Mãos que Vibram - Relatórios da disciplina de Projeto de Extensão da Engenharia Biomédica UFU (v.2)
Abstract
Relatórios da disciplina de Projeto de Extensão do curso de Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia. Os alunos participaram do Projeto de Extensão "Mãos que Vibram: um olhar para o Parkinson" e redigiram estes relatórios no final do semestre. Estes relatórios são referentes ao semestre 2025/1. O projeto "Mãos que Vibram: um olhar para o Parkinson" é uma parceria entre o Núcleo de Inovação e Avaliação Tecnológica em Saúde (NIATS), a faculdade de fisioterapia da Anhanguera e a Engenharia Biomédica da UFU. O projeto atende pessoas com doença de Parkinson, existe um cronograma de fisioterapia, palestras, atividades cognitivas, aula de dança, entre outros. Os encontros são segundas e quartas feiras das 14h às 16h.
Full text
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA BIOMÉDICA LUIS GUSTAVO GALINARI RELATÓRIO PROJETO EXTENSÃO V Uberlândia 2025
LUIS GUSTAVO GALINARI RELATÓRIO PROJETO DE EXTENSÃO V Relatório apresentado como requisito no Componente Curricular do Curso de Graduação em Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia. Professor: Dr. Adriano de Oliveira Andrade Uberlândia 2025
1. INTRODUÇÃO A Doença de Parkinson (DP) é uma enfermidade neurodegenerativa crônica e progressiva, descrita pela primeira vez por James Parkinson em 1817, que afeta principalmente o sistema dopaminérgico devido à degeneração dos neurônios localizados na substância negra pars compacta (PARKINSON, 1817; OBESO et al., 2017). A etiologia da DP é multifatorial, envolvendo predisposição genética, fatores ambientais e processos celulares como estresse oxidativo e disfunção mitocondrial (KALIA; LANG, 2015). Clinicamente, manifesta-se sobretudo por sintomas motores, como bradicinesia, tremor de repouso, rigidez muscular e alterações posturais, mas os sintomas não motores, como fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e alterações cognitivas, também são frequentes e impactam de forma significativa a qualidade de vida dos pacientes (CHANG et al., 2021; POSTUMA et al., 2015). Esses comprometimentos, associados às dificuldades de comunicação e interação social, frequentemente levam ao isolamento e reduzem a autonomia funcional. Nesse contexto, estratégias terapêuticas não farmacológicas, especialmente a fisioterapia, assumem papel central na manutenção da funcionalidade. Intervenções fisioterapêuticas baseadas em exercícios aeróbicos, treino de equilíbrio, fortalecimento muscular e práticas de dupla tarefa contribuem para a melhora da mobilidade, da marcha e da coordenação, reduzindo o risco de quedas e favorecendo a independência (KEUS et al., 2014; TOMLINSON et al., 2013). Da mesma forma, o engajamento em ambientes sociais estimulantes, como grupos terapêuticos, atividades coletivas e programas de artes, promove motivação, adesão às práticas e fortalecimento de vínculos afetivos, além de contribuir para a diminuição de sintomas depressivos e ansiosos (DRAGANSKI; BOGAERTS, 2020). Pesquisas recentes têm demonstrado que modalidades como dança, teatro e musicoterapia não apenas favorecem a socialização, mas também estimulam funções cognitivas e comunicativas, revelando-se como ferramentas valiosas de cuidado integral (HACKNEY; EARHART, 2009; BASTA et al., 2021). As atividades propostas no projeto de extensão, “Mãos que Vibram” realizadas em Uberlândia/MG foram elaboradas dentro dessa perspectiva interdisciplinar e biopsicossocial, visando à promoção da saúde física, cognitiva e emocional dos participantes. As práticas englobaram exercícios fisioterapêuticos direcionados ao fortalecimento e alongamento de membros superiores e inferiores, associados a atividades cognitivas voltadas para memória, atenção e raciocínio lógico. Além disso, dinâmicas em grupo estimularam a socialização, a
criatividade e a expressão emocional por meio de jogos lúdicos e arteterapia, enquanto palestras educativas abordaram temas como saúde bucal e qualidade de vida na terceira idade. Esse conjunto de ações buscou oferecer um cuidado humanizado e integral, alinhado aos princípios do envelhecimento ativo e da prevenção de agravos à saúde, valorizando as vivências individuais e fortalecendo a autonomia funcional. Assim, este relatório descreve o percurso das atividades realizadas ao longo de várias semanas de participação, evidenciando o impacto positivo da integração entre saúde, educação e convivência social na vida de pessoas com Doença de Parkinson.
