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VARIABILIDADE DA TEMPERATURA DO AR EM CAMPOS DO JORDÃO (SP): ANÁLISES EXPLORATÓRIAS DE SÉRIES HISTÓRICAS

Oliveira, Daiane; Amaral, Cinthia Maria

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ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 28 a 30 de agosto de 2025 VARIABILIDADE DA TEMPERATURA DO AR EM CAMPOS DO JORDÃO (SP): ANÁLISES EXPLORATÓRIAS DE SÉRIES HISTÓRICAS Daiane Evangelista de Oliveira 1 Cinthia Maria Amaral² INTRODUÇÃO A temperatura do ar é um dos principais elementos climáticos existentes e desempenha papel fundamental na dinâmica atmosférica, nas trocas de energia e nos processos que regulam o clima, seja ele local ou global (Mendonça e Danni-Oliveira, 2007). Sua variabilidade, tanto em escalas temporais quanto espaciais, reflete a complexidade das interações entre fatores de formação do clima (Nimer, 1989), de tal modo que sua análise se torna essencial para a compreensão dos padrões climáticos, sejam eles habituais ou episódicos (Monteiro, 1991). Sua distribuição espaço-temporal representa um elemento-chave na dinâmica socioambiental, influenciando direta ou indiretamente diversos processos naturais ou antropogênicos. Em termos fisiológicos, ela exerce forte impacto sobre o conforto ou estresse térmico da população, sendo determinante para a saúde humana, essencialmente entre grupos vulneráveis como idosos, crianças e trabalhadores expostos ao ambiente externo (Ramiro et al. 2024). Eventos de calor ou frio extremos estão associados a aumentos nas taxas de mortalidade e morbidade, representando um desafio crescente em cenários de mudança climática (Ramiro et al. 2024). No setor agrícola, por sua vez, a temperatura interfere nos ciclos fenológicos das culturas, na produtividade e na ocorrência de pragas e doenças, afetando a segurança alimentar e a economia (Santos, 2021). Além disso, o comportamento térmico do ambiente influencia a eficiência energética e no consumo de água, tornando a compreensão da variabilidade térmica fundamental para a gestão sustentável dos territórios. Por este motivo, a distribuição térmica influencia a uma ampla gama de decisões, como por exemplo aquelas relacionadas ao uso e ocupação do solo rural e urbano, nas infraestruturas a serem alocadas nos espaços, na saúde pública, dentre outras. Além destas, há regiões cuja economia está fortemente vinculada à sazonalidade termo-hídrica e ao turismo climático, como exemplo as regiões litorâneas, áreas nevadas e/ou serranas. Em tais locais a análise da temperatura ganha importância e pode contribuir para movimentar as potencialidades econômicas da região. A cidade de Campos do Jordão, localizada na Serra da Mantiqueira, interior do estado de São Paulo, é um exemplo emblemático dessa relação entre clima e turismo serrano (Rosa Filho, 2012). Reconhecida como um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil durante o inverno, a cidade possui sua imagem diretamente associada ao frio e às baixas temperaturas. No entanto, a escassez de estudos científicos que analisem de forma detalhada o comportamento térmico local, 1 D. E. Oliveira ( ). Universidade Estadual de Londrina. Londrina, PR, Brasil. ² C.M. Amaral ( ). Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 28 a 30 de agosto de 2025 especialmente com foco em tendências, padrões e anomalias, representa uma lacuna na compreensão do clima local. Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo realizar um levantamento preliminar da temperatura do ar em Campos do Jordão, a partir da sistematização de dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A análise concentrou-se na organização e tratamento inicial das informações, permitindo uma caracterização geral da variabilidade térmica local. Esses resultados servirão como base para investigações futuras, mais aprofundadas e voltadas à identificação de padrões, eventos atípicos e suas possíveis implicações para o planejamento territorial e a atividade turística. A justificativa para este estudo reside na ausência de diagnósticos climatológicos sistemáticos voltados à temperatura do ar nesta cidade, especialmente sob uma abordagem multiescalar e estatística. Diante da relevância do clima para a economia e identidade de Campos do Jordão, compreender sua dinâmica térmica é essencial tanto para fins acadêmicos quanto para