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Estação Ecológica do Tapacurá: Escorpiofauna, Herpetofauna e Quiropterofauna

Moura, G.J.B; Freitas, A.F.F; Siqueira, J.V.C.; Leal, E.S.B.

Abstract

É com grande entusiasmo que apresentamos a obra: “Estação Ecológica do Tapacurá - Escorpiofauna, Herpetofauna e Quiropterofauna”, um estudo referenciado, profundo e detalhado de algumas das fascinantes e diversas espécies que habitam essas importantes unidades de conservação no Brasil. A publicação deste livro é fruto de uma parceria entre a Agência Estadual de Meio Ambiente-CPRH/PE, Secretária Estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha-SEMAS/PE e a Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE, corresponde ao start de uma das ações do "Programa de Conservação da Biodiversidade: Criação, Implantação e Gestão de Unidades de Conservação do Estado de Pernambuco", programa do Governo do estado, estruturado pela CPRH/PE e SEMAS/PE. Esta obra está organizada em doze capítulos, oferecendo uma visão abrangente sobre a biodiversidade da Estação Ecológica do Tapacurá, destacando a importância da fauna de escorpiões, anfíbios, “répteis” e morcegos presentes na região. Estes grupos biológicos se destacam nacionalmente e internacionalmente por serem considerados excelentes bioindicadores de qualidade ambiental e descritores da complexidade dos ambientes naturais.

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E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO TAPACURÁ G e r a l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e S i q u e i r a E d s o n S i l v a B a r b o s a L e a l R e c i f e , 2 0 2 5 E stação E cológica do T apacurá E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a Estação Ecológica do Tapacurá G e r a l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e S i q u e i r a E d s o n S i l v a B a r b o s a L e a l 10.5281/zenodo.15665683 Universidade Federal Rural de Pernambuco Reitora Maria José de Sena Vice-reitora Maria do Socorro de Lima Oliveira Pró-reitoria de Planejamento e Gestão Estratégica Manuela Medeiros Gonçalves Pró-reitoria de Administração Rodrigo Gayger Amaro Pró-reitoria de Gestão de Pessoas Renata Andrade de Lima e Souza Pró-reitoria de Gestão Estudantil e Inclusão Tália de Azevedo Souto Santos Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Cidadania Renata Valéria Regis de Sousa Gomes Pró-reitoria de Pós-graduação Rinaldo Aparecido Mota Pró-reitoria de Ensino de Graduação Danielli Matias de Macedo Dantas Governadora Raquel Lyra Vice-governadora Priscila Krause S e c r e t a r i a d e M e i o A m b i e n t e , S u s t e n t a b i l i d a d e e d e F e r n a n d o d e N o r o n h a A n a L u i z a F e r r e i r a Diretoria de Fiscalização Ambiental da CPRH Maviael Torchia Couto Vitor Diretoria de Licenciamento Ambiental da CPRH Eduardo Elvino Sales de Lima Diretoria de Biodiversidade e Unidades de Conservação da CPRH Artur Cesar de Souza Melo Teixeira Diretoria de Monitoramento Ambiental e Inovação da CPRH Geraldo Jorge Barbosa de Moura Agência Estadual de Meio Ambiente-CPRH José de Anchieta dos Santos Governo de Pernambuco S446a Estação Ecológica do Tapacurá Escorpiofauna, Herpetofauna e Quiropterofauna. 1. Ed. - CPRH, Recife: 2025. 594p.: iI. O r g a n i z a d o r e s : G e ra l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a ; A r t h u r F e l i p e F e rr e i r a d e F r e i t a s ; J o ã o V i c t o r C u n e g u nd e s d e S i q u e i r a ; E d s on S i l v a B a r b o s a L ea l . I n c l u i r e f e r ê n c ia s , Í n d i c e R e m i s s i vo . ISBN: 978-65-01-51264-8 1. E s c o r p i õ e s 2 . An f í b i o s 3 . " R é p t ei s " 4 . Morcegos I. Autor II. Título CDD B869.1 Copyright © CPRH by 2025. É permitida a reprodução parcial desta obra desde que citada à fonte bibliográfica (Moura, G. J. B.; Freitas, A. F. F.; Siqueira, J. V. C.; Leal, E. S. B. Estação Ecológica do Tapacurá Escorpiofauna, Herpetofauna e Quiropterofauna. Agência Estadual de Meio Ambiente-CPRH. Recife. Companhia Editora de Pernambuco-CEPE. 1ª ed., 594 p., 2025. doi : 10.5281/zenodo.15665683 ). DISTRIBUIÇÃO GRATUITA - VENDA PROIBIDA . Di r e i to s de s t a ed i çã o re s e r va d o s a: AG Ê N CI A ES T A D UA L DE M EI O AM B I E NT E - C P RH . Ru a Ol i v e ir a G óe s , 39 5 , Em p r e sa r i a l d a Vi n c i – P o ço d a Pa n e l a – R ec i f e - P E . F o n e ( 8 1 ) 3 1 8 2 88 0 0 . ww w . c pr h . p e. g o v .b r doi: 10.5281/zenodo.15665683 Instituições de apoio Instituições executoras C o m i s s ã o C i e n t í f i c a ( R e v i s o r e s a d H o c . ) D r . A n d r é K a u f e r L e i t e - U C S A L D r a . B e t â n i a C r i s t i n a G u i l h e r m e - U F R P E D r . B r e n o M o u r a d a C o n c e i ç ã o - U F S D r . C a r l o s R o b e r t o A b r a ã o - I C M B I O / R A N D r . F r a n c i s c o M a r c a n t e S a n t a n a d a S i l v a - U F R P E D r a . G a b r i e l a F é l i x d o N a s c i m e n t o S i l v a - U N I V A S F D r . G ê n e s e s d a S i l v a F e r r e i r a - U F P B D r a . M a r c e l a M e i r a R a m o s A b r a n t e s - U F C G D r . M á r c i o F r a z ã o C h a v e s - U F C G D r a . M i d i ã d a S i l v a R o d r i g u e s - U F R P E D r . M ú c i o L u i z B a n j a F e r n a n d e s - U P E D r a . R e n a t a B a l t a r d a S i l v a - U F P E D r . R o b s o n W a l d e m a r Á v i l a - U F C D r a . S i m o n e A l m e i d a G a v i l a n - U F R N D r . S t e p h e n s o n H a l l i s o n F o r m i g a A b r a n t e s - U F C G D r . T h i a g o C o s t a G o n ç a l v e s P o r t e l i n h a - U F T D r a . W b a n e i d e M a r t i n s d e A n d r a d e - U N E B D i a g r a m a ç ã o A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s - U F R P E / L E H P e C P R H J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e S i q u e i r a - U F R P E / L E H P e C P R H C a p a F e l i p e M o u r a - W r i t e r , D e s i g n e r , P u b l i s h e r ( C o - f o u n d e r o f @ e d i t o r a s p l a s h p a g e ) O r g a n i z a d o r e s F r e i t a s , A . F . F . M o u r a , G . J . B . Pr of es so r, Pe sq ui sa do r, Es cr it or , P si ca na li s ta e Ge st or Pú bl ic o. Bo ls is ta de Pr od ut iv id ad e e m Pe sq ui sa do CN Pq -1 D. Pr of es so r A ss oc ia do e P es qu is ad or do De pa rt am en to de Bi ol og ia da Un iv er si da de Fe de ra l R ur al de Pe rn am bu co -U FR PE , l ec io na nd o e or ie nt an do al un os da gr ad ua çã o do s cu rs os de Li ce nc ia tu ra e Ba ch ar el ad o em Ci ê nc ia s B io ló gi ca s, t am bé m a tu a co mo D oc en te Pe rm an en te d os Pr og ra ma s de Pó s- Gr ad ua çã o S tr ic to S en su e m B io ci ên ci a An im al -P PG BA (Ms / Dr ), B io di ve rs id ad e- PP GB IO (M s/ Dr ) e Re de N or de st e d e E ns in o- RE NO EN (D r) . É Di re to r de Mon it or am en to Amb ie nt al da Ag ên ci a Es ta du al de Me io Am bi en te - CP RH /S ec re ta ri a d e M ei o Am bi e nt e, S us te nt ab il id a de e Fe rn an do de N or on ha . É Ps ic an al is ta As so ci ad o d a S oc ie da de P s ic an al is ta d o R ec if e- SP RP E / F ed er aç ão B ra si le ir a d e P si ca ná li se - FE BR AP SI / I nt er na ti on al Ps yc ho an al yt ic al As so ci at io n- Lo nd r es /I PA . Co o rd en a o L ab or at ór io de Es tu do s H er pe to l óg ic os e P al eo he rp et ol óg ic os da UF RP E; li de ra o G ru po de Es tu do s He rp et ol óg ic o s e P al eo he rp et ol óg ic os do No rd es te -G EH P/ CN Pq . É cu ra do r d a C ol eç ão He rp et ol óg ic a e Pal eo he rp et ol óg ic a n a UF RP E e d a Co le çã o de Hi ru di ne os d a U FR PE . Co mp õe at ua lm en t e c om o C on se lh ei ro o Co mi tê Ci en tí fi co RA N- IC MB io /M MA . I nt eg ra co mo Co ns el he ir o a Câ ma ra de As se ss o ra me nt o d e I no va çã o e P es qu is a d a F AC EP E. É o co or de na do r d o P la no de A çã o Na ci on al p ar a C on se rv aç ão da H er pe to fa un a d o N or de st e- IC MB io /M MA . É o Co or de na do r Ci en tí fi co da li st a de Esp éc ie s Am ea ça da s do Est ad o de Pe rn am bu co . É c oo rd en ad or d o T áx on A nf íb io s e Ré pt ei s d a li st a de Esp éc ie s A me aç ad as d o Es ta do d e P er na mb uc o. É c om po ne nt e do g ru po d e E sp ec i al is ta s q ue p ro du ze m a L is ta d e Es pé ci es Am ea ça d as d a H er pe to fa un a n a e sf er a E st ad ua l ( Pe rn am bu co , B ah ia e T oc an ti ns ), Na ci on al e I nt er na ci on al . F az p ar t e do co mi tê da R es er v a da Bi os fe ra da M at a A tl ân ti ca / PE e é o po nt o fo c al d o es ta do d e Pe rn am bu co j un to à p la ta fo rm a MA PB IO MA S. G e r a l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s Li ce nc i ad o em Ci ên ci as Bi ol óg ic a s pe la Un iv er si da d e Fe de ra l R ur al d e P er na mb uc o ( UF RP E) , de se nv o lv e at ua lm e nt e pe sq ui s as cie nt íf i ca s e p ro je to s d e e xt en sã o n o L ab or at ór io de Es tu do s H er pe to ló gi co s e P al eo he rp et ol óg ic os ( LE HP ) d a UF RP E, e m a ss oc ia çã o co m o La bo ra t ór io GE NO MA d a m es ma in s ti tu iç ão . S ua a tu aç ão c on ce nt ra -s e n a á re a de G en ét ic a Mo le cu l ar e A mb ie nt al a pl ic a da à c on se rv aç ão d a he rp et o fa un a, c om ê nf as e e m an fí bi os an ur os e " ré pt ei s" do No rd es te . I nt eg ra o G ru po de Es tu do s H er pe to ló gi co s e Pa le oh e rp et ol óg ic os d o N or de st e ( GE HP /C NP q) e o G ru po d e P es qu is a e m G en ét ic a Mo le cu l ar e B io lo gi a Mo le cu la r ( CN Pq ) , a mb os d a U FR PE . Fo i b ol si st a d e i ni ci aç ão ci en tí f ic a do Co ns el h o Na c io na l d e D es en vo lv im en to Ci en tí fi co e T ec no ló gi co (C NP q) en tr e 2 02 1 e 20 23 , d es en vo lv en do p es qu is as em g en ét ic a h um a na e bi o in fo rm át ic a. At uo u t am bé m c om o mo ni to r d a dis ci pl in a d e G en ét ic a G er al ( 20 21 -2 02 3) e Bi ol og ia A n im al I II e Z oo lo gi a d os Ve rt eb r ad os (2 02 4) . Ta mb ém a tu ou c om o p ro fe ss or d o E n si no Fu nd am en t al II m in is tr an do a di sc ip l in a de C iê nc ia s (2 02 4) e atu a co mo con su l to r am bi en ta l em p ro je to s d e EI A- RI MA , PR AD e RA S. O rg an iz ou e ve nt os e c on gr e ss os r eg io na is , c om o a I E x po si çã o d e S ol os , Mi ne ra i s e Ro ch as d e P er na mb uc o p ar a a S oc ie da d e ( 20 19 ), o IV S im pó si o d e Ge né ti c a e Bi ot ec n ol og ia d a UF RP E (20 22 ) e o V C on gr es so N or de st in o de A ni ma is S il ve s tr es ( 20 23 ). At uo u com o est ag iá r io b ol si st a n a A gê nc ia E st a du al d e Mei o A mb ie nt e d e P er na mb uc o - CP RH , lo ta do na Un id ad e de Geo te cn ol o gi a e Ino va ç ão – UG IN , da D ir et or ia d e Mo ni to r am en to A mb ie nt al e I no va çã o – D MA I ( 20 23 a 2 02 5) . N es se p er ío do , d es en vo lv eu pr oj et o s d e pe s qu is a, in ov aç ão e ex te ns ão v ol ta do s a o m on it or am en to d a b io di v er si da de do es ta do . C om põ e a eq ui pe de a po io t éc ni co -c ie nt íf ic o da CP R H à c on st ru çã o d as Li st a s d e Es pé ci e s A me aç ad a s d e Pe rn am b uc o e o d es en vo lv im en to d a Pl at af or ma E co ló gi co - Ec on ôm i ca d o e s ta do . Al ém d is so , c on tr ib ui u co m a e xe cu çã o da s a çõ es d o Pl an o d e Aç ão Na ci on a l p ar a a Co ns er v aç ão da He rp et of au na d o N or de st e d o Bra si l – I CM Bi o/ MM A, es pe ci f ic am en te n o Ce nt ro d e En de mi sm o de Pe r na mb uc o. A tu a lm en te , é p es qu is ad or co la bo r ad or em p ro je to s a mb ie nt ai s de se nv o lv id os em p ar ce ri a e nt re CP RH , CE TE NE e UF RP E. Pa rt i ci pa a ti va me nt e d e c on gr es so s r eg io na is e n ac io na is , a lé m d e i nt eg ra r d iv er so s pr oj et o s fi n an ci ad os c om pr od ut os já pu bl ic ad os ou em ex ec uç ão . F oi or ga ni za do r d e t rê s li vr os s ob re a e sc or pi of au na , he rp e to fa un a e q ui ro pt er of au na d e P er na mb uc o: E sc or pi õe s, An fí bi o s, Ré pt ei s e Mo rc eg os do M un ic íp io de Bo ni to , G ui a I lu st r ad o d os Es co rp iõ es , An fí bi o s, R ép te is e M o rc eg os d a I lh a d e I ta ma r ac á e G ui a d e E sp éc ie s da M at a d o C ur ad o- PE – Es co rp i õe s, An fí bi os , R é pt ei s e Mo rc eg os . Ta mb ém es tá c om po nd o a c om is sã o or ga ni z ad or a d o li vr o “Q ue lô ni o s e C ro co di li an os d o Br a si l” , a s er e m 20 25 . Al ém d is so , é au to r d e di ve rs os c ap ít ul os d e li vr os e a rt ig os p u bl ic ad os e m ev en to s e re vi st as c ie nt íf ic as . L e a l , E . S . B . E d s o n S i l v a B a r b o s a L e a l Pr of es so r e Pe sq ui sa do r. Pós -d ou to r pe la Uni ve rs id ad e Fe de ra l Ru ra l de Per na mb uc o- UF RP E, j un to a o Pr og ra ma d e P ós -g ra du aç ão em B io ci ên ci a A ni ma l e p el a A gê nc ia Es ta du al do Me io Am bi en te -C PR H; Do ut or em Bi ol og ia An im al pe la UF PE ; M es tr e e m E co lo gi a p el a UF RP E; Es pe ci al iz aç ão em Zo ol og ia pe la UF RP E e Gr ad ua çã o e m C iê nc ia s B io ló gi ca s- Ba ch ar el p el a UF RP E. A tu al me nt e é P es qu is ad or As so ci ad o à Ag ên ci a E st ad ua l d o M ei o Am bi en te -C PR H e ao L ab or at ór io d e Es tu do s He rp et ol óg ic os e P al eo he rp et ol óg ic os d a UF RP E. É m em br o d a e qu ip e e di to ri al do pe ri ód ic o c ie nt íf ic o I nv es ti ga ti vo , d a U ni ve rs id ad de E sp ec ia li da de s E sp ír it u S an to ( UE ES ), E qu ad or . F oi C oo rd en ad or d o M ei o B ió ti co e m Es tu do s A mb ie nt ai s e Co or de na dor do La bo ra tó ri o d e Ec ol og ia e B io di ve rs id ad e n o In st it ut o de Te cn ol og ia de Pe rn am bu co -I TE P. Te m e xp er iê nc ia em Sa úd e P úb li ca (v ig il ân ci a ep id em io ló gi ca de do en ça s e nd êm ic as e ve to re s) no L ab or at óri o Ce nt ra l d e Sa úd e P úb li ca Dr . M il to n B ez er ra S ob ra l ( La ce n- PE ), E co lo gi a d e Ec os si st em as F it ai s, t ri ag em d e m at er ia l bi ol óg ic o e E du ca çã o A mb ie nt al r el ac io na do s a os I nc id en te s c om t ub ar õe s e m Pe rn am bu co no N úc le o d e E du ca çã o A mb ie nt al Pr of . F áb io Ha zi n/ UF RP E e a ti vi dad es d e C on su lt or ia Am bi en ta l, co m p ar ti ci pa çõ es em in ve nt ár io s e mo ni to ra me nt os fa un ís ti co s, be m n a co mp os iç ão e e xe cu çã o de pr og ra ma s a mb ie nt ai s no âm bi to do L ic en ci am en to Am bi en ta l. Es pe ci al is ta em ma mí fe ro s, pr in ci pa lm en te mo rc eg os , r ea li zo u p es qu is as de ca mp o par a co mp os iç ão de tr ab al ho s a ca dê mi co s e d e r el at ór io s d e c on su lt or ia a mb ie nt al no s d om ín io s mo rf oc li má ti co s d a M at a A tl ân ti ca , C aa ti ng a e Cer ra do , b em co mo em Un id ad es de Co ns er va çã o, T er ra s In dí ge na s, a mb ie nt es ur ba no s e ca ve rn as . P ub li co u m ai s de 3 2 tr ab al ho s ci en tí fi co s (a rt ig os , ca pí tu lo s e li vr os ). É a ut or d o li vr o “M or ce go s no E st ad o de Pe rn am bu co : Hi st ór ic o e De sa fi os ” ( CP RH , 20 23 ) e di vu lg ad or ci en tí fi co d o @e co sn ae sc ur id ao . De sd e 20 23 é o C oo rd en ad or do T áx on M am íf er os d a li st a de Es pé ci es Am ea ça da s do e st ad o de P er na mb uc o. S i q u e i r a , J. V . C . J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e S i q u e i r a Li ce nc ia do em Fo rm aç ão do c ur so de Ci ên ci as Bi ol óg ic as pe la U ni ve rs id ad e F ed er al Ru ra l d e Pe rn am bu co – U FR PE . At ua no d ese nv ol vi me nt o de pe sq ui sa s c ie nt íf ic as e p ro je to s d e ex te ns ão ju nt o a o L ab or at ór io de Es tu do s H er pe to ló gi co s e Pa le oh er pe to ló gi co s – LE HP /U FR PE . T em co mo pr in ci pa is á re as de i nt er es se a bi oa cú st ic a, t ax on om ia e e co lo gi a, co m fo co n a co ns er va çã o de a nf íb io s e “ ré pt ei s” a tu ai s do e st ad o d e Pe rn am bu co . In te gr a o Gr up o de E st udo s He rp et ol óg ic os e P al eo he rp et ol óg ic os d o N or de st e – GE HP /C NP q, on de bu sc a co mp re en de r pa dr õe s ec ol óg ic os e asp ec to s co mp or ta me nt ai s ap li ca do s a es tr at ég ia s d e c on se rv aç ão , e sp ec ia lm en te p or me io da de sc ri çã o e e st ud o d a v ar ia bi li da de de ca nt os d e es pé ci es d e an fí bi os a nu ro s. É es ta gi ár io b ol si st a da A gê nc ia E st ad ua l de M ei o Am bi en te – C PR H d o E st ad o d e P er na mb uc o, l ot ad o n a U ni da de d e G eo te cn ol og ia e In ov aç ão da Di re to ri a de Mo ni to ra me nt o A mb ie nt al e In ov aç ão – DM AI . D es en vo lv e pr oj et os de pe sq ui sa , in ov aç ão e ex te ns ão c om fo co n o mo ni to ra me nt o d a bi od iv er si da de d o e st ad o, se nd o ap oi o té cn ic o- ci en tí fi co na co ns tr uç ão das Lis ta s de Esp éc ie s Am ea ça da s de Pe rn am bu co , n a P la ta fo rm a E co ló gi co -E co nô mi ca do E st ad o. Ta mb ém at ua na ex ec uç ão da s aç õe s d o P la no d e A çã o N ac io na l p ar a a C on se rv aç ão d a H er pe to fa un a d o N or de st e d o Br as il - I CM Bi o/ MM A, c om ên fa se no C en tr o d e E nd em is mo d e P er na mb uc o. Ta mb ém é pe sq ui sa do r c ol ab or ad or e m p ro je to s fi na nc ia do s d e pe sq ui sa am bi en ta l de se nv ol vi do s e m pa rc er ia en tr e a CP RH , o C ET EN E e a U FR PE . Fo i b ol si st a d e i ni ci aç ão ci en tí fi ca d a F un da çã o de Am pa ro à C iê nc ia do Es ta do de Pe rn am bu co – F AC EP E ( 20 23 e 2 02 4) , a tu an do na ár ea de mi cr ob io lo gi a a pl ic ad a à h er pe to fa una , c om a ti vi da de s v in cu la da s ao L ab or at ór io d e Mi cr ob io lo gi a A mb ie nt al e A gr íc ol a – LA MA A e ao La bo ra tó ri o d e M ic ro bi ol og ia M ol ec ul ar – LM M, a mb os da U FR PE . Pa rt ic ip a at iv am en te d e co ng re ss os r eg io na is e n ac io na is , e st and o en vo lv id o e m d iv er so s p ro je to s, co m p ro du to s j á p ub li ca do s o u em fa se de ex ec uç ão . A tu ou co mo m on it or da s d is ci pl in as B io lo gi a A ni ma l II I ( Li ce nc ia tu ra ) e Zo ol og ia d os Ve rt eb ra do s (B ac ha re la do ) de sd e 2 02 2 at é o s d ia s at ua is . E m so ma , a tu a c om o co ns ul to r a mb ie nt al e m pr oj et os de EI A- RI MA , P RA D, RA S. Fo i o rg an iz ad or d e tr ês l iv ro s em p ar ce ri a c om a C PR H: Gu ia d e Es pé ci es da M at a do Cu ra do - E sc or pi õe s, An fí bi os , Ré pt ei s e M or ce go s (2 02 4) , Gu ia Il us tr ad o de Es co rp iõ es , An fí bi os , R ép te is e M or ce go s d a Il ha de I ta ma ra cá ( 20 24 ) e Es co rp iõ es , A nf íb io s, Ré pt ei s e M or ce go s d o Mu ni cí pi o d e B on it o (2 02 4) . T am bé m é a ut or de di ve rs os c ap ít ul os d e l iv ro s, t ra ba lh os a pr es en ta do s e m e ve nt os c ie nt íf ic os e a rt ig os pu bl ic ad os e m pe ri ód ic os e sp ec ia li za do s. A u t o r e s Alcina Gabriela Maria Medeiros da Fonsêca Santos Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/4938571253882757 E-mail: [email protected] Instagram: @gabrielammedeiros Edmilson Clarindo de Siqueira Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco-SEE/PE CV Lattes: lattes.cnpq.br/3224834715732708 E-mail: [email protected] Instagram: Alexandre Pereira Dantas Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/9364663283519898 E-mail: [email protected] Instagram: @alexandrepdantas_ Ana Clara Rocha Figuerôa Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/3134973220928263 E-mail: [email protected] Instagram: @anarochaaf André Felipe de Araújo Lira Universidade Nacional Autônoma do México-UNAM CV Lattes: lattes.cnpq.br/2847188027190113 E-mail: [email protected] Instagram: @dr.andre.lira André Otávio da Silva Júnior Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: https://lattes.cnpq.br/3224834715732708 E-mail: [email protected] Instagram: @and.r.e_-Júnior Arthur Felipe Ferreira de Freitas Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE e CPRH CV Lattes: lattes.cnpq.br/2454032040901369 E-mail: [email protected] Instagram: @arthurfelipe_ff Edson Silva Barbosa Leal Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE e CPRH CV Lattes: lattes.cnpq.br/4461474081030549 E-mail: [email protected] Instagram: @ecosnaescuridao Erik Castilho Bussmeyer Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE CV Lattes: lattes.cnpq.br/3134973220928263 E-mail: [email protected] Instagram: Frederico Gustavo Rodrigues França Universidade Federal da Paraíba-UFPB Lattes: http://lattes.cnpq.br/8992160084671089 E-mail: [email protected] Instagram: @fredrodrigues_05 Gabriel Dantas Do Nascimento Universidade de Pernambuco-UPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/2862719353774648 E-mail: [email protected] Instagram: @gabrieldantasbio Gentil Alves Pereira Filho Universidade Estadual da Paraíba-UFPB CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/5394429913122530 Email: [email protected] Instagram: @gentil_filho Arthur Macário Lopes Universidade Estadual do Maranhão-UEMA CV Lattes: lattes.cnpq.br/0178845536422489 E-mail: [email protected] Instagram: @arthurlopes1248 Geraldo Jorge Barbosa de Moura Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE; CPRH; SPRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/1348666346504103 E-mail: [email protected] Instagram: @geraldojbmoura Cândida Juliana Albertin Santos Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE CV Lattes: lattes.cnpq.br/4461474081030549 E-mail: [email protected] Instagram Daniel de Figueiredo Ramalho Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/6394756157382626 E-mail: [email protected] Instagram: @daniel.f.ramalho Daniela Aparecida Savariz Bôlla Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA CV Lattes: lattes.cnpq.br/8727200363640028 E-mail: [email protected] Instagram: @daanielabolla Darciane Maria de Amorim Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE e URCA CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/4272272404080923 E-mail: [email protected] Instagram: @darciamorim_ Giulia de Andrade Lima Bertotti Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: https://lattes.cnpq.br/3298900348425173 E-mail: [email protected] Instagram: @bertottigiu Hellen Kayllane Oliveira Maciel Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/0491049866575411 E-mail: [email protected] Instagram: @hellenmaciel.bio Isabella dos Santos Francisco Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/3410749285882089 E-mail: [email protected] Instagram: @Isabellasantosfr Eder Barbier Universidade Estadual Paulista-UNESP CV Lattes: lattes.cnpq.br/8481945977318390 E-mail: [email protected] Instagram: @ederbarbier Adson Rodrigues de Santana Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/7402092609251849 E-mail: [email protected] Instagram: @adsson_rodrigues João Victor Cunegundes de Siqueira Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE e CPRH CV Lattes: lattes.cnpq.br/9049353057340813 E-mail: [email protected] Instagram: @cunes_herpeto Juliana Pereira Bezerra Universidade Federal de Pernambuco-UFPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/7514354284559684 E-mail: [email protected] Instagram: @juliana_p_bezerra Tayssa Rodrigues de Morais Santos Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/5608646404413728 E-mail: [email protected] Instagram: @biologata Katarina Romênia Pinheiro Nascimento Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE CV Lattes: lattes.cnpq.br/9606948284441977 E-mail: [email protected] Instagram Lara Valesca Mendonça da Costa Santos Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/6095901652697979 E-mail: [email protected] Instagram: @laranjacarnavalesca Laureen Michelle Houllou Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE CV Lattes: lattes.cnpq.br/4938571253882757 E-mail: [email protected] Instagram: @programa_mata_atlantica Leonardo Pessoa Cabus Oitaven Oasis Wildlife; UFRPE CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2615152134693136 E-mail: [email protected] Instagram: @cabuslp Luciana Kelly de Sousa Silva Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/2131902323905396 E-mail: [email protected] Instagram: @Ke_llysousa Thabata Cavalcante Universidade Federal de Pernambuco-UFPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/3154013175921224 E-mail: [email protected] Instagram: @thabatsc / @projetomalhadefogo Thais Caroline da Silva Vieira Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/2699635111085053 E-mail: [email protected] Instagram: @thaissilva_vieira Thayna Rhayane de Brito Almeida Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/0340596593788432 E-mail: [email protected] Instagram: @thayrbrito Thiago Simon Marques Universidade de Sorocaba-UNISO CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/9118448046350993 E-mail: [email protected] Instagram: @thiago.mq Wesley Manoel Silva Santos Universidade Federal de Pernambuco-UFPE CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2246704383690370 E-mail: [email protected] Instagram: @wesleymanoelbio Luis Henrique de Andrade Alves Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/0764156051833447 E-mail: [email protected] Instagram: @_lh.andrade Luís Antonio Bochetti Bassetti TECFAUNA Manejo de Animais Ltda. CV Lattes: lattes.cnpq.br/6995552179778880 E-mail: [email protected] Instagram: @bassettiluis Matheus Leonydas Borba Feitosa Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC CV Lattes: lattes.cnpq.br/5850605619130302 E-mail: [email protected] Instagram: @m.leonydas Moacir Santos Tinoco Universidade Católica do Salvador-UCSAL e UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/0433618384031837 E-mail: [email protected] Instagram: @moacirtinocophd Paulo Lucas de Oliveira Lacerda Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/0170469324900416 E-mail: [email protected] Instagram: @paulolucas.herpeto Robson Antônio de Souza Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE CV Lattes: lattes.cnpq.br/1348666346504103 E-mail: [email protected] Instagram José Ricardo de Oliveira Santos Universidade de Pernambuco-UPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/5069434686181629 E-mail: [email protected] Instagram: @ricardonago Rodrigo Baltar da Silva Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/9203789472483938 E-mail: [email protected] Instagram: @rbaltarbio Reginaldo Fonseca Pereira Neto Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/9203789269364176 E-mail: [email protected] Instagram: @reginaldofpneto Leticia Costa Moura Centro Universitário Frassinetti do Recife-UniFAFIRE CV Lattes: lattes.cnpq.br/9806964250188323 E-mail: [email protected] Instagram: @leeticiacmoura Patrícia Ferreira Tavares Agência Estadual de Maio Ambiente-CPRH CV Lattes: lattes.cnpq.br/4264130041214006 E-mail: [email protected] Instagram: @pferreiratavares José Diogo Cavalcanti Ferreira Instituto Federal de Pernambuco-IFPE CV Lattes: lattes.cnpq.br/5307379836341393 E-mail: [email protected] Instagram: @jdiogocavalcantif D e d i c a m o s e s t a O b r a a o s g e s t o r e s d i r e t o s - U F R P E ( P r o f . D r . V a s c o n c e l o s S o b r i n h o - i n m e m o r i a m , P r o f . D r . S e v e r i n o M e n d e s d e A z e v e d o J ú n i o r , P a u l o M a r t i n s - i n m e m o r i a m e R e i n a l d o d e A r a ú j o S o u z a ) , f u n c i o n á r i o s ( E d n a l d o M a u r í c i o d a S i l v a , E l e n i l d o d e M o u r a C i s n e i r o , I s a e l P l á c i d o d o s S a n t o s , J o s é A m a r o d a S i l v a , J o s é M i l t o n d o N a s c i m e n t o , J o s é P a r t i l i a n o d a S i l v a , J o s é R o b e r t o d o s S a n t o s , J o v e l i n o J o a q u i m d e O l i v e i r a , L u c i e n e M a r t i n s H e r c u l a n o , M a r i a d a C o n c e i ç ã o S i l v a , R a f a e l B e r t o e R e g i n a l d o L a u r i n d o d o N a s c i m e n t o ) e v i g i l a n t e s ( A m a r o J o s é d a S i l v a , C a r l o s Al e x a n d r e de So u z a Ca b r a l , C a r l o s E d u a r d o d a S i l v a , D e n i s C é s a r , E d s o n A l v e s P e r e i r a , F á b i o d a C o n c e i ç ã o d o s S a n t o s , J a i l s o n A s s i s d a S i l v a , J e f e r s o n M a u r í c i o d a S i l v a , J o s é E d r i a n o B r i t o d e L i m a , J o s é S e v e r i n o d e O l i v e i r a , L e o n a r d o D a n i e l d e A g u i a r , M á c i o J o s é S i l v a , M o a c i r d a S i l v a J u n i o r e R o n a l d o L e m o s d e S o u z a ) d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á - U F R P E , p e l o c o m p r o m i s s o , d e d i c a ç ã o e e m p e n h o n a p r e s e r v a ç ã o d e s s e v a l i o s o p a t r i m ô n i o n a t u r a l . O t r a b a l h o i n c a n s á v e l d o s s e n h o r e s e s e n h o r a s n a m a n u t e n ç ã o d e s s e i m p o r t a n t e e s p a ç o f o i e é e s s e n c i a l p a r a a c o n s e r v a ç ã o d a n o s s a b i o d i v e r s i d a d e , a l é m d e s e r u m e x c e l e n t e e s p a ç o d i d á t i c o e u m l a b o r a t ó r i o de pe s q u i s a v i v o pa r a a f o r m a ç ã o de r e c u r s o s h u m a n o s , cu m p r i n d o s e u p a p e l c o m o r e f e r ê n c i a e m p e s q u i s a , e d u c a ç ã o a m b i e n t a l e p r e s e r v a ç ã o d o s r e c u r s o s n a t u r a i s . E s t e r e c o n h e c i m e n t o é u m p e q u e n o g e s t o d i a n t e d a g r a n d i o s i d a d e d o t r a b a l h o q u e v o c ê s r e a l i z a r a m e m u i t o s a i n d a r e a l i z a m d i a r i a m e n t e . Q u e s i g a m o s j u n t o s n a m i s s ã o d e p r o t e g e r e v a l o r i z a r n o s s o m e i o a m b i e n t e . G o s t a r í a m o s d e e x p r e s s a r n o s s a s i n c e r a g r a t i d ã o a t o d o s o s i n t e l e c t u a i s e t é c n i c o s , s e j a m e l e s p r o f i s s i o n a i s o u e s t u d a n t e s , q u e , a o l o n g o d a h i s t ó r i a , d e d i c a r a m s e u t e m p o e c o n h e c i m e n t o à E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , c o n t r i b u i n d o p a r a o e n t e n d i m e n t o s i s t ê m i c o d e s s e l u g a r t ã o e s p e c i a l e e s s e n c i a l p a r a a c i ê n c i a e p a r a a s f u t u r a s g e r a ç õ e s . O t r a b a l h o d e c a d a u m d e v o c ê s é f u n d a m e n t a l p a r a o r e s p e i t o e a p r e s e r v a ç ã o d a b i o d i v e r s i d a d e , o a v a n ç o d a c i ê n c i a e o f o r t a l e c i m e n t o d a e d u c a ç ã o e m s e u s d i f e r e n t e s n í v e i s . P o r m e i o d e s u a s p e s q u i s a s , m o n i t o r a m e n t o s e e s t u d o s , v o c ê s c o l a b o r a m p a r a a c o m p r e e n s ã o e a c o n s e r v a ç ã o d o s e c o s s i s t e m a s , a s s e g u r a n d o q u e e s s e p a t r i m ô n i o n a t u r a l c o n t i n u e s e n d o p r o t e g i d o e v a l o r i z a d o . O c o m p r o m i s s o e a d e d i c a ç ã o d e c a d a u m e d e c a d a u m a f a z e m a d i f e r e n ç a p a r a o f u t u r o d o m e i o a m b i e n t e . N o s s o re c o n h e c i m e n t o e ag r a d e c i m e n t o po r t o d o o es f o r ç o e em p e n h o . Q u e e s s a m i s s ã o c o n t i n u e s e n d o g u i a d a p e l a p a i x ã o p e l a c i ê n c i a e p e l a n a t u r e z a ! A g r a d e c e m o s , a i n d a , à s i n s t â n c i a s f i n a n c i a d o r a s q u e f o r a m e s s e n c i a i s p a r a a p r e p a r a ç ã o e f i n a l i z a ç ã o d e s t a o b r a : a A g ê n c i a E s t a d u a l d o M e i o A m b i e n t e d o E s t a d o d e P e r n a m b u c o ( C P R H ) , a S e c r e t a r i a d e M e i o A m b i e n t e , S u s t e n t a b i l i d a d e e d e F e r n a n d o d e No r o n h a (S E M A S - P E ) , a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l R u r a l d e P e r n a m b u c o ( U F R P E ) , a U s i n a S ã o J o s é , a F u n d a ç ã o d e A m p a r o à C i ê n c i a e T e c n o l o g i a d o E s t a d o d e P e r n a m b u c o ( F A C E P E ) , a o C o n s e l h o N a c i o n a l de D e s e n v o l v i m e n t o C i e n t í f i c o e T e c n o l ó g i c o ( C N P q ) e a C o o r d e n a ç ã o d e A p e r f e i ç o a m e n t o de Pe s s o a l de Ní v e l S u p e r i o r ( C a p e s ) , qu e nã o me d i r a m e s f o r ç o s p a r a c u s t e a r a s a t i v i d a d e s d e c a m p o , l a b o r a t ó r i o , e s c r i t a , d i a g r a m a ç ã o , i m p r e s s ã o e l a n ç a m e n t o d o l i v r o . A g r a d e c e m o s , t a m b é m , ao s p a r e c e r i s t a s ad ho c , q u e de d i c a r a m se u te m p o à le i t u r a s c r i t e r i o s a s d a ob r a , ap o n t a n d o as p e c t o s té c n i c o - c i e n t í f i c o s qu e ne c e s s i t a v a m de ma i o r a p r o f u n d a m e n t o . A g r a d e c e m o s i m e n s a m e n t e a J o s e l m a M a r i a d e F i g u e r o a , a n a l i s t a a m b i e n t a l d a D i r e t o r i a de Bi o d i v e r s i d a d e e U n i d a d e s de Co n s e r v a ç ã o d a Ag ê n c i a Es t a d u a l de M e i o A m b i e n t e - C P R H , p e l o e x c e l e n t e t r a b a l h o a f r e n t e do C o n s e l h o G e s t o r q u e i n c l u i a s U C s q u e c o m p õ e a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á - U F R P E . A G R A D E C I M E N T O S A g r a d e c e m o s f o r t e m e n t e a M a r c o s J o s é L a c e r d a , g e r e n t e d a U n i d a d e d e G e o t e c n o l o g i a e I n o v a ç ã o d a D i r e t o r i a d e M o n i t o r a m e n t o e I n o v a ç ã o d a Ag ê n c i a E s t a d u a l d e M e i o A m b i e n t e - C P R H p e l a e l a b o r a ç ã o d o s d e t a l h a d o s m a p a s g e o r e f e r e n c i a d o s . A o s p e s q u i s a d o r e s : A n a C l a r a R o c h a F i g u e r ô a , A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s , C a r l o s J a r e d , E d e r S i l v a B a r b i e r , E d s o n S i l v a B a r b o s a L e a l , D e o c l é c i o Q . G u e r r a , F á b i o  n g e l o d e M e l l o S o a r e s , G e r a l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a , G e n t i l A l v e s P e r e i r a F i l h o , G u i l h e r m e S i n i c i a t o T e r r a G a r b i n o , I n á c i o d e O l i v e i r a N e g r o m o n t e , I s a b e l l a d o s S a n t o s F r a n c i s c o , J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e S i q u e i r a , J o s é G u s t a v o d e M e l o S a n t o s , L a u r e e n M i c h e l l e H o u l l o u , L u c a s B o t e l h o , L u í s A n t o n i o B o c h e t t i B a s s e t t i , L u i s G u s t a v o B e t a n i n , L u i s H e n r i q u e d e A n d r a d e A l v e s , M a r c o A n t ô n i o d e F r e i t a s , M i r i a m H a y a s h i , M a t h e u s L e o n y d a s B o r b a F e i t o s a , M o a c i r S a n t o s T i n o c o , N a t h a l i a L o u z a d a , P a u l o B a r r o s P a s s o s F i l h o , T h i a g o C o s t a G o n ç a l v e s P o r t e l i n h a , R a m o n C a v a l c a n t i , R i c a r d o B r a v o , R o b s o n W a l d e m a r Á v i l a , R o d r i g o B a l t a r d a S i l v a , S i l v i o C a s t i l l o , T h a b a t a C a v a l c a n t e , T h a i s C a r o l i n e d a S i l v a V i e i r a , W e s l e y M a n o e l e W i l l i a n i l s o n P e s s o a d a S i l v a , q u e , g e n t i l m e n t e e s e m c u s t o s , f o r n e c e r a m s u a s f o t o g r a f i a s p a r a i l u s t r a r o s o b j e t o s d e e s t u d o q u e c o m p õ e e s t a o b r a , p e r m i t i n d o c o m m a e s t r i a u m a v i s i t a à E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , a t r a v é s d a e x p e r i ê n c i a s e n s í v e l q u e é f o l i a r e s t e l i v r o b r i l h a n t e m e n t e i l u s t r a d o . A o C o n s e l h o N a c i o n a l d e D e s e n v o l v i m e n t o C i e n t í f i c o e T e c n o l ó g i c o ( C N P q ) , p e l a B o l s a d e P r o d u t i v i d a d e e m P e s q u i s a ( 1 D ) c o n c e d i d a a o e d i t o r / a u t o r M o u r a , G . J . B . C o m g r a t i d ã o , O s O r g a n i z a d o r e s / E d i t o r e s Geraldo Jorge Barbosa de Moura Arthur Felipe Ferreira de Freitas João Victor Cunegundes de Siqueira Edson Silva Barbosa Leal P R E F Á C I O S Ana Luiza Ferreira Secretária Estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha/Governo de Pernambuco A E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , l o c a l i z a d a n o c o r a ç ã o d e P e r n a m b u c o , r e p r e s e n t a u m d o s ú l t i m o s r e f ú g i o s d e b i o d i v e r s i d a d e d a M a t a A t l â n t i c a n o r d e s t i n a . E s s e r e m a n e s c e n t e f l o r e s t a l a s s u m e u m p a p e l e s t r a t é g i c o n a c o n s e r v a ç ã o d e e s p é c i e s , n a m a n u t e n ç ã o d o s s e r v i ç o s e c o s s i s t ê m i c o s e n a p r o m o ç ã o d a p e s