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VII SEMINÁRIO DE ESCRITAS E LEITURAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (VII SELEM) Anais do VII Seminário de Escrita e Leitura em Educação Matemática. Belo Horizonte. p. 1-X, 2025. LITERATURA E MATEMÁTICA: uma proposta didática a partir de aritmética da Emília de Monteiro Lobato Sirlanny Silveira da Silva Universidade Federal de Roraima [email protected] Raquel Endalecio Martins Universidade Federal de Roraima [email protected] Resumo: Neste texto, busca-se apresentar uma proposta de um diálogo entre as áreas da matemática e da literatura a partir do livro Aritmética da Emília de Monteiro Lobato e um livro didático do 6 ano. Partiu-se de entrevistas com professores de matemática da Escola Estadual Albino Tavares – que atende alunos da zona rural de Boa Vista; e da comparação como são apresentados os conceitos da aritmética: adição, subtração, divisão e multiplicação em um livro didático (Dante, 2012) e no livro infantil de Lobato. Assim, se propõe que o ensino aconteça de uma forma lúdica e divertida para uma aprendizagem relevante para o aluno da Escola do Campo. O referencial teórico que embasou a análise foi sobre a relevância do apoio de livros paradidáticos no processo de ensino e aprendizagem, bem como a necessidade de considerar as necessidades e preferências dos alunos, já que o autor elabora uma abordagem que envolve a dinâmica da ludicidade. Os resultados mostram que Lobato utiliza uma abordagem lúdica e fantasiosa, enquanto Dante apresenta os conceitos de forma direta e objetiva. As conclusões indicam que ambas as abordagens têm seus méritos e podem ser úteis em diferentes contextos e para diferentes tipos de alunos, destacando a importância de considerar diferentes abordagens pedagógicas para ensinar matemática. Palavras-chave: Educação do Campo; Ensino de Matemática; Formação de leitores. Introdução A leitura tem suas próprias características, especialmente na forma como o leitor é entendido. Ele é visto como alguém que tem emoções, desejos e vontades, que precisa ser conquistado ou persuadido de alguma forma. Todo escritor, consciente ou não, lida com essa ideia de outra pessoa que está do outro lado da leitura, tentando atraí-la de diferentes maneiras (Lajolo; Zilberman, 1998). Monteiro Lobato (1882–1948) foi um autor bastante conhecido por conquistar seus leitores, principalmente o público infantil. Ele parecia enxergar o mundo e tudo ao seu redor com os olhos de uma criança, fazendo a gente acreditar que ele nunca deixou de ter
VII SEMINÁRIO DE ESCRITAS E LEITURAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (VII SELEM) Anais do VII Seminário de Escrita e Leitura em Educação Matemática. Belo Horizonte. p. 1-X, 2025. essa criança interior viva. Lobato estudou direito em 19001, mas o que ele se apaixonou mesmo foi pela literatura – voltada para o público infantil. O escritor ainda teve uma esposa, a qual ficou casado até o dia de sua morte, com quem teve quatro filhos: Martha (1909 – 1996), Edgar (1910 – 1943); Guilherme (1912 – 1938), e Ruth (1916 – 1972). Desde muito jovem, Lobato se via como uma pessoa bastante inteligente e criativa, com uma imaginação tão forte que conseguia enxergar a magia na arte do seu pequeno mundo. Quando cresceu e virou adulto, ele nunca deixou essa imaginação morrer; pelo contrário, deu ainda mais vida a ela, contando com o apoio da sua querida esposa, Purezinha Monteiro Lobato: O projeto de literatura infantil de Monteiro Lobato surgiu alguns anos antes de sua grande expansão editorial. Em carta a Godofredo Rangel, de 8 de setembro de 1916, Lobato compartilha com o amigo sua intenção de escrever para as crianças depois que percebe Purezinha contando as fábulas de Esopo e La Fontaine a seus filhos (Martins, 2023, p. 65). Apesar do tom divertido da Literatura Infantil Lobatiana, é possível perceber também um propósito pedagógico em suas obras. O autor não queria apenas divertir as crianças, mas também ensiná-las. Ele fazia isso ao incluir conhecimentos de História, Geografia, Gramática, Matemática e outros assuntos no enredo criativo do Sítio do Picapau Amarelo. Dessa forma, ele auxiliava as crianças a desenvolverem uma postura crítica e reconhecia que elas eram o futuro da humanidade. O livro Aritmética da Emília passou por várias versões ao longo do tempo. A primeira foi publicada em 1935, e as atualizações tinham o objetivo de melhorar cada edição subsequente. As versões de 1939, 1942 e 1945 buscaram aperfeiçoar o conteúdo até chegar a uma versão mais completa e definitiva. Entre os principais objetivos dessas edições estavam o entretenimento e a criação de uma conexão entre os personagens e os leitores, envolvendo-os na história do sítio. Fundamentação teórica 1AZEVEDO, Carmem de; CAMARGOS, Marcia Mascarenhas de Rezende; Sacchetta, Vladimir. Furacão na Botocúndia. 1 ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 1997.
