RELATO DE EXPERIÊNCIA: UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E IST'S
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RELATO DE EXPERIÊNCIA: UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E IST’S Sofia Rabelo Xavier1 Resumo: O estágio foi feito em uma EMEIF localizada na Barra do Ceará, é uma escola pública que recebe grande parte dos alunos da periferia, ela trabalha com o ensino fundamental 2. A infraestrutura da escola é boa, visto que passou recentemente por uma reforma, ela conta com um pátio, quadra, sala de mídias e refeitório; a escola possui dois andares, no térreo ficam as salas dos nonos anos e no primeiro as demais turmas (sextos, sétimos e oitavos), todas as salas têm ventiladores. As turmas contempladas no estágio foram as de oitavo, três turmas denominadas oitavo A, B e C, duas dessas turmas (oitavos A e B) eram descritos como ‘muito agitados’ e ‘problemáticas’, enquanto o oitavo C era tido como a turma ‘boa’, sendo ela uma das duas turmas escolhidas para participar da feira de ciências (a escola não recebeu verba suficiente para que todas as turmas participassem). Por mais que as turmas fossem agitadas, consegui dar as aulas sem muitos problemas, os alunos eram bastante animados e até participavam das aulas, gostaram muito da gente. Juntamente das aulas, teve a aplicação do projeto, feito em conjunto com a professora Francisca e uma amiga que também estava estagiando na escola comigo; primeiro foi dada uma aula/palestra sobre gravidez, métodos contraceptivos e IST’s, seguida pela mostra de alguns recursos (anticoncepcional, camisinha masculina e DIU) para os alunos e por fim uma roda de conversa onde eles puderam falar mais sobre o assunto e fazer perguntas. Os alunos se mostraram bastante interessados no assunto e participaram ativamente da dinâmica, sinto que podemos dizer que a aplicação do projeto foi bem-sucedida. Em suma, o estágio proporcionou uma experiência rica e significativa, tanto no aspecto pedagógico quanto pessoal. A receptividade dos alunos e o apoio da professora mostraram a importância de abordar temas relevantes como educação sexual e saúde de forma clara e acessível. Palavras-chave: Educação sexual. Métodos contraceptivos. Projeto didático. 1. INTRODUÇÃO Trata-se de uma escola pública que atende majoritariamente alunos oriundos da periferia e que oferece ensino fundamental II. A instituição apresenta uma infraestrutura consideravelmente boa, especialmente após a reforma recente. A escola dispõe de pátio, 1Titulação, vinculação institucional, endereço para correspondência (e-mail).
quadra poliesportiva, sala de mídias e refeitório. Sua estrutura é composta por dois andares: no térreo encontram-se as salas das turmas do nono ano, enquanto no primeiro andar estão distribuídas as demais turmas — sextos, sétimos e oitavos anos. Todas as salas são equipadas com ventiladores, o que contribui para um ambiente mais confortável durante as aulas. O estágio foi feito em companhia de outra aluna que também fazia ESEF. O diretor foi quem nos apresentou a escola e falou um pouco das dificuldades que a escola estava passando, como a proximidade da prova do IFCE e a falta de preparo dos alunos, a evasão escolar e o orçamento limitado — que foi um fator de impacto em atividades posteriores. Havia duas professoras que ministravam a disciplina de ciências, mas apenas uma era efetiva e por se tratar de alguém com mais experiência, foi preferido estagiar sob a supervisão dela. A professora já estava perto de se aposentar quando iniciamos o estágio e passava por graves problemas familiares, mesmo assim foi extremamente receptiva conosco. As turmas acompanhadas durante o estágio foram as de oitavo ano, divididas em três grupos: 8º A, 8º B e 8º C. As turmas A e B eram frequentemente descritas pelos professores como agitadas e problemáticas, enquanto a turma C era considerada a mais tranquila e participativa. Inclusive, essa última foi escolhida, junto com outra turma do turno da tarde, para se apresentar na feira de ciências da escola. É importante destacar que a escolha das turmas participantes também foi influenciada por limitações orçamentárias. A escola não dispunha de recursos financeiros suficientes para garantir a participação de todas as turmas no evento. Um orçamento prévio foi elaborado em conjunto com a empresa parceira da escola, resultando em um custo aproximado de seis mil reais — valor que correspondia quase à totalidade dos recursos disponíveis no momento. O planejamento das aulas acontecia semanalmente, às terças-feiras. Esses encontros eram fundamentais para a organização do estágio, pois neles discutíamos e definíamos como seriam conduzidas as aulas, quais metodologias utilizaríamos e como seria estruturada a aplicação do projeto. Além disso, nesses momentos avaliávamos o andamento das atividades anteriores, trocávamos experiências e ajustávamos os planos de acordo com as necessidades observadas em sala de aula. 2. DESENVOLVIMENTO Observação: Inicialmente, fomos apresentadas às turmas nas quais iríamos atuar durante o estágio. Nesse momento, explicamos brevemente como seria a dinâmica das aulas, o funcionamento do estágio, a duração do período em que estaríamos na escola, além de informações sobre nossa formação. Apresentamos o nome de cada uma, o curso de graduação que estamos cursando e a instituição de ensino à qual pertencemos.