q u i s a c i e n t í f i c a . E s t e l i v r o " E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á : E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a " é f r u t o d e u m e s f o r ç o c o l e t i v o d e p e s s o a s c o m p r o m e t i d a s c o m a c i ê n c i a e a c o n s e r v a ç ã o d a n a t u r e z a . A o r e u n i r i n f o r m a ç õ e s d e t a l h a d a s s o b r e e s t e s g r u p o s f a u n í s t i c o s i n d i c a d o r e s i n t e r n a c i o n a i s d e q u a l i d a d e a m b i e n t a l , a o b r a p r e e n c h e u m a l a c u n a i m p o r t a n t e n o c o n h e c i m e n t o d a b i o d i v e r s i d a d e l o c a l . M a i s d o q u e u m a c a t a l o g a ç ã o d e e s p é c i e s , o t r a b a l h o a p r e s e n t a d o a q u i s e d e b r u ç a s o b r e u m a v a s t a r e v i s ã o q u e v e r s a s o b r e o s a s p e c t o s e c o l ó g i c o s , c o m p o r t a m e n t a i s e c o n s e r v a c i o n i s t a s , o f e r e c e n d o u m a v i s ã o i n t e g r a d a d a f a u n a q u e h a b i t a a s U C s q u e c o m p õ e m a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á . E u d i r i a q u e , a l é m d o v a l o r c i e n t í f i c o , e s t a o b r a t a m b é m c u m p r e u m i m p o r t a n t e p a p e l e d u c a t i v o . E s p e r a - s e q u e e l a i n s p i r e n o v a s g e r a ç õ e s d e e s t u d a n t e s a v a l o r i z a r e p r o t e g e r a r i c a — e p o r v e z e s i n v i s í v e l — d i v e r s i d a d e d a s á r e a s p r o t e g i d a s d o B r a s i l . Q u e e s t e l i v r o s e j a , p o r t a n t o , u m c o n v i t e a o c o n h e c i m e n t o , à r e f l e x ã o e à a ç ã o e m d e f e s a d a v i d a s e l v a g e m q u e , s i l e n c i o s a m e n t e , s u s t e n t a o s e c o s s i s t e m a s d o s q u a i s t a m b é m f a z e m o s p a r t e . E s p e r o q u e e s s e l i v r o s i r v a d e i n s p i r a ç ã o p a r a q u e o s e s p e c i a l i s t a s s e s i n t a m m o t i v a d o s a c o n s t r u i r e m o u t r a s o b r a s s o b r e a s d e m a i s U c s d o n o s s o e s t a d o , á r e a s q u e p r e c i s a m s e m p r e s e r e m m e l h o r c o n h e c i d a s . E e s s e c o n h e c i m e n t o p e r m i t i r á u m a g e s t ã o m a i s e f i c i e n t e p a r a a c o n s e r v a ç ã o e f e t i v a d a s u a b i o d i v e r s i d a d e . José de Anchieta dos Santos Presidente da Agência Estadual de Meio Ambiente CPRH/Governo de Pernambuco A c o n s e r v a ç ã o d a b i o d i v e r s i d a d e é u m d o s p i l a r e s f u n d a m e n t a i s d a s p o l í t i c a s p ú b l i c a s a m b i e n t a i s e m n o s s o e s t a d o , e s p e c i a l m e n t e e m t e m p o s d e c r e s c e n t e s d e s a f i o s e c o l ó g i c o s . A o b r a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á : E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a s u r g e c o m o u m m a r c o r e l e v a n t e n e s s e c o n t e x t o , a o r e u n i r c o n h e c i m e n t o t é c n i c o - c i e n t í f i c o e s s e n c i a l p a r a s u b s i d i a r a ç õ e s d e g e s t ã o e c o n s e r v a ç ã o d a f a u n a s i l v e s t r e e m a l g u m a s d a s m a i s i m p o r t a n t e s U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o d e P e r n a m b u c o . O l i v r o a p r e s e n t a u m p a n o r a m a d e t a l h a d o d a d i v e r s i d a d e d e p l a n t a s e g r u p o s a n i m a i s i n d i c a d o r e s d e q u a l i d a d e a m b i e n t a l p r e s e n t e s n a s U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , d e m o n s t r a n d o a r i q u e z a e c o l ó g i c a d a á r e a e s e u p a p e l e s t r a t é g i c o p a r a a p r o t e ç ã o d o s e c o s s i s t e m a s d a Z o n a d a M a t a d o e s t a d o . A o r e u n i r d a d o s d e c a m p o , a n á l i s e s e r e g i s t r o s i n é d i t o s , a p u b l i c a ç ã o o f e r e c e u m a b a s e r o b u s t a p a r a o p l a n e j a m e n t o e a p r i m o r a m e n t o d a s p o l í t i c a s p ú b l i c a s d e g e s t ã o d a b i o d i v e r s i d a d e e m e s c a l a l o c a l e r e g i o n a l . P a r a a S e c r e t a r i a d e M e i o A m b i e n t e , S u s t e n t a b i l i d a d e e d e F e r n a n d o d e N o r o n h a ( S E M A S ) , i n i c i a t i v a s c o m o e s t a f o r t a l e c e m o c o m p r o m i s s o i n s t i t u c i o n a l c o m a p r o t e ç ã o d o p a t r i m ô n i o n a t u r a l , i n t e g r a n d o c i ê n c i a , e d u c a ç ã o a m b i e n t a l e g o v e r n a n ç a . E s t e t r a b a l h o c o n t r i b u i d i r e t a m e n t e p a r a a i m p l e m e n t a ç ã o d e a ç õ e s m a i s e f i c i e n t e s d e m a n e j o , m o n i t o r a m e n t o e c o n s e r v a ç ã o d a f a u n a , a l é m d e f o m e n t a r a v a l o r i z a ç ã o d a s U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o c o m o e s p a ç o s v i v o s d e p e s q u i s a e p r e s e r v a ç ã o . E s t e l i v r o é u m e x e m p l o c o n c r e t o d e c o m o o c o n h e c i m e n t o c i e n t í f i c o p o d e e d e v e s e r u t i l i z a d o c o m o f e r r a m e n t a d e g e s t ã o p ú b l i c a a m b i e n t a l e r e p r e s e n t a o i n í c i o d e u m a d a s a ç õ e s ( C o n s t r u ç ã o d e L i v r o s T é c n i c o - C i e n t i f i c o s o b r e c a d a u m a d a s U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o d o E s t a d o d e P e r n a m b u c o ) d o n o s s o " P r o g r a m a d e C o n s e r v a ç ã o d a B i o d i v e r s i d a d e : C r i a ç ã o , I m p l a n t a ç ã o e G e s t ã o d e U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o d o E s t a d o d e P e r n a m b u c o " , i d e a l i z a d o e g e r i d o p e l a S E M A S e C P R H ( G o v e r n o d o E s t a d o ) . P a r a b e n i z a m o s a o s a u t o r e s e g e s t o r e s e n v o l v i d o s p o r s u a d e d i c a ç ã o e c o n t r i b u i ç ã o à c a u s a a m b i e n t a l , e e s p e r a m o s q u e e s t a o b r a i n s p i r e o u t r a s i n i c i a t i v a s s e m e l h a n t e s e m p r o l d a b i o d i v e r s i d a d e d e P e r n a m b u c o e d o B r a s i l . Profa. Dra. Maria José de Sena R e i t o r a d a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l R u r a l d e P e r n a m b u c o P R E F Á C I O S A U n i v e r s i d a d e F e d e r a l R u r a l d e P e r n a m b u c o ( U F R P E ) , a o l o n g o d e s u a t r a j e t ó r i a c e n t e n á r i a , t e m s e c o n s o l i d a d o c o m o u m a i n s t i t u i ç ã o d e r e f e r ê n c i a n o e n s i n o , n a p e s q u i s a e n a e x t e n s ã o . N o c o n t e x t o d o s d e s a f i o s c o n t e m p o r â n e o s r e l a c i o n a d o s à c r i s e a m b i e n t a l e à p e r d a d a b i o d i v e r s i d a d e , r e a f i r m a m o s d i a r i a m e n t e n o s s o c o m p r o m i s s o c o m o d e s e n v o l v i m e n t o s u s t e n t á v e l , a p r o d u ç ã o d e c o n h e c i m e n t o c i e n t í f i c o e a f o r m a ç ã o d e c i d a d ã o s e c i d a d ã s c o n s c i e n t e s d e s e u p a p e l n a c o n s t r u ç ã o d e u m f u t u r o m a i s e q u i l i b r a d o e j u s t o . A E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á r e p r e s e n t a u m s í m b o l o v i v o d e s s e c o m p r o m i s s o . E s s a á r e a p r o t e g i d a c u m p r e u m a f u n ç ã o e s s e n c i a l c o m o e s p a ç o d e p r e s e r v a ç ã o d a b i o d i v e r s i d a d e , d e p e s q u i s a c i e n t í f i c a e d e e d u c a ç ã o a m b i e n t a l . A o l o n g o d o s a n o s , a E s t a ç ã o t e m s e t r a n s f o r m a d o e m u m v e r d a d e i r o l a b o r a t ó r i o a c é u a b e r t o , o n d e d i v e r s a s g e r a ç õ e s d e p e s q u i s a d o r e s ( a s ) e e s t u d a n t e s d a U F R P E t ê m c o n t r i b u í d o p a r a o a p r o f u n d a m e n t o d o c o n h e c i m e n t o . É c o m g r a n d e s a t i s f a ç ã o q u e a p r e s e n t o e s t a o b r a , E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á : E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a , u m t r a b a l h o q u e s i n t e t i z a o e s f o r ç o d e e q u i p e s m u l t i d i s c i p l i n a r e s e m i n v e s t i g a r , c a t a l o g a r e c o m p r e e n d e r a d i v e r s i d a d e b i o l ó g i c a d e s s a U n i d a d e d e C o n s e r v a ç ã o . A l é m d e s e u v a l o r c i e n t í f i c o , a o b r a c a r r e g a c o n s i g o a i m p o r t â n c i a d a f o r m a ç ã o a c a d ê m i c a . E l a é f r u t o d o e n v o l v i m e n t o d i r e t o d e d o c e n t e s , t é c n i c o s ( a s ) , e s t u d a n t e s d e g r a d u a ç ã o e p ó s - g r a d u a ç ã o , m o s t r a n d o o q u a n t o a u n i v e r s i d a d e p ú b l i c a b r a s i l e i r a é c a p a z d e g e r a r c o n h e c i m e n t o q u a l i f i c a d o m e s m o e m m e i o a a d v e r s i d a d e s . T a m b é m r e p r e s e n t a u m a c o n t r i b u i ç ã o s i g n i f i c a t i v a p a r a a c o n s o l i d a ç ã o d e p o l í t i c a s p ú b l i c a s d e c o n s e r v a ç ã o d a b i o d i v e r s i d a d e , a o f o r n e c e r d a d o s q u e p o d e m s u b s i d i a r a ç õ e s d e g e s t ã o a m b i e n t a l b a s e a d a s e m e v i d ê n c i a s . A l e i t u r a d e s t e l i v r o n o s c o n v i d a a e n x e r g a r c o m m a i s s e n s i b i l i d a d e e r e s p e i t o a r i q u e z a b i o l ó g i c a q u e a i n d a r e s i s t e e m f r a g m e n t o s c o m o o d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á . É t a m b é m u m c h a m a d o à a ç ã o : p a r a q u e v a l o r i z e m o s , p r o t e g e m o s e f a ç a m o s d a c i ê n c i a u m a a l i a d a n o e n f r e n t a m e n t o d a s u r g ê n c i a s a m b i e n t a i s d o n o s s o t e m p o . C o m o R e i t o r a d a U F R P E , i n s t i t u i ç ã o q u e f a z a g e s t ã o d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , t e n h o o r g u l h o d e t e s t e m u n h a r o r e s u l t a d o d e s s e t r a b a l h o , q u e r e f o r ç a o p a p e l d a u n i v e r s i d a d e c o m o g u a r d i ã d o c o n h e c i m e n t o , d a n a t u r e z a e d a e s p e r a n ç a . Q u e e s t a p u b l i c a ç ã o i n s p i r e n o v o s e s t u d o s , p a r c e r i a s e p o l í t i c a s e m f a v o r d a v i d a e m t o d a s a s s u a s f o r m a s . Edson Victor Euclides de Andrade Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA A E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á é u m s a n t u á r i o d e b i o d i v e r s i d a d e q u e a b r i g a u m a e x p r e s s i v a v a r i e d a d e d e e s p é c i e s d a f a u n a b r a s i l e i r a , m u i t a s d a s q u a i s a i n d a p o u c o c o n h e c i d a s p e l a c i ê n c i a . A p r e s e n t e o b r a — E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á : E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a — r e p r e s e n t a u m a c o n t r i b u i ç ã o i n e s t i m á v e l p a r a o c o n h e c i m e n t o e a c o n s e r v a ç ã o d a r i q u e z a b i o l ó g i c a d a s U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o q u e f o r m a m a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , r e a f i r m a n d o a i m p o r t â n c i a d a s á r e a s p r o t e g i d a s c o m o p i l a r e s d a n o s s a e s t r a t é g i a d e p r e s e r v a ç ã o a m b i e n t a l . O l e v a n t a m e n t o d e t a l h a d o d a s e s p é c i e s d e e s c o r p i õ e s , a n f í b i o s , r é p t e i s e m o r c e g o s a p r e s e n t a d o n e s t e l i v r o n ã o a p e n a s e n r i q u e c e o a c e r v o c i e n t í f i c o n a c i o n a l , m a s t a m b é m f o r t a l e c e o s f u n d a m e n t o s p a r a p o l í t i c a s p ú b l i c a s v o l t a d a s à p r o t e ç ã o d o s e c o s s i s t e m a s . A o r e u n i r d a d o s t é c n i c o s , o b s e r v a ç õ e s d e c a m p o e r e f l e x õ e s s o b r e a d i v e r s i d a d e e o p a p e l e c o l ó g i c o d e s s e s g r u p o s f a u n í s t i c o s , a o b r a a m p l i a n o s s a c o m p r e e n s ã o s o b r e o s s e r v i ç o s e c o s s i s t ê m i c o s q u e a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á p r e s t a à s o c i e d a d e . C o m o a n a l i s t a a m b i e n t a l d o I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d o M e i o A m b i e n t e e d o s R e c u r s o s N a t u r a i s R e n o v á v e i s ( I B A M A ) , r e c o n h e ç o o v a l o r e s t r a t é g i c o d e i n i c i a t i v a s c o m o e s t a , q u e a p r o x i m a m a c i ê n c i a d a g e s t ã o a m b i e n t a l e d a e d u c a ç ã o . O c o n h e c i m e n t o a q u i r e u n i d o s u b s i d i a a ç õ e s d e m o n i t o r a m e n t o , m a n e j o e p r e s e r v a ç ã o , a l é m d e s e n s i b i l i z a r a s o c i e d a d e s o b r e a i m p o r t â n c i a d e p r o t e g e r a v i d a s i l v e s t r e e m t o d a s a s s u a s f o r m a s . P r o t e g e r a b i o d i v e r s i d a d e n ã o é a p e n a s u m d e v e r l e g a l o u c i e n t í f i c o — é u m c o m p r o m i s s o é t i c o c o m a s f u t u r a s g e r a ç õ e s . Q u e e s t e l i v r o i n s p i r e n o v o s e s t u d o s , f o r t a l e ç a a c o n s c i ê n c i a a m b i e n t a l e s i r v a c o m o r e f e r ê n c i a p a r a t o d o s a q u e l e s q u e , c o m o n ó s , s e d e d i c a m à m i s s ã o d e c o n s e r v a r o p a t r i m ô n i o n a t u r a l d o B r a s i l . É c o m g r a n d e e n t u s i a s m o q u e a p r e s e n t a m o s a o b r a : “ E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á - E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a ” , u m e s t u d o r e f e r e n c i a d o , p r o f u n d o e d e t a l h a d o d e a l g u m a s d a s f a s c i n a n t e s e d i v e r s a s e s p é c i e s q u e h a b i t a m e s s a s i m p o r t a n t e s u n i d a d e s d e c o n s e r v a ç ã o n o B r a s i l . A p u b l i c a ç ã o d e s t e l i v r o c o r r e s p o n d e a o s t a r t d e u m a d a s a ç õ e s d o " P r o g r a m a d e C o n s e r v a ç ã o da B i o d i v e r s i d a d e : C r i a ç ã o , I m p l a n t a ç ã o e G e s t ã o d e U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o d o E s t a d o d e P e r n a m b u c o " , p r o g r a m a d o G o v e r n o d o E s t a d o , e s t r u t u r a d o p e l a S E M A S e C P R H . E s t a ob r a e s t á o r g a n i z a d a em d o z e c a p í t u l o s , o f e r e c e n d o um a v i s ã o a b r a n g e n t e so b r e a b i o d i v e r s i d a d e d a Es t a ç ã o E c o l ó g i c a d o Ta p a c u r á , d e s t a c a n d o a im p o r t â n c i a da f a u n a d e e s c o r p i õ e s , a n f í b i o s , “ r é p t e i s ” e m o r c e g o s p r e s e n t e s n a r e g i ã o . E s t e s gr u p o s b i o l ó g i c o s s e d e s t a c a m n a c i o n a l m e n t e e i n t e r n a c i o n a l m e n t e p o r s e r e m c o n s i d e r a d o s e x c e l e n t e s b i o i n d i c a d o r e s d e q u a l i d a d e a m b i e n t a l e d e s c r i t o r e s d a c o m p l e x i d a d e d o s a m b i e n t e s n a t u r a i s . A o b r a p r o p o r c i o n a u m a l e i t u r a f l u i d a e i n f o r m a t i v a p a r a p e s q u i s a d o r e s , e s t u d a n t e s e d e m a i s i n t e r e s s a d o s e m b i o l o g i a , e c o l o g i a e c o n s e r v a ç ã o a m b i e n t a l , s e j a m o s l e i t o r e s e s p e c i a l i s t a s o u c u r i o s o s n o s a s s u n t o s , t o d o s t e r ã o c o n d i ç õ e s d e a c o m p a n h a r a t e x t u a l i d a d e d o s t e m a s . E m s e u s c a p í t u l o s , o l i v r o a p r e s e n t a : A P R E S E N T A Ç Ã O R e f ú g i o d e u m a p a r c e l a i m p o r t a n t e d a b i o d i v e r s i d a d e n a c i o n a l e s u a h i s t ó r i a O primeiro capítulo estabelece a base para o entendimento da história e da importância da Estação Ecológica do Tapacurá no contexto ambiental de Áreas Chaves para conservação da Biodiversidade (KBAs - Key Biodiversity Areas). As Unidades de Conservação (UCs) são fundamentais para a preservação da biodiversidade e a Estação Ecológica do Tapacurá, em particular, é um exemplo vital de manejo e preservação de ecossistemas. O capítulo explora o papel das UCs no fornecimento de serviços ecossistêmicos essenciais, como a purificação da água, a regulação climática e o fornecimento de habitats para inúmeras espécies, muitas das quais são endêmicas ou ameaçadas de extinção. O capítulo também aborda as políticas públicas e os desafios enfrentados pelas UCs no Brasil, como o financiamento, a gestão e a educação ambiental, sendo um pano de fundo para o estudo das faunas presentes na estação. Foto: Silva, R. B. G r a d i e n t e b o r d a - c e n t r o e e s t a c i o n a l i d a d e s o b r e p a r â m e t r o s a b i ó t i c o s , h e t e r o g e n e i d a d e a m b i e n t a l , f l o r í s t i c o s e e s t r u t u r a i s d a f l o r e s t a O ecossistema da Estação Ecológica do Tapacurá é caracterizado por uma vegetação predominantemente florestal, com diferentes tipos de ambientes, como áreas de mata ciliar, florestas de terra firme e áreas alagadas. Este capítulo detalha as características geográficas, climáticas e ecológicas (variação dos parâmetros abióticos, microclimáticos e estruturais da floresta em relação à estacionalidade e o gradiente borda-centro), descritores ambientais e da região. As florestas da estação desempenham um papel crucial na sustentação das populações de fauna descritas nos capítulos subsequentes, oferecendo abrigo e alimento. A diversidade florística também influencia diretamente as comunidades de animais, que se adaptam de diferentes maneiras a esse ambiente. A vegetação da estação, com suas variações de microclimas, proporciona condições ideais p a r a v á r i a s espécies de escorpiões, anfíbios, “répteis” e m o r c e g o s . Foto: Moura, G. J. B. Os anfíbios anuros Os anuros (sapos, rãs, pererecas e gias) são animais essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas, funcionando como predadores de insetos e presas para outros animais. Este capítulo explora a diversidade de anuros na Estação Ecológica do Tapacurá, com ênfase nas adaptações fisiológicas e comportamentais que essas espécies desenvolveram para sobreviver em ambientes florestais e aquáticos. São abordados aspectos da sistemática, história natural, como reprodução, como o canto de acasalamento, parasitos, além da relação com a vegetação local. O impacto das mudanças climáticas sobre a reprodução e a distribuição dessas espécies também são discutidos, considerando a vulnerabilidade dos anuros a alterações no ambiente. Os anfíbios gimnophionas Menos conhecidos do grande público, as gimnophionas, ou cobras-cegas, são um grupo de anfíbios subterrâneos que habitam o solo da floresta. Este capítulo fornece uma visão detalhada sobre a morfologia peculiar desses animais, com suas adaptações ao ambiente subterrâneo, como corpos alongados, cegueira e a presença de tentáculos sensoriais. A alimentação, a reprodução e o comportamento de escavação desses animais também são discutidos, assim como, a sua importância no controle de invertebrados no solo e na reciclagem de matéria orgânica. Os cágados da Estação Ecológica do Tapacurá são os objetos deste capítulo que explora as diversas espécies da região. A biologia dessas espécies é analisada, com ênfase na longevidade, estratégias de reprodução e dieta. Os quelônios têm um papel crucial na manutenção dos ecossistemas aquáticos, ajudando na dispersão de sementes e conectando as cadeias alimentares aquáticas e terrestres. O capítulo também trata das ameaças que essas espécies enfrentam, como a degradação de habitats e a caça ilegal, e das medidas de conservação que podem ser adotadas para garantir sua sobrevivência. Os testudines Os escorpiões Este capítulo dedica-se a uma análise detalhada dos escorpiões presentes na Estação Ecológica do Tapacurá. Apesar de sua importância médica, por ser um animal peçonhento, os escorpiões exercem função ecológica essencial na cadeia trófica, atuando como predadores e regulador de invertebrados e pequenos vertebrados. O capítulo aborda a morfologia e a fisiologia dos escorpiões, incluindo aspectos ecológicos e sistemáticos. A fauna de escorpiões da estação é rica, com espécies que se adaptam aos diferentes microhabitats da região. Além disso, o capítulo discute os comportamentos desses animais, como a territorialidade e a interação com outras espécies de predadores e presas. A importância da pesquisa sobre escorpiões também é destacada, considerando o potencial de estudos sobre o veneno desses animais no que se refere a envenenamentos e para o desenvolvimento de novos medicamentos. Ananteris mauryi Lourenço, 1982 Foto: Feitosa, M. L. B. Boana raniceps (Cope, 1862) Foto: Silva, W. P. Siphonops annulatus (Mikan, 1822) Foto: Freitas, M. A. Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766) Foto: Freitas, M. A. A diversidade de espécies de lagartos apresentada neste livro revela um pouco da complexidade ecológica da Estação Ecológica do Tapacurá. Este capítulo destaca o status de conservação, morfologia e os nichos ecológicos ocupados por esses animais, bem como sua variedade morfológica e fisiológica para ocupar diferentes microhabitats. Além disso, são discutidos aspectos de suas histórias naturais (ecologia trófica, padrões conhecidos de reprodução, comportamento), além dos ecto e endoparasitos associados as espécies e possíveis zoonoses. Destacamos que são relatados possíveis usos dos animais pelos humanos e as ameaças atuas que podem colocar as populações dos lagartos aqui descritos em alguma categoria de ameaça, seja na escala internacional, nacional e estadual, com dest a q u e p a r a o estado de Pernambuco. Os lagartos As anfisbenas Os anfisbaenídeos, conhecidos como cobras-cegas ou cobras-de-duas-cabeças (embora não sejam nem cobras, nem completamente cegas e muito menos tenha duas cabeças), são “répteis” que vivem predominantemente sob o solo. Este capítulo analisa as espécies de anfisbaenídeos presentes na estação ecológica, com foco nas suas adaptações para vida subterrânea, como corpos cilíndricos e a ausência de membros. A importância ecológica desses “répteis”, especialmente no controle de insetos do solo, é explorada. O capítulo também trata das dificuldades para estudar esses animais, devido ao seu estilo de vida subterrâneo, e as metodologias utilizadas para o monitoramento da fauna subterrânea, assim como apresenta um dossiê sobre as espécies registradas. As serpentes A fauna serpentes da Estação Ecológica do Tapacurá é rica e variada, com espécies que desempenham papéis ecológicos fundamentais, desde o controle de roedores até a manutenção do equilíbrio entre as populações de outras presas. Este capítulo detalha as diversas espécies de cobras encontradas na região, suas estratégias de caça, defesa e reprodução. O capítulo também aborda aspectos morfológicos, parasitários, a importância das serpentes no controle biológico e os riscos para a saúde humana, reforçando a importância de respeitar e proteger esses animais, além dos possíveis usos e aspectos culturais relacionados ao grupo das serpentes. Os crocodilianos A diversidade de crocodilianos na Estação Ecológica do Tapacurá é menos expressiva, ocorrem apenas duas espécies, mas suas populações são extremamente importantes para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Este capítulo oferece uma análise da biologia dos crocodilianos, como seus padrões anatômicos, distribuição, história natural e aspectos parasitológicos e de saúde. Além disso, o capítulo explora o uso dessas espécies pelas comunidades humanas e as ameaças que podem comprometer localmente as populações dessas espécies. Boa constrictor Linnaeus 1758 Foto : Francisco, I. S. Paleosuchus palpebrosus (Cuvier, 1807) Foto : Basseti, L. A. B. Amphisbaena alba Linnaeus 1758 Foto : Silva, W. P. Iguana iguana (Linnaeus, 1758) Foto : Silva, W. P. E s t e l i v r o n ã o s ó d o c u m e n t a a r i c a f a u n a d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , m a s t a m b é m c o n t r i b u i p a r a o c o n h e c i m e n t o c i e n t í f i c o s o b r e a s e s p é c i e s d a r e g i ã o , s e n d o u m a f e r r a m e n t a v a l i o s a p a r a p e s q u i s a d o r e s , c o n s e r v a c i o n i s t a s e p r o f i s s i o n a i s d a á r e a a m b i e n t a l . C a d a c a p í t u l o é e n r i q u e c i d o c o m d a d o s t é c n i c o s a t u a l i z a d o s , i n f o r m a ç õ e s s o b r e c o n s e r v a ç ã o , i m a g e n s e r e f e r ê n c i a s p a r a o s i n t e r e s s a d o s e m a p r o f u n d a r s e u s e s t u d o s s o b r e a f a u n a d e e s c o r p i õ e s , a n f í b i o s , “ r é p t e i s ” e m o r c e g o s . E s t a o b r a t a m b é m a p r e s e n t a u m c a p í t u l o d i g i t a l i n t i t u l a d o P r o p o s t a s P s i c o p e d a g ó g i c a s p a r a u s o d o l i v r o “ E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á - E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a ” q u e c o r r e s p o n d e a a l t e r n a t i v a s d e p r o p o s t a s p e d a g ó g i c a s r e f e r e n t e a a p l i c a ç ã o do s c o n t e ú d o s a b o r d a d o s n e s t e l i v r o , d e f o r m a a d a p t a d a a o s d i f e r e n t e s n í v e i s d e d e s e n v o l v i m e n t o c o g n i t i v o e e m o c i o n a l d o s e s t u d a n t e s , a b r a n g e n d o o s d i v e r s o s n í v e i s d e e n s i n o : I n f a n t i l , F u n d a m e n t a l I e I I , M é d i o e S u p e r i o r . P o r m e i o d e s t a o b r a , e s p e r a - s e n ã o a p e n a s a m p l i a r o c o n h e c i m e n t o s o b r e a b i o d i v e r s i d a d e l o c a l , m a s t a m b é m s e n s i b i l i z a r o l e i t o r q u a n t o a im p o r t â n c i a d a p r e s e r v a ç ã o d e s s a s e s p é c i e s e s e u s h a b i t a t s , f u n d a m e n t a i s p a r a a m a n u t e n ç ã o d a s a ú d e a m b i e n t a l e o e q u i l í b r i o e c o l ó g i c o . Os morcegos são essenciais para a manutenção da biodiversidade da Estação Ecológica do Tapacurá, com algumas espécies se destacando pela polinização, dispersão de sementes e controle de insetos. Este capítulo examina a diversidade de morcegos da região, abordando suas morfologias, distribuição, estratégias alimentares (insetívoros, frugívoros, nectarívoros), aspectos reprodutivos, seu comportamento social e possíveis relações parasitárias e de saúde. O papel ecológico dos morcegos é explorado em detalhes, destacando sua importância para a agricultura e a saúde pública. Destacamos que são relatados possíveis usos dos morcegos pelos humanos e as ameaças atuais que podem colocar as populações desses animais aqui descritos em alguma categoria de ameaça, seja na escala internacional, nacional e estadual, com destaque para o estado de Pernambuco, a exemplo da perda de habitat, poluição dos ambientes naturais e doenças como a raiva. Os morcegos Sturnira lilium (É. Geoffroy, 1810) Foto: Fenton, B. e Fenton, S. D r . G e r a l d o J o r g e B a rb o s a d e M o u r a Organizador ESTUDADA PELO ESTUDADA PELO ESTUDADA PELO PRODUTOR DE TOXINAS INTERESSE ZOONÓTICO ESPÉCIE EXÓTICA E x t i n t o E x t i n t o n a n a t u r e z a C r i t i c a m e n t e e m p e r i g o E m p e r i g o V u l n e r á v e l Q u a s e a m e a ç a d a M e n o s p r e o c u p a n t e D a d o s i n s u f i c i e n t e s N ã o a v a l i a d a 1 4 CHP-LEHP/UFRPE 5 Legenda. Estes selos indicam que a espécie é estudada e monitorada pelo Laboratório de Estudos Herpetológicos e Paleoherpetológicos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (LEHP/UFRPE), por seus diferenstes núcleos de pesquisa: 1. Núcleo de Pesquisa em Anfíbios e Répteis; 2. Núcleo de Pesquisa em Aracnídeos; e 3 . Núcleo de Pesquisa em Quirópteros. G u i a d e u s o Legenda. Ca t eg or ia s d e c la ss i fi ca çã o d as es pé ci e s qu a nt o a o ri sc o d e e xt in ç ão g lo b al s e gu nd o a U ni ã o In t er na ci o na l pa ra Co ns e rv aç ã o da N a tu re z a (I UC N ), a s q ua i s ta mb é m sã o a do ta d as n a s es f er as n a ci on a l - BR e es t ad ua l - P E. S e l o s I n d i c a d o r e s C a t e g o r i a s d e A m e a ç a s Legenda. Estes selos indicam: 1. Espécies que oferecem risco à saúde humana e/ou veterinária de forma referenciada, por serem venenosas ou peçonhentas; 2 . Interesse Zoonótico, quando o animal pode abrigar e transmitir patógenos aos seres humanos; 3. Espécie Exótica, refere-se aos animais que ocupam regiões fora da sua área de distribuição natural; 4 . Espécie com registros ( voucher ) na Coleção Científica Herpetológica e Paleoherpetológica do Laboratório de Estudos Herpetológicos e Paleoherpetológicos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (Acrônimo: CHP-LEHP/UFRPE ) e 5. Espécie contemplada pelo Plano de Ação Nacional para Conservação da Herpetofauna do Nordeste. 2 3 1 2 3 PAN HERPETO NE L e g e n d a . A . M a p a d a E s t a ç ã o Ec o l ó g i c a d o T a p a c u r á , S ã o L o u r e n ç o d a M a t a , P e r n a m b u c o , B r a s i l ( 0 8 ° 0 3 ’ S 3 5 ° 1 0 ’ O ) . 1 - M a t a d o A l t o d a B u c h a d a ; 2 - M a t a d o C a m u c i m ; 3 - M a t a d o T o r ó . B . I n d i c a q u e a e s p é c i e p o s s u i r e g i s t r o d e o c o r r ê n c i a n o s t r ê s f r a g m e n t o s f l o r e s t a i s d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á . C. I n d i c a qu e a es p é c i e p o s s u i re g i s t r o d e oc o r r ê n c i a a p e n a s na M a t a do A l t o da B u c h a d a e M a t a d o C a m u c i m . D . I n d i c a q u e a e s p é c i e p o s s u i r e g i s t r o d e o c o r r ê n c i a a p e n a s n a M a t a d o A l t o d a B u c h a d a . E . I n d i c a q u e a e s p é c i e p o s s u i r e g i s t r o d e o c o r r ê n c i a a p e n a s n a M a t a d o T o r ó . Os registros de ocorrência das espécies serão apresentados por meio de representações gráficas da área correspondente à Estação Ecológica do Tapacurá, nas quais estará indicada a posição dos fragmentos florestais que compõem a EET e nos quais a espécie foi registrada. N o t a G e o g r á f i c a A 1 2 3 Mata do Alto da Buchada Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim Mata do Toró B C E D N o t a S i s t e m á t i c a Com base na Sistemática Filogenética atual dos Vertebrados, o grupo dos “répteis” não é mais considerado um táxon válido, por isso a necessidade de ser escrito entre aspas (ICZN, 1977). As espécies que anteriormente constituíam os “répteis” estão enquadradas dentro do clado Sauropsida, que inclui os seguintes grupos recentes: Testudines (Cryptodira e Pleurodira), Lepidosauria (Rhynchocephalia e Squamata) e Archosauria (Crocodylia e Aves). No entanto, o grupo das aves é geralmente estudado separadamente dos demais Sauropsida (Ornitologia = estudo das aves). Assim, ao longo deste livro, usaremos o termo "répteis" pela sua significância didática, a ser empregado de forma a abranger todos os Sauropsidas, exceto as aves (Herpetologia = estudo dos anfíbios e “répteis”). Destacamos que a taxonomia supra-genérica (família) e nomes de gêneros e espécies de Amphibia e Sauropsida seguem Frost (2024) e The Reptile Database (2025) respectivamente. Ictiosauria Pterosauria Dinosauria Peixes Clado Anfíbios Clado Mamíferos Clado Peixes Classe Anfíbios Classe “Répteis” Classe Aves Classe Mamíferos Classe Pleurodira Cryptodira Testudines Clado Rhynchocephalia Lepidosauria Clado Squamata Archosauria Clado Aves Crocodylia Sauropsida Clado Clado Extinto Sistemática Lineana (Classificação Anterior) Sistemática Filogenética (Classificação Atual) S u m á r i o 3 1 C a p í t u l o 1 Estação Ecológica do Tapacurá: Refúgio de uma parcela importante da biodiversidade nacional e sua história 117 C a p í t u l o 4 Anuros da Estação Ecológica do Tapacurá 263 C a p í t u l o 5 Gymnophinas da Estação Ecológica do Tapacurá 6 1 C a p í t u l o 2 Estação Ecológica do Tapacurá: Gradiente borda-centro e estacionalidade sobre parâmetros abióticos, heterogeneidade ambiental, florísticos e estruturais da floresta C a p í t u l o 3 Escorpiões da Estação Ecológica do Tapacurá 101 275 C a p í t u l o 6 Testudines da Estação Ecológica do Tapacurá C a p í t u l o 7 Lagartos da Estação Ecológica do Tapacurá C a p í t u l o 8 Anfisbenas da Estação Ecológica do Tapacurá C a p í t u l o 9 Serpentes da Estação Ecológica do Tapacurá C a p í t u l o 1 0 Crocodilianos da Estação Ecológica do Tapacurá C a p í t u l o 1 1 Morcegos da Estação Ecológica do Tapacurá 289 461 359 377 Índice Remissivo 583 473 587 C a p í t u l o 1 2 Propostas Psicopedagógicas para uso do livro “Estação Ecológica do Tapacurá: Escorpiofauna, Herpetofauna e Quiropterofauna” E S T A Ç Ã O E C O L Ó G I C A D O T A P A C U R Á : LAUREEN MICHELLE HOULLOU ERIK BUSSMEYER EDMILSON CLARINDO DE SIQUEIRA CÂNDIDA JULIANA ALBERTIN SANTOS ROBSON ANTÔNIO DE SOUZA KATARINA ROMÊNIA PINHEIRO NASCIMENTO ARTHUR FELIPE FERREIRA DE FREITAS JOÃO VICTOR CUNEGUNDES DE SIQUEIRA GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA Refúgio de uma parcela importante da biodiversidade nacional e sua história Estação Ecológica do Tapacurá Foto: Silva, R. B. As Áreas-Chave para a Biodiversidade (KBAs - Key Biodiversity Areas) visam auxiliar a conservação global, por representarem áreas mundiais essenciais para manutenção da biodiversidade. Nesse contexto, as KBAs surgem como pilares fundamentais, pois concentram os últimos e mais significativos refúgios naturais, sustentando espécies ameaçadas e ecossistemas inteiros em risco de colapso. O Programa KBA apoia a identificação, mapeamento, monitoramento e conservação de KBAs para ajudar a salvaguardar os locais mais críticos para a natureza no nosso planeta – como florestas tropicais, recifes, montanhas, pântanos, desertos a pastagens e às partes mais profundas dos oceanos. O Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal (KMGBF) é um marco histórico na criação de um programa focado na necessidade de se centrar esforços na proteção de “áreas de particular importância para a biodiversidade”. Essa ação visa diminuir a perda de biodiversidade e proteger 30% do planeta até 2030. O desafio não é novo e, até o momento, essa iniciativa promoveu com sucesso um grande aumento nas áreas protegidas (17% da terra e 10% dos mares). Embora a Estação Ecológica de Tapacurá (EET) não esteja oficialmente listada como uma Área-Chave para a Biodiversidade (KBA), suas características ecológicas e a riqueza de espécies que abriga indicam que possui atributos compatíveis com os critérios de uma KBA. A EET está situada no Centro de Endemismo Pernambuco que está enfrentando significativas ameaças à conservação. Estudos realizados na área identificaram 479 espécies de angiospermas, incluindo 44 novas ocorrências para o estado de Pernambuco, destacando a importância da estação para a flora regional. Essas características reforçam o papel da estação como um reservatório crítico de biodiversidade, alinhando-se aos objetivos das KBAs de identificar e conservar áreas vitais para a sobrevivência de espécies e ecossistemas. Nesse contexto, resultados obtidos por diferentes pesquisas já conduzidas na Estação Ecológica do Tapacurá apontam que a preservação da Estação Ecológica é essencial para a proteção de espécies ameaçadas e para minimizar o declínio da biodiversidade da Mata Atlântica local. Figura 1. Trilha que corta longitudinalmente o fragmento florestal "Mata do Alto da Buchada" na Estação Ecológica do Tapacurá- EET. Foto: Moura, G. J .B. Estação Ecológica do Tapacurá 33 DESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA COMPLEXIDADE AMBIENTAL O nome "Tapacurá" deriva da palavra indígena " Itapacurá ," traduzindo-se como " Rio da pedra que tampa " ou " Rio da pedra tampada ". A denominação é apropriada, considerando que a área da estação é caracterizada por matas, capoeiras e uma bacia hidrográfica que forma um lago pelo represamento do Rio Tapacurá. Esse rio deu origem a um açude, dividindo a Estação Ecológica do Tapacurá em alguns fragmentos remanescentes da Mata Atlântica (Oliveira, 2009). Pensar em uma área de preservação ambiental é, antes de tudo, entender a extrema relevância que essas áreas têm para a preservação da biodiversidade mundial . A Estação Ecológica do Tapacurá (EET) é um Campus Avançado da Universidade Federal Rural de Pernambuco UFRPE (Figura 1). A Estação foi criada em 1975 sob liderança do Prof. João Vasconcelos Sobrinho e ocupa as terras da antiga Escola Superior de Agricultura São Bento que funcionou entre 1917 e 1936. A Estação é um importante refúgio para parte da fauna que ocorre na Mata Atlântica. Atualmente, as Unidades de Conservação que estão inseridas na EET podem ser consideradas uma KBS ( Key Biodiversity Area ), reforçando a sua importância estratégica para a preservação da biodiversidade a nível mundial (Figura 2). A EET (08°03’S e 35°10’O) é um remanescente de Mata Atlântica localizado no município de São Lourenço da Mata, Zona da Mata, Leste do Estado de Pernambuco (Azevedo-Júnior, 1990). Esta Estação Ecológica foi instituída em 1987 pela Lei nº 9.989, a qual regulamenta os remanescentes de Mata Atlântica da região metropolitana do Recife, sendo elevada à categoria de Área de Preservação Permanente no ano de 1981 pela Lei nº 6.938. A EET está assentada sobre um relevo do complexo cristalino da Formação Cabo (Bacia Pernambuco) e, de acordo com Dantas (1980), os terrenos datam do Pré-Cambriano inferior, estando localizados na transição entre a encosta oriental da Borborema (200- 500m) e o piemonte oriental da Borborema (< 200 m); apresentando altitudes que variam entre 120 e 150m com um sistema de drenagem bem estabelecido, o qual converge sempre para o lago Tapacurá. O clima é do tipo As’ quente e úmido comum na região oriental do Nordeste, segundo classificação de Köppen. As chuvas são de outono-inverno, que caracterizam a Zona da Mata Pluvial de Pernambuco, com precipitação média anual de 1.900mm e 5 meses com menos de 100mm de precipitação (SUDENE, 1990). 