Sociedad Española de His o ia Ag a ia - Documen os de T abajo
DT-SEHA n. 13-01
Ene o 2013
www.seha.in o
Geo e e enciamen o e His ó ia Ag á ia: dis ibuição
espacial das p op iedades u ais a pa i dos egis os de
e as de meados do século XIX
Angelo Al es Ca a a* and Ra ael Ma ins de Oli ei a Lagua dia *
* Uni e sidad Fede al de Juiz de Fo a, B asil.
Email: [email p o ec ed]
© Ene o 2012, Angelo Al es Ca a a y Ra ael Ma ins de Oli ei a Lagua dia
Sociedad Española de His o ia Ag a ia - Documen os de T abajo
DT-SEHA n. 13-01
Ene o 2013
Geo e e enciamen o e His ó ia Ag á ia: dis ibuição espacial das p op iedades
u ais a pa i dos egis os de e as de meados do século XIX
Angelo Al es Ca a a y Ra ael Ma ins de Oli ei a Lagua dia
Abs ac : This s udy aims a e alua ing he land egis y eco ds o he mid-1850s in
B azil as a sou ce capable o deli e ing consis en elemen s o he analysis o he
p ocess o occupa ion and use o he land, pa icula ly ega ding he na u al condi ions
o limi a ions de e mined by he elie and hyd og aphy (nea sp ings, low, lood a eas,
e c..), and o he geog aphic a iables. Wha is p oposed he e akes in o accoun he
eco ds o he ancien pa ish o San o An onio do Pa aibuna. This ini ia i e is pa o
hose e o s being consolida ed o e ecen yea s, and looking o c ea e eliable
ca og aphic sou ces based on a ho ough analysis o adi ional sou ces, mos ly
consis ing o ca og aphic da a i sel . Consis ency o analysis ob iously will inc ease
wi h he use o di e en sou ces, which can cla i y impo an ea u es such as pos
mo em in en o ies, legal p oceedings, deeds o sale, o example. The p oposed
model was in ended as an aid o his o ical esea ch. Special a en ion is a o ded o he
me hodology ha gene a ed a compu e p og am de eloped o he pu pose o
ende ing ca og aphic he non-ca og aphic in o ma ion.
Keywo ds: Ag a ian s uc u e, pa ish land egis y, ca og aphic sou ces, B asil
JEL codes: N56, Q15, B40
.
Resumen: Es e abajo e alua si los egis os del ca as o de ie as de mediados de la
década de 1850 en B asil o ecen in o mación adecuada pa a el análisis del p oceso
de ocupación y uso del suelo; en pa icula de los condicionan es na u ales y las
limi aciones de e minadas po el elie e e hid og a ia, en e o as a iables
geog á icas. Se analizan los egis os de la an igua pa oquia de San o An ônio do
Pa aibuna. Median e un análisis de uen es adicionales, en su mayo pa e
cons i uidas po da os no p opiamen e ca og á icos, se p e ende encon a uen es
ca og á icas iables.
Resumo: Es e abalho em po obje i o a alia os egis os de e as de meados da
década de 1850 no B asil como on e capaz de o nece elemen os consis en es pa a
a análise do p ocesso de ocupação e uso do solo, com pa icula a enção pa a os
condicionan es na u ais ou as limi ações de e minadas pelo ele o e hid og a ia
(p oximidade de nascen es, luxo, á eas de alagamen os, e c.), den e ou as a iá eis
geog á icas. A a aliação aqui p opos a oma como base os egis os da an iga
pa óquia de San o An ônio do Pa aibuna. Es a inicia i a pa icipa dos es o ços que
êm se consolidando nos úl imos anos, e que buscam con a com on es ca og á icas
iá eis baseadas em uma p o unda análise de on es adicionais, em g ande medida
cons i uídas po dados não p op iamen e ca og á icos. A consis ência da análise
e iden emen e aumen a á com o ecu so a di e en es on es suplemen a es que
escla eçam aspec os ele an es, ais como in en á ios pos mo em, p ocessos cí eis
ou esc i u as de comp a e enda, po exemplo. O modelo aqui p opos o oi pensado
como auxilia da pesquisa his ó ica. Especial a enção é dada à me odologia que ge ou
um p og ama de compu ado elabo ado com o p opósi o de eduzi as in o mações
não ca og á icas em ca og á icas.
