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273 24. EFEITOS DA AROMATERAPIA NA ANSIEDADE E NÁUSEAS EM GESTANTES EFFECTS OF AROMATHERAPY ON ANXIETY AND NAUSEA IN PREGNANT WOMEN INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NA OBSTETRÍCIA Larissa da Cruz Soares Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário do Norte-Uninorte, Manaus-Am Débora Cristina de Lima Leão Cavalcanti Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba Flávia Nogueira Graduada em Enfermagem pela Faculdade de São Lourenço - MG, Consultora em Amamentação Pós-Parto pela Comadre - Cia Limitada Poder do Partejar - SP, Aromaterapeuta pela Faculdade Unifast - SP. Gustavo Henrique Oliveira Costa Graduando em Fisioterapia pelo centro universitário UNIFATECIE Andréa Santos Moreira Graduanda de Enfermagem pela Faculdade Cosmopolita - PA Sabrina Lopes Da Luz Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário Uninassau Parnaíba Vitória Wagner Yi Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário BrasileiroUNIBRA-PE Andréa Laué Passos Santos Bacharel em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em Atenção Básica pela UNINASSAU , Pósgraduanda em Docência do Ensino Superior pela UNINASSAU , Pós-graduanda em Sexologia e Sexualidade Humana pela UNINASSAU RESUMO Introdução: A gestação é um período marcado por alterações fisiológicas que podem desencadear sintomas como náuseas, vômitos e ansiedade, afetando a qualidade de vida e aumentando riscos maternos e fetais. O tratamento convencional geralmente envolve medicamentos, mas muitas gestantes demonstram receio quanto a efeitos colaterais e possíveis impactos ao feto. Nesse
274 contexto, a aromaterapia, reconhecida pela OMS como prática integrativa e complementar em saúde, apresenta-se como alternativa terapêutica segura, humanizada e de baixo custo, com potencial para promover bem-estar físico e emocional. Objetivo:Analisar, por meio da literatura científica, os efeitos da aromaterapia na redução da ansiedade e das náuseas em gestantes, evidenciando suas contribuições como prática complementar no pré-natal. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. Foram consultadas bases como PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Cochrane Library e Scopus, utilizando descritores em português, inglês e espanhol relacionados a “aromaterapia”, “ansiedade”, “náuseas” e “gestantes”. Os critérios de inclusão consideraram estudos primários publicados entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra, que abordassem a aromaterapia como intervenção principal em gestantes com ansiedade e/ou náuseas. Foram excluídos artigos de opinião, revisões, duplicatas e publicações fora do escopo. Resultados e Discussão: A análise evidenciou Óleos essenciais como lavanda, limão, gengibre e laranja-doce mostraram eficácia na redução de náuseas e ansiedade, além de melhorar sono, aceitação alimentar, adesão ao pré-natal e bem-estar emocional. Gestantes, inclusive de alto risco, relataram sensação de acolhimento, e os efeitos adversos foram raros e leves. Contudo, limitações metodológicas dificultam a padronização dos resultados. Considerações Finais: A aromaterapia configura-se como prática integrativa eficaz e segura para o manejo de náuseas e ansiedade durante a gestação, favorecendo tanto o bem-estar físico quanto o emocional da gestante. Sua incorporação no pré-natal pode fortalecer o cuidado humanizado, mas estudos mais robustos são necessários para consolidar sua utilização em larga escala nos serviços de saúde. Palavras-Chaves: Aromaterapia; Ansiedade; Gestação; Náuseas; Pré-Natal. ABSTRACT Introduction: pregnancy is a period marked by physiological changes that can trigger symptoms such as nausea, vomiting, and anxiety, affecting quality of life and increasing maternal and fetal risks. Conventional treatment usually involves medication, but many pregnant women express concern about side effects and potential impacts on the fetus. In this context, aromatherapy, recognized by the WHO as an integrative and complementary health practice, presents itself as a safe,
