287 JNT - FACIT BUSINESS AND TECHNOLOGY JOURNAL - ISSN: 2526-4281 - QUALIS B1 ANO 2025 – MÊS DE SETEMBRO - FLUXO CONTÍNUO – Ed. 66. Vol. 1. Págs. 288-311 DOI: 10.5281/zenodo.17235487
PROTOCOLOS REPRODUTIVOS EM BOVINOS DE CORTE: RELATO DE CASO. Cristiane Lopes MAZZINGHY; Daniel de Castro BARROS; Dholha César Arruda CAMPELO; Fernanda Luz Alves NEVES; Josemara Santos SILVA; Mildre Loraine PINTO; Allyne Sterphane de Sousa CAMARGO. JNT Facit Business and Technology Journal. QUALIS B1. ISSN: 2526-4281 - FLUXO CONTÍNUO. 2025 – MÊS DE SETEMBRO - Ed. 66. VOL. 01. Págs. 288-311. http://revistas.faculdadefacit.edu.br. E-mail:
[email protected]. 288 PROTOCOLOS REPRODUTIVOS EM BOVINOS DE CORTE: RELATO DE CASO REPRODUCTIVE PROTOCOLS IN BEEF CATTLES: CASE REPORT Cristiane Lopes MAZZINGHY Faculdade de Ciências do Tocantins (FACIT) E-mail: cristiane.faculdadefacit.edu.br ORCID: http://orcid.org/0000-0002-1482-7995 Daniel de Castro BARROS Centro Universitário Luterano de Palmas (ULBRA) E-mail:
[email protected] ORCID: http://orcid.org/0000-0002-5438-7701 Dholha César Arruda CAMPELO Faculdade de Ciências do Tocantins (FACIT) E-mail: [email protected] ORCID: http://orcid.org/0009-0009-4102-4504 Fernanda Luz Alves NEVES Faculdade de Ciências do Tocantins (FACIT) E-mail: coord-veterin[email protected] ORCID: http://orcid.org/0000-0001-9037-7423 Josemara Santos SILVA Centro Universitário Luterano de Palmas (ULBRA) E-mail: [email protected] ORCID: http://orcid.org/0009-0008-8701-6246 Mildre Loraine PINTO Centro Universitário Luterano de Palmas (ULBRA) E-mail: [email protected] ORCID: http://orcid.org/0009-0006-9827-6049 Allyne Sterphane de Sousa CAMARGO Faculdade de Ciências do Tocantins (FACIT) E-mail: [email protected] ORCID: http://orcid.org/0009-0008-5715-332X RESUMO O objetivo deste trabalho de conclusão de curso foi relatar a avaliação das taxas de prenhez de vacas zebuínas da raça nelore, de diferentes categorias: nulíparas, solteiras
PROTOCOLOS REPRODUTIVOS EM BOVINOS DE CORTE: RELATO DE CASO. Cristiane Lopes MAZZINGHY; Daniel de Castro BARROS; Dholha César Arruda CAMPELO; Fernanda Luz Alves NEVES; Josemara Santos SILVA; Mildre Loraine PINTO; Allyne Sterphane de Sousa CAMARGO. JNT Facit Business and Technology Journal. QUALIS B1. ISSN: 2526-4281 - FLUXO CONTÍNUO. 2025 – MÊS DE SETEMBRO - Ed. 66. VOL. 01. Págs. 288-311. http://revistas.faculdadefacit.edu.br. E-mail:
[email protected]. 289 (sem bezerro ao pé), primíparas e pluríparas (com bezerro ao pé), submetidas a protocolo de inseminação artificial em tempo fixo (IATF). O trabalho foi realizado em duas fazendas no estado do Tocantins com 1613 fêmeas, com escore de condição corporal (ECC) médio de 3 (escala de 1 a 5). O relato compreende ao acompanhamento das estações de monta entre que ocorreram entre novembro de 2019 e março de 2020. Foi utilizado um protocolo de IATF de 3 manejos em que consistia na inserção de implante impregnado de progesterona (P4) e aplicação por via intramuscular no D0 de benzoato de estradiol (BE) em todos os animais, e ainda em vacas solteiras e nulíparas aplicou-se ainda por via intramuscular Prostaglandina F2 alfa (PGF2α). No dia D8 retirou-se o implante intravaginal impregnado de progesterona, aplicou-se por via intramuscular a PGF2α, a gonadotrofina coriônica equina (eCG) e o cipionato de estradiol (CE). No dia D10, foi realizado a IATF. As taxas de prenhez observadas foram de 55% para vacas solteiras, 57,6% para vacas nulíparas, tendo essa aumentada quando houve o repasse com o touro, chegando a 93%, e 88,82% respectivamente, e de 57,25% em vacas primíparas e 57,8% em vacas multíparas que