TESE DE DOUTORAMENTO
A HISTÓRIA DE PORTUGAL NAS
AULAS DO 2.º CICLO DO ENSINO
BÁSICO: EDUCAÇÃO HISTÓRICA
ENTRE REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
E PRÁTICAS EDUCATIVAS
Ana Isabel Dias Mo ei a
ESCOLA DE DOUTORAMENTO INTERNACIONAL
PROGRAMA DE DOUTORAMENTO EN EDUCACIÓN
SANTIAGO DE COMPOSTELA / LUGO
2018
DECLARACIÓN
DA AUTORA DA TESE
A his ó ia de Po ugal nas aulas do 2.º ciclo do Ensino Básico:
educação his ó ica en e ep esen ações sociais e p á icas educa i as
Dna. Ana Isabel Dias Mo ei a
P esen o a miña ese, seguindo o p ocedemen o axei ado ao Regulamen o, e decla o que:
1) A ese aba ca os esul ados da elabo ación do meu aballo.
2) De selo caso, na ese aise e e encia ás colabo acións que i o es e aballo.
3) A ese é a e sión de ini i a p esen ada pa a a súa de ensa e coincide coa e sión en iada en
o ma o elec ónico.
4) Con i mo que a ese non inco e en ningún ipo de plaxio dou os au o es nin de aballos
p esen ados po min pa a a ob ención dou os í ulos.
En San iago de Compos ela, 19 de julho de 2018
Asdo.
AUTORIZACIÓN
DOS
DIRECTORES
DA TESE
A his ó ia de Po ugal nas aulas do 2.º ciclo do Ensino Básico:
educação his ó ica en e ep esen ações sociais e p á icas educa i as
D . José A mas Cas o
D . Ramón López Facal
D a. C is ina Ma ia Fe ei a da Cos a Ribei o Maia
INFORMAN:
Que a p esen e ese, co espóndese co aballo ealizado po Dna. Ana Isabel Dias Mo ei a, baixo a
nosa di ección, e a
u o izamos
a súa
p esen ación
, conside ando
que eúne os
equisi os
esixidos no R
egulamen o
de Es udos de
Dou o amen o da USC,
e
que
como di ec o es des a
non inco e nas causas de
abs ención es ablecidas
na Lei
40/2015.
En San iago de Compos ela, 19 de julho de 2018
Asdo.
Asdo.
Asdo.
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RESUMO
A ese de dou o amen o in i ulada “A his ó ia de Po ugal nas aulas do 2.º ciclo do Ensino
Básico: educação his ó ica en e ep esen ações sociais e p á icas educa i a” abo da as
ep esen ações de p o esso es e es udan es sob e a his ó ia e o seu ensino, o ipo de educação
his ó ica que oco e nas aulas daquele ciclo, bem como o seu con ibu o, ou não, pa a a o mação
dos alunos como cidadãos c í icos e e lexi os.
Es abeleceu-se, assim, como obje i o ge al da in es igação: iden i ica e in e p e a
os discu sos e p á icas dos p o esso es alusi os ao ensino da his ó ia e as na a i as dos
es udan es sob e a his ó ia de Po ugal como elemen os que pe mi em en ende o que acon ece
nas aulas de his ó ia do 2.º ciclo do Ensino Básico.
A dimensão concep ual que sus en ou a in es igação associou-se a ês âmbi os: a eo ia
das ep esen ações sociais e a sua p ojeção no campo da educação; os con ibu os eó icos da
pesquisa em educação his ó ica, pa icula men e os que dizem espei o ao desen ol imen o
do pensamen o his ó ico, à consciência his ó ica e à elação en e al á ea e a a i mação da
iden idade indi idual e social; os es udos ela i os à cons ução da iden idade p o issional
docen e, às conceções dos p o esso es sob e a his ó ia e às suas p á icas de ensino.
Pa a a ecolha de dados o am incluídos na pesquisa 6 p o esso es de His ó ia e Geog a ia
de Po ugal no 2.º ciclo do Ensino Básico, em ins i uições de ensino públicas ou p i adas e
91 alunos escolhidos po aqueles docen es numa sua u ma de 6.º ano de escola idade, ambos
p o enien es de 9 o ganizações educa i as si uadas nos seis concelhos mais po oados do
dis i o do Po o, no no e de Po ugal. Os docen es in e enien es o am selecionados de modo
inciden al, a pa i de um con ac o pessoal e a sua pa icipação acon eceu de o ma olun á ia.
Os ins umen os de ecolha de dados ado ados ambém o o am pela in e ação p óxima e
di e a com os pa icipan es na in es igação pe mi ida: um inqué i o po ques ioná io aos alunos,
uma en e is a aos p o esso es e um guião de obse ação de aulas de His ó ia e Geog a ia de
Po ugal. Es as ês opções conside adas po encia am um ce o e ei o de iangulação dos dados
coligidos.
A análise dos mesmos, po sua ez, pe mi iu cons a a que os agen es que pa icipam no
quo idiano das salas de aula elabo am e pa ilham ep esen ações sob e eles mesmos e sob e o
ensino e a ap endizagem da his ó ia que po si, de uma o ma ou de ou a, são in luenciados.
Pa a a maio ia dos es udan es do 2.º ciclo do Ensino Básico, a his ó ia não se a i ma como
con ibu o pa a o ap imo amen o de a i udes ponde adas e ques ionado as do mundo, mas é
on e de cul u a ge al e sabe pa a a o mação iden i á ia indi idual.
Há ainda qua o p incipais episódios da his ó ia do país que ocupam um luga des acado
nas suas ep esen ações: Fundação de Po ugal, Descob imen os, Di adu a do Es ado No o e
Re olução do 25 de ab il; e duas pe sonagens dema cam-se das es an es: D. A onso Hen iques
e Salaza . As suas na a i as his ó icas nacionais p opo cionam um ela o simpli icado que se
ai desen olando desde a independência e i o ial, depois a expansão ma í ima, passando pelo
desen ol imen o económico aquando da di adu a salaza is a a é à conquis a das libe dades
democ á icas.
Os docen es in e enien es na in es igação e idencia am a sua di e sidade an o ao ní el
da o mação inicial i enciada como no que conce ne às o mas de en ende a his ó ia e a sua
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unção educa i a, às p á icas de ensino ado adas ou ao g au de sa is ação ace à p o issão.
A pa i das en e is as e das obse ações de aulas de ini am-se ês abo dagens da p á ica
de ensino da his ó ia: adicional (de memo ização), ino ado a (de descobe a), c í ica (de
ans o mação). Na u almen e, econhecemos que aqueles ês en oques assumidos não podem
se omados como ealidades independen es e dis anciadas, an es ca ac e izadas pela sua in e -
elação, ainda que de modo pa cial. Além disso, sabemos que nenhum dos seis p o esso es
en e is ados se enquad a comple amen e, e em exclusi o, numa das abo dagens de inidas,
mas ais ca ego ias pode ão dis ingui -se como ú eis pa a iden i ica os pe is p o issionais dos
docen es e as azões das suas p á icas de ensino.
Conside amos que os esul ados alcançados com es a in es igação a o ecem um
en endimen o mais ab angen e sob e o que ai acon ecendo, em Po ugal, pa icula men e no
que se elaciona com a his ó ia p esen e nas aulas do Ensino Básico. Espe amos, ainda, que
con ibuam pa a a ampliação do sabe já di ulgado no âmbi o da educação his ó ica, ambém
com a in enção de se bene icia em os p ocessos de ensino e de ap endizagem das ciências
sociais.
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RESUMEN
In oducción
La esis doc o al, i ulada “La his o ia de Po ugal en las aulas del 2.º ciclo de la Educación
Básica: educación his ó ica en e ep esen aciones sociales y p ác icas educa i as”, abo da las
ep esen aciones de p o eso es y es udian es sob e la his o ia y su enseñanza, ambién se ocupa
del ipo de educación his ó ica que ocu e en las aulas del 2.º ciclo de la Educación Básica
en Po ugal, y si ha con ibuido a la o mación de los es udian es como ciudadanos c í icos y
e lexi os. Con 10 y 11 años, los es udian es comienzan a amilia iza se con la disciplina escola
de His o ia y Geog a ía de Po ugal, empiezan a o ma se como suje os ac i os en un con ex o
social pa icula , a desa olla sus habilidades cogni i as, comunica i as y elacionales. Po
su pa e, los p o eso es, de acue do con su o mación p o esional y sus concepciones sob e la
enseñanza de la his o ia, ges ionan el cu ículo, seleccionan con enidos y o ganizan di e sas
secuencias didác icas de acue do con las ca ac e ís icas del g upo de alumnos.
Es a in es igación se encuad a den o de los es udios de educación his ó ica, un campo
de in es igación con pe iles p og esi amen e mejo de inidos en el que se in eg an es udios
e e idos a la eo ía y didác ica de la his o ia, al ap endizaje de la his o ia y el desa ollo de
compe encias, y las p ác icas de enseñanza desa olladas en las aulas de his o ia (S ea ns, Seixas
y Winebu g, 2000; Ba on y Le s ik, 2004; Chapman y Wilschu , 2015; Ca e e o, Be ge y
G e e , 2017; López, Mi alles, P a s y Gómez; 2017). En nues a in es igación decidimos oma
como pun o de pa ida el análisis de ep esen aciones sociales sob e la his o ia y su enseñanza,
analizamos las na a i as his ó icas p oducidas po los es udian es que adop an de e minados
pa ones ue emen e in luidos po ac o es polí icos, sociales y cul u ales, y dialogamos con
los p o eso es y obse amos su p ác ica pa a a a de iden i ica lo que sucede en el in e io de
las aulas de his o ia.
Obje i os de la in es igación
Pa a pone en ma cha la in es igación ue necesa io iden i ica una p egun a o ien ado a
(Flick, 2012, 2015) que esul ó se un in e ogan e múl iple de inido de es a o ma:
¿Qué es á sucediendo en las aulas de his o ia del 2.º ciclo de la Educación Básica
en Po ugal? ¿Cómo i en los p o eso es la ac i idad p o esional de la enseñanza
de his o ia? ¿Qué conocimien o de la his o ia de Po ugal es án cons uyendo los
es udian es? y ¿Como podemos conoce es as ealidades e in e p e a las a la luz de
la in es igación sob e educación his ó ica?
Así se es ableció el obje i o gene al de la in es igación:
iden i ica e in e p e a los discu sos y las p ác icas de los p o eso es sob e la
enseñanza de la his o ia y las na aciones de los es udian es ace ca de la his o ia de
Po ugal, como ías de acceso a lo que ocu e en las clases de his o ia en el 2.º ciclo
de la Educación Básica.
C eemos que los esul ados de la in es igación ayudan a en ende mejo lo que es á
sucediendo en la enseñanza de la his o ia en la Educación Básica de Po ugal, y espe amos
que puedan con ibui modes amen e a que siga a anzando el conocimien o sob e la educación
his ó ica con la in ención de mejo a los p ocesos de enseñanza y ap endizaje de la his o ia y
las ciencias sociales.
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NOTAS PRÉVIAS
-Es e documen o oi edigido ao ab igo do No o Aco do O og á ico da Língua Po uguesa
(1990).
-As no mas de ci ação e bibliog á icas seguem as ecomendações da Ame ican
Psychological Associa ion (6.ª edição).
-Em momen o algum, p o esso es ou alunos são nomeados de o ma a que a p ese ação
da sua iden idade possa se comp ome ida.
-Nas ansc ições das na a i as elabo adas pelos es udan es in oduzi am-se pon uais
ajus es no que diz espei o à o og a ia e pon uação.
-As pala as p o esso /docen e e aluno/es udan e são u ilizadas, ao longo do ex o, de
o ma indis in a, como sinónimos.
-As pala as aluno(s)/es udan e(s) e p o esso (es) e e em-se an o a pa icipan es do
géne o eminino, como do géne o masculino.
A his ó ia de Po ugal nas aulas do 2.º ciclo do Ensino Básico:
educação his ó ica en e ep esen ações sociais e p á icas educa i as
Ana Isabel Mo ei a
PARA A MINHA AVÓ LINA.
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AGRADECIMENTOS
“Aqueles que passam po nós não ão sós, não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si e le am um pouco de nós.”a
Não damos o ma a um abalho de in es igação sozinhos. Somos os au o es p incipais,
pois cla o, oda ia pululam, aqui e além, ou os nomes que de igu as secundá ias somen e êm
aquele adje i o u ilizado.
Há, assim, uma mi íade de os os e iden idades que me ecem se nomeados. Po isso,
mani es o o meu since o ag adecimen o:
ao P o esso Xosé A mas Cas o que, en e inúme as a e as e ob igações, encon ou
semp e empo pa a a ende às minhas solici ações. Ob igada pelas pala as de incen i o, pelos
conselhos sábios, pelas es a égias que ap oxima am as nossas ideias que eima am em su gi
em países di e en es;
à P o esso a C is ina Maia que, de o ma sub il, oi p esença essencial nes e p ocesso.
Ob igada po e sido, ambém, esponsá el pelo meu cada ez maio in e esse pela his ó ia e
pelo seu ensino. Desde aquela licencia u a em Educação Básica;
ao P o esso Ramón López Facal que, enquan o di e o / u o des a ese, oi inexcedí el no
apoio p es ado. Ob igada pela ápida esolução dos pequenos g andes p oblemas bu oc á icos
su gidos e pela cons an e suges ão de no as e in e essan es lei u as;
à Uni e sidade de San iago de Compos ela, na pessoa da Dou o a Ma Lo enzo e à
Escola Supe io de Educação do Po o, na pessoa do Dou o An ónio Guedes. Ob igada pela
opo unidade de, ao equen a es e Dou o amen o em Educação, pode almeja a se uma
melho p o esso a. In es igado a, ambém;
à P o esso a Dou o a Isabel Ba ca, ao P o esso Dou o Domínguez Cas illo e ao P o esso
Dou o Jo ge Sáiz que, p on amen e, acede am ao meu pedido de colabo ação. Ob igada po
comigo pa ilha em o osso ão amplo sabe ;
aos di e sos p o esso es e alunos que me ecebe am nas suas salas de aula. Ob igada pela
ossa amabilidade genuína, pela pa icipação in e essada, pelas espos as semp e p on as. E po
me e em ensinado an o sob e aquela que é a ‘ ossa’ his ó ia;
às di eções das di e en es ins i uições de ensino públicas e p i adas que, sem
condicionamen os, acei a am a minha p esença naquelas ins alações escola es. Ob igada po
e em abe o a po a à (minha) in es igação;
a Da ob a de An oine de Sain -Exupé y, de 1943, O P incipezinho.
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aos meus amigos, colegas e an igos p o esso es que incen i a am, em á ios momen os, o
meu abalho. Ob igada pela ossa bondade e con iança;
aos meus amilia es, que es ão semp e lá. Ob igada po se mos amília nos momen os
menos bons e, como nes a ocasião, nos melho es momen os.
Ine i a elmen e, po ém, é en a ans o ma em pala as uma g a idão que quase não em
desc ição. Assim,
ag adeço ao Ped o po se bem mais do que algum dia espe ei encon a . Ob igada po e es
chegado ão a empo de um empo que é, ago a, (só) nosso.
às minhas i mãs, Ri a e Joana, que comigo compõem uma íade inigualá el, e pa a semp e.
Ob igada pela disponibilidade pa a odos os pedidos, pelos elogios às ezes suben endidos,
pelas di e enças que em an o nos azem iguais.
aos meus pais, que são modelo pa a a ida. Ob igada pelo exemplo de se iedade no
abalho, de amo cúmplice, de amília que se cons ói assen e nos alo es do espei o e da
esponsabilidade.
“Ah, quem esc e e á a his ó ia do que pode ia e sido?
Se á essa, se alguém a esc e e ,
A e dadei a his ó ia da humanidade. (…)”
Ál a o de Campos, 1933
“Quando o g ande, que o se de ou a manei a. Que o se longe.
Eu espondia: ninguém é longe. As pessoas são semp e pe o de alguma coisa e
pe o delas mesmas. A minha i mã dizia: são. Algumas pessoas são longe.
Quando o g ande que o se longe.”
Val e Hugo Mãe, 2013
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INTRODUÇÃO
Como nos eco dam Liu e Hil on (2005), a his ó ia p opo ciona-nos na a i as que nos dizem
quem somos, de onde imos e pa a onde de e íamos i . Es a ese, ao a ende às ep esen ações
de p o esso es e es udan es sob e a his ó ia e o seu ensino, ambém ques iona sob e o ipo de
educação his ó ica que acon ece nas aulas do 2.º ciclo do Ensino Básico, em Po ugal, e de que
modo a mesma em, ou não, con ibuído pa a a o mação dos alunos como cidadãos e lexi os
e c í icos. De uma ou a o ma, es e abalho de in es igação lê, nas na a i as p oduzidas po
aqueles agen es p imo diais na sala de aula, quem somos, de onde p o imos e qual de e á se
o nosso caminho daqui em dian e e no que conce ne ao ensino e à ap endizagem da his ó ia.
Tal ez no cump imen o da ideia pe ilhada po Lambe o Ma ei (2014), e que dizia, “o
Homem ap ende do ambien e du an e mui o empo e, de uma manei a ge al, em a capacidade
de dedica -se às disciplinas de que mais gos a”, es e abalho e sa sob e a his ó ia. Num ciclo
de ensino pe dido en e as in es igações sob e a elação, em início de desen ol imen o, dos
ainda mais pequenos com as ciências sociais e as pesquisas ou as que já que em en ende as
especi icidades do pensamen o his ó ico dos es udan es no inal da escola idade básica ou no
começo do Ensino Secundá io. Mas com 10 ou 11 anos, os sujei os começam a amilia iza -
se com aquela disciplina escola , começam a o ma -se enquan o cidadãos num pa icula
con ex o, começam a med a as suas compe ências cogni i as, comunica i as, elacionais.
Os p o esso es, po sua ez, de en o es de uma eque ida o mação p o issional, p ecisam de
o ganiza sequências didá icas á ias, que se azem de a i idades e momen os de a aliação
pa icula es, de aco do com um g upo de e minado de alunos.
P e endeu-se, pois, conhece as ep esen ações e opiniões elabo adas pelos in e enien es
p imei os no p ocesso de ensino e de ap endizagem que acon ece nas salas de aula. E que se
e le em, no caso dos es udan es, desde as a i udes aí assumidas, às na a i as edigidas sob e
a his ó ia de Po ugal ou à iden idade nacional pe ilhada e pa ilhada; ou, no que conce ne
aos docen es, pa a além da in luência de uma singula o mação p o issional i enciada, no
en endimen o da his ó ia que é escola e socialmen e necessá ia, nas es a égias e ecu sos
ado ados nos momen os de ensino e, a é, no desenho possí el de um pe il de p o esso daquela
disciplina no (2.º ciclo do) Ensino Básico.
E num momen o em que são semp e á ias as opiniões sob e a educação em ge al ou o
ensino e a ap endizagem em pa icula , quisemos ambém nós olha pa a al assun o. Disse o
di e o de Educação e Compe ências da O ganização pa a a Coope ação e Desen ol imen o
Económico, numa en e is a a um jo nal po uguês (Cae ano, 2017), que os jo ens es udan es
po ugueses mani es am capacidades e qualidades e iden es na ep odução de conhecimen os,
po ém são poucas as suas compe ências de ex apolação e de aplicabilidade de ais sabe es
ap endidos, na escola, em si uações ou as e não amilia es; e que os p o esso es, em Po ugal,
ocupam a g ande pa e do seu empo p o issional com ‘o da a ma é ia’, não ha endo espaço
pa a ou as p á icas ou ações; ou que a maio qualidade do ensino depende, maio i a iamen e,
de uma u ilização mais e icien e do empo. Mas se á, de ac o, assim? E ambém no que diz
espei o à disciplina de His ó ia e Geog a ia de Po ugal? Ou é es a uma pe spe i a dis an e
da ealidade, po que assumida po alguém, na e dade, bem dis an e das decisões e a uações
po uguesas? Ou é, al ez, uma opinião si uada e des inada a legi ima de e minadas polí icas
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Ana Isabel Mo ei a
educa i as?
No que diz espei o à es u u a da ese, a mesma di ide-se em cinco capí ulos que
con emplam, sucessi amen e, o desenho da in es igação, o ma co eó ico no qual se inse e, as
opções me odológicas conside adas, os alunos e a his ó ia, os p o esso es e o ensino, e minado
com as conclusões alcançadas po ia des e es udo e, ainda, com o apon amen o dos seus limi es.
Na p imei a pa e (Fundamen ação eó ica e aspe os me odológicos), o p imei o capí ulo,
in i ulado Desenho da in es igação, con empla oda a ap esen ação e desc ição do p oblema
de in es igação, que oi mo e pa a o abalho conc e izado. Os obje i os ge al e especí icos,
su gidos de uma p imei a ques ão lançada, são ambém enunciados, pa a além de se ap esen a
uma b e e esenha dos p incipais assun os que, de alguma o ma en elaçados, de ini am os
aços di e enciado es des a pesquisa: as ep esen ações sociais dos es udan es sob e a his o ia,
as p á icas de ensino dos p o esso es e a educação his ó ica daí eme gen e.
No segundo capí ulo, ap esen a-se a undamen ação eó ica que sus en ou a in es igação. As
p incipais e lexões e os mais signi ica i os concei os su gem, aqui, explici ados e o ganizados
em ês ópicos dis in os.
Em p imei o luga , as ep esen ações sociais, nomeadamen e, a eo ia que explica es e
enómeno, a ibuída a Se ge Mosco ici, e a p ojeção da mesma no campo da educação his ó ica.
Em segundo luga , cla i icam-se os concei os de pensamen o his ó ico, cujo desen ol imen o
se pode e idencia ao ní el dos conhecimen os subs an i os e/ou dos concei os de “segunda
o dem” manejados; de consciência his ó ica, que pode mani es a -se sob di e en es modos e de
na a i a, enquan o elabo ação ma e ial que e le e o ipo de consciência his ó ica ap imo ada,
assim como o seu con ibu o, mais ou menos o ien ado, pa a a o mação de uma cidadania
democ á ica. Po im, e a a-se o âmbi o do ensino e da ap endizagem da his ó ia no país,
omando-se em a enção, pa icula men e, os aspe os cu icula es ine en es à disciplina de
His ó ia e Geog a ia de Po ugal; os con o nos da o mação dos p o esso es de his ó ia (do
Ensino Básico) e as p á icas de ensino passí eis de se em ado adas na sala de aula.
O e cei o capí ulo ap esen a odas as opções me odológicas ine en es à in es igação.
O desenho de uma abo dagem quali a i a, no âmbi o da educação, de um pon o de is a
epis emológico in e p e a i o e de um en oque p óximo da g ounded heo y. Po isso,
desc e em-se os c i é ios de seleção dos pa icipan es, en e ins i uições educa i as, p o esso es
e alunos, assim como os ins umen os de ecolha de dados elabo ados – o inqué i o aos alunos, a
en e is a aos p o esso es e o guião de obse ação de aulas. Re lexos, pois, da aplicação de uma
me odologia não expe imen al e assen e numa lei u a empí ica e sis emá ica daquela ealidade
social, en ão al o de um es udo desc i i o. Também se inclui, nes e pon o, uma p opos a,
de idamen e undamen ada, de modelos explica i os, ou seja, uma cla i icação das ca ego ias
de análise cons uídas em elação aos ní eis de desen ol imen o do pensamen o his ó ico dos
es udan es e às abo dagens da p á ica de ensino da his ó ia dos p o esso es.
Na segunda pa e des a ese, denominada A his ó ia no Ensino Básico: alunos e p o esso es
na sala de aula, in eg am-se dois capí ulos dis in os. Po um lado, aquele que diz espei o às
a i udes, p e e ências e conhecimen os dos alunos ace à his ó ia e, po ou o, o que conce ne à
elação es abelecida en e o p o esso e o ensino da his ó ia. São es es dois pon os que e a am,
po an o, a análise dos dados ecolhidos, a pa i dos ins umen os e e idos na p imei a pa e,
omando em conside ação dois pon os de is a di e en es: o dos es udan es e o dos docen es.
Rela i amen e aos p imei os, in e p e am-se as conceções cons uídas sob e a his ó ia escola e
o seu ensino, as a i udes pe an e aquela á ea do sabe , as ep esen ações sob e acon ecimen os e
pe sonalidades da his ó ia de Po ugal ou as ca ac e ís icas do seu pensamen o his ó ico, a a és
do discu so na a i o que é ama com ma cas de iden idade nacional e de educação his ó ica.
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No que se e e e aos segundos, p ocu a-se en ende e concep ualiza os pensamen os e
p á icas p o issionais ado ados, a pa i de his ó ias de ida na adas, dos aços da o mação
e desen ol imen o p o issional expe imen ados, das conceções cons uídas sob e a his ó ia
escola , o cu ículo o icial e a a aliação, das especi icidades ine en es à cons ução de uma
iden idade p o issional. Além disso, olham-se as p á icas de ensino conc e izadas em cada uma
das salas de aula obse adas, po en u a na en a i a de se alcança uma p e ensa de inição do
pe il de p o esso de his ó ia do Ensino Básico.
P e ende-se, assim, encon a uma espos a pa a a ques ão de pa ida, p incípio da
in es igação desen ol ida, bem como e idencia o cump imen o, ou não, do obje i o ge al e
dos espe i os obje i os especí icos. A inal, p o esso es e alunos do 2.º ciclo do Ensino Básico
cons oem, a pa do i ido quo idianamen e, ep esen ações sob e a his ó ia – mais posi i as ou
mais nega i as, mais simples ou mais complexas, mais p óximas ou mais dis an es e os es udan es
ambém edigem na a i as his ó icas, alusi as a Po ugal, mais ou menos nacionalis as, mais
ou menos e elado as de um pensamen o his ó ico ma u ado, mais ou menos denunciado as de
um ipo de consciência his ó ica desen ol ida.
Es e abalho e mina com as Conclusões conseguidas após o desen ola da in es igação
an es delineada e aplicada. Aqui sis ema izam-se, en ão, algumas ideias alcançadas, espos as
en adas, in e ências conc e izadas. No en an o, ambém se enunciam os limi es que
condiciona am a in es igação, po azões á ias, e desenham-se e en uais implicações que,
amanhã, a pesquisa hoje ealizada possa aca e a .
Os Anexos incluem, po sua ez, uma seleção de alguns dos dados a pa i dos quais oi
possí el elabo a es a ese. Com o in ui o de se e i a uma excessi a dimensão do documen o
esc i o, e pa a acili a o acesso ao conjun o comple o dos dados ecolhidos, op ou-se po u iliza
um eposi ó io online1, onde se podem consul a in eg almen e os ma e iais ob idos a a és dos
inqué i os po ques ioná io, das en e is as e das obse ações de aulas.
Es a é, no inal, a o ma edigida de uma ação in es iga i a que se ez de á ios momen os,
in enções ou cons a ações. E que assim acon eceu, po que hou e quem, en e os seus a aze es
quo idianos, quisesse, de modo colabo a i o, pensa a his ó ia, o seu ensino e a sua ap endizagem,
numa pa icula ealidade, sem p e e i , ainda, ealidades ou as onde a educação his ó ica é
ambém p esença no ada. Se de ou o modo i esse sido, al ez os esul ados alcançados não
adqui issem al con igu ação e es a ese mais não osse do que um desígnio (ainda) po cump i .
2
21 O espe i o ende eço su ge indicado na página 277.
In odução
I. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E
ASPETOS METODOLÓGICOS
39
CAPÍTULO 1. DESENHO DA INVESTIGAÇÃO
1.1. A CONSTRUÇÃO DO PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO
Há mais de in a anos, o p o esso e in es igado no e-ame icano La y Cuban (1984) deu
a conhece ao público em ge al uma ob a audaz, pionei a ambém, no âmbi o da in es igação
sob e aquilo que é, de ac o, a ‘caixa neg a’ das p á icas de ensino nas ins i uições escola es.
Recen emen e, o mesmo in es igado ap esen ou-nos uma ou a e elado a ob a, na qual,
a a és do es udo de caso de duas escolas dos Es ados Unidos da Amé ica, analisou as mudanças
e pe manências acon ecidas no ensino da his ó ia ao longo do úl imo meio século (Cuban,
2016). Em ambos os casos, o au o e le e sob e as di iculdades eó icas e me odológicas pa a se
cap u a e en ende o que acon ece no in e io das aulas, as p á icas de ensino que conc e izam
os p o esso es e a sua in luência nas ap endizagens dos alunos.
A nossa in es igação p e ende coincidi com aquela linha de abalho, p ocu ando da
con a da o ma como se ensina e ap ende a his ó ia nas aulas, nes e caso do 2.º ciclo do Ensino
Básico2, em Po ugal. É es a uma his ó ia con ada a duas ozes ou, po ou as pala as, a pa i
de dois olha es –p o esso es e alunos– que a desenham u ilizando os seus p óp ios aços, as
suas indi iduais pe ceções, as suas pala as escolhidas. Na e dade, é essa his ó ia que cada ez
mais nos in e essa, po que, como eco da a Ma c Fe o (1990), a his ó ia que nos con am em
c ianças é, e e i amen e, aquela que deixa uma imp essão mais p o unda na nossa exis ência.
À ma gem das ou as es ó ias que se dizem, é aquela que pode ealmen e se expe ienciada,
en endida, ou a é ejei ada, po quem, a seu lado, é ambém a o com papel p incipal, o iundo
de um pa icula meio cul u al e his ó ico, no cená io social in e a i o que é a sala de aula.
De ac o, undamen ando es e abalho de pesquisa no diálogo epis emológico, não o am
deixados ao acaso os di e en es es udos nacionais e in e nacionais já conc e izados sob e o
ensino e a ap endizagem da his ó ia ou as ep esen ações sociais aplicadas ao en endimen o
da e sa ilidade do campo educa i o. E apesa de aqueles se em emas analisados, ao longo
do empo, po di e en es au o es e sob di e sas pe spe i as, em Po ugal a a enção em-
se di ecionado, maio i a iamen e, pa a os ní eis de ensino mais p ecoces (1.º ciclo), onde a
his ó ia ainda é, apenas, um es udo do meio ísico e social, ou mais adian ados (3.º ciclo e
secundá io), onde o desen ol imen o cogni i o já alcançou ní eis supe io es e com e lexos
signi ica i os no conhecimen o his ó ico mani es ado. Como al, o 2.º ciclo do Ensino Básico,
equen ado po alunos de 10 e 11 anos de idade, con e e-se num quase hia o, endo sob e ele
sido conc e izado um não ão as o núme o de análises in e p e a i as. E as que ão su gindo já
ealizadas, di ecionam-se, com maio equência e des aque, pa a um só con eúdo do P og ama
de His ó ia e Geog a ia de Po ugal, que de uma pa icula o ma é en endido pelos di e en es
alunos, ou não aglu inam e con on am, na mesma in es igação, as isões de es udan es e
docen es (Ba ca e Solé, 2012).
2 O sis ema educa i o po uguês an e io ao Ensino Supe io inclui a Educação P é-escola e os Ensinos Básico e
Secundá io. A Educação P é-escola des ina-se a c ianças en e os ês anos e a en ada na escola idade ob iga ó ia e é de
equência acul a i a; o Ensino Básico es u u a-se em ês ciclos sequenciais, com a du ação espe i a de 4, 2 e 3 anos, sendo
equen ado pelos alunos en e os 6 e os 15 anos de idade: 1.º ciclo (6-9/10 anos), 2.º ciclo (10-11 anos), 3.º ciclo (12-14/15
anos); o Ensino Secundá io em um e e encial de ês anos le i os (dos 15 aos 17/18 anos), o ganizado de o mas di e enciadas
e o ien ado pa a a con inuidade dos es udos e/ou a en ada no mundo labo al.
40
Ana Isabel Mo ei a
O p oblema de in es igação oi assim sendo cons uído. Nascido da cu iosidade de uma
p o esso a de his ó ia no início da sua ca ei a p o issional. De alguém que não e e ainda
a possibilidade de, com egula idade, a ua como p o issional da educação, na sala de aula,
pe an e uma u ma de sujei os do 5.º ou 6.º anos de escola idade, mas que semp e se ques ionou
sob e a complexidade o gânica da educação. E que, sob e udo, a quis cons a a como mais do
que uma acumulação de sequências de conhecimen os e capacidades mensu á eis, inequí ocos,
iguais pa a odos. Alguém que ambém se in e essa pelo ou o p o agonis a da p á ica educa i a
na sala de aula, po que ou o a assumiu e i enciou esse luga e, ago a, que comp eende como
aqueles que hoje são alunos olham a his ó ia e quais as azões subjacen es a al ep esen ação
cons uída. São es as, pois, as opiniões que con am, que pe mi em conhece os p ocessos
acon ecidos no in e io das aulas de his ó ia, espaços de ensino e de ap endizagem, mas ambém
de elações sociais e de cons ução de iden idades de p o esso es e es udan es (Cuban, 2016;
Husbands, Ki son e Pend y, 2003; Me chán, 2005).
Num inicial amálgama de ep esen ações, na a i as, p o esso es, alunos e, ainda, a his ó ia,
giza-se o pon o de pa ida pa a um pensamen o, uma análise, uma pesquisa que alcança ou as
dimensões. A dimensão emo i a e alo a i a, que acen ua as ep esen ações sociais como
modalidade de sen ido comum no mundo social (Mosco ici, 2001; Jodele , 2001); a dimensão
o ma i a de uma his ó ia que pode con ibui pa a a o mação de cidadãos de enso es dos
alo es democ á icos, de iden idades plu ais e da con i ência pací ica (Ba on e Le s ik,
2004); a dimensão in elec ual, que e idencia uma exequí el econs ução do passado quando,
a i amen e, se lê, se esc e e, se con a ‘a his ó ia’ (Lowen hal, 2015; Rüsen, 2005a; Seixas,
2004).
A didá ica da his ó ia é, a ualmen e, uma á ea de conhecimen o com uma undamen ação
cien í ica p óp ia. E, ao mesmo empo, um domínio que, aliando a eo ia e a aplicação dos
p incípios que eme gem da cognição his ó ica às p á icas educa i as, é já capaz de con ibui
pa a que a eal, e expec á el, educação his ó ica acon eça de ac o (S ea ns, Seixas e Winebu g,
2000; Ba ca 2009a; Kös e , Thünemann e Zülsdo -Ke s ing, 2014; Chapman e Wilschu , 2015;
Ca e e o, Be ge e G e e , 2017). Assim, oi no âmbi o especí ico da educação his ó ica que
ez sen ido con igu a es a in es igação, sendo aquela econhecida como á ea do sabe com
aços singula es.
Se á es a, po en u a, uma ia pa a desmis i ica algumas ideias que popula men e se
pa ilham, á ias ezes, aqui e ali: os jo ens ‘não sabem nada’ sob e his ó ia, as aulas de his ó ia
são abo ecidas e semp e iguais; os p o esso es de his ó ia só ‘di am e di am ma é ia’; a his ó ia
‘é uma seca’. Pa a isso, op ou-se po concede oz a quem a ua, ealmen e, na sala de aula e
a quem, em simul âneo, expe iencia na escola um espaço que pode se de diálogo, pa ilha,
ap endizagem, jogo, ensino, uição, descobe a, pa icipação. Olhou-se, en ão, o olha de um
núme o selecionado de alunos e p o esso es do 2.º ciclo do Ensino Básico sob e a his ó ia de
Po ugal. Em o ma de ep esen ações, e de na a i as ambém. Po que es uda as ep esen ações
é explo a uma i ência da ida eal quo idiana e na qual os in e enien es azem usu u o de
sis emas de signi icação que o ien am e jus i icam ações ou que são e e ência pa a classi ica
pessoas e in e p e a acon ecimen os (Mosco ici, 2001, 2007; Jodele , 2001; Ab ic, 2001). Po
ou as pala as, é en ende sen idos pe ilhados que, e e i amen e, acili am a comunicação e
a adoção de compo amen os coo denados. E po que es uda as na a i as, po sua ez, é uma
o ma de en ende se os discu sos são odos, e semp e, iguais, se há emá icas ‘in isí eis’ e
ou as bem mais cla i iden es, se há assun os que não se con am e ou os que mui o se con am,
se há isões só numa di eção ou que se di ecionam em sen idos á ios. Ou é o modo pa a
in e p e a uma ama, ecida com peças di e sas e ligadas des a o ma ou o ganizadas de uma
41
ou a, que con a uma his ó ia (nacional) en o mada em ealidades conc e as e pa icula es
(Ca e e o e Van Alphen, 2014; VanSled igh , 2008; We sch, 2004).
O nosso abalho o ien ou-se, en ão, no sen ido da análise da o ma como a his ó ia é
pe cecionada e concebida po docen es e es udan es: de aco do com pe íodos empo ais ou
eco es emá icos; a pa i de conhecimen os e e enciados; pelas unções sociais e educa i as
conside adas; pelas es a égias de ensino ado adas; po um pe il p o issional assumido;
como on e de in e esse ou desin e esse. No en an o, pa eceu-nos pe inen e i mais além.
Complemen a uma modalidade de cognição com aquela ou a que, na o ma de egis o esc i o,
conjuga sabe es disciplina es, ideologias, concei os indi iduais, ações simbólicas e c ia i as
(Jodele , 2001, 2011). Sob e os acon ecimen os e as pe sonalidades que compõem a his ó ia de
Po ugal ou sob e a iden idade p o issional que cada um ai o mando, ao longo do empo, a pa i
das expe iências pessoais, cul u ais, ins i ucionais ou sociais i idas. Po isso, omámos as suas
na a i as como um meio e icaz pa a que se e elasse a miscelânea de capacidades cogni i as,
pe ceções, in e ências, comp eensões simbólicas e cons uções o iginais pe ilhadas po cada
um daqueles sujei os. Ou seja, a ealidade educa i a po uguesa, mais ou menos dis o cida,
que eem os p o esso es; os aspe os cul u ais, ideológicos ou escola es que, e en ualmen e,
medeiam aquela pe ceção; os con o nos que a iden idade nacional que os alunos começam a
cons ui adqui e; o ipo de consciência his ó ica que já e idenciam.
E ace a es a in enção an e io , con udo, não oi possí el negligencia a bagagem de
sabe es que ou os in es igado es ha iam já elabo ado nes e âmbi o. Como, po exemplo,
a undamen ada ideia de que cada sujei o cons ói uma de e minada conceção de his ó ia a
pa i do con ado, do lido, do ou ido, do is o ou do econs uído (Ba on, 2001). No en an o,
a on ade de que e sabe mais ins igou-nos a p ocu a ainda, em elação aos pa icipan es
nes a in es igação, a on e, o pon o de pa ida pa a as suas ideias sob e a his ó ia, às ezes
deso ganizadas, ou as an as agmen adas: a ealidade amilia , a comunidade local, os meios
de comunicação social, a li e a u a, o cinema, o g upo de pa es, …
Numa pe spe i a mais ab angen e, p e endeu-se o ien a es a in es igação enquan o
con ibu o pa a uma mais ampla e lexão sob e o ensino e a ap endizagem da his ó ia,
conside ando-se dados á ios e e elado es do desen ol imen o cogni i o dos es udan es, dos
in e esses e mo i ações des es e dos p o esso es, das expe iências de ensino o ganizadas e
acon ecidas na sala de aula, das in luências cul u ais que moldam cada con ex o de ap endizagem,
das dimensões social, adminis a i a e legal que ca ac e izam as ins i uições escola es.