Como mencionado anteriormente, as turmas do 8º A e 8º B eram consideradas bastante agitadas e, em alguns casos, até problemáticas pelos professores, que relatavam dificuldades em manter a atenção dos alunos e conduzir as aulas de forma tranquila. De fato, essas turmas apresentavam um comportamento mais disperso, o que exigia maior esforço por parte dos docentes para manter o controle da sala. Na minha percepção, todas as turmas do 8º ano demonstravam um certo nível de agitação, algo relativamente comum nessa faixa etária. No entanto, percebi um fator que pode ter contribuído para o comportamento mais intenso observado nas turmas A e B: ambas tinham aulas de ciências logo após o intervalo, momento em que os alunos retornavam mais agitados e com maior dificuldade de concentração. Já a turma do 8º C, que tinha ciências no primeiro horário da manhã, demonstrava mais tranquilidade e foco durante as aulas, o que pode ter facilitado o processo de ensino-aprendizagem. Outro fator que influenciou o decorrer das aulas durante o período de estágio foi a preparação para as festas juninas da escola. Com a proximidade do evento, os ensaios da quadrilha passaram a ocorrer com frequência, e muitos alunos deixavam a sala de aula para participar dessas atividades. Essa saída constante acabava interferindo diretamente na dinâmica das aulas, pois além de diminuir o número de estudantes presentes, também causava dispersão nos que permaneciam em sala, tornando o ambiente menos propício à concentração. Os próprios alunos que participavam dos ensaios tinham seu processo de aprendizagem comprometido, já que perdiam parte do conteúdo ministrado durante sua ausência. Esse período exigiu ainda mais flexibilidade e adaptação por parte dos professores e estagiários, a fim de manter o engajamento. Durante o período de observação, os conteúdos trabalhados em sala de aula foram relacionados ao sistema endócrino e ao sistema reprodutor humano. Esses temas, por tratarem de aspectos biológicos diretamente ligados à sexualidade e às transformações do corpo, costumam gerar certo constrangimento ou despertar reações por parte dos alunos, especialmente no ensino fundamental. Na aula sobre sistema urogenital, a professora solicitou minha participação direta, pedindo que eu desenhasse na lousa os dois sistemas — masculino e feminino — como forma de apoio visual à explicação teórica. Essa solicitação já havia sido combinada anteriormente, quando a professora perguntou se alguma de nós sabia desenhar e se poderia contribuir com esse recurso durante as aulas. O objetivo do desenho foi facilitar a compreensão dos alunos, oferecendo uma representação visual que ajudasse a fixar os conteúdos trabalhados. Além disso, o uso do quadro como suporte contribuiu para manter a atenção da turma, despertando maior interesse e engajamento por parte dos estudantes, que puderam acompanhar, de forma mais concreta, a localização e a função dos principais órgãos do sistema urogenital. Mesmo se tratando de um assunto relativamente polêmico, os alunos, de modo geral, comportaram-se de forma adequada durante as explicações. Houve algumas
brincadeiras e comentários típicos da faixa etária, o que já era esperado, mas que não chegaram a comprometer o andamento das aulas. A professora propôs em seguida uma atividade bastante interessante: foram distribuídos pedaços de papel para que os estudantes escrevessem anonimamente qualquer pergunta que tivessem sobre o sistema urogenital ou assuntos relacionados. A proposta era que, posteriormente, essas dúvidas fossem lidas e respondidas durante o período da nossa regência. A atividade não tinha caráter avaliativo, ou seja, não valia ponto, e os alunos não precisavam se identificar. Essa abordagem foi pensada justamente para garantir o anonimato, permitindo que todos se sentissem