REER, v. 12, n.3, p. 245-254, 2025. Edição Regular 245 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17379781 IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS DO RETROFIT URBANO NA CIDADE DO RECIFE: A CONTRIBUIÇÃO PARA OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS) E A AGENDA ESG José Adriano Pereira 1 RESUMO O retrofit urbano, entendido como a requalificação de edificações existentes, representa uma alternativa estratégica para conciliar preservação patrimonial, inovação tecnológica e sustentabilidade socioambiental. Este artigo analisa os impactos socioambientais do retrofit na cidade do Recife, relacionando-o aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Agenda ESG. A pesquisa, de caráter qualitativo e exploratório, baseou-se em revisão bibliográfica, análise documental. Os resultados apontam que o retrofit contribui para a preservação do patrimônio histórico-cultural, promove eficiência energética, estimula a economia local e favorece a inclusão social, alinhando-se diretamente aos ODS como Cidades Sustentáveis (11), Energia Limpa (12), Ação Climática (13) e Trabalho Decente (9), Industria Inovação e Infraestrutura. No âmbito da Agenda ESG, destaca-se pelos benefícios ambientais (redução da pegada de carbono), sociais (acessibilidade e valorização cultural) e de governança (gestão urbana mais transparente). Apesar das vantagens, persistem desafios como os elevados custos iniciais, a carência de mão de obra especializada e a necessidade de maior integração entre os setores público e privado. Concluise que o retrofit urbano em Recife constitui uma prática fundamental para a sustentabilidade e resiliência das cidades contemporâneas. Palavras-Chave: Retrofit urbano; Sustentabilidade; ODS; ESG; Recife. ABSTRACT Urban retrofit, understood as the rehabilitation of existing buildings, represents a strategic alternative to reconcile heritage preservation, technological innovation, and socio-environmental sustainability. This article analyzes the socio-environmental impacts of retrofit in the city of Recife, relating it to the Sustainable Development Goals (SDGs) and the ESG agenda. The research, qualitative and exploratory in nature, was based on literature review and document analysis. The results indicate that retrofit contributes to the preservation of historical and cultural heritage, promotes energy efficiency, stimulates the local economy, and fosters social inclusion, directly aligning with SDGs such as Sustainable Cities (11), Affordable and Clean Energy (7), Climate Action (13), Decent Work and Economic Growth (8), and Industry, Innovation, and Infrastructure (9). Within the ESG framework, it stands out for its environmental benefits (reduction of carbon footprint), social contributions (accessibility and cultural enhancement), and governance improvements (more transparent urban management). Despite its advantages, challenges persist, such as high initial costs, lack of specialized labor, and the need for greater integration between 1 Centro Universitário Unifbv Wyden Recife Pernambuco; E-mail:
[email protected].