275 humane, and low-cost therapeutic alternative with the potential to promote physical and emotional well-being. Objective: to analyze, through the scientific literature, the effects of aromatherapy in reducing anxiety and nausea in pregnant women, highlighting its contributions as a complementary practice in prenatal care. Methodology: this is an integrative literature review. Databases such as PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Cochrane Library, and Scopus were consulted, using descriptors in Portuguese, English, and Spanish related to "aromatherapy," "anxiety," "nausea," and "pregnant women." Inclusion criteria considered primary studies published between 2015 and 2025, available in full, that addressed aromatherapy as a primary intervention for pregnant women with anxiety and/or nausea. Opinion articles, reviews, duplicates, and out-of-scope publications were excluded. Results and Discussion: the analysis showed that essential oils such as lavender, lemon, ginger, and sweet orange were effective in reducing nausea and anxiety, in addition to improving sleep, food acceptance, adherence to prenatal care, and emotional well-being. Pregnant women, including high-risk women, reported a feeling of comfort, and adverse effects were rare and mild. However, methodological limitations hinder standardization of results. Final Considerations: aromatherapy is an effective and safe integrative practice for managing nausea and anxiety during pregnancy, benefiting both the physical and emotional well-being of pregnant women. Its incorporation into prenatal care can strengthen humanized care, but more robust studies are needed to consolidate its widespread use in health services. Keywords: Aromatherapy; Anxiety; Pregnancy; Nausea; Prenatal care. INTRODUÇÃO O processo gravídico passa por diversas alterações fisiológicas que possibilitam o desenvolvimento fetal e, consequentemente, acarretam sinais e sintomas para a mulher. Dentre as alterações, destacam-se náuseas e vômitos, que possuem patogênese multifatorial e normalmente ocorrem entre a sexta e a décima segunda semana de gestação, e atingem cerca de 50% a 80% das gestantes. Essas alterações estão associadas a efeitos negativos para a genitora, afetando sua qualidade de vida e as relações conjugais, maternas e sociais, que podem ser decisivas para
276 depressão pós-parto, independente do estado emocional materno pré-gravídico. Podem ocorrer, ainda, sentimentos de inadequação, ansiedade e estresse, maior probabilidade de apresentar dor intensa na cintura pélvica, hipertensão, pré-eclâmpsia e proteinúria (Machado, 2021). Atualmente, o tratamento convencional é, prevalentemente, baseado nas alterações alimentares e medicamentos antinauesantes, antieméticos e anti-histamínicos. O tratamento considerado padrão-ouro é o uso da piridoxina (vitamina B6) isolada ou associada à doxilamina. No entanto, pode haver relutância da gestante em utilizar esses medicamentos, já que foram relacionados a alguns efeitos colaterais. Soma-se isso ao fato que a maioria das gestantes afirma possuir medo dos possíveis efeitos teratogênicos pelo uso repetitivo de fármacos no período gestacional (Biblioteca Virtual de Saúde, 2021). A aromaterapia é um dos vinte e nove recursos pertencentes às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), as quais são recursos terapêuticos que promovem recuperação da saúde e prevenção de agravos. Sendo utilizada em muitos países e reconhecida pelos seus benefícios terapêuticos. Inclusive, a OMS reconhece a sua importância e estimula que os seus estados-membros desenvolvam políticas públicas que contemplem o uso racional e integrado das PICS. Nesse sentido, a mesma possui diversas aplicabilidades, como para o alívio da dor durante a gestação e no processo de parturição, na dismenorreia e na dor oncológica (Silva et al, 2020b). Sendo assim, a aromaterapia pode ser utilizada durante o período gravídicopuerperal para alívio de sintomas e de sentimentos negativos, principalmente aqueles vivenciados por gestantes com o diagnóstico de gestação de alto risco. Tal diagnóstico apresenta muitas divergências quanto a sua definição, mas é sabido que quanto maior os fatores de risco relacionados e associados, maior a complexidade
