1 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 Fatores de influência no retorno de produtos pós-consumo por meio da logística reversa: um modelo conceitual Factors influencing the return of post-consumer products through reverse logistics: a conceptual model Factores que influyen en el retorno de productos postconsumo mediante logística inversa: un modelo conceptual DOI: 10.55905/revconv.18n.2-247 Originals received: 1/17/2025 Acceptance for publication: 2/7/2025 Jean Marcos Graduado em Engenharia de Produção Instituição: Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) Endereço: São Bento do Sul – Santa Catarina, Brasil E-mail:
[email protected] Orcid: https://orcid.org/0000-0002-8445-5891 Alexandre Borges Fagundes Doutor em Tecnologia Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Endereço: São Bento do Sul – Santa Catarina, Brasil E-mail: alexandre.fag[email protected] Orcid: https://orcid.org/0000-0003-2941-1842 Delcio Pereira Doutor em Administração Instituição: Universidade Positivo (UP) Endereço: São Bento do Sul – Santa Catarina, Brasil E-mail: delcio.pere[email protected] Orcid: https://orcid.org/0000-0002-7635-3086 Fernanda Hänsch Beuren Doutora em Engenharia de Produção Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Endereço: São Bento do Sul – Santa Catarina, Brasil E-mail:
[email protected] Orcid: https://orcid.org/0000-0003-1338-9660
2 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 Fabio Fernando Kobs Doutor em Tecnologia Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Endereço: São Bento do Sul – Santa Catarina, Brasil E-mail: [email protected] Orcid: https://orcid.org/0000-0003-3096-1593 Caroline Rodrigues Vaz Doutora em Engenharia de Produção Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Endereço: Florianópolis – Santa Catarina, Brasil E-mail: caroline.va[email protected] Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0378-2533 Cleide Vieira Doutora em Ciências e Engenharia de Materiais Instituição: Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) Endereço: São Bento do Sul – Santa Catarina, Brasil E-mail:
[email protected] Orcid: https://orcid.org/0000-0001-6563-4985 RESUMO O crescente aumento do consumo de bens e produtos vem contribuindo para o agravamento da problemática ambiental. Nesse contexto, como forma de minimizar os impactos negativos do manejo inadequado dos resíduos gerados, foi instituída no Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Dentre os principais instrumentos da referida lei, a Logística Reversa contribui como ferramenta essencial ao retorno dos produtos pós-consumo à sua origem. Porém, o efetivo retorno desses resíduos pode não estar sendo satisfatório, pois depende de diversos fatores. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo identificar variáveis que podem influenciar no retorno de produtos pós-consumo por meio da logística reversa, ressaltando como fatores de influência aspectos inerentes ao tempo de vida útil dos produtos, à responsabilidade ambiental e questões comportamentais dos consumidores. A partir da revisão bibliográfica efetuada foi elaborado um Modelo Conceitual, validado por meio de consulta a especialistas. Adicionalmente, com o auxílio de recursos estatísticos, foi feita uma análise das opiniões emitidas pelos especialistas consultados, apontando conjecturas e possíveis tendências acerca do objeto pesquisado. Assim sendo, esta pesquisa trouxe como contribuição, além da prescrição de variáveis de influência, as possíveis inter-relações entre as mesmas, propiciando, deste modo, avanço científico à área, bem como servindo como base conceitual para a criação de modelos matemáticos aplicáveis à este relativamente recente campo de estudo dentro da logística empresarial. Palavras-chave: logística reversa, fatores de influência, bens de pós-consumo, comportamento do consumidor, modelo conceitual. ABSTRACT The increasing consumption of goods and products has contributed to the worsening of environmental problems. In this context, as a way to minimize the negative impacts of inadequate
3 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 waste management, the National Solid Waste Policy was established in Brazil. Among the main instruments of the aforementioned law, Reverse Logistics contributes as an essential tool for the return of post-consumer products to their origin. However, the effective return of this waste may not be satisfactory, as it depends on several factors. In this sense, this study aimed to identify variables that may influence the return of post-consumer products through reverse logistics, highlighting as influencing factors aspects inherent to the useful life of products, environmental responsibility and consumer behavior issues. Based on the bibliographic review carried out, a Conceptual Model was developed and validated through consultation with experts. Additionally, with the help of statistical resources, an analysis of the opinions expressed by the consulted experts was made, pointing out conjectures and possible trends regarding the researched object. Therefore, this research contributed, in addition to prescribing influencing variables, to the possible interrelations between them, thus providing scientific advancement in the area, as well as serving as a conceptual basis for the creation of mathematical models applicable to this relatively recent field of study within business logistics. Keywords: reverse logistic, influence factors, post-consumption goods, consumer behavior, conceptual model. RESUMEN El aumento creciente del consumo de bienes y productos ha contribuido al agravamiento de los problemas ambientales. En este contexto, como forma de minimizar los impactos negativos de la gestión inadecuada de los residuos generados, se estableció en Brasil la Política Nacional de Residuos Sólidos. Entre los principales instrumentos de la citada ley, la Logística Inversa contribuye como herramienta esencial al retorno de los productos postconsumo a su origen. Sin embargo, el retorno real de estos residuos puede no ser satisfactorio, ya que depende de varios factores. En este sentido, el presente estudio tuvo como objetivo identificar variables que pueden influir en el retorno de productos postconsumo a través de la logística inversa, destacando como factores influyentes aspectos inherentes a la vida útil de los productos, responsabilidad ambiental y cuestiones de comportamiento del consumidor. Con base en la revisión bibliográfica realizada, se desarrolló un Modelo Conceptual y fue validado mediante consulta a expertos. Adicionalmente, con ayuda de recursos estadísticos, se realizó un análisis de las opiniones expresadas por los expertos consultados, señalando conjeturas y posibles tendencias respecto al objeto investigado. Por tanto, esta investigación contribuyó, además de prescribir las variables influyentes, a las posibles interrelaciones entre ellas, aportando así un avance científico en el área, además de servir como base conceptual para la creación de modelos matemáticos aplicables a este campo de estudio relativamente reciente dentro de la logística empresarial. Palabras clave: logística inversa, factores influyentes, bienes posconsumo, comportamiento del consumidor, modelo conceptual.
