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educatadores: catadores na educação ambiental popular e justiça climática educatadores: waste pickers in popular environmental education and climate justice Rafaela Seelva Educadora socioambiental Coletivo COMEIA Eco Letiva Muriaé, MG Orcid: https://orcid.org/0009-0007-1655-9166 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17409414 Resumo: Este texto compartilha uma proposta em construção: Educatadores, uma iniciativa que busca reconhecer catadores e catadoras de materiais recicláveis como agentes protagonistas da educação ambiental popular e da justiça climática cotidiana. A partir de escutas com a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Muriaé (ASCAMAREM), nasceu a inspiração para este projeto, que ainda em fase inicial, propõe-se a gerar encontros formativos, mediações em escolas e reconhecimento simbólico através de selos como “Mulher EcoAtiva” e “Educatador(a) Ambiental”. Mais do que relatar resultados consolidados, o artigo deseja partilhar um caminho em curso, alinhado à perspectiva decolonial, à educação do cuidado e à pedagogia da escuta. Em um contexto de invisibilidade histórica dos catadores e emergência climática global, acredita-se que políticas públicas e práticas educativas regenerativas só poderão florescer se forem capazes de incluir quem já cuida da Terra com as próprias mãos - ainda que sem o devido reconhecimento. Ao tornar pública essa proposta, espera-se mobilizar outras cidades, educadores e redes para semear juntos um novo imaginário socioambiental, no qual os saberes populares e o afeto possam guiar os futuros possíveis. Palavras-chave: (1) Catadores de recicláveis; (2) Educação ambiental popular; (3) Justiça climática; (4) Educomunicação; (5) Saberes invisibilizados. Abstract: This text shares a proposal under construction: Educatadores, an initiative that seeks to recognize recyclable material collectors as leading agents of popular environmental education and everyday climate justice. Based on interviews with the Muriaé Recyclable Material Collectors Association (ASCAMAREM), the inspiration for this project was born, and is still in its initial phase, to generate training meetings, mediations in schools and symbolic recognition through seals such as “EcoActive Woman” and “Environmental Educator”. More than reporting
Letramento SocioAmbiental, Atibaia, 3 (2): 404-412, 2025 - Seelva - educatadores - 405 consolidated results, the article aims to share an ongoing path, aligned with the decolonial perspective, the education of care and the pedagogy of listening. In a context of historical invisibility of collectors and a global climate emergency, it is believed that public policies and regenerative educational practices will only be able to flourish if they can include those who already take care of the Earth with their own hands - even if without due recognition. By making this proposal public, we hope to mobilize other cities, educators and networks to sow together a new socioenvironmental imaginary, in which popular knowledge and affection can guide possible futures. Keywords: (1) Recyclable waste collectors; (2) Popular environmental education; (3) Climate justice; (4) Educommunication; (5) Invisible knowledge.
Letramento SocioAmbiental, Atibaia, 3 (2): 404-412, 2025 - Seelva - educatadores - 406 Introdução: a urgência do reconhecimento Nos cantos esquecidos das cidades, onde o barulho dos caminhões de lixo ecoa mais alto que as vozes das pessoas, há um cuidado que raramente é reconhecido: o cuidado cotidiano de homens e mulheres que, com suas carroças ou caminhões, recolhem aquilo que a sociedade rejeita - resíduos, objetos, sobras - e, com isso, sustentam famílias, comunidades e um pedaço do planeta. Este artigo nasce da escuta desses sujeitos, em especial das catadoras e catadores de materiais recicláveis da ASCAMAREM (Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Muriaé/MG), com quem começou a brotar a semente de uma proposta: “Educatadores”. Mais do que um projeto pronto, trata-se de um ensaio vivo de futuro. Um gesto de reconhecimento simbólico, político e afetivo de que esses trabalhadores da base da pirâmide já são, em essência, educadores ambientais populares, ainda que sem esse nome nos documentos oficiais. São eles e elas que, ao separar e reaproveitar, ao contar sua história às crianças nas escolas ou ao ocupar espaços públicos com dignidade, constroem narrativas de justiça climática com as próprias mãos. Vivemos numa era marcada pela emergência climática e pela fragmentação das relações socioambientais. Nesse contexto, reconhecer os catadores como protagonistas de práticas regenerativas não é apenas justo: é urgente. O presente artigo propõe compartilhar a gênese desse conceito - Educatadores - como proposta metodológica e ética. Ainda que em fase inicial, o caminho já revela frutos: escutas verdadeiras, encontros com escolas, selos