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USO DE ANALOGIAS COMO ESTRATÉGIA DIDÁTICA NO ENSINO DE BIOLOGIA: UMA EXPERIÊNCIA NO ENSINO MÉDIO.

Freire Pereira, Nícolas

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USO DE ANALOGIAS COMO ESTRATÉGIA DIDÁTICA NO ENSINO DE BIOLOGIA: UMA EXPERIÊNCIA NO ENSINO MÉDIO. Nícolas Freire Pereira1 Resumo: O presente trabalho relata as atividades desenvolvidas durante o estágio supervisionado realizado na EEMTI Deputado Paulino Rocha, em Fortaleza-CE, nos meses de abril, maio e junho de 2025, em turmas de primeiro ano do Ensino Médio, no componente curricular de Biologia. O projeto didático teve como foco o uso de analogias como estratégia de ensino para facilitar a compreensão de conteúdos de Citologia, incluindo membrana plasmática, transporte celular e organelas citoplasmáticas. Durante o estágio, foi observado que os alunos apresentavam dificuldades na interpretação desses conceitos, motivando a aplicação da estratégia de analogias para relacionar os conteúdos científicos ao cotidiano dos estudantes, promovendo a aprendizagem significativa. As aulas foram planejadas em etapas, com avaliação de conhecimentos prévios, explicação sobre analogias, atividade prática em grupos e socialização das produções, permitindo o desenvolvimento do raciocínio analógico pelos alunos e maior participação nas aulas. Como resultado, observou-se o fortalecimento da aprendizagem, o interesse dos estudantes pelos conteúdos e a compreensão dos conceitos de forma mais clara e contextualizada, confirmando a eficácia das analogias como ferramenta no ensino de Ciências e Biologia. Palavras-chave: Estágio Supervisionado. Ensino. Biologia. Analogias. Alvo. Análogo. Raciocínio. Analógico. Simples. Enriquecida. Estendida. Docente. 1. INTRODUÇÃO O estágio supervisionado é uma etapa essencial na formação docente, permitindo vivenciar práticas pedagógicas, compreender a dinâmica escolar e testar estratégias de ensino. Neste contexto, será mostrado a visão de um aluno de graduação no seu primeiro estágio no ensino médio, sendo seu terceiro estágio supervisionado da graduação. O foco será a aplicação do projeto didático, realizado em uma turma de primeiro ano do ensino médio, utilizando o uso de analogias como estratégia didática. 1Uso de analogias como estratégia didática no ensino de biologia: uma experiência no ensino médio, Universidade Estadual do Ceará, [email protected] Foi realizado o estágio supervisionado durante os meses de abril, maio e junho de 2025, em uma escola estadual localizada em Fortaleza, Ceará, onde foi observado e ministrado aulas do componente curricular de Biologia. Foi trabalhado o conteúdo de Citologia para as turmas do primeiro ano do Ensino Médio, abordado temas como membrana plasmática, transporte ativo e passivo e organelas citoplasmáticas, visando facilitar a compreensão dos estudantes acerca desses conceitos fundamentais por meio de estratégias didáticas que envolvem o uso de analogias. 1.1 Caracterização do local de atuação O estágio foi realizado na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Deputado Paulino Rocha (Figura 1), localizada no bairro Passaré, em Fortaleza, Ceará. A escola passou recentemente por uma grande reforma, resultando em um ambiente agradável e bem estruturado para o ensino. Conta com quadra poliesportiva, mesa de tênis, um pátio amplo e todas as salas de aulas climatizadas, proporcionando um ambiente confortável para os alunos. Possui também, um laboratório de ciências e de informática, ambos equipados, além de sala dos professores, coordenação e secretaria, todos climatizados e organizados. O laboratório de ciências dispõe de quatro bancadas, pelo menos seis microscópios funcionais, diversos modelos didáticos tridimensionais, quadro branco e armários com vidrarias e reagentes, permitindo a realização de aulas práticas de qualidade. Para otimizar o uso e a organização do espaço, os professores geralmente dividem as turmas em dois grupos durante as atividades práticas, garantindo melhor acompanhamento e participação dos alunos. Figura 1 - Pátio da escola Fonte: Superintendência de Obras Públicas 2. PROJETO DIDÁTICO O trabalho possui como foco principal o projeto didático desenvolvido durante o estágio supervisionado, o qual consistiu na utilização de analogias como estratégia didática no ensino de Biologia. O uso de analogias no ensino de Biologia é uma prática que contribui significativamente para a construção do conhecimento, facilitando a compreensão de conceitos abstratos ao relacioná-los a situações do cotidiano dos estudantes (GLYNN et al., 1998). De acordo com Ferraz e Terrazzan (2003), as analogias funcionam como pontes cognitivas entre o conhecimento prévio dos alunos e os novos conteúdos, promovendo uma aprendizagem mais significativa e contextualizada. Assim, a escolha pela utilização das analogias como estratégia didática durante o estágio ocorreu a partir das observações realizadas durante as aulas ministradas sobre membrana plasmática, transporte ativo e passivo e organelas citoplasmáticas. Foi observado que muitos alunos apresentavam dificuldades na interpretação e compreensão desses conteúdos, especialmente por se tratarem de temas abstratos e com diversos termos específicos, o que gerava dúvidas e desmotivação. Diante desse cenário, o uso de analogias como recurso pedagógico, busca aproximar os conceitos de Citologia ao cotidiano dos estudantes, facilitando a compreensão ao relacionar os conteúdos a elementos já conhecidos por eles, conforme defendido por Harrison e Treagust (1994) ao apontarem que as analogias contribuem para a construção de significados no ensino de Ciências. 