à vontade para expressar suas dúvidas sem constrangimento, especialmente em temas considerados delicados ou cercados de tabus. As perguntas recolhidas foram cuidadosamente analisadas e catalogadas em cinco grandes categorias: métodos contraceptivos, fisiologia, gravidez, masturbação e higiene. Algumas dessas perguntas foram selecionadas por serem mais recorrentes ou relevantes, e foram abordadas e respondidas de forma clara e respeitosa durante a nossa regência. Apesar dos desafios relacionados ao comportamento de alguns alunos, as aulas ocorreram sem grandes dificuldades. Os estudantes se mostraram animados e receptivos, o que facilitou a condução das atividades. Muitos deles participaram ativamente das aulas e demonstraram interesse pelas temáticas abordadas. Essa receptividade foi muito positiva para nossa experiência como estagiários. Regência Durante o período de regência, os temas abordados em sala de aula foram as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e os métodos contraceptivos. Esses assuntos têm grande relevância social e educacional, especialmente para adolescentes que estão em uma fase de descobertas e mudanças, tanto físicas quanto emocionais. No que se refere às ISTs, foi apresentada uma visão geral sobre o tema, começando pela mudança na nomenclatura — anteriormente conhecidas como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), passaram a ser chamadas de ISTs, pois muitas dessas infecções podem ser assintomáticas e, portanto, não se manifestam como doenças de imediato. Além disso, discutiram-se os sintomas mais comuns, as principais infecções (como HIV, sífilis, gonorreia e HPV), as formas de prevenção, a importância da higiene íntima e da realização de exames periódicos com acompanhamento médico. Já no tópico dos métodos contraceptivos, foram abordados os principais recursos utilizados para evitar a gravidez, com destaque para o DIU, a camisinha e o anticoncepcional. Além de explicar o funcionamento e as vantagens de cada método, também foi trabalhada a conscientização sobre a gravidez na adolescência, enfatizando os impactos físicos, emocionais e sociais que uma gestação precoce pode causar na vida dos jovens.
A participação dos alunos foi positiva, demonstrando interesse, curiosidade e participando ativamente das aulas, fazendo diversas perguntas. Algo que chamou atenção foi o fato de que alguns estudantes já demonstravam ter algum conhecimento prático sobre o assunto, o que indicava, em certos casos, que já mantinham vida sexual ativa. Essa constatação foi, ao mesmo tempo, surpreendente e preocupante, considerando a faixa etária dos alunos. Outros pontos que vale destacar sobre a regência foram: fiscalização de prova e preparação da turma 8º C para a feira de ciências. Sobre a prova, observamos que muitos estudantes apresentaram dúvidas em relação ao enunciado das questões, demonstrando certa dificuldade com a interpretação de texto. Apesar desses desafios, o processo avaliativo transcorreu de forma tranquila, e conseguimos auxiliá-los dentro do possível. Já acompanhando a turma do 8º C para a feira de ciências da escola. Como essa turma foi uma das escolhidas para representar a unidade no evento, o clima em sala foi marcado por entusiasmo e expectativa. Participamos ativamente desse processo, auxiliando os grupos na construção de maquetes, elaboração de cartazes e organização das apresentações orais, permitindo assim acompanhar o envolvimento dos alunos com o projeto, ao mesmo tempo em que fortalecemos nosso papel como mediadoras do conhecimento, incentivando a criatividade e o trabalho em equipe. Projeto didático Foi acordado com a professora que o objeto central do nosso projeto didático seria os métodos contraceptivos, tendo em vista a relevância do tema e o evidente interesse demonstrado pelos alunos