Vol. 5 Nº2 págs. 209-223. 2007
www.pasosonline.o g
© PASOS. Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al. ISSN 1695-7121
Dos ecos do u ismo aos ecos da paisagem: análises das endências do
eco u ismo e a pe cepção de suas paisagens
Fe nanda Be aldo Maciel Leme
Sand o Campos Ne es †
Uni e sidade Es adual de San a C uz (B asil)
Resumo: O p esen e a igo p opõe a e isão das endências pa a a p á ica do eco u ismo na bibliog a ia
especializada. A a és ambém da pesquisa em si es de ho éis e ope ado as da á ea buscou-se comple-
men a e e i ica na p á ica a conc e ização dessas endências. P ocu ou-se a a és da pesquisa de cam-
po de ini se o eco u ismo pode ia se enca ado em si mesmo como uma endência ou se se ia possí el
de ini-lo como uma endência que possibili a o a endimen o de algumas necessidades básicas do se
humano, como con a o com a na u eza, sua con emplação e a necessidade do lúdico a a és da idéia de
a en u a. Assim, analisou-se a pe cepção do público jo em (maio consumido de eco u ismo) a espei o
das paisagens e as elações dessas pe cepções com os emas: eco u ismo, con emplação, laze e a en u a.
Pala as cha e: Na u aza; Laze ; Con emplação; Eco u ismo; Pe cepção.
Abs ac : The p esen a icle conside s he e ision o he ends o he p ac ical one o he eco u ismo
in he specialized bibliog aphy. Th ough also he esea ch in si es o ho els and ope a o s o he a ea one
sea ched o complemen and o e i y in he p ac ical a conc e ion o hese ends. I was looked h ough
he ield esea ch o de ine i he eco u ismo could exac ly be aced in i sel as a end o i i would be
possible de ine i as a end ha makes possible he a endance o some basic necessi ies o he human
being, as con ac wi h he na u e, i s con empla ion and he necessi y o he play ul one h ough he ad-
en u e idea. Thus, i was analyzed pe cep ion o he young public (bigge consume o eco u ismo)
ega ding he landscapes and he ela ions o hese pe cep ions wi h he subjec s: eco u ismo, con empla-
ion, leisu e and ad en u e.
Keywo ds: Na u e; Leisu e; Con empla ion; Eco u ismo; Pe cep ion.
† • Fe nanda Be aldo Maciel Leme y Sand o Campos Ne es. Mes andos em Cul u a e Tu ismo pela Uni e sidade
Es adual de San a C uz (UESC)-Ilhéus-BA. Bolsis as pela Fundação de Ampa o à Pesquisa do Es ado da Bahia . E-
mail: e maci[email p o ec ed] -- E-mail: sand ocamposne [email protected]
h ps://doi.o g/10.25145/j.pasos.2007.05.016
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PASOS. Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al, 5(2). 2007
ISSN 1695-7121
In odução
Esse a igo em como obje i o analisa
as endências e e en es a elações es a-
belecidas en e laze , con emplação e
a en u a no u ismo de na u eza.
De ini endências, como de endido po
Leony (2002: 122), “é uma a i ude pe igo-
sa e co ajosa ao mesmo empo, mas é un-
damen al pa a basea no os es udos, e
elabo a os p oje os de planejamen os,
o denamen os e ges ões. Pe cebe-las e
de ini-las é compo um imenso queb a-
cabeça de peças espalhadas po odos os
espaços e em odos empos”.
Sendo assim, euni e analisa
endências apon adas po di e sos au o-
es como Ruchmann (2002) em elação ao
eco u ismo e suas implicações pa ece se
impo an e pa a se possa a ança na eo-
ia e na p á ica desse segmen o.
Além da e isão bibliog á ica a espei-
o de endências, se ão le an ados dados
p imá ios da p e e ência a ual dos jo ens
po paisagens p opícias ao eco u ismo e
os sen imen os, expec a i as e lemb an-
ças, ou seja, a pe cepção que essas paisa-
gens p o ocam e acabam po es imula o
eco u ismo. Fo am en e is ados 100
jo ens (en e 18 e 25 anos) da Uni e si-
dade Es adual de San a C uz (Ilhéus –
BA). A amos agem oi de inida po
exaus ão, sendo que inicialmen e se iam
en e is ados 60 jo ens (1% do uni e so),
mas, de ido à disponibilidade, pode-se
chega ao núme o de 100 en e is ados. A
escolha po jo ens uni e si á ios se de eu
ao a o de se um público p openso à ia-
gens de eco u ismo (incluindo nelas a
p á ica de espo es adicais e con em-
plação da na u eza) como cons a ado po
Ruchmann (2003).
Pos e io men e se á discu ido se es a
p e e ência segue uma endência iniciada
e impos a pelo me cado ou se a a de
uma endência na u al do se humano a
p e e i paisagens com elemen os como
água, mon anhas, ege ação as a e que
aumen a con o me esse ipo de paisagem
não az pa e de seu co idiano.
