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Angola: inclusão social da pessoa com deficiência física, à luz dos Decretos Presidenciais nº 237/11 e nº 238/11, de 30 de agosto (Resumo em Livro de Resumos, p. 199).

Bandeira, Vivaz

Abstract

Após a proclamação da independência, a 11 de Novembro de 1975, Angola viu-se mergulhada numa guerra civil, até Fevereiro de 2002. Como resultado, houve destruição massiva das cidades, milhares de homens, mulheres e crianças morreram ao longo do período de guerra e muitos foram vítimas de minas anti-pessoais, de amputação de membros ou atingidos por material bélico, tendo, como consequência, passado a serem portadores de deficiência física, sensorial ou psíquica e, também, alvo de exclusão social. O presente trabalho teve como objectivo identificar as medidas de inclusão social das pessoas com deficiência física, à luz dos Decretos Presidenciais nº 237/11 e nº 238/11, ambos de 30 de Agosto. O método de trabalho baseou-se numa extensa pesquisa bibliográfica sobre o processo de inclusão social e sobre as medidas de inclusão social trazidas pelos referidos diplomas legais. Concluiu-se que, de acordo com os referidos Decretos Presidenciais, as principais medidas para a inclusão social da pessoa com deficiência física são: o asseguramento da educação regular e profissional; a garantia da acessibilidade e mobilidade dos alunos com deficiência nas escolas, recintos desportivos, com a provisão dos apoios necessários, ou em estabelecimentos de ensino especiais de nível básico, médio ou superior; a adequação da acessibilidade da pessoa com deficiência nas Unidades Hospitalares; a eliminação de barreiras arquitectónicas na construção, ampliação e renovação das escolas e hospitais, para assegurar o acesso da pessoa com deficiência aos espaços interiores e exteriores; finalmente, o asseguramento, à pessoa com deficiência, das condições necessárias para o exercício dos seus direitos de cidadania.

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Livro de Resumos | X Congresso Português de Sociologia 10-12 de Julho de 2018, Universidade da Beira Interior, Covilhã Ambiente e Sociedade XAPS-10710 -Modelos de Gestão Participada: O caso da ZPE das Berlengas! Alexandre Vaz (1); Carlos Pereira da Silva (1); Catarina Fonseca (1)! 1CICS.NOVA, FCSH Universidade Nova de Lisboa! Comunicação Oral! Atualmente as boas práticas na gestão do território recomendam a substituição de modelos de governança top-down por outros que sejam capazes de incorporar o conhecimento, a sensibilidade e as aspirações daqueles que são mais diretamente afetados. No entanto, os modelos de gestão colaborativa podem servir também a cooptação de interesses e a legitimação de medidas que decorrem de sistemas de decisão hierárquicos e verticais. A gestão de áreas protegidas recomenda o envolvimento das comunidades locais e dos principais afetados na elaboração dos planos de gestão e na implementação de medidas no terreno. Esta estratégia permite encorajar soluções integradas que não comprometam as espectativas das populações, favorecendo a identificação com os objetivos de conservação e maximizando assim as suas hipóteses de sucesso.! Ao largo de Peniche, as Berlengas são um arquipélago de pequenas dimensões e sem habitantes em permanência. Este trabalho, integrado no projecto Life Berlengas, propunha-se identificar e avaliar não só as oportunidades e constrangimentos decorrentes da Zona de Proteção Especial (ZPE) e a forma como são percecionados pelos diferentes stakeholders mas constituir também uma forma monitorizar o sucesso das estratégias de planeamento participado. Realizaram-se 19 entrevistas semi-estruturadas a pescadores, mariscadores, operadores e a diferentes instituições cuja área de influência inclui a Reserva Natural das Berlengas. Aqui, como quase sempre, existe uma diferença entre as oportunidades e constrangimentos reais e a forma como são percecionados e internalizados pelos diferentes atores. ! Verificou-se que, os contornos da ZPE e do seu plano de gestão, ainda não são totalmente claros para a comunidade mais diretamente afetada e existe ainda desconhecimento e alguns equívocos relativos aos seus objetivos. Foi ainda possível compreender que as relações potencialmente conflituosas intra-grupos são provavelmente mais disruptivas do que as tensões inter-grupos. Por outro lado, uma questão percecionada pela generalidade dos entrevistados como determinante para uma eficaz gestão da Reserva passa pela implementação de uma capacidade de carga. A incapacidade para o fazer até ao momento foi atribuída ao confronto entre os critérios que privilegiam a preservação de valores naturais e a garantia de regras de segurança por oposição a aspirações predominantemente economicistas que privilegiam uma sustentabilidade das empresas do setor turístico baseada no volume.! Palavras chave: Gestão colaborativa; Áreas protegidas; Berlengas; Pesca! ! XAPS-11968 -Os químicos em produtos do quotidiano - análise da perceção e práticas das gestantes! Susana Fonseca (1)! 1Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa! Comunicação Oral! Nas últimas décadas tem havido alertas regulares sobre os riscos que diferentes substâncias químicas presentes em produtos do quotidiano colocam para a saúde humana, particularmente no que concerne aos grupos vulneráveis - como é o caso das mulheres em idade reprodutiva e das crianças.! Mais recentemente, algumas ordens profissionais na área da medicina e enfermagem publicaram opiniões sobre o aconselhamento que deve ser dado às gestantes sobre os potenciais riscos para o feto e para as crianças resultantes do cocktail de substâncias químicas a que o corpo humano está sujeito quotidianamente.! Estudos internacionais sobre as práticas dos profissionais de saúde nesta matéria, são escassos, mas apontam para a pouca familiaridade, falta de preparação para responder a questões sobre o assunto, o tempo reduzido de atendimento de cada paciente, a necessidade de dar prioridade a riscos bem conhecidos e estabelecidos e a própria incerteza de alguns dos riscos, como as principais razões para que o tema não seja commumente abordado durante as consultas médicas. ! Em Portugal, as mães tendem a considerar os profissionais de saúde como a fonte de informação mais confiável, pelo que é relevante explorar a forma como este assunto é abordado por estas classes profissionais durante os períodos da gravidez e na primeira infância, bem como, as perceções e práticas das mães e futuras mães em relação aos eventuais riscos resultantes do contacto quotidiano com substâncias químicas através de produtos de uso comum.! Nesta comunicação pretende-se apresentar os resultados do estudo que está a ser levado a cabo no ICS-UL intitulado “Cuidar das crianças num mundo de incertezas e riscos”, que envolve entrevistas com gestantes e mães recentes, com diferentes experiências de maternidade, idade, experiências profissionais e classe social.! Os resultados preliminares das 25 entrevistas já realizadas apontam para um desconhecimento generalizado sobre estes riscos, não apenas por parte das mães, mas também da própria comunidade médica e de enfermagem, que raramente aborda o tema e quando este é abordado tende a desvalorizar os riscos resultantes da exposição diária a este tipo de contaminantes.! Cruzando os temas da sociedade de risco, percepções e práticas problematizaremos o aparente paradoxo da emergência dos químicos no quotidiano como uma preocupação crescente a nível internacional, ao mesmo tempo que a nível nacional o tema parece estar a escapar à atenção de profissionais e futuras mães.! Palavras chave: Substâncias Químicas, Risco, Práticas Sociais! ! XAPS-17639 -Esfera Pública e Cidadania na Luta Contra a Privatização da Água! José Roberto Pereira (1)! 1Universidade Federal de Lavras - UFLA! Comunicação Oral! A água potável no mundo constitui um bem comum cada vez mais escasso e motivo de disputa de interesses privados que geram conflitos sociais locais, regionais e globais. Vários autores tratam da questão da escassez da água e dos conflitos gerados em torno dela, tais como Welzer (2010) e Wolf (2003). Por outro lado, vários autores consideram que esse bem comum é um direito humano fundamental, um patrimônio público e que pode motivar a cooperação entre os povos, tais como Albuquerque (2012), Staddon (2010) e Lopes (2009). No entanto, a água é considerada como commodity pelas grandes corporações como trata o texto de Holland (2005), a água como negócio. Nesse contexto de discussão é que se busca, neste artigo, analisar a formação de uma esfera pública temática (Habermas, 2012) em torno desse bem comum e os processos de participação da sociedade nas decisões políticas sobre a preservação, uso e destinação da água, a luz da democracia deliberativa (Habermas, 2010; Bohmann, 1997) e do conceito de cidadania (Carvalho, 2008). Toma-se como base pesquisas empíricas realizadas nas estâncias hidrominerais do sul de Minas Gerais, Brasil, desde 2016 realizadas por Cruz (2017) e Alcântara (2017), onde se apresenta uma configuração institucional específica em torno do uso da água, com a presença e atuação de organizações públicas estatais e não estatais, ações históricas do ministério público, organizações não governamentais, associações comunitárias e organizações privadas. Os conflitos em torno da água mineral nessa região se estabeleceram a partir da compra de um parque das águas por uma grande corporação multinacional e com a tentativa de privatização das águas de outros três parques por vários governos do estado de Minas Gerais, desde a década de 1990. Destaca-se nesse contexto a atuação de organizações não governamentais contra esse processo de privatização das águas, por meio de passeatas, abaixo-assinados e ações civis públicas contra os editais de privatização lançados pelo governo. As pesquisas foram de natureza qualitativa e de caráter descritivo e gerou uma dissertação de metrado e um projeto de doutorado. Além disso, está em curso uma pesquisa em Portugal com os mesmos parâmetros das pesquisas realizadas no Brasil, com o objetivo de realizar uma análise comparativa. Os resultados das pesquisas no Brasil mostram que se formou uma esfera pública politizada a partir da atuação de duas organizações não governamentais com base em argumentos fundamentados no exercício da cidadania da população local, considerando a água como direito humano, como patrimônio público e como preservação do meio ambiente.! Palavras chave: Esfera Pública, Cidadania, Água, Participação! ! XAPS-39186 -Climate Justice and Amerindian Ontologies! Fronika Claziena Agatha de Wit (1); Ana Rita Matias (1)! 1Universidade de Lisboa - Instituto de Ciências Sociais! Comunicação Oral! Due to its complexity and high level of uncertainty, climate change is an example of a so-called “wicked” problem: there is no one-size-fits all solution. Research on climate governance mainly looks at climate change as a biophysical phenomenon and thereby overlooks its social implications. There is a lack of a more people-centered development and research on climate justice, to empower the poorest people and countries in their efforts to fight climate change. Climate Justice links human rights and development to achieve a human-centered approach, safeguarding the rights of the most vulnerable and sharing the burdens and benefits of climate change and its resolution equitably and fairly.! ! The Planetary Boundary (PB) Framework estimates nine global boundaries in order to provide a safe operating space on earth. Related to the boundaries are the so-called tipping points: planetary thresholds that, when crossed, may drastically change ecosystems or even lead to collapse. One of the global tipping elements is the Amazonian rainforest, where complex interactions between local land-use change and global emissions determine potential future scenarios. With the 17 Sustainable Development Goals (SDGs), adopted in 2015 at the UN Summit, researchers updated the PB Framework and placed it into the social context of the SDGs. Also, the SDGs have a clear ambition to connect scientific and local knowledge systems to improve climate governance, but there is a need for an approach that values the diversity and multitude of ways in which indigenous, local and scientific knowledge systems generate valid and useful knowledge to address global challenges.! ! This study analyses the social implications of climate governance in the Amazon, with a focus on the impacts for the region´s indigenous peoples, and examines how other perspectives of the concept of development and the “Epistemologies of the South” are incorporated in the region´s climate policies. We will conduct a systemic literature review using the case survey methodology, looking for indigenous cooperation and the incorporation of the Amerindian perspective. The case studies will be codified and their content will be analyzed with the use of MaxQDA software program. This way, this study moves beyond the environment-centered view of climate change as well as the Eurocentric perspective of development.! Palavras chave: Climate Justice; Climate Governance; Indigenous Knowledge; Amerindian Perspectivism! ! XAPS-39641 -Industrial Revolution 4.0 and Climate Change: what great leap forward?! Ricardo Moreira (1); João Camargo (2)! 1Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social; 2Instituto de Ciências Sociais - Universidade de Lisboa! Comunicação Oral! The current debate on the Industrial Revolution 4.0, promoted in the media, in scientific papers and international conferences by the higher echelons of capitalism puts forward grim, positivist and fantasist perspectives, while leaving two paramount issues largely untouched: climate change and energy. The prospect for jobs and labour is self-defeating: the industrial revolution 4.0 will kill jobs like never before, with the robotization, automation and digitalization of all aspects of production, distribution and consumption. Artificial Intelligence just around the corner and BigData will change humanity to its very core, they guarantee. We argue that this prospect is at the same time a last ditch attempt on capitalism to try and build future gains and profits on a decaying environment and to attract unrealistic positivism when faced with the system change necessary to overcome climate change. This is the collision of two tsunamis: capitalism and globalization, on the one side, climate change and energy on the other. From this collision between changes in technology and globalization and the limits imposed by climate change and energy sources, an even more catastrophic scenario arises: being caught in the middle of a technological transition without the means to follow it through and suffering shockwaves from a crumbling climate, going beyond thresholds of livability for vast parts of territories now inhabited by human communities. On the other hand, a major shift in the system of production, adaptation and mitigation of climate change with an economy oriented for a new climate and for the distribution of wealth is the most reliable way to avoid catastrophic scenarios whilst improving quality of life and creating billions of necessary jobs. It is time to make it easier to imagine the end of capitalism then the end of the world.! Palavras chave: Climate Change, Industrial Revolution 4.0, Energy, Capitalism! ! XAPS-40898 -INTRAG 2018 – Aplicação do Índice de Transparência na Gestão da Água em Portugal! José Gomes Ferreira (1); André Silveira (1); João Guerra (1); David Travassos (1); Luísa Schmidt (1)! 1Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa! Comunicação Oral! Em 2014, a primeira edição do Índice de Transparência na Gestão da Água (INTRAG) dava conta do efeito da mudança de ciclo político nas políticas da água, traduzindo-se, no desmantelamento das instituições regionais de gestão e planeamento dos recursos hídricos, na alteração das condições para a participação efetiva dos cidadãos e na ineficácia da cobrança de taxas e aplicação do princípio do poluidor-pagador. Simultaneamente, algumas das estações da rede de monitorização de qualidade dos recursos hídricos superficiais deixaram de funcionar, interrompendo-se séries de recolha de dados e abrindo a possibilidade de enviesamento de resultados. Apesar das expetativas, o governo saído das eleições legislativas de novembro de 2015 não recuou. Assim, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) manteve-se como Autoridade Nacional da Água, acumulando a tutela da gestão regionalizada. Em face dessa manutenção, o segundo ciclo de planeamento sofreu constrangimentos de vária ordem, designadamente financeiros, de recursos humanos, de operacionalidade e de envolvimento dos cidadãos. O fim da autonomia das Administrações de Região Hidrográfica determinou, por exemplo, um afastamento entre as entidades responsáveis e a população, limitando a participação pública nos ciclos de planeamento ao cumprimento de requisitos impostos pelo processo de implementação da Diretiva da Água, e desvalorizando um envolvimento ativo e dinâmico de base regional em todo o ciclo da gestão e planeamento da água. Não foi retomada a informação regionalizada e acessível através de sites específicos, nem tão pouco a organização de eventos e sua divulgação. Na prática, aumentou-se a distância entre as partes interessadas e a desconfiança dos cidadãos face à administração pública. Por outro lado, reflexo do retrocesso nas políticas da água, a degradação dos recursos hídricos em Portugal tem vindo a ganhar terreno, invertendo o pressuposto da Diretiva Quadro da Água. Em suma, este é o momento indicado para se realizar nova avaliação do setor com recurso a uma nova aplicação da bateria de 80 indicadores do INTRAG. O Índice de Transparência na Gestão da Água retoma a recolha de dados sobre informação disponível nas instituições públicas responsáveis pela gestão e planeamento da água, procurando estimular a melhoria da qualidade e quantidade de informação, e avaliar a acessibilidade e a transparência da informação disponibilizada, pressupondo a sua gestão por bacia ou região hidrográfica.! Palavras chave: Regiões hidrográficas, governança da água, políticas públicas, transparência! ! XAPS-41350 -A Educação Ambiental e a Qualidade da Democracia: O caso das Eco-Escolas Portuguesas! Prata, Leonor (1)! 1Doutoranda em Sociologia no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e integrada no Observatório do Ambiente, Território e Sociedade (OBSERVA ICS-UL)! Comunicação Oral! A ciência para a sustentabilidade sublinha a importância não só de envolver os cidadãos nos processos de governança, mas também aponta a polissemia do conceito de sustentabilidade e o inerente conflito de interesses relativamente à sua implementação nas sociedades contemporâneas (Kajikawa, 2008). ! Por seu lado, a educação ambiental e para o desenvolvimento sustentável tem, segundo vários estudos internacionais, seguido a tendência de um currículo que demonstra as evidências científicas de degradação ambiental e alterações climáticas, mas que ignora as questões normativas e complexas subjacentes, o que alguns autores denominam como ciência normal (Kuhn, 1962), ou tradições seletivas positivistas (Ohman,2008). Alternativamente, existe um paradigma pós-normal, uma educação ambiental progressista (Armstrong, 2011) que desenvolve as competências críticas no sentido de reforçar a ação democrática sustentável dos jovens cidadãos no presente e no futuro (Henderson & Tilbury, 2004).! Esta comunicação representa a primeira fase de uma investigação doutoral no âmbito do programa Internacional de educação ambiental ‘Eco-Escolas’, uma Agenda Local 21 ao nível escolar, coordenada em Portugal pela Associação Bandeira Azul Europeia há mais de duas décadas e que hoje conta com 1682 escolas participantes, abrangendo cerca de 653.483 alunos (ABAE, 2018). Através de uma metodologia mista, o estudo tem como objetivo identificar tipologias de implementação pedagógica do programa português e das realidades das suas comunidades escolares. ! Serão discutidas as questões ligadas ao tema do Congresso, nomeadamente como fomentar a qualidade da democracia e cidadania na era da pós-verdade entre estudantes por via de programas como o Eco-Escolas, e como lidar com a diversidade e conflito de opiniões e emoções relativamente ao problema das alterações climáticas e aos objetivos de desenvolvimento sustentável.! Palavras chave: Educação Ambiental, Eco-Escolas, Democracia Participativa! ! XAPS-45608 -Public Policy on Climate Change: can it go beyond preambles?! João Camargo (1)! 1Instituto de Ciências Sociais - Universidade de Lisboa! Comunicação Oral! The last two decades have seen the the records for highest temperatures in recorded history, a spike in natural catastrophes connected to climate change as well as many international efforts to have global agreements on the need to curb greenhouse gas emissions. At the same time, abundant legislation has been created at the regional, national and local levels concerning climate change, with plans and programs of mitigation and adaptation. There is nonetheless an enormous inconsistency between projected scenarios and declared targets and the appropriate actions to achieve them. Climate change legislation's preambles very hardly match its words of enactment, rather diluting or even contradicting its purpose. This can be seen both in IPCC reports and in international agreements such as the Kyoto Protocol and the Paris Agreement. Other legislation closely connected to climate: concerning energy, pollution, transport, trade, agriculture or forestry usually embellish its non-resolutive parts with the need to address climate change and forthwith disregard it. I analise legislation from three countries - Portugal, Spain and Morocco - with diverse political systems and cultural backgrounds, a constitutional republic in the EU, a constitutional monarchy in the EU and a constitutional monarchy in northern Africa. The three countries are in an area which is particularly vulnerable to the effects of climate change and will have similar impacts amongst themselves. I evaluate the level of match and mismatch between preambles and words of enactment and observe if the mainstreaming of climate policy is still, first and foremost, a question of propaganda in the regions that are already being most affected by the impacts of climate change.! Palavras chave: Climate Change, Public Policy, Spain, Morocco! ! XAPS-49804 -No hibridismo da comunidade, sustentabilidade e o principio da intenção: uma revisão sistemática da literatura sobre Ecovillages! Carla Nogueira (1); João Filipe Marques (1); Hugo Pinto (2)! 1CIEO - Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações, Universidade do Algarve; 2CES - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra & CIEO - Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações, Universidade do Algarve! Comunicação Oral! No contexto atual, de erosão dos modelos sociais e económicos vigentes, parece inevitável uma reflexão sobre as possibilidades de uma transição para um paradigma sustentável e, por isso, distinto em termos de produção e consumo. O crescimento e difusão de grupos auto-organizados que procuram a construção de modelos de sustentabilidade multidimensional constituem um dos reflexos dessa necessidade. O movimento ecovillage tem vindo a apresentar sinais de crescimento, o que se tem vindo a refletir nos estudos académicos que se têm debruçado sobre este fenómeno. No entanto, este crescimento tem sido acompanhado de alguma confusão no que diz respeito à definição rigorosa dos conceitos de «ecovillage», «comunidade sustentável» e de «principio da intenção». De forma, a ultrapassar esses problemas conceptuais, este estudo mobiliza duas técnicas de revisão de literatura: por um lado, um mapping review com o objetivo de identificar as principais dimensões presentes na literatura relativa a estes fenómenos; por outro, uma revisão sistemática de literatura que permita analisá-los enquanto mecanismos com potencialidades de introduzir mudanças contínuas, à luz dos estudos sobre transições sustentáveis. Os resultados evidenciam certas sobreposições conceptuais e permitem avançar com o termo «comunidades sustentáveis intencionais» como a expressão que melhor representa o nosso objeto empírico, tendo em conta a abordagem sobre a qual pretendemos analisá-lo.! Palavras chave: Ecovillages; Comunidades sustentáveis intencionais; Estudos de transição; Revisão sistemática de literatura! ! XAPS-64994 -EDUCAÇÃO AMBIENTAL SOB A ECOPOLÍTICA! LAZZARI, Márcia Cristina (1); BENAION, Danyelley Jatahy (2)! 1Universidade do Estado do Amazonas - UEA; 2UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA - UCP/LISBOA! Comunicação Oral! Ao observarmos mais atentamente a prática e o ementário que sustenta os parâmetros da educação ambiental, presencia-se certa fragilidade, inclusive no modo como vem sendo colocada em prática principalmente no cotidiano das escolas. De modo geral, o enfoque da educação ambiental acaba se direcionando para ações de reciclagens e pela defesa do consumo sustentável, não se investindo num caráter mais radical de ruptura, por exemplo, com o consumismo. Ao contrário, vivencia-se um movimento inverso, pois graças ao curto ciclo de vida dos aparelhos eletrônicos e celulares há um apelo constante e incisivo ao consumo exacerbado de aparelhos celulares, jogos, tablet, kindle etc., que atinge a todos e mais diretamente as crianças e jovens. Presencia-se o pensar na preservação da natureza para atuais e futuras gerações, enquanto instrumento da educação ambiental, e, ao mesmo tempo, convive-se com a indiferença perante o consumismo eletrônico. Esta ambiguidade retrata a normalização e o apaziguamento diante toneladas de lixo eletrônico produzido mensalmente no mundo todo. Levando em conta esses elementos, objetiva-se descrever inicialmente os parâmetros educacionais que permeiam a chamada educação ambiental no Brasil, buscando equacionar como o consumismo exacerbado vem sobrevivendo sob essa lógica, tomando por base o conceito de ecopolítica, que considera o processo de submeter tudo a esfera sustentável como dispositivo de governo. Trata-se da tarefa de proteger o planeta para as futuras gerações, sob uma nova racionalidade neoliberal, que se vale tanto do capital como do capital humano. Não vivenciamos mudanças radicais de comportamentos, pois os jovens podem se afastar de práticas como parar de comer carne, reciclarem o lixo, consumirem produtos sem agrotóxicos, contudo continuam consumindo uma série de produtos, fruto do emprego de mão de obra escrava contemporânea, relacionados a testes em animais, além de contribuírem fortemente para o acúmulo de lixo eletrônico, cujo destino é incerto e, normalmente acaba acontecendo em países mais pobres e poluídos. Ao considerar a produção do lixo eletrônico e do consumo de aparelhos eletrônicos, pretende-se trabalhar a ecopedagogia, buscando equalizar sua filosofia a frente do ideário que o Ministério da Educação brasileiro prevê para organizar a educação ambiental estatal.! Palavras chave: SUSTENTABILIDADE, ECOPOLÍTICA, ECOPEDAGOGIA, CIDADANIAPLANETÁRIA! ! XAPS-67755 -Cities challenges in the contemporary societies: urban sustainability and environmental issues! Diogo Guedes Vidal (1); Rui L. Maia (1); Gisela M. Oliveira (1); Manuela Pontes (1); Esmeralda Barreira (2)! 1FPENAS – Unidade de Investigação em Energia, Ambiente e Saúde, Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal; 2Instituto Português de Oncologia, Porto, Portugal | FPENAS – Unidade de Investigação em Energia, Ambiente e Saúde, Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal! Comunicação Oral! Cities and urban spaces are, in the contemporary societies, the reflection of the most diversified and plural social practices. Alongside this evidence, the urbanization brings to the cities environmental problems, namely related to intensive traffic, industrialization and human behavior related to the lifestyles inherent to the standards imposed by contemporary societies. More than 50 % of the worldwide population live in cities and, consequently, are more vulnerable to the pollution which may affect their health. This communication intends to share the first results of Arte, Cultura e Comunicação XAPS-11057 -O impacto das interacções sociais na formação e na criação artística.! Alix Didier Sarrouy (1)! 1Instituto de Etnomusicologia - Música e Dança! Comunicação Oral! A utilização da expressão artística como forma de emancipação em contextos sociais particularmente vulneráveis, é um tema central no meu trabalho de investigação. Como tantos outros temas, a influência negativa das “pós-verdades” também é evidente na comunicação feita sobre projetos socioculturais. Os radicalismos analíticos, que vão da hagiografia à demonização, tomam o controlo do debate. Este fica limitado pela falta de complexificação e de relativização face aos fatores espaço e tempo. ! É um facilitismo, os extremos opostos são claramente percetíveis e categorizáveis, são familiares à “pós-verdade”. Mas há outras formas de observar e de pensar o que nos rodeia. No caso da investigação sociológica qualitativa sobre projetos com objetivos socioculturais, mais do que a normatividade da verdade, procura-se comunicar a realidade empírica. ! É num empirismo pragmatista (Dewey 2010; James 2007) que vou tentar basear a minha comunicação sobre o que a música “faz fazer” quando utilizada como ferramenta de emancipação em bairros sociais. Os resultados apresentados provêm de escolas de música, em três campos de investigação: Maracaibo na Venezuela; Salvador da Bahia no Brasil; Amadora em Portugal. Apliquei metodologias qualitativas, insistindo na etnografia indutiva, junto de todos os “atores” que participam numa escola de música (professores, alunos, pais, auxiliares de educação, e os objetos também!).! Abordarei duas questões principais: ! 1) A arte musical é, in fine, um objetivo a atingir ou será, in via, um meio que permite viver uma série de interações sociais? “Foi o som do instrumento X que me motivou”, diz a maioria dos alunos quando lhes perguntamos sobre a escolha do seu objeto musical e sobre a vontade de integrarem uma orquestra. É flagrante o sentido estético que podem ter na sua mais tenra idade. Mas, se esta é uma razão que motiva a entrar, não é certamente a única que justifica a ficar. Aprender um instrumento e expressar-se artisticamente exige muito trabalho, ao longo de anos. O que mantem o aluno presente nesse exigente esforço é a natureza das interações sociais quotidianas ao qual é submetido. Irei insistir naquilo a que alguns entrevistados chamam de “fator humano”, elemento quiçá mais influente que o “dispositivo” do projeto. ! 2) Seguindo essa linha de observação e de análise, vou insistir no papel da “acção colectiva” (Becker 1974) nos mundos das artes, particularmente nas escolas de música e nas orquestras. A isso juntarei a noção de “continuidade” (Sarrouy 2016), essencial para fortalecer a aprendizagem, tornando perene o conhecimento e a inteligência social dos jovens artistas.! Palavras chave: Música; orquestras; interacções sociais; complexidade; acção colectiva; continuidade.! ! XAPS-11843 -Políticas Públicas Culturais e Mercado: Um panorama sobre investimentos culturais e o mercado da diversidade no Brasil.! Priscila Brandão Vargas (1)! 1Universidade Federal Fluminense! Poster! O pôster objetiva evidenciar em que medida o aumento no investimento em políticas culturais nos últimos 15 anos no Brasil possibilitou a criação de novos nichos de mercado baseados nos conceitos de diversidade e ativismo. Para tal, realizou-se, num primeiro momento, uma coleta de dados a partir de documentos institucionais (relatórios de cultura do governo) relacionando-o com um estudo de caso da plataforma carioca de criativos NOIX e o festival #DáPraFazer. O trabalho procura compreender em como novos mercados se estabelecem e permanecem após a investidura pública no cenário da cultura a partir de um marketing corporativo que divulga e acessibiliza o engajamento através do conceito de diversidade.! Palavras chave: políticas públicas, marketing, diversidade, cultura! ! XAPS-13199 -“Arte Urbana: novos eixos de problematização”! Ricardo Campos (1); Ágata Sequeira (1)! 1CICSNova, Nova FCSH! Comunicação Oral! A categoria de arte urbana é relativamente recente e não está perfeitamente consolidada. Na verdade este é um termo disputado, sendo que não existe consenso relativamente às fronteiras que definem esta categoria, nem sobre o que esta representa na realidade. De todo o modo, este é um termo cada vez mais utilizado por um conjunto de actores de sociais que, deste modo, vão construindo uma retórica acerca deste meio e daqueles que nele são incluídos. Podemos olhar para este meio como um “mundo da arte” (H. Becker) ou “campo cultural” (Bourdieu) em construção, que se distingue claramente de outros mundos artísticos no na área das artes plásticas e visuais. Este é um campo híbrido e ambivalente, historicamente marcado por uma linhagem proveniente das artes e culturas de rua, das subculturas urbanas e dos movimentos de inspiração DIY (Do It Yourself). O processo de artificação e legitimação social destas expressões tem características particulares e é ainda relativamente recente. Importa aferir o modo como se processa e os seus diferentes impactos, quer em termos urbanos (turistificação, gentrificação, patrimonialização, etc.) quer em termos sociais e económicos (profissionalização de artistas, complexificação do campo, aparecimento de novos agentes, etc.). Com esta comunicação procuramos reflectir sobre estes processos, tendo em consideração dados preliminares de um projecto em curso sobre a Arte Urbana em Portugal e no Brasil. Este projecto, empregando metodologias qualitativas, pretende fazer o retrato actual deste campo e das suas interligações globais, particularmente num contexto luso-brasileiro.! Palavras chave: Cidade, Arte Urbana, Artificação! ! XAPS-13715 -As atividades e serviços offline/online nos museus nacionais e as avaliações e sugestões dos públicos! José Soares Neves (1); Jorge Santos (1); Maria João Lima (1)! 1ISCTE-IUL/CIES-IUL! Comunicação Oral! Os públicos são atores centrais das instituições culturais em geral, e dos museus em particular, e constituem um importante fator de legitimação da sua existência. Ganha assim relevo procurar conhecer, de uma forma articulada, quais as atividades desenvolvidas e os serviços disponíveis, por um lado, e as avaliações dos públicos, por outro. Na sociedade em rede isso inclui as vertentes offline e online.! Nesta comunicação avançamos perspetivas analíticas que visam contribuir para tal conhecimento por via da resposta a quatro questões: quais as atividades e os serviços dos museus nacionais dirigidos aos públicos? Que avaliações deles fazem os públicos? Quais os fatores suscetíveis de contribuir para entender o sentido das avaliações feitas? Que opiniões e sugestões fazem?! Para a discussão das referidas questões articulamos três dimensões de análise: atividades e serviços dos museus, avaliações quantitativas e opiniões qualitativas dos públicos. A base empírica é o estudo promovido pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) em 14 museus nacionais em 2015. O instrumento de recolha de informação sobre os públicos é o inquérito por questionário em plataforma informática cujo trabalho de terreno decorreu em permanência ao longo de 2015. O universo é constituído pelos públicos da vertente expositiva, com 15 e mais anos, nacionais e estrangeiros. A base da análise é uma amostra de 13.853 questionários representativa do universo.! Palavras chave: Públicos de museus; Museus nacionais; Atividades e serviços; Sugestões dos públicos! ! XAPS-23092 -Meo Sudoeste e Vodafone Mexefest: Música, experiência e apropriação do espaço em ambientes urbanos e rurais! Paulo Cezar Nunes Junior (1)! 1Universidade Federal de Itajubá / Universidade de Coimbra! Comunicação Oral! A ocorrência dos festivais de música como fenômeno global intensifica-se a partir da década de 90, quando podemos identificar um aumento substancial no número desse tipo de eventos em diferentes países ao redor do globo, e especialmente em Portugal. Esta apresentação visa investigar as associações estabelecidas entre os festivais urbanos e rurais no contexto português, e a relação entre experiência do sujeito e apropriação do lugar. ! Dois importantes festivais serão tomados como referência: o Vodafone Mexefest (evento urbano, realizado em Lisboa) e Meo Sudoeste (evento rural, realizado em Zambujeira do Mar). Este estudo utilizas-se de metodologia qualitativa a partir de entrevistas (não estruturadas e semiestruturadas) com intermediários culturais envolvidos na produção de ambos os festivais; análise documental de notícias publicadas nas mídias e instrumentos utilizados ela Produtora Música no Coração para divulgar destes evento (vídeos, cartazes, folhetos e redes sociais).! A análise de cada um dos casos de estudo sugerem algumas pistas que serão apresentadas na comunicação, tal como o papel secundário ocupado pela música na fruição da experiência total dos festivais; a quebra da rotina e a sensação do tempo dilatado proporcionada pelo espaço dos eventos, onde o campismo aparece como elemento definidor da experiência; a formação de grupos sociais mais largos e fixos durante a semana e, além disso, o sentimento de comunidade necessário para o processo de apropriação do espaço (áreas de cozinha e higiene pessoal compartilhadas, por exemplo). Esta realidade parece ser quase inversamente proporcional à ambiência criada pelo festival urbano tomado como caso de estudo, onde a música tem papel central na fruição da experiência, com atmosfera marcada pelo movimento, contração espaço/ tempo e simultaneidade de eventos na oferta de sua programação. Neste, a duração tende a ser geralmente mais curta, e as sociabilidades costumeiramente ocorrem em grupos menores e menos fixos.! As reflexões preliminares indicam a necessidade de reflexão sobre os festivais de música em âmbito rural e urbano como desencadeadores de um espaço-tempo próprio, de partilha de valores, ideologias, mitologias, crenças e ritos específicos. A partir deste ponto, as pistas iniciais sugeridas por esta pesquisa sugerem um estudo mais aprofundado sobre os sentidos de celebração e consumo da experiência no Vodafone Mexefest e no MEO Sudoeste, uma vez que ambos os eventos constituem-se hoje como referências consagradas e significativas no contexto festivaleiro português e europeu.! Palavras chave: música, atividades culturais, espaço urbano, espaço rural! ! XAPS-29355 -Fogo no Mar: a análise da fonte documental cinematográfica como método para a pesquisa científica! Conrado Hernandes de Oliveira (1)! 