovem/
adulto com SCc - a sua
história
2.1. Saber como a fam ília caracteriza a criança
2.2. Saber qual a problem ática da criança/jovem adulto
2.3. Saber se a problem ática é con génita ou adquirida
2.4. Perceber a etiologia da criança
2.5. Saber sob re o d esenvolvim ento d a criança - a sua
história
III
A Fam ília da
criança/jovem/
adulto com
Surdocegueira
congénita
(cont.)
a) Constituição
do núcleo
fam iliar
3. Adquirir in form ações
gerais sobre a f amília
3.1. Saber como é co mposta a família nu clear e a faixa
etária dos mem bros
3.2. Saber se existem mais irmãos e se são mais novos e/ou
mais velhos
3.2. Saber se se trata de uma família bio lógica ou d e
acolhimento
3.3. Saber quais as ocupações e habilitações da fam ília
3.4. Saber quais as condições da habitação
b) Deteção e
confirmaçã o d a
problemática
4. Adquirir in forma ções
específ icas sobre a
deteção e con firma ção
da problemática
4.1. Saber quando se detetou a problemática
4.2. Saber quem detetou a problemática
4.3. Saber quais o s m embros d a f amília que estavam
presentes
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III
A Fam ília da
criança/jovem/a
dulto com
Surdocegueira
congénita
(cont.)
4.4. Perceber quem transmitiu a confirm ação da
problemática
4.5. Perceber como foi transm itida a no tícia
c) Reações à
problemática:
-progenitores
- irmãos (c.e.)*
- fam ília
- população
circundante
* caso exista
5. Adquirir in forma ções
específ icas sobre as
reações dos
progenitores
5.1. Saber qual foi a prime ira reação dos progenitores
5.2. Saber se houve aceitaçã o o u re jeição da problemática
5.3. Sab er se houve ac eitação ou rejeiçã o da criança
5.4. Saber se houve culpabilização pessoal
5.5. Saber se houve acusação de c ulp a entre progenitores
5.6. Saber qu al a aceitaç ão atual por parte dos progenitores
6. Adquirir in forma ções
específ icas sobre a
reação do s irmãos (caso
existam )
6.1. Saber como foi divulgada a n otícia
6.2. Saber qual foi a reação dos irmãos
6.3. Perceber se os irmãos apoiam ou rejeitam a
criança/jovem
6.4. Saber como a família nu clear esclarece as dúvidas dos
irmã os sob re a problem ática
7. Adquirir in form ações
específ icas sobre a
reacçã o dos dema is
membros da fam ília
7.1. Saber como foi divulgada a n otícia
7.2. Saber qual foi a reação da fam ília
7.3. P erceber se a fam ília apo iou ou rejeitou a
criança/jovem
8. Adquirir in forma ções
específ icas sobre a
reação da pop ulação
circundante
8.1. Saber quais as reações dos amigos
8.2. P erceber se o s amigos apoiam ou rejeita m a
criança/jovem
8.3. Saber quais as reações da população circundan te
(vizinho s)
8.4. Perceber se a população circundante apo ia ou rejeita a
criança/jovem
8.5. Saber quais os apoios obtidos pelos dem ais
d)
Re percussões na
dinâmica
fam iliar
9. Adquirir in form ações
específ icas sobre as
repercussões n o âmbito
dos papéis maritais
9.1. Sa ber qu ais as repercussões diretas no papel conjugal
dos progenitores
9.2. Saber se é frequente o acordo entre os progenitores
9.3. Saber q ual é o papel de cada progenito r jun to da
criança
9.4. Saber qual dos pro genitores t em um papel mais ativo
9.5. Sa ber a qu em c abe a r esponsabilid ade da to mada de
decisões refe rentes à criança
9.6. Saber se o m embro mais ausente valoriza o trabalho
desempenhado p elo outro mem bro do núcleo familiar
(apoio moral)
9.7. Saber se optaram por ter mais filhos e quais as razões
da decisão
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e o tipo de domínios e categ orias registadas em cada análise de conteúdo.
Importa realçar que tal como anteriorme nte referido, definiram -se os domí nios observados
reações, repercussões e necessidades como respostas funcionais ou ajustes de cada família
face à reorganização d a dinâmica familiar perante a existência de um membro com
surdocegue ira con gé nita. Todos estes domínios reportam a r elatadas de situações de ajuste no
dia-a-dia familiar (Gallim ore et al. , 1996). No que respeita às reaçõ es , repercussõe s e
necessidades, antes d e se proceder à análise d as entrevistas e com base na literatura (idem) foi
definida e e l aborada uma grelha de s critiva das categorias que se poderiam vir a assinalar .
Os vários domí nios foram categorizados de acordo com várias in vestigações (Gallimore et al.,
1996, Gallimore et al., 1993, Gallimore et al., 1989). Estes trabalhos derivaram de
investigaç ões interculturais nas qu ais for am ident ificadas formas universais de organiz ação da
vida familiar (Weisner, 1984), tal como foi an teriormente re ferido na revisão bibl iográ fica.
No entanto, durante a análise das entrevistas prop riamente dita e, dada s as características das
famílias participante s no estudo, houve a necessidade de reorganizar em categorias as
adaptações, como se poderá verificar no Quadro 16 .
Domínios
Categorias
Código
Descrição da Categor ia
Exem plos de
observações
Problemática
Deteção
1.
Observação e dete ção de alguma
diferença e/o u co m porta men to que
traduza uma indi ferença ao estí mulo
o que d espoletou a incerteza perante
a dúvida, per mitindo o posterior
encaminhamento e consecutiva
confirmação d a prob lemática
A cunhada d isse que a
criança não ouvia
O p ediatra foi o primeiro a
detetar
A criança n unca olhou
diretamente p ara as
pessoas/objectos
Confirm ação
2.
Confirmação da ex istênc ia da
prob lem ática por parte do s médicos
assistentes co m rec urso a exames
detalhados e despiste de falsas
hipóteses
O médico ofta lmologista
que confirmou cegueira
parcial
Depois do exame,
confirmou qu e tinha s urdez
profunda
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Reações
Progenitore s
3.
Diferentes reações e mocionais
perante a confirmação da
prob lem ática (aceitação; rej eição;
culpabilização)
A mãe não se conforma co m
o problema do filho
O pai culpa a mãe
I r m ãos
4.
Diferentes rea ções per ante o ir mão
diferente; co m o foi transmitid a a
notícia aos ir mãos; co mo fora m
esclarecidas a d iferenças aos i r m ãos
Os irmãos sempre
conviveram bem
O irmão oculta a existência
da irmã junto dos colegas
Fam ília
alargada
5.
Diferentes reaçõ es p erante a
confirmação d a p roble mática tais
como a ac eitação e conseq uente
apoio direto ou rej eição e
consequente isola mento
A avó é o p ilar d e apo io
direto
A fa mília p aterna afastou-
se por completo
População
circundante
6.
Diferentes reaçõ es p erante a
confirmação da problemátic a
(aceitação; rejeiçã o; apoio;
afastamento)
Os amigos vêm muito cá a
casa
Os vizinho s estão sempre a
ajudar
Repercussõe s
Subsistema
conjugal
7.
Efeitos diretos na relação do casal;
repercussões nos papéis maritais
como to mada d e d ecisões, lid erança,
valorização
Os pais apoiam-se
mutuamente
Os pais têm sérios conflitos
por causa da criança
Subsistema do
quotidiano
8.
Alterações o corrid as na rotina
familiar; privações e enrique cimento
da vida diária com a presença da
diferença
Nunca m a is sa ímo s juntos,
para nos distrairmos
Se o meu fi lho não existisse
não sabia tanto disto
Subsistema
residencial
9.
Alterações arq ui te tónica s o corridas
em casa ou no e nvolvimento da
mesma de forma a orga nizar o espaço
de acor do co m as nece ssidad es;
mudança de residência d a das as
priorid ades
Tivemos de mudar de casa
porque morávamos nu m
terceiro andar sem elevador
Não posso mu dar nada de
sítio, p ara ela n ão se perder
no espaço
Subsistema
laboral
10.
Ajustes no r egi m e de e mprego na
medida do horário, da carga labo ral
do tip o de emprego, da o cupação de
acordo com os direitos subjacentes;
impossibilidade d e trab alha r par a
assistir o ed ucando
A mãe fi c ou p rivada de
trabalhar
O p atronato fa cilita muito
os turnos do pai
A mãe trabalha a partir de
casa
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Necessida des
Apoio
emocional
11.
Assistência requerid a o u rece bid a p or
parte de técnicos com formação na
área emocional
Tive que ir ao Psicólogo,
não aguentava mais
Não tivemos nenhum apoio
Apoio
instrumenta l
12.
Assistência requerid a o u rece bid a p or
parte de técnicos com formaç ão na
área d a comunicação alte rnativa,
utilizada pela cr iança no meio
educativo onde se i nsere
Usa a Língua Gestual
Portuguesa, mas eu não sei
muitos gestos
Temos fo rmação regular na
escola
Apoio
instituciona l
13.
Instituições que ap oie m e ass egure m
o f uturo dos ad ultos com
Surdocegueira co ngénita
A escola tem continuidade
O ma ior receio d as famílias
é saber que garan tias têm
para o futuro
Não existe nenhum apoio
Quadro 16 - Categoriza ção e codificaçã o dos domínios observa dos
Re lativamente à mesma tabela, salienta -se que embora tenha sido construída c om base na
revisão da liter atura (G allimore et al., 1996), considerou-se essencial proceder a algumas
alteraç ões. Dadas as informações retiradas das entrevistas, foi necessário:
a) alargar a categoria "Marital Roles" denominando- o "Subsistema conjugal";
b) dividir detalhadamente a categoria "Instrumental/Emocional Support" em "Apoio
emocional; Apoio instrumental; Apoio institucional" .
Todas as c ategorias encontram-se devidamente just ificadas e se guidas de exemplos
ilustrativos das possíveis sit uações a reg istar aqu ando da análise de dados. No que diz respeito
aos dados recolhidos através da análise documental, das notas de campo derivadas dos
contactos informais e das observações diretas , refere-se qu e foram agrupados em fichas de
caracter ização (anex o 3), sendo o foco desta análise o hist orial da família, a descrição de
ambientes e da dos referentes a cada membro da família.
7. Codificaç ão de categ orias, subcate gorias e
posicioname nto de unidades de r egisto
A organização da análise de d ados dos v ários instrumentos deu-s e tendo p or base três etapas,
segundo Bardin, 2004, p.89:
1ª) A pré-análise;
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2ª) A exploração do material;
3ª) O tratamento dos re sult ados, a inferê ncia e a in terpretação.
O primeiro p asso par a a pré -análise dos dados r ecolhidos através das en trevistas foi a su a
transcrição fiel, seg uida de leitura “flutuante” de todo o material.
Ao longo de todo o processo de cate gorizaçã o de domínios em categorias, sub -categorias e
indicadores surgiram os códig os das unidades de registo das mesmas.
Assim importa realçar que para esta análise de resultados, foram adoptados cinco itens d e
codificação.
1ª posição: Código de cada família (le tra maiúscula)
2ª posição: Código de cada categoria (numérico)
3ª posição: Código de cada sub-categoria (numérico)
4ª posição: Código do indicador ( numérico)
5ª posição: Código de posicionamento hierárquico (numérico)
O Quadro 17 permite exemplificar a leitura da inte rpretação do código: “H.5.2.1.4.”
Família
Categoria
Subcategoria
Indicador
Posição
H
5.
Fa m ília alarga da
2.
Co mportamento
1.
Apoio
4.
Quadro 17 - Leitura de có digo de unidade de reg isto (exe mplo)
Através d este sistema de codificaçã o tem-se a leitura a cessível a cinco níveis de informação
de uma dada unid ade de registo. De seg uida exemplifica -se a sua aplicação e leitura.
H.5.2.1.4. mas o avô pa terno sempre me apoiou na mesma e assim…
O primeiro it em identifica a família em estudo - H , o número 5 indica que esta unidade de
registo se enquadra na ca tegoria Família alargada, o número 2 representa a subcategoria
Comportamento tido perante a diferença, o número 1 traduz o indicador Apoio e por fim o
numérico 4 informa que esta é a quarta referência feita pelo entrevistado neste indicador.
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Desta forma, possibilita ao leitor a localização exata de cada unidade de registo transcrita p ara
o presente documento, confirmando o seu real conteúdo na transcrição de entrevist a
codificada (an exo 7) e na grelha de unidades de registo codificadas (anexo 8 ).
Na constituição do corpus , previamente aos p rocessos analíticos, procurou -se ter presentes
orientaçõe s, tais como a exaustividade, a representatividade, a homogeneidade e a pe rtinência
(idem p.91-92).
