GLICERINIZAÇÃO DE PEÇAS ANATÔMICAS ANIMAIS
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134 GLICERINIZAÇÃO DE PEÇAS ANATÔMICAS ANIMAIS João Paulo de Lacerda Roberto – Curso de Medicina Veterinária – joao.l[email protected].br Claudia Facini dos Reis – Curso de Biomedicina – claudia.[email protected].br Gilvan Pereira Fernandes Segundo – Curso de Biomedicina – [email protected] Marcos Antonio Leite Junior – Curso de Medicina Veterinária - marcosal[email protected] Emerson Paulo Cruz Mariano – Curso de Biomedicina [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17498864 A preservação de peças anatômicas representa uma etapa fundamental no processo de ensinoaprendizagem nas ciências da saúde, especialmente em cursos como Medicina Veterinária, onde o contato direto com estruturas morfológicas reais é essencial para a formação prática e técnica dos discentes. A utilização de peças anatômicas permite uma abordagem mais concreta e contextualizada do conhecimento, favorecendo a assimilação de conteúdos complexos e o desenvolvimento de habilidades manuais e cognitivas. Tradicionalmente, o formol tem sido amplamente empregado como agente fixador devido à sua comprovada eficácia na conservação tecidual. No entanto, seu uso contínuo exige cuidados rigorosos, uma vez que suas propriedades voláteis podem representar riscos à saúde e ao bem-estar dos usuários, além de gerar desconforto sensorial em ambientes fechados. Diante dessas limitações, a busca por métodos alternativos de conservação tem se intensificado, com o objetivo de aliar segurança, qualidade e eficiência. Nesse cenário, a técnica de glicerinização surge como uma alternativa viável e promissora. Essa metodologia permite a preservação da integridade estrutural das peças
135 anatômicas, reduzindo significativamente os odores residuais e proporcionando um ambiente acadêmico mais confortável e seguro para docentes, discentes e equipe técnica. O presente trabalho descreve a aplicação prática da técnica de glicerinização em peças anatômicas de origem animal, realizada no setor de necrópsia do curso de Medicina Veterinária do UNIPÊ, como parte das atividades da XIV Semana de Atualização Pedagógica – SAPIENS. A intervenção teve como principal objetivo aprimorar as práticas pedagógicas por meio da diversificação dos métodos de conservação, promovendo inovação no ensino e ampliando as possibilidades de uso das peças em atividades práticas. A atividade foi conduzida sob a supervisão do Professor Dr. João Paulo de Lacerda, médico veterinário e gestor do curso, com o apoio técnico de Gilvan Pereira Fernandes Segundo (biomédico preceptor, CRBM 19996), Marcos Antonio Leite Junior (técnico em patologia clínica, CRF-PB 08117) e Emerson Paulo Cruz Mariano (técnico de laboratório). A equipe multidisciplinar garantiu a execução rigorosa do protocolo, respeitando os princípios de biossegurança e conservação morfológica. O processo teve início em abril de 2025, com previsão de conclusão para o início de agosto do mesmo ano. O protocolo adotado foi dividido em quatro fases sequenciais: (1) lavagem das peças em água corrente por 48 horas para remoção de resíduos orgânicos e traços de fixadores; (2) imersão em solução de peróxido de hidrogênio por 48 horas, com o objetivo de clarear os tecidos e neutralizar odores; (3) imersão em álcool etílico a 70% por 48 horas, com função antisséptica e preparatória; e (4) imersão em glicerina pura por 90 dias, assegurando a conservação definitiva, com manutenção da flexibilidade e do aspecto natural das estruturas. Durante todas as etapas, as peças foram manipuladas com rigor técnico e documentadas por meio de registros fotográficos e relatórios técnicos, garantindo rastreabilidade e controle de qualidade.
136 Os resultados esperados incluem a redução de odores intensos, maior conforto sensorial durante as aulas práticas, e melhoria na qualidade visual e tátil das peças, favorecendo a aprendizagem ativa e a manipulação frequente pelos estudantes. A experiência conduzida no UNIPÊ evidencia o potencial da glicerinização como alternativa metodológica complementar à conservação tradicional, com impactos positivos na qualidade do ensino e na experiência dos usuários. A atuação integrada entre docentes e equipe técnica, aliada à adoção de protocolos padronizados e à supervisão qualificada, assegura a eficácia e a reprodutibilidade do procedimento. Diante dos benefícios observados, recomenda-se a continuidade da prática e sua expansão para outras disciplinas e instituições de ensino superior, como estratégia de inovação pedagógica e promoção da excelência acadêmica. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos da área da saúde. Brasília: MEC, 2014. SILVA, J. R.; OLIVEIRA, M. A. Técnicas de conservação anatômica: uma revisão. Revista de Ciências Biomédicas, v. 10, n. 2, p. 45-52, 2020. UNIPÊ. Projeto Pedagógico do Curso de Medicina Veterinária. João Pessoa: UNIPÊ, 2023.