Po im, le an a-se o ques ionamen o a
espei o de como essa endência que se á
con i mada ou não pela pesquisa de cam-
po p elimina e que em suas aízes em
duas e en es acima mencionadas, pode
ou não con ibui pa a a sensibilização
dos u is as em elação à p ese ação dos
espaços na u ais. Esse ques ionamen o
pa ece undamen al já que apesa de e
em sua de inição p opos as p ese acio-
nis as, o eco u ismo se ap esen a como
uma p á ica de “ enda” do meio pa a con-
sumido es que não se con en am em con-
empla o meio, que endo sim, mais ho as
de laze e a en u a.
Tendências do u ismo na pós-
mode nidade: os pa adoxos.
Como mencionado po Mo in e P igo-
gine (1996), a pós-mode nidade se ca ac-
e iza pelo imedia ismo das ações aco i-
das de ido à lógica dominan e da en abi-
lidade a cu o p azo, u o das écnicas
inancei as do me cado. P io izando essas
exigências imedia is as do me cado, os
cidadãos não conseguem isualiza em
que p azo suas necessidades se ão a en-
didas. Mui as ezes p io iza-se o me ca-
do, pois os in es imen os em seus se o es
em e o no a cu o p azo, já in es imen-
os sociais como na educação, são sen idos
à longo p azo, exigindo mui as ezes ma-
nu enção cons an e. Com as medidas o-
madas isando o imedia o, o me cado se
bene icia ge ando c escimen o da econo-
mia, no en an o, cidadãos são excluídos
de ido a a o es como a al a de emp ego.
O que oco e, é que os bene ícios da
chamada pós-mode nidade não ie am
pa a odos e sim, apenas pa a os que do-
minam os me cados ou que deles podem
pa icipa . Se ques ões sociais, como em-
p ego, são colocadas em segundo plano
como ci ado po Mo in e P igogine
(Op.
Ci .)
pa a os que são excluídos dos bene í-
cios da pós-mode nidade, como se ia pos-
sí el pensa em laze como um enômeno
globalizado?
No en an o, pa a au o es como Pe e
D ucke e Domenico de Masi (
apud
Dias,
2005), a sociedade do século XXI se ia a
sociedade do conhecimen o e se ca ac e i-
za ia po amplo acesso à in o mação e
maio empo li e disponí el. Mais uma
ez cabe ques iona : a é mesmo quem
es á inse ido na sociedade da in o mação
e ecnologia, acaba po possui mais em-
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po li e pa a seu laze ?
São inques ioná eis as acilidades que
se encon a nos a anços da pós-
mode nidade, como in e ne , meios de
anspo es mais ápidos, apa elhos do-
més icos que poupam empo. Mas, segun-
do Naisbi (1999), aquilo que p ome e
poupa o empo das pessoas, acaba sem-
p e po ouba mais empo. Apesa das
acilidades ge adas pela ecnologia do
consumido , o uso do empo não oi o be-
ne iciá io. As pessoas acabam, segundo o
au o , po não pe cebe ao ce o as escol-
has que azem, endo a sensação que a
ida é acionada pela ecnologia; e que
al ez po isso cada ez mais almejam,
como um sonho, a anqüilidade ob ida
al ez em uma iagem. E há ou o impas-
se: nas sociedades em que o empo li e já
é maio que o empo de abalho, as pes-
soas exe cem a i idades que e e i amen e
lhes di i am e con ibuam com seu de-
sen ol imen o pessoal, como ques ionado
po Cama go (1998)? O au o de ine as
sociedades “esc a as” da ecnologia como
“Zonas Tecnologicamen e In oxicadas” e
discu e o que nelas é abalho e o que
i ou laze . A ualmen e, nessas zonas,
ealiza a e as simples como cozinha ,
cos u a , cul i a , udo po si p óp io,
i ou uma g ande on e de laze pa a as
pessoas sa u adas pelas acilidades da
al a ecnologia. As ecnologias, se po um
lado, i am o abalho, ambém es ão
oubando o sen imen o de sa is ação das
pessoas, que se en usiasmam quando
podem aze ou c ia algo. Em ambos os
casos, ou seja, pa a as sociedades que
es ão excluídas dos bene ícios da pós-
mode nidade e, pa a aquelas que pos-
suem (a é em excesso) as acilidades ad-
indas desse no o cená io, o laze con i-
nua sendo um p i ilégio almejado.
O laze a ualmen e não é mais conce-
bido como algo pecaminoso, nem o ócio
como sinônimo de adiagem ou descom-
p omisso com a sociedade e consigo p ó-
p io. A p óp ia pala a laze em la im
lice e
signi ica “se pe mi ido”. A ualmen-
e a ci ilização in en ou, como ci ado po
Cama go (
Op. Ci .)
, a cul u a do laze ,
mas não soube e não quis democ a iza-la.
As pessoas são incen i adas a oda ho a a
“se pe mi i ”, pela mídia e ou os meios, a
e mais ho as de laze , e isso nem sem-
p e é possí el ou é ealizado seguindo
essa moda sem g andes ealizações pes-
soais. Às ezes iaja , se a a apenas de
“ca imba o passapo e”, de pu o exibicio-
nismo, azendo desapa ece o lúdico numa
di isão en e o “eu-que- ealiza” e o “eu-
que-obse a”. E, quase semp e, como des-
c i o po Cama go
(Id.)
, o p aze do “eu-
que- ealiza” é sac i icado em a o do
p aze u u o do “eu-que-obse a”, que ai
apenas ela a a açanha. Assim, o oco,
às ezes se o na o s a us, o ela o pa a o
ou o de se e condições de pode e
es ado e pode e pagado es a em locais
a os e ca os.