Geo e e enciamen o e His ó ia Ag á ia:
dis ibuição espacial das p op iedades u ais a pa i dos
egis os de e as de meados do século XIX
documen o de abalho
Angelo Al es Ca a a
Ra ael Ma ins de Oli ei a Lagua dia
Es e abalho em po obje i o a alia os egis os de e as de meados da década de
1850 no B asil – como on e capaz de o nece elemen os consis en es pa a a análise do
p ocesso de ocupação e uso do solo. A a aliação aqui p opos a oma como base os egis os
da an iga pa óquia de San o An ônio do Pa aibuna (a ualmen e co esponden e a po ções
do e i ó io das cidades de Juiz de Fo a, Ma ias Ba bosa, Simão Pe ei a, Cháca a, San ana
do Dese o, Co onel Pacheco, Belmi o B aga e Ewbanck da Câma a). Es a inicia i a
pa icipa dos es o ços que êm se consolidando nos úl imos anos, e que se
"jus i ica den o del pano amo his o iog á ico po la apo ación a la in es iación
que supond ía pode con a con uen es ca og á icas de iabilidad, ob enidas
median e modelos de simulación y basadas en un p o undo análisis de uen es
adicionales, en g an pa e cons i uidas po da os no p opiamen e ca og á icos".1
1. Os egis os de e a na his o iog a ia
No início da década de 1980, Ma ia Yedda Linha es e F ancisco Ca los Teixei a da
Sil a p opuse am o ecu so aos egis os de e as de meados do século XIX como uma
on e a a e especi icamen e ol ada pa a o es udo da es u u a undiá ia.2 Já naquele
momen o econheciam as limi ações dos egis os, em pa icula po con a das in o mações
1 GARCÍA JUAN, Lau a, ESCALONA, Julio & CAMARERO BULLÓN, Concepción. P opues a
me odológica pa a la econs ucción del pa cela io an iguo median e sis emas de in o mación geog á ica.
Re is a CT Ca as o, agos o de 2008, pp. 203-214, p. 204.
2 LINHARES, Ma ia Yedda; SILVA, F ancisco Teixei a da. His ó ia da ag icul u a b asilei a; comba es e
con o é sias. São Paulo: B asiliense, 1980. pp. 71-105.
imp ecisas, mas des aca am sua po encialidade na análise do p ocesso de ap op iação do
solo e sua elação ju ídica.
O a gumen o comum a odos quan os en a izam a os p oblemas e limi ações dos
egis os como on e álida de i a da análise dos e ei os da lei de 1850, em especial seu
acasso enquan o ins umen o legal de de inição da es u u a undiá ia. 3 Con udo,
conco damos com a análise de Má cia Mo a quando a i ma que, se o egis o de e as não
o a
"capaz de eo ganiza a es u u a undiá ia nem de disc imina as e as públicas das
p i adas em odo o e i ó io nacional, em alguns momen os ele se iu como
ins umen o de pode , na decisão ace ca do domínio sob e as e as em cada
localidade. Nes e sen ido, ele podia se usado ou não pa a con e i legi imidade
pública aos in e esses dos p op ie á ios de e a em cada egião, dependendo da
decisão de azendei os e la ado es de conside á-lo um e icaz ins umen o na
manu enção ou na imposição de seu domínio sob e as e as de ou em ou sob e
seus dependen es. Decidi egis a sua e a podia implica ou não uma opção po
uma decla ação de alhada da à ea ocupada ou apenas um ápido e sucin o egis o,
capaz de sal agua da o domínio de sua azenda, sem que com isso o decla an e
i esse que limi á-la e i o ialmen e, decla ando sua ex ensão. Ademais, se não e a
exigida uma p ecisa delimi ação e i o ial, os decla an es podiam ope a com o
pode de decisão sob e quem e am os seus con on an es. Em ou as pala as: ao
egis a sua e a, o decla an e pode ia ea i ma ou não o domínio de ou em, pelo
simples a o de egis a ou não a sua e a como um dos seus limi es e i o iais".4
São es as a i udes que explica iam, po an o, as dis in as lacunas nas decla ações. O
mesmo ale pa a con on an es que mui as ezes não se econheciam como ais. Já com
espei o aos limi es, Má cia Mo a ap esen a como exemplo a o ma como o ba ão de
Piabanha egis ou sua azenda da Se a ia, que "desa ia ia hoje qualque ca óg a o que se
a en u asse" a plo á-la, po con a dos ma cos geog á icos mencionados no egis o: o mon e
da Boa Vis a, a es ada da Se a ia, a po ei a, o có ego da cachoei a da azenda Ge al do
3 Es a é a posição em especial de SMITH, Robe o. P op iedade da e a e ansição. São Paulo: Edi o a
B asiliense, 1980; pa a um in en á io das mani es ações pelas p óp ias au o idades nos anos que se segui am à
lei de 1850 com espei o a seu acasso c . CARVALHO, José Mu ilo de. A polí ica de e as: o e o dos
Ba ões. In: CARVALHO, José Mu ilo de. A cons ução da o dem e ea o das somb as. Rio de Janei o: Vé ice-
IUPERJ, 1988, pp. 329-354; MOTTA, Má cia Ma ia Menendes. Nas on ei as do pode : con li os de e a e
di ei o ag á io no B asil de meados do século XIX. Campinas: Uni e sidade Es adual de Campinas, 1996 ( ese
de dou o ado), pp. 205-210.
