RELAÇÃO SOLO-RELEVO-SUBSTRATO GEOLÓGICO NAS RESTINGAS DA PLANÍCIE... 833
R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010
RELAÇÃO SOLO-RELEVO-SUBSTRATO GEOLÓGICO NAS
RESTINGAS DA PLANÍCIE COSTEIRA DO ESTADO DE
SÃO PAULO(1)
Mau ício Rizza o Coelho(2), Vanda Mo ei a Ma ins(3), Pablo Vidal-To ado(4),
Célia Regina de Gou eia Souza(5) Xosé Luis O e o Pe ez(6) & Felipe Macías Vázquez(6)
RESUMO
A ibu os mo ológicos de 28 pedons, desc i os e amos ados em
c onossequências, e da ações absolu as po luminescência (TL e LOE) e 14C o am
u ilizados pa a elucida os p incipais a o es en ol idos na o mação e e olução
dos Espodossolos nos depósi os ma inhos qua e ná ios da planície cos ei a do
Es ado de São Paulo. Os solos es udados localizam-se nos municípios de Be ioga
(Baixada San is a), Cananeia e Ilha Comp ida (Li o al Sul). Essa abo dagem, pouco
comum nos es udos dos ambien es de planície cos ei a b asilei os, possibili ou as
seguin es in e p e ações: (a) o ele o, a dinâmica híd ica e o empo (incluindo as
a iações do ní el ela i o do ma ) são os p incipais condicionan es da di e enciação
espacial dos Espodossolos nos e aços ma inhos; (b) os Espodossolos mais an igos
e bem d enados, de ido às condições de ele o e ebaixamen o do ní el do lençol
eá ico, ap esen am g ande a iabilidade e di e sidade de seus ho izon es e
a ibu os mo ológicos, di e indo daqueles mal d enados (an igos ou jo ens), em
que os ho izon es são mais homogêneos; (c) os Espodossolos mais an igos, quando
bem d enados, mos am-se em a ançado es ádio de deg adação, enquan o os mal
d enados encon am-se bem p ese ados, indicando que a sua gênese e
pe manência na paisagem es ão ligadas ao ele o, que, po sua ez, con ola a
dinâmica híd ica; (d) os Espodossolos mais e oluídos e an igos, do ados de ho izon es
cimen ados (o s ein), podem se conside ados indicado es pedoli oes a ig á icos
dos depósi os ma inhos pleis ocênicos da Fo mação Cananeia; e (e) a gênese do
ho izon e o s ein se deu em condições opog á icas e hid ológicas p e é i as
di e en es das a uais, indicando se a a de solos poligené icos ou paleossolos.
Te mos de indexação: da ações po luminescência e 14C, Espodossolos,
podzolização, depósi os ma inhos qua e ná ios.
(1) Pa e das Teses de Dou o ado dos dois p imei os au o es ap esen adas à Escola Supe io de Ag icul u a “Luiz de Quei oz” -
ESALQ/USP. Realizadas com auxílio da CAPES e FAPESP. Recebido pa a publicação em ma ço de 2009 e ap o ado em ma ço
de 2010.
(2) Pesquisado do Cen o Nacional de Pesquisa em Solos, Emb apa Solos. Rua Ja dim Bo ânico, 1024, CEP 22460-000, Ja dim
Bo ânico, Rio de Janei o (RJ). E-mail: [email p o ec ed]
(3) P o esso a do Cu so de Geog a ia da Uni e sidade Es adual do Oes e do Pa aná - UNIOESTE-MCR. Rua Pe nambuco, 1777,
CEP 85960-000, Ma echal Cândido Rondon (PR). E-mail: [email p o ec ed]
(4) P o esso do Depa amen o de Ciência do Solo, ESALQ/USP. Caixa Pos al 09, CEP 13418-900, Pi acicaba (SP). Bolsis a do
CNPq. E-mail: [email p o ec ed]
(5) Pesquisado a do Ins i u o Geológico-SMA/SP; [email p o ec ed]
(6) P o esso es do Depa amen o de Eda ología y química ag ícola de la Uni e sidad de San iago de Compos ela. Campus
Uni e si a io Su . Faculdad de Bioloxía. Espanha. E-mails: [email p o ec ed]; [email p o ec ed]