Em elação àquele úl imo pon o, a opção de inclusão, nes e abalho, de ins i uições de
ensino público e p i ado não oi o ui a. An es pelo con á io. Foi uma decisão omada com a
ce eza de que as ealidades pública e p i ada, ao ní el do ensino, são di e en es. Não que is o
dize que, a p io i, possamos econhece uma como melho do que a ou a. Ine i a elmen e,
as dimensões adminis a i a, legal ou pedagógica di e em en e as ins i uições apenas sob
chancela pública daquelas ou as que pe encem a en idades p i adas. Os obje i os educa i os
delineados, as me odologias ado adas, as condições de abalho disponibilizadas dis inguem-se,
as expec a i as açadas em elação ao u u o, consequen emen e, não coincidem. Des e modo,
o ca ác e público e p i ado das ins i uições de ensino oi uma das a iá eis conside adas na
análise ence ada sob e aquilo que acon ece nas aulas de his ó ia do 2.º ciclo do Ensino Básico.
Os es abelecimen os escola es o am es udados, nes a in es igação, a pa i de um olha do qual
se quis alhea o es e eó ipo, a ideia p é-concebida, a asse ção que semp e se diz. Desde logo,
a en ada naqueles espaços ez-se depois de uma p imei a lei u a dos seus p oje os educa i os;
sob a o ma de um inqué i o ecolhe am-se as opiniões dos alunos; po ia de uma en e is a
es abeleceu-se um diálogo com os p o esso es e, inalmen e, alcançou-se a sala de aula pa a a
Capí ulo 1. Desenho da in es igação
48
Ana Isabel Mo ei a
alguns elemen os e se encob em ou os, num sabe elabo ado pa a se i as necessidades,
alo es e in e esses de um g upo ( amília, mo imen o social, g upo eligioso, p o issional ou
e á io, po exemplo), as ep esen ações su gem e adqui em uma exis ência p óp ia, ci culam,
undem-se, o iginam ou as ep esen ações.
A eo ia das ep esen ações sociais começou a ganha des aque na segunda me ade do século
XX, no âmbi o da psicologia social (Jodele , 2008a), mas azendo na sua génese os es udos
de Du kheim sob e a di e ença en e as ep esen ações indi iduais e cole i as, a psicanálise de
F eud e a psicologia do desen ol imen o de Piage . Naquela época, su giu com o in ui o de
explica de que o ma as pessoas a ibuem sen ido aos acon ecimen os e às no as ealidades
e como ais cons uções con ibuem pa a a coesão de um g upo de pe ença, o denando as
condu as nos di e en es ma cos sociais. Como nos eco da Mosco ici (2001), undado des a
eo ia social:
in he s ee s, in ca és, o ices, hospi als, labo a o ies, e c., peoople analyse,
commen , concoc spon aneous, uno icial ‘philosophies’ which ha e a decisi e
impac on hei social ela ions, hei choices, he way hey b ing up hei child en,
plan ahead and so o h. E en s, sciences and ideologies simply p o ide hem wi h
‘ ood o hough ’ (p. 30).
As ep esen ações socias podem, de uma ce a o ma, se enca adas como “a e são
con empo ânea do senso comum” (Mosco ici, 1998), o sabe que p o ém do dia a dia e que
é pa ilhado en e os memb os de uma sociedade sob a o ma de quase eo ias do quo idiano
popula . Um sabe ingénuo, um conhecimen o que não é cien í ico, po que as ep esen ações
sociais sus en am, elas mesmas, essa in encionalidade de amilia ização do sabe cien í ico no
conhecimen o de odos os dias (László, 2001). Os sujei os que as elabo am são, em pa e,
‘cien is as amado es’, po que mani es am os seus modos de pensamen o, a sua cu iosidade,
as ligações sociais es abilizadas ao longo do empo nos encon os e euniões in o mais, nas
discussões do quo idiano, no discu so cons uído comummen e aqui e além (Jodele , 2001;
Mosco ici, 2001)
Enquan o cons uções simbólicas que são, “en idades quase angí eis” (Mosco ici, 2007),
as ep esen ações sociais alcançam a independência ace ao obje o e eiculam-se às in e ações
sociais, na o ma de opiniões do dia a dia, mensagens di undidas e imagens mais mediá icas,
ges os, a os es e eo ipados, condu as á ias (Ab ic, 1997; Jodele , 2001; Mosco ici, 2007). E,
como al, assumem-se como os p incípios o ganizado es das elações simbólicas es abelecidas
en e os a o es sociais.
Se a ciência se in e oga, p incipalmen e, sob e o ‘po quê?’ e o ‘como?’, as ep esen ações
sociais p ocu am ap esen a um ‘po que’ ela i amen e aos acon ecimen os, aos compo amen os
sociais e às suas consequências, pa ilhando os indi íduos explicações imedia as e au omá icas
que não se baseiam numa de alhada análise das in o mações disponí eis. Aquelas ep esen ações
cons i uem a base das expec a i as e p esc ições no ma i as dos sujei os e pe mi em con e i
sen ido e signi icado aos acon ecimen os e ações quo idianas e ipi ica os ou os pelo uso
de imagens simpli icadas, pa ilhadas socialmen e: co e o ou e ado; acei á el ou impossí el.
Des a o ma, a eo ia das ep esen ações sociais en a iza o modo como, numa pa icula cul u a,
num de e minado pe íodo de empo, às ezes só em g upos especí icos de um con ex o, o
mundo é en endido a pa i de imagens desenhadas ou de elabo ações men ais i ializadas
(Flick e Fos e , 2008).
49
De aco do com Mosco ici (1998, 2001, 2007), a maio ia dos sujei os p e e e as ‘ideias
popula es’ em de imen o dos sabe es cien í icos, es abelecendo ilusó ias co elações
que con i mam as suas opiniões habi uais. E, na e dade, aquilo que cada sociedade pensa
ela i amen e aos seus modos de ida, os signi icados que a ibui a cada ins i uição, as imagens
que pe ilham os seus memb os são pa e da sua ealidade e não um simples e lexo dessa
sociedade. E al como salien am Flick e Fos e (2008), a ida eal de uma sociedade es á
dependen e, em pa e, da ep esen ação que dela se cons uiu. Aquele conhecimen o pa ilhado,
po ém, não é semp e igual nos di e en es momen os e, po isso, modi ica-se ao mesmo empo
que as es u u as ou os p oblemas da sociedade onde os indi íduos es ão inse idos ambém
so em al e ações. As ep esen ações assumem-se, en ão, como uma c iação con ínua, um
enómeno social, uma mani es ação da iden idade social daquele g upo (Wagne e al., 1999).
Impo a essal a que a comunicação [social] de ém um papel undamen al no
desen ol imen o de ais ep esen ações. A linguagem, a u ilização da pala a, a es u u ação
de con e sas pe mi em in e p e a e en ende o que nos odeia e, po an o, con ibuem pa a o
desen ol imen o, e o ço ou ans o mação das ep esen ações sociais ou, en im, pa a lhes da
ida (Mosco ici, 2001).
As ep esen ações sociais são mais do que modelos de c iação indi idual ou ‘p op iedades’
de alguém, po que as elabo ações de odos, e as de cada um, e idenciam uma elação in e a i a
que az dos indi íduos p odu o es e manejado es daquelas, numa espécie de ‘dois em um’.
Assim, ‘ ep esen a ’ não é uma a uação de um só indi íduo, mas acon ece nas ações conjun as
dos memb os de uma de e minada comunidade. De ac o, cada sujei o pode dispo da sua
pessoal ep esen ação, não deixando, aquela, de, numa sua impo an e ace a, se coinciden e
com a de odos os ou os indi íduos daquele g upo (Flick e Fos e , 2008).
Rep esen a é, pois, uma ação de ca ác e cons u i o, c ia i o, au ónomo e que p essupõe
uma elação en e um sujei o e um obje o, po ia do pensamen o. E aquele obje o – eal,
imaginá io ou mí ico– pode e os con o nos de uma pessoa, de uma coisa, de um e en o
ma e ial, psíquico ou social, de um enómeno na u al, de uma ideia, de uma eo ia (Jodele ,
2001). A ep esen ação, po sua ez, su ge na o ma de um conjun o o ganizado de in o mações,
opiniões, c enças e a i udes (Ab ic, 2001), sendo de e minada pela his ó ia e i ências do
sujei o, pelo sis ema social e ideológico dominan e, pela na u eza das ligações que o sujei o
man ém com aquele sis ema social.
As ep esen ações sociais cump em duas unções p incipais (Mosco ici, 2001). Po um
lado, elas ‘con encionalizam’ os obje os, as pessoas ou os acon ecimen os, con e indo-lhes uma
o ma de ini i a, a ibuindo-lhes uma de e minada ca ego ia e enquad ando-os num modelo
de e minado e pa ilhado po um g upo de indi íduos. Po ou o lado, êm como p opósi o,
ambém, o na amilia algo que é desconhecido ou pouco i ial po si só: acon ecimen os
inédi os, des ios às eg as es abelecidas, enómenos ou ideias es anhas p o enien es, po
exemplo, da ciência e da ecnologia. De ac o, o desconhecido a ai-nos e in iga-nos, mas, ao
mesmo empo, inquie a-nos e az-nos p ocu a a ibui -lhe um signi icado, a pa i daqueles que
são os concei os já usuais e as ca ego ias já conhecidas. Es a ação de ans o ma em amilia
e p óximo aquelas pala as, ideias, pessoas, ci cuns âncias es anhas e desconhecidas implica,
segundo o mesmo au o , dois mecanismos elacionados com o pensamen o: a anco agem e a
obje i ação.
A anco agem consis e num p ocesso que isa en aiza a ep esen ação e o seu obje o
numa ede de signi icados com base em ca ego ias e imagens amilia es, pa a uma coe en e
ação de compa ação e pa a uma uncional in e p e ação. Pa a um qualque g upo, pa a uma
comp eensão simples de um enómeno desconhecido, su ge como essencial a ibui -lhe um
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
50
Ana Isabel Mo ei a
nome e ca ac e ís icas que p opo cionem o diálogo sob e o mesmo (Wagne e al., 1999).
Quando ca ego izamos alguma coisa ou alguém somos capazes de o ep esen a , po que lhe
con e imos e associamos idiossinc asias linguís icas, espaciais e mesmo de compo amen o. De
ac o, a ep esen ação mais não é do que um sis ema de deno ação e, al ez a é, de alocação de
nomes e ca ego ias, que, de alguma o ma, e idencia uma ‘ eo ia’ pessoal sob e a sociedade e
a na u eza humana.
A obje i ação a o ece a na u alização dos concei os, o seu alo de ealidades conc e as,
legí eis e passí eis de u ilização nas ações pe an e os ou os e pe an e o mundo. Signi ica, des a
o ma, ans e i aquilo que exis e na men e pa a algo que exis e no mundo ísico, que pode
se is o, ocado e con olado; cons a am-se, assim, as qualidades icónicas de algo, a é en ão
imp eciso, que deixa de se só concei o e se con e e em imagem ambém (Mosco ici, 2001).
Des a o ma, a essência de um enómeno ou indi íduo é cap u ada, o nada in eligí el pa a os
sujei os e associada aos sabe es conside ados pelo g upo.
As ep esen ações sociais são, no inal, p odu o e p ocesso de uma a i idade de ap op iação
da ealidade ex e io ao pensamen o e da sua elabo ação indi idual e cole i a, ou seja, uma
modalidade de aciocínio cujo ca ác e social se assume como a sua especi icidade. E, na e dade,
não podem se conside adas como éplicas ou e lexos do mundo, pois aquelas ambém e ocam,
a é, aquilo que es á ausen e, cons i uindo a idiossinc asia, a ma ca, a memó ia, a his ó ia de uma
pessoa ou g upo. De ac o, pa ilha uma ideia ou uma linguagem é, ainda, e idencia uma
ligação social e uma iden idade. E a pa ilha é a a i mação simbólica de uma unidade e de uma
pe ença. A adesão cole i a, po sua ez, a o ece a es abilização e o e o ço daquela ligação
social (Jodele , 2001).
Se inicialmen e a eo ia das ep esen ações sociais se es ingiu à á ea da psicologia social,
pa icula men e a pa i da década de 80 do século passado começou a cons a a -se a di e sidade
de con ibuições e es ilos in e p e a i os que a mesma pode ia o e ece a ou os domínios da
ida humana. Assim, assumiu-se como uma e amen a pa a a in es igação de peculia idades de
sujei os e con ex os locais, endo sido adap ados, de o ma ino ado a, elemen os especí icos da
p opos a inicial de Mosco ici a domínios á ios, como a sociologia, a an opologia, a polí ica,
o ambien e, a saúde, as ques ões é nicas e de géne o ou mesmo a comunicação (Jodele , 2008a;
Wagne e al., 1999). E es a ex ensão a á ias á eas a o eceu, pois, a mul iplicação de assun os
es udados, a lexibilização de opções me odológicas omadas ou o ala gamen o eó ico e o
desen ol imen o cien í ico elacionado com p oblemas sociais con empo âneos.
O âmbi o de in luência da eo ia das ep esen ações sociais alcançou, ainda, as á eas da
educação e da his ó ia. Também poque a pa i daqueles sup aci ados anos 80, a his o icidade
passou a se alo izada, assim como o p agma ismo ou os modelos in e p e a i os, além de,
com o passa do empo, se ejei a uma isão linea e de e minis a da emissão- asmissão-
eceção dos sabe es a ní el educa i o (Jodele , 2008b, 2011).
Nos p óximos subcapí ulos, abo da emos, com maio po meno , a o ma como a eo ia das
ep esen ações sociais se em aplicado nesses já e e idos âmbi os da educação, em ge al, e da
educação his ó ica, em pa icula .
2.1.2. Con ibuições da eo ia das ep esen ações sociais no campo da educação
A educação é, de ac o, um campo p i ilegiado pa a o es udo de elações dialé icas
es abelecidas en e sis emas complexos. A í ulo de exemplo, conside em-se aquelas que se
i mam en e os p ocessos simbólicos que eno ol em a cons ução de signi icados o ganizados,
ou seja, as ep esen ações sociais inco po adas nos discu sos de di e en es a o es, e os p ocessos
51
educa i os.
Assim, os es udos sob e as ep esen ações sociais êm pe passado o mundo educa i o
segundo ês en oques p incipais (Jodele , 2011): ao ní el das polí icas de decisão associadas às
inalidades e o ien ações de o ganização da o mação dos indi íduos; ao ní el das hie a quias
ins i ucionais e de ges ão das decisões polí icas; e ao ní el dos usuá ios da elação pedagógica
–alunos, p o esso es, amílias– e das consequências ine en es à mesma. É, undamen almen e,
aquela e cei a pe spe i a enunciada que se á, do a an e, mais explo ada nes e abalho, uma
ez que elaciona a eo ia das ep esen ações sociais com as in e ações que se es abelecem en e
p o esso es e alunos, em con ex o de sala de aula, assim como com os p ocessos de ensino e de
ap endizagem.
A in e ação educa i a não acon ece no azio social, an es se az de á ios p ocessos
simbólicos, e olha pa a a mesma é, en ão, “ado a um olha psicossocial, de um lado, p eenchendo
o sujei o social com um mundo in e io e, do ou o, es i uindo o sujei o indi idual ao mundo
social” (Mosco ici, 1990 ci . po Al es-Mazzo i, 2008, p. 20). Uma u ma é, de ac o, um
sis ema social pa icipado, mas que se inse e num con ex o mais amplo e que não pode deixa
de se omado em conside ação. Se a enca a mos como mais do que um ambien e ma cado,
p e e encialmen e, pelas explicações exclusi amen e p ocedimen ais e, po an o, mecânicas;
ou pelas undamen ações baseadas em modelos locais de uncionamen o e em mecanismos
ligados a ca ac e ís icas in ínsecas dos suje os; ou pela alo ização de sen idos mais écnicos
de ap endizagem, es a emos, pois, pe an e um ambien e eal de p á icas pedagógicas á ias,
ambém ma cado po “sis emas de signi icados complexos desen ol idos po g upos sociais”
(Gilly, 2003, p. 74).
De alguma o ma, as ep esen ações sociais assumem-se como elemen os essenciais numa
análise que se deb uça sob e os mecanismos que in e e em num p ocesso educa i o, sob e udo
pelas elações es abelecidas com a linguagem, a ideologia, o imaginá io social e pela o ien ação
de condu as e p á icas sociais (Al es-Mazzo i, 2008). A ealidade educa i a é, de ac o, uma
á ea p i ilegiada na qual é possí el e i ica como se cons oem, e oluem e, a é, se ans o mam
essas ep esen ações que exis em no seio dos g upos, e idenciando, ainda, o seu papel nas
elações es abelecidas com o p óp io obje o ep esen ado. Des a o ma, o ien a-se a a enção
pa a aquilo que são os conjun os o ganizados de signi icados sociais p esen es nos p ocessos
acon ecidos no âmbi o da educação.
Em elação à escola, á ios são os g upos que de êm um papel a i o no quo idiano da
mesma e cujas in e enções, ma cadas po di e en es ep esen ações, opiniões ou in enções, são
de e minan es pa a o seu uncionamen o:
selon leu s posi ions pa appo à l’école, les di é en s g oupes (…) on
élabo é des sys èmes de ep ésen a ions; e les ep ésen a ions sociales on opé é des
comp omis adap a i s sous la double p ession, d’une pa , des idéologies e , d’au e
pa , des con ain es liées aux inali és e aux condi ions e ec i es de onc ionnemen
de sys ème scolai e (Gilly, 2003, p. 365).
Se a en a mos nos alunos, não podemos deixa de conside a que as c ianças nascem
num mundo de complexos signi icados cul u ais, de ins i uições sociais que condicionam
compo amen os, de es u u as que pau am as elações com os ou os. Na e dade, uma
ealidade o ganizada pelas ep esen ações sociais que ci culam e se mani es am nas in e ações
es abelecidas, onde aquelas c ianças c escem e se assumem como a o es e pa icipan es a i os
no seu dia a dia. Assim, ais ep esen ações o nam-se pa e da sua dimensão sociopsicológica
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
52
Ana Isabel Mo ei a
e a ca ego ização social é u ilizada como uma o ma de sus en a mui o do seu conhecimen o
subjacen e ao mundo (Wagne e al., 1999). Os es udan es i enciam as p á icas socias
quo idianas numa pe manen e ecip ocidade com os pa es, os p o esso es, os pais, na escola, no
ca é, pe an e a ele isão e, nesse quo idiano, ap op iam-se das conceções p oduzidas po aqueles
g upos sociais aos quais pe encem. E essas ep esen ações, de ca ác e simbólico, mas mais
conc e as do que os concei os abs a os em es udo na sala de aula, enquan o imagens cole i as
eple as de alo es e emoções ou pon os de is a de ‘au o es’ econhecidos, na ealidade, são
me á o as sociais que a o ecem a a ibuição de sen ido à in o mação escola (Cas o ina, 2010).
Num ou o sen ido, os sis emas mais ge ais de ep esen ação da escola e das suas inalidades
que pululam nos di e en es meios sociais e amilia es in luenciam a lei u a, mui as ezes
ingénua, conc e izada pelos alunos ace aos “di e en es ní eis de signi icação (a cu o, médio
e longo p azo) das ap endizagens p opos as” (Al es-Mazzo i, 2008, p. 39). Em simul âneo, as
p á icas sociais ine en es à ida escola , como a seleção dos con eúdos a se em ensinados ou
a elabo ação dos manuais didá icos, o iginam ( e)cons uções sucessi as do sabe cien í ico
inicial e p opo cionam ep esen ações pa icula es, ainda ma cadas pelos obje i os mesmos
das p á icas implicadas. No inal, ais sis emas o ganizados de signi icações a o ecem a
comp eensão daquilo que acon ece numa classe, aquando da in e ação educa i a, não só na
pe spe i a dos obje os de conhecimen o a se em ensinados, mas ambém dos mecanismos
psicossociais em ação no p ocesso educa i o. Po que, de ac o:
(...) les ep ésen a ions sociales, en an que sys èmes au onomes de signi ica ions
sociales, son bien le ui de comp omis con adic oi es sous (...) de con ain es
liées au onc ionnemen e ec i du sys ème scolai e, le poids de ces de niè es pa aî
d'au an plus o que les indi idus son di ec emen conce nés pa , ou impliqués
dans, les p a iques quo idiennes (Gilly, 2003, p. 382).
Consequen emen e, e pensando o ensino de uma disciplina escola , é necessá io oma em
conside ação que “a c iança não pensa o que que , mas sim o que pode” (Cas o ina, 2010, p.
167), po que a sua p óp ia elabo ação in elec ual ap esen a limi es ine en es a um conjun o de
i ências ainda es i o e, em simul âneo, as ep esen ações sociais pe ilhadas a uam como
es ições pa a uma composição concep ual mais ab angen e.
Em pa e, as c enças cole i as su gem numa sala de aula como as ideias p é ias dos alunos,
implíci as, e que não esul am de uma elabo ação e lexi a po pa e daqueles, mas in e indo
nos p ocessos de ensino e de ap endizagem dos sabe es cu icula es sob e a sociedade, a his ó ia
ou um qualque ou o con eúdo. De ac o, os es udan es não cons oem os seus conhecimen os
de um modo apenas indi idual e aqueles sabe es do quo idiano de em, em si uação de aula,
se omados somen e como o início pa a uma ap endizagem mais ab angen e, enquan o
o mação c í ica pa a a cidadania e ampliação do sabe social, ambém com o in ui o de se em
ques ionados ou colocados en e pa ên eses, e não como um obs áculo pa a o conhecimen o
cu icula . Assim:
a a e a educa i a consis e em es abelece um diálogo, em ajuda a esol e as
ensões en e os sabe es co idianos que nos cons i uem em nossa iden idade social e
os sabe es cons uídos pessoalmen e, assim como os p óp ios das ciências sociais.
O obje i o inal é a econs ução dos sabe es p é ios, que incluem as ep esen ações
sociais, po ap oximações sucessi as em di eção do sabe ‘a ensina ’ (Cas o ina,
2010, p. 169).
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Na e dade, um mesmo indi íduo possui modos de pensamen o di e sos, que co espondem
a di e en es es ádios do desen ol imen o cogni i o e cada um deles esponde a uma necessidade
especí ica e condicionada pelo ipo de si uação e de in e ação social – poli asia cogni i a
(Mosco ici, 1998). Ao mesmo empo, em con ex o escola , não se i encia o desen ol imen o
linea de um só conhecimen o, há an es uma espécie de adequação en e os modos de
pensamen o de idos e as di e en es si uações i enciadas. São es as á ias modalidades de
conhecimen o que, não a as ezes, in incam a comp eensão dos con eúdos cu icula es e que
oscilam, ambém, de aco do com condicionan es ocasionadas pelas a i idades de ap endizagem
p opos as ou pelas si uações sociocul u ais especí icas su gidas (Cas o ina, 2017).
O obje i o da ins i uição social que é a escola de e á se , assim, o desen ol imen o daqueles
sujei os, is o é, uma ap endizagem que ome como pon o de pa ida as suas po encialidades e
que seja capaz de espei a a singula idade de cada um (Gilly, 2003). Sem que se deixe de
econhece , em momen o algum, que não há um caminho único, uma ansição imedia a ou
simples de um sabe ido como mais i ial e pouco sus en ado pa a um sabe assen e nas
pe spe i as cien í icas.
Mesmo expe ienciando as p á icas educa i as, os es udan es endem a esis i à mudança
das suas ideias elabo adas p e iamen e. De algum modo, po que há uma iden idade comum
que pe ilham, que se az de alo es e emoções deco en es da pa ilha social e, sendo eles mais
do que apenas sujei os epis émicos, não abandonam de ini i amen e o pensamen o anco ado
à memó ia cole i a de que dispõem, mesmo podendo alcança modos de aciocínio mais
so is icados. Simul aneamen e, a mudança concep ual deco en e do p ocesso de ensino e de
ap endizagem es á, ainda, dependen e das a i idades p opos as pelo p o esso na sala de aula. As
si uações didá icas es u u adas e ão, pois, de p opo ciona o encon o en e as ep esen ações
sociais cons uídas, os concei os indi idualmen e o mados e os sabe es a ensina , de o ma
o ganizada e numa sequência (Cas o ina, 2017).
E é nes a ação de plani icação do abalho, sem que se esqueçam ou os dos agen es
p imo dias do p ocesso educa i o –os alunos– que se e idenciam os p o esso es. Em cada
escola a uam docen es que, enquan o g upo sociop o issional, cons oem o seu p óp io sis ema
de ep esen ações sob e os á ios aspe os e as di e en es dimensões da sua ida, que se e le em
nas ações conc e izadas ou nas opiniões de endidas. É a pa i dessas suas ep esen ações que os
p o esso es o ganizam as p á icas diá ias, planeiam o ensino, selecionam os ecu sos de abalho
e, de alguma o ma, impõem as suas opções aos alunos, “na suposição de que sabem[os] o que
é bom pa a eles” (Al es-Mazzo i, 2008, p. 42).
Os docen es êm-se a i mado como um g upo p o issional que, com uma ce a es abilidade,
man ém aços ca ac e ís icos (Mazzi elli, Aguila , Gui ao e Oli ei a, 2009), apesa das
mudanças cul u ais oco idas, das exigências sociais ou do su gimen o da ecnologia no âmbi o
educa i o. De uma o ma ge al, numa pe spe i a ex ensí el a á ias ealidades e que não se
de ém nas especi icidades de cada país. Há, de ac o, uma iden idade docen e, elabo ada ao
longo do empo, que se associa a um conjun o de ep esen ações cons uídas sob e si mesmo,
que pe mi em um econhecimen o p o issional pessoal, a pa ilha com ou os e, po an o,
um sen imen o de pe ença a um g upo e a capacidade de di e enciação em elação a ou os
g upos p o issionais. A iden idade docen e pode se de inida, po isso, como “una cons ucción
dinámica y con inua, a la ez social e indi idual, esul ado de di e sos p ocesos de socialización
en endidos como p ocesos biog á icos y elacionales, inculados a un con ex o (socio-his ó ico
y p o esional) pa icula ” (Vaillan , 2010, p. 4). E se algumas ca ac e ís icas são pa ilhadas po
odos os p o esso es, ou as an as e le em uma his ó ia pessoal e social condicionada po um
pa icula con ex o.
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As ep esen ações que, no âmbi o educa i o, os p o esso es pe ilham sob e a sua p o issão,
os alunos e as suas compe ências ou as in e ações na sala de aula se ão de e minan es pa a as
decisões omadas ela i amen e à a ualização do conhecimen o cien í ico, à busca de no os
dados sob e os p ocessos de ensino e de ap endizagem, à e lexão sob e a sua p á ica, à análise
dos compo amen os ado ados pelos es udan es.
A eo ia das ep esen ações sociais é, pois, ú il pa a o âmbi o educa i o, uma ez que
pe mi e, de alguma o ma, escla ece os enómenos simbólicos que en o mam a in e ação
pedagógica acon ecida em con ex o escola . Não no sen ido de somen e se ecolhe em dados,
mas an es com o in ui o de se adapa a em os ecu sos acul ados po al eo ia às di e en es
p oblemá icas p ó p ias do campo educa i o As ep esen ações sociais, po sua ez, de em
se es udadas e analisadas de aco do com os momen os e con ex os pa icula es, onde aqueles
a o es, incluídos num espaço social, ins i ucional e cul u al mais amplo, podem mani es a
pa icula es conhecimen os e condu as (Jodele , 2011).
2.1.3. As ep esen ações sociais sob e a his ó ia e o seu ensino
As ep esen ações sociais sob e a his ó ia eme gem como ma e iais simbólicos
disponibilizados, ans o mados em signi icados pa ilhados e man idos no seio das in e ações
acon ecidas en e os memb os de um g upo. São, pois, imagens con ex uais e que, sendo
in o malmen e acei es pela opinião pública, con ibuem pa a a de inição da iden idade
social de uma nação e, a é mesmo, pa a a mobilização de agendas polí icas. E e i amen e,
as ep esen ações sociais sob e a his ó ia ão cump indo unções de ca ego ização e man êm
uma pe ceção mais posi i a do g upo de pe ença, de legi imação de mi os e ideologias, de
de inição de modelos de he óis e ilões, do ando uma qualque sociedade de igu as e es ó ias
do passado eple as de simbolismo, ao mesmo empo que p esc e em a ideia de con inuidade
daquele g upo. De alguma o ma, a his ó ia pe mi e que se moldem ‘comunidades imaginadas’
e ais conceções cons uídas, que a a essam ge ações, sus en am cada uma das di e en es
nacionalidades e ma cam a elação com os ou os po os e, ainda, a eação ace a aspe os a uais
da polí ica in e nacional (Liu e Hil on, 2005; Páez e Liu, 2010; Liu e Sibley, 2015).
Aquelas ep esen ações sociais de êm, assim, uma dimensão desc i i a, po que e e em os
e en os e as pe sonagens com uma pa icipação ida como ele an e na his ó ia de uma nação
(Liu e Sibley, 2015); uma dimensão cons i u i a, pelo que con e em es a u o e posição aos
g upos, de inem di ei os e ob igações, legi imam aspe os polí icos e sociais; e uma dimensão
p esc i i a, po que, mais do que memó ias cole i as ou pe ceções pa ilhadas, es abilizam
eg as, alo es, códigos mo ais, leis (Liu e Hil on, 2005).
Não se assumem somen e como ca ego ias cogni i as, omando ainda a o ma de na a i as
his ó icas nacionais, pa ilhadas en e a população, que pe mi em di undi e a i ica pa icula es
isões do passado e o mas de a ua no p esen e. As ep esen ações sociais são, des e modo,
ela os que des acam elemen os da memó ia conjun a e que b anqueiam ou os, ei os de uma
linguagem desc i i a, eple os de sen idos que são, ambém, emocionais. A his ó ia a i ma-se,
en ão, como componen e ine i á el de um ela o que p omo e a iden idade nacional de um g upo,
ao con ibui pa a jus i ica a sua sobe ania e au ode e minação, e le indo-se dinamicamen e
nas ações ence adas pelos seus memb os (Liu e Hil on, 2005; Liu e Sibley, 2015).
De ac o, “la imagen que enemos de o os pueblos, y has a de noso os mismos, es á
asociada a la His o ia al como se nos con ó cuando é amos niños. Ella deja su huella en
noso os pa a oda la exis encia” (Fe o, 1990). Consequen emen e, as imagens sob e a his ó ia
pe ilhadas pelos sujei os não dependem apenas das suas habilidades in elec uais, mas ambém
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dos con ex os onde as mesmas acon ecem e das c enças do senso comum de endidas (Cas o ina,
2005). Cada um anspo a consigo ep esen ações sociais, ideologias, elabo ações indi iduais
sob e a sociedade, depois ainda sabe es disciplina es, numa conjugação de di e en es o mas
epis émicas e di e en es acionalidades que podem se u ilizadas sepa adamen e. Po um
lado, os sujei os podem olha pa a a his ó ia pela len e das ep esen ações sociais, como a o
social, pensando ‘den o do g upo’ e adqui indo uma dimensão iden i á ia e a e i a a pa i de
uma memó ia cole i a que é his ó ica; po ou o lado, podem in e p e a essa mesma his ó ia
dis anciando-se dos sabe es quo idianos pa ilhados, alcançando uma o ma mais so is icada de
aciocínio, como sujei o epis émico.
Liu e Hil on (2005), po exemplo, e idencia am, na sua pesquisa, que as conceções sob e
a his ó ia êm ido um con ibu o signi ica i o pa a a cons ução, manu enção ou mudança
da iden idade dos sujei os e que são ais signi icados, elabo ados cole i amen e e assen es na
sele i idade, que in luenciam a pe ceção de ou as ealidades é nicas e sup anacionais.
Já de aco do com alguns es udos de Liu e seus colabo ado es (2005, 2012), sob e as
ep esen ações sociais ela i as à his ó ia mundial em di e en es sociedades, são algumas as
ideias consensuais cons uídas: o p esen e ganha ele ância ace ao passado mais dis an e; os
acon ecimen os polí icos e de gue a, assim como a nomeação de pa icula es pe sonalidades e
e en os des acam-se; a his ó ia da Eu opa sob epõe-se a uma his ó ia e nocên ica e as nações
ociden ais con olam a iqueza, o pode e os ecu sos do mundo; des alo iza-se a e olução da
ciência, da ecnologia e do comé cio. Há, assim, de o ma gene alizada, uma memó ia cole i a
que não é de paz e de p ospe idade (Liu e Sibley, 2015) e cujo ho izon e empo al não ul apassa,
maio i a iamen e, os úl imos cem anos.
Pa icula men e sob e as si uações de gue a e con li o, o abalho de Páez e Liu (2010)
des acou a cons ução de ep esen ações sob e a his ó ia com uma unção mo i ado a pa a a
ação cole i a, numa quase de esa da nação necessá ia con a os inimigos his ó icos, que a é
jus i ica os con li os a uais. São, assim, imagens cons uídas com base em sen imen os de ódio
e que su gem como uma espécie de i ual pa a man e i os os aumas do passado, mas que
se sus en am numa seleção condicionada que esconde os episódios mais e gonhosos de um
po o e que elemb a os seus má i es e he óis (Ba -Tal, 2007). De alguma o ma, con ibuem
pa a in ensi ica os p ocessos de iden i icação com o g upo de pe ença de cada um, num cla o
es ímulo aos nacionalismos, sendo p og essi amen e man idas quando encaixam nos alo es
cul u ais dominan es, quando são ele an es pa a guia ques ões sociais do p esen e ou quando
são supo adas po a os ins i ucionais e in o mais de e o ço da supe io idade de um cole i o
ace a ou os.
No pano ama la ino-ame icano, Ca e e o e K ige (2006, 2011) p ocu a am es uda o
p ocesso de cons ução e manu enção das c enças iden i á ias de ca ác e nacional po pa e de
alunos a gen inos, ao longo da escola idade ob iga ó ia, a pa i das e emé ides do país ambém
celeb adas no con ex o escola . E, de ac o, mais do que uma o mação his ó ica disciplina ,
aqueles es udan es ap eendem os mi os undacionais da nação, que se inco po am como
expe iência iden i á ia p óp ia, e é assim que cons oem uma iden idade nacional hegemónica,
po ia de elemen os simbólicos e p ocedimen os que inci am a adesão emocional.
De um modo mais gene alizado e ans e sal, é na escola, enquan o espaço ins i ucional
mediado , que os indi íduos são en ol idos em a os cole i os de eco dação. Em simul âneo,
eles p óp ios chegam ao con ex o escola de endo ep esen ações sob e a his ó ia, cons uídas
no seu quo idiano, e, de alguma o ma, es imuladas pelos diálogos in e pessoais diá ios,
pelos meios de comunicação social, pelas in e pelações o mais à memó ia cole i a. Imagens,
nem semp e bem delineadas, de acon ecimen os e/ou pe sonalidades com impac o cole i o,
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
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Ana Isabel Mo ei a
sob e udo pela sua ele ância emocional, que chegam aos indi íduos, pa icula men e aos
alunos, já ‘p on as’, po imposição de uma ideologia dominan e ou pela condição de inida no
in e io de uma es u u a social (Mosco ici, 2001; Páez e Liu, 2010).
Assim, eme gem conceções ge ais sob e o mundo social e his ó ico, mui as ezes esis en es
à mudança, ma cadas a é po alguma ca ga a e i a e pela pe sonalização dos enómenos
his ó icos. Os a o es pessoais e in encionais adqui em, des a o ma, uma hegemonia na
comp eensão his ó ica (Cas o ina, 2005, 2010). No mesmo espaço escola con i em, en ão,
sabe es á ios em si uações que podem se de compe ição ou de con adição. No en an o,
ao ní el do p ocesso de ensino e de ap endizagem, o acesso a uma comp eensão his ó ica
signi ica i a acon ece quando os aspe os cogni i o-disciplina es não são deixados ao acaso
em de imen o das dimensões alo a i a e iden i á ia (Ca e e o e K ige , 2011). É necessá io,
pa a al, que o p o esso de his ó ia p ocu e sabe o que os es udan es já sabem, o que êm a
dize sob e de e minado assun o, pa a que os mesmos en endam que as suas ep esen ações
são ele an es e o pon o de pa ida pa a uma ap endizagem mais ampla e signi ica i a e pa a
concep ualizações mais elabo adas (Ba ca, 2006b, 2015).
As ideias áci as dos alunos, baseadas nas epis emologias do quo idiano, sob e o
conhecimen o subs an i o ou a na u eza do sabe his ó ico, pode ão o ien a a o mulação
de ques ões desa iado as. Se á possí el, des a o ma, a o ece mais do que me as análises
es e eo ipadas sob e um passado mo o e sem sen ido pa a os mais jo ens. Ideias ‘mais pode osas’
podem, an es, su gi como uma e o mulação ou um ap o undamen o das conceções sob e os
p oblemas da ida humana (Ba ca, 2007a). Con udo, aquelas ep esen ações se ão apenas o
pon o de pa ida. Po que, de aco do com Winebu g (2007), o pensamen o his ó ico em de se
in o mado pelos cânones disciplina es da e idência e, ambém, pelas eg as da a gumen ação.
Nes e sen ido, mais do que um exposi o ou ges o do diálogo, o p o esso in es igado -social
o na-se capaz:
de con agia os jo ens alunos na a en u a de descob i gen es de ou os empos,
po en u a ão es anhas mas ão iguais na sua busca acional pa a uma ida melho ,
po ezes enca ada em unção de in e esses pa icula es, exclusi is as e mesquinhos,
ou as ezes en endida como sen ido humano, ou mesmo a é, plane á io (Ba ca,
2007b, pp. 64-65).
Na sala de aula, a econs ução do passado em de con empla o econhecimen o dos
á ios ac os, e não apenas daqueles que se e e em a um g upo pa icula . O ensino da his ó ia
p ecisa de se assumi como mais do que a exal ação dos he óis nacionais, mi i icados, e o
esquecimen o dos ou os, mui as ezes í imas; não se sus en ando no e o ço de ep esen ações
sociais p omo o as de con li os, se o g upo de pe ença é só imaginado como so edo , mas,
nou o sen ido, en ando humaniza aqueles que não se incluem no ‘nós’ (Páez e al., 2008). A
conceção e in e p e ação do passado não pode acon ece , pois, em unção do p esen e i ido
po cada um, ao mesmo empo que a ap endizagem não pode cingi -se a gló ias ou aumas
selecionados, po que assim somen e se a o ece aquela isão posi i a, a é omân ica, das
gue as e inconscien e dos males subjacen es a ais con li os.
T ans e salmen e a di e en es ealidades nacionais e ní eis de ensino, os es udos
conc e izados (Fuen es, 2004; Haydn e Ha is, 2009; Audigie e Fink, 2010; Ba on, 2010a;
G e e , Pelze e Haydn, 2011) êm e elado que, enquan o disciplina escola , a his ó ia é
ep esen ada pelos alunos como um conhecimen o es á ico do passado, pa icula men e das
g andes es u u as o ganizacionais polí icas, sem elação com o seu quo idiano p esen e.
