scieee Science in your language
[pt] (orig)

Indígenas galeg@s e indígenas ameríndi@s: atitudes perante a substituição em contextos multilíngues

Abstract

A hipótese que se apresenta nestas linhas identifica a Galiza como um povo indígena no conjunto da lusofonia, o qual pode parecer um atrevimento, mas, segundo tentaremos demostrar, é uma inovação conceitual necessária para adotarmos medidas de recuperação da língua num contexto ameaçado pela substituição.

Read accessible full text

Indígenas galeg@s e indígenas ameríndi@s: atitudes perante a substituição em contextos multilíngues

Author: Moure, Teresa
Publisher: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Year: 2019
DOI: 10.21800/2317-66602019000400009
Source: https://minerva.usc.es/bitstreams/eb521d88-69f6-4fc9-aa1e-3eef898c2686/download
mul ilinguismo
/
a igos
19
No momen o seguin e o dossiê ocaliza, no a igo de Uma ani
Pappuswamy e no a igo de Bapuji Mendem e A ulmozi Sel a aj
(es e disponí el somen e na e são on-line da Ciência & Cul u a no
SciELO), o complexo mul ilinguismo da Índia. O p imei o ap e-
sen a um quad o da di e sidade linguís ica do país, à luz dos dados
do Censo Linguís ico da Índia e discu e em seguida dois ópicos
in e - elacionados, o es a u o das mino ias é nicas e as polí icas de
e e são da pe da linguís ica. O segundo explo a á uma e en e
his ó ica, demons ando como se con o mou, ao longo dos séculos,
a sociedade indiana mul ilíngue.
Mais adian e, Ga u Susan o e Supa mi nos ap esen am um pa-
no ama sob e ou o dos países mais mul ilíngues do mundo, a In-
donésia, ocalizando as polí icas de egis o, conse ação, p omoção
e e i alização das línguas indígenas do país. A compa ação en e as
discussões pa a a Índia e a Indonésia azem pa a o público de língua
po uguesa mui as in o mações no as e suges ões impo an es pa a
o abalho com as línguas indígenas.
Edleise Mendes man ém o oco no mul ilinguismo e na in e -
cul u alidade, abo dando a si uação da educação escola indígena
do B asil. Além de ap esen a um pano ama da si uação, discu e se
e em que medida a in e cul u alidade como p incípio ope acional
es á p esen e nas escolas indígenas b asilei as.
Os dois úl imos a igos azem pa a o palco ou o dos g andes con-
ex os do mul ilinguismo do século XXI: as mig ações in e nacionais
e a con o mação de cidades plu inacionais e de Es ados pós-nacionais.
Vicen Climen -Fe ando ema iza o in e essan íssimo caso de Ba ce-
lona, Espanha, demons ando que as cidades se o na am um labo a-
ó io de expe imen ação com o mul ilinguismo. Magomed Oma o ,
po sua ez, discu e a si uação e as polí icas pa a os imig an es in e -
nacionais na Fede ação Russa, o qua o maio ecep o de imig an es
no mundo, com mais de 11 milhões, e nos ap esen a as ensões que a
imig ação p o oca na na u eza e nas ações do Es ado.
As iden idades, o acismo, as mino ias, os con li os é nicos,
as polí icas públicas, a educação, as mig ações, os di ei os, a eco-
nomia, en e ou os, são emas discu idos nes e Núcleo Temá ico
pelos pesquisado es da Cá ed a Unesco em Polí icas Linguís icas
pa a o Mul ilinguismo, quase odos coo denado es da Cá ed a nas
suas espec i as uni e sidades em se e di e en es países e em qua o
con inen es. A análise e o omen o do mul ilinguismo ai se cons-
i uindo assim, mais e mais, no século XXI, como uma linguís ica
das sociedades, associada, ia polí icas linguís icas, com equidade,
desen ol imen o e jus iça social.
Gil an Mülle de Oli ei a é p o esso associado da Uni e sidade Fede al de San a Ca-
a ina (UFSC), onde coo dena a Cá ed a Unesco em Polí icas Linguís icas pa a o Mul-
ilinguismo (UCLPM/UFSC) (2018-22), que en ol e 22 uni e sidades em 13 países.
Con a o: [email p o ec ed]
No as
1. h p://www.unesco.o g/languages-a las/index.php
indígEnas galEg@s E
indígEnas amE índi@s:
a i udEs pE an E a
subs i uiçãO Em cOn Ex Os
mul ilínguEs*
e esa Mou e pe ei o
1 A hipó ese que se ap esen a nes as linhas iden i ica a Galiza como
um po o indígena no conjun o da luso onia, o qual pode pa ece um
a e imen o, mas, segundo en a emos demos a , é uma ino ação
concei ual necessá ia pa a ado a mos medidas de ecupe ação da
língua num con ex o ameaçado pela subs i uição.
A maio ia d@s galeg@s que não enham es udos especí icos
de linguís ica pa ilham a ideia ge al de que na Galiza se ala em
galego (embo a osse mais exa o dize que ambém se ala galego
po que o con ex o de conco ência com o espanhol em colocado
a nossa língua em si uação de iminen e pe igo) [2]. A pa i daí,
alguns pensa ão que o galego é uma língua de i ada do la im, com
o mesmo s a us de idioma que ou as, como o espanhol, e ou os
que é, simplesmen e, um modo de ala : “o que nós alamos” [3].
