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Facultad de Humanidades Máster en Servicios Culturales Trabajo final de máster El mundo rural de Lugo desde la perspectiva de sus mujeres Proyecto cultural sobre la construcción identitaria de su proprio relato: reportaje periodistico y espectáculo teatral Autora: Mirela Cortes Dornelles Tutora: M.ª Ángeles Rodríguez Fontela Octubre 2020 Trabajo final de máster presentado en la Facultad de Humanidades de la Universidade de Santiago de Compostela para la obtención del máster en Servicios Culturales
1 Facultad de Humanidades Máster en Servicios Culturales Trabajo final de máster El mundo rural de Lugo desde la perspectiva de sus mujeres Proyecto cultural sobre la construcción identitaria de su proprio relato: reportaje periodistico y espectáculo teatral Autora: Mirela Cortes Dornelles Tutora: M.ª Ángeles Rodríguez Fontela Octubre 2020 Trabajo final de máster presentado en la Facultad de Humanidades de la Universidade de Santiago de Compostela para la obtención del máster en Servicios Culturales
2 HOJA DE AUTORIZACIÓN Trabajo final de máster presentado en la Facultad de Humanidades de la Universidade Santiago de Compostela por Mirela Cortes Dornelles, como requisito para obtener el título de Máster Oficial en Servicios Culturales y que cuenta con la autorización y dirección de Maria Ángeles Rodríguez Fontela, para su presentación y defensa.
3 Dedico este trabalho a memoria e ao amor da minha abuelita Júlia e a todas as mulheres da minha familia.
4 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos os seres de luz que estão em todos os momentos ao meu lado, me ensinando que o tempo é a verdadeira Deusa. À minha abuelita Júlia, quem me ensinou o que é o amor e sempre me inspira e anima a enfrentar os desafios da vida. Este trabalho é inspirado, antes de tudo, nela. E, hoje, estar no lugar onde ela nasceu, não é uma coincidência. Sinto muito a sua falta e perderte no meio desse processo foi muito duro, mais ainda assim digo que seu amor segue vivo em mim. Minha família que sempre me ensinou a arte de confiar e que nunca me deixaram desistir. Em especial, aos meus pais, à minha irmã, que me inspira a ser uma pessoa mais feliz, a Poly e os cachorros. Estou morrendo de Saudade. À minha orientadora, Professora Maria Ángeles Rodríguez Fontela, pela confiança, dedicação, paciência e generosidade em compartilhar conhecimentos e, também, por ser tão amável diante das adversidades que me ocorreram. À Todas as mulheres que dedicaram seu tempo para participar de forma voluntária deste projeto e contar suas histórias. Meu muito obrigada! À Yrliana, por dedicar-me seu amor, por fazer de tudo para que eu me sentisse motivada a cada novo dia e por cozinhar, sempre, para que eu pudesse me concentrar. Agradeço imensamente aos amigos que encontrei na aventura de sair de casa e cruzar um oceano. Marina, Daniela, Romina, Simón, Rafa, Sean, Fidias e muitos outros que fizeram essa experiência ser muito mais feliz. Viva a America Latina! À Iria e a Crash por serem os primeiros a fazer com que eu me sentisse em casa e também a Iria por contribuir, junto con Fernando, na tradução do roteiro que é fruto deste trabalho. E, não menos importante, muito obrigada a Xunta de Galicia pela oportunidade e pelo financiamento com uma bolsa de estudos, para retornar ao “hogar” dos meus amados avós e assim poder conhecer minha familia.
5 RESUMEN Este Trabajo Final de Máster tuvo por objetivo fundamental presentar un proyecto cultural capaz de promover y difundir la identidad cultural de las mujeres de la provincia de Lugo (España) provenientes del mundo rural, y también generar una reflexión y un debate sobre la posición de la mujer en su medio social a través de representaciones artísticas que tendrían una función catártica y constructora de identidad. La idea inicial era llevar a cabo el proyecto con una praxis que ilustrara el plan concebido, pero el proceso de trabajo tuvo que ser interrumpido debido a la situación generada por la pandemia del COVID-19. Por esta razón, el trabajo está divido en dos ejes principales: un plan ejecutable y un plan piloto. En el plan ejecutable, se pretende, en primer lugar, realizar un trabajo de campo con entrevistas y otras acciones paralelas con el fin de obtener información y crear espacios de encuentro con mujeres de las zonas rurales de Lugo; en segundo lugar, se intenta crear una obra dramática que recoja la información recibida en la primera parte, para escenificarla en las zonas participantes del proyecto y crear un debate posterior sobre lo representado en escena. En el proyecto piloto ejemplificamos algunas de las etapas propuestas en el proyecto cultural. Fueron claves en la elaboración de este proyecto algunas teorías sobre identidad cultural, sobre la tradición oral y sobre la etnocenologia. Palavras clave: Identidad cultural; Lugo; Mundo rural feminino; Etnocenologia; Artes escénicas; Historia oral. ABSTRACT The main objective of this Master's Final Project was to present a cultural project capable of promoting and disseminating the cultural identity of women in the province of Lugo (Spain) from the rural world, and also to generate reflection and debate on the position of the woman in her social environment through artistic representations that would have a cathartic and identity-building function. The initial idea was to carry out the project with a practice that illustrated the conceived plan, but the work process had to be interrupted due to the situation generated by the COVID-19 pandemic. For this reason, the work is divided into two main axes: an executable plan and a pilot plan. In the executable plan, it is intended, firstly, to carry out field work with interviews and other parallel actions in order to obtain information and create meeting spaces with women from the rural areas of Lugo; secondly, an attempt is made to create a dramatic work that collects the information received in the first part, to stage it in the participating areas of the project and to create a subsequent debate about what is represented on stage. In the pilot project we exemplify some of the stages proposed in the cultural project. Some theories on cultural identity, on oral tradition and on ethnocenology were key in the elaboration of this project. Keywords: Cultural identity; Lugo; Rural feminine world; Ethnocenology; Theater; Oral history.
6 RESUMO O principal obxectivo deste Traballo Fin de Máster fue presentar un proxecto cultural capaz de promover e difundir a identidade cultural das mulleres da provincia de Lugo (España) dende o mundo rural, e tamén xerar reflexión e debate sobre a posición da muller no seu contorno social a través de representacións artísticas que terían unha función catártica e de creación de identidade. A idea inicial era levar a cabo o proxecto cunha práctica que ilustrase o plan concibido, pero o proceso de traballo tivo que interromperse debido á situación xerada pola pandemia COVID-19. Por esta razón, o traballo divídese en dous eixos principais: un plan executable e un plan piloto. No plan executable, preténdese, en primeiro lugar, realizar traballos de campo con entrevistas e outras accións paralelas co fin de obter información e crear espazos de encontro con mulleres das zonas rurais de Lugo; en segundo lugar, téntase crear unha obra dramática que recolla a información recibida na primeira parte, escenificala nas áreas participantes do proxecto e crear un debate posterior sobre o que se representa no escenario. No proxecto piloto exemplificamos algunhas das etapas propostas no proxecto cultural. Algunhas teorías sobre a identidade cultural, sobre a tradición oral e sobre a etnocenologia foron claves na elaboración deste proxecto. Palabras clave: identidade cultural; Lugo; Mundo rural feminino; Etnocenologia; Artes escénicas; Historial oral.
