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Relato de experiência: atuação em feira de ciências escolar no contexto do estágio supervisionado

Menezes, Maria Emmily de; Scarpelli Ponte, Tatiane

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Relato de experiência: atuação em feira de ciências escolar no contexto do estágio supervisionado Maria Emmily de Menezes 1 , Tatiane Scarpelli Ponte² Resumo: O estágio supervisionado foi realizado na Escola Estadual de Educação Profissional Maria José Medeiros, durante o segundo semestre letivo. A experiência integrou a Feira de Arte, Ciência e Tecnologia (FACITEC), com participação de turmas do 1º e 2º ano do Ensino Médio. O objetivo central foi incentivar a investigação científica e o protagonismo estudantil por meio da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP). A estagiária acompanhou dois grupos de alunos em projetos distintos: “Como se tornar um cientista: um olhar para as causas ambientais?” e “Projeto Sebinho: reutilizando óleo de cozinha para produção de sabão”. No primeiro, os alunos aplicaram um questionário sobre impactos ambientais e o papel do cientista. No segundo, foi realizada uma prática laboratorial de saponificação com reaproveitamento de óleo de cozinha. As orientações foram feitas de forma híbrida, com encontros presenciais, uso de documentos colaborativos e comunicação via WhatsApp. A estagiária auxiliou na estruturação dos projetos, busca de referências, elaboração de textos e montagem dos banners. Na apresentação final, os alunos expuseram seus trabalhos oralmente durante a FACITEC, sendo avaliados por convidados. Apesar de alguns entraves, como prazos apertados e baixa participação de parte dos alunos, os resultados foram satisfatórios e contribuíram para a formação acadêmica dos envolvidos. Palavras-chave: Estágio supervisionado. Ensino Médio. Iniciação científica. 1. Introdução O Estágio Supervisionado (ES) constitui-se como um componente curricular obrigatório nos cursos de licenciatura. Esta etapa é fundamental para a formação de professores, sendo regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), descrita na Lei nº 9.394/1996 e pela Resolução CNE/CP nº 2/2015 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que estabelecem as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica. O estágio representa um momento crucial de aprendizagem, que engloba a observação, a problematização e a reflexão sobre o exercício docente (Scalabrin; Molinari, 2013). É nesse espaço formativo que as teorias aprendidas na universidade se articulam com as situações práticas de ensino, permitindo que os futuros professores criem, adaptem e aperfeiçoem estratégias didáticas diante das diversas realidades com as quais irão se deparar (Pacheco et al., 2017). 1 Universidade Estadual do Ceará, emmily[email protected],br. ² Secretaria de Estado de Educação do Ceará, [email protected]. Dessa forma, o presente relato descreve a experiência de estágio supervisionado, realizado na EEEP Maria José Medeiros, no contexto da Feira de Arte, Ciência e Tecnologia (FACITEC) da instituição. A atividade pedagógica foi desenvolvida com turmas do 1º e 2º ano do Ensino Médio e teve como objetivo central contribuir para o desenvolvimento de habilidades científicas e comunicativas dos estudantes, promovendo o protagonismo estudantil e a compreensão sobre o método científico. A dinâmica da atividade consistia na escolha, por parte dos alunos, de projetos temáticos propostos pelos professores da instituição. Nesse contexto, o envolvimento da estagiária se deu a partir da orientação de dois grupos de pesquisa que foram propostos pela professora-supervisora: “Como se tornar um cientista: um olhar para as causas ambientais?” e “Projeto Sebinho: reutilizando óleo de cozinha para produção de sabão”. 