Full text
E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a
ESTAÇÃO ECOLÓGICA
DO TAPACURÁ
G e r a l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a
A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s
J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e S i q u e i r a
E d s o n S i l v a B a r b o s a L e a l
R e c i f e , 2 0 2 5
E stação E cológica
do T apacurá
E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a
Estação Ecológica
do Tapacurá
G e r a l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a
A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s
J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e S i q u e i r a
E d s o n S i l v a B a r b o s a L e a l
10.5281/zenodo.15665683
Universidade Federal Rural de Pernambuco
Reitora
Maria José de Sena
Vice-reitora
Maria do Socorro de Lima Oliveira
Pró-reitoria de Planejamento e Gestão Estratégica
Manuela Medeiros Gonçalves
Pró-reitoria de Administração
Rodrigo Gayger Amaro
Pró-reitoria de Gestão de Pessoas
Renata Andrade de Lima e Souza
Pró-reitoria de Gestão Estudantil e Inclusão
Tália de Azevedo Souto Santos
Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Cidadania
Renata Valéria Regis de Sousa Gomes
Pró-reitoria de Pós-graduação
Rinaldo Aparecido Mota
Pró-reitoria de Ensino de Graduação
Danielli Matias de Macedo Dantas
Governadora
Raquel Lyra
Vice-governadora
Priscila Krause
S e c r e t a r i a d e M e i o A m b i e n t e , S u s t e n t a b i l i d a d e e d e F e r n a n d o d e N o r o n h a
A n a L u i z a F e r r e i r a
Diretoria de Fiscalização Ambiental da CPRH
Maviael Torchia Couto Vitor
Diretoria de Licenciamento Ambiental da CPRH
Eduardo Elvino Sales de Lima
Diretoria de Biodiversidade e Unidades de Conservação da CPRH
Artur Cesar de Souza Melo Teixeira
Diretoria de Monitoramento Ambiental e Inovação da CPRH
Geraldo Jorge Barbosa de Moura
Agência Estadual de Meio Ambiente-CPRH
José de Anchieta dos Santos
Governo de Pernambuco
S446a Estação Ecológica do Tapacurá Escorpiofauna, Herpetofauna
e Quiropterofauna. 1. Ed. - CPRH, Recife: 2025.
594p.: iI.
O r g a n i z a d o r e s : G e ra l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a ;
A r t h u r F e l i p e F e rr e i r a d e F r e i t a s ; J o ã o V i c t o r C u n e g u nd e s
d e S i q u e i r a ; E d s on S i l v a B a r b o s a L ea l .
I n c l u i r e f e r ê n c ia s , Í n d i c e R e m i s s i vo .
ISBN: 978-65-01-51264-8
1. E s c o r p i õ e s 2 . An f í b i o s 3 . " R é p t ei s " 4 .
Morcegos I. Autor II. Título
CDD B869.1
Copyright © CPRH by 2025.
É permitida a reprodução parcial desta obra desde que citada à fonte bibliográfica (Moura, G. J. B.; Freitas, A. F. F.; Siqueira, J. V.
C.; Leal, E. S. B. Estação Ecológica do Tapacurá Escorpiofauna, Herpetofauna e Quiropterofauna. Agência Estadual de Meio
Ambiente-CPRH. Recife. Companhia Editora de Pernambuco-CEPE. 1ª ed., 594 p., 2025. doi : 10.5281/zenodo.15665683 ).
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA - VENDA PROIBIDA .
Di r e i to s de s t a ed i çã o re s e r va d o s a: AG Ê N CI A ES T A D UA L DE M EI O AM B I E NT E - C P RH . Ru a
Ol i v e ir a G óe s , 39 5 , Em p r e sa r i a l d a Vi n c i – P o ço d a Pa n e l a – R ec i f e - P E . F o n e ( 8 1 ) 3 1 8 2 88 0 0 .
ww w . c pr h . p e. g o v .b r
doi: 10.5281/zenodo.15665683
Instituições de apoio
Instituições executoras
C o m i s s ã o C i e n t í f i c a ( R e v i s o r e s a d H o c . )
D r . A n d r é K a u f e r L e i t e - U C S A L
D r a . B e t â n i a C r i s t i n a G u i l h e r m e - U F R P E
D r . B r e n o M o u r a d a C o n c e i ç ã o - U F S
D r . C a r l o s R o b e r t o A b r a ã o - I C M B I O / R A N
D r . F r a n c i s c o M a r c a n t e S a n t a n a d a S i l v a - U F R P E
D r a . G a b r i e l a F é l i x d o N a s c i m e n t o S i l v a - U N I V A S F
D r . G ê n e s e s d a S i l v a F e r r e i r a - U F P B
D r a . M a r c e l a M e i r a R a m o s A b r a n t e s - U F C G
D r . M á r c i o F r a z ã o C h a v e s - U F C G
D r a . M i d i ã d a S i l v a R o d r i g u e s - U F R P E
D r . M ú c i o L u i z B a n j a F e r n a n d e s - U P E
D r a . R e n a t a B a l t a r d a S i l v a - U F P E
D r . R o b s o n W a l d e m a r Á v i l a - U F C
D r a . S i m o n e A l m e i d a G a v i l a n - U F R N
D r . S t e p h e n s o n H a l l i s o n F o r m i g a A b r a n t e s - U F C G
D r . T h i a g o C o s t a G o n ç a l v e s P o r t e l i n h a - U F T
D r a . W b a n e i d e M a r t i n s d e A n d r a d e - U N E B
D i a g r a m a ç ã o
A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s - U F R P E / L E H P e C P R H
J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e S i q u e i r a - U F R P E / L E H P e C P R H
C a p a
F e l i p e M o u r a - W r i t e r , D e s i g n e r , P u b l i s h e r ( C o - f o u n d e r o f @ e d i t o r a s p l a s h p a g e )
O r g a n i z a d o r e s
F r e i t a s , A . F . F .
M o u r a , G . J . B .
Pr of es so r, Pe sq ui sa do r, Es cr it or , P si ca na li s ta e Ge st or Pú bl ic o. Bo ls is ta de Pr od ut iv id ad e e m
Pe sq ui sa do CN Pq -1 D. Pr of es so r A ss oc ia do e P es qu is ad or do De pa rt am en to de Bi ol og ia da
Un iv er si da de Fe de ra l R ur al de Pe rn am bu co -U FR PE , l ec io na nd o e or ie nt an do al un os da
gr ad ua çã o do s cu rs os de Li ce nc ia tu ra e Ba ch ar el ad o em Ci ê nc ia s B io ló gi ca s, t am bé m a tu a
co mo D oc en te Pe rm an en te d os Pr og ra ma s de Pó s- Gr ad ua çã o S tr ic to S en su e m B io ci ên ci a
An im al -P PG BA (Ms / Dr ), B io di ve rs id ad e- PP GB IO (M s/ Dr ) e Re de N or de st e d e E ns in o- RE NO EN
(D r) . É Di re to r de Mon it or am en to Amb ie nt al da Ag ên ci a Es ta du al de Me io Am bi en te -
CP RH /S ec re ta ri a d e M ei o Am bi e nt e, S us te nt ab il id a de e Fe rn an do de N or on ha . É Ps ic an al is ta
As so ci ad o d a S oc ie da de P s ic an al is ta d o R ec if e- SP RP E / F ed er aç ão B ra si le ir a d e P si ca ná li se -
FE BR AP SI / I nt er na ti on al Ps yc ho an al yt ic al As so ci at io n- Lo nd r es /I PA . Co o rd en a o L ab or at ór io
de Es tu do s H er pe to l óg ic os e P al eo he rp et ol óg ic os da UF RP E; li de ra o G ru po de Es tu do s
He rp et ol óg ic o s e P al eo he rp et ol óg ic os do No rd es te -G EH P/ CN Pq . É cu ra do r d a C ol eç ão
He rp et ol óg ic a e Pal eo he rp et ol óg ic a n a UF RP E e d a Co le çã o de Hi ru di ne os d a U FR PE .
Co mp õe at ua lm en t e c om o C on se lh ei ro o Co mi tê Ci en tí fi co RA N- IC MB io /M MA . I nt eg ra co mo
Co ns el he ir o a Câ ma ra de As se ss o ra me nt o d e I no va çã o e P es qu is a d a F AC EP E. É o
co or de na do r d o P la no de A çã o Na ci on al p ar a C on se rv aç ão da H er pe to fa un a d o N or de st e-
IC MB io /M MA . É o Co or de na do r Ci en tí fi co da li st a de Esp éc ie s Am ea ça da s do Est ad o de
Pe rn am bu co . É c oo rd en ad or d o T áx on A nf íb io s e Ré pt ei s d a li st a de Esp éc ie s A me aç ad as d o
Es ta do d e P er na mb uc o. É c om po ne nt e do g ru po d e E sp ec i al is ta s q ue p ro du ze m a L is ta d e
Es pé ci es Am ea ça d as d a H er pe to fa un a n a e sf er a E st ad ua l ( Pe rn am bu co , B ah ia e T oc an ti ns ),
Na ci on al e I nt er na ci on al . F az p ar t e do co mi tê da R es er v a da Bi os fe ra da M at a A tl ân ti ca / PE e
é o po nt o fo c al d o es ta do d e Pe rn am bu co j un to à p la ta fo rm a MA PB IO MA S.
G e r a l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a
A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s
Li ce nc i ad o em Ci ên ci as Bi ol óg ic a s pe la Un iv er si da d e Fe de ra l R ur al d e P er na mb uc o ( UF RP E) ,
de se nv o lv e at ua lm e nt e pe sq ui s as cie nt íf i ca s e p ro je to s d e e xt en sã o n o L ab or at ór io de
Es tu do s H er pe to ló gi co s e P al eo he rp et ol óg ic os ( LE HP ) d a UF RP E, e m a ss oc ia çã o co m o
La bo ra t ór io GE NO MA d a m es ma in s ti tu iç ão . S ua a tu aç ão c on ce nt ra -s e n a á re a de G en ét ic a
Mo le cu l ar e A mb ie nt al a pl ic a da à c on se rv aç ão d a he rp et o fa un a, c om ê nf as e e m an fí bi os
an ur os e " ré pt ei s" do No rd es te . I nt eg ra o G ru po de Es tu do s H er pe to ló gi co s e
Pa le oh e rp et ol óg ic os d o N or de st e ( GE HP /C NP q) e o G ru po d e P es qu is a e m G en ét ic a
Mo le cu l ar e B io lo gi a Mo le cu la r ( CN Pq ) , a mb os d a U FR PE . Fo i b ol si st a d e i ni ci aç ão ci en tí f ic a
do Co ns el h o Na c io na l d e D es en vo lv im en to Ci en tí fi co e T ec no ló gi co (C NP q) en tr e 2 02 1 e
20 23 , d es en vo lv en do p es qu is as em g en ét ic a h um a na e bi o in fo rm át ic a. At uo u t am bé m c om o
mo ni to r d a dis ci pl in a d e G en ét ic a G er al ( 20 21 -2 02 3) e Bi ol og ia A n im al I II e Z oo lo gi a d os
Ve rt eb r ad os (2 02 4) . Ta mb ém a tu ou c om o p ro fe ss or d o E n si no Fu nd am en t al II m in is tr an do a
di sc ip l in a de C iê nc ia s (2 02 4) e atu a co mo con su l to r am bi en ta l em p ro je to s d e EI A- RI MA ,
PR AD e RA S. O rg an iz ou e ve nt os e c on gr e ss os r eg io na is , c om o a I E x po si çã o d e S ol os ,
Mi ne ra i s e Ro ch as d e P er na mb uc o p ar a a S oc ie da d e ( 20 19 ), o IV S im pó si o d e Ge né ti c a e
Bi ot ec n ol og ia d a UF RP E (20 22 ) e o V C on gr es so N or de st in o de A ni ma is S il ve s tr es ( 20 23 ).
At uo u com o est ag iá r io b ol si st a n a A gê nc ia E st a du al d e Mei o A mb ie nt e d e P er na mb uc o -
CP RH , lo ta do na Un id ad e de Geo te cn ol o gi a e Ino va ç ão – UG IN , da D ir et or ia d e
Mo ni to r am en to A mb ie nt al e I no va çã o – D MA I ( 20 23 a 2 02 5) . N es se p er ío do , d es en vo lv eu
pr oj et o s d e pe s qu is a, in ov aç ão e ex te ns ão v ol ta do s a o m on it or am en to d a b io di v er si da de do
es ta do . C om põ e a eq ui pe de a po io t éc ni co -c ie nt íf ic o da CP R H à c on st ru çã o d as Li st a s d e
Es pé ci e s A me aç ad a s d e Pe rn am b uc o e o d es en vo lv im en to d a Pl at af or ma E co ló gi co -
Ec on ôm i ca d o e s ta do . Al ém d is so , c on tr ib ui u co m a e xe cu çã o da s a çõ es d o Pl an o d e Aç ão
Na ci on a l p ar a a Co ns er v aç ão da He rp et of au na d o N or de st e d o Bra si l – I CM Bi o/ MM A,
es pe ci f ic am en te n o Ce nt ro d e En de mi sm o de Pe r na mb uc o. A tu a lm en te , é p es qu is ad or
co la bo r ad or em p ro je to s a mb ie nt ai s de se nv o lv id os em p ar ce ri a e nt re CP RH , CE TE NE e
UF RP E. Pa rt i ci pa a ti va me nt e d e c on gr es so s r eg io na is e n ac io na is , a lé m d e i nt eg ra r d iv er so s
pr oj et o s fi n an ci ad os c om pr od ut os já pu bl ic ad os ou em ex ec uç ão . F oi or ga ni za do r d e t rê s
li vr os s ob re a e sc or pi of au na , he rp e to fa un a e q ui ro pt er of au na d e P er na mb uc o: E sc or pi õe s,
An fí bi o s, Ré pt ei s e Mo rc eg os do M un ic íp io de Bo ni to , G ui a I lu st r ad o d os Es co rp iõ es ,
An fí bi o s, R ép te is e M o rc eg os d a I lh a d e I ta ma r ac á e G ui a d e E sp éc ie s da M at a d o C ur ad o- PE
– Es co rp i õe s, An fí bi os , R é pt ei s e Mo rc eg os . Ta mb ém es tá c om po nd o a c om is sã o
or ga ni z ad or a d o li vr o “Q ue lô ni o s e C ro co di li an os d o Br a si l” , a s er e m 20 25 . Al ém d is so , é
au to r d e di ve rs os c ap ít ul os d e li vr os e a rt ig os p u bl ic ad os e m ev en to s e re vi st as c ie nt íf ic as .
L e a l , E . S . B .
E d s o n S i l v a B a r b o s a L e a l
Pr of es so r e Pe sq ui sa do r. Pós -d ou to r pe la Uni ve rs id ad e Fe de ra l Ru ra l de Per na mb uc o-
UF RP E, j un to a o Pr og ra ma d e P ós -g ra du aç ão em B io ci ên ci a A ni ma l e p el a A gê nc ia Es ta du al
do Me io Am bi en te -C PR H; Do ut or em Bi ol og ia An im al pe la UF PE ; M es tr e e m E co lo gi a p el a
UF RP E; Es pe ci al iz aç ão em Zo ol og ia pe la UF RP E e Gr ad ua çã o e m C iê nc ia s B io ló gi ca s-
Ba ch ar el p el a UF RP E. A tu al me nt e é P es qu is ad or As so ci ad o à Ag ên ci a E st ad ua l d o M ei o
Am bi en te -C PR H e ao L ab or at ór io d e Es tu do s He rp et ol óg ic os e P al eo he rp et ol óg ic os d a
UF RP E. É m em br o d a e qu ip e e di to ri al do pe ri ód ic o c ie nt íf ic o I nv es ti ga ti vo , d a U ni ve rs id ad
de E sp ec ia li da de s E sp ír it u S an to ( UE ES ), E qu ad or . F oi C oo rd en ad or d o M ei o B ió ti co e m
Es tu do s A mb ie nt ai s e Co or de na dor do La bo ra tó ri o d e Ec ol og ia e B io di ve rs id ad e n o In st it ut o
de Te cn ol og ia de Pe rn am bu co -I TE P. Te m e xp er iê nc ia em Sa úd e P úb li ca (v ig il ân ci a
ep id em io ló gi ca de do en ça s e nd êm ic as e ve to re s) no L ab or at óri o Ce nt ra l d e Sa úd e P úb li ca
Dr . M il to n B ez er ra S ob ra l ( La ce n- PE ), E co lo gi a d e Ec os si st em as F it ai s, t ri ag em d e m at er ia l
bi ol óg ic o e E du ca çã o A mb ie nt al r el ac io na do s a os I nc id en te s c om t ub ar õe s e m Pe rn am bu co
no N úc le o d e E du ca çã o A mb ie nt al Pr of . F áb io Ha zi n/ UF RP E e a ti vi dad es d e C on su lt or ia
Am bi en ta l, co m p ar ti ci pa çõ es em in ve nt ár io s e mo ni to ra me nt os fa un ís ti co s, be m n a
co mp os iç ão e e xe cu çã o de pr og ra ma s a mb ie nt ai s no âm bi to do L ic en ci am en to Am bi en ta l.
Es pe ci al is ta em ma mí fe ro s, pr in ci pa lm en te mo rc eg os , r ea li zo u p es qu is as de ca mp o par a
co mp os iç ão de tr ab al ho s a ca dê mi co s e d e r el at ór io s d e c on su lt or ia a mb ie nt al no s d om ín io s
mo rf oc li má ti co s d a M at a A tl ân ti ca , C aa ti ng a e Cer ra do , b em co mo em Un id ad es de
Co ns er va çã o, T er ra s In dí ge na s, a mb ie nt es ur ba no s e ca ve rn as . P ub li co u m ai s de 3 2
tr ab al ho s ci en tí fi co s (a rt ig os , ca pí tu lo s e li vr os ). É a ut or d o li vr o “M or ce go s no E st ad o de
Pe rn am bu co : Hi st ór ic o e De sa fi os ” ( CP RH , 20 23 ) e di vu lg ad or ci en tí fi co d o
@e co sn ae sc ur id ao . De sd e 20 23 é o C oo rd en ad or do T áx on M am íf er os d a li st a de Es pé ci es
Am ea ça da s do e st ad o de P er na mb uc o.
S i q u e i r a , J. V . C .
J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e S i q u e i r a
Li ce nc ia do em Fo rm aç ão do c ur so de Ci ên ci as Bi ol óg ic as pe la U ni ve rs id ad e F ed er al Ru ra l d e
Pe rn am bu co – U FR PE . At ua no d ese nv ol vi me nt o de pe sq ui sa s c ie nt íf ic as e p ro je to s d e
ex te ns ão ju nt o a o L ab or at ór io de Es tu do s H er pe to ló gi co s e Pa le oh er pe to ló gi co s –
LE HP /U FR PE . T em co mo pr in ci pa is á re as de i nt er es se a bi oa cú st ic a, t ax on om ia e e co lo gi a,
co m fo co n a co ns er va çã o de a nf íb io s e “ ré pt ei s” a tu ai s do e st ad o d e Pe rn am bu co . In te gr a o
Gr up o de E st udo s He rp et ol óg ic os e P al eo he rp et ol óg ic os d o N or de st e – GE HP /C NP q, on de
bu sc a co mp re en de r pa dr õe s ec ol óg ic os e asp ec to s co mp or ta me nt ai s ap li ca do s a
es tr at ég ia s d e c on se rv aç ão , e sp ec ia lm en te p or me io da de sc ri çã o e e st ud o d a v ar ia bi li da de
de ca nt os d e es pé ci es d e an fí bi os a nu ro s. É es ta gi ár io b ol si st a da A gê nc ia E st ad ua l de M ei o
Am bi en te – C PR H d o E st ad o d e P er na mb uc o, l ot ad o n a U ni da de d e G eo te cn ol og ia e
In ov aç ão da Di re to ri a de Mo ni to ra me nt o A mb ie nt al e In ov aç ão – DM AI . D es en vo lv e pr oj et os
de pe sq ui sa , in ov aç ão e ex te ns ão c om fo co n o mo ni to ra me nt o d a bi od iv er si da de d o e st ad o,
se nd o ap oi o té cn ic o- ci en tí fi co na co ns tr uç ão das Lis ta s de Esp éc ie s Am ea ça da s de
Pe rn am bu co , n a P la ta fo rm a E co ló gi co -E co nô mi ca do E st ad o. Ta mb ém at ua na ex ec uç ão da s
aç õe s d o P la no d e A çã o N ac io na l p ar a a C on se rv aç ão d a H er pe to fa un a d o N or de st e d o
Br as il - I CM Bi o/ MM A, c om ên fa se no C en tr o d e E nd em is mo d e P er na mb uc o. Ta mb ém é
pe sq ui sa do r c ol ab or ad or e m p ro je to s fi na nc ia do s d e pe sq ui sa am bi en ta l de se nv ol vi do s e m
pa rc er ia en tr e a CP RH , o C ET EN E e a U FR PE . Fo i b ol si st a d e i ni ci aç ão ci en tí fi ca d a F un da çã o
de Am pa ro à C iê nc ia do Es ta do de Pe rn am bu co – F AC EP E ( 20 23 e 2 02 4) , a tu an do na ár ea de
mi cr ob io lo gi a a pl ic ad a à h er pe to fa una , c om a ti vi da de s v in cu la da s ao L ab or at ór io d e
Mi cr ob io lo gi a A mb ie nt al e A gr íc ol a – LA MA A e ao La bo ra tó ri o d e M ic ro bi ol og ia M ol ec ul ar –
LM M, a mb os da U FR PE . Pa rt ic ip a at iv am en te d e co ng re ss os r eg io na is e n ac io na is , e st and o
en vo lv id o e m d iv er so s p ro je to s, co m p ro du to s j á p ub li ca do s o u em fa se de ex ec uç ão . A tu ou
co mo m on it or da s d is ci pl in as B io lo gi a A ni ma l II I ( Li ce nc ia tu ra ) e Zo ol og ia d os Ve rt eb ra do s
(B ac ha re la do ) de sd e 2 02 2 at é o s d ia s at ua is . E m so ma , a tu a c om o co ns ul to r a mb ie nt al e m
pr oj et os de EI A- RI MA , P RA D, RA S. Fo i o rg an iz ad or d e tr ês l iv ro s em p ar ce ri a c om a C PR H:
Gu ia d e Es pé ci es da M at a do Cu ra do - E sc or pi õe s, An fí bi os , Ré pt ei s e M or ce go s (2 02 4) , Gu ia
Il us tr ad o de Es co rp iõ es , An fí bi os , R ép te is e M or ce go s d a Il ha de I ta ma ra cá ( 20 24 ) e
Es co rp iõ es , A nf íb io s, Ré pt ei s e M or ce go s d o Mu ni cí pi o d e B on it o (2 02 4) . T am bé m é a ut or de
di ve rs os c ap ít ul os d e l iv ro s, t ra ba lh os a pr es en ta do s e m e ve nt os c ie nt íf ic os e a rt ig os
pu bl ic ad os e m pe ri ód ic os e sp ec ia li za do s.
A u t o r e s
Alcina Gabriela Maria Medeiros da Fonsêca Santos
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/4938571253882757
E-mail: [email protected]
Instagram: @gabrielammedeiros
Edmilson Clarindo de Siqueira
Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco-SEE/PE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/3224834715732708
E-mail: [email protected]
Instagram:
Alexandre Pereira Dantas
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/9364663283519898
E-mail: [email protected]
Instagram: @alexandrepdantas_
Ana Clara Rocha Figuerôa
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/3134973220928263
E-mail: [email protected]
Instagram: @anarochaaf
André Felipe de Araújo Lira
Universidade Nacional Autônoma do México-UNAM
CV Lattes: lattes.cnpq.br/2847188027190113
E-mail: [email protected]
Instagram: @dr.andre.lira
André Otávio da Silva Júnior
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
CV Lattes: https://lattes.cnpq.br/3224834715732708
E-mail: [email protected]
Instagram: @and.r.e_-Júnior
Arthur Felipe Ferreira de Freitas
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE e CPRH
CV Lattes: lattes.cnpq.br/2454032040901369
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Edson Silva Barbosa Leal
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE e CPRH
CV Lattes: lattes.cnpq.br/4461474081030549
E-mail: [email protected]
Instagram: @ecosnaescuridao
Erik Castilho Bussmeyer
Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/3134973220928263
E-mail: [email protected]
Instagram:
Frederico Gustavo Rodrigues França
Universidade Federal da Paraíba-UFPB
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8992160084671089
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Instagram: @fredrodrigues_05
Gabriel Dantas Do Nascimento
Universidade de Pernambuco-UPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/2862719353774648
E-mail: [email protected]
Instagram: @gabrieldantasbio
Gentil Alves Pereira Filho
Universidade Estadual da Paraíba-UFPB
CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/5394429913122530
Email: [email protected]
Instagram: @gentil_filho
Arthur Macário Lopes
Universidade Estadual do Maranhão-UEMA
CV Lattes: lattes.cnpq.br/0178845536422489
E-mail: [email protected]
Instagram: @arthurlopes1248
Geraldo Jorge Barbosa de Moura
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE; CPRH; SPRPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/1348666346504103
E-mail: [email protected]
Instagram: @geraldojbmoura
Cândida Juliana Albertin Santos
Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/4461474081030549
E-mail: [email protected]
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Daniel de Figueiredo Ramalho
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/6394756157382626
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Instagram: @daniel.f.ramalho
Daniela Aparecida Savariz Bôlla
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
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E-mail: [email protected]
Instagram: @daanielabolla
Darciane Maria de Amorim
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE e URCA
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E-mail: [email protected]
Instagram: @darciamorim_
Giulia de Andrade Lima Bertotti
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @bertottigiu
Hellen Kayllane Oliveira Maciel
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
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Instagram: @hellenmaciel.bio
Isabella dos Santos Francisco
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
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Instagram: @Isabellasantosfr
Eder Barbier
Universidade Estadual Paulista-UNESP
CV Lattes: lattes.cnpq.br/8481945977318390
E-mail: [email protected]
Instagram: @ederbarbier
Adson Rodrigues de Santana
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
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Instagram: @adsson_rodrigues
João Victor Cunegundes de Siqueira
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE e CPRH
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E-mail: [email protected]
Instagram: @cunes_herpeto
Juliana Pereira Bezerra
Universidade Federal de Pernambuco-UFPE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @juliana_p_bezerra
Tayssa Rodrigues de Morais Santos
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/5608646404413728
E-mail: [email protected]
Instagram: @biologata
Katarina Romênia Pinheiro Nascimento
Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/9606948284441977
E-mail: [email protected]
Instagram
Lara Valesca Mendonça da Costa Santos
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @laranjacarnavalesca
Laureen Michelle Houllou
Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @programa_mata_atlantica
Leonardo Pessoa Cabus Oitaven
Oasis Wildlife; UFRPE
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Instagram: @cabuslp
Luciana Kelly de Sousa Silva
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @Ke_llysousa
Thabata Cavalcante
Universidade Federal de Pernambuco-UFPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/3154013175921224
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Instagram: @thabatsc / @projetomalhadefogo
Thais Caroline da Silva Vieira
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/2699635111085053
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Instagram: @thaissilva_vieira
Thayna Rhayane de Brito Almeida
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @thayrbrito
Thiago Simon Marques
Universidade de Sorocaba-UNISO
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E-mail: [email protected]
Instagram: @thiago.mq
Wesley Manoel Silva Santos
Universidade Federal de Pernambuco-UFPE
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Instagram: @wesleymanoelbio
Luis Henrique de Andrade Alves
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/0764156051833447
E-mail: [email protected]
Instagram: @_lh.andrade
Luís Antonio Bochetti Bassetti
TECFAUNA Manejo de Animais Ltda.
CV Lattes: lattes.cnpq.br/6995552179778880
E-mail: [email protected]
Instagram: @bassettiluis
Matheus Leonydas Borba Feitosa
Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC
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E-mail: [email protected]
Instagram: @m.leonydas
Moacir Santos Tinoco
Universidade Católica do Salvador-UCSAL e UFRPE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @moacirtinocophd
Paulo Lucas de Oliveira Lacerda
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/0170469324900416
E-mail: [email protected]
Instagram: @paulolucas.herpeto
Robson Antônio de Souza
Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste-CETENE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/1348666346504103
E-mail: [email protected]
Instagram
José Ricardo de Oliveira Santos
Universidade de Pernambuco-UPE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @ricardonago
Rodrigo Baltar da Silva
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
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Instagram: @rbaltarbio
Reginaldo Fonseca Pereira Neto
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @reginaldofpneto
Leticia Costa Moura
Centro Universitário Frassinetti do Recife-UniFAFIRE
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E-mail: [email protected]
Instagram: @leeticiacmoura
Patrícia Ferreira Tavares
Agência Estadual de Maio Ambiente-CPRH
CV Lattes: lattes.cnpq.br/4264130041214006
E-mail: [email protected]
Instagram: @pferreiratavares
José Diogo Cavalcanti Ferreira
Instituto Federal de Pernambuco-IFPE
CV Lattes: lattes.cnpq.br/5307379836341393
E-mail: [email protected]
Instagram: @jdiogocavalcantif
D e d i c a m o s e s t a O b r a a o s g e s t o r e s d i r e t o s - U F R P E ( P r o f . D r .
V a s c o n c e l o s S o b r i n h o - i n m e m o r i a m , P r o f . D r . S e v e r i n o M e n d e s
d e A z e v e d o J ú n i o r , P a u l o M a r t i n s - i n m e m o r i a m e R e i n a l d o d e
A r a ú j o S o u z a ) , f u n c i o n á r i o s ( E d n a l d o M a u r í c i o d a S i l v a , E l e n i l d o
d e M o u r a C i s n e i r o , I s a e l P l á c i d o d o s S a n t o s , J o s é A m a r o d a S i l v a ,
J o s é M i l t o n d o N a s c i m e n t o , J o s é P a r t i l i a n o d a S i l v a , J o s é R o b e r t o
d o s S a n t o s , J o v e l i n o J o a q u i m d e O l i v e i r a , L u c i e n e M a r t i n s
H e r c u l a n o , M a r i a d a C o n c e i ç ã o S i l v a , R a f a e l B e r t o e R e g i n a l d o
L a u r i n d o d o N a s c i m e n t o ) e v i g i l a n t e s ( A m a r o J o s é d a S i l v a ,
C a r l o s Al e x a n d r e de So u z a Ca b r a l , C a r l o s E d u a r d o d a S i l v a , D e n i s
C é s a r , E d s o n A l v e s P e r e i r a , F á b i o d a C o n c e i ç ã o d o s S a n t o s ,
J a i l s o n A s s i s d a S i l v a , J e f e r s o n M a u r í c i o d a S i l v a , J o s é E d r i a n o
B r i t o d e L i m a , J o s é S e v e r i n o d e O l i v e i r a , L e o n a r d o D a n i e l d e
A g u i a r , M á c i o J o s é S i l v a , M o a c i r d a S i l v a J u n i o r e R o n a l d o L e m o s
d e S o u z a ) d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á - U F R P E , p e l o
c o m p r o m i s s o , d e d i c a ç ã o e e m p e n h o n a p r e s e r v a ç ã o d e s s e
v a l i o s o p a t r i m ô n i o n a t u r a l . O t r a b a l h o i n c a n s á v e l d o s s e n h o r e s e
s e n h o r a s n a m a n u t e n ç ã o d e s s e i m p o r t a n t e e s p a ç o f o i e é
e s s e n c i a l p a r a a c o n s e r v a ç ã o d a n o s s a b i o d i v e r s i d a d e , a l é m d e
s e r u m e x c e l e n t e e s p a ç o d i d á t i c o e u m l a b o r a t ó r i o de pe s q u i s a
v i v o pa r a a f o r m a ç ã o de r e c u r s o s h u m a n o s , cu m p r i n d o s e u
p a p e l c o m o r e f e r ê n c i a e m p e s q u i s a , e d u c a ç ã o a m b i e n t a l e
p r e s e r v a ç ã o d o s r e c u r s o s n a t u r a i s . E s t e r e c o n h e c i m e n t o é u m
p e q u e n o g e s t o d i a n t e d a g r a n d i o s i d a d e d o t r a b a l h o q u e v o c ê s
r e a l i z a r a m e m u i t o s a i n d a r e a l i z a m d i a r i a m e n t e . Q u e s i g a m o s
j u n t o s n a m i s s ã o d e p r o t e g e r e v a l o r i z a r n o s s o m e i o a m b i e n t e .
G o s t a r í a m o s d e e x p r e s s a r n o s s a s i n c e r a g r a t i d ã o a t o d o s o s i n t e l e c t u a i s e t é c n i c o s ,
s e j a m e l e s p r o f i s s i o n a i s o u e s t u d a n t e s , q u e , a o l o n g o d a h i s t ó r i a , d e d i c a r a m s e u t e m p o
e c o n h e c i m e n t o à E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , c o n t r i b u i n d o p a r a o e n t e n d i m e n t o
s i s t ê m i c o d e s s e l u g a r t ã o e s p e c i a l e e s s e n c i a l p a r a a c i ê n c i a e p a r a a s f u t u r a s g e r a ç õ e s .
O t r a b a l h o d e c a d a u m d e v o c ê s é f u n d a m e n t a l p a r a o r e s p e i t o e a p r e s e r v a ç ã o d a
b i o d i v e r s i d a d e , o a v a n ç o d a c i ê n c i a e o f o r t a l e c i m e n t o d a e d u c a ç ã o e m s e u s d i f e r e n t e s
n í v e i s .
P o r m e i o d e s u a s p e s q u i s a s , m o n i t o r a m e n t o s e e s t u d o s , v o c ê s c o l a b o r a m p a r a a
c o m p r e e n s ã o e a c o n s e r v a ç ã o d o s e c o s s i s t e m a s , a s s e g u r a n d o q u e e s s e p a t r i m ô n i o
n a t u r a l c o n t i n u e s e n d o p r o t e g i d o e v a l o r i z a d o . O c o m p r o m i s s o e a d e d i c a ç ã o d e c a d a
u m e d e c a d a u m a f a z e m a d i f e r e n ç a p a r a o f u t u r o d o m e i o a m b i e n t e .
N o s s o re c o n h e c i m e n t o e ag r a d e c i m e n t o po r t o d o o es f o r ç o e em p e n h o . Q u e e s s a
m i s s ã o c o n t i n u e s e n d o g u i a d a p e l a p a i x ã o p e l a c i ê n c i a e p e l a n a t u r e z a !
A g r a d e c e m o s , a i n d a , à s i n s t â n c i a s f i n a n c i a d o r a s q u e f o r a m e s s e n c i a i s p a r a a
p r e p a r a ç ã o e f i n a l i z a ç ã o d e s t a o b r a : a A g ê n c i a E s t a d u a l d o M e i o A m b i e n t e d o
E s t a d o d e P e r n a m b u c o ( C P R H ) , a S e c r e t a r i a d e M e i o A m b i e n t e ,
S u s t e n t a b i l i d a d e e d e F e r n a n d o d e No r o n h a (S E M A S - P E ) , a U n i v e r s i d a d e
F e d e r a l R u r a l d e P e r n a m b u c o ( U F R P E ) , a U s i n a S ã o J o s é , a F u n d a ç ã o d e A m p a r o
à C i ê n c i a e T e c n o l o g i a d o E s t a d o d e P e r n a m b u c o ( F A C E P E ) , a o C o n s e l h o
N a c i o n a l de D e s e n v o l v i m e n t o C i e n t í f i c o e T e c n o l ó g i c o ( C N P q ) e a C o o r d e n a ç ã o
d e A p e r f e i ç o a m e n t o de Pe s s o a l de Ní v e l S u p e r i o r ( C a p e s ) , qu e nã o me d i r a m
e s f o r ç o s p a r a c u s t e a r a s a t i v i d a d e s d e c a m p o , l a b o r a t ó r i o , e s c r i t a , d i a g r a m a ç ã o ,
i m p r e s s ã o e l a n ç a m e n t o d o l i v r o .
A g r a d e c e m o s , t a m b é m , ao s p a r e c e r i s t a s ad ho c , q u e de d i c a r a m se u te m p o à le i t u r a s
c r i t e r i o s a s d a ob r a , ap o n t a n d o as p e c t o s té c n i c o - c i e n t í f i c o s qu e ne c e s s i t a v a m de ma i o r
a p r o f u n d a m e n t o .
A g r a d e c e m o s i m e n s a m e n t e a J o s e l m a M a r i a d e F i g u e r o a , a n a l i s t a a m b i e n t a l d a
D i r e t o r i a de Bi o d i v e r s i d a d e e U n i d a d e s de Co n s e r v a ç ã o d a Ag ê n c i a Es t a d u a l de M e i o
A m b i e n t e - C P R H , p e l o e x c e l e n t e t r a b a l h o a f r e n t e do C o n s e l h o G e s t o r q u e i n c l u i a s U C s
q u e c o m p õ e a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á - U F R P E .
A G R A D E C I M E N T O S
A g r a d e c e m o s f o r t e m e n t e a M a r c o s J o s é L a c e r d a , g e r e n t e d a U n i d a d e d e
G e o t e c n o l o g i a e I n o v a ç ã o d a D i r e t o r i a d e M o n i t o r a m e n t o e I n o v a ç ã o d a Ag ê n c i a
E s t a d u a l d e M e i o A m b i e n t e - C P R H p e l a e l a b o r a ç ã o d o s d e t a l h a d o s m a p a s
g e o r e f e r e n c i a d o s .
A o s p e s q u i s a d o r e s : A n a C l a r a R o c h a F i g u e r ô a , A r t h u r F e l i p e F e r r e i r a d e F r e i t a s ,
C a r l o s J a r e d , E d e r S i l v a B a r b i e r , E d s o n S i l v a B a r b o s a L e a l , D e o c l é c i o Q . G u e r r a ,
F á b i o  n g e l o d e M e l l o S o a r e s , G e r a l d o J o r g e B a r b o s a d e M o u r a , G e n t i l A l v e s
P e r e i r a F i l h o , G u i l h e r m e S i n i c i a t o T e r r a G a r b i n o , I n á c i o d e O l i v e i r a
N e g r o m o n t e , I s a b e l l a d o s S a n t o s F r a n c i s c o , J o ã o V i c t o r C u n e g u n d e s d e
S i q u e i r a , J o s é G u s t a v o d e M e l o S a n t o s , L a u r e e n M i c h e l l e H o u l l o u , L u c a s
B o t e l h o , L u í s A n t o n i o B o c h e t t i B a s s e t t i , L u i s G u s t a v o B e t a n i n , L u i s H e n r i q u e
d e A n d r a d e A l v e s , M a r c o A n t ô n i o d e F r e i t a s , M i r i a m H a y a s h i , M a t h e u s
L e o n y d a s B o r b a F e i t o s a , M o a c i r S a n t o s T i n o c o , N a t h a l i a L o u z a d a , P a u l o B a r r o s
P a s s o s F i l h o , T h i a g o C o s t a G o n ç a l v e s P o r t e l i n h a , R a m o n C a v a l c a n t i , R i c a r d o
B r a v o , R o b s o n W a l d e m a r Á v i l a , R o d r i g o B a l t a r d a S i l v a , S i l v i o C a s t i l l o , T h a b a t a
C a v a l c a n t e , T h a i s C a r o l i n e d a S i l v a V i e i r a , W e s l e y M a n o e l e W i l l i a n i l s o n P e s s o a
d a S i l v a , q u e , g e n t i l m e n t e e s e m c u s t o s , f o r n e c e r a m s u a s f o t o g r a f i a s p a r a i l u s t r a r o s
o b j e t o s d e e s t u d o q u e c o m p õ e e s t a o b r a , p e r m i t i n d o c o m m a e s t r i a u m a v i s i t a à
E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , a t r a v é s d a e x p e r i ê n c i a s e n s í v e l q u e é f o l i a r e s t e l i v r o
b r i l h a n t e m e n t e i l u s t r a d o .
