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Por uma Ciência Aberta desde o Sul: Cadernos de Linguística como Exemplo Replicável de Prática Editorial Aberta, Inclusiva, Independente e Sustentável

Oliveira, Jr., Miguel

Abstract

[25] O periódico Cadernos de Linguística (CadLin) representa uma experiência consolidada de comunicação científica aberta, inclusiva e sustentável na área de Linguística. Gerido pela comunidade acadêmica e sustentado pela Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN), o periódico adota o modelo diamante de acesso aberto, sem cobrança de taxas (APC) e com suporte técnico interno. Sua política editorial integra princípios de Ciência Aberta, integridade científica e diversidade linguística, promovendo revisão aberta, multilinguismo e transparência em todas as etapas do processo editorial. Cada artigo e parecer recebe identificador DOI, metadados abertos e formatos interoperáveis (XML-JATS, OAI-PMH). O periódico exige o depósito público de dados, códigos e materiais suplementares, sempre que aplicável, e implementa políticas claras de ética e conflito de interesses. Desde 2020, consolidou práticas de abertura verificável, tornando-se um caso de referência no contexto latino-americano. A governança é participativa e descentralizada, com editores e pareceristas atuando de forma colaborativa. Essa estrutura reforça o papel das associações científicas como infraestruturas de interesse público. O modelo pode ser adaptado em fases por revistas menores, mediante o uso de plataformas abertas e parcerias institucionais para emissão de DOI e preservação digital. O caso da CadLin demonstra que é possível combinar sustentabilidade, abertura e qualidade editorial sem dependência comercial, transformando recomendações internacionais em práticas mensuráveis. Essa experiência fornece um roteiro replicável para outras comunidades científicas e contribui para o fortalecimento de uma comunicação acadêmica mais justa, transparente e socialmente responsável.

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Por uma Ciência Aberta desde o Sul: Cadernos de Linguística como Exemplo Replicável de Prática Editorial Aberta, Inclusiva, Independente e Sustentável Autor Miguel Oliveira, Jr. (Universidade Federal de Alagoas – UFAL; Associação Brasileira de Linguística – ABRALIN, Brasil) – [email protected] – ORCID: 0000-0002-0866-0535 Palavras-chave Ciência Aberta, Acesso Aberto Diamante, Revisão por Pares Aberta, Multilinguismo, Diversidade na Pesquisa Introdução e Objetivo A América Latina tem desempenhado um papel fundamental na construção de modelos alternativos e sustentáveis de comunicação científica, em contraposição à crescente mercantilização do saber. Enquanto muitos sistemas editoriais tradicionais seguem subordinados à lógica de mercado, baseados na cobrança de APCs (Article Processing Charges) e no controle por conglomerados internacionais, a região desenvolveu iniciativas paradigmáticas como SciELO (desde 1998) e Redalyc (desde 2003) que mantêm a ciência sob responsabilidade direta da comunidade acadêmica. Esse movimento reflete a busca por maior autonomia e equidade, desafiando a dependência de modelos comerciais de publicação (ver, por exemplo, Becerril-García & Aguado-López, 2018; Fuchs & Sandoval, 2013). É nesse contexto que se insere o presente trabalho, cujo objetivo é compartilhar a experiência do periódico Cadernos de Linguística (CadLin) – mantido pela ABRALIN – como um exemplo replicável de política editorial comunitária, aberta e inclusiva, totalmente alinhada aos princípios da Ciência Aberta. Ao expor as práticas que sustentam esse modelo, pretende-se inspirar iniciativas semelhantes em outras comunidades científicas e fomentar uma reflexão crítica sobre os sistemas de avaliação de periódicos. Em particular, discute-se como experiências editoriais coerentes com os valores da Ciência Aberta podem embasar novas métricas e abordagens avaliativas que transcendam a dependência de indicadores tradicionais de impacto. Metodologia Este estudo caracteriza-se como um relato de experiência e análise de caso do modelo editorial do Cadernos de Linguística, com enfoque qualitativo-descritivo complementado por indicadores quantitativos. Foram analisados documentos institucionais, diretrizes editoriais e indicadores de desempenho do periódico no período de 2020 a 2025, incluindo dados sobre submissões, publicações e composição do corpo editorial e de autores. Adotou-se uma abordagem exploratória para confrontar as práticas da revista com as diretrizes internacionais de Ciência Aberta – notadamente a Recomendação da UNESCO (2021) e princípios de integridade científica e inclusão. Dados quantitativos (por exemplo, distribuição de autoria por gênero e país, tempo médio de avaliação e adoção de práticas de abertura) foram coletados dos registros internos do periódico e de plataformas de monitoramento como o “Termômetro de Ciência Aberta” da ferramenta Miguilim. Esses dados foram então interpretados à luz de referências da literatura sobre comunicação científica aberta e ética editorial. Técnicas de análise incluíram a comparação das políticas editoriais da CadLin com padrões internacionais (p.ex., critérios SciELO, COPE, DOAJ) e a síntese de indicadores-chave em tabelas e figuras simples, de modo a evidenciar os resultados mais pertinentes. Resultados Cadernos de Linguística opera desde sua fundação no modelo de Acesso Aberto Diamante, assegurando que nem autores nem leitores enfrentem barreiras financeiras para publicar ou acessar conhecimento. O periódico é gerido por uma associação científica sem fins lucrativos (ABRALIN), o que garante autonomia editorial, responsabilidade pública e sustentabilidade de longo prazo. O modelo sem APCs e com governança comunitária atende às diretrizes da UNESCO (2021) e da BOAI (2002) ao eliminar barreiras econômicas de publicação, reduzir assimetrias de acesso e manter o controle editorial na comunidade científica, em vez de transferi-lo a intermediários comerciais. Todo o conteúdo da revista é disponibilizado sob licença Creative Commons CC-BY. Cada artigo e parecer recebe DOI próprio; os metadados completos e o texto em XML-JATS são disponibilizados pela revista e expostos via OAI-PMH, o que permite colheita automática por indexadores (p. ex., DOAJ, Redalyc) e integração com serviços de descoberta. A infraestrutura técnica baseada em software livre (OJS/PKP) e o suporte institucional da ABRALIN permitiram à CadLin alcançar estabilidade operacional sem recorrer a cobranças ou dependência de editorações comerciais. Diversos pilares da ciência aberta estão plenamente integrados às práticas editoriais da CadLin. Primeiramente, a revisão por pares é aberta: todos os pareceres são assinados pelos avaliadores e publicados integralmente junto aos artigos, acompanhados das réplicas dos autores. Essa prática de peer review transparente – pioneira na área de Linguística no Brasil – promove responsabilização pública e aprendizado coletivo: os pareceres assinam e justificam decisões editoriais (responsabilização), e o conteúdo dos pareceres ensina critérios, métodos e padrões a autores, pareceristas em formação e leitoras(es), deixando visível o raciocínio crítico que normalmente fica oculto (Ross-Hellauer, 2017). Em segundo lugar, a revista adota a política de preprints obrigatórios: os manuscritos devem estar previamente depositados em um repositório público antes da submissão formal ao periódico. Esse modelo de “curadoria editorial”, em que os editores atuam não como filtros de acesso mas como curadores de um acervo já aberto, fortalece a democratização do conhecimento e reduz atrasos na disseminação dos resultados científicos. Além disso, a revista exige o depósito público de dados, códigos e materiais sempre que eticamente e legalmente possível, com DOI informado no artigo e Declaração de Disponibilidade especificando onde e como acessar os materiais. CadLin foi um dos primeiros periódicos de Linguística no país a exigir, por exemplo, que conjuntos de dados linguísticos analisados nos artigos fossem depositados em repositórios públicos (como Zenodo ou OSF) sempre que possível, garantindo o acesso aberto aos dados e permitindo reanálise independente por outros pesquisadores: uma prática essencial para a integridade científica e para o avanço cumulativo do conhecimento. A revista também acolhe diferentes formatos de contribuição que reforçam a abertura e a confiabilidade da pesquisa. Assim, por exemplo, são aceitos relatos registrados (registered reports), nos quais a avaliação por pares ocorre antes da coleta de dados – aumentando a validade confirmatória dos estudos (Nosek & Lakens, 2014). Além disso, de 2020 a 2025, Cadernos de Linguística estruturou políticas para acolher relatos de reprodutibilidade, incluindo diretrizes que reconhecem o valor científico de resultados nulos ou não confirmatórios. Em 2026, a revista publicará um número temático dedicado a relatos de reprodutibilidade, consolidando esse eixo de abertura metodológica e reforçando o compromisso com práticas que enfrentam o viés de publicação descrito por Munafò et al. (2017). Cadernos de Linguística destaca-se, portanto, por promover transparência do ciclo de pesquisa, do