2. Desenvolvimento As Feiras de Ciências são eventos educacionais que abrangem diversas disciplinas e têm como objetivo principal integrar a escola à comunidade, estimulando a exploração de novos conhecimentos (Mezzari; Frota; Martins, 2011). Sua importância na produção e divulgação científica, conforme aponta Silva (2019), reside no fato de que os estudantes são motivados a investigar e resolver problemas a partir de um tema central. As Feiras de Ciências frequentemente servem como apresentações de trabalhos desenvolvidos pelos estudantes por meio da metodologia da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP). Embora sua origem seja incerta (Pasqualetto; Veit; Araújo, 2017), a ABP pode ser definida como uma metodologia de ensino que utiliza projetos autênticos para engajar os alunos a partir de uma questão desafiadora. O método se destaca por envolver a resolução de problemas de forma cooperativa, com a integração de conteúdos de múltiplas disciplinas acadêmicas (Bender, 2014). A BNCC propõe um ensino investigativo possibilitando aos alunos aprender a utilizar ferramentas de pesquisa, bem como analisar dados, previsto nas competências gerais, abandonando o ensino tradicional com foco na transmissão de conteúdo (Brasil, 2018). As feiras permitem que os alunos vivenciem a iniciação científica na prática, apresentem publicamente seus resultados e se envolvam em debates e investigações. (Adams; Alves; Nunes, 2020). Tabela 1: Competência e Habilidades da BNCC que se relacionam com a FACITEC COMPETÊNCIA GERAL 5 Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. COMPETÊNCIA GERAL 7 Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 3 Investigar situações-problema e avaliar aplicações do conhecimento científico e tecnológico e suas implicações no mundo, utilizando procedimentos e linguagens próprias das Ciências da Natureza, para propor soluções que considerem demandas locais, regionais e/ou globais, e comunicar suas descobertas e conclusões a públicos variados, em diversos contextos e por meio de diferentes mídias e tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC). HABILIDADE 1: (EM13CNT301) Construir questões, elaborar hipóteses, previsões e estimativas, empregar instrumentos de medição e representar e interpretar modelos explicativos, dados e/ou resultados experimentais para construir, avaliar e justificar conclusões no enfrentamento de situações-problema sob uma perspectiva científica. HABILIDADE 2: (EM13CNT302) Comunicar, para públicos variados, em diversos contextos, resultados de análises, pesquisas e/ou experimentos, elaborando e/ou interpretando textos, gráficos, tabelas, símbolos, códigos, sistemas de classificação e equações, por meio de diferentes linguagens, mídias, tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC), de modo a participar e/ou promover debates em torno de temas científicos e/ou tecnológicos de relevância sociocultural e ambiental. Fonte: Elaborado pela autora. Na FACITEC, caberia aos alunos a elaboração de um projeto de pesquisa formal, estruturado em introdução (com a devida justificativa), desenvolvimento e metodologia de 7 a 10 laudas. Posteriormente, os resultados obtidos deveriam ser expostos em um banner para apresentação durante o evento. O edital do evento informa que a ação visa incentivar o envolvimento com a pesquisa e o desenvolvimento de projeto, e ainda, engajar a comunidade escolar. Os objetivos descritos no documento foram otimizados na tabela 2. Tabela 2: Objetivos da FACITEC descritos no edital 1 Incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de projetos, observando as diretrizes de outras Feiras, em especial a da SEFOR, para que, em um processo contínuo de aprendizagem, a comunidade escolar aprenda a realizar projetos científicos e almeje ampliar sua participação em outros eventos; 2 Estimular a investigação e a busca de conhecimento de forma cotidiana e integrada com toda a comunidade escolar, conduzida e desenvolvida pelos estudantes; 3 Envolver participações ativas, práticas e conceituais de alunos e professores na construção e desenvolvimento de projetos; 4 Estabelecer relações dinâmicas dos conhecimentos específicos das disciplinas da base nacional comum do Ensino Médio/Técnico com problemáticas sociais, culturais, econômicas e ambientais de caráter local, regional, nacional e/ou global; Fonte: Elaborado pela autora. A escola disponibilizou horários específicos para o desenvolvimento presencial das atividades, sendo o acompanhamento dos grupos complementado por comunicação via WhatsApp. A orientação para a escrita do projeto foi conduzida por meio de um documento colaborativo no Google Drive, no qual os discentes desenvolviam o texto enquanto recebiam nossas sugestões e orientações de forma contínua. Adicionalmente, foram realizadas reuniões de alinhamento com o objetivo de