simbólicos e a construção de uma linguagem políticoafetiva em torno da educação popular e do bem-viver. O nascimento do conceito: quem são os Educatadores? O termo Educatadores nasceu da escuta. Não de uma escuta técnica ou acadêmica, mas de uma escuta afetiva e comprometida com o cotidiano de mulheres e homens que trabalham com materiais recicláveis em Muriaé, Minas Gerais. Em encontros informais, rodas de conversa e visitas à Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Muriaé (ASCAMAREM), emergiu com força o entendimento de que aquelas pessoas já estavam, há muito tempo, fazendo um trabalho educativo; mesmo sem que esse trabalho fosse nomeado ou reconhecido como tal. Esses encontros revelaram que, para além da coleta de materiais, os catadores exercem uma forma concreta de educação ambiental popular, pois são eles que, nas ruas, nas casas e nas feiras, orientam as pessoas sobre o que pode ou não ser reciclado, alertam sobre excessos de consumo, e
Letramento SocioAmbiental, Atibaia, 3 (2): 404-412, 2025 - Seelva - educatadores - 407 mantêm viva a relação entre destino e responsabilidade dos resíduos. Ao contar suas histórias às crianças, ao participar de ações comunitárias e ao dialogar com a população, eles constroem pontes entre saberes invisibilizados e práticas coletivas de cuidado. A partir dessa constatação, nasceu a proposta de criar o termo Educatador(a), como forma de legitimar e fortalecer esse lugar pedagógico já ocupado, mas ainda sem nome. Em paralelo, surgiu também o selo “Mulher EcoAtiva”, para destacar o protagonismo das mulheres catadoras, muitas vezes chefes de família, que acumulam funções de cuidado ambiental, doméstico, comunitário e afetivo. Mais do que títulos, esses nomes foram pensados como ferramentas de reconhecimento simbólico e político, capazes de provocar uma valorização coletiva da atuação dos catadores no campo da educação ambiental e da justiça climática. O processo de criação foi coletivo e orgânico, e o termo “Educatador” foi acolhido com entusiasmo pela comunidade, fortalecendo o sentimento de pertencimento e orgulho. Assim, a proposta começou a se expandir como um movimento de reencantamento da identidade do catador, revelando seu potencial formador e inspirador. Educomunicação e educação ambiental popular: ferramentas de transformação A proposta dos Educatadores encontra na educomunicação um de seus pilares mais férteis. Não se trata apenas de comunicar informações sobre reciclagem, mas de cultivar escuta, diálogo e produção de sentido coletivo entre diferentes saberes. A educomunicação, compreendida aqui como um campo que integra educação, comunicação e participação cidadã, permite que os catadores transcendam o papel de receptores de campanhas institucionais para se tornarem sujeitos produtores de mensagens, narrativas e vínculos. Nos ensaios desenvolvidos com a ASCAMAREM, os catadores passam a participar de formações informais sobre como contar suas histórias, como dialogar com crianças nas escolas e como ocupar as redes sociais com mensagens acessíveis e sensíveis. Com apoio de educadores populares e jovens estudantes de audiovisual, pretendemos criar pequenos vídeos para publicações em redes sociais e temas para rodas de conversa em praças e ações educativas em escolas públicas. Essas práticas, mesmo simples, carregam em si um poder profundamente transformador: o de recolocar os catadores no centro das narrativas sobre cuidado com a Terra. A linguagem utilizada nos encontros é construída junto com os próprios catadores, respeitando seus modos de falar, sentir e ensinar. Ao invés de uma comunicação técnica e institucionalizada, optou-se por uma abordagem afetiva e situada, que se comunica com a comunidade de forma horizontal e humanizada. Essa escolha se revela potente: as crianças reconhecem os
Letramento SocioAmbiental, Atibaia, 3 (2): 404-412, 2025 - Seelva - educatadores - 408 catadores como pessoas importantes para o planeta; os adultos passam a vê-los com respeito e interesse; e os próprios catadores passam a se perceber como educadores em movimento. A educação ambiental popular, nesse contexto, aparece como processo de conscientização coletiva que nasce da prática, e não de manuais. Ao mediar conversas em escolas, os Educatadores compartilham saberes práticos sobre separação correta dos resíduos, destino do lixo, consumo consciente e responsabilidade compartilhada. Mas fazem isso de um lugar que a escola raramente acessa: o lugar do vivido, da rua, do improviso e da resistência. Em um mundo onde o conhecimento ainda é legitimado sobretudo pelo diploma, a proposta dos Educatadores reivindica outro critério de validação: a sabedoria enraizada no cotidiano. Assim, a educomunicação e a educação ambiental popular tornam-se aliadas não só para formar cidadãos mais conscientes, mas também para descolonizar o campo educativo, abrindo espaço para vozes historicamente silenciadas — mas fundamentais. A