CERIMÔNIA DO JALECO: UM OLHAR AFETIVO-EDUCACIONAL SOBRE A EXPERIÊNCIA
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41 CERIMÔNIA DO JALECO: UM OLHAR AFETIVO-EDUCACIONAL SOBRE A EXPERIÊNCIA Jânia de Faria Neves – Fisioterapia – [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17498721 A cerimônia do jaleco é um evento simbólico realizado pelos cursos da área de saúde para que o estudante vista seu jaleco pela primeira vez. Como um evento representativo, o momento é realizado em etapas, dentre as quais, estão incluídas falas de autoridades, apresentação da instituição de ensino superior (IES) e do curso, juramento e, no caso do curso de Fisioterapia do UNIPÊ, há um momento em que um egresso traz uma mensagem para o aluno, seus familiares e convidados. O objetivo desse relato é descrever os meus olhares sobre o evento e sua representatividade e o impacto possível na retenção do aluno. No semestre letivo 2025.1, a cerimônia do jaleco do curso de Fisioterapia do UNIPÊ ocorreu em dois dias do mês de maio para acolher as turmas de noite e as turmas de manhã. Estive a frente da apresentação do evento que foi realizado no turno da manhã. A estrutura, grosso modo, foi composta por 5 etapas. A primeira delas foi o momento das boas vindas realizada pela coordenadora do curso e extendida aos convidados que compuseram uma mesa, a saber: a própria coordenadora, um membro do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFITTO) e o membro discente do colegiado do curso. O segundo momento foi composto pela apresentação da estrutura e algumas políticas do UNIPÊ, bem como do cursos de Fisioterapia. Na terceira parte, um egresso convidado iria proferir algumas palavras sobre a sua experiência no curso e sobre a relevância da IES no processo formativo e na inserção no mercado de trabalho. Na quarta etapa, uma aluna foi convidada para
42 fazer o juramento em nome dos demais estudantes e seus familiares. O evento foi finalizado com a 5ª etapa, momento em que os alunos eram chamados nominalmente para receberem o seu jaleco das mãos do seus padrinho ou madrinha e, posteriormente, vestílo. Como egressa responsável pela fala, refiz minha trajetória de 27 anos no UNIPÊ, dos quais, 4 e meio estive como estudante, 4 anos como egressa e 19 anos como docente. Costurei meu caminhar com a formação e sua relevância no mercado de trabalho. Enquanto falava, observei pais e mãos na plateia chorando. Alunos silenciosos verdadeiramente pela primeira vez. Ao final, fui acolhida com abraços e agradecimentos. Esse impacto inicial seguiuse com pais afirmando que era essa a proposta de formação que desejam para seus filhos e se comprometendo em serem parceiros do curso se empenhando para que seus filhos cumpram as etapas necessárias a uma formação de qualidade. O momento foi tão marcante que, nas semanas que se seguiram, passei a observar de maneira mais atenta os aprendentes que estiveram presentes na cerimônia, já que estava como professora de uma das turmas na disciplina de políticas públicas de atenção à saúde. Embora esse seja um relato observacional e não quantitativo, porque não havia objetivo de mensurar isso na época, houve uma redução no número de faltas, aumento na participação dos alunos (inclusive com quatro alunos, especificamente, que afirmavam que iriam trancar o curso e desistiram) e incremento considerável nas notas (fazendo um comparativo das notas da AV1 com as da AV2). Além disso, mais duas coisas chamaram a minha atenção: uma mudança de postura, com perguntas sobre como seria posível ingressar em projetos de extensão ou ficar um turno na clínica observando os atendimentos, como se o evento tivesse trazido um senso de identidade profissional. Paralelamente, após a cerimônia do jaleco, alguns alunos mais distantes se aproximaram bastante, expressando-se de maneira mais amorosa e participativa. Pelo exposto, a cerimônia do
43 jaleco, se estruturada de maneira afetiva e intencional, pode se apresentar não só como um evento para cumprir o calendário institucional, mas, principalmente, como uma ferramenta poderosa para retenção do aluno, melhora no seu desempenho acadêmico e participação, criação de vínculos mais sólidos com a IES, o curso e os docente e, por fim, plantar precocemente a semente de uma identidade profisional forte, ética e comprometida. REFERÊNCIAS: CARVALHO, Jonas Henrique Silva. et al. A importância da cerimônia do jaleco como marco inicial na formação dos alunos do curso técnico em análises clínicas: relato de experiência. X Congresso Nacional de Educação. Disponíven em: https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2024/TRABALHO_COMPLE TO_EV200_MD4_ID 17815_TB7360_30092024210555.pdf . Acesso em: 17 jul. 25. PEREIRA, Francielle Amâncio; NUNES, Sérgio Inácio. Retenção no ensino superior: reflexões e desafios. VI Congresso Nacional de Educação. Disponíven em: https://www.editorarealize.com.br/editora/ebooks/conedu/2019/ebook1/PR OPOSTA_EV127_MD4_I D14425_26092019223946.pdf . Acesso em: 17 jul. 25. COSTA, O. S.; GOUVEIA, L. B.. Modelos de retenção de estudantes: abordagens e perspectivas. REAd. Revista Eletrônica de Administração (Porto Alegre), v. 24, n. 3, p. 155–182, set. 2018.