ao serem ressincronizadas obteve 71,8% e 83% respectivamente. Portanto o uso da IATF com este protocolo se mostrou eficiente, com boa taxa de concepção e bom retorno financeiro ao criador, resultando em nascimento de forma programada de bezerros e com alto valor genético. Palavras-chave: Inseminação Artificial. Taxa de Prenhez. IATF. ABSTRACT The objective of this course conclusion work was to report the evaluation of pregnancy rates of Nelore zebu cows, of different categories: nulliparous, single (without calf at the foot), primiparous and pluriparous (with calf at the foot), submitted to protocol fixed-time artificial insemination (IATF). The work was carried out in two farms in the state of Tocantins with 1613 females, with an average body condition score (ECC) of 3 (scale from 1 to 5). The report includes monitoring of breeding seasons between November 2019 and March 2020. A 3-management IATF protocol was used, which consisted of the insertion of a progesterone-impregnated implant (P4) and intramuscular application in D0. Of estradiol benzoate (BE) in all animals, and also in
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[email protected]. 290 single and nulliparous cows, Prostaglandin F2 alfa (PGF2α) was also applied intramuscularly. On day D8, the intravaginal implant impregnated with progesterone was removed, PGF2α, equine chorionic gonadotrophin (eCG) and estradiol cypionate (CE) were applied intramuscularly. On day D10, IATF was performed. The pregnancy rates observed were 55% for single cows, 57.6% for nulliparous cows, and this increased when there was a transfer with the bull, reaching 93%, and 88.82% respectively, and 57.25% in primiparous cows and 57.8% in multiparous cows which, when resynchronized, obtained 71.8% and 83% respectively. Therefore, the use of IATF with this protocol proved to be efficient, with a good conception rate and good financial return to the breeder, resulting in the birth of calves in a programmed manner and with high genetic value. Keywords: Artificial Insemination. Pregnancy Rate. IATF Protocols. INTRODUÇÃO Em uma análise retrospectiva, a bovinocultura de corte no Brasil era marcada pela falta de inovação tecnológica e gestão, sendo marca negativa durante anos de atividade. Contudo, acompanhando a tendência mundial, a pecuária de corte brasileira tem utilizado cada vez mais as inovações tecnológicas (ANUALPEC, 2019). O rebanho brasileiro é estimado em 232,35 milhões de cabeça, representando uma das principais atividades do agronegócio do país (ANUALPEC, 2019). Apresentando um consumo médio por habitante de 40 kg/ano, e um abate total por ano de 39,5 milhões de cabeças (ABIEC, 2019). Dentre as 39,5 milhões de cabeças abatidas no Brasil anualmente, 80% são consumidas no mercado interno e 20% é exportada para os mais variados países, gerando grande receita para o país ao longo de todo o ano (FIGURA 1), impulsionando a pecuária de corte do Brasil (ABIEC, 2020). OBJETIVOS Objetivo Geral
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[email protected]. 291 Relatar a taxa de prenhez de vacas de corte de diferentes categorias: nulíparas, solteiras, primíparas e pluríparas, submetidas a diferentes protocolos de sincronização de estros para IATF. Objetivos Específicos Relatar sobre os principais protocolos hormonais de sincronização de estro em bovinos de corte; coletar dados relacionado ao sucesso de cada protocolo hormonal de sincronização de estro na bovinocultura de corte. HIPÓTESES O protocolo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) utilizado apresenta diferenças significativas na taxa de