7 ÍNDICE ÍNDICE DE FIGURAS .................................................................................................. 8 ÍNDICE DE TABLAS .................................................................................................... 9 LISTA DE ABREVIATURAS ..................................................................................... 10 1. INTRODUCCIÓN ................................................................................................. 11 2. BASES CONTEXTUALES .................................................................................. 13 3. PROYECTO CULTURAL ................................................................................... 19 3.1 Marco contextual .................................................................................................. 19 3.1.1 Dinámica territorial ........................................................................................ 19 3.1.2 Dinámica sectorial .......................................................................................... 20 3.1.3 Análisis DAFO ............................................................................................... 21 3.1.4 Diagnóstico..................................................................................................... 21 3.2 Objetivos ............................................................................................................... 22 3.3 Justificación .......................................................................................................... 22 3.4 Público objetivo .................................................................................................... 23 3.4.1 Destinatarios ................................................................................................... 23 3.4.2 Localización ................................................................................................... 23 3.5 Metodología .......................................................................................................... 23 3.6 Cronograma .......................................................................................................... 25 3.7 Recursos Económicos ........................................................................................... 26 3.7 Plan de Comunicación .......................................................................................... 27 3.8 Evaluación ............................................................................................................ 29 4 PROYECTO PILOTO .......................................................................................... 30 4.1 Presentación .......................................................................................................... 30 4.2 Difusión ................................................................................................................ 30 4.3 Metodología adoptada ........................................................................................... 34 4.4 Análisis de las entrevistas ..................................................................................... 40 5 CONSIDERACIONES FINALES ....................................................................... 43 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 47 ANEXOS ....................................................................................................................... 49
8 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1: Datos estadísticos de la província de Lugo en 2019 19 Figura 2: Portada de la página de Facebook 31 Figura 3: Identidad visual de la campaña - Panfleto 1 32 Figura 4: Identidad visual de la campaña - Panfleto 2 33 Figura 5: Parámetros de análisis 38 Figura 6: Mapa de entrevistas 40
15 colectivamente, en dialéctica con el mundo exterior. Como afirma Olga Lucía Molano, “de acuerdo con estudios antropológicos y sociológicos, la identidad surge por diferenciación y como reafirmación frente al otro. Aunque el concepto de identidad trascienda las fronteras (como en el caso de los emigrantes), el origen de este concepto se encuentra con frecuencia vinculado a un territorio” (Molano, 2007, p. 73). La identidad está particularmente relacionada, pues, con el territorio, pero también con la memoria y con el patrimonio cultural cuyos componentes son seleccionados y potenciados en aras de determinados intereses de los individuos de una comunidad en el proceso de construcción de una identidad propia. En este sentido es fundamental tener en cuenta el pasado, la historia de cada pueblo, sus referencias, sus símbolos para que pueda construirse el futuro que se desea. Reconocerse históricamente en el entorno físico y social es parte de la construcción de identidad. Pero, para adentrarnos en la discusión sobre identidad cultural, es necesario que hagamos un pequeño recorrido por la evolución del concepto de cultura y sus desdoblamientos. Está claro que, ante de la complejidad y diversidad de teorías, es casi utópico querer definir de una manera determinada el concepto de cultura. Con todo, a lo largo del tiempo, ese concepto fue relacionado y conectado con otros conceptos en la tentativa de encontrar su espacio de desarrollo. Según Adam Kuper (2001) el concepto de cultura tiene su origen teórico en discusiones intelectuales que ocurrieron en la Europa del siglo XVIII. En algunos de los casos estaba intrínsecamente ligada a la noción de civilidad, es decir, lo opuesto a la barbarie y el incumplimiento de las normas y leyes. En otros, como ocurría en Alemania, se entendía el concepto de cultura como algo más interno, relacionado con el territorio y también con el alma. A mediados del siglo XX, el concepto se extiende en gran medida orientándose a una relación más amplia de desarrollo humano donde la cultura no solo se centra en el desarrollo intelectual y artístico de un pueblo, sino en todas las actividades y expresiones cotidianas de los individuos de ese pueblo. Es cierto que durante muchos siglos, y aún en nuestros días, muchas personas defienden la existencia de una cultura superior y hegemónica sobre otras manifestaciones culturales. Pero desde los años 90, con declaraciones de la UNESCO sobre el potencial de desarrollo local a partir de la cultura, se puede observar un cambio de perspectivas con relación a la valoración y preservación de la diversidad cultural, y, con el pasar de los años surgieron otras definiciones que ayudan a repensar la cultura, como se ve en la siguiente tabla:
16 Tabla 1 Definiciones UNESCO 1. Diversidad cultural Se refiere a la multiplicidad de formas en que se expresan las culturas de los grupos y sociedades. Estas expresiones se transmiten dentro y entre los grupos y las sociedades. La diversidad cultural se manifiesta no sólo en las diversas formas en que se expresa, enriquece y transmite el patrimonio cultural de la humanidad mediante la variedad de expresiones culturales, sino también a través de distintos modos de creación artística, producción, difusión, distribución y disfrute de las expresiones culturales, cualesquiera que sean los medios y tecnologías utilizados. 2. Contenido cultural El “contenido cultural” se refiere al sentido simbólico, la dimensión artística y los valores culturales que emanan de las identidades culturales o las expresan. 3. Expresiones culturales Las “expresiones culturales” son las expresiones resultantes de la creatividad de personas, grupos y sociedades, que poseen un contenido cultural. 4. Actividades, bienes y servicios culturales Las “actividades, bienes y servicios culturales” se refieren a las actividades, los bienes y los servicios que, considerados desde el punto de vista de su calidad, utilización o finalidad específicas, encarnan o transmiten expresiones culturales, independientemente del valor comercial que puedan tener. Las actividades culturales pueden constituir una finalidad de por sí, o contribuir a la producción de bienes y servicios culturales. 5. Industrias culturales Las “industrias culturales” se refieren a todas aquellas industrias que producen y distribuyen bienes o servicios culturales, tal como se definen en el párrafo 4 supra. 6. Políticas y medidas culturales Las “políticas y medidas culturales” se refieren a las políticas y medidas relativas a la cultura, ya sean éstas locales, nacionales, regionales o internacionales, que están centradas en la cultura como tal, o cuya finalidad es ejercer un efecto directo en las expresiones culturales de las personas, grupos o sociedades, en particular la creación, producción, difusión y distribución de las actividades y los bienes y servicios culturales y el acceso a ellos. 7. Protección La “protección” significa la adopción de medidas encaminadas a la preservación, salvaguardia y enriquecimiento de la diversidad de las expresiones culturales. “Proteger” significa adoptar tales medidas. 8. Interculturalidad La “interculturalidad” se refiere a la presencia e interacción equitativa de diversas culturas y la posibilidad de generar expresiones culturales compartidas, adquiridas por medio del diálogo y de una actitud de respeto mutuo. Fuente: adaptado de UNESCO2 2 Epígrafes adaptados del texto publicado en la Convención sobre la protección y promoción de la diversidad de las expresiones culturales, octubre 2005.