34 Apresenta uma área total de aproximadamente 800 ha, dos quais cerca de 400 ha são constituídos por áreas florestadas, circundadas por monocultura de cana-de-açúcar (Azevedo-Júnior, 1990). A área florestada, é composta por três fragmentos florestais: Mata do Camucim (cerca de 200ha), Mata do Alto da Buchada (cerca de 100ha) e a Mata do Toró (cerca de 100ha); os dois primeiros fragmentos encontram-se adjacentes e separados do terceiro por uma distância aproximada de 4 km, pela presença de um lago, o lago Tapacurá (área de responsabilidade da COMPESA – Companhia Pernambucana de Saneamento); este é resultante do represamento do rio Tapacurá, afluente do rio Capibaribe (Coelho, 1979). Os fragmentos Mata do Camucim e Mata do Alto da Buchada apresentam cobertura vegetal constituída por floresta ombrófila estacionária (Neves, 2004) do tipo perenifólia semidecídua (Andrade-Lima, 1957) e Mata do Toró floresta ombrófila úmida (Andrade-Lima, 1957). É importante ressaltar que de acordo com o Sistema de Unidades de Conservação (SNUC), as “Estações Ecológicas” são unidades de Proteção Integral, que admite o uso indireto de seus recursos naturais, e seu objetivo básico é preservar a natureza (Lei no 9.985/2000). Desse modo, chamar a EET de “Estação Ecológica”, se torna errôneo, visto que esta nomenclatura, “Estação Ecológica” é utilizada localmente apenas de forma administrativa, uma vez que é um Campus avançado da UFRPE. Embora não seja legalmente uma “Estação Ecológica”, duas Unidades de Conservação estaduais estão inseridas na área reconhecida como EET: o Refúgio da Vida Silvestre Mata do Camucim e o Refúgio da Vida Silvestre Mata do Toró (CPRH, 2024). Além destes dois fragmentos legalmente protegidos pela Lei no 13.787/2009, também compõe a EET, a Mata Alto da Buchada, que juntamente com a Mata do Camocim, são os fragmentos que apresentam maior quantidade de espécies que sinalizam ambientes florestados mais conservados (Moura, 2018). Devido a sua grande importância para a biodiversidade, a Mata do Alto da Buchada está em processo de formalização para sua transformação em uma Unidade de Conservação estadual capitaneado pela CPRH, assim como a ampliação do Refúgio da Vida Silvestre Mata do Camucim. Figura 2. Localização da Estação Ecológica do Tapacurá, São Lourenço da Mata, Pernambuco, Brasil. 1 - Mata do Alto da Buchada; 2 - Mata do Camucim; 3 - Mata do Toró. Estação Ecológica do Tapacurá 35 1 2 3 36 Conforme a caracterização feita nessa área, ficou evidenciada a presença de diferenças entre as estações secas e chuvosas nos fragmentos estacionais da EET, confirmando a existência de heterogeneidade ambiental nas áreas florestadas da Reserva. Essa heterogeneidade de parâmetros locais é um reflexo normal das variações sazonais nos níveis de precipitação, temperatura, umidade e abertura do dossel em florestas semideciduais, e que interferem nos processos ecológicos. Neste contexto, a constante manutenção e recuperação do dossel da mata tem efeitos positivos significativos na manutenção da biodiversidade dos extratos inferiores (Almeida et al. 2020). Originalmente, a área em que hoje se encontra a EET abrigava a Escola Superior de Agricultura de São Bento-ESA-SB, cujas ruínas, atualmente estão sob as águas da represa de Tapacurá. A sua origem, encontra-se ligada a Ordem Beneditina, que prezava por transmitir a herança cultural greco-romana ao cultivo de imensas propriedades territoriais. Isso, associada a iniciativa de Dom Pedro Roeser de incentivar a agricultura canavieira e à pecuária como uma alternativa para recuperar a produtividade no estado de Pernambuco, que estava em declínio se comparada aos outros estados (Uele, 2008). Na época, houve um grande interesse político e clérigo que resultou no surgimento da ESA- SB. Segundo a BirdLife Data Zone e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a área de Tapacurá está classificada como de prioridade “ Muito Alta ” quanto à necessidade de preservação. Figura 3. Referência da importância ecológica para preservação da Biodiversidade na Estação Ecológica do Tapacurá. Esta class ificação está associa da principalmente a avifauna presente na área de Tapacurá. No entanto, a necessidade de preservação vai muito além deste grupo faunístico. De fato, a área da Estação Ecológica do Tapacurá abriga uma importante biodiversidade dos mais diversos grupos da fauna e flora da Mata Atlântica. Relevância Ecológica dos Remanescentes da Estação Ecológica do Tapacurá 37 B Desta forma, o registro da biodiversidade em áreas de preservação ambiental é uma consequência direta da dinâmica de ocupação de terras, responsável principal pela perda da biodiversidade. Como principal consequência dessa ocupação, a fragmentação das áreas de mata se dá pela redução da própria área ou sua subdivisão em áreas menores. A fragmentação da cobertura vegetal das áreas florestais é considerada o agente principal da perda de biodiversidade, gerado diferentes efeitos ecológicos negativos nas populações locais como: alteração do tamanho das populações, alterações na sua dinâmica, nas interações tróficas e até mesmo nos padrões de migração (Laurence & Vasconcelos, 2009; Oliveira, 2011). É bem provável que a fragmentação das áreas florestadas acentue os efeitos de borda causando alterações na distribuição, no comportamento e na sobrevivência das espécies que se abrigam no fragmento da mata. A preocupação com o registro e acompanhamento da biodiversidade local data do início do século XX. Um exemplo do importante trabalho de registro das espécies locais foi a criação do Herbário D. Bento José Pickel, o qual conta com exsicatas elaboradas de diferentes grupos representantes da flora local. Figura 4 . A. Exemplos do registros de espécies nativas feitas nos anos de 1976 e 1977 por Vasconcelos Sobrinho e Marcelo Ataíde. B. Bento José Pickel, Botânico, sacerdote e monge beneditino que deu nome ao Herbário de Tapacurá. Foto: Houllou, L. M. A 38 Figura 5 : Primeiro livro publicado da Estação Ecológica do Tapacurá ( MOURA, G. J. B.; AZEVEDO JUNIOR, S. M.; EL-DEIR, A. C. A. A Biodiversidade da Estação Ecológica do Tapacurá-Uma Proposta de Manejo e Preservação. 1. ed. Recife: NUPEEA, 2012. v. 1. 406p. ). Figura 6 : Segundo livro publicado da Estação Ecológica do Tapacurá ( MOURA, G. J. B. Contribuições para a Gestão Ambiental na Estação Ecológica do Tapacurá. 1. ed. Recife: Editora Universitária da Universidade Federal Rural de Pernambuco, 2018. v. 1. 177p. ). Em meio a constatação da ausência de literatura especializada sobre a Estação Ecológica do Tapacurá, um grupo de pesquisadores e estudantes da graduação e pós-graduação da UFRPE se mobilizaram e investiram na construção de dois livro sobre a referida estação sob coordenação do laboratório de Estudos Herpetológicos e Paleoherpetológicos- LEHP/UFRPE. O primeiro, intitulado A Biodiversidade da Estação Ecológica do Tapacurá: Uma Proposta de Manejo e Conservação , corresponde a um livro de capítulos independentes que se referem aos diferentes grupos da biodiversidade estudados na EET, com informações sobre suas riquezas, composição, distribuição espaço-temporal e história natural (Figura 5). O segundo, intitulado Contribuições para a Gestão Ambiental na Estação Ecológica do Tapacurá , corresponde a um livro também constituído por capítulos independentes que se referem ao aporte de contribuições técnicas para uma gestão mais eficiente da biodiversidade e da EET, seja como unidade administrada pelo estado e pela UFRPE ou como um complexo de UCs estaduais de proteção integral (Figura 6). 39 Conforme dados da Agência Estadual de Meio Ambiente-CPRH (2024), a altura média estimada do dossel em Tapacurá é de 15-20 metros, predominando as espécies Parkia pendula (Will.) Benth. Ex Walp. e Didymopanax morototoni (Aubl.) Decne. & Planch. O sub- bosque se caracteriza por um conjunto de plantas adaptadas a luminosidade e com um epifitismo composto por espécies de orquídeas, bromélias e imbés. Segundo o levantamento das Angiospermas da Estação Ecológica de Tapacurá (EET), um total de 479 espécies foram identificadas, pertencentes a 285 gêneros. As famílias mais ricas foram Fabaceae (68), Rubiaceae (25), Malvaceae (20), Myrtaceae (20), Cyperaceae (19), Poaceae (19), Bromeliaceae (18), Euphorbiaceae (17), Asteraceae (16) e Sapindaceae (14), que juntas representaram 49,27% do número total de espécies. Este levantamento demonstrou mais uma vez a riqueza e abundância dos táxons e a importância de sua conservação para a flora regional (Pereira-Silva, 2022). Estudos mais recentes têm focado em grupos botânicos específicos, cuja relevância dentro das áreas de mata são fundamentais para várias espécies de animais. Em 2022 foi realizado um levantamento florístico de Bromeliaceas na Estação Ecológica do Tapacurá. Desse levantamento, foram identificadas 21 espécies, pertencentes a sete gêneros: Aechmea Ruiz & Pav. (7 spp.), Bromelia L. (1 sp.), Billbergia Thunb. (1 sp.), Cryptanthus Otto & A. Dietr. (2 spp.), Hohenbergia Schult. & Schult.f (1 sp.), Tillandsia L. (8 spp.) e Vriesea Lindl. (1 sp.) (Santos , 2022). Flora Outra pesquisa realizada em 2022, realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco nos três fragmentos da estação (Mata do Alto da Buchada, Mata do Camucim e Mata do Toró), indica uma valiosa relevância das briófitas como bioindicadoras de qualidade ambiental. Este estudo exploratório identificou 32 espécies de briófitas, pertencentes a 26 gêneros e 13 famílias. Segundo os autores, a flora encontrada representa 5% da diversidade de Pernambuco e 9% do Nordeste , o que corresponde a uma diversidade significativa de Pernambuco e do Nordeste. As famílias Lejeuneaceae e Fissidentaceae foram as mais ricas em espécies, com destaque para os gêneros Fissidens e Plagiochila (Silva et al., 2024). Aparentemente, a maioria das espécies parece apresentar uma alta especificidade de substrato (90% das espécies), o que pode estar indicando uma heterogeneidade das condições ambientais na Estação Ecológica do Tapacurá (luminosidade, umidade e temperatura). 40 Na Estação, se sabe que, historicamente, a área de preservação sofreu pressão da caça pelas populações locais. A presença da área de preservação é, possivelmente, um direcionador na preservação da biodiversidade local. Os estudos realizados localmente estão permitindo registrar o processo de defaunação. Essas ações de acompanhamento local têm extrema relevância na tomada de decisões que direcionam as estratégias de conservação em áreas protegidas da Mata Atlântica (Silva et al., 2024). Os estudos da biodiversidade vegetal na EET não se restringem aos três fragmentos de mata que compõem a Estação Ecológica. Em 2008 foi feito um estudo do fitoplâncton no lago de Tapacurá (Andrade et al., 2009), que é um importante manancial para abastecimento da região metropolitana. Nesse estudo foram identificados a presença dos grupos: Cyanobacteria (45,0%), Chlorophyta (36,0%) Chrysophyta (9,0%) Euglenophyta (5,0%) e Cryptophyta (5,0%). Quanto à fragmentação das áreas de mata em Tapacurá, a principal preocupação está associada às interações humanas, que causam alterações da qualidade do habitat, nas áreas de transição entre os ambientes mais naturais e os mais antropogênicos. O que se sabe é que nas áreas de borda podem ser observadas alterações microclimáticas (temperatura, velocidade e turbulência do vento, umidade do ar e do solo) que acabam gerando alterações na estrutura e composição da vegetação. Estes impactos ambientais podem comprometer ainda mais a diversidade de plantas para a EET, onde espécies endêmicas da Mata Atlântica foram catalogadas por Gonçalves et al. (2024), cujos autores registraram cinco táxons, o que torna urgente o reforço em sua proteção, bem como a ampliação de estudos florísticos na localidade, uma vez que a fauna local também fica comprometida em função da interação animal-planta. Em outro levantamento feito na área da bacia do rio Tapacurá (Oliveira, 2011) mostrou uma parte da biodiversidade vegetal representativa, no qual as famílias com maior número de espécies foram as Euphorbiaceae , Fabaceae , Myrtaceae e Rubiaceae . Parte destas espécies são relevantes para a manutenção da fauna local, e a ação humana pode impactar de diferentes formas na preservação dessas espécies (Figura 7). 41 Figura 7. Distribuição do número de espécies das f amílias vegetais que ocorrem na área da bacia do Tapacurá. A riqueza de espécies locais indica ser, esta área, um importante local de preservação da biodiversidade da fauna e flora (Oliveira, 2011). 0 2 4 6 8 10 Anacardiaceae Annonaceae Apicynaceae Araliaceae Bombacaceae Burceraceae Boraginaceae Cesalpiniaceae Cecropiaceae Clusiaceae Erythroxylaceae Euphorbiaceae Fabaceae Flacourtiaceae Lauraceae Lacythidaceae Malpiguiaceae Melastomataceae Mimosaceae Monimiaceae Moraceae Miyristiaceae Myrtaceae Nyctaginaceae Polygonaceae Rubiaceae Sapindaceae Simaroubaceae Tiliaceae RIQUEZA DE ESPECIES VEGETAIS DOS REMANESCENTES FLORESTAIS DA ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO TAPACURÁ 42 A perda e degradação do habitat causa, consequentemente, uma redução na distribuição e na riqueza das espécies da fauna. As informações atuais sobre a diversidade da fauna da floresta tropical não são suficientes e, no futuro, mais pesquisas serão necessárias para documentar os diversos parâmetros comunitários das espécies da fauna e sua relação com a flora local a fim de conservá-las e protegê-las. Por exemplo, de acordo com Garcia et al. (2019), das espécies historicamente documentadas para a Estação Ecológica do Tapacurá, não foi conseguido a confirmação de presença das espécies Panthera onca (Onça-Pintada), Puma concolor (Leão-Baio), Alouatta belzebul (Guariba), Sapajus flavius (Macaco-prego-dourado), Herpailurus yagouaroundi (Gato-Mourisco), Leopardus wiedii (Gato-Maracajá), Eira barbara (Papa-Mel) e Tamandua tetradactyla (Tamanduá-Mirim). Segundo esse estudo, é possível que algumas das espécies estejam localmente extintas. Outros estudos realizados recentemente apontam que parte da fauna já descrita na área de preservação que pertence à Estação Ecológica do Tapacurá pode estar sofrendo uma redução em sua biodiversidade. Essa redução das taxas de biodiversidade são um claro reflexo das ações antrópicas que resultam em declínios populacionais rápidos de várias espécies (processo conhecido como defaunação). Existe uma forte correlação entre a fragmentação da mata e a aceleração do processo de defaunação . Desta forma, a velocidade do processo de defaunação pode ser reduzida principalmente com ações que visem à preservação da flora local. A preservação da vegetação é um elemento essencial em biomas cuja biodiversidade deveria ser naturalmente alta, como na Mata Atlântica. A redução ou extinção de grupos botânicos podem implicar diretamente na redução de populações de vários grupos de animais, incluindo a biota aquática. Essa preocupação com a conservação da EET não é atual, ainda na década de 80 a UFRPE realizou várias ações com esse objetivo. Essas ações tinham como tema uma figura lendária do folclore brasileiro (século XVI), conhecido como um dos maiores protetores das florestas e dos animais, o Curupira, que é retratado por uma escultura de pedra na Mata do Camucim (Figura 8). INTERAÇÃO DA FLORA COM A FAUNA NA ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO TAPACURÁ Figura 8 : A. Estátua do Curupira na EET. B. Folhetim organizado pela UFRPE contando a história do Curupira. C. Visão anterior de um chaveiro para divulgação da EET. D. Visão posterior do chaveiro previamente citado. A B C D 43 Fruto de um esforço coletivo, a EET se destaca dentre outros fragmentos de Mata Atlântica do estado, por manter seus fragmentos bem protegidos ao longo de todos esses anos. As matas nativas das margens dos rios e lagos são constituídas por árvores, arbustos, sub- bosque, bambual, macegas e maciços cerrados, que protegem o solo, além disso, os galhos pendentes oferecem sombreamento e ambiente adequado para a fauna aquática, abrigo a fauna terrestre e aves, principalmente nas estações chuvosas e secas quando todos os animais procuram água. Embora a legislação atual recomende a implantação de matas ciliares no perímetro de lagos, na maioria das vezes o uso e ocupação destes solos vêm sendo destinados, inadequadamente, à agricultura, pecuária e lazer. Isto favorece os processos erosivos com o consequente acúmulo de sedimentos e diminuição da vida útil dos reservatórios, perdas do horizonte fértil do solo e redução da qualidade da água com efeito sobre a ictiofauna (Togoro et al., 2007). Segundo Lima (2019) os fragmentos de Mata Atlântica presentes na Estação Ecológica do Tapacurá (EET) são divididos pelas águas do açude de Tapacurá, originado do represamento do rio Tapacurá, um afluente do rio Capibaribe, o qual vem sofrendo com intensa ação antrópica, especialmente pelo despejo de poluentes líquidos urbanos, apresentando características eutróficas (CPRH, 2013). Pouco se conhece sobre a ictiofauna presente nesse açude, o que dificulta o desenvolvimento de medidas para preservação da sua biota aquática. Com o intuito de se gerar uma base para um conhecimento das espécies ocorrentes nesta região de forma a auxiliar em sua conservação e a elaboração de um plano de manejo, El-Deir et al. (2012) realizaram um inventário da composição de espécies de peixes desse açude. 501 44 Barragem do Tapacurá, vista da “pedra grande” no fragmento Mata do Alto da Buchada. Foto: Moura, G. J . B. Entre as espécies capturadas, o tucunaré ( Cichla sp.) e a pescada-do-Piauí ( Plagioscion squamosissimus ), se destacam por serem espécies introduzidas, ambas originárias da bacia amazônica. Segundo Cordeiro et al. (1999), a maioria das espécies ocorrentes em açudes pernambucanos são oriundas de outras bacias brasileiras, como o tucunaré e a pescada. A ocorrência de espécies introduzidas pode estar associada aos programas de peixamento, ao escape de tanques de piscicultura e as atividades de aquariofilia que também podem estar contribuído para a disseminação de espécies exóticas , tendo possivelmente sido responsável pela introdução do peixe betta no açude de Tapacurá (Sato & Sampaio, 2005; Agostinho et al., 2007) (Tabela 1). Foram registradas 15 espécies de peixes, distribuídas em 10 famílias: Cichlidae (4), Characidae (3), Callichthyidae (1), Curimatidae (1), Erythrinidae (1), Gymnotidae (1), Osphronemidae (1), Poeciliidae (1), Sciaenidae (1) e Synbranchidae (1), sendo Cichlidae a mais representativa na EET A grande ocorrência desta família pode estar relacionada ao investimento no cuidado com a prole, apontado como o maior dentre as famílias de teleósteos (Keenleyside, 1991). Além disso, outras características apresentadas por essa família, como comportamento agressivo e tamanho reduzido, também são estratégias que auxiliam numa maior sobrevivência (Lodge, 1993; Holway & Suarez, 1999; Ruensink, 2005). Peixes Taxa Nome comum Astyanax fasciatus Piaba-do-rabo-vermelho Astyanax lacustris Piaba-do-rabo-amarelo Astyanax sp. Piaba Betta splendens Betta Callichthys callichthys Cascudo Cichla sp. Tucunaré Cichlasoma cf. orientale Cará Crenicichla lepidota Jacundá Geophagus brasiliensis Beré Tabela 1. Lista dos táxons coletados na Estação Ecológica de Tapacurá com seus respectivos nomes comuns (El-Deir et al., 2012). 45 A presença de indivíduos jovens e adultos nestas populações é um indicativo que algumas dessas espécies possam estar utilizando estes locais como parte do seu ciclo de vida. Melo et al. (2017) destacou o braço do açude entre os fragmentos, para conservação dos peixes por ser um local que se destacou por apresentar indivíduos jovens, importante no ciclo de vida do táxon, uma vez que a área apresentou disponibilidade de alimento e proteção devido a vegetação presente nas margens (Bissa, 2000), condições já descritas em outros estudos de comunidades de peixes em ambiente semelhante ao açude de Tapacurá (Junk et al.,1997; Machado-Allison, 1990; Cintra et al., 2013). Neste sentido, pode-se considerar esses ambientes de grande importância para a conservação e manejo da ictiofauna. A fauna de peixes inventariada por El-Deir et al. (2012) apresentou caráter preliminar, se fazendo necessários pesquisas adicionais de forma a contemplar diferentes biótopos, da Estação Ecológica do Tapacurá nas diferentes estações do ano. Estudos de levantamento da ictiofauna auxiliam na avaliação do estado de conservação das espécies, dessa forma, recomendam-se pesquisas sobre a ecologia das espécies mais relevantes na Estação Ecológica do Tapacurá de forma a fornecer maior embasamento a fim de verificar os possíveis impactos ocorridos neste ecossistema aquático tão importante e tão pouco estudado. Taxa Nome comum Gymnotus carapo Sarapó Hoplias malabaricus Traíra Plagioscion squamosissimus Pescada Poecilia sp. Guaru Serrapinnus piaba Piaba Steindachnerina elegans Curimatá Synbranchus marmoratus Muçum *Continuação da Tabela 1 . 46 Anfíbios Outro grupo que merece destaque é o grupo dos anfíbios, em especial os anfíbios anuros (sapos, rãs, pererecas ou gias). Um dos capítulos do livro “A Biodiversidade da Estação Ecológica do Tapacurá” (Moura et al., 2012a), publicado por Santos & Moura (2012) apresenta uma estimativa sobre a riqueza e composição desse grupo. Até este trabalho foram identificadas 43 espécies, distribuídas em nove famílias: Brachycephalidae (2 spp.) Bufonidae (3 spp.), Cycloramphidae (1 spp.), Hylidae (21 spp.), Leiuperidae (3 spp.), Leptodactylidae (8 spp.), Microhylidae (3spp.), Ranidae (1 spp.) e Pipidae (1 spp.). A presença da espécie Hylomantis granulosa (Cruz, 1989) na mata do Toró - ameaçada no estado de Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), devido principalmente a destruição do seu habitat. Somado a presença de espécies, até então, exclusivas da EET em relação aos limites do estado de Pernambuco, a exemplo de Stereocyclops incrassatus Cope, 1870 e Dendropsophus tapacurensis Olivera, Magalhães, Teixeira, Moura, Porto, Guimarães, Giaretta & Tinoco, 2021 podem indicar que os fragmentos ainda se mantém com um certo grau de preservação (Santos & Moura, 2012). Os capítulos seguintes desse livro, trazem uma importante contribuição para a comunidade científica, com destaque para a atualização da lista de anfíbios da EET e trará um compilado de informações sobre a história natural das espécies catalogadas e, em especial, táxons exclusivos da EET. Dendropsophus tapacurensis Olivera, Magalhães, Teixeira, Moura, Porto, Guimarães, Giaretta & Tinoco, 2021. Foto: Siqueira, J. V.C. 47 No que se refere aos Sauropsidas (“Répteis”) da EET, Moura et al. (2012a) apresenta uma riqueza de 60 espécies distribuídas em cinco grandes grupos: Testudines (2 Famílias, 3 spp.), Lagartos (10 Famílias, 24 spp.), Anfisbenas (1 Família, 4 spp.), Serpentes (6 Famílias, 27 spp.) e Jacarés (1 Família, 2 spp.). Apesar do número expressivo de espécies, a fauna de Sauropsidas da EET ainda encontra-se subestimada, então, os capítulos subsequentes deste livro, tem o objetivo de apresentar a lista atualizada das espécies , de forma comentada, compilando informações sobre a história natural das espécies catalogadas. Com base em critérios internacionais-KBS, podemos inferir que a riqueza expressiva de “Répteis” na EET evidencia esta área como ponto estratégico para conservação e preservação dos remanescentes de Mata Atlântica do estado e da herpetofauna nordestina, além de ser um dos grupos de vertebrados com muitas lacunas espaciais no Nordeste, em especial em PE (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012b). Em relação ao grupo das aves (Sauropsida-Archosauria), estão presentes na EET, segundo Asevedo-Júnior et al. (2012) e Neves et al. (2012) 263 espécies (37 espécies aquáticas), que correspondem a mais de 49% das aves do estado de Pernambuco. Dessas espécies, 12 possuem alta sensibilidade aos distúrbios ambientais, 14 são aves endêmicas do Brasil e mais 18 estão classificadas em alguma categoria de ameaça de extinção (Neves et al., 2012). Apesar dos fragmentos da EET apresentarem uma riqueza alta, os mesmos não comportam algumas espécies de grandes aves frugívoras e insetívoras especialistas. Entretanto, a importância de sua conservação sustenta-se na diversidade de espécies que abrigam, incluindo endêmicas e ameaçadas. Sauropsida: “Répteis” Sauropsida: Aves No que tange aos mamíferos registados na EET, Oliveira (2012) apresenta um montante compilado de 51 espécies de mamíferos terrestres , dos quais oito foram consideradas extintas localmente e, por consequência, duas ordens (Perissodactyla e Artiodactyla) não possuem mais representantes locais. No que se refere aos quirópteros (morcegos), que se destacam pelos seus expressivos serviços ecossistêmicos, este livro apresentará um capítulo subsequente que tem por objetivo apresentar uma lista comentada , compilando informações atuais sobre a riqueza, composição e história natural das espécies de morcegos catalogadas para a EET, assim como sua relação com a sustentabilidade vegetal dos fragmentos. Mamíferos 48 A perda da cobertura vegetal é um dos principais elementos que está associado à queda da biodiversidade da fauna. Cada espécie da flora integra um sistema complexo que permite a sustentação da fauna. E de forma recíproca, muitos animais são responsáveis pela dispersão de sementes e, consequentemente, auxiliam na manutenção das próprias florestas. Como um exemplo claro dessa interação ocorre nas bromélias (um dos grupos de plantas com maior número de espécies na Mata Atlântica). Essas plantas, por um lado, dependem do tronco e da sombra das árvores no ambiente da mata e, por outro lado, são essenciais para vários grupos de animais (beija-flores, morcegos, insetos, anfíbios e répteis). Devido a essas características, uma intensa interação ecológica ocorre entre Bromeliaceas e diversos animais que dependem deste grupo de plantas. A presença do fitotelmo (tanque que acumula água, formado pela disposição das folhas em rosetas) forma um microclima propício para algumas espécies de anfíbios bromelícolas. Um levantamento realizado por Santos (2022), relata que a família Bromeliaceae está representado, na área da Estação Ecológica do Tapacurá, por sete gêneros e 21 espécies de duas subfamílias: Bromelioideae e Tillandsioideae. Atenção especial deve ser dada às espécies Cryptanthus pickelii L.B.Sm., espécie endêmica de Pernambuco e a Aechmea muricata (Arruda) L.B.Sm., espécie ameaçada de extinção e endêmica de Pernambuco e Paraíba. A preservação da mata na área da Reserva é uma importante ação que permitirá minimizar o risco de extinção dessas bromeliáceas e consequentemente da fauna que esteja associada a ela. Na Estação os representantes da família Bromeliaceae apresentam valor significativo na oferta e manutenção de recursos alimentares ao longo do ano para uma fauna bastante diversificada. Dentre os diferentes tipos de interações planta-animal, são comuns estudos que focam na relação entre flores e seus visitantes. Segundo Barbosa-Filho & Araújo (2007), as Bromeliaceae são uma das raras famílias em que predomina a polinização por vertebrados sobre insetos. Esses vegetais são conhecidos por serem importantes fontes de alimento para vários grupos de animais como os beija-flores, os morcegos e várias espécies de insetos, que também podem polinizá-los. Na Mata Atlântica, os representantes das Bromélias desempenham um papel importante no fornecimento e manutenção de recursos alimentares durante todo o ano para uma fauna polinizadora muito diversificada. Em algumas áreas deste bioma, as bromélias chegam a representar mais de 30% dos recursos alimentares utilizados pelos beija-flores. Vegetação 49 Desta forma, a preservação de áreas onde ocorra a espécie Aechmea muricata ((Arruda) L.B.Sm.), bromélia ameaçada de extinção que cresce nos troncos das árvores do dossel, conhecida como Ananás-de-agulha, é essencial para manutenção de toda uma cadeia de polinizadores invertebrados (que se alimentam de seu néctar) e de outras espécies de vertebrados e invertebrados que dispersam as sementes ao se alimentarem dos frutos (Siqueira-Filho, 2003). Essa dispersão das sementes, gerando novas mudas no dossel, garante a criação de novos nichos nos quais esses animais irão se alimentar. De fato, a interação entre bromélias e a biodiversidade das áreas de Mata são um dos melhores indicadores da condição de conservação do bioma. Diversas espécies animais, que dependem da água nos seus estádios iniciais de desenvolvimento, utilizam os microambientes formados pelo acúmulo de água e detritos nos tanques das bromélias como fonte de alimento e abrigo para a reprodução. A disponibilidade de água, essencial para a fauna, é um recurso que varia muito sazonalmente em ambiente aberto. No entanto, a água que se encontra depositada nessas plantas, apesar de também variar ao longo das estações do ano, funcionam como reservas estratégicas para parte da fauna nos meses mais secos. Consequentemente, os tanques das bromélias acabam atraindo predadores obrigatórios ou ocasionais, em busca de alimento, devido ao acúmulo de organismos. Tendo em vista a ampla distribuição das bromélias no bioma da Mata Atlântica, o estudo das relações e diversidade entre animais e plantas permite desvendar aspectos relacionados a características microambientais. De fato, as bromélias, são um dos melhores exemplos para exemplificar a interdependência entre os diversos parceiros dentro de um bioma complexo como a Mata Atlântica. Estudos que visam aprofundar esses aspectos, são uma importante ferramenta para a compreensão da diversidade biológica dos remanescentes florestais de Mata Atlântica e colaborar para o delineamento de estratégias eficientes de conservação dessas áreas. Em 2010, um estudo feito na EET (Albertin et al., 2010) levantou os principais grupos animais que usufruem das bromélias. Foram registrados 10 representantes da herpetofauna (9 anuros e 1 lagarto) ocupando duas espécies de bromélias: Portea leptantha e Hohenbergia hamageana . Estas espécies de animais foram agrupadas em dois grandes grupos, os bromelícolas eventuais ( Dendropsophus elegans , Boana albomarginata , Scinax eurydice , S. x-signatus , Elachistocleis cesarii e Phyllopezus lutzae ) e os bromelícolas habituais ( Pristimantis ramagii , Dendropsophus decipiens , Scinax auratus e S. pachycrus ). Parte desse registro foi feito na estação seca, demonstrando mais uma vez que nesta estação as bromélias representam uma importante fonte de água para parte da fauna que habita as áreas de Matas. 50 Alguns grupos de animais parecem ter desenvolvido estratégias para se alimentar e desenvolver associada a diferentes grupos botânicos. Em 2008, um estudo feito correlacionando as espécies de gafanhoto que ocorrem na EET evidenciou que, das 26 espécies identificadas, houve uma diferença bastante significativa no número de indivíduos de cada espécie ao se comparar a estação chuvosa e na estação seca. Algumas espécies de Romaleidae só podem ser encontradas no campo após as primeiras chuvas do ano, principalmente por estarem sujeitas à diapausa (dormência espontânea do desenvolvimento, ocasionada por condições ambientais desfavoráveis) o que afeta o número de gerações de cada espécie ao longo das estações e dos anos. Conforme ressaltado por esses autores, existe uma estreita relação ecológica entre as espécies de gafanhotos encontrados na EET e tipos de vegetação ambiental. As espécies encontradas foram agrupadas em 7 grupos, conforme o tipo de vegetação. A vegetação do Tipo 1 é constituída basicamente por plantas frutíferas e ornamentais; Tipo 2 é composta por milho, feijão, mandioca, cana-de-açúcar e gramíneas, em áreas mais ou menos restritas à estação. A vegetação do Tipo 3 foi submetida a algum grau de influência humana, geralmente na forma de alterações periódicas. A vegetação Tipo 4 consiste principalmente em “aguapé”. A vegetação Tipo 5 consiste principalmente de Gramíneas e Ciperáceas. A vegetação do Tipo 6 é extremamente diversificada (arbustos nativos da floresta em recuperação e herbáceas, plantas constituídas por Compositae e Poaceae) e a Tipo 7, que corresponde a vegetação do interior da floresta, composta por plantas herbáceas, arbustos e árvores (Almeida & Câmara, 2008). Podemos partir da premissa de que, para desacelerar a perda de diversidade genética, será necessário um investimento tanto na conservação como na gestão. Devemos identificar os principais impulsionadores das mudanças e, buscar como esses fatores alteram a floresta tropical. O conjunto dessa informação é a base para o delineamento de estratégias eficientes e que impactam na redução da perda da diversidade. Braço do açude do Tapacurá, que separa a Mata do Camucim da Mata do Alto da Buchada. Foto: Moura, G. J . B. 51 Para entender a floresta e o papel da flora no suporte à fauna é importante conhecer os diferentes extratos. Cada camada do estrato florestal tem suas particularidades. Algumas das árvores e lianas mais altas produzem flores e frutos no topo da copa da floresta. Essas espécies, onde o ar se move sem restrições pela vegetação, depende, em sua maioria, do vento para a dispersão do pólen de flor em flor, bem como para a propagação de frutos e sementes longe da planta-matriz. Samambaias, musgos e outras plantas, localizadas nos estratos inferiores, também exploram o vento para transportar seus diminutos esporos. Contudo, no sub-bosque, muitas plantas com flores dependem de animais para desempenhar estas funções de dispersores. Eles são tão dependentes dos animais para o sucesso reprodutivo quanto os animais dependem deles para se alimentar - um exemplo da dependência mútua entre plantas e animais está a sapucaia ( Lecythis pisonis Cambess) cujas sementes são dispersas por primatas e morcegos e as epífitas das árvores, como as bromélias que desempenham um papel fundamental na criação de microhabitats na Mata Atlântica. Elas acumulam água em suas folhas, formando pequenos reservatórios que são essenciais para a sobrevivência de diversas espécies de anfíbios, insetos e outros invertebrados. Esses microhabitats são especialmente importantes durante as estações secas, proporcionando abrigo e umidade para a fauna local (Benzing, 2000). A Floresta é a grande casa da fauna na Mata Atlântica Conforme a faixa de altura das árvores que compõem a mata, pode ser separado em estratos, indo da vegetação ao nível do solo até as árvores acima do dossel. Todos esses estratos coabitam, permitindo uma ocupação inteligente e cooperação entre as espécies vegetais e, tem importante função ecológica, servindo de abrigo, local de reprodução e alimentação para as mais diversas espécies da fauna na Mata Atlântica. Desta forma, cada espécie de arbórea tem sua classificação sucessional e características a necessidade de mais ou menos luz, altura e ciclo de vida. Entender os estratos é fundamental para entender as necessidades de preservação e recuperação da floresta e, consequentemente, a preservação da fauna que dela depende (Figura 9). No estrato superior estão árvores emergentes, que buscam o sol pleno. As árvores no estrato arbóreo médio fazem o dossel da floresta. No interior da mata, temos o sub-bosque. A camada arbustiva gosta da sombra do dossel. 