o desenvolvimento de políticas públicas sustentáveis e estratégias de adaptação locais. DESENVOLVIMENTO A cidade de Campos do Jordão, localizada no estado de São Paulo, constituiu a unidade territorial escolhida para este estudo (Figura 01). Situada na Serra da Mantiqueira, com altitudes que variam de 1 600 a 2 000 metros em média (Rosa Filho, 2012), Campos do Jordão é conhecida por seu clima ameno e pelas baixas temperaturas, que ao contrastar com as tipologias climáticas de grande parte do território paulista, representa um refúgio propício às atividades turísticas. Figura 1 – Localização da área de estudo. Fonte: Organizado pelas autoras (2025). ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 28 a 30 de agosto de 2025 Segundo Nimer (1972), Campos do Jordão está inserido na categoria Tropical Brasil Central mesotérmico, apresentando variações internas que podem ir de mesotérmico brando a mediano, ou mesmo caracterizar-se como subquente, a depender da altitude e da posição no território municipal. Já Novais e Galvani (2022), em uma análise mais recente voltada ao clima do estado de São Paulo, consideram o município predominantemente como pertencente ao tipo Subtropical úmido, com presença do domínio Temperado úmido nas proximidades do Parque Estadual de Campos do Jordão. A topografia acidentada, a elevada altitude e a cobertura vegetal remanescente contribuem para a formação de um microclima peculiar e favorável para o crescimento turístico em busca de temperaturas mais baixas, especialmente durante os meses de inverno. Outrora, essa condicionante de Estância Climática esteve relacionada ao tratamento de doenças pulmonares (Rosa Filho, 2012). Do ponto de vista metodológico, o estudo baseia-se na sistematização de dados históricos, apurado em análise estatística preliminar, tendo a temperatura do ar, provenientes de uma estação meteorológica (Código da Estação: 83714) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), como recorte amostral de dados. A estação 83714 é do tipo Convencional e foi selecionada por ser a único presente com dados suficientes para análise no município estudado. A série histórica compreende o período temporal que engloba os anos de 1961 a 2019, totalizando 59 anos de observações diárias. A abordagem adotada inclui a caracterização descritiva das variáveis térmicas Tmin (temperatura mínima), Tmax (temperatura máxima) e Tmed (temperatura média) em termos de identificação de padrões climáticos, bem como a identificação de eventos atípicos nesse intervalo. A análise está estruturada em diferentes escalas temporais e tem como intuito compreender tanto a variabilidade de curto prazo quanto as mudanças de longo prazo. Em relação à qualidade da base de dados, verificou-se a presença de falhas em aproximadamente 13% (Tmax), 46% (Tmed) e 29% (Tmin) do total de registros, percentual considerado alto para séries longas de observações meteorológicas. Em estudos posteriores, tais falhas não poderiam ser tratadas por meio de métodos de preenchimento devido ao seu quantitativo elevado. Um novo recorte de dados deverá ser empregado a depender da natureza e do impacto dos dados ausentes na análise estatística. Mesmo que em fase inicial, os resultados da presente pesquisa já vêm demonstrando a presença de uma sazonalidade térmica, a qual se mostra menos acentuada do que em outras regiões do estado de São Paulo, devido possivelmente em função do efeito modulador do relevo e da altitude. Os meses de junho a agosto são os mais frios, com temperaturas mínimas (Tmin) que podem chegar em valores negativos, identificados em 571 dos dias analisados. A menor Tmin registrada foi de - 7,2°C, no dia 06 de junho de 1988. A máxima histórica (Tmax), por sua vez, foi registrada no dia 17 de setembro de 1961, quando os termômetros aferiram 30,5°C. Além deste, apenas outros dois dias da série apresentaram registros superiores aos 30°C, à saber: 21 de setembro de 1963 (Tmax = 30°C) e 14 de outubro de 1963 (Tmax = 30°C). A análise preliminar também indicou uma possível influência do relevo regional sobre o comportamento térmico, o que é coerente com a literatura climatológica que aponta a altitude como fator de controle importante das temperaturas da região ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 28 a 30 de agosto de 2025 Sudeste do Brasil (Nimer, 1989; Sant’Anna Neto, 2005). Essa