Terminology work the Swedish way
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O trabalho terminológico à maneira sueca
ANNA-LENA BUCHER
Centro Sueco de Terminologia
INTRODUÇÃO
Neste artigo, apresentarei a situação linguística na Suécia e o Centro Sueco de Terminologia TNC, o «centro nevrálgico» do trabalho terminológico sueco há mais de 65 anos. Na Suécia, o trabalho terminológico também é realizado sistematicamente por outras entidades: alguns organismos públicos e empresas privadas tratam das suas próprias necessidades terminológicas, mas mantêm um contacto estreito com a TNC. Entretanto, surgiu um novo mercado da terminologia, no qual outros consultores, além da TNC, oferecem serviços terminológicos; este fenómeno também será mencionado.
A SITUAÇÃO LINGUÍSTICA NA SUÉCIA
In its language policy of 2005, Riksdagen (the Swedish Parliament) decided that Swedish should be the main language of Sweden. However, in January 2008, the question of how this should be regulated by law is still being investigated. Swedish has for many years enjoyed an undisputed status as Sweden’s main language, even though this position has never been officially sanctioned. Swedish has been used in all domains of society, for example, administration, justice and the political system, as well as all levels of the educational system, working life and culture. Other languages spoken in Sweden, among them Finnish, have had official endorsement of use in Sweden’s government or have otherwise been used without in any way affecting the status of Swedish as the obvious first language of the nation.
É também um facto que muitas outras línguas são faladas na Suécia, tanto hoje como no passado. A migração laboral desde a década de 1950 e, posteriormente, outros tipos de imigração, bem como as exigências da UE decorrentes da adesão da Suécia à UE em 1995, influenciaram fortemente a situação linguística e a consciência do uso das línguas no país. Entre as línguas declaradas línguas minoritárias nacionais há cerca de seis anos encontram-se o sami, o finlandês-
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ês e a sua variedade estreitamente relacionada, o meänkieli. Estas línguas são faladas desde sempre no atual território sueco. Mas agora foram reconhecidas legalmente, em conformidade com as exigências legislativas da UE. As outras duas línguas minoritárias agora reconhecidas oficialmente, o iídiche e o romani, também têm uma longa tradição de uso no país.
Paradoxalmente, a posição da língua sueca na Suécia poderia, em teoria, ver-se ameaçada pelo estatuto jurídico concedido a algumas das línguas minoritárias do país, caso o seu estatuto não seja oficialmente reconhecido por lei. Embora pareça improvável que isso venha a acontecer na prática, resta saber se o resultado das discussões em curso porá fim a tais especulações.
O que está realmente a acontecer, porém, é que o uso do sueco tem sido ameaçado ou mesmo substituído pelo uso do inglês em alguns domínios e situações de comunicação no país. Isto é particularmente evidente na produção de tratados e artigos escritos nas ciências naturais e médicas no ensino superior e na investigação, e, cada vez mais, também nas empresas que desenvolvem atividades comerciais internacionais. Embora antes se considerasse natural usar o sueco, surgiu a perceção de que a escolha do sueco como língua preferencial em vários domínios do país talvez necessite de atenção e apoio.
Assim, em dezembro de 2005, o Riksdagen (Parlamento sueco) decidiu adotar uma nova política linguística para a Suécia, com quatro objetivos abrangentes:
1. O sueco deve ser a língua principal na Suécia.
2. O sueco deve ser uma língua completa, isto é, deve poder ser usado em todas as áreas da sociedade, servindo-a e unindo-a.
3. O sueco usado oficialmente e em público deve ser correto, simples e compreensível.
4. Todos devem ter direito à língua: aprender sueco, aprender línguas estrangeiras e usar a própria língua materna ou uma língua minoritária.
A nova política linguística também estabelece que devem ser tomadas medidas para garantir que se possam criar termos e expressões suecos em todas as áreas nas quais queremos poder usar o sueco, o que constitui, naturalmente, um pré-requisito necessário para o segundo objetivo.
TRABALHO TERMINOLÓGICO NA SUÉCIA
A produção de manuais, gramáticas, glossários, dicionários e assim por diante para apoiar o sueco tem uma longa tradição. Olle Josephson, 1 o diretor do
1 Josephson, O. (2004) ”Ju”. Jfrågasatta självklarheter om svenskan, engelskan och alla andra språk i Sverige. Stockholm: Norstedts Ordbok. ISBN 91-7227-406-9.
