ESTÁGIO SUPERVISIONADO NO ENSINO MÉDIO I: UMRELATO DE EXPERIÊNCIA
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ESTÁGIO SUPERVISIONADO NO ENSINO MÉDIO I: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA José Leonardo Barroso de Sousa1 Resumo: O estágio supervisionado no Ensino Médio I, realizado em uma escola pública de tempo integral em Itaitinga, Ceará, revelou-se uma etapa crucial e enriquecedora na formação docente. A instituição, embora possua diversas dependências, opera com apenas 8 das 15 salas de aula, insuficientes para suas 12 turmas, o que impõe um sistema de rodízio aos alunos, prejudicando o aprendizado, e o planejamento dos professores. A fase de observação, iniciada após um breve atraso, expôs um padrão de alunos dispersos ou desatentos na maioria das turmas, comportamento atribuído ao horário matutino ou à metodologia. Contudo, a professora supervisora se mostrava dinâmica, usando slides e analogias. As turmas de 1º ano, por exemplo, demonstraram maior assiduidade e participação. Durante a regência, o estagiário ministrou aulas para o 1º, 2º e 3º anos. A dinâmica geral se manteve similar à observação, com turmas apresentando dispersão, mas também momentos de participação. No 1º ano, ao abordar membrana plasmática, centríolos e mitocôndria, algumas turmas foram tranquilas, enquanto outras se mostraram desafiadoras, exigindo intervenções da professora. No 2º ano, sobre sistema circulatório, a falta de atenção e a impossibilidade de passar atividades devido ao tempo limitado eram comuns, com o rodízio causando atrasos significativos no conteúdo da turma do 2º D. Para o 3º ano, foi aplicada uma atividade parcial sobre sistemas ABO e RH, com tempo insuficiente para a maioria finalizar em aula. O projeto didático, sobre Doenças Parasitárias, foi aplicado na eletiva de Ciências da Natureza para o ENEM. Planejado com modelos didáticos, vídeos e questões de vestibulares (ENEM/UECE), a aula foi dinâmica, colaborativa e altamente participativa, gerando um retorno positivo e confirmando o objetivo de uma metodologia diferente. A escola, além do problema do rodízio que desorganiza o planejamento pedagógico, enfrenta uma estrutura física precária: telhados velhos, ar-condicionados insuficientes, ventiladores com fiação exposta, portas sem maçanetas e lousas danificadas. A sala dos professores também é inadequada ao grande número de docentes. Apesar de todos esses desafios, a professora-supervisora demonstrou resiliência, dedicada à sua missão educacional, tentando não deixar abalar o seu compromisso de transmitir o seu conhecimento para os alunos, independentemente das restrições do ambiente. O estágio proporcionou vivências únicas, aprofundou a prática de sala de aula e revelou os desafios e a dedicação da realidade educacional. Palavras-chave: Formação docente. Ambiente escolar. Rodízio de turmas 1Graduando, Universidade Estadual do Ceará, leo.bar[email protected].br
1. INTRODUÇÃO O estágio prepara o estudante para a prática em sala de aula, permitindo-lhe conhecer a realidade da profissão escolhida. É através das experiências do estágio que o estudante começa a aplicar o conhecimento adquirido, é quando se começa a compreender o que foi estudado, pois é aplicado no cotidiano do trabalho (Scalabrin; Molinari, 2013). O estágio supervisionado na formação de educadores não é apenas um complemento curricular; ele se configura como uma oportunidade privilegiada de articulação entre teoria e prática, fundamental para que o futuro profissional desenvolva a compreensão crítica da realidade escolar e sua própria identidade docente, consolidando a escolha de sua carreira. (Pimenta; Lima, 2004). A entrada do graduando na rotina escolar é essencial, pois nesse ambiente ele adquire conhecimento sobre a realidade da instituição e vivencia de perto a sua futura profissão (Santos; Muniz; Silva, 2020). O estágio supervisionado é um ambiente privilegiado para a construção e aprimoramento das habilidades do professor, sendo uma experiência essencial e obrigatória, pois é nesse espaço que, por meio da reflexão sobre a própria prática e a interação com a realidade escolar, o licenciando desenvolve as competências necessárias para uma atuação docente consciente e transformadora (Barreiro; Gebran, 2006). O estágio é um componente obrigatório e possui como base as normas previstas na Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que enfatiza a importância da construção do conhecimento através de políticas e planejamentos educacionais, pois são eles que asseguram a qualidade do ensino. Essa Lei reforça que a educação não pode ser um processo aleatório, mas sim um esforço contínuo e organizado. O estágio supervisionado foi realizado em uma escola pública de Ensino Médio de Tempo Integral localizada no