A o C o n s e l h o N a c i o n a l d e D e s e n v o l v i m e n t o C i e n t í f i c o e T e c n o l ó g i c o ( C N P q ) , p e l a
B o l s a d e P r o d u t i v i d a d e e m P e s q u i s a ( 1 D ) c o n c e d i d a a o e d i t o r / a u t o r M o u r a , G . J . B .
C o m g r a t i d ã o ,
O s O r g a n i z a d o r e s / E d i t o r e s
Geraldo Jorge Barbosa de Moura
Arthur Felipe Ferreira de Freitas
João Victor Cunegundes de Siqueira
Edson Silva Barbosa Leal
P R E F Á C I O S
Ana Luiza Ferreira
Secretária Estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade
e de Fernando de Noronha/Governo de Pernambuco
A E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , l o c a l i z a d a n o
c o r a ç ã o d e P e r n a m b u c o , r e p r e s e n t a u m d o s
ú l t i m o s r e f ú g i o s d e b i o d i v e r s i d a d e d a M a t a
A t l â n t i c a n o r d e s t i n a . E s s e r e m a n e s c e n t e f l o r e s t a l
a s s u m e u m p a p e l e s t r a t é g i c o n a c o n s e r v a ç ã o d e
e s p é c i e s , n a m a n u t e n ç ã o d o s s e r v i ç o s
e c o s s i s t ê m i c o s e n a p r o m o ç ã o d a p e s q u i s a
c i e n t í f i c a .
E s t e l i v r o " E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á :
E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e
Q u i r o p t e r o f a u n a " é f r u t o d e u m e s f o r ç o c o l e t i v o
d e p e s s o a s c o m p r o m e t i d a s c o m a c i ê n c i a e a
c o n s e r v a ç ã o d a n a t u r e z a . A o r e u n i r i n f o r m a ç õ e s
d e t a l h a d a s s o b r e e s t e s g r u p o s f a u n í s t i c o s
i n d i c a d o r e s i n t e r n a c i o n a i s d e q u a l i d a d e a m b i e n t a l ,
a o b r a p r e e n c h e u m a l a c u n a i m p o r t a n t e n o
c o n h e c i m e n t o d a b i o d i v e r s i d a d e l o c a l .
M a i s d o q u e u m a c a t a l o g a ç ã o d e e s p é c i e s , o
t r a b a l h o a p r e s e n t a d o a q u i s e d e b r u ç a s o b r e u m a
v a s t a r e v i s ã o q u e v e r s a s o b r e o s a s p e c t o s
e c o l ó g i c o s , c o m p o r t a m e n t a i s e c o n s e r v a c i o n i s t a s ,
o f e r e c e n d o u m a v i s ã o i n t e g r a d a d a f a u n a q u e
h a b i t a a s U C s q u e c o m p õ e m a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a
d o T a p a c u r á .
E u d i r i a q u e , a l é m d o v a l o r c i e n t í f i c o , e s t a o b r a
t a m b é m c u m p r e u m i m p o r t a n t e p a p e l e d u c a t i v o .
E s p e r a - s e q u e e l a i n s p i r e n o v a s g e r a ç õ e s d e
e s t u d a n t e s a v a l o r i z a r e p r o t e g e r a r i c a — e p o r
v e z e s i n v i s í v e l — d i v e r s i d a d e d a s á r e a s p r o t e g i d a s
d o B r a s i l .
Q u e e s t e l i v r o s e j a , p o r t a n t o , u m c o n v i t e a o
c o n h e c i m e n t o , à r e f l e x ã o e à a ç ã o e m d e f e s a d a
v i d a s e l v a g e m q u e , s i l e n c i o s a m e n t e , s u s t e n t a o s
e c o s s i s t e m a s d o s q u a i s t a m b é m f a z e m o s p a r t e .
E s p e r o q u e e s s e l i v r o s i r v a d e i n s p i r a ç ã o p a r a q u e
o s e s p e c i a l i s t a s s e s i n t a m m o t i v a d o s a c o n s t r u i r e m
o u t r a s o b r a s s o b r e a s d e m a i s U c s d o n o s s o e s t a d o ,
á r e a s q u e p r e c i s a m s e m p r e s e r e m m e l h o r
c o n h e c i d a s . E e s s e c o n h e c i m e n t o p e r m i t i r á u m a
g e s t ã o m a i s e f i c i e n t e p a r a a c o n s e r v a ç ã o e f e t i v a d a
s u a b i o d i v e r s i d a d e .
José de Anchieta dos Santos
Presidente da Agência Estadual de Meio
Ambiente CPRH/Governo de Pernambuco
A c o n s e r v a ç ã o d a b i o d i v e r s i d a d e é u m d o s p i l a r e s
f u n d a m e n t a i s d a s p o l í t i c a s p ú b l i c a s a m b i e n t a i s e m
n o s s o e s t a d o , e s p e c i a l m e n t e e m t e m p o s d e
c r e s c e n t e s d e s a f i o s e c o l ó g i c o s . A o b r a E s t a ç ã o
E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á : E s c o r p i o f a u n a ,
H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a s u r g e c o m o
u m m a r c o r e l e v a n t e n e s s e c o n t e x t o , a o r e u n i r
c o n h e c i m e n t o t é c n i c o - c i e n t í f i c o e s s e n c i a l p a r a
s u b s i d i a r a ç õ e s d e g e s t ã o e c o n s e r v a ç ã o d a f a u n a
s i l v e s t r e e m a l g u m a s d a s m a i s i m p o r t a n t e s
U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o d e P e r n a m b u c o .
O l i v r o a p r e s e n t a u m p a n o r a m a d e t a l h a d o d a
d i v e r s i d a d e d e p l a n t a s e g r u p o s a n i m a i s
i n d i c a d o r e s d e q u a l i d a d e a m b i e n t a l p r e s e n t e s n a s
U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o
T a p a c u r á , d e m o n s t r a n d o a r i q u e z a e c o l ó g i c a d a
á r e a e s e u p a p e l e s t r a t é g i c o p a r a a p r o t e ç ã o d o s
e c o s s i s t e m a s d a Z o n a d a M a t a d o e s t a d o . A o r e u n i r
d a d o s d e c a m p o , a n á l i s e s e r e g i s t r o s i n é d i t o s , a
p u b l i c a ç ã o o f e r e c e u m a b a s e r o b u s t a p a r a o
p l a n e j a m e n t o e a p r i m o r a m e n t o d a s p o l í t i c a s
p ú b l i c a s d e g e s t ã o d a b i o d i v e r s i d a d e e m e s c a l a
l o c a l e r e g i o n a l .
P a r a a S e c r e t a r i a d e M e i o A m b i e n t e ,
S u s t e n t a b i l i d a d e e d e F e r n a n d o d e N o r o n h a
( S E M A S ) , i n i c i a t i v a s c o m o e s t a f o r t a l e c e m o
c o m p r o m i s s o i n s t i t u c i o n a l c o m a p r o t e ç ã o d o
p a t r i m ô n i o n a t u r a l , i n t e g r a n d o c i ê n c i a , e d u c a ç ã o
a m b i e n t a l e g o v e r n a n ç a . E s t e t r a b a l h o c o n t r i b u i
d i r e t a m e n t e p a r a a i m p l e m e n t a ç ã o d e a ç õ e s m a i s
e f i c i e n t e s d e m a n e j o , m o n i t o r a m e n t o e
c o n s e r v a ç ã o d a f a u n a , a l é m d e f o m e n t a r a
v a l o r i z a ç ã o d a s U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o c o m o
e s p a ç o s v i v o s d e p e s q u i s a e p r e s e r v a ç ã o .
E s t e l i v r o é u m e x e m p l o c o n c r e t o d e c o m o o
c o n h e c i m e n t o c i e n t í f i c o p o d e e d e v e s e r u t i l i z a d o
c o m o f e r r a m e n t a d e g e s t ã o p ú b l i c a a m b i e n t a l e
r e p r e s e n t a o i n í c i o d e u m a d a s a ç õ e s ( C o n s t r u ç ã o
d e L i v r o s T é c n i c o - C i e n t i f i c o s o b r e c a d a u m a d a s
U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o d o E s t a d o d e
P e r n a m b u c o ) d o n o s s o " P r o g r a m a d e
C o n s e r v a ç ã o d a B i o d i v e r s i d a d e : C r i a ç ã o ,
I m p l a n t a ç ã o e G e s t ã o d e U n i d a d e s d e
C o n s e r v a ç ã o d o E s t a d o d e P e r n a m b u c o " ,
i d e a l i z a d o e g e r i d o p e l a S E M A S e C P R H ( G o v e r n o
d o E s t a d o ) . P a r a b e n i z a m o s a o s a u t o r e s e g e s t o r e s
e n v o l v i d o s p o r s u a d e d i c a ç ã o e c o n t r i b u i ç ã o à
c a u s a a m b i e n t a l , e e s p e r a m o s q u e e s t a o b r a
i n s p i r e o u t r a s i n i c i a t i v a s s e m e l h a n t e s e m p r o l d a
b i o d i v e r s i d a d e d e P e r n a m b u c o e d o B r a s i l .
Profa. Dra. Maria José de Sena
R e i t o r a d a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l R u r a l d e P e r n a m b u c o
P R E F Á C I O S
A U n i v e r s i d a d e F e d e r a l R u r a l d e P e r n a m b u c o
( U F R P E ) , a o l o n g o d e s u a t r a j e t ó r i a c e n t e n á r i a , t e m
s e c o n s o l i d a d o c o m o u m a i n s t i t u i ç ã o d e r e f e r ê n c i a
n o e n s i n o , n a p e s q u i s a e n a e x t e n s ã o . N o c o n t e x t o
d o s d e s a f i o s c o n t e m p o r â n e o s r e l a c i o n a d o s à c r i s e
a m b i e n t a l e à p e r d a d a b i o d i v e r s i d a d e ,
r e a f i r m a m o s d i a r i a m e n t e n o s s o c o m p r o m i s s o c o m
o d e s e n v o l v i m e n t o s u s t e n t á v e l , a p r o d u ç ã o d e
c o n h e c i m e n t o c i e n t í f i c o e a f o r m a ç ã o d e c i d a d ã o s e
c i d a d ã s c o n s c i e n t e s d e s e u p a p e l n a c o n s t r u ç ã o d e
u m f u t u r o m a i s e q u i l i b r a d o e j u s t o .
A E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á r e p r e s e n t a u m
s í m b o l o v i v o d e s s e c o m p r o m i s s o . E s s a á r e a
p r o t e g i d a c u m p r e u m a f u n ç ã o e s s e n c i a l c o m o
e s p a ç o d e p r e s e r v a ç ã o d a b i o d i v e r s i d a d e , d e
p e s q u i s a c i e n t í f i c a e d e e d u c a ç ã o a m b i e n t a l . A o
l o n g o d o s a n o s , a E s t a ç ã o t e m s e t r a n s f o r m a d o e m
u m v e r d a d e i r o l a b o r a t ó r i o a c é u a b e r t o , o n d e
d i v e r s a s g e r a ç õ e s d e p e s q u i s a d o r e s ( a s ) e
e s t u d a n t e s d a U F R P E t ê m c o n t r i b u í d o p a r a o
a p r o f u n d a m e n t o d o c o n h e c i m e n t o .
É c o m g r a n d e s a t i s f a ç ã o q u e a p r e s e n t o e s t a o b r a ,
E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á : E s c o r p i o f a u n a ,
H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a , u m t r a b a l h o
q u e s i n t e t i z a o e s f o r ç o d e e q u i p e s
m u l t i d i s c i p l i n a r e s e m i n v e s t i g a r , c a t a l o g a r e
c o m p r e e n d e r a d i v e r s i d a d e b i o l ó g i c a d e s s a
U n i d a d e d e C o n s e r v a ç ã o .
A l é m d e s e u v a l o r c i e n t í f i c o , a o b r a c a r r e g a c o n s i g o
a i m p o r t â n c i a d a f o r m a ç ã o a c a d ê m i c a . E l a é f r u t o
d o e n v o l v i m e n t o d i r e t o d e d o c e n t e s , t é c n i c o s ( a s ) ,
e s t u d a n t e s d e g r a d u a ç ã o e p ó s - g r a d u a ç ã o ,
m o s t r a n d o o q u a n t o a u n i v e r s i d a d e p ú b l i c a
b r a s i l e i r a é c a p a z d e g e r a r c o n h e c i m e n t o
q u a l i f i c a d o m e s m o e m m e i o a a d v e r s i d a d e s .
T a m b é m r e p r e s e n t a u m a c o n t r i b u i ç ã o s i g n i f i c a t i v a
p a r a a c o n s o l i d a ç ã o d e p o l í t i c a s p ú b l i c a s d e
c o n s e r v a ç ã o d a b i o d i v e r s i d a d e , a o f o r n e c e r d a d o s
q u e p o d e m s u b s i d i a r a ç õ e s d e g e s t ã o a m b i e n t a l
b a s e a d a s e m e v i d ê n c i a s .
A l e i t u r a d e s t e l i v r o n o s c o n v i d a a e n x e r g a r c o m
m a i s s e n s i b i l i d a d e e r e s p e i t o a r i q u e z a b i o l ó g i c a
q u e a i n d a r e s i s t e e m f r a g m e n t o s c o m o o d a
E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á . É t a m b é m u m
c h a m a d o à a ç ã o : p a r a q u e v a l o r i z e m o s ,
p r o t e g e m o s e f a ç a m o s d a c i ê n c i a u m a a l i a d a n o
e n f r e n t a m e n t o d a s u r g ê n c i a s a m b i e n t a i s d o n o s s o
t e m p o .
C o m o R e i t o r a d a U F R P E , i n s t i t u i ç ã o q u e f a z a
g e s t ã o d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , t e n h o
o r g u l h o d e t e s t e m u n h a r o r e s u l t a d o d e s s e
t r a b a l h o , q u e r e f o r ç a o p a p e l d a u n i v e r s i d a d e c o m o
g u a r d i ã d o c o n h e c i m e n t o , d a n a t u r e z a e d a
e s p e r a n ç a . Q u e e s t a p u b l i c a ç ã o i n s p i r e n o v o s
e s t u d o s , p a r c e r i a s e p o l í t i c a s e m f a v o r d a v i d a e m
t o d a s a s s u a s f o r m a s . Edson Victor Euclides de Andrade
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis-IBAMA
A E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á é u m s a n t u á r i o d e
b i o d i v e r s i d a d e q u e a b r i g a u m a e x p r e s s i v a
v a r i e d a d e d e e s p é c i e s d a f a u n a b r a s i l e i r a , m u i t a s
d a s q u a i s a i n d a p o u c o c o n h e c i d a s p e l a c i ê n c i a . A
p r e s e n t e o b r a — E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á :
E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e
Q u i r o p t e r o f a u n a — r e p r e s e n t a u m a c o n t r i b u i ç ã o
i n e s t i m á v e l p a r a o c o n h e c i m e n t o e a c o n s e r v a ç ã o
d a r i q u e z a b i o l ó g i c a d a s U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o
q u e f o r m a m a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á ,
r e a f i r m a n d o a i m p o r t â n c i a d a s á r e a s p r o t e g i d a s
c o m o p i l a r e s d a n o s s a e s t r a t é g i a d e p r e s e r v a ç ã o
a m b i e n t a l .
O l e v a n t a m e n t o d e t a l h a d o d a s e s p é c i e s d e
e s c o r p i õ e s , a n f í b i o s , r é p t e i s e m o r c e g o s
a p r e s e n t a d o n e s t e l i v r o n ã o a p e n a s e n r i q u e c e o
a c e r v o c i e n t í f i c o n a c i o n a l , m a s t a m b é m f o r t a l e c e o s
f u n d a m e n t o s p a r a p o l í t i c a s p ú b l i c a s v o l t a d a s à
p r o t e ç ã o d o s e c o s s i s t e m a s . A o r e u n i r d a d o s
t é c n i c o s , o b s e r v a ç õ e s d e c a m p o e r e f l e x õ e s s o b r e a
d i v e r s i d a d e e o p a p e l e c o l ó g i c o d e s s e s g r u p o s
f a u n í s t i c o s , a o b r a a m p l i a n o s s a c o m p r e e n s ã o
s o b r e o s s e r v i ç o s e c o s s i s t ê m i c o s q u e a E s t a ç ã o
E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á p r e s t a à s o c i e d a d e .
C o m o a n a l i s t a a m b i e n t a l d o I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d o
M e i o A m b i e n t e e d o s R e c u r s o s N a t u r a i s
R e n o v á v e i s ( I B A M A ) , r e c o n h e ç o o v a l o r e s t r a t é g i c o
d e i n i c i a t i v a s c o m o e s t a , q u e a p r o x i m a m a c i ê n c i a
d a g e s t ã o a m b i e n t a l e d a e d u c a ç ã o . O
c o n h e c i m e n t o a q u i r e u n i d o s u b s i d i a a ç õ e s d e
m o n i t o r a m e n t o , m a n e j o e p r e s e r v a ç ã o , a l é m d e
s e n s i b i l i z a r a s o c i e d a d e s o b r e a i m p o r t â n c i a d e
p r o t e g e r a v i d a s i l v e s t r e e m t o d a s a s s u a s f o r m a s .
P r o t e g e r a b i o d i v e r s i d a d e n ã o é a p e n a s u m d e v e r
l e g a l o u c i e n t í f i c o — é u m c o m p r o m i s s o é t i c o c o m
a s f u t u r a s g e r a ç õ e s . Q u e e s t e l i v r o i n s p i r e n o v o s
e s t u d o s , f o r t a l e ç a a c o n s c i ê n c i a a m b i e n t a l e s i r v a
c o m o r e f e r ê n c i a p a r a t o d o s a q u e l e s q u e , c o m o
n ó s , s e d e d i c a m à m i s s ã o d e c o n s e r v a r o
p a t r i m ô n i o n a t u r a l d o B r a s i l .
É c o m g r a n d e e n t u s i a s m o q u e a p r e s e n t a m o s a o b r a : “ E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á -
E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e Q u i r o p t e r o f a u n a ” , u m e s t u d o r e f e r e n c i a d o , p r o f u n d o
e d e t a l h a d o d e a l g u m a s d a s f a s c i n a n t e s e d i v e r s a s e s p é c i e s q u e h a b i t a m e s s a s
i m p o r t a n t e s u n i d a d e s d e c o n s e r v a ç ã o n o B r a s i l . A p u b l i c a ç ã o d e s t e l i v r o c o r r e s p o n d e a o
s t a r t d e u m a d a s a ç õ e s d o " P r o g r a m a d e C o n s e r v a ç ã o da B i o d i v e r s i d a d e : C r i a ç ã o ,
I m p l a n t a ç ã o e G e s t ã o d e U n i d a d e s d e C o n s e r v a ç ã o d o E s t a d o d e P e r n a m b u c o " ,
p r o g r a m a d o G o v e r n o d o E s t a d o , e s t r u t u r a d o p e l a S E M A S e C P R H .
E s t a ob r a e s t á o r g a n i z a d a em d o z e c a p í t u l o s , o f e r e c e n d o um a v i s ã o a b r a n g e n t e so b r e a
b i o d i v e r s i d a d e d a Es t a ç ã o E c o l ó g i c a d o Ta p a c u r á , d e s t a c a n d o a im p o r t â n c i a da f a u n a d e
e s c o r p i õ e s , a n f í b i o s , “ r é p t e i s ” e m o r c e g o s p r e s e n t e s n a r e g i ã o . E s t e s gr u p o s b i o l ó g i c o s s e
d e s t a c a m n a c i o n a l m e n t e e i n t e r n a c i o n a l m e n t e p o r s e r e m c o n s i d e r a d o s e x c e l e n t e s
b i o i n d i c a d o r e s d e q u a l i d a d e a m b i e n t a l e d e s c r i t o r e s d a c o m p l e x i d a d e d o s a m b i e n t e s
n a t u r a i s .
A o b r a p r o p o r c i o n a u m a l e i t u r a f l u i d a e i n f o r m a t i v a p a r a p e s q u i s a d o r e s , e s t u d a n t e s e
d e m a i s i n t e r e s s a d o s e m b i o l o g i a , e c o l o g i a e c o n s e r v a ç ã o a m b i e n t a l , s e j a m o s l e i t o r e s
e s p e c i a l i s t a s o u c u r i o s o s n o s a s s u n t o s , t o d o s t e r ã o c o n d i ç õ e s d e a c o m p a n h a r a
t e x t u a l i d a d e d o s t e m a s .
E m s e u s c a p í t u l o s , o l i v r o a p r e s e n t a :
A P R E S E N T A Ç Ã O
R e f ú g i o d e u m a p a r c e l a i m p o r t a n t e d a
b i o d i v e r s i d a d e n a c i o n a l e s u a h i s t ó r i a
O primeiro capítulo estabelece a base para o entendimento
da história e da importância da Estação Ecológica do
Tapacurá no contexto ambiental de Áreas Chaves para
conservação da Biodiversidade (KBAs - Key Biodiversity
Areas). As Unidades de Conservação (UCs) são
fundamentais para a preservação da biodiversidade e a
Estação Ecológica do Tapacurá, em particular, é um
exemplo vital de manejo e preservação de ecossistemas. O
capítulo explora o papel das UCs no fornecimento de
serviços ecossistêmicos essenciais, como a purificação da
água, a regulação climática e o fornecimento de habitats
para inúmeras espécies, muitas das quais são endêmicas
ou ameaçadas de extinção. O capítulo também aborda as
políticas públicas e os desafios enfrentados pelas UCs no
Brasil, como o financiamento, a gestão e a educação
ambiental, sendo um pano de fundo para o estudo das
faunas presentes na estação.
Foto: Silva, R. B.
G r a d i e n t e b o r d a - c e n t r o e e s t a c i o n a l i d a d e
s o b r e p a r â m e t r o s a b i ó t i c o s , h e t e r o g e n e i d a d e
a m b i e n t a l , f l o r í s t i c o s e e s t r u t u r a i s d a f l o r e s t a
O ecossistema da Estação Ecológica do Tapacurá é
caracterizado por uma vegetação predominantemente
florestal, com diferentes tipos de ambientes, como áreas de
mata ciliar, florestas de terra firme e áreas alagadas. Este
capítulo detalha as características geográficas, climáticas e
ecológicas (variação dos parâmetros abióticos,
microclimáticos e estruturais da floresta em relação à
estacionalidade e o gradiente borda-centro), descritores
ambientais e da região. As florestas da estação
desempenham um papel crucial na sustentação das
populações de fauna descritas nos capítulos subsequentes,
oferecendo abrigo e alimento. A diversidade florística
também influencia diretamente as comunidades de
animais, que se adaptam de diferentes maneiras a esse
ambiente. A vegetação da estação, com suas variações de
microclimas, proporciona condições ideais p a r a v á r i a s
espécies de escorpiões, anfíbios, “répteis” e m o r c e g o s .
Foto: Moura, G. J. B.
Os anfíbios anuros
Os anuros (sapos, rãs, pererecas e gias) são animais
essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas, funcionando
como predadores de insetos e presas para outros animais.
Este capítulo explora a diversidade de anuros na Estação
Ecológica do Tapacurá, com ênfase nas adaptações
fisiológicas e comportamentais que essas espécies
desenvolveram para sobreviver em ambientes florestais e
aquáticos. São abordados aspectos da sistemática, história
natural, como reprodução, como o canto de acasalamento,
parasitos, além da relação com a vegetação local. O
impacto das mudanças climáticas sobre a reprodução e a
distribuição dessas espécies também são discutidos,
considerando a vulnerabilidade dos anuros a alterações no
ambiente.
Os anfíbios gimnophionas
Menos conhecidos do grande público, as gimnophionas, ou
cobras-cegas, são um grupo de anfíbios subterrâneos que
habitam o solo da floresta. Este capítulo fornece uma visão
detalhada sobre a morfologia peculiar desses animais, com
suas adaptações ao ambiente subterrâneo, como corpos
alongados, cegueira e a presença de tentáculos sensoriais.
A alimentação, a reprodução e o comportamento de
escavação desses animais também são discutidos, assim
como, a sua importância no controle de invertebrados no
solo e na reciclagem de matéria orgânica.
Os cágados da Estação Ecológica do Tapacurá são os
objetos deste capítulo que explora as diversas espécies da
região. A biologia dessas espécies é analisada, com ênfase
na longevidade, estratégias de reprodução e dieta. Os
quelônios têm um papel crucial na manutenção dos
ecossistemas aquáticos, ajudando na dispersão de
sementes e conectando as cadeias alimentares aquáticas e
terrestres. O capítulo também trata das ameaças que essas
espécies enfrentam, como a degradação de habitats e a
caça ilegal, e das medidas de conservação que podem ser
adotadas para garantir sua sobrevivência.
Os testudines
Os escorpiões
Este capítulo dedica-se a uma análise detalhada dos
escorpiões presentes na Estação Ecológica do Tapacurá.
Apesar de sua importância médica, por ser um animal
peçonhento, os escorpiões exercem função ecológica
essencial na cadeia trófica, atuando como predadores e
regulador de invertebrados e pequenos vertebrados. O
capítulo aborda a morfologia e a fisiologia dos escorpiões,
incluindo aspectos ecológicos e sistemáticos. A fauna de
escorpiões da estação é rica, com espécies que se adaptam
aos diferentes microhabitats da região. Além disso, o
capítulo discute os comportamentos desses animais, como
a territorialidade e a interação com outras espécies de
predadores e presas. A importância da pesquisa sobre
escorpiões também é destacada, considerando o potencial
de estudos sobre o veneno desses animais no que se
refere a envenenamentos e para o desenvolvimento de
novos medicamentos.
Ananteris mauryi Lourenço, 1982
Foto: Feitosa, M. L. B.
Boana raniceps (Cope, 1862)
Foto: Silva, W. P.
Siphonops annulatus (Mikan, 1822)
Foto: Freitas, M. A.
Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Foto: Freitas, M. A.
A diversidade de espécies de lagartos apresentada neste
livro revela um pouco da complexidade ecológica da
Estação Ecológica do Tapacurá. Este capítulo destaca o
status de conservação, morfologia e os nichos ecológicos
ocupados por esses animais, bem como sua variedade
morfológica e fisiológica para ocupar diferentes
microhabitats. Além disso, são discutidos aspectos de suas
histórias naturais (ecologia trófica, padrões conhecidos de
reprodução, comportamento), além dos ecto e
endoparasitos associados as espécies e possíveis
zoonoses. Destacamos que são relatados possíveis usos
dos animais pelos humanos e as ameaças atuas que
podem colocar as populações dos lagartos aqui descritos
em alguma categoria de ameaça, seja na escala
internacional, nacional e estadual, com dest a q u e p a r a o
estado de Pernambuco.
Os lagartos
As anfisbenas
Os anfisbaenídeos, conhecidos como cobras-cegas ou
cobras-de-duas-cabeças (embora não sejam nem cobras,
nem completamente cegas e muito menos tenha duas
cabeças), são “répteis” que vivem predominantemente sob
o solo. Este capítulo analisa as espécies de anfisbaenídeos
presentes na estação ecológica, com foco nas suas
adaptações para vida subterrânea, como corpos cilíndricos
e a ausência de membros. A importância ecológica desses
“répteis”, especialmente no controle de insetos do solo, é
explorada. O capítulo também trata das dificuldades para
estudar esses animais, devido ao seu estilo de vida
subterrâneo, e as metodologias utilizadas para o
monitoramento da fauna subterrânea, assim como
apresenta um dossiê sobre as espécies registradas.
As serpentes
A fauna serpentes da Estação Ecológica do Tapacurá é rica
e variada, com espécies que desempenham papéis
ecológicos fundamentais, desde o controle de roedores até
a manutenção do equilíbrio entre as populações de outras
presas. Este capítulo detalha as diversas espécies de cobras
encontradas na região, suas estratégias de caça, defesa e
reprodução. O capítulo também aborda aspectos
morfológicos, parasitários, a importância das serpentes no
controle biológico e os riscos para a saúde humana,
reforçando a importância de respeitar e proteger esses
animais, além dos possíveis usos e aspectos culturais
relacionados ao grupo das serpentes.
Os crocodilianos
A diversidade de crocodilianos na Estação Ecológica do
Tapacurá é menos expressiva, ocorrem apenas duas
espécies, mas suas populações são extremamente
importantes para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
Este capítulo oferece uma análise da biologia dos
crocodilianos, como seus padrões anatômicos, distribuição,
história natural e aspectos parasitológicos e de saúde. Além
disso, o capítulo explora o uso dessas espécies pelas
comunidades humanas e as ameaças que podem
comprometer localmente as populações dessas espécies.
Boa constrictor Linnaeus 1758
Foto : Francisco, I. S.
Paleosuchus palpebrosus (Cuvier, 1807)
Foto : Basseti, L. A. B.
Amphisbaena alba Linnaeus 1758
Foto : Silva, W. P.
Iguana iguana (Linnaeus, 1758)
Foto : Silva, W. P.
E s t e l i v r o n ã o s ó d o c u m e n t a a r i c a f a u n a
d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á , m a s
t a m b é m c o n t r i b u i p a r a o c o n h e c i m e n t o
c i e n t í f i c o s o b r e a s e s p é c i e s d a r e g i ã o ,
s e n d o u m a f e r r a m e n t a v a l i o s a p a r a
p e s q u i s a d o r e s , c o n s e r v a c i o n i s t a s e
p r o f i s s i o n a i s d a á r e a a m b i e n t a l . C a d a
c a p í t u l o é e n r i q u e c i d o c o m d a d o s t é c n i c o s
a t u a l i z a d o s , i n f o r m a ç õ e s s o b r e
c o n s e r v a ç ã o , i m a g e n s e r e f e r ê n c i a s p a r a
o s i n t e r e s s a d o s e m a p r o f u n d a r s e u s
e s t u d o s s o b r e a f a u n a d e e s c o r p i õ e s ,
a n f í b i o s , “ r é p t e i s ” e m o r c e g o s .
E s t a o b r a t a m b é m a p r e s e n t a u m c a p í t u l o
d i g i t a l i n t i t u l a d o P r o p o s t a s
P s i c o p e d a g ó g i c a s p a r a u s o d o l i v r o
“ E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o T a p a c u r á -
E s c o r p i o f a u n a , H e r p e t o f a u n a e
Q u i r o p t e r o f a u n a ” q u e c o r r e s p o n d e a
a l t e r n a t i v a s d e p r o p o s t a s p e d a g ó g i c a s
r e f e r e n t e a a p l i c a ç ã o do s c o n t e ú d o s
a b o r d a d o s n e s t e l i v r o , d e f o r m a a d a p t a d a
a o s d i f e r e n t e s n í v e i s d e d e s e n v o l v i m e n t o
c o g n i t i v o e e m o c i o n a l d o s e s t u d a n t e s ,
a b r a n g e n d o o s d i v e r s o s n í v e i s d e e n s i n o :
I n f a n t i l , F u n d a m e n t a l I e I I , M é d i o e
S u p e r i o r .
P o r m e i o d e s t a o b r a , e s p e r a - s e n ã o
a p e n a s a m p l i a r o c o n h e c i m e n t o s o b r e a
b i o d i v e r s i d a d e l o c a l , m a s t a m b é m
s e n s i b i l i z a r o l e i t o r q u a n t o a im p o r t â n c i a
d a p r e s e r v a ç ã o d e s s a s e s p é c i e s e s e u s
h a b i t a t s , f u n d a m e n t a i s p a r a a m a n u t e n ç ã o
d a s a ú d e a m b i e n t a l e o e q u i l í b r i o
e c o l ó g i c o .
Os morcegos são essenciais para a manutenção da
biodiversidade da Estação Ecológica do Tapacurá, com
algumas espécies se destacando pela polinização,
dispersão de sementes e controle de insetos. Este capítulo
examina a diversidade de morcegos da região, abordando
suas morfologias, distribuição, estratégias alimentares
(insetívoros, frugívoros, nectarívoros), aspectos
reprodutivos, seu comportamento social e possíveis
relações parasitárias e de saúde. O papel ecológico dos
morcegos é explorado em detalhes, destacando sua
importância para a agricultura e a saúde pública.
Destacamos que são relatados possíveis usos dos
morcegos pelos humanos e as ameaças atuais que podem
colocar as populações desses animais aqui descritos em
alguma categoria de ameaça, seja na escala internacional,
nacional e estadual, com destaque para o estado de
Pernambuco, a exemplo da perda de habitat, poluição dos
ambientes naturais e doenças como a raiva.
Os morcegos
Sturnira lilium (É. Geoffroy, 1810)
Foto: Fenton, B. e Fenton, S.
D r . G e r a l d o J o r g e B a rb o s a d e M o u r a
Organizador
ESTUDADA PELO
ESTUDADA PELO
ESTUDADA PELO
PRODUTOR DE TOXINAS
INTERESSE ZOONÓTICO
ESPÉCIE EXÓTICA
E x t i n t o
E x t i n t o
n a n a t u r e z a
C r i t i c a m e n t e
e m p e r i g o
E m p e r i g o
V u l n e r á v e l
Q u a s e a m e a ç a d a
M e n o s p r e o c u p a n t e
D a d o s i n s u f i c i e n t e s
N ã o a v a l i a d a
1
4 CHP-LEHP/UFRPE
5
Legenda. Estes selos indicam que a espécie é
estudada e monitorada pelo Laboratório de Estudos
Herpetológicos e Paleoherpetológicos da
Universidade Federal Rural de Pernambuco
(LEHP/UFRPE), por seus diferenstes núcleos de
pesquisa: 1. Núcleo de Pesquisa em Anfíbios e
Répteis; 2. Núcleo de Pesquisa em Aracnídeos; e 3 .
Núcleo de Pesquisa em Quirópteros.
G u i a d e u s o
Legenda. Ca t eg or ia s d e c la ss i fi ca çã o d as es pé ci e s qu a nt o a o ri sc o d e e xt in ç ão g lo b al s e gu nd o a U ni ã o In t er na ci o na l
pa ra Co ns e rv aç ã o da N a tu re z a (I UC N ), a s q ua i s ta mb é m sã o a do ta d as n a s es f er as n a ci on a l - BR e es t ad ua l - P E.
S e l o s I n d i c a d o r e s
C a t e g o r i a s d e A m e a ç a s
Legenda. Estes selos indicam: 1. Espécies que
oferecem risco à saúde humana e/ou veterinária de
forma referenciada, por serem venenosas ou
peçonhentas; 2 . Interesse Zoonótico, quando o
animal pode abrigar e transmitir patógenos aos
seres humanos; 3. Espécie Exótica, refere-se aos
animais que ocupam regiões fora da sua área de
distribuição natural; 4 . Espécie com registros
( voucher ) na Coleção Científica Herpetológica e
Paleoherpetológica do Laboratório de Estudos
Herpetológicos e Paleoherpetológicos da
Universidade Federal Rural de Pernambuco
(Acrônimo: CHP-LEHP/UFRPE ) e 5. Espécie
contemplada pelo Plano de Ação Nacional para
Conservação da Herpetofauna do Nordeste.
2
3
1
2
3
PAN HERPETO NE
L e g e n d a . A . M a p a d a E s t a ç ã o Ec o l ó g i c a d o T a p a c u r á , S ã o L o u r e n ç o d a M a t a , P e r n a m b u c o , B r a s i l
( 0 8 ° 0 3 ’ S 3 5 ° 1 0 ’ O ) . 1 - M a t a d o A l t o d a B u c h a d a ; 2 - M a t a d o C a m u c i m ; 3 - M a t a d o T o r ó . B . I n d i c a q u e
a e s p é c i e p o s s u i r e g i s t r o d e o c o r r ê n c i a n o s t r ê s f r a g m e n t o s f l o r e s t a i s d a E s t a ç ã o E c o l ó g i c a d o
T a p a c u r á . C. I n d i c a qu e a es p é c i e p o s s u i re g i s t r o d e oc o r r ê n c i a a p e n a s na M a t a do A l t o da B u c h a d a e
M a t a d o C a m u c i m . D . I n d i c a q u e a e s p é c i e p o s s u i r e g i s t r o d e o c o r r ê n c i a a p e n a s n a M a t a d o A l t o d a
B u c h a d a . E . I n d i c a q u e a e s p é c i e p o s s u i r e g i s t r o d e o c o r r ê n c i a a p e n a s n a M a t a d o T o r ó .
Os registros de ocorrência das espécies serão
apresentados por meio de representações gráficas da
área correspondente à Estação Ecológica do Tapacurá,
nas quais estará indicada a posição dos fragmentos
florestais que compõem a EET e nos quais a espécie
foi registrada.
N o t a G e o g r á f i c a
A
1
2
3
Mata do Alto da Buchada
Mata do Toró
Mata do Alto da Buchada
Mata do Camucim
Mata do Alto da Buchada
Mata do Camucim
Mata do Toró
B C
E
D
N o t a S i s t e m á t i c a
Com base na Sistemática Filogenética atual dos Vertebrados, o grupo dos “répteis” não é mais considerado
um táxon válido, por isso a necessidade de ser escrito entre aspas (ICZN, 1977). As espécies que
anteriormente constituíam os “répteis” estão enquadradas dentro do clado Sauropsida, que inclui os
seguintes grupos recentes: Testudines (Cryptodira e Pleurodira), Lepidosauria (Rhynchocephalia e
Squamata) e Archosauria (Crocodylia e Aves). No entanto, o grupo das aves é geralmente estudado
separadamente dos demais Sauropsida (Ornitologia = estudo das aves). Assim, ao longo deste livro,
usaremos o termo "répteis" pela sua significância didática, a ser empregado de forma a abranger todos os
Sauropsidas, exceto as aves (Herpetologia = estudo dos anfíbios e “répteis”).
Destacamos que a taxonomia supra-genérica (família) e nomes de gêneros e espécies de Amphibia e
Sauropsida seguem Frost (2024) e The Reptile Database (2025) respectivamente.
Ictiosauria
Pterosauria
Dinosauria
Peixes
Clado
Anfíbios
Clado
Mamíferos
Clado
Peixes
Classe
Anfíbios
Classe
“Répteis”
Classe
Aves
Classe
Mamíferos
Classe
Pleurodira
Cryptodira
Testudines
Clado
Rhynchocephalia
Lepidosauria
Clado
Squamata
Archosauria
Clado
Aves
Crocodylia
Sauropsida
Clado
Clado Extinto
Sistemática Lineana
(Classificação Anterior) Sistemática Filogenética
(Classificação Atual)
S u m á r i o
3 1 C a p í t u l o 1
Estação Ecológica do Tapacurá:
Refúgio de uma parcela importante da biodiversidade nacional e
sua história
117 C a p í t u l o 4
Anuros da Estação Ecológica do Tapacurá
263 C a p í t u l o 5
Gymnophinas da Estação Ecológica do Tapacurá
6 1 C a p í t u l o 2
Estação Ecológica do Tapacurá:
Gradiente borda-centro e estacionalidade sobre parâmetros
abióticos, heterogeneidade ambiental, florísticos e estruturais da
floresta
C a p í t u l o 3
Escorpiões da Estação Ecológica do Tapacurá
101
275 C a p í t u l o 6
Testudines da Estação Ecológica do Tapacurá
C a p í t u l o 7
Lagartos da Estação Ecológica do Tapacurá
C a p í t u l o 8
Anfisbenas da Estação Ecológica do Tapacurá
C a p í t u l o 9
Serpentes da Estação Ecológica do Tapacurá
C a p í t u l o 1 0
Crocodilianos da Estação Ecológica do Tapacurá
C a p í t u l o 1 1
Morcegos da Estação Ecológica do Tapacurá
289
461
359
377
Índice Remissivo
583
473
587
C a p í t u l o 1 2
Propostas Psicopedagógicas para uso do livro “Estação
Ecológica do Tapacurá: Escorpiofauna, Herpetofauna e
Quiropterofauna”
E S T A Ç Ã O E C O L Ó G I C A
D O T A P A C U R Á :
LAUREEN MICHELLE HOULLOU
ERIK BUSSMEYER
EDMILSON CLARINDO DE SIQUEIRA
CÂNDIDA JULIANA ALBERTIN SANTOS
ROBSON ANTÔNIO DE SOUZA
KATARINA ROMÊNIA PINHEIRO NASCIMENTO
ARTHUR FELIPE FERREIRA DE FREITAS
JOÃO VICTOR CUNEGUNDES DE SIQUEIRA
GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA
Refúgio de uma parcela importante da biodiversidade
nacional e sua história
Estação Ecológica do Tapacurá
Foto: Silva, R. B.