1Universidade do Minho! Comunicação Oral! As potencialidades da pesquisa documental são tão infindáveis quanto delicadas, ao considerar-se que estas tratam como fontes materiais até então não referenciados como documentos científicos. A partir de critérios específicos, uma perspectiva tão abrangente quando subjugada de análise encontra-se na fonte documental cinematográfica como metodologia científica, em particular nos documentários e obras de não-ficção. ! ! O artigo aqui proposto tem como objetivo reiterar a utilização da técnica de análise da fonte documental cinematográfica como metodologia para a pesquisa científica. Esta técnica e seus pormenores serão considerados com apontamentos sobre o documentário italiano “Fogo no Mar”, de Gianfranco Rosi, com a intenção de compreender e analisar suas manifestações narrativas híbridas que se desdobram entre ficção e documentário. ! ! O nascimento do documentário muitas vezes se confunde com a própria história do cinema, visto que os primeiros registos cinematográficos propunham o registo da realidade, a partir da representação do real, quando, em 1895, os irmãos Louis e Auguste Lumière apresentaram a obra La Sortie de l’Usine Lumière à Lyon, uma projeção sobre a saída dos operários de uma fábrica da família. Ainda assim, nas obras seguintes dos irmãos Lumière, a dramatização se instaurava a partir da criação de comicidade e suspense; o registo documental cedia lugar, aos poucos, a ficcionalidade. Já dissera John Grierson, ainda em 1926, que o documentário seria o tratamento criativo da realidade. ! ! Este hibridismo é tão antigo quanto repleto de nuances, porém ainda se notam construções narrativas ambíguas, como no supracitado “Fogo no Mar”. Para avaliar sua narrativa, construção de discursos e subjetividades, no entanto, deve-se aprofundar primeiramente a análise da fonte documental como metodologia. Para tal, é fundamental destacar que esta pesquisa recorre a materiais ainda não tratados como científicos, ou seja, fontes primárias, que devem ser avaliadas criteriosa e cuidadosamente. ! ! Uma vez o documentário já definido conceitual e historicamente e relacionado como fonte passível da pesquisa documental, esta que aponta o conteúdo audiovisual como material de análise, é apenas então que será possível considerar os demais objetivos pretendidos pela pesquisa, suas proposições e levantamentos, assim como seus contributos e resultados.! Palavras chave: Cinema; Documentário; Metodologia; Pesquisa;! ! XAPS-30612 -Arte em comunidade: AMAReMAR em Esposende! Ana Filipa Oliveira (1); Teresa Mora (2)! 1Universidade do Minho (mestre em Sociologia pela); 2CICS.Nova.UMinho! Comunicação Oral! Propomo-nos apresentar os resultados de uma investigação que incidiu no projeto AMAReMAR, criado em 2016 e desenvolvido, nos anos seguintes, em Esposende. AMAReMAR é protagonizado pelos seus coordenadores artísticos como uma prática de “arte e comunidade” e enquadrado pelo poder municipal como um meio de “promover o espírito da inclusão social através de práticas artísticas”, principalmente, junto dos residentes de Sucupira e Lagoa, dois bairros do sul de Esposende. Com o objetivo de compreender as experiências identitárias dos seus participantes, desenvolveu-se uma investigação sobre o projeto que foi orientada por uma metodologia qualitativa, com enfoque na observação participante. Ao longo de seis meses, de janeiro a junho de 2017, acompanhou-se regularmente uma das várias oficinas do projeto, a oficina de teatro, da qual se fez parte enquanto investigadora-participante. Ao sexto mês, participou-se como investigadora-atriz na peça de teatro Quando o Mar é Mais, levada à cena na Marina Sul de Esposende. Nos meses de agosto e setembro, prolongou-se esse papel ao fazer parte dos ensaios de adaptação da peça à sua apresentação no Teatro Carlos Alberto, no contexto do Festival MEXE, realizado no Porto (de 18 a 24 de setembro de 2017).! A informação obtida resultou de uma abordagem de proximidade que – julgamos – permitiu chegar bem perto daquelas que foram as vivências dos atores (sociais) do AMAReMAR. Ao mesmo tempo, o acompanhamento do processo artístico-comunitário e a concomitante identificação da sua metodologia levou-nos ao reconhecimento da importância das práticas artísticas na ação de mexer com a identidade dos seus participantes-atores. Fomos assim conduzidas a uma reflexão sobre o contributo da arte em comunidade no agenciamento de processos (subjetivos e intersubjetivos) de des-locação identitária por parte de indivíduos e grupos que por norma são classificados com o rótulo de (socialmente) “excluídos”. O caso que aqui nos propomos trazer constitui por isso uma oportunidade para se equacionar a diferença entre a prática social da arte e a intervenção social da ciência (em particular da sociologia).! Palavras chave: arte e comunidade; experiências identitárias! ! XAPS-31916 -A cobertura televisiva da tragédia: atores, emoção e objetividade jornalística! João Carlos Sousa (1); Bruno Reis (2); Ricardo Morais (3)! 1ICS-ULisboa, ISCTE-IUL OberCom; 2Universidade Autónoma de Lisboa; 3LabCom - Universidade da Beira Interior! Comunicação Oral! João Carlos Sousa ICS-ULisboa, ISCTE-IUL OberCom [email protected] ! Bruno Carriço Reis Universidade Autónoma de Lisboa [email protected] ! ! A silly season começara e agenda informativa e mediática tendera a transferir-se para outras temáticas que ao longo do ano não são objeto de noticiabilidade e que por isso têm menor visibilidade no espaço público, quando a 17 junho 2017 deflagra o incêndio que viria a dar origem aquela que viria a ser considerada a maior tragédia vivida em Portugal nos últimos anos em termos de perdas humanas – Incêndio Florestal de Pedrogão Grande. De forma abrupta a agenda mediática adquire um ritmo e intensidade distinta e de certo modo dramática. Sabendo de antemão a preponderância que a televisão tem para os portugueses no que concerne ao acesso a conteúdos informativos, propomos partir da cobertura jornalística levada a cabo pelas três principais estações: RTP1, SIC e TVI. Pretendemos neste trabalho identificar os atores envolvidos na cobertura noticiosa, bem como os géneros jornalísticos mais utilizados. Assim, pretende-se ainda perceber de que modo é feita a gestão do uso da emoção na construção da narrativa jornalística que exige critérios de objetividade. Identificar-se-ão ainda temas e respetivos atores que surgem a jusante desta maior atenção dada à tragédia vivida, bem como aos atores a ela associados. Também tentar-se-á perceber nuances no tratamento entre a estação pública de televisão (RTP) e as duas privadas (SIC e TVI). No final, a principal finalidade da presente reflexão prende-se com o mapeamento da maior tragédia humana ocorrida em território nacional em tempo de intensa cobertura mediática. Para a concretização destes objetivos de investigação proceder-se-á à realização de uma análise de conteúdo que será aplicada às peças jornalísticas oriundas destas três estações televisivas e que se consumará numa base de dados com aproximadamente 130 peças. O período em estudo refere-se ao após tragédia, isto é, o período de 17 a 30 junho 2017. A operacionalização e análise de dados far-se-á com recurso ao software SPSS que permite uma análise quantitativa de dados fazendo uso de análise univariada, bivariada e multivariada.! Palavras chave: Palavras-chave: tragédia, televisão, mediatização, incêndios florestais, jornalismo! ! XAPS-37477 -Mediações políticas da prática artística em contextos comunitários! Rui Telmo Gomes (1)! 1ISCTE-IUL/CIES-IUL! Comunicação Oral! Ao longo das últimas décadas têm-se desenvolvido importantes programas de intervenção social tendo por base fundamental projetos artísticos locais, promovidos por associações culturais juvenis. Tais projetos visam habitualmente processos de dinamização comunitária em contextos sociais de pobreza e exclusão social. Têm sido também um dos terrenos de afirmação multicultural na sociedade portuguesa através de diferentes linguagens artísticas.! Tomando como ponto de partida casos de estudo de projetos de arte comunitária numa pesquisa etnográfica em curso, propõe-se uma reflexão sobre a importância dos rituais artísticos como experiência transformadora e fator de mobilização em processos de construção identitária e participação política de populações marginalizadas. ! São discutidas as duas principais hipóteses analíticas que orientam a pesquisa: a possível construção de carreiras profissionais combinando prática artística, mediação cultural e ativismo político; as associações culturais juvenis podem constituir-se como protagonistas políticos locais a partir de estratégias sustentadas de cooperação com outros agentes e instituições, não obstante os diversos fatores de precaridade e limites da sua atuação.! Palavras chave: Prática artística, ativismo político, comunidade! ! XAPS-43552 -A Orquestra Geração: a música e as as vivências sociais dos jovens até á emergência de novas disposições individuais! Rute Teixeira (1)! 1ISFLUP; FLUP! Comunicação Oral! Na pretensão da Orquestra Geração enquanto projeto de mobilidade social de qualificação do tecido e da prática cultural, de desenvolvimento integrado e de envolvimento da população, é imperativo o contributo dos teóricos da sociologia da cultura, da educação, das disposições e variações individuais.! Incontornável a pertinência deste projeto ligado á comunidade e às práticas musicais, uma vez que, permite aos atores envolvidos e comprometidos na ação, alcançarem transformações pessoais e sociais que terão grande impacto sobre suas vidas, em diferentes patamares cruciais, para atingirem, patamares mínimos, que permitiam a sua mobilidade social.! Será nosso interesse na presente investigação demostrar a relevância desta problemática, que propomos a investigação comparada de três agrupamentos escolares em Lisboa, exemplos sólidos e funcionais do projeto; procurando analisar os processos de (re) socialização e de (re) estruturação dos trajetos de vida dos atores, em distintas dinâmicas sociais, após o término do seu percurso musical na Orquestra.! Pretende-se que, este projeto seja o resultado de uma vivência coletiva, onde os sujeitos possuem em si, através dos seus sistemas de disposições e dos múltiplos contextos onde se inserem, aquilo que Lahire (1998) designa por “dobras singulares do social”. Nesta etapa de sistematização, seguiremos, a metodologia que o autor propõe nos seus estudos: a construção de retratos sociológicos.! No presente momento, já realizamos 15 entrevistas aos jovens que já saíram da Orquestra Geração e que através da sua análise, conseguimos distinguir quatro categorias, que caracterizam os seus percursos após o término desta etapa, permitindo-nos identificar regularidades ou disparidades sociológicas presentes nos trilhos das vidas destes atores sociais.! Centramo-nos ainda na análise das disposições sociais, familiares, profissionais, pessoais e relacionais dos jovens que permaneceram no ensino secundário de música, querendo fazer deste o seu trajeto profissional. Daí retiramos algumas similaridades nos trajeto de vida dos jovens, no qual ficou patente, que a prática musical pode influenciar positivamente os seus percursos de vida, traçando novos objetivos escolares, profissionais, sociais e cultturais para as suas vidas.! Palavras chave: Orquestra Geração, Práticas musicais, Disposições individuais, Percursos de vida.! ! XAPS-46587 -Cultura, artefactos digitais e museus. O caso do Museu Nacional dos Coches! Teresa Duarte Martinho (1)! 1Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa! Comunicação Oral! Um dos lugares privilegiados para observar e estudar as múltiplas modalidades do processo de digitalização do património cultural são os museus. Com vista a alargar a visibilidade das suas coleções e a aumentar o número de visitantes, também estas reservas de arte e cultura têm integrado crescentemente artefactos digitais. Importa, portanto, aprofundar o conhecimentos das motivações para aderirem ao digital, bem como os princípios que orientam a criação de artefactos digitais, os quais estão a redefinir profundamente a experiência de visitar museus. Ao mesmo tempo, este processo desencadeia novas representações de cultura, lazer e experiência estética que interessa identificar e refletir.! Neste estudo de caso, toma-se como objeto um dos museu mais antigos e visitados em Portugal, o Museu Nacional dos Coches, e a sua estratégia em matéria de inclusão de artefactos digitais. Tal tendência manifestou-se, inicialmente, pela encomenda de um guia e jogo sob a forma de uma aplicação gratuita para iPhone, para dar a conhecer ao visitante e jogador factos variados acerca das carruagens e viagens da nobreza e do clero nos séculos XVI a XIX. Mais recentemente, foi apresentada ao público uma outra novidade: uma “app” cujos promotores declararam poder proporcionar aos visitantes uma “experiência imersiva entre o mundo físico e digital”, destacando-se a possibilidade de ver o interior das viaturas a 360º. Realizámos entrevistas com os responsáveis por estas empresas, tendo por objetivo perceber quais os princípios que informam os seus produtos e ainda de que modo são testemunho das mutações verificadas na vivência da cultura e na disseminação do digital no chamado tempo livre. ! A pertinência deste estudo radica no facto de concentrar diversos efeitos da passagem do analógico para o digital: o carácter instantâneo e até virtual das experiências; a miniaturização e o minimalismo de máquinas e aparelhagens; a circulação abundante dos smartphones, a mais rápida das tecnologias do consumidor na história das telecomunicações; a posse, como condição de inclusão social, do acesso aos novos suportes e aparelhos e de competências digitais para os indivíduos os poderem integrar no seu quotidiano; a apropriação de artefactos digitais pelos espaços patrimoniais, em nome de uma maior capacidade de captação de visitantes; o alargamento do conceito do que é ‘cultura’, passando cada vez mais a integrar as ‘indústrias criativas’ e a explicitar a conjugação entre cultura e economia.! Palavras chave: cultura, museus, artefactos digitais! ! XAPS-50124 -Divisões digitais em Portugal e na Europa. Portugal ainda à procura do comboio Europeu?! Tiago Lapa (1); Jorge Vieira (1); Joana Azevedo (1)! 1ISCTE-IUL! Comunicação Oral! Com esta comunicação pretende-se fazer uma avaliação da situação portuguesa como sociedade informacional, realizando uma análise da divisão digital numa perspetiva comparada entre grupos sociais e realidades societais. Deste modo, articula-se a análise das divisões digitais com a das desigualdades sociais, situando sob esta perspetiva a realidade portuguesa no contexto Europeu com recurso aos dados do Eurostat, quer de um ângulo sincrónico como diacrónico, evidenciando a permanência das fragilidades da nossa sociedade face ao desenvolvimento informacional de outros países da Europa. A pertinência desta perspetiva analítica parte dos pressupostos de que, atualmente, as desigualdades digitais assumem um papel chave enquanto promotoras de outras desigualdades em diferentes esferas do social e são propiciadoras ou inibidoras de oportunidades no quotidiano e nas possibilidades de vida. Ou seja, constituem indicadores de desenvolvimento societal por excelência. Observando Portugal em detalhe, serão usados dados recentes do estudo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) em conjunto com os dados do Inquérito Sociedade em Rede do CIES-IUL, de modo a imprimir uma análise complementar e diacrónica à utilização da internet e dos novos media no contexto português. São também analisados dados destes questionários considerando como variáveis explicativas indicadores centrais nos estudos em torno das desigualdades digitais. Daqui resulta que assistimos a padrões de adoção e uso das TIC persistentes e reprodutores de desigualdades, entre países e grupos sociais dentro da mesma sociedade. Mesmo com a maior democratização do acesso a determinadas tecnologias digitais, o conceito de divisão digital mantém-se relevante para caracterizar diferenças no acesso às tecnologias da informação e comunicação (TIC). No que respeita a Portugal, persistem ligações evidentes entre acesso, usos e tipos de uso digitais, e a desigualdades sociais. Esta fratura surge modulada por uma combinação de fatores explicativos - idade, capitais económico e cultural, mas também os contextos socioculturais e territoriais. Não só Portugal apresenta taxas de acesso e uso da internet mais baixas que a maioria dos outros países europeus, como é sustentável argumentar que, entre os não utilizadores portugueses, há mais pessoas totalmente excluídas do ponto de vista informacional, isto é, sem nenhum tipo de suporte social de terceiros quanto ao uso das TIC, caso necessitem.! Palavras chave: Divisão digital, novos media, desigualdades! ! XAPS-51760 -Motivações para o uso da plataforma de online dating Tinder -! Rita Sepúlveda (1); Jorge Vieira (1)! 1ISCTE-IUL! Comunicação Oral! A aplicação de encontros para smartphone Tinder tem registado, desde a sua criação em 2012, um número crescente de utilizadores em todo o mundo e Portugal não é exceção. No entanto, até ao momento, ainda não tinha sido realizado nenhum estudo cujo propósito fosse conhecer as motivações dos utilizadores portugueses da referida rede. ! ! Neste sentido, o objetivo principal desta investigação foi explorar as motivações de utilizadores homens para o uso da referida aplicação. Importou ainda desdobrar a análise em dimensões tais como: meios de conhecimento da aplicação, razões para o download e uso. Para além destas foi sugerida uma reflexão mais profunda, nomeadamente sobre potenciais transformações que tenham ocorrido nas suas vidas e como a aplicação está integrada na sua vida quotidiana; como lidam com a utilização da mesma num ambiente mediado, controlado e de proximidade local; como gerem a sua intimidade e a relação familiar e como descrevem as suas experiências são algumas das temáticas exploradas.! ! O desenho da pesquisa para este estudo exploratório mobilizou procedimentos de recolha de dados assentes numa metodologia qualitativa, através da realização de dez entrevistas pessoais e de cartografar “espaços de significações” - espaços simbólicos, tramas de significados e memórias – que compõem a vida urbana da cidade. Nesse sentido, o trabalho procura apreender como identidades individuais e coletivas, memórias sociais e espaços urbanos estão interconectados dentro de uma vasta trama metropolitana.! ! No âmbito da presente exposição, a proposta é apresentar os exercícios de pesquisa que analisaram dinâmicas de usos do espaço e do patrimônio arquitetônico-urbanístico de Brasília por diferentes grupos sócio-culturais, tendo como mote o estudo das suas práticas de lazer e de suas manifestações culturais organizadas,. Por meio de diferentes metodologias, tais como entrevistas, observação participante, aplicação de questionários e etnografia, o trabalho descreve como esses grupos se relacionam com espaços públicos da cidade reconhecidos ou não como “espaços de cultura e lazer”, observando sua organização e consumo em festas, feiras, encontros e manifestações culturais. Destaca-se como os cruzamentos entre prática e espaço acabam por constituir “geografias imaginárias e afetivas” carregadas de histórias, memórias e significados, a ponto de transformar os espaços em lugares de significados. ! ! Para esta apresentação, o recorte foi feito considerando os seguintes eventos-espaços da cidade: a roda de samba do Setor Comercial Sul e as festas de grande porte realizadas no Museu Nacional, no Parque da Cidade, e na Torre de Rádio e TV.! ! Considerando que atualmente a cidade tem vivenciado uma intensa expansão na utilização de espaços públicos – como parques, estacionamentos, jardins, entre outros – para a realização de manifestações culturais e eventos de lazer, pode-se dizer que a própria paisagem urbana vem sendo modificada e reinventada a partir de práticas e rituais culturais. Interessa aqui, portanto, mostrar como a geografia urbana – material e simbólica – de Brasília e do Distrito Federal vem sendo transformada a partir dos processos de expansão e intensificação das práticas de lazer e consumo cultural nos espaços urbanos.! Palavras chave: Cidade; Lazer; Consumo Cultural; Espaço Público! ! XAPS-71919 -Dos encontros de jovens para a prática de dança em espaços públicos urbanos na cidade do Rio de Janeiro! Mirila Greicy Bittencourt Cunha (1); Caterine Reginensi (1)! 1UENF! Comunicação Oral! O trabalho objetiva o estímulo à reflexão sobre a temática da juventude em práticas de encontros voltados ao exercício da dança, no marco de um estudo que tem por base as transformações ocorridas na cidade do Rio de Janeiro em decorrência dos anos frente aos acontecimentos mundiais como a Jornada Mundial da Juventude (2013), a Copa do Mundo (2014), os Jogos Paraolímpicos e os Jogos Olímpicos (2016). Como são apropriadas e ou ressignificadas, diante o ir e vir citadino, as alterações, as transformações e reformas que visam ao turismo diante aos eventos ocorridos no Rio? Pretendemos compreender a circulação e recorrência do uso de locais específicos cariocas, os diversos motivos, as condições e manutenção da prática da dança (classificados entre treinos e ensaios), nos espaços públicos desta metrópole a partir de referências como os conceitos de identidade, habitus, “estabelecidos e outsiders”, e por metodologias que percorrem da observação, as entrevistas e experiências de itinerários com alguns dos jovens que utilizam os espaços públicos da cidade para dançar. Estas práticas são variadas e possuem diferentes formas e lugares que possibilitam compreensões de significados, ressignificações e ocupações tanto da vida na cidade quanto da cidade na vida. Espaços públicos com limitações múltiplas como as de tamanho, horário e predefinições ao modo de uso do espaço e do ambiente que não restringem as necessidades, a inventividade e a tradição de grupos de jovens que se reúnem para dançar. Para este, Juventude não está limitada a faixas etárias de idade, mas sim à multiplicidade que vivencia deslocamentos por experiências através das danças urbanas a abarcar criatividade e inspiração no cotidiano. Esta “corpografia”, ou seja, a coimplicação entre corpo e cidade, compartilha processos de experimentos urbes de narrativas históricas e simbólicas. Tal como a juventude, a interação e a cidade são sistemas vivos cujos princípios e resultados -dos corpos e das cidadesconstituem uma configuração da vida pública. Estado de coimplicação que supera tempo e espaço diante a corporalidade da cidade e a condição pública de seus citadinos.! Palavras chave: Juventude, Espaço Público, Cidade, Dança! ! XAPS-72047 -O riso de Caim e o silêncio de Abel - O humor como elemento de ordem e caos no mundo! Nuno Amaral Jeronimo (1); José Carlos Alexandre (2)! 1Universidade da Beira Interior - LabCom-UBI; 2Instituto Politécnico da Guarda - LabComUBI! Comunicação Oral! O humor, sendo um fenómeno universal, é também uma fórmula discursiva fortemente condicionada pelo ambiente cultural. O objecto de paródia, o vocabulário utilizado, os assuntos referidos são fonte de objecção ou de aclamação conforme o tempo e o lugar em que são proferidos.! Em 1974, Elisabeth Noelle-Neumann apresentou a espiral do silêncio. Segundo esta teoria, as pessoas estão mais predispostas a exprimir publicamente as suas opiniões quando pressentem que a maioria está, e estará, do seu lado. Por outro lado, tendem a silenciar-se e a ser cautelosas quando pressentem que estão, e estarão, do lado de uma minoria. Com o tempo, tornou-se claro que o objetivo de Noelle-Neumann não era apenas explicar a disposição dos indivíduos para exprimirem aberta e publicamente uma opinião ou, ao invés, para se remeterem ao silêncio. A espiral do silêncio é uma abordagem teórica mais ambiciosa e abrangente, que tenta também explicar como é que a opinião pública pode afetar a vida e o comportamento das pessoas e assegurar a coesão social. A opinião pública é aqui entendida como a expressão de algo considerado aceitável e que não implica o risco de marginalização social. A opinião pública é equiparada à sentença de um tribunal, a que ninguém fica indiferente, desde o cidadão comum ao mais poderoso dos governantes. Numa palavra, a opinião pública é uma forma de controlo social. ! A oportunidade para mudar ou moldar a opinião pública está reservada àqueles que não têm medo de ficar isolados socialmente. Noelle-Neumann chamou a este grupo de indivíduos, um grupo que se destaca por vencer o medo do isolamento, vanguardas (preconizam a mudança) e núcleos duros (resistem à mudança). Artistas, vanguardistas, hereges, revolucionários podem destruir a ordem das coisas. Trata-se de grupo heterogéneo. Uns adoram provocar o público; outros sofrem com a hostilidade de que são alvo.! A teoria da espiral do silêncio aplicada ao discurso humorístico pode proporcionar-nos, antes de mais, uma reflexão sobre os tão discutidos limites do humor. Na sociedade contemporânea, excessivamente transparente e com as sensibilidades identitárias sempre prontas a estalar, sofrerá o humor (e a comédia, a sua vertente performativa) de auto-silenciamentos e auto-censuras explicáveis pela teoria da espiral do silêncio?! Por outro lado, o humor, pelas suas características de subversão semiótica, tem um potencial de ofensa quase ilimitado. Como escreveu Ricardo Araújo Pereira: “Talvez todas as manobras humorísticas tenham como objetivo introduzir um elemento de caos no mundo, seja para perturbar a ordem ou para a reforçar, mostrando como ela sobrevive mesmo a uma interferência radical.” Desta forma, interessa-nos ver também de que forma o humor pode destruir ou reforçar ou a ordem das coisas. Dito de outro modo, e para usarmos a terminologia de Noelle-Neumann, até que ponto os humoristas podem formar núcleos duros ou vanguardas?! Palavras chave: Humor; Espiral do silêncio; Ordem social! ! XAPS-78113 -Editoriales independientes. Algunas interrogantes sobre la clase creativa en la Ciudad de México.! Violeta Rodríguez Becerril (1)! 1Universidade de Coimbra. Programa de Doutoramento em Sociologia-Cidades e Culturas Urbanas! Comunicação Oral! En las últimas década se ha hecho énfasis en el papel que tiene la cultura para el desarrollo económico de las ciudades. En las agendas políticas se subrayan acciones y programas para fomentar emprendimientos creativos y culturales. Si bien el planteamiento de emprendimientos creativos en las áreas de tecnología, el arte y la cultura se vislumbra como una oportunidad de crecimiento social y económico, se han formulado una serie cuestionamientos por parte de los habitantes de las ciudades y los expertos en la materia. Una primera controversia, se refiere a la aglomeración de la clase creativa en espacios centrales de la ciudad, lo que ha supuesto el establecimiento de un cierto estilo de vida asociado a estos agentes. Otra interrogante es si el impulso a los emprendimientos creativos puede revertir la problemática laboral de precariedad y mejorar las condiciones de incertidumbre en la que viven muchos creadores. ! ! El contexto de las ciudades latinoamericanas, donde se viven situaciones de exclusión y desigualdad, hace preguntarnos por el papel que adquieren los emprendimientos creativos, si éstos pueden ser una alternativa viable y una aportación para el crecimiento económico de las ciudades. La presente ponencia propone abordar algunas interrogantes sobre el trabajo creativo en la Ciudad de México, específicamente, en el caso de tres editoriales independientes: Festina Publicaciones, C’est une livre. Laboratorio Editorial y Fluir Danza, Ediciones. Además de ser proyectos editoriales independientes, las propuestas se caracterizan por contar con un equipo de trabajo de jóvenes y publicar a nuevos escritores en los géneros de ensayo, novela y cuento. En el caso de Festina Publicaciones se inclina por publicaciones de ensayos en diversas áreas disciplinares. El proyecto C’est une livre se concibe como un laboratorio editorial que crea librosobjeto, con diferentes técnicas, manteniendo un diálogo con los autores. Por último, Fluir Danza es una propuesta especializada en libros de danza de diferentes géneros. Estas tres editoriales independientes son relativamente recientes en el mercado, sin embargo, como proyectos editoriales tienen una amplia trayectoria participando en encuentros y ferias de libro. ! ! La presente ponencia indaga en la trayectoria de las editoriales, su inserción en el medio, las dificultades y ventajas de su organización, su capital creativo y social y sus resultados a nivel de emprendimientos culturales. Con ello se pretende responder a las preguntas de si estos proyectos editoriales representan alternativa económica para sus participantes o, si sus participantes han tenido que recurrir a otras estrategias de financiamiento.! Palavras chave: Editoriales independientes, Clase creativa, Precariedad, Jóvenes! ! XAPS-84217 -O debate público no Twitter: entre a descrença e uma visão encantada! Antónia do Carmo Barriga (1)! 1UBI e CIES-IUL! Comunicação Oral! A Internet terá “efeitos transformativos na esfera pública que potencialmente – ou já mesmo – têm um grande significado político e democrático”, como advertiu Baker (2007: 98). Porém, diríamos que as perspectivas teóricas sobre o seu papel se situam entre o encantamento e a descrença. Para alguns autores a Internet é uma esfera pública virtual de pleno direito, devendo ser entendida como espaço virtual facilitador da renovação da esfera pública, ou mesmo de uma ciberdemocracia que promova e alargue o debate democrático e fomente a participação política. Enquanto outros, por exemplo, realçam que o uso da Internet para fins políticos é claramente menor se comparado com outros fins a que se destina, que o carácter comunicativo da discussão política nem sempre promove o ideal cívico ou que a deliberação democrática está completamente ofuscada pelo consumismo, entretenimento, desinformação ou “pós-verdade”, etc. ! ! Balizadas por estas perspectivas, surgem-nos questões tais como: Poderão os media sociais cumprir a promessa de alargar democraticamente o espaço público, contribuindo para o pluralismo e diversidade, possibilitando a perda do monopólio da palavra pelos media tradicionais, curto-circuitando a auto-referencialidade das formas culturais e mediáticas dominantes? As redes sociais constituem-se efectivamente em “contra esferas públicas” ou “esferas alternativas”? O Twitter é utilizado para promover o escrutínio e o debate democrático sobre assuntos de natureza pública? Em Portugal, os actores do campo político e do campo jornalístico utilizam-no? E que metodologias usar para analisar o discurso publicado em tweets (agora possível em 280 caracteres), que também flui através de retweets e da partilha de links? ! ! Estas questões têm norteado a análise sobre o Twitter e as pesquisas empíricas que temos efectuado nos últimos 3 anos, recorrendo a metodologias sobretudo de natureza qualitativa. Partindo de alguns resultados obtidos, e estruturando a comunicação que agora se propõe em dois eixos, pretendemos situar-nos em torno do enunciado assim formulado: o que há dos media tradicionais no Twitter e o que há no Twitter sobre os media. Para o efeito, temos como propósito efectuar uma leitura dos discursos acerca da acção dos media que circulam em determinadas timelines, bem como colocar à discussão aquilo que em nosso entender existe de ruptura e de continuidade entre esta rede social e os outros media, apresentando uma perspectiva sobre o contributo dos (velhos e novos) media para o debate público que também se posiciona, porventura, entre a descrença e uma visão encantada.! Palavras chave: Twitter; media; opinião; debate! ! XAPS-86322 -Graffiti: práticas, estilos e estéticas de uma arte marginal! André Pereira (1)! 1ISCTE-IUL! Comunicação Oral! Os graffiti correspondem à representação visual do hip-hop, são a sua caracterização e expressão artística nos locais públicos, sendo a sua autoria representada através de um pseudónimo (tag), correspondente a um artista. Tal como outras manifestações artísticas do hip-hop, os graffiti integram o contexto cultural e expressionista dos Estados Unidos, nomeadamente da cidade de Nova Iorque dos anos 1970, no apogeu das características estéticas e das imagens de marca, sendo os seus primeiros trabalhos neste registo adornados de simbologia e influências da época.! Por ter como objetivo uma manifestação pública visual, os graffiti estão presentes em locais onde se impõem à totalidade da população urbana e não apenas aos apreciadores, sendo este um dos principais fatores de diferenciação dos demais modelos de arte e também uma evidente aproximação ao modelo pós-moderno de publicidade. Esta problemática tornou-se um dos principais alicerces de debate dentro da comunidade, nomeadamente ao nível de normas e processos e da diferenciação do graffito legal do ilegal, como via para o reconhecimento artístico.! Esta é a problemática de debate central deste exercício, consequência de um paradoxo criado pela própria formação modular desta temática: o reconhecimento alargado, trabalhos pagos e visibilidade apenas disponível para os artistas consagrados; porém, essa visibilidade significa vender a sua arte, o que implica uma reconversão do que é o graffito, ou seja, a integração do artista no sistema instituído "representa uma alteração na natureza da própria prática, ainda que aparentemente seja realizada a mesma atividade" (Simões, 2010).! Palavras chave: graffiti, arte, hip-hop e globalização.! ! XAPS-86661 -Tatuagem: da margem à arte! Beatriz Patriota (1)! 1Universidade Federal de São Carlos; FAPESP! Comunicação Oral! As definições de arte e de beleza são construídas historicamente, conforme sua inserção social, cultural e geográfica. Enquanto a beleza varia conforme gostos e parâmetros; a arte, definida a partir da estruturação de valores, assume novas formas com o passar do tempo. Desde a Arte Moderna, o modo de conceber a arte tem passado por diversas reconfigurações e, com a Arte Contemporânea, as fronteiras da arte se tornaram mais maleáveis. Neste contexto, o corpo aparece como suporte da arte e a tatuagem ganha espaço dentro do mundo da arte. ! Por outro lado, nas últimas décadas, a prática da tatuagem se insere em processos que contribuem para sua institucionalização e aceitação social, como sua comercialização, medicalização e higienização, regulamentação, profissionalização, estetização e artificação. São processos que envolvem a incorporação de discursos de saberes hegemônicos que permitem a relativa saída da tatuagem da marginalidade, quando essa é produzida no ambiente asséptico do estúdio, seguindo as normas estabelecidas, por um/a tatuador/a profissional e artista, que a vende como uma obra de arte, mas também como uma mercadoria. ! Nesta pesquisa, interessa compreender quais são os discursos e as estratégias dos/as tatuadores/as para que a prática se insira em um processo de artificação. A artificação é o processo de transformação de objeto, prática ou instituição que não era visto como arte e passa a ter esse estatuto. Ela envolve as etapas de criação, produção, mediação e recepção. A pesquisa é realizada em São Paulo, por a cidade concentrar eventos e instituições de tatuagem no Brasil, onde são realizadas observações participantes e entrevistas.! A artificação da tatuagem é marcada por relações de poder, disputas de saber e hierarquizações. Convenções, workshops e outros eventos se tornam espaços de compartilhamento de conhecido e de busca de legitimação da prática. Além disso, são lugares que os/as tatuadores/as podem estabelecer suas marcas e definir seus estilos, destacar-se. Cada vez mais, são cobrados/as conhecimentos técnicos e habilidades específicas para que o/a tatuador/a ganhe reconhecimento entre os pares e fora do campo da tatuagem. ! As inovações em técnicas e tecnologias, que possibilitaram a melhoria da qualidade do desenho, o uso de termos que vem do campo da arte e a inserção da tatuagem em espaços institucionalizados da arte refletem concomitantemente no processo de artificação da tatuagem. Inserida no mercado, se torna uma mercadoria fetichizada quando a construção do valor artístico é efetivada. Nesse processo, tatuadores/as criam diferenças, como a definição de tatuagens comerciais, reprodução de desenhos, e artísticas, singulares e originais por meio de inspirações ou referências. Além disso, a divulgação por mídias, tradicionais ou sociais, contribui para a popularização e aceitação da prática.! Palavras chave: Artificação. Tatuagem. Corpo. Saberes. Poder.! ! XAPS-88674 -Biblioteca do Fondo, próxima e digital: um bairro popular, uma cidade de lutas! Paula Sequeiros (1)! 1Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra! Comunicação Oral! Os serviços de leitura pública de vários países europeus, e nos anos recentes de crise financeira e económica, foram abalados por cortes orçamentais profundos. Numerosos encerramentos de bibliotecas marcaram uma tendência de desinvestimento e declínio no sistema.! No Estado Espanhol os cortes atingiram diversamente as bibliotecas. Na região de Barcelona, embora um alvo também, as políticas de leitura pública mostram desenvolvimentos positivos e continuidade, acompanhadas pelo anúncio de políticas culturais dirigidas às desigualdades sociais na grande metrópole.! A Rede de Bibliotecas Municipais de Barcelona, no território provincial, incorpora um legado de serviços proporcionados em torno da língua catalã, da formação técnica e científica do pessoal e de ideias promotoras da modernização urbana e do vanguardismo tecnológico. A contrapelo daquela tendência recessiva, a introdução registada na Rede de serviços de leitura, informação e literacia digital, dirigidos a grupos sociais vulneráveis e com recurso a meios digitais, e ainda a oferta de mais, e mais especializados, espaços de leitura, suscitaram a questão de entender como essas intervenções estariam a ser feitas e vividas.! A Biblioteca del Fondo, inserida nessa Rede, posiciona-se como uma biblioteca de proximidade na cidade de Santa Coloma de Gramenet. Esta é um produto das lutas populares dos anos 70 por uma vida urbana digna para as classes trabalhadoras e migrantes. No bairro do Fondo permanecem a grande diversidade étnica e racial assim como os intensos fluxos migratórios. Na cidade há práticas e organizações associativistas, de ativismo político e de cultura autónoma onde se leem as marcas de movimentos sociais dos inícios do século passado. Os conflitos decorrentes do desenvolvimentismo industrial e da especulação imobiliária de então, levaram a cidade a uma convulsão social que atraiu ativistas sindicais e políticos, cristãos e intelectuais progressistas. Naquela Biblioteca se desenvolve agora um BiblioLab (experimentação de leitura, aprendizagem e criação com recurso ao digital) centrado nas Cozinhas do Mundo, prática e linguagem comum para a convivialidade, concebidas atendendo às barreiras linguísticas e às diferenças culturais no bairro. ! A análise deste caso centrou-se na interpretação das relações sociais e de poder saídas do cruzamento entre os serviços de leitura pública com o associativismo local, o espaço urbano, os poderes do município e da Diputació e que moldaram esse modelo de leitura de proximidade "com" digital.! Palavras chave: bibliotecas públicas; leitura digital; desigualdades sociais; movimentos sociais! ! XAPS-89221 -SER UM GUITARRISTA DE FADO EM LISBOA. UMA PRÁTICA ARTÍSTICA EM TRANSFORMAÇÂO – BREVE INTRODUÇÃO! Mucio Sá (1)! 1FCSH -UNL; CRIA.! Comunicação Oral! Este artigo questiona os processos que permitem a continuidade e a vitalidade do fado no atual momento histórico e socioeconómico. A pesquisa foca o município de Lisboa, junto a jovens músicos instrumentistas de guitarra portuguesa em contextos de ensino e prática do fado, partindo de clubes, coletividades de bairro e em espaços ligados a esta atividade cultural (CORDEIRO & COSTA, 1984; CORDEIRO, 1997; COSTA, 1999). Procura-se perceber como as trajetórias dos jovens músicos profissionais se transformam no contexto das operações patrimoniais da economia cultural global (KIRSCHENBLATT-GIMBLETT, 2006). ! Neste início de século, o fado (re)emergiu nos meios de comunicação portugueses vindo a tornarse, muitas vezes, a música de fundo do turismo de massa, da mercantilização dos “usos do património autorizado” (SMITH, 2006) e de uma reconstrução nacional do passado (NERY, 2004). Num cenário de crise económica, o uso da cultura como um instrumento de mercantilização da identidade (COMAROFF & COMAROFF, 2008) é implícito como uma das “novas soluções para velhas economias” (KIM & SHORT, 2008). ! Para muitos jovens músicos, o fado tornou-se uma hipótese de inserção profissional no mercado artístico (SÁ DE OLIVEIRA, 2014). A sociologia do trabalho artístico oferece um corpus teórico para interpretar a profissão de artista (BECKER, 1963; SENNETT, 1999; MENGER, 2005; BUSCATTO, 2005) que evita “visões miserabilistas” (PERRENOUD, 2008) ou conceitos como o “mito da vida de artista” (JEUDY & GALERA, 2011) ao percebe-lo como mais um trabalhador moldado pelas metamorfoses do capitalismo (MENGER, 2002). ! A construção da etnografia recorreu a uma estratégia “múltipla” (BURGESS, 2006), privilegiando a experiência de vida de um pequeno grupo de jovens guitarristas (entre 18 e 35 anos) através da realização de entrevistas, de histórias de vida, da observação participante, servindo-se também da performance musical como método (HOOD, 1960; RICE, 1994; WONG, 2008; GRAY, 2013; SÁ DE OLIVEIRA, 2014).! Palavras chave: Fado, património, trabalho artístico.! ! Classes, Desigualdades e Políticas Públicas XAPS-15112 -Problematizações em torno de uma política pública de economia solidária: o caso dos centros públicos de economia solidária na Bahia (CESOL)! Patricia Carvalho Vieira (1); Cristina Clara Ribeiro Parente (1)! 1Universidade do Porto/FLUP! Comunicação Oral! A comunicação proposta versa uma análise de políticas públicas no domínio da economia solidária, esta entendida enquanto prática económica alternativa. ! Os empreendimentos económicos solidários (EES) baseiam-se na posse coletiva dos meios de produção, em que os membros integrantes assumem em simultâneo o papel, e respetiva função, de trabalhadores, gestores e executores do próprio negócio. Caraterizam-se pela autogestão e pela cooperação, ou seja, por fatores singulares que estão para além do económico e pela indivisibilidade social entre capital e trabalho (GAIGER, 2006), abarcando uma diversidade de atividades económicas de produção de bens e serviços, distribuição, comercialização, consumo e finanças, entre outras. ! A nossa análise incide na política dos centros públicos de economia solidária (CESOL), iniciada em 2013, no estado da Bahia, no Brasil. Os CESOL têm a finalidade de realizar, por meio de um conjunto de atividades de natureza multidisciplinar, o atendimento adequado às necessidades de viabilidade e sustentabilidade dos EES. Esta assistência é desenhada tendo em conta as especificidades dos EES advindas de um modo de gerir (autogerir) e produzir diferente da empresa comum. Trata-se de uma política coordenada pelo Estado, mas operada por organizações sociais que têm a sua relação com o Estado regulada por um contrato de gestão. ! Temos como objetivo compreender como o processo de implementação dessa política pela parceria entre Estado e organizaçoes sociais interfere e altera a concretização da sua finalidade, analisando quer as alterações produzidas face aos objetivos delineados, quer as influências nos resultados alcançados.! Do ponto de vista metodológico, temos em curso um estudo de natureza qualitativa alicerçado em entrevistas aprofundadas com representantes de grupos atendidos e informantes promotores da política: agentes governamentais (coordenadores da política), agentes não governamentais (coordenadores e técnicos dos CESOL), e presidentes de organizações sociais gestoras de CESOL.! A análise de dados já aponta que no processo de implementação dos CESOL fatores alteraram, em muitos níveis, os objetivos estabelecidos no projeto original. Partindo do pressuposto de que o Estado é uma relação (POULANTZAS, 2000) que se materializa através da correlação de forças sociais em disputa, é possível considerar que as políticas públicas resultam também dessa condição. Evidenciam-se questões de natureza política dentro do governo que impactaram fortemente o funcionamento dos CESOL desde a não liberação de recurso já previsto em contrato, causando descontinuidades em muitos CESOL, até a falta do devido monitoramento da política, o que contribuiu, por exemplo, para a não efetivação de uma metodologia de assitência técnica adequada.! Palavras chave: Economia solidária, política pública, Estado! ! XAPS-19821 -A divisão sexual do trabalho no setor produtivo de calçados em Portugal: igualdade legal e desigualdade real! Maria Lúcia Vannuchi (1)! 1UFU - Universidade Federal de Uberlândia! Comunicação Oral! Este texto apresenta excertos de um projeto de pesquisa desenvolvido como estágio pós-doutoral no Centro de Estudos Sociais / Universidade de Coimbra, em 2017, inserido no campo de gênero e trabalho. Em análise comparativa internacional, foi focalizada a divisão sexual do trabalho na indústria de calçados, no contexto da acumulação flexível do capital, a partir de pesquisas empíricas realizadas em centros produtivos do Brasil (Franca/SP) e de Portugal (Distrito de Aveiro). No trabalho ora submetido à apresentação, são recortados aspectos da desigualdade de gênero nas relações sociais de classe no espaço laboral português. Ele ressalta que a despeito de dispositivos legais equalizadores, tais como a diretiva governamental portuguesa de abril/2017 que determina a igualdade salarial entre mulheres e homens, o Decreto-Lei 392/1979 que instituiu a igualdade de gênero no trabalho e no emprego em Portugal, da existência da Comissão para a Igualdade no Trabalho e Emprego, estruturada na década de 1990 e, sobretudo, do teor igualitário dos próprios artigos 58º da Constituição da República Portuguesa, e 23º do Código do Trabalho de Portugal, persiste uma desigual divisão sexual do trabalho no setor pesquisado, sendo os igualitários dispositivos legais burlados por meio dos princípios da separação e da hierarquização. Temos como pressuposto a centralidade social do trabalho, e que não se pode falar de uma classe universal, posto que ela é heterogênea e na sua existência real, traz interseccionais marcas, dentre outras, as de gênero, que expressam relações de poder. Hirata considera que para se apreender o atual mundo do trabalho é necessário atentar para a divisão social, internacional e sexual deste, posto que o sistema de acumulação flexível tem se valido de tal heterogeneidade para intensificar a exploração e o controle exercido sobre a totalidade dos/as trabalhadores/as. O texto tem ancoragem teórica nas vertentes dos Estudos de Gênero, e dos Estudos das Relações Sociais de Sexo, em especial, respectivamente, Joan Scott e Danièle Kergoat. No processo de revisão da literatura sobre a temática, contamos com a contribuição de diversos/as pesquisadores/as da Sociologia do Trabalho sob a perspectiva de gênero, dentre os/as quais ressaltamos Helena Hirata e Virgínia Ferreira. Também foram importantes os estudos de Elísio Estanque - supervisor do estágio pós-doutoral realizado - acerca da produção de calçados em Portugal, que mesmo não privilegiando a perspectiva de gênero, tangencia-a ao pontuar para além das clivagens de classes, outros tipos de desigualdades no mundo laboral. Como procedimentos metodológicos foram realizados estudos de caso de unidades fabris, embasados nas elaborações de Michael Burawoy, bem como entrevistas semiestruturadas com trabalhadores/as, representantes sindicais e gestores/ as do setor produtivo.! Palavras chave: Gênero, Classes sociais, Divisão sexual do trabalho, Produção de calçados.! Renato Miguel do Carmo (1); Ana Rita Matias (2)! 1CIES-IUL/ISCTE-IUL; 2CIES-IUL! Comunicação Oral! Um conjunto alargado de estudos (Reimann, 2016; Passaretta e Wolbers, 2016; Gialis e Leontidou, 2016) têm vindo a demonstrar que a flexibilização dos contratos de trabalho, como resposta aos problemas de desemprego num contexto de crescente globalização dos mercados, tem resultado na amplificação das desigualdades sociais já existentes em sociedade. Neste contexto, os jovens são dos grupos populacionais em idade ativa mais predispostos a aceitar este tipo de contratos atípicos (OCDE, 2016), colocando-os numa posição de maior vulnerabilidade. Na União Europeia, a crise do emprego jovem afetou de forma mais profunda os países que passaram por medidas de austeridade, como Portugal, Grécia e Espanha. ! ! Em resultado da baixa procura de mão-de-obra e da diminuição do rendimento dos agregados familiares, os jovens da Europa do Sul ficaram numa situação mais vulnerável. Por sua vez, as estatísticas oficiais apontam para o crescimento significativo do trabalho temporário junto dos mais jovens no espaço europeu. Alguns autores referem que esta estas mudanças estão a ser “a nova fonte das desigualdades sociais no mercado de trabalho europeu” (Passaretta e Wolbers, 2016:2) e que estão a promover a fragmentação do mercado, o agudizar de assimetrias regionais em países com os do Sul da Europa, sem melhorar os níveis já reduzidos de segurança contratual (Gialis e Leontidou, 2016). ! ! Torna-se então relevante compreender de que forma a precariedade e períodos longos de desemprego podem afetar a vida dos jovens em início de carreira. Segundo Eurofound (2017) as consequências do desemprego de longa duração neste segmento etário podem ter efeitos negativos no que diz respeito à sua participação no mercado de trabalho, bem como se refletir em níveis salarias mais baixos. Esta comunicação terá como objetivo a apresentação dos resultados de uma investigação qualitativa desenvolvida no âmbito do Observatório das Desigualdades, sobre as trajetórias no mercado de trabalho de 24 portugueses jovens adultos (com idade entre 21 e 30 anos), com graus em diferentes áreas científicas. O objetivo será revelar os diferentes tipos de contratos de trabalho encontrados e as opções que esses jovens fizeram depois de sair do ensino superior. Será explorado a relação entre a experiência de trabalho até ao momento e os recursos económicos que, inevitavelmente, afetam a perceção individual sobre a sua qualidade de vida e futuro.! Palavras chave: Precariedade, Jovens, Desigualdades, Mercado de trabalho, Trajetórias! ! XAPS-67568 -Bases sociais do Nacional-Populismo na UE: classes, valores, representações, orientações sociais! José Luís Casanova (1); João Ferreira de Almeida (2)! 1ISCTE-IUL, CIES-IUL; 2CIES-IUL! Comunicação Oral! Os partidos de cariz Nacional-populista, na definição de Cas Mudde, estão a crescer em número e em votantes em particular na União Europeia, tendência que tem suscitado questões sobre o estatuto e a trajectória das democracias contemporâneas. ! Os partidos políticos definem-se pelos seus programas, pela acção e discurso dos seus dirigentes e militantes, pelas suas bases sociais, etc. Em contextos democráticos, como é o caso da União Europeia, a força e identidade de um partido político dependerão fundamentalmente da sua base social. Por isso, caracterizar e compreender as bases sociais dos partidos Nacional-populistas constitui trabalho sociológico premente. ! A variação do voto com a classe social tem sido estudada desde o trabalho realizado por Paul Lazarsfeld, e Ronald Inglehart e Shalom Schwartz têm, mais recentemente, examinado a relação entre voto e valores. Na presente comunicação pretende-se apresentar uma análise das bases sociais dos principais partidos Nacional-populistas na UE tendo em conta as classes sociais, os valores, as representações, e as orientações sociais dos seus eleitores, e tomando como referência os modelos teórico-metodológicos de João Ferreira de Almeida, António Firmino da Costa e Fernando Luís Machado para relacionar classes sociais, valores e representações, e para operacionalizar classes sociais, bem como o modelo de conceptualização de orientações sociais desenvolvido por José Luís Casanova.! Para este efeito, utiliza-se a base de dados mais recente do European Social Survey (Round 8, de 2016), que contém indicadores de partido votado na última eleição, anos de escolaridade completa, relação de emprego, número de empregados, ocupação (ISCO08), valores humanos, e representações sociais, nomeadamente a representação dos inquiridos sobre a confiança na sua capacidade para participar na vida política.! As características sociais e culturais dos eleitores dos partidos Nacional-populistas serão comparadas com as dos votantes noutros partidos importantes para se conhecerem as suas especificidades.! Palavras chave: Nacional-populismo, classes sociais, valores, orientações sociais, União Europeia! ! XAPS-74495 -Eficácia e equidade: dinâmicas de diferenciação social da rede escolar e evolução dos resultados num concelho da Área Metropolitana de Lisboa! Teresa Seabra (1); Susana da Cruz Martins (1); Adriana Albuquerque (1)! 1ISCTE-IUL! Comunicação Oral! Atualmente, uma das modalidades de regulação da educação é a aplicação de testes estandardizados de âmbito internacional ou nacional às aprendizagens dos alunos em diferentes áreas do conhecimento. Os resultados destas provas constituem indicadores com grande centralidade na tomada de decisão das políticas públicas em educação. Esta modalidade de avaliação externa (que recai sobre os sistemas educativos, as escolas e os próprios estudantes) tem conhecido um pleno desenvolvimento, e intensificou-se, no caso de Portugal, no período da anterior legislatura (2011-2015), com a introdução de exames nacionais nas primeiras etapas da escolaridade básica (em 2013 no 4ºano e em 2012 no 6º ano). Estes processos terão tido algum efeito na reconfiguração da rede escolar, numa dinâmica de ajustamento entre a oferta e a procura, de modo a garantir os melhores resultados nestas provas nacionais? Será que as escolas têm vindo a intensificar os seus mecanismos de seleção social no recrutamento e/ou nos alunos que atingem o final de ciclo?! Com o objetivo de explorarmos esta hipótese, analisámos de que forma as desigualdades educativas se têm vindo a (re)configurar no caso do concelho de Almada, comparando tanto a evolução da distribuição do perfil social dos alunos pelas escolas, como a evolução dos resultados das mesmas.! A partir de informação contida em duas bases de dados cedidas pela Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, foi realizada uma análise da dispersão das qualificações escolares dos pais dos alunos e das classificações obtidas pelas escolas nos anos letivos de 2009/10 e de 2014/15. Os dados analisados integram as classificações médias obtidas pelas escolas nas provas nacionais e o perfil de escolaridade dos pais dos alunos que as prestaram. No total, reportam-se a cerca de 1600 alunos do 4º ano, distribuídos por cerca de 40 escolas e 1800 alunos do 6º ano em 13 escolas. ! No período temporal analisado, registou-se um acréscimo das desigualdades na rede escolar do concelho: o aumento global do nível de qualificação dos pais dos alunos não foi acompanhado da redução ou manutenção da diferença pré-existente entre as escolas; pelo contrário, aumentou a diferença entre o perfil social das escolas. Concomitantemente, aumentou a amplitude da diferença entre os resultados das escolas nas provas finais, tendo sido penalizadas, sobretudo, as escolas com populações mais desfavorecidas socialmente, uma vez que as suas classificações ficaram ainda mais distantes da média concelhia.! Complementarmente, verificámos as escolas com populações socialmente mais heterogéneas revelaram ter “vantagens competitivas” face às restantes escolas na medida em que foram capazes de, simultaneamente, ser mais resistentes à tendência global de agravamento das médias e ter maior capacidade de as melhorar, quando a mudança global foi nesse sentido.! Palavras chave: educação; equidade; reconfiguração da rede escolar; resultados provas nacionais! ! XAPS-75768 -Desigualdades e desenvolvimento na sociedade portuguesa: um olhar sociológico à escala nacional e regional! Fernando Diogo (1); Rosário Mauritti (2); João Emílio Alves (3); Nuno Nunes (4)! 1Universidade dos Açores, CICS.NOVA.UAc e CICS.UAc; 2Universidade de Évora, CIESIUL; 3IPPortalegre – CIES-IUL; 4CIES-IUL! Comunicação Oral! A heterogeneidade territorial de Portugal tem sido apontada na sociologia como uma característica estruturante da sociedade portuguesa (Almeida et al. 1992; Santos, 1993; Barreto, 1996; Viegas e Costa, 1998; Reis, 2007). Esta comunicação pretende ser um contributo para a compreensão das desigualdades sociais complementada e confrontada com a ideia de desenvolvimento, tendo em atenção a heterogeneidade territorial do país.! Sendo este um problema complexo e ambicioso envolve um projeto de investigação vasto onde se coloca uma questão central: como é que as desigualdades sociais têm evoluído em Portugal e, mais do que isso, como é que as desigualdades e a sua evolução podem ser lidas no confronto com o conceito de desenvolvimento. Em complemento, pretende-se saber como é que essa evolução temporal está associada à heterogeneidade do território, sua manutenção, mitigação e acentuação.! Esta comunicação em concreto é um primeiro resultado desse projeto e pretende apresentar um retrato sincrónico e diacrónico da situação mobilizando os dados estatísticos mais recentes sobre as NUTS II, referentes a um conjunto limitado de indicadores estatísticos. ! Começa-se por situar brevemente as principais características da heterogeneidade territorial a partir da bibliografia existente para, de seguida, se problematizar os conceitos de desigualdades sociais e de desenvolvimento na sua ligação com as questões territoriais. A segunda parte da comunicação assenta na justificação dos indicadores selecionados e no recorte territorial apresentado. Finalmente, na terceira parte, apresentam-se os resultados estatísticos.! Palavras chave: Desigualdades; Desenvolvimento; Território; Pobreza! ! XAPS-76143 -A classe média na teoria sociológica contemporânea: contribuições para o estudo da desigualdade social.! Luís Fernando Santos Corrêa da Silva (1)! 1Universidade Federal da Fronteira Sul/Universidade de Coimbra! Comunicação Oral! Como um fenômeno de natureza multidimensional, a distribuição desigual dos bens econômicos e simbólicos socialmente produzidos tem se constituído em objeto de investigação das mais diversas áreas do conhecimento científico. Economistas, historiadores, geógrafos e cientistas sociais têm se debruçado sobre problemáticas que envolvem os desdobramentos econômicos, políticos, espaciais e simbólicos relacionados à desigualdade. Em especial para a sociologia, o interesse em compreender os mecanismos de reprodução das desigualdades não reside exclusivamente em desvendar seus efeitos econômicos, aspecto inerente à sociedade capitalista, mas importa também conhecer os condicionantes simbólicos que legitimam um sentido de justiça que contribui para a perpetuação de certas desigualdades e para a superação de outras. Neste quadro, o presente trabalho propõe discutir as contribuições da teoria sociológica para a compreensão das visões de mundo da classe média, sobretudo naquilo que concerne à percepção da desigualdade social. Cabe destacar que estudos sobre a classe média justificam-se devido a pouca atenção que o tema historicamente mereceu no meio acadêmico, visto que os estudos sobre desigualdade social têm priorizado, historicamente, os polos extremos da estrutura de classes, tomando-os como unidade de análise privilegiada em detrimento da classe média. Em termos teóricos, Pierre Bourdieu sustenta que os mecanismos de diferenciação social adotados pela classe média estão fortemente alicerçados na rigidez moral, na reafirmação permanente da ética do trabalho e na valorização da educação e da cultura erudita. Tais aspectos constituem uma lógica de classe específica, que contribui para a auto-reprodução da classe média como tal, mediante a incorporação de valores específicos por seus membros. Ademais, os mecanismos de diferenciação social mobilizados pela classe média contribuem para reforçar uma visão de mundo que entende a desigualdade social como um fenômeno natural, descolado dos condicionantes econômicos e simbólicos que atuam como suporte da estrutura de classes na sociedade capitalista.! Palavras chave: Estrutura de classes. Desigualdade Social. Classe média. Teoria sociológica.! ! XAPS-85213 -Padrões e mecanismos de segregação sexual do mercado de trabalho em Portugal – uma revisitação ao fim de trinta anos! Virgínia Ferreira (1)! 1Faculdade de Economia/Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra.! Comunicação Oral! A comparação com base na informação estatística de meados dos anos 80 mostrava que Portugal apresentava algumas diferenças relativamente quer aos países mais desenvolvidos da Comunidade Económica Europeia (CEE) quer aos países da Europa do Sul. Com os primeiros partilhava os elevados índices de participação das mulheres na atividade económica e com os últimos os menores índices de segregação das estruturas do emprego em função do sexo (Ferreira 1993). Na altura, sobressaía a constatação de que não observávamos a tendência identificada na literatura para o aumento da rigidez da divisão sexual do trabalho com o aumento da participação na atividade económica das mulheres. O fenómeno da segregação sexual do emprego era evidente, mas em menor grau do que em outros países. No Portugal: Um Retrato Singular, Ferreira (1993) estava confiante de que se iriam manter os menores padrões de segregação sexual verificados em Portugal. Os fundamentos para tal confiança ancoravam-se, em especial, em dois tipos de argumentos – nas particularidades da estrutura social e da intervenção do Estado, mas também na expectativa de uma evolução positiva do comportamento das variáveis atuantes na divisão social e sexual do trabalho (Ferreira 1993, 255).! No final desse Retrato Singular da segregação sexual do emprego em Portugal, expressava-se a esperança de que a menor incidência deste fenómeno, nas suas múltiplas vertentes, tenderia a esbater-se ou, pelo menos, a manter-se abaixo da média europeia. Este wishful thinking assentava na conjugação de alguns dos traços estruturais identificados e do feminismo difuso que acompanhava o desenvolvimento impulsionado pela integração na CEE.! Nesta apresentação, proponho-me atualizar a informação estatística e tentar perceber a evolução dos padrões de segregação sexual do emprego em Portugal desde a integração na CEE, recorrendo aos Inquéritos ao Emprego (INE) e aos Quadros de Pessoal do Ministério do Trabalho (GEP). Procurarei compreender quais os fatores que mais têm contribuído para a reestruturação do mercado de trabalho, dentre os analisados no estudo de referência: debilidade do tecido económico (industrialização com manutenção do peso da atividade agrícola e baixa taxa de assalariamento); expansão do Estado, fortemente interventivo nas relações de trabalho; grande fragmentação e rigidez da estrutura social (com fraca mobilidade); elevada taxa de feminização das profissões técnico-científicas; paradigma de enquadramento político-jurídico de homens e mulheres como pessoas produtoras num estatuto universalista de cidadania (Ferreira 1993). Na interpretação das observações, colocarei em evidência os efeitos de classe nos padrões de segregação sexual.! ! Ferreira, Virgínia. 1993. “Padrões de segregação das mulheres no emprego”. In Portugal: Um retrato singular, organizado por Boaventura de Sousa Santos, 231-257. Porto: Afrontamento! Palavras chave: Segregação sexual; terciarização da economia; economia do cuidado; tecnologias de informação e comunicação; Portugal.! ! Conhecimento, Ciência e Tecnologia XAPS-15169 -Ciência, Comunicação e Marketing: uso do “método científico” na comunicação estratégica! Pedro Xavier Mendonça (1)! 1ISCEM, UNIDCOM/IADE, ICS-UL! Comunicação Oral! As ciências sociais encontram declinações da sua atividade naquilo que se costuma designar de ciências empresariais. Quer consideremos estas últimas como ciências autónomas, quer as tomemos como braço das primeiras, a verdade é que utilizam o termo “ciência” para designarem a sua área de estudo. O mesmo se passa com a dita ciência da comunicação, à partida uma das ciências sociais, mas onde se cruzam várias outras ciências, entre as quais disciplinas empresariais. ! É sobre este entrecruzar de áreas e sobretudo de discursos e métodos que esta apresentação se debruça. Por um lado, assistimos a uma mercadorização da ciência, através de uma tecnociência de desenvolvimento de produtos (Garcia, 2010) e de uma alteração do ethos do cientista (Garcia e Martins, 2009). Mas, por outro lado, as próprias ciências empresariais, muitas delas especializadas na referida mercadorização (como a comunicação empresarial, as relações públicas e o marketing), possuem um discurso e aplicam um conjunto de métodos que poderíamos designar de científicos, e que desse ponto de vista não só adquirem legitimidade como o mesmo tipo de “provas de sucesso” que as ciências exibem.! A emergência do “managerialismo” e de uma “mão visível” que controla a gestão das empresas (Chandler, 1977, 1984) é acompanhada pelo surgimento da comunicação empresarial, das relações públicas e do marketing como disciplinas “novas” que vêm dar conta das possibilidades dos meios de comunicação de massa e das novas exigências, ao nível da criação de mercados (Cochoy, 1998; Zwick e Cayla, 2010), que uma sociedade de afluência produz (Galbraith, 1958).! É sobre este contexto que pretendemos desenvolver algumas notas ilustrativas sobre a presença de conceitos, discursos e métodos tipicamente “científicos” na literatura e na prática das disciplinas ligadas à comunicação empresarial, relações públicas e marketing. Desde a pesquisa de mercados, passando pela análise da concorrência, até ao desenvolvimento de planos de ação, é possível encontrar topos tradicionalmente científicos, como sejam a existência de um campo empírico, um conjunto de hipóteses ou a recolha rigorosa de dados para a construção de perfis dos consumidores. Estes elementos aparecem, contudo, matizados com outras lógicas, nomeadamente as competitivas (não totalmente alheias à ciência de hoje, diga-se).! Deste ponto de vista, a relação entre ciência e mercado é não linear, dialógica e retroativa, representando-se mais corretamente como um pêndulo entre duas realidades que se transformam mutuamente. É também neste contexto que o uso ilegítimo do potencial dos instrumentos científicos, nomeadamente na comunicação nos chamados “media sociais”, pode contribuir para alimentar um mundo de pós-verdade, que na realidade camufla métodos conscientes da sua capacidade de produzir conhecimentos com a legitimidade dos “verdadeiros”.! Palavras chave: ciência; comunicação e marketing; discursos e métodos! ! XAPS-18515 -A colaboração universidade-empresa em programas de doutoramento: um retrato de interesses, tensões e efeitos! Patrícia Santos (1)! 1ISCTE-IUL, CIES-IUL! Comunicação Oral! Apesar da crescente aceitação política e social da importância da colaboração entre universidades e empresas em Portugal e da existência de medidas impulsionadoras dessa colaboração no ensino doutoral desde meados dos anos 90, não existe uma análise atualizada focada nesta temática. É assim pertinente compreender de forma mais aprofundada a extensão e natureza deste tipo de colaboração, tal como identificar interesses, tensões e efeitos decorrentes. Nesta comunicação apresenta-se um retrato das tendências e lógicas de colaboração com empresas no ensino doutoral desenvolvido a partir da análise dos resultados de um inquérito por questionário a diretores de uma amostra representativa de programas de doutoramento (ativos no ano letivo de 2016-2017) em instituições de ensino superior portuguesas, públicas e privadas. A amostra contempla tanto programas de doutoramento “clássicos” com uma participação inexistente ou limitada de empresas, como programas que envolvem uma estreita interação entre empresa, universidade e doutorando. A análise centrar-se-á nas seguintes dimensões: i) as características da colaboração em diferentes áreas científicas; ii) as perceções quanto aos valores associados aos dois sectores de atividade e as áreas de conflito de interesses; iii) as percepções quanto ao valor e efeitos das colaborações. Trata-se de um retrato que reflete os contextos políticos e económicos atuais e encontra-se em estreita articulação com o desenvolvimento do sistema cientifico e tecnológico nacional.! Palavras chave: ensino doutoral, programas de doutoramento, colaboração universidade-empresa! ! XAPS-18635 -Quem fala consente: tecnologias, conhecimento e ética na investigação na sociedade do consentimento acrítico! Paulo Peixoto (1)! 1UC | FEUC | CES! Comunicação Oral! O uso crescente das tecnologias, seja no quotidiano dos indivíduos, seja na realização de atividades de investigação científica, está a mudar consideravelmente o contexto de recolha e de uso da informação destinada a produzir conhecimento. Esse facto traz novos desafios às ciências sociais e interpela a sociologia a questionar os parâmetros éticos relativos à recolha, ao armazenamento e ao uso de dados, bem como ao relacionamento com as fontes de informação.! Na sociedade dos big data, as formas tradicionais de recolha de dados estão a ser ultrapassadas pela qualidade da informação coletada através das tecnologias. Essa informação tem tudo aquilo que valoriza os dados. É mais fidedigna, mais precisa e mais atualizada. Além disso, é aparentemente menos intrusiva, sendo recolhida de forma passiva e caucionada por protocolos de recolha previamente legitimados.! As tecnologias móveis, em particular, são hoje um fator maior desta realidade. São elas que estão a introduzir nas vidas quotidianas dos indivíduos um inusitado grau de solicitação de consentimento. É por sua via que muitos “falam” e revelam comportamentos. São elas que permitem ultrapassar obstáculos tradicionais da observação sociológica: inquirir a mobilidade, observar a intimidade e a privacidade, contornar o envelhecimento dos dados, etc. O falar polissémico e trivial que elas fomentam traz consigo, por outro lado, as lógicas de “perfil único” e as “políticas de privacidade em escalada”, colocando incontornáveis desafios éticos e legais.! No universo quotidiano das tecnologias, uma vez que o consentimento se torna obrigatório, assiste-se a uma crescente banalização do ato de consentir. Consente-se cada vez mais leviana e acriticamente. A questão é que, nessa imprudência, o preço que se paga por aquilo que se consente se torna aparentemente irrelevante perante o poder e a liberdade de usar “sem pagar”. Paradoxalmente, na sociedade do consentimento forçado e acrítico, quanto mais se é chamado a consentir, menos cada um de nós se preocupa com aquilo que consente. É uma sociedade em que o direito de uso traz consigo a contrapartida do consentimento, na medida em que substituiu progressivamente o custo financeiro pelo consentimento explícito. Não consentir significa quase sempre não poder usar. Mas essa contrapartida converte o desejado e socialmente valorizado “poder de compartilhar” no incontornável dever de compartilhar.! Neste contexto, as políticas do “direito ao esquecimento”, da “investigação e inovação responsáveis”, do “acesso aberto à informação” e da “recolha de grande volume de dados” são desafios maiores na agenda europeia e no horizonte das ciências sociais.! Palavras chave: tecnologias; ética na investigação; consentimento informado; conhecimento.! ! XAPS-27646 -Noite Europeia dos Investigadores 2017: caracterização do público e impactos do evento! Cristina Palma Conceição (1); João Henriques (2); Cristina Luís (3)! 1CIES-IUL/ISCTE-IUL; ESTHE; 2CIES-IUL; 3MUHNAC/ULisboa; CIUHCT-FCULisboa; CIES-IUL! Comunicação Oral! A Noite Europeia dos Investigadores (NEI) é uma iniciativa que procura quebrar as barreiras que separam a ciência dos cidadãos e desmistificar a imagem distante que o cidadão tem do cientista. É uma oportunidade para divulgar o trabalho desenvolvido pelos investigadores, bem como estabelecer a comunicação entre centros de investigação e a sociedade civil. Pretende-se com esta iniciativa: a) consciencializar os cidadãos para a importância das carreiras científicas e do investimento na ciência; e b) consciencializar os investigadores para a importância do envolvimento da sociedade para um desenvolvimento científico sustentável.! Tendo em vista a avaliação das atividades desenvolvidas no âmbito da NEI 2017 pelo consórcio liderado pelo MUHNAC (Universidade de Lisboa), foram aplicados quatro questionários: 1) o primeiro, aos participantes das atividades preparatórias, na forma predominante de workshops temáticos, na sua maioria organizados diretamente por centros de investigação; 2) o segundo, ao público participante no evento principal, realizado na noite do dia 29 de Setembro em três locais (MUHNAC, Lisboa, MHNC da Universidade do Porto e Escola de Ciências da Universidade do Minho); 3) o terceiro, aos centros de investigação participantes; e 4) o quatro, aos investigadores participantes.! Esta comunicação apresenta uma síntese destes resultados, nomeadamente a caracterização sociodemográfica do público e o impacto do evento na opinião do público sobre a ciência, desvendando ainda as motivações das instituições e dos investigadores na adesão à iniciativa. A análise explora as associações entre as variáveis sociodemográficas do público e as diferentes opiniões e perceções sobre a atividade científica. No alinhamento destas associações é possível descrever algumas das relações entre a ciência, a comunidade científica, e a sociedade civil. ! Os resultados evidenciam que o impacto e a satisfação com o evento apresentam algumas divergências segundo as áreas científicas, o género, as faixas etárias, o nível educacional e a nacionalidade. Destaca se efeitos mais evidentes do evento nas mulheres, tanto do público como da comunidade científica, assim como nos grupos etários mais jovens. Por outro lado, indivíduos (público e investigadores) da área das ciências sociais apresentam menores níveis de satisfação com o evento do que indivíduos de outras áreas científicas, aspeto que será igualmente alvo de debate nesta comunicação.! Palavras chave: Noite Europeia dos Investigadores, ciência e sociedade, comunicação pública da ciência, público! ! XAPS-29117 -O "futuro" e a participação pública na Ciência e Tecnologia! Emilia Rodrigues Ara]ujo (1)! 