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Reminiscência parental e formaçao da memória auobiográfica em relaçao à vulnerabilidade a distúrbios afectivos numa amostra clínica de adolescentes

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Reminiscência parental e formaçao da memória auobiográfica em relaçao à vulnerabilidade a distúrbios afectivos numa amostra clínica de adolescentes

Author: Ramos, Ruis Alexandre Devesa
Publisher: Universidade de Santiago de Compostela. Servizo de Publicacións e Intercambio Científico
Year: 2008
Source: https://minerva.usc.es/bitstreams/389da5e7-3aaf-465a-beeb-1db5964967a6/download
Uni e sidade de San iago de Compos ela
Facul ad de Psicología
Depa amen o de Psicología Clínica y Psicobiología
REMINISCÊNCIA PARENTAL E A FORMAÇÃO DA MEMÓRIA
AUTOBIOGRÁFICA EM RELAÇÃO À VULNERABILIDADE A DISTÚRBIOS
AFECTIVOS NUMA AMOSTRA CLÍNICA DE ADOLESCENTES
Tese de Dou o amen o ap esen ada po Rui Alexand e De esa
Ramos, di igida pelo P o esso Dou o Hipóli o Me ino Mad id e
pelo P o esso Dou o José Fe nández Rey
HIPÓLITO MERINO MADRID, P o eso Ti ula de Pe sonalidad, E aluación y
T a amien os Psicológicos en el Depa amen o de Psicología Clínica y Psicobiología
y JOSÉ FERNÁNDEZ REY, P o eso Ti ula de Psicología Básica en el Depa amen o
de Psicología Social, Básica y Me odología de la Uni e sidad de San iago de
Compos ela
INFORMAN:
Que la Tesis Doc o al “Reminiscência pa en al e a o mação da memó ia
au obiog á ica em elação à ulne abilidade a dis ú bios a ec i os numa amos a
clínica de adolescen es” ha sido ealizada bajo su di ección po el Licenciado D.
Rui Alexand e De esa Ramos, en el Depa amen o de Psicología Clínica y
Psicobiología de la Uni e sidad de San iago de Compos ela.
Que el ci ado abajo de in es igación eúne odas las exigencias cien í icas
y o males eque idas po la no ma i a igen e pa a op a al g ado de Doc o po la
Uni e sidad de San iago de Compos ela.
POR TANTO,
Emi en su in o me a o able y su au o ización como ámi e p ecep i o pa a
su acep ación y de ensa pública.
San iago de Compos ela, 5 de mayo de 2008.
Fdo.: Hipóli o Me ino Mad id Fdo.: José Fe nández Rey
Fdo.: Rui Alexand e De esa Ramos
Dedico odo es e abalho à memó ia da minha mãe (1944-2004)
‘O alo das coisas não es á no empo em que elas du am,
mas na in ensidade com que acon ecem.
Po isso exis em momen os inesquecí eis, coisas inexplicá eis e pessoas
incompa á eis.’
Fe nando Pessoa
Ag adecimen os
A in es igação em Ciências da Saúde de e se ope acionalizada pa a a esolução
dos p oblemas de saúde humana. Es e abalho nasce da p eocupação diá ia pela melho ia
das espos as clínicas aos nossos u en es, em pa icula , aos p oblemas a ec i os das
c ianças, jo ens e amílias que acompanho. Assim, como Psicólogo Clínico do Se iço
Nacional de Saúde, espe o que es e abalho seja um ganho pa a quem si o odos os dias.
Des e modo, ag adeço, em p imei o luga , a insupe á el colabo ação dos pais, c ianças e
jo ens que pa icipa am nes e es udo. Ag adeço, ainda, odo o apoio que o Depa amen o
de Pedia ia do Hospi al Ped o Hispano me concedeu, em pa icula o seu Di ec o , o D .
Lopes dos San os, e a es an e equipa de saúde.
Fo am anos de in ensa ac i idade clínica e de in es igação que hoje os ap esen o
num o ma o de ese de dou o amen o. Es e empo ale pela nob e elação que es abeleci
e pela discussão clínica e cien í ica com o D . Hipóli o Me ino Mad id e com o D . José
Fe nández Rey. Ag adeço, mui o, odo o abalho minucioso e igo oso que aplica am a
es e abalho. Es ou-lhes mui o g a o, po que me apoia am de o ma incondicional com
a e de ecebe e com a ec o.
Ag adeço o indispensá el apoio do Depa amen o de Psicologia Clínica e
Psicobiologia da Uni e sidade de San iago, em pa icula o D. Ignacio Cas o Losada.
Aos meus colegas psicólogos do Se iço de Psicologia da Unidade Local de Saúde
de Ma osinhos, epe, a comp eensão e amizade.
Ao colega de abalho D . João Fe nandes que me p es ou um apoio incondicional
na ase de inse ção de dados.
À P o ª. Ana C is ina Machado da Sil a, p o esso a de Língua Po uguesa, que
p es ou uma imp escindí el e isão da língua Po uguesa.

Aos mui os colegas psicólogos que me escu a am e me concede am os aliosos
e o ços posi i os pa a con inua a insis i nos meus es udos.
À minha amília, a Helena, a Ângela e o Raúl, o mui o ob igado po exis i em,
po que é po ós que me inspi o e me olho com co agem odos os dias.
Ao meu Pai e i mão Augus o, pelo espei o.
ÍNDICE
In odução ................................................................................................. 9
Pa e I - Ma co Teó ico ................................................................................. 12
Capí ulo 1º - O ganização e unções da Memó ia Au obiog á ica ............................... 13
1.1. Eme gência concep ual de ‘memó ia au obiog á ica’. ................................... 13
1.2. O ganização e limi es do conhecimen o au obiog á ico. ................................ 20
1.2.1. Pe íodos da Vida Pessoal. ................................................................ 24
1.2.2. E en os Ge ais. ............................................................................ 25
1.2.3. E en os Especí icos. ...................................................................... 32
1.3. O Sel e o conhecimen o au obiog á ico. ................................................... 36
1.4. As emoções na elação en e o sel e o conhecimen o au obiog á ico. ............... 40
1.5. Funções da memó ia au obiog á ica. ....................................................... 43
Capí ulo 2º - Fo mação e desen ol imen o da Memó ia Au obiog á ica ....................... 45
2.1. Desen ol imen o con ínuo do sel e eme gência da memó ia au obiog á ica. ...... 45
2.2. Teo ias da eme gência da memó ia au obiog á ica. ..................................... 54
2.2.1. Teo ia do Sel Cogni i o. ................................................................ 54
2.2.2. O Modelo Au onoé ico de Tul ing. ..................................................... 55
2.2.3. Teo ia da Reminiscência e Elabo a i idade da expe iência passada. ............ 58
2.2.3.1. In luência da eminiscência e elabo a i idade na o ganização na a i a
au obiog á ica. ................................................................................. 59
2.2.3.2. Reminiscência e elabo a i idade, p ocessos de inculação e iden idade de
géne o. ........................................................................................... 66
Capí ulo 3º - Memó ia Au obiog á ica e Vulne abilidade Cogni i o-emocional ............... 71
3.1. Memó ia au obiog á ica e ulne abilidade aos dis ú bios a ec i os. ................... 77
3.2. Fo mação da memó ia au obiog á ica e ulne abilidade a dis ú bios a ec i os. .... 89
Pa e II - in es igação Empí ica ....................................................................... 93
Fundamen ação Empí ica .............................................................................. 94
Capí ulo 4º - Mé odo .................................................................................... 99
4.1.Objec i os. ....................................................................................... 99
4.2. Amos a. ........................................................................................ 101
4.2.1.Desc ição da amos a com base no géne o e idade. ................................ 102
4.3. Medidas. ........................................................................................ 103
4.3.1. Aplicação e co ação do Diálogo Emocional de Reminiscência (DER). ............ 103
4.3.1.1. Aplicação do Diálogo Emocional de Reminiscência (DER). ................... 104
4.3.1.2. Co ação do Diálogo Emocional de Reminiscência (DER). ..................... 106
4.3.2. A aliação da memó ia au obiog á ica. ............................................... 111
4.3.2.1. Desenho e sis ema de co ação do es e de memó ia au obiog á ica (TMA)
na e são in an o-ju enil. ................................................................... 114
4.3.3.A aliação dos dis ú bios a ec i os em adolescen es. ............................... 118
4.3.3.1. A aliação da dep essão ju enil. .................................................. 118
4.3.3.2. A aliação da ansiedade ju enil................................................... 119
4.3.3.3. A aliação do pe il de psicopa ologia ju enil. ................................. 121
4.4. P ocedimen o .................................................................................. 124
Capí ulo 5º - Análise es a ís ica e Resul ados ..................................................... 125
5. Análise Es a ís ica. .............................................................................. 125
5.1. Análises Desc i i as. .......................................................................... 128
5.1.1. Desc ição das ca ego ias da eminiscência ma e na. .............................. 128
5.1.2. Desc ição das espos as ao es e de memó ia au obiog á ica (TMA) dos
adolescen es. ..................................................................................... 129
5.2. Análises e e en es ao Objec i o 1.: elação en e as ca ego ias da eminiscência
ma e na e a memó ia au obiog á ica dos adolescen es. ..................................... 132
5.2.1. Análise da Na a i a Medo. ............................................................. 132
5.2.1.1. Análise da Na a i a Medo: p esença de Reminiscência, elabo a i idade,
supo e e ipo de MER e a memó ia au obiog á ica dos adolescen es. ............... 132
5.2.1.2. Análise da Na a i a Medo: núme os de exp essões emocionais da díade e
memó ia au obiog á ica dos adolescen es. ............................................... 134
5.2.1.3. Análise da Na a i a Medo: p edi o es da memó ia au obiog á ica dos
adolescen es. .................................................................................. 134
5.2.2. Análise da Na a i a T is eza. ......................................................... 135
5.2.2.1. Análise da Na a i a T is eza: ipo de MER e a memó ia au obiog á ica dos
adolescen es. .................................................................................. 135
5.2.2.2. Análise da Na a i a T is eza: P edi o es da memó ia au obiog á ica dos
adolescen es. .................................................................................. 136
5.2.3. Análise da Na a i a Rai a .............................................................. 137
5.2.3.1. Análise da Na a i a Rai a: p esença de eminiscência, elabo a i idade,
supo e e ipo de MER e memó ia au obiog á ica dos adolescen es. ................. 137
5.2.3.2. Análise da Na a i a Rai a: exp essões emocionais e memó ias
au obiog á icas dos adolescen es. ......................................................... 140
5.2.3.3. Análise da Na a i a Rai a: p edi o es da memó ia au obiog á ica dos
adolescen es. .................................................................................. 140
5.2.4. Análise da Na a i a Aleg ia. ........................................................... 141
5.2.4.1. Análise da Na a i a Aleg ia: p esença de eminiscência, elabo a i idade,
supo e e ipo de MER e memó ia au obiog á ica dos adolescen es. ................. 141
5.2.4.2. Análise da Na a i a Aleg ia: exp essões emocionais e memó ia
au obiog á ica dos adolescen es. ........................................................... 143
5.2.4.3. Análise da Na a i a Aleg ia: p edi o es da memó ia au obiog á ica dos
adolescen es. .................................................................................. 143
5.3. Análises e e en es ao Objec i o 2.: Relação en e as ca ego ias da eminiscência e
a memó ia au obiog á ica endo em con a o géne o dos adolescen es. ................... 145
5.3.1. Relação en e as ca ego ias da eminiscência e a memó ia au obiog á ica nos
Rapazes. ........................................................................................... 145
5.3.1.1. Análises de Di e enças na Memó ia Au obiog á ica em unção da p esença
ou ausência das ca ego ias da eminiscência e o ipo de MER (especí ica e
ca egó ica) pa a cada na a i a emocional nos apazes. ............................... 145
5.3.1.2. Análise co elacional en e o núme o de exp essões emocionais u ilizadas
nas na a i as e a memó ia au obiog á ica nos apazes. ............................... 147
5.3.1.3. P edi o es da memó ia au obiog á ica em cada uma das na a i as nos
apazes. ......................................................................................... 147
5.3.2. Relação en e as ca ego ias da eminiscência e a memó ia au obiog á ica nas
Rapa igas. ......................................................................................... 149
5.3.2.1. Análises de Di e enças na Memó ia Au obiog á ica em unção da p esença
ou ausência das ca ego ias da eminiscência e o ipo de MER (especí ica e
ca egó ica) pa a cada na a i a emocional nas apa igas. ............................. 149
5.3.2.2. Análise co elacional en e o núme o de exp essões emocionais u ilizadas
nas na a i as e memó ia au obiog á ica nas apa igas. ............................... 151
5.3.2.3. P edi o es da memó ia au obiog á ica em cada uma das na a i as nas
apa igas. ....................................................................................... 152
5.4. Análise e e en e ao objec i o 3: elação en e a memó ia au obiog á ica e a
psicopa ologia ju enil. ............................................................................. 154
5.4.1. P edi o es da Memó ia Au obiog á ica na Psicopa ologia Ju enil. ............... 158
5.5. Análises e e en es ao objec i o 4: elação en e a memó ia au obiog á ica e a
psicopa ologia ju enil endo em con a o géne o dos adolescen es. ........................ 163
5.5.1. P edi o es da Memó ia Au obiog á ica na Psicopa ologia Ju enil endo em con a
o géne o dos adolescen es. ..................................................................... 167
Capí ulo 6º - Discussão de esul ados ............................................................... 169
Capí ulo 7º - Conclusões .............................................................................. 181
Bibliog a ia .............................................................................................. 184
Anexos ................................................................................................... 196
PARTE I – MARCO TEÓRICO
15
p o a elmen e, a p imei a eg a psíquica da memó ia au obiog á ica, ou seja, a Lei da
Reg essão. Es a lei de ine que os es ados da memó ia ecen e são menos es á eis e po isso
mais ulne á eis ao dano em compa ação com as memó ias mais emo as que se
ca ac e iza am pela es abilidade.
Gal on, na sua ob a Inqui es in o Human Facul y and i s De elopmen (1883), p opõe um
no o mé odo de acede às memó ias au obiog á icas – a écnica da pala a-cha e. T a a-se
de emp ega uma pala a ou um objec o e con a quan as ‘ideias’ êm à men e num
de e minado pe íodo de empo. Es as ideias, segundo Gal on, es ão sob e udo elacionadas
com e en os da in ância e da ida adul a. No en an o, a pa i das suas in es igações
pionei as já aziam deixa am anspa ece que a a és do mé odo da ‘pala a-cha e’
somen e um eduzido núme o de e en os são eco dados, apesa de já conside a que as
memó ias e os concei os es ão mui o in e elacionados e que as expe iências pessoais
o mam pa e do signi icado dos concei os pa a um indi íduo. To na-se en ão cla o que
com Gal on a memó ia au obiog á ica é o ecu so pa a o sel eco da .
Em 1893, F eud e B eue , no amoso li o dos Es udos sob e a His e ia e ocam o papel
cen al da memó ia au obiog á ica na génese, manu enção e a amen o das neu oses. A
p opos a de F eud oi que as memó ias das expe iências emocionais aumá icas são
ep imidas, a o ecendo assim a mo bilidade men al da neu ose. A ep essão de ais
memó ias e i am a sua eco dação conscien e, já que as emoções associadas com essas
expe iências con inuam a a ec a o doen e. F eud suge e que se a a de uma espécie de
do que emana da chaga do dolo psíquico e que con inua a a ligi o doen e, como se nunca
mais osse eco dada ou azida à luz da consciência. Assim, o a amen o das neu oses
consis e em le a o doen e a econhece o episódio de que esul ou o dano psíquico
ali iando a do , ecupe ando as de esas psicológicas que não o am ope a i as no momen o
do episódio. Nos úl imos abalhos de F eud, es e p ocesso de ep essão das expe iências
dolo osas com consequências ao ní el da dis unção psicológica es á ligado à sua eo ia

PARTE I – MARCO TEÓRICO
16
psicossexual do desen ol imen o e à sua eo ia da men e. Es a ligação pe mi e a F eud
explo a a eo ia da amnésia in an il. Es a eo ia sus en a a ideia de que o adul o es á
impedido de eco da memó ias pessoais dos p imei os anos da in ância como esul ado do
mecanismo de ecalcamen o da sexualidade in an il dos p imei os anos de ida. O
enómeno da amnésia in an il é o a qué ipo do deba e ac ual ace ca das possibilidades
neu opsicológicas da eme gência da memó ia au obiog á ica na c iança (Howe e Cou age,
1997).
Pa a F eud, o in e esse pelo es udo da Memó ia cen ou-se exclusi amen e ao ní el do
a amen o das doenças men ais c ónicas, como a ‘neu ose’. A pessoa com ‘neu ose’ é
de e minada po expe iências que não consegue media ou mesmo esquece , ge ando
assim um sis ema au omá ico de ac i ação psico isiológica, como esul ado da ac i idade
de e i amen o da eco dação. Con udo, não exis e um in e esse pelo es udo expe imen al
dos p ocessos psicológicos básicos do sujei o, nem um es udo sis emá ico do p oblema da
memó ia au obiog á ica. Aliás, segundo alguns au o es (Robinson, 1986), o mé odo clínico
de F eud ou de ou os eó icos da psicopa ologia é absolu amen e insu icien e pa a
comp eende os enómenos da memó ia au obiog á ica, embo a o legado de F eud incida
em algumas abo dagens de a aliação da pe sonalidade cen adas no ‘mé odo biog á ico’
(Whi e, 1982).
Em 1932, Ba le , com uma ob a nomeada de “Remembe ing: A s udy in expe imen al and
Social Psychology”, inaugu a, em ce a medida, a pe spec i a de que a memó ia
au obiog á ica é um p ocesso econs uc i o. Pa a Ba le as memó ias são semp e
econs uções do passado ace às necessidades do p esen e, p opondo que as ope ações de
esquema ização são o supo e necessá io a essa econs ução. Des e modo, os esquemas da
Memó ia Au obiog á ica ep esen am imp essões gené icas ou a i udes em elação a um
e en o. As memó ias mais não são mais do que uma in e p e ação que se ealiza na ase de
codi icação e na ase de ecupe ação. As memó ias “ i em com os nossos in e esses e com
PARTE I – MARCO TEÓRICO
17
eles modi icam-se” (p.212). A exis ência de ce os aços de memó ia co esponde a um
conhecimen o, mais ou menos li e al, do e en o passado que se o ganiza de o ma
esquemá ica num p ocesso econs u i o. T a a-se jus amen e de um p ocesso de p odução
de signi icado que ope a pela simples imaginação do e en o. Es a imaginação inco po a
imagens e agmen os que adqui em uma lógica pessoal, aduzindo-se num p ocesso de
au obiog a ização do passado. Pelo p ocesso de econs ução imagé ica, o sujei o é le ado
a associa , eins ala e combina a ealidade passada, no sen ido de se o na ú il pa a se
con on a com um p oblema ac ual.
A in es igação expe imen al de Ba le cen ou-se p ecisamen e no es udo dos p ocessos
de econs ução da eco dação e da codi icação da in e p e ação dos e en os, em ez da
ep esen ação li e al dos e en os. T a ou-se de um abalho pós umo pa a o es udo da
Memó ia Au obiog á ica, na medida que, desde en ão, es e p ocesso especí ico da
memó ia adqui e um es a u o na Psicologia do Conhecimen o como um p ocesso de
p odução de signi icado, ep esen ando essencialmen e signi icados e in e p e ações e não
um me o p ocesso es á ico onde se pe mi e es uda p o as que alidem ou não a ealidade
passada. Nes a ase, discu e-se ainda o p óp io concei o de econs ução. Mais
ecen emen e, B ewe (1986) ad oga a ideia que a memó ia au obiog á ica é pa cialmen e
econs u i a, dado que alguns de alhes são semp e econhecidos. Des e modo, a
econs ução oco e menos equen emen e do que Ba le suge ia.
Na his ó ia da psicologia, an es dos anos 50, o es udo da memó ia au obiog á ica não e a
nem sis emá ico nem um enómeno isolado na psicologia. Es a a, po en u a, associado a
ou os concei os de memó ia e da pa ologia e a mé odos clínicos de ecolha de in o mação
ace ca da his ó ia de ida. De ac o, podemos admi i , segundo Robinson (1976), que, a é
aos anos 50, o es udo da memó ia au obiog á ica depende de duas co en es explica i as –
Gal oniana e F eudiana. No en an o, ambas se cen am ainda numa pe spec i a edu o a
da Memó ia Au obiog á ica, dado que se ocam na capacidade de econhece e nas causas
PARTE I – MARCO TEÓRICO
18
e on es do e o ou do esquecimen o. Como e e e Neisse (1986), impo a es uda o
uncionamen o da memó ia como in luen e do compo amen o do sujei o no quo idiano.
Numa abo dagem cogni i a, Ba le p omo e, de uma o ma pionei a a ques ão cen al do
es udo con empo âneo da memó ia au obiog á ica, en endida como egulado a dos nossos
planos, es a égias de esolução de p oblemas, egulação emocional e ac o de in luência
da in e acção social. Os es udos de Ba le o ma am um io condu o de in es igação que
em sob e i ido a é aos nossos dias, des acando-se as Teo ias Esquemá icas (Ba clay, 1986)
e a Teo ia do Sel -Memo y-Sys em (Conway e Pleydell-Pea ce, 2000).
Den o da linhagem da psicologia cons u i is a, B une (1987, 1990) pe spec i a a
Memó ia Au obiog á ica não como um me o p ocesso psicológico básico cons u i o, mas
como um componen e indissociá el do sel , enca ado como modelado dos p ocessos
conscien es. O sel adqui e em g ande medida uma na u eza au o-cons u i a e
econs u i a do passado, dado que se e de base pa a o planeamen o da acção e dos
objec i os. Pa a B une , a memó ia au obiog á ica não só compo a as ca ac e ís icas
econs u i as, segundo Ba le , como se expande ao plano da na a i a:
“É um ela o ei o po um na ado no aqui e ago a, sob e um
p o agonis a que em o seu nome e exis iu num passado,
desembocando a his ó ia no p esen e, quando o p o agonis a se
unde com o na ado ” (1990, p.120).
Pa a B une , a memó ia au obiog á ica exp ime-se po um ela o que unde, num ‘ io
e ó ico’, uma jus i icação do passado. A memó ia au obiog á ica é, na sua essência
cogni i a, um p ocesso mo i acional dado que é o sel que ‘comanda’, numa óp ica
p ojec i a no u u o, a his ó ia de Si. De ac o, a na ação do passado é um ac o men al
conscien e, na medida em que se a a de uma omada de decisão sob e as condições do
p esen e ace ca desse passado. Po isso o sujei o não é uma í ima da sua au obiog a ia,
PARTE I – MARCO TEÓRICO
19
mas um au o-p o agonis a que con a a sua his ó ia em equilíb io com a p ocu a de
signi icado en e passado e p esen e.
Nos úl imos 10 anos, den o da psicologia cogni i a e clínica, é possí el subdi idi ês
g andes ma cos eó icos no es udo da memó ia au obiog á ica.
Em p imei o, de ca iz cogni i o-emocional, su gem os abalhos de B ewe (1986), Conway
(1990) e mais ecen emen e Conway e Pleydell-Pea ce (2000). Nes e pa adigma, en a-se
demons a a es u u ação e o ganização cogni i a da memó ia au obiog á ica, bem como,
a associação a ou as es u u as do psiquismo como o Sel e as Emoções. Des e modo, a
Memó ia Au obiog á ica é uma componen e cogni i a de um sis ema supe o denado que se
designa po Sis ema de Memó ia do Sel (Conway e Pledell-Pe ace, 2000) associado a um
sis ema de objec i os pessoais ac i os (wo king sel ).
Ligada à co en e de B ewe (1986) e de Conway e Pleydell-Pea ce (2000), su ge, como
segundo ma co eó ico, a pe spec i a de que a Memó ia Au obiog á ica é um cons uc o
p oposicional que ac ua como um egulado dos es ados de ânimo, apa ecendo como uma
es u u a comp eensi a dos es ados de ânimo al e ados (Williams, J.M.G., 1996). Nes e
sen ido, a memó ia au obiog á ica pode se con igu ada como um concei o, no âmbi o dos
p ocessos cogni i os, em es udo pela pe spec i a da Vulne abilidade Cogni i a a dis ú bios
emocionais (Ing am e al., 1998; Sanz e Vázquez, 1991).
Em e cei o luga , su gem as eo ias desen ol imen ais do es udo da eme gência da
memó ia au obiog á ica na c iança no decu so do seu desen ol imen o neu ológico,
cogni i o e socio-emocional (Howe e Cou age, 1997; Fi ush e Haden, 1997, 2003; Nelson,
1988, 2003). Es a co en e pode di idi -se ainda em duas pe spec i as complemen a es. A
p imei a, de ine-se po en a encon a as possibilidades e condições neu ocogni i as que
le am à eme gência da memó ia au obiog á ica no decu so do desen ol imen o do apa elho
cogni i o (Howe e Cou age, 1997). A segunda pe spec i a, en ende a memó ia
PARTE I – MARCO TEÓRICO
20
au obiog á ica como o esul ado da qualidade das in e acções linguísi icas en e a c iança e
os ou os signi ica i os no in e io de um de e minado campo cul u al linguís ico (Fi ush e
Haden, 1997, 2003). Es a úl ima pe spec i a p opõe concei os al amen e ope a i os pa a a
comp eensão da eme gência da memó ia au obiog á ica na c iança como a Reminiscência
Pa ilhada do passado en e a c iança e os ou os signi ica i os (Nelson, 1988, 2003).
Fal am mais es udos que pe mi am in e liga es as ecen es pe spec i as, no sen ido da
p odução de um esquema mais in eg ado e comunican e do cons uc o da memó ia
au obiog á ica: a o mação e eme gência no desen ol imen o da c iança, a sua
ope acionalidade no in e io de ou as es u u as cogni i as e de signi icado como o Sel e
as emoções e a sua con ibuição pa a a comp eensão dos es ados de ulne abilidade a
dis ú bios psicológicos.
Em suma, a his ó ia da eme gência de uma psicologia da memó ia au obiog á ica so eu
di e sas emancipações pa a se encon a e se dis ingui de ou os cons uc os.
Ac ualmen e, en endemos o conhecimen o au obiog á ico como uma es u u a men al
uni á ia e po isso passí el de in es igação pa a a de e minação das suas in luências e
condições. Is o é, a concep ualização da memó ia au obiog á ica enquan o p ocesso
psicológico básico, se á a melho opção no que conce ne à in es igação co elacional com
ou os cons uc os psicológicos no mais e des ian es.
1.2. O ganização e limi es do conhecimen o au obiog á ico.
A noção de conhecimen o au obiog á ico eúne um conjun o de con eúdos especí icos,
deco en es do au o-conhecimen o, ace à nossa his ó ia de ida e de p ocessos cogni i os
dinâmicos associados. O p ocessamen o au obiog á ico, pa a além de um elemen o
ele an e pa a a isão de nós p óp ios, é ambém um sis ema de ajus amen o psicossocial.
No en an o, na pe spec i a da in es igação em memó ia, encon amos sé ios limi es o que