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Conselho da Língua Sueca, afirma que as iniciativas de cultivo da língua — iniciativas de Sprachpflege, se usarmos a palavra alemã — na comunidade linguística sueca atual são tipicamente orientadas por um ideal «social», e não «cultural». O ideal social gera argumentos que enfatizam a facilidade de uso e visam à comunicação eficiente entre todos os cidadãos e residentes, em condições tão igualitárias quanto possível. O cultivo da língua do ponto de vista cultural concentra-se na língua, não em seus usuários, e procura antes preservar e desenvolver uma língua rica e multifacetada, com fortes tradições, bem como promover um sistema linguístico expressivo, lógico e coerente, fundamentado em sua tradição histórica.
O ideal «social» inspirou a criação de um centro sueco de terminologia. Os primeiros passos foram dados em 1936, quando se criou um comitê de nomenclatura no âmbito da Academia de Ciências da Engenharia. Engenheiros, especialmente inventores e responsáveis pela normalização, tomaram a iniciativa «de atender à crescente necessidade de uma terminologia adequada»2. Cinco anos depois, em 1941, foi criado um centro permanente de terminologia técnica, com base no comitê e segundo estatutos estabelecidos pelo governo. Seu nome passou a ser Tekniska nomenklaturcentralen (Centro Sueco de Technical Terminology), e sua sigla era TNC. Em 2000, o TNC foi reestruturado e seu nome mudou para Terminologicentrum TNC (Centro Sueco de Terminologia). O nome foi deliberadamente tornado mais abrangente para refletir a ampliação das atividades do centro. No entanto, a sigla TNC foi mantida para enfatizar a continuidade de suas atividades.
Os cavalheiros (sim, eram apenas gentlemen!) que fundaram o TNC tinham uma visão muito avançada. Ainda hoje, mais de 65 anos depois, nós, no TNC, concordamos com a primazia do ideal social — e consideramos nosso trabalho «moderno». Nossa postura é muito pragmática: resolvemos problemas de comunicação de grupos específicos de usuários, e é natural reconhecer o caminho «social» como o único viável. As necessidades e exigências decorrentes desse trabalho têm origem na necessidade de comunicação eficiente dos especialistas. O critério de sucesso, o resultado do nosso trabalho, é satisfazer essas necessidades e, por essa mesma razão, o resultado — o produto terminológico — pressupõe acordo e aceitação. Sem qualquer prescrição normativa, o acordo
2 Protokoll fört vid sammanträde med Nomenklaturkommittén, Kungl. Ingenjörsvetenskapsakademien den 15 januari 1936. (Minutes from a meeting with the Committee for nomenclature, Royal Academy of engineering sciences, January 15, 1936).
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passa a servir de norma para seu grupo específico de usuários. Assim, os termos tornam-se norma para esse grupo não por causa de diretrizes impostas de cima, mas pelas necessidades que o próprio grupo de clientes sente. Essa norma unifica o uso nessa rede de usuários.
O novo TNC é uma empresa privada. No entanto, ainda recebemos uma subvenção governamental do Ministério das Empresas, Energia e Comunicações para funcionar como o «centro nevrálgico» das atividades terminológicas suecas. A subvenção corresponde a cerca de 50% do faturamento anual.
O principal objetivo do TNC era, e continua sendo, atender a todos os tipos de necessidades terminológicas que redes específicas de profissionais possam ter em praticamente qualquer área de trabalho. Para alcançar esse objetivo, o TNC:
Oferece serviços terminológicos e apoia órgãos públicos, organizações e empresas que desenvolvem trabalhos terminológicos;
Desenvolve produtos terminológicos, como glossários e bancos de termos;
Elabora regras e diretrizes para a redação de textos técnicos;
Reúne, registra e processa informações terminológicas, por exemplo, termos novos, termos antigos em um novo contexto e informações conceituais;
Oferece palestras e cursos de terminologia e redação técnica;
Coopera com outras entidades de língua e terminologia, tanto em nível nacional quanto internacional;
Participa da normalização internacional no âmbito da ISO e do CEN.
