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"São Mateus: Terra sem Justiça e sem Liberdade" (out. 1947)

Emmerich, Obéd

Full text

1 SÃO MATEUS, TERRA SEM JUSTIÇA E SEM LIBERDADE (outubro de 1947) Autor: Obéd Emmerich Preâmbulo: Este arquivo em PDF faz parte do Material Suplementar Eletrônico (MSE) do livro Caneta de Ouro: Poesia e Trajetória de Vida de Obéd Emmerich, de autoria de Francisco G. Emmerich, publicado em 2025, estando relacionado à seção 4.16 — Capítulo 4 do livro. Breve contexto dos eventos: Um dos eventos mais importantes organizados pela UDN de São Mateus antes das eleições de 30 de novembro de 1947 foi a Caravana à Zona da Mata, realizada entre 9 e 19 de outubro. Durante 11 dias, a caravana percorreu diversas localidades do interior de São Mateus, incluindo Córrego Grande, Pedra Bonita, Cachoeira dos Patos, Fortaleza, Boa Vista, Córrego do Café, Guararema, Água Limpa, Alto Muniz, Baixo Muniz e Cristalino. Algumas dessas localidades hoje integram outros municípios, visto que o território de São Mateus na época era superior ao dobro do tamanho atual, englobando áreas que hoje pertencem a Nova Venécia, Boa Esperança, Jaguaré e Vila Pavão. Logo após o término da Caravana à Zona da Mata, em 19/10/1947, Obéd Emmerich finalizou a redação de uma extensa reportagem, com 14 páginas datilografadas, entre os dias 20 e 23 de outubro de 1947, que enviou para A Gazeta. A matéria sobre a Caravana foi publicada integralmente no final de outubro e início de novembro, conforme descrito no Capítulo 4 (seção 4.16) do livro. ------------------------------------------------------------------------------------------------- Parte A: Transcrição completa do artigo original Parte B: Cópia completa do artigo original Parte C: Cópia completa do artigo como publicado em A Gazeta ------------------------------------------------------------------------------------------------- 2 ------------------------------------------------------------------------------------------------- Parte A: Transcrição completa do artigo original de Obéd Emmerich , com explicações ou termos explicativos entre colchetes feitos por Francisco G. Emmerich em 2025. “SÃO MATEUS, TERRA SEM JUSTIÇA E SEM LIBERDADE” “Caravana da UDN de São Mateus chefiada pelo coronel Eleosippo Cunha em viagem de propaganda através da "Zona da Mata" – Não há escolas – Picadas intransitáveis – Lavradores desarmados e bandidos armados – Ladrões de cavalos em ação – Saques e tocaias – Responsabilidades do governo – Oto Neves, o maior responsável – Viúvas – Fome – Desespero – Revolta – Autoridades municipais e policiais irresponsáveis – Crimes horríveis e criminosos impunes – Mortalidade causada por febres malignas, boba e impaludismo – Postos de saúde entregues a meninos inexperientes e tendo um só vidro de "metoquina" – O atual prefeito Iran Cardoso trazia para Nova Venécia cargueiros de armas, sem lavrar auto de apreensão – Clima de terror em todo o município nas vésperas das eleições municipais – O tenente Floriano Rubim, funcionário da confiança do governo, em propaganda política a favor de Oto Neves. ________________ Na manhã do dia 9 do corrente viajamos da Vila de Nova Venécia, em Caravana constituída dos Srs. Manuel Pessanha, Arnaldo Bastos, candidato da UDN ao cargo de prefeito deste município, Obéd Emmerich e vários outros denodados [aguerridos] companheiros, sob a chefia do Cel. Eleosippo Cunha. Nosso objetivo se resumia em propaganda dos princípios e doutrinas do nosso partido e dos candidatos do mesmo aos cargos de prefeito e vereadores municipais nas próximas eleições de 30 de novembro.– Esta Caravana, depois de realizar comícios em 12 localidades, tendo falado a duas mil e quinhentas pessoas, sendo que em algumas localidades, em dia útil, enfrentou auditórios de lavradores até de 350 pessoas – encontrou o povo resolvido a trabalhar pela libertação de São Mateus. – Através de toda aquela região situada às margens do Braço Sul do Rio São Mateus, toda constituída de terras de primeiríssima qualidade, encontramos um punhado de bravos, ao lado de centenas de heroicos lavradores, lutando ao lado da bandeira da UDN. Como um preito [homenagem] de Justiça aqui deixamos a nossa sincera admiração por toda essa boa gente, hospitaleira, trabalhadora, sincera e forte, e o nosso abraço de irmãos por intermédio dos seus legítimos 3 líderes e representantes Srs. Rafael Seglia, em Pipinuque; Otacílio Fernandes, França Jonas, Germano, Miguel Seglia e Frederico Lemke, no Córrego Grande; Chico Paulino, Sebastião Beatriz, João Leão e Jeronymo Teixeira, em Pedra Bonita; Joaquim Sabino e Leopoldino da Silva, em Cachoeira dos Patos; Horácio Rodrigues de Oliveira, em Fortaleza; Manuel Dias de Carvalho, em Boa Vista; Bartimeu Gomes de Aguiar e Antonio Neto, em Córrego do Café; José Ferreira da Silva, Samuel e João Scaraini, em Guararema; Manoel Ferreira da Silva, em Água Limpa; Agenor Botelho, Carlos de Andrade, José Amaral, no Cedro e em Invejada; Manoel Couto, Antonio Teixeira e Abel Martins, em Alto Muniz; Tito Cid Magalhães, Durvalino Cristovão e João Alves Serqueira, em Baixo Muniz; Antenor Nunes e Mateus Rodrigues, em Cristalino; e Angelo Bravim, em Santa Rosa. Por intermédio destes companheiros, enviamos aos outros, cujos nomes não nos ocorrem neste instante, e a todos os que nos receberam como irmãos, o nosso abraço acompanhado da grandeza da nossa causa e certeza de Vitória nas urnas. Para que o povo do Espírito Santo e do Brasil saiba como é que se administra em São Mateus e como é que os sobas [chefes] de bitola estreita e meia-tigela, donos do governo que ainda é o reflexo da ditadura, fazem a política do PSD neste desgraçado interior que eles, criminosamente, condenaram à morte e ao analfabetismo, vamos agora fazer aqui um desfile de fatos perante a opinião pública e denunciar aos homens honestos o criminoso procedimento das autoridades deste município nestes malditos quinze anos de ditadura que foram, para os municípios, desgraçadamente, majorados, com pequeno intervalo de bonança. EDUCAÇÃO PÚBLICA NÃO EXISTE O mais sagrado dos direitos