1Universidade do Minho, CECS! Comunicação Oral! Esta comunicação, demonstrando que se assiste a uma elevada profusão de “do futuro” no quotidiano dos sujeitos sociais e, ao mesmo tempo, a um desconhecimento geral sobre as implicações das imagens sobre esse futuro na vida social, argumenta em favor do reforço de metodologias que aumentem a participação pública na ciência e na tecnologia e que implicam abordagens incisivas principalmente no sistema educativo, sobre o futuro como objeto tecnocientífico e sociológico. ! A apresentação sustenta-se em resultados de uma pesquisa que desenvolvemos e que implicou a análise de conteúdos nos média que se debruçam especificamente sobre “o futuro”, bem como 25 entrevistas a cientistas e a educadores (professores e pais de crianças agora com idades entre 12 e 15 anos de idade), incidindo sobre a definição de futuro: o modo como o futuro no seu trabalho quotidiano e o modo como lidam com os desafios que se impõem à crescente mediatização e publicitação “do futuro”, junto dos públicos com os quais trabalham. ! A pesquisa alinhava-se pelas abordagens de Amartya Sen e Arjun Appadurai que argumentam consciencialização para a importância do diálogo ciência-sociedade é fundamental a nível da formação pré-graduada. Formar para uma investigação e inovação responsáveis (numa sociedade responsável) é um desafio primordial na implementação dessa ideia. O reconhecimento de que a discussão acerca daquilo que se investiga no laboratório está muitas vezes para além dele e nos diz respeito a todos enquanto cidadãos é um elemento crucial do diálogo; igualmente importante no processo será a noção de que a ciência será a dúvida e a impersonalidade, no lado oposto das pós-verdades. Tendo por base dois exemplos concretos das ciências da vida, a discussão focará as questões da confiança na ciência e da promoção do diálogo ciência-sociedade, da importância da formação para esse diálogo e das suas complexidades em tempos de pós-verdade.! Palavras chave: ciência e sociedade; investigação e inovação responsáveis; ensino pré-graduado! ! XAPS-71273 -A comunidade dos sociólogos da ciência e tecnologia em Portugal! Ana Delicado (1); Cristina Palma Conceição (2); Hélder Raposo (3)! 1Instituto de Ciências Sociais ULisboa; 2CIES-ISCTE-IUL; 3Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa! Comunicação Oral! A Secção Temática Conhecimento, Ciência e Tecnologia da Associação Portuguesa de Sociologia foi constituída em 2010, no seguimento da decisão da APS no ano anterior de estimular a organização interna em Secções Temáticas e Núcleos Regionais e, muito à semelhança do que acontece na Associação Europeia de Sociologia e da Associação Internacional de sociologia. 8 anos volvidos, com 4 congressos e 2 conferências realizadas, que balanço fazer da ST CCT? ! Esta comunicação tem por objetivo fazer uma caracterização da comunidade de sociólogos interessados nas temáticas da ciência e da tecnologia em Portugal. Através de um mapeamento de pessoas, instituições e temas de investigação, pretende-se conhecer como a comunidade tem evoluído e que colaborações tece entre si, que zonas de fronteiras com outros ramos da sociologia e outras disciplinas científicas se estabelecem, que questões de investigação emergem ou desaparecem, que papel desempenha a Secção na formação de jovens investigadores e na integração de sociólogos fora da académica.! Com a atual direção da Secção em vias de dar lugar a outros, fazer este balanço afigura-se-nos como um válido contributo para a reflexão sobre novas estratégias e caminhos a serem trilhados. Mas também poderá servir para ajudar a conhecer melhor a sociologia da ciência portuguesa e contextualiza-la no panorama dos estudos de ciência em Portugal e no âmbito europeu e internacional mais lato.! Palavras chave: estudos de ciência; congressos; investigação! ! XAPS-72893 -Os alicerces sociais dos processos de inovação: o futuro que se estabelece ontem e hoje! Ana Ferreira (1)! 1Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA)! Comunicação Oral! Na primeira década do século XXI presenciámos um crescimento das actividades de inovação das empresas em Portugal. Contudo, em 2010, o ano da crise das dívidas soberanas na Europa, ocorrerá uma inversão desta tendência que é acompanhada por um desempenho económico negativo das empresas em Portugal. No entanto, permanecem por abordar quais é que são as dimensões específicas que subjazem a estas alterações nas actividades de inovação.! Neste trabalho, os processos de inovação são entendidos como processos incertos de mudança que, sendo muitas vezes baseados em conhecimento científico e tecnológico, são enquadrados tanto pelo contexto organizacional onde estes processos decorrem, como pelos contextos sociais, económicos e políticos mais abrangentes. Acresce que qualquer processo de inovação é sempre orientado para o futuro, uma vez que os seus outputs não existem antes do seu desenvolvimento, excepto como expectativas ou futuros imaginados. Assim, os processos de inovação ligam passado, presente e um futuro desconhecido e, consequentemente, decorrem sempre em condições de incerteza. No entanto, permanece por caracterizar 1) de que forma é que os contextos internos e externos às organizações enquadram os processos de inovação; 2) os impactos destes contextos nas percepções de incerteza no futuro das empresas; e 3) a relação que se estabelece entre o desenvolvimento de actividades de inovação e as referidas percepções. Este trabalho de investigação aborda precisamente estas lacunas numa amostra representativa de 309 empresas do sector de actividades económicas mais inovador em Portugal, i.e. o sector de tecnologias de informação e comunicação (TIC).! Aplicando modelos de regressão ordinal, os nossos dados revelam que as empresas que durante 2010 e 2012 apresentam recursos crescentes (ex. humanos, financeiros, clientes, I&D) e ambientes de trabalho mais capacitantes (ex. promoção da autonomia e motivação dos trabalhadores) caracterizam-se por um aumento da probabilidade de apresentarem 1) actividades de inovação crescentes e 2) uma redução das percepções de incerteza no futuro das suas organizações. O nosso trabalho revela ainda que embora a incerteza seja inerente aos processos de inovação, as empresas em que ocorre um crescimento das actividades de inovação, caracterizamse igualmente por um decréscimo da incerteza no seu futuro.! Os dados recolhidos neste estudo revelam assim que os impactos do acesso a recursos internos e externos às empresas não são apenas sentidos nas atividades presentes, mas estruturam e formam as possibilidades de futuros imaginados. Neste sentido, os efeitos de contextos (des)favoráveis prolongam-se muito para além do momento presente, promovendo-se assim a reprodução de desigualdades.! Palavras chave: Inovação; Incerteza; Tecnologias de Informação e Comunicação! ! XAPS-78889 -Twilight zones: visibilidades e invisibilidades na investigação criminal! Susana Costa (1)! 1Centro de Estudos Sociais! Comunicação Oral! A Polícia é o primeiro elemento da cadeia de custódia da prova culminando em tribunal. Os documentos produzidos medeiam entendimentos entre a cena do crime e o tribunal. Baseado em regras formais, a polícia dá visibilidade à narrativa e confere legitimidade e credibilidade à sua atuação. ! Contudo, a decisão de tornar certos aspetos da narrativa visíveis, deixando outros na penumbra pode repercutir-se na produção da sentença. Tomando como exemplo dois processos judiciais exploro como as narrativas construídas pela polícia, baseadas no que vêem e no que mantêm invisível viajam no processo e de que forma são incorporadas pelo sistema judicial. ! Inserido na investigação de pós doutoramento “As trajetórias dos vestígios na cena do crime”, financiado pela FCT, e recentemente terminado, argumento que na investigação criminal em Portugal, a produção de uma narrativa com significado legal em tribunal pode ser condicionada pela co-existência de diferentes sub-culturas epistémicas do trabalho da polícia (diferentes forças policiais na cena do crime) com diferentes conhecimentos, práticas, entendimentos e formas de “ver” a prova forense. O grau de entusiasmo tecnológico que conduz a sua atuação reflete-se na forma como “vêem” a cena do crime. Este entusiasmo e o uso de uma visão profissional seletiva mobilizados na cena do crime podem ter impacto na robustez e eficácia da prova apresentada em tribunal.! Palavras chave: práticas, subculturas epistémicas, visão profissional, entusiasmo tecnológico! ! XAPS-79608 -Quem exerce a governança da Internet?! Raphael Silveiras (1)! 1Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)! Comunicação Oral! A Internet passou a fazer parte do cotidiano de um número expressivo da população mundial, conectando pessoas e máquinas, intensificando o fluxo de relações entre humanos e possibilitando novos tipos de interações. A tendência é a de que a Internet se torne cada vez mais imperceptível em nossas vidas a partir do momento em que ela alcançar ainda mais estabilidade. Com isso, uma série de questões e atores que mediam as interações nessa rede mundial de computadores se tornarão cada vez mais tênues. Pois uma série de decisões técnicas na operação da Internet são tomadas sem nosso conhecimento, tanto na definição de um protocolo para o roteamento de pacotes informacionais como também restrições de um servidor de acesso ou conteúdo que pode impor a seus clientes influenciando diretamente no modo como tais usuários se relacionam com a Internet. É diante disso que coloco a seguinte questão: se entendermos que governa a Internet aquele que detém ou gerencia sua infraestrutura, quem exerce a governança da Internet, quem media as mediações da Internet? Para responder esse questionamento, recorro a conhecimentos técnicos sobre a arquitetura da Internet e investigo quais são os elementos cruciais para que ela funcione. A partir disso, indico as instituições responsáveis por cada um desses pontos fulcrais ao funcionamento da Internet e como essas instituições atuam. Dado o escopo do trabalho, realizo esse movimento de maneira sintética ancorado em propostas de compreensão da Internet presente em manuais técnicos bem como em reflexões colocadas por autores das humanidades. No primeiro caso, concordo, entre outros pontos, com a ideia de visualizar a Internet e partir de camadas, sendo que a última seria aquela com a qual nós geralmente nos relacionamos, a camada de aplicação. No segundo, articulo, por exemplo, a concepção de poder, governo e a proposta de análise ascendente de Foucault para poder compreender as relações de poder que se apresentam na governança da Internet. Este trabalho se faz importante hoje justamente considerando essa potência da invisibilidade da Internet, sendo uma investigação que não apenas desvela mecanismos que operam essa rede mundial de computadores como também contribui para que ela ganhe maior enlevo em debates sobre as tecnologias que nos envolve.! Palavras chave: Sociologia da Tecnologia; Internet; Poder; Governança da Internet! ! XAPS-83716 -O papel das sociedades científicas no passado e no presente: que perspectivas para o futuro?! Patrícia Ferraz de Matos (1)! 1Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa! Comunicação Oral! Esta proposta pretende reflectir sobre o papel das sociedades e academias científicas, no passado e no presente, a partir do caso português, embora numa perspectiva comparativa com casos internacionais. O ponto de partida será a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, fundada em 1918 e ainda hoje activa, mas tomar-se-ão em conta outras sociedades, sobretudo as ligadas à antropologia e, em alguns momentos, aquelas com conexões à arqueologia, pré-história, história e medicina, uma vez que em determinados períodos estas disciplinas partilharam actores, ideias e interesses. Nesse processo analisarei quem eram os seus protagonistas, qual a sua formação disciplinar e que interesses partilhavam, e se estes organizaram, dentro e/ou fora dessas sociedades, actividades como publicações, congressos, ou outros eventos de foro científico. O objectivo da análise é averiguar como este intercâmbio, e por vezes rivalidade, terá contribuído também para a afirmação e institucionalização dessas disciplinas ao longo do século XX. A apresentação divide-se em duas partes. A primeira parte será sobre o papel das sociedades científicas no passado, enquanto promotoras de debate, de divulgação científica (para um público especializado, mas incluindo indivíduos fora do meio universitário) e contribuidoras para a autonomização de disciplinas no meio académico ou institucional. A segunda parte reflectirá sobre o papel destas sociedades no presente, como espaços de exposição e debate de ideias, que muitas vezes não têm lugar no meio académico ou institucional, ou de divulgação de conhecimentos para públicos alargados. Tendo em conta o exposto, procurar-se-á indagar sobre o interesse que estas sociedades, profissionais ou não, continuam a ter no presente e que papel poderão assumir no futuro, enquanto agremiações de indivíduos com interesse específicos. Algumas perduraram no tempo, porque tiveram capacidade de regeneração e adaptação a novos tempos; outras, por razões históricas, geopolíticas ou diversas, foram substituídas, ou caíram em esquecimento, porque deixaram de ter uma função académica, social ou interventiva, ou porque aquilo que um dia constituiu a sua força passou a ser a sua fraqueza.! Palavras chave: sociedades científicas; academias científicas; antropologia;! ! Crenças e Religiosidades XAPS-17486 -A religião no espaço público: Fátima como palco de interações entre a Igreja Católica e o Estado no século XXI! Helena Vilaça (1)! 1Faculdade de Letras da Universidade do Porto! Comunicação Oral! Como fenómeno típico da religiosidade popular, Fátima foi primeiro rejeitada, mais tarde reconhecida e apropriada pela Igreja Católica. Até hoje, ainda existe um conflito latente entre a peregrinação popular e os regulamentos eclesiásticos estabelecidos com o objetivo de proporcionar um cenário, organização e recatequização dos rituais da viagem e do culto ao santuário. Em qualquer caso, esta tarefa de reconversão realizada pela Igreja Católica contribuiu fortemente para o estabelecimento de Fátima como um lugar de oração globalmente significativo, para o qual contribuíram os últimos três papas. Em 2017 ocorreu o I Centenário das aparições/ visões e a Igreja Católica promoveu vários eventos religiosos - incluindo a visita do Papa Francisco, com a presença do Presidente da República e do Primeiro-ministro - e científicos como foi o caso do Congresso Internacional do Centenário.! A relação entre Fátima e o poder político é uma das dimensões mais relevantes da análise. Foi criticado pela primeira república e exaltado pela ditadura do Estado Novo, que encontrou em Fátima uma base de legitimação religiosa. Com o advento do regime democrático em 1974 e uma Constituição que define Portugal como um estado secular, alguns partidos de esquerda, na fase do PREC, entenderam que o fenómeno de Fátima estaria destinado à extinção. Contudo, os sucessivos governos democráticos nunca revelaram uma atitude de hostilidade ou crítica em relação às peregrinações ou ao santuário, nem mesmo em relação à Igreja Católica.! Fátima é uma evidência da presença relevante do catolicismo na sociedade portuguesa, sustentada pelo facto de se tornar um lugar de religião, cultura, turismo e paradoxalmente de palco político. Considerando que Portugal é um Estado não confessional, esta comunicação considera Fátima como um indicador da importância da religião no espaço público e, ao mesmo tempo, uma lente para analisar a relação ambígua entre o Estado Português e a Igreja Católica Romana.! Palavras chave: Espaço público, Estado, Igreja Católica, Fátima! ! XAPS-18673 -CORPO: DANÇA E EMOÇÕES NA RELIGIÃO DA FLORESTA - SANTO DAIME! DELTA PAULA MELO (1); RITA MARIA DOS SANTOS PUGA BARBOSA (1); GLÁUCIO CAMPOS GOMES DE MATOS (1)! 1UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS - BRASIL! Comunicação Oral! One of the oldest forms of expression of humanity is the dance which is found in all civilizations, peoples, religions, through the ages. The history of dance is tied to that of religions, even in the Bible there are narratives that demonstrate the power of dance. In Brazil, religions of African origin, such as Candomblé and Umbanda, insert dances in their rites. In the middle of the Amazon rainforest, we also find dance corporality and the Santo daime, a religion founded by Raimundo Serra Irineu. In the Daimist ritual, the body moves, articulates, externalizes its faith in the healing of the evils of earthly life, with a ritualized music, the ballet or the dance are like conducting threads that under the beating of the maracas, awaken the necessary emotions and prepare the body and mind for the great moment of communion with the other and the cosmos. The purpose of this study was to: Relate literature review from the civilizing process of Elijah the body, dance and emotions in the ballet of the holy daime. The methodology was the incursion into the theoretical assumptions of Norbert Elias (1990), Process Civilizer volume I, as well as in the works of references regarding these analyzes: On Human Beings and Their Emotions (2009) and The Society of Individuals (1939). The results indicated that Body and ballet are bound, one does not exist without the other within the scope of the Daimist ritual. The ritual of forest religion is a scene of manifestation, ecstasy, upheaval observed by the movements of the bodies of the daimists, who express their longings for healing and good adventure throught the ballet.The body shapes the techniques that speak not only of primitive societies, but mainly of the categories, problems and possibilities of investigation posed by society and the social sciences in due time. In this process, the body is fundamental to the construction of identity. Of course, both dances and rituals can not be defined unchanged by common sense, restricted to a culture. Rituals and representations are fundamental to life in society and many offer life to keep and defend them, even if this causes , discomfort, in the case of the ritual of Santo daime tea, the drink is not pleasant to the palate. . We conclude that this dyad of emotions / dance promotes the evolution of the civilizing process of the people, as an indicator of social development, because they translate and amplify cultural and social patterns, regardless of religious, recreational or leisure character, dance is an instrument of communication, sign, reflection of the survival of culture and the identity of peoples, regardless of whether it is dance: religious, folk, modern or contemporary, dance is a verb, action, attitude, emotions are variables dependent on the control learned during the civilizing process, immanent to the settings social and body is the material instrument that supports the dyad.! Palavras chave: DANÇA, CORPO, EMOÇÕES, RELIGIAO! ! XAPS-21199 -Escrever a religião: discursos sobre as ações de missões evangélicas junto aos povos indígenas representadas nos documentos do governo brasileiro (1963-1968)! Gustavo Soldati Reis. Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo/ UMESP (1)! 1Professor Adjunto I na Universidade do Estado do Pará/UEPA, em Belém, Brasil. PósDoutorando em Sociologia na Universidade da Beira Interior/UBI, em Covilhã, Portugal, sob a supervisão do Dr. Donizete Aparecido Rodrigues.! Comunicação Oral! A proposta dessa comunicação é problematizar os discursos sobre as ações de missionamentos evangélicos junto a povos indígenas no Brasil, tal como esses discursos são representados no documento intitulado Relatório Figueiredo (1967). Assim, o recorte histórico assenta-se nos períodos inicias da ditadura civil e militar no Brasil (1964-68) e seus antecedentes, uma vez que o referido documento é resultado de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar os crimes cometidos pelo antigo SPI – Serviço de Proteção ao Índio, crimes esses que culminaram na violação de direitos fundamentais desses povos indígenas. Nesse sentido, um dos atores sociais que aparecem nesses documentos são, justamente, em suas ações evangelizatórias e sociais, diversas missões de recorte evangélico em um período histórico que o Brasil via crescer e diversificar, cada vez mais, esses segmentos religiosos. De fato, há muito se discute os problemas em torno dos contatos interculturais, principalmente entre agentes religiosos e grupos étnicos indígenas. No caso do período cotejado, o aprofundamento desses contatos ocorreu em contextos de conflitos severos onde o governo brasileiro manteve uma relação ambígua, ora de cooperação, ora de resistência às missões em face ao assistencialismo junto aos grupos étnicos indígenas, grupos esses invisibilizados, em seus direitos e culturas, pelas estruturas de poder que comandavam a Nação. Com Ricoeur (2013), analisar os modos dos seres humanos dizerem o seu agir, compreender os argumentos que articulam as estratégias das ações, é compreender a maneira que os coletivos humanos organizam os seus lugares sociais de identidades e diferenças. Assim, documentos como o Relatório Figueiredo são testemunhos, também, da memória social de como movimentos e instituições religiosas, em contextos de profundos conflitos, se desdobram em faces políticas, educacionais e de produção de sentido e de empoderamentos. Como a relação desses missionamentos e grupos indígenas é representado? O que podem significar para a compreensão desse período histórico tão importante do Brasil? Em outros termos: que imagem do religioso, em suas ambiguidades, surge dessas representações documentais? São questões postas para a reflexão.! Palavras chave: 1. Missões; 2. Indígenas; 3. Documento; 4. Discurso (Representação)! ! XAPS-24187 -Mudanças Doutrinárias na Assembleia de Deus em Belém do Pará! Oseas Jesus dos Santos (1); Donizete Rodrigues (2)! 1Universidade do Estado do Pará; 2UBI! Comunicação Oral! Neste estudo, procurou-se investigar as transformações e mudanças ocorridas na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Belém do Pará, Defendemos a ideia de que as transformações e mudanças que ocorrem nas crenças e práticas da Assembleia de Deus de Belém significam uma mudança de ethos. Essa mudança de ethos deve-se pelo abandono das doutrinas fundantes e dos valores espirituais que refletiam na conduta social do assembleiano; deixando seus fieis descontentes e, segundo suas confissões, sem rumo, sem objetivos espirituais. Esta pesquisa foi desenvolvida com uma abordagem qualitativa do tipo explicativa. A Assembleia de Deus em Belém, organização religiosa fundada no início do século XX, pelos missionários suecos, enviados de Chicago, Estados Unidos, pela igreja pentecostal North Avenue Mission, dirigida pelo pastor William Howard Durham, que trouxeram a mensagem pentecostal, impulsionados pelo significativo movimento religioso ocorrido na Avenida Azuza, nº 312, que pelas suas semelhanças fenomenológicas com a narrativa lucana do capítulo dois de Atos dos Apóstolos (o quinto livro do Novo Testamento), recebeu a denominação de pentecoste e o movimento de evangelização de pentecostalismo, cujas doutrinas fundante desse movimento eram salvação, batismo no Espírito Santo com dons de línguas estranhas, milagres e escatologia. Esse movimento tornou-se o maior fenômeno religioso da América Latina no século XX. Essa igreja caracterizava-se pelos traços sectários, pelos hábitos ascéticos e pelo estereótipo pelo qual eram identificados. Esses valores sociais, morais e estéticos passaram por significativas transformações, com as modificações de seus ethos, pelo abandono das doutrinas pentecostais originais a partir de 1997, com a mudança de presidências com suas repetidas divisões das convenções abandonou-se o sistema de educação bíblica e passou a ensinar sobre sexo, família, vida próspera, e um sofrido curso básico de teologia, sem se quer preparar o corpo docente para executar esse tipo de ensinamento que por si só exige preparo específico.! Palavras chave: Pentecostalismo, Neopentecostalismo, Ethos, Doutrinas Pentecostais da Assembleia de Deus.! ! XAPS-33651 -Novas Igrejas Evangélicas no Contexto Urbano Portuense: estudos de caso sobre as comunidades Hillsong e Surf Church! Maria Inês Silva Oliveira Osório (1); Helena Vilaça (1)! 1Faculdade de Letras da Universidade do Porto! Comunicação Oral! A relação entre cidade e religião tem-se revelado uma nova temática dentro da sociologia da religião. O interesse por esta área de estudo resulta da verificação de um elevado crescimento da diversidade religiosa nos contextos urbanos tradicionalmente secularizados devido, em parte, à vinda de imigrantes e da mobilidade geográfica em geral. No entanto, algumas igrejas protestantes/evangélicas encontram-se, em um processo de reconfiguração e dinamização, o qual passa por estratégias competitivas dentro do campo religioso e da competição religiosa encontrada nas cidades. Para a compreensão destes fenómenos é incontornável a reflexão teórica sobre conceitos como o de pós-secularização, público/privado, mercado religioso, entre outros. ! Salientando-se a importância da religião nas sociedades urbanas contemporâneas e partindo de uma investigação sobre o sucesso das novas igrejas cristãs evangélicas em contextos urbanos secularizados que têm como público-alvo os jovens, pretendemos, a partir dos dados recolhidos na realização deste projeto de investigação no âmbito do mestrado em sociologia, discutir os resultados dos dois estudos de caso na cidade do Porto: um na igreja Hillsong e outro na Surf Church. Ainda que os seus públicos possam ser semelhantes – jovens, citadinos e geralmente escolarizados – estas duas igrejas apresentam outras caraterísticas distintas, tanto ao nível denominacional – sendo a Hillsong uma igreja de origem pentecostal que é mundialmente conhecida pelos seus grupos de louvor e cultos com grande enfoque no «espetáculo musical» - como pelo tipo de contacto com o espaço e a população envolvente – a Surf Church aparenta um maior contacto com o espaço e com a população envolvente quando consideramos a realização de aulas de surf gratuitas no tempo que antecede o culto – por exemplo. É a partir destas diferenças, e de outras, que consideramos pertinente realizar dois estudos de caso, abordando estas duas realidades distintas que se identificam enquanto casos de sucesso, parecendo contornar a «tradicional» secularização esperada nos meios urbanos.! Palavras chave: Cidade; Pós-Secularização; Mercado Religioso; Novas Igrejas Evangélicas! ! XAPS-35763 -As diferentes expressões de religião e os valores humanos, o caso de Portugal e Europa.! Maria Paula Lousão (1); José Luís Casanova (1); Cláudia Vasconcelos Silvestre (2)! 1Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL); 2Escola Superior de Comunicação Social, Instituto Politécnico de Lisboa (ESCS-IPL)! Comunicação Oral! Esta comunicação tem como objetivo essencial apresentar alguns dos resultados de uma investigação em curso que estuda os valores humanos entre a população europeia, através de todas as denominações religiosas, com o objetivo de avaliar a relação entre a religião e os valores e, se a distinção entre as diversas religiões permite diferenciar os atuais valores humanos de forma significativa nesta parte do mundo. Com isto, pretende-se por um lado, contribuir para um melhor entendimento sociológico nos referenciais abordados e, por outro, permitir uma reflexão que possibilite a abertura para novas linhas de abordagem. ! A partir da base conjunta do European Social Survey (rondas 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 – de 2002 a 2014) e, através da análise multivariada de correspondências múltipla, apresentam-se dados relativos à União Europeia, onde se observam correlações entre a relação com a religião, a prática religiosa e a religião professada. Para o efeito, usaram-se os seguintes indicadores: na identificação com uma religião usou-se o indicador “Religião a que pertence no presente”; na análise da prática religiosa criou-se um Índice de Prática Religiosa (IPR) com base nos indicadores “Com que frequência presta serviços religiosos além de ocasiões especiais” e ”Com que frequência reza além dos serviços religiosos”; para analisar a relação com a religião produziu-se um Índice de Relação com a Religião (IRR) com os indicadores “Pertence a alguma religião?” e “Quão religioso se considera?”. ! No que concerne ao território nacional, a pertença religiosa recai quase na totalidade na religião católica, o que impossibilita, para o caso de Portugal, a comparação entre religiões, passível de ser realizada ao nível da União Europeia, optando-se dessa forma pela caracterização das pessoas religiosas e das não religiosas segundo a sua relação com a religião (IRR), utilizando-se para o efeito diversas variáveis sociodemográficas. ! Por conseguinte, apresenta-se uma comparação entre Portugal e a União Europeia relativamente ao perfil das pessoas religiosas e das não religiosas, identificando-se as principais diferenças entre as várias formas como as pessoas vivem a sua religiosidade, tendo por base dessa caracterização os valores humanos.! Dinâmicas Populacionais, Gerações e Envelhecimento XAPS-11124 -Lares Horizontais - uma resposta social alternativa na prestação de cuidados à pessoa idosa! Sandrina Ribeiro (1); Eduardo Duque (1)! 1Universidade Católica Portuguesa - Faculdade de Filosofia e Ciências! Comunicação Oral! Tendo por base as alterações demográficas registadas no decorrer das últimas décadas e as previstas para os próximos anos, que apontam para um aumento gradual da população idosa e sendo uma das preocupações quer dos profissionais neste contexto, quer da comunidade em geral, o aumento da longevidade e da qualidade de vida, suscita a seguinte questão: de que forma as diversas respostas sociais existentes na comunidade estarão a contribuir para a promoção do bemestar físico e psicológico da pessoa idosa?! ! Com este estudo, pretende-se, com base nos resultados alcançados de um trabalhado de campo, apresentar uma resposta social alternativa mais flexível, global, integrada e personalizada, que responda eficazmente às necessidades da pessoa idosa e retarde significativamente a sua institucionalização.! ! Desta forma, procura-se não só avaliar até que ponto as respostas sociais existentes estão atualmente a dar uma resposta efetiva, isto é, se os serviços/cuidados prestados à pessoa idosa vão de encontro às suas reais necessidades, “amortecendo” o impacto negativo das alterações inerentes ao processo de envelhecimento, como também apresentar com base nestes resultados uma alternativa às respostas sociais existentes. ! Um dos grandes desafios da sociedade atual prende-se precisamente em criar novos serviços especializados para o acompanhamento a pessoas idosas, pelo que o estudo que aqui se apresenta induz a um novo conceito de apoio aos idosos que poderá passar por um “lar horizontal”. ! O sistema organizacional que se pretende projetar com base nas ilações retiradas deste estudo, terá como objetivo central a promoção de um envelhecimento bem-sucedido, através de uma intervenção multidisciplinar “in locus”, isto é, no domicílio da pessoa idosa, centrada nas suas limitações, potencialidades e tendo sempre em consideração a pessoa no seu todo. Esta nova resposta social seria traçada e concretizada para ser uma resposta social complementar, não excluído as existentes. Trata-se no fundo, de “trazer o lar para o domicílio da pessoa idosa, em vez de a encaminhar para o lar”. A designação “lar horizontal” traduziria uma espécie de extensão daquilo que ocorre por exemplo, nas respostas sociais existentes em termos de serviços e não só. Teríamos assim, uma panóplia de serviços, equipamentos, profissionais qualificados e especializados, voluntários e a própria comunidade envolvida num só projeto. A projeção deste tipo de projeto/resposta social justifica-se e merece a atenção quer dos profissionais, quer da comunidade em geral. A sociedade está a sofrer grandes alterações (e.g. as mudanças demográficas e os estilos de vida) e urge a criação de respostas alternativas que possam contribuir para o aumento da qualidade de vida da população idosa e da população em geral.! Palavras chave: Envelhecimento, qualidade de vida, respostas sociais, apoio domiciliário, “lares horizontais”.! ! XAPS-17229 -Health risk behaviours associated to living alone in European population aged 50+: a gender analysis! Cláudia Cunha (1); Fátima Barbosa (1); Alice Delerue Matos (2)! 1Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga; 2Departamento de Sociologia, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga! Comunicação Oral! The increasing number of middle aged and older people that live alone is a new challenge for all societies. A longer life expectancy, the growing number of smaller families, relationship breakups, the widowhood, better health, high income, the absence of children or even the adoption of a new lifestyle are highlighted as the most important reasons for this increase (Koopman-Boyden and Moosa, 2014). ! In spite of the great number of studies regarding the analysis between living alone in older age and behavioural health, the literature is not clear about the advantages or disadvantages of this living arrangement for health, especially when gender is taken into account. Jeong and Cho (2017) show that men living alone, compared to those living with others, have more chances to smoke, but this association is not significant for women. Another study reveals that male and women drinkers living with others at older ages, compared to those living alone, have less alcohol consumption (Zhang and Wu, 2015). However, Jeong and Cho (2017) did not find this association in any of the genders. In relation to physical activity, Chen et al. (2015) did not find a significant relationship between gender and physical activity in older people living alone. However, Jeong and Cho (2017) found that women living alone have a higher risk of an inactive lifestyle. Regarding to eating habits, according to Westergren et al. (2014) both older women and men living alone have a higher risk of malnutrition. Literature shows that older women living alone tend to simplify cooking and eating, have fewer cooked meals and lower mean of energy intake (Gustafsson and Sidenvall, 2002). In the case of the older men, the ones living alone tend to eat less fruit and vegetables and to eat more easy-to-prepare foods (Horwath, 2002). Considering all age groups, Hanna and Collins (2015) concluded that there are gender differences in the relationship between living alone and food and nutrient intake. More specifically, men are more likely than women to show undesirable food intakes (Hanna and Collins, 2015)! Taking into account the unclear gender differences in health risk behaviours of older people living alone and the fact that there are no European comparative studies portraying this relationship, we will focus our analyses on this relationship, considering people aged 50+ of 16 European countries. ! Using data from Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe (SHARE), wave 4 (2015, release 6.0.0), we conduct a Multivariate Analysis through Binary Logistic Regression. We found important health risk behaviours and gender differences between countries, in people aged 50+ living alone. With the increasing number of older people living alone, European countries should act in order to improve behavioural health of older people living alone which can raise physical and mental health of this population and reduce some health care costs significantly.! Palavras chave: Living alone; Health Risk Behaviours; People aged 50+; SHARE! ! XAPS-20513 -Do envelhecimento ativo ao envelhecimento saudável: novos desafios para a pesquisa sociológica! Goreti Rocha (1)! 1UBI! Comunicação Oral! Em 2015 a Organização Mundial de Saúde (OMS) publica o World Report on Ageing and Health, um importante documento onde a Organização analisa as principais características do envelhecimento mundial, traçando um conjunto de recomendações relativas a políticas e práticas profissionais que procurem uma melhoria dos determinantes do “envelhecimento saudável”. O novo modelo, defendido neste Relatório, abandona o anterior conceito de “envelhecimento ativo” defendido desde 2002 e retoma o conceito de “envelhecimento saudável”, contemplando um conjunto de inovações face ao conceito anterior, proposto nos anos 90. O novo conceito de "envelhecimento saudável” baseia-se em duas dimensões-chave que norteiam as propostas da OMS - capacidade intrínseca e capacidade funcional. O conceito é definido como um “processo de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional que permite o bem-estar na idade mais avançada” (OMS, 2015:28). A transição de um modelo holístico de “envelhecimento ativo” para uma conceção de “envelhecimento saudável” teve necessariamente implicações no modo como se concebe o envelhecimento, colocando novos desafios à abordagem sociológica. Quando comparamos as áreas-chave de intervenção prioritária dos dois modelos da OMS verificamos o retomar de uma centralidade da saúde e uma perda de importância de outras dimensões associadas ao processo de envelhecimento, tidas como prioritárias no anterior modelo de envelhecimento ativo, particularmente no que concerne à participação social e à segurança. O incentivo ao desenvolvimento de métricas e medidas de aferição do envelhecimento saudável poderá aproximar este novo conceito ao modelo de “envelhecimento de sucesso”, mais consensual do que o de “envelhecimento ativo” (em particular nos EUA), colmatando, deste modo, uma das fragilidades do modelo anterior – a falta de consenso relativamente ao seu significado. Nesta comunicação discutiremos criticamente a nova proposta da OMS e os seus impactos numa abordagem sociológica da velhice e do envelhecimento, quer do ponto de vista teórico, quer metodológico. Trata-se de uma discussão eminentemente teórica, que resulta de uma Tese de Doutoramento em Sociologia em curso na Universidade da Beira Interior que versa precisamente sobre o processo de envelhecimento e que, tal como outras investigações, se confrontou com uma transformação do paradigma dominante até 2015.! Palavras chave: envelhecimento activo; envelhecimento saudável; OMS; modelos de envelhecimento! ! XAPS-21451 -Relação entre Depressão e Preditores de Risco de Violência Sobre Idosos! Tatiana Filipa Silva Mestre – Doutoranda em Sociologia, bolseira do projeto ESACA -Ref.ª ALT20-03-01 (1); Joana Filipa Alegria Pereira – Mestre em Psicologia Clinica e da Saúde, bolseira do projeto ESACA -R (1); Felismina Rosa Pereira Mendes - Professora Coordenadora, Doutora em Sociologia. Universidade de Évor (1)! 