REDES DE COOPERAÇÃO
A outra agência de promoção linguística da Suécia, o Conselho da Língua Sueca, é financiada pelo Ministério da Cultura. O Conselho ocupa-se do uso geral da língua, enquanto o TNC se dedica às línguas para fins específicos, com foco na terminologia. A existência de duas agências de promoção linguística com diferentes áreas de responsabilidade nunca foi um problema na Suécia. Ambas as agências participam de uma rede de instituições de especialistas em língua, como a Academia Sueca, os consultores linguísticos dos meios de comunicação (jornais, rádio e televisão), os consultores linguísticos do Gabinete do Primeiro-Ministro, o Instituto Sueco de Normas, etc. Essa rede reúne-se quatro vezes por ano para a troca mútua de informações e também para discutir questões de política linguística e certas questões fundamentais relativas à língua ou à terminologia.
Outra cooperação, muito importante para o TNC, é a rede nórdica
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Nordterm3. A cooperação nórdica em terminologia existe desde a década de 1940, e a rede Nordterm, criada em 1976, formalizou-a ligeiramente. Foi criada em consequência de iniciativas das próprias agências. A Nordterm não é uma entidade jurídica independente e não dispõe de financiamento próprio, mas pode solicitar financiamento para projetos específicos.
A PRODUÇÃO TERMINOLÓGICA DO TNC
Os projetos terminológicos atribuídos ao TNC durante os seus primeiros anos de existência, na década de 1940, resultaram em glossários de diferentes áreas técnicas, por exemplo, Glossário de fundição, Glossário de esmaltagem, Glossário de resistência dos materiais e Glossário de termos de pintura de casas. O objetivo era delimitar e descrever conceitos, em sueco, numa área temática de cada vez (ou num domínio de prática especializada), refletindo o universo conceptual sueco, e também apresentar equivalentes noutras línguas nórdicas, muitas vezes também em inglês, alemão e francês.
A base científica do trabalho terminológico do TNC foi bem descrita pelo primeiro diretor do TNC, John Wennerberg. Doutorou-se em engenharia eletrotécnica e também possuía um profundo conhecimento de linguística. Por sinal, conhecia Eugen Wüster e, tal como Wüster, considerava que o conceito era, em princípio, independente da expressão linguística e explicou por que era prático distinguir entre objetos do mundo real, conceitos, termos e definições. Afirmou: „O trabalho terminológico tem dois lados: sancionar termos apropriados e estabelecer o seu significado.“4
O objetivo da produção terminológica inicial do TNC era responder às necessidades de comunicação decorrentes da industrialização, da normalização e da internacionalização que ocorriam então em todo o mundo ocidental. Os iniciadores eram os próprios especialistas, que muitas vezes representavam não apenas uma empresa ou uma organização, mas todo o domínio temático ou setor profissional.
In the 1960s, terminological projects were initiated from other subject fields than strictly technical ones, for example forestry, work environment, cleaning, pensions etc. Terminology work in relation to translation became more predominant by the end of the eighties. TNC was engaged in a com-
3 Os países nórdicos são: Dinamarca, Ilhas Faroé, Finlândia, Gronelândia, Islândia, Noruega e Suécia.
4 Wennerberg, J. (1955). Ordförklaringar. Ord och uttryck, 25, p. 21–22. (TNC 25).
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projeto de tradução abrangente que ocorreu a partir de 1989, no contexto da criação de uma Área Econômica Europeia (EEE). Cerca de 10 000 páginas de documentos oficiais da CE foram traduzidas para o sueco e, como resultado do envolvimento da TNC, publicámos um dicionário um tanto diferente, “EC Words and Expressions”5. Este dicionário contém termos, frases, nomes e contextos em sueco e inglês, extraídos de versões paralelas de alguns documentos essenciais da CE, como, por exemplo, o Tratado de Roma. O objetivo era oferecer orientações a tradutores e outros utilizadores, ajudando a evitar que surgissem múltiplas traduções para os mesmos conceitos.
When Sweden entered the EU in 1995, TNC were assigned four comprehensive tasks concerning the updating of the European Commission’s termbank Eurodicautom with Swedish terminology. Within a period of five years, TNC updated Eurodicautom with approximately 140 000 Swedish terms, mostly also with definitions, covering about 100 different subject fields.