REER, v. 12, n.3, p. 245-254, 2025. Edição Regular 246 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17379781 public and private sectors. It is concluded that urban retrofit in Recife constitutes a fundamental practice for the sustainability and resilience of contemporary cities. Keywords: Urban retrofit; Sustainability; SDGs; ESG; Recife. 1 INTRODUÇÃO A urbanização acelerada nas últimas décadas tem intensificado os desafios relacionados à degradação ambiental, à preservação do patrimônio histórico e à promoção da qualidade de vida nas cidades, principalmente nos centros históricos. Esse fenômeno global, que concentra crescentes demandas sociais e ambientais em áreas urbanas, exige estratégias inovadoras e sustentáveis. No Brasil, a cidade do Recife se insere nesse contexto com uma peculiaridade marcante: ao mesmo tempo em que abriga um significativo acervo histórico-arquitetônico, enfrenta problemas estruturais crônicos, como déficit habitacional, vulnerabilidade climática, especialmente em relação a desigualdade socioespacial. Menezes, 2024, destaca a histórica exclusão do uso habitacional do centro. Nesse cenário complexo, o retrofit urbano surge como uma alternativa sustentável e estratégica à demolição e reconstrução. Retrofit é mais do que uma simples reforma ou restauração; é um processo de modernização e readequação abrangente de edifícios existentes, que visa atualizar a estrutura para atender às exigências contemporâneas de eficiência energética, acessibilidade, conforto e, crucialmente, sustentabilidade ambiental e social, (Enredes), 2025. Essa prática permite prolongar a vida útil das edificações, preservar a identidade e a memória cultural, e reduzir significativamente o consumo de novos recursos naturais e a geração de resíduos de construção (Silva & Vasconcelos, 2024). O conceito de sustentabilidade no contexto do retrofit em centros históricos transcende a mera aplicação de tecnologias verdes. Ele se baseia em três pilares interconectados: Sustentabilidade Ambiental: Envolve a busca por eficiência energética através da modernização de sistemas de iluminação, ventilação e ar-condicionado, e adoção de conceitos bioclimáticos, o uso de materiais de baixo impacto ambiental ou a reutilização de componentes, e a gestão racional da água, captação de chuva, reuso. A decisão de retrofittar, por si só, já é um ato de sustentabilidade, pois evita o grande impacto causado por novas construções. Sustentabilidade Econômica: O retrofit pode ser uma estratégia viável economicamente para a requalificação urbana, especialmente quando comparado aos custos e ao tempo de novas
REER, v. 12, n.3, p. 245-254, 2025. Edição Regular 247 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17379781 construções, e potencializado por incentivos fiscais e financiamentos a exemplo de isenção de IPTU e financiamento a exemplo do Programa Minha Casa Minha Vida do Governo Federal. Sustentabilidade Sociocultural: É o aspecto mais relevante em áreas históricas. Significa a preservação da memória e do valor cultural do edifício, garantindo a qualidade interna do ambiente para o bem-estar dos usuários, e promovendo a função social da propriedade. Dias et al. (2007) alertam que nenhum projeto de revitalização de um sítio histórico seria válido se resultasse na perda das peculiaridades da localidade. No Recife, o retrofit é um caminho para a reocupação habitacional do centro, combatendo a ociosidade e a marginalização, e buscando equilibrar a revitalização com a inclusão social (Movimento Econômico, 2024). A prática do retrofit sustentável no Centro do Recife está em sintonia direta com agendas globais de desenvolvimento. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - Agenda 2030. O retrofit contribui diretamente para diversos ODS da ONU, especialmente as contribuições para os seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Figura 01 ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura: Promove a modernização da infraestrutura e o desenvolvimento de soluções inovadoras na construção civil. ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis: Ao buscar a reabilitação urbana, a preservação do patrimônio cultural e natural e o acesso a moradia adequada, com projetos como o "Morar no Centro" “Recentro”, o retrofit se estabelece como um vetor para tornar o Recife uma cidade mais inclusiva, segura, resiliente e sustentável. ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis: Incentiva a gestão eficiente de recursos e a redução da geração de resíduos de construção. ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima: A reabilitação e a melhoria da eficiência energética das estruturas reduzem a pegada de carbono do setor de construção. Agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) A adesão ao retrofit, em uma perspectiva de investimento, alinha-se aos critérios ESG:
REER, v. 12, n.3, p. 245-254, 2025. Edição Regular 248 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17379781 Ambiental (E): Minimiza o uso de novos materiais, reduz o consumo de energia e água, e otimiza a gestão de resíduos, tornando o empreendimento mais responsável ecologicamente. Social (S): Garante a preservação cultural, promove a acessibilidade universal e contribui para a qualidade de vida e a segurança no entorno, atendendo à função social da propriedade e estimulando a reocupação habitacional. Governança (G): A utilização de parcerias público-privadas (PPPs) e a transparência na aplicação de incentivos fiscais demonstram uma governança comprometida com a sustentabilidade urbana e a participação do setor privado na requalificação do patrimônio. O objetivo deste artigo, portanto, é analisar os impactos socioambientais do retrofit urbano no Recife e discutir a sinergia entre essa prática e as metas dos ODS e da Agenda ESG, demonstrando o potencial do retrofit como ferramenta essencial para o desenvolvimento sustentável de um centro histórico em um contexto de vulnerabilidade e desigualdade. 2 METODOLOGIA A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma abordagem qualitativa e exploratória, baseada em: Revisão bibliográfica sobre retrofit urbano, sustentabilidade e políticas públicas relacionadas à preservação do patrimônio histórico. Análise documental de relatórios técnicos e legislações municipais e nacionais sobre reabilitação urbana. Correlação teórica entre as práticas de retrofit e os indicadores dos ODS, assim como os critérios da Agenda ESG. Tabela 01: Síntese metodológica Etapa Descrição e Foco Referências Teóricas Essenciais 1.1. Fundamentação Teórica de Sustentabilidade Aprofundar os conceitos de Sustentabilidade Urbana e Arquitetura Sustentável. Investigar modelos de avaliação de sustentabilidade para edifícios existentes. Elkington (Tripé da Sustentabilidade); Kardash (Sustentabilidade em Construções); Lamberts e Bode (Conforto Ambiental e Eficiência Energética). 1.2. Conceituação e Tipologias de Retrofit Delimitar as definições de Retrofit (diferenciando-o de reforma e restauro), focando em sua aplicação em Patrimônio Histórico. Discutir o conceito de Resiliência Urbana. Riff (Estudo sobre Retrofit e Requalificação); Lynch (Imagem da Cidade e Identidade Urbana); Menezes (Análise do uso habitacional em centros históricos).
REER, v. 12, n.3, p. 245-254, 2025. Edição Regular 249 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17379781 1.3. Marcos Regulatórios e Agendas Globais Revisitar a Agenda 2030 (ODS) e os critérios de ESG aplicáveis ao setor imobiliário e de construção no Brasil. Análise do arcabouço legal do Recife (incentivos fiscais, planos de preservação). Documentos da ONU (Agenda 2030); ABNT NBR 16752 (Sustentabilidade em Edificações). 3 DISCUSSÃO E RESULTADOS O retrofit urbano consiste na atualização de edificações e infraestruturas existentes, visando adequá-las às normas atuais e aos princípios de sustentabilidade. Diferentemente da simples reforma, o retrofit busca reduzir a energia incorporada, otimizar o uso de materiais sustentáveis e minimizar a geração de resíduos, ampliando o ciclo de vida dos edifícios. Em Recife, marcado pela presença de imóveis históricos e pela vulnerabilidade ambiental, o retrofit adquire papel estratégico ao conciliar preservação cultural e mitigação climática. O desafio da requalificação urbana em centros históricos como o Recife exige uma sólida base teórica que articule os conceitos de sustentabilidade urbana, preservação patrimonial e intervenção construtiva (o retrofit). Esta seção desenvolve o arcabouço conceitual do artigo, fundamentado em pensadores da temática. 