2. DESENVOLVIMENTO 2.1 Semana 1 2.1.1 30/06 Primeiramente, foi realizado uma sequência de exercícios auxiliada por um profissional da saúde onde foram executados exercícios tanto para os membros superiores como para os membros inferiores. Na figura 1, exemplifica algum dos exercícios realizados nessa atividade. Figura 1: Exercícios acompanhado do instrutor. Após a finalização dos exercícios foi realizado um alongamento geral e então realizado uma dinâmica entre os participantes, onde eles se sentaram em fila, e com um balde cada um tinham que por trás da cabeça jogar o seu balde cheio de bolinhas de plástico no balde do participante atras deles. Esse exercício foi realizado de olhos abertos e olhos vendados, essa atividade é mostrada na figura 2.
Figura 2: Dinâmica de coordenação motora. 2.1.2 - 02/07 Neste dia foi realizado uma atividade de dança com os participantes, eles precisavam guardar uma sequência de “passos” com as mãos, como por exemplo, levar o cotovelo esquerdo a mão direita, levar a mão direita ao ouvido esquerdo, entre outros movimentos. Foi realizado uma dinâmica musical em duplas (Figura 3).
Figura 3: Atividade com Música e Dança 2.2 Semana 2 2.2.1 - 07/07 Nessa semana, foi realizado junto com o fisioterapeuta responsável um circuito contendo diversas atividades, como pular cones, fazer zigue-zague, entre outras atividades (Figura 4). Após o circuito foi realizado um alongamento do corpo, atingindo os membros superiores e inferiores (Figura 5).
Figura 4: Circuito de atividades. Figura 5: Alongamento do dia. 2.2.2 – 09/07
Neste dia, foi realizado um trabalho com a psicóloga do grupo. E a realização de jogos como: Dominó; pega-vareta; pula-pirata (Figura 6), jogos fundamentais não apenas para o processo neuro cognitivo, como na interação entre os participantes. O próximo encontro só ocorreu no dia 04/08. Figura 6: Jogos realizados no dia 09/07. 2.3 Semana 3 2.3.1 – 04/08 Foi realizado exercícios físicos com elásticos, exercícios utilizando apoio como cadeiras e exercícios em duplas, visando o fortalecimento e mobilidade, junto com o apoio um ao outro para a realização dos exercícios. Figura 7: Atividade realizada com elásticos e com apoio.
Figura 16: Atividade que demanda agilidade. 2.8 Semana 8 2.8.1 – 15/09 Realizado um trabalho físico com exercícios para os membros inferiores e superiores, além de exercícios manuais com “massinha” de modelar, onde os participantes tiveram modelos que poderiam recriar ou criar os próprios.
Figura 17: Participante realizando a atividade com a “massinha” de modelar. 2.8.2 – 17/09 Foi realizado atividades físicas comandadas por um profissional da saúde utilizando elásticos, além de tarefas que exigiam coordenação motora dos participantes.
3. CONCLUSÃO O projeto de extensão demonstrou a relevância de ações interdisciplinares voltadas para pessoas com Doença de Parkinson, unindo práticas físicas, cognitivas e sociais em um ambiente acolhedor e estimulante. As atividades propostas contribuíram para a melhora da mobilidade, da coordenação e da autonomia funcional, além de promoverem momentos de socialização e bem-estar emocional. Ficou evidente que a combinação de exercícios fisioterapêuticos, jogos, dinâmicas e ações educativas fortalece a qualidade de vida dos participantes, reafirmando a importância da integração entre universidade e comunidade na promoção da saúde e no incentivo ao envelhecimento ativo.