SERVIÇO DE CONSULTAS DA TNC E GRUPOS DE TERMOS ESPECIALIZADOS
O serviço de consultas terminológicas da TNC é um dos serviços oferecidos a quem necessita de informação terminológica e assistência em questões relacionadas com a terminologia. O que distingue o tratamento de consultas terminológicas de outras formas de produção terminológica, como a elaboração de glossários, é o seu caráter imediato. Por outro lado, o que aproxima esta atividade da elaboração de glossários é o facto de abranger quase as mesmas atividades: pesquisar informação terminológica, analisá-la e, em muitos casos, produzir novos conhecimentos terminológicos sob a forma de novos termos, definições, descrições de conceitos, etc. O processamento de uma consulta específica pode ser visto como uma espécie de projeto terminológico em menor escala. A acumulação de consultas e a comunicação entre a TNC e os clientes também estimulam projetos de maior dimensão.
Desde a sua fundação, a TNC presta um serviço de consultas terminológicas tanto a utilizadores especializados da língua como ao público em geral. Nos primeiros tempos, muitas consultas diziam respeito a conceitos e termos pertencentes ao vocabulário técnico básico e geral. No início da existência da TNC, era natural que as pessoas procurassem recomendações sobre como distinguir termos técnicos gerais como machine, instrument e apparatus, uma vez que, até então, o único conselho disponível era
5 EGs ord och uttryck (EC Words and Expressions) (1993). Wiken. ISBN 91-7119-394-4.
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o que afirmavam os dicionários gerais, e isso era, na sua maioria, de natureza descritiva, e não normativa e colaborativa.
Dos anos 1940 aos anos 1960, a maioria das consultas dizia respeito a áreas científicas e técnicas. Hoje, abrange uma variedade mais ampla de áreas temáticas: medicina e cuidados de saúde, direito, química, administração pública, formação e ensino, informática, ciências da vida e telecomunicações. Observa-se uma evolução semelhante na variedade de profissões dos utilizadores atuais do serviço; antigamente, a maioria dos utilizadores eram especialistas nas respetivas áreas, enquanto hoje tendem a trabalhar na administração pública ou como tradutores, professores, redatores técnicos, jornalistas, etc.
Um aspeto interessante do serviço de consultas é a forma como ajuda a TNC a «detetar» novas tendências na LSP, numa ou em várias áreas temáticas. Como referido acima, o inglês exerce uma forte influência sobre a língua sueca em alguns domínios e situações de comunicação. Em 1996, quando a utilização da Internet e do correio eletrónico ainda era relativamente recente, aumentou o número de consultas sobre equivalentes suecos de termos como homepage, e-mail, web, chat. Pouco depois, o Conselho da Língua Sueca e a TNC formaram o Grupo Conjunto para a Terminologia Sueca da Informática. Mais tarde, criámos outros grupos semelhantes, entre eles o Grupo Conjunto para a Terminologia Sueca das Ciências da Vida.
O objetivo destes grupos é consolidar e, quando as insuficiências do uso corrente o exigirem, criar uma terminologia adequada que dispense a passagem do sueco para o inglês, bem como harmonizar a terminologia existente através da análise de conceitos e da apresentação de definições e explicações plausíveis. Os grupos são compostos por especialistas em promoção da língua geral, terminólogos, especialistas das áreas temáticas e, por vezes, também representantes dos meios de comunicação. Estes grupos não são como os grupos de projeto que elaboram um glossário de uma área específica; devem antes ser entendidos como serviços de urgência que resolvem (sanam) problemas terminológicos tanto para leigos como para especialistas, ou seja, não apenas para especialistas. Como medida imediata, os grupos tratam frequentemente conceitos individuais, em vez de sistemas conceptuais completos, para propor termos que se adequem bem à evolução do uso.
BANCOS DE TERMOS
O primeiro banco de termos da TNC era um ficheiro de fichas. Esta coleção de fichas começou a acumular-se logo desde o início, no final da década de 1930. Cada ficha continha um termo e a respetiva fonte, e, muitas vezes, os termos eram excertos de manuais e da literatura. No final da década de 1960, a TNC começou a
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utilizar métodos assistidos por computador na elaboração de glossários, o que levou ao desenvolvimento de um banco de termos eletrónico que, em meados da década de 1980, podia ser consultado através de modem. Em 1987, a TNC publicou pela primeira vez o seu banco de termos em CD-ROM. Seguiram-se outras publicações do banco de termos da TNC, em 1989, 1992 e 2005.