Os mo imen os polí icos e sociais su gidos à ol a da digni icação
da língua êm comba ido com ela i o sucesso a ideia de o galego se
um diale o apenas ap op iado em con ex os in o mais, mas a popu-
lação, após 40 anos de go e no democ á ico, con inua a queixa -se
da a i icialidade do s anda d (embo a odos os s anda ds enham
de se a i iciais) pa a logo a segui lamen a que alam “mal”, se-
guindo os modos domés icos ou locais (exa amen e como é ei o
em oda a pa e) ou, de manei a um bocado con adi ó ia com a
p emissa an e io , que é pe ei amen e na u al inco po a o mas
alheias num p ocesso de hib idização semelhan e ao dos c ioulos.
Num con ex o polí ico ad e so à di e sidade e à in eg ação cul u al,
esquece-se olun a iamen e a o igem galego-po uguesa documen-
ada na his ó ia, apesa de a iliação do galego como uma a iedade
do po uguês e conhecidos de enso es en e os g andes ul os li-
e á ios, in elec uais e e udi os. Uma decla ação do géne o de “eu
es ou a ala galego, não a ala em po uguês” é, sem dú ida, um
p econcei o linguís ico guiado pela noção de Es ado, mas amos
en a analisa o seu impac o duma manei a an opológica is o que
pode ia e a e com um ce o o gulho pelo nosso so aque, pelas
nossas peculia idades, e a é con e um a de chau inismo de i ado
das polí icas linguís icas es abelecidas. Na linha habi ualmen e p o-
mo ida pelas ins i uições, a ibo galega pode ala ou não galego,
mas não pode admi i que o galego seja po uguês. Es e é o p imei o
pon o: iden i á io. Tem a e com se mos uma ibo.
2 As e os galegos ap endem no ensino secundá io que o la im
se o nou em galego na Idade Média. Ap endem igualmen e que
20
mul ilinguismo
/
a igos
na al u a, a nossa língua es a a na moda e mui os poe as, mesmo
es angei os, esc e iam naquela a iedade que amos denomina
galego-po uguesa. Os mapas são complicados po que ainda não
ha ia Es ados. Po ém, num momen o de e minado, os e i ó ios ao
sul do Minho o am com ou os mais a as ados de nós e cons i uí am
Po ugal, enquan o os e i ó ios ao no e do Minho caíam sob o
domínio da co oa de Cas ela. Como consequência da pe da de pode
polí ico, na Galiza a língua icou eduzida a âmbi os quo idianos e
associada ao ús ico, ao adicional e equen emen e pouco cul i ada
(du an e os chamados de “séculos escu os”) ou decla adamen e p oi-
bida ( anquismo). Ao sul do Minho, no en an o, a mesma língua
o nou-se em língua de nação, com p esença na co e e no me cado,
na ciência e nos ca és, no público e no p i ado. A ibo, po an o,
ica o a da es u u a do Es ado, isolada da his ó ia e do u u o.
Usa ei dois exemplos que ilus am, a meu e , as ca a e ís icas
linguís icas dessa a iedade ibal, condenada ao desapa ecimen o:
a) Embo a o galego enha desen ol ido a pa i do século XIX
uma ica li e a u a, @s esc i o @s [1] con inuam a e p o-
blemas pa a desen ol e as suas c iações. Imaginemos um
omance onde a p o agonis a é uma mulhe galega na casa
dos 70 anos e juíza de p o issão, um caso documen ado na
li e a u a galega dos úl imos anos [4]. O/a au o /a e ia sé-
ios p oblemas pa a ca a e iza a ala dessa pe sonagem, a
manei a em que se exp essa ia in o malmen e, os p o é bios
que usa ia. É di ícil, al ez, de pe cebe as di iculdades c ia-
i as que se en en am num al caso quando a globalização
di a que habi amos um plane a uni o me. Apenas nós, in-
dígenas, podemos en ende o p oblema: é absolu amen e
in e osímil na sociedade galega a ual que uma mulhe de
p ocedência bu guesa e dessa idade alasse com os ilhos em
galego. Isso é que signi ica não e mos comple amen e (não
ainda, não apesa de an os es o ços) uma língua de nação.
