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Lutas e Vitórias

Emerick Faria, Oneida; Faria Scherrer, Jane

Abstract

Este livro, “Lutas e Vitórias”, de autoria de Oneida E. Faria e Jane F. Scherrer, é disponibilizado como Material Suplementar Eletrônico (MSE) do livro “Caneta de Ouro: Poesia e Trajetória de Vida de Obéd Emmerich”. A autorização para esta publicação encontra-se no arquivo PDF anexo, intitulado “Autorizacao-livro-Lutas-e-Vitorias.pdf” (ver Version v1), no qual dados pessoais como o CPF e a assinatura da parte autorizante foram ocultados por razões de privacidade.

Full text

LUTA E VIT6RIAS Oneida Efll..erick Faria Jane Faria Scherrer 1 Capa Maria Udice Faria T. Gonc;alves Alto Jequitiba, 17 de novembro de 1992 Composi<;ao e Diagrama<;ao Icon produc;Oes Av. Alvares Cabral, 374/1703 - BH r I i \ AGRADECIMENTOS A todos que direta e indiretamente contribuiram para a publica~ao deste livro. APR ESENTACAO . Minha mae e eu sempre fomos muito amigas. Infelizmente dve de me separar do seu convivio aos 18 anos de idade, quando sai de casa para 'estudar e trabalhar. Nossos reencontros sempre foram muito agradiveis. Mamae gosta de conversar, falar do seu passado, contar fatos ocorridos com ela ao longo dos anos ... Muitas vezes eu fkava empolgada com 0 que ela contava e lhe dizia brincando: - a senhora tern que escrever urn livro sobre a sua vida! Ela ria ... No ana passado nos, os mhos, decidimos comemorar neste ano de 92 os seus 80 anos de idade. Pensando no programa dessa comemora~o, me velo a ideia de uns relatos ou de urn livro sobre a sua vida para ser apresentado nessa ocasiao. Da:i comeeei a pensar seriamente sobre a possibilidade dela mesma vir a fazer esse trabalho. Falei com eia a respeito. A prindpio nao se mostrou muito entuslasmada. Mas fui insistindo. respondeu-me Entao fiz e Ihe 0 esbo~o sobre 0 que ela deveria escrever. Dai por diante a cobrar-lhe a tarefa, mas eia ia adiando, adiando. Felizmente, no principio deste ano, ela me disse que ja estava escrevendo, e escreveu mesmo! 0 que eu fiz foi. ordenar, fazer contato com alguns familiares pra esclarecer algumas duvidas e atualizar 0 portugues. o titulo do livro fui eu que escolhi. Caro leitor, voce val verificar que realmente mamae teve muitas Iutas. Mas os que esperam no Senilor renovam as suas fo~, sobem rom asas como aguias, correm e nao se cansam, caminbam e nao se fatigam. (Isaias 40:31). Gra~ a Deus, em meio a essas Iutas, eIa alcan~ou e tern alcan~do muitas vitorias. o es~o que mamae seguiu para fazer seus relatos e 0 seguinte: 1 - Nascimento e Familiares 2 -Infancia, Adoiescencia e Mocidade 3 -Casamento e Vida de Casada 4 -Viuvez 5 -Filhos Assim, com a publica~ao deste livro e demais programa\=oes, esperamos estar comemorando condignamente os 80 anos de nossa mae, transformando este evento em uma oportunidade de reviver 0 passado e festejar a nossa amizade e uniao com urn congra\=amento familiar. Jane Faria Scherrer 5 NASCIMENTO E fAMILIARES Nasci a meia noite do dia dezesseis para dezessete de novembro de 1912. Quando meu pai Izidro Guilherme Emerick 10i me registrar, 0 escrivao Ihe disse que deveria vogar como data de nascimento 0 dia seguinte, que era 0 dezessete. Assim s.endo. fui registrada como tendo nascido no dia 17/11/12. Jaracatia e 0 nome do local onde nasci, zona rural, a tres quil6metros da vila de Sao Jose do Ribeirao, distrito da pequena cidade de Bom Jardim, Estado do Rio de Janeiro. Em Jaracatia existiam varias fazendas e sitios pertencentes a familias de imigrantes, tais 'como: Heckert, Emerick e Ertal. Meus pais eram brasileiros sitiantes. Meu pai era filho de imigrantes alemaes: Henrique Emerick Sobrinho e de Carlota Guilhermina Eller. Era claro, de olhos castanhos, alto, esbelto, falava alto e gesticulava muito quando falava. Gostava de tazer perguntas, contar anedotas. Cantava hin~s evangelicos muito bem. Er(;i muito pontual. Detestava chegar tarde a reuni6es e encontros. Era muito extrovertido e comunicativo. Sempre gozou de boa saude. S6 foi perdendo as fOf9as e a vitalidade com 0 passar dos anos. Morreu aos 97 anos de idade, ainda andando e completamente lucido. Minha mae, Alice Martins Emerick, era filha de Joaquina Feliciano Pinto, apelidada Quinota, e de Jose Martins de Souza, vindo de Portugal aos 8 anos de idade. Vov6 Jose era cat6lico, mas convivendo com evangelicos de S. Jose do Ribeirao, converteu-se. Mamae era baixa, gordinha, de olhos pretos, cabelos crespos e pretos, falavam manso, safa pouco de casa. Gostava de IeI' e fazer croche. Cuidava de horta e jardim. Cultivava flores de varias especies como: cravos, camelias, dalias, etc. Minha mae toi sempre muito doente, tinha pressao alta, mas era resignada e paciente. la cuidando das coisas e dos filhos como podia. Era uma crista autentica pelo testemunho que dava. Nao me esque90 do seu zelo pela leitura da Bfblia e ora9ao. Faleceu de derrame cerebral aos 74 anos de idade. 7 S6 nao live 0 privilegio de conhecer vov6 Henrique, que faleceu quado meu pai tinha 16 anos de idade. Conheci vov6 Carlota quando meu pai tinha 16 anos. Conheci vov6 Carlota velhinha e ja meio caduca. Vov6 Quinota morreu quando eu tinha mais ou menos 3 anos. Por incrivel que parec;a, ainda me lembro muito dela. lembro-me bem dos detalhes do seu enterro. Papal e mamae tiveram treze jUhos, sete homens e sels mulheres. Eis seus nomes p~r ordem decrescente: Obed, Odete, Oneida, Jose Henrique, Nemrod, Edith, Eunecir, Alice Neusa, Guilherme Naor, Volnei, Abner, Vasty e Paulo. Atualmente somos oito irmaos vivos: Odete, eu , Edith, Eunecir, Alice Neusa, Guilherme Naor, Abner, Vasty e Paulo. Odele casou-se com Clodomiro Emerick. Teve nove filhos: Ellis, que faleceu ainda pequena; Hezir; lecy; leny; Cary; Clair, que tambem faleceu na infancia; Uriel; Undzai e Jorge Guilherme, que faleceu na adolescEmcia. Netos(24): Adiel, Ademir, Adilson, Nora Ney (mhos de Hezir e Genesio Carvalho -faleeido); Rosemary, Rosane, Jocyley, Jarbas, Julieta (de Lecy e Joey Padilha); Clodomiro, Maria Alice, Walmir, Jonhy (de leny e Joao Narciso -falecido); Wilson Junior, George William, Wagner, Marildete (de Cary e Wilson de Souza lopes); Jorge Guilherme, Jorgeane, Uriel Filho (de Uriel e Zuleide de Souza); Fernanda, Flavia, Camila, Carla (de lindzai e Arlete Poukrates). Bisnetos (21): Marina e Fernanda (filhas de Adlel e Katla); Caio, lucas (de Nora Ney e Rui); Erica, Marcos Davi, Andre, Claudia Eliza, Rodolfo (de Rosemary e Erico Bussinger); Mariana, Joao Victor (de-Rosane e Pedro Miranda); Clarisse, Wulisses, Hugo (de Julieta e Wellinton); Renata, Joao Guilherme (de Odete e Renato Hugnin); Gustavo, Rafael, Danilo (de Wilson e Denise Werner); Guilherme William, Isabela (de George e Claudia Sanches). Os casais Jarbas. -Mariza e Wagner - Ju<;ara Nogueira ainda nao tem filhos. Odete ficou viuva aos 38 anos. Reside em Irupi -Espirito Santo. Edith e casada com Agenor Marchon. Seus filhos sao: Guilherme, liana, Eurico, Ismael e Agenor Filho. Netos (4): Nicolas, Isabela (filhos de Eurico e Celina Azevedo); lucas (de Ismael) e Bruno (de Agenor Filho e Cristina Cabus). Edith e Agenor residem no Rio de Janeiro. , Eunecir e casada eom Sinelvo Feliciano Pinto (apelidado Sinesio). Seus mhos sao: Marice (falecida na infancia), Marilea, Adilson, Elany (falecida), Valdenice e Adelson. Netos (6): Claudiane (filha de Marilea e Edmo Augusto Aires); Felipe, Thaise (de Adilson e Lucia Tavares); leandro, Diego e Suellem (de Adelson e Vania -Marquezine Pasinato). Eunecir e Sinesio residem em Friburgo - RJ. 8 r ". Alice Neusa casou-se com Nilton Oliveira. sao quatro seus filhos: Nilton, Adauto, Hulda e Paulo Roberto. Netos (9): Tatiana, Tiago, Daniel (filhos do primeiro casamento de Nilton); Nilton Filho, Artur (de Niltone Vanderleia Almenara Merlo); Amanda, Pedro (de Adauto e Zilda Fagundes Lima); Paulo Roberto Filho, Victor (de Paulo Roberto e Margarete Cruz Pereira). Neusa ficou viuva aos 67 anos e reside em Vila Velha - ES. . Guilherme Naor casou-se primeiramente com Emilia Bertuci. Oeste casamento nasceram-Ihes os filhos: Cefas, Celio, Ciro, Elias, Delio, Adelmo, Volnei e Miriam. Tendo Emilia falecido, Naor, em segundas nupcias, casou-se com Creuza Abreu, com quem teve uma filha, Mariland. Netos(20): Wellington, Volnei (filhos de Cefas e Junia), Patricia, Marcelo, Andre (de Celio e Regina), Marcio, Mauro (de Ciro e Heni), Ciro Junior, Andre Guilherme; Emilia (de Ciro e Penha), Michele, Guilherme, Felipe (de Delio e Wanda), Claudiane, Adalson, Adauto (de Adelmo e Edineia), Vanildo, Elaine, Lilian (de Volnei elida) e Thiago (de Miriam e Marcos). Naor e Creuza residem em Alegre-ES. Abner casou-se com Alcy Bussinguer Breder. Seus filhos sao: Alcineia, Wagner, Gesner e Weidner. Netos (6): SteHlnia Eugenia, Davi Guilherme (filhos de Alcineia e Celio Mauro Placer Rodrigues de Almeida); Raissa (de Wagner e Elizabete Silva de Lima); Isabela, Felipe e Desiree (de Gesner). Abner mora em Carangola-MG. Vasty e casada com Ozelio Almeida. Ela e 0 esposo rnoram em sao Paulo - SP. , Paulo casou-se com Lonir Correa. Teve com ela os filhos Denyse e Paulo Marcos. Separou-se de Lonir.Com Neuza Maria de ' Moura Bernardes teve urn mho .. Gilvan. Ha' dez' anos esta casado com Maria Augusta Kneipp. Paulo e Augusta estao residindo em Juiz de Fora-MG. Denyse casou-se com Jose Gilmar Francisco Santana e Paulo Marcos com Neli Aquino. Obed