4 MOTTA, Má cia Ma ia Menendes. Nas on ei as do pode : con li os de e a e di ei o ag á io no B asil de
meados do século XIX. Campinas: Uni e sidade Es adual de Campinas, 1996 ( ese de dou o ado), pp. 214-
215.
Pi acema. Mas a au o a lemb a que "naquela época, os ma cos e i o iais ci ados de iam
se bas an e conhecidos e sua me a menção exp essa a um limi e uma di isão".
Cons i uíam sem dú ida ma cos geog á icos p ecisos pa a aqueles que lá i iam.5
Foi a p á ica social em cada luga que de iniu o ca á e dos egis os, não sendo
possí el, po an o, a ibui -lhes uma na u eza gené ica, álida pa a odo o e i ó io
nacional ou mesmo a pa i do que a lei de 1850 e sua egulamen ação em 1854 p e iam
que ossem ou o papel que de essem cump i . Como consequência, se, como o ez
ecen emen e Ma celo Godoy, des acamos as possibilidades dos egis os de e as como
on e aliosa de in o mações sob e os es udos de His ó ia Ag á ia, além de cons i uí em
"co po documen al quase único em e mos das in o mações que o compõem", não se ia
possí el adian a que os egis os, num con ex o de "quase ausência da p op iedade
ju idicamen e legalizada", osse um ins umen o em po encial pa a os ocupan es dos
e enos se man e em na posse deles.6 Is o po que é igualmen e a p á ica social que de ine a
legi imidade. No que diz espei o a Minas Ge ais, a p op iedade se acha a ju idicamen e
legalizada desde o momen o em que as p imei as ca as de sesma ia o am concedidas, a
pa i de 1710; e mui o pouco empo depois, po meio de ansações de comp a e enda
egis adas nos li os de no as de cada ila. Es e quad o ob iamen e ep oduz-se em odo o
país, e explica po que nos p ocessos de emba go es udados po Má cia Mo a en e as
décadas de 1850 e 1860 não se eco e em nenhum momen o aos egis os de e a como
ins umen os de p o a de p op iedade. Os egis os não pa icipa am da p á ica social nos
p ocessos de es abelecimen o do di ei o de p op iedade da e a.
Em sín ese, são as condições his ó icas de p odução das decla ações em cada
pa óquia que con e em o ca á e de cada egis o. Es as condições co espondem
undamen almen e à elação com a e a p edominan e e/ou dominan e em cada pa óquia.
T a a-se undamen almen e de uma azão ma e ial, de undo, pa a a ausência de
uni o midade dos egis os, que não se con unde com azões de o ma, como o zelo maio
5 MOTTA, Má cia Ma ia Menendes. Nas on ei as do pode : con li os de e a e di ei o ag á io no B asil de
meados do século XIX. Campinas: Uni e sidade Es adual de Campinas, 1996 ( ese de dou o ado), p. 299.
6 GODOY, Ma celo Magalhães; LOUREIRO, Ped o Mendes. Os Regis os Pa oquiais de Te as na His ó ia
e na His o iog a ia - es udo da ap op iação undiá ia na p o íncia de Minas Ge ais segundo uma ou a
me odologia pa a o a amen o do p imei o cadas o ge al de e as do B asil. Re is a His ó ia Econômica e
His ó ia de Emp esas/ABPHE. São Paulo, ol. 1. 1998, pp. 95-132, pp. 111-112.
