FALA QUE EU TE ESCUTO: COMUNICAÇÃO EM AÇÃO NO CAMPO DA SAÚDE
Full text
123 FALA QUE EU TE ESCUTO: COMUNICAÇÃO EM AÇÃO NO CAMPO DA SAÚDE Rachel Cavalcanti Fonsêca – Curso de Fisioterapia – [email protected] Rafaela Gerbasi Nóbrega Quartarone - Curso de Fisioterapia – [email protected] Rosa Camila Gomes Paiva - Curso de Fisioterapia – [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17498852 A comunicação em saúde é um componente essencial no processo de formação dos profissionais da área, especialmente daqueles que atuam de forma direta com o cuidado e a promoção da saúde, como é o caso do fisioterapeuta. A habilidade de se comunicar de forma clara, ética e empática é indispensável para o estabelecimento de vínculos terapêuticos, a construção de planos de cuidado compartilhados e a tomada de decisões assertivas em contextos clínicos, domiciliares e organizacionais. No entanto, apesar de sua importância, a comunicação ainda é frequentemente tratada de forma secundária nos currículos tradicionais, sendo necessário incorporar metodologias inovadoras que favoreçam sua vivência prática e reflexiva. Nesse contexto, a disciplina "Comunicação, Liderança e Tomada de Decisão em Saúde", ministrada no curso de Fisioterapia, propôs uma estratégia pedagógica baseada em metodologia ativa, utilizando o Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE) como ferramenta de ensino e avaliação formativa, visando consolidar os conteúdos trabalhados ao longo do semestre. O objetivo geral deste relato é descrever uma experiência acadêmica envolvendo o uso de uma metodologia ativa em uma disciplina do curso de Fisioterapia, destacando sua contribuição para o fortalecimento de competências comunicativas, éticas e relacionais dos estudantes. Trata-
124 se de um estudo do tipo relato de experiência, desenvolvido com uma turma de estudantes de Fisioterapia durante o primeiro semestre de 2025. A proposta metodológica consistiu na realização de uma atividade prática ao final do módulo teórico, com o intuito de avaliar a compreensão dos conteúdos de forma integrada. Para isso, os estudantes foram organizados em cinco grupos, sendo cada grupo responsável por construir e apresentar uma estação de OSCE, simulando situações reais do cotidiano profissional que envolvem comunicação interpessoal e organizacional. Os temas trabalhados incluíram: comunicação de más notícias a pacientes e familiares; briefing e debriefing em equipe multidisciplinar; escuta ativa e vínculo terapêutico com o paciente idoso; mediação de conflitos institucionais; e liderança em situações críticas no contexto da atenção à saúde. Cada grupo desenvolveu um roteiro dramatizado, com distribuição de papéis entre os colegas (paciente, profissional de saúde, familiar, gestor), e conduziu a simulação em sala de aula diante da docente e dos demais estudantes. As apresentações foram avaliadas com base em uma rubrica previamente construída, que considerava critérios como clareza e objetividade na comunicação, capacidade de escuta, linguagem corporal, coerência nas tomadas de decisão, gestão de emoções e ética na relação profissional. Após cada estação, houve um momento de discussão aberta com toda a turma, no qual foram promovidos feedbacks construtivos e reflexões sobre as atitudes adotadas, os pontos fortes e os aspectos a melhorar. Como resultados, observou-se o envolvimento ativo dos estudantes, a criatividade na elaboração dos casos e a significativa evolução no desempenho das competências relacionais. A prática permitiu aos alunos vivenciar situações que exigem habilidades de empatia, assertividade, escuta e liderança, aspectos fundamentais para o exercício profissional qualificado. Muitos relataram,
125 espontaneamente, que a experiência foi transformadora e os ajudou a visualizar com mais clareza os desafios da comunicação na prática clínica real. A simulação também reforçou a importância do trabalho colaborativo e da comunicação interprofissional para o bom funcionamento das equipes de saúde, especialmente em contextos de alta complexidade. Nas considerações finais, destaca-se que a integração de metodologias ativas, como o OSCE, representa uma estratégia eficaz para o ensino de competências não técnicas na formação em saúde. A atividade possibilitou aos estudantes não apenas aplicar os conhecimentos adquiridos, mas também desenvolver segurança, maturidade e consciência crítica sobre sua postura profissional. Além disso, o ambiente de simulação contribuiu para que os alunos experimentassem o erro como parte do processo de aprendizagem, fortalecendo a autonomia e o protagonismo estudantil. Conclui-se que vivências como essa qualificam o ensino, promovem a articulação entre teoria e prática e favorecem a formação de fisioterapeutas mais humanos, éticos e preparados para os desafios do cuidado em saúde. REFERÊNCIAS FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 38. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2016. Zerbinatti, L. F., Prado, M. R. M., Aguilar, C. P. C., Borgmann, A. V. & Vaz, R. S. (2022). A percepção do estudante de fisioterapia sobre o OSCE na instituição de ensino superior. Revista Thêma et Scientia, 12(2), 121–135.