57
Eme ge, além disso, como uma conceção assen e nas pe spe i as nacionais, ou nacionalis as,
que se econhece como con ibu i a pa a a o mação iden i á ia de cada um, mas que não alcança
a dimensão global; e como uma pe ceção limi ada das azões que dis inguem as o mas de c e ,
pensa e a ua das gen es do passado em elação às do p esen e. No seio de ou as disciplinas
es udadas na escola, ap esen a-se, aos olhos dos es udan es, como mais in e essan e do que ú il,
po que, na p á ica, a u ilização daquele conhecimen o enciclopédico limi a-se à possibilidade de
um diálogo cul o ou de uma pa icipação bem-sucedida num concu so ele isi o, ao exe cício
de uma p o issão ou ao econhecimen o das lições do passado pa a o p esen e.
De o ma mais no ó ia, as ep esen ações cons uídas pelos alunos sob e a his ó ia como
disciplina exis en e na escola su gem ine en es às expe iências de ensino e de ap endizagem
i enciadas na sala de aula. Essas imagens elabo adas dependem, pois, das p á icas ado adas
pelo p o esso : das suas explicações e da capacidade de adap ação às mo i ações de cada u ma,
ensinando uma his ó ia in e essan e e ele an e pa a o quo idiano; dos ecu sos u ilizados e das
a i idades p opos as, po enciado es, ou não, de uma ap endizagem a i a; pa a além das suas
es a égias de in e ação e ges ão do g upo.
Não obs an e, e gene icamen e, as pe ceções dos di e en es es udan es ainda endem a se
aquelas que associam a his ó ia a uma didá ica adicional e exposi i a; ao papel p eponde an e
do p o esso ; à passi idade dos alunos, que somen e ecebem, e memo izam, in o mação
ac ual acabada. As mesmas são, ambém, condicionadas pelo des aque go e na i o, mediá ico
e ins i ucional que é con e ido às di e en es disciplinas e que se e le e, em alguns con ex os,
na (sob e) alo ização das á eas das ciências exa as e ecnológicas, es ando pouco empo
aos docen es das ciências sociais pa a p omo e em, jun o dos alunos, uma comp eensão
mais signi ica i a, po exemplo, da na u eza da disciplina de his ó ia, dos aspe os ine en es à
cidadania, à iden idade ou à al abe ização polí ica.
As a i udes mais posi i as dos es udan es ace à his ó ia e ao seu papel na escola de i am,
en ão, de uma ep esen ação das aulas daquela disciplina como um espaço onde os sabe es
são discu idos e não apenas lidos no manual ou ou idos da oz do p o esso , as a i idades e
os ma e iais se di e si icam, as ques ões mo ais e as expe iências indi iduais do passado e do
p esen e, que susci am in e esse, são con empladas no p ocesso de ensino e de ap endizagem e,
de o ma ab angen e e abe a, as pe spe i as locais, nacionais e globais se es udam.
A his ó ia é “mui as coisas” (Chapman, 2011), po que, na e dade, a que o aluno u iliza
é di e en e daquela que oi ensinada pelo p o esso , que, po sua ez, se dis ingue da his ó ia
que deciso es polí icos ou in es igado es académicos de ini am. De e a e en ende es a
especi icidade é undamen al pa a que possamos pe cebe , ambém, que a educação his ó ica
é um p ocesso que não se con ina às qua o pa edes de uma sala de aula. As di iculdades e as
po encialidades ine en es ao ensino e à ap endizagem da his ó ia ul apassam a es ei a elação
en e p o esso es e alunos ou en e alunos e manuais escola es e en ol em, ainda, os con ex os
sociais e cul u ais onde os sujei os es ão inse idos, os conhecimen os e opiniões que ci culam
en e os memb os da sua amília, no g upo de pa es ou nou a qualque ins i uição equen ada
e nos meios de comunicação social.
Na sociedade de hoje, ca ac e izada po a uações p é-de inidas, modelos cul u ais e sociais
que se sob epõem ao indi idual, p econcei os que condenam a di e ença, “a His ó ia é sob e udo
um soma ó io de empos cu os, imedia os, memo izá eis pa a a pos e idade” (Al es, 2016, p.
13). Como al, pa a os alunos, as in e p e ações his ó icas adqui em con o nos de ealismo
ingénuo, ca ac e izadas pelas ep esen ações pa ilhadas de um passado de signi icado ixo
ou de explicações idas como mais signi ica i as do que ou as. Quando chegam à sala de
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
64
Ana Isabel Mo ei a
-Tipo exempla : al como Tucídides, no século XVIII, a i mou, “a his ó ia, pelos casos do
passado, o na-nos sábios pa a semp e”; p e alecem, assim, as eg as e os exemplos como lição
e essenciais pa a a o ien ação; são, aqui, as no mas que ap esen am uma alidade a empo al e
a iden idade his ó ica de ine-se pelo ecu so aos p incípios es abelecidos; a expe iência ensina
semp e alguma coisa.
-Tipo c í ico: as expe iências e as ci cuns âncias a uais são in e p e adas de o ma
al e na i a, numa u u a com a con inuidade; descons oem-se os signi icados e a linguagem,
ompendo-se com ca ego ias e concei os-cha e; os alo es são ela i os e os sujei os são
capazes de molda cul u almen e o seu empo, mas conside ando os ou os; o discu so his ó ico
é eno ado e, a pa i dos con a-exemplos, c i ica-se ideologicamen e a mo al adicional.
-Tipo genealógico: o empo é pe cebido como qualidade das o mas de ida humanas,
assumindo-se a ine i abilidade da mudança e o ca ác e ansi ó io das ci cuns âncias; o p esen e
su ge como ansição dinâmica en e o acon ecido e o u u o, sendo a iden idade his ó ica
de inida nessa enc uzilhada de empos e ac os; o pensamen o his ó ico é, assim, ma cado pelo
‘p og esso’, ‘desen ol imen o’, ‘e olução’, e idenciado nas exp essões linguís icas usadas;
a iden idade consolida-se no econhecimen o da al e idade, sendo possí el a indi idualidade
a i ma -se na in e ação com ou os que êm alo es e pon os de is a dis in os.
Rela i amen e ao desen ol imen o da consciência his ó ica dos sujei os, ainda o mesmo
au o (2005a) de ende a exis ência de uma sequência lógica, e na u al, sendo cada um daqueles
ipos de inidos condição p é ia necessá ia pa a a assunção dos seguin es, no caso de es es se
desen ol e em e e i amen e. Assim, o pon o de pa ida se á semp e uma consciência his ó ica
de ipo adicional. Em simula âneo, são ipologias de complexidade p og essi a, o que se
associa ao aumen o da expe iência e do en endimen o indi idual ela i amen e à dimensão
empo al e suas especi icidades, à signi icância his ó ica, às ca ac e ís icas do domínio social e,
a é mesmo, a uma e olução da iden idade his ó ica pe ilhada.
De aco do com pesquisas conc e izadas, os ipos adicional e exempla são, de uma o ma
ge al, os mais equen es en e os sujei os de uma qualque sociedade, po oposição aos ipos
c í ico e genealógico, po azões que se associam, po en u a, a um desen ol imen o in elec ual
humano que, só de o ma p og essi a, e olui no sen ido de capacidades mais complexas.
Também no que conce ne ao ensino da his ó ia, o ipo adicional é ido como o mais ácil
de ap ende , o exempla é aquele que p edomina nos cu ículos escola es, e os ipos c í ico e
genealógico, po sua ez, são aqueles que eque em maio empenho na comp eensão po pa e
de alunos e p o esso es. Ainda assim, pa a os mais jo ens, paula inamen e se em conside ado
que o abalho em his ó ia de e pe mi i a in e p e ação da mudança empo al subjacen e a
uma ideia de desen ol imen o, elacionando-se o passado com o p esen e e o p esen e com o
passado, pa a além de ais empos com o u u o, numa sín ese capaz de e idencia as simili udes
básicas nas o mas de ida humana e as di e enças ine en es a ci cuns âncias dis in as (Rüsen,
2012).
De uma ou a o ma, nes e âmbi o, é ambém possí el des aca os abalhos di igidos
po Pe e Seixas (2004, 2005), no Cen e o he S udy o His o ical Consciousness, com o
obje i o p incipal de p omo e uma compe ência his ó ica c í ica pa a o século XXI. Desde
logo, aquele in es igado op ou pela adoção de uma de inição mais inclusi a e complexa de
consciência his ó ica, en endida como: “indi idual and collec i e unde s andings o he pas ,
he cogni i e and cul u al ac o s ha shape hose unde s andings, as well as he ela ions o
his o ical unde s andings o hose o he p esen and he u u e” (Seixas, 2004, p. 10).
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Ao mesmo empo, p ocu ou es abelece elações pa icula es en e as especi icidades
do modelo de pensamen o his ó ico que pe ilhou e os qua o ipos de consciência his ó ica
p opos os po Rüsen. Po que a base que dá o ma a al modelo, ap esen a-se quase como
di e en es p oblemas, ensões, di iculdades que exigem comp eensão, mediação, acomodação
e, consequen emen e, a compe ência p og essi a pa a se negocia em soluções signi ica i as
pa a os mesmos.
A elação en e o his o ical hinking e os ipos de consciência his ó ica associa-se, po en u a,
a uma ele ância his ó ica que ai sendo en endida pela inclusão, implíci a ou explíci a, do
signi icado de uma ação ou pe sonalidade numa na a i a mais ampla; à u ilização de on es
p imá ias que pe mi em ques iona as elações en e passado e p esen e ou en e a disciplina
de his ó ia e o quo idiano; à mudança/con inuidade que não é p essupos o subjacen e, mas que
se ai econhecendo como ques ão undamen al sob e o que mudou e o que pe maneceu; à
causalidade que implica o econhecimen o das condições de cada momen o his ó ico; à empa ia
e dimensão é ica que se êm de aze de um con on o ma izado en e di e enças que enquad am
ações, sen imen os ou emoções em empos dis in os (Seixas, 2017).
Já no con ex o da in es igação b i ânica, um no o impulso eme giu, nos anos 90, com o
p oje o CHATA (Concep s o His o y and Teaching App oaches, 7-14), di igido po Dickinson,
Ashby e Lee (2004), sob e os concei os de segunda o dem e as suas elações com a consciência
his ó ica, pa a além de uma conexão consequen e es abelecida com as pe spe i as de Rüsen.
Aqueles in es igado es, po an o, p ocu a am analisa , em con ex o de aula, os p og essos
de ap endizagem his ó ica dos jo ens alunos da aixa e á ia em es udo, eco endo a concei os
como p o a, explicação causal, empa ia e ela os (accoun s), c iando, ainda, ma e iais
cu icula es pa a o ensino da his ó ia. No inal, Lee (2004) concluiu que sem abalha com a
ipologia üseneana, que conside ou pouco p ecisa, é possí el o e ece uma pa icula linha de
e lexão sob e o desen ol imen o das ideias dos es udan es sob e his ó ia, ambém enquan o
pon o de pa ida pa a u u as análises. De o ma gené ica, quando pensamos his o icamen e,
o mundo de e á pa ece di e en e. Nesse sen ido, segundo o mesmo au o (2016), a his ó ia é
uma pa e cogni i amen e ans o mado a da educação e, como al, só bem-sucedida quando
pe mi e que olhemos pa a o mundo dessa o ma. Sabe alguma coisa de his ó ia se á, en ão,
es a conscien e, endo em con a ac o es cogni i os e cul u ais, de que o passado in e e e na
sociedade a ual e aplica al en endimen o, a pa dos conhecimen os subs an i os do passado,
a uma o ien ação no empo. O en oque di eciona-se, en ão, pa a o en endimen o, pelos alunos,
da na u eza da his ó ia, mas sem que se negligencie a cons ução de um quad o subs an i o
coe en e e abe o. Des e modo, p opo ciona-se uma mais ampla análise c í ica do mundo,
enquan o consciência his ó ica a ançada, sus en ando-se posi i amen e as necessidades de
o ien ação empo al.
Inspi ando-se nos abalhos de Pe e Lee ou Jö n Rüsen, em Po ugal, a in es igado a Isabel
Ba ca em desen ol ido pesquisas á ias sob e a consciência his ó ica de es udan es po ugueses
e, ambém, de ou os países de exp essão po uguesa. Assim, p ocu ou já analisa as ideias dos
jo ens daquele país, no inal da escola idade ob iga ó ia, sob e a his ó ia con empo ânea e as
suas dimensões p i ilegiadas; as elações en e a disciplina e a o ien ação pessoal e social no
empo; e os usos quo idianos da his ó ia pe cebidos (Ba ca, 2006a). Ou, mais a de, a endeu
às p oduções dos es udan es no sen ido de es uda a his ó ia nacional po uguesa con ada,
de inindo pad ões concep uais quan o à es u u a na a i a, aos ma cado es his ó icos ou às
pe sonagens con empladas (Ba ca, 2007b). E ampliou, depois, es a in es igação, dando o ma
a es udos compa a i os ansnacionais sob e as na a i as e a consciência his ó ica de jo ens
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Ana Isabel Mo ei a
po ugueses, b asilei os e cabo e dianos (Ba ca, 2007b; Ba ca e Schmid , 2013).
Nos seus abalhos, aquela in es igado a em op ado, de o ma epe ida, pela cons ução
de na a i as po pa e dos pa icipan es. Na pe spe i a de Isabel Ba ca (2015), ais ela os
pe mi em alcança indicado es e e en es às iden idades dos alunos, que se elacionam com
a consciência his ó ica de cada um, pa a além de su gi em como indícios signi ica i os pa a
o ensino da his ó ia, con ibuindo posi i amen e pa a a cons ução da o ien ação empo al
dos mais jo ens. Nesses mesmos ela os, oma como ideal a e idência de uma consciência
his ó ica de ipo genealógico, sendo aquele que melho equipa cogni i amen e os indi íduos
pa a en en a os desa ios e p oblemas do século XXI, sob e udo po que o passado é, nes e
sen ido, enca ado como on e pa a a comp eensão signi ica i a de um mundo que hoje se az de
pe manências e mudanças complexas (Ba ca, 2007b).
Com e ei o, segundo Rüsen (2005a), a o ma linguís ica a a és da qual a consciência
his ó ica ealiza a sua unção de o ien ação empo al é a na a i a. O mesmo au o de ende,
en ão, que o modo de ma e ializa as especi icidades da consciência his ó ica é a compe ência
na a i a, que de ine como “ he habi li y o human consciousness o ca y ou p ocedu es wich
make sense o he pas , e ec ing a empo al o ien a ion in p esen p ac ical li e by means o
he ecollec ion o pas ac uali y” (p. 26). Gene icamen e, uma na a i a se á o ela o de uma
his ó ia com o ma, con eúdo e unção, mais do que a simples cons a ação do acon ecido. Um
ela o no qual a sequência dos acon ecimen os é ma cada po elações de causalidade, po
mo i ações ine en es, pela sua con ex ualização num de e minado empo e num pa icula
espaço. É, pois, mais do que uma lis agem de e en os his ó icos, quando se p e ende ‘con e i
sen ido’ ao passado, ao p esen e e, a é, ao u u o.
Desde as úl imas décadas do século XX, o “xi o na a i o” nas ciências sociais (Riessman,
1993) em ocasionado um inc emen o signi ica i o da in es igação associada às na a i as, à
memó ia e à iden idade, enquan o âmbi os de abalho in e disciplina e que pe mi em elaciona
a psicologia (B une , 2004; S aub, 2005; Lászlo, 2008), a his ó ia (Whi e, 1992; Ricoeu , 1999;
Rüsen, 2005a) e a educação his ó ica (Ba on e Le s ik, 2004; Rüsen, 2010a; S ea ns, Seixas e
Winebu g, 2000).
No que conce ne às na a i as his ó icas, Rüsen (2005a) iden i ica ês ca ac e ís icas das
mesmas: a) es ão ligadas ao domínio da memó ia, uma ez que mobilizam a expe iência do
passado que es á ali g a ada, naqueles a qui os, di e enciando-a do p esen e; b) o ganizam
a unidade in e na das ês dimensões do empo –passado, p esen e, u u o– e, des a o ma,
a i ência do passado assume-se como ele an e pa a a ida p esen e e in luencia, ainda, a
con igu ação do u u o; c) se em pa a a cons ução da iden idade dos seus au o es e lei o es,
que, po meio das na a i as, são capazes de en ende a sua p óp ia pe manência ace à mudança
empo al. Des e modo, “his o ical na a ion has he gene al unc ion o o ien ing p ac ical li e in
ime by mobilizing he memo y o empo al expe ience, by de eloping a concep o con inui y
and by s abilizing iden i y” (Ibid., p. 12).
De alguma o ma, o se humano, o ganizado em g upos ou comunidades, con i ma a sua
exis ência ambém a a és das na a i as que con a sob e ‘quem é, de onde em, pa a onde ai’
e de uma memó ia cole i a que dá o ma àqueles ela os na ida social do dia a dia (Lowen hal,
2015; Samuel, 1994). Le , ou i , en endê-las, enquan o in e p e ações his ó icas, pe mi e
pensa c i icamen e sob e as di e en es o mas como, ao longo dos séculos, os g upos humanos
enca a am o empo, a passagem do mesmo, as ans o mações à sua ol a. Po ou as pala as,
pe mi e a cons ução de um conhecimen o sólido sob e ‘o que acon eceu, onde, quando e po
que azão’ no passado, numa pe spe i a empo al de o ien ação na ida p á ica a ual pelo a o de
na a ma e ializada (Rüsen, 2005a).
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Es a unção ine en e à na a i a his ó ica pode se desen ol ida de qua o o mas di e en es:
adicional, exempla , c í ica e genealógica, no amen e segundo a pe spe i a de Jö n Rüsen
(2005b, 2010a), e numa ca ac e ização que se c uza, de modo ine i á el, com os ipos de
consciência his ó ica:
-Tipo adicional: a memó ia das o igens pe mi e a cons ução das o mas de ida a uais;
há, nes es ela os, uma con inuidade e iden e na pe manência, ao longo do empo, das p á icas
e alo es adicionais; a iden idade de cada um cons ói-se a pa i daqueles pad ões cul u ais
es abelecidos p e iamen e, e que se mani es am em es ó ias e mi os pe ilhados; o empo pa ece,
assim, imu á el.
-Tipo exempla : e idencia a aplicação de eg as ge ais de condu a assen e na memó ia
de casos acon ecidos; ao longo do empo, em sis emas de ida que se ão al e ando, aqueles
p inícipios pa ecem con inua álidos; a iden idade ganha o ma pela assunção de no mas
esul an es de uma gene alização deco en e de expe iências já i idas; a ex ensão espacial é,
en ão, a ca ac e ís ica do empo em ais na a i as.
-Tipo c í ico: o passado e o p esen e são p oblema izados com base na memó ia de des ios
oco idos; as ideias p é ias de con inuidade en e empos di e en es são ques ionadas e, nes es
ex os edigidos, salien a-se uma iden idade cons uída a pa i da ejeição de pad ões cul u ais
impos os; des e modo, o empo su ge como obje o de julgamen o, eme gindo di e enças en e o
acon ecido e a ealidade a ual.
-Tipo genealógico: es as na a i as e a am a ans o mação necessá ia das o mas de ida
numa de e minada ealidade; os sujei os su gem in eg ados num p ocesso empo al dinâmico,
que se az de mudanças nos modos de ida, no sen ido do desen ol imen o e de uma mais
es á el pe manência daquele seu g upo ao longo do empo; a iden idade mos a-se cons uída a
pa i da mediação en e o que ai pe manecendo e o que muda de ac o, num pa icula con ex o
eal; há, nes as edações, um ela o empo alizado e que e le e uma adap ação indi idual pa a
o en endimen o das mudanças empo ais oco idas.
No con ex o escola , de uma o ma ge al, são as na a i as de ipo adicional que p oli e am,
po que idas como mais simples de edigi , seguindo-se os ela os de ipo exempla , ma ca dos
con eúdos his ó icos ensinados e ap endidos nas salas de aula e, po an o, apidamen e ado ados
pelos es udan es. Po sua ez, os ipos c í ico e genealógico a i mam-se como mais exigen es,
que pa a alunos que pa a p o esso es, e, como al, menos eco en es nas edações su gidas.
É no ó io, hoje, que di e en es es udos êm indo a se ence ados com base em al assun o,
oda ia es e modelo de ipologias na a i as pa ece o e ece , ainda, ou as possibilidades
de in es igação expe imen al. Rüsen (2005b), po exemplo, salien a a elação en e aquele
modelo, que combina elemen os essenciais da compe ência na a i a e di e en es es ádios de
desen ol imen o, e o en endimen o da ap endizagem his ó ica, mas conside a que se pode i
mais além, es udando de o ma ampla a elação exis en e en e a es u u a das na a i as esc i as
e a idade ou ní el de ensino dos au o es. Po ou o lado, conside a que pode se iá el uma
análise que c uze os ipos de na a i as elencados e as ca ac e ís icas da ap endizagem mo al
dos sujei os, ap o undando-se, assim, al componen e da consciência his ó ica. Is o po que, na
sua opinião, qualque discussão e e en e aos alo es e aciocínio mo al pode, na u almen e,
elaciona -se com as dimensões da ap endizagem e da consciência his ó ica.
Sob um ou o olha , mas ainda no que diz espei o à his ó ia e às na a i as his ó icas,
en ende-se que, como nou os domínios da sua ida, o se humano dispõe de um ‘esquema
na a i o men al’ que in luencia a comp eensão dos ela os lidos, ou idos ou cons uídos.
Sob e udo po que os alunos de êm conhecimen os p é ios sob e o passado e es u u am esse
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
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Ana Isabel Mo ei a
sabe , sob a o ma de na a i as, com o in ui o de lhe con e i sen ido. Es e con ac o com a
es u u a na a i a, desde mui o cedo, acili a a sua u ilização e análise numa aula de his ó ia,
con udo pode ambém condiciona ou dis o ce a ap endizagem his ó ica, se se negligencia
o ac o de um ela o se uma cons ução in encional, ma cada po decisões indi iduais sob e
o seu começo, os aços ca ac e ís icos das pe sonagens, as causas e consequências de um
acon ecimen o, o seu é mino.
A na a i a his ó ica é, de ac o, somen e uma e amen a, com algumas inclusões e ou as
an as omissões, que, des e modo, medeia o nosso acesso ao passado:
This kind o na a i e may ha e had he ad an age o helping us unde s and, a
leas in pa , he ac ions o hose who held poli ical, legal, and economic powe in
socie y, bu i had he dis inc disad an age o p o iding li le insigh in o he li es o
he majo i y o he popula ion (Ba on e Le s ik, 2004, p. 137).
Pese embo a aquela ideia an e io , a lei u a e esc i a de na a i as, no seio da ap endizagem
da his ó ia, su ge como uma es a égia essencial pa a a comp eensão his ó ica, po pa e de um
aluno que se que , de aco do com as p emissas cons u i is as, que de enha um papel a i o na
cons ução do seu sabe .
Po sua ez, como p á ica da esc i a indi idual, a na a i a não deixa de se , ambém, a
consubs anciação de um código o ganizado de signos com signi icado e, po isso, p omo o a
do desen ol imen o de compe ências elacionadas com a mobilização da língua ma e na,
nomeadamen e o conhecimen o dos ocábulos e a sua u ilização em es u u as sin á icas
co e as. E ap imo a, ainda, a capacidade de con e i sequência lógica aos ac os selecionados
(encadeamen o empo al e causal), o uso in encional de de e minadas exp essões ou ideias, o
sen ido de o dem e de coe ência ex ual.
Além disso, assume-se como um meio pa a, a a és do sabe his ó ico, se pensa sob e os
ou os, aquilo que oi já di o ou esc i o, o que se passou e po que azão, “l’éc i u e de l’his oi e
pa les élè es es pou eux un ou il au se isse de la cons uc ion du sa oi his o ique quand elle
les condui à pense his o iquemen ” (Ca iou, 2012, p. 19). Adqui e, pois, um ou o signi icado,
quando se cons a a que os alunos i enciam a opo unidade de cons uí em e comunica em
ela os álidos do passado, sem que se sus en em no uso a bi á io de quaisque e idências
disponí eis (Lee, 2016) e p ocu em, pelo con á io, con e i ealidade a ases ac uais singula es
e ap op ia -se, g adualmen e, das mensagens his ó icas ansmi idas.
Po sua ez, numa pe spe i a subjacen e à eo ia das ep esen ações sociais, Liu e Hil on
(2005) êm insis ido no papel des acado que de êm as na a i as his ó icas na cons ução da
iden idade dos g upos sociais, nas suas elações in e nas e ex e nas desenhadas e na a iculação
dos alo es e no mas das di e en es sociedades. Po en u a, po que se o na cada ez mais
pe ce í el que as his ó ias que con amos e escu amos con ibuem pa a uma de inição de nós
mesmos e das in e ações que es abelecemos com os ou os:
His o y p o ides us wi h na a i es ha ell us who we a e, whe e we came
om and whe e we should be going. I de ines a ajec o y which helps cons uc
he essence o a g oup’s iden i y, how i ela es o o he g oups, and asce ains wha
i s op ions a e o acing p esen challenges. A g oup’s ep esen a ion o i s his o y
will condi ion i s sense o wha i was is, can and should be, and is hus cen al o he
cons uc ion o i s iden i y, no ms and alues (p. 1).
69
2.2.3. Iden idades nacionais, educação his ó ica e cidadania democ á ica
2.2.3.1. Iden idades nacionais e na a i as his ó icas
Ine i a elmen e, no mundo social, cada sujei o soco e-se de “es a égias simbólicas de
ap esen ação e ep esen ação” (Bou dieu, 1996, p. 115) pa a se classi ica a si e aos ou os.
Tal como oi já analisado no capí ulo an e io , as ep esen ações assumem uma unção de
p ese ação e simul ânea jus i icação da di e enciação social, podendo, po isso, ocasiona
uma elação en e g upos dis in os, cada um com a sua acionalidade e espe i os limi es,
ca ac e izada pelos es e eó ipos, pela disc iminação, pela dis ância (László, 2001).
São as alo ações iden i á ias dos indi íduos que, de alguma o ma, se omam como pon o de
pa ida pa a que pa icula es signi icados sejam a ibuídos ao passado his ó ico. De ac o, como
nos sin e iza Sáiz (2015), sob e as iden idades nacionais e os nacionalismos, e idenciam-se ês
isões dis in as: a isão ins umen alis a, de meados do século XX, sendo a ideia da iden idade
nacional ida como uma in enção a i icial e ine en e a in e esses polí icos; a pe spe i a do
senso comum, pa a quem a iden idade nacional é, num pon o de is a omân ico e essencialis a,
um conjun o de ca ac e ís icas inculadas na u almen e aos indi íduos e não o esul ado de
uma cons ução con ex ualizada; mais consensual a ní el académico, o pa adigma mode nis a e
cons u i is a que econhece a iden idade nacional como uma cons ução indi idual e cole i a,
acon ecida em de e minados con ex os his ó icos, polí icos e cul u ais e median e a in e enção
de di e en es agen es de socialização.
A iden idade nacional é, em pa e, um p odu o cul u al, alimen ado pelas i ências
quo idianas, que se sus en a em símbolos c iados, como as e emé ides, os e iados ou os
monumen os. E es es con igu am “una mi ada inicial y a ec i a que es p e ia a la enseñanza de
la his o ia e incluso a la al abe ización” (Ca e e o e K ige , 2006, p. 3) que, ine i a elmen e,
in e ém na ap endizagem his ó ica p opo cionada, desde idades p ecoces, aos sujei os numa
qualque comunidade.
A his ó ia pode, se assim o en endido, e o ça as iden idades nacionais num jogo de
iden i icação, p ojeção e simbolização, quando dá a conhece as genealogias e os undado es,
jus i ica pe enças e domínios, desenha ou e a a as di e enças ace aos ou os e as semelhanças
com aqueles que pe encem ao ‘nós’, e se con e e num conjun o de ideias que, de uma o ma
básica, delimi am o pensamen o. Veja-se, a í ulo de exemplo, o con eúdo do discu so do
P esiden e da República po uguesa, Ma celo Rebelo de Sousa, p o e ido no dia 10 de junho de
2016, aquando do con encionado Dia de Po ugal, de Camões e das Comunidades Po uguesas:
(…) Po ugal é o seu po o. Ele não acila, não ai, não se con o ma, não
desis e. (…) Assim, ao longo dos séculos, se oi cons uindo a iden idade nacional.
(…) Foi o seu sangue que mais co eu desde a conquis a do e i ó io com A onso
Hen iques. (…) Foi o po o que não se e gou du an e 60 anos, a é chega o 1.º de
dezemb o de 1640. (…) Foi o po o que na ins au ação da República sonhou, lu ou e
pe sis iu na busca de um país melho . Fo am os soldados de Po ugal que esga a am,
com o po o e pa a nós, a hon a, e de am sen ido à pala a libe dade. O po o, semp e
o po o, a lu a po Po ugal (Rádio Tele isão Po uguesa, 2016).
Uma mani es ação de um con ibu o popula pa a a cons ução do nacionalismo. Nes e
caso, ‘banal’ (Billig, 2014) ou ‘quo idiano’ (Edenso , 2002, 2015), po que des a o ma alcança-
se a iden i icação com uma nação que se ap esen a como uma comunidade polí ica pa ilhada e
ep esen ada po aquele Es ado democ á ico.
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
70
Ana Isabel Mo ei a
É incon o ná el o ac o de os con ex os escola es es a em in eg ados em nações especí icas
e de, e e i amen e, a his ó ia escola desempenha um papel na cons ução das iden idades
nacionais:
la nación es una idea, un sen imen o, no es una ealidad ma e ial; es una ealidad
polí ico-ideológica que se ha desa ollado desde el siglo XIX (…) y la enseñanza de
la his o ia ha es ado al se icio de esa idea (…) (López Facal, 2012, p. 52).
O ensino da his ó ia su gido no inal do século XIX, en ão, conduzia-se po in enções
iden i á ias, associadas à legi imação do passado cons i u i o das nações e à cons ução de
iden idades cole i as essenciais pa a se consolida uma iden idade nacional (Be ge , 2012;
López Rod íguez, 2015b; Ca e e o, 2017). Como al, as na a i as his ó icas u ilizadas
sus en a am essa in encionalidade e, azendo e e ência a ‘ou coun y´s his o y’, in luencia am
a comp eensão e análise conc e izada pelos alunos ela i amen e às in o mações sob e o passado
(VanSled igh , 2008). A isão epis emológica ace à his ó ia a i mou-se, assim, echada, única,
inequí oca, os pon os de is a dis in os di icilmen e se en endiam, os ela os não o iciais
coloca am-se de pa e.
Já nos anos 60 do século passado, a in luência das ciências sociais e le iu-se nos p og amas
escola es de al disciplina que, de alguma o ma, passa am a pe spe i a uma comp eensão
c í ica do passado e da sua elação com o p esen e e u u o. Toda ia, os es udos mais ecen es
pa ecem da con a de uma unção iden i á ia subjacen e à his ó ia que, nos dias de hoje, se ai
man endo, em á ias ealidades, ainda que de o ma mais sub il (Ca e e o e K ige , 2006).
De ac o, an o nas na a i as o iciais como naquelas que são p oduzidas pelos alunos nas
escolas, p e alecem ópicos iden i á ios e es e eo ipados que e a am uma memó ia cole i a
que ende a enal ece o alo dos undado es e dos he óis da nação (Gómez e Mi alles, 2017).
Pa ece p ocu a -se, des a o ma, um ensino da his ó ia que p opo cione a de inição exa a de
iden idade nacional ao in és de ocasiona , po ia de múl iplas na a i as es udadas, a discussão
sob e o e en ual signi icado do concei o (López Rod íguez, 2015b). Nos con ex os escola es,
en ão, eme ge um ela o simples e linea do passado, sus en ando a ideia da nação como uma
comunidade imaginada e p omo endo a ap oximação iden i á ia dos alunos, epe idamen e de
o ma anac ónica, à ealidade polí ica a ual. Quase como se a his ó ia se pudesse esumi a uma
desc ição ac í ica do acon ecido, p on a a se ansmi ida aquando do p ocesso de ensino e de
ap endizagem.
Um ipo de na a i a pa icula que eme ge, enquan o unidade de análise pa a o a ual
pensamen o cien í ico e social, é a na a i a mes a nacional. E são di e en es os au o es que
ap esen am uma e en ual explici ação alusi a a ais na a i as his ó icas nacionais. We sch
(2002) e e e-se a a e ac os cul u ais, ei os de con eúdos selecionados de aco do com
pa icula es obje i os e que, po isso, con igu am o modo como o passado é ep esen ado e
en endido; Rüsen (2004) econhece-as como ins umen os eple os de elemen os emocionais
e iden i á ios, o ganizado es do conhecimen o; pa a Helle (2006), po sua ez, são pad ões
de in e p e ação ge al com a unção de con e i sen ido ao passado, p esen e e u u o de uma
comunidade; segundo Ca e e o e Van Alphen (2014), de o ma b e e, são ela os da his ó ia
p óp ia de um país; Saíz (2015) en ende-as como me a- ela os que ixam a his ó ia o icial
de cada nação de o ma eleológica; e López Rod íguez (2015a) sublinha o ac o de se em
na a i as echadas que p ocu am de ini uma linha cla a do passado ao u u o, sendo a nação
o p o agonis a pe manen e.
71
De uma o ma gené ica, e aglu inando as di e en es pe spe i as enunciadas, as na a i as
mes as nacionais ca ac e izam-se, não a as ezes, pela ecupe ação ac í ica de a uações de
pe sonalidades e de e en os his ó icos, pela dimensão omân ica e de alo ização das ações do
p óp io g upo em de imen o dos demais, pelas undamen ações essencialis as e não his ó icas,
condicionando, pois, a o ma como os sujei os in e p e am o passado (VanSled igh , 2008). São
ela os con ados que a o ecem com maio signi icado a cons ução de uma iden idade nacional
pa ilhada do que o desen ol imen o de um pensamen o assen e na c i icidade e e lexi idade.
Mas são es as na a i as que êm de inido os con o nos dos discu sos nacionalis as dos
es ados-nação eu opeus e que, de alguma o ma, su gem plasmados nos cu ículos escola es
da disciplina de his ó ia. Desde o século XIX a es a pa e, in luenciam, pela sua quase
omnip esença, os usos públicos da his ó ia, an o no âmbi o educa i o, como na ealidade
in o mal, e nes e úl imo caso pela sua p esença nos meios de comunicação de massas e nas
mani es ações a ís icas, como a ele isão, os jo nais, a pin u a ou a li e a u a (Saíz, 2015).
Na con empo aneidade, podemos a i ma que uma nação é uma na ação, g anjeado as suas
ep esen ações e iden e popula idade nas plu ais ias de comunicação social.
Tais ela os de uma comunidade, desde os p imó dios a é à a ualidade, enquan o
o ma o o icial da his ó ia de um es ado-nação, eme gem como na a i as que se ap oximam
signi ica i amen e daquelas que subjazem a eligiões, classes ou e nias e com as quais a é
es abelecem ligações ou ínculos (Be ge , 2015; Sáiz, 2015). De aco do com alguns au o es
(Ca e e o, 2017; Ca e e o e al., 2013; Ca e e o e Be múdez, 2012; López Rod íguez, 2015a),
podem iden i ica -se ce os aços ca ac e ís icos e dis in i os das na a i as mes as nacionais:
a) o sujei o his ó ico de ine-se numa lógica de inclusão-exclusão; assim, eme ge uma
ca ego ização in en ada que dis ingue o ‘nós’, de ca ac e ís icas posi i as, dos ‘ou os’, de
ca ac e ís icas nega i as;
b) as pe sonagens e os acon ecimen os his ó icos são ap esen ados como mi os ou he óis,
mais do que com ca ac e ís icas his o iog á icas;
c) os p ocessos his ó icos são simpli icados po ia de explicações monocausais, esumindo-
se à conquis a da libe dade e do e i ó io;
d) as o ien ações mo ais são básicas, legi imando-se os a os de iolência e as decisões
polí icas ine en es de uma comunidade nacional, po que se p essupõe um di ei o essencialis a
sob e um de e minado e i ó io;
e) a conceção omân ica da nação e dos cidadãos, enca ados como en idades polí icas p é-
exis en es, com uma na u eza e e na, a empo al.
Es as ca ac e ís icas e a am, de alguma o ma, a ep esen ação do concei o de iden idade
nacional nas na a i as mes as, assim como os elemen os emocionais e os juízos mo ais
que incluem. Aquele concei o em, en ão, uma p esença indiscu í el nos ela os, assumindo
uma dimensão essencial (López Rod íguez, 2015a). Po ou as pala as, con am-se os ac os
acon ecidos ao longo do empo, sendo a nação o p o agonis a semp e p esen e. E ace àquela
en idade pe manen e, os habi an es de um país são de en o es de uma essência iden i á ia,
des acando-se a iden idade nacional como um elemen o na u al do se humano. Há, pois, um
ínculo que se pode es abelce en e passado, a ualidade e u u o, pe mi indo-se um p ocesso
de iden i icação en e o lei o de hoje e os p o agonis as de on em, que sublinha, po an o, uma
‘ imeless na ional iden i y’ (Ca e e o, 2017).
Alguns es udos já conc e izados nes e âmbi o, nomeadamen e com es udan es po ugueses
e b asilei os (Ba ca, 2007b; Schmid , 2008; Ba ca e Schmid , 2013) ou ussos (We sch, 2002),
des acam uma iden idade nacional posi i a, de con iança na e olução his ó ica do seu país.
Mas se os jo ens ussos, nas suas na a i as, associam o p og esso do país ao iun o sob e os
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
72
Ana Isabel Mo ei a
inimigos es angei os, os po ugueses eiculam uma pe spe i a p og essis a ine en e ao iun o
sob e o ças in e nas, pa icula men e as da di adu a salaza is a (Ba ca e Schmid , 2013),
dis anciando-se de uma iden idade nacional que exclusi amen e se cons ói po oposição a
o ças ex e io es.
No con ex o canadiano, po sua ez, Lé esque e os seus colabo ado es (2015) concluí am
que os jo ens es udan es que mais se iden i icam com o g upo in e no anco-on a iano
e idenciam uma isão na a i a do passado mais es u u ada e o ien ada de aco do com a
memó ia cole i a pa ilhada, mobilizando núcleos de enunciação básicos, como pe sonalidades
e mi os undado es da egião ancesa de On á io.
Nos Es ados Unidos, Al idge (2006) obse ou que, não a as ezes, a his ó ia e a ada
pelos alunos é simplis a e unidi ecional, po que somen e associada aos ‘g andes homens’
que conduzi am o país ao ideal de p og esso e ci ilização, camu lando-se os aspe os mais
con o e sos. Quase como se a his ó ia não i esse de se con ex ualizada e elacionada com
a a uação de di e en es g upos sociais, an es me amen e usada pa a de esa da supe io idade
mo al da p ó pia nação (Ba on e Le s ik, 2004). Pa a os alunos ame icanos, en ão, a inalidade
p imei a, e al ez única, da his ó ia é uma ap endizagem p o unda sob e a sua o igem
indi idual e a da sociedade na qual es ão imiscuídos, exal ando-se a ‘nossa nação’ como meio
pa a a o mação e desen ol imen o de uma eal iden idade nacional (Ba on, 2001). Aqueles
es udan es conhecem a de o a eu opeia ace à expansão no e-ame icana, a o igem polí ica do
país ou o impac o quo idiano de al e ações ecnológicas ali iniciadas, con udo não de êm um
sabe de alhado e comple o sob e os á ios acon ecimen os deco en es de ais aspe os mais
gené icos (Ba on, 2010b). Há, acima de udo, uma his ó ia que é sob e ‘nós’, os ame icanos,
que se cons ói desde a amília de cada um a é à ealidade nacional.