ou meno dos pá ocos. Os egis os pa oquiais de e a não só não e am uni o mes como
não podiam de modo algum sê-lo, po que di e sas e am as condições ma e iais de p odução
de cada um. Em á eas com amplo p edomínio das es u u as de p odução camponesas, os
egis os e le em uma de e minada elação com a e a mui o dis in a da encon ada em
egiões em que o la i úndio esc a is a e a o pad ão. E mesmo nes as úl imas, há de se
conside a as di e enças en e á eas cujos p ocessos de ocupação da am de pe íodos
dis in os. Is o é obse á el, po exemplo, nos egis os da zona da Ma a cen al,
ca ac e izada po um ele ado núme o de pequenos e médios p op ie á ios u ais, em
especial nas eguesias de São João Ba is a do P esídio e São Januá io de Ubá. No momen o
em que os egis os o am ei os, ambas as eguesias expe imen a am já um acele ado
p ocesso de esgo amen o do pad ão camponês de uso do solo: desde a década de 1840 a
on ei a deixa a de exis i , e os la ado es passa am a não mais pode con a com a
ocupação de pa celas no as pa a a ep odução do seu modo de exis ência. O echamen o
das on ei as a uou como o p incipal elemen o de des uição desse modo de p odução. Já
e a inclusi e possí el de ec a os p imei os sinais de ecomposição da p op iedade undiá ia
que se ha ia esmigalhado po con a das pa ilhas ao longo de á ias ge ações. Si uação
mui o di e sa podia se encon ada à mesma época na eguesia izinha de Leopoldina,
pe ei a ma e ialização de á ea dominada pelo la i úndio esc a is a: dois e ços das e as
decla adas no li o co esponden e a es a pa óquia se concen a am nas mãos de um único
g upo amilia .7
É exa amen e es a al a de uni o midade das in o mações p esen es nos egis os que
a ua como p incipal obs áculo em abalhos que ado am uma pe spec i a compa ada. Assim
oco e com os egis os de San o An ônio do Pa aibuna, Simão Pe ei a e São Paulo do
Mu iaé, que impedi am a Rômulo And ade de alha os ipos de p op iedades e ben ei o ias,
o que só oi-lhe possí el pa a a eguesia de Nossa Senho a da Gló ia (à época, dis i o de
São Paulo do Mu iaé). Pa a Simão Pe ei a apenas duas a iá eis pude am se quan i icadas
(p op ie á io e á ea). Es as di e enças ce amen e e le em condições ma e iais, e não
simplesmen e maio ou meno zelo des e ou daquele igá io. Além dis o, Rômulo And ade
7 CARRARA, Angelo Al es. Es u u as ag á ias e capi alismo; con ibuição pa a o es udo da ocupação do solo e
da ans o mação do abalho na zona da Ma a minei a (séculos XVIII e XIX). Ma iana: Edi o a da UFOP,
1999.
chamou a a enção pa a um elemen o que de a o em sido pouco explo ado: o pe cen ual de
decla an es em elação à população li e adul a em cada pa óquia. Pa a And ade, os 2% em
San o An ônio do Pa aibuna e 12% em Nossa Senho a da Gló ia podem an o mos a um
ce o desin e esse dos p op ie á ios pela legalização de suas e as", como ambém "se um
sin oma de b u al concen ação de e as obse ada nesse ipo de documen ação".8
Mas se nos di igimos pa a á eas mais longínquas, e com baixa densidade
demog á ica, o quad o que eme ge em con o no mui o di e so. A baixa densidade
demog á ica possibili a a a cons i uição de azendas de g andes dimensões, e cujos limi es
a amen e e am conhecidos. A p óp ia ó mula dos egis os de e as de meados do século
XIX con empla a essa imp ecisão. No de Pilão A cado, o amanho mais eco en e é de
duas léguas, mas as di isas não e am ce as: o cálculo pode se alí el pela azão de nunca se
[a azenda] medida. No da Ba a, odos p óp ios p op ie á ios decla a am igno a as
ex emas. Além disso, não e a comum as p op iedades acha em-se sepa adas en e os
he dei os. Em Pilão A cado e Ba a, po exemplo, compunha a ó mula as exp essões em
comum com ou os possuido es, ou em comum com ou os co-he dei os.9
Mas ão impo an e quan o as elações de cada indi íduo com a e a decla ada, as
elações que os decla an es man inham en e si, e que podiam a ia de "mansa e pací ica"
a é o con li o abe o. Es as elações são as a iá eis undamen ais que de inem a equação das
condições obje i as de p odução dos egis os. Em suma: os egis os pa oquiais de e a ão
somen e e le em, e não ul apassam as condições his ó icas que lhes de am o igem. Como
ou as on es coe âneas, padecem dos mesmos ícios e des u am das mesmas i udes. Mas
sem dú ida es amos de aco do, e é o que aqui gos a íamos de en a iza , quan o à ca ência
de pesquisas que pe mi am a e i de modo consis en e as in o mações dos egis os, o que
exigi ia a iculá-las com a de ou as on es. Is o "possibili a ia an o e i ica a consis ência
do con eúdo da documen ação quan o islumb a ou as dimensões". 10 É is o que
pe mi i ia uma melho ap eciação dos limi es e po encial dos egis os pa oquiais de e as.
8 ANDRADE, Rômulo Ga cia. Fo mação de es u u as ag á ias e seu dinamismo na zona da Ma a Minei a.
In: Seminá io Sob e a Economia Minei a, 12, 2006, Diaman ina. Anais. Belo Ho izon e: CEDEPLAR, 2006.
9 CARRARA, Angelo Al es. Paisagens u ais de um g ande se ão: a ma gem esque da do médio São
F ancisco nos séculos XVIII a XX. Ciência e T ópico, Reci e, ol. 29, pp.61-124, 2001.