4 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 1 INTRODUÇÃO Devido ao aumento da intervenção do homem na natureza, tanto quanto o crescimento da industrialização, o problema ambiental tem se agravado gradativamente. Esse problema pode ser verificado, entre outros fatores, através do aumento dos desastres ambientais. Devido esse avanço significativo da problemática ambiental os encontros mundiais trazem essa questão como pauta obrigatória. Nesse sentido, as empresas estão buscando alternativas para evitar que passem a ser vistas como vilãs da sociedade (Dias, 2011). Devem-se ressaltar alguns aspectos positivos de diretrizes que podem mudar o destino dos resíduos sólidos. Uma delas é a prevenção e precaução, isto é, redução, reutilização, reciclagem e a distribuição adequada dos rejeitos em aterros sanitários. Têm-se também a logística reversa, onde o setor empresarial deve assumir a responsabilidade pelos resíduos gerados e a integração dos catadores, que envolve a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos (Instituto Akatu, 2010). De modo a inibir os impactos negativos resultantes da destinação inadequada dos resíduos sólidos, após dezenove anos de tramitação, foi aprovada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei Federal 12.305/2010 – que traz princípios e objetivos ambientais, e busca orientar para a implantação dos sistemas de logística reversa, trazendo conceitos de responsabilidade compartilhada e gerenciamento adequado englobando tanto os resíduos industriais quanto os domiciliares (Nogueira; Manor, 2015; Silva; Rodrigues; Damiati, 2016). Os benefícios ambientais resultantes de políticas voltadas à logística reversa são evidentes, uma vez que se reinfere valor aos produtos pela possibilidade de retorno dos mesmos à cadeia produtiva, nas mais diversas formas. Em contrapartida, e paralelamente a esse processo – envolvendo também questões de ecoeficiência e melhoria da qualidade ambiental – cabem considerações acerca da representatividade desses quantitativos que vem sendo retornados por meio da logística reversa (Fagundes, 2015). A falta de critérios bem definidos, bem como de políticas amplamente divulgadas para a determinação desses montantes pode estar dificultando uma visão mais clara dos quantitativos “que deveriam estar sendo retornados” – sob o ponto de vista ambiental – ou seja, os quantitativos que vem sendo retornados na linha do tempo podem não ser representativos frente aos montantes produzidos (Fagundes, 2015).
5 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 Dessa forma, mesmo que números apresentados sinalizem crescimento dos quantitativos retornados por meio de logística reversa ao longo dos anos, ainda demandarão de uma referência – a ser utilizada como padrão – para embasar interpretações acerca de sua representatividade (Fagundes, 2015). E é sob essa perspectiva que esta pesquisa se justifica: pela falta de uma forma de determinar os quantitativos de produtos pós-consumo a serem retornados às indústrias por meio da logística reversa. Para preencher essa lacuna, propõe-se – nesta pesquisa – um estudo acerca das variáveis que podem influenciar na determinação desses valores de referência, tais como: questões comportamentais dos consumidores, informações sobre o descarte correto, tempo de vida útil dos produtos, consciência ambiental dos consumidores, entre outras. Considerando essa conjuntura, pretende-se com esta pesquisa identificar quais fatores podem influenciar na quantidade de produtos pós-consumo efetivamente retornados por meio da logística reversa. Neste sentido, utilizou-se o seguinte protocolo de pesquisa: identificação, na literatura, de quais fatores podem influenciar na quantidade de produtos pós-consumo efetivamente retornados por meio da logística reversa; criação de um mapa conceitual, categorizando e inter-relacionando os fatores de influência pautados e; complementação e validação desse mapa conceitual, por meio de consulta a especialistas. Assim sendo, esta pesquisa buscou trazer como contribuição, além da prescrição de variáveis de influência, as possíveis inter-relações entre as mesmas, propiciando, deste modo, avanço científico à área. Como desdobramentos decorrentes, este estudo também tem potencial para servir como base conceitual para a criação de modelos matemáticos que busquem determinar – com maior precisão – esses quantitativos, podendo refletir de forma relevante nas políticas ambientais e, consequentemente, implicar na efetiva diminuição da quantidade de resíduos oriundos de produtos pós-consumo, uma vez que tornar-se-á possível evidenciar – sob o ponto de vista ambiental – o quanto deveria estar sendo retornado versus o quanto foi efetivamente retornado por meio da logística reversa.
6 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 RESPONSABILIDADE AMBIENTAL A preocupação com o meio ambiente vem aumentando e a busca por maneiras de amenizar os problemas causados pelo excesso de poluição se intensificando. De modo a alertar a população para essa problemática, a responsabilidade ambiental passou a ser discutida nos principais eventos ambientais (Dias, 2011). Dessa forma, Mendonça et al. (2017), trazem como conceito de responsabilidade ambiental a forma de preservar o meio ambiente e auxiliar na qualidade de vida das pessoas. Nesse sentido, e corroborando com o objeto desta pesquisa, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) dá subsídios para o seu desenvolvimento. 2.1.1 Política Nacional de Resíduos Sólidos A PNRS teve início a partir de um Projeto de Lei (PL) proposto em 1991 pelo Senado Federal como (PL) 203, que tratava inicialmente de resíduos de saúde. Com um gradativo aumento de projetos no decorrer dos anos houve a necessidade de elaborar um substituto para esses projetos com intuito de aproveitar e organizar as sugestões recebidas. Houve então uma série de debates e seminários para discussão sobre resíduos que tinha como objetivo reunir contribuições para a política nacional que vinha sendo elaborada. Ainda que, com quase 20 anos de tramitação, no dia 2 de agosto de 2010, foi sancionada pela Presidência da República a Lei nº. 12.305/10, que instituiu a PNRS, regulamentada pelo Decreto Federal n° 7.404, de 23 de dezembro de 2010 (Magri; Damiati, 2012). A lei sancionada reúne conceitos modernos referentes a gestão de resíduos sólidos e se dispôs a trazer novas ferramentas à legislação ambiental brasileira. Destacam-se alguns desses aspectos: gestão integrada dos resíduos sólidos, responsabilidade compartilhada, logística reversa e inclusão social dos catadores (Jacobi; Besen, 2011). A divisão e a responsabilidade da gestão dos resíduos pode ser entendida também como responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, que busca abranger os diferentes