PARTE I – MARCO TEÓRICO
21
nos le a a admi i uma isão mais ela i a ace ca do p ocessamen o e exp essão do
conhecimen o au obiog á ico.
O es udo da o ganização da memó ia au obiog á ica depende do modelo eó ico de base
ace ca da men e humana e dos mé odos de in es igação co esponden es, da pe spec i a
do desen ol imen o cogni i o humano, das concepções implíci as do sel e da sua génese
e, p o a elmen e, das aplicações que se az do concei o.
Enquan o ac o men al psicológico, en ende-se a memó ia au obiog á ica como p ocesso
psicológico básico, na medida em que es á dependen e dos p ocessos mo i acionais e das
es u u as áci as da pe sonalidade. Temos de encon a a dinâmica p ocessual do
cons uc o. O dinamismo p ocessual des e cons uc o de e mina-se pela sua dependência
com as exigências de eadap ação ao meio.
Como e e em Baddeley (1999) e Williams e al. (1997), em e mos de in es igação, exis e
um p oblema ge al no es udo da memó ia au obiog á ica: a dú ida sob e a na u eza dos
acon ecimen os passados. Em mui as in es igações, nunca se sabe se a eco dação de
in o mação pessoal passada, cong uen e com um es ado de ânimo induzido ica a de e -se
ao e ei o da in es igação p op iamen e di a, ou seja, quando ac i ado com um es ímulo o
sujei o esponde de aco do com as ca ac e ís icas emo i as do es ímulo. Es a dú ida
eside, po exemplo, no ac o de es a mos, po ezes, em p esença de um sujei o que es á
dep imido, po que em mais acesso a acon ecimen os i ais nega i os e po isso p ocessa
es e ipo de in o mação de uma o ma mais luen e. Pa a Reese (2002), ambém não se
sabe o quan o e como um e en o o na -se-á impo an e pa a a his ó ia de ida do sujei o.
Daí que, no p ocesso de eco dação, não é cla o se o ma e ial eco dado é e e en e a um
e en o signi ica i o pa a a his ó ia do sujei o.
Pa a Neisse (1986), o es udo de qualque ipo de memó ia eque uma pesquisa exaus i a
do ma e ial que é eco dado. Po isso, a memó ia au obiog á ica depende do e en o
PARTE I – MARCO TEÓRICO
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pessoal eco dado adicionado ao ní el de expe iência que se em com esse e en o. Há,
nes a supos a concepção pionei a ace ca da o ganização da memó ia au obiog á ica, a
ideia de que há di e en es ní eis de acesso que se c uzam com de e minadas a iá eis
(ní el de expe iência, ní el de eco dação e ipos de in o mação) que po sua ez
jus i icam a exis ência de inúme os po meno es que não são eco dados, e ec i amen e,
quando en amos e oca uma memó ia au obiog á ica.
Segundo B ewe (1986 e 1988), há ainda uma conside á el di e gência naquilo que é
in es igado e na e minologia u ilizada pa a desc e e o que é in es igado. Po exemplo,
B ewe eco da que o mé odo classicamen e u ilizado pa a es uda a memó ia
au obiog á ica é o desen ol ido po Gal on (1879), no qual aos sujei os é ap esen ada uma
pala a e são depois guiados a emi i ou encon a uma memó ia elacionada com a
pala a-cha e. O ipo de espos as dos sujei os podem-nos le a a classi icá-las como
memó ias me amen e episódico-semân icas, ou seja, não au obiog á icas e com memó ias
mais p óximas de memó ias au obiog á icas.
Seguimos, assim, o exemplo de B ewe (1986, pág. 26 e 27) que de aco do com a pala a
Cali ó nia, a a és do mé odo de Gal on, pode -nos-á a p o e i as seguin es
possibilidades:
Memó ias Pessoais: ‘podemos expe imen a uma imagem men al que co esponde a
um episódio pa icula na nossa ida, como o empo que azia quando isi amos o
Mon e Paloma , e quando izemos uma bola de ne e e a a i amos aos nossos ilhos,
iniciando uma lu a com bolas de ne e’.
Fac o Au obiog á ico: ‘podemos simplesmen e eco da o ac o (sem qualque
acompanhamen o de imagens) de que izemos uma isi a de ca o ao Mon e
Paloma quando es a a a e mina a minha licencia u a’.
PARTE I – MARCO TEÓRICO
23
Memó ia Pessoal Gené ica: ‘podemos ainda eco da uma imagem men al, em
ge al, sob e o que é conduzi a é à egião Cali o niana do ‘Big Su ’: uma imagem
que não pa ece se sob e um momen o especí ico mas a a-se de uma isão mui o
gené ica da pe spec i a que se em desde o assen o do au omó el da paisagem’.
Memó ia Semân ica: ‘pode-se eco da (sem qualque supo e imagé ico) que na
Cali ó nia em 1978 os elei o es o a am a a o da P oposição 13 (p op iedade
p i ada) ‘.
Memó ia Pe cep ual Gené ica: ‘posso e uma isão imagé ica dos da linha que
con o na os limi es geog á icos do es ado da Cali ó nia’.
Pa a B ewe (1986), es as cinco demons ações de possibilidades de ca ego ização
conseguem isiona os limi es daquilo que se conside a ou não uma memó ia
au obiog á ica. Pa a o au o , as ês p imei as o mas (Memó ia Pessoal, Fac o
Au obiog á ico e memó ia pessoal gené ica) de em se enca adas como ipos de memó ia
au obiog á ica e as duas úl imas não.
Mais ecen emen e (Conway, 1990; Conway e Pleydell-Pea ce, 2000), o am suge idas
p opos as mais complexas do conhecimen o au obiog á ico, ap esen ando a ideia de que a
memó ia au obiog á ica pode á e á ios ní eis de especi icidade, o ai de encon o à
linha de B ewe (1986). Conside a-se, ago a e de aco do com ce ca de 20 anos de
in es igação expe imen al (Conway, 1990; Conway e Rubin, 1993), que podemos iden i ica
ês ní eis de acesso à ep esen ação da memó ia au obiog á ica: (1) Pe íodos da Vida
Pessoal; (2) E en os Ge ais; (3) E en os Especí icos.
PARTE I – MARCO TEÓRICO
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1.2.1. Pe íodos da Vida Pessoal.
T a am-se de pe íodos que pode ão se esponsá eis pela cons ução esquemá ica
empo al da memó ia au obiog á ica (Ba clay, 1986). De ac o a am-se de pe íodos
exempli icados como: ‘quando i ia com a minha a ó’; ‘quando es a a na p imei a classe’;
‘quando abalha a naquela emp esa’. Pa a Conway (2000), a a-se de um conhecimen o
que a icula não só memó ias espacio- empo ais, como ainda, se e e e a opiniões e,
mesmo, isões do mundo. Quando ac i ado es e conhecimen o o p o agonis a da na a i a
au obiog á ica assume a empo alidade do sel , na medida em que in e io iza as suas
ans o mações e as in luências dos con ex os no seu desen ol imen o. No en an o, a a-
se de um conhecimen o onde o sujei o é capaz de iden i ica o seu início e o seu e mo. Os
es udos de Ba salou (1988) con i mam a ideia de que se a a não de um conhecimen o
empo al que pode aba ca á ias si uações, mas de um conhecimen o emá ico, uma ez
que num mesmo pe íodo o sujei o encon a á ios emas que são, mnemicamen e,
o ganizados de o mas mui o dis in as. Po exemplo, ‘o ano de 1988’ não é um ma cado
empo al que o ganiza es e ipo de memó ia au obiog á ica, mas as di e en es
expe iências que oco e am e são o ganizadas, de o ma mui o dis in a, nessa memó ia.
Em ‘1988’, ‘en ei pa a a aculdade’ e sou capaz de eco da e ac i a odas as elações
pessoais, os li os que es udei, bem como, as di iculdades e sucessos que i i du an e esse
pe íodo. Ou seja, pa a ac i a es e ipo de conhecimen o pa ece que as pala as-cha e
de em-se cen a nas expe iências e não em ma cado es, me amen e ex e nos, como po
exemplo o ano’1988’. Mais uma ez, de aco do com os es udos pionei os de Ba clay (1986),
são as expe iências pessoais, com signi icado, epe idas, que pe mi em cons ui o
conhecimen o esquemá ico da memó ia au obiog á ica. A memó ia au obiog á ica é
expe iencial pessoal e não delimi ada po c i é ios sociais ex e nos. A es e p opósi o,
Lin on (1986) e e ia que a memó ia au obiog á ica pode ia no máximo se delimi ada po
emas como abalho ou elacionamen o social. T a a-se assim de um conhecimen o que
PARTE I – MARCO TEÓRICO
31
dos sujei os esquemá ico-dependen es. Assim, na ausência de cha es de memó ia os
aspec os esquemá icos do sis ema do sel i ão in luencia a ecupe ação da memó ia.
Den o do pa adigma dos Sc ip s Sociais (Abelson, 1989) e i ica-se a exis ência de
esquemas de compo amen os que pe mi em e auxiliam o ajus amen o social. T a am-se
de esquemas de acção e de condu a socialmen e alidados e que, po isso, são
ans o mados em expec a i as. A obus ez da alidação social dos sc ip s pode in luencia
a e ocação de memó ias de e en os ge ais au obiog á icos, dado que uncionam como
expec a i as sociais. Is o signi ica que o sujei o pode á eco da mais acilmen e algo que
é socialmen e alidado, dado que pe mi e a comunicação in e pessoal, em des a o de
pa icula idades especí icas do e en o i idas pelo sujei o. Em 1992, Robinson de ende a
ideia de que os E en os Ge ais podem ep esen a conjun os de e en os associados,
elações en e esquemas de e en os, in e ligados po um ema. O au o e e e-se a mini-
his ó ias pa a ac i idades especí icas, mas, socialmen e, ele an es. T a am-se, ainda, de
his ó ias que ma cam a ida do sel e, po isso, adqui em especial signi icado. Robinson
e e e es a mos pe an e si uações sociais ma can es, ais como, a p imei a elação
omân ica ou a si uação de ap ende a conduzi o au omó el. Es as memó ias da ‘p imei a-
ez’ são uma ca ego ia impo an e dos E en os Ge ais e de inem, signi ica i amen e, o
sel . Numa pe spec i a mais ecen e, a memó ia de e en os ge ais, dado es es se em pa e
da his ó ia de ida pessoal (Nelson, 1996), é somen e au obiog á ica se o e balmen e
acessí el na o ma na a i a (Pilleme e Wi he, 1989).
A ques ão de base, ace aos E en os Ge ais, é que a sua eco dação de e se ligada aos
mo i os e objec i os do p esen e do sujei o, dado se em ac i ados esquemas mais ou
menos es á eis ace ca dos e en os pessoais, e, nes e sen ido, a sua eco dação se á de ida
a uma dinâmica p ojec i a do sel ac ual no passado.

PARTE I – MARCO TEÓRICO
32
1.2.3. E en os Especí icos.
T a am-se de eco dações que se cen am em episódios especí icos e com ele ada
in ensidade em e mos de ca ac e ís icas imagé icas, e elando, sob e udo, uma al a
signi icância pa a o sel . P o a elmen e, o que melho de ine um e en o especí ico é que a
sua eco dação é supo ada pela conjugação de isualizações e imagens com emoções
in ensas ou p imá ias (Conway e Pleydell-Pea ce, 2000; Damásio, 1994).
Um dos exemplos de e ocação de e en os especí icos são as ‘Flashbulb Memo ies’ que são
conside adas como memó ias mui o í idas e pa ecem es a pe manen es na nossa
memó ia. Em e mos de memó ia au obiog á ica, possuem uma emo i idade in ensa e são
al amen e ele an es pa a o sel . Também exis em como e en os de i ência mui o
in ensa, mas que, apesa de não en ol e em o sujei o especi icamen e, i e am al a
ele ância colec i a (mo e inespe ada da p incesa Diana ou os acon ecimen os com a
onda sunami na Tailândia). Colg o e (1899), e i icou que as pessoas conseguiam eco da
com ele ado de alhe aquilo que es a am a aze no dia em que oi assassinado Ab aham
Lincoln, p esiden e dos E.U.A.
Em 1977, B own e Kulik desc e em es as memó ias como con endo as seguin es
ca ac e ís icas: í idas; possuem uma quan idade signi ica i a de de alhes; ap esen am-se
mui o esis en es ao esquecimen o po possuí em ele ada du abilidade empo al (somos
capazes de eco da um lashbulb memo y pa a o es o da sua ida); mui as ezes possuem
um in enso signi icado emocional e pessoal.
Face ao signi icado emocional, num es udo de Robinson (1980), usa am-se pala as-cha e e
e i icou-se que a eco dação, ace a pala as emocionais, e a mui o mais ele ada e ápida
em compa ação a pala as não-emocionais. Signi ica, con udo, que a in ensidade
emocional de um e en o pa ece se a condição p imá ia pa a o seu a mazenamen o na
memó ia como ‘Flashbulb Memo ies’. O signi icado social e colec i o do e en o, pa a o
PARTE I – MARCO TEÓRICO
33
sujei o, oi es ado po B own e Kulik ao cons a a que 75% das pessoas de aça neg a
es ão ap as pa a eco da o dia do assassina o de Ma in Lu he King em compa ação com
os 33% das pessoas de aça b anca.
Con udo, as in es igações de Neisse e Ha sch (1992) não supo am a na u eza au ónoma
das ‘Flashbulb Memo ies’. Du an e as 24 ho as, que deco e am após o aciden e com a
Na e Espacial Challenge em 1986, os in es igado es colhe am as memó ias de 106
pessoas, a a és de um ques ioná io onde se pe gun a a aos sujei os onde es a am e o que
aziam quando acon eceu o aciden e. Ap oximadamen e 3 anos depois, 44 dos
pa icipan es no p imei o es udo, não conseguiam eco da com po meno . Aliás, es e
es udo con i ma a posição de Neisse (1982) ace à na u eza especí ica dos ‘Flashbulb
Memo ies’. O au o c i ica, e ec i amen e, a dis inção en e ‘Flashbulb Memo ies’ e
memó ias no mais. A sua explicação e e e que es e ipo de memó ias não passam de
me os episódios que se o na am mais salien es do que os demais e daí pode em
conside a -se ma can es, não adqui indo, no en an o, au onomia em e mos de es u u a
especí ica da memó ia. Po exemplo, os e en os do 11 de Se emb o de 2001 em No a
Io que são ago a, não só pa e da his ó ia mundial, como da nossa p óp ia ida pessoal. Po
essa azão, as pessoas conseguem i encia , de o ma ão in ensa, esses acon ecimen os e
eco da o que aziam e onde es a am no momen o dos acon ecimen os. No en an o, são
a as são as que eco dam os acon ecimen os da sua ida pessoal um dia an es ou depois
dos mesmos oco e am.
A noção de E en os Especí icos le a-nos a en ende que na nossa memó ia au obiog á ica
nem odos os con eúdos possuem uma implicação pessoal ele an e, como os exemplos dos
e en os com al o signi icado colec i o. O que é colec i o e pessoal con unde-se e o
colec i o o na-se ambém pessoal. En ão, podemos admi i que os e en os especí icos ou
são de na u eza colec i a ou es i amen e pessoal. No que conce ne aos episódios
especí icos es i amen e pessoais, podem se o ganizados na memó ia au obiog á ica após
PARTE I – MARCO TEÓRICO
34
oco ência de um e en o pessoal ele an e. Es e pode se espe ado ou inespe ado. É
conside ado, como e en o especí ico, o episódio espe ado do nascimen o de um ilho,
assim como a no ícia inespe ada da mo e de um amilia mui o p óximo.
A na u eza especí ica de um e en o na memó ia au obiog á ica de e-se sob e udo ao
p ocessamen o emocional, no momen o da sua codi icação e eco dação. Tal
p ocessamen o é in enso, au omá ico e, po assim dize , p imá io, ou seja, nem semp e é
mediado po es u u as P é-F on ais do ipo da Memó ia de T abalho (Baddeley, 1999) ou
pela linguagem. Es e ipo de memó ias especí icas pa ece es a , des e modo, o ganizado e
de e minado pelas egiões límbicas do cé eb o, como a amígdala e o hipocampo
en endidas como sis ema de ale a e de p o ecção do indi íduo (Damásio, 1994), que não
só são esponsá eis pela codi icação do e en o, que se o na al amen e ele an e pa a a
in eg idade biopsicossocial do sujei o, como quando ‘de ec am’ um es ímulo associado ou
uma eco dação do p óp io e en o especí ico, desencadeando espos as emocionais
au onómicas o a da consciência ou do con olo do sujei o. Es as espos as são in ensas e
au omá icas, a es ando a na u eza ele an e pa a a ida e o ganização biopsicossocial do
sujei o.
No que se e e e à explicação da ecupe ação des es e en os especí icos, a in es igação é
mui o ecen e. Ande sen e Conway (1993) desc e em que se pode acede aos de alhes de
um e en o, que ac ua como uma memó ia especí ica, a a és de duas ias: (a) um de alhe
emá ico cen al dis in o é eco dado em p imei o luga e, consequen emen e, os ou os
de alhes são ecupe ados po impulsionamen o; (b) são eco dados de alhes à medida da
sua oco ência empo al. Assim, num p imei o momen o, é ecupe ado o de alhe que
oco eu em p imei o luga e depois são eco dados de alhes que oco e am em seguida.
Segundo Conway e Pleydell-Pea ce (2000), es a a iabilidade na eco dação de e-se,
sob e udo, ao ac o de mui os dos e en os especí icos pode em es a ligados a e en os
ge ais e nes e sen ido, de ido à ques ão do p ocessamen o esquemá ico, a sua
PARTE I – MARCO TEÓRICO
35
ecupe ação pode se mais ápida. Também é e e ido que a apidez da eco dação de um
e en o especí ico se de e à maio ou meno ligação de um e en o especí ico a ou os de
na u eza semelhan e.
Conway e Pleydell-Pea ce (2000), e e e que os e en os especí icos são es u u an es na
e ocação do ma e ial de memó ia au obiog á ica po es a em ligados a ca ac e ís icas
pe cep uais-mo ó icas e imagé icos e, não somen e, semân icas. Is o signi ica que os
e en os especí icos en ol em mais es u u as ce eb ais que os es an es elemen os da
memó ia au obiog á ica. Já B ewe (1988), e e ia que quan os mais de alhes senso iais
es ão disponí eis na eco dação mais e icaz é a ecupe ação desse e en o au obiog á ico.
A in e ligação com os sis emas subco icais, como as sensações, emoções e espos as
mo ó icas, le a a que haja uma ele ada axa de e acidade aquando da ecupe ação de
um e en o especí ico.
Segundo Conway e Pleydell-Pea ce: “…in mos ins ances he mo e E en
Speci ic Knowledge (ESK), he mo e likely ha a ecalled e en has
ac ually been expe ienced, al hough in excep ional ci cums ances
p esence o ESK can mislead a emembe in o e oneous an e en alse
memo ies.” (pag. 263).
Segundo Conway e Pleydell-Pea ce (2000), é necessá io conside a que os e en os
especí icos não são a mazenados de uma o ma isolada na memó ia, mas es ão
dependen es dos ní eis an e io es como os Pe íodos da Vida Pessoal e o E en os Ge ais.
Nes e sen ido, o conhecimen o o ganizado ao ní el dos Pe íodos da Vida Pessoal o nece
cha es que podem se usadas pa a ca ego iza um conjun o de e en os ge ais e, po sua
ez, o conhecimen o o ganizado, ao ní el dos e en os ge ais, ca ego iza os e en os
especí icos. De ou o modo, os E en os Especí icos são uma pa e salien e e pessoal dos
E en os Ge ais e, es es, es ão delimi ados empo almen e ao ní el dos Pe íodos da Vida
PARTE I – MARCO TEÓRICO
36
Pessoal. Pa a Conway e Pleydell-Pea ce (2000), exis e um sis ema hie a quizado que, em
conjun o, o ma a es u u a da memó ia au obiog á ica:
“ he cons uc ion o pa e ns (memo ies) is cons ained by he
indexes, ha is, by wha o he egions o knowledge base a cue can
access, and by cen al con ol p ocesses ha coo dina e access o he
knowledge base and modula e ou pu om i , and i is o an accoun
o hese ha we u n nex ” (pag.264).
1.3. O Sel e o conhecimen o au obiog á ico.
Re oma-se a ques ão clássica no es udo da memó ia au obiog á ica, colocada inicialmen e
po Ba le , que assume a na u eza p ocessual econs u i a da memó ia au obiog á ica,
como sendo esul an e de ope ações p omo idas pelo sel .
Exis em pelo menos duas ace as do sel assumidas pela li e a u a na Psicologia Cogni i a.
O EU e o MIM. O EU, elaciona-se com o sen ido subjec i o do sel como um se pensan e e
conhecedo , agen e causal, de e minan e, do ipo ca esiano. O MIM, no sen ido objec i o
do sel , com ca ac e ís icas e p op iedades econhecidas que cons i uem o Au o-Concei o.
O a, no que se e e e à na u eza da ligação en e o sel e a memó ia au obiog á ica,
conside amos que o Mim eúne, e ec i amen e, a ca ac e ís ica de base do sel que se
associa à memó ia au obiog á ica, na medida em que o sujei o encon a nas memó ias
pessoais mais um mo i o de au o-de inição, em ez de au o- e lexão ou au o-obse ação.
O sujei o, excep o quando con on ado com uma e idência, a amen e assume, com o EU,
a na u eza en iesado a da memó ia au obiog á ica, uma ez que es a es u u a é i al pa a
o au o-concei o e a au o-sus en ação. Cla o que se conside a que os p ocessos Au o-
Re e en es são de e minan es pa a p o oca um iés nos p ocessos cogni i os. Nes e caso,
nos p ocessos da Memó ia Au obiog á ica, não são assumidos como al pelo p óp io sujei o.