VII SEMINÁRIO DE ESCRITAS E LEITURAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (VII SELEM) Anais do VII Seminário de Escrita e Leitura em Educação Matemática. Belo Horizonte. p. 1-X, 2025. A Educação Básica no Brasil é dividida em três etapas: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Em 2017, foi criada a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define as diretrizes de ensino para toda a educação básica no país, na sua versão mais recente até então. A BNCC apresenta as “competências” e “habilidades”, orientações para auxiliar no desenvolvimento completo dos estudantes. Essas competências e habilidades devem ser trabalhadas em cada área do conhecimento ao longo das diferentes fases da Educação Básica. Por exemplo, para os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, espera-se que eles desenvolvam certas habilidades específicas em matemática e em língua portuguesa, como as que estão ilustradas na tabela a seguir. Quadro1: Sobre as Habilidades de Língua Portuguesa e Matemática para o 6° ano Habilidade de Língua Portuguesa Habilidade de Matemática (EF67LP28) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes –, romances infanto-juvenis, contos populares, contos de terror, lendas brasileiras, indígenas e africanas, narrativas de aventuras, narrativas de enigma, mitos, crônicas, autobiografias, histórias em quadrinhos, mangás, poemas de forma livre e fixa (como sonetos e cordéis), vídeo-poemas, poemas visuais, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores. (EF06MA11) Resolver e elaborar problemas com números racionais positivos na representação decimal, envolvendo as quatro operações fundamentais e a potenciação, por meio de estratégias diversas, utilizando estimativas e arredondamentos para verificar a razoabilidade de respostas, com e sem uso de calculadora. Fonte: BNCC Geralmente, essas habilidades são desenvolvidas de forma separada em cada disciplina. No entanto, nossa proposta é usar o texto literário como uma ferramenta que possa ser útil para as duas áreas, de maneira integrada. Isso difere do que costuma acontecer, quando cada conteúdo é ensinado de forma isolada, sem conexão entre eles. Esse trabalho foi pensado para estudantes que estão no 6º ano do Ensino Fundamental, mas sabemos que o aprendizado de Aritmética continua sendo importante ao longo de todos os anos seguintes, tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio. Sabemos que o uso das quatro operações é relevante para os estudos e, que precisaremos ao longo de toda a vida. No entanto, mesmo sendo conteúdos essenciais e
VII SEMINÁRIO DE ESCRITAS E LEITURAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (VII SELEM) Anais do VII Seminário de Escrita e Leitura em Educação Matemática. Belo Horizonte. p. 1-X, 2025. básicos, muitos estudantes tem dificuldades na aprendizagem bem durante o período escolar. Isso leva a um déficit na aprendizagem dos conteúdos de matemática, que se tornou algo comum em todo o país e é visto como um dos principais obstáculos na introdução do ensino dessa disciplina. A disciplina de “matemática básica” costuma acompanhar os alunos desde o 1º ano do Ensino Fundamental I até ao 3º série do Ensino Médio. Pensando nisso, sugerimos trabalhar literatura e matemática juntos, usando como recurso a obra Aritmética da Emília, de Monteiro Lobato. Assim, as habilidades que mencionamos antes podem ser desenvolvidas dentro do contexto do livro, abordando tanto a leitura e interpretação de textos em Língua Portuguesa, quanto questões mais aprofundadas, como a reflexão e a investigação por parte dos estudantes. Além disso, é possível trabalhar operações básicas da matemática, como multiplicação, divisão, adição e subtração, de uma forma mais integrada e interessante. A personagem Emília, com sua curiosidade e questionamento constante, é um exemplo a ser seguido. Ela instiga as crianças a fazerem perguntas e buscarem respostas, como quando questiona o porquê de 2 + 2 ser igual a 4. Nesse contexto, o Visconde apresenta a origem dos números, proporcionando uma aprendizagem significativa e contextualizada. Essa abordagem estimula as crianças a explorarem o mundo ao seu redor e a descobrirem respostas para suas indagações. São os Algarismos! – berrou Emília, batendo palmas e já de pé no seu tijolo, ao ver entrar na frente o 1, e atrás dele o 2, o 3, o 4, o 5, o 6, o 7, o 8, o 9. – Bravo! Bravo! Viva a macacada numérica! (...) O Visconde então explicou: - Estes senhores são os céleres Algarismos Arábicos, com certeza inventados pelos tais árabes que andam montados em camelos, com um capuz branco na cabeça (Lobato, 2009, p. 18). O Visconde explica a origem histórica dos algarismos de forma criativa: "A especialidade deles é serem grandes malabaristas. Pintam o sete uns com os outros, combinam-se de todos os jeitos formando Números e são essas combinações que constituem a Aritmética" (Lobato, 2009, p. 18-19). Comparação entre o livro de Aritmética da Emília e o livro Projeto Teláris: Matemática