prenhez entre as diferentes categorias de vacas de corte (nulíparas, solteiras, primíparas e pluríparas), sendo mais eficiente em determinadas categorias devido às características fisiológicas e ao manejo adotado. METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O presente estudo foi desenvolvido através de uma pesquisa descritiva, relatando sobre as características da biotécnica reprodutiva da IATF. Objetivando descobrir e verificar todos os detalhes desta biotécnica, a descrevendo e interpretando os seus resultados. A pesquisa descritiva, exige do pesquisador uma busca detalhada a respeito do tema estudado, descrevendo os fatos e correlacionando a uma determinada realidade (Santos et al, 2018). A base e a análise dos dados se basearam em um relato de experiência a campo, sendo descrito na sua totalidade sobre as ações desenvolvidas na pesquisa. RELATO DE CASO Local e Data O estágio supervisionado foi realizado em duas propriedades situadas no estado do Tocantins, onde foram selecionadas 1613 fêmeas zebuínas da raça Nelore. O período de realização do estágio foi de novembro de 2019 a março de 2020. Os animais
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[email protected]. 292 eram mantidos em criação do tipo extensiva, onde a pastagem predominante era do gênero Brachiaria sp. E algumas áreas cultivadas de Andropogon sp. Com acesso a água de qualidade e sal mineral a vontade no cocho por todo o período. Animais Os animais eram zebuínos, da raça nelore (FIGURA 2). A seleção das fêmeas foi realizada a partir do ECC e de avaliação ginecológica através da palpação retal. No início do estágio, estes animais apresentavam um ECC médio de 3 em uma escala de 1 a 5, e pela palpação retal apresentavam trato reprodutivo sem alterações. Todos os animais sadios e aptos à reprodução. Figura 1: Animais zebuínos da raça nelore, utilizado em IATF. Fonte: autor (2020). Os animais foram divididos em 4 grupos, sendo: 218 nulíparas (animais que nunca pariram), 251 primíparas (animais de primeiro parto e com bezerro ao pé), 544 pluríparas (vacas com vários partos e com bezerro ao pé) e 600 solteiras (pluríparas, mas sem bezerro ao pé), totalizando 1613 fêmeas, conforme quadro 1.
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[email protected]. 293 Quadro 1: Dados gerais da estação de monta 2019/2020 nas propriedades acompanhadas durante o estágio supervisionado. Grupo Quantidade Nulíparas 218 Primíparas 251 Pluríparas 544 Solteiras 600 TOTAL 1613 Fonte: autor (2020). Protocolos Hormonais A escolha do protocolo hormonal é um momento muito importante, pois ele traçará o sucesso da estação de monta. Para esta estação de monta, o protocolo escolhido foi o de 3 manejos, sendo um dos protocolos mais praticados na atualidade para rebanhos de gado de corte da raça nelore. No dia 0 (D0) foi inserido um dispositivo intravaginal impregnado com 1,2g de P4, e aplicado o BE 2mL por via intramuscular (IM) em todos os animais (FIGURA 3), com a finalidade de induzir a formação de uma nova onda folicular. Em vacas solteiras e nulíparas aplicou-se ainda 1mL por via IM de PGF2α (FIGURA 4). No dia 8 (D8), retirou-se o implante intravaginal impregnado com 1,2g de P4 e com a finalidade de causar a luteólise aplicou-se 1mL por via IM de PGF2α, posteriormente aplicou-se 1,5ml de eCG por via IM com a finalidade de estimular a liberação de LH e FSH, e ainda para induzir a ovulação aplicou-se 1,5ml de CE por via IM. No dia 10 (D10) se realiza a inseminação. Figura 2: Protocolo utilizado nas fêmeas primíparas ou multíparas em protocolo de IATF. Fonte: Editado de Clivar reprodução bovina.