As Áreas-Chave para a Biodiversidade (KBAs - Key Biodiversity Areas) visam auxiliar a
conservação global, por representarem áreas mundiais essenciais para manutenção da
biodiversidade. Nesse contexto, as KBAs surgem como pilares fundamentais, pois
concentram os últimos e mais significativos refúgios naturais, sustentando espécies
ameaçadas e ecossistemas inteiros em risco de colapso. O Programa KBA apoia a
identificação, mapeamento, monitoramento e conservação de KBAs para ajudar a
salvaguardar os locais mais críticos para a natureza no nosso planeta – como florestas
tropicais, recifes, montanhas, pântanos, desertos a pastagens e às partes mais profundas
dos oceanos. O Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal (KMGBF) é um
marco histórico na criação de um programa focado na necessidade de se centrar esforços
na proteção de “áreas de particular importância para a biodiversidade”. Essa ação visa
diminuir a perda de biodiversidade e proteger 30% do planeta até 2030. O desafio não é
novo e, até o momento, essa iniciativa promoveu com sucesso um grande aumento nas
áreas protegidas (17% da terra e 10% dos mares). Embora a Estação Ecológica de
Tapacurá (EET) não esteja oficialmente listada como uma Área-Chave para a
Biodiversidade (KBA), suas características ecológicas e a riqueza de espécies que abriga
indicam que possui atributos compatíveis com os critérios de uma KBA. A EET está
situada no Centro de Endemismo Pernambuco que está enfrentando significativas
ameaças à conservação. Estudos realizados na área identificaram 479 espécies de
angiospermas, incluindo 44 novas ocorrências para o estado de Pernambuco, destacando
a importância da estação para a flora regional. Essas características reforçam o papel da
estação como um reservatório crítico de biodiversidade, alinhando-se aos objetivos das
KBAs de identificar e conservar áreas vitais para a sobrevivência de espécies e
ecossistemas.
Nesse contexto, resultados obtidos por diferentes pesquisas já conduzidas na Estação
Ecológica do Tapacurá apontam que a preservação da Estação Ecológica é essencial para
a proteção de espécies ameaçadas e para minimizar o declínio da biodiversidade da
Mata Atlântica local.
Figura 1. Trilha que corta
longitudinalmente o fragmento
florestal "Mata do Alto da Buchada"
na Estação Ecológica do Tapacurá-
EET. Foto: Moura, G. J .B.
Estação Ecológica do Tapacurá
33
DESCRIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA COMPLEXIDADE AMBIENTAL
O nome "Tapacurá" deriva da palavra indígena " Itapacurá ," traduzindo-se como " Rio da
pedra que tampa " ou " Rio da pedra tampada ". A denominação é apropriada, considerando
que a área da estação é caracterizada por matas, capoeiras e uma bacia hidrográfica que
forma um lago pelo represamento do Rio Tapacurá. Esse rio deu origem a um açude,
dividindo a Estação Ecológica do Tapacurá em alguns fragmentos remanescentes da Mata
Atlântica (Oliveira, 2009).
Pensar em uma área de preservação ambiental é, antes de tudo, entender a extrema
relevância que essas áreas têm para a preservação da biodiversidade mundial . A
Estação Ecológica do Tapacurá (EET) é um Campus Avançado da Universidade Federal
Rural de Pernambuco UFRPE (Figura 1). A Estação foi criada em 1975 sob liderança do
Prof. João Vasconcelos Sobrinho e ocupa as terras da antiga Escola Superior de Agricultura
São Bento que funcionou entre 1917 e 1936. A Estação é um importante refúgio para
parte da fauna que ocorre na Mata Atlântica. Atualmente, as Unidades de Conservação
que estão inseridas na EET podem ser consideradas uma KBS ( Key Biodiversity Area ),
reforçando a sua importância estratégica para a preservação da biodiversidade a nível
mundial (Figura 2).
A EET (08°03’S e 35°10’O) é um remanescente de Mata Atlântica localizado no município de
São Lourenço da Mata, Zona da Mata, Leste do Estado de Pernambuco (Azevedo-Júnior,
1990). Esta Estação Ecológica foi instituída em 1987 pela Lei nº 9.989, a qual regulamenta
os remanescentes de Mata Atlântica da região metropolitana do Recife, sendo elevada à
categoria de Área de Preservação Permanente no ano de 1981 pela Lei nº 6.938.
A EET está assentada sobre um relevo do complexo cristalino da Formação Cabo (Bacia
Pernambuco) e, de acordo com Dantas (1980), os terrenos datam do Pré-Cambriano
inferior, estando localizados na transição entre a encosta oriental da Borborema (200-
500m) e o piemonte oriental da Borborema (< 200 m); apresentando altitudes que variam
entre 120 e 150m com um sistema de drenagem bem estabelecido, o qual converge
sempre para o lago Tapacurá. O clima é do tipo As’ quente e úmido comum na região
oriental do Nordeste, segundo classificação de Köppen. As chuvas são de outono-inverno,
que caracterizam a Zona da Mata Pluvial de Pernambuco, com precipitação média anual
de 1.900mm e 5 meses com menos de 100mm de precipitação (SUDENE, 1990).
34
Apresenta uma área total de aproximadamente 800 ha, dos quais cerca de 400 ha são
constituídos por áreas florestadas, circundadas por monocultura de cana-de-açúcar
(Azevedo-Júnior, 1990). A área florestada, é composta por três fragmentos florestais: Mata
do Camucim (cerca de 200ha), Mata do Alto da Buchada (cerca de 100ha) e a Mata do Toró
(cerca de 100ha); os dois primeiros fragmentos encontram-se adjacentes e separados do
terceiro por uma distância aproximada de 4 km, pela presença de um lago, o lago
Tapacurá (área de responsabilidade da COMPESA – Companhia Pernambucana de
Saneamento); este é resultante do represamento do rio Tapacurá, afluente do rio
Capibaribe (Coelho, 1979). Os fragmentos Mata do Camucim e Mata do Alto da Buchada
apresentam cobertura vegetal constituída por floresta ombrófila estacionária (Neves,
2004) do tipo perenifólia semidecídua (Andrade-Lima, 1957) e Mata do Toró floresta
ombrófila úmida (Andrade-Lima, 1957).
É importante ressaltar que de acordo com o Sistema de Unidades de Conservação (SNUC),
as “Estações Ecológicas” são unidades de Proteção Integral, que admite o uso indireto de
seus recursos naturais, e seu objetivo básico é preservar a natureza (Lei no 9.985/2000).
Desse modo, chamar a EET de “Estação Ecológica”, se torna errôneo, visto que esta
nomenclatura, “Estação Ecológica” é utilizada localmente apenas de forma administrativa,
uma vez que é um Campus avançado da UFRPE. Embora não seja legalmente uma
“Estação Ecológica”, duas Unidades de Conservação estaduais estão inseridas na área
reconhecida como EET: o Refúgio da Vida Silvestre Mata do Camucim e o Refúgio da Vida
Silvestre Mata do Toró (CPRH, 2024). Além destes dois fragmentos legalmente protegidos
pela Lei no 13.787/2009, também compõe a EET, a Mata Alto da Buchada, que juntamente
com a Mata do Camocim, são os fragmentos que apresentam maior quantidade de
espécies que sinalizam ambientes florestados mais conservados (Moura, 2018). Devido a
sua grande importância para a biodiversidade, a Mata do Alto da Buchada está em
processo de formalização para sua transformação em uma Unidade de Conservação
estadual capitaneado pela CPRH, assim como a ampliação do Refúgio da Vida Silvestre
Mata do Camucim.
Figura 2. Localização da Estação Ecológica do
Tapacurá, São Lourenço da Mata, Pernambuco,
Brasil. 1 - Mata do Alto da Buchada; 2 - Mata
do Camucim; 3 - Mata do Toró.
Estação Ecológica do Tapacurá
35
1
2
3
36
Conforme a caracterização feita nessa área, ficou evidenciada a presença de diferenças
entre as estações secas e chuvosas nos fragmentos estacionais da EET, confirmando a
existência de heterogeneidade ambiental nas áreas florestadas da Reserva. Essa
heterogeneidade de parâmetros locais é um reflexo normal das variações sazonais nos
níveis de precipitação, temperatura, umidade e abertura do dossel em florestas
semideciduais, e que interferem nos processos ecológicos. Neste contexto, a constante
manutenção e recuperação do dossel da mata tem efeitos positivos significativos na
manutenção da biodiversidade dos extratos inferiores (Almeida et al. 2020).
Originalmente, a área em que hoje se encontra a EET abrigava a Escola Superior de
Agricultura de São Bento-ESA-SB, cujas ruínas, atualmente estão sob as águas da represa
de Tapacurá. A sua origem, encontra-se ligada a Ordem Beneditina, que prezava por
transmitir a herança cultural greco-romana ao cultivo de imensas propriedades
territoriais. Isso, associada a iniciativa de Dom Pedro Roeser de incentivar a agricultura
canavieira e à pecuária como uma alternativa para recuperar a produtividade no estado
de Pernambuco, que estava em declínio se comparada aos outros estados (Uele, 2008). Na
época, houve um grande interesse político e clérigo que resultou no surgimento da ESA-
SB.
Segundo a BirdLife Data Zone e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a área de Tapacurá
está classificada como de prioridade “ Muito Alta ” quanto à necessidade de preservação.
Figura 3. Referência da importância ecológica para preservação da Biodiversidade na Estação Ecológica do
Tapacurá. Esta class ificação está associa da principalmente a avifauna presente na área de Tapacurá. No
entanto, a necessidade de preservação vai muito além deste grupo faunístico. De fato, a área da Estação
Ecológica do Tapacurá abriga uma importante biodiversidade dos mais diversos grupos da fauna e flora da
Mata Atlântica.
Relevância Ecológica dos Remanescentes da Estação Ecológica do Tapacurá
37
B
Desta forma, o registro da biodiversidade em áreas de preservação ambiental é uma
consequência direta da dinâmica de ocupação de terras, responsável principal pela perda
da biodiversidade. Como principal consequência dessa ocupação, a fragmentação das
áreas de mata se dá pela redução da própria área ou sua subdivisão em áreas menores. A
fragmentação da cobertura vegetal das áreas florestais é considerada o agente principal
da perda de biodiversidade, gerado diferentes efeitos ecológicos negativos nas
populações locais como: alteração do tamanho das populações, alterações na sua
dinâmica, nas interações tróficas e até mesmo nos padrões de migração (Laurence &
Vasconcelos, 2009; Oliveira, 2011). É bem provável que a fragmentação das áreas
florestadas acentue os efeitos de borda causando alterações na distribuição, no
comportamento e na sobrevivência das espécies que se abrigam no fragmento da mata.
A preocupação com o registro e acompanhamento da biodiversidade local data do início
do século XX. Um exemplo do importante trabalho de registro das espécies locais foi a
criação do Herbário D. Bento José Pickel, o qual conta com exsicatas elaboradas de
diferentes grupos representantes da flora local.
Figura 4 . A. Exemplos do registros de espécies nativas feitas nos anos de 1976 e 1977 por
Vasconcelos Sobrinho e Marcelo Ataíde. B. Bento José Pickel, Botânico, sacerdote e monge
beneditino que deu nome ao Herbário de Tapacurá. Foto: Houllou, L. M.
A
38
Figura 5 : Primeiro livro publicado da Estação
Ecológica do Tapacurá ( MOURA, G. J. B.; AZEVEDO
JUNIOR, S. M.; EL-DEIR, A. C. A. A Biodiversidade
da Estação Ecológica do Tapacurá-Uma Proposta
de Manejo e Preservação. 1. ed. Recife: NUPEEA,
2012. v. 1. 406p. ).
Figura 6 : Segundo livro publicado da Estação
Ecológica do Tapacurá ( MOURA, G. J. B.
Contribuições para a Gestão Ambiental na
Estação Ecológica do Tapacurá. 1. ed. Recife:
Editora Universitária da Universidade Federal
Rural de Pernambuco, 2018. v. 1. 177p. ).
Em meio a constatação da ausência de literatura especializada sobre a Estação Ecológica
do Tapacurá, um grupo de pesquisadores e estudantes da graduação e pós-graduação da
UFRPE se mobilizaram e investiram na construção de dois livro sobre a referida estação
sob coordenação do laboratório de Estudos Herpetológicos e Paleoherpetológicos-
LEHP/UFRPE.
O primeiro, intitulado A Biodiversidade da Estação Ecológica do Tapacurá: Uma
Proposta de Manejo e Conservação , corresponde a um livro de capítulos independentes
que se referem aos diferentes grupos da biodiversidade estudados na EET, com
informações sobre suas riquezas, composição, distribuição espaço-temporal e história
natural (Figura 5).
O segundo, intitulado Contribuições para a Gestão Ambiental na Estação Ecológica do
Tapacurá , corresponde a um livro também constituído por capítulos independentes que
se referem ao aporte de contribuições técnicas para uma gestão mais eficiente da
biodiversidade e da EET, seja como unidade administrada pelo estado e pela UFRPE ou
como um complexo de UCs estaduais de proteção integral (Figura 6).
39
Conforme dados da Agência Estadual de Meio Ambiente-CPRH (2024), a altura média
estimada do dossel em Tapacurá é de 15-20 metros, predominando as espécies Parkia
pendula (Will.) Benth. Ex Walp. e Didymopanax morototoni (Aubl.) Decne. & Planch. O sub-
bosque se caracteriza por um conjunto de plantas adaptadas a luminosidade e com um
epifitismo composto por espécies de orquídeas, bromélias e imbés. Segundo o
levantamento das Angiospermas da Estação Ecológica de Tapacurá (EET), um total de 479
espécies foram identificadas, pertencentes a 285 gêneros. As famílias mais ricas foram
Fabaceae (68), Rubiaceae (25), Malvaceae (20), Myrtaceae (20), Cyperaceae (19),
Poaceae (19), Bromeliaceae (18), Euphorbiaceae (17), Asteraceae (16) e Sapindaceae
(14), que juntas representaram 49,27% do número total de espécies. Este levantamento
demonstrou mais uma vez a riqueza e abundância dos táxons e a importância de sua
conservação para a flora regional (Pereira-Silva, 2022).
Estudos mais recentes têm focado em grupos botânicos específicos, cuja relevância
dentro das áreas de mata são fundamentais para várias espécies de animais. Em 2022 foi
realizado um levantamento florístico de Bromeliaceas na Estação Ecológica do Tapacurá.
Desse levantamento, foram identificadas 21 espécies, pertencentes a sete gêneros:
Aechmea Ruiz & Pav. (7 spp.), Bromelia L. (1 sp.), Billbergia Thunb. (1 sp.), Cryptanthus
Otto & A. Dietr. (2 spp.), Hohenbergia Schult. & Schult.f (1 sp.), Tillandsia L. (8 spp.) e
Vriesea Lindl. (1 sp.) (Santos , 2022).
Flora
Outra pesquisa realizada em 2022, realizada por pesquisadores da Universidade Federal
de Pernambuco nos três fragmentos da estação (Mata do Alto da Buchada, Mata do
Camucim e Mata do Toró), indica uma valiosa relevância das briófitas como bioindicadoras
de qualidade ambiental. Este estudo exploratório identificou 32 espécies de briófitas,
pertencentes a 26 gêneros e 13 famílias. Segundo os autores, a flora encontrada
representa 5% da diversidade de Pernambuco e 9% do Nordeste , o que corresponde a
uma diversidade significativa de Pernambuco e do Nordeste. As famílias Lejeuneaceae e
Fissidentaceae foram as mais ricas em espécies, com destaque para os gêneros Fissidens e
Plagiochila (Silva et al., 2024). Aparentemente, a maioria das espécies parece apresentar
uma alta especificidade de substrato (90% das espécies), o que pode estar indicando uma
heterogeneidade das condições ambientais na Estação Ecológica do Tapacurá
(luminosidade, umidade e temperatura).
40
Na Estação, se sabe que, historicamente, a área de preservação sofreu pressão da caça
pelas populações locais. A presença da área de preservação é, possivelmente, um
direcionador na preservação da biodiversidade local. Os estudos realizados localmente
estão permitindo registrar o processo de defaunação. Essas ações de acompanhamento
local têm extrema relevância na tomada de decisões que direcionam as estratégias de
conservação em áreas protegidas da Mata Atlântica (Silva et al., 2024).
Os estudos da biodiversidade vegetal na EET não se restringem aos três fragmentos de
mata que compõem a Estação Ecológica. Em 2008 foi feito um estudo do fitoplâncton no
lago de Tapacurá (Andrade et al., 2009), que é um importante manancial para
abastecimento da região metropolitana. Nesse estudo foram identificados a presença dos
grupos: Cyanobacteria (45,0%), Chlorophyta (36,0%) Chrysophyta (9,0%) Euglenophyta
(5,0%) e Cryptophyta (5,0%).
Quanto à fragmentação das áreas de mata em Tapacurá, a principal preocupação está
associada às interações humanas, que causam alterações da qualidade do habitat, nas
áreas de transição entre os ambientes mais naturais e os mais antropogênicos. O que se
sabe é que nas áreas de borda podem ser observadas alterações microclimáticas
(temperatura, velocidade e turbulência do vento, umidade do ar e do solo) que acabam
gerando alterações na estrutura e composição da vegetação. Estes impactos ambientais
podem comprometer ainda mais a diversidade de plantas para a EET, onde espécies
endêmicas da Mata Atlântica foram catalogadas por Gonçalves et al. (2024), cujos autores
registraram cinco táxons, o que torna urgente o reforço em sua proteção, bem como a
ampliação de estudos florísticos na localidade, uma vez que a fauna local também fica
comprometida em função da interação animal-planta.
Em outro levantamento feito na área da bacia do rio Tapacurá (Oliveira, 2011) mostrou
uma parte da biodiversidade vegetal representativa, no qual as famílias com maior
número de espécies foram as Euphorbiaceae , Fabaceae , Myrtaceae e Rubiaceae . Parte
destas espécies são relevantes para a manutenção da fauna local, e a ação humana pode
impactar de diferentes formas na preservação dessas espécies (Figura 7).
41
Figura 7. Distribuição do número de espécies das f amílias vegetais que ocorrem na área da bacia do
Tapacurá. A riqueza de espécies locais indica ser, esta área, um importante local de preservação da
biodiversidade da fauna e flora (Oliveira, 2011).
0 2 4 6 8 10
Anacardiaceae
Annonaceae
Apicynaceae
Araliaceae
Bombacaceae
Burceraceae
Boraginaceae
Cesalpiniaceae
Cecropiaceae
Clusiaceae
Erythroxylaceae
Euphorbiaceae
Fabaceae
Flacourtiaceae
Lauraceae
Lacythidaceae
Malpiguiaceae
Melastomataceae
Mimosaceae
Monimiaceae
Moraceae
Miyristiaceae
Myrtaceae
Nyctaginaceae
Polygonaceae
Rubiaceae
Sapindaceae
Simaroubaceae
Tiliaceae
RIQUEZA DE ESPECIES VEGETAIS DOS
REMANESCENTES FLORESTAIS DA ESTAÇÃO
ECOLÓGICA DO TAPACURÁ
42
A perda e degradação do habitat causa, consequentemente, uma redução na distribuição
e na riqueza das espécies da fauna. As informações atuais sobre a diversidade da fauna
da floresta tropical não são suficientes e, no futuro, mais pesquisas serão necessárias
para documentar os diversos parâmetros comunitários das espécies da fauna e sua
relação com a flora local a fim de conservá-las e protegê-las. Por exemplo, de acordo com
Garcia et al. (2019), das espécies historicamente documentadas para a Estação Ecológica
do Tapacurá, não foi conseguido a confirmação de presença das espécies Panthera onca
(Onça-Pintada), Puma concolor (Leão-Baio), Alouatta belzebul (Guariba), Sapajus flavius
(Macaco-prego-dourado), Herpailurus yagouaroundi (Gato-Mourisco), Leopardus wiedii
(Gato-Maracajá), Eira barbara (Papa-Mel) e Tamandua tetradactyla (Tamanduá-Mirim).
Segundo esse estudo, é possível que algumas das espécies estejam localmente extintas.
Outros estudos realizados recentemente apontam que parte da fauna já descrita na área
de preservação que pertence à Estação Ecológica do Tapacurá pode estar sofrendo uma
redução em sua biodiversidade. Essa redução das taxas de biodiversidade são um claro
reflexo das ações antrópicas que resultam em declínios populacionais rápidos de várias
espécies (processo conhecido como defaunação). Existe uma forte correlação entre a
fragmentação da mata e a aceleração do processo de defaunação . Desta forma, a
velocidade do processo de defaunação pode ser reduzida principalmente com ações que
visem à preservação da flora local. A preservação da vegetação é um elemento essencial
em biomas cuja biodiversidade deveria ser naturalmente alta, como na Mata Atlântica. A
redução ou extinção de grupos botânicos podem implicar diretamente na redução de
populações de vários grupos de animais, incluindo a biota aquática.
Essa preocupação com a conservação da EET não é atual, ainda na década de 80 a UFRPE
realizou várias ações com esse objetivo. Essas ações tinham como tema uma figura
lendária do folclore brasileiro (século XVI), conhecido como um dos maiores protetores
das florestas e dos animais, o Curupira, que é retratado por uma escultura de pedra na
Mata do Camucim (Figura 8).
INTERAÇÃO DA FLORA COM A FAUNA NA ESTAÇÃO ECOLÓGICA
DO TAPACURÁ
Figura 8 : A. Estátua do Curupira na EET. B. Folhetim organizado pela UFRPE contando a história do Curupira.
C. Visão anterior de um chaveiro para divulgação da EET. D. Visão posterior do chaveiro previamente citado.
A B C D
43
Fruto de um esforço coletivo, a EET se destaca dentre outros fragmentos de Mata Atlântica
do estado, por manter seus fragmentos bem protegidos ao longo de todos esses anos. As
matas nativas das margens dos rios e lagos são constituídas por árvores, arbustos, sub-
bosque, bambual, macegas e maciços cerrados, que protegem o solo, além disso, os
galhos pendentes oferecem sombreamento e ambiente adequado para a fauna aquática,
abrigo a fauna terrestre e aves, principalmente nas estações chuvosas e secas quando
todos os animais procuram água. Embora a legislação atual recomende a implantação de
matas ciliares no perímetro de lagos, na maioria das vezes o uso e ocupação destes solos
vêm sendo destinados, inadequadamente, à agricultura, pecuária e lazer. Isto favorece os
processos erosivos com o consequente acúmulo de sedimentos e diminuição da vida útil
dos reservatórios, perdas do horizonte fértil do solo e redução da qualidade da água com
efeito sobre a ictiofauna (Togoro et al., 2007).
Segundo Lima (2019) os fragmentos de Mata Atlântica presentes na Estação Ecológica do
Tapacurá (EET) são divididos pelas águas do açude de Tapacurá, originado do
represamento do rio Tapacurá, um afluente do rio Capibaribe, o qual vem sofrendo com
intensa ação antrópica, especialmente pelo despejo de poluentes líquidos urbanos,
apresentando características eutróficas (CPRH, 2013). Pouco se conhece sobre a ictiofauna
presente nesse açude, o que dificulta o desenvolvimento de medidas para preservação da
sua biota aquática. Com o intuito de se gerar uma base para um conhecimento das
espécies ocorrentes nesta região de forma a auxiliar em sua conservação e a elaboração
de um plano de manejo, El-Deir et al. (2012) realizaram um inventário da composição de
espécies de peixes desse açude.
501
44
Barragem do Tapacurá, vista da “pedra grande” no
fragmento Mata do Alto da Buchada.
Foto: Moura, G. J . B.
Entre as espécies capturadas, o tucunaré ( Cichla sp.) e a pescada-do-Piauí ( Plagioscion
squamosissimus ), se destacam por serem espécies introduzidas, ambas originárias da
bacia amazônica. Segundo Cordeiro et al. (1999), a maioria das espécies ocorrentes em
açudes pernambucanos são oriundas de outras bacias brasileiras, como o tucunaré e a
pescada. A ocorrência de espécies introduzidas pode estar associada aos programas de
peixamento, ao escape de tanques de piscicultura e as atividades de aquariofilia que
também podem estar contribuído para a disseminação de espécies exóticas , tendo
possivelmente sido responsável pela introdução do peixe betta no açude de Tapacurá
(Sato & Sampaio, 2005; Agostinho et al., 2007) (Tabela 1).
Foram registradas 15 espécies de peixes, distribuídas em 10 famílias: Cichlidae (4),
Characidae (3), Callichthyidae (1), Curimatidae (1), Erythrinidae (1), Gymnotidae (1),
Osphronemidae (1), Poeciliidae (1), Sciaenidae (1) e Synbranchidae (1), sendo Cichlidae
a mais representativa na EET A grande ocorrência desta família pode estar relacionada ao
investimento no cuidado com a prole, apontado como o maior dentre as famílias de
teleósteos (Keenleyside, 1991). Além disso, outras características apresentadas por essa
família, como comportamento agressivo e tamanho reduzido, também são estratégias
que auxiliam numa maior sobrevivência (Lodge, 1993; Holway & Suarez, 1999; Ruensink,
2005).
Peixes
Taxa
Nome comum
Astyanax fasciatus
Piaba-do-rabo-vermelho
Astyanax lacustris
Piaba-do-rabo-amarelo
Astyanax sp.
Piaba
Betta splendens
Betta
Callichthys callichthys
Cascudo
Cichla sp.
Tucunaré
Cichlasoma cf. orientale
Cará
Crenicichla lepidota
Jacundá
Geophagus brasiliensis
Beré
Tabela 1. Lista dos táxons coletados na Estação Ecológica de Tapacurá com
seus respectivos nomes comuns (El-Deir et al., 2012).
45
A presença de indivíduos jovens e adultos nestas populações é um indicativo que algumas
dessas espécies possam estar utilizando estes locais como parte do seu ciclo de vida. Melo
et al. (2017) destacou o braço do açude entre os fragmentos, para conservação dos peixes
por ser um local que se destacou por apresentar indivíduos jovens, importante no ciclo de
vida do táxon, uma vez que a área apresentou disponibilidade de alimento e proteção
devido a vegetação presente nas margens (Bissa, 2000), condições já descritas em outros
estudos de comunidades de peixes em ambiente semelhante ao açude de Tapacurá (Junk
et al.,1997; Machado-Allison, 1990; Cintra et al., 2013).
Neste sentido, pode-se considerar esses ambientes de grande importância para a
conservação e manejo da ictiofauna. A fauna de peixes inventariada por El-Deir et al.
(2012) apresentou caráter preliminar, se fazendo necessários pesquisas adicionais de
forma a contemplar diferentes biótopos, da Estação Ecológica do Tapacurá nas diferentes
estações do ano. Estudos de levantamento da ictiofauna auxiliam na avaliação do estado
de conservação das espécies, dessa forma, recomendam-se pesquisas sobre a ecologia
das espécies mais relevantes na Estação Ecológica do Tapacurá de forma a fornecer maior
embasamento a fim de verificar os possíveis impactos ocorridos neste ecossistema
aquático tão importante e tão pouco estudado.
Taxa
Nome comum
Gymnotus carapo
Sarapó
Hoplias malabaricus
Traíra
Plagioscion squamosissimus
Pescada
Poecilia sp.
Guaru
Serrapinnus piaba
Piaba
Steindachnerina elegans
Curimatá
Synbranchus marmoratus
Muçum
*Continuação da Tabela 1 .
46
Anfíbios
Outro grupo que merece destaque é o grupo dos anfíbios, em especial os anfíbios anuros
(sapos, rãs, pererecas ou gias). Um dos capítulos do livro “A Biodiversidade da Estação
Ecológica do Tapacurá” (Moura et al., 2012a), publicado por Santos & Moura (2012)
apresenta uma estimativa sobre a riqueza e composição desse grupo. Até este trabalho
foram identificadas 43 espécies, distribuídas em nove famílias: Brachycephalidae (2 spp.)
Bufonidae (3 spp.), Cycloramphidae (1 spp.), Hylidae (21 spp.), Leiuperidae (3 spp.),
Leptodactylidae (8 spp.), Microhylidae (3spp.), Ranidae (1 spp.) e Pipidae (1 spp.). A
presença da espécie Hylomantis granulosa (Cruz, 1989) na mata do Toró - ameaçada no
estado de Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), devido principalmente a destruição do
seu habitat. Somado a presença de espécies, até então, exclusivas da EET em relação aos
limites do estado de Pernambuco, a exemplo de Stereocyclops incrassatus Cope, 1870 e
Dendropsophus tapacurensis Olivera, Magalhães, Teixeira, Moura, Porto, Guimarães,
Giaretta & Tinoco, 2021 podem indicar que os fragmentos ainda se mantém com um certo
grau de preservação (Santos & Moura, 2012).
Os capítulos seguintes desse livro, trazem uma importante contribuição para a
comunidade científica, com destaque para a atualização da lista de anfíbios da EET e
trará um compilado de informações sobre a história natural das espécies catalogadas e,
em especial, táxons exclusivos da EET.
Dendropsophus tapacurensis Olivera, Magalhães, Teixeira, Moura, Porto, Guimarães, Giaretta & Tinoco, 2021.
Foto: Siqueira, J. V.C.
47
No que se refere aos Sauropsidas (“Répteis”) da EET, Moura et al. (2012a) apresenta uma
riqueza de 60 espécies distribuídas em cinco grandes grupos: Testudines (2 Famílias, 3
spp.), Lagartos (10 Famílias, 24 spp.), Anfisbenas (1 Família, 4 spp.), Serpentes (6
Famílias, 27 spp.) e Jacarés (1 Família, 2 spp.). Apesar do número expressivo de espécies, a
fauna de Sauropsidas da EET ainda encontra-se subestimada, então, os capítulos
subsequentes deste livro, tem o objetivo de apresentar a lista atualizada das espécies ,
de forma comentada, compilando informações sobre a história natural das espécies
catalogadas. Com base em critérios internacionais-KBS, podemos inferir que a riqueza
expressiva de “Répteis” na EET evidencia esta área como ponto estratégico para
conservação e preservação dos remanescentes de Mata Atlântica do estado e da
herpetofauna nordestina, além de ser um dos grupos de vertebrados com muitas lacunas
espaciais no Nordeste, em especial em PE (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012b).
Em relação ao grupo das aves (Sauropsida-Archosauria), estão presentes na EET, segundo
Asevedo-Júnior et al. (2012) e Neves et al. (2012) 263 espécies (37 espécies aquáticas), que
correspondem a mais de 49% das aves do estado de Pernambuco. Dessas espécies, 12
possuem alta sensibilidade aos distúrbios ambientais, 14 são aves endêmicas do Brasil e
mais 18 estão classificadas em alguma categoria de ameaça de extinção (Neves et al.,
2012). Apesar dos fragmentos da EET apresentarem uma riqueza alta, os mesmos não
comportam algumas espécies de grandes aves frugívoras e insetívoras especialistas.
Entretanto, a importância de sua conservação sustenta-se na diversidade de espécies que
abrigam, incluindo endêmicas e ameaçadas.
Sauropsida: “Répteis”
Sauropsida: Aves
No que tange aos mamíferos registados na EET, Oliveira (2012) apresenta um montante
compilado de 51 espécies de mamíferos terrestres , dos quais oito foram consideradas
extintas localmente e, por consequência, duas ordens (Perissodactyla e Artiodactyla) não
possuem mais representantes locais. No que se refere aos quirópteros (morcegos), que se
destacam pelos seus expressivos serviços ecossistêmicos, este livro apresentará um
capítulo subsequente que tem por objetivo apresentar uma lista comentada ,
compilando informações atuais sobre a riqueza, composição e história natural das
espécies de morcegos catalogadas para a EET, assim como sua relação com a
sustentabilidade vegetal dos fragmentos.
Mamíferos
48
A perda da cobertura vegetal é um dos principais elementos que está associado à queda
da biodiversidade da fauna. Cada espécie da flora integra um sistema complexo que
permite a sustentação da fauna. E de forma recíproca, muitos animais são responsáveis
pela dispersão de sementes e, consequentemente, auxiliam na manutenção das próprias
florestas.
Como um exemplo claro dessa interação ocorre nas bromélias (um dos grupos de plantas
com maior número de espécies na Mata Atlântica). Essas plantas, por um lado, dependem
do tronco e da sombra das árvores no ambiente da mata e, por outro lado, são essenciais
para vários grupos de animais (beija-flores, morcegos, insetos, anfíbios e répteis). Devido a
essas características, uma intensa interação ecológica ocorre entre Bromeliaceas e
diversos animais que dependem deste grupo de plantas. A presença do fitotelmo (tanque
que acumula água, formado pela disposição das folhas em rosetas) forma um microclima
propício para algumas espécies de anfíbios bromelícolas.
Um levantamento realizado por Santos (2022), relata que a família Bromeliaceae está
representado, na área da Estação Ecológica do Tapacurá, por sete gêneros e 21 espécies
de duas subfamílias: Bromelioideae e Tillandsioideae. Atenção especial deve ser dada às
espécies Cryptanthus pickelii L.B.Sm., espécie endêmica de Pernambuco e a Aechmea
muricata (Arruda) L.B.Sm., espécie ameaçada de extinção e endêmica de Pernambuco e
Paraíba. A preservação da mata na área da Reserva é uma importante ação que permitirá
minimizar o risco de extinção dessas bromeliáceas e consequentemente da fauna que
esteja associada a ela.
Na Estação os representantes da família Bromeliaceae apresentam valor significativo na
oferta e manutenção de recursos alimentares ao longo do ano para uma fauna bastante
diversificada. Dentre os diferentes tipos de interações planta-animal, são comuns estudos
que focam na relação entre flores e seus visitantes. Segundo Barbosa-Filho & Araújo
(2007), as Bromeliaceae são uma das raras famílias em que predomina a polinização por
vertebrados sobre insetos. Esses vegetais são conhecidos por serem importantes fontes
de alimento para vários grupos de animais como os beija-flores, os morcegos e várias
espécies de insetos, que também podem polinizá-los. Na Mata Atlântica, os
representantes das Bromélias desempenham um papel importante no fornecimento e
manutenção de recursos alimentares durante todo o ano para uma fauna polinizadora
muito diversificada. Em algumas áreas deste bioma, as bromélias chegam a representar
mais de 30% dos recursos alimentares utilizados pelos beija-flores.
Vegetação
49
Desta forma, a preservação de áreas onde ocorra a espécie Aechmea muricata ((Arruda)
L.B.Sm.), bromélia ameaçada de extinção que cresce nos troncos das árvores do dossel,
conhecida como Ananás-de-agulha, é essencial para manutenção de toda uma cadeia de
polinizadores invertebrados (que se alimentam de seu néctar) e de outras espécies de
vertebrados e invertebrados que dispersam as sementes ao se alimentarem dos frutos
(Siqueira-Filho, 2003). Essa dispersão das sementes, gerando novas mudas no dossel,
garante a criação de novos nichos nos quais esses animais irão se alimentar.
De fato, a interação entre bromélias e a biodiversidade das áreas de Mata são um dos
melhores indicadores da condição de conservação do bioma. Diversas espécies animais,
que dependem da água nos seus estádios iniciais de desenvolvimento, utilizam os
microambientes formados pelo acúmulo de água e detritos nos tanques das bromélias
como fonte de alimento e abrigo para a reprodução. A disponibilidade de água, essencial
para a fauna, é um recurso que varia muito sazonalmente em ambiente aberto. No
entanto, a água que se encontra depositada nessas plantas, apesar de também variar ao
longo das estações do ano, funcionam como reservas estratégicas para parte da fauna
nos meses mais secos. Consequentemente, os tanques das bromélias acabam atraindo
predadores obrigatórios ou ocasionais, em busca de alimento, devido ao acúmulo de
organismos.
Tendo em vista a ampla distribuição das bromélias no bioma da Mata Atlântica, o estudo
das relações e diversidade entre animais e plantas permite desvendar aspectos
relacionados a características microambientais. De fato, as bromélias, são um dos
melhores exemplos para exemplificar a interdependência entre os diversos parceiros
dentro de um bioma complexo como a Mata Atlântica. Estudos que visam aprofundar
esses aspectos, são uma importante ferramenta para a compreensão da diversidade
biológica dos remanescentes florestais de Mata Atlântica e colaborar para o delineamento
de estratégias eficientes de conservação dessas áreas.
Em 2010, um estudo feito na EET (Albertin et al., 2010) levantou os principais grupos
animais que usufruem das bromélias. Foram registrados 10 representantes da
herpetofauna (9 anuros e 1 lagarto) ocupando duas espécies de bromélias: Portea
leptantha e Hohenbergia hamageana . Estas espécies de animais foram agrupadas em dois
grandes grupos, os bromelícolas eventuais ( Dendropsophus elegans , Boana albomarginata ,
Scinax eurydice , S. x-signatus , Elachistocleis cesarii e Phyllopezus lutzae ) e os bromelícolas
habituais ( Pristimantis ramagii , Dendropsophus decipiens , Scinax auratus e S. pachycrus ).
Parte desse registro foi feito na estação seca, demonstrando mais uma vez que nesta
estação as bromélias representam uma importante fonte de água para parte da fauna
que habita as áreas de Matas.
50
Alguns grupos de animais parecem ter desenvolvido estratégias para se alimentar e
desenvolver associada a diferentes grupos botânicos. Em 2008, um estudo feito
correlacionando as espécies de gafanhoto que ocorrem na EET evidenciou que, das 26
espécies identificadas, houve uma diferença bastante significativa no número de
indivíduos de cada espécie ao se comparar a estação chuvosa e na estação seca. Algumas
espécies de Romaleidae só podem ser encontradas no campo após as primeiras chuvas
do ano, principalmente por estarem sujeitas à diapausa (dormência espontânea do
desenvolvimento, ocasionada por condições ambientais desfavoráveis) o que afeta o
número de gerações de cada espécie ao longo das estações e dos anos. Conforme
ressaltado por esses autores, existe uma estreita relação ecológica entre as espécies de
gafanhotos encontrados na EET e tipos de vegetação ambiental. As espécies encontradas
foram agrupadas em 7 grupos, conforme o tipo de vegetação. A vegetação do Tipo 1 é
constituída basicamente por plantas frutíferas e ornamentais; Tipo 2 é composta por
milho, feijão, mandioca, cana-de-açúcar e gramíneas, em áreas mais ou menos restritas à
estação. A vegetação do Tipo 3 foi submetida a algum grau de influência humana,
geralmente na forma de alterações periódicas. A vegetação Tipo 4 consiste principalmente
em “aguapé”. A vegetação Tipo 5 consiste principalmente de Gramíneas e Ciperáceas. A
vegetação do Tipo 6 é extremamente diversificada (arbustos nativos da floresta em
recuperação e herbáceas, plantas constituídas por Compositae e Poaceae) e a Tipo 7, que
corresponde a vegetação do interior da floresta, composta por plantas herbáceas,
arbustos e árvores (Almeida & Câmara, 2008).
Podemos partir da premissa de que, para desacelerar a perda de diversidade genética,
será necessário um investimento tanto na conservação como na gestão. Devemos
identificar os principais impulsionadores das mudanças e, buscar como esses fatores
alteram a floresta tropical. O conjunto dessa informação é a base para o delineamento de
estratégias eficientes e que impactam na redução da perda da diversidade.