PARTE I – MARCO TEÓRICO
37
A o ganização da memó ia au obiog á ica espei a a o dem dos p ocessos básicos da
memó ia: codi icação e eco dação. Des e modo, os p ocessos de ap endizagem são
e ec uados sob um con ex o emo i o e subjec i amen e signi ica i o e é des a pe spec i a
que se en ende a impo ância do sel na o ganização do conhecimen o au obiog á ico. Mas,
esse conhecimen o ans o ma-se em na a i o pela na u eza e oca i a que adqui e pa a o
sel (B une , 1990). Em Robinson (1986), a ques ão oi colocada na unção da
ope acionalidade da memó ia au obiog á ica, as suas mudanças e iés, na p omoção da
p o ecção do sel . Em Ba clay (1986) e Ma kus (1977), o p ocesso de esquema ização da
memó ia au obiog á ica ope a-se no quad o de es u u as mais gené icas e subjec i as,
como os au o-esquemas. Be z e Skow onski (1997) e i ica am que os e en os com maio
ele ância au obiog á ica ou com al a au o- e e enciação possuíam melho de inição
espacio- empo al em compa ação com e en os com meno au o- ele ância.
Encon amos, assim, inúme as p o as ecen es, na psicologia da memó ia expe imen al,
que a memó ia au obiog á ica se á, undamen almen e, uma es u u a de conhecimen o
mo i ada com p op iedades na a i as e não um me o sis ema p ocessado de in o mação
au o- e e en e. Já pa a Ma kus (1977) os au o-esquemas são esul an es de um conjun o de
ope ações semân icas baseadas nas ep esen ações, pa e da memó ia a longo p azo, sob e
di e en es concepções sob e o sel . O uncionamen o esquemá ico pe mi e o ganiza a
pe cepção e os p ocessos de memó ia, designadamen e, os de codi icação e de
ecupe ação de ma e ial au o- e e en e (Fe nández-Rey, J., 1988). Pa a Ma kus a
ac i ação dos au o-esquemas ge a á ias possibilidades de sel e, nes a concepção, já se
admi e a exis ência de um ‘wo king sel -concep ’. No en an o, acei a-se alguma
es abilidade nes es au o-esquemas, na medida em que são o ganizados na memó ia a longo
p azo, os quais ep esen am di e en es con igu ações do ‘wo king sel -concep ’ em
di e en es expe iências ao longo da ida.
PARTE I – MARCO TEÓRICO
38
Mais ecen emen e, Conway e Pleydell-Pea ce (2000) ein oduzem o concei o de Sel
Ope a i o, à luz do pa adigma da Memó ia Ope a i a ou de T abalho de Baddeley (1986,
1999). T a a-se de um sel que se epo a a uma es u u a ac i a do Mim e não do Eu, dado
que a p imei a e en e do sel não é au o-de ini ó ia, mas an es e lexi a. Sabe-se que a
Memó ia Ope a i a é uma memó ia empo almen e limi ada e que em po unção a
cons i uição simbólica da in o mação, sendo di igida po p ocessos a encionais. Pe mi e
ope ações men ais da in o mação baseadas em símbolos, sendo de e minan e pa a os
p ocessos a encionais. T a a-se de uma memó ia conscien e e necessá ia pa a a execução
p esen e de uma a e a. Con ém, undamen almen e, ês es u u as de con olo: (1) o
Execu i o Cen al, que se de ine po um sis ema de con olo olun á io e que pe mi e a
omada da decisão conscien e; (2) o Laço A icula ó io, que se de ine po um sis ema
linguís ico que em po unção man e ac i os e sob con olo a encional uma sé ie de
símbolos de na u eza e bal median e um p ocesso de e isão con ínua; (3) Agenda
Visuoespacial, que se de ine po um sis ema de pe cepção isual u ilizado pa a man e e
manipula in o mação de na u eza isuoespacial sob con olo a encional. Conway e
Pleydell-Pea ce (2000) de endem a ideia de que os mo i os do Sel Ope a i o o mam um
sub-conjun o dos p ocessos de con olo da Memó ia Ope a i a, o ganizado den o de
‘Mo i os Pessoais’ in e conec ados hie a quicamen e, que uncionam como p essão sob e a
cognição e, po assim dize , do compo amen o in encional. O sel , nes a concepção,
adqui e ma e ialidade, a a és da exis ência de uma es u u a men al que possibili a
o ganiza os ‘mo i os pessoais’ indi iduais que, po sua ez, in luenciam os ac os
cogni i os en e os quais os p ocessos de memó ia. Conway, que e oma as ideias
modela es de Ma kus, ponde a que uma ez que os Mo i os Pessoais do Sel Ope a i o
es ão na base da memó ia au obiog á ica, en ão são de e minan es dos p ocessos de
codi icação e ecupe ação das memó ias especí icas.
A in odução de concei os, como as disc epâncias do sel , le a-nos pa a uma concepção
mais dinâmica da in e conexão en e o sel e a memó ia au obiog á ica. Conway e
PARTE I – MARCO TEÓRICO
39
Pleydell-Pea ce e e em que podem exis i disc epâncias no sel , a endendo ao ac o de
que exis em his ó ias de ida, memó ias au obiog á icas que não p omo em uma isão
uni á ia e o melho a iculada possí el com os di e en es ipos de sel . De aco do com
Higgins (1987), concebe-se a exis ência de um sel decompos o pelo sel ac ual (inse ido
nas con ingências do p esen e); o sel Ideal (aspi ações pessoais) e o sel Socio-Mo al
( elacionado com a desejabilidade social). A desa iculação en e os ês pode se
esponsá el pelas di iculdades emocionais e desajus amen os compo amen ais. Nes e
sen ido, Conway e Pleydell-Pea ce de endem a ideia de que a disc epância do sel pode
es a anco ada nas expe iências da in ância e as memó ias, des e pe íodo, es ão mui as
ezes bem p ese adas e são acessí eis, especialmen e, quando ac i adas pela in o mação
p o enien e das disc epâncias do sel do indi íduo. Nes e sen ido, na pe spec i a de
Conway, o objec i o p imo dial dos mo i os pessoais (Sel Ope a i o) e planos de acção é a
edução das disc epâncias en e os ês domínios do sel .
A abo dagem mo i acional do sel (Gae ne e al., 1999) pe mi e, ainda, concebe os
mo i os pessoais numa óp ica au o- egulado a, ou seja, exis e uma hie a quia complexa de
es u u as de objec i os que se con on a com os múl iplos e compe ido es mo i os
pessoais. Pelo que os mo i os e planos, que uncionam como edu o es da disc epância dos
múl iplos sel , uncionam numa óp ica egulado a e, po isso, possuem uma es u u a
me a o icamen e compu acional, dado possuí em ‘inpu s’, ‘compa ado es’ e ‘ou pu s’
(Ca e e Scheie , 1982). Também é e dade que nas pe spec i as clássicas da Psicologia
Mo i acional (Fes inge , 1957) as dissonâncias in e nas emo i as, ensões, p o êm da
disc epância en e o sel e os mo i os. O a, os es udos de Pilleme (1998) e ela am que
que as disc epâncias que as cong uências en e o sel e os mo i os p oduzem na memó ia
au obiog á ica memó ias í idas e com um eo emocional in enso. Uma das on es da
sis ema ização da memó ia au obiog á ica é o con ex o emocional (posi i o e nega i o)
o iundo da con i mação e da disc epância en e sel e mo i os.
PARTE I – MARCO TEÓRICO
40
A concepção do ‘Sel Memo y Sys em’ (SMS), segundo Conway e Pleydell-Pea ce, p e ende
explica a ope acionalidade cogni i a da memó ia au obiog á ica. Es e sis ema inclui o
Sel -Ope a i o e o conhecimen o au obiog á ico de base. Pa a os au o es a a-se,
undamen almen e, de um sis ema supe o denado e eme gen e: (1) É supe o denado, no
sen ido em que, somen e, quando o Sel -Ope a i o e o conhecimen o au obiog á ico se
conjugam é que se ope a a eco dação au obiog á ica; (2) É eme gen e, uma ez que,
somen e, quando o Sel -Ope a i o e o conhecimen o au obiog á ico ac uam em conjugação
é que o mam um sis ema, mas podem ac ua de o ma independen e.
O conhecimen o au obiog á ico é, assim, a base do sel , o es abelecimen o de um
objec i o pessoal es á in e ligado com o SMS com ep esen ações do Sel Ope a i o e
conexões a qui adas no conhecimen o au obiog á ico de base. Segundo Conway e Pleydell-
Pea ce, po es a azão, uma pessoa não pode adop a ou man e um objec i o que es eja
em con adição com o conhecimen o au obiog á ico de base. Conway e Pleydell-Pea ce
e e em, como exemplo, que não se pode es abelece o objec i o de se ‘pai’ se não se
i e acessí el o conhecimen o au obiog á ico do nosso passado enquan o c iança.
1.4. As emoções na elação en e o sel e o conhecimen o au obiog á ico.
A expe iência emocional adqui e semp e signi icado pessoal e, nes e sen ido, possui maio
p obabilidade de se codi icada como uma memó ia pessoal. A expe iência emocional
conjuga aspec os e olu i os e cogni i os, dado que depende de mecanismos p imá ios de
eacção (Plu chik, 1980; Iza d, 1991; Ekman, 1992; Damásio, 1994) e de um planeamen o e
in enção pa a a acção (Mandle , 1985; Oa ley e Johnnson-Lai d, 1987; Oa ley, 1992).
A abo dagem cogni i a (Mandle , 1985) do p ocessamen o emocional az depende a
emoção do esul ado dos planos e esquemas de acção. A ai a, po exemplo, pode á
esul a da in e upção de um plano ou dissonância en e um plano e uma acção
imp e is a. A aleg ia ou a sa is ação pode ão esul a da conc e ização de um plano. A
PARTE I – MARCO TEÓRICO
47
com base na simila idade pe cep i a e, po ol a dos 9 meses, com base na simila idade
concep ual (Mandle , Fi ush e Reznick, 1987). Assim, que na c iança que no adul o, a
in o mação que se e pa a ep esen a os e en os, p o ida de o dem empo al, de
e ique as e bais, baseada no con ex o, a a és da ca ego ização e pela localização se e,
ambém, pa a o ganiza a memó ia e acili a a ecupe ação.
Do pon o de is a do desen ol imen o neu ológico humano, Nelson (1995) e e e que
apesa da elação en e es u u as e unções ce eb ais e compo amen o não se em
es i amen e isomó icas, no que se e e e às ases do desen ol imen o, ela ac ua de
o ma con inuada, a a és de um sis ema in eg ado que comunica inpu s e ou pu s de
es u u as locais e dis ais. Pa ece, assim, exis i e idências neu opsicológicas pa a a
con inuidade no uncionamen o ce eb al e das es u u as da men e. Veja-se o exemplo do
p ocesso de ma u ação do Hipocampo e das á eas adjacen es – es u u a implicada nos
p ocessos de memó ia – que logo, desde a p imei a me ade do p imei o ano, ai
p epa ando g adualmen e as condições pa a o desen ol imen o da capacidade quali a i a
de memo ização (Be ge e Al a ez, 1994). Pa ece ha e e idências de que o
desen ol imen o da memó ia na in ância espei a uma es u u a uni á ia, sublinhando a
pe spec i a con ínua dos p ocessos de memó ia.
Os abalhos ecen es de Howe e Cou age (1997) demons am alguns p incípios de base da
eo ia do Sel -Memo y-Sys em de Conway, dado que a eme gência da Memó ia
Au obiog á ica depende da aquisição de es u u as cogni i as, linguís icas e uncionamen o
socioemocional, condições que pe mi em a pe sonalização dos e en os na memó ia. Os
au o es e e em se c ucial o desen ol imen o do Sel Cogni i o, como condição basila
pa a undamen a a ma u ação da pe sonalização dos e en os, e, assim, aze eme gi a
memó ia au obiog á ica. Nes e con ex o, su ge a ques ão clássica da ‘Amnésia In an il’
como pon o de pa ida das in es igações de Howe e Cou age (1993, 1997), Howe e al.
(1993) e Howe e al. (1994).

PARTE I – MARCO TEÓRICO
48
O apa ecimen o do sel na c iança, independen emen e do modelo da men e adop ado, é
con ínuo, na medida em que depende da o mação de ce as es u u as cogni i as,
a ec i as e elacionais (Kopp e B ownell, 1991, Snodg ass e Thompson, 1997). Na li e a u a
em psicologia do desen ol imen o, es á bem es abelecido que o sel na c iança espei a
uma sé ie de aquisições cogni i as, como as capacidades de disc iminação pe cep i a,
pe cepção de es ados in e nos, a linguagem (Nelson, 2003), o ganização do eed-back na
exp essão emocional (Campos e Ba e , 1983), bem como o desen ol imen o do au o-
concei o na c iança (Ha e , 1995). Es a ideia já es a a pa en e no pensamen o de
Winnico que, em 1974, a i ma que o sel su ge depois da c iança e começado a se i -se
do en endimen o pa a “obse a o que os ou os êem, expe imen am e ou em, e aquilo
que ep esen am pa a si quando es ão em p esença do seu pequeno co po” (“l’en an e le
monde ex e ieu ” p.10).
Nelson (2003), simila men e à concepção de Howe e Cou age (1997), admi e que a
o mação do sel ambém é con ínua após a o mação de compe ências psicológicas
básicas. Não se a a de uma aquisição que su ge após um con li o. Nelson (2003), coloca a
ónica na aquisição da linguagem, como o p é- equisi o de base pa a a o mação do sel .
T a a-se dos modos de comunicação in e pessoal numa pe spec i a social e cul u al da
linguagem. Nes e con ex o, Nelson p opõe uma pe spec i a con ínua na aquisição do sel ,
omando a linguagem e as elações com o mundo como o mo o p opulso . En ende-se que
a aquisição do sel deco e de ní eis de en endimen o e não de que a aquisição de um
ní el é quali a i amen e mais a ançada do que o an e io :
“(…) as he in an /child in e ac s wi h he wo ld om one
de elopmen al pe spec i e, con as s become e iden in hese
expe iences ha con ibu e o a inmen o he nex s le el o
unde s anding.” (Nelson, 2003, pag. 4).
PARTE I – MARCO TEÓRICO
49
Nes e con ex o, um ní el nunca desapa ece da o ganização men al da c iança, a ando-se
de uma pe spec i a in eg ado a, na medida em que o ma um mosaico de en endimen o do
sel . Na Tabela 1, ap esen am-se os Ní eis de Desen ol imen o segundo K. Nelson (2003).
Tabela 1. Ní eis de Desen ol imen o do Sel (Nelson, K., 2003)
N
Í
VEL DE
COMPRENSÃO DO SELF
IDADE DE
REFERÊNCIA
CONTE
Ú
DOS
MENTAIS
CONTRASTE
EU-OUTRO
CONTRASTE
EU-MUNDO
FÍSICO
Posna al Vinculação
Emocional Limi es
Físicos
Limi es
Físicos
SOCIAL
6-12m Pa ilha Social A enção,
In enção
Comunicação
Ro inas, Objec os,
pala as
COGNITIVO
12-24m Pe spec i a
EU-TU Pe spec i a
do Ou o-
Objec o
SELF/objec o do
Mundo
REPRESENTACIONAL
2-4 anos Con inuação do
EU Minha Men e/
Tua Men e
Men al/Físico
NARRATIVO
3-6 anos His ó ia de Mim His ó ia de Mim
/His ó ia dos
Ou os
Passado/Fu u o,
mundos o a des e
CULTURAL
5-7 anos His ó ia de
Nós/ no mundo Papéis
Cul u ais
Conhecimen o
Cul u al,
Ins i uições
No ní el 1, não exis e, ainda, uma comp eensão do sel po si, mas a consciência de alguns
aspec os do mundo ex e no que, em po ência, pode se uma opo unidade pa a a
in e acção com os cuidado es p imá ios, bem como ou os objec os. Há, no en an o, uma
expansão des e sel ísico, à medida que a c iança ai ganhando mobilidade explo a ó ia
do seu espaço. O sel ísico é, unicamen e, explicado po uma pe cepção de limi es ace ao
mundo ex e no.
Ní el 2. Com a aquisição da noção de papel social do ou o, a c iança passa a dis ingui as
di e enças en e os ou os signi ica i os (mãe e es anho), comp eendendo, ainda, que o
sel e o ou o jogam, em conjun o, pa a execu a a e as como a higiene, alimen ação, e
as emoções in e pessoais. Nes es dois ní eis, a c iança o ma as condições pessoais que
pe mi em, num con ínuo, assinala uma es u u a que eúna um sis ema au o-o ganizado,
PARTE I – MARCO TEÓRICO
50
o Sel Cogni i o (Howe e Cou age, 1997) – a pe cepção do mundo ex e no, do sis ema
ex e no de a e as e eg as de condu a, dos ou os como papéis sociais e como en idades
signi ican es eais e imaginá ias.
Com o ní el 3, su gem as condições imedia as pa a a o mação do Sel Cogni i o (Howe e
Cou age, 1997). Re i am-se os es udos expe imen ais que demons am uma ce a
con inuidade na aquisição da imagem de si no espelho como uma demons ação do
apa ecimen o do Sel Cogni i o. Es es es udos (Fadil, e al., 1993; Lewis, 1986; Mel zo ,
1990; Neisse , 1993) são conco dan es em que a pa i dos 3 anos se o ma na c iança uma
ce a cu iosidade ace à sua imagem no espelho, pelo que ai desen ol endo, a cu o
p azo, a capacidade de disc imina a sua ace da de ou a c iança. Pelos 9 meses, a
c iança demons a a consciência das p op iedades do e lexo da imagem e começa a
con i ma , pela explo ação senso ial, e pela localização espacial o que ê e lec ido. O
e dadei o e o al au o- econhecimen o na imagem do espelho oco e po ol a dos 18
meses de idade. A e idência des a aquisição su ge do es udo que demons a que a c iança,
na qual se colocou uma pin a no na iz, quando se ê depois ao espelho e se lhe pede que
oque na pin a, esponde, inicialmen e, ocando no p óp io na iz. Ou a e idência,
e i ica-se quando a c iança, con on ada com a sua imagem, esponde com eacções
emo i as e a i udinais de au o-consciência ( e gonha, so iso e au o-con ac o ísico). Po
ol a dos 22 meses, consegue e ique a , co ec amen e, a imagem de si. Pa a Howe e
Cou age, odos es es compo amen os de econhecimen o da imagem de si no espelho
le am a c iança a conside a o Sel na pe spec i a de Mim. O au o- econhecimen o isual
é, somen e, uma ace a do au o-concei o, o p oblema é a an agem na ope acionalização
expe imen al. Como e e e Howe e Cou age (1997), a au o-consciência e o au o-concei o
implicam, mui o mais que o me o econhecimen o das p óp ias ca ac e ís icas ísicas, o
au o- econhecimen o que se es abelece po ol a dos 2 anos, o que le a à ob enção da
compe ência da c iança em se ep esen a como: “objec o de conhecimen o e de
imaginação” (p. 34). T a a-se, jus amen e, de um p ocesso con ínuo, desde o nascimen o
PARTE I – MARCO TEÓRICO
51
e que acompanha o ciclo i al do indi íduo na pe spec i a do desen ol imen o
socioemo i o (Damon e Ha , 1988). A a es a es a na u eza con ínua da eme gência do
Sel Cogni i o e i icamos, po exemplo, nos es udos de Mel zo (1990), que a undação do
Sel Cogni i o inicia-se desde o nascimen o e anco a-se numa es u u a que es á, desde o
nascimen o, es abelecida e que se designa po ‘habilidade udimen a de imi ação do
ecém-nascido’. A a gumen ação de Mel zo apoia-se em di e sos p ocessos que su gem
com essa capacidade udimen a da imi ação, como a capacidade da c iança aos 14 meses,
p e e encialmen e, imi a as acções dos adul os (social mi o ing); a modelagem social,
pela capacidade, que desde o nascimen o a c iança ai desen ol endo, em imi a ce as
acções modeladas; a au o-p á ica, onde a c iança usa a imi ação pa a ep esen a
in o mação pa a o sel , a a és da epe ição ou d ama ização de e en os passados. Re i a-
se, ainda, a na u eza sociogénica na cons ução do sel , na medida em que a compe ência
de imi ação depende, e iden emen e dos ou os, sendo, assim, o con ex o de in e acção
social a delibe a a eme gência do Sel Cogni i o. Ainda de aco do com Nelson, na c iança
en e os 18 e os 27 meses, su ge ambém a capacidade de se e e i ao sel em e mos
linguís icos como o EU, Mim, Meu ou pelo p óp io nome. Pa a Nelson ( ambém Lewis,
1992), es es e mos linguís icos, es ão associados à capacidade cogni i a da pe spec i a do
ou o: “ a a-se de um no o ipo de au o-consciência – consciência do sel como um
objec o que pode se is o pelos ou os, como a e gonha, o emba aço e a inibição” (pag.
6). Também Tomaselo (1993), e e e que, a habilidade em pensa explici amen e ace ca
do p óp io sel , eme ge com a c escen e consciência da noção de que a c iança em de si
como um objec o de a enção do ou o. P o a elmen e, e e e Tomasello, a pa ilha
in e ac i a da a enção, ace aos e en os e objec os, en e a c iança e o adul o se
es abeleça como uma ac i idade que pe mi e a cons ução da ideia na c iança de que é
ambém objec o de a enção, ganhando, c escen emen e, a pe cepção de que é um
objec o po ce o au ónomo.
PARTE I – MARCO TEÓRICO
52
No ní el 4, su ge a capacidade de ep esen a o sel - Sel Rep esen acional. Se bem que a
c iança, no ní el 3 (Sel Cogni i o), conseguiu comp eende a dis inção en e o sel e o
ou o, nes e ní el, segundo Nelson, consegue ep esen á-lo. A ep esen ação implica a
concepção de um sel empo al e espacial sepa ado do p esen e, is o como objec o
concep ual. Pode íamos ac ualiza a concepção de ‘objec o pe manen e’ de Piage
aplicando ago a ao Sel Pe manen e, in empo al e ac ualizan e. Howe e Cou age (1997)
e e em que exis em inúme os es udos que desc e em a compe ência das c ianças, en e
os 9 e os 17 meses, em ela a expe iências pessoais passadas. Também é e dade que as
e e ências são agmen adas e mui o dependen es das ques ões que são di igidas, não se
de inindo po uma p odução de uma es u u a de memó ia o ganizada como a memó ia
au obiog á ica. No en an o, pa ece que, somen e, po ol a dos 3-4 anos é que su ge a
capacidade de eco da e en os pessoais, en ol os numa na a i a mais es u u ada, e
coe en e, is o é, con endo mais de alhes e e enciais, in o mação o ien ada, comen á ios
a alia i os e o uso de ma cado es empo ais ace ca de expe iências pessoais, de um modo
mais espon âneo, não dependendo de es ímulos po pa e dos ou os como acon ece an es.
De ac o, e seguindo os ní eis de comp eensão do sel (Nelson, 2003), no 4º ní el de
comp eensão su ge a ‘pe manência do sel ’, como meio cogni i o es u u ado , pe mi indo
à c iança ealiza ope ações de ep esen ação independen e do p esen e e que
co esponde ao Sel Cogni i o.
En ende-se, em suma, que a eme gência do Sel Cogni i o (Howe e Cou age, 1997) e do
Sel Rep esen acional (Nelson, 2003) são es u u as que ganham o ma após euni em e
o ganiza em compe ências a ulsas que se o am desen ol endo desde o nascimen o. No
en an o, elas se ão ambém elemen os undamen ais pa a a eme gência de no as
capacidades cogni i as como a memó ia au obiog á ica.
No ní el 5, su ge o Sel Na a i o. Segundo Nelson, a a-se, ago a, da compe ência em
in eg a a expe iência e a consciência da acção no sel , es abelecendo assim um sel
undido no ‘sel -his o y’, di e enciado não de ou os sel , mas de ou as his ó ias de sel . A

PARTE I – MARCO TEÓRICO
53
c iança não só se dis ingue dos ou os, pelo que pode ou é capaz de aze (Mim), mas pela
consciência de uma his ó ia de ida de e minan e da acção, como bem e e e Nelson
(2003):
‘… a new awa eness o sel in pas and u u e expe iences and he
con as o ha sel o o he s na a i es o hei pas and u u e
expe iences, including he ep esen a ion o hese in s o ies and
pe sonal ecoun s’ (p.7).
Su ge, assim, a compe ência cogni i a pa a o ganiza uma his ó ia de ida a a és da
ope ação de memó ia au obiog á ica. Ago a, a c iança é capaz não só de sis ema iza a
expe iência em memó ias au o- e e en es, como ob e uma pe cepção do passado e
o ganiza a sua condu a ace ao u u o com base nesse passado. Su ge, em nosso en ende ,
uma espécie de Sel His ó ico, na medida em que se sis ema iza pela capacidade em
o ganiza objec i os e planos, sendo, po isso, uma es u u a men al mo i ada. Mas, a
es u u ação do Sel Na a i o, como que assinalando a eme gência da memó ia
au obiog á ica, a icula-se com um ambien e sócio-linguísi ico.
No ní el 6, as e e ências ao Sel Cul u al, e, assim, à memó ia au obiog á ica, passam a
inclui ma cado es espacio- empo ais como da as, pe íodos, episódios, hábi os e
compo amen os com signi icação cul u al, sendo, po es e mo i o, que a memó ia
au obiog á ica passa a es a signi icada na moldu a da cul u a. Pa a Nelson, com base em
Higgins (1991, 1987), mais do que uma ques ão de de e minação da ca ego ização das
memó ias pessoais, a cul u a de e mina a cons ução de um Sel Ideal e Sócio-Mo al que
su ge em con as e ou con li o dinâmico com o Sel Ac ual.
Se pa a Howe e Cou age (1997) a possibilidade da eme gência da memó ia au obiog á ica
su ge a pa i do momen o da cons ução do Sel Cogni i o, e como se obse ou, isso pode
acon ece po ol a dos 2-3 anos, pa a Nelson (2003, Nelson 1993; Pe ne e Ru man, 1995;
PARTE I – MARCO TEÓRICO
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Pilleme e Whi e, 1989), a memó ia au obiog á ica eme ge com a noção da es u u ação
Na a i a da memó ia em a iculação com o desen ol imen o linguís ico, o que é possí el a
pa i dos 5-6 anos.
Como se obse a, os ma cado es empo ais da eme gência da memó ia au obiog á ica
es ão, ainda, en ol os em alguma polémica, de ido às disc epâncias encon adas nas
me odologias de egis o e de in es igação. Nes e sen ido, es amos em p esença de pelo
menos duas pe spec i as eó icas ace ca da eme gência da memó ia au obiog á ica, endo
em con a a o mação do Sel .
2.2. Teo ias da eme gência da memó ia au obiog á ica.
2.2.1. Teo ia do Sel Cogni i o.
A pe spec i a de Howe e Cou age (1997) unda-se em ês ideias p incipais, em esumo:
Em p imei o luga , unda-se na ques ão da Amnésia In an il que oco e ia, segundo F eud,
en e o 2º ano de ida da c iança. Os au o es (Howe e Cou age, 1997) concluem que, em
e mos de ma u ação ce eb al, há e idências, da exis ência de al e ações neu ológicas e
pe cep i as, como sendo esponsá eis pela impossibilidade da c iança o ganiza na
memó ia pessoal os e en os pessoais. A amnésia in an il é, pois, de ida a mudanças
quali a i as na es u u a neu al, du an e o desen ol imen o da memó ia.
Em segundo luga , du an e o pe íodo dos 18-24 meses, os au o es a gumen am que: (a) a
memó ia é amodal; (b) a linguagem ainda não é de e minís ica na exp essão das memó ias
pessoais; (c) a o mação do Sel Cogni i o depende da o mação de ou as es u u as
cogni i as que se em pa a o ganiza as memó ias nas ases p ecoces e de i am de
ep esen ações não- e bais da expe iência que se o nam e balizadas, somen e, após
unciona em como en idades cogni i as; (d) os es udos ecen es ace ca da linguagem
PARTE I – MARCO TEÓRICO
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ecep i a, o ‘ges u ing’, e as ansições ges ual-linguagem con i mam a p imazia do
desen ol imen o do sel na aquisição da memó ia au obiog á ica.
Em e cei o luga , os au o es a gumen am que, à medida que se ai desen ol endo o Sel
Cogni i o e a capacidade de a mazenamen o, ai aumen ando a quan idade de memó ias
ela i as à in ância. A au o-consciência, a aliada pelo es e econhecimen o no espelho, é
a cha e da memó ia episódica, p incipal con eúdo da memó ia au obiog á ica. Dado que, a
c iança aos 2-3 anos, já consegue o ganiza as memó ias episódicas admi e-se que, po
ol a des a ase e á ia, seja possí el ala de memó ia au obiog á ica. Aliás, o Sel
Cogni i o eme ge como o ma de es u u ação da memó ia episódica pessoal. Pa a es a
pe spec i a, há, somen e, duas compe ências pa a que es e p ocesso ganhe o ma:
econhecimen o do Sel no espelho e o uso de p onomes e e en es a Si.
Conside amos que o Sel Cogni i o de Howe e Cou age es a ia na base da o mação do Sel
Memo y Sys em, na o ma como é o mulado po Conway e Pleydell-Pea ce (2000).
2.2.2. O Modelo Au onoé ico de Tul ing.
Os es udos de Tul ing (1983) dis inguem memó ia episódica de memó ia semân ica,
o mando, es a úl ima, a base do conhecimen o ge al. Mas, segundo Tul ing (Tul ing e
Lepage, 2000) a memó ia episódica é unicamen e humana, dado elaciona -se com a
consciência do passado. Assim, a consciência que o sujei o em do passado e da sua
pa icipação no e en o, bem como a localização espacial e a ma cação empo al, se á
designado po Tul ing de AUTONOESIS ou ‘consciência expe iencial’. Tul ing, dis ingue
eco dação noe ica de au onoe ica, sendo que a p imei a é cen ada em ca ac e ís icas
decla a i as do conhecimen o pessoal de base, mas não econs ói o passado. T a a-se da
dis inção en e o conhecimen o semân ico e o conhecimen o episódico – a di e ença en e
o conhece e o eco da , ambos conside ados conhecimen o decla a i o. Os au o es
PARTE I – MARCO TEÓRICO
56
(Tul ing e Lepage, 2000) encon a am mesmo di e enças em e mos de ac i idade
ce eb al, es ando o lobo on al esque do associado à eco dação au onoe ica e o lobo
on al di ei o associado ao conhecimen o noe ico. Nes es e mos, a memó ia
au obiog á ica se ia uma espécie de memó ia episódica, essencialmen e, au onoe ica.
Es a dis inção de Tul ing le an a uma ques ão que se elaciona com o ac o da c iança
pode eco da um e en o sem que seja au obiog á ico? Ou semp e que eco da um
episódio ele é semp e au obiog á ico?
Pe ne e Ru man (1995) basea am os es udos expe imen ais nes e modelo Au onoe ico,
pe spec i ando a Memó ia Au obiog á ica como uma possibilidade, somen e na condição da
c iança adqui i condições me acogni i as, ou seja, quando es á ap a a e oca expe iências
de eco dação de e en os passados (em oposição ao simples conhecimen o ace ca do
e en o). De aco do com os in es igado es, ais expe iências e ocadas não acon ecem an es
dos 3-5 anos, po que, a é aqui, as c ianças não comp eendem a elação en e o acesso à
in o mação e o conhecimen o. Embo a Pe ne e Ru man não especi iquem o mecanismo
que es á na base des a compe ência me acogni i a, eles suge em que a in e acção social
em ge al, como po exemplo as mães elabo a i as que mo i am a c iança a ala ace ca
dos e en os passados, pa ece desempenha um papel undamen al na aquisição e e olução
des a ca ac e ís ica da consciência Au onoe ica, da memó ia au obiog á ica e do
desen ol imen o de uma Teo ia da Men e na C iança. Es a me acognição esume-se ao que
Baddeley e e e como conhecimen o Execu i o, ou Conway designa de Sel -Memo y-Sys em
que se es abelece e se ai desen ol endo a pa i do pe íodo p é-escola (5 anos). Se
adiciona mos a noção de desen ol imen o da linguagem ep esen a i a, julgamos es a a
aplica as mesmas ope ações, mas com concep ualizações di e en es, na medida em que
odas as pe spec i as admi em o pe íodo p é-escola (4-5 anos) como o momen o da
aquisição da compe ência da eco dação da expe iência pessoal. O que nos pa ece
inconcluden e é a o ma empí ica de es abelece a dis inção en e conhecimen o noe ico e
PARTE I – MARCO TEÓRICO
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Jesso e McCabe (1999), oi ensinado às mães a es abelece con e sas ace ca do passado,
de uma o ma elabo a i a, com os ilhos de 3,5 anos. Um ano depois as c ianças do g upo-
eino mos a am mais ocabulá io compa ado com as c ianças do g upo con olo. Dois
anos depois, as c ianças do g upo- eino já com 5,5 anos ap esen a am uma maio
complexidade na a i a do passado do que as c ianças do g upo con olo.
No que se e e e à memó ia au obiog á ica, chega-se, mesmo, a e i ica que as c ianças
ilhas de mães elabo a i as ap esen am melho es compe ências pa a esponde sob e si
p óp ias e p oduzem mui o mais in o mação ace ca do seu passado (Fi ush e F omho ,
1988; McCabe e Pe e son, 1991). O a, em con ex o de consul a de psicologia clínica
in an il e ju enil, es e ac o, é mui as ezes e i icado, uma ez que se obse a po
exemplo, que as c ianças ins i ucionalizadas pa ecem possui mui o baixas compe ências
pa a ala sob e si p óp ias, como sob e os seus sen imen os associados a acon ecimen os
de ida, pelo que a capacidade de eminiscência ace a e en os passados é mui o
udimen a e, po isso, ines u u ada.
A unção da elabo a i idade ma e na ou dos ou os signi ica i os não só in luencia a
capacidade de eminiscência e e ocação, mas, ainda, a o mação de na a i as ace ca do
passado e, a é mesmo, sob e o sel . A cons ução das na a i as au obiog á icas não são
ap endidas, somen e, com base na in e acção com os ou os, mas exis e hipó ese de que a
c iança desen ol a, de o ma au ónoma, a capacidade de na a as expe iências passadas.
De ac o, nas discussões ace ca do passado, podem se incluídos juízos de in enções,
c enças, sen imen os e linguagem ace ca dos es ados men ais que ão o alece a
coe ência na a i a do i ido. Numa es udo longi udinal, Rudek e Haden (2002), explo ou-
se a quan idade de pala as ípicas de es ados men ais ( eco da , sabe , pensa ) nas
con e sações ace ca do passado, en e mães e c ianças aos 2,5 anos, e e i icou-se que as
c ianças, um ano depois (3,5 anos), u iliza am no seu ocabulá io mais e mos
elacionados com os es ados men ais, apesa da e olução se e icado pelos 4% ace ao