4. REFERÊNCIAS PARKINSON, J. An essay on the shaking palsy. London: Sherwood, Neely, and Jones, 1817. OBESO, J. A. et al. Past, present, and future of Parkinson's disease: a special essay on the 200th Anniversary of the Shaking Palsy. Movement Disorders, v. 32, n. 9, p. 1264-1310, 2017. KALIA, L. V.; LANG, A. E. Parkinson's disease. The Lancet, v. 386, n. 9996, p. 896-912, 2015. POSTUMA, R. B. et al. MDS clinical diagnostic criteria for Parkinson's disease. Movement Disorders, v. 30, n. 12, p. 1591-1601, 2015. KEUS, S. H. J. et al. Evidence-based analysis of physical therapy in Parkinson’s disease with recommendations for practice and research. Movement Disorders, v. 29, n. 3, p. 587-593, 2014. TOMLINSON, C. L. et al. Physiotherapy versus placebo or no intervention in Parkinson's disease. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 9, p. CD002817, 2013. HACKNEY, M. E.; EARHART, G. M. Health-related quality of life and alternative forms of exercise in Parkinson disease. Parkinsonism & Related Disorders, v. 15, n. 9, p. 644-648, 2009. BASTA, D. et al. Art-based interventions for people with Parkinson’s disease: A scoping review. NeuroRehabilitation, v. 48, n. 2, p. 153-166, 2021. DRAGANSKI, B.; BOGAERTS, K. Dance as therapy for Parkinson’s disease: neuroplasticity and beyond. Frontiers in Neurology, v. 11, p. 1-8, 2020. CHANG, F. C. et al. Non-motor symptoms in early Parkinson's disease: Prevalence and associated factors. Journal of the Neurological Sciences, v. 423, p. 117355, 2021.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA BIOMÉDICA Igor Miranda RELATÓRIO PROJETO EXTENSÃO V Uberlândia 2025
Igor Miranda RELATÓRIO PROJETO EXTENSÃO V Relatório apresentado como requisito no Componente Curricular do Curso de Graduação em Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia. Professor: Dr. Adriano de Oliveira Andrade Uberlândia 2025
1. Introdução As doenças neurodegenerativas, especialmente a Doença de Parkinson (DP) e a Doença de Alzheimer (DA), representam um crescente desafio de saúde pública em escala global, principalmente devido ao envelhecimento populacional e ao aumento da expectativa de vida. A prevalência da Doença de Parkinson praticamente dobrou nas últimas décadas, tendo sido estimados milhões de casos no mundo contemporâneo, com aumento expressivo da carga de morbidade e mortalidade associada [1]. Com isso, a doença de Parkinson manifesta-se por sinais motores clássicos, como tremor de repouso, rigidez, bradicinesia e instabilidade postural e por uma ampla gama de sintomas não-motores (alterações do sono, distúrbios autonômicos, alterações cognitivas, depressão e ansiedade) que afetam profundamente a qualidade de vida e a funcionalidade dos pacientes. O reconhecimento e o manejo desses sintomas não-motores são essenciais para um cuidado integral [2]. A Doença de Alzheimer, principal causa de demência, também tem grande impacto populacional: estimativas apontam números crescentes de pessoas vivendo com algum grau de demência no Brasil, o que reforça a necessidade de ações preventivas, diagnóstico precoce e suporte a cuidadores. Estudos e relatórios recentes indicam que a carga de demência no Brasil já atinge centenas de milhares a milhões de indivíduos e tende a aumentar nas próximas décadas [3]. Nesse contexto, intervenções não-farmacológicas têm papel relevante no manejo dessas condições. Revisões sistemáticas indicam que exercícios físicos adaptados (fortalecimento, alongamento, treino de equilíbrio, treino funcional) melhoram movimento e qualidade de vida em pessoas com Parkinson, sendo recomendados como componente central das intervenções multidisciplinares [4]. Além disso, intervenções em formato de grupo, como danças, música, canto e arteterapia, têm evidências crescentes de benefícios sobre aspectos motores, comunicacionais e cognitivos, além de promoverem socialização, motivação e bem-estar emocional entre os participantes. Esses formatos grupais também favorecem vínculo social e engajamento, fatores que podem reduzir isolamento e melhorar adesão às atividades terapêuticas [5]. Dado esse contexto, o projeto de extensão no qual atuei teve como objetivo integrar práticas físicas, estímulos cognitivos e atividades socioemocionais para promover autonomia, bem-estar e qualidade de vida de pessoas com Parkinson e Alzheimer. Neste relatório apresento as atividades realizadas durante o período de voluntariado, as observações sobre a resposta dos participantes e reflexões pessoais sobre o aprendizado e o impacto social da atuação extensionista.