Temos como língua cul a uma a iedade de po uguês. O
que não emos é uma língua e sá il, uma língua com gí ias
p o issionais, com a iações u bano/ u al, com egis os so-
ciais; em pa icula , com egis o ju enil.
b) Vamos, des a manei a, pa a o segundo exemplo. Semp e pe -
gun o nas aulas como se diz em galego uma ase da gí ia
da noi e que @s jo ens usam em espanhol “Esse ío me es á
en ando”. Habi ualmen e espondem com um “Esse ío es-
á-me en ando”. Eis o p oblema da hib idação. Po que que
en a em espanhol enha a aceção de “achegamen o com in-
enção sexual” não signi ica que nou as línguas enha que su-
cede o mesmo. As e os galegos não aduzi iam pa a o inglês
esse signi icado com o e mo en e . De manei a semelhan e,
em espanhol diz-se igual llue e com sen ido dubi a i o. Isso
não signi ica que em galego de amos dize igual cho e, enun-
ciando a o mas pa imoniais do es ilo de se calha ou da, mais
habi ual na Galiza, se quad a. Os galegos não começa iam
uma ase dubi a i a em inglês com equal, mas com pe haps
ou com maybe. A conclusão que se ex ai des e exemplo é que,
no con ex o de conco ência com o espanhol, de em se es i-
muladas as polí icas linguís icas que pe mi am aos alan es da
ibo isolada po uma ba ei a de Es ado oma em con ac o
com uma o ma e sá il e ecunda da sua língua; com uma
língua i a em odos os seus egis os. Dou o modo, acabam
po conhece com maio ap o ei amen o o inglês adqui ido
como segunda língua que a sua p óp ia língua na i a.
Nas polí icas implemen adas du an e es es 40 anos, conside a-
se que a população galega, se es i e den o do seu e i ó io, pe -
manece den o da ibo. Como se a língua, a sua qualidade, já não
con asse. Nada.
Po ém, is a a p oximidade gené ica e his ó ica exis en e en e
os omances da península ibé ica, um galego de qualidade inse o
no conjun o dos países de ala po uguesa, é imp escindí el pa a a
subsis ência. Pe de mos qualidade signi ica passa mos a ala esse es-
panhol que en ol e a ida diá ia (no ensino, na comunicação social
e no elacionamen o com o go e no cen al).
O a, a a iedade o nada em língua de Es ado ao sul do Minho,
o po uguês, iu-se implicada em p ocessos de colonização na Amé-
ica, na Á ica, na Ásia. Eis que a unidade das e ique as pa cialmen e
queb a. Qualque obse ado in e nacional pode pe cebe que en-
e as alas po uguesas e b asilei as exis em as ensões p óp ias das
an igas me ópole e colónia. No en an o, quando uma pessoa galega
e uma b asilei a se encon am, es a úl ima ica su p eendida: pode
pe cebe pe ei amen e o que diz alguém que em ca a de ap esen-
ação como cidadã espanhola; mesmo pe cebe melho uma galega
do que uma lisboe a. Essa cumplicidade — ão in e essan e pa a a
colabo ação em e mos cul u ais, económicos, polí icos — ainda
pode se alimen ada pela consciência de o B asil e a Galiza se mos
pe i e ia e, sob e udo, pelo ac o de a Galiza nunca e colonizado
o B asil. Es amos a ba e com os concei os de cen o e pe i e ia,
decisi os na ho a de uma língua se man e ou mo e .
A colonização le a-nos pa a a hipó ese inicial. Mesmo nos âmbi-
os académicos, e mos como indígena ou ibo são usados com uma
absolu a al a de igo que pe mi e quali ica o usso como uma língua
e o po awá omi como o diale o duma ibo indígena. O e nocen is-
mo habi ual nos cen os de di usão do sabe a e a a nossa pe ceção
c í ica da ealidade. Embo a mui as publicações de e e ência usem
esse es ilo de e minologia, pa a alguém que mo a na Galiza é e iden e
que essas e ique as são a mas ca egadas de ideologia, que assinalam
pe i e ias do pode . Como nós. E iden emen e, se pe i e ia é ocupa
as be mas, mas daí, p ecisamen e, emana uma on e de con apode .
Na adição colonizado a eu opeia o e mo ibo oi usado pela
an opologia no sen ido pejo a i o de “ag upamen o humano com
uma cul u a udimen a ”. A al a de ecnologia de mui as ibos o -
na a num elemen o ulc al pa a es as se em conside adas o ganiza-
ções p imi i as, po os subdesen ol idos que podiam se saqueados
21
mul ilinguismo
/
a igos
des ou ag icul o es, um dado apa en emen e obje i o, es ão a
con ibui pa a que a sua língua seja in e p e ada como ibal,
no sen ido, inadequado, de “p óp ia duma sociedade o a
de sí io no século XXI”. T ibo é, de manei a sibilina, uma
e ique a dep ecia i a po que é ese ada pa a os ni aclé, os
sakhu ou os noma siguenga, não pa a alan es de inglês,
á abe ou ca alão.
d) A his ó ia das ibos ap esen a-se como con li uosa: ocupa-
ções do e i ó io po pa e dou os po os, exílios o çados,
mig ações po pe da do habi a são equen es. Ob iamen e
não se econs ue da mesma manei a o inglês (ocupado pelos
no mandos em pa e da sua his ó ia), ou o á abe na península
ibé ica.
e) A his ó ia in e na da língua no caso das ibos apenas é co-
nhecida. Enquan o línguas como o i aliano ou o alemão,
ela i amen e ecen es na sua es anda dização, não são nunca
desc i as como a e adas de diale alização, pa a as pequenas
línguas do mundo incide-se nas di iculdades de os alan es
se comp eende em en e si, na ausência de es ânda es ou de
o mas esc i as.