7 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 setores a fim de reduzir a geração de resíduos, incentivando as boas práticas socioambientais e promovendo melhor aproveitamento (Ushizima; Marins; Muniz Junior, 2014). Segundo Brasil (2012), o Art. 3° inciso XVII traz como definição a respeito do ciclo de vida dos produtos a responsabilidade compartilhada, na qual todos os agentes da cadeia, de fabricantes e importadores até mesmo consumidores, são incumbidos de minimizar o volume gerado de resíduos sólidos e reduzir as alterações no meio ambiente resultantes do ciclo de vida dos produtos, nas definições desta lei. Nesse contexto, a logística reversa se constitui como uma importante ferramenta da PNRS, contribuindo favoravelmente à completude do ciclo de vida dos produtos. 2.2 LOGÍSTICA REVERSA A Logística reversa surgiu recentemente como área chave para a competitividade empresarial e como um fator de diferenciação, ela oferece ganhos para a organização por proporcionar um processo de retorno de produtos e resíduos estruturado (Rocha; Leite, 2015). Desta forma, pode ser compreendida como um processo inovador da logística empresarial, e está relacionada diretamente com o retorno dos produtos de pós-venda e pósconsumo. Em vista disso, vem atraindo a atenção de organizações empresariais e de pesquisas científicas, já que se pode, com isso, inferir um incremento competitivo favorável (Leite, 2009; Pardo et al., 2008). A Logística reversa deve finalizar o ciclo, retornando os produtos já consumidos dos diferentes pontos de consumo até sua origem, visto que se refere ao “ciclo de vida do produto”. O termo ciclo de vida do produto (CVP) está fundamentado como uma série de etapas que englobam o lançamento do produto, a fase de reconhecimento no mercado, a maturidade do mesmo e o declínio pela obsolescência do produto. E assim, o mercado, os consumidores e os concorrentes buscam uma incessante transformação na garantia de sucesso, através do gerenciamento do volume do investimento em cada etapa do ciclo de vida (Brasil, 2012; Lacerda, 2002; Reis, 2007; Wille, 2013). Como objetivo da logística reversa, Chaves, Barboza e Alcantara (2011, p.3) salientam sobre a agregação de valor “[...] de diversas naturezas a produtos que apresentam estado de fim de vida útil ou que ainda estão em condição de uso – bens de pós-consumo”.
8 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 De acordo com Brasil (2012) a Lei 12.305/10 conceitua Logística Reversa como como uma ferramenta de desenvolvimento econômico e social constituído por um conjunto de mecanismos que tem como objetivo possibilitar que os resíduos sólidos gerados retornem ao setor produtivo, esse retorno pode ocorrer de diferentes maneiras, em seu próprio ciclo produtivo ou em outro processo, ou dispor de outra destinação final ambientalmente adequada. 2.2.1 Logística Reversa de Pós-Consumo A caracterização da Logística Reversa de Pós-Consumo se baseia nos bens descartados pela sociedade, que estão tendendo para o final da sua vida útil, devido ao uso, não atendendo mais as necessidades do proprietário original; ou são resíduos industriais, podendo ou não serem retornados ao ciclo produtivo, por meio de canais de distribuição reversos específicos. Por conseguinte, há alguns meios de reaproveitar os bens de pós consumo: reuso, manufatura, reciclagem de materiais e incineração, são alguns dos artifícios utilizados para agregar valor tanto no meio logístico, econômico e ecológico (Guarnieri et al., 2005; Leite, 2009; Sávio; Kamimura; Silva, 2011; Silva et al., 2006). Segundo Mueller (2005), a Logística Reversa de pós-consumo vem apresentando maneiras na qual, busca-se administrar não apenas a entrega dos produtos aos clientes, mas também auxiliar no direcionamento dos produtos retornados para que possa ser descartado corretamente ou reutilizado. Nesse contexto, Leite (2009) designa três categorias de bens produzidos em relação à logística reversa e os canais de distribuição de pós-consumo: os bens descartáveis são produtos que apresentam uma vida útil de média duração, são compostos por pilhas, embalagens, brinquedos, entre outros. Os bens duráveis estão relacionados com a satisfação de necessidades da vida social como os automóveis, por exemplo. E por fim, bens semiduráveis, são aqueles que possuem duração média de vida útil de poucos meses, são as baterias de veículos, óleos lubrificantes, computadores, dentre outros.
9 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 2.2.2 Logística Reversa de Pós-Venda A logística reversa de pós-venda se encarrega das informações logísticas dos bens de pósvenda, de delinear e de operar o fluxo. Nesse sentido, é viável estar agregando valor ao produto que foi devolvido por motivos comerciais, defeitos de fabricação, irregularidades do pedido, garantias ou qualquer outro tipo de avarias. Cabe salientar que existem diversos métodos e técnicas para a destinação apropriada dos bens de pós-venda. Logo, os produtos de pós-venda diferem-se dos produtos de pós-consumo por possuírem uma aplicabilidade menor ou às vezes nem possuir uso (Leite, 2009; Silva et al., 2006; Mueller, 2005). Medeiros e Faria (2009), ressaltam que a estratégia de pós-venda, está diretamente conectada na estratégia da logística reversa, sendo assim, a partir do momento que a empresa dispõe de bens em circulação no mercado, a mesma deve estar instruída para lidar com as eventuais insatisfações provindas dos consumidores. A vantagem da implementação, através de um bom gerenciamento do processo de logística de pós-venda, constitui um privilégio competitivo investindo num atendimento diferenciado, agregando valores a curto e longo prazo na tentativa de criar uma fidelidade com o cliente. Identifica-se que, as empresas destaques no mercado buscam manifestar essa atitude, através de parcerias entre fornecedores e clientes, visando proporcionar uma redução nos impactos ambientais e construindo uma imagem corporativa positiva perante os negócios (GUARNIERI et al., 2005). 2.3 CICLO DE VIDA ÚTIL DO PRODUTO Atrelada à logística reversa a análise do ciclo de vida do produto (CVP) é fundamental. O conceito de CVP ou serviço abrange diversos segmentos desde o lançamento até o destino final (Silva et al., 2006). No entanto, Frossard (2013), relaciona o conceito de CVP como sendo similar ao ciclo de vida dos seres vivos: nascimento, infância/adolescência, idade adulta e por fim a velhice, podendo acontecer imprevistos durante as fases da vida. O CVP ou serviço pode ser utilizado como ferramenta de apoio à decisão, muito utilizada pelas empresas e principalmente pelo marketing, a referida pode ser subdividida em quatro fases, conforme apresentado na Figura 1.
