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MÁSTER EN FILOSOFÍA. COÑECEMENTO E CIDADANÍA
TRABALLO DE FIN DE MÁSTER
CURSO 2023/2024
A poiesis da na u eza no Roman ismo
alemão
Au o /a: Ra ael de F ei as Nanes
Ti o /a: Dolo s Pe a nau Vidal
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MÁSTER EN FILOSOFÍA.
COÑECEMENTO E
CIDADANÍA
T aballo de in de Más e
A poiesis da na u eza no Roman ismo alemán
La poiesis de la na u aleza en el Roman icismo
alemán
The Poiesis o Na u e in Ge man Roman icism
Eu, Ra ael de F ei as Nanes, decla o que es e T aballo de Fin de Más e cump e coa no ma i a de p opiedade
in elec ual e de p o ección de da os ixen e.
San iago de Compos ela, 26/07/2024
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Resumo
O p imei o oman ismo alemão em a p oduzi uma concepção de poesia não-mimé ica, em
que o a is a não mais imi a a na u eza, mas p oduz e é p oduzido po ela. Es e abalho busca
comp eende as o igens dessa concepção de poesia na ans o mação do concei o de
na u eza ope ado pelas iloso ias idealis as de Kan e Fich e. Esses ilóso os i iam a en ende
a na u eza não como um p odu o dado, mas a a és de um p ocesso sin é ico de cons i uição.
Buscamos, en ão, comp eende como os omân icos he dam e adicalizam essa ideia, indo
a en ende a na u eza como um p ocesso poé ico, e a poesia enquan o um p ocesso na u al.
Ao emp eende es e p oje o, os omân icos não só que iam ap oxima a iloso ia da poesia,
mas o p óp io pensamen o da ida.
Pala as Cha es: Roman ismo; Na u eza; Poesia; Idealismo; Gênio.
Resumen
El p ime oman icismo alemán p odujo una concepción de la poesía no mimé ica, en la que
el a is a ya no imi a la na u aleza, sino que p oduce y es p oducido po ella. Es e abajo busca
comp ende los o ígenes de es a concepción de la poesía en la ans o mación del concep o
de na u aleza ope ada po las iloso ías idealis as de Kan y Fich e. Es os ilóso os llega ían a
en ende la na u aleza no como un p oduc o dado, sino a a és de un p oceso sin é ico de
cons i ución. Buscamos, en onces, comp ende cómo los omán icos he edan y adicalizan
es a idea, llegando a en ende la na u aleza como un p oceso poé ico y la poesía como un
p oceso na u al. Al emp ende es e p oyec o, los omán icos no sólo quisie on ace ca la
iloso ía a la poesía, sino el pensamien o mismo a la ida.
Palab as cla e: Roman icismo; Na u aleza; Poesía; Idealismo; Genio.
Abs ac
The i s Ge man oman icism came o p oduce a concep ion o non-mime ic poe y, in which
he a is no longe imi a es na u e, bu p oduces and is p oduced by i . This wo k seeks o
unde s and he o igins o his concep ion o poe y in he ans o ma ion o he concep o
na u e ope a ed by he idealis philosophies o Kan and Fich e. These philosophe s would
come o unde s and na u e no as a gi en p oduc , bu h ough a syn he ic p ocess o
cons i u ion. We seek, hen, o unde s and how he oman ics inhe i and adicalize his idea,
coming o unde s and na u e as a poe ic p ocess, and poe y as a na u al p ocess. When
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unde aking his p ojec , he Roman ics no only wan ed o b ing philosophy close o poe y,
bu hough i sel o li e.
Keywo ds: Roman icism; Na u e; Poe y; Idealism; Genius.
Índice
In odução..................................................................................................................................5
1.A eme gência de uma na u eza sin é ica.............................................................................8
2.A lei u a omân ica de Fich e...............................................................................................15
3. Poesia e Na u eza..................................................................................................................21
Conclusão ..................................................................................................................................27
Bibliog a ia................................................................................................................................29
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In odução
O mo imen o omân ico é popula men e conhecido po sua idealização da na u eza, po sua
a e são a eg as, po sua poesia indi idualis a e sen imen al. Ele ma cou em g ande pa e a his ó ia
da li e a u a no século XIX e suas ma cas na his ó ia do pensamen o são cla amen e isí eis a é hoje.
O e mo “ omân ico” caiu no gos o popula , e é ainda u ilizado com um sen ido pa ecido em elação
às ca ac e ís icas que ma ca am o mo imen o.
O que não é mui o conhecido é que o oman ismo não nasce apenas como um mo imen o
li e á io, mas suas aízes podem se açadas na p óp ia his ó ia da iloso ia ociden al. O oman ismo
não oi um mo imen o que su giu apenas da in e io idade do poe a, ou de uma necessidade de ompe
com um cânone li e á io ou com a adição. Ele ambém oi um mo imen o ilosó ico que p ocu ou
pensa a elação do homem com o mundo na u al, e lexionou sob e o que é o p óp io a o poé ico, o
que é a iloso ia e a elação en e os dois. Os omân icos p ocu a am pensa sob e como pode ia se
a ida i ida de uma manei a poé ica. Assim, podemos e que as ca ac e ís icas popula men e
a ibuídas a li e a u a omân ica ambém o am u os de uma elocub ação concei ual e ilosó ica
complexa.