que tem qualquer chefe de família, que é o de ter escola para os seus filhos, jamais foi concedido aos lavradores de toda a Zona da Mata. As 36 escolas que existiam no interior antes da famigerada revolução ficaram reduzidas a 6 ou 8. Toda a rica região que percorremos não tem escolas. Encontramos nos lugares Guararema e Água Limpa 3 escolas estaduais que foram criadas por intermédio do novo município de Barra de São Francisco e cujas professoras lá recebem os seus vencimentos. O deputado Oto de Oliveira Neves, que foi eleito deputado somente porque recebeu mil e cem votos daquela zona, depois de eleito o empossado nunca mais se lembrou de cumprir as promessas que fez àquele povo. Jamais se lembrou de pedir qualquer coisa para os seus bons eleitores, razão por que toda aquela gente está revoltada. Até uma escola de Santa Rosa que funcionava regularmente, tendo como professor o Sr. Angelo Bravim, foi fechada pelo governo. Só não deixou de funcionar porque o udenista José Marciano dos Santos, revoltado com tal miséria, mandou que o professor continuasse a lecionar, pois ele pagaria do seu bolso os seus vencimentos. Quando por lá passou a nossa Caravana, encontramos as crianças em forma cantando alegres o hino da Pátria. Nessa ocasião o Cel. Eleosippo assumiu o compromisso de continuar pagando o referido professor. 4 A população escolar de toda a região que percorremos e que está crescendo como irracional sem as luzes do alfabeto é de 800 a 1000 crianças, não contando as que se criaram durante estes últimos anos e que hoje são apenas máquinas de trabalho. A gente fica estarrecida em face de tamanho crime praticado pelo Sr. Oto e demais responsáveis diretos ou indiretos por tal estado de coisas. O Cel. Eleosippo Rodrigues Cunha ficou tão penalizado por tudo o que presenciou que resolveu financiar o funcionamento de 4 escolas nos seguintes lugares: Patrimônio do Pavão, Pedra Bonita, Baixo Muniz e Santa Rosa. Resta-nos concluir – considerando que nunca houve tanto progresso científico e tanta perfeição pedagógica – que nunca se viu, também, tanta gente crescendo sem aprender a ler. Isto parece um paradoxo impossível. Entretanto, por artes de mentalidades, como a do deputado Oto Neves, aqui neste São Mateus, infeliz, é realidade e quem não quiser acreditar que venha ver para crer. NÃO HÁ ESTRADAS Viajamos durante 12 dias consecutivos, a cavalo, através de trilhos intransitáveis. Não chegamos a compreender de que maneira foram gastas as verbas orçamentárias de Estradas e Pontes nestes últimos quinze anos. Ou melhor, compreendemos mas não adianta nada repetirmos aqui o que este jornal já está cansado de dizer. Mesmo porque os responsáveis por esta situação, de tanto atraso e tanta miséria, são pessoas que merecem a absoluta confiança do senhor Governador. O certo é que não transitamos em pelo menos 10 metros de estradas feitas ou conservadas pela prefeitura, nem encontramos uma só ponte ou pinguela construída polo poder público Municipal. Regiões como as de Guararema, Fortaleza, Água Limpa, Alto Muniz, Cedro etc., em cujas terras vicejam as mais belas lavouras, vivem completamente divorciadas da vida do município. Toda a fantástica produção de café, cereais, madeira etc., escoam [escoa] pelo município de Colatina, sendo que todos os impostos estaduais, federais e municipais são pagos a [em] Colatina ou Barra de São Francisco, em virtude de não haver estradas de penetração que estabeleçam facilidade de intercâmbio comercial, com o resto do município de São Mateus. Até os limites com Colatina não temos estradas. Daí para a frente, sim. É mais fácil ir-se de Guararema a Vitória do que vir-se a São Mateus, e o interessante é que segundo pudemos observar, uma série de estradas ligando Nova Venécia aos centros produtivos daquelas regiões não seria tão difícil. Caso houvesse um pouco de boa vontade por parte dos dirigentes municipais, cremos que o Departamento de Estradas de Rodagem já teria realizado tais serviços de inestimáveis benefícios para a economia do município e bem-cotar para o povo de tais localidades que, construindo, com o esforço próprio, grande fontes de rendas, sente, desoladamente, o desinteresse com que é tratado pelos próprios dirigentes do município em que vive. 5 Somente o viajante que percorre aquelas paragens pode avaliar o estado lastimável dos trilhos improvisados pelos próprios moradores e em alguns lugares percorre-se léguas através de picadas perigosíssimas. Nós, que conhecemos várias regiões do sul do Estado, quando penetramos em Guararema e Água Limpa, tivemos a impressão de que estávamos ultrapassando os umbrais de um Novo Mundo, tal a quantidade de lavouras de café formadas e em formação ao lado de roças de milho, cana, pastagens, boas casas, tudo bem trabalhado, bem tratado. A única coisa que destoa de toda essa maravilhosa sinfonia de trabalho e de heroísmo é que há 17 anos iniciou-se a criação de tanta riqueza e até hoje 1947 ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, os Otos e Cardosos ainda não tomaram conhecimento de tão palpitante realidade, senão para obter vantagens eleitorais. O caso vergonhoso das pontes de Boa Esperança e da Cachoeira dos Patos merece um comentário à parte. PONTE DE BOA ESPERANÇA E DA CACHOEIRA DOS PATOS Quando o Cel. Eleosippo Cunha dirigiu este município e que sua renda era de apenas 105.000,00 [Cr$], não havia lugar de travessia de rio ou córrego em que não houvesse uma ponte. Assim, as pontes de Nova Venécia e de Boa Esperança foram constituídas por ele. Mais tarde, ou melhor, ultimamente, a ponte de Boa Esperança, toda construída de guarabu e ipê, foi desmanchada para ser feita em outra posição e até hoje continua o local sem ponte e o povo passando a vau, tendo havido até uma morte por este motivo. O mais interessante é que até material conseguido com o estado para construção da referida ponte foi desviado, criminosamente, segundo estamos informados seguramente, para construção de uma casa de Luz e Força dentro da Vila de Nova Venécia. Resultado: nem ponte, nem Luz. A Ponte de Cachoeira dos Patos também está sem