pedagogia do cuidado e da escuta: saberes regenerativos A prática dos Educatadores não parte de um currículo formal, mas de uma pedagogia do cuidado enraizada na vida. A relação que os catadores estabelecem com os materiais descartados é profundamente simbólica: ao recolherem aquilo que foi rejeitado, eles ensinam - com o corpo, o gesto e o silêncio - que tudo pode ser transformado, inclusive a forma como nos relacionamos com a Terra e uns com os outros. Esse cuidado, muitas vezes invisível, é também o que sustenta sua atuação como educadores populares. Ao entrar em uma escola para conversar com crianças sobre o que é reciclável, ao contar sua história de vida com honestidade, ou ao simplesmente dizer “a gente cuida do planeta com as mãos”, os catadores praticam uma forma de ensino que não se baseia em autoridade, mas em afeto, presença e escuta. É justamente na escuta que reside uma potência pedagógica ainda pouco reconhecida. Escutar as crianças, escutar o lixo, escutar os silêncios da cidade - tudo isso faz parte de um saber regenerativo, que vai muito além da técnica. Os Educatadores escutam para construir vínculos e para transformar vergonha em dignidade. E é por meio dessa escuta que se estabelece um diálogo genuíno entre os saberes populares e os espaços formais de educação. Mas esse cuidado não pode continuar sendo gratuito. A atuação dos catadores como servidores ambientais - termo já utilizado em políticas públicas de vanguarda -, precisa deixar de ser apenas simbólica e passar a integrar orçamentos, editais e legislações. É urgente que se reconheça que,
Letramento SocioAmbiental, Atibaia, 3 (2): 404-412, 2025 - Seelva - educatadores - 409 ao educarem, ao cuidarem da Terra e ao sensibilizarem a população, os Educatadores estão prestando um serviço público essencial. E todo serviço público merece remuneração justa, continuada e digna. A pedagogia do cuidado não é caridade: é trabalho. Um trabalho muitas vezes precário, informal, exaustivo - mas carregado de sabedoria e potência transformadora. Reconhecer os catadores como educadores ambientais deve vir acompanhado de medidas concretas de valorização, contratação, formação e pagamento. Caso contrário, o risco é de transformar reconhecimento em retórica, esvaziando a força política do conceito de Educatador. Essa pedagogia não impõe verdades: convida ao pertencimento, à responsabilidade compartilhada e à ação coletiva. Mas, para florescer plenamente, precisa ser sustentada com o mínimo de segurança material. Porque ninguém educa de barriga vazia - e nenhum país será justo enquanto quem cuida da Terra continuar sendo o mais negligenciado entre nós. Além disso, é fundamental reconhecer o potencial dos Educatadores para atuarem não apenas no campo educativo, mas também como agentes estratégicos em programas de gestão de resíduos sólidos (PGRS) de empresas e instituições. Muitas empresas, por força de legislação ou de compromissos ambientais, precisam apresentar planos de gestão de seus resíduos. E é justamente nesse espaço que a experiência dos catadores pode gerar impactos concretos, ao incorporar saberes práticos, garantir a destinação correta dos materiais e fortalecer redes locais de reciclagem. Do mesmo modo, os Educatadores podem e devem ser protagonistas na municipalização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como propõe a ONU. A Agenda 2030 só será efetiva se estiver enraizada nos territórios, dialogando com sujeitos que já atuam pela sustentabilidade na prática. Inserir os Educatadores nesse processo é um gesto de justiça histórica e uma estratégia inteligente de governança democrática. Desafios enfrentados e aprendizados acumulados Como toda proposta que nasce fora dos modelos tradicionais, os Educatadores enfrentam desafios estruturais e simbólicos. A invisibilidade histórica dos catadores, o preconceito social, a falta de apoio institucional e a escassez de recursos são obstáculos constantes. Em muitas escolas, ainda há resistência em acolher os catadores como educadores legítimos. Em setores do poder público, persiste a dificuldade de compreender que uma certificação como “Mulher EcoAtiva” ou “Educatador(a) Ambiental” representa mais do que um símbolo: representa um chamado à mudança de paradigma. Entre os desafios mais urgentes, está a ausência de reconhecimento legal e financeiro do trabalho educativo realizado pelos catadores. Ao assumirem o papel de mediadores ambientais e comunicadores populares, os