pré-registro ao pós-publicação, implementando integralmente o conjunto de práticas da Ciência Aberta em seu fluxo editorial. Como reconhecimento objetivo, o periódico atingiu 100% de conformidade em todas as dimensões avaliadas pelo “Termômetro de Ciência Aberta” da plataforma Miguilim, ferramenta que monitora a adoção de práticas de abertura (como disponibilidade de dados, código, materiais, preprints, peer review aberto, etc.) pelas revistas acadêmicas. Esse resultado sinaliza aderência máxima aos critérios de ciência aberta e coloca a CadLin na vanguarda entre os periódicos de sua área. Diversidade, inclusão e multilinguismo: Um ponto distintivo da política editorial da CadLin é o forte compromisso com a diversidade linguística e a inclusão epistêmica. A revista aceita submissões de artigos em qualquer idioma, em consonância com os princípios da Iniciativa de Helsinque sobre Multilinguismo (2019), da qual é signatária. Essa política de multilinguismo tem ampliado significativamente o alcance do conhecimento produzido localmente, valorizando idiomas raramente presentes em periódicos internacionais e diminuindo barreiras para autores que preferem publicar em línguas além do inglês. Paralelamente, ações concretas de diversidade e inclusão são promovidas: CadLin é signatária da Coalition for Diversity and Inclusion in Scholarly Communications (C4DISC) e adota estratégias para incentivar a participação de autoras e autores historicamente sub-representados (por exemplo, originários de regiões periféricas ou pertencentes a minorias étnico-raciais). A revista também estimula a citação diversificada e responsável, encorajando autores a incluir em suas referências trabalhos de pesquisadores de diferentes contextos geográficos e sociais, combatendo vieses de exclusão na construção do conhecimento. Essas políticas se refletem em resultados mensuráveis: entre 2020 e 2025, o periódico publicou trabalhos com 516 participações de autores, dos quais 57,6% são mulheres, evidenciando forte presença feminina na autoria. Nesse mesmo período, 27,7% dos autores tinham afiliação em instituições de 25 países fora do Brasil, enquanto 72,3% eram afiliados a instituições brasileiras (cobrindo todas as cinco regiões do país). Notavelmente, houve também 4,3% de autores indígenas contribuindo em publicações da CadLin – um dado singular que destaca esforços de inclusão de grupos originários raramente representados na ciência. Essa pluralidade de vozes estende-se à composição da própria equipe editorial e de pareceristas: o conselho editorial conta com membros distribuídos em 11 países (73,8% no Brasil e 26,2% no exterior), e entre os avaliadores que atuaram no quinquênio, 56% foram mulheres e 44% homens, abrangendo todos os estados brasileiros e diversos países. Esses resultados reforçam a coerência entre a política editorial e os dados observados, confirmando que a diversidade e o multilinguismo se traduzem em participação efetiva e não apenas declaratória. A estrutura comunitária de governança da CadLin vem acompanhada de compromisso com a integridade científica e ética na publicação. O periódico pauta-se pelo Code of Conduct do Committee on Publication Ethics (COPE) e demais diretrizes internacionais de boas práticas editoriais, assegurando que editores, autores e pareceristas sigam padrões elevados de conduta. Todos os manuscritos submetidos passam por verificação de originalidade (ferramenta iThenticate) para detecção de plágio ou autoplágio antes de seguir para avaliação, em concordância com as melhores práticas de integridade acadêmica. Os editores selecionam avaliadores ad hoc sem conflitos de interesse e divulgam claramente quaisquer potenciais conflitos nas decisões editoriais. Caso um editor atue também como autor submetendo trabalho à revista, o processo de peer review é conduzido de forma independente por outro membro da equipe, garantindo isenção. A abertura ancorada por salvaguardas de integridade garante confiança pública nas práticas associadas à Ciência Aberta. Em alinhamento com as recomendações da Declaração de São Francisco sobre Avaliação da Pesquisa (DORA, 2013), o periódico não utiliza o fator de impacto ou outras métricas baseadas em periódicos como critério de qualidade ou decisão editorial. Ao invés disso, a avaliação foca no mérito intrínseco dos trabalhos e na adequação metodológica, promovendo abordagens mais justas e qualitativas compatíveis com a Ciência Aberta. Essa postura anti-fator de impacto também estimula autores a valorizarem indicadores mais amplos de impacto, como influência em políticas públicas, repositórios abertos e engajamento