AVALIAÇÃO ORAL COMO ESTRATÉGIA DIDÁTICA NO ENSINO DE CONTABILIDADE GERAL
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38 AVALIAÇÃO ORAL COMO ESTRATÉGIA DIDÁTICA NO ENSINO DE CONTABILIDADE GERAL Paulo César Pereira da Silva – Cursos de Negócios (Administração, Ciências Contábeis, CST Marketing, CST em Logística, CST em Recursos Humanos e CST em Gestão Financeira) DOI 10.5281/zenodo.17498709 A experiência com a utilização da avaliação oral no componente de Contabilidade Geral, durante o semestre letivo, revelou-se extremamente enriquecedora tanto para os estudantes quanto para o docente. A proposta nasceu da necessidade de buscar metodologias ativas que envolvessem mais os alunos no processo de ensinoaprendizagem e que também funcionassem como uma ferramenta de revisão contínua dos conteúdos trabalhados em sala de aula. A avaliação oral foi planejada como uma prática avaliativa realizada na semana que antecedia as avaliações escritas. Os alunos eram convidados, de forma individual, na sequência de A a Z da chamada, na primeira unidade e de Z a A, na segunda unidade, vislumbrando equidade para com os discentes, a responder perguntas discursivas sobre os conceitos apresentados, como Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, receitas, despesas, lançamentos contábeis, estrutura do Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício. Essa metodologia foi adotada como forma de dar conhecimento aos demais discentes da turma do que se perguntava e de como devida ser respondido. Inicialmente, houve certa resistência e insegurança por parte dos estudantes, especialmente aqueles menos habituados a se expressar verbalmente em público. No entanto, ao longo do semestre, observou-se um aumento significativo da confiança dos alunos e uma melhora considerável na articulação das ideias e no domínio conceitual. A
39 oralidade passou a ser compreendida como uma ferramenta de consolidação do conhecimento, em que o estudante não apenas "repete" o que foi visto, mas interpreta, analisa e explica com suas próprias palavras. Essa metodologia também proporcionou ao professor um diagnóstico imediato do nível de compreensão dos conteúdos por parte da turma. Foi possível identificar, com mais clareza, os pontos de maior dificuldade e retornar a eles de forma direcionada, o que tornou o processo de revisão mais eficaz. Além disso, a avaliação oral contribuiu para a construção de um ambiente participativo e colaborativo, onde os próprios colegas contribuíam com complementações e correções durante as falas, reforçando o aprendizado coletivo. No contexto do ensino superior, essa prática se mostrou especialmente relevante, pois estimula competências essenciais à formação acadêmica e profissional, como argumentação, escuta ativa, raciocínio lógico e a capacidade de síntese. Para os alunos do curso de Administração e Ciências Contábeis, que futuramente atuarão em áreas que demandam comunicação assertiva, tomada de decisão e domínio técnico, a avaliação oral aproximou o conteúdo teórico da vivência prática profissional. Como resultado, ao final do período letivo, a maioria dos estudantes demonstrou domínio mais consistente dos principais tópicos da disciplina. As revisões feitas por meio das avaliações orais permitiram consolidar os conteúdos de forma dinâmica e interativa, evitando a sobrecarga comum nas semanas de provas escritas e promovendo uma aprendizagem mais distribuída ao longo do semestre. Em suma, a avaliação oral se consolidou como uma prática pedagógica eficiente, não apenas como instrumento de aferição, mas também como estratégia metodológica ativa no ensino superior, especialmente eficaz na disciplina de Contabilidade Geral, por possibilitar uma revisão contínua, significativa e contextualizada dos assuntos ministrados em sala
40 de aula. Pretende-se, inclusive, manter e aperfeiçoar a prática para os próximos períodos, aliando-a a outras metodologias participativas e tecnologias educacionais. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Administração e Ciências Contábeis. Brasília: MEC, 2010. GIL, Antônio Carlos. Didática do ensino superior. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. MORAN, José Manuel; MASSETTO, Marcos Tarciso; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 21. ed. Campinas: Papirus, 2020. MOREIRA, Marco Antonio; MASINI, Elcie F.S. Aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Centauro, 2006. PIMENTA, Selma Garrido; ANASTASIOU, Léa das Graças Camargos. Docência no ensino superior. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2014. SILVA, Maria Rita de Cássia Gomes da. Metodologias ativas de aprendizagem: estratégias para o ensino superior. Revista Brasileira de Ensino Superior, [S. l.], v. 7, n. 2, p. 30–45, 2021. ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.