A ualmen e se pe cebe que o laze é
uma necessidade pa a o se humano, pois
es e é um animal complexo, que não se
con en a apenas com o a endimen o de
necessidades como segu ança, alimen aç-
ão e mo adia. Com o discu so da pós-
mode nidade que chamou a a enção pa a
essa necessidade e ambém a e o çou e,
de ido à endência da busca pelo s a us,
em-se o aumen o das iagens como uma
das o mas de laze mais p a icadas
a ualmen e.
Segundo Ruschmann (2003), “a O ga-
nização Mundial do Tu ismo (OMT), es-
ima a que o u ismo, a é o início do sécu-
lo XXI, e ia um c escimen o en e 4% e
5% ao ano, quan i icando as chegadas
in e nacionais no ano de 2000 en e 592 e
690 milhões de pessoas (OMT, 1990)”.
Den o desse cená io de c escimen o
das iagens, pe cebe-se ambém a
endência de c escimen o de uma modali-
dade especí ica: a do eco u ismo. Rusch-
mann (
Op. Ci : 161.
), menciona que: “Com
elação ao u ismo mundial, obse a-se
hoje um aumen o acen uado da p ocu a
po iagens que p opo cionem con a o
com a na u eza, endência que em oco-
endo a ce ca de duas décadas[...]”. Já
pa a C uz (2003: 17), “Foi, undamen al-
men e, na década de 1990 que modalida-
des de u ismo elacionadas a espaços
na u ais c esce am em impo ância no
conjun o dos segmen os das iagens u ís-
icas”.
Independen e da disco dância que se
pode encon a en e au o es sob e quan-
do e e i amen e o eco u ismo se o na
uma endência, a sua pe spec i a de c es-
cimen o é um consenso en e os au o es e
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PASOS. Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al, 5(2). 2007
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que po isso, me ece discussão in e disci-
plina e ap o undada a espei o das eais
mo i ações, impac os e bene ícios dessa
modalidade de u ismo.
Eco u ismo: a moda que ge a ou cap u a
uma endência?
Depois da massi icação de alguns des-
inos e “paco es” de iagem, iabilizada a
pa i de ins do século passado pelo
ap imo amen o dos meios de anspo es
e pela conquis a da disponibilidade de
empo e dinhei o pelos abalhado es com
as é ias pagas, hoje, o u ismo de massa,
segundo Se ano e B unhs (2000), passa
po uma e ação. Isso ambém oi p eco-
nizado po C uz (2003: 17): “[...] o c esci-
men o galopan e das p á icas de eco u-
ismo em a e com o a o de es e se um
p odu o no o no me cado do u ismo, se
compa ado com o “p odu o” u ismo de
massa”. Essa endência em se e le indo,
ao menos na Eu opa e nos Es ados Uni-
dos, num ecuo da demanda po paco es
p on os de um lado, e da p ocu a cada ez
maio po o ei os pe sonalizados, de
ou o. Segundo Leony (2002: 121): “[...] o
pano ama das endências az com que
suponhamos se o
eco u ismo
se o es ilo
de u ismo do u u o, que sem dú ida em
c escido mui o ul imamen e, sendo emas
de euniões em á ias egiões u ís icas”.
Den o desse no o desejo, os des inos
u ís icos conside ados “exó icos” e di igi-
dos a ambien es de g ande alo paisagís-
ico e ecológico ganham des aque. A ual-
men e, os p incipais des inos de eco u-
ismo no B asil são: B o as (SP), Fe nan-
do de No onha (PE), I aca é (BA), Lençóis
Ma anhenses (MA), Pan anal (MT), Cha-
pada Diaman ina (BA) e Chapada dos
Veadei os (GO) e Amazônia.
Na Região No e, pode-se i encia os
ascínios da Flo es a Amazônica, sendo a
maio ese a biológica do mundo. Seus
ios ambém conduzem a passeios ao in-
e io da sel a, onde ho éis p opo cionam
comodidade e segu ança pa a o descob i-
men o a ap eciação da auna e lo a da
egião.
Na Região No des e, encon am-se be-
las p aias ma de águas quen es e sol o
ano in ei o. Algumas das p aias mais
equisi adas são as de Canoa Queb ada
(Cea á), Genipabu com suas dunas (Rio
G ande do No e), Pon a do Seixas e Cabo
B anco ( Pa aíba), Po o de Galinhas e
a quipélago de Fe nando de No onha (
Pe nambuco), de P a agy (Alagoas), A a-
laia Velha (Se gipe), Po o Segu o
(Bahia), en e mui as ou as.
A Região Cen o-Oes e possui uma ex-
ensa di e sidade, beleza e boa in a-
es u u a, desde o Pan anal ma o-
g ossense, a é os pa ques da Chapada dos
Guima ães e dos Veadei os. No Pan anal,
encon a-se um e dadei o san uá io eco-
lógico, onde i em di e sas espécies de
capi a as, se pen es, jaca és e a es. No
io A aguaia pode-se p a ica a pesca
encon ando uma ica a iedade de
peixes.