casou-se com Aracy Mendonc;a. Oeste casamento vieram os filhos: Oberacy, Vasthy, Daicy, Deneci, Valdeci, Amauri e Magaly. Tendo Aracy falecido, casou-se pela segunda vez com Judith da Silva. Desta uniao nasceram os filhos: Angela Maria, Francisco Guilherme e Wilson Obed. Netos (19): Sandra, Oberacy Junior, Oberson, Suzane (filhos de Oberacy e Sonia Monteiro); Niciana, Fabiola, Karina (de Vasthy e Nilson Sarmento); Simone, Elido, Douglas (de Daicy e Elido Rocha Firme); Aracy, Elder (de Deneci e Elly Moraes); Natalia, Bethania (de Amauri e Silvana Amaral), Robson (de Magaly e Robson Sarmento); Fernando (de Angela Maria e Oscar Tobio); Barbara, Guilherme e Frederico (de fO de pedra e uma enorme escadaria tambem de pedra. A escola funcionava na cas a da professora. Nossa sala de aula era a sala de jantar da casa. Eramos doze alunos. Sentavamos todos ao redor da mesa de refeic;oes. Comec;amos a estudar na cartilha de Tomaz GaIhardo. Nao havia caderno para escrever. Escreviamos com giz numa pedra, ou melhor, num quadro negro pequeno que utilizavamos em casa e na escola. Nao havia separac;ao de classe. Os mais adiantados iam mudando de livro. Frequentei regularmente essa escola apenas tres meses, porque precisei ajudar mais em casa. Mi- . nha mae estava com crianC/a pequena e tinha que cozinhar para os empregados. Assim mamae nao podia ficar sozinha. Odete e eu comeC/amos a fazer revezamento em cas a e na escola, allemando . entre nos duas a frequencia as aulas. Assim ocorreu durante um anD. No ana seguinte tivemos Dutra professora, Cornelia de Oliveira, que veio de Friburgo contratada um tio meu, Edelmiro Heckert. As aulas vieram a funcionar na sal a da casa do tio Edelmiro, em Jaracatia. Porem, a nova professora ficou pOl" pouco tempo, pois acostumada a vida de cidade nao se adaptou na roC/a. Logo em seguida tio Edelmiro contratou outra pessoa para dar aula. Entao contratou um professor cujo nome era Uno Garcia. 0 local de funcionamento das aulas mudou. Passou para uma tulha que ficavaa beira do terreiro da casa. Professor Uno era multo calmo e pouco energico com os alunos. Durante 0 recreio os alunos comec;aram a demorar a voltar para a sala de aula. DisUaiam-se matando morcego,. trepando nas pedras ... Os alunos comec;aram a apelidar o· professor de "Mosca Morta". 0 professor acabou nao aguentando. Foi embora e a escola deixou de funcionar naquele ano. No ana seguinte, tivemos outro professor que veio de S. Jose. Seu nome era Mario Guimaraes. Este era capaz, organizado. 0 aprendizado dos alunos cresceu com ele. Mesmo com 0 revezamento com Odete, aprendi muito naquele ano. Com que alegria escrevi minha primeira carta que enviei para minha prima Ruth em alto Jequitiba. Nesse tempo Obed, Odete e eu estudavamos juntos. Ate hoje nao sei qual 0 meu grau de escolaridade. Digo sempre que cursei ate 0 terceiro ano primario. Comecei com os meus namorioos la pelos 13 anos de idade. Meu primeiro namorado era meu primo. Namorava escondido porque os meus pais achavam que estava muito cedo para eu namo- . f rar. Esse namorico durou pouoo. Estavamos nos preparando para mudar para Minas quando arranjei urn outro namorado chamado Carlos Heckert. Este queria firmar namoro comigo. No dia da nossa mudanc;a, na despedida, deume 0 verso: 16 La vai a garc;a voando . com um gravetinho no pe, meu coraC;ao e teu; E 0 teu, de quem e? Mudamos para Jacutinga-MG em agosto de 1 Jacuti!1ga era zona rural, ficava a tres quil6metros de Alto JequitiM. Depois que chequei recebi uma carta de Carlos que continha outro verso: Vai carta venturosa POl' este mundo sem fim; Vai dizer a meu benzinho Que nunca se esquec;a de mim. Papai sempre dizia que em Minas ia colocar os mhos para estudar no Ginasio de Alto JequitiM. Eu tinha 0 grande desejo de entrar para esse ginasio e tambem tinha muita vontade de estudar musica. Mas logo que aqui chegamos, mamae deu a luz minha irma Vasty e adoeceu gravemente. Ficou entre a vida e a morte durante urn ano. Assim nao pude ir para a escola. Tive de assumir os serviC;OS da casa. Comecei a costurar e a tazer trabalhos manuals. Ja estavamos morando em Jacutinga M dois anos. Mamae continuou adoentada. Eu estava nessa epoca com 16 anos de idade. Sempre que vfnhamos a Jequitiba ficavamos em casa de parentes. Certa ocasiao minha mae teve que vir para a vila para fazer tratamento. Ficou em casa de Tia laura, sua irma, que morava em frente ao GilJaslo, na rua Catarina Eller, rua principal da cidade. Num certo dia vim visitar mamae. Por acaso cheguei a janela para olhar 0 movimento na rua quando vi passar urn moc;o moreno, bonito, de sobrancelhas cerradas, cabelos pretos e lisos. Ele lanc;ou-me urn olhar penetrante. 0 seu olhar foi como uma seta direta ao meu corac;ao. Senti uma coisa estranha, coisa que nunca havia sentido antes. Aquela noite, em minha casa, nao conseguia dormir, s6 ficava me perguntando: "Qual sera 0 seu nome? Onde sera que ele mora? Sera que yOU ve-Io de novo?" Havia outro tator positivo para eu me agradar daqueIe rapaz: era moreno. Por eu ser loira, gostava de rapaz moreno. Naquela epoca, em Jequitiba, havia aos sabados, domingos e feriados, 0 que chamavamos de "footing", ou seja, moc;as e rapazes passeandQ para ca e para la, em algum trecho da rua principal, como por exemplo: na praga da matriz, em frente do intemalo feminino ou do ginasio. Nesses locais e que freqOentemente comegavam os namoros. Foi nesse "footing" que comecei aver 0 tal moge maisJreqOentemente. Ali iniciamos nossas trocas de olhares, nossos flertes. o meu enamorado tinha ·um pequeno caminhao de carretos. Certo dia, quando eu ia de JequitiM para Jacutinga, ele passou 17 p~r mim e me ofereceu carona. Nao tive jeito de rejeitar. Foi nesse dia que fiquei sabendo 0 seu nome. Quando entrei e me sentei no carro vi escrito na cabine urn nome: Dioclizio Faria. Ai ele me disse que era este 0 seu nome. Nesse dia nao conseguimos manter dialogo. Cada qual se apresentava mais tfmido do que 0 outro. Eu tentava de todas as maneiras come<;ar urn dialogo, mas nao conseguia. S6 sei que 0 meu cora<;ao batia, batia cada vez mais depressa. Num outre dia, Dioclfzio fol levar urn pessoal a uma festa de casamento, nao muito longe da vila. La no meio daquela gente estava eu. Finalmente, no local da festa, tivemos oportunidade de conversar. Naquele dia, dei-lhe uma flor chamada Sempre-Viva, cujo significado era, segundo diziam: "Hei de te amar ate morrer". Justamente na ocasiao em que conheci Dioclizio, estiivamos para mudar para Celina-ES, rna is especificamente para urn lugar chamado Volta da Ferradura, zona rural, a cinco quil6metros de Celina. Ficamos em Jacutinga tres anos. Durante esse tempo Dioclizio e eu nos encontramos muito pouco, mas ja sabiamos que nos amavamos. Na vespera de nossa mudan<;a para Celina, no momento da despedida, Dioclfzio me disse que iria la me ver. Quando cheguei em Celina Ihe escrevi, ele me respondeu e assim fomos mantendo correspondencia. Tambem sempre tinha notfcias dele atraves de minha amiga Elza Stutz, com a qual mantinha correspondencia. Esta estava sempre a par do que se passava com ale porque estava namorando urn primo dele. Vim visita-Io em Jequitiba somente uma vez, por ocasiao de uma das festas de 7 de setembro. Esta festa tern sido ao longo dos anos a festa maxima da cidade: Estavamos ha cerca de dois anos em Celina quando 0 tio de DiocHzio, Le6ncio Faria, se muda para la. Num "belo dian papai resolveu vir a JequitiM a passeio. Sem saber sobre a vinda de papal, na mesma ocasiao, Dioclizio resolve ir visitar 0 tio e tambem me ver. Houve, sem inten<;ao, urn desencontro dos dois. Em Celina, Dioclizio 10i muito bern recebido por mamae. Por que nao dizer que foi urn dos mais fellzes dias de minha vida ve-Io ali em minha casa? Nao me continha de tanto contentamento. Estava realmente muito feliz com a sua vinda. Porem, quando eu morava em JequitiM, havia urn outro moC{o que se inieressara em me namorar, mas eu nunca quis nada com ele. Ele ficou sabendo do desencontro de papai a Dioclfzio e aproveitou a ocasiao para tazer intriga e a caveira de Dioclizio com papaL Disse a papai que Dioclizio, sabendo da vinda dele a Jequitiba, aproveitou a sua ausencia para ir me ver. 0 pior e que papai acreditQu. Acreditou mesmo. Chegou em casa ate chorando e dizendo que nao ia me deixar vollar a Jequitiba e me impediu de escrever para ele. Logo depois recebi uma linda carta de Dioclizio falando da 18 J alegria de ter ir a Celina visitar seu e me ver. Ele nao estava sabendo da calunia do tal rapaz e nem da rea<;ao de meu Nao pude responder a carta em obedi{mcia a meu paL De vez em nos denuneiavam a papai dizendo que estavamos correspondendo as escondidas. Sempre desmentia. Desde a sua proibic;ao nao eserevi mais ao Diocllzio. Como sofri! Chorava muito de saudade. Nao comia direito. A comida nao descia. Cada dia que passava a tristeza aumentava. Nao sorria mais, nao cantava, nao sentia vontade de ir a parte alguma. S6 nao deixei de ir a Igreja. Orava muito a Deus para que €lIe me consolasse. Pedia-Ihe que tirasse DiocHzio dp meu cora- <;ao. Tentei namorar outros rapazes, mas nao me agradava deles. Em tres meses de dor e sofrimento emagreci quinze quilos. De sessenta e quatro quilos passei para quarenta e nove. Sentia um grande amor p~r DiocHzio, p~r que nao dizer paixao? lembrando-me dele distante e da quase impossibilidade