da sociedade. CadLin colabora ativamente com redes e organizações que promovem a ciência aberta e a ética na pesquisa, a exemplo da Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC), do Free Journal Network (FJN), da LingOA, do Radical Open Access Collective e da Rede Brasileira de Reprodutibilidade. Essas colaborações mantêm a revista atualizada em relação às boas práticas editoriais internacionais e ampliam seu acesso a recursos e treinamentos em ética, diversidade e abertura. Por fim, a CadLin demonstra um compromisso destacado com a disseminação ampla e a comunicação pública dos resultados publicados. Reconhecendo que a abertura não se limita ao acesso livre, o periódico investe em tornar a ciência compreensível e relevante para públicos além da academia. Para isso, todos os artigos publicados são acompanhados de um resumo em linguagem acessível, elaborado pelos próprios autores em colaboração com editores, visando traduzir o conteúdo técnico para um formato adequado ao público leigo. Esses resumos em linguagem simples são divulgados em múltiplos canais, inclusive redes sociais e listas de interesse, para maximizar o alcance. A revista mantém presença ativa no Bluesky, Instagram, Mastodon, Facebook, X, Linkedin, Threads e YouTube, bem como produz conteúdos multimídia (podcasts, videocasts e mensagens de popularização via WhatsApp) destacando achados de pesquisas recentes. Ferramentas de interação pós-publicação também foram incorporadas: todos os artigos aceitos permitem comentários e anotações públicas via integração com a plataforma Hypothesis, fomentando um diálogo aberto e contínuo entre leitores e autores. Adicionalmente, a CadLin utiliza o plugin Plaudit para que quaisquer leitores possam publicamente endossar e comentar os artigos, e integra métricas alternativas de impacto (altmetrics) por meio de badges do Altmetric.com e PlumX em cada artigo, tornando visíveis as menções em redes sociais, notícias e outros fóruns. O esforço de divulgação tem trazido resultados: os artigos publicados em 2025 alcançaram em média ~1000 visualizações cada um, com índices crescentes de discussões em plataformas abertas e citações em preprints e literatura cinzenta. Esses dados corroboram evidências mais amplas de que a Ciência Aberta está associada a maior visibilidade e impacto dos trabalhos em diversos públicos (Piwowar et al., 2018). Discussão e Conclusões A experiência de Cadernos de Linguística evidencia que é possível construir e manter um periódico científico de excelência pautado pela ética, pela equidade e pelo compromisso coletivo com a ciência como bem público. Como contribuição principal, este caso fornece uma prova de conceito de um modelo editorial sustentável e replicável que rompe com a lógica hegemônica dos conglomerados editoriais e de métricas simplificadoras a eles associadas. Os achados e práticas aqui descritos servem de subsídio para que outras sociedades científicas, especialmente no Sul Global, considerem adotar modelos semelhantes de publicação diamante e abertura total do processo científico. Ao invés de depender de receitas provenientes de indicadores de prestígio fechados, revistas comunitárias como CadLin mostram que é viável fundamentar a comunicação científica em valores de colaboração, transparência e inclusão, sem comprometer a qualidade ou o alcance internacional. Este modelo contribui para democratizar a ciência, dando voz e visibilidade a pesquisadores de contextos diversos, e para restaurar a confiança do público no processo de publicação por meio da transparência e da integridade (por exemplo, expondo publicamente a avaliação por pares e permitindo escrutínio pós-publicação). Do ponto de vista das implicações para o sistema científico mais amplo, experiências assim apontam caminhos para a reforma dos critérios de avaliação acadêmica. À medida que Cadernos de Linguística constroem um histórico de abertura efetiva e participação pública, adotando práticas consolidadas de Ciência Aberta, torna-se evidente a necessidade de repensar como medimos o valor da pesquisa. Órgãos avaliadores e agências de fomento podem se inspirar nesses exemplos para incorporar novas métricas e incentivos alinhados à abertura, tais como indicadores de compartilhamento de dados, reprodutibilidade ou engajamento público, em vez de confiar exclusivamente em fatores de impacto ou índices de citação tradicionais. Essa discussão converge com uma tendência internacional de ampliar os conceitos de impacto e excelência científica (Vicente-Sáez & Martínez-Fuentes, 2018). Nesse sentido, Cadernos de Linguística funciona como um catalisador para a