3.1 A Sustentabilidade Urbana e o Desafio dos Centros Históricos O conceito de sustentabilidade vai além da dimensão meramente ambiental, abrangendo o tripé da sustentabilidade, que integra os pilares ambiental, econômico e social (Elkington, 1994). No contexto urbano, essa integração é crucial, pois a cidade é o palco da maior concentração de conflitos e inovações. Lamberts (2004) e outros autores de conforto ambiental destacam que a sustentabilidade da edificação reside na sua eficiência energética e na garantia de conforto ambiental com o menor consumo de recursos. No entanto, em centros históricos, o pilar sociocultural se eleva: a sustentabilidade significa também garantir a permanência da memória e da identidade. O Centro Histórico do Recife (CHR) é um hotspot de vulnerabilidade, onde a degradação física e a desigualdade se manifestam. Menezes (2024), ao analisar a trajetória do CHR, argumenta
REER, v. 12, n.3, p. 245-254, 2025. Edição Regular 250 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17379781 que a histórica exclusão do uso habitacional do centro em favor do comércio gerou a ociosidade e a desvitalização das áreas centrais, intensificando a desigualdade socioespacial. Assim, a sustentabilidade no Recife não se alcança apenas com painéis solares; ela exige a função social da propriedade e a reintrodução da moradia para diversas faixas de renda. "A cidade não é apenas um amontoado de tijolos e concreto, mas um repositório de memória coletiva e identidade. A sustentabilidade urbana, neste sentido, é a capacidade de um ambiente construído manter seu valor histórico e cultural enquanto se adapta às necessidades do presente." (Adaptação do conceito de Lynch, 1960, sobre a Imagem da Cidade). 3.2 Retrofit: Modernização, Preservação e Resiliência O retrofit é a técnica central desta discussão. Não deve ser confundido com a reforma (melhoria funcional sem foco em sustentabilidade ou história) ou o restauro (recuperação fiel à condição original). O retrofit é definido como: "O processo de modernização e requalificação de edifícios existentes, adaptando-os a novos usos e às exigências contemporâneas de desempenho, eficiência e segurança, mantendo, contudo, a estrutura e, sempre que possível, as características arquitetônicas e culturais originais." (Enredes, 2025; Riff, 2012). Do ponto de vista da sustentabilidade (ODS 12 – Consumo Responsável), o retrofit é inerentemente uma prática sustentável porque evita a construção greenfield (em terreno novo), minimizando o consumo de novos recursos naturais, a movimentação de terra e a geração massiva de resíduos. A decisão de reutilizar a estrutura existente é o primeiro e mais significativo impacto ambiental positivo. O conceito de Resiliência Urbana (ODS 11) também se aplica ao retrofit. A reabilitação de estruturas degradadas, como o Moinho Recife, demonstra a capacidade da cidade de se recuperar e se adaptar a novos cenários econômicos e climáticos (Moinho Recife – Resiliência Urbana, 2024). "A reabilitação urbana através do retrofit é um caminho fundamental para a resiliência das cidades, permitindo que o passado dialogue com o futuro ao invés de ser apagado. Isso contribui diretamente para a redução da pressão sobre novas áreas e para a economia de recursos." (Riff, 2012). 3.3 O Retrofit Sustentável e a Governança ESG e ODS Para que o retrofit seja verdadeiramente sustentável, ele deve ser guiado por princípios técnicos e de governança alinhados às agendas globais:
REER, v. 12, n.3, p. 245-254, 2025. Edição Regular 251 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17379781 Dimensão Ambiental (E de ESG / ODS 13): O retrofit deve incorporar soluções de eficiência bioclimática (uso de ventilação natural, controle solar) e tecnologia (sistemas inteligentes de gerenciamento de energia e água). Apolônio et al. (2010), em estudos sobre edifícios históricos, ressaltam a importância de aplicar os conceitos bioclimáticos, geração de energia limpa e o uso de materiais de baixo impacto para a sustentabilidade da intervenção. Dimensão Social (S de ESG / ODS 11): O aspecto social é vital no Recife. O sucesso do retrofit é medido pela sua capacidade de combater a gentrificação, oferecendo soluções de moradia social (como no projeto "Morar no Centro" e “Recentro”) e garantindo a acessibilidade universal (Silva & Vasconcelos, 2024) para o uso democrático dos espaços. Dimensão de Governança (G de ESG / ODS 17): A concretização de projetos de grande porte, como a requalificação de edifícios públicos ociosos, depende de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e