16 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 Uma alternativa para o descarte é a possibilidade de reaproveitamento para outras finalidades. De acordo com Occaso, Silva e Lima (2016), as redes sociais e canais de comunicação vem contribuindo através da divulgação, ou até mesmo ensinando como reutilizar esses produtos de uma forma sustentável. Pode-se observar esses novos produtos oriundos do descarte em obras de arte, produtos de decoração, etc. Essa prática além de contribuir com meio ambiente auxilia na geração de emprego e renda. Outra maneira de estimular o consumidor a realizar o descarte correto é através de incentivos, que geram descontos ou benefícios na hora de trocar o produto. Como por exemplo o projeto CEEE Distribuição em Casa, esse projeto tem como objetivo promover a troca de equipamentos que consomem mais energia por aparelhos com menor consumo (CEEE, 2016). O compromisso ambiental dessa ação promovida pelo projeto CEEE Distribuição em casa, traz benefícios para todos, pois quando o consumidor adere ao projeto, o mesmo precisa dispor de cinco lâmpadas incandescentes na qual, em troca receberá um kit contendo lâmpadas fluorescentes e uma de LED. Esses produtos recolhidos são encaminhados para realização do descarte correto através da logística reversa (CEEE, 2016). A educação ambiental é de suma importância, mas o acesso a essas informações na maioria das vezes é restrito. De acordo com Brasil (1999), a referida pode ser entendida como métodos pelos quais os cidadãos e a sociedade em geral desenvolvem princípios e a capacidade para o discernimento da proteção ambiental, fundamentais para a sustentabilidade e a conservação ambiental. Portanto, a carência de informações pode acarretar diretamente no aumento da quantidade de resíduos descartados de forma inadequada. Assim sendo, o fomento ao acesso às informações ambientais deve ser intensificado, abrangendo principalmente os meios de comunicação de massa, no sentido de incentivar iniciativas de descarte consciente em empresas, escolas, comunidade em geral (Barros, 2006). 2.4.2 Estilo de consumidor Existem três estilos de consumidores: o consumidor impulsivo, é aquele que olha, gosta e compra. O amadurecido, que considera sua situação financeira e determina suas compras com um grau de racionalidade e até pode ceder a algum impulso, mas, “habitualmente” não foge de
17 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 uma “lista de compras”. O outro estilo de consumidor é o racional que planeja seu consumo, e leva em conta suas reais necessidades. Observando os três estilos, o ideal – independente do estilo de consumidor – é consumir com responsabilidade (Cavalcanti, 2011; Solomon, 2011). No entanto, o fator meio ambiente é o que mais sensibiliza o consumidor, pois representa uma questão capaz de alterar seu grau de consciência. É possível observar um salto qualitativo nos estilos de consumo, através de diálogos com o consumidor. Outro fator que viabiliza o salto qualitativo são conceitos de consumo consciente e responsabilidade social. Também é necessário estimular a sociedade a refletir de forma efetiva suas reais necessidades de consumo (Cavalcanti, 2011). As mudanças nos padrões de consumo podem ser observadas através da análise do papel do indivíduo em seu meio. Nos últimos anos pode-se observar um aumento na conscientização das pessoas com relação aos danos que o uso indevido dos recursos naturais podem provocar ao meio ambiente. Porém, ainda não se observou uma mudança nos padrões de consumo dos cidadãos. As pessoas já conhecem os benefícios da reciclagem, porém permanecem jogando lixo em lugares não apropriados. É possível apurar que se não ocorrer uma mudança cultural, que coloque valores sustentáveis acima do consumismo, nenhuma tecnologia ou política pública, poderá resgatar a humanidade de problemas climáticos, sociais e ambientais (Cavalcanti, 2011). Quanto mais se produz, mais se consome; isto determina um ciclo vicioso no qual a sociedade moderna está submetida. O consumo demanda produção, e a produção é intensificada para fomentar o consumo. Sendo assim, os produtos possuem tempo menor de vida útil, pois encoraja-se o consumo e a produção, na qual se torna muito mais prática a compra de produtos novos, em vez de conservar ou arrumar um produto antigo (Costa; Ignácio, 2011). É importante revelar que um consumo de modo algum será 100% sustentável, pois se trata de um conceito complexo e deve ser procurado em toda cadeia produtiva. Raramente um produto ou serviço é integralmente sustentável, pois até este momento vive-se na era dos combustíveis fósseis. Porém, a conscientização que ainda é praticada por um percentual baixo da população, vem crescendo, e já permite uma série de negócios, e as empresas vem sofrendo uma revolução em suas práticas e processos de produção (Cavalcanti, 2011). Além disso, o mercado tem o papel fundamental de instigar modelos novos, desvalorizando produtos que ainda estão em condições ideais de uso. Isto ocorre principalmente pelo consumismo, que vêm predominando desde o tempo da era da revolução industrial, bem
18 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 como os danos causados ao meio ambiente vem sendo estimulados, através das práticas da obsolescência programada (Motta, 2011). Portanto, reconhece-se que a quantidade de resíduos sólidos produzidos pela população, está refletida não somente na capacidade econômica, mas também com os valores e hábitos de vida do consumidor. Com o propósito de compreender as relações de consumo e sociedade, inicialmente é apresentada a forma com que a mesma descreve o consumo, focando em três correntes que abordam sobre o consumo. Onde a primeira expõe a perspectiva do consumo inserida, em uma comunidade voltada para o capitalismo, onde predomina o lucro e a mercadoria. Pela segunda vertente a sociedade e o indivíduo delibera de forma sensata aquilo que quer consumir ou utilizar. Enquanto o terceiro segmento retrata, que a identidade do consumidor está correlacionada ao seu poder aquisitivo (Costa; Ignácio, 2011; Godecke; Naime; Figueiredo, 2012). Deste modo, presencia-se uma constante luta, de um lado está a natureza e o meio ambiente, do outro, encontra-se o desenvolvimento e o consumismo, e quem sempre sairá destruído é a natureza, visto que quem dita as regras para protegê-la vem sendo a própria sociedade consumista (Costa; Ignácio, 2011). 3 METODOLOGIA De acordo com Silva e Menezes (2005, p.20), “a pesquisa é um conjunto de ações, propostas para encontrar a solução para um problema, que têm por base procedimentos racionais e sistemáticos”. Nessa conjuntura a presente pesquisa utilizou estratégia qualitativa, expressa por meio de um protocolo experimental. Nesse sentido foi sistematizada mediante modelagem, utilizando estruturação Delphi consubstanciada em dados obtidos através da aplicação de Survey. Adicionalmente, com base nos insumos obtidos através de escala semântica de nove pontos, realizou-se análise quantitativa descritiva e inferencial. No presente estudo predomina a forma de abordagem combinada. Segundo Miguel et al. (2012), a abordagem combinada é a junção das abordagens qualitativas e quantitativas, essa combinação busca proporcionar uma visão mais ampla e completa almejando melhores resultados no formato combinado do que trabalhando individualmente. Quanto aos objetivos,