2.1 Alvo, análogo e os tipos de analogias No uso de analogias no ensino, é importante compreender os conceitos de alvo e análogo. O alvo é o conceito científico que se deseja explicar, muitas vezes abstrato ou de difícil visualização pelos alunos, enquanto o análogo é o elemento familiar do cotidiano utilizado para facilitar a compreensão desse conceito (GLYNN etc al., 1998). Essa relação permite que os estudantes façam conexões entre o conhecimento prévio e o novo conteúdo. No ensino, as analogias podem ser utilizadas de formas variadas, sendo classificadas em simples, enriquecidas e estendidas, de acordo com o nível de detalhamento e aprofundamento das comparações estabelecidas (FERRAZ; TERRAZZAN, 2003). As analogias simples apresentam comparações diretas entre dois elementos, auxiliando na introdução de conceitos; as enriquecidas são especificadas correspondências para as relações analógicas entre o alvo e o análogo, detalhando mais aspectos do conceito; e as estendidas são mais sistematizadas. Vários atributos do alvo são explicitados e são feitas suas correspondências com o análogo. 2.2 Metodologia do projeto didático A metodologia do projeto didático aplicado durante o estágio foi planejada para ser desenvolvida em duas aulas, totalizando 100 minutos, com foco no uso de analogias para o ensino de conteúdos celulares. Inicialmente, foi realizada uma avaliação de conhecimentos prévios, com o objetivo de verificar o que os alunos lembravam sobre os conteúdos de membrana plasmática, transporte celular e organelas, por meio de uma conversa breve e participativa. Em seguida, foi realizada uma explicação sobre o conceito de analogia, diferenciando os tipos (simples, enriquecida e estendida) e apresentando exemplos práticos, de forma a preparar os estudantes para a atividade principal. Posteriormente, os alunos foram organizados em duplas ou trios para a realização de uma atividade prática, onde cada grupo deveria criar analogias relacionadas aos conteúdos trabalhados, classificando-as corretamente e identificando o alvo e o análogo em cada caso. Após a produção, cada grupo apresentou ao menos uma analogia criada para a turma, promovendo um momento de discussão e socialização dos conhecimentos construídos coletivamente. Por fim, foi realizada uma avaliação final da atividade através da tabela feita com os critérios de avaliação (Figura 2), considerando a correta identificação do alvo e análogo nas analogias tendo como pontuação de até 2 pontos, a coerência e clareza das comparações tendo como pontuação de até 3 pontos, a classificação adequada do tipo de analogia utilizada tendo como pontuação de até 3 pontos e por último, uma pontuação de até 2 pontos pela participação ativa do grupo durante a atividade. Figura 2 - Critérios de avaliação Fonte: tabela criada pelo autor(2025) Para a realização das atividades, foi utilizado o quadro branco e pincéis para avaliação dos conhecimentos prévios dos alunos. O livro didático como material de apoio para os alunos, cadernos e canetas para realização da atividade e por final, a tabela com critérios de avaliação, garantindo um ambiente adequado para o desenvolvimento do projeto. 3. CONCLUSÃO A realização deste estágio supervisionado possibilitou vivenciar de forma prática os desafios e as potencialidades do processo de ensino de Biologia no Ensino Médio, reforçando a importância de estratégias didáticas que aproximem o conteúdo científico do cotidiano dos estudantes. O uso de analogias durante as aulas sobre membrana plasmática, transporte celular e organelas citoplasmáticas demonstrou-se uma ferramenta eficaz para facilitar a compreensão de conceitos abstratos, tornando-os mais significativos e despertando o interesse e a participação ativa dos alunos. Ao longo da atividade, foi possível perceber o desenvolvimento do raciocínio analógico pelos estudantes, bem como sua capacidade de construir relações entre o conhecimento prévio e os novos conteúdos, favorecendo uma aprendizagem crítica e contextualizada. Além disso, a estrutura e o ambiente acolhedor da EEMTI Deputado Paulino Rocha contribuíram para a realização de aulas dinâmicas e participativas, permitindo a aplicação de metodologias ativas de forma organizada e significativa. Como futuro professor, é de extrema relevância a compreensão de investir em práticas que promovam o protagonismo estudantil e a aprendizagem significativa, sendo o uso de analogias uma estratégia que pretendo continuar utilizando e aperfeiçoando em minha trajetória docente. REFERÊNCIAS FERRAZ, D. F.; TERRAZZAN, E. A. O uso de analogias como recurso didático por professores de biologia no ensino médio. Revista da ABRAPEC, v.1, n.3, p. 124-135, 2001.Disponível em: <www.fc.unesp.br/abrapec/revista.htm> GLYNN, Shawn M. et al. Teaching science with analogies: a resource for teachers and textbooks authors. 1998. Disponível em:<http://curry.edschool.virginia.edu/go/clic/nrrc/scin_ir7.html> GLYNN, S. M.; TAKAHASHI, T. Learning from analogy-enhanced science text. Journal of Research in Science Teaching, New York, v.35, n.10, p. 1129-1149, 1998 TERRAZZAN, E. A. et al. Analogias no ensino de ciências: resultados e perspectivas. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO DA REGIÃO SUL, 3., 2000, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre, 2000. 1 CD-ROM FERRAZ, Daniela Frigo; TERRAZZAN, Eduardo Adolfo. Uso espontâneo de analogias por professores de biologia e o uso sistematizado de analogias: que relação?. Ciência & Educação (Bauru), v. 9, p. 213-227, 2003. HARRISON, Allan G.; TREAGUST, David F. Science analogies: avoid misconceptions with this sistematic approach. The Science Teacher, Normal, n.61, p. 40-43, 1994.