de continuar 0 namoro, sentia uma enorme dor no peito. Nunca podia imaginar que amor dora tanto! A sua imagem nao saia do meu pensamento. Papai permanecia irredutlvel e, alem do mais, dizia que nao daria certo pelo fato de nao nos conhecermos bem e s€lr €lIe cat6lico. Sempr€l tinha noticia de Dioclizio atraves das cartas de Elza. A essas alturas, €lIe ja sabia de tudo 0 que tinha acontecido e do que estava se passando comigo. Passaram-se tres anos. Eu ja nao era a m€lsma. Ficava caiada, sempre triste. Acabei adoecendo. Papai, percebendo minha transformac;ao e vendo que eu estava definhando, levou-me ao medico. No medico "conversa ia, conversa vinha". Resultado: 0 medico disse a papai que 0 que eu estava precisando era "cha de igreja". AI papai viu que nao podia mais impedir meu namoro. Percebeu que eu estava a ponto de morrer. Entao mandou mamae me dizer para escrever ao Dioclizio reatando 0 namoro. Disse tambem para eu convida-Io a ir me ver. Assim eu fiz. Comec;amos a corresponder de novo. Mais tarde €lIe foi me visitar. Nessa ocasiao ficamos noivos. S6 que 0 meu restabelecimento nao foi rapido, a minoa alegria custou a voltar a -ponto de um dia, quando eu estava bordando uma das pec;as do enxoval, mamae vir me dizer: -"Parece que esta fazendo enxoval para morrer e nao para casar". Felizmente fui me recuperando. Para ajudar mamae, cozinhava e lavava roupa. Para ganhar algum dinheiro para ajudar no enxoval, passei a lavar a roupa dos empregados, a cortar cabelo, aplicar injec;ao, bordar, tazer doces para festas e costurar. Ate vestido de no iva eu fazia e ainda vestia e aprontava as noivas .. Continuava ativa na Igreja de Celina. iamos e voltavamos a pe. Na Igreja organizei uma classe de Escola Dominical s6 de moc;as, 19 que recebeu 0 nome de Ruth. Dirigi essa classe por muito tempo. Tambem organizei na Igreja a Sociedade de Moc;as, tendo sido arroladas na ocasilio treze s6cias. 20 CASAMENTO E VIDA DE CASADA Morei em Volta da Ferradura sete anos. Sai de la quando me easeL Meu casamento realizou-se as 09;00 horas da manha do dia 30 de junho de 1937, em minha casa, so no civil. Logo apos 0 casamento, as 11 :00 horas, Dioclfzio e eu embarcamos no trem da Leopoldina (Maria Fumac;a) para Presidente Soares (ex-Alto Jequitiba), onde irfamos morar. Dioclizio tinha vontade que 0 nosso casamento se realizasse na Igreja Catolica, p~r ser sua familia catolica. Diversas vezes falou-me sobre esseassunto, mas acabou concordando com 0 casamento so no civil e em casa. Ao chegarmos em Presidente Soares fomos para a casa de meus sogros, Serafim Antonio de Faria e Elvira Moreira Faria. Ficamos la cerca de uma semana enquanto arranjavamos a casa que seria nossa primeira residencia. Esta ficava na Rua Nova, ao lado da cas a do Sr. Jose e D. Maria Emerick. Moramos de aluguel ali durante um ano. Felizmente, no segundo ana de casados, conseguimos comprar essa casa P?ra nos. Logo nos primeiros dias de casados comec;aram os conflitos entre Dioclfzio e eu. Ele e eu eramos muito diferentes um do outro. Primeiramente, meus pais nao eram ricos, mas nunca pass amos falta de nada, eramos, p~r assim dizer, "remediados". Dioclfzio era um rapaz pobre. Em segundo lugar, eu era evangelicaautentica, ele era catolico. Com 0 tempo, percebi que ele era catolico so de nome. Depois do nosso casamento, no primeiro domingo que passamos em Presidente Soares, ele me disse que eu poderia ir a Igreja, mas que nunca 0 chamasse para ir junto. Em terceiro lugar, mostrava-se muito ciumento. Logo me proibiu de conversar com conhecidos meus do sexo masculino e de sair sozinha. Isso me fez um mal terrivel. Comecei a ficar retraida, comec;ou a faltar dialogo entre nos. Chegou a tal ponto a minha dificuldade de comunicac;ao que, mesmo quando passava necessidade, nao tinha coragem de falar com ele. Quantas vezes minhas cunhadas, ainda meninas (DiocUzio era 0 filho mais ve21 Iho), chegavam la em cas a e me encontravam chorando. A custo contava-Ihes 0 que estava acontecendo. Logo procuravam me ajudar. Se era alguma coisa de que eu estava precisando e sabiam que havia na casa delas, iam depressa em cas a buscar para mim. Como tinha saudade de casal Foi uma bengao morar perto da familia Emerick. As garotas da casa -Ruth, Zeze e Zely, filhas do Sr. Jose e D, Maria, tornaram-se minhas amigas e companheiras. Meu marido tornou-se comerciante. Montou uma pequena venda em nossa casa. Comecei a fazer cocadas, rabanadas, doces 'em geral, para vender. Alem disso, Dioclfzio colocou na venda uma mesa de bilhar e bicicletas para alugar. Quando estava com seis meses de casada, ja gravida, tive a oportunidade de visitar meus pais no Espfrito Santo. Como tinha deixado um dinheiro com papai para comprar mais tarde alguma coisa de que vie sse a precisar, peguei esse dinheiro e comprei uma maquina de costura Singer para mim. Com ela comecei a costurar para fora e a fazer 0 enxovalzinho do nosso primeiro filho. Este, gragas a Deus, nasceu forte e sadio. Chamou-se Dionei. Dioclfzio queria que seu nome fosse Jose, mas eu Ihe disse que Jose ja existia na familia: o Jose do Lourentino Faria. Lourdes Emerick e eu pensamos em Dionei, uma reuniao do comego do nome de Dioclfzio e do meu. Deu certo. Todo mundo gostou. Fiquei gravida de novo quando Dionei tinha 4 meses de idade. Dessa vez era uma menina, com um ana e um mes de diferenga de Dionei. Demos-Ihe 0 nome de Jane. Vi este nome na revista "Eu Sei Tudo", que era publicada na epoca. Era nome de artista. 0 pai queria colocar-Ihe 0 nome de Maria, mas com minha insistencia, acabou aceitando 0 nome de Jane. Esta era miudinha, mas espertinha. 'Outros nove filhos nasceram depois, todos com um ana e poucos meses de diferenga entre eles. Seus nomes em ordem decrescente de idade sao: Jose Webel, Ernani, Alice Neni, CarIota Guilhermina, Abel, Lineu, Maria Udice, Djalma e Paulo Wantuil. Todos Faria. Ja explico: Dioclfzio registrou-os somente com 0 seu sobrenome. 0 interessante e que depois que meus filhos cresceram e ja entendiam as coisas, perguntavam-me por que nao tinham no seu nome 0 Emerick. Sinceramente, na epoca nao achava que isso fizesse diferenga. S6 sei quetodos os filhos queriam que constasse no nome deles 0 Emerick. Sinto-me feliz por isso. 0 filho que nasceu com maior peso foi Jose Webel: tres quilos. Gostaria de fazer alguns comentarios em referencia a escoIha dos nomes desse outros filhos tambem. Quando 0 terceiro filho nasceu, 0 pai me disse: -esse vai se chamar Jose. Dessa vez tive que ceder, s6 que nosso filho acabou recebendo dois nomes -Jose Webel. Custou-nos resolver 0 nome do quarto filho. Os palpites esta22 ~------- -~ --------------------- yam sendo muitos quando, folheando uma revista, vi uma foto do casamento da filha de Getulio Vargas com um lindo rapaz chamado Ernani do Amaral Peixoto. Gostei do seu primeiro nome -Ernani. Ai coloquei este nome no meu filho. Quando minha crianga, uma menina, nasceu, mamae estava muito doente. Encontrava-se entre a vida e a morte. Quis que essa minha filha se chamasse Alice Elvira para homenagear assim as duas avos de uma vez, mas Dioclizio nao quis esse nome. Como poucos dias antes havia lido 0 romance "Fe e Caridade" e tinha visto nele 0 nome "Neni" que era 0 nome dado a uma montanha da lua, resolvi colocar nessa minha filha 0 nome de Alice Neni. Quem deu sugestao do nome da minha sexta crianga foi papai. Sugeriu que ela recebesse 0 nome de sua mae -Carlota Guilhermina. Como me achava muito doente nao quis dar palpite algum, mas Dioclizio concordou registrando a crianga com esse nome. Ao nascer meu setimo filho, queria Ihe dar um nome da Bfblia. Gostava de Abel. Em homenagem ao meu sogro, queria colocar junto com Abel 0 nome Serafim. Assim meu filho se chamaria Abel Serafim. Mas Dioclizio so quis Abel. Veio 0 oitavo filho. Tinha lido uma historia de um aluno chamado Lineu, que tinha side um grande camarada, honesto com seus colegas e tambem conhecia a historia do notavel botanico com esse nome. Assim resolvi colocar esse nome no meu filho. Nona crianga (quarta filha): fazendo a vontade de meu marido, que desejava que uma de suas filhas se chamasse Maria, coloquei nessa filha 0 nome de Maria Udice. Udice e 0 nome de uma cidade da Tchecoslovaquia que foi destruida e mais tarde reconstruida. Vi a historia dessa cidade no cinema. Gostei do seu nome. Ai quis colocar esse nome junto com 0 de Maria na minha filha. Nao me agradaria ve-Ia se chamar simplesmente Maria. Meu decimo filho ficou com 0 nome de Rodney durante vinte dias, mas Dioclizio no momento de registra-Io mudou 0 seu nome para Djalma em homenagem ao seu grande amigo, desde a infancia, Djalma Dias. Quando 0 decimo primeiro filho nasceu, alguns dos seus irmaos queriam que ele se chamasse Paulo porgostarem muito do tio Paulo, meu irmao cagula. Ja outros, por gostarem mais do irmao cagula de Dioclizio, Wantuil, queriam que 0 irmaozinho recebesse 0 seu nome. Ai, Dioclizio, para satisfazer a todos eles, registrou esse nosso filho como Paulo Wantuil. Dionei, Jane e Jose Webel nasceram na casa vizinha a do Sr. Jose Emerick. Essa casa hoje esta com outra aparencia, pois foi reformada. Depois Dioclfzio comprou para nos outra casa na rua Silviano Brandao (hoje Av. Catarina Eller). Esta casa era maior e melhor do que a anterior. Era ponto comercial. Mudamos para ela. Nessa cas a nasceram Ernani e Alice Neni. Ali montamos um bar com