10 GODOY, Ma celo Magalhães; LOUREIRO, Ped o Mendes. Os Regis os Pa oquiais de Te as na His ó ia
e na His o iog a ia - es udo da ap op iação undiá ia na p o íncia de Minas Ge ais segundo uma ou a
2. O egis o de e as de San o An ônio do Pa aibuna: limi es e
possibilidades
O egis o de e as de San o An ônio do Pa aibuna, cons i uído de 214 egis os,
em o igem no dec e o nº. 1318, de 30 de janei o de 1854, que egulamen ou a execução
da lei de e as (lei nº 601, de 18 de se emb o de 1850). De aco do com o a igo 100, as
decla ações das e as possuídas de iam con e : o nome do possuido , a designação da
eguesia, em que es a am si uadas; o nome pa icula da si uação, se o i e ; sua ex ensão se
o conhecida, e seus limi es. Um exemplo ( egis o 6):
An ônio Ca los Machado possui uma azenda de cul u a denominada Pouso Aleg e
si a na eguesia de San o An ônio do Juiz de Fo a, município da mesma ila, a qual
azenda compõe-se de duas sesma ias medidas e dema cadas, e ou as comp as
anexas, odas eunidas le a ão mais de oi en a alquei es de plan a de milho pouco
mais ou menos. De endo-se i a um qua o de e as em a sesma ia que oi de
Sil es e Mages e, que pe ence a José da Cos a, e con ina oda a azenda den o de
suas con on ações pelo sul com Dominciano Al es Ga cia, ao no e com a sesma ia
de José Rod igues Vale, den o da qual em mais in a e cinco alquei es de plan a
de milho, ao les e com a sesma ia de Ignácio da Sil a Campelo, ao es e com a
azenda de dona F ancisca e com quem mais haja de pa i . Pouso Aleg e in e e
no e de dezemb o de mil oi ocen os e cinqüen a e cinco. //An ônio Ca los
Machado
O a igo 92 de e mina a que os egis os de e iam se ei os em um p azo máximo
de ês anos e meio, is o é, a é junho de 1857. Na eguesia de San o An ônio do Pa aibuna
o p imei o egis o da a de 14 de ab il de 1855, e o úl imo, de 22 de ab il de 1856. Os
egis os de iam se edigidos pelo igá io da pa óquia (a igo 97). É p o á el que o igá io
esponsá el em Juiz de Fo a enha sido o mesmo pad e Tiago, que no mesmo pe íodo
assinou os egis os de ba ismo, óbi os e casamen os da pa óquia. As p op iedades pode iam
se em decla adas an o pelos donos como po quem po esses ossem designados (a igo 93).
Do o al de 214 egis os, 51 (ou 23,83%) o am ei os a ogo, e 163 (ou 76,17 do o al),
pelo p óp io p op ie á io. A maio ia das decla ações o am ei as en e ma ço e ab il de
1856. Nesse úl imo mês, os egis os chega am a 143; em 1855 o am ei os apenas 15
egis os.
me odologia pa a o a amen o do p imei o cadas o ge al de e as do B asil. Re is a His ó ia Econômica e
His ó ia de Emp esas/ABPHE. São Paulo, ol. 1. 1998, pp. 95-132.
A posse e a p op iedade plena não apa ecem cla amen e disc iminadas. Um exemplo
dessa inde inição, em que um sí io é decla ado si ua -se den o de ou a p op iedade pode
se is o abaixo ( egis o 88):
Manuel An ônio Viei a possui em comum com os he dei os do inado Manuel
Linha es Pe ei a e sua mulhe na azenda denominada Piedade, des a eguesia um
sí io in i ulado Campo Belo con ando 21 alquei es de e a de cul u a mais ou menos
o qual di ide com Vicen e An ônio Co eia, So e o Manuel F ancisco, Sil es e
Delgado Mo a, a iú a do inado Joaquim F ancisco, Flo ência Linha es, Ma celino
de Tal, pede egis o. Vila de San o An ônio do Pa aibuna, 16 de ab il de 1856.”//A
ogo de Manuel An ônio Viei a//Ma iniano Peixo o de Mi anda
Den e as o mas mais usuais de aquisição de e as decla adas pelos p op ie á ios
es ão as he anças, com 52 egis os, as comp as, 87. A pe mu a apa ece apenas uma ez
( egis o 50). O "posseamen o" apa ece nos egis os 38 ("posse ha ida a possei os") e 187
(" e as que posseou").