Braço do açude do Tapacurá, que separa a Mata do Camucim da Mata do Alto da Buchada.
Foto: Moura, G. J . B.
51
Para entender a floresta e o papel da flora no suporte à fauna é importante conhecer os
diferentes extratos. Cada camada do estrato florestal tem suas particularidades. Algumas
das árvores e lianas mais altas produzem flores e frutos no topo da copa da floresta. Essas
espécies, onde o ar se move sem restrições pela vegetação, depende, em sua maioria, do
vento para a dispersão do pólen de flor em flor, bem como para a propagação de frutos e
sementes longe da planta-matriz. Samambaias, musgos e outras plantas, localizadas nos
estratos inferiores, também exploram o vento para transportar seus diminutos esporos.
Contudo, no sub-bosque, muitas plantas com flores dependem de animais para
desempenhar estas funções de dispersores. Eles são tão dependentes dos animais para o
sucesso reprodutivo quanto os animais dependem deles para se alimentar - um exemplo
da dependência mútua entre plantas e animais está a sapucaia ( Lecythis pisonis Cambess)
cujas sementes são dispersas por primatas e morcegos e as epífitas das árvores, como as
bromélias que desempenham um papel fundamental na criação de microhabitats na Mata
Atlântica. Elas acumulam água em suas folhas, formando pequenos reservatórios que são
essenciais para a sobrevivência de diversas espécies de anfíbios, insetos e outros
invertebrados. Esses microhabitats são especialmente importantes durante as estações
secas, proporcionando abrigo e umidade para a fauna local (Benzing, 2000).
A Floresta é a grande casa da fauna na Mata Atlântica
Conforme a faixa de altura das árvores que compõem a mata, pode ser separado em
estratos, indo da vegetação ao nível do solo até as árvores acima do dossel. Todos esses
estratos coabitam, permitindo uma ocupação inteligente e cooperação entre as espécies
vegetais e, tem importante função ecológica, servindo de abrigo, local de reprodução e
alimentação para as mais diversas espécies da fauna na Mata Atlântica. Desta forma, cada
espécie de arbórea tem sua classificação sucessional e características a necessidade de
mais ou menos luz, altura e ciclo de vida. Entender os estratos é fundamental para
entender as necessidades de preservação e recuperação da floresta e,
consequentemente, a preservação da fauna que dela depende (Figura 9).
No estrato superior estão árvores emergentes, que buscam o sol pleno.
As árvores no estrato arbóreo médio fazem o dossel da floresta.
No interior da mata, temos o sub-bosque.
A camada arbustiva gosta da sombra do dossel.
52
Figura 9. Existe uma estreita inter-relação entre a flora e a fauna no ambiente das florestas tropicais.
Desta forma, a perda de biodiversidade da flora pode impactar diretamente na biodiversidade da fauna e
vice-versa. Na área impactada, a perda da flora na área do dossel e no sub-bosque pode causar uma
redução na presença de diferentes espécies da fauna local.
A Floresta é a grande casa da fauna na Mata Atlântica
53
Cada parte da floresta contribui de forma própria com a produção de frutos que
sustentam a fauna em seus respectivos estratos. Os frutos, que são consumidos pelas
diferentes espécies da fauna que habitam a área de Tapacurá podem ser tanto secos
como carnosos. Um estudo feito em 2009 indicou que na EET o tipo de fruto que
predominava era o Sub Bosque carnoso seguido por Dossel seco e Dossel carnoso. Esses
tipos de frutos podem servir de alimento para uma grande diversidade de animais. Com
relação às formas de dispersão de sementes (autocoricos - dispersos pela própria planta,
Anemocóricos - Dispersos pelo vento, zoocoria - dispersão por animais), esse mesmo
estudo indicou que os frutos Zoocóricos do Sub Bosque são mais abundantes que os
demais tipos encontrados (Dossel autocórico, Dossel Zoocórico, Dossel anemocóricas etc).
Sendo assim, existe um forte indicativo da inter-relação entre a fauna e os tipos de frutos
encontrados em termos de abundância (Silva & Rodal, 2009).
A Floresta é a grande casa da fauna na Mata Atlântica
Muitas árvores da floresta tropical têm sementes maiores, com reservas que permitem
não depender da luz solar para seu desenvolvimento inicial. Devido a seu tamanho, a
dispersão das sementes depende de uma variedade de animais que desempenham esta
função. Sendo assim, essas espécies vegetais desenvolveram adaptações para encorajá-
las a fazê-lo. Como exemplo, os morcegos frugívoros ( Carollia perspicillata , Pygoderma
bilabiatum e Artibeus lituratus ) têm papel relevante na dispersão de sementes na Mata
Atlântica. Em geral, os indivíduos dessas espécies ao levar uma fruta para outro poleiro
deixam cair a semente após a polpa ser consumida. O solo sob as árvores usadas pelos
morcegos frugívoros como poleiro é geralmente repleto de mudas de árvores carnudas e
frutíferas.
É importante que as sementes sejam espalhadas longe das plantas-matrizes, tanto para
permitir que as mudas escapem da competição com as próprias matrizes como para
expandir a distribuição da espécie. Outra capacidade importante para a sobrevivência das
sementes, particularmente na diversificada comunidade da floresta tropical, envolve a
evasão dos predadores de sementes. Muitos besouros e outros insetos diferentes são
especializados para se alimentar de determinados tipos de sementes. As sementes
concentradas abaixo de uma planta-mãe são fáceis de serem localizadas pelos
predadores de sementes. As sementes que são levadas para áreas ocupadas por
diferentes espécies de plantas – e diferentes predadores de sementes – têm maior
probabilidade de sobreviver.
54
A Floresta é a grande casa da fauna na Mata Atlântica
Sendo assim, a vasta fauna que reside nesse ambiente, é responsável pelo importante
serviço ecossistêmico de manutenção da flora ao dispersar as sementes. As aves de
tamanhos diferentes são naturalmente atraídas por frutos carnudos ou de escamas cujos
caules de espessura e resistência adequadas favorecem o pouso. Os mamíferos terrestres
também ajudam a dispersar as sementes. Neste caso, as espécies propagadas são, em
muitos casos, a caulifloria. Estas plantas apresentam flores e frutos que se desenvolvem
nos troncos das árvores, que são acessíveis a animais incapazes de escalar ou voar. Uma
espécie muito conhecida é a jabuticabeira, Plinia cauliflora (Mart.) Kausel, que é muito
apreciada por capivaras, porcos do mato, cutias, quatis, macacos e insetos.
Em outros casos, os frutos são cultivados na copa, mas caem à medida que amadurecem,
abrindo-se apenas depois de caírem para atrair animais terrestres que os levarão para
longe da árvore matriz.
Muitos outros animais, desde formigas até macacos, estão envolvidos na dispersão de
sementes. Os esquilos também são importantes dispersores de sementes em partes da
América do Sul. O Caxinguelê, conhecido também como Serelepe ( Guerlinguetus alphonsei ),
é um importante dispersor de sementes na Mata Atlântica. Ele costuma enterrar as
sementes para depois comê-las, mas, costuma esquecer onde as enterrou. Essas
sementes germinam dando origem a novas árvores. Desta forma, a diversificada
comunidade vegetal é acompanhada por uma comunidade animal igualmente diversa em
interdependência.
Além de dispersar sementes, os animais são vitais para a reprodução da floresta tropical
através da polinização das flores. Muitos insetos, como abelhas, mariposas, moscas e
besouros, bem como pássaros e morcegos, realizam essa atividade. Aves como os beija-
flores da América do Sul e Central e os pica-paus da Ásia têm adaptações que lhes
permitem saborear o néctar das flores. No processo, inadvertidamente ficam polvilhadas
com pólen, que posteriormente transportam para outras flores, polinizando-as. As plantas
envolvidas também apresentam adaptações especiais na estrutura e cor das flores. A
maioria das flores polinizadas por pássaros são vermelhas, uma cor altamente visível para
esses animais, enquanto as flores polinizadas por mariposas que voam à noite são
brancas ou rosa, e as polinizadas por insetos que voam durante o dia são geralmente
amarelas ou laranja. Os morcegos são importantes polinizadores de certas flores claras e
perfumadas que se abrem à noite nas florestas tropicais asiáticas (veja também a barra
lateral: Flores que amam os morcegos).
55
Os cientistas são quase unânimes em afirmar que os trópicos serão os primeiros e os que
mais sofrerão devido às alterações climáticas, embora a magnitude das alterações
projetadas, bem como as tendências climáticas passadas, seja moderada em comparação
com outras partes do mundo. As razões, embora complexas, incluem as más condições
económicas da maioria da população, uma maior dependência dos recursos naturais e
dos serviços ecossistêmicos e intervalos de temperatura relativamente estreitos. A
projeção das alterações climáticas para os trópicos indica um aumento da temperatura de
0,4–1 °C, 0,8–3,2 °C e 1,2–6 °C até 2020, 2050 e 2100, respetivamente, em comparação
com o período de referência (1961–1990). É provável que a concentração atmosférica de
dióxido de carbono atinja 550–800 ppm, em relação ao nível atual de 400 ppm, até ao final
deste século. A mudança associada ao clima nunca foi suave e provavelmente será
expressa em termos de aumento de incertezas e extremos climáticos. O número de ondas
de calor testemunhadas durante os últimos 25 anos (1990–2015) nos trópicos excedeu em
comparação com os 70 anos anteriores. Da mesma forma, o número de eventos extremos
de precipitação, bem como de secas, também aumentou no passado recente. É provável
que estas mudanças tenham impacto nos recursos naturais, nas sociedades e na sua
interdependência (Nath et al., 2019).
As discussões sobre mudanças climáticas e suas influências nos ecossistemas florestais
tropicais vêm sendo discutidos há várias décadas. As florestas tropicais são grandes
reservas de carbono que dão suporte às necessidades de suporte de vida. O
desmatamento massivo vem impactando nas condições globais do clima, devido ao
aumento do dióxido de carbono, o aumento da temperatura e a deposição de azoto na
estrutura e dinâmica das florestas.
As florestas tropicais podem ser particularmente susceptíveis às alterações climáticas.
Alterações na temperatura, pluviosidade afetam diretamente os acontecimentos
fenológicos (floração e a frutificação), que estão intimamente ligados à sazonalidade.
Assim, uma pequena mudança no clima pode ter um grande impacto na floresta, na sua
diversidade biológica e no seu papel no ciclo do carbono.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SEUS EFEITOS SOBRE A
FLORAÇÃO E FRUTIFICAÇÃO
56
Estas mudanças, afetando a floração e a frutificação, causam, consequentemente, uma
alteração dos recursos disponíveis para dar suporte à fauna. Um efeito em cascata, devido
às interações evolucionárias entre esses grupos (animais e vegetação), irá afetar a
dispersão de sementes. A polinização, devido ao seu alto grau de especialização, também
sofrerá alterações significativas visto que apenas certos animais podem efetuar essas
atividades para determinadas espécies, interferindo nessas estreitas interações co-
evolutivas. Devido à elevada diversidade por unidade de área, as espécies da floresta
tropical devem ter nichos estreitos. Assim, as mudanças no clima global podem eliminar
espécies e, portanto, reduzir a diversidade biológica. A possível extinção de alguns grupos
de animais (principalmente os frugívoros), ocasionado pela mudança do clima e da
disponibilidade de alimentos e de ambiente adequado para sua existência, compromete a
absorção de dióxido de carbono atmosférico pelas florestas (Bazzaz, 1990).
Os trópicos, sendo particularmente vulneráveis às mudanças climáticas, enfrentarão
impactos significativos nas suas florestas e ecossistemas associados. A previsão de
aumento da temperatura média global e elevação das concentrações atmosféricas de
dióxido de carbono resultará em alterações fenológicas, afetando diretamente a floração
e frutificação das plantas. Este fenômeno pode ter efeitos em cascata, impactando a
fauna, a polinização e a dispersão de sementes, além de potencialmente reduzir a
biodiversidade (Bazzaz, 1990; Nath et al., 2019).
Estudos recentes indicam que as mudanças climáticas estão resultando em atrasos na
floração e frutificação de espécies tropicais como Miconia quinquedentata , Pleroma
clavatum e P. trichopodum , conforme análise de dados fenológicos coletados de herbários
entre 1920 e 2018 (Lima et al., 2021). Essas variações fenológicas demonstram a
sensibilidade das espécies tropicais às condições climáticas variáveis e sublinham a
necessidade de monitoramento contínuo em áreas chave para a biodiversidade, como a
Estação Ecológica de Tapacurá. Tais estudos são essenciais para entender os impactos das
mudanças climáticas e para a formulação de estratégias de mitigação eficazes em áreas
de biodiversidade crítica (KBA - Key Biodiversity Areas).
O acompanhamento regular da ocorrência das espécies na área de Tapacurá, tanto da
fauna como da flora, é essencial para entender como as mudanças climáticas vêm
afetando a nossa biodiversidade. Esse conjunto de informações permite correlacionar o
declínio de alguma espécie animal com o declínio de um grupo de plantas que servem de
alimentação e abrigo.
Mudanças climáticas e seus efeitos sobre a floração e frutificação
57
Mudanças nos eventos fenológicos foram amplamente documentadas em face das
recentes mudanças climáticas globais. No entanto, as respostas das espécies tropicais
ainda são pouco compreendidas, provavelmente devido a um melhor registro fenológicos
de longo prazo nas florestas tropicais. Apesar disso, a utilização de dados disponíveis em
herbárioscoletados entre 1920 e 2018 e analisados com estatística circular indicaram que
os efeitos da faixa de temperatura, temperatura média, precipitação e fotoperíodo na
floração e frutificação ocasionaram, por exemplo, atrasos na floração de Miconia
quinquedentata , Pleroma clavatum e P . trichopodum , e na frutificação de M . acutiflora , P .
clavatum e P . trichopodum . Segundo os pesquisadores, a ocorrência de floração e
frutificação sofreu influência das condições climáticas locais nos meses anteriores às
coletas. Essas variações fenológicas foram evidentes ao longo das décadas (Lima et al.,
2021).
Desta forma, o acompanhamento constante da biodiversidade em uma área de extrema
relevância para a preservação de diversas espécies, como a Estação Ecológica do
Tapacurá, pode evidenciar tendências mundiais de declínio ocasionadas pelas mudanças
climáticas. Esses estudos também podem auxiliar na tomada de decisões quanto às
medidas de mitigação e, servir como um termômetro da eficiência dessas ações sobre
importantes KBA (Key Biodiversity Areas) em regiões tropicais.
Mudanças climáticas e seus efeitos sobre a floração e frutificação
Açude da Barragem do Tapacurá vista da borda da Mata do Camucim.
Foto: Moura, G. J . B.
58
Referências
59
Para acessar todas as referências consultadas para a elaboração deste capítulo,
escaneie o QR Code abaixo.
E S T A Ç Ã O E C O L Ó G I C A
D O T A P A C U R Á :
Gradiente borda-centro e estacionalidade sobre
parâmetros abióticos, heterogeneidade ambiental,
florísticos e estruturais da floresta
Mata do Camucim, Estação Ecológica do Tapacurá
Foto: Siqueira, J. V. C.
GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA
A Mata Atlântica é considerada um dos biomas de maior biodiversidade do mundo, por
apresentar alta incidência de endemismo e grande riqueza de espécies (Pedroso-Santos et
al., 2024). No início do século XVI, este bioma ocupava cerca de 12% do território nacional,
estendendo-se principalmente pela área costeira do Brasil, além do Paraguai e Argentina,
daí a origem do nome (Rodrigues, 2005). Atualmente, ocupa aproximadamente 5% de sua
área original, sendo classificada como um dos biomas mais ameaçados do planeta
(MAPBIOMAS, 2024).
No Nordeste do Brasil, a situação não é diferente. Nesta região, a Mata Atlântica encontra-
se reduzida a 3% de sua área original (CN-RBMA, 2024), sendo composta por fragmentos
desconectados que se distribuem desde a Bahia até o Ceará (CN-RBMA, 2024). Tal redução
e fragmentação progressiva dos ecossistemas naturais causaram drásticos prejuízos à
fauna e à flora nordestinas, incluindo desde o desaparecimento de espécies, até
alterações na dinâmica das populações (Carvalho et al., 2022).
Dentre os Estados nordestinos, o de Pernambuco destaca-se por apresentar 148 Unidades
de Conservação em âmbito federal ( 22 UCs ), estadual ( 91 UCs ) e municipal ( 35 UCs ); das
quais aproximadamente 80% ocorre em áreas do bioma Mata Atlântica, com fragmentos
médios de 130 ha , totalizando cerca de 7.953 ha protegidos de Mata Atlântica no estado
(Plataforma Ecológico-Econômica de Pernambuco, 2025). Apesar desse número
significativo, pouco se conhece a respeito dessas áreas, principalmente aquelas
localizadas na Zona da Mata do Estado (Santos, 2001; Moura et al., 2012; Moura, 2018).
Nas últimas décadas, a comunidade científica tem intensificado pesquisas no bioma Mata
Atlântica, objetivando compreender aspectos ecológicos da biota presente, pois com a
redução deste bioma, muitas espécies podem ter sido extintas antes de serem conhecidas
pela ciência (Marques & Sazima, 2004; Moura et al., 2012; Moura et al., 2018).
O presente capítulo corresponde a um estudo
investigativo sobre o efeito do gradiente borda-
centro e da estacionalidade sobre parâmetros
abióticos, heterogeneidade ambiental, florísticos e
estruturais de dois fragmentos florestais da Estação
Ecológica do Tapacurá.
Estação Ecológica do Tapacurá
Introdução
63
Estação Ecológica do Tapacurá
Segundo Pinto & Fernandes (2020), é de senso comum a demanda urgente de
conhecimentos zoológicos e ecológicos que orientem as políticas públicas de conservação
ambiental no Brasil. Nesse sentido, este estudo oferece dados ecológicos que
possibilitam conhecer um pouco mais a estruturação e estacionalidade em ambientes
de Mata Atlântica, como também poderá contribuir com informações relevantes para a
tomada de decisões que visem tanto à conservação e o manejo adequado das
comunidades bem como do remanescente (Young et al., 2001; Colli et al., 2003), em
especial, os inseridos no Centro de Endemismo Pernambuco, que se destaca na região
Nordeste pela expressiva extensão e diversidade da fauna e flora conhecida (Tabarelli et
al., 2005; Moura et al., 2011).
Diante do acentuado grau de fragmentação da Mata Atlântica nordestina e das
transformações antrópicas que afetam drasticamente a integridade ecológica dos
remanescentes, torna-se urgente compreender os fatores que moldam a estrutura e a
dinâmica desses ecossistemas. Em particular, o Estado de Pernambuco, inserido no Centro
de Endemismo Pernambuco, abriga áreas de significativa biodiversidade, mas ainda
carece de estudos detalhados sobre os padrões de variação espacial e temporal da
vegetação e dos componentes abióticos. A Estação Ecológica do Tapacurá, apesar de sua
importância ecológica e estratégica para a conservação da flora e fauna regionais,
permanece subexplorada quanto à influência de gradientes ecológ icos internos , como
borda-centro, e à resposta de seus parâmetros ambientais à sazon alidade. Desta f orma,
tendendo recomendações de Moura et al., 2012 e Moura, 201 8 re ferent es a gestão d a
Biodiversidade na Estação Ecológica do Tapacurá este traba lho objetivo u r egistrar as
variações dos parâmetros abióticos, heterogeneidad e ambie ntal, florí stica e
estruturais em dois fragmentos florestais da es tação, e t estar se e sse s aspectos
variam em relação à estacionalidade e ao gradie nte bo rda- centr o .
64
As coletas in loco para este estudo foram
realizadas em dois fragmentos da Estação
Ecológica do Tapacurá, a Mata do Camucim
e a Mata do Alto da Buchada (Figura 1),
conforme autorização do IBAMA/ICMBio-RAN
(Proceso nº 088/07).
Estação Ecológica do Tapacurá
Área de estudo
Referente à temperatura, mostrou-se inversamente proporcional à precipitação, com pico
máximo em dezembro de 2007 (taxa mínima de precipitação e déficit hídrico extremo) e
mínim o em agosto de 2008 (taxa máxima de precipitação); enquanto a umidade relativa
do a r e a profundid ade dos corpos d’água mostraram-se concomitantes à precipitação,
c om picos de umidade próximos aos valores máximos de precipitação e mínimos de
temperatur a. Os copos d’ água alcançaram profundidade máxima cinco meses após o
déficit hídr i co zer ar, entre j ulho e agosto dos dois anos de amostragem (2007 e 2008),
período e m qu e também fora m registrados os maiores volumes de precipitação e os
m aiores val or es de défic it híd rico posi tivo.
Ao decorrer dos vinte meses de amostragem (maio de 2007 a dezembro de 2008),
observou-se um déficit hídrico entre os meses de outubro de 2007 e março de 2008, com
pico máximo em dezembro de 2007 (-3.86 mm/dia), caracterizando o período seco, que
ocorre historicamente entre setembro e fevereiro na macrorregião estudada. Os demais
meses representam o período chuvoso, com precipitação máxima registrada em junho de
2007 (5.391,09 mm) e em agosto de 2008 (5.326,34 mm).
Aspectos referentes à localização
espacial e à caracterização geral
da fauna dos fragmentos aqui
apresentados poderão ser
encontrados nos demais
capítulos deste livro.
65
Material e Métodos
Assim sendo, foram registrados nas quatro linhas de transectos (L1/T1, L2/T2, L3/T3,
L4/T4), cada uma composta por sete parcelas equidistantes de 20 x 20m (Figuras 1 e 2), as
variáveis estruturadoras do habitat em ambas as estações (chuvosa e seca), conforme
metodologias adaptadas de Giraldelli (2007), Moura (2010), Fonseca et al. (2017) e Lira et
al. (2020).
A caracterização das variações abióticas, topográficas e estruturais, seja dos corpos
d’água ou dos transectos e parcelas distribuidos ao longo do gradiente borda-centro,
permite inferir como a heterogeneidade ambiental se comporta em função desse
gradiente. Assim como, possibilita de forma extrapolável, identificar os reais parâmetros
ambientais que influenciam a distribuição de alguns grupos faunísticos na EET, com seus
respectivos graus de importância.
Caracterização abiótica, topográfica e fitossociológica dos corpos d’água e das linhas
de transectos e parcelas inseridas ao longo do gradiente borda-centro
Metodologia
1
66
Figura 1. Fotografia aérea da EET, evidenciando as linhas (L1, L2, L3, L4), constituídas por 7 “parcelas” (1, 2, 3,
4, 5, 6, 7); além das trilhas percorridas (T1, T2, T3 e T4) e os corpos de água estudados (CA1, CA2 e CA3)
(Fonte: Google Earth, 2025).
1
2
3
4
5
6
7
Figura 2. A. Arquitetura das linhas e parcelas
dispostas nos fragmentos Mata do Camucim e
Mata Alto da Buchada na EET, remanescentes de
Mata Atlântica, Nordeste do Brasil (Legenda: P =
parcela). B. Veículo utilizado para o
monitoramento das quatro linhas e 28 parcelas
de amostragens supracitadas, registro em
26/05/2007 na Mata do Alto da Buchada com
três pesquisadores da equipe, Geraldo Jorge
Barbosa de Moura (no volante), Edson Victor
Euclides de Andrade (em pé) e Sávio Mendonça
(no banco de trás).
Estação Ecológica do Tapacurá
B
A
67
Parâmetros bióticos e abióticos
Área (m²): Registrada através da
aplicação da fórmula para cálculo da
área de uma circunferência para os
corpos d’água (Área dos corpos d’água
= raio²) e de um quadrado para as
parcelas dos transectos (Área das
parcelas = lado x comprimento).
Coordenadas geográficas: Registradas
com auxílio de um GPS, marca Garmin
Etrex Vista Hcx.
2
1
Altitude (m): Registradas com auxílio de
um GPS, marca Garmin Etrex Vista Hcx.
Distância da borda, tomando como
referencial o lago Tapacurá (m):
Registrada com auxílio de trena
milimetrada.
4
3
Número de rochas: Contagem direta.
Inclinação do terreno / declividade
(graus): Registrado através de bússola,
marca Adventure Meeting .
6
5
Proximidade da água (m): Registrada
com auxílio de trena milimetrada.
Grau de cobertura do dossel (%):
Registro feito através de uma armação
quadrada de PVC de 0.25m de lado, cuja
área interna foi dividida por fios de
nylon distantes 2,5cm entre si,
preenchendo a área interna do
quadrado com 100 parcelas idênticas, as
quais indicaram, em nível percentual, o
nível de abertura (áreas não
sombreadas) ou cobertura (áreas
sombreadas) do dossel (Figura 3).
8
7
Figura 3. Armação de PVC utilizada na medição
do grau de cobertura do dossel na EET As áreas
não sombreadas (em destaque) representam o
grau de abertura do dossel.
68
Espessura média do folhiço (cm):
Registro com auxílio de um paquímetro
marca Marberg com precisão de 0,05
mm.
Altura máxima aproximada da
vegetação (m): Registrada com auxílio de
trena milimetrada, marca Magellan.
10
9
Altura do sub-bosque (cm): Registrada
com auxílio de fita milimetrada, marca
Magellan e classificada em baixa (1,0-
1,5m), média-baixa (1,5-2,0m), média-
alta (2,0-2,5m) e alta (2,5-3,0m).
Densidade do sub-bosque (m²):
Contagem direta dos indivíduos vegetais
com altura máxima de 3m.
12
Número de árvores (diâmetro acima de
3cm): Contagem direta.
DAP (diâmetro a altura do peito) médio
das árvores vivas e mortas: Registrada
com auxílio de fita milimetrada.
14
13
Presença de gramíneas: Contagem
direta.
Altura das gramíneas: Registrada com
auxílio de fita milimetrada.
16 15
11
Presença de bromeliaceae arbóreas ou
terrestres: Contagem direta. Presença de Agavaceae: Contagem
direta.
18
17
Presença de lianas: Contagem direta. Presença de cipós: Contagem direta.
20 19
69
Famílias vegetais presentes: Registro
através de material testemunho,
identificado por especialistas no
Herbário da UFRPE.
Espécie(s) e Família(as) vegetal(is)
predominante(s): Observação e
contagem direta.
22
21
Número de espécie(s) em floração:
Contagem direta.
Número de espécie(s) em frutificação:
Contagem direta.
24
Presença de musgos: Contagem direta. Presença de fungos: Contagem direta.
26
25
Presença de líquens: Contagem direta. Número de moitas/extensão: Contagem
direta.
28 27
23
Número de raízes tabulares: Contagem
direta.
Presença de troncos no chão com
diâmetro superior a 10 cm: Contagem
direta.
30
29
Número de formigueiros: Contagem
direta.
Número de cupinzeiros: Contagem
direta.
32 31
70
No que se refere especificamente aos parâmetros 15, 18 a 20 e 25 a 32 mencionados, seus
registros foram categorizados conforme frequência de ocorrência, a saber: raro (< 25%),
pouco frequente (25% – 50%), frequente (50% – 75%) e muito frequente (> 75%). Essa
categorização teve como objetivo atender às exigências das análises estatísticas
apresentadas posteriormente. Os mesmos parâmetros também foram registrados nos
corpos d’água analisados (CA1, CA2 e CA3), quando pertinentes.
Análise e Tratamento dos dados
2
Com auxílio do Teste t Student (α), foi testada a existência de diferenças significativas nas
variáveis abióticas, topográficas e estruturais registradas nas 28 parcelas (Tabela I-VIII;
Apêndice) considerando-se as estações seca e chuvosa, bem como a posição das parcelas
em relação ao gradiente borda-centro dos fragmentos analisados. As análises foram
realizadas por meio do software Statistica , versão 8.0, e os valores foram considerados
significativamente diferentes quando p < 0,05.
Para fins de caracterização das linhas de transecto, adotou-se o somatório dos valores das
sete parcelas de cada linha para os seguintes parâmetros: número de rochas, número de
árvores, espécies em floração, espécies em frutificação, presença de moitas, raízes
tabulares, formigueiros e cupinzeiros. Os demais parâmetros foram representados pelas
médias das sete parcelas de cada linha.
Para testar a existência de diferenças significativas no índice de complexidade e
heterogeneidade ambiental entre os quatro transectos/linhas, entre as parcelas de cada
linha e entre as 28 parcelas nas estações secas e chuvosas, foi aplicada análise de
variância (ANOVA), com auxílio do software SPSS, versão 13.0. Foram consideradas
significativas as diferenças com p < 0,05.
Conforme metodologia adaptada de Lopes & Storck (1998), o grau de complexidade e
heterogeneidade ambiental dos quatro transectos/linhas e das 28 parcelas, foi calculado
com base no somatório dos valores absolutos dos 28 parâmetros ambientais registrados
em ambas as estações. A diferença entre os valores extremos foi dividida em três partes
iguais. As partes foram, então, classificadas quanto à heterogeneidade ambiental da
seguinte forma: baixa (1º terço), média (2º terço) e alta (3º terço da variação total) (Lopes e
Storck, 1998).
71
Quando possível as variáveis não testadas (estatística descritiva) e os resultados dos testes
supracitados foram plotados graficamente para melhor análise do padrão de variação das
respostas analisadas.
Caracterização das variáveis ambientais nos três corpos d’água analisados e o efeito
da estacionalidade sobre esses parâmetros
Resultados e Discussão
1
Corpo d'água 1 (CA1): Ambiente temporário lêntico, localizado na borda Oeste da Mata
do Alto da Buchada, com área máxima aproximada de 250m2, quando com volume
máximo (julho – agosto 2008) (08o02’22”S / 35o11’50”W). A maior parte da área ocupada
pela poça encontra-se coberta por gramíneas eretas, enquanto uma porção de
aproximadamente 16m2, quando com capacidade máxima, apresenta a lâmina d’água
exposta; na área emersa pode-se constatar um complexo entrelaçado formado pelas
hastes das gramíneas submersas em toda a extensão do corpo d’água.
O solo da área ocupada pelo corpo d’água é classificado como humífero, segundo
classificação proposta pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (2024), com
presença de muitos troncos, ga lhos e folhas em decomposição. A água é bastante turva
devido à presença de filossilicatos carreados pela água das chuvas. Em seu entorno foi
registrada a presença de vegetais pertencentes às famílias (em ordem de abundância):
Cesalpiniaceae, Moraceae, Rubiaceae, Melastomataceae, Piperaceae, Poaceae, Agavaceae,
Araceae, Leguminosae, Bromeliaceae e Cactaceae.
Na borda Sul voltada para a trilha que permite o acesso ao corpo d'água, é perceptível a
ausência de vegetação arbórea, sendo constituída apenas por gramíneas, com altura
média de 30cm. E nas extremidades observa-se a presença de duas árvores que projetam
suas copas, sombreando metade da borda sul. As bordas Norte e Oeste apresentam-se
circundadas por vegetação fechada, sendo constituídas por vegetação emergente e
marginal com altura média de 40cm, além da presença de árvores cujas copas se
projetam em direção à lâmina d’água, em busca de luminosidade. A borda leste também é
envolvida por vegetação fechada, contudo, as copas das árvores não se projetam sobre o
espelho d’água, e essa margem apresenta-se quase desprovida de vegetação emergente e
marginal.
72
Estação Ecológica do Tapacurá
Figura 4. Corpo d’água 1 - CA1 (08º02’22”S / 35º11’50”W), localizada na Mata do Alto da Buchada. A. Estação
chuvosa, com volume máximo (01/08/2008) e B : Estação seca (29/12/08).
No centro do CA1, foram encontrados muitos troncos parcialmente emersos,
provenientes da queda natural de copas arbóreas, além de uma abundante vegetação
emergente e presença de gramíneas eretas. Quanto ao período de existência desse corpo
d’água, observou-se, em ambos os anos de amostragem, o início do acúmulo de água no
mês de março (primeiro mês da estação chuvosa), com profundidade máxima registrada
entre julho e agosto (115 cm), secando completamente ao final de dezembro (meio da
estação seca) (Figura 4). Vale destacar que a caracterização apresentada está em
conformidade com a descrição de Santos (2001), referente ao mesmo corpo d’água
analisado no período de 1999 a 2000.
A B
Corpo d'água 2 (CA2): Ambiente lótico permanente (córrego), situado na Mata do
Camucim (08º02’21”S / 35º11’54”W), com fluxo no sentido leste-oeste e leito com
aproximadamente 2 metros de largura. O solo é classificado como humífero, conforme o
SiBCS (2024), e a água apresenta-se bastante turva, devido à presença de areia e
filossilicatos carreados pela correnteza, com velocidade média estimada em 4 m/s. O
córrego limita-se ao norte com a trilha principal de acesso à sede da EET, cujas margens
apresentam elevada concentração de rochas; ao sul, limita-se com mata fechada, da qual
partem árvores que projetam suas copas, recobrindo aproximadamente metade da
lâmina d’água. Não foram observadas vegetações emergentes nem espécies aquáticas
flutuantes. Em seu entorno, foram identificadas espécies vegetais pertencentes às
seguintes famílias, em ordem de abundância: Leguminosae, Melastomataceae,
Piperaceae, Poaceae, Araceae, Cesalpiniaceae, Agavaceae e Bromeliaceae. Não foram
detectadas variações na heterogeneidade ambiental entre as estações seca e chuvosa,
sendo a profundidade média do corpo d’água constante, em torno de 160 cm (Figura 5).
73
501
Estação Ecológica do Tapacurá
74
Figura 5. Corpo d’água 2 – CA2
(08º02’21”S / 35º11’54”W), localizada na
Mata do Camucim (01/08/2008).
Corpo d'água 3 (CA3): Localizado no centro da Mata do Alto da Buchada (08º02’13’’S /
35º12’01’’W), tangenciando uma trilha que corta transversalmente o fragmento, e possui
uma área aproximada de 150m². A lâmina d’água mostrou-se praticamente exposta,
embora sejam encontradas em baixa frequência gramíneas eretas; na área emersa pode-
se constatar um complexo entrelaçado formado pelas hastes das gramíneas submersas
em toda a extensão do corpo d’água.
O solo é do tipo humífero, apresenta acúmulo de folhas, troncos e galhos em
decomposição. A água é bastante turva devido à presença de filossilicatos carreados pela
água das chuvas. Em seu entorno registrou-se a presença de vegetais pertencentes às
seguintes famílias (em ordem de abundância): Moraceae, Leguminosaceae,
Melastomataceae, Piperaceae, Poacea, Agavaceae e Araceae. A Borda Norte limita-se com
uma trilha, embora esteja bem protegida por arbustos e árvores que cobrem
parcialmente a lâmina d’água; as demais bordas ficam circundadas pela mata fechada,
sendo as bordas Leste e Oeste constituídas por árvores que projetam suas copas de
forma a cobrir totalmente essas laterais, estendendo-se até ao centro do corpo d’água;
enquanto que a borda Sul é circundada inicialmente por arbustos de pequeno porte
(altura média de 40cm), estando às primeiras árvores afastadas aproximadamente 3m da
borda. O centro do corpo d’água apresenta-se desprovido de vegetação, com a lâmina
d’água inteiramente exposta. Nos dois anos de amostragem, a água começou a se
acumular no início do mês de abril (segundo mês da estação chuvosa), atingindo
profundidade máxima entre julho e agosto (110 cm) e secando ao final do mês de
dezembro (Figura 6).
501
75
Figura 6. Corpo d’água 3 – CA3 (08º02’13’’S / 35º12’01’’W), localizada na Mata do Alto da Buchada. A. estação
chuvosa (01/08/2008) e B. estação seca (29/12/08).
A B
Ao comparar os três corpos d’água, observa-se que o CA1 se destaca por apresentar maior
complexidade física e heterogeneidade ambiental, favorecendo o estabelecimento de uma
comunidade biótica mais diversificada e estável em relação ao CA2 e CA3. Estes últimos
apresentaram menor heterogeneidade ambiental, ou seja, menor variedade de recursos
disponíveis, o que sugere uma possível redução na diversidade biológica (Vidal & Cintra,
2006). Estes dados corroboram com Haddad & Prado (2005), os quais afirmam que a
maior heterogeneidade ambiental dos ambientes florestais, em comparação aos
ambientes abertos, pode suportar uma maior riqueza de espécies, por fornecer um maior
número de microambientes adequados à reprodução e ao abrigo da fauna.
Caracterização das variáveis ambientais nos quatro transectos/linhas de parcelas
analisados e o efeito da estacionalidade sobre esses parâmetros
2
Transecto da linha 1 (TL1): Trilha com 500m de extensão (extremo borda: 08º02’39,4’’S /
035º12’05,8’’W; extremo centro: 08º02’43,3’’S / 035º12’05,8’’W), referente à linha 1 de 7
parcelas, localizada perpendicular ao Lago Tapacurá, entre a borda e o centro do
fragmento Mata do Alto da Buchada; as seguintes famílias de vegetais foram registradas
(em ordem de abundância): Caesalpiniaceae, Anacardiaceae, Moraceae, Rubiaceae,
Bombacaceae, Sapindaceae, Leguminosae, Anonaceae, Orchidaceae, Melastomataceae,
Piperaceae, Myrtaceae, Poacea, Urticaceae, Agavaceae, Nyctaginaceae, Araceae, Cactaceae
e Bromeliaceae, destacando a Cesalpinea echinata Lamarck (pau-brasil) e Spondias mombin
L. (cajazeiro) como as espécies mais freqüentes (Tabela I e II; Apêndice).
No que se refere aos parâmetros que não variaram de acordo com a estacionalidade,
pode-se citar: altitude média (142m), número de rochas (870), inclinação do terreno (21º),
altura máxima aproximada da vegetação (14.5m), altura média do sub-bosque (1.5 - 2.0m),
densidade do sub-bosque (28.5%), número de árvores (302), DAP médio das árvores com
diâmetro maior que 3cm (36.5cm), número de famílias vegetais (21), presença média de
bromélias (7.1%), presença média de Agavaceae (78.5%), presença média de lianas (75%),
presença média de cipós (75%), número de moitas (17), número de raízes tabulares (1),
presença média de troncos no chão com diâmetro maior que 10cm (25%), número de
formigueiros (1) e número de cupinzeiros (22) (Tabela I e II; Apêndice).
501
Estação Ecológica do Tapacurá
76
Em relação aos parâmetros ambientais que variaram de acordo com a estacionalidade,
registraram-se nas estações chuvosas as seguintes médias: grau de cobertura do dossel
(81.4%), espessura do folhiço (1.14cm), presença de gramíneas (21.4%), altura das
gramíneas (21cm), número de espécies em floração (7), número de espécie em frutificação
(15), presença de musgos (50%), presença de fungos (60.7%), presença de liquens (75%)
(Tabela I; Apêndice); em relação às estações secas, registraram-se as seguintes médias:
grau de cobertura do dossel (72.8%), espessura do folhiço (3cm), presença de gramíneas
(10.7%), altura das gramíneas (12.8cm), presença de musgos (10.7%) e ausência de fungos,
líquens, espécies em floração e frutificação (Tabela II; Apêndice).Dentre os 28 parâmetros
ambientais registrados, mostraram-se significativamente diferentes em relação à estação
chuvosa e seca os seguintes parâmetros: espessura média do folhiço (α = 0.283 / gl = 12 /
p = 0.0001), presença de gramíneas (α = 0.256 / gl = 12 / p = 0.05) e presença de musgos (α
= 0.296 / gl = 12 / p = 0.0001).
