ANÁLISE DA SUSCETIBILIDADE A INUNDAÇÕES NO MUNICÍPIO DE ITORORÓ (BA): SUBSÍDIOS PARA O PLANEJAMENTO URBANO E AMBIENTAL
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ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 ANÁLISE DA SUSCETIBILIDADE A INUNDAÇÕES NO MUNICÍPIO DE ITORORÓ (BA): SUBSÍDIOS PARA O PLANEJAMENTO URBANO E AMBIENTAL Bruno Silva Rodrigues 1 Gabriel Silva Santos² INTRODUÇÃO Segundo Tucci (2004); Amorim; Alves e Magdalena (2024), as inundações urbanas correspondem ao transbordamento de águas provenientes de rios, riachos ou sistemas de drenagem, como galerias pluviais, cuja capacidade se mostra insuficiente para conter o volume escoado. Esse tipo de ocorrência é especialmente comum em áreas urbanizadas, onde a ocupação desordenada do solo e o aumento da impermeabilização reduzem significativamente a capacidade de infiltração da água, que prejudica e sobrecarrega o escoamento superficial. De acordo com as perspectivas dos autores, tais eventos são agravados por deficiências nos sistemas de drenagem urbana e pela ausência de um planejamento e gestão adequados, tornando-se um problema recorrente, sobretudo em municípios em dimensões territoriais e em grandes centros urbanos. Entretanto, esse cenário também se manifesta tanto em cidades com centros urbanos menores, além como, em municípios com dimensões territoriais não tão expressivas, como em Itororó (BA), que, apesar de sua dimensão territorial reduzida, apresenta áreas suscetíveis a inundações, principalmente nas regiões de fundo de vale e nas proximidades de corpos hídricos (Moreira, 2012). De acordo com Amorim; Alves e Magdalena (2024), a combinação entre fatores naturais e antrópicos, como a topografia acidentada, o uso inadequado do solo e a ocupação em áreas ambientalmente frágeis, contribui para o agravamento desses eventos. Diante disso, segundo aos estudos indicados pela carta de suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e inundações do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (Bitar, 2014) e Farias (2016), o uso de ferramentas de geotecnologia, especialmente com a análise multicritério em ambiente de Sistemas de Informações Geográficas (SIG), tornou-se efetiva para identificar, mapear e compreender as zonas de risco, integrando variáveis como uso e cobertura do solo, declividade, hipsometria e rede de drenagem. O município de Itororó, no médio Sudoeste da Bahia, tem enfrentado a difusão dos eventos climáticos extremos, que resultam em efeitos como as inundações, o que emprega a necessidade de um planejamento territorial mais eficaz a suportar a adversidades climáticas. A ocupação urbana desordenada, fruto do processo de produção do espaço geográfico e a fragilidade ambiental de algumas áreas 1 Graduando em Licenciatura em Geografia, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), e-mail: bruno.s.r.[email protected]. ² Graduando em Licenciatura em Geografia, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), e-mail: [email protected]
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 demandam abordagens que orientem ações preventivas e de mitigação (Corrêa, 1995; Spósito, 2000; Lefebvre, 2006). Neste contexto, o objetivo deste trabalho é mapear e analisar os diferentes níveis de suscetibilidade a inundações em Itororó (BA), utilizou-se o método de análise multicritério. Foram integradas variáveis de uso e ocupação do solo, fluxo acumulado e declividade, ponderadas em ambiente SIG, que resultou no mapa temático final de suscetibilidade a inundações. O modelo de digital elevação (MDE) adotado foi a da Environmental Systems Research Institute (ESRI, 2023), com projeção UTM zona 24S e Datum SIRGAS 2000. RESULTADOS E DISCUSSÕES Conforme o INEMA (2021), a bacia hidrográfica do rio Colônia, na qual se localiza o município de Itororó (BA), está inserida em duas Regiões de Planejamento e Gestão das Águas (RPGAs): aproximadamente 40% de seu território pertence à RPGA do Rio das Contas, enquanto mais de 60% está incluído na RPGA do Leste. Segundo a Resolução CONERH nº 08/2006, Itororó encontra-se na bacia do rio Colônia, que integra a bacia do rio Cachoeira, sob jurisdição do Comitê de Bacias Hidrográficas do Leste (Bahia, 2011). A RPGA do Leste, com 9.507 km², abriga mais de 680 mil habitantes e apresenta climas que variam do subúmido ao úmido, com cobertura vegetal composta por Mata Atlântica e florestas estacionais. Os