SEÇÃO V - GÊNESE, MORFOLOGIA E
CLASSIFICAÇÃO DO SOLO
834 Mau ício Rizza o Coelho e al.
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SUMMARY: RELATIONSHIP BETWEEN SOIL, LANDSCAPE AND
GEOLOGICAL SUBSTRATE OF THE SANDY COASTAL PLAIN
OF SÃO PAULO STATE
This pape p esen s he esul s o mo phological p ope ies and absolu e da ing by
luminescence and 14C o 28 pedons om Qua e na y ma ine deposi s loca ed in h ee coun ies
along he coas in São Paulo S a e, B azil: Be ioga, Cananéia, and Ilha Comp ida. The
objec i e was o p o ide e idence o elucida e he main p ocesses o he genesis o Spodosols.
This app oach, which is unusual in esea ch conce ned wi h B azilian Qua e na y coas al
plains, esul ed in he ollowing in e p e a ions: (a) elie , hyd ologic condi ions and ime we e
he main soil o ma ion ac o s esponsible o he spa ial di e en ia ion o he Spodosols in
ma ine e aces; (b) The ho izon mo phologic ea u es o he mos aged and well-d ained
Spodosols a e highly a iable and di e se. On he o he hand, poo ly d ained Spodosols (old
o young) a e mo e homogeneous; (c) he oldes Spodosols, when well-d ained, a e in an ad anced
deg ada ion s age while he poo ly d ained a e well-p ese ed. This sugges s ha he genesis
and pe manence o he Spodosols on he landscape depend on he elie ea u es con olling he
hyd ologic dynamics; (d) he mos aged and de eloped Spodosols wi h o s ein ho izons can be
conside ed li hos a ig aphic indica o s o ma ine deposi s o he Pleis ocene age in he Cananéia
Fo ma ion; (e) he o s ein ho izon genesis ook place unde ancien opog aphic and hyd ologic
condi ions ha di e om he cu en . This indica es ha such Spodosols a e polygene ic o
paleosols.
Index e ms: da ing by luminescence and 14C; Spodosols; podzoliza ion; qua e na y ma ine
deposi s.
INTRODUÇÃO
As planícies cos ei as paulis as ap esen am g ande
di e sidade de ambien es sedimen a es qua e ná ios,
cujas unidades geológico-geomo ológicas qua e ná ias
o am es udadas po poucos au o es (Ba celos e al.,
1976; Suguio & Tessle , 1992; Souza e al., 2008;
Ma ins, 2009). En e as unidades qua e ná ias
mapeadas po esses au o es, ês são de especial
in e esse pa a o p esen e es udo: (a) co dões li o âneos
a enosos holocênicos, (b) e aços ma inhos holocênicos
e (c) e aços ma inhos pleis ocênicos. Nesses
ambien es a enosos, gené ica e inap op iadamen e
denominados de “ es inga” (Souza e al., 2008),
p edominam os Espodossolos e os Neossolos
Qua za ênicos (Oli ei a e al., 1992; Rossi & Quei oz
Ne o, 2001).
O e mo “ es inga” ap esen a á ias de inições,
en e elas a geológica-geomo ológica, a bo ânica e a
ecológica. No sen ido geológico-geomo ológico, e e e-
se a ba as ou ba ei as a enosas, especialmen e
quando echam lagunas cos ei as (Suguio & Tessle ,
1984; Suguio, 1992). As comunidades ege ais
associadas às p aias, dunas, co dões a enosos,
dep essões en eco dões, ma gens de lagoas, de
ambien es paludosos e b ejosos e a é manguezais
ambém são desc i as como ege ação de es inga
(Lace da e al., 1982). A im de e i a a u ilização
inadequada do e mo “ es inga”, Souza (2006) p opôs
a denominação dessas di e en es i o isionomias de
ege ação de planície cos ei a e baixa encos a.