Dada a investigação partir de uma problemática pré-estabelecida, foi possível detetar os
aspetos mais significativos e relevantes a considerar do mat erial recolhi do. Albarello e
colegas (1997, p.136- 13 7) referem a “importância de (...) verfificar a p e rtinência d e um a
grelha de análise que te rá deduz ido a priori ”. Assim, foram selecionadas três entrevistas
aleatoriamente, nas quais foram id entificadas as passagens consideradas a priori como sendo
de interesse para o estu do da problemática, parti ndo de u ma grelha de análise provisória
construída unicamente em função da problemática, a qual evoluiu posteriormente no decorrer
da análise (Albarello, 1997, p. 140 -143). O p rocesso de categorização pa rtiu, num primeiro
momento, de um sistema de categorias prede finido na literatura , decorrendo a organização do
material diretamente da mol dura teórica de base, sendo os elementos a analisar rep artidos à
medida que foram sendo encontrados (Bardin, 2004, p.113). Da enum eração da s unidades d e
registo obteve-se a quant ificação de uma frequência de registo.
Em função dos dados das diversas categorias que foram surgindo, a estrutura foi enriquecida
com a compartimentação em sub-c ategorias correspondentes que c om o decorrer d a
explanação foram progressivamente tornando- se mais complexas (ver anexo).
Neste processo de av aliação procurou -se qu e o conjunto das categ orias pos suísse as se guintes
qualidades (idem, p.114):
1º) exclusão mútua;
2º) homogeneidade ;
3º) pertinênc i a;
4º) objetividade;
5º) fidelidade;
6º) produtividad e.
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8. Fiabili dade e validação i nterna
Para que fosse garantida a fiabilidade interna d esta investigação, uti lizaram -se basicamente
três estratég i as:
1ª estratégia - denominada de T riangulação de Dados e consistiu na utili zaçã o de várias
fontes complementares de recolha de in formação: análise documental, análise da
entrevista semiestruturada, registos da observa ção direta realizada em contactos
informais, registos de diário de ca mpo;
2ª estratégia - pr endeu-se com a Auto-Verificação pelos participantes dos dados
recolhidos, no sentido destes conferirem a exa tidão das transcrições mediante as suas
declaraçõe s durante a ent revista;
3ª estratégia - consistiu na utiliz ação de Observadores Independentes para analisare m as
entrevistas transcritas e analisadas, obse rvação d etalhada dos r egistos naturalistas e
diário de campo e fi cha d e caracterização , tendo como obj etivo auxiliar a
investigadora na or ganizaçã o das classificações e conferir a fiabilidade dos dados
revelados para o estudo .
No que concerne à e scolha dos observadores, priveligiou-se que estes fos sem indivíduos com
experiência, não só no tra balho com crianças c om nece ssidades educativas especiais (de
preferênc ia na área da mul tideficiência especificamente a vertente da surdocegueira), bem
como em I nterv enção Precoce. Assim, foram convidadas duas docentes especializadas para
colaborarem neste processo.
Posteriormente procedeu-se à análise do conteúdo cujo objetivo, segundo Albare llo e colegas
(1997, p.118) “consiste essencialmente em descobrir categorias , quer dizer classes pertinentes
(...) de acontecimentos. Seguidame nte trata-se (...) de conseguir construir um sistema ou um
conjunto de relações e ntre essas classes”.
Recorre u -se ao qu e Shatzman e Strauss (1973, cit. in, idem, p.119) chamam de descrição
simples (straight description) no tratamento de dados de entr evistas. Nesta, o investigador
parte de um quadro teórico pré existente para compor um esquema de análise à priori que lhe
permita organizar os dados recolhidos. Destaca, na informação q ue possui, seções que
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corre spond em aos conceitos e às categoria s uti lizadas na disciplina, procurando articulá -las
numa lógica, também ela, apontada pela teoria.
No final, a or ganização da análise ficou est abelecida por quatro grandes domínios –
Problemática, Reação, Repercussão e Necessidades , segmentados em treze Categorias e
várias subcategorias cor respondentes com os respectivos indicadores e códigos atribuídos
conforme pode ser observado no
Quadro 18 .
Domínios
Categorias
& Códigos
Sub -categorias
& Códigos
Indicadores
& Códigos
Problemát ica
1. Deteção
1.1. O bservação
(direta de com p ortamen to/fisionomi a sugestivo )
1.1.1. Indiferença ao estímulo
1.1.2. Re petição movimentos
1.1.3. Isolamento
1.1.4. Auto-agress ão
1.1.5. Membro|órgão ex terno
1.2. Mo mento
(ocor rência da obser vação)
1.2.1. Pré-natal
1.2.2. Ne o-natal
1.2.3. Pós-natal
1.3. Sujeit o
(quem de tectou o comport amento sug estivo)
1.3.1. Progenitores
1.3.2. Médicos
1.3.3. Família
1.4. Enca minhamento
(despiste de eve ntu al pro blemática)
1.4.1. Família
1.4.2. Médicos
1.4.3. Instituição
2.
Confir m ação
2.1. Meca nism o
(meio de confirmação da proble mát ica)
2.1.1 Exame mé dico
2.2. Sujeit o
(quem co nfirma a proble mática)
2.2.1. Médico assistente
2.2.2. Psicólogo
2.2.3. P ediatra
2.3. Circ unstância
(como o corre a transmissão d a conf irmação)
2.3.1. Momento
2.3.2. Local
2.3.3. P ess oas envolvidas
2.3.4. Forma transm issão
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Reacçõe s
3.
Progen itores
3.1. Senti mentos tidos pela mãe
3.1.1. Tristeza
3.1.2. Auto-culpa bilização
3.1.3. Cul pabilização de outrem
3.1.4. Rejeição
3.1.5. Ac eitação
3.1.6. Conform ação
3.1.7. Saudade
3.2. Senti mentos tidos pelo pai
3.2.1. Tristeza
3.2.2. Auto-culpa bilização
3.2.3. Cul pabilização de outrem
3.2.4. Rejeição
3.2.5. Ac eitação
3.2.6. Conform ação
3.2.7. Saudades
3.3. Senti mentos do casal
3.3.1. Tristeza
3.3.2. Conform ação
3.3.3. Saudade
3.3.4. Indiferença
3.4. Co m porta mento da mãe perante a
diferença
3.4.1. Convívio saudável com
filho
3.4.2. Disponibilida de
3.4.3. Aban dono
3.4.4. Ignorar a diferença
3.4.5. Interesse
3.5. Co m porta mento do pai pera nte a
diferença
3.5.1. Convívio saudável com
filho
3.5.2. Disponibilida de
3.5.3. Aban dono
3.5.4. Ignorar a diferença
3.6. O pinião que a mãe tem sobre os
sentimentos do pai
3.6.1. Tristeza
3.6.2. Auto-culpa bilização
3.6.3. Cul pabilização de outrem
3.6.4. Rejeição
3.6.5. Ac eitação
3.6.6. Conform ação
3.6.7. Saudade
3.7. O pinião que a mãe tem sobre os
co m po rta mentos do pai
3.7.1. Convívio saudável com
filho
3.7.2. Disponibilida de
3.7.3. Aban dono
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3.7.4. Ignorar a diferença
3.8. O pinião que o pai tem sobre os
sentimentos da mãe
3.8.1. Tristeza
3.8.2. Auto-culpa bilização
3.8.3. Cul pabilização de outrem
3.8.4. Rejeição
3.8.5. Ac eitação
3.8.6. Conform ação
3.8.7. Saudade
3.9. O pinião que o pa i tem so bre os
co m po rta mentos da mãe
3.9.1. Convívio saudável com
filho
3.9.2. Disponibilida de
3.9.3. Aban dono
3.9.4. Ignorar a diferença
4.
Irmãos
(c.e.)*
4.1. Co nstatação da existênci a da diferença
4.1.1. Com portamentos
observados
4.1.2. Com en tários
4. 1. 3. Curiosidade
4.2. Co m porta mento tido pe rante a
“diferença”
4.2.1. Ignorar a diferença
4.2.2. Convívio saudável
4.2.3. Re pulsa
4.2.4. Conform ação
4.2.5. Saudade
4.2.6. Disponibilida de
4.3. Dúv idas pertinentes sob re a
problemáti ca
4.3.1. Razão
4.3.2. Oc orrência/Sintomas
4.3.3. Possibilidade de contágio
4.4. Sujeit o que esclarece dúvidas pertinentes
4.4.1. Mãe
Reacçõe s (continuaçã o)
4.4.2. P ai
4.4.3. Casal
4.4.4. Médico
4.4.5. Professor
5.
Fa m ília
alarga da
5.1. Co nstatação da existênci a da diferença
5.1.1. Com portamentos
observados
5.1.2. Com en tários
5.2. Co m porta mento tido pe rante a
“diferença”
5.2.1. Apoio
5.2.2. Ignorar a diferença
5.2.3. Re pulsa
5.2.4. Disponibilida de
5.2.5. Ac onselh am ento
5.3. Senti mentos dos familiares
5.3.1. Tristeza
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5.3.2. Revolta
5.3.3. Saudade
6.
População
circundante
6.1. Co nstatação da existênci a da diferença
6.1.1. Com p ortamentos
observados
6.1.2. Com en tários
6.2. Co mportamento tido pe rante a
“diferença”
6.2.1. Apoio
6.2.2. Ignorar a diferença
6.2.3. Re pulsa
6.2.4. P artilha de ex periências
6.2.5. Disponibilida de
Repercuss ões
7.
Subsistema
conjugal
7.1. Rela ção conjugal
7.1.1. Ge stão de conflitos
7.1.2. Aban dono da criança
7.1.3. Valorização mútua
7.1.4. Insatisfação marital
7.1.5. Separação
7.1.6. Apoio m útuo
7.2. To mada de decisões
7.2.1. P artilha da
7.2.2. Ce ntralizada
7.3. Papeis fa miliares
7.3.1. Educação
7.3.2. Liderança
7.3.3. Prestação cuidados básicos
7.3.4. Ass istência emocional
7.3.5. P artilha da
7.3.6. Ce ntralizada
7.4. Ala rgamento do núcleo fa miliar
7.4.1. Optam p or ter mais filhos
7.4.2. Decidem n ão ter m ais
filhos
8.
Subs istema
do
quotidiano
8.1. Rotina fam iliar
8.1.1. Horários
8.1.2. Tare fas obrigatórias
8.1.3. P ess oas envolvidas
8.2. O rganização de ta refas
8.2.1. Def inição de esquema
8.2.2. Tare fas centralizadas
Repercussõe s
( continua ção)
8.2.3. Tare fas partilhadas
8.3. Di m ensão do trabalho do méstico
8.3.1. Aum en to
8.3.2. Re dução
8.4. Mo bilização de re cursos
8.4.1. Recursos hum ano s
8.4.2. Recursos f ísicos
8.4.3. Recursos técnicos/m édicos
8.4.4. Recursos f inanceiros
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isso aflige- me muito… eu peço sempre a De us que ela vá comigo .
k) Categoria – A p oio i nstrumen tal
No que respeita aos vári os tipos de apoios inst rumentais é indicado pela mãe que sent e muita
falta de orientação e formação p ara as famílias, para que aprendam a li dar com estes casos
problemáticos. Na opinião da mãe é uma das suas maiores nece ssidades e visto o co lég io se
situar muito longe da sua residência sente essa dificuldade acrescida.
L.12.2.2.1. É o gestual. É, é, o gestual. Com as mãos dela… é isso. É o
que eu sei e sei pouco e era preciso eu ter uma vida mais razoável
para poder ajudar a mi nha fi lha. Até aprender os gestos porque e u
não tenho tempo e nem sei onde se aprend e isso. É só o que as
educadoras me vão dizendo, mas também é pouco.
A mãe refere as dificul dades financeiras e rev ela os poucos apoios que tem a esse nível.
Acrescenta que dada a enorme distância a que se encontra, o apoio fin anceiro para a despesa
da deslocação seria imprescindível.
l) Categoria – A poio in stitucional
A inex istência de instituições que dêem continuidade ao acolhimento de jo vens surdocegos é
uma das preocupações in erentes a esta m ãe. O úni co centro qu e a colhe este s casos (crianças e
jo vens) é a presente instituição sediada na capital.
L.13.2.2.1. Já pedi aqui que arranjem um sítio para ela ficar, porque não
há, não é? Disseram-me que já há terreno mas que não há casa, por
isso, apesar se ser longe, mas isso na sua mar é se verá, não é? E é
isso.
2.8.5. Tema orien tador – “Ir le vando a vi da”
Nesta f amília foram encontrados diferentes tipos de adaptações, maioritariamente respeitantes
ao subsi stema do quotidiano e conjugal. Es t as categorizações vislumbram adaptações que
assistem à subsistência dos filhos e da mãe, da do que o progenitor ab andonou o lar desde
muito cedo. A mãe revela que na su a vida semp re teve p roblemas financeiros e de recursos
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básicos. R evela insatisfação e refere que os irmãos rejeitaram sempr e a irmã. Refere que as
suas preocupações atuais respeitam ao futuro da H e pede interseção divina para que a filha
venha a falecer antes de si. Estas são as ideias qu e pautam a dinâmic a fam iliar encontrando -se
assim as regras de equilíbrio familiar que permite m (re )or ga nizar a rotina familiar e perceber
a orientação e estraté gias adaptativas de cada famí lia. Surg e como tema organizador da rotina
familiar: “ Ir le vando a vi da ”.