principais rios são o Cachoeira, Almada, Colônia, Santana, Una e Doce, fundamentais para a dinâmica socioambiental da região (Inema, 2021). Ao observar sobre a rede hidrografia do município de Itororó, a sede municipal está localizada a jusante, no médio curso do Rio Colônia, região caracterizada por maior volume de água, vales mais amplos e menor declividade — condições naturais que favorecem a instalação de áreas urbanas e o desenvolvimento econômico. Essa posição destaca a influência da hidrografia na ocupação e organização do território. Em relação à rede hidrográfica do município de Itororó (BA), observa-se que esta é composta por predominância dos rios Colônia, Serra Torta, Ribeirão João Dias e Rio do Meio, organizando-se segundo um padrão de drenagem dendrítico — típico de áreas com relevo suavemente ondulado e litologia homogênea. Dentre esses cursos d’água, o rio Colônia se sobressai como o principal, que atravessa o território municipal no sentido nordeste-sudoeste e recebe diversos afluentes ao longo de seu trajeto. A análise multicritério para a elaboração do mapa de suscetibilidade à inundação do município de Itororó (BA) fundamentou-se na integração de diferentes variáveis físicas e de uso do solo, conforme metodologia orientada por Korah e Lopez (2015). Para isso, foram considerados os dados dos mapas temáticos de declividade (em graus), uso e ocupação do solo e fluxo acumulado. A cada uma dessas variáveis foi atribuído um peso específico, de acordo com sua influência no processo de escoamento e acúmulo de água, sendo: uso e ocupação do solo (40%), declividade (25%) e fluxo acumulado (35%). A (Tabela 1) apresenta de forma sintetizada os pesos atribuídos e a influência de cada variável na definição das áreas com maior suscetibilidade a inundações.
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 Tabela 1 - Peso das variáveis na modelagem de suscetibilidade à inundação Variável Peso (%) Influência Uso e Ocupação do Solo 40% Áreas urbanas impermeáveis aumentam o escoamento e a suscetibilidade, especialmente próximas aos córregos. Declividade 25% Áreas planas favorecem o acúmulo de água; regiões inclinadas têm menor risco direto de inundação. Fluxo Acumulado 35% Concentra o escoamento em fundos de vale e margens fluviais, elevando o risco de inundação. Fonte: Korah e Lopez (2015). Os resultados apresentados de acordo à figura 2, indicam que o município de Itororó (BA), apresentar áreas com diferentes níveis de risco à inundação, conforme os critérios estabelecidos. As zonas de risco muito baixo predominam nas regiões elevadas, onde há menor densidade de drenagem e presença de cobertura vegetal preservada, fatores que contribuem para a maior infiltração da água no solo e a redução do escoamento superficial. Já as áreas classificadas como risco baixo e moderado estão distribuídas em boa parte do território e incluem as zonas de transição entre encostas e fundos de vale, que, embora menos críticas, ainda requerem atenção quanto ao uso e ocupação do solo. Figura 2 – Análise da suscetibilidade a inundações no município de Itororó (BA). Fonte: ESRI, (2025). As áreas de risco alto concentram-se, sobretudo, nas porções sul e sudeste do município, onde predominam os fundos de vale e as proximidades de cursos d’água. Nesses locais, a combinação entre baixa declividade, maior densidade de drenagem e uso intensivo do solo potencializa o acúmulo de água durante eventos de chuvas
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 intensas, o que resulta em um aumento significativo da suscetibilidade a inundações, no município. De acordo com Moreira (2012), em seu relatório de Reconhecimento de Áreas em Alto e Muito Alto Risco a Enchentes e Movimentos de Massa no ano de 2012, o bairro Colônia, Sinval Palmeira e Gameleira apresentaram alto risco para vulnerabilidades a inundação, pelas condições de apropriação do espaço urbano sobre áreas inapropriadas. Conforme apontado por Farias (2019), a presença de áreas urbanizadas em cotas mais baixas e próximas a corpos hídricos é um fator recorrente na configuração de riscos socioambientais em municípios de pequeno e médio porte. A utilização do método de análise multicritério, neste contexto, mostrou-se se eficaz ao integrar variáveis ambientais de diferentes naturezas, como uso e ocupação do solo, fluxo acumulado e declividade, o que resultou em uma representação espacial detalhada e