comestiveis, sinuca, etc. Tambem instalamos ali uma garagem de bici23 eleta. Alem dos trabalhos eostumeiros fazia, muitas vezes tinha que tomar conta do bar na ausencia de Diocllzio. Moramos nessa casa tres anos. Hoje ela esta com sua aparencia totalmente modificada, pois toi reconstrufda. Quem esta morando nela atualmente e 0 Dr. Daniel Sathler e familia. Quando moravamos la, lembro-me de que um dla um carreiro chegou carregando 0 Ernani, pols um boi, do carro que estava parado a poucos metros da nossa residencia, deu um colce nele. Eu chorava e aplicava na cabec;a dele um pano embebido em vinagre e sal, estando ele no meu colo. 0 carreiro 0 considerou morto, mas Deus leve misericordia dele e de nos. Depols Dioclfzio resolveu comprar uma casa para nos morarmos na Rua Nova. Foi onde Carlota nasceu. Ganhei Cariota no mes de junho (1945), mes muito frio. Depois de tres dias de resguardo, contral pneumonia. Estive entre a vida e a morte durante dozE! dias. Durante esse tempo Carlota foi amamentada POl' Celina, irma de Diocllzio. Quando sarei, meu leite voltou e pude ainda amamentar Carlota POl' multo tempo. Carlota mamou ate um ano, toi a que mamou em mim POl' mais tempo. Naquele tempo nao se falava em evitar mhos. Grac;as a Deus, meu marido gostava muito de crianc;a. Ele ficava feliz quando eu anunciava que estava gravida de novo. Se trabalhei muito quando solteira, depois que me casel, "nem se fala!" Se trabalho matasse, eu era uma que ja teria morrido ha muito tempo. 0 importante e que sempre enfrentei 0 trabalho com coragem. Sempre gostei de trabalhar. Todos que me conhecem sabem disso. Ficamos na casa da Rua Nova somente sels meses. Apos este periodo mudamos para um SIUO que Dioclizio comprou num lugar chamado Vargem Grande, a quatorze quil6metros de Presidente Soares. Carlota tinha nessa epoca 3 meses de idade. Foi la que Abel nasceu. Nesse lugar tive tambem dias diHeeis. Primeiramente comecei a sofrer dor de cabec;a, uma dor horrivel. Quando a dor come<;ava tinha que largar 0 que estava fazendo porque nao conseguia prosseguir. Essa dor estava perdu rando, nenhum remedio mais fazia efeito. Como moravamos perto de uma familia espirita, esta disse a meu marido que era "coisa feita", que ele tinha que me levar a uma sessao espirita onde colocariam um copo d'agua na minha cabec;a e quando a agua fervesse, eu ficaria curada. DiocHzio insistiu muito para que eu fosse, mas como evangelica nao cria naquilo, resisti e disse: "Deus vai me curar". Lembrei-me do versicu10: 5e Deus e per n6s, quem sera contra nos? (Romanos 8:31). Depois dessa resolu<;ao, todas as vezes que a dor comec;ava eu ia para 0 meu quarto, ajoelhava-me e punha-me a orar. Nao demorou muito para que eu fosse completamente curada. Nunca mais na mi24 nha vida senti dor de cabeea. Uma coisa muito triste aconteceu na mea. Um dia Dionei e Jose Webel estavam brincando e armando laco para pegar passarinho. So que 0 la<;o era feito na ponta de uma vara que era envergada e fixada no solo. Num dado momento, a vara soltou e sua ponta bateu direto num dos olhos de Jose Webel. Este sentiu que machucou 0 olho, mas nos, morando na m<;a, descuidamos em prestar-Ihe socorro imediato. Quando Jose Webel come<;ou a reclamar da visao, 0 levamos ao oculista em Carangola-MG, mas era tarde. Ja tinha perdido a visao do olho que foi fendo. Na ocasiao '- soubemos de um padre que estava fazendo milagres em UrucaniaMG. DiocHzio levou Jose Webel la, trouxe agua benta para passar nos seus olhos, mas 0 milagre nao aconteceu. Ai disseram que nao houve 0 milagre porque Jose Webel nao era batizado. Entao Dioclizio levou-o para 0 batismo na igreja Catolica e voltou com ele a Urucania, mas novamente 0 milagre Mo ocorreu. Apos tras anos em Vargem Grande vendemos 0 SIUO e voltamos para Presidente Soares, para a mesma casa da Rua Nova que ainda era nossa. Voltamos porque ja estava na epoca de as crian<;as frequentarem a escola. Dionei ja estava estudando em Presidente Soares. Estava na casa do av6. Quando sal de Vargem Grande estava gravida do Lineu. Lineu e Maria Lidice nasceram nessa mesma casa onde nasceu Carlota. Essa toi a casa .mais inconveniente para nos devido aos perigos que a cercavam. Havia um alpendre e uma escada com onze degraus na porta da cozinha, uma cacimba de onde se tirava agua com balde amarrado numa corda, 0 rio da cidade passava no fundo do quintal e a linha de trem estava logo na fua da frante. Cinco perigos ao todo. Abel caiu no rio, Uneu caiu da escada, Carlota caiu do alpendre. Ao ser socorrida, Carlota estava desmaiada. Um enorme tampo da sua cabe<;a tinha sido arrancado. Felizmente ela se restabeleceu rapidamente. Quantas vezes corriam la em·casa para nos avisarem que tinha mho meu na linha terrea, no horario do trem passar. Dia e noite eu clamava ao Senhor para que guardasse meus mhos. Pedia que enviasse seus anjos para se acamparem ao redor deles e os livrarem dos perigos. 0 Anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que 0 temem, e os livra (Salmo 34:7). Muitas vezes nao tinha quem tomasse conta deles e eu nao dava conta de manta-los ao meu redor. Era dificil parar ajudante la em casa. Acabava tendo que fazer tudo sozinha. So posso dizer que Deus e 0 nosso refUgio e fortaleza, socorro bem pl'esente nas tribula(fCleS (Salmo 46:1); Esperei confiantemente pelo. Senhor; ele se Incllnou para mim e me ouvlu quando clamei pOI' socorro (Salmo 40:1). 25 l Bfblia apresenta-nos a hist6ria completa de seus personagens. Deus nunca encobriu os dois lados de seus servos, 0 positivo e 0 negativo, para que, atraves de suas vidas, tiremos li<;oes preciosas para as nossas. Foi mencionado atras que Dioclfzio era um homem ciumento. Sim, ele era por demais ciumento. E esse 0 lado que eu sempre considerei negativo nele. A Palavra de Deus condena 0 ciume. 0 amor e paciente, e. benigno, 0 amor nao arde em chJmes, nao se ufana, nao se ensoberbece. (I corfntios 13:4). Durante toda a minha vida de casada sofri muito com essa atitude dele. Como nossos filhos estudayam no Colegio, de vez em quando eramos convocados para participar de reunioes cujos assuntos se relacionavam com os estudos deles. No Colegio tambem eram promovidas muitas festinhas das quais nossos filhos gostavam de participar. Dioclfzio e eu muitas vezes famos juntos a essas reunioes e festinhas. Quando ele ia junto, era muito diffcil passar sem suas cenas de ciume. Algumas vezes me dizia: - "Voce s6 ficou olhando para 0 professor ... "! -"Voce nao tirou 0 olho de ... "! -"0 ... nao parava de olhar para voce"! Como possufamos venda ou bar, eu nao podia deixar de ir la, pois muitas vezes tinha que tomar conta do neg6cio. De vez eni quando cismava com um frequentador. Dizia que se este estava lei era porque eu estava dando confian<;a para ele. Na garagem de bicicleta ocorria a mesma coisa. Nao podia mencionar nome de homem algum, nem mesmo fazer referencia. Diariamente, no pensamento dele, eu tinha quatro a cinco namorados. 32 Da esquerda para direita: Alice Neni, Maria Udice, Djalma, Lineu, Abel, Jane, Carlota Guilhermina, Jose Webel, Paulo Wantuil (no colo), Oneida, Dionei, Ernani, Dioclizio. \- Um dos meus cunhados, esposo de uma das minhas irmas (nao quero mencionar seu nome) gostava de vir passear em Presidente Soares. Quando vinha, minha irma sempre me mandava alguma coisinha atraves dele. Como sofria quando esse cunhado chegava! Dioclfzio morria de ciume dele. Como meus pais moravam em Celina, de vez em quando famos la visita-Ios. lamos de trem, pois naquele tempo nao existiam as estradas de rodagem que ligam os dois Estados, Minas e Espfrito Santo, passando por Reduto ou Presidente Soares. Quando Dioclfzio ia junto, logo que entrava no trem arranjava "namorado" para mim. Certa vez, quando estavamos chegando em Celina e ja famos desembarcar, ele se virou para mim e disse: -"Nao vai ficar para acompanhar aquele indivfduo de quem voce se agradou?" Papai sempre tinha muitos empregados. Estes almogavam em nossa casa. Papai fornecia a almogo para eles. Quando 0 almogo ficava pronto era colocado numa grande mesa de madeira na cozinha. Os homens se sentavam em bancos ao redor da cozinha para a refeigao. Para anunciar que 0 almogo ja estava pronto, alguem soprava um chifre de boi ou uma cornetinha de metal dos quais saia um som forte e alto que era ouvido de longe. Dentre os empregados sempre aparecia um ou mais sabre os quais Dioclizio dizia que tinham-me agradado. Sinceramente, ficou diffcil me comunicar com 0 sexo oposto. Em Presidente Soares, as janelas e portas da frente da nossa casa tin ham que estar sempre fechadas. Se acontecesse Dioclizio me ver chegar a uma porta ou janela, dizia que era para eu ver meus "namorados" passarem. Nao podia usar nenhuma j6ia, bijuteria ou pintura e nem cortar 0 cabelo. Eu nao gostava de cabelo grande, la uma vez ou outra, eu mesma cortava meu cabelo. Quando 0 aparava, era a conta: ele logo notava! Ficava me olhando e dizia coisas tais como: -"Voce esta diferente hoje! Engragado, seu cabelo nao cresce!" Cismava que eu safa a noite quando ele dormia, por isso, quando deitavamos, observava bem a posigao das trancas das janelas e portas e dos meus calgados. Eu era uma mae cheia de filhos. Nao tinha conta das vezes que tinha que levantar a noite para olha-Ios. Eu ia la saber em que posigao deixava meus chinelos ao deitar-me?! Sempre fui amante da leitura, gostava de ler livros, revistas, jornais, etc. 0 tempo para a leitura era escasso, mas sempre que sobrava um tempinho para ler,eu lia. Numa certa epoca tornamo-nos assinantes de um jornal. Depois Dioclizio deixou de assina-Io. Disse-me que deixou de assinar 0 jornal porque eu 0 estava lendo s6 para admirar as figuras dos homens. Quando estava esperando filho, falava em rasgar minha barriga para ver de quem era a cara. Tenho tres filhos que, quando nasceram, ele disse que nao eram dele. Um deles porque tinha orelha grande; outro porque era cabeludo; outro, porque tinha nariz comprido. 