Transecto da linha 2 (TL2): Trilha com 500m de extensão (08º02’26,1’’S / 035º11’52,7’’W a
08º02’21,7’’S / 035º11’49,8’’W), correspondente à linha 2 de parcelas, localizada
perpendicular ao Lago Tapacurá, entre a borda e o centro do fragmento Mata Alto da
Buchada; as seguintes famílias vegetais foram registradas (em ordem de abundância):
Cesalpiniaceae, Moraceae, Myrtaceae, Cecropiaceae, Agavaceae, Melastomataceae,
Cactaceae, Arecaceae, Bignoniacea, Rubiaceae, Poaceae, Bombacaceae, Anacardiacea,
Lythraceae, Sapindaceae, Moraceae, Araceae e Pteridófitas, destacando a Cesalpinea
echinata Lamarck (pau-brasil) como a espécies mais frequentes (Tabela III e IV; Apêndice).
Os parâmetros que não variaram de acordo com a estacionalidade foram: altitude média
(140m), número de rochas (313), inclinação do terreno (4.3º), altura máxima aproximada
da vegetação (16.5m), altura média do sub-bosque (1.5 - 2.0m), densidade do sub-bosque
(67.8%), número de árvores (265), DAP médio das árvores com diâmetro maior que 3cm
(36.7cm), número de famílias vegetais (18), presença média de bromélias (3.5%), presença
média de Agavaceae (46.4%), presença média de lianas (35.7%), presença média de cipós
(25%), número de moitas (4), presença média de troncos no chão com diâmetro maior que
10cm (25%), número de formigueiros (2), número de cupinzeiros (28) e ausência de raízes
tabulares (Tabela III e IV; Apêndice).
Em relação aos parâmetros ambientais que variaram de acordo com a estacionalidade,
registraram-se nas estações chuvosas as seguintes médias: grau de cobertura do dossel
(79.28%), espessura do folhiço (1.7cm), presença de gramíneas (21.4%), altura das
gramíneas (21cm), número de espécies em floração (5), número de espécie em frutificação
(6), presença de musgos (25%), presença de fungos (21.4%), presença de líquens (25%)
(Tabela III; Apêndice); em relação às estações secas, registraram-se as seguintes médias:
grau de cobertura do dossel (62.1%), espessura do folhiço (3cm), presença de gramíneas
(17.8%), altura das gramíneas (21.4cm) e ausência de musgo, fungos, líquens e espécies
em floração e frutificação (Tabela IV; Apêndice). Dentre os 28 parâmetros ambientais
registrados, mostrou-se significativamente diferente em relação à estação chuvosa e seca
apenas a variável espessura média do folhiço (α = 0.302 / gl = 12 / p = 0,0001).
501
Estação Ecológica do Tapacurá
77
Transecto da linha 3 (TL3): Trilha com 500m de extensão (08º02’24,4’’S / 035º11’34,0’’W a
08º02’15,5’’S / 035º11’38,7’’W), correspondente à linha 3 de parcelas, localizada
perpendicular ao Lago Tapacurá, entre a borda e o centro do fragmento “Mata do
Camucim”; as seguintes famílias vegetais foram registradas (em ordem de abundância):
Cesalpiniaceae, Anacardiaceae, Mimosaceae, Secropiaceae, Sapindaceae, Passifloraceae,
Piperaceae, Poaceae, Melastomataceae, Araceae, Orchidaceae, Mimosaceae, Rubiaceae e
Agavaceae, destacando-se Cesalpinea echinata Lamarck (pau-brasil) e Spondias mombin
(cajazeiro) como as espécies mais frequentes (Tabela V e VI; Apêndice).
No que se refere aos parâmetros que não variaram de acordo com a estacionalidade,
pode-se citar: altitude média (201m), número de rochas (291), inclinação do terreno
(13.7º), altura máxima aproximada da vegetação (14.5m), altura média do sub-bosque (1.5
– 2.0m), densidade do sub-bosque (50%), número de árvores (219), DAP médio das
árvores com diâmetro maior que 3cm (37.6cm), número de famílias vegetais (16),
presença média de Agavaceae (35.7%), presença média de lianas (57.1%), presença média
de cipós (64.2%), número de moitas (3), presença média de troncos no chão com diâmetro
maior que 10cm (50%), número de formigueiros (2), número de cupinzeiros (12) e
ausência de bromélias e raízes tabulares (Tabela V e VI; Apêndice).
Em relação aos parâmetros ambientais que variaram de acordo com a estacionalidade,
registraram-se nas estações chuvosas as seguintes médias: grau de cobertura do dossel
(84.2%), espessura do folhiço (1.5cm), presença de gramíneas (35.7%), altura das
gramíneas (22.1cm), número de espécies em floração (6), número de espécie em
frutificação (6), presença de musgos (42.8%), presença de fungos (42.8%), presença de
liquens (89.2%) (Tabela V; Apêndice); em relação às estações secas, registraram-se as
seguintes médias: grau de cobertura do dossel (70%), espessura do folhiço (4cm),
presença de gramíneas (7.14%), altura das gramíneas (11.4cm), presença de musgos
(7.1%), presença de fungos (7.1%) e ausência de líquens e espécies em floração e
frutificação (Tabela VI; Apêndice).
501
Estação Ecológica do Tapacurá
78
Transecto da linha 4 (TL4): Trilha com 500m de extensão (08º02’18,9’’S / 035º11’25,6’’W a
08º02’12,8’’S / 035º11’34’’W), referente à linha 4 de parcelas, localizada perpendicular ao
Lago Tapacurá, entre a borda e o centro do fragmento Mata do Camucim; as seguintes
famílias vegetais foram registradas (em ordem de abundância): Cesalpiniaceae, Poaceae,
Agavaceae, Orchidaceae, Myrtaceae, Poaceae, Melastomatácea, Anacardiaceae,
Heliconiaceae, Piperaceae, Araceae, Arecaceae, Moraceae, Leguminosae, Rubiaceae e
Lythraceae, destacando Cesalpinea echinata Lamarck (pau-brasil) como a espécie mais
frequente (Tabela VII e VIII; Apêndice).
No que se refere aos parâmetros que não variaram de acordo com a sazonalidade, pode-
se citar: altitude média (201m), número de rochas (1243), inclinação média do terreno
(8.2º), altura máxima média aproximada da vegetação (12.1m), altura média do sub-
bosque (1.5 – 2.0m), densidade do sub-bosque (50%), número de árvores (149), DAP
médio das árvores com diâmetro maior que 3cm (72.8cm), número de famílias vegetais
(15), presença média de bromélias (7.1%), presença média de Agavaceae (35.7%), presença
média de lianas (42.8%), presença média de cipós (53.5%), número de moitas (7), presença
média de troncos no chão com diâmetro maior que 10cm (21%), número de formigueiros
(4), número de cupinzeiros (12) e ausência de raízes tabulares (Tabela VII e VIII; Apêndice).
Em relação aos parâmetros ambientais que variaram de acordo com a sazonalidade,
registraram-se nas estações chuvosas as seguintes médias: grau de cobertura do dossel
(78.2%), espessura do folhiço (1.7cm), presença de gramíneas (50%), altura das gramíneas
(45.7cm), número de espécies em floração (9), número de espécie em frutificação (7),
presença de musgos (7.1%), presença de fungos (50%), presença de líquens (50%) (Tabela
VII; Apêndice); em relação às estações secas, registraram-se as seguintes médias: grau de
cobertura do dossel (67.8%), espessura do folhiço (4cm), presença de gramíneas (14.2%),
altura das gramíneas (34.2cm), presença de musgos (3.5%), presença de fungos (3.5%) e
ausência de líquens e espécies em floração e frutificação (Tabela II; Apêndice).
501
Estação Ecológica do Tapacurá
79
No tocante à caracterização dos 28 parâmetros ambientais supracitados, registrados
durante as estações chuvosas e secas nos 4 transectos/linhas analisados, 21 mostraram-
se semelhantes estatisticamente, embora tenha sido detectado diferenças estatísticas em
nove parâmetros: 1) espessura média do folhiço (α = 0.726 / gl = 26 / p < 0.001), com pico
positivo nas estações secas (4cm); 2) grau de cobertura do dossel (α = 0.672 / gl = 26 / p =
0,012), com pico positivo nas estações chuvosas (98%); 3) presença de gramíneas (α =
0.427 / gl = 26 / p < 0.001), com pico positivo nas estações chuvosas (75%); 4) presença de
musgos (α = 0.271 / gl = 26 / p < 0.001), com pico positivo nas estações chuvosas (75%); 5)
presença de fungos (α = 0.297 / gl = 26 / p < 0.001), com pico positivo nas estações
chuvosas (75%); 6) espécies em floração (α = 0.825 / gl = 26 / p = 0.001), com pico positivo
nas estações chuvosas (9); 7) espécies em frutificação (α = 0.673 / gl = 26 /p = 0.001), com
pico positivo nas estações chuvosas (15); 8) altura das gramíneas (α=0.467/ gl=26 /
p=0,003), com pico positivo nas estações chuvosas (40cm) e 9) presença de líquens,
registrada apenas nas estações chuvosas (Tabela I-VIII; Apêndice), o que ressalta a
potencial possibilidade de registro diferencial da fauna nos 4 transectos/linhas analisados,
devido à heterogeneidade desses sete parâmetros supracitados, que contribuem
positivamente para a intensificação da disponibilidade de microhabitats e ocorrência de
espécies especialistas (Souza et al., 2008).
Torna-se cada vez mais evidente a influência da estrutura física dos ambientes sobre a
riqueza e composição da sua biota (Vitt et al., 2007). Nos ambientes terrestres, dentre os
vários fatores influenciantes, destaca-se a estrutura física da vegetação, como o
parâmetro mais relevante ao estabelecimento de padrões espaciais e temporais da fauna,
principalmente por ser um grande regulador da complexidade e heterogeneidade
ambiental (Vitt et al., 2007). Vale ressaltar que devido às especificidades de vida dos
animais, o tipo e intensidade das respostas dependem do grupo taxonômico em questão
(Terborgh & Petren, 1991).
A complexidade e heterogeneidade da vegetação podem ser responsáveis por diferenças
entre os ambientes, em relação à produtividade primária, disponibilidade de recursos,
interações interespecíficas e diferenças microclimáticas (Pickett & White, 1985).
501
Estação Ecológica do Tapacurá
80
Em relação ao grau de complexidade e heterogeneidade ambiental proposto por Lopes &
Strock (1998) (Tabela 1), destacam-se os transectos/linhas 3 e 4 como os de maior
heterogeneidade nas estações chuvosa e seca respectivamente. No que se refere à
variação do grau de complexidade e heterogeneidade ambiental em relação à
estacionalidade, os transectos/linhas 1, 2 e 4 mostraram-se sem diferença estatística
enquanto que a linha 3 mostrou-se estatísticamente diferente (Tabela 1); fato decorrente
dos parâmetros que se mostraram sensíveis a estacionalidade estarem em alta frequência
no transecto/linha 3 (espessura do folhiço, presença e altura das gramíneas, número de
espécies em floração e em frutificação, presença de musgos, fungos e líquens); isto
poderá possibilitar uma ocupação da fauna mais diversificada, decorrente da maior
disponibilidade de nichos espaciais a serem ocupados (Vitt et al., 2007).
Outro aspecto a ser considerado é a análise da variação da inclinação do
terreno/declividade e altitude, pois fragmentos sujeitos a maior declividade e maior
altitude tendem a proporcionar melhores condições à conservação, além de
apresentarem paisagens mais complexas e menos modificadas pelo homem em relação
às regiões de relevo plano (Basile, 2006). Em relação a EET, as linhas 1 e 3, referentes às
porções Sul das Matas do Alto da Buchada e Camucim respectivamente mostram-se com
maior declividade (Figura 7-A), assim como as linhas 3 e 4 referentes à Mata da Camucim
possuem maior média de altitude (Figura 7-B); possibilitando com base na proposta de
Metzger (2001) e na análise do grau de complexidade e heterogeneidade ambiental
(Tabela 1), sugerir a linha 3 como área prioritária da EET a ser conservada. Sugestão essa
que poderá (ou não) ser reforçada pelo padrão de utilização dos recursos (temporal e
espacial) registrado pela fauna em análises futuras (Van Damme et al., 1989; Fonseca et
al., 2017; Lira et al., 2020).
501
Estação Ecológica do Tapacurá
81
Tabela 1. Grau de Complexidade e Heterogeneidade ambiental registrado nos 4 transectos/linhas em
ambas as estação na EET, segundo adaptação de Lopes & Strock (1998).
Embora os estudos que visem compreender o efeito de borda em ambientes florestais
estejam cada vez mais frequentes, ainda existem controvérsias em relação à extensão da
área de borda (Rodrigues, 1998). Neste trabalho foi adotada a definição de Herrmann et
al. (2005), os quais afirmam que para fragmentos de formato quadrangular e extensão
similar aos analisados na EET, 35% de sua área (porção mais periférica) apresenta-se
afetada pelo efeito de borda, o que equivale aproximadamente aos primeiros 175m de
extensão no sentido borda-centro, correspondendo às parcelas 1 (10m), 2 (90m,) e 3
(170m) das linhas de transecto; as demais seriam consideradas “teoricamente” como
centro.
501
Estação Ecológica do Tapacurá
82
Figura 7. Registro de variação da inclinação do terreno / declividade (A) e altitude (B) nas 28 parcelas
analisadas na EET referentes às estações chuvosa e seca dos anos de 2007 e 2008.
Caracterização dos parâmetros ambientais nas áreas de borda e centro dos
fragmentos analisados em ambas as estações
3
Dentre as 28 variáveis ambientais registradas, 19 (68%) não variaram de acordo com a
estacionalidade, e destas 17 (60%) não apresentaram diferenças estatisticamente
significativas entre a borda e o centro dos fragmentos analisados: altitude média (α =
0.226 / gl = 22 / p = 0.416); inclinação do terreno (α = 0.502 / gl = 22 / p = 0.310); altura
máxima aproximada da vegetação (α = 0.057 / gl = 22 / p = 0.477); altura média do sub-
bosque (α = -0.980 / gl = 22 / p = 0.168); densidade do sub-bosque (α = 0.006 / gl = 22 / p =
0.58); número de árvores (α = 0.610 / gl = 22 / p = 0.273); DAP médio das árvores com
diâmetro maior que 3cm (α = -0.069 / gl = 22 / p = 0.477); número de famílias vegetais (α =
0.329 / gl = 22 / p = 0.372); presença média de bromélias (α = -0.48 / gl = 22 / p =
0.316);presença média de gavaceae (α = 1.38 / gl = 22 / p = 0.09); presença média de lianas
(α = 0.76 / gl = 22 / p = 0.227); número de moitas (α = 0.942 / gl = 22 / p = 0.178); presença
média de troncos no chão com diâmetro maior que 10cm (α = 1.483 / gl = 22 / p =
0.076);número de formigueiros (α = -1.253 / gl = 22 / p = 0.111) e número de cupinzeiros (α
= 0.607 / gl = 22 / p = 0.276); enquanto que dois mostraram-se estatisticamente diferentes:
número de rochas (α = -1.708 / gl = 22 / p = 0.057), com predominância no centro dos
fragmentos analisados e presença média de cipós (α = -1.813 / gl = 22 / p = 0.041), com
pico nas áreas de borda (Tabela I - VIII; Apêndice).
501
83
No que se refere às nove variáveis ambientais que variaram de acordo com a
estacionalidade, registrou-se na estação chuvosa, sete que não variaram em relação às
áreas de borda e centro: grau de cobertura do dossel (α = 0.698 / gl = 22 / p = 0.246);
espessura média do folhiço (α = -0.211 / gl = 22 / p = 0.417); presença de gramíneas (α =
1.59 / gl = 22 / p = 0.062); número de espécies em floração (α = 0.924 / gl = 22 / p = 0.182);
número de espécies em frutificação (α = -1.298 / gl = 22 / p = 0.103); presença de fungos (α
= 1.199 / gl = 22 / p = 0.121); presença de líquens (α = -0.571 / gl = 22 / p = 0.286) e dois se
mostraram estatisticamente diferentes: altura média das gramíneas (α = -1.744 / gl = 22 /
p = 0.047), com predominância nas áreas de borda, e presença média de musgos (α =
-1.854 / gl = 22 / p = 0.038), com maior abundância no centro dos fragmentos.
Em relação à estação seca, dois parâmetros ambientais não apresentaram diferenças
estatisticamente significativas entre as regiões de borda e centro: espessura do folhiço (α
= -0.000 / gl = 22 / p = 0.5) e altura das gramíneas (α = 1.636 / gl = 22 / p = 0.057); três não
foram registrados nessa estação (número de espécies em floração, número de espécies
em frutificação e presença de líquens) e quatro mostraram-se estatisticamente diferentes
em relação à borda e o centro dos fragmentos: grau de cobertura do dossel (α = 1.758 / gl
= 22 / p = 0.047), presença de musgos (α = -3.316 / gl = 11 / p = 0.003) e presença de
fungos (α = -1.914 / gl = 11 / p = 0.04), predominantes no centro dos fragmentos, assim
como presença de gramíneas (α = 2.708 / gl = 22 / p = 0.006), teve maior abundância nas
áreas de borda.
Segundo Didhan & Lawton (1999), as bordas são áreas mais expostas às perturbações
externas, com maior diversidade de espécies vegetais, maior densidade da flora e maior
produtividade primária (MacDougall & Kellman, 1992). Resumidamente, as bordas são
áreas de ecótonos, onde as paisagens se modificam de forma abrupta (Ferreira & Ramos,
2007).
Comparando-se a borda com o interior dos mesmos fragmentos florestais, percebe-se
claramente uma maior instabilidade nas áreas de borda, evidenciada por um aumento na
incidência de ventos (Ferreira & Ramos, 2007); mudanças essas que intensificam a
temperatura dos microambientes (Nichol, 1994) e a evapotranspiração (Matlack, 1993),
resultando em um aumento da umidade relativa do ar (Kapos, 1989), fatores que se
mostram extremamente importantes no que se refere à ocupação da flora (Rodrigues,
1998) e preferência microambiental da fauna (Wells, 2007).
Analisando todos os parâmetros ambientais registrados simultaneamente, percebe-se
que não corroboram com a caracterização das áreas de borda descritas por Metzger
(1999) e Ferreira & Ramos (2007), o que evidencia a não existência desse gradiente (borda-
centro) nos fragmentos analisados, e sim aponta para a idéia de que os fragmentos são
grandes bordas isoladas (Ferraz et al., 2012). No entanto alguns parâmetros apresentaram
concordância quando analisados isoladamente (presença média de cipós, altura média
das gramíneas, presença média de musgos, grau de cobertura do dossel, presença de
fungos, presença de gramíneas e número de rochas), sendo este último uma coincidência
estatística, já que a existência de afloramentos rochosos é dependente de fatores
extrínsecos ao sistema florestal; o mesmo padrão de resultados aqui apresentado foi
descrito por Ferreira & Ramos (2007), em análise da estrutura da comunidade arbórea em
remanescentes de Mata Atlântica do Parque Estadual Nova Baden em Minas Gerais.
Em relação aos parâmetros que norteiam a estrutura da vegetação, mostraram-se mais
abundantes nas áreas teoricamente de “centro”, como registrado por Rodrigues (1998),
corroborando com a idéia de que os centros dos fragmentos florestais mostram-se mais
diversificados e consequentemente disponibilizam mais nichos espaciais a serem
ocupados (Didhan & Lawton, 1999), embora em análise conjunta de todos os parâmetros
ambientais registrados essa hipótese tenha sido refutada.
501
Estação Ecológica do Tapacurá
84
Em especial o número de árvores registrado não diferiu entre a borda e centro, e quando
comparado com registros de outras áreas (Silva, 2002), que embora tenham adotado DAP
mínimo para registro de 10cm, maior do que o adotado neste trabalho (3cm), ainda assim
mostrou-se inferior, corroborando com Rodrigues et al. (2007), o que evidencia o fato da
comunidade arbórea dos fragmentos analisados ainda encontrar-se em processo de
regeneração (Oliveira et al., 2004), além da dominância de Cesalpinea echinata Lamarck ,
resultante do replantio contínuo na Mata do Camucim e na Mata do Alto da Buchada na
EET (P. Martins, Com. Pess., 2008). Por outro lado a cobertura do dossel mostrou-se
estatisticamente diferente entre as áreas de borda e centro, parâmetro que propicia
maior sombreamento (Ferreira & Ramos, 2007), diminuição das correntes de ar (Ferreira &
Ramos, 2007) e retenção de umidade (Esseen & Renhorn, 1998), tendo como
consequência uma maior abundância de populações adaptadas a esse conjunto de
características microambientais, fato reforçado pela maior abundância dos fungos,
musgos e cipós registrada nas áreas de centro.
Outro parâmetro que corrobora o fato dos fragmentos analisados não apresentarem
distinção ecológica entre as áreas de borda e centro, correspondendo a grandes áreas de
bordas, é o seu formato aproximadamente quadrangular; pois fragmentos menos
angulados, tendendo ao formato circular, têm a razão borda-centro minimizada,
mantendo o centro do fragmento mais distante da borda e menos influenciado pelos
fatores externos; assim sendo o formato observado na EET favorece o aumento do efeito
de borda nas áreas estudadas (Ranta et al., 1998). Vale ressaltar que a possibilidade dos
pontos escolhidos para amostragem não terem contemplado efetivamente áreas típicas
de “centro” do fragmento, é remota, uma vez que as parcelas foram instaladas nos setores
mais bem conservados da EET, estendendo-se desde a borda às áreas mais centrais
(equidistantes de todas as bordas) do fragmento; corroborando com os resultados
discutidos e com trabalhos já publicados, a exemplo de Ferraz et al. (2012).
501
Estação Ecológica do Tapacurá
85
Os ambientes florestais, em especial a Mata Atlântica, destacam-se pela complexidade e
heterogeneidade de microhabitats disponíveis, resultante principalmente da exuberante e
diversificada flora constituinte (Souza et al., 2008). Porém, em florestas tropicais, a
exemplo da investigada por este trabalho, os principais parâmetros ambientais variam
consideravelmente em relação ás estações chuvosas e secas, tornando-se importantes
reguladores sazonais da distribuição espacial e especificidade microambiental da
biodiversidade (Souza et al., 2008).
501
86
Grau de complexidade e heterogeneidade ambiental das vinte e oito parcelas
analisadas
4
Esta análise também permite observar que os parâmetros ambientais registrados,
convertidos em grau de complexidade e heterogeneidade de cada parcela não se
mostraram variando em relação ao gradiente borda e centro em ambas as estações,
evidenciando que nas áreas analisadas, esse gradiente não é perceptível para a maioria
dos parâmetros, embora como citado anteriormente algumas variáveis mostrem-se
significativamente diferentes.
A análise do grau de complexidade e heterogeneidade das 28 parcelas analisadas,
conforme adaptação de Lopes & Strock (1998) demonstrou na estação chuvosa uma
variação da paisagem e consequentemente de microhabitats (Tabela 2), ficando à maioria
das parcelas (84%) enquadradas na categoria de baixa complexidade e heterogeneidade
ambiental (Figura 8-A), enquanto que na estação seca, as parcelas mostraram-se mais
homogêneas (Tabela II), e com um maior percentual (92%) classificado como de baixa
complexidade e heterogeneidade ambiental (Figura 8-B), resultados reforçados pelo fato
da estação chuvosa mostrar-se significativamente com maior índice médio de
complexidade e heterogeneidade ambiental que a estação seca (ANOVA, F=11.134 / gl=1 /
p=0.002) (Figura 9).
Os resultados aqui apresentados foram fortemente influenciados pelas variáveis que
caracterizam a estrutura da vegetação, que nos fragmentos analisados variam
consideravelmente em relação à estacionalidade, em especial por tratar-se de uma
floresta estacional, que se caracteriza por apresentar-se bastante distinta em relação às
estações (Neves, 2004).
Testando se existe diferença entre as linhas (Figura 10) e entre os “Y” (Figura 11),
independente das estações, ambas as variáveis mostram-se significativamente diferentes
(ANOVAlinhas, F=4.834 / gl=3 / p=0.005 e ANOVA“Y”, F=2.308 / gl=6 / p=0.050), reforçando a
hipótese de que as parcelas não são réplicas ecológicas do gradiente borda e centro, e
que a heterogeneidade ambiental no bioma Mata Atlântica é realmente grande quando
comparado com áreas abertas (Souza et al., 2008). A diferenciação entre as linhas, deve-se
em especial a linha 2, que apresentou um índice de complexidade e heterogeneidade
ambiental entre 750 e 760, enquanto que as demais linhas foram superior a 900. Em
relação aos “Y”, pode-se atribuir primariamente a diferença registrada às parcelas 5 e 7 e
secundariamente à parcela 4, que apresentaram índices de complexidade e
heterogeneidade ambiental acima de 900, enquanto as demais não alcançaram 850.
O destaque para a parcela 7 da linha 4 e a parcela 5 da linha 1, enquadrada em ambas as
estações como de alta e média complexidade e heterogeneidade ambiental
respectivamente (Tabela 2; Figura 12-13), é resultante do grande número de fragmentos
rochosos disponíveis nessas áreas, em especial na primeira (parcela 7 da linha 4);
parâmetro que não varia em relação às estações e representa uma variável importante na
distribuição da fauna (Vitt et al., 2007).
Em relação à parcela 7 da linha 1, enquadrada na categoria de média complexidade e
heterogeneidade ambiental durante a estação chuvosa (Tabela 2; Figura 12), é resultante
do registro expressivo do DAP médio das árvores com diâmetro maior que 3cm nesta
parcela, e a parcela 4 da linha 3, classificada também como média durante a estação
chuvosa, destaca-se pelo elevado grau de cobertura do dossel e altura do sub-bosque em
relação às demais, parâmetros esses que favorecem a disponibilidade de microhabitats, e
que podem teoricamente privilegiar a ocorrência de populações especialistas da fauna
(Souza et al., 2008).
Os dados aqui apresentados corroboram com White e Pickett (1985), os quais denominam
as florestas tropicais atuais, como um mosaico de manchas em diferentes graus de
maturidade, idade, tamanho e composição de espécies, resultado dentre outros, de um
processo lento e gradual de evolução que os ecossistemas sofrem, denominado sucessão,
buscando sua condição original (Andrade, 2002).
501
Estação Ecológica do Tapacurá
87
501
Estação Ecológica do Tapacurá
88
Tabela 2. Grau de Complexidade e Heterogeneidade ambiental registrado nas 28 parcelas analisadas
em ambas as estações na EET, segundo adaptação de Lopes & Strock (1998) ( Baixa: 728.4 - 1166.7;
Média: 1166.7 - 1605.2; Alta: 1605.2 - 2043.5).
Figura 8. Classificação das parcelas, quanto à complexidade e heterogeneidade ambiental,
na estação Chuvosa (A) e na estação seca (B).
A B
501
Estação Ecológica do Tapacurá
89
Figura 9. Médias e variâncias dos índices de complexidade e heterogeneidade ambiental das 28
parcelas resultantes do teste de Análise de Variância (ANOVA) entre as estações chuvosas e
secas dos anos de 2007 e 2008 na EET (F=11.134 / gl=1 / p=0.002).
Figura 10. Médias e variâncias dos índices de complexidade e heterogeneidade ambiental das
quatro linhas resultantes do teste de Análise de Variância (ANOVA) em ambas as estações dos
anos de 2007 e 2008 na EET (F=4.834 / gl=3 / p=0.005).
501
Estação Ecológica do Tapacurá
90
Figura 11. Médias e variâncias dos índices de complexidade e heterogeneidade ambiental das
sete parcelas “Y” resultantes do teste de Análise de Variância (ANOVA) em ambas as estações dos
anos de 2007 e 2008 na EET (F=2.308 / gl=6 / p=0.050).
Figura 12. Registro de grau de complexidade e heterogeneidade na estação chuvosa dos anos de
2007 e 2008 nas 28 parcelas analisadas na EET.
Figura 13. Registro de grau de complexidade e heterogeneidade na estação seca dos anos de
2007 e 2008 nas 28 parcelas analisadas na EET.
Os resultados obtidos evidenciam que o corpo d’água lêntico temporário situado na Mata
do Camucim (CA1) apresentou maior complexidade estrutural e heterogeneidade
ambiental em comparação aos outros corpos d’água analisados (CA2 e CA3), mesmo um
deles (CA3) estando no centro do fragmentos. Da mesma forma, a linha/transecto 3 (Mata
do Camucim), caracterizada por maior altitude e inclinação do terreno, apresentou
associação positiva com os níveis de heterogeneidade ambiental, refletindo condições
microambientais mais diversificadas e possivelmente mais estáveis.
Contudo, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as áreas
de borda e centro quanto aos parâmetros estruturadores do habitat, o que pode indicar a
ausência de áreas típicas de centros ecológicos bem definidos, possivelmente em
decorrência do estado de fragmentação e de distúrbios antrópicos históricos que
homogeneizaram as condições ambientais ao longo dos fragmentos analisados.
A maioria dos parâmetros ambientais também não apresentou variação significativa entre
as estações seca e chuvosa, embora os fragmentos analisados sejam florestas
estacionárias com as estações bem marcadas e apesar da forte estacionalidade regional.
Esse padrão pode estar relacionado à capacidade de amortecimento microclimático das
matas remanescentes, embora a ausência de dados fitossociológicos e faunísticos limite
inferências mais amplas sobre os efeitos estacionais na biota local.
A Estação Ecológica do Tapacurá se destaca como área de relevância para conservação,
dada sua diversidade estrutural, localização geográfica estratégica e potencial de conexão
entre fragmentos florestais do norte, sul e oeste de Pernambuco. Considerando os
parâmetros ambientais avaliados, sugere-se priorizar para conservação a área
correspondente à linha 3, o corpo d’água 1 e zonas com alta densidade de bromélias e
afloramentos rochosos, por apresentarem maior complexidade ambiental.
Recomenda-se, para estudos futuros, a ampliação da amostragem botânica com
identificação taxonômica ao nível de espécie, bem como a integração de dados faunísticos
e de uso histórico do solo. Tais esforços, aliados ao monitoramento de longo prazo, são
fundamentais para subsidiar ações eficazes de gestão e conservação da biodiversidade
local e do bioma Mata Atlântica como um todo.
501
91
Considerações finais
Tabela I. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 1 / transcecto 1
localizada na Mata do Alto da Buchada, referente à estação chuvosa, realizada no mês junho de 2007 (raro: <
25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%).
501
92
Apêndice I
Tabela II. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 1 / transcecto 1
localizada na Mata do Alto da Buxada, referente a estação seca, realizada no mês de novembro de 2007
(raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%).
93
Apêndice I
Tabela III. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 2 / transcecto 2
localizada na Mata do Alto da Buchada, referente a estação chuvosa, realizada no mês junho de 2007 (raro: <
25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%).
94
Apêndice I
Tabela IV. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 2 / transcecto 2
localizada na Mata do Alto da Buchada, referente a estação seca, realizada no mês de novembro de 2007
(raro: < 25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%).
95
Apêndice I
Tabela V. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 3 / transcecto 3
localizada na Mata do Camucim, referente a estação chuvosa, realizada no mês de junho de 2007 (raro: <
25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%).
501
Apêndice I
96
Tabela VI. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 3 / transcecto 3
localizada na Mata do Camucim, referente a estação seca, realizada no mês de novembro de 2007 (raro: <
25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%).
501
Apêndice I
97
Tabela VII. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 4 / transcecto 4
localizada na Mata do Camucim, referente a estação chuvosa, realizada no mês de junho de 2007 (raro: <
25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%).
501
Apêndice I
98
Tabela VIII. Caracterização das sete parcelas (P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7) constituintes da linha 4 / transcecto
4 localizada na Mata do Camucim, referente a estação seca, realizada no mês de novembro de 2007 (raro: <
25%; pouco frequente: 25% - 50%; frequente: 50% - 75%; muito frequente: >75%).
Apêndice I
99
Referências
100
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E S C O R P I Õ E S
ANDRÉ FELIPE DE ARAÚJO LIRA
MATHEUS LEONYDAS BORBA FEITOSA
THAYNA RHAYANE DE BRITO ALMEIDA
ANDRÉ OTÁVIO SILVA JÚNIOR
HUGO RODRIGO BARBOSA DA SILVA
ARTHUR FELIPE FERREIRA DE FREITAS
JOÃO VICTOR CUNEGUNDES DE SIQUEIRA
GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA
Ananteris mauryi Lourenço, 1982
Foto: Feitosa, M. L. B.
Os escorpiões , pertencentes à ordem Scorpiones, são invertebrados do filo Arthropoda e
da classe Arachnida, juntamente com as aranhas, opiliões, pseudoescorpiões, carrapatos
e outros aracnídeos (Stockmann & Ythier, 2010; Brazil & Porto, 2010). Popularmente
conhecidos como lacraus, esses organismos representam uma das linhagens
consideradas mais basais entre os aracnídeos, com registros datando sua origem no
período Siluriano (Brownell & Polis 2001). Além disso, seu plano corporal apresenta
poucas diferenças morfológicas em relação aos seus antepassados extintos, os
gigantostráceos (Eurypterida), que viveram no mesmo período (Cruz, 1994; Ruppert &
Barnes, 1996; Brownell & Polis, 2001).
Anatomicamente, os escorpiões possuem uma estrutura singular, com o corpo dividido
em Prossoma e Opistossoma , sendo este último subdividido em Mesossoma e
Metassoma. No prossoma, um apêndice ventral conhecido como pente é utilizado para a
detecção de vibrações e estímulos químicos (Gaffin & Brownell, 1992). O metassoma, por
sua vez, termina em um télson especializado na produção e inoculação de peçonha (Polis,
1990).
501
Figura 1. Plano corporal dos escorpiões sendo representado por macho de Tityus neglectus
Mello-Leitão, 1932. A. Vista dorsal; B. Vista ventral. Foto: A. Otávio.
A B
Escorpiões
103
Atualmente, são conhecidas 2.841
espécies de escorpiões (Re in, 2025 ), o
que faz dessa ordem a quinta maior
entre os aracnídeos. No entanto, estima-
se que existam cerca de 7.000 espécies
ainda não descritas (Coddington et al.,
2004). Esse número destaca uma lacuna
significativa no conhecimento
taxonômico dos escorpiões, e ressalta a
necessidade de mais estudos para
descrever essa diversidade ainda oculta,
contribuindo para o avanço da ciência e
para a compreensão da biodiversidade
global.
501
Figura 2. Escorpião da espécie Tityus brazilae
iluminada com uma lanterna UV em Serra dos
Cavalos, município de Caruaru, Pernambuco. Fonte:
Portal de zoologia.
Uma característica peculiar desse grupo é a
fluorescência de sua cutícula sob luz
ultravioleta, proporcionada pelas proteínas
beta-carbolina e 4-metil-7-hidroxicumarina
(Gaffin, 2012; Yoshimoto et al., 2020).
Durante o dia, os escorpiões se refugiam em uma ampla gama de ambientes: sob rochas,
em cascas de árvores, troncos em decomposição, tocas, camadas de serrapilheira e até
cavernas, com as preferências variando entre as espécies (Polis, 1990; Ruppert & Barnes,
1996; Brazil & Porto, 2011).
Esses animais são predadores de hábitos noturnos, e geralmente são solitários e
sedentários. No entanto, durante os períodos reprodutivos, tornam-se mais ativos, com os
machos buscando as fêmeas ao seguir pistas químicas detectadas pelos seus pentes
sensoriais (Mullen & Sissom, 2019). A reprodução pode ocorrer de forma sexuada, com
um elaborado ritual de cortejo, ou de maneira assexuada, por partenogênese (Polis &
Sissom, 1990; Brazil & Porto, 2010). Os escorpiões são vivíparos, com gestações que
variam entre 2 e 22 meses, resultando em ninhadas de 3 a 110 filhotes (Lourenço, 2000;
Brazil & Porto, 2010). Com um ciclo de vida longo, que pode durar entre 3 e 25 anos, esses
animais atingem a maturidade após passarem por 5 a 6 mudas (Lourenço, 2000; Brazil &
Porto, 2010).
Escorpiões
104
501
No Brasil, estão descritas 182 espécies de escorpiões, distribuídas em cinco famílias:
Ananteridae (31 espécies), Bothriuridae (22 espécies), Buthidae (80 espécies), Chactidae
(46 espécies) e Hormuridae (3 espécies) (Bertani, 2024).
No estado de Pernambuco, é registrada a ocorrência de 11 espécies distribuídas em três
famílias: Buthidae (6 espécies), Bothriuridae (2 espécies) e Ananteridae (3 espécies). As
espécies da família Buthidae incluem: Tityus pusillus Pocock, 1893, Tityus stigmurus (Thorell,
1876), Tityus neglectus Mello-Leitão, 1932, Tityus brazilae Lourenço & Eickstedt, 1984,
Jaguajir rochai (Borelli, 1910) e Physoctonus debilis (C. L. Koch, 1840). A família Bothriuridae
é representada por Bothriurus asper Pocock, 1893, e Bothriurus rochai Mello-Leitão, 1932.
Por fim, a família Ananteridae inclui Ananteris franckei Lourenço, 1982, Ananteris mauryi
Lourenço, 1982, e Ananteris otavianoi Lira, Pordeus & Ribeiro-de-Albuquerque, 2017. No
entanto, na Estação Ecológica do Tapacurá, localizada em um fragmento de Floresta
Estacional Semidecídua da Mata Atlântica (Moura et al., 2012), encontramos apenas cinco
espécies: T. pusillus , T. neglectus, T. brazilae, T. stigmurus e A. mauryi.
O grupo é amplamente distribuído geograficamente, ocorrendo em quase todos os
continentes, exceto na Antártida (Polis, 1990; Figura 3), o que sugere que estes foram os
primeiros animais a conquistar e dominar o ambiente terrestre (Brandão & Françoso,
2010). Sua plasticidade ecológica permite que habitem desde florestas tropicais a
desertos, com algumas espécies adaptadas a ambientes urbanos (Brazil & Porto, 2010;
Lira et al., 2018; Mullen & Sissom, 2019; Feitosa et al., 2024).
Figura 3. Mapa da distribuição global dos escorpiões (Chippaux & Goyffon, 2008).
Escorpiões
105
N
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Mata do Toró
Mata do Alto da Buchada
Mata do Camucim
NE NE
Ananteridae
Pocock, 1900
FAMÍLIA
Escorpião, lacrau
501
Ananteris mauryi Lourenço, 1982
Foto: Feitosa, M. L. B.
A espécie é caracterizada como de pequeno porte, apresentando comprimentos totais
que podem variar de 20 a 25 mm. Machos e fêmeas exibem uma coloração amarela-
avermelhada variegada, com os dois últimos segmentos do metassoma e o télson
apresentando uma coloração escura (Lourenço, 1982; Lourenço, 2002). Os indivíduos
demonstram marcante dimorfismo sexual, em que as fêmeas exibem tamanho corporal
superior aos dos machos (Lira et al., 2021b).
Descrição Morfológica
ESTUDADA PELO
106
PRODUTOR DE TOXINAS
Distribuição
Esta espécie ocupa as camadas inferiores da serrapilheira nos biomas Mata Atlântica,
(incluindo os brejos de altitude) e Caatinga (Lira et al., 2013; Porto et al., 2018; Lira et al.,
2021a).
501
A espécie inicia seu período reprodutivo durante a estação chuvosa. Dessa forma, a
abundância da espécie pode ser associada a pluviometria do ambiente em que ocorre
(Dias et al., 2006; Dionisio-da-Silva et al. 2018), devido ao seu maior período de atividade
em busca por parceiros. O comportamento reprodutivo de A. mauryi , tem uma duração
média de 9 a 13 minutos. Após a inseminação, o período gestacional das fêmeas varia
entre 118 e 150 dias, produzindo uma ninhada de 9 a 31 juvenis, que após 5 processos de
mudas dentre 6-8 meses atingem a fase adulta (Lira et al., 2021b). Devido ao seu pequeno
porte, pode ser frequentemente predado por outros animais de maior porte como
formigas e outros escorpiões (Lira et al., 2017; Dionisio-da-Silva & Lira, 2019). Além disso,
a espécie é capaz de detectar pistas químicas deixadas no substrato por seus predadores,
o que leva a aumentar seu repertório comportamental e evitar locais previamente
visitados por esses inimigos naturais (Feitosa, et al., 2022). Sendo assim, quando em
contato com predadores, os indivíduos de A. mauryi , para maximizar suas chances de
sobrevivência podem apresentar o destacamento dos segmentos do metassoma,
processo este conhecido como autotomia (Lira et al., 2014; Silva-Júnior et al., 2023).