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[email protected]. 294 Figura 3: Protocolo utilizado nas fêmeas solteiras ou nulíparas em protocolo de IATF. Fonte: Editado de Clivar reprodução bovina. Após decorrido o mínimo de 30 dias, já é possível por meio de ultrassonografia realizar o diagnóstico de gestação. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Fisiologia do Ciclo Estral O intervalo compreendido entre um estro e outro nas fêmeas bovinas é chamado como ciclo estral (CE) (Gordo, 2011), acontecendo em um padrão rítmico e contínuo, com intervalos regulares entre eles, e com duração média de 21 dias, porém pode ser de 18 a 24 dias. O CE em vacas de corte ocorre durante todo o ano, com interrupção mediante gestação ou em período pós-parto caso o animal apresente ECC ruim devido a dieta não fornecer os nutrientes necessários, afetando o sistema reprodutivo das fêmeas (Ferreira, 2010). De acordo com a estrutura dos ovários e o hormônio predominante o CE pode ser dividido em duas fases: fase folicular ou ainda chamada de fase estrogênica, em que acontece a regressão do corpo lúteo (CL) e consequentemente ocorre a queda dos níveis de progesterona (P4), ocorrendo a formação do folículo e sendo liberado o estrógeno, esta fase corresponde em torno de 20% do período do CE. A outra fase é chamada de fase progesterônica ou luteal, quando ocorre a ovulação, existe a formação do CL, ocorre diminuição dos níveis de estrogênio e aumento dos níveis de P4, esta fase corresponde a 80% do CE (Ferreira, 2010). Detalhando melhor as fases do ciclo estral, este pode ser dividido em 4 fases (FIGURA 4), sendo de muita importância o conhecimento das alterações presentes em
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[email protected]. 295 cada fase, para definir ações a serem feitas em cada fase dentro de manejos reprodutivos (Gordo, 2011). Figura 4: Fases do ciclo estral da fêmea bovina. Fonte: www.cpamn.embrapa.br/publicacoes/folders/2006/ciclo_estral.pdf O proestro é a fase que antecede a manifestação do cio na vaca ou estro. As principais características observadas nesta fase são: cauda erguida, vulva edemaciada e brilhante, inquietude, falta de apetite, urina com muita frequência, liberação de muco, animal estressado, mugir com frequência, e agrupamento com outros animais, um sinal bem marcante desta fase é a vaca tentar montar em outros animais, porém não aceita ser montado. Esta fase tem duração de 2 a 3 dias e se encerra quando o animal aceita a monta do macho (Morotti, 2013). Nesta fase, ocorre a diminuição na produção de P4 pelo CL devido à sua luteólise. Com a redução dos níveis de P4, ocorre a diminuição do feedback negativo em nível de hipotálamo e hipófise com posterior descarga dos hormônios folículo estimulante (FSH), hormônio regulador das gonadotrofinas (GnRH) e hormônio luteinizante (LH). Em paralelo ocorre também o aumento do estradiol, alcançando seu pico máximo no dia do estro (Palhano, 2008). O estro é a fase em que existe a receptividade para o acasalamento da fêmea perante o macho, seguida da ovulação. A vaca aceita a monta por touros, rufiões ou outras fêmeas por todo o período desta fase, até quando ela rejeita a cobertura, marcando o fim desta fase, que geralmente dura de 6 a 18 horas, sendo a fase mais
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[email protected]. 302 As Fêmeas que possuem crias ao pé, propendem a entrarem em anestro pósparto por consequência da ausência de pulsos de LH no período pós-parto imediato, além de necessitar de gastar mais energia para a produção de leite para as proles, exigindo assim mais de sua capacidade nutricional (Vasconcelos, 2010). Estas podem ser divididas em vacas primíparas, ou seja, que provém da primeira gestação, ou ainda em multíparas que já teve vários partos e estão com cria ao pé. Assim, nesta categoria é importante instaurar um protocolo capaz de tirar a fêmea da situação de anestro pós-parto, a levando a ciclicidade novamente. É bastante comum, os níveis de taxa de prenhez nesta classe animal não apresentar números elevados em protocolos de IATF, porém ele já auxilia ao retorno mais precoce do animal ao período de serviço, mesmo que necessite após o protocolo de repasse de touros para uma melhor taxa de prenhez (Moraes et al., 2014). Inseminação Artificial em Tempo Fixo Atualmente, as biotecnologias aplicadas à reprodução animal têm impulsionado o melhoramento genético do rebanho brasileiro. A inseminação artificial (IA) têm se tornado uma das principais tecnologias utilizadas na reprodução animal, com forte impacto na produção de bezerros, com nascimento nas melhores épocas do ano e com melhor carga genética, porém mesmo que esta biotecnologia traga muitas vantagens, apenas em torno de 16% das matrizes de corte são inseminadas no Brasil (ASBIA, 2019). No Brasil, o aumento está sendo gradativo no uso da inseminação artificial nas matrizes de gado de corte, porém evidencia-se ainda uma variação muito grande no quantitativo de inseminações nos estados brasileiros, conforme a imagem a seguir, nota-se que o estado do Tocantins, mesmo sendo um estado jovem está em colocação de destaque entre os estados brasileiros, ocupando o segundo lugar em percentual de matrizes de corte inseminadas, perdendo apenas para o estado do Paraná (ASBIA, 2019).