1Universidade de Évora! Poster! Fundamentação: A solidão e o isolamento são dos problemas que mais afetam a população idosa em Portugal. Existem factores pessoais e sociais que contribuem para este fenómeno, nomeadamentea retirada da atividade laboral, a viuvez, e o abandono por parte de familiares. A depressão no idoso surge frequentemente associada a contextos pautados pelo isolamento social e pela presença de doenças crónicas incapacitantes. A depressão, para além de comprometer gravemente a qualidadede vida do idosos, é também considerada fator de risco para situações de violência (Informe mundial sobre la violencia y la salud, 2002).! Objetivo: Compreender a relação existente entre asintomatologia depressiva e os preditores de risco de violência em idosos. ! Métodos: Abordagem quantitativa com recurso ao software Statistical Package for the Social Sciences (IBM-SPSS). Participaram 237 idosos com idades compreendidas entre os 65 e os 96 anos, do projeto Envelhecer em Segurança no Alentejo - Compreender para Agir, na Universidade de Évora. Aplicou-se a Escala de Depressão Geriátrica (GDS 15, versão breve, Yesavageet al., 1983) e os Preditores de Risco de Violência (Cohen et al., adaptado).! Resultados: 21,1% dos idosos apresentaram sintomatologia depressiva ligeira e 5,9% sintomatologia depressiva grave, superior ao encontrado noutros países, como por exemplo, Bélgica (6,2%), Alemanha (3,6%), Itália (3,8%), e Espanha (4,9%) (Portugal: Saúde Mental em números, 2014). A maioria dos idosos que apresentaram sintomatologia depressiva é do sexo feminino.Verificou-se a existência de correlação entre a sintomatologia depressiva e os preditores de risco de violência sobre idosos em três das dimensões analisadas: apoios e relacionamentos atuais, familiares e nas dificuldades cognitivas/emocionais.! Conclusão: Promover a apoio social e familiar, combater o isolamento individual e social afirmase como a estratégia que pode contribuir, quer para a diminuição da sintomatologia depressiva nos idosos, quer para a diminuição do risco de violência sobre os idosos.Ressalta-se a importância de políticas e programas de segurança física, social e financeira onde constem medidas de sensibilização de famílias e outros prestadores de cuidados informais para que os riscos e consequentes sinais de depressão ou de qualquer tipo de violência contra a pessoa idosa sejam eliminados, tal como se propõe na Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável 2017-2025 (2017).! Palavras chave: Violência, idoso, depressão, apoio social, família.! ! XAPS-28104 -Processos de Decisão na Criação de Serviços e Organizações: Avaliação das Necessidades e Expectativas de Comunidades Envelhecidas! Vítor Manuel Barreiros Pinheira (1); Maria João Guardado Moreira (1)! 1Instituto Politécnico de Castelo Branco! Comunicação Oral! Introdução:! Profissões na área da saúde e social têm parte da empregabilidade dependente de estruturas onde não participam nos processos de decisão de recursos humanos a afectar e de valências a desenvolver. Apesar de serem profissionais de primeiro contacto, os gestores e decisores políticos funcionam como filtros desses serviços e organizações, acabando muitas vezes por criar constrangimentos do acesso das populações aos profissionais e destes a responder às necessidades dos utentes A situação é agravada nas populações envelhecidas, economicamente frágeis e com baixos níveis de literacia e capacidade de reivindicar direitos básicos.! Objectivos:! Apresentar um modelo de participação dos profissionais na avaliação de necessidades da população envelhecida, integrado num processo de investigação aplicada que articula a experiência de investigação num Instituto Politécnico com formações nas áreas sociais e da saúde e o conhecimento do território das autarquias.! Materiais/Métodos: ! Apresenta-se o processo metodológico de construção de uma ferramenta de análise das necessidades/expectativas da população envelhecida (>65 anos) e em processo de envelhecimento (50-64 anos) através de um inquérito a uma amostra (n=398) representativa da populações num concelho do interior português, da audição de responsáveis de serviços e instituições (n±50) e do processo colaborativo dos parceiros na investigação.! Resultados/Conclusões:! São apresentados as etapas metodológicas da construção dum Plano Gerontológico, necessidades/expectativas da população, processo de construção de recomendações/orientações num município do interior com índices de envelhecimento/longevidade elevados. São apresentadas as recomendações para políticas de saúde e sociais numa zona com população envelhecida e com níveis elevados de dependência.! Quando se discute a passagem para as Câmaras Municipais de responsabilidades e competências (atualmente do poder central), é crucial a ligação entre as instituições de ensino/investigação e as autarquias, partilhando conhecimento, apoiando processos de decisão de novas áreas de intervenção, serviços e organizações, desenvolvendo modelos participativos decisão com o envolvimento das comunidades locais.! Palavras chave: envelhecimento; necessidades; expectativas; modelos de intervenção! ! XAPS-31458 -Vulnerabilidade socioeconómica e consumo excessivo de álcool entre os Europeus com 50 e mais anos de idade! Mara Silva (1); Katiusce Faccin Perufo (1); Alice Delerue Matos (1)! 1Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho! Comunicação Oral! O consumo excessivo de álcool acarreta vários problemas, quer ao nível individual quer ao nível social. No entanto, a sua análise em idades avançadas tem sido negligenciada quando comparada com a análise em idades mais jovens, que têm instigado maior preocupação social. Porém, o envelhecimento populacional, por um lado, e o facto dos indivíduos em idades avançadas apresentarem uma menor capacidade de sintetização do álcool e, geralmente, um maior consumo de medicamentos, o que pode promover uma maior problematicidade associada ao consumo excessivo de álcool, por outro lado, justificam a atenção crescente a este fenómeno em idades avançadas.! Este trabalho visa contribuir para o aprofundamento do conhecimento sobre esta temática, explorando a relação entre este tipo de consumo de álcool e as características demográficas dos indivíduos (sexo, idade), a sua condição de saúde (avaliada pela autoperceção do estado de saúde, sintomatologia depressiva e toma de medicamentos) e a vulnerabilidade socioeconómica (medida através da satisfação com a rede de confidentes e pela situação financeira). A análise incidiu sobre uma amostra de 65201 indivíduos com idade igual ou superior a 50 anos, residentes em dezassete países europeus, incluindo Portugal, que participaram na sexta vaga do projeto Survey on Health, Ageing and Retirement in Europe (SHARE). ! Para 4% dos indivíduos da amostra SHARE, o consumo de álcool assume um padrão de consumo excessivo. Uma análise de regressão logística permitiu concluir que as chances de consumo excessivo de álcool são mais elevadas para os indivíduos do sexo masculino, para os mais novos do grupo etário dos 50 e mais anos, para aqueles que apresentam sintomatologia depressiva, para os que tomam medicamentos para problemas de sono e para os que estão insatisfeitos com a sua rede de confidentes. Os que têm mais dificuldades ao nível financeiro e os que referem ter uma saúde mais débil apresentam menos chances de beber álcool excessivamente. Os resultados deste estudo sugerem intervenções que adotem uma perspetiva holística que tenha em conta os diversos problemas associados ao consumo excessivo de álcool depois dos 50 anos.! Palavras chave: Consumo excessivo de álcool; Idades avançadas; SHARE; Europa! ! XAPS-35435 -O papel moderador da internet na relação entre a rede de confidentes e a Qualidade de Vida de indivíduos de 50 e mais anos! Patrícia Maria Teixeira da Silva (1); Alice Delerue Matos (1); Roberto Martinez-Pecino (2)! 1Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho; 2Departamento de Psicologia Social, Universidad de Sevilla! Comunicação Oral! O estudo da Qualidade de Vida (QdV) dos adultos mais velhos tende a centrar-se nas características sociodemográficas, económicas, de saúde e mais recentemente, nas redes de confidentes. A internet redesenhou o quotidiano dos indivíduos, transformando-se num dos principais meios de comunicação pelo que é necessário que a investigação tenha em consideração, para além das variáveis mencionadas, a importância desta tecnologia e a forma como pode interferir na relação existente entre as redes de confidentes e a QdV dos indivíduos mais velhos. Este trabalho visa, precisamente, analisar o contributo da internet para a QdV dos mais velhos assim como o modo como esta afeta a relação mencionada. ! O presente estudo incide sobre uma amostra de 1906 indivíduos de 50 e mais anos residentes em Portugal que foram inquiridos no âmbito do projeto SHARE (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe), vaga 4. ! Os resultados desta pesquisa permitiram corroborar os resultados de outros estudos que identificaram a idade, o género, a escolaridade, a situação financeira, a saúde mental e física, assim como as relações da rede de confidência, como determinantes da QdV dos indivíduos de idades iguais ou superiores a 50 anos. Mas evidenciam também a importância da internet para a Qualidade de Vida dos mais velhos. Para além disso, destacam o papel moderador desta tecnologia na relação entre a rede de confidentes e a QdV. Mais concretamente, foi possível verificar que existe um incremento na QdV dos utilizadores da internet comparativamente aos não utilizadores, com o aumento da proximidade emocional na rede de confidentes. Da mesma forma, nos utilizadores da internet, o aumento da frequência de contacto com os elementos da rede determinou um acréscimo na sua QdV quando comparados com os seus homólogos não utilizadores.! Estes resultados salientam o facto da internet otimizar o impacto positivo de algumas das características das redes de confidentes na QdV e reforçam, deste modo, a importância de políticas que visem a e-inclusão dos indivíduos mais velhos na sociedade contemporânea.! Palavras chave: qualidade de vida, rede de confidentes, internet, SHARE! ! XAPS-39860 -Ser idoso e receber cuidados sociais: trajectórias e significados! Ana Rita Teixeira (1)! 1instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa! Comunicação Oral! O envelhecimento demográfico apresenta-se como um dos problemas centrais do século XXI e uma tendência demográfica a nível mundial colocando inúmeros desafios. Um destes desafios é precisamente a prestação de cuidados sociais a pessoas idosas, dado que a faixa etária dos 80 e mais anos é a que regista o maior ritmo de crescimento, prevendo-se que venha a triplicar até 2060, faixa etária em que os problemas de saúde, perda de capacidades ou funcionalidades têm uma maior expressão, sendo o grupo das mulheres o mais atingindo (feminização do envelhecimento).! No campo das ciências sociais, a investigação sobre o tema dos cuidados sociais para pessoas idosas tem uma longa tradição, especialmente no mundo anglo-saxónico, despertando interesse crescente junto de académicos, profissionais, decisores políticos e público em geral. Contudo, tem-se olhado sobretudo para o lado dos prestadores de cuidados, negligenciando-se o lado daqueles que recebem cuidados. ! A presente comunicação pretende dar conta dos resultados de uma investigação realizada no âmbito de uma tese de Doutoramento em Sociologia, cujo objectivo é identificar e compreender trajectórias de recepção de cuidados sociais protagonizados por pessoas idosas (65 e mais anos), bem como os significados que estas lhes atribuem. Por outras palavras, pretende-se olhar para as “histórias de recepção de cuidados”, bem como para o sentido que lhes é atribuído pelos seus protagonistas (especial enfoque nas experiências e perspectivas/significados das pessoas idosas). Deste modo, são oferecidas respostas para as seguintes perguntas de investigação: Como é que as trajectórias de recepção de cuidados se desenvolvem ao longo do tempo e do espaço? Que significados são atribuídos às trajectórias de recepção de cuidados? Em que medida é que a recepção de cuidados ao longo do tempo-espaço contribui para a manutenção das capacitações (capabilities) das pessoas idosas? De que forma é que os contextos micro, meso e macro moldam as trajectórias de recepção de cuidados, os significados que lhes são atribuídos e as capacitações (capabilities) das pessoas idosas? ! Pretende-se, assim, dar conta dos factores ou dinâmicas que estão associados às experiências positivas e negativas de recepção de cuidados e ao mesmo tempo as estratégias que as pessoas idosas usam para lidar com as perdas directamente relacionados com a experiência de receber cuidados.! Palavras chave: Pessoas idosas; Envelhecimento; Trajectórias de recepção de cuidados sociais; Significados! ! XAPS-49071 -Participação e envelhecimento – do cruzamento de conceitos ao desencontro nas práticas.! Teresa Martins (1)! 1ESE.IPP! Comunicação Oral! O envelhecimento e a velhice têm vindo a ganhar cada vez mais centralidade no debate público, científico, tendo vindo também a aumentar as publicações de organismos internacionais relacionadas com estas questões. ! Nestes documentos internacionais vários temas têm vindo a ser explorados, sendo que a “participação” tem vindo a ter sistematicamente um lugar de especial relevância. ! Neste trabalho pretende-se realizar um levantamento destas referências ao conceito de Participação nestes documentos internacionais, procurando problematizá-lo e confrontá-lo com interpretações que têm vindo a resultar dessas mesmas orientações. Percebe-se claramente que nestas orientações internacionais, que vão desde publicações das Nações Unidas às da Organização Mundial de Saúde, este conceito tem vindo a ser evocado sobretudo no sentido de participação cidadã, na lógica do tomar parte e fazer acontecer, afastando-se de uma leitura mais restrita da participação, mais próxima da ideia de participar como estar presente. ! A problematização do conceito de participação nas suas múltiplas interpretações – no que respeita às pessoas mais velhas – revela-se de especial importância numa conjuntura marcada por iniciativas, projetos e programas que poderão não estar a potenciar tanto quanto seria possível e, eventualmente, desejável os contributos de um grupo etário crescente em todo o mundo.! Palavras chave: envelhecimento; participação; orientações internacionais! ! XAPS-50303 -Cuidadores Informais de pessoas com demência: práticas, processos e significados.! Maria de Fátima Luzia Martins (1); Professora Doutora Rosalina Pisco (2); Professora Doutora Maria Goméz (3)! 1Universidade de Évora; 2Universidade Évora; 3Universidade Badajoz! Poster! Em Portugal, a desinstitucionalização do doente mental tem vindo a ser implementada desde a década de 60, embora o alcance e “sucesso” deste processo seja questionado por diversos autores provenientes das mais diversas áreas do saber e da intervenção social. Neste poster propomos-nos apresentar uma investigação em curso no âmbito de um doutoramento em Sociologia que pretende ser um contributo para a compreensão desta questão. Esta investigação pretende estudar os cuidadores de pessoas com demência, as práticas realizadas pelos cuidadores na arte de cuidar, os processos inerentes ao cuidado informal ou formal e compreender o significado que estes atribuem a todo o trabalho desenvolvido, dependendo de que sejam cuidadores informais, voluntários ou profissionais. ! A literatura sugere que os cuidadores caracterizam-se como sendo predominantemente do sexo feminino, casados, com baixa escolaridade, sem atividade profissional e com baixos rendimentos. Paralelamente, o envelhecimento demográfico tem como consequência a idade muitas vezes avançada dos cuidadores, limitando assim a atividade de cuidar. Todavia, a família tem vindo a ser corresponsável por importantes processos de mudança social, nomeadamente no que diz respeito à divisão de papéis sociais. Na impossibilidade de prestarem cuidados a tempo inteiro, estes familiares recorrem aos cuidadores formais, não no contexto institucional, mas a nível domiciliário. Desta forma é possível manter o idoso no seu domicílio, atrasando a institucionalização e proporcionando-lhe melhor qualidade de vida e bem-estar.! Este trabalho visa uma compreensão, por dentro, do papel dos cuidadores de pessoas com demência. Os objetivos específicos procuram ir ao encontro de uma descentralização dos principais espaços geográficos em que os estudos têm sido efetuados, tentando compreender quais as práticas, processos e significados em contexto rural, nomeadamente no Baixo Alentejo, e analisar as diferenças com os meios urbanos, seja em Portugal ou em outro país. Especificamente, pretende-se caracterizar as práticas desenvolvidas pelos cuidadores, descrever os processos inerentes ao cuidado e compreender os significados que os cuidadores atribuem ao fato de cuidarem de pessoas com demência, sejam utentes jovens, de meia-idade ou idosos. A estratégia de investigação a utilizar será do tipo qualitativa, intensiva e em profundidade e a recolha de dados efectuada através de uma entrevista aos cuidadores de pessoas com demência. Uma entrevista que se prevê de carácter narrativo, compreensiva e em profundidade. A discussão dos dados obtidos será apoiada em análise de conteúdo de tipo qualitativa, centrada no discurso dos próprios cuidadores, recorrendo-se a software de análise qualitativa. No final, esperamos contribuir para o conhecimento e debate mais informado em torno desta questão e das muitas verdades que simultaneamente descobre e encobre.! Palavras chave: Cuidadores; Saúde Mental;Demência.! ! XAPS-51328 -A participação social dos idosos: experiências e relatos de utentes da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa! Filomena Gerardo (1); Bárbara Rodrigues (2)! 1Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Portugal, ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), DINÂMIA'CET - Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território (DINÂMIA’CET – IUL), Portugal; 2Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Portugal! Comunicação Oral! A participação social dos idosos, aqui entendida como um processo contínuo que inicia no envolvimento até ao engajamento da população em atividades que contribuem para a sociedade, tem sido identificada como um forte preditor de um envelhecimento saudável, nomeadamente no que diz respeito à manutenção da independência funcional dos indivíduos. Para alguns autores, trata-se, contudo, de um conceito frequentemente subteorizado. Neste sentido, esta comunicação procura contribuir para a discussão do conceito de participação social através da análise dos resultados do Projeto CordonGris. O projeto é uma iniciativa de vários parceiros europeus – entre os quais a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa – que tem como principal objetivo combater a malnutrição entre a população idosa através das novas tecnologias. Para isso, desenvolveu uma aplicação que gera planos alimentares semanais e faz assistência de compras dentro de um orçamento limitado. Através de uma metodologia de co-design – que incluiu workshops, testes de usabilidade e focus-groups – os utentes de centros de dia da SCML contribuíram para o desenvolvimento da aplicação CordonGris ao longo das diferentes etapas de investigação. Esta participação culminou num piloto de 6 meses com vista à utilização diária do protótipo. O piloto envolveu 29 participantes diretos e 15 participantes indiretos num Grupo Experimental e 30 participantes num Grupo de Controle. Os resultados darão conta do pré-teste e pós-teste aplicados aos utentes da SCML no âmbito do piloto e das entrevistas semi-diretivas a realizar no fim do projeto (Abril de 2018). As entrevistas constituem um elemento fundamental da comunicação na medida em que permitem dar voz aos idosos, aferindo de modo aprofundado a sua perceção sobre a participação no projeto e o seu posicionamento face à tecnologia criada.! A menor adoção e uso de tecnologias constituem hoje um fator de exclusão da sociedade do conhecimento e da informação. A inclusão digital, especialmente daqueles em maior risco de marginalização, como é o caso dos idosos, constitui uma prioridade de várias organizações e agendas políticas. No âmbito do Projeto CordonGris, foram relevantes as iniciativas que permitiram o aumento da proficiência tecnológica dos idosos através do contacto com tecnologias, bem como todo o suporte prestado ao longo projeto, que permitiu a participação social plena ao longo dos meses. Por sua vez, o co-design, enquanto estratégia utilizada para promover tal participação, permitiu aos idosos contribuírem com as suas opiniões e conhecimentos, ao mesmo tempo que as suas especificidades e necessidades foram acauteladas Alix McDonald (4); Gemma Gilliland (4); Carmen Orte (5); Marga Vives (5); Elísio Costa (2)! 1ESE.IPP, Porto4Ageing; 2UCIBIO, REQUIMTE, Faculdade de Farmácia, Universidade do Porto, Portugal, Porto4Ageing; 3Association Educational Centre for Intergenerational Integration HIPOKAMP, Poland; 4University of Strathclyde, United Kingdom; 5Department of Pedagogy and Didactics, University of Balearic Islands, Spain! Comunicação Oral! O aumento da esperança média de vida tem contribuído para mudanças demográficas significativas, que têm também vindo a ter impacto na forma como a sociedade se organiza no que respeita ao contacto ou afastamento entre as várias gerações. Fenómenos como o idadismo têm vindo a ganhar cada vez mais visibilidade na literatura e o afastamento progressivo das várias gerações poderão estar a acentuá-lo. Neste enquadramento, a intergeracionalidade tem vindo a ser advogada como uma aposta essencial, crescendo as vozes que defendem que é imperativo aproximar gerações, identificar ou proporcionar espaços e tempos de encontro entre os mais jovens e os mais velhos, numa conjuntura em que boa parte dos contextos institucionais tendem a separar crianças e jovens de pessoas de grupos etários mais velhos. ! Neste trabalho apresentamos um programa intergeracional - Projeto Sachi2 – Sharing Childhood - que percecionámos como um contributo para a mudança de atitudes e representações das crianças em relação ao envelhecimento e às pessoas mais velhas. Por sua vez através deste programa percebemos também algumas das suas vantagens para os participantes mais velhos. ! Três grupos intergeracionais participaram em oito encontros com o intuito de discutir temas como a família, os ídolos, a escola, as brincadeiras, as celebrações e as cidades - cinco pessoas mais velhas com mais de 65 anos e um grupo (turma) de crianças entre os 10 e os 12 anos. ! Todos/as os/as participantes preencheram um questionário pre e post-teste, bem como questionários de avaliação de cada uma das sessões temáticas. Foram também realizados momentos de avaliação qualitativa com os vários grupos. ! Os resultados mostram uma melhoria geral das atitudes e representações das crianças em relação aos mais velhos e uma diminuição dos estereótipos em relação ao envelhecimento. Para além disso este programa mostrou-se útil para o desenvolvimento de competências dos idosos, como por exemplo no domínio de uma língua estrangeira, o inglês. ! Apesar de muito se debater a questão da intergeracionalidade são ainda escassas as publicações científicas sobre o assunto, sobretudo quando procuramos estudos nos quais se procura avaliar o impacto destes encontros intergeracionais. ! Conscientes das limitações deste projeto, nomeadamente no que concerne ao curto tempo de encontro entre crianças e pessoas mais velhas, entendemos que os resultados deste trabalho poderão constituir um contributo relevante para a discussão científica da intergeracionalidade.! Palavras chave: Intergeracionalidade | idadismo | envelhecimento | aprendizagem ao longo da vida! ! XAPS-84323 -Envelhecer no interior: características sociodemográficas da população de Idanha-a-Nova! Maria João Guardado Moreira (1); Vitor Pinheira (1)! 1Instituto Politécnico de Castelo Branco! Comunicação Oral! O envelhecimento da população portuguesa é hoje uma realidade instalada, conhecendo-se o processo de envelhecimento demográfico, no que diz respeito aos tempos e às causas. Menos conhecidos são os processos de envelhecimento regional ao nível das condições socioeconómicas, de saúde e acesso a serviços de saúde e apoio social.! A região da Beira interior encontra-se entre os territórios mais envelhecidos de Portugal, acumulando um contexto periférico no país, com baixos rendimentos e poder de compra, movimentos de saída tanto para o litoral como para fora do país dos mais jovens e população idosa com baixa escolaridade. ! Por outro lado, viver em áreas rurais do interior define diferentes perfis de envelhecimento, particularmente quando analisamos o caso dos municípios rurais, onde os fatores contextuais acentuam a vulnerabilidade de alguns setores da população idosa. Neste âmbito, pretendemos identificar e analisar os perfis sociodemográficos de envelhecimento de um concelho do interior do país, considerando não apenas a atual população idosa, como a que irá envelhecer nos próximos anos, de modo a apoiar o desenvolvimento de estratégias de intervenção no campo do envelhecimento.! No âmbito da elaboração de um plano gerontológico municipal e a partir de um questionário aplicado a uma amostra estratificada de indivíduos com idade igual ou superior a 50 anos (n = 367), recolheram-se dados que incluem diferentes dimensões: caracterização pessoal e familiar, o estado funcional e recursos sociais e económicos, bem como as necessidades sentidas pela população deste território. Os dados foram tratados através de estatística descritiva e inferencial.! Os principais resultados mostram que a amostra tem níveis educacionais muito baixos, baixa renda e alto consumo de serviços de saúde. Os recursos sociais são fracos e as principais necessidades e expectativas estão relacionadas com a saúde e o suporte social.! As estratégias de intervenção devem, por isso, ser desenvolvidas para integrar abordagens multidisciplinares e intersectoriais que podem se organizar em torno dos eixos sociais, organizacionais e tecnológicos, respondendo aos perfis individuais dos atuais e dos futuros idosos, permitindo envelhecer em seus ambientes de acordo com suas preferências.! Palavras chave: perfis de envelhecimento; interior; planos gerontológicos! ! XAPS-89243 -Risco de violência sobre idosos institucionalizados no Alentejo. O enfoque sociológico do agir dos profissionais de Educação Social! Tatiana Filipa Silva Mestre - Doutoranda em Sociologia, bolseira do projeto ESACA (1); Felismina Rosa Pereira Mendes - Professora Coordenadora, Doutora em Sociologia. (1); Carlos Alberto da Silva – Professor com Agregação, Doutor em Sociologia. (1)! 1Universidade de Évora! Comunicação Oral! Fundamentação: Há medida que aumenta o número de idosos na sociedade, a violência sobre eles também aumenta. Este fenómeno ocorre devido à desvalorização social do idoso na sociedade atual (abandono do mundo do trabalho). A violência sobre os idosos corre devido a fatores inerente ao próprio idosos (vulnerabilidade e diminuição da funcionalidade) e a fatores inerentes ao agressor (sociais, individuais). O risco de violência aumenta consoante o impacto dos preditores intrínsecos e extrínsecos ao idoso. Os contornos atuais da institucionalização de idosos, são contextos onde a violência ocorre e que necessitam de intervenção dirigida. As políticas sociais e organizacionais serão determinantes para acionar medidas dirigidas à sociedade, ao idoso e à vítima, no sentido de diminuir/eliminar o risco de violência sobre idosos. Objetivo: Compreender o quadro de protocolos preferencial da ação organizada dos profissionais de Educação Social no contexto da intervenção sobre os fatores de risco de violência sobre os idosos institucionalizados. Métodos: As técnicas de extração ex-ante deste trabalho partiram de uma revisão sistemática da literatura que permitiu aferir as tendências de estudo sobre o tema risco de violência sobre idosos institucionalizados e as práticas institucionais dos profissionais, posteriormente seguiu-se com a pesquisa documental sobre a temática da violência sobre idosos institucionalizados. A partir destes procedimentos iniciou-se a criação do guião da entrevista semi-diretiva ou semiestruturada. Esta investigação é uma pesquisa exploratória, descritiva, com abordagem qualitativa. Os dados obtidos através da entrevista semiestruturada serão analisados através do software de análise de dados qualitativos - IRAMUTEQ. Conta-se com a participação total de 20 técnicos superiores, dos quais 10 serão técnicos superiores de Educação Social, abrangidos pelo projeto Envelhecer em Segurança no Alentejo - Compreender para Agir, na Universidade de Évora. Resultados Esperados: Conhecer e analisar o quadro de protocolos da prática dos profissionais de Educação Social e da saúde no contexto da intervenção sobre os fatores de risco de violência sobre os idosos institucionalizados do Alentejo; Conhecer e analisar as políticas e as estratégias dos serviços das instituições sociais para a garantia da segurança dos idosos institucionalizados, face à violência no seu quotidiano de vida; Contribuir para a definição de modelos de intervenção dos profissionais de Educação Social nas organizações sociais, ao nível das medidas de atuação nas dimensões da segurança dos idosos institucionalizados e na prevenção da violência sobre os mesmos (políticas e programas, sistemas de notificação de incidentes, envolvimento de utentes idosos, ensino e formação dos idosos e dos cuidadores informais, entre outros).! Palavras chave: Idoso, Risco de violência, institucionalização, diagnóstico da ação organizada e estratégica.! ! Experiências e Perfis Profissionais XAPS-21093 -Um sociólogo numa empresa de consultoria: As práticas de gestão como objecto de uma experiência vivida.! João Vasco Coelho (1)! 1CIES/ISCTE-IUL! Comunicação Oral! A presente comunicação pretende ilustrar uma experiência profissional específica, consumada no contexto de uma reestruturação de uma empresa de serviços de consultoria de gestão portuguesa, que apresenta uma trajetória de crescimento significativo nos últimos dois anos, expresso ao nível do volume de negócios, da dimensão e da diversificação da equipa de trabalho, das instalações físicas, e do aprofundamento da aposta realizada na internacionalização. A empresa tem duas décadas de existência, e a sua história é pontuada por dois episódios de aquisição e fusão estrutural.! ! O objetivo da intervenção foi inicialmente apresentado em sentido amplo, sendo formalmente indicada a necessidade de “acompanhar de outra forma as pessoas da empresa”. Um programa de intervenção foi proposto, com duração estimada de seis meses. A sua inspiração foi difluente, e visou articular a propensão objectivista inerente à praxeologia, e o subjectivismo de uma sociologia de filiação fenomenológica. O seu propósito pode dizer-se simplesmente: dar voz à experiência vivida. A análise da justificação, da explicação individual, muitas vezes inoportuna ou esquecida numa empresa, porque frouxa, vaga ou pouco operativa, constituiria um possível ponto de ancoragem de decisões de gestão subsequentes.! ! Num trimestre, foram realizadas 37 entrevistas individuais presenciais a membros da equipa de trabalho da empresa (cerca de 80% da equipa), nos três locais onde a empresa apresenta instalações físicas em Portugal. As entrevistas realizadas foram orientadas por cinco eixos considerados pertinentes, em termos teóricos, na definição de uma experiência pessoal de trabalho numa empresa. A informação reunida foi analisada e foi constituído um diagnóstico de práticas e de efeitos de práticas, em torno dos quais foram propostos seis eixos de intervenção gestionária prioritária tendentes ao reforço, transformação ou melhoria de dimensões particulares da situação existente.! ! Partindo de um exercício de reflexão sobre a trajetória da intervenção realizada, sugerem-se quatro fatores, de natureza pessoal, social ou organizacional, implicados no sucesso declarado da abordagem perfilhada, onde decisões de gestão foram influenciadas pelo emprego in situ de conhecimento sociológico: i) a abertura existente, em termos contextuais, à heteroglossia, a práticas cuja língua não coincide com uma língua já disponível; ii) a preparação prévia do sociólogo, plasmada na demonstração in situ de conhecimento referente ao domínio de atividade da empresa; iii) uma orientação pragmática, expressa por via de um discurso híbrido, centrado na identificação de práticas (de gestão) resultantes da fertilização cruzada de dois universos de conhecimento (a gestão e a sociologia) cujo logos se apresenta aparentemente distante; iv) o efeito de um posicionamento liminar - ser ou parecer ser um outsider, em relação ao quotidiano da empresa.! Palavras chave: Consultoria de gestão. Hibridação profissional. Experiência.! ! XAPS-34794 -A música como profissão: um olhar sobre as trajectórias dos membros da Orquestra Metropolitana de Lisboa! Maria da Luz Ramos (1); Rosária Ramos (1)! 1Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas - Universidade de Lisboa / Centro de Administração e Políticas Públicas! Comunicação Oral! A Música como Profissão: um olhar sobre as trajectórias dos membros da Orquestra Metropolitana de Lisboa! ! A música é uma forma de comunicação associada ao entretenimento, ao lazer e à devoção tanto para a audiência como para os executantes, pelo que, a dimensão profissional destes últimos tende a ser relegada para segundo plano. Na realidade, o trabalho artístico goza de uma certa opacidade nas suas vertentes profissional e formativa, tratando-se, não raras vezes, de um domínio pejado de representações sociais dúbias acerca dos percursos daqueles que escolhem uma profissão com uma natureza tão peculiar e para a qual o talento tem uma valorização distinta de outras actividades tidas como mais corriqueiras. É certo que se trata de um mercado de trabalho pouco convencional e desconhecido para a maioria dos indivíduos regendo-se por normas e padrões próprios que, em todo o caso, estão enquadrados no contexto global dos princípios que norteiam o exercício de qualquer profissão.! ! Nesta comunicação pretende-se caracterizar as trajectórias dos instrumentistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML), dando a conhecer sua formação escolar e técnica, a sua empregabilidade e inserção no mercado laboral, bem como as especificidades do seu domínio de acção. ! ! Em Portugal acesso a uma actividade regular remunerada na área da música clássica não parece ser algo vulgar e acessível a qualquer indivíduo, não só pela exiguidade do mercado laboral, como também pelas oportunidades de aprendizagem. De notar, por exemplo que a formação necessária para o ingresso no ensino superior público na música é frequentemente obtida em escolas privadas ou através de aulas particulares. Aliás, este é também o panorama no teatro ou na dança.! ! Não obstante vicissitudes várias, o trabalho artístico parece estar a ganhar mais espaço em Portugal. O Boletim Estatístico da Inspecção-Geral das Actividades Culturais de 2015 dá conta de um incremento daquele sector nas suas mais distintas facetas, com destaque para a região de Lisboa que, sendo a capital do país “concentra o maior número de obras em todos os domínios”. Atendendo à importância dos profissionais das artes e da sua posição estratégica na economia, particularmente na ligação com o sector turístico, há que dar maior atenção à sua integração e actuação no contexto laboral.! ! Dentro da problemática do emprego artístico, procurar-se-á compreender as especificidades da actividade profissional dos instrumentistas da OML que fazem parte de uma estrutura organizativa com dinâmica própria e uma inevitável hierarquia. Temos, pois, como propósito contribuir para um conhecimento mais aprofundado do objecto de estudo em questão e explorar aspectos da empregabilidade e do mercado laboral de uma actividade que, amiúde, não é vista como trabalho, mas como lazer (Borges, 2008).! Palavras chave: Música; trajectórias profissionais; formação musical; trabalho artístico.! ! XAPS-48390 -QUALIFICAÇÃO JOVENS E ADULTOS: REFLEXÕES A PARTIR DE EXPERIÊNCIAS DE INTERVENÇÃO FORMATIVA! Ana Luisa Martinho (1); Bruno Coutinho (2)! 1Associação A3S e CEOS.PP - Centro de Estudos Organizacionais e Sociais do Politécnico do Porto; 2ISCAP-IPP! Comunicação Oral! A comunicação proposta consta de uma reflexão, não exaustiva, acerca da qualificação de jovens e adultos, fora dos circuitos de educação regular, resultante de experiências de intervenção desenvolvidas pelos autores. Trata-se de respostas qualificacionais, sob a designação de cursos EFA – Educação e Formação de Adultos, cursos de Aprendizagem e CEF – Cursos de Educação e Formação, os quais se encontram sob a tutela do Instituto de Emprego e Formação Profissional e não do Ministério da Educação, respondendo a referenciais de formação do Catálogo Nacional das Qualificações. O ponto de partida para reflectir sobre as práticas enquadra-se no atual paradigma de desenvolvimento e na renovada atenção política às medidas de Educação e Formação tendentes ao aumento da qualificação da população ativa portuguesa. Ainda que os sistemas dual e o movimento da educação permanente não sejam recentes, um conjunto de avaliações das medidas em vigor e a implementação de novas, como é o caso do Programa dos Centro Qualifica, renova a importância da atividade profissional dos formadores e das suas práticas pedagógicas. Num contexto de crescente importância e valorização de competências transversais, nomeadamente pelas exigências do próprio mercado de trabalho, o perfil profissional do/a formador/a nesta tipologia de ofertas de educação e formação é, assim, equacionado.! E é na análise do contexto atual de (re) surgimento do discurso e aposta nestes sistemas alternativos de educação e formação que se centra a base e ponto de partida para uma reflexão empírica da atividade formativa em Portugal, nomeadamente no questionamento do perfil profissional necessário do/a formador/a para responder simultaneamente às expectativas dos formandos, aos requisitos políticos, bem como às exigências de desenvolvimento de competências soft enquanto motor de empregabilidade.! Tratando-se de uma área de investigação e intervenção com longa tradição em Portugal, pretende-se identificar um conjunto de desafios e oportunidades para o exercício da actividade profissional de formador, sobretudo em área que não são classificadas como tecnológicas mas sim de formação base ou sociocultural.! Palavras chave: Qualificação, Empregabilidade, Formador, Competências! ! XAPS-52694 -Sociologia e docência - por entre práticas e desafios! Natália Azevedo (1)! 1Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP)! Comunicação Oral! A prática da docência em sociologia no ensino superior, perfil inicial da profissionalização do sociólogo em Portugal, configura-se com regularidades científicas e pedagógicas que, de algum modo, poderão ser entendidas como exigências necessárias e subjacentes àquela prática porque intrínsecas à sua própria natureza enquanto tal. Por contraponto, e sem relevar a amplitude de todos os elementos envolvidos, serão os contextos de exercício da mesma prática profissional que ditarão as suas singularidades, quer na relação com a instituição universitária, quer na relação com a comunidade educativa, quer ainda na proximidade ao meio social próximo.! Os desafios colocados pelo Modelo de Bolonha e as especificidades jurídicas e administrativas das instituições de ensino superior tendem a pragmatizar um ensino da sociologia e a confrontá-lo com os desafios do equilíbrio possível entre a reflexividade orientada para a aprendizagem e as competências para a integração desejável e possível dos estudantes no mercado de trabalho. Por outro lado, a diversidade e a conflitualidade dos universos de expectativas e de representações de todos aqueles que procuram a formação graduada e pósgraduada em sociologia redimensionam as práticas científico-pedagógicas, há muito não circunscritas ao espaço da sala de aula, mas extensivas a espaços-tempos letivos e não letivos, propiciadores de experiências que redimensionem e reforcem a relação com a área disciplinar e as suas potencialidades enquanto prática profissional futura. Ensinar sociologia no quadro pós Bolonha e nas circunstâncias conjunturais do mercado de emprego, aliciante mas inseguro nas garantias dadas a priori, confronta-nos com exigências que nem sempre o quadro teórico, metodológico e interventivo da sociologia por si só resolve. ! É nosso objetivo refletir e partilhar virtualidades e desafios de uma prática profissional docente, a partir de dentro do espaço-tempo educativo, que se configura na relação constante e co-partilhada com os seus principais interlocutores, em particular os estudantes que se confrontam pela primeira vez com os discursos e práticas de exercício da sociologia.! Palavras chave: docência; sociologia; ensino superior! ! XAPS-57182 -Conhecimento na mediação da relação do poder local com a comunidade educativa: “sociologia de intervenção” num município! Sílvia de Almeida (1); Eva Gonçalves; (1); Susana Batista (1)! 1CICS.NOVA - FCSH/UNL! Comunicação Oral! As atuais políticas de descentralização e autonomia das escolas (Maroy, 2013) implicam a deslocação de competências e iniciativas para o poder local e o assumir de responsabilidades de diversos atores da comunidade educativa na tomada de decisões, como é o exemplo da elaboração do Plano Estratégico Educativo Municipal (PEEM), um instrumento de política pública que inscreve os objetivos estratégicos da educação à escala concelhia. ! Para a elaboração de instrumentos, coordenação e gestão das políticas, nas sociedades atuais, os governos dependem em grande parte do recurso ao conhecimento especializado (Delvaux, 2009; Pons & Van Zanten, 2007; Fenwick, Mangez & Ozga, 2014). A utilização do conhecimento em política é considerada numa perspetiva de “knowledge-based policy” que permite a racionalização da ação pública, no sentido de fornecer aos políticos evidências (“evidence-based policy”) que possam habilitá-los a ponderar as melhores decisões no desenvolvimento das políticas e na sua implementação. Com este fim, tem-se recorrido, de modo intensivo, à constituição de equipas técnicas com especialistas externos, como é o caso do recurso a investigadores de universidades para a produção de estudos ou elaboração de instrumentos políticos.! Esta comunicação baseia-se no trabalho desenvolvido no âmbito da preparação do PEEM da Amadora que encomendou a um grupo de investigadores sociólogos da educação a sua realização. A metodologia adotada foi a da “sociologia de intervenção” (Perrenoud, 1988) como investigação de terreno, com recurso à técnica da entrevista focus group aplicada a dois grupos distintos de atores (1: Diretor e docentes; 2: Representantes dos não docentes, alunos, encarregados de educação e comunidade local) nos 12 agrupamentos de escolas públicas do concelho. Esta metodologia adequa-se à conceptualização de todo o processo de elaboração do PEEM como uma intervenção educativa com múltiplos atores em interação, sendo esta uma das linhas orientadoras da investigação. ! Foi esta linha orientadora que permitiu, por um lado, compreender o tipo de interações existentes entre as escolas e a comunidade educativa e entre estas e a Câmara e intervir sobre elas, estudando no terreno novas relações. Por outro lado, permitiu ensaiar as linhas estratégicas para a elaboração do PEEM, decorrentes das interações entre atores em presença. Tal foi facilitado por todos os atores serem portadores de uma diversidade de recursos que podem ser produtivamente mobilizáveis no planeamento de estratégias de mudança e cuja mobilização cria um forte estímulo para a implicação reflexiva de cada um. Isto apesar de muitos deles duvidarem do valor do seu contributo no início dos trabalhos.! Palavras chave: Políticas de descentralização; knowledge-based policy; Ofício do sociólogo; Sociologia de intervenção! ! XAPS-65973 -"Investigador de vinculação": Investigação e Avaliação numa ONGD portuguesa! Maria João Oliveira (1)! 1Agência Piaget para o Desenvolvimento (APDES); Research in Education and Community Intervention (RECI)! Comunicação Oral! Esta comunicação pretende apresentar o papel de uma socióloga numa ONGD portuguesa – Agência Piaget para o Desenvolvimento – que implementa projetos de intervenção junto de comunidades e públicos em situação de vulnerabilidade e que integra, simultaneamente, uma Unidade de I&D reconhecida e cofinanciada pela FCT – Research in Education and Community Intervention (RECI) –, que tem como missão garantir o desenvolvimento de projetos de investigação com responsabilidade social, particularmente assentes em metodologias de investigação-ação e que visam dar resposta a problemas identificados, introduzir transformações na realidade e gerar aprendizagem social. ! Enquadrada neste contexto particular, a socióloga exerce funções de “investigador(a) de vinculação”, o que significa que lhe compete aliar: (i) a intervenção à investigação, produzindo conhecimento sobre os fenómenos sociais em organização intervém e com interesse para a comunidade geral e, em particular, para cientistas, profissionais e decisores políticos; (ii) a intervenção à avaliação, recolhendo dados que permitam perceber, internamente e junto dos financiadores, se a intervenção está a contribuir efetivamente para os objetivos e metas a que se propõe.! Apresentar-se-á, de forma ilustrativa, a participação da socióloga nos projetos “Sikola: Participar para uma melhor Educação em Angola ” (EuropeAid 134-649/L/ACT/AO) e “Educação para a Cidadania e para os Direitos Humanos” (Europeaid 134-657/L/ACT/AO), dois projetos de Cooperação para o Desenvolvimento implementados em Angola, um país do Sul onde se colocam particulares desafios ao método científico e técnico. Em especial, pretende-se refletir, por um lado, sobre os constrangimentos que se interpõem ao desenho técnico-metodológico da pesquisa científica, caracterizado por ser rigoroso e sistemático e tão próprio dos países do Norte; e, por outro lado, sobre os desafios aos métodos avaliativos, direcionados para a apresentação de resultados (outputs) e impactos (outcomes) quantificáveis, e tão incitado/exigido pelos financiadores.! Palavras chave: Investigação; Avaliação; Intervenção social; ONGD! ! XAPS-72066 -Perfil profissional emergente de coaching para a empregabilidade! Ana Luisa Martinho (1); Carlota Quintão (2); Mafalda Gomes (2)! 1Associação A3S e CEOS.PP - Centro de Estudos Organizacionais e Sociais do Politécnico do Porto; 2Associação A3S! Comunicação Oral! A economia social tem sido reconhecida politicamente a nível internacional e nacional, enquanto motor de desenvolvimento económico e social. A par do seu peso económico, designadamente enquanto agente empregador, o trabalho das organizações que integram o setor da economia social é essencialmente desenvolvido em áreas que constituem grandes desafios do atual mercado de trabalho, com especial destaque para a inserção sócio-laboral. A atual Estratégia Europeia e nacional 2020 prioriza a área do emprego e da inclusão social, na qual as WISE (work integration social enterprise) - empresas sociais de inserção pelo trabalho - permanecem uma aposta incontornável pelo seu elevado potencial de impacte social. Neste contexto, emergem perfis profissionais de acompanhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade nos seus diferentes percursos de inserção laboral. Como base em 10 estudos de casos recolhidos em cinco países europeus (Áustria, Bélgica, Itália, Portugal e Reino Unido), analisamos as funções de coaching com vista a identificar necessidades formativas e desafios comuns ao nível da qualificação e certificação dos profissionais que operam neste subsector das empresas sociais na UE. A função de coaching constitui o elemento distintivo das WISE, enquanto modelo de intervenção na oferta de itinerário de inclusão social dos serviços prestados. É igualmente um fator crítico à eficácia da inserção de públicos desfavorecidos e às transformações (impactes) sociais mais vastos, designadamente nos mercados de trabalho. O coaching apresenta-se como um conceito polissémico, variando nomeadamente consoante os diferentes contextos nacionais, todavia partilhando elementos como os de acompanhamento na promoção de confiança, autonomia e desenvolvimento pessoal e profissional. Como tal, constitui um instrumento de empowerment de pessoas em situação de vulnerabilidade para os profissionais das WISE. ! A amostra de 10 estudos de caso, variados e complementares, permitiu classificar as práticas de terreno dos profissionais de acordo com diferentes tipos de focos de intervenção nos itinerários de inserção, que podem ser considerados na perspetiva do coaching, a saber: i) life coaching; ii) job coaching; iii) employment coaching; e iv) employer coaching. ! Analisamos ainda a formação dos profissionais de coaching, identificando um conjunto de competências esperadas destes trabalhadores.! Palavras chave: WISE, Coaching, Empregabilidade, Competências! ! XAPS-76606 -Perfis Profissionais Emergentes de Gestão e Desenvolvimento de Recursos Humanos! Viviana Meirinhos (1); Ana Isabel Couto (1); Ana Luisa Martinho (1); Susana Silva (1)! 1CEOS.PP - Centro de Estudos Organizacionais e Sociais do Politécnico do Porto! Comunicação Oral! Sustentada numa conceção ampla do conceito de Recursos Humanos (RH), que perspetiva como RH as pessoas em contexto de trabalho, esta comunicação decorre de um projeto de investigação cujo objetivo principal é identificar novos e potenciais perfis profissionais no campo profissional de RH. O facto da gestão e do desenvolvimento das pessoas como “recurso” de trabalho serem atividades que não se restringem ao contexto organizacional, mas que avocam crescente relevância a nível societal e a nível individual, atribui ao debate das profissionalidades em RH compreensão global da maneira como os indivíduos se relacionam com a política. A análise das trajetórias familiares realizada por nós se insere dentro de uma perspectiva da política sob a ótica da intimidade, por meio da qual procuramos compreender melhor o processo de transmissão no que diz respeito à relação entre política e afetividade no grupo familiar. Desse modo, procuramos apreender, então, como a relação com a política e a maneira de reagir a assuntos dessa ordem se constrói em meio a outras relações no ambiente íntimo e, nesse caso específico, no que tange às relações afetivas entre pais e filhos, pois a família pode ser vista também como “local de persuasão de uma ética incorporada pelos pais” (LECLERCQ, 2016, p. 958), possibilitando que haja aprendizagens políticas em regime de afetividade. Foi possível observar a existência de diferentes tipos de transmissão política entre as famílias analisadas, o que está fortemente ligado ao tipo de relação que os pais mantém com esse universo, bem como, com o espaço que a política ocupa na vida familiar. Tais diferenças redundam em visões, comportamentos e engajamentos diversos. A metodologia mobilizada nesse estudo contou com observações diretas na rotina do bairro e das famílias, bem como, com a realização de entrevistas em profundidade sobre a trajetória de famílias moradoras do bairro em questão.! Palavras chave: Socialização Política; Famílias; Gerações! ! XAPS-39725 -Casamentos entre pessoas do mesmo sexo: um ponto de situação! Madalena Ramos (1); Ana Cristina Ferreira (1)! 1ISCTE-IUL! Comunicação Oral! A 5 de junho de 2010 entrou em vigor em Portugal a lei que aprova o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (Lei n.º 9/2010, publicada em Diário da República, 1.ª série - N.º 105 - 31 de Maio de 2010). ! Pretende-se nesta comunicação apresentar os traços mais relevantes destes casamentos, bem como dos seus intervenientes, desde 2010 até ao presente. Paralelamente, far-se-á uma análise comparativa com os casamentos entre heterossexuais, para o mesmo período. Esta análise terá por base os microdados dos casamentos disponibilizados pelo INE e focar-se-á nas características dos casamentos propriamente ditos – regime de bens, existência ou não de coresidência prévia ao casamento, etc. – bem como nos atributos dos cônjuges – naturalidade, idade, habilitações literárias, profissão, situação na profissão, entre outros. ! Segundo os dados do recenseamento de 2011 (INE, Recenseamento Geral da População, 2011), as uniões de facto representavam 12,9% do total das relações de conjugalidade em Portugal. Destas, algumas corresponderiam a casais compostos por pessoas do mesmo sexo que poderão ou não ter formalizado posteriormente a sua união. Não é, neste momento, possível saber se o peso das uniões de facto diminuiu com a possibilidade de casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, é possível saber que, apesar de ter registado um aumento superior ao dos casamentos entre pessoas de sexo oposto, o peso dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo é bastante pequeno em Portugal, representando apenas 1,0% do total de casamentos realizados entre 2010 e 2016. ! A família assente na união entre pessoas do mesmo sexo será com certeza um dos “novos tipos de família”, mas será um tipo de família que passa pelo casamento? Ou seja, a revindicação para que fosse legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi, em Portugal, acima de tudo uma luta por direitos iguais ou principalmente uma necessidade sentida por estas pessoas para legitimar, através da união formal, o tipo de família a que dão origem? Estas são algumas questões a merecer um debate futuro. ! A caracterização e análise da evolução destes casamentos e dos seus intervenientes, a par da comparação com os casamentos entre pessoas de sexo oposto, procurando perceber se estamos perante tendências semelhantes ou, pelo contrário, distintas, é acima de tudo uma análise exploratória fundamental que faz um ponto de situação do registado até ao momento e que será ponto de partida para desenvolvimentos futuros.! Palavras chave: Casamento homossexual, Casamento heterossexual, Novos tipos de família.! ! XAPS-44117 -Estratégias governamentais na área das Políticas de Apoio à Família: uma análise longitudinal e comparada dos Programas do XI, XII, XII, XVII e XIX Governos Constitucionais! Carlota Margarida Neto Moura Veiga (1); Juan Pedro Mozzicafreddo (2)! 1Observatório da Emigração, CIES-IUL, ISCTE-IUL; 2ISCTE-IUL! Comunicação Oral! O modelo de Estado-providência português pode ser, segundo diversos autores, caracterizado por uma forte ideologia familista (Saraceno, 1994; Esping-Andersen, 2000; Leitner, 2003; Jurado e Naldini, 2003; Portugal, 2008; Alexandre e Martins, 2009) ou familialista (Lenoir, 1985; Wall, 2002), no qual a família assume uma forte responsabilidade na provisão de bem-estar na sociedade, com um fraco apoio estatal na elaboração e implementação de Políticas de Apoio à Família, partindo do princípio que é no interior do seio familiar que devem surgir os apoios, e não através da intervenção estatal (Esping-Andersen, 1990; Mioto e Lima, 2005).! No entanto, em meados da década de 70, verificaram-se diversas transformações no contexto familiar, tanto ao nível da própria estrutura como dos papéis atribuídos aos seus membros -como a entrada das mulheres no mercado de trabalho e o fortalecimento do modelo de dual breadwinnertraduzindo-se numa maior incompatibilidade por parte das famílias na prossecução da carreira profissional e da provisão de bem-estar social. Tais alterações levaram a uma nova caracterização do conceito de “família” e também de um novo paradigma desde a década de 80: crise da natalidade (Wall, 2002), caracterizado por um declínio progressivo do índice sintético de fecundidade, estando atualmente situado abaixo do valor necessário para que exista uma renovação de gerações (Adserà, 2004; Neyer, 2012). ! O presente abstract surge no sentido de analisar o comportamento dos decisores políticos no que respeita à questão das Políticas de Apoio à Família de modo a compreender se o cariz familista que caracteriza o Estado-providência português se transpõe na elaboração de Políticas de Apoio à Família desde a época em que Portugal se deparou com o fenómeno da quebra de renovação de gerações, até ao final do XIX Governo Constitucional. Para tal, realizou-se uma análise comparada aos últimos cinco Governos Constitucionais que cumpriram os seus mandatos na totalidade utilizando como metodologia de análise a pesquisa documental, onde foram analisados por um lado, discursos políticos e jurídicos sobre a matéria das Políticas de Apoio à Família, e por outro, a ação concreta do Estado relativamente à provisão de serviços e infraestruturas de apoio às famílias, às transferências monetárias para os cidadãos e também à elaboração de políticas de conciliação entre a vida profissional e familiar.! Palavras chave: Políticas de Apoio à Família; Familismo; Natalidade! ! XAPS-46624 -Cuidar e ser cuidado: uma análise do cuidado quotidiano, permanente e de longa duração! Joana Pimentel Alves (1)! 1Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra! Comunicação Oral! Nesta comunicação apresento alguns dos resultados da investigação realizado no âmbito do meu doutoramento (SFRH/BD/77839/2011), onde procurei discutir a produção do cuidado da deficiência em Portugal (SFRH/BD/77839/2011) . Em específico, na investigação procurei conhecer os modelos e as relações de cuidado nos casos em que as pessoas com deficiência necessitam de apoio de tipo permanente, quotidiano e de longa duração. Tomei este objeto analítico, com o objetivo de conhecer o papel e o lugar dos diferentes intervenientes no processo – pessoas cuidadas, cuidadores/as formais e familiares. Especificamente, procurei responder às seguintes questões: como é que as pessoas cuidadas e cuidadores/as concebem e lidam com o cuidado nas suas vidas? Que práticas, representações e saberes convocam os/as diferentes intervenientes e como se articulam entre si? Qual o papel de cada um/a na definição dos modelos de cuidado? Qual a influência dos contextos de produção na definição dos modelos de cuidado? Os modelos de cuidado são adequados às necessidades e aos desejos individuais das pessoas com deficiência? ! Para responder a estes questionamentos optei-se por uma metodologia qualitativa. O trabalho etnográfico influenciou decisivamente o perfil do trabalho, sendo as respostas a que cheguei resultado de um longo trabalho de observação direta em dois contextos: a casa e a instituição.! Palavras chave: cuidado; deficiência; autonomia; dependência! ! XAPS-54663 -Desconstruindo o conceito naturalista de família: tensões e/ou apaziguamentos no âmbito da Procriação Medicamente Assistida com doação de gâmetas em França e Portugal! Catarina Delaunay (1)! 1CICS.NOVA – Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa! Comunicação Oral! Nesta comunicação pretende-se problematizar alguns construtos sociais, como a parentalidade e o parentesco, nos casais que recorrem à Procriação Medicamente Assistida (PMA) com dadores terceiros. Essas tensões e/ou tentativas de apaziguamento ocorrem entre dois princípios contraditórios: o direito da criança conhecer as suas origens genéticas e o direito do dador permanecer anónimo. O anonimato do dador é o princípio atualmente em vigor nas legislações francesa e portuguesa.! A partir dos dados empíricos resultantes de um projeto de investigação, é apresentada uma nova abordagem teórica e empírica deste problema, assente na análise de 66 entrevistas em profundidade com diferentes atores ligados à PMA (beneficiários, médicos, biólogos, membros dos comités de ética, deputados) em França e Portugal. É dado especial enfoque a 19 entrevistas com casais heterossexuais e homossexuais femininos que optaram pela inseminação artificial ou fertilização in vitro com gâmetas doados (ovócitos e/ou espermatozóides) na Europa, e com casais do mesmo sexo masculinos que recorreram à gestação de substituição nos EUA.! A PMA corresponde à fabricação simultânea de bebés e pais através de um processo complexo onde a reprodução biológica se entrelaça com os significados pessoais, políticos e tecnológicos da reprodução. Existem todavia tensões entre conceções legais, biológicas e sociais da paternidade.! Procede-se à análise das atitudes dos casais face ao terceiro elemento necessário à conceção, em que uma operação de desapego em termos físicos e morais nos casais heterossexuais e de lésbicas se contrapõe a uma dinâmica familiar, complexa e alargada elaborada pelos casais gay.! Os casais heterossexuais têm que negociar concomitantemente a dificuldade de ser infértil e o ter de recorrer a um dador para a concretização do projeto parental. Tal constitui uma experiência ambígua de encontrar uma solução, ao mesmo tempo que se introduz uma nova forma de disrupção, somado ao diagnóstico de infertilidade. Ocorre uma rutura biográfica devido a uma crise emocional que força as pessoas a reorganizar os seus planos ou expectativas e a dar outro significado às suas vidas.! De acordo com os discursos e práticas, os dadores são encarados como figuras positivas, permitindo a conceção e nascimento de uma criança, ou figuras ameaçadoras porque vistas como concorrentes aos pais sociais. Daí importância de um papel estritamente material do dador, sendo os gâmetas apenas considerados uma substância reprodutiva intercambiável.! Os casais gay constroem a proximidade com a gestante de substituição e por vezes mantêm contacto com a dadora de ovócitos, embora sem conhecer a sua identidade, num quadro legal de semi-anonimato no qual a criança a poderá contactar após atingir a maioridade. Estes casais mobilizam e integram as duas figuras femininas na história familiar dos filhos, uma vez que são consideradas como tendo um papel importante.! Palavras chave: Procriação Medicamente Assistida; Dadores de gâmetas; Parentalidade; Dinâmicas familiares! ! XAPS-56817 -A transição para vida adulta na perspetiva dos jovens: um estudo de caso com estudantes universitários! Sandra Moura Fernandes (1); Nuno Miguel Augusto (2)! 1UBI; 2UBI; CIES-IUL! Comunicação Oral! O processo de transição para a vida adulta tem vindo a sofrer profundas transformações na sociedade do risco. Contrariamente às gerações precedentes, que experimentaram trajetórias de transição relativamente homogéneas e sincrónicas, marcadas pela transposição linear e sequencial de um conjunto de etapas, os percursos das novas gerações têm vindo a tornar-se cada vez mais heterogéneos, precários e distantes dos percursos tradicionais. Esta alteração nas trajetórias juvenis e nos modelos de transição para a vida adulta encontra-se intimamente relacionada com um conjunto de mudanças no contexto económico, político, social e cultural, que contribuíram quer para o prolongamento e complexificação da condição juvenil e das etapas do processo de transição, quer para o surgimento de novos sentidos e significados atribuídos à condição de adulto. O crescente prolongamento dos percursos escolares e as dificuldades de entrada e permanência no mercado de trabalho, fruto do aumento do desemprego juvenil e da precariedade laboral, têm vindo a condicionar a emancipação económica dos jovens face à família de origem, com reflexos ao nível da emancipação familiar, do casamento/conjugalidade e da parentalidade. O modo como se concebem e se circunscrevem os cursos de vida alterou-se profundamente, assim como o modo como os jovens perspetivam a sua transição para a idade adulta. São exatamente estes novos significados e perceções socialmente construídos pelos jovens que norteiam esta comunicação. Partindo deste conjunto de mudanças, procurámos verificar de que modo os jovens as percecionam e as representam socialmente no desenho das suas trajetórias de vida, através de um estudo mais alargado realizado junto de estudantes universitários, finalistas de diferentes áreas de estudos na Universidade da Beira Interior (Ciências Sociais e Humanas, Artes e Letras, Ciências, Ciências da Saúde e Engenharias) concluído em 2017. A intenção foi perceber de que modo os jovens perspetivam a sua transição pública (passagem do ensino para o mercado de trabalho) e a sua transição privada (saída de casa dos pais, casamento e parentalidade) à luz de um conjunto de variáveis, em particular o género, a origem social de classe e a área de estudos. A metodologia utilizada no estudo é eminentemente quantitativa, tendo por base um inquérito por questionário aplicado a 270 estudantes finalistas, distribuídos por diferentes áreas de estudos. As conclusões revelam não só uma internalização do risco e da incerteza no desenho destas trajetórias, mas também uma significativa influência de fatores estruturais, que conferem heterogeneidade a este processo de transição e à própria condição juvenil.! Palavras chave: juventude; transição para a vida adulta; emprego; família! ! XAPS-63777 -Os modos de ser irmã/o: o contributo da performatividade para a compreensão das relações entre irmãs/os! Andreia Barbas (1); Sílvia Portugal (1)! 1Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra! Comunicação Oral! As fratrias têm sido desconsideradas face a outros fenómenos familiares, como a conjugalidade ou parentalidade. Embora as/os irmãs/os não estejam presentes enquanto tema central nos trabalhos que se têm desenvolvido no âmbito da Sociologia da Família, surgem frequentemente nos discursos de «outros» sujeitos, e também no âmbito de outras investigações, revelando a sua transversalidade. Urge apresentar este objeto como sujeito principal, considerando a importância das suas próprias narrativas. ! Trabalho anterior revela que as relações entre as/os irmãs/os não são estanques ao longo da sua vida, rejeitando uma dimensão estática destas configurações familiares. Assim, a partir dos discursos dos sujeitos, é importante compreender as suas relações numa perspetiva longitudinal, que dê conta da(s) suas(s) trajetória(s). ! A presente comunicação pretende realçar o contributo que abordagens performativas podem ter na compreensão das relações fraternais. Tal como nas questões de género, as relações entre irmãs/ os estão expostas a conceções e representações (pre)definidas e articuladas ao sujeito, na definição do que é ser irmã/o. O que não implica, que estas interações decorram exclusivamente nas formas que lhes estão atribuídas. Olhar para as/os irmã/os segundo as teorias performativas implica reconhecer que as suas relações não são estáveis, autónomas e singulares, mas que resultam de comportamentos quotidianos e situacionais, que se vão (re)construindo ao longo do tempo. Legitima a autonomia dos sujeitos, na definição do que é ser irmã/o e abrange várias interpretações e (re)definições do conceito, anulando uma conceção mais rígida. Esta forma de interpretação aponta para uma pluralidade de relações e de modos de «ser irmã/o», ao mesmo que as situa em temporalidades múltiplas. ! Para dar resposta ao objetivo enunciado pretende-se recorrer a uma abordagem metodológica qualitativa. Serão realizadas entrevistas em profundidade, que assumam um carácter de história de vida, com recurso à foto-elicitação, de modo a estimular a memória e a reconstituir trajetórias e temporalidades.! Palavras chave: relações entre irmãs/os; trajetórias de vida; performatividade! ! XAPS-68954 -A Viuvez Feminina na Terceira Idade! Brás, Ana (1)! 1Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra! Poster! O aumento genérico da esperança média de vida fez com que a viuvez incida de forma mais significativa nas pessoas idosas. Em Portugal, quase 60% da população com 65 ou mais anos é constituída por mulheres, o que se explica pela elevada esperança média de vida à nascença expectada para as mulheres e pelo predomínio da mortalidade masculina. Há, por isso, uma preponderância da mulher na população idosa, fazendo, também, da viuvez um fenómeno feminizado. Há, ainda, outras discrepâncias entre géneros, como por exemplo a que a há entre as idades dos cônjuges no casamento, que fazem com que os homens estejam menos expostos às consequências da viuvez, ou pelo menos, durante menos tempo. ! Apesar da pertinência do tema e do peso da população idosa cada mais significativo na estrutura demográfica (nacional e global), o estudo da viuvez feminina continua a ser uma deficiência na produção científica. A lacuna que é o estudo desta condição perpetua e compactua com a imagem estereotipada das viúvas, construída tendo por base normas sociais enquadradas na ideologia política do Estado Novo. Resquícios de uma moral social conservadora do regime fascista vigente em Portugal durante 40 anos, tempo em que muitas delas cresceram, estas normas ainda condicionam e reprimem a vivência das viúvas.! A viuvez feminina, principalmente nas camadas mais idosas, é culturalmente vista, de forma redutora como um período de fragilidade e privação. No entanto, há outras alterações significativas desencadeadas pela perda do cônjuge - em termos de estilos de vida, de práticas quotidianas – que merecem ser objecto de estudo.! Assim, a proposta é estudar a viuvez feminina, com o objectivo principal de perceber que mudanças reais são desencadeadas nos estilos de vida das viúvas durante o período de viuvez, apoiando a compreensão dessas mudanças em contextos históricos e sociais que determinam os papeis de homens e mulheres, lendo-as, também, à luz de algumas particularidades da literatura popular – que, aqui, assumimos! como uma representação “espelho” e, ao mesmo tempo, idealizada da realidade social. Tentar-seá perceber como é que esses aspectos sociais e culturais operam em concreto na vida das viúvas, no contexto das suas perspectivas quanto a relações amorosas ou aos seus afectos. Para isso, apoiar-nos-emos nos conceitos de Reflexividade e Relação Pura apresentados por Ulrich Beck e Anthony Giddens, respectivamente.! Palavras chave: Viuvez; Mulheres; Relacionamentos Amorosos; Reflexividade.! ! XAPS-70699 -Family life and information and communication technologies: what have sociologists been studying?! Cláudia Casimiro (1)! 1CIEG/ISCSP-ULisboa! Comunicação Oral! The usage of ICTs such as the Internet, mobile phones, tablets, and computers, constitutes a reality for millions of individuals and families, particularly in western societies, and their usage continues to grow (EUROSTAT, 2017). With this increasing usage of electronic technologies, today seems to be the era of e-society, e-government, e-democracy, e-commerce, e-learning, ehealth, e-participation, and of course also e-romance and e-dating. ICTs (gradually more accessible, affordable, and portable) and the lives of children, young people, and adults, have become inextricably intertwined (Carvalho et al., 2015; Carvalho et al., 2016). This ubiquitous penetration of communication technologies in households and the daily lives of families generates major impacts on the wired family (Meszaros, 2004) that may be difficult to measure as they seem to bring both opportunities and challenges. As the development of technologies and digital devices advances, and their penetration in the present-day activities of individuals and families becomes more intense, so do studies proliferate and diversify. Thus, this presentation aims to (1) provide an overview of the literature on the interplay between family life and information and communication technologies (ICTs), (2) focusing on the main sociological objects that have been studied - intimate couple life (the making and breaking of relationships), intergenerational relationships (parent/child relationships, and multigenerational ties), and transnational families -, (3) stressing the virtues and/or risks of ICTs usage in family formation and dynamics, and, finally, (4) pointing out clues for the most promising research directions and under-explored areas.! ! References:! Carvalho, J., Francisco, R., & Relvas, A. (2015). Family functioning and information and communication technologies: How do they relate? A literature review. Computers in Human Behavior, 45, 99–108. ! Carvalho, J., Fonseca G., Francisco R., Bacigalupe, G., & Relvas, A. P. (2016). Information and Communication Technologies and Family: Patterns of Use, Life Cycle and Family Dynamics. J Psychol Psychother 6(240), 1-3.! EUROSTAT (2017). Digital economy and society statistics - households and individuals. Retrieved from: http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/ Digital_economy_and_society_statistics_-_households_and_individuals#Internet_usage! Meszaros, P. S. (2004). The wired family. Living digitally in the postinformation age. American Behavioral Scientist, 48(3), 377–390.! Palavras chave: ICTs, family life, literature review! ! XAPS-72151 -Processo de constituição da violência social em Portugal: Estudo comparativo de dois jornais diários-“Elas em evidência”! Jaciara Pereira de Oliveira (1)! 1DSOC, ECS | UÉvora! Comunicação Oral! Em Portugal só a partir dos anos 80 do séc. XX, é que se começaram a realizar estudos relativos à violência doméstica. A invisibilidade do problema, não apenas enquanto objeto de conhecimento e estudo sociológico, mas enquanto experiência social percecionada como insatisfatória que suscita a necessidade de intervenção, atrasou o processo de criminalização, contribuindo fortemente para que a violência doméstica fosse considerada até anos recentes como um problema privado, da família, e não da sociedade (Duarte, 2011:62). A violência contra a mulher em contexto familiar é hoje, em Portugal, um domínio de interação social que foi publicamente designado e identificado como questão de interesse público, quer no plano jurídico-normativo através da Lei n.º 7/2000 de 27 de maio, como também enquanto notícia com lugar de destaque na ação dos meios de comunicação. Particularmente, na imprensa que chamamos popular, a abordagem do tema insere-se no âmbito das modalidades mais vastas que vêm pautando as modificações no jornalismo impresso. Dando enfase ao entretenimento, prestação de serviços e principalmente, ao tema de notícia que aguça de forma rápida o dia-a-dia dos leitores, entre eles a violência, assunto abordado de forma dramática e com descrição dos detalhes, mais chocante do crime.Nesta conformidade, o presente estudo propõe-se analisar a forma como a violência contra a mulher em contexto familiar tem vindo a ser abordada nas notícias. Pretende-se analisar a produção de artigos de dois jornais diários de cariz, entre si, relativamente distintos: o Jornal Correio da Manhã (de pendor mais populista ou sensacionalista) e o Jornal de Notícias, na nossa hipótese com uma abordagem do tema de cariz mais informativo. O corpus empírico constituído para esta análise está balizado no período entre 2015 a 2016. A localização das peças de notícia que suportam a análise teve como descritores, “violência doméstica sobre as mulheres” e cingiuse apenas a artigos disponíveis gratuitamente em acesso aberto on-line. Os resultados do estudo permitiram identificar configurações de relações sociais subjacentes nomeadamente em algumas características sociodemográficas tanto das vítimas como dos seus agressores; nos laços existentes entre ambos, na incidência regional da violência, no tipo de violência e no enquadramento legal em que a mesma é tipificada. A partir desta análise procura-se um entendimento relativamente ao debate público e às representações sociais que relevam da discrepância entre valores coletivos – de resto, formalizados nos “direitos fundamentais” consagrados na Constituição da República – que reivindicam a equidade, a proteção da dignidade e integridade, o direito à autodeterminação, o acesso à justiça versus experiências sociais que parecem perpetuar a condição de minoria desprotegida e silenciosa de um número significativo de mulheres na sociedade portuguesa atual.! Palavras chave: Problema social; violência doméstica; género; comunicação social; sociologia.! ! XAPS-73460 -Famílias recompostas em Portugal: da invisibilidade ao reconhecimento! Susana Atalaia (1)! 