2. Atividades Desenvolvidas Ao longo de 11 semanas realizamos encontros presenciais duas vezes por semana que integraram três eixos principais: (1) físico (exercícios adaptados, alongamentos, treinos de equilíbrio e força), (2) cognitivo (jogos de memória, desafios lógicos, testes de destreza manual) e (3) socioemocional (arteterapia, rodas de conversa, dinâmicas de vínculo). Para tornar o relatório mais objetivo e menos repetitivo, a seguir apresento um texto único que resume as atividades, os padrões de repetição e, o mais importante, como essas práticas se refletem no dia a dia dos participantes. Durante as primeiras semanas priorizamos a estimulação motora básica: sequências de alongamento (membros superiores e cervicais), exercícios sentados para mobilidade articular, marcha estacionária e ajustes posturais (isometrias na parede). Essas práticas rotineiras tiveram a função de preparar o corpo, reduzir rigidez e aumentar a confiança motora para tarefas cotidianas simples (levantar-se de uma cadeira, alcançar objetos). A repetição semanal desses movimentos favoreceu maior fluidez nos gestos e diminuição da resistência inicial às atividades, muitos participantes passaram do nível de assistência quase total para um suporte apenas verbal. Paralelamente, aplicamos exercícios de dupla-tarefa e circuitos (cones coloridos, percursos com bola, uso de bastões e cabo de vassoura) que combinavam componente motor + atenção. Esse tipo de atividade é bastante efetivo para trabalhar coordenação e reorientação atencional: observamos melhora na capacidade de seguir instruções múltiplas e menor confusão ao alternar comandos, o que transparece no cotidiano quando, por exemplo, executam duas ações seguidas (pegar um copo e sentar-se) com menos hesitação. Nas sessões de motricidade fina e orofacial usamos balões e exercícios de sopro. Esses exercícios foram repetidos em momentos distintos do projeto e mostraram impacto direto em atividades instrumentais da vida diária (manuseio de talheres, preensão de objetos pequenos, higiene pessoal). Em particular, as atividades de reabilitação da fala (travalínguas, vogais e sílabas, entonação) promoveram ganho na articulação e aumentaram a confiança na comunicação refletido por mais tentativas espontâneas de diálogo pelos participantes. No eixo cognitivo, as rotinas incluíram jogos (dominó, UNO, jogo da memória, palavras cruzadas, labirintos) e desafios matemáticos lúdicos. A repetição desses jogos ao longo das semanas ajudou a consolidar memória de trabalho e raciocínio sequencial; além disso, funcionou como estímulo social: participantes que estavam mais retraídos passaram a interagir com maior soltura, tornando as trocas mais frequentes e positivas. Atividades padronizadas também serviram como medida informal de progresso, muitos relataram que "lembravam das regras" e executavam tarefas mais rapidamente em encontros posteriores. A arteterapia, dança e dinâmicas expressivas (incluindo uma sessão de tango e diversas propostas de desenho) compuseram o pilar socioemocional. Essas práticas
repetidas reforçaram autoestima, possibilitaram expressão de emoções e criaram narrativas grupais, histórias, risos, memórias compartilhadas, que diminuíram o isolamento percebido por alguns membros. Roda de conversa e constelação familiar ofereceram espaço para acolhimento, resultando em relatos emocionais que, muitas vezes, se traduziram em maior adesão às atividades físicas e cognitivas. Em termos de resultados observáveis, registramos melhorias qualitativas e comportamentais que, embora informais, são relevantes para o relatório: Maior participação e engajamento: muitos participantes passaram a chegar com expectativa sobre atividades específicas (ex.: arteterapia, jogos, entrega de talheres adaptados), sugerindo que o vínculo e a motivação aumentaram com o tempo. Melhora na execução motora funcional: tarefas como segurar talheres, levantar-se com menor insegurança e realizar movimentos de alcance melhoraram para parte do grupo, especialmente aqueles que responderam bem aos exercícios de fortalecimento e equilíbrio. Estabilidade emocional e social: diminuição de sinais de isolamento durante as sessões e aumento de trocas afetuosas entre os presentes. Comunicação: exercícios de fonoaudiologia/ dicção favoreceram uma melhora na clareza de fala em alguns participantes e um aumento da iniciativa para conversar. Vale destacar que a repetição das atividades foi um dos pontos-chave para a consolidação das melhorias. Repetir sequências motoras e cognitivas possibilitou aprendizado por tentativa e erro em um ambiente seguro, facilitando a transferência para atividades de vida diária. Metodologicamente, os registros foram feitos por meio de observações pelos extensionistas, notas de campo e fotos (anexo), e com isso, as impressões qualitativas aqui registradas apontam para impacto positivo e consistente das práticas.