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[email protected]. 303 Figura 7: Percentual de matrizes de corte inseminadas nos estados brasileiros. Fonte: ASBIA (2019) A IA se baseia em depositar de forma mecânica o sêmen no útero da vaca. Na bovinocultura utiliza-se doses variando de 0,25 a 0,5 mL de sêmen juntamente com o diluente (Pereira, 2009). O sêmen necessita ser de qualidade para se obter bons resultados dentro da inseminação artificial, e o Brasil está cada vez mais produzindo rebanhos de qualidade e consequentemente produzindo sêmen de qualidade, tornando-se um país de destaque na quantidade de sêmen coletado (FIGURA 9), tornando-se um país exportador deste produto, em crescente e com alto potencial de se tornar um dos maiores exportadores de sêmen do mundo (FIGURA 10) (ASBIA, 2019).
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[email protected]. 304 Figura 8: Total de doses de sêmen coletados nos últimos anos no Brasil. Fonte: ASBIA (2019). Figura 9: Total de doses de sêmen coletados nos últimos anos no Brasil. Fonte: ASBIA (2019). Além de um sêmen de qualidade, vale destacar que a análise do ciclo estral é fundamental para sucesso na inseminação. Vários são os métodos possíveis para a sincronização do estro, podendo ser mediante a inibição ou indução da ovulação, ou
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[email protected]. 305 ainda pela indução ou retardo da regressão do CL. Para realizar a sincronização das fêmeas, realiza-se administração de hormônios, podendo ser realizado por via oral, implante intravaginal, implante subcutâneo, ou ainda injeção intramuscular (Castilho, 2015). O grande objetivo dos protocolos de IATF é iniciar uma nova onda folicular simultânea em todos os animais, controlando os níveis hormonais em cada fase, e induzir a ovulação de forma sincronizada reproduzindo e controlando assim o CE das vacas (Castilho, 2015). A IATF apresenta inúmeros benefícios com o uso desta biotecnologia. É possível inseminar uma grande quantidade de animais em um menor intervalo de tempo, sendo possível planejar o cronograma de serviço, aproveitando melhor a mão de obra e planejando a data de nascimento dos bezerros (Inforzato et al., 2008). Outras vantagens da IATF é o controle sanitário, cruzamento entre raças, utilizar garanhões que já estejam mortos, melhora genética do plantel, e favorece ainda o aumento do índice de prenhez, além de reduzir os efeitos ambientais negativos mediante o planejamento das datas de execução da estação de monta (Nogueira et al., 2016). Por outro lado, as principais desvantagens do uso da IATF são os eventuais resultados abaixo do esperado pelo criador (Nogueira et al., 2016). Outro fator negativo é em relação aos custos operacionais para a implantação da biotecnologia, além de necessidade de mão de obra qualificada (SANTOS JUNIOR, 2008). Contudo, mediante as grandes vantagens da IATF a busca por esta tecnologia está em crescimento no Brasil, melhorando geneticamente o rebanho nacional e otimizando a pecuária de gado corte brasileira (Nogueira et al., 2016). Ressincronização da Ovulação em Programas de IATF Em manejos reprodutivos, que se busca aumentar os índices de taxa de concepção pode ser adotado três estratégias para se buscar este aumento de performance: inseminar as matrizes no início da estação de monta, identificar precocemente as fêmeas que emprenharam e ressincronizá-las, dando uma nova oportunidade para que elas tenham a prenhez tão desejada. Uma alternativa muito