Em 2006, a TNC recebeu financiamento especial do Ministério do Empreendedorismo, do Emprego e das Comunicações para começar a criar um banco de termos nacional na Internet, o Rikstermbanken. As razões desta iniciativa são apresentadas em várias propostas governamentais. Eis um exemplo: «O trabalho terminológico contribui para o bom funcionamento da língua em todos os domínios da sociedade e aumenta a eficiência dentro e entre vários campos de especialidade. O rápido desenvolvimento da sociedade exige um trabalho constante para criar terminologias acordadas e torná-las acessíveis em cada vez mais campos de especialidade. O acesso fácil aos termos através da Internet, num banco de termos nacional, fomenta esse desenvolvimento.»6
Durante a primeira fase do desenvolvimento, analisámos outros bancos de termos na Internet, por exemplo, o IATE da UE e o Terminų Bankas lituano. Estamos agora na segunda fase e, até ao momento, desenvolvemos um programa informático e um protótipo de banco de termos com cerca de 7 000 registos, a maioria provenientes dos glossários da TNC. Os nossos glossários constituirão a base do Rikstermbanken, mas já começou a recolha de materiais de outras entidades, sobretudo de organismos públicos. Para decidir que terminologias são elegíveis para inclusão no Rikstermbanken, estamos a definir critérios de qualidade que utilizaremos para classificar e avaliar as várias terminologias. De início, foram considerados mais importantes os seguintes critérios: fiabilidade/proveniência/origem, atualidade e originalidade; conteúdo (número de línguas, qualidade das definições, etc.). Planeamos disponibilizar ao público uma primeira versão do Rikstermbanken até ao final de 2008.
ATIVIDADES DE FORMAÇÃO
Na Suécia, os cursos de terminologia começaram mais tarde do que nalguns outros países nórdicos. A formação em terminologia nas universidades teve início em grande escala na Dinamarca e na Finlândia no início da década de 1970 (na área da economia empresarial), enquanto na Suécia a formação se limitava à aprendizagem no local de trabalho (na TNC), não estando integrada em programas de licenciatura ou diploma. O centro sueco de terminologia é o mais antigo da região nórdica, mas, curiosamente, demorámos a estabelecer formação nas nossas universidades.
6 Från IT-politik för samhället till politik för IT-samhället (2005). p. 207. (SOU 2004/05:175). (Government bill on Sweden’s ICT policy).
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O centro sueco de terminologia é o mais antigo da região nórdica, mas, curiosamente, demorámos a estabelecer formação nas nossas universidades.
No âmbito da cooperação Nordterm, foram organizados quatro cursos de pós-graduação — o primeiro em 1978. Os conhecimentos abordados diferem um pouco entre os países nórdicos, e uma das funções importantes destes cursos era contribuir para a partilha, o intercâmbio e o desenvolvimento de conhecimentos.
Estes cursos conduziram gradualmente também à formação em universidades suecas, e a maior parte da formação é ministrada pela TNC, por vezes em cooperação com o Instituto de Estudos de Interpretação e Tradução da Universidade de Estocolmo. A maioria destes cursos integra outros programas, sobretudo os de formação de tradutores ou os currículos de linguística. Na primavera de 2002, foi criado na Universidade de Estocolmo o primeiro curso autónomo de terminologia com créditos. E agora, em janeiro de 2008, acabámos de concluir um quarto curso com créditos e, pela segunda vez, em regime de ensino a distância pela Internet.
A TNC também oferece cursos concebidos à medida para projetos específicos ou grupos de interesse, tanto no setor público como no privado.
De facto, as atividades de formação expandiram-se mais do que as restantes atividades da TNC durante a última década. A maior consciencialização terminológica que, a nosso ver, resulta da atual sociedade da informação e do conhecimento (ver abaixo) está na origem desta procura: muitas pessoas precisam de compreender melhor a teoria da terminologia e os princípios e métodos do trabalho terminológico.