PARTE I – MARCO TEÓRICO
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pe íodo de compa ação. No en an o, as p óp ias mães man inham uma ce a es abilidade,
no que se e e e à equência do o necimen o de pala as ace ca dos es ados men ais.
Es e úl imo esul ado mos a, de o ma in e essan e, que a c iança ap ende com os ou os
signi ica i os e, ambém, consigo p óp ia, numa óp ica de me ap endizagem.
A memó ia au obiog á ica es u u a-se com base numa na a i a au obiog á ica adqui ida
na cul u a, a a és das expe iências sociais de con e sação da c iança. Assim, as
con e sações, ace ca do passado, es abelecem as condições pa a que a c iança o ganize as
suas memó ias em na a i as com ‘coe ência’. Po ou o lado, as na a i as pessoais
e lec em, em g ande pa e, a signi icação das expe iências. Como e e e Haden (2003),
embo a odas as na a i as açam e e ência ao que se passou du an e um acon ecimen o,
elas de em-se ans o ma numa ‘boa his ó ia’ coe en e e com signi icado pessoal e, nes e
p isma, a memó ia au obiog á ica elaciona-se com o au o-concei o (La ob, 1982; Pe e son
e McCabe, 1983). As ca ac e ís icas de uma ‘boa’ na a i a au obiog á ica incluem
aspec os esquemá icos e ep esen acionais, a ando-se de blocos de in o mação que
o ien am e o ganizam a in o mação, em e mos de quando e onde oco eu o e en o, e
ace ca de quem es e e en ol ido, o que disse am e po que es a am a ep esen a papéis.
Nes a pe spec i a, nem odos os e en os são en endidos ou codi icados como uma ‘boa
his ó ia’. Haden (2003) e e e, ainda, que o hábi o de ansmi i ‘his ó ias’ aos ou os,
como no caso da c iança ace aos pais, é al amen e p edi o da o mação des e ipo de
o ganização da in o mação ace ca de e en os pessoais passados. Ob iamen e que o
impac o que es as ‘his ó ias’ êm nos pais ai pe mi i acciona um jogo de
condicionamen o posi i o, no sen ido da c iança desen ol e as di as ‘his ó ias’
signi ica i as (Fi ush, 1991). Aliás, num es udo longi udinal le ado a cabo po Haden e al.
(1997), 30 meses após um pe íodo de con e sação en e mãe-c iança, pai-c iança e
in es igado -c iança, obse ou-se que ha ia uma co elação en e os pais que u iliza am
na a i as e a o ma como as c ianças explica am os e en os passados. Nes e es udo, icou
bem pa en e que nem odos os pais u ilizam a mesma es u u a na a i a, em e mos de
PARTE I – MARCO TEÓRICO
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e e enciais, o ien ações e a aliações, conseguindo-se, no en an o, de e mina dois g upos
(baixa e al a complexidade na a i a). O impac o nas c ianças e a e iden e ao longo dos 30
meses da in es igação, obse ando-se que as c ianças, ambém, a iam en e si na o ma
como es u u am a na a i a do seu passado. O es udo e elou, ainda, que a codi icação do
e en o passado, numa es u u a na a i a, p ediz melho o seu uso u u o. A es u u a
na a i a é undamen al pa a o desen ol imen o da memó ia au obiog á ica, na medida
em que, es a, se o na e ec i amen e mais disponí el pa a ealiza a sua unção básica,
que é a p ojecção do sel no u u o, no planeamen o dos objec i os pessoais e na
o ien ação das escolhas.
A eminiscência e a elabo a i idade pa en al o necem à c iança opo unidades de
desen ol imen o de compe ências pa a a codi icação das expe iências pessoais, na medida
em que es as es a ão mais ‘ ep esen adas’, mais elabo adas e, des e modo, mais
disponí eis e signi ican es. Obse ou-se, no en an o, que es as compe ências de
desen ol imen o da memó ia au obiog á ica i ão se undamen ais pa a a o mação da
imagem de si e, assim, do sel . O a, o sel não é uma es u u a que se desen ol e no
silêncio do desen ol imen o cogni i o in apsíquico, mas su ge de um jogo de in e acções
sociais e linguís icas que ajudam a c iança a sis ema iza os signi icados das expe iências
pessoais. A signi icação da expe iência pe mi e ge a um impac o e um e lexo emo i o no
Mim (au o-conhecimen o) e es e p ocesso dialéc ico engend a, po seu u no, o sel .
P o a elmen e, podemos conside a que a elabo a i idade e eminiscência pa en al
o nam a expe iência da c iança mais explíci a, cla i icando o quo idiano da c iança o que
a o ece a sua adap ação e c ia i idade.
Pa a Fi ush (2003), a memó ia au obiog á ica é undamen almen e cul u al. Há, assim,
alguns elemen os da cul u a que se podem analisa no desen ol imen o da memó ia
au obiog á ica. Salien a-se o papel da inculação pa en al e a iden idade de géne o como
PARTE I – MARCO TEÓRICO
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es u u ado es sociocul u ais da Reminiscência e da Elabo a i idade, pa a a o mação da
memó ia au obiog á ica.
2.2.3.2. Reminiscência e elabo a i idade, p ocessos de inculação e iden idade de
géne o.
Como o mulam Reese e Fa an (2003), se a memó ia au obiog á ica é um p odu o
cogni i o in e no, a eminiscência, como sendo a condição da p imei a, é, essencialmen e,
social. O que liga a c iança a um adul o, no sen ido de uma con e sa sob e um
acon ecimen o de ida ele an e, são laços de na u eza a ec i a e, nes a pe spec i a, é
ine i á el e e i mos os p ocessos de inculação.
To na-se undamen al liga qualidade da in e acção linguís ica com a ligação a ec i a e,
ainda, com o es ilo cogni i o-emocional das mães. Po ou as pala as, a qualidade da
elação de inculação mãe- ilho.
Pa a Pilleme (1998), as mães que ap esen am maio Vinculação Segu a podem ambém
ap esen a maio capacidade elabo a i a e melho compe ência a alia i a, quando es ão a
eco da e en os com os ilhos. Es e ac o liga-se à ideia de que a Vinculação Segu a
p opo ciona à c iança a c iação de um Sis ema de Memó ia Pessoal (Conway e Pleydell-
Pea ce, 2000) mais a alia i o e ico.
Um es udo já ci ado (Haden e al., 1997) e e e que, mais a mãe que o pai, desempenha
um papel impo an e na capacidade da c iança em na a o passado. O es udo longi udinal
pe mi iu p edize di e enças na capacidade na a i a, en e os 3 e 6 anos, endo em con a
as mães e pais com compe ências na a i as. Pa ece que o ní el de pa ilha das
expe iências do passado, po pa e do cuidado p imá io, in luencia, de modo signi ica i o,
o desen ol imen o da memó ia au obiog á ica e, assim, das eminiscências.
PARTE I – MARCO TEÓRICO
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Como já oi e e ido, é necessá io um desen ol imen o cogni i o-gené ico das es u u as
mnésicas que pe mi a es abelece con e sões sociais signi ican es pa a a elabo ação da
memó ia au obiog á ica. Um es udo de Welch-Ross (1997), comp o ou que, em c ianças de
4 anos, exis e uma elação en e o au o-conhecimen o (a a és do Sel -View
Ques ionnai e, Ede 1990) e a memó ia au obiog á ica. Is o é, uma c iança com uma
maio , consis en e e o ganizada noção de si p óp ia, ap esen a uma maio capacidade em
es abelece uma con e sa a alia i a ace ca dos e en os passados com os ou os
signi ica i os, inclusi e com as mães. Impo a e e i que ou é o es ilo de inculação que
sis ema iza o au o-concei o in an il ou é o au o-concei o in an il que in luencia a mãe a
es abelece um es ilo de inculação adequado a essa mo i ação da c iança. Des e modo,
de e exis i uma ligação, minimamen e sa is a ó ia, en e a compe ência cogni i a da
c iança e o es ilo de inculação ma e nal.
Segundo Reese (2002), podemos ala da exis ência de um Es ilo Ma e nal de Reminiscência
(EMR). Julgamos que es e es ilo é p eponde an e e o emen e in luenciado da o mação
do Sis ema de Memó ia Pessoal (Conway e Pleydell-Pea ce, 2000). Segundo a mesma
au o a (Reese, 2002), es e es ilo ma e nal é consis en e ao longo da ida, e lec e-se nos
e en os passados, pa ilhados ou não, en e memb os da mesma amília. Po exemplo, es a
in es igado a desen ol eu um es udo onde compa ou a in luência do Es ilo Ma e nal de
Reminiscência e o géne o das c ianças, endo e i icado que os pais são mais elabo a i os
com as apa igas do que com os apazes, quando discu em e en os passados. Es e ac o,
pode e lec i a maio capacidade das meninas em e oca in o mação passada do que os
meninos aos 3,5 anos. Es udos simila es (Adams e al., 1995) e e em que as mães
pa ilham maio in o mação de ca ác e passado, de na u eza emocional do ipo is e,
com as ilhas do que com os ilhos.
Fi ush (1998) especula, na conclusão de um seu es udo, que o es ilo elabo a i o pode,
ainda, desempenha um papel impo an e no inc emen o da capacidade da c iança em
PARTE I – MARCO TEÓRICO
68
ela a memó ias pessoais. A iqueza da es u u a na a i a das mães elabo a i as ajuda as
c ianças a o ganiza as suas memó ias, que em e mos de codi icação que de
ecupe ação.
To na-se ago a undamen al associa o EMR (Es ilo Ma e nal de Reminiscência) e o Es ilo de
Vinculação, associando, des e modo, assim a componen e emocional ao desen ol imen o
da memó ia au obiog á ica.
A Vinculação Segu a (Ainswo h, 1976) de e es a es abelecida po ol a do p imei o ano
de ida. T a a-se de um es ilo que pe mi e pe spec i a a c iança como um se au ónomo,
c iando-se uma elação de in e dependência en e o cuidado p imá io e a c iança. Po
ol a dos 3 anos, es e es ilo de inculação segu a pe mi e à díade comunica , de o ma
abe a, ace ca de uma cada c escen e a iedade de ópicos, po que a c iança ac edi a na
disponibilidade ísica e emo i a da mãe (Bowlby, 1988). Um dos mé odos mais
in e essan es pa a a alia a qualidade da inculação ma e na é a análise das na a i as das
c ianças, ace ca de hipo é icos e en os ele an es de inculação com as mães (Reese,
2002; Laible, D., 2004; Ha is, P.L. e al, 2005; Wa eham, P. e Salmon, K., 2006)
A elação en e o EMR e o Es ilo de Vinculação signi ica que de emos pe spec i a o es ilo
de eminiscência como uma in e acção independen e, que an o é in luenciada como
in luencia o es ilo de inculação. Po isso exis e uma elação ecíp oca en e os dois ipos
de in e acção. Como oi an e io men e, o es ilo de eminiscência ajuda a c iança a c ia
um modelo ope a i o que de inculação que no que conce ne ao sel .
Um es udo conclusi o oi ealizado po Fa a , Fasig e Welsh-Ross (1997). Es e es udo
analisou, especi icamen e, o con eúdo emocional das na a i as ace ca do passado, em
unção do es a u o de inculação en e mães e ilhos de 4 anos. As mães e as ilhas, com
um es ilo de inculação insegu a, pa ilham mais con e sas sob e emoções nega i as que
as díades com inculação segu a. As mães e ilhas com inculação segu a ocam

PARTE I – MARCO TEÓRICO
69
in o mação emo i a, com uma na u eza mais p o unda, que se a e de emoções posi i as
que nega i as. O que se o na e iden e é que a na u eza da inculação não depende do
ipo de emoções pa ilhadas, mas sim da p o undidade, ou seja, do ní el de elabo ação de
con e sação e, po conseguin e, de eminiscência en e mãe e ilho.
Um es udo simila (Fa an e Reese, 2000), adiciona o ac o de que as díades com
inculação segu a, pa a além de se em mais elabo a i as são menos epe i i as quando
solici am ao ilho que ecupe e de e minada in o mação passada e o ilho esponde com
“não sei!”.
Es udos mais ecen es, e elam que, al ez, o es ilo de inculação do adul o possa se
ambém explicado do EMR. Pilleme (1998), e e e que as mães classi icadas de
segu as/au ónomas no Adul A achmen In e iew (Geo ge, Kaplan e Main, 1996)
ap esen am um es ilo elabo a i o mais eminiscen e e abe o com os ilhos, ace ca dos
e en os passados, dado se esul an e de uma ansmissão ansge acional.
Fi ush e Buckne (2003) especulam, a a és de alguns es udos expe imen ais, sob e o
e ei o que as na a i as au obiog á icas êm na cons ução da Iden idade de Géne o:
“(…) o que os indi íduos escolhem pa a dize , as in o mações au o-
e e en es que seleccionam o necem e idências ace ca da o ma como os
indi íduos se concep ualizam a si mesmos” (pág.149).
As au o as e e em um p ocesso dialéc ico dinâmico en e as na a i as au obiog á icas e a
Iden idade, o que signi ica que se pa ece ób io que as na a i as au obiog á icas ajudam a
o ma uma imagem de si, pa ece cu ioso obse a que a Iden idade modela a o mação
das na a i as au obiog á icas. Repo ando-nos ao es udo de Fi ush e Buckne (2000), e a
bem pa en e que há di e enças signi ica i as en e sujei os masculinos e emininos na
o ma de ela a as his ó ias de ida. Es as di e enças de em-se, sob e udo, à o ma como
uma cul u a, na sua con empo aneidade, cons ói os géne os, sendo depois undamen al
PARTE I – MARCO TEÓRICO
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pa a en ende como ambos in e p e am as elações en e si e o ou o géne o (Ge gen,
1992). As mulhe es são pe spec i adas como mais o ien adas pa a o elacionamen o e,
des e modo, pe cepcionam-se como es ando inse idas numa ede in e conec ada de
elações com os ou os, ep esen ando-se como es ando en elaçadas, emocional e
socialmen e, com os que as odeiam. Os homens são conside ados como mais ‘au ónomos’
nas suas o ien ações e, po isso, ap esen am-se em e mos de ‘independências’ que
es abelecem com os ou os, de planos e objec i os pessoais. Fi ush e B uckne (2003)
ci am um au o (Chodo ow, 1978) que e e e que o menino em a sua p imei a ligação
social à igu a ma e na e a o mação da iden idade depende, ob iamen e, da o ma como
ele negoceia essa elação. Os meninos ‘necessi am’ de queb a essa ligação com a mãe de
o ma a ge a uma iden idade masculina, sendo po essa azão, se es au ónomos,
in e conec ados. A menina pe manece iden i icada com a mãe e, po conseguin e, a sua
iden idade é es u u ada na manu enção das elações sociais. Es as di e enças ‘espe adas’
pela cul u a o ganizam, em g ande medida, a cons ução de signi icado das expe iências
pessoais e de e minam o que é ou não impo an e ans o ma , implici amen e, numa
na a i a au obiog á ica. Fi ush e B uckne (2004), analisa am alguns es udos que se
deb uçam sob e as na a i as de His ó ias de Vida de mulhe es e homens e epa a am que,
po exemplo, as mulhe es ocalizam-se mui o mais nas expe iências com os ou os que em
e mos emocionais que em e mos de ganhos pessoais. Os homens ocalizam-se,
undamen almen e, nos ganhos, em e mos de conc e ização de objec i os, con endo
escassas e e ências aos sen imen os ela i os aos ou os. Em suma, o papel da cul u a
modela a selecção e ocalização cogni i a ace ao e en o, de e minando, sob e udo, a
codi icação e a cons ução na a i a au obiog á ica do e en o. As na a i as
au obiog á icas, ace a e en os que en ol em elações sociais e a ec i as, endem a se
mui o mais o ganizadas nas mulhe es e as na a i as au obiog á icas, com base em
objec i os a ingidos, endem a se melho sis ema izadas e, assim, mais icas nos homens.
PARTE I – MARCO TEÓRICO
71
CAPÍTULO 3º
MEMÓRIA AUTOBIOGRÁFICA E VULNERABILIDADE COGNITIVO-
EMOCIONAL
Nes e capí ulo que emos demons a em que medida a memó ia au obiog á ica pode
unciona como um p ocesso explica i o de es ados psicológicos al e ados. Ha e á, como
e e ia Conway e Pleydell-Pea ce (2000), uma memó ia au obiog á ica dis uncional que se
co elaciona com o compo amen o desadap a i o?
Se a o mação do sel es á al amen e in e ligada com a cons ução da memó ia
au obiog á ica e, es a, com a in e acção social, de e exis i uma elação com os es ados
emo i os al e ados. A elação de e-se unda , em e mos de capacidade elabo a i a da
expe iência, quando se a a de um e en o aumá ico e compe ências de ede inição dos
objec i os, quando se a a, po exemplo, dos es ados dep essi os.
En e a memó ia au obiog á ica e os es ados al e ados p opomos que in e enha o
cons uc o de ulne abilidade cogni i a. O cons uc o de Vulne abilidade Cogni i a às
pe u bações emocionais (Ing am e al., 1998; Sanz e Vázquez, 1991) insc e e-se como
p odu o de um conjun o mul i ac o ial de in luências neu opsicossociais.
A comp eensão dos e ei os da memó ia au obiog á ica, nos es ados emo i os dis uncionais,
exige a a iculação com as noções e is as de Sel -Memo y Sys em (Conway e Pleydell-
Pea ce, 2000), de Vulne abilidade Cogni i a-Emocional pa a os es ados emo i os e de
Na a i a Au obiog á ica (Fi ush, 2003).
A a iculação en e o cons uc o da memó ia au obiog á ica e o da ‘ ulne abilidade
psicológica’ baseia-se nas pe spec i as cogni i as dos es ados psicopa ológicos, a i mando
que o dis ú bio emo i o é, em g ande, pa e moldado po dis o ções ou o ganizações
cogni i as dis uncionais de ep esen ação da ealidade, uma ez que as espos as do
indi íduo ao ambien e são mediadas pelas ep esen ações (Mahoney, 1990). Seguindo a
PARTE I – MARCO TEÓRICO
72
óp ica de que o ‘cogni i o’ ep esen a uma sé ie de mecanismos in eg ados (Ing am e al.,
1998) não é possí el isola as a iá eis cogni i as. Segundo au o es clássicos, no es udo da
o igem cogni i a das pe u bações emo i as (Nasby e Kihls om, 1986, Williams e al.,
1997), é possí el enuncia uma axonomia de cons uc os cogni i os que pe mi e melho
en ende a elação en e a cognição e os es ados dis uncionais:
a) Cons uc os Es u u ais: desc e em-se pelos alice ces da a qui ec u a
cogni i a, na medida em que o ganizam as modalidades e o mas de
a mazenamen o da in o mação, e incluem as concepções modula es da
memó ia (memó ia a cu o e a longo p azo) (A kinson e Shi in, 1968), a
memó ia implíci a e memó ia explíci a (Schach e , 1992), nódulos de
memó ia (Bowe , 1981), edes associa i as (Rummelha , 1978),
a mazenamen o icónico e senso ial.
b) Cons uc os P oposicionais: e e em-se aos con eúdos que es ão
a mazenados em de e minada es u u a como a memó ia episódica,
memó ia semân ica, a memó ia au obiog á ica, o Sel Cogni i o e os
Esquemas. Nes e ní el, p oduzem-se as p oposições de a ibuição de
signi icado.
c) Cons uc os Ope a i os e P ocessuais: são as unidades dinâmicas da
men e, na medida em que se esponsabilizam pela mobilização e
a iculação dos cons uc os p oposicionais no in e io do sis ema cogni i o.
Su gem como modelos, o p ocesso de codi icação, ecupe ação, ac i ação,
elabo ação cogni i a, a enção.
d) Cons uc os P odu os: são os esul ados do p ocessamen o cogni i o da
in o mação. São as cognições, os pensamen os, as a ibuições, as decisões,
que esul am do dinamismo en e as ope ações e p ocessos que o indi íduo
PARTE I – MARCO TEÓRICO
79
A elação en e es ados a ec i os e p ocessos de memó ia é um dos aspec os cen ais do
modelo cogni i o-emocional da dep essão (Beck e al., 1979; Ca e e Scheie , 1990;
Blaney, 1986). Pa a Sanz e Vázquez (1991), Vázquez e Sans (1991) e Vázquez e Ring (1993),
exis em dois ma cos de in es igação que elacionam memó ia e es ado de ânimo (Blaney,
1986): A Memó ia Cong uen e com o Es ado de Ânimo (MC) e a Memó ia Dependen e do
Es ado de Ânimo (MD). No caso da MC, as pessoas dep imidas codi icam e eco dam, mais
apidamen e, a in o mação nega i a, po se mais cong uen e com o es ado de ânimo. A
MD es abelece uma elação mais ge al: quando um sujei o codi ica uma in o mação sob um
de e minado es ado de ânimo, essa in o mação ai se acilmen e ac i ada quando o
es ado de ânimo o simila .
É o Modelo de Go don Bowe (Gilligan e Bowe , 1984), que inaugu a a pe spec i a de
elação en e emoção e memó ia na explicação dos es ados emocionais pe u bados e que
in luencia as eo ias da Dep essão de Ing am (1984, 1986, 1998).
O modelo de Bowe assen a na ideia da exis ência de uma Rede Semân ica Associa i a da
Memó ia A ec i a, compos a po nódulos emocionais que in eg am in o mações, memó ias
e compo amen os associados. Quando um nódulo emocional é ac i ado (medo ou
is eza), de ido a um acon ecimen o i al ele an e, ai impulsiona , a a és de um
enómeno de p opagação, um conjun o de associações a componen es semân icos como as
memó ias a ec i as codi icadas, sob esse es ado de ânimo cong uen e e as condu as ípicas
associadas ( uga ou au o-culpabilizações). T a a-se de um modelo baseado na Lei da
Cong uência Esquemá ica (Ma kus, 1977). A eo ia de Bowe e Ing am (1984) explica,
sob e udo, po que é que quando expe imen amos uma emoção de is eza eco damos,
mais acilmen e, um e en o passado cong uen e, po exemplo um “ acasso”, que nes e
caso, se ia ambém de con eúdo emocional nega i o. Es a ci cula idade é, po assim dize ,
esponsá el pela o mação, mais ou menos pe manen e, de um es ado de ânimo
dis uncional. A pe sis ência do es ado de ânimo dis uncional é uma explicação cen al