A mais impo an e objeção quan o à possibilidade de uso dessa on e num
mapeamen o da es u u a undiá ia diz espei o ao ca á e imp eciso das decla ações. Es as
imp ecisões e e em-se:
1. às medidas decla adas; p. ex. ( egis o 60): "Eu abaixo assinado mo ado no Cu a o
do Espí i o San o do e mo do Ma de Espanha possuo um qua o de e as e mais ês
alquei es mais ou menos po comp a que iz a João Ignácio da Sil a na azenda de Sil es e
Delgado Mo a e seus he dei os. Bem assim mais in e ou in a alquei es comp a que iz ao
mesmo Sil a anexa ao mesmo qua o. Bem assim mais dez ou doze alquei es comp a que iz
a Lucas Leonel Soa es anexos ao mesmo qua o. Tudo no dis i o de Juiz de Fo a. Es as
e as di idem com An onio Gomes Tolen ino, José Ignácio da Sil a, João de Paula
Rod igues. Dis i o de San o An onio do Pa aibuna 11 de ab il de 1856. //An onio Al es
Ba bosa"
2. à localização das p op iedades; p. ex. ( egis o 95): "Digo eu abaixo assinada que
possuo umas e as posseadas pelo alecido meu ma ido, cujas e as calculadas em in e
alquei es pouco mais ou menos di ide com a azenda do Ma o Vi gem, e com a azenda da
Cachoei inha de Venâncio Delgado, e po ou o lado com o si io denominado Cachoei a
da G ama da senho a dona Umbelina. A minha si uação se chama independência. Te mo
da ila de San o An onio do Pa aibuna coma ca da cidade de Ba bacena. São 14 de ab il de
1856. // F ancisca de Paula de Oli ei a
mais segu a a indicação das di isas. Já o egis o 44 não menciona a di isa com a
p op iedade de Campo Aleg e. No egis o 82, a "sesma ia dos Ribei os" e e e-se sem
dú ida à p op iedade de José Ribei o de Resende. Nes e caso ambém não é decla ada a
p op iedade do Re i o ou seu p op ie á io An ônio Cae ano de Oli ei a Ho a. Po im, as
lacunas no egis o 203 pode iam se p eenchidas com a inco po ação dos dados de ou as
p op iedades cons an es dos egis o pa oquial de e as.
Assim, a iculando odas as in o mações ela i as às con on ações decla adas nos
egis os acima, em-se a igu a 3, em que as se as de sen ido con á io indicam a
con on ação mu uamen e econhecida, e a se a de sen ido único, o econhecimen o isolado
da con on ação de uma p op iedade po ou a.
Figu a 3
A elação en e decla an es e con on an es cons i ui uma das o mas possí eis de
c ia uma elação espacial. O passo seguin e co esponde à quan i icação do núme o de
con on an es de cada decla an e, pa a a ob enção da igu a geomé ica de base pa a o
cálculo da dimensão espacial p opo cional. Is o cons i ui a segunda ase do p ocesso de
mapeamen o, a edis ibuição espacial dimensionada. Em mui as decla ações é ap esen ada
a dimensão da p op iedade em alquei es, co das, palmos, sesma ias en e ou as medidas.
Is o aze com que seja necessá io con e e os alo es ap esen ados em di e en es unidades
de medida numa unidade pad ão. A abela 1 e oma os exemplos an e io es.
TABELA 1 CONVERSÃO DAS DIMENSÕES DECLARADAS PARA O SISTEMA MÉTRICO
azendas
dimensões
con e são em m²
Fo aleza
2 sesma ias
21.780.000
Re i o
3 sesma ias
32.670.000
São FIDÉLIS
150 alquei es
7.260.000
Boa Vis a
1 sesma ia
10.890.000
Campo Aleg e
50 alquei es
2.420.000
Fon e: TEIXEIRA, Winca Góes. Se iço de Es a ís ica da P odução, Minis é io da Ag icul u a – se emb o de
1946. In: FALCÃO, Ismael Ma inho. Di ei o Ag á io B asilei o: dou ina, ju isp udência, legislação e p á ica.
Agenda Ope acional – EMATER MG 2004.
Como são cinco p op iedades con on an es, em-se um pen ágono ep esen ando a
azenda Fo aleza. Pa a dis ibui seus 21.780.000 m² u ilizou-se a ó mula da á ea do
pen ágono egula pa a encon a o aio e de ini a igu a geomé ica ci cunsc i a no
polígono. De posse des e esul ado, pode-se c ia uma in e ação espacial po meio de
p og amas in o má icos que habili em o manuseio das igu as geomé icas, o que pe mi e
a ança na análise da p opo cionalidade das á eas ep esen adas, ainda que es as dimensões
não co espondam exa amen e.
Figu a 4
Exis e uma segunda possibilidade de p ocede à ep esen ação espacial especí ica do
geop ocessamen o po meio da c iação de bu e s, os quais ap esen a iam a mesma á ea a
pa i do aio, po ém com um o ma o geomé ico comum a odas as ep esen ações. As
di e enças não pa ecem undamen ais e a segunda o ma chega a se mais p á ica e ápida de
aplicação do que a p imei a. A p imei a é aplicá el manualmen e em uma base i ual
( undo em b anco) e ambém aplicá el ao so wa e Au oCAD.