A Região Sudes e possui na egião de
São Paulo, p incipalmen e em seu li o al
no e, belas p aias. Nas cidades ambém
podemos encon a a ações ecológicas
como o Ja dim Bo ânico e a Flo es a da
Tijuca, no Rio de Janei o. No espí i o
San o encon a-se p aias de a eias mona-
zí icas de Gua apa i.
Na Região Sul, p edomina o clima sub-
opical e a ege ação acompanha essa
a iação, azendo com que as paisagens
sejam di e en es com a do es an e do
país. Na linha do eco u ismo, San a Ca a-
ina es á en e os ecan os mais explo a-
dos. As Ca a a as do Iguaçu, ambém são
um impo an e pa imônio da egião,
con an o com as a ede de hospedagem.
O eco u ismo ambém é p a icado nos
Pa ques Nacionais, que são uma das ca-
ego ias de unidades de conse ação exis-
en es no B asil.
Assim, o segmen o iden i icado gene i-
camen e como eco u ismo é o que ap e-
sen a maio índice de c escimen o a ual-
men e. Segundo Rocha (2002), “es ima i-
as o iciais chamam a enção pa a o a o
de a ualmen e 10% dos iajan es se em
eco u is as” (p. 162).
O e mo eco u ismo ainda não es á de-
inido po comple o, sendo a iada a apli-
cação desse e mo den o do uni e so
u ís ico. Algumas de inições encon a-
das:
Segundo a Emb a u : “[...] é um seg-
men o da a i idade u ís ica que u iliza
de o ma sus en á el o pa imônio na u-
al e cul u al, incen i a sua conse ação e
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busca a o ma ação de uma consciência
ambien alis a pela in e p e ação do am-
bien e, p omo endo o bem – es a das
populações”.
Pa a os o mado es do
ade,
segundo
Se ano e B unhs (2000): [...] é oda a i i-
dade u ís ica ealizada em á ea na u al
com o obje i o de obse ação e conheci-
men o da lo a, auna e dos aspec os cêni-
cos, com ou sem sen ido de a en u a; p á-
ica de espo es e ealização de pesquisas
cien i icas.
Alguns au o es mencionam que, além
do eco u ismo e su gido como uma al-
e na i a ao u ismo de massa, esse ipo
de u ismo em início com os chamados
isi an es al e na i os, os p imei os a
chega nos locais denominados como “pa-
adisíacos” e que, pos e io men e, se o -
nam locais de eco u ismo.
“[...] su gi am os
hippies
cuja iloso ia
de ida es a a na con amão do p ocesso
desen ol imen is a e possuíam pos u a
p ese acionis a; buscando semp e mo a
em luga es belos e p imi i os, onde o sis-
ema capi alis a e sua bu oc acia ainda
e am insipien es; essas pessoas o am
mui as ezes pionei os em ocupa locais
e dadei amen e pa adisíacos que, depois
de descobe os pela sociedade consumis a,
pe de am mui os dos seus encan os
(LEONY, 2002: 119).
Após essa descobe a pelos iajan es
pionei os, a mídia exe ce a di ulgação
pa a o es an e da sociedade, como obse -
ado po Leony (
Op. Ci
: 120): “Aos pou-
cos a sociedade adicional pe cebendo o
mo imen o delas passam a eqüen a o
local, que depois é descobe o pela
mídia
a aindo um luxo incon olá el de u is-
as. Os que lá chega am p imei o e i-
am-se em busca de no as e emo as pe i-
e ias, num p ocesso con ínuo de p oduç-
ão e ep odução do espaço, icando o local
mais ulne á el de ido à chegada de isi-
an es á idos em adqui i o
s a us
da
iagem mais do que o p óp io des u e,
al e ando e des uindo sua o iginalidade”.
De ido à condição que ob e e como o
“ u ismo da moda” pelo me cado u ís ico
e pela mídia, o eco u ismo em como mui-
os de seus p a ican es, pessoas que bus-
cam na e dade s a us po e condições e
empo de isi a locais a os, endência já
mencionada an e io men e. Os emp esá-
ios ambém pe cebe am a an agem de
u iliza o chamado “ma ke ing e de”
como o ma de pa icipa do segmen o
eco u ismo, eiculando uma imagem p o-
g essis a e conscien e do emp esá io pe-
an e seus clien es a a és de medidas
ambien almen e saudá eis, como de inido
po Ruschmann (2003).
Segundo C uz, (2003) essa “moda” em
o no dos ambien es na u ais e do esga e
da na u eza, oi impulsionada ambém a
pa i de inicia i as públicas e p i adas
de p o eção dos ecossis emas. Assim,
mesmo não sendo conside ado um
u is-
mo de massa
, o eco u ismo es á se o -
nando um u ismo u o da
cul u a de
massa
, pois é essa que escolhe as paisa-
gens conside adas mais a a i as pelo
u ismo na a ualidade. É a mídia, mais
uma ez exe cendo o papel na homogenei-
zação de gos os e na disseminação de
pad ões de consumo homogeneizados.