município de Itaitinga, região metropolitana de Fortaleza. A escola possui uma sala da direção, sala da coordenação, sala dos professores, sala da secretária, laboratório de informática, jardim, banheiros e uma cantina com espaço para convivência. Há também 15 salas de aula, mas apenas 8 podem ser utilizadas, cada uma com capacidade para aproximadamente 40 alunos. No seu interior, possui uma área para estacionamento apenas para motos e bicicletas, os carros dos professores e demais funcionários são estacionados ao lado da escola. A escola possui uma quadra de esportes, mas a mesma pode ser utilizada apenas em uma metade pois na outra foram construídas algumas salas de aulas. Além disso, a biblioteca foi desativada para se tornar uma nova sala de aula, e as estantes com livros ficaram espalhados pela instituição. A mesma possui acessibilidade para cadeirantes, mas não dispõe de suporte para alunos com deficiência visual. Além disso, não possui uma sala específica para acolher estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que é um problema, mesmo havendo uma quantidade considerável de alunos com essa condição. A garantia de uma estrutura física adequada e acolhedora nas escolas é fundamental para o sucesso da inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa adaptação vai além da acessibilidade básica, buscando criar um ambiente que promova o bem-estar e o aprendizado desses alunos. A adaptação do ambiente escolar é um fator crucial para a inclusão e o desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) (Silva et al., 2021).
A mesma conta com uma frota de transporte escolar, composta por 3 ônibus, que fazem rotas pelos bairros adjacentes, possibilitando que estudantes que moram longe possam ir para escola com facilidade e segurança. Em relação às turmas, a instituição possui quatro turmas por ano do Ensino Médio, totalizando 12 turmas. Como visto anteriormente a escola possui apenas 8 salas, insuficiente para suportar essa quantidade de turmas, Por conta desse problema, a escola trabalha com rodízios. O estágio foi realizado em todas as turmas da escola, ocorrendo principalmente nas terças, quartas e quintas-feiras. A escola contava apenas com uma professora de Biologia, responsável por ministrar as aulas da disciplina para todas as turmas, com formação em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Ceará, a docente também tem mestrado e doutorado. Por ter cursado o Ensino Médio nesta escola, estava tranquilo, pois era um ambiente que já conhecia. Contudo, havia também uma certa insegurança, já que este estágio seria no Ensino Médio, diferente dos estágios realizados anteriormente. Neste trabalho, será abordado minha vivência no Estágio Supervisionado no Ensino Médio I, com foco tanto nas experiências vividas quanto nos problemas e obstáculos identificados durante o período de observação e atuação na escola. 2. DESENVOLVIMENTO O desenvolvimento deste trabalho está estruturado em quatro tópicos principais, onde descrevem sobre as experiências e problemas observados/vividos durante a realização do estágio. Os tópicos estão divididos em: Período de Observação; Período de Regência; Aplicação do Projeto Didático; e Condições Desfavoráveis. 2.1 Período de observação A observação iniciou em torno de duas semanas após minha primeira visita à escola.Esse atraso se deu porque a professora responsável pela minha supervisão estava ausente.Na semana seguinte, nos reunimos para planejar o estágio. Ela já sabia bem como as coisas funcionavam, porque já tinha supervisionado outro estagiário, então decidimos juntos quando eu começaria minhas atividades. Durante o período de observação, ao acompanhar as diversas turmas, identifiquei um padrão de comportamento recorrente entre os alunos, independentemente da série: muitos passavam grande parte da aula com a cabeça baixa (possivelmente dormindo) ou engajados em atividades paralelas, demonstrando pouca atenção às explicações da professora. Essa conduta pode ser atribuída ao período das aulas de Biologia que ocorriam pela manhã, ou talvez, à falta de engajamento com a metodologia utilizada pela docente. A professora utilizava slides com imagens do livro didático, uma adaptação necessária visto que nem todos os estudantes possuíam o material impresso. Contudo, apesar dessa limitação, ela se mostrava dinâmica, frequentemente fazendo perguntas e utilizando analogias para tornar o conteúdo mais interessante. Durante as observações, foi possível notar uma maior assiduidade nas turmas de 1º ano, em comparação com as demais séries. Acredito que isso ocorra pelo fato de terem acabado de sair do Ensino Fundamental. Em geral, os alunos do 1º ano demonstram um pouco mais de participação e atenção em sala de aula do que os estudantes das outras turmas.