confiável da suscetibilidade a inundações. Essa metodologia permite a ponderação criteriosa de fatores ambientais e facilita a tomada de decisão em situações de risco, em específico nos ambientes urbanos complexos. Portanto, a análise multicritério, apoiada por ferramentas de geoprocessamento, tem sido amplamente utilizada para fins de planejamento territorial, sendo capaz de oferecer diagnósticos espaciais que orientem políticas públicas mais eficazes (Souza; Francelino, 2021). CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que a aplicação da análise multicritério ao município de Itororó-BA é fundamental para subsidiar ações de prevenção e mitigação de desastres ambientais. A identificação das áreas de risco oferece base concreta para o ordenamento territorial, a recuperação de áreas de preservação permanente e a promoção de estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Nesse sentido, reafirma-se a importância do uso das geotecnologias no planejamento ambiental e na mitigação de problemas associados às vulnerabilidades socioambientais — temáticas emergentes diante dos eventos climáticos extremos e da crescente pressão urbana observados nos últimos anos. Além disso, como desdobramento futuro, este estudo propõe uma análise crítica direcionada à população em situação de vulnerabilidade, com a elaboração de uma cartografia de síntese baseada em um Índice Sintético de Vulnerabilidade Social (ISVS). A intenção é ampliar o alcance da investigação, permitindo visualizar e discutir, de maneira integrada, as relações socioambientais mais urgentes presentes no processo de produção do espaço urbano do município de Itororó (BA). REFERÊNCIAS AMORIM, Raul Reis; ALVES, Isabelle Salazar Vieira; MAGDALENA, Ulises Rodrigo. As inundações numa perspectiva geográfica: o fenômeno físico e suas implicações na sociedade. In: AMORIM, Raul Reais; FILHO, Archimedes Perez; FEREIRA, Marcos Cesar. Geografia: conceitos, teorias, métodos e aplicações na perspectiva ambiental. Rio de Janeiro: Consequência Editora, 2024.
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 BAHIA. Resolução CONERH nº 08. Comitê da Bacia Hidrográfica do Leste. 2011 BITAR, Omar Yazbek (coord.). Cartas de suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e inundações: 1:25.000 (livro eletrônico): nota técnica explicativa. São Paulo: IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo; Brasília, DF: CPRM – Serviço Geológico do Brasil, 2014. (Publicação IPT; 3016). Disponível em: https://rigeo.sgb.gov.br/bitstream/doc/16588/1/NTCarta_Suscetibilidade.pdf. Acesso em: 16 abr. 2025. CORRÊA, Roberto Lobato. O Espaço Urbano. 3ª Ed. São Paulo: Editora Ática S.A, 1995. FARIAS, Ariadne Sílvia de. Inundações urbanas em Francisco Beltrão/PR: riscos e vulnerabilidades socioambientais. 2019. Tese (Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento) – Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Agrárias, Curitiba, 2019. INEMA, INSTITUTO DO MEIO AMBIENTE E RECURSOS HÍDRICOS. Comitê da Bacia Hidrográfica do Leste. 2011. Disponível em: http://www.inema.ba.gov.br/gestao-2/comites-de-bacias/comites/cbh-leste/. Acesso em: 24 jan. 2025. KORAH, P. I.; LÓPEZ, F. M. J. Mapping Flood Vulnerable Areas in Quetzaltenango, Guatemala using GIS. Journal of Environmental and Earth Science, v. 5, n. 6, p. 132–143, 2015. LEFEBVRE, Henri. A produção do espaço. Trad. Doralice Barros Pereira e Sérgio Martins (do original: La production de l’espace. 4e éd. Paris: Éditions Anthropos, 2000). Primeira versão : início - fev. 2006 MOREIRA, Gustavo. Ação para reconhecimento de áreas em alto e muito alto risco a enchentes e movimentos de massa: Itororó, Bahia. Salvador: CPRM, 2012. Disponível em: https://rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/18889. Acesso em: 31 jan. 2025. SOUZA, José João Lélis Leal de; FRANCELINO, Márcio Rocha. Análise multicritério e geoprocessamento no planejamento físico territorial de um distrito industrial não poluente no município de Presidente Prudente – SP. Revista Nacional de Gerenciamento de Cidades, v. 9, n. 65, p. 1–15, 2021. Disponível em: https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/gerenciamento_de_cidades/a rticle/v iew/1348. Acesso em: 17 abr. 2025. SPÓSITO, Maria Encarnação Beltrão. Capitalismo e Urbanização. 10ª ed. São Paulo, Contexto, 2000. TUCCI, Carlos Eduardo Morelli. Gestão de inundações urbanas. Porto Alegre: ABRH, 2004.