Den o da moda do eco u ismo, pode-
se de ini endências na sua p á ica e na
o e a de seus p odu os no me cado. Se-
gundo a pesquisa em
si es
de ope ado as
de eco u ismo e da bibliog a ia da á ea
pode-se enume á-las em:
1-) Tendência de se e uma a qui e u-
a ha mônica com o meio ambien e local:
segundo Leony (2002), “obse a-se a alo-
ização c escen e po des inos mais p imi-
i os, com in a-es u u a mais ús ica,
o iginal e in eg ada ao ambien e, ap o ei-
ando-se os ma e iais e as écnicas cons-
u i as locais” (p.120). Segundo a au o a,
esse ipo de a qui e u a, ge a uma sen-
sação ag adá el de p imi i ismo e de
ha monia aos p a ican es do eco u ismo,
pois es e aduz essa in e enção humana
como mais a ançadas pelo espei o à na-
u eza. A pesquisa nos
si es
comp o a
essa endência, pois os ho éis que le am
no nome o p e ixo “eco”, u iliza am em
sua a qui e u a ma e iais que não des-
oam da paisagem como madei a e cipós,
e seus apa amen os são denominados
“
eco-lodges
”.
2-) Tendência de p opo ciona aos eco-
u is as con emplação da na u eza: já
são nume oso os ho éis que possuem o-
es de obse ação do meio na u al, onde
é possí el con empla , a es, mamí e os e
ou as espécies. Esses ho éis, no B asil,
são encon ados p incipalmen e na
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Amazônia e Pan anal. São dados aos hós-
pedes em alguns deles, um guia com as
espécies que podem se obse adas no
en o no do ho el, na o e de obse ação,
ou nos passeios ealizados. Também é
indicado nesse guia o g au de eqüência
com que essas espécies podem se obse -
adas.
Pa a Se ano e B unhs (2000), pa a
que con a o com a na u eza seja e da-
dei amen e desp endida de qualque in-
e esse, o homem de e á, nessas iagens,
con empla a na u eza com um olha
anqüilo de quem não em nada a lhe
impo , assim, se sen i á unido a oda na-
u eza e não possui á a sepa ação ag es-
si a ou a solidão impassí el que nasce de
pesquisa homens e obje os com on ade
de explo á-los e con olá-los.
3-) Tendência de p opo ciona aos eco-
u is as a in e p e ação do meio ambien-
e: a e amen a IA (in e p e ação am-
bien al) u ilizada em p og amas de edu-
cação ambien al, já az pa e do o ei o de
a i idades de ho éis de eco u ismo. Al-
guns deles exibem no p óp io ho el ídeos
sob e a auna e lo a na qual os u is as
en a ão em con a o. Esse ipo de in e -
p e ação é desc i o po Delg ado (2000:
160), em a igo con ido no li o “A edu-
cação pelas ped as”, como: “um meio de
comunicação que u iliza odos os sen idos
senso iais do se humano pa a acili a o
en endimen o das elações homem-meio
ambien e, p ocu ando uma mudança de
a i ude em a o daquilo que é necessá io
p ese a ou conse a pa a ele a a qua-
lidade de ida da sociedade”.
4-) Tendência de o ei os eco u ís icos
com a a i os não só na u ais mas am-
bém cul u ais: são os chamados o ei os
ecocul u ais (de inição dada po Pelleg i-
ni, 1993). Foi iden i icado na pesquisa dos
si es
de eco u ismo ap esen ações cul u-
ais den o dos eco-ho éis, passeios que
incluem isi a à cachoei as, ma as e mas
ambém à aldeias e comunidades. Isso se
de e ambém à endência a ual de se a-
lo iza a cul u a local.
5-) Tendência de ge ação de bene ícios
sociais com o eco u ismo: segundo Ba os
(2000), o eco u ismo de e se en endido
como uma a i idade que em a ob igação
de ge a bene ícios pa a a comunidade
local. O au o menciona que em alguns
casos, a chegada de um c uzei o é uma
opo unidade pa a que a população local
eceba alimen os, oupas e ou as coisas,
as quais em di iculdade de acesso.
6-) Tendência de se e con a o com a
na u eza, mas com o con o o da cidade:
Alguns au o es con i mam essa endên-
cia: “[...] boa pa e das pessoas que p a i-
cam o chamado u ismo de na u eza não
es á dispos a a do mi em ba acas ou
alojamen os p ecá ios, o que signi ica que
in a-es u u as de hospedagem ambém
são eque idas po p a ican es das cha-
madas modalidades al e na i as de u-
ismo” (C uz, 2003: 18).
“[...] A idéia de “ ol a” à na u eza,
de conside a o campo (ou a p aia) bom
em elação a cidade é des uída com a
idéia do p og esso, de que se que e a
mesma ida da cidade no campo ou na
p aia. Se que e a mesma in a-
es u u a quando se busca o con a o
com o chão, com o sol, ou com a ne e
(Rod igues, 2002: 62)
7-) Tendência em se p a ica espo es
de a en u a em iagens de eco u ismo:
como de inido po C uz (2003: 17), as a i-
idades de eco u ismo a ualmen e “ [...]
aba cam as mais di e sas a i idades co-
mo p á icas de espo es de na u eza, co-
mo
a ing
(escalada de picos, mon anhas
ou ou os aciden es geog á icos com equi-
pamen os especiais), o
acking
(camin-
hadas po ilhas em á eas de na u eza
sel agem) sa á is o og á icos, en e ou-
as a i idades”.