Es e abalho, en ão, p ocu a aça as aízes ilosó icas desse mo imen o. Gos a íamos de
demons a aqui que um dos impulsos p incipais do p ocesso de cons i uição do oman ismo oi a
ans o mação concei ual da ideia de na u eza oco ida na iloso ia alemã em ins do século XVIII.
Essa ans o mação oi ope ada pelos amosos ilóso os idealis as Immanuel Kan e Go lieb Fich e.
A na u eza não mais se ia is a como um odo dado, mas a pa i de um p ocesso sin é ico de
cons i uição.
Os ilóso os omân icos adicaliza am essa ideia, indo a concebe a p óp ia na u eza como um
p ocesso de poiesis. A na u eza se á uma c iação e ec iação e e na, semp e sin e icamen e se
econs i uindo. O p óp io poe a, um se ini o, ambém passa á po uma c iação e ec iação in ini as.
A adicalidade desde pensamen o pa ece a as a os omân icos das p eocupações
epis emológicas e mo ais de Kan e Fich e. Mas os p óp ios omân icos não ão i a conside a a
sua iloso ia como um ompimen o, mas como uma con inuidade em elação ao pensamen o dos
ilóso os. O oman ismo não deixa á de se uma iloso ia idealis a. E assim ac edi amos se o melho
jei o de aça as o igens desse mo imen o e sua elação com a na u eza.
Vejamos, en ão, como esse abalho se jus i ica iloso icamen e e como em a se es u u a :
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1.Me odologia e jus i ica i a
Como podemos aze um abalho ilosó ico sob e um mo imen o que, pa a mui os, é is o
como li e a u a? Não p e endemos aqui a a a li e a u a como um ipo de discu so que de a se
desp ezado pela iloso ia, sendo is a como sen imen al ou i acional. Nem como um discu so que
de a se subo dinado à iloso ia, que de e ia mos a a e dade po de ás do discu so poé ico, aze
uma eo ia da poesia.
Pa a o oman ismo, an o a poesia quan o a iloso ia são ações p á icas. A me a ísica omân ica
não é um emp eendimen o eo é ico pa a comp eende a ealidade, o se . Ela é um emp eendimen o
p á ico, c ia i o. Pa indo de Fich e, en ão, os omân icos ão conside a que o p óp io se é poiesis.
Ele é c iação, ação.
Assim, não há como aze uma ciência eo é ica da poesia o a da poesia. A única ciência da
poesia possí el se dá no a o de aze a poesia. A ciência só se dá na ação. Assim, a única o ma de
ala de poesia já é es a inse ida nela. A on ei a en e poesia e iloso ia ica ago a bo ada. Apenas
ao aze poesia, que pode a iloso ia aze a c í ica da poesia. A me a ísica en ão não é mais ex e na
à poesia, ela é in e na a ela. O a o me a ísico se o na um a o poé ico. A iloso ia não mais de e di a
como a poesia de e se po a , mas se deixa cons i ui pelo a o poé ico. É pelo a o poé ico, c iado ,
que a iloso ia ai ealiza sua ocação.
Es e abalho, en ão, se si ua no mo imen o omân ico de up u a da ba ei a heu ís ica en e
iloso ia e li e a u a. A poesia omân ica se põe como ilosó ica e a iloso ia omân ica se põe como
poé ica. Es e abalho a a de iloso ia e poesia, en ão, pois pa a o oman ismo não há como sepa a
os dois.
2.Es u u a
Na p imei a seção, “A eme gência de uma na u eza sin é ica”, p ocu amos en ende como as
iloso ia.de Kan e Fich e pensam o mundo, a na u eza, desde um p ocesso sin é ico. Conside amos
que a eme gência dessa o ma de pensa oi mui o impo an e pa a os omân icos desen ol e em as
suas p óp ias concepções de na u eza e poesia.
A segunda seção, “A lei u a omân ica de Fich e”, a a exa amen e dessas ans o mações que
os omân icos ealiza am no apa a o concei ual da iloso ia de Fich e e de como essas ans o mações
os le am a desen ol e um pensamen o p óp io.
Já na e cei a seção, inse idos na o ma de pensa dos omân icos, amos desen ol e mais a
elação en e na u eza e poesia e de como os omân icos iam a ida.
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Na conclusão, p ocu amos en ende as consequências do mo imen o e da poesia omân ica, e
nos indagamos sob e o que, é, de a o, se um omân ico.
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A eme gência de uma na u eza sin é ica
An es da e olução cope nicana p o agonizada po Kan , o mundo empí ico, a na u eza, e a
is a a pa i de um p ocesso de con iguidade empo al. A na u eza e a compos a de uma pa e
sensí el, que es a a subme ida as leis do empo, e, consequen emen e, e a co up í el. E de uma ou a
pa e, es a que da a o ma ao mundo e as coisas, o a do empo. O mundo se ia compos o de uma
pa e ma e ial, co up í el e incognoscí el, e uma pa e o mal, concei ual, cognoscí el. Da ideia
pla ônica à o ma a is o élica, es e ipo de isão pene ou na his ó ia da iloso ia ociden al. (VETÖ
1998:25-27)
Essa isão da na u eza, en ão, pa e de uma isão con ínua do empo, que e mina po se is a
desde um pon o de is a nega i o. Uma das g andes no idades que a á a e olução cope nicana é
que o empo não mais se á is o enquan o um p ocesso con ínuo, mas sim enquan o uma sín ese.