solução. O povo tirou todas as ligas e transportou para o local. Quando por lá passamos tivemos a tristeza de presenciar tudo aquilo e chegamos à conclusão de que ou mudamos de mentalidade e voltamos para o interior a maior parte das rendas públicas ou, então, decretaremos a nossa própria falência! O administrador precisa ter vergonha, caráter, coragem e sobretudo a visão do futuro! NÃO HÁ SAÚDE E ASSISTÊNCIA Mais de cinquenta porcento de toda aquela zona está situada em lugares febris, doentios. E tal é o heroísmo daquela gente, a lutar contra o ambiente hostil, construindo riquezas inestimáveis [,] que caberia ao poder público, por um comezinho dever de solidariedade e cooperação, auxiliar aquele povo a suportar o pesado fardo das suas tribulações cotidianas. Entretanto até agora nada se fez nesse sentido. Agora mesmo foram criados dois postos de saúde ou assistência, um na residência do Sr. Santiago e outro na residência do Sr. Manoel Tula. Até aí muito bem. O que aberra de todos os princípios oriundos das sérias responsabilidades que pesam sobre o poder público é que os referidos 6 postos estão sob a responsabilidade de meninos inexperientes que, ainda assim, estão praticando [atendendo] outras pessoas para o mister. Pergunto: como poderão estas pessoas prestar os indispensáveis serviços se foram praticados, justamente por quem não sabe nem para si próprio? Poderá haver até casos graves de envenenamento, fruto da inexperiência de tais funcionários, muitas vezes até bem-intencionados. No entanto, segundo o ditado corrente, é de boas intenções que está cheio o inferno. Esses postos criados agora, nas vésperas das eleições municipais e nas casas de chefes do PSD, são, por todos os princípios, inócuos e revoltantes [ver nota de rodapé 1 ]. No posto localizado na residência do Sr. Santiago só encontramos um vidro de comprimidos de Metoquina 2 com mais ou menos 500 comprimidos e nada mais! No outro posto do Manoel Tula, segundo informação do próprio funcionário, havia também Metoquina, 24 ampolas de Paludan 3 e 6 de Atebina 4 e nada mais! São postos de Saúde e Assistência apenas para inglês ver. Não há nos mesmos os medicamentos indispensáveis para os "socorros urgentes". Tais postos não estão em condições de encanar uma perna ou um braço; debelar um crupe, [e] uma pneumonia inesperados; salvar um cidadão mordido por uma cobra venenosa; prestar os primeiros socorros a pessoas nas famigeradas tocaias; tratar de feridas e verminoses, enfim, realizar a missão primária dos postos de saúde em Zonas rurais. Por essa amostra podemos avaliar até a que ponto chegamos em matéria de responsabilidade do poder público em face do devido respeito com que devem ser tratados e assistidos todos os homens dignos, honestos, trabalhadores e criadores da riqueza e independência social, moral e econômica do Brasil. O que mais revolta a gente é que para ministrarem os comprimidos de Metoquina ainda perguntam em quem os pacientes vão votar. Os tais postos nada mais são do que odientas e revoltantes sucursais do PSD, em plena vigência dos princípios democráticos. Concluímos que para distribuir Metoquina daquela maneira não havia necessidade de o governo pagar dois funcionários que poderiam estar ocupados em outro mister. Há regiões em que está grassando um surto muito sério de "Boba" 5 , doença muito contagiosa e terrível! Na região de Santa Rosa e Santa Barbara, próximas 1 Essa sentença está um pouco diferente no original. Por uma questão de clareza, estamos transcrevendo aqui a forma como foi publicada no jornal A Gazeta, na edição de 30-31/10/1947. 2 A "Metoquina" era um medicamento cuja substância ativa é o cloridrato de mefloquina, utilizado para o tratamento e a profilaxia da malária (paludismo), administrado em comprimidos. 3 O "Paludan" era um medicamento cuja substância ativa é o cloridrato de quinina, utilizado no tratamento da malária (paludismo) e administrado por injeções intravenosas ou intramusculares. 4 A "Atebina" era um medicamento cuja substância ativa é a quinacrina [mepacrina], utilizado no tratamento da malária (paludismo), administrado em injeções ou comprimidos. 5 A "boba" (também conhecida como "bouba" ou "pian") é uma doença infecciosa tropical crônica, causada pela bactéria Treponema pallidum pertenue, da mesma família da que causa a sífilis. 7 de Barra Seca, há muito dessa doença pavorosa e até o momento o governo não tomou nenhuma providência a respeito. JUSTIÇA, LIBERDADE E GARANTIAS INDIVIDUAIS SÃO FIGURAS MITOLÓGICAS A situação real dos moradores de toda aquela região, com a exceção de alguns mais arrojados ou decididos, é de franco terror. É de abatimento moral, de medo em face das façanhas as mais ignominiosas, em face de injustiças as mais clamorosas e condenáveis. Data do tempo em que era delegado de São Mateus o atual prefeito Iran Cardoso, a campanha de desarmamento dos lavradores que, em vista disso, dentro da mata, sujeitos a toda sorte de ataques ficaram desarmados, enquanto bandidos como Titino Rosa e seus capangas, ladrões de cavalo, elementos suspeitos de todos os matizes, permaneceram livres e agindo com o beneplácito das próprias autoridades. Sim, porque não podemos admitir que essas (autoridades) não tenham conhecimento de tanta miséria, de tanto roubo de cavalos e outros animais, de tanta morte de tocaia! Há na comarca, arquivados em cartório, grande número de processos de crimes de várias naturezas e que estão dependendo de providências policiais enquanto que os culpados, naturalmente, estão planejando e praticando novos crimes. Segundo o testemunho insuspeito de pessoas de reputação ilibada essa região tornou-se o esconderijo favorito de toda carta de criminosos foragidos de outros recantos. De uma feita, três bandidos cientes de que um cidadão havia denunciado às autoridades suas presenças no local, compareceram, insultaram e só não assassinaram o referido cidadão porque desconfiaram que o mesmo estivesse preparado para o golpe. Ainda assim, exigiram dinheiro e depois foram embora. Para que os leitores tenham uma pálida ideia dessa situação de insegurança, injustiça