Na I landa do No e, de um ou o modo, os alunos econhecem a his ó ia como um eículo
pa a que possam ap ende sob e a ida dos sujei os nou os empos e locais. Is o po que, exis indo
duas na a i as in e nas em con li o, pois cons uídas ou pelos unionis as ou pelos nacionalis as,
p e alece uma disciplina que abo da a c onologia, a an iguidade, os aspe os sociais e que e i a
suge i uma qualque iden i icação com a his ó ia ep esen ada (Ba on, 2001).
As di e en es na a i as nacionais eme gem, assim, como um e lexo do p ocesso subje i o
que é in ínseco à iden i icação (Ca e e o e al., 2013; Sáiz e Gómez, 2016) e in luenciam de
o ma signi ica i a o en endimen o e a análise dos alunos ace à in o mação sob e o passado.
De um modo ans e sal a di e en es con ex os, as mensagens nuclea es das na a i as dos
es udan es sob e a his ó ia nacional o ien am-se no sen ido de uma a aliação a pa i de um il o
cul u al e de uma alo ização dos elemen os his ó icos que pe mi em in e p e a e, po ezes,
legi ima o p esen e (É hie e al., 2010; López Rod íguez, 2015b). São ais na a i as mes as,
pois, um ipo de “schema ic na a i e empla e” (We sch, 2004), ou seja, um conhecimen o
ge ado e compa ido po uma comunidade conc e a que, ambém enquan o e amen a social,
medeia a in e p e ação do passado conc e izada po al g upo.
2.2.3.2. O caso po uguês
Hoje, a disciplina de his ó ia no 2.º ciclo do Ensino Básico po uguês e sa de o ma
p a icamen e o al sob e o passado nacional, o que se o na ainda mais e iden e quando a
denominação da p óp ia inclui, ela mesma, a pala a ‘Po ugal’. Também des a o ma, a his ó ia
“ em u ilidade sob e udo na medida em que pe mi e que a iden idade de um país seja o mada
com base em acon ecimen os que p omo em au o-es ima social” (Gago, 2007, p. 280).
A his ó ia escola ainda se cen a em episódios e igu as po uguesas idas como mais
signi ica i as ou no desen ol imen o de elações de pe ença (Félix, 1998), sob a o ma de um
73
discu so desc i i o, linea , ac í ico. Não se conside am con ex os mais as os ou especi icidades
ine en es às di e en es dimensões da ida humana (Ba ca, 2007b, 2015) e não se dis anciam
os condicionamen os cu icula es pa a su gi em con eúdos ealmen e adp ados à o mação de
cidadãos esponsá eis, jus os e a uan es num mundo que conhecem (Al es, 2001). Ou seja,
ai p e alecendo uma isão adicional da his ó ia, ocada na exal ação de ce os pe íodos e
acon ecimen os do passado que, em simul âneo, pululam nas ep esen ações da população e
e o çam o nacionalismo banal quo idiano.
De alguma o ma, “a inalidad de la his o ia escola sigue más ce ca de una pe spec i a
omân ica de cons ucción de iden idades nacionales que de una o mación c í ica de la
ciudadanía” (Sáiz, 2015, p. 40). Mas al ez se pudesse conside a a disciplina segundo uma
ou a pe spe i a e “in en a iadas as me as de odas as ap endizagens, e a undamen al que cada
sabe disciplina iden i icasse qual o con ibu o que podia o nece pa a essa o mação global e
conseguisse se capaz de coloca os con eúdos especí icos ao seu se iço” (Al es, 2001, p. 31).
De ac o, os jo ens po ugueses con inuam a cons i ui um caso ilus a i o de uma iden idade
e ospe i a, ou seja, uma iden idade o ien ada pa a o passado e a adição, nos álgica, ma cada
pelo encan amen o his ó ico. Há um capi al his ó ico, obje i ado em monumen os ou bens
a queológicos, ela os ou es ó ias con adas, mapas ou imagens, que se ansmi e de ge ação
em ge ação e que se ins i ucionaliza sob a o ma de iden idade nacional (Pais, 1999). A i ma-
se, como al, uma isão da nação po uguesa como pa imónio comum ou, po ou as pala as,
como uma en idade na u al, uni icada po uma o igem, língua, his ó ia e cul u a pa ilhadas po
odos os memb os daquela comunidade.
No en an o, nem odos os sujei os po ugueses êm de ado a a mesma, e única, na a i a
subs an i a sob e o passado. A his ó ia que -se, an es, e nas sociedades de hoje, como um
con ibu o pa a a mobilização de iden idades na cons ução de uma na a i a ab angen e,
consis en e e com base na a gumen ação acional e no espei o pela e idência (Ba ca, 2007b).
E “a capacidade de se u iliza assim a disciplina nada em a e com a sua pe e são. Não
in alida nem ma ginaliza a leccionação dos con eúdos, an es os coloca ao se iço de ealidades
in empo ais” (Al es, 2001, p. 28).
Não é possí el condiciona o acesso a um conhecimen o passado –às i ências, às es ó ias,
aos acon ecimen os–, en endidos na ealidade do seu empo e que, no p esen e, a o ecem uma
in e p e ação mais ealis a e acional da a ualidade e o exe cício de uma cidadania conscien e
e esponsá el. Nes e sen ido, a i mou o polí ico e esc i o po uguês Manuel Aleg e, “se as
ge ações mais no as deixam de sabe as nossas aízes, de onde é que iemos, o que é que
izemos, e se começa a ha e p econcei os pa a ala em ce as coisas (…), começa a ha e (…)
uma iden idade en aquecida” (Agência Lusa, 2016)3.
Con udo, o conhecimen o da ama na a i a nacional não pode, pa a e i a al ‘iden idade
en aquecida’, adqui i con o nos de simpli icação ou de mi i icação, e é a his ó ia que pe mi e,
com e acidade, con a “as o igens, as genealogias, as ligações, as pe sis ências. É ela que
nos legi ima as boas causas e denuncia as más expe iências” (Al es, 2016, p. 20). Tal como
a i ma Ba ca (2007b), a iden idade nacional ambém se cons ói no seio do econhecimen o da
complexidade iden i á ia:
3 Disponí el em h p://24.sapo.p /no icias/nacional/a igo/aleg e-e-ma celo-que em-que-his o ia-seja-disciplina-
p io i a ia-no-ensino_20643561.h ml.
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80
Ana Isabel Mo ei a
dessa sua dimensão, po que su gidas an es sob a o ma de ep esen ações cons uídas. Ou, po
ou as pala as, como imagens, me á o as ou es ó ias con adas que se comunicam na p imei a
pessoa e que, assim mesmo, podem se cap u adas, al como já ha iam de endido Goodson e
Ha g ea es (2003).
2.3.2. Das conceções às p á icas de ensino
Como suge em Goodson (2003, 2004) e Bolí a (2011, 2012), da oz aos p o esso es
assume-se como decisi o nas in es igações sob e o ensino, uma ez que num om con e sacional
é possí el alcança um conhecimen o na a i o da ida e expe iências p o issionais, dos sabe es
elacionados com a p á ica educa i a, das con icções pa ilhadas, daquilo que o p o esso
diz que az e das jus i icações pa a ais opções didá icas (Flick, 2015; Fons-Es e e e Buisán-
Se adell, 2012).
Po sua ez, as complexas elações en e o pensamen o, as c enças e as p á icas p o issionais
dos docen es são des acadas po Pozo e seus colegas (2006, p. 34), quando es es a i mam que:
Más allá, o más acá, de lo que sepamos sob e el ap endizaje y la enseñanza,
odos noso os, p o eso es o alunos, enemos c eencias o eo ias p o undamen e
asumidas, y al ez nunca discu idas, sob e lo que es ap ende y enseña , que igen
nues as acciones, (…) a eces sin noso os sabe lo, nues a p ác ica educa i a.
O seu abalho enquan o docen es é, po cada um, ep esen ado a pa i do sabe cons uído
sob e o p ocesso o ma i o dos alunos ou sob e como a ap endizagem da his ó ia acon ece
de ac o, pa a além de se elaciona com os in e esses e capacidades indi iduais, com o papel
econhecido aos conhecimen os dos alunos, com os sabe es his ó icos pe ilhados ou com as
in enções ace à disciplina (de His ó ia e Geog a ia de Po ugal) assumidas (Husbands, Ki son
e Pend y, 2003).
Ao mesmo empo, os es udos êm indo a demons a (Flick, Fos e e Caillaud, 2015)
que as ep esen ações sociais não são o almen e consensuais, às ezes são apenas acei es, as
ensões man êm-se e o deba e o na-se ine i á el. É, pois, undamen al ou i os discu sos de
quem age quo idianamen e no con ex o educa i o, enquan o p o esso de his ó ia, e que, po
ia das pala as, pode ap esen a -se como docen e que se az de pa icula es conceções sob e a
his ó ia e o seu ensino. Assim, conside a-se que “a pe spe i a dos ou os é signi ica i a, passí el
de se conhece e possí el de se explici ada” (Pa on, 1990, p. 278) e que há, de ac o, sabe es
la en es que se mani es am sob a o ma de espos as acessí eis à in e p e ação, pa icula men e
“en una si uación de en e is a deseñada de mane a ela i amen e abie a” (Flick, 2012, p. 89),
ou de a uações conc e izadas e obse á eis na ealidade de cada um.
De o ma sin e izada, e consolidando p emissas an e io men e expos as, assim se podem
comp eende p á icas de ensino ado adas em con ex o de sala de aula, e, ao mesmo empo,
o signi icado pessoal e social a ibuído po cada p o esso às dimensões que en o mam as
iden idades p o issionais que ão cons uindo (Day, 2004; Bolí a , Gallego, León e Pé ez,
2005; Vaillan , 2010; Flick, 2015). Também des e modo se desc e em conceções eme gen es
ou ações ejei adas pelos mesmos, na sala de aula e ace à disciplina em ge al, bem como
as in enções, enómenos e a o es que a o ecem ou inibem expec a i as, opções, dú idas
em elação ao ensino e à ap endizagem da his ó ia. A concomi an e in e p e ação é a o ma
conside ada pa a que seja exequí el con e i sen ido aos signi icados elabo ados, em cada
con ex o, po cada docen e ou pa a, a pa i de exemplos pa icula es e si uados, e en ualmen e,
se alcança em p oposições eó icas mais abs a as (Husbands, Ki son e Pend y, 2003). Pa a que
81
mais se ap enda sob e os p o esso es que ensinam, po que são os p o issionais da educação que
“makes connec ions and o ge ela ionships be ween hei unde s andings o he discipline and
i s in ellec ual adi ions, expec a ions se ou in cu iculum speci ica ions, hei pe cep ions o
pupil needs and he school con ex ” (Ibid., p. 41).
E pa a cada ins i uição educa i a, local onde aqueles agen es desempenham a sua p o issão
docen e, qualque pesquisa assume a o ma de uma comp eensão con ex ualizada da elação
es abelecida en e as inalidades e obje i os do cu ículo da disciplina (po exemplo, pa a o
2.º ciclo do Ensino Básico) e as p á icas de ensino que, no que diz espei o à mesma, ão
acon ecendo no dia a dia escola .
2.4. EM PORTUGAL, A HISTÓRIA COMO DISCIPLINA ESCOLAR
2.4.1. Educação his ó ica: uma ecen e linha de in es igação em Po ugal
A é aos anos 90 do século an e io , a in es igação po uguesa sob e o ensino da his ó ia
acon ecia no âmbi o da psicologia, conside ando-se os p oblemas ge ais de ap endizagem; ou no
domínio da his ó ia da educação, enquad ando-se his o icamen e a e olução daquele ensino no
sis ema educa i o (Magalhães, 2002). E am es es es udos gené icos, sob e o desen ol imen o
psicológico e cogni i o ou cen ados nas e o mas educa i as, pouco ou nada a en os aos sabe es
disciplina es especí icos e, menos ainda, ao pensamen o dos es udan es elacionado com ais
conhecimen os. Mul iplica am-se, en ão, os abalhos p esc i i os, de di ulgação de e lexões
eó icas ou, ainda, as abo dagens que des aca am pesquisas impo adas de con ex os cul u ais
bem dis in os do po uguês (Ba ca, 2009).
In es iga-se, ago a, a pa i de p essupos os a uais e jus i icados, pa a se conc e iza em
diagnós icos, pa a se en ende em pensamen os, pa a se conhece em ideias his ó icas e,
po en u a, pa a se ap esen a em suges ões de ações ine en es ao ensino da his ó ia. Também
po que, a ní el epis emológico, con inua a ques iona -se, e a que e en ende -se, se a his ó ia é
uma desc ição simples do passado ou, an es, uma desc ição/explicação; se é a ‘g ande na a i a’
ou se, po ou o lado, conside a pon os de is a á ios; se é uma na a i a de ipo li e á io, po
isso in e p e ada como icção ou uma na a i a igo osa e p espe i ada (Ba ca, 2007b, 2009).
Des a o ma, a in es igação elacionada com a educação his ó ica o ien a-se po ques ões
undamen ais, como “wha s uden s can and should lea n abou how he wo ld came o be he
way i is, abou how powe and exclusion ope a e in he wo ld, and abou how an unde s anding
o he pas migh in luence he p esen e and he u u e” (Le s ik, 2011, p.108). E de endem-se
a gumen os á ios sob e a his ó ia que apa ece, ou es á desapa ecida, no cu ículo o icial, sob e
o seu ensino e ap endizagem, sob e os p opósi os da mesma (Winebu g, 2001; Ba on e Le s ik,
2004; Seixas, 2004; Eps ein, 2008; Tho n on, 2008).
Foi, assim, no inal do século passado, que eme giu uma linha in es iga i a po uguesa,
endo como p incipal e e en e os abalhos desen ol idos no Reino Unido, nomeadamen e po
Pe e Lee e Denis Shemil . No con ex o inglês, uma pesquisa di igida pa a a comp eensão das
ideias his ó icas dos alunos, que, de alguma o ma, concluiu que aquelas mais dependem, em
consis ência e elabo ação, da qualidade das si uações de ap endizagem do que da linea idade da
idade ou da sequencialidade escola (Lee, 2003, 2005; Dono an e B ans o d, 2005).
As ações e in e enções e idencia am, ago a, ou as p eocupações, além da espos a
imedia a ao ‘como ensina his ó ia’. O ipo de in es igação conc e izado ganhou, como al,
no os con o nos: a obse ação do eal pa a alcança espos as (na u eza empí ica), a u ilização
de uma me odologia de in es igação (sis ema icidade), o in e esse o ien ado pa a as ideias
his ó icas daqueles que ap endem –os alunos– e ensinam –os p o esso es. Além disso, es a
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
82
Ana Isabel Mo ei a
abo dagem da educação his ó ica p eocupa-se não só com as endências mais a uais no campo
da educação, mas ambém com as mais ecen es pe spe i as no que conce ne à epis emologia da
his ó ia. De ac o, pa a que ambém nes e domínio se po encie um desen ol imen o sus en ado,
“os objec i os do ensino da His ó ia de em cons i ui uma pon e –e não um osso!– en e o que
os alunos ap endem e o que os his o iado es e ilóso os da His ó ia p oduzem” (Ba ca, 2009,
p.12).
De aco do com o modelo de p og essão concep ual p opos o po aqueles sup aci ados
au o es ingleses, os in es igado es po ugueses êm di ecionado a sua a enção in es iga i a
pa a a o ma como as c ianças e os jo ens es udan es comp eendem e ap endem os concei os
associados à disciplina de his ó ia, com a in enção “de p omo e uma mudança sus en ada
das p á icas de aula e da na u eza da a aliação dos alunos, além de p ocu a con ibui pa a o
e o ço da e lexão ilosó ica em o no da na u eza da His ó ia” (Ibid., p.20). Não bas a, pois,
elenca as ideias que os alunos azem pa a a aula de his ó ia, é necessá io encon a pis as
pa a uma mudança concep ual p og essi a de ais ideias, de aco do com o sabe his ó ico. A
pesquisa po uguesa em con emplado a mul ipe spe i a, a na a i a, a empa ia, a explicação, a
e idência, a signi icância, a mudança, a consciência his ó ica, num en oque que é, des e modo,
disciplina , e que não se esgo a em ques ões mais gené icas sob e a ap endizagem.
Sucin amen e, são dois os p essupos os eó icos que, de uma o ma ge al, êm no eado
a pesquisa em educação his ó ica conc e izada em Po ugal. Po um lado, explo a , empí ica
e sis ema icamen e, as ideias dos alunos, po que undamen al pa a in oduzi mudanças na
ap endizagem. E, de ac o, com maio impac o se modi ica aquilo que se conhece, sendo
ele an e, po exemplo, pe cebe que a amilia idade dos concei os, os mé odos, as a e as ou as
in e ações condicionam, com maio impac o, a ap endizagem do que a p óp ia idade dos sujei os.
Po ou o lado, o quad o concep ual de e e ência não pode dissocia -se das mani es ações
his ó icas mais a ualizadas, de endo a o mação acon ece de aco do com a complexidade do
p esen e e não assen e em sabe es dis an es e inócuos (Ba ca, 2009; Lee, 2003, 2005).
Ainda que a in es igação não seja um im em si mesmo, o desen ol imen o sis emá ico
expe imen ado pelas pesquisas conc e izadas em su gido, depois, sob a o ma de abalhos
á ios assinados po di e en es en idades ou ins i uições, nomeadamen e a Uni e sidade do
Minho ou a Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o; de Jo nadas de Educação His ó ica
que pe co em di e en es cidades do país ou, a é, de um documen o egulado do ensino da
his ó ia no Ensino Básico e Secundá io - as Me as Cu icula es (2012).
E des acam-se, ainda, uma mi íade de nomes de p o issionais esponsá eis pelo a anço
acon ecido nes e pano ama in es iga i o po uguês –p o esso es, his o iado es, in es igado es–,
como José Machado Pais, coo denado da equipa po uguesa que in eg ou, em 1999, um es udo
eu opeu mais amplo, Os Jo ens e a His ó ia, lide ado po Ang ik e Von Bo ies (1997), sob e a
consciência his ó ica dos adolescen es; Isabel Ba ca, es udiosa de di e en es e en es da ideia
de consciência his ó ica desen ol ida po c ianças e jo ens e da sua mani es ação ma e ial em
na a i as (2004, 2007b, 2015); Ma ília Gago e Regina Pa en e, com uma pesquisa ambém
elacionada com as na a i as his ó icas cons uídas po c ianças e adolescen es, conside ando
as di e en es conceções epis emológicas sob e aquele concei o (2005; 2009); Luísa F ei as e
Gló ia Solé, esponsá eis po in es igações e elado as das conceções his ó icas de c ianças
en e os 6 e os 12 anos de idade (2005; 2009); Luís Albe o Al es, com e lexões á ias que
elacionam a his ó ia e a educação pa a a cidadania, con emplando exemplos p á icos (2001,
2009, 2016); Olga Magalhães, com es udos sob e a his ó ia e o seu ensino (2003); ou Helena
Pin o, com uma in es igação mais di ecionada pa a as possibilidades da educação pa imonial,
nomeadamen e no que diz espei o à in e cul u alidade (2017).
83
Pensa a educação his ó ica, na pe spe i a eó ica, é cada ez mais signi ica i o numa
ealidade nacional onde aquela linha in es iga i a começa a a i ma -se de ac o. No en an o,
e no âmbi o des e mais especí ico es udo ealizado, assume-se como essencial, na elabo ação
des e ma co concep ual de supo e, associa essa educação his ó ica às dimensões mais
con ex ualizadas da his ó ia que é disciplina ensinada e ap endida na escola. Nos subcapí ulos que
se seguem p ocede-se, assim, a uma abo dagem de concei os e ideias alusi os às especi icidades
cu icula es da disciplina de His ó ia e Geog a ia de Po ugal, à o mação de p o esso es que a
podem leciona , às dinâmicas que se desenham pa a uma aula de his ó ia.
2.4.2. A His ó ia e Geog a ia de Po ugal no 2.º ciclo do Ensino Básico. Apon amen os
cu icula es
O luga da his ó ia na ealidade escola – inalidade, o ganização, me odologia– az-se de
opções: as no as ob idas nos exames ou o desen ol imen o de compe ências; as es ó ias con adas
ou a in es igação de ques ões á ias; a c onologia linea ou a localização na con empo aneidade;
os g andes he óis e a polí ica ou as pessoas comuns e a ida quo idiana. De ou a o ma,
associa-se à escolha de um p og ama que isa p i ilegia “o conhecimen o em ex ensão, cuja
quan idade ende semp e a mul iplica -se com o co e do empo” ou, pelo con á io, que
p e ende “p i ilegia exemplos signi ica i os, opção cuja ónica incide na qualidade/ ele ância”
(Mi há, 2012, p. 90) e, a é, à alo ização de uma didá ica undamen ada na es u u ação lógica
de conhecimen os subs an i os e compe ências his ó icas pelos es udan es, po ia de uma
his ó ia que se cons ói ou alice çada numa sequência c onológica dos con eúdos his ó icos
que ende a limi a a mobilização do conhecimen o pa a a assunção de decisões mais medi adas
(Le s ik, 2011). Na ealidade, e al como a i ma Ba on (2004), odos, sejamos his o iado es,
edi o es ou p o esso es, azemos escolhas sob e his ó ia, po que alo izamos alguns aspe os e
dis anciamos ou os ou po que ensinamos de um de e minado modo e não de ou o.
Hoje, incon es a elmen e, no 2.º ciclo do Ensino Básico4, o ensino da His ó ia e Geog a ia
de Po ugal esponde, pois, a inalidades ex e nas, como o es ímulo do espí i o c í ico, da
sensibilidade e da c ia i idade ou o con ibu o pa a si ua cada aluno no país e no mundo
(Minis é io da Educação, 1991). Con udo, ambém con empla inalidades in e nas e ine en es
ao desen ol imen o da consciência his ó ica, à cons ução do en endimen o de uma his ó ia
que é necessá ia pa a cada um e à o mação de cidadãos democ a icamen e in e en i os na
sociedade.
Na a ualidade da sociedade po uguesa não se ques iona, e e i amen e, a p esença da
his ó ia no cu ículo o icial do Ensino Básico, an es se em discu ido, ao longo dos empos, as
especi icidades dos con eúdos a leciona . Tal ez a é se possa ala num in e esse mul i ace ado
em elação à his ó ia, que em pe manecido, po en u a a é c escido, com o a ança dos
séculos (Magalhães, 2002). Tal ez po que a his ó ia é á ias coisas (De Cock e Picka d, 2009;
Ma ineau, 2010; Al es, 2016): pa a os e udi os, uma ma é ia cul u al, um conhecimen o
ac ual do passado a se ansmi ido aos alunos; pa a o g ande público, uma cul u a pública
comum; pa a os nos álgicos, uma e e ência baseada nos mi os e he óis dou os empos; pa a os
comp ome idos, uma o mação pa ió ica; pa a os ‘aman es’ do passado, ga an ia dessa paixão;
4 A Educação Básica ge al, em Po ugal, p olonga-se en e o 1.º e o 9.º ano de escola idade. O ciclo de ensino que
inclui os 5.º e 6.º anos de escola idade o ien a-se po obje i os ge ais, nomeadamen e uma o mação ge al comum pa a o
desen ol imen o de in e esses e habilidades, p opo cionando o sucesso educa i o e escola de odos; a ga an ia do equilíb io
en e a cul u a escola e a cul u a do quo idiano, numa cons an e a ualização de sabe es; o desen ol imen o da ma u idade
cí ica, social e emocional, pa a uma consciência nacional abe a ao humanismo uni e sal, à coope ação com o ou o, à a uação
democ á ica e esponsá el nos di e en es con ex os (c . Eu ydice, 2016).
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
84
Ana Isabel Mo ei a
pa a os p agmá icos, ma é ia a se examinada; pa a os ‘clínicos’, é ecei a pa a a ‘ ole ância
empo al’.
Toda ia, a in odução da his ó ia no cu ículo nacional po uguês não oi simples, endo sido
condicionada po si uações con ex uais á ias e pelas di e en es unções que cons an emen e
assumiu. E, nos dias de hoje, algumas con adições ainda p e alecem: pa a uns, a his ó ia de e
ap ende -se b incando, ocasionando uma isão agmen ada do passado; pa a ou os, bas a uma
memo ização de sabe es enciclopédicos que desenham uma his ó ia ‘acabada’ (Ba ca, 2007a).
Mas são es as opiniões que se dis anciam de uma his ó ia en endida como mo i ado a, capaz de
con ibui pa a a lei u a c í ica de um p esen e ma cado po inúme os desa ios e pa a o e o ço
de uma iden idade inclusi a e saudá el.
De ac o, uma ez que a escola po uguesa não é, ago a, eli is a e seg egado a, su gindo, pelo
con á io, como democ a izada, e numa en a i a de se coloca ao se iço de odos, ambém o
ensino da his ó ia p ecisa de se a i ma como in eg ado , o ien ado pa a os p ocessos e a o á el
à comp eensão das complexas mudanças sociais acon ecidas (Al es, 2004b; Coope , 2004;
Mo ei a da Sil a, 2004). Di e en e, ainda, das pe spe i as mais nacionalizado as, associadas à
a i mação da iden idade po uguesa e, não a as ezes, ine en es a p oje os polí icos e sociais
mais conse ado es e ins igado es de imagens dis o cidas do empo p e é i o. Pe spe i as que,
como al, p o idenciam uma cul u a his ó ica adicional e, de alguma o ma, uma iden idade
nacional subme ida aos usos polí icos da memó ia cole i a e à hegemonia assumida po uma
pa icula ideologia ou simbolismo (Lo , 2014).
C onologicamen e, é possí el elenca , em o ma de sín ese, os a anços e ecuos á ios que
a a i mação do ensino da his ó ia na ealidade educa i a po uguesa ul apassou (Bo ges, 1992;
To gal, 1996; Magalhães, 2002; Ba ca, 2006a):
-o início: al ez em 1805, com a disciplina de His ó ia Uni e sal e Pá ia; já na década de
30 daquele século, o nou-se explíci o o ensino da his ó ia nas escolas p imá ias e liceus5;
-a época epublicana: nas p imei as décadas do século XX, o ensino da his ó ia adqui ia
con o nos posi i is as e a i ma a-se pela o mação cí ica dos cidadãos;
-o Es ado No o: a his ó ia e a, ago a, um eículo de p opaganda do egime ascis a (dos
alo es da é, do nacionalismo, da amília), o seu ensino omi ia ac os e in e p e ações menos
a o á eis e exal a a os mi os e he óis de um po o de ‘ ocação colonial’;
-o pós-25 de ab il: a disciplina de his ó ia (depois, a pa de ou os países ociden ais,
subs i uída pela disciplina de Es udo Sociais) passou a se ida como cien í ica e de en o a de
c i é ios me odológicos p óp ios e a sua inalidade o ma i a o ien a a-se, des a ei a, pa a a
lei u a c í ica da ealidade social, pa a a c iação de uma consciência a uan e e in e en i a ace
ao con ex o daquela época;
-as décadas de 80 e 90: após a ap o ação da Lei de Bases do Sis ema Educa i o (Lei n.º
46/86, de 14 de ou ub o)6, no cu ículo o icial, a his ó ia su gia o malmen e a pa i do 5.º ano
de escola idade, com a disciplina de His ó ia e Geog a ia de Po ugal; as linhas p og amá icas
ap esen adas e am denunciado as do equilíb io en ado en e os conhecimen os especí icos e as
ap endizagens signi ica i as, deno ando “que nunca se pe deu a noção de que a his ó ia é uma
disciplina de g ande impo ância cí ica” (To gal, 1996, p. 445), assim como da in luência das
co en es in es iga i as in e nacionais, sob e udo inglesas.
5 Des aca-se, nes a ase, uma inalidade comum ao ensino da his ó ia: “p opo ciona una o mación pa io ica a los
ciudadanos de los eme gen es es ados nacionales” (López Facal, 2000, p. 46).
6 A Lei de Bases do Sis ema Educa i o de iniu o quad o ge al do sis ema educa i o po uguês, es abelecendo a ga an ia
de uma o mação con ínua, di ei o de odos, que p omo esse o desen ol imen o global da pe sonalidade, o p og esso social e
a democ a ização da sociedade (c . Eu ydice, 2016).
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- a a ualidade: é e iden e, hoje, a con i ência, no espaço escola , das co en es
adicionais associadas ao ensino da his ó ia, que se sus en am em en oques mais ansmissi os
e conse ado es, a pa das pe spe i as mais ino ado as e que p e endem es abelece uma
elação signi ica i a en e o conhecimen o his ó ico, as ques ões a uais p emen es e a ida dos
es udan es.
De uma o ma mais explíci a, sob e a ealidade educa i a po uguesa a ual, a his ó ia,
no 2.º ciclo do Ensino Básico, con inua a ep esen a a adicional aliança en e geog a ia e
his ó ia e, des a o ma, a geog a ia su ge associada à his ó ia “pa a acili a a comp eensão de
um espaço compos o de elemen os sujei os a pe manen es mudanças” (Minis é io da Educação,
1991, p. 79).
Ao mesmo empo, a sup aci ada disciplina pe ence à á ea disciplina de Línguas e Es udos
Sociais, jun amen e com o Po uguês e o Inglês, sendo o empo o al (500 minu os po semana)
dis ibuído pelas ês po decisão de cada um dos ag upamen os de escolas ou ins i uições
p i adas (Di eção-Ge al da Educação, 2016)7. Po no ma, as ins i uições escola es po uguesas
a ibuem à disciplina de His ó ia e Geog a ia de Po ugal dois empos semanais de 50 minu os
ou um empo de 90 minu os. Em alguns casos, po ém, a mesma disciplina pode á bene icia de
135 (90+45) ou 150 (50+50+50) minu os semanais.
Em elação ao cu ículo o icial, es e con inua a aludi ao “ala gamen o da comp eensão
do espaço e do empo, de modo a p opo ciona a p og essi a concep ualização da ealidade”
e a “que os alunos desen ol am a i udes que a o eçam o seu conhecimen o do p esen e e do
passado, despe ando-lhes o in e esse pela in e enção no meio em que i em” (Minis é io
da Educação, 1991, p. 77), pa a além do desen ol imen o de ou as capacidades ans e sais,
como a compa ação en e con ex os empo ais dis in os e a comunicação do sabe his ó ico e
geog á ico. A pa dos conhecimen os subs an i os, consag am-se, no cu ículo o icial, alo es e
a i udes pa icula es, como a sensibilidade e a solida iedade, a au onomia ou o desen ol imen o
de compe ências me odológicas, signi ica i os pa a os mais ecen es desa ios da mundialização
e da mul icul u alidade, como “a in eg ação e in e enção democ á icas na sociedade”
(Minis é io da Educação, 1991, p. 81).
F u o de uma e isão cu icula ela i amen e ecen e, aquele P og ama oi co obo ado, e
de alguma o ma complemen ado, pelas Me as Cu icula es de His ó ia e Geog a ia de Po ugal
do Ensino Básico (2012)8. De ac o, as mesmas p o ie am de esul ados de in es igações
conc e izadas, si uando-se en e uma isão da especialidade e uma lógica cu icula de conjun o.
As Me as de inidas o ganizam-se no sen ido da p og essão, endencial e de e e ência, do
pensamen o his ó ico, en e os p imei os anos de escola idade e o inal do Ensino Básico. O
en oque subjacen e à dimensão cu icula da disciplina pa ece man e uma o ien ação no sen ido
do ensino de uma his ó ia econhecidamen e adicional, elacionada com os condicionamen os
geog á icos do país, a o mação do Reino de Po ugal, o seu desen ol imen o his ó ico assen e
na c onologia linea e naqueles que se conside am os p incipais acon ecimen os polí icos
oco idos ao longo do empo (como a es au ação da independência, em 1640; a implan ação da
7 O Minis é io da Educação coo dena, em Po ugal, as polí icas educa i as, nomeadamen e um sis ema de ensino
que ope a po ia das ações dos es abelecimen os públicos, das ins i uições p i adas e das coope a i as (es as úl imas, com
igual legislação à do ensino o icial sob e pad ões de ensino, cu ículo, a aliação e habili ação p o issional dos docen es). Pese
embo a uma de inição nacional da base o ganizacional do ensino e da a aliação de desempenho, as ins i uições de ensino
azem usu u o de alguma au onomia no que conce ne à ges ão do cu ículo, à escolha das o e as o ma i as, à a ualização da
es u u a cu icula ou ao acompanhamen o mais p óximo dos alunos (c . Dec e o-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho).
8 De uma o ma mais conc e a, a o ganização cu icula da disciplina con empla ês domínios em cada um dos dois
anos de escola idade (5.º e 6.º) do 2.º ciclo. Es es di idem-se em di e en es subdomínios, que depois se conc e izam em
obje i os ge ais e se especi icam em desc i o es pa icula es.
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
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Ana Isabel Mo ei a
República, no ano de 1910 ou a ins au ação da di adu a do Es ado No o, du adou a en e 1933
e 1974). Des e modo, ende-se, no con ex o escola , a incen i a uma ep odução eco en e
das cos umadas na a i as his ó icas nacionais e que se sus en am em assun os ão es i os,
e especí icos, como a independência do e i ó io de Po ugal, a cons ução daquele es ado
su gido como uma nação, a expansão impe ial, num de e minado pe íodo ence ada e, ambém,
a conquis a da democ acia, quase como a conclusão de al na a i a con ada.
Toda ia, “ensina His ó ia de e á se mui o mais do que ansmi i ac os e desc e e
si uações his ó icas a ulsas, sob pena de des i ua as eno mes po encialidades da educação
his ó ica pa a en ende o mundo” (Ba ca e Solé, 2012, p. 94). P og essi amen e, de modo
sus en ado, os mais jo ens de em cons ui os seus signi icados do passado, pa a melho se
o ien a em no p esen e e ambém conje u a em o amanhã. Os e e enciais educa i os p ecisam
de alo iza , assim, mais do que pad ões ge ais de pensamen o, que se impo am mecanicamen e
de ou as disciplinas, olhando pa a uma endência de e olução concep ual que se inicia com
ideias simples, con usas, po en u a de des alo ização de algumas ações, e que alcança a
conside ação de con ex os especí icos e legi imado es das si uações passadas (Ba ca e Solé,
2012; Lee, 2003; Shemil , 1983).
De uma o ma ans e sal, po ém, os es udos pa ecem demons a que as p á icas ge ais
de ensino, em Po ugal, con inuam cong uen es com pe spe i as cu icula es de ca ac e ís icas
adicionais. Assim, ambém nas aulas de his ó ia, o p o esso ainda su ge como alguém
que, p imo dialmen e, expõe os con eúdos e ge e os diálogos, não sendo a i o na ges ão e
desen ol imen o do cu ículo (Ba oso e Lei e, 2011) ou não “ epensando o p og ama no
sen ido da sua uncionalidade e uso in eligen e e não do ca ác e p esc i i o es i o” (Roldão,
2008, p. 29). As a e as p opos as e os ecu sos u ilizados não se ca ac e izam pela a iedade e
pela p omoção de uma in e p e ação ampla que c uza on es his ó ias e pon os de is a á ios
ou pela alo ização de ques ões desa iado as sob e os p oblemas da ida humana (Ba ca,
2007b) e sob epõe-se, an es, a u ilização do manual didá ico, que igidamen e se segue na sua
enume ação de a i idades a ealiza po es udan es e docen es.
Ao mesmo empo, em de imen o da eal explo ação das ideias áci as dos es udan es sob e
os conhecimen os subs an i os e a na u eza do sabe his ó ico, p e e e-se a imedia a ansmissão
de dados ac uais, num sen ido c onológico e es á ico, mas sem que se acul em os meios pa a
os olha em pe spe i a, e não apenas de o ma si uada (Al es, 2016). Po im, uma desejá el
análise da e olução concep ual p o agonizada pelos sujei os, ou do desen ol imen o do seu
pensamen o his ó ico, ao longo do empo (Ba ca, 2015), em pe dido p oeminência ace a um
exame inal, eque en e de ações mecânicas e de memo ização, e que az p epassa a ideia de
que é pa a aquele im de e minado que a escola p epa a a os es udan es (Ba oso e Lei e, 2011).
A escola pode se , no en an o, uma ins i uição cu icula in eligen e (Lei e, 2003) e, pa a
al, não é possí el que se man enham os con eúdos e mé odos de ap endizagem adicionais,
nomeadamen e, no ensino da his ó ia.
De ac o, as p opos as ou expe iências ino ado as são necessá ias, com o in ui o de se
p ocu a con e i um ou o sen ido ao ensino da his ó ia, sus en ado em p á icas que não se
eduzem à memo ização ou à linea idade de uma c onologia. É, pois, undamen al que se
ul apasse a pe manência de uma espécie de acul u ação académica que “não ep esen a, po
igual, os in e esses, as necessidades, os obje i os, nem as o mas de pensamen o, exp essão e
compo amen o de di e en es g upos que cons i uem o mosaico cul u al das nossas escolas”
(Sousa, 2003, p. 119-120).
Naquela disciplina escola , hoje, é possí el almeja o alcance de ou os pa ama es.
Se a his ó ia assumi , ambém cu icula men e, um sen ido elacional, u ili á io e, de ac o,
87
p ospe i o. Tal ez “(…) com elacionações mais icas, com emá icas mais po enciado as
da pa icipação dos alunos (…)” (Al es, 2001, p. 25). Po ou as pala as, p opo cionando
aos es udan es expe iências de ap endizagem que não se cingem à in enção de ep odução de
con eúdos his ó icos, pa icula men e de na u eza polí ica, ou das in e p e ações conc e izadas
pelos au o es dos manuais escola es, mas que, an es, isam uma lei u a ans e sal das emá icas
p og amá icas (Al es, 2016).
Pa a al, o p o esso p ecisa de se a i ma como um in es igado e agen e social (Ba ca,
2015), um p o issional da educação que não se p opõe a somen e segui , passo a passo, o
de inido p e iamen e po ou as en idades e que econhece que “um p og ama não se cump e, o
que em de se cump i é o cu ículo, a ap endizagem pa a cuja consecução ele oi o ganizado”
(Roldão, 2008, p. 29). Des a o ma, pode á, ga an indo uma pa icipação a i a dos es udan es
nas p á icas acon ecidas na sala de aula, com eles econs ui uma isão sus en ada do passado
que explica o p esen e, po encia os consensos assen es no ou i e pe cebe o ou o, ocasiona
si uações de en endimen o escla ecido, de p oblema ização e de p ospeção (Al es, 2016; Ba ca,
2007b). E, desde logo, a escola se á um dos espaços sociais, en e an os ou os, onde aqueles
sujei os se pode ão e idencia como cidadãos ealmen e humanis as, c í icos e e lexi os.
2.4.3. A o mação de p o esso es de His ó ia e Geog a ia de Po ugal: ca ac e ís icas
a uais
A exis ência de uma educação his ó ica capaz de i ao encon o das especi icidades de
uma sociedade plu al e de um conhecimen o cada ez mais exigen e p essupõe a exis ência,
ambém, de um p o esso conscien e dessas mesmas con ingências. Um docen e que não se
esgo a em compe ências écnicas e ins umen ais, mas que e idencia um pe il mul i ace ado
e que aglu ina écnica, in elec o, polí ica, é ica, capacidade elacional (Nó oa 1992; Mo gado,
2007; Ba ca, 2009; Ribei o, 2015; Dua e, 2016). Uma igu a que con e e dimensão didá ica aos
con eúdos e que pode se cons u o a do cu ículo, adap ando as p esc ições o iciais, e iguais
pa a odos, a cada singula sala de aula (Klein, 2010). O mediado en e as ca ac e ís icas dos
alunos e o cu ículo nacional, en e os es udan es e os ó gãos da escola, en e os conhecimen os
p é ios e a consciência his ó ica.