No que diz respeito à formação, a nossa visão para o futuro na TNC é a seguinte:
• elaborar e desenvolver mais cursos pela Internet, tanto a nível nacional como nórdico;
• defender a inclusão de módulos de terminologia em todos os programas universitários, não apenas nos programas de tradução e linguística, e numa fase inicial da formação. Estamos convencidos de que a consciencialização terminológica é uma ferramenta importante e valiosa para a aquisição de conhecimentos.
NOVOS DESAFIOS
A transição da sociedade industrial para uma sociedade baseada no conhecimento gera novas exigências e também tem impacto no trabalho terminológico. Atualmente, as atividades relacionadas com
• garantia da qualidade,
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interoperabilidade semântica,
organização e gestão do conhecimento,
estruturação da informação no desenvolvimento de sistemas de TIC (gestão de conteúdos),
gestão automática de grandes volumes de informação e reutilização da informação, por exemplo, em registos de cuidados de saúde,
colocaram as necessidades terminológicas sob uma nova perspetiva. Isto aplica-se particularmente ao setor da saúde, onde se deseja uma terminologia inequívoca e clara no que diz respeito às estatísticas e aos métodos de acompanhamento, ao armazenamento eletrónico de informação, às rotinas relativas à segurança dos pacientes, etc.
Tal como em muitos outros países, a administração pública sueca enfrenta um grande desafio: transformar-se na moderna chamada administração pública eletrónica, ou seja, utilizar novas tecnologias e encontrar novas formas eletrónicas de arquivar informação e comunicar com os cidadãos, etc. Esta evolução implicará a necessidade de uma terminologia precisa, e diferentes autoridades terão de começar a inventariar a terminologia existente, harmonizando e coordenando o seu trabalho terminológico. Vários inquéritos públicos reforçaram esta necessidade, bem como a de designar pessoas específicas responsáveis pelo trabalho terminológico. Algumas agências públicas suecas já criaram a sua própria organização terminológica interna; um exemplo é o Conselho Nacional de Saúde e Bem-Estar.
Em suma: atualmente, o trabalho terminológico é muitas vezes parte integrante de outros projetos, por exemplo, no desenvolvimento de um sistema de TIC em que o foco está na estruturação dos conteúdos.
Estas novas exigências atribuíram à TNC novas tarefas e projetos e, até agora, constatámos que um bom conhecimento dos princípios da terminologia, bem como o domínio dos métodos de trabalho terminológico, são essenciais; os terminólogos são especialistas em gestão do conhecimento e comunicação e conseguem lidar com esta questão de forma sistemática — tudo isto é necessário nesta nova evolução. No entanto, já não somos a única organização a oferecer serviços terminológicos, como éramos há quinze anos. Há também outros consultores de terminologia «no mercado», por exemplo, pessoas com formação em informática, tradução e ciências da computação.
TRABALHO TERMINOLÓGICO EM ÓRGÃOS PÚBLICOS E EMPRESAS PRIVADAS
Nos últimos dez anos, aproximadamente, assistiu-se a um desenvolvimento interessante, no qual algumas
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autoridades públicas e empresas privadas criaram uma seção ou departamento interno de terminologia. O Conselho Nacional de Saúde e Bem-Estar emprega cinco terminólogos, que desenvolvem terminologias de áreas restritas da saúde e do bem-estar e publicam os resultados em um banco de termos, acessível a todos em seu site. A TNC e o Conselho Nacional cooperam estreitamente; a TNC participa de vários projetos de terminologia do Conselho e também o apoia na formação. Um projeto recém-iniciado é a tradução para o sueco do Snomed CT, um sistema britânico-americano de classificação e terminologia de termos clínicos. O Snomed contém mais de 300 000 conceitos, e a tarefa de organizar esse enorme projeto de tradução foi atribuída ao Conselho Nacional de Saúde e Bem-Estar. O Conselho Nacional contratou a TNC para elaborar as diretrizes terminológicas e linguísticas destinadas aos tradutores envolvidos nesse trabalho e também para capacitá-los em métodos de trabalho terminológico.
A empresa Scania, fabricante líder de caminhões pesados e ônibus, também possui um departamento interno de terminologia com cinco terminólogos. Apenas algumas outras empresas na Suécia também investem em terminologia, mas com muito menos recursos do que a Scania.