33 Nos primeiros anos de casada chorava desesperadamente p~r causa desse ciume de DiocHzio. Nao contava nada aos meus pais porque papai nao queria 0 meu'~asamento. Ficava com medo da rea<;ao dele, mas contava tudo aos seus pais e as suas irmas. Estas diziam que nao aguentariam 0 que eu estava aguentando. Celina certa vez me disse: -"Arruma suas coisas, junta seus mhos e vai embora, larga Dioclfzio". Mas eu the respondi: -liE a minha cruz e vou carrega-Ia ate quando Deus quiser". Felizmente minha fe nunca se esmoreceu. 0 SENHOR era 0 meu consolo e a minha for9a. Amava a sua Palavra. U-a sempre, inclusive para os mhos ouvir, quando ja estavam no quarto para dormir. Dioclizio sempre me amou, mas do jelto dele. Apesar da maneira como me tratava, nunca deixei de ama10. Deus e amor. Aquele que ama nao conhece a Deus, pols Deus e amor. (I Joao 4:8). Eu buscava a Deus atraves da Ora9aO. Eu Ihe pedia que me inundasse do seu amor. Eu the pedia que nao deixasse de estender esse amor a Diocllzio. Este recebia do amor de Deus atraves de mim. Orei a vida inteira pela sua conversao. No final de sua vida algumas vezes aceitou convite para trabalhos especiais promovidos pela Igraja. Por duas vazes atendeu ao apelo do pregador. Foi a frente da Igreja, chorou, mas foiapenas p~r emo9ao, nunca testemunhou conversao real. Isso digo porque 0 seu comportamento nao mudou, pelo contrano, s6 fol se agravando. Era dificil entender 0 versfculo: Sabemos que todas as cousas cooperam para o bern daqueles que am am a Deus, daqueles que sao cham ados segundo 0 seu prop6slto (Romanos 8:28). Como eu disse, no principio de casada chorava muito por causa do modo como me tratava, mas com 0 tempo resolvi nao ligar mais. Nao dava mais ouvido ao que falava. Como diz 0 ditado: "Quem nao deve, nao teme". Eu nao devia temer. Deixava-o falar. Alias, sempre deixava-o falar, s6 que agora, sem sofrer muito. Por fim passou a dormir com faca e rev61ver debaixo do colchao. Dizia que era para me matar caso me visse saindo a noite. Certo dia, sem mais nem menos, obrigou-me a ir para 0 nosse quarto dizendo que ia me matar. Deixou-me num canto do quarto e foi para o outro de rev61ver na mao apontando para mim, mas nao teve coragem de atirar. Eu digo que Deus nao permitiu que ele me matasse. DiocHzio e eu nao brigavamos e nem discutiamos na presenc;a dos filhos. Uns percebiam 0 que se passava e sofriam comigo, outros nem ficavam sabendo 0 que se passava. S6 depois da morte de Dioclizio e que todos ficaram sabendo, p~r meu intermedio, do comportamento do paL Durante os quatro ultimos anos de vida de Dioclizio fui atofmentada p~r ele devido a 'um certo individuo que ha muito tempO ele 34 dizia que era meu "namorado". A situagao piorou quando esse individuo velo morar perto da nossa casa. Esse individuo, para ir para sua casa, tinha que passar em frente da nossa. Com isso meu marido licou transtornado. Disse para mim: - "0 dia que eu chegar em cas a e vir voce na janela ou porta e ele passando, eu mate voces dois." Creio sinceramente que Deus interveio nesse periodo tirando sua vida atraves do enfarte fulminante que sofreu aos 51 anos de idade, na madrugada do dia 20 de novembro de 1962. Deus nao permitiu que meus filhos ficassem sem mae e com 0 pai na cadeia. Minha sogra estava a par de tudo 0 que se passava entre nos dois. No dia de sua morte ela me disse: -"Nos duas nao devemos chorar a sua mOfte, pois toi 0 meio que Deus usou para nos livrar de desgra<;a maior." Acredito que nenhum dos meus supostos namorados tomaram conhecimento do que se passava na cabe<;a de Diocllzio. GraGas a Deus! Os familiares de Dioclizio e eu conversavamos sobre 0 seu ciume doentio e chegavamos a conclusao de que ele precisava de um tratamento especifico para 0 seu mal, mas nunca conseguimos convence-Io disso. Nunca conseguimos leva-Io a fazer isso. Durante 0 tempo que meus filhos eram pequenos (acredito que durante uns vinte anos a contar do nascimento do meu primeiro filho) nao pude frequentar regularmente a Igreja, nao pude fazer parte da Escola Dominical, nem ir ao Culto a noite. Quando eu estava gravida do Ernani, Dioclizio me proibiu de ir a Igreja, mas por pouco tempo. Ele tinha os seus motivos para fazer isso. 35 36 Da esquerda par adireita, fila de tras: Carlota Guilhermina, Alice Neni, Jane, Ernani, Dionei, Abel, Jose Webel. Na frente: Maria Udice, Lineu, Dioclfzio, Paulo Wantuil, Oneida, Djalma. VIUVEZ No principio de 1962, antes de DiocHzio falecer, veio trabaIhar comigo uma menina de 9 anos de idade. Era bem franzina. Nao podia apanhar friagem que logo sentia dor de garganta e punha san- . gue pelo nariz. Quando chegou, dizia chamar-se Lecy, mas quando othei sua certidao seu nome completo era Nelci Nazaret Gomes Tardemo 0 dia de seu aniversario era 16 de janeiro. A princlpio pagavamos-the um pequeno salario, mas ap6s 0 falecimento de Dioclizio, quis que ela continuasse na minha cas a como filha. Ja tinha me afei110ado a ela. Passei a the dar de tudo, inclusive estudo. Custou a aprender a ler, mas aprendeu. Terminou 0 primario. Netci me ajudava muito. Mais tarde quis ganhar um dinheirinho extra como manicure. Todos os meus filhos tratavam-na como irma. Infelizmente arranjou um namorado que a influenciou negativamente. A partir dessa epoca passou a nao me tratar bem, comel1Ou a tratar mal meus filhos que chegavam para me visitar. Desentendeu-se com Paulo Wantuil. Quando Ana Flavia nasceu fui para Uberlandia ficar com Carlota. Quando voltei, nao a achei mais em casa. Tinha sardo levando todas as suas coisas. Senti muito, pois 0 meu desejo era que ela s6 viesse a sair de cas a quando se casasse. Felizmente ja veio passear aqui. Somos amigas. Ela me considera como mae. Ja se casou. E mae. Mora na Baixada Fluminense. Quando fiquei viuva, meu mho mais novo Paulo Wantuil tlnha 9 anos; os quatro mais velhos -Dionei, Jane, Jose Webel e Ernani ja estavam fora de casa, estudando e trabalhando. Por ser Ernani 0 mho que tinha melhor emprego e melhor salario foi 0 que assumiu praticamente todas as despesas de casa. Eu ajudava com as costuras que fazia para fora. Sete fithos ainda estudavam no Colegio Evangelico, que era pago. Deus foi suprindo todas as nossas necessidades. A medida que as outros filhos' iam terminando 0 curs~ secundario, lam saindo de casa para estudar e trabalhar. Ernani foi 0 esteio financeiro da casa durante dez anos. Por 1im, s6 ficou 0 cac;ula 37 em casa. Este, infelizmente, me multo trabalho. Nao queria saber de estudar nem trabalhar. S6 queria saber de traquinagens. Lutei com ele durante quatro anos. Quando nao aguentei mais seu comportamento, seus irmaos Jose Webel, Abel, Uneu e Ojalma, que estavam em Sao Paulo na epoca, resoiveram leva-Io para la para trabaIhar. Oepois de um ana ele estava de volta. Agora que ria estudar. Come~u a cursar a primeira sMe ginasial com 16 anos e, com dificuldade, conseguiu chegar ate a quarta serle ginasial, hoje oitava serie. Oigo, com dificuldade, porque nao se esforc;;:ava nos estudos. Era muito irrequieto. Sempre mostrou-se inteligente, mas sua inteligencia era des vi ada para outras coisas. Aos 20 anos tol para Belo Horizonte, para trabalhar. Quando tiz 60 anos comecei a receber aposentadoria como costureira. Dois dos meus mhos, Abel e Alice Neni, pagaram 0 INPS para mim durante dois anos para que eu pudesse me aposentar. Com este ganho e com a ajuda dos meus mhos, nunca me faltou nada, grac;;:as a Deus. Continuo trabalhando porque gosto. Nao sei ficar parada. Deus tem me dado muita saude. Ja teve ana de nao precisar tomar remedio nenhum. Quando lodos os fithos sairam de cas a e eu fiquei sozinha, meus mhos queriam que eu fosse moral' em Belo Horizonte, onde residiam oito deles: Jane, Ernani, Alice Neni, Abel, Uneu, Maria Udice, Ojalma e Paulo Wantuil. Alegavam que a casa onde morava estava velha e que eu, em Belo Horizonte, na companhia deles, teria mais conforto. La teriam chance de me dar mais atenc;;:ao, zelarem mais POl' mim. A ideia de ir morar na Capital nao me agradava por varios motivos: primeiramente porque nao gosto de cidade grande. Nao tenho paciencia para ficar enfrentando mas para tomar onibus, para fazer compras em supermercados, no a<;{ougue, nos bancos ... Em segundo lugar, queria ficar em Presidente Soares, porque sempre me relacionei bem com meus parentes, vizinhos e irmaos da Igreja (grandes amizades fortaiecidas de sinceridade que neste texto seria dfficii de menciona-Ias todas); porque posso sair de cas a a qualquer h~ra, do jeito que estou em cas a e sem precisar trancar as portas; porque prezo a amizade e conside-rac~o que os Pastores da Igreja tem para comigo. Oois sobrinhos meus ja foram Pastores da Igreja: Rev. Wilson de Souza Lopes, casado com minha sobrinha Cary, filha de Odete; e Rev. Eber Magalhaes Lenz Cesar, casado