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[email protected]. 306 utilizada é o repasse de touros após o protocolo de IATF ter sido efetuado, porém se a propriedade busca um melhoramento genético do rebanho através da inseminação artificial, ou ainda não tenha touros disponíveis no plantel, o uso da ressincronização se torna a melhor saída (Bó et al., 2016). A ressincronização consiste é um manejo no qual as matrizes são submetidas à uma IATF sucedida de outra, podendo ainda em caso de não gestação ainda serem repassadas por touros, ou ainda, realizada uma segunda ressincronização. Consiste em realizar o diagnóstico de gestação por ultrassonografia transretal após 30 dias da realização da inseminação, avaliando a presença ou não de embrião. Os animais que não se tornaram gestantes na primeira IATF, estão aptos a realização da ressincronização, as oportunizando de emprenharem (Baruselli et al, 2013). A ressincronização é a melhor ferramenta para a melhoria dos índices zootécnicos do rebanho brasileiro. O uso deste manejo é indispensável em propriedades que buscam produzir um bezerro por vaca/ano, visando melhorar a genética do plantel, reduzindo drasticamente o período de estação de monta e o uso de touros de repasse (Bó et al., 2016). RESULTADO E DISCUSSÃO Ao fim da estação de monta nestas duas propriedades localizadas no estado do Tocantins, foram submetidas 1613 fêmeas zebuínas da raça Nelore ao protocolo de IATF, obtendo taxa de prenhez de 55% para vacas solteiras, 57,6% para vacas nulíparas, 57,25% em vacas primíparas e 57,8% em vacas multíparas (QUADRO 2). Resultando em uma média geral de 56,91% de taxa de prenhez oriundo de IATF, uma taxa de concepção próxima a obtida por Santos et al., (2015), em que obteve uma taxa de prenhez oriunda de IATF de 58,7%.
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[email protected]. 307 Quadro 2: Taxa de prenhez oriunda de IATF, segundo a categoria animal. Categoria animal Taxa de prenhez oriunda de IATF Nulíparas 57,60% Primíparas 57,25% Pluríparas 57,80% Solteiras 55,00% GERAL 58,70% Fonte: os autores (2020). Após realizado a IATF, as vacas das categorias solteiras e nulíparas, foram submetidas a repasse de touro, obtendo 93% e 88,82% respectivamente de taxa de prenhez, com média geral após o repasse de touro de 90,91% (TABELA 1), demonstrando um resultado superior ao obtido por Baruselli et al., (2011), em que apresentou resultados na taxa de prenhez em vacas de corte, submetidas a IATF e posterior repasse de touros de 80 a 88%. Tabela 1: Taxa de prenhez de vacas solteiras e nulíparas. Categoria animal Taxa de prenhez após IATF Taxa de prenhez após repasse de touro Solteiras 55,00% 93% Nulíparas 57,60% 88,82% Fonte: os autores (2020). As vacas das categorias primíparas e pluríparas, após serem submetidas ao protocolo de IATF, e que não confirmaram prenhez foram submetidas a ressincronização, obtendo taxa de concepção de 71,8% e 83% respectivamente (TABELA 2), obtendo resultados similares ao encontrado por Nogueira, (2011) que apresentou taxa após a ressincronização nesta mesma categoria animal de 76,8%. Tabela 2: Taxa de prenhez de vacas primíparas e pluríparas. Categoria animal Taxa de prenhez após IATF Taxa de prenhez após ressinc Primíparas 52,25% 71,80% Pluríparas 57,80% 83,00% Fonte: autor (2020). As vacas nulíparas, ou seja, novilhas que estavam iniciando a vida reprodutiva, correspondeu a 13,51% do plantel submetido a biotécnica reprodutiva, com um total
PROTOCOLOS REPRODUTIVOS EM BOVINOS DE CORTE: RELATO DE CASO. Cristiane Lopes MAZZINGHY; Daniel de Castro BARROS; Dholha César Arruda CAMPELO; Fernanda Luz Alves NEVES; Josemara Santos SILVA; Mildre Loraine PINTO; Allyne Sterphane de Sousa CAMARGO. JNT Facit Business and Technology Journal. QUALIS B1. ISSN: 2526-4281 - FLUXO CONTÍNUO. 2025 – MÊS DE SETEMBRO - Ed. 66. VOL. 01. Págs. 288-311. http://revistas.faculdadefacit.edu.br. E-mail:
[email protected]. 308 de 218 cabeças, com taxa de concepção de 57,60% após a realização do protocolo de IATF, resultado superior ao obtido por Macedo (2016) que alcançou 49,3% de prenhez. O alto índice de prenhez nesta categoria pode ser explicada devido ao fato de serem ausentes de partos anteriores e de lactação, reservando sua fonte energética para seu crescimento e reprodução. As vacas solteiras, ou seja, fêmeas que não apresentavam cria ao pé correspondeu a 37,19% das fêmeas submetidas, com um total de 600 cabeças e, apresentou taxa de prenhez de 55,00%, valores acima dos obtidos por Santos et al. (2015), que obteve resultados nesta categoria animal de 48,6%. As vacas primíparas, ou seja, provenientes de apenas uma gestação anterior, corresponderam a 15,56% das fêmeas submetidas, e as vacas multíparas, ou seja, que detinham de bezerro ao pé e já tiveram várias gestações a 33,72%, e apresentaram taxa de concepção média de 57,52%, resultado próximo ao obtido por Marques (2012), que obteve taxa de 58,2%. Sem casuísticas definidas, o número de abortos na estação de monta acompanhada foi de 25 animais, o que corresponde a 1,54% dos animais, o que configura uma margem estável. CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso da IATF em rebanhos de bovino de corte tem se apresentado como uma alternativa com inúmeras vantagens em planteis com grande número de animais. Na casuística acompanhada, o uso da biotécnica da IATF obteve excelentes resultados, com resultados acima do esperado, aumentando a taxa de prenhez do plantel e melhorando a genética do rebanho. Com o uso da IATF nas propriedades acompanhadas, foi possível melhorar a gestão das propriedades, adequando a melhor época do ano para o nascimento dos bezerros e fazendo lotes com uniformidade de idades. Foi possível identificar o aumento do número de bezerros nascidos, redução no intervalo entre partos, melhoramento genético do plantel, diminuição da mão de obra visto a não necessidade de observação de cio, concentração dos nascimentos dos animais, obtendo assim um melhor retorno financeiro.
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[email protected]. 309 O uso da IATF, se mostrou eficaz em todas as categorias animais, e a escolha dos protocolos se mostraram eficientes, o uso em vacas solteiras e nulíparas de PGF2α no D0, melhorou a indução da nova onda folicular, aumentando a taxa de concepção. A ressincronização nas categorias primíparas e pluríparas, teve bastante êxito, aumentando significativamente a taxa de prenhez destas categorias. Assim, como o repasse de touro nas categorias de solteiras e nulíparas, obtendo resultados superiores ao esperado descrito na literatura. REFERÊNCIAS ABIEC. Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de carne, 2019. Disponível em: <http://www.abiec.com.br/controle/uploads/arquivos/sumario2019portugues.pdf > Acesso em 20 jun. 2020. ABIEC. Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de carne, 2020. Disponível em: <http://www.abiec.com.br > Acesso em 20 jun. 2020. ASBIA. Associação Brasileira de Inseminação Artificial. Manual de inseminação artificial em tempo fixo. Organizado por: Lino Nogueira Rodrigues Filho. Uberaba – MG, 2011. ANUALPEC. Anuário da Pecuária Brasileira. São Paulo: AgraFNP, 2019. 360 p. BARUSELLI, P. S.; MARQUES, M. O.; FERREIRA, R. M.; SÁ FILHO, M. F.; BATISTA, E. O. S.; VIEIRA, L. M. Como aumentar a quantidade e a qualidade de bezerros em rebanhos de corte. São Paulo, 2015. 22 p. Disponível em: https://www.centralbelavista.com.br/adm/Filemanager/ckeditor/arquivos/Comoaumentar-a-quantidade_-_Baruselli.pdf. Acesso em: 29 set. 2025. BÓ, G. A. et al. Alternative programs for synchronizing and resynchronizing ovulation in beef cattle. Theriogenology,[s.l.],v. 86, n. 1, p.388-396, jul. 2016. Elsevier BV.. Disponível em:http://dx.doi.org/10.1016/j.theriogenology.2016.04.053. Acesso: 30 jun. 20. CASTILHO, E. F. Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) em Bovinos Leiteiros. IEPEC, pag. 148-191, 2015. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/308087310_Inseminacao_artificial_em_te mpo_fixo. Acesso em: 29 set. 2025. CAMPOS, A. C. N.; CATUNDA, A. G. V.; GYSELLE, V. A. Fisiologia da reprodução de fêmeas bovinas: novilhas leiteiras. In: PEREIRA, E. S.; PIMENTEL, P. G.; QUEIROZ, A. C.; MIZUBII, I. Y. Novilhas leiteiras. 1 ed. Fortaleza: Ceará, 2010. p. 493-534.