17 A partir de esta tabla, se entiende que la identidad cultural no se define por la simple pertenencia de un individuo a un grupo social con el cual comparte sus costumbres, valores, creencias y manifestaciones culturales. No encuadra a una persona o un colectivo en ese marco, sino que es un concepto dinámico y cambiante que recibe influencias externas con las que se interactúa constantemente. Sin embargo, en casos donde la identidad cultural no está ligada al entorno geográfico, aquella se encuentra con frecuencia también vinculada a él y esa geografía contribuye también al proceso de reafirmación de identidad de una cultura frente otra. Y todo ello sin dejar de mencionar que el desarrollo territorial está fuertemente influenciado por la cultura y la identidad de su pueblo, a partir de procesos de preservación y recreación de sus manifestaciones culturales. Esos intereses, en algunos casos, están intrínsecamente relacionados con objetivos de diversificación y ampliación económica, con la repoblación y con la valoración turística y patrimonial. Como la memoria y la historia son la base para la formación de esas identidades, muchas de las expresiones y manifestaciones culturales son el propio patrimonio de cada lugar. Por lo tanto, el estar en contacto, el conocer y el registrar las historias que forman parte del dosier de esta investigación no tienen como objetivo definir una identidad, porque eso iría contra los conceptos presentados en este apartado; el objetivo es reconocer y valorar esas historias, y, a partir de eso, irradiar un proceso de sensibilización sobre la identidad cultural de las mujeres participantes y sobre su entorno. Para alcanzar los objetivos mencionados, se entiende que es importante valorar el papel de la tradición oral dentro de la historia de cualquier pueblo y más en los pueblos donde la cultura oral tiene un especial arraigo. La cultura oral es considerada una actividad historiográfica que permite el acceso al pasado a través de distintas metodologías que auxilian en los discursos y registros históricos, así como a través de las fuentes escritas. Paul Thompson (1988) defiende que las fuentes orales también son un recurso de representación histórica en el sentido de que dan voz a presos, pobres, prostitutas, emigrantes, niños y las propias mujeres, voz que tiene más difícil la canalización a través de la escritura. En otras palabras, las fuentes orales rescatan, en esos casos, lo que las fuentes escritas no pudieron registrar.
18 Sin embargo, no se puede decir que a falta de un registro oral o escrito puede recurrirse a uno u otro. Las fuentes orales contribuyen a rescatar otras perspectivas pero otras fuentes también ayudan al proceso de recuperación histórica. El trabajo con las fuentes orales tuvo gran desarrollo en los años 80 con la evolución de los aparatos de grabación, que son necesarios para el registro de información. Su práctica tuvo dos principales caminos: las grandes encuestas sobre colectivos amplios, con la intención de reconstruir la memoria colectiva, y las entrevistas más personalizadas e individuales, centradas en las historias de vida o en los objetivos específicos con cada entrevistado. Por lo tanto es necesario que la entrevista tenga una preparación previa, pensada y diseñada para que se pueda obtener el resultado esperado con las preguntas elegidas. También es importante tener en cuenta que la memoria tiene limitaciones y por eso, siempre que se acaba una entrevista, se sugiere realizar una serie de comprobaciones como contrastar la información obtenida en la entrevista con documentos escritos o con la información derivada de otros entrevistados o con las propias informaciones contenidas en las diversas fases del discurso del interlocutor.
19 3. PROYECTO CULTURAL 3.1 Marco contextual 3.1.1 Dinámica territorial Figura 1: Datos estadísticos de la provincia de Lugo en 2019 Fuente: IGE. Padrón municipal de habitantes, disponible en https://www.ige.eu/web/index.jsp?idioma=gl Nota: la fecha de referencia de los datos es del día 1 de enero de 2019 Como presentó el Instituto Galego de Estadística en 2019, en la figura 1, el número de mujeres viviendo en la provincia de Lugo llegó a 169.837, cantidad que sobrepasa la de las personas del sexo masculino. La cantidad de mujeres con edad de jubilación llega a 53.975 personas. De acuerdo con la Federación de Asociaciones de Mujeres Rurales, el 43% de las mujeres viven en uno entorno de poca población, cuando la media de población en Galicia está en torno al 26%, lo que evidencia el alto número de ciudadanas que viven
20 en las zonas menos dinámicas, económicamente y culturalmente, de la provincia. Según la FADEMUR por cada 100 habitantes menores de 20 años, tenemos 422 mujeres con más de 65 años en zonas rurales.3 3.1.2 Dinámica sectorial Observando el flujo de producción teatral en las zonas rurales de la provincia de Lugo, se encuentra un número muy bajo de intervenciones, sobre todo en los últimos 10 años. Posiblemente este nivel bajo se deba al éxodo de los habitantes más jóvenes. Entre las acciones culturales más relevantes que tuvieron lugar en la provincia de Lugo en los últimos 10 años, podemos destacar las ediciones anuales del espectáculo “Son d`Aldea”, que en 2019 fue presentado en Albá, Santo Xusto y Vilafofe dentro de la programación de la XIX Mostra de Teatro Amador de Palas de Rei y la acción de representación por parte de los vecinos de Albá, en 2011. Este proyecto se celebró durante nueve años seguidos y tiene por objetivo reivindicar el mundo rural y enseñar sus tradiciones4, motivo por el cual se convirtió en relevante antecedente para el proyecto propuesto en este trabajo. Otra acción artística que contribuyó a la realización de este trabajo, es el proyecto “Interior Mulher”, realizado por el COATO Colectivo, entre los años de 2013 y 2014 en diversas ciudades de Bahía (Brasil). Aunque esta actividad artística no haya tenido lugar en Lugo, su estructura sirvió de antecedente metodológico para la fase de creación escénica a partir de historias reales, pues este proyecto también utilizó la Etnocenologia como eje teórico en sus bases contextuales que fructificó en una obra artística. 3 https://www.lavozdegalicia.es/noticia/lugo/lugo/2019/06/20/fademur-alerta-lugo-sobre- despoblacion-envejecimiento-rural-clave-femenina/0003_201906L20C4992.htm [acceso en 06 de enero de 2020] 4 https://www.elprogreso.es/articulo/comarcas/son-d-aldea-mostrara-era-comunicacion-antiguamente- rural/201808241145281330146.html [acceso en 06 de enero de 2020] https://www.elmundo.es/elmundo/2011/09/04/galicia/1315089152.html [acceso en 06 de enero de 2020]
21 3.1.3 Análisis DAFO Tabla 2 Análisis DAFO Debilidades Amenazas Falta de incentivo a las culturas populares Carencia de una asociación específica para la preservación de las costumbres y culturas locales Escasas actividades artísticas ligadas a la cultura femenina Falta de población joven que mantenga las costumbres Falta de interés en acciones de preservación y difusión por cada pueblo Escasez de subvenciones para el desarrollo de las presentaciones El envejecimiento de la población Fortalezas Oportunidades Existencia de proyectos anteriores que estimularon la cultura local Existencia de una Federación de Asociaciones de Mujeres Rurales Oferta de montaje escénico anual por la Compañía de Teatro de la USC Gran cantidad de público destinatario Espacio de tiempo sin haber un proyecto semejante Índice alto de participación en proyectos anteriores Fuente: Elaborado por la investigadora 3.1.4 Diagnóstico Observando y entendiendo que las zonas rurales de la provincia de Lugo presentan un escenario donde su población actual es masivamente femenina, con el 43% de las mujeres de toda la provincia viviendo en el entorno menos favorecido económicamente y culturalmente, y con edades superiores a los 50 años, se ve la necesidad de promover acciones que afiancen la cultura de esas mujeres y su propia identidad, la que heredaron y la que crean con sus expectativas de futuro. Así, no solo se trata de privilegiar un grupo específico de personas, sino también de dar voz a las realidades encontradas en tal región que, con el fuerte envejecimiento de su población, puedan ser olvidadas y perdidas en el tiempo.