GABRIEL FLORENTINO GONÇALVES LATÓRIO PROJETO EXTENSÃO V Relatório apresentado como requisito no Componente Curricular do Curso de Graduação em Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia. Professor: Dr. Adriano de Oliveira Andrade Uberlândia 2025
Introdução A Doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo crônico e progressivo, caracterizada pela perda seletiva de neurônios produtores de dopamina na substância negra do cérebro (BARBOSA, 2021). Essa deficiência dopaminérgica é a principal responsável pelo surgimento da tríade clássica de sintomas motores: tremor em repouso, rigidez muscular e bradicinesia (lentidão de movimentos), frequentemente acompanhada por instabilidade postural. Tais manifestações impactam profundamente a autonomia e a capacidade funcional dos indivíduos, tornando atividades cotidianas, como caminhar, vestir-se e alimentar-se, desafios consideráveis. Para além dos sintomas motores, a condição apresenta um espectro significativo de manifestações não motoras, que podem ser igualmente debilitantes. Sintomas como declínio cognitivo, depressão, ansiedade, distúrbios do sono e alterações sensoriais são frequentes e impactam drasticamente a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares (SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROLOGIA, 2022). O manejo da doença, portanto, exige uma abordagem multifatorial que vá além do tratamento farmacológico, visando à pessoa em sua integralidade. Nesse contexto, a prática regular e orientada de atividades físicas e cognitivas consolida-se como um pilar fundamental da abordagem não-farmacológica. Exercícios motores são essenciais para preservar e melhorar a amplitude de movimento, a força muscular, o equilíbrio e a coordenação, combatendo diretamente a rigidez e a bradicinesia (ARAÚJO; LIMA; SILVA, 2020). Paralelamente, a estimulação cognitiva contínua mostrou-se crucial para manter funções executivas, a memória e a velocidade de processamento de informações, retardando a progressão do declínio e promovendo uma maior reserva cognitiva. É nesse cenário que se insere o projeto de extensão "Mãos que Vibram", vinculado ao Núcleo de Inovações em Atenção à Saúde, o NIATS da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Seu objetivo principal é utilizar atividades combinadas de fisioterapia e cognição para aprimorar os índices motores e cognitivos de pessoas com Parkinson, promovendo não apenas uma melhor funcionalidade, mas também a interação social e o bem-estar psicossocial. Este relatório tem como objetivo detalhar a participação deste discente nas atividades específicas realizadas no projeto. Desenvolvimento O projeto de Extensão V com participação dos alunos começou de fato na segunda-feira do dia 30 de Junho de 2025 com agendamento de dois encontros por semana, segundas e quartasfeiras. Nossa participação no projeto ocorreu em encontros distribuídos ao longo do cronograma de nove semanas, conforme descrito abaixo, onde relatamos os encontros mais relevantes:
Data: 30 de Junho de 2025 Atividade: Controle Motor Neste primeiro encontro, as atividades foram focadas no controle motor global. A sessão iniciou com alongamentos suaves para preparar a musculatura e aumentar a percepção corporal. Em seguida, foram realizados exercícios de fisioterapia com os participantes sentados e com o apoio da cadeira, visando trabalhar a estabilização do tronco e a mobilidade segmentar de forma segura. A principal dinâmica consistiu em uma atividade de controle motor fino e coordenação óculo-manual: a passagem de bolas de um balde a outro, como pode ser visto na Figura 1. Este exercício, aparentemente simples, exige dos pacientes planejamento motor, precisão no movimento e adaptação às variações de força e trajetória, elementos frequentemente comprometidos pelo Parkinson. O benefício reside no estímulo direto às conexões neurais responsáveis pela precisão e suavidade dos movimentos, essenciais para atividades da vida diária como levar um copo à boca ou escrever. Figura 1. Dinâmica motora com baldes de bolas. Fonte: grupo do projeto