) Fal a de apoio écnico. As línguas em pe igo não são desc i as
como deposi á ias dum sabe in e essan e. Os dados linguís-
icos acumulam-se sem o dem e os in es igado es ap o ei am
pa a lá coloca qualque in o mação ao dispo . Núme o de
onemas, o mação do eminino ou peculia idades do sis e-
ma e bal apa ecem po jun o, como ma ca de e udição: a
língua exis e, pa ecem dize . Pouco mais. Quando os dados
linguís icos não p ima em sob e ap eciações cul u ais gené i-
cas ( equen emen e dep ecia i as como animis as ou xama-
nis as), o espei o pa a o ou o implíci o no es udo linguís ico
desapa ece.
g) Fal a de e e en es: Não se ala de que Ko i Annan, que che-
gou a se sec e á io ge al da O ganização das Nações Unidas
(ONU), nasceu na Ghana e alou an e an es que inglês. Não
se ala de que Philip Emeagwali, cien is a da compu ação,
nasceu na Nigé ia e oi c iado em di e en es línguas a ica-
nas, como Ch is ophe Che sanga, dou o em bioquímica e
biologia molecula e p es igioso cien is a, nascido em Zim-
babwe. Não se ala da bio ecnóloga Ki an Mazumda -Shaw,
de língua ma e na guja a i. Quando se incula a língua a
ag icul o es e ecolec o as e não a pe sonalidades da polí ica,
cien is as, a is as es á-se a mingua o seu p es ígio. Nes e
sen ido, a esc i o a ugandesa Do een Baingana publica a
em 2009 [6] umas decla ações bem icas sob e con icções,
his ó ias de amília, on ades e limi es:
“Pa a quase odos os a icanos, nalgum luga na linha amilia , exis e
um momen o de encon o com um pode e uma cul u a colonial
que de e mina a linha das ge ações u u as. [...] A mãe ala-nos em
unyanko e, a língua do pai, que é mui o semelhan e ao ukiga, a sua
ou u elados. Um olha c í ico con ida a e isa , no con ex o a ual
de mo e de línguas no plane a, os concei os de ibo e de indígena.
A hipó ese é se na Galiza somos um po o indígena e que con ibu o
pode íamos chega , po essa condição, ao conjun o da luso onia.
3 Na his ó ia da linguís ica apa ece bem documen ado o capí ulo
da colonização. Nos ba cos que pa iam de Cas ela ou de Po ugal
pa a “ aze as Índias” iaja am ambém missioná ios, especialmen e
jesuí as, que ap endiam apidamen e as línguas abo ígenes pa a
assim aduzi em a Bíblia e comple a a a e a impe ialis a. P e en-
diam insc e e a cosmo isão eu opeia nas men es das populações
subjugadas. Foi aí que começou a adição de desc e e as línguas
indígenas como meno es.
Uns anos a ás, um g upo de in es igação da Uni e sidade de
San iago de Compos ela sob a minha di eção [5] con as ou os dados
dos g andes ca álogos e a las de línguas do mundo pa a des enda os
mecanismos ideológicos que es a am a se in il a nos p ocedimen-
os cien í icos e a de u pa os esul ados. Esquema iza ei a segui
sucin amen e o a amen o que concedem às línguas indígenas.
a) Não emos es imações iá eis do núme o de alan es: os
a las não coincidem nem de manei a ap oximada. Com
equência mencionam como base censos an igos sem da
explicação das causas de não acudi em pa a ci as mais
ecen es: po acaso os go e nos dos Es ados não espon-
de iam a um inqué i o uni e si á io? P o a elmen e não,
mas is o ambém de e ia se denunciado. A usa mos a hi-
pó ese do galego como po o indígena, podemos pe gun a
se odos os galegos de em apa ece no cômpu o de alan es
de galego ou se os galegos hão de se con ados duas ezes
— como alan es de galego e como alan es de espanhol.
A dia de hoje as es imações dos a las pa ecem, no mínimo,
pouco igo osas.
b) As línguas indígenas êm nomes di e sos e isso ge a con u-
são. Quando alamos duma língua como o danês, pequena
em núme o de alan es, mas p o egida po um Es ado, assu-
mimos a exis ência de a iação in e na: odos os daneses que
pude em exis i , a ian es geog á icas, his ó icas ou sociais,
emi em pa a a en idade abs a a denominada de danês. Po-
ém, a linguís ica ansmi e uma dupla mensagem quando az
uma decla ação do es ilo de “a língua oba, ambém conhecida
como ob, qom, namqom, qoml’ek, chaco sul ou oba qom,
pe ence ao g upo guaicu u”. Não sabemos se es as di e sas
denominações co espondem com g upos é nicos, com dia-
le os ou com as di e en es o mas de econhece esse po o po
pa e dos seus izinhos. Mas icamos com a sensação de o oba
não se uma língua ao mesmo ní el que o danês.