durante as aulas anteriores. A escolha desse foco teve como objetivo aprofundar a discussão sobre saúde sexual e reprodutiva, promovendo o conhecimento de forma acessível, responsável e compatível com a realidade dos estudantes. A atividade teve início com uma aula expositiva, na qual abordamos os principais métodos contraceptivos, explicando seus mecanismos de ação, formas de uso, eficácia e acessibilidade. Em seguida, realizamos uma apresentação prática dos recursos citados, levando para a sala de aula uma camisinha masculina, uma cartela de anticoncepcional oral e uma réplica de DIU feita de biscuit, confeccionada especialmente para fins didáticos. Esses materiais foram repassados entre os alunos, permitindo que todos pudessem ver de perto e manusear os objetos, tornando o aprendizado mais concreto e interativo. Para complementar a explicação sobre o uso correto da camisinha, fizemos uma demonstração utilizando uma banana como suporte, o que facilitou a compreensão visual e despertou bastante atenção e participação da turma. Após essa etapa, os alunos foram convidados a fazer perguntas, tirar dúvidas e compartilhar comentários em uma roda de conversa. O momento foi muito rico, com diversas perguntas sendo feitas de forma espontânea, demonstrando o engajamento e o interesse dos estudantes em compreender melhor o tema.
Inicialmente, havíamos planejado uma atividade avaliativa em formato de palavra cruzada, que englobaria os conteúdos trabalhados durante a regência, especificamente sobre ISTs e métodos contraceptivos. No entanto, a professora optou por não aplicar essa atividade, pois os alunos estavam precisando de nota formal e, por esse motivo, ela decidiu aplicar uma prova avaliativa de sua própria autoria. Resultados Os resultados do projeto foram bastante positivos. A turma reagiu de forma muito receptiva e demonstrou interesse contínuo durante toda a atividade. Foi possível perceber que, após as explicações e o momento de interação com os materiais, os alunos conseguiram compreender melhor os conceitos relacionados aos métodos contraceptivos e às ISTs. Apesar da avaliação formal do projeto ter sido substituída por uma prova aplicada pela professora, o feedback recebido indicou que o conteúdo foi assimilado de maneira significativa. A própria professora comentou que os estudantes gostaram bastante das atividades propostas e que o tema despertou um engajamento importante, contribuindo para a construção de uma postura mais consciente e responsável em relação à saúde sexual. 3. CONCLUSÃO O estágio proporcionou uma experiência enriquecedora tanto no âmbito pedagógico quanto pessoal. A convivência com diferentes turmas do oitavo ano, especialmente com as particularidades e desafios apresentados pelas turmas mais agitadas, permitiu desenvolver habilidades importantes de planejamento, adaptação e mediação do conhecimento. A atuação em conjunto com a professora, aliada ao engajamento dos alunos, mostrou que, mesmo em contextos com limitações orçamentárias e desafios comportamentais, é possível promover um ensino significativo e participativo. A abordagem dos temas relacionados ao sistema urogenital, ISTs e métodos contraceptivos despertou grande interesse e contribuiu para o esclarecimento de dúvidas importantes, incentivando uma postura crítica e responsável sobre a saúde sexual e reprodutiva. Além disso, o projeto didático, com atividades práticas e interativas, foi fundamental para consolidar o aprendizado, tornando o conteúdo mais acessível e atraente aos estudantes. A receptividade positiva e o envolvimento ativo dos alunos demonstram a importância de se trabalhar esses temas REFERÊNCIAS
FURLANETTO, M. F. et al. Educação sexual em escolas brasileiras: revisão sistemática da literatura. Cadernos de Pesquisa, v. 48, n. 168, p. 550–571, 1 jun. 2018.