Data: 02 de Julho de 2025 Atividade: Fisioterapia e Cognição Neste encontro, o foco foi a integração direta entre a fisioterapia e a estimulação cognitiva. As atividades foram desenhadas para exigir que o movimento físico fosse iniciado ou guiado por um comando de vontade própria. Por exemplo, os participantes realizavam exercícios de membros superiores e inferiores, mas a sequência de movimentos (ex.: levantar o braço direito, depois a perna esquerda) era ditada por cores, números ou símbolos apresentados pelo terapeuta, como pode ser acompanhado na Figura 2. O benefício central desta abordagem é o treinamento da tarefas concorrentes, uma função executiva frequentemente comprometida no Parkinson. Os pacientes são desafiados a processar uma informação cognitiva e, simultaneamente, traduzi-la em uma ação motora precisa, o que fortalece as conexões entre o córtex cerebral e as áreas motoras, melhorando a agilidade mental e a coordenação. Figura 2. Participantes realizam atividades de cognição. Fonte: grupo do projeto. Data: 09 de Julho de 2025 Atividade: Alongamento e Dança A sessão iniciou com uma série de alongamentos orientados, como pode ser visto na Figura 3, focando na musculatura cervical, dos ombros e dos membros inferiores, sempre com ênfase na respiração e na postura. O alongamento é fundamental para combater a rigidez axial e periférica,
promovendo alívio da tensão muscular e prevenindo contraturas. Na sequência, a atividade principal foi a dança, com coreografias simples e repetitivas, realizadas com apoio de cadeiras para garantir segurança. A dança, ao combinar movimento com estímulos musicais e rítmicos, atua como um "condutor" externo que facilita a iniciação e a manutenção do movimento, ajudando a superar episódios de bradicinesia e freezing (congelamento). Além dos ganhos motores, a atividade promove expressão emocional e interação social, aspectos vitais para o bem-estar psicológico. Figura 3. Alogamento com auxílio de peso e cadeira. Fonte: grupo do projeto. Data: 16 de Julho de 2025 Atividade: Alongamento e Atividades Cognitivas e Motoras Este encontro foi estruturado em duas partes principais. A primeira parte consistiu em exercícios de alongamento dinâmico e mobilidade articular, como pode ser observado na Figura 4, preparando o corpo para as atividades subsequentes. A segunda parte integrou atividades que misturavam desafios motores e cognitivos de forma lúdica, como jogos de encaixe que exigiam seguir um padrão de cores ou sequências. A principal vantagem desta integração é a promoção da neuroplasticidade. Ao realizar uma tarefa motora fina (como pegar e posicionar uma peça) enquanto processa uma regra cognitiva (seguir uma sequência), o cérebro é estimulado a criar novas rotas
neurais. Isso treina a capacidade de alternar a atenção entre tarefas, melhorando a função executiva e a precisão motora em situações da vida real, que raramente envolvem ações isoladas. Figura 4. Alogamento com treino de mobilidade. Fonte: grupo do projeto. Data: 20 de Agosto de 2025 Atividade: Alongamento e Dança Este encontro teve como foco o alongamento e a dança. A sessão de alongamento foi conduzida com apoio, seja da cadeira ou do próprio fisioterapeuta, garantindo segurança e amplitude adequada para cada participante. O alongamento é vital para combater a rigidez muscular característica da doença, promovendo flexibilidade e alívio de tensões, realizado como pode ser visto na Figura 5. Na sequência, a atividade de dança foi introduzida. A dança, especialmente quando acompanhada de música, é uma ferramenta poderosa. Ela integra movimento, ritmo, expressão corporal e memória coreográfica. Para os pacientes, seguir o ritmo ajuda a melhorar a cadência da marcha e a iniciar movimentos (combatendo a acinesia), enquanto os passos coreografados desafiam a coordenação, o equilíbrio e a memória de trabalho de forma lúdica e prazerosa, estimulando também a interação social e o afeto.