52 Figura 9. Existe uma estreita inter-relação entre a flora e a fauna no ambiente das florestas tropicais. Desta forma, a perda de biodiversidade da flora pode impactar diretamente na biodiversidade da fauna e vice-versa. Na área impactada, a perda da flora na área do dossel e no sub-bosque pode causar uma redução na presença de diferentes espécies da fauna local. A Floresta é a grande casa da fauna na Mata Atlântica 53 Cada parte da floresta contribui de forma própria com a produção de frutos que sustentam a fauna em seus respectivos estratos. Os frutos, que são consumidos pelas diferentes espécies da fauna que habitam a área de Tapacurá podem ser tanto secos como carnosos. Um estudo feito em 2009 indicou que na EET o tipo de fruto que predominava era o Sub Bosque carnoso seguido por Dossel seco e Dossel carnoso. Esses tipos de frutos podem servir de alimento para uma grande diversidade de animais. Com relação às formas de dispersão de sementes (autocoricos - dispersos pela própria planta, Anemocóricos - Dispersos pelo vento, zoocoria - dispersão por animais), esse mesmo estudo indicou que os frutos Zoocóricos do Sub Bosque são mais abundantes que os demais tipos encontrados (Dossel autocórico, Dossel Zoocórico, Dossel anemocóricas etc). Sendo assim, existe um forte indicativo da inter-relação entre a fauna e os tipos de frutos encontrados em termos de abundância (Silva & Rodal, 2009). A Floresta é a grande casa da fauna na Mata Atlântica Muitas árvores da floresta tropical têm sementes maiores, com reservas que permitem não depender da luz solar para seu desenvolvimento inicial. Devido a seu tamanho, a dispersão das sementes depende de uma variedade de animais que desempenham esta função. Sendo assim, essas espécies vegetais desenvolveram adaptações para encorajá- las a fazê-lo. Como exemplo, os morcegos frugívoros ( Carollia perspicillata , Pygoderma bilabiatum e Artibeus lituratus ) têm papel relevante na dispersão de sementes na Mata Atlântica. Em geral, os indivíduos dessas espécies ao levar uma fruta para outro poleiro deixam cair a semente após a polpa ser consumida. O solo sob as árvores usadas pelos morcegos frugívoros como poleiro é geralmente repleto de mudas de árvores carnudas e frutíferas. É importante que as sementes sejam espalhadas longe das plantas-matrizes, tanto para permitir que as mudas escapem da competição com as próprias matrizes como para expandir a distribuição da espécie. Outra capacidade importante para a sobrevivência das sementes, particularmente na diversificada comunidade da floresta tropical, envolve a evasão dos predadores de sementes. Muitos besouros e outros insetos diferentes são especializados para se alimentar de determinados tipos de sementes. As sementes concentradas abaixo de uma planta-mãe são fáceis de serem localizadas pelos predadores de sementes. As sementes que são levadas para áreas ocupadas por diferentes espécies de plantas – e diferentes predadores de sementes – têm maior probabilidade de sobreviver. 54 A Floresta é a grande casa da fauna na Mata Atlântica Sendo assim, a vasta fauna que reside nesse ambiente, é responsável pelo importante serviço ecossistêmico de manutenção da flora ao dispersar as sementes. As aves de tamanhos diferentes são naturalmente atraídas por frutos carnudos ou de escamas cujos caules de espessura e resistência adequadas favorecem o pouso. Os mamíferos terrestres também ajudam a dispersar as sementes. Neste caso, as espécies propagadas são, em muitos casos, a caulifloria. Estas plantas apresentam flores e frutos que se desenvolvem nos troncos das árvores, que são acessíveis a animais incapazes de escalar ou voar. Uma espécie muito conhecida é a jabuticabeira, Plinia cauliflora (Mart.) Kausel, que é muito apreciada por capivaras, porcos do mato, cutias, quatis, macacos e insetos. Em outros casos, os frutos são cultivados na copa, mas caem à medida que amadurecem, abrindo-se apenas depois de caírem para atrair animais terrestres que os levarão para longe da árvore matriz. Muitos outros animais, desde formigas até macacos, estão envolvidos na dispersão de sementes. Os esquilos também são importantes dispersores de sementes em partes da América do Sul. O Caxinguelê, conhecido também como Serelepe ( Guerlinguetus alphonsei ), é um importante dispersor de sementes na Mata Atlântica. Ele costuma enterrar as sementes para depois comê-las, mas, costuma esquecer onde as enterrou. Essas sementes germinam dando origem a novas árvores. Desta forma, a diversificada comunidade vegetal é acompanhada por uma comunidade animal igualmente diversa em interdependência. Além de dispersar sementes, os animais são vitais para a reprodução da floresta tropical através da polinização das flores. Muitos insetos, como abelhas, mariposas, moscas e besouros, bem como pássaros e morcegos, realizam essa atividade. Aves como os beija- flores da América do Sul e Central e os pica-paus da Ásia têm adaptações que lhes permitem saborear o néctar das flores. No processo, inadvertidamente ficam polvilhadas com pólen, que posteriormente transportam para outras flores, polinizando-as. As plantas envolvidas também apresentam adaptações especiais na estrutura e cor das flores. A maioria das flores polinizadas por pássaros são vermelhas, uma cor altamente visível para esses animais, enquanto as flores polinizadas por mariposas que voam à noite são brancas ou rosa, e as polinizadas por insetos que voam durante o dia são geralmente amarelas ou laranja. Os morcegos são importantes polinizadores de certas flores claras e perfumadas que se abrem à noite nas florestas tropicais asiáticas (veja também a barra lateral: Flores que amam os morcegos). 55 Os cientistas são quase unânimes em afirmar que os trópicos serão os primeiros e os que mais sofrerão devido às alterações climáticas, embora a magnitude das alterações projetadas, bem como as tendências climáticas passadas, seja moderada em comparação com outras partes do mundo. As razões, embora complexas, incluem as más condições económicas da maioria da população, uma maior dependência dos recursos naturais e dos serviços ecossistêmicos e intervalos de temperatura relativamente estreitos. A projeção das alterações climáticas para os trópicos indica um aumento da temperatura de 0,4–1 °C, 0,8–3,2 °C e 1,2–6 °C até 2020, 2050 e 2100, respetivamente, em comparação com o período de referência (1961–1990). É provável que a concentração atmosférica de dióxido de carbono atinja 550–800 ppm, em relação ao nível atual de 400 ppm, até ao final deste século. A mudança associada ao clima nunca foi suave e provavelmente será expressa em termos de aumento de incertezas e extremos climáticos. O número de ondas de calor testemunhadas durante os últimos 25 anos (1990–2015) nos trópicos excedeu em comparação com os 70 anos anteriores. Da mesma forma, o número de eventos extremos de precipitação, bem como de secas, também aumentou no passado recente. É provável que estas mudanças tenham impacto nos recursos naturais, nas sociedades e na sua interdependência (Nath et al., 2019). As discussões sobre mudanças climáticas e suas influências nos ecossistemas florestais tropicais vêm sendo discutidos há várias décadas. As florestas tropicais são grandes reservas de carbono que dão suporte às necessidades de suporte de vida. O desmatamento massivo vem impactando nas condições globais do clima, devido ao aumento do dióxido de carbono, o aumento da temperatura e a deposição de azoto na estrutura e dinâmica das florestas. As florestas tropicais podem ser particularmente susceptíveis às alterações climáticas. Alterações na temperatura, pluviosidade afetam diretamente os acontecimentos fenológicos (floração e a frutificação), que estão intimamente ligados à sazonalidade. Assim, uma pequena mudança no clima pode ter um grande impacto na floresta, na sua diversidade biológica e no seu papel no ciclo do carbono. MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SEUS EFEITOS SOBRE A FLORAÇÃO E FRUTIFICAÇÃO 56 Estas mudanças, afetando a floração e a frutificação, causam, consequentemente, uma alteração dos recursos disponíveis para dar suporte à fauna. Um efeito em cascata, devido às interações evolucionárias entre esses grupos (animais e vegetação), irá afetar a dispersão de sementes. A polinização, devido ao seu alto grau de especialização, também sofrerá alterações significativas visto que apenas certos animais podem efetuar essas atividades para determinadas espécies, interferindo nessas estreitas interações co- evolutivas. Devido à elevada diversidade por unidade de área, as espécies da floresta tropical devem ter nichos estreitos. Assim, as mudanças no clima global podem eliminar espécies e, portanto, reduzir a diversidade biológica. A possível extinção de alguns grupos de animais (principalmente os frugívoros), ocasionado pela mudança do clima e da disponibilidade de alimentos e de ambiente adequado para sua existência, compromete a absorção de dióxido de carbono atmosférico pelas florestas (Bazzaz, 1990). Os trópicos, sendo particularmente vulneráveis às mudanças climáticas, enfrentarão impactos significativos nas suas florestas e ecossistemas associados. A previsão de aumento da temperatura média global e elevação das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono resultará em alterações fenológicas, afetando diretamente a floração e frutificação das plantas. Este fenômeno pode ter efeitos em cascata, impactando a fauna, a polinização e a dispersão de sementes, além de potencialmente reduzir a biodiversidade (Bazzaz, 1990; Nath et al., 2019). Estudos recentes indicam que as mudanças climáticas estão resultando em atrasos na floração e frutificação de espécies tropicais como Miconia quinquedentata , Pleroma clavatum e P. trichopodum , conforme análise de dados fenológicos coletados de herbários entre 1920 e 2018 (Lima et al., 2021). Essas variações fenológicas demonstram a sensibilidade das espécies tropicais às condições climáticas variáveis e sublinham a necessidade de monitoramento contínuo em áreas chave para a biodiversidade, como a Estação Ecológica de Tapacurá. Tais estudos são essenciais para entender os impactos das mudanças climáticas e para a formulação de estratégias de mitigação eficazes em áreas de biodiversidade crítica (KBA - Key Biodiversity Areas). O acompanhamento regular da ocorrência das espécies na área de Tapacurá, tanto da fauna como da flora, é essencial para entender como as mudanças climáticas vêm afetando a nossa biodiversidade. Esse conjunto de informações permite correlacionar o declínio de alguma espécie animal com o declínio de um grupo de plantas que servem de alimentação e abrigo. Mudanças climáticas e seus efeitos sobre a floração e frutificação 57 Mudanças nos eventos fenológicos foram amplamente documentadas em face das recentes mudanças climáticas globais. No entanto, as respostas das espécies tropicais ainda são pouco compreendidas, provavelmente devido a um melhor registro fenológicos de longo prazo nas florestas tropicais. Apesar disso, a utilização de dados disponíveis em herbárioscoletados entre 1920 e 2018 e analisados com estatística circular indicaram que os efeitos da faixa de temperatura, temperatura média, precipitação e fotoperíodo na floração e frutificação ocasionaram, por exemplo, atrasos na floração de Miconia quinquedentata , Pleroma clavatum e P . trichopodum , e na frutificação de M . acutiflora , P . clavatum e P . trichopodum . Segundo os pesquisadores, a ocorrência de floração e frutificação sofreu influência das condições climáticas locais nos meses anteriores às coletas. Essas variações fenológicas foram evidentes ao longo das décadas (Lima et al., 2021). Desta forma, o acompanhamento constante da biodiversidade em uma área de extrema relevância para a preservação de diversas espécies, como a Estação Ecológica do Tapacurá, pode evidenciar tendências mundiais de declínio ocasionadas pelas mudanças climáticas. Esses estudos também podem auxiliar na tomada de decisões quanto às medidas de mitigação e, servir como um termômetro da eficiência dessas ações sobre importantes KBA (Key Biodiversity Areas) em regiões tropicais. Mudanças climáticas e seus efeitos sobre a floração e frutificação Açude da Barragem do Tapacurá vista da borda da Mata do Camucim. Foto: Moura, G. J . B. 58 Referências 59 Para acessar todas as referências consultadas para a elaboração deste capítulo, escaneie o QR Code abaixo. E S T A Ç Ã O E C O L Ó G I C A D O T A P A C U R Á : Gradiente borda-centro e estacionalidade sobre parâmetros abióticos, heterogeneidade ambiental, florísticos e estruturais da floresta Mata do Camucim, Estação Ecológica do Tapacurá Foto: Siqueira, J. V. C. GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA A Mata Atlântica é considerada um dos biomas de maior biodiversidade do mundo, por apresentar alta incidência de endemismo e grande riqueza de espécies (Pedroso-Santos et al., 2024). No início do século XVI, este bioma ocupava cerca de 12% do território nacional, estendendo-se principalmente pela área costeira do Brasil, além do Paraguai e Argentina, daí a origem do nome (Rodrigues, 2005). Atualmente, ocupa aproximadamente 5% de sua área original, sendo classificada como um dos biomas mais ameaçados do planeta (MAPBIOMAS, 2024). No Nordeste do Brasil, a situação não é diferente. Nesta região, a Mata Atlântica encontra- se reduzida a 3% de sua área original (CN-RBMA, 2024), sendo composta por fragmentos desconectados que se distribuem desde a Bahia até o Ceará (CN-RBMA, 2024). Tal redução e fragmentação progressiva dos ecossistemas naturais causaram drásticos prejuízos à fauna e à flora nordestinas, incluindo desde o desaparecimento de espécies, até alterações na dinâmica das populações (Carvalho et al., 2022). Dentre os Estados nordestinos, o de Pernambuco destaca-se por apresentar 148 Unidades de Conservação em âmbito federal ( 22 UCs ), estadual ( 91 UCs ) e municipal ( 35 UCs ); das quais aproximadamente 80% ocorre em áreas do bioma Mata Atlântica, com fragmentos médios de 130 ha , totalizando cerca de 7.953 ha protegidos de Mata Atlântica no estado (Plataforma Ecológico-Econômica de Pernambuco, 2025). Apesar desse número significativo, pouco se conhece a respeito dessas áreas, principalmente aquelas localizadas na Zona da Mata do Estado (Santos, 2001; Moura et al., 2012; Moura, 2018). Nas últimas décadas, a comunidade científica tem intensificado pesquisas no bioma Mata Atlântica, objetivando compreender aspectos ecológicos da biota presente, pois com a redução deste bioma, muitas espécies podem ter sido extintas antes de serem conhecidas pela ciência (Marques & Sazima, 2004; Moura et al., 2012; Moura et al., 2018). O presente capítulo corresponde a um estudo investigativo sobre o efeito do gradiente borda- centro e da estacionalidade sobre parâmetros abióticos, heterogeneidade ambiental, florísticos e estruturais de dois fragmentos florestais da Estação Ecológica do Tapacurá. Estação Ecológica do Tapacurá Introdução 63 Estação Ecológica do Tapacurá Segundo Pinto & Fernandes (2020), é de senso comum a demanda urgente de conhecimentos zoológicos e ecológicos que orientem as políticas públicas de conservação ambiental no Brasil. Nesse sentido, este estudo oferece dados ecológicos que possibilitam conhecer um pouco mais a estruturação e estacionalidade em ambientes de Mata Atlântica, como também poderá contribuir com informações relevantes para a tomada de decisões que visem tanto à conservação e o manejo adequado das comunidades bem como do remanescente (Young et al., 2001; Colli et al., 2003), em especial, os inseridos no Centro de Endemismo Pernambuco, que se destaca na região Nordeste pela expressiva extensão e diversidade da fauna e flora conhecida (Tabarelli et al., 2005; Moura et al., 2011). Diante do acentuado grau de fragmentação da Mata Atlântica nordestina e das transformações antrópicas que afetam drasticamente a integridade ecológica dos remanescentes, torna-se urgente compreender os fatores que moldam a estrutura e a dinâmica desses ecossistemas. Em particular, o Estado de Pernambuco, inserido no Centro de Endemismo Pernambuco, abriga áreas de significativa biodiversidade, mas ainda carece de estudos detalhados sobre os padrões de variação espacial e temporal da vegetação e dos componentes abióticos. A Estação Ecológica do Tapacurá, apesar de sua importância ecológica e estratégica para a conservação da flora e fauna regionais, permanece subexplorada quanto à influência de gradientes ecológ icos internos , como borda-centro, e à resposta de seus parâmetros ambientais à sazon alidade. Desta f orma, tendendo recomendações de Moura et al., 2012 e Moura, 201 8 re ferent es a gestão d a Biodiversidade na Estação Ecológica do Tapacurá este traba lho objetivo u r egistrar as variações dos parâmetros abióticos, heterogeneidad e ambie ntal, florí stica e estruturais em dois fragmentos florestais da es tação, e t estar se e sse s aspectos variam em relação à estacionalidade e ao gradie nte bo rda- centr o . 64 As coletas in loco para este estudo foram realizadas em dois fragmentos da Estação Ecológica do Tapacurá, a Mata do Camucim e a Mata do Alto da Buchada (Figura 1), conforme autorização do IBAMA/ICMBio-RAN (Proceso nº 088/07). Estação Ecológica do Tapacurá Área de estudo Referente à temperatura, mostrou-se inversamente proporcional à precipitação, com pico máximo em dezembro de 2007 (taxa mínima de precipitação e déficit hídrico extremo) e mínim o em agosto de 2008 (taxa máxima de precipitação); enquanto a umidade relativa do a r e a profundid ade dos corpos d’água mostraram-se concomitantes à precipitação, c om picos de umidade próximos aos valores máximos de precipitação e mínimos de temperatur a. Os copos d’ água alcançaram profundidade máxima cinco meses após o déficit hídr i co zer ar, entre j ulho e agosto dos dois anos de amostragem (2007 e 2008), período e m qu e também fora m registrados os maiores volumes de precipitação e os m aiores val or es de défic it híd rico posi tivo. Ao decorrer dos vinte meses de amostragem (maio de 2007 a dezembro de 2008), observou-se um déficit hídrico entre os meses de outubro de 2007 e março de 2008, com pico máximo em dezembro de 2007 (-3.86 mm/dia), caracterizando o período seco, que ocorre historicamente entre setembro e fevereiro na macrorregião estudada. Os demais meses representam o período chuvoso, com precipitação máxima registrada em junho de 2007 (5.391,09 mm) e em agosto de 2008 (5.326,34 mm). Aspectos referentes à localização espacial e à caracterização geral da fauna dos fragmentos aqui apresentados poderão ser encontrados nos demais capítulos deste livro. 65 Material e Métodos Assim sendo, foram registrados nas quatro linhas de transectos (L1/T1, L2/T2, L3/T3, L4/T4), cada uma composta por sete parcelas equidistantes de 20 x 20m (Figuras 1 e 2), as variáveis estruturadoras do habitat em ambas as estações (chuvosa e seca), conforme metodologias adaptadas de Giraldelli (2007), Moura (2010), Fonseca et al. (2017) e Lira et al. (2020). A caracterização das variações abióticas, topográficas e estruturais, seja dos corpos d’água ou dos transectos e parcelas distribuidos ao longo do gradiente borda-centro, permite inferir como a heterogeneidade ambiental se comporta em função desse gradiente. Assim como, possibilita de forma extrapolável, identificar os reais parâmetros ambientais que influenciam a distribuição de alguns grupos faunísticos na EET, com seus respectivos graus de importância. Caracterização abiótica, topográfica e fitossociológica dos corpos d’água e das linhas de transectos e parcelas inseridas ao longo do gradiente borda-centro Metodologia 1 66 Figura 1. Fotografia aérea da EET, evidenciando as linhas (L1, L2, L3, L4), constituídas por 7 “parcelas” (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7); além das trilhas percorridas (T1, T2, T3 e T4) e os corpos de água estudados (CA1, CA2 e CA3) (Fonte: Google Earth, 2025). 1 2 3 4 5 6 7 Figura 2. A. Arquitetura das linhas e parcelas dispostas nos fragmentos Mata do Camucim e Mata Alto da Buchada na EET, remanescentes de Mata Atlântica, Nordeste do Brasil (Legenda: P = parcela). B. Veículo utilizado para o monitoramento das quatro linhas e 28 parcelas de amostragens supracitadas, registro em 26/05/2007 na Mata do Alto da Buchada com três pesquisadores da equipe, Geraldo Jorge Barbosa de Moura (no volante), Edson Victor Euclides de Andrade (em pé) e Sávio Mendonça (no banco de trás). Estação Ecológica do Tapacurá B A 67 Parâmetros bióticos e abióticos Área (m²): Registrada através da aplicação da fórmula para cálculo da área de uma circunferência para os corpos d’água (Área dos corpos d’água = raio²) e de um quadrado para as parcelas dos transectos (Área das parcelas = lado x comprimento). Coordenadas geográficas: Registradas com auxílio de um GPS, marca Garmin Etrex Vista Hcx. 2 1 Altitude (m): Registradas com auxílio de um GPS, marca Garmin Etrex Vista Hcx. Distância da borda, tomando como referencial o lago Tapacurá (m): Registrada com auxílio de trena milimetrada. 4 3 Número de rochas: Contagem direta. Inclinação do terreno / declividade (graus): Registrado através de bússola, marca Adventure Meeting . 6 5 Proximidade da água (m): Registrada com auxílio de trena milimetrada. Grau de cobertura do dossel (%): Registro feito através de uma armação quadrada de PVC de 0.25m de lado, cuja área interna foi dividida por fios de nylon distantes 2,5cm entre si, preenchendo a área interna do quadrado com 100 parcelas idênticas, as quais indicaram, em nível percentual, o nível de abertura (áreas não sombreadas) ou cobertura (áreas sombreadas) do dossel (Figura 3). 8 7 Figura 3. Armação de PVC utilizada na medição do grau de cobertura do dossel na EET As áreas não sombreadas (em destaque) representam o grau de abertura do dossel. 68 Espessura média do folhiço (cm): Registro com auxílio de um paquímetro marca Marberg com precisão de 0,05 mm. Altura máxima aproximada da vegetação (m): Registrada com auxílio de trena milimetrada, marca Magellan. 10 9 Altura do sub-bosque (cm): Registrada com auxílio de fita milimetrada, marca Magellan e classificada em baixa (1,0- 1,5m), média-baixa (1,5-2,0m), média- alta (2,0-2,5m) e alta (2,5-3,0m). Densidade do sub-bosque (m²): Contagem direta dos indivíduos vegetais com altura máxima de 3m. 12 Número de árvores (diâmetro acima de 3cm): Contagem direta. DAP (diâmetro a altura do peito) médio das árvores vivas e mortas: Registrada com auxílio de fita milimetrada. 14 13 Presença de gramíneas: Contagem direta. Altura das gramíneas: Registrada com auxílio de fita milimetrada. 16 15 11 Presença de bromeliaceae arbóreas ou terrestres: Contagem direta. Presença de Agavaceae: Contagem direta. 18 17 Presença de lianas: Contagem direta. Presença de cipós: Contagem direta. 20 19 69 Famílias vegetais presentes: Registro através de material testemunho, identificado por especialistas no Herbário da UFRPE. Espécie(s) e Família(as) vegetal(is) predominante(s): Observação e contagem direta. 22 21 Número de espécie(s) em floração: Contagem direta. Número de espécie(s) em frutificação: Contagem direta. 24 Presença de musgos: Contagem direta. Presença de fungos: Contagem direta. 26 25 Presença de líquens: Contagem direta. Número de moitas/extensão: Contagem direta. 28 27 23 Número de raízes tabulares: Contagem direta. Presença de troncos no chão com diâmetro superior a 10 cm: Contagem direta. 30 29 Número de formigueiros: Contagem direta. Número de cupinzeiros: Contagem direta. 32 31 70 No que se refere especificamente aos parâmetros 15, 18 a 20 e 25 a 32 mencionados, seus registros foram categorizados conforme frequência de ocorrência, a saber: raro (< 25%), pouco frequente (25% – 50%), frequente (50% – 75%) e muito frequente (> 75%). Essa categorização teve como objetivo atender às exigências das análises estatísticas apresentadas posteriormente. Os mesmos parâmetros também foram registrados nos corpos d’água analisados (CA1, CA2 e CA3), quando pertinentes. Análise e Tratamento dos dados 2 Com auxílio do Teste t Student (α), foi testada a existência de diferenças significativas nas variáveis abióticas, topográficas e estruturais registradas nas 28 parcelas (Tabela I-VIII; Apêndice) considerando-se as estações seca e chuvosa, bem como a posição das parcelas em relação ao gradiente borda-centro dos fragmentos analisados. As análises foram realizadas por meio do software Statistica , versão 8.0, e os valores foram considerados significativamente diferentes quando p < 0,05. Para fins de caracterização das linhas de transecto, adotou-se o somatório dos valores das sete parcelas de cada linha para os seguintes parâmetros: número de rochas, número de árvores, espécies em floração, espécies em frutificação, presença de moitas, raízes tabulares, formigueiros e cupinzeiros. Os demais parâmetros foram representados pelas médias das sete parcelas de cada linha. Para testar a existência de diferenças significativas no índice de complexidade e heterogeneidade ambiental entre os quatro transectos/linhas, entre as parcelas de cada linha e entre as 28 parcelas nas estações secas e chuvosas, foi aplicada análise de variância (ANOVA), com auxílio do software SPSS, versão 13.0. Foram consideradas significativas as diferenças com p < 0,05. Conforme metodologia adaptada de Lopes & Storck (1998), o grau de complexidade e heterogeneidade ambiental dos quatro transectos/linhas e das 28 parcelas, foi calculado com base no somatório dos valores absolutos dos 28 parâmetros ambientais registrados em ambas as estações. A diferença entre os valores extremos foi dividida em três partes iguais. As partes foram, então, classificadas quanto à heterogeneidade ambiental da seguinte forma: baixa (1º terço), média (2º terço) e alta (3º terço da variação total) (Lopes e Storck, 1998). 71 Quando possível as variáveis não testadas (estatística descritiva) e os resultados dos testes supracitados foram plotados graficamente para melhor análise do padrão de variação das respostas analisadas. Caracterização das variáveis ambientais nos três corpos d’água analisados e o efeito da estacionalidade sobre esses parâmetros Resultados e Discussão 1 Corpo d'água 1 (CA1): Ambiente temporário lêntico, localizado na borda Oeste da Mata do Alto da Buchada, com área máxima aproximada de 250m2, quando com volume máximo (julho – agosto 2008) (08o02’22”S / 35o11’50”W). A maior parte da área ocupada pela poça encontra-se coberta por gramíneas eretas, enquanto uma porção de aproximadamente 16m2, quando com capacidade máxima, apresenta a lâmina d’água exposta; na área emersa pode-se constatar um complexo entrelaçado formado pelas hastes das gramíneas submersas em toda a extensão do corpo d’água. O solo da área ocupada pelo corpo d’água é classificado como humífero, segundo classificação proposta pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (2024), com presença de muitos troncos, ga lhos e folhas em decomposição. A água é bastante turva devido à presença de filossilicatos carreados pela água das chuvas. Em seu entorno foi registrada a presença de vegetais pertencentes às famílias (em ordem de abundância): Cesalpiniaceae, Moraceae, Rubiaceae, Melastomataceae, Piperaceae, Poaceae, Agavaceae, Araceae, Leguminosae, Bromeliaceae e Cactaceae. Na borda Sul voltada para a trilha que permite o acesso ao corpo d'água, é perceptível a ausência de vegetação arbórea, sendo constituída apenas por gramíneas, com altura média de 30cm. E nas extremidades observa-se a presença de duas árvores que projetam suas copas, sombreando metade da borda sul. As bordas Norte e Oeste apresentam-se circundadas por vegetação fechada, sendo constituídas por vegetação emergente e marginal com altura média de 40cm, além da presença de árvores cujas copas se projetam em direção à lâmina d’água, em busca de luminosidade. A borda leste também é envolvida por vegetação fechada, contudo, as copas das árvores não se projetam sobre o espelho d’água, e essa margem apresenta-se quase desprovida de vegetação emergente e marginal. 72 Estação Ecológica do Tapacurá Figura 4. Corpo d’água 1 - CA1 (08º02’22”S / 35º11’50”W), localizada na Mata do Alto da Buchada. A. Estação chuvosa, com volume máximo (01/08/2008) e B : Estação seca (29/12/08). No centro do CA1, foram encontrados muitos troncos parcialmente emersos, provenientes da queda natural de copas arbóreas, além de uma abundante vegetação emergente e presença de gramíneas eretas. Quanto ao período de existência desse corpo d’água, observou-se, em ambos os anos de amostragem, o início do acúmulo de água no mês de março (primeiro mês da estação chuvosa), com profundidade máxima registrada entre julho e agosto (115 cm), secando completamente ao final de dezembro (meio da estação seca) (Figura 4). Vale destacar que a caracterização apresentada está em conformidade com a descrição de Santos (2001), referente ao mesmo corpo d’água analisado no período de 1999 a 2000. A B Corpo d'água 2 (CA2): Ambiente lótico permanente (córrego), situado na Mata do Camucim (08º02’21”S / 35º11’54”W), com fluxo no sentido leste-oeste e leito com aproximadamente 2 metros de largura. O solo é classificado como humífero, conforme o SiBCS (2024), e a água apresenta-se bastante turva, devido à presença de areia e filossilicatos carreados pela correnteza, com velocidade média estimada em 4 m/s. O córrego limita-se ao norte com a trilha principal de acesso à sede da EET, cujas margens apresentam elevada concentração de rochas; ao sul, limita-se com mata fechada, da qual partem árvores que projetam suas copas, recobrindo aproximadamente metade da lâmina d’água. Não foram observadas vegetações emergentes nem espécies aquáticas flutuantes. Em seu entorno, foram identificadas espécies vegetais pertencentes às seguintes famílias, em ordem de abundância: Leguminosae, Melastomataceae, Piperaceae, Poaceae, Araceae, Cesalpiniaceae, Agavaceae e Bromeliaceae. Não foram detectadas variações na heterogeneidade ambiental entre as estações seca e chuvosa, sendo a profundidade média do corpo d’água constante, em torno de 160 cm (Figura 5). 73 501 Estação Ecológica do Tapacurá 74 Figura 5. Corpo d’água 2 – CA2 (08º02’21”S / 35º11’54”W), localizada na Mata do Camucim (01/08/2008). Corpo d'água 3 (CA3): Localizado no centro da Mata do Alto da Buchada (08º02’13’’S / 35º12’01’’W), tangenciando uma trilha que corta transversalmente o fragmento, e possui uma área aproximada de 150m². A lâmina d’água mostrou-se praticamente exposta, embora sejam encontradas em baixa frequência gramíneas eretas; na área emersa pode- se constatar um complexo entrelaçado formado pelas hastes das gramíneas submersas em toda a extensão do corpo d’água. O solo é do tipo humífero, apresenta acúmulo de folhas, troncos e galhos em decomposição. A água é bastante turva devido à presença de filossilicatos carreados pela água das chuvas. Em seu entorno registrou-se a presença de vegetais pertencentes às seguintes famílias (em ordem de abundância): Moraceae, Leguminosaceae, Melastomataceae, Piperaceae, Poacea, Agavaceae e Araceae. A Borda Norte limita-se com uma trilha, embora esteja bem protegida por arbustos e árvores que cobrem parcialmente a lâmina d’água; as demais bordas ficam circundadas pela mata fechada, sendo as bordas Leste e Oeste constituídas por árvores que projetam suas copas de forma a cobrir totalmente essas laterais, estendendo-se até ao centro do corpo d’água; enquanto que a borda Sul é circundada inicialmente por arbustos de pequeno porte (altura média de 40cm), estando às primeiras árvores afastadas aproximadamente 3m da borda. O centro do corpo d’água apresenta-se desprovido de vegetação, com a lâmina d’água inteiramente exposta. Nos dois anos de amostragem, a água começou a se acumular no início do mês de abril (segundo mês da estação chuvosa), atingindo profundidade máxima entre julho e agosto (110 cm) e secando ao final do mês de dezembro (Figura 6). 501 75 Figura 6. Corpo d’água 3 – CA3 (08º02’13’’S / 35º12’01’’W), localizada na Mata do Alto da Buchada. A. estação chuvosa (01/08/2008) e B. estação seca (29/12/08). A B Ao comparar os três corpos d’água, observa-se que o CA1 se destaca por apresentar maior complexidade física e heterogeneidade ambiental, favorecendo o estabelecimento de uma comunidade biótica mais diversificada e estável em relação ao CA2 e CA3. Estes últimos apresentaram menor heterogeneidade ambiental, ou seja, menor variedade de recursos disponíveis, o que sugere uma possível redução na diversidade biológica (Vidal & Cintra, 2006). Estes dados corroboram com Haddad & Prado (2005), os quais afirmam que a maior heterogeneidade ambiental dos ambientes florestais, em comparação aos ambientes abertos, pode suportar uma maior riqueza de espécies, por fornecer um maior número de microambientes adequados à reprodução e ao abrigo da fauna. Caracterização das variáveis ambientais nos quatro transectos/linhas de parcelas analisados e o efeito da estacionalidade sobre esses parâmetros 2 Transecto da linha 1 (TL1): Trilha com 500m de extensão (extremo borda: 08º02’39,4’’S / 035º12’05,8’’W; extremo centro: 08º02’43,3’’S / 035º12’05,8’’W), referente à linha 1 de 7 parcelas, localizada perpendicular ao Lago Tapacurá, entre a borda e o centro do fragmento Mata do Alto da Buchada; as seguintes famílias de vegetais foram registradas (em ordem de abundância): Caesalpiniaceae, Anacardiaceae, Moraceae, Rubiaceae, Bombacaceae, Sapindaceae, Leguminosae, Anonaceae, Orchidaceae, Melastomataceae, Piperaceae, Myrtaceae, Poacea, Urticaceae, Agavaceae, Nyctaginaceae, Araceae, Cactaceae e Bromeliaceae, destacando a Cesalpinea echinata Lamarck (pau-brasil) e Spondias mombin L. (cajazeiro) como as espécies mais freqüentes (Tabela I e II; Apêndice). No que se refere aos parâmetros que não variaram de acordo com a estacionalidade, pode-se citar: altitude média (142m), número de rochas (870), inclinação do terreno (21º), altura máxima aproximada da vegetação (14.5m), altura média do sub-bosque (1.5 - 2.0m), densidade do sub-bosque (28.5%), número de árvores (302), DAP médio das árvores com diâmetro maior que 3cm (36.5cm), número de famílias vegetais (21), presença média de bromélias (7.1%), presença média de Agavaceae (78.5%), presença média de lianas (75%), presença média de cipós (75%), número de moitas (17), número de raízes tabulares (1), presença média de troncos no chão com diâmetro maior que 10cm (25%), número de formigueiros (1) e número de cupinzeiros (22) (Tabela I e II; Apêndice). 501 Estação Ecológica do Tapacurá 76 Em relação aos parâmetros ambientais que variaram de acordo com a estacionalidade, registraram-se nas estações chuvosas as seguintes médias: grau de cobertura do dossel (81.4%), espessura do folhiço (1.14cm), presença de gramíneas (21.4%), altura das gramíneas (21cm), número de espécies em floração (7), número de espécie em frutificação (15), presença de musgos (50%), presença de fungos (60.7%), presença de liquens (75%) (Tabela I; Apêndice); em relação às estações secas, registraram-se as seguintes médias: grau de cobertura do dossel (72.8%), espessura do folhiço (3cm), presença de gramíneas (10.7%), altura das gramíneas (12.8cm), presença de musgos (10.7%) e ausência de fungos, líquens, espécies em floração e frutificação (Tabela II; Apêndice).Dentre os 28 parâmetros ambientais registrados, mostraram-se significativamente diferentes em relação à estação chuvosa e seca os seguintes parâmetros: espessura média do folhiço (α = 0.283 / gl = 12 / p = 0.0001), presença de gramíneas (α = 0.256 / gl = 12 / p = 0.05) e presença de musgos (α = 0.296 / gl = 12 / p = 0.0001). Transecto da linha 2 (TL2): Trilha com 500m de extensão (08º02’26,1’’S / 035º11’52,7’’W a 08º02’21,7’’S / 035º11’49,8’’W), correspondente à linha 2 de parcelas, localizada perpendicular ao Lago Tapacurá, entre a borda e o centro do fragmento Mata Alto da Buchada; as seguintes famílias vegetais foram registradas (em ordem de abundância): Cesalpiniaceae, Moraceae, Myrtaceae, Cecropiaceae, Agavaceae, Melastomataceae, Cactaceae, Arecaceae, Bignoniacea, Rubiaceae, Poaceae, Bombacaceae, Anacardiacea, Lythraceae, Sapindaceae, Moraceae, Araceae e Pteridófitas, destacando a Cesalpinea echinata Lamarck (pau-brasil) como a espécies mais frequentes (Tabela III e IV; Apêndice). Os parâmetros que não variaram de acordo com a estacionalidade foram: altitude média (140m), número de rochas (313), inclinação do terreno (4.3º), altura máxima aproximada da vegetação (16.5m), altura média do sub-bosque (1.5 - 2.0m), densidade do sub-bosque (67.8%), número de árvores (265), DAP médio das árvores com diâmetro maior que 3cm (36.7cm), número de famílias vegetais (18), presença média de bromélias (3.5%), presença média de Agavaceae (46.4%), presença média de lianas (35.7%), presença média de cipós (25%), número de moitas (4), presença média de troncos no chão com diâmetro maior que 10cm (25%), número de formigueiros (2), número de cupinzeiros (28) e ausência de raízes tabulares (Tabela III e IV; Apêndice). Em relação aos parâmetros ambientais que variaram de acordo com a estacionalidade, registraram-se nas estações chuvosas as seguintes médias: grau de cobertura do dossel (79.28%), espessura do folhiço (1.7cm), presença de gramíneas (21.4%), altura das gramíneas (21cm), número de espécies em floração (5), número de espécie em frutificação (6), presença de musgos (25%), presença de fungos (21.4%), presença de líquens (25%) (Tabela III; Apêndice); em relação às estações secas, registraram-se as seguintes médias: grau de cobertura do dossel (62.1%), espessura do folhiço (3cm), presença de gramíneas (17.8%), altura das gramíneas (21.4cm) e ausência de musgo, fungos, líquens e espécies em floração e frutificação (Tabela IV; Apêndice). Dentre os 28 parâmetros ambientais registrados, mostrou-se significativamente diferente em relação à estação chuvosa e seca apenas a variável espessura média do folhiço (α = 0.302 / gl = 12 / p = 0,0001). 