VIVÊNCIAS DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NO ENSINO FUNDAMENTAL II
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VIVÊNCIAS DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NO ENSINO FUNDAMENTAL II Maria Pamela Soares de Sousa¹, Isabel Cristina Higino Santana² ¹Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências da Saúde (CCS), Licenciatura em Ciências Biológicas, e-mail: [email protected] ²Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências da Saúde(CCS), Docente do Curso de Ciências Biológicas, e-mail: [email protected] Resumo: O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de estágio supervisionado nos anos finais do ensino fundamental realizada por uma graduanda do curso de Ciências Biológicas. O estágio é compreendido como um componente obrigatório e essencial na formação de professores, pois permite a articulação entre teoria e prática no contexto educacional. A escola escolhida para a realização das atividades está localizada no bairro Prefeito José Walter, em Fortaleza – CE. A escolha foi motivada pela proximidade com o local de trabalho da estagiária, facilitando o deslocamento entre suas atividades cotidianas. Durante o estágio, foram realizadas observações, elaboração de diário de campo, participação na regência, planejamento de aulas e desenvolvimento de um projeto didático. A infraestrutura da escola mostrou-se satisfatória em alguns aspectos, como biblioteca, laboratório móvel e acesso à internet, mas apresentou limitações, como climatização deficiente em algumas salas e ausência de quadra esportiva. A metodologia observada nas aulas foi predominantemente tradicional, com uso exclusivo da lousa e cópia dos conteúdos, o que gerou dificuldades de engajamento e aprendizagem por parte dos alunos. A estagiária demonstrou interesse em aplicar estratégias mais dinâmicas, mas limitou-se às orientações do professor supervisor. Como contribuição prática, foi desenvolvido um projeto didático voltado ao tema da poluição do ar, com os alunos do 7º ano, utilizando uma dinâmica lúdica baseada em perguntas e respostas com premiação, promovendo a participação e o interesse dos estudantes. Concluiu-se com a realização que o projeto didático foi eficiente como complemento às atividades da feira de ciências e para promover um aprendizado mais dinâmico e envolvente, ampliando o entendimento de conceitos de poluição do ar pelos alunos do 7º ano. O estágio, nesse sentido, contribuiu para a construção de competências pedagógicas fundamentais e para a reflexão crítica sobre a prática docente no ensino de Ciências. Palavras-chave: Formação docente. Educação básica. Projeto didático.
1. INTRODUÇÃO Segundo Moraes (2025), "O estágio supervisionado não é apenas uma exigência curricular, mas um espaço essencial para a construção da identidade profissional docente. É um componente curricular obrigatório nos cursos de formação de professores que estabelece um diálogo entre a teoria apreendida no curso de formação e a prática das escolas que representam o campo de estágio". Conclui-se então, que o estágio supervisionado é um componente imprescindível para a formação profissional dos alunos de ciências biológicas. A realização do estágio supervisionado nos anos finais do ensino fundamental contou com atividades como reconhecimento da escola, observação, diário de campo, regência, planejamento e projeto didático. Essas atividades são importantes, pois, segundo Leite (2023, p. 200), "por meio da observação, da participação e da regência, o licenciando poderá construir futuras ações pedagógicas". Desse modo, com a realização dessas atividades, eu pude adquirir conhecimentos acerca da prática docente e refletir sobre minhas futuras ações como docente. A escolha da escola para a realização do estágio ocorreu devido à proximidade com meu local de trabalho. Ambos estavam localizados na mesma rua, o que facilitava o deslocamento, considerando meu turno de trabalho, 19h às 07h, seguindo diretamente para o estágio no turno da manhã e posteriormente para