c) Obse a-se no ma e ial publicado uma excessi a endência
ao i ual olk. Quando decla a em, ela i amen e a uma co-
munidade, que é pequena e cons i uída po pas o es nóma-
22
mul ilinguismo
/
a igos
língua ma e na. Nós espondemos em inglês. A ge ação dos meus
pais, que o a à escola nos dias coloniais de 40 e 50, oi ensinada
po b ancos. O inglês da minha mãe é melho do que o de mui as
pessoas da minha ge ação, em pa e po que as nossas escolas públicas
o am pio ando com a passagem dos anos. Acho que os meus pais es-
a am o gulhosos de que nós alássemos inglês ão no os po que eles
i e am de o ap ende sendo adul os. Nunca pensa am que inham
de nos ensina unyanko e ou ukiga. Chega am lá na u almen e e
assim a iam. Nós não. Fomos à escola p imá ia em En ebbe, onde
e a p oibida qualque língua que não osse o inglês. Nós p óp ios
le amos a polí ica pa a a casa. A b u alidade e a gue a económica i-
e am uma consequência ainda mais noci a: coloca am a cul u a em
coma. Como esul ado, não ha ia mui a cul u a no a a que pudésse-
mos ab aça -nos. O suaíli o nou-se numa língua de o u a e iu-se
elegado pa a o exé ci o. Ha ia li os acessí eis, ainda que elhos e
escassos. O meu co ação ado a a os li os e o inglês deu-me uma ina
ap eciação de nuances e poesia. Não é aciden al que seja esc i o a. O
inglês uncionou comigo. Po ém que é o que dei em oca nessa lu a?
Não se a a apenas da língua, mas de odos os aspe os da cul u a que
ecebemos e escolhemos ab aça e passa pa a ou os: que his ó ias
con amos às c ianças, que canções lhes ensinamos a can a , que co-
mida comemos e como a cozinhamos, que i uais in e nalizamos ou
não, o modo em que pensamos. Deixa emos udo is o ao acaso ou
oma emos decisões calculadas? Não dei ao meu ilho um nome em
inglês e não o ba iza ei, embo a isso apa o e os meus izinhos. Falo
a Kama a num unyanko e udimen a e a minha mãe e as minhas
i mãs gozam comigo. Ago a i emos no Quénia, de manei a que ele
ala uma mis u a de suaíli, luhya e inglês […] Embo a eu quisesse
ap ende o que a minha mãe sabe e o meu pai soube, pa a o passa a
Kama a, ia isso ajudá-lo na Á ica que es amos a c ia ? “
Todos os p oblemas aludidos po Do een Baingana são is e-
men e conhecidos na Galiza. Mas al ez não seja a his ó ia amilia ,
pos a em oco no ex o, o mais emo i o a meu e . O que como e
sem dú ida é a ase “ alo a Kama a num unyanko e udimen a ”,
eloquen e da con icção da esc i o a e das suas di iculdades pa a se
exp essa nessa língua. Po que es e enômeno ambém exis e en e
nós: o de pessoas que que em ansmi i um legado à ge ação seguin-
e, mesmo se pa a elas se ia mais cómodo exp essa -se na língua do-
minan e. A linguís ica galega elabo ou pa a elas o e mo neo alan e,
ca egado de ódio, po que assinala pa a alguém não comple amen e
con iá el nos seus usos. Po ém, uma neo alan e de unyanko e como
Do een Baingana es á a de ol e à língua a sua dignidade. Todas as
polí icas linguís icas que idealizemos numa época de endência pa a
a uni o mização como a p esen e de e iam es a des inadas a que
mui os indi íduos se comp ome essem com línguas meno izadas,
mesmo com as di iculdades exp essi as comen adas no apa ado 2.
Pa a a p ese ação. E pa a a des o a.
Finalmen e é p eciso menciona o assun o, não mui o cla o,
dos suicídios abo ígenes. Exis em casos documen ados de ibos in-
ei as que que em desapa ece . En e os gua ani-kaiowá do B asil,
po exemplo, egis a-se um suicídio ju enil po semana, uma axa
34 ezes supe io a média nacional. Impo a cá dize que na his ó ia
ecen e essa comunidade oi ob igada a i e em ese as pa a as suas
e as se em en egues a ag icul o es. Na an opologia chamam is o
de genocídio silencioso. Igualmen e, o go e no da Aus ália já ab iu
um p oje o pa a a p e enção do suicídio en e abo ígenes, enóme-
no que ambém a e a os nunak da Colômbia ou os a awapiska do
Canadá. Exis em mui os mais exemplos, ma cados pela pob eza, o
álcool, as d ogas, a al a de emp ego e a disc iminação. Nos casos
mais le es, os po os simplesmen e não encon am no mundo a ual
ias pa a se man e em di e enciados e não que em assimila -se. Dei-
xam de e descendência, deixam de se p oje a em no u u o. Nes es
casos, a língua ica di e amen e sem alan es.
Todos esses aços es ão a se mani es a na nossa ibo, que de-
ba e se o seu nome de e se Galiza (o nome na nossa língua) ou
Galicia (o nome em espanhol), que can a a di e sidade diale al e
desp eza as suas possibilidades de comunicação com ou as nações,
que ca ece de e e en es nas modas da cul u a popula , pa a além
de e uma al a axa de suicídio e a meno na alidade da Eu opa.