A e cei a e apa do p ocesso pode se chamada edis ibuição e e enciada, em que
se busca escalona geog a icamen e e e e encia a dis ibuição de p op iedades à sua egião
o iginá ia, ou seja, é ho a de uni os aspec os geog á icos às in o mações da es u u a
undiá ia cons uída e econs uída pela sociedade. Nes e momen o há a necessidade do uso
de so wa es de Sis ema de In o mação Geog á ica pa a um melho esul ado e manejo das
in o mações pela in e ace i ual.13
A qua a e úl ima e apa é a co espondência en e p op iedades e p op ie á ios
ma cados na p imei a ase sem uma pad onização. Nes a ase busca-se inse i ao mapa
i ual o máximo de in o mações que co espondam à his ó ia do p op ie á io, amília e
p op iedade. A p incípio es as in o mações se ão acessadas a a és de laye s, e
co esponde ão somen e àquelas o iundas do egis o pa oquial de e as, deixando a
possibilidade de ac éscimos e e isões. Impo a em um mapa i ual a capacidade de
manipulá-lo e ape eiçoá-lo. Es a ase é, de odas, a mais incomple a e sua ca ac e ís ica é
induzi os pesquisado es que de enham in o mações de in e esse pa a es a pesquisa a
in e agi com ela.
3.2. A p imei a ase con e ida num p og ama in o ma izado: o
Sis ema de Espacialização de P op iedades po Vizinhança (SEPV)
As qua o e apas ap esen adas an e iomen e na ealidade cons i uem uma o ina de
análise, que, como al, pode se desen ol ida em p og amas p óp ios. Além dis o, os
p ocedimen os desc i os acima êm co espondência aos encon ados nela eo ia dos g a os,
um amo da ma emá ica que es uda a elação en e os obje os de um de e minado
conjun o. No uso que azemos des a eo ia, os obje os são as p op iedades enquan o que as
es u u as são o conjun o o mado pela p op iedade e suas con on an es, al como
ap esen ado an e io men e nas igu as 2, 3 e 4.
Po con a dis o, desen ol eu-se no G upo de Pesquisa em His ó ia Quan i a i a e
Geo e e enciada um so wa e que sin e iza es as e apas, denominado Sis ema de
Espacialização de P op iedades po Vizinhança (SEPV). T a a-se um p oje o pilo o
desen ol ido po Ra ael Lagua dia, mas que já se mos a e icien e pa a os obje i os iniciais
de aplicação des a me odologia. A jus i ica i a de desen ol imen o des e p og ama ad em
do incomple o auxílio dos p og amas de GIS pa a o a o da in o mação his ó ica. O SEPV
p e ê a ep esen ação de cada p op iedade po um cí culo, omado como a igu a
geomé ica capaz de ci cunsc e e ou as o mas egula es. Na cons ução des e cí culo já
13 Um es e com o p og ama A cView no seu aplica i o A cMap pode se consul ado em LAGUARDIA,
Ra ael Ma ins de Oli ei a. So e de e as, azendas, sesma ias: geo e e enciamen o como ins umen o de
análise do egis o de e as. Juiz de Fo a: UFJF, 2011 (disse ação de mes ado).
es ão con idas as ó mulas de ep esen ação da medida do espaço da p op iedade. Es e é o
p imei o passo pa a se alcança as o mas i egula es, con o me as in o mações disponí eis.
O uso de co es pe mi e de inições e di e enças quan o a aspec os p óp ios elencados pelo
pesquisado , bas ando c ia uma legenda pa a cada aspec o em análise. Po exemplo: uma
co pa a ep esen a p op iedades de uma mesma amília, en e ou os. A possibilidade de
a iação no amanho dos cí culos pode an o ep esen a a medida em escala, como
ambém g aus de p odução ou alo es ( igu a 5A).
Há ainda a possibilidade de ab i uma caixa de diálogo a p incípio com
con on an es, á ea do cí culo e co , bem como a ligação po meio de se as que podem
sinaliza os con on an es ou possí eis ci cui os me can is ( igu a 5B). O p og ama en a se
cons uído pa a o obje i o de espacializa as p op iedades ep esen adas pelos egis os de
e as de meados do século XIX, mas ou os usos de suas e amen as podem se explo ados
como em qualque desen ol imen o ecnológico, à medida que o sendo desen ol ido e
ape eiçoado. Ob iamen e, suas limi ações e alhas, assim como seus ganhos e
opo unidades possí eis es ão subme idos a uma pe manen e a aliação e c í ica.