à universidade no período da tarde. Fui aceita para realizar o estágio de maneira fácil, pois tanto o diretor quanto o professor supervisor foram bem receptivos. Contudo, houve algumas dificuldades no momento de realizar as atividades de regência, sendo devido às constantes demandas voltadas à Feira de Ciências. Desse modo, o presente relatório tem como objetivo relatar as minhas experiências vividas no Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental II. 2. DESENVOLVIMENTO Diante das vivências experimentadas no período do estágio, este trabalho foi elaborado a partir dos pontos observados, dentre eles: a infraestrutura da instituição, a observação e metodologia do professor e o projeto didático. 2.1 Infraestrutura A instituição escolhida (Figura 1 e 2) é uma escola pública de ensino fundamental dos anos finais (6º ao 9º ano), localizada na Avenida C, 435, bairro Prefeito José Walter, Fortaleza – CE. A escola possui 8 salas de aula com capacidade para 38 alunos cada, totalizando 16 turmas (8 pela manhã e 8 à tarde) com uma média de 619 alunos matriculados, entre 11 e 14 anos. A escola dispõe de uma área de recreação atrás do prédio e um espaço aberto geral que os alunos utilizam para momentos livres. Não possui quadra esportiva, mas conta com biblioteca e um laboratório móvel com materiais como banners do corpo humano, microscópios, telescópios, maquetes, entre outros. Entre os recursos tecnológicos, a escola oferece computadores, acesso à internet, e alguns alunos possuem tablets recebidos em períodos anteriores. De acordo com o site Escol.as (2012-2025), a instituição conta com acessibilidade (rampas, banheiros adaptados, sala de recursos multifuncionais), salas climatizadas, cozinha, alimentação escolar, jogos educativos, acervo multimídia, laboratório de informática, além de bibliotecários, auxiliares e profissionais de segurança alimentar. O corpo funcional inclui 25 professores (todos com ensino superior), 2 coordenadores, 1 diretor, 1 secretário, 1 agente financeiro, 2 porteiros, 6 funcionários terceirizados (3 da
limpeza e 3 da cozinha), além de monitores dos programas “Aprender Mais”, “Agente Escolar”, “Embaixadores da Paz” e uma auxiliar de biblioteca. As salas de aula observadas, contavam com ventiladores que funcionam de forma medíocre e eram muitos barulhentos, por isso, o professor utilizava um microfone para melhorar a escuta dos alunos. Os alunos sentiam bastante calor em pontos mais distantes da sala. Especificamente na sala do 8 ano havia ar condicionados que não funcionavam. Em alguns momentos a sala era invadida por mosquitos e os alunos ficavam agitados. Figura 1: Instituição onde ocorreu o estágio. Fonte: Google Earth.
Figura 2: Instituição onde ocorreu o estágio. Fonte: Google Imagens. 2.2 Metodologia No campo da metodologia de ensino, observou-se que o professor supervisor utilizava majoritariamente uma abordagem tradicional, com o uso exclusivo de lousa e pincel. Em todas as aulas observadas, o professor escrevia o conteúdo na lousa, esperava os alunos copiarem e depois prosseguia. Ao final, oferecia pontuação àqueles que copiassem todo o conteúdo. Durante o acompanhamento das turmas do 7º e 8º ano, foi notado que o 7º ano estava totalmente voltado à Feira de Ciências. O professor solicitava que os alunos trouxessem materiais para realizar experimentos, pesquisassem os temas propostos, confeccionassem cartazes e ensaiassem apresentações. No entanto, muitos alunos não traziam as pesquisas e não havia aulas expositivas sobre o conteúdo, o que compromete a aprendizagem. Já no 8º ano, o professor ministrava aulas sobre reprodução, também com uso exclusivo da lousa, o que tornava o processo lento e cansativo. Senti dificuldade de me adaptar a esse método, considerando-o uma forma “seca” de ensinar, sem atrativos para os alunos. Apesar de desejar aplicar aulas mais dinâmicas, segui as orientações do professor supervisor. A regência propriamente dita foi limitada, com poucos momentos de aula autônoma. A maior parte do tempo foi dedicada ao apoio na organização da Feira de Ciências. 