VII SEMINÁRIO DE ESCRITAS E LEITURAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (VII SELEM) Anais do VII Seminário de Escrita e Leitura em Educação Matemática. Belo Horizonte. p. 1-X, 2025. Nos propomos a partir da leitura do livro de Aritmética da Emília, de Monteiro Lobato (2009), da editora Globo, a fazer uma análise com o livro Projeto Teláris: Matemática, Dante (2012), da editora Ática. Do primeiro livro selecionamos os conceitos fundamentais da matemática, com foco nas quatro operações básicas: adição, subtração, divisão e multiplicação. Do segundo livro os conceitos matemáticos voltados para o 6º ano do Ensino Fundamental explicam que “adicionar significa ‘juntar’, ‘ajuntar’, ‘acrescentar’, ‘acrescer’ e ‘somar’”. Segundo Soares (2001, p. 55) “Aritmética é parte da Matemática que estuda operações que se efetuam com números”. O que é muito relevante para os alunos conhecerem os números, saberem fazerem contas do dia a dia. Dante ainda traz como exemplo de ideia associada à adição “juntar” quantidades: Joana estuda no 6º ano B. Em sua escola há 358 meninos e 536 meninas. Qual é o total de alunos dessa escola? Para resolver esse problema, precisamos juntar 358 com 536, ou seja, fazer adição 358 + 536. Dante, 2012, p. 35. Em seguida, o autor apresenta o cálculo do conceito definido anteriormente: Quadro 2: forma de calcular (1). Algoritmo usual Onde Explicação 358 +536 894 Parcela “Quando somamos 8 unidades com seis unidades obtemos 14 unidades, ou seja, 1 dezena e 4 unidades. Deixamos as 4 unidades na coluna das unidades e levamos 1 dezena para a coluna das dezenas.” Parcela Soma ou total Fonte: Dante (2012) Normalmente, essa é a forma encontrada nos livros didáticos de matemática: a conceituação com um exemplo, sem um contexto apresentado – onde a interpretação da criança depende exclusivamente de sua “imaginação”.
VII SEMINÁRIO DE ESCRITAS E LEITURAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (VII SELEM) Anais do VII Seminário de Escrita e Leitura em Educação Matemática. Belo Horizonte. p. 1-X, 2025. Já em Aritmética da Emília, o escritor paulista apresenta um enredo no qual as personagens do Sítio do Picapau Amarelo vão para o quintal aprender matemática com o Visconde de Sabugosa: Os Algarismos Arábicos vão fazer a reinação número 1 que se chama Somar (...) – Primeiro explique o que é somar – reclamou Emília. – Eu sei o que é, mas quero ver se estou certa. – Somar – respondeu Visconde – é juntar dois ou mais número num só. Os números que se juntam recebem o nome de Parcelas, e o resultado da juntação recebe o nome de Soma ou Total. (...) – Faça agora o 3 juntar-se ao 2 – pediu a boneca. O Visconde deu a ordem e o 3 juntou-se ao 2, formando o número 5 (Lobato, 2009, p. 41-42). No material de apoio usado no dia a dia em sala de aula, ou seja, material didático, é comum os autores não fazerem uso de um enredo fantasioso, onde há bonecas ou animais falantes; pois o objetivo do livro não é esse; o objetivo do livro didático é servir de apoio e auxiliar os alunos em disciplinas específicas a que se estuda naquele momento. É por isso que ao terminar de usar o livro o aluno precisa devolver à biblioteca da escola, a fim de que outros alunos possam utilizá-lo de igual modo. Dante, no livro didático Matemática2 (2012) para o 6º ano do Ensino Fundamental explica que “subtrair significa ‘tirar’, ‘diminuir’ e ‘tirar’”. O autor traz como exemplo de ideia associada à subtração “tirar” uma quantidade de outra: Norberto tem 227 reais e vai comprar uma calça como a da foto ao lado3. Com quanto ele ainda vai ficar? Para saber, ele precisa tirar 55 de 227, ou seja, ele precisa efetuar a subtração 227 – 55 (Dante, 2012, p. 39). Em seguida, o autor apresenta o cálculo do conceito definido anteriormente: Quadro 3: Formar de calcular (2) Algoritmo usual Onde Explicação 227 Minuendo 2 centenas e 2 dezenas correspondem a 1 centena e 12 dezenas -55 Subtraendo 172 Diferença ou resto Fonte: (Dante, 2012, p. 39) 2 DANTE, Luiz Roberto, Projeto Teláris: Matemática; Obra em 4 v. para alunos do 6º ao 9º ano. 1 ed. São Paulo: Ática, 2012. 3 O livro trás a imagem de uma calça preta custando o valor exato de R$ 55,00.