instruir os estudantes sobre como pesquisar artigos científicos para o embasamento teórico do projeto, bem como sobre a formatação adequada do trabalho. Figura 1: Reunião de alinhamento sobre artigos científicos com os alunos. Fonte: Arquivo pessoal. No desenvolvimento dos projetos, o grupo do tema “Como se tornar um cientista” elaborou um questionário para aferir a percepção dos alunos da escola sobre o reconhecimento de impactos ambientais na escola e sobre a função do cientista ambiental no combate às fake news. Para a coleta de dados, o grupo aplicou um questionário com perguntas objetivas de "sim" ou "não". A pesquisa foi realizada oralmente, com os estudantes visitando cada sala de aula para ler as questões e registrar a contagem das respostas afirmativas e negativas. Os alunos deste grupo elaboraram perguntas objetivas de "sim" ou "não". A coleta de dados foi realizada oralmente, com os estudantes passando em cada sala de aula para ler as questões e registrar a contagem de respostas afirmativas e negativas. Ainda, os alunos distribuiriam as atribuições individuais de cada participante entre si para que todos participassem. Quando tinham dúvidas, os alunos recorriam ao grupo de whatsapp para esclarecer certas questões. Figura 2: Reunião de alinhamento sobre artigos científicos com os alunos. Fonte: Arquivo pessoal. Por sua vez, o grupo do “Projeto Sebinho” realizou da coleta de doações de de óleo de cozinha usado dos colegas e a professora providenciou a compra dos demais insumos necessários para a reação química. A execução da atividade experimental ocorreu no laboratório de ciências da instituição, em um ambiente controlado e sob a supervisão contínua da docente. Nesse contexto, a professora guiou a prática laboratorial de saponificação, demonstrando o processo de reutilização do óleo para a produção de sabão. Figura 3: Registros do experimento realizado pelo grupo do Projeto Sebinho. Fonte: Arquivo pessoal. Por fim, em relação à construção do banner, foi criado um arquivo compartilhado no Canva, por meio do qual acompanhamos os dois grupos e oferecemos sugestões para a apresentação visual dos resultados. A avaliação final dos projetos foi realizada durante o evento escolar, onde os grupos fizeram uma apresentação oral de seus trabalhos, utilizando os banners como suporte visual. A análise do desempenho, conduzida por avaliadores convidados, considerou a clareza da comunicação oral e a organização do banner. O resultado foi satisfatório, com as notas sendo integradas à média bimestral dos alunos. Figura 4: Banners apresentados pelos alunos aos avaliadores Fonte: Arquivo pessoal. 3. Considerações finais Durante o desenvolvimento da atividade, foi possível observar uma considerável sobrecarga de trabalho por parte do corpo docente, visto que o planejamento regular das aulas e o acompanhamento do evento precisaram ocorrer de forma simultânea. Adicionalmente, a organização geral do evento apresentou inconsistências em relação aos prazos previamente estabelecidos para as entregas finais. Outro ponto relevante foi a postura de um número minoritário de alunos, que demonstraram resistência ao trabalho da professora ao questionarem sistematicamente suas decisões durante o acompanhamento da atividade. Tal grupo também não demonstrou o empenho necessário para apresentar o banner em conformidade com as diretrizes solicitadas. Apesar dos desafios apontados, o resultado geral das entregas ocorreu de maneira satisfatória. REFERÊNCIAS BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2014. MEZZARI, Susana; FROTA, Paulo Rômulo de Oliveira; MARTINS, Miriam da Conceição. Feiras multidisciplinares e o ensino de Ciências. Revista Electrónica de Investigación y Docencia, n. monográfico, p. 107-119, 2011. PACHECO, W. R. S.; BARBOSA, J. P. S.; FERNADES, D. G. A relação teoria e prática no processo de formação docente. In: Revista de Pesquisa Interdisciplinar, Cajazeiras, n. 2, suplementar, 2017 (332340). PASQUALETTO, T. I.; VEIT, E. A.; ARAUJO, I. S. Aprendizagem baseada em projetos no ensino de física: uma revisão da literatura. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, Belo Horizonte, v. 17, n. 2, p. 551-577, 2017. SCALABRIN, I. C.; MOLINARI, A. M. C. A importância da prática do estágio supervisionado nas licenciaturas. Revista unar, v. 7, n. 1, p. 1-12, 2013.