2.9. Família “N” – Um por to dos e todo s por um
O N p ermanece em ambiente de internato na escola durante a seman a, in do a casa todos os
fins-de- semana. Intitulou a sua fa mília como “Um por todos e todos por um”.
2.9.1. Domínio – Pr oblemá tica
a) Categoria – De t eção
Ao longo da entrevista foram efetua das algumas referências sobre a deteção da p roblemática,
através da observaçã o direta das malformações externas.
N.1.1.5.1. Porque começaram a aparecer manchas e que em princípio
eles pensaram que era Púrpura.
N.1.1.5.2. Mas tinha uma cova na testa, metida para dentro.
N.1.1.5.3. Quando a testa veio ao normal, o N tinha um glaucoma numa
vista
O momento da d etecção foi logo após o n ascimento do N, conforme é r eferido na entr evista
realizada.
N.1.2.2.1. Quando nasceu não. De z minutos depois de nascer é qu e
começ ara m a surgir as complicações todas.
N.1.2.2.1. T inha para aí uns quinze dias, ou as sim e tinha muitas
hemorragias… Entretanto o N foi recupe rando, foi lutando contra a
morte e assim …
Os elementos que enc aminhavam todo o processo, for am os próprios médicos, que
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procura vam ajudar e entrecruzavam informação para uma melhor eficácia de atuaçã o.
N.1.4.2.1. A partir daí chegámos ao outro hospital, os médicos, eu estava
a segurar a cabeça do m iúdo, e os médicos a ver em - no e … abri ram -
lhe os olhos e ele tinha as duas meninas dos olhos iguais, normais.
b) Categoria – C onfirmaç ão
Após a detecçã o questi onavam a suspeita aos médicos assistentes que
confirmava m o diagnóstico. Esta confirmaçã o era geralmente presenciada pelos
dois proge nitores.
N.2.2.1.1. Foi a mãe que quando trouxeram o bebé que procurou ao
médico para sab er o qu e é que se passava. O médico disse -lh e qu e
havia um problema .
N.2.3.3.1. Geralmente estávamos sempre os dois [casal ] .
A forma como lhes era transmitida a circunstância da confirmação nem se mpre foi
animadora. O pai r efere que um dos médicos teve atenção à form a de transmi ssão
do problema do N, mas que por outras vezes, a frieza da transmissão tam bém era
sentida.
N.2.3.4.1. O doutor diss e que não havia nada a fa zer e que como nós
tínhamos o outro filho, para trat armos do outro filho, que este aqui,
pode durar mais uma hora, ou duas …
N.2.3.4.2. Isso sim. A nível do Hospital pediátrico s empre. E foram tão
cuidadosos que transfe riram um médico conc eituado na área da
pediatria, para o nosso hospital de propósito por causa do N. Para
dar resposta ao caso do N… porque el e era um caso raro. Este
médico era uma jóia de pessoa.
2.9.2. Domínio – Re a ção
c) Categoria – Pr ogenit ores
De acordo com a teo ria do “Ciclo Vital da Famíli a” de Turnbull, os p ais d e crianças com
necessidades educativas especiais enfrentam ap ós o nascimento e os primeiros anos, os
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mesmos ajustes emoci onais que encontramos em todos os n ovos pais. No entanto,
adicionalmente estarão envolvidos numa perspectiva emociona lmente mais complex a, pelo
que as suas reacçõe s pod erão ser mais angustiantes e prolonga das.
Os momentos de tristeza sentida pela mãe foram várias vez es relatados ao longo d e toda a
entrevista.
N.3.2.1.1. Quando eu [pai ] cheguei um dia ao hospital, olhei para o N e
o N par ecia um coelho todo esfolado. T odo cor tado, todo rapado…
um sofrimento atroz, deu- me uma tristeza tão grande… e eu disse
para o médico (chorou) “Eu não sou a favor d a eutanásia, mas eu
autorizo que o façam”. Quero terminar este sofrimento .
N.3.3.1.1. É que nós [pais ] fomos lut ando mas é que era um pesad elo
quase todos os dias nós o vermos naquela agonia e naquele
sofrimento a ser cortado para levar sangue, nós ficávamos num
desespero total…
O pai reporta que a reaç ão dos progenitores dif eriu mui to em relação à aceitação da situação
do N. O p ai afirma que r eagiu de forma a aceitar a problemática e avançar com a idei a de que
“ se isto nos aconteceu, t emos de aceitar (embora que não concordasse com a sit uação) ” , mas
por outro lado a mãe ficou extremamente afeta da e debilitada emocionalmente com toda a
situação do N, sofrendo de uma profunda depressão. S egundo Harris e outros (1989), as
questões re l acionadas com as ex igências de tempo e a limitação de liberdade a que estão
sujeitas as mãe, resultan te dos cuidados exigidos pelos seus filhos com deficiência severa,
constam dos maiores problemas da vida familiar relata dos.
N.3.2.5.1. Haaa… quer dizer, eu, vamos lá a ver. E u sempre reagi bem.
Eu era mais velho que a mãe, a mãe é quas e treze anos mais nova do
que eu, eu tinha uma mentalidade completamente diferente… também
já ti nha andado mui tos anos na guerra do Ultramar, tinha já visto
tanta miséria, tanta co isa… que infelizmente, calhou -me a mim.
Aceitei. Ace itei …
N.3.2.5.2. Mas eu [pai] sem pre aceitei… não concordando mas…
N.3.6.1.1. A esposa não. A esposa teve problemas… (chorou) A mãe teve
um esgotamento
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É ig ualmente referido o sentimento de conformação p erante a re alidade vivenc iada pelo
progenitor.
N.3.2.6.1. E às vezes ainda dizem que há pais que abandonam a casa e os
filhos deficientes e a mãe que os cuide. O meu caso… não. Mas foi
preciso muita paciência. Porque eu [pai] para além de traba lhar com
defuntos, porque trabalho numa funerária, ainda tinha os problemas
todos em casa. Mas eu tentei aguentar e ag u entei, ti ve de me
conformar. Alguém tinha de ir em frente.
No entanto, uma das r eações relatadas pelo pai foi a sua tomada de d ecisão em ter iniciativas
invulgares para tentar (por outros meios) salvar o N. O pai recorreu a todos os meios possíveis
para t entar salva r o N, mesmo que não fossem os meios mais convencionais. De acordo com
Gallimore (1993) os val ores e crenças pa rentais são uma influência poderosa nas decisões e
orientaçõe s de de cisões familiares.
N.3.5.2.1. Entretanto eu como pai… a gente tenta salvar os filhos… e já
que os médicos e a medicina nos dão as respostas ce rtas ou erradas,
não sei, optei por outras vias para ver o que podia fazer para salvar o
N. Então cheguei… fui a uma bruxa… eu fiz coisas que nem ao arco
da velha lembra… entrar por uma janela e sair por uma porta ou sair
por uma porta e entrar por uma janela… ou ir ao cemitério e roubar
terra do cemitério e faze r chá e dar ao N, bem… conclusão tantas
coisas que eu fiz que passados uns tempos começou a recupe rar
N.3.5.2.2. eu próprio [pai ] comecei a fazer -lhe massagens na perna
esquerda com um produto que uma grande atl eta me de u, que trouxe
da América, e quando o N foi para a Fisi oterapia já ia a andar pelo
pé dele
N.3.5.2.3. eu botei vinho no meu copo e ele meteu o dedo no meu co po e
meteu- o à boca e fez “Ahh” e parece que era uma coisa tão satisfeita
que eu agarrei no copo e dei -lhe vinho a beber, d ei- lhe a beber… dois
ou três goles, não sei que quanti dade, só sei que passado um bocado o
N ficou a dormir em cima da me sa. Quando a mãe veio perguntou o
que eu tinha feito ao menino e eu disse -lhe que tinha feito isto assim,
assim e ela diss e que eu era um assassino, que ia matar o menino e
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assim e eu disse-lh e que se pelo menos não morrer da doença, morre
satisfeito. E eu costumo dizer que Deus escreve as linhas direitas por
caminhos tort os e eu ten ho fé que foi iss o que o salvou e que a partir
daí, nunca mais teve h emorragias. Já contei a todos os médicos e
pronto… ninguém sabe explicar. O qu e é facto é que ele nun ca mais
teve aque l e problema das hemorragias.
d) Categoria – I rmãos
Ao longo da entrevista f oi enunciado a exist ência de um irmão do N, este é mais velho que o
N tendo trinta e um anos. De salientar que é um irmão do gé nero masculino e que actualmente
já não reside na habitação tendo emigra do para fora do país e que seg undo o pai já não se
visitam há cerca de cinco anos.
De entre os comportamentos observados, o irmão apercebeu-se da problemática do N,
constatando a existência de diferenças notórias da alteração do padrão da normalidade. O pai
salienta que o irmão fazia comentá rios face ao observado.
N.4.1.1.1. Fazia, fazia. Ele [ir mão ] muitas perguntas… era muito
revoltado e perguntava as coisas com raiva… foi terrível. Ele via o N
a fazer qualquer coisa e dizi a logo coisas desagradáveis. E
perguntava porquê.
É igua lmente referido qu e o irmão do N sentiu re pulsa pelo irmão, pois n ão era desta forma
problemática que tinha desejado ter mais um irmão. No entanto o pai refere que s empre
procurou tra t á-los de igual forma.
N.4.2.3.1. Pois o irmão també m não ace itou bem. Rejeitou um bocado o
N, porque não era o irmão que ele esperava, que ele queria ter (…)
mas eu como também nu nca separei um do outro… Entretanto mudei
de emprego e só vinha a casa praticamente a os fins -de-semana, e
trazia sempre qualquer coisa para um e qualquer coisa para o outro.
Se trazia um carrinho p ara um, trazia um para o outro… para não
fazer distinção e para eles sentirem iguais. A vida melhorou nesse
sentido.
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Sobre as dúvidas proferidas pelo irmão foi o pa i q ue procurou esclarecer o irmão do N.
N.4.4.2.1. N ão expliquei. Eu [pai] fui sempre radical. E diss e-lh e qu e
tinha acontecido qualquer coisa que o irmão tinha nascido assi m.
Como há outros cegos, surdos … Nós infelizmente não esc olhemos
como é que nascemos . A vida é assim… o que é que a gente há -de
fazer? Temos de ace itar. É assim.
e) Categoria – F a mília Alargada
Os episódios relatados pelo progenitor o pouco apoio e disponibilidade de apenas alguns
membros da família se di spuseram a oferecer.
N.5.2.1.1. Essa cunhada quando nós vivíamos em [localidade] , até
ficava. E ele [N] gostava de lá ficar. Ainda agora nas férias a gent e
esteve lá uma semana e ele já não queria vir para baixo, para aqui.
Por outro lado ex istem membros que s entem re pulsa do N não a ceitan do que o mesmo
freque nt e os mesmos espaços, limitando os espaços de forma a evitar a presença do N.
N.5.2.3.1. A família reagiu muito mal. A família nunca nos deu grande
apoio, sempre r ejeitaram. Quando o N começava a mexer nalgum a
coisa era sempre “Ó N nã o mexas aqui, ou não mexas acolá…” E
depois começámos a separar. Duma família enorme que nós te mos,
basta que nós temos seis ou sete cunhadas, praticamente só me dou
com uma.
2.9.3. Domínio – Re p ercus são
f) Categoria – Subsistem a Conjugal
No que respeita à valorização mútua o pai refere que apesar das dificuldades da vida, os pais
entre si sempre se valorizaram e respeitaram. S entem que a presença do N tem unido o casal
em torno de uma causa em comum e que tal ter á feito com que o casal se mantivesse unido.
N.7.1.3.1. Foi uma vida sempre complicada, mas sempre estivemos em
harmonia, damos muito valor um ao outro… estamos casados há
trinta e dois anos.
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N.7.1.3.2. Apoiamo-nos muito [casal] . Somos os melhore s amigos um do
outro. Sim, sim… nesse aspecto, não há nada …
N.7.1.3.3. Sim. Muito. Damos valor ao esforço e ao trabalho que cada um
tem.