VII SEMINÁRIO DE ESCRITAS E LEITURAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (VII SELEM) Anais do VII Seminário de Escrita e Leitura em Educação Matemática. Belo Horizonte. p. 1-X, 2025. Assim como na adição, Lobato também destaca que a subtração pode ser divertida e brincalhona. Ele ensina de uma forma leve, aproximando as crianças do Sítio do Picapau Amarelo de uma maneira bem agradável. Como exemplo temos essa frase a seguir: Vou explicar-lhe – respondeu o Visconde. – Na Conta de Subtrair, a gente tira um número menor de um número maior. O número menor que é tirado do maior chama-se Subtraendo. O número maior de onde é tirado o menor se chama Minuendo. Esses números que entraram são o 9 e o 3. O 9 é o maior; logo é o... – Minuendo! Berrou Narizinho. – E o 3, que é o menor, é o Subtraendo. Nada mais fácil. – Isso mesmo – confirmou o Visconde. – E este número 6 que veio atrás dos outros é o Resto (Lobato, 2009, p. 47). A abordagem de Lobato quanto à subtração faz-nos entender, que as coisas não precisam ser “complicadas” demais, para se entender como é elaborada a abordagem da matemática pelos discentes, professores e pelos livros didáticos – na maioria das vezes, mas que podem ser prazerosas e descomplicadas no ato de aprender. Dante, no livro didático Matemática4 (2012, p. 42) para o 6º ano do Ensino Fundamental a respeito da operação existem duas ideias associadas à multiplicação onde a primeira é adicionar parcelas iguais: “Qual é o valor do telefone5 abaixo, que está sendo vendido na loja ‘Barateira’?” Dante 2012, p. 42. Em seguida o autor apresenta o cálculo e solução da ideia anterior: “Podemos fazer: 26 + 26 + 26 = 78 ou 3 x 26 = 78, onde o 3 é fator, o 26 é fator e o resultado 78 é o produto” (Dante, 2012, p. 42). E conforme (Dante, 2012, p. 43) a segunda ideia associada à multiplicação é a disposição retangular onde explica: “Observe a sala de aula6 abaixo. Qual é o total de carteiras?”. E explica: “Não há necessidade de contar uma a uma. Basta ver que as carteiras estão em disposição retangular com linhas e colunas. Assim, para saber o total de carteiras, fazemos 8 x 5 ou 5 x 8 e obtemos 40” (Dante, 2012, p. 43). A terceira reinação dos números é a Conta de Multiplicar. O Visconde começou ensinado que multiplicar um número por outro é fazer uma soma de parcelas iguais. Assim, multiplicar 6 por 5 é o mesmo que repetir o 6 como parcelas 5 vezes: 6 – 6 – 6 - 6 – 6 – A multiplicação – disse ele – é uma soma 4 DANTE, Luiz Roberto, Projeto Teláris: Matemática; Obra em 4 v. para alunos do 6º ao 9º ano. 1 ed. São Paulo: Ática, 2012. 5 O livro trás a imagem de um aparelho de telefone com um enunciado de “3X R$26,00”. 6 O livro trás a imagem de uma sala de aula vista de cima com a disposição de carteiras com alunos em fileiras em quantidades iguais.