O Es ado espanhol es á in e essado em ap esen a -nos como uma
ibo no sen ido udimen a . O Es ado po uguês nem semp e olha
pa a nós po que somos a sua o igem e a sua e gonha, no sen ido de
se mos quem se ap esen a pe an e si como alan e de espanhol. Se,
além do mais, a adição académica dos es udos linguís icos não se
ocupa dis o, a supe i ência e ela-se como assun o complicado [7].
4 A mo e das línguas é o enómeno cul u al mais pa o oso que
podemos con empla a dia de hoje po que encena odos os demais:
ma e ialismo capi alis a, sup emacismo b anco, ódio pa a o ou o e
aplauso gene alizado do pensamen o único. O p oblema começou
a se pe cebido em 1992, quando Michael K auss publica a um
a igo a augu a que pa a ins do século XXI 90% das línguas aladas
naquela al u a (já diminuídas ela i amen e a um século a ás, po
exemplo) e ão desapa ecido [8]. É cu ioso que na Galiza, semp e
que se ala des e ema se le an em e idas. Os conse ado es pen-
sam que não é assim ão impo an e; os nacionalis as pensam que
isso não pode se di o, como se i essem medo de que a p o ecia
se cump isse apenas po se ala dela. Po ém, p o ege o galego na
Galiza com medidas legais ou p á icas educa i as só a anja ia uma
pa e do p oblema. Impo a é econhece que o enómeno não se
de e ao anquismo, às peculia idades polí icas do Es ado espanhol
ou a qualque aço idiossinc á ico dos galegos. As línguas es ão a
mo e no mundo de manei a acele ada. A globalização in lui ainda
mais que as polí icas dos Es ados.
Pensa que a mo e das línguas é um p oblema linguís ico (ou de
linguis as) é um e o, is o que a p óp ia disciplina, com os seus mé-
odos, es á implicada no p oblema. Na biologia ala-se duma p á ica
“de bo a” e ou a “de ba a”, segundo seja ei a a pa i da obse ação da
na u eza ou no labo a ó io. Usando esse símil, a linguís ica de bo a é
23
mul ilinguismo
/
a igos
escassa; quase odas as escolas que ize am a his ó ia da disciplina o am
de ba a, no sen ido de se aze em num gabine e. Es e pano ama muda
se coloca mos o oco no in e esse susci ado na adição an opológica
dos es udos linguís icos pelas línguas ame índias. Po se em cla amen-
e di e en es das línguas indo-eu opeias, a madas em modelo pa a ela-
bo a o imenso apa a o concep ual da linguís ica con empo ânea, as
a iedades ame índias p oduzem e lexões de alo ilosó ico, ale am
sob e a exis ência dou as cosmo isões; desa iam o pensamen o único.
Finalmen e, são um esou o que de e se p ese ado e dalguma ma-
nei a ambém são nossas, das pessoas que alamos ou as a iedades
di e en es e longínquas. Todas as línguas são pa imónio da humani-
dade, como o museu do Lou e ou a mu alha chinesa e as que con-
se am pon os de is a di e en es sob e a ealidade cons i uem uma
ex ao diná ia po a abe a pa a o mundo, po que nos azem pensa
em ques ões que, da nossa ó ica, não pode íamos pensa .
Em luisenho, uma língua do g upo u o-az eca, o iginá ia do sul
da Cali ó nia, os e bos êm o mas léxicas di e en es pa a singula , de
manei a que o equi alen e a co e exp essa-se duma manei a se hou-
e um só co edo ou se um g upo de pessoas co e em jun as ou oa
e á uma o ma pa a um pássa o a c uza só pelo céu e ou a se a ação
o ealizada po uma bandada in ei a. O luisenho es á a concede
alo g ama ical aos cole i os. O kalispel, alado no O egão, não em
o mas de subs an i o pa a lago ou mon anha; é ob igado a usa e bos
e, dessa manei a, assinala que a mon anha ou o lago es ão a sucede
como um e en o; não são en idades passi as. Com e ei o, a e olução
indus ial p oduziu-se em sociedades que ala am línguas indo-eu o-
peias, onde os aciden es da paisagem e am idealizados como coisas e,
po an o, um io podia se des inado a mo e uma u bina e p oduzi
ene gia, ou uma mon anha podia se u ada pa a ob e mine ais. Es es
exemplos encenam uma di e en e manei a de con empla a na u eza
e o elacionamen o dos humanos com ela; só po esse mo i o já de e-
iam se p ese adas.
Es e es ilo de conhecimen os sob e línguas conside adas exó-
icas chega a nós a a és duma ama dos es udos linguís icos que
pe mi e e oma o assun o da ibo e dos indígenas. Nos Es ados
Unidos, a an opologia e a linguís ica de começos do século XX
pe cebem que êm um a senal de dados ao dispo . Esses linguis as
supe a am o p econcei o de que as e dadei as línguas e am o la im
e o g ego e lança am-se a i e em ibos, a apanha conhecimen o
delas. Po oca num caso, conhecemos a g amá ica do po awá omi
po que Cha les Hocke , um dos ul os da linguís ica, lhe dedicou
a sua ese de dou o amen o em 1939. O po awá omi e a uma língua
de índios. Nesse caso, algonquinos que mo a am numa ex ensa e-
gião, da zona do On á io (no Canadá), a é os es ados de Wisconsin,
Illinois, Indiana e Michigan. Hocke e a alguém com um genuíno
in e esse pelas línguas odas. De ac o, se iu no exé ci o e dedicou-
se du an e anos a esc e e um manual de chinês, me iculoso e magní-
ico, que p oduziu an o espei o nos seus supe io es como pa a lhe
pe mi i em da aulas dessa língua em ez de segui o eino mili a :
a opa inha que ap ende chinês. E am ou as épocas. Ao eg essa
à ida ci il, edi ou g amá icas de á ias línguas ame índias e os seus
abalhos semp e apa eciam ilus ados com exemplos exó icos, que
exibiam es u u as di e en es das es emunhadas pelas eu opeias.