501 Estação Ecológica do Tapacurá 77 Transecto da linha 3 (TL3): Trilha com 500m de extensão (08º02’24,4’’S / 035º11’34,0’’W a 08º02’15,5’’S / 035º11’38,7’’W), correspondente à linha 3 de parcelas, localizada perpendicular ao Lago Tapacurá, entre a borda e o centro do fragmento “Mata do Camucim”; as seguintes famílias vegetais foram registradas (em ordem de abundância): Cesalpiniaceae, Anacardiaceae, Mimosaceae, Secropiaceae, Sapindaceae, Passifloraceae, Piperaceae, Poaceae, Melastomataceae, Araceae, Orchidaceae, Mimosaceae, Rubiaceae e Agavaceae, destacando-se Cesalpinea echinata Lamarck (pau-brasil) e Spondias mombin (cajazeiro) como as espécies mais frequentes (Tabela V e VI; Apêndice). No que se refere aos parâmetros que não variaram de acordo com a estacionalidade, pode-se citar: altitude média (201m), número de rochas (291), inclinação do terreno (13.7º), altura máxima aproximada da vegetação (14.5m), altura média do sub-bosque (1.5 – 2.0m), densidade do sub-bosque (50%), número de árvores (219), DAP médio das árvores com diâmetro maior que 3cm (37.6cm), número de famílias vegetais (16), presença média de Agavaceae (35.7%), presença média de lianas (57.1%), presença média de cipós (64.2%), número de moitas (3), presença média de troncos no chão com diâmetro maior que 10cm (50%), número de formigueiros (2), número de cupinzeiros (12) e ausência de bromélias e raízes tabulares (Tabela V e VI; Apêndice). Em relação aos parâmetros ambientais que variaram de acordo com a estacionalidade, registraram-se nas estações chuvosas as seguintes médias: grau de cobertura do dossel (84.2%), espessura do folhiço (1.5cm), presença de gramíneas (35.7%), altura das gramíneas (22.1cm), número de espécies em floração (6), número de espécie em frutificação (6), presença de musgos (42.8%), presença de fungos (42.8%), presença de liquens (89.2%) (Tabela V; Apêndice); em relação às estações secas, registraram-se as seguintes médias: grau de cobertura do dossel (70%), espessura do folhiço (4cm), presença de gramíneas (7.14%), altura das gramíneas (11.4cm), presença de musgos (7.1%), presença de fungos (7.1%) e ausência de líquens e espécies em floração e frutificação (Tabela VI; Apêndice). 501 Estação Ecológica do Tapacurá 78 Transecto da linha 4 (TL4): Trilha com 500m de extensão (08º02’18,9’’S / 035º11’25,6’’W a 08º02’12,8’’S / 035º11’34’’W), referente à linha 4 de parcelas, localizada perpendicular ao Lago Tapacurá, entre a borda e o centro do fragmento Mata do Camucim; as seguintes famílias vegetais foram registradas (em ordem de abundância): Cesalpiniaceae, Poaceae, Agavaceae, Orchidaceae, Myrtaceae, Poaceae, Melastomatácea, Anacardiaceae, Heliconiaceae, Piperaceae, Araceae, Arecaceae, Moraceae, Leguminosae, Rubiaceae e Lythraceae, destacando Cesalpinea echinata Lamarck (pau-brasil) como a espécie mais frequente (Tabela VII e VIII; Apêndice). No que se refere aos parâmetros que não variaram de acordo com a sazonalidade, pode- se citar: altitude média (201m), número de rochas (1243), inclinação média do terreno (8.2º), altura máxima média aproximada da vegetação (12.1m), altura média do sub- bosque (1.5 – 2.0m), densidade do sub-bosque (50%), número de árvores (149), DAP médio das árvores com diâmetro maior que 3cm (72.8cm), número de famílias vegetais (15), presença média de bromélias (7.1%), presença média de Agavaceae (35.7%), presença média de lianas (42.8%), presença média de cipós (53.5%), número de moitas (7), presença média de troncos no chão com diâmetro maior que 10cm (21%), número de formigueiros (4), número de cupinzeiros (12) e ausência de raízes tabulares (Tabela VII e VIII; Apêndice). Em relação aos parâmetros ambientais que variaram de acordo com a sazonalidade, registraram-se nas estações chuvosas as seguintes médias: grau de cobertura do dossel (78.2%), espessura do folhiço (1.7cm), presença de gramíneas (50%), altura das gramíneas (45.7cm), número de espécies em floração (9), número de espécie em frutificação (7), presença de musgos (7.1%), presença de fungos (50%), presença de líquens (50%) (Tabela VII; Apêndice); em relação às estações secas, registraram-se as seguintes médias: grau de cobertura do dossel (67.8%), espessura do folhiço (4cm), presença de gramíneas (14.2%), altura das gramíneas (34.2cm), presença de musgos (3.5%), presença de fungos (3.5%) e ausência de líquens e espécies em floração e frutificação (Tabela II; Apêndice). 501 Estação Ecológica do Tapacurá 79 No tocante à caracterização dos 28 parâmetros ambientais supracitados, registrados durante as estações chuvosas e secas nos 4 transectos/linhas analisados, 21 mostraram- se semelhantes estatisticamente, embora tenha sido detectado diferenças estatísticas em nove parâmetros: 1) espessura média do folhiço (α = 0.726 / gl = 26 / p < 0.001), com pico positivo nas estações secas (4cm); 2) grau de cobertura do dossel (α = 0.672 / gl = 26 / p = 0,012), com pico positivo nas estações chuvosas (98%); 3) presença de gramíneas (α = 0.427 / gl = 26 / p < 0.001), com pico positivo nas estações chuvosas (75%); 4) presença de musgos (α = 0.271 / gl = 26 / p < 0.001), com pico positivo nas estações chuvosas (75%); 5) presença de fungos (α = 0.297 / gl = 26 / p < 0.001), com pico positivo nas estações chuvosas (75%); 6) espécies em floração (α = 0.825 / gl = 26 / p = 0.001), com pico positivo nas estações chuvosas (9); 7) espécies em frutificação (α = 0.673 / gl = 26 /p = 0.001), com pico positivo nas estações chuvosas (15); 8) altura das gramíneas (α=0.467/ gl=26 / p=0,003), com pico positivo nas estações chuvosas (40cm) e 9) presença de líquens, registrada apenas nas estações chuvosas (Tabela I-VIII; Apêndice), o que ressalta a potencial possibilidade de registro diferencial da fauna nos 4 transectos/linhas analisados, devido à heterogeneidade desses sete parâmetros supracitados, que contribuem positivamente para a intensificação da disponibilidade de microhabitats e ocorrência de espécies especialistas (Souza et al., 2008). Torna-se cada vez mais evidente a influência da estrutura física dos ambientes sobre a riqueza e composição da sua biota (Vitt et al., 2007). Nos ambientes terrestres, dentre os vários fatores influenciantes, destaca-se a estrutura física da vegetação, como o parâmetro mais relevante ao estabelecimento de padrões espaciais e temporais da fauna, principalmente por ser um grande regulador da complexidade e heterogeneidade ambiental (Vitt et al., 2007). Vale ressaltar que devido às especificidades de vida dos animais, o tipo e intensidade das respostas dependem do grupo taxonômico em questão (Terborgh & Petren, 1991). A complexidade e heterogeneidade da vegetação podem ser responsáveis por diferenças entre os ambientes, em relação à produtividade primária, disponibilidade de recursos, interações interespecíficas e diferenças microclimáticas (Pickett & White, 1985). 501 Estação Ecológica do Tapacurá 80 Em relação ao grau de complexidade e heterogeneidade ambiental proposto por Lopes & Strock (1998) (Tabela 1), destacam-se os transectos/linhas 3 e 4 como os de maior heterogeneidade nas estações chuvosa e seca respectivamente. No que se refere à variação do grau de complexidade e heterogeneidade ambiental em relação à estacionalidade, os transectos/linhas 1, 2 e 4 mostraram-se sem diferença estatística enquanto que a linha 3 mostrou-se estatísticamente diferente (Tabela 1); fato decorrente dos parâmetros que se mostraram sensíveis a estacionalidade estarem em alta frequência no transecto/linha 3 (espessura do folhiço, presença e altura das gramíneas, número de espécies em floração e em frutificação, presença de musgos, fungos e líquens); isto poderá possibilitar uma ocupação da fauna mais diversificada, decorrente da maior disponibilidade de nichos espaciais a serem ocupados (Vitt et al., 2007). Outro aspecto a ser considerado é a análise da variação da inclinação do terreno/declividade e altitude, pois fragmentos sujeitos a maior declividade e maior altitude tendem a proporcionar melhores condições à conservação, além de apresentarem paisagens mais complexas e menos modificadas pelo homem em relação às regiões de relevo plano (Basile, 2006). Em relação a EET, as linhas 1 e 3, referentes às porções Sul das Matas do Alto da Buchada e Camucim respectivamente mostram-se com maior declividade (Figura 7-A), assim como as linhas 3 e 4 referentes à Mata da Camucim possuem maior média de altitude (Figura 7-B); possibilitando com base na proposta de Metzger (2001) e na análise do grau de complexidade e heterogeneidade ambiental (Tabela 1), sugerir a linha 3 como área prioritária da EET a ser conservada. Sugestão essa que poderá (ou não) ser reforçada pelo padrão de utilização dos recursos (temporal e espacial) registrado pela fauna em análises futuras (Van Damme et al., 1989; Fonseca et al., 2017; Lira et al., 2020). 501 Estação Ecológica do Tapacurá 81 Tabela 1. Grau de Complexidade e Heterogeneidade ambiental registrado nos 4 transectos/linhas em ambas as estação na EET, segundo adaptação de Lopes & Strock (1998). Embora os estudos que visem compreender o efeito de borda em ambientes florestais estejam cada vez mais frequentes, ainda existem controvérsias em relação à extensão da área de borda (Rodrigues, 1998). Neste trabalho foi adotada a definição de Herrmann et al. (2005), os quais afirmam que para fragmentos de formato quadrangular e extensão similar aos analisados na EET, 35% de sua área (porção mais periférica) apresenta-se afetada pelo efeito de borda, o que equivale aproximadamente aos primeiros 175m de extensão no sentido borda-centro, correspondendo às parcelas 1 (10m), 2 (90m,) e 3 (170m) das linhas de transecto; as demais seriam consideradas “teoricamente” como centro. 501 Estação Ecológica do Tapacurá 82 Figura 7. Registro de variação da inclinação do terreno / declividade (A) e altitude (B) nas 28 parcelas analisadas na EET referentes às estações chuvosa e seca dos anos de 2007 e 2008. Caracterização dos parâmetros ambientais nas áreas de borda e centro dos fragmentos analisados em ambas as estações 3 Dentre as 28 variáveis ambientais registradas, 19 (68%) não variaram de acordo com a estacionalidade, e destas 17 (60%) não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre a borda e o centro dos fragmentos analisados: altitude média (α = 0.226 / gl = 22 / p = 0.416); inclinação do terreno (α = 0.502 / gl = 22 / p = 0.310); altura máxima aproximada da vegetação (α = 0.057 / gl = 22 / p = 0.477); altura média do sub- bosque (α = -0.980 / gl = 22 / p = 0.168); densidade do sub-bosque (α = 0.006 / gl = 22 / p = 0.58); número de árvores (α = 0.610 / gl = 22 / p = 0.273); DAP médio das árvores com diâmetro maior que 3cm (α = -0.069 / gl = 22 / p = 0.477); número de famílias vegetais (α = 0.329 / gl = 22 / p = 0.372); presença média de bromélias (α = -0.48 / gl = 22 / p = 0.316);presença média de gavaceae (α = 1.38 / gl = 22 / p = 0.09); presença média de lianas (α = 0.76 / gl = 22 / p = 0.227); número de moitas (α = 0.942 / gl = 22 / p = 0.178); presença média de troncos no chão com diâmetro maior que 10cm (α = 1.483 / gl = 22 / p = 0.076);número de formigueiros (α = -1.253 / gl = 22 / p = 0.111) e número de cupinzeiros (α = 0.607 / gl = 22 / p = 0.276); enquanto que dois mostraram-se estatisticamente diferentes: número de rochas (α = -1.708 / gl = 22 / p = 0.057), com predominância no centro dos fragmentos analisados e presença média de cipós (α = -1.813 / gl = 22 / p = 0.041), com pico nas áreas de borda (Tabela I - VIII; Apêndice). 501 83 No que se refere às nove variáveis ambientais que variaram de acordo com a estacionalidade, registrou-se na estação chuvosa, sete que não variaram em relação às áreas de borda e centro: grau de cobertura do dossel (α = 0.698 / gl = 22 / p = 0.246); espessura média do folhiço (α = -0.211 / gl = 22 / p = 0.417); presença de gramíneas (α = 1.59 / gl = 22 / p = 0.062); número de espécies em floração (α = 0.924 / gl = 22 / p = 0.182); número de espécies em frutificação (α = -1.298 / gl = 22 / p = 0.103); presença de fungos (α = 1.199 / gl = 22 / p = 0.121); presença de líquens (α = -0.571 / gl = 22 / p = 0.286) e dois se mostraram estatisticamente diferentes: altura média das gramíneas (α = -1.744 / gl = 22 / p = 0.047), com predominância nas áreas de borda, e presença média de musgos (α = -1.854 / gl = 22 / p = 0.038), com maior abundância no centro dos fragmentos. Em relação à estação seca, dois parâmetros ambientais não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre as regiões de borda e centro: espessura do folhiço (α = -0.000 / gl = 22 / p = 0.5) e altura das gramíneas (α = 1.636 / gl = 22 / p = 0.057); três não foram registrados nessa estação (número de espécies em floração, número de espécies em frutificação e presença de líquens) e quatro mostraram-se estatisticamente diferentes em relação à borda e o centro dos fragmentos: grau de cobertura do dossel (α = 1.758 / gl = 22 / p = 0.047), presença de musgos (α = -3.316 / gl = 11 / p = 0.003) e presença de fungos (α = -1.914 / gl = 11 / p = 0.04), predominantes no centro dos fragmentos, assim como presença de gramíneas (α = 2.708 / gl = 22 / p = 0.006), teve maior abundância nas áreas de borda. Segundo Didhan & Lawton (1999), as bordas são áreas mais expostas às perturbações externas, com maior diversidade de espécies vegetais, maior densidade da flora e maior produtividade primária (MacDougall & Kellman, 1992). Resumidamente, as bordas são áreas de ecótonos, onde as paisagens se modificam de forma abrupta (Ferreira & Ramos, 2007). Comparando-se a borda com o interior dos mesmos fragmentos florestais, percebe-se claramente uma maior instabilidade nas áreas de borda, evidenciada por um aumento na incidência de ventos (Ferreira & Ramos, 2007); mudanças essas que intensificam a temperatura dos microambientes (Nichol, 1994) e a evapotranspiração (Matlack, 1993), resultando em um aumento da umidade relativa do ar (Kapos, 1989), fatores que se mostram extremamente importantes no que se refere à ocupação da flora (Rodrigues, 1998) e preferência microambiental da fauna (Wells, 2007). Analisando todos os parâmetros ambientais registrados simultaneamente, percebe-se que não corroboram com a caracterização das áreas de borda descritas por Metzger (1999) e Ferreira & Ramos (2007), o que evidencia a não existência desse gradiente (borda- centro) nos fragmentos analisados, e sim aponta para a idéia de que os fragmentos são grandes bordas isoladas (Ferraz et al., 2012). No entanto alguns parâmetros apresentaram concordância quando analisados isoladamente (presença média de cipós, altura média das gramíneas, presença média de musgos, grau de cobertura do dossel, presença de fungos, presença de gramíneas e número de rochas), sendo este último uma coincidência estatística, já que a existência de afloramentos rochosos é dependente de fatores extrínsecos ao sistema florestal; o mesmo padrão de resultados aqui apresentado foi descrito por Ferreira & Ramos (2007), em análise da estrutura da comunidade arbórea em remanescentes de Mata Atlântica do Parque Estadual Nova Baden em Minas Gerais. Em relação aos parâmetros que norteiam a estrutura da vegetação, mostraram-se mais abundantes nas áreas teoricamente de “centro”, como registrado por Rodrigues (1998), corroborando com a idéia de que os centros dos fragmentos florestais mostram-se mais diversificados e consequentemente disponibilizam mais nichos espaciais a serem ocupados (Didhan & Lawton, 1999), embora em análise conjunta de todos os parâmetros ambientais registrados essa hipótese tenha sido refutada. 501 Estação Ecológica do Tapacurá 84 Em especial o número de árvores registrado não diferiu entre a borda e centro, e quando comparado com registros de outras áreas (Silva, 2002), que embora tenham adotado DAP mínimo para registro de 10cm, maior do que o adotado neste trabalho (3cm), ainda assim mostrou-se inferior, corroborando com Rodrigues et al. (2007), o que evidencia o fato da comunidade arbórea dos fragmentos analisados ainda encontrar-se em processo de regeneração (Oliveira et al., 2004), além da dominância de Cesalpinea echinata Lamarck , resultante do replantio contínuo na Mata do Camucim e na Mata do Alto da Buchada na EET (P. Martins, Com. Pess., 2008). Por outro lado a cobertura do dossel mostrou-se estatisticamente diferente entre as áreas de borda e centro, parâmetro que propicia maior sombreamento (Ferreira & Ramos, 2007), diminuição das correntes de ar (Ferreira & Ramos, 2007) e retenção de umidade (Esseen & Renhorn, 1998), tendo como consequência uma maior abundância de populações adaptadas a esse conjunto de características microambientais, fato reforçado pela maior abundância dos fungos, musgos e cipós registrada nas áreas de centro. Outro parâmetro que corrobora o fato dos fragmentos analisados não apresentarem distinção ecológica entre as áreas de borda e centro, correspondendo a grandes áreas de bordas, é o seu formato aproximadamente quadrangular; pois fragmentos menos angulados, tendendo ao formato circular, têm a razão borda-centro minimizada, mantendo o centro do fragmento mais distante da borda e menos influenciado pelos fatores externos; assim sendo o formato observado na EET favorece o aumento do efeito de borda nas áreas estudadas (Ranta et al., 1998). Vale ressaltar que a possibilidade dos pontos escolhidos para amostragem não terem contemplado efetivamente áreas típicas de “centro” do fragmento, é remota, uma vez que as parcelas foram instaladas nos setores mais bem conservados da EET, estendendo-se desde a borda às áreas mais centrais (equidistantes de todas as bordas) do fragmento; corroborando com os resultados discutidos e com trabalhos já publicados, a exemplo de Ferraz et al. (2012). 501 Estação Ecológica do Tapacurá 85 Os ambientes florestais, em especial a Mata Atlântica, destacam-se pela complexidade e heterogeneidade de microhabitats disponíveis, resultante principalmente da exuberante e diversificada flora constituinte (Souza et al., 2008). Porém, em florestas tropicais, a exemplo da investigada por este trabalho, os principais parâmetros ambientais variam consideravelmente em relação ás estações chuvosas e secas, tornando-se importantes reguladores sazonais da distribuição espacial e especificidade microambiental da biodiversidade (Souza et al., 2008). 501 86 Grau de complexidade e heterogeneidade ambiental das vinte e oito parcelas analisadas 4 Esta análise também permite observar que os parâmetros ambientais registrados, convertidos em grau de complexidade e heterogeneidade de cada parcela não se mostraram variando em relação ao gradiente borda e centro em ambas as estações, evidenciando que nas áreas analisadas, esse gradiente não é perceptível para a maioria dos parâmetros, embora como citado anteriormente algumas variáveis mostrem-se significativamente diferentes. A análise do grau de complexidade e heterogeneidade das 28 parcelas analisadas, conforme adaptação de Lopes & Strock (1998) demonstrou na estação chuvosa uma variação da paisagem e consequentemente de microhabitats (Tabela 2), ficando à maioria das parcelas (84%) enquadradas na categoria de baixa complexidade e heterogeneidade ambiental (Figura 8-A), enquanto que na estação seca, as parcelas mostraram-se mais homogêneas (Tabela II), e com um maior percentual (92%) classificado como de baixa complexidade e heterogeneidade ambiental (Figura 8-B), resultados reforçados pelo fato da estação chuvosa mostrar-se significativamente com maior índice médio de complexidade e heterogeneidade ambiental que a estação seca (ANOVA, F=11.134 / gl=1 / p=0.002) (Figura 9). Os resultados aqui apresentados foram fortemente influenciados pelas variáveis que caracterizam a estrutura da vegetação, que nos fragmentos analisados variam consideravelmente em relação à estacionalidade, em especial por tratar-se de uma floresta estacional, que se caracteriza por apresentar-se bastante distinta em relação às estações (Neves, 2004). Testando se existe diferença entre as linhas (Figura 10) e entre os “Y” (Figura 11), independente das estações, ambas as variáveis mostram-se significativamente diferentes (ANOVAlinhas, F=4.834 / gl=3 / p=0.005 e ANOVA“Y”, F=2.308 / gl=6 / p=0.050), reforçando a hipótese de que as parcelas não são réplicas ecológicas do gradiente borda e centro, e que a heterogeneidade ambiental no bioma Mata Atlântica é realmente grande quando comparado com áreas abertas (Souza et al., 2008). A diferenciação entre as linhas, deve-se em especial a linha 2, que apresentou um índice de complexidade e heterogeneidade ambiental entre 750 e 760, enquanto que as demais linhas foram superior a 900. Em relação aos “Y”, pode-se atribuir primariamente a diferença registrada às parcelas 5 e 7 e secundariamente à parcela 4, que apresentaram índices de complexidade e heterogeneidade ambiental acima de 900, enquanto as demais não alcançaram 850. O destaque para a parcela 7 da linha 4 e a parcela 5 da linha 1, enquadrada em ambas as estações como de alta e média complexidade e heterogeneidade ambiental respectivamente (Tabela 2; Figura 12-13), é resultante do grande número de fragmentos rochosos disponíveis nessas áreas, em especial na primeira (parcela 7 da linha 4); parâmetro que não varia em relação às estações e representa uma variável importante na distribuição da fauna (Vitt et al., 2007). Em relação à parcela 7 da linha 1, enquadrada na categoria de média complexidade e heterogeneidade ambiental durante a estação chuvosa (Tabela 2; Figura 12), é resultante do registro expressivo do DAP médio das árvores com diâmetro maior que 3cm nesta parcela, e a parcela 4 da linha 3, classificada também como média durante a estação chuvosa, destaca-se pelo elevado grau de cobertura do dossel e altura do sub-bosque em relação às demais, parâmetros esses que favorecem a disponibilidade de microhabitats, e que podem teoricamente privilegiar a ocorrência de populações especialistas da fauna (Souza et al., 2008). Os dados aqui apresentados corroboram com White e Pickett (1985), os quais denominam as florestas tropicais atuais, como um mosaico de manchas em diferentes graus de maturidade, idade, tamanho e composição de espécies, resultado dentre outros, de um processo lento e gradual de evolução que os ecossistemas sofrem, denominado sucessão, buscando sua condição original (Andrade, 2002). 501 Estação Ecológica do Tapacurá 87 501 Estação Ecológica do Tapacurá 88 Tabela 2. Grau de Complexidade e Heterogeneidade ambiental registrado nas 28 parcelas analisadas em ambas as estações na EET, segundo adaptação de Lopes & Strock (1998) ( Baixa: 728.4 - 1166.7; Média: 1166.7 - 1605.2; Alta: 1605.2 - 2043.5). Figura 8. Classificação das parcelas, quanto à complexidade e heterogeneidade ambiental, na estação Chuvosa (A) e na estação seca (B). A B 501 Estação Ecológica do Tapacurá 89 Figura 9. Médias e variâncias dos índices de complexidade e heterogeneidade ambiental das 28 parcelas resultantes do teste de Análise de Variância (ANOVA) entre as estações chuvosas e secas dos anos de 2007 e 2008 na EET (F=11.134 / gl=1 / p=0.002). Figura 10. Médias e variâncias dos índices de complexidade e heterogeneidade ambiental das quatro linhas resultantes do teste de Análise de Variância (ANOVA) em ambas as estações dos anos de 2007 e 2008 na EET (F=4.834 / gl=3 / p=0.005). 501 Estação Ecológica do Tapacurá 90 Figura 11. Médias e variâncias dos índices de complexidade e heterogeneidade ambiental das sete parcelas “Y” resultantes do teste de Análise de Variância (ANOVA) em ambas as estações dos anos de 2007 e 2008 na EET (F=2.308 / gl=6 / p=0.050). Figura 12. Registro de grau de complexidade e heterogeneidade na estação chuvosa dos anos de 2007 e 2008 nas 28 parcelas analisadas na EET. Figura 13. Registro de grau de complexidade e heterogeneidade na estação seca dos anos de 2007 e 2008 nas 28 parcelas analisadas na EET. Os resultados obtidos evidenciam que o corpo d’água lêntico temporário situado na Mata do Camucim (CA1) apresentou maior complexidade estrutural e heterogeneidade ambiental em comparação aos outros corpos d’água analisados (CA2 e CA3), mesmo um deles (CA3) estando no centro do fragmentos. Da mesma forma, a linha/transecto 3 (Mata do Camucim), caracterizada por maior altitude e inclinação do terreno, apresentou associação positiva com os níveis de heterogeneidade ambiental, refletindo condições microambientais mais diversificadas e possivelmente mais estáveis. Contudo, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as áreas de borda e centro quanto aos parâmetros estruturadores do habitat, o que pode indicar a ausência de áreas típicas de centros ecológicos bem definidos, possivelmente em decorrência do estado de fragmentação e de distúrbios antrópicos históricos que homogeneizaram as condições ambientais ao longo dos fragmentos analisados. A maioria dos parâmetros ambientais também não apresentou variação significativa entre as estações seca e chuvosa, embora os fragmentos analisados sejam florestas estacionárias com as estações bem marcadas e apesar da forte estacionalidade regional. Esse padrão pode estar relacionado à capacidade de amortecimento microclimático das matas remanescentes, embora a ausência de dados fitossociológicos e faunísticos limite inferências mais amplas sobre os efeitos estacionais na biota local. A Estação Ecológica do Tapacurá se destaca como área de relevância para conservação, dada sua diversidade estrutural, localização geográfica estratégica e potencial de conexão entre fragmentos florestais do norte, sul e oeste de Pernambuco. Considerando os parâmetros ambientais avaliados, sugere-se priorizar para conservação a área correspondente à linha 3, o corpo d’água 1 e zonas com alta densidade de bromélias e afloramentos rochosos, por apresentarem maior complexidade ambiental. Recomenda-se, para estudos futuros, a ampliação da amostragem botânica com identificação taxonômica ao nível de espécie, bem como a integração de dados faunísticos e de uso histórico do solo. Tais esforços, aliados ao monitoramento de longo prazo, são fundamentais para subsidiar ações eficazes de gestão e conservação da biodiversidade local e do bioma Mata Atlântica como um todo. 501 91 Considerações finais Tabela I. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 1 / transcecto 1 localizada na Mata do Alto da Buchada, referente à estação chuvosa, realizada no mês junho de 2007 (raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%). 501 92 Apêndice I Tabela II. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 1 / transcecto 1 localizada na Mata do Alto da Buxada, referente a estação seca, realizada no mês de novembro de 2007 (raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%). 93 Apêndice I Tabela III. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 2 / transcecto 2 localizada na Mata do Alto da Buchada, referente a estação chuvosa, realizada no mês junho de 2007 (raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%). 94 Apêndice I Tabela IV. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 2 / transcecto 2 localizada na Mata do Alto da Buchada, referente a estação seca, realizada no mês de novembro de 2007 (raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%). 95 Apêndice I Tabela V. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 3 / transcecto 3 localizada na Mata do Camucim, referente a estação chuvosa, realizada no mês de junho de 2007 (raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%). 501 Apêndice I 96 Tabela VI. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 3 / transcecto 3 localizada na Mata do Camucim, referente a estação seca, realizada no mês de novembro de 2007 (raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%). 501 Apêndice I 97 Tabela VII. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 4 / transcecto 4 localizada na Mata do Camucim, referente a estação chuvosa, realizada no mês de junho de 2007 (raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%). 501 Apêndice I 98 Tabela VIII. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 4 / transcecto 4 localizada na Mata do Camucim, referente a estação seca, realizada no mês de novembro de 2007 (raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%). Apêndice I 99 Referências 100 Para acessar todas as referências consultadas para a elaboração deste capítulo, escaneie o QR Code abaixo. E S C O R P I Õ E S ANDRÉ FELIPE DE ARAÚJO LIRA MATHEUS LEONYDAS BORBA FEITOSA THAYNA RHAYANE DE BRITO ALMEIDA ANDRÉ OTÁVIO SILVA JÚNIOR HUGO RODRIGO BARBOSA DA SILVA ARTHUR FELIPE FERREIRA DE FREITAS JOÃO VICTOR CUNEGUNDES DE SIQUEIRA GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA Ananteris mauryi Lourenço, 1982 Foto: Feitosa, M. L. B. Os escorpiões , pertencentes à ordem Scorpiones, são invertebrados do filo Arthropoda e da classe Arachnida, juntamente com as aranhas, opiliões, pseudoescorpiões, carrapatos e outros aracnídeos (Stockmann & Ythier, 2010; Brazil & Porto, 2010). Popularmente conhecidos como lacraus, esses organismos representam uma das linhagens consideradas mais basais entre os aracnídeos, com registros datando sua origem no período Siluriano (Brownell & Polis 2001). Além disso, seu plano corporal apresenta poucas diferenças morfológicas em relação aos seus antepassados extintos, os gigantostráceos (Eurypterida), que viveram no mesmo período (Cruz, 1994; Ruppert & Barnes, 1996; Brownell & Polis, 2001). Anatomicamente, os escorpiões possuem uma estrutura singular, com o corpo dividido em Prossoma e Opistossoma , sendo este último subdividido em Mesossoma e Metassoma. No prossoma, um apêndice ventral conhecido como pente é utilizado para a detecção de vibrações e estímulos químicos (Gaffin & Brownell, 1992). O metassoma, por sua vez, termina em um télson especializado na produção e inoculação de peçonha (Polis, 1990). 501 Figura 1. Plano corporal dos escorpiões sendo representado por macho de Tityus neglectus Mello-Leitão, 1932. A. Vista dorsal; B. Vista ventral. Foto: A. Otávio. A B Escorpiões 103 Atualmente, são conhecidas 2.841 espécies de escorpiões (Re in, 2025 ), o que faz dessa ordem a quinta maior entre os aracnídeos. No entanto, estima- se que existam cerca de 7.000 espécies ainda não descritas (Coddington et al., 2004). Esse número destaca uma lacuna significativa no conhecimento taxonômico dos escorpiões, e ressalta a necessidade de mais estudos para descrever essa diversidade ainda oculta, contribuindo para o avanço da ciência e para a compreensão da biodiversidade global. 501 Figura 2. Escorpião da espécie Tityus brazilae iluminada com uma lanterna UV em Serra dos Cavalos, município de Caruaru, Pernambuco. Fonte: Portal de zoologia. Uma característica peculiar desse grupo é a fluorescência de sua cutícula sob luz ultravioleta, proporcionada pelas proteínas beta-carbolina e 4-metil-7-hidroxicumarina (Gaffin, 2012; Yoshimoto et al., 2020). Durante o dia, os escorpiões se refugiam em uma ampla gama de ambientes: sob rochas, em cascas de árvores, troncos em decomposição, tocas, camadas de serrapilheira e até cavernas, com as preferências variando entre as espécies (Polis, 1990; Ruppert & Barnes, 1996; Brazil & Porto, 2011). Esses animais são predadores de hábitos noturnos, e geralmente são solitários e sedentários. No entanto, durante os períodos reprodutivos, tornam-se mais ativos, com os machos buscando as fêmeas ao seguir pistas químicas detectadas pelos seus pentes sensoriais (Mullen & Sissom, 2019). A reprodução pode ocorrer de forma sexuada, com um elaborado ritual de cortejo, ou de maneira assexuada, por partenogênese (Polis & Sissom, 1990; Brazil & Porto, 2010). Os escorpiões são vivíparos, com gestações que variam entre 2 e 22 meses, resultando em ninhadas de 3 a 110 filhotes (Lourenço, 2000; Brazil & Porto, 2010). Com um ciclo de vida longo, que pode durar entre 3 e 25 anos, esses animais atingem a maturidade após passarem por 5 a 6 mudas (Lourenço, 2000; Brazil & Porto, 2010). Escorpiões 104 501 No Brasil, estão descritas 182 espécies de escorpiões, distribuídas em cinco famílias: Ananteridae (31 espécies), Bothriuridae (22 espécies), Buthidae (80 espécies), Chactidae (46 espécies) e Hormuridae (3 espécies) (Bertani, 2024). No estado de Pernambuco, é registrada a ocorrência de 11 espécies distribuídas em três famílias: Buthidae (6 espécies), Bothriuridae (2 espécies) e Ananteridae (3 espécies). As espécies da família Buthidae incluem: Tityus pusillus Pocock, 1893, Tityus stigmurus (Thorell, 1876), Tityus neglectus Mello-Leitão, 1932, Tityus brazilae Lourenço & Eickstedt, 1984, Jaguajir rochai (Borelli, 1910) e Physoctonus debilis (C. L. Koch, 1840). A família Bothriuridae é representada por Bothriurus asper Pocock, 1893, e Bothriurus rochai Mello-Leitão, 1932. Por fim, a família Ananteridae inclui Ananteris franckei Lourenço, 1982, Ananteris mauryi Lourenço, 1982, e Ananteris otavianoi Lira, Pordeus & Ribeiro-de-Albuquerque, 2017. No entanto, na Estação Ecológica do Tapacurá, localizada em um fragmento de Floresta Estacional Semidecídua da Mata Atlântica (Moura et al., 2012), encontramos apenas cinco espécies: T. pusillus , T. neglectus, T. brazilae, T. stigmurus e A. mauryi. O grupo é amplamente distribuído geograficamente, ocorrendo em quase todos os continentes, exceto na Antártida (Polis, 1990; Figura 3), o que sugere que estes foram os primeiros animais a conquistar e dominar o ambiente terrestre (Brandão & Françoso, 2010). Sua plasticidade ecológica permite que habitem desde florestas tropicais a desertos, com algumas espécies adaptadas a ambientes urbanos (Brazil & Porto, 2010; Lira et al., 2018; Mullen & Sissom, 2019; Feitosa et al., 2024). Figura 3. Mapa da distribuição global dos escorpiões (Chippaux & Goyffon, 2008). Escorpiões 105 N a c i o n a l - I C M B i o / M M A I n t e r n a c i o n a l - I U C N E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim NE NE Ananteridae Pocock, 1900 FAMÍLIA Escorpião, lacrau 501 Ananteris mauryi Lourenço, 1982 Foto: Feitosa, M. L. B. A espécie é caracterizada como de pequeno porte, apresentando comprimentos totais que podem variar de 20 a 25 mm. Machos e fêmeas exibem uma coloração amarela- avermelhada variegada, com os dois últimos segmentos do metassoma e o télson apresentando uma coloração escura (Lourenço, 1982; Lourenço, 2002). Os indivíduos demonstram marcante dimorfismo sexual, em que as fêmeas exibem tamanho corporal superior aos dos machos (Lira et al., 2021b). Descrição Morfológica ESTUDADA PELO 106 PRODUTOR DE TOXINAS Distribuição Esta espécie ocupa as camadas inferiores da serrapilheira nos biomas Mata Atlântica, (incluindo os brejos de altitude) e Caatinga (Lira et al., 2013; Porto et al., 2018; Lira et al., 2021a). 501 A espécie inicia seu período reprodutivo durante a estação chuvosa. Dessa forma, a abundância da espécie pode ser associada a pluviometria do ambiente em que ocorre (Dias et al., 2006; Dionisio-da-Silva et al. 2018), devido ao seu maior período de atividade em busca por parceiros. O comportamento reprodutivo de A. mauryi , tem uma duração média de 9 a 13 minutos. Após a inseminação, o período gestacional das fêmeas varia entre 118 e 150 dias, produzindo uma ninhada de 9 a 31 juvenis, que após 5 processos de mudas dentre 6-8 meses atingem a fase adulta (Lira et al., 2021b). Devido ao seu pequeno porte, pode ser frequentemente predado por outros animais de maior porte como formigas e outros escorpiões (Lira et al., 2017; Dionisio-da-Silva & Lira, 2019). Além disso, a espécie é capaz de detectar pistas químicas deixadas no substrato por seus predadores, o que leva a aumentar seu repertório comportamental e evitar locais previamente visitados por esses inimigos naturais (Feitosa, et al., 2022). Sendo assim, quando em contato com predadores, os indivíduos de A. mauryi , para maximizar suas chances de sobrevivência podem apresentar o destacamento dos segmentos do metassoma, processo este conhecido como autotomia (Lira et al., 2014; Silva-Júnior et al., 2023). História Natural Usos e Ameaças Não são conhecidos usos humanos para esta espécie, e não são conhecidas ameaças que afetem diretamente a espécie ao ponto de colocá-la em risco de extinção em Pernambuco; embora a espécie enfrente algumas ameaças locais, como a perda de habitat devido ao desmatamento e expansão agrícola, além da impressão equivocada das populações nativas que tendem a matá-la por julgarem ser um animal altamente perigoso. 