Letramento SocioAmbiental, Atibaia, 3 (2): 404-412, 2025 - Seelva - educatadores - 410 Educatadores estão, na prática, exercendo uma função pública - mas sem contrato, sem salário, sem segurança. Essa precariedade expõe o limite das boas intenções e nos lembra que afeto e reconhecimento simbólico não podem substituir a justiça material. Para que essa proposta se sustente, é necessário que municípios, estados e organizações incorporem os Educatadores em políticas públicas com orçamento e remuneração justa. Apesar dessas barreiras, as forças que sustentam o movimento são potentes. O acolhimento das crianças, a alegria nos encontros comunitários, o brilho no olhar de uma catadora que descobre seu papel educativo - tudo isso compõe um campo fértil de esperança e regeneração. Professores que abrem suas salas, coletivos que se somam, comunicadores populares que ajudam a amplificar as vozes: essas alianças fortalecem a caminhada. Um dos aprendizados mais marcantes é que não é preciso esperar tudo estar pronto para começar. A escuta, o afeto e o reconhecimento simbólico são tecnologias sociais poderosas. Mas é igualmente necessário que as sementes plantadas sejam nutridas com políticas públicas estruturantes. Outro aprendizado é que os territórios falam - e que é preciso aprender a escutá-los com atenção e humildade. O processo de formação dos Educatadores não é linear: é feito de pausas, retornos, improvisos e recomeços. E isso não é uma fraqueza, é a natureza viva da educação popular, que se move com o tempo da coletividade, e não com o ritmo do mercado. Considerações finais: um convite ao reconhecimento institucional e à política do afeto Este artigo não apresenta um programa fechado, um modelo replicável ou um projeto finalizado. Ele compartilha um processo em curso, feito de escuta, desejo e coragem para afirmar que a educação ambiental e a justiça climática podem, e devem, ser construídas também com quem vive daquilo que a sociedade descarta. A proposta dos Educatadores é uma convocação ao reconhecimento: simbólico, sim; mas também político, legal e remunerado. Não basta celebrar os catadores como agentes ambientais em discursos inspiradores; é preciso integrá-los formalmente como servidores ambientais, com direitos, voz e salário. É preciso que governos municipais incluam seus saberes nos planos de educação ambiental, que redes de ensino convidem suas experiências para dentro das escolas, que leis os reconheçam como trabalhadores essenciais na contenção do colapso ecológico. Também é necessário que as empresas e instituições reconheçam os Educatadores como aliados em seus Programas de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), contratando seus serviços e valorizando sua expertise em triagem, reaproveitamento e educação ambiental. Essa
Letramento SocioAmbiental, Atibaia, 3 (2): 404-412, 2025 - Seelva - educatadores - 411 inclusão gera renda local, fortalece cadeias sustentáveis e confere legitimidade às ações corporativas. No campo das políticas públicas, os Educatadores podem contribuir de forma decisiva com a municipalização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente os que tratam de cidades sustentáveis (ODS 11), consumo responsável (ODS 12) e ação contra a mudança global do clima (ODS 13). São eles que já operam, na prática, essas metas globais com as ferramentas do cotidiano; e ignorar sua presença é ignorar uma potência transformadora real. Ao mesmo tempo, essa proposta também é um manifesto pela política do afeto, por uma educação que reconhece o valor dos vínculos, da escuta, da presença e da vida partilhada. Os Educatadores nos lembram que a transformação não acontece apenas nos gabinetes ou nas universidades: ela começa na calçada, na carroça, na conversa com uma criança que pergunta “você cuida do planeta mesmo?”. E a resposta, muitas vezes, é dada com um sorriso cansado e as mãos sujas de mundo. O reconhecimento institucional e a política do afeto não são opostos. São dimensões que se alimentam mutuamente. O cuidado, para florescer, precisa de dignidade. A educação, para regenerar, precisa de justiça. E a justiça, para ser real, precisa alcançar quem cuida da Terra mesmo sem aplauso. Que este texto sirva como semente: para políticas públicas mais humanas, para práticas educativas mais enraizadas, para cidades mais conscientes de quem realmente sustenta o planeta em silêncio. Referências FREIRE, Paulo (2019). Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra. _____ (2021). Educação como prática da liberdade. São Paulo, Paz e Terra. hooks, bell (2013). Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo, WMF Martins Fontes. KAPLÚN, Mario (2001). Uma pedagogia da comunicação. São Paulo, Paulus. RUBEM, Alves (2001). A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas, Papirus. Sobre a autora Rafaela Seelva é educadora socioambiental, psicanalista, terapeuta integrativa e articuladora de práticas educativas regenerativas. Coordena ações com o coletivo COMEIA Eco Letiva e desenvolve projetos de educomunicação, infância e justiça climática. Criadora do conceito “Vida
Letramento SocioAmbiental, Atibaia, 3 (2): 404-412, 2025 - Seelva - educatadores - 412 Eco Letiva”, atuando entre o campo e a cidade, semeando vínculos, escuta e futuros possíveis. Mãe, reinfante, eco-pobre, eco-analista, eco-educadora... tentando (co)mover as pessoas em microrrevoluções possíveis. Resistir pra Re-existir.