da concessão de incentivos fiscais, refletindo uma governança transparente e alinhada ao desenvolvimento sustentável da área (Campagner et al., 2024). Ao unir a preservação do patrimônio com a inovação e a responsabilidade social, o retrofit no Recife se torna o motor para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, transformando a degradação em um vetor de valorização e inclusão social. Como resultados, Retrofit e a Agenda ESG. Ambiental (E): redução da pegada de carbono e consumo energético. Social (S): inclusão comunitária e valorização cultural. Governança (G): integração de políticas urbanas e transparência. Destacam-se os seguintes impactos positivos e desafios: Gráfico 01
REER, v. 12, n.3, p. 245-254, 2025. Edição Regular 252 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17379781 Impactos Positivos: • Preservação do patrimônio histórico-cultural. • Redução do consumo energético. • Inclusão urbana e social. Estímulo à economia local. • Alinhamento às metas globais de sustentabilidade. Gráfico 02 Desafios: • Custos iniciais elevados. • Necessidade de mão de obra qualificada. • Integração difícil entre setor público e privado. • Resistência a mudanças culturais. 4 CONCLUSÃO A análise da interface entre retrofit urbano e sustentabilidade no Centro Histórico do Recife (CHR) evidencia que essa prática não é apenas uma técnica de modernização arquitetônica, mas uma estratégia fundamental de desenvolvimento urbano resiliente e inclusivo. O contexto de Recife, marcado pela coexistência de um rico patrimônio históricoarquitetônico e profundos desafios socioambientais (déficit habitacional, vulnerabilidade climática), torna o retrofit uma alternativa superior à demolição. Ao reutilizar a estrutura existente, a cidade de Recife adere ao pilar Ambiental (E) da agenda ESG, reduzindo o consumo de novos
REER, v. 12, n.3, p. 245-254, 2025. Edição Regular 253 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17379781 recursos e a pegada de carbono do setor da construção, alinhando-se diretamente aos princípios do ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis). Crucialmente, o maior impacto do retrofit no CHR reside em sua dimensão Sociocultural. Conforme ressaltado por Dias et al. (2007), a preservação da memória e das peculiaridades de um sítio histórico é inegociável. Projetos como a reabilitação de edifícios ociosos para uso habitacional e misto, incentivados pelo programa Recentro, buscam reverter a histórica exclusão de moradia apontada por Menezes (2024), conferindo a função social da propriedade e promovendo a segurança e o dinamismo urbano. Essa reocupação é o cerne da contribuição de Recife para o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), focando em cidades inclusivas e resilientes. Para que o retrofit alcance seu potencial máximo, contudo, é indispensável aprimorar a Governança (G) da requalificação. A continuidade e a expansão dos incentivos fiscais e das Parcerias Público-Privadas (PPPs) são vitais e devem ser acompanhadas de políticas urbanas que mitiguem o risco de gentrificação. A sustentabilidade plena exige que os benefícios da valorização atinjam todas as camadas sociais, garantindo a permanência da diversidade no coração da cidade. Em suma, o retrofit se estabelece como um poderoso vetor de resiliência urbana e de convergência com os ODS e a agenda ESG. O futuro do Centro Histórico do Recife depende da capacidade de a cidade modernizar seu passado sem destruí-lo, transformando edifícios degradados em símbolos de um desenvolvimento que é, simultaneamente, economicamente viável, ambientalmente responsável e socialmente justo. REFERÊNCIAS Agenda 2030 (ONU). Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030-para o Desenvolvimento Sustentável. Organização das Nações Unidas. (Referência aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS 11, 12, 13, 17). APOLÔNIO, R. M.; OMAR, L. G.; M. J. Proposta de retrofit para um edifício histórico seguindo os princípios de sustentabilidade. In: IV Congresso Luso-Brasileiro para o Planeamento Urbano, Regional, Integrado e Sustentável (PLURIS 2010), 2010, [local não informado]. Anais... 2010. (Se tiver local, pode incluir.) Biossplena. (2023). Qual o potencial do retrofit na reabilitação dos centros urbanos? Artigo online. (Abordagem do retrofit como alternativa sustentável à construção greenfield).