É de impo ância p emen e p i ilegia uma o mação docen e que se ap oxime da ealidade
escola e dos p oblemas sociais sen idos pelos p o esso es, ou seja, que se ap oxime do eal
exe cício p o issional (Nó oa, 2009), num empo p esen e e num espaço mul icul u al (Muñoz,
2013). Aquele que é mais do que um ‘ap endiz de ei icei o’ (Al es, 2001) de e á expe iencia
a pesquisa his ó ica, amilia izando-se cons an emen e com os concei os associados ao sabe
cien í ico, e conhece a mais ecen e in es igação sob e o pensamen o his ó ico, iden i icando
a ualizados e e en es alusi os ao ensino da disciplina (Ba ca, 2009). É, des e modo, que pode á
con e i sen ido às suas p á icas de ensino assumidas, sus en ando as mesmas em undamen os
a uais, pe inen es, baseados em pesquisas eais e con ex ualizadas e não se esgo ando, enquan o
p o issional, em ases ei as, ideias ul apassadas ou in enções desajus adas a uma ealidade
que a ança pe manen emen e.
Na aula de his ó ia que se que a i a, desa iado a, po enciado a do ‘pensa his o icamen e’,
o p o esso de e á assumi um papel signi ica i o. Ele pode, de ac o, ocasiona as si uações
de ap endizagem em que eme gem as ep esen ações p é ias dos es udan es, oma consciência
dessas conceções e p opo ciona momen os pa a a sua descons ução e pos e io econs ução,
eco e a ecu sos á ios, de que o cu ículo e o manual escola são apenas dois exemplos,
que a o eçam a dissonância cogni i a e, consequen emen e, a ap endizagem his ó ica
(Dalongue ille, 2003).
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
88
Ana Isabel Mo ei a
Um docen e de his ó ia p ecisa, pois, de usu ui de uma ap endizagem signi ica i a “sob e
la o mación del pensamien o y comp ensión his ó ica en el alumnado, el ap endizaje de la
disciplina y en la búsqueda de ma cado es de p og esión cogni i a” (Sáiz e Gómez, 2016, p.
177; c . VanSled igh , 2011). Tal como se acen ua, po exemplo, na ealidade no e-ame icana
(A men o, 2000), a o mação i enciada de e e o ça o con eúdo in elec ual dos u u os
docen es, no sen ido de es es econhece em que as p á icas de ensino p ecisam de po encia a
mobilização do conhecimen o his ó ico pa a a p omoção de ou as compe ências dos sujei os,
como o pensamen o c í ico e a in e p e ação de pe spe i as á ias. Em simul âneo, e como
salien am Pend y e Husbands (2000, p. 333), de e ainda “ o de elop he concep o eaching as
a esea ch-based p o ession in which eache de elopmen is in o med (…)”, associando, com
e idência, a p o issão docen e às p á icas in es iga i as que a o ecem a ampliação de sabe es
e compe ências p o issionais.
Em Po ugal, a o mação de p o esso es de his ó ia e geog a ia do 2.º ciclo do Ensino
Básico apa ece consag ada na legislação po uguesa desde a implemen ação da Lei de Bases
do Sis ema Educa i o, em 1986 (Dec e o-Lei n.º 46/86, de 14 de ou ub o), segundo a qual
os u u os p o issionais adqui em a quali icação eque ida “a a és de cu sos supe io es
o ganizados de aco do com as necessidades de desempenho p o issional do espec i o ní el
de educação e ensino”. Como al, e ainda que com di e enças signi ica i as quando compa ada
com ou as ealidades eu opeias, a mesma ambém su giu com o in ui o ge al de e i a “ he
lack o specialis his o y eache s (…) able o each his ange o subjec ma e ” (Ha is e Bu n,
2016, p. 535).
A legislação pos e io 9, nes e âmbi o, i ia a con i ma as ca ac e ís icas daquela o mação
de qua o anos, con e ido a do g au de licenciado, em cu sos o ganizados po a ian es10
co esponden es às á eas disciplina es de docência. Um modelo de o mação in eg ado,
acon ecido nas Escolas Supe io es de Educação dos Ins i u os Poli écnicos ou nas Uni e sidades
com unidade de o mação p óp ia (Cen o In eg ado de Fo mação de P o esso es), po que ao
longo do cu so es uda am-se disciplinas pe encen es a á ias componen es o ma i as, numa
junção en e conhecimen o disciplina e conhecimen o didá ico.
Pa a um pe cu so o ma i o pa alelo, que coexis iu mais de uma década com o an e io ,
os p o issionais que apenas de inham uma habili ação cien í ica (ou su icien e) de uma á ea de
especialidade (po exemplo, a His ó ia ou a His ó ia da A e) e, po ezes, uma expe iência
p o issional econhecida, pude am usu ui de uma P o issionalização em Se iço, minis ada
nos Cen os In eg ados de Fo mação de P o esso es, nas Escolas Supe io es de Educação,
nas Faculdades de Ciências, Le as e Ciências da Educação ou na Uni e sidade Abe a, pa a
a ob enção da habili ação p o issional necessá ia associada a um pa icula g upo e ní el de
ensino. Es a p o issionalização incluía duas componen es sequenciais –Ciências da Educação
( o mação disciplina numa ins i uição de Ensino Supe io ) e P oje o de Fo mação de Ação
Pedagógica (ação supe isionada na ins i uição onde o p o esso , com menos de seis anos de
se iço, já leciona a)– a ealiza num pe íodo de dois anos escola es, po ia de cu sos á ios
que não negligencia am as especi icidades eque idas pa a a c iação do pe il de um p o issional
da educação, numa en a i a de alo ização da o mação pedagógica dos indi íduos (Magalhães,
2009; Minis é io da Educação, 2007).
9 C . Dec e o-Lei n.º 115/97, de 19 de se emb o; Dec e o-Lei n.º 49/2005, de 30 de agos o; Dec e o-Lei n.º 85/2009, de
27 de agos o. Mais in o mações ambém disponí eis no documen o Sis ema Educa i o Nacional de Po ugal (2003), da au o ia
do Minis é io da Educação de Po ugal, h p://www.oei.es/his o ico/quipu/po ugal/index.h ml#sis.
10 Pa a es e abalho impo a des aca a a ian e Po uguês/His ó ia.
89
De des aca , ainda, os p o issionais que se o ma iam pa a a docência do 3.º ciclo do
Ensino Básico e Ensino Secundá io, du an e cinco anos, nas Uni e sidades com unidades
de o mação p óp ia, adqui indo o g au de licenciado em ensino de uma disciplina ou g upo
de disciplinas ( o mação in eg ada) ou em amo educacional de á eas cien í icas ( o mação
sequencial). Aqueles, de aco do com a lei po uguesa (Dec e o-Lei n.º 344/89, de 11 de ou ub o),
conside a am-se p o issionalmen e quali icados pa a a docência no 2.º ciclo do Ensino Básico,
ambém.
No ano de 2007, po que se a igu ou como necessá io “ele a a quali icação p o issional pa a
e o ça a qualidade cien í ico-pedagógica e alo iza o es a u o sociop o issional” (Dec e o-Lei
n.º 43/2007, de 22 de e e ei o) dos docen es, a inse ção dos cu sos de quali icação p o issional
dos p o esso es nos pa âme os de Bolonha ocasionou ans o mações o ma i as signi ica i as.
Des a o ma, as á ias leis an e io es conce nen es à o mação de p o esso es o am
e ogadas e su giu um modelo único pa a odas as ins i uições de o mação, po que se a i mou
como essencial uma adap ação às “mudanças deco en es das ans o mações eme gen es
na sociedade, na escola e no papel do p o esso , da e olução cien í ica e ecnológica e dos
con ibu os ele an es da in es igação educacional” (Dec e o-Lei n.º 43/2007, op. ci .). Assim,
ala gou-se o domínio de quali icação do docen e gene alis a com a habili ação conjun a pa a o 1.º
e 2.º ciclos do Ensino Básico (nes e úl imo caso, pa a as disciplinas de Po uguês, Ma emá ica,
Ciências Na u ais e His ó ia e Geog a ia de Po ugal), endo e minado a p o issionalização em
se iço.
Pa a acede à ca ei a docen e, os indi íduos ha iam ago a de conclui , após ês anos, um
1.º ciclo de o mação –Licencia u a em Educação Básica– e um 2.º ciclo ob iga ó io de dois
anos –Mes ado em ensino do 1.º e 2.º ciclos do Ensino Básico, nes e caso, endo já em con a
o pe il do p o esso em causa. Naquele 2.º ciclo de es udos alo iza am-se os conhecimen os
disciplina es, uma a uação que se de e undamen a no abalho de in es igação e a opo unidade
de se começa em a desenha os aços ca ac e ís icos de uma p á ica p o issional ado ada. De
alguma o ma, ap oximou-se al o mação docen e daquela e i icada numa ou a ealidade,
a inlandesa (Vi a, 2008). Também ali os p o esso es gene alis as ha iam de leciona os
dois p imei os anos da disciplina de his ó ia, nos cen os de Educação Básica ob iga ó ia, a
alunos de 11 e 12 anos. São class eache s, de en o es de um eque ido Mes ado em “Gene al
Educa ion”, habili ados a leciona dez disciplinas dis in as e, po isso, com um eduzido empo
o ma i o no que conce ne à his ó ia e à sua didá ica. Um aspe o já c i icado no país, e em
ou os con ex os com si uações simila es, uma ez que pa ece con o na -se, des e modo, um
eal “encou agemen o sus ained suppo o explo e he ques ions o how young people could
bes de elop a usable his o ical amewo k o he pas ” (Ha is e Bu n, 2016, p. 539).
Em Po ugal, essa oi ambém uma das c í icas que se ez ou i , pela oz de di e en es
se o es da sociedade, em elação a uma o mação p o issional que se sujei ou aos impe a i os
legais. O p o esso “o ganiza o ensino e p omo e as ap endizagens no quad o dos pa adigmas
epis emológicos das á eas do conhecimen o e das opções pedagógicas e didác icas
undamen adas” (Dec e o-Lei n.º 240/2001, de 30 de agos o) e, pe an e al legislação, e ia de
abalha , no 2.º ciclo do Ensino Básico, em qua o á eas disciplina es com obje os de es udo e
me odologias de abalho mui o díspa es, o que se aduzi ia, ine i a elmen e, numa o mação
lacuna em cada uma dessas á eas. Em dois anos de cu so p e endia-se o ma p o esso es de
Po uguês, Ma emá ica, Ciências Na u ais e His ó ia e Geog a ia de Po ugal, a pa do 1.º ciclo
do Ensino Básico, quando an e io men e, em cinco ou seis anos, apenas se p o issionaliza am
os docen es pa a duas daquelas á eas em o ma de a ian es. Depois, a di isão pelos di e en es
ní eis de ensino e disciplinas a leciona mi iga a uma p esença e in e enção do u u o
Capí ulo 2. Ma co eó ico da in es igação
96
Ana Isabel Mo ei a
a in e p e ação da ole ância no espei o pelas idiossinc asias alheias.
Po que a his ó ia ensinada na escola con ibui pa a o c escimen o in elec ual, pa a a
au onomia ou pa a a solida iedade cí ica, abo dando-se emá icas da his ó ia local, incen i ando-
se a p ese ação pa imonial ou e o çando-se a necessidade de não se se indi e en e (Al es,
2001).
97
CAPÍTULO 2.
CAPÍTULO 3. METODOLOGIA DA
INVESTIGAÇÃO
3.1. AS OPÇÕES METODOLÓGICAS
Pa a uma in es igação sob e as ep esen ações e na a i as de p o esso es e alunos sob e
a his ó ia de Po ugal, de alguma o ma ambém elacionada com os p ocessos de ensino e de
ap endizagem daquela disciplina, su giu como mais signi ica i a uma abo dagem quali a i a,
assen e no in e p e a i ismo como pon o de is a epis emológico e com um en oque eó ico
que associou ideias e mé odos de abalho dos âmbi os da pedagogia c í ica, da eo ia das
ep esen ações sociais e da g ounded heo y (Denzin e Lincoln, 2012; Flick, 2015).
De ac o, op ou-se po uma in es igação de ipo quali a i o, enquan o conjun o de p á icas
in e p e a i as da expe iência humana, pelas suas po encialidades na ap oximação na u alis a
aos obje os de es udo e num alcance mais amplo do que o pe mi ido pelas es a ís icas ou dados
quan i a i os. Assim, podem es uda -se a ida dos indi íduos e as expe iências i idas, os
compo amen os e os sen imen os, bem como o uncionamen o o ganizacional de um con ex o
ou os mo imen os sociais, mas pa indo dos signi icados e sen idos que os p óp ios sujei os,
numa si uação eal, lhes con e em (S auss e Co bin, 2002).
Pa a es e es udo desc i i o cump iu-se, en ão, uma análise empí ica e sis emá ica de
uma ealidade que se quis conhece , pa a uma pos e io p opos a undamen ada de modelos
explica i os sob e as ca ac e ís icas do pensamen o his ó ico dos es udan es a pa i do discu so
na a i o, as suas conceções sob e a his ó ia escola , os discu sos dos p o esso es sob e a
p á ica p o issional de ensino da his ó ia ou as a uações p o agonizadas na sala de aula. É,
pois, um ipo de pesquisa que p oduz esul ados depois de uma comp eensão p o unda das
ca ac e ís icas de algo, ou seja, do en endimen o de enómenos con ex ualizados, da ecolha
da pala a dos sujei os p o agonis as de uma a uação social, da iden i icação de o inas ou
momen os p oblemá icos.
Ainda que qualque ealidade obje i a não possa se , com e ei o, cap u ada, uma
in es igação quali a i a az-se da combinação de ma e iais empí icos, pe spe i as, ocos de
a enção, no sen ido de se con e i igo , ampli ude e p o undidade de comp eensão à pesquisa.
Em simul âneo, aglu ina mé odos á ios, como a semió ica, a na a i a, os discu sos, os
a qui os ou mesmo as es a ís icas, e écnicas di e sas, como as en e is as, os ques ioná ios, as
obse ações pa icipan es, a psicanálise, os es udos de cul u as, en e ou as (Denzin e Lincoln,
2012; Flick, 2015). Conside a-se que os mesmos pe mi em alcança in o mações assen es nas
c enças, pe ceções, opiniões, signi icados ou a i udes dos pa icipan es, que pe manecem no
seu ambien e na i o. Sem manipulações ou adul e ações, sob e udo pa a que se e idenciem as
especi icidades de cada ealidade (Flick, 2011). Po que, de alguma o ma, o in ui o p incipal
daquele ipo de in es igação eside numa análise in e p e a i a, não ma emá ica, ocasionado a
de elações no ó ias en e os dados ecolhidos ou da eme gência de concei os e, assim,
po enciado a da o ganização de um esquema explica i o eó ico (S auss e Co bin, 2002).
Apesa de se e em in eg ado nes a in es igação alguns dados quan i a i os, es es apenas
pe mi i am sis ema iza pa icula es in o mações, depois quali a i amen e analisadas. Op ou-
se, en ão, po um pa adigma in es iga i o que con empla o con ex o de a uação dos a o es
98
Ana Isabel Mo ei a
sociais, a subje i idade, a in enção de descobe a de pa icula idades, o holís ico, o dinamismo
da ealidade.
O inqué i o po ques ioná io, a en e is a, a obse ação de aulas o am os ins umen os
de ecolha de dados mobilizados. Po isso, es e es udo é, ambém, uma descons ução de
ep esen ações, uma análise de con eúdo(s), uma in e p e ação de discu sos. Discu sos ela i os,
cons uídos socialmen e, po que si uados his o icamen e; ma cados pela ideologia e p odu o es
dela mesma; exemplos da subje i idade humana, que se aduz em ações e in e enções;
mediados po sis emas de linguagem e bal e não e bal; e elado es de opiniões e posições
(Blax e , Hughes e Tigh , 2008).
In es igando quali a i amen e uma qualque ealidade, não podemos deixa de oma em
conside ação que: a) essa ealidade é múl ipla, p ocessual e assen e em de e minadas condições;
b) as pe spe i as, posições, olha es do in es igado exis em e in e e em na pesquisa; c) os dados
são o p odu o de al p ocesso, co-cons uídos po quem in es iga e po quem é in es igado
(Cha maz, 2000, 2008; Denzin e Lincoln, 2012). A pa i desse en endimen o, há, pois, uma
eo ia undamen ada que pode á i ma -se, após a codi icação e análise, po ia do p ocesso de
in es igação, dos dados ecolhidos de o ma sis emá ica, num con ex o in encional e de aco do
com c i é ios de ele ância de inidos (Glase e S auss, 1967; Co bin e S auss, 2002).
Reco endo à pe spe i a de Bogdan e Biklen (2006), são, assim, algumas as peculia idades
que dis inguem a in es igação quali a i a e que podemos, a segui , sin e iza :
-o con ex o na u al de oco ência dos enómenos é a p incipal, e di e a, on e dos dados;
-o in es igado , enquan o de en o de um impo an e papel, in oduz-se naqueles ambien es
em es udo;
-a desc ição dá o ma aos esul ados, a pa i de dados que são, ambém eles, ei os de
pala as e imagens, como as ansc ições de en e is as, as no as de campo, as o og a ias, os
memo andos, e c.;
-o p ocesso in es iga i o é mais ele an e do que os esul ados alcançados;
-a análise é p imo dialmen e indu i a, po que as abs ações são cons uídas a pa i do
ag upamen o de dados ecolhidos e não se p ocu am p o as pa a con i ma hipó eses p é ias;
-os signi icados, as ep esen ações, as opiniões de endidas pelos sujei os pa icipan es
sob e o seu mundo social são undamen ais pa a o pesquisado .
Impo a aqui essal a que, pa a es a pesquisa, as ques ões é icas13 o am idas em
conside ação (Denzin e Lincoln, 2012; Flick, 2015) e solici ou-se a au o ização dos esponsá eis
pelas ins i uições de ensino públicas e p i adas pa a a conc e ização de uma in es igação de
âmbi o académico naquele espaço. Em simul âneo, os sujei os pa icipan es, p o esso es e
alunos, e os enca egados de educação des es úl imos, o am in o mados da na u eza do es udo
(nomeadamen e dos momen os de aplicação do inqué i o e de obse ação de aulas), de que a
pa icipação de cada um se ia olun á ia, passí el de in e upção a qualque momen o, pa a além
da o al con idencialidade e p o eção dos dados ecolhidos. Em momen o algum, a iden i icação
das ins i uições ou dos indi íduos pa icipan es ha ia de se o nada pública. Ainda em elação à
aplicação do guião de obse ação de aulas, o mesmo oi p e iamen e subme ido pa a ap eciação
e au o ização da Di eção Ge al de Educação, cump indo o legislado pelo Despacho No ma i o
n.º 15847/2007, de 23 de julho.
13 Anexo 1.
99
3.2. OS PARTICIPANTES
Em qualque in es igação, os sujei os pa icipan es são essenciais, sob e udo quando se em
po obje i o conhece uma ealidade e os signi icados a ibuídos às i ências aí p o agonizadas.
Pa a es a in es igação con idou-se um g upo eduzido de p o esso es de concelhos á ios
do dis i o do Po o, selecionados de o ma inciden al e depois de se consul a um g upo mais
amplo de docen es. Desde logo, o am incluídos no es udo docen es a leciona em a disciplina
de His ó ia e Geog a ia de Po ugal, no 2.º ciclo do Ensino Básico, numa ins i uição de ensino
pública ou p i ada naquele dis i o do no e de Po ugal e que, median e um con ac o pessoal, se
mos a am disponí eis pa a pa icipa em no mesmo. No o al, seis docen es daquela disciplina.
Pa icula men e, cinco p o esso as e apenas um p o esso ; ês de ins i uições pa icula es e ou os
an os de ins i uições escola es públicas. Seis docen es que não p e endemos ep esen a i os de
odos aqueles que o são no dis i o do Po o, mas que, a a és dos seus discu sos e das suas
p á icas (Husbands, Ki son e Pend y, 2003), podem pe mi i -nos comp eende como pensam
e a uam os p o esso es do Ensino Básico, no con ex o de aula, quando ensinam His ó ia e
Geog a ia de Po ugal.
Os p o esso es pa icipan es ca ac e izam-se pela di e sidade de idades, po consequência,
pela di e ença no empo de abalho como docen es e, ainda, po o mações p o issionais
dis in as, ao ní el dos cu sos ou ins i uições equen adas. Impo a, pois, expo nas linhas
seguin es uma b e e ap esen ação de cada um deles, salien ando-se que os nomes que lhes são
a ibuídos não co espondem aos eais, endo sido al e ados pa a que se cump am os p incípios
básicos de anonima o e con idencialidade.
P o esso a Ana. É p o esso a de Po uguês e His ó ia e Geog a ia de Po ugal, no 2.º ciclo
do Ensino Básico, de endo já 27 anos de exe cício p o issional. A sua licencia u a em His ó ia
( ia cien í ica) oi concluída em 1988, na Uni e sidade dos Aço es. Foi no ano de 1990 que
começou a abalha no colégio p i ado onde, ainda hoje, é docen e.
P o esso a Leono . A ualmen e, é apenas no 2.º ciclo do Ensino Básico, numa escola
pública, que leciona Po uguês e His ó ia e Geog a ia de Po ugal, depois de já e abalhado,
po exemplo, no Ensino Secundá io e em cu sos de Ensino No u no. Con a com 20 anos de
abalho como docen e, endo concluído uma licencia u a em His ó ia ( ia cien í ica), seguida
da p o issionalização em se iço.
P o esso a Pila . Cu sou uma licencia u a em His ó ia ( ia ensino), du an e cinco anos.
É p o esso a há 15 anos e, a ualmen e, ensina his ó ia nos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico
e no Ensino Secundá io. No seu pe cu so p o issional, na escola pública, já lecionou á eas
elacionadas com a his ó ia nos Cu sos de Educação e Fo mação (CEF). A sua a i idade como
docen e, hoje, acon ece numa o ganização educa i a de ca ác e p i ado.
P o esso a Pa ícia. São 27 anos de exe cício p o issional, endo e minado, em 1986,
uma licencia u a em His ó ia de A e, no Po o. Na década de 90 do século passado, ealizou
a p o issionalização em se iço e, po isso, hoje ensina Po uguês e His ó ia e Geog a ia de
Po ugal no 2.º ciclo do Ensino Básico. O seu pe cu so p o issional em-se ca ac e izado pela
al e nância, ano após ano, en e ins i uições públicas de ensino.
Capí ulo 3. Me odologia da in es igação
100
Ana Isabel Mo ei a
P o esso a Ri a. Soma já 27 anos de p o issão docen e, após e cu sado, du an e qua o
anos, a licencia u a em Ciências His ó icas, na Uni e sidade Po ucalense. Começou po
leciona his ó ia no Ensino Secundá io, oda ia, seis anos depois, op ou pelo 2.º ciclo do
Ensino Básico. A ualmen e, ensina Po uguês e His ó ia e Geog a ia de Po ugal aos 5.º e 6.º
anos de escola idade, pe manecendo, há alguns anos, na mesma escola pública.
P o esso Paulo. A sua licencia u a em Ciências His ó icas ( amo educacional) oi
e minada, na Uni e sidade Po ucalense, em 2007, no mesmo ano em que começou a
abalha . Pos e io men e, comple ou a sua o mação com uma especialização em Supe isão
Pedagógica, na Uni e sidade do Minho. Leciona his ó ia nos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico
e, de há qua o anos a es a pa e, á-lo numa ins i uição p i ada de ensino. Foi já coo denado
de p oje os á ios no âmbi o da educação pa a a saúde.
Em elação às o ganizações educa i as en ol idas, es as o am-no uma ez que os docen es
que se disponibiliza am a pa icipa no es udo aí exe ciam a sua p o issão e po que a di eção
das mesmas assen iu a conc e ização, nas suas imediações, de uma in es igação que ha ia de
e como p o agonis as alunos e p o esso es in e enien es naquela comunidade escola .
No inal, con a am-se no e ins i uições de ensino14 si uadas nos seis concelhos mais
po oados do dis i o do Po o: Po o, Vila No a de Gaia, Maia, Valongo, Gondoma e
Ma osinhos, odos eles na egião no e de Po ugal.
Impo a escla ece que, em Po ugal, no ano de 2008, se de iniu legalmen e que, do a an e,
as escolas se es u u a iam em unidades o ganizacionais cons i uídas po es abelecimen os de
educação p é-escola e escolas de um ou mais ní eis e ciclos de ensino. Pa a o uncionamen o
de um egime de au onomia, adminis ação e ges ão, e numa lógica de p oximidade geog á ica
e de e o ço da capacidade pedagógica das ins i uições, al decisão eiculou-se no Dec e o-Lei
n.º 75/2008, de 22 de ab il15. Assim, as escolas públicas do Ensino Básico onde se ecolhe am
as in o mações in eg am-se em unidades o ganizacionais daquele ipo, os apelidados de
Ag upamen os de Escolas.
14 Em ês es abelecimen os de ensino (ins i uições B; C; G) somen e se conc e iza am os inqué i os aos alunos e em
dois ou os es abelecimen os (ins i uições H; I) apenas se en e is a am os p o esso es e obse a am-se as suas aulas.
15 Mais in o mações disponí eis em h ps://d e.p /applica ion/ ile/a/249886 (consul ado em 13 de no emb o de 2016).
Os concelhos do dis i o do Po o onde
se localizam as ins i uições educa i as.
Ins i uição A
Ins i uição B
Ins i uição C
Ins i uição D
Ins i uição E
Ins i uição F
Ins i uição G
Ins i uição H
Ins i uição I
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Capí ulo 3. Me odologia da in es igação
Os es abelecimen os de ensino pa icula e coope a i o, po ou o lado, bene iciam
de au onomia pedagógica, adminis a i a e inancei a, ainda que de am se cump idos os
p essupos os básicos de uncionamen o de inidos legalmen e. A sua c iação é li e, mas al
a i idade ins i ucional ca ece de despacho homologado pelo memb o do go e no esponsá el
pela Educação (Dec e o-Lei n.º 152/2013, de 4 de no emb o)16.
Ine i a elmen e, cada unidade o ganizacional de ensino público ou cada ins i uição de
ensino pa icula e coope a i o de ém um P oje o Educa i o p óp io, uma iden idade que se
dis ingue de ou as, uma in encionalidade de in e enção sus en ada em alo es que não são
iguais aos de ou o. Nas linhas que se seguem su gem, sucin amen e desc i os, os aços que
ca ac e izam cada uma daquelas comunidades educa i as in e enien es na in es igação.
Ins i uição A. Ins i uição pública si uada no concelho de Vila No a de Gaia, com uma o e a
educa i a que se p olonga desde o P é-escola a é ao 3.º ciclo do Ensino Básico, pa a além
de disponibiliza Cu sos de Educação e Fo mação (CEF). P esen e num dos mais populosos
concelhos do país, num meio onde as a i idades económicas dos se o es secundá io e e ciá io
p edominam, é equen ada po ce ca de 2500 alunos, o iundos de uma classe média-baixa e,
po an o, mui os deles bene iciá ios de apoio social escola . No P oje o Educa i o salien a-se o
in ui o de que os di e en es espaços que a compõem sejam i idos e sen idos como “luga de
ida/de opo unidade/de encon o”. As g andes inalidades que no eiam as ações conc e izadas
são a educação pa a os alo es, a p omoção do sucesso educa i o, o comba e ao abandono
escola e a p omoção da li e acia.
Ins i uição B. Es e es abelecimen o público de ensino localiza-se no concelho de Valongo e
con empla as alências do P é-escola , Ensino Básico e Cu sos de Educação e Fo mação. In eg a,
pois, um concelho sob e udo esidencial e com um c escimen o demog á ico signi ica i o nos
úl imos anos, de endo um uni e so de pouco mais de 2000 alunos. Um núme o signi ica i o
des a população escola e idencia ca ências do pon o de is a económico. No Ag upamen o
en ende-se que a p incipal missão assumida de e á se a de o ma cidadãos com uma sólida
educação pessoal, social e cien í ica pa a a in eg ação numa sociedade em cons an e mudança.
Os alo es ali de endidos elacionam-se com a pessoa, a libe dade, o sabe , a solida iedade, o
sen ido de jus iça.
Ins i uição C. Si uada no concelho do Po o, es a ins i uição pública dispõe de uma o e a
educa i a desde o P é-escola a é ao Ensino Secundá io. Aqui es udam ce ca de 3000 alunos,
numa zona nob e da cidade do Po o, mas numa á ea de g andes assime ias socioeconómicas
e cul u ais, que ambém se e le em nos con as es en e os alunos. Tal ez po isso, a di isa que
o ien a a sua ação jun o daquela di e sidade de sujei os é “escola singula num mundo plu al”.
O P oje o Educa i o dis ingue a qualidade e exigência, o “ensino pa a odos” e a di e enciação
pedagógica como os p incípios que no eiam as in e enções acon ecidas naquela ins i uição de
ensino. É ambém obje i o p incipal p opo ciona expe iências de ap endizagem signi ica i as
“com equilíb io en e as di e en es á eas cu icula es e com as de complemen o cu icula ”.
16 O documen o na sua e são in eg al encon a-se disponí el em h p://www.dge.mec.p /si es/de aul / iles/EIn ancia/
documen os/es a u o_ensino_pa icula _e_coope a i o.pd .
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Ana Isabel Mo ei a
Ins i uição D. Es abelecimen o de ensino p i ado, localizado em Ma osinhos, que desde
o ano le i o 2008/2009 es á em uncionamen o, ap esen ando hoje uma o e a educa i a do
Be çá io ao Ensino Secundá io. Encon a-se no cen o daquele concelho, local que deno a ainda
as adições pisca ó ias do li o al No e, mas que, em simul âneo, em bene iciado da e cia ização
da economia e de uma dinamização sociocul u al p og essi a. É, assim, equen ado po ce ca
de 800 alunos o iundos de amílias com condições socioeconómicas bas an e a o á eis. Sob
o mo e “ ê mais longe a gai o a que oa mais al o”, assume como desa io p imei o ajuda os
es udan es “a oa ”. Os obje i os des a ins i uição escola o ien am-se no sen ido de o ma
pessoas cien i icamen e compe en es, capazes de agi au onomamen e, exigen es consigo
p óp ias e capazes de in e i solida iamen e na comunidade.
Ins i uição E. Es abelecimen o de ensino pa icula que unciona, desde 2001, no concelho
da Maia. A sua o e a educa i a es ende-se da C eche ao Ensino Secundá io, ab angendo ce ca
de 950 alunos de classe al a. Localiza-se num dos concelhos limí o es do Po o, con udo é
ambém es e um con ex o ma cado pela c escen e dinamização socioeconómica, pela e olução
dos se o es de a i idade e de o e as ino ado as pa a o desen ol imen o educa i o, despo i o,
cul u al e ambien al. P i ilegiando a pedagogia a i a e com o lema “educa pa a o u u o”,
ali a en a-se na ele ância do conhecimen o cien í ico, na dimensão humanis a e na i ência
democ á ica, nos alo es de cidadania, ino ação e esponsabilidade.
Ins i uição F. Escola ca ólica pa icula localizada numa das maio es eguesias do
concelho do Po o, desde meados do século passado. Ap esen a uma o e a educa i a desde o
P é-escola a é ao Ensino Secundá io e é equen ada po ce ca de 1200 alunos de classe média-
al a. O con ex o em que es á sediada, po sua ez, ca ac e iza-se pela di e sidade económico-
social e, ambém, pela o e a e dinamização de múl iplos se iços educa i os, despo i os e
cul u ais. Inspi ando-se nos alo es do E angelho, p e ende p opo ciona uma educação
in eg al e humanis a a odos os es udan es. Opondo-se à “excessi a no ma i idade sis émica do
pa adigma con encional”, de ine que educa é cons ui um luga pa a o ou o. E pa a esponde
às exigências cien í ica, humanís ica e a ís ica da a ualidade, es e es abelecimen o em po
obje i o uma o mação escola de qualidade numa escola que “ensina a i e ”.
Ins i uição G. Um dos mais an igos es abelecimen os de ensino p i ado do concelho do
Po o, com uma o e a educa i a desde a C eche a é ao Ensino Secundá io (e ambém com
Ensino Vocacional). A sua população inclui ce ca de 900 alunos p o enien es de amílias de
classe média-al a. O con ex o en ol en e daquela o ganização educa i a ca ac e iza-se pelo
dinamismo económico, pela disponibilidade de se iços de anspo e e saúde, in aes u u as
educa i as e a i idades come ciais á ias e po um pa imónio a qui e ónico e his ó ico
ap eciado. A o mação p opo cionada às c ianças e aos jo ens assen a na coope ação e pa ilha,
pa a que es es possam c esce como “melho es pessoas e melho es p o issionais”; o clima de
ap endizagem ocasionado pau a-se pela pe sonalização, segu ança e es imulação, ambém
acompanhado pela mode nização que ca ac e iza a con empo aneidade, no sen ido de se
alcança um desen ol imen o equilib ado de odos.
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Capí ulo 3. Me odologia da in es igação
Ins i uição H. Es a ins i uição de ensino público localiza-se no concelho de Gondoma e
em como alências o P é-Escola , o Ensino Básico, o Ensino Secundá io e, ainda, os Cu sos
de Educação e Fo mação. Numa egião que, a é meados do século XX, e e como p incipais
a i idades económicas a ag icul u a e a explo ação lo es al, só depois complemen adas
pelo anco desen ol imen o indus ial e come cial, os seus alunos p o êm, sob e udo, da
classe média-baixa e poucos são os p ogeni o es que de êm o mação académica supe io ,
mul iplicando-se os casos de desemp ego. P e ende se , pois, uma unidade de e e ência pela
o e a o ma i a e educa i a, capaz de ma ca posi i amen e o pe cu so de ap endizagem dos
ce ca de 3000 alunos que a equen am. São qua o as á eas que in eg am as me as educa i as
de p omoção da cidadania, do sen ido é ico, da compe ência ou da c ia i idade: “cul u a de
ag upamen o”; “cul u a de exigência”; “cul u a de cidadania”, “pa icipação da amília”.
Ins i uição I. Si ua-se no concelho de Vila No a de Gaia, sendo uma ins i uição pública de
ensino. Dispõe de alências que se es endem da Educação P é-escola ao Ensino Secundá io, às
quais se somam os Cu sos de Educação e Fo mação. Naquela “cidade do mi ó io” do dis i o, os
ce ca de 3500 alunos que a equen am pe encem, na sua maio ia, a amílias de classe média-
baixa. Também po que é aquele um espaço que, apenas no inal do século XX, com a ele ação
a cidade, i enciou um c escimen o indus ial e come cial no ó io, pois an es aí p edomina am
as a i idades ag ícolas e indus iais. De iniu, como missão, a o mação e o desen ol imen o
equilib ado das c ianças num ambien e de humanismo e esponsabilidade. Pa a al, em como
domínios de ação es a égicos o sucesso educa i o, a qualidade da ação educa i a, a cidadania
a i a e a e lexão em comunidade.
Pa a acede ao g upo de alunos pa icipan es na in es igação, solici ou-se aos docen es
an es ap esen ados que, numa sua u ma de 6.º ano de escola idade, des a o ma no inal do
2.º ciclo do Ensino Básico17, selecionassem doze alunos pa a, depois de escla ecidos sob e
odos os po meno es da in es igação e acul ada a au o ização dos enca egados de educação,
pa icipa em na mesma18.
O g upo escolhido pelo p o esso ha ia de se , endo em con a os equisi os ponde ados
pa a o es udo, he e ogéneo, no que dizia espei o ao ap o ei amen o escola e de alguma o ma
equilib ado, na di isão en e apazes e apa igas (num dos casos al não oi possí el, endo
em con a o p óp io desequilíb io na dis ibuição de géne os exis en e na u ma); no caso de
exis i em alunos de uma ou a nacionalidade, que não a po uguesa, a sua pa icipação oi
suge ida como um con ibu o posi i o pa a o es udo em causa. No o al, o am inqui idos 53
alunos do géne o eminino e 38 alunos do géne o masculino. De salien a ês es udan es de
dupla nacionalidade: dois na u ais do B asil e um na u al de Espanha.
17 Reco da-se que, em Po ugal, o 2.º ciclo do Ensino Básico di ide-se em dois anos de escola idade – 5.º e 6.º.
18 Impo a essal a que a ecolha de dados jun o dos alunos acon eceu an e io men e ( inal do ano le i o 2014/2015)
àquela que i ia a se ei a com os p o esso es (ano le i o 2015/2016). Uma p o esso a colabo ou na seleção dos es udan es,
po ém, de ido à licença de ma e nidade en e an o iniciada, não i ia a pa icipa enquan o docen e na in es igação; uma
ou a p o esso a ambém pe mi iu a aplicação dos inqué i os aos seus alunos, mas no ano le i o seguin e não e e a ibuída
uma u ma de His ó ia e Geog a ia de Po ugal, endo indicado uma ou a colega, que acei ou a solici ação. Os inqué i os aos
alunos acon ece am em qua o ins i uições p i adas, uma ez que uma delas apenas dispunha de uma u ma de 6.º ano de
escola idade com se e alunos. Numa das ins i uições públicas o am en e is ados alunos de duas u mas dis in as, po an o de
duas p o esso as di e en es.
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Ana Isabel Mo ei a
Quad o 1. Dis ibuição do núme o de es udan es pa icipan es po ins i uição e géne o.
INSTITUIÇÕES DE ENSINO NÚMERO DE ESTUDANTES
RAPAZES RAPARIGAS TOTAL
Ins i uição A 7 16 23
Ins i uição B 5 7 12
Ins i uição C 4 8 12
Ins i uição D 5 2 7
Ins i uição E 6 6 12
Ins i uição F 6 7 13
Ins i uição G 5 7 12
TOTAL 38 53 91
3.3. OS INSTRUMENTOS DE RECOLHA DE DADOS
3.3.1. Inqué i o aos alunos
O inqué i o po ques ioná io assume-se como uma o ma acessí el e ápida pa a se
ecolhe em opiniões, ep esen ações, expec a i as ou ní eis de conhecimen o dos pa icipan es
ace a um de e minado assun o em es udo (Qui y e Campenhoud , 2005). As mesmas ques ões,
di igidas a quem os pon os de is a e as expe iências in e essam, pe mi em a explo ação
pos e io dos dados coligidos, nomeadamen e a desc ição das á ias espos as, pa a além da sua
compa ação ou da pe ceção da elação es abelecida en e elas (Blax e , Hughes e Tigh , 2008).
E, com u ilidade, ambém se p opo ciona a opo unidade pa a que se de e em as pa icula es
ca ac e ís icas e c enças que ce os g upos de indi íduos possuem.
A pa da aplicação daquele ins umen o, e numa combinação in encional, uma con e sa
pos e io com os pequenos g upos de alunos, como se de g upos de discussão se a assem,
pe mi iu ul apassa a indi idualização dos inqui idos, colocando-os no seio da sua ede de
elações sociais naquele pa icula con ex o (Qui y e Campenhoud , 2005). T anspuse am-se,
assim, os limi es ine en es às espos as de um só indi iduo, pela c iação de uma si uação in e a i a
não o almen e des inculada das o mas de comunicação expe imen adas quo idianamen e,
incen i ando-se os pa icipan es no sen ido de se oca em ou de se lemb a em de aspe os
especí icos, e pa icula men e ele an es, em es udo.