22 3.2 Objetivos Que se promueva y difunda la identidad cultural de las mujeres de la provincia de Lugo provenientes del mundo rural: se pretende generar una reflexión y un debate interno sobre la posición de la mujer en su medio social a través de representaciones artísticas que tendrán una función catártica y constructora de identidad. Que las mujeres puedan considerarse cocreadoras del espectáculo teatral. Que este pueda representar una imagen especular de su propia identidad. Que se genere un debate a partir de la representación. Que se irradie un proceso de sensibilización ante la cuestión de la identidad de la mujer rural en relación con su entorno. Que se incentive la dinámica cultural en los entornos rurales elegidos y tal dinámica promueva acciones culturales semejantes. Que se recojan y registren testimonios de entrevistas Que se analicen datos de las entrevistas Que se escriba una obra artística Que se ensayen y presenten funciones del espectáculo teatral Que se realice una evaluación final sobre el proyecto 3.3 Justificación Hay un dicho que se suele escuchar por los montes gallegos: “Lo que más vale en Galicia es la mujer”. Seguramente esa afirmación tiene muchas explicaciones. Puede que esté relacionada con el intenso trabajo que dedica la mujer rural a su tierra o a su capacidad de supervivencia, así como a su contribución al sector económico rural. En todo caso, la mujer rural tiene un gran protagonismo en la historia de Galicia. Teniendo en cuenta esta relevancia femenina en el mundo rural el proyecto “El mundo rural de Lugo desde la perspectiva de sus mujeres” desea promover y difundir la identidad cultural de las mujeres de las zonas rurales de la provincia de Lugo. Este proyecto se dedicará a pensar y realizar un debate sobre la posición de la mujer en su
23 medio social y sobre sus expresiones culturales, así como a explorar su propia identidad cultural, pues entiende que tales expresiones no recibieron tanto espacio como deberían a lo largo del tiempo a pesar de llevar consigo una riqueza inmensa para sus entornos. Además, de lo que se ha citado anteriormente, se entiende la importancia de reunir historias de las zonas visitadas y profundizar en las manifestaciones populares. Todo esto servirá de material inspirador para la creación de un texto dramático para una obra teatral, que será presentada en los sitios en los que se realizará el estudio incentivando la producción cultural del medio rural, potenciando el desarrollo y la sensibilización de público en esas zonas. 3.4 Público objetivo 3.4.1 Destinatarios Directos: mujeres de las zonas rurales de la Provincia de Lugo Indirectos: Toda la población de las mismas zonas y el público interesado en general. 3.4.2 Localización Inicialmente se realizará un trabajo de campo con entrevistas y otras acciones paralelas con el fin de obtener información y crear espacios de encuentro. Para eso se eligieron zonas rurales representativas de la provincia de Lugo, con el objetivo de conectar con un pueblo de cada región de la provincia por lo menos, para que sea tenida en cuenta y visibilizada la cultura local de cada una de sus partes. En el proceso de elección se buscó priorizar territorios que centran regiones fundamentales de su entorno y que, a su vez, poseen características poblacionales y geográficas diferentes. De tal modo que se espera, a partir de eso, encontrar distintas realidades e historias de vida. Entre los pueblos y regiones elegidos están: Burela, Ribadeo, Vilalba / Begonte, Palas do Rei, Chantada, Monforte de Lemos, Navia de Suarna, A Fonsagrada. 3.5 Metodología Para el proceso de entrevistas se seleccionarán las mujeres en función de las características de edad y estatus social y profesional, y, finalmente, se realizará el
24 proceso de obtención de información a partir del registro de conversaciones informales, reportajes y vivencias experimentadas con cada una de las seleccionadas y con su medio. Se buscarán mujeres con diferentes rangos de edad y que, preferiblemente, vivan o hayan vivido la mayor parte de su vida en el medio rural. Las entrevistas serán en la medida de lo posible informales, para que las voluntarias se sientan cómodas y puedan, así, expresarse con mayor tranquilidad. Sin embargo, se entiende la necesidad de un trabajo previo para la escritura de un guión de preguntas, para que el resultado obtenido con esas experiencias sea lo más satisfactorio posible. Por eso se elegirá la opción de utilizar un modelo de entrevista semiestructurada con final abierto. A partir del material recolectado se creará en un primer momento un texto dramático y a partir de ahí se escenificará una obra de teatro que refleje sumariamente el conjunto de experiencias e historias personales. Se propone que el proceso de escenificación se lleve a cabo por el Grupo de Teatro de la Universidad Santiago de Compostela en el Campus de Lugo y que, con este grupo, se actué en los distintos ámbitos rurales de donde se extrajo la información. El grupo de teatro de la USC es un proyecto cultural promovido pela área de cultura de la universidad, con edición anual, que reúne diversos alumnos, con o sin experiencia teatral, y también directores de gran prestigio. Al final de cada curso, se celebra un montaje escénico de alguna obra y esa sería la propuesta para este proyecto: tener el guión resultante de las entrevistas como obra dramática básica para la representación de final de curso del grupo de teatro de la USC5. Este convenio entre el ámbito académico y la comunidad, pretende reunir esfuerzos, dentro de los recursos disponibles, para aproximar los dos ámbitos y ayudar a disminuir las fronteras entre ellos. 5 En la propuesta inicial de este trabajo, se había acordado con el director del grupo de teatro de la USC la posibilidad de realizar en el presente año la escenificación del guión teatral. Sin embargo, como ya hemos mencionado anteriormente, no fue posible llegar a esa fase de ejecución por el decreto del Estado de Alarma.