19 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 possui característica predominantemente exploratória, pois procura estabelecer proximidade com o tema, pretendendo compreendê-lo melhor e gerar possíveis hipóteses (Gil, 2002). O Quadro 2 demonstra os passos para o desenvolvimento da pesquisa. Quadro 2. Etapas do desenvolvimento da pesquisa I Levantamento bibliográfico para a construção dos fatores de influência no retorno de produtos pósconsumo por meio da logística reversa. II Elaboração de um modelo conceitual, baseado na teoria pesquisada, sugerindo indicadores e índices pertinentes. III Elaboração de questionário visando validar o modelo conceitual e definir a influência relativa entre os indicadores e índices elencados. IV Envio do questionário, via internet, a especialistas da área. V Utilização do método Delphi para compilar as opiniões dos especialistas respondentes. VI Refinamento e avaliação dos resultados obtidos. VII Conclusões e recomendações. Fonte: Elaborado pelos autores Para a compreensão do tema em estudo, foi realizado um levantamento bibliográfico tendo como base de apoio a pesquisa no Portal de Periódicos da Capes, o referido conta com uma biblioteca virtual onde reúne e disponibiliza cerca de 38 mil periódicos com textos completos, distribuídos dentre suas 134 bases referenciais (MEC, 1990). Também foram consultados websites, além da consulta a livros, leis e outros materiais disponíveis na internet. Após o levantamento bibliográfico, foi elaborado um modelo conceitual identificando e inter-relacionando fatores que podem interferir no processo do retorno do produto, conforme apresentado na Figura 3.
20 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 Figura 3. Modelo conceitual. Fonte: Elaborado pelos autores. O Quadro 3 apresenta as referências bibliográficas que consubstanciaram a elaboração do Modelo conceitual proposto. Quadro 3. Referências bibliográficas utilizadas como embasamento teórico do Modelo conceitual proposto FATORES QUE INFLUENCIAM NO RETORNO DE PRODUTOS PÓS-CONSUMO Tempo de Vida Útil do Produto Silva et al., 2006; Frossard, 2013; Kotler; Keller, 2006; Reis, 2007. Obsolescência programada Dannoritzer, 2011; Efing; Paiva, 2016; Furtado, 2011; González, 2017; Printes, 2012. Garantia fornecida pelo fabricante Brasil, 2007; Idec, 2017(b); Idec, 2017(a); Guglinski, 2007; Procon-SP, 2017. Intempéries Brito et al., 2003; Marques, 2009. Manutenção do equipamento ABNT, 1994; Marques, 2009. Existência de peças de reposição Figueiredo, 2002.
21 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 Novas Tecnologias Blum; Bomilcar; Rosado, 2016; Rebelatto et al., 2016; Spannemberg Júnior; Melo; Costa, 2014. Responsabilidade Ambiental Brasil, 2012; Chaves; Barbosa; Alcantara, 2011; Dias, 2011; Guarnieri et al., 2005; Instituto Akatu, 2010; Jacobi; Besen, 2011; Lacerda, 2002; Leite, 2009; Magri; Damiati, 2012; Medeiro; Faria, 2009; Mendonça et al., 2017; Mueller, 2005; Nogueira; Manor, 2015; Pardo et al., 2008; Reis, 2007; Rocha; Leite, 2015; Sávio; Kamimura; Silva, 2011; Silva et al., 2006; Silva; Rodrigues; Damiati, 2016; Ushizima; Marins; Muniz Junior, 2014; Wille, 2013. Questões Comportamentais dos Consumidores Blackwell; Miniard; Engel, 2005; Pinheiro, 2016; Solomon, 2011; Vieira, 2016. Consciência ambiental Blackwell; Miniard; Engel, 2005; Brasil, 2012; Butzke; Pereira; Noebauer, 2001; Costa; Ignácio, 2011; Coutinho; Domingues, 2016; Gasparini; Gasparini; Frigieri, 2011; Kotler; Keller, 2006; Mesquita Junior et al., 2013; Solomon, 2011. Estilo de consumidor Cavalcanti, 2011; Costa; Ignácio, 2011; Godecke; Naime; Figueiredo, 2012; Motta, 2011; Solomon, 2011. Incentivos Ceee, 2016; Occaso; Silva; Lima, 2016. Acesso à Informação Barros, 2006; Brasil, 1999. Custo x Benefícios da manutenção Andrade et al., 2011. Acidentes/Quebras/Mau uso Fernandes, 2015; Piechnicki, 2011. Fonte: Elaborado pelos autores A fim de validar o modelo proposto, bem como de considerar a opinião de especialistas na área ambiental sobre as influências relativas entre os índices componentes do referido modelo, foi elaborado um questionário utilizando a ferramenta Google Forms®. O teste experimental do instrumento foi realizado por meio de consulta a cinco especialistas (três doutores e dois mestres) sendo, posteriormente, enviado por meio eletrônico a um grupo maior de especialistas na área ambiental. Utilizou-se uma escala semântica do tipo Likert com nove pontos que combina a direção e veemência das respostas, havendo no intervalo variações de escolhas entre os extremos “nula” e “alta”. A escala tipo Likert concede que sejam agregados outros meios que ampliam a análise,
22 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 sob pressupostos ontológicos qualitativos e quantitativos de pesquisa (Dalmoro; Vieira, 2013; Fagundes, 2015; Pereira; Fettermann, 2014). O método Delphi foi utilizado na compilação dos dados obtidos. Esse método foi escolhido pelo fato que pode ser utilizado de forma associativa com a escala Likert, buscando focar na convergência dos dados qualitativos, fazendo com que as respostas tendam para um consenso (Fagundes, 2015). Segundo Scarparo et al. (2012), o método Delphi permite realizar a filtragem de opiniões de pessoas consideradas de grande conhecimento sobre o assunto, e dessa forma buscar chegar a uma opinião igual ou semelhantes usando questionários juntamente com o feedback, é um método que segue um sistema de avaliação das informações, tem como característica manter o anonimato dando conforto e privacidade para os respondentes. Posteriormente, foi realizada uma análise estatística das variáveis elencadas utilizando o software Statistical Package for the Social Scienses (SPSS), este software possui aplicabilidade em diversos tipos de análises. Para este estudo foram elencadas análises descritivas e testes multivariados, mediante de análise fatorial; no intuito de interpretar e controlar os dados de modo eficiente e preciso (Marques, 2009). 4 RESULTADO E DISCUSSÃO 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA Os construtos contaram com a participação de especialistas da área ambiental de diferentes estados do Brasil. Inicialmente, após o teste experimental do questionário, os construtos foram compartilhados por meio eletrônico com 140 especialistas na área ambiental. Para que o êxito da pesquisa fosse alcançado, a contribuição de profissionais com experiência na área ambiental foi de suma importância como demonstra o Gráfico 1.