História Natural
Usos e Ameaças
Não são conhecidos usos humanos para esta espécie, e não são conhecidas ameaças que
afetem diretamente a espécie ao ponto de colocá-la em risco de extinção em
Pernambuco; embora a espécie enfrente algumas ameaças locais, como a perda de
habitat devido ao desmatamento e expansão agrícola, além da impressão equivocada das
populações nativas que tendem a matá-la por julgarem ser um animal altamente
perigoso.
107
Buthidae
C. L. Koch, 1837
FAMÍLIA
Escorpião, lacrau
501
Tityus brazilae Lourenço & Eickstedt, 1984
É considerada uma espécie de grande porte apresentando tamanho que pode variar entre
50 e 70 mm de comprimento total. Exibe um padrão de coloração geral amarelo-
avermelhado, com manchas escuras distribuídas por toda a superfície corporal, pernas e
pedipalpos (Lourenço & Eickstedt, 1984; Lira et al., 2023).
Descrição Morfológica
Foto: Feitosa, M. L. B.
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Mata do Toró
Mata do Alto da Buchada
Mata do Camucim
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PRODUTOR DE TOXINAS
Distribuição
A espécie pode ser encontrada nos estados da Bahia, Pernambuco, Espírito Santo,
Sergipe, Paraíba e Alagoas, nos domínios da Mata Atlântica e em Brejos de Altitude
(Foerster et al., 2019; Bertani et al., 2024).
501
Trata-se de um escorpião arborícola, encontrado frequentemente sob troncos de árvores
tuberosas (Bertani et al., 2008; Lira et al., 2018), também sendo encontrados em fendas
de pedras (Lira & Souza, 2014). Além disso, T. brazilae é considerado um escorpião de
importância médica, sendo responsável por acidentes no estado da Bahia e Pernambuco
geralmente classificados como leves a moderado (Queiroz, 2001; Silva-Junior et al. 2023).
História Natural
Usos e Ameaças
Não foram encontrados usos humano para esta espécie e nem ameaças que possam
colocar T. brazilae em risco de extinção.
109
Buthidae
C. L. Koch, 1837
FAMÍLIA
Escorpião, lacrau
501
Tityus neglectus Mello-Leitão, 1932
É uma espécie de escorpião de grande porte, podendo medir de 54 a 78 mm de
comprimento total (Lourenço, 2002; Lira et al., 2023). Esta espécie é caracterizada por
apresentar uma tonalidade amarela parda, levemente avermelhada, incluindo seus
pedipalpos e télson mais escuros que o restante do corpo, espinho sob o ferrão,
prossoma ligeiramente estreito com um triângulo escuro na parte anterior (Lourenço &
Eickstedt, 1988).
Descrição Morfológica
Foto: Feitosa, M. L. B.
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Mata do Toró
Mata do Alto da Buchada
Mata do Camucim
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PRODUTOR DE TOXINAS
Distribuição
Indivíduos dessa espécie podem ser encontrados na região Nordeste do Brasil,
distribuídos nos domínios da Mata Atlântica e Caatinga ao logo dos estados de Alagoas,
Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe (Porto et al., 2014; Lira et al.,
2018; Bertani et al., 2024).
501
Esses escorpiões são frequentemente encontrados associados a bromélias com fitotelma,
o que oferece um microhabitat propício para o estabelecimento da espécie (Lourenço &
Eickstedt, 1988; Santos et al., 2006; Lira & Souza, 2014). De acordo com Santos et al.
(2003), T. neglectus é usualmente encontrado em bromélias dos gêneros Aechmea spp. e
Hohenbergia spp. Adicionalmente, estudos prévios descrevem o hábito de uso das
bromélias como abrigo diurno, associando grande importância para a conservação da
espécie a preservação de bromélias nos ambientes naturais (Santos et al., 2003; Souza et
al., 2024).
História Natural
Usos e Ameaças
Não foram encontrados usos humano para esta espécie e nem ameaças que possam
colocar T. neglectus em risco de extinção.
111
Buthidae
C. L. Koch, 1837
FAMÍLIA
Escorpião, lacrau
501
Tityus pusillus Pocock, 1893
Trata-se de uma espécie de pequeno porte, apresentando comprimento total que pode
variar entre 25 a 35 mm. Apresenta um padrão de coloração variegada, destacado pela
coloração amarelo-alaranjado e com pintas escuras espalhadas em todos os segmentos
do corpo (Lourenço, 1982; Lira et al. 2021). Machos e fêmeas de T. pusillus são facilmente
distinguíveis entre si devido ao fato de que os indivíduos do sexo masculino apresentam
metassoma mais alongado e as quelas dos pedipalpos são mais largos que os das fêmeas
(Lira et al., 2018a).
Descrição Morfológica
Foto: Feitosa, M. L. B.
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Mata do Alto da Buchada
Mata do Camucim
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PRODUTOR DE TOXINAS
Distribuição
Esse escorpião pode ser encontrado em áreas de vegetação nativa da região nordeste do
Brasil, estando amplamente distribuída nos domínios da Mata Atlântica e Caatinga
hipoxerófita (Dias et al., 2006; Porto et al., 2010; Lira et al., 2019). Normalmente apresenta
uma grande abundância na Mata Atlântica onde em alguns locais pode representar cerca
de 90% da assembleia de escorpiões (Lira & Albuquerque, 2014). É uma espécie
considerada típica de ambientes florestais (Lira et al., 2020), onde podem ser encontrados
nas camadas superiores da serrapilheira (Lira et al., 2013).
501
O período reprodutivo da espécie ocorre durante a estação seca entre os meses de
outubro e janeiro (Dionisio-da-Silva et al., 2018). A corte da espécie, geralmente, tem
duração de 5 a 10 minutos, com período gestacional durando em torno de 60-100 dias,
possuindo ninhadas com 4-12 filhotes (Albuquerque & Lira, 2016; Lira et al., 2018b). Tityus
pusillus alcança a maturidade após 4-5 ecdises dentro de 8 meses (Albuquerque & Lira,
2016; Lira et al., 2018), nessa espécie tanto o macho quanto a fêmea podem apresentar
uma ecdise extra (Albuquerque & Lira, 2016). Apesar de ser uma espécie tipicamente
encontrada em áreas de vegetação nativa, T. pusillus apresenta potencial de causar
acidentes em humanos, onde já foram relatados casos de escorpionismo classificados
como moderados (Albuquerque et al., 2009).
História Natural
Usos e Ameaças
Não foram encontrados usos humano para esta espécie e nem ameaças que possam
colocar T. pusillus em risco de extinção.
113
Buthidae
C. L. Koch, 1837
FAMÍLIA
Escorpião, lacrau
501
Tityus stigmurus (Thorell, 1876)
É uma espécie de médio porte, podendo medir entre 60 e 70 mm de comprimento total.
Apresenta uma coloração do corpo amarelada e com presença de uma faixa escura
longitudinal ao longo do dorso, além de uma mancha de mesma coloração, em forma de
triângulo no prossoma (Lourenço, 2000; Souza et al., 2009; Santos et al., 2014).
Descrição Morfológica
Foto: Feitosa, M. L. B.
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Mata do Alto da Buchada
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PRODUTOR DE TOXINAS
Distribuição
Essa espécie de escorpião é considerada generalista por possuir elevada plasticidade
ecológica, podendo apresentar uma sinantropia significativa diante as condições
ambientais contrastantes (Amado et al., 2021; Foerster et al., 2022). Tem registro de
ocorrência para quase todos os estados do Nordeste do Brasil, incluindo a ilha de
Fernando de Noronha, exceto o Maranhão e Piauí (Dias et al., 2006; Freitas & Vasconcelos,
2008; Santos et al., 2014). Em Pernambuco, apresenta distribuição para os domínios
fitogeográficos da Mata Atlântica e Caatinga (Lira & Albuquerque, 2014; Lira et al., 2018),
contudo com presença maior da espécie associada a ecossistemas urbanos (Amado et al.,
2021; Foerster et al., 2022)
A espécie apresenta um comportamento defensivo característico, que pode modular a
inoculação da peçonha de acordo com o nível de ameaça, quanto maior o nível da
ameaça, mais toxinas são atribuídas a sua peçonha (Lira et al., 2017). Tityus stigmurus pode
se reproduzir por partenogênese facultativa (Lourenço & Cloudsley-Thompson, 1999;
Ross, 2010), essa estratégia reprodutiva é atribuída a ambientes urbanos onde predomina
a ocorrência de fêmeas, sendo definida como partenogênese geográfica (Santos et al.,
2014; Ross, 2010; Foerster et al., 2021). Entretanto, populações sexuais da espécie foram
amostradas em ambientes naturais (Foerster et al., 2022). Portanto, a reprodução sexuada
também pode ocorrer nesta espécie, porém com menor frequência, envolvendo
comportamento sexual de corte comum para escorpiões (Foerster et al., 2021). Após o
nascimento, os indivíduos permanecem no dorso da mãe por 3-5 dias até realizarem a
primeira ecdise, começando a dispersão em 5-10 dias após o nascimento (Aguiar et al.,
2008). Por ser uma espécie sinantrópica, o encontro entre esses escorpiões e humanos
acontece com frequência ocasionando acidentes que podem levar a óbito e posicionando
essa espécie como importante para saúde pública (Lira-da-Silva et al., 2000). A aplicação
de pesticidas químico é utilizado no controle populacional da espécie em ambientes
urbanos e dependendo da substância utilizada pode causar intoxicação reversível em
indivíduos adultos (Santos & Albuquerque, 2020) com eficiência na mortalidade em até 8
horas após sua aplicação (Brito-Almeida et al., 2022), muitas vezes com efeito dispersor
facilitando os acidentes escorpiônicos (Albuquerque et al., 2009).
História Natural
Usos e Ameaças
Não foram encontrados usos humano para esta espécie e nem ameaças que possam
colocar T. stigmurus em risco de extinção.
115
Referências
116
Para acessar todas as referências consultadas para a elaboração deste capítulo,
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A N U R O S
ALCINA GABRIELA MARIA MEDEIROS DA FONSÊCA SANTOS
JOÃO VICTOR CUNEGUNDES DE SIQUEIRA
ARTHUR FELIPE FERREIRA DE FREITAS
LARA VALESCA MENDONÇA DA COSTA SANTOS
TAYSSA RODRIGUES DE MORAIS SANTOS
PAULO LUCAS LACERDA DE OLIVEIRA
LUIS HENRIQUE DE ANDRADE ALVES
THAÍS CAROLINE DA SILVA VIEIRA
REGINALDO FONSECA PEREIRA NETO
RODRIGO BALTAR DA SILVA
ADSON RODRIGUES DE SANTANA
PATRÍCIA FERREIRA TAVARES
JOSÉ DIOGO CAVALCANTI FERREIRA
JOSÉ RICARDO DE OLIVEIRA SANTOS
MOACIR SANTOS TINOCO
GERALDO JORGE BARBOSA DE MOURA
Dendropsophus tapacurensis Olivera, Magalhães, Teixeira, Moura, Porto, Guimarães, Giaretta & Tinoco, 2021.
Foto: Nascimento, G. D.
A
B
Figura 1. Representantes dos anfíbios atuais (Lissamphibia). A. Ordem Anura ( Rhinella sp.); B.
Ordem Urodela ( Ambystoma maculatum ); C. Ordem Gymnophiona ( Siphonops annulatus ). Fotos:
Canva, 2025
O nome " Anfíbio " tem origem no grego, a partir das palavras " amphi " (que significa
"duplo" ou "de ambos os tipos") e " bios " ("vida" ou "vivo"). Esse nome faz referência ao
ciclo de vida dos anfíbios, que passam por uma metamorfose: inicialmente, vivem em
ambiente aquático na fase larval e, após a transformação, tornam-se adultos com hábitos
terrestres. No entanto, mesmo na fase adulta, muitos ainda dependem da água para sua
reprodução e sobrevivência (Frost, 2024). Os anfíbios estão amplamente distribuídos pelo
globo, exceto nas regiões polares da Antártica e Groenlândia, com maior diversidade
encontrada nos países neotropicais. Eles habitam desde florestas tropicais até ambientes
desérticos (Frost, 2024). Atualmente, são conhecidas 8.579 espécies, divididas nos clados:
Anura , com 7.562 espécies de sapos, rãs, gias e pererecas (Figura 1A); Urodela , com 798
espécies de salamandras, tritões e axolotes (Figura 1B); Gymnophiona , com 219 espécies
de cecílias (Figura 1C) (Frost, 2024). No Brasil, há 1.188 espécies registradas, sendo 1.144
anuros, cinco salamandras e 39 cecílias, distribuídos em 20 famílias e 107 gêneros (Segalla
et al., 2021) (Figura 2). No estado de Pernambuco, existem 80 espécies de anfíbios, sendo
78 anuros (Moura & Tavares, 2022), dos quais 42 são registrados nos fragmentos florestais
de Mata Atlântica que compõem a Estação Ecológica do Tapacurá (Moura et al., 2012;
Santos et al., 2016; Martins-Sobrinho, 2016; Santos et al., 2021).
501
Anfíbios anuros
A B C
C
Amphibia
ancestral
Anura
Urodela
Gymnophiona
Figura 2. Filogenia do clado Lissamphibia atual.
119
B C
A
B
501
Figura 4. Representação do esqueleto dos anfíbios anuros, destacando os
principais ossos adaptados para o salto. A. Vértebra sacral; B. Ílio; C. Uróstilo
(Fonte: Bescec/shutterstock.com).
O termo “ Anura ” vem de “ an ” e “ ura ” que significa “ sem cauda ”, destacando uma das
principais características desse grupo (Figura 3). Além da ausência de cauda, os anuros
possuem adaptações esqueléticas como a redução de elementos craniais, um número
máximo de nove vértebras pré-sacrais, vértebras caudais fundidas constituindo o uróstilo,
osso medial alongado, além da fusão do rádio e ulna nos membros anteriores e da tíbia e
fíbula nos membros posteriores (Figura 4). Essas modificações ósseas estruturais estão
ligadas à locomoção por saltos, uma adaptação essencial do grupo (Pough et al., 2015).
Anfíbios anuros
Figura 3. Principais representantes dos anfíbios anuros. A. Sapo - Rhinella crucifer (Wied-Neuwied, 1821); B.
Rã - Leptodactylus vastus Lutz, 1930; C. Perereca - Scinax auratus (Wied-Neuwied, 1821). Fotos: Negromonte, I.
O. (A), Freitas, M. A. (B), Siqueira. J. V. C. (C).
A B C
120
B
A C
Os anfíbios anuros também apresentam uma vasta gama de modos e comportamentos
reprodutivos, incluindo sinais visuais, químicos e acústicos (Duellman & Trueb, 1994;
Rosenthal et al., 2004), na forma de deposição dos ovos (Duellman & Trueb, 1994; Wells,
2007; Vitt & Caldwell, 2014) e no desenvolvimento larval (Duellman & Trueb, 1994). Dentre
os sinais acústicos, as vocalizações desempenham um papel essencial na seleção sexual e
no isolamento reprodutivo entre espécies (Kentwood & Schwartz, 1984). Elas também são
importantes na interação entre espécies (Hödl, 1977; Protázio et al., 2015), no
reconhecimento intraespecífico (Duellman & Trueb, 1994, de Oliveira Santos et al., 2020) e
na seleção dos machos com melhores aptidões (Rand, 1985; Gerhardt, 1994), além de
mediar interações agonísticas e demarcar territórios (Gerhardt, 1994; Given, 1999).
501
Figura 5. Ciclo reprodutivo de Dendropsophus tapacurensis . A. Macho emitindo vocalizações para atrair uma
fêmea reprodutiva. B. Acasalamento com a realização do abraço nupcial (amplexo axilar), no qual o macho
estimula a fêmea para a liberação dos ovos (ovoposição) sobre as folhas próximas a corpos d’água. C. Ovos
depositados nas folhas, em estágio inicial de desenvolvimento embrionário (desenvolvimento ovulíparo).
Fotos: Siqueira, J. V. C. (A; C), Betanin, L. G. (B).
Anfíbios anuros
A B C
No que se refere as etapas gerais do
desenvolvimento da maioria dos anuros: os ovos
são depositados e passam por um período de
desenvolvimento embrionário; em seguida, ocorre
a eclosão, dando origem aos girinos, que
permanecem no ambiente aquático e apresentam
adaptações para natação e alimentação específica;
após essa fase, inicia-se o desenvolvimento
metamórfico (imago), caracterizado por
transformações morfológicas e fisiológicas que
preparam o organismo para a vida terrestre; por
fim, o ciclo culmina no estágio de indivíduo adulto,
completo e sexualmente maduro, pronto para
reproduzir e reiniciar o ciclo (Figura 6).
Figura 6. Ciclo de vida dos anfíbios
anuros, com evidências ao processo de
metamorfose dos Anfíbios Anura
(Fonte: Biologia Net, 2024).
121
Reprodução
A
501
A maioria dos anfíbios anuros possui uma dieta carnívora generalista, composta
principalmente por invertebrados, consumindo uma ampla variedade de presas
disponíveis no ambiente, o que os caracteriza como predadores oportunistas. Dentro do
grupo, observam-se tanto a estratégia de predação passiva, conhecida como "senta-e-
espera", quanto o forrageamento ativo, em que o predador se desloca em busca de
presas potenciais (Duellman & Trueb, 1994; Oliveira & Haddad, 2015). A dieta dos anuros
pode variar conforme o tamanho corporal (Santos-Pereira et al., 2015; Almeida-Santos et
al., 2017), o sexo (Oliveira & Haddad, 2015), a sazonalidade (Maragno & Souza, 2011;
Oliveira & Haddad, 2015), o estágio de desenvolvimento (ontogenia) (Luría-Manzano &
Ramírez-Bautista, 2019) e a disponibilidade de recursos alimentares no ambiente (Oliveira
& Haddad, 2015; Rebouças & Solé, 2015).
Alimentação
122
Foto: Botelho, L.
501
123
A B
C D
Além de sua importância ecológica, os anuros podem atuar como hospedeiros
intermediários ou paratênicos de vários parasitos, oferecendo geralmente um abrigo
temporário até que esses parasitos completem seu ciclo de vida e cheguem ao hospedeiro
definitivo (Campiao et al., 2015; Oda et al., 2015). Devido ao seu caráter generalista e à
presença frequente em ambientes aquáticos, eles são suscetíveis a parasitos que se
desenvolvem nesses habitats (Bolek & Coggins, 2003; Holmes et al., 2008). Muitos desses
parasitos passam por múltiplos hospedeiros intermediários antes de atingir o hospedeiro
final (Poulin & Cribb, 2002). Além disso, esses parasitos podem ser transmitidos através de
interações predador-presa e atuar como indicadores da dieta dos hospedeiros,
fornecendo informações importantes sobre seus hábitos alimentares (Marcogliese, 2004;
Lafferty & Kuris, 2009). Eles também podem refletir as condições ecológicas e a saúde dos
ecossistemas onde os anuros vivem (Thieltges et al., 2013) (Figura 7).
Aspectos Parasitários em anfíbios anuros
Relações parasitárias
Figura 7. Registros de parasitismo em anfíbios anuros. A.
Bokermannohyla oxente infestada por vermes endoparasitas
subcutâneos (Foto: Tinoco, M.S.); B. Boana cinerascens com miíase,
larvas de moscas sarcófagas na cavidade oral (Foto: Ávila, R.W.); C–D .
Rhinella diptycha parasitado por ácaros da família Ixodidae (Foto: Ávila,
R.W.).
501
124
A
O declínio das populações de anfíbios tem
sido atribuído e intensificado,
principalmente, por ações humanas, como
a perda e fragmentação de habitats (Rossa-
Feres et al., 2017), mudanças climáticas
(Costa et al., 2012) e à contaminação por
contaminantes, que podem causar
alterações fisiológicas, morfológicas e
comportamentais nas espécies (Moura et
al., 2023; Silva et al., 2023). Ainda destaca-se
o impacto dos patógenos sobre este grupo
(Sewell et al., 2021).
Apesar da grande diversidade, os
anfíbios atuais (Lissamphibia)
representam o grupo de vertebrados
mais ameaçado , com mais de um terço
das espécies avaliadas globalmente
(41%) classificadas em algum nível de
ameaça ou extintas (IUCN, 2024).
ANFÍBIOS
41%
Causas e declínios dos anfíbios
Outra doença é a ranavirose, causada por
vírus pertencentes à família Iridoviridae.
Embora os sinais físicos nem sempre sejam
visíveis, a infecção pode manifestar-se por
meio de sintomas como letargia, perda de
apetite, hemorragias internas e externas,
além de necrose de órgãos vitais, como
fígado e baço. Esses sintomas geralmente
progridem rapidamente, levando à alta
mortalidade em populações de anfíbios
infectados. A transmissão pode ocorrer por
contato direto entre indivíduos, ingestão
de tecidos infectados ou até mesmo pela
exposição a ambientes contaminados, o
que torna a doença uma ameaça
significativa para espécies vulneráveis. Em
surtos graves, a ranavirose pode devastar
populações inteiras, especialmente em
ambientes onde os anfíbios já enfrentam
outros desafios, como a perda de habitat e
poluição (Gray & Chinchar, 2015; Chinchar
et al., 2017a e b; Duffus et al., 2015).
Além disso, há doenças como no caso da
quitridiomicose, uma infecção de pele que
afeta os anfíbios atuais, causada pelo
fungo Batrachochytrium dendrobatidis que
infecta tecidos queratinizados como a pele
dos adultos e estruturas orais em girinos
por contato próximo ou direto durante o
acasalamento (Catenazzi et al., 2013; Vieira
et al., 2013). Esta micose causa perda da
função da pele e desequilíbrio iônico, o que
pode levar à morte por parada cardíaca
(Voyles et al., 2009; Sewell et al., 2021).
Doenças Fúngicas
Doenças Virais Ações antrópicas
AMEAÇADOS
Pithecopus gonzagai Andrade, Haga,
Ferreira, Recco-Pimentel, Toledo &
Bruschi, 2020. Foto: Negromonte, I. O.
501
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Espécie terrestre de médio porte, que pode atingir cerca de 10,8 cm de comprimento
rostro cloacal. Apresenta uma cabeça larga, com glândulas paratóides em formato elíptico
ou triangular que ultrapassam as bordas laterais do corpo (Baldisseri-Júnior et al., 2004).
Possui coloração marrom-avermelhada, com manchas amarelas próximas da cloaca e, na
superfície posterior das coxas, uma linha vertebral tênue (Baldisseri-Júnior et al., 2004;
Pereyra et al., 2021). Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos
descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I
deste capítulo.
Descrição Morfológica
Bufonidae
Gray, 1825
FAMÍLIA
Sapo-cururuzinho, Cururu-pequeno
Rhinella crucifer (Wied-Neuwied, 1821)
Foto : Negromonte, I. O.
PRODUTOR DE TOXINAS
CHP-LEHP/UFRPE
Esta espécie está inserida no clado Rhinella marina , composto também por R. henseli , R.
casconi e R. ornata , tendo esta última registros de hibridização com R. crucifer , resultando
em Rhinela pombali (Baldissera et al., 2004; Pereyra et al., 2021). É noturno e pode ser
encontrado desde o interior de florestas até áreas alteradas pela antropização (Haddad et
al., 2013; Pereira et al., 2016). Geralmente ocupa bordas ou interior de poças, mas
também pode ser encontrada sobre Pistia stratiotes (Pistia) ou a 30cm do solo, sobre
vegetação herbácea, um raro registro devido ao seu médio porte, mas provavelmente
influenciado pela competição por nichos e predação (Machado & Bernarde, 2002; Haddad
et al., 2013; Guimarães & Mageski, 2015). Sobre sua dieta, juvenis e adultos podem ser
caracterizados como forrageadores passivos e possuem como presas: insetos,
principalmente formigas, aracnídeos e outros grupos, como Colembolla, Hirudinea e
Nematomorpha (Sabagh & Carvalho-e-Silva, 2008). Além disso, Rojas-Padilla et al. (2018)
documentaram uma tentativa de predação de Rhinella crucifer por Leptodactylus cf. latrans ,
também no sul da Bahia, que não fora sucedido devido ao tamanho do indivíduo (70 mm).
Esta é uma espécie de reprodução explosiva, apresenta desenvolvimento indireto com
ovos e girinos exotróficos depositados em corpos d’água lênticos (Haddad et al., 2013), e
as fêmeas apresentam tamanhos maiores que os machos (Baldisseri-Júnior, 2004). O
canto de anúncio foi descrito a partir da vocalização de 33 indivíduos amostrados no
sudeste da Bahia (Oliveira et al., 2014). Apresenta frequência dominante de 855 ± 91 Hz
(750–937,5 Hz) duração média de 3,54 ± 0,85s (3.882 ± 0,859 s), ausência de estrutura
harmônica, composto por notas iniciais mais curtas do que as seguintes (0,016 ± 0,004 s),
mantendo-se rápidas e intensas; notas centrais com duração de 0,023 ± 0,013s e emissão
de 17 a 25 notas por segundo (Oliveira et al., 2014; Silva et al., 2022). O canto de soltura
fora descrito por Silva et al. (2022) a partir de 31 vocalizações de 3 Indivíduos em
Pernambuco. Caracteriza-se como multipulsionado e harmônico com duração de 0,699 ±
0,342 s, contendo de uma a nove notas de 0,102 ± 0,114s, com 1 a 60 pulsos por nota,
intervalo entre pulsos 0,0044 ± 0,0029 s e frequência dominante de 852,977 ± 46,412 Hz.
História Natural
501
Distribuição
É endêmico do Brasil, ocorre nos biomas de Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, com
registros nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Alagoas, Sergipe,
Paraíba, Pernambuco e Bahia (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Maciel et al., 2006;
Carvalho-e-Silva et al., 2015; Segalla et al., 2021; Moura & Tavares, 2022).
126
501
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para Rhinella crucifer . Em relação às ameaças, não são conhecidas
ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em
Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos
ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
Aspectos Parasitários
Para esta espécie, é amplamente documentada a infestação por endoparasitos
acantocéfalos, como Centrorhynchus tumidulus (Travassos; 1926; Campião et al., 2015;
Oliveira e Campião, 2023), pelos nematódeos Aplectana crucifer , A. delirae ( Vicente et al,
1991; Campião et al., 2015), Cosmocerca brasiliense, C. parva, C. rara ( McAllister et al.,
2010b), Oswaldocruzia sp. , O. subauricularis ( Vicente et al, 1991; Campião et al., 2015),
Rhabdias sp, R. sphaerocephala, R. hermaphrodita ( Vicente et al, 1991; Campião et al., 2015),
Raillietnema spectans, Paraoxyascaris travassosi e Oxyascaris similis (Vicente et al, 1991) e por
trematódeos Mesocoelium sp., M. incognitum, M. travassosi, M. monas (Perez 1964;
Travassos et al., 1969, Campião et al., 2015), Gorgoderina cryptorchis, G. parvicava
( Travassos et al., 1969; Campião et al., 2015) Glypthelmins linguatula (Travassos et al.,
1969) . A cerca de ectoparasitos, há o registro de carrapatos ixodídeos para esta espécie
(Mendoza-Roldan et al., 2020).
Há um registro de amplexo interespecífico para Rhinella crucifer , cuja fêmea fora
amplexada por um indivíduo macho de Rhinella granulosa no estado da Bahia, um evento
passível de ocorrência em locais com maior abundância de espécies de reprodução
explosiva, cuja agregação é maior, estimulando o comportamento de machos satélites
(Abreu et al., 2021). Outros autores documentaram o comportamento bromelícola de
Rhinella crucifer em bromélias do gênero Aechmea principalmente em períodos secos, uma
alternativa para evitar a desidratação (Mageski et al., 2017; Souza et al., 2021).
127
Foto : Siqueira, J. V. C
É uma espécie de médio porte, com indivíduos que podem atingir cerca de 11 cm de
comprimento rostro cloacal (Lavilla & Brusquetii, 2018). Seu dorso possui uma coloração
castanho-escuro com manchas em castanho-claro segregadas por uma linha vertebral
esbranquiçada, enquanto sua região ventral é branco-acastanhado com pequenas
manchas escuras na região abdominal (Lavilla & Brusquetii, 2018; Pereyra et al., 2021).
Suas glândulas paratóides são grandes e se estendem desde a região superior do
tímpano até a região axilar (Pereyra et al., 2022). Em relação a aparência da fase larval
(girino), observar os desenhos descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para
as espécies da EET no apêndice I deste capítulo.
Descrição Morfológica
Bufonidae
Gray, 1825
FAMÍLIA
Sapo-cururu, Sapo-boi, Cururu
501
Rhinella diptycha (Cope, 1882)
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Mata do Toró
Mata do Alto da Buchada
Mata do Camucim
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PRODUTOR DE TOXINAS
CHP-LEHP/UFRPE
A espécie pertence ao clado Rhinella , anteriormente sinônimo de Rhinella schneideri
(Pereyra et al., 2022). Apresenta hábitos noturnos que pode ser encontrada vocalizando
principalmente em áreas abertas próximas de monoculturas e de corpos lênticos, sejam
permanentes ou temporários, bem como em bromélias (Souza et al., 2021; Ramalho et
al., 2022). Quanto à sua dieta, Rhinella diptycha é uma espécie generalista oportunista,
podendo se comportar tanto como forrageadora passiva ou ativa, dada sua dieta
complexa. Os adultos e juvenis possuem como principais itens alimentares formigas,
ortópteros, coleópteros e aracnídeos (Duré et al., 2009), mas os adultos possuem
registros frequentes para a ingestão de presas incomuns ao grupo, como caranguejos
( Poppiana argentiniana e Valdivia camerani ), outros anfíbios, como Rhinella granulosa
(Guimarães et al., 2004) e de forma ainda pouco conhecida, sementes e frutos, como
acerola (Severgnini et al., 2020). Ainda sobre hábitos alimentares, a espécie possui
registros de tentativas de predação de Rhinella mirandaribeiroi , gato comum Felis catus ,
ossos de galinha (Sousa & Jorge, 2023) e morcegos (Silva et al., 2010), além de um evento
de necrofagia sem sucesso, em que R. diptycha tentou predar um indivíduo morto da
mesma espécie (Costa & Brito, 2022). Rhinella diptycha possui desenvolvimento indireto e
padrão reprodutivo explosivo, correspondendo ao modo reprodutivo 1, em que os ovos
são depositados em corpos lênticos (Haddad & Prado, 2005). Acerca de dimorfismo, as
fêmeas possuem o corpo, cabeça e glândulas paratóides maiores que os machos (Arantes
et al., 2015) e apresentam manchas irregulares pretas no dorso. Esta espécie possui a
descrição do canto de anúncio e soltura. Seu canto de anúncio foi descrito com base no
registro de dez machos gravados no Rio Grande do Norte, sendo caracterizado por uma
frequência dominante de 600,59 Hz ± 51,71 Hz, composto por uma fase ascendente de
baixa energia que pode ser ouvida em todas as chamadas, caracterizada por 15,6 ±7,9
notas, e uma sequência longa de pulsos repetidos que variam de 3,8-13,9 s (Garda et al.,
2010).
501
História Natural
Distribuição
Possui ampla distribuição na América do Sul e no Brasil, podendo ser encontrada nos
estados do Distrito Federal, Bahia, Goiás, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato
Grosso do sul, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, São Paulo, Tocantins, Paraíba, Alagoas e
Pernambuco, com registro nos biomas Mata Atlântica (incluindo restinga e Brejos de
altitude), Caatinga, Cerrado e Floresta Amazônica (Borges-Nojosa, 1991; Borges-Nojosa &
Caramaschi, 2003; Oda et al., 2009; Lema & Martins, 2011; Moura et al., 2011; Moura et al.,
2012; Pereira et al., 2016; Moura e Tavares, 2022; Frost, 2024).
129
501
O canto de soltura, por sua vez, apresenta frequência dominante similar à encontrada
para o canto de anúncio, é composto por notas aleatórias de amplitudes variadas. Tada &
Sinsch (2023) ressaltaram a variação geográfica nos cantos de anúncio e de soltura
descritos anteriormente, embora enfatizem que há um padrão no canto de soltura que faz
parte do repertório comum do gênero Rhinella . O comportamento necrófilo também fora
registrado para a espécie, em que um macho amplexou uma fêmea coespecífica morta
em uma poça no Ceará (Brito et al., 2012a). Apesar de seu médio porte, Rhinella diptycha
foi documentada como presa eventual de serpentes (Guedes et al., 2018), aves, lagartos
(Luciano et al., 2020) e do Jacaré-do-papo-amarelo ( Caiman latirostris ) (Peixoto-Couto et al.,
2020).
Em trabalho de monitoramento de anuros e lagartos realizado entre maio de 2007 e
dezembro de 2008 pelo Dr. G. J. B. de Moura (dados não publicados), através de
amostragem ativa (Coleta Manual Limitada por Distância Percorrida) e passiva (Armadilhas
de Interceptação e Queda em forma de “Y”) em linhas/transectos, parcelas (“Y”) e corpos
d’água de dois fragmentos da EET (Mata do Camucim e Mata do Alto da Buchada)
descritos no capítulo 2 deste livro, foram encontrados os seguintes dados apresentados a
seguir (Moura, 2010): esta espécie apresentou uma abundância de 92 indivíduos (3.28%
do total de anuros capturados) e sete recapturas (índice de recaptura de 1.09) o que
totalizou 99 registros. Desta forma, R. diptycha foi classificada como uma espécie rara,
conforme sua abundância, com constância de ocorrência igual a 39.8% (acessória) (Dajoz,
1973), sendo 83 capturados por coleta passiva e nove por ativa. O número de capturas
nas coletas passivas mostrou-se significativamente maior (α=0.295 / gl=78 / p=0.008),
evidenciando um maior sucesso dessa metodologia para o registro dessa espécie em
ambientes florestais, como registrado também por Santana et al. (2008) na Mata Atlântica.
Rhinella diptycha apresentou uma abundância intermediária, ocupando a sexta posição no
ranking de abundância das espécies registradas. Tendo como base apenas os dados
amostrados por coleta passiva, apresentou uma densidade populacional de 0.0074
indivíduos/m²; a inexistência de trabalhos com dados dessa natureza inviabiliza qualquer
comparação. Vale ressaltar que Borges-Nojosa (1991) (n = 2), Santos (2001) (n = 12),
Silvano & Pimenta (2003) (n = 5) e Melo (2009) (n = 3) em trabalhos desenvolvidos em Mata
Atlântica com metodologias similares também registraram esta espécie em baixa
abundância, embora Lima (2004) e Amorim (2009) em remanescentes de Mata Atlântica
distantes cerca de 60 km da EET registrou essa espécie como uma das mais abundantes.
130
501
A população apresentou uma variação grande no padrão de distribuição anual, embora
tenha sido registrada em 70% dos meses de amostragem. Evidenciou um pico
populacional principal: em maio de 2007 (terceiro mês da estação chuvosa) (p = 0.019),
como registrado por Santos & Silva (1998), Lima (2004) e Amorim (2009) em Mata Atlântica
e Ferreira et al. (2008a) na Caatinga. Apresentou-se como uma espécie de reprodução
prolongada tendo sido registrada vocalizando em 10 dos 12 meses de amostragem ativa,
como registrado por Amorim (2009). Em relação à sazonalidade as abundâncias
apresentaram diferença significativa (α=0.8309/ gl=38 / p=0.008), sendo registrados por
coleta passiva 70 indivíduos (84%) nas estações chuvosas e 13 (16%) nas estações secas,
corroborando com Ferreira et al. (2008a) na Caatinga e Lima (2004) e Amorim (2009) na
Mata Atlântica que também registraram maior densidade dessa espécie na estação
chuvosa, como sugerido pela literatura para a maioria dos anuros de ambientes florestais
tropicais (Duellman & Trueb, 1994; Wells, 2007). A distribuição espacial, em relação às
linhas e as parcelas (dados amostrados por coleta passiva), não apresentou diferença em
relação às estações chuvosas (plinha = 0.397 e pparcela = 0.082) e secas (plinha = 0.086 e
pparcela = 0.106). No que se refere ao gradiente borda – centro foram registrados 40
indivíduos no centro (48%) e 42 na borda (52%), dados que não se mostraram
significativamente diferentes (α=0.158 / gl=4 / p=0.265), discordando de Santos & Silva
(1998), Lima (2004), Moura et al. (2006a); Moura et al. (2006b) e Amorim (2009), que
registraram prioritariamente essa espécie em ambiente de borda, tal divergência de
resultados pode ser fruto da real inexistência de áreas de centro no fragmento,
corroborando com Andrade & Rodal (2001), em trabalho desenvolvido com a estrutura da
vegetação da EET. Aspectos relacionados à especificidade microambiental não poderão
ser discutidos, devido ao baixo registro por coleta ativa; Apenas a título de registro a
maioria dos exemplares foram coletados nos corpos d’água 1 em especial na borda Sul
(voltada para a trilha que dá acesso ao corpo d’água), ocupando prioritariamente o
microhabitat “solo sem vegetação”, frequentando as áreas mais próximas do corpo
d’água, como registrado por Lima (2004), Amorim (2009) e Melo (2009). Quanto à largura
de nicho espacial, em relação à ocupação dos setores inseridos no gradiente borda-centro
/ Levins Ponderado (Hurlbert, 1978), a população de R. diptycha foi considerada
generalista, em ambas as estações, chuvosa (0,4187) e seca (0.2414). Segundo a literatura,
o fato de R. diptycha apresentar comportamento de forrageamento predominantemente
do tipo senta-e-espera, com maior atividade no período noturno, deveria restringir a área
de uso da espécie, porém pela sua alta plasticidade alimentar e facilidade de adaptar-se a
ambientes impactados (Frost, 2024) foi encontrado praticamente em todos os setores do
gradiente borda-centro.
131
501
Quanto à sobreposição de nicho (índice de Pianka), apresentou valor máximo com L.
troglodytes (0.707), desenvolvendo com as demais espécies relações medianas. Em relação
à proporção sexual, dentre os indivíduos coletados por coleta passiva (83), 25 (30%) foram
machos (todos adultos) e 57 (70%) fêmeas (sendo 49 adultas e oito jovens), dados que não
se mostraram significativamente diferentes (α=0.283 / gl=78 / p=0.095), corroborando com
Lima (2004). Em relação à influência dos parâmetros climáticos na flutuação populacional
de R. diptycha , foi testada a normalidade das variáveis, as quais não apresentaram
comportamento normal e em seguida constatado a correlação positiva significativa com a
pluviosidade mensal média (R = 0.69; p = 0.02), não apresentando correlações
significativas com os outros parâmetros abióticos analisados (temperatura do ar: R = 0.27,
p = 0.21; temperatura da água: R = -0.21, p = 0.32 e umidade: R = -0.29, p = 0.17),
corroborando com Machado et al. (1999), Amorim (2009) e Melo (2009), sendo esses dois
últimos em áreas próximas a EET.
132
Aspectos Parasitários
Estudos que investigaram a helmintofauna de espécimes no Rio Grande do Norte
detectaram a ocorrência dos nemátodas Rhabdias sp., Rhabdias sphaerocephala ,
Gorgoderina rochalimae , Oswaldocruzia mazzai , Aplectana membranosa e Parapharyngodon
sp.; do tremátoda Plagiorchis rangeli e do cestódeo Cylindrotaenia americana (Campião et
al., 2015; Amorim et al., 2019; Madelaire et al., 2020). Artrópodes ectoparasitos também
foram registrados, como é o caso o carrapato ixodídeo Amblyomma rotundatum (Oliveira
et al., 2018), também infectado por Rickettsia bellii , frequentemente relatado como
parasitos de carrapatos vetores da febre maculosa (Horta et al., 2015).