N.7.1.3.4. mas eu [pai ] , na minha maneira de ser, daquilo que eu m e
conheço d e mim próprio, se o N não existisse na n ossa vida, se calhar
eu com a minha mulh er, às vezes com certas coisas que acontecem,
éramos capaze s de estar virados um contra o outro. E o N não. O N
faz uma força de união. (…) Eu tive aí um contratempo aí na vida que
pronto, todos os homens têm as maluquices… mas o N fez a união,
fez-nos dar valor um ao out ro. Se o N fosse normal, já eu estava
sozinho com a mãe em casa, ou se calhar cada um para seu lado ,
porque o N já ti nha emigrado há muito tempo, como o irmão
emigrou… Já há cinco a nos que a gente não o vê. ( …) E o N não. É
uma união que atrai… é um íman q ue nos mantém juntos. E acho s e o
N não existisse e se não foss e assi m acho que por vezes por alguma
palavra mais mal dada, ou por algumas coisas que se passam, já
estávamos cada qual para seu lado.
Por regra, e na opinião partilhado pelo progenitor, as t omadas de de cisões recarem sobre os
dois tendo o pai um papel mais visível na educação do N.
N.7.2.1.1. Geralmente somos os dois [tomada de decisões ] . Sim somos os
dois…
Os pais optaram por não ter mais filhos, pois após o nascimento do N e de vido aos pro blemas
que teve e p elo facto de sere m pais com consan guinidade, a decisão foi peremptória em não
terem mais descendentes.
N.7.4.2.1. Há aqui um episódio que… a minha mulh er hoje sofre porque
eu na alt ura bem quis … mas como lhe disseram que tinha o filho
deficiente e que podia ser hereditário e que podiam vir mais assim,
nunca mais quis mais fil hos e fez uma laqueação de trompas. Eu diss e
que não concordava. Que eu sou mais velho, sou mais velho que ela
uns bons anos, já andei na guerra, de hoje à manhã morr o, tu és
ainda uma rapariga nova, arranjas outro companheiro e depois ele
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quer um fi lho e depois não podes e arranjas problemas. Eu não
concordei… e hoje ela sofre mas eu também sofro.
Tal como é predito pela Teoria Ecocultural (Gallimore et al., 1989) os pais relatam uma
adaptação dos s eus pap éis e rotinas em resposta aos desafios com que se vão confrontando
(Cho et al., 2001). Este relato dos pais corrobora o que afir maram Weisner e colegas (20 04)
quando sublinharam qu e a sustentabilidade da r oti na diári a deve estar em equilíbrio com a
ecologia familiar, os r ecursos disponíveis, as li mitaçõe s, mas não só. D eve também encontrar
estabilidade entre os intere sses competitivos dos diferentes elem entos da família e os seu s
objetivos.
g) Categoria – Subsistem a do Quotidi ano
O pai refere que a vid a familiar é p artilhada sendo que a organização das tar efas está
totalmente definida.
N.8.1.2.1. Eu [pai ] faço tudo em casa, ajudo quando é preciso. Eu
trabalho, ela trabalha. Eu chego a casa e ajudo a arrumar a casa, a
fazer a comida, a fazer as camas, tudo… é igual. A única coisa que eu
não faço é passar a ferro, mas ponho a roupa a lavar, estendo,
apanho… ajudamo -nos bastante.
N.8.2.1.1. Há, isso sou eu, mas é só porque eu conduzo, não é? A mãe
como tem um trabalho mais complicado, com um horário mais
complicado, é mais difícil vir cá trazer o N.
N.8.2.3.2. E então nós que passámos vários meses int ernados no hospi tal
com o N, mas vezes a mã e, outras vezes eu. Vínhamos trat ar do outro.
Vinha eu para baixo, ia ela para ci ma, quando e ra fi m-de-semana o
mais novo ficava entregue à família. E eu dormia dentro do carro.
O pai indi ca o aumento das tarefas e a dimensão do trabalho doméstico teve um notório
alarga mento e que tal facto restringiu a vida social do casal. Farber e Ry ckman (1965, cit. in
MacMillan et al., 1983) referem as limitações a n ível recreativo que recaem sobre as f amílias
com filhos portadores de deficiências profundas, nomeada mente as multideficiências e a
surdocegue ira, as qu ais podem incluir "a redu ção do período de f érias, dos contactos sociais,
entre outros”. Como explicação dess e isol amento social haverá outras r azões que remetem
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para estratégias psicológicas de ad aptação ao nascimento de uma criança com deficiência e ao
seu impacto na família, como é verba lizado pelo p ai.
N.8.3.1.1. Tudo, tudo. Deixám os de ter tudo. O trabalho com o N é
tanto… que deixámos de ter vida social. Deixámo s de ir a um cinema,
deixámos de ir a um teatro… Quando havia aqueles bailes da terra,
tínhamos que dançar com o N ao colo… Já com o irmão tinha sido a
mesma coisa, também dançávamos com ele ao colo, com o N ainda
mais. Quer dizer, a nossa vida social não existe.
Outro elemento referido é a dificuld ade d e mobilização de recursos, nomeadamente
financeiros.
N.8.4.4.1. Nós fomos falar com o médico e disse -lhe o que se passava e
que nós não tínhamos dinheiro mas qu e se fosse preciso íamos
assaltar um banco.
O pai refere que o pe rcurso escolar do N n em sempre foi fácil. Relat a que devido à sua
problemática pouco conhecida, inúmeros centros de educação especial não deram a devida
orientaçã o e auxíl io ao caso do N.
N.8.5.1.1. Entretanto o N fo i para a [nome instituição ] e depois quando
ele atingiu os cinco anos, recebemos uma carta e m que ele tinha de ir
para uma escola.
N.8.5.1.2. Depois quando aos cinco anos recebemos essa carta da [nom e
de instit uição ] a dizer que ele tinha de ir para uma escola. Nós é que
estávamos a pagar… í amos levá -lo de manhã, íamos buscá-lo à
tarde… (…) O N foi uma cobaia.
O percurso médi co do N foi deveras atribulado. O pai descreve-o como sendo uma vida em
torno do N e da su a saúde controversa. Relata estes episódios com tristeza e amargura nas
palavras.
N.8.5.2.1. Durante estes anos todos o N foi um a cobaia dos médicos. Eles
injetaram- lhe tanta coisa que… enfim. Até q ue mais tarde el es
detetaram que ele tinh a uma doença des conhecida chamada em
Port ugal “Bola de borracha azul – sí ndroma (imperceptível)”. Que
automaticamente quando falávamos com os médicos eles
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educando às respetivas e ducadora s quinzenalmente em contexto escolar e durante o convívio
de encerramento que decorreu no centro de f érias sito na Lourinhã. De repa rar que a família A
não esteve p resente no convívio de Natal porque a A esteve doente e impossibilitada de
comparecer.
Das observaçõe s diretas realizadas nos vários contextos, esteve sempre presente a mãe da A
que se mostrou muito atenciosa, bem disposta e pre stável para es clarecer todos os itens
desenca deados em conversa informal.
A mãe da A contra iu o ví rus da Rubéola durante o início da gestação:
(…) os médicos não sabem po rque é que a A tem estes problemas, mas
acham que foi mesmo da Rubéola. Daquelas borbulha s que eu tive no início.
Na alt ura disseram que era alergia. Mas já vários me disseram que não foi
alergia que eu tive, que foi a Rubéola. M as eu cá não s ei nada.( …)
A A não usa óculos apesar de ter baixa -visão; referiu-se que j á teria utilizado as próteses
auditivas, mas como a A as retirava sistematicamente, deixaram de as c olocar; a A reage a
sons muito altos e a vibraçõe s.
Agora só reage quando o som é muito alto ou aos tremores da música, ou
assim… [ vibraçõe s]
Manifesta al gumas perturbações co gnitivas motivadas p elo isol amento com o meio exterior,
dadas as limitações específicas. Em termos comportamentais é uma jovem serena e tranquila.
A sua comunicação é limitada e é feita através da L in gua Gestual em contex to escolar, mas a
mãe refere que a A a ente nde só pela expressão facial.
Ela [A ] olha par a mim e a gente cá se percebe. Ela sabe tudo o que eu lhe
digo. Entende a mi nha cara. (,,,)
A sua autonomia é semi-dependente pois nece ssit a de auxílio para realizar algumas das tarefas
básicas. Em te rmos de saúde geral a A não a presenta quaisquer patologias associadas à
problemática c ausada pela Rubéola, no entanto é seguida em Neurolo gia s emestralmente, por
conselho do médico assistente. A A permanece em ambiente de interna to na escola dur ante a
semana, indo a casa todos os fins-de-semana e feriados.
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Através das observações e registos efetuados a esta família ressalta o im pa cto que o filho com
deficiênc i a trouxe à mes ma alterando a dinâmica familiar. As rotinas famil iares obe decem aos
ritmos "impostos" p ela A. Uma rotina bem estr uturada guia as s emanas desta família, os
cuidados básicos à filha, as idas às consultas bem como a proc ura de apoio s.
Os pais são os principais responsáveis e toda a sua vida é orientada segundo as necessidades
da filha, pres entes e f uturas, sendo este o te ma que orienta as adaptações familiares:
"Assegurar os me lhores s erviços no presente e no futuro" .
3.2. Família “D” – Temos mu itas triste zas
As observações natural istas realizadas à família D decorr eram em quatro mom entos
essenciais: na desloc ação que a investigador a r ealizou à residência da família, aquando d a
entrega do educando às r espetivas educadoras quinz enalmente em contexto escolar , durante o
convívio de Natal e no convívio de enc erramento que decorreu no centro de férias sito na
Lourinhã.
Das observa ções diretas re alizadas nos vários contextos, esteve sempre presente a mãe do D
com os re stantes filhos de um e quatro anos, qu e se mostrou muito atarefada mas atenciosa,
bem disposta e prestável par a esclarecer todos os itens desencadeados em conversa informal.
A mãe do D c ont raiu o vírus da Rubéola durante o início da gestaçã o.
(…) Mas os médicos acham que foi Rubéola e por isso é que ele fi cou assim
mas eu também não sei. (…)
Apresenta grandes dificuldades de o rientação, mot ricidade e coordenação óculo m anual,
derivada do défice acentuado de visão e à surdez severa . O D n ão usa óculos apesa r d e te r
baixa-visão.
Em termos comportamentais é uma cria nça muito enérg ica, com personalidade vincada e com
movimentos muito expressivos.
“Sim, e está muito rebeld e. Ah [mão na cabeça em sinal de cansaço ] . Já
estive ali [junto da Professora ] a queixar-me, para me explicarem porque é
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que ele anda assim… Até m e deixa com o cabelo em pé, pá… Agora de
manhã, bateu com a mão na cabeça de um senhor no autocarro… bem… ela
[Professora ] diz que eu tenho de ser ma is forte com ele. Tem de d izer não e
é não até ao f im. Tem de fi car no não! Q uem não en te nde, olha…”
A sua comunicação é mui to dim inuta e é feita através da Língua Gestual Portugue sa em
contexto escolar, mas a mãe refe re que o D nem sempre a entende.
“Mas eu disse -lh e que íam os passear [fez o g esto de i r embora da LG P ] e eu
fui pô-lo na casa da m inha comadre. O que é que aconteceu? Ele pens ava
que i a passear, olha fico u o dia, a t arde toda a chorar, das qu atro às sete.
Quando eu cheguei, eu o meu marido perguntámos o que é que o D hoje
tem? E a minha comadre disse que deixaste- o a chorar e encontras ele a
chorar.”
O D p ermanece em ambiente de internato na escola durante a seman a, in do a casa todos os
fins-de-semana.
De realçar que e stes pais são de origem Cabo Verdiana, tendo os filhos nascido em Portugal.
A mãe é a principal responsável e toda a sua vida é orientada segundo as necessidades dos
filhos menores, sendo este o tema que orienta as adaptações familiares: "Cuidar e asse gurar as
rotinas familiare s ".
3.3. Família “E” – Uma família triste
As observações na turalistas realizadas à família E decorreram em dois momentos essenciais:
aquando da entrega do educando às respetivas educadoras quinzenalmente em contexto
escolar e no convívio de ence rramento que decorreu no centro de férias sito na Lourinhã.
Das obse rvações dir etas realiz adas nos vá rios contextos, esteve present e a mãe do E que
permaneceu com um semblante carregado e distante, não permitindo interação nem questões
informais onde se pudessem obter in formações informais. Ap enas no decorrer da própria
entrevista, em privado , é que se obteve alguma informação complementar
O agregado familiar do E é composto atualmente apenas por duas pesso as: o próprio E e a
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mãe. Há cerca de cinco anos o pai do E abandonou o lar tendo restado neste mom ento apenas
o núcleo formado pelo E e p ela mã e. O E tem doi s irmãos mais velhos que já não residem no
lar.
Bem o pai só vem cá [ colégio ] um a ve z por se man a, mas acho que nem
veio cá na semana passada… ver o menino [ mela ncolia ] . Ele já não está
connosco há cinco anos… saiu…
A mãe manife stou d esalento pela situação paternal em relação ao E.