23 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 Gráfico 1. Amostra caracterizada por especialistas. Fonte: Dados da pesquisa de campo. Na primeira rodada do questionário, foram selecionados 140 especialistas na área ambiental, dos quais 64 deles responderam os questionários (x = 45,7%). Dentre os respondentes, foram 50 pesquisadores (36 doutores e quatorze mestres), doze gestores ambientais de indústrias (sendo um deles doutor) e dois representantes de órgãos ambientais (dentre eles, um doutor e um mestre). Os setores de atuação e o grau de instrução dos especialistas contribuíram para a credibilidade das opiniões pautadas. Na segunda rodada do questionário, foram reenviados para os 64 respondentes, no qual foi solicitada uma reavaliação. Dessa forma, os percentuais gerais de respostas da primeira rodada Delphi foram incluídos no questionário desta segunda, dando aos respondentes a oportunidade de reavaliar sua opinião. Cabe ressaltar que os respondentes tiveram a opção de manter a mesma posição assumida na primeira rodada ou assumir um novo posicionamento frente aos percentuais gerais de resposta apresentados. Do total de questionários enviados na segunda rodada, 52 foram respondidos (x = 81,3%), contendo a opinião de 39 pesquisadores (27 doutores e doze mestres), onze gestores industriais (sendo um deles doutor) e dois representantes de órgãos ambientais (dentre eles, um doutor e um mestre). Após obter os resultados dos questionários, ambos tiveram seus dados tabulados no software Excel da Microsoft. A fim de facilitar as análises estatísticas os dados mencionados foram apurados através do software Statistical Package for the Social Scienses (SPSS). Considerando que os resultados obtidos por meio da segunda rodada são mais relevantes, pelo fato de representarem a confirmação e o maior alinhamento das opiniões dos respondentes ao
24 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 questionário, esses foram os insumos utilizados para embasar as análises e discussões deste trabalho. 4.2 ANÁLISES DESCRITIVAS DOS CONSTRUTOS Nesta sessão, serão apresentadas as variáveis elencadas na demarcação das dimensões secundárias, estabelecendo análises descritivas sobre os índices na amostra circunscrita ao estudo, tendo em vista as variáveis elaboradas com base na literatura. 4.2.1 Análise Descritiva dos Construtos da Dimensão Tempo de Vida Útil do Produto Os construtos da dimensão Tempo de Vida Útil do Produto são retratados na Tabela 1 expondo as variáveis que compõem o construto, juntamente com suas médias e desvios padrões. Tabela 1. Médias e Desvios Padrões dos Construtos da Dimensão Tempo de vida útil do produto Dimensão Média Variável Média Desvio Padrão Tempo de Vida Útil do Produto 7,6026 Obsolescência Programada 8,3269 0,75980 Garantia Fornecida pelo Fabricante 7,5385 0,95920 Intempéries 6,0192 0,89641 Manutenção do Equipamento 7,6538 0,81372 Existência de Peças de Reposição 8,0000 0,68599 Novas Tecnologias 8,0769 0,62139 Fonte: Dados da pesquisa de campo. Analisando as médias das variáveis deste construto, pode-se observar que a variável Obsolescência Programada obteve melhor resultado (x = 8,3269), isso pode ser reflexo do mercado, como decorrência das inter-relações entre as novas tecnologias e a existência de peças de reposição. Como segundo melhor resultado, a variável Novas Tecnologias assumiu a média (x = 8,0769), essa variável fomenta a importância de realizar estudos buscando novos nichos de mercado para que possam ser explorados, estimulando o consumo, em contrapartida contribuindo para a obsolescência dos produtos ou serviços já existentes. Ainda sob essa perspectiva a Existência de Peças de Reposição (x = 8,0000) se sobressaiu como a terceira maior média. Esta variável sugere uma relação com o ciclo de vida do produto,
25 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 pois a indústria observa essa influência como um produto secundário e, como este produto pode ter alcançado sua maturidade, há uma tendência de redução nas vendas, portanto a indústria pode considerar mais vantajoso investir em novos produtos do que dispor desse serviço. Cabe salientar, que dentre todos os desvios padrões deste modelo conceitual proposto, o que obteve melhor resultado foi Novas Tecnologias (σ = 0,62139). Isso demonstra que na visão dos especialistas houve um maior nível de concordância das respostas neste quesito. Corroborando com este indicador, pode-se inferir que, considerando as inter-relações entre as variáveis deste construto, as referidas podem ser utilizadas como instrumentos de apoio à decisão pelo consumidor. 4.2.2 Análise Descritiva dos Construtos da Dimensão Questões Comportamentais dos Consumidores Os construtos da dimensão Questões Comportamentais dos Consumidores estão retratados na Tabela 2, expondo as variáveis que compõem o construto juntamente com suas médias e desvios padrões. Tabela 2. Médias e Desvios Padrões dos Construtos da Dimensão Questões comportamentais dos consumidores Dimensão Média Variável Média Desvio Padrão Questões Comportament. dos Consumidores 7,8814 Consciência Ambiental 8,1346 0,95031 Estilo de Consumidor 8,1154 0,64637 Incentivos 8,0769 0,68158 Acesso à Informação 7,9038 0,69338 Custo x Benefício da Manutenção 7,8462 0,75107 Acidentes / Quebras / Mau uso 7,2115 0,63667 Fonte: Dados da pesquisa de campo. Para esta dimensão, os dados apontam a Consciência Ambiental como variável de maior influência, assumindo (x = 8,1346), a qual sugere que as ações provindas de campanhas sócio ambientais e facilidades no acesso a informações, vem contribuindo para redução de resíduos descartados de forma inadequada. Cabe destacar outras duas variáveis: o Estilo de Consumidor, que obteve média (x = 8,1154), indica que o fator meio ambiente vem sensibilizando o consumidor, podendo influenciar no seu grau de consciência; enquanto a variável Incentivos assumiu (x = 8,0769), a referida tem