107 Buthidae C. L. Koch, 1837 FAMÍLIA Escorpião, lacrau 501 Tityus brazilae Lourenço & Eickstedt, 1984 É considerada uma espécie de grande porte apresentando tamanho que pode variar entre 50 e 70 mm de comprimento total. Exibe um padrão de coloração geral amarelo- avermelhado, com manchas escuras distribuídas por toda a superfície corporal, pernas e pedipalpos (Lourenço & Eickstedt, 1984; Lira et al., 2023). Descrição Morfológica Foto: Feitosa, M. L. B. N a c i o n a l - I C M B i o / M M A I n t e r n a c i o n a l - I U C N E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim NE NE ESTUDADA PELO 108 PRODUTOR DE TOXINAS Distribuição A espécie pode ser encontrada nos estados da Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Sergipe, Paraíba e Alagoas, nos domínios da Mata Atlântica e em Brejos de Altitude (Foerster et al., 2019; Bertani et al., 2024). 501 Trata-se de um escorpião arborícola, encontrado frequentemente sob troncos de árvores tuberosas (Bertani et al., 2008; Lira et al., 2018), também sendo encontrados em fendas de pedras (Lira & Souza, 2014). Além disso, T. brazilae é considerado um escorpião de importância médica, sendo responsável por acidentes no estado da Bahia e Pernambuco geralmente classificados como leves a moderado (Queiroz, 2001; Silva-Junior et al. 2023). História Natural Usos e Ameaças Não foram encontrados usos humano para esta espécie e nem ameaças que possam colocar T. brazilae em risco de extinção. 109 Buthidae C. L. Koch, 1837 FAMÍLIA Escorpião, lacrau 501 Tityus neglectus Mello-Leitão, 1932 É uma espécie de escorpião de grande porte, podendo medir de 54 a 78 mm de comprimento total (Lourenço, 2002; Lira et al., 2023). Esta espécie é caracterizada por apresentar uma tonalidade amarela parda, levemente avermelhada, incluindo seus pedipalpos e télson mais escuros que o restante do corpo, espinho sob o ferrão, prossoma ligeiramente estreito com um triângulo escuro na parte anterior (Lourenço & Eickstedt, 1988). Descrição Morfológica Foto: Feitosa, M. L. B. N a c i o n a l - I C M B i o / M M A I n t e r n a c i o n a l - I U C N E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim NE NE ESTUDADA PELO 110 PRODUTOR DE TOXINAS Distribuição Indivíduos dessa espécie podem ser encontrados na região Nordeste do Brasil, distribuídos nos domínios da Mata Atlântica e Caatinga ao logo dos estados de Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe (Porto et al., 2014; Lira et al., 2018; Bertani et al., 2024). 501 Esses escorpiões são frequentemente encontrados associados a bromélias com fitotelma, o que oferece um microhabitat propício para o estabelecimento da espécie (Lourenço & Eickstedt, 1988; Santos et al., 2006; Lira & Souza, 2014). De acordo com Santos et al. (2003), T. neglectus é usualmente encontrado em bromélias dos gêneros Aechmea spp. e Hohenbergia spp. Adicionalmente, estudos prévios descrevem o hábito de uso das bromélias como abrigo diurno, associando grande importância para a conservação da espécie a preservação de bromélias nos ambientes naturais (Santos et al., 2003; Souza et al., 2024). História Natural Usos e Ameaças Não foram encontrados usos humano para esta espécie e nem ameaças que possam colocar T. neglectus em risco de extinção. 111 Buthidae C. L. Koch, 1837 FAMÍLIA Escorpião, lacrau 501 Tityus pusillus Pocock, 1893 Trata-se de uma espécie de pequeno porte, apresentando comprimento total que pode variar entre 25 a 35 mm. Apresenta um padrão de coloração variegada, destacado pela coloração amarelo-alaranjado e com pintas escuras espalhadas em todos os segmentos do corpo (Lourenço, 1982; Lira et al. 2021). Machos e fêmeas de T. pusillus são facilmente distinguíveis entre si devido ao fato de que os indivíduos do sexo masculino apresentam metassoma mais alongado e as quelas dos pedipalpos são mais largos que os das fêmeas (Lira et al., 2018a). Descrição Morfológica Foto: Feitosa, M. L. B. N a c i o n a l - I C M B i o / M M A I n t e r n a c i o n a l - I U C N E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim NE NE ESTUDADA PELO 112 PRODUTOR DE TOXINAS Distribuição Esse escorpião pode ser encontrado em áreas de vegetação nativa da região nordeste do Brasil, estando amplamente distribuída nos domínios da Mata Atlântica e Caatinga hipoxerófita (Dias et al., 2006; Porto et al., 2010; Lira et al., 2019). Normalmente apresenta uma grande abundância na Mata Atlântica onde em alguns locais pode representar cerca de 90% da assembleia de escorpiões (Lira & Albuquerque, 2014). É uma espécie considerada típica de ambientes florestais (Lira et al., 2020), onde podem ser encontrados nas camadas superiores da serrapilheira (Lira et al., 2013). 501 O período reprodutivo da espécie ocorre durante a estação seca entre os meses de outubro e janeiro (Dionisio-da-Silva et al., 2018). A corte da espécie, geralmente, tem duração de 5 a 10 minutos, com período gestacional durando em torno de 60-100 dias, possuindo ninhadas com 4-12 filhotes (Albuquerque & Lira, 2016; Lira et al., 2018b). Tityus pusillus alcança a maturidade após 4-5 ecdises dentro de 8 meses (Albuquerque & Lira, 2016; Lira et al., 2018), nessa espécie tanto o macho quanto a fêmea podem apresentar uma ecdise extra (Albuquerque & Lira, 2016). Apesar de ser uma espécie tipicamente encontrada em áreas de vegetação nativa, T. pusillus apresenta potencial de causar acidentes em humanos, onde já foram relatados casos de escorpionismo classificados como moderados (Albuquerque et al., 2009). História Natural Usos e Ameaças Não foram encontrados usos humano para esta espécie e nem ameaças que possam colocar T. pusillus em risco de extinção. 113 Buthidae C. L. Koch, 1837 FAMÍLIA Escorpião, lacrau 501 Tityus stigmurus (Thorell, 1876) É uma espécie de médio porte, podendo medir entre 60 e 70 mm de comprimento total. Apresenta uma coloração do corpo amarelada e com presença de uma faixa escura longitudinal ao longo do dorso, além de uma mancha de mesma coloração, em forma de triângulo no prossoma (Lourenço, 2000; Souza et al., 2009; Santos et al., 2014). Descrição Morfológica Foto: Feitosa, M. L. B. N a c i o n a l - I C M B i o / M M A I n t e r n a c i o n a l - I U C N E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim NE NE ESTUDADA PELO 114 PRODUTOR DE TOXINAS Distribuição Essa espécie de escorpião é considerada generalista por possuir elevada plasticidade ecológica, podendo apresentar uma sinantropia significativa diante as condições ambientais contrastantes (Amado et al., 2021; Foerster et al., 2022). Tem registro de ocorrência para quase todos os estados do Nordeste do Brasil, incluindo a ilha de Fernando de Noronha, exceto o Maranhão e Piauí (Dias et al., 2006; Freitas & Vasconcelos, 2008; Santos et al., 2014). Em Pernambuco, apresenta distribuição para os domínios fitogeográficos da Mata Atlântica e Caatinga (Lira & Albuquerque, 2014; Lira et al., 2018), contudo com presença maior da espécie associada a ecossistemas urbanos (Amado et al., 2021; Foerster et al., 2022) A espécie apresenta um comportamento defensivo característico, que pode modular a inoculação da peçonha de acordo com o nível de ameaça, quanto maior o nível da ameaça, mais toxinas são atribuídas a sua peçonha (Lira et al., 2017). Tityus stigmurus pode se reproduzir por partenogênese facultativa (Lourenço & Cloudsley-Thompson, 1999; Ross, 2010), essa estratégia reprodutiva é atribuída a ambientes urbanos onde predomina a ocorrência de fêmeas, sendo definida como partenogênese geográfica (Santos et al., 2014; Ross, 2010; Foerster et al., 2021). Entretanto, populações sexuais da espécie foram amostradas em ambientes naturais (Foerster et al., 2022). Portanto, a reprodução sexuada também pode ocorrer nesta espécie, porém com menor frequência, envolvendo comportamento sexual de corte comum para escorpiões (Foerster et al., 2021). Após o nascimento, os indivíduos permanecem no dorso da mãe por 3-5 dias até realizarem a primeira ecdise, começando a dispersão em 5-10 dias após o nascimento (Aguiar et al., 2008). Por ser uma espécie sinantrópica, o encontro entre esses escorpiões e humanos acontece com frequência ocasionando acidentes que podem levar a óbito e posicionando essa espécie como importante para saúde pública (Lira-da-Silva et al., 2000). A aplicação de pesticidas químico é utilizado no controle populacional da espécie em ambientes urbanos e dependendo da substância utilizada pode causar intoxicação reversível em indivíduos adultos (Santos & Albuquerque, 2020) com eficiência na mortalidade em até 8 horas após sua aplicação (Brito-Almeida et al., 2022), muitas vezes com efeito dispersor facilitando os acidentes escorpiônicos (Albuquerque et al., 2009). História Natural Usos e Ameaças Não foram encontrados usos humano para esta espécie e nem ameaças que possam colocar T. stigmurus em risco de extinção. 115 Referências 116 Para acessar todas as referências consultadas para a elaboração deste capítulo, escaneie o QR Code abaixo. A N U R O S ALCINA GABRIELA MARIA MEDEIROS DA FONSÊCA SANTOS JOÃO VICTOR CUNEGUNDES DE SIQUEIRA ARTHUR FELIPE FERREIRA DE FREITAS LARA VALESCA MENDONÇA DA COSTA SANTOS TAYSSA RODRIGUES DE MORAIS SANTOS PAULO LUCAS LACERDA DE OLIVEIRA LUIS HENRIQUE DE ANDRADE ALVES THAÍS CAROLINE DA SILVA VIEIRA REGINALDO FONSECA PEREIRA NETO RODRIGO BALTAR DA SILVA ADSON RODRIGUES DE SANTANA PATRÍCIA FERREIRA TAVARES JOSÉ DIOGO CAVALCANTI FERREIRA JOSÉ RICARDO DE OLIVEIRA SANTOS MOACIR SANTOS TINOCO GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA Dendropsophus tapacurensis Olivera, Magalhães, Teixeira, Moura, Porto, Guimarães, Giaretta & Tinoco, 2021. Foto: Nascimento, G. D. A B Figura 1. Representantes dos anfíbios atuais (Lissamphibia). A. Ordem Anura ( Rhinella sp.); B. Ordem Urodela ( Ambystoma maculatum ); C. Ordem Gymnophiona ( Siphonops annulatus ). Fotos: Canva, 2025 O nome " Anfíbio " tem origem no grego, a partir das palavras " amphi " (que significa "duplo" ou "de ambos os tipos") e " bios " ("vida" ou "vivo"). Esse nome faz referência ao ciclo de vida dos anfíbios, que passam por uma metamorfose: inicialmente, vivem em ambiente aquático na fase larval e, após a transformação, tornam-se adultos com hábitos terrestres. No entanto, mesmo na fase adulta, muitos ainda dependem da água para sua reprodução e sobrevivência (Frost, 2024). Os anfíbios estão amplamente distribuídos pelo globo, exceto nas regiões polares da Antártica e Groenlândia, com maior diversidade encontrada nos países neotropicais. Eles habitam desde florestas tropicais até ambientes desérticos (Frost, 2024). Atualmente, são conhecidas 8.579 espécies, divididas nos clados: Anura , com 7.562 espécies de sapos, rãs, gias e pererecas (Figura 1A); Urodela , com 798 espécies de salamandras, tritões e axolotes (Figura 1B); Gymnophiona , com 219 espécies de cecílias (Figura 1C) (Frost, 2024). No Brasil, há 1.188 espécies registradas, sendo 1.144 anuros, cinco salamandras e 39 cecílias, distribuídos em 20 famílias e 107 gêneros (Segalla et al., 2021) (Figura 2). No estado de Pernambuco, existem 80 espécies de anfíbios, sendo 78 anuros (Moura & Tavares, 2022), dos quais 42 são registrados nos fragmentos florestais de Mata Atlântica que compõem a Estação Ecológica do Tapacurá (Moura et al., 2012; Santos et al., 2016; Martins-Sobrinho, 2016; Santos et al., 2021). 501 Anfíbios anuros A B C C Amphibia ancestral Anura Urodela Gymnophiona Figura 2. Filogenia do clado Lissamphibia atual. 119 B C A B 501 Figura 4. Representação do esqueleto dos anfíbios anuros, destacando os principais ossos adaptados para o salto. A. Vértebra sacral; B. Ílio; C. Uróstilo (Fonte: Bescec/shutterstock.com). O termo “ Anura ” vem de “ an ” e “ ura ” que significa “ sem cauda ”, destacando uma das principais características desse grupo (Figura 3). Além da ausência de cauda, os anuros possuem adaptações esqueléticas como a redução de elementos craniais, um número máximo de nove vértebras pré-sacrais, vértebras caudais fundidas constituindo o uróstilo, osso medial alongado, além da fusão do rádio e ulna nos membros anteriores e da tíbia e fíbula nos membros posteriores (Figura 4). Essas modificações ósseas estruturais estão ligadas à locomoção por saltos, uma adaptação essencial do grupo (Pough et al., 2015). Anfíbios anuros Figura 3. Principais representantes dos anfíbios anuros. A. Sapo - Rhinella crucifer (Wied-Neuwied, 1821); B. Rã - Leptodactylus vastus Lutz, 1930; C. Perereca - Scinax auratus (Wied-Neuwied, 1821). Fotos: Negromonte, I. O. (A), Freitas, M. A. (B), Siqueira. J. V. C. (C). A B C 120 B A C Os anfíbios anuros também apresentam uma vasta gama de modos e comportamentos reprodutivos, incluindo sinais visuais, químicos e acústicos (Duellman & Trueb, 1994; Rosenthal et al., 2004), na forma de deposição dos ovos (Duellman & Trueb, 1994; Wells, 2007; Vitt & Caldwell, 2014) e no desenvolvimento larval (Duellman & Trueb, 1994). Dentre os sinais acústicos, as vocalizações desempenham um papel essencial na seleção sexual e no isolamento reprodutivo entre espécies (Kentwood & Schwartz, 1984). Elas também são importantes na interação entre espécies (Hödl, 1977; Protázio et al., 2015), no reconhecimento intraespecífico (Duellman & Trueb, 1994, de Oliveira Santos et al., 2020) e na seleção dos machos com melhores aptidões (Rand, 1985; Gerhardt, 1994), além de mediar interações agonísticas e demarcar territórios (Gerhardt, 1994; Given, 1999). 501 Figura 5. Ciclo reprodutivo de Dendropsophus tapacurensis . A. Macho emitindo vocalizações para atrair uma fêmea reprodutiva. B. Acasalamento com a realização do abraço nupcial (amplexo axilar), no qual o macho estimula a fêmea para a liberação dos ovos (ovoposição) sobre as folhas próximas a corpos d’água. C. Ovos depositados nas folhas, em estágio inicial de desenvolvimento embrionário (desenvolvimento ovulíparo). Fotos: Siqueira, J. V. C. (A; C), Betanin, L. G. (B). Anfíbios anuros A B C No que se refere as etapas gerais do desenvolvimento da maioria dos anuros: os ovos são depositados e passam por um período de desenvolvimento embrionário; em seguida, ocorre a eclosão, dando origem aos girinos, que permanecem no ambiente aquático e apresentam adaptações para natação e alimentação específica; após essa fase, inicia-se o desenvolvimento metamórfico (imago), caracterizado por transformações morfológicas e fisiológicas que preparam o organismo para a vida terrestre; por fim, o ciclo culmina no estágio de indivíduo adulto, completo e sexualmente maduro, pronto para reproduzir e reiniciar o ciclo (Figura 6). Figura 6. Ciclo de vida dos anfíbios anuros, com evidências ao processo de metamorfose dos Anfíbios Anura (Fonte: Biologia Net, 2024). 121 Reprodução A 501 A maioria dos anfíbios anuros possui uma dieta carnívora generalista, composta principalmente por invertebrados, consumindo uma ampla variedade de presas disponíveis no ambiente, o que os caracteriza como predadores oportunistas. Dentro do grupo, observam-se tanto a estratégia de predação passiva, conhecida como "senta-e- espera", quanto o forrageamento ativo, em que o predador se desloca em busca de presas potenciais (Duellman & Trueb, 1994; Oliveira & Haddad, 2015). A dieta dos anuros pode variar conforme o tamanho corporal (Santos-Pereira et al., 2015; Almeida-Santos et al., 2017), o sexo (Oliveira & Haddad, 2015), a sazonalidade (Maragno & Souza, 2011; Oliveira & Haddad, 2015), o estágio de desenvolvimento (ontogenia) (Luría-Manzano & Ramírez-Bautista, 2019) e a disponibilidade de recursos alimentares no ambiente (Oliveira & Haddad, 2015; Rebouças & Solé, 2015). Alimentação 122 Foto: Botelho, L. 501 123 A B C D Além de sua importância ecológica, os anuros podem atuar como hospedeiros intermediários ou paratênicos de vários parasitos, oferecendo geralmente um abrigo temporário até que esses parasitos completem seu ciclo de vida e cheguem ao hospedeiro definitivo (Campiao et al., 2015; Oda et al., 2015). Devido ao seu caráter generalista e à presença frequente em ambientes aquáticos, eles são suscetíveis a parasitos que se desenvolvem nesses habitats (Bolek & Coggins, 2003; Holmes et al., 2008). Muitos desses parasitos passam por múltiplos hospedeiros intermediários antes de atingir o hospedeiro final (Poulin & Cribb, 2002). Além disso, esses parasitos podem ser transmitidos através de interações predador-presa e atuar como indicadores da dieta dos hospedeiros, fornecendo informações importantes sobre seus hábitos alimentares (Marcogliese, 2004; Lafferty & Kuris, 2009). Eles também podem refletir as condições ecológicas e a saúde dos ecossistemas onde os anuros vivem (Thieltges et al., 2013) (Figura 7). Aspectos Parasitários em anfíbios anuros Relações parasitárias Figura 7. Registros de parasitismo em anfíbios anuros. A. Bokermannohyla oxente infestada por vermes endoparasitas subcutâneos (Foto: Tinoco, M.S.); B. Boana cinerascens com miíase, larvas de moscas sarcófagas na cavidade oral (Foto: Ávila, R.W.); C–D . Rhinella diptycha parasitado por ácaros da família Ixodidae (Foto: Ávila, R.W.). 501 124 A O declínio das populações de anfíbios tem sido atribuído e intensificado, principalmente, por ações humanas, como a perda e fragmentação de habitats (Rossa- Feres et al., 2017), mudanças climáticas (Costa et al., 2012) e à contaminação por contaminantes, que podem causar alterações fisiológicas, morfológicas e comportamentais nas espécies (Moura et al., 2023; Silva et al., 2023). Ainda destaca-se o impacto dos patógenos sobre este grupo (Sewell et al., 2021). Apesar da grande diversidade, os anfíbios atuais (Lissamphibia) representam o grupo de vertebrados mais ameaçado , com mais de um terço das espécies avaliadas globalmente (41%) classificadas em algum nível de ameaça ou extintas (IUCN, 2024). ANFÍBIOS 41% Causas e declínios dos anfíbios Outra doença é a ranavirose, causada por vírus pertencentes à família Iridoviridae. Embora os sinais físicos nem sempre sejam visíveis, a infecção pode manifestar-se por meio de sintomas como letargia, perda de apetite, hemorragias internas e externas, além de necrose de órgãos vitais, como fígado e baço. Esses sintomas geralmente progridem rapidamente, levando à alta mortalidade em populações de anfíbios infectados. A transmissão pode ocorrer por contato direto entre indivíduos, ingestão de tecidos infectados ou até mesmo pela exposição a ambientes contaminados, o que torna a doença uma ameaça significativa para espécies vulneráveis. Em surtos graves, a ranavirose pode devastar populações inteiras, especialmente em ambientes onde os anfíbios já enfrentam outros desafios, como a perda de habitat e poluição (Gray & Chinchar, 2015; Chinchar et al., 2017a e b; Duffus et al., 2015). Além disso, há doenças como no caso da quitridiomicose, uma infecção de pele que afeta os anfíbios atuais, causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis que infecta tecidos queratinizados como a pele dos adultos e estruturas orais em girinos por contato próximo ou direto durante o acasalamento (Catenazzi et al., 2013; Vieira et al., 2013). Esta micose causa perda da função da pele e desequilíbrio iônico, o que pode levar à morte por parada cardíaca (Voyles et al., 2009; Sewell et al., 2021). Doenças Fúngicas Doenças Virais Ações antrópicas AMEAÇADOS Pithecopus gonzagai Andrade, Haga, Ferreira, Recco-Pimentel, Toledo & Bruschi, 2020. Foto: Negromonte, I. O. 501 125 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C LC LC I n t e r n a c i o n a l - I U C N Espécie terrestre de médio porte, que pode atingir cerca de 10,8 cm de comprimento rostro cloacal. Apresenta uma cabeça larga, com glândulas paratóides em formato elíptico ou triangular que ultrapassam as bordas laterais do corpo (Baldisseri-Júnior et al., 2004). Possui coloração marrom-avermelhada, com manchas amarelas próximas da cloaca e, na superfície posterior das coxas, uma linha vertebral tênue (Baldisseri-Júnior et al., 2004; Pereyra et al., 2021). Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste capítulo. Descrição Morfológica Bufonidae Gray, 1825 FAMÍLIA Sapo-cururuzinho, Cururu-pequeno Rhinella crucifer (Wied-Neuwied, 1821) Foto : Negromonte, I. O. PRODUTOR DE TOXINAS CHP-LEHP/UFRPE Esta espécie está inserida no clado Rhinella marina , composto também por R. henseli , R. casconi e R. ornata , tendo esta última registros de hibridização com R. crucifer , resultando em Rhinela pombali (Baldissera et al., 2004; Pereyra et al., 2021). É noturno e pode ser encontrado desde o interior de florestas até áreas alteradas pela antropização (Haddad et al., 2013; Pereira et al., 2016). Geralmente ocupa bordas ou interior de poças, mas também pode ser encontrada sobre Pistia stratiotes (Pistia) ou a 30cm do solo, sobre vegetação herbácea, um raro registro devido ao seu médio porte, mas provavelmente influenciado pela competição por nichos e predação (Machado & Bernarde, 2002; Haddad et al., 2013; Guimarães & Mageski, 2015). Sobre sua dieta, juvenis e adultos podem ser caracterizados como forrageadores passivos e possuem como presas: insetos, principalmente formigas, aracnídeos e outros grupos, como Colembolla, Hirudinea e Nematomorpha (Sabagh & Carvalho-e-Silva, 2008). Além disso, Rojas-Padilla et al. (2018) documentaram uma tentativa de predação de Rhinella crucifer por Leptodactylus cf. latrans , também no sul da Bahia, que não fora sucedido devido ao tamanho do indivíduo (70 mm). Esta é uma espécie de reprodução explosiva, apresenta desenvolvimento indireto com ovos e girinos exotróficos depositados em corpos d’água lênticos (Haddad et al., 2013), e as fêmeas apresentam tamanhos maiores que os machos (Baldisseri-Júnior, 2004). O canto de anúncio foi descrito a partir da vocalização de 33 indivíduos amostrados no sudeste da Bahia (Oliveira et al., 2014). Apresenta frequência dominante de 855 ± 91 Hz (750–937,5 Hz) duração média de 3,54 ± 0,85s (3.882 ± 0,859 s), ausência de estrutura harmônica, composto por notas iniciais mais curtas do que as seguintes (0,016 ± 0,004 s), mantendo-se rápidas e intensas; notas centrais com duração de 0,023 ± 0,013s e emissão de 17 a 25 notas por segundo (Oliveira et al., 2014; Silva et al., 2022). O canto de soltura fora descrito por Silva et al. (2022) a partir de 31 vocalizações de 3 Indivíduos em Pernambuco. Caracteriza-se como multipulsionado e harmônico com duração de 0,699 ± 0,342 s, contendo de uma a nove notas de 0,102 ± 0,114s, com 1 a 60 pulsos por nota, intervalo entre pulsos 0,0044 ± 0,0029 s e frequência dominante de 852,977 ± 46,412 Hz. História Natural 501 Distribuição É endêmico do Brasil, ocorre nos biomas de Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, com registros nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco e Bahia (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Maciel et al., 2006; Carvalho-e-Silva et al., 2015; Segalla et al., 2021; Moura & Tavares, 2022). 126 501 Usos e Ameaças Não são relatados usos para Rhinella crucifer . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). Aspectos Parasitários Para esta espécie, é amplamente documentada a infestação por endoparasitos acantocéfalos, como Centrorhynchus tumidulus (Travassos; 1926; Campião et al., 2015; Oliveira e Campião, 2023), pelos nematódeos Aplectana crucifer , A. delirae ( Vicente et al, 1991; Campião et al., 2015), Cosmocerca brasiliense, C. parva, C. rara ( McAllister et al., 2010b), Oswaldocruzia sp. , O. subauricularis ( Vicente et al, 1991; Campião et al., 2015), Rhabdias sp, R. sphaerocephala, R. hermaphrodita ( Vicente et al, 1991; Campião et al., 2015), Raillietnema spectans, Paraoxyascaris travassosi e Oxyascaris similis (Vicente et al, 1991) e por trematódeos Mesocoelium sp., M. incognitum, M. travassosi, M. monas (Perez 1964; Travassos et al., 1969, Campião et al., 2015), Gorgoderina cryptorchis, G. parvicava ( Travassos et al., 1969; Campião et al., 2015) Glypthelmins linguatula (Travassos et al., 1969) . A cerca de ectoparasitos, há o registro de carrapatos ixodídeos para esta espécie (Mendoza-Roldan et al., 2020). Há um registro de amplexo interespecífico para Rhinella crucifer , cuja fêmea fora amplexada por um indivíduo macho de Rhinella granulosa no estado da Bahia, um evento passível de ocorrência em locais com maior abundância de espécies de reprodução explosiva, cuja agregação é maior, estimulando o comportamento de machos satélites (Abreu et al., 2021). Outros autores documentaram o comportamento bromelícola de Rhinella crucifer em bromélias do gênero Aechmea principalmente em períodos secos, uma alternativa para evitar a desidratação (Mageski et al., 2017; Souza et al., 2021). 127 Foto : Siqueira, J. V. C É uma espécie de médio porte, com indivíduos que podem atingir cerca de 11 cm de comprimento rostro cloacal (Lavilla & Brusquetii, 2018). Seu dorso possui uma coloração castanho-escuro com manchas em castanho-claro segregadas por uma linha vertebral esbranquiçada, enquanto sua região ventral é branco-acastanhado com pequenas manchas escuras na região abdominal (Lavilla & Brusquetii, 2018; Pereyra et al., 2021). Suas glândulas paratóides são grandes e se estendem desde a região superior do tímpano até a região axilar (Pereyra et al., 2022). Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste capítulo. Descrição Morfológica Bufonidae Gray, 1825 FAMÍLIA Sapo-cururu, Sapo-boi, Cururu 501 Rhinella diptycha (Cope, 1882) 128 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim LC L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N LC PRODUTOR DE TOXINAS CHP-LEHP/UFRPE A espécie pertence ao clado Rhinella , anteriormente sinônimo de Rhinella schneideri (Pereyra et al., 2022). Apresenta hábitos noturnos que pode ser encontrada vocalizando principalmente em áreas abertas próximas de monoculturas e de corpos lênticos, sejam permanentes ou temporários, bem como em bromélias (Souza et al., 2021; Ramalho et al., 2022). Quanto à sua dieta, Rhinella diptycha é uma espécie generalista oportunista, podendo se comportar tanto como forrageadora passiva ou ativa, dada sua dieta complexa. Os adultos e juvenis possuem como principais itens alimentares formigas, ortópteros, coleópteros e aracnídeos (Duré et al., 2009), mas os adultos possuem registros frequentes para a ingestão de presas incomuns ao grupo, como caranguejos ( Poppiana argentiniana e Valdivia camerani ), outros anfíbios, como Rhinella granulosa (Guimarães et al., 2004) e de forma ainda pouco conhecida, sementes e frutos, como acerola (Severgnini et al., 2020). Ainda sobre hábitos alimentares, a espécie possui registros de tentativas de predação de Rhinella mirandaribeiroi , gato comum Felis catus , ossos de galinha (Sousa & Jorge, 2023) e morcegos (Silva et al., 2010), além de um evento de necrofagia sem sucesso, em que R. diptycha tentou predar um indivíduo morto da mesma espécie (Costa & Brito, 2022). Rhinella diptycha possui desenvolvimento indireto e padrão reprodutivo explosivo, correspondendo ao modo reprodutivo 1, em que os ovos são depositados em corpos lênticos (Haddad & Prado, 2005). Acerca de dimorfismo, as fêmeas possuem o corpo, cabeça e glândulas paratóides maiores que os machos (Arantes et al., 2015) e apresentam manchas irregulares pretas no dorso. Esta espécie possui a descrição do canto de anúncio e soltura. Seu canto de anúncio foi descrito com base no registro de dez machos gravados no Rio Grande do Norte, sendo caracterizado por uma frequência dominante de 600,59 Hz ± 51,71 Hz, composto por uma fase ascendente de baixa energia que pode ser ouvida em todas as chamadas, caracterizada por 15,6 ±7,9 notas, e uma sequência longa de pulsos repetidos que variam de 3,8-13,9 s (Garda et al., 2010). 501 História Natural Distribuição Possui ampla distribuição na América do Sul e no Brasil, podendo ser encontrada nos estados do Distrito Federal, Bahia, Goiás, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do sul, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, São Paulo, Tocantins, Paraíba, Alagoas e Pernambuco, com registro nos biomas Mata Atlântica (incluindo restinga e Brejos de altitude), Caatinga, Cerrado e Floresta Amazônica (Borges-Nojosa, 1991; Borges-Nojosa & Caramaschi, 2003; Oda et al., 2009; Lema & Martins, 2011; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Pereira et al., 2016; Moura e Tavares, 2022; Frost, 2024). 129 501 O canto de soltura, por sua vez, apresenta frequência dominante similar à encontrada para o canto de anúncio, é composto por notas aleatórias de amplitudes variadas. Tada & Sinsch (2023) ressaltaram a variação geográfica nos cantos de anúncio e de soltura descritos anteriormente, embora enfatizem que há um padrão no canto de soltura que faz parte do repertório comum do gênero Rhinella . O comportamento necrófilo também fora registrado para a espécie, em que um macho amplexou uma fêmea coespecífica morta em uma poça no Ceará (Brito et al., 2012a). Apesar de seu médio porte, Rhinella diptycha foi documentada como presa eventual de serpentes (Guedes et al., 2018), aves, lagartos (Luciano et al., 2020) e do Jacaré-do-papo-amarelo ( Caiman latirostris ) (Peixoto-Couto et al., 2020). Em trabalho de monitoramento de anuros e lagartos realizado entre maio de 2007 e dezembro de 2008 pelo Dr. G. J. B. de Moura (dados não publicados), através de amostragem ativa (Coleta Manual Limitada por Distância Percorrida) e passiva (Armadilhas de Interceptação e Queda em forma de “Y”) em linhas/transectos, parcelas (“Y”) e corpos d’água de dois fragmentos da EET (Mata do Camucim e Mata do Alto da Buchada) descritos no capítulo 2 deste livro, foram encontrados os seguintes dados apresentados a seguir (Moura, 2010): esta espécie apresentou uma abundância de 92 indivíduos (3.28% do total de anuros capturados) e sete recapturas (índice de recaptura de 1.09) o que totalizou 99 registros. Desta forma, R. diptycha foi classificada como uma espécie rara, conforme sua abundância, com constância de ocorrência igual a 39.8% (acessória) (Dajoz, 1973), sendo 83 capturados por coleta passiva e nove por ativa. O número de capturas nas coletas passivas mostrou-se significativamente maior (α=0.295 / gl=78 / p=0.008), evidenciando um maior sucesso dessa metodologia para o registro dessa espécie em ambientes florestais, como registrado também por Santana et al. (2008) na Mata Atlântica. Rhinella diptycha apresentou uma abundância intermediária, ocupando a sexta posição no ranking de abundância das espécies registradas. Tendo como base apenas os dados amostrados por coleta passiva, apresentou uma densidade populacional de 0.0074 indivíduos/m²; a inexistência de trabalhos com dados dessa natureza inviabiliza qualquer comparação. Vale ressaltar que Borges-Nojosa (1991) (n = 2), Santos (2001) (n = 12), Silvano & Pimenta (2003) (n = 5) e Melo (2009) (n = 3) em trabalhos desenvolvidos em Mata Atlântica com metodologias similares também registraram esta espécie em baixa abundância, embora Lima (2004) e Amorim (2009) em remanescentes de Mata Atlântica distantes cerca de 60 km da EET registrou essa espécie como uma das mais abundantes. 130 501 A população apresentou uma variação grande no padrão de distribuição anual, embora tenha sido registrada em 70% dos meses de amostragem. Evidenciou um pico populacional principal: em maio de 2007 (terceiro mês da estação chuvosa) (p = 0.019), como registrado por Santos & Silva (1998), Lima (2004) e Amorim (2009) em Mata Atlântica e Ferreira et al. (2008a) na Caatinga. Apresentou-se como uma espécie de reprodução prolongada tendo sido registrada vocalizando em 10 dos 12 meses de amostragem ativa, como registrado por Amorim (2009). Em relação à sazonalidade as abundâncias apresentaram diferença significativa (α=0.8309/ gl=38 / p=0.008), sendo registrados por coleta passiva 70 indivíduos (84%) nas estações chuvosas e 13 (16%) nas estações secas, corroborando com Ferreira et al. (2008a) na Caatinga e Lima (2004) e Amorim (2009) na Mata Atlântica que também registraram maior densidade dessa espécie na estação chuvosa, como sugerido pela literatura para a maioria dos anuros de ambientes florestais tropicais (Duellman & Trueb, 1994; Wells, 2007). A distribuição espacial, em relação às linhas e as parcelas (dados amostrados por coleta passiva), não apresentou diferença em relação às estações chuvosas (plinha = 0.397 e pparcela = 0.082) e secas (plinha = 0.086 e pparcela = 0.106). No que se refere ao gradiente borda – centro foram registrados 40 indivíduos no centro (48%) e 42 na borda (52%), dados que não se mostraram significativamente diferentes (α=0.158 / gl=4 / p=0.265), discordando de Santos & Silva (1998), Lima (2004), Moura et al. (2006a); Moura et al. (2006b) e Amorim (2009), que registraram prioritariamente essa espécie em ambiente de borda, tal divergência de resultados pode ser fruto da real inexistência de áreas de centro no fragmento, corroborando com Andrade & Rodal (2001), em trabalho desenvolvido com a estrutura da vegetação da EET. Aspectos relacionados à especificidade microambiental não poderão ser discutidos, devido ao baixo registro por coleta ativa; Apenas a título de registro a maioria dos exemplares foram coletados nos corpos d’água 1 em especial na borda Sul (voltada para a trilha que dá acesso ao corpo d’água), ocupando prioritariamente o microhabitat “solo sem vegetação”, frequentando as áreas mais próximas do corpo d’água, como registrado por Lima (2004), Amorim (2009) e Melo (2009). Quanto à largura de nicho espacial, em relação à ocupação dos setores inseridos no gradiente borda-centro / Levins Ponderado (Hurlbert, 1978), a população de R. diptycha foi considerada generalista, em ambas as estações, chuvosa (0,4187) e seca (0.2414). Segundo a literatura, o fato de R. diptycha apresentar comportamento de forrageamento predominantemente do tipo senta-e-espera, com maior atividade no período noturno, deveria restringir a área de uso da espécie, porém pela sua alta plasticidade alimentar e facilidade de adaptar-se a ambientes impactados (Frost, 2024) foi encontrado praticamente em todos os setores do gradiente borda-centro. 131 501 Quanto à sobreposição de nicho (índice de Pianka), apresentou valor máximo com L. troglodytes (0.707), desenvolvendo com as demais espécies relações medianas. Em relação à proporção sexual, dentre os indivíduos coletados por coleta passiva (83), 25 (30%) foram machos (todos adultos) e 57 (70%) fêmeas (sendo 49 adultas e oito jovens), dados que não se mostraram significativamente diferentes (α=0.283 / gl=78 / p=0.095), corroborando com Lima (2004). Em relação à influência dos parâmetros climáticos na flutuação populacional de R. diptycha , foi testada a normalidade das variáveis, as quais não apresentaram comportamento normal e em seguida constatado a correlação positiva significativa com a pluviosidade mensal média (R = 0.69; p = 0.02), não apresentando correlações significativas com os outros parâmetros abióticos analisados (temperatura do ar: R = 0.27, p = 0.21; temperatura da água: R = -0.21, p = 0.32 e umidade: R = -0.29, p = 0.17), corroborando com Machado et al. (1999), Amorim (2009) e Melo (2009), sendo esses dois últimos em áreas próximas a EET. 132 Aspectos Parasitários Estudos que investigaram a helmintofauna de espécimes no Rio Grande do Norte detectaram a ocorrência dos nemátodas Rhabdias sp., Rhabdias sphaerocephala , Gorgoderina rochalimae , Oswaldocruzia mazzai , Aplectana membranosa e Parapharyngodon sp.; do tremátoda Plagiorchis rangeli e do cestódeo Cylindrotaenia americana (Campião et al., 2015; Amorim et al., 2019; Madelaire et al., 2020). Artrópodes ectoparasitos também foram registrados, como é o caso o carrapato ixodídeo Amblyomma rotundatum (Oliveira et al., 2018), também infectado por Rickettsia bellii , frequentemente relatado como parasitos de carrapatos vetores da febre maculosa (Horta et al., 2015). Usos e Ameaças Não existem ameaças significativas que o coloquem esse animal em risco de extinção. Apesar disso, a espécie é comercializada e usada para fins mágico-religiosos e medicinais na Caatinga (Rodrigues & Alves, 2013; de Oliveira et al., 2016). Seu uso farmacológico se estende à bioprospecção, em que se investiga o potencial antimicrobiano e antiparasitário - antileishmania e antitripanossomal - das secreções de macroglândulas paratóides (Tempone et al., 2008). Além disso, esta espécie é significativamente vulnerável a atropelamentos em estradas próximas a remanescentes de floresta, como é o caso das rodovias BR 232 e 423, em Pernambuco (Andrade & Moura, 2011b; Tenório et al., 2021) e na RN 118, no Rio Grande do Norte (Pereira et al., 2018), uma vez que esta espécie tem o hábito de forragear também nos pontos de iluminação artificial que atraem os insetos (Fraga & Wiederhecker, 2021). Destaca-se que essa espécie é invasora na ilha de Fernando de Noronha, onde as populações são caracterizadas por uma série de mal formações morfofisiológicas (Santos, 2011). Foto : Silva, W. P. Espécie de pequeno porte com comprimento rostro cloacal médio de 59 mm (Narvaes & Rodrigues, 2009; Frost, 2024). Possui o focinho arredondado, dorso coberto por tubérculos de diferentes tamanhos com ápices queratinizados – o que explica seu nome popular “Sapo-de-verruga” - podendo se apresentar castanho claro ou castanho escuro, com manchas mais escuras espalhadas, uma linha vertebral geralmente ausente e ventre não pigmentado, com pequenas manchas escuras pontilhadas (Narvaes & Rodrigues, 2009). Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste capítulo. Descrição Morfológica Bufonidae Gray, 1825 FAMÍLIA Sapo-de-verruga, Sapo-granuloso 501 Rhinella granulosa (Spix, 1824) 133 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim LC L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N LC PRODUTOR DE TOXINAS CHP-LEHP/UFRPE A espécie é noturna, e pode ser encontrada desde fragmentos de floresta até áreas abertas como bordas, clareiras de plantações e ambientes urbanos (Roberto et al., 2013; Pereira et al., 2016). Acerca de sua dieta, a espécie pode ser caracterizada como forrageadora passiva, tendo como itens principais em sua dieta isópteros, formigas, coleópteros e aracnídeos (Damasceno, 2005; Santana & Juncá, 2007). Rhinella granulosa também exerce o importante papel trófico no controle de presas invertebradas e possui registros de predação por aves (Mesquita, 2009) e outros anfíbios, como R. diptycha . Quanto a sua reprodução, Rhinella granulosa forma agregações próximos a poças temporárias e deposita seus ovos em corpos d’água lênticos em períodos explosivos de reprodução, anunciados por chuvas fortes (Haddad & Prado, 2005). As fêmeas geralmente são maiores que os machos, e alguns estudos já relataram o amplexo interespecífico entre um indivíduo macho de R. granulosa e uma fêmea de R. crucifer , bem como com imago de Ceratophrys joazeirensis, o que pode ser atribuído a formação de agregações das espécies do gênero Rhinella em poças temporárias (Gama et al., 2020; Abreu et al., 2021). Rhinella granulosa possui seu canto de anúncio descrito, caracterizado por uma frequência dominante de 2.906 ± 93 Hz, iniciada com um breve aumento de amplitude, depois as frequências das notas permanecem estáveis durante todo o canto. Estribilho longo, cuja duração é 4.034 ± 0,616 s e intervalo entre cantos de 2,43 - 6,78 s. Taxa de repetição média de 5,6 notas por minuto, terminando abruptamente. O número de notas por canto oscila de 89 a 278 e cada nota apresenta 4 pulsos (Giaretta et al., 2018). Como destaque, Mângia & Santana (2013) registraram o comportamento de defesa conhecido como “pernas-rígidas” para esta espécie, em que o indivíduo achatou o corpo dorsoventralmente, inflou ligeiramente os pulmões e manteve suas pernas esticadas por cerca de um minuto enquanto era manipulado. Alguns autores documentaram o comportamento bromelícola de Rhinella granulosa em bromélias do gênero Aechmea principalmente em períodos secos, uma alternativa para evitar a desidratação (Souza et al., 2021). História Natural 501 Distribuição Esta espécie é endêmica do Brasil, amplamente distribuída nos estados do nordeste - Bahia, Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe – e em outros estados do sudeste, como Espírito Santo e Minas Gerais, ocorrendo nos biomas Mata Atlântica e Caatinga (Guerra et al., 2011; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022). 134 Usos e Ameaças Não são relatados usos para Rhinella granulosa . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). 501 Aspectos Parasitários Para esta espécie, é amplamente documentada a infestação por endoparasitos acantocéfalos, como Centrorhynchus tumidulus (Travassos; 1926; Campião et al., 2015; Oliveira e Campião, 2023), pelos nematódeos Aplectana crucifer , A. delirae ( Vicente et al, 1991; Campião et al., 2015), Cosmocerca brasiliense, C. parva, C. rara ( McAllister et al. , 2010b), Oswaldocruzia sp. , O. subauricularis ( Vicente et al, 1991; Campião et al., 2015), Rhabdias sp, R. sphaerocephala, R. hermaphrodita (Vicente et al, 1991; Kloss, 1971, 1974; Campião et al., 2015), Raillietnema spectans, Paraoxyascaris travassosi e Oxyascaris similis (Vicente et al, 1991) e por trematódeos Mesocoelium sp., M. incognitum, M. travassosi, M. monas (Perez, 1964; Travassos et al., 1969, Campião et al., 2015), Gorgoderina cryptorchis, G. parvicava ( Perez, 1964; Travassos et al., 1969; Campião et al., 2015) Glypthelmins linguatula (Travassos et al., 1969) . A cerca de ectoparasitos, há o registro de carrapatos ixodídeos para esta espécie (Mendoza-Roldan et al., 2020). O canto de soltura fora descrito por Silva et al. (2022) a partir de 31 vocalizações de 3 indivíduos, caracterizado como multipulsionado e harmônico com duração de 0,699 ± 0,342 s, contendo de uma a nove notas com 0,102 ± 0,114s, 1 a 60 pulsos por nota, intervalo entre pulsos 0,0044 ± 0,0029 s e frequência dominante de 852,977 ± 46,412 Hz. 135 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N É uma espécie de pequeno porte, atinge em média 25 mm de comprimento rostro cloacal (Napoli et al., 2009). Apresenta uma coloração marrom-acinzentada, com linhas escuras nas laterais da cabeça que vão desde seu longo focinho até a região timpânica e o dorso pode ou não apresentar listras e marcas assimétricas (Boulenger, 1888; Napoli et al., 2009). As fêmeas são sutilmente maiores que os machos e podem apresentar listras dorsais (Nápoli et al., 2009). Descrição Morfológica Craugastoridae Hedges, Duellman & Heinecke, 2008 FAMÍLIA Rãzinha-do-folhiço, Rã-saltadora da Paraíba Pristimantis ramagii (Boulenger, 1888) LC LC Foto : Silva-Vieira, T. C. 136 CHP-LEHP/UFRPE É uma espécie prioritariamente terrestre e noturna, pode ser encontrada em serrapilheira, substratos rochosos, íngremes e em bromélias fitotelmadas, podendo ter ocorrência desde florestas primárias até ambientes antropizados (Barbosa et al., 2017). A Rãzinha-do-folhiço, como também é chamada em diversas regiões do nordeste do Brasil, é uma forrageadora passiva e possui uma dieta generalista, tendo como itens principais os insetos dos clados Hemíptera, Orthoptera, Formicidae e Coleoptera, além de moluscos e aracnídeos (Leite-Filho et al., 2017). Além disso, o porte pequeno da Rãzinha-de-folhiço e o seu microhabitat corroboram para torná-la presa de invertebrados, como das aranhas Pachistopelma rufonigrum (Souza et al., 2023) e Ctenus rectipes (Moura-Filho et al., 2021). O período reprodutivo da espécie ocorre principalmente entre os meses chuvosos de junho a setembro (Pereira et al., 2016) e, diferente da maioria das espécies do grupo, P. ramagii possui modo reprodutivo número 23, em que ocorre o desenvolvimento direto de ovos terrestres depositados no folhiço ou em barrancos, sem a necessidade de corpos d’água (Haddad & Prado 2005). Esta espécie possui os cantos de anúncio (Heyer & Carvalho, 2000a) e territorial descritos (Oitaven et al., 2017). O canto de anúncio teve duração de 0,151 ± 0,052s e é composto por pulsos curtos com intervalos entre pulsos muito curtos, de uma a quatro notas que duraram de 0,001 a 0,0033s cada, e frequência dominante de 3941.7 ± 490.78 Hz, sendo a taxa média de repetição dos cantos de 8.33 vocalizações por minuto (Oitaven et al., 2017). Por sua vez, o canto territorial teve um único som com seis chamadas por minuto, com duração média de 0,516s e fora composto por cinco a nove pulsos que duraram em média 0,027 segundos; a frequência dominante, por sua vez, foi 3611.8 ± 213.9 Hz (Oitaven et al., 2017) De acordo com o coeficiente de variação intraindividual, a duração da nota e do canto, assim como o número de pulsos, são dinâmicas, enquanto a frequência dominante foi classificada como intermediária. Na análise dos coeficientes interindividuais, todos os parâmetros analisados passaram a ser classificados como dinâmicos, exceto a frequência dominante e a duração da nota (Oitaven et al., 2017). Além do comportamento acústico, alguns trabalhos relatam o comportamento bromelícola habitual para a Rãzinha-do-folhiço principalmente em períodos secos (Albertin et al., 2010) e interações foréticas com zooplânctons das espécies Anuraeopsis fissa , Lecane nana , Lepadella patella, além de um indivíduo da classe Bdelloidea entre bromélias (Morais-Júnior et al., 2019). História Natural Distribuição Esta espécie é endêmica do nordeste brasileiro, com registros de ocorrência na Caatinga e na Mata Atlântica dos estados da Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Bahia (Albertin et al., 2010; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Santana et al., 2008; Pereira et al., 2016; Moura & Tavares, 2022; Frost, 2024). 137 Usos e Ameaças Não são relatados usos para Pristimantis ramagii . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). No entanto, o registro de infecção pelo Batrachochytrium dendrobatidis requer atenção, uma vez que espécies terrestres podem carecer de respostas adaptativas à infecção, o que representa um importante ponto a ser considerado em sua conservação (Lambertini et al., 2021). Aspectos Parasitários No que se refere aos aspectos parasitológicos, apenas Lambertini et al. (2021) investigaram esse tema em relação a Pristimantis ramagii , reportando a ocorrência de Batrachochytrium dendrobatidis , o fungo causador da quitridiomicose. P. ramagii exibiu a maior intensidade de infecção no trabalho supracitado, sugerindo que a história natural desta espécie pode ser um fator crucial na intensidade da infecção pelo fungo. 138 Foto : Freitas, M. A. ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N Possui coloração críptica, a pele do dorso pode variar de tons acastanhados a cinza, muitas vezes com manchas escuras irregulares. O ventre é mais claro, e tende a ser esbranquiçado ou amarelado. O comprimento rostro cloacal dos adultos geralmente varia entre 20 e 30 mm (Nascimento & Skuk, 1993). Descrição Morfológica FAMÍLIA Rãzinha Pristimantis vinhai (Bokermann, 1975) LC LC Foto : Freitas, M. A. 139 CHP-LEHP/UFRPE Craugastoridae Hedges, Duellman & Heinecke, 2008 Podem ser encontradas em troncos, galhos, folhas da vegetação baixa e bromélias de 0 a 2 metros do solo, na serrapilheira e sob folhas da vegetação arbustiva. Geralmente começa a vocalizar no pôr do sol e se estende por toda a noite (Dias et al., 2014). História Natural Aspectos Parasitários Ainda não há trabalhos publicados sobre os possíveis parasitos de Pristimantis vinhai . Usos e Ameaças Não são relatados usos para Pristimantis vinhai . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie eou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). Distribuição Ocorre na Bahia, Sergipe, Paraíba e Pernambuco (Silvano & Pimenta, 2003; Juncá, 2006; Morato et al., 2011; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Santana et al., 2016; Santos et al., 2016; Moura & Tavares, 2022). 140 Foto : Betanin, L.G. Apresenta porte médio, atingindo aproximadamente 5 cm de comprimento rostro cloacal. Seu dorso apresenta a cor verde e o ventre é branco, as regiões internas das coxas possuem cor laranja assim como as membranas interdigitais, a íris é branca e a pupila preta (Moura et al., 2024a, b, c) Conhecida popularmente como “perereca verde” devido a sua coloração. Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste capítulo. Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca-verde 501 Boana albomarginata (Spix, 1824) 141 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim LC L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N LC CHP-LEHP/UFRPE Distribuição Caracteriza-se por apresentar ampla distribuição dentro do bioma Mata Atlântica (Frost, 2024), incluindo Brejos de Altitude (Borges-Nojosa, 1991; Borges-Nojosa e Caramaschi, 2003). É uma espécie endêmica do Brasil, com registros desde o estado do Rio Grande do Norte até Santa Catarina (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Rossa-Feres et al., 2017; Pimenta et al., 2014; Segalla et al., 2021). História Natural Pode ser encontrada em bordas de florestas, áreas abertas próximas a florestas, restingas e áreas degradadas (Haddad et al., 2013). B. albomarginata é noturna, e sua dieta se baseia em Acarina, Araneae, Coleoptera, Lepidoptera, Orthoptera, Scorpiones, larvas de insetos e acidentalmente material vegetal. Sobre a reprodução, o pico da estação reprodutiva acontece nos meses mais quentes e úmidos, porém é possível encontrar machos vocalizando durante todo o ano. Eles vocalizam empoleirados na vegetação marginal de poças temporárias ou permanentes (Haddad et al., 2013) e apresentam grandes agregações reprodutivas (Bertoluci & Rodrigues, 2002). Além disso, dispõem quatro tipos diferentes de comunicações visuais associadas ao seu comportamento reprodutivo (Hartmann et al., 2005) e um complexo comportamento de corte e disputa com machos rivais (Giasson & Haddad, 2006). A desova é depositada diretamente na água, e os girinos possuem hábito bentônico (Pimenta et al., 2014). A vocalização dessa espécie possui estrutura multi pulsionada e harmônica, na qual o canto de anúncio é subdividido em dois tipos de acordo com o contexto de emissão. O primeiro tipo é o canto com apenas uma nota, esporádico, emitido mais comumente no início e fim da atividade na poça, dentro da mata e também em noites com baixa densidade de indivíduos. Já o segundo tipo, é um canto ritmado, com notas sucessivas e com intervalos regulares de repetição, emitido durante o período de maior atividade e possuindo de duas a mais de vinte notas (Giasson, 2003). O canto de estresse foi descrito por Figueiredo-de-Andrade et al. (2010). O canto é composto por uma nota harmônica, não pulsada com duração média de 0,14 ± 0,10 s, intervalo entre as notas de 0,5 ± 0,43 s e frequência dominante de 1,74 ± 0,34 kHz. Em trabalho de Monitoramento de anuros e lagartos realizado entre maio de 2007 e dezembro de 2008 pelo Dr. G. J. B. de Moura (dados não publicados), através de amostragem ativa (Coleta Manual Limitada por Distância Percorrida) e passiva (Armadilhas de Interceptação e Queda em forma de “Y”) em linhas/transectos, parcelas (“Y”) e corpos d’água de dois fragmentos da EET (Mata do Camucim e Mata do Alto da Buchada) descritos no capítulo 2 deste livro serão apresentados a seguir (Moura, 2010): Apresentou uma abundância de 175 indivíduos (6.24% do total de anuros capturados); sendo classificada quanto à abundância como uma espécie rara (Bodenheimer, 1995), com constância de ocorrência igual a 50% (constante) (Dajoz, 1973), sendo todas as capturas por coleta ativa. 142 Boana albomarginata apresentou-se com alta abundância, ocupando a quarta posição no ranking das espécies registradas; corroborando com os trabalhos de Santos (2001) e Melo (2007) realizados também na EET e Amorim (2009) na Usina São José, distante cerca de 60km da EET, embora Borges-Nojosa (1991) e Borges-Nojosa & Caramaschi (2003) em Brejos de Altitude e Santos & Silva (1998) e Juncá (2006) na Mata Atlântica tenham registrado essa espécie como uma das menos abundantes, o que pode ser resultado das diferentes condições climáticas e grau de conservação dos fragmentos (Rodrigues, 1998). 501 143 A população apresentou uma variação grande no padrão de d istribuição anual, embora tenha sido registrada em todos os meses de exi stência dos corpos d’água temporários (10 meses: março a dezembro) como registrado por Santos & Silva (1998), Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (2009), todos em Mata Atlântica relativamente próxima. Vale ressaltar que neste trabalho e em todos os supracitados a população apresentou pico na estação chuvosa, como sugerido pela literatura para a maioria dos anuros tropicais (Duellman & Trueb, 1994 e Wells, 2007), tendo o clima como um fator preponderante para regular a dinâmica populacional dessa espécie (Rodrigues, 1998). Em relação ao período reprodutivo, foi registrada durante toda a estação chuvosa em atividade de vocalização, predominantemente nos primeiros meses de existência dos corpos d’água (início da estação chuvosa), enquadrando-se na categoria de “espécie com reprodução prolongada”; quanto à sequência de ocupação dos corpos d’água foi classificada com uma “espécie pioneira”, colonizando os ambientes aquáticos nas primeiras semanas com acúmulo de água e mantendo-se em alta densidade até o desaparecimento do corpo d’água. Tais registros corroboram com o fato do recurso distribuição e intensidade de chuvas ocupar um papel de destaque na regulação dos padrões sazonais de B. albomarginata , como sugerido por Santos & Silva (1998), Santos (2001), Lima (2004), Moura (2004), Melo (2007) e Amorim (2009) todos desenvolvidos em ambiente de Mata Atlântica. Em relação à especificidade ambiental, foi registrada predominantemente sobre as lâminas d’água de ambientes lênticos temporários (corpo d’água 1 e 3), como registrado por Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (2009), embora este último trabalho também tenha registrado a espécie em riachos; devido principalmente a menor quantidade de predadores, em especial peixes (Altig & McDiarmid, 1999). Quanto à especificidade microambiental, foi registrada prioritariamente nos microambientes “folha de vegetação aquática emergente” (p=0.001) e “galho de vegetação aquática emergente” (p=0.001), como registrado por Santos (2001) e Melo (2007) na EET e em outros fragmentos de Mata Atlântica do Nordeste (Lima, 2004; Santos et al., 2004; Amorim, 2009) e sudeste do País (Lutz, 1973; Giasson, 2003), embora tenha sido registrada esporadicamente em outros microambientes. 501 144 Em relação à distância da borda, foi registrada preferencialmente nos dois primeiros metros da borda em direção ao centro dos corpos d’água, onde encontra-se uma estrutura da vegetação (vegetação marginal) mais expressiva. Quanto a distribuição vertical, concentrou-se significativamente entre 0 e 20cm de altura (p=0.001), tendo sido registrada até a cinco metros de altura. Vale ressaltar que embora a especificidade espacial de B. albomarginatus mostre-se similar a D. minutus e D. branneri , ela ocupa uma vegetação bem diferenciada, com folhas, hastes e galhos mais robustos, que suportem sua massa (= 5.2g), pois se mostra bem maior em relação a D. minutus ( +/- 0.7g) e D. branneri ( +/- 0.5g). O padrão de distribuição espacial aqui apresentado corrobora com os trabalhos de Arzabe (1998), Santos (2001), Lima (2004), Prado & Pombal (2005), Melo (2007), Santana et al. (2008) e Amorim (2009), todos desenvolvidos em ambientes de Mata Atlântica. Quanto à largura de nicho espacial, em relação à especificidade microambiental / Levins Padronizado, a população de B. albomarginata foi considerada generalista, em ambos os corpos d’água, 1 (0.424) e 3 (0.212), embora tenha apresentado picos de abundância nos microhabitats supracitados. Em relação à distância da borda externamente ao corpo d’água, 1 e 3, apresentou valores intermediários, respectivamente 0.370 e 0.375 e internamente (corpo d’água 1: 0.538 e 3 : 0.477). No que se refere à distribuição vertical externa (corpo d’água 1: 0.575 e 3: 0.712) e interna (corpo d’água 1: 0.580 e 3: 0.675) mostrou-se tendendo a uma especialidade na utilização desses recursos (espaço). Vale ressaltar que Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (20 09), dentre os aspectos analisados em comum, registraram o mesmo padrão de distribuição espacial para a espécie. Quanto à sobreposição de nicho (índice de Pianka), em relação à especificidade microambiental, apresentou valores altíssimos com cinco espécies de hilídeos no corpo d’água 1: D. branneri (0.825), D. decipiens (0.935), D. minutus (0.811), P. gonzagai (0.888), S. auratus (0.840) e S. eurydice (0.924), e uma no corpo d’água 3: S. eur ydice (0.902). Em relação à distância externa da borda no corpo d’água 1 com D. branneri (0.912), D. m inutus (0.864), S. eurydice (0.966) e S. x-signatus (0.834), e no corpo d’água 3 com S. x- signatus (0.959). Quanto à distância interna da borda no corpo d’água 1 com D. branneri (0.888), D. minutus (0.929), P. gonzagai (0.864) e S. auratus (0.839), e no corpo d’água 3 com L. natalensis (0.891), sendo esta última teór ica, pois se segregam verticalmente, como registrado por Crump (1971). Em relação à distribuição vertical externamente com D. branneri (0.890) e D. decipiens (0.832) no corpo d’água 1 e S. auratus (0.911) no corpo d’água 3; e internamente no corpo d’água 1 com D. decipiens (0.923), P. gonzagai (0.805) e S. x-signatus (0.963) e no corpo d’água 3 com D. minutus (0.837). A expressiva sobreposição entre os hilídeos deve-se às expansões digitais na porção distal dos artelhos, que os concentram em sítios aéreos, além de conferir vantagens adaptativas sobre as espécies terrestres (Cardoso et al., 1989; Pombal-Júnior, 1997), como registrado por Bokermann (1967), Lutz (1973), Giasson , 2003. Em relação à proporção sexual, foram registradas 45 fêmeas e 52 machos no corpo d’água 1, valores que não se mostraram significativamente diferentes (X² = 0.505 / p = 0.4772), assim como em relação ao corpo d’água 3, 29 fêmeas e 13 machos (X² = 6.095 / p = 0.0536), corroborando com Giasson (2003). Vale ressaltar que Lima (2004) registrou uma quantidade expressiva de fêmeas na estação chuvosa, enquanto na estação seca de machos. Em relação à influência dos parâmetros climáticos na flutuação populacional de B. albomarginata , foi testada a normalidade das variáveis, as quais não apresentaram comportamento normal e em seguida constatado a não correlação significativa com nenhum dos parâmetros abióticos analisados (temperatura do ar: R = 0.23, p < 0.22; temperatura da água: R = 0.09, p < 0.63; umidade: R = -0.02, p < 0.88 e pluviosidade: R = 0.35, p < 0.31), corroborando com Santos & Silva (1998), Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (2009), todos os trabalhos realizados em fragmentos de mata Atlântica próximos a EET; embora a literatura ressalte que dentre as variáveis climáticas, a precipitação exerce forte influência na dinâmica populacional dos anuros tropicais (Wells, 2007). 501 145 Aspectos Parasitários São conhecidos registros dos acantocéfalos Pseudoacanthocephalus lutzi (Campião et al., 2015) , e e stágios larvais infecciosos de Centrorhynchus sp . (Martins-Sobrinho et al. 2017) e dos nematódeos Brevimulticaecum sp ., Cosmocerca parva, Rhabdias sp ., Physaloptera sp . e Oswaldocruzia sp . (Lins, 2020). Usos e Ameaças Não são relatados usos para B. albomarginata . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). 501 146 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N É uma espécie de pequeno porte, com 4 cm de comprimento rostro cloacal. Sua coloração é bastante característica, a região dorsal é predominantemente verde com manchas e pequenos pontos vermelhos, apresenta nítidas linhas dorsolaterais amarelas e vermelhas. Esta espécie está intimamente relacionada com B. punctata , mas difere pela cabeça maior e focinho mais curto, dois grupos curtos e contíguos de dentes vomerianos, e coanas aproximadamente circulares (Caramaschi & Velosa, 1996). Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca-verde Boana atlantica (Caramaschi & Velosa, 1996) LC LC Foto : Freitas, M. A. CHP-LEHP/UFRPE Pode ser encontrada nas bordas e interior de florestas primárias e secundárias, incluindo florestas degradadas. É uma espécie noturna e provavelmente se esconde dentro de folhas, galhos e troncos de vegetação durante o dia, se alimenta principalmente de Araneae (Claudio et al., 2018). Sobre a reprodução, os machos vocalizam durante todo o ano (Camurugi & Juncá, 2013) em lagoas permanentes (Carnaval & Pimenta, 2004). O tipo de amplexo é axilar, no qual um ou dois dedos do macho se posicionam acima do braço da fêmea, ou amplexo cefálico. A variação na posição dos dedos provavelmente está relacionada ao dismorfismo sexual nessa espécie, onde o macho é maior que a fêmea (Camurugi & Juncá, 2013). Os girinos são bentônicos, com coloração críptica e não formam agregações (Nascimento et al., 2009). O canto de anúncio de B. atlantica foi descrito por Napoli & Cruz (2005), apresenta quatro a oito notas, a amplitude de duração do canto é de 0,19-0,44 s, o tempo de duração da nota 12- 22,37 ms. Possui duas faixas espectrais (harmônicos) distintas, o harmônico de frequência mais baixa tem 0,68 -1,90 kHz, e o harmônico de frequência mais alta 2 - 3,68 kHz. A frequência dominante tem 0,84 -1,28 kHz, mas em alguns casos pode variar entre 2,18-2,53kHz. De acordo com Taboada et al. (2017), a espécie é fluorescente, ou seja, capaz de brilhar na luz UV. Este foi o segundo relato de fluorescência em anfíbios, o primeiro foi o da B. punctata . A hipótese é de que a presença de biliverdina, pigmento de cor verde presente na pele, provoca essa característica. História Natural 501 Distribuição Endêmica do Brasil, tem ocorrência na Mata Atlântica nordestina, e possui registros conhecidos para os estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco e Paraíba (Silvano & Pimenta, 2003; Nascimento et al., 2009; Camurugi et al., 2010; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Dias et al., 2014a; Almeida et al., 2016; Roberto et al., 2017; Moura & Tavares, 2022). 147 Aspectos Parasitários Quanto aos aspectos parasitológicos de B. atlantica , Oliveira et al. (2012) registraram casos de miíase, causada por moscas sarcófagas, em dois indivíduos, e em ambos as larvas foram encontradas em ulcerações acima da cloaca. Usos e Ameaças Não são relatados usos para B. atlantica . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). 501 148 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N Foto : Negromonte, I. Esta é uma espécie de médio porte. Os machos apresentam comprimento rostro cloacal entre 5,8 e 7,1 cm, enquanto as fêmeas medem de 6,1 a 7,1 cm (Casal & Juncá, 2008). Sua coloração é bastante característica: durante o dia, apresenta tonalidade cinza homogênea, com manchas escuras indistintas distribuídas pelo corpo, além da íris de coloração amarelo vibrante. À noite, a coloração de fundo do dorso torna-se amarelada, com manchas marrons-escuras em forma de "X", estendendo-se entre a região da cintura escapular e a região sacral (Eterovick et al., 2020). Devido a esse padrão cromático, tanto diurno quanto noturno, a espécie é popularmente conhecida como “perereca-cinza” (Casal & Juncá, 2008). Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca-cinza Boana crepitans (Wied-Neuwied, 1824) LC LC CHP-LEHP/UFRPE Pode ser encontrada em ambientes temporariamente alagados e com vegetação herbácea próximo a corpos d’água, sendo comumente associada a áreas abertas e modificadas pela presença humana (Feio & Caramaschi, 2002; Azarak et al., 2011). Boana crepitans possui período de atividade noturno, e sua dieta é composta por pequenos animais dos clados Orthoptera, Araneae, Coleoptera e Hymenoptera. Sua reprodução é prolongada (Azarak et al., 2011), os machos vocalizam no solo ou sobre a vegetação próxima às margens de corpos d’água, os ovos são depositados em pequenas poças nas bordas dos corpos d’água e, à medida que as chuvas elevam o nível de água, as poças são inundadas e os girinos são levados para o corpo d’água maior, onde concluem seu desenvolvimento. Os girinos são de tonalidade marrom clara com manchas descoloridas de formato arredondado, são bentônicos e encontrados ao longo do ano (Eterovick et al., 2020). O canto de anúncio é composto principalmente por três notas multipulsadas, com as primeiras notas possuindo as menores intensidades, pulsos e duração. O número de pulsos da primeira nota varia entre 3 e 4, enquanto a última apresenta 17 – 33 pulsos. O intervalo entre os cantos varia em média 0,40 s ± 0,10 e a frequência dominante do canto com média de 0,80 ± 0,10 kHz (n=189) (Casal & Juncá, 2008). História Natural 501 Aspectos Parasitários No que diz respeito à presença de parasitos nessa espécie, já foram registrados os helmintos Aplectana hylambatis, Cosmocerca parva, Cylindrotaenia americana, Glypthelmins vitellinophilum e Oswaldocruzia proencai (Campião et al., 2015). Usos e Ameaças Não são relatados usos para B. crepitans . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). Distribuição Esta espécie ocorre no Panamá, norte da Colômbia, Venezuela, Ilhas de Trinidad e Tobago, Brasil e grande parte das Guianas. Embora seja típica do bioma Mata Atlântica, a espécie já foi registrada para o Cerrado e a Caatinga brasileira, com registro nos estados de Goiás, Minas Gerais, Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe (Feio & Caramaschi, 1995; Casal & Juncá, 2008; La Marca et al., 2010; Moura et al., 2011; Moura et al, 2012). 149 501 150 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N Essa espécie apresenta tamanho corpóreo de médio a grande, o comprimento rostro cloacal médio é de 8,8 cm em machos e 9,0 cm em fêmeas. Seu dorso varia do marrom escuro ao bege, com uma linha escura discreta do focinho à altura dos braços ou próximo à região sacral e, em alguns indivíduos, com manchas marrons ou pretas no dorso (Eterovick et al., 2020). Conhecida popularmente como “sapo-ferreiro” ou “sapo-martelo”, por conta da sua vocalização característica que lembra um martelo. Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Sapo-ferreiro, Sapo-martelo Boana faber (Wied-Neuwied, 1821) LC LC Foto : Freitas, M. A. CHP-LEHP/UFRPE Esse animal vive em florestas tropicais úmidas e nas bordas dessas florestas, é comum em locais antropizados, durante o dia abriga-se na vegetação ou em frestas (Eterovick et al., 2020). Boana faber possui hábito prioritariamente noturno, e até o momento sua dieta é composta por Coleoptera, Homoptera, Orthoptera, Blattodea, Lepidoptera, Hemiptera, Araneae e crustáceos isópodes (Diniz, 2013). Reproduz-se fazendo ninhos em corpos d’água temporários ou permanentes, incluindo corpos d’água artificiais, e perto de riachos de fluxo lento (Lavilla et al., 2010). A época reprodutiva acontece entre os meses de dezembro e março, os machos vocalizam ao lado de pequenas depressões construídas nas margens de remansos, lagos e brejos. São territoriais, os combates entre os machos são comuns e podem ter graves consequências, já que eles têm uma estrutura em forma de espinho curvado, o prepólex, no qual um macho usa contra outro quando se sente ameaçado. As fêmeas depositam as desovas após verificarem se a depressão feita pelo macho é segura. Os ovos são pretos e numerosos. Os girinos inicialmente são pretos e durante o desenvolvimento ficam castanhos com alguns tons de marrom. São bentônicos e ativos durante a noite (Eterovick et al., 2020). No que diz respeito a vocalização de B. faber , o canto de anúncio é estereotipado, pulsado, com apenas uma nota, variando de 0,3 a 4,0 kHz, com frequência dominante de 1,0 a 1,5 kHz e duração de 0,08 s. Ele soa como um golpe de martelo, com alta intensidade e taxa de repetição variável de 107 a 124 chamadas por minuto. Quando um macho avista uma fêmea próxima, a taxa de repetição varia entre 170 e 180 notas por minuto (Martins & Haddad, 1988). História Natural 501 Distribuição Sua distribuição vai do leste do Paraguai e norte do Rio Grande do Sul até o extremo nordeste brasileiro, ocorrendo em grandes porções dos biomas da Mata Atlântica e do Cerrado, ocorrendo nos estados de Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Alagoas, Bahia, Paraíba, Sergipe e Pernambuco (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022; Martins & Haddad, 1988; Frost, 2024). 151 Aspectos Parasitários Os parasitos já registrados para a espécie foram: Cosmocercidae, Falcaustra mascula , Ochoterenella sp., Oswaldocruzia subauricularis , Raillietnema simples , Rhabdias sp., Schrankiana sp. (Toledo et al., 2018) e Physaloptera sp. (Garcia, 2022). Ainda no quesito saúde, destaca-se que Preuss et al. (2016) registrou indivíduos infectados por quitridiomicose na região sul do Brasil, fungo que ataca a pele dos anfíbios, interferindo em seus batimentos cardíacos. 501 152 Usos e Ameaças Não são relatados usos para B. faber . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). Foto : Botelho, L. É uma espécie grande, com comprimento rostro cloacal médio variando de 7 a 7,5 cm. Possui a cabeça larga, dorso liso com coloração creme amarelada e abdome com coloração homogênea, é frequente a presença de faixas transversais no dorso, e a parte posterior das coxas com faixas transversais escuras sobre fundo rosa escuro (Vaz-Silva et al., 2020). Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca 501 Boana raniceps (Cope, 1862) Foto : Silva, W.P. 153 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim LC L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N LC CHP-LEHP/UFRPE Utiliza diversos habitats, como folhas e ramos da vegetação às margens de corpos d’água, brejos e lagos, naturais ou artificiais, temporários ou permanentes, durante o período chuvoso (La Marca et al., 2004; Zina et al., 2010). Possui período de atividade noturno, sua dieta normalmente é composta por animais das classes Arachnida e Insecta, além de materiais vegetais e larvas (Rodrigues, 2023). Apresenta reprodução prolongada, os machos são territorialistas, defendendo seus sítios através de vocalização e raramente entram em combate físico (Guimarães & Bastos, 2003). Usam corpos d’água temporários, ou habitats degradados e áreas urbanas para se reproduzirem (La Marca et al., 2004). O amplexo é axilar, com o macho segurando de maneira firme o corpo da fêmea, podendo se estender por até cinco horas, a postura dos ovos é agrupada e envolvida por uma substância gelatinosa (Guimarães & Bastos, 2003). Os girinos são caracterizados pelo corpo ovóide em vista dorsal, deprimido em vista lateral (Rossa-Feres & Nomura, 2006). O canto de anúncio mais utilizado pela espécie apresenta estrutura pulsionada e tem duração média de 165,88 ms, sendo formada de 4 a 10 pulsos. A duração média dos pulsos é de 23,78 ms e a frequência dominante atinge, em média, 900,64 Hz. A taxa média de repetição dos cantos é de 45,85 notas/min. Já o canto territorial consiste em uma nota com duração média de 592,2 ms e frequência dominante de 735,69 Hz (Guimarães & Bastos, 2003). História Natural 501 Aspectos Parasitários Sobre aspectos parasitológicos, para B. raniceps já foram registradas três espécies de nematódeos: Aplectana hylambatis (González & Hamann, 2006); Cosmocerca parva (González & Hamann, 2011); e Oswaldocruzia proencai (Lent et al., 1946), além dos platelmintos Cylindrotaenia americana (Yamaguti, 1959) e Glypthelmins vitellinophilum (Travassos et al., 1969). Distribuição Pode ser encontrada na Colômbia, Venezuela, Guiana Francesa, Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia (La Marca et al., 2004). No Brasil, encontra-se praticamente em todos os biomas, ocorrendo nos estados do Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Tocantins, Paraná e Distrito Federal (Zina et al., 2010; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022). 154 501 155 Usos e Ameaças Há comprovação da presença de peptídeos na secreção cutânea de B. raniceps , com atividade antiproliferativa sobre o fungo patogênico Candida albicans , predominante em infecções em humanos (Magalhães et al., 2008). Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). Foto : Siqueira, J.V.C. Boana semilineata é uma perereca de médio porte, com comprimento rostro cloacal aproximado de 40 mm nos machos e 50 mm nas fêmeas (Peloso et al., 2018; Moura et al., 2024a,b,c). Sua diagnose é caracterizada por uma linha escura dorso-longitudinal que se estende das narinas até a região sacral, sobre um fundo dorsal variando entre amarronzado, alaranjado e amarelado; além da presença de um apêndice calcâneo bem desenvolvido e presença de uma membrana palpebral reticulada (Peloso et al., 2018). Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca-dormideira 501 Boana semilineata (Spix, 1824) Foto : Freitas, A.F.F. 156 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró LC L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N LC CHP-LEHP/UFRPE Espécie predominantemente arborícola, encontrada em vegetação de baixa altura próxima a corpos d'água permanentes ou temporários, como lagoas e brejos. Durante o período reprodutivo, que coincide com a estação chuvosa, a espécie apresenta comportamento de reprodução explosiva, formando densas agregações de machos vocalizando em áreas abertas ou nas margens desses corpos d'água (Garda et al., 2010; Lisboa et al., 2011). Sua reprodução ocorre em corpos d'água temporários e permanentes, com vocalizações de anúncio realizadas principalmente durante a estação chuvosa, quando os machos formam coros para atrair as fêmeas (Lisboa et al., 2011). Sua dieta é composta predominantemente por artrópodes, com destaque para coleópteros e ácaros, evidenciando um comportamento alimentar oportunista, relacionado à disponibilidade local de presas (Protázio et al., 2018). Segundo Dubeux et al. (2020), o girino de B. semilineata possui corpo oval em vista dorsal e globular-deprimido lateralmente, com focinho oval e olhos dorsais; o disco oral é anteroventral, com papilas marginais lateroventrais e fórmula dentária 2(2)/4(1); o espiráculo é sinistral e o tubo de ventilação é dextro, enquanto a cauda representa cerca de 60% do comprimento total do corpo, com nadadeiras arqueadas. História Natural 501 Aspectos Parasitários Não há registros específicos de parasitos associados a Boana semilineata na literatura científica atual. No entanto, dados sobre parasitas em outras espécies do gênero Boana e em anuros brasileiros em geral sugerem que B. semilineata pode estar sujeita a infecções parasitárias semelhantes (Campião et al., 2015). Portanto, estudos adicionais são necessários para confirmar a presença e identificar os parasitos específicos associados a essa espécie. Distribuição É uma espécie endêmica do Brasil, com registros confirmados em Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia e Rio Grande do Norte, especialmente em áreas de Mata Atlântica e suas zonas de transição (Moura et al., 2011; Peloso et al., 2018; Moura & Tavares, 2022; Frost, 2024). 