Esses espo es, segundo Se ano e
B uhns (2000: 44): “[...] a a és da expe-
iência sensí el po eles p o ocada, de-
mons am um modo de conhecimen o
elacionado a de e minadas emoções,
undidas com os sen idos co po ais, no
con a o com a na u eza. Uma expe iência
de con emplação, il ada po alo es e
concepções de ida pode eme gi , bem
como um sen imen o de união pelo pe -
encimen o a um cosmo comum e uma
usão, a a és das “ elações de composiç-
ão” já comen adas, undamen adas numa
é ica do espei o e da não-dominação.
Es e ap endizado da expe imen ação, em
que es á p esen e ce a sensibilização,
e ela um modo de conhece especial, ou
seja, o conhecimen o do ambien e decodi-
icado ia in o mações do co po. Daí a
Fe nanda He aldo y Sand o Campos 215
PASOS. Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al, 5(2). 2007
ISSN 1695-7121
opo unidade pa a uma educação ambien-
al aça p opos as a pa i dos sen idos
e sen imen os p o ocados po essas p á i-
cas e do que as mesmas aca e am”
8-) Tendência a busca po paisagens
na u ais aliada com a busca espi i ual: a
na u eza e a p óp ia “ uga” do co idiano
de uma iagem de eco u ismo, az com
que o segmen o de me cado que busca
e lexões e medi ação seja a endido am-
bém. Segundo a pesquisa de
si es
, já são
nume osos eco-ho éis mís icos e espi i-
uais, p incipalmen e com iloso ia o ien-
al. P opoem ilhas como: “O Caminho
Mís ico é uma ilha única no B asil e sob
a co e a o ien ação dos guias do Can o
da Flo es a é possí el expe imen a mo-
men os de g ande paz e ha monia em
g upo ou indi idualmen e. Os 7 o ens
com c is ais inc us ados comple am a
ilha eene gizando ocê po in ei o”
(si e do ho el Can o da Flo es a).
Nesse a igo o am denominadas como
endências os enume ados acima pois,
alguns deles, somen e mui o ecen emen-
e o am in oduzidos den o da p á ica
do eco u ismo. Como ci ado an e io men-
e, essa modalidade de u ismo oi o ma-
ada pelo me cado u ís ico ap o ei ando
a onda de p eocupações com o meio am-
bien e, ambém como al e na i a pa a o
u ismo de massa e, seguindo a iloso ia
de esga e do con a o com a na u eza,
iniciada pelo mo imen o
hippie
. Na sua
p á ica, no en an o, o eco u ismo mui as
ezes não se di e encia dos impac os do
u ismo de massa, não ge a o con a o e a
con emplação da na u eza e o discu so
“ e de” não passa de ma ke ing. As
endências do eco u ismo se ap esen am
em g ande pa e como o amadu ecimen o
dessa p á ica, o que se pode no a p inci-
palmen e nas endências 2, 3 e 5. Con-
o me Bould-Bo y (
apud.
C uz, 2003), o
u ismo exe ce, eqüen emen e, an o
in luência bené icas quan o malé icas
sob e os ambien es, a e ando os ecu sos
de o mas con adi ó ias: po um lado ele
deg ada i e e si elmen e as maio es
a ações que o jus i icam e o a aí am,
mas po ou o ele p o ege o meio uma ez
que es imula o in e esse da população e
au o idades locais pa a a ap eciação do
alo do ambien e, como de endido pelo
au o . Com essas no as endências de
amadu ecimen o, o eco u ismo pode ia
se essa segunda ace do u ismo, ge an-
do: “[...] no as o mas de enxe ga a ida,
[...] no os es ilos de u ismo, mais pe so-
nalizados e di e enciados, onde a ques ão
da conse ação ambien al passa a se
imp escindí el, pa a a p óp ia sus en aç-
ão da a i idade” (Leony, 2002: 120).
Essas e lexões pe ecem se unda-
men ais, pois o eco u ismo mesmo sendo
uma moda a ual, na e dade soube cap u-
a a e en e que indica endências na-
u ais do se humano e e en es à sua
necessidade po ce as paisagens, como
de endido po au o es como Tuan (1980),
e que po isso ende a con inua c escendo
como indicam as p e isões de alguns au-
o es acima ci ados. Essa é uma e en e
que ambém explica ia o início e a con i-
nuidade desse ipo de u ismo em meios
na u ais. Assim, pa a se en ende a undo
o que es á po ás das a i udes dos se-
guido es dessa endência, e po que cada
ez mais essa em adep os, de e-se es u-
da a pe cepção que se em do maio a a-
i o desse u ismo: a paisagem.
As dimensões da paisagem: da pe cepção
à mo i ação.
“O imaginá io é uma idéia que oscila
nas on ei as do de aneio, ansi ando
en e a ealidade e a an asia. [...] O con-
eúdo simbólico das paisagens é u ilizado
pa a a p odução de mi os a se em endi-
dos” (Con i).
A his ó ia do u ismo no mundo mos-
a que mon anhas e p aias, campos e
á eas densamen e po oadas, en e ou os,
êm se al e ado como p e e ência nos
luxos u ís icos dominan es. Roge Bas-
ide (
apud
Con i, 2002: 25) de ende “desde
a década de 40 que no plano sociológico,
os limi es en e o que é chamado de
eali-
dade
e
o imaginá io,
de inindo es e como
“zona in e mediá ia en e o conscien e e o
inconscien e”. Segundo Con i
(Op. Ci .)