Se ão as sín eses empo ais que cons i ui ão o mundo, de o ma imanen e à p óp ia na u eza. A o dem
e o mundo nasce ão conjun amen e. A o dem concei ual não em de o a, mas se o na a condição de
possibilidade anscenden al ao p óp io mundo. O empo ago a se á cons i u i o e posi i o.
Vejamos como isso se dá na iloso ia kan iana. É na es é ica anscenden al da c í ica da azão
pu a que Kan começa a desen ol e a sua eo ia do empo. Nes a seção, Kan analisa a sensibilidade
humana desde as suas condições de possibilidade, ou seja, quais se iam as condições necessá ias pa a
que possamos sen i o mundo empí ico al qual ele apa ece. Uma análise que ambém de e se pu a,
não en ol endo ou as aculdades, mas apenas a o ma da in uição sensí el. Vejamos como Kan
explíci a es e p oje o:
“Na es é ica anscenden al, po conseguin e, isola emos p imei amen e a sensibilidade,
abs aindo de udo o que o en endimen o pensa com os seus concei os, pa a que apenas es e a
in uição empí ica. Em segundo luga , apa a emos ainda des a in uição udo o que pe ence à
sensação pa a es a somen e a in uição pu a e simples, o ma dos enômenos, que é a única que
a sensibilidade a p io i pode o nece .” (KANT 2001:89)
Kan conclui á, en ão, que uma das o mas pu as da sensibilidade é o empo. Tudo que in uímos
no mundo se dá empo almen e: “O empo é uma ep esen ação necessá ia que cons i ui o undamen o
de odas as in uições. Não se pode sup imi o p óp io empo em elação aos enômenos em ge al,
embo a se possam pe ei amen e abs ai os enômenos do empo. O empo é, pois, dado a p io i.”
(KANT 2001:96)
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Kan , pois, ap endeu com Hume que o concei o de causa não es á inse ido no empo. Não exis e
nenhuma ligação p é-de e minada de um momen o empo al ao ou o. En e an o, nós
expe imen amos a ealidade enquan o um luxo empo al. Kan , en ão, ê que o empo é uma o ma
pela qual expe imen amos os dados sensí eis do mundo. É, ao expe imen a o mundo, que os dados
sensí eis omam uma o ma empo al. O empo e a ealidade se o mam conjun amen e. O ecido do
eal é sin e icamen e ligado pelo empo. Po isso as coisas podem e di e enças ca ac e ís icas e
p edicados. Não po que há uma subs ância ou ideia sup assensí el o a do empo, mas po que é o
p óp io empo que sin e icamen e une os p edicados. O empo uni ica o múl iplo da expe iência:
“Aqui ac escen o apenas que o concei o de mudança e com ele o concei o de mo imen o
(como mudança de luga ) só é possí el na ep esen ação do empo e median e es a; se es a
ep esen ação não osse in uição (in e na) a p io i, nenhum concei o, osse ele qual osse,
pe mi i ia o na in eligí el a possibilidade de uma mudança, is o é, a possibilidade de uma
ligação de p edicados con adi o iamen e opos os num só e mesmo obje o (po exemplo, a
exis ência de uma coisa num luga e a não exis ência dessa mesma coisa no mesmo luga ). Só no
empo, ou seja, sucessi amen e, é que ambas as de e minações, con adi o iamen e opos as, se
podem encon a numa coisa. Eis po que o nosso concei o do empo explica a possibilidade de
an os conhecimen os sin é icos a p io i.” (KANT 2001: 98)
A dou ina kan iana do empo chega a sua culminação no esquema ismo anscenden al. Essa
dou ina isa explica como as sín eses empo ais dão in eligibilidade à exis ência e o ganizam o
múl iplo empí ico. Os esquemas são exa amen e as di e en es o mas como a aculdade da
imaginação de e mina a p io i a exis ência a a és do empo segundo as suas eg as. O esquema
anscenden al é aquele que é condição de possibilidade de udo o que o se humano pode ia imagina
exis i . Os esquemas dão a ealidade as di e en es manei as de es a em elação ao empo, seja po
núme o, causa, possibilidade, e c... (VETÖ 1998: 34-36)
Eis, en ão, a consequência p incipal que os omân icos e Fich e oma ão da eo ia kan iana do
empo: A imaginação p oduz o eal, o mundo é imaginado. A ealidade é expe imen ada desde
esquemas anscenden ais da imaginação. Os esquema da imaginação moldam o empo e dão
egula idade a exis ência, como diz Fich e:
“A egula idade p ocede somen e do se humano; ela o ce ca e se es ende a é o limi e de
sua obse ação. À medida que ele expande esse limi e, a o dem e a ha monia ambém são
expandidas. Sua obse ação a ibui a cada uma das coisas in ini amen e di e en es seu de ido
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Es a a ali em po ência. Pa a os omân icos ambém esse e o no da iloso ia à ida é a consequência
na u al da iloso ia anscenden al, Fich e admi indo ou não.