1ICS - ULisboa! Comunicação Oral! No actual contexto de diversificação das formas de vida familiar (famílias monoparentais; recompostas; de casais do mesmo sexo; etc.), o padrasto emerge como uma figura parental significativa que partilha com a mãe as responsabilidades associadas ao quotidiano do/a enteado/ a, providenciando em termos de orientação, cuidados, dinheiro e amor. No entanto, persiste um vazio em relação ao estatuto do padrasto no ordenamento jurídico nacional. Embora a lei preveja que tanto a mãe como o pai possam delegar numa terceira pessoa o exercício de tarefas parentais específicas relativas aos actos de vida corrente da criança [nº4 do artigo 1906.º do Código Civil Português (alterado pela lei nº61/2008)], na realidade não existe um reconhecimento legal explícito dos direitos e das obrigações associados ao padrasto. Pelo contrário, o reconhecimento da paternidade biológica como a “verdadeira” forma de paternidade a par do estabelecimento das responsabilidades parentais como um direito e uma obrigação dos progenitores (pai e mãe biológicos), independentemente do estatuto da relação conjugal, vieram criar dificuldades acrescidas ao reconhecimento do padrasto enquanto figura parental. Esta ausência de reconhecimento legal parece surgir em contraciclo face à crescente relevância estatística do fenómeno da recomposição familiar em Portugal. Em 2011, as famílias recompostas constituíam 7% do total de casais com filhos em Portugal, chegando aos 10% na região de Lisboa e no Algarve.! ! Com base nos resultados definitivos dos Censos (2001 e 2011) e na literatura legal sobre responsabilidades parentais, direitos de guarda e de visita, pensão de alimentos, adopção e herança, a presente comunicação apresenta um duplo objectivo. Procura-se, por um lado, caracterizar em termos sociodemográficos (idade, sexo e local de residência) as crianças e os jovens (menores de 18 anos) a viver em contexto de recomposição familiar, dando a conhecer a sua posição na família [filho/a comum casal; filho/a não comum casal (do homem ou da mulher)], e, por outro, compreender como é que o ordenamento jurídico nacional regula e protege os laços estabelecidos entre os membros das famílias recompostas, em particular, entre padrasto e enteado.! Palavras chave: famílias recompostas; direito da família; estatuto jurídico do padrasto; paternidade; crianças; divórcio! ! XAPS-73639 -Os obstáculos à consolidação das masculinidades cuidadoras na sociedade portuguesa: reflexões em torno do LIVRO BRANCO Homens e Igualdade de Género em Portugal! Vanessa Cunha (1); Leonor Rodrigues (1); Rita Correia (1); Susana Atalaia (1); Karin Wall (1)! 1ICS-ULisboa! Comunicação Oral! A emergência de masculinidades cuidadoras em muitas partes do mundo tem sido analisada em diversos relatórios desde o início dos anos dois mil, todos eles destacando o impacto virtuoso da reconfiguração das identidades e das práticas masculinas na mitigação das desigualdades de género (e.g. Connell 2003, Norwegian Ministry for Children and Equality 2009, Scambor et al. 2013, Levtov et al. 2015, Heilman et al. 2017, Santos et al. 2016). De acordo com Elliot, "as masculinidades cuidadoras podem ser vistas como identidades masculinas que excluem a dominação e abraçam as qualidades afetivas, relacionais, emocionais e interdependentes dos cuidados” (2016: 252). Esta abordagem procura apreender a complexidade do processo de transformação das identidades e das práticas masculinas, observável quando os homens desempenham funções cuidadoras na vida familiar e na vida profissional, mas também quando cuidam de si e rejeitam os comportamentos nocivos ou de risco típicos das masculinidades hegemónicas (Scambor et al. 2013, Connell 1995). ! Partindo deste quadro concetual, pretende-se identificar os obstáculos às masculinidades cuidadoras presentes na sociedade portuguesa, a partir de uma reflexão em torno dos resultados do LIVRO BRANCO Homens e Igualdade de Género em Portugal (Wall et al. 2016), que mapeou a situação dos homens e o estado da igualdade de género em diversas áreas críticas – família e conciliação, mercado de trabalho, educação, saúde e violência – dando visibilidade à emergência de identidades e práticas mais cuidadoras e igualitárias na vida familiar, em grande medida impulsionadas pelas políticas de conciliação. Contudo, as masculinidades cuidadoras não se Mummies” and Their Readers, Social Media + Society, 3(2), 1-10.! Os 7 melhores blogs de maternidade, K_Economista! Powell, R. (2010), Good Mothers, Bad Mothers and Mommy Bloggers: Rhetorical Resistance and Fluid! Palavras chave: Bloggs, maternidade, autobiografias, análise de conteúdo! ! Globalização, Política e Cidadania XAPS-16858 -DECRESCIMENTO: a palavra míssil que cria imaginários! André Barata (1); Graça Rojão (2)! 1Universidade da Beira Interior, LabCom.IFP; 2Universidade da Beira Interior (doutoranda) e CooLabora! Comunicação Oral! DECRESCIMENTO: a palavra míssil que cria imaginários! ! O conceito de decrescimento tem algumas das suas raízes mais profundas nos anos 70 do século passado, quando o Clube de Roma deu início a um amplo debate em torno dos limites ecológicos que uma perspetiva económica baseada na bondade do crescimento tinha de enfrentar. O termo foi cunhado por André Gorz, na mesma década, quando o debate via aprofundamentos indiscutíveis. Não obstante, nas décadas seguintes, o crescimento e a sua apologia intensificaram o seu trajecto, ainda que assumindo outras roupagens: economia verde, economia circular, desenvolvimento sustentável, etc. O seu impacto sobre o planeta assumiu tais proporções destruidoras que hoje coloca em causa os limites ecológicos e a diversidade da vida na Terra. ! O modelo capitalista encara o mundo como um recurso: sejam as pessoas, as montanhas ou o ar, tudo é passível de mercadorização, tudo adquire um valor de troca. Esta possibilidade torna-se imperativa para a lógica de funcionamento do capitalismo, que requer um crescimento contínuo, ainda que compatível com curtos períodos de estagnação ou de crescimento negativo.! Crescer passa a ser um fim em si mesmo, assinala Serge Latouche (Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno, 2007). Como poderá o sistema económico basear-se num crescimento infinito num planeta finito? Para Latouche o crescimento baseia-se em três grandes ilimitações paradoxais: 1) produção e a concomitante extração de recursos; 2) a criação de necessidades de bens de consumo; e 3) a capacidade do planeta comportar os resíduos da escalada produtivistaconsumista. Por outro lado, Tim Jackson (Prosperidade sem Crescimento, 2009) demonstrou bem como a partir de um determinado nível de satisfação de necessidades, o aumento do consumo de bens não tem qualquer impacto no bem-estar. ! Para a agenda decrescentista, não se trata de propor outro desenvolvimento nem outro crescimento, mas de uma saída destes conceitos, já de si tóxicos. Sair dos conceitos de um paradigma de crescimento implica, porém, que dentro de um novo paradigma novos conceitos surjam.! Giorgos Kallis assinala que o decrescimento é um conceito e também como uma “palavra míssil”, um slogan, capaz de acender o debate público em torno do crescimento, de uma alternativa, e de o repolitizar.! Para Latouche, em bom rigor, o decrescimento poderia representar-se com mais propriedade pela ideia de a-crescimento, pois o decrescimento não respeita a crescimento zero, crescimento negativo ou desenvolvimento sustentável. Não se trata, ainda que tal seja relevante, de reduzir a produção e o consumo em intensidade. O decrescimento é na acepção de Carlos Taibo anticapitalista e antipatriarcal.! Nesta comunicação pretendemos cruzar os contributos de Carlos Taibo e de Serge Latouche no debate em torno do conceito de decrescimento, suas variantes semânticas e seu valor pragmático na condução de iniciativas cívicas transformadoras.! Palavras chave: decrescimento, sustentabilidade! ! XAPS-18466 -Articulações locais do regime anti-tráfico e da indústria de resgate: o caso português! Mara Clemente (1)! 1Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (CIES/ISCTE-IUL)! Comunicação Oral! A partir da segunda metade dos anos noventa do século passado o tráfico de seres humanos (TSH), em particular o relacionado com o das mulheres para fins de exploração sexual, tornou-se uma significativa preocupação internacional. Colocado no quadro da globalização do crime organizado, o problema tem captado a atenção dos estados e das organizações nãogovernamentais, além de ter sido considerado como uma das prioridades na agenda de várias agências internacionais. Após a ratificação do Protocolo de Palermo, mesmo em Portugal, o tráfico impôs-se na agenda institucional em primeiro lugar como uma atividade criminosa. Ao longo dos últimos dez anos tem sido feito um esforço progressivo de adaptação às políticas internacionais e europeias com a construção de um sistema de prevenção e combate ao TSH e de assistência às pessoas traficadas. ! A comunicação propõe uma reflexão sobre a atual articulação local do “regime antitráfico” (Piscitelli, 2013) e da “indústria de resgate” (Agustín, 2007) dos migrantes traficados, especialmente mulheres no mercado do sexo. Ela parte de uma investigação empírica prolongada, com um forte componente etnográfica que permitiu, entre as outras coisas, a recolha de entrevistas aprofundadas com pessoas traficados e atores envolvidos no sistema de combate ao tráfico, bem como a primeira experiência de observação científica numa casa de abrigo portuguesa para mulheres traficadas. ! São destacados os desafios colocados por leituras opostas sobre a venda de sexo, nomeadamente as vinculadas a um paradigma securitário na gestão da mobilidade humana, centrado na segurança do Estado e na repressão dos traficantes. A estes desafios sobrepõem-se os limites que decorrem de conceções simplistas, estereotipadas e vitimizantes acerca das mulheres traficadas, das suas experiências e das suas necessidades. A reflexão alerta até políticas e práticas de intervenção que correm o risco de não ter em conta as causas estruturais do abuso e da exploração sistémica dos trabalhadores migrantes e dos próprios profissionais do sexo, com o resultado de serem mais processuais mais do que substanciais, além de expressarem fantasias de resgate marcadamente eurocêntricas e crescentemente hegemónicas. Atualmente a questão sugere a oportunidade do envolvimento substancial de atores da sociedade civil com experiência de intervenção no terreno com trabalhadores/as do sexo, nomeadamente imigrantes, e comprometidos com uma reflexão critica participada.! Palavras chave: Trafico sexual, Mulheres migrantes, Venda de sexo, Portugal.! ! XAPS-19891 -Explaining political culture across different socioeconomic and institutional settings using evidence from Latin America and Europe! Viriato Queiroga (1); Ana Maria Belchior (2); Ednaldo Ribeiro (3); Julian Borba (4); José Manuel Leite Viegas (2)! 1ISCTE-IUL/CIES-IUL; 2ISCTE-IUL; 3State University of Maringá and Federal University of Paraná, Brasil; 4Federal University of Santa Catarina! Comunicação Oral! Most studies on political culture have been descriptive or explored political culture as an! independent variable to explain a country's socioeconomic characteristics and/or its political! institutions' performance. Much less research focused on what explains a country's political! culture. Furthermore, education has been acknowledged as a core variable in explaining! individuals' political attitudes and values, but has seldom been used to explain national! political culture. Our research focuses on these less explored perspectives, using national! political culture as a dependent variable. To what extent different socioeconomic and! institutional settings influence a country's political culture? And what is the importance of! individuals' level of education in such relationships? To answer these questions we rely on a! broad range of political systems in Europe and Latin America (54), between 2002 and 2014,! using data of the European Social Survey and LatinoBarómetro. Findings significantly support! our claim that socioeconomic contexts and institutional settings matter in explaining a! country’s political culture, and that these contextual differences modulate the effect of! education.! Palavras chave: Political culture, democratic institutions, context factors, Europe, Latin America! ! XAPS-27897 -A intervenção da esfera civil na reforma do sistema eleitoral português: notas de uma investigação em curso! Ricardo Carvalho (1)! 1Universidade Europeia! Comunicação Oral! A reforma do sistema eleitoral (SE) português tem recebido alguma atenção por parte de políticos, media e académicos. Vista, inicialmente, como a solução para os problemas de governabilidade que o país enfrentava e, posteriormente, como uma oportunidade de introduzir maior proximidade entre eleitos e eleitores, esta reforma tem vindo a ser discutida desde a fundação do sistema democrático português. Não obstante as inúmeras tentativas realizadas, a reforma do SE não foi ainda concretizada.! Esta ineficiência não é, contudo, uma originalidade portuguesa. A literatura tem demonstrado que – apesar dos estudos, pareceres, comissões e propostas que têm sido feitos – a efetivação de mudanças nos SE é muito rara. Das causas apontadas, duas parecem tomar destaque: os agentes políticos têm dificuldade em mudar as regras que os colocaram no poder e os entraves legais e institucionais que os agentes criam à mudança.! Há, no entanto, alguns trabalhos recentes têm apontado novas hipóteses de trabalho. Destas, destaca-se o papel crescente da esfera civil (EC) nos processos de reforma do SE e na sua efetivação. Não tendo a iniciativa de desencadear estes processos, a EC tem dado três tipos de contributos: tomar a decisão sobre a implementação de propostas (como no caso dos referendos), pronunciar-se sobre as propostas dos agentes políticos, legitimando algumas propostas e inviabilizando outras, e realizar propostas de alteração, que possam ser analisadas e utilizadas pelos agentes políticos.! A este respeito, tem sido argumentado que algumas reformas do SE que se concretizaram de 1990 em diante contaram com a participação da EC, o que nos remete para as teses sobre o contributo crescente desta esfera nos contextos institucionais e políticos, suportado pelo surgimento de novos atores que se posicionam em planos transnacionais, extraterritoriais ou nãoterritoriais e pela configuração de novas formas de pressão e controlo sobre o Estado.! Tendo o caso português como referência, este estudo exploratório pretende identificar os atores civis envolvidos, analisar os seus objetivos e as estratégias performativas utilizadas e estudar o seu impacto nos processos de reforma do sistema eleitoral. Utilizando uma estratégia teóricometodológica de cariz processual e apoiando-se na análise documental de fontes oficiais e mediáticas, este estudo exploratório pretende contribuir para a compreensão do papel da EC nos processos de mudança e continuidade do sistema político.! Palavras chave: reforma eleitoral; esfera civil; performance; processo político! ! XAPS-28368 -Da promessa de participação cidadã à (des)mobilização popular! Jorge Miguel da Silva Farinha (1); Antônio Dimas Cardoso (1)! 1Universidade Estadual de Montes Claros! Comunicação Oral! A participação ativa do cidadão comum nas mobilizações políticas e nas consequentes tomadas de decisões que afetam a vida de toda uma sociedade sempre foi uma das principais premissas para o desenvolvimento e avanço das democracias modernas. Porém, como a sociologia e a ciência política demonstram, o ativismo político, em escala global, está a adquirir novas configurações nas formas de engajamento em ações públicas, colocando em xeque bases tradicionais de participação política, abrindo novos espaços de resistência e controle. Este trabalho pretende discutir como o aparato burocrático estatal, apoiado pelas novas tecnologias de comunicação, tem sido utilizado para pautar os cidadãos no que concerne ao exercício pleno da cidadania e da reivindicação dos direitos civis e sociais. Nessa perspectiva, tomamos como exemplo o Brasil, que, em função de suas recentes crises políticas, nos permite obter uma visão abrangente sobre o incremento de mecanismos de controle social sobre os cidadãos, principalmente de estratos sociais urbanos. O sociólogo Lúcio Kowarick, ao estabelecer essa relação entre política e espaço, afirma que “a desconfiança e o medo têm sido elementos estruturantes dos modos de vida, fazendo com que as pessoas organizem seu cotidiano tendo em conta a vulnerabilidade diante da violência, insegurança, cautela e prevenção, que se traduzem no retraimento ou reclusão em ambientes protegidos” (KOWARICK, 2009, p. 94). Já o cientista político Leonardo Avritzer falanos, dentro da ótica habermasiana, de como em sociedades de democratização tardia, ou ainda em processo de democratização, como é o caso do Brasil, “os direitos civis são introduzidos para facilitar a institucionalização de uma economia de mercado; os direitos políticos para facilitar a legitimação do uso da força pelo sistema político e os direitos sociais para facilitar a instauração de uma burocracia que estabeleça uma relação de controle e de concessão com os movimentos sociais (AVRITZER, 1996, p. 147). A pesquisa busca identificar, através das mídias, como o aparato burocrático estatal, ao exercer o “monopólio da violência” (WEBER, 1994), em nome do controle social, acaba por inibir e cercear a participação ativa dos cidadãos no contexto contemporâneo do Estado de Direito Democrático.! Palavras chave: Estado, cidadania, participação, democracia! ! XAPS-29318 -“As pessoas estão cansadas dos meios formais de participação”: Reforma Administrativa e novas configurações da mobilização cívica e política em Lisboa! João Fernandes (1); Patrícia Pereira (1); Maria do Rosário Jorge (1); João Seixas (1)! 1CICS.NOVA / NOVA FCSH! Comunicação Oral! Numa recente entrevista ao Jornal Público, um Presidente de Junta de Lisboa afirmou que “As pessoas estão cansadas dos meios formais de participação”. Este Presidente convida periódica e sistematicamente os seus fregueses a tomar café num estabelecimento local com o intuito de conhecer os seus pontos de vista sobre a vida na freguesia. Muitos aceitam o convite. Este dispositivo criativo leva-nos a questionar onde nos situamos relativamente à mobilização cívica e política, para além do voto e dos orçamentos participativos. Que uso fazemos - autarcas, associações, cidadãos - dos instrumentos ao nosso dispor, nomeadamente digitais? Como forjamos novos instrumentos? ! ! Os resultados do estudo “Inquirição aos Munícipes e Principais Agentes da Cidade de Lisboa: Qualidade de Vida e Governação Urbana”, que aqui apresentamos, permitem destacar questões relevantes sobre o panorama da participação cívica, da mobilização política e das perceções da Reforma Administrativa de Lisboa (2013), que veio conferir mais competências às autarquias mais próximas dos cidadãos: as Juntas de Freguesia. ! ! O estudo, na sua vertente quantitativa que se consubstanciou num inquérito aos residentes na cidade de Lisboa, dá conta de reduzidos níveis de participação cidadã e de mobilização política dos residentes da cidade: cerca de 46% dos inquiridos assumem não ter nenhum interesse em assuntos políticos e mais de 90% dizem nunca participar em reuniões ou assembleias da sua freguesia ou do seu município. Da mesma forma, a percentagem de inquiridos que diz nunca participar cívica ou politicamente ou nunca ter feito parte de associações ou organizações é quase sempre superior a 80%. Na vertente qualitativa, um conjunto de entrevistas coletivas com associações e outros stakeholders, emergem reivindicações de uma gestão urbana mais participada, inclusiva e com maior colaboração dos agentes locais.! ! Ao nível da perceção sobre a Reforma Administrativa, 57% dos inquiridos afirmam ter tido conhecimento desta. Embora a maioria não tenha sentido uma alteração significativa nos serviços prestados pelas novas Juntas de Freguesia, a percentagem dos que notaram uma mudança positiva é superior à dos que sentiram uma degradação do serviço. Apesar da baixa mobilização política (ou devido a ela), mais de 65% dos inquiridos dizem-se satisfeitos com a atuação das suas autarquias. A análise às perceções dos agentes da cidade, patentes nas entrevistas coletivas, permite concluir que a sua atitude é mais crítica quanto à atuação destes órgãos. ! ! Considerando a mobilização cívica e política como um importante desafio contemporâneo, e dada a vocação de proximidade das Juntas de Freguesia e os seus meios entretanto reforçados pela Reforma Administrativa, estas poderão, caso respondam ao desafio, vir a afirmar-se como promotoras de um maior envolvimento dos cidadãos na política urbana.! Palavras chave: cidadania, mobilização política, reforma administrativa, Lisboa! ! XAPS-32018 -Esfera Pública, Cidadania e a Democracia Aprisionada. A propósito da actualidade do pensamento ético-político e educativo de John Dewey.! Silvério da Rocha-Cunha (1); Ana Paula Canavarro (1)! 1Universidade de Évora.! Comunicação Oral! A Modernidade ocidental desenvolveu-se, sobretudo na sua maturidade iluminista, como um projeto emancipador do homem, pressupondo neste uma capacidade de compreensão infinita, progressiva, sob a égide de uma racionalidade politicamente empenhada no desenvolvimento de uma esfera pública forte, capaz de desenvolver uma cultura política crítica e apostada num contínuo processo de educação e revalorização democráticas do humano. Todavia, o facto é que a civilização moderna acabou por se tornar palco de derivas contraditórias, divergindo homem e natureza, teoria e prática, fins e meios. O processo de globalização, criando uma aparente “Globalidade” que transcende os interesses humanos e surge como imperativo independente sem horizonte racional, veio acentuar as dificuldades do projeto moderno num mundo que usa uma tecnologia “incolor” e perspetiva o ser humano na sua qualidade de “homo laborans”. Importa, para um inventário crítico dos dilemas e das possibilidades do momento presente, relembrar em termos retroprogressivos o pensamento ético-político e político-educativo de John Dewey (1859-1952) e suas propostas para um mundo mais evoluído, porquanto nele encontramos as primeiras análises da fratura que se estabeleceu, no Ocidente, entre o axiológico e o procedimental, a começar pela perversão da esfera pública e do projeto educativo democrático. Poderemos, assim, considerar o seu pensamento como seminal para o reerguer de uma democracia viva e de uma cidadania autêntica.! Palavras chave: Democracia, Cidadania, Dewey! ! XAPS-32785 -Ciudadanía y trabajo social: propuestas ante la globalización neoliberal.! Francisco-Xabier Aguiar Fernández (1); Fernando Bessa Ribeiro (2); Xoán Lombardero Posada (3)! 1Universidade de Vigo - Universidade do Minho; 2Universidade do Minho; 3Universidade de Vigo! Comunicação Oral! El actual modelo de globalización neoliberal que se presenta como la única de las alternativas posibles genera un mundo economizado, mercantilizado, individualista, polarizado, ecológica y socialmente insostenible, donde la desigualdad social y la pobreza se refuerzan mediante procesos de reorganización de la economía, la sociedad, la cultura y la educación, y donde los Estados nación, plegados a los intereses y exigencias de poderes económicos supranacionales no democráticos, han perdido su función de garante de derechos sociales a la ciudadanía.! Dado que el trabajo social no puede obviar el contexto ni el momento histórico en el que opera, en esta comunicación presentamos un análisis y profundización en el proceso de globalización neoliberal en el que estamos inmersos, proponiendo algunos de los escenarios y retos que a nuestro juicio se le plantean a la profesión. La intervención profesional exige creatividad, análisis crítico y construcción teórica para que sea eficiente y reafirme su compromiso social, teniendo siempre en cuenta que resulta imprescindible ir hacia modos de intervención profesional que articulen lo individual con lo colectivo.! Nos encuadramos en una globalización con perspectiva de derechos universal y rostro humano, como única realmente global y globalizadora ante las limitaciones del concepto de ciudadanía que deja en el margen a cada vez más grupos humanos. Así mismo, proponemos un trabajo social activista y políticamente activo que incorpore la cuestión de la ciudadanía en la intervención profesional, que priorice los espacios relacionales y generadores de comunidad, y que abogue por el diseño y la implementación de políticas coherentes con los principios éticos de la profesión y por la transformación de los condicionantes estructurales que perpetúan la desigualdad.! Palavras chave: trabajo social, ciudadanía, globalización, neoliberalismo! ! XAPS-35367 -Confiança, democracia, atitudes políticas e agentes: Análise dum estudo na Grande Lisboa! Rita Gomes Correia (1); João Carlos Graça (2)! 1SOCIUS/CSG, UL; 2SOCIUS/CSG, ISEG, UL! Comunicação Oral! Esta apresentação visa identificar valores, atitudes e comportamentos políticos de diversos grupos, baseando-se primordialmente num estudo efetuado com base numa amostra de 600 indivíduos, adultos e habitando na Grande Lisboa, estratificados por sexo, idade e habilitações literárias.! As perguntas referem-se nomeadamente a: identificação com partidos políticos; voto nas últimas eleições; razões para o voto e/ou a abstenção; grau de interesse pela política; características percebidas nos agentes políticos portugueses; aspetos relevantes para as escolhas partidárias; grau de confiança relativamente a partidos políticos, Parlamento, Presidente da República e governo; grau de corrupção percebida dos políticos em Portugal; satisfação com o funcionamento da democracia em Portugal; influência dos cidadãos no decurso dos acontecimentos políticos; autoperceção em termos da dimensão esquerda-direita.! Vários aspetos são suscetíveis de ser considerados expressão da presente crise económica, mas diversos outros indicam permanências, nomeadamente os que resultam de comparações com estudo análogo, efetuado em 2006.! Palavras chave: Valores, atitudes e comportamentos políticos; confiança no sistema político; repercussões da crise económica; elementos de permanência! ! XAPS-42718 -Clustering boycotters to explore the relationship between political consumerism and institutional trust.! Nuno Tiago Baptista (1); Ricardo Gouveia Rodrigues (2)! 1Escola Superior de Comunicação Social. Instituto Politécnico de Lisboa; 2Universidade da Beira Interior! Comunicação Oral! The link between institutional trust and political consumerism is not perfectly defined since existing research presents opposing results. The objectives of this study were to present a possible segmentation model for European boycotters and to examine each segment !s level of institutional trust. Based on data from the European Social Survey, a two-step cluster analysis procedure was conducted in order to categorize the sampled boycotter respondents. After characterizing the segments, nonparametric Mann-Whitney tests were conducted to explore the differences between the two clusters (segments of boycotters) regarding trust in five public institutions: country parliament, country legal system, the police, political parties and the United Nations. The individual recommended solution for the analyzed countries varied between the maximum of 10 clusters (Sweden) and the minimum of 1 cluster (Czech Republic, Hungary, Lithuania, Poland and Portugal). SPSS recommended two-cluster solution was adopted for all the sampled countries. The first cluster, labeled “conservative majority” integrates the majority of the sampled individuals and can be described as having higher income, but less years of full-time education, when compared with the other segment. They are less likely to belong to political parties and other organizations and have less interest in politics. They also reveal less generalized trust in others. In terms of human values, the most prominent dimension is conservatism, meaning that the individuals of this segment favor values such as conformity, tradition and security. The second cluster, named “active idealists” is characterized by boycoters with higher levels of social participation, being more likely to belong to political parties, activist groups and other type of organizations. They are very educated, interested in politics and have comparable higher levels of generalized trust, meaning that they tend to trust more in other people. The most salient human value is self-transcendence, scoring high in universalism and benevolence. They also rank higher in openness to change, when compared with the other cluster. Mann-Whitney tests, with the objective of comparing the mean ranks, were conducted for each of the 21 countries allowing an examination on how the identified clusters differed regarding trust in the five social institutions. A country level analysis revealed that in around half of the countries studied the two boycotters’ segments have differentiated levels of trust in public institutions. We concluded that active idealists reveal a higher level of trust in public institutions than the conservative majority segment. The least differences between the groups concerned trust in the police and the United Nations and the higher differences between groups related to trust in country´s parliament and trust in political parties.! Palavras chave: Boycotting, institutional trust, segmentation, political consumerism! ! XAPS-44711 -EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE CRISE: A deformação escolar exercida pelo projeto Escola sem Partido EXPERIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO CONSERVADORA NO BRASIL: POSSIBILIDADES E INDICAÇÕES PARA O MUNDO! Pedro Henrique Melo Teixeira (1); Sérgio Antônio Silva Rêgo (2)! 1Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (PPGEdu-UFPE); 2Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho (ICS-UMinho)! Comunicação Oral! O Brasil é herdeiro de um brutal processo colonizador, onde, em diversos momentos históricos, sua conservadora elite político-econômica coibiu qualquer tentativa de aspiração democrática por parte de sua população. A atualidade dessa afirmação encontra suporte nos recentes eventos políticos que, a despeito da constitucionalidade, retiraram um governo eleito democraticamente para promover reformas antipopulares e neoliberais. Dentre outros elementos, esse processo fez surgir uma burguesia nefasta, considerada como uma das mais atrasadas e cruéis do mundo. Associado a isto, o controle dos meios de comunicação de massa, exercido pelo capital especulativo internacional, passa a atender meramente a seus interesses de manobras em busca de lucro. Somando-se a esse cenário, o golpe de Estado, sedimentado em agosto de 2016, que culminou com a deposição de uma presidente democraticamente eleita, trouxe a evidente implementação do modelo de desaparelhamento do Estado e do desmonte das sutis, porém importantes, conquistas sociais adquiridas sob a bandeira de governos populares. As reformas novas áreas de participação institucionalizada, como fóruns sociais ou conferências nacionais e o papel dos movimentos sociais na criação e operação dessas novas arenas. ! Este artigo baseia-se na literatura existente e explora conceitos de relacionamento entre movimento e estado desenvolvidos por actores de movimentos sociais na defesa dos direitos sociais no Brasil. Estes próprios conceitos dos activistas tiveram de ser reformulados pelos actores do movimento depois do que o Lula da Silva entrou no poder em 2003. Mas eles também foram transformados durante o período do governo do PT. O artigo baseia-se em 37 entrevistas qualitativas com activistas de sete cidades do Brasil realizadas entre Março e Julho de 2013. Defende um modelo novo e mais complexo de relações entre os movimentos sociais e o estado, incluindo interpretações e processos de aprendizagem pelos actores de movimento ao longo do tempo.! Palavras chave: movimentos sociais; Brasil; activismo do Estado! ! XAPS-68009 -Democracia, cidadania e os limites da política de identidade: o caso dos Dalit na Índia! José Manuel Mendes (1)! 1Faculdade de Economia/Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra! Comunicação Oral! O Estado é o mediador e o recurso de última instância que legitima a integração das sociedades no capitalismo global, sendo que a linha abissal que define os integrados e os descartáveis ou invisíveis percorre tanto o Sul como as pequenas colónias do Norte, tanto as lógicas de regulação/ emancipação como as de apropriação/violência que existem tanto no Norte como no Sul globais.! Argumenta-se nesta comunicação que devemos interrogar o conceito de cidadania a partir dos não-cidadãos, daqueles que ficam de fora, sem direitos e garantias. Incluindo também aqueles que, embora nominalmente cidadãos ou cidadãs, são considerados/as descartáveis ou remetidos a uma cidadania que, nesses casos, pode ser considerada como invisível. A cidadania invisível reporta-se a todos aqueles que, apesar de integrados biopoliticamente nas estatísticas e nas políticas da população, não contam, não são ouvidos, não interessam ao projeto do Estado ou não adquirem grandeza ou projeção mediática. Daí a necessidade de ir para além da biopolítica, nas suas formulações originais avançadas por Michel Foucault, como na sua tanatopolítica baseada somente no racismo.A cidadania invisível afeta, em suma, todos os que são vítimas da indiferença. Essa indiferença resulta na ausência daquele que constitui um critério essencial de cidadania: a pertença digna. A pertença não portadora de dignidade pode passar por corpos que sofrem ou morrem, por territórios contaminados ou por políticas excludentes.! Nesta comunicação analisa-se a luta dos Dalit na Índia pela igualdade e pela dignidade, a partir de trabalho de campo com as suas organizações representativas. A luta dos Dalit na Índia é contra o peso estrutural e de longa duração do sistema de castas, justificado pela religião dominante e hegemónica, o hinduísmo, e contra a exclusão abissal baseada na intocabilidade e na politização da pureza. Para os Dalit e os seus representantes não se trata da politização da ética, mas sim da politização da exclusão baseada na dignidade e nos direitos e na luta pela igualdade. O caso dos Dalit na Índia mostra como a democracia pode conviver e depende para sobreviver do sistema de castas, disfuncional e excludente para os Dalit, mas funcional para a democracia, reproduzindo os poderes estabelecidos das castas superiores e dos grupos sociais favorecidos. Nesta comunicação discute-se também uma questão teórica mais vasta constatação: quais as formas de exclusão que permitem à democracia a sua reprodução e sobrevivência?! Palavras chave: Democracia; cidadania; Dalit; movimentos sociais! ! XAPS-71397 -Cambian los tiempos, cambian las formas de cambiar las voluntades: opinión pública y transformación social desde el Trabajo Social! Xoán Lombardero Posada (1); Francisco-Xabier Aguiar Fernández (1)! 1Universidade de Vigo! Comunicação Oral! El trabajo social, especialmente en su tradición anglosajona, ha desarrollado a lo largo de su trayectoria un ámbito de transformación e incidencia social específico, la denominada práctica política del trabajo social. De acuerdo con esta forma de actuar profesional, las experiencias, hechos e informaciones recabadas en las esferas micro, meso y macro del trabajo social se procuran trasladar al espacio y opinión pública mediante dos vías principales: en primer lugar, la influencia a través el contacto y persuasión a representantes políticos electos o elegibles; en segundo lugar, empleando los medios de comunicación convencionales, o bien los ya no tan nuevos soportes de comunicación electrónica. En este supuesto, el objetivo es tanto la opinión pública general como grupos de intereses específicos. La práctica política del trabajo social, como forma de transferencia y de formación de nuevos asuntos, o de elaboración y perfilado de cuestiones ya conocidas pero con una perspectiva disminuida, parcial o sesgada, actúa valiéndose de los medios de comunicación, tradicionales o electrónicos, tanto como aglutinador de experiencias profesionales y vivero de ideas como de difusor de las mismas hacia el conjunto de la ciudadanía. Este trabajo aborda la práctica política del trabajo social en una faceta poco conocida en nuestro entorno continental, la del lobby, en la que se realizan y se extraen contribuciones pertinentes para la práctica en nuestros entornos. Por otro lado, se aborda la práctica política del trabajo social en su relación con los medios de comunicación convencionales y, especialmente, los electrónicos. Para ello, y utilizando una revisión de la literatura, principalmente norteamericana, se presenta un breve estado de la cuestión con aplicación a casos específicos de intervención profesional en el Estado español. Desde esta perspectiva, se retoma el denominado ciclo de atención a los problemas sociales, adaptándolo a nuestro objeto de estudio. La comunicación continuará con las formas de proceder de la profesión en relación con los medios de prensa y difusión convencionales. Seguirá una referencia a grupos específicos de interés y se abordará el ciberactivismo como forma de práctica política de la profesión no ajena a las fórmulas tradicionales de influencia del trabajo social en su intención de propiciar el cambio gradual, pero efectivo para la ciudadanía, de nuestra deficiente realidad actual.! Palavras chave: trabajo social, opinión pública, práctica política, activismo político! ! XAPS-71859 -Capitalismo consciente: Uma configuração mais justa ou a arte de se reinventar para continuar a existir?! Marcos da Silva Lima (1); Fernando Bessa Ribeiro (1)! 