Como al, oi possí el cap a , pa a depois se in e p e a , i ências cole i as, ep esen ações
ideológicas, alo es quo idianos, um imaginá io dominan e no seio daquelas u mas. Po que,
conscien e ou inconscien emen e, no in e io de uma qualque classe pululam c enças e
expec a i as, desejos, esis ências, eceios ou inquie ações. E é po es a ia da in e ação
comunica i a que se podem e ela o modo e a azão da sua elabo ação e, em simul âneo, a
o ma como se modi icam, a i mam com con icção e se sup imem ou ocul am nos momen os
de in e câmbio social (Flick, 2012, 2015).
Os no en a e um es udan es selecionados, di ididos em g upos de seis, o am e i ados
da sala de aula, num empo le i o des inado a uma aula de His ó ia e Geog a ia de Po ugal,
endo pe manecido apenas com a in es igado a, du an e a ealização do inqué i o e pos e io
con e sa, numa sala do es abelecimen o de ensino cedida pa a o e ei o. Acima de udo, in ocou-
se a since idade de cada um dos sujei os nas espos as dadas, acau elando que as mesmas não
e iam qualque in luência na sua a aliação inal da disciplina e que os docen es i ula es das
u mas não con ac a iam, em momen o algum, com os dados ecolhidos.
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Capí ulo 3. Me odologia da in es igação
A aplicação do ques ioná io p olongou-se du an e ce ca de 50 minu os, dis ibuídos po
dois momen os dis in os: num p imei o (ap oximadamen e 30 minu os), esponde am po
esc i o às ques ões ap esen adas no inqué i o, de o ma indi idual, e sem qualque o ien ação
acul ada pela in es igado a ou sem que i essem acesso ao manual escola ou ou o a e ac o
cul u al, mobilizando somen e o seu conhecimen o comum; num segundo momen o (du an e
20 minu os), a in es igado a p omo eu uma si uação de diálogo, em g ande g upo, pa a que os
alunos pudessem desen ol e , de o ma mais o ien ada, algumas ideias apon adas p e iamen e.
Um pon o de pa ida pa a a in e ação comunica i a com os mesmos, sob e aquelas pe gun as,
num es emunho eal, na p imei a pessoa, num e a o pela oz de quem dia iamen e se encon a
com a his ó ia, com o p o esso , com o manual escola , com os con eúdos, com as expe iências
da sala de aula. E que, po en u a, não e e ainda a opo unidade de se mani es a sob e ais
ci cuns âncias ou obje os, expondo uma isão que, apesa de cons uída num c uzamen o de
múl iplas in luências, é a sua isão. E es a segunda pa e, po que em g upo, a o eceu, de ac o,
o acesso ao mundo daqueles sujei os. O es ímulo, ou a é o enco ajamen o, que uns aziam
chega aos ou os ocasionou uma pa ilha de ideias e opiniões mais di e si icada e comple a.
Rela i amen e à es u u a inal do inqué i o po ques ioná io (c . Anexo 2), es e incluiu
ca o ze ques ões dis ibuídas po ês ópicos dis in os, de aco do com o seu obje i o.
-A His ó ia como sabe : ês ques ões associadas ao conhecimen o his ó ico, na pe spe i a
dos alunos:
1. Quando alamos de his ó ia, que pala as e êm à cabeça?
Uma pe gun a em que de iam egis a cinco ocábulos, numa p á ica equen e nos es udos
sob e ep esen ações sociais: a associação de pala as.
2. O que es uda a his ó ia?
Es a pe gun a ap esen a a dez opções19 pa a uma dupla seleção que isa a a e i icação
da escolha dos inqui idos, coinciden e ou an agónica, em elação à ‘his ó ia habi ual’ e à
‘his ó ia in e essan e’.
3. Pa a que se e a his ó ia? Se á que ela é ú il na ua ida? Que uso podes aze u da
His ó ia?
Com es a ques ão p e endia-se comp eende de que o ma é concep ualizada, pelos alunos,
a u ilidade da his ó ia no sen ido da omada de decisões indi iduais.
-A His ó ia na escola e na ida quo idiana: no e ques ões sob e a his ó ia como disciplina
es udada na sala de aula e p esen e, ambém, no dia a dia dos indi íduos:
4. Gos as das disciplinas que es udas na escola? E se á que odas elas êm a mesma
impo ância?
Uma pe gun a que inha como in ui o compa a a hie a quização dec escen e cons uída
pelos es udan es ace à impo ância e, nou o sen ido, à ap eciação das á ias disciplinas
p esen es na ma iz cu ícula escola .
19 A polí ica e os go e nan es; As gue as, as ba alhas e as conquis as; Os di ei os humanos e a paz; O abalho, os
cos umes e os modos de ida dos indi íduos; Os g upos sociais: camponeses, ope á ios, pa ões, …; As ideias, a cul u a e as
o mas de pensa dos indi íduos; A ida quo idiana: a alimen ação, o es uá io, …; As pessoas icas e pode osas; As pessoas
pob es e os ma ginalizados; As mulhe es e o seu papel na sociedade.
112
Ana Isabel Mo ei a
pensamen os e suposições do ealmen e obse ado; egis a o dia, ho a, luga em cada conjun o
de no as (Kawulich, 2005).
A a és da obse ação, nes a in es igação, quis-se ecolhe e idências especí icas, não
demasiado gené icas, e obje i as, e i ando-se os juízos de alo ou as p é-conceções, a a o de
uma desc ição idedigna e ealis a das pa icula idades á ias de cada con ex o educa i o. Com
e ei o, é aquela uma on e pa a que se aceda a “in o mações aliosas sob e as compe ências
p o issionais do p o esso e as suas conceções ela i amen e ao ensino e à ap endizagem” (Dias,
2011, p. 9). Po que, a a és da obse ação, podem iden i ica -se pad ões de compo amen o e
c ia -se uma imagem holís ica do ensino obse ado, ambém quando se consegue chega “más
allá de la palab a hablada y del in o me sob e las acciones, a a o de analiza es as mismas a
medida que se p oducen de modo na u al” (Flick, 2012, p. 174).
Assim, já depois das pala as a i madas, p ocu amos en ende a coe ência en e uma
p á ica docen e que só se disse e aquela que é, de ac o, a o ma de aze numa aula, na en a i a
de econhece pon os de ap oximação ou de dis anciamen o en e ep esen ações cons uídas e
ações conc e izadas, e que pe mi em uma mais undamen ada de inição de um e en ual pe il de
p o esso . Sem se que e de e a alhas ou e os nas in e enções dos docen es, mas an es pe cebe
de que o ma as in enções indi iduais são con e idas em a uações eais e condicionadas po
a o es como a ealidade escola , as especi icidades cu icula es, as idiossinc asias dos alunos
ou as aje ó ias p o issionais singula es (Husbands, Ki son e Pend y, 2003).
Conside ada a o ma de obse ação (Es ela, 1994) mais pe inen e pa a es a in es igação, a
opção ecaiu sob e uma obse ação não pa icipan e, uma ez que não hou e en ol imen o nas
a i idades em cu so nas salas de aula; na u alis a, po que acon ecida nas ci cuns âncias da ida
quo idiana daquelas classes; in encional, di ecionada pa a dimensões de inidas e idas como as
mais ele an es pa a os obje i os do es udo; e a mada, a pa i de um guião de obse ação an es
desenhado. Quan o ao p ocesso de obse ação, o mesmo ca ac e izou-se como in e mi en e,
pois as aulas de cada u ma obse adas não o am semp e consecu i as. De ac o, as condições
de ealização das obse ações a ia am em elação aos dias da semana e aos ho á ios das aulas
de His ó ia e Geog a ia de Po ugal daquelas u mas do 2.º ciclo do Ensino Básico. Num es udo
que se p e endeu álido e denunciado de que a obse ação é somen e uma e são do acon ecido
naqueles con ex os, mui o menos do que um e a o da ealidade (Dias, 2011).
A obse ação oi, en ão, o ien ada po um guião, po isso sele i a, concen ada em aspe os
p e iamen e es abelecidos. O seu im pode, no en an o, se conside ado semiabe o, uma ez
que no seio daquela es u u a de inida, a in o mação ecolhida pode ia adqui i con o nos
mui o di e sos. O guião cons uído con emplou a explici ação dos cinco âmbi os de obse ação
de inidos, o espaço des inado às no as de campo e, ainda, a possibilidade de egis o de
comen á ios, in e ências, dú idas e pe gun as.
Rela i amen e às no as de campo, es as se i am como egis o do obse ado, sendo o
p odu o do p ocesso de obse ação, uma ez que as obse ações só assim, em no as apon adas,
adqui em a o ma de dados (DeWal e DeWal , 2002). E semp e que uma ou ou a hesi ação ou
ince eza su giu, o diálogo es abelecido com os p o esso es, logo depois, pe mi iu alcança um
conhecimen o mais po meno izado sob e o cená io e a o ganização social daquele ambien e
escola .
113
Capí ulo 3. Me odologia da in es igação
No que diz espei o aos âmbi os de obse ação incluídos no guião (c . Anexo 4), os cinco
o am assim nomeados:
1. O ganização da aula;
2. Plani icação;
3. Con eúdos;
4. A i idades;
5. A aliação.
Pa a cada um deles especi ica am-se os aspe os que ha iam de se omados em conside ação
aquando das obse ações conc e izadas em con ex o das salas de aula:
1. a o ganização es u u al do espaço; a o ganização dos empos; as in e ações
es abelecidas en e os in e enien es, e a adas nos pad ões de comunicação p i ilegiados e
nos compo amen os ado ados po p o esso es e alunos. Os seus e ei os in e elacionados no
ambien e ge al da aula.
2. o sis ema de plani icação p i ilegiado; o modelo de abalho selecionado. O papel
con e ido à plani icação pa a o desen ola de uma aula de his ó ia.
3. a alo ização dos conhecimen os subs an i os e/ou das compe ências his ó icas; a a enção
cen ada na c onologia ou, po ou o lado, nos emas globais; a mobilização de conhecimen os
áci os; o en ol imen o dos alunos nos con eúdos es udados e os e ei os cogni i os e emocionais
consequen es. A in encionalidade pedagógico-didá ica ine en e aos con eúdos his ó icos
abalhados na aula.
4. a sequencialidade in encional, ou não, das a i idades; a du ação das ações p e iamen e
delineada ou dependen e do umo dos acon ecimen os du an e a aula; as mani es ações de
di e enciação pedagógica; as me odologias de ensino e de ap endizagem p esen es e ausen es;
a p omoção da pa icipação a i a dos es udan es; a exis ência ou inexis ência de abalhos pa a
casa. A in encionalidade pedagógico-didá ica das a i idades acon ecidas na aula de his ó ia.
5. o sis ema de a aliação u ilizado; os ins umen os de a aliação p i ilegiados; as
ca ac e ís icas do es e suma i o e e en e aos con eúdos lecionados aquando das obse ações;
o g au de conhecimen o dos es udan es ace ao sis ema de a aliação. O papel con e ido à
a aliação das ap endizagens his ó icas.
Na e dade, udo se ai passando quando nada pa ece acon ece (Es ela, 1994). E as qua o
obse ações conc e izadas numa mesma u ma do 2.º ciclo do Ensino Básico de cada um dos
seis p o esso es pa icipan es na in es igação en ende am-se como um con ibu o pa a o e ,
mais do que pa a o olha ; pa a o e le i , mais do que pa a o ano a ; pa a o analisa , mais do que
pa a o apon a 22.
Uma obse ação de alunos que i enciam um p ocesso de ap endizagem no âmbi o da
his ó ia, ei o de desa ios e possibilidades; de p o esso es com um conhecimen o p o issional
22 Como esul ado das qua o obse ações ealizadas em cada u ma, no Anexo 4 incluem-se seis guiões p eenchidos,
co esponden es aos seis p o esso es pa icipan es, que sin e izam, em cada caso, o que de mais ilus a i o acon eceu, e que
pode se ido como e a o de p á icas de ensino habi uais, naquelas aulas de His ó ia e Geog a ia de Po ugal.
114
Ana Isabel Mo ei a
de na u eza áci a e in ui i a, implíci o na sua ação (Schön, 1992); de ambien es ma cados pela
complexidade e imp e isibilidade cons an es.
3.4. ANÁLISE DOS DADOS, CATEGORIAS E CONCEITOS INTERPRETATIVOS
Os alunos e docen es pa icipan es na in es igação o am ques ionados sob e o que pensam
quan o à his ó ia e ao seu ensino, obse a am-se as suas a uações no deco e de algumas aulas,
as espos as e esul ados alcançados quise am-se depois esc u inados numa análise que se az
de di e enças e semelhanças, de opiniões jus i icadas, de conceções elabo adas, de abo dagens
assumidas, às ezes implici amen e, na in e enção de odos os dias.
Os á ios dados coligidos, po ia de inqué i os po ques ioná io, en e is as e obse ações,
o am in e p e ados com ecu so a di e sos mé odos e écnicas, endo em con a aquela sua
di e sidade e, ambém, a ques ão de in es igação à qual se p e endeu da espos a. De ac o, são
algumas as pe spe i as in es iga i as que p opõem a necessidade de se combina em mé odos e
écnicas de análise, de aco do com o ipo de in o mações ecolhidas e os obje i os subjacen es
à pesquisa ealizada (Blax e , Hughes e Tigh , 2008; Denzin e Lincoln, 2012; Flick, 2015).
Des a o ma, p o enien es dos ques ioná ios aplicados aos es udan es, os dados que
p opo ciona am in o mações sob e pala as associadas a his ó ia, a e as ealizadas com
equência nas aulas da disciplina ou pe sonagens e acon ecimen os elacionados com a
his ó ia de Po ugal, o am a ados quan i a i amen e, pa a se alo a o peso que adqui em nas
ep esen ações cons uídas pelos alunos. É ambém des e modo que êm p ocedido ou os au o es
na ealização de abalhos semelhan es, e que p e endem iden i ica e analisa as ep esen ações
his ó icas e sociais dos indi íduos (Liu e al., 2005; Sa ica e Wachelke, 2010). No en an o, es a
abo dagem quan i a i a sus en ou, ainda, como inalidade úl ima, a desc ição e in e p e ação de
ais conceções elabo adas pelos es udan es e a ap oximação eó ica à sua o igem e in luência
sob e os signi icados que se ou o gam a pe sonalidades, ac os ou p ocessos his ó icos. Nes e
sen ido, os mé odos quan i a i os e quali a i os su gem como complemen a es no es udo e
concep ualização dos dados alcançados (Denzin e Lincoln, 2012; Flick, 2015).
Po sua ez, no que conce ne aos dados de ca ác e mais quali a i o, como as na a i as
his ó icas dos es udan es, os es emunhos dos p o esso es sob e a sua p á ica p o issional ou
as no as deco en es das obse ações de aulas, a análise dos mesmos adqui iu uma o ma
pa icula men e in e p e a i a, com o in ui o de se iden i ica em os sen idos subjacen es a
esses ela os, bem como as ideas ou es u u as que se podem aze pe cé i eis pela sua lei u a
epe ida. Pa a al, op ou-se po eco e à decomposição das na a i as em unidades de sen ido
e à conc e ização de compa ações sis emá icas en e os ex os ecolhidos, po que, des a o ma,
e seguindo os c i é ios da g ounded heo y, é possí el cons ui -se uma eo ia in e p e a i a
a pa i das in o mações p e iamen e conseguidas (Glase e S auss, 1967; S auss e Co bin,
2002).
Com e ei o, a g ounded heo y e e e-se não só ao esul ado p oduzido pela in es igação,
mas ambém ao mé odo analí ico pa a alcança al p odução (Cha maz, 2008). Os dados coligidos
são, en ão, codi icados pa a que se iden i iquem ca ego ias e subca ego ias, ag upadas pelas
suas p op iedades comuns, ou seja, com base nos concei os que se elacionam eo icamen e e
que são conside ados signi ica i os, pois epe idos ou ausen es, numa compa ação cons an e
que sus en a aquela amos agem eó ica cumula i a (S auss e Co bin, 2002).
No âmbi o da pesquisa em cognição his ó ica, al me odologia de abalho em sido
ancamen e alo izada, sob e udo po que cen ada na expe iência dos sujei os, na sua pe ceção
do mundo, nos signi icados que a ibuem à his ó ia; nes e caso, as ep esen ações cons uídas
sob e a his ó ia como sabe cien í ico, disciplina escola ou, ainda, sob e a his ó ia de Po ugal.
115
Capí ulo 3. Me odologia da in es igação
Nos dois subcapí ulos que se seguem explici am-se as ca ego ias de análise que se
cons uí am pa a analisa os dados ecolhidos no âmbi o des a in es igação elacionada com a
educação his ó ica.
3.4.1. Conhecimen os subs an i os e pensamen o his ó ico dos alunos
Pa a a análise da compe ência na a i a e, de alguma o ma, da al abe ização his ó ica
(Winebu g, Ma in e Mon e-San o, 2013) dos es udan es, pa en es nos ex os edigidos po
cada um, o am u ilizados dois ins umen os de análise que con emplam di e en es ní eis de
p og essão ela i amen e às ca ego ias de inidas e que o am es abelecidos após uma p é ia
análise dos dados ecolhidos, po an o depois de uma p imei a e ge al lei u a daqueles ex os.
Nes e caso, as na a i as his ó icas, um ins umen o idóneo pa a a a aliação dos conhecimen os
subs an i os e do pensamen o his ó ico dos alunos, ambém conside ado em di e sas ou as
in es igações nacionais e in e nacionais no âmbi o da educação his ó ica (Ba ca, 2007b; Ba ca
e Schmid , 2013; Le s ik e Ba on, 2011; Lé esque, 2008; Winebu g, 2000, 2001; Sáiz e López
Facal, 2015). De ac o, a na a i a é capaz de e a a dimensões simbólicas, conhecimen os
pa icula es, signi icados ímpa es, es emunhos de uma comp eensão his ó ica pa icula , da
elação en e o indi íduo e o g upo, do p ocesso u ilizado pa a a c iação de uma ealidade social,
de uma iden idade nacional (László e Liu, 2007), quando a his ó ia en ol e, inelu a elmen e,
a seleção e in e p e ação de e en os. Depois, é inques ioná el que aquelas duas dimensões,
na a i a e his ó ia, se c uzam. As ações e os compo amen os humanos não acon ecem de
o ma isolada, associam-se uns aos ou os em pa icula es con ex os, e é em o ma de es u u as
na a i as ei as de signi icados la en es, que se o na possí el in e p e a ais si uações, ou as
suas ep esen ações, o ganizando-se o pensamen o (Ca e e o, 2017; Has e e Be múdez, 2017).
Além disso, op ou-se po uma análise quali a i a da complexidade concep ual e na a i a
das edações elabo adas e po uma codi icação abe a dos con eúdos discu si os, endo em
con a os ma cado es de inidos, pa a a sua in eg ação num de e minado ní el e pa a uma mais
ampla in es igação das ep esen ações sociais do passado pe ilhadas e da sua elação com a
memó ia cole i a associada a uma pa icula iden idade nacional assumida.
Os ins umen os cons uídos pa a analisa e in e p e a os ela os dos es udan es o am,
ainda, alidados po ês especialis as em Didá ica das Ciências Sociais de ins i uições de
ensino uni e si á as po uguesas e espanholas, con e indo maio iabilidade e igo à análise
conc e izada23.
Pa a de e mina a ampli ude e so is icação es u u al dos conhecimen os his ó icos
subs an i os incluídos nas na a i as –quan idade e ele ância dos dados, dimensão empo al,
complexidade e coe ência dos ela os– o am c iados qua o ní eis de p og essão di e enciados,
al como se e a a no quad o seguin e, co espondendo o ní el 0 à ausência de uma espos a.
23 Os especialis as consul ados o am a Dou o a Isabel Ba ca (p o esso a na Uni e sidade do Minho, Po ugal), o
Dou o Jesús Domínguez Cas illo (p o esso na Uni e sidade de Neb ija, Espanha) e o Dou o Jo ge Saíz Se ano (p o esso
na Uni e sidade de Valência, Espanha). A cada um deles, indi idualmen e e ia co eio ele ónico, oi solici ado um juízo
a alia i o em elação aos ins umen os elabo ados pa a a análise das na a i as dos es udan es. A sua a aliação con emplou as
ca ego ias de inidas e, em elação a es as, os di e en es ní eis de p og essão es abelecidos, pa a os conhecimen os subs an i os
incluídos nos ela os e pa a o ní el de desen ol imen o do pensamen o his ó ico dos alunos. As suas suges ões o am in eg adas
nos ins umen os inais mobilizados pa a a análise.
116
Ana Isabel Mo ei a
Quad o 2. Ní eis de p og essão dos conhecimen os his ó icos subs an i os24.
NÍVEL CONHECIMENTOS HISTÓRICOS SUBSTANTIVOS
0 Não esponde.
1Menciona algum acon ecimen o e/ou pe sonalidade da his ó ia de Po ugal de o ma
descon ex ualizada e com imp ecisões ou lacunas.
2Menciona alguns acon ecimen os e/ou pe sonalidades da his ó ia de Po ugal, sob e udo
de ca ác e polí ico, sem e em con a a o dem c onológica ou a elação en e eles.
3
Menciona á ios acon ecimen os e/ou pe sonalidades da his ó ia de Po ugal, de aco do
com a sua o dem c onológica e az e e ência a aspe os polí icos, económicos, sociais ou
cul u ais, elacionando-os de uma o ma implíci a.
4
Menciona á ios acon ecimen os ou p ocessos da his ó ia de Po ugal, num ela o
o ganizado e coe en e, espei ando a sua o dem c onológica e es abelecendo elações
explíci as en e aspe os polí icos, económicos, sociais ou cul u ais.
Tais ní eis, que e le em uma p og essão quan i a i a e quali a i a em elação à o ganização
es u u al da na a i a, de ini am-se ambém a pa i da Taxonomia SOLO (Biggs e Collis,
1982). Des a o ma, oma am-se em conside ação os cinco ní eis de desempenho pa icula
(p é-es u u al, uni-es u u al, mul i-es u u al, elacional e abs ação expandida), ca ego ias
p é-de e minadas e hie a quizadas, que e idenciam uma oscilação en e um conhecimen o
pob e, ou seja, espos as simples, não es u u adas e com in o mações i ele an es a é um
conhecimen o sólido da ealidade, espos as que eco em a in o mações disponí eis e o mam
hipó eses baseadas em p incípios ge ais. Se nos ní eis 1 e 2 se e i ica uma ap endizagem
supe icial, baseada na memo ização ac ual (aumen o quan i a i o de conhecimen os) e na
comp eensão simplis a e, como al, os esul ados de ap endizagem são mais pob es, os ní eis 3 e
4 es emunham uma ap endizagem p o unda, de conhecimen os complexos e de gene alizações.
A ap endizagem his ó ica acon ece como esul ado da in e ação en e a cul u a his ó ica,
a memó ia pública, a ida p á ica e, ao mesmo empo, as dinâmicas escola es associadas à
disciplina de his ó ia (Lé esque, 2016). E, des a o ma, mobilizam-se as in o mações do
passado e do p esen e e desen ol em-se, p og essi amen e, as des ezas es a égicas e p óp ias
do conhecimen o his ó ico (Winebu g, 2000, 2001; Ba on e Le s ik, 2004; Seixas e Mo on,
2013; Lé esque, 2016). As habilidades pa a pensa e a gumen a his o icamen e ão dando
o ma, assim, a uma ap endizagem que a o ece a cons ução, em di e en es dimensões, de uma
na a i a sob e o passado cole i o, que não é indi idual, an es ma cada pela pe ença a uma
de e minada comunidade.
Po an o, pa a analisa o ní el de desen ol imen o do pensamen o his ó ico dos es udan es,
pa icula men e a o ma como os con eúdos o am his o icamen e u ilizados na na a i a pela
mobilização dos concei os de segunda o dem - ele ância his ó ica, empo his ó ico, causalidade
e dimensão é ica/ alo a i a -, es abelece am-se ou os qua o ní eis de análise, mais uma ez
pa a além do ní el 025 co esponden e à ausência de espos a (c . Quad o 3).
24 Os c i é ios de análise incluídos no quad o são de au o ia p óp ia, ainda que de inidos a pa i da Taxonomia SOLO
(1982) e, de alguma o ma, inspi ados nas in es igações de Ba ca (2007b); Ba ca e Schmid (2013); Ca e e o, Cas o ina e
Le inas (2013); Ca e e o e Van Alphen (2014); Sáiz (2015); Sáiz e López Facal (2015); Sáiz e Gómez (2016).
25 Nes e caso, o ní el 0 nem semp e signi icou uma espos a em b anco. Em alguns casos, as na a i as não incluí am
dimensões do pensamen o his ó ico, sendo esses casos omissos ambém associados ao ní el 0.
117
Capí ulo 3. Me odologia da in es igação
Quad o 3. Ní eis de desen ol imen o das di e en es dimensões do pensamen o his ó ico26.
NÍVEL
PENSAMENTO HISTÓRICO
RELEVÂNCIA HISTÓRICA TEMPO HISTÓRICO CAUSALIDADE DIMENSÃO ÉTICA /
VALORATIVA
0 Não esponde. Não esponde. Não esponde. Não esponde.
1
A ibui ele ância
implíci a ao conjun o
de acon ecimen os e/
ou pe sonalidades da
his o ia de Po ugal
que menciona, sem
jus i ica al seleção.
Rela a acon ecimen os
da his ó ia de Po ugal
em o ma de lis agem,
sem e e ências à
c onologia his ó ica
nem a p ocessos de
mudança.
Não es abelece
causas e/ou
consequências en e os
acon ecimen os. Não
exis em elações en e
eles.
E idencia uma isão
he oica e mí ica dos
acon ecimen os e
pe sonalidades do
passado nacional,
assim como a
con inuidade do
passado no p esen e.
2
A ibui ele ância
explíci a a
acon ecimen os e/
ou pe sonalidades
his ó icas, jus i icando,
po ezes, al seleção.
Si ua c onologicamen e
acon ecimen os e
pe sonalidades da
his ó ia de Po ugal,
ap esen ando-os como
pa e de um p ocesso
linea .
Iden i ica algumas
elações monocausais
e simples en e
acon ecimen os
p óximos.
Conside a os
acon ecimen os e as
pe sonalidades do
passado como modelos
de alo es e condu as
pa a o p esen e.
3
Reconhece a ele ância
dos acon ecimen os
e/ou pe sonalidades
his ó icas em elação
aos seus e ei os na
ida das pessoas em
di e en es pe íodos da
his ó ia.
U iliza adequadamen e
a c onologia ela i a
à his ó ia de Po ugal.
Iden i ica si uações
de mudança e de
con inuidade como
exp essões de
p og esso ou declínio.
Reconhece di e sas
causas e consequências
dos acon ecimen os
his ó icos a cu o e a
longo p azo. Iden i ica
algumas elações
causais múl iplas, de
uma só di eção.
Analisa c i icamen e
acon ecimen os e
ei os do passado que
são enca ados como
c imes ou injus iças.
Con as a alo es e
mo i ações do passado
e do p esen e.
4
Reconhece que a
ele ância his ó ica
dos acon ecimen os e/
ou pe sonalidades da
his ó ia de Po ugal
pode a ia segundo o
empo ou os di e en es
g upos sociais.
U iliza adequadamen e
a c onologia ela i a
à his ó ia de Po ugal
e alguns concei os
empo ais. Iden i ica
si uações de mudança
e/ou con inuidade que
podem se en endidas
como a anços ou
e ocessos desde
di e en es pe spe i as.
Reconhece múl iplas
causas e consequências
dos acon ecimen os
his ó icos e iden i ica
possí eis conexões
(de uma e de dupla
di eção) en e causas e
e ei os.
Conc e iza juízos
é icos sob e os
acon ecimen os do
passado, acei ando as
di e enças ine en es a
cada con ex o his ó ico
e as limi ações das
"lições" do passado
pa a o p esen e.
Conside a am-se, como al, qua o dos componen es do pensamen o his ó ico es abelecidos
po Pe e Seixas e Tom Mo on (2013): ele ância his ó ica; empo his ó ico; causalidade;
dimensão é ica.
A ele ância his ó ica eme e-nos pa a aquilo que é impo an e ap ende sob e o passado, e
que de alguma o ma depende da pe spe i a ado ada e do p opósi o ine en e. Po ou as pala as,
os e en os e/ou as pe sonalidades cujas a uações esul a am em signi ica i as mudanças pa a
um ele ado núme o de pessoas ao longo de amplos pe íodos de empo e que o am, ambém,
ele an es pa a os modos de ida p esen es e pa a se pensa o u u o.
O empo his ó ico diz espei o às mudanças e às con inuidades acon ecidas ao longo de
uma his ó ia que não se az, apenas, de uma lis agem de nomes, da as ou ac os; associam-se,
ambém, as ideias de p og esso e declínio. Além disso, o empo his ó ico é um empo pe cebido
26 Assim como acon eceu com o quad o ela i o aos conhecimen os subs an i os, os c i é ios de análise pa a as
dimensões do pensamen o his ó ico são de au o ia p óp ia, po ém elabo ados omando em conside ação os abalhos de au o es
como Seixas e Mo on (2013); Rüsen (2005a; 2010a); Domínguez (2015); Sáiz (2015).
118
Ana Isabel Mo ei a
cole i amen e; obje i o, po que medido c onologicamen e, subje i o, sendo uma cons ução
socialmen e mediada, po que a iá el e he e ogéneo de aco do com os g upos humanos e
as épocas. Localiza os e en os no empo e associá-los a um pa icula con ex o his ó ico,
en ende mudanças ápidas ou len as e pe manências que se pe pe uam po longos pe íodos,
analisa e oluções ou e ocessos subjacen es às ans o mações ou con inuidades são aspe os
undamen ais do pensamen o his ó ico, além de essenciais pa a a ap eciação do signi icado do
passado no p esen e e, po en u a, no u u o (Seixas e Mo on, 2013; Domínguez, 2015).
A causalidade, uma ez que não é possí el comp eende -se a his ó ia (ou ap ende a pensa
his o icamen e) sem a exis ência de uma explicação do passado, e e e-se às causas (ações,
c enças, ci cuns âncias) que ocasiona am um de e minado e en o his ó ico e que conduzi am
a pa icula es consequências; são conside adas múl iplas causas, nomeadamen e as ideologias
(longo p azo) e as ins i uições, condições e mo i ações (cu o p azo) e, ao mesmo empo, as
in e e ências da ação humana. Ensina a pensa e a aciocina causalmen e em his ó ia se á,
en ão, impo an e, e i ando-se que sejam conside adas, como explicação, a simples elencagem
de mo i os de agen es his ó icos, a ap esen ação de azões de o ma quase memo izada e sem
e idência de comp eensão ou a menção a esul ados ou consequências de o ma isolada.
A dimensão é ica/ alo a i a, e elado a da o ien ação empo al da ida p á ica assumida
nos ela os esc i os pelos alunos, e e e-se à ealização de um juízo é ico e alo a i o, explíci o
ou implíci o, sob e as pe sonalidades e os acon ecimen os his ó icos, omando em conside ação
a ealidade con ex ual de oco ência dos mesmos e, como al, econhecendo, de alguma o ma,
as limi ações ine en es às ‘lições do passado’ (Rüsen, 2005a; Seixas e Mo on, 2013).
Foi con emplada, po isso, a ipologia de consciência his ó ica, p opos a po Jo n Rüsen
(2010a), no econhecimen o dos julgamen os é icos conc e izados sob e as ações his ó icas
acon ecidas numa ealidade mo al dis in a, mas que podem e e lexo no p esen e. Po que
aquela consciência his ó ica p ende-se, sob e udo, com a comp eensão dos con ex os sociais,
cul u ais, in elec uais e emocionais que molda am a ida, as a uações, os pon os de is a dos
p o agonis as do passado. Um passado ei o de um empo di e en e do p esen e.
A cada um dos ní eis de inidos pode, en ão, associa -se uma o ma de o ien ação empo al
da ida: adicional (ní el 1); exempla (ní el 2); c í ica (ní el 3); genealógica (ní el 4). Qua o
ipos de consciência his ó ica que es ão in imamen e ligados, apesa de dis in os en e si, sendo
cada um deles uma condição necessá ia que de e se sa is ei a se a ida humana encon a o
seu caminho no cu so do empo. Além disso, implicam-se mu uamen e, mesmo ace a uma
p og essão na u al que acon ece á do adicional pa a o exempla e des e pa a o genealógico o
com o c í ico como ca alisado .
Não é possí el igno a que cada um daqueles ipos que en o ma a mobilização de
conhecimen os his ó icos pa a o julgamen o do já acon ecido pode su gi de o ma mais ou
menos explíci a nas na a i as his ó icas cons uídas. Po en u a, e idenciam-se assim, em ais
ela os con ados, os modos de aciocínio mo al pe ilhados po cada um dos sujei os, bem
como a conc e a elação en e es a (des)a enção aos alo es mo ais e o desen ol imen o da sua
consciência his ó ica (Seixas, 2005; Seixas e Mo on, 2013).
3.4.2. Abo dagens e dimensões da p á ica de ensino da his ó ia
Pa a a análise e in e p e ação dos dados ecolhidos jun o dos p o esso es, sob e as
ep esen ações e as p á icas de ensino da his ó ia, su gi am como especialmen e ú eis os
abalhos de Husbands, Ki son e Pend y (2003) e de Cuban (2016), enquan o inspi ação pa a
se sis ema iza em os discu sos dos docen es e as in o mações e e en es às suas a uações
obse adas, assim como ou os es udos ealizados nos con ex os espanhol (Me chán, 2005;
119
Capí ulo 3. Me odologia da in es igação
Ma ínez, Sou o e Bel án, 2006) e po uguês (Magalhães, 2002; Ba ca, 2007b).
Pa a a ca ac e ização da p á ica de ensino da his ó ia dos docen es pa icipan es na
in es igação, o am de inidas ca ego ias de análise, baseadas nos abalhos de Fens e mache
e Sol is (1998), sob e os en oques de ensino, e nos de Bouhon (2009) e Moisan (2010),
elacionados com a pe spe i a ine en e às ep esen ações dos p o esso es sob e a disciplina de
his ó ia e o seu ensino. Des e modo, p ocu ou-se delinea pe is possí eis e elucida i os das
o mas de ensina dos p o esso es de His ó ia e Geog a ia de Po ugal no 2.º ciclo do Ensino
Básico.
Assim, es abelece am-se ês abo dagens, ou en oques nas pala as dos sup aci ados
au o es, po que escla ecedo as de dimensões á ias, signi ica i as e essenciais, das ealidades
que azem a p á ica daquele ensino. E e i amen e, conside a am-se cinco dimensões que, de
alguma o ma, ambém se encon am en ol idas na ama complexa como pode se en endido
o ensino da his ó ia: a his ó ia académica e escola ; o cu ículo e a plani icação; os alunos e a
ap endizagem; o p o esso e o ensino; a a aliação. Uma ez que a educação se az de pa icula es
p opósi os, que os con eúdos a ensina êm um de e minado in ui o, que são di e sos os agen es
implicados no ensino desen ol ido, su giu aquele ma co in e p e a i o como modelo ideal pa a
se comp eende o acon ecido nas di e en es salas de aula, omando-se uma isão mais global
e in eg ado a dos á ios dados ecolhidos, elacionados com os p o esso es, e não uma me a
quan i icação dos mesmos (Ma ínez Valcá cel, 2004).
Cada uma das dimensões conside adas oi, en ão, e a ada a pa i de ês abo dagens/
en oques dis in os ou “ es pe spec i as di e en es que los educado es con empo áneos
emplea on pa a concebi las ac i idades de enseñanza” (Fens e mache e Sol is, 1998, p. 20).
As abo dagens adicional/de memo ização; ino ado a/de descobe a; c í ica/de ans o mação
podem se en endidas, pois, como o mas de enca a o ensino e que, po en u a, os docen es
pe ilham. Po que a isão de cada p o esso no que conce ne ao abalho que desempenha e
aos obje i os que lhe es ão subjacen es condiciona a es u u ação de um pa icula p ocesso
o ma i o. Mesmo quando essa in luência pa ece, apenas, implíci a no que só se pensa ou diz.
Aquelas an e io es abo dagens o am, pois, desenhadas com base nos pe is es abelecidos
pelos in es igado es Ga y Fens e mache e Jonas Sol is, na sua ob a do inal do século passado,
En oques de la enseñanza (1998): execu i o, e apeu a e emancipado .
O pe il execu i o deno a uma pe spe i a ecnológica do ensino e um papel écnico e
undamen al a ibuído ao docen e; es e adminis a empos le i os, ge e compo amen os,
ansmi e con eúdos a se em memo izados pelos alunos e, depois, eplicados numa p o a;
independen emen e dos con ex os, a a uação mecânica e ci cula do plani ica-execu a-a alia
acon ece; aos es udan es p opo cionam-se, assim, opo unidades pa a ap ende em ac os e
emas p é-de inidos, de endo aqueles cump i o seu de e de a enção e de ob enção de bons
esul ados. Des e pe il ap oximam-se, na nossa in es igação, os p o esso es enquad ados na
abo dagem adicional/de memo ização.
O pe il e apeu a, que con e e maio ele ância aos alunos, associa-se, pelo olha de
Fens e mache e Sol is, a um p o esso que plani ica não no sen ido de me a execução do
plano, mas pa a es abelece p incípios de a uação que no eiam o p ocesso de ensino e de
ap endizagem; o docen e é, pois, guia que o ien a os es udan es na descobe a do conhecimen o
e no desen ol imen o de habilidades, não negligenciando os seus in e esses e necessidades;
p e ende-se um aluno au ónomo, pa icipa i o e que se ealize na ap endizagem. Em pa e,
os p o esso es associados à abo dagem ino ado a/de descobe a, na nossa pesquisa, podem
elaciona -se com es e pe il desc i o.
120
Ana Isabel Mo ei a
O pe il emancipado eme e pa a um p o esso au ên ico, comp ome ido com ideias e
c enças de ensino, conscien e do seu papel no sis ema educa i o, ainda que sujei o a p essões
ou as e a conjun u as incon o ná eis; a sua a enção cen a-se não só nos con eúdos, mas
ambém na o ma da sua explo ação, po que aqueles não êm de se memo izados, an es em
de se en endida a sua es u u a lógica a pa do desen ol imen o do pensamen o c í ico, da
capacidade de indaga e p oblema iza , da e lexão e do espí i o li e; o p o esso é, ainda, um
modelo pa a os es udan es, po que de en o de i udes mo ais e in elec uais no ó ias. A nossa
abo dagem c í ica/de ans o mação, de alguma o ma, ai ao encon o des e pe il explici ado
pelos já e e enciados au o es.
Como o a ambém an es e e ido, o desenho das abo dagens da p á ica de ensino
da his ó ia baseou-se, ainda, nos abalhos de Bouhon (2009) e Moisan (2010). Nas suas
in es igações sob e as ep esen ações elabo adas e as a uações p o issionais acon ecidas em
con ex o, aqueles au o es conside a am os modelos didá icos com os quais os p o esso es
con i em du an e a sua ca ei a p o issional. Con udo, omando em conside ação que “é udie
les si ua ions d’enseignemen e d’app en issage dans une pe spec i e didac ique consis e donc
à le ai e à a e s le p isme des con enus disciplinai es enseignés e app is, ceux de l’his oi e
en l’occu ence” (Bouhon, 2009, p. 83).