Po ém, concluídas essas es adias como es udan e e como mili a , e-
cha-se em Co nell e não ol a a sai . Passa décadas a aze eo izações
e não consegue es imula o abalho an opológico numa linguís ica
que, a pa i dos anos 1950, ica o ien ada pa a os modelos o mais
de Chomsky de quem Hocke se á ad e sá io linguís ico. Explico
is o po que a in e enção de Hocke , embo a osse um en usias a
p a ican e da linguís ica de bo a, se iu a inal pa a que i éssemos
po awá omi em la a, não esco. Temos po awá omi bem desc i o,
com as suas peculia idades de idealiza o empo como ci cula , mas
não conseguimos p ese á-la: a úl ima alan e de po awá omi ale-
ceu em 2011. Dos 12 mil po awá omis que ainda exis em ninguém
ala a língua, mas exis e um p og ama de ecupe ação no ensino, algo
bas an e equen e nas línguas ame índias de mui os es ados no e-
-ame icanos; eimam em que as c ianças o ap endam nas escolas e
êm a ualmen e uma impo an e quan idade de ecu sos.
Quan o aos es e eó ipos sob e os po awá omis, como em ge al
sob e odos os índios ame icanos, são mui os e pa cialmen e con-
adi ó ios. Do início do con a o in e cul u al, oi epe ido que os
índios e am sel agens, indisciplinados, p eguiçosos e bêbedos. Em
simul âneo, e de ido ao sen imen o de culpa que a lige as socieda-
des ociden ais ao con empla a comp ida his ó ia de abusos e ai-
ções pe pe adas pelos b ancos sob e os índios, é habi ual lou a as
suas habilidades, especialmen e o elacionamen o com a na u eza
e a espi i ualidade. Hoje, exis e um g ande in e esse pela p odução
a ís ica dos po awá omi. Po ém, cabe no a que as suas p oduções
ep esen am a imagina ia ociden al do índio, não a sua p óp ia.
Como o po awá omi e a um po o o iginá io da lo es a p o unda
do Michigan, os seus símbolos não se elacionam exa amen e com
os espaços que hoje habi am, num cla o sin oma de pe da de iden i-
dade. Is o na Galiza lemb a-me p o undamen e ao Halloween que
subs i ui aos i os adicionais de de un os, ou às es as ( e ia de ab il,
ou adas) impo adas do sul da Espanha com g andes campanhas
publici á ias. Os indígenas do mundo não podem econcilia -se
com ins i uições que os dispe sam ou os aniquilam. Na Amé ica, os
indígenas nou as épocas não ala am as línguas dominan es nem
en endiam as o inas do a o com os go e nos. Po que o mé odo
índio adicional de esol e p oblemas consis e, p ecisamen e, em
se euni em concílios pa a ala odos os emas e chega a consensos.
Abandona a língua implicou abandona o como ala , mas ambém
o de que ala , o cos ume de decidi conjun amen e sob e odos os
assun os. Com as de idas dis âncias, po que a cul u a galega é uma
cul u a eu opeia, is o es á a passa aqui: acul u ação, pe da de aços
di e enciais e acei ação do modo de ida dos países di os desen ol i-
dos. No caso galego, a pe da de pe il di e enciado ap ecia-se em que
eucalip alização e desgaleguização sejam p ocessos pa alelos. Cada
ibo p ecisa pe cebe o seu ca á e único, a a és de expe iências e-
le an es. Nem os índios pa os dos wes e ns, nem Po ahon as podem

24
mul ilinguismo
/
a igos
se e e en es. Também não os índios que p esen eiam com abaco
e oma es aos senho es na egan es eu opeus. Cada g upo de e deci-
di se que de ende a sua e a e os seus símbolos. Eis o legado dos
mo imen os em de esa da língua nos países sem Es ado da Eu opa.
Eis o papel do po o galego no conjun o da luso onia.
5 A a iedade de po uguês alada ainda na Galiza, o galego, pode
subsis i . Compa ado com o no ueguês, o danês ou o heb eu, não
é assim mui o meno em núme o de alan es, mas di e en emen e
dessas línguas não con a com um apa a o de Es ado na sua de esa.
Uma possibilidade de e i alização mui o p esen e no a i ismo passa
po es ei a os laços com o es o da luso onia. Isso exige á ios
comp omissos.