, o
meio na u al não inclui somen e o clima,
o ele o, as a i idades econômicas ou o
a o u bano, mas ambém os sen imen os.
A pe cepção e os sen imen os incula-
dos à paisagens na qual o eco u ismo é
p a icado passa iam po essa zona in e -
mediá ia pois, a pe cepção segundo San-
os (1997) é semp e um p ocesso sele i o
216 Dos ecos do u ismo aos ecos da paisagem ...
PASOS. Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al, 5(2). 2007
ISSN 1695-7121
de ap eensão. Pa a o au o , “Se a ealida-
de é apenas uma, cada pessoa a ê de
o ma di e enciada; dessa o ma, a isão
pelo homem das coisas ma e iais é sem-
p e de o mada”.
O diálogo en e co po e na u eza é
mui o impo an e, pois a expe iência co -
po al é a mais di e a e imedia a e, po se
o co po, o p imei o e e encial do homem
no mundo. No en an o, esse diálogo e a
pe cepção das pessoas pode se in luen-
ciado pela cul u a em que o indi íduo i e
que encon a no co po o ecep áculo de
suas in o mações, c iando no os sons,
no os chei os, no as isões e p incipal-
men e no os uni e sos e sen imen os.
Assim, a pe cepção do isi an e que en a
em con a o com a na u eza a ia con o -
me a sua cul u a. Pa a mui os um campo
abe o sem on ei as pode se pe cebido
com o signi icado de libe dade e opo uni-
dade, e pa a ou os, um espaço de insegu-
ança e desespe o. O mesmo acon ece com
uma lo es a que pode se in e p e ada
como um ambien e abe o e ligado ao
es o do mundo ou se pe cebida como um
luga echado e pe igoso.
Tuan (1980: 107), de ine
opo ilia
como
“um neologismo, ú il quando pode se
de inida em sen ido amplo, incluindo o-
dos os laços a e i os dos se es humanos
com o meio ambien e ma e ial” Ou seja,
são os sen imen os que se inculam às
paisagens pelas pessoas.
No que se e e e à paisagem de mon-
anhas, po exemplo, Tuan (
Op. Ci .
),
a i ma que po se uma aspec o da na u-
eza que desa ia o con ole humano, a
endência do homem em sido de espon-
de emocionalmen e à ela a ando em
uma época como sublime e em ou as
como eio e desag adá el. Assim, o a o de
que o modo como a na u eza é is a a-
ia con o me a cul u a do indi íduo, ez
com que a a és dos empos essa isão
a iasse con o me as a i idades do
homem da época, da sua eligião, de seu
conhecimen o cien i ico da na u eza. Se-
gundo A bex (1996), i e-se a ualmen e
em uma época em que o am signi ica i-
amen e al e ados, odos os limi es en e
na u eza e cul u a. As pessoas já se acos-
uma am a ac edi a que a ciência pode
udo. A cul u a in adiu a na u eza, cap-
u ou-a e a ans o ma pe manen emen-
e. Uma das conseqüências mais g a es
disso é o desencan o em ace à na u eza.
Ao se en a em con a o com uma paisa-
gem na u al a ualmen e, não se em mais
a sensação de mis é io. Ou o au o que
e le e sob e a pós-mode nidade, F ede ic
Jameson (1996: 13), e as implicações de
como esse con ex o in luencia na pe cepç-
ão que se em do mundo, ambém obse a
que: “O pós-mode nismo é o que se em
quando o p ocesso de mode nização es á
comple o e a na u eza se oi pa a semp e.
É um mundo mais comple amen e huma-
no do que o an e io , mas é um mundo no
qual a “cul u a” se o nou uma e dadei a
“segunda na u eza”.
Tuan (1980), apesa de a i ma que a
pe cepção das pessoas en e ao meio am-
bien e muda con o me a cul u a da época
(como oco eu na pós-mode nidade),
a isca a i ma ce os sen imen o incu-
lados a ce as paisagens e que pouco são
in luenciados pelo con ex o cul u al. Em
elação à paisagem de p aia, Tuan
(Op.Ci .)
a i ma que é um meio ambien e
de a ação pe manen e pa a o homem.
Essa a a i idade explica-se en e ou as
coisas po sua o ma que e ia uma dupla
a ação: po um lado, as een âncias da
p aia suge i iam segu ança e po ou o, o
ho izon e abe o pa a o ma , a en u a.
A paisagem de bei a io é, segundo
Tuan
(Id.)
, ado ada po algumas cul u as
po es as depende em da água pa a o
plan io e uso domés ico e que, po isso,
ambém a elacionam com o sag ado. A
paisagem de ale, pa a o au o a ai os
se es humanos po azões ligadas à so-
b e i ência, pois p ome e uma subsis ên-
cia ácil po se um nicho ecológico al a-
men e di e si icado. Já a paisagem de
uma ilha, mesmo não endo essa di e si-
dade, nem endo g ande signi icação na
e olução humana, a ai o homem pela
imaginação que p o oca. A paisagem de
campo, segundo Tuan
(Id.)
, e ia um sen-
ido omân ico, pois nada em a e com
qualque comp eensão eal da na u eza.
Essa paisagem ambém es á en ol a em
melancolia, pois é associada com a idéia
de uma indolência anqüila. Esse sen i-
men o começou quando o am cons uídas
as g andes cidades e a p essão da ida
u bana o nou a a i a a paz u al.