A dou ina da ciência só é es é il po que ainda não es á ealizando a que eio. Pa a deixa de
se es é il ela de e deixa de ala uma linguagem ilosó ica e ala a linguagem da na u eza.
I onicamen e, o oman ismo le a o idealismo ao seu pa adoxo: Ao en a an o c ia uma ins ância
anscenden al sepa ada do eal, é que o idealismo mais ai me gulha no eal. É ao en a mais sai
da na u eza, que ele se ans o ma á em iloso ia da na u eza, como nos diz Suzuki:
“O idealismo, le ado po sua p óp ia cons i uição in e na a sai de si, acaba po se
eencon a com o dogma ismo-mis icismo, de quem pa ecia e se despedido pa a semp e. O a,
esse eencon o, longe de se o ui o ou u o de uma cons ução ilosó ica a i icial, é an es o
sinal de uma a inidade ou espí i o complemen a , e dadei a sime ia en e Espinosa e Fich e e,
aliás, uma "sime ia do gênio, que ealça an o mais o alen o indi idual de cada um deles”
(SUZUKI 1998: 135)
Assim, os omân icos ope am a mais absu da das ap oximações. A ap oximação da iloso ia
spinozis a, do ada do monismo absolu o da na u eza, com a iloso ia ich eana, do ada do eu
absolu o.O oman ismo que uni a dou ina da consciência à na u eza eal: “Toda iloso ia da
iloso ia segundo a qual Espinosa não é ilóso o em de pa ece suspei a.” (SCHLEGEL 1997: 96)
A iloso ia de e aze o ideal a é a ealidade, de e aze a consciência que udo c ia ao mundo
dos homens: “Espí i o é iloso ia-de-na u eza.” (SCHLEGEL, 1997, P. 33) E nele, de e idealiza esse
mundo. Le á-lo a se ans o ma : “A ísica nada mais é do que a eo ia da imaginação.” (NOVALIS
1997: 153)
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A iloso ia omân ica, en ão, ai ope a no meio en e a na u eza e a consciência, en e sujei o
e obje o, en e espí i o e ma é ia, en e iloso ia e ida. O oman ismo que iloso a desde um pon o
de indi e ença, que ala da subje i idade do obje o, da obje i idade do sujei o. Como diz No alis.
“De e íamos simplesmen e nos amilia iza com a ma é ia do espí i o e com o espí i o da
ma é ia.”(NOVALIS 2003: 155)
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Dessa o ma, o oman ismo ai na ega en e uma iloso ia da ida e a dou ina da ciência. As
duas, pois, p ecisam de uma ação. As duas são iloso ias p á icas, que de em se unidas desde um
pon o de is a neu o, como coloca Suzuki: “A iloso ia da ida es á em o al aco do com a dou ina-
da-ciência na idéia de que o p imei o p incípio exp ime uma ação mas insis e nes e pon o de manei a
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T adução nossa
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T adução nossa
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mais incisi a que a p óp ia dou ina-da-ciência, a i mando que essa ação é ao mesmo empo um
ac um eal, não só ‘p oduzido a i icialmen e po espon aneidade do ilóso o.’” (SUZUKI 1998: 129)
Ao en a le a a dou ina da ciência a ida, o oman ismo começa a ope a uma ans o mação
es u u al da iloso ia anscenden al. A iloso ia não de e mais a a do eu em ge al, mas do eu
especí ico, indi idual, pessoal, que em uma ida e es á no mundo. De e a a eu co pó eo, eal:
“COSMOLOGIA. Co pos na u almen e o ganizados – com o espí i o a se o ganizado
a i icialmen e – Espí i o na u almen e o ganizado e o co po a se o ganizado a i icialmen e. O
co po é o eino in e io no mundo in e so, e o espí i o é o ex e io – o sólido – e c. Co po lu uan e
– espí i o lu uan e. Todas as ope ações co po ais são um pensamen o in e so. O que es á
pensando, sen indo e c. aqui – es á queimando, e men ando, empu ando e c.” (NOVALIS 2007:
24)
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A iloso ia já não de e se a e lexão pensada de uma consciência uni e sal. Ela de e se
indi idual. De e e le i o ilóso o que a cons ói: “As exp essões sua iloso ia, minha iloso ia,
semp e azem lemb a as pala as do Na ã: ‘A quem pe ence Deus? Que Deus é es e, que pe ence
a um homem?’” (SCHLEGEL 1997: 61)
A iloso ia não é uma única dou ina da ciência. Ela se ans o ma semp e com a ida. “Pode-
se somen e i a se , não se ilóso o. Tão logo se ac edi a sê-lo, se deixa de o i a se .” (SCHLEGEL
1997: 55)
De emos i além de Fich e. Faze do idealismo uma e dadei a ob a de a e eal.: “Pessoas
exis em e ão exis i — que são bem melho es pa a ich eaniza do que o p óp io Fich e. Ma a ilhosas
ob as de a e pode iam i a exis i dessa manei a-assim que nós ap ende mos a ich eaniza
a ís icamen e.” (NOVALIS 1997: 49)
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Toda iloso ia, en ão, é mesclada. Não pode exis i uma iloso ia pu a. Em nome dos p incípios
da iloso ia anscenden al, es a de e i a ida eal. A iloso ia de e se ein en ada a cada ez. De e
a ua en e o eal e o ideal, semp e em mo imen o cíclico, nunca em linha e a: “A iloso ia ainda
caminha demasiadamen e em linha e a, e ainda não é su icien emen e cíclica.” (SCHLEGEL 1997:
53)
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T adução nossa
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No alis b inca com essa elação da iloso ia em ge al e da iloso ia pa icula de cada um. Diz
ele: “A ciência / ideia do odo ou de um odo. / Di e ença en e “A” e “um” // e uma ciência. /O Eu –
Um Eu. (NOVALIS 2003: 157)
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O ilóso o já não de e mais se um sábio apa ado dos homens e da na u eza. O gênio do ilóso o
es a á em c ia uma ida no a em meio aos homens. O gênio do ilóso o de e á modi ica não só a
si, mas a ida comum. A dou ina da ciência, indo ago a de “um” eu, em de se ans o mada po
den o.