VII SEMINÁRIO DE ESCRITAS E LEITURAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (VII SELEM) Anais do VII Seminário de Escrita e Leitura em Educação Matemática. Belo Horizonte. p. 1-X, 2025. abreviada. (...) – O número que fica em cima se chama Multiplicando e o que fica embaixo recebe o nome de Multiplicador. O resultado da operação é o Produto. E como este produto é o resultado da multiplicação dos dois números acima, esses números são os Fatores do Produto (Lobato, 2009, p. 55). Assim como na adição a multiplicação se resume ao número de parcelas a que se pretende repetir ou multiplicar, Dante explica isso quando fala das operações inversas, mas Lobato faz o arremate quando faz a boneca aprender a respeito destes princípios básicos em seu livro. Dante, no livro didático Matemática 7 (2012, 51) para o 6º ano do Ensino Fundamental, explica que “dividir significa ‘repartir’, ‘distribuir’, ‘separar em partes iguais’.” Dante, ainda, traz como exemplo de ideia associada à divisão: “repartir” igualmente: “O professor Clodoaldo quer repartir igualmente 84 folhas coloridas de papel celofane para 6 equipes de alunos. Quantas folhas receberá cada equipe? Para responder precisamos efetuar a divisão 84 ÷ 6” (Dante, 2012, p. 51). Quadro 4: Formar de calcular (3). D U 8 4/6 2 /1 D U D U 8 4/6 2 4 /1 D U Dividendo= 84 Divisor = 6 Resto = 0 Quociente = 14 Repartimos igualmente 8 dezenas por 6. Dá 1 dezena para cada equipe e restam 2 dezenas. Trocamos 2 dezenas por 20 unidades; com as 4 unidades que tínhamos passamos a ter 24 unidades. Repartimos igualmente as 24 por 6. Dá 4 unidades para cada equipe e resta 0. No total, 14 folhas para cada equipe (1 dezena + 4 unidades). Fonte: (Dante, 2012, p. 51). E o autor reitera: “Essa é uma divisão exata, pois seu resto é 0”, Dante na sequencia ainda fala a respeito de verificar se a divisão está correta; “basta ver se 6 x 14 é igual a 84”(p. 51). É de se saber que o autor trás à tona uma segunda ideia associada à divisão, tratando-se da “medida” ou de quantas vezes uma quantidade cabe em outra. Todavia, 7 DANTE, Luiz Roberto, Projeto Teláris: Matemática; Obra em 4 v. para alunos do 6º ano. 1 ed. São Paulo: Ática, 2012.
VII SEMINÁRIO DE ESCRITAS E LEITURAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (VII SELEM) Anais do VII Seminário de Escrita e Leitura em Educação Matemática. Belo Horizonte. p. 1-X, 2025. Lobato, de quem tratamos durante todo o percurso deste trabalho, faz colocação na primeira pessoa do singular: Vamos ter a Conta de Dividir. Dividir é achar quantas vezes um número contém outro. (...) – O número que divide o Dividendo chama-se Divisor. E o resultado obtido chama-se Quociente. E se sobra alguma coisa que não possa ser dividida, essa alguma coisa chama-se Resto. (...) – A Divisão – disse ela – serve para acharmos quantas vezes um número contém outro e também para dividir um número em partes iguais. Se eu, por exemplo, tenho 20 laranjas para distribuir igualmente por 4 pessoas, divido 20 por 4 e obtenho o Quociente 5 (Lobato, 2009, p. 64-65). Para comentarmos a respeito desta questão é relutante a ideia de Lobato associado ao Visconde, colocando-se como o professor na história inventada ou criada em cada uma das “reinações” ou operações aritméticas da matemática a que aborda o próprio Monteiro Lobato. Uma vez que, a abordagem feita por ele, nada mais é do que uma sala de aula inventada dentro da própria imaginação, que pode ser realizada por alunos e um professor, pois é divertidamente fictício ou imaginados. A comparação entre o livro "Aritmética da Emília" de Monteiro Lobato e o livro didático "Projeto Teláris: Matemática" de Luiz Roberto Dante revela abordagens distintas para ensinar conceitos matemáticos fundamentais, como adição, subtração, multiplicação e divisão. Enquanto Dante apresenta os conceitos de forma direta e objetiva, com exemplos práticos e ilustrações, Lobato utiliza uma abordagem lúdica e fantasiosa, com personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, para ensinar os mesmos conceitos. Breves Considerações A análise comparativa entre o livro "Aritmética da Emília" de Monteiro Lobato e o livro didático "Projeto Teláris: Matemática" de Luiz Roberto Dante permitiu uma reflexão profunda sobre as diferentes abordagens pedagógicas para ensinar matemática. Enquanto Lobato utiliza uma abordagem lúdica e fantasiosa, Dante apresenta os conceitos de forma direta e objetiva. Ambas as abordagens têm seus méritos e podem ser úteis em diferentes contextos e para diferentes tipos de alunos. A obra de Lobato se destaca por sua capacidade de tornar a aprendizagem de matemática uma experiência criativa e atraente, especialmente para os alunos que gostam