Ainda segundo Tuan (1983) o p aze
Fe nanda He aldo y Sand o Campos 217
PASOS. Re is a de Tu ismo y Pa imonio Cul u al, 5(2). 2007
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isual da na u eza a ia ia em ipo e
in ensidade, o au o associa a p á ica do
u ismo com uma e eme idade da con-
emplação ao dize que alguns dos a uais
ci cui os u ís icos pa ecem es a mo i a-
dos pelo desejo de coleciona e ique as e
o og a ias. Segundo o au o o u ismo a
despei o de sua impo ância social e
econômica não se ia a e amen a ideal
pa a uni o homem à na u eza pela uga-
cidade da uição da paisagem. Tuan
(
Op.Ci
) a i ma ambém que o con a o
p opiciado pelo u ismo en e homem e
na u eza é p oblemá ico no que diz es-
pei o à cons ução de uma ligação o e
en e os dois. Pa a o au o a p á ica de
ce os espo es na na u eza, como o alpi-
nismo, a a és do u ismo, ocasionam um
con a o iolen o en e homem e na u eza,
quando o adequado se ia um en ol imen-
o sua e e inconscien e. A despei o de
odas essa a i mações do au o a espei o
do u ismo, pode-se suge i que a busca
do se humano po paisagens na u ais e,
especi icamen e po ce o ipos de paisa-
gem como ios, mon anhas, p aias e ilhas,
a a és do u ismo ou não, pode se expli-
cada pela necessidade in ínseca de uma
maio ligação com a na u eza.
A espei o da ques ão da p á ica de
espo es na na u eza e o ipo de con a o
que ela p opo ciona mencionado po Tuan
(
Id
) pode-se u iliza uma p oposição le-
an ada po Cama go (1998) pa a a i ma
a necessidade eal do homem pela a en-
u a como ambém mo i ado a do eco u-
ismo e da p a ica de espo es na na u e-
za. Segundo Cama go (
Op.Ci .
) a a en u-
a é uma ca ego ia ou impulsão p imá ia
do lúdico. Essa ca ego ia é igual à desco-
be a, a e elação de um mis é io. Po
exemplo, nada ecompensa mais o iajan-
e do que o belo cená io que epen ina-
men e se lhe desco ina. A p óp ia iagem
é a sín ese dessa busca de a en u a: um
no o luga pa a se conhece , no os cos-
umes, no as o mas de se alimen a , de
ci cula nas cidades, no os ipo de pes-
soas, no as manei as de adminis a o
co idiano. Den o dos chamados espo es
de a en u a p a icados no eco u ismo,
pode-se descob i ou as ca ego ias ou
impulsões p imá ias do lúdico humano
como a compe ição. A compe ição não
signi ica necessa iamen e dispu a com o
ou o. Como ci ado po Cama go
(Id.)
pode se uma dispu a consigo mesmo:
consegui se melho do que a úl ima ez.
A e igem ambém é ou a ca ego ia
p esen e. Ao con á io da compe ição, que
exige con ole e disciplina, na e igem se
exe ci a a capacidade de se deixa le a ,
de pe de o con ole e co e iscos em
segu ança. A úl ima ca ego ia p esen e
nos espo es de a en u a pode-se dize
que é a an asia. Ela es á p esen e na
expec a i a da iagem onde a pessoa de-
aneia sob e o que i á encon a .
O ecólogo ame icano Edwa d O. Wil-
son (1993) p opôs ambém a sua “hipó ese
da bio ilia”. “Bio ilia” do g ego
bios
, ida e
philia
, amo , a eição – signi ica li e al-
men e “amo pela ida”. Edwa d Wilson
ac edi a que os se es humanos êm uma
ligação emocional ina a com ou os o ga-
nismos i os e com a na u eza. Algo se-
melhan e à
opo ilia
, mas no sen ido bio-
lógico e não geog á ico. A hipó ese le an-
ada no e mo suge e que essa ligação
emocional o nou-se he edi á ia, pois 99%
da his ó ia da humanidade não se desen-
ol eu nas cidades, mas em con i ência
ín ima com a na u eza.
Como odo compo amen o humano
he edi á io, isso não signi ica que a in-
luência de ou os se es humanos e da
p óp ia educação não possam modi ica
essa “bio ilia”. No en an o, jus amen e
po se he edi á ia, “a bio ilia” se ia man-
ida e ansmi ida de ge ação pa a ge aç-
ão. E idências disso são as pessoas icas
que cons oem em ol a de suas casas
ja dins babilônicos, os condomínios que
azem p opaganda mos ando seus p é-
dios si uados den o de ecin os semel-
han es a g andes pa ques, o g ande nú-
me o de c ianças e adul os que isi am
ja dins zoológicos e ja dins bo ânicos.
Essas ês e en es,
opo ilia, ca ego-
ias do lúdico
e
bio ilia
, pode iam expli-
ca , em pa e, a p e e ências das pessoas
po ce os des inos; em con apa ida à
explicação de baseada no modismo do
eco u ismo mo i ado pela mídia e pelo
me cado.
Paisagens: o po que das escolhas.
“Somen e os homens que c êem
apaixonadamen e nos alo es e põem em