com minha, sobrinha Marcia, filha de Celina. Outro sobrinho, Anderson (filho de Rev. Adelino e Celina), e 0 Pastor atual da Igreja. Alem disso fac;;:o parte da SAF (Sociedade Auxiliadora Feminina) da Igreja, atualmente com cento e cinquenta s6cias, todas minhas amigas. Sou professora 38 de uma classe da Escola Dominical de Senhoras (todas mais novas do que eu e muito pacientes comigo) M vinte e oito anos. Sou integrante da Comissao de Assistencia Social da SAF tambem ha muitos anos. Nossa SAF tem uma sala de costura no Centro Social da Igreja. Todas as quintas-fe.iras, a. tarde, nos reunimos la para confeccionar roupas para distribuir aos carentes e orar. Fa(fo esse trabalho com prazer. Nunca pensei em morar em casa de filho. Gostaria de ficar morando, ate quando Deus quiser, na minha propria casa. Como Deus tem me aben(foado ao longo de minha vida! Como se nao bastassem as ben(faos dos filhos encaminhados, da manuten(fao, da saude; 0 privilegio de morar em Alto Jequitiba e conviver com as pessoas deste Jugal" que para mim constituem uma grande familia; 0 fato de pertencer a. Igreja Presbiteriana da cidade - uma familia menor dentro de outra maior; uma outra grande b9n(ftlo Deus me concedeu: uma cas a nova para morar. Os filhos achavam que a casa da pra(fa Rev. Cicero Siqueira onde eu morava ja estava velha e ruim. Como eles tinham progredido na vida, moravam em casa melhor. Ao virem me visitar come(faram a nao se sentir bem na casa velha e desconfortavel. Come(faram a ficar preocupados com a situa(fao. Uns come(faram a pensar em reformar a casa, outros ja achavam que a cas a deveria ser derrubada e construfda uma nova em seu lugar. Por tim reuniram-se varias vezes em Belo Horizonte para discutirem sobre esse assunto. Antes de cada reuniao, oravam pedindo a dire(fao a Deus. Resultado: resolveram pela fe (ninguem tinha dinheiro guardado) derrubar a cas a veiha e construir uma nova. Isso toi em 1984. Foram feitas duas plantas, a aprovada toi feita pelo engenheiro George Sathler Rosa. Surgiu a pergunta: -"Quem iria acompanhar a constru(fao?" Em Presidente Soares conhecfamos do is senhores aptos para a lareta, mas quando fomos conversar com eles, nao aceitaram alegando que eram muitos na familia para dar palpite, nao iria dar certo. Dirigi-me a Dionei e Ihe disse que eu nao era surda, cega, sabia falar, podia andar e, com a orienta(faO e for(fa de Deus, poderia, junto com ele, liderar a constru(fao. Dionei aceitou. Assim, juntos, assumimos essa responsabilidade. Contratamos os pedreiros, come(famos a comprar material e assim 0 trabalho come(fou em abril de 1985. Muito material veio de Belo Horizonte mandado pelos filhos que residem la. Em BH a maior colaboraC;ao quanto a tomada de pre(fos, escolha do material, sua compra e seu envio para ca foi dada por Abel, Tonia e Jane, principalmente Abel que tambem foi 0 porta-voz das resolu(foes dos irmaos de BH. Em dois anos a casa foi construfda. Parte dela foi construida no Plano Cruzado que muito nos favoreceu. Durante a 39 sua construc;:ao nao se fez nenhum emprestimo. Uns filhos contribui- ~ ram financeiramente mais, outros menos, conforme as suas posses. : Nenhum acidente grave ocorreu durante a execuc;:ao da obra. Os pedreiros que foram contratados no principio do trabalho ficaram ate 0 seu final. 0 pagamento deles foi feito semanalmente. Grac;:as a Deus nao houve discordias. Depois .de concluida a casa pairavam algumas indagac;:oes: De quem era a casa? Quem teria dire ito sobre ela? Para resolver essas questoes foi realizada uma reuniao. Resultado da reuniao: a cas a seria minha durante a minha vida e de todos eles, igualmente, apos a minha promoc;:ao para a Mansao Celestial. Todos os filhos gostam de Alto Jequitiba.. Todos gostam de vir aqui nos feriados e nas suas.ferias. Fazem da minha casa, a casa dales. Diariamente dou grac;:as a Deus pela cas a que me deu por intermedio deles. Nao a nos, Senhor, nao a nos, mas ao teu nome da gloria, pOl' amor da tua misericOrdia e da tua fidelidade (Salmo 115:1). Se 0 senhor nao edificar a casa, em vao trabalham os que a edificam; se 0 Senhor nao guarda!' a cidade, em vao vigia a sentinela. (Salmo 127:1). Casa antiga da Pra«a Rev. Cicero Siqueira .40 Casa nova da Praga Rev. Cicero Siqueira Da e~querda para direita, homens: Dionei, Abel, Jose Webel, Paulo Wantuil, Lineu, Ernani, Djalma. Mulheres: Oneida, Carlota Guilhermina, Maria Udice, Alice Neni, Jane. 41 ~~~~~------.-~----- da na por causa desse acidente. Creio que 0 seu sofrimento foi com mais de 30 anos de problemas, por isso leve ser submetido a Hoje usa protese. Aos 12 anos, ao tentar montar em um caiu e quebrou 0 bra<;o. Ao em uma raiz e ficou embodocado. A naira onde fez 0 curso de Seguran«;(a Industrial. Pretendia trabalhar nessa area na qual tentou arranjar emprego, mas infelizmenta nao conseguiu. Entao foi para Sao Paulo, onde Dionei ja trabalhava. me<jou a trabalhar como vendedor na Realtuf, Credito. Nesta empresa chegou a sar Supervisor de Vendas . tarde asta empresa foi vend ida ao Diner's Club, onde como vendedor. Nesse periodo prosseguiu seus estudos no Colegio Comercial Alianga, onde concluiu 0 curso de Tecnico em Administragao de Empresas. Terminando este Curso, ingressou de imediato, apos vestibular, na Faculdade de Ch~ncias Economicas e Administrativas D. Pedro II. Foi nessa epoca que comec;:ou a namorar a jovem Carmen Lucia Jacob Hessel, paulista de Tatui, com quem sa casou. Depois fez Economia a pos-graduac;ao em ling pala ESPM/SP, alem de outros cursos de especializac;:ao. Ao terminar a faculdade, come<jou a trabalhar na (GE) do Brasil, no Departamento de Manutengao Industrial, tendo varias viagens pelo Brasil a servigo da empresa. Trabalhou na GE por doze anos. Apos este periodo, saiu desta empresa e se associou a dois outros ex-colegas de trabalho para fundarem a firma Inlocus Servic;:os Especializados de Manutengao Industrial. Nesta, flcou quatro anos. Apos esie periodo vendeu sua particlpagao na empresa. Logo em seguida fundou a sua nova e atual empresa, a Webel Comercio e Representagao Uda., que atua na area de vendas de produtos e servigos e na intermediaC;ao de negocios. Jose Weber e Carmen tem dois filhos: Marcus Webel e Marcio Wesley. Marcus esta cursando processamento de dados na Faculdade de Tecnologia da Universidade Mackenzie e Marcio taz Escola Tecnica Textil no SENAI. Carmen e formada em Matematica. Ha alguns anos vem se dedicando as artes. E pintora de trabalhos em porcelana e telas. Tem participado de varias exposi<;6es. Ultimamente tem se especializado na area de pinturas de porcelanas para bijuterias e telas espatuladas. Em Presidente Soares, por influencia dos tios paternos, Jose Webel fez 0 batismo e crisma na Igreja Catolica, mas depois comec;ou a frequentar a Igreja Presbiteriana. Em Sao Paulo, por influencia do Dionei e mais tarde pela esposa e sogro crentes, frequentou a Igreja Presbiteriana Unida de Sao Paulo, da qual se tornou membro. Fez sua publica profissao de fe e batismo quando era Pastor dessa Igreja Rev. Denoel Nicodemos Eller. Jose Weber toi presidente da UPH e da junta diaconal. Carmen canta no coral e os filhos trabalham ativamente na mocidade dessa mesma Igreja. 49 ERNANI Nasceu no dia sete de julho de 1942. Era um menino magrinho, mas criou-se com saLide. Aos quatro an os de Idade Dioclfzio batizou-o na Igreja Cat6lica, na minha ausencia, quando eu tinha ido a Celina visitar meus pais. Ernani era estudioso. Fez 0 primario em tres anos, como Jane. Ainda declama muito bem, tendo ganho na infancia, na epoca de Colegio, varios premios como declamador. Tambem era um me nino trabalhador. Sobressaiu-se como mecanico de bicicletas, na oficina do pai. Gostava de tomar banho no rio, como os irmEWS mais velhos. Infelizmente, devido a esses banhos de rio, veio a apanhar esquistossomose. Tratou-se, mas ficou muito debilitado com o tratamento. Quando terminou 0 curso cientffico, aos dezessete anos, foi para Vigosa-MG fazer cursinho para prestar vestibular. Como nao se encontrava muito bem ainda devido ao tal tratamento, teve que voltar para casa. 56 melhorou depois de um tratamento serio. Logo depois veio a prestar concurso para 0 Banco do Brasil. Passou. Comegou a trabalhar em Manhumirim-MG. Como desejava muito continuar seus estudos, conseguiu transferencia para 0 Banco do Brasil do Rio de Janeiro. No Rio veio a fazer 0 curso de Economia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Em 1967 foi transferido para Belo Horizonte, onde se formou em Economia pela Faculdade de Ciencias Economicas (FACE) da UFMG em 1969. Fez profissao de fe na Primeira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte em janeiro de 1978. Em Belo Horizonte frequenta as Igrejas Batista e Presbiteriana. Conta atualmente 50 an os de idade. E divorciado, sem filhos. Aposentou-se no Banco Central do Brasil em 1 Q de dezembro de 1991. Reside atualmente na Vila Del Rey, periferia de Belo Horizonte. Trabalha presentemente como Economista em Belo Horizonte e no interior de Minas Gerais. Poeta e Escritor, ja possui duas obras: "Cartilha da Vida" e "Emociones y Recuerdos". E preciso salientar que, a partir da morte de seu pai, assumiu a incumbencia de substituir 0 genitor da familia, seja orientando-a no que esta ao seu alcance, seja suprindo os recursos finaceiros necessarios para complementar as carencias finaceiras de toda a