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IMPLEMENTAÇÃO DE CHATBOT COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA FOMENTAR O PROTAGONISMO ESTUDANTIL E O PENSAMENTO CRÍTICO NO ENSINO MÉDICO

Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ

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150 IMPLEMENTAÇÃO DE CHATBOT COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA FOMENTAR O PROTAGONISMO ESTUDANTIL E O PENSAMENTO CRÍTICO NO ENSINO MÉDICO Rodrigo Niskier Ferreira Barbosa - Medicina - [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17498891 No contexto do componente curricular "Mecanismos de Agressão, Patológicos e de Defesa-I", no terceiro período do curso de medicina do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊCruzeiro do Sul), desenvolveuse uma estratégia inovadora utilizando inteligência artificial (IA) para aprimorar o processo de ensino-aprendizagem. Utilizou-se a plataforma POE (http://poe.com) para criar e personalizar um chatbot, cujo objetivo era proporcionar aos alunos uma ferramenta dinâmica e interativa para a consolidação dos conteúdos ministrados em sala de aula. Um chatbot é um programa de computador projetado para simular conversas humanas através de interações de texto ou voz. Utilizando algoritmos de processamento de linguagem natural (NLP) e inteligência artificial (IA), os chatbots podem entender, interpretar e responder a entradas dos usuários de maneira natural e intuitiva (GOEL; POLEPEDDI, 2018). De acordo com a teoria das inteligências múltiplas, reconhece-se que os indivíduos têm diferentes formas de aprender e, portanto, essa estratégia foi oferecida, entre outras, para garantir uma diversificação nas atividades que abordam as diferentes inteligências dos alunos (GARDNER, 2011). Esta iniciativa teve como objetivo fomentar o protagonismo estudantil, uma abordagem que se alinha com as ideias sobre a educação como um ato de desenvolvimento crítico (APPG, 2023). Os alunos foram incentivados a adotar uma postura ativa e crítica 151 no processo educacional, inserindo no chatbot o tema do conteúdo e os termos conceituais discutidos durante as aulas expositivas. O chatbot, por sua vez, gerava questões de múltipla escolha sobre o tema e um resumo do conteúdo. Com o intuito de aplicar uma abordagem de mentalidade de crescimento e perseverança no desenvolvimento de habilidades (DWECK, 2006), a ferramenta de IA foi previamente programada para gerar resumos com erros propositalmente inseridos. Sendo instruídos sobre isso, os alunos foram desafiados a identificar essas imprecisões e, assim, desenvolver habilidades de pensamento crítico e de reflexão colaborativa através do esforço contínuo, promovendo o desenvolvimento de habilidades da autogestão na aprendizagem (LUCKIN, 2018). Considerando que cada aluno usou os termos conceituais que identificou de maneira distinta, o uso personalizado do chatbot possibilitou uma adaptação específica ao contexto do componente curricular, tornando as interações mais relevantes e significativas para os alunos, em consonância com os princípios do uso de tecnologia para personalizar a educação (STJERN FRØNES et al., 2020). Com isso, percebeu-se que o uso da IA facilitou a criação de um ambiente de aprendizagem mais interativo e dinâmico. As questões de múltipla escolha geradas ofereciam aos alunos uma forma de autoavaliação, permitindo que identificassem lacunas em seu conhecimento e buscassem o entendimento adequado, refletindo o princípio de aprendizagem auto-organizada (SILVA, 2023). O retorno dos alunos sobre o uso desta estratégia foi positivo, refletindo em um bom desempenho acadêmico nas avaliações subsequentes e relatos elogiosos de estímulo e incentivo para continuidade exitosa desta estratégia. Contudo, foram identificados alguns desafios. A eficácia do chatbot depende da qualidade da entrada de texto ou comando inserido pelos alunos, o que requer uma compreensão clara e precisa de como utilizar a ferramenta 152 de IA, bem como uma orientação em relação aos conceitos mínimos e necessários para contemplar os objetivos de ensino-aprendizagem. Reconhece-se, assim, a necessidade de orientação e capacitação dos alunos menos experientes no uso desta tecnologia. A identificação dos erros propositais nos resumos, por sua vez, demanda tempo de estudo e pesquisa por parte dos alunos. Dessa maneira, a flexibilidade no planejamento da dinâmica da aula é necessária para garantir que o objetivo de ensino-aprendizagem seja alcançado. Além disso, a dependência de dispositivos eletrônicos e uma conexão estável à internet representa um obstáculo para alguns alunos. Para mitigar esse problema, sugere-se que a atividade seja realizada em duplas ou no laboratório de informática, sempre verificando a disponibilidade e o acesso adequado à tecnologia. Em termos de perspectivas futuras, a integração de IA no ensino médico, bem como em outras áreas, pode ser ainda mais explorada e aprimorada (APPG, 2023). A evolução das tecnologias possibilita a criação de sistemas cada vez mais sofisticados, capazes de se adaptar ao perfil e às necessidades individuais de cada estudante, promovendo uma educação verdadeiramente personalizada, alinhada com a educação global e competências do século XXI (GOEL; POLEPEDDI, 2018). Ao celebrar o protagonismo do aluno e a utilização de novas tecnologias, caminha-se rumo a uma educação mais inclusiva, dinâmica e eficiente, que responde aos desafios e demandas da formação profissional (BUCHHOLTZ et al., 2020). REFERÊNCIAS APPG - ALL-PARTY PARLIAMENTARY GROUP ON ARTIFICIAL INTELLIGENCE. Democratising Artificial Intelligence: Generative AI as a Catalyst for Change in Education. London: Big Innovation Centre, 2023. 153 BUCHHOLTZ, N.; FRØNES, T. S.; STUART, A. Equity, Equality, and Diversity in the Nordic Model of Education. Cham: Springer, 2020. DWECK, Carol S. Mindset: The New Psychology of Success. New York: Random House, 2006. GARDNER, Howard. Multiple Intelligences: New Horizons in Theory and Practice. New York: Basic Books, 2011. GOEL, Ashok K.; POLEPEDDI, Lalith. Jill Watson: A Virtual Teaching Assistant for Online Education. In: DEDE, Chris; RICHARDS, John; SAXBERG, Bror (eds.). Learning Engineering for Online Education: Theoretical Contexts and Design-Based Examples. New York: Routledge, 2018, p. 120-143. LUCKIN, Rose. Blending Human and Artificial Intelligence: Where AI and Data Can Be Combined to Empower Learning and Teaching. Franqui Lecture, 2018. SILVA, Maria. Autorregulação da Aprendizagem: Teoria, Pesquisa e Aplicação. São Paulo: Editora Educação, 2023.