Po mais que con inue idealis a e os omân icos con inuem a a e a de expo a iloso ia
anscenden al, essa exposição em de se ago a indi idual. De e ala nela a indi idualidade de cada
um. Ela não pode se copiada. Ela de e se expos a em seu p ocesso de c iação, na p óp ia poesia.
Diz No alis:
“Eu li e e necessá io – Não há so imen o algum no eu. O eu é ação e p odu o ao mesmo
empo. Que e e ep esen a são de e minações ecíp ocas – o eu nada mais é do que que e e
ep esen a . O que se dis ingue do mundo ex e io é o eu p á ico. Somen e o eu p á ico pode se
pe cebido – po que es e é ambém o e dadei o eu undamen al. O eu na e dade não em
aculdades – só exis e enquan o se põe e só se põe enquan o exis e – /Se um eu comple o é uma
a e – O Eu pode aze e se o que quise . O Eu é mais ou menos de aco do com o que o Eu que .”
(NOVALIS 2003: P.192)
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A iloso ia omân ica, en ão, i e nessa ensão en e o mundo e o eu. Pa a ealiza a iloso ia,
o ilóso o de e ans o ma o mundo de aco do com a sua consciência indi idual. Faze iloso ia de e
se ans o ma o mundo. Uma iloso ia omân ica, en ão, em como im a p óp ia oman ização do
mundo. Mas, como coloca Beise , isso semp e se á um ideal egula ó io e a exposição nunca se á
comple a. O oman ismo não deixa de se uma u ge e e na, um p ocesso in ini o, pa a nunca pa a mos
de a ua e e beleza no mundo:
“Em ambos os casos, o pode da on ade de e se es endido ainda mais sob e a nossa
na u eza - ‘ udo o que é in olun á io é ans o mado em algo olun á io’ (nº 273; II, 589) - pa a
que o mundo que pe cebemos seja ei o pa a se ap oxima do mundo em que que emos i e .
No alis às ezes le a a seu pensamen o u ópico ao ex emo, pos ulando o ideal de um con ole
comple o sob e a na u eza, pa a que nós, se es humanos, inalmen e a ingíssemos o s a us de Deus
(nos. 78, 320; III, 253, 297). Embo a is o pa eça an ás ico e a é pe e so, é impo an e sublinha
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Nossa T adução
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T adução nossa
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que No alis, al como Fich e, ia-o apenas como um ideal egulado que pode íamos ap oxima ,
mas nunca alcança .” (BEISER 2002: 423)
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Pa a os omân icos, não só a dou ina da ciência sepa ada do mundo é es é il. O mundo sem a iloso ia
anscenden al ambém o é. Os dois acabam desp o idos de beleza, de poesia, de c iação. O p óp io da na u eza
é semp e se ans o ma , semp e c ia o no o. O p óp io do espí i o ambém. Mas a o ma semp e p ecisa da
ma é ia. A na u eza e o espí i o sepa ados são azios. Essa é a base do idealismo omân ico. O espí i o na
na u eza de e esul a em poesia. O oman ismo é a on ade ei a es é ica, como explica Beise :
“Ele en ão le ou esse elemen o olun a is a do pensamen o de Fich e à sua conclusão inal
quando esc e eu que a on ade é nada menos que ‘a base de oda a c iação’ (nº 512; II, 354).
Ago a, se soma mos o p incípio de Kan de que conhece é aze com a dou ina de Fich e de que
aze depende do que e , chega emos à isão de que o mundo que conhecemos e no qual i emos
depende da p óp ia on ade. O que No alis ac escen a a es es elemen os kan ianos e ich eanos é
uma dimensão es é ica: que a on ade de e c ia o mundo de aco do com os pad ões de beleza,
pa a que es e se o ne uma ob a de a e. Segundo a p óp ia de inição de No alis, o idealismo
mágico é a dou ina omân ica po que o oman ismo es á ans o mando o mundo em uma ob a
de a e, pa a que ele ecupe e sua magia, mis é io e beleza.” (BEISER 2002: 424-425)
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É com a na u eza se espi ualizando, com o espí i o se na u alizando, que o oman ismo se o na
possí el. A iloso ia de e cai a ealidade, a ida de e subi a idealidade:“O mago é um poe a.”
