DESENHANDO SOLUÇÕES PARA O CUIDADO PSICOSSOCIAL: A EXPERIÊNCIA COM DESIGN THINKING NO ENSINO DE ENFERMAGEM
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80 DESENHANDO SOLUÇÕES PARA O CUIDADO PSICOSSOCIAL: A EXPERIÊNCIA COM DESIGN THINKING NO ENSINO DE ENFERMAGEM Jonathan Cordeiro de Morais – Curso de Enfermagem - jcm[email protected] José Madson Medeiros Souza – Curso de Enfermagem - [email protected] Rayanne Santos Alves – Curso de Enfermagem – email: [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17498793 A experiência relatada evidencia a potência das metodologias ativas na formação em Enfermagem e convida à ampliação do debate sobre práticas pedagógicas inovadoras em campos de estágio na saúde mental. O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência da aplicação da metodologia ativa Design Thinking como estratégia formativa no estágio supervisionado de Enfermagem em saúde mental, desenvolvido em um Centro de Atenção Psicossocial tipo III (CAPS III), localizado na cidade de João Pessoa/PB, capital Paraibana. É fundamental destacar que o estágio supervisionado constitui parte integrante e obrigatória da grade curricular do curso de Enfermagem, conforme previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). Esse estágio é realizado em grupos rotativos de até seis alunos, que permanecem imersos nas atividades das unidades e serviços de saúde por um período médio de dez a doze dias, em regime diurno ou noturno, conforme o turno de matrícula na IES e a rotina do serviço de atenção 24 horas garantindo a vivência prática em diferentes níveis de atenção e a consolidação das competências técnicas, científicas e éticas necessárias ao exercício profissional (BRASIL,2001). A vivência prática
81 neste cenário, especificamente, visa desenvolver competências clínicas, relacionais e reflexivas no cuidado em saúde mental, em consonância com os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), conforme estabelecido na Lei nº 10.216/2001 e nas Portarias nº 336/2002, nº 3.088/2011 e GM/MS nº 757/2023. Nesse contexto, optou-se por iniciar o estágio com uma proposta inovadora: a utilização do Design Thinking, aliado ao Arco de Maguerez, como estratégia para promover a integração crítica dos estudantes ao campo de prática, estimulando a empatia, a escuta ativa e a criatividade na resolução de problemas, colocando o estudante no centro do processo de ensino-aprendizagem. A aplicação do Design Thinking no estágio supervisionado em saúde mental permite uma abordagem sensível e participativa para a compreensão da complexidade do cuidado psicossocial, por meio de suas etapas características: imersão, análise, ideação, prototipagem e validação; essas fases dialogam diretamente com os desafios enfrentados no cotidiano dos CAPS. Na etapa da imersão, os estudantes são convidados a vivenciar a realidade do serviço por meio da observação, e escuta ativa de usuários e profissionais, reconhecendo vulnerabilidades, fluxos e práticas institucionais, seguindo para a etapa de análise, onde é favorecida a sistematização de hipóteses explicativas a partir das demandas percebidas, promovendo uma leitura crítica das situações e da rede de atenção; Com base nesse diagnóstico inicial, a fase de ideação estimula a criatividade na busca de soluções viáveis, contextualizadas e centradas no usuário e na realidade vivenciada no serviço, em seguida, na etapa de prototipagem, os discentes são incentivados a estruturar propostas de intervenção que possam ser implementadas no próprio serviço, ainda que em formato piloto, como oficinas, estratégias de acolhimento ou fluxogramas assistenciais, e etc. Essas atividades são então validadas por
82 meio do compartilhamento das ideias com a equipe multiprofissional, utilizando-se da construção e apresentação do arco de problemas baseado no referencial de Maguerez, essa ferramenta permite identificar causas, consequências e possíveis intervenções para os nós críticos encontrados, funcionando como uma visualização palpável da eficácia dos princípios do Design Thinking. Esse processo fortalece a integração ensino-serviço e se confirma como um recurso potente para ampliar a capacidade analítica, a empatia e o engajamento dos futuros enfermeiros diante da realidade complexa da saúde mental. A vivência tem se mostrado potente tanto para acolher os estudantes quanto para estimular a construção de um olhar ampliado sobre o cuidado em saúde mental, relatos dos discentes evidenciam que a proposta favorece o vínculo com o campo, o engajamento com a equipe interprofissional e a compreensão crítica das diretrizes que orientam a atenção psicossocial no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), além disso, contribui para o desenvolvimento da empatia, da escuta qualificada, do raciocínio clínico e da autonomia profissional. Destaca-se, ainda, o aspecto relevante do estímulo à criatividade como ferramenta de intervenção no cuidado, aspecto nem sempre valorizado em modelos pedagógicos tradicionais, reflexos positivos são percebidos ao final do rodízio de estágio, através da demonstração de maior segurança na comunicação com os usuários, maior sensibilidade às suas demandas subjetivas e uma postura ética mais sólida diante da complexidade do sofrimento psíquico. O Design Thinking, portanto, se consolida como uma ferramenta poderosa para catalisar experiências de cuidado e aprendizagem que transcendem a reprodução mecânica de procedimentos, valorizando a formação crítica e humanizada dos futuros enfermeiros, deste modo, o impacto positivo da metodologia se estende também ao docente preceptor, que passa a atuar como mediador do processo, promovendo
83 espaços dialógicos, reflexivos e sensíveis. REFERÊNCIAS AMARANTE, Paulo. Saúde Mental e Atenção Psicossocial. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007. BERBEL, Neusi Aparecida Navas. Metodologia da Problematização: fundamentos e aplicações. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 32, n. 1, p. 25–40, jan./jun. 2011. BRASIL. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 abr. 2001. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 336, de 19 de fevereiro de 2002. Estabelece critérios para o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 fev. 2002. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 dez. 2011. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 757, de 21 de junho de 2023. Atualiza as diretrizes para o funcionamento dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 jun. 2023. BROWN, Tim. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Alta Books, 2010. MORAN, José Manuel. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais significativa. In: BACICH, Lilian; MORAN, José Manuel (org.). Metodologias ativas para a inovação na educação. Porto Alegre: Penso, 2018. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000. OLIVEIRA, Sergio Leite de et al. O Arco de Maguerez como estratégia de ensinoaprendizagem. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, v. 41, n. 4, p. 567–575, 2017.
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