157 Usos e Ameaças Não são conhecidos usos específicos para Boana semilineata . Além disso, até o momento não foram identificadas ameaças que coloquem essa espécie ou suas populações em risco de extinção no estado de Pernambuco (Moura & Tavares, 2022). Contudo, reconhece-se que a degradação dos ambientes florestais, a poluição dos ecossistemas naturais e o aquecimento global constituem ameaças potenciais para os anuros em geral (IUCN, 2025; Moura et al., 2023). 501 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N PRODUTOR DE TOXINAS Esta espécie apresenta comprimento rostro-cloacal médio de 73,0 mm e pesa em média 21,1 g. Possui corpo áspero, uma derme craniana co-ossificada e uma cabeça achatada coberta por pequenos espículos, os quais contribuem para a minimização da perda de água em ambientes áridos (Navas et al., 2002; Jared et al., 2005). É coberta por verrugas compostas por glândulas mucosas e granulares que liberam secreções brancas e odoríferas tóxicas e eficazes contra predadores (Jared et al., 1995; Jared et al., 1999). Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Pererequinha-de-capacete Corythomantis greeningi Boulenger, 1896 158 LC LC Foto : Negromonte, I. O. CHP-LEHP/UFRPE Possui uma cabeça achatada com a pele fundida ao crânio, formando uma estrutura co- ossificada, permitindo que se refugie em fendas usando a cabeça como uma “tampa” para selar a entrada, protegendo-se contra predadores e minimizando a perda de água (Jared et al., 2005). Apresenta glândulas cutâneas especializadas que produzem secreções tóxicas. É uma das poucas espécies de anfíbios anuros com estrutura inoculadora de veneno conhecidas (espécie venenosa e peçonhenta), utilizando um espinhos cranianos associado ao adenômero da glândula para injetar veneno em potenciais ameaças (Jared et al., 2015). A reprodução ocorre durante a estação chuvosa, os machos estabelecem territórios próximos a corpos d’água temporários e vocalizam para atrair fêmeas. Os ovos são depositados em superfícies submersas, e os girinos se desenvolvem nesses ambientes aquáticos temporários (Jared et al., 1999). História Natural Aspectos Parasitários O nemátoda Ozolaimus cirratus foi identificado parasitando o intestino de indivíduos no Ceará (Silva et al., 2024). Também foi descrita uma nova espécie de nemátoda, Parapharyngodon pereiramendoi , parasitando o intestino grosso de indivíduos em áreas do bioma Caatinga (Almeida et al., 2024). Além disso, o anelídeo Dero (Allodero) lutzi foi encontrado no ducto urinário de espécimes coletados em enclaves de floresta tropical no semiárido nordestino (Santos et al., 2020). Há ainda relatos de malformações em membros posteriores de C. greeningi possivelmente relacionadas à presença de trematódeos do gênero Ribeiroia, o que aponta para potenciais efeitos de parasitas sobre o desenvolvimento morfológico da espécie (Ferreira et al., 2019). Distribuição Anuro endêmico do Brasil, ocorre nos biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, sendo encontrado nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins (Silvano & Pimenta, 2003; Moura et al., 2011; Frost, 2024; ICMBio, 2024). 159 Usos e Ameaças Atualmente, não há registros de usos de C. greeningi por comunidades humanas. Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). Foto : Negromonte, I. O. 501 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N CHP-LEHP/UFRPE Foto : Siqueira, J. V. C. É uma espécie de anuro com comprimento rostro cloacal entre 15 e 20 mm (Izecksohn et al., 2001). Apresenta um padrão dorsal caracterizado por uma faixa escura que se estende desde a região ocular até a região inguinal, além de frequentemente apresentar uma mancha branca abaixo dos olhos. Em relação a aparência larva, observar os desenhos descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste capítulo. Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Pererequinha-do-brejo Dendropsophus branneri (Cohran, 1948) 160 LC LC Em termos de comportamento, D. branneri adota uma estratégia de forrageio do tipo "senta-e-espera", com hábitos noturnos. Os indivíduos são frequentemente encontrados em vegetações herbáceas próximas a corpos d'água, ambientes propícios para sua reprodução (Santana et al., 2008). 501 História Natural 161 A espécie distribui-se em áreas que vão desde a região Nordeste até o Sudeste do Brasil (Frost, 2024). A espécie apresenta ampla distribuição dentro do bioma Mata Atlântica (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022; Frost, 2024), incluindo Restingas (Santana, 2006) e Brejos de Altitude (Borges-Nojosa, 1991; Borges-Nojosa & Caramaschi, 2003); Caatinga (Ferreira et al., 2008a) e se encontra comumente em ambientes antrópicos (Santana et al., 2008). Distribuição Foto : Negromonte, I. O. A atividade reprodutiva é mais intensa durante a estação chuvosa (Arzabe et al., 1998), e a oviposição ocorre em ambientes aquáticos lênticos. Após a eclosão, os girinos são exotróficos e nectônicos, completando seu desenvolvimento nesses habitats (Haddad & Prado, 2005). No que diz respeito à alimentação, a dieta é composta predominantemente por artrópodes, com ênfase em insetos (Castro et al., 2016). O canto de anúncio da espécie é caracterizado por uma única nota composta de 3 a 5 pulsos, com duração variando entre 0,01 e 0,04 segundos. O intervalo entre os cantos é de 0,18 a 0,097 segundos, e a frequência dominante situa-se entre 5,90 e 6,64 kHz (Nunes et al., 2007). De acordo com o estudo de variação intra e interindividual do canto de anúncio, a frequência dominante é o único parâmetro acústico estático (CVintra = 2,31%; CVinter = 5,87%). A taxa de repetição do canto apresentou um CVintra intermediário (10,07%) e um CVinter dinâmico (28,50%). Os demais parâmetros foram classificados como dinâmicos (Oliveira- Santos et al.,2020). Em trabalho de Monitoramento de anuros e lagartos realizado entre maio de 2007 e dezembro de 2008 pelo Dr. G. J. B. de Moura (dados não publicados), através de amostragem ativa (Coleta Manual Limitada por Distância Percorrida) e passiva (Armadilhas de Interceptação e Queda em forma de “Y”) em linhas/transectos, parcelas (“Y”) e corpos d’água de dois fragmentos da EET (Mata do Camucim e Mata do Alto da Buchada) descritos no capítulo 2 deste livro serão apresentados a seguir (Moura, 2010): Apresentou uma abundância de 536 indivíduos (19.1% do total de anuros capturados); sendo classificada quanto à abundância como uma espécie comum (Bodenheimer, 1995), com constância de ocorrência igual a 56.8% (constante) (Dajoz, 1973), sendo todas as capturas por coleta ativa. Dendropsophus branneri apresentou-se com alta abundância, ocupando a segunda posição no ranking das espécies registradas; corroborando com o trabalho de Santos (2001) e Melo (2007) realizados também na EET e Amorim (2009) na Usina São José, distante cerca de 60km da EET, embora Borges-Nojosa (1991) e Borges-Nojosa & Caramaschi (2003) em Brejos de Altitude e Santos & Silva (1998), Silvano & Pimenta (2003) e Juncá (2006) tenham registrado essa espécie como uma das menos abundantes, o que pode ser resultado das condições climáticas e/ou do grau diferencial de conservação dos fragmentos estudados (Rodrigues, 1998). 501 162 A população apresentou uma variação grande no padrão de distribuição anual, embora tenha sido registrada em todos os meses de existência dos corpos d’água temporários (10 meses: março a dezembro), apresentando pico populacional na estação chuvosa, como sugerido pela literatura para a maioria dos anuros tropicais (Duellman & Trueb, 1994 e Wells, 2007). Em relação ao período reprodutivo, foi registrada durante todo o período de existência dos corpos d’água em atividade de vocalização no período noturno e crepuscular, predominantemente nos primeiros meses de existência dos corpos d’água (início da estação chuvosa), enquadrando-se na categoria de “espécie com reprodução prolongada”; quanto à sequência de ocupação dos corpos d’água foi classificada com uma “espécie pioneira”, colonizando os ambientes aquáticos nas primeiras semanas com acúmulo de água. Tais registros corroboram com o fato do recurso distribuição e intensidade de chuvas ocupar um papel de destaque na regulação da dinâmica populacional de D. branneri, como sugerido por Lima (2004). Em relação à especificidade ambiental, foi registrada predominantemente sobre as lâminas d’água de ambientes lênticos temporários (corpo d’água 1 e 3), como registrado por Santos (2001), Lima (2004), Santos et al. (2004) e Amorim (2009), embora este último trabalho também tenha registrado a espécie em ambientes permanentes; devido em especial a menor quantidade de predadores (Smith, 1983; Woodward, 1983; Skelly, 1997; Altig & McDiarmid, 1999). Quanto à especificidade microambiental, foi registrada prioritariamente nos microambientes “folha de vegetação aquática emergente” (p=0.001) e “haste de vegetação aquática emergente” (p=0.001), como registrado por Santos (2001) e Melo (2007) na EET e em outros fragmentos de Mata Atlântica do Nordeste (Santos et al., 2004; Moura et al., 2006a; Moura et al., 2006b; Nascimento, 2006; Buarque-Júnior., 2007; Moura et al., 2007; Melo, 2007; Santana et al., 2008; Amorim, 2009). Em relação à distância da borda, não foi registrada preferência, sendo registrado em todo o gradiente margem - centro dos corpos d’água. Quanto a distribuição vertical, concentrou-se significativamente entre 0 e 20cm de altura (p=0.001), embora tenha sido registrada esporadicamente em outros estratos verticais, decorrente da existência de vegetação de suporte; tais resultados corroboram com Amorim (2009) em corpos d’água temporários e permanentes, que registrou a espécie predominantemente entre 0 e 25cm de altura. Vale ressaltar que a estrutura da vegetação representa o principal parâmetro estruturador do habitat para regular a distribuição espacial dos hilídeos, como também foi registrado por Arzabe (1998) e Bertoluci & Rodrigues (2002). 501 163 Quanto à largura de nicho espacial, em relação à especificidade microambiental/Levins Padronizado, a população de D. branneri foi considerada generalista, em ambos os corpos d’água, 1 (0.211) e 3 (0.151); assim como e m relação a distância da borda internamente ao corpo d’água, 1 (0.403) e 3 (0.401) e a distribuição vertical (corpo d’água 1: 0.064 e 3: 0.281), embora tenha apresentado picos de abundâncias na distribuição espacial (horizontal e vertical) supracitada. Quanto à sobreposição de nicho (índice de Pianka), em relação à especificidade microambiental de D . branneri , apresentou valores altíssimos com seis espécies de hilídeos no corpo d’água 1: D . minutus (0.915), D . decipiens (0.946), D . elegans (0.989), B . albomarginata (0.825), P . gonzagai (0.851) e S . auratus (0.989), e três no corpo d’água 3: D . minutus (0.965), D . decipiens (0.980) e S . auratus (0.931). Em relação à distância externa da borda no corpo d’água 1 com D. minutus (0.927), B. albomarginata (0.912), L. vastus (0.855) e S. eurydice (0.899), e no corpo d’água 3 com L. natalensis (0.899), sendo as sobreposições com leptodactilídeos teóricas, pois se segregam verticalmente, como registrado por (Crump, 1971). Quanto à distânc ia interna da borda no corpo d’água 1 com D. elegans (0.818), D. minutus (0.909), B. albomarginata (0.888), P. gonzagai (0.916) e S. auratus (0.869), e no corpo d’água 3 com D. decipiens (0.827). Em relação à distribuição vertical externamente apenas com D. decipiens (0.870), B. albomarginata (0.890) e L. vastus (0.930) no corpo d’água 1 e L. vastus (0.867) no corpo d’água 2; e internamente no corpo d’água 1 com D. minutus (0.998), D. decipiens (0.878), D. elegans (0.991), B. crepitans (0.984), L. vastus (0.980), S. auratus (0.995), S. x-signatus (0.938) e S. prasinus (0.980) e no corpo d’água 3 com D. minutus (0.814), D. decipiens (0.987) e S. auratus (0.899). A sobreposição expressiva entre os hilídeos corrobora com os trabalhos de Lutz (1973), Feio et al. (1998), Giasson, 2003, Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (2009); e pode ser fruto da capacidade de explorar verticalmente o ambiente (Jim, 1980), resultando em uma segregação com as espécies não arborícolas ( e.g. Microhylidae, Leptodactylidae, Bufonidae, Leiuperidae, Pipidae) e alta competição por sítios de vocalização/reprodução e alimentação com as demais espécies arborícolas (Bernarde et al., 2000). Vale ressaltar que a especificidade microambiental das espécies está relacionada primariamente com sua morfologia e tamanho, necessitando de análises ecomorfológicas para melhor compreender os tipos de relações e sobreposições registradas (Breda et al, 2005). Em relação à proporção sexual, foram registradas 170 fêmeas e 106 machos no corpo d’água 1, valores que se mostraram significativamente diferentes, evidenciando maior abundância das fêmeas (X² = 14.841 / p = 0.0001), assim como no corpo d’água 3, com 73 fêmeas e 9 machos (X² = 49.951 / p = 0.0001) como registrado por Lima (2004). Outro aspecto que merece destaque é a expressiva sobreposição entre populações de pequeno porte ( D. minutus , D. decipiens , D. elegans , P. gonzagai , S. auratus e S. eurydice ), fato esperado em virtude do tamanho aproximado das espécies, pois segundo Hödl (1977), os sítios de vocalização são atributos característicos das espécies e estão relacionados primariamente com sua morfologia e tamanho. 501 164 501 Usos e Ameaças Não são relatados usos para D. branneri . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). 165 Aspectos Parasitários Na Estação Ecológica do Tapacurá, a espécie foi observada sendo parasitada por Centrorhyncus sp., Aplectanas sp ., Cosmocerca parva e Cosmocerca sp . (Martins-Sobrinho et al., 2017). Em relação à influência dos parâmetros climáticos na flutuação populacional de D. branneri, foi testada a normalidade das variáveis, as quais não apresentaram comportamento normal e em seguida constatada a correlação positiva significativa com a precipitação (R = 0.69, p = 0.02) e negativa significativa com a temperatura do ar (R = -0.34, p = 0.04), não apresentando correlação com nenhum dos outros parâmetros climáticos analisados (umidade: R = 0.33, p = 0.056 e temperatura da água: R = -0.07, p = 0.67); embora Santos & Silva (1998), Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (2009), em áreas similares e próximas não tenham registrado correlação dessa espécie com nenhum dos parâmetros climáticos analisados, o que contraria a literatura, que destaca a precipitação como a variável climática mais importante para regular a dinâmica populacional das espécies de anuros tropicais (Duellman & Trueb, 1994; Wells, 2007). 501 166 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N Dendropsophus decipiens é um anuro de pequeno porte, com comprimento rostro cloacal variando entre 18 mm. Apresenta coloração dorsal variável, com tons amarelados a alaranjados, frequentemente com manchas ou listras marrons regulares. O ventre é geralmente claro, e o tímpano é visível (Oliveira et al., 2021). Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca Dendropsophus decipiens (Lutz, 1925) LC LC Foto : Freitas, M. A. CHP-LEHP/UFRPE A espécie possui hábito estritamente noturno e é associada a ambientes de savana seca (Caatinga) e áreas de Mata Atlântica, geralmente encontrando-se em vegetação marginal a corpos d’água, tanto em ambientes preservados quanto em regiões moderadamente antropizadas (IUCN, 2025). A reprodução ocorre por meio de desenvolvimento larval, sendo os ovos depositados em lagoas temporárias ou permanentes, além de planícies de inundação. O canto de anúncio é composto por uma única nota multipulsada, com duração entre 0,062 e 0,074 segundos (média de 0,065 ± 0,005 s) e frequência dominante variando de 5857 a 6869 Hz (média de 6144 ± 417 Hz). Cada nota contém de 10 a 11 pulsos (média de 10,17 ± 0,41), com taxa de pulso entre 148,65 e 161,29 pulsos por segundo (média de 156,66 ± 4,61). A duração individual dos pulsos oscila entre 0,004 e 0,007 segundos (média de 0,006 ± 0,001 s) (Santana et al., 2011). O girino de Dendropsophus decipiens tem corpo triangular, nadadeiras caudais altas com listras marrons, disco oral reduzido sem dentes labiais e cavidade bucal simples, com papila em leque no assoalho, ausência de papilas linguais e cartilagem suprarostral fundida, além de cesta branquial com espículas nos ceratobranquiais, características que indicam dieta macrófaga baseada na ingestão de partículas grandes, como pequenos invertebrados, mas com menor especialização predatória em comparação a espécies como D . microcephalus e D . nanus (Dias et al., 2019) História Natural 167 Na fase larval, os girinos exibem corpo elíptico em vista dorsal e triangular-deprimido em vista lateral, com focinho arredondado dorsalmente e ovalado lateralmente. As narinas são circulares e situadas anteriormente, mais próximas à extremidade do focinho do que aos olhos, os quais são dispostos lateralmente. O disco oral é anterior, com papilas marginais ventrolaterais e ampla abertura dorsal. A cauda apresenta grandes barras pretas em forma de cruz ou é completamente pigmentada, sendo que tais barras estão ausentes no corpo (Dubeux et al., 2020a). Distribuição Espécie endêmica do Brasil, ocorre principalmente no Nordeste e Sudeste, sendo registrada desde o estado do Maranhão até São Paulo (Frost, 2024). Está presente em áreas de Mata Atlântica, Caatinga e transições com o Cerrado (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022; ICMBio, 2024). Aspectos Parasitários Até o momento não se tem registros científicos de parasitos reportados para Dendropsophus decipiens. Usos e Ameaças Não são relatados usos para Dendropsophus decipiens . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral. 168 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N Foto : Siqueira, J.V.C. A espécie é de pequeno porte e mede cerca de 24,9 mm de comprimento rostro cloacal, possui um dorso emoldurado por uma faixa branca ou amarela, que também recobre as tíbias, porção superior do antebraço e o focinho com formato triangular (Frost, 2024). Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste capítulo. Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca-de-moldura Dendropsopshus elegans (Wied-Neuwied, 1824) LC LC 169 CHP-LEHP/UFRPE A espécie possui hábito noturno, se alimenta basicamente de artrópodes, sendo a maioria insetos e geralmente ocupa vegetação herbácea próxima de ambientes lênticos, vegetação emergente ou flutuante, onde depositam seus ovos (Prado & Pombal, 2005). Possui um comportamento reprodutivo prolongado, predominante na estação chuvosa, sendo capaz de se reproduzir mais de uma vez durante o ano (Bastos & Haddad, 1996). O canto de anúncio é composto por duas notas e tem duração de 0,086 s, a primeira nota exibe entre 5 e 16 pulsos e a segunda nota apresenta duração entre dois e cinco pulsos. A frequência dominante varia entre 3,57 kHz e 3,93 kHz (Muniz et al., 2016). História Natural Aspectos Parasitários Já foram encontrados nematóides Ascaridaeos Brevimulticaecum e Porrocaecum no tecido gastrointestinal dos indivíduos na EET (Martins-Sobrinho et al., 2017). Usos e Ameaças Não são relatados usos para D. elegans . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie e ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). Distribuição É um anuro endêmico do Brasil, com distribuição que se estende do Nordeste até o Sul do país. Ocorre na Mata Atlântica, desde Alagoas até São Paulo, e em formações de transição entre Mata Atlântica e Cerrado, de Minas Gerais até o nordeste de Santa Catarina (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022; Frost, 2024). 170 Foto : Negromonte, I. O. Foto : Baltar, R. Espécie endêmica do Brasil, tem pequeno porte atingindo a média de 2 cm de comprimento rostro clacal (Frost, 2024). Possuem dorso marrom e marca em ampulheta escura. Destacam-se pela bainha cloacal longa e a linha branca acima da cloaca (Orrico et al., 2021). Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste capítulo. Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca-rajada, Pererequinha-do-brejo Dendropsopshus minutus (Peters, 1872) ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim LC L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N LC 171 CHP-LEHP/UFRPE Tem hábito noturno e arborícola, e geralmente ocupa brejos temporários cercados por vegetação arbustiva. A atividade reprodutiva é prolongada, e a desova é depositada logo abaixo da superfície da água, onde com o passar do tempo os girinos exotróficos irão eclodir (Leivas et al., 2018a). Possui uma dieta baseada em artrópodes, mas majoritariamente de insetos (Leivas et al., 2018b). O canto de anúncio tem duração média de 0,871±0,217s, com nota variando entre 2 e 6 por chamada. O número médio de pulso 26,55±3,38s e duração média do pulso 0,008±0,001s; As frequências dominante e fundamental foram 4.917,3±213,9 Hz (Morais et al., 2012). Em trabalho de Monitoramento de anuros e lagartos realizado entre maio de 2007 e dezembro de 2008 pelo Dr. G. J. B. de Moura (dados não publicados), através de amostragem ativa (Coleta Manual Limitada por Distância Percorrida) e passiva (Armadilhas de Interceptação e Queda em forma de “Y”) em linhas/transectos, parcelas (“Y”) e corpos d’água de dois fragmentos da EET (Mata do Camucim e Mata do Alto da Buchada) descritos no capítulo 2 deste livro serão apresentados a seguir (Moura, 2010): Apresentou uma abundância de 765 indivíduos (27.26% do total de anuros capturados); sendo classificada quanto à abundância como uma espécie comum (Bodenheimer, 1995), com constância de ocorrência igual a 51.1% (constante) (Dajoz, 1973), sendo todas as capturas por coleta ativa. Apresentou-se com alta abundância, ocupando a primeira posição no ranking das espécies registradas; corroborando com o trabalho de Melo (2007) realizado também na EET, embora Borges- Nojosa & Caramaschi (2003) em Brejos de Altitude e na Mata Atlântica adjacente (Santos & Silva, 1998; Santos, 2001; Amorim, 2009) tenham registrado essa espécie como uma das menos abundantes, o que pode ser resultado das condições climáticas e do grau diferencial de conservação dos fragmentos (Rodrigues, 1998). A população apresentou uma variação grande no padrão de distribuição anual, embora tenha sido registrada em todos os meses de existência dos corpos d’água temporários (10 meses: março a dezembro/2007) como registrado por, Melo (2007); Silva (2007) e Souza et al. (2008), todos em Mata Atlântica, embora Toledo et al. (2003) e Amorim (2009) tenham registrado em menos de 4 meses durante um ano de coleta, com trabalhos respectivamente desenvolvidos no sudeste e nordeste do Brasil, tendo o clima como um dos fatores explicativos para tal divergência (Rodrigues, 1998). História Natural A espécie distribui-se ao longo de todo território brasileiro. Caracteriza-se por apresentar ampla distribuição no bioma Mata Atlântica, incluindo Restinga e Brejos de Altitude; Cerrado; Caatinga; Floresta Amazônica e é comumente encontrada em ambientes antropizados (Borges-Nojosa, 1991; Machado et al., 1999; Borges-Nojosa & Caramaschi, 2003; Santana, 2006; Ferreira et al., 2008a; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012. Moura & Tavares, 2022; Frost, 2024). Distribuição 172 Vale ressaltar que neste trabalho e em todos os supracitados a população apresentou pico na estação chuvosa, como sugerido pela literatura para a maioria dos anuros tropicais (Duellman & Trueb, 1994; Wells, 2007). Em relação ao período reprodutivo, a espécie foi registrada durante toda a estação chuvosa em atividade de vocalização, predominantemente nos primeiros meses de existência dos corpos d’água (início da estação chuvosa), enquadrando-se na categoria de “espécie com reprodução prolongada”; quanto à sequência de ocupação dos corpos d’água foi classificada com uma “espécie pioneira”, colonizando os ambientes aquáticos nas primeiras semanas com acúmulo de água. Tais registros corroboram com o fato do recurso distribuição e intensidade de chuvas ocupar um papel de destaque na regulação da dinâmica populacional de D. minutus , como sugerido por, Duellman & Trueb (1994). Em relação à especificidade ambiental, foi registrada predominantemente sobre as lâminas d’água de ambientes lênticos temporários (corpo d’água 1 e 3), como registrado por Santos (2001), Haddad & Prado (2005), Juncá (2006), Melo (2007), Silva-Leite et al. (2008) e Amorim (2009), embora este último trabalho também tenha registrado a espécie em riachos, devido em especial a menor quantidade de predadores (Smith, 1983; Woodward, 1983; Skelly, 1997; Altig & McDiarmid, 1999). Quanto à especificidade microambiental, foi registrada prioritariamente nos microambientes “folha de vegetação aquática emergente” e “haste de vegetação aquática emergente”, como registrado por Santos (2001) e Melo (2007) na EET e em outros fragmentos de Mata Atlântica do nordeste (Lima, 2004; Santos et al., 2004; Amorim, 2009) e sudeste do país (Machado et al., 1999; Bertoluci & Rodrigues, 2002). Em relação à distância da borda, não foi registrada preferência, sendo registrado em todo o gradiente margem - centro dos corpos d’água. Quanto a distribuição vertical nos corpos d’água, concentrou-se significativamente entre 0 e 20cm de altura, embora tenha sido registrada esporadicamente em outros estratos verticais, decorrente da existência de vegetação de suporte; tais resultados corroboram com Bertoluci & Rodrigues (2002) em trabalho desenvolvido em corpos d’água temporários do Estado de São Paulo, que registraram D. minutus significativamente entre 10 e 70cm de altura, assim como Amorim (2009) em corpos d’água temporários e permanentes, que registrou a espécie predominantemente entre 0 e 25cm de altura. Vale ressaltar que a estrutura da vegetação representa o principal parâmetro estruturador do habitat para regular a distribuição espacial dos hilídeos, como também foi registrado por Bertoluci & Rodrigues (2002). Quanto à largura de nicho espacial, em relação à especificidade microambiental / utilizando o índice de Levins Padronizado, a população de D. minutus foi considerada generalista, em ambos os corpos d’água, 1 (0.384) e 3 (0.335); assim como em relação a distância da borda internamente ao corpo d’água, 1 (0.538) e 3 (0.477) e a distribuição vertical (corpo d’água 1: 0.097 e 3: 0.181), embora tenha apresentado picos de abundâncias nas distribuições espaciais supracitadas. 173 Quanto à sobreposição de nicho (índice de Pianka), em relação à especificidade microambiental, apresentou valores elevados com seis espécies de hilídeos no corpo d’água 1: D. branneri (0.951), D. decipiens (0.934), D. elegans (0.945), B. albomarginatus (0.811), P. gonzagai (0.928) e S. auratus (0.908), e três no corpo d’água 3: D. branneri (0.965), D. decipiens (0.964) e S. auratus (0.899). Em relação à distância externa da borda no corpo d’água 1 com D. decipiens (0.927), B. albomarginatus (0.864), L. vastus (0.874), S. auratus (0.883) e S. eurydice (0.857), e no corpo d’água 3 com L. natalensis (0.889) e L. vastus (0.803), sendo as sobreposições com leptodactilídeos teóricas, pois se segregam verticalmente, como registrado por Crump (1971). Quanto à distância interna da borda no corpo d’água 1 com D. branneri (0.909), B. albomarginatus (0.929), P. gonzagai (0.816) e S. auratus (0.909), e no corpo d’água 3 com D. decipiens (0.954) e S. auratus (0.856). Em relação à distribuição vertical externamente apenas com D. decipiens (0.886) no corpo d’água 1; e internamente no corpo d’água 1 com D. branneri (0.998), D. decipiens (0.886), D. elegans (0.989), B. crepitans (0.978), L. vastus (0.979), S. auratus (0.995), S. x-signatus (0.943) e S. prasinus (0.979) e no corpo d’água 3 com D. branneri (0.814), D. decipiens (0.822), B. albomarginatus (0.837) e L. natalensis (0.914). A alta sobreposição entre os hilídeos era esperada, corroborando com os trabalhos de Bokermann (1967), Lutz (1973), Feio et al. (1998), Giasson, 2003, Eterovick (2005), Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (2009), pois devido à capacidade de deslocar-se verticalmente concentram-se em sítios aéreos (Jim, 1980), segregando-se fortemente em relação as espécies terrestres, porém apresentando alta competição entre as arborícolas (Bernarde et al., 2000), resultando até em confrontos físicos por espaço entre os machos, como registrado por Wells (1977) e Cardoso & Haddad (1984), os últimos em corpos d’água do Sudeste. Vale ressaltar que a especificidade microambiental das espécies está relacionada primariamente com sua morfologia e tamanho, necessitando de análises ecomorfológicas para melhor compreender os tipos de relações e sobreposições registradas (Breda et al., 2005). Em relação à proporção sexual, foram registradas 254 fêmeas e 146 machos no corpo d’água 1, valores que se mostraram significativamente diferentes, evidenciando maior abundância das fêmeas (X² = 29.16 / p = 0.0001), como registrado por Lima (2004); em relação ao corpo d’água 3 tal diferença não foi detectada, com registro de 73 fêmeas e 69 machos (X² = 0.113 / p = 0.0737). Em relação à influência dos parâmetros climáticos na flutuação populacional de D. minutus , foi testada a normalidade das variáveis, as quais não apresentaram comportamento normal e em seguida constatada a não correlação significativa com nenhum dos parâmetros abióticos analisados (temperatura do ar: R = 0.30, p < 0.12; temperatura da água: R = 0.07, p < 0.70; umidade: R = 0.08, p < 0.68; precipitação: R = 0.55, p < 0.09), corroborando com Santos & Silva (1998), Santos (2001) e Amorim (2009); embora Lima (2004) tenham registrado forte correlação com a precipitação, como sugerido por Wells (2007) para anuros tropicais. A falta de correlação com as temperaturas e umidade do ar pode ser resultado a pouca variação desses parâmetros no período de estudo, como registrado por Bernarde & Anjos (1999). 174 Aspectos Parasitários Para D. minutus , no Brasil, foram descritos os endoparasitos acantocéfalos Centrorhynchidae e Centrorhynchus sp. em estágios larvais infectantes (Oliveira & Campião, 2023). Além disso, já foram registrados ascaridídeos em estágio larval na serosa dos tecidos de D. minutus na Estação Ecológica de Tapacurá (Martins-Sobrinho et al., 2017). Usos e Ameaças Não são relatados usos para D. minutus . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). 175 Foto : Negromonte, I. O. ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N Foto : Freitas, M. A. A espécie é de pequeno porte, com aproximadamente 0,8 cm de comprimento rostro cloacal, apresenta coloração dorsal variável, podendo apresentar tons amarelados ou acastanhados, frequentemente com manchas escuras e com uma linha que traça a ponta do focinho até a região inguinal (Seger et al., 2021). Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca Dendropsophus nanus (Boulenger, 1889) LC LC 176 CHP-LEHP/UFRPE O canto de anúncio de Dendropsophus nanus caracteriza-se por dois tipos distintos de notas vocais: a "nota A", mais longa (duração média de 0,05s), e a "nota B", consideravelmente mais curta (~0,02s), ambas apresentando frequência dominante na faixa de 3.5-4.5 kHz (Teixeira et al., 2016). Estudos demonstraram que o canto de corte nesta espécie deriva de uma modificação da nota A, exibindo redução significativa de amplitude, o que indica um sofisticado sistema de comunicação acústica durante as interações reprodutivas (Teixeira et al., 2016). Padrões interessantes de variação geográfica foram observados nos sinais acústicos de D . nanus . Populações de diferentes localidades apresentam modificações nas vocalizações que correlacionam-se diretamente com gradientes térmicos ambientais (Teixeira et al., 2016). Particularmente, indivíduos provenientes de regiões com temperaturas mais elevadas tendem a ser menores em tamanho corporal e, consequentemente, emitem cantos com taxas de repetição mais altas, sugerindo um claro caso de plasticidade fenotípica em resposta a condições ambientais específicas (Teixeira et al., 2016). Pesquisas taxonômicas revelaram a existência de pelo menos cinco linhagens crípticas dentro do complexo D. nanus - D. walfordi (Seger et al., 2021), essas descobertas sugerem que a diversidade real deste grupo está substancialmente subestimada na literatura cientifica, destacando a necessidade de revisões sistemáticas mais abrangentes (Seger et al., 2021). História Natural Aspectos Parasitários Até o momento não se tem registros científicos de parasitos reportados para Dendropsophus nanus . Distribuição É amplamente distribuída pela América do Sul, ocorrendo na Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Brasil, Guiana Francesa e Suriname. No Brasil, é registrada em diversos biomas, como Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022; Frost, 2024). Usos e Ameaças Não são relatados usos para D. nanus . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). 177 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S LC Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N Foto : Freitas, M. A. Dendropsophus oliveirai é uma pequena espécie de anuro com uma média de 18 mm de comprimento rostro cloacal. Sua coloração dorsal é predominantemente marrom-escura, apresentando uma faixa dorsolateral branca que se estende da região posterior dos olhos até a região inguinal, característica diagnóstica que a distingue da congêneres como D. tapacurensis , o qual possui faixa marrom-clara (Oliveira et al., 2021). Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Perereca Dendropsophus oliveirai (Bokermann, 1963) LC LC 178 CHP-LEHP/UFRPE A espécie possui hábito estritamente noturno e é associada a ambientes de savana seca (Caatinga) e áreas de Mata Atlântica, geralmente encontrando-se em vegetação marginal a corpos d’água, tanto em ambientes preservados quanto em regiões moderadamente antropizadas (IUCN, 2023). Quanto à dieta, estudos indicam preferência alimentar por larvas de insetos e o grupo Diptera (Leite-Filho et al., 2017). A reprodução ocorre por meio de desenvolvimento larval, sendo os ovos depositados em lagoas temporárias ou permanentes, além de planícies de inundação. O canto de anúncio é composto por uma única nota multipulsada, com duração entre 0,062 e 0,074 segundos (média de 0,065 ± 0,005 s) e frequência dominante variando de 5857 a 6869 Hz (média de 6144 ± 417 Hz). Cada nota contém de 10 a 11 pulsos (média de 10,17 ± 0,41), com taxa de pulso entre 148,65 e 161,29 pulsos por segundo (média de 156,66 ± 4,61). A duração individual dos pulsos oscila entre 0,004 e 0,007 segundos (média 0,006 ± 0,001s) (Santana et al., 2011a). História Natural Na fase larval, os girinos exibem corpo elíptico em vista dorsal e triangular-deprimido em vista lateral, com focinho arredondado dorsalmente e ovalado lateralmente. As narinas são circulares e situadas anteriormente, mais próximas à extremidade do focinho do que aos olhos, os quais são dispostos lateralmente. O disco oral é anterior, com papilas marginais ventrolaterais e ampla abertura dorsal. A cauda apresenta grandes barras pretas em forma de cruz ou é completamente pigmentada, sendo que tais barras estão ausentes no corpo (Dubeux et al., 2020a). Aspectos Parasitários Até o momento não se tem registros científicos de parasitos reportados para Dendropsophus oliveirai . Distribuição D. oliveirai é endêmica do Brasil, com registros de ocorrência entre os estados da Paraíba e Rio de Janeiro (Pugliese et al., 2000; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Santana et al., 2008; Silva et al., 2008, 2013; Carvalho-e-Silva & Luna-Dias, 2015; Oliveira et al., 2017; Moura & Tavares, 2022). Usos e Ameaças Não são relatados usos para Dendropsophus oliveirai . Em relação às ameaças, não são conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). 179 Foto : Siqueira, J.V.C. É uma espécie de anfíbio anuro de pequeno porte recém descrita, com comprimento rostro cloacal variando entre 13,0 e 21,4 mm nos machos (Oliveira et al., 2021). Apresenta uma mancha amarelada irregular que se estende da cabeça até a região inguinal, característica distintiva da espécie (Oliveira et al., 2021). Seu epíteto específico faz referência à localidade-tipo, a Estação Ecológica do Tapacurá, único local de registro comprovado até o momento. Descrição Morfológica Hylidae Rafinesque, 1815 FAMÍLIA Pererequinha-de-tapacurá Dendropsophus tapacurensis Olivera, Magalhães, Teixeira, Moura, Porto, Guimarães, Giaretta & Tinoco, 2021 ESTUDADA PELO N a c i o n a l - I C M B i o / M M A E s t a d u a l - C P R H / S E M A S NE Mata do Toró Mata do Alto da Buchada Mata do Camucim NE L C I n t e r n a c i o n a l - I U C N DD 180 CHP-LEHP/UFRPE [Document text truncated for crawler view.]