(NOVALIS 1997: 79)
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A poesia c ia um no o eal, an o ma o mundo.
O espí i o de e se ha moniza com a na u eza, não lu a com ela. O p ocesso de c iação de e
se conjun o. “O que é a na u eza? Um índice ou plano sis emá ico enciclopédico do nosso espí i o.
Po que de e íamos nos con en a com o me o ca álogo de nossos esou os — amos examiná-los
po nós mesmos — e abalha com eles e usá-los de di e sas manei as.” (NOVALIS 1997:76)
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Como nos diz No alis, o p óp io en endimen o de e i a an ás ico, e a an asia de e se
ans o ma em acional. O mundo é uma icção, um poema, que semp e oma uma no a o ma:
“Fan asia, comp eensão, memó ia, e c. são o mas de agi que podem se modi icadas das
mais di e sas o mas. Po exemplo, exis e uma comp eensão an ás ica – uma an asia
comp eensi a – em suma, são os aciden es necessá ios de um se acional – que só se o nam algo
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em combinação – po ém, onde o a p edomina um, o a ou o – são as o mas de exp essão do eu.
a uando em de e minadas es e as in e cambiá eis.” (NOVALIS 2003: 194)
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A ida, en ão, se mani es a exa amen e nes e encon o de idealidade e ealidade: “Razão e
indi idualidade em a i idade ha mônica - é o ça i al. Teo ia da o ça i al.” (NOVALIS 2003:
157)
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Assim como sujei o e obje o se in e pene am no oman ismo, homem e mundo ambém.
“FILOSOFIA. P odu o da ha monia en e sujei o e obje o – sua mis u a química, seu con a o
mecânico” (NOVALIS 2007: 42)
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Den o do homem, pode cabe odas as po encialidades c ia i as do uni e so. E den o do
uni e so, oda a pe sonalidade de um se humano. Tudo é uma ob a de a e. Nos explica Suzuki:
“O mundo é um indi íduo po encializado, assim como o indi íduo não passa de um
uni e so condensado. Po isso não se a a absolu amen e de dissol e a iloso ia indi idual na
iloso ia do uni e so, ou ice- e sa. Ao in és de escolhe um dos ocos da elipse, é p eciso, ao
con á io, p ocu a o pon o de indi e ença en e eles, en e iloso ia e poesia, lógica e c í ica, ideal
e eal,unidade e uni e salidade é p eciso encon a o pon o absolu o onde ‘ azão e des azão
[U e nun i] se sa u am e in e pene am" e onde ocamos os deuses.’. (SUZUKI 1998:133)
A iloso ia, ago a ans o mada em p odu o a ís ico, não em como não se ap oxima das ou as
a es adicionais. O gênio do ilóso o não pode mais se , como em Fich e, a capacidade de i além
do pensamen o comum. Ele de e se equipa a ao gênio do a is a.
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Poesia e Na u eza
Em Kan , emos que o gênio e a aquele que c ia a uma eg a no a pa a a a e, e não aplica a
o que já es a a dado: “O gênio é um alen o pa a p oduzi aquilo pa a o qual não se pode o nece
nenhuma eg a de e minada, e não uma disposição de habilidade pa a o que possa se ap endido
segundo qualque eg a; consequen emen e, o iginalidade em de se sua p imei a
p op iedade.”(KANT 1995: 153)
En e an o, a genialidade é uma habilidade doada pela na u eza ao indi íduo, que não pode
passa essa habilidade pa a ou os, apenas podendo se imi ado. Apenas alguns poucos podem se
geniais. (KANT 1995: 153-155)
Como imos, pa a os omân icos o uni e so em si é poesia. É c iação. Dessa o ma, a
genialidade não pode se uma dádi a de poucos. Ela de e se o elemen o pelo qual a p óp ia na u eza
dá a si mesmo uma no a eg a. Se a na u eza é uma c iação in ini a, ela só pode se genial, dando
sal os po cima de si mesma:
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“TEORIA DA NATUREZA. A na u eza se al e a po sal os. / Consequências disso. As
ope ações sin é icas são sal os – (in uições – esoluções). Regula idade do gênio – do sal ado po
excelência.”(NOVALIS 2007: 28)