e terror em que vive toda aquela população, basta reproduzir aqui o testemunho de grande número de pessoas de reputação, as quais nos declararam que o homem que vive ali tem que ser cego, mudo e surdo. Tem que ver e ouvir, mas ai do que abrir a boca para denunciar os culpados. O denunciante, invariavelmente, aparece morto logo em seguida. Passamos a citar alguns fatos colhidos de pessoas insuspeitas e que por certo darão uma ideia exata do clima de insegurança em que vive o cidadão, o chefe de família daquelas paragens. De Laurentino, um velho que mora no córrego da Direção, e de seu filho Sebastião roubaram três capados [carneiros jovens castrados para a engorda]; de José Agnelo Serqueira residente no córrego do Guarani, um capado; da viúva Rita de Tal, às margens do rio São Mateus, roubaram tudo o que havia em casa; de João Alves Sequeira, no Córrego do Cavalo ou Guarani, roubaram três bestas 8 e uma égua. Todos esses saques permaneceram sem a mínima providência policial. A coisa chegou ao ponto de o chefe de família ouvir o capado gritar e não poder tomar nenhuma providência pelo fato de estar desarmado em consequência das diligências policiais, de que já nos temos ocupado por estas colunas e outras tantas que permanecem ignoradas do público. Fomos informados de que no Rio Pretinho, município de Barra de São Francisco, há dentro da mata, na cabeceira de um córrego, um esconderijo de animais roubados. Quem sabe se também aqui por perto de Nova Venécia não há destes esconderijos? Sim, porque é tão vultoso o roubo de animais por estas regiões que dá para a gente desconfiar de que só um esconderijo seja insuficiente para esconder tantos roubos. O número de viúvas por aquelas grotas tristes é tão grande que causa horror. Viúvas em virtude de crimes de morte. Há lugares em que moram uma após outra, três e mais viúvas. Iolanda Ramos, por exemplo, mora perto de mais duas. Isto no Baixo Muniz. Esta ficou viúva na mesma noite de 17 de abril de 1947, quando deu à luz um filho. Seu marido, Izaaque Ramos, foi morto quando se deitava numa esteira na sala. Seu assassino, pela fresta da porta mal fechada, desferiu-lhe certeiro tiro. Morreu sem saber que morria. Não obstante as providências do agente Dorvalino Bento, até hoje não foi feita nenhuma diligência. A polícia de Salvador Cardoso está sempre muito ocupada e não tem tempo de perseguir esses bandidos. É preciso 6 surrar bêbados inofensivos, surrar mulheres casadas, arrastar de casa velhos e surrá-los. Contemos mais um fato, segundo depoimento de uma testemunha: José dos Santos Martins, vulgo "José Cigano", reside no Córrego do Estevão há nove anos, onde tem uma boa colônia. É conhecido por toda a vizinhança como cidadão pacato, trabalhador e honesto. Mora sozinho. Nos primeiros dias deste mês foi arrastado de sua cada casa pelos indivíduos de nome Jaconilo Florence e Nilo Lopes que, se dizendo enviados da polícia de Pavão, o surraram bastante, tendo ele ido a Nova Venécia e dado queixa. O Salvador Cardoso, a única providência que tomou foi escrever uma carta ao Sr. Benedito Moura, vizinho da vítima, nos seguintes termos: "Subdelegacia de Polícia, Nova Venécia, em 4 de outubro de 1947. Sr. Benedito Moura – Córrego do Estevão – Como o Sr. José dos Santos Martins está com receio de seus inimigos daí venham a bater-lhe uma outra vez, peço que o defenda destas possíveis agressões. – D. Amo Obdo. Salvador Cardoso. Subdelegado de Polícia". – Quinta-feira os dois supostos agentes policiais acima ditos apareceram na propriedade de Benedito Moura, quando este e sua mulher Maria da Silva Moura estavam plantando milho, e logo embaixo estavam capinando o Sr. José Saturnino, vulgo José de Cristo, sua mulher Dagmar, Maria Amália, e nesta ocasião os senhores Jaconilo Florence e Nilo Lopes declararam que já haviam dado duas surras no pobre velho, e que agora estavam caçando-o para prender, por ordem da polícia, apresentando variados motivos idiotas para as quais não há justificação, sendo um deles de que o velho cigano está doido. Isto não é verdade porque o velho esteve na 6 Na publicação de A Gazeta em vez de “É preciso”, foi escrito “É curto o tempo para”. 9 delegacia e o delegado não o reconheceu como maluco, tanto que o deixou vir embora. O Benedito Moura, então, dirigiu-se a eles pedindo que se eles estavam com ordem da polícia deveriam correr sua casa, ao que eles saíram com desaforos, dizendo que se ele quisesse "cortavam" no tiro ou de qualquer maneira. Em conclusão: de sexta para sábado apareceram rondando a casa de Benedito Moura dois indivíduos que se supõe que sejam os mesmos, tendo o Benedito dado um tiro de espingarda para espantar e eles então correram. Quando estivemos no patrimônio do Pavão com a Comitiva policial, o soldado lá destacado nos disse que tinha prendido um cabuleiro 7 e que estava apurando o caso. Pois esse era justamente o velho cigano, homem honesto e trabalhador. Testemunhas: Benedito Moura e sua mulher, José Saturnino a sua mulher, Maria Amália, José Pinto, Jose Russinho e toda a vizinhança. As irregularidades partem das próprias autoridades, o atual prefeito Iran Cardoso, quando delegado de polícia, procedia da seguinte maneira: A polícia soube que o Sr. Lindolfo Gomes da Silva possuía um revólver. Imediatamente foi procurar o referido senhor. Em casa só estava sua mulher. Perguntaram-lhe pelo revólver, ao que ela declarou que não sabia. Em seguida revistaram a casa toda. Deitada em uma cama estava uma criancinha recém-nascida. Na faina de encontrarem o revólver, quase mataram a criança sufocada, ao enrolarem o colchão. Mais tarde, pela licença n° 20, de 3 de agosto de 1938, paga pelo talão n° 409, do referido exercício, na Coletoria de São Mateus, foi registrado o referido revólver S.W. [Smith & Wesson] cabo de madrepérola, n° 504,726. No ano seguinte, estava o senhor Lindolfo na casa do Sr. Leopoldo Ayres Farias quando passou por lá o delegado Iran Cardoso e declarou que seu revólver precisava ser novamente registrado, que levaria a dita arma e que o Lindolfo o procurasse no sábado em Nova Venécia para reso1verem