Como al, os esul ados ap esen ados e explici ados pelos dois au o es o am, po nós,
omados como e e ência. Po ou as pala as, a de inição das abo dagens a endeu a uma
análise assen e na pe spe i a ipa ida da his ó ia exposi i a, do discu so-descobe a e da
ap endizagem-pesquisa (Bouhon, 2009), assim como aos ês modelos de ensino da his ó ia
suge idos po Seixas (2000) e assumidos no abalho in es iga i o de Moisan (2010): ensino
adicional, ensino disciplina , ensino pós-mode no. Pa indo-se do p incípio, em ambos os
casos, que “(…) ces di isions e simpli ica ions u iles à la é lexion héo ique ne se e ou en pas
nécessai emen aussi anchées dans la éali é de la p a ique. De même, elles n’on ce ainemen
pas le même poids (…)” (Ibid., p. 44).
Rela i amen e às conclusões de endidas na in es igação de Bouhon (2009), es as
sus en a am-se na pe spe i a eó ica que expõe uma his ó ia exposi i a associada à aquisição
de cul u a ge al, sendo compe en e aquele aluno que domina a c onologia e os conhecimen os
subs an i os. Assim, na aula, as explicações do p o esso de em se cla as e es u u adas,
cla i icando elações en e ac os e concei os, sob e udo no plano c onológico; é, des a o ma, que
se podem en ende os g andes ei os de uma nação e as ealizações das ge ações p edecesso as,
acalen ando-se o sen imen o de pe ença nacional e o espei o pela (sua) ci ilização. O aluno
p ecisa, en ão, de escu a a en amen e, num clima de calma e concen ação, as explicações
do p o esso , pa a segui o io condu o da exposição, depois es udando com egula idade e
memo izando os ac os, da as e nomes. As on es his ó icas eme gem aqui, pon ualmen e,
como me as ilus ações, ou exemplos necessá ios pa a os es udan es imagina em si uações ou
conc e iza em concei os.
O discu so-descobe a, po sua ez, p essupõe, na pe spe i a de Bouhon, um ensino e uma
ap endizagem da his ó ia assen es na aquisição de sabe es, p á icos e c í icos ambém, e no
desen ol imen o de a i udes in elec uais que pe mi em a a i mação de um aluno his o icamen e
compe en e. Des e modo, a ap endizagem az-se de momen os de descobe a dos p incipais
ac os e concei os, assim como de si uações de exposição do p o esso , pa a se conc e iza em
ligações e/ou sín eses, ou de diálogos, egis os de no as, explo ação de documen os á ios,
en e ou os. Os alunos i enciam, po isso, a opo unidade de e em um papel a i o na sala
de aula, podendo a é expo as suas ep esen ações do passado, cons uídas a pa i de on es
di e sas, como os documen os, os ilmes, os li os ou os meios de comunicação social.
121
Capí ulo 3. Me odologia da in es igação
A ap endizagem-pesquisa, colada a uma pe spe i a sociocons u i is a, associa-se,
ambém na ob a daquele au o , à ap endizagem como o desen ol imen o do modo de pensa
ca ac e ís ico da his ó ia. O aluno em, pois, de i encia a possibilidade de cons ui o p óp io
conhecimen o e de en ende que qualque na a i a é uma in e p e ação do passado. A u ilização
de uma ques ão inicial é pon o de pa ida ú il pa a cap a a a enção, o ien a o sen ido da aula
e pa a imiscui os alunos em si uações de in es igação e de elabo ação au ónoma de sabe es.
Sabe es es es que, nes a lógica, ul apassam os conhecimen os e se e elam como habilidades
his ó icas. Pa a al, é necessá io que coloque ques ões, explo e os con eúdos, manipule os
concei os, con on e pon os de is a e analise documen os com empo, de o ma c í ica, e
in e a i a. Assim, o p ocesso de ensino e de ap endizagem pode -se-á aze da pa icipação,
in e enção e en ol imen o dos es udan es, que de êm conhecimen os p é ios á ios a se em
con emplados na cons ução dos sabe es his ó icos, em abalhos de in es igação indi iduais ou
cole i os, pequenas discussões, si uações de exposição pa icipada.
Já a pesquisa de Moisan (2010) expôs os seus esul ados com base nas ês isões dominan es
do ensino da his ó ia suge idas po Pe e Seixas (2000).
O ensino adicional, que ainda é o mais habi ual nas salas de aula de hoje, p essupõe uma
ansmissão, pelo o ado p incipal que é o p o esso , da his ó ia c onológica e assen e nos ma cos
cole i os do passado, pe an e uma pla eia de alunos in elec ualmen e pouco a i os e a quem se
exige a memo ização daqueles. A his ó ia eme ge, assim, como disciplina es á ica, sem que
se en enda a na u eza de al sabe e cuja ap endizagem esul a num deco a de conhecimen os
de ini i os sob e o passado, po en u a pa a que não se epi am os e os de ou o a, mas sem
que se e li a sob e o mundo e a cidadania a uais. É des a o ma que se es udam os idos como
g andes e en os da his ó ia nacional, sob uma só pe spe i a, e i ando-se o manuseamen o de
ma e iais di e sos em de imen o de exposições amplamen e es u u adas.
O ensino disciplina , numa ou a ó ica, pe mi e aos alunos o en endimen o da essência dos
sabe es his ó icos, ambém enquan o cons ução que a o ece a comp eensão do passado e, ainda,
do p esen e. Des e modo, p e ende-se que os es udan es desen ol am um pensamen o his ó ico
e c í ico, a o á el à pa icipação democ á ica na ida polí ica e cul u al con empo ânea, e
con a iem, po si sós, o de e da memó ia, o p esen ismo, a cul u a do e éme o, a opinião. Es a
cons ução indi idual do conhecimen o, que não se esgo a nos ac os, p essupõe uma a i idade
in elec ual cons an e, sob a o ma de esolução de p oblemas, abalhos de g upo, discussões,
pesquisas, análises c í icas de on es, em elação à qual o p o esso se assume como o ien ado .
Já o ensino pós-mode no su ge como uma isão ine en e à descons ução de discu sos
demagógicos, não sendo a aquisição de sabe es especí icos, necessa iamen e, o mais ele an e
no p ocesso de ensino e de ap endizagem. Pa a o mesmo, o sabe his ó ico é ido como uma
cons ução nunca p é-de e minada, sendo en endido pelos alunos que expe ienciam si uações
in elec ualmen e a i as em con ex o de sala de aula. De alguma o ma, o p incipal obje i o que
sus en a al ensino é a descons ução de ce ezas, o con on o de pe spe i as, a econs ução
de ep esen ações p é ias e óneas, po ia da esolução de p oblemas. P e ende-se, pois, o
econhecimen o de que cada sociedade eesc e e a his ó ia pa a esponde às suas pe gun as e
mo i ações.
Pa indo dos con ibu os p o enien es dos es udos daqueles an e io es au o es, e ealizando
uma análise a en a dos ma e iais p opo cionados pelas en e is as aos docen es e pelas
obse ações das suas aulas, elabo ou-se um quad o de ês abo dagens da p á ica de ensino
da his ó ia – adicional, ino ado a e c í ica– pa a o qual se mobiliza am as ep esen ações
cons uídas pelos p o esso es, ob idas a pa i de ais écnicas de ecolha de dados, e plasmadas
nas in o mações compiladas e ela i as às a iá eis explo adas: a his ó ia académica e escola ,
128
Ana Isabel Mo ei a
elemen os simbólicos.
A pa i de uma pe gun a mui o pessoal e in o mal, quando alamos em his ó ia, que
pala as e êm à cabeça?, apenas ocábulos o am solici ados, e em núme o limi ado. Es a
écnica de associação de pala as é, de ac o, equen emen e u ilizada em in es igações sob e as
ep esen ações sociais (Wagne , Valencia e Elejaba ie a, 1996). Fa o á el ao es abelecimen o
de um p imei o con ac o, pe mi iu ainda a ecolha de dados jun o dos á ios es udan es
pa icipan es no es udo, uma ez que a pa i de um só es ímulo, a pala a ‘his ó ia’, odos
o am capazes de associa -lhe li emen e ou os ocábulos. Ti e am, pois, a opo unidade de
egis a espos as espon âneas, pouco e le idas a é, enquan o elemen os simbólicos simples que
p opo ciona am um acesso quase sem es ições às elabo ações men ais de cada um (Gil, 1994;
Wagne e al., 1999). Po que exis e essa in e dependência en e as ep esen ações sociais e a
linguagem, al écnica a o eceu, assim, uma p imei a ap oximação aos p incipais elemen os
cons i u i os das conceções indi iduais, nes e caso sob e a his ó ia (Gil, 1994). As mesmas
que, num c uzamen o en e semân ica e con eúdo, são pis as sob e uma mais complexa ede de
ep esen ações en ão cons uída.
Quad o 5. Pala as associadas a his ó ia com indicação do núme o de e e ências (n=91).
PALAVRA N.º DE
REFERÊNCIAS PALAVRA N.º DE
REFERÊNCIAS
Rei(s) / Rainha 52 Ap ende / Ap endizagem 5
Gue a(s)/Ba alhas(s)/Conquis a(s) 41 Conhecimen o 5
Descob imen os 19 República 5
Po ugal 18 Sabe 5
Passado 17 Di adu as 4
Polí ica / Go e nan e(s) 15 País 4
An iguidades 13 Po o 4
Re oluções 12 Vida quo idiana 4
Cul u a 10 B asil 3
D. A onso Hen iques 10 Cu iosidade 3
P esiden es 8 Es uda 3
Salaza 8 E olução 3
Acon ecimen os 7 Ma / Ma í imo 3
An epassado(s) 7 Riqueza(s) 3
Impo an e 7 Vida 3
In e esse / In e essan e 7 5 de ou ub o 2
Mona quia 7 An eceden es 2
25 de ab il 6 Co oa 2
Cas elo(s) 6 Da as 2
Deco a 2 Es ado No o 1
Desen ol imen o 2 Explo ação 1
Gló ia 2 Fac os 1
Go e nos 2 Fal a de comida 1
Independência 2 Fal a de abalho 1
Lu as 2 Fei o 1
Monumen os 2 Gene ais 1
Mo es 2 Gos a 1
129
PALAVRA N.º DE
REFERÊNCIAS PALAVRA N.º DE
REFERÊNCIAS
Mu alhas 2 G upos Sociais 1
Museus 2 Guima ães 1
Nação 2 He ói 1
Nob es 2 Humanidade 1
Países 2 Indús ia 1
Pá ia 2 In asões F ancesas 1
Paz 2 Lealdade 1
P incesas / P íncipes 2 Le 1
Sabedo ia 2 Libe dade 1
Sociedade 2 Mani es ações 1
Te amo o de Lisboa 2 Memó ias 1
T a ados 2 Mundo 1
1.ª República 1 Naus 1
2.ª Gue a Mundial 1 Na egações 1
Ab il 1 Na io 1
Ag icul u a 1 Nómadas 1
Ajuda 1 Ossos 1
A e ac os 1 Passa empo 1
A en u a 1 Pa imónio 1
A ós 1 Península Ibé ica 1
Casas pob es 1 Pesquisa 1
Ca alos 1 Pessoas 1
Cle o 1 PIDE 1
Coisas do século an igo 1 Pob eza 1
Colónias 1 Pode 1
Comba es 1 P é-his ó ia 1
Condados 1 Regimes 1
Conquis a de Po ugal 1 Reco da 1
Cons uções 1 Sabe o passado 1
C ise 1 Se cul o 1
Di ícil 1 Tempo 1
Di e imen o 1 Te i ó ios 1
En ende 1 Ti os 1
Esc a a u a 1 T abalho 1
Espadas 1 Ves ígios 1
Es ado 1 Von ade 1
An igo 1
O Quad o 5 p opo ciona uma p imei a, e ge al, lei u a dos ocábulos que os alunos associam
à his ó ia ou, po ou as pala as, denuncia o con eúdo ge al das conceções que aqueles sujei os
pe ilham em elação àquela á ea, o que Wagne e ou os in es igado es (1996) apelida am de
“s able co e” das ep esen ações sociais.
To na-se e iden e que, pa a os es udan es inqui idos, a his ó ia é, em p imei o luga , uma
his ó ia de eis e ainhas, gue as e conquis as, e oluções, polí ica ou polí icos. Es á p esen e
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
130
Ana Isabel Mo ei a
nas suas ep esen ações, assim, a elha his ó ia polí ica que se ocupa das pe sonagens com uma
es ei a elação com o pode , enquan o ep esen an es de de e minadas o mas de go e no, e
dos acon ecimen os polí icos e mili a es que se a i mam como si uações de con li o e domínio
de uns sob e os ou os. Es e é, ambém, um es emunho da manu enção das o inas e adições
escola es que p omo em a memo ização de con eúdos, e sob e udo os de ca ác e polí ico
pululam no imaginá io dos es udan es, con i mando es a pe spe i a os esul ados dos es udos
de Liu e Sibley (2009) sob e jo ens de ou as cul u as. Pa a os es udan es, po an o, es abelece-
se uma elação exclusi a do poli ics, policy and poli y com a his ó ia.
Po sua ez, o sujei o des a his ó ia é Po ugal, ci ado ambém como país, nação ou pá ia
e as suas o mas de go e no, como a mona quia e a epública. E es a ele ância con e ida
ao es ado e le e, na e dade, uma consciência nacionalizada e assen e, po en u a, nos
abusos e ospe i os e eleológicos da educação his ó ica. Assim, pe pe ua-se uma nação pela
eco dação, ene ação a é, de apenas alguns nomes e ac os. Pa icula men e, con a-se uma
his ó ia que se associa às classes di igen es, aos g upos dominan es e, nes e sociocen ismo,
esquecem-se, no discu so his ó ico eiculado, as pessoas comuns, as classes popula es, os
g upos subal e nos, as massas, os pob es, as mulhe es (Pé ez Ga zón, 2002). Só alguns, po que
de o ma mais e iden e ma ca am o empo e o i mo dos p ocessos, são alo izados numa
seleção de pala as que deno a um cla o apego às aízes do país (Cues a, 2000).
A ‘sua’ his ó ia e e e-se, de uma o ma epe ida, ao passado, pa icula men e ao passado
mais an igo, das an iguidades, ou ainda aos an epassados e, como al, os alunos do p esen e
assumem uma pos u a mais passi a, de me os espec ado es. E es as e e ências ao empo
p e é i o, especialmen e a alguns pe íodos glo iosos da his ó ia po uguesa, assumem-se como
ela os ao se iço de um de e minado p oje o nacional. Também po isso, e apesa de ap ende em
his ó ia, os alunos não são ainda capazes de inse i os seus con eúdos e a sua na u eza naquela
que é a sua ida, no p esen e ou, a é mesmo, u ilizá-los pa a o pe spe i a do u u o. Não há,
pois, nenhuma pala a inequi ocamen e associada ao p esen e e, menos ainda, ao u u o.
No que diz espei o à sua u ilidade, a a-se de uma his ó ia que se e pa a p opo ciona
cul u a (ge al), pa a adqui i conhecimen o ou alcança o sabe , o que implica, ine i a elmen e,
o ( e)conhecimen o dos monumen os, dos museus ou dos cas elos e mu alhas. Uma his ó ia que
se o ien a, no amen e, no sen ido da cons ução iden i á ia, esidindo ambém aí o seu in e esse.
Po im, e ela i amen e aos acon ecimen os e pe sonagens des a his ó ia mais ci ados,
cons a a-se um p edomínio daqueles que se êm con e ido, de o ma ei e ada, em exp essões
de he oísmo, gló ia ou mi os nacionais, nomeadamen e D. A onso Hen iques, Salaza , os
Descob imen os28, o 25 de ab il ou a conquis a de Po ugal (numa alusão à independência
po uguesa conseguida no ano de 1143). E, mais uma ez, econhece-se uma iden idade
nacional sus en ada em adições ine en es a uma his ó ia selecionada (Gago, 2007), quando
os alunos ep oduzem os con eúdos p esen es nas na a i as académicas e op am po aquele
e a o nacional e eu ocên ico do passado (Ca e e o e Van Alphen, 2014; Pousa e López Facal,
2013).
Numa análise dos ocábulos apon ados, ago a ag upados po ca ego ias, e i ica-se
na u almen e uma p e alência de concei os de âmbi o polí ico (c . Quad o 6). Exis e, assim, uma
‘memó ia cul u al’ que obje i a aquelas que são as memó ias comp o adamen e impo an es
pa a um de e minado g upo e que se eicula nos meios e nas p á icas sociais onde os es udan es
28 Apesa de no seio da comunidade de his o iado es e cien is as sociais po ugueses a u ilização dos ocábulos
“descobe as” e “descob imen os” ( e e en es à expansão ma í ima iniciada, a pa i de Po ugal, no século XV) se con o e sa,
de alguma o ma po mi iga os en endimen os possí eis sob e o pe íodo his ó ico em ques ão, os mesmos su gi ão explíci os
nes a ese. Assim sendo, conside a -se-ão os eais es emunhos ecolhidos jun o dos alunos e p o esso es pa icipan es na
in es igação, que incluí am ais pala as, não a as ezes, nas suas espos as.
131
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
ambém são p o agonis as. De ac o, as ques ões de polí ica e de gue a são, na imaginação
popula , aquelas que con e em ele ância à his ó ia e aos seus a o es. Na e dade, um es ado-
nação, hoje, pelos meios de comunicação social, pelo discu so dos polí icos, pela c ença dos
indi íduos do quo idiano de ine-se, desde logo, a pa i das elações geog á icas e polí icas
pau adas ambém pela iolência.
Quad o 6. Pala as elacionadas com his ó ia ag upadas po ca ego ias.
CATEGORIAS PALAVRAS N.º de REFERÊNCIAS
Aspe os polí icos
N.º de Re e ências: 170
Pe cen agem: 37,95%
Rei(s) / Rainha 52
Gue a(s)/Ba alha(s)/Conquis a(s) 41
Polí ica / Go e nan es 15
Re oluções 12
P esiden es 8
Mona quia 7
República 5
Di adu a 4
... ...
Aspe os empo ais
N.º de Re e ências: 57
Pe cen agem: 12,72%
Passado 17
An iguidade(s) 13
An epassado(s) 7
E olução 3
... ...
Disciplina escola
N.º de Re e ências: 53
Pe cen agem: 11,83%
In e essan e 7
Ap ende / Ap endizagem 5
Conhecimen o 5
Cu iosidade 3
Es uda 3
Geog a ia 3
... ...
Acon ecimen os e da as
N.º de Re e ências: 35
Pe cen agem: 7,81%
Descob imen os 19
25 de ab il 6
... ...
Iden idade nacional e e i ó io
N.º de Re e ências: 35
Pe cen agem: 7,81%
Po ugal 18
País 4
B asil 3
... ...
Cul u a e pa imónio
N.º de Re e ências: 30
Pe cen agem: 6,70%
Cul u a 10
Cas elo(s) 6
Museus 2
... ...
Aspe os sociais
N.º de Re e ências: 23
Pe cen agem: 5,13%
Vida quo idiana 4
Po o 4
Vida 3
... ...
132
Ana Isabel Mo ei a
CATEGORIAS PALAVRAS N.º de REFERÊNCIAS
Pe sonagens
N.º de Re e ências: 18
Pe cen agem: 4,02%
D. A onso Hen iques 10
Salaza 8
Aspe os económicos
N.º de Re e ências: 15
Pe cen agem: 3,35%
Ma / Ma í imo 3
Riqueza(s) 3
... ...
Ou os
N.º de Re e ências: 12
Pe cen agem: 2,68%
Países 2
Ca alos 1
Passa empo 1
Lealdade 1
... ...
Assim, o ocabulá io alusi o à ealidade polí ica é aquele que dia iamen e ecebe menções
epe idas nos meios de comunicação social e em ou os ambien es educa i os não o mais
onde os alunos es ão inse idos ( amília, ins i uições sociais, e c.) e, po isso, são acilmen e
eco dados. Mas es a é, no en an o, uma alo ização condicionado a, que negligencia as ‘ou as
his ó ias’, como a ambien al, a cul u al ou a das men alidades e, ao mesmo empo, a seleção de
pala as elacionadas com a ealidade ecnológica ou cien í ica, po exemplo.
Logo depois, e ainda que com uma dis ância signi ica i a ace à ca ego ia an e io , a maio
pe cen agem de e e ências ecaiu sob e os aspe os empo ais, com pala as como “passado” e
“an iguidade(s)”, não se dis anciando de modo conside á el da ca ego ia dos acon ecimen os e
da as, como o “25 de ab il”. O e lexo, po an o, da hegemonia da c onologia e dos episódios
his ó icos acon ecidos ao longo desse empo, enquan o elemen os pa icula men e ele an es
pa a os es udan es.
São ambém aqueles alunos que, num núme o de ezes de alguma o ma exp essi o,
associa am a his ó ia à sua dimensão de disciplina escola , apon ando-a, sob e udo, como
“in e essan e” e on e de “ap endizagem” e “conhecimen o”.
Com um mui o meno núme o de incidências, egis a am-se algumas pala as de âmbi o
económico, como “ iqueza(s)” e “ma /ma í imo”, elacionadas, e en ualmen e, com uma
época da his ó ia nacional epe idamen e salien ada pelos es udan es, sob e udo po azões
posi i as, a expansão ma í ima po uguesa iniciada no século XV ou, nas suas pala as, os
Descob imen os. E a pa des e acon ecimen o, ou os mais idos como glo iosos, assim como as
p incipais pe sonagens his ó icas mi i icadas no imaginá io dos po ugueses o am á ias ezes
apon ados pelos inqui idos.
Impo a en ende , oda ia, que, em ce a medida, es e mi o dos acon ecimen os e he óis
ideologicamen e exempla es “nos bloqueia e pe segue, impedindo-nos de e a impo ância
(…) da p oximidade simbólica com ou os homens” (Roldão, 1987 ci . po Mon ei o, 2000, p.
44), a é po que os alunos de em econhece , p og essi amen e, que não só es as pe sonalidades
pa adigmá icas o am « azedo es» da his ó ia. No en an o, nes e momen o da sua o mação, as
“pessoas” ou os “a ós”, a “ ida” dos sujei os ulga es de odos os dias con inuam a me ece ,
apenas, pon uais e e ências.
Algumas pala as elacionadas com os aspe os sociais ou a cul u a e o pa imónio ambém
o am apon adas pelos inqui idos, nomeadamen e “po o” e “ ida quo idiana”, associados aos
con eúdos p og amá icos es udados nas aulas de his ó ia ou “cas elo(s)”, ão p esen es em á ios
locais do e i ó io po uguês, assim como aqueles ou os ocábulos – “Po ugal”, “B asil” –
133
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
que exal am a a i mação nacional e e i o ial do país den o e além on ei as. Impo a ainda
e e i que o su gimen o de Po ugal como sujei o da his ó ia oi ido, ambém, como uma
mani es ação de iden idade nacional de inida no que dis ingue um g upo ao qual pe encem
os alunos, os po ugueses, dos ‘ou os’, que não azem pa e daquela nação e cuja iden idade
é, en ão, dis in a da sua. Es a iden i icação indi idual e cole i a e le e, pois, uma ‘memó ia
nacionalizan e’ que em nada a o ece o econhecimen o laico e mul icul u al da ealidade
con empo ânea ou a p edisposição pa a a acei ação ole an e do ou o, al como ele é (Cues a,
2000; Pé ez Ga zón, 2002).
Pa a um núme o ele an e de inqui idos, a his ó ia az-se, maio i a iamen e, de
“acon ecimen os”, num p edomínio da alo ização dos con eúdos subs an i os, ep oduzidos
de o ma li e al, em de imen o daquele que é o conhecimen o sob e a his ó ia, podendo ainda
se adje i ada como “in e essan e” e “impo an e” (c . Quad o 6). No en an o, um es udan e
ques ionado apon ou duas pala as que se podem associa a um pensamen o his ó ico que ai
além da eceção e acei ação de uma na a i a his ó ica p é- ab icada, p on a e pe ei a. Pala as
que e le em, pois, um olha in e oga i o e me acogni i o – “como?” e “po quê?”.
Assim, as á ias pala as egis adas pelos pa icipan es na in es igação e le em, em alguns
casos, uma ep esen ação global dos concei os, a pa i da alo ização de p op iedades mais
amilia es e, como al, uma de e minada o ma de o ganiza o mundo em que cada um i e,
uma c í ica a e i a subjacen e, um pa icula signi icado a ibuído às si uações ou, às ezes,
uma esis ência à mudança das c enças pa ilhadas.
4.1.2. O que a his ó ia es uda
Pa a especialis as á ios da didá ica das ciências sociais (Ba on e Le s ik, 2004; Seixas,
2005; Rüsen, 2010a; Lé esque, 2011; Seixas e Mo on, 2013), o es udo da his ó ia é undamen al
pa a a aquisição de des ezas de pensamen o p óp ias da disciplina e necessá ias pa a que os
dados e as in o mações sob e o passado sejam, de ac o, comp eendidos. É ambém des a o ma
que cada um desen ol e a sua consciência his ó ica, que cada um cons ói um sen ido his ó ico
pa a se o ien a in encionalmen e na ida p á ica de odos os dias e pa a se in e p e a a si
mesmo, ou a é pa a pe spe i a o u u o.
Po sua ez, pa a aqueles que são sob e udo his o iado es (Pé ez Ga zón, 2002; Ma oso,
2006a; Rosas, 2009), o es udo e a comp eensão da his ó ia assumem-se como um alo
undamen al pa a a econs i uição global e e ospe i a do passado, pa a a mobilização da
memó ia his ó ica. Po que se cons ói, des e modo, uma pe ceção da iden idade, exigência
humana que az do sabe his ó ico uma p á ica social e é ica. A cidadania que a his ó ia ambém
p omo e p essupõe, pois, a insc ição da memó ia do agi cole i o nos discu sos que se con am
sob e o on em, o hoje e o amanhã. Es uda-se, des e modo, uma his ó ia que é essencial na
o mação da iden idade cole i a, quando e idencia que o g upo exis e, que se dis ingue de
ou os no seio da di e sidade cul u al, que se cons uiu en e di iculdades e acilidades. Uma
his ó ia que é assim, maio i a iamen e, um sabe social, iden i á io ambém.
Toda ia, e mais uma ez, as espos as dos alunos sob e aquilo que a his ó ia es uda
e idencia am uma ele ância con e ida ao indi idual, à c onologia e, no amen e, à polí ica (c .
Quad o 7).
134
Ana Isabel Mo ei a
Quad o 7. Assun os abo dados habi ualmen e numa aula de his ó ia (n=91).
ASSUNTO N.º DE RESPOSTAS
As gue as, as ba alhas e as conquis as 76
A polí ica e os go e nan es 75
A ida quo idiana 74
Os g upos sociais 62
O abalho, os cos umes e os modos de ida dos indi íduos 54
Os di ei os humanos e a paz 29
As ideias, a cul u a e as o mas de pensa dos indi íduos 25
As mulhe es e o seu papel na sociedade 25
As pessoas icas e pode osas 23
As pessoas pob es e ma ginalizadas 12
Os 91 es udan es inqui idos des aca am como assun os es udados habi ualmen e numa aula
de his ó ia, e da lis agem que lhes oi ap esen ada, ‘a polí ica e os go e nan es’; ‘as gue as,
as ba alhas e as conquis as’; ‘a ida quo idiana’, com um núme o de espos as mui o p óximo
en e si, enquan o no ex emo opos o, com somen e 12 e e ências, e dis an e das ‘pessoas icas
e pode osas’, su giu a opção ‘as pessoas pob es e ma ginalizadas’.
Assim, cons a a-se o econhecimen o, ainda que de o ma desigual, da “his ó ia dos he óis e
dos eis… lado a lado com a his ó ia dos homens «no mais» de odos os dias” (Félix, 1998, p. 24).
De ac o, a p imei a ganha, nas ep esen ações cons uídas pelos es udan es, maio signi icado e
ele ância. Dece o, al acon ece pelo maio núme o de ho as dispensadas nas aulas, de aco do
com o cu ículo o icial da disciplina, às si uações de c ise polí ica e de con li os bélicos que
culminam, não a as ezes, em si uações de u u a polí ica, económica e social. Ao mesmo
empo, são es es ac os que, no dia a dia dos jo ens, su gem c is alizados em comemo ações
locais, e iados nacionais, nomes de uas ou monumen os emblemá icos. Ao longo de á ias
ge ações pa ilhados, es es elemen os ca egados de simbolismo pe mi em a ansmissão de
uma memó ia cole i a en ol a num emo i o e pa ió ico sen imen o de pe ença e iden idade
nacional. E, na ealidade, es a polí ica da memó ia cons uída, po en u a manipulada ou
de o mada, e le e-se no ca iz emocional das ep esen ações cons uídas pelos es udan es sob e
os limi es do mundo ou os ma cos e e enciais da ida indi idual (Ca e e o e K ige , 2006).
E, po isso, são aqueles acon ecimen os que se associam ao con eúdo de es udo da his ó ia,
mui as ezes sem que haja um eal en endimen o dos mesmos e, assen e num cul o ac í ico da
memó ia (De Amézola, 2009; F anco e Le ín, 2007), apenas uma eco dação daqueles símbolos
que lhes são associados.
Os ‘g upos sociais’ e ‘o abalho, os cos umes e os modos de ida dos indi íduos’ não se
dis ancia am de o ma signi ica i a dos an e io es assun os e, ambém eles, o am apon ados
pelos alunos po se em abalhados de o ma eco en e nas aulas de his ó ia (c . Quad o 7).
Também po que as mudanças de egime polí ico ou de o mas de go e no, numa qualque
sociedade do passado ou do p esen e, assumem á ias das suas p incipais consequências na ida
quo idiana dos dis in os g upos sociais. Po que há di ei os conquis ados ou pe didos; po que há
a i idades p odu i as que se desen ol em e ou as que deixam de o se ; po que há condições
de ida que se al e am e cos umes que ão pe manecendo.
Po sua ez, aqueles que são os assun os cul u ais, associados aos alo es e às men alidades
indi iduais e cole i as, como ‘os di ei os humanos e a paz’, ‘as ideias, a cul u a e as o mas
de pensa dos indi íduos’ ou ‘as mulhe es e o seu papel na sociedade’ me ece am um meno
135
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
núme o de e e ências nas espos as dos inqui idos, ainda que com algum equilíb io en e eles.
Ques ões p emen es, que na o dem do dia es ão, mas que não são, da mesma o ma, abo dadas
em con ex o de sala de aula. Na e dade, e pela oz dos es udan es, aquele que é o conhecimen o
assen e na i ência quo idiana ou o sabe pa ilhado na ealidade social onde aqueles sujei os
es ão inse idos não é, de o ma habi ual, omado como pon o de pa ida pa a um abalho
pos e io no âmbi o da his ó ia escola .
Apesa da pe gun a seguin e se di eciona , ago a, pa a o in e esse dos alunos ace aos
mesmos assun os incluídos na lis agem da pe gun a an e io , as espos as mais ezes apon adas
epe i am-se: ‘as gue as, as ba alhas e as conquis as’ e ‘a polí ica e os go e nan es’. E no amen e
se deno a que a imaginação popula con e e aos domínios polí ico e bélico um papel de inido
daquilo que é o es udo da his ó ia. In e essan e e mo i ado , nomeadamen e (Liu, 1999; Liu e
al., 2005).
Quad o 8. Assun os de his ó ia mais in e essan es, segundo os alunos (n=8529).
ASSUNTO N.º DE RESPOSTAS
As gue as, as ba alhas e as conquis as 74
A polí ica e os go e nan es 51
As mulhe es e o seu papel na sociedade 43
Os g upos sociais 43
Os di ei os humanos e a paz 42
A ida quo idiana 42
As ideias, a cul u a e as o mas de pensa dos indi íduos 39
As pessoas icas e pode osas 33
O abalho, os cos umes e os modos de ida dos indi íduos 32
As pessoas pob es e ma ginalizadas 18
A his ó ia adicional pa ece e -se ins alado, de o ma es á el, nas ep esen ações dos
es udan es, ainda que as in enções pa en es em alguns cu ículos p esc i os pa ece em o ien a -
se no sen ido da necessidade de se ou o ga maio p o agonismo à his ó ia social, à ida
quo idiana, às pessoas comuns. De ac o, o seu olha é, ainda, conse ado e essencialis a (Cues a,
2000, 2002), quando con empla o passado com base no nacionalismo, na de oção às aízes, na
memó ia o icial. São, assim, os esquemas concep uais habi uais, os discu sos memo izados e as
memó ias a caicas que se des acam em de imen o de uma educação cí ica, de um pensamen o
c í ico que a en a nas condições socio-his ó icas de cada empo, de uma memó ia que ai além
das eli es, de um discu so que ul apassa a polí ica ou os mo alismos ideológicos.
No en an o, eme gem nes a espos a dois ou os assun os indicados po ce ca de me ade
dos inqui idos (c . Quad o 8): ‘os g upos sociais’ e ‘as mulhe es e o seu papel na sociedade’,
pa a além de ‘os di ei os humanos e a paz’, ‘a ida quo idiana’ e ‘as ideias, a cul u a e as o mas
de pensa dos indi íduos’ se si ua em bem p óximos dos an e io es em núme o de e e ências e
de ‘as pessoas pob es e ma ginalizadas’ ol a em a des aca -se, ou a é c esce em, nas espos as
dadas.
Um es emunho, po an o, das po encialidades do es udo de uma his ó ia que ai pa a além
das idiossinc asias polí icas e que ab ange as men alidades, os alo es, a « ida p i ada», as
29 Nos quad os 8 e 9, o núme o o al de alunos conside ado é apenas 85, uma ez que o inqué i o-pilo o, espondido po
6 es udan es, não incluía as duas ques ões em análise.
136
Ana Isabel Mo ei a
mulhe es, a ealidade popula , a his ó ia o al ou das imagens (Félix, 1998). Po que os alunos
mani es am in e esse po ais assun os, sendo possí el, des a o ma, es abelece uma elação
en e a his ó ia ensinada e o en endimen o da his ó ia de cada um desses alunos. E po que a
o mação his ó ica dos sujei os apenas em pa e depende da escola, que, po sua ez, não pode
igno á-lo. Pelo con á io, pode omá-lo em conside ação como pon o de pa ida pa a o abalho
pos e io que acon ece na sala de aula, pe mi indo que aquelas ep esen ações elabo adas sejam
a azão da cons ução de no as compe ências e sabe es his ó icos, álidos e cien í icos.
4.1.3. A u ilidade da his ó ia
Tomando em conside ação os abalhos de pesquisa de Me chán (2002a, 2007) ou Fuen es
(2003, 2004), p ocu ou-se, de alguma o ma, en ende a pe ceção que ambém os es udan es
inqui idos cons uí am ela i amen e às po encialidades u ili á ias da his ó ia, enquan o sabe
que é e, em simul âneo, uma disciplina es udada na sala de aula.
Quad o 9. As di e en es u ilidades da his ó ia (n=85).
PARA QUE SERVE A HISTÓRIA? N.º DE REFERÊNCIAS
Conhece o passado 53
Fica a sabe mais / Te mais cul u a 28
Auxilia no p esen e 4
Ajuda / Imagina (n)o u u o 4
Se p o esso de his ó ia 2
Consegui uma p o issão 2
Sem espos a 1
Face a uma no a pe gun a de espos a li e, sem quaisque opções indiciado as de
explicações álidas, os inqui idos, de um modo ge al, a i ma am que a his ó ia é ú il na sua
ida e um núme o signi ica i o dos mesmos e elou uma iden idade nos álgica, o ien ada pa a
o acon ecido, pa a a adição e pa a o encan amen o, aspe o que con i ma as conclusões de
Gago (2007), quando explici a am, en ão, a u ilidade daquela á ea do sabe ou os usos que dela
podem aze (c . Quad o 9).
E e i amen e, 53 alunos a i ma am que a his ó ia se e “pa a conhece o passado do
país” e 28 ou os alunos salien a am que a his ó ia pe mi e “ e mais cul u a” ou, po ou as
pala as, “ ica a sabe mais”, su gindo ais u ilidades mais con encionais com um núme o de
e e ências bem des acado das es an es. Des a o ma, a his ó ia eme ge como um con ibu o
pa a a cons ução da iden idade indi idual e cole i a, po que dá a conhece a ealidade dos
an epassados, a ida nos di e en es segmen os empo ais e a sua e olução ao longo dos empos.
É, en ão, ú il enquan o conhecimen o social ou sabe enciclopédico alusi o ao passado e que
pe mi e pa icipa numa con e sa ‘cul a’, esponde às ques ões de um concu so ele isi o,
con a as es ó ias da his ó ia.
Pa a um núme o de es udan es signi ica i amen e in e io , a u ilidade da his ó ia não se
ci cunsc e e ao conhecimen o do passado e alcança o seu p esen e, e en ualmen e o seu u u o
ambém, pe mi indo a con ex ualização e signi icação de si uações a uais com que os alunos se
depa am e, a é, i enciam. E es a o ien ação empo al no decu so da ida pode ainda es ende -
se a um domínio mais p agmá ico, como a escolha de uma p o issão.
Apesa disso, nes a in es igação, o nou-se no ó io que a his ó ia su ge, aos olhos dos
es udan es, como mais in e essan e do que ú il, sendo di ícil con e i -lhe uma con ic a
aplicabilidade p á ica na sua expe iência diá ia e a ual.
137
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
A pa do concluído nou os es udos sup aci ados, pa a es es alunos po ugueses do 2.º
ciclo do Ensino Básico, a his ó ia não é ealmen e pe cecionada como uma á ea de sabe que
a o ece a comp eensão das peculia idades a uais, a o mação cí ica ou o desen ol imen o de
compe ências in elec uais. Tal ez sejam es as, a é, u ilidades excessi amen e ino ado as. An es
su ge como sob e udo p o ícua pa a o conhecimen o do passado, nomeadamen e a pa i de
uma a i idade in elec ual habi ual, a memo ização de nomes, da as e ac os. E es a adicional
acumulação de sabe es se e, pois, como signo pa a que cada um se dis inga dos demais pelo
ní el de cul u a ge al alcançado.
Na e dade, se bem en endida e se olhada pa a além de algumas ep esen ações (p é)
cons uídas, a his ó ia pode se i a cada um de nós, enquan o indi íduos socialmen e si uados
e ap endizes de um mundo em cons an e ans o mação, po que:
[A his ó ia] habi ua a olha pa a odos os acon ecimen os como esul an es de
causas e de condições mui o a iadas e que se conjugam, a uma ce a escala, de
manei a alea ó ia, mas que ambém se o ganizam, a ou a escala, segundo linhas de
o ça su icien emen e isí eis e acionais. (…) Habi ua a descob i a ela i idade
das coisas, das ideias, das c enças e das dou inas, e a de ec a po que azão, sob
apa ências di e en es, se ol am a epe i si uações análogas, se ep oduz a busca de
soluções pa ecidas ou se e i icam e oluções pa alelas (Ma oso, 2006a, p. 18).