1Universidade do Minho! Comunicação Oral! Se é pertinente reconhecer que o capitalismo não desaparecerá destruído pelas suas contradições e a degradação progressiva, nomeadamente ecológica, das condições necessárias à sua reprodução, não é menos pertinente ainda sublinhar a enorme capacidade de se reinventar a cada crise e mesmo fora dela. As “sete vidas” do capitalismo, como escreveu há já mais de duas décadas Giovanni Arrighi, exprime justamente a sua capacidade de adaptação e flexibilidade que lhe tem permitido sobreviver, eliminando ou incorporando a contestação para lhe retirar eficácia, não obstante as lutas pela sua superação levadas a cabo pelas classes trabalhadoras e seus partidos políticos, sindicatos e outros movimentos sociais.! ! Tão frequente como as crises são as inovações teóricas que procuram dar novas configurações ao capitalismo na sua permanente luta para ser aquilo que, acusam os críticos, não pode ser nem escapar: um sistema menos desigual e socialmente mais justo, no qual a procura da mais-valia não se constitua como a motivação principal dos capitalistas. É o caso do chamado “capitalismo consciente”. Apresentado ao mundo nos anos 2000, com uma base de reflexão teórica que remonta aos anos oitenta do século passado, o capitalismo consciente propõe um modelo de funcionamento no qual o lucro não seja o objetivo fundamental das empresas. Esta nova concepção de capitalismo sustenta-se na ideia de que o lucro é consequência de uma administração voltada para um propósito maior. Este propósito justifica a existência de uma empresa no mundo vinculada à geração de valor para todas as partes envolvidas no processo de produção e comercialização, inscrevendo-se assim no compromisso de construção de um mundo melhor. ! ! Esta comunicação tem por objetivo escrutinar as origens do conceito de capitalismo consciente e principais argumentos que permitem defini-lo, segundo os seus proponentes, como uma nova configuração do capitalismo. No discurso otimista dos seus proponentes, o capitalismo consciente constitui um modelo mais justo de capitalismo, consciente das desigualdades provocadas pelo seu funcionamento e, assim, comprometido com a sua redução. Este exercício crítico de reflexão teórica procura identificar se estamos, de facto, perante uma nova configuração do capitalismo que, a bem dizer, pode contraditar as bases em que ele assenta ou, pelo contrário, se trata de mais uma reinvenção do capitalismo, nomeadamente retórica, para combater a contestação e reforçar a legitimidade política e ideológica para continuar a existir.! Palavras chave: Capitalismo, desigualdade sociais, crise, capitalismo consciente.! ! XAPS-72734 -Democracia e Accountability: mecanismos de controle. A construção do modelo de transparência pública em Portugal e a análise dos parâmetros propostos para a comunidade europeia.! Edyvar de Mattos GUIMARÃES (1); Nilo Lima de AZEVEDO (1)! 1UENF (Universidade do Norte Fluminense Darcy Ribeiro)! Comunicação Oral! Pesquisa que analisa a situação da política de transparência pública em Portugal, reconhecendo a definição de mecanismos de accountability que propiciam controle sobre aplicação de recursos na execução de políticas públicas, a ampliação desses mecanismos, e sua importância na construção da cidadania e contribuição no aprimoramento da qualidade da democracia. A pesquisa busca compreender como se deu a formulação do modelo de transparência pública em Portugal, a partir da história de criação da legislação e dos atores envolvidos em sua origem, considerando as propostas da união europeia para os países membros. Revelar como se dá essa interação sociedade e Estado e até onde e como, nesse panorama de instrumentos à sua disposição, se permite aos indivíduos influir, atuar nos orçamentos e na execução de políticas públicas, visando a ampliar a participação social e tornando-a mais qualificada. Relaciona-se com nossa tese de doutorado onde virá a compor um capítulo em que poderemos comparar os modelos europeu e latino americano de transparência. Publicamos em congressos trabalhos que analisam comparativamente os modelos do México, Chile, Brasil e a proposta da OEA – Organização dos Estados Americanos – para os países membros. É uma metodologia de análise comparativa dessas legislações e documentos institucionais (Lei Modelo, Atas, Programas, Manuais, Textos para Debates) que possibilitará observar como se deu a difusão da política de acesso à informação segundo o embate de interesses em relação a esse tema. Uma das estratégias de inserção internacional é a capacidade de determinados Estados em difundir a sua política para outros países. Um recurso crítico para esse fim é a transferência de princípios e modelos legislativos para o arcabouço jurídico interno de outros países, o que não ocorre de maneira uniforme, simples, e alheio aos interesses domésticos e conjunturais. Essa metodologia comparativa com base nos aspectos de difusão das políticas públicas trará luz para a compreensão de como determinadas instituições foram privilegiadas na formulação da política de transparência principalmente em relação ao caso brasileiro, que será comparado ao português, aprofundando nossa tese.! Palavras chave: Democracia, accountability, cidadania, transparência pública.! ! XAPS-78854 -Porque também têm desejo: Pessoas com incapacidades, cidadania e política sexual! Filipa Marques (1); Fernando Bessa Ribeiro (2)! 1Mestranda do curso de Crime, Diferença e Desigualdade da Universidade do Minho; 2- Professor Associado com Agregação Departamento de Sociologia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho! Comunicação Oral! O Decreto-Lei nº 129/2017, de 9 de outubro, introduziu no ordenamento jurídico português o programa “Modelo de Apoio à Vida Independente”, tendo como pilar fundamental o acesso a assistência pessoal por parte de pessoas que, por incapacidade, têm dificuldades acrescidas na realização de tarefas quotidianas. Tratando-se de uma meritória medida legislativa de promoção dos direitos de cidadania, este instrumento não responde a uma questão que tem animado o debate no campo da sexualidade das pessoas com incapacidades: o do acesso ao prazer erótico através do assistente sexual. Considerando o debate em torno do reconhecimento da prostituição e de todas as formas de prestação de serviços sexuais como atividades laborais e consequente alteração do atual quadro legal que as enquadra, é atinente refletir também sobre o reconhecimento político e social da figura do assistente sexual.! A partir de entrevistas e outros dados empíricos obtidos por uma investigação em curso realizada pela primeira autora, a comunicação procurará discutir as posições dos partidos políticos com representação parlamentar e das associações e movimentos que atuam na área da sexualidade e da defesa das pessoas com incapacidades, no contexto de uma abordagem teórica vinculada à construção de uma agenda comprometida com o alargamento da autodeterminação pessoal e uma política sexual alicerçada nos princípios do self-ownership. ! Ao colocar em confronto as diferentes posições dos partidos e das organizações da sociedade civil sobre a assistência sexual a pessoal com incapacidades, a comunicação demonstrará que a construção de uma outra política sexual para esta questão resultará sempre de uma luta política e social na qual se confrontam também valores morais e religiosos que concorrem para configurar olhares muitos distintos sobre a sexualidade e seus modos de expressão. Extremamente fraturante, esta questão suscita divergências no próprio interior de alguns dos partidos políticos.! Palavras chave: Pessoas com deficiência; política sexual; direitos de cidadania; autodeterminação sexual; partidos políticos! ! XAPS-79984 -Repensar a participação política na sociedade digital! Maria João Simóes (1); Antónia do Carmo Barriga (2); Fábio Rafael Augusto (3)! 1Universidade da Beira Interior, CICS.NOVA.UMinho e LabCom.IFP; 2Universidade da Beira Interior e CIES-IUL; 3Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICSULisboa)! Comunicação Oral! Situados na problemática da participação política digital, e não subscrevendo perspectivas demasiado optimistas ou pessimistas, carentes de evidência empírica, pretendemos apresentar uma discussão sociológica e reflexiva sobre esta questão, centrando-nos em algumas questões teóricas e conceituais que julgamos centrais na investigação sobre a participação política via novos media, não deixando de fazer a ponte, que achamos crucial, entre o conhecimento acumulado no âmbito da sociologia política antes da emergência das TIC e as continuidades e os novos desafios entretanto suscitados.! ! Assim, uma primeira questão prende-se com a necessidade ainda não ultrapassada e até ampliada de (re)construção do conceito de participação política e da sua (re) operacionalização. Se ainda hoje se questiona se ler um jornal é participação política, fazer um like será? Ou participação política implicará acção para a mudança?! ! Em segundo lugar, qualquer debate sobre participação política, seja em contexto real ou online, só poderá ser suportado se for especificado à partida de que tipo de participação política se trata, e dentro de cada tipo de participação a que níveis de participação nos reportamos, pois só a partir desses patamares se pode elaborar a pesquisa empírica, no sentido de decifrar se assistimos ao seu reforço ou diminuição; evita-se, desse modo, cair em generalizações ou no senso comum. ! Um terceiro foco de análise parte do conhecimento adquirido de que a consciência cívica, o interesse em participar, as competências políticas são distribuídas de forma desigual, importando identificar se com a utilização dos meios digitais se registaram tendências de diminuição ou de aumento das desigualdades referidas. ! ! Parece-nos, igualmente pertinente discutir a vigilância e os seus efeitos nas liberdades individuais e na democracia numa dupla acepção. Por um lado, questionar as implicações da vigilância, tal como hoje a conhecemos, para a participação política e a democracia; por outro, aflorar o debate já iniciado por alguns políticos de países democráticos, como Emanuelle Macron, acerca da necessidade de “vigiar” as notícias falsas, nesta era já designada de “pós-verdade”. Quem definirá o que é ou não falso?! ! Por fim, importará questionar se os factos ainda são o fundamento para o conhecimento e para o funcionamento da democracia, para a discussão racional na esfera pública e para a participação política. De que estaremos a falar com a designada “democracia da pós-verdade” onde os factos tendem a não se distinguir da ficção e a emoção a confundir-se com a razão?! Palavras chave: Participação política; media digitais; desigualdades! ! XAPS-80198 -A moeda local como incentivo para práticas de reciclagem e de dinamização do comércio local: o caso de Campolide! Sandra Lima Coelho (1)! 1CEGE - Centro de Estudos em Gestão e Economia, Católica Porto Business School e ISUP - Instituto de Sociologia da Universidade do Porto! Comunicação Oral! Fevre (2003: 5) afirma que, à medida que a racionalidade económica extravasa o campo económico e se expande para outras dimensões da vida social, a moral tende a contrair-se, e a interferir, cada vez menos, no comportamento económico. Mas poderá o comportamento económico ter um fim moral, ou estamos tão contaminados pelos valores da racionalidade económica ao ponto de todo o nosso comportamento ser motivado por fins económicos? Haverá espaço para colocar o interesse económico ao serviço de fins morais? Procuramos respostas para estas questões numa pesquisa sobre o projecto “Pago em Lixo”, criado pela Junta de Freguesia de Campolide (JFC), em Lisboa, que implementou uma moeda local, o Lixo, com o objectivo de envolver a comunidade na separação de resíduos. Esta acção apresenta um fim moral, o de consciencializar os cidadãos recenseados naquela freguesia lisboeta para a necessidade de reciclar o lixo e contribuir para a manutenção da limpeza dos espaços públicos. Mas esta é também uma acção que visa dinamizar o comércio local, na medida em que a moeda Lixo só poderá ser utilizada nas 70 lojas de comércio tradicional locais que aderiram ao projecto. Neste comunicação, apresentamos o modus operandi do projecto “Pago em Lixo” e analisamos as motivações da JFC para criar este projecto. A análise da informação recolhida através de uma entrevista semi-directiva ao Presidente da JFC evidencia que a moeda local circula entre os comerciantes da freguesia, o que pode fortalecer os laços comunitários, e que o objectivo principal da JFC é de ordem económica: robustecer o comércio e a economia local, e reduzir os encargos financeiros no que concerne à limpeza das ruas. Por outro lado, também se procura fomentar nos moradores a adopção de comportamentos de maior consciência cívica, o que reflecte uma moralidade ersatz.! Palavras chave: moeda local; participação; racionalidade económica; moralidade ersatz.! ! XAPS-84877 -A resiliência do Estado Nacional na era da globalização e da fragmentação social! F. Marina Azevedo Leitão (1); Isabel Maria Freitas Valente (2)! 1Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra - Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (IIIUC - CEIS20); 2Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) - Universidade de Coimbra! Comunicação Oral! Apesar da vasta literatura existente que evoca o enfraquecimento das funções básicas do Estado Nacional diante das novas realidades mundiais advindas do processo a que genericamente se convencionou denominar de globalização, o Estado-nação tem, no entanto, demonstrado, no seu constante devir, uma insigne resiliência que se materializa numa permanente maleabilidade e capacidade de adaptação aos desafios e metamorfismos da contemporaneidade. Partindo, pois, deste reconhecimento procurar-se-á esboçar nesta comunicação uma síntese das principais linhas de interpretação da geografia política do mundo hodierno, indicando algumas das razões que, no decurso do século XX, conduziram à designada ‘balcanização’ do planeta, para logo se analisar, num plano mais específico e a partir dos contributos teóricos de Giddens, Castells, Habermas e Lafer os efeitos da globalização e da fragmentação social sobre o Estado Nacional. Devidamente estruturadas e contextualizadas tais questões, analisar-se-á a partir daqui o que Ricupero (2008) designa por ‘caráter ambivalente dos fatores de mudança’ defendendo-se tal como este autor e enquanto perceção final, que nem sempre tais fatores se encaminham no sentido de extenuação das capacidades e possibilidades do Estado-nação que permanece, desde que se consolidou, enquanto principal ator na senda das relações internacionais.! Palavras chave: Estado-Nação; Sistema Internacional; Globalização; Fragmentação.! ! XAPS-89265 -Participação na prática: uma reflexão crítica dos processos participativos e do caso da freguesia de Carnide! José Luís Crespo (1)! 1Faculdade de Arquitetura, Universidade de Lisboa! Comunicação Oral! Nos últimos anos, os mecanismos para incentivar a participação cívica na governança urbana e na produção da cidade tornaram-se cada vez mais prevalentes nas práticas da gestão municipal em todo o mundo. Paralelamente, existe uma tendência geral em relação a políticas urbanas que promovam o fortalecimento da sociedade civil e a resiliência da comunidade que foram impulsionadas por políticas globais como a Nova Agenda Urbana. Este contexto está a contribuir para a normalização do direito à cidade e à participação e para a criação de mais oportunidades de envolvimento cívico na construção da cidade, nas suas várias escalas.! Muitas vezes, essas políticas e práticas participativas, como o orçamento participativo ou outros mecanismos de planeamento local, têm muitas limitações na prática. Às vezes, o envolvimento da comunidade torna-se passivo, servindo para recolher informações para as autoridades, em vez de criar um diálogo informado e, portanto, não interromper ou contrariar as trajetórias dos projetos urbanos ou as perspetivas dominantes de top-down. Como resultado, esses processos apenas servem para validar decisões que foram predeterminadas pelas autoridades, em vez de serem uma oportunidade para mudar as relações de poder e criar oportunidades para o urbanismo que envolva e seja liderado pela comunidade, bottom-up. Além disso, há uma falta de reflexão crítica sobre o impacte desses processos e a sua capacidade de responder às necessidades diárias dos residentes no nível local.! Esta comunicação analisa criticamente os processos participativos em arquitetura e urbanismo e o seu papel nas práticas de desenvolvimento urbano, enquadrados pelas políticas e abordagens da governança urbana. Este artigo apresentará algumas conclusões de uma revisão bibliográfica dos processos participativos de vários contextos globais tanto do passado como atuais. Complementarmente, apresentaremos os resultados iniciais de dois workshops, de um projeto de pesquisa de ação participativa na freguesia de Carnide, em Lisboa, envolvendo um grupo interdisciplinar de investigadores e estudantes, autoridades locais, organizações locais da sociedade civil e a população local, de dois bairros em Carnide.! Palavras chave: participação; processos participados; workshop; Carnide! ! Identidades, Valores e Modos de Vida XAPS-11117 -Novos media, novos ativismos? Notas sobre a participação de ativistas ciganos/roma portugueses nas redes sociais.! Ana Rita Costa (1)! 1CRIA-IUL! Comunicação Oral! A dispersão das tecnologias digitais pelo mundo e a crescente utilização dos media sociais têm tornado central a sua análise para compreender vários fenómenos do mundo contemporâneo, existindo hoje um considerável e diverso corpus teórico sobre os usos dos media sociais em diferentes contextos. Alguns autores (por exemplo, Miller et al. 2016), centrando a sua atenção nos conteúdos publicados e partilhados nas designadas redes sociais, têm demonstrado como esta prática pode traduzir diferentes significados, implicações e consequências para os utilizadores, relacionando-se mais com o contexto do utilizador do que com as próprias capacidades (affordances) das plataformas. ! Há semelhança de outros contextos e movimentos sociais, as novas tecnologias de informação e, particularmente, as redes sociais, a par de outras circunstâncias, têm feito parte do processo de emergência e engajamento de novos agentes e movimentos das “comunidades” ciganas em Portugal. Mais do que um meio de comunicação ou de interação, como algumas pessoas ciganas portuguesas demonstram pela sua experiência quotidiana de utilização, as redes sociais – particularmente, Facebook, Instagram e YouTube – podem ser ferramentas importantes para a promoção dos seus valores e criação dos seus próprios espaços de participação e discussão. Por exemplo, quer pela produção de conteúdos próprios, como pela partilha de conteúdos que lhes sejam mais significativos ou recusa em partilhar outros, algumas pessoas ciganas, homens e mulheres, que se autodefinem enquanto ativistas, têm visado os estereótipos que sobre elas recaem e denunciado o racismo estrutural persistente na nossa sociedade. Com esta apresentação pretendemos explorar de que forma estes renovados movimentos se estão a configurar analisando, também, a articulação entre as suas práticas on-line e offline. ! Esta apresentação tem por base um trabalho de campo etnográfico que está a ser conduzido no âmbito de um estudo de doutoramento em Antropologia. O projeto de doutoramento em curso – Ciganos 2.0: etnografando os usos das TIC e a presença dos ciganos nas redes sociais – centra-se no modo como as tecnologias digitais (TIC) vêm sendo progressivamente incorporadas no quotidiano de pessoas ciganas, homens e mulheres, de diferentes idades e condições de vida, e nas suas relações.! Palavras chave: media sociais, ativismos, ciganos/roma portugueses! ! XAPS-12981 -Voltar a si: crises biográficas, identidade e reflexividade! Ana Caetano (1)! 1ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, CIES-IUL! políticas, pedagógicas da organização educacional do conhecimento que contribui para compreender quais os conhecimentos considerados legítimos em cada momento histórico e como foi estabelecida essa legitimidade. A análise de Young (2007) convoca-se para o debate face à interrogação - que citérios para selecionar o conhecimento curricular? - a partir do conceito de “conhecimento poderoso”.! ! Como metodologia, privilegiamos uma análise quantitativa do tempo atribuído às disciplinas e áreas de conhecimento em relação ao tempo total de instrução obrigatório afeto às matrizes curriculares. A análise qualitativa dos diplomas legais permitir-nos-á apreender os discursos políticos justificativos das respetivas reorganizações curriculares. ! ! Esta abordagem permite perceber o conhecimento escolar como um artefacto social e histórico sujeito a mudanças e não como uma realidade imutável. Pretende-se responder a questões como: As reformas do ensino secundário podem ser consideradas como tal ou antes como revisões curriculares com base numa reciclagem de decretos? Tem-se proposto um ensino secundário mais valorizado na educação geral que na componente específica, ou vice-versa? Que justificações para a entrada e saída de disciplinas? Têm as políticas educativas, no âmbito do ensino secundário, permitido o acesso ao “conhecimento poderoso”, como uma especificidade que distingue o conhecimento que cabe à escola transmitir?! Palavras chave: Sociologia do conhecimento; Sociologia do currículo; Ensino secundário; Políticas educativas! ! XAPS-41360 -A escola em tempos da cultura digital: : jovens, tecnologias e práticas escolares! Sergio Luiz Alves da Rocha (1); Patrícia Oliveira de Freitas (2)! 1Instituto Federal de Educação,Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro - IFRJ; 2Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ! Comunicação Oral! Este texto apresenta o resultado iniciais de um estudo realizado com alunos de três escolas de ensino médio Rio de Janeiro: duas escolas da rede pública federal de ensino e uma escola da rede pública estadual. Seu objetivo mais geral é avaliar as possíveis modificações nas práticas escolares originadas a partir das novas tecnologias de comunicação e informação. Durante muito tempo a lógica do livro impresso ordenou a estruturação das práticas escolares. O texto impresso e sua linearidade, a relação entre as habilidades de decifração do escrito e as etapas do desenvolvimento cognitivo e um modelo mecânico e unidirecional de leitura são algumas dessas características. Hoje as novas telas - computadores, smartphones, tablets, notebooks - e sua associação com novos modelos de leitura e de escrita aprofundaram as mudanças no campo da comunicação. A estas telas associaram-se o desenvolvimento das redes telemáticas. As plataformas sociais digitais possuem grande importância, em particular entre os jovens. A escrita digital e sua estrutura hipertextual, traz uma nova forma de construção cognitiva que questiona a antiga linearidade das formas anteriores de leitura. As redes móveis, bem como outras formas de acesso à internet, disponibilizam um acesso a uma infinidade de informações e permitem que os jovens se mantenham conectados on line, possibilitando uma comunicação constante mesmo que os interlocutores estejam fisicamente distantes. Uma intensificação de uma das características da modernidade proposta por Guiddens que se refere à separação entre o tempo e o espaço, estimulando as interações com outros ausentes, situados em espaços geográficos afastados e separados de qualquer situação dada de interação face a face. Buscamos identificar de que modo os alunos apropriam-se dos conteúdos e atividades escolares através da mediação das novas tecnologias de comunicação e informação; de que modo os conteúdos e práticas escolares são ressignificadas a partir das mediações destas novas tecnologias de comunicação; quais os usos e sentidos construídos pelos alunos, quais as modificações em curso nestas apropriações, entre outras questões. Na primeira etapa da pesquisa o objetivo era a aplicação de um instrumento de coleta de dados a 60 alunos de cada uma das escolas. Totalizamos em nossa amostra aleatória aproximadamente 180 questionários sobre aspectos relacionados ao uso das tecnologias digitais na relação com as práticas escolares. Neste texto apresentaremos um perfil das escolas envolvidas na pesquisa, discutiremos algumas dificuldades advindas da realização da pesquisa e apresentaremos uma análise dos dados coletados.! Palavras chave: Escola - Jovens - Tecnologias de Informação e Comunicação - Cultura Digital! ! XAPS-42065 -Resultado:Colocado Um retrato sociográfico dos estudantes matriculados no 1º ano na Universidade da Madeira! Andreia Micaela Sardinha do Nascimento (1)! 1Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Doutoranda em Sociologia! Comunicação Oral! As políticas europeias, na área da educação, definiram a necessidade de atingir, em 2020, a percentagem de 40% de diplomados do Ensino Superior na faixa etária entre os 30 e os 34 anos. Na Região Autónoma da Madeira (RAM) existe apenas uma instituição de ensino superior (IES) público e, tratando-se de uma região insular ultraperiférica, trabalha no sentido da construção de um desenvolvimento regional sustentado e fundamentado pela ciência. Contudo, as dificuldades que têm sido colocadas à Academia e aos seus estudantes, com os cortes e perturbações nas dotações do Estado, com a quebra no número de estudantes matriculados, quer pelo não ingresso quer pelo abandono escolar e com as dificuldades económicas das famílias, têm colocado novos desafios à concretização de tais desígnios. Pela sua condição insular, na RAM, esta situação ganha contornos exacerbados pois coloca em causa a sustentabilidade futura da única IES pública e condiciona a existência de massa critica da Região, comprometendo assim o seu desenvolvimento. Estes constrangimentos tornam pertinente uma reflexão sobre quem são e quais os principais itinerários de escolarização dos estudantes do 1.º ano da Universidade da Madeira (UMa), de forma a consolidar uma base de conhecimento que permita ao poder político e aos responsáveis universitários decidir, de forma sustentada, sobre matérias que se prendem com o ensino superior, em geral, e sobre a UMa, em particular. De forma a compreender a diversidade de recursos económicos, culturais e académicos com que os estudantes chegam à UMa, o presente artigo parte dos dados resultantes de um inquérito por questionário, aplicado em parceria com a Associação Académica, a um conjunto de jovens estudantes colocados no 1.º ano na UMa através da 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior de 2017, momentos antes do ato de matrícula. Os dados aqui analisados refletem parâmetros sobre a caracterização sociográfica do aluno e do seu agregado familiar e a caracterização dos itinerários de escolarização anteriores à entrada e, dado que é a 1.ª vez que é lançado um inquérito sistemático aos alunos que se matriculam no 1.º ano na UMa, evidenciam a necessidade da produção de conhecimento sobre os projetos de vida ligados ao ensino superior dos jovens estudantes finalistas do ensino secundário da Madeira, de forma a identificar e compreender os principais fatores que determinam a escolha da IES.! Palavras chave: Estudantes, Ensino Superior, Trajetórias escolares, Insularidade.! ! XAPS-43929 -O poder local na ação socioeducativa em rede num contexto multicultural?! Susana Batista (1); Liliana Pascueiro (1); Sílvia Almeida (1)! 1CICS.NOVA - FCSH/UNL! Comunicação Oral! É no quadro de uma maior heterogeneidade do público escolar e do confronto entre princípios múltiplos e contraditórios em torno dos propósitos da educação que se procuram encontrar novos compromissos locais para o funcionamento do sistema educativo (Derouet, 1992). Políticas de descentralização de competências educativas apelam assim, à semelhança do que acontece com outras políticas sociais públicas, a uma maior mobilização local para a ação coletiva e à resolução de problemas comuns em parceria, encontrando respostas diversificadas mais adequadas às singularidades dos contextos em questão (Charlot, 1994; Ferreira, 2005). ! Tais políticas, não se limitando a uma simples modificação jurídico-legal, dão origem a um intrincado jogo pelo exercício de poderes e assunção de responsabilidades entre atores diversos, dentro e fora da ação estatal (Barroso, 2013). Coloca-se então a questão de saber em que medida se assiste a uma reconfiguração das relações entre atores e da missão da educação, na procura de soluções locais.! Esta comunicação parte do trabalho desenvolvido no âmbito da preparação do Plano Estratégico Educativo Municipal (PEEM) (instrumento crucial que apoia o Contrato Interadministrativo, fundamentado pelas mais recentes políticas de descentralização) de um concelho urbano, marcado por desigualdades socioeconómicas e educativas e com uma componente multicultural. O material empírico é composto por testemunhos dos vários atores educativos, recolhidos em dois perfis: o de pessoal docente, por um lado, e o de representantes de pessoal não docente, pais e encarregados de educação e da comunidade local, por outro, obtido através de duas entrevistas focus group em cada um dos doze Agrupamentos do concelho. ! Em suma, embora seja visível a pluralidade de princípios de justiça invocados quando convidados a pronunciar-se sobre as prioridades municipais e sua articulação com a ação das escolas, a maioria destes atores parece atribuir ao poder local um novo protagonismo, assente na mediação para a criação de equipas interdisciplinares e a articulação desses atores numa regulação voluntária em rede (Justino e Batista, 2013), ao mesmo tempo que apela à intervenção de outros atores, incluindo aqueles provenientes da chamada sociedade civil, aspeto que parece ser comum a outros espaços vulneráveis que obrigam a uma estratégia de intervenção distinta (Vieira e Dionísio, 2010).! Palavras chave: Descentralização; Redes em educação; Regulação; Participação local! ! XAPS-52231 -Processos de transição dos jovens estudantes açorianos para o Ensino Superior no continente português: Uma provação múltipla! Kelly Medeiros, [email protected] (1); Bernardete Sequeira, [email protected] (2); João Eduardo Martins, [email protected] (2)! 1Faculdade de Economia da Universidade do Algarve; 2Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e CICS.NOVA! Comunicação Oral! Esta comunicação tem como objectivo a divulgação dos resultados preliminares de uma investigação sociológica em curso sobre os processos de transição dos jovens estudantes açorianos para o Ensino Superior no Continente Português. Trata-se de um estudo qualitativo que procura conhecer em profundidade as perspectivas dos estudantes açorianos que partiram para o Continente após o ingresso no Ensino Superior e que tem como enfoque compreensivo três grandes dimensões da transição. A transição do Ensino Secundário para as instituições de Ensino Superior no Continente. A saída dos Açores para viver no Continente. A transição para a vida adulta. Os resultados da pesquisa já apurados até ao momento e que resultam da recolha de dados a partir de entrevistas semi-estruturadas, permitem-nos dizer que a saída para o Ensino Superior está marcada por escolhas que valorizam o acesso às Instituições do Ensino Superior do Continente, que essa saída para boa parte dos entrevistados está associada a uma orientação para as instituições de maior prestígio social e que as condições socioeconómicas das famílias facilitam a decisão de ir estudar para “fora”. A partida dos Açores é também para alguns dos entrevistados marcada por um dilema. Ficar nos Açores significa abdicar dos cursos da sua preferência. Partir significa a quebra ou o afrouxamento dos laços sociais e a saída do lugar onde se construiu a sua identidade e onde se estabelecem as suas vivências. O processo de adaptação ao Continente passa pela recomposição dos laços sociais nos novos locais de residência para onde se foi estudar e em que as novas relações de sociabilidade que se constroem com os novos “outros significativos” são fundamentais para enfrentar a prova da transição. Ao contrário do que sugeria Jean Paul Sartre de que o inferno seriam os outros, neste caso específico, a relação com os outros é um suporte fundamental desta nova fase da sua existência social. A saída de casa dos pais para um mundo novo, na maior parte das situações desconhecido e ainda percepcionado como diferente do mundo social de onde se partiu é também um desafio para estes jovens que continuando a ter o suporte emocional e financeiro dos familiares à distância, vivem este momento, como um processo fundamental na transição para a vida adulta.! Palavras chave: Jovens estudantes açorianos, Ensino Superior, Processos de transição, Sociologia da Individuação! ! XAPS-53385 -Trabalhadores e o impacto da educação superior! Jorge Custodio (1)! 1FAETEC, BRASIL! Comunicação Oral! Ressaltamos nesta pesquisa o sentido da educação para trabalhadores. Retornaram aos estudos na vida adulta, o que resultou na aquisição de formação universitária. O diploma superior, com isso, representou para eles novo status e mais respeito, exprimindo na família dos entrevistados a redefinição do legado cultural. O sentido da educação rearticulou o caráter pessoal e a posição social na vida de trabalhador.! ! O diploma superior é um símbolo de prestígio social na realidade brasileira. Registra o privilegia da educação na história do país, pois explicita a restrição da riqueza cultural e, também, econômica, tornando-se um patrimônio das elites e da classe média brasileiras. A pesquisa reúne assim um conjunto de relatos de trabalhadores adultos que redesenham essa restrição para redesenharem seus destinos individuais, seu futuro de classe e sua autoimagem.! ! Temos, assim, na orientação da pesquisa, um raciocínio sociológico para articular estrutura social e caráter pessoal na compreensão do sentido da educação em biografias e relações sociais. Coletando treze histórias de vidas, realizamos uma pesquisa dividida em duas etapas: A2000estudamos motivações e interesses pela conquista do diploma superior; B2013estudamos como o sentido da educação reorientou a vida desses trabalhadores.! ! O diploma universitário exprimiu uma reviravolta pessoal frente à família de origem e uma reinvenção do eu em relações sociais do trabalho, pois representou um novo capital cultural desses trabalhadores, a partir da experiência universitária. O sentido da educação receberia a influência do medo do desemprego, do subemprego e da perda de direitos nos anos de 1990, com o avanço de governos neoliberais, porém essa hipótese foi enriquecida na análise das trajetórias de vida pela compreensão da ordem moral na família de origem desses entrevistados pela valorização da educação como sinônimo de futuro melhor.! ! A pesquisa, ademais, construiu quatro tipologias de motivações e interesses, considerando os relatos dos trabalhadores sobre o diploma superior: 1como valor social (inserção social); 2como valor cultural (reconhecimento do eu); 3valor econômico (recompensa salarial); 4como valor político (aquisição de poder). Os trabalhadores renovam seu repertório cultural na família e no trabalho pelo valor diploma universitário, desde o ingresso em cursos de pré-vestibular comunitário, viabilizando a partir de então seus projetos de vida pelo sentido da educação.! Palavras chave: Educação Superior; Classe social! ! XAPS-54771 -Narrativas de Crianças no Âmbito da Relação Escola-Família! Dília Glória (1); Pedro Silva (2)! 1Universidade Federal de Minas Gerais; 2Instituto Politécnico de Leiria! Comunicação Oral! A relação escola-família traduz-se numa teia de interações de múltiplos atores sociais (crianças, pais, professores, associações de pais, gestores escolares, tutores, organizações comunitárias, entre outros, e consoante o contexto), assim como numa investigação esmagadoramente centrada nas interações de pais e professores, deixando de lado as perspetivas e as práticas das crianças, as quais constituem um duplo ator social enquanto filhos em casa e alunos na escola.! Os pais, ao articularem a educação familiar das crianças com a sua educação escolar e com outras organizações de socialização, estão perante uma tarefa influenciada por fatores como classe social, género e etnia (David, 1993; Vincent, 1996; Crozier, 2000, Silva, 2003, Diogo e Silva, 2010; Payet, 2017). A presente proposta justifica-se pela relativamente escassa pesquisa baseada na experiência escolar das crianças, especialmente quando relatada por elas e sobre a relação família-escola (Perrenoud, 1987; Dubet & Martuccelli, 1996; Edwards & David, 1997; Crozier, 2000; Edwards & Alldred 2000; Silva, 2003, 2009; Montandon, 2011; Silva et al., 2015; Glória, 2016). Esta investigação abrange questões como conhecer os modos de pensar dos alunos e as suas práticas no âmbito da relação escola-família. ! Este estudo compreensivo foi realizado no Centro Pedagógico (CP), escola pública de ensino fundamental da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil. O CP recebe alunos com significativa heterogeneidade social, o que a situa entre as escolas públicas regulares (com uma maioria de público socialmente desfavorecido) e as escolas privadas (principalmente classes média e média alta). A pesquisa utilizou uma variedade de ferramentas para recolher e tratar os dados, incluindo observação participante, conversas informais e notas de campo, análise de documentos, focus groups e análise de conteúdo.! A presente proposta decorre principalmente dos dados resultantes dos focus groups, realizados com alunos de 10 a 14 anos e maioritariamente de baixo nível socioeconómico. As entrevistas, integralmente transcritas, foram sujeitas a análise de conteúdo, com categorias dedutivamente decorrentes das questões gerais de pesquisa e, indutivamente, das próprias entrevistas. Estes dados foram, posteriormente, triangulados com os obtidos através de outros instrumentos de recolha de informação.! Constatou-se que as crianças: a) reconhecem a importância da relação escola-família; b) tendem a condensar esta na vertente lar; c) constatam um envolvimento parental centrado nas mães; d) apontam para uma diversidade de condutas, valores e estratégias existentes nas famílias; e e) entendem o alto nível de exigência dos pais sobre a realização académica como meio de aspiração a uma mobilidade social ascendente.! Palavras chave: Relação Escola-Família; A criança como ator social; Envolvimento Parental! [Document text truncated for crawler view.]