relação será aprofundada nas próximas etapas da pesquisa, considerando a integração entre clima e geoambiente. Os resultados preliminares já sugerem que a temperatura do ar em Campos do Jordão apresenta comportamentos fortemente associados às características topográficas da região. Esses primeiros achados reforçam a importância de se aprofundar na análise multiescalar e estatística da temperatura como forma de compreender melhor os padrões climáticos locais, subsidiar políticas públicas e apoiar estratégias voltadas ao turismo, ao planejamento urbano e à gestão ambiental da cidade. Outras etapas que melhor caracterizam a investigação são a identificação dos anos padrão de temperatura, conforme preconização de Monteiro (1991), e a identificação da presença de ondas de calor e frio, segundo os parâmetros da Organização Mundial de Meteorologia (OMM). CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados obtidos até o momento indicam que, embora este estudo ainda esteja em fase de construção, ele já proporcionou observações relevantes sobre o comportamento térmico de Campos do Jordão. A metodologia empregada, com base na análise preliminar de séries históricas de temperatura do ar, mostrou-se eficaz para identificar padrões sazonais e características locais de variabilidade térmica. Os achados reforçam as justificativas para a consolidação da potencialidade de Campos do Jordão como um destino turístico associado ao clima frio, especialmente durante o inverno, visto o elevado quantitativo de dias com Tmin abaixo de 0°. A ocorrência de baixas temperaturas, em comparação com outras regiões do estado de São Paulo, bem como a presença de uma sazonalidade, ainda que atenuada, sustentam a imagem climática da cidade como um local de interesse e potencial turístico. Esse vínculo entre clima e turismo fortalece a importância de estudos climatológicos para subsidiar o planejamento e o desenvolvimento sustentável do setor, que tem forte dependência das condições meteorológicas. As próximas etapas da pesquisa incluem o aprofundamento das análises estatísticas, com foco na categorização dos dados em diferentes níveis temporais, como os anos padrão e as ondas de frio e calor, além da identificação de eventos extremos e suas recorrências. Pretende-se ainda explorar com mais detalhe as temperaturas diárias a fim de compreender a variabilidade interanual e os comportamentos anômalos que possam ter impacto direto no cotidiano da população residente e nas atividades econômicas locais para além do turismo. Espera-se, com isso, ampliar a compreensão da dinâmica térmica da cidade e contribuir com o planejamento territorial, à gestão do turismo e à adaptação às mudanças climáticas contemporâneas. REFERÊNCIAS MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo, Oficina de textos, 2007 MONTEIRO, C. A. F. Clima e excepcionalismo: conjecturas sobre o desempenho da atmosfera como fenômeno geográfico. 1 ed. Florianópolis: UFSC, 1991. ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 28 a 30 de agosto de 2025 NIMER, E. Clima do Brasil. Rio de Janeiro. IBGE, 1989. NOVAIS, G. T.; GALVANI, E. Uma tipologia de classificação climática aplicada ao estado de São Paulo. Revista do Departamento de Geografia, USP, v. 42, p. 1-21, 2022. DOI: https://orcid.org/0000-0003-0644-4326 RAMIRO, A.L.B., DE CASTRO BATISTA, L., KLIPPEL, L. N., FERREIRA, C. D. C. M. Elementos meteorológicos e as repercussões na saúde humana publicadas nos últimos 5 anos (2024-2020): uma revisão de escopo. In: Anais do XX Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada & IV ELAAGFA Encontro Luso-Afro-Americano de Geografia Física e Ambiente. João Pessoa, 2024. ROSA FILHO, A. Os deslizamentos de encostas nas favelas em áreas de risco da “Suiça Brasileira”. ACTA Geográfica, Boa Vista, v. 6, n. 11, 2012. DOI: https://doi.org/10.5654/acta.v6i11.764. Disponível em: https://revista.ufrr.br/actageo/article/view/764. Acesso em: Jul/2025. SANT’ANNA NETO, J. L. Decálogo da climatologia do Sudeste brasileiro. Revista Brasileira de Climatologia, Curitiba, v.1, n.1, 2005. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/rbclima/article/view/13438. Acesso em: Jul/2025. SANTOS, R. C. Abordagens recentes sobre a influência do aumento da temperatura ambiental na produção de hortaliças: uma revisão. 2021. Monografia (Graduação) - UFPB/CCHSA, 2021.