2.2 Período de regência Referente à regência, ministrei aulas para o 1º, 2º e 3º anos, mesmo sem ter feito a observação prévia das turmas de 2º ano. A experiência não foi muito diferente da observação: no geral, as turmas mantiveram o mesmo padrão de comportamento, com muitos alunos dispersos e pouco atentos. Contudo, como nem todos os alunos possuem o mesmo comportamento, algumas turmas demonstram mais participação que outras. Minha regência começou com as turmas de 1º ano, abordando conteúdos como membrana plasmática, centríolos e mitocôndria. Optei por seguir a metodologia da professora supervisora, utilizando slides para ministrar as aulas. Notei que, em uma das turmas de 1º ano, os alunos eram mais tranquilos e participativos, interagindo com minhas perguntas e fazendo anotações. No entanto, outra turma se mostrou mais desafiadora: os estudantes conversavam excessivamente, exigindo intervenções constantes da professora, e não interagiam com a aula. Em uma ocasião, a professora precisou retirar dois alunos da sala por continuarem a conversar, mesmo após ela pedir para que parassem. Nas turmas de 2º ano, onde ministrei sobre o sistema circulatório, a dinâmica foi similar à do 1º ano: poucos alunos demonstravam atenção ou faziam anotações, com a maioria dispersa ou conversando. Em todas as turmas, a professora não passava atividades devido à limitação do tempo de aula de 50 minutos, que passava rapidamente. Especificamente na turma do 2º D, o conteúdo sobre os sistemas anteriores havia sido abordado há muito tempo, e, por isso, não se recordavam do conteúdo. Isso ocorreu devido ao sistema de rodízio da escola, que atrasou o cronograma dessa turma em comparação com as outras. Assim, foi inviável fazer uma revisão, já que o tempo de aula era muito curto. Nas turmas de 3º ano foi aplicado uma atividade parcial com cinco questões sobre os sistemas ABO e RH. Os alunos receberam as perguntas em uma folha e deveriam respondê-las no caderno, com a instrução de destacar as respostas. A maioria dos estudantes não conseguiu finalizar a atividade durante a aula, e a professora permitiu que eles a entregassem até o final do último período em que ela estaria na escola. 2.3 Aplicação do projeto didático A escolha de qual projeto didático seria aplicado resultou de uma conversa com a professora. Ela deu total liberdade para escolha do tema, já que o projeto seria aplicado na eletiva de Ciências da Natureza para o ENEM, da qual ela era a responsável. Duas propostas foram apresentadas: Evolução e Doenças Parasitárias. A professora optou pelo segundo tema, pois os alunos ainda não haviam estudado sobre Evolução. Após a definição do tema, algumas atividades foram analisadas para ver qual seria mais adequada para o projeto. Foi decidido a utilização de modelos didáticos, complementados por vídeos, para a execução do projeto didático. Em seguida, o planejamento foi iniciado, definindo como seria a abordagem e quais parasitos seriam estudados. Apesar da disciplina focar em questões do ENEM, também foram utilizadas questões da UECE, já que os alunos irão prestar ambos os vestibulares. Com as escolhas das questões e de quais parasitos iriam ser abordados na aula, foram confeccionado modelos didáticos de 3 parasitos diferentes, Giardia lamblia; Trichomonas Vaginalis eTrypanosoma cruzi. Além disso, foi dado início a elaboração dos slides da aula, adicionando informações como morfologia, transmissão, sintomas, tratamento e prevenção.