familia. Fato louvavel. Que Deus 0 abengoe ricamente por isso. No perfodo de novembro de 1988 a dezembro de 1991 enfrentou grave crise de depressao, com risco da pr6pria vida. Aprouve ao Criador poupa-Io, concedendo-Ihe novo vigor ffsico e espiritual. Hoje e 0 homem operoso e feliz que todos podem ver. 50 'I ALICE NENI Nasceu no dia tres de dezembro de 1943, gordinha e bastante saudavel. Aos 6 meses levou um tombo enorme de uma mesa de refeic;:ao. Ababa se distraiu. Alice caiu e desmaiou. Achei que minha filha tinha morrido, mas grac;:as a Deus recobrou os sentidos. Um enorme galo tinha se formado na sua cabec;:a. Em tres dias ficou boa. Desde cedo mostrou-se trabalhadora. Como gostava de uma vassouraj Quando era bem pequenininha, se visse uma, tentava alcanc;:tl-la. Se conseguisse pega-Ia logo a deixava cair, p~r ser bem maior do que ela. Quando garota mostrava-se sempre alegre, gostava de tomar parte em teatro, cantar e recitar. Sempre teve boa voz. Desde cedo aplicou esse talento que Deus Ihe deu cantando no coralzinho da Liga Juvenil e mais tarde no coral da Igreja. Ajudava-me muito na disciplina dos irmaos mais novos. Ajudava os irmaos a fazer os deveres de escola. Fiscalizava-os no desempenho e cumprimento de suas tarefas. Para ganhar uns trocados, trabalhou na bilheteria do cinema do colegio durante alguns meses, deu aula para 0 curso de admissao de ferias (quinta serie) do Colegio. Foi monitora dos escudeiros dos garotos de Presidente Soares p~r algum tempo. Em 31 de Dezembro de 1962 ela e Carlota fizeram sua publica profissao de fe e batismo. Foi at iva na UMP. Fez parte do Departamento "Cecilia Rodrigues Siqueira" (so de moc;:as) da SAF da Igreja. Fez 0 curso primario no Grupo Escolar "Jose Manuel da Silva". Completou 0 curso ginasial no Colegio Evangelico. Participou ativamente do Centro Civico (Orgao de atividades culturais) do Colegio. Para continuar seus estudos toi para Carangola -MG, onde fez 0 primeiro ana do curso de magisterio, pois nao havia esse curso em Presidente Soares. Mas, no ana seguinte, com a criac;:ao deste curso no Colegio de Presidente Soares, Alice voltou, dando prosseguimento aos seus estudos aqui. Nesse ana lecionou Educagao Fisica no Colegio para 0 sexo feminin~. Em Julho de 1964, faltando um semestre para terminar seu curso, transferiu-se para Belo Horizonte. Matriculou-se no Colegio Tristao de Atafde, onde terminou seu curso de normalista. A convite de Jane, Alice foi trabalhar com ela no Departamento de Biologia Geral do Instituto de Biologia da FAFI da UFMG como tecnica em pesquisa cientffica. Ela deu-se muito bem nesse trabalho, pOis continua nele ate hoje. Com a criac;:ao do ICB da UFMG, passou a fazer 0 mesmo tipo de pesquisa do GIDE(Grupo Interdepartamental de Estudos sobre Esquistossomose), orgao desse instituto. Continuou seus estudos fazendo 0 curso superior de Educac;:ao Ffsica na Escola de Educac;:ao Fisica da UFMG. Sempre trabalhava e estudava. Apos graduar-se 51 eontinuou a leeionar Edueac;lio Fisica em Colagios da Capital. leeionou durante doze anos, mas desde 1984 abandonou 0 professorado. Em 1980 casou-se, mas ao final de 2 anos de casada leve de se divorciar. Sofreu uma grande desiluslio. Felizmente passou per cima de tudo. Em todas estas cousas, porem, somos mais que vencedo res, POl' meio daquele que nos amou (Romanos 8:37). As misericordias do Senllor sao a causa de nao sermos consumidos porque as suas misericordias nao t~m fim.(lamentac;oes 3:22). Hoje mulher polida pelos embates da vida, e serva fiel a servic;o do reino de Deus. Em 1990 casou-se novamente, com 0 Sr. Wolf Dietrich Werner 8alzuweit, viuvo, pai de duas filhas. Wemer a tacnico de irrigac;ao por mais de quarenta anos. E esportista nautico amador. Comec;ou esse esporte ainda iovem nas cidades de Niter6i e Rio de Janeiro. Eo precursor ou pioneiro da vela (esportenautico) em Minas Gerais. Desde que Alice esta em companhia de Werner, vem praticando esse esporte, junto com ele, como proeira. Nao teve mhos, mas gosta muito de seus sobrinhos e os curte sempre que pode. Em 1986 terminou 0 curso de estatica facial no SERVAS (Servic;o Voluntario de Assistencia Social do Estado). Vem exercendo tambam a profissao de esteticista desde esta data. Para ampliar seus conhecimentos e atividades fez curso especializado em maquilagem convencional e definitiva e de cabeieireira. Frequentou a Primeira Igreja Presbiteriana de 8elo Horizonte durante vinte e seis anos, de julho de 64 a agosto de 1990, atuando na area de musica como corista dessa Igreja. Frequenta a Igreja Presbiteriana do Jaragua, bairro onde reside atualmente. Nessa Igreja leciona na Escola Dominical para a classe Junior, participa do coral, €I solista e taz parte da SAF. GUllHERMINA Nasceu no dia 28 de junho de 1945. Era muito espertinha. Andou com 11 meses de idade enquanto os demais filhos andaram depois de 1 ano. Sofreu bronquite ate 12 anos de idade. Chegou a ficar com as pernas bambas p~r causa da bronquite. Era estudiosa. Gostava de tomar parte em teatro, declamar, fazer discurso, andar de bicicleta e jogar volei. Tinha muitas amigas e gostava de estar com elas. Tres delas -Veronica Gripp Paixao, Sandra eJulinha 80echat eram as mais chegadas. Carlota viveu intensamente sua adolescencia e mocidade. Na epoca em que ela e Alice fizeram a profisslio de fa (em dezembro de 1962), DiocHzio nlio se opunha mais a decislio religiosa dos mhos. Dar p~r diante, quando os outros 1ilhos chegaram a idade da razlio, per livre e espentanea vontade procuraram se filiar a minha Igreja. Carlota participeu ativamente da UMP. Quando termi52 nou 0 cientlfico aqui, foi para Belo Horizonte para fazer vestibular. A principio ficou morando com Jane, que nesta epoca ja estava casada. Tendo sido aprovada no vestibular para odontologia, pela UFMG, passou a morar em republica. Arranjou emprego para custear seus estudos. Graduou-se em dezembro de 1969. Casou-se em 18 de abril de 1970 com 0 engenheiro mecanico Perrin Smith Neto, natural de Sao luiz-MA. Por ocasiao do namoro com Perrin residia em Belo Horizonte, mas na data do casamento estava morando e trabalhando em Uberlandia-MG. Carlota e Perrin casaram-se em 8elo Horizonte e foram morar em Uberlandia. Perrin e professor da Faculdade de Engenharia desta cidade. Em Uberlandia Carlota montou seu consultorio dentarlo. Quando fazia um ano de casada, sofreu um acidente de carro na BR 262 quando ela eo esposo iam para Belo Hori:zonte para serem padrinhos de um casamento. Nesse acidente sofreu fratura da sexta e setima vertebras cervicais e, como conseqOencia, luxac;ao(compressao) da medula espinhal. Seu esposo nao sofreu nada. Em conseqOencia da iuxac;ao da medula, ela ficou totalmente paralisada. Teve que flcar hospitalizada por multo tempo. Primeiramente toi socorrida no Hospital da cidade de luz. Nao havendo recurso para ela nesse hospital, foi para Belo Horizonte para 0 Sara Kubtschek. No Sara foi operada duas vezes. Nessa ocasiao esteve muito mal, a morte mesmo, mas com as orac;6es a seu favor por parte de muitas Igrejas, amigos e parentes, Deus poupou a sua vida. Ficou neste hospital dois meses. Depois foi transferida para 0 hospital Arapiara para tazer fisioterapia. Ficou nesse hospital onze meses. Foi um milagre a sua recuperac;ao. Voltou para Uberlandia e apos um ano reiniciou seu trabalho. Depois de dois anos de recuperada nasceu sua primeira filha: Ana Flavia (hoje com 18 anos). Depois nasceu Julie, sua segunda filha, ora com 16 anos. Davi e 0 nome do Who cac;ula que esta com 8 anos. Como Perrin precisou tazer cursos no exterior para atender as necessidades de sua carreira universitaria, Carlota mais. os filhos tiveram a oportunidade de ir com ele. Assim eles puderam conhecer varias cidades da Europa, Canada e Estados Unidos. Carlota sentiu 0 chamado de Deus par ajudar deficientes Hsicos. Ela cre que Deus permitiu que ela sofresse 0 acidente e ficasse defeituosa para que se sensibilizasse com aqueles que sofreram como ela e ainda estao sofrendo. Cemo Perrin e Carlota possufam uma chacara, criaram nela 0 Centro de Reabilitac;ao e Terapia Ocupacional (CERTO) de Uberlandia, que hoje atende muitas crianc;as portadoras de diversas deficiencias Hsicas. 