Suguio & Ma in (1976, 1978a,b) essal a am que
as oscilações do ní el ela i o do ma (NRM) du an e
o Qua e ná io desempenha am impo an e papel na
e olução das planícies cos ei as em odo o mundo. Na
planície cos ei a paulis a, dois e en os ansg essi o-
eg essi os o am egis ados: o de Cananeia e o de
San os. O p imei o, de idade pleis ocênica, e e seu
pico máximo de oscilação posi i a há 120.000 anos
A.P. (an es do p esen e); o segundo, de idade holocênica,
e ia a ingido seu pico máximo há 5.100 anos A.P.
Os depósi os pleis ocênicos associados ao e en o
ansg essi o- eg essi o Cananeia são denominados
Fo mação Cananeia, enquan o os holocênicos,
associados ao e en o ansg essi o- eg essi o San os,
são designados de Fo mação Ilha Comp ida (Suguio
& Ma in, 1976, 1978a, 1994). Ao elaciona os
componen es da paisagem nas bacias dos ios I agua é
e Gua a uba em Be ioga-SP, Rossi & Quei oz Ne o
(2001) e Souza e al. (2009) encon a am es ei a
elação en e o subs a o geológico, os solos e a
ege ação: os Espodossolos p edominam nos e aços
ma inhos pleis ocênicos sob Flo es a Al a de Res inga.
Relações semelhan es ambém oco em no li o al no e
de São Paulo (Souza & Luna, 2008).
Nes e abalho são ap esen adas as p incipais
elações solo- ele o-subs a o geológico encon adas em
depósi os ma inhos a enosos qua e ná ios de ês
municípios cos ei os paulis as: Be ioga, Cananeia e
Ilha Comp ida. Es udos dessa na u eza con ibuem
an o pa a o en endimen o dos ágeis ecossis emas
de “ es inga”, cons an emen e subme idos à
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deg adação ambien al, como pa a abalhos u u os
de ca ac e ização das planícies cos ei as.
MATERIAL E MÉTODOS
Á ea de es udo
Pedons o am desc i os e amos ados em ês
municípios do li o al do Es ado de São Paulo: Be ioga,
Cananeia (Ilha de Cananeia) e Ilha Comp ida
(Figu a 1). O clima do li o al paulis a é do ipo A ,
com p ecipi ação média anual de 1.800 a 2.000 mm e
médias de empe a u as mínimas de 19 ºC e de
empe a u as máximas de 27 oC (Köppen & Geige ,
1928). A geologia dos locais es udados é compos a po
depósi os a enosos pleis ocênicos e holocênicos de
o igem ma inha (Pe i & Fúl a o, 1970; Suguio &
Ma in, 1978a,b). Sob e eles desen ol em-se
p incipalmen e lo es as al as e baixas de es inga
(Souza e al., 2009) associadas a Espodossolos e
Neossolos Qua za ênicos (Oli ei a e al., 1992; Rossi
& Quei oz Ne o, 2001).
Com ce ca de 240 km2, a planície cos ei a de
Be ioga, localizada ao no e da Baixada San is a
(Figu a 1), ap esen a qua o ge ações de depósi os
ma inhos: duas de idade pleis ocênica ( e aços
ma inhos co ela os à Fo mação Cananeia e
p o a elmen e à Fo mação Mo o do Icapa a) e duas
holocênicas ( e aços ma inhos e co dões li o âneos
co ela os à Fo mação Ilha Comp ida) (Souza e al.,
2009).
A Ilha Comp ida, localizada no li o al sul do Es ado
de São Paulo, possui 63 km de comp imen o po a é
5 km de la gu a. É cons i uída po sedimen os
a enosos qua e ná ios, p edominan emen e
holocênicos, exce o pa a poucos emanescen es de
e aços ma inhos pleis ocênicos e um mo o e
cons i uído de ochas alcalinas (Mo e e), ambos
localizados no ex emo sul da Ilha. Dunas on ais
holocênicas de a é 10 m de al i ude es ão p esen es
sob e os co dões e os e aços a enosos (Suguio e al.,
1999). Ma in & Suguio (1978) a in e p e a am como
uma ilha-ba ei a elacionada às mudanças do NRM
no Qua e ná io, cujo p olongamen o pa a o no e e ia
se iniciado en e 6.000 e 7.000 anos A.P., com a
ansg essão ma inha.