A aula se destacou por ser bastante dinâmica, diferenciando-se significativamente do formato tradicional que foi observado. Os alunos demonstraram ser muito colaborativos, com a maioria mantendo a atenção do início ao fim. Eles fizeram perguntas durante a explicação, ficaram atentos aos vídeos e, na resolução das questões, participaram ativamente, chegando a debater entre si para encontrar as respostas certas. Foi recebido um retorno positivo de alguns estudantes, que expressaram ter gostado da aula. Esse retorno demonstrou o cumprimento do principal objetivo da aula: oferecer uma experiência de aprendizado que fugisse do convencional, tornando o conteúdo mais interessante e envolvente para eles. 2.4 Condições desfavoráveis para o ensino Como mencionado anteriormente, a escola está construindo mais salas de aula, pois as oito existentes são insuficientes para as 12 turmas que têm. Por conta disso, a instituição opera com um sistema de rodízio, o que significa que os alunos não frequentam a escola todos os dias da semana. Esse problema prejudica o aprendizado dos estudantes, pois acabam deixando de estudar vários conteúdos importantes para a sua formação. Foi perceptível que essa situação atrapalhava muito o planejamento dos professores da instituição. Uma professora falou sobre esse problema, mencionando que estava há cerca de um mês sem entrar em uma turma específica. A professorasupervisora, informou que no início, ficava muito estressada com isso, pois desorganizava todo o seu planejamento, no entanto, ela tentava não se importar tanto, já que sabia que era algo inevitável. Outro problema é em relação a estrutura da escola, as salas de aula se encontravam em péssimo estado. Os telhados são muito antigos, o que possibilita a queda de sujeira sobre as mesas; algumas salas possuem aparelhos de ar-condicionado, mas são pequenos e insuficientes para resfriar o ambiente, sendo complementados por ventiladores, o problema é que nem todos os ventiladores funcionam, e aqueles que são utilizados possuem a fiação exposta, representando risco de acidentes para os alunos; as portas não possuem maçanetas e as lousas estão em condições precárias. Além disso, a sala dos professores é pequena, sem espaço adequado para o grande número de docentes. 3 CONCLUSÃO Com isso, foi possível concluir que o Estágio Supervisionado no Ensino Médio I foi uma experiência enriquecedora, proporcionando vivências distintas das etapas anteriores. Durante esse período, foi possível vivenciar problemas incomuns, como o sistema de rodízio de turmas e como os professores lidavam com isso. Além disso, a prática de ministrar aulas foi aprofundada, com destaque para a aplicação do projeto didático, que resultou em uma aula particularmente participativa e colaborativa por parte dos alunos. Apesar dos diversos desafios organizacionais e estruturais da escola, pude ver como a professora-supervisora lidava com essa realidade. A mesma demonstrava resiliência, tentando não deixar abalar o seu compromisso em transmitir o seu conhecimento para os alunos, superando as limitações do ambiente para cumprir sua missão educacional.
REFERÊNCIAS BARREIRO, I. M. F.; GEBRAN, R. A. Estágio Curricular na Formação de Professores: propostas e possibilidades no espaço escolar. São Paulo: Avercamp, 2006. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília: MEC, 1996. SANTOS, V. B.; MUNIZ, S. S.; SILVA, D. M. A importância do estágio supervisionado na formação inicial docente: relato de experiência. Facit Business and Technology Journal, v. 12, n. 1, p. 140-147, 2020. SCALABRIN, I. C.; MOLINARI, A. M. C. A importância da prática do estágio supervisionado nas licenciaturas. Revista unar, v. 7, n. 1, p. 1-12, 2013. SILVA, W. S. N.; et al. Adaptação escolar para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Research, Society and Development, v. 10, n. 13, e123101320784, 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/download/20784/18734/254656. Acesso em: 11 jul. 2025. PIMENTA, S. G.; LIMA, M. S. L. Estágio e docência: diferentes concepções. São Paulo: Cortez, 2004.