Ele [ pai ] era para vir aqui [colégio ] trinta minutos por se mana. Mas
acho que ele até vinha, mas acho que fez um pé de vento aqui com as
educadoras, e até disse que i a marcar uma reunião com o diretor mas
era na segunda- feira e não apareceu… [ge sto de encol her os ombros ] .
A mãe do E contraiu o vírus da Rubé ola durante o iní cio da gestaç ão.
Não sei porque é que ele fi cou assim. Os médicos d izem que eu tive a
Rubéola. Foi isso… ta lvez…
Apresenta grandes dificuldades d e o rientação, motricidade e coordenação óculo m anual,
derivada do dé fice acentuado de visão e à surdez severa . O E não usa óc ulos atualmente . S ó
usou durante a primeira infância.
Em termos comportamentais é um jovem que por vezes é agressivo. A sua comuni ca ção é
limitada e é fe ita através da Língua Gestual em contexto escolar.
A sua autonomia é semi-dependente pois nece ssit a de auxílio para realizar algumas das tarefas
básicas. Em termos de saúde geral o E não apresenta quaisquer patologias associadas à
problemática causada pel a Rubéola.
A mãe é a única cuidadora e i ntitulou a sua família como “Uma fam ília trist e”. O tema
orientador é “Viver em função do filho”.
Esta família não possui uma rede familiar que a auxilie na tarefa de cuidar do E, ou exist ind o
é virtualmente ineficaz. Os amigos e a família alargada t ambém parecem não ter lugar no
quotidiano familiar de forma regular. Essa forma de organização familiar das rotinas
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centralizadas na mãe pod e corresponder a maior s entimento de stress (D y s on, 1997).
3.4. Família “F” – Par a a frente
As observações na tu ralistas realizadas à família F decorreram em dois mom entos essenciais:
aquando da entrega do educando às respetivas educadoras quinzenalmente em contexto
escolar e no convívio de Natal. A família F n ão es teve presente no encerramento que decorreu
no centro de férias sito na L ourinhã, por incompatibilidade horária e im pedimento de alterar o
horário pela entidade patronal.
Das observações diretas realizadas nos vários contextos, esteve presente a m ãe d a F qu e
manteve uma c onversação aberta e direta em ambiente informal.
O agregado familiar da família F é composto por quatro elementos: a mãe, o padrasto, o irmão
e a F. Atu almente, a mãe mantém uma relação com outra pessoa que reside junto ao a gregado
familiar dura nte os fins - de -semana.
depois ao fim-de-semana - eu estou com um moço – e ele também está
connosco
De salientar que uma das presenças mais focadas é a avó materna que mantém uma
proximidade estreita com o agr egado familiar
A minha mãe mora na casa ao lado, mas está sempre connosco.
A mãe da F contraiu o vírus da Rubé ola durante a gestação.
Sabe é que eu tive Rubéola na gravidez mas o médico nunca… pronto…
quando eu ap anhei a quelas bor bulhas… pr onto o m édico disse que era
Sarampo e nunca ligou mu i to, que não f azia mal, e eu até lhe disse que já
tinha tido Sarampo quando era pequen i na – porqu e a minha mãe me disse –
mas não tem problema porque o Sarampo pode-se ter at é sete vezes, d isse o
médico. Pronto e eu fui para a frente. ( ...) Bom, até que um dia o médico que
a tratou quando ela fez a aspiração do vómito, me perguntou o que é que eu
tinha tido e eu disse que tinha ti do Sarampo na grav idez. Fizeram- me
análises – a mim e à m enina – porque eles queriam saber porque é que a
menina estava a ter tantas coi sas se guidas, e foi quando disseram que eu
tinha tido Rub éola. Não tinha tido Sarampo m as sim R ubéol a.
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A F nasceu surdocega apresentando atualmente, baixa visão e surdez profunda . Apresenta
grandes dificuldades de orientação, mot ricidade e coord enação óculo manual, deriv ada do
défice acentuado de visã o e à surdez severa, apenas se desloca com alguma autonomia em
espaço do se u domínio e rotina quotidiana.
Então, t em uma surdez pro f unda e já quase qu e não vê nada. Eu ac ho que
ela ainda vê as sim umas som bras porque nos sít ios que ela conhe ce, orienta-
se mais ou meno s, mas ach o que é mesmo m uito pouco …
A F teve um percurso operatório muito intenso até aos seis anos de vida. Foi sujeita a nove
operaç ões seis das qu ais aos olhos, uma ao coraç ão e outr a a uma artrite.
Lá vou eu outra vez para o hospital e det ectaram-lhe um sopro (...) e depoi s
foi operada ao coração (...) como ti nha a catarata, o médico achou por bem
operá- la… Foi o pior que se pod ia ter feito. (...) “Ah, sabe correu um
bocadito mal, nós vamo s operar ou tra vez para pôr.” E assim foi , operaram
segunda vez. (...) Arranjou-me uma consulta e assim eu mudei para lá. (...)
Ela foi logo operada por ele, ness e dia. Bem a vista fi cou um bocadinho
defeituosa, mas pelo menos ficou a ver… (...) mas d e repente, ficou com a
tensão ocular muito alta, mas sempre a ser seguida no hospital. (…) Ela já
fez sete operações aos olhos. (…) Apanhou um glaucoma e eu acho que foi
por causa daquela conjun tivite grande. Isto durou até aos seis anos! E tem -
se vi ndo a agravar! Ela agora já t em dezasseis anos … (…) No t otal já foi
operada nove vezes – à artrite, ao coração e s ete vezes aos olho s. Agora t em
estado a estabili zar a tensão ocular, pron to. Põe uma gota todos os dias mas
tem estado benz inho.
Manifesta al gumas perturbações de locomoç ão mot ivadas pelo diferente comprimento dos
membros inferiore s.
(...) ela m exe-se mas tem alguma dificu ldade porque aque la perna e stá
ligeirament e mais pequena , não é? Ela tem uma compensação na bota de
três centím etros.
A sua autonomia é parci almente dependente pois necessita de auxílio para realizar algumas
das tarefas bási cas. Em termos de saúde geral presente a F continua a ser s eguida em
oftalmologia a cardiologia.
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A F permanece em ambiente de internato na escola durante a sema na, ind o a casa durante o
fim-de-semana de quinze em quinze dias.
Uma rotina estruturada guia as necessidades deste seio familiar, os cuidados básicos à filha, as
idas às consultas bem como a procura de apoios. O tema organizador da d inâmica familiar é
“A qualidade de vida da filha”. Intitulou a sua família como “Para a frente!”.
3.5. Família “H” – Liçõ es de Vida
As observa ções naturalistas rea lizadas à fa mília H decorrera m em três momentos essenciais:
aquando da entrega do educando às respetivas educadoras quinzenalmente em contexto
escolar, no convívio de Natal e no convívio de encerramento efetuado no centro d e férias sito
na L ourinhã.
Das observações diretas rea lizadas nos vários contextos, esteve presente a mãe da H qu e se
mostrou muito atenciosa, disponível e prestável para esclarecer todos os itens apontados.
Intitulou a sua família como “ L ições de Vida!”.
O agregado d a famíli a H é composto por quatro elementos: a mãe, o p adrasto, a irmã e a H. A
H tem atualmente trinta e três anos de idade. Os pais separaram-se quando a H tinha cerca de
dois a nos e meio, pois o pai não reag iu bem à deficiência da H tendo entregue a sua tristeza
“ao mundo das drogas”.
(...) o pai dela não aguentou, rejeitou comple tamente… não aguentou
a pressão e começou a meter- se no mundo da… droga. Tinha a
menina cinco, seis meses. Ah…
E assim nasceram dois processos muito complicados na minha vida.
Por um lado a minha filha cheia de probl emas, e por outro o meu
marido no mundo das drogas… Passados dois anos tive que me
separ ar, pronto. Eu da minha filha é que não me podia separar… e
ele não aguentava e só se metia nesse mundo. Foi uma situação… foi
uma alt ura muito, muito complicada para mim … porque li dar e m
pouco tempo com duas situações muito complicadas ( … )
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O pai biológic o faleceu vítima de uma “overdose” quando a H a inda era muito nova.
(...) o pai já faleceu. Veio a falecer anos mais tarde, com uma
overdose… Porque realmente não aguentou a pressão e a tristeza de
ter uma filha assim, e entregou-se àquilo [droga ] .
A mãe refez a sua vida com o atual padrasto. Deste relacionamento surgiu mais uma filha que
tem atualmente vinte e quatro anos. A m ãe r ealça a sua indecisão em arriscar uma nova
gravidez.
Casei- me nova mente e ti ve mais uma filha. (...) Tive [mãe ] … muitos
receios. Naquela altura, há vinte e cin co anos, não se faziam
ecografias… só se faziam em Lisboa e era só em particular e nalguns
hospitais. E eu já trabalhava na CERCI, como ainda hoje, e a médica
que me fez a ecografia aqui em L isboa, achou -me um bocado
cansada … tinha sete m eses de gravidez. Tinha lá o meu pro cesso e
disse- me assim: “Ou você vai para casa e descansa, ou vai ter uma
com o mesmo p eso da outra! ” Isto… estes dois meses foram de uma
angústia tão grande, tão grande até que ela nasceu… que eu nem sei
como é que sobrevivi. Era um pânico diário! Aliás, eu fui daqui, fui
directa ao médico de B eja e olhe, descarreguei tudo em cima d ele.
Disse- lhe tudo como os loucos…! Foi ao ponto do médico telefonar
para a outra médica de Lisboa e dizer: “ Colega o que é qu e vo cê
disse à senhora que ela está completamente desnorteada? Tem que se
medir as palavras, ainda para mais com u m históri co como o d esta
paciente…!” Quando ela [irmã ] nasceu, eu não queria saber se ela
era bonit a ou se era fei a… eu só perguntava “ De que cor é que ela
tem os olhos? Mas de qu e cor é que ela tem os ol hos?” E eu virei -me
para o meu marido – porque ele assistiu ao parto - e disse- lhe “De
que cor é que ela tem os olhos?” Até que alguém diss e: “ Tem
escuros”, e eu dizia “Ela não tem os olhos azu is?” – porque a minha
outra filha quando nasceu tinha os olhos azulados, por serem cegos.
Ao ponto de, ela ter nascido à meia-noite e tal e quando eram sete da
manhã já lá estava a Pediat ra para ver a m enina. Porque eu [mãe ] já
tinha ansiedade… e a outra m édica a dizer -me que se eu não
descansasse ia ter outra com peso igual … eu [mãe ] entrei em
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parafuso! A minha cabeça começou logo a pensar: “O mesmo peso,
os mesmos probl emas…” Tinha a H oito anos. E apesar de eu saber
que tinha sido por Rubé ola, e tinha já feito os exames e sabia que
estava imune agora, ma s a cabe ça não tem con trole… e eu achava
que vinha igual.
Atualmente a mãe da H conta essencialmente com a ajuda e colaboração da irmã da H, vist o o
padrasto ter sofrido alguns comprometimentos de saúde .
(...) sou eu [mãe ] e a mana que tomamos as decisões. (...) Porque o
meu marido [padrasto da H] já teve um AVC, já teve dois enfartes,
enfim, neste momento ele não participa em nada do que é decisões.
Nem de casa, nem das filhas… em nada infelizmente.
A mãe da H contraiu o v írus da Rubéola dur ante a ge stação. No entanto durante o primeiro
mês de gra videz o médico atribuiu os sintomas a uma alergia. Só após o nascimento da H e
dado o enquadra mento clínico da menor é que houve confirmação da problemática ter sido
causada por Rubéola.
Tinha um mês de grávida quando apanhei Rub éola… mas o m édico
disse que era uma alergia. (...) Eu só soube que tinha sido a Rubéola
quando uma médica, por acaso me foi ver a fi cha. E todas as
características indicavam esse quadro… e ela ult rapassando um
bocado o colega ( porque ela não era minha médica, mas eu d esabafei
com ela…) e ela disse - me que eu tinha tido Rubéola… E depois aqui
no Hospital em Lisboa, mais tarde também m e disseram.
A H nasceu surdo cega apresentando atualmente, enucleação da visão e surdez profunda.
Apresenta muitas dificuldades de orientação, motricidade e coordenação, d erivada da cegueira
total e à surde z profunda, apena s se desloca com alguma a utonomia em espaço do se u
domínio e rotina quotidiana.
A H permane ce e m ambiente de internato na escola durante a semana , in do a casa durante o
fim-de-semana de quinze em quinze dias.
Através d as observações e re gistos e fetuados a est a família r essalta o im pacto que a filha com
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deficiênc i a trouxe à mes ma alterando a d inâmica familiar. As rotinas familiares obedecem aos
ritmos "impostos" p ela H. Uma rotina bem estruturada guia as semanas desta famíli a, os
cuidados básicos à filha, as idas às consultas bem como a proc ura de apoio s.
