TECNOLOGIA, ENGENHARIA E SUSTENTABILIDADE: CONSTRUÇÃO DE UM CARNEIRO HIDRÁULICO COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM ATIVA E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NAS REDES SOCIAIS
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242 TECNOLOGIA, ENGENHARIA E SUSTENTABILIDADE: CONSTRUÇÃO DE UM CARNEIRO HIDRÁULICO COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM ATIVA E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NAS REDES SOCIAIS Thayza Pacheco dos Santos Barros Caluete – Curso de Engenharia Civil – [email protected] Thiago da Silva Almeida – Curso de Engenharia Civil – thiago.sil[email protected] Alan de Oliveira Feitosa – Curso de Engenharia Civil – [email protected] Julyerica Tavares de Araujo – Curso de Engenharia Civil – [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17499083 No cenário educacional contemporâneo, a promoção de uma aprendizagem ativa e engajadora torna-se um imperativo para docentes do ensino superior, especialmente nas engenharias, onde teoria e prática devem caminhar juntas. Neste contexto, a adoção de metodologias que promovam a resolução de problemas reais, o uso de tecnologias e a conexão com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU se apresenta como uma estratégia eficaz para fortalecer o protagonismo discente e o senso de responsabilidade social. Este relato de experiência descreve uma prática realizada na disciplina de Instalações Hidrossanitárias, ministrada para estudantes do curso de Engenharia Civil do UNIPÊ, cujo foco foi a construção de um carneiro hidráulico – dispositivo que opera sem energia elétrica para bombeamento de água –, aliada à produção de conteúdo audiovisual pelos alunos, compartilhado em redes sociais. A proposta integrou conhecimentos teóricos, competências práticas e a visibilidade digital do curso, estimulando o uso criativo da tecnologia e fortalecendo o vínculo entre ensino, extensão e sustentabilidade. A prática foi desenvolvida ao
243 longo de três semanas letivas. Inicialmente, os estudantes receberam um conteúdo teórico sobre o funcionamento do carneiro hidráulico, seus princípios físicos (pressão, vazão, altura manométrica, energia cinética e energia potencial) e sua aplicação em comunidades rurais com acesso restrito à energia elétrica. Após essa etapa, os alunos foram divididos em grupos e desafiados a construir, com materiais de baixo custo e recicláveis, um protótipo funcional do sistema. Em paralelo à execução prática, cada grupo recebeu a orientação de documentar todo o processo em vídeo: desde a idealização do projeto, passando pela aquisição dos materiais, a montagem, até os testes finais. O produto audiovisual deveria ser publicado no Instagram, com marcação obrigatória ao perfil oficial do curso de Engenharia Civil do UNIPÊ, promovendo a divulgação científica e valorizando o protagonismo estudantil. A prática foi ainda vinculada às seguintes ODS da Agenda 2030: ODS 6 (Água Potável e Saneamento), ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima). Os estudantes, como parte da avaliação, foram incentivados a explicitar em seus vídeos e relatórios como a atividade se conectava com os objetivos globais. Durante a atividade, os discentes demonstraram alta adesão e engajamento. O desafio de construir um dispositivo funcional sem depender de eletricidade despertou a curiosidade, o senso investigativo e o espírito de equipe. A aprendizagem tornou-se significativa à medida que os alunos precisaram aplicar os conceitos discutidos em sala de aula, resolver problemas práticos e realizar ajustes em tempo real no funcionamento do carneiro. O uso da tecnologia como aliada ao processo de ensino se deu em dois níveis: na construção dos dispositivos (pesquisa em vídeos tutoriais, consulta a fóruns técnicos e simulações digitais) e na produção e publicação de conteúdo audiovisual. Para muitos, foi a primeira
244 experiência de transformação de uma prática acadêmica em conteúdo digital com potencial de alcance externo. A produção dos vídeos envolveu roteirização, captação de imagens, edição e publicação com legendas e descrições explicativas. Essa etapa fortaleceu habilidades transversais como comunicação oral e escrita, domínio de ferramentas digitais, além do trabalho colaborativo. A repercussão nas redes sociais foi positiva, gerando comentários de outros estudantes e professores sobre a atividade. O impacto da prática pôde ser observado em múltiplas dimensões: na aprendizagem, os estudantes consolidaram conceitos fundamentais da hidráulica de forma prática, desenvolveram pensamento crítico e solucionaram desafios reais, demonstrando retenção de conteúdo e senso de autoria. Na visibilidade do curso: os vídeos publicados nas redes sociais marcaram positivamente o perfil institucional, servindo como vitrine para a metodologia ativa aplicada no curso de Engenharia Civil. Isso contribuiu para fortalecer a identidade e atratividade do curso, além de aproximar a comunidade acadêmica da sociedade. Na formação cidadã: ao relacionarem a prática às ODS, os alunos ampliaram a compreensão sobre o papel da engenharia na promoção do bem-estar social e da sustentabilidade. Muitos destacaram, nos vídeos, o potencial do carneiro hidráulico para levar água a comunidades vulneráveis sem energia elétrica, reconhecendo a responsabilidade ética e social da profissão. No engajamento institucional: a marcação do perfil do curso no Instagram e o compartilhamento de conteúdo promoveram interação entre turmas, docentes e a coordenação, fomentando um sentimento de pertencimento e valorização das ações pedagógicas inovadoras. A construção do carneiro hidráulico aliada à produção audiovisual e à divulgação em redes sociais se revelou uma prática pedagógica potente, articulando teoria e prática, tecnologia e sustentabilidade,
245 ensino e extensão. Ao promover a aprendizagem ativa e engajadora, a iniciativa contribuiu para o desenvolvimento integral dos estudantes de Engenharia Civil, alinhando-se à dimensão 1 da proposta da XIV SAPIENS. A prática relatada evidencia que é possível transformar a sala de aula em um ambiente inovador, dinâmico e conectado com as demandas do século XXI, quando se investe em metodologias que dialogam com a realidade dos alunos e com os desafios globais. O uso das redes sociais como ferramenta de extensão e visibilidade acadêmica deve ser reconhecido como estratégia legítima para dar voz aos estudantes, valorizar suas produções e ampliar o alcance das práticas formativas. Em suma, a experiência demonstra que o uso ético, criativo e responsável da tecnologia pode – e deve – ser um aliado do ensino superior, sobretudo em cursos como a Engenharia Civil, onde a formação técnica precisa caminhar junto à consciência cidadã, à inovação e ao compromisso com o desenvolvimento sustentável. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Tecnologias sociais para acesso à água. Brasília: MDR, 2021. NAÇÕES UNIDAS. Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. ONU, 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs MORAN, J. M. (2015). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Campinas: Papirus. SILVA, E. F.; COSTA, L. M. (2023). Carneiro hidráulico como recurso pedagógico em cursos de engenharia: estudo de caso. Revista Ensino em Movimento, v. 11, n. 2.