urgente reavaliação de como medimos o valor da ciência, sugerindo que critérios de avaliação passem a valorizar explicitamente práticas de abertura, colaboração e diversidade que antes ficavam invisibilizadas nos modelos convencionais. Naturalmente, a implementação e manutenção de um modelo editorial aberto, inclusivo e independente traz desafios e limitações. Um dos desafios está na sustentabilidade financeira e operacional de longo prazo: embora a ABRALIN ofereça suporte contínuo, a dependência de financiamento via associações e trabalho voluntário exige constante mobilização da comunidade e recursos institucionais. Replicar este modelo em outras áreas pode demandar estruturas semelhantes de apoio coletivo (associações fortes, redes de colaboração) e políticas institucionais que incentivem pesquisadores a envolverem-se como editores e revisores em iniciativas não-comerciais. Ainda assim, o núcleo do modelo é transferível por etapas: (i) infraestrutura aberta e gratuita (OJS/PKP; preprints; Zenodo ou OSF para dados e materiais); (ii) políticas editoriais de baixo custo (revisão aberta com publicação dos pareceres com DOI apenas se houver parceria institucional); (iii) governança leve (comitê rotativo, calendário fixo de decisões, registro público de processos); (iv) consórcios ou acordos com bibliotecas/universidades para emissão de DOI, preservação digital e normalização editorial. Comunidades com menos recursos podem adotar esse núcleo em fases, ampliando o escopo conforme a capacidade institucional e as parcerias locais. Outra limitação potencial é a resistência cultural em partes da academia: alguns autores podem ainda preferir revistas tradicionais de alto impacto, e consolidar a reputação de um periódico alternativo requer tempo e resultados convincentes. No caso da CadLin, estratégias como obter indexação em bases reconhecidas e demonstrar eficiência editorial foram fundamentais para vencer resistências, como ilustrado pelos indicadores de desempenho que a revista já alcançou, incluindo média de ~59 artigos publicados por ano e tempo médio de ~5 meses para aceite, dentro das expectativas da área. Ainda assim, manter a inovação contínua é fundamental: a revista precisará adaptar-se a novos desafios, como o uso ético de ferramentas de Inteligência Artificial na editoração e a capacitação de autores e revisores em práticas abertas, garantindo que a integridade acadêmica seja preservada à medida que novas tecnologias emergem. Cadernos de Linguística demonstra que a Ciência Aberta, a integridade e a qualidade editorial podem coexistir em um periódico gerido pela própria comunidade acadêmica. Desenvolvido no Sul Global, o periódico mostra que experiências locais podem gerar soluções úteis e replicáveis em outras comunidades científicas. Suas práticas se alinham aos princípios da Ciência Aberta e oferecem um roteiro para revistas que buscam maior inclusão, transparência e responsabilidade social. As lições deste trabalho podem orientar novas iniciativas editoriais e políticas públicas de apoio aos periódicos diamante. A multiplicação de modelos comunitários como o da Cadernos de Linguística tende a redefinir os critérios de avaliação científica: quando a qualidade é medida pela abertura de processos, pela disponibilidade de dados e pareceres e pela possibilidade de reuso do conhecimento, muda-se a lógica de reconhecimento na ciência. O caso da CadLin mostra que a abertura é mensurável, a diversidade é aplicável e a sustentabilidade editorial é possível sem dependência comercial — uma virada da retórica para a mensuração que fortalece a Ciência Aberta no Sul Global. Declaração de Uso de IA Este trabalho utilizou ferramentas de IA de forma controlada e transparente. A versão GPT-4 do ChatGPT (OpenAI; acesso em outubro de 2025) foi empregada apenas para apoiar a redação e a revisão linguística do texto, com sugestões de formulação e organização a partir de rascunho e diretrizes fornecidas. Não houve uso de IA para análise de dados, geração autônoma de conteúdo científico ou elaboração de resultados. Toda saída proposta pela ferramenta foi verificada por autoria humana, com checagem factual, revisão estilística e correção de eventuais erros. Não foram inseridos dados sensíveis ou confidenciais. Mantiveram-se registros dos prompts utilizados. A autoria humana é responsável pelo conteúdo final. Esta declaração atende às práticas de transparência solicitadas pelo evento e às boas práticas editoriais correntes para o uso responsável de LLMs. Referências Becerril-García, A., & Aguado-López, E. (2018). 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