Usos e Ameaças
Não existem ameaças significativas que o coloquem esse animal em risco de extinção.
Apesar disso, a espécie é comercializada e usada para fins mágico-religiosos e medicinais
na Caatinga (Rodrigues & Alves, 2013; de Oliveira et al., 2016). Seu uso farmacológico se
estende à bioprospecção, em que se investiga o potencial antimicrobiano e
antiparasitário - antileishmania e antitripanossomal - das secreções de macroglândulas
paratóides (Tempone et al., 2008). Além disso, esta espécie é significativamente
vulnerável a atropelamentos em estradas próximas a remanescentes de floresta, como é
o caso das rodovias BR 232 e 423, em Pernambuco (Andrade & Moura, 2011b; Tenório et
al., 2021) e na RN 118, no Rio Grande do Norte (Pereira et al., 2018), uma vez que esta
espécie tem o hábito de forragear também nos pontos de iluminação artificial que
atraem os insetos (Fraga & Wiederhecker, 2021). Destaca-se que essa espécie é invasora
na ilha de Fernando de Noronha, onde as populações são caracterizadas por uma série
de mal formações morfofisiológicas (Santos, 2011).
Foto : Silva, W. P.
Espécie de pequeno porte com comprimento rostro cloacal médio de 59 mm (Narvaes &
Rodrigues, 2009; Frost, 2024). Possui o focinho arredondado, dorso coberto por
tubérculos de diferentes tamanhos com ápices queratinizados – o que explica seu nome
popular “Sapo-de-verruga” - podendo se apresentar castanho claro ou castanho escuro,
com manchas mais escuras espalhadas, uma linha vertebral geralmente ausente e ventre
não pigmentado, com pequenas manchas escuras pontilhadas (Narvaes & Rodrigues,
2009). Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos descritivos
propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste
capítulo.
Descrição Morfológica
Bufonidae
Gray, 1825
FAMÍLIA
Sapo-de-verruga, Sapo-granuloso
501
Rhinella granulosa (Spix, 1824)
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PRODUTOR DE TOXINAS
CHP-LEHP/UFRPE
A espécie é noturna, e pode ser encontrada desde fragmentos de floresta até áreas
abertas como bordas, clareiras de plantações e ambientes urbanos (Roberto et al., 2013;
Pereira et al., 2016). Acerca de sua dieta, a espécie pode ser caracterizada como
forrageadora passiva, tendo como itens principais em sua dieta isópteros, formigas,
coleópteros e aracnídeos (Damasceno, 2005; Santana & Juncá, 2007). Rhinella granulosa
também exerce o importante papel trófico no controle de presas invertebradas e possui
registros de predação por aves (Mesquita, 2009) e outros anfíbios, como R. diptycha .
Quanto a sua reprodução, Rhinella granulosa forma agregações próximos a poças
temporárias e deposita seus ovos em corpos d’água lênticos em períodos explosivos de
reprodução, anunciados por chuvas fortes (Haddad & Prado, 2005). As fêmeas geralmente
são maiores que os machos, e alguns estudos já relataram o amplexo interespecífico
entre um indivíduo macho de R. granulosa e uma fêmea de R. crucifer , bem como com
imago de Ceratophrys joazeirensis, o que pode ser atribuído a formação de agregações das
espécies do gênero Rhinella em poças temporárias (Gama et al., 2020; Abreu et al., 2021).
Rhinella granulosa possui seu canto de anúncio descrito, caracterizado por uma frequência
dominante de 2.906 ± 93 Hz, iniciada com um breve aumento de amplitude, depois as
frequências das notas permanecem estáveis durante todo o canto. Estribilho longo, cuja
duração é 4.034 ± 0,616 s e intervalo entre cantos de 2,43 - 6,78 s. Taxa de repetição
média de 5,6 notas por minuto, terminando abruptamente. O número de notas por canto
oscila de 89 a 278 e cada nota apresenta 4 pulsos (Giaretta et al., 2018). Como destaque,
Mângia & Santana (2013) registraram o comportamento de defesa conhecido como
“pernas-rígidas” para esta espécie, em que o indivíduo achatou o corpo
dorsoventralmente, inflou ligeiramente os pulmões e manteve suas pernas esticadas por
cerca de um minuto enquanto era manipulado. Alguns autores documentaram o
comportamento bromelícola de Rhinella granulosa em bromélias do gênero Aechmea
principalmente em períodos secos, uma alternativa para evitar a desidratação (Souza et
al., 2021).
História Natural
501
Distribuição
Esta espécie é endêmica do Brasil, amplamente distribuída nos estados do nordeste -
Bahia, Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe – e em
outros estados do sudeste, como Espírito Santo e Minas Gerais, ocorrendo nos biomas
Mata Atlântica e Caatinga (Guerra et al., 2011; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012;
Moura & Tavares, 2022).
134
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para Rhinella granulosa . Em relação às ameaças, não são
conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de
extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a
destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento
global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
501
Aspectos Parasitários
Para esta espécie, é amplamente documentada a infestação por endoparasitos
acantocéfalos, como Centrorhynchus tumidulus (Travassos; 1926; Campião et al., 2015;
Oliveira e Campião, 2023), pelos nematódeos Aplectana crucifer , A. delirae ( Vicente et al,
1991; Campião et al., 2015), Cosmocerca brasiliense, C. parva, C. rara ( McAllister et al. ,
2010b), Oswaldocruzia sp. , O. subauricularis ( Vicente et al, 1991; Campião et al., 2015),
Rhabdias sp, R. sphaerocephala, R. hermaphrodita (Vicente et al, 1991; Kloss, 1971, 1974;
Campião et al., 2015), Raillietnema spectans, Paraoxyascaris travassosi e Oxyascaris similis
(Vicente et al, 1991) e por trematódeos Mesocoelium sp., M. incognitum, M. travassosi, M.
monas (Perez, 1964; Travassos et al., 1969, Campião et al., 2015), Gorgoderina cryptorchis,
G. parvicava ( Perez, 1964; Travassos et al., 1969; Campião et al., 2015) Glypthelmins
linguatula (Travassos et al., 1969) . A cerca de ectoparasitos, há o registro de carrapatos
ixodídeos para esta espécie (Mendoza-Roldan et al., 2020).
O canto de soltura fora descrito por Silva et al. (2022) a partir de 31 vocalizações de 3
indivíduos, caracterizado como multipulsionado e harmônico com duração de 0,699 ±
0,342 s, contendo de uma a nove notas com 0,102 ± 0,114s, 1 a 60 pulsos por nota,
intervalo entre pulsos 0,0044 ± 0,0029 s e frequência dominante de 852,977 ± 46,412 Hz.
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Mata do Alto da Buchada
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É uma espécie de pequeno porte, atinge em média 25 mm de comprimento rostro cloacal
(Napoli et al., 2009). Apresenta uma coloração marrom-acinzentada, com linhas escuras
nas laterais da cabeça que vão desde seu longo focinho até a região timpânica e o dorso
pode ou não apresentar listras e marcas assimétricas (Boulenger, 1888; Napoli et al.,
2009). As fêmeas são sutilmente maiores que os machos e podem apresentar listras
dorsais (Nápoli et al., 2009).
Descrição Morfológica
Craugastoridae
Hedges, Duellman & Heinecke, 2008
FAMÍLIA
Rãzinha-do-folhiço, Rã-saltadora da Paraíba
Pristimantis ramagii (Boulenger, 1888)
LC LC
Foto : Silva-Vieira, T. C.
136
CHP-LEHP/UFRPE
É uma espécie prioritariamente terrestre e noturna, pode ser encontrada em
serrapilheira, substratos rochosos, íngremes e em bromélias fitotelmadas, podendo ter
ocorrência desde florestas primárias até ambientes antropizados (Barbosa et al., 2017). A
Rãzinha-do-folhiço, como também é chamada em diversas regiões do nordeste do Brasil,
é uma forrageadora passiva e possui uma dieta generalista, tendo como itens principais
os insetos dos clados Hemíptera, Orthoptera, Formicidae e Coleoptera, além de moluscos
e aracnídeos (Leite-Filho et al., 2017). Além disso, o porte pequeno da Rãzinha-de-folhiço e
o seu microhabitat corroboram para torná-la presa de invertebrados, como das aranhas
Pachistopelma rufonigrum (Souza et al., 2023) e Ctenus rectipes (Moura-Filho et al., 2021). O
período reprodutivo da espécie ocorre principalmente entre os meses chuvosos de junho
a setembro (Pereira et al., 2016) e, diferente da maioria das espécies do grupo, P. ramagii
possui modo reprodutivo número 23, em que ocorre o desenvolvimento direto de ovos
terrestres depositados no folhiço ou em barrancos, sem a necessidade de corpos d’água
(Haddad & Prado 2005). Esta espécie possui os cantos de anúncio (Heyer & Carvalho,
2000a) e territorial descritos (Oitaven et al., 2017). O canto de anúncio teve duração de
0,151 ± 0,052s e é composto por pulsos curtos com intervalos entre pulsos muito curtos,
de uma a quatro notas que duraram de 0,001 a 0,0033s cada, e frequência dominante de
3941.7 ± 490.78 Hz, sendo a taxa média de repetição dos cantos de 8.33 vocalizações por
minuto (Oitaven et al., 2017). Por sua vez, o canto territorial teve um único som com seis
chamadas por minuto, com duração média de 0,516s e fora composto por cinco a nove
pulsos que duraram em média 0,027 segundos; a frequência dominante, por sua vez, foi
3611.8 ± 213.9 Hz (Oitaven et al., 2017) De acordo com o coeficiente de variação
intraindividual, a duração da nota e do canto, assim como o número de pulsos, são
dinâmicas, enquanto a frequência dominante foi classificada como intermediária. Na
análise dos coeficientes interindividuais, todos os parâmetros analisados passaram a ser
classificados como dinâmicos, exceto a frequência dominante e a duração da nota
(Oitaven et al., 2017). Além do comportamento acústico, alguns trabalhos relatam o
comportamento bromelícola habitual para a Rãzinha-do-folhiço principalmente em
períodos secos (Albertin et al., 2010) e interações foréticas com zooplânctons das espécies
Anuraeopsis fissa , Lecane nana , Lepadella patella, além de um indivíduo da classe Bdelloidea
entre bromélias (Morais-Júnior et al., 2019).
História Natural
Distribuição
Esta espécie é endêmica do nordeste brasileiro, com registros de ocorrência na Caatinga e
na Mata Atlântica dos estados da Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Bahia (Albertin
et al., 2010; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Santana et al., 2008; Pereira et al., 2016;
Moura & Tavares, 2022; Frost, 2024).
137
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para Pristimantis ramagii . Em relação às ameaças, não são
conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de
extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição
dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025). No entanto, o
registro de infecção pelo Batrachochytrium dendrobatidis requer atenção, uma vez que
espécies terrestres podem carecer de respostas adaptativas à infecção, o que representa
um importante ponto a ser considerado em sua conservação (Lambertini et al., 2021).
Aspectos Parasitários
No que se refere aos aspectos parasitológicos, apenas Lambertini et al. (2021)
investigaram esse tema em relação a Pristimantis ramagii , reportando a ocorrência de
Batrachochytrium dendrobatidis , o fungo causador da quitridiomicose. P. ramagii exibiu a
maior intensidade de infecção no trabalho supracitado, sugerindo que a história natural
desta espécie pode ser um fator crucial na intensidade da infecção pelo fungo.
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Foto : Freitas, M. A.
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Possui coloração críptica, a pele do dorso pode variar de tons acastanhados a cinza,
muitas vezes com manchas escuras irregulares. O ventre é mais claro, e tende a ser
esbranquiçado ou amarelado. O comprimento rostro cloacal dos adultos geralmente varia
entre 20 e 30 mm (Nascimento & Skuk, 1993).
Descrição Morfológica
FAMÍLIA
Rãzinha
Pristimantis vinhai (Bokermann, 1975)
LC LC
Foto : Freitas, M. A.
139
CHP-LEHP/UFRPE
Craugastoridae
Hedges, Duellman & Heinecke, 2008
Podem ser encontradas em troncos, galhos, folhas da vegetação baixa e bromélias de 0 a
2 metros do solo, na serrapilheira e sob folhas da vegetação arbustiva. Geralmente
começa a vocalizar no pôr do sol e se estende por toda a noite (Dias et al., 2014).
História Natural
Aspectos Parasitários
Ainda não há trabalhos publicados sobre os possíveis parasitos de Pristimantis vinhai .
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para Pristimantis vinhai . Em relação às ameaças, não são
conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie eou suas populações em risco de
extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a
destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento
global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
Distribuição
Ocorre na Bahia, Sergipe, Paraíba e Pernambuco (Silvano & Pimenta, 2003; Juncá, 2006;
Morato et al., 2011; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Santana et al., 2016; Santos et
al., 2016; Moura & Tavares, 2022).
140
Foto : Betanin, L.G.
Apresenta porte médio, atingindo aproximadamente 5 cm de comprimento rostro cloacal.
Seu dorso apresenta a cor verde e o ventre é branco, as regiões internas das coxas
possuem cor laranja assim como as membranas interdigitais, a íris é branca e a pupila
preta (Moura et al., 2024a, b, c) Conhecida popularmente como “perereca verde” devido a
sua coloração. Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos
descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I
deste capítulo.
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca-verde
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Boana albomarginata (Spix, 1824)
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CHP-LEHP/UFRPE
Distribuição
Caracteriza-se por apresentar ampla distribuição dentro do bioma Mata Atlântica (Frost,
2024), incluindo Brejos de Altitude (Borges-Nojosa, 1991; Borges-Nojosa e Caramaschi,
2003). É uma espécie endêmica do Brasil, com registros desde o estado do Rio Grande do
Norte até Santa Catarina (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Rossa-Feres et al., 2017;
Pimenta et al., 2014; Segalla et al., 2021).
História Natural
Pode ser encontrada em bordas de florestas, áreas abertas próximas a florestas, restingas
e áreas degradadas (Haddad et al., 2013). B. albomarginata é noturna, e sua dieta se baseia
em Acarina, Araneae, Coleoptera, Lepidoptera, Orthoptera, Scorpiones, larvas de insetos e
acidentalmente material vegetal. Sobre a reprodução, o pico da estação reprodutiva
acontece nos meses mais quentes e úmidos, porém é possível encontrar machos
vocalizando durante todo o ano. Eles vocalizam empoleirados na vegetação marginal de
poças temporárias ou permanentes (Haddad et al., 2013) e apresentam grandes
agregações reprodutivas (Bertoluci & Rodrigues, 2002). Além disso, dispõem quatro tipos
diferentes de comunicações visuais associadas ao seu comportamento reprodutivo
(Hartmann et al., 2005) e um complexo comportamento de corte e disputa com machos
rivais (Giasson & Haddad, 2006). A desova é depositada diretamente na água,
e os girinos possuem hábito bentônico (Pimenta et al., 2014). A vocalização dessa espécie
possui estrutura multi pulsionada e harmônica, na qual o canto de anúncio é subdividido
em dois tipos de acordo com o contexto de emissão. O primeiro tipo é o canto com
apenas uma nota, esporádico, emitido mais comumente no início e fim da atividade na
poça, dentro da mata e também em noites com baixa densidade de indivíduos. Já o
segundo tipo, é um canto ritmado, com notas sucessivas e com intervalos regulares de
repetição, emitido durante o período de maior atividade e possuindo de duas a mais de
vinte notas (Giasson, 2003). O canto de estresse foi descrito por Figueiredo-de-Andrade et
al. (2010). O canto é composto por uma nota harmônica, não pulsada com duração média
de 0,14 ± 0,10 s, intervalo entre as notas de 0,5 ± 0,43 s e frequência dominante de 1,74 ±
0,34 kHz.
Em trabalho de Monitoramento de anuros e lagartos realizado entre maio de 2007 e
dezembro de 2008 pelo Dr. G. J. B. de Moura (dados não publicados), através de
amostragem ativa (Coleta Manual Limitada por Distância Percorrida) e passiva (Armadilhas
de Interceptação e Queda em forma de “Y”) em linhas/transectos, parcelas (“Y”) e corpos
d’água de dois fragmentos da EET (Mata do Camucim e Mata do Alto da Buchada)
descritos no capítulo 2 deste livro serão apresentados a seguir (Moura, 2010): Apresentou
uma abundância de 175 indivíduos (6.24% do total de anuros capturados); sendo
classificada quanto à abundância como uma espécie rara (Bodenheimer, 1995), com
constância de ocorrência igual a 50% (constante) (Dajoz, 1973), sendo todas as capturas
por coleta ativa.
142
Boana albomarginata apresentou-se com alta abundância, ocupando a quarta posição no
ranking das espécies registradas; corroborando com os trabalhos de Santos (2001) e Melo
(2007) realizados também na EET e Amorim (2009) na Usina São José, distante cerca de
60km da EET, embora Borges-Nojosa (1991) e Borges-Nojosa & Caramaschi (2003) em
Brejos de Altitude e Santos & Silva (1998) e Juncá (2006) na Mata Atlântica tenham
registrado essa espécie como uma das menos abundantes, o que pode ser resultado das
diferentes condições climáticas e grau de conservação dos fragmentos (Rodrigues, 1998).
501
143
A população apresentou uma variação grande no padrão de d istribuição anual, embora
tenha sido registrada em todos os meses de exi stência dos corpos d’água temporários (10
meses: março a dezembro) como registrado por Santos & Silva (1998), Santos (2001), Lima
(2004), Melo (2007) e Amorim (2009), todos em Mata Atlântica relativamente próxima. Vale
ressaltar que neste trabalho e em todos os supracitados a população apresentou pico na
estação chuvosa, como sugerido pela literatura para a maioria dos anuros tropicais
(Duellman & Trueb, 1994 e Wells, 2007), tendo o clima como um fator preponderante para
regular a dinâmica populacional dessa espécie (Rodrigues, 1998). Em relação ao período
reprodutivo, foi registrada durante toda a estação chuvosa em atividade de vocalização,
predominantemente nos primeiros meses de existência dos corpos d’água (início da
estação chuvosa), enquadrando-se na categoria de “espécie com reprodução prolongada”;
quanto à sequência de ocupação dos corpos d’água foi classificada com uma “espécie
pioneira”, colonizando os ambientes aquáticos nas primeiras semanas com acúmulo de
água e mantendo-se em alta densidade até o desaparecimento do corpo d’água. Tais
registros corroboram com o fato do recurso distribuição e intensidade de chuvas ocupar
um papel de destaque na regulação dos padrões sazonais de B. albomarginata , como
sugerido por Santos & Silva (1998), Santos (2001), Lima (2004), Moura (2004), Melo (2007) e
Amorim (2009) todos desenvolvidos em ambiente de Mata Atlântica. Em relação à
especificidade ambiental, foi registrada predominantemente sobre as lâminas d’água de
ambientes lênticos temporários (corpo d’água 1 e 3), como registrado por Santos (2001),
Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (2009), embora este último trabalho também tenha
registrado a espécie em riachos; devido principalmente a menor quantidade de
predadores, em especial peixes (Altig & McDiarmid, 1999).
Quanto à especificidade microambiental, foi registrada prioritariamente nos
microambientes “folha de vegetação aquática emergente” (p=0.001) e “galho de vegetação
aquática emergente” (p=0.001), como registrado por Santos (2001) e Melo (2007) na EET e
em outros fragmentos de Mata Atlântica do Nordeste (Lima, 2004; Santos et al., 2004;
Amorim, 2009) e sudeste do País (Lutz, 1973; Giasson, 2003), embora tenha sido registrada
esporadicamente em outros microambientes.
501
144
Em relação à distância da borda, foi registrada preferencialmente nos dois primeiros
metros da borda em direção ao centro dos corpos d’água, onde encontra-se uma
estrutura da vegetação (vegetação marginal) mais expressiva. Quanto a distribuição
vertical, concentrou-se significativamente entre 0 e 20cm de altura (p=0.001), tendo sido
registrada até a cinco metros de altura. Vale ressaltar que embora a especificidade
espacial de B. albomarginatus mostre-se similar a D. minutus e D. branneri , ela ocupa uma
vegetação bem diferenciada, com folhas, hastes e galhos mais robustos, que suportem
sua massa (= 5.2g), pois se mostra bem maior em relação a D. minutus ( +/- 0.7g) e D.
branneri ( +/- 0.5g). O padrão de distribuição espacial aqui apresentado corrobora com os
trabalhos de Arzabe (1998), Santos (2001), Lima (2004), Prado & Pombal (2005), Melo
(2007), Santana et al. (2008) e Amorim (2009), todos desenvolvidos em ambientes de Mata
Atlântica. Quanto à largura de nicho espacial, em relação à especificidade microambiental
/ Levins Padronizado, a população de B. albomarginata foi considerada generalista, em
ambos os corpos d’água, 1 (0.424) e 3 (0.212), embora tenha apresentado picos de
abundância nos microhabitats supracitados. Em relação à distância da borda
externamente ao corpo d’água, 1 e 3, apresentou valores intermediários, respectivamente
0.370 e 0.375 e internamente (corpo d’água 1: 0.538 e 3 : 0.477). No que se refere à
distribuição vertical externa (corpo d’água 1: 0.575 e 3: 0.712) e interna (corpo d’água 1:
0.580 e 3: 0.675) mostrou-se tendendo a uma especialidade na utilização desses recursos
(espaço). Vale ressaltar que Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (20 09),
dentre os aspectos analisados em comum, registraram o mesmo padrão de distribuição
espacial para a espécie. Quanto à sobreposição de nicho (índice de Pianka), em relação à
especificidade microambiental, apresentou valores altíssimos com cinco espécies de
hilídeos no corpo d’água 1: D. branneri (0.825), D. decipiens (0.935), D. minutus (0.811), P.
gonzagai (0.888), S. auratus (0.840) e S. eurydice (0.924), e uma no corpo d’água 3: S. eur ydice
(0.902). Em relação à distância externa da borda no corpo d’água 1 com D. branneri (0.912),
D. m inutus (0.864), S. eurydice (0.966) e S. x-signatus (0.834), e no corpo d’água 3 com S. x-
signatus (0.959). Quanto à distância interna da borda no corpo d’água 1 com D. branneri
(0.888), D. minutus (0.929), P. gonzagai (0.864) e S. auratus (0.839), e no corpo d’água 3 com
L. natalensis (0.891), sendo esta última teór ica, pois se segregam verticalmente, como
registrado por Crump (1971).
Em relação à distribuição vertical externamente com D. branneri (0.890) e D. decipiens
(0.832) no corpo d’água 1 e S. auratus (0.911) no corpo d’água 3; e internamente no corpo
d’água 1 com D. decipiens (0.923), P. gonzagai (0.805) e S. x-signatus (0.963) e no corpo
d’água 3 com D. minutus (0.837). A expressiva sobreposição entre os hilídeos deve-se às
expansões digitais na porção distal dos artelhos, que os concentram em sítios aéreos,
além de conferir vantagens adaptativas sobre as espécies terrestres (Cardoso et al., 1989;
Pombal-Júnior, 1997), como registrado por Bokermann (1967), Lutz (1973), Giasson , 2003.
Em relação à proporção sexual, foram registradas 45 fêmeas e 52 machos no corpo d’água
1, valores que não se mostraram significativamente diferentes (X² = 0.505 / p = 0.4772),
assim como em relação ao corpo d’água 3, 29 fêmeas e 13 machos (X² = 6.095 / p =
0.0536), corroborando com Giasson (2003). Vale ressaltar que Lima (2004) registrou uma
quantidade expressiva de fêmeas na estação chuvosa, enquanto na estação seca de
machos. Em relação à influência dos parâmetros climáticos na flutuação populacional de
B. albomarginata , foi testada a normalidade das variáveis, as quais não apresentaram
comportamento normal e em seguida constatado a não correlação significativa com
nenhum dos parâmetros abióticos analisados (temperatura do ar: R = 0.23, p < 0.22;
temperatura da água: R = 0.09, p < 0.63; umidade: R = -0.02, p < 0.88 e pluviosidade: R =
0.35, p < 0.31), corroborando com Santos & Silva (1998), Santos (2001), Lima (2004), Melo
(2007) e Amorim (2009), todos os trabalhos realizados em fragmentos de mata Atlântica
próximos a EET; embora a literatura ressalte que dentre as variáveis climáticas, a
precipitação exerce forte influência na dinâmica populacional dos anuros tropicais (Wells,
2007).
501
145
Aspectos Parasitários
São conhecidos registros dos acantocéfalos Pseudoacanthocephalus lutzi (Campião et al.,
2015) , e e stágios larvais infecciosos de Centrorhynchus sp . (Martins-Sobrinho et al. 2017) e
dos nematódeos Brevimulticaecum sp ., Cosmocerca parva, Rhabdias sp ., Physaloptera sp . e
Oswaldocruzia sp . (Lins, 2020).
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para B. albomarginata . Em relação às ameaças, não são
conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de
extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a
destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento
global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
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Mata do Toró
Mata do Alto da Buchada
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É uma espécie de pequeno porte, com 4 cm de comprimento rostro cloacal. Sua coloração
é bastante característica, a região dorsal é predominantemente verde com manchas e
pequenos pontos vermelhos, apresenta nítidas linhas dorsolaterais amarelas e vermelhas.
Esta espécie está intimamente relacionada com B. punctata , mas difere pela cabeça maior
e focinho mais curto, dois grupos curtos e contíguos de dentes vomerianos, e coanas
aproximadamente circulares (Caramaschi & Velosa, 1996).
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca-verde
Boana atlantica (Caramaschi & Velosa, 1996)
LC LC
Foto : Freitas, M. A.
CHP-LEHP/UFRPE
Pode ser encontrada nas bordas e interior de florestas primárias e secundárias, incluindo
florestas degradadas. É uma espécie noturna e provavelmente se esconde dentro de
folhas, galhos e troncos de vegetação durante o dia, se alimenta principalmente de
Araneae (Claudio et al., 2018). Sobre a reprodução, os machos vocalizam durante todo o
ano (Camurugi & Juncá, 2013) em lagoas permanentes (Carnaval & Pimenta, 2004). O tipo
de amplexo é axilar, no qual um ou dois dedos do macho se posicionam acima do braço
da fêmea, ou amplexo cefálico. A variação na posição dos dedos provavelmente está
relacionada ao dismorfismo sexual nessa espécie, onde o macho é maior que a fêmea
(Camurugi & Juncá, 2013). Os girinos são bentônicos, com coloração críptica e não formam
agregações (Nascimento et al., 2009). O canto de anúncio de B. atlantica foi descrito por
Napoli & Cruz (2005), apresenta quatro a oito notas, a amplitude de duração do canto é de
0,19-0,44 s, o tempo de duração da nota 12- 22,37 ms. Possui duas faixas espectrais
(harmônicos) distintas, o harmônico de frequência mais baixa tem 0,68 -1,90 kHz, e o
harmônico de frequência mais alta 2 - 3,68 kHz. A frequência dominante tem 0,84 -1,28
kHz, mas em alguns casos pode variar entre 2,18-2,53kHz. De acordo com Taboada et al.
(2017), a espécie é fluorescente, ou seja, capaz de brilhar na luz UV. Este foi o segundo
relato de fluorescência em anfíbios, o primeiro foi o da B. punctata . A hipótese é de que a
presença de biliverdina, pigmento de cor verde presente na pele, provoca essa
característica.
História Natural
501
Distribuição
Endêmica do Brasil, tem ocorrência na Mata Atlântica nordestina, e possui registros
conhecidos para os estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco e Paraíba (Silvano & Pimenta,
2003; Nascimento et al., 2009; Camurugi et al., 2010; Moura et al., 2011; Moura et al.,
2012; Dias et al., 2014a; Almeida et al., 2016; Roberto et al., 2017; Moura & Tavares, 2022).
147
Aspectos Parasitários
Quanto aos aspectos parasitológicos de B. atlantica , Oliveira et al. (2012) registraram casos
de miíase, causada por moscas sarcófagas, em dois indivíduos, e em ambos as larvas
foram encontradas em ulcerações acima da cloaca.
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para B. atlantica . Em relação às ameaças, não são conhecidas
ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em
Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos
ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
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148
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Mata do Toró
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Foto : Negromonte, I.
Esta é uma espécie de médio porte. Os machos apresentam comprimento rostro cloacal
entre 5,8 e 7,1 cm, enquanto as fêmeas medem de 6,1 a 7,1 cm (Casal & Juncá, 2008). Sua
coloração é bastante característica: durante o dia, apresenta tonalidade cinza homogênea,
com manchas escuras indistintas distribuídas pelo corpo, além da íris de coloração
amarelo vibrante. À noite, a coloração de fundo do dorso torna-se amarelada, com
manchas marrons-escuras em forma de "X", estendendo-se entre a região da cintura
escapular e a região sacral (Eterovick et al., 2020). Devido a esse padrão cromático, tanto
diurno quanto noturno, a espécie é popularmente conhecida como “perereca-cinza” (Casal
& Juncá, 2008).
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca-cinza
Boana crepitans (Wied-Neuwied, 1824)
LC LC
CHP-LEHP/UFRPE
Pode ser encontrada em ambientes temporariamente alagados e com vegetação
herbácea próximo a corpos d’água, sendo comumente associada a áreas abertas e
modificadas pela presença humana (Feio & Caramaschi, 2002; Azarak et al., 2011). Boana
crepitans possui período de atividade noturno, e sua dieta é composta por pequenos
animais dos clados Orthoptera, Araneae, Coleoptera e Hymenoptera. Sua reprodução é
prolongada (Azarak et al., 2011), os machos vocalizam no solo ou sobre a vegetação
próxima às margens de corpos d’água, os ovos são depositados em pequenas poças nas
bordas dos corpos d’água e, à medida que as chuvas elevam o nível de água, as poças são
inundadas e os girinos são levados para o corpo d’água maior, onde concluem seu
desenvolvimento. Os girinos são de tonalidade marrom clara com manchas descoloridas
de formato arredondado, são bentônicos e encontrados ao longo do ano (Eterovick et al.,
2020). O canto de anúncio é composto principalmente por três notas multipulsadas, com
as primeiras notas possuindo as menores intensidades, pulsos e duração. O número de
pulsos da primeira nota varia entre 3 e 4, enquanto a última apresenta 17 – 33 pulsos. O
intervalo entre os cantos varia em média 0,40 s ± 0,10 e a frequência dominante do canto
com média de 0,80 ± 0,10 kHz (n=189) (Casal & Juncá, 2008).
História Natural
501
Aspectos Parasitários
No que diz respeito à presença de parasitos nessa espécie, já foram registrados os
helmintos Aplectana hylambatis, Cosmocerca parva, Cylindrotaenia americana, Glypthelmins
vitellinophilum e Oswaldocruzia proencai (Campião et al., 2015).
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para B. crepitans . Em relação às ameaças, não são conhecidas
ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em
Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos
ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
Distribuição
Esta espécie ocorre no Panamá, norte da Colômbia, Venezuela, Ilhas de Trinidad e Tobago,
Brasil e grande parte das Guianas. Embora seja típica do bioma Mata Atlântica, a espécie
já foi registrada para o Cerrado e a Caatinga brasileira, com registro nos estados de
Goiás, Minas Gerais, Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe (Feio & Caramaschi,
1995; Casal & Juncá, 2008; La Marca et al., 2010; Moura et al., 2011; Moura et al, 2012).
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Mata do Toró
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Essa espécie apresenta tamanho corpóreo de médio a grande, o comprimento rostro
cloacal médio é de 8,8 cm em machos e 9,0 cm em fêmeas. Seu dorso varia do marrom
escuro ao bege, com uma linha escura discreta do focinho à altura dos braços ou próximo
à região sacral e, em alguns indivíduos, com manchas marrons ou pretas no dorso
(Eterovick et al., 2020). Conhecida popularmente como “sapo-ferreiro” ou “sapo-martelo”,
por conta da sua vocalização característica que lembra um martelo.
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Sapo-ferreiro, Sapo-martelo
Boana faber (Wied-Neuwied, 1821)
LC LC
Foto : Freitas, M. A.
CHP-LEHP/UFRPE
Esse animal vive em florestas tropicais úmidas e nas bordas dessas florestas, é comum em
locais antropizados, durante o dia abriga-se na vegetação ou em frestas (Eterovick et al.,
2020). Boana faber possui hábito prioritariamente noturno, e até o momento sua dieta é
composta por Coleoptera, Homoptera, Orthoptera, Blattodea, Lepidoptera, Hemiptera,
Araneae e crustáceos isópodes (Diniz, 2013). Reproduz-se fazendo ninhos em corpos
d’água temporários ou permanentes, incluindo corpos d’água artificiais, e perto de riachos
de fluxo lento (Lavilla et al., 2010). A época reprodutiva acontece entre os meses de
dezembro e março, os machos vocalizam ao lado de pequenas depressões construídas
nas margens de remansos, lagos e brejos. São territoriais, os combates entre os machos
são comuns e podem ter graves consequências, já que eles têm uma estrutura em forma
de espinho curvado, o prepólex, no qual um macho usa contra outro quando se sente
ameaçado. As fêmeas depositam as desovas após verificarem se a depressão feita pelo
macho é segura. Os ovos são pretos e numerosos. Os girinos inicialmente são pretos e
durante o desenvolvimento ficam castanhos com alguns tons de marrom. São bentônicos
e ativos durante a noite (Eterovick et al., 2020). No que diz respeito a vocalização de B.
faber , o canto de anúncio é estereotipado, pulsado, com apenas uma nota, variando de 0,3
a 4,0 kHz, com frequência dominante de 1,0 a 1,5 kHz e duração de 0,08 s. Ele soa como
um golpe de martelo, com alta intensidade e taxa de repetição variável de 107 a 124
chamadas por minuto. Quando um macho avista uma fêmea próxima, a taxa de repetição
varia entre 170 e 180 notas por minuto (Martins & Haddad, 1988).
História Natural
501
Distribuição
Sua distribuição vai do leste do Paraguai e norte do Rio Grande do Sul até o extremo
nordeste brasileiro, ocorrendo em grandes porções dos biomas da Mata Atlântica e do
Cerrado, ocorrendo nos estados de Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais, São
Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Alagoas, Bahia, Paraíba, Sergipe e Pernambuco (Moura et al.,
2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022; Martins & Haddad, 1988; Frost, 2024).
151
Aspectos Parasitários
Os parasitos já registrados para a espécie foram: Cosmocercidae, Falcaustra mascula ,
Ochoterenella sp., Oswaldocruzia subauricularis , Raillietnema simples , Rhabdias sp.,
Schrankiana sp. (Toledo et al., 2018) e Physaloptera sp. (Garcia, 2022). Ainda no quesito
saúde, destaca-se que Preuss et al. (2016) registrou indivíduos infectados por
quitridiomicose na região sul do Brasil, fungo que ataca a pele dos anfíbios, interferindo
em seus batimentos cardíacos.
501
152
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para B. faber . Em relação às ameaças, não são conhecidas
ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em
Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos
ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
Foto : Botelho, L.
É uma espécie grande, com comprimento rostro cloacal médio variando de 7 a 7,5 cm.
Possui a cabeça larga, dorso liso com coloração creme amarelada e abdome com
coloração homogênea, é frequente a presença de faixas transversais no dorso, e a parte
posterior das coxas com faixas transversais escuras sobre fundo rosa escuro (Vaz-Silva et
al., 2020).
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca
501
Boana raniceps (Cope, 1862)
Foto : Silva, W.P.
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CHP-LEHP/UFRPE
Utiliza diversos habitats, como folhas e ramos da vegetação às margens de corpos d’água,
brejos e lagos, naturais ou artificiais, temporários ou permanentes, durante o período
chuvoso (La Marca et al., 2004; Zina et al., 2010). Possui período de atividade noturno, sua
dieta normalmente é composta por animais das classes Arachnida e Insecta, além de
materiais vegetais e larvas (Rodrigues, 2023). Apresenta reprodução prolongada, os
machos são territorialistas, defendendo seus sítios através de vocalização e raramente
entram em combate físico (Guimarães & Bastos, 2003). Usam corpos d’água temporários,
ou habitats degradados e áreas urbanas para se reproduzirem (La Marca et al., 2004). O
amplexo é axilar, com o macho segurando de maneira firme o corpo da fêmea, podendo
se estender por até cinco horas, a postura dos ovos é agrupada e envolvida por uma
substância gelatinosa (Guimarães & Bastos, 2003). Os girinos são caracterizados pelo
corpo ovóide em vista dorsal, deprimido em vista lateral (Rossa-Feres & Nomura, 2006). O
canto de anúncio mais utilizado pela espécie apresenta estrutura pulsionada e tem
duração média de 165,88 ms, sendo formada de 4 a 10 pulsos. A duração média dos
pulsos é de 23,78 ms e a frequência dominante atinge, em média, 900,64 Hz. A taxa média
de repetição dos cantos é de 45,85 notas/min. Já o canto territorial consiste em uma nota
com duração média de 592,2 ms e frequência dominante de 735,69 Hz (Guimarães &
Bastos, 2003).
História Natural
501
Aspectos Parasitários
Sobre aspectos parasitológicos, para B. raniceps já foram registradas três espécies de
nematódeos: Aplectana hylambatis (González & Hamann, 2006); Cosmocerca parva
(González & Hamann, 2011); e Oswaldocruzia proencai (Lent et al., 1946), além dos
platelmintos Cylindrotaenia americana (Yamaguti, 1959) e Glypthelmins vitellinophilum
(Travassos et al., 1969).
Distribuição
Pode ser encontrada na Colômbia, Venezuela, Guiana Francesa, Brasil, Paraguai, Argentina
e Bolívia (La Marca et al., 2004). No Brasil, encontra-se praticamente em todos os biomas,
ocorrendo nos estados do Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Maranhão, Piauí,
Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul, Goiás, São Paulo, Tocantins, Paraná e Distrito Federal (Zina et al., 2010; Moura et al.,
2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022).
154
501
155
Usos e Ameaças
Há comprovação da presença de peptídeos na secreção cutânea de B. raniceps , com
atividade antiproliferativa sobre o fungo patogênico Candida albicans , predominante em
infecções em humanos (Magalhães et al., 2008). Em relação às ameaças, não são
conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de
extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a
destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento
global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
Foto : Siqueira, J.V.C.
Boana semilineata é uma perereca de médio porte, com comprimento rostro cloacal
aproximado de 40 mm nos machos e 50 mm nas fêmeas (Peloso et al., 2018; Moura et al.,
2024a,b,c). Sua diagnose é caracterizada por uma linha escura dorso-longitudinal que se
estende das narinas até a região sacral, sobre um fundo dorsal variando entre
amarronzado, alaranjado e amarelado; além da presença de um apêndice calcâneo bem
desenvolvido e presença de uma membrana palpebral reticulada (Peloso et al., 2018).
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca-dormideira
501
Boana semilineata (Spix, 1824)
Foto : Freitas, A.F.F.
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LC
CHP-LEHP/UFRPE
Espécie predominantemente arborícola, encontrada em vegetação de baixa altura
próxima a corpos d'água permanentes ou temporários, como lagoas e brejos. Durante o
período reprodutivo, que coincide com a estação chuvosa, a espécie apresenta
comportamento de reprodução explosiva, formando densas agregações de machos
vocalizando em áreas abertas ou nas margens desses corpos d'água (Garda et al., 2010;
Lisboa et al., 2011). Sua reprodução ocorre em corpos d'água temporários e permanentes,
com vocalizações de anúncio realizadas principalmente durante a estação chuvosa,
quando os machos formam coros para atrair as fêmeas (Lisboa et al., 2011). Sua dieta é
composta predominantemente por artrópodes, com destaque para coleópteros e ácaros,
evidenciando um comportamento alimentar oportunista, relacionado à disponibilidade
local de presas (Protázio et al., 2018). Segundo Dubeux et al. (2020), o girino de B.
semilineata possui corpo oval em vista dorsal e globular-deprimido lateralmente, com
focinho oval e olhos dorsais; o disco oral é anteroventral, com papilas marginais
lateroventrais e fórmula dentária 2(2)/4(1); o espiráculo é sinistral e o tubo de ventilação é
dextro, enquanto a cauda representa cerca de 60% do comprimento total do corpo, com
nadadeiras arqueadas.