31 Figura 2 Portada de la página de Facebook Fuente: captura de pantalla página de Facebook6 La página de Facebook, funcionó como plataforma de divulgación y comunicación con las interesadas. Fue realizado un estudio previo para la creación de una identidad visual que fuera compatible con el objetivo de la propuesta pensando en colores, tipografías, formas, elementos de diseño y referencias que pudieran aproximar y sensibilizar al público que viera las piezas gráficas como, por ejemplo, la elección de utilizar plantas y verduras pertenecientes a la cultura gallega como el “toxo”, el “carballo”, el romero y las berzas. Los colores se eligieron en función de sensaciones asociadas a la memoria y a las mujeres como podemos observar en uno de los panfletos divulgados: 6 www.facebook.com/memoriasdunhaterra
32 Figura 3 Identidad visual de la campaña – Panfleto 1 Fuente: Colección personal de la investigadora
33 La imagen representada en la figura 3 es una composición gráfica realizada originalmente para la campaña y la señora que protagoniza esa pieza grafica es la abuela Júlia, mencionada al principio de este trabajo. Otro dato importante sobre la campaña publicitaria es que, aunque para la escritura del proyecto se utiliza el español, para la comunicación con el público objetivo se vio necesario el uso del idioma gallego, para que la aproximación fuera aún más cercana y efectiva y también para reforzar el fundamento de este proyecto, y dar la visibilidad necesaria a las historias de esas mujeres y de su entorno. Figura 4 Identidad visual de la campaña – Panfleto 2 Fuente: Colección personal de la investigadora
34 4.3 Metodología adoptada Existen diversos modelos de entrevista, donde el objetivo de cada proyecto va a determinar cuál de ellos es el que mejor encaja. Pero, ¿qué es una entrevista? Según Alfonso Ortí, la entrevista es un dialogo cara a cara, directo y espontáneo, de una cierta concentración e intensidad, entre el entrevistado y el investigador, que orienta el discurso lógico y afectivo de la entrevista de forma más o menos directiva, según la finalidad perseguida. (Ortí, 1993, p. 171) En este trabajo, se tendrá en cuenta esta definición de entrevista, reforzada con las clasificaciones que se van a exponer a continuación. Se puede optar por entrevistas o encuestas cerradas: con preguntas fijas, previamente estructuradas; con orden preestablecido y sin variación ni de contenido ni en el modo de presentar las preguntas. Es común que se utilice este modelo cuando se busca un resultado basado en informaciones específicas, detalladas, fijas. Por otro lado, se puede utilizar el modo de entrevista abierta, donde no es necesario seguir un orden específico, se puede cambiar una pregunta por otra, dar seguimiento a la pregunta con “por qué” o “cuénteme más sobre eso”, para que el entrevistado siga con más detalles. Según José González Monteagudo (2010), diversos autores tratan este tema, distinguiendo cada formato de entrevista: Denzin distingue tres tipos de entrevistas: estandarizada presecuencializada, que consiste en un cuestionario administrado de forma oral; estandarizada no presecuencializada, en la cual se formulan las mismas preguntas a todos los sujetos, aunque con la posibilidad de alterar el orden de las cuestiones; y no estandarizada, que se caracteriza por tener un formato abierto. Este último tipo de entrevista tiene, a su vez, diferentes formatos Así, este tipo de entrevista ha sido etiquetada como cualitativa, abierta, en profundidad, biográfica, biográfico-narrativa, de historia de vida y de relato de vida. Por su parte, Patton propone cuatro tipos de entrevistas: a) conversación informal, sin predeterminación del contenido; b) guiada, apoyada en un guión previo, pero modificable; c) estandarizada de final abierto; y d) cerrada, o con formato de cuestionario, con un abanico de respuestas fijas, previstas por el investigador. Algunos autores, entre ellos Taylor y Bogdan, mantienen que la entrevista debe seguir “el modelo de una conversación entre iguales, y no de un intercambio formal de preguntas y respuestas”. También Woods prefiere hablar de conversaciones o discusiones, y no de entrevistas, para indicar mejor que se trata de un proceso libre, abierto, democrático, bidireccional e informal. (González Monteagudo, 2010, p.4)
35 Presentación “Hola, en primer lugar, me gustaría decir que esta será una conversación tranquila y no tienes que preocuparte por ninguna formalidad. ¿De acuerdo?” Comenzaré presentándome y contándole un poco sobre el proyecto. “Mi nombre es Mirela, nací en Brasil y soy nieta de gallegos que emigraron allí en busca de una vida mejor. Mi abuela es de Monforte de Lemos, Lugo, y mi abuelo de Betanzos, Coruña. Llegué a Galicia hace ocho meses para estudiar, conocer y conectarme con la tierra de mis amados abuelos. Mi abuela siempre ha sido mi mayor fuente de inspiración y mi mejor amiga, incluso hoy. Con ella aprendí más sobre la fuerza de las mujeres. Y es por eso por lo que este trabajo, parte del resultado final de mi Máster en Servicios Culturales, tiene como objetivo conocer la historia de las mujeres que viven en la zona rural de la provincia de Lugo, investigar y difundir su identidad cultural, porque de ahí es de Como el objetivo buscado en esta propuesta de entrevistas no fue tener una estandarización en las respuestas, cuantificar datos, ni mucho menos tener conversaciones totalmente abiertas, se optó por utilizar una modalidad de entrevista semiestructurada con final abierto. Esta opción implica que las preguntas sigan una pauta específica, pero con la posibilidad de retroceder, aprender y reformular algunas preguntas durante el proceso para que no se deje pasar ninguna oportunidad o información relevante. También porque posibilita la formulación de un estilo personal de entrevistar apelando a la propia experiencia