A Ilha de Cananeia é compos a, p edominan emen-
e, po sedimen os a enosos ma inhos pleis ocênicos
(Suguio e al., 1999). Sua o igem es a ia elacionada
ao pe íodo oco ido en e 80 e 130.000 anos A.P.
(Wa anabe e al., 1997).
T abalhos de campo
As p ospecções o am ealizadas po meio de
sondagens com ado manual, obse ações de
a lo amen os e abe u a de mini inchei as pa a
seleciona os locais de amos agem. Es es consis i am
de 28 pedons ep esen a i os das unidades geológico-
geomo ológicas al os, sendo 24 de Espodossolos e
qua o de Neossolos Qua za ênicos. Em Be ioga,
13 pedons o am desc i os e cole ados em
c onossequência (P1 a P13); em Ilha Comp ida, 10
pedons (P17 a P26); e na Ilha de Cananeia, cinco pedons
(P27 a P31). Os solos o am desc i os e amos ados
con o me San os e al. (2005) e classi icados de aco do
com o Sis ema B asilei o de Classi icação dos Solos-
SiBCS (Emb apa, 2006). A desc ição comple a, a
classi icação e os dados analí icos dos pedons es ão
ap esen ados em Coelho (2008) e Ma ins (2009).
Figu a 1. Localização dos municípios de Be ioga, Cananeia e Ilha Comp ida no li o al do Es ado de São
Paulo-SP.
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Da ações
As da ações po Te moluminescência (TL) e
Luminescência Op icamen e Es imulada (LOE) o am
ealizadas no Labo a ó io de Vid os e Da ação (LVD)
da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-
SP), u ilizando-se o p o ocolo de análise MAR (mul iple
aliquo egene a i e-dose), segundo Mu ay & Win le
(2000) e Win le & Hun ley (1980). Os p ocedimen os
e a o ma de cole a e acondicionamen o das amos as
o am ealizados con o me Sallun e al. (2007). F ag-
men os de es os ege ais ( onco) so e ados a 1,2 m
de p o undidade (P7), bem como a ação TFSA ( e a
ina seca ao a ) de ês ho izon es o s ein de di e en-
es pedons (P3, P10 e P30), o am u ilizados pa a
da ação ao 14C. As amos as o am da adas no Labo-
a ó io de 14C do Cen o de Ene gia Nuclea na Ag i-
cul u a (CENA/USP), em Pi acicaba (SP), o qual u i-
liza os mé odos de sín ese de benzeno e espec ome ia
de cin ilação líquida pa a de e mina a a i idade do
14C (Pessenda & Cama go, 1991).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A sequência de solos do município de Be ioga,
ep esen ada pelos pedons P1 a P13 (Figu a 2), é a
mais ex ensa (ap oximadamen e 2,8 km). Seu
ma e ial de o igem, a eias ma inhas qua zosas, é de
idade pleis ocênica (P1 a P6) a holocênica (P13),
co ela o às Fo mações Cananeia e Ilha Comp ida,
espec i amen e. Nessa sequência, algumas
inconsis ências c onológicas o am obse adas en e
as idades ob idas e aquelas u ilizadas pa a de ini os
e en os ansg essi o- eg essi os do li o al paulis a
po Suguio & Ma in (1978a). Po ou o lado, as idades
geológicas (TL e LOE) da sequência da Ilha de
Cananeia (Figu a 3) ap oximam-se daquelas suge idas
po Suguio & Pe i (1973), Suguio & Ma in (1978a,b)
e Wa anabe e al. (1997). Na sequência de Ilha
Comp ida (Figu a 4), uma es ei a aixa de sedimen os
de idade pleis ocênica (P17) an ecede c onologicamen e
os sedimen os holocênicos da Fo mação Ilha Comp ida
no sen ido Ma de Cananeia-Oceano A lân ico,
co obo ando os es udos de Ma in & Suguio (1978) e
Suguio e al. (1999).
Apesa dos p oblemas e conside ações sob e a
a aliação da idade 14C em Espodossolos, documen ados
po Ma hews (1980) e Schwa z (1988), algumas de
suas in e p e ações pa ecem ele an es, além de
con ibuí em pa a os es udos es a ig á icos,
e olu i os e paleoclimá icos da planície cos ei a
paulis a.