A mãe e a irmã são as principais respo nsáveis e toda a sua vida é orientada segundo a s
necessidades da H p rincipalmente futuras, s endo este o tema que orienta as adaptações
familiares: "Assegurar os melhores ser viços no futuro".
3.6. Família “I” – Uniã o total
As observações n aturalistas realizadas à família I decorreram em três mo mentos essenciais:
aquando da entrega do educando às resp etivas educadoras seman almente em contexto escolar,
no convívio de Natal e no convívio de encerramento efe tu ado no centro de féria s sito na
Lourinhã.
Das observ ações diretas realizadas nos vários con textos, estiveram presentes a mãe, o pai e a
irmã do I que se mostr aram muito atenciosos, disponíveis e prestáveis para esclarecer todos os
itens apontados e questões informais formula das.
O agrega do famili ar da família I é composto por cinco elementos: a mãe, o pai, a irmã, o avô
materno e o I . A mãe tem quarente e oito anos e o pai tem quarenta e nove anos. Ambos têm
licenciatura e são empre sários e gestore s po r conta própria. O I tem atualmente, vinte e três
an os de idade. O casal t em mais uma filha (mais nova que o I) com dezoit o anos, e stando a
tirar o curso de edu cadora de inf ância. A fa mília mora a cerca de cem quilómetros da escola
onde está inserida o I , numa vivenda de ti pologia T4. A sua relig ião é catól ica e frequentam a
igre j a regularmente.
Na entrevista estiveram presentes a mãe e o pai do I que se most raram muit o atenc iosos, bem
dispostos e prestáveis p ara esclarecer todos os it ens apontados. Evidenciaram um grande
orgulho por estar a divulgar a história de vida do f ilho. A mãe do I contraiu o Citomegalovírus
durante o iní cio da gestação mas que não foi detetada qualquer problemática comprometedora
do desenvolvimento fetal.
(…) Porque quan do eu engravidei, tive passadas umas t rês semanas , m uita
febre, muita febre e fui à médica. E a médica dis se -me que poderia ser uma
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severa . A J usa óculos para compensar a baixa -visão. No entanto, a J reage a vibrações e a
image ns vibrantes.
A J permanece em a mbiente de internato na escola durante a semana, indo a casa
quinzenalmente apesar d e o pai não con cordar com este afastamento, mas a falta de recursos e
a distância de trezentos quil ómetros assim o determinam.
(...) E para mim [pai] … porque nós estamos sempre a sair de
[localidade ] para cá. E eu vou ser muito sincero, não compactuo
muito com esta ideia de a minha filha estar a 300 km de casa. Longe
dos pais. Chamem- me retrógr ada, chamem o qu e quiserem… mas se
ela ainda estivesse a uns 40 ou 50 km de casa, até podia ir para o
Colégio à se gunda- feira e vinha à sexta… mas passava o fim -de-
semana connosco, entende? É a distância. Não lido muito bem com
isso. Por um lado são muitas saudades e por outro … assim até parece
que me esqueço qu e ten ho uma filha. A gente não esquece… mas até
nos fartamos dela em pouco tempo. Porque está tão pouco temp o
connosco e agora está t ão mudada… está violenta, que a gente até…
sei lá… desabitua - se dela… Sinto uma culpa tão grande (...)
Através d as observações e re gistos e fetuados a est a família r essalta o im pacto que a filha com
deficiênc i a trouxe à mes ma alterando a dinâmica familiar. As rotinas famil iares obedecem aos
ritmos "impostos" pela J. Uma rotina ex igente guia as semanas desta família, os cuidados
básicos à filha e as idas às consultas. No entanto, os pais refe rem que a dis tância imposta pelo
facto de a filha estar a trezentos quil ómetros de distância dos pa is, repercute um sentimento de
abandono e descontentamento.
Os pais são os principais responsáveis e toda a su a vida é orientada segundo as necessidades
da filha, presentes e futur as "temos de conseguir tr azer a nossa filha p ara junto de nós cria ndo
uma inst ituição no norte do país", sendo este o tema que orienta as adaptações familiares:
“Criar melhores condições para a filha”.
3.8. Família “L” – Família sem futuro
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As observações naturalistas realiz adas à família L decorreram em quatro mom entos
essenciais: aquando da entrega do educando às respetivas educadoras quinzenalmente em
contexto escolar, na visi ta efetuada à residência, no convívio de Natal e no convívio de
encerramento efe tuado no centro de férias sito na Lourinhã.
Das observações diretas realizadas nos vários contex tos, esteve prese nte a mãe que se mostrou
muito resistente ao futuro e r eforçou que por ela a L deveria “partir” antes de si. Intitulou a
sua família como “Fa mília sem futuro”.
O agregado da família L é composto por qu atro elementos: a mãe, os irmã os e a L. A L tem
atualmente trinta e sete anos de idade . Os pais estão sepa rados mas existem mais dois filhos
(um mais velho que a L e outro mais novo que a L) com trinta e nove e vinte e cinco anos
respetivamente . Atualmente, a mã e reside com a L e com o filho mais novo . O pai nun ca
colaborou na educaçã o dos filhos e tal fac to conduz iu ao divórcio pare ntal.
(...) Ela tem mais dois irmãos, um mais novo com 25 anos e outro
mais ve lho com 39 anos. E a L tem 37 anos. Mas ela vive só comigo e
com o meu mais novo. (...) O pai abandonou a cas a.(...)
De salientar que um dos factos mais focados é a indiferença dos irmãos em relaç ão à L.
(...) Mas ele [irmão ] só lhe diz olá e às vezes toc a-lhe outras vezes
não toca, prontos. Diz que não gosta de lhe tocar. Mete -lhe confusão
(...) então o mais velho [irmão ] nem lhe chega. Nem lhe toca. N ada
(...)
A mãe equaciona que d evido à relação conflituosa (violenta) com o proge nitor e pelo facto de
ter criado os seus filhos soz inha deix ando-os fechados para ir trabalhar e por n ão ter sido
muito emotiva com os filhos, estes hoje ta mbém são pessoas frias, distantes e fechadas.
(...) Eu [mãe] … é assi m… eu tive de fazer o seg uinte: pôr no sítio do
coração, uma pedra ( ... ) Porque fiquei com eles os três, sozinha. (...)
eu tinha o meu trabalho, mas então… e tinha de deixar os meninos
sozinhos... pois, ao fi m e ao cabo eu dei pouca atenção aos meus
filhos. Como eu não dei atenção como devia de d ar, o pai aba ndonou,
não quis saber m esmo. Abandonou os filhos por completo. Nós
separámo-nos e nunca mais apareceu. Para ver, o mais novo não
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conhecia o pai até aos três anos (...)
Na entrevista e observa ções naturalist as a mãe da L mostrou-se sempre apressada m as
disposta a colaborar respondendo aos principais itens apontados. A mãe da L contraiu o ví rus
da Rubéola dura nt e a ge s tação:
(...) Nasceu com os problemas que tem agora. Com quase todos, não
é? Porque ela… foi a R ubéola que eu tive dura nte a gravidez, e isto
há tri nta e seis anos, a medicina estava atrasa da e nunca fui vista
durante a gravidez. Ma s eu senti-me mal durante a gravidez. Quer
dizer ainda nem sabia bem se estava grávida e senti nas mãos e na
cara uma espécie de Sarampo. Mas mais grave q ue o Sarampo porque
fez bolhinhas de água e dava muita comichão e eu coçava e ardia
muito, ficava a arder… foi isso. E depois mais tarde consultei o meu
médico de famíl ia e ele botou que eu fosse alérg ica a qualquer coisa
de comida. E não fui tratada… e assim ficou. E como não havia assi m
este planeamento familiar, assim ficou. Só quan do ela nasceu é qu e
depois… nem mesmo a o nascimento deram [ médicos ] pela coisa
[problemática ] dela! (...)
A L nasceu surdocega m as só após quatro meses foram detetados os primeiros sinai s.
(...) Porque passados quatr o meses é que eu [mãe ] fui a uma festa e a
minha irmã viu que a menina estava a revirar os olhos e viu que era
uma catarata na vista direita (...)(...) E assim foi essa doença… foi aí
mais tarde que os médic os disseram que iss o foi a Rubéola que tinha
causado este problema e o médico de família disse que ia correr tudo
bem e eu também na minha ignor ância, também confiei. E ela
fisicamente é como vê. Ela fisicamente não t em problemas, é igual.
(...)
Apresenta atualmente, c eg uei ra total e surdez pr ofunda. Ap resenta grandes dificuldades d e
orientaçã o, motricidade e coordenação de rivada do défice de visão e à surdez, apenas s e
desloca com alg uma auto nomia em espaço do seu domínio e rotina quotidiana.
(...) Neste momento ela é cega total e surda total. (...)
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A L tev e um percurso operatório intenso dur ante os primeiros anos de vida. Foi sujeita a
várias interve nções cirúr gicas aos olhos e a o coração.
(...) Mas interiormente… já foi operada ao coração, aos quatro ano s
foi operada ao coração, depois foi operada à vista direita, que foi o
Dr. [nome do médico ] que a operou, mas te ve uma hemorragia de
sangue e ainda ficou pio r… depois foi ope rada no hospital [nome do
hospital ] e ainda piorou mais do que estava. Ela tinha de estar de
dieta três dias e três noites e ela queria tirar tudo e ficou a vista
completamente morta. (...)
A sua autonomia é semi-dependente pois nece ssit a de auxílio para realizar algumas das tarefas
básicas.
Em termos de saúde geral presente a L continua a ser seguida em con sultas regulares de
cardiologia, geralme nte acompanhada pelos técnicos da instituição onde está inserida.
A mãe é a única cuidadora e toda a sua vida é orientada p ara a sobrevivência p essoal e da
filha, vistos os outros filhos já serem maiores. Contudo e confessando que o seu maior receio
é o futuro da L e deseja que “a L venha a f alecer antes de si para que não fique cá a sofrer
mais”. O tema que or ienta as adaptações familiares é “I r levando a vida”.
3.9. Família “N” – Um por to dos e todo s por um
As observa ções naturalistas rea lizadas à fa mília N decorrera m em três momentos essenc iais:
aquando da entrega do educando às respetivas educadoras quinzenalmente em contexto
escolar, no convívio de Natal e no convívio de e ncerramento efetuado no centro de férias sit o
na L ourinhã.
Das observações diretas realizadas nos vários contex tos, esteve presente o pai do N que se
mostrou mui to interessado disponível e col aborante respondendo a todos os itens
questionados. A mãe do N não esteve presente na entrev ista por se encontrar a trabalhar .
O agregado familiar do N é composto atualmente por tr ês pesso as: o próprio N, o p ai e a m ãe.
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O N tem neste momento vint e e oito anos e a mãe tem cinquenta e três anos. N o agregado
familiar já esteve pr esente o irm ão do N que neste momento já não reside com os p ais, tendo
emigrado para o e stran geiro.
Segundo o pa i, a gravidez do N terá de corrido dentro da normalidade até à altura do parto.
(…) Uma gravidez normal… mas com falta de assistência médica,
porque a médica també m estava grávida e faltava às consultas das
grávidas dela e quando o N nasceu, antes começou a sentir as dores
do parto, eu levei- a para a maternidade. Chegou à maternidade…
mandaram-na para cas a. Eu estranhei. Ela d e noite levantou -se a
caminho da casa de b anho… uma, duas, três, quatro, cinco, seis
vezes… e u no outro di a disse não, agarrei nela e le vei -a para o
hospital e disse ao douto r para tomar conta da minha mulher porqu e
não é normal uma grávida ir quase vinte vezes à casa de banho, de
noite. Há qualquer coisa que se está a passar mal. Conclusão
provocaram- lhe o parto… o N nasceu mas… com problemas. Às duas
da manhã fui chamado, trabalhava numa funerária, e o meu patrão
foi-me chamar a dizer que o bebé tinha nascido mas que para ir lá
porque estava qu alquer coisa mal. (…)
Logo após o nascimento, o N foi dado como nado morto. E só após alguns momentos é qu e
deu sinais de vida.
(…) Roxo, segundo const a, o que disseram depois mais tarde, foi que
quando o tiraram, pensaram que ele estava morto e puseram -no em
cima de uma maca. Entretanto ele c horou e foram acudir. (…)
Dado que os progenitores são consan guíneos (primos direitos), o pai e os médicos
suspeitaram que esse seria o motivo dos problemas do N e não lhe dav am muitas horas de
vida. Surgiram log o as primeiras deformações.