en el momento de afrontar dificultades y desafíos. Obviamente, por el estudio previo de las dinámicas territoriales y, sobre todo, por mi conocimiento afectivo familiar sobre las mujeres gallegas, el guión fue construido de una manera en que las entrevistadas pudieran sentirse próximas a la temática, para lo que se les dio voz y se les orientó a partir de las propuestas de preguntas. Aunque se conozcan de antemano las informaciones más básicas sobre sus estilos de vida, la idea fue que ellas contasen sus rutinas a la receptora como si fuera la primera vez para darles espacio, incentivo y atención para desarrollar sus discursos. El guión fue divido en los siguientes bloques temáticos: presentación de la entrevistadora y de la propuesta; informaciones iniciales sobre la entrevistada; informaciones sobre formación, trabajo, familia y sector rural; actividades de ocio y cultura desarrolladas en el medio rural, y opiniones sobre la valoración y los derechos de la mujer rural. Tabla 5 Guión de entrevista
36 donde vino mi abuela y, en consecuencia, mi historia ancestral. Te aviso de que puedes sentirte cómoda hablando en el idioma que tú prefieras, pero lamento decir que, a pesar de entender bien el gallego, todavía no lo domino como para expresarme correctamente en este idioma.” Para empezar la conversación, le digo que esta llamada se grabará con el único propósito de registro para la investigación, pero en ningún caso se difundirán en ningún medio. “Si estás de acuerdo en participar, te pido que digas tu nombre y que me des tu consentimiento para la grabación de esa entrevista. Bloque 1: Informaciones iniciales ¿Cuál es tu nombre? ¿Qué edad tienes? ¿De qué parte de la provincia eres? ¿Siempre viviste allá? ¿Con quién vives? ¿Tienes hijos? Bloque 2: Trabajo y familia ¿Tienes formación? ¿A qué te dedicas? ¿Con cuántos años empezaste a trabajar? ¿Cuántos años llevas desempeñando ese trabajo? ¿Tuviste otros? ¿Ha sido difícil, como mujer, trabajar en el sector rural? ¿Crees que hubo alguna diferencia de oportunidad en ese sector, en comparación con los hombres? ¿Cómo fue llevar un trabajo en el sector rural y a la vez hacerse cargo de las labores del hogar y de la familia? Bloque 3: Ocio y cultura Además de trabajar o cuidar la casa, ¿qué es lo que más te gusta hacer? ¿Tienes alguna actividad de ocio? ¿Tienes amigas en tu zona? ¿Programáis encuentros frecuentemente? ¿Perteneces a algún grupo o cooperativa de mujeres rurales? ¿Cuál? ¿Conoces alguna tradición cultural de tu región? ¿Crees que se preservan y cultivan las tradiciones culturales de antes? ¿Ya practicaste alguna actividad artística? (baile, música, canto, teatro...) Bloque 4: Mujer rural, derechos, valoración ¿Cómo valoras la importancia del papel de la mujer en el mundo rural? ¿Te consideras una mujer rural? ¿Qué es lo que más te gusta de ser una mujer rural? ¿Cómo ves, hoy en día, la incorporación de mujeres jóvenes a la vida rural? ¿Cuáles son los cambios que observas? Según tu experiencia de vida, ¿qué hace falta mejorar para garantizar derechos y beneficios para la mujer rural? Fuente: archivo personal de la investigadora Estas entrevistas se llevaron a cabo, en su mayoría, a través de llamadas telefónicas y su registro se realizó a través de un sistema de grabación que incluía una computadora y un micrófono que capturaba el audio reproducido por el teléfono en modo
37 de manos libres, utilizado para la llamada. Para la grabación, ecualización y edición de la grabación, se utilizó el editor de sonido Audacity. El experimento tuvo que realizarse a través de este sistema debido a la situación mundial actual en la que nos encontramos. Por el decreto del Estado de Alarma causado por la pandemia del COVID-19, durante el periodo previsto para la realización de las entrevistas, no fue posible desplazarse a los lugares mencionados porque el país estaba en confinamiento total. Seguramente la falta de contacto presencial perjudicó la calidad de las entrevistas, sobre todo en la riqueza de detalles que se encuentran en las diversas maneras de expresión que acompañan la voz, como por ejemplo los gestos, miradas, expresiones faciales. Todos esos elementos son recursos, además, que pueden facilitar la intimidad y la confianza al establecer estas relaciones. Sin embargo, fue posible tener una conversación fluida con la mayoría de las participantes. Como las entrevistadas fueron personas que se presentaron de manera voluntaria para participar en este proyecto, la recepción en las entrevistas fue positiva. Siempre, claro, con diferencias de personalidad: unas más tímidas; otras, más expresivas. Con respecto al guión de la entrevista, quedó claro que, aunque se piense en un posible orden o guía, a veces la conversación toma otras direcciones y es necesario estar atenta para conectar la idea propuesta con los objetivos de la entrevista. A veces la persona entrevistada responde varias preguntas sin tener que hacerlas, lo que rompe el ritmo de la conversación. Sin embargo, en otras ocasiones las respuestas llegan de una manera más seca y limitada, lo que requiere inteligencia al elegir la siguiente pregunta y continuar la entrevista. En algunos casos la ansiedad por hacer preguntas dificultó un poco el ritmo personal de algunas participantes, pero ese fue un obstáculo que se evaluó y se superó en las siguientes entrevistas, con más atención al ritmo personal de cada una y, sobre todo, con la escucha atenta. A partir de esa experiencia piloto, para la implementación del proyecto, quedó claro que será necesario replantear las preguntas relacionadas con el bloque cultural, ya que en algunos casos se observó que estas no estaban tan claras para las entrevistadas y eso perjudicó el objetivo esperado con estas preguntas, que era conocer e identificar los rasgos de vivencia en la cultura popular del entorno de las participantes.