Figu a 2. C onossequência de Be ioga. As co as al imé icas ap oximadas es ão ap esen adas acima da
indicação dos pedons.
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Figu a 3. C onossequência da Ilha de Cananeia. As co as al imé icas ap oximadas es ão ap esen adas nas
ex emidades da sequência.
Figu a 4. C onossequência da Ilha Comp ida.
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Conside ando as idades 14C ob idas pa a os
ho izon es o s ein e a p emissa de que o empo de esi-
dência médio (TRM) da ma é ia o gânica co esponde,
ap oximadamen e, à me ade do in e alo desde que sua
acumulação se iniciou (De Coninck, 1980; Schwa z,
1988), pode-se in e i que as acumulações desse ma e ial
nos ho izon es B espódicos (o s ein) inicia am-se há
ce ca de 18.500, 9.600 e 4.260 anos A.P., espec i a-
men e pa a os pedons P30, P03 e P10 (Quad o 1).
Assim, as idades 14C e o TRM da ma é ia o gânica
dos ho izon es o s ein (Bhm) dos pedons P30, P03 e
P10 e idenciam numa p imei a análise que: o pedon
mais elho é o de Cananeia, o qual coincide com o
depósi o mais an igo (Quad o 2); e as idades 14C dos
pedons de Be ioga (P13 e P10) a iam em
con o midade com aquelas ob idas dos sedimen os po
TL e LOE (Quad o 2), ou seja, os depósi os mais
an igos ap esen a am idades 14C mais ele adas.
Quad o 1. Idade 14C da ma é ia o gânica dos ho izon es cimen ados (o s ein) e de um onco de á o e
(ho izon e Cg) nos pedons selecionados
(1) A.P.: an es do p esen e.
(1) Dado numé ico não disponí el.
Quad o 2. Dados de Te moluminescência (TL) e de Luminescência Op icamen e Es imulada (LOE) de 13
amos as dos pedons es udados em Be ioga, Ilha Comp ida e Ilha de Cananeia-SP
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Essas idades coincidem com os egis os de
a iações do NRM na cos a paulis a: no Pleis oceno
Supe io , du an e o úl imo máximo glacial, oco ido
há ap oximadamen e 17.000–18.000 anos A.P., o NRM
encon a a-se em p o undidades p óximas às a uais
isóba as de -110 m a -130 m (Suguio & Ma in, 1976,
1978a). P o a elmen e, os Espodossolos de Cananeia
i e am seu início de o mação e máximo
desen ol imen o nos p imó dios do es ádio in e glacial
subsequen e, pe íodo mais úmido do que o glacial que
o an ecedeu (Shell-Ybe e al., 2003), quando o NRM
apidamen e se ele ou. Condições a o á eis à
podzolização e iam dado o igem a esses solos: clima
úmido e expansão de espécies ege ais a bó eas que
p oduzem a se apilhei a ácida; ele ação do ní el do
lençol eá ico e diminuição da a i idade biológica no
solo; e ma e ial a enoso de o igem ma inha, pob e
em bases, o qual exe ce papel undamen al na gênese
dos Espodossolos na planície cos ei a ( an B eemen
& Buu man, 2002; Saue e al., 2007).
O a o de a idade es imada pa a o TRM da ma é ia
o gânica (18.500 anos A.P.) do ho izon e o s ein, na
Ilha de Cananeia (P30), coincidi com o pe íodo de
ansição climá ica no inal do Pleis oceno (17.000–
18.000 anos A.P.) indica que os Espodossolos podem
não se a uais e e iam sua máxima exp essão
pedogené ica associada à ansição do Pleis oceno
Supe io pa a o Holoceno In e io .