0 CERTO e assistido por profissionais especializados em diversas areas e recebe ajuda financeira da Visao Mundial, Prefeitura de Uberlandia e amigos. A visao principal do CERTO e a evangelizac;ilo. Carlota trabalha nesta area. 53 Em 1989 ganhou da Camara Uberlandia a medalha Ordem Municipal do Merito Augusto Cesar (31/08/1988) pelos relevantes servi<;os prestados a comunidade. Carlota €I familia frequentaram a I.P. de Uberlandia durante dezoito anQs. Hoje sao membros da Igreja Sal da Terra, onde Carlota atua na area do ensino infanti'l. ABEL Nasceu no dla seis de margo de 1947, na Vargem Grande. Era um menino forte. Tinha tres anos quando voltamos para Presidente Soares. Quando pequeno, caiu duas vezes no rio que passa pela cidade. Foi acudido a tempo todas as duas vezes, gra<;as a Deus. Como a familia era grande e as tarefas domesticas eram muitas, era natural que eu nao dispusesse de muito tempo para vigicHo permanentemente. Foi realmente Deus quem 0 protegeu, assim como toda a jovem familia. Parece que nao quis seguir sua vocagao inicial -ser guarda de transito, pois ainda pequeno gostava de ficar no meio da rua fazendo sinais para os carros passarem ou pararem. Nao tinha nogao do perigo daquela sua atitude. Por causa disso, diversas vezes toi trazido para casa par transeuntes, apesar das advertencias que Ihe eram feitas por nos daqui de casa, amigos e vizinhos. Fez 0 curso primario no Grupo Escolar da cidade "Jose Manuel da Silva". A professora que Ihe ensin6u as primeiras (etras fol Carmelita Valle. Sempre foi muito trabalhadOr. Nao era costume seu ficar pedin- . do dinheiro a mim ou ao pal, por isso se virava como engraxate, vendedor de frutas, picoles €I pipoca pelas ruas da cidade. Outras atividades que exerceu: ajudante de caminhao do pai, ralador de mandioca na pequena fabrica de farinha que tivemos por algum tempo, entregador de lenha, zelador de animais, etc. Na epoca da Maria FumaGa, tamMm ganhava um dinheirinho carregando malas dos passageiros, quase sempre alunos, da estac;ao ate 0 Colegio. Gostava multo de nadar no rio, especial mente na epoca das enchentes. Foi outro que adoeceu com esquistossomose. Fez profissao de fe e batismo aos 16 anos com 0 Rev. Cicero Siqueira. Tinha voz boa, cantou no conjunto Coral da Igreja e no conjunto Arco-Iris por mais de cinco anos. Este ultimo nao so se apresentava na Igreja local mas tambem em outras Igrejas Presbiterianas de outras cidades da regiao. Abel gostava muito de futebol, pOfem s6 Ihe foi possivel jogar basquete por serem os treinos a noite, pOis durante 0 dia, ap6s as aulas, tlnha de trabalhar. Abel tambem ajudou muito na garagem de bicicleta consertando e alugando. Era estudioso. Fez 0 ginasial e 0 cientffico no Coh~gio Evangelico. Ao terminar 0 curso colegial saiu para trabalhar e continuar seus estudos. Esteve em Sao Paulo-SP, Rio de Janeiro-RJ 54 .pz e Vitoria-ES. Nao tendo se adaptado nessas cidades, regressou a Presidente Soares. Resolveu estudar no Seminario Teologico Centenario, da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Vitoria. Frequentou o seminario somente dois anos. Em Belo Horizonte trabalhou no Fundo Cristao para Criangas (CCF) ate 1976. Neste mesmo ana transferiu-se para a Visao Mundial, que e uma organizagao humanitaria, onde trabalha ate hoje. Ainda neste mesmo ano casou-se com Tonia dos Santos Lima, pedagoga. Iniciou seu curso superior de Direito na UFMG ende graduou-se. Desde que. comegou a trabalhar na Visao Mundial teve diversas oportunidades de viagens internacionais. Ja esteve na Guatemala, Chile, Honduras, Nicaragua e Estados Unidos. Em 1986 morou com a esposa seis meses em Melbourne na Australia. Ele teve tamb8m a oportunidade de morar p~r um ana em Quelimane -Mogambique (Africa), tambem a servigo da Visao Mundial. Morou la nove meses sozinho, e tres meses com a familia, administrando um escritorio de ajuda de emergencia. Em 1988 Deus concedeu ao Abel e Tonia, apos doze anos de casados, a maior de todas as bengaos (assim considerada por eles) -um Who, 0 Mendel, hoje com 4 anos. LlNEU Nasceu no dia oito de agosto de 1948. Era um menino forte e manso. Sempre toi estudioso, bom aluno. Foi muito arteiro. No dia em que completou oito anos de idade, uma de suas professoras perguntou-Ihe 0 que queria ser no futuro. Logo respondeu: Pastor. Desde entao so fol confirmando esse seu proposito. Fez os cursos: ginasial e de magisterio no Colegio Evangelico. Fez a profissao de fe e batismo aos 13 anos com 0 Rev. Cicero Siqueira. Ao terminar 0 curso secundario toi para 0 Seminario do Centenario, da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Vitoria-ES, ficando la um ano; transferindo-se para 0 seminario de Campinas-SP, em 1969. Terminou 0 Curso de Teologia no Seminario Episcopal de Sao Paulo-SP. Fez ainda em Sao Paulo, na cidade de Mogi das,Cruzes, 0 curso de Filosofia. Trabalhava e estudava. Em Sao Paulo trabalhou na Missao Presbiteriana do Brasil Central (MPBC) e na Associagao dos Seminarios Teologicos Evangelicos(ASTE). Fez mestrado em Teologia no Instituto Ecumenico de Bossey, em convenio com a Universidade de Genebra, Sufga. Na ocasiao teve oportunidade de visitar outros parses da Europa e alguns parses da Africa. Foi Pastor em Conceigao de Ipanema e Chale. Em 1976 pastoreou as Igrejas de Caratinga (primeira e segunda Igrejas). Em 1977 mudou-se para Belo Horizonte. TrabaIhou na AQOM INAS durante tres anos. Foi Pastor auxiliar na segun55 da Igreja Presbiteriana por tres anos. Pelo Presbiterio Belo Horizonte pastoreou a Igreja Presbiteriana de Lindeia durante nove anos. Hoje taz parte do presbiterio Oeste de Belo Horizonte, E Pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro Industrial em Contagem e Pastor Auxiliar da Igreja Presbiteriana do Bairro Industrial em Belo Horizonte. E vicepresidente do Presbiterio Oeste de Belo Horizonte e Vice-Presidente do Sfnodo Oeste de Belo Horizonte. Em Belo Horizonte fez 0 curso de Administrac;ao de Empresas pela Faculdade de Ciencias Gerenciais da UNA, tornado-se urn dos professores ate 0 ana de 1988. Atua como professor no seminario teol6gico Presbiteriano. Trabalha no Instituto Estaduai de Florestas (IEF). Em 1993 sera Pastor da Igreja Presbiteriana do Miramar. Foi candidato a Vereador por Belo Horizonte em 1988 e a Vice-Prefeito por Contagem em 1992. E casado com Katia Braga Paiva Faria. Data do casamento: 27 de maio de 1989. Tern dois filhinhos: Livingstone Emerick Braga Paiva Faria, nascido em Contagem em 26 de dezembro de 1990 e Kathleen Emerick Paiva Faria, nascida em Belo Horizonte em 28 de setembro de 1992. MARIA LiD ICE Nasceu no dia sete de outubro de 1949. Era uma menina miudinha. Com tres meses esteve entre a vida e a morte. Nao suporlando mais ver 0 seu sofrimento, entreguei-a a Deus para leva-Ia para si. Porem Deus curou-a. Entao senti de maneira multo clara que Deus quis provar a minha fe com a sua doenc;a. Quando ainda pequena tomou tres tombos enormes. Acho que isso veio prejudicar em muito 0 seu crescimento. Sofreu muito tambem da garganta. Quando completou doze anos suas amigdalas foram removidas. Udinha era muito dinamica. Gostava de participar de teatro. Participou de varios concursos de declamac;ao sempre se saindo vencedora. Participou de audic;oes de piano. Brilhou nos pelotoes de mai~r destaque do Colegio. Brilhou no v61ei feminin~. Fez profissao de fe e batismo aos 16 anos. Fez os cursos primario, ginasial, magisterio e belas artes, tendo feito os tres primeiros no Colegio Evangelico e, 0 ultimo, na Escola de Belas Artes da UFMG em Belo Horizonte. Suas companheiras na epoca de colegio: Isabel Paixao, Isa Virginia, Magda Boechat, Else Matos e Rosaura Beato. Casou-se com Joao Luiz Traverso Gonc;alves, carioca, jornalista, no dia 18 de agosto de 1974. Hoje Udinha amadureceu, tornou-se Udice, que batalha muito para educar seus quatro filhos: Uciane, Luiz Fernando, Lucas e Lafs, com respectivamente 16, 14, 11 e 4 anos. Criou e dirigiu escolas. Ha dezesseis anos e professora da Faculdade de Filosofia e Letras de Belo Horizonte (FAFI -BH). Fez exposic;6es de obras de arte, desenhos, pinturas, tapec;arias e escultu56 ras. Tem quadros em varias repartic6es de Belo Horizonte. Ela e os fithos freqOentam a Primeira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte. Hoje seu esposo Joao Luiz alem de Jornalista e professor universitario, administrador de empresas e no dia 23 de setembro de 1992 10i nomeado Juiz Classista da 23(\ Junta da Capital. DJALMA Nasceu no dia 23 de dezembro de 1950. Teve bronquite quando pequeno. Sofreu muito da garganta tambem. Teve que fazer extracao das amfgdalas aos 9 anos. Fez ate 0 ginasial aqui em Presidente Soares, indo depois para Sao Paulo para trabalhar e continuar seus estudos. Fez 0 cienHfico e 0 curso de protese dentaria em Sao Paulo. Trabalhou como protetico dentario nas cidades de Uberl~tndia MG, Vila Velha-ES e em Belo Horizonte-MG. Ainda em Belo Horizonte trabalhou p~r sete anos na Visao Mundial e tambem, nesseperiodo, estudou Psicologia na PUC-MG onde graduou-se em 1988. Em maio de 1988 toi para 0 Canada onde esteve por tres meses na cidade de Vancouver-BC. Em agosto do mesmo ana mudou-se para New York, cidade dos Estados Unidos, onde reside. Nos Estados Unidos frequenta uma Igreja Batista e a Igreja Presbiteriana da Quinta Avenida. Sempre toi muito amavel, alegre e brincalhao. E muito estimado , por lodos. E profundo admirador da natureza, gosta de plantas e flores, inclusive ja pintou quadros paisagisticos. PAULO WANTUIL Nasceu no dia 21 de fevereiro de 1953. Era um menino forte, esperto e muito arteiro. Tambem sofreu de bronquite quando crianca. Ja falei bastante de sua infancia quando relatei sobre minha viuvez. Mais ou menos aos 20 anos toi para Sao Paulo para procurar emprego. Ficou la alguns meses. Depois regressou a Presidente Soares onde concluiu 0 curso ginasial. Seguiu para Belo Horizonte para . trabalhar, e la reside ate hoje. Nao quis continuar seus estudos. Casou-se em Presidente Soares com Marlene Valerio Novaes e tem tres tilhos: Tiago, Mariana e Marjore, com respectivamente 8, 5 e 3 anos. Em Belo Horizonte exerce a profissao de corretor de im6veis. A serviCo da empresa a qual pertence, passou algum tempo em Guarapari vendendo im6veis. Por seu trabalho na cidade 10i considerado um dos melhores vendedores. Comercia tambem veiculos e ja re10rmou varios, inclusive ele mesmo trabalhando de mecanico. Todos os meus mhos gostam de doar, de repartir. Paulo Wantuil e "mao aberta", isto e, esta sempre fazendo doa<;6es de roupas, cal<;ados, etc. 57