277 da gestação. Em decorrência do diagnóstico de gestação de alto risco, as mulheres podem desenvolver ou intensificar sentimentos negativos, tais como medo, tristeza, ansiedade e insegurança (Wilhelm et al, 2015; Costa et al, 2019). Dessa forma, este estudo tem como objetivo compreender os efeitos da aromaterapia na ansiedade e náuseas em gestantes por meio da busca na literatura por materiais que tratem da temática da aromaterapia, ansiedade e náuseas na gestação. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, um método que permite a síntese e a análise de estudos primários de diferentes metodologias, como ensaios clínicos, estudos de caso e estudos observacionais, com o objetivo de construir uma visão abrangente sobre o tema. Essa abordagem possibilita aprofundar o conhecimento sobre a aplicação da aromaterapia no contexto da gestação, avaliando seus efeitos na ansiedade e nas náuseas (Mendes,Silveira, Galvão, 2008). A questão norteadora desta revisão foi formulada com base na estratégia PICO (População, Intervenção, Comparação e Outcome/Desfecho), a fim de guiar a busca por evidências científicas de forma clara e objetiva. A pergunta que se pretende responder é: “Quais os efeitos da aromaterapia na redução da ansiedade e das náuseas em gestantes?". A pesquisa bibliográfica foi realizada nas seguintes bases de dados eletrônicas, reconhecidas por sua relevância na área da saúde: PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, Cochrane Library e Scopus. A busca foi efetuada utilizando descritores
278 controlados e palavras-chave, combinados com os operadores booleanos "AND" e "OR". Os termos utilizados foram: "Aromaterapia" OR "aromatherapy" AND "Ansiedade" OR "anxiety" AND "Náuseas" OR "nausea" AND "Gestantes" OR "pregnant women" OR "pregnancy". Para garantir a atualidade da revisão, foram selecionados artigos completos publicados nos últimos 10 anos, de 2015 a 2025. Foram incluídos nesta revisão os estudos primários (ensaios clínicos, estudos de coorte, estudos de caso-controle) que abordaram a utilização da aromaterapia como intervenção principal em gestantes com quadros de ansiedade e/ou náuseas. Apenas artigos publicados nos idiomas português, inglês e espanhol, e que tivessem texto completo disponível para leitura, foram considerados. Foram excluídos estudos de revisão, artigos de opinião, editoriais, teses, dissertações e publicações duplicadas encontradas nas bases de dados. A seleção dos artigos seguiu um rigoroso processo dividido em etapas. Inicialmente, foi feita a identificação dos artigos a partir da busca nas bases de dados, conforme a estratégia predefinida. Em seguida, os títulos e resumos foram submetidos à triagem, com a eliminação de duplicatas e daqueles que não atendiam aos critérios de inclusão. A etapa de elegibilidade consistiu na leitura integral dos textos pré-selecionados para uma análise mais detalhada. Por fim, os artigos considerados elegíveis foram incluídos na revisão. Para a análise e síntese dos dados, foi selecionado por meio de separação das informações ao contendo as seguintes orientação de cada estudo: autor(es) e ano de publicação, tipo de estudo, população, intervenção (óleo essencial, método de aplicação e duração) e principais resultados sobre ansiedade e náuseas. A partir desses dados, a discussão foi conduzida de forma a sintetizar as evidências e
279 responder à questão de pesquisa, apresentando os efeitos da aromaterapia na saúde das gestantes. RESULTADOS E DISCUSSÃO A revisão integrativa evidencia que a aromaterapia tem sido utilizada como recurso complementar no manejo de sintomas comuns à gestação, em especial náuseas, vômitos e ansiedade. A análise dos estudos mostrou que óleos essenciais como lavanda, gengibre, limão e laranja-doce se destacaram por apresentarem efeitos positivos relatados pelas gestantes. As intervenções foram aplicadas por diferentes métodos, incluindo inalação direta, difusores ambientais e massagens, com resultados satisfatórios na diminuição da intensidade dos sintomas e na melhora da percepção de bem-estar geral durante a gestação (Silva et al., 2020b). Os estudos avaliados sugerem que a aromaterapia apresenta um impacto