(…) Mas tinha uma cov a na testa, metida para dentro. E eu disse que
o N é filho de primos, somos primos direitos . Procurei se ele era
deficiente, ou assim… e o médico perguntou -me como é que correu o
parto e eu disse ao do utor que n ão sabia. Fo i a ferros? Segundo
consta não. Foi um parto normal. Simplesmente veio foi todo sujo e a
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vomitar sangue por todo o lado e aquelas borras e assim. Segundo o
que dizem os técnicos, os bombeiros, dizem que é o chamado engoliu
o parto. Contei-lhe a per ipécia que tinha aparecido lá na mat ernidade
e começaram a tratar dele e assi m. Quando a testa veio ao normal, o
N ti nha um glaucoma numa vista. Entretanto ficou na incubadora e
passados dois dias o médico perguntou-me se eu ti nha traz ido algum
relatório. Eu disse que não, que me tinham da do nada. E ele disse
para eu fazer o favor de v oltar ao outro Hospital, vai ter c om o
médico, leva-lh e aqui esta carta, e pede-lhe q ue lhe mandem uma
seringa com o sangue da mãe e o relatório de quanto tempo demorou
o parto, quanto tempo d emorou a cortar o cordão umbilical, e assim.
Infelizmente não havia nada inf ormático na alt ura sobre isso.
Inclusive o paradoxo da questão é qu e eu ti nha de ir fazer um funeral
no outro dia a [localidade ] e em vez d e me dare m uma serin ga com o
sangue da mãe, deram -me a mã e! Com um dia apenas de ter tido o
filho, metia no carro f unerário e levei-a par a o outro hospital.
Quando cheguei ao hos pital os médicos ficaram abismados como é
que é possível… nós só p recisamos de uma s eringa assi m d e sangue…
como é que nos mandam a mãe? Bem, tiraram o sangue, e disseram
para ela voltar para a maternidade. Mas ela já não foi para a
maternidade, foi para casa. Foi para casa, o menino ficou internado,
passados dois dias, ou q ue foi , tive outro funeral p ara aqueles lados,
fui v er o N e lá procurei ao doutor como é que estava o N. O doutor
disse que não havia nada a fazer e que como nós tí nhamos o outro
filho, para tratarmos do outro fi lho, que este aqui podia durar mais
uma hora, ou duas (…)
Perante o cenário descrito pelo médico, o p ai do N re corre a uma opinião sobre a previsão d o
futuro do N.
(…) Entretanto eu como pai… a gente tenta salva r os filhos… e já que
os médicos e a medicina nos dão as respostas certas ou erradas, não
sei, optei por outras via s para ver o que podia fa zer para salvar o N.
Então cheguei… fui a u ma vidente… eu fiz coisa s que n em ao arco da
velha lembra… ( … ) diss e -me olhe que vo cê tem o filho int ernado no
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hospital e os médicos querem-no operar e se ele for operado o N
morre. (…)
O pai int erpelou o médico a pedir aconselhamento e este rec omendou que fosse pedir
interseçã o divina.
(…) E o médico diss e -me que há uma capela aí à porta, vá lá e fale
com Ele. Eu fui o Senhor ouviu -me. Entr etanto eu disse, fui e diss e ao
doutor, em partic ular, “O que é que acha do poder sobrenatural?” e
ele disse “Olhe eu já ouvi tanta coisa que nem a credito nem deixo de
acreditar. Porquê?” e eu disse “Vocês querem operar o N e o N fica
na sala de operações.” O mé dico diss e assim… “Por isso é que eu o
esto u a procurar” E eu tive vergonha a dizer que tinha ido a uma
cartomante, ou a uma f eiticeira, ou a uma brux aria e disse -lhe que
uma pessoa da família me ti nha dito isto assim, assim… E ele
respondeu “O N esta noite esteve mais para o lado de lá do que par a
o lado de cá… chamámos o neurocirurgião, mas o neurocirurgião
negou-se a operá- lo. Porque o N é só hemorragias, hemorragias…” E
eu disse que não sabia se tinha sonhado ou assim ou se tinha sido
Deus a dizer-me qu e o N tem dentro d ele um órgã o mal formado. Que
quando esse órgão se acabar de formar, o N deixa de ter
hemorragias. ( …)
O N atravessou fases mui to complicadas na s ua existência. O p ai ao longo da convers a
informal partilhou algumas.
(…) Vá lá tinha aí un s três meses. Veio para casa e d epois o
passatempo era ele vo mitava ou tossia, a gente acendia a luz, el e
estava branco, a gente p egava nele e ia para o h ospital. Chegava lá,
como não enc ontra vam as veias, cortavam-no, lá lhe metiam sangue,
pronto vinha para casa outra ve z. Quando a gente chegava a o nosso
hospital, não lhe conseguiam encontrar veias, mandavam-no para o
outro hospital, cortavam-no, metiam-lhe o sangue, vinha para casa
outra vez. Andámos nisto… nesta luta, luta, luta, durante vinte e dois
meses. O N ti nha uma cadeira que eu lhe ti nha arranjado para ele
estar à me sa, que ele mal segurava a cabeça, mal se segurava em
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cima do tronco, e ele estava à mesa, e eu estava a almoçar, e eu botei
vinho no meu copo e ele meteu o dedo no meu copo e meteu -o à boca
e fez “Ahh” e parece que era uma coi sa tão satisfeita que eu agarrei
no copo e dei-lhe vinho a beber, dei - lhe a b eber… dois ou três goles,
não sei que quantidade, só sei qu e passado um bocado o N ficou a
dormir em cima da mesa. Quando a mãe veio perguntou o que eu
tinha feito ao menino e eu diss e-lhe que ti nha feito isto assim, assim e
ela disse que eu era u m assassino, que ia matar o menino e assim e eu
disse-lhe que se pelo menos não morrer da doença, morre satisfeito.
(…) Já contei a todos os médicos e pronto… ninguém sabe explicar. O
que é facto é que el e nunca mais teve aquele problema das
hemorragias. (…) Hoje i a para o hospi tal… depois aguentava três ou
quatro dias e ia para o hospital… quer dizer aquela luta acabou. O N
começ ou a d esenvolver só que não crescia. Não crescia, não
gatinha va, não andava, nem nada. Ele gostava de… eu deitava -o num
parque, ou num tapete ou numa manta, punha -lhe um brinquedo ou
assim e ele ali ficava. El e era um boneco d esarticulado. Eu agarrava -
lhe nas pernas, punha-las por detrás da cabeça, e se nós não
tirássemos assim ficava. A gente falou com o médico e ele disse que
ele tinha uma luxação nas ancas. Tinha uma mais larga e outra mais
estreita. Quando come çasse a andar ia fazer uma curvatura na
coluna, mas não crescia. ( …)
Com o crescimento, o N foi-se desenvolvendo, embora que de uma forma muito atípica.
(…) N a altura ele ou via e via du ma vista. E ouvia. O N falava
também. Na altura com uma li nguagem própria que ele arranjou e à
medida que foi crescendo, foi desenvolvendo uma linguagem normal.
Depois o N começou a desenvolver. Aos quatro anos começou a
andar… começou a andar agarrado às cadeiras, começou a articular
os primeiros passos, foi desenv olvendo lentamente (…)
Segundo o testemunho do pai, o N teve ao lon go da vida vários episódios im previsíveis pel os
médicos. Sucederam-se factos que os médicos não conseguiram ant ever nem explicar
posteriormente.
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(…) Aos seis anos, deu -lhe um ataque e o N, c egou. Depois deu -lhe
outro ataque e perdeu a noção das coisas, ele sabia as cores, sabia
contar até vinte, sabia o nome d ele, a morada , eu escrevia-lhe os
nomes das coisas – pai, mãe, e outras coisas, e ele sabia. Deixou de
fazer isso tudo. Depois p erdeu o ouvir, o andar… ( …) e depois lá foi
recuperando o andament o, a audição… depois es teve três anos cego.
Eu na altura chateei-me com o meu patrão, despedi -me e fui trabalhar
para a Suíça durante um ano. Durante esse ano ele foi lá passar
quinze dias, e u m dia estávamos à beira de um lago, eu estava a
desfolhar uma revista e de repente ele olhou para a revista e disse
assim “Ó pai, olha aqui as senhoras!” eram umas senhoras em fato
de banho e eu estranhei e disse - lhe “Estás a ver mal. Isso aí é u m
carro…” e ele disse “N ão, não, o carro está ali… e é vermelho” e
apontou para o carro qu e estava na outra página. Pronto foi quando
ele de repente começou a ver outra vez. No dia anterior tínhamos ido
a uma montanha, eu trab alhava lá numa vacaria, a puxar feno para a
estrada para depois vir o carro para selar. E el e andava co migo na
montanha mais a mãe. E deram-lhe para a mão uma forquilha de pau
e ele disse que aquilo não prestava e até a patroa disse que tinha
medo que ele se al eije. Mas eu disse que ele não se aleijava. Demos -
lhe uma forquilha normal e ele começou a p uxar o feno por ali
abaixo. Sem ver… e ele disse que aquel a era m elhor porque sentia a
vibração. Fazia “trnnn”. Sentia a vibração com aquela enquanto que
com a outra não porqu e deslizava em cima do feno e não s entia nada.
Passados uns dias de ter ido para lá deu -se aquele episódio. Foi para
lá ser ver e veio para cá a ver. E ninguém consegue explicar. Nenhum
médico. (…) ele t eve outra grande crise e perdeu esses dois sentidos.
Ele tinha vinte anos, tinha ido para a praia, che gou aqui à escola foi
para o refeitório, deu-lhe um ataque, foi para o ho spital, ficou um mês
internado, altas conv ulsões, altas convulsões, falta de oxigénio no
cérebro, a seguir deu-lhe um AVC e ficou numa cade ira de rodas.
Deixou de ouvir, deixou de ver e deixou de andar. (…)
O N apresenta características da Rubéola, mas tal conclusão só fo i consid erada muito após o
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seu nascimento, por mé di cos estrange iros que se in teressaram pela particularidade de ste caso.
(…) houve um m édico i nglês que chamou o mé dico do N e qu e lhe
disse se nós sabíamos falar ingl ês, nós não sabí amos e ele pediu ao
nosso médico para nos procurar se houve algu ém com Rubéola na
família. E eu disse que não, que ninguém tinha tido Rubéola na
família e eles disseram que então iam pesquisar oito anos atrás, na
altura em que a mãe já estava grávida, se m saber que estava grávida,
no primeiro mês de gra videz, uma senhora velhota que vivia debaixo
de nós, que tomava cont a de três crianças surdas-mudas que eram de
[localidade ] , que estava a tomar conta d elas, foi levar duas a o
colégio e ficou uma surda-muda que estava doente, em casa. E a
criança começou a chorar. E o choro de um surdo -mudo é
completamente diferente de um choro de uma criança normal. A
minha mulher sentiu tanta pena que saiu porta fora e veio lá abaixo
acalmar a miúda. Mal s abia ela que estava grá vida e que a criança
tinha Rubéola. E portanto a doença do N foi contacto com a Rubéola.
(…)
Atualmente manifesta algumas p erturbações cognitivas motivadas pelo isolamento com o
meio ex terior, dadas as s uas limitações específica s. Em termos comportamentais é um jov em
que por vezes é agressivo. A sua comunicação é limi tada e é feita através da L ín gua Gestual
em contex to escolar e de alguns sons emitidos dado que p erdeu gradualmente a faculdade em
falar.
(…) Olhe por exemplo, o N come çou a ter proble mas aqui, começou a
rejeitar. Morde-se, bate- se… enfim. (…)
Esta família denomina - s e de “Um por todos e todos por um”. As suas vi vências e episódios
ocorridos após o nascimento do N condicionaram o conforto desta f amília. É de realçar que as
dificuldades financeiras e a dependência do N for am determinantes para q ue esta família visse
condicionada toda a sua vida social. No entanto o pai realça que a pres ença do N nas suas
vidas motivou uma enorme união entre o casal. O futuro é o que mais os preoc upa sendo que
refere que não tem garan tias de quem poderá auxiliar o N caso os pais venham a falecer antes,
sendo as preocupações presentes e futuras uma constante de re gulam as organizações d a
dinâmica f amiliar. Os p ais são únicos cuid adores do N e toda a sua vida é orientad a pa ra a
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4.4. Família “F” – Par a a frente
Através das observações diretas efetuada s, dos registos escritos e dos relatos off -record
obtidos, constata-se que a família F organiza as suas rotinas diárias e adapta -se a uma
realidade b aseada essencialmente no bem -estar da criança, não d escurando as necessidades
dos demais. Tal facto é justificado pela presença d a mãe junto da criança mas manifestando
uma atitude activista, de quere r recuperar da sep aração marital e assumir uma nova relação
com um novo companheiro. O equilíbrio psicológico passará por levar uma vida significativa,
onde responda adequadamente às ne cessidades da filha, nunca esquecendo que tem as suas
próprias necessidades, projetos (uma carreira), não descartando a hipótese de um novo
relacionamento (não c asamento). Com frontalidade aponta “o n ascimento da sua filha com
deficiênc i a como a razão do s eu divórcio” e revela que considerava difícil encontrar um novo
companheiro pe l a mesma razão, “mas tal (novo companheiro) aconteceu”.
Esta família procura no seu quotidiano responder equilibradamente aos interesses dos seus
diferentes membros. Surge então como tema organizador da rotina diária o equilíbrio d e
interesses.