3.3. A segunda ase: o geo e e enciamen o das p op iedades
cadas adas
A ase seguin e p e ê duas e apas undamen ais. A p imei a co esponde à
sob eposição da dis ibuição espacial das p op iedades ep esen ada pela igu a 4 num mapa
de base. Pa a is o, con a-se com uma acilidade adicional indispensá el: a olha de Juiz de
Fo a elabo ada pela Comissão Geológica e Geog á ica de 1924, que eúne in o mações
his ó icas e geog á icas p oduzidas no inal do século XIX, como a al ime ia a a és das
cu as de ní el, pa e da ede hid og á ica, es adas e nomes das azendas ( igu a 6). Es a
olha opog á ica o e ece a eno me an agem de p ese a os nomes o iginais pelo menos
das maio es p op iedades u ais. Assim, o p ocesso de iden i icação adqui e maio
consis ência.
A e apa seguin e consis e basicamen e na manipulação das imagens de sa éli es ou
de ada pa a que a base geog á ica possa se geo e e enciada. A pa i das imagens SRTM
ou daquelas o necidas pelo INPE começa-se a cons ui es a base geog á ica. Na igu a 7
em-se a imagem da egião a se pesquisada disponibilizada pela Emb apa. Po meio da
manipulação da imagem com obje i o de o na mais e iden e o ele o, ob e e-se o
esul ado ap esen ado na igu a 8: as á eas de co es escu as co espondem às egiões de
maio es al i udes ( ons de e melho) enquan o que as de co es mais cla as ep esen am as
egiões de mais baixa al i ude ( ons es e deados e ama elados).
Em seguida, buscou-se localiza a á ea de d enagem da egião, is o é os cu sos d'água
(em azul na igu a 9). Es e laye da hid og a ia pode ambém se ob ido no si e do IBGE.
Assim, de iniu-se pelo sis ema A cGis a á ea em ques ão em seus elemen os geog á icos de
ele o e d enagem. Na sob eposição des a imagem com a p oduzida a pa i do A cGis
u ilizou-se o ecu so de anspa ência do so wa e Co el D aw. O esul ado pode se is o
na igu a 10.
Conside ações inais
A consis ência da análise e iden emen e aumen a á com o ecu so a on es
suplemen a es que escla eçam aspec os ele an es, ais como in en á ios pos mo em,
p ocessos cí eis ou esc i u as de comp a e enda, po exemplo. De oda a manei a, a pa i
des e pon o já é possí el ao menos a ança na análise dos condicionan es na u ais ou as
limi ações de e minadas pelo ele o e hid og a ia (p oximidade de nascen es, luxo, á eas de
alagamen os, e c.), den e ou as a iá eis geog á icas. O modelo aqui p opos o oi pensado
como auxilia da pesquisa his ó ica. Es as p op iedades só pude am se localizadas de ido à
in o mação cons an e nos egis os de e as. O mapa das p op iedades de 1924 pe mi iu
con i ma a localização delas. A combinação de in o mações his ó icas e geog á icas é,
con udo, pa e apenas das possibilidades. Ou os so wa es, como o Au oCAD pe mi em
ap oxima ainda mais as in o mações da on e com uma ealidade modela i ual.
Ou as ques ões p opos as pelo pesquisado são igualmen e possí eis de se
in es igadas, ais como a elação en e o p ocesso de ocupação undiá ia e a malha
hid og á ica ou da decli idade do e eno ou, ainda, o ipo de solo. É aqui que começa de
a o a análise do p ocesso de uso e ocupação do solo.
Re e ências
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2004.
Figu a 1
Di isão e dema cação de e as da azenda Palmi al, 1864
Fon e: A qui o da P e ei u a de Juiz de Fo a/P ocessos de Dema cação de Te as/
Dema cação e di isão da azenda Palmi al; 1o de dezemb o de 1864 [cx. 1, p oc. 1].
Figu a 5A
Figu a 5B
FIGURA 6: De alhe da Ca a de Juiz de Fo a 1924
Des aque da olha Ca og á ica de Juiz de Fo a de 1924, segunda edição, elabo ado pela
Comissão Geológica e Geog á ica de Minas Ge ais.
FIGURA 7: In e ace do A cGis com SRTM
Fon e: á ea de abalho do A cGis 9.1; aplica i o do paco e A qView u ilizado pa a análises de
imagens de sa éli es ou ada em unção do Geop ocessamen o.
FIGURA 8: In e ace do A cGis com imagem de Rele o
Fon e: Á ea de abalho do A cGis 9.1 aplica i o do paco e A qView u ilizado pa a análises de
imagens de sa éli es ou ada em unção do Geop ocessamen o. SRTM con e ido com écnicas
p óp ias do so wa e em in o mações de ele o.