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O Gênio, en ão, não é uma exceção como em Kan . Ele é egula . Toda a na u eza es á eple a
de gênios. Mas de emos i ainda mais além. Pa a Schlegel, de emos caminha umo ao gênio do
gênio:
“Quem p ocu a, du ida á. O gênio po ém diz ão a e ida e segu amen e o que ê passa -
se den o de si po que não es á emba açado em sua exposição e, po an o, ampouco a exposição
emba açada nele. mas sua conside ação e o conside ado pa ecem consoa li emen e, uni ica -se
li emen e numa ob a única. Quando alamos do mundo ex e io , quando desc e em os obje os
e e i os, en ão p ocedemos como o gênio. Sem genialidade odos nós simplesmen e não
exis i íamos. Gênio é necessá io pa a udo. Aquilo, po ém, que de cos ume se denomina gênio, é
gênio do gênio.” (SCHLEGEL 1997: 97-98)
A e dadei a c iação semp e é múl ipla. O gênio do gênio é uma mul iplicação da c iação
in ini a da na u eza. É o es o ço in ini o de nos c ia mos enquan o gênios. Mas a genialidade é apenas
indi idual. Po i da na u eza ela é semp e a a essada. Não há nenhum gênio isolado, oda c iação
de e se da conjun amen e. A pessoa é sin é ica, como indica No alis:
“TEORIA DA PESSOA. Uma pessoa e dadei amen e sin é ica é aquela que é mui as
pessoas simul aneamen e – um gênio. Cada pessoa é a semen e de um gênio in ini o. Eles podem
es a di ididos em nume osas pessoas e ainda assim se um só. A e dadei a análise da pessoa
como al p oduz pessoas – a pessoa só pode se isolada, sepa ada e di idida em pessoas. Uma
pessoa é uma ha monia – não uma mis u a, não um mo imen o – não uma subs ância, como a
“alma”. Espí i o e pessoa são um. (A o ça é a causa.) Cada exp essão pessoal pe ence a uma
pessoa especí ica. Todas as exp essões da pessoa pe encem ao mesmo empo à pe sonalidade
inespecí ica (uni e sal) e a uma ou á ias pe sonalidades especí icas. Po exemplo, uma
exp essão, como se humano, cidadão, pai de amília e esc i o , udo ao mesmo empo.”
(NOVALIS 2007: 10)
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O mundo é sin é ico. Nada é uma indi idualidade dada. Todo pensamen o nasce do múl iplo
do in ini o. Toda poesia de e se sinpoesia. Toda iloso ia que se p e enda genial, de e se capaz de
se c iada e ec iada po mui os. De e se a a essada pela na u eza, pelas a es. De e se sin iloso ia.
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Pa a os omân icos, sin iloso ia e sinpoesia são concei os c iados pa a exp essa como se da a
a c iação conjun a. A iloso ia nasce da oca de ideias com ou as pessoas, com a adição, com o
mundo. A poesia idem. Toda subje i idade es á em p ocesso de cons i uição, assim como a na u eza.
Não há genialidade soli á ia. Tudo se in e pene a no uni e so. Como coloca No alis, o cosmos é
he e ogêneo, semp e mis u ado, a a essado:
“COSMOLOGIA. De e ha e ciências in ini as, se es humanos in ini os, mo alis as
in ini os, di indades in ini as, assim como exis em quan idades in ini as. Coisas he e ogêneas só
podem se ap oxima .”(NOVALIS 2007: 10)
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A sin iloso ia e a sinpoesia não são apenas conexões com o ex e io . A nossa subje i idade
in e io ambém não é una. Ela ambém em a sua he e ogeinidade:
“Se na comunicação de pensamen os se al e na en e en endimen o e não-en endimen o
absolu os, isso já pode se chamado de uma amizade ilosó ica. Mas com nós mesmos não nos damos
melho . E a ida de um homem que pensa é ou a coisa que uma cons an e sin iloso ia in e io ?”
(SCHLEGEL 1997: 45)
Assim como o sujei o é he e ogêneo, o obje o ambém. A linguagem ambém. Nada se
comple a o almen e. Tudo é pedaço. É agmen o. Os omân icos, en ão, c iam uma e is a chamada
A henaeum pa a publica seus abalhos ilosó icos e li e á ios. O cu ioso é que mui os dos esc i os
dos omân icos o am publicados na o ma de agmen o, sem au o ia: “Sin obje i o y sin au o , los
F agmen os de A henaeum aspi an a plan ea se, en alguna medida, po sí mismos, absolu amen e.”