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[email protected]. 310 FERREIRA, A.M. Reprodução da Fêmea Bovina: Fisiologia Aplicada e Problemas mais comuns (causas e tratamentos) / Ademir de Moraes Ferreira – Juiz de Fora, MG: Edição do Autor, 2010. pag. 422. GORDO, J. M. L., Análise da situação da inseminação artificial bovina no Estado de Goiás: João Mauricio Lucas Gordo – 2011. Tese (Doutorado) Universidade Federal de Goiás, Escola de Veterinária e Zootecnia, 2011. Disponível em:<http://bdtd.ufg.br/tedesimplificado/ tde_arquivos/40/TDE-2012-0308T205515Z1819/Publico/Tese João Mauricio Lucas Gordo.pdf > acesso em: 22/06/2020. INFORZATO, G. R. et al. Emprego de IATF (inseminação artificial em tempo fixo) como alternativa na reprodução da pecuária de corte. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. n. 11, jul. 2008. Disponível em: https://www.faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/vDUdxdthBvM Z6vR_2013-5-29-12-36-19.pdf. Acesso em: 29 set. 2025. MORAES, J. C. F. et al. Controle do estro e da ovulação em ruminantes. In: GONÇALVES, P. B. D.; FIGUEIREDO, J. R.; FREITAS, V. J. de F. Pirotécnicas aplicadas à reprodução animal. 2. Ed. São Paulo: Roca, 2014. Capítulo 3. p. 33-56. MOROTTI, F. Dinâmica folicular ovariana de vacas nelore (Bos indicus) sincronizadas com protocolo de IATF à base de progesterona injetável. 2013. Dissertação (Mestrado em ciência animal, área de concentração: Produção Animal) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina. 2013. Disponível em: https://zebu.org.br/PortalUploads/Docs/500.pdf. Acesso em: 29 set. 2025. MURPHY, B. D. Equine chorionic gonadotropin: an enigmatic but essential tool. Animal Reproduction Science, v.9, n.3, p.223-230, Jul./Sept. 2012. Disponível em: https://www.animal-reproduction.org/article/5b5a6057f7783717068b46e2. Acesso em: 29 set. 2025. NOGUEIRA, E. et al. IATF + CIO: estratégia prática de avaliação de CIO e aumento de prenhez. EMBRAPA. p. 1-8, 2016. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1065465/1/CT11 3.pdf. Acesso em: 29 set. 2025. NÚÑEZ-OLIVEIRA, R. et al. Ovulatory response and luteal funcion after eCG administration at the endof a progesterone and estradiol based treatment in postpartum anestrous beef cattle. Animal Reproduction Science. v. 146, p. 111-116, May, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24646633/. Acesso em: 29 set. 2025. PAIXÃO SOUSA, EDERJUNIOR. TAXA DE PRENHEZ EM VACAS NELORE E MESTIÇAS SUBMETIDAS A PROTOCOLO DE 3 MANEJOS: relato de caso. 2019. 36f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)- Curso de Medicina Veterinária, Centro Universitário Luterano de Palmas, PalmasTO, 2019. Disponível em: https://ulbra-
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