sobre o registro. No referido sábado compareceu ele em Nova Venécia e o delegado já havia regressado a São Mateus, tendo nesta viagem, trazido do interior um cargueiro carregado de diversas armas tomadas dos lavradores. O Lindolfo recebeu um recado do Iran, por intermédio do Sr. Jorge Daher para que ele o procurasse em São Mateus. Como o paciente não pudesse ir até lá, devido às despesas de viagem, pois é pai de família numerosíssima (na ocasião 15 filhos), até a data de hoje não soube notícias do dito revólver. Deste caso também há testemunhas. Encontramos a cobrar impostos, pela referida zona, o Sr. Mário Torquato, em nome da Prefeitura, acompanhado do cabo de Polícia Amadeu de tal, justamente agora, nas vésperas das eleições, e concluímos que o único objetivo é amedrontar o povo para obter vantagem nas urnas. Isto é muito grave, de vez que os poderes públicos têm os meios legais para a cobrança dos impostos devidos, e a função da Polícia é reprimir o banditismo o garantir a ordem pública. 7 "Cabuleiro" é o praticante da Cabula, rito religioso afro-brasileiro com raízes em tradições africanas. A Cabula teve maior expressão no Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. OOHTIWACÃO * MÃO HA ESTRADAS Viajamos durante 12c dias consecutivos, a cavalo, através do tri Ihos íntranzi tavcis. XJao chegamos a compreender de que maneira foram gastas as verbas orçamentarias de Estradas e Fontes nestes ultim / quinze anos, ou Melhor, compreendemos mas não adianta nada repetir - mós aqui o que esse jornal já está cançado de dizer, Mesmo porque os responsáveis por esta situação de tanto atrazo e tanta miséria, ono pessoas cue merecem a absoluta confiança do sonlior Govomador.O certo é que não transitamos cm pelo menos 10 metros de estrada feitas / ou conservadas pela prefeitura, nem encontramos uma só ponte ou pinguela construída pelo poder publico Municipal# Regiões como as de Guararema, Fortaleza, gua limpa, Alto Muniz (Cedro, ßtc.> cm cujas terras vicejam as mais belas lavouras vivem X completamentc divorciadas da vida do município. Toda a fantastica / produção de café, cereais, madeira etc., escoam polo município de 02. latina, sendo cue todos 03 impostos estaduais, derais c Municipais / são ra os a Colatina ou Barra de Sao Francisco, em virtude de nao ha verem estradas de penetração que estabeleçam facilidade de intercâmbio comercial, com o resto do município de são Mateus. Até os limi - tos com Colatina não temos estradas. Daí para a frente, sim. á mais fácil ir-se de Guararema a Vitoria, do que vir-se a são Mateus. E o interessante é que scguudo pudemos observar, uma sede de estradas li gando Hova-Venocia aos centros produtivos daquelas regiões não seria tao difícil. Caso houvesse um pouco de b5a vontade por pa te dos dirigentes municipais, cremos que o Departamento do Estradas do Roda - gern já teria realizado tais serviços de inestimáveis benefícios para a economia do município c bem-estar para o povo de tais localidades que, construindo, com o esforço proprio, grande fontes de rendas, / sente, dcsoladamcnte, o desinteresse com que é tratado pelos propn03 dirigentes do município em que vive. Somente o viajante que percorre aquelas paragens podo avaliar o estado lastimável dos trilhos improvisados pelos proprios moradores e em alguns logares percorre-se léguas através de picadas pori-osissimas. COIITINU COETIHÜACÃO NÓ3, cue conhece .33 varias regiõcn do Sul do Estado, quando penetrai mos em Guararema c Agua limpa , Tivemos a impressão de que estava - mos ultrapassando os umbrais de um líovo Munfto, tal a quantidade de lavouras de café formadas e cm formação ao lado dc roças dc milho / cana, pastagens, boas casas, tudo bem trabalhado, hm tratado. A única coisa que dist5a do to< a essa laravil' osa sinfonia dc trabalho e cie heroísmo é que ha 17 anos iniciou-se a crcação dc tanta riqueza e até hoje 1947 flno d© graça dc líosso Oenaor Jesus Cristo, os / Otos c Cardozos ainda não tomaram conhecimento dc tão palpitante rjj alidade, sinão pnra obter vantagens eleitorais, O caso vergonhoso das pontes de Boa-Espcrnnça e da Cachoeira / doo Patos, merece um comcntatio á parte, roí TB DE B0A-'l BRA1 -A E CACHOEIRA DOS L 70S. quando o Ccl Moosippo Cunha dirigiu este município e que s a renda era dc apenas lü5,OOO,OO, não havia lo ar dc travessia de rio ou corrcgo cm que não houvesse uma ponto, ssim, a ponte dc líova-Vg, necia o dc BÔa-Espcrança foram constituídas por ele. Jiais tarde ou melhor, ultimamente, a ponte dc Boa -Esperança, toda construída de / guarabú e if&, foi desmanchada para ser feita em outra posição c / até hoje continua o local sem ponte c o povo passando a vau, tendo havido até uma morte por este motivo, 0 mais interessante c ç e ate material conseguido como o estado para construção da referida on te foi desviado, criminosamentc, segundo estamos informados seguramente, para construção dc uma casa de Luz e Eorça dentro 6© Vila de 1-2. va-Verccin, 'ior-ultadof Hem ponte, nem Luz. A ponte de Cachoeira doo patos também esta oem solução. 0 povo tirou toda, as vigas c transportou para o local, ■ uando por lá passamos tivemos a tristeza de presenciar tudo aquilo e chegamos á conclusão de cue ou mudamos de mentalidade e voltamos parti o intja rior u maior parte das rendas publicas ou, então, decretaremos a / nossa propria falência ! Q administrador precisa ter vergonha, cöra ter, coragem e sobretudo a visão do futuro J MO HA SAUDE % ASSTSTB-TCIA Talvez mais de cincoenta por cento de toda açucla zona esteja situada em logarcs febris, doentios. E tal é o hetoismo daquela gen, CONTIl-RJA GOM’IiiLU. O gente» a lutar contra o ambiente ostil, construindo riquezas ineoti navels que cabería ao poder publico, por um cornesinho dever de soli, dariedade e cooperação, auxiliar aquele povo a suportar o pesado / ' w • E ■ fardo das suas tritulacõcs cotidianas. Entretanto ate n-ora nada se fez nosso sen tido. Agora meo.o foram crcados dois postos de Saude ou assistência, um na residência do Snr, Santiago c outro na residência do ünr. Manoel lula. Até aí muito bem, O cue aberra dc todos os / princípios oriundos das serias responsabilidades que pesam sobre o poder poblico c cue o referidos postos estão sob a responsabilidade de meninos incspcricntcs cue, ainda assim, ostao praticando outras pessoas para o mister, i-cr to: como poderão estas persons prestar os indiee sn -cis servi i os ii foram praticados, justamento por quem não sabe nr?. ; ara sí propno? Po crá haver ate carps graves de envo nenamento, fruto da mcopericncici ce tais funcionários muitas vezes até bem intencionados, *o erta. to secundo ditado corrente, c, e«e— dc boas inten õco que esta cheio o inferno • gone posto criado agora, nas vésperas das eleições municipais e nas caas de chefes do PSD. sã por todos, os principies inoquos c revoltan es. Mo posto cue está local! ado na residência do Seu, / Sfintia o só encontramos um vidro dc comprimidos de hetoquina com / .inis ou menos 5°° comprimidos o nada mais 2 JHo outro posto o ■ magoei Tula, segundo informação do proprio funcionário havia trübem hetoquina, 24 ampolas de raludan e ó de Atebina c nada mais ♦ °ão poji tos dc Saáde c Assistência apenas para inglez ver. Ano ba nos mes - mos os medic amen too indispensáveis para os "socorros urgentes". Tais pontos não estão cm condições de encanar uma erna ou um braço; debelar um crupc, uma peneumonia inesperados j salvar um cidadão mordi. do por uma cobra venenosa; prestar os primeiros socorros a pessoas nas famigeradas tocaips; tratar dc feridas c ver. inoses, emfim, rqa lizar a missão primaria dos postos de saude em Lonas rurais. Por essa amostra podemos avaliar ate a que ponto chegamos cm / materia do responsabilidade do oder publico oià face do devido respeito com que devem ser tratados e assistidos todos os homens dig - nos, honestos, trabalhadores e coadores da riqueza c Independendo social, moral e economica do Brasil. GÜi TI1ÍÜA COIíTIfflJ;.:ÂO __________________ >1 Ocuc mais revolta a gente c que para mi lotrarem os comprimi - doa de metoquina aluda perguntam em quem os pacientes vão votar. On tais rostos nada mala no do que odienta» e revoltantes suoursais / do PSD. em plena vi/gencia doa princípios democráticos. Concluímos cue para ç istribuir me to quina daquele maneira não / havia necessidade de o ovemo pagar dois funcionários que poderíam estar ocupados em outro mister. iia regiões cm que está graçanco um surto multo serio de “Boba“ doença muito conta íosa e terrível .* La região de Uinta Rosa e ..an3 ta Barbara, pnxi ias tio Barra Seca, ha muito dessa doença pavorosa e até o momento o governo não tomou nenhuma providencia a respeito. & JUSTICh, IIKvWADS B 'QARA1TTIAC IHPITOUAI BIGURAS BITOTOGTCA? A situação real os morncores de toda aquela região, com a exceção de alguns mais arrojados ou decididos, c de franco terror, á de abatimento moral. í de mêdo on face da façanhas as iais igno;.iinl osas, cm face de ínjusti as as mais clamorosas c condenáveis. Data do te.jpo em. que era delegado de Sao an i eus o atual rrcícjl to Iran Cardozo, a campanha de desarmamento dos lavradores cue, cm vista disso, dentro da mata, sugeitos a toda sorte de ataques ficaram desarmados, emeuarto os bandidos como Ti tino Tosa c seus capan- \ jas. ladrões de cavalo, elementos suspeitos de todos os matizes, per mnncccram livres e agindo com o beneplácito das propnus auto. x. a es • Sim, porque não podemos admitir que essas não tenham conhecí - monto de tanta miséria, de tanto roubode cavalo» e outros animais, de tanta morte de tocaia l Ha na comnroa, arquiva os em cai’torio s grande numero de procos, sos de crimes de varias naturezas e que estão dependendo de proví - dcnciao policiais enquanto quo os culpados, naturalmente, estão pin nejando c praticando novos crimes. Segundo o testemunho insuspeito do pessoas de reputação ilibada essa região tornou-se o esconderijo favorxto de toda carta de crim nosos foragidos de outros recantos. De uma feita, tr&s bandidos cientes de cue um cidadão havia denunciado ás autoridades suas presort ças no local, compareceram, insultaram c sá não assassinaram o rof£ rido cidadão porque CO3JTDTUA desconiiarnm que o meaiao ca tivesse preyaraup pur« o &olpe. Aipaft nn.iiw exigiram dinheiro e depoio, foram embora. Para que 03 leitores tenham. uma palida idéia dessa situação de insegurnnçn, injustiça c terror cm cue vive toda aquela população, ba ta reproduzir aqui 0 testemunho de grande numero de pessoas do reputação / as quais noa declaravam cue 0 homem que vive all tem que ser coo, mudo e surdo. Tem que ver e ouvir, mas ái do que abrir a boca para denunciar 03 culpados 4 u denunciante, invarialvel acnte, aparece morto logo cm / seguida, • Passemos a citar alguns fatos colhidos de pessoas insuspeitas e que por certo darao uma idcia exata do clima de insegurança cm que / vive 0 cidadão, 0 chefe de família daquelas paragens. De LUurcntino, um velho que ora no corrcgo da Direção e de seu filho Sebastião roubaram troe coados; de José Agnelo Serqueirn resi dente no corrcgo do Guarani, um capado; da viuva Rita de Tal, as max gens do rio são iiatcus, roubaram tu< o 0 que havia cm casa; de João / Alves Sercucira, no Corrcgo do Cavalo ou Guarani, roubaram tròs bestas c uma cgua. Todos estes saques permanecem .sera a mínima providencia policial. A coisa chegou ao ponto de o chefe de família ouvir 0 capado gritar c não poder tomar nenhuma providencia pelo fato de estar desarmado cm consequência das diligencias policiais òe que já nos termos ocupados por estas colunas e outras tantas que permanecem ignoradas do publico. Pomos informados do que no Rio Fretinho município de Barra do / são Francisco, há dentro da mata, na cabeceira de um carrego, um esconderijo de animais roubados. Quem sabe lá oi também aqui por perto ac HavaVenecia não ha destes esconderijos? Sim, porque c tão vultoso □ roubo de animais por estas regiões que âó pa -a a gant« dccoonfX ar de que só um esconderijo seja insuficiente para esconder tantos / roubos» O numero do viuvas por aquelas grotas tristes c tão grande que causa horror. Viuvas era virtude de crimes de morte. Ha logares em / que moram ume* após outra, trSs c 10a is viuvas. Island© Ramos por exem pio, mora perto dc mais duns, Osto no Baixo llunlz. Esta ficou viuva na mesma noite de 1? de Abril dc 194'/, quando deu d luz um filho. CQiiTIhUA COT.TIK. ,•■ 7.0 , Seu »árido, Izaaque Ramos, foi morto quando oe deitava numa esteira na □ala. feu assassine pela frente da porta mal fcehadn, deoferiu-lhe cor teiro o tiro. Morreu sem saber que morria, não o' starte ao providenoi- $ as do Agente Dorvi<liao onto, até hoje não foi feita nc-nhur diligei>- cia. A Bolicía de Salvador Cardozo está sempre mui to ocupada e não tem tempo de perseguir coces bandidés. $ preciso surrar betados inofc. ci - vos» surrar mulheres cacadao, arrastar de casa velhos c aurra-los. C on t cr.ios mais um fato, segu do depoimento do uma testemunhai Jose dos santos Martin.:., vulgo ’ José Ci.