CONCLUSÕES
O trabalho terminológico está sempre voltado para o futuro. Seu objetivo é aprimorar a comunicação específica de cada domínio e estabelecer as bases para uma comunicação eficiente voltada ao compartilhamento e à transferência de conhecimento e à tradução de alta qualidade. Esse trabalho é sempre „moderno“ e se apoia em duas bases: continuidade e desenvolvimento.
Os terminólogos precisam acompanhar os novos desenvolvimentos e estar atentos às novas exigências. O bom conhecimento dos princípios da terminologia e o domínio dos métodos de trabalho ajudam o terminólogo a atuar em um ambiente em constante mudança.
São necessários mais terminólogos para superar as lacunas da sociedade da informação contemporânea! A formação em terminologia é, portanto, importante. Ela também possibilita a certificação e, consequentemente, o controle de qualidade do trabalho terminológico. Sem programas de formação adequados e reconhecidos, qualquer pessoa pode alegar usar „terminólogo“ como título.
Todos nós, terminólogos, devemos nos esforçar continuamente para tornar visível como nosso trabalho beneficia a sociedade; devemos divulgar nosso trabalho, oferecer formação e promover a nós mesmos, ao mesmo tempo que organizamos conceitos, redigimos definições e recomendamos termos.
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TRABALHO TERMINOLÓGICO SUECO
O sueco é há muito tempo a principal língua da Suécia. Tem sido usado em todas as áreas da vida social. No entanto, nas últimas décadas, o uso do sueco tem sido ameaçado pelo inglês, que em algumas áreas ou situações linguísticas chegou mesmo a substituí-lo. Isso se aplica especialmente ao ensino superior e à investigação científica nas áreas das ciências naturais e da medicina. Essa situação é cada vez mais comum nas empresas ligadas ao comércio internacional. Em dezembro de 2005, o Riksdag (Parlamento da Suécia) aprovou uma nova política linguística para a Suécia, que estabelecia quatro objetivos importantes. Um deles afirma que o sueco deve ser uma língua abrangente, isto é, deve ser possível usá-lo em todas as áreas da vida social; deve ser necessário para a sociedade e uni-la. Esse objetivo também abrange o trabalho terminológico e sublinha que esse trabalho é sempre necessário e está sempre atualizado.
O trabalho terminológico na Suécia tem uma longa tradição. Em 1936, foi criado um Comitê de Nomenclatura na Academia Real Sueca de Ciências da Engenharia. Engenheiros, sobretudo inventores e responsáveis pela normalização, tomaram a iniciativa de «satisfazer as crescentes necessidades de terminologia adequada». Em 1941, foi criado um centro permanente de terminologia técnica, denominado Tekniska nomenklaturcentralen (Centro Sueco de Terminologia Técnica), abreviado como TNC.
Ao longo dos sessenta e cinco anos de existência, os projetos realizados pelo Centro de Terminologia refletem o desenvolvimento da sociedade. Nos primeiros anos de funcionamento do centro, foram elaborados glossários terminológicos de várias áreas técnicas. Depois da adesão da Suécia à União Europeia, em 1995, a TNC recebeu quatro amplas tarefas relacionadas com a inclusão de termos suecos no banco terminológico da Comissão Europeia, Eurodicautom.
A transição de uma sociedade industrial para uma sociedade do conhecimento coloca agora novas exigências que afetam o trabalho terminológico. Atividades relacionadas com a garantia da qualidade, a compatibilidade semântica, a organização e a gestão do conhecimento, a criação de estruturas de informação para melhorar os sistemas de informação e comunicação (gestão de conteúdos), o processamento automático de grandes volumes de informação e a reutilização da informação (por exemplo, em documentos de cuidados de saúde) evidenciaram novas necessidades terminológicas e colocaram novos desafios aos terminólogos.
Pode-se concluir que são necessários mais terminólogos, capazes de preencher as lacunas da sociedade da informação moderna. Devem esforçar-se continuamente por demonstrar os benefícios que o trabalho terminológico traz à sociedade, organizar formação, apresentar as suas atividades e, ao mesmo tempo, gerir conceitos, fornecer definições e recomendar termos.
Recebido em 2007-09-05
Anna-Lena Bucher, Centro Sueco de Terminologia, Västra vägen 7 B, 169 61 Solna, Suécia. E-mail: [email protected]
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