No decorrer das obser vaç ões registaram-se expressões de carinho para a filha, sendo que a
avó esteve prese nte no co nvívio de Natal e revelou uma relação de cumplicidade com a F.
"O aux ílio pre stado pela avó tem nesta família um pape l fulcral, contribuindo pa ra esse
equilíbrio assumindo diversos papéis nesta fa mília, correspondendo a t rês tipos de adaptação
no domí nio Papéis Fami liares, um dos mais d estacados. Se gundo Baranowski e Schilmo eller
(1999, cit. in Cate et al., 2007), os avós provêem um larg o l eque d e actividades de apoio aos
pais de crianças com deficiência, quer a um nível mais prático (exemplo: fazer compras, lev ar
a cabo ta refas domést icas, cuidar d a c riança, acomp anhar a criança em ati vidades
terapêuticas) quer a nível emocional (exemplo: estar disponível para discutir problemas,
contactar re gularmente pelo telefone).
Em síntese, e apesar de e sta família se denominar de “Para a f rente!” é o presente que mais a
preocupa e que a mobiliza. A maior necessidade é a pre sença mais continuada da F junto da
família e a nece ssidade q ue mais relevo te m é o bem estar de toda a família.
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4.5. Família “H” – Lições d e Vida
Através das observações diretas efetuada s, dos registos escritos e dos relatos off-record
obtidos, constata-se que a família H org aniz a as suas rotina s diárias e ada pta -se a uma
realidade baseada essenci almente no bem-estar e necessidades supremas da criança.
No decorrer das observ ações re gistara m -se expressões de carinho e ternura entre a mãe e a
irmã para com a H. A família depois de episódios conturbados, vive em harmonia e reina um
ambiente pra zenteiro. Registos efetuados no âmbito das reações dos progenitores e irmãos.
A mãe referiu off-record que a su a primeira relação marital teve um desfecho muito dramático
com o divórcio e falecimento do progenitor da H, por este nunca ter aceite a deficiência da
filha e se ter entregue ao consumo de estupefacientes. Refe riu que “até ao nascimento da filha
tinha um casamento de s onho” e que “se tivessem tido acompanhamento p sicológico, talvez o
desfec ho não tivesse sido aquele”. Regista -se as necessidades de Apoio E mocional versus a s
repercussões no Subsistema Conjug al.
Na categoria da família alargada foi enunciada a presença da família, p rincipalmente da ti a,
avós maternos e avô paterno – reacções da família alarga da.
Na categoria da população circundante, no do mínio das re ações, foi referida a relação
estabelec id a com os amigos que não se afastaram da família
Destaca m -se as adaptações feitas na categoria da prestação de serviços prestados à criança
onde se constata que para a melhor assistência à criança, a mãe e pr esentemente a irmã
asseguram todos os percursos médicos para com a H.
Tal como é predito na Te oria E cocultural (Gall imore et al ., 1989), os pais relatam um a
adaptação dos seus papéis e rotinas em respostas aos desafios com que se vão confrontando
(Cho et al ., 2001). Este facto corrobora o que afirmaram W eisner e colegas (2004) quando
sublinharam que a sustentabil idade da rotina diá ria deve estar em equilíbrio com a ecologia
familiar, os recursos disponíveis, as limitações e d eve tamb ém encontrar es tabilidade entr e os
interesses competitivos dos difere ntes elementos da família e os seus objetivos.
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Registou-se dificuld ades no do mínio do código linguístico da H por p arte da família, tendo -se
observado a tentativa de comunicaçã o aplicando gestos “caseiros” e des abafos da mãe onde
referia a dificuldad e que sente em entender a H com os gestos da escola “comigo percebe
tu do, mas é c á à nossa maneira” , recaindo assim para a repercussão de uma das categorias
assinaladas – dificuldade em dominar o código comunicativo.
No que respeita ao subsi stema residencial foram muitas realizadas ada ptações no lar, pois de
acordo com a mãe, no quarto da H tiveram de procede r a reforço na cama e fix á -la ao chão
devido a “ela balança - se muito e a cama tem de estar bem presa”. O mobiliário do quarto é
todo revestido de esponj as e tecidos almofadados para que a H n ão se fira. Segundo a mãe, o
quarto é amplo e só tem a cama de forma a n ão exist ir quaisquer impedimentos físicos que
dificultem a locomoçã o da H. Mesmo quando ocorreu mudança de casa, a mãe indica que teve
o cuidado de escolher u m rés-do-chão com bo as áreas e zona de secage m de roupa ampla,
devido à incontinência reg ular da H.
Em síntese, e apesar de esta família se denominar de “Lições d e Vida !” é o futuro que mais a
preocupa e que a mobiliz a. A maior necessidade é a p resença continuada da H num a
instituição que perdure e que tranqu ilize o futu ro desta f amília. A mai or necessidade é a
criação de novas estrutu ras de apoio à pessoa sur docega pois é um r ecurso que ainda oferece
poucas soluções. Apresenta-se como tem a que o rienta as adaptações desta família: "Assegurar
os melhores serviços principalmente no fu turo".
4.6. Família “I” – Uniã o tota l
Através das observações diretas efetuada s, dos registos escritos e dos relatos off -record
obtidos, constata-se que a família I or ganiza as suas rotinas diárias e adapta -se a uma
realidade b aseada ess encialmente no bem-estar e necessida des do I e p rivilegia o bem estar do
casal e da irmã. No decorrer das observaçõ es registaram -se expressões de carinho, ternura e
muita cumplicidade e preocupação entr e os pais e a irmã para com o I – reações de
progenitores e irm ãos.
A figura dos a vós foi r eferido como uma p resença essencial d esde o nasci mento do I . Sendo
que desde o falecimento da avó materna qu e a situação se complicou pois este elemento
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repre s entava um pila r no equilíbrio familiar. Os pais ref erem que o I sentiu im enso o
“desaparecimento” súbit o da avó. O auxílio prestado pela avó teve nest a família um p apel
fulcral contribuindo para esse equilíbrio assumindo diversos papéis nesta família,
corre spond endo a três tipos de acomodação no domínio P a péis fa miliares, um dos mais
destacados. Segundo Baranowski e S chilmoeller (1999, cit in Cate et a l ., 2007), os avós
provêm um lar go leque de actividades de apoio aos pa is de crianç as com deficiênc ia, quer a
nível mais prático (exemplo: fazer compras, levar a cabo ta refas domésticas, cuidar da
criança, acomp anhar a c riança em atividade s terapêuticas) quer a nível e mocional (exemplo:
estar disponível para discutir problemas, contac tar regularmente pelo telef one, entre outras).
Outra adaptação referida reporta aos papéis familiares onde o pai assume um papel de
liderança democrática e a mãe opta por ter um papel mais discreto m as mais próx imo das
relações humanas que envolvem os técnicos que contactam e interage m com o filho. Assim
partilham os papéis familiares de forma organizada e concertada – orga nização de tarefas
partilhada.
É referido que na f amília alargada, ocorreram situações onde os pais sentiram alguma
sensaçã o de repuls a para com o I – comportament o tido perante a diferença – reações.
No que respeita à população circundante, a mesma recebeu o I de forma na tural continuando a
conviver saudavelmente com a dif erença. T ambém relataram um episódio onde o I foi sujeito
a comentários des agradáveis por parte d e outros encarregados de educação onde estav a
inserido por não quererem a presença do I na tur ma dos filhos .
A comunicação estabelecida com o I é referida como “uma das maio res dificuldades que têm
desde sempre”. No ent anto esta família é empreende dora e investe na aprendizagem e
domínio dos ge stos apli cados na esc ola, esforçando -se por acompanhar o ritmo aplicar os
mesmos na rotina familiar. Revelaram que procuraram informação de cursos de LGP e
pesquisam on-line dúvidas e vocabulário qu e necessitam para conse guir comunicar com o I da
forma mais eficaz. Confessam contudo, que muitas vezes aplicam um códig o comunicativo
caseiro onde simplificam a comunicação com o I – repercussão de dificuldade em dominar o
código comunicativo da criança.
O subsistema laboral fo i referido como uma dos aspectos que s empr e foram facilit ados e
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compreendidos de forma a poder deslo car-se com o I a consultas sempre que necessár io. Tal
facto foi descrito como “trabalhamos n a empresa da nossa família e daí esse aspeto esta r
francamente facilitado (…) se trabalhássemos por co nta de outrem, nem sabemos como iria
ser” – e ntidade patronal c umpre direitos parentais.
Uma das necessidades referidas teria sido a importância da ajuda técni ca de um psicólogo,
“quer no iní cio, quer agora que o I está a atravessar esta f ase mais violent a”. – necessidade d e
apoio emocional/técnico.
Outra das n ecessidades mais referidas são as preocupações que a família diz ter sobre o futuro
incerto da instituição que não tem capacidade p ara d ar resposta para o futuro perma nent e
desta população – necessidade de apoio instit ucional. Na opinião dos pais deveria exist ir uma
instituição para acolher a população surdoce ga adult a e não deveria ser a irmã a suportar esse
encarg o no futuro pois s egundo os pais “a irmã tem a su a vida e tem de ser respeitada (…)
ap oio pode e deve d ar s empre, mas ter a obrigatoriedade de ter a seu cargo o irmão para
sempre, não é justo”.
Em síntese e apesar de esta família de denominar de “União total”, respeitam o espaço de vid a
da outra filha e é o futuro que mais os preocupa e qu e os mobi liza, para garantirem o bem
estar eterno do I. O percurso desta família reflete como, na aus ência de uma rede de apoio
dificulta uma atitude pró -activa, e tentam encontrar respostas na comunidade, catalisando o
envolvimento e colaboração das estruturas de poder local e de uma equipa multidisciplinar de
profissionais. A maior necessidade é a criação de novas estruturas de apoio à pessoa
surdocega pois é um recurso que a inda oferece poucas soluções.
4.7. Família “J” – Incertez as familia res
Através das observações diretas efetuada s, dos registos escritos e dos relatos off -record
obtidos, constata-se que a família J organiza as suas rotinas diárias e adapta -se a um a
realidade bas eada essencialmente no bem-estar da criança. Tal facto é just ificado pel a conduta
constante dos pais que procura m dar assistência a todas as necessidades da filha.
No decorrer das observ ações registaram -se expressões de desacordo entre os pais. Uma das
razões apontadas é o facto de a J se encontrar muito longe dos pa is e o fa cto de o proge nitor
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nunca ter ac eite este afastamento. Contrariando o pai, a mãe ar gumenta que “se este colégio é
o melhor para a nossa filha, ela tem de vir para aqui”. O pai refe re que “parece que a estamos
a abandonar (…) assim até parece me desabituo d e ser pai e de ter uma filha (…) quando a
vejo parece que já não a conheço, nem ela a mim”. De corre assim uma di vergênc ia na reação
parental.
O subsi stema conjugal também foi referenciado como tendo sido uma das categorias mais
referidas off-record . A mãe confessa que a relação marital está a atravessar uma f ase pouco
estável e que o cas al já nem conversa entre si.
A J tem uma irmã mais velha que convive sauda velmente com a J, mas seg undo os p ais , o
facto d a J exist ir perturbou a própria relação da outra filha com os pais , pois foi criada pela
avó materna enquanto qu e os pais davam toda a atenção à J.
A figura dos a vós foi r eferido como uma p resença essencial desde o nasci mento da J . S endo
que desde o falecimento da avó materna qu e a situação se complicou pois este elemento
repre s entava um pila r no equilíbrio f amiliar. Os pais referem que a J sentiu imenso o
“desaparecimento” súbit o da avó. O auxílio prestado pela avó teve nest a família um p apel
fulcral contribuindo para esse equilíbrio assumindo diversos papéis nesta família,
corre spond endo a três tipos de acomodação no domínio P apéis familiares, um dos mais
destacados. Segundo Baranowski e S chilmoeller (1999, cit in Cate et a l ., 2007), os avós
provêm um lar go leque de actividades de apoio aos pa is de crianças com deficiênc ia, quer a
nível mais prático (exemplo: fazer compras, levar a cabo ta refas domésticas, cuidar da
criança, acomp anhar a c riança em atividade s terapêuticas) quer a nível e mocional (exemplo:
estar disponível para discutir problemas, contac t ar regularmente pelo telefone, entre outras).
Outra adaptação referida reporta aos papéis familiares onde o s pais reparte m as
responsabilidades r ecaindo sobre a mãe as tare fas relacionadas com a gestão d as tarefas
diárias. P artilham os papéis familiares d e fo rma organizada e concertada – organização d e
tarefas partilhada .
É referido que na f amília alargada, ocorreram situações onde os pais sentiram alguma
sensaçã o de repulsa para com a J “nin guém quer ficar com ela, somos só nós para tudo” –
comportamento tido perante a dife rença – re ações.
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