O início do pe íodo de o mação dos Espodossolos
da c onossequência de Be ioga ambém é condizen e
com os e en os ansg essi o- eg essi os ma inhos do
Qua e ná io no Es ado de São Paulo. Suguio & Ma in
(1978b) mapea am os depósi os onde se localiza o pedon
P3 (Figu a 2) como pleis ocênicos e co ela os à
Fo mação Cananeia. A supos a idade do início de
o mação do ho izon e o s ein (Bhm2) do pedon P3
(co a al imé ica de 10 m), de 9.600 anos A.P.,
co obo a as in e p e ações desses au o es. Po ou o
lado, o TRM da ma é ia o gânica (4.260 anos A.P.) do
pedon P10 (co a al imé ica de 5,3 m) e a idade 14C de
agmen os de madei a en e ados (3.700 ± 70 anos
A.P.) encon ados no pedon P7 (co a al imé ica de
3,5 m) indicam que o início do p ocesso de o mação
dos seus ho izon es B espódicos es a ia associado à
ase eg essi a do NRM, oco ida desde 5.100 anos
A.P. (Suguio & Ma in, 1976, 1978a) ou 5.600 anos
A.P. (Ma in e al., 2003), quando o NRM se ele ou
4 ± 0,5 m acima do a ual, a é o p esen e; po an o,
mais jo ens que a idade do TRM da ma é ia o gânica
do pedon P3.
As idades TL e LOE ob idas e aquelas u ilizadas
pa a econs ui as an igas posições do NRM pa a o
li o al paulis a, no empo e no espaço, indicam que a
idade dos depósi os em que se localizam os pedons P1
(171.100 ± 30.000 anos A.P) e P6 (150.000 ± 13.500
anos A.P.) ul apassa 120.000 anos A.P. (Quad o 2).
Algumas in e p e ações podem se au e idas a pa i
desses esul ados: o se o em que se si ua o pedon P6
ep esen a um emanescen e dos depósi os ma inhos
da Fo mação Cananeia, isolado na paisagem, e é
con empo âneo ao se o do pedon P3 (Figu a 2). Os
sedimen os desses depósi os podem e sido
e abalhados pelo en o em pe íodo pós- deposicional,
con o me conside a am Suguio & Ma in (1978b) e
Ma ins (2009). Nesses se o es, é p o á el que os
ho izon es o s ein dos Espodossolos enham
con ibuído pa a a esis ência à e osão e pe manência
dos emanescen es pleis ocênicos na paisagem a ual;
a disc epância en e as idades dos sedimen os de opo
e de subsupe ície (Quad o 2) indica que eles podem
e sido deposi ados em di e en es pe íodos e, ou,
e abalhados pelo en o após deposição ma inha.
Também não podem se desca adas as limi ações da
écnica e do p o ocolo de análise (MAR) u ilizado nas
da ações de TL e LOE (Sallum e al., 2007); da mesma
o ma, as idades supe io es a 120.000 anos A.P. dos
depósi os (pedons P3 e P6) ambém podem es a
elacionadas às limi ações da écnica e ao p o ocolo de
análise (MAR), bem como às condições de
sedimen ação, como a gumen ado po No e al. (1994)
pa a Espodossolos em ambien es de dunas da cos a
aus aliana. Po algum mo i o, a idade esidual (TL
e LOE) de pa e dos sedimen os aqui conside ados,
com di e enças en e as idades a aliadas e icalmen e
num mesmo pedon, pode não e sido comple amen e
ze ada. É possí el que o ápido anspo e e deposição
dos g ãos de qua zo, bem como as condições de
luminosidade do ambien e, não enham p opiciado
su icien e exposição à adiação sola ul a iole a
(Win le & Mu ay, 2006) pa a ze a as suas idades TL
e LOE esiduais. Esses sedimen os e iam sido
deposi ados em di e en es pe íodos e, associados às
condições di e enciadas de anspo e (ma , en o),
condiciona am alo es mui o he e ogêneos de
in ensidade luminescen e esidual. Isso explica ia as
di e en es idades, mais an igas que as espe adas,
encon adas num mesmo pe il (P3 e P6) e en e os
depósi os ma inhos e aqueles e abalhados pelo en o.