2.3 Projeto didático O projeto didático foi idealizado com o objetivo de promover aos alunos do 7 ano os principais conceitos de poluição do ar, suas causas e consequências, utilizando o tema da feira de ciências de forma educativa e participativa. A proposta iniciou com a escrita na lousa, seguida de uma avaliação de conhecimentos prévios, onde os alunos foram questionados sobre o que sabiam do tema. A maioria dos alunos não sabiam o que responder ou tentavam ler o que estava escrito na lousa. Após esse momento, a aula foi dinamizada com uma brincadeira no estilo “batata quente”, utilizando uma bola feita de papéis. Quando a música parava, o aluno que estivesse com a bola retirava uma camada de papel, revelando uma pergunta sobre o tema. Caso acertasse, ganhava um brinde (como pirulitos). Foram elaboradas 10 questões (Quadro 1), além de uma 11ª feita na hora pelo professor, com maior grau de dificuldade, a qual ganhava um salgadinho sabor cebola. Quadro 1: Perguntas utilizadas no Projeto Didático. Fortaleza,CE, Brasil,2025. PERGUNTAS 1O que é poluição do ar? 2Cite duas atividades humanas que causam a poluição do ar? 3Qual o papel do gás carbônico da atmosfera terrestre? 4De onde vem o vapor de água presente no ar? 5Qual o gás encontrado em maior quantidade na atmosfera terrestre? 6Quais são as duas principais formas de surgimento da poluição do ar? 7Cite duas atitudes que podem ser tomadas para ajudar a diminuir a poluição do ar. 8Cite 3 gases nobres presentes no ar atmosférico.
9O que é poluição antrópica? 10Qual gás é essencial para a respiração? Fonte: Autora. Os materiais utilizados para a realização do projeto foram pincel, lousa, caderno, papéis, tecido colorido, fita, caneta, pirulitos e salgadinho. Nesse sentido, o projeto possibilitou que os alunos aprendessem de maneira lúdica e divertida, promovendo maior envolvimento com o conteúdo da Feira de Ciências. Durante a realização da brincadeira, grande parte dos alunos demonstrou grande entusiasmo. A outra parte não se interessou. Porém, os interessados acharam muito divertido ficarem jogando a bola, tentavam responder as perguntas e adoravam ganhar os brindes. Alguns alunos não conseguiam responder corretamente, enquanto outros aceitavam muitas vezes. Conclui-se então que o projeto didático foi eficiente como complemento às atividades da feira de ciências e para promover um aprendizado mais dinâmico e envolvente, ampliando o entendimento de conceitos de poluição do ar pelos alunos do 7º ano. Também foi importante para a formação profissional, pois proporcionou experiências novas e desafiadoras que enriqueceram meu conhecimento sobre o ensino de ciências na prática. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar das dificuldades encontradas, como a limitação metodológica e a dificuldade de conciliar horários, a experiência proporcionou uma vivência concreta do cotidiano escolar. "Ao permitir que os futuros docentes enfrentam os desafios da prática pedagógica em contextos reais, o estágio promove um aprendizado significativo, auxiliando na construção de competências fundamentais para o exercício da profissão" (MORAES, 2025, p. 3). Com a realização do estágio, percebi que novas estratégias tornam o conteúdo mais acessível e incentivam a participação dos alunos e entendi também que os desafios da sala de aula exigem sensibilidade e adaptação constantes. Nesse sentido, a experiência foi essencial para a minha formação crítica e prática como futura professora. REFERÊNCIAS ESCOL.AS. Escola Municipal EMEIEF Nelson Mandela. Disponível em: https://www.escol.as/ Acesso em: 04 jul. 2025. LEITE, N. O. G. A relevância do estágio curricular supervisionado na formação docente. Diversitas Journal, Santana do Ipanema, v. 8, n. 1, p. 196–203, jan./mar. 2023. DOI: 10.48017/dj.v8i1.2340. MORAES, A. A. Importância do estágio supervisionado na formação de professores: contribuições, desafios e perspectivas. Revista Caderno Pedagógico, Curitiba, v. 22, n. 5, p. 1–15, 2025. DOI: 10.54033/cadpedv22n5-021.