Figura 5. Atividade de alongamento. Fonte: grupo do projeto Data: 27 de Agosto de 2024 Atividade: Fisioterapia para Membros Superiores e Jogos Cognitivos (Dama, Dominó e Dominó Matemático) Este encontro foi estrategicamente dividido em duas partes complementares. A primeira parte focou no fortalecimento dos membros superiores através de exercícios fisioterapêuticos. Foram utilizados recursos como halteres leves, faixas elásticas e exercícios resistidos, visando principalmente os músculos do ombro, braço e antebraço. O objetivo principal foi melhorar a força muscular, a resistência e a estabilidade articular, que são essenciais para a manutenção da autonomia em atividades da vida diária, como levantar objetos, vestir-se e alimentar-se. O
fortalecimento dessa região contribui diretamente para reduzir a tremores de ação e melhorar o controle motor fino. A segunda parte da sessão foi dedicada à estimulação cognitiva por meio de três jogos: Dama, Dominó tradicional e Dominó Matemático. A Dama exigiu dos participantes planejamento estratégico, antecipação de jogadas e raciocínio lógico-espacial. O Dominó tradicional trabalhou a associação de padrões, a memória visual e a tomada de decisão. Já o Dominó Matemático elevou o desafio, integrando cálculos mentais básicos (somas e subtrações) ao reconhecimento de padrões, demandando agilidade no processamento numérico e funções executivas mais complexas. Os participantes podem ser vistos jogando as duas últimas modalidades na Figura 6. A interpretação integrada dessas atividades revela um benefício sinérgico. Os exercícios de fortalecimento prepararam a "ferramenta" física – o braço e a mão – para executar movimentos mais firmes e controlados durante a manipulação das peças dos jogos. Por outro lado, os jogos cognitivos proporcionaram um contexto motivador e funcional para a aplicação prática da força e da coordenação fina aprimoradas, enquanto estimulavam intensamente as funções cerebrais. Essa combinação é particularmente eficaz para treinar a realização de tarefas concorrentes em um ambiente descontraído, onde o aspecto lúdico reduz a percepção de esforço e aumenta o engajamento, potencializando os ganhos tanto motores quanto cognitivos. Figura 6. Participantes jogando dominó e dominó matemático. Fonte: grupo do projeto.
Data: 03 de Setembro de 2025 Atividade: Fisioterapia e Cognição (Jogos) Este dia foi dedicado à integração entre o aspecto motor e o cognitivo através de jogos e diálogo, como pode ser visto na Figura 7. Foram utilizados jogos como "Falta Um" e "Dominó de Matemática". Estas atividades exigem que o participante não apenas execute um movimento (pegar e posicionar uma peça) mas também envolva rapidamente funções cognitivas como cálculo mental, raciocínio lógico, estratégia e tomada de decisão. O benefício duplo é evidente: o corpo é desafiado a realizar movimentos mais precisos enquanto a mente é estimulada a processar informações de forma ágil. Esta simultaneidade é particularmente eficaz para criar novas conexões neurais e fortalecer as existentes, treinando o cérebro e o corpo a trabalharem em conjunto, o que é fundamental para a autonomia funcional. Figura 7. Participantes do o projeto atendem a dinâmica da fisioterapeuta. Fonte: grupo do projeto
Data: 10 de Setembro de 2025 Atividade: Fisioterapia e Dança Neste encontro, houve um aprofundamento no trabalho com jogos, na Figura 8, e dança. As atividades foram estruturadas para explorar diferentes ritmos e coreografias, sempre com foco na segurança e na capacidade individual. A dança trabalha a propriocepção (consciência da posição do corpo no espaço), o equilíbrio dinâmico, a coordenação bilateral e a capacidade de transição entre movimentos. Para uma pessoa com Parkinson, superar o "freezing" (congelamento da marcha) pode ser facilitado por estímulos rítmicos externos, como a batida de uma música, tornando a dança uma estratégia terapêutica de grande valor prático para a mobilidade. Figura 8. Participantes praticando atividades neurocognitivas antes da dança. Fonte: grupo do projeto