çano” reside no Corrcgo do Estevão ha novo anos, onde tem a bon lolonia. É conhecido por toda a vizl - nhança como sida ão pacato trr orador e honesto, ’’ora sozinho. Kos / primeiros jias este cs, f~>i ar/aotn o de sua caca pelos in; íviduos / ac nome Jaaonilo Florence c üiio lopes que se aizendo cuviaaos aa poli cia ao í-aào, j surraram oastante, ronco Sie ido áí em hova-Vcnccía c dado queixa. ü Salvador Can ozo, a unica providencia que tomou foi escrever uma carta ao "nr. “enedito ’’oura, vizinho da vitir.a, nos sequin tos termos» 'Subdele acia fe Policia , Mova-Venecia, cm 4 de Outubro / de 19*7» Snr. Benedito Moura - Corrogo do Estevão - Como o Snr. José dos Santos Martins está com receio de seus inimigos dahi venham a ba - ter-lhe uma outra vez, pcço-lnc que o defenda destas possíveis agre — çÕc-s. ♦ 1». Aßö uDòfc. Salvaaor caraozo. »ueaclegnao ac policia*. - quiji ta-íeira os aois supostos agentes policiais acima áitgs apareceram na proprieties e de Benedito jssuoduia «oura, quanuu este e sua mulher Maria da Silva Moura estavam plantando màlho c logo «a baixo estavam cnpinaiL do 0 Snr. José Saturino, vulgo Jose de Cristo, sua mulher Bnrmar c Maria hmalia 0 nesta ocadião 08 Gnrs. Jaconilo Florence e Hilo I opeo de* clôraram. que já havifcm dado duna surras no pobre velho e cue agora es* taveua caçando-o paru prender, por ordem .a policia, apresentando vários motivos idiotas para a~ quais não ha Justificação, sendo um deles / de que 0 velho cigano está doido isto não é vcrdr.de porque 0 velho esteve na delOjrticla e 0 proprio subdclcgado não 0 reconheceu como maluco tanto cue 0 deixou vir em bora, u Benedito Moura, então, dirigiu-se a eles pedindo cue ;e eles esta/am com ordem da policia deveríam correr sua casa ao que eles saíram com desaforos, dizendo que si ele quezes è que "cortavam 1 * no tiro ou de qualquer maneira. C0JTÍI1ÍU& CQKTWJAÇAO ___ ____ Bn conclusão» dc sexta para sabado apareceram rondando a casa de Benedito roura dois indivíduos que supõe-se que se,jam os mesmos, tendo o / Benedito dato um tiro de espingarda para espantar o eles cst*o corre - ram» (uando estivemos no patrimônio do pavão com a Comitiva policial, 0 soldado lá destacado nos disse que tinha prendido um cabuleiro c cue estava apurando o caso. róis esse era Justamente o velho ci ano» ornem honesto o trabalhador • - Testemunhas» Benedito oura e sua mulher, J2 se aturino c sua Mulher e aria nlxa» José pinto. Jooe íiussínho e / toda r vizinhança. As irregularidades parte"; das roprins autoridades, u atual rc - feito Iran Cardozo, quando -ele ao de policia, procedia < ;» c ui te nciraj A policia soube que o r. Ti dolfo Gomes da Alva possuía um / revolyer. Imediatamente foi _ro ur ; r referido e usr. lia casa ao cotava sua mulher, Pergunta ram-11 e pelo revolver ao que ela declarou que não sabia» Em seguida revistaram a c sa toda, »eita a era uma cama esta va uma criancinha recenascida. lia faina dc encontrarem o revolver, / quasi mataram a criança sufocada, ao enrolarem o colc.ião» ’ais tardo» pela licença n® 20, de 3 de Agosto dc 193Ô» P°ga pelo talão nfi 409, do referido exercício, na Colctoría dc são Mateus, foi registado o referi do revolver S»W, cabo de landrlpcrola, n ß ?O4,716. lio ano seguinte, estava o senhor Linfolfo em caso do Snr. Leopoldo Ayres lanas cuan o passou por lá o delegado Iran Cardozo e declarou .. e seu revolver precisava ser novamento registrado. Que levaria a dita ama c que o Lin - dolfo o procurasse no sabado cm Fova-Venecio para resolverem sobre o / registro, ho referido sabado compareceu ele c Bova-Venecia c J o deä? legado havia regressado a são Mateus, tendo nesta viagem» trazido do / interior um cargueiro carregado dc diversas aumas tomadcoít aos lavrada, rcs. 0 Líndolfo recebeu um recado do Iran, por iu termed io do >linr. Jorge Daher para que ele o procurasse em ôão Mateus. Como o paciente não pudesse ir ate lá, devido as despesas dc viagem, pois c pai dc família numerosíssima (na ocasião 15 filhos), ate a data de hoje não soube no4 ti ias do dito revolver. Deste caso tnmbcm ha testemunhas . Encontramos, a cobrar impostos, pela referida zona, o Snr. Kario Torquato, em nojão da rrefeitura, acomijanhado do cabo dc Policia Amadeu de tal, Justamente agora, nas vésperas das eleições e concluímos quo COimlüüA CONTIIW ÂO t que o único objetivo c amedrontar o povo para obter von tu gern nas urnas» loto c muito grave, de vez cue os öderes públicos tem os meios legais / legais para a eobrnn n doo impostos devidos e a fvnção da folicin e ro - primir o banditismo e garantir a ordem publica» Outra irregularidade •'■'ria, grave# c a policia resolver a sou feel / prazer as questões do posses# terras, etc» » 'c -o? cm nosso poder bilhetes nosso sentido# firmado? ; siu.pl es soldado u policia» u.. sol- ;ade intima determinado» posseiro a dentro de tal p fazer u entrega üc posse Justamente a um tal Jonas do iristallno# pessoa protegida por Salvador/ Cardozo# em cujo casa mora tu.. >cm o soldado e assina arrogan temente» Joso Benedito do destacai e. to '■-•istalino» lá no corrogo Grande c o-i ro soldado» por intermédio de supostos ngentes, u mti mr o vol o José li -a o a abandonar uma Colonia do 9 anos e cue vale doze ;.iil cr zciro-. o uw 3o 6 .Una l á ainda salvador Ga£ dozo mandando um soldao ao Goxrcgo .e -anta barbara intimar o lavrador íttustino lima e mais 3 ou 4 fr„_ r. .?) .onti . • -m a lavrar aquelas terras, porquanto 0 governo cm principio não reconhecera os legítimos dl. rei tos do memo# so tonando conhecíion to ’os mesmos depois 1e representa çao cue fez ao botado nor nosso intermédio J Em ambiente dessa natureza não c possível umB vida tra.quela, dc xs paz e de trabalho. 