Apesa das di e enças en e as idades TL e LOE
(Quad o 2), e i icou-se que há edução des as em di-
eção aos ho izon es supe iciais dos pedons analisa-
dos, conco endo pa a conside a os esul ados
sa is a ó ios, os quais, associados às idades 14C e aos
aspec os pedológicos, possibili a am as seguin es in-
e p e ações: na c onossequência de Be ioga, os
Espodossolos de idades 14C holocênicas o ma am-se
nos sedimen os pleis ocênicos da Fo mação Cananeia
(P3 e P10); as a iações de solo e de ele o en e o P11
e o P12, jun amen e com a idade ap oximada de 5.100
anos do depósi o no pedon P11 (Quad o 2), de co a
al imé ica de 3,3 m (Figu a 2), suge em que o máxi-
mo ansg essi o do NRM holocênico (T ansg essão
San os) deu-se nesse se o da sequência; a di e ença
en e as idades TL e LOE a 0,6 e 1,3 m de p o undi-
dade no ma e ial mine al do ho izon e E do pedon P6
(Quad o 2) suge e a oco ência de duas ases
deposicionais nesse paco e sedimen a du an e o
Pleis oceno: uma mui o an iga (ma inha) e ou a mais
jo em no inal dessa época, du an e a qual hou e
840 Mau ício Rizza o Coelho e al.
R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010
emobilização ou e abalhamen o dos sedimen os
supe iciais (ho izon es A + E), p o a elmen e po p o-
cessos eólicos. O ma e ial mine al que o ma os ho i-
zon es subsupe iciais B espódicos consolidados (o s ein)
se ia p ese ado, con o me cons a ado po No e al.
(1994) em Espodossolos da cos a aus aliana.
No B asil, a p esença de o s ein oi empi icamen e
u ilizada po alguns geólogos qua e na is as como
indica i o de sedimen os pleis ocênicos cos ei os
(Suguio & Ma in, 1978b). A pa i dos dados ob idos
e das obse ações de campo, p esume-se ce a
e acidade em al asse i a. Embo a os Espodossolos
es ejam p esen es em depósi os ma inhos an o
pleis ocênicos quan o holocênicos, o ho izon e o s ein
oco e apenas nos pleis ocênicos. Na sequência de
Ilha Comp ida, o ho izon e o s ein não oi obse ado
nos depósi os holocênicos, enquan o na sequência de
Cananeia, dominada po sedimen os pleis ocênicos,
quase odos os Espodossolos ap esen a am ho izon e
o s ein den o de 2 m de p o undidade, com exceção
do pedon P28 (Quad o 3). Em Be ioga esse ho izon e
es á p esen e apenas nos pedons mais an igos (P3,
P4, P6, P9 e P10), o mados nos depósi os da Fo mação
Cananeia, mas ausen e no pedon P11 desen ol ido
sob e os depósi os holocênicos. Também es á ausen e
nos pedons P7 (3.700 ± 70 anos A.P.) e P8 o mados
po sedimen os pleis ocênicos emobilizados e
deposi ados sob e ambien es lu iais holocênicos. Da
mesma o ma, em Ca agua a uba (li o al no e de São
Paulo), Souza (1992) encon ou o ho izon e o s ein
somen e nos e aços ma inhos pleis ocênicos, embo a
os Espodossolos ambém es ejam p esen es nos co dões
li o âneos holocênicos mais an igos. Essas
in o mações, associadas às obse ações do ele o local,
suge em que os ho izon es o s ein podem se
u ilizados como indicado es pedoes a ig á icos dos
depósi os ma inhos das planícies cos ei as, desde que
associados a ou os indicado es geológicos e
geomo ológicos locais e egionais.
Nas planícies cos ei as paulis as, as condições
climá icas, p og essi amen e mais úmidas desde o
inal do Pleis oceno (Shell-Ybe e al., 2003), associadas
à ins alação da ege ação de lo es a, às a iações do
NRM e ao ma e ial de o igem, con ibuí am pa a a
o mação dos an igos Espodossolos com ho izon es
o s ein. É p o á el que a o igem e a p ese ação do
o s ein deco am da a uação e maio es abilidade do
lençol eá ico na posição em que se o ma am.