Em p imei o luga , de e íamos e is a os nossos p óp ios p e-
concei os como sociedade, ecupe ando a ala dos nossos maio es
e p ocu ando a con luência com as demais alas lusó onas. A nossa
língua ganha ia em espei o ao passado e em capacidade de comu-
nicação in e nacional, p ecisamen e a ia que o a i ismo linguís ico
explo a. Em segundo luga , de e íamos exigi da adminis ação uma
escola ização igo osa, que dize , a ap endizagem do po uguês nas
aulas galegas como exige a lei Paz And ade. Não se a a de ala -
mos ao modo de Lisboa, mas de e mos capacidade de desen ol e
as nossas peculia idades. P ecisamos dum quad o in e nacional de
con ac os cul u ais e económicos que a o eça a es ima dos alan es
pela sua língua. Nesse sen ido, é impo an e e i a o isco da a omi-
zação. A di e sidade implíci a na diale ologia, em sido usada como
a ma polí ica. Daí o apego, academicamen e di igido, às alas locais
hib idadas com o espanhol. É cu ioso o in e esse em esc e e com a
g a ia do espanhol que nos a as a dos demais países que alam o nosso
idioma e que não ejamos como pe igoso e pe dido o u u o de con-
jun i o que nos pe mi e pensa no u u o como uma ealidade, com o
imenso alo polí ico de da o ma g ama ical às u opias. Finalmen e,
como indígenas, emos mui o que da ao conjun o da luso onia. À
pa ida, o eencon o his ó ico com as aízes pode cu a os males
da colonização. Que as c ianças em Luanda ou no Rio de Janei o
alem com pala as que podem es imula a a e nidade num empo
onde o concei o de colónia deixou de a e a os mapas pa a se ins ala
nas men es, nas elações de classe e de géne o. Na Galiza a língua
es á en e ma. Po isso de iam sen i -se como idos po esse p oblema
nou os e i ó ios lusó onos; po que é a sua mesma língua que es á
em pe igo. Quando o inglês in ade udo, os galegos podemos se um
indicado de iden idade. O e mo indigenismo apa ece na década
de 1930 com o signi icado de polí ica ou ação especial di igida aos
abo ígenes. Nes e signi icado es a a incluída a mode nização (a ideia
de que e a p eciso ap imo a as condições económicas e sociais dessas
mino ias), mas ambém a indianização que isa a esga a , e alo i-
za ou ein en a elemen os indígenas ela i os às línguas e às cul-
u as (cos umes, ins i uições adicionais, a amen o da e a e dos
ecu sos na u ais; exa amen e os aspe os que na Galiza es ão p esen-
es nas ei indicações polí icas do a i ismo linguís ico). Eis o e ei o
da eme gência: pa ece ia que du an e os séculos XIX e XX, à medida
que o libe alismo se cen a a nos di ei os de cidadania, os indígenas
e iam desapa ecido. Po ém, indígenas exis imos, ibos exis imos.
Temos di iculdades pa a man e o nosso legado ances al e aze pa e
do conjun o da humanidade. Temos di iculdades com o concei o de
Es ado homogeneizado . Temos di iculdades pa a decidi se a nossa
descendência se á ou não indígena. Mas gua damos ainda as nossas
di e enças. Po que o pode sub e si o de se mos ibo implica acei a
que, como na biologia, na língua a di e sidade é iqueza.
* No a do edi o : Es e a igo es á esc i o em po uguês da Galiza. Op amos po
man e a g a ia e o léxico, pois apesa de algumas pequenas di e enças em elação
ao po uguês b asilei o (como alguns acen os e pala as), o ex o é comple amen e
comp eensí el.
Te esa Mou e Pe ei o é p o esso a i ula de linguís ica ge al na Uni e sidade de San iago
de Compos ela, na Espanha, e memb o da Academia Galega da Língua Po uguesa.
No as
1. U ilizo a g a ia @ pa a exp essa a di e sidade de géne o a e i a a
duplicação masculino/ eminino.
2. Exis em ci as o iciais pa a co obo a essa lei u a que podem se
comp o adas nos di e en es olumes do A las Sociolinguís ico de
Galicia publicado pela Real Academia Galega em 2004 (de consul a
on-line). Pa a uma e são das causas lida em e mos de ecologia lin-
guís ica, id. Mo ei a Ba bei o, M. (2014), Con a a mo e das línguas.
O caso do galego, Vigo, Xe ais.
3. O galego apa ece hoje como língua independen e em mui os a las de
línguas do mundo, en e eles o E hnologue.
4. Mou e, T. (2014). Uma mãe ão punk, Lisboa: Chiado.
5. Linguagem e ideologia: o in en á io da linguodi e sidade (PGIDI-
T02PXIA20406PR).
6. O agmen o co esponde a um a igo de Do een Baingana publicado
em The A ica Repo , 23 de no emb o de 2009.
7. Pa a uma in o mação mais de alhada des es e dou os dados incluídos
no p esen e a igo, id. Mou e, T. (2019), Linguís ica eco. O es udo das
línguas no An opoceno, San iago de Compos ela: A a és edi o a.
8. K auss, M. (1992), “The wo ld’s languages in c isis”. Language, 68,
p. 1-42.