3 como si não bastassem os so ím a terra, os agentes policiais o mimei. ais a percorrerei ;j :■ q :1a 1 .1 o, ai da nos mandam lá do pniacio .nc .'. it0 ?nn c i’ioriur.o aulim para auxiliar o desmoralizado TD. de ão a‘c , . q ? 0 , no restir* gio dc seus galões, trabalhe no -mentido de evitar a próxima derrocada dc 30 de ’ovembro. vste fato é i»/cgarçl, apesar do refe-ido Tenente haver dito ao nosso companheiro Bartimeu Gomes ô. c Aguiar» cue sua via ;em rf Gua. rarema c limpa se premia npcaas, u motivos rcli, iosos# porque tive mos 0 prazer dc ler uma carta sua dirigida u um amigo aa nossa <ausa. Eg, te ami o nos ustr u a tal curta com a melhor cas 1 5 . '? a caravana, tameem e lemos da mesma 3&s maneira» x lamcrtavel c c seu amigo sincero, façamos n devida Justiça, não / tivesse sião avisa 0 de cue aquela carta não deveria -er lido por outras pessoas» Entretanto desejamos deixar açuc consi qy.ndo voto do Justiça ao Tenente Horiano Ru ,.im» coubemos por pessoas irsuspoitae ve que, logo COJjTítnjA COhTIKUAÇAQ cue ficou ao par doa sérios motivos que levaram seus leais amigos a aBandonar o PSD« c acompanhar a JDU. dcu-11 cs toda razao c fez o cue tjl do homem sensato faria em taà conjuntura: Abraçou os a..i v os c rumou pa. ra a capital, Esto capitulo das liberdades c garantias indivifuais podería proseguír com o relato dc muitos outros fatos. Entretanto, vamos ficar por aqui, Si o governo quezer aparar tudo isto e muito coisa mais poderá enviar no local pessoas honestas, em trajes civis, cue percorram tudo aquilo, fazendo emçucteo lisas c limpas, palestrando com pessoas das diversas camadas e cmcjará á conclusão de cue ou esse clima se tranfp.rma .cia ação euer ,ica t zoex sincera* <■ eciuida, de a,; tori i. a - des cue não tenham interesse na política, ou eptão, os homens da zona da ma a terão que abandonar suas terras e lavouras, cm busca de outras aguas mais mansas e outro clima ais fresco ; CONCTUS&O Em face de tanta insegura, a, tanta ÍUciosidade, remoções dc funcionários, cremos cue não serct lossivcl eleições livres é honestas, unica coisa que noa conforta é a dccisã do povo de fazer r caçoo con - tra esse estado dc coi as, 0 bicheiro Alarico Xíevcs, delegado de policia jd está sendo pro - cessado pelo candidato da UDN. Dnr. Arnaldo Bastos sEcxa cx pelo fato de haver o referido delegado acompanhado os candidatos do PSD» a uma ex - cursão eleitoral ao Barro I-iovo, Gi aa coi as continua sem neste pé, outro s processos surgirão porque já recomendamos a todos os ud enlatas / que, quando forem presentes a qualquer ato dc violação, da lei por par te de qualquer autoridade, testemunhem o fato, cientilicanáo-o á dlreç ção do partido para os fins de direito» Çuando chegava, no ia 20, desse, vitoriosa excursão ao Indo dos / meus companheiros de partido, puz-me a e. snr nos disersos do atual / governador do Espirito Santo, quan o o mesmo era apenas um representnn to da ITQção, no ano da Graça dc Doaso Senhor de 1946» hum desses grandes discursos, afirmava o Snr» Carlos hindem'aerg / sol ene ..eme: ‘'A verdade c que nos, da cidade, desfrutamos oem estar e / conforto à custa do sacrifício do homem do interior,, que planta, que cultiva, que dria, e, em compensação, pura melhor suas condições de vi do, recebe as migalhas orçamentarias que sobram das vultosas verbas pa CONflFIA para erbelozamcntos balneários, construções suntuosas» automóveis, gasolina, despesas com pnlacioa, etc,, Á verdade c , também, que oo cidct dãos que uabila o interior do Laís teia sido por dorsais esquecidos pelos constituintes brasileiros c, principalmcntc, pelos Loderes i-’ubli - cos. cut®, conhece a vida do interior nesse nosso vastorrasil, me suo / nas pequenos cidades c nas aldeias, sabe bem as dificuldades c o des - conforto que vivem as populações, no cue respeita a transporte, ins, truçao assistência de qualquer cspecic, enfim, quanto a tudoa aquilo / que goaamos nas grandes cidades. Essas populações, pelo seu sacrifício, pelo sou trabalho, ela raa coragem, merecem, sem dúvida, nossa ar-mir? ,:ão, asso respeito, ..ossa / homenagem, e, principnlme? tc, nooor. atua s ao neste momento, dando aos / 4 Municípios possibilidades i'". -1. proporcionar, pelo menos, parte do que nós desfrutamos nas grander: ci ;r.'w«’ JTo sou discurso do 2/5/94t, -1 eclarava 0 ilustre ovcrnndorío corj, trúrio, o Invracor, tem sido ate a ora o verdadeiro - 'bode expiatório f vivendo, co io infeli. ente, men to. os ?p.cn c r j.icos vuorcra saber, cün sc K em completo abandono, lutando contra tudo c contra muitos. Luta contra as intempcrics, contra 0 30I* contra as chjjvíto, jou - tra os ventos, contra as pestes, contra as formigas, contra os insetos contra as pragas, contra as ervas dnr.inhao, contra a erosão? luta com 0 tempo? luta com a falta de transporte, de estradas, com os açambarca, dores, com os intermediários, com os comerciantes cue os financiam nas entre-safrns, iiapõem-lhes preços a baixos nas colheitas e ainda iv ullg, ram rs meuxdad com rarissimaa exccssoess luta com a fui tidc cxeáieo / bancario, om 0 desconforto, om a falta dc assistência medica, técnica, social e financeira, com a falta dc braços, do ada-os, dc inactic das e de ferramentas cue lhes são impingidas ordi n árias , c .or preços absurd os ) luta enfim coma malaria?,,,” Diante de palavras tão Justas, tão ias c patrióticas de um lado e fatos tão graves cue se desenrolam ã sombra do seu governo, ficamos como que petrificados, estarrecidos e .ais aluda» ha bastante tempo que temos posto 0 goterno do S. Excia», ao corrente dc todo esse / clima c no cntnr to não Ihuvc ate agora, nenhuma medida acauteladora / dos altos interesses da colctivida c destas bondas do Espirito Santol COlfTH'TüA