PARTE I – MARCO TEÓRICO
80
des a abo dagem, dado que quando um nódulo é ac i ado em a unção de “ence a ”,
au oma icamen e, as p opagações a ou os nódulos cogni i o-emo i os (po exemplo
nódulos mais posi i os e adap a i os).
No caso das c ianças, uma es a égia u ilizada na in es igação, sob e a memó ia a ec i a
dep essi a, em sido es uda os e ei os de en iesamen o da es u u a cogni i a au o-
e e enciada (Hammen e Rudolph, 1996). Pa e-se do p incípio que exis e na memó ia uma
es u u a au o- e e enciada que o ganiza oda a in o mação pe cebida e e ocada – O sel .
O modelo de cong uência cogni i a au o- e e enciada explica po que azão, po exemplo,
as c ianças dep imidas possuem mais con eúdos nega i os do que c ianças não dep imidas.
Des e modo, os sujei os dep imidos ca ego izam com maio acilidade in o mação au o-
e e enciada nega i a e negligenciam in o mação posi i a.
Em 1984, Hammen e Zupan ealizam um es udo ípico des a abo dagem da memó ia
semân ica a ec i a. Es uda am a capacidade de c ianças, en e 7 e 12 anos, u iliza em o
au o-esquema como p incípio de o ganização cogni i a es u u al da in o mação.
Compa a am, ainda, c ianças com e sem dep essão e obse a am que as c ianças que
ecupe a am mais in o mação au o- e e enciada nega i a e am as que ap esen a am um
espec o emocional dep essi o. Con a iamen e ao que e a induzido, as c ianças
dep essi as não ap esen a am qualque e ei o de con eúdo au o-esquemá ico. As
e ocações des as c ianças e am quase iguais, no que se e e e a con eúdos nega i os e
posi i os. As c ianças não-dep essi as, pelo con á io, demons a am uma cla a
supe io idade na e ocação de in o mação posi i a au o- e e en e em elação à de ca ác e
nega i o. Os au o es suge em que a cons ução de um esquema cogni i o au o-
e e enciado, com con eúdos dep essi os, depende, signi ica i amen e, da his ó ia de
exposição a acon ecimen os i ais ad e sos e a expe iências dep essi as.
Os es udos clássicos da Memó ia, em c ianças com pe u bações emocionais, suge em que,
o p ocessamen o mnésico do es ado de ânimo dep essi o equen e, pode á ege -se po
PARTE I – MARCO TEÓRICO
81
ou os p ocessos que não dependam da quan idade de in o mação, mas da qualidade ou
modo como a in o mação es á o ganizada.
Simila men e ao adul o, a pesquisa incidindo nas pe u bações a ec i as da c iança, que
dependa, exclusi amen e, da e en e conscien e, como o são os au o- ela os, o na-se
mui o limi ada. Po es a azão, ac ualmen e, não se conhecem com cla eza os modos de
o ganização mnésica da c iança com pe u bações emocionais ou es ados de ânimo
dep essi os. Mesmo os es udos de Rebe (1993), no domínio da ap endizagem inconscien e,
assegu am exis i p ocessos desconhecidos na o mação e na a aliação da ulne abilidade
cogni i a em c ianças.
Assis e-se, con udo, a uma no a e a na in es igação dos p ocessos cogni i os da Memó ia.
Mui os in es igado es (Shinamu a, 1999; Schac e , 1992), assegu am que há di e enças, no
modo de p ocessa in o mação, en e memó ia explíci a e implíci a. Pensa-se que os
p ocessos implíci os e não-conscien es são menos suscep í eis à modi icação in encional do
que os que o ien am o p ocessamen o conscien e.
O ac o de Bowe (1987) não dis ingui memó ia implíci a e memó ia explíci a, suge e que
a exis ência de um e ei o de cong uência de memó ias nega i as, en e os sujei os
dep essi os, depende de p ocessos implíci os, de ido a uma maio acessibilidade des a
in o mação. Di e sos es udos êm examinado, po exemplo, se a dep essão (Majo ou
induzida) a ec a o p iming, em p o as de memó ia implíci a, ace à ap esen ação de
in o mação emocional (Mad id, M. e Fe nandez-Rey, F., 2000; Caballe o e González, 1998;
B adley e al., 1994).
Di e en es a e as expe imen ais são possí eis, pa a acede à memó ia não di igida ou
implíci a como os e ei os de p iming (Mad id, M. e Fe nandez-Rey, F., 2000), comple a
agmen os, (Denny e Hun , 1992), decisão léxica (B adley e al., 1994), comple a
ig amas (Ruiz-Caballe o e González, 1998). Jennings e Jacoby (1993), ealiza am um
PARTE I – MARCO TEÓRICO
82
es udo que comp o a que a memó ia au o-di igida se apoia em p ocessos cogni i os que
con am com ecu sos de capacidade limi ada, enquan o que a memó ia in olun á ia
unciona de uma o ma que não az exigências de capacidade ao sis ema cogni i o. Não só
os p ocessos in olun á ios de memó ia exe cem uma in luência sob e o compo amen o e a
consciência como, ambém, seguem leis di e en es daquelas que o ien am os p ocessos
au o-di igidos.
Em 1990, Segal e Vella a i mam que os ques ioná ios au o-adminis ados não são os mais
adequados pa a es uda a ulne abilidade cogni i a do modelo au o-esquemá ico, is o
po que e lec em as lu uações nas e balizações nega i as, em ez de ex aí em a
es u u a cogni i a. Ou as in es igações (Ing am e Reed, 1986; McCabe e Go lib, 1993),
c i ica am as medidas au o-adminis adas de a aliação da ulne abilidade cogni i a, dado
que, es as, somen e e elam expec a i as e mo i ações indi iduais ou sob con olo
cogni i o conscien e. O a, a ulne abilidade é melho e lec ida a a és da a aliação do
pensamen o au omá ico e in usi o (Alloy e al. 1997). Assim, os p ocessos au o-
e e enciais, esul an es de au o- ela os, em compa ação com os que eme gem do
labo a ó io, ap esen am-se de o ma mui o dis in a.
Assis e-se, ac ualmen e, à p e e ência pela u ilização de p ocedimen os expe imen ais da
memó ia do ipo labo a o ial como o ma de melho explica a ulne abilidade cogni i a,
em sujei os dep essi os ou sem sin oma ologia cogni i a. Como exemplo, ap esen am-se: o
SRET (Sel -Re e en Encoding ask; C aik e Tul ing, 1975; Ma kus, 1977); o e ei o S oop
(S oop, 1935; Segal e Vella, 1990); SRIP (Sel - e e en In o ma ion P ocessing; Alloy,
1997). É uma e e ência ac ual o CVD P ojec (Cogni i e Vulne abili y o Dep ession, Alloy
1997).
No que se e e e à elação en e memó ia au obiog á ica, emoção e pe u bações
emo i as, num es udo clássico (Lloyd e Lishman, 1975), na linha do Modelo de Bowe
(1981), ap esen ou-se uma lis a de pala as neu as e pediu-se a sujei os com dep essão
PARTE I – MARCO TEÓRICO
83
clínica pa a elabo a em, pa a cada uma, um acon ecimen o au obiog á ico
co esponden e. O es udo e elou que quan o mais dep imido es a a o doen e mais ápida
e a a e ocação de acon ecimen os nega i os pessoais. No es udo e e ido (Lloyd e
Lishman, 1975), a a és da hipnose, e am induzidos es ados de ânimo, endendo o sujei o
a eco da in o mação pessoal cong uen e. No caso da ac i ação de um es ado de ânimo
nega i o e a eco dada, de o ma mais ápida e mais equen e, in o mação de ca ác e
nega i o (“pe da de alguém signi ica i o”; “F acasso num exame”; P o as de
incapacidade, e c.).
Os es udos de Teasdale e Taylo (1981), Cla k e Teasdale (1982) e Gilligan e Bowe (1984)
ie am, em ce a medida, ul apassa o p oblema da eco dação dos sujei os com
dep essão clínica, cla i icando a ques ão da na u eza e ní el de signi icado pessoal da
in o mação au obiog á ica. No es udo clássico de Gilligan e Bowe oi u ilizado o mé odo
do diá io, onde os sujei os egis a am, du an e uma semana, as expe iências emocionais
posi i as e nega i as. Depois o am hipno izados e oi-lhes induzido um es ado de ânimo
nega i o e posi i o. Quando es a am sob o es ado de ânimo posi i o eco da am 32% dos
acon ecimen os posi i os e 28% de acon ecimen os nega i os. Quando es a am sob um
es ado de ânimo nega i o a quan idade de acon ecimen os nega i os aumen ou pa a 38%,
enquan o que o núme o de acon ecimen os posi i os pe maneceu em 32%. Es e úl imo
es udo suge e que, apesa de exis i um e ei o de cong uência en e o es ado de ânimo e a
eco dação de expe iências pessoais, se o na cla o que es e e ei o é assimé ico. Ou seja,
as eco dações posi i as são menos dependen es do es ado de ânimo ac i ado do que as
eco dações nega i as. Ou os es udos ie am comp o a (Baddeley, 1999), que, no
momen o da eco dação, exis e uma dependência con ex ual de in o mação
au obiog á ica. Comp o ou-se que um e en o neu o, ap endido num es ado de ânimo
pa icula , é mais acilmen e eco dado quando é ac i ado um es ado de ânimo simila .
PARTE I – MARCO TEÓRICO
84
Que in o mações nos o necem os p ocessos da memó ia au obiog á ica na explicação dos
es ados emocionais nega i os? Como já oi e e ido, an e io men e, a ac i ação de
in o mação au obiog á ica é indissociá el das alências emocionais i idas no momen o da
eco dação. T a a-se de um p ocesso au oma izado e que não es á sob con olo dos
p ocessos au o-di igidos ou conscien es. A eco dação de in o mação au o- e e en e é
in luenciada po p ocessos inconscien es e ab e-nos a uma concepção da memó ia mui o
ú il, pa a comp eende as pe u bações emocionais e ou os dis ú bios de compo amen o.
Numa pe spec i a mais conse ado a, a memó ia de e en os passados, dado es es se em
pa e da his ó ia de ida pessoal (Nelson, 1996), é somen e, au obiog á ica se o
e balmen e acessí el na o ma na a i a au obiog á ica (Pilleme e Wi he, 1989; Fi ush e
Haden, 1997).
Um dos p incípios da memó ia au obiog á ica p essupõe a exis ência de uma es u u a
au o- e e eciada que o ganiza a in o mação pessoal passada. A ac i ação de uma
in o mação passada au o- e e enciada é um p ocesso au omá ico que se a icula com o
es ado de ânimo ac i ado. A necessidade da manu enção de um esquema iden i á io
posi i o se e, ambém, de o ganizado da ecupe ação da in o mação. De ac o, segundo
Sanz e Vázquez (1991), a maio pa e dos es udos que u ilizam ma e ial au obiog á ico, em
sujei os dep essi os, encon a am e ei os de MC (Memó ia Cong uen e) (B adley e
Ma hews, 1983; Lloyd e Lishman, 1975). Ou seja, os e ei os de cong uência são mais o es
quando se a a de memó ia au obiog á ica.
Segundo Conway e Pleydell-Pea ce (2000), o Wo king Sel , como es u u a o ganizado a do
conhecimen o au obiog á ico, é o g ande modulado das memó ias passadas, dado que em
po unção básica a ope a i idade dos objec i os pessoais. De ac o, pa a Conway (1997), o
Wo king Sel , mais especi icamen e as mo i ações do sel , uncionam como um sis ema
con olado da o mação e e ocação de memó ias au obiog á icas. Ou as p o as indicam
que as memó ias al amen e au o- e e enciadas es ão melho da adas que as memó ias com

PARTE I – MARCO TEÓRICO
85
meno au o- e e enciação. Assim, pa a Robinson (1986), as memó ias au obiog á icas são
uma on e do sel pa a modi ica au o-imagens, o que signi ica que, p o a elmen e, a
memó ia au obiog á ica pode á se concebida como uma pa e in eg an e do sel .
Nume osos es udos êm in es igado a especi icidade da memó ia au obiog á ica em
doen es dep essi os, a a és da u ilização de a e as de “cha e mnémica” (Williams e
B oadben , 1986). Os pa icipan es são expos os a pala as ac i ado as da memó ia e são
mo i ados a desc e e memó ias delimi adas po a iá eis espacio- empo ais. Es es
es udos demons am que, compa ando dep essi os com não-dep essi os, os dep essi os
endem a ge a memó ias mais gené icas, is o é, sem delimi ações espacio- empo ais
p ecisas (“as minhas é ias em Lisboa no ano passado”). Es as memó ias são designadas de
Ca egó icas, uma ez que se epo am a memó ias que en ol em ca ego ias empo ais
ge ais. Es e ac o, segundo Williams (1996), es á elacionado com o p ocessamen o
umina i o ípico dos doen es dep imidos.
Wa kins, Teasdale e Williams (2000), medi am a especi icidade da memó ia au obiog á ica
em doen es com Dis o ia C ónica, an es e depois da manipulação da a e a de uminação.
Di idi am os doen es nos que inham que se cen a no Eu e nos que se cen a am numa
a e a dis ac i a. Ve i ica am que, na a e a dis ac i a, os sujei os p oduziam mui o
menos espos as ca egó icas em elação à a e a de uminação.
Desde a pe spec i a de Williams (1996), mui o in luenciada pela noção do Sel -Sys em
Memo y (Conway e Pleydell-Pea ce, 2000), a ecupe ação da memó ia au obiog á ica é um
p ocesso au o-di igido e ac i o que se ege po uma a i ude umina i a cen ada no eu.
Nes a pe spec i a, os indi íduos, passi amen e, e i am ecupe a aspec os nega i os das
memó ias au obiog á icas. Em indi íduos hipe sensí eis aos aspec os a ec i os das
memó ias, a explo ação umina i a da memó ia ica bloqueada quando a cha e mnemónica
inicia a ac i ação de agmen os de memó ias nega i as especí icas. O que se deduz é que
coexis e um es ilo cogni i o, nos sujei os dep essi os, que se ca ac e iza po uma
PARTE I – MARCO TEÓRICO
86
endência au omá ica e c ónica em desc e e , ca ego icamen e, os e en os passados. Os
mesmos es udos de Williams comp o am que os sujei os dep essi os possuem uma o ma
pa icula de pensamen o, que se desc e e pela p ocu a de in o mação de o ma
ho izon al, de memó ia ca egó ica pa a memó ia ca egó ica, em ez de uma p ocu a
e ical, is o é, do pa icula pa a o ge al. Po exemplo, dada a pala a “ is e” os sujei os
dep essi os ac i am, sucessi amen e, desc ições como “eu semp e acassei na escola” ou
“eu nunca ui bom em despo o” em ez de memó ias especí icas.
Johnson e Maga o (1987) já suge iam que a dep essão eduzia o e ei o da codi icação.
Weinga ne e Silbe man (1982) obse a am que os sujei os dep essi os euniam menos
capacidade em o ma e ecupe a ca ego ias semân icas du an e uma a e a de
eco dação li e. De modo ge al, a dep essão de e io a a capacidade de ap endizagem,
pelo que, pode á se i de explicação na e ocação ípica de in o mação au obiog á ica dos
sujei os dep essi os.
Mais ecen emen e, os es udos de B ewin, Reynolds e Ta a (1999) adian am algo mais ao
es udo da memó ia au obiog á ica. Fo mulam a ideia de que, não só é mais ácil eco da
memó ias passadas cong uen es com o es ado de ânimo, como ambém, exis em
in o mações in usi as de e en os nega i os passados. Es e enómeno cogni i o da
in o mação in usi a é simila a ipos de memó ias lash-back o iundas de expe iências
dep essi as aumá icas. No es udo de Kuyken e B ewin (1994) o am en e is adas 58
mulhe es com dep essão. A en e is a consis ia em e oca expe iências da in ância.
Ve i icou-se que 35 dessas mulhe es e e iam expe iências que se enquad am no âmbi o do
abuso sexual. Das 35 mulhe es, 30 e e em que, equen emen e, expe ienciam memó ias
in usi as do abuso sexual, na semana an e io à en e is a. B ewin, e al. (1998)
ques iona am se a al a- equência de e ocação de memó ias au obiog á icas in usi as
acon ecia an es do pe íodo dep essi o ou e a ac i ada pela si uação dep essi a. Assim,
di idi am dois g upos de sujei os dep essi os: em dep essão se e a e mode ada;
PARTE I – MARCO TEÓRICO
87
e i icando que os sujei os com dep essão se e a e elam maio quan idade de memó ias
in usi as. Uma das conclusões des es úl imos es udos (B ewin, e al. 1999) pa ece indica
que a in usão de in o mação au obiog á ica pode exace ba e p olonga os episódios
dep essi os. No es udo de 1999, B ewin e colabo ado es con i mam a exis ência, em
sujei os dep essi os, de uma al a- equência de memó ias in usi as.
Em suma, na elação en e memó ia au obiog á ica e es ados emo i os dis uncionais
conseguimos en ende que a memó ia au obiog á ica pode unciona como um al o
p edi o de ulne abilidade ou de p o ecção. Segundo Conway e Pleydell-Pea ce (2000),
nos es udos sob e os es ados dep essi os, podemos conside a a exis ência de uma
‘pe u bação da memó ia au obiog á ica’ como indicado de ulne abilidade p oximal.
J.M.G. Williams designou de p ocesso de sob egene alização (Beck, e al. 1979) da
memó ia au obiog á ica nos sujei os dep essi os, que, quando ac i ados com uma pala a
nega i a pa a e oca uma memó ia pessoal, conside am que essa expe iência emo i a
nega i a é um acon ecimen o ca ego ial, habi ual e não especí ico. Ul imamen e, o g upo
de in es igado es que colabo am com Williams (1996) em le ado a cabo uma sé ie de
es udos onde em sido cla o que os doen es com dep essão clínica ap esen am
incompe ência pa a ge a de alhes, especi icidades, nas memó ias au obiog á icas, quando
se a a de pala as-cha e com alências emocionais nega i as. Williams (1996) conside a
que es es pacien es so em de ‘mnemonic in e lock’, que se mani es a po que os sujei os,
ao ac i a em in o mação ace ca do conhecimen o gene al au obiog á ico (gené ica ou
ca egó ica), acedem, de o ma au omá ica, a in o mação au o- e e en e, mas de alência
emocional nega i a, e minando, nes e pon o, a p ocu a de in o mação mais especí ica.
Segundo Conway e Pleydell-Pea ce, es e p ocesso pode se conside ado como p o ec i o,
na medida em que se o sujei o insis i em p ocu a mais in o mação isso pode
deses abiliza os objec i os do wo king sel e assim deses abiliza odo o sis ema. Conway
e Pledell-Pea ce le an am uma ques ão pe inen e: Qual a azão dos doen es com DSPT
não bene icia em des e sis ema de p o ecção das memó ias in usi as? A explicação
PARTE I – MARCO TEÓRICO
88
hipo é ica é de que os sujei os com DSPT, ambém, expe ienciam ní eis impo an es de
Dep essão e, nes e sen ido, ambém expe ienciam o enómeno de sob egene alização, que
unciona, assim, como p o ec o , e, nes es casos, os doen es podem a é nem expe iencia
memó ias in usi as. Nes e ipo de doen es podemos obse a um enómeno que lu ua
en e a capacidade e a incapacidade de inibi a memó ia de e en os pessoais especí icos
nega i os. Adicione-se ainda, o ac o da na u eza das memó ias in usi as se em mais
ápidas do que o p ocesso conscien e de selecção da in o mação a ecupe a , não se
icando a de e à incapacidade do sis ema inibi , mas à na u eza das memó ias in usi as
p op iamen e di as.
Num es udo ecen e Hende son, e al. (2002), oi possí el obse a em po meno os e ei os
da sob egene alização e a especi icidade associada a memó ias in usi as e pensamen os
dis uncionais. Pa a isso, os au o es u iliza am uma amos a de 79 mulhe es com his ó ia de
Abuso Sexual na In ância (ASI) em compa ação com um g upo de mulhe es sem his ó ia de
ASI. Os esul ados demons am que o g upo ASI mani es a, signi ica i amen e, menos
memó ias au obiog á icas especí icas associado, ainda, a maio es pon uações nas escalas
de ansiedade, dep essão e pensamen os dis uncionais. Os esul ados êm co obo a as
eo ias dos e ei os a longo p azo do ASI (B ie e, 1992) que pos ulam que as expe iências
p ecoces es abelecem au o-esquemas maladap a i os que se man êm po pe íodos mui o
longos (dis o ções cogni i as, sensações de ansiedade, desespe ança).
No caso de memó ias aumá icas, a sob egene alização e a baixa especi icidade da
memó ia au obiog á ica pode á unciona como um e ei o p o ec o das memó ias
in usi as. Mas, no caso dos dis ú bios a ec i os a especi icidade, nas pala as-cha e com
alência emocional nega i a, unciona como ac o p o ec o e a sob egene alização como
ac o de isco ou de manu enção do dis ú bio a ec i o.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
95
especi icidade da memó ia pe mi e minimiza o a ec o nega i o, uncionando como um
egulado a ec i o de na u eza p o ec o a. Ou seja, quando es amos ace a uma si uação
de a ec o nega i o e a Memó ia Au obiog á ica em maio disponibilidade de memó ias
especí icas, a associação en e a ec o e memó ia ica mais ci cunsc i a a esse episódio e
e i a, assim, que o a ec o nega i o se sob egene alize po oda a Memó ia Au obiog á ica.
Julgamos, no en an o, que es es dois e ei os egulado es do a ec o da Memó ia
Au obiog á ica podem se ap endidos na in ância e na adolescência, sendo, nes as ases,
que se o ma um ipo de Memó ia Au obiog á ica que o na o sujei o ulne á el. A
o mação da ep esen ação da Memó ia Au obiog á ica, na c iança e no adolescen e,
depende, sob e udo, de elemen os cogni i os, como o Sel Cogni i o (Howe e Cou age,
1977), sociocul u ais, como a escola ização, e, sob e udo, da qualidade de in e acções
linguís icas amilia es e com os adul os em ge al. Nos es udos eó icos, e i icámos que a
abo dagem do Sel Cogni i o (Howe e Cou age, 1997) negligencia a in luência das
in e acções sociolinguís icas en e os amilia es e a c iança. Po isso, um g upo de
in es igado es (Nelson, 1993; Fi ush e Haden, 1997; Reese, 2002; Reese e al., 1993;
Fi ush e Haden, 2004) em indo a es abelece as bases pa a o conhecimen o da o mação
da Memó ia Au obiog á ica, endo em con a as in e acções sociolinguís icas emocionais,
dos amilia es e dos adul os em ge al, com a c iança.
Den o des a in e acção sociolinguís ica, des aca-se o ipo de diálogo, sob e as
expe iências emocionais passadas, que os pais es abelecem com os ilhos. Nes e diálogo,
os pais podem se eminiscen es, elabo a i os, u iliza em exp essões emocionais, apoia a
c iança, em suma, de e mina em as o mas de codi icação, de e ocação de memó ias
pessoais, bem como a o mação de na a i as emocionais coe en es sob e os e en os
passados (Fi ush, 1991a; Fi ush, 1991b; Fi ush, 1994; Fi ush e Kuebli, 1997; Fi ush e
Buckne , 2000; Laible, D., 2004; Ha is, P.L. e al, 2005; Wa eham, P. e Salmon, K., 2006).
Po isso, no nosso en ende , as c ianças e os adolescen es desen ol em compe ências
cogni i as que pe mi em adop a uma ep esen ação da Memó ia Au obiog á ica, com base

PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
96
na expe iência emocional, que unciona á como elemen o de ulne abilidade ou de
p o ecção an e os a ec os. A ap endizagem das eg as da Reminiscência pa ilhada e da
Elabo a i idade pe mi em à c iança a en ada numa comunidade sociolinguís ica onde o
Sel , em conjun o com o Ou o, es u u a a o mação de his ó ias pessoais ace ca do
passado. A unção da Reminiscência pa ilhada p ende-se com a manu enção de um
equilíb io com o meio emocional ( egulação a ec i a) e social ( elacional). A Reminiscência
pa ilhada é, sob e udo, um p ocesso que auxilia a egulação emocional e cogni i a,
uncionando como um p o ec o do a ec o posi i o e da au o-imagem. No en an o, há
di e enças indi iduais na o ma como os pais alam do passado du an e a con e sação. As
in es igações de Fi ush e F omho (1988) e Hudson (1990) es abelece am um con ínuo na
de e minação do es ilo de Reminiscência, que ai desde uma posição de baixa a é al a
Elabo a i idade. Os pais com ele ada elabo ação emi em maio núme o de ques ões,
con endo no a in o mação ace ca do e en o. Os pais menos elabo a i os emi em menos
ques ões, con endo no a in o mação, o necem menos cha es de memó ia e cen am-se
mais num po meno pa icula em ez de emi i em, de o ma colabo a i a, uma his ó ia
ace ca do passado. Ve i ica-se, ainda, que os ilhos de pais elabo a i os eco dam mais
in o mação du an e a Reminiscência. Ou as e idências suge em que o Es ilo de
Reminiscência é es á el e se man ém a longo p azo (Reese, 2002). Es as e idências,
segundo Williams (1992), adqui em impo ância pa a os nossos es udos, na medida em que
uma Memó ia Au obiog á ica mais p o ec o a e menos ulne á el é a que se cen a na
o ien ação espacio- empo al, ga an indo a especi icidade e, sob e udo, maio signi icado
aos acon ecimen os pessoais.
Ve i icam-se, ainda, di e enças signi ica i as nos diálogos emocionais, endo em con a o
géne o. Embo a as in es igações não indiquem di e enças, en e pais e mães, na
Elabo a i idade emocional, o mesmo não acon ece quando es es es abelecem o diálogo
emocional com os ilhos e as ilhas (Fi ush, 1998; Fi ush e B uckne , 2003). Os es udos de
Fa an e Reese (2000) comp o am que quando se obse am di e enças en e o géne o dos
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
97
ilhos, isso de e-se ao ac o dos pais se em mais elabo a i os com as ilhas do que com os
ilhos, uma ez que as apa igas são, e balmen e, mais compe en es. Um dado in igan e
é que, quando adul as, as mulhe es emi em na a i as mais elabo adas ace ca do seu
passado do que os homens. Nos diálogos emocionais, e i ica-se que as meninas são mais
enco ajadas a elabo a , codi ica e de ini , empo almen e, as expe iências emocionais.
Ha e á um p ocesso es e eo ípico de géne o, na o ma como se discu em as expe iências
emocionais com os ilhos? Es a ocalização emocional dos pais na Reminiscência das ilhas
pode le a a um desen ol imen o a ec i o-subjec i o, mais comp eensi o, ace ca do
passado pessoal. Tendo em con a algumas emoções especí icas (Newcombe e Reese, 2004),
elas podem se uma espécie de isco que liga o Sel ao passado e aos ou os, dado que as
his ó ias, em o ma de na a i a, possuem adjec i ações emo i as, au o-a aliações e
conexões in e pessoais. Po isso, a Reminiscência ma e na ocaliza-se mais nas
ca ac e ís icas espacio- empo ais e ac uais dos e en os, assim como no mundo ex e no
em ez do mundo in e no.
Os abalhos de Fi ush (1993), e elam, ainda, e idências cien í icas de que o Es ilo de
Vinculação Segu a se co elaciona, posi i amen e, com o Es ilo de Reminiscência Ma e na
com ele ada Elabo a i idade. Aliás, uma Vinculação segu a p omo e na c iança, du an e a
sua in ância, maio compe ência de egulação socioemocional. Assim, um Es ilo de
Reminiscência Ma e na com ele ada Elabo a i idade e o ça es a egulação sócio-
emocional (Wa eham, P. e Salmon, K. (2006). As díades segu as es ão mais disponí eis e
ap as pa a in e agi em numa si uação de discussão eminiscen e, esul ando na cons ução
de uma na a i a mais coe en e. Quando a Vinculação é insegu a as c ianças elabo am,
p o a elmen e, com meno especi icidade o seu passado, sendo es e menos coe en e e
com meno compe ência de Reminiscência emocional. As his ó ias do passado, em e mos
de in o mação emo i a, são menos icas e elabo adas.
Adop ando uma pe spec i a con ínua do desen ol imen o do Sel (Howe e Cou age, 1997;
Nelson, 2003) e da o mação da Memó ia Au obiog á ica, bem como das compe ências de
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
98
in e acção sociolinguís ica en e pais e ilhos, cen a emos a nossa a enção no pe íodo da
adolescência, ac edi ando que, nes e pe íodo, os es ilos de Reminiscência e
Elabo a i idade es ão es u u ados na díade pais- ilhos. Na adolescência, a capacidade
cogni i a pa a o pensamen o abs ac o es á desen ol ida e, po isso, ha e á mais hipó eses
de encon a es ilos mais especí icos ou mais sob egene alizados. Nes e pe íodo do
desen ol imen o, segundo pe spec i as clássicas, su ge a necessidade de o mação da
Iden idade (E ikson, 1968), sendo as memó ias au o- e e en es elemen a es pa a a
de inição dessa Iden idade (Rubin e al., 1998).
Em suma, a na u eza singula do nosso es udo de e-se ao ac o de es a mos a elaciona
duas isões eó icas ace ca da Memó ia Au obiog á ica: a pe spec i a que es uda a
o mação sociolinguís ica das na a i as au obiog á icas (Fi ush e Haden, 2004) e a
pe spec i a que es uda as consequências da ep esen ação da Memó ia Au obiog á ica, na
egulação dos dis ú bios a ec i os (Williams, 2000) du an e o pe íodo da adolescência.
Vamos a icula os e ei os da Reminiscência e Elabo a i idade ma e na (Fi ush e Haden,
2003) com o ipo de ep esen ação da Memó ia Au obiog á ica, na óp ica da
ulne abilidade a dis ú bios a ec i os (Conway e Pleydell-Pe ace, 2000; Williams, 2000),
com is a a con ibui pa a um a anço na explicação da ulne abilidade da Memó ia
Au obiog á ica, bem como de ini no as indicações P e en i as e Psico e apêu icas pa a
c ianças e adolescen es com dis ú bios a ec i os.
99
CAPÍTULO 4º
MÉTODO
4.1.Objec i os.
1. Sabe se há elação en e a o ma como os pais e os ilhos con e sam ace ca das
expe iências emocionais passadas e a memó ia au obiog á ica emocional dos ilhos.
A a és de uma amos a clínica, p e ende-se, des a o ma, analisa a elação en e as
ca ego ias da Reminiscência Pa en al (Elabo a i idade, Supo e Emocional, Núme o de
Exp essões Emocionais e Tipo de Memó ia E ocada na Reminiscência pela igu a ma e na) e
o Tipo de ep esen ação da Memó ia Au obiog á ica dos adolescen es. I emos es uda es a
elação em qua o si uações emocionais: medo, is eza, ai a e aleg ia.
2. Analisa a elação en e as ca ego ias da Reminiscência Pa en al (Elabo a i idade,
Supo e Emocional, Núme o de Exp essões Emocionais e Tipo de Memó ia E ocada na
Reminiscência) e o ipo de ep esen ação da Memó ia Au obiog á ica, endo em con a o
géne o dos adolescen es, nas qua o si uações emocionais.
3. Obse a a elação en e a memó ia au obiog á ica e a psicopa ologia ju enil. Que emos
es uda , especi icamen e, a elação en e e ei o da sob egene alização da Memó ia
Au obiog á ica e a ulne abilidade a dis ú bios a ec i os em adolescen es. Es e objec i o
p e ende es abelece , com base numa amos a clínica de adolescen es, uma elação en e
as espos as ca egó icas da Memó ia Au obiog á ica e a psicopa ologia a ec i a.
4. Analisa a elação en e a memó ia au obiog á ica e a psicopa ologia ju enil, em
pa icula , a elação en e o e ei o da sob egene alização da Memó ia Au obiog á ica e a
ulne abilidade a dis ú bios a ec i os, endo em con a o géne o dos adolescen es.
No seguin e Quad o 1., ap esen amos a esquema ização dos objec i os do nosso es udo.
Ve i ica-se que a Memó ia Au obiog á ica unciona como a iá el mediado a en e a
eminiscência pa en al e a ulne abilidade a dis ú bios a ec i os.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
100
Quad o 1. Esquema Global dos Objec i os de In es igação.
REMINISC
Ê
NCIA
PARENTAL EMOTIVA
ELABORATIVIDADE
SUPORTE
EXPRESSÕES DA DÍADE
TIPO DE MEMÓRIA
EVOCADA NA
REMINISCÊNCIA
REGULAÇÃO DO
AFECTO
VULNERABILIDADE A
DISTÚRBIOS
AFECTIVOS
MEMÓRIA
AUTOBIOGRÁFICA
(VARIÁVEL
MEDIADORA)
Objec i os 3. e 4.
Vulne abilidade P oximal: Memó ia
Au obiog á ica e egulação do a ec o na
pe spec i a da iden i icação de dis ú bios
a ec i os, endo ainda em con a o géne o
dos adolescen es.
Objec i os 1. e 2.
Vulne abilidade Dis al: Relação en e a
o mação da Memó ia Au obiog á ica e a
eminiscência pa en al e o géne o dos
adolescen es.

PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
101
4.2. Amos a.
Colhemos, en e Ab il e No emb o de 2005, uma amos a clínica de 76 adolescen es. Sendo
o au o des e abalho psicólogo clínico de c ianças e adolescen es no Depa amen o de
Pedia ia do Hospi al Ped o Hispano (Ma osinhos - Po o), odos os pedidos, com c i é ios
de inclusão, de consul a a c ianças e adolescen es en e os 11 e os 16 anos, ize am pa e
des a in es igação.
Pa a a consul a de Psicologia Clínica de C ianças e Adolescen es, são encaminhados
pedidos de consul a p o enien es do Depa amen o de Pedia ia e dos Cen os de Saúde da
comunidade ci cundan e, com base em mo i os, ais como: a) a aliação de compe ências
cogni i as e di iculdades de ap endizagem; b) Dis ú bios do compo amen o; c) Dis ú bios
A ec i os; d) Dis ú bios Psicossociais: sepa ação ma e na e lu os.
O p o ocolo de in es igação se iu pa a inicia o p ocesso de a aliação aos casos pa a,
e en ual, in e enção psicológica. Es e p ocedimen o adqui e pa icula impo ância pa a
a in es igação, po que, sabendo os pais que a espos a ao p o ocolo em po base um
melho conhecimen o da si uação dos ilhos, az aumen a , desde logo, o ní el de
colabo ação e, po conseguin e, a idelidade das espos as aos ins umen os de a aliação.
Fo am aplicados aos pedidos de consul a psicológica, os seguin es c i é ios de exclusão da
in es igação:
a) De ido a não exis i em e idências empí icas ace ca da elação en e os dé ices
cogni i os e a ep esen ação da Memó ia Au obiog á ica (Hayne e MacDonald,
2003), op amos po exclui os casos com suspei a de Dé ice Cogni i o. Dado que as
dú idas se cen am ao ní el da elação en e pensamen o ope a ó io da memó ia e
o ní el de ca ego ização semân ica das emoções e dos sen imen os, aplicamos o
Tes e de In o mação da ‘Weschle In elligence Scale o Child en e são III’, que
pe mi iu disc imina a capacidade de ca ego ização semân ica.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
102
b) Si uações com pelo menos uma ep o ação escola , endo como causa as
di iculdades de ap endizagem.
c) Adolescen es que i em em egime socio amilia de monoma e naidade, pa a
possibili a a selecção en e, pelo menos, duas igu as pa en ais ou amilia es
eminiscen es.
d) Fo am excluídos os casos com his ó ia clínica comp o ada de p oblemas
Neu opsicológicos: T auma ismo C aneo-Ence álico, Epilepsia, Mic oce alia e
Doença In ecciosa Ence álica.
e) Os jo ens que já i essem sido sujei os, em pelo menos 4 sessões, a in e enção
psicológica.
) Excluímos os casos com suspei a dos seguin es dis ú bios do o o psicopa ológico:
Sínd oma de Espec o Au is a, al a incidência de Psicose amilia , his ó ia
comp o ada de maus- a os e abuso sexual, suspei a de consumo de d ogas
psico ópicas.
g) Fo am excluídas c ianças com his ó ia de ins i ucionalização po mal a o ou
negligência amilia .
4.2.1.Desc ição da amos a com base no géne o e idade.
Em e mos de idade, ob i emos um esul ado médio de 12.8 anos (DP = 1.7). Na elação
en e géne o e idade, os apazes êm uma média de 12.7 anos (DP = 1.5) e as apa igas de
13.1 (DP = 1.9). Na Tabela 2, ap esen a-se a dis ibuição da a iá el géne o, endo em
con a a idade.
Tabela 2. Dis ibuição do géne o pelas di e en es idades.
11
ANOS
12
ANOS
13
ANOS
14
ANOS
15
ANOS
16
ANOS
TOTAL
Masculino 11 12 11 4 4 3 45
Feminino 10 36345 31
To al 21 15 17 7 8 8 76
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
103
4.3. Medidas.
4.3.1. Aplicação e co ação do Diálogo Emocional de Reminiscência (DER).
A adopção de uma me odologia que pe mi isse obse a a qualidade das in e acções
linguís icas de eminiscência pa ilhada en e a díade, igu a pa en al/ ilho, eque eu um
es udo p é io sob e as me odologias já conhecidas, nes e e eno de in es igação, bem
como a elabo ação de ins umen os de a aliação ap op iados aos nossos objec i os.
Designamos Diálogo Emocional de Reminiscência (DER) à in e acção linguís ica en e a
díade, a pa i do qual a aliamos a Reminiscência pa ilhada, bem como ou as a iá eis
associadas. Inicialmen e, seleccionamos as emoções sujei as ao DER, depois es abelecemos
as ca ego ias da Reminiscência e, po im, elabo amos o p ocedimen o de ecolha de
in o mação e co esponden e o ma de co ação do con eúdo do DER.
Pa a escolhe as emoções sujei as a in es igação, baseamo-nos na pe spec i a da
psicologia e olu i a das emoções, dado que podemos especi ica pelo menos qua o ipos
de o ganizações biocompo amen ais emocionais básicas e ina as – o Medo, a Aleg ia, a
T is eza e a Rai a (Ekman, 1992; Iza d, 1971; Oa ley, 1992; Plu chick, 1980), eguladas
pelos con ex os cul u ais e in e acções sociais (A e ill, 1982; B e he on e al., 1985;
Lewis, 1992; Lu z e Whi e, 1986) e u ilizadas, empi icamen e, na obse ação das
in e acções emocionais en e pais e ilhos (Dunn e al., 1987; Dunn e al., 1991).
Pa a o es abelecimen o dos c i é ios de análise de con eúdo do DER, baseamo-nos nas
in es igações sob e os e ei os da Reminiscência e Elabo a i idade ma e na na cons ução
de na a i as au obiog á icas nas c ianças (Fi ush, 1989; Fi ush, 1991; Fi ush, 1993; Fi ush
e Kuebli, 1997; Fi ush e Buckne , 2000; Newcombe e Reese, 2004). Inspi amo-nos,
undamen almen e, em dois manuais que êm supo ado es e e eno de in es igação -
Emo ion Coding Manual (Adams e al., 1997; Fi ush e Buckne , 2000) e o Ma e nal
Reminiscing Coding Manual (Reese e Fi ush, 1993 e Fi ush e F omho , 1988).
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
104
4.3.1.1. Aplicação do Diálogo Emocional de Reminiscência (DER).
Inicialmen e, elabo amos uma En e is a, jun o do jo em, pa a a e i a igu a mais
eminiscen e. A ‘En e is a de Reminiscência Pe cebida’ (E.R.P.)2 pe mi e conhece não só
a pe cepção que o jo em em da emniscência em ge al, bem como a igu a, que no seu
ambien e amilia , mais ealiza in e acções de Reminiscência pa ilhada. Essa igu a,
p o a elmen e, se á quem em maio in luência pa a signi ica e sis ema iza as
expe iências i idas do jo em (Nelson, 2004). As 6 ques ões cons an es na E.R.P. são as
seguin es: 1. ‘Quem são as pessoas com quem i es em ua casa? ‘; 2. ‘É cos ume as
pessoas da ua amília aze em pe gun as sob e o que e acon ece em ge al du an e o eu
dia ?; 3. ‘Das pessoas com quem i es, quem mais e pe gun a sob e o que e acon ece em
ge al du an e o dia?’ 4. ‘Das pessoas com quem i es, quem mais e pe gun a sob e o
aquilo que u sen es du an e o dia?’; 5. ‘Das pessoas com quem i es, com quem p e e es
ala sob e o que e acon ece em ge al? ‘; 6. ‘Das pessoas com quem i es, com quem
p e e es ala sob e o que u sen es sob e as coisas que e acon ecem? ‘. Pa a a e i a
igu a eminiscen e epo amo-nos às espos as às ques ões nos 3 e 4.
Obse a-se que 100% dos adolescen es pa icipan es na in es igação pe cepcionam a mãe
como a igu a ma e na mais eminiscen e, sabendo que in es igamos, somen e, amílias
bipa en ais. Po es a azão, quando nos e e imos à igu a ma e na es amos semp e a lida
com a igu a ma e na.
Após omada de conhecimen o da igu a eminiscen e, c iámos um con ex o que
possibili asse g a a , em áudio3, o DER. Depois, explicámos à igu a ma e na o
p ocedimen o e objec i o do DER e en egámos 4 Ca ões (3" X 5") esc i os com a pala a-
emoção (MEDO, TRISTEZA, RAIVA e ALEGRIA). Quando a pala a-emoção não e a comum ao
léxico social da igu a ma e na, dispúnhamos de uma lis a de sinónimos al e na i os: MEDO
2 Anexo 1. En e is a de Reminiscência Pe cebida (E.R.P.).
3 U ilizamos o P ocedimen o de Au o ização do Código Deon ológico dos Psicólogos pa a G a ação Áudio de In o mação
Pessoal pa a ins de In es igação (Sindica o Nacional de Psicólogos e Eu opean Fede a ion o Psychologis s
Associa ions).
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
111
4.3.2. A aliação da memó ia au obiog á ica.
Pa a obse a a ep esen ação da Memó ia Au obiog á ica em adolescen es, inspi amo-nos
no Au obiog aphical Memo y Tes (AMT) (Williams e B oadben , 1986). O AMT ap esen a-se
como uma me odologia que exige mui o pouco es o ço cogni i o de in e p e ação das
ins uções. Na e são o iginal, o AMT ap esen a-se em o ma o Au o-Adminis ado aplicado
a adul os, o necendo-se ao pa icipan e um bloco de eze páginas. Em cada página es á
mencionada uma pala a-es ímulo, con ando no o al com quinze pala as, cinco com
alência emocional posi i a, cinco com alência emocional nega i a e cinco com alência
neu a. Ao pa icipan e é pedido que ecupe e memó ias au obiog á icas associadas a cada
pala a. No e-se que o pa icipan e é le ado a exp imi uma memó ia especí ica. Nes a
e são, os sujei os possuem 60 segundos pa a cada pala a.
O AMT em sido u ilizado pa a análise da associação en e Memó ia Au obiog á ica e
dis ú bios a ec i os em adul os, no âmbi o dos e ei os da sob egene alização e da
especi icidade.
De aco do com uma me odologia sus en ada pelos es udos sob e a Memó ia Au obiog á ica
de Conway e Pleydell-Pea ce (2000), aplica-se um sis ema de codi icação das espos as que
nos pe mi e o ganiza , di e encia e sis ema iza a Memó ia Au obiog á ica emocional. O
AMT (Williams, 1996) baseia-se num sis ema de pesquisa de p ocessamen o da
ep esen ação da memó ia, pe mi indo classi ica ês ipos de memó ias au obiog á icas
(Conway, 1997): ca egó ica, especí ica e es endida (Tabela 3.).
Tem sido e e ida uma boa alidade in e na (in e a e eliabili y) na codi icação do AMT,
Swales e al. (2001) e e em k = .92 e .85 em amos as clínicas e de con olo,
espec i amen e.

PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
112
Tabela 3. Sis ema de Codi icação da Rep esen ação da Memó ia Au obiog á ica.
SISTEMA DE CODIFICAÇÃO DE RESPOSTAS DE MEMÓRIA AUTOBIOGRÁFICA
MEMÓRIA CATEGÓRICA
Acon ecimen o que e lec e ac i idades epe idas.
MEMÓRIA ESPECÍFICA Acon ecimen o mui o pa icula num cu o espaço de
empo (menos de um dia).
MEMÓRIA ESTENDIDA Acon ecimen o e e en e a um pe íodo da nossa ida
que du ou mais que um dia.
OMISSÃO Quando o sujei o não emi e qualque espos a.
No que se e e e às memó ias au obiog á icas especí icas, elas de em se bem delimi adas,
em e mos empo ais, como os exemplos: “o dia em que o meu a ô mo eu” ou “o dia em
que ecebi os esul ados do meu exame”. Quando o sujei o nos o nece uma memó ia,
empo almen e, imp ecisa (“ ecebe esul ados dos exames”), o in es igado de e mo i á-
lo a especi icá-la (“podes pensa num empo pa icula ?”). Se o sujei o e e e um empo
especí ico a sua espos a o iginal é codi icada de ‘especí ica’. Ap esen a-se na Tabela 4
um exemplo do p ocedimen o expe imen al do inqué i o no AMT.
Tabela 4. Exemplo de espos a a emoção-es ímulo ex aído do AMT (Williams, 2001)
Respos a ace a uma pala a-es ímulo do AMT Código do AM
T
Emoção-es ímulo Culpa
Respos a Quando men i à minha mãe.
Re o ço Podes pensa num pe íodo pa icula
?
Respos a No domingo passado ‘especí ica’
Quando se ecupe a uma memó ia de um e en o e, es e, se epo a a um pe íodo de
empo, com du ação maio que um dia (“as minhas é ias em Lisboa no ano passado” ou
“quando eu i ia em Ba celona”), de emos codi ica de ‘es endida’, po que se e e e a um
pe íodo de empo de inido. T a a-se de uma e e ência a um pe íodo da ida pessoal com
uma delimi ação empo al. Segundo os in es igado es, as memó ias es endidas ap esen am
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
113
semelhanças com as especí icas, na medida em que dependem de uma ca ego ização
empo al. Do pon o de is a de economia cogni i a, es e ipo de ca ego ização empo al
da memó ia pessoal pe mi e eduzi o iés das memó ias de expe iências nega i as e, es e
e ei o, em-se a ibuído o nome de especi icidade da memó ia au obiog á ica.
Quando o sujei o se e e e a memó ias que se p endem com ac i idades que se epe em de
o ma equen e (“quando ou ao ca é com os meus amigos” ou “quando ou anda de
bicicle a”), elas de em se codi icadas de ca egó icas. A di e ença, ace às an e io es, é
que nes e ipo de memó ias não exis e um e e en e limi a i o de empo. A não exis ência
de uma limi ação empo al pode á le a a que es as memó ias sejam mais suscep í eis de
iés mnémico ope ado pelas emoções. Daí se em associadas ao e ei o da
sob egene alização da Memó ia Au obiog á ica quando os pa icipan es e ocam memó ias
com alência emocional nega i a.
Finalmen e, su gem as Omissões. Pa a se eduzi o ní el de in e ência in e p e a i a, é
aconselhado associa o núme o de omissões numa lógica de p opo cionalidade ace às
es an es espos as, endo em con a o núme o de espos as po alência emocional, de
aco do com o núme o de espos as o ais no AMT.
De e-se di e encia , es a is icamen e, o núme o de espos as especí icas e ca egó icas. Na
e são o iginal do AMT, de e-se, ainda, ealiza ope ações de p opo cionalidade das
di e en es ca ego ias de espos a ao AMT (Williams e B oadben , 1986). Alguns
in es igado es do g upo de Williams escolhem ou a classi icação. A ibuem um alo a
cada espos a possí el: especí ica (4); es endida (3); ca egó ica (2); semân ica (1);
omissões (0). Re i a-se que, em mui as in es igações, codi ica-se o empo de la ência
en e a lei u a da pala a-emoção es ímulo e a espos a.
Ac edi amos, no en an o, que as pala as-emoções que se ap esen am no o ma o o iginal
do AMT es ão dis an es do uni e so simbólico da in ância e ju en ude. Po es e ac o,
conside amos se necessá io selecciona no os es ímulos-emoções adequados ao uni e so
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
114
in an o-ju enil. O p ocedimen o que é suge ido pelos au o es do AMT, a compe ência de
in ospecção, pode á se acili ada com a in odução de emoções adap adas ao uni e so
in an il.
4.3.2.1. Desenho e sis ema de co ação do es e de memó ia au obiog á ica (TMA) na
e são in an o-ju enil.
Inicialmen e, oi necessá io e i ica um c i é io que possibili asse a escolha do conjun o
das emoções que ac uassem como es ímulos pa a acili a a a e a de ep esen ação de
expe iências au obiog á icas. Pousse e al. (2004) aconselham u iliza o máximo de
pala as possí eis, no sen ido de aumen a a p obabilidade de u iliza es es de es a ís ica
pa amé ica. Baseamo-nos na lis a de pala as do es udo de B i lebank e al. (1993)
ex aindo-se uma amos a de 72 pala as subdi ididas po ês g upos de 24: emoções
Posi i as e Nega i as e pala as Neu as. Nes e es udo, com 15 c ianças en e os 10 e os 17
anos, oi ex aído um sis ema de equências de oco ência pa a cada alência emo i a, o
que nos pe mi iu encon a o c i é io de escolha das 20 pala as subdi ididas po duas
alências emo i as posi i a e nega i a e um g upo de 10 pala as neu as (Tabela 5).
Tabela 5. Pala as-Emoção e Pala as Neu as do TMA e são in an o-ju enil
POSITIVA NEGATIV
A
NEUTR
A
Co agem
Sa is ei o
Di e ido
Feliz
Capaz
Amigo
Con en e
T anquilo
Es o ço
Resol e
Medo
I i ado
Ne oso
T is e
Culpado
Sozinho
Abo ecido
P eocupado
Cansado
Indeciso
Sapa o
Nu em
Es ada
Chá ena
Pão
Tele one
Cadei a
Pássa o
Ped a
Es ela
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
115
A quan idade de 30 pala as pe mi e a ia os es ímulos, de o ma equen e, o que
espei a não só o i mo de a enção da c iança como, ambém, se associa à capacidade
limi ada, em compa ação com o adul o, em ecupe a in o mação au o- e e enciada.
O nosso Tes e de Memó ia Au obiog á ica (TMA, e são 1.0) ob e e uma consis ência
in e na signi ica i a (Alpha de C onbach = .86).
Hou e ainda necessidade de ajus a as ins uções ao pensamen o in an o-ju enil:
“Vamos aze um jogo onde ais eco da acon ecimen os que se passa am na ua
ida. Pa a isso ou le pala as que e azem eco da acon ecimen os da ua ida.
O acon ecimen o pode e sido on em, há uma semana ou há mui o empo a ás.
Impo a é eco da es o máximo de memó ias possí eis pa a cada pala a. Pode se
um acon ecimen o impo an e ou não. Repa a que não há espos as ce as ou
e adas, o que con a é aquilo que consegues eco da .”
Vamos a um exemplo: “LIVRO - O que é que es a pala a e az eco da ? (1
minu o)
Vamos lá en ão, u és capaz! No inal do jogo digo- e o quan o os e capaz de
eco da !”
No Anexo 3, ap esen a-se o o ma o da e são 1.0 do Tes e de Memó ia Au obiog á ica
Emocional adap ado ao uni e so in an o-ju enil.
Pa a cada pa icipan e, ealizámos dois ipos de co ações das espos as ao TMA. A p imei a
espei ou o soma ó io de especí icas, ca egó icas, es endidas e omissões, de aco do com as
ês alências e, ainda, com o núme o o al de especí icas, ca egó icas e es endidas e
omissões. Ex aímos, ainda, o núme o o al de espos as ao TMA, com exclusão do núme o
de omissões. Como se pode e i ica , na Tabela 6, é possí el encon a 20 ipos de
espos as ao TMA.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
116
Tabela 6. Soma ó io di ec o das espos as ao TMA ( e são in an o-ju enil)
VAL
Ê
NCIA ESPEC
Í
FICAS CATEG
Ó
RICAS ESTENDIDAS OMISSÕES TOTAL
POSITIVA
Nº Especí icas
Nº Ca egó icas Nº Es endidas Nº Omissões
To al de Respos as
à Valência Posi i a
(menos as Omissões)
NEGATIVA
Nº Especí icas
Nº Ca egó icas Nº Es endidas Nº Omissões
To al de Respos as
à Valência Nega i a
(menos as Omissões)
NEUTRA
Nº Especí icas
Nº Ca egó icas Nº Es endidas Nº Omissões
To al de Respos as
à Valência Neu a
(menos as omissões)
To al
To al Especí icas
To al Ca egó icas To al Es endidas To al Omissões
Nº To al de Memó ias
(menos as Omissões)
A segunda co ação do TMA espei a, den o de cada alência emocional e ace ao To al de
espos as do TMA, a p opo cionalidade ace à o alidade de espos as. Es e p ocedimen o
pe mi iu adiciona mais 24 ipos de espos as às 20 e e idas, o que aumen a a
possibilidade de se obse a maio a iabilidade nos e ei os do TMA (Tabela 7).

PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
117
Tabela 7. P opo cionalidade das Respos as ao TMA
VAL
Ê
NCI
A
TIPO DE MAB PROPORCIONALIDADE DE RESPOSTAS AO TMA
POSITIVA
Especí icas
P opo ção de Especí icas na Valência Posi i a
P opo ção de Especí icas Posi i as no To al do TMA
Ca egó icas
P opo ção de Ca egó icas na Valência Posi i a
P opo ção de Ca egó icas Posi i as no To al do TMA
Es endidas
P opo ção de Es endidas na Valência Posi i a
P opo ção de Es endidas Posi i as no To al do TMA
Omissas
P opo ção de Omissas na Valência Posi i a
P opo ção de Omissas Posi i as no To al do TMA
NEGATIVA
Especí icas
P opo ção de Especí icas na Valência Nega i a
P opo ção de Especí icas Nega i as no To al do TMA
Ca egó icas
P opo ção de Ca egó icas na Valência Nega i a
P opo ção de Ca egó icas Nega i as no To al do TMA
Es endidas
P opo ção de Es endidas na Valência Nega i a
P opo ção de Es endidas Nega i as no To al do TMA
Omissas
P opo ção de Omissas na Valência Nega i a
P opo ção de Omissas Nega i as no To al do TMA
NEUTRA
Especí icas
P opo ção de Especí icas na Valência Neu a
P opo ção de Especí icas Neu as no To al do TMA
Ca egó
icas
P opo ção de Ca egó icas na Valência Neu a
P opo ção de Ca egó icas Neu as no To al do TMA
Es endidas
P opo ção de Es endidas na Valência Neu a
P opo ção de Es endidas Neu as no To al do TMA
Omissas
P opo ção de Omissas na Valência Neu a
P opo ção de Omissas Neu as no To al do TMA
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
118
4.3.3.A aliação dos dis ú bios a ec i os em adolescen es.
4.3.3.1. A aliação da dep essão ju enil.
Pa a ob e uma pon uação ípica da Dep essão in an o-ju enil, u ilizamos o cons uc o da
Dep essão cons an e no CDI (Child en Dep ession In en o y, Ko acs, 1985). Os es udos de
a e ição, ao con ex o po uguês, es i e am a ca go de Dias e Gonçal es (2001).
T a a-se de um ques ioná io au o-adminis ado de lei u a básica e adap ado pa a a idade
escola básica e o início da p é-adolescência (7–17 anos). De aco do com P ou e Chizik
(1988), o CDI exige um ní el de comp eensão da lei u a ( eadabili y le el) adequado às
compe ências cogni i as das c ianças e adolescen es. Pa a Smucke e al. (1986) o uso do
CDI suge e, não apenas, que a dep essão exis e nas c ianças e adolescen es, numa o ma
compa á el à obse ada nos adul os, mas ambém, que, a mesma, pode se medida com
igo . Os es udos de alidade (Kazdin e al., 1986) admi em que o CDI es á bem
co elacionado com ou as medidas como o Hopelesness Scale o Child en, o Re ised
Child en’s Mani es Anxie y Scale e o Pie s-Ha is Sel -Concep . Os es udos de alidade
e e em que o CDI disc imina c ianças com diagnós ico de dep essão de c ianças no mais e,
mesmo, c ianças ligei amen e dep imidas ou com dep essão em emissão (McCauley e al.,
1988). O in en á io comp eende 5 sub-escalas que co espondem a ac o es/sin omas da
dep essão in an o-ju enil: ‘Es ado de ânimo nega i o’; ‘P oblemas in e pessoais’;
‘Ine icácia’; ‘Anedonia’; ‘Baixa au o-es ima’.
Cada um dos 27 i ens, que cons i ui o CDI, exige que a c iança escolha uma das ês ases
que melho desc e e sen imen os e ideias sen idas nas duas úl imas semanas. Es as
a i mações ep esen am sin omas ca ac e ís icos de pa icipan es não dep imidos,
mode adamen e dep imidos e o emen e dep imidos. O esul ado o al é o soma ó io das
escolhas pon uá eis. Os alo es numé icos da pon uação a a ibui , a cada i em, oscilam
en e 0 e 2. No anexo 4, ap esen a-se a e são comple a do CDI.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
119
Uma consis ência in e na, ela i amen e ele ada, cons i ui uma das ca ac e ís icas mais
impo an es des e in en á io. Os alo es ela i os à p ecisão es e- e es e são,
consensualmen e, conside ados acei á eis ou adequados e idên icos aos encon ados pa a
a in o mação que é comunicada pelos pais. De um modo ge al, a idelidade es e- e es e é
an o maio quan o mais eduzido é o in e alo en e as aplicações em g upos de c ianças
com p oblemas emocionais (McCauley e al., 1988).
Exis em á ios pa âme os pa a in e p e a os esul ados. Os 27 i ens do CDI p oduzem um
esul ado o al que oscila en e 0 e 54 pon os. A co ação a a ibui é an o mais ele ada
quan o mais g a e o , em e mos clínicos, o compo amen o assinalado. Vá ios es udos
ealizados suge em que o esul ado médio ob ido po c ianças sem psicopa ologia é,
ap oximadamen e, 9 pon os. No en an o, é possí el u iliza um índice disc imina i o (cu -
o sco e) co esponden e ao ní el de 10% de esul ados mais ele ados da dis ibuição. O
nosso es udo de idelidade da CDI mos ou al a consis ência in e na e boa alidade
disc iminan e mani es a no esul ado de al a .80.
4.3.3.2. A aliação da ansiedade ju enil.
Pa a ob e mos uma medida de Ansiedade ju enil, u ilizamos o RCMAS (‘Re ised Child en’s
Mani es Anxie y Scale’), com base na e são do Child en’s Mani es Anxie y Scale (CMAS)
de Cas eneda e Pale mo (1956). O RCMAS oi desen ol ido po Reynolds e Richmond
(1979), apoiando-se nos es udos ac o iais de Reynolds e Page (1981).
T a a-se de um in en á io que a alia sin oma ologia ansiosa em c ianças e adolescen es,
incluindo i ens ela i os à ansiedade, enquan o aço, e i ens que pe mi em de ec a uma
endência pa a eagi , de aco do com os p incípios da desejabilidade social. Tem ido
aplicação ao con ex o clínico, educa i o e de in es igação.
Dos 37 i ens, 28 elacionam-se com á ios aspec os da Ansiedade-T aço (‘sou ne oso’;
‘ enho di iculdades em espi a ’) e 9 elacionam-se com a desejabilidade social (‘digo
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
120
semp e a e dade’). Os i ens consis em em pe gun as com apenas duas possibilidades de
espos a: sim ou não. O índice global de ansiedade pode a ia de 0 a 37, ob endo-se
a a és da soma do núme o o al de i ens.
Nos es udos po ugueses (Fonseca, 1992) a escala e elou uma boa consis ência in e na
(alpha = .78) e uma boa idelidade es e- e es e ( (20) = .68), ela i a ao pe íodo de um
mês. Os es udos de alidade disc iminan e e ela am di e enças al amen e signi ica i as (F
(1,6) = 16.2, p<.00), en e um g upo de c ianças ins i ucionalizadas e um g upo de c ianças
em meio amilia no ma i o. Es es esul ados es ão em consonância com ou os es udos de
alidade (Yule e Raynes, 1972). Na análise de alidade conco en e, os in es igado es
u iliza am o EPQ-júnio e o In en á io de Medos Re is o (Ollend ick, 1983) e e i ica am
al as co elações com o RCMAS, = .45 e = .57, espec i amen e. Os esul ados suge em
que a e são po uguesa da RCMAS ap esen a boas ca ac e ís icas psicomé icas,
designadamen e, no que conce ne, à consis ência in e na, à idelidade es e- e es e, à
alidade disc iminan e e à alidade conco en e.
O nosso es udo de idelidade da RCMAS mos ou al a consis ência in e na e boa alidade
disc iminan e mani es a no esul ado de al a .82. No anexo 5, ap esen a-se a e são
po uguesa do RCMAS.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
127
u ilizamos um p ocedimen o semelhan e ao ealizado pa a o 1º objec i o. Is o é, as
di e en es análises pa a cada na a i a emocional ealiza am-se em unção do géne o dos
adolescen es.
Tendo em con a o 3º objec i o, pa a obse a a elação en e o e ei o da
sob egene alização da memó ia au obiog á ica e os dis ú bios a ec i os dos adolescen es
em es udo, ealizámos uma análise co elacional, en e as pon uações das escalas de
dis ú bios a ec i os (CDI, RCMAS e o YSR) e as a iá eis elacionadas com a
p opo cionalidade das espos as ao TMA, nas ês alências em es udo (posi i a, nega i a e
neu a). De aco do com os es udos de Williams (1992, 1996), o e ei o de
sob egene alização in e e-se a pa i das a iá eis que e elem p opo ção de memó ias
ca egó icas na alência nega i a do TMA, ace ao o al de memó ias e ocadas na alência
nega i a e ao o al de memó ias e ocadas no TMA.
Dado não exis i em es udos clínicos ace ca da elação en e a sob egene alização da
memó ia au obiog á ica e os dis ú bios a ec i os em adolescen es, in es igamos, a a és
do Modelo de Análise da Reg essão Linea (Mé odo S anda d,) qual o melho p edi o da
memó ia au obiog á ica ace à psicopa ologia ju enil, endo em con a os ins umen os de
a aliação de dis ú bios a ec i os (CDI, RCMAS e o YSR).
Finalmen e, analisamos a elação en e o e ei o da sob egene alização da memó ia
au obiog á ica e os dis ú bios a ec i os, endo em con a o géne o dos adolescen es, de
aco do com o 4º objec i o. Aplicamos o p ocedimen o desc i o no pa ág a o an e io .

PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
128
5.1. Análises Desc i i as.
5.1.1. Desc ição das ca ego ias da eminiscência ma e na.
T a ando-se de qua o na a i as emocionais, en e a díade igu a ma e na-adolescen e,
de aco do com as si uações emocionais induzidas (MEDO, TRISTEZA, RAIVA e ALEGRIA),
desc e e-se o desempenho global das díades da amos a, de aco do com as ca ego izações
ap esen adas: Reminiscência, Elabo a i idade, Supo e, Exp essões Emocionais e Tipo de
Memó ia E ocada na Reminiscência (MER) pela igu a ma e na. Na Tabela 8, ap esen am-se
os esul ados e e en es à p esença de Reminiscência, Elabo a i idade e Supo e.
Tabela 8. F equências e pe cen agens das ca ego ias: Reminiscência, Elabo a i idade e Supo e em cada na a i a.
NARRATIVAS
EMOCIONAIS
REMINISC
Ê
NCIA
ELABORATIVIDADE
SUPORTE
P esença
A
usência P esença
A
usência P esença
A
usência
F eq. (%) F eq. (%) F eq. (%) F eq. (%) F eq. (%) F eq. (%)
M
EDO 44 (58%) 32 (42%) 31 (40%) 45 (59%) 23 (30%) 53 (70%)
TRISTEZA 48 (63%) 28 (37%) 32 (42%) 44 (58%) 24 (32%) 52 (68%)
RAIVA 49 (65%) 27 (35%) 33 (43%) 43 (57%) 20 (26%) 56 (74%)
ALEGRIA 63 (83%) 13 (17%) 39 (51%) 37 (49%) 27 (35%) 49 (65%)
TOTAL 67.5% 32.5% 44% 66% 30.7% 69.3%
Quan o às exp essões emocionais, o seu núme o depende do soma ó io de exp essões
u ilizadas pela díade du an e o DER. Ap esen am-se, na Tabela 9, as médias e o des io
pad ão de exp essões u ilizadas pela díade, de aco do com cada na a i a.
Tabela 9. Médias e des io pad ão das Exp essões Emocionais em cada na a i a.
NARRATIVAS
EMOCIONAIS
EXPRESSÕES EMOCIONAIS
N = 76
M (DP)
M
EDO 2,5 (3,1)
TRISTEZA 2,9 (3,5)
RAIVA 3,0 (3,3)
ALEGRIA 2,6 (2,2)
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
129
Na Tabela 10, expomos a desc ição da equência de memó ias e ocadas pela igu a
ma e na na Reminiscência, endo em con a cada si uação emocional.
Tabela 10. F equências do Tipo de Memó ia E ocada na Reminiscência (MER) pela igu a ma e na
NARRATIVAS
EMOCIONAIS
TIPO DE MEM
Ó
RIA EVOCADA NA REMINISC
Ê
NCIA PELA FIGURA MATERN
A
CATEG
Ó
RICAS
F eq (%)
ESPEC
Í
FICAS
F eq (%)
ESTENDIDAS
F eq (%)
OMISSÕES
F eq (%)
M
EDO 22 (28,9%) 20 (26,3%) 2 (2,6%) 32 (42%)
TRISTEZA 22 (28,9%) 24 (31,6%) 2 (2,6%) 28 (36,8%)
RAIVA 30 (39,5%) 19 (25,0%) - 27 (25,5%)
ALEGRIA 29 (38,2%) 32 (42,1%) 3 (3,9%) 12 (15,8%)
TOTAL 103 95 5 79
Tendo em con a a baixa equência de memó ias es endidas e ap oximando-nos mais dos
nossos objec i os de in es igação, es a a iá el MER ai-se ans o ma em a iá el
dico ómica ( a iá el dum), a ibuindo o alo 1 a especí icas e o alo 2 a ca egó icas.
Assim, a MER adqui e duas possibilidades: especí ica ou ca egó ica.
5.1.2. Desc ição das espos as ao es e de memó ia au obiog á ica (TMA) dos
adolescen es.
O p ocesso de codi icação das espos as baseia-se no sis ema de pesquisa de
p ocessamen o da ep esen ação da memó ia (Williams, 1996; Conway e Pleydell-Pea ce,
2000). Face a cada pala a-es ímulo, cada memó ia o necida é classi icada da seguin e
o ma: especí ica, ca egó ica, es endida e omissa. Sabendo que pa a cada sujei o o am
ap esen adas 30 pala as-es ímulo, endo em con a as memó ias globais ao Tes e de
Memó ia Au obiog á ica, ob i emos uma média ge al de 42.3 (DP = 15.8) memó ias
au obiog á icas. Na abela 11, ap esen am-se as médias ge ais de cada ipo de memó ia do
TMA e ocada pelos adolescen es:
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
130
Tabela 11. Médias e Des ios Pad ão das espos as ao Tes e de Memó ia Au obiog á ica.
TIPO DE MEM
Ó
RIA M
É
DIA DP
Especí icas 7.8 9.3
Ca egó icas 32.4 16.4
Es endidas 2.3 3.1
Omissas 3.8 4.1
Obse a-se que os adolescen es p oduzem, com maio exp essão, memó ias ca egó icas em
compa ação com as especí icas e es endidas.
Tendo em con a a alência das pala as-es ímulo, de aco do com a combinação en e ipo
de Memó ia Au obiog á ica e alência emocional, obse a am-se os seguin es esul ados
(Tabela 12).
Tabela 12. Médias e des ios das espos as ao TMA em cada alência emocional.
TIPO DE MEM
Ó
RIA M
É
DIA DP
POSITIVAS
Especí ica 2.7 3.9
Ca egó ica 11.6 6.4
Es endida .68 1.3
Omissão 1.0 1.4
To al Respos as 14.9 5.4
NEGATIVAS
Especí ica 2.1 2.9
Ca egó ica 11.7 5.4
Es endida .90 1.4
Omissão .80 1.3
To al Respos as 14.8 5.6
NEUTRAS
Especí ica 3.0 3.5
Ca egó ica 9.0 6.7
Es endida .73 1.2
Omissão 1.9 2.7
To al Respos as 12.7 6.9
Além da alência emocional da pala a-es ímulo, as ca egó icas são as que ap esen am
maio equência no TMA, endo em con a a alência emocional.
II PARTE - INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
131
Na Tabela 13, ap esen am-se, den o de cada alência emocional do TMA, os esul ados
e e en es à p opo cionalidade das memó ias ace à o alidade de memó ias, assim como
ace ao To al de memó ias do TMA.
Tabela 13. Médias e des ios pad ão da p opo cionalidade das espos as no TMA.
PROPORCIONALIDADE DE MEM
Ó
RIAS NO TMA M (DP)
POSITIVA
Especí icas na Valência Posi i a .19 (.26)
Especí icas Posi i as no To al do TMA .07 (.09)
Ca egó icas na Valência Posi i a .75 (.29)
Ca egó icas Posi i as no To al do TMA .27 (.12)
Es endidas na Valência Posi i a .52 (.09)
Es endidas Posi i as no To al do TMA .17 (.03)
Omissas na Valência Posi i a .12 (.20)
Omissas Posi i as no To al do TMA .04 (.06)
NEGATIVA
Especí icas na Valência Nega i a .14 (.20)
Especí icas Nega i as no To al do TMA .05 (.07)
Ca egó icas na Valência Nega i a .79 (.23)
Ca egó icas Nega i as no To al do TMA .28 (.09)
Es endidas na Valência Nega i a .58 (.09)
Es endidas Nega i as no To al do TMA .02 (.03)
Omissas na Valência Nega i a .10 (.24)
Omissas Nega i as no To al do TMA .03 (.06)
NEUTRA
Especí icas na Valência Neu a .27 (.30)
Especí icas Neu as no To al do TMA .07 (.08)
Ca egó icas na Valência Neu a .69 (.30)
Ca egó icas Neu as no To al do TMA .20 (.11)
Es endidas na Valência Neu a .05 (.09)
Es endidas Neu as no To al do TMA .01 (.02)
Omissas na Valência Neu a .41 (1.2)
Omissas Neu as no To al do TMA .07 (.13)
É na alência nega i a que se obse a maio p opo cionalidade de espos as ca egó icas.
No que conce ne à alência neu a pode-se obse a maio p opo cionalidade de espos as
especí icas e omissas.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
132
5.2. Análises e e en es ao Objec i o 1.: elação en e as ca ego ias da eminiscência
ma e na e a memó ia au obiog á ica dos adolescen es.
Vamos analisa a elação en e as ca ego ias da Reminiscência: Elabo a i idade, Supo e,
Exp essões Emocionais e Tipo de MER (especí ica e ca egó ica)8 pela igu a ma e na, em
cada uma das Na a i as Emocionais (MEDO, TRISTEZA, RAIVA e ALEGRIA), e o ipo de
memó ias au obiog á icas dos adolescen es, endo em con a as 3 alências (posi i a,
nega i a e neu a).
5.2.1. Análise da Na a i a Medo.
Nes a secção, ap esen amos os esul ados e e en es à elação en e as ca ego ias da
eminiscência e a memó ia au obiog á ica dos adolescen es na Na a i a MEDO.
5.2.1.1. Análise da Na a i a Medo: p esença de Reminiscência, elabo a i idade,
supo e e ipo de MER e a memó ia au obiog á ica dos adolescen es.
Ve i ica-se que a p esença Reminiscência, na na a i a MEDO, p omo e a p odução de
memó ias em odas as alências emocionais. Assim, quando há p esença de eminiscência
(M = 16.3; DP = 5.6), os adolescen es exp essam um maio núme o de memó ias
au obiog á icas na alência posi i a do TMA em compa ação com os adolescen es pa a os
quais a igu a ma e na não mani es a eminiscência (M = 13; DP = 4.5) [ (74) = 2.7; p <
.01]. O mesmo acon ece na alência nega i a, uma ez que ha endo p esença de
eminiscência os jo ens exp essam mais memó ias (M = 16.1; DP 6.3) em compa ação com
a sua ausência de eminiscência (M = 13; DP = 3.9) [ (74) = 2.4; p < .01], na alência
neu a [ (73) = 2.0; p < .05] e, inalmen e, no o al de memó ias exp essas no TMA [ (73)
= 2.7; p < .01].
8 A a iá el Tipo de MER oi ecodi icada em 1= Especí ica; 2 = Ca egó ica.

PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
133
Cabe essal a que, somen e, quando há p esença de eminiscência, os adolescen es
exp essam mais es endidas na alência neu a do TMA (M = .95; DP = 1.3),
compa a i amen e com a sua ausência de eminiscência (M = .43; DP = 1.0) [ (73) = 2.0 p
< .01]. De o ma cong uen e, os adolescen es omi em menos memó ias, ace as pala as-
es ímulo posi i as, quando há p esença de eminiscência (M = .77; DP = 5.6), em
compa ação com a sua ausência de eminiscência (M = 1.4; DP 1.5) [ (73) = 2.7; p < .01].
No que se e e e à Elabo a i idade na Na a i a MEDO, obse ámos apenas duas elações
com as memó ias do TMA. A p esença de Elabo a i idade le a os adolescen es a emi i
mais es endidas ace a pala as neu as (M = 1.2; DP = 1.4), em compa ação com a sua
ausência (M =.46; DP = 1.05) [ (74) = 2.3, p < .05]. A p esença da Elabo a i idade le a os
adolescen es a exp essa mais memó ias na alência neu a (M = 14.5; DP = 8.1),
compa a i amen e com a sua ausência (M = 5.6; DP =.83) [ (74) = 1.9, p<.05].
O Supo e acili a, ainda mais, a p odução de memó ias do TMA, em odas as alências
emocionais. Assim, na alência posi i a quando há p esença de Supo e, os adolescen es
emi em mais memó ias au obiog á icas (M = 16.3; DP = 5.6), em compa ação com a
ausência de Supo e (M = 13.0; DP = 4.5) [ (74) = 3.2; p<.01]. Na alência nega i a,
obse a-se o mesmo sen ido, is o é, quando há p esença de Supo e os adolescen es
exp essam mais memó ias (M = 17.9; DP = 7.1), compa a i amen e com a ausência (M =
13.4; DP = 4.2) [ (29) = 2.8; p<.01]. Na alência neu a, obse a-se ambém que a
p esença de Supo e le a os adolescen es a emi i mais memó ias (M = 16.5; DP = 8.3), em
compa ação com a ausência (M = 11.0; DP = 5.3) [ (30,2) = -2.9; p<.01]. Em suma, ace ao
TMA em ge al, con i ma-se que a p esença de Supo e le a os adolescen es a e oca mais
memó ias au obiog á icas (M = 52.1; DP = 19.5), compa a i amen e com a ausência (M =
38.0; DP = 11.6) [ (29,0) = 3.2; P < .01]. Finalmen e, obse a am-se di e enças
signi ica i as na exp essão o al de memó ias es endidas no TMA, e i icando-se que a
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
134
p esença de Supo e le a os adolescen es a exp essa mais es endidas (M = 3.5; DP = 3.4),
em compa ação com a ausência (M = 1.8; DP = 2.7) [ (74) = 2.3; p <.01].
Não encon amos qualque esul ado, es a is icamen e, signi ica i o, ace às di e enças na
a iá el ipo de MER (memó ia e ocada na eminiscência), ace ao ipo de memó ia
au obiog á ica do TMA.
5.2.1.2. Análise da Na a i a Medo: núme os de exp essões emocionais da díade e
memó ia au obiog á ica dos adolescen es.
No a-se que quan o maio o núme o de Exp essões Emocionais pa ilhadas, maio é o
núme o o al de memó ias p oduzidas pelos adolescen es na alência posi i a ( =.25; p <
.05), nega i a ( =.24; p < .05) e neu a ( =.28; p < .05) e no o al do TMA ( =.29; p <
.05). Na alência neu a, obse a-se, ainda, uma co elação posi i a en e as Exp essões
Emocionais com as memó ias especí icas ( =.27; p < .05) e com as memó ias es endidas (
=.24; p < .05).
5.2.1.3. Análise da Na a i a Medo: p edi o es da memó ia au obiog á ica dos
adolescen es.
Aplicando o Modelo de Análise da Reg essão Linea (mé odo s anda d), analisamos as
ca ego ias da Reminiscência: Elabo a i idade, Supo e, Exp essões Emocionais e ipo de
MER (especí ica e ca egó ica) da na a i a MEDO, como a iá eis p edi o as, sob e cada
uma das memó ias au obiog á icas do TMA em sepa ado. A endendo à ex ensão de
a iá eis dependen es e independen es, pa a cada a iá el dependen e (Memó ia
Au obiog á ica) ap esen amos, na Tabela 14, somen e a a iá el independen e com maio
peso es a ís ico.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
135
Tabela 14. P edi o es da Memó ia Au obiog á ica na Na a i a MEDO.
MEM
Ó
RIA AUTOBIOGR
Á
FICA
(VD)
CATEGORIAS DA REMINISCENCIA (VI)
MEDO R.
2
CORRIGIDA
F
(P)
ΒETA
(Β)
T
(P)
Omissas (Val. Posi i a) SUPORTE .93 2.9* -.42 -2.4*
To al Memó ias (Val. Posi i a) SUPORTE .20 5.7*** .58 3.5***
To al de Memó ias (Val. Nega i a) SUPORTE .14 4,0** .57 2.9**
To al de Memó ias (Val. Neu a) SUPORTE .09 3.1* .42 2.4*
To al Memó ias no TMA SUPORTE .18 5.0** .55 3.2**
* p < 05; ** p < 0.01
Face ao objec i o 1., os esul ados e elam que na na a i a MEDO, o Supo e ma e no é o
melho p edi o da exp essão de memó ias au obiog á icas, po pa e dos adolescen es,
em odas as alências emocionais e no o al do TMA. Cong uen emen e, obse a-se que na
alência emocional posi i a, as omissões es ão, nega i amen e, associadas ao meno
Supo e.
5.2.2. Análise da Na a i a T is eza.
Na análise di e encial de médias e e en es à p esença/ausência de Reminiscência,
Elabo a i idade e Supo e não encon amos di e enças signi ica i as en e as memó ias
au obiog á icas dos adolescen es. Também, ace às Exp essões Emocionais, não
encon amos qualque co elação, es a is icamen e, signi ica i a.
5.2.2.1. Análise da Na a i a T is eza: ipo de MER e a memó ia au obiog á ica dos
adolescen es.
Face ao ipo de MER (memó ia e ocada na eminiscência), e i icámos que quando a igu a
ma e na e oca uma memó ia do ipo especí ica, os adolescen es exp essam mais memó ias
es endidas na alência Nega i a (M = 1.5; DP = 1.7), em compa ação com ilhos com quem
a igu a ma e na mani es ou uma memó ia do ipo ca egó ica na MER (M = .59; DP = 1.2) [
(41) = 2.0, p < .05]. Quando a MER é especí ica, no o al de memó ias da alência nega i a
do TMA, os ilhos exp essam mais memó ias (M = 17.1; DP = 5.8), compa a i amen e com
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
136
os ilhos com quem a igu a ma e na e ocou uma MER do ipo ca egó ica (M = 13.8; DP =
4.2) [ (44) = 2.2, p < .05]. Um esul ado equi alen e de e-se ao ac o dos ilhos, com
quem a igu a ma e na e ocou uma MER do ipo especí ica, exp essa em mais es endidas
na alência neu a do TMA (M= 1.2; DP = 1.3), em compa ação com os jo ens com quem a
igu a ma e na e ocou uma MER do ipo ca egó ica (M =. 31; DP = 1.0) [ (42) = 2.5, p <
.05]. A e ocação de especí ica na MER, pela igu a ma e na, le a os adolescen es a
exp essa , no global, mais es endidas (M = 3.8; DP = 3.7), em compa ação com os
adolescen es com quem o am e ocadas memó ias ca egó icas (M = 1.3; DP = 2.3) [ (44) =
2.6, p < .05]. Finalmen e, obse a-se que quando a igu a ma e na e oca memó ias
ca egó icas na MER os ilhos ealizam mais omissões (M = 4.8; DP = 3.8), ace ao o al de
espos as no TMA, compa a i amen e com a si uação de e ocação de memó ias especí icas
na MER pela igu a ma e na (M = 2.2; DP = 2.3) [ (34) = 2.7, p < .05].
Em suma, obse a-se que quan o mais memó ias especí icas e oca a igu a ma e na, mais
memó ias es endidas e ocam os ilhos na alência nega i a, mais es endidas na alência
neu a e no o al do TMA e omi em menos memó ias no o al do TMA.
5.2.2.2. Análise da Na a i a T is eza: P edi o es da memó ia au obiog á ica dos
adolescen es.
De um modo simila à análise dos p edi o es da Na a i a Medo, analisamos as ca ego ias
da Reminiscência: Elabo a i idade, Supo e, Exp essões Emocionais e Tipo de MER
(especí ica ou ca egó ica) da na a i a TRISTEZA, como a iá eis p edi o as, sob e cada
uma das memó ias au obiog á icas do TMA em sepa ado. A endendo à ex ensão de
a iá eis dependen es e independen es, pa a cada a iá el dependen e (Memó ia
Au obiog á ica) ap esen amos, na Tabela 15, somen e a a iá el independen e com maio
peso es a ís ico.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
143
1.3; DP = 1.7) [ (31) = -3.3, p <.01]. Também se obse ou que a e ocação de especí icas
pela igu a ma e na, le a os adolescen es a emi i mais memó ias no o al da alência
nega i a do TMA (M = 17.1; DP = 5.6), em compa ação com os adolescen es com os quais a
igu a ma e na e ocou uma MER do ipo ca egó ica (M = 12.9; DP = 5.8) [ (59) = 2.9, p <
.01]. Do que se obse a, des aca-se o ac o de que a especi icidade da Memó ia
Au obiog á ica no TMA dos adolescen es oco e, quando na MER a igu a ma e na e oca
uma memó ia especí ica.
5.2.4.2. Análise da Na a i a Aleg ia: exp essões emocionais e memó ia au obiog á ica
dos adolescen es.
Face ao núme o de exp essões emocionais na na a i a ALEGRIA, no que se e e e à
alência posi i a, obse a-se uma co elação posi i a com o núme o de especí icas ( =.44;
p < .01) e com o núme o de memó ias es endidas ( =.34; p < .01). Na alência nega i a,
obse a-se uma co elação posi i a com o núme o de memó ias especí icas ( =.32; p < .01)
e memó ias es endidas ( =.27; p < .05). Na alência neu a, obse a-se uma co elação
posi i a en e as memó ias especí icas ( =.36; p < .01). Finalmen e, obse a-se uma
co elação posi i a com o núme o o al de especí icas ( =.42; p < .01) e com o núme o
o al de memó ias es endidas ( =.36; p < .01). Es es esul ados indicam que as exp essões
emocionais de ALEGRIA es ão associadas à maio especi icidade na Memó ia
Au obiog á ica.
5.2.4.3. Análise da Na a i a Aleg ia: p edi o es da memó ia au obiog á ica dos
adolescen es.
Na Tabela 17, analisamos as ca ego ias da Reminiscência: Elabo a i idade, Supo e,
Exp essões e Tipo de MER (especí ica e ca egó ica) pela igu a ma e na na na a i a
ALEGRIA, como a iá eis p edi o as, sob e cada uma das memó ias au obiog á icas do TMA

PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
144
em sepa ado. U ilizamos o mesmo p ocedimen o ace às na a i as an e io es,
ap esen ando, somen e, a a iá el independen e com maio peso es a ís ico.
Tabela 17. P edi o es da Memó ia Au obiog á ica na Na a i a ALEGRIA.
MEM
Ó
RIA AUTOBIOGR
Á
FICA (VD) CATEGORIAS DA REMINISCENCIA (VI)
ALEGRIA
R.
2
CORRIGIDA
F
(P)
ΒETA
(Β)
T
(P)
Especí icas (Val. Posi i a) EXPRESSÕES EMOCIONAIS .21 5.9*** .65 4.5***
Es endidas (Val. Posi i a) EXPRESSÕES EMOCIONAIS .09 2.8* .29 2.0*
Omissas (Val. Nega i a) Tipo de MER .13 2.8* .47 3.6**
Especí icas (Val. Neu a) EXPRESSÕES EMOCIONAIS .11 3.4* .52 3.4**
To al de Especí icas EXPRESSÕES EMOCIONAIS .17 4.9** .60 4.0***
To al de Es endidas SUPORTE .14 4.1** .29 2.0**
* p < 05; ** p< 0.01
Ve i ica-se que as Exp essões Emocionais são o melho p edi o de memó ias especí icas na
alência emocional posi i a e neu a, e do o al de especí icas e, ainda, das es endidas na
alência posi i a. Po ou o lado, o Supo e su ge como melho p edi o , ace à exp essão
de memó ias es endidas no o al do TMA. Po im, o ipo de MER é o melho p edi o das
Omissões na alência nega i a. Em conc e o, são as memó ias ca egó icas, u ilizadas pela
igu a ma e na, as que melho p edizem as omissões na alência nega i a.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
145
5.3. Análises e e en es ao Objec i o 2.: Relação en e as ca ego ias da eminiscência
e a memó ia au obiog á ica endo em con a o géne o dos adolescen es.
Ap esen amos os esul ados da elação en e as ca ego ias da Reminiscência:
Elabo a i idade, Supo e, Exp essões Emocionais e Tipo de MER pela igu a ma e na em
cada uma das na a i as emocionais (MEDO, TRISTEZA, RAIVA e ALEGRIA) com o ipo de
memó ias au obiog á icas, endo em con a o géne o dos adolescen es e, ainda, o ipo de
alência. Pa a acili a a ap esen ação de esul ados expõe-se, em p imei o luga , os
ela i os aos apazes e, pos e io men e, às apa igas.
5.3.1. Relação en e as ca ego ias da eminiscência e a memó ia au obiog á ica nos
Rapazes.
5.3.1.1. Análises de Di e enças na Memó ia Au obiog á ica em unção da p esença ou
ausência das ca ego ias da eminiscência e o ipo de MER (especí ica e ca egó ica) pa a
cada na a i a emocional nos apazes.
Na na a i a MEDO, e i ica am-se di e enças na ca ego ia Supo e. Obse a-se que a
p esença de Supo e, le a os apazes e exp essa em mais memó ias es endidas na alência
neu a (M = 1.8; DP = 1.7), compa a i amen e com a ausência (M = .62; DP = 1.1) [ (43) =
2.3, p < .05].
Na na a i a RAIVA, obse ámos di e enças na Reminiscência e Elabo a i idade. No que se
e e e à Reminiscência, obse a-se que quando há p esença, os apazes exp essam mais
especí icas na alência posi i a (M = 3.4; DP = 4.3), em compa ação com a ausência (M =
.75; DP = 1.1) [ (34) = 3.1, p < .01]. Na alência neu a, no a-se, ambém, que quando há
p esença de eminiscência os apazes emi em mais memó ias especí icas (M = 3.5; DP =
3.8), em compa ação com a ausência (M = 1.3; DP = 1.4) [ (38,9) = 2.9, p < .01]. De o ma
cong uen e, a p esença da Reminiscência na na a i a RAIVA le a os apazes a p oduzi em
mais memó ias especí icas no o al do TMA (M = 9.5; DP = 10.4), em compa ação com a
ausência (M = 3.5; DP = 3.2) [ (36) = 2.9, p < .01]. A ausência de Reminiscência le a os
jo ens apazes a exp imi mais memó ias ca egó icas no o al do TMA (M = 37.2; DP =
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
146
13.5), compa a i amen e com a p esença (M = 27.6; DP = 13.8) [ (43) = 2.2, p < .05].
Quan o à Elabo a i idade na na a i a RAIVA, a sua p esença le a os apazes a exp imi em
mais memó ias especí icas na alência neu a (M = 3.9; DP = 4.2), em compa ação com a
sua ausência (M = 1.8; DP = 2.1) [ (26) = 2.1, p < .05].
Na na a i a ALEGRIA, obse ámos, somen e, di e enças na Reminiscência. Assim, a
p esença de Reminiscência le a os apazes a p oduzi em um maio núme o de especí icas
na alência nega i a (M = 2.4; DP = 3.3), compa a i amen e com a ausência (M = 1.1; DP =
1.1) [ (40) = 2.0, p < .05].
Re i a-se que não encon amos di e enças signi ica i as en e as ca ego ias da
eminiscência e a memó ia au obiog á ica dos apazes na na a i a TRISTEZA.
No que se e e e à análise de di e enças na memó ia au obiog á ica dos apazes em unção
do ipo de MER pela igu a ma e na (especí ica e sus ca egó ica) e na na a i a MEDO,
obse a-se que, quando a igu a ma e na e oca especí icas na MER, os apazes exp essam
menos memó ias au obiog á icas ca egó icas na alência posi i a (M = 7.0; DP = 4.3), em
compa ação com a e ocação de memó ias ca egó icas na MER pela igu a ma e na (M =
14.8; DP = 5.4) [ (19) = -3.3, p < .01]. De o ma cong uen e, es es esul ados mani es am-
se, ambém, no o al de memó ias na alência posi i a: ca egó icas (M = 18.1; DP = 4.8)
e sus especí icas (M = 10.1; DP = 2.9) [ (19) = 3.9, p < .005]. Obse a-se ainda que,
quando a igu a ma e na e oca memó ias especí icas na MER, os apazes exp essam menos
ca egó icas na alência nega i a (M = 6.8; DP = 4.3), compa a i amen e à e ocação de
ca egó icas pela igu a ma e na (M = 13.7; DP = 4.2) [ (19) = -3.5, p < .01]. De o ma
cong uen e, es es esul ados obse am-se no o al de memó ias na alência nega i a:
ca egó icas (M = 16.5; DP = 5.7) e sus especí icas (M = 9.8; DP = 3.8) [ (19) = 2.7, p <
.05]. Nes e sen ido, obse a-se que os apazes mani es am menos memó ias ca egó icas no
TMA, quando a igu a ma e na e oca memó ias especí icas na MER (M = 19.4; DP = 9.7),
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
147
compa a i amen e à e ocação de memó ias ca egó icas (M = 40.1; DP = 14.2) [ (19) = -
3.4, p < .01].
Na TRISTEZA, obse a-se que, quando a igu a ma e na e oca especí icas na MER, os
apazes exp essam menos ca egó icas na alência nega i a (M = 7.8; DP = 4.1), em
compa ação com a e ocação de ca egó icas na MER pela igu a ma e na (M = 11.9; DP =
2.7) [ (20) = -2.8, p <0.05]. Quando a igu a ma e na e oca especí icas, os apazes
exp essam menos ca egó icas no o al de ca egó icas do TMA (M = 22.5; DP = 9.9), em
compa ação quando a igu a ma e na e oca memó ias ca egó icas (M = 33.6; DP = 12.1) [
(20) = -2.3, p < .05].
Na RAIVA, obse a-se que, quando a igu a ma e na e oca memó ias especí icas na MER, os
apazes exp essam menos ca egó icas no o al das memó ias ao TMA (M = 21.5; DP = 6.5),
em compa ação com os apazes em que a igu a ma e na u ilizou ca egó icas (M = 30.4; DP
= 15.5) [ (27) = -2.2, p < .05].
5.3.1.2. Análise co elacional en e o núme o de exp essões emocionais u ilizadas nas
na a i as e a memó ia au obiog á ica nos apazes.
Encon amos uma elação di ec a en e o núme o de exp essões emocionais p oduzidas
pela díade e a memó ia au obiog á ica na na a i a ALEGRIA, designadamen e, uma
co elação posi i a com o núme o de memó ias especí icas na alência posi i a ( = .36, p
< .05) e com o núme o o al de especí icas do TMA ( = .32, p < .05). Não obse ámos
nenhuma ou a co elação.
5.3.1.3. P edi o es da memó ia au obiog á ica em cada uma das na a i as nos
apazes.
Aplicando o Modelo de Análise da Reg essão Linea (mé odo s anda d), analisamos as
ca ego ias da Reminiscência: Elabo a i idade, Supo e, Exp essões Emocionais e Tipo de
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
148
MER pela igu a ma e na, nas qua o na a i as emocionais (MEDO, TRISTEZA, RAIVA e
ALEGRIA), como a iá eis p edi o as, sob e cada uma das memó ias au obiog á icas do
TMA, em sepa ado, endo em con a a selecção do géne o ( apazes). A endendo à ex ensão
de a iá eis dependen es e independen es, pa a cada a iá el dependen e (Memó ia
Au obiog á ica), ap esen amos, na Tabela 18, somen e a a iá el independen e com maio
peso es a ís ico.
Tabela 18. P edi o es da Memó ia Au obiog á ica nas qua o Na a i as Emocionais nos Rapazes.
NARRATIVA MEM
Ó
RIA AUTOBIOGR
Á
FICA
(VD)
CATEGORIAS DA
REMINISCENCIA (VI)
R.
2
CORRIGIDA
F
(P)
ΒETA
(Β)
T
(P)
MEDO
Ca egó icas (Posi i a) Tipo de MER .37 3.9* .67 3.2**
To al de Memó ias (Posi i a) Tipo de MER .61 8.9** .65 4.0**
Ca egó icas (Nega i a) Tipo de MER .38 4.1 .60 2.9**
To al de Ca egó icas Tipo de MER .42 4.7* .67 3.5**
To al de Memó ias no TMA Tipo de MER .39 4.3* .52 2.6*
TRISTEZA
Ca egó icas (Nega i a) Tipo de MER .25 2.9* .44 2.2*
To al de Omissões ao TMA EXPRESSÕES EMOCIONAIS .24 2.8* -.71 -2.5*
RAIVA
Especí icas (Posi i a) REMINISC
Ê
NCIA .15 2.7* .55 2.7*
Es endidas (Nega i a) EXPRESSÕES EMOCIONAIS .20 2.8* .56 3.1**
Especí icas (Neu a) REMINISC
Ê
NCIA .16 3.0* .41 2.0*
To al de Especí icas REMINISC
Ê
NCIA .14 2.8* .45 2.2*
A
LEGRIA To al de Es endidas SUPORTE .13 7.0** .36 2.7**
* p < 05; ** p< 0.01
No que se e e e ao MEDO, é o Tipo de MER pela igu a ma e na que melho explica a
p odução de ca egó icas na alência posi i a, nega i a e no o al do TMA. O Valo BETA
posi i o indica uma elação posi i a en e as memó ias ca egó icas u ilizadas pela igu a
ma e na e as ca egó icas u ilizadas pelo ilho. Quan o à TRISTEZA, obse a-se que o
melho p edi o das ca egó icas na alência nega i a é, ambém, o ipo de MER pela igu a
ma e na. Es es esul ados indicam que o e ei o de sob egene alização na Memó ia
Au obiog á ica pode se explicado pelas igu as pa en ais eminiscen es que e ocam com
os ilhos memó ias ca egó icas. Na na a i a RAIVA é a Reminiscência, po si só, que
melho explica a especi icidade na Memó ia Au obiog á ica na alência posi i a, neu a e

PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
149
no o al do TMA. Ainda assim, é o núme o de exp essões u ilizadas na na a i a que melho
explica a exp essão de es endidas na alência nega i a do TMA. Finalmen e, na na a i a
ALEGRIA, o Supo e é a ca ego ia da eminiscência que melho explica a p odução de
memó ias es endidas.
5.3.2. Relação en e as ca ego ias da eminiscência e a memó ia au obiog á ica nas
Rapa igas.
5.3.2.1. Análises de Di e enças na Memó ia Au obiog á ica em unção da p esença ou
ausência das ca ego ias da eminiscência e o ipo de MER (especí ica e ca egó ica) pa a
cada na a i a emocional nas apa igas.
Na na a i a MEDO, quan o à Reminiscência, e i ica-se que a sua p esença (M = 10.8; DP =
10.0), em compa ação com a ausência (M = 2.6; DP = 5.9), le a as apa igas a emi i mais
memó ias especí icas no o al de memó ias au obiog á icas do TMA [ (29) = 2.3; p < .05].
Também se obse a am as mesmas di e enças signi ica i as, ace ao o al de memó ias
es endidas no o al de memó ias au obiog á icas no TMA [ (28) = 2.9; p < .01]: p esença
de eminiscência (M = 2.8; DP = 2.8) e sus ausência (M = .77; DP = 1.1). Ve i icámos,
ainda, que a p esença de eminiscência le a as apa igas a exp essa em mais memó ias
au obiog á icas na alência nega i a [ (29) = 2.2; p < .05]: p esença de eminiscência (M =
17.8; DP = 6.4) e sus ausência (M = 12.5; DP = 4.6), na alência neu a [ (29) = 2.1; p <
.05]: p esença de eminiscência (M = 14.2; DP = 7.5) e sus ausência (M = 8.1; DP = 7.0) e
ace ao o al de memó ias no TMA [ (29) = 2.2; p < .05]: p esença de eminiscência (M =
48.8; DP = 17.7) e sus ausência (M = 34.0; DP = 14.5).
Na Elabo a i idade na na a i a MEDO cons a a-se que, quando há p esença de
Elabo a i idade, as apa igas exp essam mais especí icas na alência nega i a (M = 3.1; DP
= 3.5), em compa ação com a ausência (M = 1.1; DP = 1.3) [ (17) = 2.1, p < .05]. Podemos
obse a o mesmo esul ado no o al de memó ias especí icas do TMA [ (29) = 2.1, p <
.05]: p esença de Elabo a i idade (M = 12.0; DP = 11.8) e sus ausência (M = 5.1; DP = 5.6)
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
150
e no o al de memó ias es endidas do TMA [ (18) = 2.3, p < .05]: p esença de
Elabo a i idade (M = 3.3; DP = 3.2) e sus ausência (M = 1.3; DP = 1.2).
Ainda na na a i a Medo, a p esença de Supo e ma e no le a as apa igas a p oduzi em
mais memó ias au obiog á icas no o al da alência nega i a [ (29) = 2.3, p < .05]:
p esença de Supo e (M = 18.8; DP = 6.6) e sus ausência (M = 13.9; DP = 5.2), no o al da
alência neu a [ (29) = 2.5, p < .05]: p esença de Supo e (M = 15.7; DP = 7.9) e sus
ausência (M = 9.3; DP = 6.4), e ace ao núme o o al de memó ias au obiog á icas no TMA
[ (29) = 2.3, p < .05]: p esença de Supo e (M = 51.8; DP = 18.5) e sus ausência (M = 37.6;
DP = 14.8).
Na na a i a TRISTEZA, quando há p esença de Reminiscência, na alência posi i a, as
apa igas exp imem mais memó ias especí icas (M = 3.6; DP = 4.6), em compa ação com a
ausência (M = .85; DP = 3.6) [ (27) = 2.5, p < .05]. Obse ámos o mesmo e ei o, ace às
memó ias especí icas na alência nega i a do TMA [ (28) = 2.8, p < .01]: p esença (M =
2.5; DP = 3.0), compa a i amen e com a ausência (M = .57; DP = .78) e no o al de
memó ias especí icas do TMA [ (17) = 2.2, p < .05]: p esença (M =10.0; DP = 10.1), em
compa ação com a ausência (M = 3.1; DP = 5.8). Não encon amos, nas ca ego ias
Elabo a i idade e Supo e da na a i a TRISTEZA, mais esul ados ele an es.
Na na a i a RAIVA, cons a a-se que a p esença de Reminiscência le a as apa igas a
ap esen a mais memó ias especí icas no o al do TMA (M = 11.0; DP = 10.5),
compa a i amen e com a ausência (M = 3.8; DP = 6.0) [ (29) = 2.1, p < .05]. O mesmo
e ei o obse a-se na Elabo a i idade, dado que a p esença le a as apa igas a mani es a
mais memó ias especí icas no o al do TMA (M = 12.4; DP = 12.2), em compa ação com a
ausência (M = 5.6; DP = 2.1) [ (29) = -2.0, p < .05]. Não encon amos, na ca ego ia Supo e
da na a i a RAIVA, mais esul ados ele an es.
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
151
Na na a i a ALEGRIA, não obse ámos di e enças ele an es nas ca ego ias da
Reminiscência.
No que se e e e ao ipo de MER pela igu a ma e na, especi icamen e na na a i a
TRISTEZA, obse ámos que quando o ipo de MER é ca egó ica (M = 5.8; DP = 4.0),
compa a i amen e com o ipo especí ica (M = 1.5; DP = 2.1), as apa igas p oduzem mais
omissões no o al do TMA [ (9) = 2.7; p < .05]. Obse ou-se que, quando a MER é do ipo
especí ica (M = 52.9; DP = 14.2), em compa ação com a MER do ipo ca egó ica (M = 34.0;
DP = 11.7) as apa igas p oduzem mais memó ias au obiog á icas no o al de espos as do
TMA [ (22) = 3.2; p < .01].
Na na a i a RAIVA, obse ámos, de o ma ele an e, que, quando o ipo de MER é do ipo
especí ica, as apa igas exp essam mais memó ias especí icas no o al de memó ias do TMA
[ (18) = 2.5; p < .05]: especí ica (M = 16.3; DP = 11.8) e sus ca egó ica (M = 5.8; DP =
5.5).
Na na a i a ALEGRIA, obse ámos que, quando o ipo de MER é especí ica, as apa igas
p oduzem um maio núme o de memó ias especí icas na alência posi i a [ (22,1) = 2.1; p
< .05]: especí ica (M = 4.5; DP = 5.2) e sus ca egó ica (M = 1.4; DP = 2.2). Um esul ado
simila pode se obse ado, ace ao núme o o al de memó ias na alência nega i a do
TMA [ (24) = 2.3; p < .05]: especí ica (M = 19.1; DP = 5.4) e sus ca egó ica (M = 13.6; DP
= 6.7). Não obse ámos di e enças signi ica i as na na a i a MEDO, endo em con a o ipo
de MER.
5.3.2.2. Análise co elacional en e o núme o de exp essões emocionais u ilizadas nas
na a i as e memó ia au obiog á ica nas apa igas.
No MEDO, obse ámos uma elação posi i a en e o núme o de Exp essões Emocionais e o
núme o o al de memó ias na alência nega i a do TMA ( = .37, p < .05) e no núme o de
especí icas na alência neu a ( = .48, p < .01). Na RAIVA, obse ou-se uma elação
PARTE II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
152
posi i a en e o núme o de Exp essões Emocionais com o núme o de es endidas na alência
posi i a ( = .48, p < .01), com as especí icas na alência neu a ( = .39, p < .05), com o
o al de especí icas ( = .40, p < .05) e com as es endidas do TMA ( = .39, p < .05). Na
ALEGRIA, obse a-se uma elação posi i a com as especí icas na alência posi i a ( = .50,
p < .01), nega i a ( = .40, p < .05), neu a ( = .47, p < .01) e com o o al de especí icas
do TMA ( = .52, p < .01). Finalmen e, obse a-se uma co elação posi i a en e o núme o
de Exp essões e o núme o de es endidas nas ês alências do TMA: posi i a ( = .44, p <
.05), nega i a ( = .51, p < .01), neu a ( = .42, p < .05) e com o o al de es endidas no
TMA ( = .64, p < .01).
5.3.2.3. P edi o es da memó ia au obiog á ica em cada uma das na a i as nas
apa igas.
Aplicando o Modelo de Análise da Reg essão Linea (mé odo s anda d), analisamos as
ca ego ias da Reminiscência: Elabo a i idade, Supo e, Exp essões e Tipo de MER nas
qua o na a i as emocionais (MEDO, TRISTEZA, RAIVA e ALEGRIA) como p edi o es sob e
cada uma das memó ias au obiog á icas do TMA, endo em con a a amos a das apa igas.
A endendo à ex ensão de a iá eis dependen es e independen es, pa a cada a iá el
dependen e (Memó ia Au obiog á ica), ap esen amos, na Tabela 19, somen e a a iá el
independen e com maio peso es a ís ico.