32 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 COSTA, L. A. V. D; IGNÁCIO, R. P. Relações de Consumo x Meio Ambiente: Em busca do Desenvolvimento Sustentável. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIV, n. 95, dez 2011. COUTINHO, F. G. D. A.; DOMINGUES, D. A. D. S. Comportamento do Consumidor. Maringá – PR, UniCesumar, 254 p., 2016. DALMORO, M.; VIEIRA, K. M. Dilemas na construção de escalas Tipo Likert: o número de itens e a disposição influenciam nos resultados?. Revista gestão organizacional, v. 6, n. 3, p. 161-174, 2013. DANNORITZER, C. Comprar, Tirar, Comprar: La Historia Secreta de La Obsolescencia Programada. Espanha: TVE, 2011, (53 min). Disponível em: <http://docverdade.blogspot.com/2011/02/comprar-jogar-fora-comprar-comprar.html>. Acesso em: 09 fev. 2025. DIAS, R. Gestão Ambiental: Responsabilidade Social e Sustentabilidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011. EFING, A. C.; PAIVA, L. L. D. Consumo e Obsolescência Programada: Sustentabilidade e Responsabilidade do Fornecedor. Revista de Direito, Globalização e Responsabilidade nas Relações de Consumo. Curitiba, v. 2, n. 2, p. 117 - 135, Jul/Dez 2016. FAGUNDES, A. B. Modelagem Fuzzy para avaliação de desempenho ambiental do gerenciamento de resíduos sólidos industriais. 1v. TESE (Doutorado) – Curso de Doutorado em Tecnologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2015. FERNANDES, I. T. M. Culpa exclusiva do consumidor nos acidentes de consumo. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015. FIGUEIREDO, K. A Logística do Pós-Venda. Revista Tecnologística. Ano VIII, n.80, 2002. FROSSARD, A. C. P. Custeio do Ciclo de Vida de Produtos e Serviços. Revista Científica INTERMEIO - Faculdade de Ensino e Cultura do Ceará – FAECE / Faculdade de Fortaleza - FAFOR , v. 1, n. 1, p. 99 - 119, 2013. FURTADO, T. D. S. Trabalho e Organizações Capitalistas: Análise dos Aspectos Humanos no Trabalho. Monografia. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2011. GASPARINI, J. D. C.; GASPARINI, A. R.; FRIGIERI, M. C. Estudo do Descarte de Medicamentos e Consciência Ambiental no Município de Catanduva-SP. Ciência & Tecnologia: FATEC-JB, Jaboticabal, v. 2, n. 1, p. 38-51, 2011. GIL, A. C. Como elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. GODECKE, M. V.; NAIME, R. H.; FIGUEIREDO, J. A. S. O Consumismo e a Geração de Resíduos sólidos Urbanos no Brasil. Electronic Journal of Management, Education and Environmental Technology (REGET), v.8, n. 8, p. 1700-1712, 2012.
33 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 GONZÁLEZ, L. V. D. La Obsolescência Programada: Medios de Reacción. Universidad de La Laguna, junio 2017. Disponível em: <https://riull.ull.es/xmlui/bitstream/handle/915/5104/La%20obsolescencia%20programada%20 Medios%20de%20reaccion.pdf?sequence=1> . Acesso em: 09 fev. 2025. GUARNIERI, P. et al. A Logística Reversa de Pós-Venda e Pós-Consumo Agregando Valor Econômico, Legal e Ecológico às Empresas. ADM 2005 Congresso de Administração e 4º COMEXSUL Congresso Sul Brasileiro de Comércio Exterior, Ponta Grossa, Paraná, Brasil, 26 a 29 setembro 2005. GUGLINSKI, V. V. Garantia de Produtos e Serviços: Consumidor Informado é Consumidor Consciente. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, X, n. 39, mar 2007. IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Código de Defesa do Consumidor. 2017b. IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Produtos: Faça Valer Seu Direito na Hora da Compra e no Pós-Venda!, 2017a. INSTITUTO AKATU. O Futuro da Política Nacional de Resíduos Sólidos, 29 nov. 2010. Disponível em:< https://www.akatu.org.br/noticia/o-futuro-da-politica-nacional-de-residuossolidos/>. Acesso em: 09 fev. 2025. JACOBI, P. R.; BESEN, G. R. Gestão de Resíduos Sólidos em São Paulo: Desafios da Sustentabilidade. Estudos avançados, v.25, n.71, p. 135-158, 2011. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. LACERDA, L. Logística Reversa: Uma Visão Sobre os Conceitos Básicos e as Práticas Operacionais. Rio de Janeiro: COPPEAD/UFRJ, p.6, 2002. LEITE, P. R. Logística Reversa: Meio Ambiente e Competitividade. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. MAGRI, C.; DAMIATI, D. Política Nacional de Resíduos Sólidos: Desafios e Oportunidades para as Empresas. São Paulo: Instituto Ethos, agosto, 2012. MARQUES, S. G. Manutenção Industrial e Custo do Ciclo de Vida – Extracção Oleaginosas. Dissertação. Faculdade de Ciências e Tecnologias – Universidade Nova de Lisboa, Monte da Caparica, 2009. MEC – Ministério da Educação. Portal de Periódicos Capes. 1990. MEDEIROS, B. F. D.; FARIA, M. D. D. Impactos da Logística Reversa: O Caso do Recall do Volkswagen Fox. VI Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia, Resende, v.16, 2009. MENDONÇA, J. C. A. et al. Logística Reversa no Brasil: Um Estudo Sobre o Mecanismo Ambiental, a Responsabilidade Social Corporativa e as Legislações Pertinentes. Revista