(NANCY; LACOUE-LABARTHE 2012: 82)
A poesia, pois, não em um obje i o a cump i . Sua única a e a é si mesma. P oduzi , poe iza ,
c ia . Mas c ia uma ob a acabada, pe ei a? Não, o p ocesso de c iação é in ini o, é o p óp io p ocesso
de c iação da na u eza. Há de c ia o no o, o que não es á aí. O p óp io a is a ai sendo c iado pela
na u eza a cada momen o em seu p ocesso de c iação. O agmen o é a exp essão desse inacabamen o
que semp e ai ge ando algo no o. O agmen o nunca é de ini i o, mas ele é em si es emunha desse
p ocesso que ai se eno ando: “En es e sen ido, odo agmen o es p oyec o: el agmen o-p oyec o
no unciona como p og ama o p ospec i a, sino como p oyección inmedia a de lo que, sin emba go,
no acaba.”(NANCY; LACOUE-LABARTHE 2012: 87)
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“TEORIA DO PRAZER DA VIDA. Quan o mais uma pessoa cul i a a is icamen e o seu
sen ido de ida, mais a desa monia ambém lhe in e essa – po causa da dissolução.Ha monia simples
– (melodia) – ha monia complexa e múl ipla. (ha monia analí ica-sin é ica).” (NOVALIS 2007: 33)
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Não só sujei o c ia i o, o ilóso o ago a ambém é obje o de c iação da na u eza. A na u eza
ambém c ia e se ans o ma a a és do ilóso o. Eles se a a essam mu uamen e. E assim, o ilóso o
de e ap ende a con i e com a na u eza, a e os seus sinais: “Mui os daqueles a quem se chama de
a is as são p op iamen e ob as de a e da na u eza.” (SCHLEGEL 1997: 21)
Como desc e e Beise , o p opósi o do idealismo omân ico é uma ha monia c ia i a com a
na u eza:
“O p opósi o do idealismo mágico é da -nos pode sob e nós mesmos e sob e a na u eza,
com ce eza, mas esse pode não consis e simplesmen e em se a i o, em c ia a na u eza e azê-
la con o ma -se à nossa on ade. Pelo con á io, consis e ambém em se passi os, em ap ende
a in eg a -nos com a na u eza e a ecebe os seus es ímulos. Ao con á io de Fich e e mais como
Schille , o obje i o de No alis não é a aniquilação do eino da sensibilidade, mas a unidade dos
nossos pode es, um odo es é ico onde a a i idade e a sensibilidade, o sen ido in e io e ex e io ,
es ão ha monizados um com o ou o. (BEISER 2002: 424)
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A iloso ia, en ão, de e se ha moniza com o uni e so. A consciência e a na u eza c iam e se
a a essam mu uamen e. O uni e so é semp e c iado e ec iado. Ele é o esul ado cons an e e
dinâmico da on ade dos se es que nele habi am. O ini o cons i ui o in ini o e é semp e a a essado
po ele.
Assim, o oman ismo é a lu a pa a que o uni e so seja oman izado, o nado mais belo, mais
nob e. E que nos o namos mais belos e nob es com ele: “TEORIA DO HOMEM. O homem pode
assim enob ece udo ( o ná-lo digno de si mesmo), se assim o deseja .”(NOVALIS 2007:27)
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O oman ismo que oman iza o mundo. Uni cada ez mais o subje i o e o obje i o. O
uni e sal e o pa icula : “ROMANTISMO. Absolu ização — uni e salização — classi icação do
momen o indi idual, da si uação indi idual, e c. é a e dadei a essência da
oman ização.”(NOVALIS 2007: 14)
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O nosso sonho subje i o de e se buscado in ini amen e a é
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a ealidade: “Es amos p óximos do despe a , quando sonhamos que sonhamos.” (SCHLEGEL 1997:
98)
Roman iza é se inspi a cada ez mais, es a cada ez mais sujei o à o ça do incondicionado
pa a c ia ainda mais: “Há esc i o es que bebem o incondicionado como água; e li os em que a é os
cães se e e em ao in ini o.” (SCHLEGEL 1997: 29)
Roman iza ambém é c ia o público pa a que as suas ideias possam chega . É en a em
sinpoesia com o lei o po i : “O esc i o analí ico obse a o lei o al como é; de aco do com isso,
az seus cálculos e aciona suas máquinas pa a nele p oduzi o e ei o adequado. O esc i o sin é ico
cons ói e c ia pa a si um lei o al como de e se ; não o concebe pa ado e mo o, mas i o e eagindo.
Faz com que lhe su ja, passo a passo, dian e dos olhos aquilo que in en ou, ou o induz a que o in en e
po si mesmo. Não que p oduzi nenhum e ei o de e minado sob e ele, mas com ele en a na sag ada
elação da mais ín ima sin iloso ia ou simpoesia.” (SCHLEGEL 1997: 38)
É possí el e cla amen e na a e es e jogo omân ico de in e pene ação do ini o com o
in ini o: “Só pode se um a is a aquele que em uma eligião p óp ia, uma isão o iginal do in ini o.”
(SCHLEGEL 1997: 146) Ele é o eículo po excelência pelo qual o cosmos ans o ma a si mesmo.
A poesia, en im, é a cons i uição inal do oman ismo. É o pensamen o ei o c iação. O impulso que
ans o ma o mundo e a na u eza.
Podemos, en ão, ealmen e e na poesia omân ica o es o ço in ini o do oman ismo de
poe iza o mundo? A a uação do gênio poé ico que sal a á sob e a na u eza cons i uída e a
econ igu a á? Se ia p o ei oso e um exemplo do oman ismo his ó ico, pa a comp eende mos
melho como os omân icos enca a am a sua a e. Samuel Taylo Cole idge oi um poe a omân ico
inglês cuja ob a enca na bem a isão de mundo dos omân icos. Em sua poesia, podemos e que o
que in e essa a ele não é aze um e a o da na u eza ou dos sen imen os humanos, mas poe iza a
ida e da sen ido a ela. Vejamos como isso oco e em seu poema, “Wo k wi hou hope”:
“Wo k wi hou hope
All Na u e seems a wo k. Slugs lea e hei lai —
The bees a e s i ing—bi ds a e on he wing—
And Win e slumbe ing in he open ai ,
Wea s on his smiling ace a d eam o Sp ing!
And I he while, he sole unbusy hing,
No honey make, no pai , no build, no sing.