38 Normalmente se aconseja utilizar el mismo idioma que los entrevistados para que se sientan más cómodos y que la conversación sea más fluida, pero por falta de conocimiento del idioma gallego las entrevistas fueron realizadas en castellano, dando la oportunidad de que las entrevistadas contestasen en el idioma de su preferencia. Con todo, el hecho de que al comienzo de la entrevista la presentación de la entrevistadora traía datos de la existencia de un vínculo familiar con Galicia proveniente de la migración, ayudó mucho a romper el hielo y a establecer un clima de empatía durante la conversación. Está claro que cada experiencia será única y que, aunque haya temas y opiniones comunes, cada persona tiene sus particularidades y diferencias. Todo esto debe tenerse en cuenta en una entrevista. Aun cuando las opiniones o relatos de experiencias caminan sobre la misma línea, existen innumerables formas de tratar y exponer el tema, derivadas no solo de las características personales de cada entrevistada sino también de sus vivencias individuales, lo que convierte el trabajo posterior a la entrevista, es decir el análisis de las entrevistas, en una especie de trenza de historias enmarañadas que necesitarán ser filtradas y ordenadas según los parámetros definidos para análisis. En este caso, como el objetivo principal de las entrevistas es la creación de una obra artística que pretende promover y difundir la identidad cultural de las mujeres rurales de la provincia de Lugo, los parámetros definidos para el análisis de las entrevistas realizadas en el proyecto piloto, fueron:
39 Región Conciencia crítica Parámetros de análisis Formación y posición familiar Actividades culturales Figura 5 Parámetros de análisis Fuente: elaborado por la investigadora. Nota: Cada uno de los puntos está relacionado con los bloques de preguntas del guión de la entrevista. A partir de esos parámetros cada una de las entrevistas fue analizada y contrastada con las otras con la intención de encontrar, o no, similitudes o situaciones que tuvieran conexión, para tener así una motivación e inspiración inicial en el proceso de escritura de la obra artística resultante de esa experiencia. En total fueron realizadas dieciséis entrevistas, pero para la ejemplificación que realizamos en este trabajo fueron consideradas solo nueve: la relación con la temática propuesta y, sobre todo la calidad de grabación, nos ha obligado a esta selección. De las nueve seleccionadas, siete entrevistas fueron realizadas vía telefónica y dos pudieron realizarse de manera presencial, porque ocurrieron después del estado de alarma. La media de edad de las entrevistadas estuvo por encima de los 62 años, con márgenes que llegaron de los 24 a los 80 años. No se definió un rango de edad específico por entender que el mundo rural lucense actual está siendo poblado, cada vez más, por gente joven y esas vivencias también interesan y son relevantes en esta investigación. Esta acción piloto logró abarcar apenas una parte de la provincia, como podemos observar en la siguiente figura:
40 Figura 6 Mapa de entrevistas Fuente: elaborado por la investigadora. Entre los pueblos y villas que fueron representados por voluntarias en esta parte del proyecto, están: San Pedro de Labio, Castroverde, Fonteo (Baleira), A Fonsagrada, Cabreira, A Pontenova, O Corgo y Parga (Guitiriz). 4.4 Análisis de las entrevistas Como se conoce por la historia, y se pudo comprobar en los relatos de las entrevistas, la provincia de Lugo se caracteriza por el trabajo de ganadería y por la explotación familiar. Teniendo en cuenta que las mujeres trabajan dentro y fuera de casa, con pocas fuentes de ingresos externos, la elevada tasa de ocupación femenina en los trabajos agrarios es una de las principales características de esa región, incluso en los días actuales, cuando muchas jóvenes deciden permanecer o volver a sus pueblos, para seguir con la tradición de producción familiar, en lugar de disputar vacantes en el mercado de trabajo de las capitales. Como resultado de los relatos obtenidos con las entrevistas, se pudo percibir que el papel de la mujer en el medio rural fue y sigue siendo importante. Aunque los propios
47 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS8 AMOROSO, Daniela (2010). “Etnocenologia: conceitos e métodos a partir de um estudo sobre o samba de roda do Recôncavo baiano”. Anais ABRACE. vol. 11, nº. 1 Disponible en: http://portalabrace.org/vicongresso/etnocenologia/Alexandra_ Gouvea_Dumas_- _Etnocenologia_e_comportamentos_espetaculares.pdf. Acesso em 04 Mai 2016 CORNAGO, Óscar (2005) “Biodrama: sobre el teatro de la vida y la vida del teatro”. Latin American Theatre Review, Kansas, n. 39, pp. 5-28. FIELD, Syd (2001). Manual do roteiro: os fundamentos do texto cinematográfico. Rio de Janeiro: Objetiva. GOETZ, J. P., y M. D. Lecompte (1984). Etnografía y diseño cualitativo en investigación educativa. Madrid: Morata. GONZÁLEZ MONTEAGUDO, José (2010). “La entrevista oral e historias de vida: Teoría, método y subjetividad. Historial Oral: Fundamentos metodológicos para reconstruir el pasado desde la diversidad. Rosario, Argentina: SurAmerica Ediciones, pp. 21-38. KUPER, Adam (2001). Cultura. La versión de los antropólogos. Barcelona y Buenos Aires: Ediciones Paidós. MANSILLA TORRES, Sergio (2006). “Literatura e identidad cultural”. Estudios Filológicos, nº 41, pp. 131-143. MOLANO, Olga Lucía (2007). “Identidad cultural un concepto que evoluciona”. Revista Opera, nº7, págs. 69-84. ORTÍ, Alfonso (1993). “La apertura y el enfoque cualitativo o estructural: la entrevista abierta semidirectiva y la discusión de grupos”, en García Ferrando, M., et al. (comps.), El análisis de la realidad social: Métodos y técnicas de investigación. Madrid: Alianza, pp. 171-203. PATTON, Michael Quinn (1990). Qualitative evaluation and research methods. London: Sage, pp. 288-289. PAVIS, Patrice (1999). Dicionário de Teatro. São Paulo: Perspectiva. (2010). A Encenação Contemporânea. São Paulo: Perspectiva. 8 Algunos de los libros que figuran en la bibliografía no están citados pero han prestado orientación y guía a este trabajo.
48 PRADIER, Jean-Marie (1995). Ethnoscénologie, manifeste. Paris : Théâtre-Public 123. 1996). “Ethnoscénologie: la profondeur des émergences”. La Scène et La Terre: questions d'ethnoscénologie. Internationale de l'imaginaire. Nouvelle Série. Numéro 5. Paris: Babel, pp. 1-17. SAISON, Maryvonne (1998). Les théâtres du réel. Pratiques de la représentation dans le théâtre contemporain. Paris: L`Harmattan. STANISLAVSKI, Constantin (2002). A Criação de um Papel. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 8ª edição. TAYLOR S. J.; Bogdan, R. Introducción a los métodos cualitativos de investigación. Barcelona: Paidós, 1984. THOMPSON, Paul (1988). La voz del pasado. La Historia oral. Valencia: Alfonso El Magnánimo. Redes sociales y webgrafía: Web de “Memorias dunha terra”. Consultado el 09 de setiembre de 2020 en: www.facebook.com/memoriasdunhaterra Web del Instituto Galego de Estadística. “Poboación por sexo e grupos quinquenais de idade. Ano 2020”. Consultado el 06 de enero de 2020 en: http://www.ige.eu/igebdt/esq.jsp?paxina=002001&c=0201001002&ruta=verPpalesResult ados.jsp?OP=1&B=1&M=&COD=1373&R=2%5Ball%5D&C=1%5Ball%5D&F=T[1:0] ;9912:27&S=# Web de la Federación de Asociaciones de Mujeres rurales. Consultado en 06 de enero de 2020 en: http://fademur.es/fademur/ Web de la UNESCO. Consultado en 16 de junio de 2020 en: http://www.unesco.org/new/es/culture/themes/cultural-diversity/cultural-expressions/theconvention/convention-text
49 ANEXOS ENLACE PARA ENTREVISTAS Carpeta digital con las nueve entrevistas realizadas en el proyecto piloto: https://nubeuscmy.sharepoint.com/:f:/g/personal/mirela_cortes_rai_usc_es/Eh86sY9zrzN Bs1E4EX-Npp8BfkX2tqK95GuJR6x2QlH1PA?e=o4JtGR GUIÓN PARA ESPECTÁCULO TEATRAL El guión fruto de las entrevistas realizadas para este proyecto es, también, una ejemplificación de lo que podría venir a ser la obra dramática. Su creación fue inspirada en las historias escuchadas y los personajes presentes fueron concebidos de manera que pudieran contemplar un poco de cada una de las entrevistadas. Por no dominar el idioma gallego, contamos con la asesoría de traducción de Fernando Losada e Iría Molina. Esta obra se caracteriza por una cena corta.