História Natural
501
Aspectos Parasitários
Não há registros específicos de parasitos associados a Boana semilineata na literatura
científica atual. No entanto, dados sobre parasitas em outras espécies do gênero Boana e
em anuros brasileiros em geral sugerem que B. semilineata pode estar sujeita a infecções
parasitárias semelhantes (Campião et al., 2015). Portanto, estudos adicionais são
necessários para confirmar a presença e identificar os parasitos específicos associados a
essa espécie.
Distribuição
É uma espécie endêmica do Brasil, com registros confirmados em Pernambuco, Paraíba,
Alagoas, Sergipe, Bahia e Rio Grande do Norte, especialmente em áreas de Mata Atlântica
e suas zonas de transição (Moura et al., 2011; Peloso et al., 2018; Moura & Tavares, 2022;
Frost, 2024).
157
Usos e Ameaças
Não são conhecidos usos específicos para Boana semilineata . Além disso, até o momento
não foram identificadas ameaças que coloquem essa espécie ou suas populações em
risco de extinção no estado de Pernambuco (Moura & Tavares, 2022). Contudo,
reconhece-se que a degradação dos ambientes florestais, a poluição dos ecossistemas
naturais e o aquecimento global constituem ameaças potenciais para os anuros em geral
(IUCN, 2025; Moura et al., 2023).
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PRODUTOR DE TOXINAS
Esta espécie apresenta comprimento rostro-cloacal médio de 73,0 mm e pesa em média
21,1 g. Possui corpo áspero, uma derme craniana co-ossificada e uma cabeça achatada
coberta por pequenos espículos, os quais contribuem para a minimização da perda de
água em ambientes áridos (Navas et al., 2002; Jared et al., 2005). É coberta por verrugas
compostas por glândulas mucosas e granulares que liberam secreções brancas e
odoríferas tóxicas e eficazes contra predadores (Jared et al., 1995; Jared et al., 1999).
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Pererequinha-de-capacete
Corythomantis greeningi Boulenger, 1896
158
LC LC
Foto : Negromonte, I. O.
CHP-LEHP/UFRPE
Possui uma cabeça achatada com a pele fundida ao crânio, formando uma estrutura co-
ossificada, permitindo que se refugie em fendas usando a cabeça como uma “tampa” para
selar a entrada, protegendo-se contra predadores e minimizando a perda de água (Jared
et al., 2005). Apresenta glândulas cutâneas especializadas que produzem secreções
tóxicas. É uma das poucas espécies de anfíbios anuros com estrutura inoculadora de
veneno conhecidas (espécie venenosa e peçonhenta), utilizando um espinhos cranianos
associado ao adenômero da glândula para injetar veneno em potenciais ameaças (Jared et
al., 2015). A reprodução ocorre durante a estação chuvosa, os machos estabelecem
territórios próximos a corpos d’água temporários e vocalizam para atrair fêmeas. Os ovos
são depositados em superfícies submersas, e os girinos se desenvolvem nesses ambientes
aquáticos temporários (Jared et al., 1999).
História Natural
Aspectos Parasitários
O nemátoda Ozolaimus cirratus foi identificado parasitando o intestino de indivíduos no
Ceará (Silva et al., 2024). Também foi descrita uma nova espécie de nemátoda,
Parapharyngodon pereiramendoi , parasitando o intestino grosso de indivíduos em áreas do
bioma Caatinga (Almeida et al., 2024). Além disso, o anelídeo Dero (Allodero) lutzi foi
encontrado no ducto urinário de espécimes coletados em enclaves de floresta tropical no
semiárido nordestino (Santos et al., 2020). Há ainda relatos de malformações em
membros posteriores de C. greeningi possivelmente relacionadas à presença de
trematódeos do gênero Ribeiroia, o que aponta para potenciais efeitos de parasitas sobre
o desenvolvimento morfológico da espécie (Ferreira et al., 2019).
Distribuição
Anuro endêmico do Brasil, ocorre nos biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, sendo
encontrado nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais,
Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins (Silvano & Pimenta,
2003; Moura et al., 2011; Frost, 2024; ICMBio, 2024).
159
Usos e Ameaças
Atualmente, não há registros de usos de C.
greeningi por comunidades humanas. Em relação
às ameaças, não são conhecidas ameaças que
possam colocar essa espécie ou suas populações
em risco de extinção em Pernambuco (Moura &
Tavares, 2022), embora se reconheça que a
destruição dos ambientes florestais, a poluição
dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros
em geral (IUCN, 2025). Foto : Negromonte, I. O.
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CHP-LEHP/UFRPE
Foto : Siqueira, J. V. C.
É uma espécie de anuro com comprimento rostro cloacal entre 15 e 20 mm (Izecksohn et
al., 2001). Apresenta um padrão dorsal caracterizado por uma faixa escura que se estende
desde a região ocular até a região inguinal, além de frequentemente apresentar uma
mancha branca abaixo dos olhos. Em relação a aparência larva, observar os desenhos
descritivos propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I
deste capítulo.
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Pererequinha-do-brejo
Dendropsophus branneri (Cohran, 1948)
160
LC LC
Em termos de comportamento, D. branneri adota uma estratégia de forrageio do tipo
"senta-e-espera", com hábitos noturnos. Os indivíduos são frequentemente encontrados
em vegetações herbáceas próximas a corpos d'água, ambientes propícios para sua
reprodução (Santana et al., 2008).
501
História Natural
161
A espécie distribui-se em áreas que vão desde a região Nordeste até o Sudeste do Brasil
(Frost, 2024). A espécie apresenta ampla distribuição dentro do bioma Mata Atlântica
(Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022; Frost, 2024), incluindo
Restingas (Santana, 2006) e Brejos de Altitude (Borges-Nojosa, 1991; Borges-Nojosa &
Caramaschi, 2003); Caatinga (Ferreira et al., 2008a) e se encontra comumente em
ambientes antrópicos (Santana et al., 2008).
Distribuição
Foto : Negromonte, I. O.
A atividade reprodutiva é mais intensa durante a estação chuvosa (Arzabe et al., 1998), e a
oviposição ocorre em ambientes aquáticos lênticos. Após a eclosão, os girinos são
exotróficos e nectônicos, completando seu desenvolvimento nesses habitats (Haddad &
Prado, 2005). No que diz respeito à alimentação, a dieta é composta predominantemente
por artrópodes, com ênfase em insetos (Castro et al., 2016). O canto de anúncio da
espécie é caracterizado por uma única nota composta de 3 a 5 pulsos, com duração
variando entre 0,01 e 0,04 segundos. O intervalo entre os cantos é de 0,18 a 0,097
segundos, e a frequência dominante situa-se entre 5,90 e 6,64 kHz (Nunes et al., 2007). De
acordo com o estudo de variação intra e interindividual do canto de anúncio, a frequência
dominante é o único parâmetro acústico estático (CVintra = 2,31%; CVinter = 5,87%). A taxa
de repetição do canto apresentou um CVintra intermediário (10,07%) e um CVinter
dinâmico (28,50%). Os demais parâmetros foram classificados como dinâmicos (Oliveira-
Santos et al.,2020).
Em trabalho de Monitoramento de anuros e lagartos realizado entre maio de 2007 e
dezembro de 2008 pelo Dr. G. J. B. de Moura (dados não publicados), através de
amostragem ativa (Coleta Manual Limitada por Distância Percorrida) e passiva (Armadilhas
de Interceptação e Queda em forma de “Y”) em linhas/transectos, parcelas (“Y”) e corpos
d’água de dois fragmentos da EET (Mata do Camucim e Mata do Alto da Buchada)
descritos no capítulo 2 deste livro serão apresentados a seguir (Moura, 2010): Apresentou
uma abundância de 536 indivíduos (19.1% do total de anuros capturados); sendo
classificada quanto à abundância como uma espécie comum (Bodenheimer, 1995), com
constância de ocorrência igual a 56.8% (constante) (Dajoz, 1973), sendo todas as capturas
por coleta ativa. Dendropsophus branneri apresentou-se com alta abundância, ocupando a
segunda posição no ranking das espécies registradas; corroborando com o trabalho de
Santos (2001) e Melo (2007) realizados também na EET e Amorim (2009) na Usina São José,
distante cerca de 60km da EET, embora Borges-Nojosa (1991) e Borges-Nojosa &
Caramaschi (2003) em Brejos de Altitude e Santos & Silva (1998), Silvano & Pimenta (2003)
e Juncá (2006) tenham registrado essa espécie como uma das menos abundantes, o que
pode ser resultado das condições climáticas e/ou do grau diferencial de conservação dos
fragmentos estudados (Rodrigues, 1998).
501
162
A população apresentou uma variação grande no padrão de distribuição anual, embora
tenha sido registrada em todos os meses de existência dos corpos d’água temporários (10
meses: março a dezembro), apresentando pico populacional na estação chuvosa, como
sugerido pela literatura para a maioria dos anuros tropicais (Duellman & Trueb, 1994 e
Wells, 2007). Em relação ao período reprodutivo, foi registrada durante todo o período de
existência dos corpos d’água em atividade de vocalização no período noturno e
crepuscular, predominantemente nos primeiros meses de existência dos corpos d’água
(início da estação chuvosa), enquadrando-se na categoria de “espécie com reprodução
prolongada”; quanto à sequência de ocupação dos corpos d’água foi classificada com uma
“espécie pioneira”, colonizando os ambientes aquáticos nas primeiras semanas com
acúmulo de água. Tais registros corroboram com o fato do recurso distribuição e
intensidade de chuvas ocupar um papel de destaque na regulação da dinâmica
populacional de D. branneri, como sugerido por Lima (2004).
Em relação à especificidade ambiental, foi registrada predominantemente sobre as
lâminas d’água de ambientes lênticos temporários (corpo d’água 1 e 3), como registrado
por Santos (2001), Lima (2004), Santos et al. (2004) e Amorim (2009), embora este último
trabalho também tenha registrado a espécie em ambientes permanentes; devido em
especial a menor quantidade de predadores (Smith, 1983; Woodward, 1983; Skelly, 1997;
Altig & McDiarmid, 1999). Quanto à especificidade microambiental, foi registrada
prioritariamente nos microambientes “folha de vegetação aquática emergente” (p=0.001)
e “haste de vegetação aquática emergente” (p=0.001), como registrado por Santos (2001) e
Melo (2007) na EET e em outros fragmentos de Mata Atlântica do Nordeste (Santos et al.,
2004; Moura et al., 2006a; Moura et al., 2006b; Nascimento, 2006; Buarque-Júnior., 2007;
Moura et al., 2007; Melo, 2007; Santana et al., 2008; Amorim, 2009). Em relação à distância
da borda, não foi registrada preferência, sendo registrado em todo o gradiente margem -
centro dos corpos d’água. Quanto a distribuição vertical, concentrou-se significativamente
entre 0 e 20cm de altura (p=0.001), embora tenha sido registrada esporadicamente em
outros estratos verticais, decorrente da existência de vegetação de suporte; tais
resultados corroboram com Amorim (2009) em corpos d’água temporários e
permanentes, que registrou a espécie predominantemente entre 0 e 25cm de altura. Vale
ressaltar que a estrutura da vegetação representa o principal parâmetro estruturador do
habitat para regular a distribuição espacial dos hilídeos, como também foi registrado por
Arzabe (1998) e Bertoluci & Rodrigues (2002).
501
163
Quanto à largura de nicho espacial, em relação à especificidade microambiental/Levins
Padronizado, a população de D. branneri foi considerada generalista, em ambos os corpos
d’água, 1 (0.211) e 3 (0.151); assim como e m relação a distância da borda internamente ao
corpo d’água, 1 (0.403) e 3 (0.401) e a distribuição vertical (corpo d’água 1: 0.064 e 3:
0.281), embora tenha apresentado picos de abundâncias na distribuição espacial
(horizontal e vertical) supracitada. Quanto à sobreposição de nicho (índice de Pianka), em
relação à especificidade microambiental de D . branneri , apresentou valores altíssimos com
seis espécies de hilídeos no corpo d’água 1: D . minutus (0.915), D . decipiens (0.946), D .
elegans (0.989), B . albomarginata (0.825), P . gonzagai (0.851) e S . auratus (0.989), e três no
corpo d’água 3: D . minutus (0.965), D . decipiens (0.980) e S . auratus (0.931). Em relação à
distância externa da borda no corpo d’água 1 com D. minutus (0.927), B. albomarginata
(0.912), L. vastus (0.855) e S. eurydice (0.899), e no corpo d’água 3 com L. natalensis (0.899),
sendo as sobreposições com leptodactilídeos teóricas, pois se segregam verticalmente,
como registrado por (Crump, 1971).
Quanto à distânc ia interna da borda no corpo d’água 1 com D. elegans (0.818), D. minutus
(0.909), B. albomarginata (0.888), P. gonzagai (0.916) e S. auratus (0.869), e no corpo d’água
3 com D. decipiens (0.827). Em relação à distribuição vertical externamente apenas com D.
decipiens (0.870), B. albomarginata (0.890) e L. vastus (0.930) no corpo d’água 1 e L. vastus
(0.867) no corpo d’água 2; e internamente no corpo d’água 1 com D. minutus (0.998), D.
decipiens (0.878), D. elegans (0.991), B. crepitans (0.984), L. vastus (0.980), S. auratus (0.995),
S. x-signatus (0.938) e S. prasinus (0.980) e no corpo d’água 3 com D. minutus (0.814), D.
decipiens (0.987) e S. auratus (0.899). A sobreposição expressiva entre os hilídeos corrobora
com os trabalhos de Lutz (1973), Feio et al. (1998), Giasson, 2003, Santos (2001), Lima
(2004), Melo (2007) e Amorim (2009); e pode ser fruto da capacidade de explorar
verticalmente o ambiente (Jim, 1980), resultando em uma segregação com as espécies não
arborícolas ( e.g. Microhylidae, Leptodactylidae, Bufonidae, Leiuperidae, Pipidae) e alta
competição por sítios de vocalização/reprodução e alimentação com as demais espécies
arborícolas (Bernarde et al., 2000). Vale ressaltar que a especificidade microambiental das
espécies está relacionada primariamente com sua morfologia e tamanho, necessitando de
análises ecomorfológicas para melhor compreender os tipos de relações e sobreposições
registradas (Breda et al, 2005). Em relação à proporção sexual, foram registradas 170
fêmeas e 106 machos no corpo d’água 1, valores que se mostraram significativamente
diferentes, evidenciando maior abundância das fêmeas (X² = 14.841 / p = 0.0001), assim
como no corpo d’água 3, com 73 fêmeas e 9 machos (X² = 49.951 / p = 0.0001) como
registrado por Lima (2004). Outro aspecto que merece destaque é a expressiva
sobreposição entre populações de pequeno porte ( D. minutus , D. decipiens , D. elegans , P.
gonzagai , S. auratus e S. eurydice ), fato esperado em virtude do tamanho aproximado das
espécies, pois segundo Hödl (1977), os sítios de vocalização são atributos característicos
das espécies e estão relacionados primariamente com sua morfologia e tamanho.
501
164
501
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para D. branneri . Em relação às ameaças, não são conhecidas
ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em
Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos
ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
165
Aspectos Parasitários
Na Estação Ecológica do Tapacurá, a espécie foi observada sendo parasitada por
Centrorhyncus sp., Aplectanas sp ., Cosmocerca parva e Cosmocerca sp . (Martins-Sobrinho et
al., 2017).
Em relação à influência dos parâmetros climáticos na flutuação populacional de D.
branneri, foi testada a normalidade das variáveis, as quais não apresentaram
comportamento normal e em seguida constatada a correlação positiva significativa com a
precipitação (R = 0.69, p = 0.02) e negativa significativa com a temperatura do ar (R = -0.34,
p = 0.04), não apresentando correlação com nenhum dos outros parâmetros climáticos
analisados (umidade: R = 0.33, p = 0.056 e temperatura da água: R = -0.07, p = 0.67);
embora Santos & Silva (1998), Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (2009),
em áreas similares e próximas não tenham registrado correlação dessa espécie com
nenhum dos parâmetros climáticos analisados, o que contraria a literatura, que destaca a
precipitação como a variável climática mais importante para regular a dinâmica
populacional das espécies de anuros tropicais (Duellman & Trueb, 1994; Wells, 2007).
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Dendropsophus decipiens é um anuro de pequeno porte, com comprimento rostro cloacal
variando entre 18 mm. Apresenta coloração dorsal variável, com tons amarelados a
alaranjados, frequentemente com manchas ou listras marrons regulares. O ventre é
geralmente claro, e o tímpano é visível (Oliveira et al., 2021).
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca
Dendropsophus decipiens (Lutz, 1925)
LC LC
Foto : Freitas, M. A.
CHP-LEHP/UFRPE
A espécie possui hábito estritamente noturno e é associada a ambientes de savana seca
(Caatinga) e áreas de Mata Atlântica, geralmente encontrando-se em vegetação marginal a
corpos d’água, tanto em ambientes preservados quanto em regiões moderadamente
antropizadas (IUCN, 2025). A reprodução ocorre por meio de desenvolvimento larval,
sendo os ovos depositados em lagoas temporárias ou permanentes, além de planícies de
inundação. O canto de anúncio é composto por uma única nota multipulsada, com
duração entre 0,062 e 0,074 segundos (média de 0,065 ± 0,005 s) e frequência dominante
variando de 5857 a 6869 Hz (média de 6144 ± 417 Hz). Cada nota contém de 10 a 11
pulsos (média de 10,17 ± 0,41), com taxa de pulso entre 148,65 e 161,29 pulsos por
segundo (média de 156,66 ± 4,61). A duração individual dos pulsos oscila entre 0,004 e
0,007 segundos (média de 0,006 ± 0,001 s) (Santana et al., 2011). O girino de
Dendropsophus decipiens tem corpo triangular, nadadeiras caudais altas com listras
marrons, disco oral reduzido sem dentes labiais e cavidade bucal simples, com papila em
leque no assoalho, ausência de papilas linguais e cartilagem suprarostral fundida, além de
cesta branquial com espículas nos ceratobranquiais, características que indicam dieta
macrófaga baseada na ingestão de partículas grandes, como pequenos invertebrados,
mas com menor especialização predatória em comparação a espécies como D .
microcephalus e D . nanus (Dias et al., 2019)
História Natural
167
Na fase larval, os girinos exibem corpo elíptico em vista dorsal e triangular-deprimido em
vista lateral, com focinho arredondado dorsalmente e ovalado lateralmente. As narinas
são circulares e situadas anteriormente, mais próximas à extremidade do focinho do que
aos olhos, os quais são dispostos lateralmente. O disco oral é anterior, com papilas
marginais ventrolaterais e ampla abertura dorsal. A cauda apresenta grandes barras
pretas em forma de cruz ou é completamente pigmentada, sendo que tais barras estão
ausentes no corpo (Dubeux et al., 2020a).
Distribuição
Espécie endêmica do Brasil, ocorre principalmente no Nordeste e Sudeste, sendo
registrada desde o estado do Maranhão até São Paulo (Frost, 2024). Está presente em
áreas de Mata Atlântica, Caatinga e transições com o Cerrado (Moura et al., 2011; Moura
et al., 2012; Moura & Tavares, 2022; ICMBio, 2024).
Aspectos Parasitários
Até o momento não se tem registros científicos de parasitos reportados para
Dendropsophus decipiens.
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para Dendropsophus decipiens . Em relação às ameaças, não são
conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de
extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a
destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento
global representam potenciais ameaças para os anuros em geral.
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Foto : Siqueira, J.V.C.
A espécie é de pequeno porte e mede cerca de 24,9 mm de comprimento rostro cloacal,
possui um dorso emoldurado por uma faixa branca ou amarela, que também recobre as
tíbias, porção superior do antebraço e o focinho com formato triangular (Frost, 2024). Em
relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos descritivos propostos por
Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste capítulo.
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca-de-moldura
Dendropsopshus elegans (Wied-Neuwied, 1824)
LC LC
169
CHP-LEHP/UFRPE
A espécie possui hábito noturno, se alimenta basicamente de artrópodes, sendo a maioria
insetos e geralmente ocupa vegetação herbácea próxima de ambientes lênticos,
vegetação emergente ou flutuante, onde depositam seus ovos (Prado & Pombal, 2005).
Possui um comportamento reprodutivo prolongado, predominante na estação chuvosa,
sendo capaz de se reproduzir mais de uma vez durante o ano (Bastos & Haddad, 1996). O
canto de anúncio é composto por duas notas e tem duração de 0,086 s, a primeira nota
exibe entre 5 e 16 pulsos e a segunda nota apresenta duração entre dois e cinco pulsos. A
frequência dominante varia entre 3,57 kHz e 3,93 kHz (Muniz et al., 2016).
História Natural
Aspectos Parasitários
Já foram encontrados nematóides Ascaridaeos Brevimulticaecum e Porrocaecum no tecido
gastrointestinal dos indivíduos na EET (Martins-Sobrinho et al., 2017).
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para D. elegans . Em relação às ameaças, não são conhecidas
ameaças que possam colocar essa espécie e ou suas populações em risco de extinção em
Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos
ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
Distribuição
É um anuro endêmico do Brasil, com distribuição que se estende do Nordeste até o Sul do
país. Ocorre na Mata Atlântica, desde Alagoas até São Paulo, e em formações de transição
entre Mata Atlântica e Cerrado, de Minas Gerais até o nordeste de Santa Catarina (Moura
et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura & Tavares, 2022; Frost, 2024).
170
Foto : Negromonte, I. O.
Foto : Baltar, R.
Espécie endêmica do Brasil, tem pequeno porte atingindo a média de 2 cm de
comprimento rostro clacal (Frost, 2024). Possuem dorso marrom e marca em ampulheta
escura. Destacam-se pela bainha cloacal longa e a linha branca acima da cloaca (Orrico et
al., 2021). Em relação a aparência da fase larval (girino), observar os desenhos descritivos
propostos por Andrade & Moura (2011a) para as espécies da EET no apêndice I deste
capítulo.
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca-rajada, Pererequinha-do-brejo
Dendropsopshus minutus (Peters, 1872)
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CHP-LEHP/UFRPE
Tem hábito noturno e arborícola, e geralmente ocupa brejos temporários cercados por
vegetação arbustiva. A atividade reprodutiva é prolongada, e a desova é depositada logo
abaixo da superfície da água, onde com o passar do tempo os girinos exotróficos irão
eclodir (Leivas et al., 2018a). Possui uma dieta baseada em artrópodes, mas
majoritariamente de insetos (Leivas et al., 2018b). O canto de anúncio tem duração média
de 0,871±0,217s, com nota variando entre 2 e 6 por chamada. O número médio de pulso
26,55±3,38s e duração média do pulso 0,008±0,001s; As frequências dominante e
fundamental foram 4.917,3±213,9 Hz (Morais et al., 2012). Em trabalho de Monitoramento
de anuros e lagartos realizado entre maio de 2007 e dezembro de 2008 pelo Dr. G. J. B. de
Moura (dados não publicados), através de amostragem ativa (Coleta Manual Limitada por
Distância Percorrida) e passiva (Armadilhas de Interceptação e Queda em forma de “Y”)
em linhas/transectos, parcelas (“Y”) e corpos d’água de dois fragmentos da EET (Mata do
Camucim e Mata do Alto da Buchada) descritos no capítulo 2 deste livro serão
apresentados a seguir (Moura, 2010): Apresentou uma abundância de 765 indivíduos
(27.26% do total de anuros capturados); sendo classificada quanto à abundância como
uma espécie comum (Bodenheimer, 1995), com constância de ocorrência igual a 51.1%
(constante) (Dajoz, 1973), sendo todas as capturas por coleta ativa. Apresentou-se com
alta abundância, ocupando a primeira posição no ranking das espécies registradas;
corroborando com o trabalho de Melo (2007) realizado também na EET, embora Borges-
Nojosa & Caramaschi (2003) em Brejos de Altitude e na Mata Atlântica adjacente (Santos &
Silva, 1998; Santos, 2001; Amorim, 2009) tenham registrado essa espécie como uma das
menos abundantes, o que pode ser resultado das condições climáticas e do grau
diferencial de conservação dos fragmentos (Rodrigues, 1998). A população apresentou
uma variação grande no padrão de distribuição anual, embora tenha sido registrada em
todos os meses de existência dos corpos d’água temporários (10 meses: março a
dezembro/2007) como registrado por, Melo (2007); Silva (2007) e Souza et al. (2008), todos
em Mata Atlântica, embora Toledo et al. (2003) e Amorim (2009) tenham registrado em
menos de 4 meses durante um ano de coleta, com trabalhos respectivamente
desenvolvidos no sudeste e nordeste do Brasil, tendo o clima como um dos fatores
explicativos para tal divergência (Rodrigues, 1998).
História Natural
A espécie distribui-se ao longo de todo território brasileiro. Caracteriza-se por apresentar
ampla distribuição no bioma Mata Atlântica, incluindo Restinga e Brejos de Altitude;
Cerrado; Caatinga; Floresta Amazônica e é comumente encontrada em ambientes
antropizados (Borges-Nojosa, 1991; Machado et al., 1999; Borges-Nojosa & Caramaschi,
2003; Santana, 2006; Ferreira et al., 2008a; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012. Moura &
Tavares, 2022; Frost, 2024).
Distribuição
172
Vale ressaltar que neste trabalho e em todos os supracitados a população apresentou
pico na estação chuvosa, como sugerido pela literatura para a maioria dos anuros
tropicais (Duellman & Trueb, 1994; Wells, 2007). Em relação ao período reprodutivo, a
espécie foi registrada durante toda a estação chuvosa em atividade de vocalização,
predominantemente nos primeiros meses de existência dos corpos d’água (início da
estação chuvosa), enquadrando-se na categoria de “espécie com reprodução prolongada”;
quanto à sequência de ocupação dos corpos d’água foi classificada com uma “espécie
pioneira”, colonizando os ambientes aquáticos nas primeiras semanas com acúmulo de
água. Tais registros corroboram com o fato do recurso distribuição e intensidade de
chuvas ocupar um papel de destaque na regulação da dinâmica populacional de D.
minutus , como sugerido por, Duellman & Trueb (1994). Em relação à especificidade
ambiental, foi registrada predominantemente sobre as lâminas d’água de ambientes
lênticos temporários (corpo d’água 1 e 3), como registrado por Santos (2001), Haddad &
Prado (2005), Juncá (2006), Melo (2007), Silva-Leite et al. (2008) e Amorim (2009), embora
este último trabalho também tenha registrado a espécie em riachos, devido em especial a
menor quantidade de predadores (Smith, 1983; Woodward, 1983; Skelly, 1997; Altig &
McDiarmid, 1999). Quanto à especificidade microambiental, foi registrada prioritariamente
nos microambientes “folha de vegetação aquática emergente” e “haste de vegetação
aquática emergente”, como registrado por Santos (2001) e Melo (2007) na EET e em outros
fragmentos de Mata Atlântica do nordeste (Lima, 2004; Santos et al., 2004; Amorim, 2009)
e sudeste do país (Machado et al., 1999; Bertoluci & Rodrigues, 2002). Em relação à
distância da borda, não foi registrada preferência, sendo registrado em todo o gradiente
margem - centro dos corpos d’água. Quanto a distribuição vertical nos corpos d’água,
concentrou-se significativamente entre 0 e 20cm de altura, embora tenha sido registrada
esporadicamente em outros estratos verticais, decorrente da existência de vegetação de
suporte; tais resultados corroboram com Bertoluci & Rodrigues (2002) em trabalho
desenvolvido em corpos d’água temporários do Estado de São Paulo, que registraram D.
minutus significativamente entre 10 e 70cm de altura, assim como Amorim (2009) em
corpos d’água temporários e permanentes, que registrou a espécie predominantemente
entre 0 e 25cm de altura. Vale ressaltar que a estrutura da vegetação representa o
principal parâmetro estruturador do habitat para regular a distribuição espacial dos
hilídeos, como também foi registrado por Bertoluci & Rodrigues (2002). Quanto à largura
de nicho espacial, em relação à especificidade microambiental / utilizando o índice de
Levins Padronizado, a população de D. minutus foi considerada generalista, em ambos os
corpos d’água, 1 (0.384) e 3 (0.335); assim como em relação a distância da borda
internamente ao corpo d’água, 1 (0.538) e 3 (0.477) e a distribuição vertical (corpo d’água
1: 0.097 e 3: 0.181), embora tenha apresentado picos de abundâncias nas distribuições
espaciais supracitadas.
173
Quanto à sobreposição de nicho (índice de Pianka), em relação à especificidade
microambiental, apresentou valores elevados com seis espécies de hilídeos no corpo
d’água 1: D. branneri (0.951), D. decipiens (0.934), D. elegans (0.945), B. albomarginatus
(0.811), P. gonzagai (0.928) e S. auratus (0.908), e três no corpo d’água 3: D. branneri (0.965),
D. decipiens (0.964) e S. auratus (0.899). Em relação à distância externa da borda no corpo
d’água 1 com D. decipiens (0.927), B. albomarginatus (0.864), L. vastus (0.874), S. auratus
(0.883) e S. eurydice (0.857), e no corpo d’água 3 com L. natalensis (0.889) e L. vastus (0.803),
sendo as sobreposições com leptodactilídeos teóricas, pois se segregam verticalmente,
como registrado por Crump (1971). Quanto à distância interna da borda no corpo d’água 1
com D. branneri (0.909), B. albomarginatus (0.929), P. gonzagai (0.816) e S. auratus (0.909), e
no corpo d’água 3 com D. decipiens (0.954) e S. auratus (0.856). Em relação à distribuição
vertical externamente apenas com D. decipiens (0.886) no corpo d’água 1; e internamente
no corpo d’água 1 com D. branneri (0.998), D. decipiens (0.886), D. elegans (0.989), B.
crepitans (0.978), L. vastus (0.979), S. auratus (0.995), S. x-signatus (0.943) e S. prasinus (0.979)
e no corpo d’água 3 com D. branneri (0.814), D. decipiens (0.822), B. albomarginatus (0.837) e
L. natalensis (0.914). A alta sobreposição entre os hilídeos era esperada, corroborando com
os trabalhos de Bokermann (1967), Lutz (1973), Feio et al. (1998), Giasson, 2003, Eterovick
(2005), Santos (2001), Lima (2004), Melo (2007) e Amorim (2009), pois devido à capacidade
de deslocar-se verticalmente concentram-se em sítios aéreos (Jim, 1980), segregando-se
fortemente em relação as espécies terrestres, porém apresentando alta competição entre
as arborícolas (Bernarde et al., 2000), resultando até em confrontos físicos por espaço
entre os machos, como registrado por Wells (1977) e Cardoso & Haddad (1984), os últimos
em corpos d’água do Sudeste. Vale ressaltar que a especificidade microambiental das
espécies está relacionada primariamente com sua morfologia e tamanho, necessitando de
análises ecomorfológicas para melhor compreender os tipos de relações e sobreposições
registradas (Breda et al., 2005). Em relação à proporção sexual, foram registradas 254
fêmeas e 146 machos no corpo d’água 1, valores que se mostraram significativamente
diferentes, evidenciando maior abundância das fêmeas (X² = 29.16 / p = 0.0001), como
registrado por Lima (2004); em relação ao corpo d’água 3 tal diferença não foi detectada,
com registro de 73 fêmeas e 69 machos (X² = 0.113 / p = 0.0737). Em relação à influência
dos parâmetros climáticos na flutuação populacional de D. minutus , foi testada a
normalidade das variáveis, as quais não apresentaram comportamento normal e em
seguida constatada a não correlação significativa com nenhum dos parâmetros abióticos
analisados (temperatura do ar: R = 0.30, p < 0.12; temperatura da água: R = 0.07, p < 0.70;
umidade: R = 0.08, p < 0.68; precipitação: R = 0.55, p < 0.09), corroborando com Santos &
Silva (1998), Santos (2001) e Amorim (2009); embora Lima (2004) tenham registrado forte
correlação com a precipitação, como sugerido por Wells (2007) para anuros tropicais. A
falta de correlação com as temperaturas e umidade do ar pode ser resultado a pouca
variação desses parâmetros no período de estudo, como registrado por Bernarde & Anjos
(1999).
174
Aspectos Parasitários
Para D. minutus , no Brasil, foram descritos os endoparasitos acantocéfalos
Centrorhynchidae e Centrorhynchus sp. em estágios larvais infectantes (Oliveira &
Campião, 2023). Além disso, já foram registrados ascaridídeos em estágio larval na serosa
dos tecidos de D. minutus na Estação Ecológica de Tapacurá (Martins-Sobrinho et al.,
2017).
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para D. minutus . Em relação às ameaças, não são conhecidas
ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em
Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos
ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
175
Foto : Negromonte, I. O.
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Foto : Freitas, M. A.
A espécie é de pequeno porte, com aproximadamente 0,8 cm de comprimento rostro
cloacal, apresenta coloração dorsal variável, podendo apresentar tons amarelados ou
acastanhados, frequentemente com manchas escuras e com uma linha que traça a ponta
do focinho até a região inguinal (Seger et al., 2021).
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca
Dendropsophus nanus (Boulenger, 1889)
LC LC
176
CHP-LEHP/UFRPE
O canto de anúncio de Dendropsophus nanus caracteriza-se por dois tipos distintos de
notas vocais: a "nota A", mais longa (duração média de 0,05s), e a "nota B",
consideravelmente mais curta (~0,02s), ambas apresentando frequência dominante na
faixa de 3.5-4.5 kHz (Teixeira et al., 2016). Estudos demonstraram que o canto de corte
nesta espécie deriva de uma modificação da nota A, exibindo redução significativa de
amplitude, o que indica um sofisticado sistema de comunicação acústica durante as
interações reprodutivas (Teixeira et al., 2016). Padrões interessantes de variação
geográfica foram observados nos sinais acústicos de D . nanus . Populações de diferentes
localidades apresentam modificações nas vocalizações que correlacionam-se diretamente
com gradientes térmicos ambientais (Teixeira et al., 2016). Particularmente, indivíduos
provenientes de regiões com temperaturas mais elevadas tendem a ser menores em
tamanho corporal e, consequentemente, emitem cantos com taxas de repetição mais
altas, sugerindo um claro caso de plasticidade fenotípica em resposta a condições
ambientais específicas (Teixeira et al., 2016). Pesquisas taxonômicas revelaram a
existência de pelo menos cinco linhagens crípticas dentro do complexo D. nanus - D.
walfordi (Seger et al., 2021), essas descobertas sugerem que a diversidade real deste
grupo está substancialmente subestimada na literatura cientifica, destacando a
necessidade de revisões sistemáticas mais abrangentes (Seger et al., 2021).
História Natural
Aspectos Parasitários
Até o momento não se tem registros científicos de parasitos reportados para
Dendropsophus nanus .
Distribuição
É amplamente distribuída pela América do Sul, ocorrendo na Argentina, Uruguai, Paraguai,
Bolívia, Brasil, Guiana Francesa e Suriname. No Brasil, é registrada em diversos biomas,
como Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal (Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Moura &
Tavares, 2022; Frost, 2024).
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para D. nanus . Em relação às ameaças, não são conhecidas
ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de extinção em
Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a destruição dos
ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento global
representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
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Mata do Toró
Mata do Alto da Buchada
Mata do Camucim
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Foto : Freitas, M. A.
Dendropsophus oliveirai é uma pequena espécie de anuro com uma média de 18 mm de
comprimento rostro cloacal. Sua coloração dorsal é predominantemente marrom-escura,
apresentando uma faixa dorsolateral branca que se estende da região posterior dos olhos
até a região inguinal, característica diagnóstica que a distingue da congêneres como D.
tapacurensis , o qual possui faixa marrom-clara (Oliveira et al., 2021).
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Perereca
Dendropsophus oliveirai (Bokermann, 1963)
LC LC
178
CHP-LEHP/UFRPE
A espécie possui hábito estritamente noturno e é associada a ambientes de savana seca
(Caatinga) e áreas de Mata Atlântica, geralmente encontrando-se em vegetação marginal a
corpos d’água, tanto em ambientes preservados quanto em regiões moderadamente
antropizadas (IUCN, 2023). Quanto à dieta, estudos indicam preferência alimentar por
larvas de insetos e o grupo Diptera (Leite-Filho et al., 2017). A reprodução ocorre por meio
de desenvolvimento larval, sendo os ovos depositados em lagoas temporárias ou
permanentes, além de planícies de inundação. O canto de anúncio é composto por uma
única nota multipulsada, com duração entre 0,062 e 0,074 segundos (média de 0,065 ±
0,005 s) e frequência dominante variando de 5857 a 6869 Hz (média de 6144 ± 417 Hz).
Cada nota contém de 10 a 11 pulsos (média de 10,17 ± 0,41), com taxa de pulso entre
148,65 e 161,29 pulsos por segundo (média de 156,66 ± 4,61). A duração individual dos
pulsos oscila entre 0,004 e 0,007 segundos (média 0,006 ± 0,001s) (Santana et al., 2011a).
História Natural
Na fase larval, os girinos exibem corpo elíptico em vista dorsal e triangular-deprimido em
vista lateral, com focinho arredondado dorsalmente e ovalado lateralmente. As narinas
são circulares e situadas anteriormente, mais próximas à extremidade do focinho do que
aos olhos, os quais são dispostos lateralmente. O disco oral é anterior, com papilas
marginais ventrolaterais e ampla abertura dorsal. A cauda apresenta grandes barras
pretas em forma de cruz ou é completamente pigmentada, sendo que tais barras estão
ausentes no corpo (Dubeux et al., 2020a).
Aspectos Parasitários
Até o momento não se tem registros científicos de parasitos reportados para
Dendropsophus oliveirai .
Distribuição
D. oliveirai é endêmica do Brasil, com registros de ocorrência entre os estados da Paraíba
e Rio de Janeiro (Pugliese et al., 2000; Moura et al., 2011; Moura et al., 2012; Santana et al.,
2008; Silva et al., 2008, 2013; Carvalho-e-Silva & Luna-Dias, 2015; Oliveira et al., 2017;
Moura & Tavares, 2022).
Usos e Ameaças
Não são relatados usos para Dendropsophus oliveirai . Em relação às ameaças, não são
conhecidas ameaças que possam colocar essa espécie ou suas populações em risco de
extinção em Pernambuco (Moura & Tavares, 2022), embora se reconheça que a
destruição dos ambientes florestais, a poluição dos ambientes naturais e o aquecimento
global representam potenciais ameaças para os anuros em geral (IUCN, 2025).
179
Foto : Siqueira, J.V.C.
É uma espécie de anfíbio anuro de pequeno porte recém descrita, com comprimento
rostro cloacal variando entre 13,0 e 21,4 mm nos machos (Oliveira et al., 2021). Apresenta
uma mancha amarelada irregular que se estende da cabeça até a região inguinal,
característica distintiva da espécie (Oliveira et al., 2021). Seu epíteto específico faz
referência à localidade-tipo, a Estação Ecológica do Tapacurá, único local de registro
comprovado até o momento.
Descrição Morfológica
Hylidae
Rafinesque, 1815
FAMÍLIA
Pererequinha-de-tapacurá
Dendropsophus tapacurensis
Olivera, Magalhães, Teixeira, Moura, Porto, Guimarães, Giaretta & Tinoco, 2021
ESTUDADA PELO
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Mata do Toró
Mata do Alto da Buchada
Mata do Camucim
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