De alguma o ma, a his ó ia “na ega (…) na ambiguidade en e ensina o passado
p op iamen e di o e/ou ensina o domínio de écnicas que pe mi em econs ui esse passado”
(Mi há, 2012, p. 86), omando ambém em conside ação o ac o de “o passado em si não exis [i ]
enquan o dado objec i o. Depende semp e do sen ido que as sociedades lhes con e em” (Ibid.,
p. 41). Assim, a u ilidade da his ó ia pa a os alunos se á an o mais econhecida se, e e i amen e,
os mesmos não se depa a em com um ensino da his ó ia que se compadece com a simples
capacidade de explicação écnica e apa en emen e mecânica dos enómenos, po que, ealmen e,
a his ó ia é ú il e necessá ia no mundo de hoje e no país em que i emos, se indo pa a alguma
coisa, mesmo pa a sujei os com uma década de ida.
Pa a os es udan es inqui idos, a his ó ia ainda em como p incipal u ilidade o “sabe mais”
nomes e da as e acon ecimen os, pa a “con a a ou as pessoas” e, ao mesmo empo, pa a
“ e i a conhecimen os, ideias e pensamen os”. P edomina, pois, e al como já ha ia deno ado
Ma ília Gago (2007), aquele olha con encional que se cen a na ampliação do conhecimen o
subs an i o e, po an o, na memo ização e na in e p e ação adicional, is o é, na p e alência de
uma consciência his ó ica que enca a as adições como elemen os indispensá eis de o ien ação
na ida p á ica diá ia.
Apenas pon ualmen e, os alunos apon a am a u ilidade dos p ocedimen os que ambém
azem a his ó ia, como “sabe o po quê das coisas” ou “ isi a monumen os e sí ios his ó icos”.
E é es e um apon amen o in e essan e. De ac o, a ap endizagem his ó ica acon ece de o ma
mais signi ica i a quando ao conhecimen o ac ual se soma o sabe aze (Lee, 2005; Chapman,
2015), po que assim se i encia uma cons ução acional da ealidade como p odu o de um
p ocesso de socialização e acul u ação.
A his ó ia é usada, ambém, pa a “sabe quan os eis e e Po ugal”. Mas a his ó ia não
pode limi a -se àquilo que acon eceu sem e em con a os ‘comos’ e os ‘po quês’ do passado
acon ecido, sob pena de se con e e numa memó ia i ial, sem eal e econhecido signi icado.
An es pode o e ece , do pon o de is a empo al e dinâmico, uma isão ampla e di e si icada
da sociedade, po que pe mi e que se comp eendam as elações en e passado e p esen e, que se
144
Ana Isabel Mo ei a
conhecimen os es u u ados e de inidos no cu ículo o icial de cada disciplina ou à manu enção
da o dem numa classe.
Os mesmos es udos e a am, des a o ma, que apenas len amen e começam a en a na
sala de aula p á icas de ensino e de ap endizagem da his ó ia ino ado as e que con emplam a
explo ação de on es his ó icas p imá ias, a u ilização das no as ecnologias, a pa icipação em
discussões, deba es e simulações ou a conc e ização de abalhos de in es igação.
Quad o 15. F equência das a i idades nas aulas de his ó ia (n=91).
AÇÃO TOTAL INSTITUIÇÕES
PÚBLICAS
INSTITUIÇÕES
PRIVADAS
Ou em as explicações do p o esso . 89 46 43
Leem o manual escola e espondem às
ques ões ap esen adas. 87 44 43
Analisam documen os esc i os, imagens e
ou as on es his ó icas. 80 38 42
Ap esen am as suas opiniões e colocam
ques ões ao p o esso . 78 40 38
Realizam ichas de abalho. 72 35 37
Pa icipam nas discussões o ganizadas pelo
p o esso . 68 41 27
Veem e comen am ilmes e docume á ios. 64 30 34
Realizam a e as em pequenos g upos
(p.ex. abalhos de pesquisa). 55 29 26
Visi am monumen os, exposições e ou os
locais de in e esse. 54 24 30
Cons oem isos c onológicos, mapas e/ou
g á icos. 37 22 15
U ilizam o compu ado pa a consul a si es
sob e His ó ia. 32 12 20
P epa am en e is as e/ou inqué i os sob e
con eúdos his ó icos. 29 9 20
Pa icipam em jogos e d ama izações. 24 11 13
O Quad o 15 pe mi e-nos iden i ica aquelas que são, de uma o ma ge al, as a i idades
mais e menos equen es nas aulas de his ó ia po uguesas in eg adas nes a in es igação. Des e
modo:
a) com p a icamen e 100% de e e ências nas espos as dos alunos inqui idos, sob essaem,
no opo do quad o, duas a i idades de ca iz mais adicional, que p edominam an o nas
ins i uições públicas, como nas p i adas (ou i as explicações do p o esso e le o manual
escola , espondendo às ques ões aí p esen es);
b) em ce ca de 70% das espos as, po sua ez, su ge um conjun o de a i idades (análise de
on es, ap esen ação de opiniões indi iduais e ealização de ichas de abalho) que começam a
ganha ele ância na sala de aula e que, em pa e, deno am já algum dis anciamen o ace a uma
me odologia mais exposi i a e me amen e ansmissi a;
c) e idenciam-se, depois, as a i idades que, pese embo a se a as em da o ina epe i i a ou
a o eçam uma maio in e enção dos alunos, pa ecem i encia ainda di iculdades de di usão
nas salas de aula do 2.º ciclo do Ensino Básico (pa icipação em discussões, isualização de
ilmes e documen á ios, abalhos de g upo, isi as de es udo), su gindo mencionadas em
somen e ce ca de 50% das espos as;
145
d) com uma alusão que não alcança os 30%, po isso como a i idades pouco equen es, são
apon adas aquelas que de êm um ca iz mais ino ado , con e indo aos es udan es o p o agonismo
no p ocesso de ap endizagem, po que as mesmas êm, de ac o, de se po eles ealizadas
(cons ução de isos, mapas ou g á icos; u ilização das TIC; p epa ação de en e is as ou
inqué i os; pa icipação em jogos ou d ama izações).
Rela i amen e às a i idades conc e izadas pelos alunos em con ex o de sala de aula, na
disciplina de His ó ia e Geog a ia de Po ugal, econhecem-se nas espos as dos inqui idos
pon uais di e enças en e as o ganizações educa i as públicas e p i adas.
No que diz espei o à ealidade das ins i uições públicas de ensino con empladas nes a
in es igação, os es udan es en a iza am a pa icipação em momen os de discussão na sala de
aula. Po en u a, o e lexo de um ensino que que ou i os alunos, que, com in enções o ma i as,
inci a à li e exp essão das opiniões pessoais e no qual os es udan es, sem condicionamen os,
não se escusam a in e i , que endo expo naquele con ex o as ep esen ações que ou o a
cons uí am. E são es as a i idades que, simul aneamen e, se e elam ú eis pa a um ensino
da his ó ia que em como um dos seus in ui os p incipais a o mação de cidadãos c í icos e
ques ionado es.
Em elação aos con ex os p i ados, os es udan es e e encia am mais ezes, como
acon ecidas nas suas aulas de his ó ia, a ‘u ilização do compu ado pa a consul a si es sob e
his ó ia’ e a ‘p epa ação de en e is as e/ou inqué i os sob e con eúdos his ó icos’. Uma
si uação que se jus i ica, e en ualmen e, pela maio disponibilidade de ecu sos, e em elação
aos ecnológicos semp e em ó imas condições de u ilização, além de um pe mi ido meno
núme o de alunos po u ma, que a o ece a dinâmica de abalho ine en e àquelas ações, nos
es abelecimen os p i ados. Ou, ainda, pelo impac o e imagem que os mesmos p ocu am, e
p ecisam, de cul i a jun o da sociedade em ge al, a uando pa a que p og essi amen e se o ne
isí el o in es imen o em me odologias de abalho ino ado as ou uma pa icipação ealmen e
a i a dos alunos em a i idades conc e izadas, que, ambém po isso, podem ul apassa os mu os
do con ex o escola . São ainda es as as azões que, de alguma o ma, pode ão explica a mais
apon ada ealização de ‘ isi as a monumen os, exposições e ou os locais de in e esse’ pelos
alunos daquelas ins i uições, pa a além das menos signi ica i as con ingências bu oc á icas,
embo a, gene icamen e, es a con inue a se uma a i idade de di ícil ulga ização nos dois
con ex os em análise.
Quando i e am a opo unidade de complemen a , pelas suas p óp ias pala as, aquelas
opiniões sob e as aulas de his ó ia, os es udan es inqui idos não hesi a am em a i ma , quase em
uníssono, “que é in e essan e descob i mais coisas sob e o nosso país”, ainda que de endam,
an o no ensino público como no ensino p i ado, algumas mudanças a in oduzi nas aulas
daquela disciplina.
Desde logo, uma maio di e sidade e in e a i idade, conseguida a a és de ilmes, ídeos
ou jogos didá icos, a o ece ia a mo i ação dos es udan es, ou seja, “da a mais on ade de
es uda ”, po que “ ambém se ap ende a b inca ”. De ac o, o ensino li esco, as écnicas
exposi i as, a insis ência na memo ização são, na gene alidade, ejei ados pelos alunos, que
apon am o dedo às si uações em que “o p o esso passa mui o empo a ala sob e a ma é ia”,
“a p o esso a não nos deixa aze an as ques ões sob e um assun o”, “a p o esso a baseia-se
mui o na eo ia” ou “[são] semp e a mesmas a i idades”. E, como al, as aulas pode iam se um
pouco mais dinâmicas, mais p á icas, “menos «secan es»”, po en u a po ia dos abalhos de
g upo, das discussões, das isi as de es udo, da u ilização da In e ne .
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
146
Ana Isabel Mo ei a
Po que a aula de his ó ia não deixa de se uma on e de ap endizagem e de conhecimen o,
um con ex o o ma i o, mas mais di e ida quando “a p o esso a [nos] con a com en oação,
como se es i éssemos a ou i uma his ó ia con ada” ou “nos dá a opo unidade pa a ala mos”.
De ac o, o ‘sabe his ó ia’ pode con e gi com algumas p opos as cons u i is as de
ap endizagem si uada, quando as ideias dos alunos ganham oz e as explicações possí eis,
baseadas na e idência, sob e o passado, o p esen e e, a é, o u u o são cons uídas em conjun o,
po p o esso es e es udan es que se sen em pa e a i a na comp eensão da his ó ia (Ba on e
Le s ik, 2004; Seixas e Mo on, 2013). Pois apesa de abalhosa, a lição de his ó ia ambém
pode se mo i ado a, “es ou numa aula e que o sabe o que se ai passa a segui , o que a
p o esso a ai con a na p óxima”.
Es a igu a –o p o esso de his ó ia– susci a, em simul âneo, juízos pa icula es que
p i ilegiam as qualidades humanas e elacionais (Mon ei o, 2000) po pa e dos es udan es,
su gindo a i mações con ic as, quase con unden es, como “se calha , se osse ou a p o esso a,
não gos á amos an o da aula de his ó ia” ou, pelo con á io, “a p o esso a não ca i a a a enção
(…) não az com que nós quei amos ap ende mais”. As opiniões ende am a alo iza o
docen e que “explica bem”, que ques iona e que pe mi e a pa icipação a i a dos es udan es,
que con ibui pa a que eles mui o ap endam e, ine i a elmen e, a c i ica o p o esso que “só lê
o manual” e que, po isso, con e e a aula num ambien e en edian e, ma cadamen e in o ma i o
e pouco a a i o. De ac o, o p o esso a ua, com impac o signi ica i o, como po enciado e
incen i ado do in e esse pela his ó ia pa a os es udan es: “a p o esso a incen i a mui o a gen e
a es uda his ó ia”.
De alguma o ma, os es udan es espe am i encia um ensino exigen e, mas mo i ado ;
dis an e da écnica, mas p óximo da ap endizagem signi ica i a e pa icipada. Mesmo quando
não o a i mam explici amen e, no quo idiano, e apenas o ep esen am. E es e en endimen o
do mundo que os alunos sus en am não pode, em momen o algum, deixa de se ido em
conside ação pelos docen es na ealidade de uma sala de aula. Pa a que se ponde em as
dinâmicas de uncionamen o das classes, as a e as a conc e iza , os obje i os da disciplina de
his ó ia ou os con eúdos e e en es à his ó ia de Po ugal. Pa a que os alunos en endam o que
acon ece, den o e o a daquele con ex o, e possam ques iona , ma iza ou e o mula as suas
ep esen ações, endo em con a ou as que eme gem a pa i do ali expe ienciado.
4.2.4. O manual escola como a e ac o educa i o
De aco do com os á ios es udos nacionais e in e nacionais (Nicholls, 2006; Pingel, 2010;
Me chán, 2002b; Valls, 2010; Maia, 2010; Magalhães, 2012; A onso, 2013), o manual escola
con inua a se um meio undamen al pa a a ges ão do dia a dia na sala de aula. De ac o, ais
in es igações, o ien adas umas ezes pa a o p ocesso de conceção, ou as ezes pa a as suas
especi icidades enquan o ins umen o pedagógico-didá ico ou, ainda, pa a a sua eceção jun o
de p o esso es e alunos, jus i icam-se pela ele ância que es e ecu so em man ido na ação
educa i a, não a as ezes supo e quase absolu o das p á icas que acon ecem na sala de aula,
sob epondo-se mesmo, no século XXI, aos ma e iais cu icula es mais ino ado es.
Rela i amen e às unções do manual escola pa a p o esso es e alunos, as in es igações êm
demons ado que se pa a os p imei os aquele obje o é base cien í ica pa a as suas explicações,
egulado dos con eúdos a ensina , guia me odológico, ins umen o didá ico-pedagógico
o ien ado das p á icas ado adas e ges o da condu a dos alunos, pa a os segundos é on e
de sabe , a pa i da qual se acompanham as exposições do docen e, supo e de es udo e de
p epa ação pa a os es es e exames, espaço pa a a ealização mecânica de exe cícios o inei os.
147
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
Ao longo das p óximas linhas expõem-se, assim, os usos que os es udan es do 2.º ciclo
inqui idos azem daquele a e ac o educa i o que é o manual escola , pa a além de se p ocu a
en ende as eais unções que lhe são con e idas.
Quad o 16. As unções de um manual escola de his ó ia, segundo os alunos (n=91).
O MANUAL ESCOLAR SERVE PARA... N.º DE REFERÊNCIAS
es uda 39
esol e exe cícios 14
escla ece dú idas 10
consolida conhecimen os / sabe mais 9
a lei u a dos con eúdos na sala de aula 8
a análise de documen os 5
ap esen a esumidamen e con eúdos es udados na aula 5
Quase me ade dos alunos que esponde am à ques ão sob e as unções dos manuais
escola es econheceu-o, p incipalmen e, como ins umen o de es udo, ú il na p epa ação pa a
os es es e exames. Com núme os signi ica i amen e in e io es aos a ibuídos àquela comum e
ei e ada unção, os pa icipan es apon a am o manual escola como espaço pa a a esolução de
exe cícios (na escola e em casa) ou pa a o escla ecimen o de dú idas (consul a), ou seja, como
complemen o do abalho conc e izado em con ex o de sala de aula com os ecu sos selecionados
pelos docen es. Ações que, em pa e, a o ecem ambém aquela p imei a e, apa en emen e,
p imo dial u ilidade, o es udo que possibili a á o sucesso nas p o as de a aliação.
Pa a 8 alunos, po sua ez, o manual é on e de lições, po que os seus con eúdos são lidos de
o ma egula , e quase in eg al, du an e a aula de his ó ia, que pelo docen e da disciplina, que
pelos p óp ios alunos. É, po isso, o ecu so p i ilegiado, quase exclusi o, pa a o desen ola
daquela aula.
Ce ca de uma dezena de es udan es a i ma am que o manual escola pe mi e “consolida
os conhecimen os” já adqui idos, sendo on e de e e ência em elação à in o mação cien í ica
e, ocasionalmen e, a o ece a descobe a ou o “sabe mais” pa a além do es udado nas aulas.
Nenhum aluno, con udo, enca ou o manual didá ico como on e de uição, conside ando mais
do que a ulga isão académica e cien í ica do mesmo. O li o didá ico é ido, sob e udo, como
um di ulgado de uma ‘his ó ia acabada’ a se es udada, po en u a de o ma memo ís ica, e
olheá-lo não é, pois, in es iga uma ques ão abe a, ab angen e e di e sa (Le s ik, 2011).
A maio ia dos inqui idos, sem dú idas e iden es, e e iu que consegue comp eende o
con eúdo ap esen ado no manual ado ado pela espe i a ins i uição escola 34. Ainda em elação a
es e aspe o, di e en es alunos salien a am a ele ância das imagens (alusi as às di e en es épocas
his ó icas), esquemas, g á icos e abelas que aí su gem e que acili am, po que exempli icam ou
conc e izam, a comp eensão dos assun os his ó icos em es udo. Po ou o lado, alguns alunos
apon a am como aspe os nega i os a ausência de imagens em núme o su icien e, as pala as de
signi icado mais complexo e os ex os de au o signi ica i amen e ex ensos.
E e i amen e, as imagens ambém in eg adas nos manuais escola es não podem deixa de
se idas em con a como on es eple as de po encialidades pedagógico-didá icas. Pa a al, não
34 Em Po ugal, de aco do com a legislação em igo (Dec e o-Lei n.º 5/2014, de 14 de janei o; Po a ia n.º 81/2014,
de 9 de ab il; Dec e o-Lei n.º 47/2006, de 28 de agos o), as ins i uições de ensino podem ado a , de aco do com a panóplia de
opções disponí eis, um manual escola de idamen e a aliado e ce i icado pelo Minis é io da Educação, pa a cada disciplina
e ano de escola idade. O pe íodo de igência dos manuais escola es é de seis anos, podendo, no en an o, se encu ado no caso
de se e i ica uma e olução céle e do conhecimen o cien í ico ou uma al e ação do P og ama da disciplina.
148
Ana Isabel Mo ei a
pode ão su gi apenas como ilus ações, com uma unção deco a i a e emo i a ace ao ex o
de au o , não ac escen ando elemen os signi ica i os pa a a comp eensão his ó ica, mas, de
ou a o ma, e ão de se in eg adas nos manuais escola es como on es his ó icas que dão a
conhece in o mações especí icas sob e uma qualque época his ó ica (Valls, 2005; Gómez e
López, 2014). Na e dade, e ainda que a u ilização de pa icula es esquemas, g á icos, abelas
ou imagens possa e subjacen e uma opção ideológica pa icula , a descodi icação do seu
signi icado e a in e p e ação do seu con eúdo são um con ibu o ele an e pa a que os alunos
desen ol am hábi os in e p e a i os e ap endam a olha a in o mação isual que hoje imp egna
a nossa sociedade com espí i o c í ico e ques ionado .
Assim, o manual escola u ilizado na sala de aula, legi imado pelo docen e po que
inco po ado nas suas p á icas diá ias, condiciona á a ec iação e a idealização do passado e, ao
mesmo empo, a sua comunicação naquela in e ação social i ida quase dia iamen e (László e
Liu, 2007). Ao inclui na a i as que suge em uma elação en e o au o , os sujei os do ex o e os
lei o es, ambém e á impac os expec á eis nas opiniões, no compo amen o e, a é mesmo, no
desen ol imen o cogni i o indi idual. Ou, como salien ou Maia (2010), po que não con empla
apenas ac os, e an es se a i ma como um eículo ideológico e cul u al associado à inculcação de
a i udes nos jo ens, aquele obje o in luencia á consequen emen e a o mação de compe ências
his ó icas dos eais cidadãos do amanhã.
Ine i a elmen e, as isões da his ó ia desenhadas po ais manuais, elas p óp ias já
cons uções ideológicas da ealidade às quais se con e iu uma de e minada o ma e con eúdo,
assim como a u ilização que daquele a e ac o se az na ealidade quo idiana do espaço de sala
de aula, condiciona ão as a i udes indi iduais ace ao mesmo e as ep esen ações, des a ez
cons uídas pelos es udan es, sob e aquela his ó ia, enquan o disciplina e á ea cien í ica.
4.2.5. Os pe íodos his ó icos no imaginá io dos alunos
A ques ão e e en e às épocas his ó icas já es udadas pelos alunos pa icipan es oi
in eg ada no inqué i o ealizado com o in ui o de se pe cebe em que medida os es udan es
comp eende am as e apas his ó icas con encionais, ambém abalhadas na sala de aula, pa a
além de se p ocu a de e a se a o dem das mesmas é conside ada de o ma conscien e, ou
não. Ao mesmo empo, quis-se ainda en ende se alguns dos pe íodos his ó icos em causa são
pa icula men e econhecidos, des acando-se dos es an es nas e e ências conc e izadas.
Os alunos ap esen a am, ace à ques ão colocada sob e a di isão da his ó ia em di e en es
épocas ou pe íodos, espos as mui o di e sas e, ao mesmo empo, mui o dis an es daquela
pe iodização con encional em Idades. De ac o, não se e i icou, pela sua pa e, uma
mobilização habi ual de ais e apas his ó icas, ainda que as mesmas se mani es em p esen es
nas ep esen ações dos es udan es, com di e en es sen idos e signi icados a ibuídos (c . Quad o
17).
Quad o 17. "Épocas his ó icas" ci adas pelos es udan es (n=91).
ÉPOCA N.º ÉPOCA N.º
Di adu a de Salaza 45 Esc a a u a 2
25 de ab il 32 In asões ancesas 2
Mona quia 26 P imei os po os 2
Descob imen os 23 Reconquis a c is ã 2
República 22 Res au ação da Independência 2
149
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
ÉPOCA N.º ÉPOCA N.º
Fo mação de Po ugal 10 Sociedades ecole o as 2
Gue as Mundiais 8 Te amo o de 1755 2
Gue a colonial 7 Ba alha de Aljuba o a 1
Regicídio 7 D. Dinis 1
Século XIX 6 D. Manuel II 1
P é-his ó ia 5 Gue a ci il 1
Queda da Mona quia 5 Lisboa Pombalina 1
D. A onso Hen iques 4 Mou os 1
Re olução F ancesa 4 Muçulmanos 1
Romanos 4 Pes e Neg a 1
Democ acia 3 Po ugal nos dias de hoje 1
Mode nização de Po ugal 3 Ul ima o inglês 1
C ise Económica 2 Sem espos a 2
A “P é-his ó ia” su ge ambém ep esen ada como “sociedades ecole o as” e “p imei os
po os” (no e e e ências no o al). Um pe íodo his ó ico p esen e na li e a u a in an oju enil,
na banda desenhada, nos ilmes, como os de animação, e, ambém po isso, iden i icado, mas,
e en ualmen e, econhecido pelo a a i o exe cido pelos empos mais longínquos e exó icos ou
pela in e enção daqueles que o am os p imei os po oado es do e i ó io nacional.
Em con apa ida de e a-se somen e um e mo di e amen e alusi o à An iguidade
–“Romanos” (qua o e e ências). Uma época his ó ica que pa ece, assim, pouco p esen e
no imaginá io dos alunos e, ainda que es udada na sala de aula e incluída em ob as li e á ias
des inadas ao público in an il e ju enil ou em ilmes á ios, di icilmen e eco dada ace às
ou as épocas. Tal ez não susci e es a a cu iosidade dos mais no os, po não in eg a em, na
mesma, igu as ou acon ecimen os his ó icos que ma cadamen e dão o ma e signi icado àquela
que é a iden idade nacional, pela sua elação com a his ó ia polí ica do país.
A ep esen ação da Idade Média eme ge quando os es udan es aludem à “Fo mação de
Po ugal” e a “D. A onso Hen iques”, à “Reconquis a C is ã”, à “Ba alha de Aljuba o a”, à
igu a de “D. Dinis”, a po os que passa am pelo e i ó io nacional po uguês, como os “Mou os”
e os “Muçulmanos”, não esquecendo a dimensão social e apon ando a “Pes e Neg a”, num
o al de in e e oi o e e ências que azem des e, a ní el quan i a i o e quali a i o, um pe íodo
ancamen e ele an e no imaginá io dos alunos. Es a é, na e dade, uma época que se elaciona
com a o mação de Po ugal e com o seu p imei o mona ca e, po an o, que pe mi e exal a as
es ó ias da o igem do país e aquela igu a, D. A onso Hen iques, que é ma ca do ideá io nacional,
‘pai’ da pá ia, num popula izado e a o dos mi os que eimosamen e se sob epõem à his ó ia
(Ma oso, 2006b). Pa a além de se associa a di e en es ou os acon ecimen os undacionais e
de i ó ia po uguesa ace aos ‘ou os’, como a econquis a con a os muçulmanos ou a ba alha
de Aljuba o a que de o ou os cas elhanos, po que a consciência de pe ença a um país ambém
se pode aduzi pela ase ‘nós somos po ugueses; os ou os são es angei os’ (Ma oso, 2010).
Assim, são es es elemen os com alo emo i o, acon ecimen os e pe sonalidades da his ó ia
de Po ugal e ocados pela memó ia cole i a como cons i u i os de uma iden idade nacional,
que, em pa e, con e em à Idade Média uma p esença no ada nas espos as dos jo ens alunos.
A Idade Mode na es á p esen e nas ep esen ações dos es udan es, sob e udo quando um
núme o signi ica i o de inqui idos e e iu os “Descob imen os” ( in e e duas e e ências no
o al). Também as iagens conc e izadas pelos na egado es po ugueses, mui as ezes e a adas
150
Ana Isabel Mo ei a
na li e a u a in an oju enil e nos apon amen os do quo idiano, su gem no imaginá io dos mais
no os como um pe íodo glo ioso e que jus i ica a mani es ação do o gulho nacional. Ve i icou-
se, ainda, um caso em que um pa icula luga , a “Lisboa Pombalina”, ganhou con o nos de
época his ó ica, p o a elmen e pelo seu signi icado numa his ó ia de Po ugal pon uada po
á ios episódios de ‘supe ação nacional’.
A Idade Con empo ânea é aquela que, com e idência, em uma mais signi ica i a p esença
nas ep esen ações dos es udan es, deno ada pelo epe ido núme o de e e ências (c . Quad o
17) ao “Regicídio” e à “Queda da Mona quia”, ao “Século XIX”, à “República”, à “Di adu a
de Salaza ”, à “Gue a Colonial” e às “Gue as Mundiais” ou ao “25 de ab il”. É es e, pois, o
e lexo da exis ência de uma memó ia his ó ica pa icula men e elacionada com os e en os e
as pe sonagens que ize am a his ó ia mais ecen e do país e, em alguns casos, a in e nacional
ambém.
E no que diz espei o à memó ia, pa a além de se “[d]aquilo com que se cons oem os
discu sos sob e o passado”, é ambém aquilo “de que se alimen am as isões a uais” (Rosas,
2009, p. 19), e sua eabili ação, nomeadamen e social, enquan o base iden i á ia, a i ma-se
como undamen al numa ação de cons ução da cidadania assumida pa a o p esen e e pa a
o u u o. A escola é, po sua ez, a ins i uição p i ilegiada pa a a abo dagem dessa memó ia
social, sob e udo quando os alunos êm a possibilidade de es uda os con eúdos da his ó ia
ecen e, ou seja, aqueles ac os p imo diais no impac o social, como a di adu a salaza is a ou
a Re olução dos C a os, cujas consequências nas á ias dimensões da ida humana ainda
se e le em na a ualidade (Ca e e o e Bo elli, 2008). Tal ez des a o ma, os alunos possam
en ende , p og essi amen e, o p esen e onde es ão in eg ados e podem se a o es in e en i os,
conhecendo, desde logo, o passado e elacionando os seus á ios sabe es o iundos de di e en es
con ex os que não apenas o escola .
De uma o ma ge al, a pa i da nomencla u a con e ida aos con eúdos es udados nas aulas
de his ó ia, ou conside ando de inições da sua p óp ia au o ia, os jo ens es udan es inqui idos
ize am os empos da his ó ia. Toma am como e e en e os assun os enunciados nas Me as
Cu icula es da disciplina, nos manuais escola es, pela oz dos docen es e, como al, aci amen e
os en ende am como épocas his ó icas. A é po que es a especi icidade his ó ica, no 2.º ciclo do
Ensino Básico, não é es udada explici amen e, an es su ge imiscuída num discu so c onológico
que se cons ói pa alelamen e às ap endizagens his ó icas que ão acon ecendo. Esse es udo
explíci o da pe iodização acon ece á, en ão, em ní eis de ensino mais a dios.
4.2.6. Os passados p e e idos pelos alunos
Quando aos alunos se colocou a ques ão sob e uma e en ual iagem no empo, a é uma
qualque ou a época his ó ica, não a as ezes os mesmos indica am ou as épocas po si
de inidas e que não ha iam e e ido na espos a à ques ão an e io .
Pa icula men e no que diz espei o aos pe íodos e/ou acon ecimen os his ó icos em elação
aos quais os es udan es desen ol e am cono ações ou sen imen os posi i os, selecionando-os,
assim, pa a uma e en ual iagem imaginá ia, des acam-se os que, de o ma ei e ada, êm maio
p esença na sua cul u a his ó ica: o “25 de ab il”, os “Descob imen os”, a época de “Salaza ”
e a “Mona quia”.
151
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
Quad o 18. Os "pe íodos his ó icos" p e e idos pelos alunos (n=91).
ÉPOCA N.º DE REFERÊNCIAS
25 de ab il 19
Descob imen os 9
Época de Salaza 7
Mona quia 7
D. A onso Hen iques 4
Romanos 3
2.ª Dinas ia 2
P é-his ó ia 2
Sociedades ecole o as 2
1.ª República 1
2.ª Gue a Mundial 1
60 anos a ás 1
An igo Egi o 1
Ba alha de Aljuba o a 1
C ise económica 1
Descobe a do B asil 1
Final da Mona quia 1
Gue a ci il 1
Gue a de T oia 1
Idade Média 1
In asões F ancesas 1
Regicídio 1
Re olução F ancesa 1
Século XVIII 1
De ac o, alguns alunos e idencia am a capacidade pa a assumi em um papel como
a o es na his ó ia po uguesa de ou o a, salien ado o seu desejo de uma iagem à época
dos Descob imen os, “pa a pode en a em g andes naus e iaja pelo mundo o a” ou à da
Mona quia, “pa a pode se ei” ou àquele “dia [25 de ab il] mui o boni o pa a Po ugal”.
Po ém, e de o ma mais signi ica i a, econhece-se nas suas espos as, em alguns casos de
modo suben endido, no amen e a opção pelos acon ecimen os his ó icos aos quais se a ibui
um ca ác e he oico ou glo ioso. Mais uma ez, a i mam-se as ep esen ações da his ó ia de
Po ugal mui o pa icula es, po que assen es nas es ó ias e nos mi os pa ió icos que se con am
no seio dos di e en es espaços sociais. E depois do maio núme o de e e ências às ca ac e ís icas
nada iolen as, e em p ol da ( e)conquis a da libe dade, da e olução acon ecida a 25 de ab il
de 1974 ou à descobe a de no os e i ó ios e à iqueza alcançada pelas conquis as po uguesas
iniciadas no século XV, su gi am ainda ou os apon amen os emo i os que, ine i a elmen e, se
associam à cons i uição da iden idade nacional, com o gulho e e ida. Po isso, hou e alunos
que mani es a am o seu desejo de iaja a é “à época de D. A onso Hen iques, pa a sen i a
emoção de nos o na mos o icialmen e um país” ou a é “à Ba alha de Aljuba o a, pa a e os
soldados po ugueses que e am ¼ dos espanhóis ganha em”.
Po sua ez, a pala a ‘di adu a’ não su ge, em caso algum, associada às á ias e e ências
ela i as ao pe íodo do Es ado No o. A ago a apelidada de “época de Salaza ” eme ge como
exemplo de um ipo de inculação emocional a al pe íodo, ao qual se a ibui ainda cono ações de
152
Ana Isabel Mo ei a
in e esse e, a é, posi i as. E e i amen e, se um aluno deseja a na sua iagem no empo “pe cebe
se Salaza e a boa ou má pessoa”, ou o sublinha a on ade de assis i p esencialmen e às “ á ias
mudanças pa a melho ” que aquela pe sonalidade his ó ica p o agonizou. Uma ep esen ação
da igu a de Salaza que e le e, em pa e, uma mis i icação delibe ada da his ó ia e que, nas
úl imas décadas, em sido apoiada po se o es sociais e his o iog á icos mais conse ado es,
num mo imen o e isionis a sob e o papel do di ado na his ó ia de Po ugal.
Es a isão que cla amen e mi iga a dimensão ep essi a do Es ado No o e os cus os sociais
que lhe são ine en es associa-se, de alguma o ma, à c escen e media ização da his ó ia, no
espaço público, eiculada pelos meios de comunicação social, pelos comen ado es polí icos
ou pelos concu sos ele isi os (Lo , 2014; Sou elo, 2014a; Rosas, 2009). Ine i a elmen e,
pela in luência inegá el que os media êm hoje na cons ução das opiniões dos sujei os, pode
ambém se aquela pe spe i a ace à his ó ia do passado ecen e que os alunos mais jo ens
ado am, sob e udo po que se depa am com um discu so memo ial ansmi ido, com p e ensões
pedagógicas, mas eco endo a mé odos simplis as ou a p ocedimen os ac í icos.
Também os alunos inqui idos pa ecem aze uma elei u a da his ó ia que e idencia, pois,
uma ou a in e p e ação da di adu a salaza is a –banalizada, b anqueada, desculpabilizada. A
memó ia das pe seguições da PIDE, dos iscos azuis da censu a, da insensa ez da gue a colonial
pa ece aniquilada po uma ou a memó ia que an es sublinha a undamen al in e enção de
Salaza na esolução dos p oblemas económico- inancei os do país e na dinamização do se o
das ob as públicas, po que es as úl imas ações pa ecem e con ibuído inequi ocamen e pa a a
sal ação de Po ugal. E é assim, em p ol daquela apa en e es abilidade alcançada numa á ea ainda
hoje ão sensí el pa a o país, que se acei a, de o ma quase indi e en e, sem esponsabilidade
cí ica, sem um ques ionamen o dos alo es e a os sub e si os, as ag essões an idemoc á icas
e an issociais conc e izadas po um go e no au o i á io como oi aquele que e e Salaza como
p incipal igu a. Naquele empo, po an o, a in e enção do en ão P esiden e do Conselho oi
essencial e a mais adequada. E pela c escen e ele ância con e ida à dimensão económico-
inancei a da sociedade po uguesa, as decisões que a en a am con a os di ei os inaliená eis do
se humano, as libe dades de cada um, o eal a aso de Po ugal pa ecem não es a insc i as na
memó ia cole i a.
P o a elmen e in luenciados pelas opiniões que já em meados da década de 90 do século
passado apelida am o Es ado No o de ‘bene olen e’, po que menos au o i á io do que as
homólogas di adu as eu opeias (Lo , 2014), os discu sos dominan es p opagados ão dando
o ma, en ão, a um pensamen o o alizan e que assim se az de “silêncios e omissões, « e dades
implíci as», de deco ências do «senso comum» in isi elmen e impos o” (Rosas, 2009, p. 20).
São, ambém, es es di e en es discu sos da memó ia, in e enien es na lu a simbólica pela
econs ução do passado, que con ibuem pa a o comp ome imen o da comp eensão his ó ica
do acon ecido, a é pelos mais no os. E, consequen emen e, as ep esen ações posi i as
cons uídas sob e aquela época his ó ica, susci ando a é desejos de isi a ag adada, assen am,
pa a alguns dos pa icipan es inqui idos, na desconside ação de p ocessos, especi icidades e
con ex os his ó icos pa icula es. Nes e caso, os jo ens es udan es esquece am, ou ealmen e
não ap ende am, a op essão sucedida du an e o Es ado No o e que ganhou con o nos de c imes
eais come idos con a o po o, ações a bi á ias e desumanas pa a o enquad amen o das massas
popula es, in e enções de eo bélico com e ei os ne as os além- on ei as. E somen e um aluno
a i mou a sua on ade de iaja a é àquela época, con udo com uma in enção bem de inida,
“pa a pode e o 25 de ab il”.
153
Capí ulo 4. Os alunos e a his ó ia: a i udes, p e e ências e conhecimen os
4.2.7. A his ó ia o a das aulas
Pa a além da escola, os alunos i enciam a opo unidade de se amilia iza com a his ó ia
–ap ende sob e os acon ecimen os, conhece as es ó ias que ambém se con am, es abelece
conexões com a iden idade indi idual, cons ui a memó ia cole i a– a pa i de on es ou
espaços á ios.
O sabe his ó ico não se esgo a nas ap endizagens escola es e, pelo con á io, á ios es udos
in e nacionais êm demons ado a ele ância das expe iências em ambien es ex e io es à escola
no desen ol imen o da in e p e ação, conhecimen o e in e esse his ó icos (Audigie e Fink,
2010; Ba on, 2001, 2010a; Ma cus, 2005; Seixas, 1993).
Os es udan es podem, pois, assumi -se como a i os ap endizes da his ó ia quando, e
complemen a men e à sala de aula, con ac am com essa mesma his ó ia e a ada nas no ícias
de jo nal e nos documen á ios ele isi os, nos li os, nos ilmes, nos museus e sí ios his ó icos,
na In e ne , nas es ó ias amilia es, nos i uais sociais, nos nomes das uas, nas anedo as e di os
popula es. Des a o ma, ão cons uindo as suas p óp ias conceções alusi as à his ó ia, po que
a expe ienciam numa en ol ência mo i ado a e que despe a sen imen os posi i os. Depois,
já na sala de aula, ap endem a oma á ias daquelas on es de conhecimen o apenas como
ep esen ações do passado e, desen ol endo a i udes e lexi as, a não acei a ac i icamen e
qualque in o mação his ó ica encon ada aqui e além.
Rela i amen e às di e en es o mas de ap ende his ó ia, azendo uma análise ge al dos
dados ecolhidos, o na-se e iden e o eduzido núme o o al de espos as, uma ez que somen e
ce ca de um e ço dos alunos inqui idos apon a am as duas o mas de ap ende his ó ia que
ocupam o opo da con agem das e e ências (Museus e Monumen os/Sí ios his ó icos).
Quad o 19. Fo mas de ap ende his ó ia o a das aulas (n=91).
CONTEXTOS TOTAL INSTITUIÇÕES
PÚBLICAS
INSTITUIÇÕES
PRIVADAS
Museus 35 22 13
Monumen os / Sí ios his ó icos 30 12 18
Li os 27 19 8
In e ne 25 14 11
His ó ia O al 14 5 9
Filmes 8 3 5
Tele isão 5 3 2
No ícias / Jo nais 3 2 1
Documen á ios 1 1 0
Jogos 1 1 0
Peças de ea o 1 0 1
Sem espos a 3 3 0
Reconhecem-se, assim, algumas di iculdades i enciadas pelos mais jo ens alunos na
iden i icação de uma his ó ia que pode su gi sob ou as o mas que não os ex os e as imagens
do manual escola ou as pala as do p o esso . Ainda que odos os dias se c uzem com o
passado econs i uído a pa i de peculia es abo dagens ela i as ao se humano, à sociedade
e aos empos idos, que pa ilham um pa icula olha sob e os ac os, que con emplam,
delibe adamen e, opiniões e in enções, que assumem con o nos mais ecnológicos ou dimensões
mais con encionais, que p omo em conexões com o p esen e e o u u o, con inuam a cons ui
ep esen ações da his ó ia que se associam à his ó ia dis ibuída no con ex o escola .
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