relevante na redução das náuseas, principalmente no primeiro trimestre da gravidez, período em que tais sintomas são mais frequentes e intensos. Essa melhora está associada não apenas ao efeito fisiológico dos óleos essenciais, mas também à sensação de acolhimento e relaxamento proporcionada pelo uso da prática. Como resultado, as gestantes apresentaram maior aceitação alimentar, menor desconforto físico e melhor adesão ao pré-natal, o que se relaciona diretamente com a qualidade de vida e a saúde materna (Machado, 2021; Biblioteca Virtual de Saúde, 2021). No que diz respeito à ansiedade, a aromaterapia também demonstrou resultados importantes, sendo capaz de reduzir sintomas relacionados ao estresse
280 emocional da gestação. Óleos como lavanda e rosa apresentaram efeitos tranquilizantes que favoreceram a regulação do sono, o relaxamento físico e a melhora da estabilidade emocional das participantes. Esse achado é significativo, uma vez que a ansiedade durante a gestação pode estar associada a complicações clínicas e ao aumento do risco de depressão pós-parto, sendo, portanto, fundamental a existência de alternativas terapêuticas seguras (Silva et al., 2020b; Wilhelm et al., 2015). Outro ponto identificado é que a aromaterapia pode ser especialmente útil para gestantes classificadas como de alto risco. Nesses casos, a presença de fatores adicionais, como histórico de doenças prévias, condições socioeconômicas desfavoráveis ou complicações durante a gravidez, intensifica sentimentos negativos como medo e insegurança. A literatura demonstra que o uso de óleos essenciais, aliado ao cuidado clínico tradicional, contribui para maior sensação de tranquilidade e melhora da adesão aos tratamentos recomendados, favorecendo um cuidado integral (Wilhelm et al., 2015; Costa et al., 2019). Em relação à segurança, os estudos analisados indicam que a aromaterapia apresenta poucos efeitos adversos, geralmente leves e autolimitados, como tontura ou dor de cabeça. Ressalta-se, contudo, a importância do uso correto, respeitando diluições adequadas, evitando a ingestão de óleos essenciais e a utilização de espécies contraindicadas durante a gestação. A supervisão por profissionais capacitados garante que a prática seja conduzida de forma segura, minimizando riscos e reforçando sua credibilidade enquanto intervenção complementar (Biblioteca Virtual de Saúde, 2021; Silva et al., 2020b).
281 Entretanto, a análise também revelou limitações importantes nos estudos disponíveis. Observa-se heterogeneidade nos métodos de pesquisa, nas concentrações utilizadas, no tempo de exposição e nos instrumentos de avaliação dos sintomas. Essa diversidade dificulta a comparação direta dos resultados e a padronização de protocolos de uso da aromaterapia na gestação. Além disso, a maioria dos estudos apresenta amostras pequenas e tempo de acompanhamento restrito, o que limita a generalização dos achados para diferentes contextos populacionais (Silva et al., 2020b; Machado, 2021). Apesar dessas limitações, os resultados indicam que a aromaterapia pode ser incorporada como prática integrativa dentro da atenção pré-natal, fortalecendo a proposta de cuidado humanizado. O uso dessa terapia favorece a autonomia da gestante, valoriza suas escolhas e contribui para a criação de um ambiente acolhedor. A literatura também aponta que a adoção das práticas integrativas está em consonância com as políticas públicas de saúde, que defendem a integralidade e a dignidade do cuidado durante o período gestacional e puerperal (Silva et al., 2020b). Dentro dessa perspectiva, é possível concluir que a aromaterapia representa uma alternativa eficaz e segura para o manejo da ansiedade e das náuseas em gestantes, principalmente quando utilizada de forma complementar ao tratamento convencional. A prática apresenta benefícios clínicos e psicossociais, embora a consolidação das evidências dependa de estudos futuros mais robustos e padronizados. Recomenda-se que novas pesquisas explorem a comparação entre diferentes óleos essenciais, as formas de aplicação, os efeitos a longo prazo e a viabilidade de implementação em serviços públicos de saúde (Silva et al., 2020b; Machado, 2021).