SUSTENTABILIDADE E INFÂNCIA: PERSPECTIVAS EDUCACIONAIS PARA O FORTALECIMENTO DA RELAÇÃO CRIANÇA-NATUREZA
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ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 SUSTENTABILIDADE E INFÂNCIA: PERSPECTIVAS EDUCACIONAIS PARA O FORTALECIMENTO DA RELAÇÃO CRIANÇA-NATUREZA. Bianca Polli Rodrigues 1 Resumo Este trabalho discute a relevância da relação entre as crianças e os ambientes naturais no âmbito da Educação Infantil, destacando esse vínculo como essencial para o desenvolvimento integral das infâncias e para a construção de sociedades mais conscientes, resilientes e sustentáveis (Louv, 2016; Tiriba, 2018). Em meio aos desafios impostos pela urbanização e pelo distanciamento crescente da natureza, torna-se urgente refletir sobre o papel da escola na promoção de experiências educativas que favoreçam o contato com o mundo natural desde os primeiros anos de vida. A pesquisa aqui apresentada é de natureza qualitativa (Gil, 2008) e caráter empírico, tendo como objetivo compreender como as práticas pedagógicas nas instituições de Educação Infantil contemplam — ou negligenciam — a presença da natureza no cotidiano escolar. O estudo foi realizado em duas instituições da rede pública, por meio de aplicação de questionários com professoras, realização de entrevistas com membros da equipe gestora e observações sistemáticas nos espaços e nas rotinas escolares. Os dados indicam que, embora as profissionais reconheçam os benefícios do contato com a natureza — como o estímulo à criatividade, à autonomia, ao bem-estar e à curiosidade das crianças —, ainda há grandes limitações para a efetivação dessas práticas. As rotinas permanecem centradas em ambientes fechados, e o uso dos espaços externos é restrito, muitas vezes condicionado ao tempo disponível ou à percepção de risco. Dentre os desafios, destacam-se a precariedade da infraestrutura, a escassez de formação continuada e a ausência de políticas que incentivem propostas pedagógicas voltadas à sustentabilidade. Concluise que integrar a natureza ao cotidiano escolar exige mais do que boa vontade: requer um movimento coletivo de reconfiguração dos espaços, revisão das práticas docentes e fortalecimento de formações críticas e sensíveis. Promover o desemparedamento da infância é também promover uma educação ética, estética e comprometida com o futuro do planeta. Palavras-chave: Infância e natureza. Educação sustentável. Formação docente. 1 Mestranda em Educação, Universidade Estadual de Ponta Grossa,[email protected].