50 Memorias dunha Terra Escrito por Mirela Cortes Dornelles
51 ESCEA 1 O espectáculo da comezo cunha escena do pasado, transmitida por un vídeo. Cinco crianzas saltan e corren polo monte nun día, especialmente, soleado. Entendemos que son amigas dende sempre. Ao fondo podemos ver ás súas nais ao coidado do gando, mentres as vixían de lonxe. TRANSICIÓN PARA O PRESENTE ESCEA 2 Amencer. Vai o día e a luz enche os buratos máis pequenos entre as nubes. A herba é branca, e aínda xeada da noite anterior. Unha muller (MANOLA) abre os ollos e repite as mesmas accións de cada día: atopa a forza para saír do quente da cama, pon os zapatos, prepara e serve o café. Despois de atender á súa familia, inspira antes de afrontar a dureza da súa habitual rutina. Os seus movementos diarios compoñen unha coreografía xa nada extraña. Esa danza continúa ata o momento no que esa muller atópase con outra, coidando ós animais no medio do monte, exactamente como estaban as nais no inicio do espectáculo. MANOLA Bo día, Carmen. Como pasaches a noite? Xa se ve que este inverno vai ser duro. CARMEN Xa che digo neniña...e aínda teño que ir por máis leña, que xa queda pouca... MANOLA Ujum, (asentindo) CARMEN Viches quen chegou á aldea onte á noite? Manola deixa o que estaba a facer e levanta a faciana, ollando a Carmen e di: MANOLA E logo quen vai vir a aldea oh? CARMEN (Feliz) Olga e Beatriz. Dixéronme que querían vernos esta tarde. Díxenlles que claro, que si.
52 MANOLA Vai ti se queres. Eu non teño nada que falar con elas. CARMEN Pero Manola, non podo crer que aínda hoxe esteas enfadada con elas... MANOLA (Berrando) A ver, marchan un día sen dicir nada e agora agardan que as recibamos cos brazos abertos? (Nostálxica) Estabamos tan preto, Carmen, as cinco... Non houbo día que non estiveramos xuntas... Na escola, xogando, axudando ás nosas nais... (Emocionada) Incluso recordo que soñabamos con vivir todas xuntas. CARMEN (Rindo) Certo! Ata que Júlia marchou... MANOLA (Interrompendo a Carmen) Pero Júlia non marchou porque quixera. Liscou porque a súa familia emigrou. E non houbo mes no que deixara de enviarme cartas. Sempre estivemos en contacto. Certo é certo que xa vai tempo que non recibo novas, pero estou segura de que debe haberá algún problema co correo. CARMEN Pero aínda así, podes deixar de lado esa carraxe e vir tomar un café con nós despois. Ademais dixéronme que teñen algo importante que dicirnos. MANOLA Poden esperar sentadas oh! Manola dálle as costas a Carmen e marcha cas vacas pra o monte CENA 3 Olga e Beatriz están sentadas na taberna do pobo, falando entre elas e saudando a algunhas vellas caras coñecidas, cando chega Carmen
53 BEATRIZ Onde está Manola? CARMEN (Apertandoas efusivamente) Canto tempo neniñas! Non quixo vir a Manola OLGA Xa llo dixen eu a Beatriz... BEATRIZ Xa, pero precisamos falar as catro CARMEN Falar de que? BEATRIZ Tranquila, Carmiña, todo a seu tempo, imos onde a Manola entón ESCEA 4 As tres chegan á casa da Manola e petan na porta. Esta ve pola fiestra quen son e non abre. Así en varias ocasións ata que Manola cae da burra. MANOLA Xa dixen que non teño nada que falar con... Manola é sorprendida con unha agarimosa aperta de Olga e Beatriz MANOLA Si, apertiñas agora... non sei como podedes ter a vergoña de vir aquí así despois de tanto tempo... OLGA Pero que che sentou tan mal Manoliña? Entende que a vida levounos por outros camiños MANUELA Outros camiños? Vos marchastedes un día e nin explicación destes. OLGA Pero, Manola...
54 BEATRIZ Da igual Olga, non viñemos tampouco por iso MANOLA E lo a que viñestes? BEATRIZ Temos algo moi importante que contarvos. MANOLA Non quero saber nada, as miñas amigas son Júlia e Carmen, e punto. Olga e Beatriz míranse BEATRIZ É sobre Júlia do que vimos falar. Manola mira fixamente a Beatriz uns instantes ata decatarse de que pasa e senta nunha cadeira. BEATRIZ Recibimos a noticia de que Júlia marchou, Manoliña. Faleceu na casa, rodeada dos seus netos e estaba moi feliz. A súa filla chamoume a semana pasada. Manola érguese e camiña lentamente ata a xanela. Respira fondo. BEATRIZ O certo é que despois desa noticia lembreime dos tempos mozos, dos nosos soños e plans. Lembrei que Júlia escribía moito e que publicara algunha que outra cousa algo. Así que busquei na internet, e descubrín que tiña un blog é por iso que falei con Olga e decidimos vir. MANOLA Que queres dicir, non entendo... OLGA Descubrimos que Júlia escribía sobre nós e as mulleres do rural sempre. Falaba nostálxica da idea de nos atopar novamente algún día CARMEN Non sei que dicir ... Estou segura de que ela emigrou porque a vida así o decidiu. Porque se por ela fose, faría da súa terra, a súa vida e a súa alma.
55 MANUELA Sempre foi moito de lembrar e do noso (Cambia o tono) A diferenza de vos, non si? BEATRIZ Manola, sei que estás doente porque marchamos sen dicir nada, e non me cansarei de desculparme por iso pero non por botar anos fóra me podes dicir que non son unha muller da aldea MANOLA Oíches as que están no rural, manchan as mans, están cos animais, coidan a terra e non marchan por aí CARMEN As mulleres teñen que estar dentro e fóra de casa, miña vella BEATRIZ Seguro que sí, pero as do rural tamén son as que estudan e volven preparadas para melloralo. Son as mestras, as avogadas, as artistas que, e non por iso deixamos de ser de aquí, de ser do noso. CARMEN Oístes, mándalle moito que aínda morta Júlia sempre consegue resolver as cousas Manola escacha ca risa MANOLA Non o podo crer o que vou dicir, pero xa que volvestes...por onde comezamos? BEATRIZ E correndo polo monte ou? OLGA Si oh, imos boas para correr polo monte... As 4 amigas saen pola porta, recordandonos a primeira escea desta obra. FIN.