34 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 Capital Científico – Eletrônica (RCCe) – ISSN 2177-4153, v. 15, n. 2, p. 130 - 147, Abril/Junho 2017. MESQUITA JUNIOR, J. A. A. et al. Paralelo Entre Gerações De Engenheiros: Consciência Ambiental e o Consumo Ecologicamente Correto. Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação – FEEC – UNICAMP In: Revista Ciência do Ambiente OnLine. v.9, n.1, 2013. MIGUEL, P. A. C. et al. Metodologia de Pesquisa em Engenharia de Produção e Gestão de Operações. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier: ABEPRO, 2012. MOTTA, W. H. Logística Reversa e a Reciclagem de Embalagens no Brasil. In: VII Congresso Nacional de Excelência em Gestão, Rio de Janeiro, 2011. MUELLER, C. F. Meio Ambiente e Produtividade. Grupo de Estudos logísticos, Universidade Federal de Santa Catarina, 2005. NOGUEIRA, S. P.; MANOR, I. Z. Direito Ambiental: A Gestão dos Resíduos Sólidos e Responsabilidade Ambiental. Forum Internacional de Resíduos Sólidos-Anais, São José dos Campos - SPBrasil, v.6, n.6, p.9, 10 a 13 junho 2015. OCCASO, B. A.; SILVA, T. H. D.; LIMA, G. B. Mídias Sociais Como Instrumento no Descarte Sustentável de Produtos: Um Estudo Netnográfico. Convibra, 2016. Disponível em: <https://www.unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/revistaexecutiveonline/sumario/43/0601 2017181112.pdf >. Acesso em: 09 fev. 2025. PARDO, J. D. S. et al. Logística Reversa: Um Interesse Crescente, 2008. Disponível em:< http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/logistica-reversa-uminteresse-crescente/21853/>. Acesso em: 09 fev. 2025. PEREIRA, J. P. D. C. N.; FETTERMANN, D. D. C. Desenvolvimento de Produto com Registro de Indicação Geográfica (IG): Uma Análise do Mercado. Espacios, v. 35, n. 9, p. 7, 2014. PESTANA, M. H.; GAGEIRO, J. N. Análise de Dados para Ciências Sociais: a complementariedade do SPSS. 6. ed. Lisboa: Edições Sílabo, 2014. PIECHNICKI, A. S. Metodologias para implantação e desenvolvimento de sistemas de gestão da manutenção: as melhores práticas. Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Ponta Grossa, 2011. PINHEIRO, A. F. A. A Interferência da Crise Econômica no Comportamento do Consumidor, em Relação aos Pequenos Comércios Locais. South American Development Society Journal, São Paulo - Brasil, v. 2, n. 5, p. 27 - 41, 2016. PRINTES, C. Um Mal a Ser Combatido: A Obsolescência Programada. IDECInstituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, 2012. Disponível em: <https://www.idec.org.br/emacao/artigo/um-mal-a-ser-combatido-a-obsolescencia-programada>. Acesso em: 09 fev. 2025.
35 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 PROCON-SP. Orientações de Consumo Perguntas Frequentes Produtos. 2017. REBELATTO, P. H. et al. Sistema de Logística Reversa em Implantação no Brasil: Uma Análise Comparativa dos Acordos Setoriais de Embalagens Plásticas de Óleos Lubrificantes e Lâmpadas Fluorescente de Vapor de Sódio e Mercúrio e de Luz Mista. Espacios, v. 37, n. 24, p. 24, 2016. REIS, F. O. A. D. O Ciclo de Vida do Produto e as Estratégias de Mercado na Gestão de Marcas-Sandálias Havaianas-Um Estudo de Caso. Juiz de Fora, MG: Tese de Doutorado. Universidade Federal De Juiz De Fora, 2007. ROCHA, M. F. A. L. D.; LEITE, P. R. Indicadores de Desempenho para Logística Reversa: Um Estudo Exploratório. XVIII SEMEAD Seminários em Administração, São Paulo, p.15, novembro 2015. SÁVIO, L.; KAMIMURA, Q. P.; SILVA, J. L. G. A Importância da Logística Reversa no PósVenda e Pós-Consumo. XV INIC / XI EPG - UNIVAP 2011, 2011. SCARPARO, A. F. et al. Reflexões Sobre o Uso da Técnica Delphi em Pesquisas na Enfermagem. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, v. 13, n. 1, 2012. SILVA, C. B. D.; RODRIGUES, I. P. B.; DAMIATI, S. L. Proposta de Implantação do Plano De Gerenciamento de Resíduos Sólidos em Instituição de Ensino Superior. XX Encontro Latino Americano de Iniciação Científica, XVI Encontro Latino Americano de PósGraduação e VI Encontro de Iniciação à Docência – Universidade do Vale do Paraíba, 27 e 28 outubro 2016. SILVA, E. L. D.; MENEZES, E. M. Metodologia da Pesquisa e Elaboração de Dissertação. Florianópolis: LED/UFSC, 2005. SILVA, V. M. D. et al. Uma Visão Sobre os Conceitos Básicos da Logística Reversa. XIII SIMPEP, Bauru, SP, Brasil, 06 a 08 novenbro 2006. SOLOMON, M. R. O Comportamento do Consumidor: Comprando, Possuindo e Sendo. 9.ed. Porto Alegre: Bookman, 2011. SPANNEMBERG JÚNIOR, R.; MELO, M. F.; COSTA, M. A. D. Estudo comparativo entre tipos de lâmpadas: incandescentes, fluorescentes compactas e diodos emissores de luz (LED), XXVI Congresso Regional de Iniciação Científica e Tecnológica em Engenharia – CRICTE/14, Alegrete, Outubro/2014. USHIZIMA, M. M.; MARINS, F. A. S.; MUNIZ JUNIOR., J. Política Nacional de Resíduos Sólidos: Cenário da Legislação Brasileira com Foco nos Resíduos Eletroeletrônicos. XI Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia: Gestão do Conhecimento para a Sociedade, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Unesp, 2014.
36 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.18, n.2, p. 01-36, 2025 jan. 2021 VIEIRA, A. B. C. A Crise Econômica e o Consumo: Uma Análise do Comportamento de Compra do Consumidor de Diferentes Classes Sociais. Projetos, dissertações e teses do Programa de Doutorado e Mestrado em Administração, Belo Horizonte, v.11, n.1, 2016. WILLE, M. M. Logística Reversa: Conceitos, Legislação e Sistema de Custeio Aplicável. Revista eletrônica dos Cursos de Administração e Ciências Contábeis, Curitiba, v. 8, 2013.