As idades ob idas po meio das da ações ao 14C e do
TRM da ma é ia o gânica p esen es nesses ho izon es
(Quad o 1), discu idas an e io men e, le am a supo
que a maio ia dos Espodossolos desen ol idos sob e
os e aços ma inhos pleis ocênicos das sequências
es udadas em Be ioga e Ilha de Cananeia são
paleossolos ou, ao menos, poligené icos, sob e udo
quando do ados de ho izon es o s ein. Na sequência
de solos es udada em Ilha Comp ida, os Espodossolos
mais jo ens o ma am-se nos depósi os sedimen a es
da o mação de mesmo nome, bem d enados e
ca ac e izados pelo alinhamen o de co dões a enosos
ea eiçoados. Po isso, esses Espodossolos são pouco
desen ol idos e, a ualmen e, encon am-se em
di e en es es ádios de o mação.
Solos: classes, dis ibuição na paisagem e
mo ologia
Na sequência de Be ioga (sen ido ma -se a), na
ansição do se o de pós-p aia pa a os co dões
li o âneos, oco em os Neossolos Qua za ênicos
(P13). A ausência de ca ac e ís icas hid omó icas
a é ce ca de 1,0 m de p o undidade deco e de o lençol
eá ico es a abaixo de 1,5 m na maio pa e do ano.
Nesse segmen o não há e idência de podzolização e
sim de mobilização de Fe, o qual imp ime a colo ação
ama ela aos ho izon es nos p imei os 0,7 m de
p o undidade. À medida que se dis ancia da p aia, a
hid omo ia aumen a, jun amen e com o
apa ecimen o de mosqueados a e melhados e
concen ação de Fe, ípicos de eições edoximó icas
que ca ac e izam o pedon P12, ep esen ado po um
Neossolo Qua za ênico Hid omó ico ípico
(Figu a 2).
A ansição dos Neossolos Qua za ênicos
hid omó icos (P12) pa a os Espodossolos se dá po
uma sua e up u a de decli e, sucedida po uma á ea
dep imida (Figu a 2), mal d enada, onde oco em
O ganossolos. A pa i daí oco e o Espodossolo
Humilú ico hid omó ico espessa ênico (P11),
des i uído de ho izon e o s ein, mas bem desen ol ido
e com ho izon es A + E de espessu a supe io a 1,0 m
(Quad o 3).
O segmen o plano, que se inicia no se o do pedon
P11, p olonga-se no sen ido ma -se a. A pa i da
co a de 4,5 m é dominado po Espodossolos
Humilú icos hid omó icos com ho izon es o s ein
(Bhm), que oco em en e 0,4 e 1,4 m, sob ho izon es
E com di e en es espessu as, as quais diminuem do
pedon P10 pa a o P9. Os pedons P8 e P7,
ep esen ados po Espodossolos hid omó icos com
exíguo ho izon e E e des i uídos de ho izon e o s ein,
localizam-se em uma á ea dep imida e mui o mal
d enada que an ecede o emanescen e de e aço
ma inho pleis ocênico onde es á si uado o pedon P6
(Figu a 2). Os limi es en e os ho izon es dos pedons
P8 e P7 são os mais di usos, e os ho izon es B espódicos,
os menos desen ol idos en e os Espodossolos dessa
c onossequência. Uma peculia idade desses
Espodossolos é a p esença de ho izon es Cg
(hid omó icos), sendo que no pedon P8 é de ex u a
média e se inicia a 1,3 m de p o undidade. Nesse
ho izon e, os abundan es agmen os ósseis de oncos
de á o es de idade holocênica (3.700 ± 70; Quad o 1),
associados à co a al imé ica (3,5 m) e à p esença de
a gila e de es os ege ais, e idenciam que os
Espodossolos (P7 e P8) se o ma am a pa i dos
sedimen os ma inhos pleis ocênicos emobilizados e
deposi ados sob e um ambien e lu ial.
RELAÇÃO SOLO-RELEVO-SUBSTRATO GEOLÓGICO NAS RESTINGAS DA PLANÍCIE... 841
R. B as. Ci. Solo, 34:833-846, 2010
Quad o 3. Dados mo ológicos selecionados e classi icação dos p incipais pedons es udados em Be ioga,
Ilha Comp ida e Ilha de Cananeia-SP
Con inua...